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Introdução à 
Engenharia de 
Segurança do 
Trabalho 
Unidade 1 - História da Engenharia de Segurança do Trabalho
Sumário
 
CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO
Evolução da engenharia de segurança 
 Contextualizando a segurança do trabalho
 Evolução da formação profissional
 Engenharia de Segurança do Trabalho moderna 
 Segurança do trabalho no Brasil
Aspectos econômicos, políticos e sociais 
 Contexto histórico
 Aspectos econômicos 
 Aspectos políticos
 Aspectos sociais
História do prevencionismo
 Sintetizando a história
 Prevencionismo pré-Revolução Industrial
 Revolução 4.0
6
17
 
27
Sumário
 
CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO
Entidades públicas e privadas
 Conceitos legais
 Direitos e deveres prevencionistas
 O papel do serviço especializado em engenharia e medicina 
do trabalho
 Serviço especializado em engenharia e medicina do 
trabalho entidades privadas
 Serviço especializado em engenharia e medicina do 
trabalho entidades públicas
 Terceiro setor
Referências 
37
46
Objetivos Definição
Explicando Melhor Você Sabia?
Acesse Resumindo
Nota Importante
Saiba Mais Reflita
Atividades Testando
Para o início do 
desenvolvimento de uma 
nova competência;
Se houver necessidade 
de se apresentar um novo 
conceito;
Algo precisa ser melhor 
explicado ou detalhado;
Curiosidades indagações 
lúdicas sobre o tema em 
estudo, se form necessarias;
Se for preciso acesar um 
ou mais sites para fazer 
dowload, assistir videos, ler 
textos, ouvir podcast;
Quando for preciso se fazer 
um resumo acumulativo 
das últimas abordagens;
quando forem necessárias 
observações ou 
complementações para o
seu conhecimento;
As observações escritas 
tiveram que ser priorizadas 
para você;
Textos, referências 
bibliográficas e links para 
aprofundamento do seu 
conhecimento;
Se houver a necessidade 
de chamar a atenção 
sobre algo a ser refletido ou 
discutido sobre;
Quando alguma atividade 
de autoaprendizagem for 
aplicada;
Quando o desenvolvimento 
de uma competência for 
concluído e questões forem 
explicadas. 
@faculdadelibano_
1
Evolução da 
engenharia de 
segurança
Introdução à Engenharia de 
Segurança do Trabalho 
Capítulo 1
O direito e sua relação com a 
justiça e a moral
Objetivos
Ao término deste capítulo você será capaz de conhecer e analisar o 
contexto histórico da Segurança do Trabalho, as perspectivas para o 
futuro da segurança e saúde do trabalho e compreender o papel da 
Engenharia de Segurança no contexto econômico, político e social.
Contextualizando a segurança do trabalho
Querido(a) aluno(a), estamos prestes a iniciar nossa jornada rumo à Engenharia de 
Segurança do Trabalho, mas precisamos primeiro estabelecer o que é trabalho.
Para Sussekind (2002, p. 1), em seu curso de Direito do Trabalho, a definição de trabalho é: 
“toda energia humana, física ou intelectual, empregada com um fim produtivo, constitui 
trabalho”.
F I G U R A 1
Carteira de trabalho
F O N T E
https://bit.ly/2KAuU30. Acesso em: 16 
dez. 2020.
Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
Evolução da engenharia de segurança Capítulo 1
Assim, podemos chamar de trabalhadores todos os seres humanos, homens e mulheres 
que exercem uma atividade que tenha por finalidade o seu sustento, estando inseridos 
no mercado de trabalho por meio de uma relação contratual; que pode ser formal, 
quando o trabalhador tem um contrato de trabalho registrado mediante carteira 
de trabalho pela consolidação das leis do trabalho (CLT) ou estatutário, quando seu 
contrato é registrado em uma entidade pública. Esse trabalhador também pode exercer 
seu trabalho nos setores informais, quando não há um contrato de trabalho registrado 
na carteira de trabalho.
Dessa forma, a relação do homem com o trabalho pode ser encontrada na história da 
humanidade de forma muito marcante em seus acontecimentos e em suas mudanças, 
tanto nas relações sociais entre os homens como na relação do homem com o meio.
A relação do homem com o meio é um importante registro da evolução da humanidade. 
Por isso, Walter Bazzo analisa o desenvolvimento das relações humanas e afirma que:
Analisando a história, logo percebemos que ela é de fato permeada 
de significativos desenvolvimentos que marcaram profundamente 
o destino da humanidade. O controle do fogo, a domesticação 
dos animais, a invenção da agricultura, a criação de cidades, 
o desenvolvimento da imprensa ou a construção de um avião 
comercial estão aí para comprovar esta interpretação. (BAZZO, 2006, 
p. 66)
Na pré-história, o homem apresenta uma relação extrativista com o meio e sua energia é 
consumida no trabalho de retirar do ambiente o fruto de sua sobrevivência. Ele precisava 
ir em busca da caça, do alimento, do abrigo estando exposto a diferentes situações de 
risco e vulnerabilidade. Ainda na pré-história, no período Neolítico, o homem começa a 
busca por PROTEÇÃO, por mais SEGURANÇA em relação ao meio com o qual ele interage.
Essa busca o leva a desenvolver habilidades em talhar a pedra e posteriormente os 
metais para fabricar suas armas de caça e de proteção. É também nesse momento 
histórico que o homem trabalha na terra, cultivando, domesticando animais e produzindo 
alimentos e se tornam sedentários, formando pequenos grupos familiares com o mesmo 
objetivo (SILVA, 2019).
Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
Evolução da engenharia de segurança Capítulo 1
Sendo assim, podemos ver nesse momento que o trabalho para o homem é uma relação 
dele com o meio e com os outros. É pela força do trabalho que o homem constrói suas 
primeiras comunidades. Além disso, a formação da comunidade também foi uma forma 
de gerar mais segurança e conforto. Os homens agora saíam para caçar em bandos 
com as armas confeccionadas por eles enquanto as mulheres e crianças cultivavam a 
terra e cuidavam dos animais (SILVA, 2019).
Diante disso, o homem não parou nas cavernas e continuou evoluindo, agregando 
conhecimento e aplicando suas descobertas para produzir mais e sentir-se socialmente 
mais seguro. A força vital era a sua maior fonte de energia, até que o homem começou 
a dominar a energia da natureza, primeiro o fogo, depois a água e o vento.
No estudo do ambiente de trabalho é preciso avaliar os pontos de tensão e os conflitos 
que fazem com que os homens criem novas relações de trabalho. Dessa forma, 
primeiramente analisemos pela ótica do trabalho, partindo da pedra lascada, passando 
pelos metais até o domínio do conhecimento técnico, com a construção de máquinas, 
ainda que rudimentares. Depois, por uma ótica social, partindo de uma sociedade 
caçadora/coletora, passamos para uma sociedade rural até chegarmos em ambientes 
urbanos, com novas relações de produção para obter lucro e consumo capitalista.
O trabalho realizado atualmente encontra-se dentro de um contexto histórico. Um 
exemplo da evolução das relações de trabalho é compararmos o trabalho de um artesão 
medieval, que nele concentrava- se todo o trabalho de criar, planejar e modificar as 
peças produzidas, com a indústria metalúrgica atual, onde há linha de produção 
F I G U R A 2
Sociedade pré-histórica
F O N T E
Pixabay
Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
Evolução da engenharia de segurança Capítulo 1
mecanizada, objetivando a produtividade e a empregabilidade no setor.
Assim, vemos o homem começar a gerar o contrato de trabalho, pois o trabalho não 
era mais para garantir a sobrevivência, e sim para garantir o salário e o lucro, ou seja, o 
homem trabalha para outro homem e recebe algo em troca (BAZZO, 2006).
F I G U R A 3
C o n t r a t o d e 
t r a b a l h o
F O N T E
pixabay
Hipócrates, o pai da medicina, a respeito do envenenamento por chumbo realizados 
no século XV e, séculos depois, em Roma, volta-se a falar sobre envenenamento com 
enxofre, zinco e vapores ácidos.
Nesses escritos, os autores relatam fatos acontecidos, porém a Engenharia de Segurança 
do Trabalho vai surgir para desenvolver a técnicade prevenção com o objetivo de gerar 
maior qualidade de vida aos trabalhadores, e para os empregadores um aumento na 
produtividade e nos resultados positivos em sua gestão organizacional.
Embora durante séculos os marcos da Segurança do Trabalho, como quando Bernardino 
Ramazzini descreve doenças relacionadas a 50 profissões e por seu trabalho ele é 
considerado o Pai da Medicina do Trabalho (MACEDO, 2012), estejam ligados a ações 
corretivas, a Engenharia de Segurança do Trabalho trabalha para avaliar os riscos 
por meio de métodos qualitativos e quantitativos, de forma que se possa controlar o 
aparecimento de doenças ocupacionais e evitar acidentes.
Dessa forma, a Engenharia de Segurança tem o apoio dos demais profissionais da 
prevencionista, como o médico do trabalho, que auxilia da gestão de segurança 
Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
Evolução da engenharia de segurança Capítulo 1
analisando e acompanhando a saúde do trabalhador mediante exames médicos 
ocupacionais (admissional, periódico, retorno ao trabalho ou mudança de função e o 
demissional) que ajudam em diagnósticos precoces.
Outro aspecto importante que devemos destacar na Engenharia de Segurança do 
Trabalho é a prevenção de acidentes de trabalho, que além de garantir a integridade 
física, mental e social do colaborador, deve ser vista como um bom investimento de 
capital, já que garante a continuidade das operações e redução com os custos do 
acidente.
Atualmente, podemos destacar a função do engenheiro de segurança do trabalho de 
produzir e manter atualizado o Perfil Profissional Previdenciário (PPP), documento que 
registra as atividades desenvolvidas pelos trabalhadores da empresa e que é utilizado 
para a análise da rescisão do contrato por desligamento e concessão de benefícios 
por incapacidade, usado durante a perícia realizada pelos médicos do INSS para 
comprovação do nexo causal.
A Engenharia de Segurança do Trabalho só é hoje uma realidade porque foram necessários 
mais de 100 anos, desde a primeira lei que garantia segurança aos trabalhadores, para 
que a proteção dos trabalhos atingisse a todos os povos. Foi apenas no século XX, depois 
da Primeira Guerra Mundial, quando aconteceu a Conferência da Paz, onde foi criada a 
Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização Mundial de Saúde (OMS), 
em 1919, com o início das suas operações, impactando o mundo. Em 1958 e 1959, em 
Conferência Internacional do Trabalho, foi estabelecida a Recomendação no 112 para os 
serviços de saúde ocupacional.
Podemos destacar na gestão da Saúde e Segurança do Trabalho (SST), realizada pela 
Engenharia de Segurança do Trabalho, a atenção às recomendações estabelecidas 
pela OIT em níveis globais e o atendimento às Normas Regulamentadora Nacionais, 
priorizando as práticas organizacionais que proporcionem aos trabalhadores a vivência 
do conceito de saúde estabelecido pelas Organizações Mundiais de Saúde (OMS), que 
estabelece saúde como bem-estar físico mental e social e não apenas ausência de 
sintomas, por meio dos exames ocupacionais.
Sendo assim, a engenharia de segurança deve estar atenta às condições ergonômicas 
e de conforto ofertadas aos colaboradores, principalmente para os postos de trabalho 
Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
Evolução da engenharia de segurança Capítulo 1
que exigirem um desgaste psicofisiológico do trabalhador, reduzindo situações que 
levem aos conflitos e ao estresse. Uma boa prática organizacional para reduzir esses 
efeitos é o uso de meritocracia como reconhecimento e qualificação profissional.
Em um aspecto mais operacional, a Engenharia de Segurança do Trabalho deve priorizar 
as medidas de controle coletivas e organizacionais ou administrativas, utilizando-
se das medidas individuais como complementadoras no processo de antecipação, 
reconhecimento, avaliação e controle de risco previsto pela NR 9. (BRASIL, 2016)
Evolução da formação profissional
Assim como as máquinas e os processos evoluíram, a formação profissional também 
precisou evoluir, saindo do Assistente de Segurança do Trabalho, passando pelo Auxiliar 
de Segurança do Trabalho até chegarmos no Técnico de Segurança do Trabalho e 
Engenheiro de Segurança do Trabalho. Vamos conhecer o conceito de cada um desses 
profissionais.
• Auxiliar Técnico de Segurança no Trabalho: é o profissional responsável por 
promover a segurança e prevenção de riscos. Ele orienta os funcionários a utilizar os EPIs 
de forma correta, estabelece normas de segurança, informa sobre meios de prevenção 
de acidentes, inspeciona áreas de trabalho a fim de verificar as condições do ambiente 
e verifica equipamentos usados para determinar possíveis fatores de risco. O profissional 
trabalha diretamente com a área de saúde e segurança em empresas (Empregos.com.
br, 2015).
• Técnico de Segurança do Trabalho: o profissional de Segurança do Trabalho pode 
atuar em empresas, brigadas de incêndio e instituições públicas e privadas. Sua meta é 
preservar a segurança dos trabalhadores a partir de programas de prevenção, como a 
Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), que visa a precaução de acidentes 
e doenças relacionadas ao trabalho (BRASIL, 2017).
• Engenheiro de Segurança: desenvolve, testa e supervisiona sistemas, processos 
e métodos produtivos, gerencia atividades de segurança no trabalho e do meio 
ambiente, gerencia exposições a fatores ocupacionais de risco à saúde do trabalhador, 
planeja empreendimentos e atividades produtivas e coordena equipes, treinamentos e 
atividades de trabalho (BRASIL, 2017).
Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
Evolução da engenharia de segurança Capítulo 1
Se desde os primórdios da sociedade o engenheiro é importante no dia a dia de uma 
sociedade, seja planejando ou executando projetos, também na área de segurança é 
fundamental para a procura de soluções, para a concretização de ideias ou mesmo 
para a administração dos serviços
 
necessários à execução da gestão de segurança. Não seria diferente na engenharia 
moderna, que se caracteriza pelo uso de ferramentas de gestão atreladas à aplicação 
de conhecimentos científicos para a solução de problemas (ALVIM, 2006).
Engenharia de Segurança do Trabalho moderna
A engenharia de segurança que vemos hoje está inserida em uma nova cultura 
organizacional, que iniciou durante uma reunião em Londres em 1946, onde foi decidido 
pelos vinte e cinco países representantes criar uma organização internacional, 
International Organization for Standardization (ISO), que tem como objetivo facilitar 
a coordenação de normas industriais. Através da ISO foi possível estabelecer como 
gerenciar os negócios ao longo do processo e não por resultados.
Hoje, podemos dizer que todos os segmentos vêm se preocupando com a Segurança 
e Saúde Ocupacional para reduzir e controlar acidentes de trabalho. As organizações 
querem ainda servir os clientes com produtos de qualidade, garantir a prevenção no 
uso de máquinas e equipamentos e qualquer tipo de erro.
Junto com a ISO, a norma OHSAS 18001 fortalece o desenvolvimento da política de 
segurança, possibilitando a padronização das regras que devem ser respeitadas 
por todos, acrescentando os terceiros em uma conduta de equidade e postura 
prevencionista. Sendo assim, atualmente, a condução de um Sistema de Gestão 
da Saúde e Segurança Ocupacional é um elemento fundamental da estratégia 
organizacional.
A implementação de um Sistema de Gestão Integrada permite à organização proteger 
sua força de trabalho e outras pessoas sob seu controle, cumprir os requisitos legais e 
facilitar o aprimoramento contínuo. A ISO 45001 é um futuro real na área da Segurança 
do Trabalho. É a nova norma internacional para uma Gestão da Saúde e Segurança que 
embora seja semelhante à OHSAS 18001, a nova norma ISO 45001 aproxima a gestão de 
Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
Evolução da engenharia de segurança Capítulo 1
Segurança do Trabalho a um sistema de gestãointegrada (SGI). Mas qual a finalidade 
de gerir um Sistema Integrado?
Depois de verificar o quanto eram custosos os gastos com acidentes e doenças do 
trabalho, as empresas descobriram que investindo na prevenção e no controle de 
perdas, elas reduziriam custos, pois estariam evitando possíveis acidentes e doenças 
ocupacionais e seus custos com afastamento e benefícios, além de garantir uma boa 
reputação com os stakeholders, que reconhecem um ambiente mais seguro como um 
ambiente mais produtivo.
Segurança do trabalho no Brasil
A história da Segurança do Trabalho acompanha a Revolução Industrial nos países 
europeus e nos EUA e não seria diferente no Brasil. Porém, como nos demais países 
subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, a Revolução Industrial no Brasil ocorreu de 
forma tardia, por volta de 1930, e não tardou para que o país fosse um dos que registrava 
o maior número de acidentes e mortes no trabalho (MACEDO, 2012).
Foi apenas após a Constituição Federal de 1988 que a legislação trabalhista começou a 
se adequar, embora desde 1943 existissem leis para reger as relações de trabalho, como 
a Consolidação das Leis trabalhista (CLT), e posteriormente a Lei de Planos de Benefícios 
da Previdência Social. Em 1978 foram aprovadas Normas Regulamentadoras, Capítulo V, 
Título II, da CLT Relativo à Segurança e Medicina do Trabalho. Em dezembro de 1997 foi 
alterado o Capítulo V da CLT (relativo à Segurança e Medicina do Trabalho) (BARSANO & 
BARBOSA, 2018).
Hoje são um total de 38 Normas Regulamentadoras e 36 em vigência após as últimas 
revisões ocorridas em 2022, com significativas alterações na NR1 e na NR9, em que altera 
as responsabilidades dos empregados e a revogação da NR2, NR27.
Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
Evolução da engenharia de segurança Capítulo 1
A legislação brasileira ainda permite que estados e municípios estabeleçam uma 
legislação aplicada à Segurança do Trabalho desde que não alterem a legislação 
Federal (BARSANO & BARBOSA, 2018).
Consultando o site do ENIT, você encontrará na íntegra todas as normas regulamentadoras 
vigentes, com suas devidas alterações textuais.
Importante
O Brasil não é o primeiro país a flexibilizar a legislação aplicada à 
segurança. Outros países buscam essa flexibilização decorrente do 
processo de globalização, mas sem alterar os direitos absolutos relativos 
à segurança e saúde do trabalho.
F I G U R A 4
N o r m a s R e g u l a m e n t a d o r a s
F O N T E
Elaborada pela autora.
Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
Evolução da engenharia de segurança Capítulo 1
Resumindo
Conhecer as raízes, ou seja, a história da origem de determinados temas 
sempre nos enriquece de conhecimentos. E foi o que esta unidade lhe 
proporcionou, através de uma viagem no tempo sobre SST. Vimos que a 
gestão é elemento essencial para a gestão de Segurança do Trabalho. 
Em um contexto global, as relações de trabalho se modificaram frente a 
modificações sofridas no mercado, em destaque o neoliberalismo, com 
uma busca por produtividade e lucro, além da terceirização dos serviços.
@faculdadelibano_
2
Aspectos 
econômicos, 
políticos e sociais
Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
Capítulo 2
Aspectos econômicos, 
políticos e sociais
Objetivos
Ao término deste capítulo você será capaz de conhecer os aspectos 
econômicos, políticos e sociais que estão envolvidos com os eventos 
históricos do prevencionismo. Como você imagina que viviam as pessoas 
que tiveram que migrar do campo (área rural) para as cidades (área 
urbana)? Como era a distribuição de renda entre a população? E a política? 
Existia direita e esquerda? Como a política afeta o desenvolvimento do 
prevencionismo? Entender os aspectos políticos, sociais e econômicos é 
necessário para entender os surgimentos das leis e dos procedimentos 
de segurança, e é isso que faremos neste capítulo. Vamos viajar juntos 
pelo tempo.
Contexto histórico
Como vimos no capítulo anterior, o trabalho existe na história da humanidade 
acompanhando a formação e o desenvolvimento das sociedades e suas relações com 
o meio. Inicialmente, temos uma relação harmônica entre os povos nômades e coletores, 
que depois desenvolveram a capacidade de confeccionar peças de forma artesanal 
até a chegada da Revolução Industrial, na qual nos dedicaremos mais detalhadamente 
no capítulo seguinte. A Revolução Industrial pode servir de marco, onde o conhecimento 
técnico se torna um diferencial nas relações de trabalho (VIERA, 2019).
As relações de trabalho na idade média foram a responsável pela formação da 
escravidão. “Um homem poderia se tornar escravo como resultado de guerras, de 
condenações penais, do nascimento etc.” (VIERA, 2019, s.p.). E hoje ainda existe trabalho 
escravo ou em condições semelhantes a que era imposta aos escravos? Como você 
definiria essas condições ou as exemplificaria vivenciadas pelos diferentes tipos de 
Introdução à Engenharia de 
Segurança do Trabalho 
Aspectos econômicos, políticos e sociais Capítulo 2
escravos desde a história antiga, no Egito, na Grécia, em Roma e até os negros africanos 
escravizados pelos os navegadores europeus?
Para respondermos questões como essas, vamos conhecer um pouco mais sobre os 
aspectos econômicos, políticos e sociais.
Aspectos econômicos
Como descrever os aspectos econômicos que envolvem a relações de trabalho e a 
Segurança do Trabalho? É simples, precisamos analisar as perdas e os custos com os 
afastamentos por acidentes e doenças ocupacionais.
Mas será que esses valores sempre foram levados em consideração ou podemos 
apontar que quando investir na segurança é mais lucrativo que pagar pelos custos dos 
afastamentos?
Podemos dividir os aspectos econômicos em dois períodos, o período pré-industrial e 
pós-industrial, por isso é tão importante nos dedicarmos ao estudo da Segurança do 
Trabalho após a Revolução Industrial.
No período pré-industrial, a morte ou os acidentes nos ambientes de trabalho eram 
comuns devido aos inúmeros perigos enfrentados pelos trabalhadores que eram tratados 
com fatos corriqueiros, sem grande impacto econômico. As políticas econômicas da 
época estavam mais preocupadas com os prejuízos gerados pelas guerras e pelas 
doenças por falta de condições básicas de saúde.
Mesmo em condições precárias de trabalho, exposição a condições de risco eminente, 
como o trato com animais e epidemias que assolavam as cidades, era vital para a 
economia que o trabalho não parasse, muito menos era possível ter gasto com a 
prevenção dos acidentes ou com a qualidade de vida.
O período industrial iniciou-se com a produção de teares para a indústria têxtil e a 
máquina a vapor, espalhando-se por toda a Europa, América do Norte e, posteriormente, 
na segunda metade do século XX, nos países da Ásia, África e América do Sul. Porém, 
embora temporalmente separadas, as condições relacionadas à Segurança do Trabalho 
Introdução à Engenharia de 
Segurança do Trabalho 
Aspectos econômicos, políticos e sociais Capítulo 2
são muito semelhantes, pois foi apenas após a Revolução Industrial que a Segurança do 
Trabalho ganha inquietação e significado em função do sistema econômico.
Mas o que mudou na economia após a Revolução Industrial? Por que agora era 
economicamente viável investir em segurança? Como você profissional de Segurança 
do Trabalho explicaria as vantagens de investir em condições mais seguras de trabalho 
e qualidade de vida?
Essa resposta pode ser dada entendendo que os investimentos feitos pelo poder público 
no processo de industrialização tinham como finalidade tirar os países da condição de 
subdesenvolvimento, que requer além das indústrias uma sociedade com um poder de 
compra, ou seja, o aumento da renda per capita e melhores condições de vida. Uma 
sociedade industrializada que não investe nas condições de trabalho é uma sociedade 
com saldo negativo em relação aos custos com acidentes e doenças do trabalho.
Quando um trabalhador era afastado dosistema de produção, havia uma redução 
na produção da empresa e consequentemente dos lucros, além da paralisação da 
produção pelo tempo que levasse o afastamento do acidentado ou que fosse treinado 
outro para ficar em seu lugar.
Para o trabalhador, o afastamento também era economicamente prejudicial, pois 
mesmo com as legislações já implementadas, que garantiam o direito à previdência 
social, as indenizações não eram suficientes para manter o padrão de vida.
Fica claro que obtemos um resultado negativo com os custos dos acidentes e das 
doenças ocupacionais, que superam os benefícios do processo industrializado. Por isso, 
a saúde e a segurança do trabalhador estão ligadas ao triângulo Empresa, Estado e 
Explicando Melhor
Para entender melhor, vamos assistir a um clássico do cinema “Tempos 
modernos” do autor e diretor Charles Chaplin. No filme podemos observar 
que o trabalhador é quase parte da máquina, parte da engrenagem da 
produção.
Introdução à Engenharia de 
Segurança do Trabalho 
Aspectos econômicos, políticos e sociais Capítulo 2
Trabalhador (BARSANO & BARBOSA, 
2018).
Atualmente, a comissão tripartite tem 
a função de avaliar e propor medidas 
para implementação da Convenção 
nº 187 da Organização Internacional 
do Trabalho (OIT) no país (PANTELÃO, 
2009).
Aspectos políticos
Ao analisar os diversos aspectos que envolvem a segurança do trabalho, percebemos a 
evolução dos valores morais e sociais dentro da cultura organizacional. Grande parte das 
mudanças organizacionais foi impulsionada por pensamentos políticos, atendendo as 
pressões de diversos fatores e agentes sociais, principalmente os aspectos econômicos.
Não diferente da abordagem econômica capitalista, que em princípio trata o trabalhador 
como a parte do processo produtivo, sem direitos legais trabalhistas ou sociais, após 
a Revolução Industrial, junto com os pensamentos marxistas, o trabalho ganha valor 
político e social, podendo acompanhar os movimentos operários que lutam contra 
a sociedade industrializada capitalista. No entanto, ambos, capitalismo e socialismo, 
falharam na construção de uma política prevencionista e protetiva ao trabalhador.
Podemos definir tecnicamente o ambiente ocupacional como um local que expõe 
os trabalhadores aos riscos inerentes às suas atividades, como os riscos químicos, 
físicos e biológicos, causadores de acidente e doenças ocupacionais, além daqueles 
relacionados ao ambiente de trabalho que podem induzir ou estimular o aparecimento 
de doenças do trabalho, cabendo ao Estado regulamentar os requisitos legais para 
F I G U R A 5
Comissão tripartite
F O N T E
Elaborada pela autora.
Introdução à Engenharia de 
Segurança do Trabalho 
Aspectos econômicos, políticos e sociais Capítulo 2
garantir aos trabalhadores o direito de exercer suas atividades de forma segura e com 
qualidade de vida.
A Revolução Francesa era baseada nos ideais de liberdade e igualdade que tinha a 
burguesia e os trabalhadores lutando contra um governo monarquista. O conceito 
de igualdade deveria ser concedido por um político constituinte com representes da 
burguesia e do povo (SILVA, 2019). Foi nesse cenário que aconteceu a criação do conceito 
de direita. Aqueles que defendiam a monarquia sentavam-se à direita da câmara, e os 
que defendiam a burguesia e trabalhadores sentavam-se à esquerda da câmara.
Atualmente, ainda usamos na política os conceitos de direita e esquerda, mas não mais 
pelo local que se encontram posicionados no plenário, mas pela posição que assumem 
diante da sociedade, a favor ou contra as governantes, sem que necessariamente 
estejam do lado dos direitos dos trabalhadores.
No Brasil podemos acompanhar os movimentos econômicos, políticos e sociais que 
levaram a um posicionamento político em prol dos direitos dos trabalhadores. Ainda 
no tempo do Brasil Colônia, com a sociedade que aceitava o trabalho escravo com 
naturalidade, com as atividades econômicas concentradas nos engenhos de açúcare 
mineração, assim como o poder político que era orquestrado pelos senhores de engenho 
juntamente com os remanescentes da corte imperial, não havia espaço para uma 
política voltada para a igualdade social e direitos iguais. Mesmo após a abolição, as 
desigualdades sociais se mantiveram, fruto de uma política formada por uma burguesia 
latifundiária.
A Revolução Industrial no Brasil era estimulada por políticas latifundiárias e uma 
burguesia que entendiam que esse era o caminho para ultrapassar a posição de país 
subdesenvolvido, no qual vemos uma sociedade massacrada pelo mercado, sem 
Reflita
A pergunta agora é: o estado é capaz de garantir o valor da vida humana? 
Para responder a essa pergunta é preciso analisar os diferentes cenários 
políticos que nos são apresentados no passado e na atualidade.
Introdução à Engenharia de 
Segurança do Trabalho 
Aspectos econômicos, políticos e sociais Capítulo 2
direitos trabalhistas, mesmo já havendo um movimento protecionista na Europa. Vemos 
trabalhadores brasileiros, homens, mulheres e crianças trabalhando em condições 
insalubres e precárias.
Apenas após a Segunda Guerra Mundial surgem no Brasil leis de proteção ao trabalhador 
no governo de Getúlio Varga (1945), sem muitas portarias regulamentadoras. Após esse 
período, podemos destacar a Portaria nº 3.237/72, que regulamenta a obrigatoriedade 
do SESMT, baseada na Recomendação OIT 112, e a Portaria nº 3.214/78, que instituiu, junto 
ao extinto Ministério do Trabalho e Emprego, as Normas Regulamentadoras.
Até a Constituição Federal de 1988, as empresas encontravam dificuldades em 
implementar as ações que atendessem aos requisitos legais constituintes das NRs, 
assim como o governo em fiscalizar. Na década de 1990, temos a publicação da Portaria 
MTE 02/92, constituindo um sistema tripartite constituído por cinco representantes do 
governo, cinco dos empregadores e cinco dos empregados, incluindo a participação 
dos poderes políticos representados pelo Ministério da Saúde, Previdência e Assistência 
Social.
Foram longos anos até chegarmos nas últimas atualizações propostas pelas forças 
políticas atuais que propuseram fortes mudanças nos direitos trabalhista e previdenciário, 
incluindo alterações textuais e revogação de algumas NRs. Isso muito se deve à existência 
de forças políticas conservadoras, muito influenciadas pelos efeitos econômicos e seus 
representantes.
Aspectos sociais
Os estudos socioeconômicos nos mostram que a Revolução Industrial gerou mais que 
uma sociedade mecanizada, mas também abriu novas fontes de trabalho, emprego 
melhorias e soluções tecnológicas. Mas como toda mudança, ela também apresenta 
aspectos negativos em relação à industrialização que envolve problemas sociais. 
Isso porque os trabalhadores muitas vezes eram tratados piores que escravos, já que os 
escravos tinham seus senhores para comercializá-los e, por isso, tinham valor monetário. 
Já o trabalhador custava pouco e poderia ser facilmente trocado por um mais acessível 
Introdução à Engenharia de 
Segurança do Trabalho 
Aspectos econômicos, políticos e sociais Capítulo 2
economicamente. Não era socialmente e muito menos economicamente viável cultivar 
políticas prevencionistas.
Vemos então que o trabalho tinha suas regras estabelecidas pelo empregador, que 
se beneficiava da lei da oferta e da procura para modificar as regras dos contratos de 
trabalho. Por isso, foi preciso o posicionamento político do Estado para estabelecer regras 
às condições de trabalho, mas que ainda não preconizava um visão de segurança no 
trabalho e sim uma ordem econômica e social (MATOS & MASCULO, 2011).
Podemos destacar diversos aspectos encontrados no ambiente de trabalho que 
impactavam diretamente na saúde e segurança e também no ambiente e suas 
relações sociais como: falta de saneamento básico, ausência de higiene e organização, 
inexistência de proteção jurídica do trabalhador e degradação ambiental (MORAES, 
2009).
As pressões sociais levaram a manifestações públicas contra o trabalhodesumano, 
levando ao surgimento da Lei de Prevenção da Saúde e da Moral (1802), que estabelecia 
a proteção dos trabalhadores, porém não teve efeitos práticos por falta de instrumentos 
para a sua aplicação efetiva. A legislação limitava a um máximo de doze horas de 
Reflita
Supondo que um homem vivesse cerca de 50 a 60 anos na primeira 
Revolução Industrial. Se ele trabalhasse dos 15 aos 50 anos seriam 35 
anos de trabalho, considerando que crianças e idosos apresentam 
produtividade negativa, seriam 35 anos de vida produtiva. Agora, 
considere que essa mesma pessoa sofresse um acidente e ficasse 
incapacitado aos 30 anos de idade, seriam menos 15 anos de produção. 
Sem contar os acidentes que levavam a morte. Então eu te pergunto, 
quanto vale a vida humana? Não muito diferente do cenário atual, valia 
o quanto podia produzir, portanto era aceitável o trabalho infantil nas 
fábricas. Atualmente não existente em termos oficiais, mas ainda sendo 
combatido tanto para o cumprimento dos dispositivos legais como por 
uma parte da sociedade.
Introdução à Engenharia de 
Segurança do Trabalho 
Aspectos econômicos, políticos e sociais Capítulo 2
trabalho diário e proibia o trabalho noturno, a limpeza das paredes e a ventilação dos 
dormitórios, mas não estabelecia restrições quanto à idade mínima de admissão. Ou 
seja, a política prevencionista vem atrelada aos valores morais da sociedade. O direito 
do trabalho foi gradativamente estabelecendo critérios de segurança no trabalho, 
passando a viver com outras normas, muitas delas de origem sindicalistas, como a 
proteção ao desemprego e negociaçõe s coletivas.
Aquele que é considerado um marco na legislação prevencionista da era industrial “Lei 
da fábrica” (FACTORY ACT, 1833), proibia o trabalho noturno aos menores de 18 anos; as 
fábricas deveriam ter escolas, que deveriam ser frequentadas por todos os trabalhadores 
menores de 13 anos; a idade mínima para o trabalho era de 9 anos e um médico deveria 
atestar que o desenvolvimento físico da criança correspondia a sua idade cronológica, 
além de definir uma jornada de trabalho diária de 12 horas. A lei foi ainda ampliada em 
1867, estipulando a proteção de máquinas e controle de poeiras nocivas. A inspeção 
médica nas fábricas iniciou em 1897, com a adoção de leis de compensação (MATOS & 
MASCULO, 2011).
No século XX vemos um movimento globalizado na busca de unificar conceito relativos 
à responsabilidade social e segurança. A criação da OIT teve um papel relevante contra 
as questões do trabalho, tanto no âmbito humanitário, lutando contra as situações 
injustas e degradantes de trabalho, quanto econômicas e políticas.
Assim como os demais países que tiveram uma Revolução Industrial mais tardia, o Brasil 
ainda esbarra em fatores sociais, políticos e econômicos que limitam a aplicação e o 
cumprimento das exigências legais e políticas do prevencionismo. Como consequência, 
a sociedade ainda se faz valer dos seus direitos trabalhistas por vias civis e criminais 
mediante ações judiciais.
Introdução à Engenharia de 
Segurança do Trabalho 
Aspectos econômicos, políticos e sociais Capítulo 2
Resumindo
Quando se contextualiza a Segurança do Trabalho, não podemos 
apenas abordar os aspectos físicos do trabalhador, pois envolvem 
também aspectos econômicos, políticos e sociais, como vimos neste 
capítulo. As legislações trabalhistas precisam garantir a segurança física 
do trabalhador, evitando os acometimentos de acidentes e doenças 
ocupacionais e combater o desemprego e as desigualdades sociais. 
Não somente é uma forma de garantir direitos para o trabalhador e sua 
família, mas também seu papel na sociedade, não podendo ser tratado 
como produtos descartáveis, valendo-se da lei da oferta e da procura. 
Além disso, ainda podemos citar inúmeros aspectos econômicos 
envolvidos na mão de obra como um todo. As questões econômicas, de 
certa forma, impulsionaram o avanço protecionista no intuito de reduzir 
os custos com acidentes e doenças ocupacionais.
@faculdadelibano_
3
História do 
prevencionismo
Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
Capítulo 3
História do prevencionismo
Objetivos
Ao término deste capítulo você conhecerá alguns marcos importantes 
da caminhada prevencionista, mostrando sua relevância econômica, 
política e social até chegarmos ao século XX com suas modernidades 
na revolução 4.0.
Sintetizando a história
A história prevencionista pode ser descrita como envolvente e reveladora, que nos motiva 
cada vez mais conhecer e entender os processos que envolvem um contexto histórico 
e social, principalmente quando evidenciamos saltos que envolvem os conhecimentos 
técnicos científicos e transformações tecnológicas inovadoras.
O advento das máquinas foi apenas o primeiro marco dessa longa jornada. Depois 
da primeira Revolução Industrial, tivemos ainda o descobrimento do poder energético 
dos combustíveis fósseis, o surgimento dos bancos e processadores de dados até a 
incrível habilidade de transformar uma imagem digital em produtos 3D, que atrelados à 
inteligência artificial proporcionam ao mundo um avanço nas relações do homem com 
o meio.
O vice-presidente da CNI, Paulo Afonso Ferreira, afirma em seu artigo para a agência de 
notícias CNI, no portal da indústria, que o Brasil precisa estar preparado para enfrentar 
os avanços tecnológicos, e destaca a evolução das máquinas e os impactos na 
humanidade:
Por muito tempo temia-se o avanço tecnológico e não tínhamos a noção de onde 
poderíamos chegar. Falava-se em substituir o homem pela máquina, mas o que podemos 
perceber é que houve uma integração entre eles. O maior patrimônio das empresas é 
seu capital intelectual e de seus colaboradores. O ser humano, principalmente dotado 
Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
História do prevencionismo Capítulo 3
de conhecimento, será sempre necessário na concepção de produtos, serviços e na 
interface com a máquina. (FERREIRA, 2017, on-line)
Como antecipar, reconhecer avaliar e prevenir os novos riscos presentes nos ambientes 
de trabalho transformados pelas as inovações tecnológicas? Esse é o grande desafio do 
profissional prevencionista no mercado atual. Há uma necessidade em desenvolver novas 
habilidades e competências para adequar os novos postos de trabalho, automatizados, 
conectados, globalizados sem abrir mão da humanização desses setores.
F I G U R A 6
Globalização 
tecnológica
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Reflita
A NR 24 trata das condições sanitárias e do conforto nos locais de 
trabalho, estabelecendo condições mínimas de higiene e conforto no 
ambiente ocupacional. Logo no item
24.2.1 é estabelecido que as instalações sanitárias devem ser dotadas 
de lavatórios (local para lavar as mãos e fazer assepsia). Com a 
tecnologia, esse lavatório atualmente pode ser dotado de torneiras com 
acionamento automático e secadores com sensores de presença e 
secagem por circuito de ventilação de ar. Todo esse sistema evitaria 
a contaminação dos colaboradores ao tocar nos dispositivos de 
acionamento dos lavatórios e secadores. Vejam como a tecnologia 
pode ser positiva para o prevencionismo. E você? Como você adequaria 
a NR24 aos avanços tecnológicos em prol do prevencionismo?
Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
História do prevencionismo Capítulo 3
Agora que já exercitamos nossas habilidades e competências na gestão de SST, vamos 
embarcar no conhecimento dos marcos históricos que separamos para vocês antes, 
durante e depois da Revolução Industrial até chegarmos aos dias de hoje.
Prevencionismo pré-Revolução Industrial
Assim como a história do trabalho está diretamente ligada à história do homem, o mesmo 
podemos dizer que os acidentes de trabalho fazem para da humanidade, assim como 
as doenças ocupacionais fazem parte da história do trabalho e consequentemente do 
homem.
Ao longo da história o trabalho, o causador de acidentes tem sido como o trabalho 
dos escravos, que era exigido o exercício até a exaustão na construçãode cidades e 
monumentos, greco-romanos ou os antigos artesãos medievais, que tinham suas mãos 
lesionadas na confecção e modelagem de peças. Nesse mesmo período, podemos 
pontuar o registro em papiros egípcios e greco-romanos a ocorrências de doenças 
ocupacionais, algumas ligadas aos agentes químicos e trabalhos manuais e as 
tentativas de preveni-las.
Os avanços nos conhecimentos científicos à aplicação de técnicas não ocorreram em 
um único momento, muitos desses avanços estão ligados a filósofos e pensadores. 
Alguns marcos que podemos destacar são os escritos de Hipócrates, Aristóteles e 
Platão, referindo- se a trabalhadores das minas de estanho, doenças de corredores 
e deformações do esqueleto em certas profissões, respectivamente. Chumbo, zinco e 
F I G U R A 7
Doenças 
ocupacionais
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Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
História do prevencionismo Capítulo 3
mercúrio eram alguns dos elementos tóxico presente nas minas e causador de doenças 
ocupacionais.
Seus conhecimentos científicos também eram usados para solucionar problemas com 
os artefatos produzidos, baseados em seu funcionamento, fenômenos físicos e químicos 
até chegarmos à construção de máquinas que aplicavam todo esse conhecimento 
adquirido para otimização dos recursos e do meio.
No entanto, não vemos o prevencionismo seguir a mesma linha temporal na história, 
considerando a higiene e segurança ocupacional um estudo recente, levando a acreditar 
que o prevencionismo tomou importância na era moderna, apenas no período pós-
Revolução Industrial.
A idade média chega e a ausência prevencionista na sociedade europeia no período 
pré-revolução, que estava mais preocupada com as perdas e mortes ocorridas em 
função de guerras e epidemias, também. O fato é que os trabalhadores das minas 
continuaram morrendo por intoxicação ou que os operadores da imprensa sofreram 
lesões ou perda total dos membros nas prensas não era um assunto relevante.
Você Sabia?
O prevencionismo aparece nos escritos do filósofo Galeno no século II, 
fazendo menções de contaminação por substâncias tóxicas presentes 
nas minas e recomenda o uso de máscaras de bexigas.
Você Sabia?
O chapeleiro louco de Alice no País das Maravilhas era exposto ao 
mercúrio durante a confecção de feltro, que resultava na instabilidade 
emocional e irritabilidade (SILVEIRA; VENTURA; PINHEIRO, 2004).
Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
História do prevencionismo Capítulo 3
A idade moderna é marcada por importantes acontecimentos históricos, com a queda 
da Bastilha e a Revolução Francesa, mas na história prevencionista ela se destaca pela 
obra de Bernadino Ramazzini, que em seu livro De Morbis Artificum Diatriba descreve os 
agravos à saúde do trabalhador, sendo o primeiro a descrever detalhadamente sobre 
doenças ocupacionais. O destaque para esse estudo era a forma que o autor usou para 
coletar seus dados clínicos, perguntando a cada paciente: “Qual seu trabalho?”, o que 
lhe possibilitou medidas preventivas (MACEDO, 2012).
Mas afinal, o que leva os empregados e empregadores a se importarem efetivamente 
com a saúde e segurança no trabalho? Isso nós iremos descobrir estudando os eventos 
que ocorreram após a Revolução Industrial.
Prevencionismo pós-Revolução Industrial
Historicamente podemos definir que a Revolução Industrial ocorre no século XVIII, na 
Europa e depois segue para a América do Norte. Como marco histórico, podem destacar 
a invenção da máquina a vapor (1784), que trouxe um grande aumento da produtividade 
e ampliando o consumo de bens. Porém, não apenas benefícios foram gerados pela 
revolução, mas também um grande custo para os trabalhadores, principalmente os 
acidentes causados pela falta de treinamentos e proteção para as máquinas, agora 
tão importantes para o processo produtivo, e que muitas vezes levavam à morte.
Quando não era o óbito o produto do ambiente de trabalho insalubre, era a perda da 
audição devido aos elevados níveis de ruído, sem contar os problemas de saúde pública 
gerada pela má condição de higiene nos ambientes.
Respondendo à pergunta do item anterior: mas afinal, o que leva os empregados e 
empregadores a se importarem efetivamente com a saúde e segurança no trabalho?
A chegada das máquinas torna mais visível a até então distorcida linha que separava 
as classes sociais, de um lado os trabalhadores, pobres e de outro os empregadores, 
ricos. Para o pobre, a máquina é um competidor de sua força de trabalho, enquanto que 
para os ricos ela era a fonte de mais lucro e menos gastos. A falta de uma legislação 
protecionista e o aumento da concentração populacional urbana gerou uma pressão 
social que obrigou políticos e legisladores, primeiramente na Inglaterra, com a lei de 
“saúde Moral dos aprendizes” e depois em outros países europeus introduzirem normas 
Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
História do prevencionismo Capítulo 3
jurídicas, com a lei que protegiam os acidentados e seus dependentes criados na 
Alemanha em 1884.
À medida que as fábricas ganhavam novas proporções, o acometimento de doenças 
ocupacionais e não ocupacionais cresciam, até que em 1832 John Marshall contratou o 
primeiro médico a atuar em suas fábricas. Logo após, em 1833, foi decretado o Factory 
Act, considerada a primeira legislação abrangendo as condições de trabalho nas 
fábricas. Somente em 1844 é que foram acrescentados os itens referentes às proteções 
com máquinas e o registro de acidentes (MORAES, 2009).
Com o surgimento de novos pensamentos, os chamados pensamentos liberais, faz 
aparecer novos estudos que incluíam a Ciência Social (1833) e Higiene Social (1838), 
que estimulam a ampliação legal da Segurança do Trabalho e proporcionam as 
modificações em leis já existentes, como a proteção para máquinas e a ventilação 
mecânica para controlar a poeira dos ambientes.
No Brasil, a grande frequência de acidentes acompanhada pelas doenças ocupacionais, 
ainda subnotificadas, é mais alta do que em outros países, principalmente quando 
comparado com os países europeus (FILGUEIRAS, 2017). Levando em conta que o 
processo industrial no Brasil iniciou tardiamente, quando os países europeus já adotavam 
medidas prevencionista, era de se esperar que o Brasil já despontasse para os avanços 
Reflita
Você consegue relacionar o prevencionismo com os conhecimentos 
científicos? Pois é assim que podemos entender o surgimento das 
leis que irão criar uma cultura prevencionista. Elas surgem a partir de 
uma pressão social acompanhada pela evolução do conhecimento. 
No momento que o homem é pressionado, seja por condições de 
trabalho sub-humanas, no caso dos pobres, ou por cobranças da 
sociedade, no caso dos ricos, o homem se vê necessitado de buscar 
novos conhecimentos, esse conhecimento proporciona o surgimento 
de pensamentos prevencionistas que se materializam nas leis e 
posteriormente na constitucionalização desses direitos e deveres.
Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
História do prevencionismo Capítulo 3
industriais prevencionistas, mas como podemos ver, isso não aconteceu, como ainda 
não acontece.
Embora as transformações europeias tenham influenciado o direito trabalhista, junto com 
a entrada na Organização Internacional do Trabalho (1919), foi apenas após a Segunda 
Guerra que as primeiras leis de proteção ao trabalhador surgiram. Os fatos marcantes 
foram a Consolidação das Leis Trabalhista (CLT, 1943), a criação da Associação Brasileira 
de Prevenção de Acidentes (ABPA, 1945), a Fundacentro (1966), a obrigatoriedade dos 
Serviços Médicos e de Higiene e Segurança do Trabalho (1972) e a publicação das 
primeiras Normas Regulamentadoras (1978) (MATOS & MASCULO, 2011).
Revolução 4.0
Acompanhe o infográfico e descubra as principais características das Revoluções 
industriais ocorridas desde da primeira revolução no século XVIII até a Revolução 4.0, no 
século XXI.
A revolução 4.0 é um movimento de desenvolvimento, que está transformandoos 
processos industriais tradicionais nos apresentando a indústria do futuro, a qual é de 
F I G U R A 8
E v o l u ç ã o d a i n d ú s t r i a
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Elaborada pela autora.
Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
História do prevencionismo Capítulo 3
extrema importância a sua discussão, para que possamos nos adaptar a essa nova 
onda.
A indústria 4.0 é o um conceito de “fábricas inteligentes” que desenvolvem estratégias 
que permitam alinhar as novas tecnologias aos meios de produção. O conceito da 
Indústria 4.0 está baseado no uso de tecnologia e automação que podem permitir 
máquinas a se adaptarem às mudanças nas etapas de produção, tornando cada 
etapa independente através de sistemas cibernéticos.
Você deve estar se perguntando, qual a relação com a história do prevencionismo? Na 
revolução 1.0, foi preciso estabelecer os critérios de saúde e segurança nas indústrias; na 
revolução 2.0, o prevencionismo aparece voltado para ações globalizadas para atender 
às instituições internacionais OIT e ONU; na revolução 3.0, as ações prevencionistas se 
voltam para incorporação do cuidado com o meio ambiente por meio das políticas de 
SMS e desenvolvimento sustentável. E na Revolução 4.0?
São os novos capítulos que deveremos escrever para adequar as mudanças nas 
relações de trabalho geradas pela Revolução 4.0. Haverá mudanças acompanhadas 
pordesemprego e queda dos salários em função da substituição e extinção de 
alguns cargos nas indústrias, mas também haverá a criação de novas empresas e 
novas indústrias, porém com um número reduzido de novos empregos, que surgiram 
principalmente para atender a demanda de criatividade e desenvolvimento de novas 
ideias.
Torna-se então indispensável, para entrar na concorrência das inovações, as empresas 
entrarem em modelos de gestão que auxiliem a tomada de decisão e as estratégias de 
negócio, adotando medidas proativas em sua gestão de saúde e segurança que se inicia 
no processo de seleção e contratação de profissionais que demonstrem habilidades 
Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
História do prevencionismo Capítulo 3
Resumindo
Quando se contextualiza a Segurança do Trabalho, não podemos 
apenas abordar os aspectos físicos do trabalhador, pois envolvem 
também aspectos econômicos, políticos e sociais, como vimos neste 
capítulo. As legislações trabalhistas precisam garantir a segurança física 
do trabalhador, evitando os acometimentos de acidentes e doenças 
ocupacionais e combater o desemprego e as desigualdades sociais. 
Não somente é uma forma de garantir direitos para o trabalhador e sua 
família, mas também seu papel na sociedade, não podendo ser tratado 
como produtos descartáveis, valendo-se da lei da oferta e da procura. 
Além disso, ainda podemos citar inúmeros aspectos econômicos 
envolvidos na mão de obra como um todo. As questões econômicas, de 
certa forma, impulsionaram o avanço protecionista no intuito de reduzir 
os custos com acidentes e doenças ocupacionais.
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4
Entidades públicas 
e privadas
Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
Capítulo 4
Entidades públicas e 
privadas
Objetivos
Ao término deste capítulo você conhecerá o conceito de entidades 
públicas e privadas e os aspectos relevantes sobre a Saúde e Segurança 
do Trabalho, em especial sobre o SESMT.
Conceitos legais
Atualmente, a prevenção de acidentes de doenças do trabalho está presente em 
diferentes setores de trabalho, com inúmeras leis criadas para garantir as condições 
de higiene, e segurança do trabalho. Vários setores estão envolvidos no processo de 
prevencionismo, todos com o objetivo de garantir e gerar melhorias nas condições de 
trabalho no Brasil. Como é a aplicação dessas leis pelas entidades públicas e privadas?
Existem diferenças no âmbito legal? E a administração e fiscalização dessas entidades?
Para responder a essas perguntas, é preciso estabelecer os conceitos de entidades 
públicas e privadas. Hely Lopes Meireles explica que Entidade é a pessoa jurídica, pública 
ou privada. As entidades são classificadas em estatais, autárquicas, fundacionais e 
paraestatais, que podem atuar em vários setores, inclusive com entidades prevencionista 
(MAFRA, 2005).
As entidades estatais e entidades autárquicas são pessoas jurídicas de direito público. As 
entidades fundacionais são pessoas jurídicas de direito público ou privado. As entidades 
fundacionais particulares podem ser criadas por autorização legal, enquanto que as 
fundações públicas são criadas por lei. As entidades empresariais são pessoas jurídicas 
de direito privado, sob a forma de economia mista ou empresas públicas. As entidades 
paraestatais são pessoas jurídicas de direito privado, são os conhecidos sistemas 
autônomos (SESI, SENAC, SENAI).
Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
Entidades públicas e privadas Capítulo 4
Vamos primeiro tratar dos deveres constituídos às atividades empregadoras, assim 
como seus direitos, conforme o estabelecido à legislação do trabalho. Por fim, meramente 
didático, abordaremos em uma segunda parte os direitos e deveres dos empregados.
Direitos e deveres prevencionistas
As entidades públicas e privadas, segundo a lei trabalhista vigente em nosso país, 
apresentam direitos e deveres para a segurança e da medicina do trabalho, destacando:
Art. . 154 - A observância, em todos os locais de trabalho, do disposto neste Capitulo, 
não desobriga as empresas do cumprimento de outras disposições que, com relação à 
matéria, sejam incluídas em códigos de obras ou regulamentos sanitários dos Estados 
ou Municípios em que se situem os respectivos estabelecimentos, bem como daquelas 
oriundas de convenções coletivas de trabalho.
Art. 155 - Incumbe ao órgão de âmbito nacional competente em matéria de segurança 
e medicina do trabalho:
I - estabelecer, nos limites de sua competência, normas sobre a aplicação dos preceitos 
deste Capítulo, especialmente os referidos no art. 200;
II - coordenar, orientar, controlar e supervisionar a fiscalização e as demais atividades 
relacionadas com a segurança e a medicina do trabalho em todo o território nacional, 
inclusive a Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho;
III - conhecer, em última instância, dos recursos, voluntários ou de ofício, das decisões 
proferidas pelos Delegados Regionais do Trabalho, em matéria de segurança e medicina 
do trabalho.
Art. 156 - Compete especialmente às Delegacias Regionais do Trabalho, nos limites de 
sua jurisdição:
I - promover a fiscalização do cumprimento das normas de segurança e medicina do 
trabalho;
II - adotar as medidas que se tornem exigíveis, em virtude das disposições deste 
Capítulo, determinando as obras e reparos que, em qualquer local de trabalho, se façam 
necessárias;
III - impor as penalidades cabíveis por descumprimento das normas constantes deste 
Capítulo, nos termos do art. 201.
Art. 157 - Cabe às empresas: 
I - cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho;
Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
Entidades públicas e privadas Capítulo 4
II - instruir os empregados, através de ordens de serviço, quanto às precauções a tomar 
no sentido de evitar acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais;
III - adotar as medidas que lhes sejam determinadas pelo órgão regional competente; 
IV - facilitar o exercício da fiscalização pela autoridade competente. Art. 158 - Cabe aos 
empregados:
I - observar as normas de segurança e medicina do trabalho, inclusive as instruções de 
que trata o item II do artigo anterior;
Il - colaborar com a empresa na aplicação dos dispositivos deste Capítulo. Parágrafo 
único - Constitui ato faltoso do empregado a recusa injustificada: 
a) à observância das instruções expedidas pelo empregador na forma do item II do 
artigo anterior;
b) ao uso dos equipamentos de proteção individual fornecidos pela empresa.
Art. 159 - Mediante convênio autorizado pelo Ministro do Trabalho, poderão ser delegadas 
a outros órgãosfederais, estaduais ou municipais atribuições de fiscalização ou 
orientação às empresas quanto ao cumprimento das disposições constantes deste 
Capítulo.
As entidades públicas e privadas devem assegurar aos trabalhadores o direito à 
igualdade no acesso ao emprego, no trabalho e na formação profissional, direito à 
igualdade e não discriminação, condições de trabalho, proibição de discriminação 
e assédio, além da aplicação dos instrumentos de regulamentação coletiva e 
regulamentos internos.
O papel do serviço especializado em engenharia e medicina do 
trabalho (SESMT)
Apesar de existir hoje no Brasil uma legislação prevencionista, que sofre atualizações e 
adequações às mudanças nas relações de trabalho, veremos a importância do SESMT e 
de sua constante busca pela melhoria das condições de saúde e segurança no ambiente 
de trabalho. Aqui destacamos a relação tripartite, governo, empresa e empregador 
que apesar de investirem na saúde e segurança do trabalho os trabalhadores ainda 
sofrem com as consequências da exposição aos agentes de riscos ocupacionais em 
ambientes laborais, assim como as condições inseguras que ainda são responsáveis 
por acidentes no trabalho.
Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
Entidades públicas e privadas Capítulo 4
Não podemos ignorar as novas tecnologias e novas atividades- profissões que surgem 
continuamente e com elas condições de trabalho diferenciadas, porém não menos 
causadoras de doenças ocupacionais, como o estresse ocupacional, a síndrome de 
Bornout, os Distúrbios Osteomolecular Relacionadas ao Trabalho (DORTs).
Para que os trabalhadores possam atuar em seu ambiente de trabalho que atenda 
às condições de saúde e segurança do trabalho, é necessário um constante processo 
de formação e informação acerca de direitos e deveres para evitar a falta de saúde e 
segurança em detrimento do lucro.
Explicando Melhor
Um motorista está direcionando sua carga por uma rodovia pública 
até seu destino, quando durante o trajeto ele nota que os comandos 
de frenagem não estão funcionando com 100% de sua capacidade. 
Nesse caso dizemos que o motorista está em uma condição insegura 
- situações presentes no ambiente de trabalho e que colocavam em 
risco a integridade física e/ou a saúde das pessoas, são defeitos, falhas, 
irregularidades técnicas e falta de recursos de segurança. Acontece sem 
a interferência do trabalhador, pois ele está vulnerável a essas condições 
– mesmo que ele chegue ao destino sem que ocorra um acidente. 
As condições inseguras podem ser agravadas por atos inseguros – 
relacionados à falha humana – caso o motorista tenha ingerido bebida 
alcoólica ou faça uma ultrapassagem em local proibido, por exemplo.
Você Sabia?
A NR04 determina a obrigatoriedade da implantação do SESMT em 
que não abrange a proteção de agentes públicos que atuam em uma 
relação de trabalho não celetista, ficando esses susceptíveis à falta de 
comprometimento do Estado em adotar políticas de saúde e segurança.
Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
Entidades públicas e privadas Capítulo 4
Nossa legislação trabalhista é compostas de leis referentes à proteção à saúde do 
trabalho em esfera Federal, Estadual, Distrital e Municipal, não ficando as entidades 
desobrigadas ao cumprimento destas em detrimento a outras, entre elas podemos 
destacar a Constituição Federal, o Código Penal Brasileiro, a CLT, o Estatuto dos Servidores 
Públicos e a Portaria 3.214/78, que regulamenta as NRs, que entre outros requisitos legais 
estabelece que os empregadores implementem o SESMT estando este submetido às 
ordens da empresa e à fiscalização da Secretaria do Trabalho (extinto MTE). A normativa 
especifica em seu item 4.1:
As empresas privadas e públicas, os órgãos públicos da administração direta e 
indireta e dos poderes Legislativo e Judiciário, que possuam empregados regidos 
pela Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, manterão, obrigatoriamente, Serviços 
Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho, com a 
finalidade de promover a saúde e proteger a integridade do trabalhador no local de 
trabalho. (BRASIL, 2016)
Porém, a norma não estabelece que a implementação e manutenção do SESMT 
sejam apenas para empresas que possuem contrato de trabalho no que rege a CLT, 
desobrigando assim, de forma equivocada, a implementação do SESMT nos órgãos 
públicos da administração direta e indireta, e poderes Legislativo e Judiciário ficam 
desobrigados. Outra questão que fragiliza a implementação do SESMT é a terceirização 
permitida.
Esse tendencioso pensamento por parte do Estado aumenta a importância do SESMT 
em empresas privadas que esperam que os profissionais ligados a este serviço realizem 
milagres prevencionistas em função de sua gestão, cobrando resultados mesmo 
mantendo o serviço provido de poucos investimentos ou mesmo mantendo-os apenas 
para atendimento à obrigação legal, ao invés de ampliar suas ações na implantação 
de uma política de segurança do trabalho, com ações que efetivamente previnam os 
trabalhadores de acometimentos de doenças e acidentes ocupacionais.
O SESMT é composto por profissionais da área de Saúde e Segurança do Trabalho.
a. Engenheiro de Segurança do Trabalho: engenheiro ou arquiteto portador de 
certificado de conclusão de curso de especialização em Engenharia de Segurança do 
Trabalho, em nível de pósgraduação.
b. Médico do trabalho: médico portador de certificado de conclusão de curso de 
Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
Entidades públicas e privadas Capítulo 4
especialização em Medicina do Trabalho, em nível de pós-graduação, ou portador de 
certificado de residência médica em área de concentração em saúde do trabalhador 
ou denominação equivalente, reconhecida pela Comissão Nacional de Residência 
Médica, do Ministério da Educação, ambos ministrados por universidade ou faculdade 
que mantenha curso de graduação em Medicina.
c. Enfermeiro do trabalho: enfermeiro portador de certificado de conclusão de curso 
de especialização em Enfermagem do Trabalho, em nível de pós-graduação, ministrado 
por universidade ou faculdade que mantenha curso de graduação em enfermagem.
d. Auxiliar de enfermagem do trabalho: auxiliar de enfermagem ou técnico de 
enfermagem portador de certificado de conclusão de curso de qualificação de auxiliar 
de enfermagem do trabalho, ministrado por instituição especializada reconhecida e 
autorizada pelo Ministério da Educação.
e. Técnico de Segurança do Trabalho: técnico portador de comprovação de registro 
profissional expedido pelo Ministério do Trabalho (BRASIL, 2016)
Serviço especializado em engenharia e medicina do trabalho – 
entidades privadas
Nos setores privados, os profissionais além de serem mal remunerados, muitos têm 
suas funções desviadas ou não é permitido que exerçam sua função com autonomia 
em relação ao empregador e aos trabalhadores e servem para que a empresa tenha 
alguém a quem possa delegar a responsabilidade pela falta de condições seguras na 
empresa.
Para evitar essas práticas equivocadas em setores privados, o Estado, mediante 
fiscalização do trabalho, exercida pelas Delegacias Regionais do Trabalho (DRTs), 
orientam, notificam e até mesmo autuam as empresas de forma a garantir o real 
cumprimento da legislação.
Serviço especializado em engenharia e medicina do trabalho – 
entidades públicas
Não apenas os trabalhadores com contratos de trabalho regidos pela CLT são acometidos 
por acidentes e doenças ocupacionais. Os trabalhadores não celetistas que atuam em 
Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
Entidades públicas e privadas Capítulo 4
entidades públicas são expostos a acidentes e doenças ocupacionais em total descaso 
do Estado para com seus servidores, que em diversos setores atuam em condições 
inseguras, inadequadas em exposição ao risco iminente de óbito. A ausência do SESMT 
aumenta o número de afastamento de servidores públicos acometidos por acidentes e 
doenças do trabalho, aumentandoo gasto previdenciário com auxílio-doença.
Embora o Estado tenha consciência da responsabilidade pelos danos causados aos 
servidores, ainda há a omissão por parte das entidades públicas. Alguns passos vemos ser 
dados em função da disponibilidade de vagas em concursos públicos para profissionais 
do SESMT, que assim poderá realizar, como as entidades privadas, a implementação do 
SESMT.
Essa nova conduta por parte do Estado contribuirá para a redução das estatísticas 
de acidentes de trabalho além da redução de gastos previdenciários em virtude dos 
afastamentos por acidentes e doenças ocupacionais. Podemos ainda, certamente, 
esperar um aumento na produtividade e eficiências dos serviços públicos, visto que por 
experiências das entidades privadas em seus resultados, o trabalhador mais saudável 
representa mais rendimento de suas atribuições.
Terceiro setor
Atualmente é uma realidade na economia global o aumento da atuação das 
organizações do terceiro setor, o que leva ao crescimento de trabalhadores atuando em 
organizações sem fins lucrativos. E como funciona a legislação trabalhista prevencionista 
no terceiro setor?
Definição
O terceiro setor é formado pelas organizações privadas que desenvolvem 
atividades em favor da sociedade, sem fins lucrativos, chamadas 
de ONGs, que atuam independente dos demais setores, mesmo que 
possam receber investimentos ou trabalhar em parceria com demais 
setores (ALBUQUERQUE, 2006).
Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
Entidades públicas e privadas Capítulo 4
Entre as entidades do terceiro setor podemos apresentar contratos trabalhistas 
que regem o trabalho de organizações obedecendo às regras da CLT, observando 
os elementos que caracterizam a relação de emprego, tais como pessoalidade, 
continuidade, remuneração e subordinação hierárquica.
Devemos ter em mente que para a legislação brasileira são considerados trabalhadores 
também os contratos de trabalho por prazo indeterminado, contrato de trabalho por 
prazo determinado (contratação desde que a natureza e a transitoriedade do trabalho 
fundamentam a predeterminação do prazo, prevista na CLT), contrato de aprendizagem, 
prevista pela Constituição Federal, assim como a CLT autoriza a contratação de menores 
– entre 14 e 18 anos de idade –, desde que na condição de aprendizes, com contrato de 
trabalho especial e em consonância com os requisitos da Lei nº 10.097/2000 e o trabalho 
autônomo: realizado por pessoa física e em caráter de não exclusividade. O RPA é a 
maneira legal de realizar pagamento para qualquer pessoa física que preste serviço 
pontual a uma empresa ou organização e que não possua emissão de notas fiscais.
O que nós precisamos agora é agregar as normas de saúde e segurança, unificando 
essa nova gestão às normas existentes.
Resumindo
As entidades podem ser divididas pelo direito administrativo em 
entidades públicas e privadas. Para a legislação prevencionista essa 
divisão abre um grande abismo na implementação de políticas de saúde 
e segurança prevencionista do trabalho, sendo as entidades públicas 
e privadas obrigadas por lei a constituírem o Serviço de Engenharia e 
Medicina do Trabalho (SESMT) para aquelas que estabelecem contratos 
de trabalho baseados na CLT, porém ficando desobrigadas as entidades 
públicas com contratos não estabelecidos pela CLT a constituírem o 
SESMT. No entanto, os servidores estatutários também estão expostos a 
acidentes e doenças ocupacionais, o que aumentam os ônus do Estado, 
que acaba tendo seus recursos previdenciários aplicados em benefícios 
a trabalhadores afastados por acidentes e doenças do trabalho.
Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
Referências
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Editorial, 2006.
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Introdução à Engenharia 
de Segurança do Trabalho 
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