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Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalhto Unidade 2 - Livro Didático Digital Sumário CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO A engenharia de segurança no contexto capital-trabalho Capitalismo e desenvolvimento industrial A formação para o mundo do trabalho O conflito capital-trabalho Valores versus vida Papel e as responsabilidades do engenheiro de segurança do trabalho Perfil profissional Quando surgiu o engenheiro de segurança do trabalho? Atribuições e responsabilidades Mercado de trabalho Ética profissional do engenheiro de segurança do trabalho Ética profissional Código de ética da engenharia Direitos, deveres e vetos Infração ética e cancelamento do registro 6 16 26 Sumário CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO Informática aplicada à engenharia de segurança do trabalho Tecnologia aliada à segurança no trabalho Ferramentas tecnológicas para a segurança do trabalho Riscos na indústria 4.0 Investimentos na segurança 4.0 Referências 34 43 Objetivos Definição Explicando Melhor Você Sabia? Acesse Resumindo Nota Importante Saiba Mais Reflita Atividades Testando Para o início do desenvolvimento de uma nova competência; Se houver necessidade de se apresentar um novo conceito; Algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; Curiosidades indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se form necessarias; Se for preciso acesar um ou mais sites para fazer dowload, assistir videos, ler textos, ouvir podcast; Quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; quando forem necessárias observações ou complementações para o seu conhecimento; As observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; Textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; Se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre; Quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; Quando o desenvolvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas. @faculdadelibano_ 1 A engenharia de segurança no contexto capital-trabalho Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Capítulo 1 A engenharia de segurança no contexto capital-trabalho Objetivos Ao término deste capítulo você deverá ser capaz de analisar qual a importância das relações capitalistas, a segurança do trabalho e como os modelos econômicos sociais estão envolvidos com as práticas prevencionistas e com a consolidação do profissional em engenharia de segurança do trabalho. Capitalismo e desenvolvimento industrial Querido(a) aluno(a), estamos prestes a iniciar nossa jornada rumo à engenharia de segurança do trabalho. Vamos pensar juntos, refletir sobre o contexto no qual a classe operária trava uma batalha contra as condições de trabalho, buscando mais segurança e, principalmente, contra a crueldade do homem em busca do lucro. F I G U R A 1 A luta dos operários contra a crueldade do lucro F O N T E pixabay Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho A engenharia de segurança no contexto capital-trabalho Capítulo 1 Como vimos no capítulo anterior, a Revolução Industrial foi um divisor na história da segurança do trabalho. O número de acidentes e óbitos por causas relacionadas ao trabalho aumentaram, devido a uma série de fatores relacionados à falta de uma gestão prevencionista. Em 1831, motivado pelo grande número de pessoas mutiladas, desempregadas e vivendo em estado de miséria, uma comissão apresentou um relatório com os dados coletados que apresentavam a devastação social gerada pelo sistema capitalista. Somente após a publicação do “FACTORY ACT”, primeira legislação prevencionista, é que surgem medidas legislativas na Europa e posteriormente nos Estados Unidos, onde o primeiro ato governamental é marcado por, entre outras ações, a obrigatoriedade de um número suficiente de saídas de emergência para a evacuação em caso de sinistros. Mas, não podemos encontrar a importância da implementação de ações prevencionistas no ambiente de trabalho apenas em função de questões estruturais. Passou a existir também uma preocupação social com as consequências geradas pelos acidentes e pelas doenças do trabalho, que apresentavam números significativos. Na década de 60, Frank Bird avaliou diferentes grupos de trabalho nos Estados Unidos e quantificou o número de acidentes comunicados, chegando à conclusão de que aconteceram 600 incidentes sem danos pessoais e materiais antes de acontecer um acidente fatal ou que gerasse incapacidade permanente. Este resultado é conhecido na segurança do trabalho como Pirâmide de Frank Bird (BITENCOURT & QUELHAS, 1998). Saiba Mais Capitalismo é o sistema econômico e social em que o capital é gerido por empresas ou empresários do sistema privado, que oferecem contratos de trabalho (mão de obra) em troca de salário. Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho A engenharia de segurança no contexto capital-trabalho Capítulo 1 F I G U R A 2 Pirâmide de Frank Bird (BITENCOURT & QUELHAS, 1998), dados da análise quantita- tiva de casos de acidentes F O N T E Elaborada pela autora (2020) Agora sim! Agora temos os fatores relacionados ao surgimento do prevencionismo. A legislação prevencionista atrelada ao interesse dos trabalhadores e as indenizações previstas em leis trabalhistas nos casos de acidente de trabalho, fazem com que as indústrias comecem a investir em programas de prevenção de acidentes mais eficazes, como a proteção por meio dos serviços médicos na empresa, tendo o engenheiro um papel de mecânico na construção de artefatos de proteção para correias e engrenagens das máquinas. Ou seja, fatores psicossociais e fatores econômicos são determinantes na história. Reflita Quem é o profissional responsável por planejar e organizar os ambientes, desde o projeto até a construção? Se você respondeu que é o engenheiro você mostra que também consegue inserir a profissão de engenharia no âmbito prevencionista. Mas, é o médico o profissional que acompanha o efeito dos agentes presentes no meio ocupacional. Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho A engenharia de segurança no contexto capital-trabalho Capítulo 1 A implementação do serviço de saúde dos trabalhadores era focada nos serviços médicos que tinham como objetivo contribuir e proteger a saúde e o bem-estar físico e mental dos trabalhadores, atendendo a recomendação 112 da OIT. O serviço de saúde só vai ganhar novos profissionais, porém ainda não com uma visão prevencionista, quando os empresários resolveram que precisam de um fiscal dentro da empresa, fiscalizando os trabalhadores. É assim que surge a figura do engenheiro de segurança, apenas com o objetivo corretivo, ou seja, era muito mais um fator de pressão social e econômica sobre os trabalhadores do que uma figura prevencionista. O capitalismo está preocupado em atender as pressões internacionais atendendo a OIT. No Brasil, a engenharia de segurança ganha uma nova roupagem, com a aprovação das Normas Regulamentadoras – NR que abordam problemas relacionados ao ambiente de trabalho, fazendo com que as empresas e os empresários observem esses fatores de forma a aplicar medidas que previnam a ocorrência dos acidentes e das doenças ocupacionais. Ou seja, ao sistema capitalista brasileiro, a legislação prevencionista é uma imposição da economia e dos padrões internacionais. Atualmente, influenciado por uma gestão globalizada, o empregador é estimulado a inserir em sua gestão operacional, tanto as ações quanto os profissionais para atuarem nos setores de segurança. Muito mais devido aos custos diretos e indiretos representados pelo acidente, do que por uma visão de qualidade de resultados. Isso porque embora o capitalismo apresente uma visão focada em investimentos e lucros, os empresários e acionistas acreditam que investir na qualidade de produtos e serviços gera retornofinanceiro. Muito desse conceito vem parcialmente da exigência da sociedade, devido ao aumento da oferta de produtos, ao escolher produtos de qualidade. O sistema de gestão de qualidade se expandiu para um sistema de gestão integrado, que engloba Qualidade, Segurança, Meio ambiente e Responsabilidade Socioambiental (QSMSRS), trazendo para o capitalismo o prevencionismo como um investimento e não mais um custo. Investimento é qualquer gasto de recursos que produz um retorno ou seja, a taxa de investimento é proporcional ao retorno, mantendo o polo dinâmico da economia capitalista. As forças dominantes, a classe empresária, que detêm o domínio do capital industrial Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho A engenharia de segurança no contexto capital-trabalho Capítulo 1 investe nos avanços tecnológicos operacionais e também prevencionistas, para que a relação lucro versus custos não seja desequilibrada pelos custos com acidentes, doenças ocupacionais e perdas na produção. A formação para o mundo do trabalho O mundo globalizado, com fortalecimento do sistema capitalista, focado no lucro e na livre concorrência chegam também ao mercado de trabalho, trazendo o aumento da competitividade pelas oportunidades de trabalho e exigindo formação e qualificação profissional. Os trabalhadores vivenciam ou buscam a entrada em um ambiente que exija cada vez mais o desenvolvimento de habilidades e competências multidisciplinares. F I G U R A 3 Balança de investimentos prevencionistas e custos com acidentes e doenças ocupacionais F O N T E Elaborada pela autora (2020) Custos com acidentes e doenças ocupacionais Investimentos prevencionistas ocupacionais A competitividade pode ser evidenciada antes mesmo da entrada dos profissionais no mercado de trabalho, por meio do conhecimento tecnológico e científico, exigindo além da formação inicial, uma formação continuada. Por isso, já se insere na grade do ensino fundamental, médio e técnico opções de unidades curriculares como: empreendedorismo, robótica e tecnologia da informação, além das já exigidas pela Lei de Diretrizes e Bases – LDB, como a transversalidade das unidades que abordam a temática ambiental, preparando nosso jovem para o mercado de trabalho competitivo. O mesmo se vê na formação continuada. Essa tendência, embora globalizada nem sempre é igualitária ou proporciona igualdade de oportunidades de entrada e permanência no mercado de trabalho. Devido às desigualdades da sociedade capitalista, as diferenças de oportunidades acabam refletindo na vida dos jovens que veem dificultada a sua inserção ao mercado de trabalho, forçando a entrada precoce em atividades informais, sem garantias trabalhistas e que Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho A engenharia de segurança no contexto capital-trabalho Capítulo 1 comprometem ainda mais a formação dos jovens, por se dedicarem menos ou mesmo abandonarem os estudos. Todo esse cenário tem reflexo nas oportunidades futuras desses jovens, que quando inseridos, estarão sujeitos às condições de vulnerabilidade trabalhista, econômica e social, contribuindo com a desigualdade social e a pobreza. As crises econômicas acabam sempre afetando os trabalhadores, seja pela falta de conscientização ou pelo aumento da expectativa de qualificação. Tais fatores contribuem para a entrada e permanência dos trabalhadores no setor informal sem as garantias trabalhistas de saúde e segurança, pois a existência do direito no emprego formal não garante o acesso a ele. Uma sociedade com desigualdade social e econômica contribui para o processo de exclusão social e do mercado. Sem oportunidades, o indivíduo encara como marginalizadas as oportunidades, se submetendo às condições de trabalho degradantes e até mesmo abrindo mão de seus direitos, de suas garantidas pela Constituição Federal, que em seu Artigo 6o garante educação e trabalho como direitos sociais, fundamentais à dignidade da pessoa humana. Podemos contextualizar as ações do prevencionismo F I G U R A 3 A balança pende para os interesses dos de- tentores do capital F O N T E Elaborada pela autora (2020) Capital: Riquezas adquiridas Interesses dos empresários Trabalho: Saúde e segurança do trabalhador como o cumprimento das leis que protegem os direitos de igualdade e da dignidade humana. O conflito capital-trabalho O mundo gira e os seres humanos ainda se perguntam: o que gira o mundo? Esse é o dilema dos profissionais da área de saúde e segurança do trabalho. Manter vivos seus pilares prevencionistas diante das resistências dos dois lados. De um lado os empresários capitalistas Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho A engenharia de segurança no contexto capital-trabalho Capítulo 1 que estão a todo tempo direcionando sua gestão à obtenção de lucro e do outro os trabalhadores que resistem à aplicação de uma política prevencionista, pois estão mais preocupados com os direitos que garantem um retorno financeiro. Muitas vezes, o profissional de SST precisa se posicionar entre os interesses capitalistas e a saúde, entre a produção e a segurança, entre o salário e o emprego. A arma do profissional de SST para lutar contra essa disputa é a produção de conhecimento. Quando se produz conhecimento, sem cooperação da gestão, a produtividade fica comprometida. Por isso, a responsabilidade em orientar empregados e empregadores em relação à existência de riscos ocupacionais responsáveis por doenças e acidentes do trabalho e suas consequências para a vida do trabalhador é tão importante para vencer o conflito entre capital e trabalho. Além de orientar, a gestão de SST também trabalha para neutralizar os riscos por meio de medidas de segurança prevencionistas, que acabam sendo burladas por empregados e empregadores, como o respeito à intrajornada, também conhecida como horário de almoço. A interjornada tem como objetivo proporcionar aos trabalhadores um tempo de descanso, para que eles recuperem suas energias e até para que eles passem mais tempo ao lado de sua família e amigos, direitos garantidos ao trabalhador pela CLT, que tem como finalidade evitar a fadiga física e mental. Uma boa forma da empresa não ter prejuízos pela falta de respeito dos intervalos é o sistema de ponto eletrônico adotado pelas empresas, que por vezes é vista pelo empregado como uma posição punitiva para possíveis atrasos e não como um controle positivo das horas trabalhadas, com o devido respeito ao descanso necessário à saúde do trabalhador. Valores versus vida Na economia da segurança é notável a separação entre o trabalho e os meios de produção, que reproduz a submissão do trabalho ao capital. Essa submissão pode ser vista principalmente quando a função de um trabalhador não é igual ao do coletivo. A relação do capitalismo com o trabalho é marcada pelos modelos de produção Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho A engenharia de segurança no contexto capital-trabalho Capítulo 1 Fordistas e Tayloristas, que baseavam a produção no tempo de movimento dos trabalhadores. O modelo Taylorista adaptava o trabalhador ao ritmo da máquina. Assim, menos interrupções aconteciam, havia menos desperdício e mais produtividade. Esse modelo de produção consolida o materialismo estruturado na produção capitalista, centralizada na exploração do capital, com o trabalho mal remunerado. O processo de globalização traz à tona a terceirização e outras atividades produtivas mediante uma diversificação geral do modelo capitalista baseado na exploração do assalariado, que com medo de perder o emprego e de ser socialmente excluído, se submete às condições impostas pelo modelo atual (VASAPOLLO, 2003). O valor material ainda ganha força pelas inovações tecnológicas que substituem o trabalho físico humano e contribuem para fortalecer a classe empregadora que, visando o lucro e um aumento da valorização da riqueza, aumenta o distanciamento entre os níveissociais (ricos e pobres) e dentro do processo de globalização, o distanciamento nacional e internacional. Podemos exemplificar essa relação desigual no ambiente de trabalho por um entendimento do salário, que deveria ser constituído da jornada trabalhada e uma renda social mínima que garantisse a qualidade de vida independente da posição social. O problema existe também para quem possui um trabalho com condições cada vez mais precárias, sem proteção, com salário menor e com altos níveis de mobilidade e intermitência, tratando o prevencionista meramente como o atendimento da legislação vigente BAZZO & PEREIRA, 2006. Resumindo E então, entendeu que em uma sociedade capitalista a valorização da vida humana é calculada entre gastos e receitas para o empregador e para o governo? Entendeu o quanto o processo de industrialização e o sistema capitalista influenciou a regulamentação prevencionista? Pois bem, só para não ficar nenhuma dúvida, vamos resumir rapidamente o que vimos. O capitalismo é hoje o sistema econômico que reflete as relações sociais e também as relações de trabalho. A certeza do lucro Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho A engenharia de segurança no contexto capital-trabalho Capítulo 1 da classe empregadora e o medo do desemprego e da exclusão social fragilizam as relações trabalhistas, expondo trabalhadores a salários indignos e condições de trabalho prevencionistas apenas para atender a legislação e evitar custos dos trâmites legais. O prevencionismo ainda é sufocado pelos interesses capitalistas, dificultando a ação dos profissionais de SST. Reduzir o número de acidentes e doenças do trabalho era considerado um gasto sem retorno. Entretanto, atualmente a gestão prevencionista, junto com os gestores operacionais entendem que os investimentos com ações que reduzem acidentes e doenças ocupacionais aumentam o desempenho e a qualidade da empresa, além de reduzirem os custos com o afastamento e pagamento de benefícios aos trabalhadores lesados. @faculdadelibano_ 2 Papel e as responsabilidades do engenheiro de segurança do trabalho Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Capítulo 2 Papel e as responsabilidades do engenheiro de segurança do trabalho Objetivos Ao término deste capítulo, você será apresentado às subdivisões, aos ramos e às fontes do direito, de modo que você possa compreender aas peculiaridades e diferenças dessa ciência tão fascinante. Motivado para desbravar esse novo universo? Então vamos lá. Perfil profissional Quando falamos em engenharia pensamos em projetos, construções e edificações de cidades, prédios e estradas. E o engenheiro de segurança do trabalho? O que ele planeja? O que ele constrói? Para conceituar a profissão de engenheiro, Walter Bazzo e Luiz Teixeira conceituam a profissão com relação à história da sociedade da seguinte forma: Se o trabalho dos engenheiros é importante no dia a dia de uma sociedade, eles estão lá como elementos fundamentais para a procura de soluções, para a concretização de ideias ou mesmo para a administração dos serviços necessários à execução dos produtos. (BAZZO & PEREIRA, 2006, p. 65) Então, podemos destacar que de forma geral, o engenheiro procura soluções, tanto para concretizar ideias quanto para administrar a execução, podendo assim, desenhar as atribuições do engenheiro do trabalho em procurar soluções para as situações de riscos encontradas no ambiente de trabalho e concretizá-las. Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Papel e as responsabilidades do engenheiro de segurança do trabalho Capítulo 2 Na gestão de saúde e segurança é necessário traçar o perfil ocupacional dos profissionais no qual devem estar contidas as atividades desenvolvidas, local ou posto de trabalho, os riscos ambientais encontrados e os respectivos agentes, incluindo a matéria-prima, as medidas de controle aplicadas para eliminar, reduzir ou controlar a exposição aos riscos. Sendo assim, você conseguiria traçar o perfil ocupacional de um engenheiro de segurança do trabalho que atua na indústria de calçados? Ou na construção civil? Ou ainda em um navio de transporte de produtos perigosos? O perfil profissional do engenheiro não se confunde com outros profissionais. Sua atuação está na descrita na promoção da segurança dos trabalhadores, de forma ética, aplicando seus conhecimentos técnicos. A prática do trabalho é de responsabilidade do operador, mas o profissional prevencionista, como o engenheiro de segurança do trabalho, tem como F I G U R A 5 engenheiro de segurança do trabalho – planeja soluções para os ambientes ocupacionais F O N T E pixabay (adaptado) Você Sabia? Onde encontrar as informações do perfil profissional? Essas informações são registradas no perfil profissional previdenciário, documento elaborado e assinado pelo engenheiro de segurança do trabalho que serve para comprovar as condições de trabalho em que um trabalhador está inserido durante a jornada de trabalho e é uma exigência legal da Previdência Social a todas as empresas na Lei n0 8.213/91. Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Papel e as responsabilidades do engenheiro de segurança do trabalho Capítulo 2 responsabilidade planejar e aplicar o suporte necessário para que o operador desenvolva a atividade com saúde e segurança. A principal função de qualquer profissional da área de segurança e não diferente do engenheiro de segurança do trabalho é proporcionar aos demais trabalhadores um ambiente salubre, participando das ações de promoção da saúde e segurança junto com os demais membros do Serviço Especializado em Saúde e Medicina do Trabalho (SESMT) e da Comissão Interna de Prevenção de Acidente (CIPA). Quando surgiu o engenheiro de segurança do trabalho? As responsabilidades do engenheiro de segurança foram se adequando às mudanças ocorridas no processo de produção. Vimos na história da segurança prevencionista, que após a implantação da produção em massa, com máquinas movidas a vapor e com o crescimento do número de trabalhadores e de acidentes de trabalho, o engenheiro era o profissional que criava artefatos de proteção, sem um planejamento prevencionista. Podemos apresentar um molde de profissional de segurança em 1834, na figura do inspetor de fábricas, que associou o prevencionista à presença diária de um médico nas fábricas. A medicina do Trabalho ainda ganha destaque na história prevencionista quando em 1959 a OIT define o serviço de saúde ocupacional como um serviço médico. Mas e o engenheiro? Esse ainda mantém o perfil mecânico, responsável por peças e engrenagens. F I G U R A 6 O médico anjo protetor e o engenheiro Mecânico F O N T E pixabay Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Papel e as responsabilidades do engenheiro de segurança do trabalho Capítulo 2 Desde que surgiu a necessidade de um profissional que atuasse na função prevencionista, ela foi desempenhada por profissionais de diferentes segmentos e de níveis hierárquicos e responsabilidades diferentes. As décadas de 70 e 80 foram marcantes para a história dos profissionais prevencionistas, principalmente para o engenheiro de segurança do trabalho e o técnico de segurança do trabalho, que na década de 50 eram conhecidos como inspetores de segurança. A nova fase acabava com o profissional espontâneo e entravam em cena os profissionais legalmente constituídos. Podemos afirmar que o divisor de águas na história da segurança do trabalho foi a Portaria nº 3237 do MTE, criando o serviço de segurança, higiene e medicina do trabalho nas empresas. Com esta portaria foram criados cursos reconhecidos pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) de preparação dos profissionais para atuarem na área de segurança, higiene e medicina do trabalho. Em 1979, em virtude da carência de profissionais para compor o SESMT, a Resolução n° 262 regulamenta a criação de cursos em caráter prioritário para essesprofissionais. A Lei n° 7410 de 27/11/85 oficializou a especialização em engenharia de segurança do trabalho. A lei também criou a categoria profissional de técnico em segurança do trabalho, até então os únicos profissionais prevencionistas não eram reconhecidos legalmente (BRASIL, 1985). Hoje para atuar nesta função é necessária uma especialização que os profissionais das engenharias e da arquitetura realizam, capacitando- se como engenheiros de segurança do trabalho. A segurança do trabalho nas empresas hoje se apresenta como uma gestão integrada que envolve diversas áreas de trabalho e ainda é um desafio, que envolve a mudança de paradigmas para todos os envolvidos, uma modificação da realidade de acidentes e doenças relacionadas ao espaço laboral. Com as áreas de gestão unificadas pelo sistema de gestão integrada (SGI), a atuação do engenheiro de segurança do trabalho e de outros membros da equipe de segurança do trabalho é fundamental em qualquer organização, que por meio do desenvolvimento de métodos, procedimentos e programas de controle de acidentes ou de perdas, bem Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Papel e as responsabilidades do engenheiro de segurança do trabalho Capítulo 2 como pela comunicação de acidentes, a medição e a avaliação dos sistemas de controle de perdas e acidentes, oferecem suporte para garantir a saúde de todos. Ao conquistar o reconhecimento dos gestores da empresa, um dos maiores desafios do engenheiro de segurança do trabalho é mobilizar os funcionários, com o intuito de chegar aos melhores resultados na prevenção de acidentes. Atribuições e responsabilidades A engenharia de segurança do trabalho deve ter como responsabilidade primordial a gestão prevencionista voltada para o controle de acidentes e doenças ocupacionais. Para a OIT, os aspectos prevencionistas devem estar além da redução dos riscos, eles devem estar atrelados à conservação da saúde atingindo o conceito de saúde definido pela OMS. Sendo assim, a engenharia de segurança do trabalho tem a responsabilidade pela vida dos trabalhadores, atendendo a três componentes: Estado-Empresa-Trabalhador. Então chegou a hora de definir as responsabilidades do engenheiro de segurança do trabalho. Legalmente, a figura do engenheiro de segurança surge no Brasil apenas para garantir nas empresas o cumprimento das exigências legais impostas pelas medidas governamentais, que tinham como objetivo principal reduzir o número de acidentes no país e não assegurar a vida. A atribuição do engenheiro de segurança era a de fiscal interno com postura corretiva. Legalmente, suas atribuições estão atreladas ao Serviço Especializado em Medicina do Trabalho (SESMT), atendendo aos dispositivos da NR4 (ENIT, 2016) em promover a saúde e proteger a integridade física do trabalhador no local de trabalho. As principais atribuições do engenheiro de segurança do trabalho no SESMT são: • Elaborar projetos do âmbito da segurança e saúde do trabalho. • Elaborar laudos. • Realizar de perícias • Confeccionar pareceres técnicos. • Gerenciar o controle de riscos. • Estudar as condições de segurança no ambiente de trabalho. Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Papel e as responsabilidades do engenheiro de segurança do trabalho Capítulo 2 • Analisar os riscos de acidentes. • Propor regulamentos internos para a prevenção de acidentes e doenças ocupacionais. • Acompanhar a execução de obras e serviços no sentido de promover a segurança. • Coordenar as comissões internas, como a CIPA. • Atuar na área de higiene do trabalho. • Elaborar ou colaborar com os programas de segurança do trabalho, como PCMAT e PGR. • Promover a realização de atividades de conscientização, educação e orientação dos trabalhadores. Nesse conceito legal, podemos então afirmar que engenheiro deixa de ser um fiscal e ganha a responsabilidade de planejar e desenvolver a gestão de risco nas empresas principalmente adequando às atualizações legais e ao desenvolvimento tecnológico, passando de profissional fiscal para um profissional prevencionista. Com as atualizações nos NRs, o engenheiro de segurança do trabalho também ganha novas responsabilidades como a de gerenciar o controle de riscos. Para a legislação trabalhista, são atribuições do engenheiro de segurança do trabalho: • Prevenção e antecipação de riscos potenciais. • Elaboração do PGR E PCMAT. • Proteção do consumidor. • Alterações de conceitos legais referentes a saúde e segurança. • Controle ambiental objetivando a saúde e segurança do trabalhador, no que tange à redução de acidentes e doenças ocupacionais da sociedade e do meio ambiente. A atuação do engenheiro ou arquiteto na especialização de engenheiro de segurança do trabalho só será autorizada mediante registro no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA) que define as atribuições do engenheiro de segurança do trabalho: • Supervisionar, coordenar e orientar serviços da área • Realizar estudos no ambiente de trabalho para identificar e controlar os riscos. • Implantar técnicas de gerenciamento e controle de risco • Realizar perícias e emitir pareceres para controle sobre o grau de exposição aos riscos físicos, químicos e biológicos etc. • Propor medidas preventivas e corretivas e orientar trabalhos estatísticos • Propor normas e políticas de segurança do trabalho, fiscalizando o seu cumprimento • Elaborar projetos de sistema de segurança do trabalho e assessorar a elaboração de Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Papel e as responsabilidades do engenheiro de segurança do trabalho Capítulo 2 projetos e obras para garantir a segurança • Analisar instalações, máquinas e equipamentos, projetando dispositivos de segurança • Atuar em projetos de proteção contra incêndios. • Delimitar as áreas de periculosidade. • Fiscalizar os sistemas de proteção coletiva e os EPIs. • Acompanhar a aquisição de substâncias e equipamentos que ofereçam riscos. • Elaborar planos para prevenir acidentes • Realizar treinamentos. • Emitir Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). A responsabilidade do engenheiro de segurança do trabalho está atrelada à melhoria dos resultados das empresas desenvolvendo métodos, procedimentos e programas de controle de perdas e acidentes, medição e acompanhamento dos resultados. Para atuar desenvolvendo as atribuições que competem a um engenheiro de segurança do trabalho, ele precisa desenvolver competências que envolvem conhecimentos da legislação vigente, laudos e perícias, conhecimentos acerca de saúde, máquina e equipamentos, mas também conhecimentos que envolvam psicologia, sociologia e meio ambiente, tanto em situações de sinistros quanto em medidas de primeiros socorros. Desenvolver essas competências é importante para cumprir o propósito da engenharia de segurança, que inclui estudar as causas e modos de prevenção de acidentes com lesões e morte atuando tanto na indústria, berço do prevencionismo, quanto nos demais setores de trabalho, como produção e exploração de bens e serviços, podendo atuar em médias e grandes empresas. A segurança se expandiu, por isso o profissional deve também desenvolver competências relacionadas ao controle de qualidade, auditorias internas, externas e oficiais, respondendo aos requisitos legais e de certificadoras do sistema SSO, como ISO 45001, no qual a empresa precisa adequar o gerenciamento de risco e gerar valores para organização. A OHSAS 18001 foi aplicada em mais cem mil empresas e juntamente com as Diretrizes Internacionais do OIT, serviram de base para a nova norma ISO 45001:2018, que facilita a integração com os demais sistemas ISO (9001, 14001) e consequentemente o SGI. Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Papel e as responsabilidades do engenheiro de segurança do trabalho Capítulo 2 Mercado de trabalho Após a conclusão da especialização de engenharia de segurança do trabalho o profissional ganha espaço no mercado de trabalho namedida em que o mercado percebe a importância política, social e principalmente econômica de prevenir doenças, acidentes e incidentes no ambiente de trabalho. As indústrias, por concentrarem historicamente o maior número de acidentes, são as que mais têm abertura ao profissional de engenharia de segurança do trabalho, destacando o ramo da construção civil. Por concentrarem o maior número de indústrias, as regiões sul e sudeste do país são as que apresentam o maior número de oportunidades, mas existem oportunidades em aberto por todo país. Como qualquer profissão, a carreira do profissional especializado em engenharia de segurança do trabalho apresenta vantagens e desvantagens. De um lado podemos destacar a progressiva conscientização do mercado em investir em profissionais prevencionistas e do outro a dificuldade de desenvolver suas atribuições de conscientizar suas equipes em cumprir as normas regulamentadoras devido à falta de conscientização da classe operária. F I G U R A 7 Dificuldades encontradas no mercado de trabalho pelos engenheiros de segurança do trabalho F O N T E Elaborada pela autora (2020). Nesse cenário, o engenheiro de segurança do trabalho encontra um mercado repleto de oportunidades, no setor privado ou público, com empregados regidos pela CLT, Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Papel e as responsabilidades do engenheiro de segurança do trabalho Capítulo 2 pequenas ou grandes empresas, podendo atuar como funcionário efetivo ou prestador de serviços. Como consultor, o profissional presta serviço investigando as mudanças necessárias para reduzir acidentes e doenças do trabalho e adequar a empresa às exigências legais relacionadas à segurança e higiene do trabalho. Além disso, o engenheiro de segurança pode trabalhar em um órgão público de fiscalização do trabalho, realizando auditorias externas em empresas. Portanto, além dos conhecimentos científicos adquiridos durante o contínuo processo de formação, o engenheiro de segurança precisa apresentar habilidades que o insira e mantenha no mercado de trabalho como o aperfeiçoamento contínuo, principalmente no que se refere às atualizações legais prevencionistas, boas relações humanas, comunicação, trabalho em equipe e ética profissional, assuntos que iremos abordar no próximo capítulo. Resumindo E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que para atender a demanda de uma sociedade tecnológica em constante progresso por meio de ferramentas acessíveis, o engenheiro de segurança do trabalho não poderá usar seu título para proveito próprio e nem propor ações que coloquem em risco os colegas de trabalho, a sociedade e o meio ambiente. Existe uma cobrança constante na atividade profissional do engenheiro de segurança do trabalho. Por isso, nortear-se pela conduta ética profissional é um dever do profissional prevencionista, que atua para garantir a saúde e qualidade de vida dos trabalhadores, o respeito à sociedade e ao meio ambiente. Caso ele cometa uma infração ao código de ética profissional ele poderá perder a sua licença por má conduta, escândalo ou crime contra infame. Neste caso ele só poderá requerer uma nova licença cinco anos depois, podendo ter o seu pedido aceito ou rejeitado pelo sistema CONFEA/CREA. @faculdadelibano_ 3 Ética profissional do engenheiro de segurança do trabalho Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Capítulo 3 Ética profissional do engenheiro desegurança do trabalho Objetivos Ao término deste capítulo você conhecerá os direitos e deveres do profissional de engenharia de segurança do trabalho baseado na conduta ética profissional segundo o código de ética profissional do sistema CONFEA/CREA. Ética profissional Você certamente já ouviu definições de ética profissional, o que não se afasta da definição de ética. No capítulo anterior, vimos que o engenheiro de segurança do trabalho responde no ambiente ocupacional por diferentes atribuições e responsabilidades que devem ser exercidas com ética e responsabilidade profissional. Pode ser que o próprio engenheiro desconheça a importância de conduzir a todo o momento suas responsabilidades que são capazes de modificar o ambiente e a qualidade de vida das pessoas. Por isso que as responsabilidades do engenheiro têm um grande peso nas relações humanas entre si e com o meio e o mesmo deve estar preocupado em planejar e implementar medidas apropriadas, mediante uma postura profissional coerente e racional, baseada em conceitos éticos e profissionais. Você pode estar se perguntando, como seria a aplicação da ética profissional nas Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Ética profissional do engenheiro de segurança do trabalho Capítulo 3 atribuições do engenheiro de segurança do trabalho? Vamos trazer alguns exemplos. O profissional prevencionista estará se comunicando por meio de uma linguagem técnica, na elaboração de relatórios, programas, planilhas com dados e laudos técnicos. Esta comunicação deve ser clara e principalmente precisa, preferencialmente sem metáforas, com as palavras sendo empregadas com o sentido direto sem dar margens a interpretações errôneas que comprometam a real intenção prevencionista. O engenheiro de segurança do trabalho estará lidando diretamente com o triângulo prevencionista (empregados, empregadores e governo) ou seja, em suas decisões devem prevalecer os direitos e deveres estabelecidos nas leis. Ao avaliar os riscos e as probabilidades de danos em uma real situação ou provável situação no ambiente ocupacional, o engenheiro de segurança do trabalho deve, sobretudo, garantir o respeito ao trabalhador, à empresa, à sociedade e aos seus concorrentes. Sendo assim, no exercício da profissão, o engenheiro de segurança do trabalho não deve, segundo o ponto de vista ético, buscar interesses e satisfação pessoal e sim um serviço, uma contribuição à sociedade. Tudo isso só será possível com uma sólida formação técnica, científica e profissional. Outro ponto que devemos abordar é a sobreposição entre as competências profissionais que o engenheiro por formação pode atuar. A engenharia de segurança do trabalho é uma especialização autorizada pelos órgãos de educação e trabalho a ser conferida aos profissionais graduados em engenharia e arquitetura, aos quais são também atribuídas outras especializações como a engenharia ambiental, engenharia geotécnica, topografia e sensoriamento. Digo isso, pois pode acontecer que ao engenheiro de segurança do trabalho sejam atribuídas decisões em que se tornem dúbios os limites entre as especializações. Desta forma, para resolver tais possíveis conflitos, o engenheiro deve exercer suas atividades com ética e profissionalismo. Código de ética da engenharia Assim como toda profissão, o engenheiro de segurança do trabalho exerce suas atribuições pautadas em um código de ética estabelecido por um conselho de classe. O engenheiro de segurança do trabalho deve seguir o código de ética do Conselho Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Ética profissional do engenheiro de segurança do trabalho Capítulo 3 Federal de Engenharia e Agronomia – (CONFEA) podendo cada Conselho Regional (CREA) submeter à aprovação do conselho federal e apresentar seu código de ética. O código de ética preconiza o estabelecido em lei (Lei no 5.194/96), que em sua atuação profissional, o engenheiro, em qualquer que seja sua especialização, sobreponha o interesse social e humano por meio do aproveitamento e da utilização dos recursos naturais, desenvolvimento industrial entre outros. Esta lei ainda delibera ao sistema CONFEA/CREA, o direito de julgar as infrações do Código de Ética. Para o sistema CONFEA/CREA é inadmissível desenvolver a prática profissional sem que se conheça e principalmenteque se aplique, de forma cotidiana e rotineira, os princípios estabelecidos pelo código de ética. Essa exigência baseia-se principalmente pelo caráter social apresentado pela profissão do engenheiro, que deve aplicar os princípios éticos na elaboração, na fiscalização, na pesquisa e execução de projetos de construção ou na prevenção de acidentes, ou seja, nas inúmeras atividades desenvolvidas pelo engenheiro. O sistema CONFEA/CREA ainda destaca o caráter individual na aplicação do código destacando que o profissional inicia sua responsabilidade com a sociedade ainda durante sua formação acadêmica e continuada, trazendo os princípios éticos como um norte para sua conduta profissional ao desempenhar seus deveres profissionais e até mesmo contribuindo, quando julgar necessário, para renovar tais princípios baseados em seus conhecimentos adquiridos. Isso posto, entende-se que o profissional é, antes de tudo, um cidadão e como tal deve estar atento às mudanças globais que impactam a sociedade. O código de ética atual, após mudanças propostas pelo Colégio de Entidades Nacionais (CDEN) atualiza e contempla demandas acumuladas e atuais. Por isso é indispensável aos profissionais. Nele estão estabelecidos os direitos, deveres e condutas vedadas aos profissionais definindo, por exemplo, o que é uma infração ética: Todo ato cometido pelo profissional que atente contra os princípios éticos, descumpra os deveres do ofício, pratique condutas expressamente vedadas ou lese direitos reconhecidos de outrem. (CONFEA, 2019, p. 7) Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Ética profissional do engenheiro de segurança do trabalho Capítulo 3 A entidade entende que o código de ética aprovado na sua 11a Edição, em vigor desde 2003, se apresenta aos profissionais a ela filiados um pacto com as adequações exigidas por uma sociedade globalizada, que possa atender as transformações técnicas, científicas, mas também as transformações sociais e culturais. Em seus catorze artigos divididos em oito capítulos, o código fundamenta os preceitos e condutas orientadoras a respeito das práticas profissionais, envolvendo direitos e deveres, respeitando e estimulando a competitividade ética e inserção profissional. O código de ética deve ser seguido de forma a alavancar a excelência na profissão, aplicando o código de ética não como ideias abstratas, mas concretas e delimitadas nos conhecimento técnicos e científicos. O Artigo 2o estabelece que o código de ética tem alcance a todos os profissionais: Os preceitos deste Código de Ética Profissional têm alcance sobre os profissionais em geral, quaisquer que sejam seus níveis de formação, modalidades ou especializações. (CONFEA, 2019, p. 28) O que remete ao profissional especialista em engenharia de segurança do trabalho a responsabilidade de seguir o código. Outra garantia dada pelo código é a liberdade de criar. O Artigo 5o garante aos profissionais a detenção do conhecimento: “Os profissionais são os detentores do saber especializado de suas profissões e são sujeitos proativos do desenvolvimento”. (CONFEA, 2019, p. 29) O Artigo 6o define o objetivo da atuação do engenheiro e suas especializações em prol do bem-estar da sociedade e do meio ambiente em suas diversas dimensões: O objetivo das profissões e a ação dos profissionais volta-se para o bem-estar e o desenvolvimento do homem, em seu ambiente e em suas diversas dimensões: como indivíduo, família, comunidade, sociedade, nação e humanidade; nas suas raízes históricas, nas gerações atuais e futuras. (CONFEA, 2019, p. 29) Podemos concluir que aos engenheiros de segurança cabe o cumprimento da conduta ética que vai muito além dos muros e das salas de um ambiente de trabalho e para isso Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Ética profissional do engenheiro de segurança do trabalho Capítulo 3 são estabelecidos direitos e deveres. Direitos, deveres e vetos O Artigo 8o do Código de Ética que fundamenta os seus princípios éticos, pauta sua conduta em: • Objetivo da profissão. • Natureza da profissão: bem cultural da humanidade. • Honradez da profissão: exige conduta honesta. • Eficácia profissional: cumprimento responsável dos compromissos profissionais. • Relacionamento profissional: honesto, justo com igualdade de tratamentos entre os profissionais. • Intervenção profissional sobre o meio: Baseado nos preceitos de desenvolvimento sustentável. • Liberdade e segurança profissional: livre exercício dos habilitados a desenvolver a função. (CONFEA, 2019, p. 31) O código estabelece os direitos (Artigo 11o), deveres (Artigo 9o) e vetos a condutas profissionais (Artigo 10o). Quanto aos direitos coletivos estão estabelecidos no Artigo 11o dos quais podemos citar o direito ao reconhecimento legal, enquanto que no Artigo 12o são estabelecidos os direitos individuais universais, dos quais podemos citar: • A liberdade de escolha de especialização. • O direito de recusa quando julgar incompatível a titulação ou dignidade. • A liberdade de escolha de métodos e procedimentos. Entre os deveres atribuídos eticamente podemos citar como deveres: • Ante ao ser humano e seus valores: harmonizar os interesses pessoais aos coletivos. • Ante a profissão: realizar sua função nos limites de suas atribuições e de sua capacidade pessoal de realização. • Ante o meio: orientar as atividades respeitando os princípios de desenvolvimento sustentável. • Nas relações com clientes, empregadores e colaboradores: atuar com imparcialidade e impessoalidade. • Nas relações com os demais profissionais: atuar com lealdade no mercado. (CONFEA, 2019, p. 34) Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Ética profissional do engenheiro de segurança do trabalho Capítulo 3 Entre as condutas vedadas aos profissionais podemos citar • Usar de privilégios profissionais de forma abusiva, para fins de vantagens pessoais. • Omitir ou ocultar fatos que transgridam a ética profissional; • Descuidar com as medidas de segurança e saúde do trabalho sob sua coordenação. • Prestar de má-fé qualquer ato profissional que resulte em danos ao meio ambiente a sociedade e a saúde humana. (CONFEA, 2019, p. 37) Infração ética e cancelamento do registro No exercício de sua profissão o engenheiro do trabalho deverá sempre priorizar os cumprimentos dos direitos e deveres éticos definidos para sua profissão. Em alguns casos, quando o profissional não conduz suas atividades nesses princípios ele pode estar cometendo uma infração ética que deverá ser julgada pelo conselho, que irá proceder de forma a averiguar os fatos, estabelecendo se de fato houve a infração e se ela se caracteriza como uma má conduta, imprudência, imperícia, negligência ou ainda um crime. A Resolução no 1004/2003 em seu anexo estabelece os procedimentos para instauração e julgamento dos processos administrativos, assim como a aplicação das penalidades relacionadas à apuração da infração ao código de ética profissional. “Todo o processo deve seguir os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência” (CONFEA, 2019, p. 47). O profissional que comete infrações ao código de ética profissional poderá ter seu registro profissional cancelado. Estarão sujeitos ao cancelamento do registro por má conduta ou escândalo, os profissionais que cometerem os seguintes atos ou comportamentos: I. Incidir em erro técnico grave por negligência, imperícia ou imprudência, causando danos. II. Manter no exercício da profissão conduta incompatível com a honra, a dignidade e a boa imagem da profissão. III. Fazer falsa prova de qualquer dos requisitos para o registro no Crea. Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Ética profissional do engenheiro de segurança do trabalho Capítulo 3 IV. Falsificar ou adulterar documento público emitido ou registrado pelo Crea para obter vantagem indevidapara si ou para outrem. V. Usar das prerrogativas de cargo, emprego ou função pública ou privada para obter vantagens indevidas para si ou para outrem. Resumindo E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que para atender a demanda de uma sociedade tecnológica em constante progresso por meio de ferramentas acessíveis, o engenheiro de segurança do trabalho não poderá usar seu título para proveito próprio e nem propor ações que coloquem em risco os colegas de trabalho, a sociedade e o meio ambiente. Existe uma cobrança constante na atividade profissional do engenheiro de segurança do trabalho. Por isso, nortear-se pela conduta ética profissional é um dever do profissional prevencionista, que atua para garantir a saúde e qualidade de vida dos trabalhadores, o respeito à sociedade e ao meio ambiente. Caso ele cometa uma infração ao código de ética profissional ele poderá perder a sua licença por má conduta, escândalo ou crime contra infame. Neste caso ele só poderá requerer uma nova licença cinco anos depois, podendo ter o seu pedido aceito ou rejeitado pelo sistema CONFEA/CREA. @faculdadelibano_ 4 Informática aplicada à engenharia de segurança do trabalho Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Capítulo 4 Informática aplicada à engenharia de segurança do trabalho Objetivos Ao término deste capítulo você conhecerá como a informática causou uma revolução na indústria, a que chamamos de revolução 4.0 e como esses avanços tecnológicos podem contribuir para a gestão de segurança. Tecnologia aliada à segurança no trabalho A indústria sempre foi um dos propulsores das relações humanas. Primeiro, trouxe as máquinas e a energia a vapor o que também aumentou os acidentes e doenças ocupacionais. Os movimentos seguintes trouxeram novos desafios. Chegamos hoje aos desafios atrelados aos avanços tecnológicos da indústria 4.0. Agora, você sabe como a tecnologia influencia a engenharia de segurança do trabalho? O que muda na segurança do trabalho como a tecnologia? Quero te convidar a descobrir junto comigo. O primeiro aspecto que iremos abordar será as vantagens que a tecnologia traz para a sociedade e, certamente, para a segurança do trabalho. Podemos observar no dia a dia do trabalhador que a sociedade é diariamente beneficiada com os avanços tecnológicos. Podemos até citar o fato do trabalhador poder direcionar-se ao trabalho usando o GPS que irá lhe mostrar qual o caminho mais rápido ou como evitar o engarrafamento, chegando no horário certo na empresa, evitando atraso no início da jornada de trabalho Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Informática aplicada à engenharia de segurança do trabalho Capítulo 4 e aumentando o bem- estar do trabalhador que não chegará estressado para trabalhar. Mas é preciso estar atento à rota indicada, qualquer descuido pode levá-lo a um caminho mais perigoso, por isso é importante saber usar os dispositivos tecnológicos para trazer benefícios. Conseguiram ver a vantagem de usar o GPS? Agora vamos usar o mesmo exemplo para abordar a tecnologia na gestão de segurança da empresa, pois claro que nem todos os trabalhadores vão de carro e podem usar o GPS. Vamos colocar esse GPS na frota de transporte de carga terrestre de uma empresa que trabalha com carga de produtos in natura, ou seja, perecíveis. O caminhão dotado de ferramentas tecnológicas poderá proporcionar a rota estabelecida reprogramada, ser monitorado via satélite garantindo a segurança do trabalhador e também da carga e do produto, o que irá proporcionar à empresa redução com gastos com a carga roubada, extraviada e até mesmo multas contratuais em caso de atraso na entrega ou ainda fazendo uma economia de combustível, pneus e motor do veículo. Vamos concordar que a tecnologia além de gerar segurança, garante qualidade e reduz custos de forma geral na empresa, ajudando a gestão integrada, valorizando qualidade, saúde, meio ambiente e segurança. Não há dúvidas que a tecnologia trabalha a favor da segurança. Não investir em segurança pode trazer perdas nos resultados das empresas, por isso gestores e profissionais de segurança do trabalho devem trabalhar juntos para investir em segurança, não de forma pontual, mas como uma rotina nos processos de produção, pois quando a empresa está em conformidade com as exigências de segurança, ela aumenta a produtividade. Trabalhadores seguros, trabalham melhor. Por outro lado, quando o ambiente em que os trabalhadores exercem suas atividades não é seguro e saudável, causa mortes, mutilações e doenças na força de trabalho. A gestão dos processos de produção, atendendo as exigências de segurança, requer uma rotina de monitoramento e avaliação. Se levarmos em conta a diversidade de processos, o monitoramento feito com a percepção humana pode ser otimizado com Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Informática aplicada à engenharia de segurança do trabalho Capítulo 4 a tecnologia. A tecnologia é um instrumento eficaz para reduzir os riscos e melhorar o desempenho em segurança. Questões culturais também podem, às vezes, se tornar um obstáculo para a gestão tecnológica, principalmente nas mudanças requeridas para a implantação de uma gestão de segurança com a utilização da tecnologia. É necessária uma maturidade tanto por parte dos gestores quanto dos trabalhadores para o sucesso das mudanças planejadas. O primeiro passo para alcançar os resultados planejados, é estabelecer uma cultura de segurança, pois o comportamento e as atitudes dos trabalhadores em relação à segurança dependem de um contexto de maturidade em relação à segurança e não de imposição e aceitação à tecnologia. F I G U R A 8 Os processos de produção tendem a se tornar cada vez mais eficientes, autônomos e customizáveis F O N T E pixabay Ferramentas tecnológicas para a segurança do trabalho Como podemos ver, a revolução 4.0 trouxe a tecnologia para o processo de produção, as principais inovações tecnológicas dos campos de automação, controle e tecnologia da informação, aplicadas aos processos de manufatura. A implantação e o desenvolvimento da indústria 4.0 passam por seis princípios básicos da produção inteligente. A capacidade de operação em tempo real, que na segurança do trabalho gera a possibilidade de aquisição e tratamento de dados em tempo real e consequente tomada de decisão. A virtualização e as cópias virtuais permitem o monitoramento remoto e rastreabilidade em todo processo, garantindo a gestão de segurança assertiva em possíveis alterações Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Informática aplicada à engenharia de segurança do trabalho Capítulo 4 F I G U R A 9 Fábricas inteligentes geram mudanças na forma em que os produtos serão manufaturados, causando impacto direto no mercado F O N T E Pixabay no processo. A descentralização através de sistemas cyber-físico aprimora o processo de produção, permitindo a gestão de riscos dentro do ciclo sem interrupções. Com a indústria 4.0 chegam também suas inovações tecnológicas baseadas em novos pilares, baseados em recursos físicos e digitais conectando máquinas e sistemas para alcançar resultados (LAVAGNOLI, 2018). Todos os noves pilares apresentam relevância para a indústria. Para a segurança do trabalho podemos trazer sua relevância no sentido que os riscos ocupacionais estão inseridos nesse processo sistematizado. A segurança pode se beneficiar com a realidade aumentada para determinar os riscos durante a manutenção de um equipamento utilizando óculos de realidade aumentada, junto com uma simulação computacional eles aproximam o mundo físico do virtual, aumentando os resultados e reduzindo custos. Com a impressão 3D os engenheiros de segurança podem projetar proteções de máquinas e equipamentos,assim como proteções individuais em um modelo 3D, criando produtos personalizados. Há a Internet das Coisas (IoT) instalada em veículos e máquinas que permitem a coleta e análise de dados de desempenho. A análise de dados e a integração dos sistemas aumentam o desempenho da gestão e a automatização das cadeias de produção auxiliando nas tomadas de decisão, para que o engenheiro de segurança do trabalho possa garantir vidas. Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Informática aplicada à engenharia de segurança do trabalho Capítulo 4 Para que os pilares gerem sucesso para os processos, sua implantação deve ser feita de forma modular, oferecendo retorno e incentivos. Além do treinamento dos profissionais é necessária uma cultura prevencionista comprometida com a segurança. Riscos na indústria 4.0 A tecnologia chegou e transformou à indústria, isso é um fato! A tecnologia chegou e resolveu a exposição aos riscos ocupacionais? Será que podemos afirmar que a indústria 4.0 é 100% segura? É verdade que na automatização do sistema cyber-físicos os processos se tornaram mais eficientes. O conceito de fábricas inteligentes traz diversas transformações, mas causam mudanças nos processos de produção desde sua organização até a integração de todo o processo. É lógico que toda essa mudança provoca medo em relação à substituição do homem pelas máquinas. Embora a sociedade tenha o medo de serem substituídas por máquinas, as empresas sempre precisarão de pessoas, independente do desenvolvimento tecnológico. Por isso, o profissional de segurança do trabalho precisa trabalhar com o conceito de gestão de risco integrado no ambiente, usando as tecnologias para tornar os ambientes inteligentes e seguros, capazes de gerenciar as atividades humanas dentro desse ambiente inteligente e responder na velocidade que a tecnologia demanda (GERMANO, 2019). Exemplo: • Os trabalhos com máquinas e equipamentos sempre foram fontes geradoras de risco de acidentes. O uso de sensores em máquinas pode ajudar na prevenção automática de acidentes em tempo real. • O trabalho em altura gera uma grande demanda de ações que garantam que o trabalhador possa exercê-lo em segurança, como durante inspeções em superfícies acima do nível inferior ou superior a dois metros que agora pode ser feita por drones, com imagens de alta resolução, sendo operado remotamente. • Em áreas com manipulação de agentes biológicos, químico ou radioativos a exposição a esses agentes pode ocasionar o aparecimento de doenças ocupacionais. Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Informática aplicada à engenharia de segurança do trabalho Capítulo 4 O uso de dispositivos conectados à internet das coisas possibilita o monitoramento através do uso de biometria como forma de limitar o acesso de funcionários ao setor e o monitoramento do tempo de exposição dos funcionários autorizados. Os riscos presentes nos ambientes de trabalho nem sempre podem ser reduzidos com a tecnologia. Um exemplo negativo são os danos causados pelo estresse em condições de isolamento, com reflexos na vida pessoal, profissional e social do trabalhador. É claro que como consequência, o trabalhador pode apresentar redução nos resultados em seu trabalho, que impactam também a empresa, além de aumentar os custos com os benefícios e seguros de saúde. Os principais fatores de afastamento dos trabalhadores estão ligados a traumas e doenças relacionadas aos agentes ergonômicos, principalmente em função de um mercado globalizado e competitivo. Para atender a esse novo cenário, o profissional da área de segurança do trabalho precisa gerenciar suas equipes para a demanda atual e para as futuras, ou seja, desenvolver habilidades e competências presentes e as que serão necessárias no futuro. Investir na capacitação e no treinamento das novas tecnologias é a melhor estratégia da gestão de segurança, envolvendo trabalhadores e lideranças. Investimentos na segurança 4.0 A indústria 4.0 exige profissionais cada vez mais qualificados, aptos a atender as novas demandas. No Brasil, a tecnologia em alguns setores ainda se apresenta distante. Há setores que, como o agronegócio, a indústria de alimentos e bebidas investe cada vez mais na indústria 4.0. A indústria de autopeças investe na tecnologia com o intuito de minimizar os erros e aumentar a qualidade, produtividade e a rastreabilidade do processo. As vantagens para o Brasil na indústria 4.0 exigem investimentos em longo prazo para reduzirem as principais causas de acidente, tais como esforço repetitivo, manipulação de materiais perigosos, estresse, trabalho em altura. A gestão deve procurar desenvolver planos de ações em segurança do trabalho que envolvam a automatização do processo Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Informática aplicada à engenharia de segurança do trabalho Capítulo 4 e pesquisas em novas tecnologias para solucionar as causas de acidentes. A verificação de uma área contaminada por agentes radioativos pode exigir a geração de um volume de resíduos contaminados devido à exigência de dispositivos de segurança individual (EPI) que garantam a segurança do trabalhador exposto ao agente radioativo. Para evitar a exposição do trabalhador e a produção de resíduos, a empresa pode optar por usar robôs e drones para realizar a vistoria no ambiente. O foco na segurança 4.0 inclui investimentos em sistemas de inteligência com resultados positivos para a indústria mediante monitoramento e identificação de falhas na produção que possam gerar doenças ou acidentes ocupacionais. Durante a produção, as máquinas começam a apresentar um aquecimento no sistema que pode ocasionar um incêndio. Se a máquina estiver ligada a um sistema de monitoramento por internet das coisas, esse pode identificar o aquecimento de forma remota e emitir um alarme que possibilite a interrupção das atividades e evacuação do local. Durante o armazenamento de cargas de produtos perigosos é possível haver vazamentos de substâncias tóxicas que criam uma atmosfera perigosa que pode levar à intoxicação e até mesmo à morte do trabalhador. Se no local houver um monitoramento da atmosfera que indique alterações nos índices de salubridade, ele pode acionar o sistema de segurança e a ventilação controlando a atmosfera e promovendo a evacuação do local. O sistema de monitoramento remoto, uma das tecnologias proporcionadas pela indústria 4.0, gera um ambiente seguro possibilitando aos trabalhadores desenvolverem suas atividades evitando o desgaste físico, ergonômico, psicofisiológico e os acidentes de trabalho. Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Informática aplicada à engenharia de segurança do trabalho Capítulo 4 Resumindo Conseguiu acompanhar tanta evolução tecnológica? Caso tenha ficado alguma dúvida, vamos fazer uma breve revisão. A velocidade dos sistemas informatizados não reduz o papel do ser humano na atividade industrial e, por consequência, os cuidados com SST, serão reduzidos. Mas, engana-se quem pensa que a segurança do trabalho não pode se beneficiar com a tecnologia, pelo contrário: é necessário desenvolver novas habilidades e formas de prevenção. Teremos um novo cenário, em que as principais causas de afastamento que conhecemos hoje diminuirão sensivelmente. 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