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Direito, constituição, estado e sociedade 1
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DIREITO, CONSTITUIÇÃO, 
ESTADO E SOCIEDADE
Direito, constituição, estado e sociedade 1
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Xavier, Rafael , 2021.
Gestão Pública - Jupiter Press - São Paulo/SP
74 páginas;
Palavras-chave: gestão pública; administração pública; direito administrativo.
Direito, constituição, estado e sociedade 2
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s
SUMÁRIO
 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................................3
 1. NOÇÕES INTRODUTÓRIAS E BÁSICAS DO DIREITO .........................................................4
1.1 FONTES DO DIREITO..................................................................................................................5
1.2 CLASSIFICAÇÃO ..........................................................................................................................6
1.3 RAMOS DO DIREITO ..................................................................................................................7
2 O ESTUDO DA LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO 
(LINDB) .................................................................................................................................................................10
3. A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA DE 1988: ESTRUTURA E FUNÇÃO DOS PODE-
RES DO ESTADO E A ORGANIZAÇÃO DA ORDEM ECONÔMICA E SOCIAL ...........16
3.1 ESTRUTURA DAS CONSTITUIÇÕES .................................................................................16
3.2 ELEMENTOS DA CONSTITUIÇÃO ....................................................................................17
3.3 IMPACTO DA ENTRADA EM VIGOR DE UMA NOVA CONSTITUIÇÃO ......18
3.4 PODERES EXECUTIVO, LEGISLATIVO E JUDICIÁRIO .........................................18
3.5 ORDEM ECONÔMICA E SOCIAL .....................................................................................19
4. OS DIREITOS FUNDAMENTAIS NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO ........22
4.1 ASPECTOS INTRODUTÓRIOS .............................................................................................22
4.2 CLASSIFICAÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS ..............................................22
4.3 GERAÇÕES OU DIMENSÕES DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS ...................23
4.4 EFICÁCIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS ..............................................................24
4.5 EXISTÊNCIA DE OUTROS DIREITOS FUNDAMENTAIS ......................................26
4.6 DIREITOS HUMANOS COM STATUS DE EMENDA CONSTITU-
CIONAL.....................................................................................................................................................26
5. ORIGEM, NATUREZA E FUNÇÃO SOCIAL DO ESTADO ...................................................28
5.1 FORMAS DE ESTADO ................................................................................................................29
5.2 FUNÇÃO SOCIAL DO ESTADO ..........................................................................................30
6. A GLOBALIZAÇÃO E O ESTADO [RA84] NACIONAL ..........................................................33
7 CONCEITO, ORIGEM E ELEMENTOS CARACTERÍSTICOS DA SOCIEDADE ........37
7.1 CONCEITO DE SOCIEDADE ..................................................................................................37
7.2 ORIGEM DA SOCIEDADE .......................................................................................................37
7.3 ELEMENTOS CARACTERÍSTICOS DA SOCIEDADE ...............................................39
8. RELAÇÃO ESTADO VERSUS INICIATIVA PRIVADA ...............................................................42
9 DIREITOS E OBRIGAÇÕES DO AGENTE PÚBLICO - SERVIDOR PÚBLICO ..........46
CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................................................................................................................52
*
* A navegação deste e-book por meio de botões interativos pode variar de funcionalidade dependendo de cada leitor de PDF.
Direito, constituição, estado e sociedade 3
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 INTRODUÇÃO
 Compreender a discussão que será abordada neste e-book, demandará do 
aluno uma análise holística e sistêmica de todo o contexto histórico sobre a(s) 
Teoria(s) formadora(s) do Estado, da Sociedade, do Direito, da Democracia, da res 
publica.
Este material não visa esgotar todo o conteúdo inerente à matéria, haja 
vista termos uma infinidade de doutrinadores nacionais e internacionais, muitos 
clássicos e de leitura obrigatória para quem buscará entender os objetivos da 
disciplina “Direito, Constituição, Estado e Sociedade”.
Sendo assim, temos, portanto, como objetivo geral prospectar para o 
educando a importância do conhecimento basilar da relação triangular entre 
direito, Estado e a sociedade, sempre modulado pela Carta Magna ou Ordem 
Constitucional de cada nação.
Quanto aos objetivos específicos, a pesquisa é descritiva, buscando promover 
a identificação e conceituação dos principais institutos do Direito; entender 
os poderes, a organização econômica e social do Estado através do estudo 
Constitucional; dialogar sobre a importância de normas fundamentais para a 
relação do Estado com o indivíduo, na democracia brasileira; analisar os impactos 
da globalização para os Estados e para as sociedades; e, entender a dinâmica 
exercida pelos agentes do serviço público.
 
 
 
 
 
 
 
 
Direito, constituição, estado e sociedade 4
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 1. NOÇÕES INTRODUTÓRIAS E BÁSICAS DO DIREITO
 
Nesta unidade, iniciaremos a disciplina trazendo as Noções Básicas do 
Direito. Tal medida é importante para que se possa preparar o terreno para que 
os acadêmicos possam se familiarizar com as discussões, conceitos, institutos e 
linguagem jurídicos.
Quando se ingressa no mundo jurídico, uma questão sempre é feita, “o que é 
Direito[RA1] ”. Usando-se da hermenêutica, poderíamos dar várias respostas, que 
nada mais seriam que interpretações possíveis sobre o mesmo fenômeno. Dentre 
essas várias respostas, serão aqui mostradas duas, as quais irão acompanhar o 
aluno mais frequentemente.
A 1ª. representa o que hoje se denomina Direito Positivo[RA2] (juspositivismo) 
® sendo um conjunto de normas jurídicas válidas em determinado momento e 
local, formando o que chamamos de ordenamento jurídico, imposto pelo Estado 
à coletividade que deverá estar adaptada aos princípios fundamentais do Direito 
Natural[RA3] (jusnaturalismo[RA4] ).
A 2ª. representa o que se denomina Ciência do Direito: ciência que tem 
por objeto o ordenamento jurídico e que geralmente é chamada de dogmática 
jurídica. É muito importante ter clara a distinção entre direito positivo e ciência do 
Direito[RA5] .
Razão para entendermos a Ciência do Direito como sendo uma 
metalinguagem: por se expressar sobre a linguagem do Direito, já que fala do 
seu objeto, possuindo, assim, natureza descritiva. Então o Direito Positivo é a 
linguagem, o próprio objeto, possuindo natureza prescritiva. Neste sentido, o 
objeto a ser estudado num Curso de Direito seja o ORDENAMENTO JURÍDICO, 
quer dizer: o conjunto de normas jurídicas que preceituam um DEVER-SER, ou, 
melhor, regras de comportamento elaboradas por agentes credenciados e que 
ensejam a possibilidade de aplicação de uma sanção institucionalizada, isto é, que 
contará com o amparo do Estado para sua possível aplicação. Estuda-se, portanto, 
a ordem jurídica posta, isto é, o Direito positivado. Muito embora também possa 
ser um instrumento de controle da atividade estatal.
O tempo não pára e o Direito vem se aperfeiçoando ao longo do tempo, 
influenciada pela sociedade, família, escola, religião, meios de comunicação e 
informação etc., que, ao mesmo instante, influenciam e são influenciados pelo 
amadurecimento do regime democrático.Em meados do século XVIII, surgiram correntes do pensamento jurídico que 
procuraram conciliar ou sintetizar os pontos de vista jusnaturalista e juspositivista. 
De qualquer forma, a distinção em pauta perdeu parte de sua força após a 
incorporação dos direitos, garantias e liberdades fundamentais ao direito positivo 
(em geral, nas constituições modernas, seguidoras do ideal Iluminista[RA6] ) e 
Direito, constituição, estado e sociedade 5
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com a consolidação do Estado moderno e o seu monopólio sobre a produção 
jurídica.
 
1.1 FONTES DO DIREITO
 
As normas do ordenamento jurídico são criadas, modificadas e extintas por 
meio de certos tipos de atos, chamados pelos juristas de Fontes do Direito.
O Direito faz parte do nosso dia a dia. Ubi homo, ibi jus: onde está o homem, 
está o direito. Historicamente, a primeira manifestação do direito é encontrada no 
costume (Direito Consuetudinário), consubstanciado no hábito dos indivíduos 
que se subordinavam à observância reiterada de certos usos, convertidos em 
regras de conduta. Evoluindo, os grupos sociais passaram a incumbir um chefe 
ou órgão coletivo de ditar e impor as regras de conduta, o que fez com que o 
direito passasse a ser um comando, uma lei imposta coativamente e, a partir de 
certo momento, fixada por escrito. Em maior ou menor graus, ambas as fontes 
- o costume e a lei - convivem no direito moderno, juntamente com outras 
importantes formas de produção das normas jurídicas, como a jurisprudência e 
os precedentes.
Tradicionalmente, são consideradas como fontes do Direito às seguintes[RA7]:
 
LEI Interpretada como o conjunto de textos editados 
pela autoridade superior (em geral, o Poder Legislativo ou 
a Administração Pública[RA8] ), formulados por escrito e 
segundo procedimentos específicos. Costuma-se incluir aqui 
os regulamentos administrativos.
Regra não escrita que se constrói pela repetição 
reiterada de um comportamento ou atitudes e pela convicção 
geral de que tal comportamento é obrigatório e necessário.
P R I N C Í P I O S 
GERAIS DE DIREITO
São os princípios mais gerais de ética e moral social, 
direito natural ou axiologia jurídica, deduzidos pela razão 
humana, baseados na natureza racional e livre do homem e 
que constituem o fundamento de todo o sistema jurídico
DOUTRINA É o estudo realizado pelos cientistas do direito. Chamada 
de fonte intelectual ou indireta, pois suas orientações 
hermenêuticas não são obrigatórias
Conjunto de interpretações das normas do direito 
proferidas pelo Poder Judiciário
 
Outra escola enxerga na vontade (individual, de um grupo ou da coletividade 
como um todo) o elemento essencial da teoria das fontes do direito. Este critério 
Direito, constituição, estado e sociedade 6
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reconhece, a par das fontes tradicionais, todos os outros atos jurídicos lato 
sensu como fontes do direito: um negócio jurídico, uma sentença e a vontade 
unilateral, por exemplo. Outros estudiosos, porém, consideram-nos uma simples 
decorrência das fontes tradicionais.
Cada direito nacional atribui importância maior ou menor a cada uma das 
fontes. Como regra geral, os países de tradição romano-germânica consideram 
a LEI como principal fonte do Direito, deixando às demais o papel de fontes 
secundárias, na ausência de norma decorrente dela. Estes são mais caracterizados 
nos países que adotam o sistema da Civil Law, como no caso do Brasil. Já os países 
que adotam o sistema da Common Law [RA10] (Exemplo: Reino Unido) atribuem 
maior importância à jurisprudência. Todavia, importante lembrar que, nas últimas 
décadas o Poder Judiciário Brasileiro tem tido um certo protagonismo na 
sociedade em razão de algumas decisões polêmicas, notadamente em decisões 
sobre ações afirmativas [RA11] e no caso da prisão em segunda instância, que 
gerou bastante debate.
 
1.2 CLASSIFICAÇÃO
 
Agora apresentaremos, não de forma exaustiva, algumas classificações do 
Direito.
 
1.2.1 Direito Público e Direito Privado
 
A tradicional dicotomia do direito em direito público e direito privado remonta 
aos antigos romanos, com base na distinção entre os interesses da esfera privada, 
entre duas ou mais pessoas, e os interesses públicos (esfera pública), que são 
relativos ao Estado e à sociedade e que merecem ter posição privilegiada. Trata-
se de distinção que é estudada até hoje, por vezes tumultuada, em especial na 
zona limítrofe entre os dois grupos[RA12] .
Existem diversos critérios para diferenciar as regras de Direito Público e de 
Direito Privado. Os três mais propagados são:
 
• ► Critério do interesse: predominância do interesse público ou do interesse privado.
• ► Critério da qualidade dos sujeitos: intervenção do Estado ou de outros entes públi-
cos na relação jurídica.
• ► Critério da posição dos sujeitos: no caso do Estado agir como ente soberano, com 
ius imperii, ou se agir de igual para igual com os demais sujeitos da relação jurídica.
 
Como regra geral, entendem-se como pertencentes ao direito público as 
normas que regulam as relações em que o Estado exerce a soberania, imperium, 
em que o indivíduo é um súdito[RA13] . Por outro lado, quando o Estado age de 
Direito, constituição, estado e sociedade 7
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igual para igual com o indivíduo (por exemplo, no caso de empresas estatais), a 
matéria poderá ser da alçada do direito privado. Pertencem ao direito público 
ramos como o direito constitucional, o direito administrativo, o direito penal e o 
direito processual.
O direito privado não cuida apenas dos interesses individuais, incluindo 
também a proteção de valores caros à sociedade e de interesse coletivo, como 
a família. Pertencem ao direito privado ramos como o direito civil e o direito 
comercial.
O direito privado baseia-se no princípio da autonomia da vontade, isto é, as 
pessoas gozam da liberdade de estabelecerem entre si as normas que desejarem, 
como nos contratos, tornando-se a “lei” interpartes. Já o direito público segue 
princípio diverso, o da legalidade estrita, pelo qual o Estado somente pode fazer o 
que é previsto em lei (princípio da legalidade, previsto no caput do Art. 37, CR/88). 
A autonomia da vontade também está sujeita ao princípio da legalidade, mas em 
menor grau – utilizando-se do entendimento em direito privado, tudo que não é 
proibido é permitido.
Ocorre também que ramos do Direito são considerados mistos, por ali 
coincidirem interesses públicos e privados, como o Direito do Trabalho.
 
1.2.2 Direito Objetivo e Direito Subjetivo
 
Ocorre uma classificação que merece ser lembrada, qual seja: o direito 
objetivo e o direito subjetivo.
O Direito Objetivo se caracteriza por ser constituído por um conjunto de 
regras destinadas a reger um grupo social, cujo respeito é garantido pelo Estado 
(norma agendi), ou seja, o Direito proporciona a norma do ordenamento jurídico 
de organização social. Exemplos: Código Civil e Código Penal.
No caso o Direito Subjetivo, identifica-se com as prerrogativas ou faculdades 
implícitas aos seres humanos, às pessoas, para fazer valer “os direitos inerentes em 
si”, em nível judicial ou extrajudicial. Corresponde às possibilidades ou poderes de 
agir que a ordem jurídica garante a alguém. Garantia processual, devido processo 
legal, ampla defesa, contraditória entre outros princípios determinantes. Assim, 
quando afirmamos por exemplo que é proibido fazer algo, cria-se a faculdade 
de agir (faculta agendi), sob pena que sofrer as consequências jurídicas dos atos. 
Exemplo: Beltrano tem direito a processar judicialmente para se ver indenizado 
por danos morais sofridos.
 
1.3 RAMOS DO DIREITO
 O Direito se particiona em vários ramos de grande diversidade. Conforme já dito 
Direito, constituição, estado e sociedade 8
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acima, temos o Direito Público e o Direito Privado, que se subdividem em Interno 
e Externo, onde estarão inseridasas suas temáticas específicas. Abordaremos al-
guns abaixo.
 
1.3.1 Direito Público Interno
 
Na subdivisão do Direito Público Interno, temos um dos mais importantes 
e fundantes, o Direito Constitucional. É o ramo que tem por objeto organizar e 
disciplinar politicamente o Estado e a sociedade; estabelecer as competências 
dos poderes constitucionais (Executivo, Legislativo e Judiciário), prevendo o 
chamado pacto federativo; estipular os princípios para todo o Direito Nacional; 
e, assegurar as liberdades e os direitos individuais. No cenário constitucional 
brasileiro atual, temos a Constituição Cidadã (1988)[RA14] . No decorrer da 
disciplina, será percebido que houve o restabelecimento da inviolabilidade de 
direitos e liberdades básicas e instituiu-se preceitos progressistas, tais como a 
igualdade de gênero, a criminalização do racismo, a proibição da tortura e direitos 
sociais, como educação, trabalho e saúde.
(Fonte: CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA DE 1988. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2020. Dis-
ponível em: https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Constitui%C3%A7%C3%A3o_brasileira_de_1988&oldid=59532476. Acesso em: 1 
dez. 2020.
Bastante vinculado ao Direito Constitucional, e às vezes confundindo-se 
com ele, temos o Direito Administrativo. Nele podemos ver o Estado Moderno 
se distinguir pela discriminação de três Poderes, que não são rigorosamente 
independentes, mas autônomos, embora mantendo entre si relações íntimas de 
necessária cooperação e harmonia. Destes, um deles exerce a função primordial 
de executar serviços públicos em benefício da coletividade. É o Poder que parte 
da doutrina administrativista apresenta como “Poder Administrativo”, mas que é 
mais próprio denominar Executivo.
O ramo do Direito Tributário se ocupa das relações entre o fisco e os 
contribuintes sujeitos à imposição tributária de qualquer espécie, limitando 
o poder de tributar, protegendo a sociedade contra os abusos desse poder e 
promovendo a repartição das receitas tributárias. Interligado a este temos o 
Direito, constituição, estado e sociedade 9
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Direito Financeiro. É o ramo que organiza as finanças públicas do Estado.
Temos no aspecto subjetivo o ramo do Direito Processual, que se traduz num 
complexo de normas e princípios que regem tal método de trabalho, ou seja, o 
exercício conjugado da jurisdição pelo Estado-juiz, da ação pelo demandante e 
da defesa pelo demandado.
Sabe-se que as regras jurídicas estão sujeitas a serem transgredidas. Pode-
se mesmo dizer que é da natureza do Direito essa possibilidade de infração ou 
ilícito, a qual, quando se reveste de gravidade, por atentar a valores considerados 
necessários à ordem social, principalmente à vida, provoca uma reação por parte 
do Poder Público, que prevê sanções penais aos criminosos. Assim surge o ramo 
do Direito Penal. Contudo, o Direito Penal[RA15] , na expressão própria do termo, 
é o conjunto das prescrições emanadas do Estado que ligam ao crime, como fato, 
a pena como consequência.
O conjunto de normas que disciplinam a escolha dos membros dos Poderes 
Executivo e Legislativo em todos os entes da federação é a expressão do Direito 
Eleitoral.
O último ramo a ser abordado aqui, mas não se exaurindo os outros possíveis, 
temos o Direito Militar, que regulamenta as normas que afetam os militares, 
todavia, excepcionalmente, durante o regime militar de exceção, aplicava-se 
também a civis.
 
1.3.2 Direito Público Externo
 No âmbito do Direito Público Externo, temos o ramo do Direito Internacional 
Público, que se funda em um conjunto de normas que regem as relações dos 
direitos e deveres quanto aos tratados, acordos e convenções entre as nações, 
tendo o Estado brasileiro como signatário de diversas destas normas internacionais.
 
1.3.3 Direito Privado Comum
 No grande espectro ligado ao Direito Privado, destaca-se o ramo do Direito 
Civil, como Direito fundamental ou “Direito privado comum[RA16] “ a todos os 
homens, no sentido de disciplinar o modo de ser e de agir das pessoas, com 
abstração de sua condição social, muito embora exercendo funções ou atividades 
diferenciadas. Regulamenta “direitos e deveres” de todos os indivíduos, enquanto 
tais, contendo normas sobre o estado e capacidade das pessoas e sobre as 
relações atinentes à família e sucessões, às coisas, às obrigações e aos contratos, 
bem como as atividades empresariais (nascendo o ramo do Direito Empresarial). 
Desse tronco comum abrem-se subdivisões, com características próprias, como 
o Direito Comercial e o Direito Agrário. Razão por que, atualmente, as expressões 
direito civil e direito privado ainda serem usadas como sinônimas.
 
Direito, constituição, estado e sociedade 10
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2 O ESTUDO DA LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO 
DIREITO BRASILEIRO (LINDB)
 
Neste capítulo será estudado a Lei de Introdução às Normas do Direito 
Brasileiro. Fazendo um breve apanhado histórico sobre esta matéria, lembramos 
que esta lei inicialmente foi tratada por Decreto-Lei assinado pelo então Presidente 
da República Getúlio Vargas – Decreto-Lei n° 4.657[RA17] , de 04 de setembro 
de 1942. Era intitulada primeiramente como a “Lei de Introdução ao Código Civil 
Brasileiro”. Por muito tempo vigorou esta denominação, até que houve a sua 
modificação legal por meio de lei ordinária (Lei n° 12.376/2010), passando a ser 
chamada de “Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (LINDB)”.
Esta correção histórica se justifica haja vista conter na LINDB não apenas 
normas que introduzem uma sistemática ao “Código Civil Brasileiro”, mas sim 
normas gerais para o ordenamento jurídico brasileiro como um todo. Trata-
se, portanto, de uma norma de SOBREDIREITO (lex legum). Neste particular é 
importante lembrar ao aluno da existência da Lei Complementar n° 95/1998[RA18] 
, que dispõe sobre a técnica legislativa para a elaboração, a redação, a alteração 
e a consolidação das leis brasileiras, conforme determina o parágrafo único do 
Art. 59 da Constituição da República[RA19] , e vem estabelecer normas para a 
consolidação dos atos normativos que menciona.
A LINDB tem por conteúdo o que segue:
1. Cuida da vigência e da eficácia das leis
2. Cuida dos conflitos da lei no tempo e no espaço
3. Trata dos critérios de hermenêutica (ciência que cuida da interpretação das leis).
4. Trata dos mecanismos de integração do ordenamento jurídico (analogia, costumes, 
princípios gerais do direito e equidade).
5. Trata das normas de direito internacional privado
 
Para o acadêmico de Direito, o conhecimento desta norma é fundamental e 
o embasará em toda sua vida de estudante e profissional. Sendo assim, necessário 
depreender todo o seu conteúdo, conforme passaremos a tratar agora.
O Art. 1° da LINDB vem tratar da vigência e aplicabilidade das Normas do 
Direito Brasileiro. De regra, logicamente ressalvando as disposições possíveis em 
contrário, as leis brasileiras começam a vigorar em todo o país 45 (quarenta e cinco) 
dias depois de oficialmente publicada, ou seja, aquelas normas, postas em vigência, 
quando em seu corpo não conter menção ao seu início (vacatio legis[RA20] 
), vigorará apenas após os 45 (quarenta e cinco) dias de sua publicação oficial. 
Caso, por exemplo, haja menção expressa de vacatio legis, esta data descrita é a 
que será o parâmetro de vigência, após a devida publicação.
Direito, constituição, estado e sociedade 11
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Situação muda na aplicação das normas brasileiras nos Estados estrangeiros. 
Primeiramente o aplicador da norma deve perceber se o país estrangeiro admite 
a sua utilização, para então ela se tornar de aplicação obrigatória, todavia, neste 
caso, sua vacatio legis só se dará três meses depois de oficialmente publicada no 
Brasil.
Os §§3° e 4° do Art. 1° da LINDB concluem a lógica temporal do sistema 
normativo brasileiro ao informar que, se, antes de entrar a lei emvigor, ocorrer 
nova publicação de seu texto, destinada a correção, o prazo deste artigo e dos 
seus parágrafos começarão a correr da nova publicação, sendo estas correções a 
texto de lei já em vigor consideradas nova lei.
Há casos em que a norma tem vigência temporária (Ex: Medidas Provisórias 
[RA21] quando não convertidas em lei). Quando a norma não tiver vigência 
temporária, terá vigor até que outra a modifique ou revogue.
Uma lei posterior pode revogar a anterior quando expressamente o declare, 
quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de 
que tratava a lei anterior. Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se 
restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência[RA22] . No mesmo sentido, 
a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, 
não revoga nem modifica a lei anterior.
Há comandos interessantes, mas de cunho prático pouco seguido, como o 
previsto no Art. 3°[RA23] : “Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que 
não a conhece”. Significa dizer que, ao transgredir a lei, nenhuma pessoa (física 
ou jurídica) pode se justificar afirmando que o praticou porque não sabia que 
era ilegal. A doutrina vem justificar esta previsão em nosso ordenamento jurídico 
alegando que o conhecimento da lei decorre de sua publicação, momento em que 
seria divulgada para todos. No entanto, existem casos em que, embora a conduta 
vá de encontro a lei, o agente é isento de culpa. Exemplo: estado de necessidade; 
legítima defesa; estrito cumprimento do dever legal; exercício regular do direito, 
previstos no Art. 23 do Código Penal Brasileiro.
Ao Poder Judiciário cabe o papel de julgar as demandas. Os aforismos latinos 
“da mihi factum et dabo tibi jus”, significa – dá-me o fato e dar-te-ei o direito –, 
e “iura novit curia”, significa – o juiz conhece o direito – são a expressão desta 
atividade estatal. Em decorrência do princípio da indeclinabilidade da jurisdição o 
juiz é obrigado a decidir ainda que não haja lei para solução daquele caso concreto. 
Nesta hipótese ele deverá fazer uso da ANALOGIA(1), dos COSTUMES(2), dos 
PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO(3) e da EQUIDADE[RA24] (4), nessa ordem. 
Estes são os MECANISMOS DE INTEGRAÇÃO DO ORDENAMENTO JURÍDICO.
Quando o Judiciário é provocado, não poderá se desincumbir de sua função 
de julgador alegando omissão legislativa, observando também o princípio do 
impulso oficial. Incumbe ao magistrado fundamentar todas as suas sentenças. 
Portanto, a lei pode ser lacunosa, mas o ordenamento jurídico preenche essas 
Direito, constituição, estado e sociedade 12
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lacunas, pelos mecanismos acima mencionados.
1) ANALOGIA
 É a aplicação ao caso não previsto em lei de lei reguladora de caso 
semelhante. Tem por fundamento o argumento pari ratione, ou seja, da lógica 
dedutiva, segundo o qual, para a solução do caso omisso se aplica o mesmo 
raciocínio do caso semelhante.
 Existem duas espécies de analogia:
- ANALOGIA LEGAL: É aquela que aplica ao caso omisso lei que regula 
caso semelhante;
- ANALOGIA JURÍDICA: Aplica ao caso omisso um princípio geral do direito.
No entanto, existem normas que NÃO ADMITEM O EMPREGO DA 
ANALOGIA:
• a) Leis restritivas de direito - são aquelas que proíbem determinadas condutas.
• b) Leis administrativas - são aquelas que disciplinam a atividade administrativa do 
Estado.
• c) Leis excepcionais - são aquelas que disciplinam de modo contrário à regra geral.
 
2) COSTUMES
É a repetição de uma conduta de maneira uniforme e constante (requisito 
objetivo) com a convicção da sua obrigatoriedade (requisito subjetivo). O costume 
pode ser:
• a) SECUNDUM LEGEM – é aquele que auxilia a esclarecer o conteúdo de certos 
elementos da lei.
• b) CONTRA LEGEM ou NEGATIVO – é aquele que contraria a lei.
• c) PRAETER LEGEM ou INTEGRATIVO – é aquele que supre a ausência ou a lacuna 
da lei.
São os costumes que vão nos auxiliar na análise dos denominados “STANDARD 
JURÍDICO”, que segundo o Professor Limongi França, “são os critérios básicos 
de avaliação de certos preceitos jurídicos indefinidos variáveis no tempo e no 
espaço”.
3) PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO
São as premissas éticas que inspiram a elaboração das leis. Por exemplo: 
ninguém pode ser condenado sem antes ser ouvido pela autoridade. Presunção 
de inocência.
Direito, constituição, estado e sociedade 13
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4) EQUIDADE
Segundo o Professor Miguel Reale, equidade é a justiça prudentemente 
aplicada ao caso concreto. Para a perfeita compreensão desse conceito é 
necessário lembrar que no campo jurídico a equidade possui três funções:
a) EQUIDADE NA ELABORAÇÃO DAS LEIS: Nesta função ela é dirigida ao legisla-
dor, que ao legislar, deverá inspirar-se no senso de justiça, atento às necessidades so-
ciais e ao equilíbrio dos interesses;
b) EQUIDADE NA APLICAÇÃO DO DIREITO: Nesta função ela é dirigida ao juiz e 
significa a norma por ele criada, como se legislador fosse, para a solução de um dado 
caso concreto. Ao agir nesta função o juiz não viola o princípio da separação dos pode-
res, isso porque norma de equidade não se confunde com norma legal:
- A norma legal é geral e obriga a todos.
- A norma de equidade é individual e específica para aquele caso concreto.
 
EQUIDADE NA INTERPRETAÇÃO DO DIREITO: Significa a possibilidade 
que se dá ao intérprete de amenizar, ou seja, suavizar o vigor excessivo da lei 
visando adaptá-la ao caso concreto (ver Art. 5º, LINDB – “Na aplicação da lei, em 
sentido lato, leia-se ordenamento jurídico[RA25] , o juiz atenderá aos fins sociais 
a que ela se dirige e às exigências do bem comum”).
Dando seguimento, temos que a Lei em vigor terá efeito imediato e geral, 
respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada[RA26] .
 
Ato jurídico perfeito Reputa-se aquele já consumado segundo 
a lei vigente ao tempo em que se efetuou.
D i r e i t o s 
Adquiridos[RA27] 
Consideram-se assim os direitos que o 
seu titular, ou alguém por ele, possa exercer, 
como aqueles cujo começo do exercício tenha 
termo prefixado, ou condição pré-estabelecida 
inalterável, a arbítrio de outrem.
Coisa julgada ou caso 
julgado
Chama-se assim a decisão judicial de que 
já não caiba mais recurso[RA28] .
 
Quando a aplicação da lei no espaço, a regra geral é de que, dentro do 
território brasileiro, é aplicada a lei brasileira.
As leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações de 
vontade, não terão eficácia no Brasil, quando ofenderem a soberania nacional, a 
ordem pública e os bons costumes. Porém, existem situações excepcionais em 
que a própria LINDB admite a aplicação da lei estrangeira no território brasileiro. 
Dessa forma, o Brasil adotou a teoria da territorialidade moderada/mitigada, 
Direito, constituição, estado e sociedade 14
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uma vez que no espaço territorial brasileiro aplica-se a lei brasileira em respeito à 
soberania nacional.
Regra de Conexão: para que haja a aplicação da lei estrangeira no território 
brasileiro é preciso que haja uma regra de conexão, sendo chamada de estatuto 
pessoal em que se aplica a lei do domicílio do interessado.
Aplicação do Estatuto Pessoal - lei do domicílio do interessado: a LINDB 
prevê 07 hipóteses de aplicação[RA29] da lei estrangeira no território brasileiro:
 
HIPÓTESES 3) capacidade. 6) penhor.
1) nome. 4) direito de família. 7)capacidade sucessória.
2) personalidade.
 
5) bens móveis que o interessado traz consigo. 
 
Existem 3 casos em que a LINDB admite a aplicação da lei estrangeira sem 
a aplicação do estatuto pessoal, ou seja, a aplicação da lei estrangeira tem regra 
específica que não obedece ao domicílio do interessado.
1º) Quando houver conflito sobre bens imóveis: aplica-se a lei do lugar em 
que está situado o imóvel[RA30] .
2º) Quando a lei sucessória for mais benéfica ao cônjuge ou aos filhos.3º) Quanto ao lugar da obrigação: no caso de contratos internacionais se 
aplica a lei de residência do proponente.
Já em relação aos contratos internos, aplica-se a lei do lugar onde foi feita a 
proposta.
A decisão judicial estrangeira, a carta rogatória ou laudo arbitral estrangeiro 
também podem ser cumpridos no Brasil desde que se submetam a homologação 
no STJ. Assim, essas medidas, para que sejam cumpridos no Brasil, pressupõem o 
exequatur do STJ, que irá determinar o cumprimento delas no Brasil. E uma vez 
homologado pelo STJ, o cumprimento das medidas será feito por um Juiz federal 
de 1º grau.
Para que o STJ homologue a decisão judicial estrangeira, a carta rogatória ou 
o laudo arbitral estrangeiro, é preciso que estejam presentes três requisitos:
1º) ter a prova do trânsito em julgado[RA31] .
2º) passar pela filtragem constitucional: só podem ser cumpridas as sentenças 
que sejam compatíveis com o nosso ordenamento jurídico.
3º) deve cumprir as formalidades processuais dos Arts. 961 e seguintes do 
CPC/2015, dentre as quais se encontra a necessidade de oitiva do Ministério 
Direito, constituição, estado e sociedade 15
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Público.
O STJ poderá homologar essas medidas de forma monocrática; somente a 
denegação da homologação que não pode ser feita de forma monocrática.
Importante lembrar por último que, a extraterritorialidade da lei pode ser 
limitada, pois atos, sentenças e leis de países estrangeiros não serão aceitos 
no Brasil quando ofenderem a soberania nacional, a ordem pública e os bons 
costumes.
 
Direito, constituição, estado e sociedade 16
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3. A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA DE 1988: ESTRUTURA 
E FUNÇÃO DOS PODERES DO ESTADO E A 
ORGANIZAÇÃO DA ORDEM ECONÔMICA E SOCIAL
 
Em 15/01/1985, Tancredo Neves [RA32] se elegeu, indiretamente, 
Presidente do Brasil. Todavia, por questão de saúde, faleceu antes de assumir o 
Poder Executivo, papel este desempenhado pelo vice-presidente José Sarney. 
Com plenas dificuldades, atingindo por uma crise econômica que prejudicava a 
retomada do desenvolvimento econômico, fornecido pelo capitalismo, o então 
presidente sentiu a necessidade de constituir uma nova ordem democrática no 
país, apresentando uma emenda constitucional [RA33] que culminou por convocar 
a Assembleia Nacional Constituinte, em 1987. Promulgada a Constituição[RA34] , 
a Constituinte foi dissolvida e os seus membros voltaram a ocupar os cargos para 
os quais foram eleitos, ou seja, deputados ou senadores. Desta forma, pode-se 
dizer que uma emenda constitucional delegou poderes constituintes a um poder 
constituído, ou seja, ao Congresso Nacional.
Portanto, adveio em 05 de outubro de 1988 uma Nova Ordem Constitucional. 
A Constituição Cidadã [RA35] simboliza e consolida a redemocratização do 
Brasil, após uma sequência de Governos Militares instalados, sobremaneira, após 
o advento do Ato Institucional n° 05[RA36] , vigorando até 1985 e albergados 
pela Constituição de 1967 e sua Emenda de 1969 (considerado por alguns 
doutrinadores como nova constituição).
A Constituição de um país, quando escrita, rígida, dirigente, torna-se a norma 
suprema do ordenamento jurídico. Ela tem o papel de limitar poderes, de garantir 
direitos e organizar o Estado.
 
3.1 ESTRUTURA DAS CONSTITUIÇÕES
 Em um plano formal, as constituições são divididas em 03 partes: 
PREÂMBULO, PARTE DOGMÁTICA e as DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS:
1) PREÂMBULO – é a parte precedente da CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. 
É um dispositivo introdutório e não articulado (não posto em artigos). Há autores 
que defendem que há força normativa e outros que afirmam que não têm. A 
invocação de Deus no preâmbulo exclui os ateus, os agnósticos e os politeístas, 
por isso, há muitas críticas sobre essa menção. O STF[RA37] já se posicionou 
pela inexistência da força normativa do preâmbulo. O preâmbulo é mero vetor 
interpretativo do que se acha inscrito no “corpus” da lei fundamental, ou seja, 
horizontalmente, o preâmbulo é vetor da hermenêutica constitucional. Já a parte 
dogmática e o ADCT são normas constitucionais e têm força cogente, a serem 
abordadas a seguir.
Direito, constituição, estado e sociedade 17
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2) PARTE DOGMÁTICA – é criada para ser permanente, pois é feita para 
durar, mesmo que eventualmente possa ser modificada;
3) DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS – têm papel relevante para fazer a 
transição entre a realidade existente e a nova realidade que virá, como novo texto, 
que projeta uma realidade diferente. Essas disposições depois de cumprido o 
seu papel de transição, deixam de ter utilidade, não são revogadas, mas perdem 
a eficácia – NORMA DE EFICÁCIA EXAURIDA[RA38] , ou seja, NORMA QUE 
VIGENDO POR DETERMINADO TEMPO DE TRANSIÇÃO PERDE SUA 
EFICÁCIA (NÃO É REVOGADA).
O ADCT pode sofrer emenda constitucional. Ex.: o art. 2º do ADCT, que 
marcava data para o plebiscito, foi alterado por EC. O autor Uadi Lamego Bulos 
diz que a eficácia da maior parte das normas do ADCT é exaurível. Atualmente, 
já há algumas normas com eficácia exaurida, com aplicabilidade esgotada, por 
exemplo: Art. 3º do ADCT – a revisão constitucional já foi realizada; Art. 14 do ADCT 
– transformou Amapá e Roraima em Estados; e, Art. 15 do ADCT – incorporou 
Fernando de Noronha ao Estado de Pernambuco.
 
3.2 ELEMENTOS DA CONSTITUIÇÃO
 Como nossa CR/88, seguindo a moderna tendência de expansão de 
conteúdo, pode ser classificada, quanto à extensão, como prolixa. Assim, o 
doutrinador José Afonso da Silva passou a perceber a necessidade da divisão das 
normas em elementos.
 
Elementos 
orgânicos
Elementos 
limitativos
Elementos socioideo-
lógicos
[RA39] 
Elementos de 
estabilização 
constitucional
Elementos 
formais de 
aplicação
São aqueles 
que orga-
nizam e 
estruturam o 
Estado (Tí-
tulos III e 
IV, CR/88 – 
organização 
do Estado e 
organização 
dos Pode-
res).
 
São os ele-
mentos que 
vão limitar 
a atuação 
do Estado 
(Título II 
da CR/88, 
exceto o 
Capítulo 
II – direitos 
sociais).
 
São aqueles que retra-
tam o compromisso do 
Estado com o bem es-
tar e o desenvolvimen-
to social (Capítulo II 
do Título II – direitos 
sociais; Título VIII – 
ordem social).
São elemen-
tos que visam 
assegurar 
[RA40] a defe-
sa do Estado, 
da ordem, da 
própria CR/88 
e das institui-
ções democrá-
ticas.
 
São as nor-
mas que não 
têm conteúdo 
próprio, pois, 
em verdade, 
existem para 
permitir e 
direcionar a 
aplicação de 
outras. São 
“normas de 
fundo[RA41] 
”.
 
Direito, constituição, estado e sociedade 18
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3.3 IMPACTO DA ENTRADA EM VIGOR DE UMA NOVA 
CONSTITUIÇÃO
 Entrando em vigor uma nova Ordem Constitucional, a anterior será 
inteiramente revogada. Isso porque, no Brasil, não adotamos a “teoria da 
desconstitucionalização”, segundo a qual normas da Constituição anterior, 
materialmente compatíveis com o novo texto, serão recebidas pelo novo 
ordenamento, mas com o status de normas infraconstitucionais[RA42] .
No que tange às normas infraconstitucionais já vigentes no país, adota-se a 
“teoria da recepção”, segundo a qual a legislação infraconstitucional materialmente 
compatível com o novo texto é recepcionada.
Normas incompatíveis materialmente serão não-recepcionadas. No Brasil, 
não se adota a inconstitucionalidade superveniente. O objeto tem que ser 
sempre posterior ao parâmetro. Síntese: não-recepção é a consequência da 
incompatibilidade de conteúdo da norma infraconstitucional anterior com a nova 
Constituição. Adotar a não-recepção significa não adotar a inconstitucionalidade 
superveniente (ADI n° 2, STF)[RA43] . No Brasil, quanto ao momento, a 
inconstitucionalidade só pode ser originária, ou seja, o parâmetro precisa ser 
sempre anterior ao objeto.
 
3.4 PODERES EXECUTIVO, LEGISLATIVO E JUDICIÁRIO
A Constituição de 1988, com a previsão contida no seu Art. 2º, após constituir 
a República Federativa do Brasilcomo Estado Democrático de Direito, vem adotar 
a Teoria da Separação de Poderes de Montesquieu[RA44] , funcionando de forma 
tripartite: o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, independentes e harmônicos 
entre si.
Caberá a cada um desses Poderes uma atividade (ou função) típica 
(ou principal) e outras atípicas (ou acessórias). Ao LEGISLATIVO, caberá, 
principalmente, a função de produzir leis e fiscalizá-las quanto ao cumprimento, 
além de administrar e julgar em segundo plano. Ao JUDICIÁRIO, caberá a função 
de dizer o direito no caso concreto, pacificando a sociedade, em face da resolução 
dos conflitos, sendo, sua função atípica, as de administrar e legislar, realizando o 
controle da constitucionalidade dos atos dos demais poderes, quando necessário. 
Ao EXECUTIVO, caberá a função de administrar o Estado, é dizer, aplicar o que 
determina a lei, como execução de políticas públicas, atendendo às necessidades 
da população, como nas áreas de infraestrutura, saúde, educação, cultura. Sendo 
sua função atípica as de legislar e julgar.
Abaixo colocaremos uma imagem [RA45] que retrata as funções harmônicas 
e independentes dos Poderes da República:
Direito, constituição, estado e sociedade 19
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(Fonte: SEPARAÇÃO DE PODERES. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2020. Disponível em: 
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Separa%C3%A7%C3%A3o_de_poderes&oldid=59382742. Acesso em: 01 dez. 2020. 
Para que o aluno tenha uma boa compreensão da Organização dos Poderes, 
fazer a leitura do Título IV da CR/88 – Arts. 44 ao 135.
3.5 ORDEM ECONÔMICA E SOCIAL
Historicamente, o constitucionalismo clássico já enxergava a Carta Magna 
como um meio de organizar os poderes e de trazer a declaração dos direitos e 
garantias individuais. Já o reformismo social, advindos das reivindicações dos 
movimentos políticos, é visto a partir das constituições do início do século XX. 
As Constituições do México de 1917 e da Alemanha de 1919 foram as primeiras a 
incorporarem a Ordem Econômica em seu sistema. No Brasil, a matéria foi tratada 
a partir da Constituição de 1934, conjuntamente com a Ordem Social.
Com a Constituição de 1988, a Ordem Social teve sua autonomia, visto em 
título próprio, assim como a Ordem Econômica. Este, inicia-se no Art. 170. Nele, 
estabeleceu-se os princípios gerais da atividade econômica brasileira. Segundo 
o doutrinador Raul Machado Horta [RA46] , há princípios-valores (soberania 
nacional, propriedade privada, livre concorrência). Há princípios-intenções 
(redução das desigualdades regionais, busca do pleno emprego, tratamento 
favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras 
e que tenham sua sede e administração no país) , função social da propriedade), 
há princípios de ação-política (defesa do consumidor, defesa do meio ambiente). 
Todavia, a Emenda Constitucional n° 42/2003 deu nova redação ao Art. 170, 
inciso VI, da CR/88, trouxe importante princípio protetivo, ao estabelecer que a 
defesa do meio ambiente poderá ser realizada, inclusive, mediante tratamento 
diferenciado, conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus 
processos de elaboração e prestação.
A Constituição assegura a liberdade de exercício de atividade econômica, 
independentemente de autorização de órgãos públicos, devendo ser 
primordialmente desempenhada pela iniciativa privada, ressalvados os casos 
Direito, constituição, estado e sociedade 20
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previstos na própria norma constitucional ou quando a exploração deve ocorrer 
diretamente pelo Estado. Neste caso, só será permitida, quando necessária aos 
imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme 
definidos em lei.
Compete ao Estado atuar como agente normativo e regulador da atividade 
econômica, exercendo, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e 
planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o 
setor privado.
Mais adiante encontramos na Constituição os Capítulos destinados à Política 
Urbana, à Política Agrícola e Fundiária e da Reforma Agrária e ao Sistema Financeiro 
Nacional, os quais remetemos-vos à leitura. Neles estão compreendidos os 
institutos da função social da propriedade, plano diretor, desapropriação, medidas 
para a reforma agrária, entre outros.
Já no Título VIII (Da Ordem Social[RA47] ), a Constituição de 1988 tratou dos 
seguintes assuntos: seguridade social (direito à saúde, à previdência e à assistência 
social), educação, cultura e desporto, ciência e tecnologia, comunicação social, 
meio ambiente, família, criança, adolescente, idoso e índios.
O termo Seguridade Social compreende um conjunto integrado de ações 
de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade destinadas a assegurar os 
direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. Será financiada 
por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante 
recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios e das contribuições sociais previstas nos incisos do 
Art. 195 da Constituição. Outras contribuições poderão ser instituídas por Lei 
Complementar, obedecido ao disposto no Art. 154, I da Constituição, lembrando 
que as contribuições para a seguridade social estão sujeitas à anterioridade 
nonagesimal tributária.
No que tange às ações e serviços públicos de Saúde, serão integrados numa 
rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único [RA48] .
O constantemente debatido é a Previdência Social compreende o regime 
geral de caráter contributivo e filiação obrigatória. Nenhum tempo será computado 
para a concessão de benefícios sem que corresponda a contribuições realizadas. 
Os servidores públicos [RA49] têm regime especial ou próprio de previdência, 
também de caráter contributivo. O reajustamento dos benefícios previdenciários 
não se encontra vinculado ao salário-mínimo. No entanto, devem ser adotados, 
na forma da Lei, critérios de reajuste que preservem o valor real dos benefícios. 
Nenhum benefício que substitua o salário de contribuição ou o rendimento do 
trabalho do segurado terá valor mensal inferior ao salário-mínimo.
Já a Assistência Social será prestada[RA50] a quem dela necessitar, 
independentemente de contribuição à seguridade social, nos termos do art. 203 
Direito, constituição, estado e sociedade 21
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da Constituição.
A educação é considerada direito de todos e dever do Estado e da família, 
conjuntamente. O ensino será ministrado com base nos princípios da igualdade de 
acesso e permanência na escola, liberdade, pluralismo, coexistência de instituições 
públicas e privadas, gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais, 
valorização dos profissionais do ensino, gestão democrática do ensino público, 
na forma da lei, garantia de padrão de qualidade.
Lembramos que, a Constituição assegurada, acertadamente, a autonomia 
didático-científica e de gestão financeira e patrimonial das Universidades.
O Estado deverá garantir ensino fundamental obrigatório e gratuito. Para 
garantia universal disto, a União aplicará, anualmente, nunca menos de 18% 
(dezoito por cento) e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios 25% (vinte e 
cinco por cento), no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a 
proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino.
 
 
 
Direito, constituição, estado e sociedade 22
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4. OS DIREITOS FUNDAMENTAIS NO ESTADO 
DEMOCRÁTICO DE DIREITO
 
4.1 ASPECTOS INTRODUTÓRIOS
 Para darmos início ao diálogo sobre Direitos Fundamentais no Estado 
Democrático de Direito, necessário fazer a distinção[RA51] e compreensão de 
termos que serão amplamente utilizados no decorrer do Curso de Direito. Assim, 
direitos do homem, direitos fundamentais e direitos humanosserão conceituados 
em suas particularidades subjacentes.
A expressão “Direitos do Homem” é de cunho jusnaturalista que conota 
aqueles direitos não positivados, quer nos textos constitucionais, quer nas 
legislações internas dos países, quer no âmbito dos tratados internacionais, ou seja, 
não previstos em ordenamento jurídico formal. Pode ser constatado no direito 
à oposição, direito à resistência, que não se encontram positivados, estando, 
entretanto, implícitos na Constituição da República de 1988 - Art. 5º, §2º [RA52] .
No que trata dos “Direitos Fundamentais” é uma expressão que conota 
direitos domésticos de cunho constitucional. São os direitos formais, escritos e 
positivados nas Constituições Nacionais, não estando positivados nos tratados 
sobre direitos humanos. É o previsto no ordenamento jurídico interno.
Já os “Direitos Humanos” são os constantes em tratados internacionais. Não 
nos confundamos com direitos fundamentais, que podem também expressar 
direitos humanos, mas para os fins desta definição, são apenas aqueles positivados 
em tratados internacionais, como no caso do Pacto de San Jose da Costa Rica 
[RA53] . Todavia podemos fazer uma distinção entre eles, utilizando-se apenas do 
espectro de amplitude de concretização de cada um. Os direitos fundamentais 
são menos amplos. Nossa atual Constituição, por exemplo, prevê que os direitos 
fundamentais podem sofrer restrições, não sendo absolutos, passíveis de serem 
relativizados. Já os direitos humanos são mais amplos e não sofrem relativização.
Esta temática que está sendo abordada pode se enquadrar num aspecto misto 
de direitos humanos fundamentais, por estar contido tanto em normas externas 
como em normas internas de proteção, muito embora também exprimem direito 
do homem.
 
4.2 CLASSIFICAÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
A Constituição da República de 1988, trouxe em seu Título II, o gênero os 
Direitos e Garantias Fundamentais, subdivididos em cinco espécies:
I) Direitos individuais e coletivos: são os direitos ligados ao conceito de pessoa 
humana e à sua personalidade, tais como à vida, à igualdade, à dignidade, à segurança, à 
honra, à liberdade e à propriedade. Estão previstos no artigo 5º e seus incisos;
Direito, constituição, estado e sociedade 23
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II) Direitos sociais: o Estado Social de Direito deve garantir as liberdades positi-
vas aos indivíduos. Esses direitos são referentes à educação, saúde, trabalho, previdên-
cia social, lazer, segurança, proteção à maternidade e à infância e assistência aos de-
samparados. Sua finalidade é a melhoria das condições de vida dos menos favorecidos, 
concretizando assim, a igualdade social. Estão elencados a partir do artigo 6º; 
 
III) Direitos de nacionalidade: nacionalidade, significa, o vínculo jurídico político 
que liga um indivíduo a um certo e determinado Estado, fazendo com que este indiví-
duo se torne um componente do povo, capacitando-o a exigir sua proteção e em con-
trapartida, o Estado sujeita-o a cumprir deveres impostos a todos;
 
IV) Direitos políticos: permitem ao indivíduo, através de direitos públicos subjeti-
vos, exercer sua cidadania, participando de forma ativa dos negócios políticos do Esta-
do. Está tratado no artigo 14;
 
V) Direitos relacionados à existência, organização e a participação em parti-
dos políticos: garante a autonomia e a liberdade plena dos partidos políticos como ins-
trumentos necessários e importantes na preservação do Estado democrático de Direito. 
Está elencado no artigo 17.
 
4.3 GERAÇÕES OU DIMENSÕES DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
 
Muitos doutrinadores preferem não definir como gerações de direitos, 
porque o termo denota ideia de substituição, o que não ocorre com os direitos 
fundamentais. São, em verdade, dimensões, uma complementando a outra.
As Dimensões são as seguintes:
- 1ª Dimensão - Liberdade[RA54] : O fator histórico que deu origem a esta 
geração foram as chamadas revoluções liberais. Os direitos de primeira geração 
são conhecidos como Direitos Civis e Políticos. Na classificação de Jellinek são 
os direitos de defesa (vão exigir uma abstenção do Estado). São essencialmente 
direitos individuais.
- 2ª Dimensão - Igualdade: A igualdade que se fala é a material, ou seja, 
atuação estatal para reduzir as desigualdades existentes. Em geral ligados à 
revolução industrial (fruto da luta do proletariado por direitos sociais no séc. XIX). 
São os direitos sociais, econômicos e culturais. Direitos a prestações jurídicas e 
materiais. Exemplo: direitos políticos. Começou-se a perceber que as garantias 
individuais não eram suficientes. Com isso garantias institucionais foram surgindo 
para proteger instituições fundamentais para a sociedade
- 3ª Dimensão - Fraternidade: São direitos ligados à solidariedade ou 
fraternidade. Isso foi necessário devido a divisão que há entre países ricos e países 
pobres. Exemplos: direito ao desenvolvimento ou progresso; direito ao meio 
ambiente; direito à autodeterminação dos povos; direito de comunicação; direito 
de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade; e, direito à paz[RA55] 
. São direitos transindividuais, ou seja, alguns desses direitos são coletivos, alguns 
Direito, constituição, estado e sociedade 24
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são difusos.
- 4ª Dimensão - Pluralidade[RA56] : A globalização política seria a responsável 
pela introdução desses direitos no plano jurídico. São eles: direito à democracia, à 
informação; ao pluralismo[RA57] .
 
4.4 EFICÁCIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
 
O Art. 5º, §1º, CR/88 é claro. As normas definidoras dos direitos e garantias 
fundamentais têm aplicação imediata.
Quando os direitos fundamentais foram surgindo, o objetivo era proteger o 
indivíduo das ações estatais. Assim, os direitos fundamentais eram dirigidos ao 
Estado. Como a relação entre Estado e Particular é vertical, sempre se falou na 
eficácia vertical dos direitos fundamentais.
(Fonte: Autoral)
Com tempo, se observou que as violações de direitos, muitas vezes, partiam 
de particulares. Como a relação entre os particulares é de coordenação, ao menos 
teoricamente, passou-se a tratar em eficácia horizontal ou privada dos direitos 
fundamentais.
(Fonte: Autoral)
Para melhor compreensão necessário entender as Teorias que estudam a 
eficácia horizontal dos Direitos Fundamentais, conforme esboçado abaixo:
1ª Ineficácia Horizontal: para esta teoria, os direitos fundamentais não 
podem ser aplicados nas relações entre particulares. É a teoria adotada pelos 
EUA. Os norte-americanos interpretam sua constituição que, em sua origem, 
sempre trouxe como destinatário dos Direitos Fundamentais, o Poder Público. É 
a doutrina da state action (ação estatal) – visão de doutrinador Virgílio Afonso da 
Silva[RA58] .
2ª Eficácia Horizontal Indireta: teoria adotada pelos alemães e, segundo 
Virgílio Afonso da Silva, todos os países que adotam seriamente a teoria da 
eficácia horizontal dos Direitos Fundamentais. Alemão Günter Dürig é o principal 
doutrinador. Eles entendem que os Direitos Fundamentais podem ser aplicados 
Direito, constituição, estado e sociedade 25
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de forma indireta, pois a aplicação direta desses direitos aniquilaria a autonomia da 
vontade e causaria uma desfiguração do direito privado. Os Direitos Fundamentais 
irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares por meio de mediação 
legislativa.
 
(Fonte: Autoral)
Neste caso, os pontos de infiltração dos Direitos Fundamentais seriam as 
cláusulas gerais que disciplinam as relações privadas.
3ª Eficácia Horizontal Direta[RA59] : Surgiu também na Alemanha por 
Magistrado do Direito do Trabalho Alemão Nipperdey[RA60] . Não vingou na 
Alemanha, mas é adotado por Portugal, Espanha e Itália. Para esta teoria não 
precisa criar artimanhas interpretativas. Os Direitos Fundamentais são aplicados 
sim às relaçõesprivadas, mas essa aplicação não deve ocorrer com a mesma 
intensidade com que ocorre nas relações com o Estado. Isso porque existe um 
princípio vetor que precisa ser levado em consideração: a autonomia da vontade.
Na doutrina brasileira, o tema ainda é incipiente. As decisões judiciais, por 
seu turno, aplicam os Direitos Fundamentais de forma direta, olvidando da 
discussão supra. Não há fundamentação, ou opção por uma das teorias. Parte-se 
do pressuposto que se está na Constituição é para aplicar a todas as relações.
Decisão do STF, paradigmática, em que adotou a eficácia horizontal direta foi 
o RE 258.215 (Demanda iniciada em 1999. O caso de um grupo de associados de 
uma cooperativa e desafiaram os dirigentes dizendo que não seriam expulsos. Eles 
foram expulsos. Recorreram até o STF. Com base no estatuto da Cooperativa havia 
direito à ampla defesa. O ministro relator disse que esse direito era constitucional, 
aceitou o recurso e julgou procedente a ação). Atualmente, o Código Civil, 
nos Art. 57 e 58[RA61] , tratam da matéria (seria o caso de aplicação indireta ou 
reflexa). Outro julgado: RE 161.243/DF [RA62] - Caso Air France. O STF ordenou 
a extensão do estatuto dos empregados franceses aos de outra origem com base 
na Constituição.
Alguns doutrinadores defendem que, mesmo sem lei, os Direitos 
Fundamentais devem ser aplicados.
 
Direito, constituição, estado e sociedade 26
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4.5 EXISTÊNCIA DE OUTROS DIREITOS FUNDAMENTAIS
 Os direitos e garantias expressos na Constituição de 1988 não excluem 
outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados 
internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.
Além dos direitos e garantias fundamentais previstos no texto constitucional, 
poderão existir outros consagrados implicitamente, ou mesmo em outros 
documentos internacionais, conforme já dito no exemplo do Pacto de São Jose 
da Costa Rica. O §2º do Art. 5º da CR/88 adota uma concepção material dos 
direitos fundamentais, porque estes poderão ser identificados não só pela forma, 
mas também por seu conteúdo.
Os direitos e garantias fundamentais não se restringem ao Título II[RA63] 
, pois se encontram espalhados por toda a Constituição. Ex. Direito ao meio 
ambiente ecologicamente equilibrado – é direito fundamental de 3ª dimensão, 
e está localizado no Título VIII – Art. 225[RA64] . Outros exemplos extraídos da 
jurisprudência do STF são: princípio da anterioridade eleitoral (art. 16); princípio 
tributário da anterioridade (art. 150, III, b); e, as cláusulas pétreas (Art. 60, §4º, IV).
 
4.6 DIREITOS HUMANOS COM STATUS DE EMENDA 
CONSTITUCIONAL
 
Conforme já conceituado, os direitos humanos quando positivados passam 
a ser direitos fundamentais. Entretanto, ocorre casos de Tratados Internacionais 
(Norma Externa) ser incorporado ao sistema constitucional brasileiro, criando o 
chamado Bloco de Constitucionalidade. Esta situação foi trazida pela Emenda 
Constitucional n° 45/2004, ao adicionar o §3º ao Art. 5°, que diz: “Os tratados 
e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em 
cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos 
respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais”. Observa-
se que é o mesmo procedimento para aprovação das próprias EC.
Hoje, segundo a jurisprudência do STF, temos três hierarquias diferentes para 
os tratados (tripla hierarquia):
1º) Tratado Internacional de Direitos Humanos – Estes quando tiverem em 
seu bojo os aspectos contidos no Art. 5º, §3º, CR/88[RA65] , serão de mesmo 
nível hierárquico de uma EC. Neste caso, temos até agora dois tratados nestes 
moldes:
a) Tratado sobre os direitos das pessoas portadoras de deficiência (Trata-
do de Nova Iorque);[RA66] 
 
b) Tratado para Facilitar o Acesso a Obras Publicadas às Pessoas Cegas, 
com Deficiência Visual ou com Outras Dificuldades para Ter Acesso ao 
Texto Impresso (Tratado de Marraqueche[RA67] ).
Direito, constituição, estado e sociedade 27
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2º) Tratado Internacional de Direitos Humanos – Estes quando foram 
aprovados pelo procedimento comum – maioria relativa do Art. 47 da CR/88[RA68] 
, não serão equivalentes às EC, tendo apenas status de supralegal – estão acima 
da lei, mas abaixo da Constituição, conforme decidiu o STF no RE 466343[RA69] 
. Exemplo disso temos o Pacto São José da Costa Rica.
3º) Tratados Internacionais que não são de direitos humanos: também são 
aprovados por maioria relativa (Art. 47, CR/88). Tais tratados, segundo o STF, são 
equivalentes às leis ordinárias.
 
Direito, constituição, estado e sociedade 28
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5. ORIGEM, NATUREZA E FUNÇÃO SOCIAL DO ESTADO
 
A figura do Estado [RA70] é relativamente recente. A primeira noção concreta 
surge com a obra O Príncipe, escrito por Nicolau Maquiavel em 1513, razão 
porque sua leitura [RA71] pelo aluno ser importante. Sua escrita foi dedicada a 
Lorenzo di Piero de’ Medici. No contexto dos seus 26 capítulos, encontramos 
uma das teorias políticas mais bem elaboradas pelo pensamento humano e que 
tem grande influência em descrever o Estado desde a sua publicação até os dias 
de hoje, mesmo os sistemas de governo atuais já terem passado por diversas 
metamorfoses.
O conceito de Estado varia segundo o ângulo em que é considerado. Do 
ponto de vista sociológico, é a corporação territorial dotada de um poder de 
mando originário, ou seja, advindo de uma Carta Magna; sob o caráter político, é 
uma comunidade de homens, fixada sobre um território, com potestade superior 
de ação, de mando e de coerção; sob o prisma constitucional, é a pessoa jurídica 
territorial soberana; na conceituação do nosso Código Civil, é pessoa jurídica de 
Direito Público Interno (art. 41). Como ente personalizado, o Estado tanto pode 
atuar no campo do Direito Público como no do Direito Privado, mantendo sempre 
sua única personalidade de Direito Público, pois a teoria da dupla personalidade 
do Estado acha-se definitivamente superada.
O Estado é constituído de três elementos originários e indissociáveis:
• ►Povo é o componente humano do Estado;
• ►Território, a sua base física, aquilo que o localiza;
• ►Governo soberano, o elemento condutor do Estado, que detém e exerce o poder 
absoluto de autodeterminação e auto-organização emanado do Povo[RA72] .
 
O Estado brasileiro recebe o nome de República Federativa do Brasil, sendo 
formado pela união indissolúvel dos 26 Estados federados, do Distrito Federal e 
dos 5.570 Municípios, constituindo-se em Estado Democrático de Direito. Têm 
como fundamentos: a soberania; a cidadania; a dignidade da pessoa humana; os 
valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; e, o pluralismo político.
Não há e nem pode haver um Estado independente sem Soberania, isto é, sem 
esse poder absoluto, indivisível e incontrastável de organizar-se e de conduzir-se 
segundo a vontade livre de seu Povo, democraticamente, e de fazer cumprir as 
suas decisões inclusive pela força, se necessário. A vontade estatal se apresenta e 
se manifesta através dos denominados Poderes de Estado (Executivo, Legislativo 
e Judiciário).
A organização do Estado é matéria constitucional no que concerne à divisão 
política do território nacional, a estruturação dos Poderes, à forma de Governo, ao 
Direito, constituição, estado e sociedade 29
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modo de investidura dos governantes, aos direitos e garantias dos governados.
Após as disposições constitucionais que moldam a organização política 
do Estado soberano, surgem, através da legislação complementar e ordinária, 
a organização administrativa das entidades estatais, de suas autarquias, 
fundações e entidades paraestatais instituídas para a execução desconcentrada 
e descentralizada de serviços públicos e outras atividades de interesse coletivo, 
objeto do Direito Administrativo e das modernastécnicas de administração.
 
5.1 FORMAS DE ESTADO
5.1.1 Estado Unitário ou Unitarismo
 Durante o período de 1500 (intitulado historicamente como marco da 
descoberta do país pelos portugueses) até a Proclamação da República 1889 
(Brasil Colônia e Brasil Império), foi adotado no Brasil a forma unitária de Estado.
Estado unitário é formado por um único Estado, existindo uma unidade do 
poder político interno, cujo exercício ocorre de forma centralizada (Monarca, Rei, 
Imperador). Qualquer grau de descentralização depende da concordância do 
poder central[RA73] . O Estado denominado unitário apresenta-se como uma 
forma de Estado na qual o poder se encontra amalgamado em um único ente 
interestatal, ou seja, é o Estado centralizado cujas partes que os integram estão 
a ele vinculadas, não tendo, assim, autonomia. No Brasil, tivemos essa forma de 
Estado à época da Constituição Imperial de 1824.
A Constituição de 1824 estabeleceu no Brasil o Estado Unitário, com o 
território dividido em Províncias. Estas, a princípio, não tinham qualquer autonomia. 
Como a centralização do poder era grande, com a magnitude do território veio a 
necessidade de certa descentralização política, o que se fez com o Ato Adicional de 
1834. As Províncias passaram a ter assembleias legislativas próprias, continuando 
os seus presidentes a serem nomeados pelo Imperador. Com isso, o unitarismo 
brasileiro teve um aspecto semi federal.
 
5.1.2 Estado Federal e Federação
 Etimologicamente, federação (do latim foedus, foederis) significa união indissolúvel, pacto, aliança. O 
Estado Federal é, portanto, uma aliança ou união de Estados. A primeira Constituição brasileira a consagrar 
esta forma de Estado foi a de 1891, a segunda Constituição do Brasil, ocorrida pós-proclamação da República, 
marcando o fim da monarquia.
O Brasil é uma República Federativa formada pela ligação dos Estados, 
Municípios, União e Distrito Federal. Autônomos, com a possibilidade de se 
autogovernarem, ou seja, o Estado Democrático de Direito escolhe os ocupantes 
dos três Poderes sem interferência da união, assim como indica que todos podem 
editar suas normas. Federação é a união de dois ou mais Estados para a formação 
de um novo. Em que as unidades conservam autonomia política, enquanto a 
Direito, constituição, estado e sociedade 30
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soberania é transferida para o Estado Federal.
A primeira federação conhecida, a norte-americana, surgiu quando se tratou 
de resolver na época o problema resultante da convivência entre si das 13 (treze) 
colônias inglesas tornadas Estados independentes e que pretendiam adotar uma 
forma de poder político unificado e que, por outro lado, não queriam perder a 
independência, a individualidade, a liberdade e a soberania que tinham acabado 
de conquistar. Com tais pressupostos surgiu a federação como uma associação 
de Estados pactuada por meio da Constituição. Esta ordem constitucional deve 
se apresentar rígida, não permitindo a alteração da repartição de competências 
por intermédio de legislação ordinária, pois, caso contrário, desnaturar-se-ia, o 
que passaria a se caracterizar num Estado unitário, politicamente descentralizado. 
Passa a prever a existência de um órgão que dite a vontade dos membros da 
Federação (no caso brasileiro temos o Senado, ou Câmara Alta, no qual se reúnem 
os representantes dos Estados-Membros).
Então a federação ou o Estado federado será dividido em parcelas menores, 
dotadas de autonomia e de receitas próprias, que são os Estados da Federação.
Com o advento da Constituição de 1988, nasce um novo PACTO FEDERATIVO 
entre os entes da federação, sendo este “acordo” conceituado como o arcabouço 
de dispositivos constitucionais que delineiam a moldura jurídica, as obrigações 
financeiras, a arrecadação de recursos e os campos de atuação de cada ente da 
federação.
 
5.2 FUNÇÃO SOCIAL DO ESTADO
 Quando tratamos da função social do Estado, estar-se discutindo os direitos 
sociais. Estes são os direitos fundamentais de 2ª. Dimensão. É neste sentido que 
direitos sociais como saúde, moradia, previdência, educação, trabalho e assistência, 
são considerados imposições concretistas dirigidas ao Estado, onde faz surgir o 
embate entre a reserva do possível e a garantia do mínimo existencial[RA74] .
A natureza jurídica dos direitos sociais, segundo o doutrinador Manoel 
Gonçalves[RA75] , seria de direito subjetivo, caracterizados não como meros 
direitos de agir, mas como poderes de exigir (2000, p. 30); em razão de sua natureza, 
são denominados por alguns, como “liberdades positivas”, de observância 
obrigatória [RA76] em um Estado Social de Direito. Na Constituição brasileira, são 
esses direitos consagrados como fundamentos do Estado Democrático, pelo seu 
Art. 1°, inciso IV, CR/88.
Após anos de inexpressividade democrática, diversos movimentos populares 
reivindicatórios permearam a Constituinte de 1987, gerando uma gama de 
obrigações cujo sujeito passivo dessas normas foi o Estado. Tornou-se o agente 
responsável pelo atendimento dos direitos sociais. Na Constituição brasileira de 
1988, está cristalino o dever do Estado de propiciar a proteção à saúde [RA77] (art. 
Direito, constituição, estado e sociedade 31
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196), à educação (art. 205), à cultura (art. 215), ao lazer, ao desporto (art. 217), e ao 
turismo (art. 180).
Importante expor que a organização político-administrativa da República 
Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os 
Municípios, todos autônomos, portanto, há uma distribuição das competências 
administrativas e legislativas entre essas quatro esferas político-administrativas, 
conforme verificamos em vários dispositivos constitucionais, dentre os quais, os 
Arts. 21, 22, 23, 24, 30 e outros.
Pode a responsabilidade, em algumas situações, ser solidária ou partilhada 
com outros grupos sociais, ou também por instituições do mesmo Estado, como 
é o caso da seguridade social, que é claramente apontada na Constituição Federal 
brasileira, como responsabilidade da sociedade inteira.
No caso da efetivação do direito à educação, o Estado e a família [RA78] 
se tornam corresponsáveis pela sua concretização. Este papel bipartido é uma 
das diretrizes básicas da educação. Nesse contexto, fica clara a norma contida 
no Art. 1º da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996: “A educação abrange 
os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência 
humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos 
sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais”.
O Estado poderá concretizar a política pública objeto do direito social de 
forma direta, como no caso da educação básica obrigatória e gratuita dos 4 
(quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita 
para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria, ou pode ser prestado 
de maneira indireta, como no caso da seguridade social, que é realizado por uma 
entidade autárquica federal[RA79] , criada especificamente para administrar com 
autonomia a seguridade social.
Importante frisar a vedação ao retrocesso social. Geralmente os direitos 
sociais trazidos na CR/88, são consagrados em normas que possuem uma 
“textura aberta”. A textura aberta desses direitos é uma característica dos Direitos 
Sociais, que têm por finalidade permitir que os poderes públicos façam sua 
concretização, através da implementação das políticas públicas, de acordo com 
a vontade da maioria (que elege seus representantes). Essa concretização é de 
extrema importância para os direitos sociais, pois muitos deles necessitam de 
regulamentação para serem concedidos.
Diante do cenário até aqui apresentado, as várias transformações por que tem 
passado a sociedade internacional, seja por motivos econômicos, seja em função do 
avanço tecnológico, como as TICs[RA80] , estão provocando uma transformação 
acelerada nas instituiçõespolíticas e proporcionarão grandes repercussões para 
o atual Estado democrático, cujas tendências, segundo a doutrina[RA81] , são: a 
globalização, a participação, a subsidiariedade e a descentralização.
Direito, constituição, estado e sociedade 32
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Neste ponto, importante fazer um apanhado histórico. No “Welfare 
State[RA82] ” (inclusive o à moda brasileira[RA83] ), a participação do Poder 
Público no domínio econômico era grande. Após a 2ª Guerra Mundial, até a década 
de 70 essa participação se intensificou, mas desde então, a situação começou a 
se reverter, diminuindo-se ou tentando diminuir as ações estatais, empenhando-
se os gestores, em amplos programas de privatização ou desestatização, que 
tiveram início no Reino Unido, na Administração de Margareth Thatcher e nos 
Estados Unidos da América, com o presidente Ronald Reigan. A este fenômeno, 
muitos doutrinadores do Estado, conferem a denominação Neoliberalismo, que 
ocorre simultaneamente ao chamado processo de globalização.
O Estado é, portanto, uma máquina e, como tal, um conjunto de órgãos 
institucionalizados. E como todas as máquinas existem para desenvolver 
determinadas atividades, e a atividade do Estado equivale ao funcionamento 
dos seus órgãos, fácil é concluirmos que — como dizem os dicionários — a função 
representa o trabalho de cada órgão. O problema das funções do Estado traduz-
se, consequentemente, no da realização dos seus fins através dos órgãos que o 
constituem, razão porque se tem controle, transparência e responsabilização.
 
Direito, constituição, estado e sociedade 33
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6. A GLOBALIZAÇÃO E O ESTADO [RA84] NACIONAL
 
Para iniciarmos o diálogo sobre a globalização e o Estado Nacional[RA85] , 
precisamos primeiro entendê-los.
A constituição do Estado Nacional se deu após um longo processo histórico 
entre os séculos VIII e XIV na Europa Ocidental, durante o feudalismo, e envolveu 
para a estruturação de um poder central e soberano, que foi aos poucos 
submetendo entidades de poder subnacionais, o feudo e a cidade (ou burgo), 
assim como entidades de poder supranacionais, isto é, a Igreja Católica e o Santo 
Império Romano Germânico, que representou a união da cristandade ocidental 
e se irradiou desde a Alemanha até a Espanha, incluindo todos os atuais países da 
Europa Ocidental.
Junto a estas organizações multilaterais, temos os blocos regionais, que 
também são entidades supranacionais mais abrangentes que o Estado e que vão, 
cada vez mais, lançando grupos de nações, que refletem sua parcela de poder.
A autoridade soberana foi aos poucos se impondo e superando os 
particularismos locais, assim como os poderes amplos que tinham o Papa e o 
Imperador, ou seja, o poder do imperador tornou-se mais abrangente do que o 
dos senhores feudais e o da burguesia das cidades e excedeu também aqueles 
poderes de âmbito mais extenso do que o nacional. Em torno do poder imperial 
fortalecido sobre um determinado território, a identidade política dos cidadãos 
(local) passou a ser definida como identidade nacional.
A seguir, dispomos de alguns processos mais significativos para a constituição 
de um Estado-Nação: a) a crescente coincidência entre fronteiras territoriais e 
um sistema uniforme de leis; b) a criação de novos mecanismos de elaboração e 
imposição de leis; c) a centralização do poder administrativo; d) o estabelecimento 
e impostos e de gestão do sistema fiscal; e) a criação de Forças Armadas nacionais; 
e, f) a constituição da diplomacia para regular as relações entre Estados Nacionais.
O termo globalização já denota a sua grandiosidade. É um fenômeno 
experimentado mundialmente, salvo raras exceções de países sem regime 
capitalista. É caracterizado pela intensificação das relações econômicas, 
comerciais, políticas e culturais entre os países, onde as constantes inovações 
tecnológicas [RA86] nas áreas de transportes e telecomunicações são capazes 
de diminuir as distâncias e transcender as fronteiras nacionais.
Fazendo um histórico sobre o processo de globalização, podemos destacar 
o possível início com o advento das Grandes Navegações, quando aconteceu um 
notório desenvolvimento do comércio entre as mais diferentes partes do globo. 
Este marco foi seguido por uma necessidade de aumentar a escala de produção 
(oferta e demanda), o que culminou com a Revolução Industrial durante os séculos 
Direito, constituição, estado e sociedade 34
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XVIII e XIX. Nesse período, as constantes inovações na estrutura de produção 
substituíram gradualmente o trabalho de subsistência, artesanal e a manufatura, 
principalmente com a introdução da máquina a vapor e posteriormente a utilização 
da energia elétrica.
No século passado, a expansão dos mercados financeiros e das empresas 
transnacionais se destacou como o acontecimento mais proeminente no que diz 
respeito ao aumento dos fluxos de capitais e mercadorias no mundo globalizado. 
O marco histórico advém da década de 1950, quando as empresas transnacionais 
começaram a direcionar suas filiais para os países subdesenvolvidos (muitos 
deles no Hemisfério Sul) e, em pouco tempo, passaram a dominar o comércio 
internacional.
Quanto mais essas multinacionais foram crescendo, expandindo seus 
mercados produtores e consumidores, necessitam de mais investimentos 
tecnológicos e da aplicação de novos métodos de produção (Ex.: Microsoft). Esses 
métodos geraram uma maior flexibilidade nos sistemas de inovação e fabricação, 
a fim de atender mercados consumeristas de localidades distintas e aproveitar 
da melhor maneira possível a utilização do espaço, das matérias-primas e da mão 
de obra. Ligado diretamente a este avanço, temos o setor de transportes, que 
precisou se adequar às novas demandas para garantir uma distribuição eficiente 
e segura das mercadorias.
Este conjunto de modificações tecnológicas que nasceram a partir da década 
de 1970 ficou conhecido como Revolução Técnico-Científica. Além de alterar 
a estrutura de produção e comercialização, essas transformações introduziram 
descobertas[RA87] que conduziram ao atual modelo de telecomunicações. 
Esta nova Revolução Industrial contribuiu para o desenvolvimento de produtos 
que utilizamos em nosso cotidiano como os microcomputadores, smartphones, 
tablets e microfibras de transmissão de dados, responsáveis pelo acesso às redes 
sociais e pela transmissão de grande quantidade de informações em tempo real. 
Essas ferramentas também determinaram a integração das bolsas de valores ao 
redor do mundo e permitiram um fluxo dinâmico e constante de informações, 
capitais e mercadorias.
Outras Revoluções Industriais tenderão a acontecer e o grande afetado por 
elas é o Estado Nacional.
Mais recentemente a globalização entrou numa etapa de interações 
avançadas entre os países, tornando-se evidente nas crises cíclicas do sistema 
capitalista, alcançando cada vez mais rapidamente as nações mais industrializadas 
(as do Hemisfério Norte). Outra situação marcante é que os países considerados 
emergentes estão começando a participar mais ativamente do sistema econômico-
financeiro mundial, posto que a inserção desses países, até duas décadas atrás, 
estava limitada à periferia do capitalismo mundial e ao fornecimento de matérias-
primas.
Direito, constituição, estado e sociedade 35
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Importante expor o surgimento da Plutonomia, que é a ciência da produção e 
distribuição da riqueza. Adveio das condições do capitalismo moderno: governos 
simpáticos às grandes corporações, estado de direito que garante a liberdade 
econômica[RA88] , espaço para “inovações” financeiras, proteção de patentes 
e mão de obra qualificada e dócil. Aqueles super-ricos concentraram a riqueza 
dos países desenvolvidos anglo-saxões, Estados Unidos, Inglaterra e Austrália. 
Entretanto, os criadores do termo acreditavam que formações similares surgiriam 
em economiasemergentes, como Brasil, Rússia, Índia e China.
A contrapartida da Plutonomia é o Precariado, formado por um contingente 
que vive em condições de insegurança, pobreza e incerteza, necessitados de 
dignidade humana, tendente ao crescimento, tornando-o um componente 
relevante da estrutura social.
Quem duvida que assistimos no presente a mais alta afirmação do espírito 
nacional, do sentimento nacional, da vontade, ou antes, da decisão do Brasil de ser 
uma Nação? Um chefe, um povo, uma Nação, um território: um Estado nacional e 
popular, isto é, um Estado em que o povo reconhece o seu Estado, um Estado em 
que a Nação identifica o instrumento da sua unidade e da sua soberania. Aí está 
o novo Estado brasileiro. Um Estado que é isto, não é uma simples mecânica do 
poder. É também uma alma ou um espírito, uma atmosfera, uma ambiência, um 
clima. Não é verdade, portanto, que, ao organizar o Estado, a única preocupação 
foi a mecânica do poder. A pessoa humana foi, antes, a preocupação dominante. 
Não a pessoa abstrata, mas a pessoa no seu meio natural, na família, na escola, 
no trabalho: o pai de família, o operário, a infância, a juventude. Isto se revela em 
vários pontos da atual Constituição brasileira, desde seus artigos iniciais aos finais.
O processo de globalização trouxe uma infinidade de transformações 
técnicas e sociais no âmbito da composição do espaço geográfico dos diferentes 
lugares do mundo. No cerne dessas inovações, o campo político-econômico foi 
bastante atingido e também experimentou a emergência de diferentes facetas 
e novas configurações, entre elas, a mudança de perspectiva sobre a função do 
Estado na economia.
Nesse diapasão, é relevante interpretar o real papel do Estado na 
Globalização, principalmente no que se relaciona à economia transnacionalizada 
e ao sistema financeiro, que no caso brasileiro é federalizado. Conquanto não se 
possa generalizar a atuação do poder público no funcionamento da globalização 
econômica, por meio de intervenção estatal, podemos dizer que há uma tendência 
comum seguida por vários países, principalmente sob a tutela de grandes atores 
internacionais, a saber: os Estados Unidos, a União Europeia e o Fundo Monetário 
Internacional (FMI).
A partir da década de 80, novas discussões iniciaram a se difundir sobre este 
assunto, intensificadas, sobretudo, pelos efeitos gerados no âmbito das duas 
crises do petróleo [RA89] ocorridas durante décadas anteriores. Historicamente, 
https://brasilescola.uol.com.br/geografia/processos-globa.htm
https://brasilescola.uol.com.br/geografia/processos-globa.htm
Direito, constituição, estado e sociedade 36
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atribui-se a essas crises justamente a excessiva participação do Estado na 
economia[RA90] , impedindo a prática do livre comércio, quando subordinada 
às atividades econômicas e interesses políticos.
Por esse motivo – e também para conter o elevado déficit público (dívida 
pública) existente em vários países –, diversos teóricos e também economistas 
ligados aos Estados Unidos, ao FMI e ao Banco Mundial iniciaram uma defesa da 
menor atuação do Estado na economia globalizada (Estado não Intervencionista). 
Com isso, passaram a apregoar, então, uma menor participação do poder 
público em investimentos públicos, com menos cobranças de impostos e a 
desregulamentação dos mercados financeiros.
O princípio geral era desonerar, desobrigar o Estado dos gastos públicos 
(despesas públicas constitucionalmente previstas), fazendo com que a máquina 
pública também tivesse uma menor necessidade de possuir arrecadações, 
naquilo que ficou conhecido mundialmente como a retomada dos valores liberais 
acerca do “Estado Mínimo”, processo chamado de neoliberalismo. Assim, o 
Estado diminuiria sua atuação nas políticas públicas necessárias à população, 
desvirtuando-se do ideal do Estado do Bem-Estar Social (Welfare State).
Então, as práticas do neoliberalismo no mundo globalizado, inclusive no 
Brasil, ocorreram por intermédio das seguintes medidas: a) uso da privatização de 
empresas estatais ou desestatização delas; b) desregulação de empresas privadas, 
deixando-as seu gerenciamento mais livre; c) promoção da ampla abertura ao 
mercado estrangeiro; c) tomada de medidas para garantir o livre funcionamento 
do mercado; d) promoção da limitação à atuação dos sindicatos e dos direitos 
trabalhistas; e, e) redução das despesas do próprio Estado, incluindo a redução 
de gastos com políticas públicas em diversas áreas, principalmente as sociais.
A ramificação dos ideais neoliberais durante a consolidação da globalização, 
proporcionou uma série de debates e análise nas áreas das ciências sociais 
e humanas em geral, com muitos apoiadores e também muitos reacionários. 
Para os apoiadores, argumentava-se que o liberalismo seria a melhor forma de 
desenvolvimento da economia, pois o Estado é um entrave ao livre mercado e à 
evolução social; já os reacionários, afirmavam-se que o neoliberalismo culminará 
com a perda dos direitos trabalhistas e previdenciários, na concentração de renda 
e na menor quantidade de investimentos públicos em saúde, educação e outros.
O Estado Nacional, a despeito de ter entrado num extenso processo de 
transformações vinculadas à globalização, ainda ocupa o papel de protagonista 
fundamental na economia mundial, apesar de sentir os reflexos deste atual cenário 
socioeconômico, quando começa a sofrer limitações em sua soberania e em sua 
autonomia decisória.
Direito, constituição, estado e sociedade 37
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7 CONCEITO, ORIGEM E ELEMENTOS 
CARACTERÍSTICOS DA SOCIEDADE
 
7.1 CONCEITO DE SOCIEDADE
 Para compreendermos a SOCIEDADE, primeiro analisamos o Estado 
(Capítulo 5), que é uma figura abstrata criada por aquele. Também podemos 
entender que o Estado é uma sociedade política criada pela vontade de unificação 
e desenvolvimento do homem (povo), com intuito de regulamentar, preservar o 
interesse público ou dito comum, dentro de um determinado território.
O ser humano em sua jornada de vida sobre a terra começou a buscar um 
bem, um interesse, algo que não lhe pertencia, mas sim um bem que ultrapassasse 
as fronteiras particulares[RA91] , isto é: o bem comum ou público. Com intuito 
de preservar esse bem comum a todos, os homens de um ciclo começaram a 
procurar meios de garanti-lo e promovê-lo, ou seja, a vida em sociedade passou a 
demonstrar evidentes benéficas a si.
“Numa visão genérica do desenrolar da vida do homem sobre a Terra, desde 
os tempos mais remotos até nossos dias, verificamos que, à medida em que se 
desenvolveram os meios de controle e aproveitamento da natureza, com a 
descoberta, a invenção e o aperfeiçoamento de instrumentos de trabalho e de 
defesa, a sociedade simples foi-se tornando cada vez mais complexa. Grupos 
foram-se constituindo dentro da sociedade, para executar tarefas específicas, 
chegando-se a um pluralismo social extremamente complexo[RA92] ”.
Esses meios interligados eram a coordenação de esforços comuns. Essa 
coordenação somente poderia existir se houvesse cooperação entre as pessoas, 
daí a ideia de união com a mesma finalidade, ou seja, o BEM COMUM.
A união de pessoas formam os chamados grupos ou agrupamentos sociais, 
e a aglutinação desses grupos geram a sociedade. Da mesma forma, as inter- 
relações sociais entre grupos distintos (político, religioso, familiar, trabalhadores e 
etc.), buscando a uniformidade de interesses, também geram a sociedade. Desta 
forma, indubitavelmente, a sociedade decorre naturalmente do homem, pois há 
uma união moral de pessoas livres e com certa organização (sem normatização 
jurídica, num primeiro momento) para a busca de um fim comum, por exemplo, 
a paz, como direito fundamental de 5ª. Dimensão, como defendido por Paulo 
Bonavides[RA93] .
7.2 ORIGEM DA SOCIEDADE
 O homem como animal político[RA94] . O ser humano é um ser que se 
adaptou a viver em sociedade, desde o nascimento, junto a: família, escola, clube, 
igreja,cidade, Estado (“país”), sociedade como um todo (global). Seu isolamento 
Direito, constituição, estado e sociedade 38
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é uma exceção.
Neste diapasão, surgem questionamentos constantes do por que o homem 
viver em sociedade? O homem foi gerado para a sociedade ou a sociedade foi 
gerada para o homem? Junto a isto, indaga-se o que seria mais importante, a 
coletividade ou o indivíduo?
Existem diversas respostas, nas mais diversas filosofias ou crenças, mas todas 
levam à compreensão de que determinar o motivo pelo qual o ser humano se 
reúne em sociedade é importante para se determinar a posição do indivíduo 
dentro da sociedade. Para isto, existem diversas teorias, a seguir expostas.
►Teorias sobre a origem da sociedade:
I) sociedade natural – o ser humano é dotado de um instinto de sociabilidade 
que o leva naturalmente a viver em sociedade – o homem é um animal político (ênfase 
no todo, no coletivo: organicismo[RA95] ): Aristóteles[RA96] , Cícero, Tomás de Aquino, 
Ranelletti[RA97] .
II) sociedade como ato racional – desenvolvido nas teorias dos contratualistas. 
Negam o impulso associativo natural. Entendem a sociedade como sendo uma criação 
humana, fruto de uma decisão racional (ênfase no indivíduo - mecanicismo[RA98] ); 
partindo do estado de natureza, o homem, baseado na razão e por vontade própria, fir-
ma um contrato social, estabelecendo um governo e regras para a vida em sociedade. 
Os contratualistas temos:
 
a) THOMAS HOBBES (1588-1689) [RA99] - Obra: O Leviatã. A natureza humana 
não muda, é sempre a mesma (“conhece-te a ti mesmo”); o homem é mau, invejoso, 
ambicioso, cruel e não sente prazer na companhia do outro; o estado de natureza é uma 
“guerra de todos contra todos”; o “homem é o lobo do homem”; sem lei nem autoridade, 
todos têm direito a tudo; a vida é “solitária, pobre e repulsiva, animalesca e breve”; para 
fugir desse estado, reúnem-se em sociedade e firmam o Contrato Social, estabelecen-
do uma autoridade soberana com poder ilimitado e incontestável para impor a ordem 
(Estado – seria o Leviatã); o pacto é de submissão e não pode ser quebrado; justificação 
para o absolutismo.
 
b) JOHN LOCKE (1632-1704) [RA100] - Obra: Segundo tratado sobre o gover-
no. Foi inspirador da “Revolução Gloriosa”, que estabeleceu a monarquia moderada na 
Inglaterra (1688-89); estado de natureza pacífico, com os homens gozando dos direitos 
naturais à vida, à liberdade e aos bens; contrato social para a proteção desses direitos; o 
consentimento é a base da autoridade; Estado com poder limitado e baixo grau de in-
tervenção na vida social (individualismo liberal); direito de rebelião caso o governo não 
cumpra o dever de proteger os direitos naturais. Influência na independência dos Esta-
dos Unidos.
 
c) BARÃO DE MONTESQUIEU [RA101] (1689-1755) - Obra: O espírito das leis. 
Estado de natureza pacífico; seres humanos se aproximam pelo medo e pela atração 
mútua; estado de guerra começa depois do surgimento da sociedade; necessidade do 
estabelecimento, por acordo, das leis e do Estado, que devem ser organizados de forma 
apropriada para cada sociedade, pois as leis são as “relações necessárias que derivam 
da natureza das coisas”. Influência no constitucionalismo. Trouxe a teoria do checks and 
balances.
 
Direito, constituição, estado e sociedade 39
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d) JEAN JACQUES ROUSSEAU[RA102] (1712-1778) - Obras: Discurso sobre a 
desigualdade e O contrato social. Precursor do Romantismo; seres humanos livres, 
iguais e bons no estado de natureza; perda da liberdade após o estabelecimento de 
uma sociedade baseada na propriedade; necessidade de um contrato social legítimo, 
que garanta a liberdade e a igualdade de todos, com a prevalência da soberania do povo 
(vontade geral). Influência na Revolução Francesa.
 
Nos dias atuais predomina a visão de que o homem é naturalmente levado 
a conviver em sociedade, sem que isso exclua a participação da sua vontade 
racional, conciliando, assim, as duas teorias acima expostas. Sendo assim, a teoria 
do contrato social, como um acordo entre pessoas livres e iguais que estabelece 
regras de convivência social e para o exercício do poder, é utilizada como uma 
justificação racional para a existência da sociedade e do Estado.
 
7.3 ELEMENTOS CARACTERÍSTICOS DA SOCIEDADE
A Sociedade é “toda forma de coordenação das atividades humanas 
objetivando um determinado fim e regulada por um conjunto de normas”, 
conforme dito por Celso Bastos. Seguindo esta definição, podemos entender os 
elementos que compõem uma sociedade: atividades humanas coordenadas e 
reguladas por normas, dirigidas a uma finalidade. Esses elementos diferenciam 
uma verdadeira sociedade de um simples agrupamento de pessoas. Sendo 
assim, toda sociedade deve possuir os seguintes elementos: a) finalidade; b) 
manifestações de conjunto ordenadas; c) poder.
7.3.1 Finalidade
Toda sociedade deve buscar uma finalidade, ou seja, deve ter um objetivo, 
que é definido por seus membros, baseado naquilo que estes entendem como 
um bem (valor a ser protegido). Esta escolha de objetivos pode ser dar na 
Ágora[RA103] , como nos locais de discussão de leis. A finalidade relaciona-se 
com a liberdade humana, porque só o ser livre e racional pode escolher objetivos 
com base em valores.
Segundo Dalmo Dallari[RA104] , a finalidade da sociedade humana e também 
a do Estado deve ser o bem comum, entendido como “o conjunto de todas 
as condições de vida social que consintam e favoreçam o desenvolvimento 
integral da personalidade humana” (João XXIII, Encíclica Pacem in Terris - 11 de 
abril de 1963).
 
7.3.2 Manifestações de conjunto ordenadas
Como mecanismo de controle, “a lei é um sinal da imperfeição humana 
e é, ao mesmo tempo, sinal de que os homens almejam a perfeição”, como 
aborda Miguel Reale. Essa perfeição de dará com a evolução contínua da própria 
Direito, constituição, estado e sociedade 40
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sociedade. Entretanto, não basta apenas a finalidade. Para que exista uma sólida 
sociedade, é preciso haver também manifestações de conjunto ordenadas, ou 
seja, faz-se necessário que as atividades do grupo se desenvolvam com reiteração, 
ordem e adequação.
No campo da reiteração, a finalidade social é um objetivo permanente, a ser 
buscado sempre, ou seja, de forma reiterada, constante, e por todos os membros 
da sociedade, cada um desempenhando o seu papel social.
No campo da ordem, A atuação da sociedade deve ser ordenada, ou seja, 
organizada segundo regras e normas, tendo como objetivo a finalidade social. 
Segundo Goffredo Telles Jr., “ordem é a disposição conveniente das coisas 
segundo uma lei. Para ele, tudo está em ordem, porque o que chamamos de 
desordem é apenas a ordem não desejada, pois tudo que ocorre no universo é 
regido por leis”. Segundo Montesquieu, a “lei é a relação necessária que deriva 
da natureza das coisas”. Essa definição[RA105] se aplica tanto às leis naturais 
(mundo físico) como às leis ou normas sociais (éticas, culturais, elaboradas pelo 
homem).
 No campo da adequação. Além dos campos já referenciados, é também 
necessário que as ações do grupo sejam adequadas para atingir o fim almejado 
(bem-comum). A sobre exaltação (exagero) de um fator em detrimento de 
outros (ordem pública, fatores políticos, econômicos e etc.) proporcionam 
desvios e, portanto, inadequação das atividades sociais em relação à finalidade, 
prejudicando a busca do bem comum.
 
7.3.3 Poder[RA106] 
 O terceiro elemento que vai caracterizar a sociedade, depois da finalidade 
e das manifestações de conjunto ordenadas, é o poder. Trata-se de um dos 
conceitos mais importantes da Ciência Política e da Teoria do Estado. Pode ser 
definido genericamente como a possibilidade de uma pessoa determinar o 
comportamento de outra ou de outras pessoas.
Tem-se que o poder é um fenômeno social, motivado pelo fato de estarinserido em qualquer sociedade: família, escola, igreja, Estado e etc. É também 
uma manifestação bilateral, porque implica sempre uma vontade predominante e 
outra subordinada. Pode ser analisado como relação (sujeitos) ou como processo 
(dinâmica, funcionamento).
Sobre este elemento, a doutrina indaga sua necessidade. A maioria dos 
teóricos entende que o poder sempre existiu e é necessário para manter a ordem 
e a coesão na sociedade, bem como para dirigi-la na busca do bem comum, 
principalmente no choque de interesses conflitantes.
Nas primeiras sociedades (as primitivas), o poder era baseado exclusivamente 
na força (primeiro material, do guerreiro mais forte, depois econômica). Todavia, 
Direito, constituição, estado e sociedade 41
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segundo Rousseau: “o mais forte nunca é suficientemente forte para ser sempre 
o senhor, senão transformando sua força em direito e a obediência em dever”.
Já na era da antiguidade, passou-se a fundamentar o poder na divindade 
(Poder Divino), surgindo os impérios teocráticos (Egito, Babilônia e etc.). O 
mesmo ocorreu no início do Estado Moderno, com as monarquias absolutistas, 
que sustentavam o poder real como um direito divino. Logo após, na Idade Média, 
mudou a linha de pensamento, passando a considerar o povo como titular do 
poder. Dessa linha resultaram o contratualismo e a democracia, em que a vontade 
do povo (vontade geral) é o fundamento do poder.
A partir do século XIX, com a consciência de que o poder usa a força mas não 
se confunde com ela, surge a aspiração de fazer coincidir o poder (fenômeno de 
fato, político) com o direito (regras e limites para o exercício do poder), com a era 
do constitucionalismo mais moderno.
Para Miguel Reale, o poder e o direito não se confundem, mas são fenômenos 
concomitantes, que sempre coexistiram nas sociedades, variando apenas o grau 
de juridicidade, conforme o estágio de evolução cultural de uma sociedade 
(culturalismo[RA107] ). Assim, caso numa sociedade primitiva prevalecesse a 
força, seria sempre exercida segundo uma regra, mesmo que fosse imposta pelo 
mais forte.
Sobre a legitimidade do poder, temos os ensinamentos de Max Weber (1864-
1920). Sua doutrina traça três formas de poder legítimo: o tradicional (próprio 
das monarquias, independe da lei formal); o carismático (exercido por líderes 
autênticos, que interpretam os sentimentos e as aspirações do povo, muitas vezes 
contra a lei); e o racional (autoridade derivada da lei, única forma em que poder 
e direito necessariamente coincidem). Já para o doutrinador Georges Burdeau 
(1905-1988), o que legitima o poder é a sua atuação. Poder legítimo é o poder 
consentido, aceito pela comunidade, porque encarna a força da ideia de bem 
comum.
Atualmente, com o advento de um novo rótulo constitucional para formação 
das sociedades, há uma despersonalização e racionalização do poder, ou seja, 
busca-se a objetivação (despersonalização) e a racionalização do poder (governo 
baseado na lei, fruto da vontade popular e não da vontade do governante).
 
Direito, constituição, estado e sociedade 42
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8. RELAÇÃO ESTADO VERSUS INICIATIVA PRIVADA
 
Iniciando este capítulo, provocamos o aluno à reflexão sobre a relação do 
Estado e a iniciativa privada. Conforme já abordado em outro capítulo, é de suma 
importância saber distinguir o que seja pertencente à esfera pública e à esfera 
privada, para compreender melhor a relação em discussão[RA108] . Muitas 
vezes essa relação se dá no âmbito da economia (com controle estatal), gerado 
pelos interesses de organizações e na busca de manter o equilíbrio na balança 
comercial, para que o país não entre em colapso.
Recentemente, em razão da crise econômica internacional (meados de 2008), 
notamos uma maior intervenção do Estado no domínio econômico, aparentando 
uma possível volta ao Keynesianismo[RA109] .
O Brasil, por exemplo, ainda é um Estado periférico, emergente, atrasado 
no que tange à estruturação do Estado. Diferentemente de outros países já 
desenvolvidos (Ex.: Alemanha e EUA), nosso país passou do Estado Liberal para o 
Neoliberal, sem escalas no Estado Social[RA110] . É um Estado em desenvolvimento 
(ou poderia dizer, em eterno desenvolvimento). É um Estado com modernidade 
tardia, ou seja, temos pressa para atingir o desenvolvimento, mas ainda temos 
muita pobreza, minorias que precisam ter seus direitos protegidos.
As Constituições brasileiras são o reflexo dos modelos estatais adotados:
 
1. Constituição de 1824 (Imperial): Estado Liberal. Usou como fonte a Constituição 
Francesa de 1791.
2. Constituição de 1891: Estado Liberal de Direito
3. Constituições de 1934 e 1946: Estado Social (Épocas em que experimentou um pou-
co do Estado Social à brasileira).
4. Constituição de 1937: Estado ditatorial
5. Constituição de 1967 e Emenda Constitucional de 1969 (Doutrina afirma ter sido 
uma nova Constituição): Constituição autoritária
6. Constituição de 1988: Estado Liberal. Adota o Capitalismo humanizado[RA111] .
O Estado, como um todo, é a mais complexa das organizações criadas pelo 
homem. Podemos afirmar que ele é o símbolo do mais alto estágio de civilização. 
É, ao mesmo tempo, um fato social e um fenômeno normativo, passível de 
conhecimento e estudo pelo Direito. Esta dicotomia se apresenta como o 
resultado de um povo que vive sobre um território delimitado e governado por leis 
que se fundam em um poder não sobrepujado por nenhum outro externamente 
e supremo internamente.
É fácil perceber a relação interpessoal que cada um de nós temos 
diuturnamente com o Estado que nos encontramos inseridos. Isto se caracteriza 
quando precisamos de um atendimento médico-hospitalar pelo Sistema Único de 
Direito, constituição, estado e sociedade 43
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Saúde, quando precisamos manter nossa dignidade, quando precisamos garantir 
nossos direitos fundamentais, quando solicitamos o apoio dos bombeiros ou da 
polícia, quando pagamos tributos, quando usufruímos de um serviço público 
essencial ou não e etc.
Muitas vezes o termo “Estado” é referenciado apenas para significar o 
conjunto dos governantes mais o seu aparato organizacional, identificados como 
os Poderes: Executivo, Legislativo ou Judiciário. Todavia, esta denominação 
incompleta deixa de esboçar a função de cada indivíduo na composição da 
sociedade política. Esta deve ser interpretada corretamente como a conjugação 
dos governantes com os governados. Isso se torna importante para explicar que 
não só os governantes têm deveres com o seu povo, mas que cada cidadão tem 
deveres para com o Estado. Diante desta relação, claro está que todos nós, nesse 
sentido, temos uma dimensão política.
As instituições do Estado, muitas vezes, intervêm de modo incisivo na vida 
das pessoas, seja estabelecendo obrigações, seja instituindo direitos e, algumas 
vezes, possibilitando opções aos administrados. Essa intervenção é mais presente 
do que muitos podem perceber, como por exemplo, a imposição do atendimento 
educacional inclusivo no caso de criança com transtorno do espectro autista, 
previsto na Constituição, na LDBEN e na LBI[RA112] , podendo até configurar 
crime: a) recusar a matrícula ou até mesmo dificultar o acesso de estudantes 
com deficiência à escola comum; b) cobrar valor adicional nas mensalidades e 
anuidades escolares devido à deficiência; e, c) descumprir qualquer outra das 
determinações previstas na Lei brasileira de inclusão (LBI).
Outra intervenção estatal marcante sobre os interesses privados se dá na 
política pública de cotas raciais e para pessoas com deficiência. Há uma série de 
direitos fundamentais albergados nesta atividade estatal, tudo com fim claro de 
garantir a dignidade humana para estes indivíduos. Muitas vezes estas atividades 
estatais precisam ser desenvolvidas pelo Estado-juiz, por meio de ações 
afirmativas[RA113] . Este ativismo judicial é essencial para garantir o cumprimentodos deveres dos governantes perante o Estado Democrático de Direito.
Buscando se ater apenas aos níveis federal e estadual de governo, os 
chamados três Poderes da República Federativa do Brasil desenvolvem suas 
funções soberanas (típicas e atípicas) mediante a constante intervenção na vida 
dos indivíduos.
O Poder Executivo, ao gerir os destinos dos administrados, diuturnamente 
interfere na vida dos sujeitos (pessoas físicas ou jurídicas); a título exemplificativo, 
podemos citar: a possibilidade de regulação abstrata de condutas humanas por 
meio da medida provisória; a intervenção no livre mercado (instituiu recentemente 
a Declaração de Direitos de Liberdade Econômica, medida provisória já 
convertida em lei[RA114] ). O Legislativo, ao desempenhar sua função precípua, 
interfere também diretamente na vida dos administrados. Da mesma forma, 
Direito, constituição, estado e sociedade 44
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exemplificando temos diversas normas, tais como: os Estatutos da Criança e do 
Adolescente, do Idoso, do Índio, da Pessoa com Deficiência, da Cidade, os Planos 
Diretores Municipais, entre outras.
Continuando o diálogo do Estado com os interesses privados, temos a 
atuação do Judiciário. Para nos atermos apenas a decisões recentes, o STF decidiu 
recentemente sobre o cumprimento da sentença penal condenatória já em 2ª. 
Instância[RA115] , sobre a ação penal relativa a lesão corporal resultante de violência 
doméstica contra a mulher, tendo-a [RA116] como pública incondicionada (ou 
seja, entendeu pela desnecessidade de representação nas condutas referidas na 
Lei Maria da Penha) e quando decidiu por descriminalizar[RA117] o aborto de feto 
anencefálico. Estes são exemplos de intervenções do poder público na vida do 
indivíduo.
No primeiro caso abordado acima, por maioria, o Plenário do Supremo 
Tribunal Federal (STF) decidiu que é constitucional a regra[RA118] do Código 
de Processo Penal (CPP) que prevê o esgotamento de todas as possibilidades 
de recurso (trânsito em julgado da condenação) para o início do cumprimento 
da pena. Neste caso, a Corte concluiu o julgamento das Ações Declaratórias de 
Constitucionalidade (ADC) 43, 44 e 54, que foram julgadas procedentes. No 
segundo caso exemplificado, o STF determinou que as mulheres não podem ter 
a opção de processar ou não seus agressores, cabendo ao Estado decidir pelo 
início do processo crime. Já no caso da descriminalização da interrupção da 
gravidez em casos de anencefalia de feto, o STF entendeu pela descriminalização, 
possibilitando à família a opção pelo aborto, sem que esta decisão sofra a 
intervenção do Estado.
Como podemos observar, a intervenção estatal muitas vezes é para garantir 
a concretização de direito fundamentais ou até humanos, como aplicação de 
políticas públicas. Da mesma forma, o impedimento da atividade intervencionista 
estatal também o é para garantir a concretização desses mesmos direitos. Então 
surge um dilema para se saber “quando seria o momento oportuno para a 
intervenção estatal na vida dos indivíduos?”.
Numa sociedade democrática ao qual estamos inseridos, esta resposta não 
é encontrada com facilidade, diante da gama enorme de direitos fundamentais 
que podem se chocar[RA119] . A Teoria Geral do Estado busca traçar linhas 
mestras para se identificar o momento em que a intervenção é indispensável. 
Portanto, deve o poder público intervir no exato momento em que a Sociedade 
der sinais de que, por si só, não congrega condições de orientar-se e comportar-
se adequadamente em determinada conjuntura. A intervenção deve se dar no 
momento em que a sociedade perde o domínio, o controle sobre determinado 
fenômeno social, sendo assim, a intervenção deve ser a exceção e não uma regra 
de conduta.
Ainda assim, em determinados casos, não é fácil compreender, de imediato, 
Direito, constituição, estado e sociedade 45
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se é o caso ou não da intervenção estatal na vida do administrado. Um exemplo 
que podemos estudar é o caso do cidadão brasileiro que perdeu o controle sobre a 
educação de seus filhos e, por isso seria necessária ou não a proibição da “palmada 
pedagógica[RA120] ”? Noutro caso, saber se a sociedade brasileira vai se comportar 
adequadamente [RA121] tendo nas mãos a possibilidade de decidir pela interrupção 
da gravidez (aborto[RA122] ), principalmente nos casos confirmados de anencefalia? 
Sobre isto, as normas, as jurisprudências e as doutrinas pátrias não têm uma solução 
imediata.
Muito embora haja diversas intervenções estatais benéficas à população, 
há outros que não. Para isso, há de lembrarmos a existência de mecanismos de 
controle dessa atuação do Estado sobre a iniciativa privada, sendo eles as garantias 
constitucionais (remédios constitucionais)[RA123] : o Habeas Corpus, Habeas Data, 
o Mandado de Segurança, o Mandado de Injunção e por fim não menos importante 
a Ação Popular. Entende-os, temos:
 
a) HABEAS CORPUS (art. 5º, LXVIII, CR/88; Arts. 647 a 667, CPP) - protege direito líquido 
e certo de locomoção – e no sentido amplo – no movimento e no de permanência – é o di-
reito de ir, vir, de restar, de permanecer, de parar ou ficar;
b) HABEAS DATA (Art. 5º, LXXII, CR/88; Lei nº 9.507/1997) - instituto introduzido na 
CR/88, visa tutelar a esfera íntima dos indivíduos, assegurando o conhecimento de informa-
ções relativas à pessoa do impetrante, constante dos registros ou banco de dados de enti-
dades governamentais ou de caráter público ou a fim de retificar dados;
c) MANDADO DE SEGURANÇA (Individual – Art. 5º, LXIX; Coletivo - Art. 5º, LXX, ambos 
da CR/88; Lei nº 12.016/2009) - proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas 
corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for auto-
ridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público;
d) MANDADO DE INJUNÇÃO (Art. 5º, LXXI, CR/88; Lei nº 13.300/2016) - tem por fina-
lidade realizar concretamente em favor do impetrante o direito, liberdade ou prerrogativa, 
sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o seu exercício – é uma nova 
garantia instituída pela nova ordem constitucional – que visa assegurar o exercício de qual-
quer direito ou liberdade constitucional não regulamentada;
e) AÇÃO POPULAR (Art. 5º, LXXI, CR/88; Lei nº 4.717/1965) - qualquer cidadão é parte 
legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de 
entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao 
patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas 
judiciais e do ônus sucumbencial.
 
Existem também outros meios de combater o desrespeito ao ordenamento 
jurídico brasileiro como a Ação Civil Pública (Lei no 7.347/1985) e as ações que 
promovem o controle de constitucionalidade (Ex.: ADI, ADC – Lei no 9868/1999; e, 
ADPF – Lei no 9.882/1999).
Não é demais lembrar que a própria atividade estatal, estando ou não intervindo 
na iniciativa privada, pode se submeter à análise judicial (Estado-juiz). Cabe ao Poder 
Judiciário, então, o monopólio da jurisdição, sendo assegurado a todo aquele que se 
sentir lesado ou ameaçado em seus direitos o ingresso aos órgãos a ele pertencentes.
Direito, constituição, estado e sociedade 46
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9 DIREITOS E OBRIGAÇÕES DO AGENTE PÚBLICO - 
SERVIDOR PÚBLICO
 
De início, orientamos os alunos para a leitura[RA124] da matéria esboçada no 
Capítulo VII – Da Administração Pública –, a partir do Art. 37 da Constituição de 
1988, bem como nos Estatutos dos Servidores, sejam eles pertencentes ocupantes 
de cargos efetivos em cada ente da federação[RA125] . No caso de servidores 
públicos federais, utiliza-se a Lei n° 8.112/90, que será abordada neste texto.
Agente Público é o gênero. O Agente Público é todo aquele que exerce 
função pública, conceito de onde deriva algumasespécies ou classificações.
Temos o agente político, composto por aqueles que constituem a vontade 
do Estado e que estão no comando de cada um dos Poderes. Exemplos práticos 
temos: chefes do Poder Executivo; auxiliares imediatos do Poder Executivo 
(Secretários e Ministros); membros do Poder Legislativo; Magistrados e membros 
do MP.
Magistrados e membros do MP são escolhidos por concurso público, o que 
os distingue dos demais. Justifica-se os Ministros do STF como sendo agentes 
políticos [RA126] porque formam a vontade do Estado (Estado-juiz).
Pontos importantes: Se os direitos do agente estão previstos em uma lei ou 
na própria CR/88, o regime é chamado de “legal” ou “estatutário”. O agente será 
titular de cargo público. Só existe cargo em pessoa jurídica de direito público.
Assim, temos o Servidor estatal de pessoa pública. Servidores públicos 
[RA127] da Administração direta, autárquica ou fundacional. Seguiam um Regime 
Jurídico. A CR/88, na sua redação original, dizia que era único, ou seja, um só 
regime. Não se exigia regime celetista ou estatutário. Os nossos entes federados 
num primeiro momento preferiram o regime estatutário. Com o advento da 
Reforma Administrativa de 1998 (EC n° 19/98), alterou-se o Art. 39 da CR/88, 
modificando esta regra. Foi estabelecido o regime múltiplo, ou seja, são possíveis 
ambos os regimes concomitantemente[RA128] .
Por outro lado, estando os direitos do agente num contrato de trabalho 
formalizado, o regime é chamado de “contratual” ou “celetista[RA129] ”, assina-
se a CTPS. O agente é titular de emprego. Existem em pessoa jurídica de direito 
público ou privado.
Servidores de entes governamentais de direito privado (considerado 
empregado público), seguem a lei que o instituiu. São aqueles que atuam nas 
empresas públicas (ex.: Caixa Econômica Federal), sociedade de economia mista 
(Banco do Brasil) e fundação pública de direito privado (Ex.: Fundação Padre 
Anchieta, instituída pelo Estado de São Paulo e responsável pela TV Cultura).
Direito, constituição, estado e sociedade 47
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Já os servidores de entes governamentais de direito privado (celetista), 
seguem o regime da CLT. No entanto se equiparam aos servidores públicos em 
alguns aspectos, tais como: a) exigência de concurso público[RA130] ; b) são 
sujeitos ao regime da não-acumulação (excepcionalmente nos casos autorizados 
pela CR/88 – inciso XVI do art. 37); submetem-se ao teto remuneratório 
constitucional, salvo quando estas empresas não receberem dinheiro para custeio 
(tendo sua própria atividade, desenvolvendo-a sem necessitar da administração 
direta); submetem-se à lei de improbidade administrativa (Lei n° 8.429/92); e, 
estão sujeitos ao conceito de funcionário público do Art. 327 do Código Penal.
No que tange aos servidores de empresa pública e de sociedade economia 
mista[RA131] , eles respondem da mesma forma por atos de improbidade 
administrativa. Estão sujeitos aos crimes contra a administração pública (art. 327 
do CP). Podem ser sujeitos passivos dos remédios constitucionais (MS, HD, MI, 
ação popular etc.). Importante informar que suas Reclamações Trabalhistas serão 
julgadas pelo Poder Judiciário Trabalhista (Esfera especializada sempre federal). 
Sobre o entendimento do Tribunal Superior do Trabalho[RA132] , podemos trazer 
a Súmula n° 390, inciso II e a OJ-SDI1 n° 247 do TST. Empregados de EP, de SEM e 
de Fundação Pública de Direito Privado não gozam da estabilidade do Art. 41 da 
CR/88. A dispensa desses empregados é imotivada. Assim, não há necessidade 
de processo (PAD – Processo Administrativo Disciplinar) para a dispensa, havendo 
um Inquérito para apuração da falta grave. A dispensa[RA133] do empregado 
de empresas públicas e sociedades de economia mista que prestam serviços 
públicos deve ser motivada. Esses servidores são celetistas, portanto, titulares de 
emprego.
Há outros servidores que estão dentro deste espectro, como o particular em 
colaboração. É aquele que colabora com o Estado, mas sem perder a qualidade 
de particular. Temos como exemplo o particular em colaboração “sponte” própria 
(voluntários, como os Amigos da Escola.), e temos os requisitados, como os 
agentes honoríficos como os mesários, jurados etc.
Aqueles que atuam em concessionárias e permissionárias prestando serviços 
públicos também são particulares em colaboração.
Os Delegados de função pública (Ex.: Serviços notariais) também são casos 
de particulares em colaboração. Não é hipótese de delegação de serviço, mas sim 
de função (Art. 236 da CR/88). Prestam serviços extrajudiciais. Cada Estado tem 
a competência para legislar acerca de serviço notarial.
Portanto, importante frisar que estes particulares em colaboração quando 
estão na prestação de um serviço público (Ex.: no ensino e na saúde), estão 
praticando atos oficiais, sendo, então, sujeitos aos remédios constitucionais.
Quanto à Acessibilidade aos cargos, empregos e funções públicas, serão 
aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como 
aos estrangeiros, na forma da Constituição ou da lei. Todavia, a condição será 
Direito, constituição, estado e sociedade 48
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por concurso público (Princípio constitucional contido no Art. 37, incisos I ao IV, 
CR/88). A própria norma constitucional traz as exceções, sendo uma delas ao 
ocupante de Mandato Eletivo, onde a escolha é política.
Falando agora dos Cargos em comissão ou comissionados, são aqueles de 
livre nomeação e exoneração, chamados ad nutum[RA134] .
Neste particular, não devemos confundir o Cargo em comissão com a função 
de confiança. Cargo público é o conjunto de atribuições, responsabilidades 
e posto na Administração Pública. Cargo em comissão complementa esta 
definição no sentido de caracterizá-lo como de direção, chefia e assessoramento. 
Cargo em comissão pode ser ocupado por qualquer pessoa. Há um limite mínimo 
(determinado pela lei de criação) de cargos em comissão dirigidos aos servidores 
de carreira. Função significa um conjunto de atribuições e responsabilidades. 
A função, por si só, não tem um posto no quadro Administração. Função de 
confiança é atribuída a quem tem cargo efetivo. O servidor recebe gratificação 
pelo exercício de função de confiança.
 
FUNÇÃO DE CONFIANÇA = DIREÇÃO + CHEFIA + 
ASSESSORAMENTO[RA135] 
 
A Constituição de 1988, trouxe uma nova possibilidade de contratação 
de servidor, o temporário. O Art. 37, inciso IX, traz uma no seu bojo uma norma 
constitucional de eficácia contida[RA136] , ao dizer que: “a lei estabelecerá 
os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade 
temporária de excepcional interesse público”. Assim, lei local pode tratar de 
Contratação temporária, em situação de anormalidade, para atender excepcional 
interesse público, com prazo determinado, como no exemplo contido no Art. 2º 
da Emenda constitucional nº 106, de 2020.[RA137] Estes servidores temporários 
nunca terão estabilidade funcional, apesar de existir projeto de lei com o intuito 
de estabilizá-los, o que por si já é uma aberração jurídica.
Importante saber que a própria lei que instituir a contratação temporário 
deverá expor o regime de contratação que será adotado, o estatutário ou o 
celetista. Sendo, assim, a competência para julgamento dos contratos temporários 
no caso de ser estatutário, será da justiça comum (estadual ou federal). ADI n° 
3395, STF – servidor estatutário é julgado pela justiça comum. Já os que seguem 
o regime celetista (empregados) são julgados pela Justiça do Trabalho. Mais 
recentemente, o STF[RA138] decidiu que o temporário está sujeito a um regime 
jurídico administrativo especial (lei específica) – a competência é da justiça 
comum.
Quanto ao investimento no cargo público por meio do Concurso Público, 
necessário ao aluno compreender que esta é uma regra. Importante a leitura da 
Direito, constituição, estado e sociedade 49
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Súmula Vinculante n° 43, STF: “É inconstitucional toda modalidade de provimento 
que propicie ao servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso público 
destinado ao seu provimento, em cargo que não integra a carreira na qual 
anteriormente investido”.
O candidato interessado no ingresso ao serviço público deve se compatibilizar 
com a natureza das atribuições do cargo. A Lei da carreira deverá disciplinar essas 
exigências.
O parâmetro constitucional de validade do concurso público será de 
até 02 anos (as constituições estaduais e leis orgânicas devem ser simétricas 
a isto). A prorrogação tem de estar prevista no edital, devendo ser por igual 
período inicialmente determinado. A prorrogação é uma decisão discricionária 
do administrador (juízo de conveniência e oportunidade – MÉRITO 
ADMINISTRATIVO). A decisão de prorrogação deve ser motivada. Só se pode 
prorrogar dentro do prazo de validade. Se já tiver ocorrida a decisão administrativa 
pela prorrogação (por ato administrativo – DECRETO), poderá ser revogada, 
desde que o prazo de prorrogação ainda não tenha sido iniciado, conforme 
entendimento do STF[RA139] .
Há uma situação bastante corriqueira e que macula os princípios da 
impessoalidade e do concurso público. É o caso das convocações e nomeações 
de candidatos aprovados nos concursos. A regra é que este candidato tenha 
mera expectativa de direito à nomeação. Todavia, isso transmudará para um 
direito subjetivo à nomeação quando: a) o aprovado for preterido na ordem de 
classificação (Súmula n° 15 do STF); b) a Administração realiza vínculos precários 
(temporários, “ad hoc”, servidores cedidos, desvio de função), mas dentro do 
prazo de validade do concurso e com candidatos aprovados (entendimentos do 
STF e STJ); e, c) o candidato se encontra aprovado dentro do número de vagas e 
durante o prazo de validade do concurso (ver o RMS 20.718, STJ). O STF no RE 
227.480 veio a adotar o mesmo posicionamento do STJ, ressalvadas as situações 
novas.
Um dos direitos mais democráticos na atual Constituição foi a garantia 
da Estabilidade dos servidores (art. 41, CR/88), o que caracterizou o início da 
superação ao Patrimonialismo[RA140] estrutural e ao nepotismo. Requisitos 
para a estabilidade: Nomeação para cargo efetivo (prévia aprovação em concurso 
público) e aprovação em estágio probatório, por meio de avaliação especial de 
desempenho por comissão instituída para essa finalidade, após de 3 anos de 
efetivo exercício.
A perda[RA141] do cargo público do servidor estável pode acontecer desde 
respeitando o devido processo administrativo, amparado na duração razoável, 
no contraditório e ampla defesa. Também existe a previsão de perda do cargo 
do servidor efetivo no Art. 169, §4º da CR/88, com direito a indenização, com o 
fim de cumprir a determinação contida na Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei 
Direito, constituição, estado e sociedade 50
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Complementar n° 101/00).
O ato de Nomeação é forma de provimento (originário). Significa atribuir um 
cargo a um servidor aprovado em concurso público. Candidato nomeado tem 
o prazo de 30 dias para tomar posse. Posse significa aceitação das obrigações 
inerentes ao cargo. A investidura se dá com a posse. Esta pode ser feita por 
meio de procuração com poderes específicos. Investidura significa formação da 
relação jurídica. Tomando posse o candidato tem 15 dias para entrar em exercício. 
Candidato nomeado que não toma posse: a nomeação fica sem efeito. Candidato 
empossado que não entra em exercício sofre exoneração.
No que tange ao Estágio Probatório, o texto original da CR/88 previa o lapso 
temporal de 02 anos de exercício para a adquirir a estabilidade. A Lei 8.112 que é 
de 1990, no seu Art. 20, prevê o tempo do estágio probatório de 24 meses. Com 
o advento da Reforma Administrativa (EC 19/98), o prazo para a estabilidade é 
aumentada para 03 anos de exercício.
A razão para essa celeuma deu-se aumentou devido a Medida Provisória nº 
431/2008, que estendeu o prazo do estágio para 36 (trinta e seis) meses, porém, 
quando do ato legislativo de sua conversão na Lei 11.784/2008, manteve-se o 
prazo anterior de 24 (vinte e quatro) meses.
Quanto ao assunto, em 2009, o STJ[RA142] no julgamento do MS 12523 
[RA143] passou a entender que a estabilidade e o estágio são institutos interligados 
e por isso o prazo do estágio é de 03 anos. A justiça federal entende que o prazo 
do estágio é de 36 meses. A AGU desde 2004, por meio do Acórdão 17/2004 
entende que o prazo é de 03 anos e o CNJ ao julgar o Pedido de Providências 822 
também se posicionou neste sentido.
O STF[RA144] já tem decisão da 2ª Turma reafirmando entendimento de que 
o prazo para estabilidade e estágio probatório é comum, de 3 anos.
Como já fora dito anteriormente, o servidor não aprovado no estágio 
probatório será exonerado ou, se estável, reconduzido ao cargo anteriormente 
ocupado.
Quanto ao sistema remuneratório, o servidor pode receber em parcela fixa 
(subsídio[RA145] ) ou variável. Todavia, é possível verbas além do subsídio, sendo 
aquelas garantias dos trabalhadores comuns contido no Art. 39, §3º, CR/88 e as 
de natureza indenizatória (Ex.: diária e ajuda de custo).
No serviço público há de ser seguido o teto constitucional remuneratório. 
No caso da União, tem-se como parâmetro o subsídio dos Ministros do STF. Nos 
Estados, para o Poder Executivo: subsídio do Governador; Poder Legislativo: 
deputado estadual; Poder Judiciário: desembargador. O teto do desembargador 
também será aplicado aos membros do MP, procuradores de Estado e defensores 
públicos. O teto do desembargador não pode ultrapassar 90,25% da remuneração 
dos Ministros do STF, conforme julgado na ADI 3854, STF. Nos Municípios segue o 
Direito, constituição, estado e sociedade 51
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subsídio do Prefeito, exceto na remuneração do Procurador do Município[RA146] 
, que será o subsídio do Desembargador do Tribunal de Justiça.
Seguindo o princípio da legalidade e impessoalidade, todos os direitos 
e obrigações dos servidores de qualquer ente da federação, deverá estar 
normatizado, tendo muitas categorias um plano próprio de carreira, como no 
caso dos profissionais do magistério.
 
Direito, constituição, estado e sociedade 52
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CONSIDERAÇÕES FINAIS 
No presente estudo, percorremos um caminho no qual procuramos descrever 
e avaliar as formas de Estado e sua relação com os diferentes contextos do Brasil, 
com ênfase no período republicano, quando a democracia se tornou perene a 
partir da Constituição de 1988.
Essa opção possibilitou acompanharmos as transformações no campo do 
Direito, principalmente no ambiente de modernização que caracterizou o país 
durante o advento da globalização. Este, por sua vez, trouxe grandes modificações 
na sociedade, levando a termos que fazer uma releitura dos clássicos que abordam 
a formação dos Estados.
Isso demonstra que, o educando deverá se atualizar constantemente sobre 
a formação do Estado, da Sociedade e do Direito, tendo em vista as constantes 
inovações proporcionadas direta ou indiretamente pelo sistema globalizado, seja 
na economia, na política, na cultura, no social, tudo na tentativa de enquadrá-los 
ao cenário atual vivido por cada povo.
Por fim, não custa lembrar que o constante aprendizado se dará pela 
curiosidade e vontade própria de cada um, que deverá buscar o conhecimento 
das mais diversas formas, sobressaindo-se numa sociedade cada vez mais global 
e sedenta de informações.
 
Direito, constituição, estado e sociedade 53
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Direito, constituição, estado e sociedade 57
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WEFFORT, Francisco. Os clássicos da política. Vol. 1, capítulos 3, 4, 5 e 6.
 [RA1]DG: Colocar como indicação de leitura complementar o Livro: LYRA 
FILHO, Roberto. O que é direito. 17 ed. São Paulo: Brasiliense, 1995.
 [RA2]DG: Colocar em caixa alta e, se possível, em dois tópicos.
 [RA3]DG: Importante criar um ícone para distingui-lo, nos seguintes termos: 
Jusnaturalismo – Direito que pautado na conduta humana e na essência das coisas, 
não depende de legislações ou convenções, sendo algo considerado pretérito à 
teoria.
 [RA4]DG: Colocar esta referência bibliográfica para leitura complementar 
– BOBBIO, Norberto. Jusnaturalismo e positivismo jurídico. São Paulo: UNESP, 
2016.
 [RA5]DG: Colocar esta referência bibliográfica para leitura complementar 
- REALE, Miguel. Lições preliminares de Direito. 27 ed. São Paulo: Saraiva, 2005, 
p. 62: “Direito - significa, por conseguinte, tanto o ordenamento jurídico, ou seja, 
o sistema de normas ou regras jurídicas que traça aos homens determinadas 
formas de comportamento, conferindo-lhes possibilidades de agir, como o tipo 
de ciência que o estuda, a Ciência do Direito ou Jurisprudência”.
 [RA6]DG: Indicar como leitura complementar o texto:
SOUZA, Juliana Vieira Bernat de. Trajetória histórica do constitucionalismo. 
Disponível em: https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-constitucional/
trajetoria-historica-do-constitucionalismo/. Acesso em 4 nov. 2020.
 [RA7]DG: As fontes do Direito podem ser distribuídas em quadros explicativos.
 [RA8]DG: Colocar como exemplo as Medidas Provisórias expedidas pelo 
Chefe do Executivo Federal. A depender da corrente jurídica adotada, pode 
ser considerada sua natureza jurídica como sendo lei. Para isso, ver: RAFFS, 
Nicole Barão. Natureza jurídica das Medidas Provisórias. Disponível em: https://
www.direitonet.com.br/artigos/exibir/760/Natureza-juridica-das-Medidas-
Provisorias. Acesso em 04 nov. 2020.
[RA9]DG: Pode colocar esta lembrança como se fosse uma nuvem: “O 
art. 376 do Código de Processo Civil determina que a parte que alegar direito 
consuetudinário deverá provar o teor e a vigência, se assim for determinado pelo 
juiz. Essa instabilidade cria obstáculo para que o costume prevaleça em nosso 
sistema”.
[RA10]DG: Colocar como leitura complementar o texto do site: https://www.
infoescola.com/direito/common-law/
[RA11]DG: Colocar o lembrete para quem tiver interesse em entender, pode 
acessar o site: http://gemaa.iesp.uerj.br/o-que-sao-acoes-afirmativas/
Direito, constituição, estado e sociedade 58
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 [RA12]DG: Orientação para os alunos. Indico a leitura do Capítulo 2 – As 
esferas públicas e privadas – Livro – ARENDT, Hannah. A Condição Humana. Rio 
de Janeiro: Forense Universitária, 1991.
 [RA13]DG: Neste aspecto, oriento o aluno a fazer a leitura do Livro “O Príncipe” 
de Maquiavel.
 [RA14] [RA14]“DG: colocar em caixa alta e se possível com o link de acesso 
à versão atualizada. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
constituicao/constituicao.htm”
[RA15]DG: Citação feita no Livro: LISZT, Franz von. Tratado de direito penal 
alemão. Brasília: Senado Federal, 2006. Pode ser baixado pelo site do Senado 
Federal: https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/496219. Acesso em 04 nov. 
2020.
[RA16]DG: Colocar, se possível, como lembrete de que, este termo foi dado 
por Clóvis Beviláqua, Teoria geral do direito civil, 4. ed., Ministério da Justiça: 
Serviço de Documentação, 1972, p. 63.
[RA17]DG: Colocar o lembrete de acesso a norma pelo site: http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del4657.htm
[RA18]DG: Colocar o lembrete de acesso a norma pelo site: http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp95.htm
[RA19]DG: Colocar a menção - Art. 59, Parágrafo único, CR/88: Lei 
complementar disporá sobre a elaboração, redação, alteração e consolidação das 
leis.
[RA20]DG: Colocar lembrete do significado de vacatio legis: Expressão 
latina que significa vacância da lei, correspondendo ao período entre a data 
da publicação de uma lei e o início de sua vigência. Existe para que haja prazo 
de assimilação do conteúdo de uma nova lei e, durante tal vacância, continua 
vigorando a lei antiga. A vacatio legis vem expressa em artigo no final da lei da 
seguinte forma: “esta lei entra em vigor após decorridos (o número de) dias de sua 
publicação oficial”. Fonte: Agência Senado.
 [RA21]DG: Colocar lembrete para o aluno fazer a leitura do Art. 62, §3° da 
CR/88.
 [RA22]DG: Colocar lembrete que este fenômeno se Repristinação ou Efeito 
Repristinatório. O fenômeno repristinatório existe no direito brasileiro, porém, 
não de forma automática, devendo vir expresso no texto da lei. Por exemplo: O 
art. 27 da Lei 9.868/98 estabelece a possibilidade de efeitos repristinatórios no 
controle concentrado de constitucionalidade. Isto, porque, a lei revogada será 
tratada como se nunca tivesse existido nem nunca tivesse produzido efeitos. 
Sendo assim, a lei revogada volta a surtir efeitos.
 [RA23]DG: Importante colocar o seguinte lembrete: Princípio da 
Direito, constituição, estado e sociedade 59
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Obrigatoriedade Relativa/Mitigada - a presunção de conhecimento da lei 
não é absoluta, uma vez que se existem situações excepcionais expressamente 
previstas em lei em que se admite a alegação de erro de direito.
 [RA24]DG: Colocar a seguinte ressalva como lembrete: A EQUIDADE não 
está prevista de forma expressa na LINDB, mas sim implicitamente, pois, decorre 
do mencionado princípio previsto no Art. 4º.
 [RA25]DG: Observação acrescentada pelo Professor.
 [RA26]DG: Lembrete – Esta proteção contém na CR/88: Art. 5º, inciso XXXVI.
 [RA27]DG: Colocar como exemplo as famílias que demandam judicialmente 
direitos de entes já falecidos, adquiridos quando em vida. Vários julgados 
sobre o assunto são de livre acesso no site: http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/
publicacaoPublicacaoTematica/anexo/constituicao.zip
 [RA28]DG: Colocar um lembrete como ressalva os casos de relativização da 
coisa julgada e Ação Rescisória (Arts. 966 e seguintes do CPC).
 [RA29]DG: Remeter o aluno à leitura do Art. 7º. Da LINDB.
[RA30]DG: Colocar o lembrete: Art. 23 do CPC/2015: Compete à autoridade 
judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra: I - conhecer de ações 
relativas a imóveis situados no Brasil;
[RA31]DG: Conferir Súmula n. 420, STF ► não se homologa sentença proferida 
no estrangeiro sem prova do trânsito em julgado.
[RA32]DG: Indicar aos alunos interessados na história, a leitura do texto no 
site - https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%A3o_presidencial_no_
Brasil_em_1985
[RA33]DG: Colocar o seguinte lembrete: Criteriosamente, a Emenda 
Constitucional n° 26 não pode ser considerada uma emenda. Isto porque a função 
de emenda constitucional não é a de abolir o fundamento jurídico a partir do qual 
ela foi editada.
[RA34]DG: Pode colocar a imagem da Constituição original que se 
encontra no Arquivo Nacional, site: https://commons.wikimedia.org/wiki/
File:Constitui%C3%A7%C3%A3o_1988_(Capa)_01.tiff
 [RA35]DG: Indicar aos alunos a leitura de toda a Constituição da República, 
desde o preâmbulo até o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, 
inclusive as Emendas Constitucionais. Pode acessá-lo no site: http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
[RA36]DG: Caso o aluno queira entender o ato, pode acessá-lo no site: http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/ait/ait-05-68.htm[RA37]DG: Indico a leitura dos julgados do STF - ADI 2.649, voto da rel. min. 
Cármen Lúcia, j. 8-5-2008, P, DJE de 17-10-2008 e ADI 2.076, rel. min. Carlos 
Direito, constituição, estado e sociedade 60
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Velloso, j. 15-8-2002, P, DJ de 8-8-2003.
 [RA38]DG: Podemos citar como exemplo o teor da Emenda Constitucional 
nº 89, de 15 de setembro de 2015. Ver no site: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
constituicao/Emendas/Emc/emc89.htm
[RA39]DG: Segundo o autor: SILVA, José Afonso da. Curso de Direito 
Constitucional Positivo. 43 ed. Salvador: Juspodivm, 2020.
 [RA40]DG: Pode ser mencionado como exemplos os Arts. 34 a 36, 60, 102, I, 
“a”, CR/88; etc
 [RA41]DG: Por exemplo temos o Art. 5º, §1º - direitos e garantias fundamentais 
terão aplicação imediata; o preâmbulo; e, maior parte das normas do ADCT.
 [RA42]DG: Colocar o lembrete de que no caso do Art. 34 do ADCT – houve 
recepção material de norma constitucional.
[RA43]DG: Indicar aos alunos o acesso ao inteiro teor do julgado no site: redir.
stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=266151
 [RA44]DG: Colocar a dica – “A Teoria da Separação dos Poderes conhecida, 
também, como Sistema de Freios e Contrapesos (checks and balances), foi 
consagrada pelo pensador francês Charles-Louis de Secondat, Baron de La 
Brède et de Montesquieu, na sua obra “O Espírito das leis”, com base nas obras 
de Aristóteles (Política) e de John Locke (Segundo Tratado do Governo Civil), 
no período da Revolução Francesa. Montesquieu permeando as ideias desses 
pensadores e, com isso, explica, amplia e sistematiza, com grande percuciência, a 
divisão dos poderes. Leiam texto: https://www.tjdft.jus.br/institucional/imprensa/
campanhas-e-produtos/artigos-discursos-e-entrevistas/artigos/2018/
consideracoes-sobre-a-teoria-dos-freios-e-contrapesos-checks-and-
balances-system-juiza-oriana-piske
[RA45]DG: Pode ser visto no link: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/
commons/1/19/Separation_of_Powers-pt.png
 [RA46]DG: Indicação de bibliografia – HORTA, Raul Machado. Direito 
Constitucional. 5 ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2010.
 [RA47]DG: Leitura obrigatória dos alunos. Art. 193, CR/88 - A ordem social 
tem como base o primado do trabalho, e como objetivo o bem-estar e a justiça 
sociais.
 [RA48]DG: Conhecido SUS. Remeto os alunos à leitura da Lei nº 8.080, de 
19 de setembro de 1990.
 [RA49]DG: Lembrar o exemplo da esfera federal. São regidos pela Lei nº 
8.112/90.
 [RA50]DG: Lembrar os exemplos: BCP – Benefício de Prestação Continuada 
e o Auxílio Emergencial.
Direito, constituição, estado e sociedade 61
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 [RA51]DG: Há doutrinadores que não admitem a diferenciação entre Direitos 
Fundamentais e Direitos Humanos, mas entendem que:
- Ambos visam a dignidade da pessoa humana.
- São direitos ligados a dois fatores: liberdade e igualdade.
- Os direitos Fundamentais têm gerações, porque eles foram sendo criados 
(contemplados nas Constituições) em tempos diferentes. Já os Direitos Humanos 
não possuem gerações.
 [RA52]DG: Fazer leitura - Art. 5º, §2º, CR/88: Os direitos e garantias expressos 
nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios 
por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do 
Brasil seja parte.[RA53]DG: Tratado de Direitos Humanos de extrema importância. 
Ver no site: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d0678.htm
[RA54]DG: Lembrar dos ideais da Revolução Francesa (1848) – ver texto 
disponível em: https://www.infoescola.com/historia/ideais-da-revolucao-
francesa/
 [RA55]DG: Neste em particular, Paulo Bonavides o interpreta como sendo 
uma 5ª. Dimensão dos Direitos Fundamentais. Ver: BONAVIDES, Paulo. A 
quinta geração de direitos fundamentais. Net, Minas Gerais, abr./jun. 2008. 
Seção Direitos Fundamentais. Disponível em: http://professor.pucgoias.edu.br/
SiteDocente/admin/arquivosUpload/4615/material/DIREITO%20%C3%80%20
PAZ-p%20.%20bonavides.pdf . Acesso em: 7 nov. 2020.
[RA56]DG: Lembrar aos alunos que este valor foi escolhido pelo doutrinador 
Marcelo Novelino. Livro: Curso de Direito Constitucional. 15 ed. Salvador. 
Juspodivm, 2020.
[RA57]DG: Fundamento da República (art. 1º, I, CR/88). É muito mais amplo 
que o pluralismo político. Ele engloba o religioso, cultural, artístico, ideológico, 
respeito recíproco às diferenças (Exemplo: Ver ADPF 132, STF – União estável de 
pessoas do mesmo sexo).
[RA58]DG: Indicação de leitura. SILVA, Virgílio Afonso da. Direitos 
fundamentais: Conteúdo essencial, restrições e eficácia. 2 ed. São Paulo: 
Malheiros, 2017.
 [RA59]DG: Lembrar aos alunos que existem críticas a eficácia horizontal 
direta, alegando-se a:
1) Perda da clareza conceitual do Direito Privado;
2) Ameaça a sobrevivência da autonomia privada;
3) Incompatibilidade com os princípios democráticos da separação dos 
poderes e da segurança jurídica.
 [RA60]DG: Ver - https://pt.wikipedia.org/wiki/Hans_Carl_Nipperdey
Direito, constituição, estado e sociedade 62
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 [RA61]DG: Colocar as normas em evidência:
Art. 57. A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, assim 
reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e de recurso, nos 
termos previstos no estatuto.
Art. 58. Nenhum associado poderá ser impedido de exercer direito ou função 
que lhe tenha sido legitimamente conferido, a não ser nos casos e pela forma 
previstos na lei ou no estatuto.
 [RA62]DG: Disponível em: https://jurisprudencia.stf.jus.br/pages/search/
sjur106108/false
 [RA63]DG: Fazer referência aos Arts. 5º ao 17, CR/88. Nestes se têm uma 
organização sistemática dos direitos e garantias fundamentais.
[RA64]DG: Colocar o texto legal para leitura: Art. 225, CR/88. Todos têm 
direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do 
povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à 
coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras 
gerações.
 [RA65]DG: Aspectos a serem seguidos:
A) Aspecto material: Seu conteúdo tem que tratar de direitos humanos;
B) Aspecto formal: aprovação por 3/5 em 2T de votação.
[RA66]DG: Colocar links de acesso: Decretos
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/CONGRESSO/DLG/DLG-186-2008.
htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Decreto/
D6949.htm
 [RA67]DG: Colocar links de acesso. Decretos –
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/CONGRESSO/DLG/DLG-261-2015.
htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Decreto/D9522.
htm
[RA68]DG: Colocar para leitura o Art. 47, CR/88 - Salvo disposição 
constitucional em contrário, as deliberações de cada Casa e de suas Comissões 
serão tomadas por maioria dos votos, presente a maioria absoluta de seus 
membros.
[RA69]DG: Colocar a jurisprudência do STF em destaque - redir.stf.jus.br/
paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=595444
 [RA70]DG: De início coloco como indicação de leitura os livros:
DALLARI, Dalmo de Abreu. Elementos da Teoria Geral do Estado. 33 ed. São 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/CONGRESSO/DLG/DLG-186-2008.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/CONGRESSO/DLG/DLG-186-2008.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Decreto/D6949.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Decreto/D6949.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/CONGRESSO/DLG/DLG-261-2015.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/CONGRESSO/DLG/DLG-261-2015.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Decreto/D9522.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Decreto/D9522.htm
Direito, constituição, estado e sociedade 63
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Paulo, Saraiva, 2015.
BONAVIDES, Paulo. Teoria Geral do Estado. 11 ed. São Paulo: Malheiros, 2018.
BONAVIDES, Paulo. Ciência Política. 26 ed. São Paulo: Malheiros, 2019.
[RA71]DG: Livro indicado para leitura, se possível na versão:O príncipe - Com 
comentários de Napoleão I e Cristina da Suécia (em Português).
[RA72]DG: Lembrar o Art. 1º, Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, 
que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos 
desta Constituição.
 [RA73]DG: Exemplos de ocorrências - Itália, França e Portugal.
[RA74]DG: Sobre este tema bastante importante, indico a leitura do livro: 
SARLET, Ingo Wolfgang; TIMM, Luciano Benetti. Direitos Fundamentais: 
Orçamento E “reserva Do Possível”. 2 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 
2013.
[RA75]DG: Indicar a leitura do livro: FERREIRA FILHO, Manoel Gonçalves. 
Direitos Humanos Fundamentais. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2000.
 [RA76]DG: Colocar como exemplo a obrigação solidária dos entes federados 
na área da saúde: “Neste espectro passa-se a examinar o direito à saúde. 
Inicialmente o direito à saúde possuía âmbito estritamente individualista, cabendo 
ao Estado tutelar apenas a vida do homem contra as adversidades cotidianas. Em 
um segundo momento deve o Estado expandir e socializar a saúde, oferecendo 
instrumentos que garantam uma vida mais saudável. A terceira dimensão rompe 
as fronteiras nacionais e obrigam os Estados a ajudarem-se mutuamente. Indo 
mais além, a quarta dimensão prima pela implementação de um Sistema Único 
de Saúde capaz de elevar a expectativa de vida. Esta mesma análise pode ser 
feita com todos os direitos fundamentais, visto que os mesmos devem ser vistos 
em uma seara multidimensional, desfazendo a ideia de que os direitos sociais 
são apenas normas programas destituídas de exigibilidade e condicionadas à 
vontade do legislador e do administrador público”. Ver: CAMPOS, Eugênia Maria 
de Holanda. Direitos sociais: normas programáticas? Revista Jus Navigandi, 
ISSN 1518-4862, Teresina, ano 18, n. 3726, 13 set. 2013. Disponível em: https://jus.
com.br/artigos/25285. Acesso em: 9 nov. 2020.
 [RA77]DG: Colocar em evidência para leitura do aluno o julgado do RE 
855178, STF, com Repercussão Geral reconhecida. O texto, aprovado por maioria 
dos votos, diz o seguinte: “Os entes da federação, em decorrência da competência 
comum, são solidariamente responsáveis nas demandas prestacionais na área da 
saúde e, diante dos critérios constitucionais de descentralização e hierarquização, 
compete à autoridade judicial direcionar o cumprimento conforme as regras de 
repartição de competências e determinar o ressarcimento a quem suportou o 
ônus financeiro”.
Direito, constituição, estado e sociedade 64
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 [RA78]DG: Isto é o que está dito no Art. 205, CR/88 - A educação, direito 
de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a 
colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu 
preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
 [RA79]DG: Instituto Nacional do Seguro Social – INSS.
 [RA80]DG: Significado de TICs – Tecnologias da Informação e Comunicação.
 [RA81]DG: MARTINS, Ives Gandra (coordenador); BASTOS, Celso Ribeiro; 
TÁCITO, Caio et al. O Estado do futuro. São Paulo: Pioneira, 1998, p. 78.
[RA82]DG: O Estado de bem-estar social, ou Estado-providência, ou 
Estado social, é um tipo de organização política, econômica e sociocultural que 
coloca o Estado como agente da promoção social e organizador da economia. 
Nesta orientação, o Estado é o agente regulamentador de toda a vida e saúde 
social, política e económica do país, em parceria com empresas privadas e 
sindicatos, em níveis diferentes de acordo com o país em questão. Cabe, ao 
Estado de bem-estar social, garantir serviços públicos e proteção à população, 
provendo dignidade aos naturais da nação. Ver em: SCHUMPETER, Joseph E. 
On the Concept of Social Value, in Quarterly Journal of Economics, volume 23, 
1908-9, p. 213-232.
[RA83]DG: Indico para leitura, o texto – MEDEIROS, Marcelo. A Trajetória do 
Welfare State no Brasil: Papel Redistributivo das Políticas Sociais dos Anos 1930 
aos Anos 1990. Disponível em: https://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/
PDFs/TDs/td_0852.pdf. Acesso em: 04 nov. 2020.
Também o texto: WINCKLER, Carlos Roberto; MOURA NETO, Bolivar 
Barragó. Welfare State à brasileira. Disponível em: https://revistas.fee.tche.br/
index.php/indicadores/article/download/527/763. Acesso em: 04 nov. 2020.
[RA84]DG: Oriento os alunos a assistirem os vídeos - A Globalização e o 
Estado – Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=SnTTsIozR3M.
Estados soberanos no mundo globalizado: Bloco 1/3 - https://www.
youtube.com/watch?v=l-v1lLTmQrQ / Bloco 2/3 - https://www.youtube.
com/watch?v=xYaMRtqVhJs. Bloco 3/3 - https://www.youtube.com/
watch?v=zwrRwCl8KOU
[RA85]DG: Indicar a leitura dos textos - BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. 
Globalização e Estado-Nação. Disponível em: https://bibliotecadigital.fgv.br/
dspace/bitstream/handle/10438/1976/TD160.pdf. Acesso em: 10 nov. 2020.
Também o texto: JESSOP, Bob. A globalização e o Estado Nacional. 
Disponível em: https://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/arquivos_biblioteca/
artigo39Artigo1.pdf. Acesso em: 10 nov. 2020.
[RA86]DG: Para aguçar o interesse do aluno, oriento para a leitura do texto 
– Alves, A. M., Salviano, C. F., Prestes, J. A. de L., Loural, C. de A., & Holanda, G. 
https://www.youtube.com/watch?v=SnTTsIozR3M
Direito, constituição, estado e sociedade 65
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M. de. (2020). Avaliação de Políticas Públicas de TIC no Brasil: uma abordagem 
supradisciplinar. Perspectivas Em Políticas Públicas, 10(1). Disponível em: https://
revista.uemg.br/index.php/revistappp/article/view/1798. Acesso em 10 nov. 
2020.
 [RA87]DG: Ressaltar os exemplos: a robótica, a microeletrônica e os satélites.
[RA88]DG: Lembrar o exemplo brasileiro atual, advindo da LEI Nº 13.874, 
DE 20 DE SETEMBRO DE 2019. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/_ato2019-2022/2019/lei/L13874.htm
[RA89]DG: A crise do petróleo aconteceu em quatro choques, todas depois 
da Segunda Guerra Mundial provocada pelo embargo dos países membros da 
OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e Golfo Pérsico de 
distribuição de petróleo para os Estados Unidos e países da Europa. Aos alunos 
interessados, oriento a leitura do texto disponível no site: https://pt.wikipedia.org/
wiki/Crises_do_petr%C3%B3leo
[RA90]DG: No Brasil foi desenvolvida a campanha “O petróleo é nosso!”, 
durante o Governo de Getúlio Vargas, gerando um grande debate após a 
promulgação da CR/1946. Indico a leitura do texto no site: https://pt.wikipedia.
org/wiki/O_petr%C3%B3leo_%C3%A9_nosso
[RA91]DG: Importante leitura do pensamento filosófico - “Tendo Deus feito 
do homem uma criatura tal que, segundo seu julgamento, não era bom para ele 
ficar sozinho, submeteu-o a fortes obrigações de necessidade, comodidade e 
inclinação para levá-lo a viver em sociedade, assim como o dotou de entendimento 
e linguagem para mantê-la e desfrutá-la”. LOCKE, John. Segundo Tradado sobre 
o Governo Civil e Outros Escritos. 3 ed. Petrópolis: Vozes, 2001, p. 129.
 [RA92]DG: Importante leitura do pensamento doutrinário feito por - 
DALLARI, Dalmo de Abreu. Elementos de teoria geral do estado. 26. ed. São 
Paulo: Saraiva, 2007, p. 20.
 [RA93]DG: Indicar - BONAVIDES, Paulo. A quinta geração de direitos 
fundamentais. Net, Minas Gerais, abr./jun. 2008. Seção Direitos Fundamentais. 
Disponível em: < http://professor.pucgoias.edu.br/SiteDocente/admin/
arquivosUpload/4615/material/DIREITO%20%C3%80%20PAZ-p%20.%20
bonavides.pdf >. Acesso em: 7 nov. 2020.
 [RA94]DG: Orienta-se aos alunos a leitura do conceito de animal político em 
Aristóteles. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/o-conceito-
animal-politico-aristoteles.htm
 [RA95]DG: Indicar a leitura do texto: https://en.wikipedia.org/wiki/
Organicism
 [RA96]DG: Ressaltar aos alunos os dizeres: “A sociedade que se formou da 
reunião de várias aldeias constitui a Cidade, que tem a faculdade de se bastar 
Direito, constituição, estado e sociedade66
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a si mesma, sendo organizada não apenas para conservar a existência, mas 
também para buscar o bem-estar. Esta sociedade, portanto, também está 
nos desígnios da natureza (...) É, portanto, evidente que toda Cidade está 
na natureza e que o homem é naturalmente feito para a sociedade política” 
(Aristóteles – 384 a.C. - 322 a.C.)
[RA97]DG: Indicar para leitura dos alunos o texto – FRIEDE, Reis. O Estado 
como realidade político-jurídico. Disponível em: https://www.editorajc.com.br/o-
estado-como-realidade-politico-juridico/
 [RA98]DG: Destrinchando para o aluno, ler texto no site: https://pt.wikipedia.
org/wiki/Mecanicismo_(filosofia)
 [RA99]DG: Colocar o trecho para leitura - “Porque as leis da natureza (como 
a justiça, a equidade, a modéstia, a piedade, ou, em resumo, fazer aos outros o 
que queremos que nos façam) por si mesmas, na ausência do temor de algum 
poder capaz de levá-las a ser respeitadas, são contrárias a nossas paixões 
naturais, as quais nos fazem tender para a parcialidade, o orgulho, a vingança 
e coisas semelhantes. E os pactos sem a espada não passam de palavras (...) 
A multidão assim unida numa só pessoa se chama Estado, em latim civitas. É 
esta a geração daquele grande Leviatã, ou melhor (para falar em termos mais 
reverentes), daquele Deus Mortal, ao qual devemos, abaixo do Deus Imortal, 
nossa paz e defesa. Pois graças a esta autoridade que lhe é dada por cada 
indivíduo no Estado, é-lhe conferido o uso de tamanho poder e força que o 
terror assim inspirado o torna capaz de conformar as vontades de todos eles, 
no sentido da paz em seu próprio país, e da ajuda mútua contra os inimigos 
estrangeiros” (Hobbes)
 [RA100]DG: Colocar em evidência o trecho - “O poder político é o que 
cada homem possuía no estado de natureza e cedeu às mãos da sociedade 
e dessa maneira aos governantes, que a sociedade instalou sobre si mesma, 
com o encargo expresso ou tácito de que seja empregado para o bem e para a 
preservação de sua propriedade (...) Esse poder tem origem somente no pacto, 
acordo e assentimento mútuo dos que compõem a comunidade (...) Digo que 
empregar a força sobre o povo, sem autoridade e contrariamente ao encargo 
contratado, a quem assim procede, constitui estado de guerra com o povo, que 
tem o direito de restabelecer o poder legislativo ao exercício de seus poderes” 
(Locke).
 [RA101]DG: Colocar para leitura - “O homem, no estado natural (...) pensaria 
na conservação do seu ser (...) Semelhante não sentiria a princípio senão a 
sua fraqueza; sua timidez seria extrema (...) Nesse estado, cada qual sente-se 
inferior; mal percebe a igualdade. Nem procurariam pois atacar-se, e a paz seria 
a primeira lei natural (...) Mas as demonstrações de um temor recíproco fá-los-
iam logo aproximar-se. Seriam levados talvez pelo prazer que sente um animal 
à aproximação de outro da sua espécie (...) Os homens, tão logo se acham em 
Direito, constituição, estado e sociedade 67
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sociedade, perdem o sentimento de fraqueza; a igualdade, que existia entre 
eles, cessa; e o estado de guerra começa (...) Esses dois tipos de estado de guerra 
[de nação contra nação e indivíduo contra indivíduo] fazem estabelecer as leis 
entre os homens (...) O governo mais conforme à natureza, deve admitir-se, é 
aquele cuja disposição particular melhor corresponde à disposição do povo 
para o qual é estabelecido” (Montesquieu)
 [RA102]DG: Trecho para leitura - “O primeiro que, tendo cercado um terreno, 
lembrou-se de dizer: ‘Isto é meu’, e encontrou pessoas bastante simples para 
crê-lo, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos crimes, guerras, 
mortes, quantas misérias e horrores não teria poupado ao gênero humano 
aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o fosso, tivesse gritado aos 
seus semelhantes: ‘guardai-vos de escutar este impostor; estais perdidos se 
esquecerdes que os frutos são para todos, e que a terra é de ninguém!’” (...) 
“Encontrar uma forma de associação que defenda e proteja, com a toda a força 
comum, a pessoa e os bens de cada associado, e pela qual cada um, unindo-
se a todos, só obedece, contudo, a si mesmo, permanecendo assim tão livre 
quanto antes. É esse o problema fundamental ao qual o Contrato Social dá a 
solução” (Rousseau)
 [RA103]DG: Ver no site - https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81gora
 [RA104]DG: Colocar como leitura essencial: Dalmo Dallari, Elementos de 
Teoria Geral do Estado, Capítulo I, itens 11 a 13.
 [RA105]DG: Lembrar aos alunos que - As leis naturais (mundo físico, 
do “ser”) são regidas pelo princípio da causalidade: se “A” é (condição) – “B” é 
(conseqüência que sempre se realiza, caso contrário a lei perde a validade). As leis 
sociais (mundo ético, do “dever-ser”) são regidas pelo princípio da imputação: 
se “A” é (condição) – “B” deve ser (conseqüência que deve se realizar, mas que, se 
não ocorrer, não invalida a norma).
 [RA106]DG: Lembrar da frase de Georges Burdeau - “Se procurarmos o que é 
permanente no poder enquanto passam as figuras que exercem seus atributos, 
vemos que ele não é tanto uma força exterior que viria pôr-se a serviço de uma 
ideia quanto a própria força dessa ideia”.
 [RA107]DG: Para leitura rápida indico o texto - https://pt.wikipedia.org/wiki/
Culturalismo
 [RA108]DG: Oriento os alunos para compreenderem melhor esta separação 
de esferas, assistindo aos vídeos:
*Vídeo 1 – Público X Privado. Disponível em: https://www.youtube.com/
watch?v=KxoPapiSzp0
*Vídeo 2 e 3 - A relação entre o público e o privado e o sentido da política 
em Hannah Arendt (Parte 1) – Disponível em: https://www.youtube.com/
watch?v=KY88eA5yCT0 / (Parte 2) – Disponível em: https://www.youtube.com/
Direito, constituição, estado e sociedade 68
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watch?v=8PjFZWZkbxs
[RA109]DG: Para compreensão rápida, indico a leitura do texto - https://
pt.wikipedia.org/wiki/Escola_keynesiana
[RA110]DG: Sobre o assunto, oriento a leitura fascinante do livro – BONAVIDES, 
Paulo. Do Estado Liberal ao Estado Social. 11 ed. São Paulo: Malheiros, 2013.
[RA111]DG: Por curiosidade, remeto os alunos para a leitura do texto - https://
www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/Aplicacao-do-
capitalismo-humanista-inspira-indicacao-do-ministro-Moura-Ribeiro-ao-
Nobel-da-Paz.aspx
 [RA112]DG: Remeter os alunos à leitura das leis - Lei de Diretrizes e Bases 
da Educação Nacional, disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/
l9394.htm
Lei Brasileira de Inclusão, disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm
[RA113]DG: Oriento aos alunos que leiam textos sobre o assunto. Trago 
este para leitura complementar: PIOVESAN, Flávia. Ações afirmativas no Brasil: 
desafios e perspectivas. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/ref/v16n3/10.
pdf
[RA114]DG: Ver - Lei nº 13.874, de 2019. Disponível em: http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm
 [RA115]DG: Ver no site do STF
Processo relacionado: ADC 43 - http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.
asp?incidente=4986065
Processo relacionado: ADC 44 - http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.
asp?incidente=4986729
Processo relacionado: ADC 54 - http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.
asp?incidente=5440576
 [RA116]DG: Ver o julgado no link: redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.
jsp?docTP=TP&docID=6393143
 [RA117]DG: Ver o julgado no link: redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.
jsp?docTP=TP&docID=3707334
 [RA118]DG: Esta regra é o Art. 283 do Código de Processo Penal (CPP), 
segundo o qual “ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem 
escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de 
sentença condenatória transitada em julgado ou, no curso da investigação ou do 
processo, em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva”. O Plenário do 
STF entendeu que está de acordo com o princípio da presunção de inocência,garantia prevista no artigo 5º, inciso LVII da CR/88.
Direito, constituição, estado e sociedade 69
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 [RA119]DG: Sobre a ponderação de direitos fundamentais, indica a leitura 
dos livros: ALEXY, Robert. Teoria dos Direitos Fundamentais. 2 ed. São Paulo: 
Malheiros, 2012.
Também o livro: ÁVILA, Humberto Bergmann. Teoria dos Princípios: da 
definição à aplicação dos princípios jurídicos. 19 ed. São Paulo: Malheiros, 2019.
 [RA120]DG: Esta intervenção estatal adveio do Poder Legislativo ao alterar o 
Estatuto da Criança e do Adolescente e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional, para estabelecer o direito destes indivíduos de serem educados e 
cuidados sem o uso de castigos físicos ou de tratamento cruel ou degradante. 
Ver: Lei nº 13.010, de 26 de junho de 2014.
 [RA121]DG: Lembro aqui o caso recente de aborto legal ou permitido. Caso 
da Menina de Recife. Ver notícia no site: https://g1.globo.com/pe/pernambuco/
noticia/2020/08/18/ela-voltou-a-sorrir-diz-diretor-de-hospital-onde-menina-
vitima-de-estupro-teve-gravidez-interrompida.ghtml
 [RA122]DG: Sobre o assunto, oriento os alunos para a leitura do artigo 
- A legislação sobre o aborto e seu impacto na saúde da mulher. Disponível 
no site: https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/131831/
legisla%C3%A7%C3%A3o_aborto_impacto.pdf?sequence=6
 [RA123]DG: As garantias aos direitos fundamentais (os remédios 
constitucionais) são os meios colocados à disposição dos cidadãos. Visam sanar, 
corrigir ou evitar ilegalidade e abuso de poder que venham a causar lesão ou 
inobservância de direitos individuais.
 [RA124]DG: Trazemos como indicação de doutrina os seguintes:
SANTOS, José Manuel Melo dos. Manual de direito do servidor público. 
Salvador: Juspodivm, 2020.
COUTINHO, Alessandro Dantas et al. Uso Profissional - Agentes Públicos. 
Salvador: Juspodivm, 2019.
[RA125]DG: Temos como exemplo, a LEI N° 5.810, DE 24 DE JANEIRO DE 
1994, que dispõe sobre o Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos Civis 
da Administração Direta, das Autarquias e das Fundações Públicas do Estado do 
Pará.
[RA126]DG: Importante colocar o lembrete de que estes agentes políticos 
seguem o regime estatutário.
[RA127]DG: Importante frisar para o aluno que: “Só existe servidor público em 
pessoa jurídica de direito público. Só existe cargo público previsto em lei, estatuto, 
de pessoa jurídico de direito público. Agente público é todo aquele que exerce 
função pública. Concluindo: nem todo agente público é servidor público”.
[RA128]DG: Orienta-se o aluno para a leitura do julgado do STF, na ADI 2135). 
Em decisão cautelar foi reconhecida a inconstitucionalidade formal da EC 19 
Direito, constituição, estado e sociedade 70
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nesse atinente. A cautelar tem efeitos “ex nunc”, ou seja, não é possível misturar 
os regimes (celetista e estatutário) da decisão para frente.
[RA129]DG: Consolidação das Leis do Trabalho - Decreto-lei nº 5.452, de 1º 
de maio de 1943. Acessível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/
del5452.htm
[RA130]DG: Lembrando aos alunos que o concurso público federal foi 
normatizado recentemente pelo Decreto nº 9.739, de 28 de março de 2019. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/
Decreto/D9739.htm
 [RA131]DG: Para o aluno compreender estes institutos - Empresa pública 
é Pessoa Jurídica de Direito Privado, constituída por capital exclusivamente 
público, aliás, sua denominação decorre justamente da origem de seu capital, 
isto é, público, e poderá ser constituída em qualquer uma das modalidades 
empresariais – Ex.: LTDA, S.A. etc..
Sociedade de Economia Mista é Pessoa Jurídica de Direito Privado, 
constituída por capital público e privado, por isso ser denominada como mista. A 
parte do capital público deve ser maior, pois a maioria das ações devem estar sob 
o controle do Poder Público. Somente poderá ser constituída na forma de S/A.
[RA132]DG: Aos alunos interessados, podem baixar o livro de Súmulas, OJ 
e julgados do TST. Site: http://www.tst.jus.br/web/guest/livro-de-sumulas-ojs-e-
pns
 [RA133]DG: Importante julgado do STF precisa ser trazido aos alunos. 
Ementa: Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). Demissão imotivada 
de seus empregados. Impossibilidade. Necessidade de motivação da dispensa. 
(...) Os empregados públicos não fazem jus à estabilidade prevista no art. 41 da CF, 
salvo aqueles admitidos em período anterior ao advento da EC 19/1998. (...) Em 
atenção, no entanto, aos princípios da impessoalidade e isonomia, que regem a 
admissão por concurso público, a dispensa do empregado de empresas públicas e 
sociedades de economia mista que prestam serviços públicos deve ser motivada, 
assegurando-se, assim, que tais princípios, observados no momento daquela 
admissão, sejam também respeitados por ocasião da dispensa. A motivação do 
ato de dispensa, assim, visa a resguardar o empregado de uma possível quebra do 
postulado da impessoalidade por parte do agente estatal investido do poder de 
demitir. Recurso extraordinário parcialmente provido para afastar a aplicação, ao 
caso, do art. 41 da CF, exigindo-se, entretanto, a motivação para legitimar a rescisão 
unilateral do contrato de trabalho. [RE 589.998, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 
20-3-2013, P, DJE de 12-9-2013, Tema 131].
[RA134]DG: Para interesse do aluno sobre o termo, oriento acesso ao site: 
https://direitoadm.com.br/35-ad-nutum/
 [RA135]DG: Lembrete - Não existe vedação para um servidor em estágio 
Direito, constituição, estado e sociedade 71
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probatório exercer quaisquer cargos de provimento em comissão ou funções de 
direção, chefia ou assessoramento no órgão ou entidade de lotação.
[RA136]DG: Lembrete aos alunos - As normas constitucionais de eficácia 
contida seriam aquelas que o constituinte regulou os interesses relativos a 
determinado assunto, mas possibilitou que a competência discricionária do poder 
público restringisse o assunto.
[RA137]DG: Orientação para acesso pelo site - http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc106.htm
 [RA138]DG: Ver o julgado - Servidores públicos. Regime temporário. Justiça 
do Trabalho. Incompetência. No julgamento da ADI 3.395 MC/DF, este Supremo 
Tribunal suspendeu toda e qualquer interpretação do inciso I do art. 114 da CF (na 
redação da EC 45/2004) que inserisse, na competência da Justiça do Trabalho, 
a apreciação de causas instauradas entre o poder público e seus servidores, 
a ele vinculados por típica relação de ordem estatutária ou de caráter jurídico-
administrativo. As contratações temporárias para suprir os serviços públicos estão 
no âmbito de relação jurídico-administrativa, sendo competente para dirimir os 
conflitos a Justiça comum e não a Justiça especializada. [Rcl 4.872, rel. p/ o ac. 
min. Menezes Direito, j. 21-8-2008, P, DJE de 7-11-2008 e Rcl 7.126 AgR, rel. min. 
Joaquim Barbosa, j. 20-6-2012, P, DJE de 1º-8-2012].
 [RA139]DG: Ementa - CONCURSO PÚBLICO. PRAZO DE 
VALIDADE. PRORROGAÇÃO APÓS O TÉRMINO DO PRIMEIRO BIÊNIO. 
IMPOSSIBILIDADE. ART. 37, III DA CF/88. 1. Ato do Poder Público que, após 
ultrapassado o primeiro biênio de validade de concurso público, institui novo 
período de dois anos de eficácia do certame ofende o art. 37, III da CF/88. 2. 
Nulidade das nomeações realizadas com fundamento em tal ato, que pode 
ser declarada pela Administração sem a necessidade de prévio processo 
administrativo, em homenagem à Súmula STF nº 473. 3. Precedentes. 4.Recurso 
extraordinário conhecido e provido. (RE 352258, Relator(a): ELLEN GRACIE, 
Segunda Turma, julgado em 27/04/2004, DJ 14-05-2004 PP-00057 EMENT 
VOL-02151-02 PP-00287)
 [RA140]DG: O patrimonialismo é um conceito desenvolvido por Max Weber 
que se refere à característica de um Estado sem distinções entre os limites do 
público e os limites do privado. Foi comum em praticamente todos os absolutismos.
 [RA141]DG:Art. 41, §1º, CR/88: O servidor público estável só perderá o cargo:
I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado;
II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla 
defesa;
III - mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na 
forma de lei complementar, assegurada ampla defesa.
Direito, constituição, estado e sociedade 72
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[RA142]DG: Orienta-se a leitura da notícia do STJ - https://stj.jusbrasil.com.
br/noticias/1021623/estagio-probatorio-dos-servidores-publicos-agora-e-de-
tres-anos
[RA143]DG: Coloco em destaque a informação de que, recentemente o STJ 
no REsp 1120/190 SC confirmou seu entendimento no sentido de que conquanto 
estabilidade e estágio probatório sejam institutos distintos prazo para esse último, 
após a entrada em vigor da Emenda Constitucional n.º 19/98, também é de 03 
(três) anos.
 [RA144]DG: Trazer a notícia - http://www.stf.jus.br/portal/cms/
verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=181381
 [RA145]DG: Exemplos - Chefes do Poder Executivo, Membros do Poder 
Legislativo, Magistratura, MP, AGU, Ministros e Conselheiros dos Tribunais de 
Contas, Policiais.
[RA146]DG: Ver a notícia - http://www.stf.jus.br/portal/cms/
verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=404724&caixaBusca=N
Direito, constituição, estado e sociedade 73
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Desenho Instrucional: Veronica Ribeiro
Supervisão Pedagógica: Laryssa Campos
Revisão pedagógica: Camila Martins / Cássio Lima
Design editorial/gráfico: Darlan Conrado
2021
	Sumário
	Introdução
	 INTRODUÇÃO
	 1. NOÇÕES INTRODUTÓRIAS E BÁSICAS DO DIREITO
	1.1 Fontes do Direito
	1.2 Classificação
	1.3 Ramos do Direito
	2 O ESTUDO DA LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO (LINDB)
	3. A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA DE 1988: ESTRUTURA E FUNÇÃO DOS PODERES DO ESTADO E A ORGANIZAÇÃO DA ORDEM ECONÔMICA E SOCIAL
	3.1 Estrutura das Constituições
	3.2 Elementos da Constituição
	3.3 Impacto da entrada em vigor de uma nova Constituição
	3.4 Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário
	3.5 Ordem Econômica e Social
	4. OS DIREITOS FUNDAMENTAIS NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO
	4.1 Aspectos Introdutórios
	4.2 Classificação dos direitos fundamentais
	4.3 Gerações ou dimensões dos direitos fundamentais
	4.4 Eficácia dos direitos fundamentais
	4.5 Existência de outros Direitos Fundamentais
	4.6 Direitos Humanos com status de Emenda Constitucional
	5. ORIGEM, NATUREZA E FUNÇÃO SOCIAL DO ESTADO
	5.1 Formas de Estado
	5.2 Função Social do Estado
	6. A GLOBALIZAÇÃO E O ESTADO [RA84] NACIONAL
	7 CONCEITO, ORIGEM E ELEMENTOS CARACTERÍSTICOS DA SOCIEDADE
	7.1 Conceito de Sociedade
	7.2 Origem da Sociedade
	7.3 Elementos característicos da Sociedade
	8. RELAÇÃO ESTADO VERSUS INICIATIVA PRIVADA
	9 DIREITOS E OBRIGAÇÕES DO AGENTE PÚBLICO - SERVIDOR PÚBLICO
	CONSIDERAÇÕES FINAIS 
	REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
	Sumário 51: 
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