Prévia do material em texto
DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO PRINCÍPIOS, FONTES, INTERPRETAÇÃO, INTEGRAÇÃO, AUTONOMIA E EFICÁCIA Livro Eletrônico 2 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos Sumário Apresentação .....................................................................................................................................................................3 Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia ...............................................5 1. O que É Direito Processual do Trabalho? ......................................................................................................5 2. Autonomia do Direito Processual do Trabalho .........................................................................................5 3. Fontes do Direito Processual do Trabalho ..................................................................................................6 4. Interpretação.................................................................................................................................................................9 4.1. Métodos de Interpretação ..................................................................................................................................9 4.2. Efeitos da Interpretação ...................................................................................................................................13 5. Integração .....................................................................................................................................................................14 6. Eficácia ............................................................................................................................................................................16 6.1. Eficácia da Lei Processual Trabalhista no Tempo (Direito Processual Intertemporal) 16 6.2. Eficácia da Lei Processual Trabalhista no Espaço ...........................................................................18 7. Princípios Aplicáveis ao Direito Processual do Trabalho ................................................................19 7.1. Princípios Comuns ao Processo Civil e ao Processo do Trabalho ...........................................20 7.2. Princípios Específicos do Processo do Trabalho .............................................................................. 28 Resumo ...............................................................................................................................................................................37 Exercícios ...........................................................................................................................................................................39 Gabarito ..............................................................................................................................................................................53 Gabarito Comentado ...................................................................................................................................................54 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 3 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos ApresentAção Olá, querido(a) aluno(a) do Gran Cursos Online! Espero encontrá-lo muito bem! Neste cur- so, apresento-lhe várias aulas autossuficientes de direito processual do trabalho, com o objeti- vo de lhe disponibilizar, de forma prática e completa, o substrato de conteúdo necessário para ter o melhor desempenho possível na prova. Esta aula, assim como as demais aulas em PDF, foi elaborada de modo que você possa tê-la como fonte autossuficiente de estudo, isto é, como um material de estudo completo e capaz de possibilitar um aprendizado tão integral quanto outros meios de estudo. A preferência por aulas em PDF e/ou vídeos pertence a cada aluno, que, individualmente, avalia suas facilidades e necessidades, a fim de encontrar seus meios de estudo ideais. Dessa forma, o aluno pode optar pelo estudo com aulas em PDF e vídeos, ou somente com um ou outro meio. Aqueles que preferem estudar somente com materiais em PDF terão o privilégio de contar com as aulas em PDF autossuficientes do nosso curso, a exemplo desta aula. De qualquer forma, nada impede que as aulas em PDF sejam utilizadas como fonte de estudos de forma aliada com as aulas em vídeo do Gran Cursos Online. Tudo depende, unicamente, da preferên- cia de cada aluno. Nesta aula, estudaremos especialmente os seguintes tópicos de Direito Processual do Trabalho: • Princípios; • Fontes; • Autonomia; • Interpretação, Integração e Eficácia do Direito Processual do Trabalho. A aula é acompanhada de exercícios selecionados e reunidos de modo a abranger todos os pontos importantes da aula, a fim de que seu conhecimento seja ainda mais solidificado. O nú- mero de exercícios é determinado de acordo com dois parâmetros: complexidade do conteúdo e número de questões de concursos existentes. Por resultado, o número de exercícios dispo- nibilizados é determinado de modo que seu conhecimento sobre os temas seja efetivamente testado e fixado, mas sem que haja uma repetição obsoleta. Nosso curso possibilita a avaliação de cada aula em PDF de forma fácil e rápida. Consi- dero o resultado das avaliações extremamente importante para a continuidade da produção e edição de aulas, como fonte fidedigna e transparente de informações quanto à qualidade do material. Peço-lhe que fique à vontade para avaliar as aulas do curso, demonstrando seu grau de satisfação relativamente aos materiais. Seu feedback é importantíssimo para nós. Caso você tenha ficado com dúvidas sobre pontos deste material, ou tenha constatado algum problema, O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 4 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos por favor, entre em contato comigo pelo Fórum de Dúvidas antes de realizar sua avaliação. Procuro sempre fazer todo o possível para sanar eventuais dúvidas ou corrigir quaisquer pro- blemas nas aulas. Cordialmente, torço para que a presente aula que seja de profunda valia para você e sua prova, uma vez que foi elaborada com muita atenção, zelo e consideração ao seu esforço, que, para nós, é sagrado. Caso fique com alguma dúvida após a leitura da aula, por favor, envie-a a mim por meio do Fórum de Dúvidas, e eu, pessoalmente, a responderei o mais rápido possível. Será um grande prazer verificar sua dúvida com atenção, zelo e profundidade, e com o grande respeito que você merece. Bons estudos! Seja imparável! O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 5 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos PRINCÍPIOS, FONTES, INTERPRETAÇÃO, INTEGRAÇÃO, AUTONOMIA E EFICÁCIA 1. o que É Direito processuAlque o conceito de boa-fé não é dos mais concretos. Afinal, de que formas o princípio da boa-fé poderia ser objeti- vamente tido como violado? Caro(a) aluno(a), as hipóteses de litigância de má-fé (violação direta e objetiva ao princípio da boa-fé) são expressas no art. 793-B da CLT: Art. 793-B. Considera-se litigante de má-fé aquele que: I – deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato incontroverso; II – alterar a verdade dos fatos; III – usar do processo para conseguir objetivo ilegal; IV – opuser resistência injustificada ao andamento do processo; V – proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato do processo; VI – provocar incidente manifestamente infundado; VII – interpuser recurso com intuito manifestamente protelatório. Perceba que as condutas enumeradas acima representam, claramente, riscos ou prejuízos aos direitos de outras pessoas, seja de forma direta (como a alteração da verdade dos fatos), seja de forma indireta (como o retardamento indevido do andamento do processo). Ademais, o CPC exalta o papel interpretativo do princípio da boa-fé. Os arts. 322, § 2º, e 489, § 3º, colocam, respectivamente, que os pedidos e as decisões devem ser interpretados de forma contextual e sistemática, à luz do princípio da boa-fé. Isso existe para que segmentos isolados das peças ou das decisões judiciais não deem munição para que atos não pretendi- dos e/ou desnecessários sejam praticados no processo. Confira o que dispõem os parágrafos supramencionados: Art. 322, § 2º. A interpretação do pedido considerará o conjunto da postulação e observará o prin- cípio da boa-fé. Art. 489, § 3º. A decisão judicial deve ser interpretada a partir da conjugação de todos os seus ele- mentos e em conformidade com o princípio da boa-fé. É claro que, na doutrina processual brasileira, você encontrará vários outros princípios, com diversos nomes. Entretanto, estes aqui tratados são os mais relevantes em se tratando de co- O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 28 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos brança em prova, por serem os mais repetidos, de forma ampla e destacada. Posso garantir a você que os princípios acima elencados abrangem a quase totalidade das questões de concur- sos que versam diretamente sobre princípios processuais civis. Existem princípios muito específicos de partes do direito processual civil, como no direi- to probatório (relativo às provas) – caso do princípio da comunhão da prova – e no tema pertinente às audiências – caso do princípio da concentração. Em razão da particularidade desses princípios e da necessária correlação deles com certos temas (provas e audiências, por exemplo), eles serão tratados juntamente com seus conteúdos basilares, isto é, nas aulas específicas. 7.2. princípios especíFicos Do processo Do trAbAlho Nem todos os princípios a seguir são, nominalmente, exclusivos do processo do trabalho. Todavia, podemos dizer que eles são específicos do processo do trabalho por carregarem um significado diferente daquele que levam em outros ramos do direito processual. PRINCÍPIO DA ORALIDADE: consiste na valorização do diálogo e do contato presencial entre as partes para determinar-se a consequência dos atos processuais, inclusive exigindo-se que alguns atos processuais sejam tecnicamente praticados de forma oral, como as razões finais e a defesa em audiência, por exemplo. A rigor, o Princípio da Oralidade existe, também, em outros ramos do direito processual, como nos Juizados Especiais. Todavia, no processo do trabalho, a oralidade ganha significado especial por ser parte integrante de quase todo o processo, inclusive no momento da coleta das provas, que, na Justiça do Trabalho, são predominantemente testemunhais, em razão da natureza das relações contratuais de emprego. O princípio da oralidade é muitas vezes mitigado no dia a dia, quando o magistrado defere o oferecimento de razões finais por escrito, e, principalmente, em razão de ter se tornado cos- tumeira a cisão da audiência trabalhista em três: Audiência Inicial, Audiência de Instrução e Audiência de Julgamento/Encerramento. PRINCÍPIO DA CONCENTRAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS: Pela letra da CLT, todos os atos processuais diretamente ligados ao mérito deveriam ser praticados numa só audiência (audi- ência una), concentrados nesse momento. Este princípio sofreu drástica mitigação em decorrência do costume de fracionarem-se as audiências do procedimento ordinário em três. Por outro lado, este princípio permanece bem consistente em processos de procedimento sumaríssimo, no qual se costuma seguir a regra da CLT, com única audiência. A expressão desse princípio consta, respectivamente, nos arti- gos 849 (procedimento ordinário) e 852-C (procedimento sumaríssimo) da CLT: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 29 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos A audiência de julgamento será contínua; mas, se não for possível, por motivo de força maior, con- cluí-la no mesmo dia, o juiz ou presidente marcará a sua continuação para a primeira desimpedida, independentemente de nova notificação. As demandas sujeitas a rito sumaríssimo serão instruídas e julgadas em audiência única, sob a di- reção de juiz presidente ou substituto, que poderá ser convocado para atuar simultaneamente com o titular. PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO PROCESSUAL: Trata-se da versão processual do princípio da proteção do direito do trabalho. Consiste na compensação da desigualdade existente na reali- dade socioeconômica com uma desigualdade jurídica em sentido oposto. Em outras palavras, este princípio consiste na destinação, ao trabalhador reclamante, de meios processuais que o coloquem em posição de privilégio perante o empregador para pro- duzir provas e alegar razões. Mauro Schiavi nomeia esse princípio como “Princípio do Protecionismo Temperado ao Trabalhador”, sustentando que pode, sim, o ônus da prova ser mais rigoroso para a empresa em prol do trabalhador, mas todas as faculdades processuais ao alcance de ambos devem ser igualmente possibilitadas, sem discriminações indevidas. Este princípio deve ser interpretado como instrumento normativo de concretização do prin- cípio da isonomia (igualdade material). A ideia é de buscar a prova da parte que tenha maior capacidade para produzi-la, e impor a cada uma das partes as consequências processuais que tenha condições de suportar. Expressão clara desse princípio está no art. 844 da CLT: “O não comparecimento do recla- mante à audiência importa o arquivamento da reclamação, e o não comparecimento do recla- mado importa revelia, além de confissão quanto à matéria de fato.”. O empregado, na realidade, pode sentir medo de comparecer à audiência em razão de co- ação moral derivada de motivos socioeconômicos (medo de não conseguir novos empregos). Portanto, a consequência da ausência do reclamante (arquivamento/extinção sem resolução do mérito) é diferente da ausência do reclamado (revelia e confissão). PRINCÍPIO DA BUSCA DA VERDADE REAL: Os juízes do trabalho devem ter ampla liberdade na condução do processo, a fim de encontrar a verdadeira versão dos fatos narrados pelo re- clamante. Para tanto, pode determinar qualquer medida que implique deveresàs partes, bem como determinar, de ofício, a produção de provas. É, em outras palavras, a versão processual do princípio do direito do trabalho denominado “primazia da realidade”. Uma clara expressão desse princípio está no art. 765 da CLT: “Os Juízos e Tribunais do Trabalho terão ampla liberdade na direção do processo e velarão pelo andamento rápido das causas, podendo determinar qualquer diligência necessária ao esclarecimento delas”. PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE: As partes – especialmente a parte reclamante – não poderão renunciar a vantagens conferidas pela norma processual. Por exemplo, não é possível O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 30 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos que as partes convencionem que eventual ausência de qualquer delas na audiência de instru- ção não produzirá confissão. Em outras palavras, as normas processuais trabalhistas são de ordem pública e não po- dem ser objeto de negociação das partes, em razão de essas normas decorrerem da própria gênese da Justiça do Trabalho: proteção ao trabalhador hipossuficiente. É por esta razão que boa parte da doutrina entende pela inaplicabilidade, ao processo do trabalho, o art. 190 do CPC, que trata do “negócio jurídico processual”, no qual as partes con- vencionam os ônus probatórios e demais regras para prática de atos. No entanto, é importante registrar que, entre os Ministros do TST, não é pacífica essa inaplicabilidade. PRINCÍPIO DA SIMPLICIDADE: Os atos processuais trabalhistas não dependem de forma específica, salvo se a lei expressamente determinar. O que importa, no final das contas, é o atingimento da finalidade do ato. Expressão claríssima desse princípio está no art. 899 da CLT: “Os recursos serão inter- postos por simples petição e terão efeito meramente devolutivo, salvo as exceções previstas neste Título, permitida a execução provisória até a penhora”. Os formalismos exacerbados do processo civil não se impõem no processo do trabalho. PRINCÍPIO DA CELERIDADE (ou CELERIDADE PROCESSUAL): Embora seja reconhecido em todos os ramos do direito, inclusive com hierarquia constitucional (art. 5º, inciso LXXVIII, Cons- tituição Federal), este princípio carrega significado especial no processo do trabalho, porque os juízes podem determinar todas as diligências possíveis e necessárias para o andamento rápido das causas. Expressão evidente desse princípio está, também, no art. 765 da CLT: “Os Juízos e Tribu- nais do Trabalho terão ampla liberdade na direção do processo e velarão pelo andamento rápi- do das causas, podendo determinar qualquer diligência necessária ao esclarecimento delas.”. Ademais, o princípio da celeridade é utilizado como principal fundamento (ratio decidendi) para tornar inaplicável a regra do CPC que garante prazo em dobro para litisconsortes com pro- curadores diferentes em processos físicos. Veja o que enuncia a Orientação Jurisprudencial (OJ) n. 310 da Subseção Especializada em Dissídios Individuais n. 01 do TST: JURISPRUDÊNCIA OJ 310 da SDI-1 do TST Inaplicável ao processo do trabalho a norma contida no art. 229, caput e §§ 1º e 2º, do CPC de 2015 (art. 191 do CPC de 1973), em razão de incompatibilidade com a celeridade que lhe é inerente. Obs.: � No CPC de 2015, os litisconsortes com procuradores diferentes só possuem prazos dobrados quando o processo tramitar em meio físico. Em processos eletrônicos, inde- pendentemente do número de procuradores constituídos por cada litisconsorte, os O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 31 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos prazos serão sempre contados de forma simples. No processo do trabalho, não impor- ta se o processo tramita de forma física ou eletrônica: litisconsortes com procuradores diferentes não têm prazos dobrados. PRINCÍPIO DA CONCILIAÇÃO: No processo do trabalho, o princípio da conciliação se ma- nifesta de forma tão intensa que, se for observado sem ênfase, causa a nulidade do proces- so. Vejamos: As partes podem celebrar acordo a qualquer momento, mesmo que já exista sentença (art. 764, § 3º, CLT). Os juízes do trabalho devem, sempre, conduzir o processo com uma tendência conciliató- ria: se verificar oportunidade de entabular um acordo – havendo indício de clima para concilia- ção –, o juiz deverá articular sua atuação com a finalidade de convencer as partes a fazerem acordo justo, sem prosseguimento do conflito. Obs.: � O princípio da conciliação é limitado, como qualquer regra ou princípio, pela justiça e pela ética. Portanto, esse princípio não deve ser invocado para legitimar acordos for- çados, nos quais o juiz faça coações processuais às partes para firmarem eventual acordo sugerido, seja adiantando o mérito de sua decisão, seja sinalizando futuras perseguições. Existe a obrigatoriedade legal de o juiz propor determinado critério para conciliação, logo que a audiência for aberta. Ademais, pela letra da lei, o juiz deve renovar a tentativa de con- ciliação após o término da instrução e o oferecimento das razões finais pelas partes. Essas determinações estão, respectivamente, nos artigos 846, 831 e 850 da CLT: Art. 846. Aberta a audiência, o juiz ou presidente proporá a conciliação.” Art. 831. A decisão será proferida depois de rejeitada pelas partes a proposta de conciliação. Art. 850. Terminada a instrução, poderão as partes aduzir razões finais, em prazo não excedente de 10 (dez) minutos para cada uma. Em seguida, o juiz ou presidente renovará a proposta de concilia- ção, e não se realizando esta, será proferida a decisão. Se não houver proposta de conciliação, o processo será nulo. A jurisprudência atual do TST é divergente a respeito do número mínimo de propostas de conciliação que o juiz deve fazer. Pela letra fria da lei, o juiz deve fazer duas propostas, no mínimo: uma no início e outra no final da audiência. Há decisões do TST no sentido de que uma das propostas, seja no início ou no final, é sufi- ciente; por outro lado, há decisões condicionando a validade do processo ao oferecimento de duas propostas. Para fins de prova, essa questão não pode ser abordada em questão objetiva, somente em discursiva. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 32 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos No mais, é possível verificar a expressão deste princípio no art. 764 da CLT: “Os dissídios individuais ou coletivos submetidos à apreciação da Justiça do Trabalho serão sempre sujei- tos à conciliação.”. PRINCÍPIO DA NORMATIZAÇÃO COLETIVA: A Justiça do Trabalho é o único ramo do Poder Judiciário que tem competência para criar normas, no sentido próprio da palavra. A expressão desse princípio está no art. 114, § 2º, da Constituição Federal: Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou à arbitragem, é facultado às mesmas, de comum acordo, ajuizar dissídio coletivode natureza econômica, podendo a Justiça do Trabalho decidir o conflito, respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao trabalho, bem como as convencionadas anteriormente. Estudaremos no momento oportuno as espécies de dissídio coletivo. No momento, adian- to que o dissídio coletivo de natureza econômica tem a finalidade de criar normas, que deverão ser observadas. A criação dessas normas, pela Justiça do Trabalho, ocorrerá por meio de sentença norma- tiva, que é a decisão judicial proferida em sede de dissídio coletivo. PRINCÍPIO DA TRANSCENDÊNCIA/PREJUÍZO: Basicamente, as nulidades não serão decla- radas se não causarem prejuízo a quaisquer das partes. Em termos simples, não há nulidade sem prejuízo. Este princípio existe em essência, também, no processo civil, mas seu nome (Transcendên- cia ou Prejuízo) é destacado na doutrina de processo do trabalho. A sua expressão está no art. 794 da CLT: “Nos processos sujeitos à apreciação da Justiça do Trabalho só haverá nulidade quando resultar dos atos inquinados manifesto prejuízo às partes litigantes”. Confira uma aplicação prática desse princípio, em exemplo extraído da jurisprudên- cia do TST: JURISPRUDÊNCIA (...) CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE AUDIÊNCIA. PANDEMIA. Pela simples constatação de que a ausência de prova de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do reclamante foi razão determinante à condena- ção da reclamada ao pagamento de verbas salariais, é de se constatar que a ausência de audiência de instrução acarretou prejuízo substancial à reclamada. O art. 794 da CLT, por insculpir o princípio da transcendência - ou princípio do prejuízo -, ostenta caráter de metanorma processual: nulidades serão declaradas apenas diante de manifesto prejuízo às partes. No caso em exame, a reclamada foi manifestamente prejudicada pela ausên- cia de designação da audiência única legalmente prevista para o rito sumaríssimo. Afinal, não houve outro ato processual igualmente capaz de viabilizar a produção de provas de natureza oral (depoimentos das partes e de testemunhas). Dessa maneira, constata-se O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 33 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos ofensa direta e literal aos direitos constitucionais à legalidade (art. 5º, II, CF), ao devido processo legal (art. 5º, LIV, CF) e ao contraditório (art. 5º, LV, CF) quando a reclamada não tem oportunizada a produção de provas orais e, em sentença, é condenada por ausência de prova de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do reclamante. A situ- ação de pandemia vivenciada à época da instrução do feito não justifica a restrição dos meios probatórios admitidos em direito, uma vez que há formas de realização de audi- ências de instrução sem a designação de ato processual presencial. Recurso de revista conhecido e provido (RR-20307-23.2020.5.04.0782, 6ª Turma, Relator Ministro Augusto Cesar Leite de Carvalho, DEJT 11/03/2022). PRINCÍPIO DO JUS POSTULANDI: Tanto o reclamante como o reclamado podem movi- mentar suas reclamações sem a assistência de advogado, pessoalmente. O reclamante, es- pecialmente, pode ajuizar sua reclamação pessoalmente. O advogado, portanto, é faculdade processual da parte no processo do trabalho. Isso mesmo: as partes do processo trabalhista não são obrigadas a contratar advogado (existem exceções, que trataremos em seguida). Evidentemente, hoje em dia, é muito raro que as partes usem essa faculdade, pois o advogado é essencial para a garantia de posição com- petitiva no processo, em razão da habilidade técnica que o advogado dispõe ao seu cliente. A expressão desse princípio, na CLT, está no art. 791: “Os empregados e os empregadores poderão reclamar pessoalmente perante a Justiça do Trabalho e acompanhar as suas recla- mações até o final.”. Em tempos de processo judicial eletrônico (PJe), a reclamação trabalhista do trabalhador desassistido de advogado deverá ser intermediada por um servidor da Vara do Trabalho, que deverá criar uma peça na qual reduzirá a termo os fatos e os pedidos narrados pelo reclaman- te. Se, todavia, o reclamante levar consigo a reclamação formalmente produzida, caberá ao servidor juntá-la ao processo, se verificar que os termos da peça, de fato, correspondem ao interesse do reclamante. Em atenção aos princípios da proteção processual e da boa-fé, o servidor deverá ter o mí- nimo de sensibilidade com a situação de hipossuficiência do trabalhador reclamante, a qual não é somente econômica, mas também informacional, comunicativa, jurídica e logística. Por- tanto, o servidor deve depreender qual é, de fato, a pretensão que o reclamante pretende sus- citar em juízo, convidando-o a esclarecer os pontos que não ficaram claros, não se limitando a reproduzir expressões que saem da boca do reclamante sem uma mínima análise lógica à vista do caso concreto. O jus postulandi, na Justiça do Trabalho, tem um limite. Esse limite está estampado na Súmula 425 do TST: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 34 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos JURISPRUDÊNCIA Súmula 425 do TST O jus postulandi das partes, estabelecido no art. 791 da CLT, limita-se às Varas do Tra- balho e aos Tribunais Regionais do Trabalho, não alcançando a ação rescisória, a ação cautelar, o mandado de segurança e os recursos de competência do Tribunal Superior do Trabalho. Você deve ter visto, acima, que o art. 791 da CLT fala que as partes poderão acompanhar suas reclamações “até o final”. Todavia, esse termo não deve ser interpretado literalmente. Considerando a complexidade técnica dos recursos de competência do TST, bem como as peculiaridades jurídicas de ações especialíssimas como ação rescisória e mandado de segu- rança, o TST lançou ao art. 791 interpretação sistemática, com resultado restritivo. Portanto, as partes do processo trabalhista precisarão, necessariamente, ser representa- das por advogado nos seguintes casos: • Recurso de Revista (TST) • Embargos Infringentes ou Embargos por Divergência (TST) • Recurso Ordinário ao TST em processo de competência originária do TRT • Ação Rescisória (em qualquer tribunal) • Mandado de Segurança (em qualquer juízo tribunal) Você deve estar se perguntando: por que o professor não citou a ação cautelar? É porque a ação cautelar não mais existe no ordenamento jurídico, em razão de ter sido extinta pelo Novo CPC, que destinou sua finalidade inteiramente ao instituto da tutela provisória. Dessa forma, a Súmula 425 merece uma atualização, para excluir a ação cautelar do rol. Existe, ainda, um grande detalhe que merece sua atenção. O habeas corpus (HC) é um remédio constitucional que, para ser impetrado, independe de ad- vogado, seja em qual instância for. É raro que se impetre um HC na Justiça do Trabalho, mas é possível (art. 114, inciso IV, Cons- tituição Federal). Portanto, se um dia alguém impetrar um HC perante o Tribunal Superior do Trabalho, a parte poderá, sim, fazê-lo sem advogado. Trata-se de uma exceção à regra de que o advogado será sempre indispensável nos Tribunais Superiores. PRINCÍPIO DA IRRECORRIBILIDADE IMEDIATA DAS DECISÕES INTERLOCUTÓRIAS: No processo do trabalho, não é cabível interporrecurso contra decisões interlocutórias, ao con- trário do processo civil, no qual é cabível, em alguns casos, agravo de instrumento. A lógica do agravo de instrumento civilista não se aplica ao processo do trabalho. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 35 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos Este princípio está insculpido no art. 893, § 1º, da CLT: “Os incidentes do processo são resolvidos pelo próprio Juízo ou Tribunal, admitindo-se a apreciação do merecimento das deci- sões interlocutórias somente em recursos da decisão definitiva.”. Somente no recurso interposto contra a decisão final será possível impugnar decisões in- terlocutórias. EXEMPLO João, advogado, formula pedido de tutela provisória de urgência na reclamação trabalhista de seu cliente. A tutela, contudo, foi denegada pelo juiz. João deverá impugnar a denegação da tutela somente no recurso contra a decisão final (sentença). Conforme a jurisprudência do TST, a denegação de tutela provisória antes da sentença pode dar ensejo a mandado de segurança, se ficarem comprovados os requisitos especiais desse remédio constitucional. No nosso exemplo, imagine que tais requisitos não foram demonstra- dos. O TST, no entanto, fixou na Súmula 214 exceções à regra de que as decisões interlocutó- rias seja irrecorríveis. Veja: Na Justiça do Trabalho, nos termos do art. 893, § 1º, da CLT, as decisões interlocutórias não ense- jam recurso imediato, salvo nas hipóteses de decisão: a) de Tribunal Regional do Trabalho contrária à Súmula ou Orientação Jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho; Se a decisão interlocutória do TRT for contrária a Súmula ou OJ do TST, caberá recurso ime- diato. O recurso será aquele cabível na hipótese, tendo em vista o regimento interno do tribunal. b) suscetível de impugnação mediante recurso para o mesmo Tribunal; Se os regimentos internos dos tribunais previrem recursos dentro do próprio tribunal para matérias decididas por decisões interlocutórias, elas serão recorríveis, nos termos do regimen- to. Na grande maioria dos casos, trata-se de agravo interno. c) que acolhe exceção de incompetência territorial, com a remessa dos autos para Tribunal Regio- nal distinto daquele a que se vincula o juízo excepcionado, consoante o disposto no art. 799, § 2º, da CLT.” EXEMPLO Moisés ajuizou reclamação trabalhista em Curitiba (PR). A empresa ré, no entanto, opôs exce- ção de incompetência territorial, porque Moisés teria prestado serviços em Natal (RN), razão pela qual a reclamação deveria ser remetida a uma das Varas do Trabalho de Natal. O juiz acolhe a exceção e remete os autos a uma das Varas de Natal. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 36 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos Nesse caso, a decisão do juiz é interlocutória terminativa do feito na Vara do Trabalho de Curi- tiba, razão pela qual cabe Recurso Ordinário contra essa decisão interlocutória ao TRT da 9ª Região (Paraná). Exatamente o mesmo raciocínio valeria para o caso de remessa do processo a tribunal distin- to que seja de outro ramo do Poder Judiciário (como Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional Federal). Esta última hipótese é abordada também em caráter legal, especificamente no art. 799, § 2º, da CLT: Das decisões sobre exceções de suspeição e incompetência, salvo, quanto a estas, se terminativas do feito [contra a qual caberá recurso – acréscimo do professor], não caberá recurso, podendo, no entanto, as partes alegá-las novamente no recurso que couber da decisão final. DICA! REGRA GERAL: não cabe recurso imediato contra decisão in- terlocutória. EXCEÇÕES: Decisão interlocutória do TRT contrária a Súmula ou OJ do TST Decisão interlocutória recorrível dentro do mesmo tribunal Decisão terminativa que remeta o processo para Tribunal di- ferente (TRT/TJ/TRF/TRE) daquele em que o processo se en- contra. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 37 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos RESUMO Confira, ilustrativamente, o resumo das fontes do processo do trabalho em forma de mapa mental: Métodos e Efeitos Para proporcionar uma fixação rápida da estrutura do que estudamos, apresento o seguin- te mapa mental: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 38 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 39 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos EXERCÍCIOS 001. (INÉDITA/2022) Na Justiça do Trabalho, ganha muito destaque o princípio da celeridade, em razão de as ações trabalhistas tramitarem em velocidade consideravelmente superior ao trâmite das ações na Justiça Comum. Assinale a alternativa que, de forma específica, indica a presença do princípio da celeridade na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT): a) Os Juízos e Tribunais do Trabalho terão ampla liberdade na direção do processo e velarão pelo andamento rápido das causas, podendo determinar qualquer diligência necessária ao es- clarecimento delas. b) Nos processos sujeitos à apreciação da Justiça do Trabalho só haverá nulidade quando resultar dos atos inquinados manifesto prejuízo às partes litigantes. c) A nulidade do ato não prejudicará senão os posteriores que dele dependam ou sejam consequência. d) As partes e testemunhas serão inquiridas pelo juiz ou presidente, podendo ser reinquiridas, por seu intermédio, a requerimento dos vogais, das partes, seus representantes ou advogados. 002. (INÉDITA/2022) Na Justiça do Trabalho, ganha muito destaque o princípio da concilia- ção, pois os juízes devem sempre oportunizar que a conciliação ocorra a qualquer momento, mesmo que o juízo conciliatório esteja encerrado. Assinale a alternativa que, de forma específica, indica a presença do princípio da conciliação na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT): a) Nos casos omissos, o direito processual comum será fonte subsidiária do direito processu- al do trabalho, exceto naquilo em que for incompatível com as normas específicas do direito processual do trabalho. b) Nos dissídios sobre estipulação de salários, serão estabelecidascondições que, assegu- rando justos salários aos trabalhadores, permitam também justa retribuição às empresas in- teressadas. c) Os atos processuais serão públicos salvo quando o contrário determinar o interesse social, e realizar-se-ão nos dias úteis das 6 (seis) às 20 (vinte) horas. d) Os juízes e Tribunais do Trabalho empregarão sempre os seus bons ofícios e persuasão no sentido de uma solução conciliatória dos conflitos. 003. (INÉDITA/2022) Existem várias maneiras de interpretar a legislação trabalhista. A partir da entrada em vigor da Lei n. 13.467/2017, chamada de Reforma Trabalhista, a doutrina de direito processual do trabalho passou a discutir a constitucionalidade de alguns dispositivos alterados e/ou acrescentados pela referida lei com fundamento na necessidade de que a lei seja analisada sob a ótica de todo o conjunto normativo brasileiro, tendo em conta, inclusive, que a Constituição Federal é a norma suprema do ordenamento jurídico brasileiro. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 40 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos A este método de interpretação, dá-se o nome de a) interpretação lógica b) interpretação sistemática c) interpretação gramatical d) interpretação teleológica 004. (INÉDITA/2022) Existem várias maneiras de interpretar a legislação trabalhista. A partir da entrada em vigor da Lei n. 13.467/2017, chamada de Reforma Trabalhista, a doutrina de direito processual do trabalho passou a discutir a constitucionalidade de alguns dispositivos alterados e/ou acrescentados pela referida lei. Uma das práticas judiciais mais criticadas pela doutrina é a de aplicar o dispositivo legal nos exatos termos de seu texto, sem considerar a inserção do dispositivo num arcabouço normativo, ou a evolução histórica de determinado instituto jurídico envolvido no dispositivo. Essa prática judicial criticada pela doutrina é a da a) interpretação gramatical b) interpretação com resultado restritivo c) interpretação sistemática d) interpretação histórica 005. (INÉDITA/2022) A entrada em vigor da Lei n. 13.467/2017, que alterou profundamente a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), trouxe à tona muitas discussões de caráter intertem- poral, especificamente no que tange às regras que devem ser observadas ao tempo da prática dos atos processuais na Justiça do Trabalho. Acerca desse tema, o Tribunal Superior do Trabalho esclareceu que a aplicação das normas processuais previstas na CLT, alteradas pela Lei n. 13.467, de 13 de julho de 2017, com eficácia a partir de 11 de novembro de 2017, a) é imediata, atingindo todos os processos em curso no dia da entrada em vigor da nova lei, independentemente de um ou mais atos processuais já estarem consumados. b) é diferida, alcançando somente reclamações ajuizadas após a entrada em vigor da nova lei, ficando os processos em curso regidos, integralmente, pela legislação revogada. c) é imediata, sem atingir, no entanto, situações pretéritas iniciadas ou consolidadas sob a égide da lei revogada. d) é ineficaz, porque a nova lei é integralmente inconstitucional. 006. (INÉDITA/2022) A Lei n. 13.467/2017, que alterou profundamente a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), já levantou muitas discussões de caráter intertemporal. Todavia, não houve notória preocupação com a aplicação da referida lei no espaço. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 41 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos A Lei n. 13.467/2017, ao entrar em vigor, relativamente ao espaço, abrangeu a) todo o território nacional, embora a CLT não tenha norma específica nesse sentido. b) todo o território nacional, uma vez que a CLT dispõe de norma específica nesse sentido. c) todo o território nacional e o território dos países participantes da Organização Internacional do Trabalho (OIT). d) o território dos Estados da Federação que aderiram ao novo regime justrabalhista. 007. (INÉDITA/2022) O direito processual do trabalho já foi considerado, historicamente, como parte integrante do direito processual civil. No entanto, passou-se a perceber que o di- reito processual do trabalho é um ramo autônomo do direito processual brasileiro, especial- mente porque a) o direito processual civil é dependente do trabalhista, sem o qual não é possível dissociar-se do direito processual penal. b) o direito processual do trabalho é dependente do direito processual civil, em razão de lhe serem aplicados muitos princípios que surgiram no direito processual civil. c) o direito processual do trabalho não recepciona nenhum princípio de outros ramos do direito processual, conservando exclusivamente regras e princípios que lhe são próprios. d) o direito processual do trabalho possui regras e princípios que lhe são próprios, além de um ramo do Poder Judiciário especializado em seu conteúdo. 008. (INÉDITA/2022) O direito processual do trabalho, ramo autônomo, é informado por dife- rentes fontes. Atualmente, a fonte que tem causado maior divergência e margem para discus- sões acadêmicas e jurisprudenciais é a Lei Federal n. 13.467/2017, batizada como “Reforma Trabalhista”. A referida lei, doutrinariamente, pode ser classificada como uma fonte a) fonte formal indireta, em razão de levantar divergências jurisprudenciais. b) fonte material, por decorrer de fatos sociais de grande relevância. c) fonte formal direta, por ter natureza típica de lei. d) fonte formal de explicitação, por depender de pesquisas acadêmicas e análises doutrinárias para ter maior efetividade. 009. (INÉDITA/2022) O direito processual do trabalho é reconhecido como um ramo autôno- mo do direito processual por ter princípios e regras que lhe são próprios, apesar de acolher princípios que surgiram no direito processual civil. Dentre as alternativas abaixo, assinale aquela que corresponde a princípio específico do direito processual do trabalho: a) princípio da normatização coletiva b) princípio da inércia c) princípio inquisitivo d) princípio da cooperação O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 42 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos 010. (INÉDITA/2022) No processo do trabalho, há regra específica no sentido de que os ques- tionamentos dirigidos às testemunhas devem ocorrer por intermédio do juiz, e não de forma direta às testemunhas. Em certa audiência, o advogado Pedro fez duas perguntas relativamen- te curtas diretamente à testemunha, que prontamente as respondeu, sem que o juiz evitasse a conduta. O advogado da parte contrária, Hélio, alegou nulidade na coleta da prova, pois as perguntas deveriam ter sido feitas por intermédio do juiz. O juiz da audiência, no entanto, rejei- tou a arguição de nulidade com o argumento de que as nulidades, no processo do trabalho, não serão declaradas quando não houver manifesto prejuízo às partes litigantes. O argumento que o magistrado utilizou é expressão de umprincípio específico do processo do trabalho. Assinale a opção que o indica: a) princípio dispositivo b) princípio da imediatidade c) princípio da transcendência d) princípio da celeridade 011. (INÉDITA/2022) O direito processual do trabalho é regulado, principalmente, pela Conso- lidação das Leis do Trabalho (CLT). Todavia, apesar das recentes mudanças em sua redação, certa parte do texto da CLT continua sendo relativamente antigo, tornando-a desconexa da evolução do Código de Processo Civil. Portanto, algumas regras específicas do processo do trabalho são ultrapassadas, se comparadas com as regras do processo civil. Acerca desse contexto, assinale a alternativa que corresponde ao posicionamento majoritário da doutrina: a) O direito processual civil é aplicável subsidiariamente ao processo do trabalho e, por isso, não poderá ser aplicado concomitantemente com as disposições próprias do processo do trabalho. b) É possível, atualmente, que as normas processuais civis apliquem-se de forma supletiva ao processo do trabalho, mesmo que o texto celetista restrinja-se a dar aplicabilidade subsidiária ao direito processual civil. c) O direito processual civil não pode ser aplicado ao do trabalho, em razão de flagrante incom- patibilidade entre seus princípios. d) Em virtude do número de modificações implementadas no processo do trabalho recente- mente, é o processo civil que recebe aplicação supletiva do processo do trabalho. 012. (INÉDITA/2022) O processo do trabalho é regrado por um conjunto normativo que possui algumas lacunas. Às vezes, essas lacunas não são preenchidas nem mesmo com a aplicação supletiva do Código de Processo Civil. Sabe-se, também, que os juízes não podem recusar-se a julgar com base em inexistência de fundamento legal (non liquet). Nesse contexto, assinale a alternativa que corresponde a forma de suprimento da lacuna. a) analogia, que é uma ferramenta de integração do processo do trabalho. b) equidade, que é uma forma de interpretação do processo do trabalho. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 43 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos c) princípios gerais do direito público, que são uma ferramenta de integração do processo do trabalho. d) não há como suprir a lacuna, razão pela qual, excepcionalmente, será permitido que o juiz extinga o processo sem resolução do mérito por falta de solução jurídica possível. 013. (INÉDITA/2022) O direito processual do trabalho é regulado principalmente pela Consoli- dação das Leis do trabalho (CLT), e recebe aplicação supletiva e subsidiária do Código de Pro- cesso Civil (CPC). Apesar disso, o ramo processual trabalhista depara-se com várias lacunas normativas. Assinale a alternativa que NÃO indica um meio integrativo, destinado a suprir lacunas do direi- to processual do trabalho: a) direito comparado b) analogia c) costumes d) interpretação sistemática 014. (INÉDITA/2022) No processo do trabalho, a audiência foi estruturada legalmente para ser única, sem interrupções, salvo por motivo de força maior. Todavia, as Varas do Trabalho têm observado, há tempos, o costume de fracionar a audiência do procedimento ordinário em três: audiência inicial, audiência de instrução e audiência de julgamento, esta última sem exigir o comparecimento das partes. Este fato é devido ao uso de uma ferramenta que integrou lacuna axiológica do direito proces- sual do trabalho. Tal ferramenta é: a) analogia b) costume c) princípio geral de direito d) equidade 015. (INÉDITA/2022) Segundo o procedimento traçado na CLT, a audiência trabalhista do rito ordinário deveria, assim como a do sumaríssimo, ser única. Atualmente, há o costume de fra- cioná-la em três. Qual é o princípio correspondente ao propósito de que a audiência fosse única? a) princípio da instrumentalidade b) princípio da concentração dos atos processuais c) princípio da proteção d) princípio da eventualidade 016. (INÉDITA/2022) Julgue o item subsequente, considerando se ele está de acordo, ou não, com o tradicional conceito de direito processual do trabalho. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 44 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos Direito processual do trabalho é um ramo da ciência jurídica, constituído por um sistema de valores, princípios, regras e instituições próprias, que tem por objetivo promover a concretiza- ção dos direitos sociais fundamentais individuais, coletivos e difusos dos trabalhadores e a pacificação justa dos conflitos decorrentes direta ou indiretamente das relações de emprego e de trabalho, bem como regular o funcionamento e a competência dos órgãos que compõem a Justiça do Trabalho. 017. (INÉDITA/2022) Julgue o item subsequente, considerando se ele está de acordo, ou não, com as teorias que justificam a autonomia científica do direito processual do trabalho. A teoria dualista consiste no argumento de que o direito processual no Brasil é um só, porque os princípios dos diferentes ramos do direito processual são aplicáveis em igualdade, com pequenas alterações. 018. (INÉDITA/2022) Tendo em vista os alicerces doutrinários e jurisprudenciais acerca do princípio da identidade física do juiz, julgue o item subsequente: O princípio da identidade física do juiz não é aplicável no seio das Varas do Trabalho, mas é reconhecido no seio dos Tribunais Regionais, do Tribunal Superior do Trabalho e do Supremo Tribunal Federal, encontrando expressão na lei no que se refere aos pedidos de concessão de efeito suspensivo a recursos, cujo relator designado para apreciá-lo ficará prevento para julgar finalmente o recurso. 019. (INÉDITA/2022) Acerca do tema integração no processo do trabalho, julgue o item subsequente: Lacunas axiológicas verificam-se quando existe uma norma para o caso concreto, mas essa norma sofreu um drástico envelhecimento diante do direito moderno, sendo historicamente incompatível com o caso concreto analisado. 020. (INÉDITA/2022) Em atenção às proposições doutrinárias a respeito da interpretação das normas processuais trabalhistas, julgue o item subsequente: O resultado efetivo dos métodos de interpretação da legislação processual trabalhista serão sempre extensivos, em razão da necessidade de se proteger o reclamante, dada sua hipossu- ficiência jurídica e socioeconômica. 021. (FCC/PGE-TO/PROCURADOR DO ESTADO/2018) O princípio da oralidade é próprio do Direito Processual Civil, embora no Processo do Trabalho ele tenha maior destaque. A doutrina NÃO considera subprincípio derivado da oralidade o princípio da a) identidade física do juiz. b) concentração dos atos processuais em audiência. c) perpetuatio jurisdictionis. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 45 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos d) imediatidade do juiz na colheita da prova. e) irrecorribilidade das decisões interlocutórias. 022. (FCC/TRT- 24ª REGIÃO – MS/ANALISTA JUDICIÁRIO/OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIA- DOR FEDERAL/2017) O advogado da empresa Vênus de Millus Produções Artísticas apresen- tou uma reconvenção na audiência UNA em que a reclamada foi notificada para apresentação de sua contestação em reclamação trabalhista. Provocado a se manifestar sobre a peça pro- cessual apresentada pela empresa ré, o advogado do reclamante Hércules impugnou a juntada da reconvenção sem justificar o motivo. Conforme teoria dos princípios gerais do Processo do Trabalho, a) não se admite em ação trabalhista nenhuma medida processual que não tenha previsão expressa contida na Consolidação das Leis do Trabalho e que seja contrária ao trabalhador. b) caberia a medida desde que houvesse concordância da parte contrária e que a mesma fos- se apresentada antes da data da audiência para possibilitar o contraditório. c) embora haja omissão da norma processual trabalhista em relação à reconvenção, há súmu- la do Tribunal Superior do Trabalho interpretando pela sua absoluta incompatibilidade com o direito processual do trabalho. d) nos casos omissos, o direito processual comum será fonte subsidiária do direito processual do trabalho, exceto naquilo em que for incompatível com as normas contidas na Consolidação das Leis do Trabalho. e) não caberia tal medida nesta fase processual porque somente é possível aplicar supleti- vamente norma do Código Processual Civil que não esteja prevista na lei trabalhista na fase de execução. 023. (FCC/PGE-MT/PROCURADOR DO ESTADO/2016) No estudo da Teoria Geral do Direito Processual do Trabalho com enfoque nos princípios, fontes, hermenêutica e nos métodos de solução dos conflitos trabalhistas, a) a autocomposição é uma técnica de solução dos conflitos que consiste na solução direta entre os litigantes diante da imposição de interesses de um sobre o outro, sendo exemplos desta modalidade permitida pela legislação que regula a ordem trabalhista a greve, o locaute, o poder disciplinar do empregador e a autotutela sindical. b) por força do princípio da subsidiariedade previsto expressamente no texto consolidado, o direito processual comum será aplicado na Justiça do Trabalho exclusivamente pelo critério da omissão da lei processual trabalhista. c) os dissídios individuais ou coletivos submetidos à apreciação da Justiça do Trabalho serão sempre sujeitos à conciliação e, não havendo acordo, o juízo conciliatório converter-se-á, obri- gatoriamente, em arbitral; sendo lícito às partes celebrar acordo que ponha termo ao processo, mesmo depois de encerrado o juízo conciliatório. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 46 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos d) os costumes, a jurisprudência, a analogia e a autonomia privada coletiva são consideradas fontes materiais do direito processual do trabalho, conforme previsão expressa contida na Consolidação das Leis do Trabalho. e) os princípios da irrecorribilidade das decisões interlocutórias e da execução ex officio das sentenças se restringem aos processos que tramitam pelo rito sumaríssimo na Justiça do Trabalho. 024. (FCC/TRT - 14ª REGIÃO/RO E AC/ANALISTA JUDICIÁRIO/OFICIAL DE JUSTIÇA AVA- LIADOR FEDERAL/2016) Em relação aos princípios gerais do processo trabalhista, não haven- do norma trabalhista para a prática de determinado ato processual a) aplica-se subsidiariamente a Lei de Execuções Fiscais seja qual for a fase processual. b) a Consolidação das Leis do Trabalho não prevê nenhuma norma específica sobre o tema, cabendo ao magistrado escolher a norma processual que melhor se aplica ao caso. c) será aplicado o Código de Processo Civil para solucionar o caso, exceto nas fases recursal e de execução, pois nessas fases se aplica a Lei de Execuções Fiscais. d) nos casos omissos, o direito processual comum será fonte subsidiária do direito processual do trabalho, exceto quando houver incompatibilidade com as normas do processo judiciário do trabalho. e) poderá ser aplicado de forma supletiva o direito processual comum, seja qual for a fase pro- cessual, bastando apenas que haja omissão da norma trabalhista. 025. (FCC/TRT - 9ª REGIÃO – PR/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2015) Segundo as normas processuais, em um reclamação trabalhista a reclamada deverá alegar toda a matéria de defesa na contestação, expondo as razões de fato e de direito com que im- pugna o pedido do autor e especificando as provas que pretende produzir (art. 300 do Código de Processo Civil). Trata-se especificamente do Princípio a) da estabilidade da lide. b) da eventualidade. c) da instrumentalidade d) inquisitivo. e) da economia processual. 026. (FCC/TRT - 1ª REGIÃO - RJ/JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO/2014) O artigo 1º da Lei no 5.584/70 estatui a observância de seus princípios aos processos submetidos à Justiça do Trabalho. Sobre eles, é correto afirmar: a) O princípio do devido processo legal estabelece garantias mínimas de meios e resultados com o emprego de instrumental técnico-processual, capaz em si de mitigar a oralidade, quan- do contrária à memorização dos atos processuais, e a conciliação, quando prejudicial aos interesses sociais do trabalhador. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 47 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos b) A par do princípio dispositivo, próprio do processo do trabalho, restringe-se a liberdade do Juiz na condução do feito, sob pena de quebra do equilíbrio das relações jurídicas em face do princípio da imparcialidade. c) O princípio constitucional da igualdade substancial das partes no processo manifesta-se por meio do princípio da paridade das armas, com o qual autorizam-se desequilíbrios no direito de ação como forma de compensação da inferioridade própria do hipossuficiente. d) A indeterminação dos princípios obsta a aplicação de suas ideias e valores informativos na seara trabalhista diante da prevalência do primado da realidade sobre as formas solenes, tal como é típico ao reconhecimento do contrato de emprego. e) A gratuidade processual apresenta-se como mera técnica de acesso à jurisdição, pois sua difusão entre outros ramos processuais retira-lhe a força de princípio forçoso à Justiça do Trabalho. 027. (FCC/TRT - 16ª REGIÃO – MA/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA JUDICIÁRIA/2014) No tocante ao Procedimento Sumaríssimo, dispõe o artigo 852-D da CLT que: O juiz dirigirá o pro- cesso com liberdade para determinar as provas a serem produzidas, considerado o ônus pro- batório de cada litigante, podendo limitar ou excluir as que considerar excessivas, impertinen- tes ou protelatórias, bem como para apreciá-las e dar especial valor às regras de experiência comum ou técnica. Neste caso, está presente o Princípio a) da Imediatidade. b) Dispositivo. c) da Identidade física do juiz. d) Inquisitivo. e) do Juiz natural. 028. (FCC/TRT - 19ª REGIÃO – AL/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2014) O artigo 39 da Consolidação das Leis do Trabalho permite que a Delegacia Regional do Traba- lho - DRT encaminhe processo administrativo à Justiça do Trabalho, onde conste reclamação de trabalhador no tocante a recusa de anotação da CTPS pela empresa. Este é um exemplo de exceção ao princípio a) da eventualidade. b) inquisitivo. c) da imediação.d) dispositivo. e) da extrapetição. 029. (FCC/TRT - 19ª REGIÃO – AL/ANALISTA JUDICIÁRIO/OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIA- DOR/2014) Considere a seguinte situação hipotética: Reclamação trabalhista em que a recla- mante requer o reconhecimento do vínculo de emprego com a empresa “GHJ Ltda.”. A empre- O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 48 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos sa reclamada, por sua vez, nega o referido vínculo, alegando que a reclamante não trabalhou para ela, não tendo, inclusive, jamais ingressado no interior do estabelecimento. O Magistrado converteu a audiência em diligência e se dirigiu à empresa reclamada com as partes. No local, o Magistrado solicitou que a reclamante indicasse o banheiro feminino. Esta não soube indicar e o Magistrado percebeu qual das partes estava faltando com a verdade. Esta hipótese é um exemplo específico do princípio. a) dispositivo. b) da imediação. c) da estabilidade da lide. d) da eventualidade. e) da perempção. 030. (CEBRASPE/TRT - 8ª REGIÃO/PA E AP/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATI- VA/2016) Assinale a opção correta a respeito dos princípios gerais do processo trabalhista. a) Dado o princípio da oralidade aplicável ao processo laboral, o juiz deverá propor a concilia- ção antes da abertura da audiência. b) O devido processo legal é princípio aplicável ao processo trabalhista e garante a celeridade no andamento do processo. c) Configura hipótese de aplicação do princípio da proteção no processo do trabalho a re- gra de que o não comparecimento do reclamante à audiência importa no arquivamento da reclamação. d) Caracteriza o princípio da simplificação de procedimentos a norma que permite aos em- pregadores reclamar pessoalmente perante a justiça do trabalho e acompanhar as suas recla- mações durante todo o processo, inclusive interpor recursos no Tribunal Superior do Trabalho (TST), independentemente de advogado. e) Decorre do princípio da adstrição ou congruência, aplicável ao processo do trabalho, o fato de o juiz poder determinar o pagamento de indenização a empregado estável que tiver pedido apenas reintegração, se houver incompatibilidade de retorno ao serviço. 031. (FGV/OAB/2013) Uma reclamação trabalhista é ajuizada em São Paulo (TRT da 2ª Re- gião) e, na audiência designada, a reclamada apresenta resposta escrita sob a forma de con- testação e exceção de incompetência relativa em razão do lugar, pois o autor sempre trabalha- ra em Minas Gerais, que na sua ótica deve ser o local onde tramitará o feito. Após conferida vista ao exceto, na forma do Art. 800, da CLT, e confirmada a prestação dos serviços na outra localidade, o juiz acolhe a exceção e determina a remessa dos autos à capital mineira (MG – TRT da 3ª Região). Dessa decisão, de acordo com o entendimento do TST, e independentemente do seu mérito, a) cabe de imediato recurso de agravo de instrumento para o TRT de São Paulo, por tratar-se de decisão interlocutória. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 49 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos b) nada há a fazer, pois das decisões interlocutórias, na Justiça do Trabalho, não é possível recurso imediato. c) compete à parte deixar consignado o seu protesto e renovar o inconformismo no recurso ordinário que for interposto após a sentença que será proferida em Minas Gerais. d) cabe de imediato a interposição de recurso ordinário para o TRT de São Paulo. 032. (FGV/OAB/2012) Na Justiça do Trabalho, segundo o entendimento sumulado pelo TST, é correto afirmar-se que o jus postulandi a) não se aplica à ação rescisória, à ação cautelar, ao mandado de segurança e aos recursos de competência do TST. b) não tem mais aplicação na Justiça do Trabalho desde o advento da emenda constitucional 45. c) aplica-se em todas as causas cujo valor seja inferior a 20 salários mínimos, porque, a partir deste patamar, o advogado é indispensável. d) aplica-se irrestritamente na seara trabalhista, em todas as esferas, instâncias e ações, sen- do uma de suas características marcantes. 033. (CESPE/DPU/DEFENSOR PÚBLICO FEDERAL/2015) Julgue o item subsequente, relati- vo à competência e à prescrição no processo trabalhista e aos princípios gerais que norteiam esse processo. Amplamente admitido no direito material do trabalho, o princípio da busca da verdade real não se aplica ao direito processual do trabalho, uma vez que a finalidade do processo é a justa e igualitária composição do litígio com mesmos direitos ao contraditório e à ampla defesa. 034. (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO/CONSULTOR LEGIS- LATIVO ÁREA V/2014) Em relação aos princípios e às fontes do direito processual do traba- lho, julgue o item a seguir. O princípio da imparcialidade do juiz não é aplicável ao processo do trabalho, uma vez que a justiça laboral possui caráter tutelar que visa à proteção do trabalhador, hipossuficiente em face do seu empregador. 035. (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO/CONSULTOR LEGIS- LATIVO ÁREA V/2014) Em relação aos princípios e às fontes do direito processual do traba- lho, julgue o item a seguir. A ampla liberdade conferida aos magistrados trabalhistas na direção do processo, com poder de determinar qualquer diligência necessária ao esclarecimento da causa, deriva do princípio da busca da verdade real, que é aplicado no direito processual do trabalho. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 50 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos 036. (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO/CONSULTOR LEGIS- LATIVO ÁREA V/2014) Em relação aos princípios e às fontes do direito processual do traba- lho, julgue o item a seguir. Considerando que o juiz não se pode eximir de sentenciar sob a alegação de lacuna na lei, nos casos omissos, o direito processual comum será fonte subsidiária do direito processual do tra- balho, independentemente da existência de incompatibilidades entre esses ramos do direito. 037. (CESPE/AGU/PROCURADOR FEDERAL/2013) Em relação ao direito processual do tra- balho, julgue os itens a seguir. Segundo entendimento do TST, a regra prevista no CPC que prevê o prazo em dobro quando litisconsortes tiverem procuradores diferentes é inaplicável ao processo do trabalho, em face da sua incompatibilidade com o princípio da celeridade. 038. (CESPE/TRT - 17ª REGIÃO – ES/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2013) Em relação aos princípios, às partes e ao processo do trabalho, julgue os próximos itens. O princípio da proteção aplicado ao direito do trabalho não incide no âmbito do processo do trabalho, pois o juiz não pode instituir privilégios que descaracterizem o tratamento isonômico entre as partes. 039. (CESPE/SERPRO/ANALISTA/PERÍCIA EM CÁLCULO JUDICIAL/2013) Com base na CLT e na jurisprudência do TST, julgue os próximos itens, referentes a direito material e proces- sual do trabalho.Em caso de conflito entre as regras processuais previstas na CLT e as previstas no CPC, preva- lecerá, de forma soberana, a segunda, dado se tratar de norma mais específica. 040. (CESPE/TRT - 10ª REGIÃO - DF E TO/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA JUDICIÁRIA/2013) Julgue os próximos itens, no que se refere aos princípios gerais do processo trabalhista. Segundo o TST, quando litisconsortes forem representados por diferentes procuradores, serão contados em dobro os prazos a eles disponíveis para contestar, para recorrer e, de modo geral, para falar nos autos. 041. (CESPE/AGU/ADVOGADO DA UNIÃO/2009) Acerca do Direito Processual do Trabalho, julgue os próximos itens. O princípio do dispositivo confere ao juiz a prerrogativa de procurar e reunir o material do pro- cesso, devendo o magistrado observar sempre o respeito à igualdade das partes perante a lei. A inspeção judicial constitui uma das formas de observância de tal princípio. 042. (CESPE/AGU/ADVOGADO DA UNIÃO/2009) Acerca do Direito Processual do Trabalho, julgue os próximos itens. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 51 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos Os princípios do Direito Processual do Trabalho funcionam como orientadores das partes, que devem apresentar fatos e postular a solução, e do juiz, o qual deve interpretar os fatos que lhe são apresentados e, aplicando a lei aos casos concretos, solucionar a lide. Tais princípios ins- piram preceitos legais, orientam os intérpretes e sanam as omissões legais. 043. (CESPE/TJ-AM/ASSISTENTE JUDICIÁRIO/ADAPTADA/2019) Acerca dos princípios constitucionais comuns aos processos civil e trabalhista, julgue o item a seguir. A cooperação entre as partes não é necessária para assegurar uma razoável duração do pro- cesso, uma vez que cada uma delas tem seus próprios interesses na demanda. 044. (CESPE/TJ-AM/ASSISTENTE JUDICIÁRIO/2019/ADAPTADA) Acerca dos princípios constitucionais do processo civil, julgue o item a seguir. O devido processo legal é uma garantia contra eventual uso abusivo de poder, de modo a asse- gurar provimento jurisdicional em consonância com a Constituição Federal de 1988. 045. (CESPE/PGE-PE/ANALISTA ADMINISTRATIVO DE PROCURADORIA/CALCULISTA/ ADAPTADA/2019) À luz do Código de Processo Civil, julgue o próximo item, relativos às nor- mas fundamentais do processo civil e aos elementos da sentença, aos honorários advocatí- cios, à advocacia pública e à aplicação das normas processuais. Mesmo na ausência de norma que regulamente a tramitação de determinado processo traba- lhista, as disposições do Código de Processo Civil não poderão ser a ele aplicadas, ainda que supletiva ou subsidiariamente, haja vista a natureza distinta desses dispositivos normativos. 046. (CESPE/TCE-PE/ANALISTA DE GESTÃO/JULGAMENTO/2017) Com relação às normas processuais, julgue o item seguinte. Considerando-se o sistema do isolamento dos atos processuais, a lei processual nova não re- troage, aplicando-se imediatamente aos processos em curso, respeitados os atos processuais já praticados e as situações jurídicas já consolidadas sob a vigência da lei anterior. 047. (CESPE/TCE-PA/AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO/ÁREA ADMINISTRATIVA/ DI- REITO/2016/ADAPTADA) No que diz respeito às normas processuais, aos atos e negócios processuais e aos honorários de sucumbência, julgue o item que se segue, tendo em vista os princípios comuns aos processos civil e trabalhista. Em observância ao princípio da primazia da decisão de mérito, o magistrado deve conceder à parte oportunidade para, se possível, corrigir vício processual antes de proferir sentença terminativa. 048. (QUADRIX/CRM-PR/ADVOGADO/ADAPTADA/2018) Quanto ao direito probatório, jul- gue o item que se segue. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 52 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos O princípio dispositivo orienta também a atividade probatória, impedindo que o juiz atue ativa- mente na colheita da prova, determinando sua produção, por exemplo. 049. (QUADRIX/SEDF/PROFESSOR/DIREITO/ADAPTADA/2017) Julgue o item subsequente em relação aos princípios comuns entre os processos civil e trabalhista. Ao se analisar a forma dos atos processuais e as nulidades à luz do princípio da instrumen- talidade das formas, não é conveniente considerar nulo o ato somente porque praticado em desconformidade com a forma legal exigida, desde que atingida sua finalidade. 050. (CESPE/TC-DF/AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO/2012) Em obediência ao princípio da isonomia, corolário do devido processo legal, pessoas em condições diversas podem rece- ber tratamento diferenciado no processo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 53 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos GABARITO 1. a 2. d 3. b 4. a 5. c 6. b 7. d 8. c 9. a 10. c 11. b 12. a 13. d 14. b 15. b 16. C 17. E 18. C 19. E 20. E 21. c 22. d 23. c 24. d 25. b 26. c 27. d 28. d 29. b 30. c 31. d 32. a 33. E 34. E 35. C 36. E 37. C 38. E 39. E 40. E 41. E 42. C 43. E 44. C 45. E 46. C 47. C 48. E 49. C 50. C O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 54 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos GABARITO COMENTADO 001. (INÉDITA/2022) Na Justiça do Trabalho, ganha muito destaque o princípio da celeridade, em razão de as ações trabalhistas tramitarem em velocidade consideravelmente superior ao trâmite das ações na Justiça Comum. Assinale a alternativa que, de forma específica, indica a presença do princípio da celeridade na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT): a) Os Juízos e Tribunais do Trabalho terão ampla liberdade na direção do processo e velarão pelo andamento rápido das causas, podendo determinar qualquer diligência necessária ao es- clarecimento delas. b) Nos processos sujeitos à apreciação da Justiça do Trabalho só haverá nulidade quando resultar dos atos inquinados manifesto prejuízo às partes litigantes. c) A nulidade do ato não prejudicará senão os posteriores que dele dependam ou sejam consequência. d) As partes e testemunhas serão inquiridas pelo juiz ou presidente, podendo ser reinquiridas, por seu intermédio, a requerimento dos vogais, das partes, seus representantes ou advogados. a) Certa. A alternativa reproduz o art. 765 da CLT, que consagra dois princípios: o da celeridade (andamento rápido das causas) e o da busca da verdade real. b) Errada. Tal alternativa reproduz o art. 794 da CLT, que trata do princípio da transcendência (não há nulidade sem prejuízo). c) Errada. Tal alternativareproduz o art. 798 da CLT, que é expressão de um princípio também presente em outros ramos do direito processual, embora com nomes diferentes: o princípio do aproveitamento dos atos processuais, ou simplesmente princípio do aproveitamento. d) Errada. Tal alternativa reproduz o art. 820 da CLT, que trata do princípio da imediatidade/ imediação. Letra a. 002. (INÉDITA/2022) Na Justiça do Trabalho, ganha muito destaque o princípio da concilia- ção, pois os juízes devem sempre oportunizar que a conciliação ocorra a qualquer momento, mesmo que o juízo conciliatório esteja encerrado. Assinale a alternativa que, de forma específica, indica a presença do princípio da conciliação na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT): a) Nos casos omissos, o direito processual comum será fonte subsidiária do direito processu- al do trabalho, exceto naquilo em que for incompatível com as normas específicas do direito processual do trabalho. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 55 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos b) Nos dissídios sobre estipulação de salários, serão estabelecidas condições que, assegu- rando justos salários aos trabalhadores, permitam também justa retribuição às empresas in- teressadas. c) Os atos processuais serão públicos salvo quando o contrário determinar o interesse social, e realizar-se-ão nos dias úteis das 6 (seis) às 20 (vinte) horas. d) Os juízes e Tribunais do Trabalho empregarão sempre os seus bons ofícios e persuasão no sentido de uma solução conciliatória dos conflitos. a) Errada. Tal alternativa reproduz o artigo 769 da CLT, que é abordado por alguns doutrinado- res como expressão do princípio da subsidiariedade. Todavia, o fato de o CPC ser aplicável subsidiariamente ao processo do trabalho, atualmente, não poderia ser colocado em status de princípio, pois, conforme nossos estudos, a aplicação do CPC ao processo trabalhista não é apenas subsidiária, mas, também, supletiva/suplementar. b) Errada. Tal alternativa reproduz o art. 766 da CLT, que não expressa nenhum princípio reco- nhecido pela doutrina majoritária. c) Errada. Tal alternativa reproduz o art. 770 da CLT, que, segundo alguns doutrinadores, ex- pressa o princípio da publicidade, que é comum a todo e qualquer ramo do direito processual, sendo balizado (regrado) de formas diferentes. d) Certa. Tal alternativa reproduz o art. 764, § 1º, da CLT, que consagra, também o princípio da conciliação no processo do trabalho. Letra d. 003. (INÉDITA/2022) Existem várias maneiras de interpretar a legislação trabalhista. A partir da entrada em vigor da Lei n. 13.467/2017, chamada de Reforma Trabalhista, a doutrina de direito processual do trabalho passou a discutir a constitucionalidade de alguns dispositivos alterados e/ou acrescentados pela referida lei com fundamento na necessidade de que a lei seja analisada sob a ótica de todo o conjunto normativo brasileiro, tendo em conta, inclusive, que a Constituição Federal é a norma suprema do ordenamento jurídico brasileiro. A este método de interpretação, dá-se o nome de a) interpretação lógica b) interpretação sistemática c) interpretação gramatical d) interpretação teleológica a) Errada. A interpretação lógica parte de raciocínios lógicos breves entre dispositivos próximos. b) Certa. O conceito de interpretação sistemática enfatiza o fato de a lei interpretada ser obser- vada como parte integrante de um conjunto de várias normas. Inclusive, o critério da hierarquia O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 56 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos (ao lado do da especialidade e do da cronologia) é levado em conta na interpretação sistemá- tica, como destacamos em aula. c) Errada. A interpretação gramatical baseia-se no sentido literal das palavras e frases do texto normativo. d) Errada. A interpretação teleológica enfoca a finalidade do legislador ao criar o dispositivo interpretado. Letra b. 004. (INÉDITA/2022) Existem várias maneiras de interpretar a legislação trabalhista. A partir da entrada em vigor da Lei n. 13.467/2017, chamada de Reforma Trabalhista, a doutrina de direito processual do trabalho passou a discutir a constitucionalidade de alguns dispositivos alterados e/ou acrescentados pela referida lei. Uma das práticas judiciais mais criticadas pela doutrina é a de aplicar o dispositivo legal nos exatos termos de seu texto, sem considerar a inserção do dispositivo num arcabouço normativo, ou a evolução histórica de determinado instituto jurídico envolvido no dispositivo. Essa prática judicial criticada pela doutrina é a da a) interpretação gramatical b) interpretação com resultado restritivo c) interpretação sistemática d) interpretação histórica a) Certa. Interpretar um dispositivo nos exatos termos de seu texto, sem considerar outros aspectos, é interpretar gramaticalmente. b) Errada. O resultado restritivo nem sempre ocorrerá quando um artigo for seguido à risca de suas palavras. Aliás, a maior probabilidade será de o resultado da interpretação ser estático, nem maior, nem menor que o significado de seus termos. c) Errada. A interpretação sistemática é uma das desejadas pelos doutrinadores referidos no enunciado, e não aquela que corresponde à prática criticada. d) Errada. A interpretação histórica é uma das desejadas pelos doutrinadores referidos no enunciado, e não aquela que corresponde à prática criticada. Letra a. 005. (INÉDITA/2022) A entrada em vigor da Lei n. 13.467/2017, que alterou profundamente a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), trouxe à tona muitas discussões de caráter intertem- poral, especificamente no que tange às regras que devem ser observadas ao tempo da prática dos atos processuais na Justiça do Trabalho. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 57 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos Acerca desse tema, o Tribunal Superior do Trabalho esclareceu que a aplicação das normas processuais previstas na CLT, alteradas pela Lei n. 13.467, de 13 de julho de 2017, com eficácia a partir de 11 de novembro de 2017, a) é imediata, atingindo todos os processos em curso no dia da entrada em vigor da nova lei, independentemente de um ou mais atos processuais já estarem consumados. b) é diferida, alcançando somente reclamações ajuizadas após a entrada em vigor da nova lei, ficando os processos em curso regidos, integralmente, pela legislação revogada. c) é imediata, sem atingir, no entanto, situações pretéritas iniciadas ou consolidadas sob a égide da lei revogada. d) é ineficaz, porque a nova lei é integralmente inconstitucional. a) Errada. A aplicação retroativa a atos consumados violaria o ato jurídico perfeito, protegido constitucionalmente. b) Errada. Os processos em curso recebem aplicação da nova lei, respeitado o ato jurídico per- feito e a coisa julgada. c) Certa. É o que diz o art. 1º da InstruçãoDo trAbAlho? A doutrina brasileira de direito processual do trabalho não está nem perto de uniformizar um conceito para a disciplina, que a defina da forma mais realista possível. Essa diferença é devida ao fato de os doutrinadores tratarem de forma distinta, entre si, o objeto do direito pro- cessual do trabalho. Os conceitos podem variar em razão de concepções pessoais, ideológicas ou políticas de quem conceitua. Portanto, tratemos para você dois conceitos válidos pertinentes a nossa dis- ciplina: um de Carlos Henrique Bezerra Leite e outro de Sérgio Pinto Martins. • Bezerra Leite: ramo da ciência jurídica, constituído por um sistema de valores, princí- pios, regras e instituições próprias, que tem por objetivo promover a concretização dos direitos sociais fundamentais individuais, coletivos e difusos dos trabalhadores e a paci- ficação justa dos conflitos decorrentes direta ou indiretamente das relações de empre- go e de trabalho, bem como regular o funcionamento e a competência dos órgãos que compõem a Justiça do Trabalho. − Perceba que Bezerra Leite vê como objeto do processo do trabalho a proteção a direi- tos sociais fundamentais dos trabalhadores aliada à busca pela justiça social. Esse conceito vai muito além do mero instrumentalismo. • Sérgio P. Martins: conjunto de princípios, regras e instituições destinado a regular a ati- vidade dos órgãos jurisdicionais na solução dos dissídios, individuais ou coletivos, sobre relação de trabalho. − O conceito de Martins é mais instrumental e formal, sem destaque a finalidades cons- titucionais e/ou sociais dos institutos que compõem o ramo. 2. AutonomiA Do Direito processuAl Do trAbAlho É majoritária na doutrina e na jurisprudência a tese de que o direito processual do trabalho é um ramo autônomo do direito. Não obstante, é importante que você conheça as duas princi- pais teorias que dividem a discussão. • TEORIA MONISTA: o Direito Processual no Brasil é um só, visto que os princípios dos diferentes códigos processuais são aplicáveis em igualdade, com pequenas alterações. Essa teoria é antiga e encontra-se ultrapassada. • TEORIA DUALISTA: o Direito Processual do Trabalho é autônomo e distinto do Direito Processual Civil, porque possui conjuntos normativos e princípios de sentidos próprios, distintos dos diferentes direitos processuais existentes. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 6 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos Atualmente, entende-se que, para ser autônomo, o ramo deve conter legislações e prin- cípios próprios (teoria dualista). O processo do trabalho possui uma legislação codificada e grande, constante, principalmente, na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e em algumas leis esparsas, especialmente a Lei n. 5.584/1970. Ademais, o processo do trabalho possui vários princípios que lhe são próprios e o diferen- ciam do direito processual civil, que estudaremos em seguida. Alguns princípios, por sua vez, são também previstos em outros ramos do direito processual, mas com significados conside- ravelmente distintos. Desde já, faço destaque aos princípios da proteção, da finalidade social, da busca da ver- dade real, na normatização coletiva e da conciliação, enfatizados por Bezerra Leite. Alguns destes são, por nome, iguais a princípios de outros ramos, mas carregam semântica muito diferente no processo do trabalho, como, por exemplo, em relação ao princípio da conciliação. A autonomia do processo do trabalho no Brasil fica ainda mais evidente em razão de duas matérias legislativas: • 1) O processo do trabalho possui título próprio na CLT e atribuiu ao direito processual civil o caráter de subsidiariedade, com aplicação somente em caso de lacuna no referido título; • 2) O próprio Código de Processo Civil (CPC de 2015) tem artigo específico dispondo que suas normas só serão aplicáveis ao processo trabalhista diante da falta de norma específica do respectivo ramo (art. 15 do CPC). Dessa forma, mesmo que existam algumas vozes na doutrina dizendo o contrário, é am- plamente pacificado na jurisprudência que o direito processual do trabalho é um ramo do di- reito totalmente autônomo, distinto do processo civil, por ter conjuntos normativos e princí- pios próprios. DICA! Recomendo que leve para a prova: o direito processual do tra- balho é autônomo, distinto do processo civil, por ter normas jurídicas e princípios que lhe são próprios e o diferenciam dos demais direitos processuais existentes no Brasil. 3. Fontes Do Direito processuAl Do trAbAlho Se você já estudou direito do trabalho, sabe da clássica divisão entre as fontes formais e as fontes materiais. No processo do trabalho, esta divisão é seguida por alguns doutrinadores, em especial por Carlos Henrique Bezerra Leite. Outros doutrinadores, como Sérgio Pinto Mar- tins e Mauro Schiavi, vão direto às fontes formais ao abordar as fontes do processo trabalhista. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 7 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos Considerando-se válida a inserção das fontes materiais ao processo do trabalho, devemos saber que, dentre essas fontes, incluem-se os fatos sociais, políticos, econômicos, culturais, éticos e morais materializados em determinado momento da história, que incentivaram o legis- lador ou o Poder Judiciário a criar/interpretar uma lei em determinado sentido. EXEMPLO A Lei 13.467/2017 acrescentou ao processo do trabalho a obrigatoriedade de o empregado arcar com o ônus dos honorários sucumbenciais (art. 791-A da CLT). A fonte material disso, como afirmado pela equipe de redação da Reforma Trabalhista, seria o excesso de ações trabalhistas “temerárias”, nas quais o trabalhador, supostamente, pleitearia direitos mesmo sabendo que não os possui. As fontes formais do processo do trabalho, por sua vez, são todos os conjuntos de regras objetivamente compreensíveis pelas pessoas. Podem ser desde a Constituição Federal até costumes locais, pois ambos são objetivamente compreensíveis, sem margens para dúvidas. Bezerra Leite, indo mais a fundo, criou divisão entre as fontes formais, classificando-as da seguinte maneira: • Fontes formais diretas: − Constituição Federal; − Leis: destacam-se CLT, Lei n. 5.584/70, CPC, Lei n. 6.830/80, Lei n. 7.701/88, Lei n. 7.347/85, dentre outras. − Atos normativos: destacam-se Regimentos Internos, Instruções Normativas, Resolu- ções, Portarias e demais atos administrativos, internos ou externos, de força norma- tiva. − Súmula Vinculante do STF: embora seja uma jurisprudência, adquiriu força vinculante sobre os órgãos do Poder Judiciário por determinação constitucional, ultrapassando o caráter de orientação/substrato jurídico. − Costumes: práticas reiteradas observadas por Varas do Trabalho e demais reparti- ções da Justiça do Trabalho, desde que não ilegais. • Fontes formais indiretas: − Doutrina: capaz de dar base teórica e guiar o aplicador da lei diante de casos concre- tos, quando se busca a melhor maneira de aplicar a fonte formal direta a casos indi- viduais. Podem enquadrar-se como doutrina os Enunciados de Jornadas de Direito Material e Processual do Trabalho. − Jurisprudência: súmulas, orientações jurisprudenciais, precedentes, teses firmadas emNormativa n. 41, tratada em aula e cobrada por seu edital: A aplicação das normas processuais previstas na CLT, alteradas pela Lei n. 13.467, de 13 de julho de 2017, com eficácia a partir de 11 de novembro de 2017, é imediata, sem atingir, no entanto, situações pretéritas iniciadas ou consolidadas sob a égide da lei revogada. d) Errada. Ainda não há decisão judicial de relevância geral declarando a inconstitucionalidade integral da Lei n. 13.467/2017. Letra c. 006. (INÉDITA/2022) A Lei n. 13.467/2017, que alterou profundamente a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), já levantou muitas discussões de caráter intertemporal. Todavia, não houve notória preocupação com a aplicação da referida lei no espaço. A Lei n. 13.467/2017, ao entrar em vigor, relativamente ao espaço, abrangeu a) todo o território nacional, embora a CLT não tenha norma específica nesse sentido. b) todo o território nacional, uma vez que a CLT dispõe de norma específica nesse sentido. c) todo o território nacional e o território dos países participantes da Organização Internacional do Trabalho (OIT). d) o território dos Estados da Federação que aderiram ao novo regime justrabalhista. a) Errada. A CLT, na verdade, possui regra específica: art. 763, que dispõe: “O processo da Justiça do Trabalho, no que concerne aos dissídios individuais e coletivos e à aplicação de pe- nalidades, reger-se-á, em todo o território nacional, pelas normas estabelecidas neste Título”. b) Certa. Vide comentário à letra a. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 58 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos c) Errada. Não existe previsão para esse critério de extraterritorialidade. d) Errada. O direito processual do trabalho é uniforme em todos os Estados da Federação, ain- da mais porque a competência legislativa privativa acerca dessa matéria é da União. Letra b. 007. (INÉDITA/2022) O direito processual do trabalho já foi considerado, historicamente, como parte integrante do direito processual civil. No entanto, passou-se a perceber que o di- reito processual do trabalho é um ramo autônomo do direito processual brasileiro, especial- mente porque a) o direito processual civil é dependente do trabalhista, sem o qual não é possível dissociar-se do direito processual penal. b) o direito processual do trabalho é dependente do direito processual civil, em razão de lhe serem aplicados muitos princípios que surgiram no direito processual civil. c) o direito processual do trabalho não recepciona nenhum princípio de outros ramos do direito processual, conservando exclusivamente regras e princípios que lhe são próprios. d) o direito processual do trabalho possui regras e princípios que lhe são próprios, além de um ramo do Poder Judiciário especializado em seu conteúdo. a) Errada. O direito processual civil, além de mais antigo, é o comum, e totalmente independen- te dos outros ramos do Direito. b) Errada. A aplicação de princípios processuais civis ao trabalhista não retira a autonomia deste, uma vez que a sistematização do ordenamento jurídico impede que cada ramo tenha princípios absolutamente isolados. c) Errada. O processo do trabalho alberga, sim, princípios que também imperam no processo civil, como vimos em aula. d) Certa. São estes os elementos mais destacados na doutrina para justificar a autonomia científica do direito processual do trabalho, os quais citamos em aula. Letra d. 008. (INÉDITA/2022) O direito processual do trabalho, ramo autônomo, é informado por dife- rentes fontes. Atualmente, a fonte que tem causado maior divergência e margem para discus- sões acadêmicas e jurisprudenciais é a Lei Federal n. 13.467/2017, batizada como “Reforma Trabalhista”. A referida lei, doutrinariamente, pode ser classificada como uma fonte a) fonte formal indireta, em razão de levantar divergências jurisprudenciais. b) fonte material, por decorrer de fatos sociais de grande relevância. c) fonte formal direta, por ter natureza típica de lei. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 59 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos d) fonte formal de explicitação, por depender de pesquisas acadêmicas e análises doutrinárias para ter maior efetividade. a) Errada. A jurisprudência é, sim, uma fonte formal indireta, mas a questão pede a classifica- ção, como fonte, da referida lei, e não de sua consequência. b) Errada. a questão pede a classificação, como fonte, da referida lei, e não de sua causa, em- bora os fatos sociais de grande relevância sejam, sim, fontes materiais. c) Certa. a questão pede a classificação, como fonte, da referida lei, e a lei é classificada na doutrina como fonte formal direta do processo do trabalho. d) Errada. Primeiro, a doutrina é considerada uma fonte formal indireta. Ademais, a questão pede a classificação, como fonte, da referida lei, e não de sua consequência. Letra c. 009. (INÉDITA/2022) O direito processual do trabalho é reconhecido como um ramo autôno- mo do direito processual por ter princípios e regras que lhe são próprios, apesar de acolher princípios que surgiram no direito processual civil. Dentre as alternativas abaixo, assinale aquela que corresponde a princípio específico do direito processual do trabalho: a) princípio da normatização coletiva b) princípio da inércia c) princípio inquisitivo d) princípio da cooperação a) Certa. O princípio da normatização coletiva é próprio do processo trabalhista e encontra amparo no art. 114, § 2º, da Constituição Federal. Consiste na capacidade de a Justiça do Tra- balho criar normas, no sentido próprio da palavra, diante da instauração de dissídios coletivos de natureza econômica (com a finalidade de que se criem regras). b) Errada. O princípio da inércia, que consiste na impossibilidade de o juiz agir e instaurar pro- cessos de ofício, aplica-se ao processo do trabalho, mas não é específico deste, pois existe também no processo civil. c) Errada. O princípio inquisitivo, que consiste na possibilidade de o juiz dar andamento ao pro- cesso de ofício depois de instaurado, aplica-se ao processo do trabalho, mas não é específico deste, pois existe também no processo civil. d) Errada. O princípio da cooperação, que consiste no dever das partes e do juiz de agir com boa-fé, respeitando as faculdades processuais de todos e evitando danos evitáveis, aplica-se ao processo do trabalho, mas não é específico deste, pois existe também no processo civil. Letra a. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 60 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos 010. (INÉDITA/2022) No processo do trabalho, há regra específica no sentido de que os ques- tionamentos dirigidos às testemunhas devem ocorrer por intermédio do juiz, e não de forma direta às testemunhas. Em certa audiência, o advogado Pedro fez duas perguntas relativamen- te curtas diretamente à testemunha, que prontamente asrespondeu, sem que o juiz evitasse a conduta. O advogado da parte contrária, Hélio, alegou nulidade na coleta da prova, pois as perguntas deveriam ter sido feitas por intermédio do juiz. O juiz da audiência, no entanto, rejei- tou a arguição de nulidade com o argumento de que as nulidades, no processo do trabalho, não serão declaradas quando não houver manifesto prejuízo às partes litigantes. O argumento que o magistrado utilizou é expressão de um princípio específico do processo do trabalho. Assinale a opção que o indica: a) princípio dispositivo b) princípio da imediatidade c) princípio da transcendência d) princípio da celeridade a) Errada. O princípio dispositivo, que consiste na impossibilidade de o juiz agir e instaurar processos de ofício, aplica-se ao processo do trabalho, mas não é específico deste, pois existe também no processo civil. Ademais, tal princípio não corresponde ao argumento utilizado pelo magistrado. b) Errada. O princípio da imediatidade consiste no dever do juiz de participar diretamente da produção das provas, acompanhando-a e interferindo nela, se necessário. Tal princípio é apli- cável ao processo do trabalho, mas não é específico deste, pois existe também no processo civil. Ademais, tal princípio não corresponde ao argumento utilizado pelo magistrado. c) Certa. O princípio da transcendência é expressado no art. 794 da CLT: “Nos processos sujei- tos à apreciação da Justiça do Trabalho só haverá nulidade quando resultar dos atos inquina- dos manifesto prejuízo às partes litigantes.”. É exatamente este o fundamento invocado pelo magistrado. d) Errada. O princípio da celeridade consiste na tomada de todas as medidas viáveis e pos- síveis para que o processo tenha duração razoável, sem prejuízo a qualquer pessoa. No pro- cesso do trabalho, este princípio tem significado especial, que o diferencia do processo civil. Todavia, não foi este o argumento utilizado pelo magistrado na audiência retratada. Letra c. 011. (INÉDITA/2022) O direito processual do trabalho é regulado, principalmente, pela Conso- lidação das Leis do Trabalho (CLT). Todavia, apesar das recentes mudanças em sua redação, certa parte do texto da CLT continua sendo relativamente antigo, tornando-a desconexa da evolução do Código de Processo Civil. Portanto, algumas regras específicas do processo do trabalho são ultrapassadas, se comparadas com as regras do processo civil. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 61 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos Acerca desse contexto, assinale a alternativa que corresponde ao posicionamento majoritário da doutrina: a) O direito processual civil é aplicável subsidiariamente ao processo do trabalho e, por isso, não poderá ser aplicado concomitantemente com as disposições próprias do processo do trabalho. b) É possível, atualmente, que as normas processuais civis apliquem-se de forma supletiva ao processo do trabalho, mesmo que o texto celetista restrinja-se a dar aplicabilidade subsidiária ao direito processual civil. c) O direito processual civil não pode ser aplicado ao do trabalho, em razão de flagrante incom- patibilidade entre seus princípios. d) Em virtude do número de modificações implementadas no processo do trabalho recente- mente, é o processo civil que recebe aplicação supletiva do processo do trabalho. a) Errada. O art. 15 do CPC determina que o processo civil aplica-se supletiva e subsidiariamen- te ao processo do trabalho. Portanto, é possível a sua aplicação concomitante com as normas próprias do processo do trabalho. Isto serve, conforme Bezerra Leite, para o suprimento de lacunas ontológicas. b) Certa. O art. 769 da CLT está ontologicamente lacunoso. Portanto, deve-se aplicar o art. 15 do CPC, que autoriza a aplicação supletiva e subsidiária, e não somente subsidiária. c) Errada. O processo civil sempre foi aplicado, ao menos, subsidiariamente ao processo do trabalho. Nos dias atuais, essa aplicação tem se tornado supletiva, e não somente subsidiária. d) Errada. Tal afirmação não tem amparo em nenhum posicionamento doutrinário ou juris- prudencial. Letra b. 012. (INÉDITA/2022) O processo do trabalho é regrado por um conjunto normativo que possui algumas lacunas. Às vezes, essas lacunas não são preenchidas nem mesmo com a aplicação supletiva do Código de Processo Civil. Sabe-se, também, que os juízes não podem recusar-se a julgar com base em inexistência de fundamento legal (non liquet). Nesse contexto, assinale a alternativa que corresponde a forma de suprimento da lacuna. a) analogia, que é uma ferramenta de integração do processo do trabalho. b) equidade, que é uma forma de interpretação do processo do trabalho. c) princípios gerais do direito público, que são uma ferramenta de integração do processo do trabalho. d) não há como suprir a lacuna, razão pela qual, excepcionalmente, será permitido que o juiz extinga o processo sem resolução do mérito por falta de solução jurídica possível. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 62 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos a) Certa. A analogia é ferramenta de integração do processo do trabalho, conforme o art. 8º da CLT e 4º da LINDB. b) Errada. A equidade é ferramenta de integração, e não de interpretação, conforme o art. 8º da CLT. c) Errada. Os princípios gerais de direito são ferramenta de integração (art. 4º da LINDB), mas não necessariamente os princípios gerais do direito público, como afirma a alternativa. d) Errada. É vedado o non liquet, em qualquer hipótese. Art. 140 do CPC: “O juiz não se exime de decidir sob a alegação de lacuna ou obscuridade do ordenamento jurídico”. Letra a. 013. (INÉDITA/2022) O direito processual do trabalho é regulado principalmente pela Consoli- dação das Leis do trabalho (CLT), e recebe aplicação supletiva e subsidiária do Código de Pro- cesso Civil (CPC). Apesar disso, o ramo processual trabalhista depara-se com várias lacunas normativas. Assinale a alternativa que NÃO indica um meio integrativo, destinado a suprir lacunas do direi- to processual do trabalho: a) direito comparado b) analogia c) costumes d) interpretação sistemática a) Errada, pois a questão pede pela alternativa que NÃO indica um meio integrativo. O direito comparado é um meio integrativo (art. 8º, CLT). b) Errada, pois a questão pede pela alternativa que NÃO indica um meio integrativo. A analogia é um meio integrativo (art. 4º da LINDB e art. 8º da CLT). c) Errada, pois a questão pede pela alternativa que NÃO indica um meio integrativo. Os costu- mes são, sim, um meio integrativo (art. 4º da LINDB e art. 8º da CLT). d) Certa, pois a questão pede pela alternativa que NÃO indica um meio integrativo. A interpre- tação sistemática, como o próprio nome diz, é meio de interpretação, e não de integração. Letra d. 014. (INÉDITA/2022) No processo do trabalho, a audiência foi estruturada legalmente para ser única, sem interrupções, salvo por motivo de força maior. Todavia, as Varas do Trabalho têm observado, há tempos, o costume de fracionar a audiência do procedimento ordinário em três: audiência inicial, audiência de instrução e audiência de julgamento, esta última sem exigir o comparecimento das partes. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANOPRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 63 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos Este fato é devido ao uso de uma ferramenta que integrou lacuna axiológica do direito proces- sual do trabalho. Tal ferramenta é: a) analogia b) costume c) princípio geral de direito d) equidade a) Errada. A analogia consiste na aplicação de determinada norma para caso semelhante des- provido de norma própria. b) Certa. Os costumes suprem, inclusive, lacunas axiológicas, que consistem na injustiça de uma situação jurídica (a audiência única é negativa para o juiz e para as partes, dadas as pecu- liaridades práticas atinentes ao ônus probatório e à organização da pauta, além da observân- cia da duração razoável do processo). c) Errada. Princípio geral de direito é algo abstrato, decorrente de raciocínios filosóficos e so- ciológicos do direito. d) Errada. A equidade está prevista no art. 8º da CLT e encontra expressão, como meio integra- tivo, no art. 852-I, § 1º, da CLT: “O juízo adotará em cada caso a decisão que reputar mais justa e equânime, atendendo aos fins sociais da lei e as exigências do bem comum”. Letra b. 015. (INÉDITA/2022) Segundo o procedimento traçado na CLT, a audiência trabalhista do rito ordinário deveria, assim como a do sumaríssimo, ser única. Atualmente, há o costume de fra- cioná-la em três. Qual é o princípio correspondente ao propósito de que a audiência fosse única? a) princípio da instrumentalidade b) princípio da concentração dos atos processuais c) princípio da proteção d) princípio da eventualidade a) Errada. Tal princípio refere-se à prática de atos por qualquer meio capaz de alcançar a res- pectiva finalidade, sem formalismos exagerados. b) Certa. O princípio da concentração dos atos processuais pode ser definido exatamente da forma como o enunciado faz. c) Errada. O princípio da proteção refere-se à construção das regras de ônus probatório e con- sequências da prática dos atos de modo mais favorável à parte hipossuficiente (trabalhador). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 64 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos d) Errada. O princípio da eventualidade consiste na necessidade de que toda a matéria de defe- sa seja alegada no momento oportuno (defesa oral em audiência ou na defesa inscrita juntada ao processo até o momento da audiência). Letra b. 016. (INÉDITA/2022) Julgue o item subsequente, considerando se ele está de acordo, ou não, com o tradicional conceito de direito processual do trabalho. Direito processual do trabalho é um ramo da ciência jurídica, constituído por um sistema de valores, princípios, regras e instituições próprias, que tem por objetivo promover a concretiza- ção dos direitos sociais fundamentais individuais, coletivos e difusos dos trabalhadores e a pacificação justa dos conflitos decorrentes direta ou indiretamente das relações de emprego e de trabalho, bem como regular o funcionamento e a competência dos órgãos que compõem a Justiça do Trabalho. O item sob julgamento corresponde ao conceito trazido por Carlos Henrique Bezerra Leite, que considera, além dos elementos objetivos (relações de trabalho), os elementos finalísticos da Justiça do Trabalho, relativos ao acesso do trabalhador à justiça. Certo. 017. (INÉDITA/2022) Julgue o item subsequente, considerando se ele está de acordo, ou não, com as teorias que justificam a autonomia científica do direito processual do trabalho. A teoria dualista consiste no argumento de que o direito processual no Brasil é um só, porque os princípios dos diferentes ramos do direito processual são aplicáveis em igualdade, com pequenas alterações. Na verdade, o item sob julgamento corresponde ao posicionamento da teoria monista. A teoria dualista, por sua vez, defende que o direito processual do trabalho é autônomo e distinto do direito processual civil, porque possui conjuntos normativos e princípios de sentidos próprios, distintos dos diferentes direitos processuais existentes. Errado. 018. (INÉDITA/2022) Tendo em vista os alicerces doutrinários e jurisprudenciais acerca do princípio da identidade física do juiz, julgue o item subsequente: O princípio da identidade física do juiz não é aplicável no seio das Varas do Trabalho, mas é reconhecido no seio dos Tribunais Regionais, do Tribunal Superior do Trabalho e do Supremo Tribunal Federal, encontrando expressão na lei no que se refere aos pedidos de concessão de O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 65 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos efeito suspensivo a recursos, cujo relator designado para apreciá-lo ficará prevento para julgar finalmente o recurso. De fato, o princípio da identidade física do juiz não mais é verificado em primeiro grau de juris- dição, quer na Justiça do Trabalho, quer na Justiça Comum. Todavia, ele encontra resquícios em segundo grau e nos graus superiores, especificamente nos artigos do CPC que tratam da concessão de efeito suspensivo a recursos. O relator sorteado para apreciar o pleito de efeito suspensivo será automaticamente encarregado de julgar o recurso definitivo. Veja o que diz o § 3º, inciso I, do art. 1.012 do CPC: “O pedido de concessão de efeito suspensivo nas hipóteses do § 1º poderá ser formulado por requerimento dirigido ao: I – tribunal, no período compreendido entre a interposição da apelação e sua distribuição, fican- do o relator designado para seu exame prevento para julgá-la;” Certo. 019. (INÉDITA/2022) Acerca do tema integração no processo do trabalho, julgue o item subsequente: Lacunas axiológicas verificam-se quando existe uma norma para o caso concreto, mas essa norma sofreu um drástico envelhecimento diante do direito moderno, sendo historicamente incompatível com o caso concreto analisado. Na verdade, o item sob julgamento reproduz fielmente o conceito de lacuna ontológica. Por sua vez, a lacuna axiológica verifica-se quando existe uma norma para o caso concreto, mas essa norma tornou-se injusta, e sua aplicação ao caso formará situação clara de injustiça. Exemplos práticos dessas duas espécies de lacuna constam em nossa aula. Errado. 020. (INÉDITA/2022) Em atenção às proposições doutrinárias a respeito da interpretação das normas processuais trabalhistas, julgue o item subsequente: O resultado efetivo dos métodos de interpretação da legislação processual trabalhista serão sempre extensivos, em razão da necessidade de se proteger o reclamante, dada sua hipossu- ficiência jurídica e socioeconômica. Na verdade, o resultado da interpretação das normas de processo do trabalho poderá ser ex- tensivo, restritivo ou estático, relativamente ao conteúdo, ao sentido e ao alcance das normas. Será extensivo quando sentido e o alcance da norma é maior do que o significado dos termos e das expressões de seu texto. Será restritivo quando o sentido e o alcance da norma é me- O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANOPRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 66 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos nor do que o significado dos termos e das expressões de seu texto. Por fim, o resultado será estático quando o sentido e o alcance da norma são idênticos aos dos termos e expressões constantes da norma. Errado. 021. (FCC/PGE-TO/PROCURADOR DO ESTADO/2018) O princípio da oralidade é próprio do Direito Processual Civil, embora no Processo do Trabalho ele tenha maior destaque. A doutrina NÃO considera subprincípio derivado da oralidade o princípio da a) identidade física do juiz. b) concentração dos atos processuais em audiência. c) perpetuatio jurisdictionis. d) imediatidade do juiz na colheita da prova. e) irrecorribilidade das decisões interlocutórias. Todas as alternativas, com exceção da letra “c”, apresentam princípios que têm relações com audiências, onde predomina a oralidade. A irrecorribilidade das decisões interlocutórias tam- bém decorre do princípio da oralidade, porque, na origem, o direito processual do trabalho era pensado para que as decisões sobre exceções e incidentes fossem prolatadas na própria au- diência, onde se concentravam os atos do processo. Hoje em dia, sabemos que muitas dessas questões são resolvidas por decisão nos autos, antes da audiência. De toda forma, a questão ficou adstrita à doutrina. A letra “c” é a única que apresenta princípio não atrelado a questões suscetíveis de resolução em atos processuais presenciais, já que a perpetuação da jurisdição é fenômeno que ocorre quando do registro e da distribuição da petição inicial. Letra c. 022. (FCC/TRT - 24ª REGIÃO – MS/ANALISTA JUDICIÁRIO/OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIA- DOR FEDERAL/2017) O advogado da empresa Vênus de Millus Produções Artísticas apresen- tou uma reconvenção na audiência UNA em que a reclamada foi notificada para apresentação de sua contestação em reclamação trabalhista. Provocado a se manifestar sobre a peça pro- cessual apresentada pela empresa ré, o advogado do reclamante Hércules impugnou a juntada da reconvenção sem justificar o motivo. Conforme teoria dos princípios gerais do Processo do Trabalho, a) não se admite em ação trabalhista nenhuma medida processual que não tenha previsão expressa contida na Consolidação das Leis do Trabalho e que seja contrária ao trabalhador. b) caberia a medida desde que houvesse concordância da parte contrária e que a mesma fos- se apresentada antes da data da audiência para possibilitar o contraditório. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 67 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos c) embora haja omissão da norma processual trabalhista em relação à reconvenção, há súmu- la do Tribunal Superior do Trabalho interpretando pela sua absoluta incompatibilidade com o direito processual do trabalho. d) nos casos omissos, o direito processual comum será fonte subsidiária do direito processual do trabalho, exceto naquilo em que for incompatível com as normas contidas na Consolidação das Leis do Trabalho. e) não caberia tal medida nesta fase processual porque somente é possível aplicar supleti- vamente norma do Código Processual Civil que não esteja prevista na lei trabalhista na fase de execução. A questão pede as circunstâncias em que podem ser aplicadas normas do CPC (dispositivos sobre reconvenção) ao processo do trabalho. A aplicabilidade dessas normas depende apenas da observância do art. 769 da CLT: lacuna no processo do trabalho e compatibilidade da norma a ser aplicada com os princípios desse ramo especial do direito processual. A aplicabilidade da reconvenção, no processo do trabalho, é questão pacificada, já que mencionada até mesmo no corpo da CLT (art. 791-A, § 5º, CLT). Letra d. 023. (FCC/PGE-MT/PROCURADOR DO ESTADO/2016) No estudo da Teoria Geral do Direito Processual do Trabalho com enfoque nos princípios, fontes, hermenêutica e nos métodos de solução dos conflitos trabalhistas, a) a autocomposição é uma técnica de solução dos conflitos que consiste na solução direta entre os litigantes diante da imposição de interesses de um sobre o outro, sendo exemplos desta modalidade permitida pela legislação que regula a ordem trabalhista a greve, o locaute, o poder disciplinar do empregador e a autotutela sindical. b) por força do princípio da subsidiariedade previsto expressamente no texto consolidado, o direito processual comum será aplicado na Justiça do Trabalho exclusivamente pelo critério da omissão da lei processual trabalhista. c) os dissídios individuais ou coletivos submetidos à apreciação da Justiça do Trabalho serão sempre sujeitos à conciliação e, não havendo acordo, o juízo conciliatório converter-se-á, obri- gatoriamente, em arbitral; sendo lícito às partes celebrar acordo que ponha termo ao processo, mesmo depois de encerrado o juízo conciliatório. d) os costumes, a jurisprudência, a analogia e a autonomia privada coletiva são consideradas fontes materiais do direito processual do trabalho, conforme previsão expressa contida na Consolidação das Leis do Trabalho. e) os princípios da irrecorribilidade das decisões interlocutórias e da execução ex officio das sentenças se restringem aos processos que tramitam pelo rito sumaríssimo na Justiça do Trabalho. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 68 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos a) Errada. A autocomposição, que pode ser dividida em conciliação e mediação, nada tem a ver com a imposição de um interesse sobre outro. Trata-se de concessões recíprocas, de modo a se identificar uma solução razoável ao conflito. Inclusive, o “locaute” (lockout) é proibido por lei (art. 17 da Lei n. 7.783/1989). b) Errada. A lacuna no texto da CLT não é o único critério. Tal critério alia-se com a compa- tibilidade da norma a ser aplicada com os princípios do direito processual do trabalho (art. 769 da CLT). c) Certa. A alternativa tratou do princípio da conciliação, balizando-se pelos textos normativos do art. 764, caput e §§ 2º e 3º, da CLT. d) Errada. Costumes e jurisprudência são fontes formais. A analogia é uma forma de integra- ção, e a autonomia privada coletiva, se erigida ao status de princípio com previsão legal (art. 8º, § 3º, CLT), é fonte formal. e) Errada. Essa restrição procedimental não existe: aplica-se a todos os procedimentos (ordi- nário, sumaríssimo e sumário). Letra c. 024. (FCC/TRT - 14ª REGIÃO/RO E AC/ANALISTA JUDICIÁRIO/OFICIAL DE JUSTIÇA AVA- LIADOR FEDERAL/2016) Em relação aos princípios gerais do processo trabalhista, não haven- do norma trabalhista para a prática de determinado ato processual a) aplica-se subsidiariamente a Lei de Execuções Fiscais seja qual for a fase processual. b) a Consolidação das Leis do Trabalho não prevê nenhuma norma específica sobre o tema, cabendo ao magistrado escolher a norma processual que melhor se aplica ao caso. c) será aplicado o Código de Processo Civil para solucionar o caso, excetonas fases recursal e de execução, pois nessas fases se aplica a Lei de Execuções Fiscais. d) nos casos omissos, o direito processual comum será fonte subsidiária do direito processual do trabalho, exceto quando houver incompatibilidade com as normas do processo judiciário do trabalho. e) poderá ser aplicado de forma supletiva o direito processual comum, seja qual for a fase pro- cessual, bastando apenas que haja omissão da norma trabalhista. A questão pede as circunstâncias em que podem ser aplicadas normas de outros ramos ao processo do trabalho. A aplicabilidade dessas normas depende apenas da observância do art. 769 da CLT: lacuna no processo do trabalho e compatibilidade da norma a ser aplicada com os princípios desse ramo especial do direito processual. Letra d. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 69 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos 025. (FCC/TRT - 9ª REGIÃO – PR/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2015) Segundo as normas processuais, em um reclamação trabalhista a reclamada deverá alegar toda a matéria de defesa na contestação, expondo as razões de fato e de direito com que im- pugna o pedido do autor e especificando as provas que pretende produzir (art. 300 do Código de Processo Civil). Trata-se especificamente do Princípio a) da estabilidade da lide. b) da eventualidade. c) da instrumentalidade d) inquisitivo. e) da economia processual. Trata-se do princípio da eventualidade, insculpido no art. 336 do CPC. Letra b. 026. (FCC/TRT - 1ª REGIÃO - RJ/JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO/2014) O artigo 1º da Lei no 5.584/70 estatui a observância de seus princípios aos processos submetidos à Justiça do Trabalho. Sobre eles, é correto afirmar: a) O princípio do devido processo legal estabelece garantias mínimas de meios e resultados com o emprego de instrumental técnico-processual, capaz em si de mitigar a oralidade, quan- do contrária à memorização dos atos processuais, e a conciliação, quando prejudicial aos interesses sociais do trabalhador. b) A par do princípio dispositivo, próprio do processo do trabalho, restringe-se a liberdade do Juiz na condução do feito, sob pena de quebra do equilíbrio das relações jurídicas em face do princípio da imparcialidade. c) O princípio constitucional da igualdade substancial das partes no processo manifesta-se por meio do princípio da paridade das armas, com o qual autorizam-se desequilíbrios no direito de ação como forma de compensação da inferioridade própria do hipossuficiente. d) A indeterminação dos princípios obsta a aplicação de suas ideias e valores informativos na seara trabalhista diante da prevalência do primado da realidade sobre as formas solenes, tal como é típico ao reconhecimento do contrato de emprego. e) A gratuidade processual apresenta-se como mera técnica de acesso à jurisdição, pois sua difusão entre outros ramos processuais retira-lhe a força de princípio forçoso à Justiça do Trabalho. a) Errada. Embora a oralidade e a conciliação, enquanto princípios, realmente sofram mitiga- ções em alguns momentos, por razões excepcionais, não é o princípio do devido processo legal que determina essa mitigação. Em verdade, o princípio do devido processo legal faz o O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 70 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos oposto: torna imperativa a aplicação efetiva dos procedimentos e regras delineados na legisla- ção processual, independentemente de circunstâncias consequencialistas ou protetivas. b) Errada. O princípio dispositivo apenas impede o início da demanda por ato do juiz, mas não obsta a sua ampla liberdade na direção do processo (art. 765 da CLT). c) Certa. A igualdade material/substancial, também nominada como isonomia, tem exatamen- te este significado: a disparidade de consequências e instrumentos em relação a cada parte, de modo a torná-las igualmente capazes na relação processual. d) Errada. Não há fundamento que justifique o óbice (inaplicabilidade) das ideias e dos valores informativos dos princípios no direito processual do trabalho. Na verdade, tais ideias e valores é que dão conteúdo aos princípios, bem como justificam sua aplicação. e) Errada. A gratuidade é tratada por parte da doutrina como princípio. Modernamente, seu tratamento como princípio tem sido menos visto, já que a gratuidade, ou não, no processo do trabalho, depende do atendimento de regras específicas sobre o benefício da justiça gratuita. De toda forma, não há como afirmar que tal princípio deixou de existir, enquanto parte signifi- cativa da doutrina ainda o menciona. Letra c. 027. (FCC/TRT - 16ª REGIÃO – MA/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA JUDICIÁRIA/2014) No tocante ao Procedimento Sumaríssimo, dispõe o artigo 852-D da CLT que: O juiz dirigirá o pro- cesso com liberdade para determinar as provas a serem produzidas, considerado o ônus pro- batório de cada litigante, podendo limitar ou excluir as que considerar excessivas, impertinen- tes ou protelatórias, bem como para apreciá-las e dar especial valor às regras de experiência comum ou técnica. Neste caso, está presente o Princípio a) da Imediatidade. b) Dispositivo. c) da Identidade física do juiz. d) Inquisitivo. e) do Juiz natural. O dispositivo citado no enunciado trata do poder de direção do juiz sobre os atos processuais. Logo, valoriza-se, no particular, o princípio inquisitivo (ou do impulso oficial). Não é o princípio da imediatidade, porque, embora o dispositivo faça referência a provas, seu foco está nos po- deres do juiz, e não em seu contato direto com a coleta da prova. Letra d. 028. (FCC/TRT - 19ª REGIÃO – AL/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2014) O artigo 39 da Consolidação das Leis do Trabalho permite que a Delegacia Regional do Traba- lho - DRT encaminhe processo administrativo à Justiça do Trabalho, onde conste reclamação O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 71 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos de trabalhador no tocante a recusa de anotação da CTPS pela empresa. Este é um exemplo de exceção ao princípio a) da eventualidade. b) inquisitivo. c) da imediação. d) dispositivo. e) da extrapetição. Se o processo administrativo é encaminhado à Justiça do Trabalho para sua impulsão em rito judicial, sem iniciativa específica do reclamante, por expressa disposição legal, configura-se, nessa disposição, exceção ao princípio dispositivo, o qual determina que o processo judicial somente começa por iniciativa da parte interessada. Letra d. 029. (FCC/TRT - 19ª REGIÃO – AL/ANALISTA JUDICIÁRIO/OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIA- DOR/2014) Considere a seguinte situação hipotética: Reclamação trabalhista em que a recla- mante requer o reconhecimento do vínculo de emprego com a empresa “GHJ Ltda.”. A empre- sa reclamada, por sua vez, nega o referido vínculo, alegando que a reclamante não trabalhou para ela, não tendo, inclusive,jamais ingressado no interior do estabelecimento. O Magistrado converteu a audiência em diligência e se dirigiu à empresa reclamada com as partes. No local, o Magistrado solicitou que a reclamante indicasse o banheiro feminino. Esta não soube indicar e o Magistrado percebeu qual das partes estava faltando com a verdade. Esta hipótese é um exemplo específico do princípio. a) dispositivo. b) da imediação. c) da estabilidade da lide. d) da eventualidade. e) da perempção. O juiz realizou, de ofício, inspeção judicial. Como participou diretamente da produção dessa prova, houve aplicação prática do princípio da imediatidade (ou imediação). Letra b. 030. (CEBRASPE/TRT - 8ª REGIÃO/PA E AP/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATI- VA/2016) Assinale a opção correta a respeito dos princípios gerais do processo trabalhista. a) Dado o princípio da oralidade aplicável ao processo laboral, o juiz deverá propor a concilia- ção antes da abertura da audiência. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 72 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos b) O devido processo legal é princípio aplicável ao processo trabalhista e garante a celeridade no andamento do processo. c) Configura hipótese de aplicação do princípio da proteção no processo do trabalho a re- gra de que o não comparecimento do reclamante à audiência importa no arquivamento da reclamação. d) Caracteriza o princípio da simplificação de procedimentos a norma que permite aos em- pregadores reclamar pessoalmente perante a justiça do trabalho e acompanhar as suas recla- mações durante todo o processo, inclusive interpor recursos no Tribunal Superior do Trabalho (TST), independentemente de advogado. e) Decorre do princípio da adstrição ou congruência, aplicável ao processo do trabalho, o fato de o juiz poder determinar o pagamento de indenização a empregado estável que tiver pedido apenas reintegração, se houver incompatibilidade de retorno ao serviço. a) Errada. A primeira tentativa de conciliação, embora seja o primeiro ato processual da audi- ência, ocorre após sua abertura (art. 846 da CLT). b) Errada. O devido processo legal é princípio plenamente aplicável, mas, por si só, não garan- te a celeridade processual. Não é por outra razão que, muitas vezes, alguns juízes e tribunais flexibilizam procedimentos legais para obter solução do processo em menor tempo, como, por exemplo, a permissão para que a reclamada apresente contestação antes de audiência de conciliação. c) Certa. De fato, a distinção de consequências processuais para a ausência à primeira au- diência (art. 844 da CLT) é apontada pela doutrina como expressão do princípio da proteção processual. d) Errada. A Súmula 425 do TST esclarece a impossibilidade de postulação direta, sem advo- gado (jus postulandi), em recursos de competência do TST. e) Errada. Tal providência, embora autorizada por súmula do TST, configura exceção ao princí- pio da adstrição/congruência, e não decorrência dele. Letra c. 031. (FGV/OAB/2013) Uma reclamação trabalhista é ajuizada em São Paulo (TRT da 2ª Re- gião) e, na audiência designada, a reclamada apresenta resposta escrita sob a forma de con- testação e exceção de incompetência relativa em razão do lugar, pois o autor sempre trabalha- ra em Minas Gerais, que na sua ótica deve ser o local onde tramitará o feito. Após conferida vista ao exceto, na forma do Art. 800, da CLT, e confirmada a prestação dos serviços na outra localidade, o juiz acolhe a exceção e determina a remessa dos autos à capital mineira (MG – TRT da 3ª Região). Dessa decisão, de acordo com o entendimento do TST, e independentemente do seu mérito, O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 73 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos a) cabe de imediato recurso de agravo de instrumento para o TRT de São Paulo, por tratar-se de decisão interlocutória. b) nada há a fazer, pois das decisões interlocutórias, na Justiça do Trabalho, não é possível recurso imediato. c) compete à parte deixar consignado o seu protesto e renovar o inconformismo no recurso ordinário que for interposto após a sentença que será proferida em Minas Gerais. d) cabe de imediato a interposição de recurso ordinário para o TRT de São Paulo. É imprescindível conhecer o teor da Súmula 214 do TST para resolver esta questão: Na Justiça do Trabalho, nos termos do art. 893, § 1º, da CLT, as decisões interlocutórias não ensejam recurso imediato, salvo nas hipóteses de decisão: a) de Tribunal Regional do Trabalho contrária à Súmula ou Orientação Jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho; b) suscetí- vel de impugnação mediante recurso para o mesmo Tribunal; c) que acolhe exceção de incom- petência territorial, com a remessa dos autos para Tribunal Regional distinto daquele a que se vincula o juízo excepcionado, consoante o disposto no art. 799, § 2º, da CLT. a) Errada. Como abordamos em aula, a lógica do agravo de instrumento do processo civil não tem nenhuma aplicabilidade no processo do trabalho. Aqui, o agravo de instrumento tem finali- dade totalmente diferente, que é de destrancar recursos inadmitidos. Estudaremos tal recurso na aula sobre os recursos. b) Errada. A hipótese narrada pela questão trata justamente de uma exceção, na qual a decisão interlocutória será recorrível (Súmula 214, item c, TST). c) Errada. O recurso deverá ser destinado ao Tribunal onde a ação foi ajuizada por primeiro, pois foi no âmbito desse Tribunal que a decisão interlocutória terminativa foi prolatada. O re- curso, nesse caso, independe de qualquer protesto antipreclusivo prévio. d) Certa. Vide comentário à letra b e à letra c. Letra d. 032. (FGV/OAB/2012) Na Justiça do Trabalho, segundo o entendimento sumulado pelo TST, é correto afirmar-se que o jus postulandi a) não se aplica à ação rescisória, à ação cautelar, ao mandado de segurança e aos recursos de competência do TST. b) não tem mais aplicação na Justiça do Trabalho desde o advento da emenda constitucional 45. c) aplica-se em todas as causas cujo valor seja inferior a 20 salários mínimos, porque, a partir deste patamar, o advogado é indispensável. d) aplica-se irrestritamente na seara trabalhista, em todas as esferas, instâncias e ações, sen- do uma de suas características marcantes. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 74 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos a) Certa. Estas são exatamente as exceções expressas na Súmula 425 do TST. b) Errada. E referida emenda não excluiu o jus postulandi. Aliás, nem mesmo a Reforma Traba- lhista fez isso. c) Não existe procedimento trabalhista específico (limitado por valores) que admita, ou não, o jus postulandi. O jus postulandi é cabível em todos os processos trabalhistas, com exceção dos casos apontados na Súmula 425 do TST. d) Errada. A aplicação não é irrestrita. Vide Súmula 425 do TST: “O jus postulandi das partes, estabelecidono art. 791 da CLT, limita-se às Varas do Trabalho e aos Tribunais Regionais do Trabalho, não alcançando a ação rescisória, a ação cautelar, o mandado de segurança e os recursos de competência do Tribunal Superior do Trabalho”. Letra a. 033. (CESPE/DPU/DEFENSOR PÚBLICO FEDERAL/2015) Julgue o item subsequente, relati- vo à competência e à prescrição no processo trabalhista e aos princípios gerais que norteiam esse processo. Amplamente admitido no direito material do trabalho, o princípio da busca da verdade real não se aplica ao direito processual do trabalho, uma vez que a finalidade do processo é a justa e igualitária composição do litígio com mesmos direitos ao contraditório e à ampla defesa. O princípio da busca da verdade real possui, sim, aplicabilidade no processo do trabalho. Uma clara expressão desse princípio consta do art. 765 da CLT: “Os Juízos e Tribunais do Trabalho terão ampla liberdade na direção do processo e velarão pelo andamento rápido das causas, podendo determinar qualquer diligência necessária ao esclarecimento delas”. Errado. 034. (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO/CONSULTOR LEGIS- LATIVO ÁREA V/2014) Em relação aos princípios e às fontes do direito processual do traba- lho, julgue o item a seguir. O princípio da imparcialidade do juiz não é aplicável ao processo do trabalho, uma vez que a justiça laboral possui caráter tutelar que visa à proteção do trabalhador, hipossuficiente em face do seu empregador. O juiz do trabalho, como todos os outros, é imparcial. A proteção do trabalhador não tem ne- nhuma relação com tendência favorável no julgamento. Visa-se proteger o trabalhador com re- gras de ônus probatório mais realistas e condizentes com sua condição na relação de trabalho, O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 75 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos bem como com interpretação mais favorável de normas processuais. Estas vantagens visam concretizar o princípio da isonomia (igualdade material), e não, simplesmente, “ajudar” uma das partes a vencer o processo. Errado. 035. (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO/CONSULTOR LEGIS- LATIVO ÁREA V/2014) Em relação aos princípios e às fontes do direito processual do traba- lho, julgue o item a seguir. A ampla liberdade conferida aos magistrados trabalhistas na direção do processo, com poder de determinar qualquer diligência necessária ao esclarecimento da causa, deriva do princípio da busca da verdade real, que é aplicado no direito processual do trabalho. Esta “ampla liberdade conferida aos magistrados trabalhistas na direção do processo, com poder de determinar qualquer diligência necessária ao esclarecimento da causa” corresponde à norma principiológica do art. 765 da CLT, que insculpe o princípio da busca da verdade real. Certo. 036. (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO/CONSULTOR LEGIS- LATIVO ÁREA V/2014) Em relação aos princípios e às fontes do direito processual do traba- lho, julgue o item a seguir. Considerando que o juiz não se pode eximir de sentenciar sob a alegação de lacuna na lei, nos casos omissos, o direito processual comum será fonte subsidiária do direito processual do tra- balho, independentemente da existência de incompatibilidades entre esses ramos do direito. Na verdade, a aplicação subsidiária (e supletiva) do CPC tem lugar somente quando tal apli- cação, contextualmente, for compatível com as regras e princípios do processo do trabalho. É a norma principiológica do art. 769 da CLT: “Nos casos omissos, o direito processual comum será fonte subsidiária do direito processual do trabalho, exceto naquilo em que for incompatí- vel com as normas deste Título.”. Errado. 037. (CESPE/AGU/PROCURADOR FEDERAL/2013) Em relação ao direito processual do tra- balho, julgue os itens a seguir. Segundo entendimento do TST, a regra prevista no CPC que prevê o prazo em dobro quando litisconsortes tiverem procuradores diferentes é inaplicável ao processo do trabalho, em face da sua incompatibilidade com o princípio da celeridade. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 76 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos Trata-se da regra interpretativa da OJ 310 da SDI-1 do TST, tratada em aula: “Inaplicável ao processo do trabalho a norma contida no art. 229, caput e §§ 1º e 2º, do CPC de 2015 (art. 191 do CPC de 1973), em razão de incompatibilidade com a celeridade que lhe é inerente.”. Certo. 038. (CESPE/TRT - 17ª REGIÃO – ES/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2013) Em relação aos princípios, às partes e ao processo do trabalho, julgue os próximos itens. O princípio da proteção aplicado ao direito do trabalho não incide no âmbito do processo do trabalho, pois o juiz não pode instituir privilégios que descaracterizem o tratamento isonômico entre as partes. O princípio da proteção existe, sim, no processo do trabalho, mas deve ser corretamente inter- pretado. Ele consiste na compensação da desigualdade existente na realidade socioeconômi- ca com uma desigualdade jurídica em sentido oposto. Visa-se proteger o trabalhador com re- gras de ônus probatório mais realistas e condizentes com sua condição na relação de trabalho, bem como com interpretação mais favorável de normas processuais. Estas vantagens visam concretizar o princípio da isonomia (igualdade material), e não, simplesmente, “ajudar” uma das partes a vencer o processo. Errado. 039. (CESPE/SERPRO/ANALISTA/PERÍCIA EM CÁLCULO JUDICIAL/2013) Com base na CLT e na jurisprudência do TST, julgue os próximos itens, referentes a direito material e proces- sual do trabalho. Em caso de conflito entre as regras processuais previstas na CLT e as previstas no CPC, preva- lecerá, de forma soberana, a segunda, dado se tratar de norma mais específica. A aplicabilidade do CPC, de forma subsidiária ou supletiva, somente tem lugar quando de sua aplicação não resultar ofensa a quaisquer regras e/ou princípios do processo do trabalho, constantes da CLT. É a norma principiológica do art. 769 da CLT: “Nos casos omissos, o direito processual comum será fonte subsidiária do direito processual do trabalho, exceto naquilo em que for incompatível com as normas deste Título.”. Errado. 040. (CESPE/TRT - 10ª REGIÃO - DF E TO/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA JUDICIÁRIA/2013) Julgue os próximos itens, no que se refere aos princípios gerais do processo trabalhista. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 77 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos Segundo o TST, quando litisconsortes forem representados por diferentes procuradores, serão contados em dobro os prazos a eles disponíveis para contestar, para recorrer e, de modo geral, para falar nos autos. A regra do prazo dobrado a litisconsortes com procuradores distintos (em processos físicos, a partir do Novo CPC) não é aplicável ao processo do trabalho, por ofendero princípio da celeri- dade. Trata-se da regra interpretativa da OJ 310 da SDI-1 do TST, tratada em aula: “Inaplicável ao processo do trabalho a norma contida no art. 229, caput e §§ 1º e 2º, do CPC de 2015 (art. 191 do CPC de 1973), em razão de incompatibilidade com a celeridade que lhe é inerente.”. Errado. 041. (CESPE/AGU/ADVOGADO DA UNIÃO/2009) Acerca do Direito Processual do Trabalho, julgue os próximos itens. O princípio do dispositivo confere ao juiz a prerrogativa de procurar e reunir o material do pro- cesso, devendo o magistrado observar sempre o respeito à igualdade das partes perante a lei. A inspeção judicial constitui uma das formas de observância de tal princípio. A possibilidade o juiz tomar a iniciativa de controlar a produção de provas, respeitando as garantias das partes, bem como de produzir as provas que entender necessárias, constitui expressão de outros dois princípios: inquisitivo (ou do impulso oficial) e da imediatidade. O primeiro refere-se à liberdade para atuação do juiz em prol da organização do processo, e o segundo diz respeito à possibilidade de o juiz atuar ativamente na instrução probatória. O prin- cípio dispositivo (ou da demanda) refere-se à necessidade de prévia provocação das partes para que o juiz possa analisar determinado conflito. Errado. 042. (CESPE/AGU/ADVOGADO DA UNIÃO/2009) Acerca do Direito Processual do Trabalho, julgue os próximos itens. Os princípios do Direito Processual do Trabalho funcionam como orientadores das partes, que devem apresentar fatos e postular a solução, e do juiz, o qual deve interpretar os fatos que lhe são apresentados e, aplicando a lei aos casos concretos, solucionar a lide. Tais princípios ins- piram preceitos legais, orientam os intérpretes e sanam as omissões legais. O item elucida, perfeitamente, as funções normativa, interpretativa e integrativa dos princípios no direito processual. Certo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 78 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos 043. (CESPE/TJ-AM/ASSISTENTE JUDICIÁRIO/ADAPTADA/2019) Acerca dos princípios constitucionais comuns aos processos civil e trabalhista, julgue o item a seguir. A cooperação entre as partes não é necessária para assegurar uma razoável duração do pro- cesso, uma vez que cada uma delas tem seus próprios interesses na demanda. Apesar da existência de interesses opostos numa lide, as partes devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva (art. 6º do CPC). Trata-se do princípio da cooperação processual. Errado. 044. (CESPE/TJ-AM/ASSISTENTE JUDICIÁRIO/2019/ADAPTADA) Acerca dos princípios constitucionais do processo civil, julgue o item a seguir. O devido processo legal é uma garantia contra eventual uso abusivo de poder, de modo a asse- gurar provimento jurisdicional em consonância com a Constituição Federal de 1988. O devido processo legal é, por excelência, uma garantia contra a arbitrariedade de juízes e tri- bunais, uma vez que a observância do procedimento objetivamente expresso em lei viabiliza o tratamento isonômico (igual) de todos os litigantes. Esta garantia tende a dar efetividade ao princípio constitucional da isonomia e ao da legalidade (art. 5º, caput, CF/88). Certo. 045. (CESPE/PGE-PE/ANALISTA ADMINISTRATIVO DE PROCURADORIA/CALCULISTA/ ADAPTADA/2019) À luz do Código de Processo Civil, julgue o próximo item, relativos às nor- mas fundamentais do processo civil e aos elementos da sentença, aos honorários advocatí- cios, à advocacia pública e à aplicação das normas processuais. Mesmo na ausência de norma que regulamente a tramitação de determinado processo traba- lhista, as disposições do Código de Processo Civil não poderão ser a ele aplicadas, ainda que supletiva ou subsidiariamente, haja vista a natureza distinta desses dispositivos normativos. O art. 15 do CPC dispõe: “Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhis- tas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidia- riamente.”. Errado. 046. (CESPE/TCE-PE/ANALISTA DE GESTÃO/JULGAMENTO/2017) Com relação às normas processuais, julgue o item seguinte. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 79 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos Considerando-se o sistema do isolamento dos atos processuais, a lei processual nova não re- troage, aplicando-se imediatamente aos processos em curso, respeitados os atos processuais já praticados e as situações jurídicas já consolidadas sob a vigência da lei anterior. A teoria (sistema) do isolamento dos atos processuais é fielmente reproduzida, dentre outras fontes, no art. 14 do CPC: “A norma processual não retroagirá e será aplicável imediatamente aos processos em curso, respeitados os atos processuais praticados e as situações jurídicas consolidadas sob a vigência da norma revogada.”. Certo. 047. (CESPE/TCE-PA/AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO/ÁREA ADMINISTRATIVA/ DI- REITO/2016/ADAPTADA) No que diz respeito às normas processuais, aos atos e negócios processuais e aos honorários de sucumbência, julgue o item que se segue, tendo em vista os princípios comuns aos processos civil e trabalhista. Em observância ao princípio da primazia da decisão de mérito, o magistrado deve conceder à parte oportunidade para, se possível, corrigir vício processual antes de proferir sentença terminativa. A concessão de prazo para correção de vício que possa causar, em tese, uma extinção proces- sual sem resolução do mérito é uma das faces do princípio da primazia da decisão de mérito. Confira o que dispõe o art. 317 do CPC: “Antes de proferir decisão sem resolução de mérito, o juiz deverá conceder à parte oportunidade para, se possível, corrigir o vício.”. Certo. 048. (QUADRIX/CRM-PR/ADVOGADO/ADAPTADA/2018) Quanto ao direito probatório, jul- gue o item que se segue. O princípio dispositivo orienta também a atividade probatória, impedindo que o juiz atue ativa- mente na colheita da prova, determinando sua produção, por exemplo. Embora esta questão seja mais relacionada ao conteúdo sobre provas, julgo importante des- tacar que o juiz pode, sim, determinar de ofício a produção de provas, justamente como ex- pressão dos princípios do impulso oficial (inquisitivo) e da imediatidade. O primeiro refere-se à liberdade para atuação do juiz em prol da organização do processo, e o segundo diz respeito à possibilidade de o juiz atuar ativamente na instrução probatória. O princípio dispositivo (ou da demanda) refere-se à necessidade de prévia provocação das partes para que o juiz possa analisar determinado conflito. Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 80 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos 049. (QUADRIX/SEDF/PROFESSOR/DIREITO/ADAPTADA/2017) Julgue o item subsequente em relação aos princípios comuns entre os processoscivil e trabalhista. Ao se analisar a forma dos atos processuais e as nulidades à luz do princípio da instrumen- talidade das formas, não é conveniente considerar nulo o ato somente porque praticado em desconformidade com a forma legal exigida, desde que atingida sua finalidade. De fato, é esta a essência do princípio da instrumentalidade das formas. É a regra do art. 277 do CPC: “Quando a lei prescrever determinada forma, o juiz considerará válido o ato se, realiza- do de outro modo, lhe alcançar a finalidade.”. Certo. 050. (CESPE/TC-DF/AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO/2012) Em obediência ao princípio da isonomia, corolário do devido processo legal, pessoas em condições diversas podem rece- ber tratamento diferenciado no processo. É exatamente este o conceito de isonomia: igualar os iguais e desigualar os desiguais, manten- do-se um equilíbrio real. É desta ideia que surge o princípio da proteção processual. Certo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br Gustavo Deitos Professor de cursos preparatórios para concursos públicos. Analista Judiciário do Tribunal Superior do Trabalho (Gabinete de Ministro). Outras convocações: Técnico Judiciário do TRT-SC (7° lugar) e Analista Judiciário do TRF da 3ª Região. Aprovado em 8° lugar para Analista Judiciário do TRT-MS. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. Apresentação Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia 1. O que É Direito Processual do Trabalho? 2. Autonomia do Direito Processual do Trabalho 3. Fontes do Direito Processual do Trabalho 4. Interpretação 4.1. Métodos de Interpretação 4.2. Efeitos da Interpretação 5. Integração 6. Eficácia 6.1. Eficácia da Lei Processual Trabalhista no Tempo (Direito Processual Intertemporal) 6.2. Eficácia da Lei Processual Trabalhista no Espaço 7. Princípios Aplicáveis ao Direito Processual do Trabalho 7.1. Princípios Comuns ao Processo Civil e ao Processo do Trabalho 7.2. Princípios Específicos do Processo do Trabalho Resumo Exercícios Gabarito Gabarito Comentado AVALIAR 5: Página 81:julgamentos de casos repetitivos e em sede de controle de constitucionalidade concentrado (ADI, ADC, ADO, ADPF), as quais carregam força orientativa para a apli- cação da lei ao caso concreto. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 8 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos Obs.: � Tendo-se em vista que o CPC dá certo poder de vinculação aos precedentes decorren- tes de teses firmadas em julgamentos de casos repetitivos e em sede de controle de constitucionalidade concentrado (art. 988, III e IV, CPC), é discutível o enquadramento delas como fontes formais diretas, mas isso ainda não é pacífico a ponto de ser explo- rado em questão objetiva. • Fontes formais de explicitação: são a analogia, a equidade, o direto comparado, os cos- tumes e os princípios gerais do direito, que estudaremos no título da Integração. É importantíssimo levarmos em conta que o Código de Processo Civil, de acordo com o art. 769 da CLT, é fonte subsidiária do processo do trabalho, sendo a ele aplicável sempre que não contrariar os princípios e as normas específicas. do direito processual trabalhista. Isso você já sabe, certo? Então, trarei para você uma observação tão importante quanto essa. O art. 15 do Novo CPC deu ao direito processual civil, expressamente, a possibilidade de ser aplicado ao processo do trabalho de forma subsidiária e, também, supletiva (suplementar). Portanto, o CPC não será aplicado somente na lacuna da CLT, mas, também, quando as normas da CLT não forem sufi- cientes para tratar dos temas da melhor maneira. O referido artigo diz o seguinte: “Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente”. Para que você saiba claramente a diferença entre aplicação subsidiária e aplicação suple- tiva/suplementar, confira: • APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA: ocorre diante de lacuna em outra lei; só é autorizada quando não contrariar princípios e elementos básicos do ramo que receberá a aplicação subsi- diária. EXEMPLO Deferimento da participação de amicus curiae (amigo da corte) no processo do trabalho, já que o CPC prevê essa figura e a CLT nada fala sobre ela. • APLICAÇÃO SUPLEMENTAR: ocorre mesmo que não exista lacuna em outra lei; é au- torizada quando não contrariar princípios e elementos básicos do ramo que receberá a aplicação suplementar. EXEMPLO Aplicação das hipóteses previstas no CPC para a impugnação ao cumprimento de sentença (art. 525, § 1º, CPC) no caso de oposição de embargos à execução no processo do trabalho, que possui norma própria (art. 884, § 1º, CLT), a qual é, no entanto, insuficiente para a obser- vância dos fins do processo de execução. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 9 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos Conclusão: a grande diferença entre a aplicação subsidiária e a aplicação suplementar é que a subsidiária ocorre diante de lacuna na lei, e a suplementar ocorre mesmo que não existe lacuna, com a finalidade de acrescentar/aumentar a normatividade dos institutos jurídicos. Cuidado: não confunda aplicação suplementar com “complementar”. A aplicação complemen- tar pode ser assim considerada tanto em caso de aplicação subsidiária como em caso de apli- cação suplementar, pois, em ambos os casos, está ocorrendo um “complemento” da legisla- ção. Portanto, é errado usar o adjetivo “complementar” como sinônimo de “suplementar”, pois isso causaria uma confusão com a aplicação subsidiária, uma vez que a aplicação subsidiária também produz um complemento. 4. interpretAção Interpretar a lei é uma atitude necessária para sua aplicação. Diante de um dispositivo normativo (Constituição, Lei, ato normativo etc.), é necessário mensurar o conteúdo, o sentido e o alcance desse dispositivo. Essa mensuração é o que devemos chamar de interpretação. 4.1. mÉtoDos De interpretAção A interpretação, para ser concretizada, deve usar determinados métodos de interpreta- ção, que podem ser aplicados de maneira isolada ou conjunta. Veja, abaixo, a definição de cada método: • MÉTODO GRAMATICAL/LITERAL: descoberta do sentido literal das palavras e das fra- ses escritas no dispositivo. O resultado da interpretação (conteúdo, sentido e alcance do dispositivo) será conforme o significado das palavras e das construções frasais do dispositivo. EXEMPLO Art. 896-A, § 1º, da CLT: § 1º: São indicadores de transcendência, entre outros: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 10 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos I – econômica, o elevado valor da causa II – política, o desrespeito da instância recorrida à jurisprudência sumulada do Tribunal Superior do Trabalho ou do Supremo Tribunal Federal; III – social, a postulação, por reclamante-recorrente, de direito social constitucionalmente assegu- rado; IV – jurídica, a existência de questão nova em torno da interpretação da legislação trabalhista. Perceba dois pontos principais. Primeiro, cada inciso conceitua, expressamente, o que é cada espécie de transcendência. O sentido que o intérprete deve dar à expressão “transcen- dência econômica”, por exemplo, é “elevado valor da causa”. Segundo, o § 1º contém a ex- pressão “entre outros”, que, literalmente, indica ao intérprete que ele poderá considerar outros elementos, mesmo que não escritos nos incisos, para verificar a ocorrência de transcendência. Veja um bom exemplo jurisprudencial da hipótese mencionada acima: JURISPRUDÊNCIA (...) II- AGRAVO DE INSTRUMENTO DA RECLAMANTE. RECURSO DE REVISTA SOB A ÉGIDE DA LEI 13.467/2017. NULIDADE POR NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. TRANSCENDÊNCIA RECONHECIDA. Com relação ao tema nulidade do acórdão regional por negativa de prestação jurisdicional, o exame dos critérios de transcendência está ligado à perspectiva de procedência da alegação. Vale ressaltar, ainda, que a Sexta Turma tem utilizado a fórmula ampliativa da expressão “entre outros”, prevista no art. 896-A, § 1º, da CLT, para reconhecer transcendência a causas em que seja reconhecida a nuli- dade por negativa de prestação jurisdicional. In casu, a arguição de nulidade por negativa de prestação jurisdicional é procedente. Transcendência reconhecida. (...) (RR-1002291- 37.2016.5.02.0026, 6ª Turma, Relator Ministro Augusto Cesar Leite de Carvalho, DEJT 03/06/2022). • MÉTODO LÓGICO: o resultado da interpretação decorre de raciocínios lógicos, que con- sistem na análise da compatibilidade entre diferentes dispositivos. EXEMPLO Por mais que uma parte tenha o direito de interpor recurso, ela não poderá fazê-lo quando, por qualquer comportamento, manifestar inteira concordância com a decisão do juiz (pagando a condenação integral imposta pela sentença, por exemplo). Portanto, o alcance dado ao direi- to de interpor recurso limite-se à manifestação de inconformismoda parte que recorre. Logo, o dispositivo da CLT que assegura a recorribilidade da sentença do juiz (art. 895, I, CLT) deve ser confrontado à luz da lógica do processo com os dispositivos do CPC que tratam das dis- posições gerais sobre recursos, em especial o art. 1.000, caput, do CPC: “A parte que aceitar expressa ou tacitamente a decisão não poderá recorrer”. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 11 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos • MÉTODO HISTÓRICO: o resultado da interpretação depende da análise das causas que determinaram a criação do dispositivo. É a análise de tudo o que, historicamente, ocor- reu para que o dispositivo existisse. Trata-se de considerar quais foram as fontes mate- riais determinantes da criação da norma. EXEMPLO Art. 850, parágrafo único, da CLT: O Presidente da Junta, após propor a solução do dissídio, tomará os votos dos vogais e, havendo divergência entre estes, poderá desempatar ou proferir decisão que melhor atenda ao cumprimento da lei e ao justo equilíbrio entre os votos divergentes e ao interesse social. O artigo acima fala dos “votos dos vogais”. Antes da Emenda Constitucional n. 24 de 1999, as Varas do Trabalho (na época, chamadas de Juntas de Conciliação e Julgamento) eram com- postas por um Juiz Presidente e por dois vogais, um representante dos empregados e outro dos empregadores. Após a referida emenda, as Varas do Trabalho (que assim passaram a ser chamadas) pas- saram a ser compostas, no processo, apenas por um juiz togado. Portanto, tendo em vista as causas históricas que determinaram a existência do art. 850, parágrafo único, podemos afir- mar que ele foi tacitamente revogado pela Emenda Constitucional n. 24 de 1999, que extinguiu a instituição da Junta, composta por um Juiz Presidente e por dois vogais. • MÉTODO SISTEMÁTICO: a interpretação da norma deve levar em conta que o dispositivo interpretado integra um conjunto normativo muito maior do que ele, devendo compati- bilizar-se com esse conjunto a fim de que se evitem antinomias que comprometam a harmonia do Direito. O método sistemático de interpretação utiliza três critérios, que são: 1) Especialidade: A norma especial prevalece sobre a norma geral. EXEMPLO A CLT (norma especial do processo do trabalho) tem regra própria dispondo que, no procedi- mento ordinário, o limite máximo de testemunhas é de três por parte (art. 821), e no sumaríssi- mo é de duas por parte (art. 852-H, § 2º). Portanto, não é possível utilizarmos a norma geral do processo civil, segundo a qual seria possível o arrolamento de até 10 testemunhas por parte, sendo 3 para cada fato (art. 357, § 6º). 2) Hierarquia: A norma hierarquicamente superior prevalece sobre a inferior. No processo do trabalho, o critério da hierarquia deve ser observado com mais cautela, pois a pirâmide nor- mativa é, em regra, flexível, priorizando-se a norma mais favorável ao trabalhado, salvo quando se tratar de norma proibitiva estatal. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 12 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos Obs.: � Norma proibitiva estatal é toda norma que proíbe as partes de fixarem contratualmen- te alguma coisa. Exemplos clássicos são o prazo prescricional para o direito de ação quanto aos créditos trabalhistas (art. 7º, XXIX, CF) e as normas de proteção ao traba- lho da mulher, como a proibição de exigência de exame de gravidez (art. 373-A, IV, CLT). � Nos casos em que houver norma proibitiva estatal, a observância da hierarquia no pro- cesso do trabalho será inevitável, como no exemplo abaixo. EXEMPLO O art. 7º, inciso XXIX, da Constituição Federal fixa o prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de tra- balho. Portanto, sendo esta uma norma proibitiva estatal, não pode a lei ordinária fixar prazo prescricional diverso para o direito de ação quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho. 3) Cronologia: As normas de igual ou superior espécie que sejam mais recentes revogam, tacitamente, no todo ou em parte, as normas anteriores que com elas forem incompatíveis (art. 2º, § 1º, Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro). EXEMPLO O art. 15 da Lei n. 5.584/70 dispõe: Para auxiliar no patrocínio das causas, observados os arts. 50 e 72 da Lei n. 4.215, de 27 de abril de 1963, poderão ser designados pelas Diretorias dos Sindicatos Acadêmicos de Direito, a partir da 4º Série, comprovadamente, matriculados em estabelecimento de ensino oficial ou sob fiscalização do Governo Federal. O artigo supracitado foi revogado tacitamente pelas normas que, após, vieram a fixar a exi- gência do Exame da OAB para que a pessoa seja habilitada a patrocinar causas como advoga- do(a), além de ser, necessariamente, bacharel em Direito, sem prejuízo dos demais requisitos (inscrição na OAB etc.). • MÉTODO TELEOLÓGICO/SOCIOLÓGICO: O resultado da interpretação depende da ob- servância da finalidade que o legislador visou no momento da criação da norma. Num Estado Social, como o Brasil, essa finalidade sempre tem algum caráter social, o que torna possível nomear o método teleológico, também, como método sociológico. EXEMPLO Confira a redação do art. 852-H, § 1º, aplicável ao procedimento sumaríssimo: “Sobre os docu- mentos apresentados por uma das partes manifestar-se-á imediatamente a parte contrária, sem interrupção da audiência, salvo absoluta impossibilidade, a critério do juiz”. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 13 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos No exemplo acima, mesmo que o juiz reconheça a absoluta impossibilidade de manifesta- ção completa sobre os documentos em audiência, a parte, se quiser, pode se manifestar sobre eles ali mesmo, pois a finalidade do legislador é evitar prejuízo à manifestação da parte autora, a qual, se entender que é capaz de se manifestar coerentemente mesmo diante de uma reco- nhecida absoluta impossibilidade, ela poderá se manifestar. Portanto, a parte autora não deve ser “proibida” de se manifestar. Este é o sentido e o alcance depreendidos da referida norma, por meio do método teleológico. 4.2. eFeitos DA interpretAção Os efeitos da interpretação têm direta relação com seus resultados. Os efeitos, portanto, podem ser extensivos/ampliativos, restritivos ou estáticos. • EXTENSIVOS/AMPLIATIVOS: O sentido e o alcance da norma é maior do que o significa- do dos termos e das expressões de seu texto. EXEMPLO Art. 849 da CLT, que dispõe: “A audiência de julgamento será contínua; mas, se não for possível, por motivo de força maior, concluí-la no mesmo dia, o juiz ou presidente marcará a sua conti- nuação para a primeira desimpedida, independentemente de nova notificação”. Se o intérprete (com método lógico ou teleológico) entender que motivos de caso fortuitotambém podem permitir a remarcação da audiência (independentemente de essa interpretação ser correta ou não), por causarem os mesmos prejuízos às pessoas que estão na audiência, o efeito será extensivo/ampliativo. • RESTRITIVOS: O sentido e o alcance da norma é menor do que o significado dos termos e das expressões de seu texto. EXEMPLO Art. 884, § 1º, da CLT, que dispõe: “A matéria de defesa será restrita às alegações de cumpri- mento da decisão ou do acordo, quitação ou prescrição da divida”. Se o intérprete resolver, com método sistemático, aplicar aos embargos à execução as matérias de defesa previstas no CPC para a impugnação ao cumprimento de sentença (art. 525, § 1º), o artigo supracitado terá seu sentido restringido, pois a expressão “será restrita” não terá mais o poder de impedir a aplica- ção de outras matérias de defesa nos embargos à execução. • ESTÁTICOS: O sentido e o alcance da norma são idênticos aos dos termos e expressões constantes da norma. EXEMPLO Art. 895, § 2º, da CLT: “Os Tribunais Regionais, divididos em Turmas, poderão designar Turma para o julgamento dos recursos ordinários interpostos das sentenças prolatadas nas deman- O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 14 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos das sujeitas ao procedimento sumaríssimo”. O sentido e o alcance desse dispositivo não se diferenciam em nada das expressões nele contidas, pois o único efeito já é depreensível da literalidade: o TRT tem a faculdade de designar uma Turma somente para julgar recursos ordi- nários em causas de procedimento sumaríssimo, e ponto final. 5. integrAção A integração consiste na ideia de completar algum instituto jurídico que, para funcionar de acordo com o Direito, precisa de um aditivo. A necessidade de integração é devida ao fato de o Poder Judiciário ser proibido de deixar de julgar uma demanda sob o argumento de que o Direito não tem solução para o caso concre- to (non liquet). É o que dispõe o art. 140 do CPC: “O juiz não se exime de decidir sob a alegação de lacuna ou obscuridade do ordenamento jurídico”. Às vezes, a solução jurídica de determinado caso não encontra amparo diretamente na lei, na Constituição ou em atos normativos. Nesses casos, é necessária a integração das fontes do direito. As ferramentas de integração das fontes do direito processual do trabalho são expressa- mente previstas no art. 8º da CLT e no art. 4º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasi- leiro (LINDB), que, respectivamente, dispõem: As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratu- ais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia, por equidade e outros princípios e normas gerais de direito, principalmente do direito do trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou parti- cular prevaleça sobre o interesse público. Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princí- pios gerais de direito. Apesar de o art. 8º da CLT integrar título de direito material do trabalho (não processual), não haveria nenhuma ilegalidade a aplicação dos meios integrativos ali previstos ao processo do trabalho, pois a integração sempre surge para dar funcionamento ao Direito, e não para pre- judicar alguém. Por esta razão, o direito comparado, por exemplo, poderia ser utilizado para a integração do processo do trabalho mesmo que ele não estivesse previsto no art. 8º. Portanto, o processo do trabalho pode, diante de lacunas em seus regramentos, ser inte- grado pelos seguintes elementos integrativos: • Analogia; • Usos e Costumes; • Princípios Gerais de Direito; • Jurisprudência; • Equidade; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 15 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos • Direito Comparado (citação de normas estrangeiras para fundamentar proposta de inte- gração de lacuna, considerando a compatibilidade entre a realidade do estrangeiro e a realidade do caso concreto). Afinal de contas, quais são as lacunas que atraem a necessidade de integração? Basicamente, a doutrina trabalha com lacunas normativas, lacunas ontológicas e lacunas axiológicas. • LACUNAS NORMATIVAS: não existe norma para o caso concreto. Portanto, o aplicador da lei deverá encontrar meio integrativo para sanar a omissão (aplicação analógica de norma semelhante de outro ramo do Direito, princípios gerais de direito, costumes, etc.). • LACUNAS ONTOLÓGICAS: existe uma norma para o caso concreto, mas essa norma sofreu um drástico envelhecimento diante do direito moderno, sendo historicamente incompatível com a situação presente e incapaz de atender às finalidades do processo. EXEMPLO Novamente, o art. 884, § 1º, da CLT, que dispõe: “A matéria de defesa será restrita às alega- ções de cumprimento da decisão ou do acordo, quitação ou prescrição da divida”. Esta norma é incompatível com o contexto atual de ampla defesa, razão pela qual, embora exista essa norma, a Justiça do Trabalho considerará, complementarmente, as matérias de defesa pre- vistas no CPC para a impugnação ao cumprimento de sentença (art. 525, § 1º), para que elas possam ser invocadas, também, nos embargos à execução (há relação de analogia entre os embargos à execução, do processo do trabalho, e a impugnação ao cumprimento de senten- ça, do processo civil). • LACUNAS AXIOLÓGICAS: existe uma norma para o caso concreto, mas essa norma tor- nou-se injusta, e sua aplicação ao caso formará situação clara de injustiça. EXEMPLO O art. 769 da CLT, norma especial de processo do trabalho, dá ao processo civil apenas aplica- bilidade subsidiária ao nosso ramo. Todavia, é mais justo aplicar-se o CPC, também, de forma suplementar/supletiva, como diz o art. 15 do CPC (norma geral), porque, se a aplicação do CPC fosse somente subsidiária, muitos procedimentos da Justiça do Trabalho seriam morosos e atécnicos. DICA! Aconselho-lhe levar para a prova: as ferramentas de integra- ção do processo do trabalho (analogia, costumes, princípios gerais, direito comparado, equidade, jurisprudência, etc.) serão aplicadas para suprir lacuna normativa, ontológica ou axioló- O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 16 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos gica existente no conjunto de normas de direito processual do trabalho. 6. eFicáciA A eficácia do direito processual do trabalho pode ser estudada com relação ao tempo e, também, ao espaço. 6.1. eFicáciA DA lei processuAl trAbAlhistA no tempo (Direito processuAl intertemporAl) A CLT, assim como o CPC, adota a teoria do isolamento dos atos processuais. Isso sig- nifica que todos os atos no processo do trabalho devem observar a legislação em vigor no momento de sua prática. Indícios de adoção dessateoria, na própria CLT, estão nos artigos 912 e 915, que dispõem, respectivamente: Os dispositivos de caráter imperativo terão aplicação imediata às relações iniciadas, mas não con- sumadas, antes da vigência desta Consolidação. Não serão prejudicados os recursos interpostos com apoio em dispositivos alterados ou cujo prazo para interposição esteja em curso à data da vigência desta Consolidação. Com base nisto, o Tribunal Superior do Trabalho, no dever de explicar a eficácia temporal da Reforma Trabalhista (Lei n. 13.467/2017), editou a Instrução Normativa n. 41, que, em seu art. 1º, preceitua: A aplicação das normas processuais previstas na Consolidação das Leis do Trabalho, alteradas pela Lei n. 13.467, de 13 de julho de 2017, com eficácia a partir de 11 de novembro de 2017, é imediata, sem atingir, no entanto, situações pretéritas iniciadas ou consolidadas sob a égide da lei revogada. EXEMPLO O advogado Pedro interpõe recurso de revista antes da entrada em vigor da Reforma Trabalhis- ta, que deu balizas ao critério da transcendência, que consiste em novo pressuposto de admis- sibilidade do recurso de revista. Como o acórdão recorrido foi publicado antes da entrada em vigor do requisito da transcendência, o julgamento do recurso, mesmo que ocorra posterior- mente à entrada em vigor desse requisito, deverá desconsiderá-lo e apreciar o recurso levando em conta somente os pressupostos de admissibilidade já existentes ao tempo da publicação do acórdão objeto do recurso de revista. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 17 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos Se, todavia, Pedro interpusesse o recurso de revista contra acórdão publicado após a entrada em vigor da Reforma Trabalhista, o requisito da transcendência deveria ser devidamente pre- enchido, sob pena de inadmissibilidade do recurso pelo TST. O direito processual intertemporal consiste nas regras de aplicação do direito processual diante das alterações legislativas, ocorridas ao longo do tempo, sobre as normas processuais. De forma simples, trata-se do estudo da norma que deve ser aplicada a cada processo, diante da ocorrência de modificação da norma que deveria ter aplicação. O grande e relevantíssimo exemplo que podemos ter é a revogação do CPC de 1973 dian- te da entrada em vigor, em 2016, do CPC de 2015. Afinal de contas, qual dos códigos deve vigorar diante de processos ajuizados antes da entrada em vigor do CPC de 2015? É nisso que consiste o direito processual intertemporal. A regra basilar acerca desse tema é a do art. 14 do CPC, que dispõe: Art. 14. A norma processual não retroagirá e será aplicável imediatamente aos processos em curso, respeitados os atos processuais praticados e as situações jurídicas consolidadas sob a vigência da norma revogada. Como regra, todas as disposições do Novo CPC aplicaram-se imediatamente a todos os processos em tramitação. Isto engloba os processos ajuizados antes de sua entrada em vigor, bem como os processos ajuizados após sua entrada em vigor. Portanto, as espécies de atos processuais, os recursos, as formas de comunicação dos atos processuais e os meios de execução e cumprimento de sentença são aqueles previstos na nova lei processual (CPC de 2015), com aplicação sobre todos os processos em curso. O limite dessa aplicação imediata é descrito no segundo período do enunciado normativo do art. 14 do CPC: “respeitados os atos processuais praticados e as situações jurídicas conso- lidadas sob a vigência da norma revogada”. Este artigo institui no direito processual civil brasi- leiro a Teoria do Isolamento dos Atos Processuais, que decorre do antigo princípio do tempus regit actum (o tempo rege o ato). Esta teoria – aliada ao referido princípio – determina que cada ato processual deve ob- servar a regra que se aplica a ele naquele exato momento em que ele foi praticado, de forma isolada de todas as outras questões. Explico. Todos os atos processuais que já houverem sido praticados sob a vigência da norma re- vogada deverão permanecer como estiverem. O mesmo raciocínio vale para as decisões ju- diciais (inclusive as de mérito, como sentenças e acórdãos), que devem ser integralmente mantidas como estão. A teoria do isolamento dos atos processuais tem balizamento, fundamentalmente, no art. 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal, que alicerça importantíssimas garantias fundamentais: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 18 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasi- leiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualda- de, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XXXVI – a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; • DIREITO ADQUIRIDO: Não há uma definição expressa de direito adquirido. Segundo Celso Bastos, seguido por Alexandre de Moraes, o direito adquirido é um instituto que permite ao sujeito sentir-se seguro em sua vida, uma vez que as novas legislações e interpretações não poderão retroagir para tirar dele um direito legitimamente concedido. Basicamente, devem ser honrados os compromissos assumidos com o cidadão que batalhou por um direito “seguindo as regras do jogo”. EXEMPLO Um caso prático que muito bem ilustra o direito adquirido é o direito do candidato aprovado em concurso público, dentro do número de vagas previstas no edital, ser nomeado pelo órgão promotor do certame. • ATO JURÍDICO PERFEITO: É o ato que reuniu todos os elementos necessários à sua formação diante da lei antiga, e cujo processo de desenvolvimento e conclusão já se esgotou. EXEMPLO Decisão administrativa ou judicial permite a prática de um ato legalmente respaldado na época do deferimento, mas legislação superveniente proíbe a prática desse ato. Na situação, o ato já praticado, quando demonstrados todos os requisitos para sua prática na época em que sua prática foi deferida, não poderá sofrer consequências da legislação que o proíbe. • COISA JULGADA: É a preclusão máxima. O juízo de conhecimento do Poder Judiciário já se esgotou, e a conclusão adotada pelo julgador tem força de lei. O conceito clássico de coisa julgada diz respeito à coisa julgada material: decisão de mé- rito não mais sujeita a recurso, imutável e indiscutível (art. 502 do CPC). É cabível registrar que o caput do art. 1.046 do CPC estabelece a mesma regra de direito intertemporal do art. 14, nos seguintes termos: Art. 1.046. Ao entrar em vigor este Código, suas disposições se aplicarão desde logo aos processos pendentes, ficando revogada a Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973. 6.2. eFicáciA DA lei processuAl trAbAlhistA no espAço A CLT é clara ao determinar que a legislação de processo do trabalho será aplicada em todo o território nacional. Essa determinação consta do art. 763, que dispõe: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.brhttps://www.grancursosonline.com.br 19 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos O processo da Justiça do Trabalho, no que concerne aos dissídios individuais e coletivos e à apli- cação de penalidades, reger-se-á, em todo o território nacional, pelas normas estabelecidas neste Título. A norma não poderia dispor em sentido contrário, uma vez que a competência constitu- cional para legislar sobre direito processual é privativa da União (art. 22, inciso I, Constitui- ção Federal). 7. princípios Aplicáveis Ao Direito processuAl Do trAbAlho Por ser a matéria mais longa de nossa aula, deixei os princípios para serem tratados por último. No processo do trabalho, existem princípios que são comuns entre ele e o processo civil, e existem princípios peculiares (específicos) do próprio processo do trabalho. Estudaremos todos eles, em seguida. Antes de estudá-los, é necessário compreendermos que os princípios possuem três funcio- nalidades: interpretativa, integrativa e normativa. • Função Interpretativa: o princípio ajuda o operador do Direito a escolher a interpretação mais adequada de determinada norma. Por exemplo, quando qualquer artigo da CLT com sentido dúbio é interpretado em favor do trabalhador reclamante, à luz do princípio da proteção processual (que abordaremos adiante). • Função Integrativa: o princípio pode ser utilizado para suprir lacuna de norma da CLT. Anteriormente, estudamos que os princípios gerais de direito são uma ferramenta inte- grativa. Ademais, vimos que no art. 8º há menção acerca de se preferir os princípios rela- cionados à área trabalhista. Portanto, os princípios têm o papel de auxiliar o aplicador da lei a suprir uma lacuna no texto da lei, seja a lacuna normativa, ontológica ou axiológica. • Função Normativa: o princípio, em razão de traduzir preceito que deve ser observado na seara processual, tem força de norma. Geralmente, o conteúdo dos princípios acaba sendo abordado com algum artigo de lei, como, por exemplo, o caso do art. 141 do CPC, que diz: “O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendo-lhe vedado conhecer de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte”. Esse artigo cria regra que corresponde a nada mais que os princípios da adstrição ou congru- ência e da inércia/dispositivo, de que também trataremos adiante. Abordaremos, a seguir, os princípios em espécie. Alerto, contudo, que não serão abordados os princípios constitucionais do direito processual (como contraditório, ampla defesa e devido processo legal) em razão de não serem objeto de cobrança nas questões de Direito Processual do Trabalho. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 20 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos 7.1. princípios comuns Ao processo civil e Ao processo Do trAbAlho Citarei os princípios mais repetidos pela doutrina de direito processual do trabalho, e mais cobrados em provas. PRINCÍPIO DISPOSITIVO OU DA DEMANDA/PRINCÍPIO DA INÉRCIA: O juiz não pode, de ofí- cio, conhecer de questões não suscitadas pelas partes. São estas que levam ao juiz a matéria para ser julgada. O juiz somente poderá se pronunciar de ofício quando a lei permitir, geral- mente em casos de matéria de ordem pública (como necessidade de intimação do Ministério Público do Trabalho, declaração de impedimento, etc.). Este princípio tem seu conteúdo fixado no art. art. 141 do CPC e na partícula inicial do art. 2º, também do CPC, que preceituam: Art. 141. O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendo-lhe vedado conhecer de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte. Art. 2. O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo as ex- ceções previstas em lei. Como regra geral, todo processo é iniciado por parte daquele que alega ser titular do direito pleiteado na ação. O juiz somente atuará após esta iniciativa. O juiz é perfeitamente inerte, isto é, não tutela o direito das pessoas por iniciativa própria. É necessária a demanda, por parte das pessoas, para que o juiz se valha dos instrumentos jurídicos legalmente assegurados para a tutela jurisdicional. PRINCÍPIO INQUISITIVO OU DO IMPULSO OFICIAL: Após as partes apresentarem o proces- so e suas alegações, o juiz deverá, de ofício, dar o impulso adequado ao processo, intimando as partes para apresentarem oportunas manifestações, designando audiências, determinando diligências imprescindíveis etc. O juiz só poderá deixar de impulsionar o processo se a lei, expressamente, exigir o pedido da parte, como no caso da execução trabalhista, que, após a entrada em vigor da Reforma Tra- balhista, só pode ser promovida por iniciativa da parte (art. 878 da CLT), salvo se desassistida por advogado (nesta última hipótese, o juiz poderá executar a parte contrária de ofício). Este princípio encontra expressão no art. 765 da CLT: “Os Juízos e Tribunais do Trabalho terão ampla liberdade na direção do processo e velarão pelo andamento rápido das causas, podendo determinar qualquer diligência necessária ao esclarecimento delas”. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE (ou INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS): a forma dos atos processuais, caso não seja observada de forma rigorosa, não causará a nulidade do ato se a sua finalidade for atingida. A forma dos atos processuais, caso não seja observada de maneira rigorosa, não causará a nulidade do ato se a sua finalidade for atingida. Este princípio é consubstanciado no art. 277 do CPC, que dispõe: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 21 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos Art. 277. Quando a lei prescrever determinada forma, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade. Exemplo clássico é o do art. 239, § 1º, do CPC, que dispõe: “O comparecimento espontâ- neo do réu ou do executado supre a falta ou a nulidade da citação, fluindo a partir desta data o prazo para apresentação de contestação ou de embargos à execução”. EXEMPLO Não há diferença de validade entre a parte ser citada por Correio ou por oficial de justiça, con- tanto que a finalidade do ato (dar ciência à parte) seja atendida. Só haverá nulidade se o resul- tado do ato não corresponder à sua finalidade, como, por exemplo, no caso de intimação de parte desassistida de advogado mediante Diário Eletrônico, pois é evidente a quase absoluta impossibilidade de a parte ter ciência do teor da intimação. PRINCÍPIO DA IMPUGNAÇÃO ESPECIFICADA: A reclamada deverá se manifestar, em sua peça de defesa (ou oralmente em audiência), sobre toda a matéria que deva arguir em sua de- fesa, presumindo-se verdadeiro tudo o que não for impugnado. Este princípio encontra expressão no art. 341 do CPC, que também estabelece exce- ções a ele: Incumbe também ao réu manifestar-se precisamente sobre as alegações de fato constantes da petição inicial, presumindo-se verdadeiras as não impugnadas, salvo se: I – não for admissível, a seu respeito, a confissão; II – a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considerar da substância do ato; III – estiverem em contradiçãocom a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. O ônus da impugnação especificada dos fatos não se aplica ao defensor público, ao advogado dativo e ao curador especial. PRINCÍPIO DA EVENTUALIDADE: No momento (evento) previsto em lei, a parte deverá ale- gar toda matéria de defesa de sua pretensão. Este princípio encontra expressão no art. 336 do CPC: “Incumbe ao réu alegar, na contes- tação, toda a matéria de defesa, expondo as razões de fato e de direito com que impugna o pedido do autor e especificando as provas que pretende produzir”. Após o referido momento processual, a parte não poderá apresentar sua defesa nas mes- mas condições em que poderia apresentar no momento oportuno. Muitos confundem, no início, os sentidos dos princípios da impugnação especificada e da eventualidade. Abaixo, apresento a basilar diferenciação entre eles, de modo que você não os confunda: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 22 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos PRINCÍPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL: Economia processual diz respeito à prestação da máxima atividade jurisdicional com o mínimo de atos processuais. Sempre que for possível, sem prejuízo a alguém, aproveitar um momento processual para resolver diversas questões de uma só vez, para evitar trabalho excessivo ou retrabalho das partes e do juiz, estes deve- rão providenciar a fim de que sejam apresentadas/sustentadas todas as alegações desejadas (parte) e impostas todas as determinações devidas no momento (juiz). Tanto na CLT como no CPC, não existe um artigo que, de forma específica, institua o prin- cípio da economia processual (ou da economicidade). Sua existência é depreendida de várias regras processuais que prezam pela solução de diversas questões num só momento, de modo que se crie um “encurtamento de caminhos” no processo. Um claro exemplo consta das re- gras do art. 1.013, §§ 3º e 4º, do CPC: § 3º Se o processo estiver em condições de imediato julgamento, o tribunal deve decidir desde logo o mérito quando: I – reformar sentença fundada no art. 485* [*extinção do processo sem resolução do mérito]; II – decretar a nulidade da sentença por não ser ela congruente com os limites do pedido ou da causa de pedir* [*sentença ultra petita, extra petita ou citra petita]; III – constatar a omissão no exame de um dos pedidos, hipótese em que poderá julgá-lo; IV – decretar a nulidade de sentença por falta de fundamentação. § 4º Quando reformar sentença que reconheça a decadência ou a prescrição, o tribunal, se possível, julgará o mérito, examinando as demais questões, sem determinar o retorno do processo ao juízo de primeiro grau. Os parágrafos supracitados legitimam a ocorrência do efeito expansivo sobre os recur- sos de natureza ordinária, como o recurso ordinário. Este efeito teve origem na Teoria da Causa Madura. Tal teoria preconiza que o órgão competente para julgar o recurso poderia, desde logo, apreciar o mérito das questões do processo quando o juízo recorrido nem mesmo tenha entra- do nesse mérito. Essa atitude só poderia ser tomada pelo órgão recursal (que julga o recurso interposto) se a matéria a ser decidida de imediato fosse unicamente de direito ou, se fosse de fato, já houvesse ampla e suficiente dilação probatória sobre o fato. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 23 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos Em palavras técnicas, o juízo recursal só poderia fazer isso se o processo já estivesse em condições de imediato julgamento. Para sintetizar: PRINCÍPIO DA IMEDIATIDADE/IMEDIAÇÃO: O juiz da causa deve ter contato pessoal e di- reto com as partes e com a produção da prova, apreciando-a diretamente e, quando possível, acompanhando sua coleta (como no caso da prova testemunhal). Exemplo claro desse princípio no processo do trabalho é a inquirição de testemunhas dire- tamente pelo juiz, segundo o art. 820 da CLT: “As partes e testemunhas serão inquiridas pelo juiz ou presidente, podendo ser reinquiridas, por seu intermédio, a requerimento dos vogais, das partes, seus representantes ou advogados”. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA DECISÃO DE MÉRITO: A extinção do processo sem resolução do mérito é medida a ser aplicada somente quando for impossível a correção de vícios e irregu- laridades. Dessa forma, sendo o vício sanável e não sendo caso de vício urgente, o juiz deverá dar à parte prazo para corrigi-lo, exceto se a lei expressamente determinar a extinção imediata do processo sem resolução do mérito. Este princípio encontra expressão em alguns artigos do CPC, em especial os artigos 317 e 488, que, respectivamente, dispõem: Antes de proferir decisão sem resolução de mérito, o juiz deverá conceder à parte oportunidade para, se possível, corrigir o vício. Desde que possível, o juiz resolverá o mérito sempre que a decisão for favorável à parte a quem aproveitaria eventual pronunciamento nos termos do art. 485 [extinção sem resolução do mérito]. Merece ponderação, desde já, a regra do art. 488. Acompanhe o seguinte exemplo prático. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 24 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos EXEMPLO João ajuíza reclamação trabalhista contra a empresa JP Eventos. O juiz, de plano, verifica que a petição inicial de João é inepta, e concede-lhe o prazo de 15 dias para corrigir o vício. João permaneceu inerte, e o juiz resolve extinguir o processo sem resolução do mérito, em razão da inépcia da petição inicial (art. 485, inciso I). Antes de o juiz publicar a sentença de extinção sem resolução do mérito, a reclamada, em- presa JP Eventos, apresenta provas cabais de que a dívida cobrada por João estaria prescrita. João, intimado para se manifestar sobre tais provas, nada alega. Neste caso, o juiz – convenci- do da ocorrência da prescrição – deverá resolver o mérito da ação, reconhecendo a ocorrência da prescrição. Afinal de contas, a prescrição da dívida refere-se ao mérito da ação, pois o ins- tituto da prescrição pertence ao direito material (incide sobre as relações jurídicas materiais, e não sobre os pressupostos processuais). Professor, qual é a razão de haver uma preferência pela resolução do mérito, quando for possível? Caro(a) aluno(a), se o processo for extinto com resolução do mérito, será formada a coisa julgada material. Este fenômeno tornará imutável e indiscutível a questão suscitada na ação (no exemplo acima, trata-se da exigibilidade de dívida trabalhista). Se o processo fosse extinto sem resolução do mérito, por inépcia da petição inicial, o réu permaneceria com receio de que nova ação fosse ajuizada posteriormente. Sendo o mérito resolvido, o réu poderá ficar tranqui- lo: não será processado novamente pelo mesmo motivo. Veja: embora o réu fosse beneficiado pela extinção do processo sem resolução do mérito (que forma apenas a coisa julgada formal),é melhor, para ele, que o processo seja extinto com resolução do mérito, pois dessa forma constrói-se a coisa julgada material, que impede a re- discussão da matéria. Entende-se por coisa julgada material a força impositiva que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso. Já a coisa julgada formal restringe-se à im- possibilidade de manifestação, sobre a causa, no mesmo processo, em razão de este ter sido extinto. No caso da coisa julgada formal, o mérito da ação (alegações do autor e do réu) não é apreciado. DICA! A coisa julgada formal não impede o ajuizamento de nova ação acerca da mesma causa; A coisa julgada material IMPEDE o ajuizamento de nova ação sobre a mesma causa. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 25 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos PRINCÍPIO DA COOPERAÇÃO/COLABORAÇÃO: As partes, mesmo tendo interesses distin- tos, devem cooperar entre si em busca de decisão judicial efetiva, justa e célere. Portanto, as partes têm, especialmente, os deveres de denunciar eventuais irregularidades e vícios proces- suais e respeitar as faculdades processuais da parte contrária. Este princípio passou a ter expressão legal a partir da entrada em vigor do Novo CPC, es- pecificamente no art. 6º: “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. O princípio que abordaremos abaixo tem detalhes que devo destacar, para evitar equívocos comuns acerca de sua interpretação no processo do trabalho. PRINCÍPIO DA IDENTIDADE FÍSICA DO JUIZ: consiste na necessidade de o julgamento (sentença/acórdão) ser feito pelo mesmo juiz que presidiu as audiências do processo. No CPC de 2015, este princípio perdeu sua expressão, razão pela qual ficou reconhecida, a princípio, sua extinção. Contudo, verifica-se que o Princípio da Identidade Física do Juiz tem expressão dentro das normas sobre os processos nos tribunais. Veja o que dispõe o § 3º, inciso I, do art. 1.012 do CPC: O pedido de concessão de efeito suspensivo nas hipóteses do § 1º poderá ser formulado por reque- rimento dirigido ao: I – tribunal, no período compreendido entre a interposição da apelação e sua distribuição, ficando o relator designado para seu exame prevento para julgá-la; Veja, portanto, que, se a parte postular a concessão de efeito suspensivo ao recurso ao interpô-lo à segunda instância, o relator designado para apreciar o pedido de efeito suspensivo ficará prevento (isto é, fixado) para julgar o recurso final. Essa regra nos faz concluir que o Princípio da Identidade Física do Juiz permanece exis- tindo na segunda instância e, também, nas instâncias superiores (TST e STF, no nosso caso), pois existe regra idêntica para o caso de pedido de efeito suspensivo a recursos de revista e extraordinários. DICA! Conclusão: o Princípio da Identidade Física do Juiz não existe mais em primeiro grau (Vara do Trabalho), mas continua exis- tindo no TRT, no TST e no STF. A mesma conclusão é afirmada por Carlos Henrique Bezerra Leite e por Sergio Pinto Martins. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 26 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos O TST, em 2022, por meio da 6ª Turma, ao deliberar sobre voto do Exmo. Min. Augusto César Leite de Carvalho, decidiu no sentido de que o princípio da identidade física do juiz não existe mais em primeiro grau de jurisdição, porque a norma do CPC de 1973 que o previa não foi reproduzida no CPC de 2015. Logo, a inexistência de tal princípio decorre do fato de que, na égide do CPC de 1973, tal princípio aplicava-se for força da aplicação subsidiária do CPC, e, na égide do CPC de 2015, não existe subsidiariedade, já que o dispositivo não existe mais. Confira: JURISPRUDÊNCIA (...) NULIDADE PROCESSUAL. PRINCÍPIO DA IDENTIDADE FÍSICA DO JUIZ. INEXISTÊNCIA. O cancelamento da Súmula 136 do TST provocou debates na jurisprudência e na doutrina a respeito da aplicabilidade do princípio da identidade física do juiz às Varas do Trabalho, onde, em regra, são produzidas as provas destinadas à instrução processual. Na vigên- cia do CPC de 2015, o cancelamento, ou não, da Súmula 136 do TST não é fundamento autossuficiente à discussão, porque o novo diploma não tem dispositivo cujo conteúdo coincida com o do art. 132 do CPC de 1973. O fato de o legislador não ter reproduzido tal regra no CPC de 2015 importa a conclusão de que ele foi extinto com relação à primeira instância, tanto no direito processual comum quanto no direito processual do trabalho. Até mesmo o Superior Tribunal de Justiça tem reconhecido a extinção do princípio da identidade física do juiz a partir da entrada em vigor do CPC de 2015. Logo, não há sequer como confrontar tal princípio com outros próprios do direito processual do trabalho, por- quanto não há subsidiariedade a ser cogitada. Em razão de não mais existir regra pro- cessual que exija o julgamento por parte do juiz que tenha concluído a audiência, não há fundamento que resguarde o pedido de declaração de nulidade da sentença pelo fato de ter sido prolatada por juiz que não participou diretamente da integral produção de provas em audiência. Agravo de instrumento não provido (AIRR-1000078-33.2017.5.02.0314, 6ª Turma, Relator Ministro Augusto Cesar Leite de Carvalho, DEJT 25/02/2022). PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO O juiz tem liberdade para apreciar as provas apresentadas e/ou produzidas no processo, desde que indique, em suas decisões, os fundamentos (motivos) em que se amparou ao tomar a decisão naquele caso concreto. Trata-se da exposição dos fundamentos fáticos e jurídicos, relacionados às provas dos autos, que levaram o juiz a tomar a decisão. Em termos mais simples, o juiz é livre para formar seu convencimento acerca dos fatos e das provas apresentadas, devendo, em contrapartida, expor os motivos que o levaram a formar seu convencimento num ou noutro sentido. O princípio acima é imbuído no conteúdo do art. 371 do CPC: “O juiz apreciará a prova cons- tante dos autos, independentemente do sujeito que a tiver promovido, e indicará na decisão as razões da formação de seu convencimento.”. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 27 de 81www.grancursosonline.com.br Princípios, Fontes, Interpretação, Integração, Autonomia e Eficácia DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos PRINCÍPIO DA BOA-FÉ: O princípio da boa-fé, no sentido processual, diz respeito ao com- portamento das partes no curso do processo: todos devem buscar suas pretensões com as ferramentas objetivamente disponíveis, sem tutelá-las com artifícios lesivos aos direitos de qualquer sujeito, seja por ação ou omissão. A expressão do princípio da boa-fé consta do art. 5º do CPC: “Aquele que de qualquer for- ma participa do processo deve comportar-se de acordo com a boa-fé”. Professor, já ouvi falar da expressão “litigância de má-fé”, e sei