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PRÁTICA PEDAGÓGICA I: LÍNGUA PORTUGUESA E INGLESA EM ESPAÇOS NÃO ESCOLARES Prezado(a) aluno(a), O Grupo Educacional FAVENI reafirma o compromisso de oferecer uma formação de excelência, reconhecendo que a modalidade de estudo confere ao aluno autonomia e flexibilidade para organizar seus estudos de acordo com suas necessidades e rotina. Nesse contexto, é fundamental que o estudante estabeleça uma rotina de estudos disciplinada e consistente, reservando horários para leitura, reflexão e realização das avaliações propostas. Reiteramos ainda que o ambiente virtual é equiparável ao presencial no que concerne à troca de conhecimentos e esclarecimento de dúvidas. Assim como em sala de aula, onde a interação acontece espontaneamente, no semipresencial o diálogo deve acontecer por meio dos canais disponíveis no Portal do Aluno e nos encontros ao polo. Incentivamos você a utilizar esses recursos para questionar, esclarecer dúvidas e aprofundar seu entendimento sobre os conteúdos abordados, pois suas perguntas serão respondidas de forma ágil e eficiente pelo nosso suporte. Lembre-se de que a autonomia no processo de aprendizagem implica também responsabilidade. A gestão do seu tempo, o cumprimento dos prazos e a organização das tarefas são essenciais para o seu crescimento acadêmico. Aproveite a flexibilidade que o curso oferece, estabelecendo uma rotina compatível com seus compromissos pessoais e profissionais. Desejamos sucesso em sua jornada de estudos e reforçamos nossa disposição em apoiá-lo(a) na construção de um aprendizado sólido e significativo. Bons estudos! 1 FUNDAMENTOS EPISTEMOLÓGICOS DAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS Desde o ano de 2002, com a reestruturação das licenciaturas decretada pelo governo federal, a terminologia “prática pedagógica” causou uma grande e salutar polêmica entre os educadores da formação de professores. Viram-se obrigados a dominar tal conceito para delimitar as atividades que seriam validadas nos novos currículos de formação docente. Definir prática pedagógica tornou-se quase um tormento, pois poucos haviam se dedicado a tal zelo, uma vez que para muitos, prática não se teoriza, prática se pratica. Colocava-se a descoberto a filosofia da educação que fundamenta a prática de cada um. Os comportamentalistas entendem a prática pedagógica como a atividade exclusivamente observável, que gere uma atividade concreta, cujos resultados possam ser registrados, comprovados. Os cognitivistas entendem a prática pedagógica como a atividade que desenvolva o raciocínio do educando e que o leve a resolver problemas. Os humanistas validam todo o processo de ensino- aprendizagem, priorizando as relações humanas (MOREIRA, 2004).. Em resumo, as práticas pedagógicas consistem em um conjunto de atividades que incluem desde o planejamento e a sistematização da dinâmica dos processos de aprendizagem até a caminhada no meio de processos que ocorrem para além da aprendizagem, para garantir o ensino de conteúdos e atividades que são considerados fundamentais para aquele estágio de formação do aluno e, por meio desse processo, criar nos alunos mecanismos de mobilização de seus saberes anteriores construídos em outros espaços educativos. O professor, em sua prática pedagogicamente estruturada, deverá saber recolher, como ingredientes do ensino, essas aprendizagens de outras fontes, de outros mundos, de outras lógicas, para incorporá-las na qualidade de seu processo de ensino e na ampliação daquilo que se reputa necessário para o momento pedagógico do aluno. Ainda conceituando práticas pedagógicas, Veiga (1994, p. 16) diz ser “uma prática orientada por objetivos, finalidades e conhecimentos e, inserida no contexto da prática social sendo então a prática pedagógica uma dimensão da prática social”. Sendo assim, conhecimentos e hábitos da rotina pedagógica, desenvolvidas em sala de aula, podendo também estar relacionada com muitas teorias ou de acordo com a realidade e com a experiência adquirida durante a prática docente. 1.1 Breve histórico das práticas pedagógicas no Brasil Após a chegada dos portugueses, no ano de 1500, tivemos a escola fundada pelos padres jesuítas, com a instalação do primeiro estabelecimento de ensino, em 1549. A prática didática era tradicional, tendo essa escola clássica, como princípio básico a ideia de professor como aquele que age, comandando o ensino, enquanto o aluno é um ser passivo, como afirma a Teoria Behaviorista. Suas regras são baseadas no autoritarismo, como normas disciplinares bem rígidas. As aulas centradas no professor que transmítia os seus conhecimentos como irrefutáveis. Ainda hoje podemos encontrar resquícios da escola tradicional, pois muitos dos professores hodiernos, mesmo professando a escola sociointeracionista, na prática são tradicionalistas (LIRA, 2019). Podemos dizer que, historicamente, a escola tradicional, como paradigma, vai até 1932, quando surge um novo modelo com a escola crítica, a partir do Estado Novo proposto no governo de Getúlio Vargas. Mesmo após a expulsão dos jesuítas pelo Marquês de Pombal, tanto de Portugal como das suas colônias, a chegada de D. João VI e de toda sua corte ao Brasil, em 1808, como também, após a Proclamação da República, em 1889, a tendência da escola tradicional em nada se modificou. Como dissemos acima, foi em 1932 que se iniciou um movimento com intenções declaradas de mudanças nas tendências do ensino brasileiro, no governo de Getúlio Vargas. Era o início da chamada “escola nova”, em que o professor não se comportava mais como um transmissor ativo do conhecimento na perspectiva autoritária, mas assumia o dever de facilitar a aprendizagem. O aluno passa a ser ativo e sujeito no processo de ensino-aprendizagem, tornando-se a escola democrática e para todos (não somente para as classes sociais dominantes). A escola nova vai de 1932 até a instalação da ditadura militar, em 1964, momento do início da “escola tecnicista” baseada no modelo americano. O professor passa a ser um técnico com eficiência e eficácia. O aluno, por sua vez, um elemento para quem o material “didático” é preparado. O tecnicismo empregado em todas as áreas impede o estudante de ser criativo e pensante, tornando-se, simplesmente, um reprodutor do livro didático e das anotações do professor. Para a escola tecnicista, os alunos aprendiam a exercer o seu papel social, ditado pelos militares que detinham o poder. Nesse período, foram divulgados modelos e métodos educacionais que impressionam e dão contornos às formas de ensinar. Pode-se tudo pelo bem do tecnicismo, exceto a vontade popular de criar e recriar. Foi nesse período que se instalaram os recursos audiovisuais, a instrução propaganda e o ensino individualizado (LIRA, 2019). Com a queda da ditadura militar, os movimentos democráticos, sobretudo das minorias, eclodiram, e junto com eles, em 1983, iniciou-se a “escola crítica” (teorias críticas do currículo), embalada pelos anseios de liberdade que fizeram retornar ao país muitos de seus cidadãos munidos de novas ideias e novos métodos de ensino. Na escola crítica, em que encontramos as características do modelo sociointeracionista, o professor é o educador/parceiro que direciona a forma de aprendizagem com participação concreta do aluno. Este, por sua vez, é um cidadão que faz, cria e recria a história; um verdadeiro construtor de conhecimento. A escola é valorizada em sua totalidade e encontra-se, novamente, aberta para todas as camadas sociais da população, portanto, uma escola inclusiva. Na “escola crítica”, existe uma articulação entre o educador e o educando, e o conteúdo programático é construído ao longo do processo, tendo o aluno função primordial para a sua construção, avantajandoos conteúdos, as estratégias e os ritmos às demandas dos alunos. Nesse cenário, a avaliação começou a ser revista para que se constituísse como instrumento de adequação entre o ensino e a aprendizagem. No Brasil, essas discussões começam a ser realizadas no início dos anos 1980, permitindo a difusão de ideias sobre uma perspectiva formativa da avaliação. O objetivo da avaliação formativa é permitir a regulagem das ações pedagógicas para a promoção da aprendizagem de todos os alunos. Tal avaliação permite um diagnóstico não só do desempenho dos alunos, mas também da efetividade das ações docentes. O diagnóstico só tem sentido se permitir uma mudança nas escolhas realizadas, para a melhoria dos resultados. Uma verdadeira avaliação formativa é necessariamente acompanhada de uma intervenção diferenciada, com o que isso supõe em termos de meios de ensino, de organização dos horários, de organização do grupo de aula, até mesmo de transformações radicais das estruturas escolares (ZABALA, 1998, p. 15). Em síntese, a avaliação formativa é parte de uma educação mais justa e igualitária, preocupada em assegurar o direito de aprender a todos aqueles que passam pela escola. 8.3 Práticas avaliativas contemporâneas As práticas avaliativas contemporâneas partem de uma perspectiva formativa da avaliação, ou seja, os resultados obtidos são colocados a serviço da aprendizagem de todos os alunos. O objetivo da avaliação formativa é fornecer evidências fundamentadas e sustentadas, de forma que o professor possa apoiar o aluno em seu percurso de aprendizagens. Os resultados da avaliação não são encarados como responsabilidade exclusiva dos alunos. Tais resultados também se referem à ação docente e, como tal, contribuem para a regulagem do ensino e para o apoio à aprendizagem. Para que a avaliação formativa ocorra, as práticas avaliativas precisam ser realizadas em diferentes momentos do processo de ensino e aprendizagem. Se a avaliação é pensada como um instrumento para a regulação das aprendizagens, não faz sentido realizá-la apenas ao final do processo de ensino e aprendizagem, quando há pouco tempo para rever as escolhas feitas. Assim, a avaliação precisa ser realizada no início, durante e ao final do percurso de aprendizagens. A avaliação inicial visa a verificar o que cada um dos alunos já é, já conhece e já sabe fazer. Ademais, ela tem o objetivo de identificar o que cada aluno pode chegar a conhecer, a fazer e a ser, além de descobrir como cada estudante pode aprender. Tal avaliação se constitui como um ponto de partida, que visa a identificar os saberes que o aluno já tem ao chegar à escola, decorrentes de suas interações, vivências e experiências prévias. A identificação dos conhecimentos que os alunos já têm é fundamental para que os objetivos, os conteúdos e as estratégias sejam adequados às suas especificidades e necessidades. A avaliação inicial permite ao professor responder às seguintes perguntas: • O que os alunos sabem em relação ao que eu quero ensinar? • Que experiências já tiveram? • O que são capazes de aprender nesse momento e o que eu posso fazer para promover a aprendizagem? • Quais são os seus interesses? As informações coletadas a partir da análise dos resultados da avaliação diagnóstica permitem que o professor planeje um percurso a ser seguido para viabilizar a aprendizagem de todos os alunos. O registro realizado vai subsidiar o seu planejamento para a proposição das próximas atividades de leitura. Contudo, o planejamento docente é, inicialmente, hipotético, de modo que precisa ser acompanhado para que se tenha a certeza de que está sendo efetivo para todos os alunos. Para acompanhar o desempenho dos alunos ao longo de todo o processo de ensino e aprendizagem, o professor deve lançar mão de vários instrumentos avaliativos. A avaliação realizada ao longo do processo é chamada por Zabala (1998) de avaliação reguladora ou formativa. Para o autor, essa avaliação é formativa pois tem como propósito a modificação das estratégias utilizadas e o desenvolvimento contínuo do aluno avaliado. Em síntese, a avaliação deve ser um instrumento educativo que informa e valora o processo de aprendizagem do aluno. A partir dela, o professor pode oferecer ao aluno, a todo momento, as propostas educacionais mais adequadas. Em todos esses momentos, o professor está acompanhando o desempenho dos alunos e coletando informações para o seu planejamento. Na medida em que novas demandas surgem, ele pode ajustar o que havia planejado às necessidades de aprendizagem dos alunos. Ao final de determinado período, no qual é concluído um tema ou um conjunto de objetivos propostos, é fundamental saber se aquilo que era pretendido em termos de aprendizagens foi atingido por todos os alunos. A avaliação realizada nesse momento é chamada por Zabala (1998) de avaliação final ou integradora. Nesse momento, o professor pode lançar mão de diferentes instrumentos de avaliação (provas, exercícios, produções escritas, seminários, etc.) para ter certeza de que os objetivos foram efetivamente cumpridos. A avaliação final formativa visa a oportunizar o conhecimento e a avaliação de todo o percurso do aluno. Ela se constitui como um informe global do processo: a partir dos conhecimentos iniciais (identificados pela avaliação inicial), indica a trajetória seguida pelo aluno, as medidas específicas que foram tomadas e o resultado final de todo o processo. Com base nesses elementos, a avaliação final subsidia a elaboração de previsões sobre o que é necessário fazer para que o aluno continue aprendendo, ou o que é necessário fazer para que a aprendizagem ocorra. Para que todos os alunos alcancem os objetivos previstos, é fundamental que o docente conheça os processos de aprendizagem e os resultados individuais, bem como a efetividade das ações pedagógicas realizadas. Pensadas em diferentes momentos, as práticas avaliativas visam ao aperfeiçoamento das ações educativas. Esse aperfeiçoamento é necessário para que todos os alunos desenvolvam o maior grau de competências, conforme as suas possibilidades reais. PRÁTICA I Leia o artigo para desenvolver a atividade proposta: https://revistas.uece.br/index.php/ensinoemperspectivas/article/view/6694/5674 1. Justificativa: A organização do cotidiano escolar demanda um planejamento criterioso e bem fundamentado, com vistas à garantia de uma rotina que atenda aos propósitos da escola e expresse significativamente as suas intenções pedagógicas. Para isso acontecer, faz-se necessário que o professor ofereça subsídios aos alunos e promova a participação, a reflexão e a autonomia a partir de saberes construídos diariamente no decorrer do processo de ensino, considerando os conhecimentos construídos dentro e fora da sala de aula. 2. Objetivos: Analisar as práticas pedagógicas como uma oportunidade de tornar o ensino mais dinâmico, atrativo e eficaz. 3. Tema: “O cotidiano escolar e suas práticas pedagógicas” 4. Atividade: Elaborar um resumo de 1 lauda contendo os 3 pontos mais importantes do texto lido. 5. Realizar a atividade em outra página word e salvar em formato pdf, para encaminhar no seu portal AVA. https://revistas.uece.br/index.php/ensinoemperspectivas/article/view/6694/5674 PRÁTICA II 1. Justificativa: As ações educativas têm como eixos o convívio com a diferença e a aprendizagem como experiência relacional, participativa, que produz sentido para o aluno, pois contempla sua subjetividade, embora construída no coletivo das salas de aula. É certo que relações de poder presidem a produção das diferenças na escola, mas com base em uma lógica que não mais se baseia na igualdade como categoria asseguradapor princípios liberais, inventada e decretada, a priori, que trata a realidade escolar com a ilusão da homogeneidade, promovendo e justificando a fragmentação do ensino em disciplinas, modalidades de ensino regular ou especial, seriações, classificações, hierarquias de conhecimento. Por tudo isso, a inclusão é produto de uma educação plural, democrática e transgressora. Ela provoca uma crise escolar, ou melhor, uma crise de identidade institucional - que, por sua vez, abala a identidade fixada dos professores e faz que seja ressignificada a identidade fixada do aluno. O aluno da escola inclusiva é outro sujeito, que não tem uma identidade determinada por modelos ideais, permanentes, essenciais. O direito à diferença nas escolas desconstrói, portanto, o sistema atual de significação escolar excludente, normativo, elitista, com suas medidas e seus mecanismos de produção da identidade e da diferença. 2. Objetivos: Refletir sobre práticas pedagógicas inclusivas e sua relação com as tecnologias assitivas. 3. Tema: “Uso das tecnologias assistivas nas práticas inclusivas” 4. Atividade: Com base nos estudos realizados até aqui, elabore um plano de aula, como se você fosse o professor desta disciplina ou curso, promovendo uma atividade de caráter inclusiva, ou seja, uma prática pedagógica na qual todos os alunos participem. O conteúdo da aula deve ser escolhido a partir dos estudos realizados em seu curso. Para a elaboração do plano de aula sugerimos o esquema da próxima página. 5. Copiar a atividade proposta na página seguinte em outra página word e salve em formato pdf, para encaminhar no seu portal AVA. PLANO DE AULA DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Professor (a): Disciplina: Período do curso: TEMA: Qual o tema específico a ser desenvolvido nesta aula? OBJETIVOS: Qual o propósito desta aula? O que você espera que seus alunos desenvolvam com o conteúdo que será apresentado e estudado? CONTEÚDO: Defina qual o conteúdo que se propõe desenvolver com base nos estudos realizados no seu curso. DESENVOLVIMENTO DO TEMA: Como a aula será iniciada? Uma revisão dos conteúdos passados? Uma situação problema? Depois de iniciar a aula, seja com uma revisão, seja apresentando uma situação problemática para os alunos pensarem e resolverem ao final da aula, você deve desenvolver a aula. Aqui, você irá, de fato, conduzir a aula de modo que o objetivo traçado seja atendido. RECURSOS DIDÁTICOS: Listar todos os recursos. Se usar projetor, acrescentar computador, pendrive e o software que será necessário estar instalado. Se for passar lista de exercícios, também citar impressões/xerox. AVALIAÇÃO: Não é interessante, tão pouco didático, o professor ter apenas um modo de avaliar o aluno. Por isso, é importante e fundamental que aqui esteja explicitado ao menos dois tipos de avaliações. Pode ser, por exemplo, uma avaliação do comportamento, envolvimento e participação do aluno ao longo da aula, o que caracteriza uma avaliação qualitativa e contínua, como também pode ser incluída a avalição quantitativa, com atividades escritas, realização de trabalhos de pesquisa, elaboração de relatórios, dentre outras. PRÁTICA III 1. Justificativa: A avaliação tem como dimensão de análise o desempenho do aluno, do professor e de toda a situação de ensino que se realiza no contexto escolar. Sua principal função é subsidiar o professor, a equipe escolar e o próprio sistema no aperfeiçoamento do ensino. É, portanto, uma prática valiosa, reconhecidamente educativa, quando utilizada com o propósito de compreender o processo de aprendizagem que o aluno está percorrendo em um dado curso, no qual o desempenho do professor e outros recursos devem ser modificados para favorecer o cumprimento dos objetivos previstos e assumidos coletivamente na Escola. 2. Objetivos: Refletir sobre práticas pedagógicas e os processos formativos da avaliação. 3. Tema: “Práticas pedagógicas e avaliativas na perspectiva processual” 4. Atividade: Com base nos estudos realizados até aqui, assista o seguinte filme: “Escritores da liberdade” (2007) – Uma jovem e idealista professora chega a uma escola de um bairro em situação de vulnerabilidade. Os alunos se mostram rebeldes e sem vontade de aprender, e há entre eles uma constante tensão racial. Assim, a professora Gruwell aposta em métodos diferentes de ensino. Aos poucos, os alunos vão retomando a confiança em si mesmos, aceitando mais o conhecimento e reconhecendo valores. a) Elabore um texto de 1 lauda explicando a relação entre o filme, as práticas pedagógicas e avaliativas. b) Coloque um título para sua redação. c) Realizar a atividade em outra página word e salvar em formato pdf, para encaminhar no seu portal AVA. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BERSCH, R.; SCHIRMER, C. Tecnologia assistiva e educação inclusiva. In: BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Ensaios pedagógicos: construindo escolas inclusivas. Brasília: MEC, 2005. BRANDÃO, Z.; BONAMINO, A. C. Posfácio. In: BRANDÃO, Z. (Org.). A crise dos paradigmas e a educação. São Paulo: Cortez, 1994. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2017. BRASIL. Secretaria de Educação a Distância. Rede Interativa Virtual de Educação. Aprendendo por osmose. 2017. BRASIL. Secretaria de Educação a Distância. Rede Interativa Virtual de Educação. Guia do professor. 2017. DEIMLING, N.N.M; MOSCARDINI, S.F. Inclusão escolar: política, marcos históricos, avanços e desafios. São Paulo. 2017. ESCOSTEGUY, C. C. Educação popular. Porto Alegre: SAGAH, 2017. FARIAS, I. M. S. et al. Didática e docência: aprendendo a profissão. Brasília: Liber livros, 2011. FERREIRA, F. Guia completo: o que é rotina na educação infantil? PROESC, 2020. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à pratica educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. FREIRE, P. Política e educação. São Paulo: Cortez, 1993. GADOTTI, M. A escola na cidade que educa. Cadernos Cenpec, v. 1, n. 1, p. 133- 139, 2006. LIBÂNEO, J. C. Democratização da escola pública. São Paulo: Loyola, 1990. LIBÂNEO, J. C. Didática. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2013. LIBÂNEO, J. C. 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VEIGA, I.P. A. A pratica do professor de didática. 3 ed. Campinas: Papirus 1994. ZABALA, A. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998.objetos e estruturas de conteúdos que tenham significados para interferirem em seu cotidiano (LIRA, 2019). Estamos em pleno século XXI e observamos as Tecnologias Digitais da Informação e da Comunicação (TDICs) dominarem os espaços de maneira positiva, sobretudo, dentro dos sistemas educacionais. Tais tecnologias, quando bem utilizadas, surgem como facilitadoras de aprendizagem. Por outro lado, podem impedir o diálogo interface e, consequentemente, a transmissão dos sentimentos (trabalho pedagógico com as emoções) e ainda, podem individualizar o ser humano e fechá-lo em um mundo egocêntrico em que se esquece a presença do outro, tornando-o um mero espectador e, provavelmente, um elemento sem coragem de estabelecer rupturas e interpretações dialéticas nos seus espaços de relações (LIRA, 2019). Vivemos em um mundo cada vez mais individualista e especializado, onde os estudantes devem ser levados a fazer leituras mais sociais e a refletir sobre as estruturas holísticas, ou seja, abrir-se às novas visões na perspectiva do todo, entendendo que a máquina (computador), mesmo facilitadora de aprendizagem, nunca poderá substituir a mediação do professor (LIRA, 2019). Diante dessa constatação, surge a dúvida: Podemos ou não retornar ao tecnicismo? Sabemos da importância de todos os momentos e tendências da educação no Brasil, mas uma relação com o social não poderá ser supressa, pois não podemos conviver somente com máquinas, sem produção de significados. A máquina opera somente com sintaxe, enquanto os seres humanos com semântica; portanto, as duas estruturas são importantes e eficazes para o processo de ensino- aprendizagem quedesponta em nosso contexto social atual. Buscamos o melhor para a educação, aproveitamos todas as formas de comunicação entre o aluno e o professor; por isso devemos aperfeiçoar os métodos e, sem excluir o tecnológico, não esquecer a importância da convivência com os outros durante todo o processo de ensino-aprendizagem, pois uma das finalidades da educação é a humanização do homem, e issonão poderá acontecer somente com máquinas (LIRA, 2019). 1.2 Quais princípios norteiam as práticas pedagógicas? Aprender é dar novos significados A aprendizagem ou construção do conhecimento é a apropriação, por parte do aprendiz, do objeto a ser conhecido. Em outras palavras, ao conhecer, ela ressignifica as informações adquiridas, tornando-as um novo conhecimento e, consequentemente, modifica-se também. Ser estudante é um processo permanente A aprendizagem constrói-se na relação com o outro, a partir das necessidades e situações do dia a dia, tendo, portanto, um caráter aberto. Está sempre em processo de formação e transformação, ou seja, tem existência histórica, daí a importância de cultivar na criança uma postura de estudante que permaneça ao longo de sua vida. O conhecimento humano é instrumento de ações modificadoras O currículo deve constituir-se de competências, habilidades e conteúdos que sejam instrumentos para que as crianças desenvolvam capacidades que lhes permitam produzir e usufruir dos bens culturais, sociais, tecnológicos e econômicos. Portanto, precisam conter, além de fatos e conceitos, procedimentos, valores, normas e atitudes. A aprendizagem é coletiva, dinâmica e reflexiva Os planos de curso devem admitir a possibilidade de conhecimentos diversos, propiciando a utilização de vários procedimentos (como seminários, pesquisa, observação, leitura, registros, experiências, etc.), permitindo a apropriação do conhecimento de forma dinâmica e fundamentada por meio da interação com o grupo. A escola desenvolve competências para a sociedade contemporânea A sociedade contemporânea caracteriza-se pelo volume, diversidade e velocidade de informações que circulam. Portanto, a escola deve instrumentalizar as crianças com competências como criticidade, flexibilidade, criatividade, liderança e cooperação que lhes permitam fazer uso do conhecimento que constroem. O conhecimento é interdisciplinar As áreas que compõem o currículo são separadas apenas para efeito didático, estando permanentemente coligadas num dinâmico processo. Disciplina possibilita a construção da autonomia A disciplina é trabalhada para a formação de cidadãos capazes de gerir a si próprios, participando do contexto social e político em que estão inseridos, construindo valores éticos e promovendo o bem-estar social. O professor e o tutor são os mediadores da aprendizagem O professor desenvolve uma postura de escuta do grupo, buscando compreender o que imerge na interação das crianças com o objeto de conhecimento para poder introduzir novos elementos e procedimentos que lhes permitam ir além do que já sabem. A avaliação é parte do processo de aprendizagem A avaliação faz parte do processo de aprendizagem e ocorre no dia a dia da escola. Permite ao professor e ao aprendiz compreenderem como estão sendo elaborados os conteúdos estudados e, a partir daí, planejar e redirecionar intervenções para facilitar a construção do conhecimento. A escola é um espaço democrático A dinâmica de relações entre alunos, pais, professores e funcionários baseia-se em princípios democráticos, ressaltando-se direitos e deveres, possibilidades de expressão, respeito e senso de responsabilidade. 1.3 Como se dá a formação da prática pedagógica? Os cursos de formação de professores precisam explicitar com clareza qual a prática pedagógica é adotada em seus cursos, e seus professores e estudantes precisam ter clareza de que tal prática os ensina a ser professor. Precisamos perceber que a prática que oportunizamos e/ou a que nos permitimos participar é parâmetro para as projeções do ser professor em construção. Referimos à construção inicial de nossos estudantes e à nossa construção continuada, bem como dos estudantes já iniciados. É muito importante que se repita o óbvio: nossos alunos dos cursos de licenciatura veem em seus professores e nas experiências com estes, as condições de sustentação para projetos de vida profissional, pessoal, acadêmica e cidadã. Todos os participantes que compõem uma turma fazem parte do processo de ensino- aprendizagem do ser professor. A participação de todos reunidos em sala de aula se constitui em atos pedagógicos de qualidade equiparada ao papel do professor da turma. O reflexo da prática pedagógica na formação do aluno O outro imediato na formação de professores é o colega da turma. A vontade em participar está vinculada à vontade de aprender, mesmo para ser, porque se deve saber que prática pedagógica não se ensina, mas se aprende. Ela é formada de intenções de fazer educação e se constitui, antes de tudo, de um querer ser. Este querer ser é legitimado por um querer saber para fazer bem. Poderíamos ainda dizer que todos nós, em formação inicial ou permanente, estamos sempre aprendendo a prática pedagógica. Portanto, quem exerce a profissão de professor, seja em qual nível for; ensino básico ou superior, desenvolve uma prática pedagógica, esteja consciente ou não disto. É preciso dizer que a prática pedagógica nem sempre vai ensinar o que apregoam os objetivos de ensino do plano a que se refere, mas sempre oportunizarão uma aprendizagem aos envolvidos. Exemplos: o professor relapso ensina o aluno a ser relapso, mesmo que saiba bem o conteúdo a que se propõe trabalhar. O professor autoritário ensina o aluno a ser autoritário. O professor exigente ensina o aluno a ser exigente. O professor amoroso ensina o aluno a ser amoroso. Isto nos remete à questão de que a aprendizagem significativa pode ser correta ou incorreta. Muitos professores e alunos têm se perguntado o que é afinal de contas considerado prática pedagógica em uma disciplina da formação de professores. Uma pergunta poderia ajudar a identificarquais atividades propostas aos estudantes pode ser considerada prática pedagógica: O que estamos propondo como atividade vai auxiliar na formação docente do estudante? Ao estudante deve ser perguntado: O que vocês estão aprendendo que esteja oportunizando o desenvolvimento de um arcabouço que vá orientar a prática pedagógica? O que precisa ficar claro na formação de professores é haver uma distinção entre a prática pedagógica vivenciada na formação inicial e as outras práticas pedagógicas que irão experimentar no decorrer de sua formação continuada. É importante lembrar que o professor da atualidade já não tem condições – em virtude da crise paradigmática – de definir uma prática que irá sustentar para o resto de sua vida. Precisamos “avisar” aos estudantes da formação de professores que precisamos reformular nossas intenções de práticas permanentemente, sob o risco de esquecer a autocrítica. Daí se pode concluir que, mais importante do que definir que atividade pode ser considerada prática pedagógica, é se o estudante está disposto a tomar consciência do que irá oportunizar o início da construção da sua identidade como professor. 2 A IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO NA EDUCAÇÃO INFANTIL Segundo Farias et al. (2011), a prática educativa deve ser organizada antecipadamente, enquanto é intencional e sistemática. A organização lida com o ensino e o planejamento de atividades educacionais. É um trabalho reflexivo e contínuo, imbuído de um processo de avaliação e revisão das ações realizadas e necessárias para atingir os objetivos educacionais. Planejar significa antecipar ações e condições e racionalizar quando e como a aprendizagem ocorrerá. Na educação infantil, o planejamento organiza tempo, espaço e materiais para garantir direitos de aprendizagem e proporcionar uma aprendizagem direcionada. Dessa forma, o planejamento deve ser pautado pelo princípio da flexibilidade, que está associado à abertura para correções ao longo do caminho, e pela identificação de ações educativas predeterminadas que não contribuem para o alcance dos objetivos propostos. Refira-se que a flexibilidade do planejamento assenta na informação recolhida através das recomendações práticas de avaliação, implementadas numa perspectiva formativa, colocando-as ao serviço da aprendizagem (FARIAS et al., 2011). Na educação infantil, o planejamento começa com um diagnóstico da realidade na qual se pretende intervir: as características da criança, suas fases de desenvolvimento e as circunstâncias particulares de cada faixa etária, os conhecimentos que já se tem sobre o assunto a ser discutido e as circunstâncias especiais da realidade em que unidade escolar está inserida. Conforme Farias et al. (2011), a partir das informações coletadas durante o diagnóstico ou avaliação inicial, o educador deve começar a construir o plano de ação planejado, considerando os objetivos, conteúdos ou temas a serem explorados e as ações pedagógicas a serem propostas. O ensino, o trabalho e a avaliação sistemática dos recursos de aprendizagem são essenciais. Uma vez estabelecido o plano de ação, ele passa para a fase de implementação. Nessa fase, o levantamento de novas informações da proposta sobre os momentos de avaliação continuada e possíveis contingências que podem acontecer, exige agilidade no planejamento prévio. Para implementar a flexibilidade do programa de maneira consistente e coerente com osobjetivos desejados e com a individualidade de cada aluno, a documentação educacional é fundamental para o processo de tomada de decisão. 2.1 A BNCC e as práticas educativas na educação infantil A BNCC (BRASIL, 2017) é um documento normativo que define um conjunto orgânico e progressivo de aprendizagem básica que todos os alunos devem desenvolver por meio de etapas e padrões da educação básica para que seus direitos de desenvolvimento e direitos educacionais sejam garantidos. Ao longo dos três ciclos do ensino básico (infância, ensino básico e secundário), educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, as aprendizagens essenciais definidas pela BNCC devem garantir que todos os alunos desenvolvam as dez competências gerais que permitem ao indivíduo contribuir para a mudança social, tornando-a mais humana e equitativa. Conclui-se que a BNCC é referência nacional na organização e reestruturação curricular que visa a qualificação das políticas públicas e outras iniciativas relacionadas com a formação de professores, avaliação, preparação de conteúdos pedagógicos e disponibilização de infraestruturas adequadas. Publicada em dezembro de 2017, a BNCC apresenta em seu texto diversos conceitos que, embora não são novidades nas discussões no campo da educação, ganharam força devido sua presença no documento e sua importância para uma formação integral dos alunos (BRASIL, 2017) e para a educação infantil, a ênfase é colocada no conceito de direitos de aprendizagem e desenvolvimento, áreas de especialização e metas de aprendizagem e desenvolvimento. A educação infantil na BNCC A BNCC incorpora em seu texto a necessidade expressa pelas diretrizes curriculares nacionais para a educação infantil em seu artigo 9º, de que o ensino nesta etapa da educação básica tenha dois eixos estruturantes: a interação e a brincadeira. Na perspectiva adotada, o eixo estruturante da prática educativa proporcionará as experiências necessárias para permitir que as crianças construam e adquiram conhecimentos por meio de suas ações e interações com pares e adultos, promovendo assim a aprendizagem, o desenvolvimento e a socialização Brasil (2017). Figura 1. Direitos de aprendizagem e desenvolvimento na educação infantil. Fonte: Adaptada Brasil (2017) Direitos de aprendizagem e desenvolvimento na Educação Infantil Conviver Brincar Participar Explorar Expressar Conhecer- se A proposta de trabalho pedagógico pautado no direito à aprendizagem e no desenvolvimento interpreta a ideia de criança nomeada no documento como “uma pessoa que observa, questiona, elabora hipóteses, conclui, julga e internaliza valores, constrói e adquire conhecimento por meio da ação e interação com o mundo físico e social. Nessa perspectiva, o professor deve dar uma intencionalidade pedagógica à prática de ensinar, organizando e propondo experiências que tornem a criança consciente de si e dos outros, bem como conheça e compreenda a relação com a natureza, cultura e a ciência. Na BNCC, o conteúdo oferecido é agrupado em cinco áreas de atuação (BRASIL, 2017): Figura 2 – Cinco áreas de atuação no conteúdo Fonte: adaptada de Brasil (2017) A principal vantagem do campo de experiência é que ela vai além da divisão do conhecimento e de suas áreas de conteúdo, pois oferecem um trabalho interdisciplinar, adaptando-se às situações e experiências concretas do cotidiano das crianças e seus saberes, e entrelaçando-as com saberes. Parte do patrimônio cultural. Assim, esses campos colocam a interação e a brincadeira no centro do processo educacional, e são focos estruturantes do trabalho educativo nesta etapa educacional. 2.2 Elementos fundamentais de planejamento na educação infantil Ao planejar suas ações, o professor deve pensar no “porquê”, “o quê”, “como ensinar” e os resultados das ações realizadas. A reflexão sobre esses aspectos deu origem a elementos que precisam ser considerados no planejamento: objetivos, conteúdos, métodos, recursos pedagógicos e sistemas de avaliação (FARIAS et al., 2011). (Quadro 1). Quadro 1 – Elementos do planejamento docente Fonte: Adaptado de Farias et al. (2011) Na educação infantil, o planejamento baseado em objetivos, conteúdos, métodos, recursos pedagógicos e sistemas de avaliação prevê o que é necessáriopara a aprendizagem e estabelece as rotinas necessárias para o trabalho educativo. Nesta perspectiva, a organização do trabalho educativo com as crianças pressupõe uma rotina que deve passar por situações de supervisão, brincadeira e aprendizagem dirigida. Segundo Ferreira (2020), tudo, desde a recepção das crianças até as tarefas que desempenham na escola, como a hora do almoço, a higiene e até mesmo o descanso, deve ser organizado conforme a rotina para que as crianças adquiram independência e senso de responsabilidade. Estabelecer uma rotina também permite que funcionários e professores administrem melhor seu tempo e respondam às necessidades de cada criança. 3 O COTIDIANO ESCOLAR PARA ALÉM DA SALA DE AULA Durante muito tempo, as salas de aula foram o ambiente de aprendizagem mais importante nas escolas. Entretanto, as novas tecnologias e as competências necessárias para viver numa sociedade moderna evidenciam a necessidade de modernizar a educação, que parece ter estagnado no século XIX. Mas como fazer isso? As instituições de ensino podem utilizar uma série de estratégias para evitar o tradicionalismo pedagógico com cargas horárias extensas, avaliações e distribuições de conteúdo e elaborar uma educação mais lúdica e diversificada. Uma sala de aula diferenciada pode ser vista como qualquer outro lugar que não seja a salas de aula e que proporcione conhecimento. Existem muitas oportunidades disponíveis para os professores utilizarem dessas estratégias não apenas nas instituições de ensino, mas também fora delas. Veja agora alguns exemplos de lugares onde as práticas podem ser aplicadas: Quadro 2 – Exemplos de espaços para práticas pedagógicas Fonte: Elaboração própria. A consequência do descompasso entre a sociedade atual e as competências exigidas pelo mercado e os modelos de ensino utilizados na maioria dos centros de ensino: conforme mostram dados do INEP dos últimos anos, os alunos se interessaram menos por algumas disciplinas com níveis de competência abaixo do esperado. A partir desse ponto de vista, aulas mais dinâmicas podem ser uma excelente ferramenta para facilitar o aprendizado de forma mais interessante e eficaz. Um indivíduo só aprende quando tal ensinamento faz sentido a ele, ou seja, quando o aluno sabe o que busca, porque busca, e porque tal ensinamento lhe traz conhecimento. Em outras palavras, quanto mais próxima à experiência de aprendizagem estiver das situações reais dos alunos, mais fácil será a absorção e transferência do conhecimento. Aprender fora da sala de aula agrega também outros conhecimentos, como, por exemplo: ➢ Aproximação entre aluno e professor ➢ Estimulação de diferentes sentidos ➢ Aprender fazendo ➢ Participação dos alunos. Como se pode ver, uma das funções da escola é fomentar a independência dos alunos, prepará-los para o futuro e promover experiências, práticas e saberes variados. O professor que segue esta visão também contribui para esta importante tarefa, pois tem a responsabilidade de proporcionar uma educação para a vida social, de forma que o aluno se torne um sujeito crítico, reflexivo, consciente e responsável para mudar a realidade em que vive. Além disso, é importante que os professores forneçam auxilio para os alunos, demonstrem comprometimento e interesse nas questões de aprendizagem e compreendam seu papel. Igualmente importante, buscar o comprometimento, a satisfação e a realização dos alunos com base no conhecimento acumulado no processo de ensino a cada dia. Nesse caso, é importante considerar a formação de pessoas críticas, reflexivas e criativas, que também saibam utilizar a memória como base para a criatividade, a começar pela disseminação do aprendizado e pelo reforço de aulas voltadas à participação, à reflexão e ao diálogo, participação, esforço e conhecimento. Isso levanta algumas questões: Afinal, todo esse trabalho é feito apenas em sala de aula? É restrito somente para este ambiente? Como surgem as relações de aprendizagem quando introduzimos algo além do espaço físico de uma sala? Para responder a essas perguntas, é importante lembrar que uma sala de aula é o lugar de inúmeros fatos, vivências e conhecimentos. Portanto, este é o cenário em que diferentes configurações de ensino são usadas. Essa diversidade pressupõe um diálogo entre teoria e prática, entre as dimensões interna e externa da educação, sobre o quê, para quem e o que ensinar. Partindo desse pressuposto, o cotidiano escolar extrapola os limites da sala de aula para revelar outros importantes espaços de apoio ao ensino e aprendizagem. Esses espaços ajudam a oferecer novas experiências, conhecimentos, reflexões e oportunidades de crescimento e discussão. Nesse sentido, pode-se dizer que, além dos conteúdos escolares oferecidos pela escola e do programa de estudos curatoriais, é importante que o professor inclua em seu planejamento conhecimentos, saberes e discussões relacionadas ao social, uma vez eu, seus alunos estão neste meio. Para serem incluídos nesse contexto, eles devem estar dispostos a se encontrar, dialogar e refletir sobre questões que afetam seu cotidiano. Para isso, é necessário que o corpo docente crie condições de aprendizagem, selecione e reorganize os conteúdos para proporcionar práticas pedagógicas pautadas nas necessidades da vida social e para além da sala de aula. Saviani (2011) defende que a educação extrapola os muros das escolas, partindo do pressuposto de que o “conhecimento sistemático” deve ser desenvolvido dentro das escolas, assim como o conhecimento mais elevado no cotidiano. Moacir Gadotti (2006), em seu artigo A escola na cidade que educa, fala sobre a educação das cidades - conceito que se consolidou em Barcelona (Espanha) no início dos anos noventa - e a criação de cidades educativas após a aprovação de uma carta do Congresso Internacional das Cidades Educadoras, sobre princípios básicos que caracterizam uma cidade que educa. Para o autor a cidade é como espaço cultural, que educa a escola e todos que circulam em seu espaço, e a escola é como palco do drama da vida, educa a cidade, trocam saberes e habilidades. Além disso, Libâneo (2001) enfatiza o papel das escolas e dos professores na criação de condições favoráveis de aprendizagem em que os alunos se tornem agentes ativos de sua própria aprendizagem. Outra questão importante é a compreensão de que os alunos são parte integrante do processo de ensino. Portanto, além de disseminar conhecimentos e conteúdos, os professores também devem publicar e levantar discussões, desafios e questões que sejam importantes, úteis e relevantes para a escola, a sala de aula e no cotidiano dos alunos. Para tornar essas relações relevantes e produtivas, os docentes devem diversificar sua rotina escolar para incluir saídas de campo, visitas e pesquisas, bem como sugerir atividades que possam ser realizadas em outros espaços da escola. Um exemplo disso é o ensino em bibliotecas, salas de informática, etc. Mesmo com esses desafios, facilitar as atividades fora da sala de aula ainda é uma forma de os alunos vivenciarem o que aprenderam em sala de aula e fazer conexões e relações com o conteúdo e a teoria. Dessa forma, ele vive, experimenta e aprofunda o que aprende nas aulas, o que o ajuda a se tornar autor do próprio conhecimento. Pereira (2015) acrescenta que o maior desafio é estimular a criatividade para que as escolas não sejam vistas como espelhos estáticos de conteúdos voltados para comunidades distantes e projetadas. Ao contrário, é importante, que seja aberto à mudança, representado na imagem do educador e do aluno, baseado na participação e reflexão entre teoria e prática no cotidiano escolar. Nesse sentido, embora os professores trabalhem com grupos sociais, é a partir do trabalho com os indivíduos e das diferenças existentesentre eles que a aula vai se delineando, ganhando riqueza e significado. Dessa maneira, o profissional do ensino constrói o seu próprio espaço pedagógico de trabalho e resolve de forma cotidiana as situações que lhe são postas, apoiado a partir de uma visão de mundo, de homem e de sociedade (TARDIF, 2012). 4 OBJETIVOS EDUCACIONAIS NAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS O que são objetivos educacionais? Por que precisamos ter objetivos quando desenvolvemos as práticas pedagógicas? Essas são as principais questões quando se dá uma organização de ensino. Ao contrário das práticas automáticas de ensino, que se baseiam em atividades sem propósitos claros, a educação de crianças e adolescentes nas escolas não podem ser pensadas dessa forma, sem nenhuma programação. A educação não pode ser um navio à deriva que vai com o vento, ela deve ser direcionada na direção desejada, especialmente quando se entende que sua função social é "cooperar para desenvolver a totalidade dos alunos - consciência e cidadania" - para obter conhecimento das conexões essenciais que nos permitem compreender a realidade ou modificá-la. (VASCONCELLOS, 2012, p. 98). A expectativa dos resultados faz parte da educação intencional, sendo a prática das escolas voltada para o desenvolvimento do indivíduo e da própria sociedade, sendo um direito social tanto quanto um dever institucional. Ao estabelecer metas, entramos em diálogo ativo com a realidade e descobrimos seu significado para realizar sua transformação. Portanto, os objetivos de professores e alunos devem ser claros. Ao indicar a direção que desejam seguir, os alunos compreendem a importância de seus esforços para alcançar a tarefa proposta 4.1 Conteúdos de ensino e aprendizagem Quando falamos de educação, surge a ideia de que algo se ensina e algo se inclui. Esta definição leva-nos à ideia de que os conteúdos são um conjunto de conceitos, princípios e teorias que devemos compreender e cristalizar nas disciplinas escolares. No entanto, essa visão disciplinar fragmentária fornece apenas parte do que foi aprendido e oferece apenas uma perspectiva cognitiva. Ao mudar nosso foco para a formação integral, estamos também ampliando o conceito de conteúdo e passando a entendê-lo como tudo o que precisa ser aprendido para atingir um objetivo que envolve não apenas habilidades cognitivas, mas outras habilidades (ZABALA, 1998). Portanto, o conteúdo educacional será considerado tudo o que permite o desenvolvimento das diversas habilidades que compõem o objeto de estudo, como interpessoal, emocional, motora, cognitiva, social e cultural, etc. Orientados para a aprendizagem, o ensino dos alunos, sempre intencional e consciente dos propósitos a serem alcançados, os conteúdos podem ser organizados conforme a sua natureza, podendo ser: [...] conceituais, procedimentais ou atitudinais. Esta classificação corresponde respectivamente às perguntas “o que se deve saber?”, “o que se deve saber fazer"? “ e “como se deve ser”, com o fim de alcançar as capacidades propostas nas finalidades educacionais (ZABALA, 1998, p. 31). A aprendizagem baseada em conteúdo envolve basicamente a compreensão de como cada um é aprendido. Então vamos conhecê-los melhor. 4.2 Conteúdos de natureza conceitual O conteúdo conceitual é caracterizado por um conjunto de situações, objetos ou símbolos que compartilham características e princípios comuns e descrevem causalidade ou associação. Portanto, aprendê-lo requer compreensão. [...] esta aprendizagem implica uma compreensão que vai muito além da reprodução de enunciados mais ou menos literais. Uma das características dos conteúdos conceituais é que a aprendizagem raramente pode ser considerada acabada, já que existe a possibilidade de ampliar ou aprofundar seu conhecimento, de fazê-la mais significativa (ZABALA, 1998, p. 43). A construção de um conceito é subjetiva, sendo uma situação que combina o conhecimento prévio com o conhecimento científico fornecido. Dessa forma, promove uma intensa atividade mental, estabelecendo relações lógicas que não só proporcionam a compreensão de um fenômeno ou conceito, como também permitem que ele seja utilizado em outras situações relacionadas. 4.2.1 Conteúdos de natureza procedimental Todas às vezes que um conteúdo incluir regras, técnicas, métodos, habilidades, estratégias ou procedimentos, trata-se de um conteúdo procedimental. Esse tipo de conteúdo constitui um conjunto de ações organizadas com uma finalidade, ou seja, voltadas para atingir um objetivo. São conteúdos processuais: ler, desenhar, observar, calcular, categorizar, traduzir, cortar, pular, derivar, esfaquear, etc. (Zabala, 1998). Pode-se observar que os procedimentos apresentados são muito diferentes entre si e possuem características específicas. Podemos destacar três parâmetros diferentes nesse tipo de conteúdo. A primeira inclui componentes motores e cognitivos. Por exemplo, pular e cortar são atividades mais associadas ao aspecto ação. Ler, raciocinar e traduzir são atividades mais próximas do lado cognitivo. O segundo parâmetro indica o número de ações a serem executadas (mais ou menos). O terceiro parâmetro, em última instância, tem a ver com o quão determinísticas são as sequências: em alguns casos a sequência de ações será sempre a mesma, em outros dependerá de características que variam caso a caso. Esses parâmetros indicam que o aprendizado de práticas específicas não se limita à repetição, mas envolve uma compreensão sólida dos movimentos e suas idiossincrasias. Aprender algo requer a execução de procedimentos, para que os alunos compreendam os procedimentos ordenados e sua finalidade. Portanto, prática leva à eficiência. Além disso, os alunos podem pensar sobre a própria atividade enquanto a realiza. Dessa forma, o aprendizado se faz fazendo, é um procedimento que nos faz refletir sobre todo o processo e aplicar o que aprendemos em diversas situações. 4.2.2 Conteúdos de natureza atitudinal No grupo de conteúdo atitudinal, há uma série de outros conteúdos, que podem ser agrupados em outros grupos por suas diferenças, quais sejam os valores, as normas e as atitudes. Confira a seguir a descrição de cada um. – Entendemos por valores os princípios ou as ideias éticas que permitem às pessoas emitir um juízo sobre as condutas e seu sentido. São valores: a solidariedade, o respeito aos outros, a responsabilidade, a liberdade, etc. – As atitudes são tendências ou predisposições relativamente estáveis das pessoas para atuar de certa maneira. São como cada pessoa realiza sua conduta de acordo com valores determinados. Assim, são exemplos de atitudes: cooperar, participar das tarefas escolares, etc. – As normas são padrões ou regras de comportamento que devemos seguir em determinadas situações que obrigam a todos os membros de um grupo social. As normas constituem a forma pactuada de realizar certos valores compartilhados por uma coletividade e indicam o que pode se fazer e o que não pode se fazer nesse grupo (ZABALA, 1998, p. 46). Você percebeu a relação entre esses conteúdos? Apesar de sua especificidade, relaciona-se tanto com os aspectos cognitivos (conhecimentos, crenças) quanto com os aspectos emocionais (humor), comportamentos e atitudes conscientes e intencionais de cada indivíduo. Essa inter-relação entre diferentes aspectos de uma pessoa determina, em última análise, sua personalidade. A aprendizagem de conteúdos de natureza comportamental requer conhecimento e reflexão contínua sobre os padrões de comportamento social e individual, bem como uma avaliação criteriosa dos aspectos positivos e negativos dos critérios, a fim de poder se posicionar e se envolver emocionalmente. Os valores orientam as ações, que, por sua vez, são conscientes. 5 PERSPECTIVAS PEDAGÓGICAS E SUA RELAÇÃO COM AS TDICS A prática docente é repleta de perspectivase atitudes que regem o comportamento dos professores em sala de aula. Na prática, docente, há práticas que se concentram ou se baseiam em várias perspectivas, incluindo a pedagogia Liberal e a pedagogia Progressista. A fim de compreender a relação entre as tecnologias de informação e comunicação e as perspectivas pedagógicas, vamos identificar e conceituar cada uma delas, pois o conhecimento das tendências educacionais aplicadas contribui para a prática docente, uma vez que essas tendências podem servir como guias para o trabalho pedagógico. De acordo com Luckesi (1994), não tem como a pedagogia ser bem entendida e praticada se ela não for clara e compreendida de significado, ou seja, buscar o sentido da prática docente. Toda prática educativa, está relacionada a prática pedagógica, mas também apresenta caraterísticas sócio-político - na linha de Libâneo (1990), segundo a qual as disposições pedagógicas envolvem o contexto e o fazer educativo. Quanto ao fazer pedagógico. Educar não significa simplesmente transmitir/adquirir conhecimentos. Existe, no processo educativo, um arcabouço de representações de sociedade e de homem que se quer formar. Através da educação as novas gerações adquirem os valores culturais e reproduzem ou transformam os códigos sociais de cada sociedade. Assim, não há um processo educativo asséptico de ideologias dominantes, sendo necessária a reflexão sobre o próprio sentido e valor da educação na e para a sociedade. (LUCKESI, 1994). Nesse sentido, a educação não está indiferente à ideologia portanto, é cercada por questões sociais e políticas ao longo de sua prática. É, por isso, importante compreender as tendências e/ou perspectivas educativas, uma vez que incluem diferentes visões das pessoas e da sociedade, e mesmo diferentes pressupostos sobre o papel do ensino, aprendizagem e educação. Saviani (2009) fala sobre as reflexões, as tendências pedagógicas. Ele mostra que as principais orientações pedagógicas utilizadas na educação brasileira se dividem em duas grandes linhas de pensamento educacional. São elas: Tendências Liberais e Tendências Progressistas. Veja, no Quadro 3, as principais tendências e sua linha de ação, como se apresentam na prática docente. Quadro 3 – Principais tendências e linhas de ação Fonte: adaptada Saviani (2009). Na Pedagogia Liberal, os estudantes se adaptam à sociedade e ao fazer social. Nesse sentido, não são consideradas as individualidades dos sujeitos, e sim o coletivo. Como aponta Libâneo: [...] a pedagogia liberal sustenta a ideia de que a escola tem por função preparar os indivíduos para o desempenho de papéis sociais, conforme as aptidões individuais. Isso pressupõe que o indivíduo precisa adaptar-se aos valores e normas vigentes na sociedade de classe, através do desenvolvimento da cultura individual. Devido a essa ênfase no aspecto cultural, as diferenças entre as classes sociais não são consideradas, pois, embora a escola passe a difundir a ideia de igualdade de oportunidades, não considera a desigualdade de condições. (LIBÂNEO, 1990, p. 14), Ainda a Pedagogia Liberal é dividida em Pedagogia Tradicional, Renovada e Tecnicista. A característica mais marcante da educação tradicional era o aprendizado mecânico; ajudava a preparar o indivíduo para a prática social e para o mercado de trabalho, centrava-se nos padrões burgueses e procurava adequar o indivíduo a esse padrão, e o papel da escola era formar alunos disciplinados. Enquanto isso, a Pedagogia Renovada surge em meados do século XX; mais didática, a escola é vista como um ambiente que promove a pesquisa e a aprendizagem por meio da experimentação, tendo os professores como mediadores que ajudam os alunos a desenvolverem sua independência e aprender com a prática. Já a pedagogia tecnicista, dirige-se para o caráter de especialização, voltada para o mercado de trabalho, e caracteriza-se pela tendência dos professores em ensinar aos alunos, ou seja, os professores são os donos do conhecimento, o ensino se dá por meio de manuais, documentos e livros Saviani (2009). Por outro lado, a pedagogia progressista olha criticamente para a realidade social, permitindo que a educação parta de uma compreensão da realidade, portanto, vê os sujeitos como construtores de sua própria realidade e contexto social. Esta se divide em Pedagogia Libertadora, Libertária e Crítico-social. A característica mais importante da pedagogia libertadora é a educação como movimento de conscientização da transformação da realidade. Professores e alunos fazem parte do processo educacional em uma relação horizontal, onde o diálogo é facilitado para a construção do conhecimento. Por outro lado, a pedagogia libertaria espera que as escolas transformem os alunos. É defensora das práticas democráticas onde a consciência política se traduz para ganho social e onde o foco está na experiência e no trabalho em equipe. Por fim, a Pedagogia Crítico-social dos conteúdos, em sua vertente, é missão da escola, desenvolver uma consciência crítica do conhecimento científico baseada na dialética e no confronto dos conteúdos com a realidade social Libâneo (1990). 5.1 Relação entre as perspectivas pedagógicas e as TDICs As perspectivas pedagógicas influenciam as práticas de ensino e o comportamento em sala de aula. No que se refere às tecnologias de informação e comunicação, elas podem estar presentes na concepção do processo educacional e na utilização de seus recursos e ferramentas. Nesse sentido, busca-se pensar como a perspectiva educacional se relacionam com as TDIC e seus recursos, e o potencial desses recursos para o desenvolvimento da educação, à luz das tendências já discutidas. Não pretendemos analisar exaustivamente todas as fontes, mas fornecer uma visão geral para identificar exemplos práticos que ligam TDICs e perspectivas. Como vimos, a pedagogia liberal (incluindo a pedagogia tradicional, a pedagogia renovada, e a tecnicista) adota um plano comum para o desenvolvimento das atividades sem considerar a individualidade do sistema, ou seja, orienta-se pelas normas sociais vigentes. Através do uso das TDICs, podemos fornecer alguns recursos e ferramentas com esses atributos. Do ponto de vista tradicional, memorização, podemos citar comandos para acessar os recursos do dispositivo, ou mesmo páginas de jogos que utilizam técnicas de memorização para se desenvolver, como, por exemplo, palavras-cruzadas, preenchimento de espaços em branco ou repetição, também é comum em alguns jogos de dos sete erros que não randomizam ou mudem os locais onde os erros estão dispostos. Assim, é fácil encontrar os erros após jogar algumas vezes. Outro exemplo é o jogo de colorir online Simon Memory (Figura 3), projetado para desenvolver e melhorar a memória seguindo padrões de luzes e sons e repetindo as mesmas combinações para avançar para a próxima rodada. Atividades usando TDICs que incorporam perspectivas tradicionais podem ser benéficas em algumas situações. Entretanto, a finalidade desse uso deve ficar clara para não refletir em todas as atividades educativas. Figura 3 – Jogo de colorir online Simon Memory Fonte: https://www.coquinhos.com/simon-says/ Na lógica da Pedagogia Renovada, que preconiza a pesquisa e o aprendizado pela experimentação, podemos ter como exemplo de atividade a própria pesquisa, com o apoio da internet, para a elaboração de uma aula. Há também outras possibilidades como os objetos de aprendizagem (OA), que são recursos (digitais ou não digitais) que podem ser usados, reutilizados ou referenciados durante a aprendizagem assistida por tecnologia. Eles são geralmente fornecidos pela Internet para que várias pessoas possam acessá-los simultaneamente. Os OAs podem ser utilizados como experimentos ou simulações de situações reais, ou imaginárias, visando explorar conteúdose conceitos, na prática, e simular a teoria. Já do ponto de vista tecnicista, podemos nos referir a vídeos no YouTube ou tutoriais disponíveis em sites especializados. Em uma pedagogia progressista que considera as realidades sociais cada vez mais criticamente, podemos citar as redes sociais como exemplo da perspectiva libertadora. Nela, o conhecimento pode ser construído em conjunto, professores e alunos são membros iguais de uma mesma comunidade, e cada um pode expressar suas opiniões e gerar ações mobilizadoras. A Pedagogia Libertária que privilegia o trabalho em equipe, além das redes sociais, um suporte também pode ser criado de forma colaborativa com a ajuda de ferramentas de compartilhamento de arquivos como Google Drive e Dropbox Paper, um editor colaborativo de documentos que utiliza tecnologia de armazenamento em nuvem. Sob a ótica da pedagogia crítico-social, podemos citar como exemplo mundos virtuais como o “Second Life”. Assim, sociedades podem ser criadas para enfrentar uma realidade que se repete no mundo virtual, comparada com a realidade dos sujeitos. Além disso, os jogos de estratégia podem envolver e promover o pensamento crítico, em comparação com conteúdo e realidades sociais, como, por exemplo, o Minecraft. Nele, o mundo pode ser criado a partir de blocos, e os jogadores devem conseguir comida e construir reservatórios de água para sobreviver conforme a população de seu mundo, ou seja, podem ser trabalhadas as questões da cadeia alimentar e do meio ambiente por meio de mundos compartilhados. 5.2 Perspectivas pedagógicas na prática do uso das TDICs Ao analisar um OA disponibilizado no Portal do Professor e na Rede Interativa Virtual de Educação (RIVED — projeto do Ministério da Educação que tem como objetivo a produção de conteúdos pedagógicos digitais), é um material fornecido pelo MEC e inclui um “Guia do Professor” com dicas e orientações para o uso do OA em sala de aula (BRASIL, 2017). Como o tema central do objeto de aprendizagem é osmose, a atividade é pensada para discutir o processo de osmose com o auxílio de animações, apresentando funções difíceis de serem realizadas na prática - principalmente devido ao longo tempo de execução e ao equipamento óptico necessário. Portanto, é uma atividade de simulação que pode ser combinada com a perspectiva da pedagogia liberal. (Figura 4). Figura 4 – Objeto de aprendizagem “Aprendendo por Osmose” Fonte: curriculomais.educacao.sp.gov.br A perspectiva da pedagogia progressista considera a realidade social e a capacidade do sujeito de mudar diante dessa realidade; portanto, baseia-se no diálogo e na reflexão sobre o contexto do desenvolvimento. Um projeto muito interessante que inclui essas perspectivas e continua a usar as TDICs para conectar estudantes de diferentes países ao redor do mundo é o Projeto Globe, onde os alunos estão ativamente envolvidos na pesquisa de questões políticas e científicas reais. O Projeto Globe foi lançado em 1992 pelo governo dos Estados Unidos com a NASA. No projeto, professores e alunos coletam informações ambientais de várias regiões do mundo, e também visa estimular a pesquisa científica e espacial. Como tal, o The Globe é um programa mundial de pesquisa e educação que oferece aos alunos e ao público em todo o mundo a oportunidade de participar da coleta de dados e do processo científico e contribuir significativamente para a compreensão do sistema global e meio ambiente (THE GLOBAL, 2017). As escolas participam do projeto por meio dos governos nacionais. Assim, no Brasil, o projeto começou a ser desenvolvido em 2015, com a participação de 118 escolas de Brasília e São Paulo e cerca de 3 mil alunos. Eles coletam dados sobre o meio ambiente em sua região e os enviam a pesquisadores que fazem as análises e recomendações a professores e alunos sobre como usar os dados cientificamente na prática. Tanto os professores das escolas e participantes foram treinados ao longo do projeto para coleta de dados e aplicações científicas. Além disso, recursos de TDIC são usados para coletar e compartilhar as informações coletadas. As escolas participam do projeto por intermédio do governo de cada país. Dessa forma, no Brasil, o projeto começou a ser desenvolvido no ano de 2015, com 118 escolas de Brasília e São Paulo e em torno de 3 mil estudantes envolvidos. Estes quais coletam dados sobre o meio ambiente de sua região e enviam aos cientistas, que os analisam e prestam assessoria para professores e estudantes sobre como utilizar os dados cientificamente, em sua realidade. Existe também uma capacitação para os professores das escolas participantes sobre o projeto como um todo, bem como sobre a coleta de dados e o seu uso científico. Além disso, são utilizados recursos das TDICs para coleta e compartilhamento das informações coletadas. As escolas participantes também podem trocar informações por meio de reuniões online e discutir sobre suas semelhanças e diferenças e realidades. Os Projeto Globe conectam estudantes, professores, acadêmicos e cidadãos de diferentes partes do mundo para realizar pesquisas acadêmicas e práticas referente ao ambiente que vivem em uma perspectiva global. Este é um bom exemplo do uso das TDIC na educação e de como perspectivas progressistas podem ser consideradas em atividades de sala de aula e/ou programas educacionais, em contextos locais, para refletir as necessidades globais. Alunos, educadores e profissionais de todo o mundo se reúnem em um projeto conjunto para enfrentar a realidade e refletir sobre a aplicabilidade da ciência no dia a dia de cada escola, distrito ou país para o benefício de todos ao redor do mundo. 6 PRÁTICAS PEDAGÓGICAS E SUA FUNÇÃO SOCIAL E INCLUSIVA A sociedade brasileira tem uma vive uma grande experiência quanto ao avanço democrático nas últimas décadas. Uma das implicações dessa oportunidade é o foco nas minorias para reduzir a exclusão social em busca de uma melhor qualidade de vida. No combate à desigualdade social, investir na educação das novas gerações é uma medida que pode ter forte impacto a médio e longo prazo, provocando mudanças significativas na qualidade de vida de todos os cidadãos brasileiros. É claro que para melhorar a qualidade da educação depende na maioria dos professores. Não só precisamos de professores entusiasmados e dedicados, mas também de treinamento e aperfeiçoamento. Tendo em vista que os professores são os principais responsáveis pelas relações sociais estabelecidas em sala de aula, o investimento na formação de professores, tanto básica quanto contínua, aumentou recentemente. Assim, a convivência de crianças com deficiência, síndrome ou transtorno, com as demais crianças, tem atingido grandes resultados e garantindo a permanência delas na escola. Debates e políticas implementadas em torno de práticas inclusivas reforçam e ampliam o papel da democracia na ampliação dos direitos civis. Partindo desse pressuposto, todos os esforços para afirmar ou promover uma política inclusiva buscam o reconhecimento da diferença, esquecendo das desigualdades que ameaçam derrubar qualquer atitude bem-intencionada para romper as barreiras mais prementes à viabilização de sociedades verdadeiramente democráticas. 6.1 As práticas pedagógicas inclusivas no ambiente escolar A incorporação de novas práticas no campo pedagógico das instituições de ensino já é difícil e, ao mesmo tempo, requer certo conhecimento de todos os professores e técnicos, o que requer formação especializada para desenvolver políticas e adequar os currículos ao programa, também como adaptar os procedimentos de ensino e as competências e habilidades dos alunos. Para isso, deve-se considerar as limitações e o tempo de aprendizado de cada um. Fato é que, a escassez de práticas inclusivas nos ambientes escolaresafeta diretamente a formação geral dos alunos, pois por meio dessas práticas os alunos são expostos ao currículo e estratégias educacionais. Valle e Connor (2014) apontam que a maioria dos professores não possui especialização ou treinamento no uso e adaptação de recursos educacionais para alunos com deficiência. Nesse sentido, é preciso tornar a educação acessível a todos os alunos, com ou sem deficiência, assim, rever e aprimorar as práticas cotidianas da escola. A gestão escolar tem uma grande responsabilidade voltada para a inclusão de práticas pedagógicas inclusivas e deve se esforçar para definir metas e objetivos, deve-se envolver professores de todos os seguimentos para planejar estratégias em conjunto (práticas inclusivas) e assim alcançar resultados positivos (diversidade cultural). Em consonância com Deimling e Moscardini (2017), O problema para a maioria das escolas de educação inclusiva é o consenso entre as políticas públicas e os ajustes de planejamento feitos no ambiente escolar. A ideia indica uma compreensão clara da importância da interação entre os participantes e da flexibilidade associada à prática pedagógica de que nenhum tratamento ou comportamento exclusivo de qualquer tipo deve ser aceito em violação da inclusão no meio escolar. No entanto, as práticas pedagógicas devem ser reconstruídas em um ambiente fluido, onde devem transmitir conhecimentos específicos para erradicar todas as formas de descriminação. Todos esses procedimentos permitem que os alunos aprendam de maneiras mais significativas, assim, nesta perspectiva, devem ser asseguradas novas propostas inclusivas para corresponder às expectativas de alunos com necessidades educativas especiais. 6.2 As tecnologias assistivas e as práticas pedagógicas inclusivas A escola tem um compromisso social com a formação de cidadãos ativos, comprometidos e reflexivos. Por isso, é importante promover o aprendizado de todos os alunos e facilitar o acesso a serviços educacionais qualificados para aqueles alunos que sofrem com dificuldades ou limitações. A atenção para proporcionar as condições para o desenvolvimento independente e ativo com base na possibilidade de acumular conhecimento é essencial. A tecnologia assistiva pode apoiar organizações que praticam educação inclusiva. Portanto, é preciso lembrar que o professor deve compreender a importância de sua formação contínua a partir das aulas e atividades e também refletir sobre sua prática diária como docente, principalmente na utilização dos suportes escolares. No Quadro 4, a seguir, Manzini apresenta a classificação de recursos e serviços de tecnologias assistivas que devem ser incorporados à vida da escola. Quadro 4. Classificação dos recursos e serviços de tecnologias assistivas Fonte: Adaptado de Manzini (2005). De acordo com Bersch e Schirmer (2005), o uso de materiais auxiliares é mais do que ajudar os alunos a fazerem a tarefa pretendida. Por meio desses materiais os alunos podem ser e agir construtivamente em seu próprio processo de desenvolvimento. Para a educação, a principal discussão sobre inclusão não se deve focar somente sobre alunos com deficiência ou na própria deficiência por si, mas sobre como ensinar sobre a diversidade como uma expressão legítima de natureza e condição do ser humano. Santos e Dantas (2017), em estudo com alunos surdos de instituições públicas no Nordeste do Brasil que cursaram o ensino superior com base no uso de tecnologia assistiva, apontaram falta de preparo dos professores para o planejamento de aulas inclusivas (neste caso para alunos com deficiência auditiva). Após enfatizar fortemente a necessidade de aula mais inclusivas, os alunos foram instruídos a usarem um programa de computador que transcreve as palavras do professor por meio de um microfone, explica o estudo. Conforme o estudo, os alunos relataram sentir-se mais envolvidos e compreendidos em sala de aula. Entretanto, usar o software para traduzir a voz de um professor requer o uso de um microfone, um recurso com o qual nem todos os professores se sentem confortáveis. Portanto, o uso de tecnologia assistiva para as práticas pedagógicas requer interação entre professores e alunos. Todos devem participar da prática educativa. Os professores devem reconhecer a importância de serem flexíveis, procurando novas formas de ensinar, modificando o seu desempenho e adaptando- se às novas necessidades. É fundamental a escolha e a adaptação dos materiais pedagógicos que serão utilizados pelos estudantes, e esses devem ser apropriados a faixa etária de cada um. 7 DIDÁTICA E ATUAÇÃO DO PEDAGOGO EM ESPAÇOS NÃO ESCOLARES Quando discutimos em quais espaços é oportunizada a educação e de que maneira ela acontece, logo nos vem à mente o ambiente escolar, a sala de aula e o profissional preocupado e envolvido com os problemas da educação formal. No entanto, a partir das ideias de Brandão e Bonamino (1994), não há um único modelo de educação, e a escola, nessa visão, não é o único lugar em que ela acontece. Da mesma forma, o ensino escolar não é a única prática, e o professor não é o seu único praticante. O indivíduo, ao longo de todo o percurso de sua vida, apreende conhecimentos decorrentes de suas próprias experiências e de relações sociais estabelecidas com outras pessoas. Essas relações acontecem na família, nos grupos de amigos e nas instituições educadoras formais e não formais. Para melhor diferenciar como acontecem as formas de aprendizagem, é importante destacar que as influências educativas podem ser caracterizadas como não intencionais e intencionais. Conforme Libâneo (1994), a educação não intencional ou educação informal: [...] correspondem a processos de aquisição de conhecimentos, experiências, ideias, valores, práticas, que não estão ligados especificamente a uma instituição e nem são intencionais e conscientes. São situações e experiências, por assim dizer, casuais, espontâneas, não organizadas, embora influam na formação humana. (LIBÂNEO, 1994, p. 17). Nesse sentido, é a educação que acontece em situações sociais diversas, no contato entre pessoas e grupos, a partir de experiências cotidianas fundamentais para o processo de desenvolvimento dos sujeitos que independem da mediação de qualquer profissional para que a aprendizagem seja efetivada. A educação formal, segundo Libâneo (2002), é composta por práticas educacionais realizadas tanto nas escolas quanto em empresas, sindicatos e quaisquer organizações que, de algum modo, estejam voltadas à realização de processos intencionais de ensino. Já a educação não formal, segundo Libâneo (1994), é aquela estruturada fora do sistema escolar convencional, que visa ao desenvolvimento de valores e respeito às diferenças, a partir da qual a aprendizagem acontece por meio de práticas sociais. A ação educativa, nesse sentido, não se restringe apenas aos espaços escolares e às instituições de ensino: ela pode transcorrer em diferentes esferas e nas mais variadas situações. Espaços como abrigos, penitenciárias, instituições que atendem medidas socioeducativas, organizações não governamentais, hospitais e empresas são apenas alguns exemplos de ambientes que proporcionam a educação para além das dependências escolares. 7.1 As relações entre o pensamento de Paulo Freire e a prática de ensino em espaços não escolares A educação popular, conhecida e aprofundada a partir das ideias de Paulo Freire, surge para confirmar que a prática de ensino ultrapassa o espaço escolar. No entanto, antes de discutir tal abordagem, é importante fazer uma breve retrospectiva da educação popular, que nasceu fora da escola, mas acabou influenciando práticas educativas, devido à repercussão que se deu na sociedade. Segundo Escosteguy (2017), até os anos 1940, a educação popular era concebida numa perspectivaextensionista da educação formal para todos, voltada especialmente para a população das periferias e da zona rural. Após a Segunda Guerra Mundial, ascenderam os princípios democráticos que enfatizavam o movimento de educação voltado para o povo. Simultaneamente, evidenciava-se a necessidade de criar políticas de educação de base que não se limitassem apenas à alfabetização da população pobre, mas se estendessem ao mundo moderno, para aprimorar o desenvolvimento da escrita, leitura e do convívio social, e se adaptar ao modelo de sociedade. A educação popular, então, vem para romper com o ensino que antes era transmitido verticalmente e abre possibilidades de reflexão, diálogo e respeito aos diferentes saberes, a partir de um trabalho voltado para a realidade e as necessidades dos envolvidos. Além disso, Maciel (2011) destaca que a educação popular passa a ter maior organização a partir da articulação dos compromissos políticos assumidos com movimentos sociais populares — movimentos de classe cujo objetivo é a condução da transformação da sociedade a partir do lugar político popular. Os movimentos sociais assumem um caráter popular enquanto estão abertos à pluralidade dos grupos humanos e das frentes de lutas em prol dos direitos humanos, de maneira que o cidadão “[...] é o sujeito de deveres sociais de teor político, em nome dos quais não apenas reclama os seus direitos”, mas age para construir “[...] outro mundo possível” de realização dos direitos humanos (BRANDÃO, 2002, p. 269). Além disso, para fundamentar que a educação popular está relacionada também à educação não escolar, Freire (1996) traz que ela é uma forma de intervenção no mundo quando luta a favor da liberdade, da esperança e da tomada consciente de decisões. Nesse sentido, Maciel (2011) complementa que a educação popular comprometida com a classe trabalhadora é uma educação ético-política e intelectual, que acontece em todos os espaços educativos, direcionada ao atendimento das necessidades e dos reais interesses das camadas populares. Maciel (2011) torna evidente que a pedagogia freiriana contribuiu para que essa visão de mundo e de sociedade se estabelecesse, com base na possibilidade de superação das relações verticais contraditórias e dos modelos mecanicistas de análise da realidade social. Parte-se da teorização de uma prática pautada na implantação de novas propostas que indicam esperança, necessidade de mudança e emancipação social. Portanto, cabe destacar que a educação popular está pautada na dialogicidade e na conscientização de que somos seres inacabados, a partir da construção de saberes de homens e mulheres, da problematização da realidade da comunidade e da intervenção dos sujeitos no mundo como agentes transformadores. 7.2 A didática utilizada na prática de ensino em espaços escolares e não escolares As práticas de ensino em espaços escolares e não escolares partem do pressuposto de que os sujeitos podem aprender de diferentes formas, em diferentes lugares. Cada um possui saberes únicos, que se constroem a partir de suas histórias de vida e experiências vivenciadas ao longo de sua trajetória pessoal. Dessa forma, a didática adotada pelas instituições — escolares ou não — deve estar voltada para a compreensão da realidade e dos saberes comunitários, como forma de construir uma prática coerente pautada na “[...] educação gnosiológica, diretiva, política, artística e moral” (FREIRE, 1996, p. 78). Ao educador, na concepção de Freire, cabe a sensibilidade da prática educativa e as exigências de saberes especiais, que estejam ligados à atividade docente. Um ponto que deve se fazer presente na didática é que ensinar não é transferir conhecimento. Para isso, é preciso partir do conhecimento dos educandos e possibilitar a construção de um conhecimento crítico. Desse modo, é possível estimular a criatividade, a capacidade de leitura de mundo e o respeito aos saberes dos educandos. Diante do papel da didática, é possível concluir que ela está presente em muitos espaços de aprendizagem formal ou não formal, escolar ou não escolar. Considerando os princípios expostos, entende-se a necessidade de uma didática comprometida com a construção de uma educação para a formação social e crítica dos indivíduos, numa proposta pautada na apropriação do conhecimento de forma participativa, autônoma, coletiva e crítica. 8 PROCESSOS AVALIATIVOS A avaliação escolar surgiu por volta do século XVII e se tornou indissociável do ensino a partir do século XIX, com a escolaridade obrigatória. Como você deve imaginar, não há consenso sobre a maneira de avaliar e os níveis de exigência do processo avaliativo. Ainda assim, há algumas definições desse processo. Para o professor Perrenoud (1999, p. 9), avaliar é — cedo ou tarde — criar hierarquias de excelência, em função das quais se decidirão a progressão no curso seguido, a seleção no início do secundário, a orientação para diversos tipos de estudo, a certificação antes da entrada no mercado de trabalho e, frequentemente, a contratação. Avaliar é também privilegiar um modo de estar em aula e no mundo, valorizar formas e normas de excelência, definir um aluno modelo, aplicado e dócil para uns, imaginativo e autônomo para outros. A falta de consenso sobre a avaliação tem feito com que, ao longo da história, as práticas avaliativas oscilem entre duas lógicas: • Avaliação a serviço da seleção, também chamada de “avaliação somativa”. • Avaliação a serviço das aprendizagens, chamada de “avaliação formativa”. Essas duas lógicas não se esgotam em si. Nas múltiplas práticas educativas, elas assumem diferentes configurações. Ademais, as práticas avaliativas se adequam ao tipo de homem e de sociedade que se pretende formar. Uma avaliação que exige a reprodução literal dos conteúdos ensinados não se adequa a uma educação que visa à conscientização dos sujeitos para a promoção de mudanças. Por sua vez, uma avaliação que visa a oportunizar a aprendizagem de todos não combina com uma prática voltada para a manutenção da ordem social. 8.1 A avaliação a serviço da seleção A avaliação escolar foi associada à criação de hierarquias de excelência. Os alunos são comparados e classificados em virtude de uma norma de excelência predefinida. Ao longo do ano letivo, os resultados obtidos nos diferentes instrumentos de avaliação criam hierarquias provisórias de excelência que contribuem para a definição da hierarquização final (PERRENOUD, 1999). A antecipação da hierarquização final é determinante para o andamento do contrato didático entre professor e alunos, na medida em que permite ao professor conseguir o silêncio, a atenção e a realização de tarefas pelos alunos, que agem devido ao medo da reprovação. Nesse sentido, mais do que dizer ao aluno o que ele sabe ou não sabe, a nota sinaliza ao estudante o que pode lhe acontecer até o final do ano letivo (ZABALA, 1998). Como o aluno é o único responsável pelos resultados obtidos, cabe a ele empreender esforços para mudar a sua situação. Se não o fizer, já sabe com quais consequências terá de arcar. Ao professor, não cabe qualquer tipo de providência frente aos resultados. Cabe-lhe aplicar os instrumentos de avaliação e registrar e comunicar os resultados, utilizando-os como ferramentas de controle dos alunos. Como pontua Zabala (1998), a avaliação, nessa perspectiva, é uma das engrenagens do funcionamento didático e, mais especificamente, da seleção e da orientação escolares, servindo para controlar o trabalho dos alunos e, ao mesmo tempo, gerir os fluxos. 8.2 A avaliação a serviço das aprendizagens Nos anos 1960, a necessidade de que a escola oportunizasse a aprendizagem para todos começou a permear as discussões educacionais internacionais (ZABALA, 1998). Para suprir tal necessidade, ficou evidente que era preciso adequar