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1 Teorias da motivação 2 3 Sumário CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO 6 7 9 11 13 13 14 14 16 17 17 20 21 22 24 24 25 28 29 29 31 33 Motivação Introdução Ciclo Motivacional Motivação Organizacional Modelos de Classificação Classificação Unidimensional Classificação Bidimensional Classificação Unidimensional de Kanfer Teorias Motivacionais Antigas Introdução Hierarquia das Necessidades de Maslow Teoria dos Dois Fatores de Herzberg Fatores Higiênicos Fatores Motivacionais Teorias X e Y de McGregor Teorias X Teorias Y Teorias contemporâneas de motivação Introdução Teoria ERG Teoria das Necessidades de McClelland Teoria da Avaliação Cognitiva 4 Sumário Teoria do Estabelecimento de Metas Teoria Contingencial da Expectativa de Vroom Motivação na Prática Introdução Práticas mais comuns Autogestão Grupos Autogeridos Grupos Autônomos Enriquecimento Programas de Incentivos Programa de Reconhecimento Incentivos Monetários Mercadorias Viagens Programas de Remuneração Variável Programas de Remuneração por Habilidades (ou por Competências) Eficácia dos Sistemas Motivacionais Percepção Teoria das Expectativas Referências CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO 33 35 37 38 38 38 39 39 40 42 42 43 43 43 44 44 45 45 46 48 5 Objetivos Definição Explicando Melhor Você Sabia? Acesse Resumindo Nota Importante Saiba Mais Reflita Atividades Testando Para o início do desenvolvimento de uma nova competência; Se houver necessidade de se apresentar um novo conceito; Algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; Curiosidades indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forma necessárias; Se for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; Quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; Quando forem necessárias observações ou complementações para o seu conhecimento; As observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; Textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; Se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre; Quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; Quando o desenvolvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas. 6 @faculdadelibano_ 1 Motivação 7 Teorias da motivação Capitulo 1 Motivação Introdução Motivação é o processo pelo qual um conjunto de motivos (ou razões) provoca (estimula, incentiva) algum tipo de ação ou comportamento humano. É tudo o que impulsiona a pessoa a agir de uma certa maneira, sendo o impulso provocado por estímulos externos (originado no ambiente) ou internos (processos mentais), esse último estando relacionado ao sistema cognitivo. Podemos dizer que todo comportamento humano precisa de alguma motivação para ocorrer, com isso, é preciso entender quais são as razões que podem influenciar o desempenho das pessoas. As definições adotadas para criar as teorias da motivação e explicar esse fenômeno elegem como objeto uma ou mais das quatro ênfases que serão descritas logo abaixo. A motivação é responsável pela intensidade, direção e persistência dos esforços de uma pessoa para alcançar um determinado objetivo. • Ativação: é o estado inicial de estimulação e que a pessoa se encontra. O alvo do estudo é perguntar o que é capaz de desencadear a ativação, podendo estar localizado intrínseca ou extrinsecamente à pessoa. Exemplo: A motivação para uma pessoa ficar no trabalho além do prazo estipulado. Entre as razões podemos citar como fator extrínseco, a expectativa de se obter uma avaliação positiva do chefe, com chances futuras de uma promoção e como fator Objetivos Ao término deste capítulo você será capaz de entender o que é motivação e sua importância para o ambiente organizacional. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. 8 Teorias da motivação Motivação Capitulo 1 intrínseco, a vontade de concluir a tarefa e não deixar para o dia seguinte. • Direção: diz respeito ao objeto ou alvo da ação, que se origina da indagação do nível de consciência da pessoa na escolha desse alvo. A pergunta é se a pessoa que dirige ou controla o alvo ou a direção está fora de seu controle consciente. Exemplo: A pessoa que fica além do seu horário no trabalho tem consciência do que está ativando sua ação, se almejar a promoção, do contrário, se a permanência depois do horário for um impulso incontrolado (inconsciente), sem clareza do alvo de sua ação, está ocorrendo uma repetição de conduta. • Intensidade: está ligada à variabilidade da força da ação. A força possui dependência de um estado anterior de carência, necessidade ou afeto ou um estado posterior a ser alcançado. Exemplo: Se uma pessoa nunca foi promovida, esse fato pode contribuir para aumentar o interesse da pessoa ou a avaliação positiva dos benefícios de uma promoção seria suficiente para mobilizar forças para atingir o objetivo. • Persistência: é a tentativa de compreender o fenômeno da motivação através da articulação entre a ativação, a direção e a intensidade da ação. A manutenção é atribuída a fatores pessoais (desejos, necessidades, personalidade ou impulsos) ou ambientais (tipo de tarefa, equipe de trabalho, liderança, clima organizacional, recursos tecnológicos, salários, recompensas, entre outros). A intensidade se refere a quanto esforço a pessoa despende, porém os resultados favoráveis são vistos quando aliamos intensidade com direção, mostrando que precisamos considerar tanto a qualidade quanto a intensidade do esforço. A dimensão da persistência nós obtemos mensurando por quanto tempo conseguimos manter a motivação. Pessoas motivadas se mantém na tarefa até que o objetivo seja atingido. As combinações possíveis das quatro ênfases acima são a base da construção das teorias da motivação. 9 Teorias da motivação Motivação Capitulo 1 Partindo do princípio, então, que desempenho depende da motivação, e que o trabalho é um estado psicológico de vontade de realizar uma tarefa, podemos concluir que compreender os mecanismos da motivação para o trabalho é de grande importância no estudo da administração das organizações. Os principais aspectos envolvidos no conceito de motivação e que repercutem na criação de teorias sobre esse importante processo psicológico são: • Ênfase: é aquilo que se elege como importante para abordar a motivação (pode ser ativação, direção, intensidade e persistência). • Foco: é o alvo ou objeto de atenção que se relaciona com a ênfase de abordagem escolhida (estado inicial, alvo, força e manutenção). • Pergunta: é a indagação que se faz ao objeto. • Resposta: é o nível de explicação ou de compreensão que se pretende obter. Ciclo Motivacional Podemos dizer que o ciclo motivacional se inicia quando surge uma necessidade, que pode ser definida como uma força dinâmica e persistente que provoca um comportamento. FIGURA 1 Desempenho e motivação FONTE Freepik 10 Teorias da motivação Motivação Capitulo 1 O estado de equilíbrio do organismo é rompido toda vez que surge uma necessidade, que gera tensão, insatisfação, desconforto e desequilíbrio, e leva a pessoa a um comportamento ou uma ação capaz de descarregar a tensão ou se livrar do desequilíbrio e do desconforto. Em caso de comportamento eficaz, a pessoa vai encontrar um modo de satisfazer a necessidade e descarregar a tensão provocada por ela. Uma vez satisfeita a necessidade, o organismo volta ao estado de equilíbrio e se ajusta ao ambiente. A repetição do ciclo faz com que os comportamentos se tornem mais eficazes na satisfação das necessidades. Uma vez que a necessidade é satisfeita, não causa mais tensão ou desconforto, deixando de ser motivadora de comportamento. Porém, em um ciclo motivacionalnem sempre a necessidade é satisfeita, podendo ser frustrada ou transferida para outra pessoa, objeto ou situação. Em um ciclo motivacional frustrado, a tensão provocada pela necessidade encontra uma barreira ou um obstáculo e não é liberada. Desse modo, a tensão represada procura sair do organismo por um meio indireto, que pode ser uma via psicológica (agressividade, descontentamento, apatia, indiferença, entre outros) ou uma via fisiológica (insônia, disritmias cardíacas, problemas digestivos, entre outros). FIGURA 2 Ciclo motivacional com frustração ou compensação FONTE Chiavenato (2009). Equilíbrio interno Estímulo ou incentivo Necessidade Tensão Comportamento ou ação Satisfação 11 Teorias da motivação Motivação Capitulo 1 Porém, a necessidade pode não ser satisfeita e nem frustrada, mas sim compensada ou transferida. Esse fato ocorre quando a satisfação de uma outra necessidade reduz a intensidade de uma necessidade que não pode ser satisfeita. Exemplo: Uma pessoa aguarda a promoção para um cargo superior, mas o motivo é contornado com um bom aumento de salário ou uma nova sala. Motivação Organizacional Para manter um equilíbrio emocional e satisfazer suas necessidades, nós, seres humanos temos como característica a capacidade de nos ajustar a uma variedade de situações. Esse “ajustamento” está relacionado com a satisfação das necessidades fisiológicas e de segurança, assim como à nossa autorrealização e o pertencimento a um grupo social que nos agrade. Dentro de uma organização, a satisfação dessas necessidades depende particularmente de pessoas em maior hierarquia dentro da empresa. Por isso, é muito importante que a administração compreenda a natureza do ajustamento e do desajustamento das pessoas. FIGURA 3 Ciclo motivacional com frustração ou compensação FONTE Chiavenato (2009). Barreira Equilíbrio interno Estímulo ou incentivo Frustração Necessidade Tensão Outro comporta- mento derivativo Compensação 12 Teorias da motivação Motivação Capitulo 1 O clima interno de uma organização compartilhado entre os membros é chamado de “clima organizacional” e está intimamente relacionado com o nível de motivação de seus participantes. FIGURA 4 Clima organizacional FONTE Freepik Podemos dizer que quando a motivação está elevada entre os membros, o clima motivacional também se eleva e é traduzido em animação, interesse, satisfação, colaboração, entre outros. Do contrário, a baixa motivação (causada por frustração ou barreiras à satisfação), tende a diminuir o clima organizacional, gerando desinteresse, apatia, depressão, insatisfação, agressividade, inconformidade, entre outros. Esse quadro é típico de situações onde os membros “batem de frente” com a organização e organizam greves, piquetes etc. Estudos realizados por Atkinson desenvolveram um modelo de estudo de comportamento motivacional que leva em conta os determinantes ambientais da motivação e se baseia em: • Todos os indivíduos têm necessidades ou motivos básicos que representam comportamentos potenciais e influenciam o comportamento somente quando provocados. • A provocação ou não dos motivos depende tanto da situação quanto do ambiente percebido pela pessoa. • As particularidades do ambiente estimulam ou provocam certos motivos. 13 Teorias da motivação Motivação Capitulo 1 • Quando o ambiente percebido é modificado, tem-se como resultado mudanças no padrão da motivação provocada. • Cada espécie de motivação é dirigida para que uma espécie de necessidade seja satisfeita. Portanto, o padrão da motivação provocada determina o comportamento, se o padrão muda, o comportamento também será modificado. Modelos de Classificação Pelo menos três modelos de classificação das teorias da motivação são conhecidos e estão disponíveis na literatura. Classificação Unidimensional A primeira classificação foi proposta por Campbell e colaboradores na década de 70 e diferencia as teorias da motivação em dois grupos: de conteúdo e de processo. O grupo de conteúdo explica a motivação humana a partir de necessidades ou carências e afirma que a conduta é orientada de modo que as necessidades ou carências sejam satisfeitas. A preocupação está em apontar os diferentes tipos de necessidades que orientam as ações humanas. O grupo de processo compreende a motivação como um meio de tomada de decisão onde as percepções, os objetivos, as expectativas e as metas pessoais estão em jogo. Importante O dinheiro pode ser um grande motivador para pessoas que acreditam haver ligação direta ou indireta entre desempenho e aumento de remuneração. 14 Teorias da motivação Motivação Capitulo 1 Classificação Bidimensional Foi proposta por Thierry em 1994 e inclui a dimensão reforço na motivação versus cognição. Além de também diferenciar as teorias de conteúdos das teorias de processo, evidencia outra dimensão de diferenciação, pois algumas fazem referência ao esforço da conduta e outras à cognição. O reforço na motivação dirige sua atenção para o fator externo que acontece depois da ação ou da conduta, fazendo com que a pessoa continue motivada a repetir aquela ação. No entanto, as teorias que se fundamentam na cognição dirigem sua atenção ao fator interno, ou seja, percepções, interpretações e nas informações armazenadas, tratadas e recuperadas conforme as tomadas de decisões possam ser necessárias. Com isso, a motivação seria consequência do que ocorre na mente da pessoa, de modo a orientar suas ações no futuro e não na recompensa que ela recebe depois da ação. Classificação Unidimensional de Kanfer Esse modelo de classificação desenvolvido por Kanfer em 1992 organiza as teorias em um continnum entre proximidade e distanciamento da ação. As dimensões apresentadas nos modelos anteriores não são consideradas. Para a autora desse modelo, a motivação é uma teoria da ação, e sendo assim, é importante na medida em que oferece perspectivas de intervenção para reorientação da ação individual. Importante Desse modo, o terceiro modelo ordena as teorias da motivação conforme o uso de conceitos mais próximos ou mais distantes da ação. 15 Teorias da motivação Motivação Capitulo 1 Os três modelos acima nos ajudam a visualizar como as teorias da motivação podem ser organizadas. Contudo, atualmente, as teorias têm sido discutidas em novos tipos de arranjos, mais complexos, de modo a promover avanços para além de uma concepção centrada no instinto (direção ativada biologicamente), na homeostase (busca ao equilíbrio) e no hedonismo (auto aperfeiçoamento contínuo), buscando uma compreensão da motivação em seu contexto. Saiba Mais Para saber mais sobre motivação dentro das empresas, acesse o link: https://administradores.com.br/artigos/o-conceito-de-motivacao- nas-empresas Resumindo E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo desse capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Um motivo específico não influencia o comportamento até que ele seja provocado por um tipo de influência ambiental. Você deve ter entendido que motivação é o processo pelo qual um conjunto de motivos provoca algum tipo de ação humana. Podemos dizer que todo comportamento humano precisa de alguma motivação para ocorrer. A motivação é responsável pela intensidade, direção e persistência dos esforços de uma pessoa para alcançar um determinado objetivo. O ciclo motivacional ocorre quando surge uma necessidade, que pode ser definida como uma força dinâmica e persistente que provoca um comportamento e uma vez que a necessidade é satisfeita, não causa mais tensão ou desconforto, deixando de ser motivadora de comportamento. Podemos dizer que quando a motivação está elevada entre os membros dentro de uma organização, o clima motivacional também se eleva e é traduzido em animação, interesse, satisfação e colaboração. 16 @faculdadelibano_ 2Teorias Motivacionais Antigas 17 Teorias da motivação Capitulo 2 Teorias Motivacionais Antigas Introdução O desenvolvimento das Teorias motivacionais teve uma grande produção entre as décadas de 40 e 60. Especificamente, três teorias foram formuladas, que embora hoje em dia tenham sua validade questionada, continuam sendo as explicações mais conhecidas sobre a motivação dos trabalhadores. As Teorias são conhecidas como a hierarquia das necessidades, as Teorias X e Y e a teoria dos dois fatores. Antes de adentrarmos nas teorias modernas precisamos conhecer as teorias antigas, pois elas representam os fundamentos sobre os quais as teorias modernas se desenvolveram, seus conceitos e sua terminologia ainda são usadas por executivos para explicar a motivação de seus funcionários. Hierarquia das Necessidades de Maslow As teorias mais conhecidas sobre a motivação estão relacionadas com as necessidades humanas, sendo o caso da teoria de Maslow sobre a hierarquia das necessidades humanas. Objetivos Ao término deste capítulo você será capaz de entender como começaram os estudos sobre motivação, com a descrição das primeiras teorias desenvolvidas. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! 18 Teorias da motivação Teorias Motivacionais Antigas Capitulo 2 As teorias das necessidades partem do princípio de que os motivos do comportamento humano residem no próprio indivíduo, sendo que a motivação para agir e se comportar é consequência de forças que existem dentro dele. Podemos afirmar que algumas destas necessidades são conscientes e outras não. Abraham Maslow apresentou uma teoria de motivação segundo a qual as necessidades humanas estão organizadas e dispostas em níveis, isto é, em uma hierarquia de importância e de influenciação, visualizada como uma pirâmide. A base da pirâmide apresenta as necessidades mais baixas e recorrentes (necessidades primárias) e no topo estão as necessidades mais sofisticadas e intelectualizadas (necessidades secundárias). FIGURA 5 Pirâmide das necessidades de Maslow FONTE Chiavenato (2009). Auto-realização Necessidades secundárias Estima Sociais Segurança Necessidades primárias Necessidades fisiológicas Maslow descreve as necessidades como: • Fisiológicas (inclui fome, sede, abrigo, sexo e outras necessidades do corpo): são necessidades inatas que dizem respeito à subsistência e constituem o mais baixo nível das necessidades humanas. Exigem satisfação cíclica e reiterada a fim de garantir a sobrevivência. A satisfação dessas necessidades elementares e inadiáveis é o que orienta a vida humana desde o nascimento, monopolizando o comportamento do recém-nascido e predominando no adulto sobre as demais necessidades (até que sejam satisfeitas). Mesmo sendo comuns a todos os indivíduos, requerem gradações 19 Teorias da motivação Teorias Motivacionais Antigas Capitulo 2 diferentes e individuais para sua satisfação. Tem como característica principal a premência, isto é, quando alguma destas necessidades não está satisfeita, ela domina o comportamento da pessoa. Exemplo: Um indivíduo com o estômago vazio não se preocupa com outra coisa que não seja saciar a fome, porém, se ele tiver uma alimentação regular e adequada, a fome deixa de ser uma motivação importante. • Segurança e proteção (contra danos físicos e emocionais): é o segundo nível das necessidades humanas e levam a pessoa a proteger-se de qualquer perigo real ou imaginário, físico ou abstrato. As manifestações típicas dessas necessidades são: a proteção contra a ameaça ou privação, fuga ou perigo e a busca de um mundo ordenado e previsível. Quando as necessidades fisiológicas estão satisfeitas, a necessidade de segurança surge no comportamento humano, estando as duas relacionadas com a sobrevivência da pessoa. Têm grande relação com a vida organizacional das pessoas, uma vez que ações arbitrárias da gerência ou decisões inconsistentes e incoerentes podem provocar insegurança e incerteza nas pessoas quanto à sua permanência no trabalho. Exemplo: Em caso de decisões ou ações de discriminação, favoritismo ou política administrativa imprevisível, os mesmos podem se tornar ativadores de insegurança em todos os níveis hierárquicos da empresa. • Social (amor, afeição, amizade, aceitação e sensação de pertencimento a um grupo): são necessidades do indivíduo associadas a outras pessoas. Surgem quando as necessidades fisiológicas e de segurança estão relativamente satisfeitas. Quando as necessidades sociais não estão suficientemente satisfeitas, o indivíduo se torna resistente, antagônico e hostil com relação àqueles que o cercam e a frustração leva à falta de adaptação social e à solidão. Na administração participativa, a necessidade de dar e receber afeto são importantes ativadores do comportamento humano. • Estima (internos: respeito próprio, realização e autonomia. Externos: status, reconhecimento e atenção): estão relacionadas com a maneira pela qual a pessoa se vê e se avalia (autoestima e autoavaliação). A satisfação destas necessidades leva a pessoa a sentimentos de autoconfiança, valor, força, prestígio, poder, capacidade 20 Teorias da motivação Teorias Motivacionais Antigas Capitulo 2 e utilidade e em caso de frustração, produz sentimentos de inferioridade, fraqueza, dependência e desamparo, levando ao desânimo ou atividades compensatórias. • Autorrealização: é a intenção de tornar-se tudo aquilo que se deseja, incluindo crescimento, alcance do seu próprio potencial e autodesenvolvimento. São as necessidades humanas mais elevadas, sendo encontradas no topo da hierarquia. Levam a pessoa a realizar seu próprio potencial e se desenvolver de maneira contínua como criatura humana ao longo da vida. A autorrealização está relacionada com autonomia, independência, autocontrole, competência e plena realização do potencial máximo e a utilização plena dos talentos individuais. Enquanto as quatro necessidades anteriores podem ser satisfeitas com recompensas externas, a autorrealização é satisfeita por recompensas intrínsecas, como sentimento de realização e não são observáveis nem controláveis por outros. A necessidade de autorrealização pode ser insaciável, no sentido de que quanto mais a pessoa obtém retornos que a satisfaçam, mais importante ela se torna e mais a pessoa vai desejar satisfazê-la. Esta teoria foi muito reconhecida por executivos, pois possui uma lógica intuitiva da teoria e é de fácil compreensão. No entanto, as pesquisas não validam a teoria, não há comprovação empírica substancial e outros estudos também não conseguiram encontrar embasamento para ela. Teoria dos Dois Fatores de Herzberg Também pode ser chamada de teoria da higiene-motivação foi proposta por Frederick Herzberg com a crença de que a relação de uma pessoa com o seu trabalho é básica e essa atitude pode determinar seu sucesso ou fracasso. Enquanto Maslow fundamenta sua teoria da motivação nas diferentes necessidades humanas (intra-orientada), a teoria de Herzberg está baseada no ambiente externo e no trabalho do indivíduo (extra-orientada). Para Herzberg a motivação para trabalhar depende de dois fatores: • Higiênicos. • Motivacionais. 21 Teorias da motivação Teorias Motivacionais Antigas Capitulo 2 Fatores Higiênicos: São as condições que rodeiam a pessoa enquanto ela trabalha, como por exemplo, as condições físicas e ambientais, as políticas da empresa, o salário, os benefícios sociais, o tipo de supervisão, o clima entre direção e empregados, as oportunidades de crescimento, entre outros. Os fatores higiênicos correspondem à perspectiva ambiental e são os fatores usados pelas empresas para obter motivação dos funcionários, porém são limitados na capacidade de influenciar seu comportamento. A expressão “higiene” se deve ao fato do seu caráter preventivo e profilático, mostrando de forma simples como evitar fontes de insatisfação do meioambiente ou ameaças potenciais do seu equilíbrio. Herzberg sugere que quando esses fatores higiênicos são ótimos, evitam a insatisfação, uma vez que sua influência sobre o comportamento não eleva substancial e duradouramente a satisfação. Porém, provocam insatisfação quando são precários, sendo chamados de fatores insatisfacientes. FIGURA 6 Motivação FONTE Freepik 22 Teorias da motivação Teorias Motivacionais Antigas Capitulo 2 Incluem: • Condições de trabalho e conforto. • Políticas organizacionais e administrativas. • Relações com o supervisor e sua competência técnica. • Salário e remuneração. • Segurança no cargo. • Relação com os colegas. Fatores Motivacionais Refere-se ao conteúdo, às tarefas e aos deveres relacionados com o cargo. Seus efeitos de satisfação e de aumento de produtividade em níveis de excelência (acima dos níveis normais) são duradouros. Podemos dizer que o termo motivação envolve sentimentos de realização, de crescimento e de reconhecimento profissional, manifestados através do exercício das tarefas e atividades oferecedoras de desafio e de significado ao trabalho. Quando são ótimos, elevam a satisfação, quando precários, provocam ausência de satisfação e são denominados fatores satisfacientes. Constituem o próprio conteúdo do cargo e incluem: • Delegação de responsabilidade. • Liberdade de decidir como executar o trabalho. • Oportunidades de promoção. • Uso pleno das habilidades pessoais. • Estabelecimento de objetivos e avaliação à eles relacionadas. • Simplificação do cargo. • Ampliação ou enriquecimento do cargo (vertical ou horizontalmente). 23 Teorias da motivação Teorias Motivacionais Antigas Capitulo 2 Os fatores responsáveis pela satisfação profissional são totalmente distintos daqueles responsáveis pela insatisfação profissional, sendo importante ressaltar, que o oposto de satisfação profissional não seria insatisfação, mas sim nenhuma satisfação profissional. Do mesmo modo que, o oposto de insatisfação profissional não é satisfação e sim nenhuma insatisfação profissional. Herzberg propõe que para introduzir maior motivação no trabalho é preciso enriquecer as tarefas, de modo a ampliar os objetivos, a responsabilidade e o desafio das tarefas condizentes com o cargo. Apesar de ter sido amplamente criticada por sua metodologia e ignorar alguns fatores situacionais, a teoria dos dois fatores foi bastante divulgada. A popularidade da verticalização das funções que permite que o colaborador tenha maior responsabilidade no planejamento e no controle do próprio trabalho nos últimos 40 anos pode ser atribuída às recomendações e achados de Herzberg. FIGURA 6 Teoria dos dois fatores: os satisfacientes e os insatisfacientes como dois contínuos separados FONTE Chiavenato (2009). 24 Teorias da motivação Teorias Motivacionais Antigas Capitulo 2 Teorias X e Y de McGregor Douglas McGregor propôs duas visões distintas e antagônicas de administração do ser humano: • Teoria X: basicamente negativa, baseada na teoria tradicional, mecanista e pragmática. • Teoria Y: basicamente positiva, baseada nas concepções modernas a respeito do comportamento humano. Observando a forma que os executivos tratavam seus funcionários, McGregor concluiu que a maioria dos administradores norte-americanos sustentava suas ações de gerenciamento em uma concepção negativa da relação homem-trabalho. Teorias X É a concepção tradicional de administração e se baseia em convicções incorretas e errôneas sobre o comportamento humano: • As pessoas são preguiçosas e indolentes por natureza, evitando o trabalho ou trabalham o mínimo possível e em troca recebem recompensas salariais ou materiais. • As pessoas não são ambiciosas, não gostam de assumir responsabilidade e preferem ser dirigidas, sentindo-se seguras nesta dependência. O homem é basicamente egocêntrico e seus objetivos pessoais geralmente são opostos aos objetivos da organização. • A própria natureza humana gera a resistência a mudanças, pois prezam pela sua segurança e preferem não assumir riscos que as ponham em perigo. • Por conta da sua dependência e por serem incapazes de autocontrole e autodisciplina precisam ser dirigidos e controlados pela administração. Esta teoria reflete um estilo de administração duro, rígido e autocrático, onde as pessoas trabalham dentro de esquemas e padrões planejados e organizados, visando o alcance dos objetivos da organização. As pessoas são meros recursos ou meios de produção. 25 Teorias da motivação Teorias Motivacionais Antigas Capitulo 2 A Teoria X obriga as pessoas a fazerem exatamente aquilo que a organização pretende que elas façam, independentemente de suas opiniões ou objetivos pessoais. Fazer a teoria X significa dizer que o administrador está impondo arbitrariamente e de cima para baixo um esquema de trabalho, passando a controlar o comportamento dos seus subordinados. Teorias Y É a concepção moderna de administração de acordo com a teoria comportamental e se baseia em concepções e premissas atuais e sem preconceitos a respeito da natureza humana. • As pessoas não têm desprazer inerente em trabalhar e dependendo das condições, o trabalho pode ser uma fonte de satisfação e recompensa (quando é desempenhado de maneira voluntária) ou uma fonte de punição (quando é evitado sempre que possível). O fato de aplicar esforço mental ou físico no trabalho é tão natural quanto jogar ou descansar. • As pessoas não são passivas ou resistentes às necessidades da empresa, se tornando assim apenas em caso de experiência negativa em outras empresas. • As pessoas têm motivação, potencial de desenvolvimento, padrões de comportamentos adequados e capacidade para assumir responsabilidades. • O colaborador dever exercer auto direção e autocontrole em prol dos objetivos que lhe são confiados pela empresa. • O colaborador aprende sob certas condições a aceitar e a procurar responsabilidades e a sua fuga é consequência de experiências insatisfatórias de cada pessoa e não uma característica inerente a todas as pessoas. • A capacidade de alto grau de imaginação e de criatividade na resolução de problemas empresariais é amplamente distribuída entre as pessoas. Podemos dizer, então, que a Teoria Y mostra um estilo de administração aberto, dinâmico e democrático, onde o ato de administrar torna-se um processo de criar oportunidades, liberar potenciais, remover obstáculos, encorajar o crescimento individual, proporcionando orientação quanto aos objetivos. 26 Teorias da motivação Teorias Motivacionais Antigas Capitulo 2 A Teoria Y é aplicada nas empresas através de um estilo de direção baseado em medidas inovadoras e humanistas, através da: • Descentralização das decisões e delegação de responsabilidades. • Ampliação do cargo para maior significado do trabalho. • Participação nas decisões e administração consultiva. • Autoavaliação do desempenho. Saiba Mais Para saber mais sobre as teorias motivacionais, acesse o link: https:// www.ibccoaching.com.br/portal/lideranca-e-motivacao/teorias-da- motivacao/ Resumindo E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo desse capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Os fatores higiênicos constituem o contexto do cargo. A satisfação no cargo é função do conteúdo ou das atividades desafiadoras e estimulantes do cargo: são fatores motivadores. A insatisfação no cargo é função do ambiente, da supervisão, dos colegas e do contexto geral do cargo: são fatores higiênicos. Você deve ter entendido que o desenvolvimento das Teorias motivacionais teve uma grande produção entre as décadas de 40 e 60. Especificamente, três teorias foram formuladas que embora hoje em dia tenham sua validade questionada, continuam sendo as explicações mais conhecidas sobre a motivação dos trabalhadores. Maslow apresentou uma teoria de motivação segundo a qual as necessidades humanas estãoorganizadas e dispostas em níveis. A base da pirâmide apresenta as necessidades mais baixas e recorrentes (necessidades primárias) e no topo estão as necessidades mais sofisticadas e intelectualizadas (necessidades secundárias). Frederick 27 Teorias da motivação Teorias Motivacionais Antigas Capitulo 2 Herzberg propôs a teoria da higiene-motivação com a crença de que a relação de uma pessoa com o seu trabalho é básica e esta atitude pode determinar seu sucesso ou fracasso. McGregor propôs duas visões distintas e antagônicas de administração do ser humano: Teoria X: basicamente negativa, baseada na teoria tradicional, mecanista e pragmática e Teoria Y: basicamente positiva, baseada nas concepções modernas a respeito do comportamento humano. 28 @faculdadelibano_ 3 Teorias contemporâneas de motivação 29 Teorias da motivação Capitulo 3 Teorias contemporâneas de motivação Introdução Anteriormente vimos teorias que apesar de muito conhecidas e difundidas, não resistiram a uma análise mais detalhada. Atualmente, uma série de teorias são chamadas de contemporâneas e possuem uma característica em comum: razoável grau de fundamentação válida, o que não significa que sejam inquestionáveis. Teoria ERG A Teoria ERG é um melhor alinhamento da hierarquia das necessidades de Maslow com a pesquisa empírica. O pesquisador Alderfer diferencia três grupos de necessidades essenciais (existência, relacionamento e crescimento). • Existência: se refere aos nossos requisitos materiais básicos, incluindo os itens que Maslow chamou de necessidades fisiológicas e de segurança. • Relacionamento: se refere ao nosso desejo de manter as relações interpessoais. Nosso desejo de status e sociabilidade, para ser atendido, precisa da interação com outras pessoas, o que pode ser comparado às necessidades sociais descritas por Maslow. • Crescimento: se refere ao desejo intrínseco de desenvolvimento pessoal, incluindo Objetivos Ao término deste capítulo você será capaz de entender como as teorias antigas serviram de base para as teorias contemporâneas. E então? Motivado para desenvolver essa competência? Então vamos lá. 30 Teorias da motivação Teorias contemporâneas de motivação Capitulo 3 os componentes intrínsecos da categoria estima de Maslow, assim como as necessidades de autorrealização. A Teoria ERG demonstra que: • Mais de uma necessidade pode estar ativa ao mesmo tempo. • Se uma necessidade de nível superior for reprimida, aumentará o desejo de satisfazer outra de nível inferior. Ainda, a Teoria ERG não pressupõe a existência de uma hierarquia rígida, onde uma necessidade de nível mais baixo tenha que ser satisfeita antes de se poder seguir adiante. Exemplo: Uma pessoa pode trabalhar em seu crescimento pessoal mesmo que as necessidades de existência ou de relacionamento não tenham sido atendidas ainda ou as três categorias podem operar de maneira simultânea. Quando uma necessidade de nível alto é frustrada, o desejo em atender uma necessidade de nível baixo, aumenta, mostrando que a frustração pode levar à regressão e a uma necessidade de nível baixo. O argumento da teoria ERG é de que as necessidades de nível baixo levam a um desejo de satisfazer as necessidades de nível superior Porém, podem haver múltiplas necessidades agindo em conjunto como motivadoras. A frustração em tentar satisfazer uma necessidade de nível mais alto pode levar à regressão a uma necessidade de nível inferior. Podemos supor que a ERG é uma teoria mais coerente com nosso conhecimento em diferenças entre indivíduos. Fatores como educação, antecedentes familiares e ambiente cultural podem alterar a importância de cada necessidade. Nota ERG - do inglês existence, relatedness and growth. 31 Teorias da motivação Teorias contemporâneas de motivação Capitulo 3 Exemplo: culturas diversas classificam as necessidades de maneiras diferentes: espanhóis e japoneses têm as necessidades sociais antes das necessidades materiais. Teoria das Necessidades de McClelland Esta teoria tem como foco três necessidades: 1. Realização: busca por excelência, por realizações em relação a determinados padrões e a lutar pelo sucesso. Segundo a teoria, as pessoas têm uma inclinação natural para o sucesso e buscam a realização pessoal mais que a recompensa pelo sucesso em si, desejando fazer algo melhor ou de modo mais eficiente do que já foi feito no passado. As pessoas buscam situações em que possam assumir a responsabilidade para solucionar problemas, receber rápido feedback para saber se seu desempenho melhorou e estabelecer metas moderadamente desafiadoras. Os grandes realizadores não ganham por sorte, não são jogadores, preferindo o desafio de trabalhar em um problema e aceitar a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso, do que deixar que o resultado fique por conta da sorte ou da ação de outras pessoas. 2. Poder: fazer com que os outros se comportem de um modo que não fariam naturalmente. Os grandes realizadores têm melhor desempenho quando percebem uma probabilidade de 50% de sucesso, significando que não gostam de situações muito fora do controle. Ao mesmo tempo, situações muito sob controle, não agradam muito, porque não são desafiadoras. A preferência é o estabelecimento de metas que forcem um pouco, pois a necessidade de poder está em impactar, em ter influência e controlar as outras pessoas. Pessoas com esta necessidade alta gostam de comandar e preferem estar em situações competitivas, que deem status, tendendo a se preocupar mais com o prestígio e a influência do que no desempenho eficaz propriamente dito. 3. Associação: desejo de relacionamentos interpessoais próximos e amigáveis. É uma necessidade que recebe pouca atenção por parte dos pesquisadores. São pessoas com necessidade de associação, estão em busca de amizade, preferindo situações de cooperação ao invés de competição. Valorizam relacionamentos que envolvam alto grau de compreensão mútua. Com base nos resultados encontrados através das necessidades descritas acima, podemos fazer algumas associações entre a necessidade de realização e o desempenho 32 Teorias da motivação Teorias contemporâneas de motivação Capitulo 3 no trabalho. Indivíduos com alta necessidade de realização preferem trabalhos com bastante responsabilidade, feedback e grau médio de riscos. São indivíduos bem- sucedidos em atividades empreendedoras. Porém, uma alta necessidade de realização pode não estar relacionada a um desempenho excepcional como executivo, especialmente quando nos referimos à grandes organizações. Porque estas pessoas estão interessadas em se sobressair sob o ponto de vista pessoal e não em como convencer os outros a melhorar o desempenho. Vendedores com alto grau de necessidade de realização não são necessariamente bons gerentes de vendas e vice-versa. O sucesso gerencial geralmente está relacionado à necessidade de poder e de associação. Podemos dizer que os melhores executivos têm alta necessidade de poder e baixa necessidade de associação, porque uma grande motivação pelo poder pode ser considerada requisito para a eficácia administrativa. Atualmente, os colaboradores vêm sendo treinados para que sua necessidade de realização seja estimulada, com instrutores ensinando-os a pensar em termos de conquistas, vitórias e sucessos. Para que eles aprendam a agir de maneira realizadora, preferindo situações nas quais existam responsabilidade pessoal, feedback e riscos moderados. FIGURA 7 Necessidade de realização FONTE Freepik 33 Teorias da motivação Teorias contemporâneas de motivação Capitulo 3 Sendo assim, se a função demandar um grande realizador, a empresa pode selecionar uma pessoa com alta necessidade de realização ou desenvolver seu próprio candidato a partir de treinamentos. Teoria da Avaliação Cognitiva Esta teoria foi muito estudada e propõe que a introdução de recompensas externas (pagamentos) para trabalhos que eram gratificantes apenas peloseu conteúdo, tendem a reduzir a motivação. Segundo a avaliação cognitiva, quando uma organização usa recompensas externas para premiar desempenhos superiores, as recompensas internas (resultantes do indivíduo fazer o que gosta) são reduzidas, ou seja, quando a recompensa externa é dada ao se completar uma tarefa interessante, tem como consequência a queda do interesse pela tarefa. Ela recebeu inúmeras críticas no que diz respeito à metodologia e à interpretação de seus resultados. As evidências apontam para a conclusão de que a interdependência entre as recompensas intrínsecas e extrínsecas é um fenômeno real, porém pode-se dizer que seu impacto sobre a motivação no trabalho, em comparação com a motivação geral, pode ser menor do que se pensava. A teoria da avaliação cognitiva pode ter relevância para as funções que se encontram na hierarquia intermediária das organizações, nem desagradáveis demais, nem extremamente interessantes. Teoria do Estabelecimento de Metas Esta teoria sustenta a premissa de que as metas variam em: • Conteúdo: fáceis ou difíceis, específicas ou gerais, simples ou complexas. • Intensidade: varia conforme a percepção da importância do comprometimento com a meta, que orientam a ação através de quatro mecanismos: 34 Teorias da motivação Teorias contemporâneas de motivação Capitulo 3 1. Dirigem a atenção. 2. Mobilizam o esforço para a ação. 3. Encorajam a persistência da ação. 4. Facilitam o desenvolvimento de uma estratégia de ação. De acordo com os estudos, pode-se dizer que em termos de conteúdo, as metas especificadas são os verdadeiros fatores motivadores da conduta humana no trabalho. Isto é, não basta solicitar à alguém que dê o melhor de si, além de ser inespecífico, não ajuda a pessoa a visualizar o que se espera dela. Especificar metas ou objetivos quantificados e/ ou qualificados a serem atingidos, e o prazo de tempo determinado é importante, porém é preciso que a pessoa as valorize, percebendo como são desafiadores e não facilmente atingidas por qualquer indivíduo. Se fatores como capacitação e aceitação do objetivo forem mantidos constantes, podemos afirmar que quanto mais difícil o objetivo, mais alto será o desempenho. O ciclo motivacional de Locke parte do: • Desejo (valor). • Tradução desse desejo em intenções (metas). • Ação para concretizar intenções (desempenho). • Satisfação alcançada com os resultados do desempenho e da orientação dos valores, das metas e do desempenho a partir de feedbacks. Em alguns casos, a fixação participativa de objetivos proporciona um desempenho superior, enquanto para outros funcionários, as metas estabelecidas por seus chefes proporcionam o melhor desempenho. Contudo, a principal vantagem da participação parece ser a crescente aceitação do objetivo como uma meta desejável a ser atingida. Podemos dizer que esta teoria possui limitações culturais, sendo adequada para países como EUA e Canadá, pois partem do princípio de que os trabalhadores são razoavelmente independentes (sem grande concentração de poder), que líderes e colaboradores estão em busca de objetivos desafiadores e que o desempenho é considerado importante por todos. Tiramos como conclusão que, as intenções quando articuladas em termos de objetivos específicos e difíceis são uma força motivacional poderosa e sob condições adequadas 35 Teorias da motivação Teorias contemporâneas de motivação Capitulo 3 podem conduzir à melhoria do desempenho. Contudo, não é possível assegurar que estes objetivos estejam associados ao aumento da satisfação com o trabalho. Teoria Contingencial da Expectativa de Vroom A teoria motivacional de Vroom é restrita à motivação para produzir, rejeitando noções preconcebidas e reconhecendo as diferenças individuais. Segundo esta teoria, três fatores determinam a motivação para produzir em cada indivíduo: 1. Os objetivos individuais, isto é, a força do desejo de atingir os objetivos. 2. A relação que o indivíduo percebe entre produtividade e alcance dos seus objetivos. 3. A capacidade do indivíduo em influenciar seu nível de produtividade, à medida em que acredita que isto seja possível. Uma pessoa pode desejar aumentar sua produtividade por causa de três condições: • Objetivos pessoais: incluindo dinheiro, segurança no cargo, aceitação social, reconhecimento e se o trabalho for interessante. Relação entre satisfação dos objetivos e alta produtividade: se um colaborador objetiva um salário maior e sua remuneração é baseada na produção, isto funciona como motivação para produzir mais. Porém, se sua necessidade de aceitação social pelos outros for mais importante, poderá produzir abaixo do nível, pois alta produção pode significar ser rejeitado pelo grupo. Percepção de sua capacidade em influenciar sua produtividade: se um colaborador percebe que um grande esforço tem pouco efeito sobre o resultado, não se esforçará muito. A motivação para produzir pode ser explicada através de um modelo de expectação da motivação, baseada em objetivos intermediários e gradativos (meios) que conduzem um objetivo final (fins). A explicação é que a motivação é um processo que governa escolhas entre comportamentos, isto é, a pessoa percebe as consequências de cada alternativa de comportamento como resultados representando uma cadeia de relações entre meios e fins. Exemplo: quando uma pessoa procura um resultado intermediário (elevar a produtividade), está em busca de meios para alcançar resultados finais (dinheiro, promoção, benefícios etc.). 36 Teorias da motivação Teorias contemporâneas de motivação Capitulo 3 Saiba Mais Quer saber mais sobre as teorias contemporâneas sobre motivação, acesse o link: https://administradores.com.br/artigos/motivacao-uma- analise-do-comportamento-do-individuo-dentro-das-organizacoes Resumindo E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo desse capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que, atualmente, uma série de teorias são chamadas de contemporâneas e possuem uma característica em comum: razoável grau de fundamentação válida, o que não significa que sejam inquestionáveis. A Teoria ERG é um melhor alinhamento da hierarquia das necessidades de Maslow com a pesquisa empírica e diferencia três grupos de necessidades essenciais (existência, relacionamento e crescimento). A Teoria das necessidades de McClelland tem foco em três necessidades: realização, poder e associação. A teoria da avaliação cognitiva propõe que a introdução de recompensas externas para trabalhos que eram gratificantes apenas pelo seu conteúdo, tendem a reduzir a motivação. A teoria do estabelecimento de metas sustenta a premissa de que as metas variam em: conteúdo, e intensidade, isto é, as metas especificadas são os verdadeiros fatores motivadores da conduta humana no trabalho. A teoria motivacional de Vroom é restrita à motivação para produzir, rejeitando noções preconcebidas e reconhecendo as diferenças individuais. 37 @faculdadelibano_ 4 Motivação na Prática 38 Teorias da motivação Capitulo 4 Motivação na Prática Introdução Incentivos e recompensas constituem sistemas motivacionais, que nada mais são do que algumas práticas utilizadas pelas organizações para que seus colaboradores alcancem seus objetivos com o melhor desempenho possível. Elogios, desafios novos, participação no processo de tomada de decisão e na divisão dos lucros da empresa, benefícios, premiações, planos de carreira são alguns dos sistemas que as empresas desenvolvem para manter a motivação dos seus colaboradores. Nesse capítulo, descreveremos a prática dos sistemas mais comuns que são a autogestão dos grupos de trabalho, enriquecimento, programa de incentivos e programas de remuneração. Práticas mais comuns Autogestão É uma prática administrativa relacionada com a teoria dos dois fatores. Podem ser divididos em grupos autogeridos e autônomos.Objetivos Ao término deste capítulo você conhecerá o papel da motivação dentro das empresas e como fazer para motivar seus colaboradores. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. 39 Teorias da motivação Motivação na Prática Capitulo 4 Grupos Autogeridos Um dos grandes pioneiros nesta prática foi a Toyota e não como uma ferramenta para satisfazer o trabalhador, mas sim como estratégia para diminuição de custos. No final da década de 50 com a intenção de reduzir os custos com a mão de obra, Ohno fez um agrupamento de funcionários em equipes e colocou um líder no lugar de um supervisor. O líder trabalhava junto com a equipe no papel de coordenador e substituía qualquer trabalhador em caso de falta do mesmo e as equipes recebiam tarefas de montagem e deveriam trabalhar em conjunto para alcançá-las da melhor forma possível. Ainda, recebiam tarefas de manutenção de seus próprios equipamentos, conserto das ferramentas e controle de qualidade. Esta prática serviu de base para diversas outras empresas, entre elas podemos citar a fábrica do automóvel Saturn da General Motors na década de 90. A ideia foi aplicar os métodos japoneses a uma empresa tradicional. As equipes autogeridas foram chamadas de unidades de trabalho e passaram a ter autonomia para realizar suas tarefas na linha de montagem e ainda para decidir sobre compras de materiais, organização da escala de férias e a divisão de trabalho entre seus integrantes. Grupos Autônomos Esse tipo de autogestão foi originado por um movimento do sindicato europeu, também chamado de modelo Volvo de produção. Consiste em substituir a linha de montagem, onde o operário trabalha sozinho, por grupos responsáveis por fabricar uma parte do produto final. Cada trabalhador tem autonomia para decidir quem realiza cada tarefa e podem se movimentar de um grupo para outro. No final dos anos 60, a direção da Volvo na Suécia constatou que a maior parte dos seus empregados era imigrante e que a taxa de absenteísmo era muito alta, em torno de 20%. Foi então que a Volvo partiu para uma experiência até hoje considerada revolucionária. 40 Teorias da motivação Motivação na Prática Capitulo 4 Projetou uma nova fábrica sem a linha de montagem tradicional e mudou o layout para galpões hexagonais para que a produção inteira ou em partes fossem realizadas em estações, por grupos autônomos de trabalhadores, sem posições ou funções definidas. Com a possibilidade de trabalhar de maneira mais criativa, assumindo mais responsabilidades no processo produtivo, a relação homem/hora para construir um carro caiu em 20%. Enriquecimento Vamos pensar da seguinte maneira: o colaborador se torna cada vez mais especializado na medida em que o trabalho se torna mais dividido, certo? E como consequência, ele se torna cada vez menos qualificado e mais alienado, mas por quê? Porquê em casos de extrema especialização o colaborador só desempenha uma ou poucas tarefas, restringindo sua capacidade de usar o intelecto e de tomar decisões, desqualificando-o para o desenvolvimento de outras aptidões. Atualmente, o que mais vemos dentro das empresas é a divisão extrema do trabalho operacional, o que acaba exigindo poucas habilidades motoras e quase nenhuma aptidão intelectual. Em contrapartida, os fatores motivacionais possuem papel importante nos cargos que exigem maior poder de decisão ou uso do intelecto por parte de seus ocupantes. Como podemos observar, por exemplo, em cargos de gerência, técnicos, cientistas, artistas, entre outros. 41 Teorias da motivação Motivação na Prática Capitulo 4 Exemplo: caixas de supermercado ou apertadores de parafusos em linhas de montagem são especializados como um músico de uma orquestra, porém todos eles exercitam aptidões intelectuais muito diferentes. Contudo, precisamos ter em mente a seguinte questão: é possível equiparar o uso de aptidões e do poder de decisão entre profissões tão diferentes? Espero que você tenha dito que sim, pois o uso de uma técnica chamada enriquecimento do trabalho (ou de cargos) introduz fatores motivacionais em cargos que, devido à divisão extrema, não os têm. Podemos citar como exemplo as seguintes técnicas de enriquecimento do trabalho: • Rodízio de cargos: transferência periódica de funcionários de um cargo para outro, como forma de adquirir novas habilidades e ampliar sua experiência. Tem como ponto forte a diminuição do tédio e o aumento da motivação através da diversificação das atividades. De maneira indireta, beneficia a organização, pois passa a ter funcionários com mais habilidades desenvolvidas, maior capacidade de adaptação e que podem ser aproveitados para preencher outras vagas. Como desvantagem, podemos dizer que há um aumento no custo dos treinamentos e a produtividade pode ser reduzida com a troca de tarefa do funcionário. • Treinamento e desenvolvimento: valorizar o aprimoramento de aptidões, mesmo aquelas que não estão diretamente relacionadas com o cargo. • Participação: fazer parte de equipes de projetos, comissões e outros grupos, assim FIGURA 8 Fatores motivacionais FONTE Freepik 42 Teorias da motivação Motivação na Prática Capitulo 4 como de grupos de aprimoramento de processos, implantação de programas de qualidade, de solução de problemas, de programas de seleção e orientação de estagiários e recém-admitidos. • Autocontrole: atribuir ao colaborador a responsabilidade pelo controle de qualidade do próprio trabalho. • Autoavaliação: atribuir ao colaborador a responsabilidade pela avaliação de seu próprio desempenho. Programas de Incentivos Como o próprio nome sugere, os programas de incentivos têm por objetivo o estímulo ou a premiação do desempenho das pessoas. É uma maneira da administração e dos colegas de trabalho reconhecerem o desempenho de um colaborador. Muitas pessoas acham estimulante correr atrás de um incentivo ou um reconhecimento, pois autoestima é uma necessidade importante para qualquer pessoa. Portanto, os programas de incentivos atendem a essas necessidades. Há pelo menos quatro categorias de incentivos, entre elas podemos citar programas de reconhecimento, incentivos monetários, mercadorias e viagens. Programa de Reconhecimento Possuem semelhança com honrarias militares (Ordem do Cruzeiro do Sul) e artísticas (exemplo: Oscar). São premiações de natureza psicológica ou social, como forma de recompensar os vencedores. Exemplo: Foto do funcionário do mês na parede do estabelecimento. Tem como vantagem a possibilidade de ser combinado com outra modalidade de incentivo, como viagens ou outros prêmios. Como desvantagem, apenas o reconhecimento pode ser pouco para o colaborador que deseja alguma recompensa material. 43 Teorias da motivação Motivação na Prática Capitulo 4 Incentivos Monetários A premiação em dinheiro é a mais simples e tradicional usada pelas empresas, pode ser feita na forma de participação nos lucros, comissões de vendas, bonificações por produção e prêmios por ideias propostas. O dinheiro tem como vantagem a sua facilidade de manejo e quem recebe pode fazer o que quiser com ele. Geralmente é oferecido em ocasiões especiais, como um salário extra quando uma meta é alcançada. Mercadorias O uso de mercadorias como método de premiação é também muito comum, representando dinheiro sob forma de alguma coisa material (relógio, carro, caneta etc.). Mercadorias de diferentes valores podem ser distribuídas, de modo a recompensar níveis de premiação, tendo a vantagem de oferecer apelo aos últimos colocados para que se esforcem mais. Em algumas empresas os funcionários podem acumular suas premiações para gastar posteriormente conforme sua conveniência. Viagens É maneira mais dispendiosa de premiar o desempenho de um funcionário, contudo, são as premiações mais atraentes para muitas pessoas. São muito utilizadas nos EUA e na Europa como forma de incentivo. Tem como desvantagem o processo de logística envolvida, como companhiaaérea, hotel, deslocamento, entre outros. Contudo, já existem empresas especializadas em resolver todos estes trâmites. 44 Teorias da motivação Motivação na Prática Capitulo 4 Programas de Remuneração Variável São planos por unidades produzidas, incentivos salariais, participação nos lucros e participação nos ganhos da empresa, porém são diferentes dos mais tradicionais, sendo baseadas em remuneração por medidas de desempenho, individual ou organizacional. Os valores recebidos flutuam de acordo com a medição do desempenho, o que torna esse tipo de programa atraente para as empresas. O vínculo do pagamento ao desempenho faz com que o colaborador considere o pagamento como o reconhecimento de uma contribuição e não um direito adquirido, levando-o a perceber que aquele com melhor desempenho usufrui de uma remuneração maior. Pode-se dizer que para que a motivação seja estimulada, os colaboradores precisam perceber a ligação entre desempenho e recebimento de recompensas. Programas individuais são muito aplicados para funcionários de linha de produção, principalmente sob a forma de remuneração por unidade. Programas coletivos estimulam os colaboradores a cumprir suas metas com o sucesso do seu departamento ou da sua equipe. Programas de Remuneração por Habilidades (ou por Competências) É uma alternativa à remuneração com base apenas no cargo ocupado e estabelece o nível salarial de acordo com a quantidade de habilidades ou na variedade de funções que o colaborador é capaz de desempenhar. A flexibilidade é um atrativo, pois com a redução dos quadros de pessoal das empresas (downsizing) se faz necessário colaboradores mais generalistas e menos especialistas. Entre as vantagens podemos citar: o estímulo aos colaboradores na ampliação de suas competências, como os colaboradores passam a entender do trabalho dos outros, melhora a comunicação dentro da empresa e há melhorias no desempenho. 45 Teorias da motivação Motivação na Prática Capitulo 4 A principal desvantagem ocorre quando o colaborador aprende todas as habilidades disponíveis, podendo levar à frustração pela falta de um novo desafio. Eficácia dos Sistemas Motivacionais O conjunto de incentivos que uma empresa tem a oferecer aos seus colaboradores, associado ao ambiente de trabalho e às atividades desenvolvidas, fazem parte dos sistemas motivacionais. Porém, qual é a eficácia e os efeitos destes elementos sobre a motivação? Podemos dizer que há duas ideias interligadas quando falamos sobre o entendimento da relação entre os motivos internos e externos: a percepção e a teoria das expectativas. Percepção É um processo de aquisição e interpretação de informações, onde se faz importante distinguir o estímulo propriamente dito do efeito que provoca na pessoa. Esse efeito pode ser definido como a maneira como o estímulo é visto e interpretado. A percepção afeta a motivação através dos processos de significado, seleção e adaptação. • Significado: depende de vários fatores como saciedade ou carência, importância social e valores. Podemos citar como exemplo uma pessoa com grande necessidade de realização e outra com vocação técnica mais forte, a oferta de uma promoção à gerente pode ser interessante para uma, porém ser desfavorável para a outra. • Seleção: embora o ambiente ofereça uma grande quantidade de estímulos e exista uma enorme variedade de informações, somente uma pequena parte prende nossa atenção. Portanto, podemos dizer que a percepção é seletiva e influenciada pelo resultado. • Adaptação: quando uma pessoa submete-se muito tempo a um mesmo estímulo, sua sensibilidade tende a ser reduzida e o que era incentivo, perde sua força motivacional. 46 Teorias da motivação Motivação na Prática Capitulo 4 Teoria das Expectativas Esta teoria procura explicar como as crenças e as expectativas das pessoas são combinadas com os estímulos para produzir força motivacional, e estabelece que: • O desempenho alcançado depende do esforço realizado. • O esforço que se faz é proporcional ao valor dado à recompensa. • A motivação para fazer o esforço será grande se a recompensa for atraente. A teoria procura explicar a cadeia de causas e efeitos que ocorre desde o esforço inicial até a recompensa final e possui três componentes: 1. Valor da recompensa: é relativo e depende de cada pessoa. Sua importância é influenciada pela percepção, porque vai depender da satisfação associada à sua obtenção. O esforço inicial é desencadeado pelo atrativo que a recompensa representa. Recompensas muito desejadas tendem a desencadear alto desempenho. 2. Desempenho e recompensa: é a crença de que o desempenho permite que se alcance a recompensa, fazendo com que o desempenho seja o instrumento para a obtenção das recompensas. 3. Esforço e desempenho: o esforço está ligado ao desempenho, que por sua vez está ligada à recompensa. De acordo com a teoria das expectativas administrar a motivação é um processo de administrar recompensas. Saiba Mais Quer saber mais sobre como desenvolver a motivação de seus colaboradores, acesse o link: https://www.agendor.com.br/blog/como- motivar-funcionarios/ 47 Teorias da motivação Motivação na Prática Capitulo 4 Resumindo E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo desse capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que elogios, novos desafios, participação no processo de tomada de decisão e na divisão dos lucros da empresa, benefícios, premiações e planos de carreira são alguns dos sistemas que as empresas desenvolvem para manter a motivação dos seus colaboradores. Entre as práticas mais comuns podemos ditar a autogestão, o enriquecimento, os programas de incentivos e de remuneração variável. O conjunto de incentivos que uma empresa tem a oferecer aos seus colaboradores, associado ao ambiente de trabalho e às atividades desenvolvidas, fazem parte dos sistemas motivacionais e há duas ideias interligadas quando falamos sobre o entendimento da relação entre os motivos internos e externos: a percepção e a teoria das expectativas. 48 Teorias da motivação Referências CHIAVENATO, I, Recursos humanos: o capital humano das organizações. 8. ed. Rio da Janeiro: Elsevier, 2009. CHIAVENATO, I. Introdução à teroria geral da administração: uma visão abrangente da moderna administração das organizações. 9ª edição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. MAXIMILIANO, A. C. A. Introdução à administração. 5ª edição. São Paulo: Atlas, 2000. ROBBINS, S.P. Comportamento organizacional, 11ª edição. São Paulo: Pearson, 2005. ZANELLI, J. C., BORGES-ANDRADE, J. E. e BASTOS, A. V. Psicologia, organizações e trabalho no Brasil. 2ª ed. São Paulo: Artmed, 2014. 49 Motivação Introdução Ciclo Motivacional Motivação Organizacional Modelos de Classificação Classificação Unidimensional Classificação Bidimensional Classificação Unidimensional de Kanfer Teorias Motivacionais Antigas Introdução Hierarquia das Necessidades de Maslow Teoria dos Dois Fatores de Herzberg Fatores Higiênicos: Fatores Motivacionais Teorias X e Y de McGregor Teorias X Teorias Y Teorias contemporâneas de motivação Introdução Teoria ERG Teoria das Necessidades de McClelland Teoria da Avaliação Cognitiva Teoria do Estabelecimento de Metas Teoria Contingencial da Expectativa de Vroom Motivação na Prática Introdução Práticas mais comuns Autogestão Grupos Autogeridos Grupos Autônomos Enriquecimento Programas de Incentivos Programa de Reconhecimento Incentivos Monetários Mercadorias Viagens Programas de Remuneração Variável Programas de Remuneração por Habilidades (ou por Competências) Eficácia dos Sistemas Motivacionais Percepção Teoria das Expectativas Referências