Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

1
 CAPÍTULO 7 
 
TÓPICOS DE GEOLOGIA PRÁTICA 
 
 
1) PERFIS GEOLÓGICOS 
 
 
Os perfis geológicos são uma importante ferramenta para o conhecimento do 
subsolo. No capítulo 6, mostramos que o resultado de uma sondagem a 
percussão, por exemplo, nos fornece o Boletim de Sondagem a Percussão, feito 
no local da sondagem. De posse deste boletim, monta-se o perfil de sondagem à 
percussão, apresentado na Figura 1. Com um conjunto de sondagens, como por 
exemplo 3, podemos, então, preparar o perfil longitudinal do subsolo, apresentado 
na Figura 2. A finalidade deste item é montar um Perfil de sondagem, baseado 
no Boletim de Sondagem obtido no campo e de posse de um alinhamento de 
sondagens, montar o perfil longitudinal do subsolo, para que possamos, por 
exemplo, localizar a fundação de um edifício. 
 
Seja o seguinte exemplo: Deseja-se localizar uma fundação de um prédio, 
de sapata quadrada, conforme desenho abaixo: 
 
 
 
 
 2
Dados os boletins, monta-se os perfis de sondagem e o perfil do subsolo, 
conforme folhas dadas em anexo. Com os dados do número de golpes dos 
últimos 30 cm, relacionamos o SPT com a resistência do solo, para, então, 
localizar as sapatas. 
 
 
 3
 
Figura 1 
 4
 
Figura 2 
 
 
2) MAPAS GEOLÓGICOS 
 
 
Um mapa é um diagrama de duas dimensões de uma parte da superfície da 
Terra. Na realidade ele á uma representação planimétrica, em menor escala, de 
uma superfície irregular que possui variações altimétricas, geológicas, etc. 
Em geologia não é somente a forma tridimensional da superfície que 
interessa. Interessa também conhecer o que está acontecendo em subsuperfície. 
Existem vários meios de Representação Gráfica em Geologia, a saber: 
a) Mapas; 
b) Modelos; 
 5
c) Bloco Diagrama; 
d) Seções. 
 
1) Elementos Essenciais de um Mapa 
 
a. Título 
b. Legenda (simbolismo cartográfico e geológico) 
c. Escala 
d. Orientação ou Sistema de Coordenadas 
e. Linhas ou intervalo de contorno (I.C.) 
 
O título refere-se ao tipo de mapa: topográfico, planimétrico, etc. 
A legenda contém todos os símbolos utilizados para melhor entendermos o 
mapa. Assim, o símbolo que significa um rio ou riacho, não 
perene, deve estar na legenda, para toda a vez que o observarmos em algum 
lugar do mapa, mentalizarmos aquela feição. 
Escala: Uma vez que os mapas são necessariamente menores que as áreas 
mapeadas, sua confecção requer que seja preservada uma razão ou proporção 
entre as medidas no terreno e as medidas nele colocadas. Essa razão é chamada 
escala do mapa e deve ser o primeiro item que deve ser aprendido pelo futuro 
usuário de mapas. 
Devemos ter sempre em mente que o mapa é a projeção de uma superfície 
aproximadamente esférica (superfície terrestre) num plano, portanto sempre 
ocorrerão pequenas diferenças entre as medidas efetuadas nos mapas e as reais. 
Dentre as várias maneiras de representarmos a escala de um mapa, apenas 
dois tipos são mais utilizados: a escala numérica e a escala gráfica. A escala 
numérica é simplesmente uma fração ou razão, 1:10.000 ou 1/10.000, sendo que 
a primeira é a maneira mais preferida. Isto significa dizer que ao longo de uma 
determinada linha, 1 centímetro, 1 polegada ou 1 pé representa 10.000 
centímetros, polegadas ou pés, respectivamente, na superfície da Terra. A 
unidade de distância em ambos os lados da razão deve ser a mesma. 
 6
A escala gráfica é uma linha ou barra horizontal dividida de acordo com as 
unidades de distância reais (do terreno), de tal modo que cada divisão pode 
representar 1 km, 1 milha e assim por diante. Normalmente uma extremidade 
dessa barra é subdividida a fim de dar maior precisão na tomada das medidas. 
 
 
 
Algumas vezes a legenda do mapa não contém a escala, embora esse fato 
seja raro pode acontecer. Nesse caso podemos encontrar a escala aproximada 
do mapa facilmente, apenas conhecendo a distância real entre dois pontos no 
mapa. Esses dois pontos podem ser medidos, por exemplo, entre os paralelos 
das coordenadas geográficas. Portanto, a escala pode ser encontrada através da 
relação: e = distância no mapa___ 
 distância real conhecida 
 
É comum fazermos seções, perfis ou cortes em uma dada direção, a partir 
dos mapas topográficos, estruturais ou geológicos. Quando assim o fizermos 
devemos levar também em consideração a escala vertical (vide Figura 3). 
 
O relevo no perfil será o real apenas no caso das escalas horizontal e vertical 
serem iguais. Porém, normalmente acontece que as amplitudes verticais são 
muito pequenas, em relação as horizontais, para poderem ser representadas na 
mesma escala. Por isso normalmente é aumentada a escala vertical. Esse 
exagero da escala vertical provoca um acréscimo no valor angular dos mergulhos, 
para o qual deveremos estar atentos para possíveis enganos. 
Essa relação escala vertical / escala horizontal é chamada de sobrelevação e 
pode ser facilmente entendida observando-se a Figura 4. 
 
 7
 
Figura 3 - Escalas: A: conceito de escala e resolução 
 B: Escala Gráfica 
 C: Escala Numérica 
 
 
 
 8
 
 
Figura 4 - Princípio de construção do ábaco de mergulhos proporcionais 
 
 
 
Da Figura 4, temos o triângulo ABC em que AB = X e BC = Y, nesse caso 
X = Y deduz-se que: tg µ = _BC_ = _X_ = 1 ∴ µ = 45o 
 AB Y 
 
Exagerando-se a escala duas vezes o segmento AC assumirá a posição AD. 
No triângulo ABD tem-se AB = X e BD = 2 BC = 2 Y ∴ 
 
 tg µ = _2 Y_ = 2 ∴ µ = 63o 26’ 
 X 
 
Portanto para uma determinada escala horizontal ao exagerarmos 2 vezes a 
escala vertical teremos o ângulo de mergulho igual a 63o 26’ ao invés de 45o. 
 
Orientação ou Sistema de Coordenadas: Para se localizar um ponto em 
relação a um outro em um mapa qualquer, é necessário se empregar os conceitos 
 9
de direção e distância. Isto pode ser realizado através da especificação de algum 
sistema de orientação. 
O sistema de coordenadas planas é um sistema arbitrário de locação de 
pontos sobre uma superfície plana, com o estabelecimento de uma origem na 
interseção de dois eixos perpendiculares entre si. O plano é então subdividido em 
uma rede de paralelas ao eixo das abscissas e ordenadas e a posição do ponto é 
relacionada à origem dos eixos. 
Sistema de coordenadas esféricas: o clássico sistema de coordenadas 
geográficas está incluído nesse sistema. Na Terra, dois convenientes pontos de 
referência são estabelecidos pelos Pólos. O eixo que passa pelos pólos 
corresponderia ao eixo dos Y de um sistema retangular. Perpendicular ao eixo 
referido, teríamos a abscissa do sistema correspondendo ao eixo dos X. 
Assim, a ordenada seria a Latitude e a abscissa seria a Longitude. Como 
esse sistema se encontra sobre uma superfície aproximadamente esférica, a 
unidade de distância é medida em graus, minutos e segundos. A origem do 
sistema é definida pela interseção dos círculos: Equador e Meridiano de 
Greenwich. O sistema é usado para grandes áreas, somente. Exemplo: entre 
continentes. 
As distâncias norte-sul, têm no círculo máximo (equador) valor igual a zero e 
aumentam de valor na direção dos pólos, sendo que estes possuem valor igual a 
90o. Quando as medidas são efetuadas acima do equador (hemisfério norte) 
dizemos latitude norte, quando elas forem efetuadas abaixo do equador 
(hemisfério sul) dizemos latitude sul. 
Para fins práticos, a distância entre os círculos que representam os diversos 
valores da latitude é constante, com valor igual a 111 km. 
As distâncias leste-oeste, possuem valor de 0o para o meridiano de 
Greenwich aumentando na direção leste e na direção oestecomo, por exemplo, existência de 
depressões e cavernas, que indicarão de imediato a existência de rocha calcária. 
A seguir exemplificamos esquematicamente a influência de alguns dos fatores 
acima relacionados: 
 
Topografia: 
 
 
Figura 48 
 
Vegetação: Exemplos: áreas de campo: solo arenoso – região de arenitos 
 áreas de cultura: solo terra roxa – região de basalto. 
 67
Coloração: As rochas básicas aparecem mais escuras nas fotos, bem como 
aquelas mais saturadas de água. Porém, a cor de uma mesma rocha pode variar 
em duas fotos consecutivas (devido à incidência de raios solares) 
Estruturas: Afloramentos de rochas como quartzito, basalto e mesmo arenito, 
oferecem normalmente sistemas de fraturas facilmente distinguíveis. Falhas 
constituem elementos maiores e de mais difícil interpretação, e as dobras são 
igual e facilmente determinadas, quando o mergulho das camadas é assinalado. 
 
 
Figura 49 
 
 
Para a determinação do mergulho das camadas, a regra utilizada é a 
seguinte: as camadas inclinadas aparecem como faixas paralelas nas fotos. A 
ação da erosão provoca feições típicas nessas camadas, segundo a figura abaixo: 
 
 
Figura 50 
 68
 
 
Por seu lado, camadas na posição horizontal apresentam a seguinte 
característica: 
 
 
Figura 51 
 
 
Em resumo, se associarmos a observação de todos esses fatores citados a 
uma certa experiência do interpretador, pode-se concluir que algumas litologias 
possuem as seguintes características: 
a) Sedimentos: os sedimentos recentes possuem características marcantes 
em relação à sua ocorrência. Assim, são encontrados em planícies de inundação 
ou várzeas dos rios, em depósitos de praias ou como depósitos de encostas: 
 
 
 
Figura 52 
 69
A tonalidade da foto será clara, quando o sedimento não estiver saturado de 
água, e escura, no caso contrário. 
b) Arenitos: Sendo rochas constituídas praticamente apenas de quartzo, 
aparecem nas fotos em tonalidades mais claras. 
A drenagem é típica e bem distribuída, e são freqüentes os sistemas de 
fraturas quando a rocha for cimentada. Normalmente, a vegetação não é densa. 
c) Folhelhos: Aparecem em tonalidades fotográficas relativamente mais 
escuras. A drenagem é dentrítica e nas encostas a erosão forma essas figuras 
típicas. É comum a ausência de fraturas. 
d) Calcários: É uma das rochas mais facilmente identificável, uma vez que 
nela aparecem depressões, cavernas, colinas, rios que desaparecem e surgem 
adiante, etc. A coloração é bastante irregular, e a foto possui na maioria das vezes 
um aspecto “manchado” ou “descolorado”. 
e) Derrames de basalto: Formam escarpas terraceadas, devido à ação de 
erosão ou exigem sistemas de fraturas, que normalmente exercem controle da 
drenagem. São de coloração mais escura, sendo suas áreas intensamente 
cultivadas, devido ao solo de terra roxa, delas derivado. 
f) Rochas graníticas: São caracterizadas nas fotos aéreas por apresentarem 
aspecto maciço (não se observam camadas), e as formas de topografia são as 
mais comuns: aparecem como morrotes arredondados suavemente, lembrando 
uma meia-laranja. Devido aos sistemas de fraturas, normalmente cúbicos, 
aparecem blocos isolados ou uma série deles. A cor é mais clara que a dos 
basaltos. 
g) Gnaisse-xistos: Topograficamente acidentados, os gnaisses lembram os 
granitos. Com relação à drenagem, os xistos pouco dobrados lembram os 
folhelhos. Porém, as dobras existentes distinguem essas duas rochas das 
demais, e os gnaisses, sendo mais resistentes do que os xistos, são deles 
separados por meio da topografia mais acidentada. 
 
As figuras a seguir mostram exemplos de fotografias aéreas e de 
fotointerpretações. 
 70
 
Figura 53 – Foto de uma cidade do interior de Minas Gerais, escala 1:3.000. Notar 
a nitidez de certos detalhes como carros, postes, etc. 
 71
 
 
Figura 54 – Foto de região de topografia suave. Região de rocha sedimentar, 
Arenito Bauru, SP. Notar rio com meandros (rocha mole) e solo arenoso 
 72
 
 
 
Figura 55 – Rio controlado estruturalmente. Escala 1:25.000. Notar aspecto semi-
geométrico do traçado do rio. Na figura 56, estão assinaladas as principais 
direções dos sistemas de fraturas 
 73
 
 
Figura 56 – Fotointerpretação da figura anterior, mostrando três sistemas 
principais de fraturas. Fato importante se no local for construída uma barragem 
 74
 
Figura 57 – Foto aérea de rio com meandros. Região sedimentar no Estado de 
São Paulo. Notar os meandros abandonados. Outros detalhes: área de cultura, 
estrada de ferrovia, rodovia, etc. Escala: 1:25.000 
 75
 
Figura 58 – A Fotointerpretação mostrou limite da área de aluvião com as rochas 
sedimentares. Fato importante para construção de barragens e pontes. O aluvião 
é fonte de argila, areia e cascalho 
 76
 
Figura 59 – Foto aérea em região de rocha metamórfica – gnaisse. Notar o 
traçado semi-geométrico do rio. Destaque para uma fratura assinalada no mapa. 
Escala: 1:25.000. Local: Itu, SP 
 77
 
Figura 60 – Fotointerpretação mostra a partir do alinhamento dos blocos, pode-se 
determinar a direção da xistosidade da rocha. Foram assinalados também as 
áreas onde a rocha aflora 
 78
 
Figura 61 – Foto mostrando região de rochas magmáticas-graníticas em contato 
com sedimentos litorâneos. Região da Serra do Mar e Baixada Santista. Notar a 
diferença na topografia e na cor das formações. Escala: 1:25.000 
 79
 
Figura 62 – Fotointerpretação da figura 61até o valor de 180o 
que representa o lado oposto no globo terrestre do meridiano 0o de longitude. 
Os círculos que representam os diversos valores da longitude, passam todos 
pelos pólos e não são paralelos. A distância entre eles é máxima no equador com 
valor aproximado de 111 km e 0 nos pólos, onde se cruzam. 
 10
Exemplo: Ponto A – possui coordenadas 40o de latitude norte e 30o de 
longitude oeste, significa dizer que esse ponto está 40o acima do equador 
(hemisfério norte) e 30o a esquerda do meridiano de Greenwich (vide Figura 5). 
 
 
 
Figura 5 - Coordenadas esféricas ou geográficas 
 
 
 
 
Coordenadas Retangulares – Durante as duas grandes Guerras Mundiais, 
com o avanço tecnológico da artilharia, cada vez se tornou mais difícil a utilização 
das distâncias obtidas no sistema de Coordenadas Esféricas. 
Para simplificar o sistema resolveu-se superpor ao sistema de coordenada 
em uso uma rede de coordenadas retangulares. O procedimento era: 
primeiramente, um mapa era feito transformando-se o sistema esférico num 
sistema plano utilizando um método qualquer de projeção; em seguida 
superpunha-se ao sistema uma rede de coordenadas retangulares ortogonais. 
 11
Desejava-se com tal procedimento minimizar os erros direcionais, a curtas e 
médias distâncias, ter-se em mãos uma única referência em um sistema plano-
retangular de coordenadas para todos os lugares da Terra, e a transformação de 
uma zona para outra deveria ser uniforme, através de um sistema que admitisse o 
elipsóide como referência. 
Com base nos critérios acima foram desenvolvidos dois sistemas, até hoje 
com larga aplicabilidade mundial e conhecidos como “Universal Transverse 
Mercator”, comumente denominado UTM, e o “Universal Polar Stereographic” 
(UPS). O primeiro é utilizado entre as latitudes de 84o N e 80o S, enquanto o UPS 
é aplicado somente nas regiões polares. 
São as seguintes características básicas das coordenadas UTM: 
a) Divisão do mundo em 60 zonas, cada uma estendendo-se por 6o de 
longitude, numerados de 1 a 60, iniciando-se na zona entre 180o W e 174o W 
continuando para Leste. Conseqüentemente, cada zona abrange uma faixa de 
600 km, no Equador. 
Admitindo-se que a superfície de referência é a esfera, um cilindro transverso 
é tangencial ao longo do meridiano central de cada zona. Assim, cada zona 
estende-se 3o a oeste e 3o a leste do meridiano central, ou 330 km para cada lado 
do meridiano central (M.C.). 
b) A distorção provocada pela projeção, como ocorre em qualquer outro 
sistema aplicado, é tratada como um fator de escala, que é aplicado ao longo do 
meridiano central de cada zona. O efeito é que o cilindro transverso torna-se 
secante à superfície de referência em vez de tangenciá-la. 
c) Uma malha métrica é superposta sobre cada uma das 60 zonas, 
considerados como 500 km ou 500.000 metros o valor métrico do meridiano 
central. O Equador assume o valor de 10.000 km (10.000.000 metros) se 
considerado o hemisfério sul, enquanto o Polo Sul assumiria o valor zero enquanto 
o Polo Norte estaria graduado como 10.000 km (10.000.000 metros). 
 
As coordenadas UTM de um ponto tem para coordenadas os valores 
referidos às distâncias ao Equador e ao Meridiano Central. A coordenada referida 
 12
ao Equador é denotada pela letra N ou Y e a referida ao Meridiano Central pela 
letra E ou X. Então o ponto P1, no hemisfério sul (vide figura 6) tem para 
coordenadas N e E (ou Y e X): 
N = 10.000.000 menos a distância entre o ponto P1 e o Equador. 
E = 500.000 menos a distância entre o ponto P1 e o meridiano central. 
 
O ponto P2, ainda no hemisfério sul, tem as seguintes coordenadas: 
N = 10.000.000 - distância entre o ponto P2 e o Equador. 
E = 500.000 + distância entre o ponto P2 e o meridiano central. 
 
O ponto P3, no hemisfério norte, tem para coordenadas: 
N = 0 + distância entre o ponto P2 e o Equador. 
E = 500.000 + distância entre o ponto P2 e o meridiano central. 
 
Quais as coordenadas do ponto P4 ? 
 
Assim, conclui-se que se o ponto está situado a leste do meridiano central a 
coordenada E será maior do que 500.000 m e, se estiver a oeste, é sempre menor 
do que 500.000 m. Um ponto ao sul do Equador será sempre menor do que 
10.000.000, da mesma maneira que um ponto ao norte do Equador também será 
sempre menor do que 10.000.000. 
 
 13
 
Figura 6 - O sistema UTM 
 
 
As malhas entre duas zonas estão sobrepostas em uma faixa de 
aproximadamente 40 km de um lado ao outro dos limites entre as mesmas. 
Um ponto situado nesta faixa deve ser representado pelas coordenadas de 
ambas as zonas com seus respectivos meridianos centrais referidos. 
Aproximadamente 60 países usam o sistema UTM. No Brasil, devido a sua 
grande extensão em área, existem 8 zonas conforme mostra o quadro abaixo. 
Os sistemas parciais de 6o ou fusos de 6o, são organizados de acordo com os 
da carta internacional de milionésimo e numerados de 1 a 60, a partir do 
antimeridiano de Greenwich para Leste. 
As zonas parciais que abrangem o território brasileiro são as de números 18 
a 25. 
 
Fusos Meridiano 
Central 
Meridianos 
externos 
Regiões 
18 75 W 78 W 
72 W 
Partes do Acre e Amazonas 
19 69 W 72W Partes do Acre, Amazonas e 
 14
66 W Rondônia 
20 63 W 66 W 
60 W 
Partes de Roraima, Amazonas, 
Mato Grosso e Rondônia 
21 57 W 60 W 
54 W 
Partes do Amazonas, Amapá, 
Roraima, Pará, Mato Grosso, Mato 
Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande 
do Sul. 
22 51 W 54 W 
48 W 
Partes do Amapá, Pará, Mato 
Grosso do Sul, Maranhão, Goiás, 
Minas Gerais, São Paulo, Paraná, 
Santa Catarina e Rio Grande do Sul. 
23 45 W 48 W 
42 W 
Partes do Pará, Maranhão, Goiás, 
Piauí, Bahia, Minas Gerais, Rio de 
Janeiro e São Paulo. 
24 39 W 42 W 
36 W 
Partes do Piauí, Ceará, Rio Grande 
do Norte, Paraíba, Pernambuco, 
Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito 
Santo, Minas Gerais e Rio de 
Janeiro. 
25 33 W 36 W 
30 W 
Partes do Rio Grande do Norte, 
Paraíba, Pernambuco e Alagoas. 
Fusos UTM Brasileiros 
 
A seguir alguns exemplos aplicativos das coordenadas UTM. 
i) Distância entre dois poços ou pontos: suponhamos que os poços P1 e P2 
tenham as coordenadas N1 , E1 e N2 , E2 , respectivamente. 
Sendo N a coordenada paralela aos meridianos na linha S-N e E, paralela ao 
equador W-E, a distância D entre os dois poços é dada pela fórmula: 
 
2
21
2
21 )()( EENND −+−= 
 
 15
ii) Situação de um poço em relação a outro: sejam os poços P1 com 
cooordenadas N1 e E1 e P2 com as coordenadas N2 e E2 . 
- P1 estará ao norte de P2 quando N1 > N2 
- P1 estará ao sul de P2 quando N1 E2 
- P1 estará a oeste de P2 quando E1numéricos de duas linhas de contorno 
subseqüentes é denominada de intervalo de contorno (I.C.). Assim, uma linha de 
contorno é uma linha de valor constante e se encontra separada de suas vizinhas 
por um intervalo de contorno, expresso em metros, quilômetros, percentuais, etc. 
 
 
 16
2) Confecção de Mapas de Contorno e Seções 
 
Dentre os vários tipos de mapas de contorno veremos a seguir a explicação 
sucinta do exemplo de um mapa de contorno topográfico. A sua importância, para 
nosso estudo, reside no fato dele servir de mapa base para os mapas geológicos. 
A confecção dos mapas topográficos é a mais simples que existe. A partir 
dos vários pontos altimétricos colocados em um mapa base, e, amarrados na rede 
de coordenadas, fazemos o contorno dos mesmos, utilizando algumas regras 
básicas lógicas: 
a) as linhas de contorno jamais se cruzam. 
b) as linhas de contorno jamais se tocam, exceto em sua projeção no plano 
(no mapa). 
 
 
 
 17
Figura 7 – Visualização da representação topográfica mediante curvas de 
nível: (A: Sistema a ser projetado; B: Projeção dos planos – curvas de nível) 
c) quando o gradiente inverte seu sentido, como por exemplo um vale entre 
duas elevações, o contorno de maior ou menor valor (conforme o caso) deve ser 
repetido. Um simples contorno não deve marcar o eixo de inversão. 
 
 
Figura 8 – Representação topográfica de um vale 
 
 
d) trace os contornos com lápis de grafite mole, de modo a ser facilmente 
apagado e corrigido. 
e) Contorne por faixas, traçando várias linhas numa determinada região do 
mapa. 
f) Interpole cuidadosamente as linhas de contorno por entre os pontos de 
controle, ajustando-as sempre de modo que as mudanças do gradiente 
sejam graduais. 
 18
g) lembre-se que o espaçamento entre linhas de contorno indica o gradiente; 
quanto mais espaçada menor o gradiente (Figura 9). 
h) Os “V” apontam para a nascente dos rios (Figura 10). 
i) Os contornos devem estender-se até os limites extremos dos mapas 
(Figura 11). 
j) Sempre tenha em mente as formas ou as características das mudanças 
da superfície, real ou imaginária, que você está contornando. 
 
 
Figura 9 – Representação topográfica de inclinações (a) suave e (b) abrupta 
 
 
 19
 
Figura 10 – Representação topográfica de vales 
 
Figura 11 – Os contornos se estendem até os extremos dos mapas. 
 Tracejá-los se interpretativos 
 
 
 20
Um mapa assim obtido é a expressão da superfície do terreno mapeado. Se 
quisermos obter uma seção vertical, numa determinada direção, devemos 
proceder da maneira descrita a seguir. 
Colocamos uma tira de papel ao longo da direção que queremos a seção, 
marcamos nas costas da tira de papel os respectivos valores do contorno e por fim 
ligamos os pontos encontrados (veja figuras 12 e 13). 
 
 
Figura 12 – A) Seleção, no mapa geológico, da linha de perfil topográfico AB 
 
 
 
Figura 12 – B) Traçado dos pontos do perfil, usando-se uma tira de papel 
branco. AB é a base do perfil; AC, a escala vertical (das altitudes); CD, linha 
auxiliar de construção. As cruzes são os pontos do perfil topográfico. 
 21
 
 
 
Figura 13 
 
 
Construção de um Perfil Geológico – Num levantamento entre dois pontos A 
(Santana) e N (Paraíso), na cidade de São Paulo, foram anotados as distâncias 
horizontais e cotas, relacionadas a seguir: 
 
 
 
Pontos Distâncias Cotas Pontos Distâncias Cotas 
A -- 760 IJ 300 735 
AB 200 730 JK 500 740 
BC 400 725 KL 200 745 
CD 400 720 LM 500 710 
 22
DE 500 725 MN 200 750 
EF 100 715 NO 400 755 
FG 100 715 OP 300 760 
GH 200 725 PQ 600 790 
HI 400 730 
 
No citado trecho, foram executadas as seguintes sondagens, nos pontos 
assinalados, com os dados abaixo: 
A = 50 m de rocha I = 1 m de argila orgânica 
B = 1 m de argila rija 19 m de argila rija 
 30 m de rocha 1 m de areia grossa 
C = 1 m de argila orgânica J = 15 m de argila rija 
 10 m de argila rija 10 m de areia grossa 
 15 m de rocha K = 1 m de argila rija 
D = 5 m de argila orgânica 20 m de areia grossa 
 15 m de argila rija M = 20 m de areia grossa 
 5 m de rocha N = 10 m de argila siltosa 
E = 15 m de argila orgânica 15 m de areia grossa 
 30 m de argila rija P = 1 m de argila porosa 
F e G = 10 m de argila orgânica 15 m de argila siltosa 
 30 m de argila rija Q = 22 m de argila porosa 
H = 10 m de argila orgânica 16 m de argila siltosa 
 20 m de argila rija 
 
Pede-se: construir o perfil geológico do referido trecho, usando escala vertical 
1:1.000 e sobreelevação igual a 20 (No desenho usou-se EV = 1:2.000 e EH = 
1:40.000). Solução na Figura 14. 
 
Construção de Perfis Geológicos para Interpretação de Elementos Estruturais 
– Este tipo de interpretação se baseia na utilização de dados de perfis individuais 
 23
de sondagens. Os perfis individuais são reunidos em várias seções geológicas de 
acordo com o seu número. 
Nessas seções geológicas procura-se interpretar a geologia estrutural, 
visando principalmente observar as linhas de contato entre as diferentes camadas. 
Esse raciocínio permite determinar a posição dessas camadas, isto é, se estão 
horizontais, verticais ou inclinadas e se ocorrem estruturas maiores como falhas, 
dobras, etc. 
 
Figura 14 
 
 
Nos três primeiros exemplos a seguir, estão colocadas apenas duas 
sondagens, enquanto que no quarto exemplo, foi utilizado um número maior. 
a) Duas sondagens distantes 100 m mostraram os seguintes dados: a primeira 
feita na cota 790 encontrou uma certa faixa de rocha a 30 m de profundidade. 
A segunda, feita na cota 820, encontrou a mesma faixa de rocha a 60 m de 
profundidade. Qual a posição estrutural dessa rocha ? representa na escala 
1:2.000. 
 24
b) Duas sondagens distantes 150 m em terreno plano e na direção E – W, 
mostraram a 40 m de profundidade os seguintes dados: S1 (localizada a leste) 
camadas inclinadas 45o para W, e S2 (localizada a oeste) com as camadas 
mergulhando 45o para E. Qual a estrutura geológica local ? Represente na 
escala 1:2.000. 
 
A solução para os exercícios 1 e 2 é extremamente simples. No exercício 1, 
deve-se ter cuidado com as cotas do terreno onde se localizaram as sondagens. 
Para o exercício 2, tomar cuidado com o sentido de inclinação das camadas (leste 
ou oeste). 
(nota: as escalas nos desenhos estão reduzidas). 
 
 
Figura 15 
 
c) Duas sondagens distantes 160 m em local plano, mostraram: S1 = 40 m de 
arenito, 60 m de folhelho e 80 m de basalto. S2 = 50 m de folhelho e 80 m de 
basalto. Qual a estrutura geológica local ? Represente na escala 1:300. 
(Nota: desenho abaixo em escala reduzida) 
 
 25
Explicação: a observação dos perfis das sondagens, evidencia de início uma 
descontinuidade da camada de folhelho, justificada por um falhamento. O 
observador, contudo, poderá ser levado a unir a camada de folhelho como 
indicado no esquema abaixo, e concluir pela presença de camadas inclinadas, o 
que, no entanto, poderá ser eliminado, se lembrarmos que normalmente os 
folhelhos aparecem na posição horizontal. 
 
 
Figura 16 
 
d) Construir o perfil topográfico geológico A-J usando EH = 1:10.000 e 
sobreelevação 20 para um eixo de barragem, utilizando os seguintes dados: 
Para o perfil topográfico: 
 
Ponto Distância Cota 
A -- 350 
AB 650 333 
BC 500 334 
CD 150 320 
DE 350 319 
EF 100 313 
 26
FG 450 313 
GH 100 337 
HI300 340 
IJ 200 354 
 Para o perfil geológico: (dados das sondagens a partir a superfície) 
A = 18 m solo C = 2 m solo 
 13 m folhelho 14 m folhelho 
 15 m basalto 15 m basalto 
 5 m folhelho 5 m folhelho 
E = 15 m basalto D = 1 m folhelho 
 5 m folhelho 15 m basalto 
G = 9 m basalto 5 m folhelho 
 5 m folhelho H = 13 m folhelho 
J = 14 m solo 15 m basalto 
 15 m folhelho 5 m folhelho 
 15 m basalto 
 5 m folhelho 
 
Explicar e justificar: i) existe alguma estrutura geológica importante no perfil 
anterior ? ii) quais as vantagens e desvantagens das rochas presentes para a 
fundação da barragem? 
Solução: i) O perfil a seguir mostra que entre os pontos G e H as camadas 
indicaram claramente um desnível na vertical. Esse fato evidencia a presença de 
uma possível falha, que deverá ser obviamente definida por meio de sondagens 
adicionais, que deverão ser verticais e também inclinadas, para melhor interceptar 
o plano provável de falha. 
Esta falha é a estrutura geológica importante do perfil. 
 
ii) As vantagens e desvantagens básicas das rochas de fundação são: 
 
 Vantagens Desvantagens 
 27
Folhelho Impermeável Pequena resistência ao cizalhamento 
Decompõe-se quando exposto ao ar 
Basalto Capacidade 
elevada de carga 
Elevado grau de fraturas 
 
(No desenho foram usadas EH = 1:20.000 e EV = 1:1.000) 
 
 
Figura 17 
 
 
3) Mapas Geológicos 
 
 O mapa geológico é o meio de representação mais eficiente para 
representação das informações de caráter geológico. 
Resulta da projeção sobre a base topográfica de uma série de informações 
que dão a extensão, a distribuição dos tipos de rochas e das estruturas geológicas 
como fraturas, dobras, posição das camadas, etc. , os agrupamentos e as 
 28
relações entre os diversos corpos rochosos. A extensão é imediatamente 
verificada, apenas utilizando-se a escala dada no mapa. 
Os agrupamentos são de vários tipos: litológicos, cronológicos, genéticos e 
estruturais. 
Os agrupamentos litológicos são aqueles feitos a partir da segregação dos 
diversos tipos de rochas, baseada na identidade mineralógica e petrográfica das 
mesmas. Por exemplo, rochas sedimentares (calcários, dolomitos, arenitos, 
siltitos, folhelhos, etc.) 
Os agrupamentos cronológicos são aqueles originados a partir da separação 
das rochas que foram originadas em diferentes idades. Pois, embora atualmente 
exista uma integração completa das rochas, as mesmas não foram formadas 
sincronicamente, mas de uma maneira sucessiva. A paleontologia com ajuda da 
estratigrafia e geocronologia estabelece a seqüência temporal que as rochas 
foram originadas. Por exemplo: grupos de rochas que foram depositadas no 
Período Cretáceo, formam rochas cretácicas ou do Sistema Cretáceo. 
Os agrupamentos genéticos são aqueles concebidos a partir da segregação 
dos diferentes tipos de rochas tomando como base as diferentes origens de cada 
uma. Ou seja, esse agrupamento separa as rochas formadas por diferentes 
processos geológicos. Por exemplo: rochas metamórficas (formadas através dos 
processos metamórficos); rochas magmáticas ou ígneas (formadas através de 
processos ígneos) e as rochas sedimentares (formadas através de processos 
sedimentares). 
Finalmente os agrupamentos estruturais são feitos a partir da separação dos 
corpos rochosos de acordo com sua atitude geométrica e anatomia. 
Com essa sistematização das informações geológicas, com alguma prática, 
podemos saber através da simples leitura dos mapas geológicos os diferentes 
tipos litológicos da área mapeada e seu empilhamento vertical, a direção e 
mergulho (atitude) das camadas, corpos rochosos e estruturas. Além dessas 
informações, em muitos casos, podemos detectar as discordâncias, ou seja, 
períodos de erosão ou de não deposição das rochas. 
 29
O mapa gelógico pode ser construído a partir de um mapa topográfico, no 
qual são colocados os dados geológicos ou a partir de fotografias aéreas. A 
existência de um mapa geológico facilita enormemente um projeto de engenharia, 
uma vez que, por exemplo, para um traçado de uma rodovia, de um túnel ou de 
uma barragem, será possível antecipar certos problemas, por simples consulta ao 
mapa antes mesmo da ida dos geólogos e engenheiros ao campo. 
É comum em muitos casos o mapa geológico vir acompanhado de uma 
seção geológica. Esta proporciona a visualização num plano vertical, ao longo de 
uma determinada direção, de todas as informações contidas no mapa geológico. 
A representação das coordenadas geológicas de uma camada, definida no 
espaço através de sua atitude, é composta de dois parâmetros: atitude (das suas 
horizontais) e mergulho (da linha de maior declividade), conforme mostra a figura 
18. 
 
Figura 18 – Coordenadas geológicas de uma camada: direção (ângulo 
BANV) e mergulho (ângulo FDE), sendo NV o norte verdadeiro 
 
 
Se, por exemplo, uma camada tem suas horizontais fazendo com o Norte 
verdadeiro um ângulo de 45o e mergulha 10o para sudeste, a representação será 
simplesmente: 
 
 30
 
 
Uma folha de papel orientada para o norte e comprimida em suas abas 
opostas, fará uma dobra que poderá ser representada por ┫┣ se fizer uma 
concavidade para cima ou ┣ ┫, se fizer para baixo. As falhas são mostradas 
como verticais ou com o seu deslocamento relativo 
 
As dobras podem ser definidas como anticlinal (se fecha para cima - ∩) ou 
sinclinal (que se fecha para baixo - ∪). O reconhecimento de estruturas dobradas 
nos mapas tem a seguinte representação: 
 
 
Figura 19 
 
 
Legendas Geológicas: Os símbolos mais usuais para representação da 
litologia, ou seja, das camadas geológicas estão apresentadas a seguir: 
 
 31
 
Figura 20 
 
 
A seguir é dado um exemplo de mapa geológico da região do rio Tietê, 
estado de São Paulo, abrangendo Tietê, Laranjal Paulista e Conchas. A região 
apresenta rochas sedimentares na posição horizontal e aparentemente sem a 
presença de estruturas geológicas significativas. 
 
 
Figura 21 
 
3.1 – Tipos de Mapas Geológicos 
 32
 
Estudaremos somente mapas geológicos com camadas homogêneas, isto é, 
camadas de rocha que possuam mais ou menos a mesma espessura e com 
mergulho constante. Assim considerando, três casos são possíveis: camadas 
horizontais, camadas verticais e camadas inclinadas. 
Os mapas geológicos com camadas horizontais possuem contorno paralelo 
ou coincidente com as curvas de nível nos limites ou contatos entre as diversas 
camadas. A Figura 22 mostra um exemplo. 
 
 
 
Figura 22 
 
Os mapas geológicos com camadas verticais mostram que essas camadas 
são delimitadas por duas retas paralelas, que interceptam as curvas de nível. A 
Figura 23 mostra um exemplo. 
 
E no caso dos mapas geológicos com camadas inclinadas, este não é tão 
elementar como nos dois anteriores. Os contatos ou limites entre as camadas 
interceptam as curvas de nível segundo linhas irregulares (seu contorno nunca é 
representado por retas paralelas). A Figura 24 mostra um exemplo. 
 
 33
 
Figura 23 
 
 
Figura 24 
 
 
4) Interpretação de um Mapa Geológico 
 
 34
Exercício I: O mapa topográfico da Figura 25 representa um vale onde afloram 
cinco tipos de rochas, sendo quatro em posição horizontal e uma vertical. EH = 
1:40.000 
 
 
Figura 25 
 
 
São dados: 
a) Os pontos A, B, C com cota 400 m representam o contato entre aluviãoe 
calcário; 
b) D, E, F pontos de afloramentos de calcário; 
c) G, H, I, J cota 580 m, contato calcário-arenito; 
 35
d) K, L, M pontos de afloramento de arenito; 
e) O, P, Q cota 770 m, contato arenito-basalto vesicular; 
f) R, S pontos de afloramentos de basalto vesicular; 
g) U, X contato entre basalto maciço e basalto vesicular com direção N40W e 
mergulho vertical; 
h) Y, Z contato entre basalto maciço e basalto vesicular com direção N40W e 
mergulho vertical; 
 
Pede-se: 
a) Traçar o contato das camadas; 
b) Colocar símbolo ou colorir as diversas litologias, de acordo com as normas 
usuais; 
c) Traçar o perfil 1-2 com sobrelevação 2; 
d) Traçar um perfil que mostre a espessura real do dique de basalto maciço; 
e) Determinar as espessuras das camadas; 
f) Determinar a espessura do dique de basalto maciço, somente no mapa. 
 
Solução: 
a) Traçar o contato das camadas: os pontos A, B, C representam o contato 
entre aluvião e calcário, e não apresentam direção nem mergulho. Esses dados 
levam a concluir que são contatos de camadas horizontais e portanto, A, B, C 
podem ser unidos por uma linha coincidente com as curvas de nível. O mesmo 
raciocínio pode ser aplicado para os outros pontos que não representam direção 
nem mergulho, ou sejam, G, H, I, J, O, P,Q. 
Os pontos U, X são contato entre basalto maciço e vesicular mas possuem 
direção e mergulho. Nos pontos U e X é traçada a direção de N40W, obedecendo 
a direção Norte do mapa, e o mergulho vertical não é representado. Traçada a 
direção, verifica-se que a direção em U é prolongamento da direção em X e como 
ambos os pontos são de contato, pode-se uni-los por uma linha de contato que 
atinja os limites do mapa. Idêntico raciocínio aplica-se a Y e Z e verifica-se que 
esses pontos estão alinhados podendo também ser unidos por uma linha de 
 36
contato até os limites do mapa. Os pontos D, E, F são afloramentos de calcário. 
Como não são contatos, por eles não passará linha de contato, simplesmente 
servem de controle para a verificação do tipo de rocha da área onde estão 
localizados. O mesmo acontece com os pontos K, L, M, R e S. 
 
b) Símbolo das camadas de acordo com as normas usuais: se os pontos A, 
B, C são contato aluvião-calcário e G, H, I, J são contato calcário-arenito, conclui-
se que a área A, B, C, G, H, J é constituída de calcário e ainda mais os pontos D, 
E, F servem de controle, pois são afloramentos de calcário e estão dentro da área 
citada. 
 
 
Figura 26 
 
 
 37
Pelos dados sabemos que a área G, H, I, J, O, P, Q é constituída de arenito; 
a área delimitada pela linha O, P, Q e limites superiores do mapa é constituída de 
basalto vesicular. Resta finalmente, a área delimitada pelos pontos A, B, C que é 
constituída de aluvião. 
Sempre que possível a legenda deve ser colocada na mesma folha do mapa 
devendo ser obedecida a cronologia das camadas. Verificando o traçado das 
camadas, nota-se que a camada de aluvião vai da cota 200 até a cota 400, de 400 
m a 580 m existe calcário; de 580 m a 770 m existe arenito; acima de 770 m existe 
basalto vesicular. Em camadas horizontais onde não houve movimentos 
tectônicos, a camada inferior é a mais velha e a superior é a mais nova. O dique 
de basalto maciço corta o basalto vesicular, o arenito e o calcário, portanto é 
posterior à deposição dessas camadas. A origem da legenda, considerando de 
cima para baixo será: basalto maciço, basalto vesicular, arenito, calcário, aluvião. 
 
c) Perfil 1-2 com sobrelevação 2: Sobrelevação = Eh_ = 2 = _1:40.000_ ∴ 
 Ev = 1:20.000 Ev Ev 
 
 
Figura 27 
 
 38
d) Perfil mostrando a espessura real do dique de basalto maciço: para 
obtermos num perfil a espessura real de uma camada vertical, é necessário que a 
direção do perfil seja perpendicular à direção dessa camada. A escala horizontal 
será a mesma do mapa 1:40.000 e a escala vertical poderá ser tomada 
arbitrariamente, seja portanto 1:10.000, e seja 3-4 a direção desse perfil no mapa 
(veja Figura 26). 
 
 
Figura 28 
 
 
e) Espessura das camadas: nas camadas horizontais podemos determinar 
espessura tanto na planta, como nos perfis. Considerando o mapa, a espessura é 
dada pelos limites dos contatos. A camada de aluvião está abaixo da curva de 
400 m e pouco abaixo da curva de 200 m; terá no mínimo 200 m de espessura. A 
camada de calcário começa na cota 400 m e vai até a cota 580 m; terá portanto 
580 – 400 = 180 m. A camada de basalto vesicular começa a 770 m e ultrapassa 
1200 m, cota que se localiza a SSE do mapa; terá portanto, no mínimo, 1200 – 
770 = 430 m. 
 
f) Espessura do dique somente no mapa: mede-se simplesmente a largura 
entre as linhas de contato do dique que é 0,6 cm, ou seja, 240 m ( ver na 
figura 29 abaixo) na escala 1:40.000. Ou mede-se diretamente pela escala 
triangular. 
 
 39
 
Figura 29 
 
 
Exercício II: Aplicando o que foi estudado anteriormente, vamos analisar e 
esboço de mapa geológico da Figura 30, lembrando sempre que, na interpretação 
de mapas, se deve datar os eventos geológicos sempre em termos relativos, até a 
possibilidade final da datação absoluta poder ser concretizada. 
A uma primeira observação nota-se que não existe uma legenda que permita 
o conhecimento da idade das rochas. Porém, como o sedimento 5 está truncado 
na dobra I , conclui-se ser ele o segmento mais novo que aparece no mapa. Note-
se, ainda que, embora a camada 5 esteja em contato discordante (corta) com a 
estrutura I, ele é concordante (não corta apenas cobre) a estrutura II; então, 
baseado no princípio que diz: “sedimento mais velho mergulha em direção do mais 
novo”, pode-se concluir que “4” mergulha na direção de “5”, e conseqüentemente, 
“2” na direção de “3” e “1” na direção de “2”. Daí, pode-se dizer que a estrutura II 
é uma ANTICLINAL. 
 
 
 40
 
Figura 30 – Mapa Geológico 
 
 
Como o padrão da estrutura I é semelhante ao da estrutura II , outra 
dedução lógica é que I também é uma anticlinal, por correlação. 
Do que foi exposto até agora, pode-se dizer que as dobras I e II foram 
formadas em períodos tectônicos diferentes, sendo a anticlinal I mais velha do que 
 41
a anticlinal II . Por que mais velha ? Porque simplesmente na I não houve uma 
continuidade deposicional de 4 para 5. 
Ambas as estruturas estão falhadas. Note-se que uma das falhas também 
afetou a camada 5 enquanto a outra não. Logo, a primeira referida foi depositada 
antes do sedimento 5 e a segunda após o sedimento 5. 
A falha mais antiga (F1) mergulha para NE, e o deslocamento dos contatos 
entre as camadas indica que o bloco norte é o ALTO e o bloco sul é o BAIXO. 
Assim sendo, a falha 1 será do tipo normal. O mesmo raciocínio para a falha mais 
nova (parte oeste), permite denominá-la também de falha normal ou de gravidade. 
A discordância existente entre a camada 5 e a estrutura I pode ser 
classificada de discordância angular: e entre a camada 5 e a estrutura II de 
discordância paralela. 
Resumo da História Geológica do Mapa em Estudo: Enumerando 
relativamente os eventos geológicos na ordem de sua ocorrência, tem-se: 
1 – Subsidência da área permitindo a deposição contínua dos sedimentos 1, 2, 
3 e 4; 
2 – Estabelecimento de um período tectônico causando dobramento do 
anticlinal I , seguindo-se um basculamento para norte e um primeiro 
falhamento normal; 
3 – Erosão da área, principalmente à nordeste; 
4 – Subsidência ou transgressão, permitindo a deposição da camada 5 
discordantemente (discordância angular a leste e paralela à oeste) sobre 
os sedimentos já depositados; 
5 – Novo período tectônico causando o dobramento (anticlinal II) seguindo-se 
de basculamento para norte e um novo falhamento de gravidade; 
6 – Erosão final da área, deixando-a conforme mostra o mapa. 
 
 
Para que você melhore seu raciocíniológico, imagine e desenhe uma seção 
geológica ao longo da linha X-X’, sem levar em consideração valores absolutos de 
mergulhos, apenas valores relativos. Leia mais uma vez as instruções das figuras 
 42
12 e 13 e, no lugar de traçar um perfil topográfico, trace-o um geológico, indicando 
como e para onde as camadas, falhas e discordâncias mergulham. 
 
 
Figura 31 
 
 
Exemplo de Mapa e perfil geológico com camadas horizontais e verticais: O 
mapa geológico do exemplo a seguir representa uma região do estado do Paraná 
ligeiramente modificada (Figura 32). 
Deve-se observar: 
i) no mapa geológico: os contatos (limites) entre as camadas acompanham o 
traçado das curvas de nível (limites entre o basalto, folhelho e calcário). 
ii) no mapa geológico: os contatos do dique de diabásio (camada vertical) 
aparecem segundo duas retas paralelas que cortam as curvas de nível. 
iii) no perfil geológico MN: aparecem 4 tipos de rochas. Notar as curvas 
verticais de contato: abaixo da cota 300, basalto; entre 300 e a cota 500, folhelho; 
acima de 500, calcário. O dique é delimitado no perfil pelos pontos 1 e 2 onde a 
reta MN corta o dique no mapa. 
 
 43
 
Figura 32 
 
 
Exercício III: mapas geológicos com camadas inclinadas com cálculo da direção, 
ângulo de mergulho e espessura da camada e confecção do perfil geológico. 
Direção: como a direção de uma camada é a linha de interseção entre os 
planos delimitantes da camada com o plano horizontal, basta unir-se dois pontos 
de mesma cota, da base ou do topo dessa camada, para se obter a direção. 
Exemplo: a figura 33 representa uma camada homogênea. Os pontos A e B estão 
 44
na cota 600 e pertencem ao mesmo contorno da camada que, no caso presente, 
seria o seu topo. A reta mn que passa por A e B é a direção dessa camada, ou 
seja, N 63o W, o ângulo entre a reta e a direção Norte. 
Os pontos C e D pertencem à base da camada e estão na cota 400 m. A 
reta m’n’ também é direção, ou seja, N 63o W. 
 
 
Figura 33 
 
Ângulo de mergulho: para sua determinação, é necessário conhecer as cotas 
de dois pontos do topo ou da base da camada e a distância que os separa. Na 
figura 34, os pontos A e B pertencem ao topo de uma camada e se encontram a 
500 e 400 metros respectivamente. A diferença de cota é 100 m = dv. 
A distância dh que os separa é medida entre duas linhas de contorno 
estrutural que passam pelos pontos A e B; no caso mn e rs (que, como o 
exemplo anterior, constituem a direção da camada, no presente caso é NS). No 
caso, dh no mapa é igual a 230 m. No esquema a seguir está mostrada a relação 
dh/dv. 
Analiticamente, temos: 
 45
 tg α = dv_ mas dh = 2,5 cm = 250 m. Então: tg α = 100_ ∴ α = 22o 
 dh 250 
 
 
 
Figura 34 
 
 
Graficamente, pode-se construir um triângulo em escala qualquer e medir 
diretamente com transferidor o ângulo de mergulho: 
 
 46
 
 
Espessura da camada: somente pelo mapa pode-se também calcular a 
espessura da camada, bastando que se conheça as cotas de um ponto do topo e 
outra de uma camada e a distância horizontal entre esses pontos. 
1o caso: quando topo e base da camada cortam a mesma curva de nível. Na 
figura 35 os pontos A e B estão ambos na cota 200 m. Traçando-se as linhas de 
contorno estrutural mn e rs (paralelas à direção geológica) passando por A e 
B, obtém-se a distância horizontal dh. 
 
 
Figura 35 
 
 
2o caso: quando topo e base não cortam a mesma curva de nível. A e B 
estão em cotas diferentes ∆h. Traçando-se por A e por B as linhas de contorno 
estrutural mn e rs , obtém-se a distância horizontal dh (Figura 36). 
 
 47
 
Figura 36 
 
 
Confecção do perfil geológico: temos, neste caso, duas alternativas distintas: 
i) quando o perfil é natural ou real, isto é, não há sobrelevação, o ângulo de 
mergulho da camada colocado no perfil é o real (ângulo α descrito anteriormente). 
ii) quando porém o perfil é construído com uma certa sobrelevação, é 
necessária a correção do ângulo α, antes de colocá-lo no perfil. Neste caso 
obtemos um ângulo α’, que é chamado ângulo aparente de mergulho. O cálculo 
simplificado desse ângulo pode ser feito da seguinte maneira: 
tg α’ = s. tg α adotando-se s = 1,5 e sendo tg α = 22o , teremos: 
tg α’ = 1,5 x tg 22o 
 
Graficamente: como se recorda, o ângulo de mergulho real é obtido pela 
relação entre o segmento dh (medido no mapa) e o desnível dv. No cálculo do 
ângulo de mergulho aparente, devemos adotar um valor d’v’, que é obtido, 
multiplicando-se dv pela sobrelevação. 
d’v’ = dv . s ∴ d’v’ = 100 m . 1,5 ∴ d’v’ = 150 m 
 
 48
No exemplo anterior (ver o item de mergulho), tínhamos dh = 230 m. 
Tomando-se o valor de dh, por construção gráfica, podemos obter tanto o ângulo 
real (se usarmos dv), como o aparente usando-se d’v’. 
 
Exemplo de mapa geológico e perfil geológico com camadas inclinadas: a 
seguir (Figura 37) está mostrado um mapa geológico com camada inclinada. 
Notar como os limites da camada cortam irregularmente as curvas de nível. 
Nesse mapa foram elaborados 2 perfis geológicos: um, com direção XY e 
sobrelevação 2, e outro, com direção MN e sem sobrelevação, ou seja, na escala 
real. O exercício serve para mostrar a diferença entre os dois perfis, e a 
importância de se calcular corretamente o ângulo de inclinação aparente, no perfil 
XY. 
 
 49
 
Figura 37 
 
 
Figura 38 
 
 50
 
Figura 39 
 
 
Construção de Mapas Geológicos com camadas inclinadas a partir de dois 
pontos de Afloramentos e de um mapa topográfico: para traçar o contorno de uma 
camada quando se tem um mapa topográfico e o ponto de afloramento dessa 
camada, é necessário que essa camada seja delimitada por superfícies mais ou 
menos planas, seja homogênea, isto é, tenha mergulho e direção constantes. As 
linhas de contato passarão por pontos de interseção das curvas com linhas de 
contorno estrutural. 
Linhas de contorno estrutural são linhas que, à maneira das curvas de nível, 
ligam pontos de mesmo nível de uma estrutura (camada). São obtidas pela 
interseção de planos horizontais eqüidistantes com a superfície da estrutura, e 
sendo esta superfície plana, as interseções com planos horizontais serão linhas 
retas. A projeção dessas linhas retas também serão linhas retas e paralelas entre 
si. 
Método Gráfico para Traçado de uma Camada: Exemplo: Suponhamos que 
no mapa topográfico seguinte aflore no ponto A (a 500 m de altitude) o topo de 
 51
uma camada de arenito, com direção N45oE e mergulho N60oW e no ponto B (a 
420 m de altitude) aflore a base dessa camada com direção e mergulhos citados. 
Solução: Na mesma direção do ponto A traça-se a reta AB e na direção de B, 
a reta A’B’. 
 O e O’x’ são traçados perpendicularmente a AB e A’B’ na direção do 
mergulho. Om e Om’ fazem 60o com a direção de mergulho Ox e O’x’. A partir 
de O e O’ traçamos as eqüidistâncias das curvas de nível nas retas AB e A’B’ 
respeitando a escala 1:10.000 de modo que os pontos 500, 400, 300, 200 estejam 
distanciados 1 cm. O ponto B está a 420 m e para encontrar-se a eqüidistância 
400 conta-se 2 mm abaixo de 420 e para a eqüidistância 300, conta-se 1 cm 
abaixo de 400. 
A partir dos pontos 400, 300, 200 traçam-se as paralelas a Ox e O’x’ até 
encontrar Om e Om’, respectivamente nos pontos 1, 2, 3 e 1’, 2’, 3’ por onde são 
traçadas as paralelas a AB e A’B’ tendo-se assim as linhas de contorno estrutural. 
Nos pontos de interseção das linhas de contorno estrutural de 200, 300, 400, 
500 com as curvas de nível de 200, 300, 400, 500, tem-se o traçado da camada 
pois nesses pontos a camada deve aflorar. A Figura 40 mostra essa seqüência. 
 
 
 
 52
 
Figura 40 
3) FOTOGRAFIAS AÉREAS 
 
 
 1) Introdução 
 
As aplicaçõesda fotografia aérea são inumeráveis. Tanto as fotografias por 
si mesmas, como os mapas obtidos a partir delas, têm valiosas aplicações, seja 
na Engenharia Civil, nos setores de urbanismo, construção de rodovias e 
ferrovias, na implantação de barragens, trabalhos portuários, cadastros fiscais, 
etc, seja na agricultura, na extração de minérios, geologia, etc. 
A primeira sugestão de se utilizar fotografias aéreas apareceu na França, 
através de um balão. Em 1858, a partir de um balão nas proximidades de Paris, 
foram tiradas as primeiras fotografias aéreas, nas quais podiam ser reconhecidas 
casas. O maior desenvolvimento apareceu ma Primeira Guerra, onde a RAF 
obteve fotografias aéreas do território alemão. A introdução da fotografia aérea 
 53
mudou completamente as táticas de guerra. Hoje em dia, o desenvolvimento é tão 
grande que aviões supersônicos tomam fotos a mais de 20.000 m de altitude, e os 
satélites e naves espaciais têm se utilizado intensamente da fotografia; o exemplo 
mais recente são as fotos da lua, através dos quais foi possível tirar conclusões a 
cerca do tipo de solo, de rocha, da ausência de água e ar, da topografia, etc. 
No Brasil, diversas companhias executam vôos fotográficos e grande parte 
do território nacional já foi fotografada. Algumas companhias de 
aerolevantamento fotográfico são a Geofoto, Geoid, Aerosat , Helisul, Engefoto,, 
TAM e Aerosul. O preço de uma aerofoto depende se a empresa já tem a foto, 
neste caso cobra-se apenas a cópia da foto: R$ 100,00 para uma área do Rio de 
Janeiro já mapeada na escala 1:15.000. No caso de um projeto 
aerofotogramétrico de uma determinada área no Paraná, o orçamento é o 
seguinte (agosto/2004) com prazo de execução de 120 dias: 
- Vôo colorido na escala de 1:25000 de 233 km2 = R$ 25.000,00 
- Apoio de campo de 233 km2 (pontos de referência) = R$ 35.000,00 
- Aerotriangulação de 233 km2 (processo matemático p/identificar os pontos 
de campo) = 
 R$ 30.000,00 
- Restituição Planialtimétrica digital na escala de 1:5000 (fotointerpretação) = 
 R$ 80.500,00 
- Reambulação (identificação de pontos que não se consegue identificar na 
foto, por exemplo, 
 nomes de prédios, escolas, ruas) = R$ 20.000,00 
- Edição Final = R$ 80.500,00 
- Ortofotos plotadas na escala 1:5000 (fotos sem distorções colocadas em 
baixo das 
 cartas) = R$ 60.000,00 
 Preço Total = R$ 331.000,00 
 
Ao se planejar o recobrimento aerofotogramétrico de uma determinada área, 
um avião, devidamente provido de uma câmara montada no seu “chão”, deverá 
 54
executar uma série de linhas de vôo dispostas de acordo com a forma da área a 
ser estudada. A existência de três parafusos calantes permite o nivelamento da 
câmara em pleno vôo. O funcionamento da câmara é totalmente automático. Um 
motor elétrico comanda a passagem do filme e outro, o disparo do obturador da 
câmara. Cada fotografia é devidamente numerada, de tal maneira que a série 
numérica indique o número da obra (ex: obra 209 corresponderia ao vôo 
fotográfico sobre o Rio Paraná) e o número individual de cada foto (ex: 33, 34, 
etc.). Em virtude da influência das condições climáticas na obtenção de boas 
fotografias, torna-se conveniente que o avião tome por base de trabalho o 
aeroporto mais próximo do local a ser fotografado; pois uma ligeira melhoria nas 
condições climáticas poderá permitir um acesso mais rápido do avião ao local a 
ser fotografado. 
A presença excessiva de nuvens, névoa seca, chuva ou vento, constitui um 
dos grandes problemas para a realização de um bom vôo que permita a obtenção 
de fotografias nítidas. As nuvens impedem a visão e aparecem na forma de 
manchas brancas nas fotografias, enquanto que o vento forte pode ocasionar o 
deslocamento do avião para fora de sua linha de vôo e provocar, dessa maneira, o 
fenômeno conhecido como deriva. 
A posição do sol também influi, uma vez que pode ocasionar sombras 
excessivas nas fotografias e prejudicar sua nitidez. O melhor período para o 
trabalho vai das 9:30 h até 15:00 h, enquanto que, ao meio dia, há a desvantagem 
de se obter pouca sombra e, conseqüentemente, pouco contraste entre os 
diferentes tons dos objetos. 
Para o levantamento de uma zona, o avião deve voar a uma altura a mais 
constante possível, ao longo das linhas de vôo paralelas e eqüidistantes, de tal 
maneira que as fotografias se superponham lateral e longitudinalmente. Esse 
procedimento de superpor uma fotografia à outra é conhecido pelo nome de 
recobrimento. Entende-se, pois, por recobrimento, a presença de pontos comuns 
em duas fotografias consecutivas. 
Se o vôo se efetuar a uma altura média de 5.000 m, para que ocorra 30 % de 
recobrimento lateral entre uma foto e outra, é necessário que as linhas de vôo 
 55
estejam separadas entre si de 3 km. No recobrimento longitudinal, as fotografias 
são tomadas automaticamente ao longo de cada linha de vôo, a intervalos tais que 
o recobrimento entre uma foto e outra seja de 60 %. Para se obter esse valor em 
um vôo à altura de 5.000 m, cada fotografia deve ser batida a uma distância de 
1500 m a 1600 m da foto anterior (Veja Figuras 41 e 42) 
 
 
Figura 41 
 
 
Figura 42 
 
O tamanho das fotografias aéreas é de 23 cm x 23 cm, se bem que as mais 
antigas medissem 13 cm x 13 cm e 18 cm x 18 cm. O custo dos levantamentos 
aerofotogramétricos varia de caso para caso. Paralisações de vôo devido ao mau 
tempo podem encarecer bastante o levantamento, pois o custo é composto por 
hora de vôo. A escala solicitada também influi no custo, pois um levantamento na 
escala 1:50.000 custará cerca da metade de um na escala 1:25.000. Em linhas 
gerais, o preço do filme e do papel fotográfico equivale ao da hora de vôo. 
 56
A escala de uma fotografia aérea pode ser determinada através das duas 
fórmulas a seguir: 
 E = f_ = distância focal___ 
 H altura do vôo 
 
 E = DF_ = distância na foto__ = _ ab_ 
 DT distância na terra AB 
 
A distância focal das câmaras pode variar, sendo as mais comuns as de 156 
mm, 210 mm e 300 mm, existindo ainda as de 70 mm - 88 mm, 115 mm, 125 mm 
e 500 mm. As diferenças básicas entre elas são: as de distância focal curta 
acentuam o relevo, permitem altura de vôo reduzida e dificuldades para a 
confecção de mosaicos, enquanto as de distância focal longa apresentam 
deformações atenuadas e exigem vôo com maior altura, o que pode ocasionar 
problema de visibilidade pelas condições atmosféricas (veja Figura 43). 
 
 
 
Figura 43 
 
Exemplo de cálculo de escala: calcular a escala de uma fotografia tomada 
com câmara de distância focal igual a 153 mm, a uma altitude de 3800 m. 
Calcular com os valores sendo respectivamente, 300 mm e 6000 m. A escala da 
fotografia é estabelecida em função do tipo de trabalho. Nos casos de 
 57
reconhecimento geológico ou construção de estradas, usam-se as escalas de 
1:45.000 ou 1:25.000, enquanto que para construção de barragens ou pesquisa de 
materiais de construção, a escala deve ser de 1:10.000 ou 1:5.000. Para 
cadastros fiscais, a de 1:1.000 é a mais indicada. 
A escala das fotografias aéreas nem sempre é uniforme e exata, como a dos 
bons mapas topográficos terrestres. A variação de escala entre as fotografias é 
devida à variação na altura do vôo, diferenças de elevação do terreno e inclinação 
da câmara ou do avião, longitudinal ou transversalmente. 
 
Classificação das Fotografias Aéreas: as fotografias aéreas são agrupadas 
em dois tipos: verticais e oblíquas, dos quais nosso interesse estará concentrado 
nas verticais. Essas fotografias são obtidas quando o eixo da câmara coincide 
com o plano vertical, enquanto nas oblíquas há a formação de um ângulo de valor 
variável, entre o plano verticale o eixo da câmara. 
A fotografia aérea vertical tem uma aparência plana, isto é, torna difícil ao 
observador não experimentado distinguir, por exemplo, as colinas dos vales. 
Porém, essa separação e a idéia de relevo são possibilitadas pela estereoscopia 
(vide figura 44). 
 
 
 
Figura 44 
 
Erros e Distorções: as fotografias aéreas mesmo quando obtidas em 
condições favoráveis, estão sujeitas a certos pequenos erros que são devidos aos 
seguintes fatores; 
 58
a) Dificuldade de se voar em linha reta, tanto vertical como horizontalmente. 
b) Dificuldade de se evitar a inclinação do avião e, portanto, a da câmara 
durante o vôo. Provido de um bom mapa aeronáutico, um piloto experimentado, 
voando entre 3.000 m e 4.500 m de altura, poderá manter sua trajetória a menos 
de 1 grau da direção desejada, e as variações de altitude não serão maiores do 
que 30 m, quando a região for aplainada. Em alturas mais baixas, entretanto, as 
condições atmosféricas são mais variáveis e os vôos, mais instáveis. 
Um exemplo elementar de distorção nas medidas e distâncias de uma 
fotografia é dado a seguir: se executarmos um vôo a uma altitude de 4.000 m, com 
uma máquina fotográfica de distância focal igual a 200 mm, o topo de um morro de 
100 m de altura situado na fotografia a 5 cm do ponto central dessa fotografia, 
sofrerá um deslocamento de 1,25 mm. Se a altura do morro for de 400 m ao invés 
de 100 m, o deslocamento será da ordem de 5 mm. No caso de topo hipotético, o 
morro se situará na fotografia a 10 cm do ponto central, isto é, bem na beira da 
fotografia ele apresentará um deslocamento de 1 cm. Desta forma, a melhor 
maneira de se obterem fotografias razoáveis para a confecção de mosaicos será o 
aproveitamento somente da parte central da foto. 
c) Distorções devidas ao deslocamento ou inclinações do avião - Neste caso, 
a inclinação do eixo ótico é causada pelas oscilações do avião. Essas inclinações 
podem ser laterais ou longitudinais, isto é, o avião inclina respectivamente suas 
asas ou sua cabina. Normalmente o avião não deve se inclinar mais do que 4o e, 
no caso de valores maiores que esses, as fotografias não serão utilizadas. 
d) Distorções devidas ao relevo – Na fotografia vertical, somente seu ponto 
central é projetado verticalmente, num plano horizontal. Os pontos restantes são 
projetados conicamente e, por esta razão, deslocados da sua verdadeira posição. 
A Figura 45 mostra um perfil topográfico com vale e colina. Pode-se notar que o 
ponto A é registrado como a e o ponto B como b. Dessa maneira, o ponto a 
estará fotografado numa escala ligeiramente deferente da do ponto b. 
 
 
 59
 
Figura 45 
 
Determinação da Escala: Algumas companhias de aerofotogrametria 
costumam colocar no verso da fotografia a escala aproximada mas, geralmente, 
ela precisa ser determinada. Exemplos de escalas usuais: 
 
 
Escala Detalhe planimétrico 
mínimo 
Detalhe altimétrico 
mínimo 
Exemplo 
1:50.000 5 m 1 m automóvel 
1:20.000 2 m 0,5 m Cultura 
1:5.000 0,5 m 0,2 m homem 
 
 
Estereoscopia: Dá-se o nome de estereoscopia à observação em três 
dimensões de duas fotos aéreas consecutivas e que recobrem parcialmente 
através de aparelhos especiais chamados estereoscópios. Cada fotografia de um 
par fotográfico para observação ao estereoscópio é uma imagem ligeiramente 
diferente das mesmas feições do terreno, as quais podem ser comparadas com as 
mesmas imagens recebidas através de cada um dos olhos. Sabe-se que a 
sensação de profundidade ou volume que sentimos é devido ao fato de olharmos 
os objetos com dois olhos. Cada olho registra uma imagem ligeiramente diferente. 
Se um pequeno objeto é segurado a uma distância equivalente a de um braço, o 
olho direito vê a frente e parte do lado direito, enquanto o esquerdo vê a frente e 
 60
parte do lado esquerdo. Essas duas imagens são combinadas pelo cérebro para 
formar a visão do objeto em três dimensões. A medida que o objeto se afasta de 
nós, as imagens vão se tornando mais e mais parecidas, diminuindo, dessa 
maneira, a sensação de relevo. 
Para facilitar a sensação de relevo e melhorá-la por ampliação, utilizamos os 
estereoscópios, cujo modelo de bolso aparece na figura 40. Consta de duas 
lentes de aumento, cujos centros distam entre si uns 6 cm (distância interpupilar) e 
cuja base é colocada paralelamente à linha de vôo das fotografias já orientadas. 
O observador olha as fotos através das lentes obtendo uma visão ampliada. 
 
 
 
Figura 46 
Nesses estereoscópios as fotos ficam parcialmente sobrepostas, o que exige 
dobramento de uma delas na observação de alguns pontos. Esse inconveniente é 
removido nos estereoscópios de espelho. O modelo de bolso é usado em 
trabalhos de campo e o de espelho, só em escritório, dado o seu grande tamanho. 
 
Mosaicos Aerofotográficos: um mosaico é formado pela reunião de duas ou 
mais fotografias que apresentam recobrimento, isto é, possam ser superpostas 
através de pontos comuns, tais como caminhos, rios, casas, culturas, etc. A parte 
comum é recortada numa das fotos, e as fotografias são então coladas. O 
 61
objetivo é formar uma vista composta e de conjunto da área coberta pelas 
fotografias. 
Os mosaicos fotográficos podem ser de dois tipos: a) controlado e b) não 
controlado. 
a) Mosaico Controlado: neste tipo, corrigem-se as distorções causadas pelo 
relevo e pelo deslocamento do avião, e as fotografias são coordenadas por um 
controle terrestre, através de pontos determinados. Para a compilação de 
mosaicos controlados numa escala determinada, é necessário que cada par 
fotográfico tenha cerca de 9 pontos de controle terrestre. 
Dá-se o nome geral de controle a um sistema de pontos no terreno, cujas 
determinações planimétrica e altimétrica tenham sido feitas por meio de medições 
cuidadosas. A determinação da altitude pode ser feita através de um nivelamento 
barométrico ou trigonométrico. 
O controle terrestre para as fotos aéreas requer a escolha de acidentes 
topográficos, facilmente identificáveis por pontos astronômicos. O topógrafo 
encarregado do serviço astronômico vai ao campo com fotografias de 
determinadas zonas, para a marcação, nas fotos, das estações astronômicas 
escolhidas no escritório. 
b) Mosaico não-controlado: neste tipo, não se corrigem as distorções, não 
existindo qualquer controle terrestre. As fotografias são colocadas juntas, o 
melhor possível. Sua principal utilidade se emprega na feitura de mapas 
planimétricos, uma vez que não há possibilidade de visão estereoscópica em três 
dimensões nos mosaicos. Isso se deve ao fato de que as partes das fotografias 
onde ocorrem faixas de recobrimento, necessitam ser recortada, para a colagem 
de duas fotografias consecutivas. Esses faixas seriam responsáveis pela visão 
em três dimensões. Todavia, a sombra dos objetos existentes numa fotografia 
pode fornecer uma idéia aproximada das alturas relativas. 
 
Aplicação das Técnicas Aerofotográficas na Engenharia: A engenharia civil, 
nos seus estágios de planejamento, reconhecimento preliminar e construção, 
 62
oferece um campo extremamente grande para a aplicação das técnicas 
aerofotográficas. As vantagens desse método são muitas, tais como: 
a) Independe do clima, isto é, pode ser usado em regiões tropicais, 
desérticas ou mesmo árticas, locais onde normalmente as condições climáticas 
restringem o tempo e a velocidade das operações dos trabalhos terrestres. 
b) Permite o trabalho em regiões de difícil acesso, como áreas 
excessivamente montanhosas, pantanosas ou florestadas ou que acusam 
ausência de rodovias ou ferrovias. 
c) Visão em terceira dimensão de grandes áreas, o que é impossível se obter 
em serviços terrestres. 
d) Observação de grandes áreas em tempo relativamente curto. 
 
As aplicações das fotografias aéreas podem ser verificadas na engenharia de 
estradas, de barragens, de solos,aeroportos, pesquisa de materiais de 
construção, de água subterrânea, etc. Assim vejamos: 
 
Locação de Estradas: o problema geral é o da locação da rota, isto é, 
determinar e investigar a melhor rota entre os dois extremos da estrada. 
Comumente, o estudo clássico de uma rodovia compreendia operações como 
reconhecimento, exploração e locação. No reconhecimento, o engenheiro a 
cavalo ou de automóvel procurava descobrir, entre os dois pontos extremos, os 
pontos obrigatórios do traçado, os quais seriam indicados em plantas de escala 
reduzida, como 1:200.000 ou através de desenhos grosseiros e sem escala. 
Durante a exploração, uma turma de campo traçava uma linha que seria nivelada 
e contranivelada através de uma poligonal. Ao longo da faixa estudada, seria 
confeccionada uma planta topográfica com curvas de nível eqüidistantes 1 m nas 
escalas de 1:1.000. Finalmente, com a locação, retornar-se-ia ao campo, de 
posse de um projeto. 
Com o advento da fotografia aérea, facilitou-se a obtenção de mapas 
topográficos e a escolha de uma ou mais faixas para o provável traçado da 
rodovia. Tudo feito no escritório, com visão em três dimensões e em conjunto. 
 63
Entre vários fatores a serem considerados, é necessário destacarmos a 
possibilidade de grandes retas e das condições de construção. Estas incluem o 
estudo do tipo de rocha e seu grau de alteração; da composição, porosidade e 
espessura do solo; do tipo de drenagem, incluindo a profundidade do lençol 
d’água e as condições de escoamento superficial; do tipo de vegetação e sua 
densidade; dos materiais de construção, tais como areia, argila, agregado; e 
condições especiais, como grau de erosão da área, deslizamento de solo/rocha, 
etc. 
 
Geologia de Barragens: as informações fornecidas por fotointerpretação em 
estudos geológicos de barragens poderão ser resumidas nos seguintes casos 
específicos: 
 a) no local da barragem: 
 i) seleção da seção topográfica mais favorável; 
 ii) definição das condições geológicas das ombreiras e das fundações; 
 iii) materiais de construção disponíveis; 
 iv) detalhes para as vias de acesso ao local da barragem. 
b) na área do reservatório: 
 i) extensão e natureza topográfica da área de inundação; 
 ii) mapeamento geológico para fins de estanqueidade; 
 iii) natureza econômica e quantitativa da área a ser inundada. 
 
Noções de Fotointerpretação : Tanto nos mapeamentos de áreas maiores, 
como nos trabalhos menores de detalhes, a técnica fotointerpretativa reside na 
observação dos pares fotográficos através dos estereoscópios de espelho e de 
bolso, onde são marcadas as diferentes feições geológicas, como fraturas, tipos 
de drenagens, prováveis tipos de rocha, possíveis locais para fornecimento de 
materiais de construção, etc. Essas linhas e feições são transferidas para os 
mosaicos e fotoíndices que fornecerão os mapas preliminares e darão uma idéia 
daquelas linhas e feições num conjunto maior e de caráter regional. Dessa 
maneira, estarão delineados os tipos prováveis de rochas e de solos, os sistemas 
 64
de fraturas, os traços geomorfológicos, as áreas mais adequadas para 
fornecimento de materiais de construção, etc. 
De qualquer maneira, deve ser frisado que a aplicação da técnica da 
fotointerpretação não eliminará nunca os trabalhos de campo, mas tão somente 
reduzirá a sua extensão, como também aumentará sua precisão e eficácia. Por 
outro lado, não se deve supervalorizar o método fotointerpretativo, dispensando os 
trabalhos de campo, como também subestimar suas possibilidades, não o 
utilizando tanto nos estágios preliminares como nos de detalhes em trabalhos de 
mapeamento geológico. Superestimar ou subestimar este método poderá ser uma 
conclusão desastrosa para que dele se utilizar. 
As fotografias aéreas são de grande valor para os trabalhos geológicos, uma 
vez que permitem o estudo do aspecto da superfície da terra, isto é, da 
distribuição das formas do terreno. A definição dos diferentes tipos de rochas e 
solos permite o estabelecimento das estruturas das rochas, isto é, se se trata de 
sedimentos horizontais, rochas metamórficas dobradas e falhas, etc., assim como 
definem as relações das obras de engenharia com os fenômenos geológicos 
citados acima. Em resumo, a fotografia fornece uma quantidade tal de detalhes 
que supera os métodos terrestres de prospecção do terreno. 
O estudo das fotografias aéreas e dos mapas geológicos construídos a partir 
delas é chamado fotogeologia. Para uma perfeita interpretação das fotografias, o 
especialista deverá estar apto a perceber certos detalhes, reconhecendo e 
distinguindo rodovias, ferrovias, casas, lagos, tipos de vegetação, de rios, de 
rochas, de solos, etc. A maioria das rodovias oferece traçados muito irregulares e 
pode exibir curvas muito bruscas, enquanto as ferrovias geralmente descrevem 
curvas mais suaves. Outro exemplo são as águas de um lago ou represa que, 
quando calmas, apresentam coloração que pode ser preta ou cinza-escura, mas 
quando em movimento são de cor cinza-clara ou mesmo branca. Já a vegetação, 
devido à grande variabilidade de espécies e condições, apresenta nas fotografias 
inúmeros tons, matizes e texturas que conduzem a várias interpretações. Como 
exemplo, pode-se dizer que em duas áreas de vegetação, uma sendo cinza-clara 
e outra cinza-escura, esta última é devida ao fato de o solo estar saturado d’água. 
 65
Deve ser frisado que a tonalidade indica a quantidade de luz refletida pelo objeto. 
Por exemplo, um determinado tipo de solo que tenha um tom cinza muito escuro 
induz a conclusões de que o material esteja saturado, impermeável ou com o 
lençol freático próximo da superfície. Ao contrário, os solos ou materiais em tons 
claros podem indicar aridez e lençol freático profundo. 
De um modo geral, a vegetação aparecerá na tonalidade cinza-escura na 
fotografia, que será tanto mais forte quanto mais verde-escura for sua cor no 
terreno. 
É impossível explicar todos os princípios e normas de interpretação, pois 
para adquiri-los e, principalmente, para aplicá-los convenientemente, não basta 
um curso nem mesmo especializado; a perfeita técnica requer uma sensibilidade 
ou sexto sentido, somente adquirida em muitos anos de prática efetiva. 
Ao se iniciar na técnica interpretativa, o estudante deve observar, com a 
maior atenção, qualquer detalhe que julgue destacável ou correlacionável. No 
início da fase interpretativa, o estudante sentirá a necessidade de ir ao campo 
numerosas vezes, seja para tirar dúvida de um determinado elemento, seja para 
correlacioná-lo com outros. A anotação dos fatos descobertos ou determinados 
no campo segue a seguinte técnica: o estudante munido de um alfinete fura o local 
da foto e no verso assinala com um número ou letra o local observado, que será 
descrito na sua caderneta de anotações. Exemplo numa foto: 
 
 
Figura 47 
 
 66
Na caderneta: Ponto no 37 – Cachoeira com afloramento de um dique de 
diabásio. A rocha aparece ligeiramente alterada. O dique corre na posição 
vertical e sua espessura é de cerca de 40 metros, etc. 
Gradativamente, o estudante que no primeiro dia não distingue uma rodovia 
de ferrovia, uma cerca divisória, as diferentes áreas de cultura, etc., com 
treinamento adequado, após um mês, terá adquirido experiência suficiente para 
futuras interpretações. O melhor e maior fato que possibilita a interpretação é o 
exercício constante, uma vez que a impressão de observação fotográfica não é 
facilmente transferida de uma pessoa a outra. 
 
Interpretação Litológica e Estrutural: os elementos que auxiliam na 
determinação do tipo de rocha presente em determinada fotografia são os 
seguintes: topografia, tipo de vegetação, coloração (tonalidade) da foto, existência 
ou não de elementos estruturais como falhas, fraturas, camadas inclinadas, etc., 
tipo de drenagem e feições especiais

Mais conteúdos dessa disciplina