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<p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>1</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel</p><p>Departamento de Geologia</p><p>Programa de Pós-Graduação em Geociências</p><p>Universidade Federal de Pernambuco - UFPE</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>2</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>PREFÁCIO ........................................................................................................................................................................... 6</p><p>1 - NOTAÇÃO EM GEOLOGIA ............................................................................................................................................ 9</p><p>1.1 - PLANOS E LINHAS - PLANOS EM GEOLOGIA........................................................................................................ 9</p><p>1.1.1 - ESTRUTURAS PLANARES E LINEARES ........................................................................................................... 9</p><p>1.2 - NOTAÇÃO EM RUMO ............................................................................................................................................. 12</p><p>1.3 - NOTAÇÃO EM AZIMUTE ........................................................................................................................................ 15</p><p>2 - MERGULHO VERDADEIRO vs. MERGULHO APARENTE ......................................................................................... 16</p><p>2.1 - DEFINIÇÕES ........................................................................................................................................................... 16</p><p>2.2 - VARIAÇÃO DO VALOR DO MERGULHO APARENTE ........................................................................................... 17</p><p>2.3 - REBATIMENTO DE ÂNGULOS VERTICAIS ........................................................................................................... 18</p><p>2.4 - RELAÇÕES ENTRE MERGULHOS VERDADEIROS E APARENTES .................................................................... 19</p><p>2.4.1 - PRIMEIRO CASO: ............................................................................................................................................. 19</p><p>2.4.2 - SEGUNDO CASO: ............................................................................................................................................. 22</p><p>2.5 - LISTA DE EXERCÍCIOS: ......................................................................................................................................... 26</p><p>3. O PROBLEMA DOS TRÊS PONTOS ............................................................................................................................ 26</p><p>3.1 - TRAÇADO DE CONTATOS DE CAMADAS PLANAS COM MERGULHO CONSTANTE ........................................ 26</p><p>3.1.2 - PRIMEIRO CASO .............................................................................................................................................. 27</p><p>3.1.3 - SOLUÇÃO ......................................................................................................................................................... 27</p><p>3.1.4 - ESPESSURA VERTICAL, ESPESSURA AFLORANTE E ESPESSURA VERDADEIRA ................................... 32</p><p>3.2 - ADICIONANDO CAMADAS ..................................................................................................................................... 33</p><p>3.2.1 - MAPA FINAL COM TODAS AS LITOLOGIAS.................................................................................................... 38</p><p>3.2.2 - OBTENDO A ATITUDE DO PLANO - DIREÇÃO/INTENSIDADE DE MERGULHO/SENTIDO ........................... 39</p><p>3.2.3 - PERFIL TOPOGRÁFICO E GEOLÓGICO ......................................................................................................... 40</p><p>3.2.4 - EXERCÍCIOS PROPOSTOS – PROBLEMA DOS TRES PONTOS PRIMEIRO CASO...................................... 43</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>3</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>3.2.5 - SEGUNDO CASO: TRÊS PONTOS EM COTAS DISTINTAS ............................................................................ 46</p><p>3.2.6 - SOLUÇÃO: ........................................................................................................................................................ 46</p><p>3.2.7 - EXERCÍCIOS PROPOSTOS → PROBLEMA DOS TRÊS PONTOS SEGUNDO CASO .................................... 50</p><p>3.2.8 – TERCEIRO CASO: UM PONTO AFLORANTE COM ATITUDE (DIREÇÃO/INTENSIDADE/SENTIDO) ........... 53</p><p>3.2.9 - SOLUÇÃO: ........................................................................................................................................................ 54</p><p>3.2.10 - EXERCÍCIOS PROPOSTOS → PROBLEMA DOS TRÊS PONTOS 1 PONTO AFLORANTE ......................... 58</p><p>4 - INTERAÇÃO ENTRE TOPOGRAFIA E GEOLOGIA .................................................................................................... 60</p><p>4.1 - INTRODUÇÃO......................................................................................................................................................... 60</p><p>4.2 - CURVAS DE NÍVEL E TOPOGRAFIA ..................................................................................................................... 62</p><p>4.3 - PADRÕES DE AFLORAMENTOS ........................................................................................................................... 64</p><p>4.4 - REGRA DOS VS ..................................................................................................................................................... 67</p><p>5 – DISCORDÂNCIAS ....................................................................................................................................................... 69</p><p>5.1 – INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................................ 69</p><p>5.2 – O QUE INTERROMPE UMA SEQUÊNCIA DEPOSICIONAL?................................................................................ 70</p><p>5.3 – TIPOS DE DISCORDÂNCIAS ................................................................................................................................. 71</p><p>5.3.1 – DISCORDÂNCIA LITOLÓGICA ........................................................................................................................ 71</p><p>5.3.2 - DISCORDÂNCIA ANGULAR ............................................................................................................................. 72</p><p>5.3.3 - DISCORDÂNCIA PARALELA ............................................................................................................................ 73</p><p>5.4 – COMO TRABALHAR COM DISCORDÂNCIAS EM MAPAS GEOLÓGICOS SIMPLIFICADOS .............................. 76</p><p>6 - DOBRAS ....................................................................................................................................................................... 84</p><p>6.1 - DOBRAS EM AFLORAMENTOS ............................................................................................................................. 86</p><p>6.2 – TRABALHANDO COM DOBRAS EM MAPAS GEOLÓGICOS ............................................................................... 87</p><p>6.3 - DOBRAS EM MAPAS GEOLÓGICOS ..................................................................................................................... 91</p><p>6.4 – FRAGMENTOS DE MAPAS GEOLÓGICOS NA ESCALA DE 1:100.000 COM DOBRAS ...................................... 93</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>4</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>7. FALHAS/ZONAS DE CISALHAMENTO ........................................................................................................................</p><p>horizontais</p><p>5) Curvas de nível cruzam cursos d’água em um padrão em “V” com os vértices apontando para montante</p><p>(nascente)</p><p>4.3 - PADRÕES DE AFLORAMENTOS</p><p>O termo padrão de afloramento se refere à forma que um contato geológico é mapeado, ou seja, à vista em planta das</p><p>unidades geológicas. Em geologia, um contato é o limite que separa duas unidades geológicas e eles podem ser agrupados em</p><p>três grandes categorias: contato estratigráfico ou deposicional, contato por falhas e contato intrusivo. Os contatos</p><p>estratigráficos são, em geral, estruturas planares e se subdividem em contatos concordantes, quando não há um intervalo de</p><p>tempo geológico entre as unidades, e discordantes, quando há um lapso temporal significativo separando as unidades. Sempre</p><p>que um plano de contato aflora é formada uma linha cuja sinuosidade depende diretamente da interação entre a atitude das</p><p>camadas depositadas e a topografia.</p><p>Observando-se um mapa geológico, existem várias linhas que limitam as unidades geológicas. Cada uma destas linhas é</p><p>um contato geológico e elas seguem alguns padrões determinados. Algumas destas linhas serão mais retilíneas, outras</p><p>apresentarão curvas mais abertas ou fechadas e assim por diante. Estes padrões são o resultado da orientação dos contatos</p><p>geológicos, isto é, direção, sentido e intensidade de mergulho das camadas, e da topografia que eles interceptam. Por exemplo,</p><p>quando as camadas são horizontais ou mergulham com baixa intensidade, os contatos geológicos terão um traçado</p><p>essencialmente paralelo às curvas de nível. Se o terreno for muito íngreme, como em uma escarpa, por exemplo, os contatos</p><p>serão intensamente curvos e as unidades geológicas apresentar-se-ão como uma série de faixas estreitas. Por outro lado, se o</p><p>terreno for completamento plano, apenas uma unidade dominará a área mapeada.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>65</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Os mapas geológicos da Bacia do Araripe ilustram bem estas situações (Fig. 4.3). A sequência pós-rifte (não deformada</p><p>tectonicamente durante a fase tafrogênica) desta bacia é composta pelas formações Barbalha e Santana, com simbologia azul</p><p>claro e escuro, respectivamente, e formações Araripina e Exu, ambas em amarelo (Fig. 4.3a). Estas formações são praticamente</p><p>horizontais, mergulhando suavemente para W/SW. Note como na área das escarpas da Chapada do Araripe, sobretudo na</p><p>porção leste, a formação Santana é representada como uma faixa delgada com os contatos do topo e da base paralelos à</p><p>escarpa da chapada, indicando serem paralelos também às curvas de nível. Este mesmo padrão de afloramento se repete na</p><p>área da Serra da Mãozinha. Na região do topo da chapada, onde a topografia é plana, apenas a formação Exu é cartografada.</p><p>A formação Araripina foi cartografada junto à formação Exu, pois, nesta escala, ocuparia uma faixa tão estreita na borda da</p><p>escarpa da chapada que não seria uma unidade mapeável. Em uma escala de maior detalhe, observamos que os contatos da</p><p>formação Araripina também apresentam o mesmo padrão paralelo às curvas de nível (Fig. 4.3b).</p><p>Figura 4.3 – (a) Mapa geológico da Bacia do Araripe (Assine, 1990) com camadas essencialmente horizontais mostrando</p><p>diferentes padrões de afloramentos. Fonte: Boletim de Geociências de Petrobras, v. 15, n. 2, (2007). (b) Recorte do mapa</p><p>geológico da Folha Araripina (SB.24-Y-C-VI-2) em escala 1:50.000. Fonte: https://geosgb.cprm.gov.br/. Mais detalhes no texto.</p><p>Quando as camadas mergulham com intensidades significativas, outros padrões de afloramento surgem da interação com</p><p>a topografia e podemos obter informações importantes sobre o comportamento geológico da região. Se o relevo for aplainado,</p><p>https://geosgb.cprm.gov.br/</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>66</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>uma sequência de camadas inclinadas se apresentará como uma série faixas alongadas com contatos retilíneos paralelos. É</p><p>possível inferir de imediato a direção destas camadas, que neste caso será a mesma dos contatos. Conhecendo-se a ordem</p><p>estratigráfica, pode-se inferir também o sentido de mergulho destas camadas. A figura 4.4 apresenta um recorte do mapa</p><p>geológico da Folha Poço da Cruz, na porção sul da Bacia do Jatobá, que exemplifica este caso. As formações Inajá, Aliança e</p><p>Candeias apresentam os contatos do topo e da base essencialmente retilíneos e paralelos, uma situação típica de padrão de</p><p>afloramento resultante da interação entre relevo pouco acidentado e camadas inclinadas.</p><p>Figura 4.4 - Recorte do mapa geológico da Folha Poço da Cruz SC.24-X-A-VI (Neumann e Miranda, 2017), mostrando a</p><p>geologia da porção sul da Bacia do Jatobá. Os contatos das formações Inajá, Aliança e Candeias e a base do Grupo Ilhas</p><p>apresentam padrão retilíneo paralelo, típico de interação entre topografia plana e camadas inclinadas. Note que estas unidades</p><p>apresentam uma direção NE-SW paralela aos contatos e observando a estratigrafia podemos inferir o mergulho para NW. A</p><p>repetição das formações Inajá e Aliança ocorre devido a falhas (ver perfil geológico). Fonte: https://geosgb.cprm.gov.br/</p><p>https://geosgb.cprm.gov.br/</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>67</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Nota-se que o contato entre a formação Candeias e o Grupo Ilhas é aproximadamente retilíneo, mas os contatos entre o</p><p>Grupo Ilhas e a Formação São Sebastião e o desta com a formação Marizal não são. O padrão de afloramento nesta área é</p><p>bastante distinto do observado anteriormente. Examinando-se o perfil geológico da figura 4.4, observa-se que as camadas</p><p>permanecem inclinadas, mas agora o relevo é mais acidentado. Nota-se em detalhe estas interações entre relevo acidentado e</p><p>as diferentes possibilidades de mergulho das camadas e os padrões de afloramentos resultantes na seção 4.4.</p><p>4.4 - REGRA DOS VS</p><p>Quando contatos geológicos interceptam relevos acidentados com vales e morros, um tipo especial de padrão de</p><p>afloramento resulta desta interação. Nestes casos, os contatos apresentam um padrão em V. Assim como foi visto na seção 1.2</p><p>que o padrão em V apresentado pelas curvas de nível indica o sentido do fluxo da drenagem, pode-se obter informações sobre</p><p>a atitude das camadas de forma análoga. A “seta” formada pelo “vértice do V” depende da relação entre o sentido de mergulho</p><p>das camadas e o declive topográfico. No caso dos vales, esta relação é chamada na geologia de regra dos Vs e mostra que as</p><p>setas formadas por estes Vs apontam para o sentido de mergulho da camada.</p><p>A figura 4.5 mostra o mesmo diagrama esquemático da figura 4.2 e seus respectivos mapas topográficos em quatro</p><p>situações distintas dependendo da orientação da camada. Nota-se que em todas as situações mostradas na figura 4.5 a camada</p><p>possui a mesma direção (E-W) e a mesma espessura (50 m), mas variando-se o sentido de mergulho, as mudanças no padrão</p><p>de afloramento são dramaticamente alteradas.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>68</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 4.5 - Diagramas esquemáticos mostrando diferentes possibilidades das interações entre uma camada geológica e a</p><p>topografia e os padrões de afloramento que surgem desta interação. (a) camada com sentido de mergulho para norte. (b) camada</p><p>horizontal. (c) camada com sentido de mergulho para sul. (d) camada vertical. Mais detalhes no texto.</p><p>Quando uma camada mergulha no sentido à montante do vale (no sentido da nascente da drenagem), o V formado pelos</p><p>contatos aponta na mesma direção que os Vs das curvas de nível (Figura 4.5a). Diminuindo-se a inclinação desta camada até</p><p>atingir a horizontalidade, observa-se que o padrão em V persiste (Figura 4.5b). Entretanto, não se pode interpretá-lo como sendo</p><p>uma indicação do sentido de mergulho, uma vez que a camada agora é horizontal. Neste caso, o padrão em V resulta</p><p>apenas</p><p>do paralelismo entre os contatos e as curvas de nível como visto anteriormente, no exemplo da Bacia do Araripe. Prosseguindo</p><p>a rotação da camada de forma que ela agora mergulhe no sentido à jusante do vale (mesmo sentido do fluxo da drenagem), vê-</p><p>se que o V formado pelos contatos aponta para o sentido oposto aos Vs das curvas de nível (Figura 4.5c). Rotacionando ainda</p><p>mais a camada, até atingir a vertical, observa-se que os contatos apresentam um padrão completamente retilíneo (Figura 4.5d).</p><p>Camadas verticais apresentarão contatos retos independentes da topografia.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>69</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Em suma, os padrões de afloramento apresentam as seguintes características:</p><p>1) Os contatos de camadas horizontais são sempre paralelos às curvas de nível.</p><p>2) Os contatos de camadas verticais são sempre retilíneos, independente da topografia.</p><p>3) Camadas inclinadas apresentam contatos retilíneos paralelos apenas quando a topografia for plana.</p><p>4) Em áreas de vales, os contatos de camadas inclinadas apresentam padrão em V (regra dos Vs) que nos fornecem</p><p>informações sobre o sentido de mergulho da camada.</p><p>QUESTÕES PARA PENSAR:</p><p>1. É possível identificar o sentido de mergulho aplicando a regra dos Vs nos padrões de afloramento apresentados</p><p>pelos contatos entre o Grupo Ilha e as formações São Sebastião e Marizal na Figura 4.4?</p><p>2. Qual o comportamento da drenagem naquela área?</p><p>3. Qual o sentido de fluxo e como essas informações interagem com o padrão de afloramento?</p><p>5 – DISCORDÂNCIAS</p><p>5.1 – INTRODUÇÃO</p><p>Em bacias sedimentares, uma sequência deposicional é caracterizada por unidades em sucessão estratigráfica e temporal.</p><p>Há uma continuidade no tempo Geológico, para uma determinada sequência litológica que poderá ser denominada de Formação</p><p>ou Grupo, em função da sua extensão temporal, geográfica, espessura, variações litológicas e outras características geológicas.</p><p>Todavia, quando uma sequência deposicional é interrompida por um período mais ou menos longo, há a atuação de processos</p><p>erosivos. Com o passar do tempo geológico pode ocorrer a deposição de uma nova sequência de camadas, com características</p><p>litológicas que podem ser distintas ou semelhantes. Esta nova sequência apresentará diferença fundamental em termos de tempo</p><p>geológico, que pode ser registrado, pelo conteúdo fossilífero e/ou atitude distintos, entre as duas camadas em contato.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>70</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>5.2 – O QUE INTERROMPE UMA SEQUÊNCIA DEPOSICIONAL?</p><p>A Terra é dinâmica. Placas tectônicas se movem e interagem criando ambientes distintos. As rochas sedimentares são</p><p>depositadas horizontalmente (horizontalidade original) e podem apresentar continuidade lateral. Essa continuidade lateral tem</p><p>limites. Algumas camadas terminam em forma de cunha e podem, também, apresentar interdigitações (Figura 5.1). Desta forma,</p><p>em uma determinada parte da Terra podem predominar processos erosivos, seguidos de transporte e sedimentação; enquanto</p><p>em outra, os processos são essencialmente erosivos. O fato de o planeta Terra ser dinâmico é uma explicação lógica para a</p><p>interrupção de sequências deposicionais e, com o tempo geológico (em milhões de anos) o retorno de novas deposições (novas</p><p>camadas), com características distintas. A estas interrupções a geologia dá o nome de discordâncias.</p><p>Figura 5.1 - Formação Ipu do Grupo Serra Grande de idade siluriana. Interdigitação entre arenito grosso a conglomerático</p><p>com siltitos. Parque Nacional da Serra da Capivara, PI.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>71</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>5.3 – TIPOS DE DISCORDÂNCIAS</p><p>5.3.1 – DISCORDÂNCIA LITOLÓGICA</p><p>Discordância litológica é aquela identificada com maior facilidade em mapas geológicos. É marcada por rochas</p><p>sedimentares depositadas sobre rochas ígneas ou metamórficas. Ocorre com frequência ao longo das bordas das bacias</p><p>sedimentares interiores, exemplificado no Recorte do mapa geológico da Folha Bodocó (Pereira et al. 2020) (Fig. 5.2).</p><p>Figura 5.2 - Recorte do mapa geológico da Folha Bodocó, na escala de 1:100.000, mostrando discordância litológica.</p><p>(https://rigeo.cprm.gov.br/jspui/handle/doc/20449). Rochas sedimentares da bacia do Araripe de idade cretácica (ca 110 M.a)</p><p>cobrem o granito de idade brasiliana (ca 550 M.a) de Bodocó.</p><p>https://rigeo.cprm.gov.br/jspui/handle/doc/20449</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>72</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>5.3.2 - DISCORDÂNCIA ANGULAR</p><p>Discordância angular é definida como uma superfície que limita dois pacotes de rochas de idades distintas, que apresentam</p><p>entre si uma relação angular. A discordância angular marca eventos geológicos distintos, caracterizados pela deposição de uma</p><p>sequência de camadas, posteriormente submetidas a eventos tectônicos (dobras ou falhas), seguida de um período de não</p><p>deposição e erosão, e pela deposição da nova sequência, sobreposta à anterior, frequentemente horizontalizada ou com leve</p><p>inclinação.</p><p>A discordância angular que mudou a história da Geologia foi descoberta e descrita em uma excursão de campo realizada</p><p>em 1788 por James Hutton, John Playfair e Sir James Hall. Neste afloramento singular, camadas de arenito de idade siluriana</p><p>(444-428 M.a), depositadas originalmente na horizontal, foram dobradas e consequentemente verticalizadas (Grieg, 1988). Em</p><p>sequência, foram sobrepostas por arenitos de idade devoniana (ca 370 M.a) com leve inclinação, desenvolvendo marcante</p><p>discordância angular. Este afloramento tem sido revisitado ao longo do tempo e foi tema de vários trabalhos científicos (Fig. 5.3).</p><p>Figura 5.3 - A famosa discordância angular de Siccar Point na Escócia. Arenitos de idade siluriana foram dobrados em</p><p>dobras apertadas e verticalizados, sendo posteriormente recobertos por arenitos de idade devoniana. Foto Claus Fallgatter –</p><p>DGEO-UFPE.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>73</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Para saber mais sobre a discordância angular do Siccar Point:</p><p>Archer, Stuart G., Underhill, John R., Peters Kenneth E. 2017. Hutton’sGreat Unconformity at Siccar Point, Scotland:</p><p>Where deep time was revealed and uniformitarianism conceived. AAPG Bulletin, v. 101, no. 4 (April 2017), pp.</p><p>571–577</p><p>Kerr, A. 2018. Classic Rock Tours 1. Hutton’s Unconformity at Siccar Point, Scotland: A Guide for Visiting the</p><p>Shrine on the Abyss of Time. Geoscience Canada, v. 45, https://doi.org/10.12789/geocanj.2018.45.129 pages</p><p>27–42 © 2018 GAC/AGC®.</p><p>5.3.3 - DISCORDÂNCIA PARALELA</p><p>Quando duas unidades geológicas (duas camadas) de idades distintas repousam, uma sobre a outra, ao longo de um plano</p><p>paralelo, esta descontinuidade geológica (marcada pela idade das camadas) é denominada discordância paralela ou</p><p>paraconformidade. Um caso clássico deste tipo de discordância é observado no limite entre os períodos geológicos Cretáceo e</p><p>o Paleógeno (limite K/Pg). Este contato geológico observado em algumas regiões do planeta, representa o marco da extinção</p><p>em massa dos dinossauros. As camadas abaixo desta discordância (cretácicas) apresentam fauna totalmente distinta daquelas</p><p>acima da discordância (paleogênicas).</p><p>Na Pedreira Poty, mina em atividade da S/A Indústria Votorantim, foi selecionada uma área para apresentação do limite</p><p>K/Pg na forma de um Geossítio aberto a visitantes e pesquisadores. Esse afloramento envolve as Formações Gramame</p><p>(Cretáceo) e Maria Farinha (Paleógeno). A pedreira tem área de 6,5 ha (Fig. 5.4). As duas Formações repousam uma sobre a</p><p>outra em paraconformidade. O Geossítio foi construído a partir de convênio entre o Grupo Votorantim, a UFPE e o Ministério</p><p>Público. O Geossítio foi inaugurado</p><p>em novembro de 2018 e conta com vários painéis interpretativos (Fig. 5.5).</p><p>Há vários trabalhos publicados sobre este limite e, consequentemente, sobre esta paraconformidade. Levantamento dos</p><p>trabalhos relacionados com este Geossítio e dados inéditos de palinologia obtidos na Pedreira Poty ao longo do limite K/Pg foram</p><p>realizados (Alves et al. 2019).</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>74</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 5.4 – Recorte do folder do Geossítio da Pedreira Poty (https://www.votorantimcimentos.com.br/wp-</p><p>content/uploads/2018/11/paineis-geossitio-k-pg-mina-poty.pdf), mostrando a localização das diferentes áreas do geossítio e</p><p>localização de alguns painéis explicativos.</p><p>https://www.votorantimcimentos.com.br/wp-content/uploads/2018/11/paineis-geossitio-k-pg-mina-poty.pdf</p><p>https://www.votorantimcimentos.com.br/wp-content/uploads/2018/11/paineis-geossitio-k-pg-mina-poty.pdf</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>75</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 5.5 - Painel N. 5, com detalhe da estratigrafia ao longo do limite K/Pg (Topo da Formação Grammame e Base da</p><p>Formação Maria Farinha (https://www.votorantimcimentos.com.br/wp-content/uploads/2018/11/paineis-geossitio-k-pg-mina-</p><p>poty.pdf).</p><p>https://www.votorantimcimentos.com.br/wp-content/uploads/2018/11/paineis-geossitio-k-pg-mina-poty.pdf</p><p>https://www.votorantimcimentos.com.br/wp-content/uploads/2018/11/paineis-geossitio-k-pg-mina-poty.pdf</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>76</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Para ler mais sobre o tema:</p><p>Albertão, G.A. 1993. Abordagem interdisciplinar e epistemológica sobre as evidências do limite Cretáceo-Terciário, com</p><p>base em leituras efetuadas no registro sedimentar das bacias da costa leste brasileira. Dissertação de Mestrado,</p><p>Universidade Federal de Ouro Preto, 2 Volumes, 251p.</p><p>Albertão, G.A.; Koutsoukos, E.A.M.; Regali, M.P.S.; Attrep Jr., M.; Martins Jr., P.P. 1994a. The Cretaceous-Tertiary</p><p>boundary in Southern low-latitude regions: preliminary study in Pernambuco, northeastern Brazil. Terra Research, 6:</p><p>366-375.</p><p>Albertão, G.A.; Martins Jr.; P.P. Koutsoukos, E.A.M. 1994b. O limite Cretáceo-Terciário na bacia de Pernambuco/Paraíba:</p><p>característica que define um marco estratigráfico relacionado com um evento catastrófico de proporções globais. Acta</p><p>Geologica Leopoldensia, 17 (39/1): 203-219.</p><p>Albertão, G. A.; Martins Jr., P. P. 2009. Estratos Calcários da Pedreira Poty, Paulista, PE - Evidências de evento catastrófico</p><p>no primeiro registro do limite K-T descrito na América do Sul. SIGEP 102 Vol. I 15p.</p><p>(http://sigep.cprm.gov.br/sitio102/sitio102.pdf).</p><p>Alves, Marcella A. de O; Santos, P. R. S.; Lima Filho, M. de. 2019. Bioestratigrafia do limite Cretáceo-Paleógeno da bacia</p><p>da paraíba com base na palinologia. Estudos Geológicos vol 29 (1): 3-24.</p><p>(https://periodicos.ufpe.br/revistas/estudosgeologicos/article/viewFile/242404/32975).</p><p>Garcia, M. da G., Nascimento, M. A. L. do, Mansur, K. L., Pereira, R.G.F. de A. 2022. Geoconservation strategies framework</p><p>in Brazil: Current status from the analysis of representative case studies. Environmental Science & Policy Volume 128,</p><p>February 2022:194-207. (https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1462901121003282?via%3Dihub ).</p><p>5.4 – COMO TRABALHAR COM DISCORDÂNCIAS EM MAPAS GEOLÓGICOS SIMPLIFICADOS</p><p>Nos mapas geológicos simplificados abaixo, as superfícies de discordância são identificadas pelas distintas atitudes de</p><p>sequências de camadas. Na figura 5.6 podem ser identificadas três sequências em discordância angular. Inicialmente foi</p><p>depositada a sequência composta das unidades A a F, com atitude N25E/35-30/SE; em sequência as unidades 1,2, 3 e 4, que</p><p>claramente recobrem as unidades anteriores, com atitude N50W/ 15-10/ SW; e, finalmente a terceira sequência, com as unidades</p><p>X,Y e Z, recobrindo as duas anteriores com atitude N77E/25/SSE.</p><p>http://sigep.cprm.gov.br/sitio102/sitio102.pdf</p><p>https://periodicos.ufpe.br/revistas/estudosgeologicos/article/viewFile/242404/32975</p><p>https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1462901121003282?via%3Dihub#!</p><p>https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1462901121003282?via%3Dihub#!</p><p>https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1462901121003282?via%3Dihub#!</p><p>https://www.sciencedirect.com/journal/environmental-science-and-policy</p><p>https://www.sciencedirect.com/journal/environmental-science-and-policy/vol/128/suppl/C</p><p>https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1462901121003282?via%3Dihub</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>77</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 5.6 - Mapa geológico simplificado indicando três sequências de camadas em discordância angular. A primeira</p><p>sequência A-F (N25E/35-30/SE); a segunda 1-4 (N50W/ 15-10/ SW) e a terceira sequência recobrindo as duas anteriores X-Z</p><p>(N77E/25/SSE).</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>78</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Exercício - No mapa geológico abaixo há duas sequências de camadas. Determine a atitude de cada sequência e</p><p>classifique o tipo de estrutura desenvolvida ente elas. Faça o corte marcado.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>79</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Determinação da atitude (direção/intensidade/sentido de mergulho) da sequência cambriana de camadas</p><p>1. No contato entre B e C encontrar dois pontos na mesma cota, pontos vermelhos (cota de 500 m)</p><p>2. O contato C/B corta também a curva de nível de 600 m. Paralelo a direção de 500 temos a direção de 600. Assim, obtém-</p><p>se o sentido de mergulho das camadas para W e conclui-se que B é mais velha do que C.</p><p>3. Perpendicular às duas direções tem-se a projeção do sentido de mergulho verdadeiro do plano (seta preta)</p><p>4. Utilizando a escala e a diferença de cota entre 600 e 500 (100 m) pode ser feito o rebatimento do mergulho verdadeiro</p><p>(RM) e determinação de sua intensidade (45º)</p><p>5. Com estas informações, a camada A é a mais velha e a D a mais nova da sequência Cambriana N-S/45/W.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>80</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Determinação da atitude (direção/intensidade/sentido de mergulho) da sequência do Carbonífero (1, 2 e 3)</p><p>1. A camada 1 faz contato com todas as camadas da sequência anterior (cambriana). Esta superfície de contato é a</p><p>superfície de discordância.</p><p>2. A superfície de discordância corta a curva de nível de 700 m em dois pontos (círculo azul), em contato com a camada C</p><p>da sequência anterior. Ligando estes pontos é obtida a direção das camadas que constituem a discordância. A superfície de</p><p>discordância intercepta a curva de nível de 600 m, no contato com a camada C da sequência cambriana (círculo azul). A partir</p><p>deste ponto e paralelo a direção obtida acima, pode ser traçada a direção da superfície de discordância de cota 600 m.</p><p>3. Perpendicular às duas direções, no sentido de 700 para 600, é traçada a projeção do mergulho verdadeiro da discordância</p><p>(PMD).</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>81</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>4. Utilizando a diferença de cotas de 100 m (700-600), será obtido o rebatimento do mergulho da discordância ao longo de</p><p>PMD.</p><p>Corte A-B</p><p>1. O corte A-B é perpendicular à direção da primeira sequência de camadas. Desta forma, utiliza-se ao longo do corte o</p><p>mergulho verdadeiro das camadas (45º). Como a linha de corte A-B não é perpendicular à direção da discordância,</p><p>faz-se necessário calcular o mergulho aparente desta, ao longo do corte (triângulo amarelo) (13º).</p><p>2. No corte A-B, a superfície de discordância está em vermelho. É possível calcular a espessura da camada</p><p>B sob a</p><p>discordância e traçar o contato entre B e A.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>82</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Cálculo da espessura da camada B</p><p>A partir de uma direção da base da camada B na cota de 500 m e do topo (contato de B com C) na mesma cota. A</p><p>perpendicular às duas direções é a reta de máxima declividade. Quando esta reta toca as direções de topo e base, rebate-se o</p><p>mergulho verdadeiro (45º). Medindo-se perpendicular aos dois rebatimentos, obtém-se a espessura verdadeira, no caso 345 m,</p><p>na escala 6,9 cm (Escala 1:5000 – 1 cm = 50 m). Desta forma é possível traçar abaixo da discordância o contato entre B e A.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>83</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>84</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>6 - DOBRAS</p><p>Rochas podem apresentar dobramentos quando submetidas a esforços tectônicos a profundidades variáveis na crosta da</p><p>Terra. As superfícies dobradas (camadas) podem mudar a direção, sentido e intensidade de mergulho ao longo de uma linha</p><p>que recebe a denominação de eixo da dobra. O eixo da dobra, por sua vez, pode variar em orientação, apresentando-se como</p><p>uma linha reta (em dobras cilíndricas, Fig. 6.1A) ou curva (em dobras não cilíndricas, Fig 6.1B) e caimento variável desde 0º à</p><p>90º. Esta linha, eixo da dobra, é contida em um plano ou superfície denominada, plano axial ou superfície axial.</p><p>Figura 6.1 - (A) Dobra cilíndrica (B) - Dobra não cilíndrica; com indicações do plano e superfície axial, eixo e flanco.</p><p>Em um corte perpendicular ao plano axial as dobras podem ser classificadas como sinformes ou antiformes (Fig. 6.2). Esta</p><p>classificação não envolve as relações estratigráficas entre as camadas dobradas (i.e. a idade das camadas), somente a forma;</p><p>a geometria do dobramento.</p><p>Figura 6.2 - Classificação de dobras em corte perpendicular ao plano axial, em antiforme e sinforme, com indicação de</p><p>plano axial e eixo.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>85</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Quando a estratigrafia, ou seja, a ordem de deposição das camadas, é levada em consideração são utilizados os termos</p><p>sinclinal e anticlinal. Desta forma poderemos ter sinforme sinclinal; sinforme anticlinal; antiforme sinclinal e antiforme anticlinal</p><p>(Fig. 6.3). Na dobra sinforme sinclinal, a camada mais nova é localizada na porção central da forma geométrica convexa. No</p><p>antiforme anticlinal a camada mais velha é o núcleo da forma geométrica côncava. No caso hipotético destas camadas sofrerem</p><p>uma rotação de 180º, a camada mais nova na base e a camada mais velha no topo, as denominações serão: Sinforme anticlinal</p><p>→ a forma geométrica é convexa e a camada mais antiga está no seu núcleo e Antiforme sinclinal → a forma geométrica é</p><p>côncava e a camada mais nova está no seu núcleo.</p><p>Figura 6.3 - Sequência original de camadas 1 - arenito fino; 2 - siltito e 3 - calcário. (A) Sequência estratigráfica mantida.</p><p>AA - Antiforme anticlinal e SS - Sinforme sinclinal. (B) - Rotação de 180º nas camadas. AS - Antiforme sinclinal e SA - Sinforme</p><p>anticlinal.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>86</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>6.1 - DOBRAS EM AFLORAMENTOS</p><p>Camadas dobradas podem ser encontradas associadas com regimes transpressivos ao longo de zonas de cisalhamento.</p><p>Na Figura 6.4 é possível observar dobras com dimensões métricas ao longo da Zona de cisalhamento Pernambuco Leste. Trata-</p><p>se de uma estrutura de idade Brasiliano (Ca 550 Ma), com direção E-W, com cinemática destral (Neves e Mariano, 1999). Ao</p><p>longo da BR232 é possível a observação, em corte de estrada, de dobras em escala métrica resultantes de regime transpressivo,</p><p>de rochas miloníticas a ultramiloníticas de composição granítica (lato sensu). As dobras apresentam planos axiais paralelos à</p><p>direção da zona de cisalhamento.</p><p>Figura 6.4 - Dobras em escala de afloramento. Milonitos a ultramilonitos da Serra das Russas BR232. Plano axial (PA)</p><p>verticalizado e Eixo da dobra paralela a foliação dos milonitos. Zona de Cisalhamento Pernambuco Leste.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>87</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>6.2 – TRABALHANDO COM DOBRAS EM MAPAS GEOLÓGICOS</p><p>Na figura 6.5 tem-se a reprodução de um mapa geológico com curvas de nível e camadas dobradas. O primeiro passo é a</p><p>observação da repetição das camadas, marcadas com as letras de A-D.</p><p>Figura 6.5 - Mapa geológico simplificado, com curvas de nível (Platt and Challinor, 1954). Observa-se a repetição das</p><p>camadas A, B, C e D.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>88</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>O próximo passo é a observação da interação dos contatos entre estas camadas com as curvas de nível, de modo a</p><p>identificar as direções, sentidos e intensidades de mergulho destes planos (contatos entre camadas). Desta forma, serão</p><p>identificados sentidos de mergulho convergentes (sinformes) e sentidos de mergulho divergentes (antiformes) (Fig. 6.6).</p><p>Figura 6.6 - Identificação de direções DC700 e DC800, contato geológico entre as camadas C e D (linhas pretas contínuas)</p><p>e sentidos de mergulho (setas vermelhas), mostrando a convergência de mergulhos, indicando um sinforme.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>89</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Determina-se então a intensidade de mergulho destes planos, tomando como referência a diferença de cota entre dois</p><p>contatos (p. ex. entre D/C) consecutivos e rebatendo o ângulo de mergulho a partir dessa diferença de cota (100 m) convertida</p><p>em centímetros pela escala do mapa (1:5000, 1 cm = 50 m). Neste caso, a diferença de cota é de 2 cm. Após o rebatimento,</p><p>obtém-se a intensidade de mergulho de 63º (Fig. 6.7).</p><p>Figura 6.7 - Determinação da intensidade de mergulho a partir do rebatimento do ângulo de mergulho considerando a</p><p>diferença de contas entre as direções D/C800-D/C700 do contato entre as camadas C e D, na escala de 1:5000. Valor obtido</p><p>para a intensidade de mergulho 63º.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>90</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Esse procedimento deve ser repetido para os outros contatos entre camadas. Deste modo, serão obtidos os sentidos de</p><p>mergulho e definidas as dobras como Antiforme, Sinforme e Antiforme, no sentido SW-NW do mapa (da esquerda para a direita</p><p>da figura) (Fig. 6.8).</p><p>Figura 6.8 - Identificação de antiforme, sinforme e antiforme de SW para NE, com indicação do traço do plano axial e as</p><p>simbologias adequadas.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>91</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>6.3 - DOBRAS EM MAPAS GEOLÓGICOS</p><p>Em mapas geológicos as dobras são representadas pelas atitudes do plano axial e pelo tipo de dobra. Desta forma as</p><p>anotações mais comuns encontradas em mapas geológicos são:</p><p>A seta maior indica a atitude do plano axial, com o sentido de caimento da dobra. As setas menores, perpendiculares à</p><p>primeira, indicam o sentido de mergulho dos flancos da dobra; neste caso, flancos com sentido de mergulho divergente indicando</p><p>um antiforme anticlinal, com caimento.</p><p>O segmento de reta horizontal indica o plano axial vertical. As setas com sentido oposto, perpendiculares ao segmento de</p><p>reta horizontal, indicam o sentido de mergulho dos flancos. Flancos mergulhando em sentido oposto - Antiforme, anticlinal normal.</p><p>O plano axial, neste caso é vertical.</p><p>A seta maior indica a atitude do plano axial, com o sentido de caimento da dobra. As setas menores, perpendiculares à</p><p>primeira, indicam o sentido de mergulho</p><p>dos flancos da dobra, neste caso, convergentes evidenciando um sinforme sinclinal,</p><p>com caimento.</p><p>O segmento de reta horizontal indica o plano axial vertical. As setas menores, perpendiculares ao segmento de reta e</p><p>convergentes, indicam o sentido de mergulho dos flancos. Desta forma, está representado em mapa, um sinforme sinclinal</p><p>normal, isto é, com plano axial vertical.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>92</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>As dobras podem ser representadas com identificação da fase da deformação. Em áreas com estruturas geológicas</p><p>retrabalhadas ao longo do tempo geológico, podem ser observadas gerações distintas de dobras. Na indicação acima, estão</p><p>representados dobramentos relacionados à quarta fase de deformação em determinada área (F4).</p><p>Em áreas com história tectônica complexa e várias fases de deformação é possível a ocorrência de dobras invertidas,</p><p>semelhantes àquelas mostradas na Figura 6.3 B. Neste caso, as dobras são representadas em mapas geológicos como se vê</p><p>abaixo.</p><p>O traço horizontal maior representa a atitude do plano axial, neste caso com indicação de caimento ou fechamento da</p><p>dobra. O símbolo semelhante a uma ferradura com setas convergentes indica a inversão das camadas em um sinforme. Desta</p><p>forma, temos um sinforme invertido com caimento do eixo indicado. Em um dos flancos do dobramento, a camada mais velha é</p><p>sobreposta à mais nova, em função da rotação da dobra. F3 representa a terceira fase de deformação da região dobrada.</p><p>O traço horizontal maior representa a atitude do plano axial, neste caso com indicação de caimento ou fechamento da</p><p>dobra. O símbolo semelhante a uma ferradura com setas divergentes indica a inversão das camadas em antiforme. Representa</p><p>assim, um antiforme invertido, isto é, em um dos flancos do dobramento a camada mais velha é sobreposta à mais nova, em</p><p>função da rotação da dobra. F2 e F3 representam fases de deformação 2 e 3.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>93</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>6.4 – FRAGMENTOS DE MAPAS GEOLÓGICOS NA ESCALA DE 1:100.000 COM DOBRAS</p><p>Figura 6.9 - Fragmento do mapa geológico Folha jardim do Seridó na escala de 1:100.000 (Bezerra et al., 2007), mostrando</p><p>sequência de dobramentos (antiformes e sinformes normais, com caimento), nos metassedimentos do Grupo Seridó.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>94</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 6.10 - Fragmento do mapa geológico Folha Surubim na escala de 1:100.000 (Neves, et al., 2017), mostrando</p><p>metassedimentos do complexo Surubim-Caroalina de idade Neoproterozoica (NP23sc), com sinforme invertido, com caimento</p><p>indicado.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>95</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>7. FALHAS/ZONAS DE CISALHAMENTO</p><p>Falhas, em Geologia, são estruturas caracterizadas pelo desenvolvimento de quebra (deformação rúptil), com</p><p>deslocamento ao longo de uma superfície, que pode ser plana ou apresentar curvatura. Zonas de cisalhamento são estruturas</p><p>geológicas que apresentam superfícies planas ou curvas, caracterizadas por deformação dúctil, associadas a temperatura alta e</p><p>que ocorrem a profundidades variáveis na crosta da Terra. Normalmente ocorrem com faixas de espessuras variáveis que são</p><p>identificadas pela deformação plástica em minerais, tais como quartzo (quartzo fitado) e feldspatos com formatos ovalados</p><p>(augens) (Mariano et al., 2008) (Fig. 7.1).</p><p>Figura 7.1 - Gnaisse milonitizado. Zona de Cisalhamento transcorrente Cabanas. (A) foto como vista em campo. (B) foto</p><p>interpretada, mostrando quartzo fitado (contorno vermelho) e indicador cinemático utilizando a relação C (direção do</p><p>cisalhamento) e S (direção da foliação entre as bandas de C). Gnaisse próximo ao contato do pluton Cabanas, Folha Belo Jardim,</p><p>zona de cisalhamento transcorrente de direção NE-SW e cinemática sinistral.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>96</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>7.1 – TIPOS DE FALHAS</p><p>Falhas são descontinuidades geológicas, isto é, elas quebram a continuidade anterior a sua instalação. As falhas podem</p><p>ser associadas a movimentos tectônicos com orientações diversas, caracterizados por extensão, compressão e movimentos com</p><p>componente de esforço maior na horizontal. Estes podem ser transpressivos, envolvendo uma componente de compressão ou</p><p>transtensivos, quando envolvem um componente de extensão. Os principais tipos de falhas ou zonas de cisalhamento são: 1-</p><p>Falhas normais – associadas com regimes tectônicos extensivos; 2- Falhas inversas – associadas com movimentos</p><p>compressivos; 3 – Falhas transcorrentes – associadas com movimentos tectônicos com componente maior de esforço</p><p>horizontalizado.</p><p>7.1.1 – FALHAS NORMAIS</p><p>As falhas normais, também denominadas de falhas de gravidade, estão associadas a movimentos tectônicos divergentes,</p><p>que podem resultar no desenvolvimento de bacias sedimentares. Este tipo de falha apresenta traços curvos ou retilíneos,</p><p>dependendo da intensidade de mergulho do plano. Aspectos de campo, em um plano de falha normal (Fig. 7.2). O plano de falha</p><p>normal ou de gravidade apresenta lineações, estrias, paralelas ao sentido de mergulho (down dip) e ressaltos perpendiculares a</p><p>estas estrias, indicando o sentido de movimento, isto é, o bloco acima do plano de falha desce em relação ao bloco abaixo do</p><p>plano de falha.</p><p>Figura 7.2 - Plano de falha normal, reativação da Zona de cisalhamento transcorrente sinistral Congo-Cruzeiro do Nordeste.</p><p>(a) símbolo da atitude do plano de falha; (L) lineação (estrias) no plano de falha; (R) ressalto, indicando o sentido de movimento,</p><p>seta preta.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>97</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>7.1.2 – FALHAS INVERSAS</p><p>As falhas inversas, também denominadas de falhas de cavalgamento ou empurrão, são associadas a movimentos</p><p>tectônicos compressivos. Estas falhas desenvolvem planos com média a baixa intensidade de mergulho (<45º). Desta forma</p><p>apresentam traços curvos em mapas geológicos, caracterizados pela interação destes planos com a topografia do terreno.</p><p>7.1.3 – FALHAS TRANSCORRENTES</p><p>As falhas transcorrentes ou falhas de rejeito direcional são desenvolvidas a partir de movimentos tectônicos com forte</p><p>componente horizontal. Estas falhas desenvolvem planos com mergulhos fortes a verticais, sendo seus traços retilíneos, em</p><p>mapas geológicos. Em campo, as rochas afetadas por falhas transcorrentes ou zonas de cisalhamento transcorrentes</p><p>apresentam foliação verticalizada e são marcadas por fortes lineações horizontais (Fig. 7.3), para a zona de cisalhamento</p><p>transcorrente destral de Pernambuco Leste.</p><p>OBS. Todos estes tipos de falhas podem receber a denominação de zonas de cisalhamentos, quando a deformação é</p><p>dúctil, isto é, ocorre em profundidade na crosta.</p><p>Figura 7.3 - Zona de cisalhamento transcorrente destral Pernambuco Leste. (A) Dobras em com amplitude métrica e planos</p><p>axiais paralelos à direção da zona de cisalhamento (E-W). (B) Plano de falha mostrando forte lineação, com 24º de caimento</p><p>(plunge). (C) Ultramilonitos fraturados, ilustrando a verticalização da foliação.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>98</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>7.2 FALHAS EM MAPAS GEOLÓGICOS SIMPLIFICADOS</p><p>As falhas e/ou zonas de cisalhamento desenvolvem estruturas planares. Assim, são tratadas da mesma forma dos planos</p><p>de camadas planas e dobradas já discutidos nos capítulos anteriores.</p><p>Enunciado: No mapa seguinte, os pontos I, II e III pertencem ao plano de uma falha. Os pontos A, B, C, e D representam</p><p>o contato entre uma camada de arenito e outra de conglomerado. A camada de arenito possui 60 m de espessura</p><p>vertical.</p><p>Elabore o mapa geológico da área considerando que: a) Acima do arenito só ocorre conglomerado e b) Abaixo do arenito ocorre</p><p>uma camada de siltito. Determine o tipo de falha. Calcule os rejeitos vertical e horizontal. Dê os cortes A-B; C-D e E-F, calculando</p><p>o mergulho aparente, quando necessário. Escala 1:2000.</p><p>A</p><p>C</p><p>D</p><p>F</p><p>60</p><p>100</p><p>100</p><p>100</p><p>120</p><p>120</p><p>100</p><p>80</p><p>80</p><p>80</p><p>80</p><p>80</p><p>60</p><p>60</p><p>60</p><p>60</p><p>60</p><p>40</p><p>40</p><p>40</p><p>20</p><p>2</p><p>0</p><p>2</p><p>0</p><p>40 20</p><p>80</p><p>60 x</p><p>III</p><p>X</p><p>X</p><p>X</p><p>A</p><p>B</p><p>C</p><p>I</p><p>X</p><p>X</p><p>X</p><p>II</p><p>D</p><p>E</p><p>B</p><p>H</p><p>N</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>99</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Solução: Diante de falhas, o primeiro passo é identificar a atitude do plano de falha e o traçado deste plano. Sendo a falha</p><p>uma descontinuidade geológica, a área do mapa será dividida em duas partes. Em um dos blocos teremos os três pontos</p><p>aflorantes A, B e C e no outro bloco o ponto D.</p><p>A</p><p>C</p><p>D</p><p>F</p><p>60</p><p>100</p><p>100</p><p>100</p><p>120</p><p>120</p><p>100</p><p>80</p><p>80</p><p>80</p><p>80</p><p>80</p><p>60</p><p>60</p><p>60</p><p>60</p><p>60</p><p>40</p><p>40</p><p>40</p><p>20</p><p>2</p><p>0</p><p>2</p><p>0</p><p>40 20</p><p>80</p><p>60 x</p><p>III</p><p>X</p><p>X</p><p>X</p><p>A</p><p>B</p><p>C</p><p>I X</p><p>X</p><p>X</p><p>II</p><p>D</p><p>E</p><p>B</p><p>H</p><p>N</p><p>PF60</p><p>Pf40</p><p>Pf20</p><p>Pf80</p><p>Pf100</p><p>Pf120</p><p>e</p><p>Figura 7.4 - Determinação do traçado do contato do plano de falha. Pontos I (100); II (60) e III (60) pertencem ao plano de</p><p>falha. Os pontos II e III estão na mesma cota (60 m). Ligando estes dois pontos tem-se a direção do plano da falha de cota 60</p><p>m. Pelo ponto I (cota de 100 m) paralelo a linha Pf60, tem-se a direção de cota 100 m. Entre estas duas e equidistante a elas,</p><p>obtém-se a direção de cota 60 m. A partir deste ponto, tem-se o espaçamento entre as direções (linha preta e). Com esse</p><p>espaçamento será possível traçar as demais direções do plano de falha (100; 40 e 20). A interação destas direções com a</p><p>topografia do terreno definirá o traçado do afloramento do plano de falha, dividindo a área em dois blocos. O bloco leste (E)</p><p>contendo três pontos de afloramento do contato do arenito com o conglomerado (A, B e C) e o bloco (W) com o ponto D do</p><p>mesmo contato. Utilizando duas direções consecutivas do plano de falha, determina-se a atitude do plano de falha e sua</p><p>intensidade de mergulho.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>100</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 7.5 - O plano de falha separa a área nos blocos E e W. No bloco E ficam os pontos A, B e C e no bloco W o ponto</p><p>D, do contato entre arenito e conglomerado. O plano de falha tem a seguinte atitude N49W/31º/SW. Em seguida, trabalha-se</p><p>com os três pontos do bloco E para obter o traçado do contato do Arenito com o Conglomerado.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>101</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 7.6 - Traçado do contato da camada de arenito (topo) com conglomerado (base). Os pontos A (20 m), B (60 m) e C</p><p>(80 m) no bloco E são pontos de afloramento deste contato. Liga-se o ponto A, na cota de 20 m com o ponto C na cota da 80 m</p><p>e divide-se o segmento de reta formado por AC em três partes iguais, de forma a obter as cotas de 40 e 60 m desse mesmo</p><p>contato. Como o ponto B está na cota de 60 m, ligando este ponto à cota de 60 m para este contato, obtida entre A e C, tem-se</p><p>a primeira direção deste plano (direção de cota 60 m). Paralela a esta direção, são traçadas direções de 20 m;40 m e 80 m,</p><p>obtendo-se o espaçamento entre as direções e finalmente traça-se a direção de 100 m. Em sequência, são marcados os pontos</p><p>de interação entre direções e cotas (ex. direção de cota 60 m corta a curva de nível de 60 m; o contato entre arenito e</p><p>conglomerado aflora). Todos os pontos de afloramentos são marcados e o contato traçado até o plano de falha.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>102</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 7.7 - A partir do ponto D no bloco W da falha, paralela as direções obtidas no bloco E, para o contato do</p><p>conglomerado com o arenito, traça-se a primeira direção de 120 m, para este contato. Como o espaçamento entre as direções</p><p>consecutivas já é conhecido do bloco E, utiliza-se o mesmo espaçamento para traçar as demais direções 100, 80, 60, 40 e 20</p><p>m, no bloco W. Em sequência, marcam-se os pontos de intersecção entre as direções e as cotas, da mesma maneira que foi</p><p>feito para o bloco E.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>103</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 7.8 - Considerando a espessura vertical do arenito de 60 m, todas as direções do contato do arenito com o</p><p>conglomerado são reduzidas desse valor. As novas direções marcadas na figura acima como Ar/Sil (contato do arenito - base</p><p>do arenito - com o siltito), são analisadas visando a determinação dos pontos deste novo contato, isto é, pontos onde a direção</p><p>Ar/Sil coincidem com as respectivas curvas de nível. Desta forma, todos os pontos de afloramento deste novo contato são</p><p>marcados e o contato traçado. No resultado final, fica claro o rejeito ao longo do plano de falha.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>104</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 7.9 – Determinação do valor do rejeito vertical e classificação da falha. O plano de falha mergulha para W (de</p><p>maneira geral), assim é necessário analisar o que acontece sobre o plano de falha no bloco W. Há duas opções: o bloco W sobe</p><p>o plano de falha (falha inversa) ou desce o plano de falha (falha normal ou de gravidade). Escolhe-se a direção do contato entre</p><p>o topo do arenito e a base do conglomerado de cota 20 m no bloco E (linha em vermelho), projeta-se essa direção para o bloco</p><p>W e determina-se a sua cota topográfica neste bloco. A direção de Cg/Ar de 20 m no bloco E, vai corresponder a uma direção</p><p>acima de 140 m (Cg/Ar 140). Utilizando uma regra de três simples obtém-se o valor de 147 m (Cg/Ar147). Desse modo, a direção</p><p>que possui valor de 20 m para o bloco E, no bloco W terá valor de 147 m, ou seja, o bloco W sobe 127 m em relação ao bloco E</p><p>(rejeito vertical). A falha fica, então, classificada como inversa. Nesta figura, a falha já se encontra representada com a simbologia</p><p>que é utilizada em mapas geológicos.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>105</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 7.10 - Mapa Geológico final.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>106</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>7.3 – FALHAS EM MAPAS GEOLÓGICOS</p><p>As falhas e zonas de cisalhamento são representadas em mapas geológicos como traços negros de maior espessura do</p><p>que os contatos entre litologias distintas e com a simbologia adequada para o tipo de falha ou zona de cisalhamento e a</p><p>cinemática, quando esta for determinada (Fig. 7.11).</p><p>Figura 7.11 – Principais legendas utilizadas em mapas geológicos para representação de falhas e zonas de cisalhamento.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>107</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>7.4 - FALHAS E ZONAS DE CISALHAMENTO EM MAPAS GEOLÓGICOS</p><p>Em mapas geológicos é muito frequente a ocorrência de falhas e principalmente zonas de cisalhamento margeando</p><p>contatos entre tipos litológicos distintos. Esse comportamento é fácil de entender, considerando-se que as litologias distintas</p><p>possuem comportamento reológico distinto, isto é, respondem de forma diferente a esforços tectônicos. No recorte do mapa</p><p>geológico da folha Bodocó (Pereira et al., 2020) (Fig. 7.12) é possível observar a localização de uma zona de cisalhamento</p><p>compressiva ao longo do contato entre as unidades PP2p - gnaisses bandados do Complexo Parnamirim de idade</p><p>paleoproterozoica e NP1sa – metassedimentos do complexo Salgueiro de idade neoproterozoica. As setas pretas indicam o</p><p>sentido de esforço e o consequente dobramento das unidades. Ressalta-se que o contorno da zona de cisalhamento compressiva</p><p>apresenta curvatura, caracterizando a interação</p><p>de um plano com mergulho médio a fraco (>45º) com a topografia do terreno.</p><p>Figura 7.12 - Recorte do mapa geológico da Folha Bodocó (Escala 1:100.000), mostrando zonas de cisalhamento</p><p>contracionais e antiforme. Observar que a zona de cisalhamento se localiza ao longo do contato entre as unidades PP2p -</p><p>gnaisses bandados do complexo Parnamirim e NP1sa – metassedimentos neoproterozoicos do complexo Salgueiro. Setas pretas</p><p>indicam o sentido de movimento do regime compressivo que deu origem a ZC contracional e ao antiforme. Considerando que a</p><p>deformação afeta rochas do Neoproterozoico (NP1sa), a idade da deformação deve ser neoprotorozoica ou mais nova.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>108</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>É, também, frequente a ocorrência e ou o desenvolvimento de zonas de cisalhamento transcorrentes, com cinemática</p><p>destral (horária) ou sinistral (anti-horária). Importante observar que os traços destas zonas de cisalhamento em mapas geológicos</p><p>são retos, evidenciando que seus planos são verticais. No recorte do mapa geológico da folha Campina Grande-PB (Fig. 7.13)</p><p>(Rodrigues et al., 2011), observa-se uma zona de cisalhamento transcorrente com cinemática destral localizada no contato entre</p><p>o pluton Puxinanã NP32it25 e o Complexo São Caetano NP1sca, novamente favorecendo a ideia do controle da</p><p>heterogeneidade entre as duas litologias, na localização/desenvolvimento de zonas de cisalhamento.</p><p>Figura 7.13 - Recorte do mapa geológico folha Campina Grande (Escala 1:100.000). Na borda sul/sudeste do pluton</p><p>Puxinanã NP32it25, com o complexo São Caetano NP1sca, ambos de idade neoproterozoica.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>109</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>As falhas normais ou de gravidade estão, em sua maioria, associadas ao desenvolvimento das bacias sedimentares,</p><p>relacionadas com movimentos extensionais. No recorte do mapa geológico da folha Souza (Escala 1:250.000) (Medeiros, et al.,</p><p>2005) observa-se o contato entre o embasamento cristalino e a porção norte da bacia de Souza controlado por falhas normais,</p><p>cujas rampas estão voltadas para a bacia sedimentar (Fig.7.14) e, também o contato entre o complexo Jaguaretama PP2j</p><p>(Paleoproterozoico) e os arenitos da Formação Antenor Navarro K1an (Cretáceo). Será que essas falhas são cretácicas? O que</p><p>estava acontecendo na Terra a partir do Cretáceo? Será que é possível a reativação de falhas transcorrentes de idade brasiliana</p><p>(ca 550 M.a), com desenvolvimento de brechas de falhas e rampas de falhas normais, quando próximas a grandes bacias</p><p>sedimentares? Na seção 7.5, será apresentado o caso da zona de cisalhamento transcorrente sinistral de Cruzeiro do Nordeste</p><p>e sua reativação durante o desenvolvimento das falhas normais, de idade cretácica, que deram origem a estruturação da bacia</p><p>do Jatobá.</p><p>Figura 7.14 - Recorte do mapa geológico da folha Souza (Escala de 1:250.00) mostrando o contato entre os arenitos da</p><p>Formação Antenor Navarro (K1an), de idade cretácica, com o embasamento cristalino, ortognaisses paleoproterozoicos do</p><p>complexo Jaguaretama (PP2j). Esse contato é marcado por falhas normais, que apresentam recortes em função da forma inicial</p><p>do embasamento e do controle deste na falha, cuja rampa volta-se para a bacia sedimentar.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>110</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>7.5 – CASO DE ESTUDO – REATIVAÇÃO DE ZONAS DE CISALHAMENTO TRANSCORRENTES POR FALHAS</p><p>NORMAIS</p><p>Era uma vez... um granito de idade brasiliana (ca 580 M.a), álcali-feldspato granito, que foi afetado por uma zona de</p><p>cisalhamento transcorrente sinistral de orientação essencialmente NE. A zona de cisalhamento deformou o granito, imprimindo</p><p>uma foliação tectônica verticalizada. Acredita-se que essa zona de cisalhamento atuou em regime dúctil e na transição deste</p><p>para um regime rúptil (isso ainda precisa ser estudado). Em um afloramento desta zona de cisalhamento visitado em excursões</p><p>didáticas (Fig. 7.15) observou-se que a rocha milonítica havia sido quebrada e preenchida por material esverdeado,</p><p>desenvolvendo uma brecha tectônica (Figura 7.16).</p><p>Figura 7.15 – Afloramento da zona de cisalhamento Congo ao longo da BR 110, no sentido Cruzeiro do Nordeste-</p><p>Sertânia. Milonitos de composição granítica, com foliação tectônica verticalizada de orientação NE.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>111</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 7.16 - Aspectos de campo da brecha tectônica desenvolvida pela reativação da zona de cisalhamento transcorrente</p><p>Congo (Fig. 7.15). (A), (B) e (C) mostram as características dessa brecha, preenchida por um material esverdeado fibroso</p><p>recristalizado (essencialmente composto por anfibólio).</p><p>Além da brecha tectônica (sugestão forte de reativação da zona de cisalhamento) observou-se, neste afloramento, a</p><p>ocorrência de planos de falha com mergulho médio a suave (<45º) e estrias paralelas ao sentido de mergulho, caracterizando</p><p>um movimento sobre o plano de falha. Existem duas opções: 1- Falha Normal e 2- Falha Inversa. Como decidir sobre estas duas</p><p>possibilidades? Na figura 7.17 tem-se o plano de falha mencionado acima. Fica clara a orientação das estrias (paralelas ao</p><p>sentido de mergulho do plano) indicando a direção do movimento, que pode ser descendo o plano de falha (falha normal ou de</p><p>gravidade) ou subindo o plano de falha (falha inversa ou empurrão). Nas duas possibilidades, as estrias possuem a mesma</p><p>orientação. Como resolver? Observando-se os ressaltos. Ressaltos são pequenos degraus, perpendiculares às estrias, que</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>112</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>definem o sentido de movimento, i.e., a cinemática. Como é possível observar na figura 7.17 o ressalto faz um pequeno degrau</p><p>no sentido oposto ao movimento.</p><p>Figura 7.17 - Plano de falha normal com estrias (L e seta preta) paralelas ao sentido de mergulho do plano (a) e ressaltos</p><p>(R) perpendiculares a estas linhas indicando a cinemática. O bloco acima do plano de falha desce, no sentido da seta preta,</p><p>indicando uma falha normal ou de gravidade.</p><p>O que faltou? Determinar o que causou esta reativação e a sua idade.</p><p>O que causou a reativação? Este afloramento se encontra próximo da bacia sedimentar do Jatobá. A estruturação desta</p><p>bacia é de idade cretácica e controlada por falha normais, originadas por eventos extensionais relacionados a quebra de</p><p>Gondwana. Esta seria a hipótese da causa da reativação. Como provar? Através de datação das falhas normais.</p><p>Como determinar a idade das falhas normais? Nos planos de algumas falhas ocorre uma fina camada de calcita (CaCO3).</p><p>Portanto é só coletar e datar a calcita. Isto foi feito por Miranda et al. (2020) pelo método U-Pb em calcita que forneceu a idade</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>113</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>de 135+/- 4.7 Ma. Desta forma, ficou comprovada a reativação de uma zona de cisalhamento transcorrente sinistral de idade</p><p>brasiliana (ca 550M.a) por movimentos extensionais de idade cretácica.</p><p>Para saber mais:</p><p>Miranda, T.S., Neves, S. P, Celestino, Maria A. L., Roberts, N. M.W. 2020. Structural evolution of the Cruzeiro do Nordeste</p><p>shear zone (NE Brazil): Brasiliano-Pan-African- ductile-to-brittle transition and Cretaceous brittle reactivation. Journal of Structural</p><p>Geology, vol 141 p.104-203.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>114</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>8 – ROCHAS ÍGNEAS EM MAPAS GEOLÓGICOS</p><p>8.1 - INTRODUÇÃO</p><p>As rochas ígneas ou magmáticas são divididas em plutônicas e vulcânicas. As plutônicas são formadas e cristalizadas em</p><p>profundidades variáveis na crosta</p><p>da Terra. Desta forma, cristalizam de forma lenta e formam cristais na integridade do magma.</p><p>São chamadas de holocristalinas. As rochas ígneas vulcânicas se formam a profundidades rasas na crosta ou extrudem como</p><p>derrames, ou fluxos de lavas. Desta maneira, o processo de cristalização ocorre de forma mais rápida, podendo desenvolver</p><p>alguns cristais em uma massa afanítica ou até vítrea ou o extremo, uma rocha totalmente vítrea (vidro vulcânico ou obsidiana).</p><p>As principais formas de ocorrência de rochas magmáticas são:</p><p>A - Corpos ígneos discordantes - diques - estes corpos ígneos de dimensões variáveis cortam as estruturas das rochas pré-</p><p>existentes (Fig. 8.1A). No nordeste do Brasil há uma província magmática denominada província pegmatítica da Borborema,</p><p>composta por diques de composição granítica (lato sensu) que cortam rochas distintas (p.ex. biotita xistos, quartzitos,</p><p>metaconglomerados e granitos, entre outros).</p><p>B- Corpos ígneos concordantes - Sills - esses corpos ígneos intrudem ao longo de estruturas preexistentes das rochas</p><p>encaixantes (Fig. 8.1B)</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>115</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 8.1 - (A) Dique de composição basáltica cortando xistos da Formação Seridó, Mina Brejuí-RN. (B) - Sill de granito</p><p>fino cortando o complexo Sertânia, PE 275 na entrada da cidade de Iguaracy.</p><p>8.2 – ROCHAS ÍGNEAS EM MAPAS GEOLÓGICOS</p><p>O serviço geológico do Brasil-CPRM utiliza para a representação de corpos ígneos uma nomenclatura composta da seguinte</p><p>forma: Idade, uma letra grega ( ), e o nome da unidade. Exemplificando, NP32it: NP3 - Neoproterozoico 3 (idade); 2 –</p><p>indicação de um corpo sintectônico, no caso sintectônico ao ciclo Brasiliano; it - associação cálcio alcalina de alto potássio do</p><p>tipo Itaporanga. Um recorte da Folha Campina Grande (Rodrigues et al., 2011) (Fig. 8.2), mostra parte do batólito de Campina</p><p>Grande, membro da associação cálcioalcalina de alto potássio do tipo Itaporanga (NP32it33), sua associação com dioritos</p><p>(NP32s), intrudindo metassedimentos de idade neoproterozoica (NP1sca) do complexo São Caetano. É importante notar o</p><p>formato alongado, em gota, dessa parte do batólito, caracterizando a sua natureza sintectônica.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>116</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 8.2 – Recorte do mapa geológico da folha Campina Grande na escala de 1:100.000 mostrando parte do batólito de</p><p>Campina grande (NP32it33), sua associação com rochas de mesma idade de composição diorítica (NP32s) – suite Intrusiva</p><p>São João do Sabugi, intrudindo rochas metassedimentares do complexo São Caetano (NP1sca).</p><p>Os derrames de basaltos são caracterizados por seu aspecto irregular, ameboidal, cobrindo várias litologias que os</p><p>antecederam. A título de exemplo a figura 8.3, um recorte do mapa geológico folha Boqueirão (Lages e Marinho, 2012), mostra</p><p>a forma de afloramento do derrame denominado basalto Macau de idade Cenozoica, final do Paleógeno.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>117</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 8.3 – Recorte do mapa geológico da Folha Boqueirão na escala de 1:100.000, mostrando a forma de ocorrência da</p><p>unidade basalto Macau (E3m). Notar o aspecto ameboidal do derrame, passando sobre contatos de várias unidades mais</p><p>antigas, em discordância.</p><p>As relações temporais entre corpos ígneos distintos podem ser facilmente identificadas em mapas geológicos. No recorte</p><p>do mapa geológico da folha Belo Jardim (Mariano et al., 2008) (Fig. 8.4), observam-se corpos ígneos da associação cálcioalcalina</p><p>de lato potássio – tipo Itaporanga – NP32it37 e 38 e sua relação com o pluton Serra do Quati – NP33sq. Em primeiro lugar,</p><p>ambos os corpos são de idade neoproterozoica, os corpos it37 e it38 são NP32, ao passo que o pluton Serra do Quati tem como</p><p>nomenclatura NP33. Essa diferença de 2 para 3 indica que os plutons da associação cálcioalcalina são sintectônicos ao ciclo</p><p>Brasiliano, ao passo que os corpos Serra do Quati (3), são tardi- a pós-tectônicos em relação ao ciclo Brasiliano. Importante é</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>118</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>o fato de um dos corpos graníticos Serra do Quati (B na figura 8.4) está alongado acompanhando a orientação da zona de</p><p>cisalhamento transcorrente sinistral de Fazenda Nova. Outra observação que marca o caráter tardio destes corpos (Serra do</p><p>Quati) é o fato do pluton A (Fig. 8.4) cortar os contatos entre os facies distintos dos granitoides calcioalcalinos da associação</p><p>Itaporanga (NP32it37 e 38).</p><p>Figura 8.4 - Recorte do mapa geológico Folha Belo Jardim (Mariano, et al. 2008), mostrando as relações discordantes entre</p><p>os plutons da associação calcioalcalina de alto potássio do tipo Itaporanga (NP32it37 e 38) e os corpos ígneos da Serra do</p><p>Quati (NP33sq). É importante ressaltar a ocorrência de um dos plutons Serra do Quati (B) alojado ao longo da zona de</p><p>cisalhamento transcorrente sinistral de fazenda Nova.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>119</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>A relação de campo entre os granitoides Serra do Quati e os granitoides da associação calcioalcalina de alto potássio do</p><p>tipo Itaporanga (Fig. 8.5) evidencia o contato discordante entre os dois corpos, as distintas características texturais e</p><p>composicionais entre esses dois corpos ígneos e o fato da íntima associação entre os granitoides Serra do Quati e a zona de</p><p>cisalhamento transcorrente sinistral de Fazenda Nova.</p><p>Figura 8.5 – Aspectos de campo da relação entre os plutons da associação calcioalcalina de alto-K do tipo Itaporanga e os</p><p>plutons Serra do Quati. Em (A) espigões dos granitoides leucocráticos do pluton Serra do Quati ao longo da zona de cisalhamento</p><p>transcorrente sinistral de Fazenda Nova. Em (B) relação discordante entre os granitoides porfiríticos da primeira associação, com</p><p>o granito leucocrático da Serra do Quati, ocorrendo em forma de dique.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>120</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Corpos ígneos tabulares discordantes, são denominados diques. Em algumas regiões esses corpos são abundantes e</p><p>marcam uma direção predominante. No corte da Folha Serra Talhada, na escala de 1:100.000 (Bittar, et al. 2014) a representação</p><p>de diques pode ser observada, intrudindo granitoides da associação calcioalcalina de alto potássio do tipo Itaporanga NP32it27,</p><p>na região próxima ao município de Manaíra (Figura 8.5).</p><p>Figura 8.6 - Recorte da Folha Serra Talhada, escala 1:100.000, mostrando profusão de diques com orientação</p><p>essencialmente NS, intrudindo o granitoide Princesa Isabel Neoproterozoico NP32it27, da associação calcioalcalina de alto</p><p>potássio do tipo Itaporanga.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>121</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>9 – NOMENCLATURA DE MAPAS E ESCALAS</p><p>O Brasil está mapeado na sua integralidade na escala de 1:1.000.000 (milionésimo) e a maioria dos mapas geológicos dos</p><p>estados na escala de 1:500.000. A nomenclatura utilizada para denominação das folhas nas respectivas escalas, tem início na</p><p>escala 1:1.000.000 (Fig. 9.1). A folha na escala de 1:1.000.000 tem 6º de largura (longitude) por 4º de altura (latitude); a área</p><p>coberta pela folha, considerando um arco de 1º a 111 km é de 666 km x 444 km. Cada folha na escala de 1:1.000.000 é dividida</p><p>em quatro folhas na escala de 1:500.000. Cada folha na escala de 1:500.000 tem 3º de longitude por 2º de latitude (333 km x</p><p>222 km). Cada folha na escala de 1:500.000 é dividida em quatro folhas na escala de 1:250.000. A folha na escala de 1:250.000</p><p>tem 1º 30´de longitude e 1º de latitude (166,5 km x 111 km).</p><p>Cada folha na escala de 1:250.000 é dividida em seis folhas</p><p>1:100.000. As folhas na escala de 1:100.000 possuem 30´de longitude por 30´de latitude (55,5 km x 55,5 km).</p><p>A nomenclatura segue da seguinte forma:</p><p>Folha 1:1.000.000 SA-20</p><p>Folha 1:500.000 SA-20-Z</p><p>Folha 1:250.000 SA-20-Z-D</p><p>Folha 1:100.000 SA-20-Z-D-VI</p><p>Esta nomenclatura é encontrada em todos os mapas (topográficos e geológicos) em função da escala. Todos os mapas</p><p>apresentam escalas numéricas e gráficas. Na figura 9.2 tem-se a representação da escala numérica e gráfica de 1:100.000. Para</p><p>obtenção da relação entre a escala do mapa e a distância real, colocam-se os dois lados da escala na mesma unidade: 1 cm (no</p><p>mapa): 100.000 cm (no campo).</p><p>Quando se transforma a segunda parte da proporção em metros 1 cm:1000 m (1 m = 100 cm). Desta forma, cada centímetro</p><p>no mapa na escala de 1:100.000, corresponderá a 1 km no campo. Procedimento semelhante pode ser feito para qualquer</p><p>escala. A importância da escala gráfica é que esta mantém a mesma proporção à medida que copias do mapa são realizadas</p><p>com distorções (aumento ou redução). Como esta escala é desenhada no mapa ela sofrerá a mesma distorção (Fig. 9.2).</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>122</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>66º</p><p>63º 60º</p><p>60º 60º60º30'61º30'</p><p>60º</p><p>0º</p><p>2º</p><p>4º 4º</p><p>4º 4º</p><p>3º</p><p>3º30'</p><p>Escala 1:1.000000</p><p>Folha 4º X 6º SA.20</p><p>Escala 1:500000</p><p>Folha º X º SA.20-Z2 3</p><p>Escala 1:250000</p><p>Folha º X º SA.20-Z-D2 3</p><p>Escala 1:100000</p><p>Folha º X º SA.20-Z-D-VI2 3</p><p>V X</p><p>Y Z</p><p>A B</p><p>C D</p><p>I II III</p><p>IV V VI</p><p>Figura 9.1 - Nomenclatura das folhas topográficas e geológicas nas escalas de 1:1.000.000 até a escala de 1:100.000.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>123</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 9.2 – Escalas numérica e gráfica, presentes em mapas topográficos e geológicos.</p><p>9.1 - DECLINAÇÃO MAGNÉTICA</p><p>Segundo a geofísica, o campo magnético da Terra é gerado pela interação entre o núcleo interno do planeta, composto por</p><p>Ni + Fe (C ou S) sólido e o núcleo externo, que se comporta como líquido às pressões e temperaturas reinantes. Desta forma, o</p><p>planeta Terra funciona como um gigantesco imã com linhas de fluxo do Sul para Norte (Fig. 9.3).</p><p>A interação entre o norte geográfico (NG), também chamado de norte verdadeiro, e o norte magnético (NM) faz um ângulo</p><p>horizontal que varia de um lugar para outro e, também, com o tempo (Fig. 9.3). O ângulo entre o norte geográfico e o norte</p><p>magnético (triângulo amarelo) recebe o nome de declinação magnética. A bússola do geólogo tem uma agulha magnética que</p><p>sempre aponta para o N-S magnético. Assim sendo, as bússolas precisam ser ajustadas para que o norte magnético e o norte</p><p>geográfico coincidam, isto é, elas precisam ser declinadas. As bússolas de geólogo do tipo Brunton, permitem este ajuste. Em</p><p>mapas geológicos e topográficos trabalha-se com a norte verdadeiro (norte geográfico). Considerando este fato, todos os mapas</p><p>topográficos e geológicos apresentam uma ilustração que mostra essa relação angular (Fig. 9.4).</p><p>A declinação magnética varia com a localização geográfica e com o tempo. Atualmente existem sites que permitem o cálculo</p><p>da declinação magnética em função das coordenadas geográficas (latitude e longitude), por exemplo NCEI Geomagnetic</p><p>Calculators (noaa.gov). A figura 9.5 mostra a obtenção da declinação para o Recife, como sendo 21º 28’ (vinte e um graus e</p><p>vinte e oito segundos). A precisão da bússola do tipo Brunton é de 1º; desta forma, utilizamos a declinação de 21º (Fig. 9.5).</p><p>https://www.ngdc.noaa.gov/geomag/calculators/magcalc.shtml</p><p>https://www.ngdc.noaa.gov/geomag/calculators/magcalc.shtml</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>124</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 9.3 - Desenho esquemático do campo magnético da Terra modificado em 24/04/2023 de</p><p>linhas de fluxo do campo magnético terrestre geologia - Bing images. Observar a inclinação do campo magnético e as linhas</p><p>de fluxo deste campo saindo do Polo Sul para o Polo Norte. NM = norte magnético; NG=Norte geográfico. Triângulo amarelo</p><p>indica o ângulo entre NG e NM = declinação magnética.</p><p>https://www.bing.com/images/search?view=detailV2&ccid=wkZjpEmg&id=1B5745F366AEC2D5CE4B34393385D84A76740A54&thid=OIP.wkZjpEmgAWdzvyk9DECB8wHaEO&mediaurl=https%3a%2f%2fstatic.planejativo.com%2fuploads%2fnovas%2f1776f2b9fe8b1d06b83251f1fbed0aa6.jpg&cdnurl=https%3a%2f%2fth.bing.com%2fth%2fid%2fR.c24663a449a0016773bf293d0c4081f3%3frik%3dVAp0dkrYhTM5NA%26pid%3dImgRaw%26r%3d0&exph=400&expw=700&q=linhas+de+fluxo+do+campo+magn%c3%a9tico+terrestre+geologia&simid=607997572356207396&FORM=IRPRST&ck=2AA92C84CBA4666C37134B78DD3E4192&selectedIndex=7&ajaxhist=0&ajaxserp=0</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>125</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 9. 4 – Relações entre NM – norte magnético; NQ- norte da quadrícula e NG – norte geográfico.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>126</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 9.5 – Cálculo da declinação magnética para Recife, utilizando o site NCEI Geomagnetic Calculators (noaa.gov).</p><p>https://www.ngdc.noaa.gov/geomag/calculators/magcalc.shtml</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>127</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>9.2 – COORDENADAS GEOGRÁFICAS</p><p>9.2.1 - LONGITUDE E LATITUDE</p><p>Longitude e latitude são coordenadas geográficas utilizadas em mapas topográficos e geológicos, em graus, minuto (‘) e</p><p>segundo (‘’). Um grau tem 60’ e um minuto tem 60’’. Um grau corresponde a 111 km. A longitude tem como base os meridianos.</p><p>O meridiano de referência é o de Greenwich. Trata-se de uma linha imaginária que marca 0º e separa o planeta em W e E</p><p>(Greenwich Meridian and GMT, The Royal Observatory, London (historic-uk.com)). Desta forma as longitudes são separadas em</p><p>E e W. A latitude tem como referência a linha do Equador, que divide o planeta em latitudes N e S. A linha do equador corta o</p><p>extremo norte do Brasil. A maior parte do Brasil fica em latitudes a sul do equador e as longitudes a oeste do meridiano de</p><p>Greenwich.</p><p>9.2.2 - TRABALHANDO COM LATITUDE E LONGITUDE EM MAPAS NA ESCALA DE 1:100.000</p><p>Os mapas na escala de 1:100.00 são folhas com 30’ (minutos) de Latitude e de Longitude, isto é 55,5 km x 55,5 km. Desta</p><p>forma, cada 10’ correspondem a 18,5 km. Nesta escala 18,5 cm. Para localizar as coordenadas de qualquer ponto no mapa é</p><p>necessário fazer uma regra de três simples:</p><p>18,5 cm → 10’</p><p>10 cm → X’</p><p>X = (10 x 10) /18,5 = 5,40 = 5’ e 24’’ (segundos)*</p><p>*Para transformar décimos de minuto em segundos, multiplica-se por 60. Assim, 0,4’ = 0,4’ x 60 = 24’’</p><p>9.3 - COORDENADAS UTM</p><p>As coordenadas UTM são baseadas na projeção cilíndrica, transversal de Mercator, por isso o nome: Universal Transversa</p><p>de Mercator. A coordenada UTM norte tem como referência a linha do Equador (Fig. 9.6). Para o hemisfério Norte, a linha do</p><p>equador tem valor 0 e aumenta para Norte até 10.000 km. Para o hemisfério Sul, o valor no Equador é 10.000 Km e diminui para</p><p>Sul até 0. Desta forma, a coordenada UTM norte sempre aumenta no sentido do Norte. O sistema de coordenadas UTM é</p><p>composto por 60 gomos de 6º cada. Cada gomo ou quadrante, tem um meridiano central que divide o quadrante ao meio, em</p><p>porções de 3º cada. O meridiano central tem valor de 500 km aumentando para leste e diminuindo para oeste (Fig. 9.6).</p><p>https://www.historic-uk.com/HistoryMagazine/DestinationsUK/Greenwich-Meridian-The-Royal-Observatory-London/</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>128</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 9.6 – Quadrante UTM com o Equador e o meridiano Central como referências.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>129</p><p>Gorki Mariano e Paulo</p><p>Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>O Brasil é dividido em quadrantes que são uma combinação de letras e números (Fig. 9.7).</p><p>Figura 9.7 - Montagem aproximada da imagem do Google Earth do Brasil e as divisões em quadrantes marcadas por letras</p><p>e números.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>130</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>10 - O MAPA GEOLÓGICO</p><p>Nesta seção são apresentadas as principais feições de mapas geológicos na escala 1:100.000. Foi escolhido um mapa</p><p>geológico confeccionado dentro do convênio CPRM-UFPE (Neves, et al., 2013). O mapa geológico é acompanhado de um</p><p>relatório técnico de mesma autoria, publicado em 2017 (Neves, et al., 2017). O relatório e o mapa geológico podem ser</p><p>encontrados no seguinte site Repositório Institucional de Geociências: Geologia e recursos minerais da folha Surubim, SB.25-Y-</p><p>C-IV: estados de Pernambuco e Paraíba (cprm.gov.br).</p><p>Os mapas geológicos são confeccionados sobre folhas topográficas homônimas da mesma escala. A etapa inicial de</p><p>confecção de um mapa geológico trata do levantamento bibliográfico de todos os trabalhos já realizados na área. Após a</p><p>compilação de todos os dados já existentes para a folha, tem início a interpretação de imagens obtidas por métodos geofísicos.</p><p>A versão final do mapa geológico tem do lado esquerdo superior a figura de localização geotectônica e geográfica e algumas</p><p>imagens obtidas por geofísica, previamente selecionadas. Na porção inferior esquerda uma figura ilustra as áreas cobertas pelos</p><p>trabalhos anteriormente realizados. Do lado direito do mapa tem-se as Relações Tectono-Estratigráficas, isto é, os domínios</p><p>geológicos cobertos ou envolvidos pelo mapa, seguido das unidades litoestratigráficas, começando da mais nova, no topo, para</p><p>a mais antiga, na base. Em sequência, são listadas: as convenções geológicas e cartográficas e duas figuras; sendo uma com a</p><p>localização geográfica da folha e a outra com sua articulação com as folhas vizinhas.</p><p>Os mapas geológicos realizados pelo Serviço Geológico do Brasil – CPRM e por seus convênios com as Universidades</p><p>podem ser encontradas para download no seguinte site: GeoSGB (cprm.gov.br) no link Cartografia Geológica e a escala</p><p>desejada. Os mapas geológicos estão disponíveis para download em PDF e formatos vetoriais, juntamente com os relatórios</p><p>técnicos correspondentes.</p><p>A folha na escala 1:100.000 tem dimensões de 30’ (trinta minutos) de Longitude e 30’ (trinta minutos) de latitude. A área</p><p>coberta pela folha tem 55,5 km x 55,5 km = 3.080,25 km2 (Fig. 10.1).</p><p>https://rigeo.cprm.gov.br/jspui/handle/doc/17775</p><p>https://rigeo.cprm.gov.br/jspui/handle/doc/17775</p><p>https://geosgb.cprm.gov.br/</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>131</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 10.1 - Mapa geológico da folha Surubim (Folha SB-25-Y-C-IV) na escala 1:100.000.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>132</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>10.1 – DETALHANDO O MAPA GEOLÓGICO</p><p>10.1.1 - O LADO ESQUERDO DO MAPA GEOLÓGICO</p><p>ENCARTE TECTÔNICO - Localizada no canto esquerdo superior dos mapas geológicos, esta figura mostra a localização</p><p>geológica, geotectônica da folha. Na folha Surubim, sua localização é no DZT – Domínio da Zona transversal da província da</p><p>Borborema (Fig. 10.2).</p><p>Figura 10.2 - Encarte tectônico dos mapas geológicos localizados na Provincia da Borborema, Nordeste do Brasil</p><p>(Medeiros, 2011). Neste encarte é possível observar os três principais domínios da província da Borborema, separados pelas</p><p>zonas de cisalhamento transcorrente destrais Patos (a norte) e Pernambuco (ao sul).</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>133</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>IMAGENS OBTIDAS POR MÉTODOS GEOFÍSICOS - Imagens obtidas pelo método de gamaespectrometria aérea são de</p><p>fundamental importância para a identificação de tipos litológicos distintos e estruturas geológicas. Na folha Surubim uma das</p><p>imagens escolhidas foi a gamaespectrometria aérea ternária, canais de Th-U e K. Nesta imagem, fica clara a ocorrência de</p><p>litologias distintas em função da abundância nos elementos utilizados. Na figura 10.3A apresenta-se a gamaespectrometria aérea</p><p>e na 10.3B a interpretação dos contatos entre tipos litológicos e estruturas.</p><p>Figura 10.3 (A) Imagens de gamasespectometria aérea ternária U-Th-K, recorte da folha Surubim. (B) Interpretação parcial</p><p>da imagem mostrando estruturas (dobras e falhas) e o traçado de contatos entre litologias distintas.</p><p>O segundo mapa obtido por geofísica na folha Surubim e escolhido para compor o mapa foi o mapa</p><p>aerogamaespectométrico no canal de K. Este mapa realça os corpos que são ricos em K, por exemplo, granitoides ricos em</p><p>feldspatos potássicos. Na porção sudeste do mapa geológico da folha Surubim, nota-se um corpo ígneo denominado suíte</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>134</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>intrusiva Terra Nova – pluton Bom Jardim, que é muito rico em K e pode ter seu contato com as encaixantes, traçado de forma</p><p>bastante precisa. Comparar a porção sudeste da figura 10.4 com o mapa geológico (Fig. 10.1).</p><p>Figura 10.4 - Mapa de gamaespectrometria aérea, canal de K, mostrando corpos ígneos ricos em K. Destaque para a</p><p>porção sudeste da imagem com a suíte intrusiva Terra Nova – pluton Bom Jardim.</p><p>OS TRABALHOS ANTERIORES - A última figura do lado esquerdo de mapas geológicos padronizados pelo serviço</p><p>Geológico do Brasil – CPRM é uma coletânea, em termos de área geográfica, de todos os trabalhos anteriormente realizados.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>135</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 10.5 – Folha Surubim, com as áreas onde foram realizados trabalhos anteriores à confecção do mapa geológico,</p><p>com as respectivas autorias.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>136</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>10.1.2 - O LADO DIREITO DO MAPA GEOLÓGICO</p><p>AS RELAÇÕES TECTONO-ESTRATIGRÁFICAS - Na porção direita superior do mapa, um quadro mostra os ambientes</p><p>tectônicos cobertos pelo mapa geológico. A folha Surubim fica inteiramente no domínio da zona transversal, entre as zonas de</p><p>cisalhamento Patos a norte e zona de cisalhamento Pernambuco a sul. Neste quadro, os tipos litológicos são listados por idade,</p><p>começando na base com as rochas mais antigas e no topo com as mais novas. Na primeira coluna deste quadro são listados os</p><p>períodos geológicos e a idade em milhões de anos.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>137</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 10.6 - Relações Tectono-estratigráficas com todos os tipos de rochas que ocorrem na área, incluindo os depósitos</p><p>de rios (aluviões), listados por idade.</p><p>UNIDADES LITOESTRATIGRAFICAS – As unidades litoestratigráficas são todos os tipos de rochas que ocorrem na área</p><p>coberta pelo mapa geológico, seguindo a ordem de idade. As rochas mais antigas na base e as mais jovens no topo. Estão</p><p>listados abaixo alguns exemplos por período geológico.</p><p>Na base da coluna litoestratigráfica do mapa geológico da folha Surubim ocorrem as rochas de idade Paleoproterozoica,</p><p>isto é, com idade em torno de 2,0 bilhões de anos.</p><p>Acima a simbologia para a unidade litoestratigráfica mais antiga da folha – a simbologia utilizada PP2 significa</p><p>Paleoproterozoico 2, que varia de 2,3 a 2,05 Bilhões de anos (Ga). Em sequência, as letras fl definem o nome da unidade,</p><p>Complexo Floresta. Complexo é um conjunto de rochas metamórficas. O complexo Floresta é composto por ortognaisses</p><p>(gnaisses derivados de rochas ígneas), datados pelo método U-Pb em zircão entre 2,115 a 2,016 Ga.</p><p>Todas as litologias presentes nos mapas geológicos do Serviço Geológico</p><p>95</p><p>7.1 – TIPOS DE FALHAS ................................................................................................................................................ 96</p><p>7.1.1 – FALHAS NORMAIS........................................................................................................................................... 96</p><p>7.1.2 – FALHAS INVERSAS ......................................................................................................................................... 97</p><p>7.1.3 – FALHAS TRANSCORRENTES ......................................................................................................................... 97</p><p>7.2 FALHAS EM MAPAS GEOLÓGICOS SIMPLIFICADOS ............................................................................................ 98</p><p>7.3 – FALHAS EM MAPAS GEOLÓGICOS ................................................................................................................... 106</p><p>7.4 - FALHAS E ZONAS DE CISALHAMENTO EM MAPAS GEOLÓGICOS ................................................................. 107</p><p>7.5 – CASO DE ESTUDO – REATIVAÇÃO DE ZONAS DE CISALHAMENTO TRANSCORRENTES POR FALHAS</p><p>NORMAIS .............................................................................................................................................................................. 110</p><p>8 – ROCHAS ÍGNEAS EM MAPAS GEOLÓGICOS ........................................................................................................ 114</p><p>8.1 - INTRODUÇÃO....................................................................................................................................................... 114</p><p>8.2 – ROCHAS ÍGNEAS EM MAPAS GEOLÓGICOS.................................................................................................... 115</p><p>9 – NOMENCLATURA DE MAPAS E ESCALAS ............................................................................................................ 121</p><p>9.1 - DECLINAÇÃO MAGNÉTICA .................................................................................................................................... 123</p><p>9.2 – COORDENADAS GEOGRÁFICAS .......................................................................................................................... 127</p><p>9.2.1 - LONGITUDE E LATITUDE............................................................................................................................... 127</p><p>9.2.2 - TRABALHANDO COM LATITUDE E LONGITUDE EM MAPAS NA ESCALA DE 1:100.000 ........................... 127</p><p>9.3 - COORDENADAS UTM .......................................................................................................................................... 127</p><p>10 - O MAPA GEOLÓGICO ............................................................................................................................................. 130</p><p>10.1 – DETALHANDO O MAPA GEOLÓGICO .............................................................................................................. 132</p><p>10.1.1 - O LADO ESQUERDO DO MAPA GEOLÓGICO ............................................................................................ 132</p><p>10.1.2 - O LADO DIREITO DO MAPA GEOLÓGICO .................................................................................................. 136</p><p>10.2 - CONTATOS LITOLÓGICOS ................................................................................................................................ 141</p><p>10.3 - O PERFIL OU CORTE GEOLÓGICO .................................................................................................................. 144</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>5</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>11 - RFERÊNCIAS ........................................................................................................................................................... 146</p><p>ANEXO 1 – PROBLEMAS RESOLVIDOS ....................................................................................................................... 148</p><p>MERGULHOS VERDADEIROS VS. MERGULHOS APARENTES ................................................................................ 148</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>6</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>PREFÁCIO</p><p>O livro Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos, de Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel, é uma importante</p><p>obra que os autores comungam conosco. No transcorrer da leitura, o estudante e o profissional terão a certeza de descortinar a</p><p>carreira consolidada de docência, formação de Geólogos e pesquisa científica do primeiro autor, enquanto registrarão a visão</p><p>espacial ímpar de um dos excelentes Geólogos formados na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que recentemente</p><p>atingiu o grau de doutor. O Professor Gorki Mariano completa agora toda uma carreira de dedicação à academia, denotando</p><p>singular conhecimento e vivência geológica, dosados com notória didática, em vastas horas de aulas práticas de laboratório e</p><p>de campo. Tudo traduzido em larga experiência na formação de inúmeros Geólogos, mestres e doutores. O Doutor Paulo Ricardo</p><p>Riedel, provido de espírito científico, porta, além de um sobrenome inconfundível na Geologia Estrutural, a maestria da</p><p>observação espacial, aliada à virtude da transmissão de conteúdo de forma simples ao entendimento.</p><p>A obra acadêmica que se segue vem estruturada em dez capítulos, mais um anexo, onde: (1) NOTAÇÃO EM GEOLOGIA,</p><p>engloba as Estruturas Planares & Lineares e as notações em rumo e azimute; (2) MERGULHO VERDADEIRO vs. MERGULHO</p><p>APARENTE, inclui as relações entre os mesmos, explanadas em exercícios propostos na forma de casos e suas soluções, além</p><p>de lista de exercícios; (3) O PROBLEMA DOS TRÊS PONTOS, contempla o traçado de contatos de camadas, os tipos de</p><p>espessuras, obtenção de atitude de planos, perfil topográfico e geológico, além também de exercícios propostos na forma de</p><p>casos e suas soluções; (4) INTERAÇÃO ENTRE TOPOGRAFIA E GEOLOGIA, particulariza as curvas de nível e topografia, os</p><p>padrões de afloramento e a regra dos Vs; (5) DISCORDÂNCIAS, sob o descortinar cristalino de como se formam, os seus tipos</p><p>e como abordá-las em mapas geológicos; (6) DOBRAS, considerando-as desde a abordagem em afloramento, até em mapas</p><p>geológicos, exemplificando-as com recentes mapas geológicos; (7) FALHAS/ZONAS DE CISALHAMENTO, explicando os tipos,</p><p>a configuração em mapas geológicos, além do trato integrado destas estruturas geológicas, culminando com uma bem elaborada</p><p>explanação de caso, há décadas visitado nas aulas de campo em que participaram os autores, sendo exemplo internacional de</p><p>reativação daquelas dúcteis, pelas outras rúpteis; (8) ROCHAS ÍGNEAS EM MAPAS GEOLÓGICOS, concede ao leitor a</p><p>degustação do que tange o estudo destas rochas, através da configuração em mapas geológicos; (9) NOMENCLATURA DE</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>7</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>MAPAS E ESCALAS, revela com clareza, desde declinação magnética e coordenadas geográficas, até escalas, incluindo a</p><p>amalgamação de todas nos mapas geológicos; (10) O MAPA GEOLÓGICO, esmiúça, de forma clara e concisa, o detalhamento</p><p>das etapas de concepção e a composição do mapa geológico, fazendo uso de mapas geológicos produzidos pelo grupo de</p><p>trabalho da UFPE, em convênio com o Serviço Geológico do Brasil. A obra finda com os créditos do ANEXO 1, com problemas</p><p>resolvidos sobre mergulhos verdadeiros e aparentes, incluindo aplicações práticas na exploração de veio mineralizado e quanto</p><p>às medidas de fraturas, em cortes de estradas não ortogonais às mesmas.</p><p>É digno de se mencionar que, uma marca indelével da obra são as definições expressas, didaticamente, de forma simples</p><p>e clara. As ilustrações são destaques, notoriamente de excelente qualidade, coloridas, de fácil</p><p>do Brasil – CPRM, são listadas seguindo esse</p><p>formato: Idade (PP2), seguida da abreviação do nome da unidade. Há uma cor específica para cada unidade. Desta forma, a cor</p><p>e a simbologia PP2fl são indispensáveis para a localização desta unidade (Complexo Floresta) no mapa geológico.</p><p>O Paleoproterozoico é subdividido em quatro períodos:</p><p>PP4</p><p>PP3</p><p>PP2</p><p>PP1</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>138</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>A tabela geológica do tempo pode ser obtida no site IUGS | International Commission on Stratigraphy (ICS).</p><p>Em sequência, as unidades do Mesoproterozoico. Na folha Surubim tem-se MP1st. Ortognaisse Taquaritinga, augen-</p><p>ortognaisse de composição sienogranítica, datado pelo método U-Pb em zircão com 1,52 Ga.</p><p>O Mesoproterozoico é subdividido em três períodos:</p><p>Em sequência, as unidades litoestratigráficas do Neoproterozoico. Exemplificando uma unidade complexa, com várias</p><p>litologias distintas NP23sc: Complexo Surubim Caroalina. Trata-se de um complexo de rochas metamórficas paraderivadas, i.e.,</p><p>derivadas de rochas sedimentares, composto por xistos, que são predominantes, gnaisses finos (gn); rochas calcossilicáticas</p><p>(c), mármore (m) e quartzito (qt).</p><p>MP3</p><p>MP2</p><p>MP1</p><p>https://www.iugs.org/ics</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>139</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>O Neoproterozoico é subdividido em três períodos NP1, NP2 e NP3, do mais velho para o mais novo.</p><p>Ainda no Neoproterozoico, na província da Borborema, ocorreu durante o ciclo Brasiliano (Ca 600 M.a) intenso magmatismo</p><p>granítico (lato sensu). Utilizaremos como exemplo o pluton Aroeiras. Trata-se de um corpo ígneo plutônico composto por biotita-</p><p>hornblenda quartzo-monzodiorito e monzogranito, datado pelo método U-Pb em 618 Ma.</p><p>NP3</p><p>NP2</p><p>NP1</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>140</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Onde, a sigla NP3 – idade Neoproterozoico 3 – Ediacarano; 2 – gamma2 – sintectônico ao ciclo brasiliano e it35 –</p><p>associação calcioalcalina de alto potássio do tipo Itaporanga.</p><p>Alguns corpos ígneos são tratados com a denominação de suíte, como é o caso, na folha Surubim, da Suíte Intrusiva Terra</p><p>Nova – Pluton Bom Jardim. A unidade principal é um biotita-anfibólio sienito porfirito, seguido por biotita-anfibólio melassienito</p><p>(m); leucogranito equigranular (l) e anfibólio-biotita sienito extremamente grosso (g).</p><p>Onde a sigla NP3 – idade Neoproterozóico 3 – Ediacarano; 3 – gamma3 – tardi- a pós-tectônico ao ciclo brasiliano; tn5 –</p><p>Suíte Terra Nova – predomínio de sienitos.</p><p>AS LEGENDAS PARA ESTRUTURAS</p><p>Foliações: as foliações são representadas por direção (traço maior), perpendicular a esta o sentido de mergulho e ao lado</p><p>a intensidade do mergulho.</p><p>Exemplo de plano de foliação, com direção, sentido e intensidade de mergulho.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>141</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Lineações: as lineações são linhas contidas em um plano. Desta forma, conforme ilustrado abaixo, sua representação é</p><p>uma linha com indicação do valor do caimento.</p><p>As representações para dobras, falhas e zonas de cisalhamento já foram apresentadas nos capítulos anteriores.</p><p>Com o conhecimento da nomenclatura e das simbologias utilizadas em mapas geológicos é possível obter o arcabouço</p><p>tridimensional destes mapas. A leitura e compreensão mapas Geológicos é de fundamental importância para a formação do</p><p>Geólogo.</p><p>.</p><p>10.2 - CONTATOS LITOLÓGICOS</p><p>Os contatos entre tipos litológicos distintos podem ocorrer de várias formas.</p><p>1 – Contatos diretos – quando duas litologias estão lado a lado, separadas por uma linha</p><p>Exemplo de plano de foliação, com indicação de lineação e seu caimento.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>142</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Contato direto entre litologias distintas na Folha Surubim: NP23sc – Complexo neoproterozoico (NP23sc) Surubim Caroalina</p><p>– rochas metassedimentares, em contato com PP2sg – Complexo paaleoproterozoico Salgadinho – ortognaisses e PP2ve -</p><p>Complexo paleoproterozoico Vertentes-ortognaisses. (Neves et al. 2013)</p><p>2 – Contatos controlados por Zonas de Cisalhamento – é comum, na Província da Borborema, o contato de corpos ígneos</p><p>de idade neoproterozoica com as encaixantes, ocorrer através de zonas de cisalhamento.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>143</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Contato marcado por zona de cisalhamento entre: NP33tn5 – suíte intrusiva Terra Nova e NP23sc – rochas</p><p>metassedimentares do complexo Surubim-Caroalina. Ao longo do contato ocorre o desenvolvimento da zona de Cisalhamento</p><p>transcorrente destral Chã Grande. (Neves et al.2013)</p><p>3 - Contato controlado por dobramento – as rochas quando dobradas e submetidas a erosão podem desenvolver contatos</p><p>controlados por estas estruturas. Na folha Surubim dobramentos são frequentes e localmente os contatos entre litologias distintas</p><p>são desenhados por estas estruturas.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>144</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Contato controlado por dobramento normal sinforme, com plano axial E-W envolvendo:NP23scqt – quartzitos do complexo</p><p>neoproterozóico Surubim-Caroalina e NPml – ortognaisse mata limpa. O dobramento afeta as duas litologias. Observar que as</p><p>foliações no ortognaisse mostram inversão de sentido de mergulho, caracterizando a dobra sinforme. (Neves et al. 2013)</p><p>10.3 - O PERFIL OU CORTE GEOLÓGICO</p><p>A escolha do perfil geológico deve ser feita de tal maneira a cobrir a maior parte das litologias e estruturas presentes na</p><p>folha. Idealmente, o corte deve ser realizado perpendicular às estruturas. O autor do corte pode fazer interpretações, a partir das</p><p>estruturas observadas, para cima e parra baixo do corte. Abaixo ilustramos algumas porções do corte geológico da folha Surubim</p><p>( Neves, et al. 2013).</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>145</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Tendo início em NW na litologia NP32it51 – um corpo ígneo intrusivo da associação calcioalcalina de alto potássio do tipo</p><p>Itaporanga, com contato controlado por zona de cisalhamento transcorrente sinistral com o PP2ve – complexo paleoproterozóico</p><p>vertentes.</p><p>A idade da zona de cisalhamento - como a zona de cisalhamento afeta um corpo ígneo de idade neoproterozoica, está deve</p><p>ser desta idade. A simbologia acima da zona de cisalhamento indica a sua cinemática. Círculo com ponto no centro indica</p><p>a saída da seta e o círculo com x no centro a entrada da seta. Analisando-se o movimento das setas, conclui-se que a cinemática</p><p>desta zona de cisalhamento é sinistral (anti-horária).</p><p>Na parte estrema direita do fragmento do corte acima, observam-se dobramentos de segunda fase (F2), envolvendo rochas</p><p>paleoproterozoicas do complexo Salgadinho (PP2sg) e rochas neoproterozoicas do complexo Surubim- Caroalina (NP23sc). No</p><p>corte os traços dos planos axiais são representados por linhas pretas, tracejadas. Considerando-se que o dobramento afeta</p><p>rochas de idade neoproteroizoica, fica claro que esta fase dobramentos F2 (segunda fase de dobramentos), ocorreu nesta idade</p><p>O corte possibilita ao geológico ressaltar as estruturas e facilitar a compreensão tridimensional do mapa geológico.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>146</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>11 - RFERÊNCIAS</p><p>Alves, M.A. de, Santos, P. R. S., Lima Filho, M. de, 2019. Bioestratigrafia do limite cretáceo-paleógeno da bacia da</p><p>paraíba com base na palinologia. Estudos Geológicos, v 29(1) pp 3-24.</p><p>Archer, Stuart</p><p>G., Underhill, John R., Peters Kenneth E. 2017. Hutton’sGreat Unconformity at Siccar Point,</p><p>Scotland: Where deep time was revealed and uniformitarianism conceived. AAPG Bulletin, v. 101, no.</p><p>4 (April 2017), pp. 571–577</p><p>Assine, M. L. 1990. Sedimentação e Tectônica da bacia do Araripe, Nordeste do Brasil. Rio Claro, 124p.</p><p>Dissertação de Mestrado. Instituto de Geociências e Ciências Exatas, Universidade Estadual</p><p>Paulista.</p><p>Bittar, S.M. B., Guimarães, I. P., Barreto, S. B. 2014. Programa Geologia do Brasil -PGB. Serra Talhada. Folha SB-</p><p>24-Z-C-V. Estado de Pernambuco. Mapa Geológico. Recife.CPRM.2009.1 1 mapa colorido, 94,03X70,32 cm.</p><p>Escala 1:100.000.</p><p>Bittar, S.M. B., Guimarães, I. P., Barreto, S. B. 2014. Programa Geologia do Brasil -PGB. Itaporanga. Folha SB-24-Z-</p><p>C-II. Estado da Paraíba. Mapa Geológico. Recife.CPRM.2009.1 1 mapa colorido, 94,03X70,32 cm. Escala</p><p>1:100.000.</p><p>Grieg, D.C., 1988, Geology of the Eyemouth district: British Geological Survey, Sheet 34 (Scotland), 78 p.</p><p>Kerr, A. 2018. Classic Rock Tours 1. Hutton’s Unconformity at Siccar Point, Scotland: A Guide for Visiting</p><p>the Shrine on the Abyss of Time. Geoscience Canada, v. 45,</p><p>https://doi.org/10.12789/geocanj.2018.45.129 pages 27–42 © 2018 GAC/AGC®.</p><p>Lages, G. A. e Marinho, M.S. 2012. Programa Geologia do Brasil -PGB. Boqueirão. Folha SB-24-Z-D-II. Estado da</p><p>Paraíba. Mapa Geológico. Recife.CPRM.2012.1 1 mapa colorido, 94,03X70,32 cm. Escala 1:100.000.</p><p>Legrand, J. M., Sá, M. J., Maia, H. N., Souza, L. C. 2009. Programa Geologia do Brasil -PGB. Jardim do Seridó. Folha</p><p>SB-24-Z-B-V. Estado do Rio Grane do Norte. Mapa Geológico. Recife.CPRM.2009.1 1 mapa colorido,</p><p>94,03X70,32 cm. Escala 1:100.000..</p><p>Mariano, G.; Silva, J. M.R. da; Correia, P.de B.;Neves, S..P.; CabraL, A. F. ; Silva, F. M. J. V. ; Chagas, I. T. ;</p><p>Miranda, T. S. ; Oliveira, S. F. ; Freire, B. S. . Nota explicativa da folha Belo Jardim (SC.24-X-B-III), escala</p><p>1:100 000. 2007.</p><p>Mariano, G.; Silva, J. M.R. da; Correia, P.de B.;Neves, S..P.; CabraL, A. F. ; Silva, F. M. J. V. ; Chagas, I. T. ;</p><p>Miranda, T. S. ; Oliveira, S. F. ; Freire, B. S. . Programa Geologia do Brasil -PGB. Belo Jardim Folha SB-24-Z-</p><p>B-V. Estado de Pernambuco, escala 1:100 000. 2008.</p><p>http://lattes.cnpq.br/9480872229631779</p><p>http://lattes.cnpq.br/9329958819852011</p><p>http://lattes.cnpq.br/9257679689413129</p><p>http://lattes.cnpq.br/9480872229631779</p><p>http://lattes.cnpq.br/9329958819852011</p><p>http://lattes.cnpq.br/9257679689413129</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>147</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Medeiros, V.C., Amaral, C.A., Rocha, D.E.G.A., Santos, R.B. 2005. Programa Geologia do Brasil - PGB. Sousa. Folha</p><p>SB.24-Z-A. Estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Mapa Geológico. Recife: CPRM, 2005, 1 mapa,</p><p>color., 66cm x 108cm. Escala 1:250.000.</p><p>Medeiros, V. C. de, Medeiros, W. E.de, Jardim de Sá, E. F. 2011. Utilização de imagens aerogamaespectrométricas,</p><p>landsat 7 etm+ e aeromagnéticas no estudo do arcabouço crustal da porção central do domínio da zona</p><p>transversal, Províincia Borborema, NE do Brasil. Revista Brasileira de Geofíısica (2011) 29(1): 83-97</p><p>Mendes. V. A; Brito, M.F.L;Paiva, I. P. 2009.Programa Geologia do Brasil-PGB. Arapiraca. FolhaSC.24-X-D. Estados</p><p>de Alagoas, Pernambuco e Sergipe. Mapa Geológico. Recife: CPRM, 2009, 1 mapa, color, 112,37 cm x 69,42</p><p>cm. Escala - 1 :250.000.</p><p>Miranda, T.S., Neves, S. P, Celestino, Maria A. L., Roberts, N. M.W. 2020. Structural evolution of the Cruzeiro do</p><p>Nordeste shear zone (NE Brazil): Brasiliano-Pan-African- ductile-to-brittle transition and Cretaceous brittle</p><p>reactivation.Journal of Structural Geology, vol 141 p.104-203</p><p>Neves, S.P., Mariano, G.; Silva, J.M. R. 2017. Geologia e Recursos Minerais da Folha Surubim – SB.25-Y-C-IV.</p><p>Programa Geologia do Brasil. Serviço Geologico do Brasil. Convênio CPRM-UFPE 98p.</p><p>Neves, S.P., Mariano, G.; Silva, J.M. R. 2013 Programa Geologia do Brasil -PGB. Folha Surubim. SB-25-Y-C-4. Estado</p><p>de Pernambuco. Carta Geológica. Recife. CPRM, 2013. 1 mapa colorido 90,06X72,14cm. Escala 1:100.000.</p><p>Neves, S. P., Mariano, G.1999. Assessing the tectonic significance of a large-scale transcurrent shear zone system:</p><p>the Pernambuco lineament, northeastern Brazil. Journal of Structural Geology 21pp 1369-1383</p><p>Neumann, V. H. de M. L.; Miranda, T. S. de; 2016. Geologia e recursos minerais da Folha Poço da Cruz, SC.24-X-A-</p><p>VI. Estados de Pernambuco e de Alagoas. Programa Geologia do Brasil-PGB. Carta Geológica, Recife, CPRM-</p><p>UFPE, 2016. ! mapa colorido 90,06X72,14cm. Escala 1:100.000</p><p>Pereira, C. dos S.; Santos, C. A. dos; Palmeira, L.C. M; Lima, F. J. da C.; Brito, M. de F. L. de; Lages, G. de A.; Cunha,</p><p>A. L. C. da. 2020. Avaliação do potencial mineral do Oeste de Pernambuco para ouro e metais base – Folha</p><p>Bodocó SC.24-Y-D-V Estado de Pernambuco- Projeto ARIM. Carta geológica: folha SB.24-Y-D-V Bodocó.</p><p>Recife: CPRM, 2020. Escala 1:100.000.</p><p>Rodrigues, S. W. O, Medeiros, V. C., Brito neves, B.B., Marinho, M.S., Oliveira, R.G. 2011. Programa Geologia do</p><p>Brasil -PGB. Campina grande. Folha SB-25-Y-C-4. Estados da paraíba e Pernambuco. Carta Geológica. Recife.</p><p>CPRM, 2011. 1 mapa colorido 90,06X72,14cm. Escala 1:100.000.</p><p>Platt, J. I. e Challinor, J. 1954. Simple Geological Structures – A series of notes and map exercices. Thomas Murby &</p><p>Co. 57p.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>148</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>ANEXO 1 – PROBLEMAS RESOLVIDOS</p><p>MERGULHOS VERDADEIROS VS. MERGULHOS APARENTES</p><p>1 – Transforme as seguintes medidas de foliações de rumo para azimute:</p><p>N60E/55°/SE; N40E/40°/NW; S60E/45°/NE; S30W/55°/NW. Faça plotagem de todas as medidas.</p><p>2- Em cada plano encontre mergulhos aparentes de 15°e 25°</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>149</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>3 – Determinar os mergulhos aparentes solicitados</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>150</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>4 – Dados dois mergulhos aparentes de um mesmo plano encontre o mergulho verdadeiro.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>151</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>5 – Um veio mineralizado em Cobre tem a seguinte atitude N55E/60°/NW. Qual o sentido que este veio pode ser</p><p>explorado ao longo de um plano inclinado com 10° (obs. Duas respostas)?</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>152</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>6 – Um sistema de fraturas tem a seguinte atitude N80W/80°/NE. Qual a sentido ao longo da qual uma estrada que</p><p>corta este sistema apresenta mergulho aparente de 30° (obs. Duas respostas)?</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>153</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>154</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>leitura e compreensão. Ao longo</p><p>do livro, os autores servem-se de fotografias de rochas em afloramentos pernambucanos, outros do Nordeste do Brasil, e ainda</p><p>mundo afora.</p><p>Detalhe minucioso da obra é dado pelas ilustrações, em particular, dos casos do Geossítio K-Pg da mina Poty, na zona</p><p>costeira de Pernambuco, e da discordância angular de Siccar Point, na Escócia, ponto já eternizado na Geologia do nosso</p><p>Planeta. Os autores enfatizam, no caso escocês, a descoberta e o estudo há 235 anos, com a participação daquele que é</p><p>considerado o Pai de Nossa Ciência, a Geologia.</p><p>A obra é permeada por exercícios contemplando casos práticos e reais, cada um contando com a sua devida solução, além</p><p>do bônus das “questões para pensar”, que os leitores recebem.</p><p>Os autores utilizam, zelosamente, legendas adequadas para os tipos de rochas e as estruturas geológicas que figuram nos</p><p>mapas geológicos estudados. Estes, por sua vez, tornam também a obra ímpar, pois são abundantemente aplicados, todos</p><p>estrategicamente selecionados, observando-se o caráter didático. São tanto de alguns clássicos da literatura acadêmica mundial,</p><p>como daqueles muito recentes do Nordeste do Brasil. Estes últimos encerram particular ênfase, nas escalas 1:100.000 e</p><p>1:250.000, no Estado de Pernambuco. Alguns deles, o próprio Professor Gorki Mariano coordenou e participou ativamente da</p><p>concepção. Parte dos mapas geológicos estudados na obra vem de outros estados, irmãos nordestinos.</p><p>Aqui, contando com a vênia dos autores, reporto que, ao receber o convite para prefaciar a obra, fui tomado por imensa</p><p>honra e regozijo. Tais sentimentos despertaram a pronta aceitação do desafio, somados à percepção da oportunidade de</p><p>aprendizagem recebida.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>8</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Não há dúvida que esta será uma obra de leitura e uso contínuos, obrigatório para alunos dos Cursos de Geologia, ainda</p><p>para aqueles de Pós-Graduação em áreas correlatas, além de que para os Mestres por ofício.</p><p>João Adauto de Souza Neto</p><p>Currais Novos (RN), 26 de maio de 2023.</p><p>Aos estudantes de Desenho Geológico</p><p>Que através dos anos</p><p>Aprenderam a Geologia em planos</p><p>Adquirindo a visão tridimensional</p><p>Do ser Geólogo</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>9</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>1 - NOTAÇÃO EM GEOLOGIA</p><p>1.1 - PLANOS E LINHAS - PLANOS EM GEOLOGIA</p><p>1.1.1 - ESTRUTURAS PLANARES E LINEARES</p><p>Foliação - Estrutura planar caracterizada pela orientação de minerais; comumente encontrada em rochas metamórficas.</p><p>Em alguns corpos ígneos é possível a observação de foliação controlada pelo fluxo magmático e até acamamento magmático.</p><p>A diferença da foliação de fluxo magmático para a foliação produzida por metamorfismo é que esta é mais proeminente e regular</p><p>(Fig. 1.1).</p><p>Lineação - Estrutura caracterizada por orientação de minerais ou por estrias em forma de linhas, contidas em planos. As</p><p>estrias são comuns em planos de falhas. As lineações devem ser medidas juntamente com o plano que as contém (Fig. 1.2 e</p><p>1.3).</p><p>Figura 1.1 - Gnaisse bandado, com foliação caracterizada por orientação planar de minerais e bandas composicionais.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>10</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Planos de Fraturas - Estruturas planares desenvolvidas em regimes rúpteis (Fig. 1.2).</p><p>Planos de Falha - Estruturas planares caracterizadas por deslocamento entre blocos de rochas.</p><p>Figura 1.2 - Plano de falha com estrias paralelas ao sentido de mergulho do plano (seta preta). Plano de fratura.</p><p>Milonito de álcali-feldspato granito - Zona de cisalhamento Congo-Cruzeiro do Nordeste. BR110, PE.</p><p>Plano Axial de Dobras - Estrutura planar que une os pontos de maior inflexão da dobra (zona de charneira) e contém o eixo</p><p>da dobra (lineação). Esta estrutura pode ser chamada de superfície axial, quando a dobra não for simétrica e regular; isto é,</p><p>quando apresentar ondulações. As dobras são estruturas formadas por deformação dúctil (Fig. 1.3).</p><p>Plano de Falha</p><p>Plano de</p><p>Fratura</p><p>E</p><p>strias</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>11</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>PLANO A</p><p>XIA</p><p>L</p><p>ZO</p><p>N</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>C</p><p>H</p><p>A</p><p>R</p><p>N</p><p>E</p><p>IR</p><p>A</p><p>Figura 1.3 - Antiforme vertical com eixo horizontal. Dobra apertada em ultramilonitos de composição granítica da Serra das</p><p>Russas, BR 232, Vitória de Santo Antão - PE. Destaques para o plano axial e zona de charneira.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>12</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>1.2 - NOTAÇÃO EM RUMO</p><p>Os planos geológicos são compostos de três medidas, que juntas recebem o nome de atitude do plano. São elas: direção,</p><p>intensidade de mergulho e sentido de mergulho.</p><p>Direção de um plano - Linha horizontal contida no plano (horizontal do plano); linha ao longo da qual todos os pontos</p><p>possuem a mesma cota topográfica ou linha de declividade zero grau, contida no plano.</p><p>Intensidade de mergulho de um plano - Ângulo vertical obtido ao longo de uma linha perpendicular à direção do plano;</p><p>maior ângulo vertical deste plano ou linha de declividade máxima do plano.</p><p>Sentido de mergulho de um plano - Sentido medido ao longo da linha de máxima declividade do plano.</p><p>A notação em Rumo é tomada do Norte para o Leste e Oeste e do Sul para o Leste e Oeste, respectivamente (Fig. 1.4).</p><p>.</p><p>Figura 1.4 - Representação de notação geológica em Rumo. A leitura é feita em ângulos horizontais partindo do Norte e</p><p>do Sul.</p><p>N</p><p>W E</p><p>S</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>13</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Exemplo de Notação utilizando Rumo - direção do plano (ex. planos de foliação, fratura, falha), horizontal do plano. A</p><p>primeira direção passa pela origem (encontro de N-S e E-W); perpendicular a esta, encontra-se a projeção do mergulho (linha</p><p>para S30E), que indica o sentido de mergulho. Há uma profundidade h, qualquer, é traçada outra linha de direção, paralela à que</p><p>passa pela origem (Fig. 1.5). No bloco diagrama (Fig. 1.6) fica clara a diferença de cotas topográficas entre a direção que passa</p><p>pela origem (cruzamento N-S e E-W) e a direção de profundidade h.</p><p>Figura 1.5 - Notação em Rumo. N60E/30º/S30E. Ângulo vertical de mergulho (30º) não é mostrado na figura. Para</p><p>representar o ângulo vertical no plano de trabalho é necessário o rebatimento deste (Fig.1.6).</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>14</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 1.6 - Bloco diagrama ilustrando Direção de camadas planares; Direção na profundidade h; mergulho verdadeiro;</p><p>projeção do mergulho verdadeiro e rebatimento do mergulho verdadeiro. Importante ressaltar que a projeção mantém a</p><p>orientação original enquanto o rebatimento muda essa orientação (isto é, o rebatimento pode ser feito para dois sentidos ao</p><p>longo da projeção do mergulho). Desta forma, os sentidos de mergulho devem ser sempre medidos nas projeções e nunca nos</p><p>rebatimentos.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>15</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>1.3 - NOTAÇÃO EM AZIMUTE</p><p>A notação de planos geológicos em azimute é feita de forma contínua a partir do Norte, no sentido horário de 0 a 360º.</p><p>Figura 1.7 – Notação de planos geológicos em azimute.</p><p>Exercício 1 - Transforme as seguintes medidas de foliações de rumo para azimute:</p><p>N60E/55/SE; N40E/40/NW; S60E/45/NE; S30W/55/NW e faça plotagem de todas as medidas.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>16</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>2 - MERGULHO VERDADEIRO vs. MERGULHO APARENTE</p><p>2.1 - DEFINIÇÕES</p><p>Mergulho Verdadeiro - Maior</p><p>ângulo vertical medido em um determinado plano. O mergulho verdadeiro de um plano é obtido</p><p>ao longo da linha de declividade máxima do plano, isto é, na linha perpendicular à direção do plano.</p><p>Mergulho Aparente - Qualquer ângulo vertical obtido ao longo de uma linha que não seja perpendicular à direção do plano.</p><p>Os mergulhos aparentes variam da intensidade do mergulho verdadeiro até 0º em cada setor do plano (Fig. 2.1).</p><p>Figura 2.1 - Mergulho verdadeiro e mergulhos aparentes. Todas as linhas plotadas no plano de trabalho são projeções. Os</p><p>ângulos verticais dos respectivos mergulhos estão sob estas linhas. Estes ângulos só são representados no plano de trabalho</p><p>quando se utiliza a técnica de rebatimento (Fig. 1.6).</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>17</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>2.2 - VARIAÇÃO DO VALOR DO MERGULHO APARENTE</p><p>A intensidade de mergulho aparente varia do valor do mergulho máximo do plano, quando este é medido na perpendicular</p><p>à direção do plano (neste caso recebe o nome de mergulho verdadeiro ou declividade máxima do plano), até zero, quando é</p><p>medido ao longo (ou paralelamente) da direção do plano (Fig. 2.2).</p><p>Figura 2.2 – Variação do valor do mergulho aparente para o plano de foliação 60Az/30º/150Az. A partir da</p><p>projeção do mergulho verdadeiro, os triângulos em vermelho e verde mostram as possibilidades de mergulhos</p><p>aparentes do plano. Estes mergulhos podem variam de 30º até 0º. Próximos a 30º (maior declividade do plano) quando</p><p>medidos ao longo da projeção do mergulho verdadeiro. À medida que se afastam da projeção no sentido da direção</p><p>do plano (horizontal do plano) os valores tendem a 0º; atingindo este valor quando paralelos à direção. As áreas em</p><p>vermelho e verde possuirão mergulhos aparente iguais em sentidos distintos.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>18</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>2.3 - REBATIMENTO DE ÂNGULOS VERTICAIS</p><p>A técnica de rebatimento permite a visualização de ângulos verticais nos planos de trabalho. Esta técnica consiste na</p><p>rotação ao longo das projeções do mergulho verdadeiro e de mergulhos aparentes de ângulos verticais (Fig. 1.6 e 2.3). O</p><p>rebatimento pode ser feito para um lado ou outro da linha da projeção, tanto do mergulho verdadeiro, quanto dos aparentes.</p><p>Figura 2.3 - Representação geométrica de um plano de foliação com mergulho verdadeiro (projeção e rebatimento) e dois</p><p>mergulhos aparentes com as respectivas projeções e rebatimentos. Na figura, o valor h (1 cm) é referente a profundidade da</p><p>segunda projeção da direção (projeção da direção de profundidade h). Este valor é obtido a partir do rebatimento do ângulo</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>19</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>vertical referente ao mergulho verdadeiro. Com este valor (h = 1cm) a partir do ponto onde a projeção do mergulho aparente</p><p>toca a projeção da direção de profundidade h, obtém-se o mergulho aparente, com h perpendicular a esta projeção.</p><p>2.4 - RELAÇÕES ENTRE MERGULHOS VERDADEIROS E APARENTES</p><p>2.4.1 - PRIMEIRO CASO:</p><p>A partir de um determinado mergulho com direção/intensidade/sentido conhecidos, obter o valor de mergulhos aparentes</p><p>em determinado sentido.</p><p>Problema: Um gnaisse apresenta a seguinte foliação: N45E/40º/SE. Obter mergulhos aparentes para E (leste); S (sul) e</p><p>S20W.</p><p>Solução:</p><p>1- Plotar o plano nas coordenadas (N-S e E-W), direção passando pela origem; plotar a projeção do sentido de mergulho</p><p>perpendicular a esta direção.</p><p>2 – Traçar uma linha paralela a direção do plano que passa pela origem (encontro entre N-S e E-W) a uma profundidade h</p><p>qualquer. Esta linha será a projeção da direção do plano naquela profundidade (horizontal do plano de profundidade h).</p><p>3 – Rebater o valor do mergulho verdadeiro (40º) utilizando a projeção do mergulho verdadeiro como base. Imagine o ângulo</p><p>vertical de 40º abaixo da linha da projeção do mergulho verdadeiro (formando um triângulo) e que é possível mover este triângulo</p><p>para o plano do papel (plano de trabalho). Neste caso este ângulo vertical se transformará em um ângulo horizontal de mesmo</p><p>valor (40º). A linha que representa a projeção do mergulho verdadeiro funciona como eixo de rebatimento (Triângulo abc na</p><p>Fig.2.4).</p><p>4 -Será formado um triângulo reto (Triângulo abc na Fig.2.4), envolvendo os seguintes catetos: projeção do mergulho</p><p>verdadeiro (ab, Fig.2.4); rebatimento do mergulho verdadeiro (hipotenusa do triângulo, ac na Fig. 2.4)) e o valor h ao longo da</p><p>projeção da direção de profundidade h e perpendicular à projeção do mergulho verdadeiro.</p><p>5 – Utiliza-se este valor h (profundidade da segunda direção, obtido após o rebatimento do mergulho verdadeiro) para</p><p>determinação dos valores dos mergulhos aparentes solicitados. Quando a linha com sentido E (leste) tocar a projeção da direção</p><p>de profundidade h, este ponto estará na profundidade h. A partir deste ponto e perpendicular à linha de sentido E, mede-se o</p><p>valor de h, através do qual obteremos o rebatimento do mergulho aparente e o seu valor, medido com um transferidor (ângulo ,</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>20</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Fig.2.4). Este procedimento deve ser repetido para todos os sentidos ao longo dos quais são solicitados mergulhos aparentes</p><p>(S; e S20W). Veja as figuras 1.12 (bloco diagrama) e 1.13.</p><p>Figura 2.4 – Bloco diagrama mostrando camadas planas com mergulho constante. Mostrando o Mergulho verdadeiro (ab),</p><p>a projeção deste mergulho no plano de trabalho (ac), mergulhos aparentes m1 e m2 e projeções destes mergulhos no plano de</p><p>trabalho; direção do plano na intersecção destes com o plano de trabalho; direção do plano na profundidade h; projeção da</p><p>direção do plano da profundidade h.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>21</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 2.5 – Solução gráfica/geométrica do problema proposto: obter mergulhos aparentes a partir de um plano de Foliação</p><p>com atitude conhecida (direção/intensidade/sentido). A figura segue os itens 1-5 propostos acima para a solução do problema.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>22</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>2.4.2 - SEGUNDO CASO:</p><p>A partir de dois mergulhos aparentes contidos em um determinado plano, obter a atitude deste plano</p><p>(direção/intensidade/sentido).</p><p>Problema: Considerando dois mergulhos aparentes contidos em um determinado plano de foliação, a saber: 40º/N30E (m1)</p><p>e 30º/S70E (m2), obter a direção, intensidade e sentido do mergulho verdadeiro. Este caso se aplica em situações, tais como,</p><p>uma galeria de mina subterrânea corta as camadas em um ângulo transversal à direção do plano de interesse. Desta forma, só</p><p>é possível a obtenção de mergulhos aparentes nas paredes das galerias.</p><p>Solução:</p><p>1 – Plotar os dois mergulhos aparentes m1 e m2 nas coordenadas (N-S e E-W). Estes mergulhos aparentes são tratados</p><p>como linhas. Mergulhos aparentes, na realidade, são linhas contidas em planos.</p><p>2 – Rebater os ângulos de mergulho (intensidade de mergulho) de cada mergulho aparente. O eixo de rebatimento é a linha</p><p>de projeção destes mergulhos.</p><p>3 – Escolher um dos mergulhos aparentes (p. ex m1) e a partir deste obter um ponto com profundidade h qualquer (Fig.2.6).</p><p>A obtenção deste ponto deve ser ao longo de um segmento de reta ligado a projeção do mergulho aparente e perpendicular a</p><p>este até tocar a linha do rebatimento. Na Figura 2.6 o ângulo 1, representa esse rebatimento. Note que o segmento de valor h</p><p>(em vermelho) é perpendicular ao segmento de reta da projeção de m1.</p><p>4 – Obter na outra projeção de mergulho (m2) um segmento de reta, perpendicular à projeção e até tocar o rebatimento, de</p><p>mesmo tamanho (h). Desta forma, são obtidos dois</p><p>pontos de mesma profundidade h (isto é, pontos de mesma cota topográfica.</p><p>5 – Unindo os dois pontos de mesma cota topográfica (h) é obtida uma direção do plano de interesse de profundidade ou</p><p>cota h (Fig. 2.7). Projeção da direção de profundidade h.</p><p>6 – Traça-se uma paralela a esta direção de profundidade h, passando pela origem (encontro entre N-S e E-W, Fig. 2.8)</p><p>7 – Perpendicular as duas direções, a partir da origem obtêm-se a projeção do sentido de mergulho verdadeiro. A partir</p><p>deste estágio da solução já foram obtidos a direção do plano e o sentido de mergulho, faltando para a sua conclusão a intensidade</p><p>de mergulho (Fig. 2.8).</p><p>8 – Quando a projeção do sentido de mergulho verdadeiro (máxima declividade) toca a direção de profundidade h, obtêm-</p><p>se o terceiro ponto de profundidade h. A partir deste, perpendicular a projeção do mergulho verdadeiro, ao longo desta direção,</p><p>coloca-se o valor h (em cm), permitindo a obtenção do rebatimento do ângulo de mergulho verdadeiro. Com esta etapa concluída</p><p>são obtidos Direção; intensidade e sentido de mergulho desejados. (Fig.2.8, ângulo ).</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>23</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 2.6 – Plotagem dos dois sentidos de mergulho aparente, com os respectivos rebatimentos. No mergulho aparente</p><p>m1 obter um ponto de profundidade h (1,3 cm).</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>24</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 2.7 – Obtenção do segundo ponto de profundidade h (ponto verde) em m2 e traçado da projeção da</p><p>direção de profundidade h</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>25</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 2.8 – Obtenção da segunda direção passando pela origem; perpendicular a estas a projeção do mergulho verdadeiro</p><p>(sentido do mergulho verdadeiro). Quando a projeção de M toca a direção de profundidade h (ponto verde), obtêm-se mais um</p><p>ponto de profundidade h. Utilizando-se o valor de h em cm, procede-se ao rebatimento de M (mergulho verdadeiro), dando origem</p><p>ao ângulo (ângulo do mergulho verdadeiro).</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>26</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>2.5 - LISTA DE EXERCÍCIOS:</p><p>1- Determine mergulhos aparentes a partir dos dados abaixo:</p><p>A - Foliação: N60E/70/NW determinar mergulhos aparentes para N; S60W; W;</p><p>Compare as medidas obtidas – discuta as semelhanças e diferenças.</p><p>B - Plano de falha S50E/60/SE determinar mergulhos aparentes para S; W; N70W</p><p>2 – Dados dois mergulhos aparentes de um mesmo plano encontre o mergulho verdadeiro.</p><p>a- 30/N40E e 20/S50E</p><p>b- 10/N25W e 10/S60W</p><p>c- 400/S30E e 30/N50E</p><p>d- 10/N e 25/E</p><p>e- 30/W e 50/S</p><p>3 – Um veio mineralizado em Cobre tem a seguinte atitude N55E/50/NW. Qual o sentido que este veio pode ser explorado</p><p>ao longo de um plano inclinado com 10 (obs. Duas respostas)? (Dica: utilizar funções trigonométricas)</p><p>4 – Um sistema de fraturas tem a seguinte atitude N80W/70/NE. Qual a sentido ao longo da qual uma estrada que corta</p><p>este sistema apresente mergulho aparente de 30 (obs. Duas respostas)? (Utilizar funções trigonométricas)</p><p>5- Construa um bloco diagrama ilustrando mergulho verdadeiro, mergulhos aparentes, projeções e rebatimentos de planos.</p><p>3. O PROBLEMA DOS TRÊS PONTOS</p><p>3.1 - TRAÇADO DE CONTATOS DE CAMADAS PLANAS COM MERGULHO CONSTANTE</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>27</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>3.1.2 - PRIMEIRO CASO</p><p>Este problema tem por objetivo treinar a relação tridimensional entre planos geológicos e a topografia do terreno. Importante</p><p>relembrar como são construídas as curvas de nível e como são confeccionados os mapas topográficos. Um geólogo identifica</p><p>três pontos aflorantes de um mesmo contato geológico entre duas camadas. Dois destes pontos foram encontrados na mesma</p><p>cota topográfica; um terceiro em cota distinta, como mostra o mapa topográfico (pontos x) da Figura 3.1A.</p><p>Figura 3.1A - Mapa topográfico com curvas de nível espaçadas de 20 m. Neste mapa os pontos em X representam o</p><p>contato entre uma camada de argilito e outra de arenito. Na coluna estratigráfica ainda são mostrados: calcário (sobre o</p><p>argilito) e conglomerado (abaixo do arenito). De acordo com a coluna estratigráfica o Calcário é a rocha mais nova e o</p><p>conglomerado a mais velha. Observar a indicação do norte (N) e da escala do mapa, indispensáveis na solução do problema.</p><p>3.1.3 - SOLUÇÃO</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>28</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>1- Considerando que há dois pontos do mesmo afloramento (argilito/arenito) na mesma cota topográfica (120 m) é possível</p><p>traçar a direção do plano, que representa o contato entre argilito e arenito. Esta direção do plano tem cota topográfica de 120 m.</p><p>Todos os pontos ao longo desta direção possuem cota de 120 m.</p><p>2- Pelo terceiro ponto do mesmo contato (argilito/arenito) situado na cota de 220 m, paralelo à primeira direção de cota 120</p><p>m, pode ser traçada uma direção de cota 220 m. As direções do plano são paralelas.</p><p>3- O sentido de mergulho verdadeiro, máxima declividade do plano, é obtido perpendicular às duas direções (na realidade,</p><p>à projeção do mergulho verdadeiro). O sentido de mergulho se dá na direção de cota topográfica mais alta para a direção de</p><p>cota topográfica mais baixa do plano geológico - contato (esse comportamento independe do relevo da região – não confundir a</p><p>topografia com a geologia).</p><p>4- Agora tem-se duas direções 220 m e 120 m. Desde que o espaçamento das curvas de nível é de 20 m, ao longo da</p><p>perpendicular às duas direções (projeção do mergulho verdadeiro); será possível traçar de forma equidistante as direções de</p><p>cotas topográficas 140; 160; 180 e 200. (Fig. 3.1B e 3.1C).</p><p>Figura 3.1B - Primeira direção do plano que representa o contato do arenito com argilito D120. Pelo ponto na cota do 220</p><p>do mesmo contato traçar D220 paralela à D120. Dividir em partes iguais o segmento ab de forma a obter direções de</p><p>140;160;180;200. Segmento ab deve ser dividido em cinco partes iguais.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>29</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>5- A divisão do segmento ab em partes iguais permitirá que sejam traçadas as direções de cotas 140;160;180 e 200,</p><p>respectivamente. Quando estas direções interceptarem as curvas de nível de mesma cota topográfica serão obtidos novos pontos</p><p>de afloramentos do contato entre argilito e arenito. (Fig. 3.1C).</p><p>Figura 3.1C – Determinação de pontos aflorantes adicionais a partir da interação entre as direções e curvas de nível de</p><p>mesma cota. Unindo-se estes pontos será obtido o traçado do contato do argilito com o arenito.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>30</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 3.1D - Traçado do contato entre arenito e argilito. O traçado do contato deve respeitar as curvas de nível. Na</p><p>direção de cota mais alta D220, por fora desta curva, o contato passa entre pontos acima de 220 m.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>31</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>6- Uma questão: de que lado do traçado do contato fica o argilito? Norte ou Sul? Lembrar que o plano das camadas</p><p>mergulha para Sul. Como solucionar?</p><p>Resposta: Escolhe-se uma direção de cota qualquer, ex. D160 e analisa-se a sua relação com a topografia do terreno.</p><p>Considere o contato entre argilito e arenito nesta direção (D160). Na porção Oeste (W) do mapa a topografia do terreno é superior</p><p>a 160 m, assim, o plano que é o contato do argilito com arenito está abaixo do solo. Desta forma, nesta porção da área aflora a</p><p>camada mais nova deste</p><p>contato, o argilito. Na porção leste, após a curva de nível de 160 m, a topografia do terreno é inferior a</p><p>160 m. Sendo assim, o plano que representa o contato do argilito com arenito já foi erodido, aflorando a camada mais antiga</p><p>deste contato; o arenito (Fig. 3.1E).</p><p>Figura 3.1E - Áreas de afloramento do argilito e do arenito.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>32</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>3.1.4 - ESPESSURA VERTICAL, ESPESSURA AFLORANTE E ESPESSURA VERDADEIRA</p><p>A espessura vertical (Evt) é medida a partir de um furo de sonda vertical, ligando o topo à base de determinada camada.</p><p>Nos mapas geológicos simplificados utilizados aqui, a espessura vertical será utilizada com frequência.</p><p>A espessura aflorante (W) é determinada pela área aflorante de determinada camada medindo-se do topo à base desta.</p><p>Esta espessura varia de acordo com a declividade do terreno e a intensidade de mergulho da camada.</p><p>A espessura verdadeira (Evd) é obtida medindo-se a espessura da camada perpendicular ao topo e à base. Esta medida é</p><p>utilizada para informações concernentes a cubagem de recursos minerais. É através dela que o geólogo determina o teor de</p><p>determinado bem mineral de interesse econômico em uma camada.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>33</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 3.2 - Relações entre espessuras vertical (Evt), aflorante (W) e verdadeira (Evd).</p><p>3.2 - ADICIONANDO CAMADAS</p><p>No mapa topográfico abaixo, os pontos X representam o contato entre argilito e arenito. Esta primeira parte do problema já</p><p>foi solucionada (Fig. 3.1A-E).</p><p>A camada de argilito possui 40 m de espessura vertical e acima da mesma ocorre uma camada de calcário margoso. A</p><p>camada de arenito possui 20 m de espessura vertical e abaixo da mesma ocorre um conglomerado oligomítico. Construa o mapa</p><p>geológico da área. Escala 1:2000. Determine a espessura verdadeira do argilito, a partir das Fig. 3.1E e 3.3.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>34</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 3.3 – Mapa base, com traçado do contato entre argilito e siltito.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>35</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 3.4 - Traçado do contato do topo do argilito e base do calcário. Considerando a espessura vertical do argilito, todas</p><p>as linhas de direção que representavam a base do mesmo, devem ser adicionadas de 40 m. Desta forma, a linha de direção</p><p>mais a norte com cota de 220 m para a base do argilito terá, agora, 260 m de cota para o topo do mesmo. Fazer o mesmo para</p><p>todas as direções. Com os novos valores (40 m acima) fazer a interação destas direções com a topografia do terreno e marcar</p><p>os pontos de afloramento. Em seguida traçar o contato do topo do argilito (linha azul).</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>36</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 3.5 - Considerando que acima do argilito só ocorre calcário (a camada mais nova da área), já é possível determinar</p><p>a área de afloramento do calcário. Para concluir o mapa, faz-se necessário traçar o contato da base do arenito com o topo do</p><p>conglomerado.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>37</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 3.6 - Considerando a espessura vertical do arenito (20 m), todas as direções que representam a base do argilito</p><p>(primeiro passo da solução do problema, Fig. 3.3) serão reduzidas de 20 m (em vermelho). Com estes novos valores faz-se a</p><p>intersecção da direção com a topografia e, desta forma, é obtido o traçado do contato da base do arenito e do topo do</p><p>conglomerado.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>38</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>3.2.1 - MAPA FINAL COM TODAS AS LITOLOGIAS</p><p>Figura 3.7 - Mapa final com todas as litologias.</p><p>Este mapa está concluído? Como obter a Direção/Intensidade/Sentido destes planos?</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>39</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>3.2.2 - OBTENDO A ATITUDE DO PLANO - DIREÇÃO/INTENSIDADE DE MERGULHO/SENTIDO</p><p>1- Escolha qualquer linha de direção de qualquer um dos contatos. Linha de direção de 180 m do contato entre argilito e</p><p>arenito (180 em preto, Fig. 3.6). Imediatamente abaixo desta, há a direção de 160 m para o mesmo contato. O plano mergulha</p><p>da direção de cota mais elevada (180 m) no sentido da direção de menor cota (160 m).</p><p>2- A diferença entre estas duas direções com cotas distintas é de 20 m.</p><p>3- A escala do mapa é 1:2000. Esta escala indica que 1 cm no mapa correspondem a 2000 cm na realidade. Para</p><p>transformar em metros, cortamos dois zeros (1 m = 100 cm). Desta forma, 1 cm = 20 m. Considerando que a diferença de cota</p><p>entre as direções de 180 m e 160 m é de 20 m e sabendo que perpendicular às duas tem-se a projeção do mergulho verdadeiro,</p><p>é possível rebater o ângulo vertical para o plano do mapa, com h de 1 cm, obtendo-se o ângulo de Mergulho Verdadeiro que</p><p>deve ser medido com transferidor (Fig. 3.8).</p><p>4- Utilizando o Norte (N) marcado no mapa como referência de coordenada geográfica, é possível obter</p><p>Direção/Intensidade/Sentido.</p><p>Figura 3.8 - Recorte do mapa geológico da Fig. 3.6, ilustrando a obtenção de Direção/Intensidade de mergulho/Sentido.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>40</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p> Intensidade de mergulho (45º). Para fazer o rebatimento do mergulho foram utilizadas as direções de 180 m e 160 m</p><p>(direções consecutivas); colocando na direção de menor cota, ao longo desta direção, a partir da projeção do mergulho (ab),</p><p>esta diferença na escala do mapa (cd em vermelho= 1cm)</p><p> Relação entre a direção e o Norte do mapa (88º). Direção N88W/45º/S2W</p><p>3.2.3 - PERFIL TOPOGRÁFICO E GEOLÓGICO</p><p>1 - Para realizar o perfil escolhe-se inicialmente um corte (A-B) que, preferencialmente, passe por todas as camadas</p><p>mapeadas. O corte ideal deve ser perpendicular às direções das camadas. Neste caso, utiliza-se ao longo do corte o mergulho</p><p>verdadeiro. Quando o corte não for perpendicular à direção se faz necessário o cálculo do mergulho aparente ao longo do corte.</p><p>2 - Ao longo desta linha utiliza-se um papel milimetrado graduado de acordo com escala (isto é, escala do corte ou escala</p><p>vertical = escala horizontal ou escala do mapa).</p><p>3 - Confecção do perfil topográfico. Ao longo de A-B: pontos da topografia do terreno (curvas de nível) interceptadas por A-</p><p>B. Todos os pontos devem ser marcados. Em sequência ligar os pontos, a mão livre, e obter o corte topográfico ao longo de A-</p><p>B (Fig. 3.9).</p><p>4 - Após a confecção do perfil topográfico, verifica-se a intersecção da linha A-B com os contatos geológicos. Esses contatos</p><p>devem ser marcados ao longo do perfil topográfico. Como o plano em questão mergulha para SW, a sua intensidade de mergulho</p><p>deverá ser representada no corte no sentido de A, com um ângulo de 11º em relação à horizontal (Fig. 3.10). Este valor de</p><p>mergulho aparente se deve ao fato do corte A-B ser próximo da direção do plano, como mostra a figura 3.9.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>41</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 3.9 – Corte/perfil topográfico ao longo de A-B.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>42</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 3.10 - Obtenção do mergulho aparente das camadas ao longo do corte A-B. aR = rebatimento do M (mergulho</p><p>verdadeiro); aM = Projeção do mergulho verdadeiro. aRm = rebatimento do mergulho aparente ao longo do corte A-B.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>43</p><p>Gorki Mariano</p><p>e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>3.2.4 - EXERCÍCIOS PROPOSTOS – PROBLEMA DOS TRES PONTOS PRIMEIRO CASO</p><p>Problema 1 - No mapa topográfico abaixo, os pontos X representam o contato entre uma camada de Argilito e Arenito. A</p><p>camada de argilito possui 40 m de espessura vertical. Acima da mesma, ocorre uma camada de calcário margoso. A camada de</p><p>arenito possui 20 metros de espessura vertical e abaixo da mesma ocorre um conglomerado oligomítico. Construa o mapa</p><p>geológico da área. Escala 1:2000. Dê os cortes marcados.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>44</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Problema 2 - Os pontos X representam o contato entre duas camadas planas, paralelas e com mergulho constante. A</p><p>camada superior é um siltito ferruginoso e a inferior um argilito. A camada de argilito possui 200m de espessura vertical e</p><p>abaixo da mesma ocorre uma camada de calcário fossilífero. A camada de siltito tem espessura vertical de 200m e acima da</p><p>mesma ocorre uma camada de arenito fino. Construa a coluna estratigráfica e o mapa geológico da área e calcule as</p><p>espessuras verdadeiras das camadas de siltito e argilito. Determine a profundidade na qual um furo de sonda vertical,</p><p>localizado no ponto P (100) encontrará o topo do calcário fossilífero. Dê os cortes marcados (A-B e E-F). Escala 1:10.000.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>45</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Problema 3 - O topo de uma camada de arenito aflora nos pontos X, Y e Z. Determine o padrão de afloramento, traçando</p><p>o contorno da mesma, e a atitude da camada (direção/intensidade de mergulho/sentido de mergulho). Acima da camada de</p><p>arenito ocorre uma camada de argilito. Abaixo da camada de arenito (espessura vertical de100m) ocorre uma camada de</p><p>conglomerado. Elabore a coluna estratigráfica e construa o mapa geológico da área. Dê os cortes A-B e C-D. Escala 1:10.000.</p><p>Determine a espessura verdadeira do arenito.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>46</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>3.2.5 - SEGUNDO CASO: TRÊS PONTOS EM COTAS DISTINTAS</p><p>O Geólogo mapeando determinada região encontra três pontos aflorantes do mesmo contato litológico em cotas</p><p>topográficas distintas.</p><p>3.2.6 - SOLUÇÃO:</p><p>1 - Considerando que os três pontos estão localizados em cotas topográficas distintas, não é possível, de imediato, traçar uma</p><p>das direções do plano. Para que isso ocorra é necessário a obtenção de um ponto adicional (quarto ponto) em uma das cotas</p><p>conhecidas. IMPORTANTE: Os planos geológicos envolvidos nestes problemas possuem mergulho constante.</p><p>2 – Os três pontos em cotas topográficas distintas necessariamente terão o seguinte comportamento: (a) um ponto na cota mais</p><p>alta; (b) um ponto em cota intermediária e (c) e um ponto na cota mais baixa.</p><p>3 – Considerando esses pontos contidos em um plano com mergulho constante, será possível ligar o ponto de cota mais elevada</p><p>ao de cota mais baixa e ao longo deste segmento de reta obter um ponto com cota igual àquele de cota intermediária (Fig.3.11).</p><p>Figura 3.11 - Os pontos X representam o contato entre uma camada de Argilito e outra de Calcário. Os pontos aflorantes</p><p>estão em três cotas distintas. Solução: Ligar o ponto de maior cota (400) com o ponto de menor cota (100); dividir este segmento</p><p>de reta em partes iguais para obter cotas intermediárias. Desta forma se obtém ao longo desta linha um ponto de cota 300 (igual</p><p>àquele de cota intermediária, já conhecido).</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>47</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>4 - Conforme a Fig. 3.11, ao longo do segmento de reta que liga o ponto de cota 100 m com o de cota 400 m, após sua</p><p>divisão em partes iguais, é obtido o ponto de cota 300 m. Desta forma, obtém-se dois pontos na cota de 300 m. Ligando esses</p><p>dois pontos será obtida a primeira direção (D300 Fig. 3.11A). A partir desta primeira direção é possível traçar, através de retas</p><p>paralelas a esta, as direções de 400, 200 e 100 metros (D400; D200 e D100).</p><p>Figura 3.11A - A primeira direção do plano é traçada, ligando o ponto de cota 300 m obtido ao longo do segmento de reta</p><p>que liga 400 a 100 (D300).</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>48</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>5 - Em sequência ao traçado das direções, a interação destas com a topografia do terreno (direção do plano intercepta a</p><p>cota topográfica do terreno de igual valor → ponto aflorante), permite a obtenção de pontos de afloramento e traçado do contato</p><p>(Fig. 3.11B).</p><p>Figura 3.11B - A partir desta primeira direção é possível traçar as outras direções, paralelas a esta (D400, D300, D200,</p><p>D100). Quando D400 intercepta a curva de nível de 400 m = ponto aflorante.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>49</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>6. Obtenção do traçado do contato e da atitude do plano (Fig. 3.12).</p><p>Figura 3.12 - Traçado do contato com obtenção da direção/intensidade/sentido (N61W/28º/N29E ou 299Az/28º/29Az) do</p><p>plano e distribuição das litologias, no mapa.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>50</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>3.2.7 - EXERCÍCIOS PROPOSTOS → PROBLEMA DOS TRÊS PONTOS SEGUNDO CASO</p><p>Problema 1 - Dois poços verticais perfurados em B (800 m) e C (700 m) encontraram o topo de uma camada de arenito</p><p>fino, a 200 e 300 m de profundidade, respectivamente. O topo da mesma camada aflora em A (500 m), em contato com uma</p><p>camada de siltito, sobreposto. A camada de siltito tem espessura vertical de 100 m e acima da mesma ocorre uma camada de</p><p>calcário fossilífero. Abaixo do arenito, que possui espessura vertical de 100 m, ocorre um conglomerado oligomítico. Construa o</p><p>mapa geológico da área e dê os cortes marcados. Escala 1:10.000.</p><p>Conglomerado</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>51</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Problema 2 - No mapa topográfico abaixo, os pontos X representam o contato entre calcário laminado e folhelho</p><p>betuminoso. O calcário tem espessura vertical de 100 m acima dele ocorre uma camada de argilito. O folhelho betuminoso</p><p>tem espessura vertical de 100 m e abaixo dele ocorre uma camada siltito com 200 m de espessura vertical. Abaixo do siltito</p><p>ocorre uma camada de arenito fino. Construa o mapa geológico da área, determine a atitude das camadas. Dê os cortes</p><p>marcados. Determine a espessura verdadeira do siltito e do folhelho e a profundidade na qual um furo vertical em D</p><p>encontrará o topo do arenito fino. Escala 1:10.000.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>52</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Problema 3 - Os pontos X representam o topo de uma camada de arenito fino com 200 m de espessura vertical, abaixo</p><p>da qual ocorre uma camada de arenito grosso. Sabendo que acima do arenito fino há uma camada de siltito e que abaixo do</p><p>arenito grosso (200 m Evt) ocorre um conglomerado, construa o mapa geológico da área, dê os cortes marcados e determine</p><p>as espessuras verdadeiras dos arenitos fino e grosso. Determine a profundidade na qual um furo vertical em E encontrará o</p><p>topo do arenito grosso. Escala 1:10.000.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>53</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>3.2.8 – TERCEIRO CASO: UM PONTO AFLORANTE COM ATITUDE (DIREÇÃO/INTENSIDADE/SENTIDO)</p><p>Um geólogo mapeando uma determinada área encontra um ponto aflorante de um contato litológico entre duas</p><p>camadas que permite que o mesmo, com sua bússola, obtenha as medidas deste plano: direção/intensidade/sentido. O</p><p>geólogo teve o cuidado de obter as coordenadas UTM do ponto</p><p>e, também, a sua cota topográfica.</p><p>Em legendas de mapas geológicos a atitude (direção/intensidade/sentido) de um determinado plano pode ser</p><p>representado da forma ilustrada abaixo. A direção é orientada em relação ao norte do mapa; perpendicular a esta o sentido</p><p>de mergulho e ao lado a intensidade.</p><p>30</p><p>Figura 3.13 – Mapa topográfico de um morro, com um ponto aflorante de um contato entre duas camadas, com a atitude</p><p>informada. COMO RESOLVER???</p><p>Dica Importante: Faça o download de mapas geológicos do</p><p>serviço geológico do Brasil e estude as simbologias das legendas.</p><p>https://rigeo.cprm.gov.br/xmlui/handle/doc/18474?show=full.</p><p>Link para o PDF do mapa Geológico da Folha Itaporanga</p><p>https://rigeo.cprm.gov.br/xmlui/handle/doc/18474?show=full</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>54</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>3.2.9 - SOLUÇÃO:</p><p>1- O ponto aflorante possui direção e está sobre uma cota topográfica conhecida (200 m). Desta forma, já é possível traçar</p><p>a primeira direção. Como o relevo é um morro, obtém-se mais um ponto aflorante, quando esta direção de cota 300 (D300) cortar</p><p>novamente a curva de nível de 300 m. Dois pontos: muito bem! Como obter o restante para ter condições de traçar o contato</p><p>entre estas camadas?</p><p>2- Uma informação importante: estamos trabalhando com planos com mergulhos constantes. Desta forma, como dispomos</p><p>do sentido de mergulho e da sua intensidade, será possível solucionar o problema.</p><p>3 - Prolonga-se a projeção do mergulho verdadeiro (ab) e efetua-se o seu rebatimento (ar), como mostrado na figura 3.14.</p><p>A linha h (em vermelho) tem 1 cm de comprimento, perpendicular a projeção do mergulho e, consequentemente, paralela à</p><p>direção, toca a linha ar (rebatimento do mergulho verdadeiro). Sabe-se que 1 cm, na escala do mapa, corresponde a 100 m.</p><p>Logo, é possível traçar por h uma nova direção 100 m abaixo da primeira (D200) (Fig.3.14).</p><p>Figura 3.14 – Mapa topográfico com um ponto aflorante com atitude (direção/intensidade/sentido). Projeção do sentido de</p><p>mergulho = ab; rebatimento do ângulo de mergulho= ar; h (em vermelho) 1 cm, perpendicular a ab e tocando ar. Na escala do</p><p>mapa h=100m. OBS. Em caso de dúvida volte à Fig. 1.6. Bloco diagrama, que ilustra rebatimento.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>55</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>4 – O Passo 3 permite a obtenção do espaçamento (E = ac na Fig. 3.15) entre as direções consecutivas. Desta forma é</p><p>possível traçar todas as direções necessárias. Em sequência, a partir da interação entre as direções e as cotas topográficas,</p><p>respectivas, são obtidos pontos de afloramento do contato, representado pelo plano medido pelo Geólogo. Desta forma, quando</p><p>a direção D200 intercepta a cota topográfica de 200 m esse contato geológico aflora (X).</p><p>Figura 3.15 – Traçado do contado geológico a partir do ponto com informação de Direção/Intensidade/Sentido.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>56</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>5 – Para resolver a questão da página anterior considere que o contato entre o argilito e o calcário fossilífero fique</p><p>estabelecido com o valor de qualquer direção já traçada. Desta forma, considerando a direção escolhida a D300. Faz-se a</p><p>análise da relação desta direção com a topografia do terreno. No círculo em azul na Fig. 3.16 o plano do contato está a 300</p><p>m de altitude (cota) e a topografia do terreno em 200 m. Logo, o contato já foi erodido e a camada que aflora é inferior, isto</p><p>é, o calcário fossilífero. Analisando o círculo em vermelho, o plano que representa o contato está a 300 m e a topografia do</p><p>terreno a 400 m; portanto aqui o contato está abaixo do solo, aflorando o argilito.</p><p>Figura 3.16 Análise da relação entre a direção de determinada cota (D300) e a topografia do terreno, visando</p><p>determinar as áreas de afloramento das litologias mapeadas. Círculo em azul está na cota topográfica de 200 m; sobre a</p><p>direção do plano de contato geológico na cota de 300 m (D300); logo o terreno está abaixo do contato. Desta forma. aflora</p><p>o calcário fossilífero. No círculo em vermelho, a topografia é 400 m e o plano geológico 300 (D300), logo o nível do terreno</p><p>está acima do contato, aflorando o argilito.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>57</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Figura 3.17 – Mapa geológico final da área.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>58</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>3.2.10 - EXERCÍCIOS PROPOSTOS → PROBLEMA DOS TRÊS PONTOS 1 PONTO AFLORANTE</p><p>Problema 1 - No mapa topográfico abaixo aflora no ponto A o contato entre uma camada de arenito grosso e outra de</p><p>arenito fino. O plano deste contato tem a seguinte atitude: N58E/45º/NW. Construa o mapa geológico da área sabendo que</p><p>abaixo do arenito fino que tem espessura vertical de 20 m, ocorre uma camada de calcário fossilífero e que acima do arenito</p><p>grosso (espessura vertical 20 m) ocorre um conglomerado aurífero. Dê os cortes marcados. Elabore a coluna estratigráfica de</p><p>um furo vertical em H até a profundidade de 100 m. Determine as espessuras verdadeiras do arenito fino e do grosso. Escala</p><p>1:1000.</p><p>CALCÁRIO</p><p>FOSSILÍFERO</p><p>CONGLOMERADO</p><p>AURÍFERO</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>59</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Problema 2 - No mapa topográfico abaixo, o ponto com atitude (direção/intensidade/sentido) representa o afloramento do</p><p>topo de uma camada de dolomito com espessura vertical de 100m, acima da qual ocorre uma camada de marga, com espessura</p><p>vertical de 150m. Construa o mapa geológico da área sabendo que abaixo do dolomito ocorre uma camada de folhelho e acima</p><p>da marga ocorre uma camada de calcário fossilífero. Dê os cortes marcados (A-B e C-D). Determine a espessura verdadeira do</p><p>dolomito e da marga. Determine a profundidade na qual um furo vertical em H encontrará o topo do folhelho. Escala 1:10.000.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>60</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>4 - INTERAÇÃO ENTRE TOPOGRAFIA E GEOLOGIA</p><p>4.1 - INTRODUÇÃO</p><p>A compreensão da ordem e dinâmica dos processos geológicos envolvidos em uma determinada área é fundamental tanto</p><p>para a confecção quanto para a interpretação de um mapa geológico. A ordenação dos sucessivos eventos geológicos que</p><p>atuaram para moldar esta região, ou seja, a cronologia relativa dos eventos, é um dos principais objetivos da cartografia</p><p>geológica. Um geólogo experiente é capaz de visualizar tridimensionalmente o que é apresentado em um mapa geológico de</p><p>forma rápida e precisa e, com isso, ordenar os eventos da evolução geológica para poder extrair informações de interesse</p><p>daquela área. Contudo, para uma pessoa inexperiente, esta tarefa pode parecer extremamente difícil ou até mesmo impossível</p><p>de ser alcançada.</p><p>Na realidade, esta aptidão apresentada pelo geólogo experiente não é algo inato ou que surgiu espontaneamente, mas sim</p><p>o resultado do desenvolvimento da habilidade de ler e interpretar os mapas geológicos ao longo da sua carreira profissional.</p><p>Através de exercícios de mapeamento, exposição aos diferentes tipos de mapas e notações geológicas e uma base sólida sobre</p><p>os conceitos fundamentais da geologia, é possível desenvolver e aprimorar esta habilidade. A visualização tridimensional mental</p><p>e a percepção da interação entre os corpos geológicos com a topografia são as aptidões mais beneficiadas com estes exercícios.</p><p>Neste capítulo, será apresentado como os padrões de afloramento dos corpos geológicos são influenciados pela topografia.</p><p>Para fins didáticos, uma unidade geológica será considerada um corpo tabular perfeito, com atitude, espessura e</p><p>composição uniformes em toda sua extensão. É importante frisar que corpos</p><p>macroscópicos com geometrias rigorosamente</p><p>perfeitas como estas são raros na natureza. As litologias que melhor se aproximam destas características ideais são as rochas</p><p>sedimentares que serão, portanto, utilizadas como exemplos. Corpos magmáticos intrusivos como diques e sills também</p><p>possuem morfologia tabular, mas ocorrem em áreas restritas e são limitados a eventos magmáticos espaçados no tempo</p><p>geológico. Derrames basálticos originados em grandes províncias ígneas comumente apresentam geometria tabular e recobrem</p><p>áreas bastante amplas, mas assim como os corpos magmáticos intrusivos, ocorrem de forma pontual no tempo.</p><p>As rochas sedimentares, por outro lado, são caracteristicamente estratiformes e ocorrem de forma aproximadamente</p><p>contínua no tempo geológico recobrindo áreas mais amplas. Além disso, os processos que dão origem às rochas sedimentares</p><p>obedecem aos princípios da superposição, da horizontalidade original e da continuidade lateral. Estes princípios, coletivamente</p><p>chamados de Princípios de Steno, são fundamentais para a aplicação das técnicas de mapeamento geológico abordadas neste</p><p>livro.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>61</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Os Princípios de Steno foram propostos pelo médico anatomista Nicolau Steno ainda no século XVII e são as bases de</p><p>alguns conceitos fundamentais da geologia até hoje. A figura 4.1 apresenta um diagrama esquemático ilustrando os princípios</p><p>de Steno como forma de homenagem do Google ao 374° aniversário de Nicolau Steno, considerado o pai da estratigrafia.</p><p>Figura 4.1 - Doodle do google do dia 11 de janeiro de 2012 em homenagem ao 374° aniversário de Nicolau Steno mostrando de</p><p>forma esquemática os princípios da superposição, da horizontalidade original e da continuidade lateral. Disponível em:</p><p>https://www.google.com/doodles/nicolas-stenos-374th-birthday</p><p>Em sua obra “Pródromo de uma dissertação sobre o sólido naturalmente contido no sólido”, publicada em 1669, Steno</p><p>discute, entre outras coisas, a ocorrência e distribuição dos fósseis nas rochas sedimentares (sólido naturalmente contido no</p><p>sólido). Ele observou que a formação e empilhamento das rochas sedimentares são regidos por três princípios fundamentais:</p><p>I-Princípio da Superposição – Depósitos sedimentares ocorrem em camadas superpostas, sendo as mais velhas na base</p><p>e as mais novas no topo. Com esta observação é possível inferir a ordem de formação de uma sequência sedimentar.</p><p>https://www.google.com/doodles/nicolas-stenos-374th-birthday</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>62</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>II-Princípio da Horizontalidade Original – Os sedimentos são originalmente depositados em camadas aproximadamente</p><p>horizontais. Possíveis deformações como dobras e falhas observadas nas rochas sedimentares atualmente são resultados de</p><p>eventos posteriores à formação.</p><p>III-Princípio da Continuidade Lateral – Depósitos sedimentares são lateralmente contínuos e recobrem praticamente toda</p><p>a extensão de uma bacia sedimentar. Com base neste princípio, é possível correlacionar rochas sedimentares com</p><p>características litológicas e fossilíferas similares separadas por longas distâncias, seja por eventos tectônicos ou erosivos</p><p>4.2 - CURVAS DE NÍVEL E TOPOGRAFIA</p><p>Os aspectos fisiográficos de uma região, tais como vales, morros, montanhas, planícies etc. podem ser cartografados</p><p>através da utilização de várias técnicas distintas em um mapa topográfico. Um dos métodos mais utilizados, no entanto, é a</p><p>técnica das curvas de nível. Também chamadas de isoípsas (em referência à hipsometria, ou seja, a medição da elevação da</p><p>superfície terrestre em relação ao nível do mar), as curvas de nível são isolinhas que unem pontos de mesma cota topográfica</p><p>(mesma altitude).</p><p>A cada curva de nível é atribuído um valor de cota, indicando a distância vertical a um plano horizontal de nível zero ou de</p><p>referência. Na grande maioria dos mapas, este nível de referência é o nível do mar, mas em alguns casos específicos outros</p><p>níveis de referência podem ser usados. Curvas de nível verticalmente acima ou abaixo deste plano de referência recebem valores</p><p>positivos ou negativos, respectivamente. Em geral, as curvas de nível realizadas em áreas acima do nível do mar, sobretudo em</p><p>ambientes continentais, recebem o nome de curvas de nível topográficas, enquanto as curvas de nível obtidas no assoalho</p><p>marinho são chamadas de batimétricas. Mapas de elevação em regiões de transição continental-marinha como as áreas</p><p>costeiras são denominados mapas topobatimétricos.</p><p>A figura 4.2 apresenta um diagrama esquemático de uma área com duas feições geomorfológicas principais: uma região</p><p>de relevo sobressalente (promontório) na parte oeste e uma região de relevo rebaixado (vale) na parte leste. Embora sejam</p><p>formas geomorfológicas completamente distintas, ambas são representadas por um padrão de curvas de nível similar em “V”.</p><p>Imaginando-se os “vértices dos Vs” como sendo setas, observa-se que na região do promontório as setas apontariam para cotas</p><p>sucessivamente menores, ao passo que na região do vale as setas apontariam para cotas mais elevadas. Este padrão em V</p><p>apresentado pelas curvas de nível é chamado de regra dos Vs topográficos.</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>63</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>A identificação dos vales de uma região é bastante útil durante o mapeamento geológico, pois, por se tratar de uma feição</p><p>erosiva, estas áreas apresentam maior potencial de afloramento do empilhamento das unidades geológicas.</p><p>Figura 4.2 - Diagrama esquemático hipotético do terreno junto ao respectivo mapa topográfico. É importante notar que o</p><p>esquema de cores é em referência aos mapas hipsométricos com os intervalos de elevação do terreno e não camadas litológicas.</p><p>A equidistância das curvas de nível é de 50 metros.</p><p>Uma pergunta ao leitor para desenvolver o raciocínio sobre o mapa topográfico da figura 4.2: se fosse pedido para que você</p><p>indicasse por onde passaria um possível curso d’água desta região, onde você traçaria esta drenagem? É possível indicar o</p><p>sentido do fluxo? A resposta é que a drenagem desta região deve percorrer um trajeto linear passando pelos “vértices dos Vs”</p><p>ao longo do vale, sendo o sentido do fluxo d’água de montante, ao norte, para jusante, ao sul. A regra dos Vs topográficos indica</p><p>a direção à montante do curso d’água, ou seja, a nascente.</p><p>A resolução ou detalhamento de um mapa topográfico (o mesmo se aplica aos mapas topobatimétricos e batimétricos) é</p><p>dada pelo intervalo vertical entre as curvas de nível. Estes intervalos precisam ser regularmente espaçados e recebem o nome</p><p>de equidistâncias. Quanto menor a equidistância das curvas de nível, maior a resolução do mapa topográfico. Um mapa</p><p>topográfico é uma representação bidimensional construída através da projeção das curvas de nível do relevo (tridimensional) de</p><p>uma determinada região em um plano horizontal (plano de trabalho).</p><p>Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos</p><p>64</p><p>Gorki Mariano e Paulo Ricardo Riedel – DGEO & PPGEOC - UFPE</p><p>Destes fatos decorrem algumas regras que as curvas de nível precisam seguir:</p><p>1) Curvas de nível nunca se cruzam - como as curvas de nível são projeções de linhas de mesma cota no</p><p>terreno, é impossível que elas se cruzem. Podem se tocar ou até se sobrepor em áreas de despenhadeiros</p><p>2) Curvas de nível são sempre verticalmente equidistantes - o valor desta equidistância define a resolução</p><p>de um mapa topográfico</p><p>3) Curvas de nível muito próximas horizontalmente umas das outras representam relevos muito íngremes - o</p><p>ganho de elevação é alto ao percorrer distâncias horizontais curtas</p><p>4) Curvas de nível muito distantes horizontalmente umas das outras representam relevos suaves - baixo</p><p>ganho de elevação ao percorrer grandes distâncias</p>