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Profa. Ma. Frances Illes UNIDADE II Planejamento de Cardápios nos Ciclos da Vida A gestação é um período da vida que traz grande vulnerabilidade biológica decorrente das alterações fisiológicas impostas ao organismo materno e do aumento das demandas nutricionais. Ela é constituída de 40 semanas – ou três trimestres. Planejamento dietético na gestação PERÍODO GESTACIONAL 40 SEMANAS ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS E METABÓLICAS HETEROGÊNEAS Ganho de peso e anabolismo durante a gestação Desenvolvimento do feto. Formação de estruturas maternas durante a gestação (placenta, útero, glândulas mamárias e sangue) – aumento de 15 a 20% da TMB. Depósitos energéticos utilizados durante o parto e a lactação. Distribuição de ganho de peso durante a gestação. Fonte: MAHAN L. K.; ESCOTT-STUMP S. Krause. Alimentos, nutrição e dietoterapia. A velocidade de aumento de peso é muito diferente entre os trimestres gestacionais. O feto ganha o total de 1 kg até 28 semanas e nas duas semanas seguintes, 2,5 kg. Isso significa que em 30 semanas gestacionais alcançará 1,5 kg. Ganho de peso recomendado (em kg) na gestação, segundo estado nutricional pré-gestacional: Estado Nutricional IMC PG GP 1o semestre GP 2º/3º semestre (por semana) GP total Baixo peso 30 -- 0,2 6,0 – 7,0 Fonte: Institute of Medicine, 1992. Náuseas e vômitos Refeições pequenas e mais frequentes. Evitar frituras, alimentos gordurosos, alimentos com odor forte que causem desconforto/intolerância. Refeições secas, com carboidratos de fácil digestão. Pela manhã, preferir alimentos sólidos e ricos em CHO (biscoitos cream-cracker). Evitar deitar após as grandes refeições. Situações e sintomas durante a gestação: práticas alimentares Pica É uma desordem alimentar caracterizada pela ingestão persistente de substâncias inadequadas com pequeno ou nenhum valor nutritivo, ou de substâncias comestíveis, mas não na sua forma habitual. A etiologia desse comportamento é desconhecida, tendo como possíveis hipóteses o alívio de náuseas e vômitos referidos pela mãe; assim como o suprimento de deficiências (cálcio, ferro) presentes na maioria das substâncias alvo dessas compulsões alimentares. Pirose Pirose e regurgitação são manifestações da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) que ocorrem frequentemente no terceiro trimestre da gravidez, comumente após as refeições. Refeições pequenas e mais frequentes. Mastigar bem os alimentos. Evitar líquidos durante as refeições. Evitar o consumo de café, chá, álcool, doces, frituras, gorduras. Não restringir o consumo de frutas cítricas para não comprometer o aporte de vitaminas. Constipação A constipação é um problema digestivo muito comum, sendo bastante frequente no período gestacional, principalmente a partir da 20ª semana de gravidez. Aumentar o consumo de fibras: frutas laxativas com bagaço, vegetais crus, cereais integrais (aveias, farelos, linhaça). Aumentar a ingestão hídrica. Observar tolerância a alimentos flatulentos: alho, batata-doce, brócolis, cebola, couve, couve- flor, feijão, ovo, repolho. A gestação é um período no qual as demandas nutricionais encontram-se aumentadas. Necessidades energéticas Durante a gestação, a mulher necessita de uma quantidade maior de calorias para suprir o elevado gasto energético ocasionado pelo aumento da Taxa de Metabolismo Basal (TMB) e para formar os depósitos de energia dos tecidos materno e fetal. Recomendações nutricionais na gestação EER para a gestação (IOM, 2004) Estágio de vida Equação 14-18 anos 135,3 – 30,8 X idade (anos) + NAF X (10,0 X peso + 934 X altura + 25 Kcal + DEG 19-50 anos 354 – 6,91 X idade (anos) + NAF X (9,36 X peso + 726 X altura (m)) + DEG Acréscimo para depósito na gestação (DEG) 1º trimestre (1 a 13 semanas) – 0 2º trimestre (14 a 27 semanas) – 340 Kcal 3º trimestre (a partir 28 semanas) – 452 Kcal Proteínas Durante a gestação, ocorre síntese elevada de proteínas, o que aumenta as demandas nutricionais desse macronutriente com o intuito de contribuir com o crescimento fetal, placentário e dos tecidos mamários. IOM (2005) Utilizar 1 g/kg/dia sobre o PPG ou peso aceitável e adicionar *peso pré-gestacional 1º trimestre: igual às mulheres não grávidas EAR: 0,66 g/kg RDA: 0,80 g/kg ou 46 g/dia + 1 g/dia: 1º trimestre + 9 g/dia: 2º trimestre + 31 g/dia: 3º trimestre 2º trimestre EAR: 0,88 g/kg ou adicional de 21 g/dia RDA: 1,1 g/kg ou adicional de 25 g/dia ou 71 g/dia Lipídeos São importantes fontes de energia, não devendo ultrapassar 30% do VET. A dieta deve ser composta de gorduras “saudáveis” como a poli-insaturada, em especial as provenientes de alimentos fonte de ácidos graxos ômega 6 e 3, essenciais ao funcionamento adequado do sistema uteroplacentário e do sistema nervoso. Carboidratos Fornecer calorias suficientes. Prevenir cetose. Manter os níveis de glicose sanguínea apropriados para a gravidez. B.F.I., gestante, 43 anos, 1,70 cm, peso atual 76 kg, peso pré-gestacional 72 kg, 16ª semana de gestação é encaminhada pelo médico para o atendimento nutricional. Na anamnese, a gestante relata pirose e náuseas desde o início da gestação. Relata também consumir sucos de fruta, principalmente de laranja, e pão diariamente; doce com creme uma vez ao dia. Qual é a sua conduta em relação à situação relatada? a) Refeições pequenas três vezes ao dia. b) Mastigar os alimentos lentamente. c) Consumir líquidos com as refeições d) Consumir pela manhã chá ou café. e) Não consumir frutas cítricas para evitar azia. Interatividade B.F.I., gestante, 43 anos, 1,70 cm, peso atual 76 kg, peso pré-gestacional 72 kg, 16ª semana de gestação é encaminhada pelo médico para o atendimento nutricional. Na anamnese, a gestante relata pirose e náuseas desde o início da gestação. Relata também consumir sucos de fruta, principalmente de laranja, e pão diariamente; doce com creme uma vez ao dia. Qual é a sua conduta em relação à situação relatada? a) Refeições pequenas três vezes ao dia. b) Mastigar os alimentos lentamente. c) Consumir líquidos com as refeições. d) Consumir pela manhã chá ou café. e) Não consumir frutas cítricas para evitar azia. Resposta O consumo adequado de vitaminas e minerais é importante na manutenção da saúde da gestante e no desenvolvimento adequado do feto. Ferro O período de maior demanda de ferro acontece no último trimestre da gestação, em virtude do aumento das necessidades de oxigênio do binômio mãe/bebê. A carência desse nutriente pode levar à anemia, aumentando o risco de parto prematuro e morte perinatal. O Ministério da Saúde, no Programa Nacional de Suplementação com Ferro, recomenda a dose de 60 mg de Fe para todas as gestantes a partir da 20ª semana de gestação. Necessidades de micronutrientes Zinco Deficiência – está relacionada ao aborto espontâneo, ao retardo do crescimento intrauterino (RCIU), à prematuridade, à pré-eclâmpsia, entre outros. Suplementação – 25 mg/dia de zinco, com o intuito de minimizar o risco de complicações associadas à carência desse mineral. Cálcio Papel fundamental na formação de ossos e dentes, no processo de contração muscular, na transmissão de impulsos nervosos e na coagulação sanguínea. Recomendações – são de 700 mg/dia a 1.300 mg/dia, dependendo da idade e da fase em que o indivíduo se encontra. Ácido fólico Necessidade aumentada durante a gestação – divisão celular e síntese proteica (DNA e RNA) Ingestão insuficiente: aborto, descolamento da placenta, Defeito do Tubo Neural (DTN): morte no 1º mês de vida/limitações físicas ou mentais. Uma combinação de dieta rica em folato e a suplementaçãode ácido fólico seria a recomendação adequada para prevenir a deficiência desse nutriente, assim como suas consequências na gestação. Vitamina A No Brasil, o Ministério da Saúde (2013), no Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A, recomenda a suplementação dessa vitamina, com o intuito de controlar sua deficiência em crianças e mulheres no pós-parto imediato. Vitamina C Recomenda-se a ingestão diária de 85 mg para gestantes entre 19 e 50 anos, necessidade que é facilmente alcançada por meio da alimentação rica em frutas e hortaliças. Vitamina D A deficiência de vitamina D associa-se a distúrbios da homeostase óssea na criança, à redução da mineralização óssea e ao aumento no risco de fraturas. Necessidades energéticas A energia proveniente dos alimentos ingeridos deve ser suficiente para atender às necessidades de produção de leite, bem como assegurar a manutenção da saúde da nutriz e do lactente, preservando a composição corporal e o peso da mãe. Nos primeiros seis meses após o parto, uma lactante bem nutrida perde cerca de 0,8 kg/mês, o que é equivalente a 170 kcal/dia (6.500 kcal/kg) de perda de peso. Recomendações para a nutriz Estado nutricional gestacional Semestre de lactação Adequado 1º semestre NEE = NEE (adolescente ou adulto) + 505 kcal (675 kcal – 170 kcal) Baixo peso 1º semestre NEE = NEE (adolescente ou adulto) + 675 kcal Fonte: adaptado de: WHO e FAO (2001). 2º semestre EER pré-gestacional + 400 – 0 (Energia da secreção do leite – perda de peso) Proteína A lactação não altera o equilíbrio de proteínas se comparada a uma mulher não lactante/nutriz, ou seja, as recomendações de proteína na nutriz são determinadas pelo método fatorial em que se considera a média de produção láctea, a concentração de proteína no leite humano e a concentração média de nitrogênio não proteico no leite humano. DRI – IOM (2005) FAO; WHO; UNU (2001) 1,3 g/kg/dia de proteína ou + 25 g/dia 1º trimestre: adicional de 19 g/dia 2º trimestre: adicional de 12,5 g/dia Lipídeos São importantes fontes de energia, não devendo ultrapassar 30% do VET. A dieta deve ser composta de gorduras “saudáveis”, como a poli-insaturada, em especial provenientes de alimentos fontes de ácidos graxos ômega 6 e 3, essenciais ao funcionamento adequado do sistema uteroplacentário e do sistema nervoso. Carboidratos Fornecer calorias suficientes. Necessidades de micronutrientes A adequação da oferta de micronutrientes à nutriz é de suma importância para garantir a secreção láctea adequada e, dessa maneira, assegurar o desenvolvimento adequado do lactente. Aumentar a ingestão hídrica durante a lactação é um cuidado importante. Nutrizes apresentam maior propensão à desidratação, especialmente em regiões de clima quente. Você deverá elaborar o cardápio para uma nutriz no 2º semestre de lactação. Quais fatores devem ser considerados para elaborar uma orientação nutricional? a) Para determinar a necessidade energética de uma nutriz no segundo semestre pós-parto, deve-se utilizar a fórmula proposta nas DRIs e acrescentar 200 kcal. b) A nutriz deve ter uma ingestão hídrica de no mínimo 35 mL/kg, pois a hidratação influencia o volume de leite produzido. c) A ingestão de hortaliças e frutas deve ser mantida, pois as necessidades de vitaminas e minerais não se alteram nessa situação. d) O consumo de cafeína pode ser normal. e) As bebidas alcoólicas podem ser consumidas com moderação. Interatividade Você deverá elaborar o cardápio para uma nutriz no 2º semestre de lactação. Quais fatores devem ser considerados para elaborar uma orientação nutricional? a) Para determinar a necessidade energética de uma nutriz no segundo semestre pós-parto, deve-se utilizar a fórmula proposta nas DRIs e acrescentar 200 kcal. b) A nutriz deve ter uma ingestão hídrica de no mínimo 35 mL/kg, pois a hidratação influencia o volume de leite produzido. c) A ingestão de hortaliças e frutas deve ser mantida, pois as necessidades de vitaminas e minerais não se alteram nessa situação. d) O consumo de cafeína pode ser normal. e) As bebidas alcoólicas podem ser consumidas com moderação. Resposta Os hábitos alimentares nos primeiros anos repercutirão de diferentes formas ao longo de toda a vida dos indivíduos. São, assim, fundamentais para a formação dos hábitos associados aos padrões alimentares saudáveis. A lactação é a fase da vida marcada pelo início do processo nutricional infantil. As fases posteriores: pré-escolar (dois a seis anos de idade) e escolar (sete a dez anos) são destacadas por estágios de aumento da socialização, independência e individualidade, características que fazem com que a criança expresse suas preferências alimentares. Planejamento dietético na infância: lactente, pré-escolar e escolar De acordo com a OMS (WHO, 2010), recomenda-se o aleitamento materno até os dois anos de idade e como alimento exclusivo até os seis meses de vida do bebê. Necessidades nutricionais do lactente Uma alimentação saudável na infância consiste em fornecer ao lactente aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida, seguido de introdução alimentar que complemente o leite materno a partir dos seis meses. Entende-se por alimentação complementar o conjunto de todos os alimentos, além do leite materno, oferecidos durante o período em que a criança continuará a ser amamentada, embora sem exclusividade. Lactentes Energia As necessidades energéticas se relacionam a fatores como: o tamanho e a composição corporal, a taxa metabólica, o gênero e o tamanho ao nascer. Estimativas energéticas para crianças de 0 a 35 meses. Idade EER 0 a 3 meses EER = (89 × peso [kg] – 100) + 175 kcal de energia de depósito 4 a 6 meses EER = (89 × peso [kg] – 100) + 56 kcal de energia de depósito 7 a 12 meses EER = (89 × peso [kg] – 100) + 22 kcal de energia de depósito 13 a 35 meses EER = (89 × peso [kg] – 100) + 20 kcal de energia de depósito Fonte: adaptado de: IOM (2002). As fontes de energia devem ser distribuídas de maneira equilibrada entre os macronutrientes. Distribuição de macronutrientes (um a três anos de idade). Carboidratos Representam 50% da energia proveniente do leite materno. O leite materno (LM) não é fonte de fibras. Orienta-se, assim, que entre os seis e 12 meses de idade, sejam consumidos alimentos fontes de fibra. Macronutrientes Percentual de energia (%) Carboidratos 45- 65 Proteínas 5-20 Gorduras totais 30-40 Fonte: adaptado de: IOM (2002). Proteínas São importantes, pois nessa fase o crescimento e desenvolvimento se encontram acelerados. Lipídeos São de suma importância, pois nessa fase o crescimento e desenvolvimento se encontram acelerados. Vitaminas O leite materno apresenta vitaminas em proporções adequadas, com exceção da vitamina D. Minerais O aleitamento materno exclusivo supre a necessidade do bebê durante os seis primeiros meses de vida. Alimentação complementar Consiste na introdução de qualquer tipo de alimento na dieta de uma criança que até então se encontrava em aleitamento materno exclusivo. Devem ser oferecidos à criança alimentos em diversidade de cores, sabores, texturas e cheiros. Introdução alimentar A criança deverá receber o alimento/preparação amassado com o garfo. Depois, deve-se evoluir na consistência, deixando os alimentos mais picados e em pedaços. Quando maior, a criança pode receber a preparação/comida semelhante à da família, com auxílio no corte dos pedaços grandes, quando necessário. Respeite a quantidade de alimentos a ser oferecida para a criança e aumente o volume a servir com o tempo. Introduza gradativamente novos alimentos, novos cheiros, sabores e texturas, principalmente no primeiro ano de vida. O consumo precoce de açúcar pode contribuir com o ganho de peso excessivo durante a infância,aumentando as chances do desenvolvimento de obesidade e outras DCNT na vida adulta. É importante que ele não seja oferecido às crianças menores de dois anos. Ofertar os líquidos em copos. O Guia Alimentar Brasileiro para crianças menores de 2 anos recomenda que a criança seja amamentada por 2 anos ou mais e que nos 6 primeiros meses ela receba somente leite materno. Essa prática é chamada amamentação exclusiva. Nenhum outro tipo de alimento precisa ser dado ao bebê, nem água, chás ou sucos e outros leites, muito menos papinhas ou mingaus. Isso se aplica inclusive a regiões quentes, pois o leite materno fornece toda a água de que o bebê precisa. Antes de iniciar a introdução alimentar é importante observar a prontidão e maturação do bebê. Qual fator deve ser observado? a) O bebê não é capaz de lidar com alimentos diferentes do leite materno. b) Sentar-se com apoio. c) Ainda não mastiga, apenas suga. d) Aparecimento dos primeiros dentes. e) Aos 3 meses, o bebê já atingiu a maturidade fisiológica, podendo receber outros alimentos. Interatividade O Guia Alimentar Brasileiro para crianças menores de 2 anos recomenda que a criança seja amamentada por 2 anos ou mais e que nos 6 primeiros meses ela receba somente leite materno. Essa prática é chamada amamentação exclusiva. Nenhum outro tipo de alimento precisa ser dado ao bebê, nem água, chás ou sucos e outros leites, muito menos papinhas ou mingaus. Isso se aplica inclusive a regiões quentes, pois o leite materno fornece toda a água de que o bebê precisa. Antes de iniciar a introdução alimentar é importante observar a prontidão e maturação do bebê. Qual fator deve ser observado? a) O bebê não é capaz de lidar com alimentos diferentes do leite materno. b) Sentar-se com apoio. c) Ainda não mastiga, apenas suga. d) Aparecimento dos primeiros dentes. e) Aos 3 meses, o bebê já atingiu a maturidade fisiológica, podendo receber outros alimentos. Resposta Compreende crianças entre dois e seis anos de idade. A partir do 2º ano de vida, a criança torna-se mais independente. Fase decisiva em termos de formação de hábitos alimentares. Um importante princípio da alimentação nessa fase da vida é a habilidade de se autorregularem em relação à ingestão de alimentos. A alimentação adequada é fundamental para o crescimento e o desenvolvimento de crianças nessa faixa etária. Pré-escolar Necessidades nutricionais do pré-escolar Energia – utilizar as equações para sexo e faixa etária. Macronutrientes Macronutrientes Percentual de energia (%) 1-3 anos Percentual de energia (%) 4-18 anos Carboidratos 45-65 45-65 Proteínas 5-20 10-30 Gorduras totais 30-40 25-35 Fonte: adaptado de: IOM (2002). Micronutrientes A ingestão está relacionada à ingestão de energia. Deficiências de ferro podem prejudicar o desenvolvimento físico e mental, além de prevenir a anemia ferropriva. A ingestão de cálcio contribui para o desenvolvimento e crescimento ósseo e influencia o pico de massa óssea e dentária. O zinco apresenta papel importante em processos cognitivos, imunológicos. Cuidados A inapetência é a queixa mais comum dessa fase e deve ser avaliada. A idade escolar corresponde a uma fase de transição entre a infância e a adolescência e compreende crianças de sete anos de idade até a puberdade (aproximadamente 10 anos de idade). Observa-se uma crescente independência da criança. É uma fase de intensa atividade física, ritmo de crescimento constante, com ganho mais acentuado de peso próximo ao estirão da adolescência. O ambiente familiar, incluindo o comportamento dos pais, associado ao sedentarismo contribui com o aumento do peso nessa faixa etária. Escolar Comportamento alimentar Estudos têm mostrado que desordens de balanço energético são comuns nessa fase da vida, podendo haver excesso no consumo de alimentos calóricos e pouco nutritivos, além de falta de incentivo para a realização de atividade física. Aumento da ingestão alimentar. Aceitação de alimentos diferentes e preparações elaboradas. Omissão do café da manhã. Influência dos colegas e adultos. Nesse período, os hábitos alimentares da família, o alto consumo de alimentos ricos em gordura, sal e açúcares, como salgadinhos, bolachas, refrigerantes, sucos artificiais, lanches, produtos panificados que contenham gorduras trans e saturada, aumentam o risco de desenvolvimento de doença cardiovascular. Devem ser suficientes para suprir as demandas de macro e micronutrientes em quantidade e qualidade adequadas. Energia – utilizar as equações para sexo e faixa etária. Macronutrientes Necessidades nutricionais do escolar Macronutrientes Percentual de energia (%) 4-18 anos Carboidratos 45-65 Proteínas 10-30 Gorduras totais 25-35 Fonte: adaptado de: IOM (2002). Recomendações nutricionais escolares O planejamento alimentar deve respeitar os hábitos alimentares da família e as características regionais. A alimentação do escolar deve incluir todos os grupos de alimentos e ser distribuída em três refeições principais (café da manhã, almoço e jantar). Além disso, deve-se ter três lanches para completar a ingestão necessária. Devem-se evitar alimentos ultraprocessados ricos em gorduras, sais e açúcares, incluindo enlatados, embutidos, salgadinhos, condimentos e comidas congeladas. Atentar-se às necessidades de ferro, estimulando o consumo de alimentos fonte. Consumo diário e variado de frutas, verduras e legumes. Controle da ingestão de sal (of the joint WHO/FAO expert. Technical Report Series, Geneva, n. 916, 2003. Referências ATÉ A PRÓXIMA!