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RevisaoSIMs Direito Internacional Público e Privado

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No que concerne ao Direito Internacional Público, a Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados, de 1969, define: A As normas peremptórias do Direito Internacional sao aquelas estabelecidas pela vontade dos Estados por meio dos tratados internacionais válidos. Os atos unilaterais dos Estados têm maior peso que as normas de jus cogens, pois acta sunt servanda impõe obrigações imediatas à comunidade internacional. As normas de jus cogens, semelhantes ao soft law, não possuem caráter vinculante, uma vez que são orientadoras das práticas estatais, como a diplomacia. D A equidade é centro das normas de jus cogens, uma vez que equilíbrio determina a forma pelo qual os Estados podem reconhecer seu status hierarquicamente superior. E Jus cogens como uma normativa imperativa de Direito Internacional Geral reconhecida pela comunidade internacional dos Estados como um todo. Essa normativa só pode, portanto, ser modificada por norma ulterior de Direito Internacional Geral da mesma natureza. A Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados (CVDT), de 1969, é fundamental no Direito Internacional Público por codificar muitas regras relativas à celebração, validade e interpretação dos tratados. conceito de jus cogens (normas imperativas) é introduzido pela CVDT, limitando a liberdade de contratação dos Estados. Um tratado que conflite com uma norma de jus cogens é considerado nulo. A definição de jus cogens está prevista no Artigo 53 da Convenção de Viena, que estabelece: "É nulo um tratado que, no momento de sua conclusão, conflite com uma norma imperativa de Direito Internacional geral. Para os fins da presente Convenção, uma norma imperativa de Direito Internacional geral é uma norma aceita e reconhecida pela comunidade internacional dos Estados como um todo, como norma da qual nenhuma derrogação é permitida e que só pode ser modificada por norma ulterior de Direito Internacional Geral da mesma natureza." (Ênfase adicionada) Analisando as opções à luz desta definição:
A: Incorreto. As normas de jus cogens são consideradas superiores e não derivam apenas da "vontade dos Estados por meio dos tratados internacionais válidos", mas sim do reconhecimento da comunidade internacional como um todo. B: Incorreto. Normas de jus cogens possuem hierarquia superior aos atos unilaterais. Além disso, pacta sunt servanda é o princípio da obrigatoriedade dos tratados (e não dos atos unilaterais) e não se sobrepõe ao jus cogens. C: Incorreto. Jus cogens possui caráter vinculante e imperativo; é oposto de soft law (normas não vinculantes). D: Incorreto. A equidade (ex aequo et bono) não é centro das normas de jus cogens. centro é a imperatividade e a aceitação pela comunidade internacional. E: Correto. Esta opção resume com precisão a definição contida no Artigo 53 da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados de 1969, destacando sua natureza imperativa, a fonte de reconhecimento ("comunidade internacional dos Estados como um todo") e a regra de modificação. A resposta correta é a E.

A incorporação dos tratados internacionais no Direito brasileiro segue um procedimento específico, que envolve a participação de dois Poderes (Executivo e Legislativo) e se divide, tradicionalmente, em três fases no plano interno, além da fase internacional (negociação e assinatura). iter de incorporação no Brasil é seguinte: 1. (Poder Executivo): Presidente da República (ou seu representante) assina tratado, manifestando a intenção do Brasil de se vincular, mas ato ainda não gera obrigações no plano interno. 2. Referendo ou Aprovação (Poder Legislativo): Congresso Nacional (Câmara e Senado) vota tratado por meio de um Decreto Legislativo (Art. 49, I, CF), autorizando Presidente a ratificá-lo. Este ato vincula Brasil apenas no plano internacional. 3. Ratificação (Poder Executivo): Presidente deposita instrumento de ratificação junto ao órgão depositário do tratado, concretizando a obrigação do Brasil perante a comunidade internacional. 4. Promulgação e Publicação (Poder Executivo): Presidente edita um Decreto (Decreto Executivo), que promulga tratado, ordena seu cumprimento e publica no Diário Oficial da União. Apenas a partir da publicação do Decreto de Promulgação tratado adquire vigência e executoriedade no Direito Interno brasileiro. Analisando as opções à luz deste procedimento:
A Uma vez ratificados pelo Congresso Nacional, os tratados passam, de imediato, a compor Direito Brasileiro. Incorreto. Congresso Nacional aprova tratado por Decreto Legislativo. A ratificação é um ato do Executivo que vincula Brasil internacionalmente tratado só passa a integrar Direito Interno após a Promulgação (Decreto Executivo) e publicação. B Aprovados por decreto legislativo no Congresso Nacional, os tratados podem ser promulgados pelo Presidente da República. Correto. A aprovação pelo Congresso Nacional se dá por meio de Decreto Legislativo (fase legislativa). Após esta aprovação, tratado volta ao Executivo para a fase final de Promulgação (por Decreto Executivo do Presidente), momento em que ele adquire validade interna. c Uma vez firmados, os tratados relativos ao MERCOSUL, ainda que criem compromissos gravosos à União, são automaticamente incorporados, visto que são aprovados por parlamento comunitário. Incorreto. Brasil não adota sistema de incorporação automática (monismo puro). iter constitucional deve ser seguido, e o Congresso Nacional tem competência exclusiva para resolver sobre tratados que acarretem encargos ou compromissos gravosos (Art. 49, I, CF). D Após firmados, os tratados passam a gerar obrigações imediatas, não podendo os Estados se eximir de suas responsabilidades por razões de Direito Interno. Incorreto (para Direito Interno). No plano internacional, sim, a regra é que Estado não pode invocar o Direito Interno para justificar inadimplemento de um tratado (Convenção de Viena). Contudo, no Direito Interno brasileiro, o tratado só gera obrigações e é aplicável aos cidadãos e autoridades após sua Promulgação e Publicação. E Uma vez assinados pelo Presidente da República, os tratados internacionais passam a fazer parte do ordenamento jurídico brasileiro, dando ensejo à responsabilidade internacional. Incorreto. A assinatura é apenas primeiro passo; não vincula Brasil internamente, nem internacionalmente (a menos que seja um acordo em forma simplificada). A vinculação internacional se dá pela ratificação, e a vigência interna se dá pela promulgação. A opção que descreve corretamente parte da sequência estabelecida para a incorporação no Brasil é a.

A situação hipotética envolve instituto do asilo diplomático e a questão da obrigatoriedade do costume regional para um Estado que rejeita, remetendo diretamente aos princípios da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas (CVRD) e ao famoso Caso Haya de la Torre julgado pela Corte Internacional de Justiça (CIJ). Vamos analisar os pontos cruciais e as alternativas: 1. Asilo Diplomático e Costume Regional: asilo diplomático é uma figura que se consolidou principalmente na América Latina, sendo regida por convenções regionais (como as de Havana e Caracas) e, em alguns casos, por costume regional. A questão coloca que Estado Z alega não reconhecer essa norma como obrigatória para si. No Caso Haya de la Torre (Colômbia Peru, 1950), a CIJ decidiu que Estado que invoca um costume regional deve provar que ele está estabelecido de tal modo que se tornou obrigatório para outro Estado. 2. Inviolabilidade da Missão Diplomática: As embaixadas são consideradas invioláveis segundo a CVRD (Art. 22). As autoridades do Estado territorial (Estado Z) não podem entrar na embaixada do Estado Y sem consentimento do Chefe da Missão. A inviolabilidade se aplica ao local, independentemente de quem esteja em seu interior. Analisando as alternativas:
A Estado Y não pode entregar Raul às autoridades do Estado Z, após a concessão do asilo, mas pode entregá-lo às autoridades de seu próprio Estado. Incorreto. asilo diplomático tem como objetivo a proteção do indivíduo e a sua saída segura do território. Entregá-lo às autoridades do Estado X (nacionalidade) ou do Estado Z (territorial) configuraria fracasso e a quebra da proteção concedida. Estado Z está obrigado a conceder a Raul um salvo-conduto para que ele deixe seu território. Incorreto (com ressalvas importantes). De acordo com a Convenção de Caracas sobre Asilo Diplomático, o Estado territorial deveria conceder salvo-conduto. No entanto, cerne da questão é que Estado Z alega não reconhecer a norma de asilo. No Caso Haya de la Torre, a CIJ decidiu que Estado territorial (Peru) não estava obrigado a emitir salvo- conduto porque não reconhecia a norma costumeira regional, especialmente porque a Colômbia não conseguiu provar costume. Portanto, em um cenário de obetor persistente não vinculado a tratado, a obrigação de conceder salvo- conduto não é automática. c A embaixada do Estado Y, localizada no território do Estado Z, é inviolável, mesmo estando Raul em seu interior. Correto. A inviolabilidade dos locais da missão diplomática (embaixada) é uma norma fundamental do Direito Internacional (Art. 22 da CVRD), que é aceita universalmente e não depende da aceitação do asilo diplomático. Estado Z não pode invadir a embaixada para prender Raul. D Raul tem direito a ter reconhecido pelo Estado Z asilo diplomático concedido pelo Estado Y. Incorreto. reconhecimento do asilo não é um "direito de Raul" contra Estado Z, mas sim uma obrigação do Estado Z perante Estado Y, que Estado Z pode rejeitar por ser um objetor persistente ao costume regional. E Estado Y tem dever de aplicar a Raul princípio aut dedere aut judicare. Incorreto. princípio "aut dedere aut judicare" (extradar ou julgar) se aplica a crimes graves (geralmente crimes comuns transnacionais, como terrorismo) e não ao asilo político, que envolve a proteção contra perseguição. A única afirmação que é incontestavelmente verdadeira no Direito Internacional, independentemente da disputa sobre asilo diplomático, é a inviolabilidade da embaixada, que garante a proteção de Raul enquanto ele estiver dentro de seus limites. A resposta correta é a C.

A situação envolve a execução no Brasil de um laudo arbitral estrangeiro, gerado a partir de um contrato internacional entre empresas brasileiras, com sede da arbitragem no Uruguai. No ordenamento jurídico brasileiro, as regras para reconhecimento e a execução de sentenças arbitrais estrangeiras são regidas pela Lei de Arbitragem (Lei n° 9.307/96) e pela Constituição Federal.
Analisando as alternativas: A Somente pode ser executado no Uruguai, sede da arbitragem, porque Brasil não ratificou a Convenção de Nova York. Incorreto. Brasil ratificou a Convenção de Nova York em 2002. Não precisa ser homologado, porque a Convenção de Nova York dispensa a homologação judicial dos laudos arbitrais. Incorreto. A Convenção de Nova York não dispensa a necessidade de reconhecimento e homologação pelo Estado onde se busca a execução; ela apenas padroniza e facilita processo. c Prescinde de homologacao, porque Protocolo de Las Leñas permite a execução direta dos laudos arbitrais do Mercosul. Incorreto. Protocolo de Las Leñas (e o Protocolo de Cooperação e Assistência Jurisdicional em Matéria Civil, Comercial, Trabalhista e Administrativa do Mercosul, que sucedeu em parte) visa facilitar a homologação, mas não a dispensa para que o laudo tenha plena eficácia executiva no Brasil. D Precisa ser homologado pelo Supremo Tribunal Federal, mesmo sendo um laudo arbitral proveniente de país-membro do Mercosul. Incorreto. A competência para homologar é do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme a Emenda Constitucional n° 45/2004, e não do Supremo Tribunal Federal (STF). E Precisa ser submetido ao processo de homologação pelo Superior Tribunal de Justiça para poder ser executado no Brasil. Correto. Esta é a regra constitucional e legal vigente: a execução de qualquer sentença (incluindo laudo arbitral) estrangeira no Brasil depende de homologação prévia pelo STJ.
A - Somente pode ser executado no Uruguai, sede da arbitragem, porque Brasil não ratificou a Convenção de Nova York.
B - Não precisa ser homologado, porque a Convenção de Nova York dispensa a homologação judicial dos laudos arbitrais.
C - Prescinde de homologacao, porque Protocolo de Las Leñas permite a execução direta dos laudos arbitrais do Mercosul.
D - Precisa ser homologado pelo Supremo Tribunal Federal, mesmo sendo um laudo arbitral proveniente de país-membro do Mercosul.
E - Precisa ser submetido ao processo de homologação pelo Superior Tribunal de Justiça para poder ser executado no Brasil.

A questão aborda Princípio da Responsabilidade de Proteger (R2P) e sua relação com a intervenção humanitária no Direito Internacional contemporâneo. R2P é uma norma internacional endossada pela Cúpula Mundial da ONU em 2005.
Acerca do princípio da responsabilidade de proteger e do instituto da intervenção humanitária, assinale a alternativa correta:
A - Nos países que demonstrarem estar atravessando períodos de grave crise humanitária, é lícito uso da força, mediante intervenção externa dos países que não fazem parte do conflito.
B - A intervenção pacífica dos demais países em relação ao conflito armado que está gerando uma grave crise humanitária depende de autorização do Conselho de Segurança da ONU.
C - O princípio da responsabilidade de proteger está diretamente relacionado ao instituto da intervenção humanitária, pois se um determinado Estado não proteger a sua população de impactos decorrentes de conflitos armados, como: genocídio, crimes de guerras e contra a humanidade, limpeza étnica etc., abre-se a possibilidade de intervenção por parte da comunidade internacional.
D - O princípio da responsabilidade de proteger foi criado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) e possui a finalidade de resguardar os direitos e as obrigações das partes nos contratos comerciais internacionais.
E - A responsabilidade de proteger só incide sobre os Estados beligerantes, e é expressamente vedado que outros países intervenham nos conflitos armados.

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Questões resolvidas

No que concerne ao Direito Internacional Público, a Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados, de 1969, define: A As normas peremptórias do Direito Internacional sao aquelas estabelecidas pela vontade dos Estados por meio dos tratados internacionais válidos. Os atos unilaterais dos Estados têm maior peso que as normas de jus cogens, pois acta sunt servanda impõe obrigações imediatas à comunidade internacional. As normas de jus cogens, semelhantes ao soft law, não possuem caráter vinculante, uma vez que são orientadoras das práticas estatais, como a diplomacia. D A equidade é centro das normas de jus cogens, uma vez que equilíbrio determina a forma pelo qual os Estados podem reconhecer seu status hierarquicamente superior. E Jus cogens como uma normativa imperativa de Direito Internacional Geral reconhecida pela comunidade internacional dos Estados como um todo. Essa normativa só pode, portanto, ser modificada por norma ulterior de Direito Internacional Geral da mesma natureza. A Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados (CVDT), de 1969, é fundamental no Direito Internacional Público por codificar muitas regras relativas à celebração, validade e interpretação dos tratados. conceito de jus cogens (normas imperativas) é introduzido pela CVDT, limitando a liberdade de contratação dos Estados. Um tratado que conflite com uma norma de jus cogens é considerado nulo. A definição de jus cogens está prevista no Artigo 53 da Convenção de Viena, que estabelece: "É nulo um tratado que, no momento de sua conclusão, conflite com uma norma imperativa de Direito Internacional geral. Para os fins da presente Convenção, uma norma imperativa de Direito Internacional geral é uma norma aceita e reconhecida pela comunidade internacional dos Estados como um todo, como norma da qual nenhuma derrogação é permitida e que só pode ser modificada por norma ulterior de Direito Internacional Geral da mesma natureza." (Ênfase adicionada) Analisando as opções à luz desta definição:
A: Incorreto. As normas de jus cogens são consideradas superiores e não derivam apenas da "vontade dos Estados por meio dos tratados internacionais válidos", mas sim do reconhecimento da comunidade internacional como um todo. B: Incorreto. Normas de jus cogens possuem hierarquia superior aos atos unilaterais. Além disso, pacta sunt servanda é o princípio da obrigatoriedade dos tratados (e não dos atos unilaterais) e não se sobrepõe ao jus cogens. C: Incorreto. Jus cogens possui caráter vinculante e imperativo; é oposto de soft law (normas não vinculantes). D: Incorreto. A equidade (ex aequo et bono) não é centro das normas de jus cogens. centro é a imperatividade e a aceitação pela comunidade internacional. E: Correto. Esta opção resume com precisão a definição contida no Artigo 53 da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados de 1969, destacando sua natureza imperativa, a fonte de reconhecimento ("comunidade internacional dos Estados como um todo") e a regra de modificação. A resposta correta é a E.

A incorporação dos tratados internacionais no Direito brasileiro segue um procedimento específico, que envolve a participação de dois Poderes (Executivo e Legislativo) e se divide, tradicionalmente, em três fases no plano interno, além da fase internacional (negociação e assinatura). iter de incorporação no Brasil é seguinte: 1. (Poder Executivo): Presidente da República (ou seu representante) assina tratado, manifestando a intenção do Brasil de se vincular, mas ato ainda não gera obrigações no plano interno. 2. Referendo ou Aprovação (Poder Legislativo): Congresso Nacional (Câmara e Senado) vota tratado por meio de um Decreto Legislativo (Art. 49, I, CF), autorizando Presidente a ratificá-lo. Este ato vincula Brasil apenas no plano internacional. 3. Ratificação (Poder Executivo): Presidente deposita instrumento de ratificação junto ao órgão depositário do tratado, concretizando a obrigação do Brasil perante a comunidade internacional. 4. Promulgação e Publicação (Poder Executivo): Presidente edita um Decreto (Decreto Executivo), que promulga tratado, ordena seu cumprimento e publica no Diário Oficial da União. Apenas a partir da publicação do Decreto de Promulgação tratado adquire vigência e executoriedade no Direito Interno brasileiro. Analisando as opções à luz deste procedimento:
A Uma vez ratificados pelo Congresso Nacional, os tratados passam, de imediato, a compor Direito Brasileiro. Incorreto. Congresso Nacional aprova tratado por Decreto Legislativo. A ratificação é um ato do Executivo que vincula Brasil internacionalmente tratado só passa a integrar Direito Interno após a Promulgação (Decreto Executivo) e publicação. B Aprovados por decreto legislativo no Congresso Nacional, os tratados podem ser promulgados pelo Presidente da República. Correto. A aprovação pelo Congresso Nacional se dá por meio de Decreto Legislativo (fase legislativa). Após esta aprovação, tratado volta ao Executivo para a fase final de Promulgação (por Decreto Executivo do Presidente), momento em que ele adquire validade interna. c Uma vez firmados, os tratados relativos ao MERCOSUL, ainda que criem compromissos gravosos à União, são automaticamente incorporados, visto que são aprovados por parlamento comunitário. Incorreto. Brasil não adota sistema de incorporação automática (monismo puro). iter constitucional deve ser seguido, e o Congresso Nacional tem competência exclusiva para resolver sobre tratados que acarretem encargos ou compromissos gravosos (Art. 49, I, CF). D Após firmados, os tratados passam a gerar obrigações imediatas, não podendo os Estados se eximir de suas responsabilidades por razões de Direito Interno. Incorreto (para Direito Interno). No plano internacional, sim, a regra é que Estado não pode invocar o Direito Interno para justificar inadimplemento de um tratado (Convenção de Viena). Contudo, no Direito Interno brasileiro, o tratado só gera obrigações e é aplicável aos cidadãos e autoridades após sua Promulgação e Publicação. E Uma vez assinados pelo Presidente da República, os tratados internacionais passam a fazer parte do ordenamento jurídico brasileiro, dando ensejo à responsabilidade internacional. Incorreto. A assinatura é apenas primeiro passo; não vincula Brasil internamente, nem internacionalmente (a menos que seja um acordo em forma simplificada). A vinculação internacional se dá pela ratificação, e a vigência interna se dá pela promulgação. A opção que descreve corretamente parte da sequência estabelecida para a incorporação no Brasil é a.

A situação hipotética envolve instituto do asilo diplomático e a questão da obrigatoriedade do costume regional para um Estado que rejeita, remetendo diretamente aos princípios da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas (CVRD) e ao famoso Caso Haya de la Torre julgado pela Corte Internacional de Justiça (CIJ). Vamos analisar os pontos cruciais e as alternativas: 1. Asilo Diplomático e Costume Regional: asilo diplomático é uma figura que se consolidou principalmente na América Latina, sendo regida por convenções regionais (como as de Havana e Caracas) e, em alguns casos, por costume regional. A questão coloca que Estado Z alega não reconhecer essa norma como obrigatória para si. No Caso Haya de la Torre (Colômbia Peru, 1950), a CIJ decidiu que Estado que invoca um costume regional deve provar que ele está estabelecido de tal modo que se tornou obrigatório para outro Estado. 2. Inviolabilidade da Missão Diplomática: As embaixadas são consideradas invioláveis segundo a CVRD (Art. 22). As autoridades do Estado territorial (Estado Z) não podem entrar na embaixada do Estado Y sem consentimento do Chefe da Missão. A inviolabilidade se aplica ao local, independentemente de quem esteja em seu interior. Analisando as alternativas:
A Estado Y não pode entregar Raul às autoridades do Estado Z, após a concessão do asilo, mas pode entregá-lo às autoridades de seu próprio Estado. Incorreto. asilo diplomático tem como objetivo a proteção do indivíduo e a sua saída segura do território. Entregá-lo às autoridades do Estado X (nacionalidade) ou do Estado Z (territorial) configuraria fracasso e a quebra da proteção concedida. Estado Z está obrigado a conceder a Raul um salvo-conduto para que ele deixe seu território. Incorreto (com ressalvas importantes). De acordo com a Convenção de Caracas sobre Asilo Diplomático, o Estado territorial deveria conceder salvo-conduto. No entanto, cerne da questão é que Estado Z alega não reconhecer a norma de asilo. No Caso Haya de la Torre, a CIJ decidiu que Estado territorial (Peru) não estava obrigado a emitir salvo- conduto porque não reconhecia a norma costumeira regional, especialmente porque a Colômbia não conseguiu provar costume. Portanto, em um cenário de obetor persistente não vinculado a tratado, a obrigação de conceder salvo- conduto não é automática. c A embaixada do Estado Y, localizada no território do Estado Z, é inviolável, mesmo estando Raul em seu interior. Correto. A inviolabilidade dos locais da missão diplomática (embaixada) é uma norma fundamental do Direito Internacional (Art. 22 da CVRD), que é aceita universalmente e não depende da aceitação do asilo diplomático. Estado Z não pode invadir a embaixada para prender Raul. D Raul tem direito a ter reconhecido pelo Estado Z asilo diplomático concedido pelo Estado Y. Incorreto. reconhecimento do asilo não é um "direito de Raul" contra Estado Z, mas sim uma obrigação do Estado Z perante Estado Y, que Estado Z pode rejeitar por ser um objetor persistente ao costume regional. E Estado Y tem dever de aplicar a Raul princípio aut dedere aut judicare. Incorreto. princípio "aut dedere aut judicare" (extradar ou julgar) se aplica a crimes graves (geralmente crimes comuns transnacionais, como terrorismo) e não ao asilo político, que envolve a proteção contra perseguição. A única afirmação que é incontestavelmente verdadeira no Direito Internacional, independentemente da disputa sobre asilo diplomático, é a inviolabilidade da embaixada, que garante a proteção de Raul enquanto ele estiver dentro de seus limites. A resposta correta é a C.

A situação envolve a execução no Brasil de um laudo arbitral estrangeiro, gerado a partir de um contrato internacional entre empresas brasileiras, com sede da arbitragem no Uruguai. No ordenamento jurídico brasileiro, as regras para reconhecimento e a execução de sentenças arbitrais estrangeiras são regidas pela Lei de Arbitragem (Lei n° 9.307/96) e pela Constituição Federal.
Analisando as alternativas: A Somente pode ser executado no Uruguai, sede da arbitragem, porque Brasil não ratificou a Convenção de Nova York. Incorreto. Brasil ratificou a Convenção de Nova York em 2002. Não precisa ser homologado, porque a Convenção de Nova York dispensa a homologação judicial dos laudos arbitrais. Incorreto. A Convenção de Nova York não dispensa a necessidade de reconhecimento e homologação pelo Estado onde se busca a execução; ela apenas padroniza e facilita processo. c Prescinde de homologacao, porque Protocolo de Las Leñas permite a execução direta dos laudos arbitrais do Mercosul. Incorreto. Protocolo de Las Leñas (e o Protocolo de Cooperação e Assistência Jurisdicional em Matéria Civil, Comercial, Trabalhista e Administrativa do Mercosul, que sucedeu em parte) visa facilitar a homologação, mas não a dispensa para que o laudo tenha plena eficácia executiva no Brasil. D Precisa ser homologado pelo Supremo Tribunal Federal, mesmo sendo um laudo arbitral proveniente de país-membro do Mercosul. Incorreto. A competência para homologar é do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme a Emenda Constitucional n° 45/2004, e não do Supremo Tribunal Federal (STF). E Precisa ser submetido ao processo de homologação pelo Superior Tribunal de Justiça para poder ser executado no Brasil. Correto. Esta é a regra constitucional e legal vigente: a execução de qualquer sentença (incluindo laudo arbitral) estrangeira no Brasil depende de homologação prévia pelo STJ.
A - Somente pode ser executado no Uruguai, sede da arbitragem, porque Brasil não ratificou a Convenção de Nova York.
B - Não precisa ser homologado, porque a Convenção de Nova York dispensa a homologação judicial dos laudos arbitrais.
C - Prescinde de homologacao, porque Protocolo de Las Leñas permite a execução direta dos laudos arbitrais do Mercosul.
D - Precisa ser homologado pelo Supremo Tribunal Federal, mesmo sendo um laudo arbitral proveniente de país-membro do Mercosul.
E - Precisa ser submetido ao processo de homologação pelo Superior Tribunal de Justiça para poder ser executado no Brasil.

A questão aborda Princípio da Responsabilidade de Proteger (R2P) e sua relação com a intervenção humanitária no Direito Internacional contemporâneo. R2P é uma norma internacional endossada pela Cúpula Mundial da ONU em 2005.
Acerca do princípio da responsabilidade de proteger e do instituto da intervenção humanitária, assinale a alternativa correta:
A - Nos países que demonstrarem estar atravessando períodos de grave crise humanitária, é lícito uso da força, mediante intervenção externa dos países que não fazem parte do conflito.
B - A intervenção pacífica dos demais países em relação ao conflito armado que está gerando uma grave crise humanitária depende de autorização do Conselho de Segurança da ONU.
C - O princípio da responsabilidade de proteger está diretamente relacionado ao instituto da intervenção humanitária, pois se um determinado Estado não proteger a sua população de impactos decorrentes de conflitos armados, como: genocídio, crimes de guerras e contra a humanidade, limpeza étnica etc., abre-se a possibilidade de intervenção por parte da comunidade internacional.
D - O princípio da responsabilidade de proteger foi criado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) e possui a finalidade de resguardar os direitos e as obrigações das partes nos contratos comerciais internacionais.
E - A responsabilidade de proteger só incide sobre os Estados beligerantes, e é expressamente vedado que outros países intervenham nos conflitos armados.

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No que concerne ao Direito Internacional Público, a Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados, de 1969, define: A As normas peremptórias do Direito Internacional sao aquelas estabelecidas pela vontade dos Estados por meio dos tratados internacionais válidos. Os atos unilaterais dos Estados têm maior peso que as normas de jus cogens, pois acta sunt servanda impõe obrigações imediatas à comunidade internacional. As normas de jus cogens, semelhantes ao soft law, não possuem caráter vinculante, uma vez que são orientadoras das práticas estatais, como a diplomacia. D A equidade é centro das normas de jus cogens, uma vez que equilíbrio determina a forma pelo qual os Estados podem reconhecer seu status hierarquicamente superior. E Jus cogens como uma normativa imperativa de Direito Internacional Geral reconhecida pela comunidade internacional dos Estados como um todo. Essa normativa só pode, portanto, sermodificada por norma ulterior de Direito Internacional Geral da mesma natureza. A Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados (CVDT), de 1969, é fundamental no Direito Internacional Público por codificar muitas regras relativas à celebração, validade e interpretação dos tratados. conceito de jus cogens (normas imperativas) é introduzido pela CVDT, limitando a liberdade de contratação dos Estados. Um tratado que conflite com uma norma de jus cogens é considerado nulo. A definição de jus cogens está prevista no Artigo 53 da Convenção de Viena, que estabelece: "É nulo um tratado que, no momento de sua conclusão, conflite com uma norma imperativa de Direito Internacional geral. Para os fins da presente Convenção, uma norma imperativa de Direito Internacional geral é uma norma aceita e reconhecida pela comunidade internacional dos Estados como um todo, como norma da qual nenhuma derrogação é permitida e que só pode ser modificada por norma ulterior de Direito Internacional Geral da mesma natureza." (Ênfase adicionada) Analisando as opções à luz desta definição: A: Incorreto. As normas de jus cogens são consideradas superiores e não derivam apenas da "vontade dos Estados por meio dos tratados internacionais válidos", mas sim do reconhecimento da comunidade internacional como um todo. B: Incorreto. Normas de jus cogens possuem hierarquia superior aos atos unilaterais. Além disso, pacta sunt servanda é o princípio da obrigatoriedade dos tratados (e não dos atos unilaterais) e não se sobrepõe ao jus cogens. C: Incorreto. Jus cogens possui caráter vinculante e imperativo; é oposto de soft law (normas não vinculantes). D: Incorreto. A equidade (ex aequo et bono) não é centro das normas de jus cogens. centro é a imperatividade e a aceitação pela comunidade internacional. E: Correto. Esta opção resume com precisão a definição contida no Artigo 53 da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados de 1969, destacando sua natureza imperativa, a fonte de reconhecimento ("comunidade internacional dos Estados como um todo") e a regra de modificação.A resposta correta é a E. Gostaria de exemplos práticos de normas de jus cogens aceitas no Direito Internacional?Os tratados internacionais sobre Direitos Humanos firmados pela República Federativa do Brasil serão equivalentes às emendas constitucionais, se forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional: A Em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros. Em dois turnos, por maioria absoluta dos votos dos respectivos membros. Em único turno, por maioria absoluta dos votos dos respectivos membros. D Em único turno, por três quintos dos votos dos respectivos membros. E Em dois turnos, por dois tercos dos votos dos respectivos membros. A hierarquia dos Tratados Internacionais sobre Direitos Humanos no ordenamento jurídico brasileiro é definida pelo § 3° do Art. 5° da Constituição Federal, incluído pela Emenda Constitucional n° 45, de 2004. Este parágrafo estabelece rito especial para que esses tratados adquiram status de emenda constitucional:"Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais." (Ênfase adicionada) Analisando as opções: A Em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros. Correto. Esta é exatamente a redação e quórum qualificado exigido pela Constituição Federal (o mesmo rito de aprovação das Emendas Constitucionais). Incorreto. quórum é de três quintos, não maioria absoluta. c Incorreto. Exige-se votação em dois turnos, não em único turno, e quórum é de três quintos. D Incorreto. Exige-se votação em dois turnos, não em único turno. E Incorreto. quórum é de três quintos (60%), não dois terços (aproximadamente 66,6%). Se você tiver dúvidas sobre qual é status dos Tratados de Direitos Humanos que não passam por esse rito, posso pesquisar e explicar o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF). Tratados são, por excelência, normas de Direito Internacional Público. No modelo jurídico brasileiro, como nas demais democracias modernas, tratados passam a integrar o Direito Interno Estatal, após a verificação de seu iter de incorporação. A respeito dessa temática, assinale a opção correta, de acordo com ordenamento jurídico brasileiro. A Uma vez ratificados pelo Congresso Nacional, os tratados passam, de imediato, a compor DireitoBrasileiro. Aprovados por decreto legislativo no Congresso Nacional, os tratados podem ser promulgados pelo Presidente da República. Uma vez firmados, os tratados relativos ao MERCOSUL, ainda que criem compromissos gravosos à União, são automaticamente incorporados, visto que são aprovados por parlamento comunitário. D Após firmados, os tratados passam a gerar obrigações imediatas, não podendo os Estados se eximir de suas responsabilidades por razões de Direito Interno. E Uma vez assinados pelo Presidente da República, os tratados internacionais passam a fazer parte do ordenamento jurídico brasileiro, dando ensejo à responsabilidade internacional. A incorporação dos tratados internacionais no Direito brasileiro segue um procedimento específico, que envolve a participação de dois Poderes (Executivo e Legislativo) e se divide, tradicionalmente, em três fases no plano interno, além da fase internacional (negociação e assinatura). iter de incorporação no Brasil é seguinte: 1. (Poder Executivo): Presidente da República (ou seu representante) assina tratado, manifestando a intenção do Brasil de se vincular, mas ato ainda não gera obrigações no plano interno.2. Referendo ou Aprovação (Poder Legislativo): Congresso Nacional (Câmara e Senado) vota tratado por meio de um Decreto Legislativo (Art. 49, I, CF), autorizando Presidente a ratificá-lo. Este ato vincula Brasil apenas no plano internacional. 3. Ratificação (Poder Executivo): Presidente deposita instrumento de ratificação junto ao órgão depositário do tratado, concretizando a obrigação do Brasil perante a comunidade internacional. 4. Promulgação e Publicação (Poder Executivo): Presidente edita um Decreto (Decreto Executivo), que promulga tratado, ordena seu cumprimento e publica no Diário Oficial da União. Apenas a partir da publicação do Decreto de Promulgação tratado adquire vigência e executoriedade no Direito Interno brasileiro. Analisando as opções à luz deste procedimento: A Uma vez ratificados pelo Congresso Nacional, os tratados passam, de imediato, a compor Direito Brasileiro. Incorreto. Congresso Nacional aprova tratado por Decreto Legislativo. A ratificação é um ato do Executivo que vincula Brasil internacionalmente tratado só passa a integrar Direito Interno após a Promulgação (Decreto Executivo) e publicação. B Aprovados por decreto legislativo no Congresso Nacional, os tratados podem ser promulgados pelo Presidente da República. Correto. A aprovação pelo Congresso Nacional se dá por meio de Decreto Legislativo (fase legislativa). Após esta aprovação, tratado volta ao Executivo para a fase final de Promulgação (por Decreto Executivo do Presidente), momento em que ele adquire validade interna. c Uma vez firmados, os tratados relativos ao MERCOSUL, ainda que criem compromissos gravosos à União, são automaticamente incorporados, visto que são aprovados por parlamento comunitário. Incorreto. Brasil não adota sistema de incorporação automática (monismo puro). iter constitucional deve ser seguido, e o Congresso Nacional tem competência exclusiva para resolver sobre tratados que acarretem encargos ou compromissos gravosos (Art. 49, I, CF). D Após firmados, os tratados passam a gerar obrigações imediatas, não podendo os Estados se eximir de suas responsabilidades por razões de Direito Interno. Incorreto (para Direito Interno). No plano internacional, sim, a regra é que Estado não pode invocar o Direito Interno para justificar inadimplemento de um tratado (Convenção de Viena). Contudo, no Direito Internobrasileiro, o tratado só gera obrigações e é aplicável aos cidadãos e autoridades após sua Promulgação e Publicação. E Uma vez assinados pelo Presidente da República, os tratados internacionais passam a fazer parte do ordenamento jurídico brasileiro, dando ensejo à responsabilidade internacional. Incorreto. A assinatura é apenas primeiro passo; não vincula Brasil internamente, nem internacionalmente (a menos que seja um acordo em forma simplificada). A vinculação internacional se dá pela ratificação, e a vigência interna se dá pela promulgação. A opção que descreve corretamente parte da sequência estabelecida para a incorporação no Brasil é a Gostaria de saber qual é a hierarquia que os tratados internacionais (que não são de Direitos Humanos) ocupam no ordenamento jurídico brasileiro? Assinale a alternativa correta sobre orgao que proclamou a Declaracao Universal dos Direitos Humanos. A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. Conselho Econômico e Social das Nações Unidas. D Assembleia Especial de Justiça da Organização das Nações Unidas.E Tribunal Penal Internacional. A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) foi adotada e proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948, em Paris. A Assembleia Geral é principal órgão deliberativo e de formulação de políticas da Organização das Nações Unidas (ONU), onde todos os 193 Estados-membros estão representados, cada um com direito a um voto. Portanto, a alternativa correta é: A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. Se precisar de informações sobre impacto da Declaração Universal dos Direitos Humanos na legislação brasileira ou em outros documentos internacionais, é só me dizer! Raul, nacional do Estado X, solicitou asilo diplomático na embaixada do Estado Y, localizada no território do Estado Z, alegando que tem sofrido perseguição política por ação conjunta dos Estados X e Z. asilo diplomático foi concedido pelo Estado Y, que reconhece como norma de direito internacional costumeiro asilo diplomático, ao passo que Estado Z alega que nunca reconheceu tal norma como válida e obrigatória para si. Nessa situação hipotética, A Estado Y não pode entregar Raul às autoridades do Estado Z, após a concessão do asilo, mas pode entregá-lo às autoridades de seu próprio Estado.Estado Z está obrigado a conceder a Raul um salvo-conduto para que ele deixe seu território. c A embaixada do Estado Y, localizada no território do Estado Z, é inviolável, mesmo estando Raul em seu interior. D Raul tem direito a ter reconhecido pelo Estado Z asilo diplomático concedido pelo Estado Y. E Estado Y tem dever de aplicar a Raul princípio aut dedere aut judicare. A situação hipotética envolve instituto do asilo diplomático e a questão da obrigatoriedade do costume regional para um Estado que rejeita, remetendo diretamente aos princípios da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas (CVRD) e ao famoso Caso Haya de la Torre julgado pela Corte Internacional de Justiça (CIJ). Vamos analisar os pontos cruciais e as alternativas: 1. Asilo Diplomático e Costume Regional: asilo diplomático é uma figura que se consolidou principalmente na América Latina, sendo regida por convenções regionais (como as de Havana e Caracas) e, em alguns casos, por costume regional. A questão coloca que Estado Z alega não reconhecer essa norma como obrigatória para si. No Caso Haya de la Torre (Colômbia Peru, 1950), a CIJ decidiu que Estado que invoca um costume regional deve provar que ele está estabelecido de tal modo que se tornou obrigatório para outro Estado. simples fato de um Estado ser um objetor persistente (aquele que consistentemente rejeitauma norma costumeira desde seu surgimento) pode livrá-lo de sua aplicação, a menos que a norma seja jus cogens. 2. Inviolabilidade da Missão Diplomática: As embaixadas são consideradas invioláveis segundo a CVRD (Art. 22). As autoridades do Estado territorial (Estado Z) não podem entrar na embaixada do Estado Y sem consentimento do Chefe da Missão. A inviolabilidade se aplica ao local, independentemente de quem esteja em seu interior. Analisando as alternativas: A Estado Y não pode entregar Raul às autoridades do Estado Z, após a concessão do asilo, mas pode entregá-lo às autoridades de seu próprio Estado. Incorreto. asilo diplomático tem como objetivo a proteção do indivíduo e a sua saída segura do território. Entregá-lo às autoridades do Estado X (nacionalidade) ou do Estado Z (territorial) configuraria fracasso e a quebra da proteção concedida. Estado Z está obrigado conceder a Raul um salvo-conduto para que ele deixe seu território. Incorreto (com ressalvas importantes). De acordo com a Convenção de Caracas sobre Asilo Diplomático, o Estado territorial deveria conceder salvo-conduto. No entanto, cerne da questão é que Estado Z alega não reconhecer a norma de asilo. No Caso Haya de la Torre, a CIJ decidiu que Estado territorial (Peru) não estava obrigado a emitir salvo- conduto porque não reconhecia a norma costumeira regional, especialmente porque a Colômbia não conseguiu provar costume. Portanto, em um cenário de obetor persistente não vinculado a tratado, a obrigação de conceder salvo- conduto não é automática. c A embaixada do Estado Y, localizada no território do Estado Z, é inviolável, mesmo estando Raul em seu interior. Correto. A inviolabilidade dos locais da missão diplomática (embaixada) é uma norma fundamental do Direito Internacional (Art. 22 da CVRD), que é aceita universalmente e não depende da aceitação do asilo diplomático. Estado Z não pode invadir a embaixada para prender Raul. D Raul tem direito a ter reconhecido pelo Estado Z asilo diplomático concedido pelo Estado Y. Incorreto. reconhecimento do asilo não é um "direito de Raul" contra Estado Z, mas sim uma obrigação do Estado Z perante Estado Y, que Estado Z pode rejeitar por ser um objetor persistente ao costume regional.E Estado Y tem dever de aplicar a Raul princípio aut dedere aut judicare. Incorreto. princípio "aut dedere aut judicare" (extradar ou julgar) se aplica a crimes graves (geralmente crimes comuns transnacionais, como terrorismo) e não ao asilo político, que envolve a proteção contra perseguição. A única afirmação que é incontestavelmente verdadeira no Direito Internacional, independentemente da disputa sobre asilo diplomático, é a inviolabilidade da embaixada, que garante a proteção de Raul enquanto ele estiver dentro de seus limites. A resposta correta é a C. caso de Raul exemplifica a complexidade do asilo diplomático. Se você tiver interesse, posso explicar a diferença de hierarquia entre asilo diplomático e asilo territorial no Direito Internacional. A colocação de satélites no espaço sideral e a chegada do homem à Lua na década de 60 do século passado ensejaram a criação de normas internacionais sobre espaço extra-atmosférico. Entre tais normas, destaca-se tratado sobre os princípios aplicáveis à exploração e uso do espaço extra-atmosférico, assinado em 1967 e, posteriormente, a convenção sobre a responsabilidade internacional por danos causados por objetos espaciais, em 1972. Com base nessas normas e nos princípios internacionais, assinale a opção correta. A Se um satélite alemão adentrar a atmosfera e atingir avião da companhia Air France, haverá responsabilização internacional. Há identidade entre as normas internacionais sobre espaço aéreo e extra-atmosférico.É permitida a colocação em órbita de objeto portador de armas nucleares, desde que autorizada pela ONU. D Permite-se a instalação de base lunar militar para a proteção do planeta Terra. E Se um satélite americano cair sobre uma casa brasileira, haverá causa excludente de ilicitude, que impede a indenização. Direito Espacial Internacional é regido por uma série de tratados, sendo os mais importantes Tratado do Espaço Sideral de 1967 e a Convenção sobre Responsabilidade Internacional por Danos Causados por Objetos Espaciais de 1972. cerne da Convenção de 1972 é regime de responsabilidade. Ela estabelece dois regimes: 1. Responsabilidade Absoluta (Objetiva): Aplica-se a danos causados por objetos espaciais na superfície da Terra ou a aeronaves em Estado Lançador (ou seja, o Estado que lança ou promove lançamento) é responsável por indenizar o dano, independentemente de culpa ou ilicitude. 2. Responsabilidade por Culpa (Subjetiva): Aplica-se a danos causados por um objeto espacial a outro objeto espacial ou a pessoas ou propriedades a bordo de tal objeto fora da superfície da Terra. Analisando as alternativas: A Se um satélite alemão adentrar a atmosfera e atingir avião da companhia Air France, haverá responsabilização internacional. Correto. O dano ocorreu a uma aeronave em (atingida pelo satélite ao adentrar a atmosfera).Pela Convenção de 1972 (Art. II), Estado lançador (Alemanha, neste caso) será responsável absoluto (objetivamente) pelo pagamento da indenização. Há identidade entre as normas internacionais sobre espaço aéreo e extra-atmosférico. Incorreto. Direito Internacional faz uma distinção fundamental: espaço aéreo está sob a soberania plena do Estado (Convenção de Chicago), enquanto espaço extra-atmosférico é considerado res communis omnium (patrimônio comum), regido pelo Tratado de 1967. Não há identidade entre as normas. É permitida a colocação em órbita de objeto portador de armas nucleares, desde que autorizada pela ONU. Incorreto. Artigo IV do Tratado de 1967 proíbe expressamente a colocação em órbita da Terra de quaisquer objetos portadores de armas nucleares ou quaisquer outras armas de destruição maciça. Esta proibição é absoluta e não depende de autorização da ONU. D Permite-se a instalação de base lunar militar para a proteção do planeta Terra. Incorreto. Tratado de 1967 determina que a Lua e outros corpos celestes serão utilizados exclusivamente para fins pacíficos. Proíbe-se expressamente estabelecimento de bases, instalações e fortificações militares nos corpos celestes (Art. IV). E Se um satélite americano cair sobre uma casa brasileira, haverá causa excludente de ilicitude, que impede a indenização. Incorreto. A queda de um objeto espacial na superfície da Terra gera Responsabilidade Absoluta para Estado lançador (EUA). Não é necessária a ilicitude do ato (culpa ou dolo) para gerar a obrigação de indenizar, nem simples fato de ser um "risco inerente" exclui a responsabilidade. Estado Lançador é responsável. A resposta correta é a Gostaria de saber como a Convenção de 1972 determina valor da indenização em casos como da queda do satélite? A Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados estabelece regras fundamentais sobre a elaboração, aplicação e extinção dos tratados internacionais. que define uma norma de Jus Cogens segundo o artigo 53 da Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados?A Uma norma que pode ser derrogada por qualquer outra norma internacional. Uma norma aceita pela comunidade internacional dos Estados como um todo e que não admite derrogação. Uma norma que se aplica apenas a Estados que consentiram explicitamente. D Uma norma baseada exclusivamente em costumes internacionais. E Uma norma criada por tratados entre Estados. conceito de Jus Cogens (normas imperativas de Direito Internacional Geral) é um dos pilares da Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados (CVDT) de 1969. Ele define normas de ordem pública internacional que limitam a liberdade de contratar dos Estados. Artigo 53 da CVDT define Jus Cogens da seguinte forma: "É nulo um tratado que, no momento de sua conclusão, conflite com uma norma imperativa de Direito Internacional geral. Para os fins da presente Convenção, uma norma imperativa de Direito Internacional geral é uma norma aceita e reconhecida pela comunidade internacional dos Estados como um todo como norma da qual nenhuma derrogação épermitida e que só pode ser modificada por norma ulterior de Direito Internacional Geral da mesma natureza." (Ênfase adicionada) Analisando as alternativas: A: Incorreto. Jus Cogens é uma norma da qual nenhuma derrogação é permitida, ou seja, não pode ser modificada por qualquer outra norma. B: Correto. Esta opção capta os elementos essenciais da definição do Artigo 53: aceitação pela comunidade internacional dos Estados como um todo e caráter imperativo (que não admite derrogação). C: Incorreto. Jus Cogens aplica-se a todos os Estados (é uma norma de Direito Internacional Geral), independentemente do consentimento explícito individual de cada um. D: Incorreto. Embora Jus Cogens muitas vezes se origine no costume internacional, sua força reside no seu caráter imperativo e na aceitação da comunidade como um todo, não apenas no fato de ser um costume. E: Incorreto. Uma norma de Jus Cogens é uma norma de Direito Internacional Geral; acordos entre Estados criam tratados, mas não são a fonte definidora do caráter imperativo do Jus Cogens. A resposta correta é a Quer saber quais são alguns exemplos de normas que Direito Internacional considera como Jus Cogens? Diversas teorias explicam a origem e a justificativa do direito internacional. Dentro das vertentes objetivistas, algumas abordagens destacam fatores como a solidariedade entre os Estados e os vínculos sociais que fundamentam a criação das normas jurídicas internacionais, ao invés da simples vontade estatal. Qual vertente da teoria objetivista defende que direito internacional é justificado pela necessidade dos Estados de se solidarizarem uns com os outros?A Teoria da Norma Fundamental. Teoria da Norma Pacta Sunt Servanda. Teoria dos Direitos Fundamentais dos Estados. D Teorias Sociológicas. E Teoria do Consentimento das Nações. A pergunta aborda as diferentes correntes teóricas que buscam justificar a obrigatoriedade do Direito Internacional Público (DIP), focando naquelas que são objetivistas (que buscam fundamento da norma em algo externo ou superior à vontade do Estado) e que enfatizam a solidariedade ou vínculos sociais entre os Estados. Dentro do objetivismo, a corrente que fundamenta o Direito Internacional na necessidade social, interdependência e solidariedade entre os membros da sociedade internacional, e não na vontade estatal ou em uma norma superior puramente lógica, é a: D Teorias Sociológicas. Análise das Teorias Sociológicas As Teorias Sociológicas (ou Sociais), cujos principais expoentes incluem juristas como Léon Duguit e Georges Scelle, defendem que:1. Direito é um Fato Social: Direito Internacional não é criado pela vontade dos Estados, mas surge de uma necessidade social inerente à convivência dos grupos humanos. 2. Fundamento na Solidariedade/Interdependência: A crescente interdependência entre os Estados (econômica, social, cultural) gera uma solidariedade de fato que exige a criação de normas jurídicas para garantir a sobrevivência e o desenvolvimento da comunidade internacional. 3. A Regra do Jogo Social: Direito Internacional é a regra de conduta imposta pela própria vida social internacional. Análise das Outras Opções Objetivistas A Teoria da Norma Fundamental (Kelsen): Esta é uma vertente Objetivista Lógica/Positivista. Busca fundamento do DIP em uma norma hipotética superior (Grundnorm) que dita que costume deve ser cumprido (Pacta sunt servanda), sendo uma construção puramente lógica e formal, sem ênfase na solidariedade social. Teoria da Norma Pacta Sunt Servanda: Embora este princípio seja central no DIP, ele é frequentemente visto como uma base das teorias Mistas ou como a norma básica da escola Objetivista Positivista (como Kelsen), mas não é a teoria que se foca primariamente na solidariedade social. Teoria dos Direitos Fundamentais dos Estados (Jusnaturalismo): Esta é uma vertente Objetivista Jusnaturalista. Busca fundamento do DIP em princípios superiores e imutáveis da razão ou da natureza humana, mas seu foco está nos direitos inerentes aos Estados (como independência e igualdade), e não na solidariedade social. E Teoria do Consentimento das Nações: Esta é uma variação das teorias Voluntaristas (Subjetivistas), pois busca fundamento na vontade tácita ou expressa dos Estados, que a exclui do campo objetivista. Portanto, a teoria objetivista que justifica DIP pela solidariedade e vínculos sociais é a sociológica. fundamento da obrigatoriedade do Direito Internacional é objeto de diferentes teorias. A teoria do Consentimento das Nações sustenta que:A direito internacional e baseado em princípios morais universais. A validade do direito internacional deriva exclusivamente dos tratados internacionais. direito internacional é justificado pelo consentimento explícito e implícito dos Estados. D direito internacional depende das normas de Jus Cogens. E direito internacional é fundamentado na prática costumeira dos Estados. A questão refere-se às Teorias Voluntaristas (ou Subjetivistas) sobre o fundamento da obrigatoriedade do Direito Internacional Público (DIP). Essas teorias buscam a fonte de validade do DIP na vontade dos Estados. A Teoria do Consentimento das Nações (ou Doutrina da Vontade Coletiva/Comum) é uma vertente majoritária dessas teorias voluntaristas. Ela sustenta que: 1. Os Estados soberanos só se obrigam no plano internacional se manifestarem seu consentimento. 2. DIP deriva do acordo de vontades dos Estados, seja este acordo expresso (em tratados) ou tácito/implícito (em costumes). Analisando as alternativas:A: Incorreto. Esta ideia pertence às teorias Jusnaturalistas, que se baseiam em princípios morais universais, e não na vontade estatal. B: Incorreto. Embora os tratados sejam uma fonte, a teoria voluntarista também reconhece costume como fonte, desde que haja consentimento implícito. DIP não deriva exclusivamente de tratados. C: Correto. cerne da Teoria do Consentimento das Nações é que direito internacional se justifica e se torna obrigatório pelo consentimento explícito (em tratados) e implícito (em costumes) dos Estados, manifestando sua vontade comum. D: Incorreto. Esta ideia pertence às teorias Objetivistas/Imperativistas (como a de Jus Cogens), que defendem que a validade deriva de uma norma superior, e não da vontade do Estado. E: Incorreto. Embora costume seja uma fonte importante, a teoria voluntarista não adota como fundamento único; ela engloba tanto costume quanto tratados, unindo-os sob guarda-chuva do consentimento estatal. debate sobre a validade das normas internacionais envolve diferentes correntes teóricas. Uma delas entende que a obrigatoriedade dessas normas não se baseia em princípios universais, mas sim na aceitação expressa ou tácita pelos próprios Estados, que são considerados os principais sujeitos do direito internacional. Qual corrente teórica é essa? A Corrente Voluntarista. Corrente Objetivista.Teoria do Direito Natural. D Teorias Sociológicas. E Teoria dos Direitos Fundamentais dos Estados. A descrição apresentada na questão corresponde diretamente ao grupo de teorias conhecido como Voluntarista ou Subjetivista. Análise da Corrente Voluntarista A Corrente Voluntarista (ou Subjetivista) defende que fundamento da obrigatoriedade do Direito Internacional (DI) reside unicamente na vontade dos Estados. Ponto-chave da descrição: "a obrigatoriedade dessas normas não se baseia em princípios universais, mas sim na aceitação expressa ou tácita pelos próprios Estados." Voluntarismo: Estado, sendo soberano, só se obriga a uma norma internacional se assim quiser, através da manifestação da sua vontade (consentimento). Essa vontade pode ser: Expressa: em tratados internacionais. Tácita: no costume internacional. Análise das Outras Opções (Correntes Objetivistas) As demais opções representam grupo oposto, as Correntes Objetivistas, que buscam fundamento do DI em algo externo ou superior à vontade estatal: Corrente Objetivista: É termo genérico que engloba as teorias que se opõem ao voluntarismo (ex: Kelsen, Jusnaturalismo, Sociológicas). c Teoria do Direito Natural: Vertente Objetivista que baseia a validade em princípios universais (morais, éticos ou da razão), independentes da vontade dosEstados. D - Teorias Sociológicas: Vertente Objetivista que baseia a validade na solidariedade e na necessidade social (fatores sociais), e não na vontade estatal. E - Teoria dos Direitos Fundamentais dos Estados: Vertente Objetivista Jusnaturalista que sustenta que a validade decorre de direitos inerentes e superiores do Estado (como a igualdade e a soberania), e não da manifestação da vontade para cada norma. Portanto, a corrente que sustenta a obrigatoriedade na aceitação/consentimento dos Estados é a: A - Corrente Voluntarista. Sobre direito da guerra e os conflitos internacionais, assinale a alternativa correta: A Os países inimigos que detiverem os prisioneiros de guerra possuem permissão para torturá-los ou matá-los, desde que apresentem grave ameaça às suas tropas ou à segurança nacional. Os prisioneiros de guerra podem permanecer nesta condição mesmo após a assinatura do Tratado de Paz e consequente término da guerra, enquanto aguardam julgamento do Tribunal Penal Internacional. c Quem detém a guarda dos prisioneiros de guerra são as pessoas que os prenderam.D Os feridos de guerra possuem o direito à assistência médica nos hospitais de campanha. Ainda que esteja no território alheio, se for atingido, deve receber a assistência do país inimigo. E Os feridos de guerra somente possuem direito à assistência médica se estiverem no território equivalente ao seu país. Direito da Guerra, ou Direito Internacional Humanitário (DIH), tem como objetivo limitar sofrimento em conflitos armados, protegendo pessoas que não participam ou deixaram de participar das hostilidades (como feridos e prisioneiros de guerra). As principais normas estão nas Convenções de Genebra de 1949 e seus Protocolos Adicionais. Analisando as alternativas à luz do DIH (Terceira e Primeira Convenções de Genebra): A Os países inimigos que detiverem os prisioneiros de guerra possuem permissão para torturá-los ou matá-los, desde que apresentem grave ameaça às suas tropas ou à segurança nacional. Incorreto. Artigo 13 da Terceira Convenção de Genebra proíbe expressamente todos os atos de violência, tortura, tratamento desumano ou qualquer medida de represália contra prisioneiros de guerra. Isso é considerado um Crime de Guerra. Os prisioneiros de guerra podem permanecer nesta condição mesmo após a assinatura do Tratado de Paz e consequente término da guerra, enquanto aguardam julgamento do Tribunal Penal Internacional. Incorreto. Artigo 118 da Terceira Convenção de Genebra estabelece que os prisioneiros de guerra devem ser libertados e repatriados imediatamente após fim das hostilidades ativas. A retenção só é permitida em casos muito específicos, como para aguardar fim de um processo criminal por crime de guerra já iniciado, mas a regra geral é a libertação imediata com o fim do conflito, independentemente de futuros julgamentos internacionais.c Quem detém a guarda dos prisioneiros de guerra são as pessoas que os prenderam. Incorreto. O Artigo 12 da Terceira Convenção de Genebra afirma que os prisioneiros de guerra ficarão em poder da Potência Inimiga Estado), mas não dos indivíduos ou dos corpos de tropa que os tenham capturado. A responsabilidade e a guarda pertencem ao Estado detentor. D Os feridos de guerra possuem direito à assistência médica nos hospitais de campanha. Ainda que esteja no território alheio, se for atingido, deve receber a assistência do país inimigo. Correto. Artigo 3° Comum às quatro Convenções de Genebra, e de forma mais detalhada a Primeira Convenção (Art. 12), estabelece que os feridos e enfermos, qualquer que seja a Parte a que pertençam, devem ser tratados e cuidados com humanidade pela Parte em luta que os tiver em seu poder e receber, na medida do possível, os cuidados médicos exigidos por seu estado, sem distinção que não seja baseada em critérios médicos. E Os feridos de guerra somente possuem direito à assistência médica se estiverem no território equivalente ao seu país. Incorreto. direito à assistência é universal e se aplica a feridos e enfermos que estejam em poder da Potência inimiga, incluindo território inimigo (Princípio da Humanidade e Art. 12 da Primeira Convenção de Genebra). A alternativa correta, que reflete os princípios do Direito Internacional Humanitário, é a D. Gostaria de saber como a Convenção de Genebra define que são "prisioneiros de guerra"? Duas empresas brasileiras estabelecem, em um contrato internacional, a via arbitral para solução dos conflitos, devendo a dita arbitragem ocorrer no Uruguai. Surgiu uma controvérsia entre as partes quanto à forma de cumprimento de uma obrigação contratual, e uma das partes propõe a instauração da arbitragem, conforme previsto no contrato. laudo arbitral que deu ganho de causa a uma das partes:A Somente pode ser executado no Uruguai, sede da arbitragem, porque Brasil não ratificou a Convenção de Nova York. Não precisa ser homologado, porque a Convenção de Nova York dispensa a homologação judicial dos laudos arbitrais. c Prescinde de homologacao, porque Protocolo de Las Leñas permite a execução direta dos laudos arbitrais do Mercosul. D Precisa ser homologado pelo Supremo Tribunal Federal, mesmo sendo um laudo arbitral proveniente de país-membro do Mercosul. E Precisa ser submetido ao processo de homologação pelo Superior Tribunal de Justiça para poder ser executado no Brasil. A situação envolve a execução no Brasil de um laudo arbitral estrangeiro, gerado a partir de um contrato internacional entre empresas brasileiras, com sede da arbitragem no Uruguai. No ordenamento jurídico brasileiro, as regras para reconhecimento e a execução de sentenças arbitrais estrangeiras são regidas pela Lei de Arbitragem (Lei n° 9.307/96) e pela Constituição Federal.1. Natureza da Sentença: laudo arbitral proferido no Uruguai é considerado uma sentença arbitral estrangeira. 2. Competência para Homologação: A Constituição Federal, em seu Art. 105, I, i, atribui ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a competência para homologar sentenças estrangeiras, incluindo laudos arbitrais. 3. Convenções Internacionais: Brasil é signatário da Convenção de Nova York de 1958 sobre Reconhecimento e Execução de Sentenças Arbitrais Estrangeiras, e do Protocolo de Las Leñas, que facilita a cooperação judicial no MERCOSUL. 4. Requisito de Homologação: A regra geral do Direito brasileiro é que, para ser executado no Brasil, laudo arbitral estrangeiro precisa ser homologado pela autoridade judicial competente STJ). Analisando as alternativas: A Somente pode ser executado no Uruguai, sede da arbitragem, porque Brasil não ratificou a Convenção de Nova York. Incorreto. Brasil ratificou a Convenção de Nova York em 2002. Não precisa ser homologado, porque a Convenção de Nova York dispensa a homologação judicial dos laudos arbitrais. Incorreto. A Convenção de Nova York não dispensa a necessidade de reconhecimento e homologação pelo Estado onde se busca a execução; ela apenas padroniza e facilita processo. c Prescinde de homologacao, porque Protocolo de Las Leñas permite a execução direta dos laudos arbitrais do Mercosul. Incorreto. Protocolo de Las Leñas (e o Protocolo de Cooperação e Assistência Jurisdicional em Matéria Civil, Comercial, Trabalhista e Administrativa do Mercosul, que sucedeu em parte) visa facilitar a homologação, mas não a dispensa para que o laudo tenha plena eficácia executiva no Brasil. D Precisa ser homologado pelo Supremo Tribunal Federal, mesmo sendo um laudo arbitral proveniente de país-membro do Mercosul. Incorreto. A competência para homologar é do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme a Emenda Constitucional n° 45/2004, e não do Supremo Tribunal Federal (STF). E Precisa ser submetido ao processo de homologação pelo Superior Tribunal de Justiça para poder ser executado no Brasil. Correto. Esta é a regra constitucional e legal vigente: a execução de qualquer sentença (incluindo laudo arbitral) estrangeira no Brasil depende de homologação prévia pelo STJ. A alternativa correta é a E.Acerca do princípio da responsabilidade de proteger e do instituto da intervenção humanitária, assinale a alternativa correta: A Nos países que demonstrarem estar atravessando períodos de grave crise humanitária, é lícito uso da força, mediante intervenção externa dos países que não fazem parte do conflito. A intervenção pacífica dos demais países em relação ao conflito armado que está gerando uma grave crise humanitária depende de autorização do Conselho de Segurança da ONU. princípio da responsabilidade de proteger está diretamente relacionado ao instituto da intervenção humanitária, pois se um determinado Estado não proteger a sua população de impactos decorrentes de conflitos armados, como: genocídio, crimes de guerras e contra a humanidade, limpeza étnica etc., abre-se a possibilidade de intervenção por parte da comunidade internacional. D princípio da responsabilidade de proteger foi criado pela Organização Mundial do Comércio (OMC)e possui a finalidade de resguardar os direitos e as obrigações das partes nos contratos comerciais internacionais. E A responsabilidade de proteger só incide sobre os Estados beligerantes, e é expressamente vedado que outros países intervenham nos conflitos armados. A questão aborda Princípio da Responsabilidade de Proteger (R2P) e sua relação com a intervenção humanitária no Direito Internacional contemporâneo. R2P é uma norma internacional endossada pela Cúpula Mundial da ONU em 2005. R2P se baseia em três pilares: 1. A responsabilidade primária de proteger (Pilar I): Cabe ao Estado a responsabilidade primária de proteger sua população contra quatro crimes de atrocidade em massa: genocídio, crimes de guerra, limpeza étnica e crimes contra a humanidade. 2. Assistência internacional (Pilar II): A comunidade internacional tem a responsabilidade de ajudar os Estados a cumprir sua responsabilidade primária. 3. Ação coletiva (Pilar III): Se um Estado falhar manifestamente em sua responsabilidade de proteger sua população, a comunidade internacional deve tomar medidas coletivas apropriadas, de maneira oportuna e decisiva, por meio do Conselho de Segurança da ONU (CSNU), incluindo uso da força como último recurso. Analisando as alternativas: A - Nos países que demonstrarem estar atravessando períodos de grave crise humanitária, é lícito uso da força, mediante intervenção externa dos países que não fazem parte do conflito. Incorreto. uso da força no sistema da ONU é extremamente restrito. Fora da legítima defesa, uso da força para intervir, mesmo em crises humanitárias, exige autorização do Conselho de Segurança da ONU (CSNU), e não é uma prerrogativa automática de países que não fazem parte do conflito.A intervenção pacífica dos demais países em relação ao conflito armado que está gerando uma grave crise humanitária depende de autorização do Conselho de Segurança da ONU. Incorreto. A autorização do CSNU é exigida para medidas que envolvam uso da força (intervenção coercitiva), conforme Capítulo VII da Carta da ONU. A intervenção pacífica (como sanções econômicas, diplomacia, ou ajuda humanitária) não depende dessa autorização, embora CSNU possa recomendar ou determinar tais medidas. princípio da responsabilidade de proteger está diretamente relacionado ao instituto da intervenção humanitária, pois se um determinado Estado não proteger a sua população de impactos decorrentes de conflitos armados, como: genocídio, crimes de guerras e contra humanidade, limpeza étnica etc., abre-se a possibilidade de intervenção por parte da comunidade internacional. Correto. Esta alternativa define com precisão R2P. princípio surge justamente para reformular a controversa "intervenção humanitária", estabelecendo que a falha de um Estado em proteger sua população contra atrocidades (os quatro crimes listados) aciona a responsabilidade da comunidade internacional de agir, sendo a intervenção coercitiva (uso da força) a medida extrema do Pilar III, sempre sob amparo do CSNU. D princípio da responsabilidade de proteger foi criado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) e possui a finalidade de resguardar os direitos e as obrigações das partes nos contratos comerciais internacionais. Incorreto. R2P foi criado pela Comissão Internacional sobre Intervenção e Soberania Estatal (ICISS) e adotado pela ONU (2005), e sua finalidade é proteger populações de atrocidades em massa, não estando relacionado a contratos comerciais ou à OMC. E A responsabilidade de proteger só incide sobre os Estados beligerantes, e é expressamente vedado que outros países intervenham nos conflitos armados. Incorreto. R2P abrange a responsabilidade de todos os Estados (incluindo a comunidade internacional Pilares e III). Além disso, a intervenção de outros países, desde que autorizada pelo CSNU (Capítulo VII), não é vedada, mas sim a base da ação coletiva do R2P. A alternativa correta é a A Organização Mundial do Comércio (OMC) é uma organização internacional formal:A Com personalidade jurídica própria, constituída por membros e dotada de um órgão de solução de controvérsias. Sem personalidade jurídica própria, constituída por contratantes e desprovida de um órgão de solução de controvérsias. Com personalidade jurídica própria, constituída por contratantes e desprovida de um órgão de solução de controvérsias. D Sem personalidade jurídica própria, constituída por membros e dotada de um órgão de solução de controvérsias. E Com personalidade jurídica própria, constituída por contratantes e dotada de um órgão de solução de controvérsias. A Organização Mundial do Comércio (OMC), criada em 1995, substituiu o antigo GATT (Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio), transformando-o de um acordo provisório em uma organização internacional permanente e com estrutura jurídica sólida. Analisando os elementos constitutivos da OMC:1. Personalidade Jurídica: A OMC é uma organização internacional formal com personalidade jurídica própria. Isso significa que ela pode celebrar tratados, ter bens e ser responsável perante Direito Internacional. 2. Membros Contratantes: Enquanto GATT se referia às suas partes como "Partes Contratantes", Acordo de Marraqueche que instituiu a OMC utiliza termo Membros. 3. Órgão de Solução de Controvérsias (OSC): Uma das principais inovações da OMC em relação ao GATT é o seu sistema de solução de controvérsias (Dispute Settlement Understanding DSU), administrado pelo Órgão de Solução de Controvérsias (OSC), que confere maior segurança jurídica e previsibilidade ao sistema multilateral de comércio. Portanto, a alternativa correta é aquela que reflete essas três características: A Com personalidade jurídica própria, constituída por membros e dotada de um órgão de solução de controvérsias. Se você tiver interesse em saber qual é a principal diferença entre a OMC e seu antecessor, GATT, posso detalhar! (PGR/2015 Adaptada) As normas de Direito Internacional Privado possuem especificidades no tratamento de questões envolvendo contexto internacional. Sobre tema, assinale a alternativa correta. A De acordo com a Lei de Introducao às Normas do Direito Brasileiro, para qualificar os bens imóveis e regular as relações a eles concernentes, utiliza-se a lei do domicílio do proprietário. B A Convenção Interamericana sobre Normas Gerais de Direito Internacional Privado prevê que asquestões prévias, preliminares ou incidentes que surjam em decorrência de uma questão principal não devem necessariamente ser resolvidas de acordo com a lei que regula esta última. De acordo com a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, admite-se reenvio até segundo grau, salvo se Direito estrangeiro escolhido pelo reenvio for contrário à ordem pública doméstica. D Conforme Código Bustamante (Convenção de Direito Internacional Privado, 1928), a lei de regência do estatuto pessoal é a lei do domicílio da pessoa física, sem exceção. E De acordo com a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, admite-se reenvio até terceiro grau, salvo se Direito estrangeiro escolhido pelo reenvio for contrário à ordem pública doméstica. A questão exige conhecimento específico sobre a aplicação da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) e de algumas convenções internacionais no campo do Direito Internacional Privado (DIP). Analisando cada alternativa: A De acordo com a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, para qualificar os bens imóveis e regular as relações a eles concernentes, utiliza- se a lei do domicílio do proprietário. Incorreto. Art. 8° da LINDB estabelece princípio da lex rei sitae (lei da situação da coisa) para bens imóveis: "Para qualificar os bens e regular as relações a eles concernentes, aplicar-se-á a lei do país em queestiverem situados." A lei do domicílio do proprietário é usada, excepcionalmente, para bens móveis que ele trouxer ou se destinarem a transporte para outros lugares (Art. 8°, § 1°). A Convenção Interamericana sobre Normas Gerais de Direito Internacional Privado prevê que as questões prévias, preliminares ou incidentes que surjam em decorrência de uma questão principal não devem necessariamente ser resolvidas de acordo com a lei que regula esta última. Correto. Art. 8° da Convenção Interamericana sobre Normas Gerais de Direito Internacional Privado (Decreto 1.979/96) dispõe: "As questões prévias, preliminares ou incidentes, que possam surgir em decorrência de uma questão principal, não devem necessariamente ser resolvidas de acordo com a lei que regula esta última." Isso permite que juiz resolva a questão prévia (ex: validade de um casamento) usando a norma de conexão que lhe é própria (ex: lei do domicílio dos nubentes), mesmo que a questão principal (ex: sucessão) seja regida por outra lei. De acordo com a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, admite-se reenvio até segundo grau, salvo se Direito estrangeiro escolhido pelo reenvio for contrário à ordem pública doméstica. Incorreto. Art. 16 da LINDB adota a regra de vedação ao reenvio: "Quando, nos termos dos artigos precedentes, se houver de aplicar a lei estrangeira, ter-se-á em vista a disposição desta, sem considerar-se qualquer remissão por ela feita a outra lei." sistema brasileiro não admite reenvio (seja de primeiro ou segundo grau). D Conforme Código Bustamante (Convenção de Direito Internacional Privado, 1928), a lei de regência do estatuto pessoal é lei do domicílio da pessoa física, sem exceção. Incorreto. Código Bustamante não adota um critério único. Ele é famoso por ter sido um "código de compromisso" que permitiu aos Estados signatários manterem seu próprio critério para estatuto pessoal. Alguns países (como o Brasil à época da ratificação) aplicavam critério da nacionalidade (lex patriae), enquanto outros (como Uruguai e Argentina) aplicavam o do domicílio (lex domicilii). Código trata de forma distinta a lei pessoal para os "estrangeiros que pertençam a qualquer dos Estados contratantes" (Art. 1°) e para os demais. Não há a regra de "lei do domicílio... sem exceção."E De acordo com a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, admite-se reenvio até terceiro grau, salvo se Direito estrangeiro escolhido pelo reenvio for contrário à ordem pública doméstica. Incorreto. Reforçando a análise da opção C, Art. 16 da LINDB veda reenvio em qualquer grau. A alternativa correta é a (CESPE-CEBRASPE/201) Mohamed, filho concebido fora do matrimônio, requereu, na justiça brasileira, pensão alimentícia do pai, Said, residente e domiciliado no Brasil. Said negou requerido e não reconheceu Mohamed como filho, alegando que, perante a Tunísia, país no qual ambos nasceram, somente são reconhecidos como filhos os concebidos no curso do matrimônio. A partir dessa situação hipotética, assinale a opção correta à luz da legislação brasileira de Direito Internacional Privado. A A reserva da ordem pública não está expressa na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro. juiz, ao julgar a referida relação jurídica, deve obedecer à lei da Tunísia. Nesse caso, não se aplicam normas de ordem pública, pois se trata de relação jurídica de Direito Internacional Privado, e não, de Direito Internacional Público. Djuiz não deverá aplicar, nessa situação, Direito estrangeiro. E A lei brasileira assemelha-se à da Tunísia, razão pela qual esta deverá ser aplicada. A situação apresentada envolve uma questão de Direito de Família (reconhecimento de filiação e alimentos) com elemento de conexão estrangeira (nacionalidade), que aciona as regras de Direito Internacional Privado (DIP) do Brasil, contidas principalmente na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB). 1. Lei Aplicável à Filiação: Art. 10, § 1°, da LINDB estabelece a regra de conexão para Direito de Família e as relações de parentesco: "Regerá a sucessão e a capacidade para suceder a lei do país em que domiciliado de cujus, qualquer que seja a natureza e a situação dos bens." caput do Art. 7° dispõe: "A lei do país em que for domiciliada a pessoa determina as regras sobre começo e fim da personalidade, nome, a capacidade e os direitos de família." 2. Domicílio no Caso: Embora a nacionalidade seja tunisiana, pai (Said) é residente e domiciliado no Brasil, e pedido foi feito na justiça brasileira. Art. 7° sugere a aplicação da lei do domicílio da pessoa. Contudo, há uma regra mais forte que deve ser observada: a Ordem Pública. 3. A Cláusula de Ordem Pública: Art. 17 da LINDB estabelece a limitação à aplicação de lei estrangeira: "As leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações de vontade, não terão eficácia no Brasil, quando ofenderem a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes." (Ênfase adicionada) 4. Conflito com Direito Brasileiro: Direito brasileiro não faz distinção entre filhos concebidos dentro ou fora do casamento (Art. 227, § 6°, da Constituição Federal). A lei tunisiana, que só reconhece como filhos os concebidos no matrimônio, ofende a Ordem Pública brasileira, pois viola um princípio fundamental constitucional de igualdade entre os filhos e de proteção à criança e ao adolescente.Análise das Alternativas A A reserva da ordem pública não está expressa na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro. Incorreto. A reserva da ordem pública está expressa no Art. 17 da LINDB. juiz, ao julgar a referida relação jurídica, deve obedecer à lei da Tunísia. Incorreto. juiz não deve aplicar a lei tunisiana, pois ela ofende a Ordem Pública brasileira (Art. 17). Nesse caso, não se aplicam normas de ordem pública, pois se trata de relação jurídica de Direito Internacional Privado, e não, de Direito Internacional Público. Incorreto. A cláusula de Ordem Pública (Art. 17 da LINDB) é principal mecanismo limitador da aplicação de leis estrangeiras no âmbito do Direito Internacional Privado. D juiz não deverá aplicar, nessa situação, Direito estrangeiro. Correto. Devido ao conflito com a Ordem Pública brasileira (igualdade dos filhos), juiz brasileiro, usando mecanismo do Art. 17 da LINDB, recusará a aplicação da lei tunisiana e aplicará a lei brasileira (a lex fori) para resolver a questão. E A lei brasileira assemelha-se à da Tunísia, razão pela qual esta deverá ser aplicada. Incorreto. A lei brasileira é diametralmente oposta à lei tunisiana no ponto central do litígio. A alternativa correta é a D. (FGV/2017 Adaptada) Henrique e Ruth se casaram no Brasil e se mudaram para a Holanda, onde permaneceram por quase 4 anos. Após um período difícil, casal, que não tem filhos nem bens, decide, de comum acordo, se divorciar e Ruth pretende retornar ao Brasil. Com relação à dissolução do casamento, assinale a afirmativa correta. Adivórcio só poderá ser requerido no Brasil, eis que casamento foi realizado no Brasil. divórcio, se efetivado na Holanda, precisa ser reconhecido e homologado perante STJ para que tenha validade no Brasil. c divórcio consensual pode ser reconhecido no Brasil sem que seja necessário proceder à homologação. D Para requerer divórcio no Brasil, casal deverá, primeiramente, voltar a residir no país. E Só poderá ser realizada na Holanda, pois é país de residência habitual. A questão trata da validade e eficácia no Brasil de um divórcio consensual realizado no exterior, uma questão de Direito Internacional Privado. ponto crucial da questão é fato de divórcio ser consensual e de casal não ter filhos nem bens a serem partilhados. Esse tipo de divórcio é chamado de Divórcio Consensual Simples ou Puro. ordenamento jurídico brasileiro flexibilizou drasticamente procedimento de reconhecimento de divórcios consensuais simples proferidos no exterior: 1. Código de Processo Civil (CPC/2015): Art. 961, § 5°, do CPC estabelece que a sentença estrangeira de divórcio consensual produz efeitos noBrasil independentemente de homologação pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). 2. Normas da Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ): O Conselho Nacional de Justiça regulamentou procedimento para que esse divórcio seja averbado diretamente no Cartório de Registro Civil, sem a necessidade de homologação judicial prévia (era Provimento n° 53/2016, cujas regras foram mantidas no Código Nacional de Normas do Foro Extrajudicial do CNJ). A dispensa da homologação judicial no STJ aplica-se ao divórcio consensual que não envolva disposição sobre guarda de filhos, alimentos e partilha de bens. Analisando as alternativas: A divórcio só poderá ser requerido no Brasil, eis que casamento foi realizado no Brasil. Incorreto. divórcio pode ser realizado na Holanda, país de residência habitual (domicílio) do casal. A regra geral do Direito de Família é aplicar a lei do domicílio ou da residência habitual (LINDB, Art. 7°). divórcio, se efetivado na Holanda, precisa ser reconhecido e homologado perante STJ para que tenha validade no Brasil. Incorreto. No caso específico de divórcio consensual simples (sem filhos e sem bens a partilhar), a homologação pelo STJ é dispensada pelo Art. 961, § 5°, do CPC. divórcio consensual pode ser reconhecido no Brasil sem que seja necessário proceder à homologação. Correto. divórcio consensual puro (sem tratar de questões acessórias como guarda e bens) realizado no exterior pode ser averbado diretamente no Cartório de Registro Civil no Brasil, com base no CPC e nas normas do CNJ, dispensando a homologação do STJ. D Para requerer divórcio no Brasil, casal deverá, primeiramente, voltar a residir no país. Incorreto. Embora domicílio seja um critério de competência, casal pode se divorciar no exterior, onde residem (Holanda), e divórcio será reconhecido no Brasil. E Só poderá ser realizada na Holanda, pois é país de residência habitual. Incorreto. casal brasileiro pode, a qualquer momento, optar por se divorciar no Brasil (onde se casaram e onde divórcio produzirá efeitos), mesmo residindo no exterior. A afirmativa correta, com base na legislação atual, é aGostaria de um resumo sobre as três categorias de divórcio estrangeiro e como cada uma é reconhecida no Brasil? A execução da política migratória brasileira envolve diferentes instituições públicas. A Lei de Migração define claramente qual órgão tem a responsabilidade central pela coordenação dessas ações e pela formulação de diretrizes. Qual é a entidade responsável pela coordenação da política migratória no Brasil, segundo a Lei de Migração? A Ministério da Defesa. Ministério da Justiça. Ministério das Relações Exteriores. D Ministério da Economia. E Polícia Federal. A Lei de Migração (Lei n° 13.445/2017) estabelece uma abordagem multifacetada para a política migratória, envolvendo vários órgãos. No entanto, papel de coordenação central, especialmente em relação à concessão de autorizações de residência e à implementação de grande parte dos procedimentos da Lei, é atribuído ao Ministério da Justiça.Decreto n° 9.199/2017 (que regulamenta a Lei de Migração) e as estruturas subsequentes confirmam que Ministério da Justiça e Segurança Pública (ou Ministério da Justiça, dependendo da estrutura de governo do momento) é a entidade com a responsabilidade central pela coordenação das ações e pela formulação de diretrizes da política migratória no plano interno, incluindo os procedimentos de residência, registro e até a instauração de processos de perda de Ministério das Relações Exteriores (MRE) tem um papel crucial na concessão de vistos no exterior e na proteção de brasileiros emigrantes, mas a coordenação da política nacional de migração é exercida internamente pelo Ministério da Justiça. Portanto, a alternativa correta é: - Ministério da Justiça. Se você quiser, posso detalhar qual é papel específico de outros órgãos, como a Polícia Federal ou Ministério das Relações Exteriores, na execução dessa política. Embora a Lei de Migração garanta a livre circulação de estrangeiros em território nacional, há restrições específicas determinadas por razões de segurança e interesse público, especialmente em determinadas regiões do país. Qual é a principal exceção a esse direito? A Áreas de fronteira. Capitais dos estados. Cidades litorâneas.D Regiões metropolitanas. E Zonas rurais. A Lei de Migração (Lei n° 13.445/2017) é guiada pelo princípio da não criminalização da migração e da livre circulação de pessoas. Contudo, o exercício da soberania nacional, especialmente em pontos sensíveis, permite estabelecimento de restrições ou regimes migratórios especiais. A principal exceção ou área de restrição no que concerne à circulação e residência de estrangeiros, determinada por razões de segurança e controle de fronteiras, é a que se aplica nas áreas de fronteira. A própria Lei de Migração (e seu regulamento) define a figura do Residente Fronteiriço e estabelece normas específicas para a circulação, trabalho e residência em municípios fronteiriços, visando facilitar trânsito da população local, ao mesmo tempo em que permite um controle mais rigoroso por razões de segurança e interesse público nessas áreas. As restrições de entrada e circulação, quando aplicadas, geralmente se concentram em: Pessoas anteriormente expulsas do País. Pessoas consideradas perigosas ou que praticaram atos terroristas/crimes graves. Restrições geográficas por necessidade de segurança nacional, sendo as áreas de fronteira a aplicação mais comum dessa restrição à regra geral da livre circulação. A alternativa correta é a Gostaria de saber como a Lei de Migração define que é um "residente fronteiriço" e quais são seus direitos especiais?A Lei de Migração prevê a concessão de visto temporário para algumas categorias específicas. Quais das categorias a seguir são contempladas? I. Pesquisa, ensino ou extensão acadêmica. II. Trabalho. III. Turismo. IV. Estudos. Estão corretos os itens: A I e II, apenas. III e IV, apenas. I, e IV, apenas. D II, III e IV. E I, e III, apenas. A Lei de Migração (Lei n° 13.445/2017) estabelece que Visto Temporário pode ser concedido ao imigrante que pretenda vir ao País com intuito de estabelecer residência por tempo determinado e que se enquadre em uma das hipóteses previstas. Art. 14, I, da Lei de Migração, lista as finalidades para as quais Visto Temporário pode ser concedido (entre outras hipóteses definidas em regulamento): a) Pesquisa, ensino ou extensão acadêmica; (Corresponde ao item I)d) Estudo; (Corresponde ao item IV) e) Trabalho; (Corresponde ao item II) Analisando os itens da questão: I. Pesquisa, ensino ou extensão acadêmica. Correto. (Art. 14, I, 'a') II. Trabalho. Correto. (Art. 14, I, 'e') III. Turismo. Incorreto. Turismo é contemplado pelo Visto de Visita (Art. 13, I), que é um tipo de visto diferente e para estadas de curta duração, sem intenção de residência. IV. Estudos. Correto. (Art. 14, I, 'd') Portanto, as categorias I, II e IV são contempladas para a concessão de Visto Temporário. Estão corretos os itens: C - I, II e IV, apenas.

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