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Resumo Direito Internacional Público (conj de normas jurídicas não pertencentes a ordem interna, que regulam as relações entre Estados e as atividades envolvendo org internacionais e indivíduos). Sociedade internacional é composta por Estados, organizações internacionais intergovernamentais e também pelos indivíduos, visando alcançar metas comuns da humanidade e, depois, a paz, segurança e estabilidade das relações intern. O escopo de atuação foi ampliado ao longo dos anos para dir humanos, saúde, meio de comunicação, financeiro, terrorismo, crime organizado, etc. Os Estados, dois ou mais, com contato entre si e impacto reciproco nas suas decisões (cooperação ou conflito), sendo conscientes de valores e interesses comuns, se submetem a regras e instituições comuns. Objetivos do sistema normativo internacional: preservação do próprio sistema e da sociedade de Estados, manutenção da independência dos Est individuais manutenção da paz e limitação da violência. Dir Internacional – Pacta sunt servanda – impõe aos Estados o dever de cumprir com as obrigações aceitas no exercício de sua soberania. Essa regra foi positivada na Convençao de Viena sobre Direito dos Tratados (“todo tratado em vigor obriga as partes e deve ser cumprido por elas de boa-fé”. O Tratado de Vestfália (1648) colocou fim à Guerra dos 30 anos e simbolizou o inicio de um novo período (nova ordem interestadual europeia) em que os monarcas eram soberanos sobre seus territórios e populações, além de tratar da igualdade entre os Estados. Sistema internacional – 190 Estados independentes e teoricamente iguais. Carta da ONU (1945) – reconhecimento do principio da autodeterminação dos povos: - Aspecto externo – independente em relação ao domínio de Estados não legitimamente reconhecidos como representativos daquele povo. - Aspecto interno – direito de um povo determinar seu próprio regime econ e politico. Autodeterminação dos povos trouxe uma flexibilização dos requisitos para reconhecimento de novos Estados: território bem definido, população permanente, governo ou capac de exercício efetivo de autoridade sob aquela população naquele território. Dualismo: propõe que o Dir interno e o Internac são sistemas jurídicos distintos, com contato, mas que não se sobrepõem. Não há conflito entre suas fontes. Ex: um tratado internac não é meio de criação do Dir Interno, pode no máx ser convite aos legisladores para criar dir sobre isso, ou aprovar a legislação interna (ratificação). (são processos legislativos independentes). Monismo: o Dir Internac tem aplicação direta na ordem jurídica dos Estado, sem depender de qq transf ou incorporação da norma internac. O dir internac e o dir interno seriam 2 ramos do mesmo sistema jurídico. Hans Kelsen indica que há 2 fontes diferentes para objetos diferentes, que agem coordenadamente e se submetem a um sistema única, por subordinação. As normas de Dir INternac regulariam diretamente as relações jurídicas entre os indivíduos. Nâo haveria processo de recepção formal para que as normas internac adentrassem o ordenamento doméstico. Princípios do DIP: princípios gerais do Direito (fonte do Direito), reconhecido pelo Estatuto da Corte Internac de Justiça, na necessidade de preencher eventuais lacunas que impediriam resolução de controvérsias (proibição de non liquet). Toda situação internac é passível de determinação mesmo que não haja uma norma obviamente aplicável. Jus Cogens – existem valores fundamentais e superiores dentro do sist. Normativo internac que não podem ser afastados, substituídos a partir de manif de um Estado. São normas imperativas de Dir Internac que não podem ser derrogadas por outra norma positivada ou por costumes, apenas por outra norma jus cogens. Aceitação universal é fundamental para que alcance o estágio de constituição de uma norma jus cogens. Ex: genocídio, tráfico de escravos, pirataria. Fontes do DIP: - Princípios gerais do Direito (Lei de Introdução ao Direito Brasileiro) – para subsidiar o preenchimento de lacunas existências nas normas escritas. Demanda interpretação e preenchimento de sentido, mas tb dá ensejo à discussão acerca da justificação nas decisões judiciais. Fontes estatais do Direito: Lei em sentido amplo, CF, resoluções. (emanam do Estado, seus órgãos) Para o Estatuto da Corte Internac de Justiça (art 38) as fontes são: convenções internacionais, costume internacional, princípios gerais de Dir, decisões judic e doutrina de juristas qualificados como meio auxiliar para determinar as regras do Dir. O normativo trouxe os princípios que nortearia suas decisões, cujo rol não é taxativo. Tem como novas fontes: jus cogens (normas superiores a todas as demais), decisões de organismos internac, atos unilaterais dos Est e soft law. - Tratados Internacionais – Acordo internac por escrito entre Estados e regido pelo DI, que expressa a vontade dos Est e estabelece normas jurídicas entre eles. Retratam o pacta sunt servanda, onsde os Estados devem cumprir os termos pactuados livremente, tornando-se vinculantes. Nulidade dos Tratados (Convenção de Viena – 1969): por erro, dolo, corrupção dos representantes est, coação ao representante do Est, conflito com norma imperativa de DI. Podem ser Tratados-lei (gerais. Ex: Convenção de Viena de 1961, 1963 e 1968) ou Tratados-Contratos (dizem respeito apenas aos interessados, sobre negócios específicos. Para se firmar um Tratado deve ser observada a capacidade das partes, ter agentes habilitados para firmar o acordo (doc que conste plenos poderes para representar o Estado Parte), consentimento entre as partes e ser objeto lícito e possível. No Brasil, a incorporação de um Tratado Internac demanda junção das vontades (negociação e aprovação no Congresso, ratificação do Presidente, promulgação e publicação). Pirâmide dos Tratados no Brasil: Tratados internac de Dir Humanos aprovados por 3 /5 dos membros, em 2 votações, em 2 turnos, nas Casas do Congresso Nacional (status de EC), CF, Tratados Internac de Dir Humanos não aprovados pelo quórum anterior, Tratados Internac que veram sobre outras materiais (norma infraconstitucional). - Costumes Internacionais – para ser consolidado precisa ter elemento objetivo (prática reiterada, duradoura e contínua, identificada em atos executados nos Estados, não necessariamente idênticos) e elemento subjetivo (convicção de que aquela prática é jurídica, ex: práticas diplomáticas, decisões reiteradas de tribunais). Por haver costumes locais, regionais e universais, não é necessário que haja uma conformidade universal. O ECIJ entende que as Resoluções (atos unilaterais internacionais) devem ser consideradas evidências dos costumes. Destinatário ser as relações entre os Estados e organismos internac, com atribuição de responsabilidade, emitido por autoridade competente e de boa-fé. Ex: Declaração de Dir Humanos de 1948, que não tem força vinculante, que orienta, mas foi uma expressão de vontade. Hoje é considerada uma norma jus cogens, de Direito Cogente ou Peremptório. - Princípios Gerais DE Direito (amplo) – art 38 do Estatuto da Corte INtern de Justiça. Refere-se aos princípios gerais reconhecidos nos mais diversos ordenamentos jurídicos. Ex: boa-fé, proteção da confiança, direito adquirido, coisa julgada, responsabilidade por atos ilícitos, dever de reparar (Caso da Fábrica de Chorzow que era da Polonia e foi pra Alemanha etc. Meios auxiliares – decisões judiciárias (Corte Intern Justiça, Trib Internac Privados, Arbitrais e Organiz Internac) e doutrina dos publicistas mais qualificados. Analogia – recurso de prática jud que visa encontrar soluções para casos que não possuem normativo próprio ou princípios claros para aplicação. Nâo é uma fonte, mas um instrumento para completar a ausência de norma, de forma integrativa. Obrigação erga omnes – Estado estão vinculados independete de sua aceitação ou vontade, atingindo universalmente e sem exceções os atores da Sociedade iNternac. Ex: autodeterminação dos povos, não intervenção, cooperação, proibição do genocídio, escravidão, tortura, etc. Diferença entre juscogens e erga omnes: a primeira possui o status hierárquico, posição no ordenamento jurídico intern. A segunda se refere ao alcance e sujeição dos destinatários de suas obrigações, a universalidade de suas obrigações. Soft law – normas que não possuem caráter vinculante mas exercem força sobre comportamento dos atores internac, pelo caráter diretivo e orientador. Dá margem para os atores cumprirem as orientações. Optar pela aplicação trata-se de uma estratégia jurídica, qdo a matéria não é consensual, tema polêmico, e não obteria aprovação unanime dos atores. Permite que os Estado ajam com maior precaução, dando a possibilidade do Estado cumprir ou não determinadas partes do acordo. Personalidade Jurídica de DIP – é a entidade que tem a capacidade de ser titular de direitos e deveres internac e de fazer prevalecer esses direitos por meio de reclamação internac. (capac de direito mais capac de fato) Sujeitos do DIP: Estados (por representar a coletividade), organização internacional (ONU) Como regra, organizações não governamentais não possuem personalidade jurídica internac, exceto: Itaipu Binacional (pode celebrar tratados de cessão de energia entre Brasil e Portugal), Cruz Vermelha (tem direito a voz, não a voto na ONU, e fiscal das Convençoes de Genebra sobre direito humanitário), Santa Sé (acordo entre Itália e Igreja Católica) e Ordem dos Cavaleiros de Malta (tem imunidade de jurisdição igual diplomatas, e podem firmar acordos com Estados onde possuem sede). Reconhecimento de Governos: doutrina Tobar (todo governo que tenha usado da força para tomar o poder seria ilegítimo) e doutrina Estrada (reconhecimento de governo é um instituto imperialista e que todo e qq governo deve ser reconhecido, ainda que tacitamente). A constituição de det Est não depende do reconhecimento de outros. - Princípio da continuidade – Estado deixa de existir. Suas obrigações passam para os Est sucessores. O estado pode deixar de existir por fusão, incorporação, sucessão divisão ou cisão, desmembramento. Cessão não. - Imunidade de jurisdição – decorrência da soberania, é a isenção da jurisdição penal, civil e adm do Estado Nacional, por força de normas internac. A imunidade não é do diplomata, mas sim do Estado. Se o diplomata realiza um ato oficial, esse ato não pode ser apreciado pelo EUA, naquele território. Imunidade diplomática – dada ao diplomata, familiares e trabalhadores que venham a realizar serviços domésticos, por ex. A residência utilizada goza de inviolabilidade. Imunidade será (penal, nem como agente, nem como testemunha – não pode ser intimado a depor, sendo preciso autorização do Estado), civil (alguns casos), tributária. Imunidade consular (zela pelos interesses dos nacionais no Est estrangeiro) – possui menos imunidades que o diplomata (leva a política intern do país). Imuniade não se estende à família, sua residência não é inviolável. Imunidade será penal (prisão preventiva, exceto em caso de crime grave ou decisão judiciária competente), civil (pode firmar contratos), tributária. Princípio da reciprocidade – tratar os Estados estrangeiros igualmente. Primado do direito local – a embaixada do país estrangeiro e seus representantes são imunes, mas se aplica o direito local a todo contrato celebrado por eles no território. Ex: reclamação trabalhista. Responsabilidade internacional - Ato ilícito – violação de norma. Crime (ato ilícito cometido pelo Estado) x Delito (ato ilícito cometido pro um particular nos ccasos de responsabilização intern do individuo). Direito Internacional dos Direitos Humanos (DIDH) – tem origem com a Carta da ONU (1945), após a Segunda Guerra, e com a Declaração Univ de Dir Humanos (1948). O DIH mais antigo é de 1864 com a criação da Cruz Vermelha. A DIDH é uma declaração da Assembleia Geral da ONU e portanto uma soft law, mas com valor histórico alto. Há forte relação entre as atrocidades da Segunda Guerra e a reação que contém o documento em matéria de direitos humanos, com repressão ao genocídio (nazismo). Em 1951 foi criado o Protocolo dos Refugiados, para combater a discriminação racial, tal como apartheid (Africa do Sul e Namíbia) – crime jus cogens, mais grave que o racismo. Caractéristicas dos direitos humanos: universalidade, unidade, eficácia erga omnes, irretroatividade, princípio pro homine.