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PRÁTICA FORENSE PENAL – PRISÕES (MEDIDAS CAUTELARES DE NATUREZA PESSOAL) Prof. Wilian Sapito Jr. No Brasil, a REGRA é a LIBERDADE, a PRISÃO é EXCEÇÃO! Reforma com a Lei nº. 12.403/2011 – Surgimento das cautelares diversas da prisão (inseridas nos artigos 319 e 320 do Código de Processo Penal). Tutela Cautelar no Processo Penal: o que é uma tutela cautelar ou medida cautelar no processo penal? É algo urgente, que é necessário “fazer logo”, ou seja, não pode esperar o trâmite processual moroso. A tutela cautelar visa assegurar a eficácia do processo. Ex: imaginem o maníaco do parque, ele estuprava e matava mulheres, era seguro que ele aguardasse o desfecho processual em liberdade? Não há um processo cautelar autônomo, ou seja, a tutela é prestada, imposta, com as medidas cautelares de maneira incidental (ou seja, no bojo dos próprios autos, seja inquérito ou processo penal), seja na fase investigatória (fase pré- processual) ou processual (após o recebimento da denúncia). Cautelares de Natureza Pessoal: são aquelas medidas restritivas ou privativas da liberdade de locomoção adotadas contra a pessoa do investigado ou acusado. Como exemplo de cautelares restritivas nós temos as cautelares diversas da prisão, previstas nos artigos 319 e 320 do Código de Processo Penal. Como exemplo de cautelares privativas da liberdade de locomoção, nós temos a prisão preventiva. Ex: casados possuem medida cautelar restritiva aplicadas no âmbito do meu casamento: geralmente não podem sair após Às 22h. Art. 319. São medidas cautelares diversas da prisão: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). I - comparecimento periódico em juízo, no prazo e nas condições fixadas pelo juiz, para informar e justificar atividades; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). II - proibição de acesso ou frequência a determinados lugares quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado permanecer distante desses locais para evitar o risco de novas infrações; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). III - proibição de manter contato com pessoa determinada quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado dela permanecer distante; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). IV - proibição de ausentar-se da Comarca quando a permanência seja conveniente ou necessária para a investigação ou instrução; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). V - recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga quando o investigado ou acusado tenha residência e trabalho fixos; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). VI - suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza econômica ou financeira quando houver justo receio de sua utilização para a prática de infrações penais; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). VII - internação provisória do acusado nas hipóteses de crimes praticados com violência ou grave ameaça, quando os peritos concluírem ser inimputável ou semi-imputável (art. 26 do https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del2848.htm#art26 Código Penal) e houver risco de reiteração; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). VIII - fiança, nas infrações que a admitem, para assegurar o comparecimento a atos do processo, evitar a obstrução do seu andamento ou em caso de resistência injustificada à ordem judicial; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). IX - monitoração eletrônica. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). Art. 320. A proibição de ausentar-se do País será comunicada pelo juiz às autoridades encarregadas de fiscalizar as saídas do território nacional, intimando-se o indiciado ou acusado para entregar o passaporte, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas. Com a Lei nº. 12.403/2011 operou-se o fim da bipolaridade das medidas cautelares de natureza pessoal previstas no Código de Processo Penal (como assim Professor? Bipolaridade?). Antes da Lei nº. 12.403/2011 (Sistema Bipolar) Prisão Cautelar ou Aplicação da Liberdade Provisória com ou sem fiança. Após a Lei nº. 12.403/2011 (fim do Sistema Bipolar) Prisão Cautelar, aplicação da Liberdade Provisória com ou sem fiança, cumulada ou não com a aplicação das medidas cautelares diversas da prisão. Possibilidade de utilização das cautelares diversas da prisão: a) Instrumento de contracautela: substituição de prisão em flagrante, preventiva ou temporária anteriormente decretada. b) Instrumento cautelar: restrições ao investigado ou acusado que estava em liberdade plena. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del2848.htm#art26 Obs: Atenção, se não houver nenhuma medida cautelar adequada ou prevista no Código de Processo Penal, existe a possibilidade de aplicarem-se cautelares chamadas “cautelares inominadas”, com fundamento no Poder Geral de Cautela, instituto do Processo Civil, aplicado ao Processo Penal. Obs: A adoção do Poder Geral de Cautela no Processo Penal com relação à aplicação das cautelas inominadas é possível, desde que a cautelar inominada seja menos gravosa do que as medidas cautelares previstas em lei. Ex: crimes envolvendo torcida organizada de futebol e o comparecimento à Delegacia nos dias de jogos. Aplicação das Medidas Cautelares de Natureza Pessoal: As medidas cautelares diversas da prisão, enquanto cautelares de natureza pessoal, devem ser encaradas como prima ratio para fins de aplicação. Enquanto que a prisão preventiva que também é uma cautelar de natureza pessoal deve ser encarada como ultima ratio, por ser medida extrema. Art. 282, § 6º, do Código de Processo Penal: A prisão preventiva somente será determinada quando não for cabível a sua substituição por outra medida cautelar, observado o art. 319 deste Código, e o não cabimento da substituição por outra medida cautelar deverá ser justificado de forma fundamentada nos elementos presentes do caso concreto, de forma individualizada. As medidas cautelares diversas da prisão podem ser decretadas nos casos da prática de crimes com previsão legal de pena privativa de liberdade, no entanto, a prisão preventiva (cautelar máxima pessoal), por ser medida extrema, necessita das hipóteses presentes no artigo 313 do Código de Processo Penal para ser decretada. Exceção: descumprimento de medidas cautelares já aplicadas (devendo-se analisar o caso concreto). As medidas cautelares máximas (prisão e internação provisória) sempre serão aplicadas de maneira isolada, não podendo ser cumuladas com as demais cautelares diversas da prisão. A autoridade policial (delegado) pode aplicar medida cautelar? Sim, como por exemplo a fiança que, no caso do delegado, pode ser aplicado aos crimes cuja pena máxima não seja superior a 04 anos e desde que tenha ocorrido prisão em flagrante. E tem mais uma hipótese: Art. 12-C, II, da Lei nº. 11.340/2006. Art. 12-C. Verificada a existência de risco atual ou iminente à vida ou à integridade física ou psicológica da mulher em situação de violência doméstica e familiar, ou de seus dependentes, o agressor será imediatamente afastado do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida: (Redação dada pela Lei nº 14.188, de 2021) I - pela autoridade judicial; (Incluído pela Lei nº 13.827, de 2019) II - pelo delegado de polícia, quando o Município não for sede de comarca; ou (Incluído pela Lei nº 13.827, de 2019) III - pelo policial, quando o Município não for sede de comarca e não houver delegado disponível no momento da denúncia. (Incluído pela Lei nº 13.827, de 2019) § 1º Nas hipóteses dos incisos II e III do caput deste artigo, o juiz será comunicado no prazo máximo de 24 (vinte e quatro) horas e decidirá, em igual prazo, sobre a manutenção ou a revogação da medida aplicada, devendo dar ciência ao Ministério Público concomitantemente. Com as reformas promovidas pelas Leis nº. 12.403/2011e pelo Pacote Anticrime (Lei nº. 13.964/19) houve a vedação à decretação de Medidas Cautelares de ofício pelo Juiz na fase investigatória e na fase processual. Exceção: Lei Maria da Penha (debates sobre a constitucionalidade). Se o juiz não pode decretar as medidas cautelares de ofício, quem tem legitimidade para requerer ao Juiz a aplicação das referidas medidas? ● Na fase investigatória: Representação da Autoridade Policial; Requerimento do Ministério Público; Requerimento do Ofendido nos crimes de ação penal privada; ● Na fase processual: Decretação em face de requerimento do MP, Querelante ou assistente de acusação.