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EXCELENTISSIMO SENHOR DOUTOR JUÍZ DE DIREITO DA 2ª VARA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER DA COMARCA DE RONDONÓPOLIS/MT
Autos nº. 0000000-00.2018.0.00.000
GABRIEL MATOS, já qualificados nos autos em epígrafe, por intermédio de seu bastante procurador que a esta subscreve, vem respeitosamente, a presença de Vossa Excelência, requerer a 
REVOGAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA
Com fundamento no art. 20, parágrafo único, da Lei nº 11.340/2006 e art. 316 do Código de Processo Penal, pelos motivos de fato e de direito a seguir expostos.
I- SÍNTESE DOS FATOS
	O acusado Gabriel Matos encontra-se recolhido junto a cadeia Pública de Rondonópolis/MT, novamente, desta vez, o motivo alegado pela vítima seria um suposto descumprimento das medidas protetivas de urgência, a ele impostas em razão do Habeas Corpus impetrada, além da prisão preventiva, o Magistrado determinou que os autos fossem encaminhados ao Ministério Público para o oferecimento de nova denúncia, uma vez que se tratava de novo crime: descumprimento de decisão judicial que deferiu medidas cautelares de urgência (art. 24-A da Lei 13.641 de 2018). 
Segundo ela Gabriel teria por diversas vezes ameaçado, através de aproximação física e inúmeros contatos telefônicos, contudo, cumpre-se observar que nenhuma prova foi juntada no pedido formulado pela esposa de Gabriel a fim de comprovar o alegado motivo que conceda a imediata libertação a coação sofrida e sua ilegitimidade e ilegalidade da prisão, houve uma violação da presunção de inocência com fundamentos no art. 312 do CPP.
Foi marcada a sessão de julgamento para o dia 23 de abril de 2018, tendo sido o mérito denegada a presente ordem, à unanimidade dos votos.
	
II- DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS
a) Da revogação da prisão preventiva
Sabe-se que a prisão preventiva por trazer como consequência a privação da liberdade antes do trânsito em julgado, especialmente após a edição da lei 12.403/11, apenas se justifica enquanto e na medida em que for efetivamente apta à proteção da persecução penal, em todo seu iter procedimental, e, mais, apenas quando se mostrar a única maneira de se satisfazer tal necessidade.
A prisão preventiva para garantia da ordem pública somente deve ocorrer em hipóteses de crimes gravíssimos, quer quanto à pena, quer quanto aos meios de execução utilizados, e quando haja o risco de novas investidas criminosas e ainda seja possível constatar uma situação comprovada intranquilidade no seio da comunidade.
O instituto da liberdade provisória, prevista no artigo 321 do CPP, com o sujeito sendo posto imediatamente em liberdade.
b) Da desobediência das Medidas Protetivas de Urgência
MM. Juiz, o descumprimento de medidas protetivas de urgência não configura crime de desobediência, “O descumprimento das Medidas Protetivas de Urgência importará em crime de Desobediência”, o injusto penal do art. 24-A da Lei nº 13.641/2018 fazer alusão ao fato de “desobedecer à decisão judicial” (desobediência) o tipo penal estabelecer pena máxima prevista de 02 anos de detenção, este não é um crime praticado com “violência doméstica e familiar contra a mulher”, não se encaixando em nenhuma das formas de violência contra a mulher previstas no art. 7° da Lei 11.340/06 ou outras análogas.
O crime não seria propriamente dito, contra a mulher, motivo pelo qual apenas o Estado (ou a Administração da Justiça) seria vítima da infração penal, vez que o agressor descumpriu decisão conferida judicialmente. Ademais, o bem juridicamente tutelado neste crime seria a tutela da higidez das ordens judiciais emanadas do Estado, não tendo como tutela primária a mulher.
c) Da Medida cautelar diversa
A prisão preventiva só pode ser decretada quando não houver nenhuma outra medida cautelar diversa da prisão adequada a garantir a efetividade da investigação ou do processo. Havendo, elas obrigatoriamente devem ser aplicadas. Tais medidas cautelares estão previstas nos artigos 319 e 320 do CPP. Não há, contudo, a necessidade de se escolher a qual a medida cautelar diversa da prisão a ser decretada. 
No tocante à necessidade de se assegurar a aplicação da lei penal, cabe salientar que a indiciada possui residência fixa e ocupação lícita, não havendo motivos, portanto, para se afirmar que aquela se furtará à eventual aplicação da lei penal.
Concluindo: ausentes estão os requisitos necessários à manutenção da prisão ilegal.
III- PEDIDO 
Por todo exposto, requer-se a Vossa Excelência a REVOGAÇÃO AS PRISÃO PREVENTIVA, não houve a reintegração criminosa e o Relaxamento da prisão por excesso de prazo a fim de colocar o requerente em liberdade, nos termos do artigo, 316 do Código de Processo Penal, expedindo-se o contramandado de prisão e o mandado de monitoração eletrônica alterando as condições atuais.
Termos em que pede deferimento.
Rondonópolis/MT 23 de abril de 2018.
Advogado 
OAB/MT

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