Prévia do material em texto
Os direitos fundamentais no processo penal incluem: · CONTRADITÓRIO · AMPLA DEFESA · PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA · DEVIDO PROCESSO LEGAL Esses direitos são garantias individuais que visam proteger os cidadãos de abusos do Estado. Princípios do processo penal: O devido processo legal é um princípio fundamental do processo penal que exige que todas as formalidades legais sejam cumpridas. A presunção de inocência é um princípio fundamental do processo penal que considera o acusado inocente até que seja comprovada a sua culpa. O contraditório e a ampla defesa são princípios fundamentais do processo penal que garantem ao acusado a possibilidade de se defender e de contestar as acusações. O princípio da não autoincriminação (Nemo tenetur se detegere) garante que ninguém é obrigado a se autoincriminar. O contraditório é o direito de se manifestar em resposta às alegações da parte contrária, enquanto a ampla defesa é o direito de utilizar todos os meios legais para se defender. O contraditório é o momento em que o acusado enfrenta as razões postas contra ele. A ampla defesa é a oportunidade que deve ter o acusado de mostrar suas razões. No contraditório, o acusado procura derrubar a verdade da acusação Na ampla defesa ele sustenta a sua verdade Proteção dos direitos fundamentais: Os direitos fundamentais estão previstos na Constituição Federal de 1988, que é conhecida como a constituição cidadã. Eles também estão previstos em normas internacionais, como a Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948. O Estado tem o dever de não agredir os direitos fundamentais e de fazer com que os particulares os respeitem. O direito à proteção no processo penal é um direito das vítimas e testemunhas de crimes, que inclui a garantia de segurança e sigilo. Proteção da vítima O juiz deve tomar medidas para preservar a intimidade da vítima, como determinar o segredo de Justiça. Todas as autoridades envolvidas na investigação e no processo devem garantir a proteção da vítima. A União, os Estados e o Distrito Federal podem prestar medidas de proteção, como programas especiais. As medidas de proteção devem levar em conta a gravidade da ameaça e a importância da prova. Proteção da testemunha A União, os Estados e o Distrito Federal podem prestar medidas de proteção às testemunhas. As medidas de proteção podem ser estendidas a familiares da vítima ou testemunha. Proteção da integridade física A proteção pode ser acautelada através de medidas de coação, como a prisão preventiva. Outras medidas de coação incluem: Termo de identidade e residência Obrigação de apresentação periódica em juízo Proibição de contato com a vítima Obrigação de permanência na residência INSTRUMENTALIZAÇÃO ADMINISTRATIVA E O MODELO SISTÊMICO DE PREVENÇÃO DE DELITOS ECONÔMICOS. A instrumentalização administrativa e o modelo sistêmico de prevenção de delitos econômicos são abordagens inovadoras no campo do processo penal, buscando lidar de maneira eficiente e preventiva com crimes econômicos complexos. Crimes dessa natureza envolvem esquemas sofisticados e atores múltiplos, o que torna a repressão tradicional do sistema penal muitas vezes insuficiente. Nesse contexto, a instrumentalização administrativa e o modelo sistêmico se propõem a serem estratégias mais eficazes na prevenção e combate a esses delitos. Instrumentalização Administrativa: A instrumentalização administrativa consiste em dotar as autoridades administrativas, especialmente aquelas vinculadas a órgãos de regulação econômica e fiscalização, de instrumentos mais robustos para atuar na prevenção e repressão de delitos econômicos. Em contraste com o sistema de justiça criminal tradicional, que tem o poder de julgar e aplicar sanções após a ocorrência do crime, a instrumentalização administrativa foca no poder de prevenção, atuando antes mesmo do cometimento do delito. Essa abordagem procura utilizar mecanismos de inteligência, fiscalização, monitoramento e colaboração entre diferentes órgãos administrativos para identificar comportamentos suspeitos, padrões de conduta ilícita e operações financeiras que indiquem a prática de crimes econômicos, tais como lavagem de dinheiro, fraude financeira, corrupção empresarial e outros. Modelo Sistêmico de Prevenção de Delitos Econômicos: O modelo sistêmico de prevenção de delitos econômicos é uma abordagem que visa compreender o fenômeno do crime econômico de forma mais ampla e integrada, analisando os diversos fatores que contribuem para sua ocorrência. Em vez de focar exclusivamente nos indivíduos responsáveis pelos crimes, o modelo sistêmico considera também os fatores contextuais, organizacionais e estruturais que possibilitam ou incentivam a prática delituosa. Esse modelo destaca a importância de uma cooperação multidisciplinar entre diferentes atores, como empresas, órgãos governamentais, instituições financeiras, organizações da sociedade civil e especialistas em diversas áreas, incluindo direito, economia, contabilidade e tecnologia. A análise sistêmica procura identificar vulnerabilidades, brechas e deficiências no ambiente empresarial e regulatório que facilitam a ocorrência de delitos econômicos. Aplicação no processo penal: A instrumentalização administrativa e o modelo sistêmico não substituem o processo penal tradicional, mas complementam-no, criando uma estratégia mais abrangente e proativa de prevenção e combate aos delitos econômicos. Ao agir antes do crime ocorrer, essas abordagens podem evitar danos econômicos significativos, minimizar a vitimização de terceiros e poupar recursos públicos. No processo penal, a instrumentalização administrativa pode fornecer informações, provas e subsídios relevantes para a investigação e ação penal. As autoridades administrativas podem colaborar com os órgãos de persecução penal, compartilhando dados e conhecimentos especializados que potencializem as investigações e aumentem a efetividade dos processos criminais. Já o modelo sistêmico contribui para a formulação de políticas públicas e estratégias de prevenção mais eficazes. Ao identificar as principais falhas estruturais e regulatórias que possibilitam a ocorrência de delitos econômicos, é possível propor mudanças legislativas, regulatórias e de boas práticas corporativas para prevenir tais crimes e responsabilizar as empresas e indivíduos que descumprirem as normas. SISTEMAS DE REGULAÇÃO E AUTORREGULAÇÃO As pessoas jurídicas têm sido utilizadas para a prática de delitos, ao Estado se coloca o desafio de enfrentar as novas condutas nascidas em um contexto econômico globalizado. Dentre as ferramentas utilizadas para tanto se encontram a imposição e a regulação de padrões de conduta a serem seguidos por indivíduos e organizações. Assim, destaca Renato de Mello Jorge Silveira, “trabalha-se, no âmbito penal econômico, com um estímulo à empresa não cometer ilícito, autogerindo-se”[1]. Trata-se do que se denomina autorregulação regulada (enforced self-regulation), também chamada de corregulação, que “diz respeito a uma forma de regulação estatal do mundo empresarial, subordinada a fins ou interesses públicos pré-determinados pelo Estado […] no interesse em reorientar sua atuação por um intervencionismo à distância” No processo penal, os sistemas de conformidade normativa (criminal compliance) têm suscitado debates sobre a autorregulação. A autorregulação é a capacidade de um grupo de agentes econômicos estabelecer e manter normas de conduta sem a interferência do Estado. Explicação A autorregulação pode envolver a delegação de funções investigativas para a empresa. Surgem questões sobre a licitude e validade das provas obtidas em investigações empresariais internas. Essas questões envolvem os direitos fundamentais e as garantias processuais. No âmbito do processo penal, o Direito Processual Penal tem princípios e regras próprias, não sendo subordinado ao Direito Penal material. Sistemas processuais penais Os modelos de sistemas processuais penais mais conhecidos são: acusatório, inquisitório e misto. O Código de ProcessoPenal (CPP) é a codificação própria do Direito Processual Penal. Características do processo penal: Autonomia, Instrumentalidade, Normatividade. O particular é um ator do ambiente regulador, partilhando com o Estado a responsabilidade pelo alcance do interesse público. A autorregulação é a regulação feita por um grupo de atores ou de agentes econômicos para controlar o comportamento de seus membros em ambientes de mercado. A autorregulação é caracterizada pela ausência (total ou parcial) do Estado na definição das normas setoriais, na fiscalização e até mesmo na eventual aplicação de sanções aos particulares que se submetem voluntariamente à gestão realizada por uma entidade de representação coletiva. O juiz e os poderes gerais de cautela. O poder geral de cautela do juiz no processo penal é a possibilidade de determinar qualquer medida cautelar, desde que seja adequada à situação. Como funciona O juiz pode aplicar medidas cautelares que não estejam previstas expressamente no Código de Processo Penal O juiz pode aplicar medidas cautelares de acordo com a proporcionalidade, equidade e razoabilidade O juiz pode aplicar medidas cautelares para assegurar a utilidade da tutela jurisdicional Finalidade das medidas cautelares As medidas cautelares têm como finalidade prevenir danos irreparáveis ou de difícil reparação As medidas cautelares asseguram a efetividade do processo Exemplos de medidas cautelares Comparecimento periódico em juízo Medidas que assegurem a utilidade da tutela jurisdicional Medidas que assegurem a proteção do direito material da parte As medidas cautelares atípicas da Lei n.º 12.403/11 A Lei nº 12.403/2011 alterou o Código de Processo Penal (CPP) para ampliar as medidas cautelares e reduzir os casos de prisão preventiva. A lei entrou em vigor em 4 de maio de 2011. Principais alterações Aumentou os casos em que é possível aplicar fiança Permitiu que o juiz conceda liberdade provisória sem pedido do acusado Estabeleceu novas medidas cautelares alternativas à prisão Reduziu os casos de prisão preventiva Algumas medidas cautelares Comparecimento em juízo Proibição de acesso a determinados locais Proibição de contato com determinada pessoa Proibição de ausentar-se da comarca Recolhimento domiciliar Suspensão de função pública ou atividade econômica Internação provisória Monitoração eletrônica Quem pode decretar medidas cautelares? O juiz pode decretar medidas cautelares de ofício ou a requerimento das partes A autoridade policial ou o Ministério Público podem requerer medidas cautelares durante a investigação criminal A lei 12.403/2011 alterou 32 artigos do CPP. Medidas cautelares atípicas são medidas menos gravosas que as previstas em lei, que podem ser aplicadas pelo juiz quando as medidas alternativas forem insuficientes. Elas devem ser idôneas para assegurar o andamento do processo. Quando podem ser aplicadas Quando as medidas alternativas forem ineficazes Para evitar a imposição de providências mais gravosas Quando a medida atípica for menos onerosa e restritiva de direitos fundamentais Princípios que orientam a aplicação O princípio da presunção de inocência, O princípio favor libertatis, O poder geral de cautela conferido aos magistrados. Considerações sobre as medidas cautelares As medidas cautelares podem ser pessoais ou reais As medidas cautelares pessoais restringem a liberdade do cidadão As medidas cautelares reais são de caráter patrimonial As medidas cautelares podem ser nominadas ou inominadas As medidas cautelares diversas da prisão restringem direitos, mas não impedem a liberdade do investigado Prisão cautelar e medidas cautelares patrimoniais A prisão cautelar é uma medida pessoal, enquanto as medidas cautelares patrimoniais são medidas reais que podem ser aplicadas em conjunto com a prisão. Prisão cautelar A prisão preventiva é uma medida cautelar que visa garantir a ordem pública, a instrução criminal ou a aplicação da lei penal. A prisão em flagrante é uma pré-cautela, um estágio inicial da prisão preventiva ou de medidas cautelares alternativas à prisão. Medidas cautelares patrimoniais O sequestro de bens móveis e imóveis, A hipoteca legal de bens imóveis, O arresto de bens imóveis e móveis, A caução. O objetivo das medidas cautelares patrimoniais é: Resguardar um resultado útil da ação penal Garantir a reparação do dano Garantir a eficácia dos efeitos civis da condenação Assegurar a utilidade e a eficácia de um provimento jurisdicional Outras medidas cautelares, além da prisão e das medidas cautelares patrimoniais, são: Comparecimento periódico em juízo Proibição de acesso ou frequência a determinados lugares Proibição de manter contato com pessoa determinada Proibição de ausentar-se da Comarca Recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga Dentro do gênero medida cautelar encontram-se as espécies: medidas assecuratórias, prisionais e diversas da prisão. Pois bem, as medidas cautelares patrimoniais têm finalidade de garantir o ressarcimento futuro do dano causado pelo delito, e, para serem assim consideradas, é necessária a demonstração de materialidade do delito e da urgência da adoção de tal providência (ou seja, fumus comissi delicti e periculum in mora). Pois bem, as medidas cautelares patrimoniais têm finalidade de garantir o ressarcimento futuro do dano causado pelo delito, e, para serem assim consideradas, é necessária a demonstração de materialidade do delito e da urgência da adoção de tal providência (ou seja, fumus comissi delicti e periculum in mora). O sequestro, o arresto e a hipoteca legal são os tipos de medida assecuratória que estão normatizados no Código de Processo Penal, do art. 125 ao 144-A. SEQUESTRO Possui interesse de natureza pública, pois têm por objeto os proventos do crime. Vale informar que entende-se por provento o bem que for adquirido com o proveito da infração penal, ou seja, após cometer um furto de R$ 1.000,00 (mil reais) o sujeito compra uma televisão, por exemplo. Com o sequestro do bem móvel ou imóvel, o poder judiciário visa desfazer ou mitigar a vantagem econômica adquirida pelo acusado com a prática do crime. Em alguns crimes, o sequestro também pode ter o caráter probatório. Essa medida pode ser determinada em qualquer fase da persecução penal, bem como pode ser decretada pelo juiz ex officio, por representação da autoridade policial ou por requerimento do ofendido ou do Ministério Público. No primeiro caso (juiz ex officio), todavia, deve estar instaurada a ação penal. Por fim, os bens sequestrados são inseridos em leilão realizado pelo próprio juízo penal. ARRESTO Incide sobre o patrimônio lícito do agente, isto é, aquilo que não é produto da prática delituosa. Pela disciplina do art. 137 do CPP, o arresto de bens móveis possui caráter residual, pois só poderão ser arrestados aqueles que forem suscetíveis de penhora e se o responsável não possuir bens imóveis ou os possuir de valor insuficiente. Ele tem por objetivo garantir a satisfação de indenização futura, por isso, pois como lastro o interesse privado, tendo como destinatários finais o ofendido ou os seus sucessores. O arresto de bens imóveis é medida assecuratória que recai sobre imóveis de origem lícita, a serem submetidos, em momento ulterior, à hipoteca legal. Possui, então, caráter preparatório a uma hipoteca legal superveniente. HIPOTECA LEGAL Assim como o arresto, a hipoteca legal tem interesse de natureza privada, pois o valor restituído será destinado à vítima e apenas o excedente ao poder público. É feito por meio de uma inscrição do registro público de um gravame de intransferibilidade, a fim de que o terceiro de boa-fé não adquira o bem arrestado. Não se confunde com hipoteca judicial, que se dá por sentença, nem com hipoteca contratual, a qual nasce do acordo entre as partes. A prisão cautelar é uma medida provisória que pode ser decretada para garantir o andamento de um processo penal. Ela é uma exceção, e só pode ser aplicada em situações específicas. Prisão cautelar Finalidade: Garantir o andamentodo processo e a aplicação da lei Quando é aplicada: Antes do julgamento, durante as investigações ou tramitação da ação penal Quem pode decretar : Juiz, a requerimento do Ministério Público, do querelante ou do assistente Quando é revogada: Se o juiz verificar a falta de motivo para que ela subsista Princípios: Jurisdicionalidade, contraditório, proporcionalidade, excepcionalidade, provisionalidade. Existem vários tipos de prisão cautelar, incluindo: · Prisão em flagrante; · Prisão temporária; · Prisão preventiva; · Prisão domiciliar; · Condução coercitiva. Prisão em flagrante: Quando ocorre: Quando alguém é encontrado cometendo ou acabando de cometer um crime Quem pode prender: Qualquer pessoa do povo ou um agente de segurança pública Prazo para apresentação ao juiz: Até 24 horas após a prisão O que o juiz decide: Liberdade provisória, prisão preventiva ou outras medidas cautelares Tipos de flagrante: Flagrante próprio: está presente no Artigo 302 do CPP, mais especificamente nos Incisos I e II. Nele, determina-se que o indivíduo pode ser preso durante o crime ou após cometê-lo. Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem: I - está cometendo a infração penal; II - acaba de cometê-la; Flagrante impróprio: ou quase flagrante, está escrito no Inciso III, também do Art. 302 do CPP, e diz que a pessoa infratora pode ser perseguida de forma ininterrupta por qualquer pessoa, sendo autoridade ou não. No entanto, isso só pode acontecer se essa perseguição não for pausada em nenhum momento (podendo existir troca de equipe). III - é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser autor da infração; Flagrante presumido: é quando o sujeito não é pego no flagra praticando o ato criminoso, porém, é encontrado com algum objeto ilícito ou da cena do crime. IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração. Flagrante forjado. Prisão temporária A prisão temporária é uma medida cautelar, prevista na Lei nº 7.960/1989, que permite a detenção de um suspeito durante a fase de investigação criminal. Quando é decretada: Durante o inquérito policial Quem pode decretar: Juiz, mediante representação da autoridade policial ou requerimento do Ministério Público Prazo: 5 dias, prorrogáveis por igual período Objetivo: Auxiliar as investigações policiais Hipóteses de cabimento: Fundadas razões de envolvimento no crime A prisão temporária pode ser definida como uma espécie de prisão cautelar, decretada exclusivamente durante o inquérito policial, desde que haja representação da autoridade policial ou requerimento do Ministério Público, observados os requisitos da necessidade e adequação. Não pode ser decretada de ofício pelo juiz. Atualmente, a prisão temporária é regulamentada pela Lei 7.960/89 (Lei da prisão temporária). Requisitos elencados pelo STF: No julgamento das ADIs 3360 e 4109, o STF estabeleceu que, para a decretação da prisão temporária, é necessário respeitar as seguintes condições obrigatórias e cumulativas: · imprescindibilidade para as investigações do inquérito policial; · existência de fundadas razões de autoria ou participação do indiciado; · justificação da medida em fatos novos ou contemporâneos; · adequação da medida à gravidade concreta do crime, às circunstâncias do fato e às condições pessoais do indiciado; e · insuficiência da imposição de medidas cautelares diversas da prisão. Além disso, o STF asseverou que o rol do inciso III do artigo 1º da Lei 7.960/89 é TAXATIVO. Art. 1º Caberá prisão temporária: (Vide ADI 3360) (Vide ADI 4109) I - quando imprescindível para as investigações do inquérito policial; II - quando o indicado não tiver residência fixa ou não fornecer elementos necessários ao esclarecimento de sua identidade; III - quando houver fundadas razões, de acordo com qualquer prova admitida na legislação penal, de autoria ou participação do indiciado nos seguintes crimes: a) homicídio doloso (art. 121, caput, e seu § 2º) ; b) seqüestro ou cárcere privado (art. 148, caput, e seus §§ 1º e 2º); c) roubo (art. 157, caput, e seus §§ 1º, 2º e 3º); d) extorsão (art. 158, caput, e seus §§ 1º e 2º); e) extorsão mediante seqüestro (art. 159, caput, e seus §§ 1º, 2º e 3º) ; f) estupro (art. 213, caput, e sua combinação com o art. 223, caput, e parágrafo único) ; (Vide Decreto-Lei nº 2.848, de 1940) g) atentado violento ao pudor (art. 214, caput, e sua combinação com o art. 223, caput, e parágrafo único) ; (Vide Decreto-Lei nº 2.848, de 1940) h) rapto violento (art. 219, e sua combinação com o art. 223 caput, e parágrafo único) ; (Vide Decreto-Lei nº 2.848, de 1940) i) epidemia com resultado de morte (art. 267, § 1º) ; j) envenenamento de água potável ou substância alimentícia ou medicinal qualificado pela morte (art. 270, caput, combinado com art. 285); l) quadrilha ou bando (art. 288), todos do Código Penal ; m) genocídio (arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 2.889, de 1º de outubro de 1956), em qualquer de sua formas típicas; n) tráfico de drogas (art. 12 da Lei nº 6.368, de 21 de outubro de 1976) o) crimes contra o sistema financeiro (Lei nº 7.492, de 16 de junho de 1986). p) crimes previstos na Lei de Terrorismo. (Incluído pela Lei nº 13.260, de 2016) A prisão temporária deve ser imprescindível para as investigações do inquérito policial (art. 1º, I, da Lei 7.960/89), demonstrando o periculum libertatis da medida cautelar. A imprescindibilidade é constatada a partir de elementos concretos, e não meras conjecturas. A regra prevista no inciso I traz a necessidade de demonstração do periculum libertatis do representado, requisito indispensável para a imposição de prisões cautelares por força do princípio constitucional da presunção de inocência, o qual obsta a antecipação de penas. Ademais, destaca-se que é vedada a sua utilização como prisão para averiguações, em violação ao direito a não autoincriminação, ou quando fundada no mero fato de o representado não possuir residência fixa (inciso II). Como se vê, a prisão temporária não pode ser decretada com justificativa exclusiva no inciso II do art. 1º da Lei 7.960/89. Vejamos o que prevê a disposição legal: O STF não adotou o entendimento de que os requisitos do art. 313 do CPP devem ser aplicáveis à prisão temporária. Nesse sentido, assim decidiu a Corte Superior (ADI 3360): O art. 313 do CPP cuida de dispositivo específico para a prisão preventiva não aplicável à prisão temporária, porquanto, no caso desta, o legislador ordinário, no seu legítimo campo de conformação, já escolheu os delitos que julgou de maior gravidade para a imposição da prisão (inciso III do art. 1º da Lei 7.960/89). Entender de modo diverso implicaria confusão entre os pressupostos de decretação das prisões preventiva e temporária, bem como violação aos princípios da legalidade e da separação entre os poderes. Art. 313, CPP – Nos termos do art. 312 deste Código, será admitida a decretação da prisão preventiva: I – nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 (quatro) anos; II – se tiver sido condenado por outro crime doloso, em sentença transitada em julgado, ressalvado o disposto no inciso I do caput do art. 64 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal; III – se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência; Prisão preventiva: é uma medida cautelar utilizada pelo juiz durante um inquérito policial ou processo penal. Essa forma de prisão preventiva mantém o acusado detido em uma instituição prisional antes de uma sentença definitiva. Embora o acusado ainda não tenha sido condenado, há evidências suficientes do crime e indícios de autoria. Assim, o juiz ordena a prisão para proteger a sociedade ou impedir que o réu interfira na investigação, como ameaçar testemunhas ou destruir provas. Portanto, o juiz pode decretara prisão preventiva antes da condenação do réu na ação penal ou criminal. Em ambos os casos, os requisitos legais estabelecidos no artigo 312 do Código de Processo Penal precisam ser cumpridos. A principal diferença da prisão preventiva é a ausência de um prazo específico, podendo ser decretada em qualquer etapa da investigação ou do processo penal, desde que os requisitos legais sejam atendidos. Esses requisitos incluem a ameaça à ordem pública ou econômica, a necessidade de garantir a instrução criminal ou assegurar a aplicação da lei penal. É essencial a existência de provas do crime, indícios claros de autoria e perigo decorrente da liberdade do acusado. Além disso, a prisão preventiva pode ser aplicada caso o acusado descumpra as obrigações de outras medidas cautelares. Quando a prisão preventiva é cabível? A prisão preventiva pode ser aplicada durante um inquérito policial, a pedido do Ministério Público ou por representação de autoridade policial. De acordo com o artigo 313 do Código de Processo Penal, ela pode ser decretada nos seguintes casos: Crimes inafiançáveis: para os quais não há possibilidade de pagamento de fiança ou liberdade provisória. O acusado deve permanecer preso até o julgamento. No Brasil, esses crimes incluem racismo, tortura, terrorismo, tráfico de drogas, ações de grupos armados contra a ordem constitucional e o Estado de Direito, além de crimes hediondos, como homicídio, latrocínio e estupro. Crimes afiançáveis: quando há provas suficientes contra o suspeito ou se há dúvidas sobre sua identidade, ou falta de elementos que a esclareçam. Crimes dolosos: quando o réu já foi condenado por um crime similar, com sentença transitada em julgado, ou seja, sem possibilidade de recurso. Crimes envolvendo violência doméstica: contra mulheres, crianças, adolescentes, idosos, enfermos ou pessoas com deficiência, para assegurar a execução das medidas protetivas de urgência. Como é decretada a prisão preventiva? A prisão preventiva pode ser cancelada pelo juiz caso não seja mais necessária ou decretada novamente se surgirem novas razões. Veja as condições necessárias para que essa medida seja aplicada: Garantia da ordem pública e econômica: para impedir que o réu continue cometendo crimes que afetem essas ordens, causando danos irreparáveis à sociedade. Conveniência da instrução penal: para evitar que o acusado interfira no processo ou na investigação, como ameaçando testemunhas ou destruindo provas. Assegurar a aplicação da lei penal: a prisão preventiva é utilizada para evitar que o réu fuja ou torne impossível a execução da sentença determinada pela Justiça. Prisão preventiva: mudanças principais em 2023 As principais mudanças na prisão preventiva decorrem do Pacote Anti Crime (Lei 13.964/19), que visa combater a criminalidade no país, especialmente em casos como tráfico de drogas, homicídios e crime organizado. Algumas mudanças para 2023 incluem: 1. Decretação de ofício pelo juiz: A prisão preventiva agora não pode ser decretada de ofício pelo juiz sem uma provocação. O Pacote Anti Crime não abrangeu todas as legislações especiais, como a Lei Maria da Penha, que permite a prisão de ofício. Contudo, essa prática não ocorrerá mais, pois a nova regra é amplamente aceita. 2. Novo pressuposto adicionado: Foi introduzido um quinto pressuposto para a prisão preventiva no artigo 312 do Código Penal: o risco à sociedade pela liberdade do agente. Se houver provas de que a liberdade do indivíduo apresenta perigo para a sociedade, além de indícios de autoria, a prisão preventiva pode ser decretada. 3. Parágrafo segundo no artigo 312 do CPP: Este parágrafo afirma que o juiz só pode decretar a prisão preventiva com base em fatos novos e contemporâneos, não considerando eventos passados da vida do acusado. Essa mudança foi incluída no Pacote Anti Crime para evitar julgamentos com base em fatos anteriores. 4. Parágrafo segundo no artigo 313 do CPP: A prisão preventiva não deve ser utilizada como uma antecipação da pena, visto que a investigação ou denúncia ainda pode estar em curso. A simples ocorrência do crime ou a investigação policial não são suficientes para essa medida, devendo estar presentes os pressupostos do artigo 312 do CPP . 5. Parágrafo segundo do artigo 315 do CPP: O artigo exige que toda decisão judicial apresente fundamentação clara e relacionada ao caso, sem se basear em súmulas ou enunciados genéricos. 6. Revogação da prisão preventiva: De acordo com o artigo 316 do Código de Processo Penal, o juiz pode revogar a prisão preventiva se não houver mais razões para sua continuidade, seja por solicitação das partes ou identificação de falta de fundamento. A revogação pode ser feita de ofício, mas a nova decretação deve seguir os motivos legais e não pode ocorrer de ofício. Qual o prazo para prisão preventiva? Embora não exista prazo para prisão preventiva, ou seja, pode durar meses ou até anos, existem decisões jurisprudenciais para proceder com a soltura do indivíduo, já que se passaram anos sem andamento do processo. Além disso, o mesmo juízo que decretou a medida precisa analisar sua manutenção, para verificar se há a necessidade ou não de continuar com ela, conforme parágrafo único do artigo 316, do CPP. De acordo com o mesmo artigo, o órgão jurisdicional que decretou a prisão deve revisar a medida a cada 90 dias, reavaliando a necessidade de mantê-la. Caso contrário, a prisão se torna ilegal, possibilitando a impetração de habeas corpus. Procedimentos: · A prisão em flagrante é uma medida cautelar, de natureza processual, que dispensa ordem escrita da autoridade judicial · O auto de prisão em flagrante é a documentação oficial da prisão · A prisão em flagrante deve ser comunicada à autoridade judiciária, Ministério Público, família do preso ou pessoa que ele indique A prisão em flagrante pode ser deferida a qualquer momento, desde que ainda exista uma perseguição policial. Ao contrário do que muitos pensam, as 24 horas após o ocorrido não é fator limitante quando se fala de prisão em flagrante, afinal de contas, não está presente na lei brasileira. Realizada a prisão em flagrante, é preciso enviar, em 24 horas, o auto da prisão em flagrante para o juiz responsável, contendo o nome do advogado. Se não houver advogado no caso, uma cópia integral deve ser encaminhada à Defensoria Pública. Prisão domiciliar Quando é cabível: Em casos específicos, como doença grave, idade avançada, ou cuidados de pessoas dependentes Quem pode ser beneficiado: Pessoas com mais de 80 anos, gestantes, mães ou responsáveis por crianças ou pessoas com deficiência Como é o regime: O acusado pode se ausentar da residência apenas com autorização judicial Quando não é cabível: Quando a prisão decorre de crimes com violência ou grave ameaça Art. 317. A prisão domiciliar consiste no recolhimento do indiciado ou acusado em sua residência, só podendo dela ausentar-se com autorização judicial. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). Art. 318. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). I - maior de 80 (oitenta) anos; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). II - extremamente debilitado por motivo de doença grave; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). III - imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 (seis) anos de idade ou com deficiência; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). IV - gestante; (Redação dada pela Lei nº 13.257, de 2016) V - mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos; (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016) VI - homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016) Parágrafo único. Para a substituição, o juiz exigirá prova idônea dos requisitos estabelecidos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). Condução coercitiva A condução coercitiva é uma medida prevista no Código de Processo Penal (CPP) que obriga uma pessoa a comparecer a uma autoridade policial ou judiciária.É uma medida de coação pessoal que pode ser aplicada a investigados, acusados, testemunhas e vítimas. Quando é aplicada: Quando o intimado não comparece sem justificativa Quem pode aplicar: Autoridades policiais, por ordem do Poder Judiciário Quem pode ser conduzido: Investigados, acusados, testemunhas e vítimas Objetivo: Assegurar a eficácia do sistema probatório e de cautelares na persecução criminal A condução coercitiva pode ser aplicada em diversas circunstâncias, como: Para que a vítima preste depoimento, Para que a testemunha preste depoimento, Para que o perito preste depoimento. A condução coercitiva pode ser polêmica, pois restringe a liberdade do indivíduo. Por isso, é importante que seja aplicada de forma proporcional e razoável, considerando os princípios constitucionais que asseguram o direito ao silêncio e a presunção da inocência. O STF já decidiu que a condução coercitiva para interrogatório é inconstitucional. Outras medidas cautelares, além da prisão, são: · Uso de tornozeleira eletrônica · Proibição de contato com determinadas pessoas · Recolhimento domiciliar noturno · Comparecimento periódico em juízo · Proibição de acesso a determinados lugares · Suspensão do exercício da função pública ou de atividade econômica A prisão cautelar deve ser proporcional e razoável, a fim de não afrontar a presunção de inocência.