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DOENÇAS EXANTEMÁTICAS SARAMPO Doença viral, altamente contagiosa e grave Brasil perdeu certificado de eliminação (2019) Etiologia: RNA vírus, morbillivirus; família paramyxoviridae Transmissão: aerossóis (não precisa de contato) Incubação: 8 a 12 dias Transmissibilidade: de 2 a 6 dias antes do exantema e até 4 dias após seu aparecimento. Quadro clínico: Fase prodrômica: febre que costuma ser alta com auge no aparecimento do exantema, tosse seca e constante, coriza, conjuntivite não purulenta, lacrimejamento, fotofobia, MANCHAS DE KOPLIK na mucosa jugal (patognomônico), prostração e cefaleia. Fase exantemática: exantema maculopapular morbiliforme de início retroauricular e progressão crânio-caudal. Fase de covalescência (descamação furfurácea) Diagnóstico: clínico + coleta de exames vigilância epidemiológica (sorologia ELISA IgM e IgG e detecção viral por RT-PCR de amostras de orofaringe, nasofaringe, urina ou líquor) Complicações: Neurológicas: encefalite, panencefalite esclerosante subaguda. Respiratórias: OMA, pneumonia (causada pelo próprio vírus) Outras: diarreia, crupe, traqueíte. Conduta: Avaliação laboratorial (sorologia e isolamento viral) NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA E IMEDIATA para todo caso suspeito: febre e exantema maculopapular com um ou mais dos seguintes sinais e sintomas: tosse e/ou coriza e/ou conjuntivite, independentemente da idade ou situação vacinal. Tratamento: Vit A (deficiência é fator de risco para complicações mais graves e a própria infecção pode causar hipovitaminose). Prevenção e controle: Isolamento domiciliar até 4 dias após o início do exantema; Pacientes internados: isolamento respiratório de aerossol, até 4 dias após o início do exantema 1ª dose da vacina aos 12m (tríplice) e 2ª dose aos 15m (tetra) Dose zero: dose extra para crianças de 6 a 11m e 29 dias, a fim de controle de surtos (não entra no esquema) Profilaxia pós-exposição: Apenas para suscetíveis (não imunizados) Vacina: até 3 dias após o contato Imunoglobulina padrão: até 6 dias após o contato ou grávidas, imunodeprimidos (mesmo se vacinado) e se surge o EXANTEMA Fase exantemática: exantema maculopapular com início em tronco e migra para periferia (evolução centrífuga), de curta duração e que some sem deixar marcas. Complicações: crise convulsiva febril Tratamento: sintomático NÃO é de notificação compulsória. ERITEMA INFECCIOSO Etiologia: parvovirus B19; erythrovírusTropismo pela medula óssea Transmissão: altamente contagioso / gotículas Incubação: 4 a 14 dias Quadro clínico: Fase prodrômica: inespecífica ou inexistente / período de alta transmissibilidade Fase exantemática: surge 16 a 18 dias após o dia da infecção 1ª fase: eritema malar (face esbofeteada) 2ª fase: exantema rendilhado mais nítido na superfície extensora dos membros 3ª fase: recidiva do exantema O exantema pode persistir por mais de 10 dias e exarcerbar ou reaparecer quando a criança faz exercício físico, após estresse ou na exposição ao frio ou calor, Parvovírus B19 (outras manifestações:Crise aplásica transitória pacientes com doenças hemolíticas crônicas acentuação da anemia + reticulocitopenia (destruição na fonte: medula) Causa febre, mal-estar, letargia, sinais de anemia profunda (palidez, taquicardia e taquipneia) Tratamento: sintomático VARICELA (CATAPORA) Etiologia: vírus varicela-zóster; família herpes. Transmissão: aerossol / transmissível até todas as lesões se tornarem crostas Incubação: 10 a 21 dias Quadro clínico: Fase prodrômica: inespecíficos (mais comum a partir da adolescência) Fase exantemática: exantema vesicular com polimorfismo regional mácula -> pápula -> vesícula -> pústula -> crosta inicia em face, com progressão centrípeta envolvimento de couro cabeludo e mucosas Prurido Complicações: Cutâneas: infecção bacteriana secundária principalmente S. aureus após escoriações por coçadura Neurológicas: ataxia cerebelar aguda (nistagmo, alteração da marcha e da fala), encefalite. Outras: Varicela progressiva Sindrome da varicela congênita quando a gestante contrai o vírus nas primeiras 20 semanas hipoplasia das extremidades lesões cicatriciais que acompanham o trajeto do dermátomo. Prevenção: vacina - 1ª dose aos 15m (tetra) e 2ª dose aos 4 anos (varicela).Vacinados podem apresentar caso leve e sem complicações graves Conduta: Aciclovir oral: Todos > 12 anos > 12m com: 2º caso no domicílio; doença pulmonar/cutânea crônica; corticoterapia mesmo aerossol; uso crônico de salicilato (risco de síndrome de Reye). Deve ser iniciado nas primeiras 24h do surgimento do exantema; Posologia: 20mg/kg/dose, 4 ou 5x ao dia, por 5 dias. Aciclovir venoso: Varicela progressiva e imunodeprimidos RN 10mg/kg/dose a cada 8h por 7 a 14 dias Profilaxia pós-exposição: Vacina de bloqueio até 5 dias após exposição - >9 meses sem contraindicações Imunoglobulina específica: até 4 dias após a exposição - gestantes, imunodeprimidos, RN prematuro (IG 28s: mãe sem varicela), RN de mulher com varicela de 5 dias até 2 dias após parto e exotoxina pirogênnica ou toxina eritrogênica Transmissão: secreções respiratórias Incubação: 4 a 7 dias Período de transmissibilidade: desde os pródromos até resolução do quadro ou até 24h após o início do tratamento Quadro clínico: Fase prodrômica: faringite estreptocócica, febre, língua em morango ou em framboesa (aqui faz diagnóstico diferencial com Kawasaki) amígdalas edemaciadas, hiperemiadas e recobertas por exsudato Faseexantemática: exantema micropapular em lixa início em pescoço Sinais de Filatov (palidez perioral) e de Pastia (exarcerbação do exantema em áreas de dobras) descamação laminar nas extremidades Complicações: Febre reumática e glommerulonefrite difusa aguda Diagnóstico: clínico + pesquisa do estreptococo beta-hemolítico em orofaringe. Tratamento: mesmo adequado, não reduz ocorrência de GNPE ATB de escolha: penicilina benzatina dose única Manter a criança em isolamento somente nas primeiras 24h após o início do tratamento NÃO é de notificação compulsória MONONUCLEOSE INFECCIOSA Etiologia: vírus epsteinn-bar (EBV) Transmissão: infectado transmite de forma aguda e de forma intermitente -> gotículas de saliva e intercurso sexual infectados podem eliminar o vírus por até 6 meses após a doença aguda e de forma intermitente durante a vida reativação do vírus ocorre de forma assintomática Incubação: 30 a 50 dias Quadro clínico: Faringite, fadiga, febre aguda ou prolongada, linfadenopatia generalizada, esplenomegalia, hepatomegalia, sinal de Hoagland (edema palpebral), exantema após uso de amoxicilina. Tríade clássica: fadiga + faringite + linfadenopatia Complicações: ruptura esplênica Diagnóstico: manifestações clínicas + linfocitose atípica sugere, mas só confirma com sorologia. pode haver trombocitopenia leve (50.000 a 100.000) pode haver aumento das transminases hepáticas Conduta: repouso relativo Avaliação laboratorial : linfocitose com atipia linfocitária, anticorpos heterofilos (> 4 anos), anticorpos específios Corticoide para casos graves. DOENÇA DE KAWASAKI Doença inflamatória aguda sistêmica; Vasculite de artérias de médio calibre com predileção pelas coronárias; Epidemiologia: crianças destruição de células endoteliais, fibras de elastina e colágeno -> perda da integridade estrutural das artérias coronárias -> aneurismas -> obstrução ou ruptura. Quadro clínico: 2 a 12 semanas manifestações não ocorrem simultaneamente nem respeitam cronologia específica Febre > 5 dias + conjuntivite + mucosite + exantema + alterações de extremidades + linfonomegalia Febre: critério mais comum 1º dia de febre = 1º dia da doença persiste por 1 a 2 semanas sem tratamento baixa resposta a antitérmicos. Conjuntivite: 90% dos casos, bilateral e não exsudativa fotofobia e uveite anterior Mucosite: lingua em aspecto de morango lábis hiperemiados, edemaciados e rachados faringite não exsudativa Exantema: polimorfo (maculopapular, escarlatiniforme, urticariforme, micropustular, psoriático) precoce períneo (mais comum na fase aguda) -> tronco e membros (pontas dos dedos é mais tardia) Pode haver processo inflamatório ao redor da cicatriz da BCG Alteração das extremidades: hiperemia palmoplantar, edema de dorso de mãos e pés, descamação entre a segunda e terceira semana de doença) Lindadenopatia cervical > 1,5cm, geralmente única Outros achados: cardiovasculares: ritmo de galope, taquicardia, derrame pericárdico, miocardite linfocítica, redução da perfusão periférica; respiratórios: infiltrado peribrônquico ou intersticial; gastrointestinal: diarreia, vômitos, hepatite, icterícia, hidropsia da vesícula biliar; urinário: uretrite e hidrocele; SNC: irritabilidade, meningite asséptica, paralisia facial; artrite de grandes articulações; autolimitada; fâneros: linhas de Beau. Alterações laboratoirais: Aumento do VSH e PCR, leucocitose com desvio à esquerda, ferritina sérica elevada, aumento dos linfócitos na fase de convalesença, plaquetose nos casos mais graves, linfopenia na fase aguda, anemia normo-normo, leucocitúria, discreto aumento nas transaminases, pleocitose liquórica sem hipoglicorraquia, aumento de triglicérides, hiponatremia. Ecocardiograma: dilatação das coronárias, aneurismas de tamanhos variados. Exame de escoha: ECO transtorácico com doppler - todas as crianças devem ser submetidas a um ECO e um ECG. Diagnóstico: febre + 4 dos 5 critérios. Critérios laboratoriais complementares: anemia; contagem de plaquetas maior ou igual a 450.000 após o sétimo dia de febre; albumina menor ou igual a 3,0 g/dL; ALT elevado; leucócitos maior ou igual a 15.000/mm³ e leucócitos maior ou igual a 10/campo noo exame de urina. Tratamento: imunoglobulina 2g/kg dose única + AAS dose alta 80-100 mg/kg/dia de 6/6h. tratamento até o 10º dia: diminui em 5x o risco de desenvolver aneurismas. Diagnósticos diferenciais: Sarampo, echovírus e adenovírus: apresentem febre, conjuntivite e exantema, mas não apresentam alterações das extremidades; sarampo tem sintomas respiratórios e manchas de Koplik. Mão-pé-boca: não apresenta conjuntivite nem exantema; Mononucleose: febre baixa, múltiplas linfadenomegalias, exatema após uso de antibióticos, orofaringe com exsudato, não há conjuntivite; Escarlatina: não há conjuntivite nem dores dores articulares; Reações medicamentosas (reações alérgicas, síndrome de Stevens-Johnson e doença do soro): podem mimetizar DK, mas alterações de mucosas e oculares são discretas.