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COMPARTIMENTOS DE GORDURA
Conforme alguns estudos têm demonstrado, o tecido subcutâneo da face não é homogêneo, mas dividido em múltiplas unidades anatômicas distintas, denominadas
compartimentos de gordura, que se dividem em superficiais e profundos (Figuras 2.1 a 2.13) Essa separação ocorre por meio de finíssimos septos fibrosos, que nada
mais são do que projeções do sistema musculoaponeurótico superficial (SMAS).* A mudança de volume e posição desses compartimentos no decorrer dos anos é
responsável, pelo menos em parte, pelo envelhecimento do rosto: no rosto jovem, a transição entre esses compartimentos é suave, e o envelhecimento causa
mudança abrupta no contorno entre essas regiões. Sendo assim, a compreensão dessa anatomia nos permite melhor precisão, eficácia e segurança no tratamento do
paciente.1,2 (Figuras 2.14 a 2.16).
COMPARTIMENTOS DE GORDURA DA REGIÃO PERIORBITÁRIA
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Compartimentos superficiais
São descritos na literatura três compartimentos de gordura superficiais ao redor dos olhos: superior, inferior e lateral. Os dois primeiros são delimitados
externamente pelo ligamento de retenção orbicular e encontram-se sob a pele das pálpebras superior e inferior, respectivamente. O compartimento de gordura
inferior é tão delgado que, como mostra a nossa experiência, pode não ser encontrado na dissecção de alguns cadáveres frescos. Teoricamente, ele repousaria sobre
a porção palpebral do músculo orbicular dos olhos; já o compartimento lateral é delimitado superiormente pelo septo temporal inferior (compartimento de gordura
temporal) e inferiormente pelo septo malar superior (Figuras 2.17 e 2.18).3
Compartimentos profundos
A órbita constitui a fundação do complexo periorbitário, e é formada pelos ossos frontal e zigomático e pela maxila. Possui uma estrutura cônica que abriga no seu
interior o globo ocular, os músculos intraoculares e a gordura orbital, a qual tem como principal função lubrificar e amortecer o globo e os músculos intraoculares.
A gordura orbital inferior é dividida em três compartimentos – nasal, central e lateral –, que são contidos pelo septo orbitário, o qual se estende do tarso ao rebordo
orbitário ósseo inferior. A protrusão dessa gordura se traduz clinicamente como as “bolsas de gordura” (Figuras 2.19 e 2.20).
Recobrindo o septo orbitário, encontra-se a porção palpebral do músculo orbicular dos olhos, que se insere distalmente no nível do rebordo orbitário ósseo
inferior. Já a porção orbitária desse mesmo músculo se origina abaixo da porção palpebral, 0,5 a 1 cm abaixo do rebordo orbitário inferior. Ela é recoberta pelo
compartimento de gordura superficial nasolabial e malar medial e lateralmente repousa sobre a gordura ocular suborbicular (SOOF, do inglês suborbicular ocular
fat), também conhecida como gordura pré-zigomática. A SOOF é didaticamente dividida em porções medial e lateral (Figuras 2.21 e 2.22).
A gordura ocular retro-orbicular (ROOF, do inglês retro-orbicularis oculi fat) é o compartimento de gordura localizado profundamente ao músculo orbicular,
que se inicia medialmente no nível do nervo supraorbitário e se estende lateralmente sobre o rebordo orbitário superior (Figuras 2.4 e 2.19).
COMPARTIMENTOS DE GORDURA DO TERÇO MÉDIO DA FACE
A gordura do terço médio da face abrange uma porção superficial e outra profunda. A porção superficial é composta pelos compartimentos nasolabial, malar medial
e malar intermediário, conforme mostram as Figuras 2.23 e 2.24. A porção profunda é composta pelos compartimentos malar medial e lateral e pela SOOF, também
chamada de gordura pré-zigomática (Figuras 2.21 e 2.22). Entre a porção superficial e a profunda, encontra-se o SMAS, envolvendo os músculos levantador do
lábio superior e asa do nariz, lábio superior, zigomáticos menor e maior; além de vasos e nervos (Figuras 2.25 a 2.27).4
COMPARTIMENTO DE GORDURA TEMPOROLATERAL
Este compartimento se estende da região temporal à região cervical. Na região temporal encontra-se logo abaixo da pele e acima da fáscia temporal superficial do
músculo temporal (Figuras 2.1 a 2.39). Nesta região, é delimitado superiormente pela linha temporal (proeminência do osso frontal); na parte inferior, pelo arco
zigomático; na parte anterior, pelo rebordo orbitário externo; e, na parte posterior, pelo couro cabeludo. A artéria temporal superficial encontra-se na região
posterior deste compartimento. Já a porção distal recobre o ângulo de mandíbula e a linha de mandíbula, repousando sobre a parótida e o corpo mandibular (Figuras
2.28 e 2.29).
JOWL FAT
Este compartimento se traduz clinicamente como o “buldogue” no terço inferior da face, localizado acima da borda inferior do corpo da mandíbula. É delimitado
medialmente pelo músculo depressor do ângulo do lábio (DAO), superiormente pelos compartimentos nasolabial e malar medial, inferiormente pelo músculo
platisma e posteriormente pelo pedículo facial. É dividido nos compartimentos superficial ou profundo (Figuras 2.30 e 2.31).5
COMPARTIMENTO DE GORDURA DOS LÁBIOS
Os lábios são formados por uma porção interna, a mucosa labial (epitélio pavimentoso estratificado não queratinizado e córion rico em vasos sanguíneos e
glândulas salivares menores ou acessórias), por uma zona de transição, o vermelhão do lábio (epitélio pavimentoso estratificado queratinizado sem folículos
pilosos, glândulas sudoríparas ou salivares, mas eventualmente com glândulas sebáceas) e por uma porção externa representada pela pele e seus anexos. A porção
interna é úmida, e as demais são secas. No limite entre a porção interna, mucosa labial, e a zona de transição, vermelhão do lábio, se inserem as fibras musculares
do músculo orbicular bucal, que, por sua vez, delimita dois compartimentos:
Compartimento de gordura superficial dos lábios (CGSL), abaixo do vermelhão (VL) e acima do músculo orbicular dos lábios (MOL)
Compartimento de gordura profundo dos lábios (CGPL), abaixo do músculo orbicular dos lábios (MOL) e acima da mucosa labial (ML)6 (Figuras 2.32 e 2.33).
COMPARTIMENTO DE GORDURA BUCAL OU BOLA DE BICHAT
O compartimento de gordura bucal, também conhecido como bola de Bichat, foi descrito, em 1872, por Heister, que acreditava que esse tecido fosse de origem
glandular. Entretanto, foi o anatomista e fisiologista francês Marie François Xavier Bichat quem reconheceu a sua natureza como compartimento de gordura. A bola
de Bichat relaciona-se diretamente com os músculos da mastigação e, na infância, auxilia o movimento de sucção, conferindo a face querúbica.
É um compartimento profundo que representa a porção central do triângulo submalar. De morfologia triangular, possui extensões entre os músculos masseter,
temporal e pterigoide e repousa sobre uma fissura acima do músculo bucinador e abaixo do SMAS. A artéria e a veia faciais localizam-se anteriormente à bola de
Bichat. Os vasos faciais transversos irrigam a sua porção superior, acima do ducto parotídeo, e ramos da artéria maxilar interna também contribuem para a
vascularização.
O ducto parotídeo e os ramos zigomático e bucal do nervo facial se relacionam intimamente com o compartimento bucal, conforme mostram as Figuras 2.34 a
2.39.
Giovanna Fachetti Frigoli
Giovanna Fachetti Frigoli
Giovanna Fachetti Frigoli
Giovanna Fachetti Frigoli
Giovanna Fachetti Frigoli
Giovanna Fachetti Frigoli
Giovanna Fachetti Frigoli
Giovanna Fachetti Frigoli
Giovanna Fachetti Frigoli
Giovanna Fachetti Frigoli
Giovanna Fachetti Frigoli
VASCULARIZAÇÃO
A artéria carótida externa emite, em média, oito ramos que irrigam a face e as estruturas do pescoço, que são: artéria tireóidea superior, artéria faríngea ascendente,
artéria lingual, artéria facial, artéria occipital, artéria auricular posterior, artéria temporal superficial e artéria maxilar. A artéria carótida interna não emite ramos até
entrar no crânio.
A artéria facial, após juntar-se à veia facial, torna-se bastante superficial e, contornando a borda inferior da mandíbula no nível da borda anterior do masseter,
penetra na face (Figuras 2.40 a 2.44 e 2.57). Próximoà comissura labial, origina-se a artéria labial inferior, que se dirige anteriormente sob o depressor do ângulo
bucal e, atravessando o orbicular dos lábios, apresenta um trajeto tortuoso ao longo da borda do lábio inferior, entre este músculo e a membrana mucosa. Essa
artéria anastomosa-se com a artéria do lado oposto. Já a artéria labial superior é maior e mais tortuosa que a inferior, segue trajeto idêntico ao longo da borda do
lábio superior, situando-se entre a membrana mucosa e o músculo orbicular dos lábios, conforme mostram as Figuras 2.40, 2.41, 2.43 a 2.48, 2.55, 2.56 e 2.58 a
2.62. Ela também se anastomosa com a artéria do lado oposto e emite um ramo septal, que irriga o septo nasal, e um ramo alar, que irriga a asa do nariz. Após
emitir esses dois ramos, a artéria facial continua o seu trajeto ascendente e emite o ramo nasal lateral. Este irriga a asa e o dorso do nariz, anastomosando-se com o
lado contralateral, com os ramos septal e alar, com o ramo nasal dorsal da artéria oftálmica e com o ramo infraorbital da artéria maxilar (Figuras 2.40, 2.41 e 2.43 a
2.45). A artéria angular é a parte terminal da artéria facial (Figuras 2.40, 2.41, 2.43, 2.44, 2.45 e 2.47 a 2.52). Ela ascende em direção ao ângulo medial da órbita em
meio às fibras do músculo levantador do lábio superior e da asa do nariz, acompanhada pela veia angular, mais lateralmente. Seus ramos anastomosam-se com a
artéria infraorbital e, após irrigarem o saco lacrimal e o orbicular do olho, terminam anastomosando-se com o ramo nasal dorsal da artéria oftálmica (Figuras 2.40,
2.41, 2.43, 2.44, 2.45, 2.47, 2.48 a 2.50 e 2.53).7
A artéria temporal superficial, o menor dos dois ramos terminais da carótida externa, é a continuação deste vaso. Começa no interior da glândula parótida,
posteriormente ao colo da mandíbula, passa por cima da raiz posterior do processo zigomático do osso temporal, dividindo-se cerca de 5 cm acima desse processo,
nos ramos frontal e parietal. Acima do processo zigomático e na frente do pavilhão auricular, a artéria temporal superficial é pouco profunda, de modo que
facilmente pode-se sentir sua pulsação. Ainda no interior da glândula parótida, emite a artéria transversa da face, que segue entre o ducto parotídeo e a borda
inferior do arco zigomático. Ela irriga a parótida, o ducto e o músculo masseter. Já a artéria zigomático-orbital corre ao longo da borda superior do arco zigomático,
em direção ao ângulo lateral da órbita. Irriga o músculo orbicular dos olhos, e anastomosa-se com os ramos lacrimal e palpebral da artéria oftálmica. O ramo frontal
corre em direção à fronte, anastomosando-se com as artérias supraorbital e frontal. O ramo parietal curva-se para cima e para trás, situando-se superficialmente à
fáscia temporal e anastomosando-se com seus homólogos do lado oposto e com artérias auricular posterior e occipital (Figuras 2.40, 2.41, 2.43, 2.44 e 2.54). A
artéria maxilar, o maior dos ramos terminais da carótida externa, origina-se atrás do colo da mandíbula, em meio ao tecido da glândula parótida. Ela irriga as
estruturas profundas da face e pode ser dividida nas porções mandibular, pterigóidea e pterigopalatina. Os dois ramos temporais profundos (anterior e posterior, são
ramos da porção pterigóidea e ascendem entre o músculo temporal e o pericrânio. A artéria infraorbital é ramo da porção pterigopalatina e emerge do crânio
juntamente com o nervo infraorbital através do forame infraorbital (Figuras 2.41 e 2.43).
A artéria alveolar inferior também é um ramo da artéria maxilar. Penetra o forame mandibular, atravessa todo o canal intraósseo até o forame mentual, onde
emite um grande ramo colateral, a artéria mentoniana, que vasculariza os tecidos moles do mento. Continua por entre as trabéculas ósseas até entrar em contato
anastomótico com a artéria do outro lado, no plano mediano.
A artéria carótida interna divide-se em quatro porções: cervical, petrosa, cavernosa e cerebral. Da porção cavernosa emerge a artéria oftálmica, que adentra na
cavidade orbitária através do canal óptico, inferior e lateralmente ao nervo óptico. A partir dali ela passa sobre o nervo para alcançar a parede medial da órbita; daí
segue horizontalmente ao longo da borda inferior do músculo oblíquo superior, dividindo-se em dois ramos terminais: a artéria supratroclear e a nasal dorsal. A
artéria nasal dorsal emerge da órbita acima do ligamento palpebral medial e, depois de fornecer um ramúsculo para a parte superior do saco lacrimal, divide-se em
dois ramos: um cruza a raiz do nariz, anatomosando-se com a artéria angular; o outro corre ao longo do dorso do nariz, irrigando sua superfície externa,
anastomosando-se com a artéria do lado oposto e com o ramo nasal lateral da artéria facial. A artéria supraorbital origina-se da oftálmica quando esse vaso passa
por cima do nervo óptico. Ela se dirige para cima e, unindo-se ao nervo supraorbital, acompanha-o entre o periósteo e o levantador da pálpebra, até o forame
supraorbital. Irriga a pele, os músculos e o pericrânio da fronte, anastomosando-se com a supratroclear, com o ramo frontal da temporal superficial e com a artéria
do lado oposto (Figuras 2.40, 2.41 e 2.45).7
INERVAÇÃO SENSITIVA E MOTORA
Nervo trigêmeo
O nervo trigêmeo é o grande nervo sensitivo cutâneo da face e também o nervo motor dos músculos da mastigação. A primeira divisão dele é o nervo oftálmico,
que supre bulbo do olho, conjuntiva, glândula lacrimal, parte da membrana mucosa do nariz e seios paranasais, pele da fronte, pálpebras e nariz. O nervo frontal é o
maior ramo do oftálmico e pode ser considerado, por seu tamanho e direção, a continuação do nervo. Após penetrar na órbita, divide-se nos ramos supraorbital e
supratroclear. O nervo maxilar, ou segunda divisão do trigêmeo, origina-se do meio do gânglio trigeminal; é intermediário às outras duas divisões em tamanho e
posição, e como o oftálmico, é inteiramente sensitivo. Supre a pele da porção média da face, pálpebra inferior, lateral do nariz, lábio superior, membrana mucosa da
nasofaringe, seio maxilar, palato mole, tonsilas e teto da boca, gengivas e dentes superiores. Na porção posterior da órbita, torna-se o nervo infraorbital e,
continuando rostralmente, aprofunda-se no canal infraorbital. Ele emerge na face através do forame infraorbital, onde situa-se profundamente ao levantador do lábio
superior, e divide-se em ramos para a pele da face, nariz, pálpebra inferior e lábio superior. O nervo mandibular, a terceira e maior divisão do trigêmeo, é um nervo
misto, com duas raízes: uma grande raiz sensitiva que se origina do gânglio do trigêmeo e uma pequena raiz motora. As fibras sensitivas suprem a pele da região
temporal, pavilhão da orelha, meato acústico externo, bochecha, lábio inferior e porção inferior da face, membrana mucosa da bochecha, língua e células aéreas
mastóideas, dentes e gengivas inferiores, mandíbula e articulação temporomandibular, e parte da dura-máter e do crânio. As fibras motoras suprem os músculos da
mastigação (masseter, temporal, pterigóideos). Os ramos deste nervo são os seguintes: ramo meníngeo, nervo pterigóideo medial, nervo massetérico, nervos
temporais profundos, nervo pterigóideo lateral, nervo bucal, nervo auriculotemporal, nervo lingual e nervo alveolar inferior. O nervo mentoniano é ramo terminal
deste último, emerge da mandíbula no forame mentoniano e se divide abaixo do músculo depressor do ângulo bucal em três ramos: um distribui-se à pele do mento
e os outros dois à pele e à membrana mucosa do lábio inferior (Figuras 2.63 a 2.73).7
Nervo facial
É o nervo motor para os músculos da expressão facial, do couro cabeludo e da orelha externa, do bucinador e do platisma. A porção terminal do nervo facial, dentro

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