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- Resumos – Abordagem Por Especialidades (2025) @casalmedresumos OBSTETRÍCIA DOENÇAS INTERCORRENTES NA GESTAÇÃO 1. DOENÇA HIPERTENSIVA ESPECÍFICA DA GRAVIDEZ Quais as possibilidades diagnósticas? (1) PRÉ-ECLÂMPSIA → HAS + proteinúria > 20 semanas (2) ECLÂMPSIA → pré-eclâmpsia + convulsões (3) HAS CRÔNICA → HAS 20 semanas Essas são as 5 possibilidades diagnósticas quando estamos diante de uma gestante hipertensa. A pré-eclâmpsia é a mais! Vamos iniciar a discussão! PRÉ-ECLÂMPSIA CONCEITO: surgimento de HIPERTENSÃO + PROTEINÚRIA (> 300mg/dia ou relação PRnúria/CRnúria > 0,3 ou > 1+ na fita) APÓS 20 SEMANAS A pré-eclâmpsia significa hipertensão + proteinúria! Mas fique atento que essa proteinúria deve ser patológica! Tem que ser maior que 300mg/dia na proteinúria 24 horas ou relação proteinúria/creatinúria > 0,3 ou a partir de 1+ no exame de urina EAS! Por que 20 semanas? Porque as invasões trofoblásticas ocorrem nesse período! Pode até ocorrer pré-eclâmpsia antes disso por mola, mas isso é exceção. Então, se pegar uma paciente com 8 ou 12 semanas, por exemplo, com hipertensão e proteinúria, essa paciente deve ter HAS CRÔNICA! Não é pré-eclâmpsia! Vamos entender essa fisiopatologia! FISIOPATOLOGIA: por que após 20 semanas? → Normal: ocorrem ondas de invasão trofoblástica diminuindo a PA ✓ 1ª ONDA: 6-12 semanas ✓ 2ª ONDA: 16-22 semanas - NA PRÉ-ECLÂMPSIA OCORRE A AUSÊNCIA DA 2ª ONDA → isquemia placentária → lesão endotelial → ↑ação de vasopressores, ↑tromboxano A2, ↓prostaciclina, ↓óxido nítrico → vasoconstrição → espasmo arteriolar e aumento de permeabilidade vascular com edema. Entenda: depois da artéria uterina, temos a artéria espiralada (vaso fino, com alta resistência e baixo fluxo) → com a gravidez, os trofoblastos invadem sua camada muscular, dilatam esse vaso e diminuem a resistência, gerando alto fluxo → na pré-eclâmpsia, isso não ocorre, mantendo o vaso com alta resistência e gerando isquemia placentária e lesão endotelial → liberação de radicais livres + aumento de tromboxano (!) e diminuição de prostaciclina (clássico) → vasoconstrição e agregação plaquetária (por isso o AAS funciona como prevenção em uma paciente que já teve pré-eclâmpsia ou é de alto risco → diminui tromboxano e agregação plaquetária). O processo se estende para vários outros órgãos, como os rins, com ENDOTELIOSE CAPILAR GLOMERULAR (não é patognomônica, mas é bem característica), manifestada pela proteinúria > 300mg/24h. Também se estende para o fígado, com NECROSE PERIPORTAL, manifestada com diminuição da produção proteica + diminuição da pressão coloidosmótica + edema. Não costumanos usamos diurético na hipertensão da pré-eclâmpsia, pois esse edema é decorrente de diminuição da pressão coloidosmótica – o volume intravascular está reduzido... Outras teorias... - MÁ PLACENTAÇÃO: resposta imune deficiente aos antígenos paternos - ESTRESSE OXIDATIVO: produção de radicais livres por hipóxia - SUSCETILIDADE GENÉTICA: polimorfismos genéticos CLASSIFICAÇÃO TEMPORAL: A pré-eclâmpsia ainda pode ser classificada em: - PRECOCE: 34 semanas 77 - Resumos – Abordagem Por Especialidades (2025) @casalmedresumos OBSTETRÍCIA FATORES DE RISCO: “EXPOSIÇÃO PELA 1ª VEZ (nulípara) ou EXCESSIVA ÀS VILOSIDADES” (gemelar, mola) Exposição à placenta pela 1ª vez (primípara) ou excessiva (gemelar, mola > a placenta fica grande). Como assim? Quando a paciente tem um primeiro contato com aquele trofoblasto que tenta invadir a placenta, uma resposta imune é gerada! Uma das teorias da pré-eclâmpsia diz que há uma certa rejeição à invasão desse trofoblasto. Por isso, fatores relacionados à primeira exposição ou à uma exposição excessiva se constituem como fatores de risco. - Risco ALTO: história pregressa de pré-eclâmpsia, obesidade, HAS crônica, DM1 e 2, doença renal, doenças autoimunes (LES, SAAF), tratamento de reprodução assistida, gestação múltipla - Risco MODERADO: gravidez prévia com eventos adversos (DPP, prematuridade e baixo peso ao nascer > 37 semanas), história familiar de pré-eclâmpsia (mãe e irmã), nuliparidade, idade materna > 35 anos, intervalo interpartal 300MG/24H ▪ ELEVAÇÃO DE ÁCIDO ÚRICO (!) FÍGADO ▪ Necrose periportal hemorrágica + lesões isquêmicas ▪ ELEVAÇÃO DE TRANSMINASES + TROMBOCITOPENIA + HEMÓLISE ▪ SÍNDROME HELLP (↑transaminases + hemólise + ↓plaquetas) SISTEMA CARDIOVASCULAR/HEMATOLÓGICAS ▪ ↑Permeabilidade vascular e EDEMA ▪ ↓Volume plasmático e hemoconcentração ▪ Vasoconstrição ▪ Trombocitopenia e hemólise microangiopática (HELLP) ▪ CIVD (casos graves) ENDÓCRINAS ▪ ↓Secreção de renina ▪ ↑Resposta vascular aos agentes vasopressores (pequenas doses são suficientes) SISTEMA NERVOSO CENTRAL ▪ Formação de trombos plaquetários + vasoespasmo ▪ Hemorragia ou edemacerebral ▪ CEFALEIA/TURVAÇÃO VISUAL/ESCOTOMAS ▪ CONVULSÃO → “fim da linha” = eclâmpsia UTEROPLACENTÁRIAS ▪ Resistência vascular no leito placentário ▪ Infartos placentários ▪ CIUR/↑mortalidade perinatal TRÍADE CLÁSSICA HAS + PROTEINÚRIA + EDEMA O edema, na verdade, apesar de comum, também é típico de gestantes sem pré- eclâmpsia (80%)! Na maioria das vezes é um processo fisiológico... Por isso, o quadro clássico é considerado como hipertensão + proteinúria a partir da 20ª semana de gestação. Hoje em dia nem se considera mais que exista essa tríade. 78 - Resumos – Abordagem Por Especialidades (2025) @casalmedresumos OBSTETRÍCIA PA > 140 x 90 + (repetir a medição idealmente após 4h) Proteinúria > 300mg/dia OU Relação proteinúria/creatinúria > 0,3 OU > 1 ou 2+ na fita (polêmico na literatura) * AAS 60-150mg/dia (entre 12-16 semanas → máximo antes de 20 semanas) até 36 semanas CÁLCIO 1,5-2g/dia (se baixa ingesta) → 1º trimestre até fim da gestação DIAGNÓSTICO: PODE SER PRÉ-ECLÂMPSIA SEM PROTEINÚRIA? PODE, MAS APENAS SE: - PA > 140 X 90 APÓS 20 SEMANAS + 1 ▪ PLAQUETOPENIA ( 600 ▪ CIVD ▪ TGO OU TGP ↑2X ▪ CR > 1,1 ▪ EDEMA AGUDO DE PULMÃO ▪ SINTOMAS CEREBRAIS OU VISUAIS BIOMARCADORES NO DIAGNÓSTICO: - PLGF ISOLADO e RAZÃO S-FLT1/PLGF ▪ Ajudam no diagnóstico em casos SUSPEITOS ▪ Alteram-se antes dos exames clássicos ▪ Não devem ser feitos para confirmar o diagnóstico de PE se outros exames já estiverem alterados ▪ Não definem conduta obstétrica ▪ Não precisam ser usados em gestantes sem suspeita clínica de PE ✓ Razão 85 ( 110 (> 34 sem): fortemente suspeito de PE ✓ PLGF isolado > 110: diagnóstico de PE PREVENÇÃO: - Apenas em pacientes de ALTO RISCO! ✓ PE em gestação anterior ✓ Lúpus, SAF, nefropatias ✓ DM1 ou DM2 ✓ HAS ✓ Gestação múltipla (*) Suspender AAS se desenvolver a pré-eclâmpsia ATENÇÃO! (1) Pré-eclâmpsia com menos de 20 semanas = PENSAR EM MOLA! (2) Se HAS > 20 semanas SEM proteinúria e SEM as alterações citadas acima: HAS gestacional! 79 - Resumos – Abordagem Por Especialidades (2025) @casalmedresumos OBSTETRÍCIA CLASSIFICAÇÃO: → SEM SINAIS DE GRAVIDADE (“LEVE”): sem sinais de lesão de órgão-alvo → COM SINAIS DE GRAVIDADE (“GRAVE”): (1) PAS > 160 OU PAD > 110 (2) EAP, CIANOSE, DOR TORÁCICA (3) OLIGÚRIA ( 1,2MG/DL OBS: proteinúria e CIUR não são critérios de gravidade! (4) HELLP (pode ocorrer mesmo sem pré-eclâmpsia) ✓ HEMÓLISE: LDH > 600, ESQUIZÓCITO NO ESFREGAÇO (“células em capacete”), BT > 1,2, HAPTOGLOBINA> 70 ✓ TROMBOCITOPENIA: PLAQUETAS 140 x 90 SEM PROTEINÚRIA > 300mg/dia > 20 SEMANAS - NORMALIZA ATÉ 12 SEMANAS APÓS PARTO Não chegamos a dizer que é uma pré-eclâmpsia, pois a gestante desenvolveu somente a hipertensão (não evoluiu com proteinúria). É um passo para desenvolver a pré-eclâmpsia... HAS CRÔNICA - PA > 140 x 90 SEM PROTEINÚRIA > 300mg/dia 160 X 110 OU DISFUNÇÃO DE ÓRGÃO OU HELLP OU IMINÊNCIA, mas note também que podemos ter uma pré-eclâmpsia grave mesmo sem hipertensão! 80 - Resumos – Abordagem Por Especialidades (2025) @casalmedresumos OBSTETRÍCIA - PERSISTE HIPERTENSA MESMO APÓS 6-12 SEMANAS PÓS-PARTO Então, essa gestante já era hipertensa, com ou sem proteinúria, mas persiste hipertensa mesmo quando passa as 6-12 semanas de puerpério, mostrando que não era somente decorrente da gestação! Se PA 140x90... HAS crônica ou pré-eclâmpsia? CONDUTA: (1) PRÉ-ECLÂMPSIA SEM SINAIS DE GRAVIDADE (“LEVE”) E HIPERTENSÃO GESTACIONAL - TERMO = PARTO - PRÉ-TERMO = EXPECTANTE ATÉ O TERMO, conforme condições maternas e fetais → pesquisar sinais de gravidade e avaliar o bem-estar fetal NÃO FAZER ANTI-HIPERTENSIVO PARA PRÉ-ECLÂMPSIA SEM SINAIS DE GRAVIDADE! É tentador, mas não é para fazer! Chega uma gestante no posto de saúde com 150 x 100 e, isso mesmo, não vamos dar anti-hipertensivo! Dessa forma, podemos mascarar o sinal mais fácil para identificarmos um sinal de gravidade, que é a hipertensão! (2) PRÉ-ECLÂMPSIA COM SINAIS DE GRAVIDADE (“GRAVE”) (1) ANTI-HIPERTENSIVOS - EVITAR ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL! - NÃO PRECISA: SE PA 160 x 110 e necessita de uma redução naquele exato momento. A terapia de manutenção vai servir para aquela hipertensa crônica que engravidou, onde precisamos trocar suas medicações - CRISE: ✓ HIDRALAZINA 5mg IV/20 minutos ✓ NIFEDIPINA 10mg VO/30 minutos (não é sublingual!) ✓ LABETALOL 20mg I/10 minutos - MANUTENÇÃO: METILDOPA VO > HIDRALAZINA VO > NIFEDIPINA VO (absorção retardada), PINDOLOL VO - EVITAR: IECA/BRA, ATENOLOL/PROPRANOLOL (risco de CIUR) HAS CRÔNICA PRÉ-ECLÂMPSIA - > 35 anos - Multigesta - HAS em qualquer semana - Proteinúria ou não - Calciúria > 100mg/24h - Ácido úrico aumentado - PA persiste alta mesmo após o parto - Fundoscopia: lesões crônicas - 35 anos - Primigesta - HAS após 20 semanas - Proteinúria após 20 semanas - Calciúria 34 SEMANAS, DETERIORAÇÃO CLÍNICA MATERNA OU FETAL, LESÃO DE ÓRGÃO ALVO, ECLÂMPSIA, HELLP*: PARTO APÓS ESTABILIZAÇÃO CLÍNICA E A VIA DE PARTO? PREFERENCIALMENTE VAGINAL! ▪ Avaliar sempre as condições maternas (gravidade, BISHOP) e fetais (SFA) = nesses casos, CONSIDERAR CESARIANA! (*) Na síndrome HELLP, a corticoterapia pode ser tentada para maturação pulmonar antes do parto; o uso de corticoide em altas doses é controverso. PREVENÇÃO DE ECLÂMPSIA E TRATAMENTO DAS CONVULSÕES: FAZER EM TODA PE COM SINAIS DE GRAVIDADE/IMINÊNCIA/ECLAMPSIA/HELLP E HIPERTENSÃO DE DIFÍCIL CONTROLE, MESMO ASSINTOMÁTICA! - Droga de escolha: SULFATO DE MAGNÉSIO (ataque + manutenção) É SUPERIOR a qualquer benzodiazepínico nesse contexto! PRITCHARD ▪ ATAQUE: 4g IV + 10g IM ▪ MANUTENÇÃO: 5g IM 4/4h ZUSPAN ▪ ATAQUE: 4g IV ▪ MANUTENÇÃO: 1-2g/h IV BI SIBAI ▪ ATAQUE: 6g IV ▪ MANUTENÇÃO: 2-3g/h IV BI PARÂMETROS AVALIADOS → RISCO DE INTOXICAÇÃO POR SULFATO DE MAGNÉSIO: 3 R’S! ✓ REFLEXOS PROFUNDOS AUSENTE → tem que suspender ✓ RESPIRAÇÃO (FR