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LEGISLAÇÃO CIVIL
APLICADA II
Eduardo Zaffari
Revisão técnica:
Gustavo da Silva Santanna 
Bacharel em Direito
Especialista em Direito Ambiental Nacional e Internacional 
e em Direito Público
Mestre em Direito
Professor em cursos de graduação e pós-graduação em Direito
Miguel do Nascimento Costa
Bacharel em Ciências Sociais 
Especialista em Processo Civil
Mestre em Direito Público
 
Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin - CRB -10/2147
L514 Legislação civil aplicada II / Fabiana Hundertmarck Leal... [et
al.] ; [revisão técnica: Gustavo da Silva Santanna, 
Miguel do Nascimento Costa]. – Porto Alegre: SAGAH, 
2018.
380 p. : il. ; 22,5 cm
ISBN 978-85-9502-428-1
1. Direito civil. I. Leal, Fabiana Hundertmarck. 
CDU 347
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Direito de vizinhança 
e condomínio
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Conceituar direito de vizinhança e condomínio. 
  Analisar os dispositivos do Código Civil acerca da vizinhança, bem 
como as suas diversas modalidades.
  Explicar a estrutura jurídica de condomínio.
Introdução
Conhecer as origens da propriedade e da copropriedade facilita o enten-
dimento do conceito de direito de vizinhança. As limitações impostas à 
propriedade possibilitam o convívio harmônico entre lindeiros. Para que 
se evitem eventuais riscos à saúde, à segurança ou ao sossego, o direito 
de vizinhança regula as relações entre vizinhos, estabelecendo os limites 
de cada condômino.
A vida condominial estabelece órgãos de administração e delibera-
ção para que todos os coproprietários possam participar do destino do 
bem comum. As atribuições do síndico e da assembleia são complexas e 
estão presentes no dia a dia daqueles que residem nos grandes centros 
urbanos.
Neste capítulo, você vai estudar os conceitos de condomínio e do 
direito de vizinhança e vai conhecer a estrutura jurídica de condomínio. 
Você vai também analisar dispositivos e modalidades previstos no Código 
Civil acerca do direito de vizinhança.
Conceitos de vizinhança e condomínio
Ao longo do desenvolvimento da humanidade, o direito de propriedade foi 
reconhecido e exercido de diferentes maneiras pelos povos da antiguidade. 
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Em alguns momentos, a propriedade era compreendida e fruída pelo grupo 
social; em outros, a propriedade foi considerada um direito absoluto e irrestrito.
Venosa (2005) recorda que, antes da época romana, apenas os objetos 
pessoais eram considerados pertencentes aos integrantes do grupo; o solo e 
as acessões eram de propriedade coletiva. Em Roma surgiu a propriedade e 
os direitos de usar, fruir e gozar o bem de forma absoluta pelo proprietário. 
Entretanto, não se pode esquecer que, desde o Velho Testamento, já se tem 
notícia da propriedade imobiliária exclusiva, como na compra de terreno por 
Abraão para o enterro de sua esposa, em Gênesis 4:23.
Fatores econômicos e sociais levaram ao desenvolvimento da propriedade 
comum, exercida em condomínio. Conforme Gonçalves (2012), a propriedade 
passou a ter como pressuposto a função social, que determina seu uso para o 
crescimento da riqueza e da interdependência social. Isso se dá por expressa 
determinação constitucional, conforme o art. 5º, XXIII, da Constituição 
Federal de 1988.
Dois sistemas explicam a compreensão jurídica sobre a comunhão: o sistema 
germânico e o sistema de tradição romana. No sistema germânico, todos os 
condôminos são proprietários e exercem o domínio sobre o todo, ou seja, não 
se compreende a divisão da propriedade comum em partes ideais. No sistema 
de tradição romana, adotado no Brasil, cada proprietário exerce a propriedade 
sobre uma parte ideal, também denominada fração ideal. Este sistema facilita 
a distribuição de direitos e deveres entre os condôminos.
O Código Civil de 1916 não tratou da propriedade condominial, mas a Lei 
4.591, de 16 de dezembro de 1964, tratou de forma detalhada a propriedade 
em condomínio. O Código Civil de 2002 disciplinou a matéria nos arts. 
1.331 a 1.358.
Condomínios têm personificação anômala duradoura, ao contrário de algumas 
entidades, como o espólio hereditário ou a massa falida, que têm personificação 
transitória. Esta personificação é uma personificação do patrimônio comum.
A conceituação de condomínio pode ser extraída da redação do art. 1.331 
do Código Civil, em que se percebe tratar-se de um direito que envolverá “[...] 
partes que são propriedade exclusiva, e partes que são propriedade comum 
Direito de vizinhança e condomínio306
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dos condôminos” (BRASIL, 2002, documento on-line). Trata-se, então, de um 
direito complexo que envolverá um direito exclusivo sobre a unidade autônoma 
e um direito comum sobre a parte pertencente a todos os condôminos.
O convívio social determina que o exercício do direito de propriedade 
não seja absoluto. Surgem restrições à propriedade consistentes no direito de 
vizinhança que, conceituando-se como direitos de convivência decorrentes da 
proximidade ou interferência entre prédios, não necessariamente contíguos, 
coíbe o uso nocivo da propriedade.
O Capítulo IV — Dos Direitos de Vizinhança, do Código Civil, trata do uso nocivo da 
propriedade, no art. 1.277:
Art. 1.277 O proprietário ou o possuidor de um prédio tem o direito de 
fazer cessar as interferências prejudiciais à segurança, ao sossego e à 
saúde dos que o habitam, provocadas pela utilização de propriedade 
vizinha.
Parágrafo único. Proíbem-se as interferências considerando-se a na-
tureza da utilização, a localização do prédio, atendidas as normas que 
distribuem as edificações em zonas, e os limites ordinários de tolerância 
dos moradores da vizinhança (BRASIL, 2002, documento on-line).
Pontes de Miranda (2012, p. 450) afirmava que “[...] os direitos de vi-
zinhança se produzem simetricamente às outras limitações ao direito de 
propriedade em seu conteúdo, pela substantivação dos direitos que objeti-
vamente resultariam delas”.
O art. 1.277 do Código Civil estabelece o uso normal da propriedade e 
proíbe o uso nocivo do bem que possa comprometer a segurança, o sossego 
e a saúde dos demais vizinhos. Dependendo da natureza do distúrbio, que 
poderá ser sonoro, gasoso, edilício, comportamental ou qualquer outra ordem 
de perturbação, podem surgir três espécies de ações judiciais fundadas no 
referido dispositivo de lei.
  Ação de perdas e danos: ação judicial em que se buscam os prejuízos 
decorrentes de ato ou fato do vizinho, fundamentado na culpa aquiliana 
e no art. 1.277, § 1º, do Código Civil.
307Direito de vizinhança e condomínio
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  Ação de obrigação de fazer ou não fazer: ação em que se busca sustar 
ato ou fato realizado pelo vizinho que possa comprometer a segurança, 
o sossego e a saúde dos lindeiros. Fundamenta-se no art. 1.277, § 1º, 
do Código Civil.
  Ação de dano infecto: ação em que se busca impedir ou acautelar 
obras em imóvel vizinho que possam trazer risco de ruína aos imóveis 
lindeiros. Sua previsão legal vem contida nos arts. 1.280 e 1.281 do 
Código Civil.
Importante observar que tanto os proprietários quanto os possuidores 
de qualquer título poderão ser autores ou réus nestas ações, visto que o di-
reito de vizinhança se aplica àqueles que estiverem ocupando os imóveis, 
indistintamente.
Recentemente uma indústria foi compelida pelo Ministério Público a sustar o excesso 
de barulho e controlar a emissão de fuligem no seu processo de industrialização, em 
razão da perturbação do sossego e risco à saúde dos imóveis vizinhos. 
Dispositivos do Código Civil e modalidades
O Código Civil brasileiro prescreve, entre os arts. 1.282 e 1.284, regras sobre o 
plantio de árvores entre imóveis. É necessário observar que, mesmo quando os 
imóveis não forem lindeiros, as plantas que atinjam prédiospróximos devem 
obedecer aos mesmos dispositivos legais.
Árvores que estejam na linha divisória entre prédios presumidamente 
serão de ambos os imóveis, importando que os custos de manutenção da 
árvore, bem como seus frutos e sua madeira, pertençam aos dois proprietários 
ou possuidores. Isso significa que, se essa árvore causar prejuízo para um 
terceiro, ambos os proprietários deverão ressarcir o prejudicado, cada um na 
proporção de sua quota-parte.
No entanto, se esta árvore se encontrar apenas no imóvel lindeiro, será 
permitido ao proprietário vizinho cortar as raízes que adentrarem em seu 
imóvel, no plano vertical divisório; o proprietário vizinho poderá também 
colher os frutos que caírem naturalmente no solo de seu imóvel, conforme 
previsão do art. 1.284 do Código Civil.
Direito de vizinhança e condomínio308
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O imóvel que não tenha passagem para via pública, porto ou nascente de 
água perde seu valor e utilidade. Por essa razão, o Código Civil prescreve a 
possibilidade do vizinho forçar aquele que pode permitir a passagem a tolerar 
o direito de passagem do proprietário de imóvel encravado. Essa espécie de 
servidão vem prevista no art. 1.285 do Código Civil. Esta passagem deverá 
ser a menos onerosa possível ao imóvel gravado, preferencialmente pelo 
caminho mais curto e pelo vizinho que possa conceder a passagem na forma 
mais natural possível. Importante notar que essa passagem não será gratuita, 
pois deverá o juiz fixar uma justa indenização, que deverá levar em conta a 
diminuição do valor da propriedade serviente e o incômodo causado.
Os romanos desenvolveram a teoria sobre as servidões e o direito de vizinhança. 
Aprofunde seus conhecimentos na obra do romanista Eugéne Petit, denominada 
Tratado Elemental de Derecho Romano (2007).
A tecnologia tem avançado, e o atual estágio tecnológico obriga a tolerância 
de uma espécie de servidão típica da sociedade moderna, que é aquela consis-
tente na passagem de cabos e tubulações, conforme os arts. 1.286 e 1.287 do 
Código Civil. O proprietário deverá permitir a instalação em seu imóvel de 
dutos e encanamentos que permitam a passagem de cabos ou outras instalações 
aos demais imóveis vizinhos. Dois direitos assistirão ao proprietário do imóvel 
onerado: o ressarcimento pela desvalorização da área remanescente, o que 
deverá ser judicialmente demonstrado, e a realização de toda e qualquer obra 
de segurança para que as pessoas e bens do imóvel onerado fiquem indenes.
Destina-se uma longa Seção do Código Civil para tratar das águas no direito 
de vizinhança, como se constata entre os arts. 1.288 e 1.296. A extensão demons-
tra a importância desse recurso, não apenas como possibilidade de desarmonia 
entre vizinhos, mas como necessidade de se evitar desastres ecológicos.
O prédio inferior deverá receber as águas que venham do prédio superior, 
desde que estas fluam naturalmente. Vedam-se obras realizadas pelo dono do 
prédio inferior que obstruam a descida da água (o que acarretaria alagamento 
no imóvel superior), assim como não poderá o dono do imóvel superior realizar 
obras que aumentem ou direcionem o fluxo de água e que poderão causar 
prejuízos ao imóvel inferior.
309Direito de vizinhança e condomínio
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O art. 1.289 do Código Civil estabelece que as águas artificialmente le-
vadas ao imóvel superior que causem prejuízos ao imóvel inferior deverão 
ser desviadas, e os prejuízos, ressarcidos. Esse é o fundamento usado para a 
discussão entre vizinhos quando, em prédios de apartamentos, o apartamento 
superior causa infiltração no apartamento inferior.
Pontes de Miranda (2012) recorda a Resolução Régia de 1775, que já dis-
punha que as águas nascidas em imóvel, ou por ele atravessadas, poderiam 
ser usadas pelo proprietário até a satisfação de suas necessidades. Entretanto, 
como comenta Venosa (2005), os arts. 1.290 e 1.291 do Código Civil de 2002 
estabelecem que as águas remanescentes deverão fluir para os prédios inferiores 
e não poderão ser poluídas.
O proprietário de imóvel superior poderá construir barragens ou açudes 
de represamento, indenizando os lindeiros caso o transbordamento de água 
cause prejuízo aos lindeiros inferiores, conforme art. 1.292 do Código Civil. 
Igualmente será lícita a construção de canais ou aquedutos em imóveis lindei-
ros, preferencialmente subterrâneos, para o recebimento de águas necessárias 
às primeiras necessidades humanas. A possibilidade de construção exige a 
prévia indenização dos prejuízos ocasionados. A possibilidade prevista nos 
arts. 1.293 e 1.294 do Código Civil permite àqueles que necessitem usar as 
águas supérfluas do aqueduto construído captarem a água para si, conforme 
se verifica nos arts. 1.295 e 1.296 do Código Civil.
A demarcação entre prédios é necessária não somente para o estabeleci-
mento do exercício de propriedade de cada unidade autônoma, mas também 
para o exercício correto do poder de polícia pelas autoridades públicas e a 
cobrança de tributos incidentes sobre os imóveis.
O proprietário poderá obrigar o vizinho a demarcar e instalar cercas, 
muros, tapumes divisórios, ou outras formas de demarcação na divisa entre os 
imóveis. Ambos deverão arcar com as despesas de instalação e manutenção da 
divisa, salvo se houver a necessidade de algum cercamento especial em razão 
de animais de pequeno porte. Nessa hipótese, conforme o parágrafo terceiro 
do art. 1.297 do Código Civil, apenas o proprietário dos animais arcará com 
o custo do cercamento.
Havendo dúvida quanto aos limites dos imóveis, a fração de área con-
testada será dividida por igual ou, não sendo possível, um dos vizinhos 
indenizará o outro e ficará com a parte contestada, nos termos do art. 1.297 
do Código Civil.
O proprietário tem o direito de construir em seu imóvel, desde que respei-
tadas as prescrições administrativas, que visam à proteção do bem comum, 
e as regras do direito de vizinhança, que buscam a proteção dos lindeiros.
Direito de vizinhança e condomínio310
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É vetada qualquer obra que invada a área lindeira e a instalação de aber-
turas de janelas, terraços ou varandas a menos de um metro e meio do terreno 
vizinho. Tampouco é permitido abrir janelas perpendiculares ou sem incidência 
direta sobre a linha divisória a menos de setenta e cinco centímetros desta. 
O legislador, no art. 1.301 do Código Civil, intenciona proteger a intimidade 
alheia. A exceção é a possibilidade de aberturas para luz ou ventilação não 
maiores de dez centímetros de largura sobre vinte de comprimento e construídas 
a mais de dois metros de altura de cada piso.
Em razão da aeração e da maior possibilidade de espaço, nas zonas rurais 
a distância da edificação aumenta para três metros do terreno vizinho.
Não será lícito encostar em parede divisória chaminés, fogões, fornos ou 
qualquer aparelho ou depósitos que possam prejudicar o vizinho ou causar 
infiltrações. Tampouco se poderão construir benfeitorias que possam poluir 
ou inutilizar nascentes ou poços d’água, ou mesmo colocar em risco de 
desmoronamento o imóvel vizinho. As prescrições dos arts. 1.308 a 1.311 
do Código Civil usualmente encontram respaldo no Código de Construção 
de cada cidade.
Recorde-se, porém, que o ingresso no terreno vizinho deverá ser to-
lerado pelo proprietário quando necessário para apanhar algum animal 
extraviado ou outros bens, assim como para a realização de limpezas, 
consertos ou reformas, cujo acesso apenas se poderá fazer pelo vizinho. 
A regra constante no art. 1.313 do Código Civil observa a realidade dos 
grandes centros urbanos.
Estrutura jurídica condominial
O condomínio poderá ter origem voluntária quando duas ou mais pessoas 
adquirem o mesmo bem, ou poderá ter origem forçada em decorrência de 
imposição legal. Ao contrário daquele decorrente da vontade dos condôminos, 
existirá o condomínioquando um bem herdado por vários herdeiros não 
comportar a cômoda divisão. Neste caso, será necessário condomínio em 
decorrência do direito sucessório.
A demarcação e a divisão interna de bem condominial constitui o con-
domínio pro diviso, mesmo que remanesçam áreas comuns, com cercas e 
limites determinados. Existem casos, porém, em que não há possibilidade, 
ao menos momentaneamente, de determinar os limites de propriedade ou 
de posse de cada um dos coproprietários, como nos imóveis adquiridos pela 
aquisição originária da usucapião.
311Direito de vizinhança e condomínio
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Os condôminos de edifícios de apartamentos exercem a propriedade pro diviso sobre 
a área de cada unidade autônoma, e a propriedade pro indiviso sobre as áreas comuns. 
Há, nessas situações, o exercício simultâneo das propriedades pro diviso e pro indiviso.
Necessariamente haverá um dos condôminos que exercerá a administra-
ção do bem pertencente a todos. O sistema não admite que todos exerçam 
a administração ao mesmo tempo. Nesse sentido, o Código Civil prescreve 
que o condômino que exercer a administração de fato, mesmo que não tenha 
sido eleito pelos demais, será considerado representante condominial para 
todos os efeitos, conforme o art. 1.324. Evidentemente, esse administrador 
poderá cobrar dos demais as despesas e custos havidos nessa administração, 
arcando com sua quota-parte.
A atual legislação admite a possibilidade de contratação de terceiros, 
estranhos ao condomínio, para o exercício da administração, conforme o art. 
1.323 do Código Civil. Nesse caso, a administração poderá ser exercida pelos 
chamados síndicos profissionais.
Para a escolha da administração, a decisão deverá ser por maioria absoluta 
dos condôminos, entendendo-se esta como mais da metade dos proprietá-
rios votando favoravelmente pela escolha de determinado administrador, 
conforme art. 1.325, § 1º, do Código Civil. Embora a lei prescreva que a 
maioria será calculada pelo quinhão de cada proprietário, os condomínios 
edilícios optam por dispor na convenção de condomínio que cada unidade 
autônoma representará um voto. Discussões judiciais sobre o tema foram 
pacificadas nos tribunais, entendendo-se que não há qualquer ilegalidade 
nessa disposição, mesmo que apartamentos com mais de um pavimento 
(quinhões maiores) sejam equiparados a apartamentos menores.
A forma de extinção do condomínio é a divisão, prevista no art. 1.320 
do Código Civil. Considerando que a copropriedade se estende no tempo, 
não há prescrição ou decadência do direito de requerer a ação de divisão de 
condomínio. Serão aplicados os mesmos dispositivos legais da partilha de 
herança, prevista nos arts. 2.013 e seguintes do Código Civil.
Observe, porém, que os condôminos poderão dividir a propriedade co-
mum de forma amigável por meio de escritura pública em cartório, desde 
que todos sejam maiores. Se não for possível a cômoda divisão, deverá a 
Direito de vizinhança e condomínio312
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coisa ser vendida, e os condôminos deverão ser indenizados conforme as 
respectivas quotas-partes. Isso não impede que um dos condôminos indenize 
os demais, extinguindo o condomínio.
Nos condomínios edilícios, é a convenção de condomínio que constituirá 
e prescreverá as principais estipulações da convivência comum, conforme 
art. 1.333 do Código Civil. Para ser oponível a terceiros, a convenção de 
condomínio necessariamente deverá ser registrada no cartório de registro 
de imóveis. Ainda que não registrada, porém, ela terá igual validade para 
os condôminos.
A Lei nº. 4.591/1964 traz disposições legais detalhadas sobre o condomínio em edifi-
cações, as quais complementam as disposições constantes no Código Civil.
Na convenção, que é uma espécie de constituição da copropriedade, deverão 
constar a discriminação e a individualização das unidades autônomas e áreas 
comuns, isto é, a fração ideal das partes comuns atribuíveis a cada unidade 
exclusiva e os fins destas unidades.
Constarão também na convenção: as quotas proporcionais e a forma de 
pagamento das contribuições ordinárias e extraordinárias para a manuten-
ção da coisa comum; a forma de administração, a competência, a forma de 
convocação e os quoruns das assembleias condominiais; as sanções a que 
estão sujeitos os condôminos pela desobediência às regras condominiais; e o 
regimento interno, que disciplinará o dia-a-dia da convivência.
Observe que, para a aprovação da convenção de condomínio, são neces-
sários os votos de dois terços das frações ideais do bem condominial, em 
assembleia especialmente convocada para esse fim. Inexistindo previsão 
específica na Convenção, o regimento interno poderá ser aprovado por 
maioria simples dos presentes em assembleia igualmente convocada para 
o fim de sua aprovação.
O órgão deliberativo máximo do condomínio é a assembleia geral de 
condôminos, equivalente ao Poder Legislativo. Todos os condôminos deverão 
ser previamente convidados a participar das assembleias e cientificados 
313Direito de vizinhança e condomínio
Legislacao_Civil_Aplicada_II_Book.indb 313 22/05/2018 13:31:57
das matérias que serão discutidas e deliberadas, sob pena de nulidade. 
Anualmente a Assembleia deverá se reunir por convocação do síndico, para 
deliberar assuntos gerais, aprovar as contas e dispor sobre a manutenção e 
a conservação do bem comum.
Caso o síndico não convoque a assembleia, esta poderá ser convocada por 
um quarto das frações ideais ou, inexistindo o quorum mínimo para a con-
vocação, por decisão judicial requerida por qualquer condômino, nos termos 
dos parágrafos primeiro e segundo do art. 1.350 do Código Civil.
O síndico representa o Poder Executivo do condomínio. Além de admi-
nistrar o condomínio em nome dos demais coproprietários e por deliberação 
da assembleia geral, representará ativa e passivamente em juízo. A sua 
representação poderá ser por até dois anos, conforme art. 1.347 do Código 
Civil, embora recomendável e mais usual seja a eleição anual do síndico. É 
possível a reeleição.
O síndico, não obstante a possibilidade de delegar algumas de suas 
tarefas, exerce uma série de funções, responsabilizando-se pessoalmente 
por sua culpa ou dolo, competindo-lhe as seguintes tarefas: convocar a 
assembleia dos condôminos; representar, ativa e passivamente, o condo-
mínio, praticando, em juízo ou fora dele, os atos necessários à defesa dos 
interesses comuns; dar imediato conhecimento à assembleia da existência 
de procedimento judicial ou administrativo, de interesse do condomínio; 
cumprir e fazer cumprir a convenção, o regimento interno e as determi-
nações da assembleia; diligenciar a conservação e a guarda das partes 
comuns e zelar pela prestação dos serviços que interessem aos possuidores; 
elaborar o orçamento da receita e da despesa relativa a cada ano; cobrar 
dos condôminos as suas contribuições, bem como impor e cobrar as mul-
tas devidas; prestar contas à assembleia, anualmente e quando exigidas; 
realizar o seguro da edificação.
Por se tratar de cargo de confiança e delegação dos demais condôminos, 
poderá ser destituído de suas funções por maioria absoluta de votos em as-
sembleia especialmente convocada para o fim, assegurados o princípio do 
contraditório e a ampla defesa ao síndico antes de sua eventual destituição.
Direito de vizinhança e condomínio314
Legislacao_Civil_Aplicada_II_Book.indb 314 22/05/2018 13:31:57
1. Haverá a comunhão de direitos 
quando várias pessoas possuírem 
direitos idênticos sobre a mesma 
coisa ou conjunto de bens. Qual 
dessas alternativas se refere ao 
condomínio do direito das coisas?
a) A solidariedade é típica do 
direito das coisas, pois serão 
os condôminos solidários 
no pagamento dos tributos 
incidentes sobre o imóvel.
b) No Direito Romano se 
compreendia o condomínio 
como a propriedade exercida 
por cada condômino sobre o 
todo, não em forma de quotas.c) A parte ideal de um bem 
em condomínio representa 
uma abstração jurídica.
d) O condomínio é sempre 
uma opção, não se podendo 
obrigar o proprietário a ter 
bem em condomínio.
e) No condomínio pro diviso existe 
mera aparência de condomínio, 
porque os comunheiros têm suas 
partes definidas; no pro indiviso 
a indivisibilidade não é apenas 
de direito, mas também de fato.
2. Carmela plantou uma macieira 
exatamente sobre a divisa com 
o terreno de Renato. Qual das 
respostas está incorreta?
a) Mesmo considerando que 
foi Carmela quem plantou a 
árvore, ambos deverão custear o 
tratamento e poda da macieira.
b) Chama-se de árvore-meia.
c) Os frutos caídos no terreno de 
Renato não poderão ser colhidos 
e comidos sem a autorização 
de Carmela, que também 
é proprietária da árvore.
d) A possibilidade de colheita 
dos frutos caídos contraria 
a regra em que o acessório 
segue o principal.
e) O proprietário lindeiro poderá 
cortar as raízes e ramos da 
árvore do vizinho que ingressar 
em sua propriedade.
3. O vizinho do apartamento superior 
contratou plano de internet, 
cujos cabos deverão passar pelo 
apartamento de baixo. Qual 
das alternativas é a correta?
a) O vizinho de baixo poderá se 
opor à instalação e o vizinho 
de cima deverá achar outro 
meio de contratar a internet.
b) Essa restrição ao direito de 
propriedade assemelha-se 
à servidão administrativa.
c) O proprietário de cima, por 
sua conveniência, escolherá o 
local de passagem dos cabos 
que melhor lhe aprouver.
d) Mesmo sendo a administração 
pública quem instalará os cabos, 
aplicam-se exclusivamente 
as regras do Código Civil.
e) Quem determina o uso de regras 
e equipamentos de segurança 
na instalação é o dono da obra.
315Direito de vizinhança e condomínio
Legislacao_Civil_Aplicada_II_Book.indb 315 22/05/2018 13:31:58
BRASIL. Lei nº. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Diário Oficial [da] 
República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 11 jan. 2002. Disponível em: . Acesso em: 9 maio 2018. 
GONÇALVES, C. R. Direito Civil brasileiro: Direito das Coisas. São Paulo: 2012. v. 5.
MIRANDA, P. Direito das Coisas: direitos de vizinhança. São Paulo: Revista dos Tribunais, 
2012. (Coleção Tratado de Direito Privado: Parte Especial; 13). 
PETIT, E. Tratado elemental de Derecho romano. México: Porrúa, 2007.
VENOSA, S. S. Direito Civil: direitos reais. São Paulo: Atlas, 2005.
Leitura recomendada
WOLKMER, A. C. (Org). Fundamentos de história do Direito. 8. ed. Belo Horizonte: Del 
Rey, 2014. 
4. Num condomínio pro diviso, 
um condômino construiu sua 
casa desconsiderando uma 
regra básica em relação aos 
seus vizinhos lindeiros. Qual 
regra foi desconsiderada? 
a) O vizinho construiu a sua 
varanda a apenas um metro 
e meio da divisa do lindeiro.
b) A construção das calhas 
despeja as águas diretamente 
no esgoto pluvial.
c) O condômino levantou 
contramuro em sua 
propriedade, impedindo 
a claridade no lindeiro.
d) Sendo a hipótese de um 
condomínio rural, estaria correto 
o vizinho construtor se sua 
edificação estivesse a mais de 
três metros do imóvel lindeiro.
e) O lindeiro construiu uma 
abertura para ventilação a 
um metro da divisa, com 
uma pequena janela de 12 
centímetros de largura e 22 
centímetros de comprimento.
5. É permitida a seguinte ação 
pelo proprietário lindeiro:
a) utilizar-se de toda a espessura 
da parede comum, desde que 
não atrapalhe o vizinho. 
b) construir lareira na parede 
comum, independentemente 
do tamanho desta.
c) a construção de sumidouro 
próximo a nascentes de água.
d) ingressar no imóvel do vizinho 
para a limpeza e manutenção de 
pontos específicos de sua casa.
e) construir janelas e muros 
a qualquer distância 
do imóvel lindeiro.
Direito de vizinhança e condomínio316
Legislacao_Civil_Aplicada_II_Book.indb 316 22/05/2018 13:31:58
http://planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm
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Conteúdo:
DIREITO 
ADMINISTRATIVO 
Cássio Vinícius Steiner de Sousa
Desapropriação
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Definir desapropriação e suas modalidades.
  Descrever o procedimento da desapropriação.
  Relacionar as principais características da desapropriação.
Introdução
A possibilidade de que o Poder Público intervenha na propriedade privada 
está disposta na Constituição Federal e consiste em uma relativização 
peculiar ao direito fundamental de propriedade. Nesse contexto, é possível 
distinguir, entre as modalidades de intervenção estatal, aquelas que são 
mais ou menos gravosas. A mais gravosa das modalidades de intervenção 
do Estado na propriedade privada é a intervenção. Em essência, trata-
-se do instituto administrativo por meio do qual — ocorrendo caso de 
necessidade, utilidade pública ou interesse social — o Poder Público 
acaba por retirar a propriedade do particular, mediante justa e prévia 
indenização, transferindo-a ao patrimônio público.
Neste capítulo, você vai ler sobre o conceito, as modalidades, o pro-
cedimento e as características da desapropriação. 
Conceito de desapropriação
O direito de propriedade tem sede constitucional e garante ao proprietário 
a possibilidade de usar, gozar ou dispor do seu bem. Além disso, o nosso 
ordenamento jurídico também prevê uma série de mecanismos conferidos ao 
proprietário para protegê-la contra atos de terceiros. Apesar disso, o direito de 
propriedade não se trata de um direito absoluto. Isso ocorre porque a própria 
Constituição Federal prevê uma série de circunstâncias em que o direito de 
propriedade é relativizado, em face do interesse público. 
Em grande medida, tal relativização se concretiza mediante a intervenção 
estatal na propriedade privada, corporificada na possibilidade de retirar ou 
utilizar bens particulares em nome da necessidade, da utilidade ou do interesse 
público (art. 5º, XXIV e XXV) (BRASIL, 1988). Em suma, caso estejam 
satisfeitas as condições estipuladas por lei — em nome do bem comum —, é 
possível intervir na propriedade particular. 
Sobre os modos pelos quais o Estado pode intervir na propriedade privada, a doutrina 
costuma distingui-las em duas categorias: a intervenção de restritiva ou de uso e a 
intervenção supressiva. Em essência, tal distinção diz respeito ao próprio caráter da inter-
venção na ordem da propriedade privada. Nesse contexto, enquanto a intervenção de 
uso é menos gravosa e tem caráter meramente transitório, a intervenção supressiva 
é mais drástica, possuindo caráter permanente (ALEXANDRINO; PAULO, 2017, p. 1122). 
Entre as modalidades supressivas de intervenção na propriedade privada, a 
desapropriação tem papel destacado (art. 5º, XXIV) (BRASIL, 1988). Com relação 
ao seu conceito, Hely Lopes Meirelles ensina que: 
[...] desapropriação ou expropriação é a transferência compulsória da proprie-
dade particular (ou pública de entidade de grau inferior para a superior) para 
o Poder Público ou seus delegados, por utilidade ou necessidade pública ou, 
ainda, por interesse social, mediante prévia e justa indenização em dinheiro 
[...] (MEIRELLES, 2016, p. 728). 
Na mesma linha, Maria Sylvia Zanella Di Pietro afirma que se trata do “[...] 
procedimento administrativo pelo qual o Poder Público ou seus delegados, mediante 
prévia declaração de necessidade pública, utilidade pública ou interesse social, 
impõe ao proprietário a perda de um bem, substituindo-o em seu patrimônio por 
justa indenização” (DI PIETRO, 2018, p. 1.180). Em suma, a desapropriação con-
siste em modalidade de intervenção estatal por meio da qual o Poder Público, em 
certas condições, toma a propriedade do particular, mediante indenização prévia.
Sobre os requisitos constitucionais da desapropriação, conforme o art. 
5º, XXIV, é importante abordarmos quatro,a saber: 
1. necessidade pública;
2. utilidade pública;
Desapropriação2
3. interesse social;
4. justa e prévia indenização. 
Com relação aos três primeiros requisitos, basta que um deles esteja 
satisfeito para que o Poder Público esteja autorizado a desapropriar a pro-
priedade privada. Vejamos cada um em detalhes a seguir. 
Necessidade pública 
Consiste nos casos em que — para resolver de modo apropriado um certo 
problema urgente — o Poder Público precisa lançar mão de bem particular. 
De modo mais elaborado, Hely Lopes Meirelles entende que ela “[...] surge 
quando a Administração defronta situações de emergência, que, para serem 
resolvidos satisfatoriamente, exigem a transferência urgente de bens de terceiros 
para o seu domínio e uso imediato” (MEIRELLES, 2016, p. 738). Assim, não 
basta que a solução da situação emergencial seja possível com o mero uso da 
propriedade, pois, nesse caso, não será preciso se valer de uma modalidade 
de intervenção tão drástica quanto a desapropriação, podendo ser realizada 
por modalidades menos gravosas para o proprietário do bem. A título de 
exemplo, citamos a necessidade de desapropriar um determinado bem em 
face de questão que envolva a segurança nacional. 
Utilidade pública 
Trata-se de casos em que — embora não urgente — a desapropriação é conve-
niente para o Poder Público. No mesmo sentido, Hely Lopes Meirelles assevera 
que é cabível quando “[...] a transferência de bens de terceiros para a Adminis-
tração é conveniente, embora não seja imprescindível” (MEIRELLES, 2016, 
p. 738). Assim, se o Poder Público entender que um certo bem privado poderia 
ter uma destinação pública, ele poderá ser desapropriado. A título de exemplo, 
citamos a desapropriação de um certo imóvel para transformá-lo em uma escola 
ou a desapropriação de um certo terreno para a construção de um hospital. 
Interesse social 
Além de prever o direito de propriedade, a Constituição Federal também es-
tabelece que esta deverá atender à sua função social (art. 5º, XXV) (BRASIL, 
1988). Nesse contexto, tendo em vista a consecução do interesse social, o Poder 
Público poderá desapropriar bens particulares. Quanto a isso, Hely Lopes 
3Desapropriação
Meirelles afi rma que “[...] o interesse social ocorre quando as circunstâncias 
impõem a distribuição ou o condicionamento da propriedade para seu melhor 
aproveitamento, utilização ou produtividade em benefício do Poder Público” 
(MEIRELLES, 2016, p. 738). Com relação a isso, destacamos que — dife-
rentemente das hipóteses de mencionadas — a desapropriação por interesse 
social não tem por destinatário do bem o próprio Poder Público, mas como 
benefi ciário o próprio povo. Em outras palavras, o Estado não desapropria um 
bem por interesse social para usufruir ele mesmo de sua propriedade, mas para 
concedê-la ao próprio povo. A título de exemplo, citamos a desapropriação 
com vistas à construção de casas populares ou com fi ns de reforma agrária. 
Justa e prévia indenização 
A desapropriação de bem particular enseja o recebimento de indenização. 
Ademais, a indenização percebida pelo proprietário do bem desapropriado 
deverá ser justa e prévia. 
A indenização justa é aquela que, além de compreender o valor real do bem, também 
cobre os valores referentes aos danos emergentes e aos lucros cessantes oriundos da de-
sapropriação da propriedade privada. Nesse contexto, se a propriedade desapropriada 
for — em alguma medida — produtiva, a indenização deverá computar também tais 
valores. Já a indenização prévia é aquela paga antes do próprio ato de desapropriação. 
Assim, via de regra, não há de se falar em pagamento posterior à desapropriação. 
Outro ponto importante referente à indenização diz respeito ao modo 
como o pagamento é efetuado. Nesse contexto, via de regra, conforme os arts. 
5º, XXIV, e 182, § 3º, da Constituição Federal, a indenização será realizada 
mediante pagamento em dinheiro. Porém, a desapropriação de imóveis rurais 
com vistas à reforma agrária e os imóveis urbanos em desacordo com o plano 
diretor serão indenizados por meio do pagamento de títulos. Nesse caso, 
enquanto os imóveis rurais serão pagos mediante títulos da dívida agrária 
(art. 182) (BRASIL, 1988), os imóveis urbanos serão pagos mediante títulos 
da dívida pública (art. 182, § 4º) (BRASIL, 1988).
Desapropriação4
Com relação aos bens sujeitos à desapropriação, via de regra, se um bem 
é suscetível de valoração patrimonial, então ele é desapropriável. Nesse 
contexto, os bens podem ser móveis ou imóveis, corpóreos ou incorpóreos. 
Com efeito, é possível desapropriar inclusive o espaço aéreo, o subsolo, as 
ações ou os direitos de sociedade. Porém, apenas o ente da federação no qual a 
propriedade está situada tem competência para desapropriá-la. Assim, a título 
de exemplo, um bem situado no Estado do Rio Grande do Sul não poderia 
ser desapropriado pela Administração Pública do Estado de Santa Catarina 
(ALEXANDRINO; PAULO, 2017, p. 1.177).
Embora a regra seja que os bens privados possam ser desapropriados, existem alguns 
bens insuscetíveis de desapropriação. Nesse contexto, citamos a moeda corrente e os 
direitos personalíssimos. No primeiro caso, tendo em vista que o próprio pagamento 
é realizado em dinheiro, não faria sentido desapropriar o dinheiro de um particular. 
No segundo caso, coisas como a honra, a dignidade e a liberdade não estão sujeitas 
à desapropriação por parte do Poder Público. 
Além disso, conforme a Súmula nº. 479 do Supremo Tribunal Federal (BRASIL, 2008), 
também não estão sujeitas à desapropriação as margens dos rios navegáveis. 
De acordo com o art. 22, II, da Constituição Federal, compete à União 
dispor sobre a desapropriação (BRASIL, 1988). Porém, conforme o parágrafo 
único do art. 22, mediante lei complementar, poderá haver autorização para 
que os demais entes da federação legislem sobre as questões específicas 
relacionadas à desapropriação.
Procedimento e classificação da desapropriação
No que diz respeito à classifi cação da desapropriação, distinguem-se as or-
dinárias e as extraordinárias. Na base da diferença, está a própria motivação 
ou fi nalidade que ensejou a execução da desapropriação. 
5Desapropriação
O processo de desapropriação — cuja disposição legal encontra-se no Decreto-
-Lei (DL) nº. 3.365, de 21 de junho de 1941 — pode ocorrer tanto pela via admi-
nistrativa quanto pela via judicial (BRASIL, 1941). Na base da diferença entre 
ambos, está a questão do acordo com relação aos valores a título de indenização pela 
desapropriação. Nesse contexto, se há acordo entre o Poder Público e o proprietário 
do imóvel, será desnecessário que o Poder Judiciário preste a tutela jurisdicional 
para definir os valores referentes à indenização. Dito isso, vejamos as bases do 
procedimento administrativo para posteriormente tratar do procedimento judicial.
De um ponto de vista estrutural, o procedimento administrativo de desapro-
priação possui duas fases distintas: a fase declaratória e a fase executória. De 
modo geral, enquanto na fase declaratória o Poder Público declara a intenção 
de concretizar a desapropriação de um certo bem, na fase executória, o Poder 
Público providencia tudo aquilo que é necessário para realizar efetivamente 
a transferência do bem particular para o patrimônio público. 
O pontapé inicial da fase declaratória é a chamada declaração expropria-
tória. Nela, além de o Poder Público declarar a intenção de desapropriar um 
determinado bem privado, também expressa as razões que ensejam a desa-
propriação, isto é, a necessidade, a utilidade pública ou o interesse social. Tal 
declaração, conforme o art. 6º do DL nº. 2.265/1941, compete ao Presidente da 
República, ao governador ou ao prefeito. Além disso, conforme o art. 8º da mesma 
Lei, também poderá o Poder Legislativo tomar a iniciativa da desapropriação, 
cumprindo, nesse caso, ao Executivo praticar os atos necessários à sua efetivação.
Com relação aos requisitos da declaração expropriatória, Marcelo Ale-
xandrinoafirma que deverá constar no decreto: “(a) a descrição precisa do 
bem a ser desapropriado; (b) a finalidade da desapropriação; (c) a hipótese 
A desapropriação ordinária tem como fundamento constitucional o art. 5º, XXIV. Em 
outras palavras, quando a desapropriação tem por objetivo atender a questões de 
necessidade pública, interesse social ou utilidade pública, ela será chamada de desa-
propriação ordinária. Assim, por exemplo, será chamada de ordinária a desapropriação 
com vistas à construção de um hospital ou uma escola. 
A desapropriação extraordinária tem seu fundamento constitucional nos arts. 182, § 4º, e 
184. Em outras palavras, ocorre quando a propriedade não está cumprindo devidamente a 
sua função social. Assim, citamos, por exemplo, o caso de propriedades rurais improdutivas 
ou imóveis urbanos em desconformidade com o plano diretor do município. 
Desapropriação6
legal descrita na lei expropriatória que autoriza a desapropriação que pretende 
executar” (ALEXANDRINO; PAULO, 2017, p. 1.142). Feito isso, poderá o 
Poder Público ingressar no bem particular, inclusive utilizando força policial, 
em caso de recusa do proprietário. Ademais, será realizada a perícia do bem 
para avaliar o valor a ser pago a título de indenização.
Finalizada a fase declaratória, cumpre ao Poder Público dar início à fase 
executória da desapropriação. Nela, a Administração Pública passa a agir com 
vistas à transferência do bem particular para o patrimônio público, garantindo o 
pagamento da indenização ao particular. Nesse contexto, se o proprietário aceita 
os termos e os valores propostos, a transferência é realizada pela via adminis-
trativa, caso contrário, será necessário realizar a transferência pela via judicial. 
Em caso de acordo em sede administrativa, concretiza-se a desapropriação, 
de modo que o bem é transferido da propriedade privada ao patrimônio público. 
Nesse contexto, a desapropriação é formalizada mediante instrumento público 
no registro competente e pagamento ao proprietário do valor a ser recebido 
a título de indenização.
Caso não haja acordo em sede administrativa, a concretização da desa-
propriação passa pela apreciação do Poder Judiciário. Nesse caso, compete 
ao Poder Público ingressar com ação de desapropriação. Com relação aos 
sujeitos processuais, atuará no polo ativo a pessoa política responsável pela 
expedição do decreto expropriatório ou, nos casos de autorização legal, a 
entidade da administração do serviço público. Já no polo passivo, atuará — 
necessariamente — o proprietário do bem. 
Com relação aos requisitos da inicial, o art. 13 do DL nº. 3.365/1941 estabe-
lece que a inicial, além dos requisitos previstos no Código de Processo Civil, 
conterá a oferta de preço e será instruída com um exemplar:
  do contrato;
  do jornal oficial que houver publicado o decreto de desapropriação;
  da sua cópia autenticada;
  da planta ou descrição dos bens e de suas confrontações. 
Ademais, o Ministério Público atuará em todos os processos de desapro-
priação. Recebida a inicial e ouvido o Ministério Público, abre-se o prazo para 
contestação por parte do proprietário. Com relação ao seu conteúdo, conforme 
o art. 20 do DL nº. 3.365/1941, a contestação só poderá versar sobre vício do 
processo judicial ou impugnação do preço; qualquer outra questão deverá ser 
decidida por ação direta. Em outras palavras, além de vícios formais — sus-
7Desapropriação
citando em preliminar de mérito —, o requerido poderá apenas se manifestar, 
a título de questão de mérito, sobre o valor proposto a título de indenização. 
Feito isso, caso haja concordância sobre o valor da indenização, o juiz 
homologará acordo, ordenando a expedição da desapropriação ao registro 
competente. Caso não haja acordo, o juiz decidirá conforme as provas produ-
zidas pelas partes e pelo perito responsável pela avaliação do bem. Da decisão 
proferida pelo juiz, caberá apelação com efeito devolutivo, quando interposta 
pelo expropriado, e também com o efeito suspensivo, quando interposta pelo 
expropriante (art. 28) (BRASIL, 1941). 
Outras características da desapropriação
A seguir, serão abordados o destino dos bens desapropriados e os institutos 
da retrocessão e da imissão provisória na posse. 
Destino dos bens
Em geral, com o advento da desapropriação, a propriedade é transferida para 
o patrimônio da entidade ligada ao ente público ou ao próprio ente público. 
Nesse caso, se o bem tiver destinação pública — como, por exemplo, para a 
instalação de uma secretaria —, o bem deixará de possuir natureza privada, 
adquirindo natureza jurídica de um bem público.
Outro ponto importante referente à destinação dos bens diz respeito à 
questão da aquisição. Nesse contexto, conforme a doutrina, a aquisição pode 
ser definitiva ou provisória. Será definitiva quando o bem for destinado ao 
benefício do próprio ente que efetuou a desapropriação, como, por exemplo, 
o caso da secretaria. Nos casos em que a desapropriação for efetuada pelo 
ente público em benefício de terceiros, ela será provisória. Isso ocorre, pois, 
após adquirir o bem mediante indenização, a propriedade será repassada a 
outrem. A título de exemplo de aquisição provisória, citamos os casos de 
desapropriação realizados com vistas à reforma agrária. 
Imissão provisória na posse
Em geral, apenas após a tramitação do procedimento de desapropriação e com o 
devido pagamento da indenização, o bem privado é transferido para o patrimônio 
público. Porém, pode ocorrer que — em função da urgência — o Poder Público não 
Desapropriação8
tenha tempo para esperar toda a tramitação do processo de desapropriação para 
fazer uso do bem. Para esses casos, existe o instituto da imissão provisória na posse.
Tendo isso em mente, o art. 15 do DL nº. 3.365/1941 estabelece duas condi-
ções para que o Poder Público assuma provisoriamente a posse do bem antes 
de finalizado o seu processo de desapropriação. Em primeiro lugar, como 
mencionado, deve ser comprovada a urgência por parte do Poder Público em 
desapropriar o bem do particular. Além disso, é necessário o pagamento prévio 
da indenização, a ser arbitrado pelo juiz conforme critérios legais. 
Quanto à imissão provisória na posse, se estiverem satisfeitos os requisitos legais, não 
cabe ao juiz negar o pedido do Poder Público. Ademais, chamamos a atenção para 
o fato de que, após decretada pelo juiz, a imissão deverá ser averbada no registro 
competente. 
Tredestinação
Marcelo Alexandrino afi rma que a tredestinação “ocorre [...] quando o Poder 
Público expropriante dá ao bem desapropriado uma destinação diferente daquela 
que estava prevista no decreto expropriatório” (ALEXANDRINO; PAULO, 2017, 
p. 1.194). Em outras palavras, se o Poder Público desapropria um determinado 
bem privado para uma fi nalidade específi ca e se o bem não é utilizado conforme 
consta no decreto expropriatório, então ocorre a tredestinação. 
Conforme a doutrina, podemos distinguir as espécies de tredestinação 
em duas categorias: as lícitas e as ilícitas. A tredestinação lícita ocorre, por 
exemplo, no caso de o Poder Público desapropriar um certo terreno com vistas 
à construção de um hospital, porém, em virtude do interesse público, acaba 
por construir uma escola. A tredestinação ilícita ocorre quando a destinação 
efetiva do bem não vai ao encontro do interesse público. 
Retrocessão
O instituto jurídico da retrocessão está disposto no art. 519 do Código Civil 
(BRASIL, 2002, documento on-line). Nele, temos que “[...] se a coisa expro-
priada para fi ns de necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, 
9Desapropriação
não tiver o destino para que se desapropriou, ou não for utilizada para em 
obras ou serviços públicos, caberá o expropriado direito de preferência, pelo 
preço atual da coisa”. 
O cabimento da retrocessão tem como pressuposto a ocorrência de uma tre-
destinação ilícita. Isto é, além de ocorrer desvio de finalidade no uso do bem 
desapropriado, tal desvio não deverá atender aointeresse público. Assim, se o bem 
não for utilizado em absoluto ou utilizado para finalidade diversa da estipulada no 
decreto expropriatório e não condizente com o interesse público, caberá a retroces-
são. Nesse caso, cumprirá ao Poder Público ofertar o bem ao antigo proprietário 
para que ele possa praticar o direito de preferência na aquisição do imóvel.
Desistência da desapropriação
A desistência ocorre quando os motivos que ensejaram a desapropriação deixem 
de subsistir e o processo de desapropriação ainda está em curso. Nesse caso, 
o Poder Público poderá declarar a desistência da desapropriação no próprio 
curso do processo, permanecendo o bem com o seu proprietário. Quanto a 
isso, não compete ao expropriado escolher se aceitará ou não o bem, isto é, 
não é admitido que ele se oponha à desistência.
ALEXANDRINO, M.; PAULO, V. Direito Administrativo descomplicado. 25. ed. São Paulo: 
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BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Promulgada em 5 de 
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BRASIL. Decreto-Lei nº. 3.365, de 21 de junho de 1941. Diário Oficial [da] República 
Federativa do Brasil, Brasília, DF, 18 jun. 1941. Disponível em: http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del3365.htm. Acesso em: 09 out. 2019.
BRASIL. Lei n°. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Diário Oficial 
[da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 11 jan. 2002. Disponível em: http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm. Acesso em: 09 out. 2019.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso extraordinário 331.086-1 Paraná. Desa-
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Desapropriação10
DI PIETRO, M. S. Z. Direito Administrativo. 31. ed. São Paulo: Atlas, 2018.
MEIRELLES, H. L. Direito Administrativo brasileiro. 42. ed. São Paulo: Malheiros, 2016.
Leituras recomendadas
CARVALHO FILHO, J. S. Manual de Direito Administrativo. 27. ed. São Paulo: Atlas, 2014. 
PESTANA, M. Direito Administrativo brasileiro. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.
SANTANNA, G. Direito Administrativo. 4. ed. Porto Alegre: Verbo Jurídico, 2015. (Série 
Objetiva). 
ZIMMER JUNIOR, A. Curso de Direito Administrativo. 3. ed. Rio de Janeiro: Método, 2009.
11Desapropriação
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