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IMUNOLOGIA SISTEMA COMPLEMENTO Clara Herédia de Sá - XXIX O que é? É um sistema de proteínas solúveis, produzidas pelo fígado e que estão presentes no sangue, linfa e fluidos extracelulares. O que faz? Sua principal função é a OPSONIZAÇÃO, revestindo patógenos, convocando fagócitos e auxiliando a fagocitose, além de poderem matar diretamente os microrganismos (formação da MAC). Como atua? Sua ativação envolve cascatas proteolíticas, nas quais uma enzima precursora inativa, chamada de zimogênio, é alterada para se tornar uma protease ativa que cliva e, assim, induz a atividade proteolítica da próxima proteína do complemento na cascata. As cascatas enzimáticas resultam em significativa amplificação da quantidade de produtos proteolíticos que são gerados. Esses produtos realizam as funções efetoras do sistema complemento. ● OBS: plasminas podem liberar anafilatoxinas!! COMPONENTES Componente 3 (C3) > OPSONIZAÇÃO ● O principal da via de ativação alternativa. ● Convertases: iC3Bb, C3bBb, C4bC2b, C3bC2b... ● Realiza a fixação do complemento. Clivado em: ○ C3a: partícula menor liberada, funciona como quimiocina (recrutar células efetoras, principalmente fagócitos) e anafilatoxina (induz choque anafilático por meio da degranulação dos mastócitos e basófilos, liberando heparina e histamina em grande quantidade). ○ C3b: partícula maior que se liga à superfície do patógeno, marcando-o para a destruição por fagócitos (opsonização). ■ É um dos fragmentos que se liga aos receptores do macrófago (receptor 1 do complemento ou CR1). ● Seu diferencial é uma única e potente ligação tioéster dentro da glicoproteína. ○ tioéster ● Entra na circulação inativado, com sua ligação tioéster estabilizada e protegida no interior hidrofóbico da proteína. ● Ao ser clivado em C3a e C3b, a ligação tioéster é exposta e torna-se sujeita a ligar-se em substâncias das superfícies dos patógenos, ligando-se a eles (C3b). ○ Obs: a maioria das ligações tioéster dos fragmentos é hidrolisada pela água, apenas uma minoria reagirá com grupos hidroxila e amino das moléculas da superfície do patógeno. Componente 5 (C5) > FORMAÇÃO DO MAC ● Inicia a formação do MAC (complexo de ataque à membrana), para formar poros e lisar a célula. ● Convertases: C3b2Bb (alternativa), C4bC2bC3b (clássica/das lectinas). ● É clivado pela C3b2Bb (convertase de C5) em C5a e C5b. ○ C5a: induzem choque anafilático (anafilatoxina). Induzem a degranulação dos mastócitos e basófilos, liberando heparina e histamina em grande quantidade. Atua como quimiotático. ○ C5b: fixa-se à membrana para a formação do MAC. Complexo de ataque à membrana (MAC) ● Clivagem do C5 pelas convertases C5 alternativas (C3b2Bb) e clássicas/das lectinas (C4bC2bC3b). ● Fixação do C5b à membrana do patógeno. ● Em seguida, C6 e C7 ligam-se ao C5b, formando uma “base”, C8 perfura e C9 polimeriza o poro. ● C9 forma um canal transmembranoso, abrindo um poro na célula do patógeno e permitindo sua lise. ● Por que o MAC não é formado nas nossas células? ○ Quase todas as células do nosso organismo possuem fatores como o ácido siálico, que atraem fatores regulatórios que impedem a ação do complemento. Ex: fator H que atrai o fator I. VIAS DE ATIVAÇÃO ● OBS: todas as vias são destinadas à produção de C5-convertases para início do MAC, e C3-convertases para a clivagem e C3b e opsonização. Via alternativa ● 1ª via a agir, uma das principais do sistema imune inato. ● Seu componente mais importante é o Componente 3 (C3). ● A ligação tioéster (exclusiva deste complemento) sofre hidrólise espontânea, formando o iC3 (C3 + H20). ● O C3b liga-se ao fator B, tornando-o suscetível à clivagem. ● O fator B é clivado pelo fator D, formando Ba (partícula menor, liberada) e Bb (partícula maior, continua fixada ao C3b). ● Com isso, é produzida a convertase C3 (C3bBb). ○ Convertases são as enzimas que clivam algum componente. No caso acima, cliva o C3. ● O C3Bb cliva o C3 em C3a e C3b. ● O C3b se liga, por meio de uma ligação covalente, à superfície do patógeno como opsonizante. ● Fator B se liga ao C3b na superfície do patógeno, sendo clivado novamente pelo fator D. ● Bb clivado liga-se ao C3b, formando C3bBb. ● São reações em cadeia, pois uma molécula de C3bBb pode fazer numerosas moléculas adicionais de C3bBb. ● OBS: o iC3b não tem atividade convertase, mas serve de ligante para receptores de macrófagos, facilitando a fagocitose. Via das lectinas ● É desencadeada pela ligação de polissacarídeos microbianos com um complexo de lectinas circulantes, chamadas lectinas ligadoras de manose (MBL). ○ O MBL tem avidez por carboidratos (manose) (bactérias gram+ /gram- / micobactérias/ leveduras/ vírus e parasitas). ● A ligação MBL - carboidrato ativa o MASP-2, que funciona como uma convertase C4. ● O MASP-2 cliva o C4 em C4a (anafilatoxina fraca) e C4b. ● Em seguida, o MASP-2 cliva o C2 em C2a (vasodilatadora) e C2b. ● C2b se liga ao C4b, formando o complexo C4bC2b. ○ Esse complexo (C4bC2b) também funciona como uma convertase C3. ● A C3 então é clivada em C3a e C3b, CONVERGINDO A VIA DAS LECTINAS E VIA ALTERNATIVA!!! ● Alguns C3b ligam-se à convertase C3 clássica (C4bC2b) para formar convertase C5 clássica (C4bC2bC3b). ● O próximo passo é a formação do MAC (complexo de ataque à membrana). Via clássica ● Só é ativada quando anticorpos estão ligados aos antígenos. ● C1 constitui-se de um complexo formado por C1q (parte ligante), C1r e C1s (proteases séricas). ● C1q liga-se aos anticorpos (somente IgM ou IgG!), ativando o C1r e C1s. ● C1s cliva C4 em C4a(anafilatoxina fraca) e C4b(se liga à superfície do patógeno). ● C1s cliva C2 em C2a(vasodilatador) e C2b (se liga ao C4b). ● C4b e C2b formam o complexo C4bC2b (C3-convertase clássica). ○ PONTO DE CONVERGÊNCIA ENTRE A VIA DAS LECTINAS E CLÁSSICA!! ● Convertase clássica cliva C3. ● Obs: convertases do C2 e C4: MASP-2 e C1s. ● Alguns C3b se ligam à C4bC2b para formar a C5-convertase clássica (C4bC2bC3b). ● O próximo passo é a formação do MAC. PROTEÍNAS REGULADORAS Properdina (fator P): estabiliza a C3-convertase (C3bBb), impedindo sua degradação por proteases por um curto período de tempo (para que não haja um processo inflamatório muito grave). Fator H: liga-se à C3b e atrai o fator I. Atraído por ácido siálico. Fator I: cliva C3b em iC3b, que não consegue se associar com o fator B, além de hidrolisar o C4b. Fator de aceleração e decaimento (DAF): liga-se ao C3b do C3bBb, causando sua dissociação e inativação da C3-convertase. Proteína do cofator de membrana (MCP): sua ligação ao C3b o torna suscetível à clivagem e inativação pelo fator I. SÍNTESE