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LEGISLAÇÃO PM PARA
FEITOS INVESTIGATÓRIOS
2
Curso Especial de Formação de Sargentos da PMBA - CEFS - 2020
Legislação PM para Feitos Investigatórios 
Conteudistas - 1° Ten PM José Américo Soares - André Abreu de Oliveira – Cb PM e Igor de Macedo Sena – Cb PM
SUMÁRIO
CARTA DE APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA 3
BLOCO I 
FUNDAMENTOS DA APURAÇÃO DISCIPLINAR MILITAR 4
TEMA 1 
CONHECIMENTOS ELEMENTARES PARA APURAÇÃO DISCIPLINAR MILITAR 5
1. NOÇÕES GERAIS SOBRE APURAÇÃO DISCIPLINAR MILITAR 5
2. TRANSGRESSÕES DISCIPLINARES MILITARES 7
3. PENALIDADES NO DIREITO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR MILITAR 9
3.1 Generalidades 9
3.2 Sanções disciplinares em espécie 9
3.2.1 Advertência 9
3.2.2 Detenção 10
3.2.3 Demissão 10
3.2.4 Cassação de proventos de inatividade 10
3.3 Circunstâncias agravantes e atenuantes na aplicação das sanções disciplinares 11
TEMA 2
ESPECIFICIDADES DA APURAÇÃO DISCIPLINAR MILITAR 13
4. PRESCRIÇÃO E ELISÃO NA APURAÇÃO DISCIPLINAR 13
5. DIFERENÇA ENTRE PROCESSO E PROCEDIMENTO DISCIPLINAR 15
6. ESPÉCIES DE OITIVAS NA APURAÇÃO DISCIPLINAR E SUAS PARTICULARIDADES 16
7. O PROCESSO DISCIPLINAR MILITAR 17
7.1 Conceito, finalidade e espécies do Processo Disciplinar Militar 17
7.2 Obrigatoriedade do advogado no Processo Disciplinar Militar 18
BLOCO II 
FEITOS INVESTIGATÓRIOS EM ESPÉCIE 20
TEMA 3 – PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES MILITARES 21
8. SINDICÂNCIA 21
8.1 Finalidade, fases, procedimentos e prazos na sindicância 21
9. INQUÉRITO TÉCNICO 26
9.1 Finalidade e características do Inquérito Técnico 26
9.2 Instauração, prazos e procedimentos no Inquérito Técnico 28
TEMA 4 – PROCESSOS DISCIPLINARES MILITARES 31
10 PROCESSO DISCIPLINAR SUMÁRIO (PDS) 31
10.1 Finalidade do Processo Disciplinar Sumário (PDS) 31
10.2 Fases, procedimentos e prazos no Processo Disciplinar Sumário (PDS) 31
REFERÊNCIAS 39
3
Curso Especial de Formação de Sargentos da PMBA - CEFS - 2020
Conteudistas - 1° Ten PM José Américo Soares - André Abreu de Oliveira – Cb PM e Igor de Macedo Sena – Cb PM
Legislação PM para Feitos Investigatórios
CARTA DE APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA
Caro(a) Aluno(a),
Com a almejada graduação de 1.º Sargento PM, surgem também novas e empolgantes 
responsabilidades e atribuições para o policial militar que irá ocupar esse cargo tão importante 
na estrutura da Polícia Militar. Entre essas atribuições, destacam-se aquelas relacionadas à 
apuração disciplinar, que o ocupante da graduação de 1.º Sargento PM deverá realizar através 
dos diversos feitos investigatórios previstos na legislação que rege a Polícia Militar da Bahia. 
Esses feitos investigatórios, por sua vez, nada mais são do que os procedimentos e processos 
disciplinares que servirão de instrumento para se chegar à verdade sobre determinado 
fato ocorrido que tenha reflexos na esfera disciplinar militar. No entanto, vale ressaltar 
que a apuração disciplinar militar possui procedimentos específicos, os quais deverão ser 
rigorosamente observados pelo seu encarregado. Isto porque, caso esses procedimentos não 
sejam respeitados na condução dos feitos investigatórios, isso poderá ocasionar a nulidade 
dos atos praticados e acarretar ainda a responsabilização do encarregado do feito.
É indispensável, então, que o Aluno do Curso de Formação de Sargentos PM tenha 
acesso aos conhecimentos necessários para uma apuração disciplinar satisfatória, que se 
concretizará através dos diversos feitos investigatórios. E é justamente essa a finalidade da 
disciplina Legislação PM para Feitos Investigatórios, isto é, proporcionar um processo de 
aprendizagem que possibilite a aquisição do conhecimento técnico e jurídico indispensáveis 
a uma condução adequada e correta dos feitos investigatórios inerentes aos seus futuros 
deveres funcionais de 1.º Sargento PM. Para isso, os estudos serão divididos em dois grandes 
blocos temáticos, que, por sua vez, serão subdivididos em dois temas, totalizando, assim, 
quatro temas, englobando os assuntos mais relevantes da matéria. Esperamos sinceramente 
que o curso seja bastante proveitoso, lembrando que a modalidade a distância exige 
dedicação, força de vontade e muita disciplina do aluno, mas temos plena certeza de que 
você conseguirá concluir com muito sucesso mais esta jornada em sua carreira. Ótimos 
estudos e boa sorte! 
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Curso Especial de Formação de Sargentos da PMBA - CEFS - 2020
Legislação PM para Feitos Investigatórios 
Conteudistas - 1° Ten PM José Américo Soares - André Abreu de Oliveira – Cb PM e Igor de Macedo Sena – Cb PM
BLOCO I
FUNDAMENTOS DA APURAÇÃO DISCIPLINAR MILITAR
Prezado(a) Aluno(a),
Com o intuito de facilitar a sistematização dos seus estudos, o conteúdo total da disciplina 
está dividido em dois grandes blocos temáticos. Estes blocos, por sua vez, estão subdivididos 
nos temas propriamente ditos, totalizando ao final quatro temas, visando a proporcionar uma 
melhor compreensão da matéria. Este Bloco I, como o próprio nome indica, contempla as 
bases da apuração disciplinar militar, englobando, no primeiro tema, algumas noções gerais 
acerca desse meio de apuração. Compreendem ainda o primeiro tema alguns conhecimentos 
sobre transgressões disciplinares militares, uma vez que o fato apurado na esfera disciplinar 
consiste justamente em uma infração dessa espécie. Além disso, esse primeiro tema trata 
também das sanções disciplinares no âmbito da Polícia Militar da Bahia, que serão aquelas 
penas destinadas ao policial militar que porventura venha a praticar uma conduta tipificada 
como transgressão disciplinar.
Já no segundo tema, que também está inserido neste Bloco I, estão alguns assuntos mais 
específicos da matéria, como a prescrição e a elisão e suas consequências na apuração 
disciplinar. Compõe também o segundo tema as principais diferenças entre o processo 
disciplinar (a exemplo do Processo Disciplinar Sumário) e o procedimento disciplinar (como 
a Sindicância). Serão também apresentadas as principais espécies de oitivas na apuração 
disciplinar e suas particularidades. Especificamente em relação ao processo disciplinar 
militar, serão estudados seu conceito, sua finalidade e suas espécies, bem como será 
verificada a obrigatoriedade do advogado nos processos disciplinares previstos no âmbito 
da Polícia Militar da Bahia. Serão esses, então, os conteúdos que trataremos no Bloco I da 
disciplina. Desejamos um excelente aprendizado!
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Curso Especial de Formação de Sargentos da PMBA - CEFS - 2020
Conteudistas - 1° Ten PM José Américo Soares - André Abreu de Oliveira – Cb PM e Igor de Macedo Sena – Cb PM
Legislação PM para Feitos Investigatórios
TEMA 1 
CONHECIMENTOS ELEMENTARES PARA APURAÇÃO DISCIPLINAR MILITAR
1. 1 NOÇÕES GERAIS SOBRE APURAÇÃO DISCIPLINAR MILITAR
Inicialmente, vale destacar que a apuração disciplinar militar nada mais é que uma 
investigação ou verificação minuciosa de algum fato ocorrido que tenha reflexos na esfera 
disciplinar militar. Esse fato a ser apurado disciplinarmente pode até mesmo ter acontecido 
fora do serviço policial-militar, mas desde que tenha afetado de alguma maneira o âmbito 
disciplinar militar. Exemplo disso é a prática de algum crime pelo policial militar, mesmo 
fora de serviço, que o torne incompatível em permanecer na Polícia Militar, como o delito 
de tráfico de drogas.
O instrumento utilizado para a apuração disciplinar será, a depender do caso, um 
procedimento disciplinar ou um processo disciplinar, que genericamente são denominados 
de feitos investigatórios. A diferença entre o processo disciplinar, que tem como exemplo o 
Processo Disciplinar Sumário (PDS), e o procedimento disciplinar, como a Sindicância, será 
vista no Tema 2 da disciplina. Por hora basta saber que feito investigatório é um gênero que 
engloba os diversos tipos de apuração disciplinar, seja ela um processoMilitar da Bahia diz respeito a quem pode 
ser encarregado nessa espécie de feito investigatório. Sobre esse aspecto, é importante 
saber que não há qualquer restrição em relação ao grau hierárquico do encarregado no 
dispositivo legal que regulamenta o Inquérito Técnico na PMBA, no caso o referido artigo 
18 do Suplemento LJNG n.º 034/95. Dessa maneira, no âmbito da PMBA, o encarregado do 
Inquérito Técnico tanto poderá ser um oficial quanto uma praça. Perceba-se, então, que não 
existe qualquer vedação para que o 1.º sargento PM seja encarregado de Inquérito Técnico 
na PMBA, diferentemente do que ocorre no Exército Brasileiro, instituição na qual esse tipo 
de feito tem necessariamente um oficial especialista como encarregado.
Acerca dos prazos no Inquérito Técnico, vale ressaltar que, no supracitado artigo 18 do 
Suplemento LJNG n.º 034/95, norma que regula esse feito investigatório na PMBA, não há 
referência a qualquer prazo para a apuração, seja para seu início pelo encarregado, seja para 
sua conclusão. Nesse caso, a autoridade competente é quem deverá determinar o prazo para 
início dos trabalhos na portaria de instauração do Inquérito Técnico. De igual forma, deverá 
constar nessa mesma portaria o prazo para a conclusão do feito pelo encarregado, assim 
como o prazo de uma possível prorrogação. Normalmente, tem-se utilizado como parâmetro 
o prazo estabelecido na norma de Inquérito Técnico do Exército Brasileiro, isto é, o prazo de 
30 (trinta) dias corridos para conclusão do feito pelo encarregado e de 10 (dez) dias corridos 
para prorrogação. Contudo, a autoridade competente não está obrigada a estabelecer 
esses mesmos prazos, podendo determiná-los de maneira diferente caso entenda ser mais 
conveniente à situação concreta, o que será definido na portaria de instauração do feito. 
Sendo assim, o prazo para conclusão do Inquérito Técnico, bem como o de sua prorrogação, 
será aquele definido na portaria pela autoridade instauradora, devendo o encarregado ter 
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Legislação PM para Feitos Investigatórios
bastante atenção em relação ao seu cumprimento.
Quanto à fase de instrução propriamente dita do Inquérito Técnico, no artigo 18 
do Suplemento LJNG n.º 034/95, estão alguns procedimentos a serem seguidos pelo 
encarregado. Conforme previsto nessa norma, o encarregado deve tomar as declarações de 
todos os envolvidos no fato a ser apurado, tais como o condutor da viatura, o condutor de 
outro veículo eventualmente envolvido no acidente e o de testemunhas, incluindo os outros 
policiais militares que porventura componham a guarnição. Essas declarações devem ser 
reduzidas a termo escrito, originando os denominados Termos de Declarações e Termos de 
Inquirição de Testemunhas, buscando se obter o máximo de informações e detalhes acerca 
do fato investigado através desses depoimentos colhidos. Lembrando mais uma vez que não 
devemos tratar nem o condutor da viatura nem os demais PMs envolvidos como acusados. 
Em relação à perícia técnica, incluindo-se aqui a vistoria (feita depois de já removido 
o veículo do local do sinistro), é conveniente que seja realizada pelo Departamento de 
Polícia Técnica (DPT). Nessa hipótese, o encarregado deverá juntar o laudo pericial aos 
autos do Inquérito Técnico, analisando-o minuciosamente, já que essa prova pericial será 
bastante importante para o esclarecimento dos fatos apurados, examinando-a em conjunto 
com as demais provas produzidas. Por outro lado, não sendo possível a realização de 
perícia (ou vistoria) por perito oficial do DPT, deverá ser nomeada uma comissão de peritos 
para realização desse exame pericial, segundo disposto no inciso II do § 2.º do art. 18 do 
Suplemento LJNG n.º 034/95. O Código de Processo Penal Militar (CPPM), em seu artigo 318, 
dispõe que: “As perícias serão, sempre que possível, feitas por dois peritos, especializados 
no assunto ou com habilitação técnica, observado o disposto no art. 48.” Este artigo 48, por 
sua vez, em seu caput, traz a seguinte regra: “Os peritos ou intérpretes serão nomeados 
de preferência dentre oficiais da ativa, atendida a especialidade.” Entendemos que essas 
regras do CPPM podem ser utilizadas, por analogia, na nomeação da supracitada comissão 
de peritos não oficiais.
Também é conveniente que o encarregado, sempre que 
possível, dirija-se ao local do acidente, fotografando e/ou 
confeccionando desenhos (croquis) de tudo que pareça ser 
relevante para a elucidação dos fatos. É necessário ainda 
que o encarregado junte aos autos três orçamentos, no 
mínimo, de cada veículo envolvido no acidente objeto da 
apuração. Com base nesses orçamentos, será possível mensurar os danos provenientes do 
sinistro. Deverá também juntar o Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV) 
referente a cada veículo implicado no acidente, assim como o mapa de viatura (antigo 
Boletim Diário de Movimentação de Viatura). A maior parte dessas providências está disposta 
no § 2.º do art. 18 do Suplemento LJNG n.º 034/95.
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Legislação PM para Feitos Investigatórios 
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Por fim, tendo concluído todas as etapas descritas da apuração, o encarregado deverá 
confeccionar um parecer conclusivo. Nesse documento, ele descreverá todas as diligências 
realizadas, destacando os pontos mais importantes de cada uma delas, a mensuração dos 
danos materiais e as prováveis causas e circunstâncias do acidente. Concluirá, então, se 
existiu culpa (imprudência, negligência ou imperícia) por parte dos envolvidos ou se o sinistro 
foi decorrente exclusivamente de caso fortuito ou força maior, ou ainda se foi decorrente 
de uma combinação de alguns desses fatores, determinando-se, assim, a responsabilidade 
pessoal, se for esse o caso. Finalizada a apuração, o encarregado encaminhará os autos do 
Inquérito Técnico à autoridade competente, que o solucionará, remetendo-o para o Diretor 
do Departamento de Apoio Logístico (DAL), para fins de homologação dessa decisão proferida.
Cumprimos, assim, mais uma etapa da nossa disciplina, 
com a conclusão do terceiro tema proposto, passando a 
estudar os feitos investigatórios propriamente ditos. Nessa 
perspectiva, vimos, então, duas espécies de procedimentos 
investigatórios previstos no âmbito da Polícia Militar da 
Bahia: a Sindicância e o Inquérito Técnico. Em relação à 
Sindicância, examinamos a sua finalidade, as fases que a 
compõem, os seus procedimentos e os prazos previstos 
para sua conclusão e para uma possível prorrogação. Em 
seguida, estudamos o Inquérito Técnico, compreendendo 
sua finalidade, características, especificidades de sua 
instauração, prazos e procedimentos. Parabéns por ter 
concluído mais essa fase do curso! Mas não acabou, vamos 
adiante!
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TEMA 4 
PROCESSOS DISCIPLINARES MILITARES
10. PROCESSO DISCIPLINAR SUMÁRIO (PDS)
 10.1 Finalidade do Processo Disciplinar Sumário (PDS)
De acordo com o disposto no § 3.º do artigo 60 da 
Lei Estadual n.º 7.990, de 27 de dezembro de 2001, 
a finalidade do Processo Disciplinar Sumário é apurar 
transgressão disciplinar que seja punível, em tese, com 
as penas disciplinares de advertência ou de detenção. 
Recorde-se, então, como já visto anteriormente, que 
o PDS é uma das duas espécies de processo disciplinar 
militar previstas na Polícia Militar da Bahia, sendo ele 
destinado à apuração de faltas disciplinares leves ou 
médias.
Por isso mesmo, como será constatadoadiante, o 
Processo Disciplinar Sumário tem um procedimento 
mais simplificado quando comparado ao Processo 
Administrativo Disciplinar (PAD), este último reservado 
para apuração de faltas disciplinares mais graves. Aliás, a própria denominação do PDS já 
indica essa característica, no vocábulo sumário, que significa algo feito resumidamente e 
sem maiores formalidades. De qualquer forma, lembre-se que se trata de um processo, 
ainda que menos complexo, exigindo, assim, a observância de determinadas regras, como a 
garantia ao acusado do exercício da ampla defesa e do contraditório. 
 10.2 Fases, procedimentos e prazos no Processo Disciplinar Sumário
O Processo Disciplinar Sumário possui um rito, que deverá ser observado pelo seu 
encarregado, composto pelas fases elencadas no caput do artigo 61 da Lei Estadual n.º 
7.990/2001 (Estatuto dos Policiais Militares do Estado da Bahia). Essas fases são as seguintes: 
publicação da portaria; citação; defesa inicial; instrução; defesa final; relatório; julgamento. 
A publicação da portaria em boletim geral ostensivo (BGO) ou boletim interno ostensivo 
(BIO), conforme o caso, realizada pela autoridade disciplinar competente, nada mais é do 
que o momento da instauração propriamente dita do Processo Disciplinar Sumário. Por sua 
vez, a instauração, nos dizeres de Assis (2008, p. 279), “é a apresentação escrita dos fatos 
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e indicação do Direito que ensejaram o processo”. Essa apresentação dos fatos a serem 
apurados e indicação do direito, inclusive com a descrição do dispositivo legal supostamente 
violado, deverá vir expressa na portaria expedida pela autoridade competente.
Também é por meio da portaria que a autoridade competente designará o policial 
militar que conduzirá o Processo Disciplinar Sumário na condição de encarregado do feito 
investigatório. Em situações de maior complexidade, essa autoridade instauradora poderá 
nomear uma comissão apuradora, composta por mais de um PM, indicando, nesse caso, 
o presidente dos trabalhos. De todo modo, o mais comum é que o PDS seja apurado por 
somente um policial militar, sendo exceção a designação de comissão apuradora nesse tipo 
de processo na PMBA.
É importante lembrar que é vedada a condução do Processo Disciplinar Sumário por 
cônjuge, companheiro ou parente do acusado, consanguíneo ou afim, em linha reta ou 
colateral, até o terceiro grau. Assim sendo, o 1.º sargento PM não poderá ser encarregado (ou 
membro de comissão apuradora) de PDS que tenha como acusado seu irmão, companheira, 
tio, sobrinho, cunhado, sogro ou genro, por exemplo. Essas hipóteses, que vêm expressas 
no § 5.º do artigo 61 da Lei Estadual n.º 7.990/2001, constituem causas de impedimento, 
as quais provavelmente comprometeriam a impessoalidade exigida na apuração disciplinar.
A partir da publicação da portaria de instauração do PDS, o policial militar designado 
(ou a comissão apuradora, se for o caso) poderá escolher livremente o secretário para a 
realização dos trabalhos. Todavia, deverá respeitar nessa escolha o grau hierárquico do 
acusado, nomeando alguém superior a este último ou ao menos mais antigo, conforme regra 
do § 1.º do artigo 61 da Lei Estadual n.º 7.990/2001. 
Publicada a portaria de instauração, o encarregado (ou comissão apuradora) terá o prazo 
de trinta dias para iniciar a apuração. Esse prazo só poderá ser excedido mediante despacho 
fundamentado da autoridade competente deferindo pedido motivado do encarregado. Para 
isso, é necessário que seja comprovada a existência de alguma circunstância excepcional que 
justifique tal prorrogação, consoante disposto no § 4.º do artigo 61 da Lei n.º 7.990/2001. 
É importante também que o encarregado informe o início dos trabalhos de apuração à 
autoridade competente por meio de ofício ou memorando, de acordo com as regras de uso 
desses documentos.
Após iniciar a apuração, o encarregado (ou comissão apuradora) terá o prazo de 30 dias 
para concluir o Processo Disciplinar Sumário, prazo esse que poderá ser prorrogado por mais 
15 dias por ato da autoridade competente, como previsto no § 2.º do artigo 61 da Lei n.º 
7.990/2001. Quanto a isso, se o encarregado perceber que necessitará de mais tempo para 
concluir o PDS, ele deverá solicitar a prorrogação à autoridade competente ainda dentro do 
prazo inicial. A autoridade disciplinar competente também poderá dispensar o encarregado 
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(ou a comissão apuradora) das suas atividades regulares na unidade, para que possa dedicar-
se exclusivamente à apuração, caso haja necessidade disso para garantir a celeridade da 
instrução no curso do PDS, nos termos do § 3.º do artigo 61 da Lei n.º 7.990/2001.
A citação é o ato por meio do qual o policial militar acusado é chamado ao processo com a 
finalidade de se defender das acusações que são atribuídas a ele (ASSIS, 2008). Desse modo, 
é com a citação que se completa a relação processual disciplinar, e somente a partir dela o 
militar passa à condição de acusado. Deverá constar na citação a descrição dos fatos a serem 
apurados e os fundamentos da imputação feita; a data, hora e local em que o acusado deverá 
comparecer para apresentação da defesa inicial; a informação acerca da continuidade do 
processo independentemente do não comparecimento do acusado e a obrigatoriedade de o 
acusado ser representado por advogado. Atente-se que o encarregado deverá respeitar um 
interstício mínimo de cinco dias, contados da citação, para a apresentação da defesa pelo 
acusado. Também é importante ressaltar que o interrogatório consta como primeiro ato 
da instrução processual na Lei Estadual n.º 7.990/2001 (Estatuto dos Policiais Militares do 
Estado da Bahia). Por conta disso, há nessa legislação a exigência de se conter na citação 
a data, hora e local do comparecimento do acusado para o seu interrogatório, momento 
em que deverá ser apresentada a defesa inicial. No entanto, como será visto adiante, o 
interrogatório do acusado passou a ser o último ato da instrução, conforme orientação da 
Procuradoria-Geral do Estado (PGE) encaminhada à Corregedoria-Geral da PMBA, seguindo-
se entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal.
Por sua vez, a citação será realizada pessoalmente ou por edital. Na citação pessoal, 
que é a regra, o mandado de citação será entregue pessoalmente ao acusado, em duas 
vias devidamente assinadas pelo encarregado. O acusado confirmará, então, o recebimento 
assinando uma dessas vias. Se ele recusar o recebimento ou assinatura da citação, esse fato 
deverá ser certificado à vista de duas testemunhas, segundo regra contida no § 4.º do artigo 
70 da Lei Estadual n.º 7.990/2001. Por outro lado, a citação por edital será empregada 
quando o acusado estiver em local incerto ou não sabido ou ainda no caso de haver fundada 
suspeita de que se oculta com objetivo de frustrar o ato. Nessas hipóteses, “o edital será 
publicado, por uma vez, no Diário Oficial do Estado e em jornal de grande circulação da 
localidade do último domicílio conhecido, se houver, e fará remissão expressa ao termo de 
acusação.” (BAHIA, 2001). De qualquer modo, se o acusado comparecer voluntariamente 
perante o encarregado (ou a comissão), estará suprida a sua citação, afastando-se possíveis 
nulidades em relação a esse ato processual.
Vale salientar que, apesar de não constar expressamente entre as fases do Processo 
Disciplinar Sumário descritas no caput do artigo 61 da Lei n.º 7.990/2001, a lavratura do 
termo de acusação é ato imprescindível no desenvolvimento desse processo.Isto porque 
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é nele que se descreverão, de forma minuciosa, os fatos atribuídos ao policial militar, o 
dispositivo legal supostamente infringido e as sanções disciplinares a que o acusado estará 
sujeito caso seja condenado. De acordo com Costa (2007, p. 65):
O termo acusatório é o instrumento pelo qual se materializa a acusação formal do 
procedimento disciplinar elaborado pela autoridade disciplinar competente em razão da 
opinio delicti da autoridade disciplinar em face do conjunto probatório que detém em 
suas mãos, ainda que perfunctório [superficial]. 
Sendo assim, ele deverá ser elaborado de forma bastante pormenorizada, descrevendo 
em detalhes todas as circunstâncias do fato a ser apurado por meio do Processo Disciplinar 
Sumário. Lembre-se também que uma cópia do termo de acusação deverá acompanhar o 
mandado de citação, em conformidade com o estabelecido no § 1.º do artigo 70 da Lei 
Estadual n.º 7.990/2001. Por conta disso, não é necessário transcrever todo o conteúdo do 
termo de acusação na citação, já que esta estará acompanhada daquela peça acusatória.
A defesa inicial deverá ser entregue em forma escrita e poderá conter a indicação de 
provas já existentes, bem como o requerimento de outras provas que o acusado julgue 
relevantes, além do rol de testemunhas com o máximo de cinco nomes. Como esclarece 
Augusto (2008, p. 37): “A defesa prévia é a ato processual a ser praticado pelo acusado para 
apontar as provas que desejará produzir no curso do procedimento disciplinar e apresentará 
as que se encontrem prontas”. É importante ressaltar que a defesa inicial é ato facultativo 
do acusado, não podendo ele ser obrigado a apresentá-la. Apesar disso, o encarregado deve 
obrigatoriamente estabelecer e aguardar o prazo para sua apresentação, respeitando o 
interstício mínimo de cinco dias contados da data da citação, sob pena de nulidade.
A instrução, de acordo com Silva (2004, p. 68), “é a fase onde é produzida a prova da 
acusação no processo punitivo. É a oportunidade do depoimento das partes, da inquirição de 
testemunhas, das perícias, acareações, etc.” Essa fase instrutória deverá sempre respeitar 
os princípios constitucionais, especialmente o do contraditório e da ampla defesa, com 
os meios e recursos a ela inerentes, consoante determina a Constituição Federal, em seu 
artigo 5.º, inciso LV. Essas garantias estão igualmente previstas no artigo 71 do Estatuto dos 
Policiais Militares do Estado da Bahia. Em relação à defesa do acusado, depois de ter sido 
devidamente citado, se ele não comparecer sem motivo justificável, o encarregado deverá 
designar defensor público ou dativo. Além do mais, todos os atos da instrução somente 
poderão ser praticados após a prévia intimação do acusado e do seu defensor, como previsto 
no § 2.º do artigo 74 da Lei Estadual n.º 7.990/2001. Saliente-se ainda que poderão ser 
juntados documentos aos autos em qualquer fase do Processo Disciplinar Sumário, desde 
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que isso ocorra antes da elaboração do relatório pelo encarregado e seja realizada a devida 
intimação do acusado e seu defensor acerca desse fato. Caso o Processo Disciplinar Sumário 
tenha sido precedido de uma Sindicância, os autos desse procedimento investigatório 
deverão integrar o PDS como peça informativa, nos termos do artigo 72 da Lei Estadual n.º 
7.990/2001. 
Como já visto, no rito estabelecido para os processos disciplinares no Estatuto dos 
Policiais Militares do Estado da Bahia, o interrogatório consta como primeiro ato da instrução 
processual. Todavia, considerando-se o atual entendimento firmado pelo Supremo Tribunal 
Federal sobre esse tema, o interrogatório deslocou-se para o final da instrução, passando a 
ser o último ato dessa fase. Nos dizeres de Pedroso (2001, p. 178), o interrogatório pode ser 
definido como um:
Conjunto de perguntas e respostas que se estabelece entre a autoridade judiciária 
[no caso do Processo Disciplinar Sumário, o encarregado ou a comissão apuradora] e o 
acusado, versando sobre seus antecedentes, personalidade, identidade e o fato que se 
viu envolvido.
 
Como se vê, além de ser um meio de prova, o interrogatório é também a oportunidade 
que o acusado tem de apresentar a sua versão sobre os fatos, podendo exercer nesse 
momento a denominada autodefesa, que juntamente com a defesa técnica compõe a ampla 
defesa. Para isso, ele deve ter amplo acesso às provas produzidas na instrução processual, 
o que justifica o deslocamento do interrogatório para o final dessa fase. Nesse sentido, 
houve orientação da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), por meio do Parecer n.º PA-
NCAD-CSS-1676-2017 encaminhado à Corregedoria-Geral da PMBA, concluindo-se que o 
interrogatório deverá ocorrer ao final da instrução processual nos processos administrativos 
disciplinares, seguindo, assim, o supracitado posicionamento do Supremo Tribunal Federal. 
Além disso, a PGE destaca também que, caso o interrogatório tenha sido realizado no início 
da instrução, o acusado deverá ser interrogado novamente ao final dessa fase, de forma que 
lhe seja assegurado o exercício do contraditório e da ampla defesa.
Ainda sobre o interrogatório, antes de iniciá-lo, o encarregado deverá obrigatoriamente 
dar ciência ao acusado de que ele tem o direito de permanecer calado, não estando obrigado 
a responder as perguntas que lhe forem formuladas. Também deverá informá-lo de que o seu 
silêncio não importará em confissão e nem poderá ser interpretado em prejuízo de sua defesa. 
Caso exista mais de um acusado, cada um deles deverá ser interrogado individualmente, 
podendo ser realizada acareação entre eles sempre que houver divergência entre as suas 
declarações (Lei Estadual n.º 7.990/2001, art. 73, § 1.º). 
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Em relação às testemunhas, estas serão intimadas por meio de ato expedido pelo 
encarregado (ou presidente da comissão apuradora) em duas vias, devendo uma dessas vias 
receber o ciente delas, para em seguida ser anexada aos autos do processo, conforme prevê 
o artigo 76 da Lei Estadual n.º 7.990/2001. Em se tratando de policial militar, a testemunha 
poderá ser intimada através de requisição ao chefe da repartição onde serve, indicando-
se o dia, a hora e o lugar da audiência (Lei Estadual n.º 7.990/2001, art. 76, § 1º). Caso 
as testemunhas arroladas pela defesa não sejam encontradas e o acusado não as substitua 
no prazo de três dias úteis depois de ter sido intimado para isso, haverá prosseguimento 
nos demais termos do processo, conforme previsão no § 2.º do artigo 76 da Lei Estadual 
n.º 7.990/2001. Ressalta-se ainda que os depoimentos das testemunhas serão prestados 
oralmente e em separado, sendo reduzidos a termo, não podendo elas trazê-lo por escrito. 
Elas poderão, no entanto, fazer rápidas consultas a anotações, para recordar, por exemplo, 
de uma data relacionada ao fato. Lembre-se também que, antes dos depoimentos, as 
testemunhas serão qualificadas e compromissadas, ato este dispensado somente em caso de 
amizade íntima ou inimizade capital ou de parentesco com o acusado ou o denunciante, em 
linha reta ou colateral até o terceiro grau (Lei Estadual n.º 7.990/2001, art. 77, §§ 1º e 2º). 
Existindo dúvidas quanto à sanidade mental do acusado, o encarregado do PDS (ou a 
comissão apuradora) proporá à autoridade competente que eleseja submetido a exame a 
ser realizado por junta médica oficial. Nessa junta deverá participar ao menos um médico 
psiquiatra, que emitirá o respectivo laudo, sendo facultado ao acusado a indicação de 
assistente técnico, como possibilita o caput do artigo 78 da Lei n.º 7.990/2001. De acordo 
com o parágrafo único desse mesmo dispositivo legal, o incidente de insanidade mental 
deverá ser processado em autos apartados, os quais serão apensados ao processo principal, 
havendo sobrestamento do feito até a apresentação do laudo. Contudo, esse sobrestamento 
não impede a realização de outras diligências que sejam consideradas imprescindíveis.
Em relação às perícias, estas serão realizadas por peritos designados, preferencialmente, 
entre policiais militares com capacidade técnica especializada. Na falta de PMs com a 
especialização pretendida, poderão ser designadas pessoas estranhas ao serviço público 
estadual, desde que possuam a mesma capacidade técnica necessária para a apuração. Em 
qualquer um dos casos, será assegurado ao acusado o direito de formular quesitos durante a 
realização dessas perícias, nos termos do § 2.º do artigo 73 da Lei Estadual n.º 7.990/2001.
Finalizada a instrução, o encarregado deverá intimar o acusado, por meio de seu defensor, 
para que apresente, no prazo de dez dias, a sua defesa final, devendo assegurar-lhe para 
isso vista do processo. Isso inclui a permissão para tirar cópias físicas ou eletrônicas dos 
autos. No caso de existir mais de um acusado, o prazo será comum e de vinte dias, correndo 
na repartição, segundo regra constante no artigo 81 da Lei Estadual n.º 7.990/2001, o que 
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significa que, nessa última hipótese, os defensores não poderão fazer carga do processo, 
mas poderão copiá-lo. Acerca do assunto, Assis (2008, pp. 289-290) explica: 
Quanto à vista dos autos, o advogado tem direito a ter vista dos processos judiciais 
ou administrativos de qualquer natureza, em cartório ou na repartição competente, ou 
retirá-los pelos prazos legais (Lei 8.906/94 — EAOAB, artigo 7º, XV). Por outro lado, a não 
devolução dos autos dentro dos prazos estabelecidos autorizará o Presidente do Conselho 
ou Comissão a representar ao Presidente da Seção da Ordem dos Advogados do Brasil (Lei 
8.906/94, art. 7º, XXII).
Após a apresentação da defesa final, o encarregado do Processo Disciplinar Sumário 
deverá elaborar o relatório, que, “como o nome indica, é a síntese de tudo que foi apurado no 
processado”. (SILVA, 2004, p. 69). Nele, constarão o resumo das principais peças dos autos 
e a indicação das provas utilizadas para formação da convicção do encarregado, devendo 
ser conclusivo acerca da inocência ou responsabilidade do acusado. Nessa última hipótese, 
deverá mencionar o dispositivo legal violado, a natureza e a gravidade da transgressão e os 
danos dela decorrentes para o serviço público, especialmente para o serviço policial-militar 
propriamente dito. Deverão constar ainda no relatório os antecedentes funcionais do acusado 
e as circunstâncias agravantes e atenuantes presentes no fato apurado, segundo previsto no 
artigo 83 da Lei n.º 7.990/2001. Também é possível que o encarregado constate ao final da 
instrução que o fato apurado se tratava na verdade de uma transgressão disciplinar punível 
com demissão, e não com advertência ou detenção. Nesse caso, ele deverá opinar em seu 
relatório final pela instauração de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), e não pela 
aplicação de uma daquelas duas primeiras sanções. 
Ao concluir o relatório, o encarregado deverá encaminhá-lo, juntamente com todas as peças 
que compõem os autos do PDS, para o julgamento pela autoridade disciplinar competente. 
Enfim, a última etapa do Processo Disciplinar Sumário é a do julgamento, quando a 
autoridade disciplinar competente, investida no papel de julgadora, deverá proferir sua 
decisão, solucionando o feito instaurado. Essa decisão deverá ocorrer no prazo de trinta dias, 
contados do recebimento dos autos do Processo Disciplinar Sumário, e poderá reconhecer a 
inocência do acusado, com o consequente arquivamento do PDS, ou a sua responsabilidade 
em relação à falta disciplinar apurada. Nesse último caso, será imposta a pena de advertência 
ou a de detenção, de acordo com as circunstâncias apuradas e com as disposições legais 
constantes na Lei n.º 7.990/2001. Por outro lado, restando evidenciado ao final da apuração 
que se tratava, em verdade, de uma falta punível com demissão, a autoridade deverá decidir 
pela instauração de Processo Administrativo Disciplinar (PAD). 
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Chegamos ao final, então, do nosso quarto e último tema, destinado ao estudo minucioso 
de um dos processos disciplinares militares previstos na PMBA, no caso o Processo Disciplinar 
Sumário, que é o mais comumente apurado pelo 1.º sargento PM. Dessa maneira, examinamos 
a finalidade, cada uma de suas fases, os procedimentos e os prazos do Processo Disciplinar 
Sumário, sempre buscando uma perspectiva prática desses assuntos.
Assim, concluímos todo o conteúdo da nossa disciplina Legislação PM para Feitos 
Investigatórios, ansiando que tenhamos proporcionado acesso a todos os conhecimentos 
necessários para uma apuração disciplinar bem sucedida. Com isso, esperamos também que 
tenhamos, consequentemente, possibilitado meios para que você exerça com excelência 
suas futuras funções do tão almejado cargo de 1.º Sargento PM.
Parabéns por mais esta vitória! Desejamos muitíssimo sucesso nesta nova e 
importante fase de sua carreira!
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REFERÊNCIAS
ABREU, Jorge Luiz Nogueira de. Manual de direito disciplinar militar. Curitiba: Juruá, 
2015. 
ASSIS, Jorge Cesar de. Curso de direito disciplinar militar. Curitiba: Juruá, 2008.
AUGUSTO, Valter Roberto. Como fazer sua defesa no procedimento disciplinar: 
técnicas de defesa. São Paulo: Suprema Cultura, 2008.
BAHIA. [Constituição (1989)]. Constituição do Estado da Bahia. Salvador: Assembleia 
Legislativa da Bahia, [2020]. Disponível em: http://www.legislabahia.ba.gov.br/documentos/
constituicao-do-estado-da-bahia-de-05-de-outubro-de-1989. Acesso em: 6 jul. 2020.
BAHIA. Decreto Estadual n.º 29.535, de 11 de março de 1983. Regulamento Disciplinar 
da Polícia Militar. Salvador, 11 mar. 1983. Disponível em: http://www.legislabahia.ba.gov.
br/documentos/decreto-no-29535-de-11-de-marco-de-1983. Acesso em: 23 mar. 2020.
BAHIA. Lei n.º 7.990, de 27 de dezembro de 2001. Estatuto dos Policiais Militares do 
Estado da Bahia. Disponível em: http://www.legislabahia.ba.gov.br/documentos/lei-no-
7990-de-27-de-dezembro-de-2001. Acesso em: 23 mar. 2020.
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. 
Brasília, DF: Presidência da República, [2020]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm. Acesso em: 6 jul. 2020.
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Súmula n.º 635. Os prazos prescricionais previstos 
no artigo 142 da Lei 8.112/1990 iniciam-se na data em que a autoridade competente para 
a abertura do procedimento administrativo toma conhecimento do fato, interrompem-se 
com o primeiro ato de instauração válido – sindicância de caráter punitivo ou processo 
disciplinar – e voltam a fluir por inteiro, após decorridos 140 dias desde a interrupção. 
Brasília, DF: Superior Tribunal de Justiça, [2019]. Disponívelem: https://scon.stj.jus.br/
SCON/sumanot/toc.jsp#TIT1TEMA0. Acesso em: 23 mar. 2020.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal (Pleno). Mandado de Segurança n.º 23.262/DF. 
Relator: Min. Dias Toffoli, 23 de abril de 2014. Disponível em: http://redir.stf.jus.br/
paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=7065460. Acesso em: 23 mar. 2020.
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BRASIL. Supremo Tribunal Federal (2. Turma). Recurso em Mandado de Segurança n.º 
32.970/DF, 2.ª Turma, Relatora: Min. Cármen Lúcia, 16 de fevereiro de 2016. Disponível 
em: http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=10974693. 
Acesso em: 23 mar. 2020.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Súmula Vinculante n.º 5. A falta de defesa técnica por 
advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a https://jurisprudencia.stf.
jus.br/pages/search/seq-sumula741/false. Acesso em: 23 mar. 2020.
COSTA, Alexandre Henriques da. Manual do procedimento disciplinar: teoria e prática. 
São Paulo: Suprema Cultura, 2007.
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 20. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
DUARTE, Antônio Pereira. A construção científica do ordenamento jurídico militar. Revista 
do Ministério Público Militar, Brasília, DF, n. 22, p. 83-112, 2011. Disponível em: https://
revista.mpm.mp.br/artigo/a-construcao-cientifica-do-ordenamento-juridico-militar/. 
Acesso em: 5 jul. 2020.
FOUREAUX, Rodrigo. Justiça militar: aspectos gerais e controversos. São Paulo: Fiuza, 
2012.
HEUSELER, Elbert da Cruz. Processo administrativo disciplinar comum e militar à luz 
dos princípios constitucionais e da Lei n. 9.784 de 1999. 2. ed. Rio de Janeiro: Lumen 
Juris, 2011.
PEDROSO, Fernando de Almeida. Processo penal. O direito de defesa: repercussão, 
amplitude e limites. 3. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: RT, 2001.
SILVA, Francisco Miranda. A polícia no banco dos réus: a defesa do policial na corregedoria 
e na justiça. São Paulo: Mizuno, 2004.
REFERÊNCIA DAS IMAGENS UTILIZADAS
https://atarde.uol.com.br/bahia/noticias/2118875-viatura-da-policia-militar-se-
envolve-em-acidente-de-transito-no-interior-da-bahia
h t t p : / / f o r c a i n v i c t a . c o m . b r / w p - c o n t e n t / t h e m e s / a o p m b a / f i l e s /
EstatutodoPolicialMilitardaBahia.pdf
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	_Hlk45204443
	_Hlk35875782
	_Hlk44968176disciplinar militar, 
seja ela um procedimento disciplinar militar.
De todo modo, os feitos investigatórios possuem procedimentos específicos que deverão 
ser observados pelos seus encarregados, isto é, por aqueles policiais militares responsáveis 
pela sua condução. Caso não sejam respeitadas essas particularidades da apuração 
disciplinar, poderá ocorrer a nulidade de atos praticados durante a sua realização e ocasionar 
grandes prejuízos para a Administração Pública militar, bem como a responsabilização do 
encarregado. Todo esse rito dos procedimentos e processos disciplinares será estudado no 
momento oportuno em nossa disciplina.
Convém também esclarecer que todo o conteúdo relacionado à apuração disciplinar 
militar, e consequentemente todo o conteúdo da nossa disciplina Legislação PM para 
Feitos Investigatórios, encontra-se em um ramo do direito militar denominado de Direito 
Administrativo Disciplinar Militar, ou simplesmente Direito Disciplinar Militar. O Direito 
Administrativo Disciplinar Militar (ou Direito Disciplinar Militar) pode ser definido como um:
[...] conjunto de regras que estudam os princípios, os atos de transgressão, os 
procedimentos e as sanções inerentes à disciplina e à coesão das forças militarizadas. 
Contempla o estudo pormenorizado da transgressão disciplinar, sua natureza jurídica, 
seus reflexos e os mecanismos indispensáveis à sua aplicabilidade. (DUARTE, 2011).
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Comparando-se o direito disciplinar comum, que rege os funcionários públicos civis, com 
o Direito Disciplinar Militar, que se destina aos militares, vamos perceber que este último 
apresenta algumas particularidades em relação ao primeiro. Essa distinção se deve a certos 
aspectos da vida militar, baseada fortemente na hierarquia e na disciplina militares, sendo 
possível constatar diferenças nas próprias condutas previstas como transgressão disciplinar 
militar, que levam em consideração as peculiaridades da vida na caserna. Existia outra 
diferenciação marcante entre os dois ramos, que era a possibilidade de restrição ou privação 
de liberdade do militar por meio de sanção disciplinar, hipótese sem previsão no âmbito do 
direito disciplinar comum. No entanto, essa última diferença somente continuará existindo 
no direito disciplinar militar aplicado às Forças Armadas. É que, com a edição da Lei n.º 
13.967/2019, foi estabelecido um prazo de doze meses, contados de sua publicação em 
27 de dezembro de 2019, para que as instituições militares estaduais estabeleçam códigos 
de ética e disciplina que deverão respeitar a vedação de medidas privativas e restritivas de 
liberdade como punição disciplinar.
Particularmente na Polícia Militar da Bahia (PMBA), a apuração disciplinar militar é regulada 
principalmente pela Lei Estadual n.º 7.990, de 27 de dezembro de 2001, que instituiu o nosso 
Estatuto dos Policiais Militares do Estado da Bahia. Mas também são utilizadas normas 
específicas que estão dispostas na Constituição do Estado da Bahia, assim como regras e 
princípios estabelecidos na Constituição Federal. Além disso, ainda há utilização de algumas 
regras do Decreto Estadual n.º 29.535, de 11 de março de 1983, que instituiu o Regulamento 
Disciplinar da Polícia Militar da Bahia (RDPM). Apesar de o Estatuto dos Policiais Militares do 
Estado da Bahia ter regulado muitas das matérias antes tratadas pelo RDPM, revogando-as, 
então, tacitamente, outras regras desse regulamento não sofreram alteração, estando ainda 
em vigor.
Por fim, lembre-se de que a apuração disciplinar se limita à esfera administrativa disciplinar, 
restringindo-se, portanto, a investigação de fato previsto como transgressão disciplinar e 
ocorrendo no âmbito interno da Corporação. A Administração Pública militar tem o dever de 
averiguar as hipóteses de possível prática de infração disciplinar pelo policial militar. É por 
conta disso que a Lei Estadual n.º 7.990/2001 (Estatuto dos Policiais Militares do Estado da 
Bahia), no caput de seu artigo 58, prevê que: “A autoridade que tiver ciência de irregularidade 
no serviço é obrigada a promover a sua imediata apuração mediante sindicância ou processo 
disciplinar.” (BAHIA, 2001). Essa autoridade competente para determinar a instauração do 
feito investigatório é, em regra, o dirigente máximo da unidade PM a que esteja relacionada 
a transgressão disciplinar a ser apurada, isto é, o comandante, diretor ou outra autoridade 
equivalente. E é justamente por meio da apuração disciplinar que se comprovará ou não a 
existência de uma possível falta disciplinar. Ficando comprovada a ocorrência da transgressão 
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disciplinar após a devida apuração disciplinar, e somente após isto, aplica-se, então, a sanção 
disciplinar correspondente àquela infração cometida.
Para que possa aprofundar um pouco mais o tema estudado, indicamos a leitura do artigo 
Aplicação da Convenção Americana de Direitos Humanos no Direito Administrativo Disciplinar 
Militar, de autoria do Juiz de Direito do Juízo Militar Paulo Tadeu Rodrigues Rosa, disponível 
no link adiante:
https://jusmilitaris.com.br/sistema/arquivos/doutrinas/aplicacao.pdf
2. TRANSGRESSÕES DISCIPLINARES MILITARES
Como já vimos anteriormente, a apuração disciplinar militar tem por finalidade verificar a 
possível ocorrência de uma transgressão disciplinar, o que é concretizado por meio dos feitos 
investigatórios empregados no âmbito da PMBA. Ao final dessa verificação minuciosa, na qual 
deverá ser oportunizado efetivamente o exercício da ampla defesa e do contraditório ao 
acusado, comprovando-se a autoria e materialidade da transgressão disciplinar, aplica-se, 
então, a sanção disciplinar correspondente. De outro lado, ficando provado que o acusado 
não praticou a suposta transgressão disciplinar, ou mesmo não havendo provas suficientes 
de sua autoria, ele deverá ser absolvido, arquivando-se o feito em questão. Como se vê, a 
apuração disciplinar militar tem por objeto a investigação de transgressões disciplinares. 
Por conta disso, é muito importante que o futuro primeiro-sargento PM detenha alguns 
conhecimentos específicos acerca das transgressões ou faltas disciplinares, já que elas estão 
diretamente ligadas ao procedimento da apuração disciplinar.
De início, é bom saber que o que irá determinar o tipo de processo 
disciplinar militar a ser instaurado é justamente a espécie de transgressão 
disciplinar a ser apurada. É com base, então, na falta disciplinar 
supostamente ocorrida que a autoridade disciplinar competente vai 
escolher o feito investigatório adequado à situação. Verificando, por 
exemplo, que se trata de uma transgressão disciplinar punível com 
a pena de advertência ou de detenção, determinará a instauração 
de Processo Disciplinar Sumário (PDS). Por outro lado, constatando que é um caso de 
transgressão disciplinar punível com a pena de demissão, providenciará a instauração de 
Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
No nosso caso específico da Polícia Militar da Bahia, as transgressões disciplinares 
militares são tratadas, sobretudo, na Lei Estadual n.º 7.990/2001, isto é, em nosso Estatuto 
dos Policiais Militares do Estado da Bahia. O artigo 49 dessa lei dispõe que: “A violação 
Embriagar-se o militar, quando 
em serviço, ou apresentar-se 
embriagado para prestá-lo.
https://jusmilitaris.com.br/sistema/arquivos/doutrinas/aplicacao.pdf
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das obrigações ou dos deveres policiais militares poderá constituir crime ou transgressão 
disciplinar, segundo disposto na legislação específica.” (BAHIA, 2001). Em seguida, no § 3.º 
do seu artigo 50, estabelece que: “A responsabilidade administrativa resulta de ato omissivo 
ou comissivo, praticado no desempenho de cargo ou função capaz de configurar, à luz da 
legislação própria, transgressão disciplinar.” (BAHIA, 2001) Já o artigo 51 do Estatuto dos 
Policiais Militares do Estado da Bahia, em seus vinte e um incisos, traz um rol de condutas 
previstas como transgressões disciplinares militares, a exemplo de “faltar ou chegar atrasado 
injustificadamente qualquer ato de serviço em que deva tomar parte ou assistir” (inciso VII) 
(BAHIA, 2001).
Mais adiante, nos quatorze incisos do artigo 57 do Estatuto dos Policiais Militares do 
Estado da Bahia, são listados mais alguns comportamentos caracterizados como transgressão 
disciplinar. Nessa relação constam faltas disciplinares de maior gravidade, as quais são punidas 
com a pena disciplinar de demissão ou cassação de proventos de inatividade, como “a prática 
de violência física ou moral, tortura ou coação contra os cidadãos, pelos policiais militares, 
ainda que cometida fora do serviço” (inciso I) (BAHIA, 2001). As transgressões disciplinares 
dessa espécie deverão ser apuradas através de Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
Mas só seriam essas, então, as transgressões disciplinares previstas no âmbito da PMBA, isto 
é, somente as que estão relacionadas nos artigos 51 e 57 do Estatuto dos Policiais Militares 
do Estado da Bahia? A opinião que tem prevalecido é a de que existem outras transgressões 
disciplinares militares além dessas listadas expressamente no nosso Estatuto. Aliás, essa 
própria legislação, em seu artigo 54, prescreve que: “a advertência será aplicada, por escrito, 
nos casos de violação de proibição e de inobservância de dever funcional previstos em Lei, 
regulamento ou norma interna, que não justifiquem imposição de penalidade mais grave” 
(BAHIA, 2001, grifo nosso). Observa-se, então, que nesse dispositivo legal são tratadas duas 
situações distintas. A primeira delas é a conduta do PM de violar uma proibição prevista em 
lei, regulamento ou norma interna. Exemplo disso seria justamente a violação de alguma 
daquelas proibições previstas no artigo 51, em forma de transgressões disciplinares ali 
dispostas, mas lembrando que nesse preceito legal tanto há faltas disciplinares puníveis com 
advertência como existem outras puníveis com detenção, variando conforme a gravidade de 
cada uma delas. A outra situação referida no artigo 54 é aquela de não observar um dever 
funcional previsto em lei, regulamento ou norma interna. Aqui temos como exemplo a 
não observância de qualquer daqueles Deveres dos Policiais Militares, previstos no artigo 
41 do nosso Estatuto dos Policiais Militares do Estado da Bahia. Percebe-se, então, que as 
transgressões disciplinares podem vir expressamente listadas como tal, da mesma forma que 
podem se caracterizar com a desobediência de algum dever imposto ao policial militar por 
lei, regulamento ou norma interna da Corporação.
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Finalmente, vale ressaltar que o policial militar da reserva remunerada ou reformado 
está sujeito ao cometimento de transgressão disciplinar militar e, por conseguinte, pode 
ser submetido a uma apuração disciplinar. Quanto a essa possibilidade, o nosso Estatuto 
dos Policiais Militares do Estado da Bahia, em seu artigo 65, assim estabelece: “O policial 
militar da reserva remunerada e o reformado poderão ser também submetidos a Processo 
Disciplinar, podendo ser apenados com sanções compatíveis com sua situação institucional.” 
(BAHIA, 2001).
Com a finalidade de aprofundar a matéria estudada, sugerimos a leitura de um artigo 
sobre o tema, de autoria do Juiz de Direito do Juízo Militar Paulo Tadeu Rodrigues Rosa, 
disponível no link a seguir:
https://jusmilitaris.com.br/sistema/arquivos/doutrinas/ilicitoadm.pdf
3. PENALIDADES NO DIREITO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR MILITAR
 3.1 Generalidades
Atinentes às questões que envolvem os policiais militares, no que diz respeito às pretensões 
punitivas do Estado sobre seus funcionários, resta claro a tipificação em nosso diploma 
administrativo militar referente aos tipos legais que podem ser alcançados tanto na ativa 
como na reserva em resposta ao comportamento apesentado por esses homens ao longo de 
suas carreiras. Assim, a PMBA mantém as rédeas e o controle de seu público interno, haja 
vista que no Estatuto dos Policiais Militares do Estado da Bahia existe uma seção específica, 
que é a Seção III – Das Penalidades.
 3.2 Sanções disciplinares em espécie
A Lei Estadual n.º 7.990, de 27 de dezembro de 2001, hoje chamado de Estatuto dos 
Militares Estaduais, isso porque com o advento da desagregação do Corpo de Bombeiros 
Militares das entranhas da PMBA, tornou-se independente enquanto Instituição, porém refém 
da legislação castrense que é de uso comum no estado para ambas as forças.
Assim, tal Lei informa em seu corpo, mais precisamente no artigo 52, seus tipos punitivos 
administrativos, da seguinte forma:
 3.2.1 Advertência
Está prevista no artigo 52, inciso I, da Lei Estadual n.º 7.990/2001, a penalidade de 
advertência. Esta é a mais branda das punições e a forma analisada para dosimetria de sua 
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aplicabilidade é prevista nessa própria lei. Conforme estatuído no artigo 54 da Lei 7.990, de 
2001, a advertência será aplicada, por escrito, nos casos de haver, por parte do PM, violação 
de proibição e de inobservância de dever funcional previsto em lei, regulamento ou norma 
interna, que não justifiquem imposição de penalidade mais grave.
 3.2.2 Detenção
O inciso II do referido artigo 54 da Lei Estadual n.º 7.990/2001 já traz 
uma penalidade mais intensa, trata-se da detenção. Ela está apontada 
nesse diploma legal anteriormente citado, em seu artigo 55, que reza que 
tal pena será aplicada em caso de reincidência em faltas punidas com 
advertência e de violação das demais proibições que não apontem infração 
sujeita à demissão, não podendo exceder ao tempo limite de 30 dias, 
devendo ser cumprida em área livre do quartel. Não obstante tais punições 
serem apuradas através de processo disciplinar, por serem consideradas 
cometimento de infrações que comprometem o autor, elas são abraçadas 
pelo Processo Disciplinar Sumário (PDS).
Especificamente sobre a pena de detenção, que consiste em uma sanção 
disciplinar restritiva de liberdade, é importante ressaltar que, dentro em breve, ela deixará 
de existir em nosso sistema disciplinar militar. Isto porque, com o advento da Lei n.º 13.967, 
de 26 de dezembro de 2019, foi dado prazo a todos os estados e ao Distrito Federal para 
que, dentro de doze meses, elaborem Códigos de Ética e Disciplina que deverão reger suas 
polícias militares e corpos de bombeiros militares, legislações estas que deverão também 
implementar a vedação de medida privativa e restritiva de liberdade, como é o caso da 
nossa detenção.
 3.2.3 Demissão
Traz-nos a Lei Estadual n.º 7.990/2001, em seu inciso III do mesmo artigo 52, uma penalidade 
mais rigorosa, trata-se da pena de demissão, isto para o pessoal da ativa. Nesse caso, 
teremos policiais militares a princípio envolvidos em situações que estejam devidamente 
tipificadas no artigo 57 da Lei Estadual n.º 7.990/2001.
 3.2.4 Cassação de proventos de inatividade
Já no caso dos inativos, estes não são demitidos.Trazido por uma inovação inserida na 
Lei Estadual n.º 7.990/2001 por meio da Lei Estadual n.º 11.356, de 6 de janeiro de 2009, 
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os militares inativos estão sujeitos à cassação de proventos de inatividade. Nesse ponto, 
defendemos, em modesta opinião, que se trata de ato inconstitucional, pois retira um direito 
adquirido, não podendo a lei dispor sobre tal assunto. Tais atos punitivos são previstos nas 
soluções do Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
Com vistas a aprofundar o que foi visto até aqui sobre as penalidades no Direito 
Administrativo Disciplinar Militar, recomendamos a leitura do artigo sobre o assunto disponível 
no link adiante: 
https://jusmilitaris.com.br/sistema/arquivos/doutrinas/sancaoadmdisc.pdf
 3.3 Circunstâncias agravantes e atenuantes na aplicação das sanções disciplinares
No momento de aplicação da pena disciplinar, a autoridade competente deverá considerar 
a natureza e a gravidade da transgressão disciplinar praticada, os antecedentes funcionais do 
acusado, os danos que provierem dessa falta disciplinar para o serviço público, assim como 
as circunstâncias agravantes e atenuantes. Isso é o que dispõe o artigo 53 da Lei Estadual n.º 
7.990/2001 (Estatuto dos Policiais Militares do Estado da Bahia). Todavia, o nosso Estatuto 
não descreve quais seriam essas circunstâncias agravantes e atenuantes referidas. Diante 
dessa lacuna, e como não houve revogação expressa do Decreto Estadual n.º 29.535, de 
11 de março de 1983, que instituiu o Regulamento Disciplinar da Polícia Militar da Bahia 
(RDPM), deve-se utilizar as disposições nele contidas sobre essa matéria. 
Nesse contexto, constata-se, então, que o Regulamento Disciplinar da Polícia Militar da 
Bahia, em seu artigo 18, elenca as seguintes circunstâncias agravantes, as quais deverão 
ser consideradas pela autoridade competente na aplicação das punições disciplinares 
militares: o mau comportamento do acusado; a prática simultânea ou conexa de duas ou 
mais transgressões; a reincidência da transgressão, ainda quando punida verbalmente a 
falta anterior [lembrando que esta última parte foi tacitamente revogada pela Lei Estadual 
n.º 7.990/2001, pois nela não houve previsão de advertência verbal]; o conluio de duas ou 
mais pessoas; a prática da transgressão durante a execução do serviço; o cometimento da 
falta em presença de subordinado; o abuso do transgressor em sua autoridade hierárquica; a 
prática da transgressão com premeditação; a prática da transgressão em presença de tropa; 
a prática da transgressão em presença de público; a prática de transgressão ofensiva ao 
decoro e à dignidade policial-militar. 
Já em relação às circunstâncias atenuantes, estas estão previstas no artigo 17 do RDPM, 
e igualmente deverão ser levadas em conta para fins de aplicação da sanção disciplinar. São 
elas: o bom comportamento do acusado; a relevância de serviços prestados; o cometimento 
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da transgressão para evitar mal maior; o cometimento da transgressão em defesa própria, 
de seus direitos ou de outrem, desde que não constitua causa de justificação; a falta de 
prática no serviço. 
Visto isso, você poderá indagar, então, qual a finalidade prática desses conhecimentos 
sobre as circunstâncias agravantes e atenuantes para a sua futura condição de sargento 
PM? É que, na função de encarregado de determinado feito investigatório, a exemplo 
de um Processo Disciplinar Sumário (PDS), você deverá verificar se há incidência dessas 
circunstâncias agravantes ou atenuantes no caso concreto que estiver apurando. Constatadas 
quaisquer dessas circunstâncias, deverá descrevê-las no relatório final de sua apuração, pois 
será com base nessa informação que a autoridade disciplinar competente poderá assegurar 
a observância de possíveis agravantes e atenuantes na aplicação da pena disciplinar.
Concluímos, assim, o primeiro tema da nossa disciplina, familiarizando-nos com algumas 
noções fundamentais da apuração disciplinar, tais como a sua definição, finalidade e 
relevância, além de verificarmos o ramo do direito em que ela está inserida, no caso o 
Direito Disciplinar Militar. Vimos também a importância de compreendermos as transgressões 
disciplinares, já que o fato a ser apurado na esfera disciplinar consiste exatamente em uma 
dessas faltas, e as sanções disciplinares, pois essas serão as punições a serem aplicadas caso 
haja a comprovação da prática da infração disciplinar ao término da apuração disciplinar. 
Finalizamos o tema, então, conhecendo as circunstâncias agravantes e atenuantes a serem 
consideradas no momento de aplicação da pena pela autoridade competente, assim como a 
importância de serem conhecidas também pelo encarregado do feito, uma vez que deverá 
indicá-las em seu relatório final, caso as identifique no caso concreto.
Chegamos, portanto, ao final de uma importante etapa, parabéns por ter 
chegado até aqui! E vamos adiante!
Vamos estudar, Guerreiros! Pois o 
conhecimento nos amapra em todas as 
nossas ações. Selva!
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TEMA 2
ESPECIFICIDADES DA APURAÇÃO DISCIPLINAR MILITAR
4. PRESCRIÇÃO E ELISÃO NA APURAÇÃO DISCIPLINAR
A prescrição enuncia a perda do prazo para aplicação das sanções disciplinares 
administrativas (DI PIETRO, 2007). Ou seja, caso a Administração Pública militar não exerça 
seu poder-dever de punir o transgressor dentro do prazo prescricional estabelecido em 
lei, não poderá mais fazê-lo após decorrido esse período. Nessa hipótese, a incidência da 
prescrição ocasiona consequentemente o afastamento da responsabilidade administrativa 
disciplinar do policial militar acusado, ainda que ele de fato tenha cometido a transgressão 
disciplinar em questão.
Sobre isso, a Lei Estadual n.º 7.990/2001 (Estatuto dos Policiais Militares do Estado da 
Bahia), na alínea b do § 5.º de seu artigo 50, estabelece que a prescrição ocorrerá em cinco 
anos relativamente às transgressões disciplinares puníveis com a pena de demissão, em três 
anos para as infrações puníveis com detenção e em cento e oitenta dias em relação às demais 
faltas disciplinares. Mas é muito importante saber que, caso a conduta a ser apurada como 
transgressão disciplinar também esteja prevista como infração penal (crime ou contravenção 
penal), não serão aplicados esses prazos mencionados. Nessa situação, deverá ser observado 
o prazo prescricional disposto para a infração penal correspondente, que constará no Código 
Penal Militar ou na legislação penal comum, conforme se trate respectivamente de crime 
militar ou de infração penal comum. Essa determinação vem expressa na alínea d do § 5.° 
do artigo 50 do nosso Estatuto dos Policiais Militares do Estado da Bahia.
Também é importante ressaltar que esses prazos prescricionais mencionados começam a 
correr a partir do momento em que o fato a ser apurado se tornou conhecido. É isso o que está 
disposto na Lei Estadual n.º 7.990/2001, especificamente na alínea c do § 5.º de seu artigo 50.
O Estatuto dos Policiais Militares do Estado da Bahia, na alínea e do § 5.º de seu artigo 
50, prevê ainda que a instauração de Sindicância ou de processo disciplinar (gênero que tem 
como espécies o PDS e o PAD) interrompe a prescrição. Assim sendo, o prazo prescricional, 
que se iniciou a partir da data em que o fato se tornou conhecido, é interrompido com a 
instauraçãode sindicância ou de processo disciplinar. Melhor dizendo, instaurando-se uma 
sindicância ou um processo disciplinar em relação ao fato a ser apurado, recomeça-se toda 
a contagem do prazo prescricional a partir da data dessa inauguração do feito investigatório. 
Ocorre que a Lei Estadual n.º 7.990/2001, no mesmo dispositivo legal supracitado, 
também estabelece que “a abertura de sindicância ou a instauração de processo disciplinar 
interrompe a prescrição até a decisão final por autoridade competente” (BAHIA, 2001, grifo 
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nosso). Nesse caso, dá a entender que o prazo prescricional até então computado será 
desconsiderado, permanecendo estagnado até que a autoridade competente solucione o 
feito instaurado.
Quanto a isso, compreendemos que, com a instauração de sindicância ou de processo 
disciplinar para apuração do fato, haverá a interrupção do prazo prescricional, 
desconsiderando-se o que foi computado até ali. No entanto, esse prazo prescricional 
não permanecerá parado até que a autoridade competente decida. Baseando-se em 
posicionamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre esse tema1, entendemos que, após a 
interrupção do prazo prescricional, a decisão final da autoridade competente deverá ocorrer 
nos prazos estabelecidos na Lei Estadual n.º 7.990/2001 para conclusão e decisão do feito 
investigatório, incluindo-se as prorrogações legais previstas. Do contrário, ultrapassado esse 
lapso temporal, caso a decisão não ocorra, incidirá a prescrição. A referida decisão do STF 
tratou especificamente sobre a regra de interrupção da prescrição disposta no § 3.º do artigo 
142 da Lei n.º 8.112/90, que é idêntica àquela do nosso Estatuto dos Policiais Militares do 
Estado da Bahia. Nessa deliberação, o STF assim argumentou:
Esta Suprema Corte, analisando o marco interruptivo do prazo prescricional inscrito no 
§ 3º do aludido dispositivo legal (instauração de sindicância ou processo administrativo 
disciplinar), relativizou-o, a fim de que o seu curso não ficasse suspenso indefinidamente, 
esvaziando, assim, o conteúdo estabilizador das relações sociais do instituto. (BRASIL, 2014).
 
De outro modo, o policial militar acusado poderia permanecer indefinidamente na 
expectativa de sofrer uma punição disciplinar, mesmo anos após o fato, gerando, assim, 
manifesta insegurança jurídica.
Nesse contexto, é imprescindível que o futuro sargento PM saiba todas essas particularidades 
acerca da prescrição, pois, como anota Foureaux (2012, p. 752), “prescrição é matéria de 
ordem pública, devendo ser declarada de ofício pela administração, e na inércia desta, 
mediante provocação de qualquer interessado”. Logo, constatando o encarregado que já se 
operou a prescrição em relação ao fato que está apurando, deve opinar pelo arquivamento 
do feito investigatório com base nessa perda da pretensão punitiva ocorrida. Sobre essa 
matéria, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que: “[...] há de se reconhecer ser a 
prescrição matéria de ordem pública, cuja decretação sequer dependeria de provocação da 
parte que dela se favoreça.” (BRASIL, 2016).
Finalmente, o Estatuto dos Policiais Militares do Estado da Bahia, na alínea a do § 5.º do 
artigo 50, prevê o instituto da elisão. Isso significa que, sendo a transgressão disciplinar 
prevista como infração penal (crime comum ou militar) e havendo absolvição do policial 
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militar na esfera criminal por esse fato, isso acarretará necessariamente em sua absolvição 
no âmbito disciplinar militar. Todavia, para que isso ocorra, a absolvição na instância 
criminal deverá se fundamentar na prova da inexistência do fato ou da negativa de autoria. 
Só nessas duas hipóteses é que haverá elisão, afastando a responsabilidade administrativa 
disciplinar do PM acusado. Por conta disso, o futuro sargento PM, na condição de encarregado, 
constatando que se trata de um caso de elisão, deve relatar isso na conclusão do feito 
sob sua responsabilidade. Por outro lado, ao observar que há um processo criminal em 
andamento sobre o mesmo fato, poderá solicitar o sobrestamento do feito até que ocorra 
a decisão criminal definitiva. Entretanto, a autoridade competente é quem decidirá sobre 
esse pedido, deferindo-o ou não, pois, “embora, no intuito de evitar decisões contraditórias 
do Judiciário e do Executivo, se admita o sobrestamento do processo administrativo no 
aguardo da decisão judicial que poderá repercutir na decisão administrativa, não há norma 
legal que o imponha.” (HEUSELER, 2011, p. 121).
5. DIFERENÇA ENTRE PROCESSO E PROCEDIMENTO DISCIPLINAR
Na Polícia Militar da Bahia, temos em nosso regime administrativo jurídico vários tipos 
de feitos investigatórios. Existem trabalhos investigativos que têm como finalidade buscar 
autoria e materialidade de fatos ocorridos a fim de subsidiar os Processos Administrativos, 
estes são de tipo punitivos. Temos como feitos investigativos, o: inquérito policial-militar 
(IPM), este feito procedimental serve para subsidiar a instauração ou não de uma futura 
ação penal militar (processo), servindo como documento de origem para seguimento 
e orientação do processo; Inquérito Técnico (IT), que tem como finalidade mensurar a 
responsabilidade de danos ocasionados ao bem público, veículos, pertencentes à Polícia 
Militar ou à sua disposição, decorrentes de acidentes de trânsito, nesse caso, comprovando 
a responsabilidade do agente público, este procedimento ensejará subsídio para instauração 
ou não de um Processo de Reparação de Danos (PRD), tendo como documento de origem o 
Inquérito Técnico (IT); a sindicância, que é outro tipo de feito investigatório ou inquisitorial, 
pois a finalidade desse procedimento é meramente investigativa, buscando a autoria e a 
materialidade dos fatos, sendo, ao final, subsídio para os próprios processos.
Já os processos, como o Processo Disciplinar Sumário (PDS) ou o Processo Administrativo 
Disciplinar (PAD) buscam provar a culpabilidade ou inocência do agente público. Leia aqui e 
conheça um pouco mais sobre a constitucionalidade dos processos administrativos:
https://jus.com.br/artigos/50640/a-constitucionalidade-das-punicoes-
disciplinares-da-policia-militar-da-bahia/2
https://jus.com.br/artigos/50640/a-constitucionalidade-das-punicoes-disciplinares-da-policia-militar
https://jus.com.br/artigos/50640/a-constitucionalidade-das-punicoes-disciplinares-da-policia-militar
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6. ESPÉCIES DE OITIVAS NA APURAÇÃO DISCIPLINAR E SUAS 
PARTICULARIDADES
As oitivas são nada mais do que a redução do que colhemos oralmente do depoente a 
termo escrito, ou seja, é a redução em termo escrito daquilo que fora declarado oralmente, 
devidamente ratificado pela assinatura de quem colheu o depoimento, de quem declarou e 
de quem testemunhou. Existem diversos tipos de termos de oitivas, mas cada um com sua 
especificidade. Esses termos serão utilizados tanto no processo como no procedimento. É 
importante dizer que quem conduz o processo ou procedimento deve escolher a termo correto 
para cada situação. Vejamos agora alguns exemplos de termos: Termo de declarações, 
Termo de perguntas ao sindicado, Termo de interrogatório e qualificação do acusado, 
Termo de inquirição de testemunha, Termo de acareação, entre outros.
Em cada um desses termos citados, teremos situações específicas que os identifiqueem 
seu emprego, senão vejamos:
No Termo de declarações temos por finalidade colher dados informados de forma 
verbalizada por alguém que a princípio tenha interesse em declarar sobre um fato qualquer 
e reduzir isso a termo escrito em forma de ata, em um papel timbrado, nele especificando 
a data, local, hora, qualificação funcional do responsável pela oitiva, qualificação completa 
da pessoa depoente que passa a realizar a declaração. Normalmente, o termo de declarações 
é colhido de quem comparece com o fito de fazer alguma denúncia.
Já no Termo de perguntas ao sindicado/investigado ou Termo de perguntas ao acusado, 
depende do tipo de feito investigatório, a pergunta ao sindicado/investigado é porque ele 
é investigado e não pode ser chamado de acusado, esse termo usado em Sindicância ou em 
qualquer outro Procedimento investigatório; já no caso do Processo Administrativo, o Termo 
de perguntas ao acusado, entretanto em ambos os casos é preciso fazer menção de que o 
depoente está amparo pela Constituição e tem o direito de silenciar e não produzir provas 
contra si mesmo.
No caso do Termo de inquirição de testemunha, independentemente de ser no 
procedimento ou no processo, essa testemunha prestará compromisso em dizer a verdade 
do que sabe. Caso contrário, pode ser processado ou até mesmo preso por falso testemunho.
Tem-se ainda o termo de acareação, que serve para acarear e reconhecer ou não 
participantes da ação transgressional ou delituosa, ou até mesmo confrontar depoentes que 
depuseram de forma divergente. 
Enfim, os termos são importantíssimos para através deles buscar estabelecer a verdade 
real dos fatos.
Parece ser simples, mas é algo bastante criterioso e por vezes complexo. A fim de lhe 
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orientar a compreender melhor o que foi dito, sugerimos uma visita ao seguinte endereço 
eletrônico: 
http://egov.ufsc.br/portal/conteudo/t%C3%A9cnica-de-entrevista-e-
interrogat%C3%B3rio-para-o-processo-administrativo-disciplinar
 Você sabia?
Que ninguém é obrigado a constituir provas contra si mesmo! 
Por isso precisamos saber que há diferença entre o depoimento do 
acusado ou réu e o depoimento da testemunha, pois esta depõe 
sobre juramento de dizer tudo que sabe sobre a verdade.
Leia o texto do link a seguir:
http://direito.folha.uol.com.br/blog/testemunha-x-ru
7. O PROCESSO DISCIPLINAR MILITAR
 7.1 Conceito, finalidade e espécies do Processo Disciplinar Militar
Inicialmente, é necessário conceituarmos o processo administrativo disciplinar militar 
(ou simplesmente processo disciplinar militar), que servirá de instrumento para se realizar 
a apuração disciplinar e deverá anteceder necessariamente qualquer punição disciplinar 
porventura aplicada. Na lição de Abreu (2015, p. 194): “O processo administrativo disciplinar 
militar consiste num conjunto de atos praticados de forma sistematizada, de acordo com 
regras específicas de cada instituição militar, destinado à apuração de ilícito de natureza 
disciplinar”. 
No mesmo sentido, Heuseler (2011, p. 22) ensina: 
O processo administrativo disciplinar, como qualquer processo administrativo, é 
conduzido pela Administração, e, por ser disciplinar, o seu objeto ― o que ele almeja 
― é a apuração de uma infração disciplinar praticada por um servidor, com eventual 
aplicação de sanção disciplinar. Logo, o processo é dirigido exclusivamente para apuração 
da infração disciplinar, e se é disciplinar somente pode ser praticada por servidor.
http://egov.ufsc.br/portal/conteudo/t%C3%A9cnica-de-entrevista-e-interrogat%C3%B3rio-para-o-processo
http://egov.ufsc.br/portal/conteudo/t%C3%A9cnica-de-entrevista-e-interrogat%C3%B3rio-para-o-processo
http://direito.folha.uol.com.br/blog/testemunha-x-ru
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Desse modo, fica claro que a finalidade do processo disciplinar militar, a ser conduzido 
pela Administração Militar, é sempre a apuração de uma suposta prática de transgressão 
disciplinar militar. Ao final desse processo, ficando comprovado que houve realmente a 
prática da falta disciplinar apurada, aplica-se a sanção disciplinar correspondente, o que 
será feito pela autoridade competente para isso. Por outro lado, restando apurado que não 
existiu cometimento de transgressão disciplinar, arquiva-se o feito investigatório, afastando-
se a responsabilidade disciplinar do PM acusado, que deverá ser, então, absolvido. 
Especificamente na esfera da Polícia Militar da Bahia, o processo disciplinar militar, 
que é gênero, é dividido em duas espécies: Processo Disciplinar Sumário (PDS) e Processo 
Administrativo Disciplinar (PAD). A primeira espécie é destinada a apuração de falta disciplinar 
a que, em tese, seja aplicável a pena de advertência ou de detenção. Já a segunda espécie 
tem por finalidade apurar as faltas disciplinares para as quais haja previsão, em tese, da pena 
de demissão, apuração esta realizada pela Comissão do Processo Administrativo Disciplinar, 
nomeada pela autoridade competente.
 7.2 Obrigatoriedade do advogado no Processo Disciplinar Militar
A Constituição Federal, no inciso LV do seu artigo 5.º, entre os direitos e garantias 
fundamentais, estabelece que “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e 
aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e 
recursos a ela inerentes” (BRASIL, 1988). Como se percebe, o direito à ampla defesa e ao 
contraditório alcançam tanto os processos judiciais quanto os processos administrativos. 
Acerca desses últimos, o Supremo Tribunal Federal (STF) editou a Súmula Vinculante n.º 5, 
que dispõe: “A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar 
não ofende a Constituição” (BRASIL, 2008).
No entanto, especialmente em relação aos policiais militares do estado da Bahia, será 
imprescindível o exercício de defesa técnica por advogado nos processos administrativos 
disciplinares a que sejam submetidos. Em primeiro lugar, a Constituição do Estado da Bahia, 
no inciso VIII do seu artigo 4.º, estabelece que “toda pessoa tem direito a advogado para 
defender-se em processo judicial ou administrativo, cabendo ao Estado propiciar assistência 
gratuita aos necessitados, na forma da lei” (BAHIA, 1989).
De maneira mais específica, a Lei n.º 7.990/2001 (Estatuto dos Policiais Militares do Estado 
da Bahia), no caput do seu artigo 74, estabelece que “a defesa do acusado será promovida 
por advogado por ele constituído ou por defensor público ou dativo” (BAHIA, 2001). No 
mesmo sentido, no inciso III do seu artigo 70 da Lei n.º 7.990/2001, há a determinação de que 
a citação do PM acusado em processo disciplinar deverá conter, entre outras exigências, “a 
obrigatoriedade do acusado fazer-se representar por advogado” (BAHIA, 2001). 
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Legislação PM para Feitos Investigatórios
Como se vê, o teor da Súmula Vinculante n.º 5 não retirou a obrigatoriedade da defesa 
técnica por advogado nos processos disciplinares no âmbito da Polícia Militar da Bahia. 
Mesmo porque a súmula vinculante em questão não vedou a obrigatoriedade de defesa 
técnica por advogado nos processos administrativos disciplinares. Em vez disso, o Supremo 
Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.º 5, tão somente deixou claro que 
não constitui ofensa à Constituição Federal a falta de defesa por advogado nas hipóteses em 
que não haja essa obrigatoriedade,como é o caso dos processos disciplinares regidos pela 
Lei n.º 8.112/90 (Estatuto dos Servidores Públicos Civis da União). Porém, esse não é o caso 
da Polícia Militar da Bahia, que prevê a obrigatoriedade da defesa por advogado na legislação 
que regula seu processo disciplinar.
Por fim, o futuro sargento PM deve lembrar que a obrigatoriedade do advogado, seja 
constituído pelo acusado, seja dativo ou defensor público, refere-se exclusivamente 
aos processos administrativos — PDS ou PAD —, e não aos procedimentos inquisitivos, 
como a Sindicância e o Inquérito Técnico. Nesses últimos procedimentos poderá haver o 
acompanhamento do feito por um advogado, porém a falta dele não ocasionará nulidade do 
feito.
No intuito de aprofundar um pouco mais o tema estudado, indicamos a leitura do artigo 
intitulado A Lei n.º 9.784/99 e a impossibilidade de sua aplicação nos processos disciplinares 
militares, de Jorge Cesar de Assis, disponível no endereço eletrônico adiante: 
https://jusmilitaris.com.br/sistema/arquivos/doutrinas/lei9784.99.pdf
Chegamos, então, ao final do segundo tema da nossa disciplina, aprofundando nossos 
estudos com alguns conhecimentos mais específicos na apuração disciplinar. Estudamos a 
prescrição e a elisão no âmbito da apuração disciplinar, destacando os aspectos práticos 
em relação a esses institutos. Examinamos as diferenças fundamentais entre o processo 
disciplinar e o procedimento disciplinar, ressaltando os principais pontos que os diferencia. 
Vimos também algumas espécies de oitivas na apuração disciplinar e as particularidades 
de cada uma delas. Observamos ainda o conceito, a finalidade e as espécies do processo 
disciplinar militar. Finalmente, constatamos a obrigatoriedade do advogado nos processos 
disciplinares previstos na esfera da PMBA.
Parabéns por mais essa conquista! E sigamos em frente!
https://jusmilitaris.com.br/sistema/arquivos/doutrinas/lei9784.99.pdf 
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BLOCO 2
FEITOS INVESTIGATÓRIOS EM ESPÉCIE
Prezado(a) Aluno(a),
Iniciaremos agora os estudos do Bloco II da nossa disciplina, que está subdivido em 
dois temas, enfatizando-se nele a teoria aplicada às questões mais práticas da apuração 
disciplinar. Para isso, buscaremos orientá-lo em como percorrer os caminhos técnicos, por 
meio dos diversos atos ordenados, até chegarmos ao final da apuração, seja ela um processo 
(apuração acusatória), seja ela um procedimento inquisitorial (apuração investigativa). É 
importante lembrar que uma boa apuração precisa estar desafetada de preconceito, ou 
seja, o sargento PM, na condição de responsável pelo feito investigatório, precisa entender a 
real necessidade de permanecer como condutor dessa apuração, analisando o fato de forma 
imparcial e jamais se envolvendo “pessoalmente” na situação apurada. Precisa lembrar 
ainda que, antes de tudo, deverá avaliar o documento de origem e, a partir daí, iniciar sua 
trajetória em busca da verdade real. 
Para chegarmos ao objetivo proposto, que é o de lhe proporcionar a aquisição dos 
conhecimentos técnicos e jurídicos necessários à condução dos feitos investigatórios inerentes 
ao seu futuro cargo de 1º Sargento PM, começaremos com a análise dos procedimentos 
investigatórios em espécie, no terceiro tema da disciplina. Nessa parte, examinaremos 
especificamente a Sindicância, com o estudo de sua finalidade, fases, procedimentos e 
prazos, assim como o Inquérito Técnico, compreendendo sua finalidade, características, 
especificidades de sua instauração, prazos e procedimentos.
Por fim, no quarto tema da disciplina, que compõe e completa este Bloco II, serão estudados 
os processos disciplinares militares em espécie. Desse modo, veremos especificamente as 
particularidades de uma das duas espécies de processo disciplinar militar previstas na Polícia 
Militar da Bahia, no caso o Processo Disciplinar Sumário (PDS), que é o mais comum de ser 
apurado pelo 1º sargento PM. Verificaremos, assim, a finalidade, as fases, os procedimentos 
e os prazos desse processo disciplinar militar, buscando sempre a aplicação prática desses 
conhecimentos pelo futuro sargento PM. Desejamos um excelente aprendizado também 
nesta nova etapa do curso!
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TEMA 3
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES MILITARES
8. SINDICÂNCIA
 8.1 Finalidade, fases, procedimentos e prazos na sindicância
À luz do quanto preconiza o artigo 58 do Estatuto dos Militares Estaduais, todas as vezes 
que a autoridade competente tiver conhecimento de um fato que envolva a Administração 
Pública ou um de seus agentes, apontando situação de irregularidade, deve ser de pronto 
investigado, senão vejamos:
Art. 58 - A autoridade que tiver ciência de irregularidade no serviço é obrigada a 
promover a sua imediata apuração mediante sindicância ou processo disciplinar.
Parágrafo único - Quando o fato narrado não configurar evidente infração disciplinar 
ou ilícito penal, a denúncia será arquivada por falta de objeto.
Desse modo, resta clara a necessidade de investigação dos fatos conhecidos, a fim de 
averiguar se existe veracidade ou não. Não existindo fundamento, de acordo com o revelado 
no parágrafo único do artigo 58, o feito deverá ser arquivado. Mas se houver indícios ou 
prova do cometimento de infração disciplinar ou ilícito penal comum ou militar, a situação 
desdobrará para um dos incisos de II a V do artigo 60 da Lei 7.990 de 27 de dezembro de 
2001, conforme veremos a seguir.
O que é Sindicância?
Nos termos dos artigos 204 a 207 da Lei n.º 6.677/94 (Estatuto dos Servidores Públicos Civis 
do Estado da Bahia), é um procedimento administrativo sumário de natureza inquisitorial 
(não possui contraditório) que tem como objetivo apurar a existência de fatos irregulares na 
Administração e determinar os responsáveis, em prazo não superior a 30 dias, podendo ser 
prorrogado por mais a sua metade, a critério da autoridade delegante.
Neste verberamento, fica evidenciado o caráter investigativo da Sindicância, que nos 
remonta a ideia da falta de formalidade processual, haja vista que nesse momento da 
inquisição dos fatos ocorridos, do início até sua elucidação, não há em se falar de cumprimento 
de regras estabelecidas em princípios constitucionais no que se refere à ampla defesa e ao 
contraditório.
No procedimento, em sua modalidade Sindicância ou qualquer outro, pode-se negar ao 
investigado que possa ser assistido por seu defensor?
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Não, nada impede que o investigado possa ser assistido por seu advogado no desenrolar 
do procedimento. Há de se analisar de forma profissional qualquer interferência do defensor 
no sentido de peticionar, solicitando realização de diligência no sentido de produção de 
provas importantes ao desenrolar da investigação, principalmente se a diligência servir para 
comprovação de inocência do investigado. O encarregado precisa agir com muito bom senso.
Entretanto, para que serve a Sindicância no âmbito da Polícia Militar da Bahia?
Vamos responder à luz da Legislação Castrense, qual seja a Lei Estadual n.º 7.990, de 27 
de dezembro de 2001:
Art. 60 - A Sindicância será instaurada para apurar irregularidades ocorridas no serviço 
público, identificando a autoria e materialidade da transgressão, dela podendo resultar:
Nesse aspecto, podemos introduzir em nossos estudos que a Sindicância possui uma 
natureza inquisitorial, ou seja,investigativa. Trocando em miúdos, muito embora nesse 
procedimento busquemos pela autoria e materialidade dos fatos, por sua natureza 
inquisitorial, a Sindicância não pune o servidor. A Sindicância figurará como peça informativa 
do processo administrativo, podendo ter os seguintes desdobramentos ao final, conforme 
previsto nos incisos adiante do art. 60:
I - Arquivamento do procedimento;
Ocorrerá todas as vezes que clareia o parágrafo único do artigo 58 do Estatuto dos Militares 
Estaduais. Assim sendo, após a investigação, resta claro que não houve qualquer ato que 
pudesse ser imputado a Administração Pública ou a qualquer de seus agentes.
II - Instauração de processo disciplinar sumário;
Recairá nessa situação, todas às vezes em que após a adoção dos passos inquisitoriais 
restar claro o envolvimento do policial militar, entretanto na esfera de transgressão de 
normas administrativas devidamente apontadas através do artigo 51, em qualquer de seus 
incisos, podendo a penalidade ser aplicada de acordo com o artigo 52 do mesmo diploma 
legal anteriormente citado, podendo o agente público ser alcançado em até 30 dias de 
detenção. Devendo tal castigo disciplinar ser cumprindo em área livre do quartel. 
III - Instauração de processo administrativo disciplinar;
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Desse modo, todas as vezes que o procedimento da Sindicância achar em seu desfecho 
final violação de qualquer dos preceitos do artigo 57 do Estatuto dos Militares Estaduais, 
ensejará na instauração do PAD. Vejamos quais são eles:
Art. 57 - A pena de demissão, observada as disposições do art. 53 desta Lei, será 
aplicada nos seguintes casos:
I - a prática de violência física ou moral, tortura ou coação contra os cidadãos, pelos 
policiais militares, ainda que cometida fora do serviço;
II - a consumação ou tentativa como autor, co-autor ou partícipe em crimes que o 
incompatibilizem com o serviço policial militar, especialmente os tipificados como:
a) de homicídio (art. 121 do Código Penal Brasileiro);
1.quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que cometido 
por um só agente;
2. qualificado (art. 121, § 2º, I, II, III, IV e V do Código Penal Brasileiro).
b) de latrocínio (art. 157, § 3º do Código Penal Brasileiro, in fine);
c) de extorsão:
1.qualificado pela morte (art. 158, § 2º do Código Penal Brasileiro);
2.mediante seqüestro e na forma qualificada (art. 159, caput e §§ 1º, 2º e 3º do Código 
Penal Brasileiro).
d) de estupro (art. 213 e sua combinação com o art. 223, caput e parágrafo único, 
ambos do Código Penal Brasileiro);
e) de atentado violento ao pudor (art. 214 e sua combinação com art. 223, caput e 
parágrafo único do Código Penal Brasileiro);
f) de epidemia com resultado morte (art. 267, § 1º do Código Penal Brasileiro);
g) contra a fé pública, puníveis com pena de reclusão;
h) contra a administração pública;
i) de deserção.
III - tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins;
IV - prática de terrorismo;
V - integração ou formação de quadrilha;
VI - revelação de segredo apropriado em razão do cargo ou função;
VII - a insubordinação ou desrespeito grave contra superior hierárquico (art. 163 a 166 do CPM);
VIII - improbidade administrativa;
IX - deixar de punir o transgressor da disciplina nos casos previstos neste artigo;
X - utilizar pessoal ou recurso material da repartição ou sob a guarda desta em serviço 
ou em atividades particulares;
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XI - fazer uso do posto ou da graduação para obter facilidades pessoais de qualquer 
natureza ou para encaminhar negócios particulares ou de terceiros;
XII - participar o policial militar da ativa de firma comercial, de emprego industrial 
de qualquer natureza, ou nelas exercer função ou emprego remunerado, exceto como 
acionista ou quotista em sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada;
XIII - dar, por escrito ou verbalmente, ordem ilegal ou claramente inexeqüível, que 
possa acarretar ao subordinado responsabilidade, ainda que não chegue a ser cumprida;
XIV - permanecer no mau comportamento por período superior a dezoito meses, 
caracterizado este pela reincidência de atitudes que importem nas transgressões previstas 
nos incisos I a XX, do art. 51, desta Lei.
Parágrafo único - Aos policiais militares da reserva remunerada e reformados incursos 
em infrações disciplinares para qual esteja prevista a pena de demissão nos termos deste 
artigo e do artigo 53 será aplicada a penalidade de cassação de proventos de inatividade, 
respeitado, no caso dos Oficiais, o disposto no art. 189 deste Estatuto. (Parágrafo único 
acrescido pelo art. 6º da Lei n.º 11.356, de janeiro de 2009).
Essa possibilidade ao término da sindicância é especificada no § 4.º do art. 60: “O processo 
administrativo disciplinar será instaurado quando, em tese, sobre a falta se aplique a pena 
de demissão, mediante a nomeação pela autoridade competente da Comissão do Processo 
Administrativo Disciplinar.”
IV - Instauração de inquérito policial militar;
Temos aqui uma situação inequívoca de que, após a apuração investigativa, ao seu final 
restou claro indício de cometimento de crime militar próprio ou impróprio, devidamente 
tipificado em lei própria, no caso o Código Penal Militar. No que concerne à parte das 
tipificações, bem como o alinhamento do tipo penal com uma das situações previstas no 
artigo 9º do mesmo arcabouço jurídico, conforme podemos ver a seguir:
Art. 9º Consideram-se crimes militares, em tempo de paz: 
I - os crimes de que trata este Código, quando definidos de modo diverso na lei penal 
comum, ou nela não previstos, qualquer que seja o agente, salvo disposição especial; 
(números)
II - os crimes previstos neste Código e os previstos na legislação penal, quando 
praticados: [Redação dada pela Lei nº 13.491, de 2017]
a) por militar em situação de atividade ou assemelhado, contra militar na mesma 
situação ou assemelhado; 
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b) por militar em situação de atividade ou assemelhado, em lugar sujeito à administração 
militar, contra militar da reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil; 
c) por militar em serviço ou atuando em razão da função, em comissão de natureza 
militar, ou em formatura, ainda que fora do lugar sujeito à administração militar contra 
militar da reserva, ou reformado, ou civil; 
d) por militar durante o período de manobras ou exercício, contra militar da reserva, 
ou reformado, ou assemelhado, ou civil;
e) por militar em situação de atividade, ou assemelhado, contra o patrimônio sob a 
administração militar, ou a ordem administrativa militar.
III - os crimes praticados por militar da reserva, ou reformado, ou por civil, contra as 
instituições militares, considerando-se como tais não só os compreendidos no inciso I, 
como os do inciso II, nos seguintes casos: 
a) contra o patrimônio sob a administração militar, ou contra a ordem administrativa militar; 
b) em lugar sujeito à administração militar contra militar em situação de atividade 
ou assemelhado, ou contra funcionário de Ministério militar ou da Justiça Militar, no 
exercício de função inerente ao seu cargo; 
c) contra militar em formatura, ou durante o período de prontidão, vigilância, 
observação, exploração, exercício, acampamento, acantonamento ou manobras; 
d) ainda que fora do lugar sujeito à administração militar, contramilitar em função de 
natureza militar, ou no desempenho de serviço de vigilância, garantia e preservação da 
ordem pública, administrativa ou judiciária, quando legalmente requisitado para aquele 
fim, ou em obediência a determinação legal superior. 
V - Encaminhamento ao Ministério Público, quando resultar provado o cometimento de 
ilícito penal de competência da Justiça Comum.
Por fim, quando houver violação da lei penal comum, haja vista a condição do policial, por 
exemplo, cometer crime durante seu horário de folga sem nenhuma circunstância que possa 
ser aduzida ao crime militar.
É importante notificar que tanto nos casos de indicação de IPM, quanto no caso de 
encaminhamento ao MP, pode-se concomitantemente instaurar um processo administrativo 
disciplinar.
§ 1º - A sindicância poderá ser conduzida por um ou mais policiais militares, que poderão 
ser dispensados de suas atribuições normais, até a apresentação do relatório final.
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Nesse dispositivo, ressalta-se a possibilidade de condução da sindicância por mais de um 
policial militar, realizando-se a apuração por meio de uma comissão. Esse procedimento, 
no entanto, não é muito comum na PMBA, já que, em geral, a sindicância é conduzida por 
um encarregado somente, devendo, então, ser restringido a casos de maior complexidade. 
Também é possível dispensar de suas atribuições normais o encarregado ou os componentes de 
comissão responsáveis pela sindicância, mas essa decisão caberá à autoridade competente.
§ 2º - O prazo para conclusão da sindicância não excederá trinta dias, podendo ser 
prorrogado por metade deste período, a critério da autoridade competente.
Quanto ao prazo da sindicância, não poderá ser superior a 30 (trinta) dias. Perceba-se, 
todavia, que esse prazo poderá ser inferior ao período indicado, sendo estabelecido, por 
exemplo, em 15 (quinze) dias. De todo modo, o prazo será determinado pela autoridade 
competente, que levará em conta a complexidade do fato a ser apurado, dentro dos 
parâmetros temporais citados. Essa mesma autoridade é também quem decidirá sobre a 
prorrogação do feito.
Com a finalidade de se aprofundar o tema em questão, sugerimos a leitura do artigo 
Sindicância: ampla defesa e contraditório? de Daniela Ronconi, disponibilizado no link a 
seguir:
https://jus.com.br/artigos/32023/sindicancia-ampla-defesa-e-contraditorio
9. INQUÉRITO TÉCNICO
 9.1 Finalidade e características do Inquérito Técnico
No âmbito da Polícia Militar da Bahia, o Inquérito Técnico (IT) é um procedimento 
investigatório que tem a finalidade de definir a responsabilidade por danos materiais 
decorrentes de acidentes de trânsito envolvendo viaturas pertencentes à PMBA ou sob sua 
administração. Isso é o que se verifica no artigo 18 do Suplemento Legislação, Jurisprudência 
e Normas Gerais (LJNG) n.º 034, de 29 de agosto de 1995, que é o dispositivo responsável 
por regular o Inquérito Técnico (IT) na esfera da PMBA. 
Como se observa, o emprego do Inquérito Técnico na Polícia Militar da Bahia restringe-
se exclusivamente a situações de acidentes de trânsito envolvendo viaturas da instituição, 
diferentemente do que ocorre em algumas outras instituições militares. O Exército Brasileiro 
(conforme Portaria n.º 10-D Log/2002), por exemplo, assim como a Polícia Militar do Paraná 
https://jus.com.br/artigos/32023/sindicancia-ampla-defesa-e-contraditorio 
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(segundo Portaria n.º 869/2007), utilizam o Inquérito Técnico para investigar a responsabilidade 
por danos ocasionados não só em viaturas, mas também em outros materiais, abrangendo 
outros eventos que não caracterizam acidentes de trânsito. Já na PMBA, para essas 
situações diversas, a exemplo de dano em um rádio de intercomunicação portátil (HT), a 
responsabilidade deverá ser apurada por meio de sindicância ou de inquérito policial-militar 
(IPM), dependendo do caso concreto, mas nunca através de Inquérito Técnico (IT).
Interessante notar que atualmente o Exército 
Brasileiro utiliza a sindicância para apurar situações 
de acidente de trânsito envolvendo suas viaturas, 
confeccionando-se ao final o denominado Parecer 
Técnico (PT). Nesses casos, é dispensado, então, o 
Inquérito Técnico, conforme está previsto na 
Portaria EB n.º 039, de 28 de janeiro de 2010. que 
aprovou as Instruções Gerais para a Apuração d e 
Acidentes Envolvendo Viaturas Pertencentes ao 
Exército e Indenizações de Danos Causados à União e a Terceiros. No entanto, lembre-se 
que não é isso o que ocorre na PMBA, pois continuamos utilizando o Inquérito Técnico para 
essas hipóteses de acidentes de trânsito envolvendo viaturas.
Perceba-se também que o Inquérito Técnico (IT) é mero procedimento investigatório, e 
não um processo. Desse modo, não devemos nos referir ao policial militar envolvido como 
acusado. Lembre-se sempre de tratá-lo por envolvido, declarante ou mesmo investigado, 
mas nunca por acusado, inclusive nos documentos a serem confeccionados durante o feito 
investigatório. Outra implicação de ser o Inquérito Técnico um procedimento de natureza 
inquisitiva, e não um processo, é que não há obrigatoriedade de se assegurar o exercício 
de ampla defesa ou contraditório ao PM envolvido na apuração. Isso não significa que o 
encarregado esteja impedido de oportunizar a ele a apresentação de provas que estejam 
porventura a sua disposição, já que essa permissão, em certas situações, poderá esclarecer 
alguma dúvida acerca de fatos relevantes para a investigação. 
Do mesmo modo, não sendo o Inquérito Técnico um processo, dele não poderá resultar 
nenhuma punição. A aplicação de qualquer penalidade só poderá ocorrer a partir da instauração 
de um devido processo (por exemplo, processo de reparação danos), no qual será garantido 
ao acusado o exercício da ampla defesa e do contraditório. O Inquérito Técnico servirá, 
então, para apontar as causas, circunstâncias e responsabilidades do acidente em questão, 
determinando se houve, por exemplo, imprudência, negligência ou imperícia por parte do 
policial militar envolvido, mas podendo igualmente concluir, se for o caso, que o sinistro foi 
proveniente de caso fortuito ou força maior, inocentando de culpa o referido PM.
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 9.2 Instauração, prazos e procedimentos no Inquérito Técnico
A autoridade competente para mandar instaurar o Inquérito Técnico (IT) é o dirigente 
máximo (comandante, diretor, etc.) da unidade policial-militar a que pertencer a viatura 
envolvida no acidente de trânsito. Também poderá ser uma autoridade superior àquela que 
tenha a devida competência, por exemplo, o Comandante de Policiamento Especializado, em 
relação ao comandante de alguma unidade especializada, ou mesmo o próprio Comandante-
Geral. No § 1.º do artigo 18 do Suplemento Legislação, Jurisprudência e Normas Gerais 
(LJNG) n.º 034, de 29 de agosto de 1995, constam os documentos básicos para a instauração 
desse feito. São eles: a portaria da autoridade competente nomeando o encarregado, o 
documento que motivou a portaria e o boletim ou registro de ocorrência de trânsito.
A autoridade instauradora designará, então, através de publicação da portaria, o 
encarregado para o Inquérito Técnico, o qual deverá confeccionar um parecer ao final da 
apuração, retornando o feito para aquela autoridade após concluí-lo. Uma dúvida recorrente 
sobre o Inquérito Técnico (IT) na esfera da Polícia

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