Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

<p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>Curso de Habilitação de</p><p>Sargentos</p><p>PROCESSOS</p><p>ADMINISTRATIVOS II</p><p>1ª Edição - 2024</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>Espírito Santo. Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social. Polícia</p><p>Militar do Espírito Santo. Apostila de Processos Administrativos II: Polícia Militar do</p><p>Espírito Santo/Espírito Santo. 1. ed. - Vitória: PMES, 2024.</p><p>XXX p.: il, 22cm</p><p>1. Segurança Pública 2. Polícia Militar. I. Título.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>Lista de Abreviaturas</p><p>CEDME CÓDIGO DE ÉTICA E DISCIPLINA DOS MILITARES</p><p>ESTADUAIS</p><p>IPM INQUÉRITO POLICIAL MILITAR</p><p>IPS INVESTIGAÇÃO PRELIMINAR SUMÁRIA</p><p>PAD PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR</p><p>PAD-RS PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR DE RITO</p><p>SUMÁRIO</p><p>PAD-RSS PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR DE RITO</p><p>SUMARÍSSIMO</p><p>PMES POLÍCIA MILITAR DO ESPÍRITO SANTO</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>Sumário</p><p>1. Fase Pré-Processual _________________________________________________________ 4</p><p>1.1. Denúncia de Infração Disciplinar ________________________________________ 4</p><p>1.2. Comunicação de Infração Disciplinar ____________________________________ 5</p><p>1.3. Representação _________________________________________________________ 6</p><p>1.4. Apuração da Infração Disciplinar ________________________________________ 7</p><p>1.5. Manifestação Preliminar _________________________________________________ 8</p><p>2. Procedimentos Disciplinares _________________________________________________ 9</p><p>2.1. Investigação Preliminar Sumária _________________________________________ 9</p><p>2.2. Sindicância Correcional ________________________________________________ 11</p><p>2.2.1. Confecção da Portaria_____________________________________________ 12</p><p>2.2.2. Entrega da Portaria a Autoridade Sindicante ________________________ 13</p><p>2.2.3. Recebimento da Portaria ___________________________________________ 13</p><p>2.2.4. Capa e Autuação da Sindicância __________________________________ 14</p><p>2.2.5. Termo de Abertura _________________________________________________ 16</p><p>2.2.6. Fase de Instrução __________________________________________________ 18</p><p>2.2.7. Juntada de Documentos ___________________________________________ 24</p><p>2.2.8. Acareação ________________________________________________________ 25</p><p>2.2.9. Reprodução Simulada dos Fatos ____________________________________ 26</p><p>2.2.10. Reconhecimento de Pessoas ou Objetos __________________________ 27</p><p>2.2.11. Recolhimento/Apreensão de Objetos _____________________________ 28</p><p>2.2.12. Restituição/Devolução de Objetos ________________________________ 29</p><p>2.2.13. Relatório _________________________________________________________ 29</p><p>2.2.13.1. Introdução ______________________________________________________ 30</p><p>2.2.13.2. Diligências _______________________________________________________ 30</p><p>2.2.13.3. Resumo _________________________________________________________ 31</p><p>2.2.13.4. Análise das Provas _______________________________________________ 31</p><p>2.2.13.5. Conclusão _______________________________________________________ 31</p><p>2.2.14. Roteiro de Atividades e Sequência das Peças da Sindicância</p><p>Correcional ________________________________________________________________ 32</p><p>2.2.15. Resumo da Sindicância Correcional ______________________________ 33</p><p>2.2.16. Breve Resumo de Inquérito Policial Militar (IPM) ____________________ 35</p><p>2.2.17. Breve Resumo de Auto de Prisão em Flagrante Delito (APFD) _______ 35</p><p>3. Processos Administrativos Disciplinares ______________________________________ 37</p><p>3.1. Processo Administrativo Disciplinar de Rito Sumaríssimo (PAD-RSS) _________ 37</p><p>3.1.1. Roteiro de Atividades e Sequência das Peças do PAD-RSS ___________ 37</p><p>3.1.2. Resumo do PAD-RSS ________________________________________________ 38</p><p>3.2. Processo Administrativo Disciplinar de Rito Sumário (PAD-RS)______________ 39</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>3.2.1. Roteiro de Atividades e Sequência das Peças do PAD-RS ____________ 42</p><p>3.2.2. Resumo do PAD-RS _________________________________________________ 43</p><p>4. Orientações Gerais em Relação aos Processos Administrativos Disciplinares __ 44</p><p>4.1. Portaria Delegatória ____________________________________________________ 44</p><p>4.1.1. Suspeição ou impedimento da Autoridade Processante _____________ 45</p><p>4.1.2. Erros na Portaria Delegatória ________________________________________ 46</p><p>4.1.3. Ausência de Fato na Portaria Delegatória ___________________________ 47</p><p>4.2. Autuação _____________________________________________________________ 49</p><p>4.3. Termo de Abertura _____________________________________________________ 50</p><p>4.4. Citação _______________________________________________________________ 51</p><p>4.5. Libelo Acusatório ______________________________________________________ 53</p><p>4.6. Confissão em Defesa Prévia ____________________________________________ 53</p><p>4.7. Oitivas _________________________________________________________________ 54</p><p>4.7.1. Forma _____________________________________________________________ 54</p><p>4.7.2. Registro das Declarações __________________________________________ 56</p><p>4.7.3. Ordem das Testemunhas ___________________________________________ 57</p><p>4.7.4. Ausência de Testemunhas Intimadas ________________________________ 58</p><p>4.7.5. Constrangimento da Testemunha ___________________________________ 58</p><p>4.7.6. Declaração de Testemunha em Processo com Mais de Um Acusado _ 59</p><p>4.7.7. Oitiva de Superior Hierárquico ______________________________________ 59</p><p>4.7.8. Direito ao Silêncio __________________________________________________ 60</p><p>4.7.9. Testemunha Analfabeta ____________________________________________ 61</p><p>4.7.10. Embriaguez ______________________________________________________ 61</p><p>4.7.11. Testemunha Menor de 18 anos ___________________________________ 61</p><p>4.7.12. Consulta a Apontamentos ________________________________________ 62</p><p>4.7.13. Testemunhas em Outras Comarcas _______________________________ 62</p><p>4.7.14. Confecção de Ata _______________________________________________ 62</p><p>4.8. Juntada de Documentos _______________________________________________ 63</p><p>4.9. Acareações ___________________________________________________________ 63</p><p>4.10. Apreensão e Restituição _______________________________________________ 64</p><p>4.11. Reconhecimento ______________________________________________________ 66</p><p>4.12. Reconstituição _________________________________________________________ 67</p><p>4.13. Inspeção ______________________________________________________________ 68</p><p>4.14. Ciência dos Atos Processuais ___________________________________________ 69</p><p>4.15. Recusa do Acusado em Receber Documentos __________________________ 69</p><p>4.16. Negativa do Acusado em Acompanhar os Atos Processuais _____________ 70</p><p>4.17. Ausência de Defensor __________________________________________________ 71</p><p>4.18. Polícia das Sessões _____________________________________________________ 72</p><p>4.19. Denegação de Pedidos ________________________________________________ 73</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>4.20. Sistema de Repetição de Provas ________________________________________ 74</p><p>4.21. Vícios Processuais ______________________________________________________ 74</p><p>4.22. Excesso de Prazo _______________________________________________________ 76</p><p>4.23. Denúncia Anônima ____________________________________________________ 77</p><p>4.24. Afastamentos Médicos do(s) Acusado(s) ________________________________ 78</p><p>4.25. Ocorrência de Fatos Novos _____________________________________________ 80</p><p>4.26. Movimentação Do Acusado</p><p>celebrar o TAC.</p><p>Tem um rito simplificado, em comparação com o PAD de rito Sumário, já que</p><p>suas características principais são a celeridade, oralidade, efetividade,</p><p>simplicidade e economia processual.</p><p>Toda a fase de instrução (tomada de depoimentos, interrogatório e</p><p>alegações finais) se desenvolve numa audiência única.</p><p>Encerrando essa fase, a autoridade processante produzirá o relatório e dará</p><p>ciência da sua decisão ao acusado, momento em que os autos serão</p><p>encaminhados ao Conselho de Ética e Disciplina (CONSED) para deliberação</p><p>e assessoramento da autoridade delegante, que, na solução, concluindo</p><p>pela culpabilidade do acusado, após exaurir a instância recursal, aplicará a</p><p>sanção de advertência ou repreensão, respectivamente para as</p><p>transgressões leves e médias.</p><p>3.1.1. Roteiro de Atividades e Sequência das Peças do PAD-RSS</p><p>FASES PROVIDÊNCIAS</p><p>1. Instauração</p><p>Autuação da documentação encaminhada</p><p>pela Autoridade delegante.</p><p>2. Citação válida</p><p>A autoridade processante providenciará a</p><p>citação do acusado para que tome</p><p>conhecimento da instauração do processo</p><p>administrativo disciplinar.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>38</p><p>3. Libelo Acusatório</p><p>A autoridade processante formulará libelo</p><p>acusatório, expondo o fato com suficiente</p><p>especificidade, de modo a delimitar o objeto da</p><p>acusação e a permitir a plenitude da defesa,</p><p>devendo ser entregue ao acusado quando de</p><p>sua citação.</p><p>2. Defesa Prévia</p><p>Apresentação da defesa escrita, pelo acusado</p><p>ou seu defensor, no prazo de 05 (cinco) dias úteis.</p><p>3. Oitiva das testemunhas de</p><p>acusação e de defesa,</p><p>interrogatório do acusado e</p><p>alegações finais (audiência</p><p>única).</p><p>1. Tomada de depoimentos (acusação e</p><p>defesa)</p><p>2. Juntada de documentos.</p><p>3. Realização de acareações, se necessário.</p><p>4. Interrogatório</p><p>5. Alegações Finais.</p><p>4. Relatório, contendo parecer</p><p>sobre a culpabilidade</p><p>Descrição circunstanciada do que foi apurado</p><p>na investigação sumária, com a conclusão do</p><p>Encarregado do Processo sobre a culpabilidade</p><p>do acusado.</p><p>5. Envio do relatório à defesa</p><p>Intimação do acusado para tomar ciência da</p><p>decisão proferida.</p><p>6. Encaminhamento ao</p><p>CONSED para apreciação e</p><p>parecer</p><p>Remessa ao Conselho de Ética e Disciplina para</p><p>assessorar a decisão da autoridade delegante.</p><p>7. Julgamento da autoridade</p><p>delegante</p><p>1. Análise dos autos pela autoridade</p><p>competente.</p><p>2. Decisão da autoridade competente.</p><p>3. Publicação da decisão em Boletim.</p><p>3.1.2. Resumo do PAD-RSS</p><p>Finalidade e Sujeição</p><p>É instaurado para fins de julgar a conduta de Militares Estaduais acusados de</p><p>terem transgredido a disciplina, garantindo-se ao acusado o direito de ampla</p><p>defesa e do contraditório, nas transgressões de natureza MÉDIA OU LEVE.</p><p>Natureza Jurídica:</p><p>Punitiva.</p><p>Competência.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>39</p><p>A competência para instauração do procedimento será exercida pelas</p><p>autoridades enumeradas no art. 23 do CEDME, observando a garantia da</p><p>instância administrativa.</p><p>Composição</p><p>Superior Hierárquico ao acusado, sendo no mínimo um Sargento.</p><p>Prazo</p><p>20 (vinte) dias, prorrogável, se necessário, por até 05 (cinco) dias para sua</p><p>conclusão.</p><p>Soluções possíveis.</p><p>ABSOLVIÇÃO ou a CULPABILIDADE (advertência ou repreensão) do acusado.</p><p>Art. 131. A autoridade delegante poderá dar ao fato definição jurídica</p><p>diversa da que constar na portaria de instauração e no libelo</p><p>acusatório, desde que o acusado tenha se defendido de tal</p><p>acusação.</p><p>3.2. Processo Administrativo Disciplinar de Rito Sumário (PAD-RS)</p><p>O Processo Administrativo Disciplinar de Rito Sumário tem previsão no CEDME,</p><p>inicialmente, em seu Art. 140.</p><p>Frise-se que a instauração do PAD-RS ocorre mediante portaria da autoridade</p><p>competente, que além da delegação de tais atribuições a um encarregado,</p><p>contém: a) o nome da autoridade responsável pela instauração; b) o nome</p><p>do acusado; c) o nome do encarregado (que age por delegação); d) a</p><p>descrição da espécie de processo (in casu, PAD-RS); e) a descrição, ainda</p><p>que sucinta, do fato e das principais circunstâncias que o envolvem</p><p>(acusação); f) a tipificação da transgressão praticada.</p><p>Diferentemente do que ocorre na sindicância, o PAD-RS deve garantir ao</p><p>acusado o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa,</p><p>conforme inclusive prevê expressamente o inciso IV do art. 3º do CEDME.</p><p>Quanto ao prazo, o PAD-RS deve tramitar em 30 (trinta) dias, prorrogáveis por</p><p>até 10 (dez), e se desenvolve nas seguintes fases: I - instauração; II - citação</p><p>válida; III - libelo acusatório; IV - defesa prévia; V - oitiva das testemunhas de</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>40</p><p>acusação e de defesa, interrogatório do acusado e alegações finais; VI -</p><p>relatório, contendo o parecer sobre a culpabilidade; VII - envio do relatório à</p><p>defesa; VIII - encaminhamento ao CONSED para apreciação e parecer; IX -</p><p>julgamento da autoridade delegante.</p><p>Assim, a tramitação desse processo deve seguir o “roteiro de atividades e</p><p>sequencia de peças”, apresentado em seguida.</p><p>As três primeiras fases englobam os seguintes momentos: a) elaboração da</p><p>Portaria pela Autoridade competente e sua entrega ao Encarregado,</p><p>juntamente com os anexos; b) a elaboração, pelo Encarregado, da Citação</p><p>e do Libelo Acusatório, e sua entrega ao acusado.</p><p>A fase seguinte, isto é, a Defesa Prévia, corresponde ao momento no qual o</p><p>acusado tem a possibilidade de, por escrito, refutar toda a acusação e</p><p>apontar as provas que deseja produzir. Importante salientar nesse aspecto</p><p>que a autoridade processante deve dar ao acusado a possibilidade de</p><p>manifestação, porém se este se negar a apresentar a defesa prévia o</p><p>processo seguirá normalmente. Dessa forma, tal omissão da defesa em nada</p><p>atrapalha a marcha processual, porém mesmo assim a autoridade</p><p>processante deverá intimar o acusado para os atos que se realizarão. Vale</p><p>dizer: a omissão do acusado quanto ao acompanhamento de determinado</p><p>ato processual do qual teve ciência não permite ao encarregado deixar de</p><p>intimá-lo para atos futuros.</p><p>Já a fase de instrução (oitiva das testemunhas de acusação e de defesa,</p><p>interrogatório do acusado e alegações finais) corresponde à fase na qual são</p><p>realizadas as diligências aptas ao esclarecimento da verdade. Tais diligências</p><p>são variáveis de acordo com o caso concreto, e poderão englobar a tomada</p><p>de depoimentos, a realização de perícias, a juntada de documentos, a</p><p>realização de acareações, o interrogatório do acusado, etc. É livre, portanto,</p><p>a autoridade processante, na condução do processo, que há de oscilar entre</p><p>as diligências requeridas pela defesa e aquelas que ele (autoridade</p><p>processante) julgar necessárias. O único cuidado, então, que se deve ter</p><p>nessa fase é o de garantir ao acusado o pleno exercício de seu direito de</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>41</p><p>contraditório e ampla defesa, algo que se faz lhe dando ciência da realização</p><p>dos atos e permitindo sua manifestação.</p><p>Finaliza essa fase com as alegações finais de defesa. É esse o momento no</p><p>qual tem a possibilidade de expor suas razões depois de procedida a instrução</p><p>processual. O acusado pode, e deve, refutar as acusações existentes no</p><p>processo demonstrando por meio de exercício de argumentação os motivos</p><p>pelos quais se considera inocente. Nesse particular, uma boa defesa é aquela</p><p>na qual o interessado não se restringe a manifestar-se apenas sobre o todo</p><p>(culpa ou inocência), mas que adentra aos pormenores, inclusive para</p><p>apontar, por exemplo, a errônea tipificação da transgressão, a ausência de</p><p>circunstâncias atenuantes, o excesso de circunstâncias agravantes, dentre</p><p>outros.</p><p>Por fim, as fases finais que compreendem o relatório da autoridade</p><p>processante a ciência do resultado, o encaminhamento ao CONSED e o</p><p>julgamento da Autoridade competente. No relatório, que</p><p>é peça opinativa,</p><p>a autoridade processante faz uma síntese de tudo aquilo que foi apurado nos</p><p>autos, emitido de modo circunstanciado um juízo de valor acerca da</p><p>culpabilidade do acusado. Manifesta-se sobre a tese da acusação, as</p><p>alegações da defesa, o resultado das provas colhidas, enfim: sobre todos os</p><p>elementos que contribuíram para formar sua convicção, seja pela culpa seja</p><p>pela inocência do acusado. Pode até mesmo apontar para a existência de</p><p>uma transgressão diversa quando o fato praticado se enquadrar melhor em</p><p>uma outra tipificação, pois não é demais lembrar que o acusado se defende</p><p>do fato que lhe é imputado, e não de sua tipificação legal. Uma vez concluído</p><p>o relatório, deve a autoridade processante dar conhecimento de seu parecer</p><p>ao acusado para depois encaminhar ao CONSED.</p><p>O Conselho de Ética e Disciplina analisará os autos e emitirá um parecer para</p><p>assessorar a autoridade delegante e somente após esse parecer que os autos</p><p>são encaminhados à autoridade competente, a quem compete a decisão</p><p>final. No julgamento, tal Autoridade aprecia todo o conjunto probatório</p><p>existente e, de modo fundamentado, expõe se aceita ou não o parecer do a</p><p>autoridade processante ou do CONSED. Deve, portanto, motivar</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>42</p><p>adequadamente sua decisão, expondo as razões de fato e de direito pelas</p><p>quais concluiu pela “culpa” ou pela “inocência” do acusado.</p><p>Cabe acrescer que caso a decisão final seja pela responsabilidade do</p><p>acusado, a Autoridade competente a um só tempo o considera culpado e</p><p>impõe a pena disciplinar cabível, que em se tratando de PAD-RS será</p><p>Suspensão, com possibilidade de conversão a multa.</p><p>3.2.1. Roteiro de Atividades e Sequência das Peças do PAD-RS</p><p>FASES PROVIDÊNCIAS</p><p>1. Instauração</p><p>Autuação da documentação encaminhada pela</p><p>Autoridade delegante.</p><p>2. Citação válida</p><p>A autoridade processante providenciará a citação</p><p>do acusado para que tome conhecimento da</p><p>instauração do processo administrativo disciplinar.</p><p>3. Libelo Acusatório</p><p>A autoridade processante formulará libelo</p><p>acusatório, expondo o fato com suficiente</p><p>especificidade, de modo a delimitar o objeto da</p><p>acusação e a permitir a plenitude da defesa,</p><p>devendo ser entregue ao acusado quando de sua</p><p>citação.</p><p>4. Defesa Prévia</p><p>Apresentação da defesa escrita, pelo acusado ou</p><p>seu defensor, no prazo de 05 (cinco) dias úteis.</p><p>5. Oitiva das testemunhas de</p><p>acusação e de defesa,</p><p>interrogatório do acusado e</p><p>alegações finais.</p><p>1. Tomada de depoimentos (acusação e defesa)</p><p>2. Juntada de documentos.</p><p>3. Realização de perícias e diligências, se</p><p>necessário.</p><p>4. Realização de acareações, se necessário.</p><p>5. Interrogatório</p><p>6. Alegações Finais, no prazo de 05 (cinco) dias</p><p>úteis.</p><p>6. Relatório, contendo</p><p>parecer sobre a</p><p>culpabilidade</p><p>Descrição circunstanciada do que foi apurado na</p><p>investigação sumária, com a conclusão do</p><p>Encarregado do Processo sobre a culpabilidade do</p><p>acusado</p><p>7. Envio do relatório à defesa</p><p>Intimação do acusado para tomar ciência da</p><p>decisão proferida</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>43</p><p>8. Encaminhamento ao</p><p>CONSED para apreciação e</p><p>parecer</p><p>Remessa ao Conselho de Ética e Disciplina para</p><p>assessorar a decisão da autoridade delegante.</p><p>9. Julgamento da autoridade</p><p>delegante</p><p>1. Análise dos autos pela autoridade competente.</p><p>2. Decisão da autoridade competente.</p><p>3. Publicação da decisão em Boletim.</p><p>3.2.2. Resumo do PAD-RS</p><p>Finalidade e Sujeição</p><p>É instaurado para fins de julgar a conduta de Militares Estaduais acusados de</p><p>terem transgredido a disciplina, garantindo-se ao acusado o direito de ampla</p><p>defesa e do contraditório, nas transgressões de natureza GRAVE.</p><p>Natureza Jurídica:</p><p>Punitiva.</p><p>Competência.</p><p>A competência para instauração do procedimento será exercida pelas</p><p>autoridades enumeradas no art. 23 do CEDME, observando a garantia da</p><p>instância administrativa.</p><p>Composição</p><p>Superior Hierárquico ao acusado, sendo no mínimo um Sargento.</p><p>Prazo</p><p>30 (trinta) dias, prorrogável, se necessário, por até 10 (dez) dias para sua</p><p>conclusão.</p><p>Soluções possíveis.</p><p>ABSOLVIÇÃO ou a CULPABILIDADE (suspensão) do acusado.</p><p>Art. 131. A autoridade delegante poderá dar ao fato definição jurídica</p><p>diversa da que constar na portaria de instauração e no libelo</p><p>acusatório, desde que o acusado tenha se defendido de tal</p><p>acusação e essa medida não importe em prejuízo à ampla defesa.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>44</p><p>4. Orientações Gerais em Relação aos</p><p>Processos Administrativos Disciplinares</p><p>4.1. Portaria Delegatória</p><p>A portaria é o meio pelo qual se formaliza a instauração do processo. Para</p><p>tanto, a autoridade delegante deve possuir ascendência funcional tanto</p><p>sobre o acusado quanto sobre o militar estadual escolhido para atuar como</p><p>autoridade processante, e este sobre os envolvidos.</p><p>A Portaria é lavrada na Seção da Unidade encarregada de assessorar o</p><p>Comando em matéria de ordem disciplinar e, depois de pronta, deve ser</p><p>publicada e entregue ao encarregado juntamente com os documentos</p><p>constantes do anexo.</p><p>A Portaria deve trazer expressas as seguintes informações: a) nome da</p><p>autoridade; b) nome do encarregado; c) nome dos acusados; c) resumo da</p><p>acusação, indicando seus principais elementos de identificação, tais como,</p><p>dia, hora, local, envolvidos, vítima (caso haja); d) transgressão imputada; e)</p><p>elementos de identificação (OME, Seção, número, data).</p><p>No momento em que recebe a portaria de designação, a autoridade</p><p>processante deve dispensar especial atenção quanto ao prazo de conclusão</p><p>dos trabalhos, pois nesse momento marca-se o início da contagem do prazo</p><p>regulamentar concedido para concluir os trabalhos.</p><p>Outro ponto importante refere-se à conferência da documentação registrada</p><p>como anexo à portaria e também de possíveis materiais (objetos e armas)</p><p>nela discriminados, pois é possível que embora descritos no corpo desse</p><p>documento, tais materiais, por erro, não tenham sido enviados a autoridade</p><p>processante.</p><p>Resumindo, na ocasião do recebimento da portaria, a autoridade</p><p>processante deve atentar para os seguintes pontos:</p><p>a) envolvimento de militar estadual com posto ou graduação superior ou mais</p><p>antigo que o encarregado (a necessidade de inquirir superior hierárquico na</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>45</p><p>condição de testemunha não impede o encarregado de presidir a</p><p>apuração);</p><p>b) falta de algum documento, que embora descrito no anexo, não tenha sido</p><p>entregue junto com a portaria;</p><p>c) falta de objeto, sobretudo munição, ou objeto pequeno, que venha</p><p>descrito como apenso ao expediente;</p><p>d) questões de foro íntimo, tais como ser amigo pessoal ou inimigo de algum</p><p>dos envolvidos, grau de parentesco, etc., conforme adiante se vê, ou seja,</p><p>situações que retiram a imparcialidade do encarregado.</p><p>4.1.1. Suspeição ou impedimento da Autoridade Processante</p><p>As regras relativas à suspeição e impedimento do encarregado do PAD</p><p>contam nos artigos 91 a 93 do CEDME e 37 e 38 do CPPM (aplicáveis</p><p>subsidiariamente por força do artigo 183 do CEDME). São impedidos de atuar</p><p>no PAD quem:</p><p>I - quando formulou a acusação;</p><p>II - quando houver se pronunciado sobre a questão em outro procedimento</p><p>ou processo administrativo disciplinar;</p><p>III - caso tenha com a vítima, o acusador ou o acusado parentesco</p><p>consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral até terceiro grau;</p><p>IV - em que possuir cônjuge ou parente consanguíneo ou afim, em linha reta</p><p>ou colateral, que tenha atuado como advogado ou defensor do acusado;</p><p>V - em que tenha servido de testemunha sobre a questão;</p><p>VI - em que figure como parte cliente do escritório de advocacia de seu</p><p>cônjuge, companheiro ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou</p><p>colateral, até o terceiro grau, inclusive, mesmo que patrocinado por</p><p>advogado de outro escritório.</p><p>São suspeitos de atuar no PAD quem:</p><p>I - for amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes ou de seus advogados;</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>46</p><p>II - receber presentes de pessoas que tiverem interesse na causa antes ou</p><p>depois de iniciado o processo ou que aconselhar alguma das partes acerca</p><p>do objeto da causa;</p><p>III - qualquer das partes for sua credora ou devedora, de seu cônjuge ou</p><p>companheiro ou de parentes destes, em linha reta até o terceiro grau,</p><p>inclusive;</p><p>IV - interessado no julgamento do processo em favor de qualquer das partes.</p><p>4.1.2. Erros na Portaria Delegatória</p><p>O erro material na Portaria, ou seja, o erro crasso, pode ser corrigido pelo</p><p>própria autoridade processante no momento da confecção do Libelo</p><p>Acusatório. São exemplos de erro material as incorreções relativas ao nome,</p><p>RG, data, etc. O erro quanto ao enquadramento também pode ser corrigido</p><p>pelo encarregado quando tal situação for manifesta, todavia nesse caso o</p><p>recomenda-se consultar o Cartório da Unidade a fim de que se manifeste</p><p>sobre se deseja retificar a portaria.</p><p>Jurisprudência sobre o tema:</p><p>STF RHC 106397/MS – Rel. Min. Ricardo Lewandowski –15/02/2011 – 1ª</p><p>Turma</p><p>EMENTA: RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL</p><p>PENAL. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE ADVOGADO NO</p><p>INTERROGATÓRIO DA RÉ. INOCORRÊNCIA. DEFENSOR PÚBLICO</p><p>PRESENTE. FALTA DE ASSINATURA NO TERMO DE AUDIÊNCIA. ERRO</p><p>MATERIAL. VERIFICAÇÃO POR MEIO DE MERA ANÁLISE DE</p><p>DOCUMENTOS. DESNECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA.</p><p>CONDENAÇÃO TRANSITADA EM JULGADO. PRECLUSÃO.</p><p>DESPROVIMENTO DO RECURSO.</p><p>STF RHC 97667/DF – Rel. Min. Ellen Gracie – 09/06/2009 – 2ª Turma</p><p>EMENTA: PROCESSUAL PENAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS</p><p>CORPUS. CRIME DE TRÁFICO INTERNACIONAL DE DROGAS. NULIDADES.</p><p>INEXISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE EFETIVO PREJUÍZO.</p><p>PRECEDENTES DO STF. ERRO MATERIAL NO NOME DO ACUSADO</p><p>CORRIGIDO POR MEIO DE EMBRAGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO</p><p>DESPROVIDO. [...] 9. Por fim, a citação pela Juíza do nome do réu</p><p>Carlos Alberto Simões na sentença condenatória do recorrente foi</p><p>mero erro material e restou devidamente corrigido por meio de</p><p>embargos declaratórios. 10. Ante o exposto, nego provimento ao</p><p>recurso.</p><p>STF HC 88711/MG – Rel. Min. Carlos Britto – 21/06/2007 – 1ª Turma</p><p>EMENTA: HABEAS CORPUS. ALEGADO CONSTRANGIMENTO ILEGAL.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>47</p><p>REFORMA DA PENA IMPOSTA PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.</p><p>ERRO MATERIAL GROSSEIRO. CORREÇÃO DA PENA IMPOSTA EM</p><p>BENEFÍCIO DO PACIENTE. ORDEM DENEGADA. Não há ilegalidade na</p><p>decisão do Superior Tribunal de Justiça que, excluindo erro material</p><p>grosseiro de sentença confirmada pelo acórdão estadual, faz da</p><p>pena-base a pena definitiva. Erro material na dosimetria da pena não</p><p>é causa de nulidade do Processo Penal. Ordem denegada.</p><p>STJ HC 166875/SP – Rel. Min. Og Fernandes – 14/02/2012 – 6ª</p><p>TurmaEmenta: HABEAS CORPUS. DESCAMINHO. ALEGAÇÃO DE</p><p>CERCEAMENTO DE DEFESA POR VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA</p><p>CONGRUÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. PRESENÇA DE MERO ERRO</p><p>MATERIAL, SANADO PELA CORTE REGIONAL. NULIDADE POR AUSÊNCIA</p><p>DE COMPROVAÇÃO DA MATERIALIDADE DELITIVA. EXISTÊNCIA DE</p><p>LAUDO PERICIAL ATESTANDO A PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA DA</p><p>MERCADORIA.</p><p>1. Não há falar em mutatio ou em emendatio libelli quando se</p><p>constata a existência de mero erro material na sentença,</p><p>oportunamente corrigido pela Corte Regional.</p><p>2. No caso, o Magistrado singular fez mera alusão à alínea "c" do art.</p><p>334, § 1º, do CP, embora tenha narrado as condutas que caracterizam</p><p>efetivamente a prática da conduta descrita no pleito acusatório, a</p><p>saber, o delito inscrito no art. 334, § 1º, "d", do mesmo Códex. [...].</p><p>STJ AgRg no HC 152525/MG – Rel. Min. Marco A. Belizze – 14/02/2012 –</p><p>5ª Turma</p><p>Ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PRINCÍPIO DA</p><p>COLEGIALIDADE.AUSÊNCIA DE DEFENSOR NO INTERROGATÓRIO.</p><p>NULIDADE ABSOLUTA. PRESENÇADO DEFENSOR. AUSÊNCIA DE</p><p>ASSINATURA. ERRO MATERIAL. PRECLUSÃO. FALTADE DEMONSTRAÇÃO</p><p>DE PREJUÍZO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE.</p><p>[...]</p><p>2. Declarada presença do defensor no interrogatório, a ausência da</p><p>assinatura deste caracteriza mero erro material, incapaz de gerar</p><p>nulidade no feito.</p><p>3. Nulidade não arguída em momento oportuno, caracterizando a</p><p>ocorrência da preclusão.</p><p>4. Não há que se falar em nulidade do ato processual, sem que haja</p><p>comprovação do fato ter acarretado efetivo prejuízo para as partes -</p><p>princípio do pas de nullité sans grief.</p><p>5. Agravo regimental a que se nega provimento.</p><p>4.1.3. Ausência de Fato na Portaria Delegatória</p><p>Diferentemente do que ocorre na sindicância, onde existe a possibilidade de</p><p>o sindicante expandir o objeto da investigação para abarcar fatos correlatos,</p><p>a autoridade processante atua tão somente nos estritos limites a ele impostos</p><p>na portaria delegatória, porquanto nesse caso a própria Autoridade</p><p>delegante já delimitou o objeto da acusação. Pode o encarregado, na</p><p>formulação do Libelo Acusatório, pormenorizar a acusação, mas jamais trazer</p><p>fatos não contidos na portaria delegatória. Assim, a ausência de fatos na</p><p>portaria (mas que constam de seus anexos) deverá ser informada à</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>48</p><p>Autoridade para que esta adote a medida que julgar cabível, isto é:</p><p>retificação ou não da portaria.</p><p>Jurisprudência sobre o tema:</p><p>STJ MS5316/DF – Rel. Min. Fernando Gonçalves – 03/11/1998 – 3ª Seção</p><p>EMENTA: MANDADO DE SEGURANÇA. PORTARIA INAUGURAL.</p><p>PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. INÉPCIA. NULIDADE.</p><p>1. A portaria inaugural, no processo administrativo, deve explicitar os</p><p>atos ilícitos atribuídos ao acusado, sob pena de nulidade, por inépcia,</p><p>sem prejuízo do oferecimento de outra, revestida das formalidades</p><p>legais, pois ninguém pode defender-se eficazmente sem pleno</p><p>conhecimento das acusações que lhe são imputadas.</p><p>2. No processo administrativo disciplinar cumpre sejam assegurados o</p><p>contraditório, a ampla defesa e observado a garantia constitucional</p><p>do devido processo legal.</p><p>3. Segurança concedida.</p><p>STJ RMS 10598/PA – Rel. Min. Vicente Leal – 22/11/1999</p><p>EMENTA: CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. MANDADO DE</p><p>SEGURANÇA. SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL. DEMISSÃO. ILÍCITO</p><p>ADMINISTRATIVO. INQUÉRITO DISCIPLINAR. INSTAURAÇÃO. DIREITO DE</p><p>DEFESA. INEXISTÊNCIA.</p><p>- A instauração do processo disciplinar é efetuada mediante ato da</p><p>autoridade administrativa em face de irregularidades funcionais</p><p>praticadas pelo servidor público, o qual deve conter a descrição e</p><p>qualificação dos fatos, a acusação imputada e seu enquadramento</p><p>legal, além da indicação dos integrantes da Comissão de Inquérito.</p><p>- O inquérito administrativo disciplinar instaurado para apuração da</p><p>prática de ilícito administrativo mediante Portaria que não contém a</p><p>descrição dos fatos imputados ao servidor público contém grave vício</p><p>de nulidade, porque afronta os princípios do contraditório e da ampla</p><p>defesa.</p><p>- Recurso Ordinário Provido.</p><p>STJ ROMS 20481/MT – Rel. Min. Gilson Dipp – 11/09/2006</p><p>EMENTA: ADMINISTRATIVO. AGENTE DE TRIBUTOS ESTADUAIS. PROCESSO</p><p>ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. NULIDADES. OFENSA AO DEVIDO</p><p>PROCESSO LEGAL. INOCORRÊNCIA. [...]. PORTARIA INAUGURAL.</p><p>AUSÊNCIA DE IRREGULARIDADE. [...].</p><p>[...]</p><p>III – Consoante entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a</p><p>portaria de instauração do processo disciplinar prescinde de</p><p>minuciosa descrição dos fatos imputados, sendo certo que a</p><p>exposição pormenorizada dos acontecimentos se mostra necessária</p><p>somente quando do indiciamento do servidor. Precedentes.</p><p>IV - Aplicável o princípio do "pas de nullité sans grief", pois a nulidade</p><p>de ato processual exige a respectiva comprovação de prejuízo. In</p><p>casu, o servidor teve pleno conhecimento dos motivos ensejadores da</p><p>instauração do processo disciplinar. Houve, também, farta</p><p>comprovação do respeito aos princípios constitucionais do devido</p><p>processo</p><p>legal, contraditório e ampla defesa, ocasião em que a</p><p>indiciada pôde apresentar defesa escrita e produzir provas.</p><p>[...]</p><p>VII - Recurso desprovido.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>49</p><p>4.2. Autuação</p><p>A autuação é um termo, ou seja, Termo de Autuação, lavrado na capa do</p><p>processo (Termo de Autuação ou simplesmente Autuação). A finalidade do</p><p>termo é registrar e marcar a primeira medida solene adotada pelo</p><p>encarregado, ou seja, o momento em que ele, de posse dos primeiros</p><p>documentos (aqueles que lhe foram entregues juntamente com a portaria),</p><p>os transforma em autos, passando de um simples amontoado de folhas, às</p><p>vezes até mesmo fora de ordem, a um processo com folhas organizadas,</p><p>numeradas e rubricadas. Toda a documentação inicial é encartada,</p><p>passando à forma de autos, daí a denominação “autuação”.</p><p>Além da autuação, a primeira folha do processo é também sua capa, e serve</p><p>para proteção das demais peças. Assim, na parte inferior da capa consta o</p><p>Termo de Autuação e em sua parte superior os elementos de identificação,</p><p>tais como nome e número do processo, nome do encarregado e nome dos</p><p>acusados.</p><p>Devido à sua destinação, o ideal é que a capa seja de material diferenciado,</p><p>tanto na espessura como no tamanho, possibilitando assim a conservação e</p><p>também uma boa aparência e apresentação do processo.</p><p>Frise-se que o zelo dispensado pelo encarregado nessa etapa resulta em autos</p><p>com boa apresentação. O contrário, contudo, certamente resultará em um</p><p>processo com aparência desarrumada e desleixada, algo que,</p><p>independentemente do conteúdo da investigação, repercutirá</p><p>negativamente na reputação da autoridade processante. O desleixo e falta</p><p>de zelo podem, inclusive, acarretar responsabilidade disciplinar.</p><p>Resumindo, temos o seguinte:</p><p>a) a Capa/Autuação é a primeira folha do processo, em seguida, devem ser</p><p>encartada a portaria e seus anexos;</p><p>b) a finalidade da capa é dar proteção a todos os documentos que</p><p>compõem o processo;</p><p>c) a finalidade do Termo de Autuação transformar em autos os documentos</p><p>recebidos pelo encarregado. Assim, autuar significa encartar em ordem</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>50</p><p>cronológica todas as folhas;</p><p>d) por ser a primeira folha, a Capa/Autuação é a folha de número 01, mas</p><p>esse número não deve vir expresso no canto superior direito, conforme ocorre</p><p>com as demais folhas. A Capa/Autuação também não recebe rubrica, ao</p><p>contrário das demais folhas;</p><p>e) para uma boa apresentação do processo, a capa não deve ser de papel</p><p>comum (no tamanho e na espessura), pois tal material não protege os</p><p>documentos;</p><p>f) a elaboração da Capa/Autuação, deve ser a primeira providência</p><p>adotada pelo encarregado;</p><p>g) a partir da autuação, todas as folhas são numeradas e rubricadas pelo</p><p>encarregado da sindicância, na ordem cronológica em que forem</p><p>acrescendo os autos;</p><p>h) cada volume do processo deve conter no máximo 200 folhas; havendo</p><p>excedente, o encarregado deverá autuar outro volume (segundo volume),</p><p>ou quantos forem necessários, unindo-os por meio de amarração.</p><p>4.3. Termo de Abertura</p><p>Como o próprio nome informa, o Termo de Abertura é um termo cuja</p><p>finalidade é registrar formalmente o momento em que foram realizadas as</p><p>primeiras diligências da fase de instrução, assinalando o início da marcha</p><p>processual. A peça é elaborada pelo encarregado logo após a autuação de</p><p>toda a documentação inicial, vez que já conferiu da Portaria e seus anexos.</p><p>Embora seja a segunda peça a ser confeccionada pela autoridade</p><p>processante, o Termo de Abertura vem depois do último documento que</p><p>integra os anexos da portaria de instauração, assinalando de modo claro</p><p>onde se inicia a “produção do encarregado”, resultando na seguinte</p><p>sequência: 1) Capa/Autuação; 2) portaria; 3) anexos da portaria; 4) Termo de</p><p>Abertura.</p><p>Imediatamente após a lavratura do Termo de Abertura, torna-se</p><p>imprescindível que a autoridade processante proceda a uma leitura atenta</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>51</p><p>de toda a documentação, com especial atenção ao que se determina na</p><p>portaria, para só a partir de então iniciar seus trabalhos. Assim, já de posse das</p><p>informações existentes – e principalmente tendo ciência sobre onde reside a</p><p>dúvida – aconselha-se que o Encarregado elabore um planejamento inicial</p><p>sobre como deverá desenvolver seu trabalho de investigação:</p><p>a) quais são os pontos a ser esclarecidos?</p><p>b) onde estão as contradições ou omissões?</p><p>c) quem testemunhou os fatos?</p><p>d) quais pessoas deve ouvir?</p><p>e) quais documentos são importantes juntar?</p><p>f) quais as principais perguntas a cada uma das testemunhas?</p><p>g) como as dúvidas mais importantes poderão ser elucidadas?</p><p>Dessa forma, deve-se buscar ao longo do processo esclarecer sobre: QUEM,</p><p>O QUE, QUANDO, ONDE, COMO, e POR QUÊ?</p><p>Note-se que se de início já há resposta para algumas delas (situação que</p><p>pode ocorrer), cabe ao encarregado buscar responder às demais. Diante</p><p>desses questionamentos, e daquilo que ainda falta esclarecer ou atestar, o</p><p>encarregado escolherá as pessoas (ou até mesmo as coisas) com as quais, no</p><p>curso do processo, poderá confirmar ou não a acusação.</p><p>4.4. Citação</p><p>A citação constitui meio pelo qual a autoridade processante dá ao acusado</p><p>ciência oficial acerca da instauração do processo administrativo disciplinar,</p><p>devendo para tanto observar as formalidades do artigo 101 a 103 do CEDME,</p><p>que prevê:</p><p>Art. 101. A autoridade processante providenciará a citação do</p><p>acusado para que tome conhecimento da instauração do processo</p><p>administrativo disciplinar.</p><p>§ 1º A recusa do acusado em apor assinatura na cópia da citação</p><p>será certificada pela autoridade processante ou pessoa encarregada</p><p>de efetuar a citação, que relacionará 02 (duas) testemunhas</p><p>instrumentárias, após leitura de todos os termos da citação.</p><p>§ 2º O mandado de citação deverá estar acompanhado do libelo</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>52</p><p>acusatório e de cópia de todos os documentos que fundamentam a</p><p>acusação.</p><p>Art. 102. A citação poderá ser feita em qualquer lugar em que se</p><p>encontre o acusado:</p><p>I - mediante mandado;</p><p>II - por mandado ou precatória quando se tratar de militar da Reserva</p><p>Remunerada;</p><p>III - por edital:</p><p>a) quando o acusado se ocultar ou opuser obstáculo para não ser</p><p>citado;</p><p>b) quando o acusado estiver em lugar incerto ou não sabido.</p><p>§ 1º Nos casos das alíneas “a” e “b” do inciso III do caput deste artigo,</p><p>a autoridade processante depois de determinar a citação pessoal do</p><p>acusado, por 02 (duas) vezes, inclusive no endereço de sua residência</p><p>constante em banco de dados oficiais, em dias e horários diferentes,</p><p>certificará, cada vez, a impossibilidade de sua efetivação e o motivo.</p><p>§ 2º O militar estadual deverá informar o endereço residencial que</p><p>deseja receber as intimações no processo.</p><p>§ 3º A citação por edital estipulará dia, hora e local em que deverá se</p><p>apresentar à autoridade processante e a advertência de que o não</p><p>comparecimento do acusado acarretará decretação de revelia.</p><p>§ 4º Para militar da ativa, o edital de citação será publicado em</p><p>Boletim Geral da respectiva Corporação por 02 (duas) vezes, no</p><p>intervalo mínimo de 07 (sete) dias, em vias de igual teor.</p><p>§ 5º O edital de citação para militar inativo será publicado em Diário</p><p>Oficial do Estado, em 02 (duas) publicações de igual teor, com</p><p>intervalo mínimo de 20 (vinte) dias entre cada publicação.</p><p>Art. 103. Estando o acusado preso, será requisitada à autoridade</p><p>competente a sua participação remota por videoconferência, em dia</p><p>e hora previamente designados para ser citado.</p><p>Parágrafo único. Não sendo possível a utilização de tecnologia remota</p><p>para citação, será requisitada à autoridade competente a</p><p>apresentação do acusado perante a autoridade processante, em</p><p>dia, hora e local previamente designado para o ato processual</p><p>Cumpre evidenciar que a citação do acusado é essencial à demonstração</p><p>de que, efetivamente, efetivou-se a relação jurídica acusação/defesa, razão</p><p>pela qual se mostra de suma importância estar tal circunstância cabalmente</p><p>demonstrada nos autos, mormente quando o processo corre à revelia do</p><p>acusado.</p><p>Todavia, se por um motivo qualquer a citação não tenha sido procedida, tal</p><p>circunstância pode constituir apenas mera irregularidade, desde que</p><p>evidentemente esteja demonstrado que o acusado tomou conhecimento da</p><p>acusação e exerceu o direito à ampla defesa. Exemplo: mesmo sem ser</p><p>citado formalmente, apresentou defesa prévia, foi interrogado, apresentou</p><p>alegações finais.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>53</p><p>4.5. Libelo Acusatório</p><p>Constitui uma máxima em matéria de processo administrativo (“importada”</p><p>do processo penal) a circunstância de que o acusado se defende dos fatos a</p><p>ele imputados e não de sua tipificação legal, razão pela qual o elemento mais</p><p>importante de um libelo é a descrição fática.</p><p>Recomenda-se que a autoridade processante, no libelo, explicite com a</p><p>maior clareza possível o fato atribuído ao acusado, desde que,</p><p>evidentemente, não expanda a acusação com fatos não descritos na</p><p>portaria, ou seja: ao encarregado é dado o direito de enfatizar as</p><p>circunstâncias em que o fato ocorreu, mas jamais alcançar situações não</p><p>contidas na delegação.</p><p>Recomenda-se, ainda, que a autoridade processante se valha de períodos</p><p>curtos e com orações na ordem direta, evitando-se, assim, eventuais lacunas,</p><p>contradições ou ambiguidades.</p><p>Os elementos que devem compor o libelo acusatório estão descritos no artigo</p><p>105 do CEDME e são eles:</p><p>I - o nome do acusado;</p><p>II - a exposição dos fatos, de maneira detalhada, atribuídos ao</p><p>acusado que constituem infração disciplinar;</p><p>III - o dispositivo legal violado;</p><p>IV - a indicação das circunstâncias agravantes;</p><p>V - o rol de testemunhas, se houver;</p><p>VI - o prazo para a apresentação da defesa prévia;</p><p>VII - o nome e a assinatura da autoridade processante.</p><p>Embora o CEDME não se refira expressamente a tal situação, recomenda-se,</p><p>ainda, que a autoridade processante especifique quais são as circunstâncias</p><p>atenuantes aplicáveis ao caso.</p><p>4.6. Confissão em Defesa Prévia</p><p>O CEDME prevê a possibilidade de rito mais célere para os casos de confissão</p><p>em Processo Administrativo Disciplinar Regular, conforme o seguinte:</p><p>Art. 138.</p><p>[...]</p><p>Parágrafo único. Havendo confissão em defesa prévia, a autoridade</p><p>processante dispensará as demais fases processuais e notificará o</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>54</p><p>acusado para a audiência de interrogatório, onde a confissão será</p><p>confirmada na presença de seu defensor, se houver, ou de 02 (duas)</p><p>testemunhas instrumentárias, caso não tenha defensor constituído.</p><p>No interrogatório no qual se dá a confissão, o acusado deve ser perguntado</p><p>sobre quais os motivos e as circunstâncias da infração, e sobre se outras</p><p>pessoas concorreram para ela, quais foram e de que modo agiram (CPPM,</p><p>Art. 306, §2º).</p><p>Já em PAD Demissionário, mesmo que tenha confessado a transgressão</p><p>disciplinar, a autoridade processante deverá concluir todas as fases</p><p>processuais.</p><p>4.7. Oitivas</p><p>4.7.1. Forma</p><p>Da mesma forma que ocorre nos procedimentos administrativos, no PAD as</p><p>oitivas das pessoas envolvidas dar-se-ão por recursos de gravação digital</p><p>audiovisual, por meio remoto ou sistema de videoconferência destinada a</p><p>obter maior fidelidade das informações, de acordo com o artigo 97 do Código</p><p>de Ética e Disciplina dos Militares Estaduais. Porém, ainda se admite que sejam</p><p>digitadas ou produzidas por qualquer outro meio de impressão e reunidas por</p><p>ordem cronológica, sendo nesse caso numeradas e rubricadas pela</p><p>autoridade processante.</p><p>As pessoas podem ser ouvidas no processo na condição de ofendido,</p><p>testemunhas ou acusado, dispensando-se de acordo com cada caso</p><p>garantias e formalidades previstas na legislação processual. Por isso, é de</p><p>suma importância que o encarregado explicite a condição da pessoa ouvida:</p><p>a) ofendido é a pessoa que figura como vítima no fato apurado;</p><p>b) acusado é o policial militar que figura como autor do fato investigado;</p><p>c) testemunhas são todas pessoas que, de qualquer modo, presenciaram</p><p>ou tomaram conhecimento do fato, e que por tal motivo são chamadas</p><p>a depor mediante compromisso legal de dizer a verdade;</p><p>d) informantes são aqueles que, embora tenham presenciado ou tomado</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>55</p><p>conhecimento do fato, são chamados a depor, porém sem prestar</p><p>compromisso, em razão de dispositivo legal (menor de 18 anos, parente,</p><p>etc.).</p><p>No processo administrativo disciplinar primeiro ouvem-se as testemunhas de</p><p>acusação (incluindo a vítima, caso houver), em seguida as de defesa. A última</p><p>pessoa a ser ouvida deve ser o acusado, pois seguindo o princípio do</p><p>contraditório, deve ter conhecimento de todas as provas juntadas ao</p><p>processo antes de formalizar sua versão.</p><p>Recomenda-se que a autoridade processante realize entrevista prévia com o</p><p>declarante, a fim de assinalar os principais pontos, esclarecendo-lhe, na</p><p>medida do possível o motivo pelo qual foi intimado. A partir daí, com o início</p><p>da declaração, o encarregado deve permitir à pessoa que está sendo</p><p>ouvida, falar livremente, relatando passo a passo como ocorreram os fatos.</p><p>Permite-se a autoridade processante fazer o declarante “retornar” ao objeto</p><p>principal quando se desviar do foco, algo que é bastante comum.</p><p>Posteriormente, depois de concluído o relato, e colhido seu registro, o</p><p>encarregado passa a fazer as perguntas convenientes ao esclarecimento do</p><p>fato. Ao final, deve permitir à defesa a formulação de suas perguntas,</p><p>exceção feita, evidentemente, quando se tratar de sindicância, pois nesta os</p><p>investigados não participam da coleta da prova.</p><p>Ainda no que diz respeito à estrutura do documento, é importante ser</p><p>consignado, no início da narrativa, as informações que situem o declarante</p><p>no contexto da história.</p><p>Exemplo: “QUE o DEPOENTE é Diretor do Presídio e não estava no</p><p>estabelecimento no momento dos fatos, mas foi cientificado do que</p><p>aconteceu pelos funcionários”. Ou então: “QUE o DEPOENTE é vizinho do</p><p>Ofendido e acompanhou o andamento de toda a ocorrência policial”.</p><p>Ressalte-se que as declarações devem ser tomadas individualmente, não</p><p>sendo permitido que uma testemunha, ofendido ou informante, assista ou</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>56</p><p>acompanhe a declaração do outro. Os únicos a acompanhar tais</p><p>declarações, no processo, serão o acusado e seu defensor, se houver.</p><p>Assim, resumindo:</p><p>a) é importante que a autoridade processante identifique os principais</p><p>pontos de controvérsias a ser apurados para que durante as oitivas</p><p>assuma uma postura ativa e indague detalhadamente as testemunhas,</p><p>os envolvidos e a vítima, buscando elucidar por completo como foi a</p><p>dinâmica dessa parte importante do evento. Não se deve, assim,</p><p>aceitar sem questionamentos explicações ou narrativas com lacunas ou</p><p>incoerências.</p><p>b) para uma boa oitiva, não basta que a pessoa apresente sua versão</p><p>sobre os fatos, pois esse tipo de depoimento pouco ou nada prova;</p><p>assim, após narrar o fato, o declarante deve ser também questionado</p><p>sobre como tomou conhecimento dele (estava no local ou ouviu dizer?)</p><p>e indicar algum elemento que comprove ou ateste o que foi narrado e</p><p>a circunstância do conhecimento.</p><p>4.7.2. Registro das Declarações</p><p>O registro das declarações prestadas deverá ser realizado na 3ª pessoa do</p><p>singular, evitando-se com isso ambiguidades.</p><p>Ex: “QUE esteve no local dos fatos; QUE viu o momento no qual ocorreu a</p><p>discussão; QUE soube por meio de terceiros que havia alguém armado; QUE</p><p>[...]”.</p><p>Assim, para retratar a fala do declarante não se deve usar a 1ª pessoa do</p><p>singular</p><p>a exemplo do trecho “QUE vi o momento no qual os policiais</p><p>chegaram”, pois nesse caso muitas vezes surge dúvida sobre se as palavras</p><p>são do declarante ou do próprio encarregado.</p><p>O uso da 1ª pessoa somente deve ser feito quanto o próprio encarregado</p><p>“falar” no termo, e preferencialmente de modo destacado: “NESTE</p><p>MOMENTO, PELO ESTADO DE SAÚDE DA TESTEMUNHA, SUSPENDI A AUDIÊNCIA,</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>57</p><p>QUE SERÁ REDESIGNADA PARA DATA POSTERIOR”.</p><p>4.7.3. Ordem das Testemunhas</p><p>As testemunhas a serem ouvidas do PAD deverão prestar suas declarações na</p><p>seguinte ordem: primeiro as de acusação, depois as de defesa. A inversão</p><p>dessa ordem pode acarretar nulidade processual por cerceamento do direito</p><p>de contraditório e ampla defesa.</p><p>Ocorre, contudo, que em certos casos testemunhas ouvidas por último podem</p><p>acabar atribuindo responsabilidade ao militar, daí porque ser importante, ao</p><p>final das declarações, indagar à defesa (de modo formal) se deseja alguma</p><p>outra oitiva. Igual providência deverá ser adotada depois de declaração das</p><p>chamadas testemunhas referidas, ou seja, aquelas que foram ouvidas pela</p><p>autoridade processante, mas que não constavam no libelo acusatório e na</p><p>defesa prévia.</p><p>Jurisprudência (divergente) sobre o tema, havendo julgados que indagam</p><p>acerca do prejuízo com a inversão:</p><p>STF RHC 67191/RJ – Rel. Min. Célio Borba – 03/03/1989 – 2ª Turma</p><p>EMENTA: RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL</p><p>PENAL. AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO. INVERSÃO DA ORDEM DE</p><p>INQUIRIÇÃO DAS TESTEMUNHAS. ARTIGO 212 DO CÓDIGO DE</p><p>PROCESSO PENAL. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. PREJUÍZO.</p><p>DEMONSTRAÇÃO. AUSÊNCIA. RECURSO IMPROVIDO.</p><p>I – Não é de se acolher a alegação de nulidade em razão da não</p><p>observância da ordem de formulação de perguntas às testemunhas,</p><p>estabelecida pelo art. 212 do CPP, com redação conferida pela Lei</p><p>11.690/2008. Isso porque a defesa não se desincumbiu do ônus de</p><p>demonstrar o prejuízo decorrente da inversão da ordem de inquirição</p><p>das testemunhas.</p><p>II – Esta Corte vem assentando que a demonstração de prejuízo, a teor</p><p>do art. 563 do CPP, é essencial à alegação de nulidade, seja ela</p><p>relativa ou absoluta, eis que “(...) o âmbito normativo do dogma</p><p>fundamental da disciplina das nulidades pas de nullité sans grief</p><p>compreende as nulidades absolutas” (HC 85.155/SP, Rel. Min. Ellen</p><p>Gracie). Precedentes.</p><p>III – A decisão ora questionada está em perfeita consonância com o</p><p>que decidido pela Primeira Turma desta Corte, ao apreciar o HC</p><p>103.525/PE, Rel. Min. Cármen Lúcia, no sentido de que a inobservância</p><p>do procedimento previsto no art. 212 do CPP pode gerar, quando</p><p>muito, nulidade relativa, cujo reconhecimento não prescinde da</p><p>demonstração do prejuízo para a parte que a suscita.</p><p>IV – Recurso improvido.</p><p>STF MS 25647 MC/DF – Rel. Min. Carlos Brito – 30/11/2005 – Tribunal Pleno</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>58</p><p>EMENTA: PARLAMENTAR. PERDA DE MANDATO. PROCESSO DE</p><p>CASSAÇÃO. QUEBRA DE DECORO PARLAMENTAR. INVERSÃO DA</p><p>ORDEM DAS PROVAS. REINQUIRIÇÃO DE TESTEMUNHA DE ACUSAÇÃO</p><p>OUVIDA APÓS AS DA DEFESA. INDEFERIMENTO PELO CONSELHO DE</p><p>ÉTICA. INADMISSIBILIDADE. PREJUÍZO PRESUMIDO. NULIDADE</p><p>CONSEQUENTE. INOBSERVÂNCIA DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA</p><p>DEFESA. VULNERAÇÃO DO JUSTO PROCESSO DA LEI (DUE PROCESS OF</p><p>LAW). OFENSA AOS ARTS. 5º, INCS. LIV E LV, E 55, § 2º, DA CF. LIMINAR</p><p>CONCEDIDA EM PARTE, PELO VOTO INTERMEDIÁRIO, PARA SUPRIMIR,</p><p>DO RELATÓRIO DA COMISSÃO, O INTEIRO TEOR DO DEPOIMENTO E DAS</p><p>REFERÊNCIAS QUE LHE FAÇA. VOTOS VENCIDOS. Em processo</p><p>parlamentar de perda de mandato, não se admite aproveitamento</p><p>de prova acusatória produzida após as provas de defesa, sem</p><p>oportunidade de contradição real.</p><p>STJ HC 121216/DF – Rel. Min. Jorge Mussi – 01/06/2009 – 5ª Turma</p><p>EMENTA:PARLAMENTAR. PERDA DE MANDATO. PROCESSO DE HABEAS</p><p>CORPUS. NULIDADE. RECLAMAÇÃO AJUIZADA NO TRIBUNAL</p><p>IMPETRADO. JULGAMENTO IMPROCEDENTE. RECURSO INTERPOSTO EM</p><p>RAZÃO DO RITO ADOTADO EM AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E</p><p>JULGAMENTO. INVERSÃO NA ORDEM DE FORMULAÇÃO DAS</p><p>PERGUNTAS. EXEGESE DO ART. 212 DO CPP, COM A REDAÇÃO DADA</p><p>PELA LEI 11.690/2008. OFENSA AO DEVIDO PROCESSO LEGAL.</p><p>CONSTRANGIMENTO EVIDENCIADO.</p><p>4.7.4. Ausência de Testemunhas Intimadas</p><p>A falta da testemunha deve-se seguir uma apreciação da autoridade</p><p>processante sobre a necessidade de sua oitiva (se for de acusação) ou</p><p>mesmo uma manifestação da defesa sobre tal necessidade (se for de defesa).</p><p>Em qualquer caso, a falta da testemunha militar ou pertencente a outra</p><p>categoria de servidor público deverá ser comunicada à autoridade</p><p>competente para a adoção das medidas cabíveis, porquanto estes têm o</p><p>dever de testemunhar acerca de fatos que envolvam outros servidores.</p><p>Caso se insista na realização da diligência, a autoridade processante</p><p>competirá as providências para a apresentação da testemunha de</p><p>acusação. Em se tratando de testemunha de defesa, compete a esta</p><p>apresentá-la, tudo conforme o artigo 120, inciso II, § 5º do CEDME.</p><p>Cumpre evidenciar, no entanto, que a Doutrina é praticamente unânime</p><p>acerca da impossibilidade de condução coercitiva de testemunha em</p><p>matéria de processo administrativo disciplinar, exceção feita àqueles que são</p><p>integrantes da Corporação, inteligência do mesmo artigo do Código.</p><p>4.7.5. Constrangimento da Testemunha</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>59</p><p>Excepcionalmente, o acusado poderá ser retirado de sala toda vez que sua</p><p>presença no recinto importar em constrangimento à testemunha. Possuindo</p><p>advogado, este acompanhará a oitiva e formulará seus questionamentos.</p><p>Caso o acusado não conte com advogado, o encarregado deverá</p><p>providenciar-lhe um defensor ad hoc para aquele ato, que poderá ser militar</p><p>estadual (recomenda-se seja mais antigo que o acusado).</p><p>Importante salientar que toda vez que a medida de retirar o acusado for</p><p>adotada, deverá haver registro no PADS, podendo ser feito no próprio termo.</p><p>A hipótese está tratada no Art. 120, §§ 7º e 8º do CEDME, in verbis:</p><p>Art. 120.</p><p>[...]</p><p>§ 7º Verificado que a presença do acusado possa influir no ânimo da</p><p>testemunha, ele poderá ser retirado do recinto, permanecendo seu</p><p>defensor, se for o caso, ou defensor ad hoc nomeado para o ato.</p><p>§ 8º A providência de que trata o § 7º será consignada na oitiva,</p><p>constando os motivos que a ensejaram.</p><p>4.7.6. Declaração de Testemunha em Processo com Mais de Um Acusado</p><p>Em regra, o depoimento de uma testemunha de defesa somente é relevante</p><p>para aquele que a indicou. De qualquer modo, e em havendo mais de um</p><p>acusado no PAD, há situações nas quais o conteúdo da declaração da</p><p>testemunha de defesa de um militar pode ser importante para outro acusado,</p><p>ou mesmo, em casos excepcionais, significar verdadeira testemunha de</p><p>acusação relativamente a outro militar.</p><p>Por tais razões, e principalmente quando essa situação não estiver bem clara,</p><p>recomenda-se intimar todos os acusados para a oitiva das testemunhas,</p><p>evitando-se, assim, futuras alegações de cerceamento do direito à ampla</p><p>defesa e contraditório.</p><p>4.7.7. Oitiva de Superior Hierárquico</p><p>Não há vedação no CEDME ou mesmo em outras normas quanto à oitiva de</p><p>superior hierárquico na condição de testemunha, desde que evidentemente</p><p>a defesa não pretenda, de sua declaração, “transformá-lo” em acusado.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>60</p><p>Recomenda-se nesses casos de oitiva de superior hierárquico deixar a critério</p><p>dele assinalar dia, hora e local de sua oitiva.</p><p>Outra medida que pode ser adotada, mas que nesse caso deve contar</p><p>necessariamente com a anuência da defesa, é a solicitação de</p><p>esclarecimentos por escrito, dando inclusive ao acusado a possibilidade de</p><p>também formular seus quesitos.</p><p>Em tal situação, a diligência deixa de ingressar no processo como prova</p><p>testemunhal e passa a integrá-lo como prova documental,</p><p>o que é</p><p>plenamente possível no sistema de provas adotado pelo ordenamento</p><p>jurídico Pátrio.</p><p>4.7.8. Direito ao Silêncio</p><p>Em decorrência da garantia do devido processo legal, o acusado (ou mesmo</p><p>o investigado na sindicância) não está obrigado a produzir prova que o</p><p>responsabilize pela prática de um ilícito. Tal aspecto do sistema de provas</p><p>adotado no Brasil tem, inclusive, previsão expressa no CPPM, pois em seu Art.</p><p>295, § 2º, estabelece que “ninguém está obrigado a produzir prova que o</p><p>incrimine, ou ao seu cônjuge, descendente, ascendente ou irmão”.</p><p>Assim, o indivíduo sobre o qual possa recair responsabilidade acerca do fato</p><p>investigado tem direito ao silêncio, não respondendo pelo crime de falso</p><p>testemunho quando negar ou calar a verdade, ou até mesmo quando mentir</p><p>(crime do artigo 346 do CPM).</p><p>Nos casos em que o acusado se negar a responder os questionamentos,</p><p>recomenda-se ao encarregado consignar uma a uma as perguntas que lhe</p><p>foram dirigidas, bem como a eventual resposta que talvez dê a qualquer</p><p>delas, ou a razão que invocar para seu silêncio (CPPM, Art. 305, P. único).</p><p>O crime de falso (fazer afirmação falsa, calar ou negar a verdade) também</p><p>não é imputável àqueles que têm particular interesse na causa e que, por</p><p>conseguinte, não prestam compromisso legal de dizer a verdade.</p><p>O mesmo não ocorre em relação àqueles que prestam tal compromisso, pois</p><p>as testemunhas prestam juramento e têm o dever de falar a verdade e,</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>61</p><p>inclusive, deverão ser alertados sobre o crime em tela (se civil, artigo 342 do</p><p>Código Penal).</p><p>4.7.9. Testemunha Analfabeta</p><p>O analfabeto pode prestar declaração, contudo não assinará o termo. As</p><p>assinaturas que nele deverão constar são a do encarregado e as de duas</p><p>testemunhas (a rogo) que tenham acompanhado a leitura do documento na</p><p>presença do declarante. Inexiste, assim, a necessidade de coleta de</p><p>impressões digitais do analfabeto, medida que, além de constrangedora, se</p><p>mostra totalmente desnecessária.</p><p>4.7.10. Embriaguez</p><p>A pessoa em estado de embriaguez não pode prestar declaração ou mesmo</p><p>ser interrogada (acusado), devendo a audiência ser redesignada, sem</p><p>prejuízo das medidas disciplinares cabíveis (123, §3º do CEDME). A autoridade</p><p>processante deverá estar atento, ainda, para o fato de a embriaguez poder</p><p>ser proveniente não apenas do uso de álcool, mas de qualquer outra droga,</p><p>situação na qual também deverá adotar semelhante providência.</p><p>4.7.11. Testemunha Menor de 18 anos</p><p>O menor de 18 anos não presta compromisso legal, e sua declaração deverá</p><p>ser colhida na forma de “Termo de Informação”. Dessa forma, ao menos em</p><p>tese, não tem o mesmo valor probante que o de uma testemunha</p><p>juramentada, salvo se outros elementos colhidos aos autos lhe emprestarem</p><p>maior valor, e esteja assim em harmonia com as demais provas.</p><p>Deve-se ainda ter o cuidado de nomear curador ao menor de 18 anos,</p><p>preferencialmente o responsável ou um parente, mas podendo ser também</p><p>um militar. Ao final, assinarão o termo de informação: o encarregado, o menor</p><p>de 18 anos e seu curador.</p><p>Outrossim, a autoridade processante deverá observar o que dispõe na Lei</p><p>13.431 de 04.04.2017, nos seus artigos 7 ao 12, caso a criança ou o adolescente</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>62</p><p>tenha sido vítima ou testemunha de violência.</p><p>4.7.12. Consulta a Apontamentos</p><p>O depoimento da testemunha deve ser prestado oralmente e reduzido a</p><p>termo, não lhe sendo lícito trazê-lo por escrito. A testemunha pode, contudo,</p><p>realizar consulta a alguns apontamentos, a fim de embasar melhor o</p><p>conteúdo de sua declaração. Esses registros podem consistir em formulários,</p><p>boletins de ocorrência, e documentos em geral, nos quais haja o registro do</p><p>fato em análise.</p><p>4.7.13. Testemunhas em Outras Comarcas</p><p>A testemunha não está obrigada a se deslocar até a presença do</p><p>encarregado para prestar declaração quando residir em local distante e essa</p><p>medida representar gastos. Assim, se por motivo relevante ela não puder</p><p>comparecer, só resta adotar uma das seguintes medidas: a) o encarregado</p><p>vai até sua presença, dando ciência do acusado, evidentemente, a fim de</p><p>que possa acompanhar a diligência; b) o encarregado providencia meios</p><p>para o deslocamento da testemunha até o local de sua oitiva; c) o</p><p>encarregado emite carta precatória, delegando a outra autoridade,</p><p>residente na mesma localidade da testemunha, a atribuição de sua oitiva.</p><p>Na Carta Precatória a autoridade processante delega a outrem missão de</p><p>tomar a termo a declaração da testemunha, apresentando os quesitos que</p><p>deseja sejam esclarecidos, inclusive os da defesa.</p><p>Dessa forma, deverá encaminhar solicitação à autoridade militar superior do</p><p>local onde residir a testemunha, a fim de que esta adote as providências</p><p>necessárias.</p><p>4.7.14. Confecção de Ata</p><p>Destaca-se que para cada sessão de oitiva(s) deverá ser lavrada Ata</p><p>descrevendo todos os incidentes ocorridos, como por exemplo a retirada do</p><p>acusado da sala de audiências por solicitação de testemunhas, e questões</p><p>de ordem suscitadas pelo defensor.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>63</p><p>Além disso, nesse momento a Autoridade Processante poderá receber</p><p>requisições por parte da defesa, como por exemplo a juntada de provas.</p><p>A Ata, que poderá servir de notificação para atos futuros, deverá ser assinada</p><p>por todos.</p><p>4.8. Juntada de Documentos</p><p>A juntada representa a diligência em que a autoridade processante traz para</p><p>o processo, documentos necessários à sua conclusão. A diligência, ou seja, o</p><p>acúmulo de documento, não deve acontecer informalmente ou de maneira</p><p>desorganizada. A cada grupo de documentos que a autoridade processante</p><p>trouxer para o caderno processual deve ser lavrado o Termo de Juntada, que</p><p>mencionará a data da diligência, os documentos juntados e sua origem.</p><p>Assim, o termo é recomendável sempre que vierem aos autos documentos</p><p>“de fora” do processo. Logo, não existe Termo de Juntada para documentos</p><p>produzidos pelo própria autoridade processante (Termo de Declaração,</p><p>Termo de Apreensão, Termo de Acareação, etc.).</p><p>Os principais documentos que podem ser juntados ao processo são: a) escala</p><p>de serviço; b) Relatório do Comandante do policiamento; c) Boletim de</p><p>Ocorrência Policial; d) livros de registro; e) outros documentos, públicos ou</p><p>particulares, que poderão ser solicitados formalmente por meio de</p><p>Comunicação Interna ou de Ofício diretamente à respectiva autoridade, pois</p><p>o encarregado age por delegação, conforme consta na portaria de</p><p>instauração.</p><p>4.9. Acareações</p><p>É o ato por meio do qual duas ou mais pessoas são novamente ouvidas pela</p><p>autoridade processante, simultaneamente, de modo a confrontar seus</p><p>depoimentos, criando assim a possibilidade de elucidar os pontos divergentes</p><p>de suas primeiras oitivas. Não existe restrição com relação à condição das</p><p>pessoas que participaram da acareação. Assim, pode haver acareação</p><p>entre testemunhas, acareação entre acusados, acareação entre vítimas, ou</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>64</p><p>acareação de várias entre uns e outros.</p><p>A acareação deve ser realizada, a critério do encarregado, apenas quando</p><p>houver pontos controvertidos de natureza relevante para a solução da causa</p><p>investigada. Desse modo, não será qualquer tipo de divergência,</p><p>principalmente se irrelevante, que ensejará tal medida.</p><p>Exemplo: quando duas testemunhas diretas declaram coisas diferentes sobre</p><p>algo essencial, a acareação pode revelar que uma delas se equivocou,</p><p>omitiu ou mentiu. Em havendo uma dessas situações, é comum a testemunha</p><p>temer mudar sua versão em razão de isso poder significar, em tese, a</p><p>ocorrência de um ilícito. Cabe ao Encarregado, contudo, esclarecer aos</p><p>presentes que a legislação penal prevê que o fato deixa de ser punível se o</p><p>agente se</p><p>retrata, dizendo a verdade.</p><p>É importante assinalar, contudo, ser comum a existência de depoimentos com</p><p>conteúdos parcialmente diferentes. Isso se deve, muitas vezes, em razão da</p><p>própria percepção pessoal que cada pessoa tem em relação aos fatos,</p><p>sendo certo que muitas vezes acaba por misturar suas próprias impressões e</p><p>sentimentos com aquilo que vê. Logo, não é de se estranhar determinadas</p><p>divergências. O que não se admite, contudo, são versões totalmente opostas</p><p>para um mesmo acontecimento.</p><p>Para realizar a acareação, as pessoas a serem acareadas são intimadas a</p><p>comparecer no mesmo dia, hora e local perante a autoridade processante.</p><p>Desse modo, são colhidos os depoimentos dos acareados, que são colocados</p><p>um frente ao outro. Do mesmo modo como acontece nas oitivas, na</p><p>acareação também é lavrado um termo, chamado Termo de Acareação.</p><p>Embora haja quem suste a inutilidade da medida, uma vez que, via de regra,</p><p>os acareados ratificam seus depoimentos anteriores, mesmo quando</p><p>colocados frente a frente, é de assinalar que durante sua realização o</p><p>encarregado poderá, de acordo as reações dos presentes, formar seu</p><p>convencimento e emprestar maior credibilidade à versão de um deles.</p><p>4.10. Apreensão e Restituição</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>65</p><p>A apreensão é o meio pelo qual a autoridade processante “traz” aos autos</p><p>determinado instrumento ou objeto, a fim de que ele passe a integrar as</p><p>provas contidas no processo.</p><p>A medida é formalizada por meio do Termo de Apreensão, e tem lugar toda</p><p>vez que a prova de um fato estiver a depender da análise (inclusive pericial)</p><p>de determinada coisa.</p><p>O objeto ou instrumento pode estar em poder da Administração (livros de</p><p>registros, escala de serviço, bens pertencentes à Fazenda Estadual, etc.)</p><p>situação na qual o encarregado não terá maiores dificuldades em levar</p><p>adiante a apreensão. Pode ocorrer, no entanto, de o objeto ou instrumento</p><p>estar em poder de testemunha ou mesmo do acusado, hipóteses em que,</p><p>durante suas oitivas, o encarregado fará constar solicitação para a</p><p>apresentação do material, a ser entregue em ocasião futura (recomenda-se</p><p>assinalar desde logo a data).</p><p>Todavia, há de se ressaltar não existir sanção para o acusado, ou mesmo para</p><p>a testemunha, caso se negue a apresentar a coisa. Isso porque a autoridade</p><p>processante apenas tem o poder de solicitar a apresentação das coisas em</p><p>poder de terceiros, pois o pedido de busca somente pode ocorrer no curso</p><p>de investigação criminal, e seu cumprimento mediante ordem judicia.</p><p>Cumpre assinalar que os materiais apreendidos poderão ser restituídos a quem</p><p>de direito quando não mais interessarem à apuração, mediante a lavratura</p><p>do Termo de Restituição. Isso ocorre, por exemplo, com os livros já periciados,</p><p>com os documentos particulares já analisados, dentre outras hipóteses. A</p><p>medida, porém, deve ser cercada de extrema cautela, já que a coisa, uma</p><p>vez restituída, pode ser adulterada ou mesmo se perder. Em razão disso,</p><p>recomenda-se consultar o setor competente (SPAJ, Cartório, etc.) para</p><p>orientação quanto à adoção da providência. Há de se ressaltar, porém, que</p><p>não podem ser restituídos os objetos cujo porte ou detenção constitua fato</p><p>ilícito (arma sem registro, por exemplo), ou ainda que sejam resultado do</p><p>produto do ilícito (salvo ao lesado ou ao terceiro de boa-fé).</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>66</p><p>4.11. Reconhecimento</p><p>Reconhecimento é a diligência realizada de maneira formal pela autoridade</p><p>processante, na qual alguém é convidado a confirmar a identidade de</p><p>pessoa ou coisa que lhe é apresentada, em relação a outra que tenha visto</p><p>no passado. Assim, vale lembrar que a diligência pode ser realizada tanto</p><p>para o reconhecimento de pessoas como de objetos.</p><p>O reconhecimento é um ato formal, e para sua validade o encarregado</p><p>deverá observar a regra prevista no artigo 368 do Código de Processo Penal</p><p>Militar. Assim, segue as seguintes etapas:</p><p>a) inicialmente, antes de qualquer exibição, o reconhecedor fará uma</p><p>descrição da pessoa ou da coisa a ser reconhecida, devendo tal</p><p>descrição ser consignada no termo;</p><p>b) na sequência, a pessoa ou coisa é colocada ao lado de outras, com as</p><p>quais tenham qualquer semelhança; não havendo algum tipo de</p><p>semelhança entre as coisas ou pessoas, o reconhecimento é nulo; para</p><p>evitar constrangimento para o reconhecedor, no caso de</p><p>reconhecimento de pessoa, o encarregado deve adotar providências</p><p>para que a pessoa a ser reconhecida não tenha possibilidades de ver o</p><p>reconhecedor;</p><p>c) por último, o encarregado providenciará a lavratura do Termo de</p><p>Reconhecimento, consignando todas essas circunstâncias, colhendo a</p><p>assinatura do reconhecedor e de duas testemunhas presenciais.</p><p>Caso haja mais de um reconhecedor, a diligência de reconhecimento deverá</p><p>ser realizada para cada um deles separadamente, a fim de que um não</p><p>influencie o outro.</p><p>Outra medida que pode ser adotada é o Reconhecimento Fotográfico,</p><p>realizado de acordo com as mesmas regras citadas anteriormente, mas a</p><p>partir de fotografias.</p><p>Quanto aos resultados, a autoridade processante deve ser cauteloso na</p><p>avaliação da diligência. Cautela maior ainda deverá ter com relação ao</p><p>Reconhecimento Fotográfico. Nesses tipos de diligência é comum a</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>67</p><p>vacilação e os equívocos. Assim, o reconhecimento deve ser visto como</p><p>diligência inicial, a ser complementada por outras. Pode, também, ser</p><p>diligência confirmatória, cujos resultados deverão ser analisadas em conjunto</p><p>com outras provas, pois o reconhecimento, tomado como única prova, pode</p><p>levar a equívocos, erros e injustiças, tanto para inocentar quanto para inculpar</p><p>alguém.</p><p>4.12. Reconstituição</p><p>A reconstituição (reprodução simulada) corresponde à diligência por meio da</p><p>qual a autoridade processante busca reconstruir os fatos, a fim de verificar o</p><p>modo como ocorreram. A medida tem previsão no Parágrafo único do artigo</p><p>13 do CPPM, e pode ter lugar toda vez que for necessário aferir as versões</p><p>apresentadas, que muitas vezes poderão ser confirmadas ou infirmadas por</p><p>essa diligência. Assim, dificilmente se poderá iniciar um processo com tal</p><p>providência, tampouco é recomendável, uma vez que o encarregado</p><p>deverá “ter em mãos” as versões que deseja esclarecer.</p><p>Ressalte-se que, por imperativo legal, a diligência não poderá ser realizada</p><p>quando contrarie a moralidade ou a ordem pública, ou atente contra a</p><p>hierarquia ou a disciplina militar.</p><p>Para sua realização, e para se alcançar um bom resultado, aconselha-se que</p><p>o próprio acusado participe da diligência, inclusive reproduzindo suas ações</p><p>quando da ocorrência dos fatos. De ser ver, entretanto, que em razão do</p><p>Princípio do Devido Processo Legal, não está ele obrigado a participar</p><p>efetivamente da diligência, e isso pelo fato de não ter o dever de produzir</p><p>prova que o incrimine, embora seja permitido a autoridade processante fazer</p><p>com que ele pelo menos compareça ao local.</p><p>A diligência, conforme consta do modelo de Termo de Reconstituição, se dá</p><p>por meio do registro dos fatos mediante a reprodução dos atos praticados,</p><p>que deverão ser devidamente fotografados. Tais fotografias deverão ser</p><p>necessariamente juntadas ao processo, como meio de prova, e</p><p>imediatamente após o Termo de Reconstituição. No Termo de Reconstituição</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>68</p><p>deverá constar um resumo da diligência, fazendo-se sempre alusão às</p><p>fotografias nas quais estão registrados os “passos” do agente.</p><p>4.13. Inspeção</p><p>A inspeção é o meio de prova que consiste na percepção sensorial direta da</p><p>autoridade processante sobre qualidades ou circunstâncias corpóreas de</p><p>pessoas, coisas ou locais que guardem relação com o objeto da apuração.</p><p>Logo, pode recair sobre:</p><p>a) pessoas, quando for necessário verificar</p><p>seu estado de saúde,</p><p>condições de vida, etc.;</p><p>b) coisas, móveis e imóveis, e mesmo documentos de arquivos, desde que</p><p>tais coisas não possam ser apresentadas ao encarregado no local onde</p><p>preside os trabalhos;</p><p>c) locais, quando, por exemplo, houver a conveniência e a necessidade</p><p>de se conhecer detalhes de um lugar, cujos relatos das pessoas ouvidas</p><p>jamais trariam a riqueza de detalhes de uma verificação in loco.</p><p>Deve ser realizada quando as provas contidas nos autos forem insuficientes</p><p>para que o encarregado obtenha informação que “em sua sala” jamais</p><p>poderia ter, principalmente quando for necessário “mentalizar” o local onde</p><p>os fatos ocorreram e determinar de modo claro a posição na qual estava</p><p>cada um dos envolvidos, ou seja, a dinâmica dos eventos.</p><p>Exemplo: se a testemunha, na posição em que estava, teria sido capaz de ver</p><p>os acontecimentos ou mesmo ouvir os diálogos; se à sentinela teria sido</p><p>possível ver determinado fato, etc.</p><p>Assim, é de fundamental importância que a diligência seja realizada em</p><p>horário semelhante ao da ocorrência do fato em apuração. Ao seu final,</p><p>questões que se mostravam controvertidas poderão se tornar claras,</p><p>permitindo a autoridade processante chegar a uma conclusão sobre</p><p>determinado ponto relevante.</p><p>Para realizar a diligência, a autoridade processante deve se deslocar até a</p><p>pessoa, coisa ou local a ser inspecionado e, para o registro, recomenda-se a</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>69</p><p>realização de fotografias, a serem juntadas ao processo, bem como deva ele</p><p>tomar nota de tudo aquilo que julgar importante, a fim de lhe possibilitar a</p><p>confecção do Termo de Inspeção. Pode, ainda, em se tratando de inspeção</p><p>de local, confeccionar diagrama (croqui) para melhor esclarecer o episódio.</p><p>4.14. Ciência dos Atos Processuais</p><p>Ao contrário do que ocorre na sindicância, onde impera o sigilo, a regra em</p><p>matéria de PAD é a da publicidade para o acusado. Aqui, por se tratar de</p><p>processo, não se admite a realização de atos às escondidas ou sem a afetiva</p><p>participação do acusado, e isso em decorrência do direito ao contraditório e</p><p>à ampla defesa.</p><p>Assim, é bom ressaltar que mesmo sendo o rito sumaríssimo ou sumário não</p><p>implica em desatenção àquelas garantias constitucionais, mas trata-se</p><p>apenas de meio mais célere para o julgamento de transgressões de menor</p><p>gravidade, com a aplicação de sanções que não levam à perda do cargo.</p><p>Sendo assim, em qualquer PAD todos os atos processuais deverão ser</p><p>previamente comunicados ao acusado, regra que se estende à realização</p><p>de exames, perícias ou outros meios de prova, situações nas quais à defesa</p><p>deverá ser sempre possível a elaboração de quesitos.</p><p>O prazo para ciência dos atos processuais é de 03 (três) dias úteis em se</p><p>tratando de PAD Demissionário e de 02 (dois) dias úteis nos Regulares.</p><p>Cumpre evidenciar, no entanto, que se de um lado a comunicação prévia ao</p><p>acusado é sempre necessária, de outro a sua ausência no momento de</p><p>realização da diligência não implica necessariamente em seu adiamento,</p><p>medida que somente deverá ocorrer quando sua presença se mostrar de fato</p><p>imprescindível ou mesmo quando a falta decorrer de caso fortuito ou de força</p><p>maior.</p><p>4.15. Recusa do Acusado em Receber Documentos</p><p>Constitui regra geral aplicáveis em tais casos (inclusive quando se tratar da</p><p>citação) que o acusado não está obrigado a receber documentos,</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>70</p><p>tampouco assinar o recebimento. Nesses casos, deve-se o encarregado</p><p>adotar a providência de arrolar duas testemunhas (instrumentárias), que</p><p>acompanharão a leitura do documento na presença do acusado e o</p><p>assinarão juntamente com a autoridade processante (§ 1º do artigo 101 do</p><p>CEDME).</p><p>Jurisprudência sobre o tema:</p><p>STJ RHC 67191/RJ – Rel. Min. Célio Borba – 03/03/1989 – 2ª Turma</p><p>EMENTA: RECURSO DE “HABEAS CORPUS”. AUTO DE PRISÃO EM</p><p>FLAGRANTE QUE PREENCHE OS REQUISITOS LEGAIS, DELE NÃO</p><p>CONSTANDO APENAS A ASSINATURA DO DETIDO QUE A RECUSOU.</p><p>NULIDADES INEXISTENTES. RHC IMPROVIDO.</p><p>4.16. Negativa do Acusado em Acompanhar os Atos Processuais</p><p>A negativa do acusado em acompanhar os atos processuais não significa que</p><p>a autoridade processante deva paralisar o PAD. Para se perfazer o</p><p>contraditório, pressuposto da ampla defesa, a notificação prévia sobre a</p><p>realização das diligências é condição suficiente para cumprir o mandamento</p><p>constitucional.</p><p>Deve-se observar, contudo, que a omissão do acusado em determinada fase</p><p>não implica em abdicar dos direitos que tem nas demais, ou seja: i) mesmo</p><p>não tendo apresentado defesa prévia, tem o direito de ser cientificado sobre</p><p>a oitiva de testemunhas e demais diligências; ii) mesmo tendo se omitido em</p><p>relação às diligências, tem o direito de apresentar suas alegações finais; iii)</p><p>mesmo não tendo apresentado alegações finais, tem o direito de ser</p><p>notificado sobre o conteúdo do relatório da autoridade processante.</p><p>Jurisprudência sobre o tema:</p><p>STJ MS 6896/DF – Rel. Min. Fernando Gonçalves – 05/08/2002 – 3ª Seção</p><p>EMENTA: ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO.</p><p>PROCESSODISCIPLINAR. DEMISSÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.</p><p>NULIDADE. LEI 8.112/90.</p><p>No processo administrativo disciplinar, é indispensável que se</p><p>proporcione ao servidor processado, esteja ele já indiciado (art. 161, §</p><p>1º, da Lei 8.112/90) ou ainda como simples acusado (na fase de</p><p>instrução do inquérito administrativo), o direito à ampla defesa e ao</p><p>contraditório, devendo-se chamar o acusado ao feito desde o seu</p><p>início, para que tenha oportunidade de acompanhar a instrução.</p><p>Precedentes do c. STF. Segurança concedida.</p><p>STJ MS 7773/DF – Rel. Min. Fernando Gonçalves – 04/03/2002 – 3ª Seção</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>71</p><p>EMENTA: ADMINISTRATIVO. PROCESSO DISCIPLINAR. DEMISSÃO.</p><p>AUSÊNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. PORTARIA.</p><p>INTIMAÇÃO. OITIVA. TESTEMUNHAS. INDEFERIMENTO.</p><p>PROVATESTEMUNHAL. DEFESA. INOCORRÊNCIA. PRESCRIÇÃO</p><p>DAPRETENSÃO PUNITIVA. FALTAS ADMINISTRATIVAS. DIVERSIDADE.</p><p>ILÍCITO PENAL.</p><p>1. Não há falar em cerceamento de defesa se o impetrante recebeu</p><p>a cópia integral do termo de indiciamento e dos autos do processo</p><p>disciplinar, sendo notificado da instauração da Comissão de Processo</p><p>Administrativo Disciplinar e do cronograma de oitivas de testemunhas,</p><p>comparecendo a alguns depoimentos, não restando demonstrada a</p><p>ocorrência de efetivo prejuízo decorrente da sua ausência nos</p><p>demais, uma vez que apresentou defesa escrita, tanto na fase de</p><p>sindicância, quando do processo disciplinar.</p><p>[...]</p><p>5. Segurança denegada.</p><p>4.17. Ausência de Defensor</p><p>No PAD Regular. a presença de advogado/defensor não é obrigatória,</p><p>podendo o acusado optar ou não por essa medida. Cumpre-se, assim, o</p><p>entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), assim vertido no</p><p>verbete da Súmula Vinculante nº. 05: “A falta de defesa técnica por</p><p>advogado em processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição”.</p><p>Porém, havendo advogado constituído, deve a autoridade processante</p><p>intimá-lo previamente, e também o acusado, a cerca dos atos processuais.</p><p>Nessa esteira, são nulos os atos realizados pela autoridade processante</p><p>quando o advogado constituído não for previamente intimado de sua</p><p>realização e não se fizer presente no ato.</p><p>Outrossim, nos Processos Administrativos Disciplinares Demissionários o militar</p><p>acusado não pode fazer sua própria defesa, e não havendo defensor</p><p>constituído, será nomeado um Defensor Dativo, que pode ser um militar mais</p><p>antigo que o acusado.</p><p>Somente nos Processos Administrativos Disciplinares Regulares é permitido que</p><p>o próprio acusado faça a sua defesa, e havendo mais de um acusado, nos</p><p>Interrogatórios será nomeado um defensor ad hoc para acompanhamento.</p><p>Outro ponto que merece atenção é distinguir defensor dativo e defensor ad</p><p>hoc. O primeiro será nomeado pela autoridade</p><p>delegante, não</p><p>necessariamente um profissional habilitado, podendo o acusado indicar um</p><p>militar mais antigo para tal mister, principalmente em se tratando de Processo</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>72</p><p>Administrativo Disciplinar Demissionário, em conformidade com o §6º do artigo</p><p>106 do CEDME, e este defensor participará de todos os atos do Processo.</p><p>O defensor ad hoc será nomeado pela autoridade processante para</p><p>funcionar no processo apenas para um ato, quando o defensor constituído</p><p>pelo acusado não comparece à audiência ou não pratica um ato que</p><p>deveria, assim a nomeação do defensor "ad hoc", ou seja, de exceção visa</p><p>positivar o princípio do devido processo legal. O CEDME não especifica quem</p><p>poderá ser nomeado, mas recomenda-se, assim como é no caso do dativo,</p><p>nomear um militar mais antigo que o acusado.</p><p>4.18. Polícia das Sessões</p><p>Compete a autoridade processante a condução dos trabalhos no PAD,</p><p>devendo manter a ordem nas sessões, conforme dispõe o Art. 114 do CEDME:</p><p>Art. 114. A autoridade processante proverá a regularidade do processo,</p><p>a execução da lei e a manutenção da ordem no curso dos respectivos</p><p>atos, podendo determinar o que for razoável à instrução.</p><p>Parágrafo único. As atividades deverão ser exercidas com</p><p>independência e imparcialidade</p><p>As perguntas dirigidas às testemunhas, acusados, ofendidos etc., deverão</p><p>passar pela autoridade processante, que as dirigirá à pessoa ouvida,</p><p>podendo inclusive indeferi-las quando:</p><p>a) formuladas de modo a direcionar a versão (perguntas antecedidas de</p><p>longa explanação);</p><p>b) se mostrarem impertinentes (sem nenhum valor para o esclarecimento</p><p>dos fatos);</p><p>c) forem ofensivas (colocando, por exemplo, a vítima em verdadeira</p><p>condição de acusado).</p><p>Nesse contexto, não é incomum a defesa buscar atribuir à vítima ou</p><p>testemunha a pecha de viciado, ébrio habitual, prostituta, meliante, dentre</p><p>outros adjetivos pejorativos. Em tais casos, deverá o encarregado estar atento</p><p>para que não se inverta a ordem natural das coisas, pois o julgamento em</p><p>PAD é do militar estadual e não da testemunha.</p><p>Por fim, cumpre ressaltar também que as mudanças ocorridas recentemente</p><p>no Código de Processo Penal não atingiram o Código de Processo Penal</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>73</p><p>Militar, daí porque é vedado ao defensor dirigir-se diretamente à testemunha.</p><p>4.19. Denegação de Pedidos</p><p>A garantia da ampla defesa não significa que tal exercício seja absoluto, a</p><p>ponto de inclusive paralisar o PAD. Nessa medida, contudo, o indeferimento</p><p>de diligências requeridas pela defesa deverá ser evitado ao máximo,</p><p>restringindo-se às hipóteses em que restar claro que se trata de expediente</p><p>meramente protelatório ou que vise a tumultuar o processo, ou ainda quando</p><p>a providência requerida não guardar qualquer relação com o objeto do</p><p>processo (tomar cuidado neste último caso para não se fazer um pré-</p><p>julgamento aleatório). Caso haja a necessidade de indeferir pedidos, a</p><p>circunstância deverá ser consignada no relatório, bem como os motivos que</p><p>levaram a autoridade processante a isso. Por motivação no presente caso</p><p>entende-se não apenas o jargão “por se tratar de pedido protelatório”, ou</p><p>seja, não basta dizer que é; é preciso dizer por que é protelatório. Deve-se, em</p><p>todo caso, dar à defesa a oportunidade de requerer outras diligências</p><p>quando qualquer delas for indeferida.</p><p>Jurisprudência sobre o tema:</p><p>STJ MS 7773/DF – Rel. Min. Fernando Gonçalves – 04/03/2002 – 3ª Seção</p><p>EMENTA: ADMINISTRATIVO. PROCESSO DISCIPLINAR. DEMISSÃO.</p><p>AUSÊNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. PORTARIA.</p><p>INTIMAÇÃO. OITIVA. TESTEMUNHAS. INDEFERIMENTO.</p><p>PROVATESTEMUNHAL. DEFESA. INOCORRÊNCIA. PRESCRIÇÃO</p><p>DAPRETENSÃO PUNITIVA. FALTAS ADMINISTRATIVAS. DIVERSIDADE.</p><p>ILÍCITO PENAL.</p><p>[...]</p><p>2. Não importa em nulidade o indeferimento, motivado, do</p><p>requerimento de prova testemunhal, em face do caráter protelatório</p><p>da medida, tampouco a falta de produção de prova pericial não</p><p>requerida pelo impetrante e, em princípio, desnecessária.</p><p>[...]</p><p>5. Segurança denegada.</p><p>STJ MS 7834/DF – Rel. Min. Felix Fisher – 08/04/2002 – 3ª Seção EMENTA:</p><p>ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. PROCESSO DISCIPLINAR.</p><p>DEMISSÃO. INDEPENDÊNCIA ENTRE AS INSTÂNCIAS PENAL, CIVIL E</p><p>ADMINISTRATIVA. MATERIALIDADE. COMPROVAÇÃO. CERCEAMENTO</p><p>DE DEFESA.</p><p>[...]</p><p>3. O indeferimento de pedido de produção de provas, por si só, não</p><p>se caracteriza como cerceamento de defesa, principalmente se a</p><p>parte faz solicitação aleatória, desprovida de qualquer</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>74</p><p>esclarecimento. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, LV,</p><p>garante aos litigantes em maneira geral o direito à ampla defesa,</p><p>compreendendo-se nesse conceito, dentre os seus vários</p><p>desdobramentos, o direito da parte à produção de provas para</p><p>corroborar suas alegações. Mas esse direito não é absoluto, ou seja, é</p><p>necessário que a parte demonstre a necessidade de se produzir a</p><p>prova, bem como deduza o pedido no momento adequado.</p><p>Segurança denegada.</p><p>4.20. Sistema de Repetição de Provas</p><p>Os elementos de convicção produzidos em sede de sindicância têm validade</p><p>quando da instauração do PAD, mormente quando se tratar de prova não</p><p>repetível (exame toxicológico, exame de local de crime, exame de lesões</p><p>corporais, etc.) ou de prova cautelar (quebra de sigilo fiscal, bancário,</p><p>telefônico, buscas e apreensões, etc.), produzida em investigação criminal e</p><p>trazida ao processo como prova emprestada. Quanto à prova testemunhal, e</p><p>em se tratando de PAD, a autoridade processante deverá, sempre possível, e</p><p>por iniciativa própria, colher ao menos a declaração das principais</p><p>testemunhas que atribuem responsabilidade ao acusado. Eventuais</p><p>mudanças na declaração da testemunha não significam necessariamente</p><p>um juízo absolutório, mormente se tal mudança estiver desacompanhada de</p><p>motivo razoável e existam outras provas de responsabilidade do acusado.</p><p>Jurisprudência sobre o tema:</p><p>STM Apelfo 46964/MG – Rel. Min. Antonio Carlos de Nogueira –</p><p>25/11/1993</p><p>EMENTA: ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR. PRELIMINAR DE NULIDADE</p><p>ANTES REJEITADA. CONFISSÃO FEITA NO IPM DIANTE DE TESTEMUNHAS E</p><p>RETRATADA EM JUÍZO.</p><p>- As declarações prestadas no inquérito policial perante as</p><p>autoridades investigantes, embora retratadas em juízo, têm valia,</p><p>desde que não elididas por qualquer indícios ponderáveis, ao revés,</p><p>se apresentam harmonicamente ajustadas a outros elementos dos</p><p>autos.</p><p>- Elenco probatório válido e suficiente para o convencimento.</p><p>Sentença de primeiro grau mantida. Decisão unânime.</p><p>4.21. Vícios Processuais</p><p>O vício processual pode ocorrer quando a autoridade processante pratica</p><p>determinado ato (ou mesmo deixa de praticá-lo) em descompasso com</p><p>determinada formalidade. Em que pese o fato de o conteúdo do ato ser mais</p><p>importante que a forma, há determinadas situações nas quais se exige certos</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>75</p><p>requisitos de validade, a exemplo do que ocorre na citação por edital, que</p><p>somente tem lugar quando esgotadas as outras formas de citação.</p><p>A existência de vício processual pode constituir desde uma mera</p><p>irregularidade a até mesmo uma nulidade capaz de tornar imprestável todo</p><p>o processo. Diz-se que o vício constitui mera irregularidade quando não</p><p>influenciar na decisão e, mais ainda, quando dele não importar para o</p><p>acusado um prejuízo a seu direito de defesa. Nesse contexto, é máxima</p><p>consagrada em processo (administrativo e judicial) que não há nulidade sem</p><p>que haja prejuízo à defesa.</p><p>Havendo prejuízo à defesa, ou seja, tendo havido uma nulidade, necessário é</p><p>verificar o momento de sua ocorrência para o fim de aplicar o princípio da</p><p>causalidade. Consoante esse princípio, a anulação de um ato implica na</p><p>anulação de todos os subsequentes que dele dependam, situação</p><p>___________________________________________ 81</p><p>4.27. Prescrição _____________________________________________________________ 81</p><p>4.28. Independência das Esferas Penal e Administrativa _______________________ 82</p><p>4.29. Assentamentos Funcionais ______________________________________________ 84</p><p>4.30. Interrogatório do(s) Acusado(s) _________________________________________ 84</p><p>4.31. Alegações Finais _______________________________________________________ 85</p><p>5. Relatório ___________________________________________________________________ 87</p><p>5.1. Estrutura _______________________________________________________________ 87</p><p>5.2. Fato Que Constitua Outra Transgressão _________________________________ 89</p><p>5.3. Parecer da Autoridade Processante ____________________________________ 90</p><p>5.4. Ciência do Relatório ___________________________________________________ 90</p><p>5.5. Encerramento Remessa ao CONSED ____________________________________ 91</p><p>6. Referências ________________________________________________________________ 92</p><p>Ficha Técnica __________________________________________________________________ 95</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>4</p><p>1. Fase Pré-Processual</p><p>1.1. Denúncia de Infração Disciplinar</p><p>Para que ocorra a apuração de uma denúncia envolvendo a prática de</p><p>transgressão disciplinar o CEDME estabelece, em seu Art. 67, que tal peça</p><p>deve conter elementos mínimos necessários, tais como a identificação, a</p><p>assinatura e o endereço do denunciante. Caso não contenha tais elementos,</p><p>o documento deve ser considerado como prova impertinente, ou seja, não é</p><p>suficiente para dar início sequer a uma sindicância.</p><p>No que diz respeito à denúncia anônima, trata-se de meio de comunicação</p><p>que deve ser objeto de levantamento dos setores competentes de</p><p>investigação (DINT, P/2, C/2 da Corregedoria), por meio de Investigação</p><p>Preliminar Sumária (IPS) e o resultado dessa investigação, quando restar</p><p>indícios de transgressão, é que dará início à sindicância ou ao processo</p><p>administrativo disciplinar. Aliás, prevê o CEDME inclusive que tal denúncia</p><p>anônima não pode sequer ser juntada à comunicação, sindicância ou ao</p><p>processo administrativo disciplinar.</p><p>Em princípio, a Constituição Federal veda o anonimato, mas de forma alguma</p><p>desautoriza a apuração de notícia sobre fato delituoso ou falta administrativa</p><p>de qualquer natureza, cometidos por agentes públicos de qualquer espécie.</p><p>Assim, no âmbito castrense é dever dos militares estaduais noticiar atos ilícitos</p><p>ou infracionais cometidos pelos seus membros e nesse caso a identificação do</p><p>noticiante é obrigatória e atende o princípio da publicidade administrativa.</p><p>Por outra banda, a notícia anônima merecedora de apuração deve ser</p><p>encaminhada aos órgãos de inteligência para tratamento via IPS -</p><p>Investigação Preliminar Sumária, na forma regulada pelos respectivos</p><p>Comandantes-Gerais.</p><p>Sobre o tema, vejamos então a jurisprudência:</p><p>STF, ‘Habeas Corpus’ nº 99.490:</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>5</p><p>“Ementa: (...) Segundo precedentes do Supremo Tribunal Federal,</p><p>nada impede a deflagração da persecução penal pela chamada</p><p>“denúncia anônima”, desde que esta seja seguida de diligências</p><p>realizadas para averiguar os fatos nela noticiados (86.082, rel. min. Ellen</p><p>Gracie, DJe de 22.08.2008; 90.178, rel. min. Cezar Peluso, DJe de</p><p>26.03.2010;e HC 95.244, rel. min. Dias Toffoli, DJe de 30.04.2010)”.</p><p>STF, Mandado de Segurança nº 24.369: “Ementa: delação anônima.</p><p>Comunicação de fatos graves que teriam sido praticados no âmbito</p><p>da administração pública. Situações que se revestem, em tese, de</p><p>ilicitude (procedimentos licitatórios supostamente direcionados e</p><p>alegado pagamento de diárias exorbitantes). A questão da vedação</p><p>constitucional do anonimato (CF, art. 5º, IV, ‘in fine’), em face da</p><p>necessidade ético-jurídica de investigação de condutas funcionais</p><p>desviantes. Obrigação estatal, que, imposta pelo dever de</p><p>observância dos postulados da legalidade, da impessoalidade e da</p><p>moralidade administrativa (CF, art. 37, ‘caput’), torna inderrogável o</p><p>encargo de apurar comportamentos eventualmente lesivos ao</p><p>interesse público. Razões de interesse social em possível conflito com</p><p>a exigência de proteção à incolumidade moral das pessoas (CF, art.</p><p>5º, X). O direito público subjetivo do cidadão ao fiel desempenho,</p><p>pelos agentes estatais, do dever de probidade constituiria uma</p><p>limitação externa aos direitos da personalidade? Liberdades em</p><p>antagonismo. Situação de tensão dialética entre princípios</p><p>estruturantes da ordem constitucional. Colisão de direitos que se</p><p>resolve, em cada caso ocorrente, mediante ponderação dos valores</p><p>e interesses em conflito. Considerações doutrinárias. Liminar</p><p>indeferida.”</p><p>Idem: STJ, Mandados de Segurança nº 7.069, 12.385 e 13.348, Recurso</p><p>Ordinário em Mandado de Segurança nº 4.435 e Recurso Especial nº</p><p>867.666.</p><p>(...) Em outras palavras, o fato de a Constituição Federal vedar o anonimato</p><p>não autoriza a Administração Pública a desconsiderar as situações irregulares</p><p>de que tenha conhecimento, por ausência de identificação da fonte</p><p>informativa.” Francisco Xavier da Silva Guimarães, “Regime Disciplinar do</p><p>Servidor Público Civil da União”, pg. 104, Editora Forense, 2ª edição, 2006</p><p>1.2. Comunicação de Infração Disciplinar</p><p>Quanto às comunicações feitas por militar estadual, por óbvio que deve</p><p>conter identificação do comunicante e sua assinatura, além de ter de ser</p><p>clara, concisa e precisa, devendo conter os dados capazes de identificar as</p><p>pessoas ou coisas envolvidas, bem como as testemunhas, o local, a data e a</p><p>hora da ocorrência e caracterizar as circunstâncias que a envolverem, sem</p><p>tecer comentários ou opiniões pessoais, conforme reza o Art. 68 do mesmo</p><p>Código.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>6</p><p>Aqui a norma positivou o alardeado poder-dever de agir reservado à</p><p>administração pública, erigido em favor da coletividade, irrenunciável e</p><p>indelegável. E por essas qualificadoras, resta claro que se dá na relação que</p><p>se desenvolve entre administrador e administrados, superiores hierárquicos e</p><p>subordinados.</p><p>Parecer AGU nº GM-1, vinculante: Ementa: Não é impeditivo da</p><p>apuração de irregularidade verificada na administração federal e de</p><p>sua autoria o fato de os principais envolvidos terem se desvinculado</p><p>do serviço público, anteriormente à instauração do processo</p><p>disciplinar. (...)</p><p>9. Impõe-se a apuração se o ilícito ocorre ´no serviço público´, poder-</p><p>dever de que a autoridade administrativa não pode esquivar-se sob a</p><p>alegação de que os possíveis autores não mais se encontram</p><p>investidos nos cargos em razão dos quais perpetraram as infrações.</p><p>1.3. Representação</p><p>Trata-se de inovação que não deve ser confundida com a antiga</p><p>“representação” impressa no RDME, posto que a atual representação deva</p><p>ser compreendida como uma comunicação disciplinar intentada pelo</p><p>subordinado em desfavor de superior hierárquico que tenha praticado, em</p><p>tese, uma das condutas previstas no caput. E aqui cabe ressaltar que o ato</p><p>motivador pode ocorrer de forma direta ou indireta, por omissão ou comissão</p><p>deflagrada por inércia administrativa ou ação em descompasso com o</p><p>regramento castrense.</p><p>Quanto ao processamento, esta excepcionalmente não precisa obedecer a</p><p>cadeia de comando e pode ser intentada perante autoridade superior</p><p>àquela que praticou o ato. E esta, de ofício ou a requerimento poderá</p><p>movimentar ou requerer a movimentação do autor da subordinação do</p><p>representado, conforme orienta o Dec. de movimentação dos militares</p><p>estaduais, Dec. nº 1.529/1981.</p><p>Da Competência para Movimentação</p><p>Art. 12 – A movimentação dos policiais militares é da competência:</p><p>1) do Governador do Estado:</p><p>a) oficiais e praças para órgãos não previstos no Quadro de</p><p>Organização da Corporação;</p><p>b) oficiais e praças para cursos ou comissões no</p><p>que pode</p><p>levar à:</p><p>a) nulidade parcial; ou</p><p>b) nulidade total.</p><p>Haverá nulidade total, por exemplo, quando o vício já existir desde o</p><p>nascedouro do PAD, conforme ocorre nos casos de processo instaurado por</p><p>autoridade incompetente. Já a nulidade parcial se dá quando o vício</p><p>insanável ocorre no desenvolver do processo, a exemplo de quando, depois</p><p>da realização de diligências, não se dá ao acusado o direito de apresentar</p><p>suas alegações finais. Nesse caso, os atos subsequentes (relatório, solução e</p><p>punição) estão contaminados e devem ser anulados, retornando o processo</p><p>ao momento da omissão para que seja ela corrigida.</p><p>Jurisprudência sobre o tema:</p><p>STF RHC 110056/SP – Rel. Min. Luiz Fux– 10/04/2012 – 1ª Turma</p><p>EMENTA: PENAL. PROCESSUAL PENAL. AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO.</p><p>AUSÊNCIA DO RÉU NA ASSENTADA. NULIDADE ABSOLUTA. INEXISTÊNCIA.</p><p>PRECEDENTES. RECURSO ORDINÁRIO DESPROVIDO.</p><p>1. A declaração de nulidade no direito penal não prescinde da</p><p>demonstração do efetivo prejuízo para à defesa, consoante dispõe o</p><p>artigo 563 do Código de Processo Penal, o que importa dizer que a</p><p>desobediência às formalidades estabelecidas na legislação</p><p>processual somente poderá implicar o reconhecimento da invalidade</p><p>do ato quando a sua finalidade estiver comprometida em virtude do</p><p>vício verificado. Precedentes: Habeas Corpus nº 68.436, rel. Ministro</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>76</p><p>Celso de Mello, DJ de 27.03.92; Habeas Corpus nº 95.654, rel. Min.</p><p>Gilmar Mendes, DJe de 15.10.2010; Habeas Corpus nº 84.442, rel. Min.</p><p>Carlos Britto, DJe de 25.02.2005; Habeas Corpus nº 75.225, rel. Min.</p><p>Sepúlveda Pertence, DJ de 19.12.1997.</p><p>2. A ausência do acusado na audiência de instrução não constitui</p><p>vício insanável apto a ensejar a nulidade absoluta do processo, posto</p><p>tratar-se de nulidade relativa, exigindo-se, para o seu</p><p>reconhecimento, a demonstração de prejuízo à defesa.</p><p>3. In casu, no ato do interrogatório foram intimados o réu e seu</p><p>defensor para comparecerem à audiência de instrução e esses,</p><p>reiteradamente, deixaram de comparecer às sessões sucessivamente</p><p>designadas para a oitiva das testemunhas de acusação, fazendo-se</p><p>presente o defensor na derradeira assentada, quando participou</p><p>ativamente, inclusive fazendo reperguntas aos inquiridos. Inexistência</p><p>de prejuízo para a defesa (“pas de nullités sans grief”). Ademais, não</p><p>é dado parte arguir vício a que haja dado causa, ou para que tenha</p><p>concorrido (CPP, artigo 565).</p><p>4. Recurso ordinário a que se nega provimento.</p><p>4.22. Excesso de Prazo</p><p>Também constitui máxima em matéria de processo que a sua conclusão fora</p><p>do prazo corresponde a mera irregularidade, não o tornando nulo.</p><p>Ocorre que tal excesso de prazo deve ser justificado, pena de importar em</p><p>responsabilidade disciplinar para aquele que lhe deu causa (autoridade</p><p>processante ou delegante), de acordo com o previsto no artigo 132 do</p><p>CEDME.</p><p>Art. 132. O descumprimento dos prazos previstos neste Código pela</p><p>autoridade delegante ou processante não implica nulidade.</p><p>Jurisprudência sobre o tema:</p><p>STJ MS 7962/DF – Rel. Min. Vicente Leal – 01/07/2002 – 3ª Seção</p><p>EMENTA: ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO.</p><p>PROCESSODISCIPLINAR. DEMISSÃO. CONDENAÇÃO CONTRÁRIA À</p><p>PROVA DOSAUTOS. DILAÇÃO PROBATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE EM SEDE</p><p>DEMANDADO DE SEGURANÇA. ORDEM DENEGADA.</p><p>- Esta Colenda Corte já firmou entendimento no sentido de que a</p><p>extrapolação do prazo para a conclusão do processo administrativo-</p><p>disciplinar não consubstancia nulidade susceptível de invalidar o</p><p>procedimento.</p><p>- [...].</p><p>- Segurança denegada.</p><p>STJ MS 7069/DF – Rel. Min. Felix Fischer – 12/03/2001 – 3ª Seção</p><p>EMENTA:ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. PROCESSODISCIPLINAR.</p><p>DEMISSÃO. NULIDADE. DENÚNCIA ANÔNIMA.</p><p>I - Não há nulidade no processo disciplinar pela ausência de</p><p>instauração prévia de sindicância, pois esta é mera medida</p><p>preparatória daquele, sendo dispensável se já há elementos</p><p>suficientes para a deflagração do processo. Precedente do c. STF.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>77</p><p>II - A portaria de instauração do processo disciplinar que faz</p><p>referências genéricas aos fatos imputados ao servidor, deixando de</p><p>expô-los minuciosamente, não enseja a nulidade do processo, tendo</p><p>em vista que tal exigência deve ser observada apenas na fase de</p><p>indiciamento, após a instrução.</p><p>III- O excesso de prazo verificado na conclusão do processo</p><p>administrativo não constitui irregularidade capaz de prejudicar a</p><p>decisão. Precedentes.</p><p>IV - Ao se intimar as testemunhas para depor no processo disciplinar,</p><p>não há necessidade de informá-las acerca dos fatos atribuídos aos</p><p>servidores processados.</p><p>V - Impossibilidade de se reconhecer a violação ao direito das</p><p>impetrantes, em face da ausência de provas, por não terem</p><p>demonstrado, de plano, a violação ao direito, no que tange às</p><p>questões referentes ao cerceamento de defesa, vedação ao direito</p><p>de nomear advogado, nulidade no processo por se iniciar com base</p><p>em denúncia anônima e nulidade ocorrida na citação. Segurança</p><p>denegada.</p><p>STF MS 23195-2/DF – Rel. Min. Moreira Alves – 11/10/2001 – Tribunal</p><p>Pleno</p><p>EMENTA: MANDADO DE SEGURANÇA. DEMISSÃO DO CARGO DE</p><p>PROFESSOR ASSISTENTE.</p><p>- Improcedência das alegações de que, no processo administrativo,</p><p>não foram observados os princípios do contraditório e da ampla</p><p>defesa, com ofensa, portanto, do princípio do devido processo legal.</p><p>- Também não são procedentes as alegações de que houve</p><p>ilegalidade no exame das provas. E de que o processo administrativo</p><p>em causa seria nulo por exceder o prazo de 120 dias previsto no artigo</p><p>152 da Lei nº 8.112/90.</p><p>- Finalmente, não há, no caso, reformatio in peius. Mandado de</p><p>segurança indeferido.</p><p>STF MS 21494-5/DF – Rel. Min. Marco Aurélio – 11/09/1992 – Tribunal</p><p>Pleno</p><p>EMENTA: MANDADO DE SEGURANÇA. DEMISSAO. CÂMARA DOS</p><p>DEPUTADOS. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DO PROCESSO</p><p>ADMINISTRATIVO POR EXCESSO DE PRAZO. INDEFERIMENTO.</p><p>- Ato demissório de responsabilidade da mesa da Câmara dos</p><p>Deputados. Pretensão anulatória do ato, a luz do excesso verificado</p><p>no prazo para o encerramento do inquérito. Inconsistência da</p><p>argumentação, visto que o artigo 169-§ 1º da Lei 8.112/90 proclama</p><p>não ser, semelhante demora, fator nulificante do processo.</p><p>- Alegações ancilares igualmente improcedentes. Mandado de</p><p>segurança indeferido.</p><p>4.23. Denúncia Anônima</p><p>O Art. 67 do CEDME estabelece que as denúncias acerca de infrações</p><p>disciplinares devem conter os requisitos mínimos para seu processamento,</p><p>quais sejam, identificação, assinatura e endereço do denunciante, e sejam</p><p>formuladas por escrito.</p><p>Por certo tal previsão visa a dar concretude ao que preceitua o Art. 5º, IV da</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>78</p><p>Constituição Federal de 1988, segundo o qual “é livre a manifestação do</p><p>pensamento, sendo vedado o anonimato”. Assim, se de um lado o Texto</p><p>Constitucional garante a todos “o direito de petição aos Poderes Públicos em</p><p>defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder” (Art. 5º, XXXIV,</p><p>“a”), de outro o próprio Estado Democrático de Direito impõe que o exercício</p><p>do direito de petição se dê de acordo com normas que visem a compatibilizá-</p><p>lo com outras garantias decorrentes da Constituição, tais como a honra, a</p><p>privacidade, a indenização pelo dano material, moral ou à imagem.</p><p>Dessa forma, a denúncia anônima não pode ser juntada em comunicação,</p><p>sindicância ou processo administrativo disciplinar, por não caracterizar prova.</p><p>Em se tratando de procedimento ou de processo, e caso isso tenha ocorrido,</p><p>a autoridade processante ou delegante, deverá providenciar sua retirada do</p><p>interior dos autos, mediante Termo de Desentranhamento.</p><p>Consoante o que prevê o parágrafo único do artigo 67 do CEDME, a denúncia</p><p>anônima será objeto de levantamento por parte dos setores competentes da</p><p>PMES, através</p><p>do IPS, e o resultado dessa investigação, quando apontar para</p><p>indícios de transgressão, poderá levar à instauração de sindicância ou de</p><p>processo administrativo disciplinar.</p><p>4.24. Afastamentos Médicos do(s) Acusado(s)</p><p>A circunstância de estar o acusado afastado pelo médico não resulta</p><p>necessariamente na paralisação do processo. Em tais casos, recomenda-se</p><p>consultar o setor competente (JMS) a fim de que responda se em razão da</p><p>moléstia apresentada o acusado está ou não apto a ser submetido a processo</p><p>administrativo disciplinar.</p><p>Dessa forma, e quando a dúvida recair sobre a sanidade mental do acusado,</p><p>deve-se proceder de acordo com o que determina o Art. 96 do CEDME:</p><p>Do Incidente de Insanidade</p><p>Art. 96. Quando houver dúvida sobre a sanidade mental do</p><p>acusado, a autoridade processante, quando solicitada pela defesa</p><p>ou de ofício,</p><p>solicitará à autoridade competente que o militar estadual seja</p><p>submetido à inspeção por Junta Militar de Saúde.</p><p>§ 1º Havendo pronunciamento anterior da Junta Militar de Saúde</p><p>atestando a aptidão do acusado, a autoridade processante</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>79</p><p>poderá,</p><p>justificadamente, indeferir pedido da defesa de submetê-lo a novo</p><p>exame.</p><p>§ 2º O laudo pericial expedido pela Junta Militar de Saúde que</p><p>atestar a insanidade mental do acusado será juntado aos autos.</p><p>§ 3º Apenas Junta Militar de Saúde pode atestar a incapacidade do</p><p>militar estadual de responder a processo administrativo disciplinar.</p><p>§ 4º Na Inspeção Militar de Saúde para o exame de sanidade mental</p><p>a que for submetido o acusado, com finalidade de responder a</p><p>processo administrativo disciplinar, deverão ser respondidos os</p><p>quesitos:</p><p>I - diagnóstico médico;</p><p>II - estado médico do acusado considerando seu histórico constante</p><p>em prontuário médico, informando se já possuía dispensas ou laudos</p><p>médicos anteriores por doenças psiquiátricas;</p><p>III - prognóstico social, isto é, indicar, do ponto de vista psiquiátrico,</p><p>se a doença com tratamento adequado permite ou não o militar</p><p>responder a processo administrativo disciplinar, obrigatoriamente,</p><p>manifestando-se ao final se é APTO ou INAPTO.</p><p>§ 5º Nos casos de inaptidão, o militar estadual deverá ser</p><p>reavaliado a cada 120 (cento e vinte) dias ou antecipadamente</p><p>por convocação da Junta Militar de Saúde.</p><p>Caso haja o impedido de acusado acompanhar o processo, e assim</p><p>providenciar sua defesa, este deverá ser sobrestado, suspendendo-se, assim,</p><p>o prazo prescricional e processual.</p><p>Art. 54. O curso da prescrição da ação disciplinar é suspenso:</p><p>I - durante a deserção do acusado;</p><p>II - enquanto não resolvida, em outro processo, questão de que</p><p>dependa o reconhecimento da existência do crime;</p><p>III - enquanto não cumprido o Termo de Ajuste de Conduta (TAC);</p><p>IV - em virtude de insanidade mental do acusado, devendo ser</p><p>constatada por Junta Militar de Saúde. (grifo nosso)</p><p>Aspecto relativo à imputabilidade do militar na esfera disciplinar e que tem</p><p>suscitado dúvidas diz com os casos em que sobrevém a interdição civil. Nessa</p><p>hipótese, é importante esclarecer que tal interdição, conforme o próprio</p><p>nome indica, refere-se tão somente à incapacidade do indivíduo de</p><p>administrar seus bens, de assumir obrigações nessa esfera. Desse modo, a</p><p>interdição não resulta na impossibilidade de sua responsabilização nas esferas</p><p>administrativa e criminal.</p><p>Interdição e incapacidade delitual – Se alguém foi interditado,</p><p>entende-se que a interdição concerne à sua capacidade para atos</p><p>jurídicos “stricto sensu” e negócios jurídicos; não, para a sua</p><p>capacidade de atos ilícitos absolutos. De modo que, se o interdito</p><p>comete crime, ou pratica ato ilícito absoluto, se tem de alegar e provar</p><p>que ele é incapaz delitualmente, pois a carga de constitutividade e de</p><p>declaratividade, que tem a sentença de interdição, somente concerne</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>80</p><p>aos atos lícitos 'lato sensu'. (L. Enneccerus, Lehrbuch, I, § 86, nota 2, 208).</p><p>Não há interdição que crie incapacidade; apenas declara existir a</p><p>incapacidade para atos jurídicos e constitui a situação para as medidas</p><p>pertinentes e o respectivo tratamento. (MIRANDA, 1983, p. 217)</p><p>O exame será sempre específico para os fatos relatados no inquérito ou</p><p>no processo, e não pode ser substituído por interdição civil ou exame</p><p>de insanidade realizado em razão de outro fato. Isto porque, em virtude</p><p>do sistema biopsicológico sobre a inimputabilidade acolhido pelo</p><p>Código Penal, os peritos devem responder se à época do fato o</p><p>acusado era, ou não, capaz de entender o caráter criminoso do fato</p><p>ou de determinar-se segundo esse entendimento. Logo, não pode</p><p>haver aproveitamento de outro exame referente a outro fato. Outro</p><p>exame de insanidade ou a interdição civil serão elementos</p><p>circunstanciais que levam à determinação da realização do exame</p><p>específico, mas não o substituem. (FILHO, s.d., pág. 192).</p><p>4.25. Ocorrência de Fatos Novos</p><p>Considera-se fato novo aquele que surge durante do PAD e não está descrito</p><p>na portaria inaugural, imputável igualmente ao acusado.</p><p>Para tais casos, conforme estabelece o artigo 122 § do CEDME, compete a a</p><p>autoridade processante comunicar o caso à Autoridade delegante, que</p><p>poderá:</p><p>a) aditar a portaria inicial, caso se trate de fato conexo, hipótese em que</p><p>o encarregado deverá expedir novo libelo acusatório (mutatio libelli);</p><p>ou</p><p>b) editar nova portaria, de procedimento inquisitório ou acusatório, com a</p><p>designação de outro encarregado, quando se tratar de fato diverso e</p><p>sem relação com o contido no PAD.</p><p>Ressalta-se, porém, que a portaria inicial também poderá ser aditada nas</p><p>hipóteses do caput deste artigo por deliberação da autoridade delegante,</p><p>independente da comunicação da autoridade processante com o contido</p><p>no PAD</p><p>A mutatio libelli também está prevista na legislação processual penal,</p><p>aplicável subsidiariamente ao CEDME por força de seu Art. 183. Assim, embora</p><p>o Código de Processo Penal Militar (CPPM) não preveja expressamente a</p><p>hipótese, aplica-se a ele, subsidiariamente, o Código de Processo Penal (CPP),</p><p>que em seu Art. 384 trata de tais casos.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>81</p><p>4.26. Movimentação Do Acusado</p><p>Quando durante o processo administrativo disciplinar ocorrer movimentação</p><p>de Unidade do acusado, o encarregado deverá seguir normalmente suas</p><p>diligências até a elaboração do Relatório final. Aspectos relativos à</p><p>competência ou não para solução do processo são medidas que serão</p><p>apreciadas posteriormente pela autoridade que determinou sua instauração,</p><p>e não pelo encarregado.</p><p>A Autoridade que instaurou o processo poderá adotar uma das seguintes</p><p>medidas:</p><p>a) 01 (um) militar acusado: se mudou de OME, soluciona o PAD, e caso o</p><p>julgue culpado encaminha tal decisão a fim de que o novo</p><p>Comandante aplique a sanção (elabore a Nota de Punição e faça</p><p>cumprir a sanção); se passou à inatividade, soluciona o PAD, e caso o</p><p>julgue culpado encaminha tal decisão a fim de que o Corregedor</p><p>aplique a sanção (elabore a Nota de Punição e faça cumprir a</p><p>sanção).</p><p>b) 02 (dois) ou mais acusados: se qualquer um deles mudou de OME,</p><p>soluciona o PAD, e caso o julgue culpado, encaminha tal decisão a</p><p>autoridade imediatamente superior para que aplique a sanção.</p><p>4.27. Prescrição</p><p>Diz o CEDME, em seu artigo 51, que em se tratando de PAD Regular a ação</p><p>disciplinar prescreve em 01 (um) ano, em se tratando de transgressão LEVE, 02</p><p>(dois) anos se for MÉDIA e 03 (três) anos de for GRAVE, prazo que começa a</p><p>correr da data do fato. Já o art. 53 estabelece que tanto a sindicância, o IPM</p><p>e o próprio PAD têm o condão de interromper apenas uma única vez a</p><p>prescrição. Dessa regra temos o seguinte: i) da ocorrência do fato, começa a</p><p>correr a prescrição, ou seja, a administração tem um, dois anos ou três anos,</p><p>dependendo da transgressão, para</p><p>instaurar a sindicância, IPM ou o PAD; ii)</p><p>supondo que tenha sido instaurada sindicância, tal situação interrompe a</p><p>prescrição (“zera” a contagem); A partir daí, a administração, em se tratando</p><p>de transgressão que prescreve em 02 (dois) anos, por exemplo, deverá</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>82</p><p>concluir a Sindicância e em caso de instauração de PAD-RSS, também</p><p>solucioná-lo nesse período de 02 anos. Não se deve confundir, contudo, os</p><p>prazos de prescrição previstos no RDME com o dos Conselhos de Disciplina e</p><p>de Justificação, que são de 06 (seis) anos.</p><p>Cabe ressaltar as circunstâncias em que há a suspensão do prazo</p><p>prescricional:</p><p>I - durante a deserção do acusado;</p><p>II - enquanto não resolvida, em outro processo, questão de que</p><p>dependa o reconhecimento da existência do crime;</p><p>III - enquanto não cumprido o Termo de Ajuste de Conduta (TAC);</p><p>IV - em virtude de insanidade mental do acusado, devendo ser</p><p>constatada por Junta Militar de Saúde;</p><p>V - em virtude de doença grave ou de internação hospitalar</p><p>constatada por Junta Militar de Saúde;</p><p>VI - no caso da acusada ser parturiente ou lactante, por até 06 (seis)</p><p>meses;</p><p>VII - durante a suspensão do prazo processual decorrente de</p><p>diligências requeridas pela defesa do acusado;</p><p>VIII - durante os afastamentos obrigatórios do acusado;</p><p>IX - durante o exercício do cargo de Secretário de Estado ou função</p><p>de Comandante-Geral ou de Subcomandante-Geral;</p><p>X - durante o exercício de mandato eletivo;</p><p>XI - durante a suspensão do prazo processual nos dias compreendidos</p><p>entre 20 de dezembro e 20 de janeiro, inclusive, exceto se houver</p><p>pedido da defesa para prosseguimento do processo.</p><p>4.28. Independência das Esferas Penal e Administrativa</p><p>É assente tanto na Doutrina quanto na Jurisprudência que as esferas civil,</p><p>penal e administrativa são independentes e podem se cumular-se entre si. Por</p><p>independência deve-se entender que a absolvição ou a condenação em</p><p>uma delas não implica, necessariamente, em igual decisão nas demais.</p><p>Assim a regra, prevista expressamente no artigo 10 do CEDME, é a de que se</p><p>pode ter decisões diferentes sem que isso cause espécie. As únicas exceções</p><p>admitidas a tal regra ocorrem quando o juízo criminal: i) nega cabalmente o</p><p>fato ou a autoria; ii) decida cabalmente sobre o fato e seu autor.</p><p>De outra banda, dizer que as três instâncias podem se cumular corresponde</p><p>a reconhecer que a punição em um desses âmbitos de responsabilidade não</p><p>impede a condenação do autor nos demais. Assim, não é de se invocar, aqui,</p><p>a regra do “non bis in idem”, segundo a qual ninguém pode ser punido duas</p><p>vezes em razão de apenas um fato: não pode ser duplamente sancionado na</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>83</p><p>esfera penal; não pode ser duplamente sancionado na esfera administrativa.</p><p>Também é assente na Doutrina e na Jurisprudência que o eventual</p><p>arquivamento do inquérito policial pelo Juiz, trate-se de IP ou de IPM, em nada</p><p>aproveita ao acusado em sede de processo administrativo, e mais uma vez</p><p>isso ocorre devido à independência das instâncias.</p><p>Jurisprudência sobre o tema:</p><p>STF RE 120570/BA – Rel. Min. Sepúlveda Pertence – 08/11/1991 – 1ª Turma</p><p>EMENTA: FUNCIONÁRIO PÚBLICO. PUNIÇÃO. “NE BIS IN IDEM” (SÚMULA</p><p>19), INAPLICABILIDADE. DIVERSIDADE DOS PRESSUPOSTOS DAS PUNIÇÕES</p><p>SUCESSIVAS, DE RESTO, NÃO IMPOSTAS NO MESMO PROCESSO</p><p>DISCIPLINAR.</p><p>I – Em tese a prisão disciplinar imposta ao recorrente por um fato</p><p>determinado não impede que o mesmo fato se some a faltas</p><p>antecedentes para lastrear a afirmação de sua incapacidade para a</p><p>função militar e determinar a sanção final de exclusão.</p><p>II – Para a incidência da orientação assentada na Súmula 19 é</p><p>necessário – como resulta do precedente que a lastreia (RMS 8.084,</p><p>31.1.62, Victor Nunes) – que as duas punições sucessivas sejam impostas</p><p>no mesmo processo administrativo. [...]</p><p>STF MS 20396/DF – Rel. Min. Soares Munhoz – 19/08/1983 – Tribunal Pleno</p><p>EMENTA: FUNCIONÁRIO PÚBLICO. DEMISSÃO.</p><p>- O despacho que determina, a requerimento do Ministério Público, o</p><p>arquivamento de Inquérito Policial não impede que o funcionário</p><p>público, pelos mesmos fatos, possa ser demitido a bem do serviço a vista</p><p>das faltas disciplinares apuradas em processo administrativo. Mandado</p><p>de segurança preventivo indeferido.</p><p>STF MS 21332/DF – Rel. Min. Néri da Silveira – 27/11/1992 – 1ª Turma</p><p>EMENTA: MANDADO DE SEGURANÇA. SERVIDOR POLICIAL. DEMISSÃO</p><p>POR TER SE PREVALECIDO DA CONDIÇÃO DE POLICIAL.</p><p>I – O ato de demissão, após processo administrativo, não está na</p><p>dependência de processo criminal a que submetido o servidor, por</p><p>crime contra a administração pública. Independência das instâncias.</p><p>Constituição, art. 41, par. 1. Transgressões disciplinares de natureza</p><p>grave. Mandado de segurança indeferido.</p><p>STJ MS 7834/DF – Rel. Min. Felix Fisher – 08/04/2002 – 3ª Seção EMENTA:</p><p>ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. PROCESSO DISCIPLINAR.</p><p>DEMISSÃO. INDEPENDÊNCIA ENTRE AS INSTÂNCIAS PENAL, CIVIL E</p><p>ADMINISTRATIVA. MATERIALIDADE. COMPROVAÇÃO. CERCEAMENTO DE</p><p>DEFESA.</p><p>1. A independência entre as instâncias penal, civil e administrativa,</p><p>consagrada na doutrina e na jurisprudência, permite à Administração</p><p>impor punição disciplinar ao servidor faltoso à revelia de anterior</p><p>julgamento no âmbito criminal, ou em sede de ação civil por</p><p>improbidade, mesmo que a conduta imputada configure crime em</p><p>tese. Precedentes do STJ e do STF. [...]</p><p>Segurança denegada.</p><p>STJ MS 7042/DF – Rel. Min. José Arnaldo da Fonseca – 05/03/2001 – 3ª</p><p>Seção EMENTA: ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. PROCESSO</p><p>DISCIPLINAR. DEMISSÃO. INDEPENDÊNCIA ENTRE AS INSTÂNCIAS</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>84</p><p>CRIMINAL E ADMINISTRATIVA.</p><p>1. A independência entre as instâncias criminal e administrativa é</p><p>questão pacificada tanto na doutrina, quanto na jurisprudência deste</p><p>C. STJ.</p><p>2. Aplicada a pena de demissão de servidor público com base em</p><p>processo administrativo no qual não se vislumbra qualquer</p><p>irregularidade, não há porque determinar a suspensão do ato</p><p>demissionário até que a justiça criminal se pronuncie, de forma</p><p>irrecorrível, sobre as faltas imputadas ao servidor. Precedentes.</p><p>Segurança denegada.</p><p>STJ ROMS 9023/DF – Rel. Min. Felix Fisher – 25/10/1999 – 5ª Turma EMENTA:</p><p>ADMINISTRATIVO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA AMPLA</p><p>DEFESA. ART. 517, CPC.</p><p>1. Procedimento administrativo instaurado pela autoridade</p><p>competente, com observância dos princípios do contraditório e da</p><p>ampla defesa.</p><p>2. Não há cerceamento de defesa no indeferimento de produção de</p><p>prova manifestamente desnecessária.</p><p>3. [...]</p><p>4. O arquivamento do inquérito em nada favorece o recorrente tendo</p><p>em conta a independência das instâncias administrativa e judiciária.</p><p>5. Recurso desprovido.</p><p>4.29. Assentamentos Funcionais</p><p>Orienta-se a autoridade processante, o uso dos assentamentos funcionais</p><p>para verificar as circunstâncias agravantes que serão relacionadas no libelo</p><p>acusatório, não sendo necessária a sua juntada aos autos na integra para não</p><p>expor a intimidade do acusado.</p><p>Além disso, não se deve imprimir os assentamentos funcionais para juntada</p><p>aos autos, mas sim gravá-los em mídia, como em um CD, e juntar ao processo.</p><p>4.30. Interrogatório do(s) Acusado(s)</p><p>O interrogatório do acusado constitui-se em importante meio de defesa,</p><p>ocasião na qual a autoridade processante tem a possibilidade de ouvir</p><p>diretamente dele sua versão para os fatos objeto de inculpação. Dessa forma,</p><p>mesmo diante do silêncio das normas próprias do rito sumário, recomenda-se</p><p>que o encarregado adote tal medida, evitando-se assim futuros</p><p>questionamentos relativos ao cerceamento do direito de defesa, embora haja</p><p>julgados divergentes do Egrégio Tribunal de Justiça do Espírito Santo.</p><p>Jurisprudência sobre o tema:</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS</p><p>II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>85</p><p>TJES Remessa Ex-officio Proc. 002.04.000760-7 – Rel. Des. Catharina Maria</p><p>Novaes Barcellos – 20/04/2007 – 4ª Câmara Cível</p><p>EMENTA: REMESSA EX OFFICIO. MANDADO DE SEGURANÇA. ATO</p><p>DISCIPLINAR. AUSÊNCIA DE INTERROGATÓRIO DURANTE O PROCESSO</p><p>ADMINISTRATIVO. OFENSA À GARANTIA DA AMPLA DEFESA. NULIDADE.</p><p>EXTENSÃO APENAS PARA OS ATOS POSTERIORES AO OMITIDO. SENTENÇA</p><p>REFORMADA APENAS EM PARTE.</p><p>I – Compete ao Poder Judiciário apreciar a regularidade do</p><p>procedimento, à luz dos princípios do contraditório, da ampla defesa e</p><p>do devido processo legal, sem, contudo, adentrar no mérito</p><p>administrativo.</p><p>II – [...] decorre da ampla defesa constitucional positivada no Art. 5º, inc.</p><p>LV, a garantia da autodefesa, dentro da qual se insere o interrogatório,</p><p>sendo este o momento adequado para o réu, em contato direto com</p><p>a autoridade julgadora, trazer a sua versão a respeito dos fatos da</p><p>acusação.</p><p>III – Considerando que a sentença analisada declarou a nulidade do</p><p>processo administrativo disciplinar sem opor nenhuma ressalva quanto</p><p>à extensão da invalidade, parece-me que apenas neste aspecto</p><p>pontual há lastro para a reforma, ou seja, para que a nulidade se</p><p>estenda somente aos atos praticados a partir da omissão do</p><p>interrogatório.</p><p>IV – Sentença parcialmente reformada.</p><p>TJES Agravo Regimental Mand. Segurança Proc. 0000371-</p><p>58.2006.8.08.0000 (100.06.000371-0) – Rel. Des. Samuel Meira Brasil Junior</p><p>– 09/03/2006 – Tribunal Pleno 4ª Câmara Cível</p><p>EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL. LIMINAR EM MANDADO DE</p><p>SEGURANÇA PREVENTIVO. DECISÃO DENEGATÓRIA. COMISSÃO</p><p>ESPECIAL DE INQUÉRITO DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA. DEPUTADOS</p><p>ESTADUAIS. VIOLAÇÃO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL EM SENTIDO</p><p>FORMAL. INOCORRÊNCIA. INOBSERVÂNCIA DE FORMALIDADES</p><p>PROCEDIMENTAIS. MATÉRIA INTERNA CORPORIS. GARANTIAS</p><p>CONSTITUCIONAIS. CONTRADITÓRIO. INTERROGATÓRIO. MEIO</p><p>ADEQUADO A CARGO DA ASSEMBLÉIA PRAZO EXTRAPOLADO. LIMITE</p><p>MÁXIMO FIXADO EM LEI. INOCORRÊNCIA. COMPOSIÇÃO DA COMISSÃO</p><p>PRESERVANDO PARTICIPAÇÃO PARTIDÁRIA. SUBMISSÃO DO RELATÓRIO</p><p>AO PLENÁRIO. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ILEGALIDADE NA QUEBRA DO</p><p>SIGILO FISCAL. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO RELEVANTE PARA A</p><p>PARALISAÇÃO DA INVESTIGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CASSAÇÃO DE</p><p>MANDATO POR QUEBRA DO DECORO PARLAMENTAR. FATO OCORRIDO</p><p>EM MANDATO PRETÉRITO. MATÉRIA INTERNA CORPORIS. COGNIÇÃO</p><p>SUMÁRIA DA LIMINAR. RECURSO DESPROVIDO.</p><p>[...]</p><p>2. A falta de interrogatório pode gerar nulidade relativa, mas não</p><p>implica violação ao contraditório. Interrogatório é meio de produção</p><p>de provas, enquanto contraditório é instrumento de defesa. A parte</p><p>pode alegar, em sua peça de defesa, a versão que daria em seu</p><p>depoimento. Assim sendo, não há prejuízo para a defesa, que poderá</p><p>argumentar sobre as provas produzidas na oportunidade que lhe for</p><p>concedida.</p><p>[...]</p><p>9. Recurso desprovido.</p><p>4.31. Alegações Finais</p><p>Caso a autoridade processante tenha realizado qualquer diligência, ainda</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>86</p><p>que se trate da juntada de um simples documento, ainda que do PAD conste</p><p>como diligência apenas o interrogatório do acusado, deverá ser dado ao</p><p>acusado, ad cautelam, o direito de manifestação em alegações finais,</p><p>evitando-se, assim, a possibilidade de qualquer alegação de cerceamento</p><p>do direito à ampla defesa e contraditório.</p><p>Como a recomendação estabelecida é a de que se realize o interrogatório</p><p>do acusado, a fim de evitar alegação de cerceamento do direito de ampla</p><p>defesa e contraditório, o encarregado do PAD deverá, sempre, dar-lhe a</p><p>possibilidade de manifestação em alegações finais.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>87</p><p>5. Relatório</p><p>O Relatório é o documento no qual a autoridade processante, depois de</p><p>concluir todas as diligências realizadas, relata à Autoridade quais foram as</p><p>providências adotadas no curso de sua missão e, ainda, a qual conclusão foi</p><p>possível chegar ao final dos trabalhos. É também no Relatório que o</p><p>encarregado emite seu parecer, devidamente justificado, sobre se há ou não</p><p>transgressão da disciplina militar e quais são os responsáveis.</p><p>Ressalte-se que não há fórmula única para a elaboração de um relatório,</p><p>podendo o encarregado usar de sua criatividade para expor as ideias.</p><p>5.1. Estrutura</p><p>Recomenda-se dividir o Relatório em cinco partes, cada qual reservada para</p><p>determinados assuntos:</p><p>a. Introdução: a primeira parte do Relatório ocupa geralmente um</p><p>ou no máximo dois parágrafos. Faz-se uma breve síntese sobre o</p><p>trabalho do PAD, apontando os elementos de identificação, tais</p><p>como o número da portaria, a Autoridade que determinou a</p><p>instauração, os fatos a averiguar, o nome dos envolvidos, e ainda</p><p>a data e o local do ocorrido. Assim, diante de uma rápida leitura</p><p>da Introdução, será possível a qualquer pessoa ter acesso às</p><p>informações gerais sobre o processo.</p><p>b. Diligências: a segunda parte do Relatório enumera as diligências</p><p>realizadas pelo encarregado no curso do processo, todas</p><p>voltadas ao esclarecimento do evento. Nessa parte, a autoridade</p><p>processante deve fazer referência ao número da folha em que</p><p>cada documento representativo da diligência pode ser</p><p>encontrado. Vale mencionar também que os ofícios e</p><p>solicitações diversas, bem como as intimações expedidas no</p><p>curso da investigação, não necessitam ser registrados no Relatório</p><p>como se fossem diligências, exceto nos casos em que essas</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>88</p><p>providências representem as únicas demonstrações das</p><p>iniciativas da autoridade processante em levar adiante alguma</p><p>diligência importante que não foi concluída. O registro das</p><p>diligências tem importância fundamental para a Autoridade,</p><p>uma vez que assim poderá verificar se a autoridade processante</p><p>“esgotou” todos os meios de prova possíveis.</p><p>c. Resumo dos Fatos: na terceira parte do Relatório, a autoridade</p><p>processante deve fazer uma narrativa sobre o evento,</p><p>principalmente os elementos consignados no libelo acusatório, ou</p><p>seja, aquilo que consta nos autos desde o momento da</p><p>instauração do PAD. Sâo os chamados “pontos incontroversos”,</p><p>sobre os quais não pairam dúvidas. Assim, tudo aquilo que</p><p>configurar opinião (mera versão ou controvérsia), deverá ser</p><p>apreciado no tópico seguinte (item “4” do Relatório – “Análise das</p><p>Provas”). Para facilitar a leitura, a autoridade processante pode</p><p>subdividir o item “3” em tantos quantos parágrafos forem</p><p>necessários.</p><p>d. Análise das Provas: na quarta parte do Relatório, sem dúvida a</p><p>mais difícil e relevante, a autoridade processante faz a</p><p>apreciação dos elementos de prova existentes. Verifica se os</p><p>elementos de convicção existentes ao tempo da instauração do</p><p>processo foram ou não confirmados na instrução. A fim de</p><p>demonstrar as razões de seu convencimento, a autoridade</p><p>processante necessita motivar seu parecer. Nesse sentido, não lhe</p><p>basta afirmar que o acusado é culpado ou inocente, mas</p><p>necessita apontar o meio, a forma, pelo que chegou a tal</p><p>convencimento. A motivação do ato administrativo é um</p><p>importante elemento na aferição de sua legalidade, daí porque</p><p>a autoridade processante deve explicitar de modo claro as</p><p>razões de seu convencimento, isto é, as provas que lastreiam seu</p><p>parecer.</p><p>e. Conclusão: é última parte do Relatório, na qual a autoridade</p><p>processante, com base nos elementos de convicção apontados</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>89</p><p>no item anterior, emite parecer segundo o qual o acusado é</p><p>“culpado” ou “inocente” em relação aos fatos que lhe são</p><p>atribuídos no processo. Pode, ainda, evidenciar situações</p><p>verificadas ao longo do PAD, tais como outras transgressões,</p><p>atribuíveis ao próprio acusado ou a outrem, bem como a</p><p>ocorrência de qualquer fato que julgue relevante para o</p><p>conhecimento da autoridade competente.</p><p>5.2. Fato Que Constitua Outra Transgressão</p><p>A autoridade processante</p><p>poderá em seu Relatório sugerir o enquadramento</p><p>do militar em outra transgressão (tipificação), dês que, evidentemente, não se</p><p>trate de inovação em matéria de fato, pois aí, ao se mudar o fato, se estaria</p><p>diante de outra acusação.</p><p>É pacífico que em matéria de processo acusatório, seja ele penal ou</p><p>administrativo, o acusado se defende dos fatos a ele atribuídos e não de sua</p><p>capitulação legal (artigos infringidos). De qualquer sorte, recomenda-se</p><p>extrema cautela na aplicação do dispositivo, conhecido como emendatio</p><p>libelli (Art. 437 “a” do CPPM e Art. 383 do CPP), pois na dúvida se recomenda</p><p>proceder de acordo com o item acima.</p><p>Igualmente, é recomendável que os casos de emendatio libelli não</p><p>representem para o acusado um maior gravame, a exemplo do que ocorreria</p><p>se ao final lhe fosse imputada a prática de uma transgressão de maior</p><p>gravidade que a descrita inicialmente (embora na esfera criminal o Juiz possa</p><p>fazê-lo).</p><p>Jurisprudência sobre o tema:</p><p>STJ MS 8106/DF – Rel. Min. Vicente Leal – 28/10/2002 – 3ª Seção</p><p>EMENTA: ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO.</p><p>PROCESSOADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. EXERCÍCIO DO DIREITO</p><p>DEDEFESA. EMISSÃO IRREGULAR DE PORTE DE ARMA. PENA. SUGESTÃO</p><p>DA COMISSÃO DE INQUÉRITO. AGRAVAMENTODESFUNDAMENTADO.</p><p>PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE.</p><p>- Constando do ato de indiciamento a precisa descrição dos fatos</p><p>imputados ao servidor, não tem procedência a alegação de nulidade</p><p>do processo porque punido por falta diversa, pois a defesa é exercitada</p><p>contra os fatos imputados e não contra a eventual definição jurídica.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>90</p><p>[...].</p><p>5.3. Parecer da Autoridade Processante</p><p>O parecer da autoridade processante, como inclusive sói ocorrer nos demais</p><p>pareceres administrativos, não vincula a decisão da autoridade competente,</p><p>que pode dele discordar de modo fundamentado.</p><p>Destaca-se que a Autoridade Processante emite Parecer Opinativo, enquanto</p><p>a Autoridade Delegante, após analisar os pareceres da Autoridade</p><p>Processante e do CONSED, emite Decisão Interlocutória.</p><p>Jurisprudência sobre o tema:</p><p>STJ MS 8106/DF – Rel. Min. Vicente Leal – 28/10/2002 – 3ª Seção</p><p>EMENTA: ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO.</p><p>PROCESSOADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. EXERCÍCIO DO DIREITO</p><p>DEDEFESA. EMISSÃO IRREGULAR DE PORTE DE ARMA. PENA.SUGESTÃO DA</p><p>COMISSÃO DE INQUÉRITO. AGRAVAMENTODESFUNDAMENTADO.</p><p>PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE.</p><p>[...]</p><p>- A autoridade administrativa competente, ao efetuar o julgamento dos</p><p>fatos apurados em processo administrativo disciplinar, não está</p><p>vinculada às conclusões do parecer da Comissão de Inquérito,</p><p>podendo aplicar sanção diversa da sugerida, mesmo mais severa,</p><p>desde que adequadamente fundamentada. E ao afastar-se do</p><p>sugerido no parecer, deve especificar os pontos em que o mesmo se</p><p>dissocia das provas colhidas no procedimento, de modo a demonstrar</p><p>a necessidade de agravamento da sanção disciplinar, na linha do</p><p>comando expresso no art. 168, da Lei nº 8.112, de 1990.</p><p>STJ RMS 6570/RO – Rel. Min. Fernando Gonçalves – 03/03/1997 – 6ª Turma</p><p>EMENTA: RMS. FUNCIONÁRIO PÚBLICO. PROCESSO ADMINISTRATIVO</p><p>DISCIPLINAR. DEMISSÃO. APLICAÇÃO DE PENA DIVERSA DAQUELA</p><p>SUGERIDA PELA COMISSÃO.</p><p>1. Não é a autoridade administrativa obrigada a acatar o parecer da</p><p>Comissão no tocante a pena a ser aplicada. Pode adotar solução</p><p>diversa, porquanto o funcionário se defende dos fatos que lhe são</p><p>imputados, devendo a agravação ou atenuação ser fundamentada.</p><p>2. Recurso improvido.</p><p>5.4. Ciência do Relatório</p><p>Finalizado o relatório, a Autoridade Processante deverá cientificar a defesa,</p><p>conforme determina o Art. 127 do CEDME:</p><p>Art. 127. A defesa receberá cópia do relatório por meio eletrônico, a</p><p>fim de tomar conhecimento de seu conteúdo.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>91</p><p>Esse ato pode ser feito por meio eletrônico, como E-DOCS ou email, e também</p><p>presencialmente. De toda forma, o documento que atesta a ciência da</p><p>defesa deve ser juntado aos autos.</p><p>5.5. Encerramento Remessa ao CONSED</p><p>Após ter completado todos os passos anteriores, sem qualquer supressão,</p><p>deverá ser lavrado Termo de Encerramento e também de Remessa, sendo os</p><p>autos do processo remetidos ao Conselho de Ética e Disciplina Militar</p><p>(CONSED), que fará a devida reanálise do caderno processual para emissão</p><p>de Parecer Opinativo.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>92</p><p>6. Referências</p><p>ALVES, Léo da Silva. Questões Relevantes da Sindicância e do Processo</p><p>Disciplinar. Brasília: Brasília Jurídica, 1999.</p><p>ALVIM, José Eduardo Carreira. Elementos de Teoria Geral do Processo. 7. ed.</p><p>Rio de Janeiro: Forense, 2000.</p><p>ASSIS, Jorge César de. Curso de Direito Disciplinar Militar: Da Simples</p><p>Transgressão ao Processo Administrativo. 2. ed. Curitiba: Juruá, 2009.</p><p>BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. 8. ed. São Paulo: Malheiros,</p><p>1999.</p><p>BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em:</p><p><http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm>.</p><p>Acesso em: 28 out. 2011.</p><p>______. Decreto Lei nº. 2.848 de 07 dez. 1940. Código Penal. Disponível em:</p><p><http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm>. Acesso em:</p><p>10 out. 2011.</p><p>______. Decreto Lei nº. 3.689 de 03 out. 1941. Código de Processo Penal.</p><p>Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-</p><p>Lei/Del3689.htm>. Acesso em: 15 out. 2011.</p><p>______. Decreto Lei nº. 1.002 de 21 out. 1969. Código de Processo Penal Militar.</p><p>Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-</p><p>Lei/Del1002.htm>. Acesso em: 12 out. 2011.</p><p>______. Lei nº. 8.112 de 11 dez. 1990. Estatuto dos Servidores Públicos Civis da</p><p>União. Disponível em:</p><p><http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8112cons.htm>.</p><p>Acesso em: 14 out. 2011.</p><p>______. Lei nº. 8.429 de 02 jun. 1992. Dispõe sobre os Casos de Enriquecimento</p><p>Ilícito por parte dos Agentes Públicos. Disponível em:</p><p><http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8429.htm>. Acesso em: 12 out.</p><p>2011.</p><p>______. Lei nº. 9.784 de 29 jan. 1999. Regula o Processo Administrativo na</p><p>Administração Pública Federal. Disponível em:</p><p><http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9784.htm>. Acesso em: 14 out.</p><p>2011.</p><p>CARRAZZA, Roque Antônio. Curso de Direito Constitucional Tributário. 11. ed.</p><p>São Paulo: Malheiros, 2002.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>93</p><p>COSTA, José Armando da. Teoria e Prática do Processo Administrativo</p><p>Disciplinar. 4. ed. Brasília: Brasília Jurídica, 2002.</p><p>CRETELLA JÚNIOR, José. Prática do Processo Administrativo. 3. ed. São Paulo:</p><p>Revista dos Tribunais, 1999.</p><p>DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 14. ed. São Paulo: Atlas,</p><p>2002.</p><p>ESPÍNDOLA, Ruy Samuel. Conceito de Princípios Constitucionais. São Paulo:</p><p>Revista dos Tribunais, 1999.</p><p>ESPÍRITO SANTO (Estado). Tribunal de Justiça. Regimento Interno. Disponível</p><p>em:<http://www.tj.es.gov.br/portal/PDF/legislacao/REGIMENTO%20INTERNO_</p><p>2011.pdf>. Acesso em: 20 out. 2011.</p><p>______. Polícia Militar. Coletânea de Leis. Vitória, [s.n.]: 1999.</p><p>______. Polícia Militar. Coletânea de Decretos. Vitória, [s.n.]: 2000.</p><p>FILHO, Fernando da Costa Tourinho. Código de Processo Penal Comentado. 4.</p><p>ed. São Paulo: Saraiva, 1999. v. 1.</p><p>______. Processo Penal. v. 1. 23. ed. São Paulo: Saraiva, 2001.</p><p>FILHO, Romeu Felipe Bacellar. Processo Administrativo Disciplinar. 2. ed. São</p><p>Paulo: Max Limonad, 2003.</p><p>FRANCO, Fernão Borba. Processo Administrativo. São Paulo: Atlas, 2008.</p><p>GRINOVER, Ada Pellegrini; CINTRA, Antônio C. de Araújo; DINAMARCO,</p><p>Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo. 23. ed. São Paulo: Melhoramentos,</p><p>2007.</p><p>JARDIM, Afrânio Silva. Direito Processual Penal. 4. ed. Rio de Janeiro: Forense,</p><p>1991.</p><p>LUZ, Egberto Maia. Sindicância e Processo Administrativo:</p><p>Teoria e Prática. São</p><p>Paulo: Edipro, 1999.</p><p>MARINELA, Fernanda. Servidores Públicos. Rio de Janeiro: Impetus, 2010.</p><p>MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 19. ed. São Paulo:</p><p>Malheiros, 1994.</p><p>MELLO. Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. 14. ed. São</p><p>Paulo: Malheiros, 2002.</p><p>MEDAUAR, Odete. A Processualidade no Direito Administrativo. 2. ed. São</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>94</p><p>Paulo: Revista dos Tribunais, 2008.</p><p>MIKALOVSKI, Algacir. Prática em Processos e Procedimentos Administrativos.</p><p>Curitiba: Juruá, 2002. v. 1.</p><p>OSÓRIO, Fábio Medina. Direito Administrativo Sancionador. 3. ed. São Paulo:</p><p>Revista dos Tribunais, 2009.</p><p>PORTA, Marcos. Processo Administrativo e o Devido Processo Legal. São Paulo:</p><p>Quartier Latin, 2003.</p><p>PRADO, Geraldo. Sistema Acusatório: A Conformidade Constitucional das Leis</p><p>Processuais Penais. 3. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2005.</p><p>SILVA, Edson Jacinto da. Sindicância e Processo Administrativo Disciplinar. São</p><p>Paulo: Servanda, 2009.</p><p>SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 29. ed. São</p><p>Paulo: Malheiros, 2007.</p><p>REIS, Antônio Carlos Palhares Moreira. Processo Disciplinar. 2. ed. Brasília:</p><p>Consulex, 1999.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>95</p><p>Ficha Técnica</p><p>APOSTILA / CONTEUDISTAS</p><p>TEN CEL QOCPM RR MATEUS GARCIA PEREIRA</p><p>CAP QOCPM VALTER RODRIGUES VASCONCELOS JUNIOR</p><p>CAP QOAPM EMERSON FERNANDES PIMENTEL</p><p>SUB TEN QPMP-C RR JEFFERSON AGUIAR DOS SANTOS</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>96</p><p>exterior, mediante</p><p>proposta do Comandante Geral da Polícia Militar;</p><p>2) do Comandante Geral da Polícia Militar:</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>7</p><p>a) Oficiais para todos os órgãos, setores ou funções, previstos nos</p><p>Quadros de Organização da Corporação;</p><p>b) oficiais e praças para cursos em outras Unidades da Federação ou</p><p>nas Forças Armadas;</p><p>c) todos os demais casos não previstos neste artigo.</p><p>3) do Chefe do Estado-Maior:</p><p>– praças não compreendidas nos itens anteriores, cuja movimentação</p><p>implique em mudança de sede, com o conhecimento prévio do</p><p>Comandante Geral;</p><p>4) dos Comandantes de OPM:</p><p>- praças, no âmbito das respectivas OPM.</p><p>§1º – A competência para movimentação, atribuída à autoridade</p><p>especificada no número 3 deste artigo, poderá ser delegada com</p><p>autorização do Comandante Geral da Polícia Militar.</p><p>Está prevista no artigo 69 do CEDME:</p><p>Art. 69. O militar estadual que se julgue vítima de ofensa, de injustiça,</p><p>ou de prejuízo em seus direitos, poderá representar contra ato de</p><p>superior que o atinja direta ou indiretamente.</p><p>§ 1º O documento deverá limitar-se aos fatos atribuídos a superior</p><p>hierárquico, vedados comentários ou opiniões pessoais.</p><p>§ 2º A representação deverá ser encaminhada diretamente à</p><p>autoridade superior àquela contra quem foi formulada.</p><p>§ 3º Por iniciativa da autoridade competente ou a pedido do próprio</p><p>representante, este poderá ser movimentado da OME, quando a</p><p>representação recair sobre o seu comandante ou chefe imediato,</p><p>observados os princípios da oportunidade e da conveniência do</p><p>serviço.</p><p>§ 4º Não será admitida representação em substituição aos recursos</p><p>disciplinares</p><p>1.4. Apuração da Infração Disciplinar</p><p>Ordinariamente, para apuração da infração disciplinar “em tese”, a</p><p>autoridade competente deverá adotar as providências previstas no artigo 70,</p><p>do CEDME, na ordem prevista nos seus incisos:</p><p>Art. 70. A autoridade a quem a denúncia, a comunicação disciplinar</p><p>ou a representação é dirigida deve tomar as seguintes medidas:</p><p>I - solicitar informações formalmente a seu subordinado;</p><p>II - instaurar ou determinar a instauração de procedimento apuratório,</p><p>caso não haja indícios suficientes de autoria e materialidade; ou</p><p>III - instaurar ou determinar a instauração do competente processo</p><p>administrativo disciplinar, caso existam indícios de autoria e</p><p>materialidade.</p><p>Isso como forma de verificar a presença de causas de justificação ou de</p><p>excludentes de transgressão disciplinar aptas a ilidir a ação disciplinar, desde</p><p>que materialmente comprovadas.</p><p>Com efeito, o propósito deste regramento é privilegiar as formas alternativas</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>8</p><p>de solução dos conflitos que emergem entre administrador e administrado na</p><p>seara correcional. Primeiro pela requisição de informações sobre os fatos</p><p>imputados, depois diligenciando pela via investigativa na busca dos</p><p>elementos autoria e materialidade e por último recorrendo à ação disciplinar</p><p>como forma de restauro da hierarquia e disciplina.</p><p>Nesse norte, mesmo nesse último estágio a administração militar deverá</p><p>buscar a via alternativa pelo ajuste de conduta (TAC), quando possivelmente</p><p>serão acordadas as formas de composição do litigio.</p><p>1.5. Manifestação Preliminar</p><p>Esse dispositivo tem por propósito delimitar o cabimento da manifestação</p><p>preliminar e fixar, de forma expressa, o prazo para o militar estadual prestá-las</p><p>ao seu chefe imediato. E, de forma implícita, fixa o prazo para o Comandante</p><p>de OME requisitá-las ao interessado, dado que no silêncio de prazo este será</p><p>também de 05 (cinco) dias úteis.</p><p>Sobre o processamento, pela antiga dogmática do RDME tais informações</p><p>preliminares vinham ao conhecimento do encarregado, ora autoridade</p><p>processante, na forma de preliminares apresentadas via defesa prévia</p><p>quando já instaurada a ação disciplinar. E agora, com a episteme impressa</p><p>no CEDME, estas vêm ao conhecimento da administração militar antes de</p><p>instaurado contraditório.</p><p>Mas é claro que a inércia do militar em prestar quaisquer das informações</p><p>solicitadas não induz confissão e não acarreta seu enquadramento por</p><p>transgressão disciplinar.</p><p>Ademais, prestadas as informações requeridas e justificada a transgressão, em</p><p>tese, cometida pelo justificante, a autoridade competente determinará o</p><p>arquivamento da denúncia mediante despacho devidamente</p><p>fundamentado.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>9</p><p>2. Procedimentos Disciplinares</p><p>2.1. Investigação Preliminar Sumária</p><p>A Investigação Preliminar Sumária (IPS) é um procedimento inquisitivo e sigiloso</p><p>de apuração instaurado pelas autoridades elencadas no art. 2º, da Portaria</p><p>nº 831-R, de 08/07/2020, visando apurar notícias de crimes ou infrações</p><p>disciplinares envolvendo militares estaduais, de caráter anônimo ou quando</p><p>não há elementos suficientes para a instauração de inquérito policial militar,</p><p>sindicância correcional ou processo administrativo disciplinar, devendo ser</p><p>regulamentada por cada Corporação.</p><p>Atende o comando impresso na Lei 13.689/2019 - Lei de Abuso de Autoridade.</p><p>E aqui cabe destacar alguns aspectos importantes dessa norma regulamentar</p><p>nos seguintes termos:</p><p>a. A competência para sua instauração é atribuída, em menor nível</p><p>hierárquico, aos Comandantes de OME.</p><p>b. É dispensada a publicação da instauração do IPS, o que se justifica pela</p><p>possível improcedência da denúncia e necessária salvaguarda da</p><p>pessoa do denunciado no curso da apuração.</p><p>c. O Encarregado a IPS diligenciará no sentido de esclarecer os fatos,</p><p>podendo, inclusive, entrevistar pessoas (reclamante(s), vítima(s) e</p><p>testemunha(s)), mas de forma alguma poderá interrogar o investigado.</p><p>d. O prazo mínimo para sua conclusão será de 30 (trinta).</p><p>e. A IPS poderá resultar na instauração de IPM, Sindicância, PAD,</p><p>Encaminhamento ao órgão competente, tudo por haver indícios</p><p>mínimos de autoria e materialidade, e, claro, arquivamento por</p><p>ausência de justa causa.</p><p>Ao final a IPS será arquivada sem necessidade de publicação em boletim</p><p>interno. Contudo, quando a IPS motivar a instauração de IPM, Sindicância ou</p><p>PAD tornar-se-á ostensiva, obedecendo as regras do devido processo legal ou</p><p>procedimento.</p><p>A matéria também foi regulada pela CGU - Corregedoria-Geral da União via</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>10</p><p>Instrução Normativa nº 08/2020 e esta pode subsidiar a norma local pelos</p><p>princípios hermenêuticos da integração e máxima efetividade.</p><p>INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 8, DE 19 DE MARÇO DE 2020</p><p>Regulamenta a Investigação Preliminar Sumária no âmbito do Sistema</p><p>de Correição do Poder Executivo Federal.</p><p>O CORREGEDOR-GERAL DA UNIÃO, no uso das atribuições que lhe</p><p>conferem o art. 13, incisos I e V, do Anexo I do Decreto nº 9.681, de 3</p><p>de janeiro de 2019, o art. 4º, incisos I e II, do Decreto nº 5.480, de 30 de</p><p>junho de 2005 e o art. 45, incisos I, VI e XI, do Anexo I, da Portaria nº</p><p>3553, de 13 de novembro de 2019, e tendo em vista o disposto no art.</p><p>14 do Decreto-lei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967, e no art. 2º, caput,</p><p>e parágrafo único, incisos VI, VIII e IX, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro</p><p>de 1999, resolve:</p><p>Art. 1º Os órgãos do Poder Executivo Federal, pertencentes à</p><p>Administração Pública direta, as autarquias, as fundações, as</p><p>empresas públicas e as sociedades de economia mista,</p><p>compreendidas na Administração Pública indireta, ainda que se trate</p><p>de empresa estatal que explore atividade econômica de produção</p><p>ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, poderão</p><p>realizar apurações de irregularidades por meio de Investigação</p><p>Preliminar Sumária (IPS) quando a complexidade ou os indícios de</p><p>autoria e materialidade não justificarem a imediata instauração do</p><p>processo correcional.</p><p>Art. 2º A IPS constitui procedimento administrativo de caráter</p><p>preparatório, informal e de acesso</p><p>restrito, que objetiva a coleta de</p><p>elementos de informação para a análise acerca da existência dos</p><p>elementos de autoria e materialidade relevantes para a instauração</p><p>de processo administrativo disciplinar acusatório, processo</p><p>administrativo sancionador ou processo administrativo de</p><p>responsabilização.</p><p>§ 1º No âmbito da IPS podem ser apurados atos lesivos cometidos por</p><p>pessoa jurídica contra a Administração Pública e falta disciplinar</p><p>praticada por servidor ou empregado público federal.</p><p>§ 2º Da IPS não poderá resultar aplicação de sanção, sendo</p><p>prescindível a observância aos princípios do contraditório e da ampla</p><p>defesa.</p><p>Art. 3º A IPS será instaurada de ofício ou com base em representação</p><p>ou denúncia recebida, inclusive anônima, pelo titular da corregedoria</p><p>ou, na inexistência desta, da unidade diretamente responsável pela</p><p>atividade de correição, podendo ser objeto de delegação.</p><p>§1º A autoridade instauradora supervisionará a instrução da IPS e</p><p>aprovará as diligências na sua esfera de competência, zelando pela</p><p>completa apuração dos fatos, observância ao cronograma de</p><p>trabalho estabelecido e utilização dos meios probatórios adequados.</p><p>§2º A instauração da IPS será realizada por despacho, dispensada a</p><p>sua publicação.</p><p>Art. 4º A IPS será processada diretamente pela unidade de correição</p><p>ou, na inexistência desta, pela unidade diretamente responsável pela</p><p>atividade de correição, devendo ser adotados atos de instrução que</p><p>compreendam:</p><p>I - exame inicial das informações e provas existentes no momento da</p><p>ciência dos fatos pela autoridade instauradora;</p><p>II - realização de diligências, oitivas, e produção de informações</p><p>necessárias para averiguar a procedência da notícia; e</p><p>III - manifestação conclusiva e fundamentada, indicando a</p><p>necessidade de instauração do processo correcional acusatório ou o</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>11</p><p>arquivamento da notícia.</p><p>§ 1º A autoridade instauradora poderá solicitar a participação de</p><p>servidores ou empregados não lotados na unidade de correição para</p><p>fins de instrução da IPS.</p><p>§ 2º Os atos no âmbito da IPS poderão ser praticados individualmente</p><p>por servidor ou empregado designado, observado o disposto no § 1º</p><p>do art. 3º desta Instrução.</p><p>Art. 5º O prazo para a conclusão da IPS será de até 180 (cento e</p><p>oitenta) dias.</p><p>Art. 6º Ao final da IPS o responsável pela condução deverá</p><p>recomendar:</p><p>I - o arquivamento, caso ausentes indícios de autoria e prova da</p><p>materializada da infração, não sejam aplicáveis penalidades</p><p>administrativas ou quando houver necessidade de aguardar a</p><p>obtenção de informações ou realização de diligências necessárias ao</p><p>desfecho da apuração;</p><p>II - a instauração de processo correcional acusatório cabível, caso</p><p>conclua pela existência de indícios de autoria, prova de</p><p>materialidade e viabilidade da aplicação de penalidades</p><p>administrativas; ou</p><p>III - a celebração de Termo de Ajustamento de Conduta</p><p>Art. 7º No âmbito da Corregedoria-Geral da União, a instauração da</p><p>IPS e decisão quanto ao seu arquivamento compete aos titulares das</p><p>unidades da Diretoria de Responsabilização de Agentes Públicos e da</p><p>Diretoria de Responsabilização de Entes Privados.</p><p>Art. 8º Esta Instrução Normativa entra em vigor no dia 1º de abril de</p><p>2020.</p><p>2.2. Sindicância Correcional</p><p>Relembrando em poucas linhas tudo aquilo que já fora devidamente</p><p>explanado no momento próprio, na seara do direito disciplinar faz-se a</p><p>seguinte distinção: a) sindicância, IPM, APFD, IT: meio de apuração; processo</p><p>administrativo disciplinar (PAD-RSS, PAD-RS, CD e CJ): meio de julgamento.</p><p>A sindicância correcional está prevista nos Arts. 74 a 77 do CEDME e deve ser</p><p>instaurada para investigar e esclarecer fato, bem como para orientar a</p><p>tomada de providências administrativas. Em matéria disciplinar, busca a</p><p>autoria e a materialidade do fato (justa causa), elementos imprescindíveis</p><p>para a instauração de processo acusatório.</p><p>Trata-se, assim, de procedimento não obrigatório, pois caso existam elementos</p><p>suficientes, o processo administrativo poderá ser instaurado diretamente.</p><p>Com a vigência da Lei de Abuso de Autoridade a comissão responsável pela</p><p>confecção da minuta do CEDME entendeu por bem renomear esse</p><p>instrumento investigativo, como, aliás, previsto no parágrafo único do artigo</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>12</p><p>27 daquela norma federal. Isso também como forma de distingui-la de outros</p><p>instrumentos investigativos vigentes no ordenamento castrense estadual.</p><p>Vejamos o dispositivo legal:</p><p>Art. 27. Requisitar instauração ou instaurar procedimento</p><p>investigatório de infração penal ou administrativa, em desfavor de</p><p>alguém, à falta de qualquer indício da prática de crime, de ilícito</p><p>funcional ou de infração administrativa: (Vide ADIN 6234) (Vide ADIN</p><p>6240).</p><p>Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.</p><p>Parágrafo único. Não há crime quando se tratar de sindicância ou</p><p>investigação preliminar sumária, devidamente justificada.</p><p>Assim, a sindicância deve, tanto quanto possível, dar resposta aos seguintes</p><p>questionamentos: quem? o que? onde? quando? como? com que meios?</p><p>por quê?</p><p>A sindicância tem como regra o sigilo, pois se trata de uma investigação, e</p><p>por isso mesmo não obedece ao postulado da ampla defesa e do</p><p>contraditório.</p><p>O prazo de sua realização é de 40 (quarenta) dias, prorrogável por até 20</p><p>(vinte) dias, e diferentemente do que ocorre no PAD, o Encarregado da</p><p>Sindicância tem a liberdade de ampliar o objeto da investigação, analisando</p><p>também outros fatos correlatos.</p><p>Havendo necessidade de novas diligências, a Autoridade Delegante poderá</p><p>determinar novo prazo, limitado a 20 (vinte) dias.</p><p>Quanto ao seu resultado, a sindicância poderá concluir pelo seguinte: a)</p><p>arquivamento dos autos; b) adoção de medidas administrativas; c)</p><p>instauração de processo administrativo disciplinar (PAD-RSS, PAD-RS, CD ou</p><p>CJ); d) instauração de inquérito policial militar; e) encaminhamento à</p><p>autoridade competente (Polícia Civil, Ministério Público, Poder Judiciário,</p><p>etc.).</p><p>2.2.1. Confecção da Portaria</p><p>Após a escolha do Encarregado para presidir os trabalhos da Sindicância, a</p><p>respectiva nomeação se dá, de maneira formal, por meio de expediente de</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>13</p><p>caráter ordinatório conhecido como PORTARIA. Nesse momento, dois critérios</p><p>devem ser levados em consideração pela Autoridade Delegante:</p><p>a. A Autoridade Delegante deve possuir ascendência funcional sobre o</p><p>Militar Estadual escolhido e</p><p>b. O Militar Estadual escolhido deve possuir ascendência hierárquica sobre</p><p>os possíveis investigados.</p><p>A Portaria não é elaborada pelo Encarregado de Sindicância, mas sim pelo</p><p>Comando ou sua Assessoria.</p><p>A Portaria deve estar acompanhada, na forma de anexo, de toda a</p><p>documentação que informa sobre o episódio.</p><p>A Portaria deve trazer expressas as seguintes informações:</p><p>a. Nome da Autoridade Delegante;</p><p>b. Nome da Autoridade Sindicante;</p><p>c. Resumo dos fatos (data, hora, local, envolvidos, vítima – que houver);</p><p>d. Data;</p><p>e. Número;</p><p>f. Origem (Seção responsável pela expedição).</p><p>2.2.2. Entrega da Portaria a Autoridade Sindicante</p><p>A Portaria é lavrada na Seção da Unidade (SPAJM) encarregada de</p><p>assessorar o Comando da Unidade em assuntos de Processos Administrativos</p><p>Disciplinares. Depois de pronta, a PORTARIA é entregue ao Militar nomeado,</p><p>juntamente com os documentos constantes do anexo, colhendo-se o recibo</p><p>do Encarregado, para fins de controle, principalmente quanto ao</p><p>cumprimento do prazo.</p><p>2.2.3. Recebimento da Portaria</p><p>No momento em que recebe a Portaria de designação, o Encarregado da</p><p>Sindicância deve dispensar especial atenção para o prazo de conclusão dos</p><p>trabalhos.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>14</p><p>Além disso, o Encarregado deverá emitir um</p><p>recibo datado, o qual marca o</p><p>início da contagem do prazo regulamentar concedido para concluir os</p><p>trabalhos. Outra atenção dispensada nesse momento refere-se à conferência</p><p>da documentação registrada como anexo à Portaria, e conferência também</p><p>de possíveis materiais (objetos e armas) constantes do apenso.</p><p>Recebida e conferida toda a documentação, a Autoridade Sindicante pode</p><p>se deparar com alguns incidentes que o impeçam de iniciar os trabalhos. Esses</p><p>são os principais incidentes verificados nessa fase da Sindicância:</p><p>a) Envolvimento de Militar Estadual com posto ou graduação superior ou</p><p>mais antigo que o Encarregado (a necessidade de inquirir superior</p><p>hierárquco na condição de testemunha não impede o Encarregado a</p><p>Presidir a Apuração).</p><p>b) Falta de algum documento, que embora descrito no anexo, não tenha</p><p>sido entregue junto com a Portaria;</p><p>c) Falta de objeto (sobretudo munição, ou objeto pequeno, que venha</p><p>descrito na Portaria como objeto em apenso ao expediente;</p><p>d) Questões de foro íntimo (amigo pessoal ou inimigo de algum dos</p><p>envolvidos, grau de parentesco, etc.) que retiarm a imparcialidade do</p><p>Encarregado.</p><p>2.2.4. Capa e Autuação da Sindicância</p><p>A autuação é um Termo, ou seja, Termo de Autuação, lavrado na capa da</p><p>Sindicância (Termo de Autuação ou simplesmente Autuação).</p><p>A elaboração da CAPA/AUTUAÇÃO, deve ser a primeira providência a ser</p><p>adotada pelo Encarregado da Sindicância, realizada logo depois de</p><p>recebida a Portaria de instauração, que pode ser oriunda de sua Unidade ou</p><p>Corregedoria da PMES.</p><p>A finalidade do Termo é registrar e marcar a primeira medida solene adotada</p><p>pelo Sindicante, no momento em que ele, de posse dos primeiros documentos</p><p>(aqueles que lhe foram entregues juntamente com a Portaria), os transforma</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>15</p><p>em autos, passando de um simples amontoado de folhas (às vezes fora de</p><p>ordem), a um processo com folhas organizadas, numeradas e rubricadas.</p><p>Toda a documentação inicial é encartada, passando à forma de autos da</p><p>Sindicância. Por isso a denominação: autuação, ou seja, transformar em</p><p>autos.</p><p>Além da autuação, a primeira folha da Sindicância também serve como</p><p>capa para proteção das peças da Sindicância.</p><p>Na parte inferior da CAPA consta o Termo de Autuação e em sua parte</p><p>superior os dados importantes sobre a apuração, como NOME DO</p><p>ENCARREGADO e DAS PESSOAS ENVOLVIDAS, o NÚMERO DA PORTARIA,</p><p>dentre outros. Assim, a CAPA é também chamada de CAPA/AUTUAÇÃO, pois</p><p>ao mesmo tempo em que serve para proteger os documentos, destina-se</p><p>também à AUTUAÇÃO. Devido à sua destinação, o ideal é que a CAPA seja</p><p>de material diferenciado, tanto na espessura como no tamanho,</p><p>possibilitando assim a conservação e também uma boa aparência e</p><p>apresentação do processo.</p><p>O esforço dispensado pelo Encarregado nessa etapa resulta em autos com</p><p>excelente apresentação e zelo. Ao contrário, a falta de capricho na</p><p>confecção da capa e na autuação da documentação da Sindicância</p><p>certamente resultará em uma Sindicância com aparência desarrumada e</p><p>desleixada, que, independentemente do conteúdo da investigação,</p><p>repercutirá negativamente na reputação do Encarregado. O desleixo e falta</p><p>de zelo poderão acarretar, inclusive, responsabilidade disciplinar.</p><p>Para uma boa apresentação do trabalho da Sindicância, na elaboração da</p><p>Capa não deve ser utilizada folha de papel comum (no tamanho e na</p><p>espessura). Tal material, além de não proteger os documentos, deixa à</p><p>amostra, e totalmente desalinhados, todos os documentos encartados na</p><p>Sindicância, dando-lhe um aspecto ruim, o que denota falta de zelo e</p><p>desorganização.</p><p>Por ser a primeira folha, a CAPA/AUTUAÇÃO é a folha de número 01, mas esse</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>16</p><p>número NÃO DEVE VIR EXPRESSO no canto superior direito, conforme ocorre</p><p>com as demais folhas. A CAPA/AUTUAÇÃO também não recebe rubrica, ao</p><p>contrário das demais folhas. A partir da AUTUAÇÃO, todas as folhas são</p><p>numeradas e rubricadas pelo Encarregado da Sindicância, na ordem</p><p>cronológica em que forem acrescendo os autos.</p><p>Caso a documentação recebida em anexo à Portaria seja de grande volume,</p><p>o Encarregado poderá fazer a autuação apenas da Portaria, deixando a</p><p>documentação anexa, para autuação em apartado.</p><p>Autuar em apartado é encartar em um outro volume (SEGUNDO VOLUME ou</p><p>quantos forem necessários), unindo os volumes por meio de uma amarração</p><p>com uso de barbante.</p><p>2.2.5. Termo de Abertura</p><p>Como o próprio nome informa, o Termo de Abertura é um Termo cuja</p><p>finalidade é registrar formalmente o momento em que foram realizadas as</p><p>primeiras diligências da fase de instrução, assinalando o início da marcha</p><p>processual. A peça é elaborada pelo Encarregado da Sindicância logo após</p><p>a autuação de toda essa documentação inicial, vez que já da conferiu da</p><p>Portaria e seus anexos.</p><p>Muito embora seja a segunda peça a ser confeccionada, na sequência da</p><p>atuação, o TERMO DE ABERTURA vem depois do último documento que</p><p>integra os anexos da Portaria de instauração, assinalando de modo claro</p><p>onde se inicia a “produção do Encarregado”, resultando na seguinte</p><p>sequência: CAPA/AUTUAÇÃO, PORTARIA, ANEXOS DA PORTARIA, TERMO DE</p><p>ABERTURA.</p><p>O TERMO DE ABERTURA tem a finalidade de marcar e registrar não apenas o</p><p>início, como também todas as diligências realizadas pelo Sindicante,</p><p>conforme Termos respectivos.</p><p>É aconselhável que o Encarregado a registre no TERMO DE ABERTURA, as</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>17</p><p>primeiras medidas que marcaram o início da fase de instrução. Outra sugestão</p><p>importante é a de que antes de lavrar o TERMO DE ABERTURA, ou</p><p>imediatamente após isso, o Encarregado proceda a uma leitura atenta de</p><p>toda a documentação, com espacial atenção ao que se determina na</p><p>Portaria, para só a partir de então iniciar seus trabalhos. Assim, já de posse das</p><p>informações existentes – e principalmente tendo ciência sobre onde reside a</p><p>dúvida – aconselha-se que o Encarregado elabore um PLANEJAMENTO</p><p>INICIAL sobre como deverá desenvolver seu trabalho de investigação: Quais</p><p>são os pontos a ser esclarecidos? Onde estão as contradições ou omissões?</p><p>Quem testemunhou os fatos? Quais pessoas deve ouvir? Quais documentos</p><p>são importantes juntar? Quais as principais perguntas a cada uma das</p><p>testemunhas? Como as dúvidas mais importantes poderão ser elucidadas?</p><p>QUEM? O QUE? COMO? ONDE? QUANDO? POR QUÊ? – São essas as</p><p>perguntas a responder.</p><p>Se de início já há resposta para algumas delas (situação que pode ocorrer),</p><p>cabe ao Encarregado buscar responder as demais. Diante desses</p><p>questionamentos, e daquilo que ainda falta esclarecer ou atestar, o</p><p>Encarregado escolherá as pessoas (ou até mesmo as coisas) com as quais, no</p><p>curso do procedimento, poderá confirmar ou não, as respostas antecipadas</p><p>no PLANEJAMENTO.</p><p>Como ilustração sobre a importância do planejamento, vale a pena registrar</p><p>o fato de ser comum Sindicâncias contendo resultados que apontam para a</p><p>ausência de provas, muitas vezes em razão de o trabalho ter sido conduzido</p><p>sem um mínimo planejamento ou direcionamento.</p><p>Sem planejamento, muitas diligências, sobretudo oitivas, seguem ao sabor das</p><p>explicações dadas apenas pelos Sindicados, ou Ofendidos, que pelo fato de</p><p>terem particular interesse na causam, acabam, com suas versões parciais e</p><p>fragmentadas, ofuscando a realidade dos acontecimentos. O Sindicante é o</p><p>responsável em zelar pelo interesse da administração, isto é, esclarecer de</p><p>forma cabal os fatos da forma como ocorreram.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>18</p><p>Nunca é demais lembrar que o Encarregado da Sindicância é o Presidente do</p><p>procedimento. Cabe a ele não apenas digitar depoimentos e juntar</p><p>documentos, mas principalmente, se portar de maneira ativa e</p><p>questionadora, na busca do esclarecimento total e imparcial dos</p><p>fatos, até</p><p>para que, depois, não lhe pese a responsabilidade por sua parcialidade.</p><p>2.2.6. Fase de Instrução</p><p>Com o advento do CEDME, as oitivas das pessoas envolvidas em</p><p>procedimento ou processo administrativo disciplinar dar-se-ão por recursos de</p><p>gravação digital audiovisual, por meio remoto ou sistema de</p><p>videoconferência destinada a obter maior fidelidade das informações, de</p><p>acordo com o artigo 97 do Código de Ética e Disciplina dos Militares Estaduais.</p><p>Porém, ainda se admite que sejam digitadas ou produzidas por qualquer outro</p><p>meio de impressão e reunidas por ordem cronológica, sendo nesse caso</p><p>numeradas e rubricadas pela autoridade processante.</p><p>O legislador teve o cuidado de elaborar procedimentos de acordo com as</p><p>novas tecnologias em uso. É claro que nesse primeiro momento, em virtude de</p><p>uma série de fatores, o registro eletrônico pode ser inviável em alguns casos,</p><p>sendo necessário recorrer a impressão das oitivas e demais documentos,</p><p>porém, num futuro próximo, a tendência ao uso das tecnologias será</p><p>inevitável.</p><p>As pessoas podem ser ouvidas na Sindicância na condição de: OFENDIDO,</p><p>TESTEMUNHAS ou SINDICADO. Dependendo dessa condição, serão</p><p>dispensadas garantias e formalidades previstas na legislação processual</p><p>penal, as quais também devem ser observadas na feitura da Sindicância. Por</p><p>isso é de suma importância que o Sindicante explicite a condição da pessoa</p><p>que está ouvindo na Sindicância.</p><p>• OFENDIDO - É a pessoa que figurou como vítima no fato a ser apurado.</p><p>• TESTEMUNHAS - São todas aquelas pessoas que presenciaram o fato, ou</p><p>dele tiveram algum tipo de conhecimento, mas não revelam nenhum</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>19</p><p>interesse ligado à vítima ou ao autor.</p><p>• SINDICADO - É o Policial Militar que figura como autor do fato a ser</p><p>investigado.</p><p>De acordo com essa classificação, a oitiva será formalizada por meio dos</p><p>seguintes TERMOS:</p><p>• TERMO DE DECLARAÇÃO – É o termo lavrado para registro da oitiva do</p><p>Ofendido. A expressão DECLARANTE é usada para se referir a essa</p><p>pessoa. Quando houver dúvidas sobre imparcialidade da pessoa no</p><p>fato, recomenda-se ouvi-la em TERMO DE DECLARAÇÃO.</p><p>• TERMO DE INQUIRIÇÃO DE TESTEMUNHA – É o termo lavrado para o</p><p>registro da oitiva apenas das Testemunhas. A expressão DEPOENTE é</p><p>usada para se referir a Testemunha.</p><p>• TERMO DE INTERROGATÓRIO – É o Termo lavrado para o registro da oitiva</p><p>do Sindicado. As expressões SINDICADO ou INTERROGADO são usadas</p><p>para se referir ao Policial investigado.</p><p>Algumas regras importantes:</p><p>Na medida do possível, o Ofendido deve ser a primeira pessoa a ser ouvida</p><p>na Sindicância. Tal medida possibilita ao Encarregado colher, logo no início</p><p>da apuração, as informações fornecidas pela pessoa que foi vítima da ação.</p><p>O Ofendido, tal qual o Sindicado, NÃO PRESTA O COMPROMISSO LEGAL DE</p><p>DIZER A VERDADE. Logo, não está obrigado a falar a verdade.</p><p>Caso haja acusação de agressão física no objeto da apuração, o Sindicante</p><p>deverá encaminhar o Ofendido a exame de lesões corporais, para atestar</p><p>esse fato, pois a apuração desses vestígios é de suma importância.</p><p>Testemunhas:</p><p>a) COMPROMISSO LEGAL DE DIZER A VERDADE - A testemunha deve PRESTAR O</p><p>COMPROMISSO LEGAL DE DIZER A VERDADE do que souber e lhe for</p><p>perguntado, inclusive em processos administrativos, sob pena de falso</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>20</p><p>testemunho, CRIME previsto nos artigos 342 do CP (1 a 3 anos) e 346 do</p><p>CPM (2 a 6 anos), CABENDO AO SINDICANTE ORIENTAR A TESTEMUNHA</p><p>SOBRE ISSO. As figuras incriminadas são: FAZER AFIRMAÇÃO FALSA,</p><p>NEGAR A VERDADE e CALAR A VERDADE.</p><p>O compromisso deve ser prestado formalmente e deve constar do</p><p>respectivo termo. Exemplo:</p><p>“Compromissado na forma da lei e perguntado quanto aos costumes,</p><p>respondeu negativamente...”</p><p>NÃO PRESTAM O COMPROMISSO as seguintes pessoas: parentes, amigos</p><p>ou inimigos das partes (Ofendido ou Sindicado), os menores de 18 anos.</p><p>Exemplo:</p><p>“Perguntado quanto aos costumes, respondeu que é pai do ofendido,</p><p>razão pela qual não prestará compromisso...”.</p><p>b) TESTEMUNHA DIRETA E INDIRETA - As Testemunhas podem ser diretas ou</p><p>indiretas, conforme tiveram conhecimento direta ou indiretamente do</p><p>fato.</p><p>c) ASSENTADA - Caso sejam ouvidas várias testemunhas, uma seguida da</p><p>outra, em uma mesma data e local, o Sindicante pode se aproveitar do</p><p>TERMO DE ASSENTADA, economizando tempo para a lavratura dos</p><p>vários termos, pois seu peâmbulo constará na assentada.</p><p>Sindicado(s):</p><p>a) ÚLTIMO A SER OUVIDO - Para o sucesso da investigação, recomenda-se</p><p>deixar a oitiva do Sindicado para depois das outras oitivas. Com essa</p><p>maneira de proceder, nessa ocasião, o Encarregado estará de posse</p><p>de um volume considerável de informações, podendo interrogar o</p><p>Sindicado sobre todas elas.</p><p>b) DESOBRIGAÇÃO LEGAL DE DIZER A VERDADE - Assim como acontece com o</p><p>Ofendido, o Sindicado também NÃO PRESTA O COMPROMISSO LEGAL</p><p>DE DIZER A VERDADE.</p><p>c) DIREITO AO SILÊNCIO - É direito garantido na Constituição Federal (devido</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>21</p><p>processo legal), permanecer o Sindicado em silêncio, e nada falar sobre</p><p>o fato a ser apurado. Nesses casos, deve ser registrado o uso desse</p><p>direito. O Sindicante também deve informar o Sindicado sobre os termos</p><p>da acusação que lhe é formulada. Deve também consignar nos autos</p><p>as perguntas feitas e não respondidas. Exemplo:</p><p>“Cientificado sobre o seu direito constitucional ao silêncio, e ainda,</p><p>cientificado da imputação que lhe é feita de acordo com a Portaria n°</p><p>111/00, respondeu que usará do direito ao silêncio e não prestará</p><p>declarações...”.</p><p>d) TESTEMUNHA INSTRUMENTÁRIA - Ao final da oitiva do Sindicado, nas ocasiões</p><p>em que ocorrer a confissão ou algum evento como o descrito no item</p><p>“3”, ou ainda caso ele se negue a assinar o Termo, deve-se colher a</p><p>assinatura de 02 (duas) testemunhas (instrumentárias) sobre o incidente.</p><p>É importante que o Sindicante identifique os principais pontos de controvérsias</p><p>a ser apurados, para que durante as oitivas assuma uma postura ativa, e</p><p>indague detalhadamente as testemunhas, os envolvidos e a vítima, buscando</p><p>elucidar por completo como foi a dinâmica dessa parte importante do evento</p><p>(não se deve aceitar, sem questionamentos explicações ou narrativas com</p><p>lacunas ou incoerências).</p><p>Para uma boa oitiva, não basta apenas que a pessoa apresente sua versão</p><p>sobre os fatos para a consignação do Sindicante. Esse tipo de depoimento</p><p>quase nada prova. Assim, após narrar um fato ou episódio, o declarante deve</p><p>ser também questionado sobre como soube do fato (estava no local ou</p><p>dizer?) e indicar algum elemento que comprove ou ateste o que foi narrado</p><p>e a circunstância do conhecimento.</p><p>Durante as oitivas realizadas por escrito, tudo que é narrado ou respondido</p><p>pelo entrevistado deve ser consignado no respectivo Termo, desde que,</p><p>obviamente, tenha relação com a apuração. Cada parte da narrativa (ou</p><p>período) é introduzida pela conjunção QUE (grafada, preferencialmente, em</p><p>letra maiúscula, em negrito e sublinhada, a fim de lhe dar destaque).</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>22</p><p>As pessoas a serem ouvidas na Sindicância devem comparecer às oitivas</p><p>depois de formalmente intimadas pelo Encarregado da Sindicância. No caso</p><p>da necessidade de oitiva de Militares Estaduais, esses devem ser convocados</p><p>por meio de Expediente (Comunicação Interna) endereçada ao</p><p>Comandante do ME. A comprovação da intimação deverá ser juntada aos</p><p>autos. Caso a pessoa compareça espontaneamente, ela pode ser ouvida,</p><p>registrando no Termo o seu comparecimento sem ter sido intimada.</p><p>O Encarregado da Sindicância deve ter a preocupação de consignar o relato</p><p>do ouvinte da maneira mais fiel possível (ou seja, reproduzir tanto quanto</p><p>possível, as expressões empregadas pela pessoa ouvida), a fim de</p><p>evitar</p><p>qualquer distorção nas informações prestadas. Deve ser evitado o uso de</p><p>expressões cultas, pertencentes ao vocabulário do Sindicante. Inclusive, em</p><p>casos do emprego de PALAVRAS DE CALÃO, narradas pela pessoa para</p><p>descrever com fidelidade o fato, essas devem ser reproduzidas entre aspas,</p><p>para demonstrar que são as palavras usadas pelo próprio Declarante. Sugere-</p><p>se o emprego do tempo verbal 3ª pessoa do singular, em vez da 1ª pessoa,</p><p>evitando-se, assim, ambigüidades. Exemplo:</p><p>“QUE ESTEVE em um bar localizado no centro da cidade...” (não usar ESTIVE).</p><p>Caso a pessoa que esteja sendo ouvida seja analfabeta, ou apenas assine o</p><p>nome, devem ser nomeada duas testemunhas (instrumentárias), para assina,</p><p>a rogo, o Termo. Essas testemunhas instrumentárias devem acompanhar a</p><p>leitura do Termo perante o Declarante, atestando assim que ele concorda</p><p>com o conteúdo da Declaração.</p><p>É proibido ouvir, em Sindicância ou qualquer outro procedimento, pessoas em</p><p>estado de embriaguez, pois tal situação retira-lhe o discernimento sobre o que</p><p>fala. Em caso de militares devem ser tomadas as providências criminais e</p><p>administrativas adequadas.</p><p>Recomenda-se que o Sindicante realize entrevista prévia com o declarante,</p><p>a fim de assinalar os principais pontos, esclarecendo-lhe, na medida do</p><p>possível o motivo pelo qual foi intimado. A partir daí, com o início da</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>23</p><p>declaração, o Sindicante deve permitir à pessoa que está sendo ouvida, falar</p><p>livremente, relatando passo a passo como ocorreram os fatos. Permite-se ao</p><p>Sindicante fazer o declarante “retornar” ao objeto principal quando se desviar</p><p>do foco. Posteriormente, depois de concluído o relato, o Encarregado passa</p><p>a fazer as perguntas convenientes ao esclarecimento do fato.</p><p>No que diz respeito à ESTRUTURA DO DOCUMENTO, é importante ser</p><p>consignado NO INÍCIO DA NARRATIVA, as informações que situem o</p><p>declarante no contexto da história. Exemplos:</p><p>“QUE o DEPOENTE é Diretor do Presídio e não estava no estabelecimento no</p><p>momento dos fatos, mas foi cientificado do que aconteceu pelos</p><p>funcionários...”.</p><p>“QUE o DEPOENTE é vizinho do Ofendido e acompanhou o andamento de</p><p>toda a ocorrência policial...”.</p><p>Menores de 18 anos deverão ser ouvidos preferencialmente acompanhados</p><p>de um dos pais ou responsável, que deverá ser nomeado CURADOR, que</p><p>também assina o Termo. Outrossim, em caso de criança ou adolescente vítima</p><p>ou testemunha de violência, o Sindicante deverá se atentar ao que precede</p><p>a Lei 13.431/2017 a respeito do depoimento especial.</p><p>Durante as oitivas, nada impede a pessoa consultar apontamentos pessoais</p><p>antes de dar as respostas sobre o fato. Contudo, não pode ser permitido que</p><p>o Declarante traga sua declaração por escrito.</p><p>As declarações e depoimentos devem ser tomados individualmente, não</p><p>sendo permitido que uma Testemunha, Sindicado, ou Ofendido, assista ou</p><p>acompanhe a declaração do outro (procedimento INQUISITIVO). A</p><p>incomunicabilidade entre testemunhas também deve ser mantida. O</p><p>acompanhamento por Advogado é direito tanto da testemunha quanto do</p><p>Sindicado, podendo o Advogado deste acompanhar as declarações das</p><p>testemunhas. Sua presença, entretanto, não lhe dá o direito de dirigir</p><p>perguntas.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>24</p><p>Ao final da lavratura do respectivo Termo, devem assinar o documento a</p><p>pessoa ouvida e o Sindicante. No caso de mais de uma lauda, ambos deverão</p><p>rubricar todas elas, a fim de evitar alegações posteriores sobre qualquer</p><p>modificação no conteúdo das declarações.</p><p>Caso a Testemunha resida em local distante da OME onde está lotado o</p><p>Sindicante, essa pessoa pode ser ouvida mediante CARTA PRECATÓRIA.</p><p>Entretanto, a preferência para as oitivas é de acordo com o artigo 97, §2º do</p><p>CEDME.</p><p>2.2.7. Juntada de Documentos</p><p>A JUNTADA representa a diligência em que o Sindicante busca acumular nos</p><p>autos da Sindicância os documentos necessários à sua conclusão. A</p><p>diligência, ou seja, o acúmulo de documento nos autos da Sindicância não</p><p>deve acontecer informalmente ou de maneira desorganizada. A cada grupo</p><p>de documentos que o Sindicante leve para os autos, deve ser lavrado o</p><p>TERMO DE JUNTADA, o qual mencionará a data da diligência, os documentos</p><p>que foram juntados e sua origem. O Termo é recomendável sempre que se</p><p>vierem aos autos documentos “de fora” da Sindicância. Logo, não existe</p><p>Termo de Juntada para documentos produzidos pelo Encarregado (Termo de</p><p>Declaração, Termo de Apreensão, Termo de Acareação, etc.).</p><p>É medida importante a JUNTADA da escala de serviço, para atestar se o Militar</p><p>Estadual envolvido estava ou não escalado de serviço na ocasião dos fatos,</p><p>bem como na busca de eventuais testemunhas.</p><p>O Relatório de CPU mostra-se como documento importante e que geralmente</p><p>é juntado aos autos, pois geralmente contém informações relevantes sobre o</p><p>fato a ser investigado. Não se deve esquecer também do BOP.</p><p>Caso o objeto da investigação faça alusão a arma da Corporação</p><p>acautelada a Militar Estadual, o Encarregado da Sindicância deverá</p><p>providenciar a JUNTADA da cópia do Livro de Cautela de Armas da Unidade.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>25</p><p>Vários outros documentos, públicos ou particulares, pertencentes à</p><p>Administração Militar ou a outros órgãos públicos, podem ser JUNTADOS aos</p><p>autos da Sindicância, dependendo da natureza do fato a ser esclarecido a</p><p>da importância desses documentos na elucidação do fato. Diante da</p><p>necessidade de qualquer documento, o Encarregado irá solicitá-lo</p><p>formalmente, por meio de uma Comunicação Interna ou Ofício à respectiva</p><p>autoridade, pois age por delegação, conforme consta na Portaria da</p><p>Sindicância.</p><p>Os assentamentos funcionais do militar podem ser consultados no SIARHES,</p><p>porém não se deve juntar aos autos.</p><p>2.2.8. Acareação</p><p>A acareação é o ato no qual duas ou mais pessoas são novamente ouvidas</p><p>de modo a CONFRONTAR SEUS DEPOIMENTOS perante o Sindicante, criando,</p><p>assim, a possibilidade de ELUCIDAR OS PONTOS CONTROVERTIDOS verificados</p><p>nas primeiras oitivas. Não existe restrição com relação à condição das pessoas</p><p>que participaram da Acareação. Assim, pode haver Acareação de</p><p>Testemunhas, Acareação de Investigados, Acareação de Vítimas, ou</p><p>Acareação de várias dessas pessoas já citadas, inclusive umas com as outras.</p><p>A Acareação será realizada, a critério do Sindicante, apenas quando houver</p><p>pontos controvertidos de natureza relevante para a solução da causa</p><p>investigada. Desse modo, não será qualquer tipo de divergência,</p><p>principalmente se irrelevante, que ensejará tal medida. Exemplo: quando</p><p>duas testemunhas diretas declaram coisas diferentes sobre algo essencial. A</p><p>Acareação pode revelar que uma delas se equivocou, omitiu ou mentiu. Em</p><p>havendo uma dessas situações, é comum a testemunha temer mudar sua</p><p>versão em razão de isso poder significar, em tese, a ocorrência de um ilícito.</p><p>Cabe ao Encarregado esclarecer aos presentes que tanto o CP quanto o CPP</p><p>deixam claro que o fato deixa de ser punível se o agente se retrata, dizendo</p><p>a verdade.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>26</p><p>Vale, contudo, a importante observação de que é comum depoimentos com</p><p>conteúdos parcialmente diferentes. Isso se deve, muitas vezes, em razão da</p><p>própria percepção pessoal que cada pessoa tem com relação aos</p><p>acontecimentos, sendo certo que acaba misturando suas próprias impressões</p><p>sobre algo. Logo, não é de se estranhar determinadas divergências. O que</p><p>não se admite, então, são versões totalmente opostas para um mesmo</p><p>acontecimento.</p><p>Na Acareação, as pessoas a serem acareadas são intimadas a comparecer</p><p>no mesmo dia, hora e local perante o Sindicante. Desse modo, são colhidos</p><p>os depoimentos dos acareados, que são colocados um frente ao outro. Do</p><p>mesmo modo como acontece nas oitivas, na Acareação também é lavrado</p><p>um TERMO, chamado Termo de Acareação.</p><p>Há pessoas que sustentam a inutilidade da medida, uma vez que, via de regra,</p><p>os acareados ratificam seus depoimentos anteriores, mesmo quando</p><p>colocados frente a frente. Entretanto, esse é o momento no qual o</p><p>Encarregado poderá, de acordo com suas reações, formar seu</p><p>convencimento e emprestar maior credibilidade a um deles.</p><p>2.2.9. Reprodução Simulada dos Fatos</p><p>O TERMO DE REPRODUÇÃO SIMULADA DOS FATOS e uma peça lavrada na</p><p>forma de Termo com a finalidade de aferir se o fato a ser investigado</p><p>aconteceu de terminado modo. O TERMO DE REPRODUÇÃO SIMULADA DOS</p><p>FATOS é o registro das principais cenas do fato a ser apurado, podendo ser</p><p>acompanhado de tomadas fotográficas e de filmagens.</p><p>Sobre o TERMO, vale lembrar o seguinte:</p><p>a) A reprodução simulada é realizada quando existe a necessidade de</p><p>apontar a viabilidade de o fato ter acontecido de determinado modo.</p><p>b) Quando importar em perturbação da ordem pública ou em violação</p><p>de normas éticas, a reprodução não deve ser realizada.</p><p>c) Devem ser convidados a participaram da REPRODUÇÃO todas as</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>27</p><p>pessoas que participaram do fato a ser apurado.</p><p>d) No caso de impossibilidade ou de recusa, o Encarregado pode</p><p>empregar Policiais Militares para a diligência.</p><p>e) É recomendado fazer tomadas com fotografias ou filmagens das</p><p>principais cenas do fato a ser REPRODUZIDO.</p><p>Observação importante:</p><p>Exemplo de uma situação em que haja necessidade de realização de</p><p>reprodução simulada seria o caso em que um das pessoas ouvidas relata que</p><p>tenha conseguido pular um muro de dois metros de altura. Se a confirmação</p><p>desse fato for relevante para a conclusão sobre a investigação, o</p><p>Encarregado da Sindicância poderá determinar a realização da reprodução</p><p>simulada do fato, para conferir se tal ação realmente aconteceu.</p><p>2.2.10. Reconhecimento de Pessoas ou Objetos</p><p>O TERMO DE RECONHECIMENTO e uma peça lavrada na forma de Termo, para</p><p>documentar a confirmação do conhecimento de pessoas ou de objetos que</p><p>possam ter relação com o fato a ser investigado.</p><p>Sobre o RECONHECIMENTO, vale lembrar o seguinte:</p><p>a) O Reconhecimento de pessoas pode ser realizado com fotografias.</p><p>b) O Reconhecimento é um ato solene e possuiu formalidades essenciais.</p><p>c) Inicialmente, antes mesmo do ato de Reconhecimento, o</p><p>RECONHECEDOR deve ser convidado a descrever a pessoa a ser</p><p>reconhecida, devendo ser consignado as características descritas pelo</p><p>RECONHECEDOR.</p><p>d) Em seguida, o a pessoa a ser reconhecida deve ser colocada lada a</p><p>lado, com outras que ela guardam semelhança física, para que o</p><p>RECONHECEDOR aponte se algumas das pessoas foi reconhecida.</p><p>e) Para preservar a pessoa do RECONHECER é recomendado que esse</p><p>ocupe um compartimento em que não possa ser visto e reconhecido</p><p>pelas pessoas que tomam parte no reconhecimento.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>28</p><p>Observação importante:</p><p>O Reconhecimento deverá ser realizado naquelas ocasiões em que vítimas ou</p><p>testemunhas lembrarem das características do autor do fato, mas</p><p>desconhecem sua identidade. No caso de Reconhecimento de objeto, o</p><p>RECONHECEDOR lembra-se das características do objeto entre vários outros</p><p>levantados pelo Sindicante.</p><p>Vale a pena lembrar que o Reconhecimento constitui uma evidência frágil,</p><p>principalmente o Reconhecimento fotográfico. Esse procedimento e seu</p><p>resultado positivo devem analisado em conjunto com outras diligências que a</p><p>complementem e confirmem.</p><p>2.2.11. Recolhimento/Apreensão de Objetos</p><p>O TERMO DE APREENSÃO e uma peça lavrada na forma de Termo e sua</p><p>finalidade é registrar a arrecadação de objetos que interessem a investigação</p><p>feita pelo Sindicante.</p><p>Sobre o TERMO DE APREENSÃO, vale lembrar o seguinte:</p><p>a) O mais comum, no caso de investigações policiais é a apreensão de</p><p>armas de fogo, com o objetivo de encaminhá-las a perícia técnica.</p><p>b) Após a apreensão, o objeto apreendido passa a integrar os autos, na</p><p>forma de apenso.</p><p>c) A Apreensão pode ocorrer em qualquer fase do procedimento, todavia</p><p>é recomendável que essa medida seja adotada logo no início das</p><p>investigações, já outras medidas certamente serão adotadas com o</p><p>material apreendido.</p><p>d) Os casos mais comuns são aquelas em que ocorrem apreensão de</p><p>coisas exibidas por alguém, ou arrecadas no local dos fatos. No caso de</p><p>apreensão realizada por meio de busca domiciliar, essa medida deverá</p><p>ser requerida à autoridade judiciária, pois somente o Juiz pode expedir</p><p>Mandado para proceder Busca em domicílio.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>29</p><p>Observação importante:</p><p>Se o material foi apreendido na repartição policial, fala-se em Termo de</p><p>Apreensão, se a diligência foi realizada fora da repartição, fala-se em Auto de</p><p>Apreensão.</p><p>2.2.12. Restituição/Devolução de Objetos</p><p>O TERMO DE RESTITUIÇÃO ou DE ENTREGA tem a finalidade de documentar,</p><p>na forma de Termo, a devolução ao proprietário de material apreendido na</p><p>Sindicância.</p><p>Sobre o TERMO DE RESTITUIÇÃO, vale lembrar o seguinte:</p><p>a) A devolução apenas é procedida nos casos em que não existe mais o</p><p>interesse do material apreendido.</p><p>b) Geralmente, quando se trata de arma de fogo da PMES, após a</p><p>realização do respectivo exame, o armamento é devolvido à</p><p>administração por meio de Termo de Restituição.</p><p>c) Objetos ilícitos não devem ser devolvidos, permanecendo apensados á</p><p>Sindicância após a apreensão.</p><p>d) Em casos de dúvidas, o Encarregado deverá deixar a cargo da</p><p>autoridade que determinou a instauração da Sindicância, a tarefa de</p><p>devolver o material apreendido.</p><p>2.2.13. Relatório</p><p>O RELATÓRIO é o expediente com o qual o Encarregado, depois de concluir</p><p>todas as diligências realizadas no curso da Sindicância, relata à Autoridade</p><p>quais foram as providências investigativas adotadas no curso de sua missão e,</p><p>ainda, a qual conclusão foi possível chegar ao final dos trabalhos. É também</p><p>no RELATÓRIO que o Encarregado emite seu PARECER, devidamente</p><p>justificado, sobre se há ou não transgressão à disciplina militar e quais são os</p><p>responsáveis. Poderá, ainda, apontar providências a se adotar diante do</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>30</p><p>episódio apurado, a fim de evitar que torne a ocorrer (melhorias quanto à</p><p>segurança de certo local, por exemplo). Tal PARECER pode ser homologado,</p><p>ou não, pela Autoridade. O PARECER não vincula a decisão.</p><p>Não há receita ou fórmula única para a feitura de um RELATÓRIO, podendo o</p><p>Encarregado usar de sua criatividade para expor as idéias mencionadas</p><p>anteriormente. Contudo, a praxe administrativa adotada há décadas na</p><p>PMES, recomenda dividir o RELATÓRIO em cinco partes, cada qual reservada</p><p>para determinados assuntos:</p><p>2.2.13.1. Introdução</p><p>A primeira parte do Relatório ocupa geralmente um ou no máximo dois</p><p>parágrafos. Faz-se uma breve síntese sobre o trabalho da Sindicância,</p><p>apontando o número da Portaria, a Autoridade que determinou a apuração,</p><p>e os fatos a averiguar, especificando o nome dos envolvidos, e ainda a data</p><p>e o local do ocorrido. Diante de uma rápida leitura da INTRODUÇÃO, será</p><p>possível a qualquer pessoa ter acesso às informações gerais sobre a</p><p>Sindicância.</p><p>2.2.13.2. Diligências</p><p>Essa Segunda parte do RELATÓRIO enumera as diligências realizadas pelo</p><p>Sindicante no curso do trabalho de apuração, todas voltadas ao</p><p>esclarecimento do evento. Nessa parte do RELATÓRIO, o Encarregado não</p><p>pode se esquecer de fazer referência ao número da folha em que cada</p><p>documento representativo da diligência pode ser encontrado nos autos da</p><p>Sindicância. Vale mencionar que a expedição de ofícios e solicitações</p><p>diversas, bem como as intimações expedidas no curso da investigação, não</p><p>necessita ser registrada no RELATÓRIO como se fossem diligências, exceto nos</p><p>casos em que essas providências representem as únicas</p><p>demonstrações das</p><p>iniciativas do Encarregado em levar adiante alguma diligência importante</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>31</p><p>que não foi concluída. O registro das diligências tem importância</p><p>fundamental para a Autoridade, uma vez que assim poderá verificar se o</p><p>Encarregado “esgotou” todos os meios de prova possíveis.</p><p>2.2.13.3. Resumo</p><p>Nessa parte do RELATÓRIO, o Encarregado faz uma NARRATIVA sobre o</p><p>evento, mas limitando-se apenas àquilo que possa ser considerado FATO ou</p><p>acontecimento. Tudo aquilo que configurar opinião (mera versão ou</p><p>controvérsia), o Encarregado deixará para mencionar sob a forma de</p><p>comentário no item “4” do RELATÓRIO (ANÁLISE DAS PROVAS).</p><p>Para facilitar a leitura, o Encarregado deve procurar dividir o item “3” (RESUMO</p><p>DOS FATOS) em quantos parágrafos forem necessários para narrar a história.</p><p>2.2.13.4. Análise das Provas</p><p>No item “4” do RELATÓRIO (ANÁLISE DAS PROVAS) o Encarregado faz um</p><p>comentário, ou melhor, uma argumentação sustentando de maneira</p><p>fundamentada as versões que irão integrar a conclusão. Como se vê, os</p><p>comentários feitos nessa parte do RELATÓRIO sinalizam de forma inequívoca</p><p>a conclusão a que vai chegar o Sindicante, bem como revelam também as</p><p>evidências que o levaram emitir seu PARECER. Desse modo, facilita-se o</p><p>trabalho da Autoridade, pois poderá “acompanhar” o raciocínio do</p><p>Sindicante, tanto para com ele concordar ou mesmo para discordar.</p><p>2.2.13.5. Conclusão</p><p>O item “5” (CONCLUSÃO) é a parte do RELATÓRIO na qual o Encarregado da</p><p>Sindicância aponta se no fato existiram INDÍCIOS de prática de transgressão</p><p>da disciplina militar, e/ou de crime de natureza militar ou comum, e ainda, se</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>32</p><p>o fato representou acusação IMPROCEDENTE (inocência).</p><p>Assim, além dos indícios de TRANSGRESSÃO DA DISCIPLINA, o Encarregado</p><p>deve se manifestar, ainda, sobre a presença de indícios da prática de CRIME</p><p>DE NATUREZA MILITAR ou DE NATUREZA COMUM, caso essas situações tenham</p><p>sido aferidas no curso da Apuração. Por esse motivo, é importante que o</p><p>Encarregado faça uma breve pesquisa na legislação penal comum e militar,</p><p>além do CEDME, para conhecer a definição legal das infrações apontadas</p><p>(crimes ou transgressões), ou mesmo consulte o SPAJM de sua Unidade.</p><p>A Autoridade não está obrigada a seguir o PARECER do Encarregado,</p><p>podendo haver discordância total ou parcial, devendo tal decisão ser</p><p>devidamente fundamentada (Princípio da Motivação).</p><p>Embora a discordância seja algo natural, caso o RELATÓRIO, sobretudo o</p><p>PARECER, se revele contrário às provas, ou sem motivação coerente, a</p><p>denotar parcialidade ou mesmo desídia do Encarregado, poderá ele ser</p><p>responsabilizado disciplinarmente, já que as informações levariam a</p><p>Autoridade a erro (mesmo que sem intenção).</p><p>O Encarregado também poderá ser responsabilizado disciplinarmente, caso o</p><p>trabalho de investigação como um todo se revele uma tarefa conduzida sem</p><p>o empenho suficiente para o esclarecimento do fato, AO DEIXAR DE: 1)</p><p>investigar circunstâncias importantes; 2) ouvir testemunha, vítima ou</p><p>sindicado, cuja oitiva se revele importante à elucidação do evento; 3) juntar</p><p>documentos importantes; 4) adotar outras providências importantes.</p><p>2.2.14. Roteiro de Atividades e Sequência das Peças da Sindicância</p><p>Correcional</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>33</p><p>2.2.15. Resumo da Sindicância Correcional</p><p>Finalidade e Sujeição</p><p>ROTEIRO DE ATIVIDADES SEQÜÊNCIA DAS PEÇAS</p><p>INSTAURAÇÃO</p><p>1.ESCOLHER O ENCARREGADO E</p><p>CONFECCIONAR A PORTARIA</p><p>1.CAPA E AUTUAÇÃO</p><p>2.RECEBER E CONFERIR A PORTARIA 2.PORTARIA</p><p>3.CONFECCIONAR A CAPA E AUTUAR 3.ANEXOS DA PORTARIA</p><p>4.LAVRAR O TERMO DE ABERTURA 4.TERMO DE ABERTURA</p><p>INSTRUÇÃO</p><p>5.OUVIR PESSOAS ENVOLVIDAS 5.TERMO DE DECLARAÇÃO</p><p>Ouvir o Ofendido</p><p>Do Ofendido(T. Perguntas ao</p><p>Ofen.)</p><p>Ouvir as testemunhas</p><p>Das Testemunhas (T. De</p><p>Inquirição)</p><p>Ouvir o Sindicado (Investigado)</p><p>Do Sindicado ( T. De</p><p>Interrogatório)</p><p>6.JUNTAR DOCUMENTOS DIVERSOS 6.TERMO DE JUNTADA</p><p>Juntar os documentos necessários</p><p>para ates-</p><p>Cópia da Ficha Funcional</p><p>tar circunstância relevante ou</p><p>conclusão ve-</p><p>Cópia da Escala de Serviço</p><p>rificada pelo Encarregado. Cópia do Relatório CPU</p><p>7.PROCEDER DILIGÊNCIAS COMPLEM. Cópia da Cautela de arma</p><p>Fazer a Acareação entre pessoas</p><p>Cópia de Resenha ou outros</p><p>docum.</p><p>Fazer a apreensão de objetos 7.TERMOS DIVERSOS</p><p>Fazer a devolução de objetos TERMO DE ACAREAÇÃO</p><p>Fazer o Reconhecimento de pessoas</p><p>e coisas</p><p>TERMO DE APREENSÃO</p><p>Fazer a Reconstituição do fato TERMO DE RESTITUIÇÃO</p><p>Inspecionar o local do fato TERMO DE RECONHECIMENTO</p><p>Fazer levantamento fotográfico e/ou</p><p>Croqui</p><p>TERMO DE RECONSTITUIÇÃO</p><p>FOTOGRAFIAS</p><p>CROQUI</p><p>RELATÓRIO</p><p>8.CONFECCIONAR O RELATÓRIO 8.RELATÓRIO</p><p>9.ENCERRAR A APURAÇÃO 9.TERMO DE ENCERRAMEN.</p><p>10.REMETER OS AUTOS AO CMT 10.TERMO DE REMESSA</p><p>11.SOLUCIONAR/DECIDIR 11.SOLUÇÃO</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>34</p><p>Averiguar, investigar, esclarecer os fatos e as circunstâncias em torno de atos</p><p>de indisciplina, ou seja, buscar os indícios de autoria e materialidade.</p><p>Natureza Jurídica</p><p>Investigativa.</p><p>Competência</p><p>As Autoridades elencadas no art. 23 do CEDME são competentes para</p><p>determinar a instauração de Sindicância.</p><p>Composição</p><p>Um Oficial, ASP OF ou praça poderão ser encarregados de Sindicância e a</p><p>autoridade processante deve ser mais antiga que o Sindicado.</p><p>Prazos</p><p>40 (quarenta) dias, prorrogável por até 20 (vinte) dias para sua conclusão.</p><p>Havendo necessidade de novas diligências, a Autoridade Delegante poderá</p><p>determinar novo prazo, limitado a 20 (vinte) dias.</p><p>Soluções possíveis.</p><p>a. O arquivamento dos autos (inexistência de indícios de crime ou de</p><p>transgressão da disciplina);</p><p>b. a instauração de Processo Administrativo Disciplinar (PAD-RSS, PAD-RS,</p><p>CD, CJ), caso a solução resultar em indícios de transgressão da</p><p>disciplina;</p><p>c. a instauração de Inquérito Policial Militar.</p><p>d. Adoção de medidas administrativas.</p><p>e. Encaminhamento à autoridade competente (Polícia Civil, Ministério</p><p>Público, etc...)</p><p>Obs.: Cabe ressaltar que o Decreto nº 120-R de 30MAI2000 determina o</p><p>encaminhamento das Sindicâncias para análise do Ministério Público.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>35</p><p>2.2.16. Breve Resumo de Inquérito Policial Militar (IPM)</p><p>Finalidade e Sujeição.</p><p>Apurar fato, que, nos termos legais, configure, em tese, crime militar, e de sua</p><p>autoria.</p><p>Natureza Jurídica.</p><p>Investigativa.</p><p>Competência:</p><p>Comandante de OME; Escalão Superior; Corregedor da PMES.</p><p>Composição</p><p>Encarregado: Oficial</p><p>Escrivão: Sgt ou Sub Ten PM</p><p>Prazo:</p><p>40 (quarenta) dias, prorrogáveis por até 20 (vinte) dias.</p><p>Solução:</p><p>Crime militar/ PAD-RSS, PAD-RS, CD e CJ.</p><p>2.2.17. Breve Resumo de Auto de Prisão em Flagrante Delito (APFD)</p><p>Finalidade e Sujeição</p><p>Todos Militares que forem flagrados cometendo crime militar.</p><p>Natureza Jurídica.</p><p>Investigativa.</p><p>Competência:</p><p>Competência: SPAJM das OMEs; Plantão da Corregedoria.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>36</p><p>Composição</p><p>Encarregado: Oficial da PMES/Escrivão: Sgt ou Sub Ten.</p><p>Prazo:</p><p>24 (vinte e quatro) horas para comunicação ao Juiz Auditor.</p><p>CHS – PROCESSOS ADMINISTRATIVOS II</p><p>PMES</p><p>2024</p><p>37</p><p>3. Processos Administrativos Disciplinares</p><p>3.1. Processo Administrativo Disciplinar de Rito Sumaríssimo (PAD-RSS)</p><p>O Processo Administrativo Disciplinar de Rito Sumaríssimo tem previsão no</p><p>CEDME, no artigo 139, e tem a finalidade de julgar a conduta dos militares</p><p>estaduais em decorrência do cometimento de transgressão de natureza leve</p><p>(art. 64) ou média (art. 65), quando o acusado não atende os requisitos para</p>

Mais conteúdos dessa disciplina