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6. NOÇÕES DE DIRETO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR MILITAR - NDADM 2021 CURSO DE FORMAÇÃO DE CABOS BOMBEIRO MILITAR MÓDULO II Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 ESTADO DE RONDÔNIA SECRETARIA DE SEGURANÇA, DEFESA E CIDADANIA CORPO DE BOMBEIROS MILITAR COODENADORIA DE EDUCAÇÃO, ENSINO E INSTRUÇÃO CURSO DE FORMAÇÃO DE CABO BOMBEIRO MILITAR - CFCBM NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR MILITAR Disciplina na modalidade a distância Porto Velho – RO EAD-CBMRO 2021 Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar Curso de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 SUMÁRIO 1. NATUREZA JURÍDICA E CONCEITO .......................................................... 5 2. DIREITO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR MILITAR .................................. 6 3. LIMITES DO ATO DISCIPLINAR MILITAR .................................................. 8 3.1 O mérito do Ato Administrativo Disciplinar Militar.....................................10 3.2 Proporcionalidade e Razoabilidade do Ato Disciplinar..............................11 4. HIERARQUIA E DISCIPLINA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ................ 12 5. ATIVIDADES CORRECIONAIS NO CBMRO .............................................. 13 6. PRINCÍPIOS APLICÁVEIS NOS PROCEDIMENTOS APURATÓRIOS ...... 14 7. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR ......................................... 17 8. PROCESSOS DEMISSÓRIOS .................................................................... 18 9. PROCESSO ADMINISTRATIVO POR DANO AO ERÁRIO (PADE) ......... 22 10. PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DISCIPLINARES EM ESPÉCIE ....... 23 10.1 Sindicância......................................................................................................23 10.2 Processo Apuratório Disciplinar Sumário - PADS......................................33 11. VEDAÇÃO DA PENA DE PRISÃO DE NATUREZA DISCIPLINAR .......... 44 12. CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................... 45 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................ 46 Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 4 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 Plano de estudo O plano de estudo visa a orientar você no desenvolvimento da disciplina. Ele possui elementos que o ajudarão a conhecer o contexto da disciplina e a organizar o seu tempo de estudos. O processo de ensino e aprendizagem na EAD - CBMRO leva em conta instrumentos que se articulam e se complementam, portanto, a construção de competências se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das diversas formas de ação/mediação. São elementos desse processo: O livro didático; O AVA (Ambiente Virtual de Aprendizagem) do CBMRO, EAD - CBMRO; As atividades de avaliação (complementares, a distância). Ementa A capacitação e amplitude de conhecimento na área de Direito Administrativo Disciplinar Militar. Carga horária A carga horária total da disciplina é de 40 horas-aula. Objetivo da disciplina O objetivo desta disciplina é trazer informações relacionadas a Direito Administrativo Disciplinar Militar de forma sucinta, trazendo conceitos, estrutura normativa, aspectos, classificação, características e vertentes relacionados ao tema, buscando atualizar e padronizar o conhecimento dos alunos para que possam aplicar tais conhecimentos dentro das atividades do Corpo de Bombeiros Militar de Rondônia. Para esse objetivo, foi adaptada essa apostila adequando-se ao previsto no Plano de Ensino do presente curso. Orientações de estudos Verifique com atenção o AVA, EAD - CBMRO, organize-se para acessar periodicamente o espaço da disciplina. O sucesso nos seus estudos depende da priorização do tempo para a leitura, da realização de análises e sínteses do conteúdo e da interação com os seus colegas e tutor. Não perca os prazos das atividades. Registre no espaço a seguir as datas com base no cronograma da disciplina disponibilizado no AVA, EAD - CBMRO Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 5 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 1. NATUREZA JURÍDICA E CONCEITO Genérica e inicialmente, relembre-se o conceito de Direito como o conjunto de regras de conduta coativamente impostas pelo Estado (Hely Lopes Meirelles). O Direito é tradicionalmente dividido em dois grandes ramos: direito público e direito privado. O direito público tem por objeto princípio a regulação dos interesses da sociedade como um todo, a disciplina das relações entre esta e o Estado, e das relações das entidades e órgãos estatais entre si. Tutela ele o interesse público, só alcançando as condutas individuais de forma indireta ou reflexa. É característica marcante do direito público a desigualdade nas relações jurídicas por ele regidas, tendo em conta a prevalência do interesse público sobre os interesses privados. O fundamento da existência dessa desigualdade, portanto, é a noção de que os interesses da coletividade devem prevalecer sobre interesses privados. Assim, quando o Estado atua na defesa do interesse público, goza de certas prerrogativas que o situam em posição jurídica de superioridade ante o particular, evidentemente, em conformidade com a lei, e respeitadas as garantias individuais consagradas pelo ordenamento jurídico. Em suma, nas relações jurídicas de direito público o Estado encontra-se em posição de desigualdade jurídica relativamente ao particular, subordinando os interesses deste aos interesses da coletividaçie, ao interesse público, representados pelo Estado na relação jurídica. Integram esse ramo o direito constitucional, o direito administrativo, o direito tributário, o direito penal etc. O direito privado tem como escopo principal a regulação dos interesses particulares, como forma de possibilitar o convívio das pessoas em sociedade e uma harmoniosa fruição de seus bens. A nota característica do direito privado é a existência de igualdade jurídica entre os polos das relações por ele regidas. Como os interesses tutelados são particulares, não há motivo para que se estabeleça, abstratamente, subordinação jurídica entre as partes. Mesmo quando o Estado integra um dos polos de uma relação regida pelo direito privado, há igualdade jurídica entre as partes. O direito comercial e o direito civil são os integrantes típicos do direito privado. Cabe observar, todavia, que não há ramo do direito em que todas as Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 6 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 relações jurídicas sejam integralmente regidas pelo direito privado. Há determinadas relações, mesmo travadas ·exclusivamente entre particulares, que podem ter repercussão nos interesses da coletividade como um todo. Em casos assim, é comum o ordenamento estabelecer regras de direito público, impositivas, derrogatórias do direito privado, excluindo a possibilidade de as partes livremente fazerem valer sua vontade, afastando a incidência dos princípios basilares do direito privado: autonomia da vontade e liberdade negociai. Para o Prof. Hely Lopes Meirelles, o Direito Administrativo consiste no "conjunto harmônico de princípios jurídicos que regem os órgãos, os agentes e as atividades públicas tendentes a realizar concreta, direta e imediatamente os fins desejados pelo Estado". A ProP Maria Sylvia Zanella Di Pietro define o direito administrativo como "o ramo do direito público que tem por objeto os órgãos, agentes e pessoas jurídicas administrativas que integram a Administração Pública, a atividade jurídica não contenciosa que exerce e os bens de que se utiliza para a consecução de seus fins, de natureza pública". Diante disso, de acordo com Marcelo Alexandrino e VicentePaulo, conceituaremos o direito administrativo como o conjunto de regras e princípios que, orientados pela finalidade geral de bem atender ao interesse público, disciplinam a estrutuuração e o funcionamento das entidades e órgãos integrantes da administração pública, as relações entre esta e seus agentes, o exercício da função administrativa – especialmente quando afeta interesses dos administrados - e a gestão dos bens públicos. 2. DIREITO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR MILITAR O Direito Disciplinar Militar, também conhecido como Direito Administrativo Disciplinar Militar, trata-se do ramo do Direito constitucionalmente previsto no arcabouço jurídico da nação, notadamente com a edição da EC 45/2004 quando alterou a redação do § 4º do Art. 125 da CF/88 para atribuir à Justiça Militar competência para julgar as ações judiciais contra atos disciplinares militares (militares estaduais). O ato disciplinar é o ato administrativo pelo qual se aplica a punição disciplinar. Essa é a regra, inobstante se possa imaginar exceções, como a não admissão de um recurso, por exemplo. Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 7 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 A doutrina aponta que o Direito Penal Militar protege os bens institucionais militares de infrações graves, enquanto o Direito Administrativo Disciplinar Militar cuida das infrações menos gravosas, que vulneram apenas deveres para com o serviço, sem abalar as estruturas das corporações militares. O DEVER MILITAR DE OBEDIÊNCIA A obediência hierárquica geral decorre do dever de obediência do agente público. Na administração pública militar, a obediência hierárquica encontra fundamento na Constituição Federal (Art. 42, no específico caso das instituições estaduais), que prevê a disciplina como viga de sustentação da estrutura das corporações, e na legislação infraconstitucional (RDPM, Estatuto). HIERARQUIA E DISCIPLINA A hierarquia e a disciplina são princípios constitucionalizados para as Forças Armadas e Forças Auxiliares (Art. 42 e 142 da Constituição Federal), cuja importância fica patente na redação do caput do Art. 5º do Regulamento Disciplinar da Polícia Militar do Estado de Rondônia - RDPM/RO: “A hierarquia e a disciplina são a base institucional da Polícia Militar, crescendo a autoridade e a responsabilidade com a elevação do grau hierárquico”. Os conceitos destes termos estão expressos no Art. 5º do RDPM/RO, nos parágrafos 1º e 2º, onde constam que: “Hierarquia é a ordenação da autoridade, em níveis diferentes, dentro da estrutura da Polícia Militar, por postos e graduações” (Art. 5º, § 1º), e “Disciplina é a rigorosa observância e o acatamento integral da legislação que fundamenta o organismo policial militar e coordena seu funcionamento regular e harmônico, traduzidos pelo perfeito cumprimento do dever por parte de todos e de cada um dos componentes” (RDPM/RO, Art. 5º, § 2º). Em razão do poder de mando, em assuntos de serviço, que deriva da ascendência hierárquica, o superior tem completa disponibilidade sobre os atos praticados pelo subordinado. Além de ordenar, o superior tem a faculdade de fiscalizar, revisar e avocar atos e decisões do subordinado, desde que o faça dentro dos limites da legalidade, da moralidade e da eficiência. Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 8 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 3. LIMITES DO ATO DISCIPLINAR MILITAR Os atos disciplinares militares inserem-se no conceito amplo dos atos administrativos e, sendo assim, devem estar dotados dos mesmos requisitos que os informam. O ato administrativo disciplinar é a manifestação unilateral de vontade da Administração Pública Militar que, agindo nessa qualidade, tenha por fim imediato impor uma sanção disciplinar ao servidor militar em face do cometimento de uma infração disciplinar preestabelecida, e ao fim de um processo apuratório, o Processo Apuratório Disciplinar Sumário - PADS, em que se lhe faculte a ampla defesa e o contraditório. Assim, o ato administrativo disciplinar deve revelar a existência de cinco requisitos à sua formação: competência, finalidade, forma, motivo e objeto. A competência administrativa é o poder atribuído a determinadas autoridades em razão dos cargos que ocupam. São as chamadas Autoridades Disciplinares. O RDPM/RO cuida da competência disciplinar no art. 50, in verbis: Art. 50. A competência para aplicar as punições disciplinares é conferida ao cargo e não ao grau hierárquico. § 1º São competentes para aplicar punição disciplinar, nesta ordem: I – o Governador do Estado, a todos aqueles que estiverem sujeitos a este Regulamento, até demissão ex- offício (Errata: onde se lê: a bem da disciplina, leia-se: ex-offício. Publicada no DOE nº 1115, de 04 de novembro de 2008); II – O Secretário de Segurança do Estado a todos que estiverem sujeitos a este Regulamento, excetuando- se os que estiverem sob a subordinação direta do Governador do Estado e do Chefe da Casa Militar, até 10 (dez) dias de prisão; (Revogado pelo Decreto n. 24.965, de 22.05.2020 – DOE 79/2020 ) III - o Comandante-Geral, a todos os que estiverem sujeitos a este Regulamento, excetuandose os que estiverem sob subordinação direta do Governador do Estado, até o licenciamento ou exclusão a bem da disciplina; (Decreto n. 24.965, de 22.05.2020 – DOE 79/2020) IV – o Subcomandante-Geral da Polícia Militar, a todos os que estiverem sujeitos a este Regulamento, excetuando-se os que estiverem sob a subordinação direta do Governador do Estado, do Comandante-Geral e do Secretário-Chefe da Casa Militar, até 10 (dez) dias de prisão; (Decreto n. 24.965, de 22.05.2020 – DOE 79/2020) V - o Corregedor-Geral, aos que estiverem sujeitos a este Regulamento, excetuando-se os subordinados diretamente ao Governador do Estado, Comandante-Geral e Subcomandante-Geral da Polícia Militar, o Secretário-Chefe da Casa Militar e demais ocupantes de cargos privativos de Coronel da PM, até 10 (dez) dias de prisão;(Decreto n. 24.965, de 22.05.2020 – DOE 79/2020). Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 9 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 VI – o Chefe do Estado-Maior Geral, Comandantes Regionais de Policiamento, diretores e demais ocupantes de cargos privativos de Coronel PM, aos que lhes são subordinados, até 10 (dez) dias de prisão; VII – o Secretário Chefe da Casa Militar, aos que estiverem sob sua chefia, até 10 (dez) dias de prisão; VIII – Ajudante Geral, Comandante e Subcomandante de Batalhão, Chefe de Seção do Estado-Maior Geral, Serviços e Assessorias, aos que estiverem sob seu comando, chefia ou direção, até 08 (oito) dias de prisão; (Alterado pelo Decreto nº 14852, de 13 Jan 10). IX – Comandante de Companhia, incorporada ou destacada, aos que servirem sob seu comando, até 04 (quatro) dias de prisão; e (Alterado pelo Decreto nº 14852, de 13 Jan 10). X – Comandantes de pelotões destacados, aos seus comandados, até 6 (seis) dias de detenção. § 2º A aplicação de punições disciplinares a policiais militares da inatividade é de competência exclusiva das autoridades mencionadas nos incisos I, II, III e IV do § 1º deste artigo. A finalidade do ato disciplinar militar é o objetivo de interesse público a atingir. Na verdade, as finalidades precípuas do ato disciplinar devem ser duas: a reeducação do punido e a preservação da disciplina.Em última análise, a manutenção e o fortalecimento da disciplina. A forma é o revestimento pelo qual se exterioriza o ato disciplinar. O ato disciplinar será sempre formal, consoante se depreende do texto do RDPM/RO: Art. 55. A aplicação da punição consistirá de uma nota publicada em Boletim da Polícia Militar ou da respectiva OPM, ou do extrato de uma sentença administrativa, publicada no Diário Oficial do Estado, que conterão a descriçãoda transgressão e o enquadramento do transgressor. § 1º A descrição da transgressão deverá conter, em termos precisos e sintéticos, os fatos e as circunstâncias que o envolveram, não devendo ser emitidos comentários depreciativos, ofensivos ou pessoais. § 2º O enquadramento é a tipificação da transgressão nos termos deste regulamento, devendo ser mencionado ainda o seguinte: I – no caso das transgressões a que se refere o inciso II do Art. 13, tanto quanto possível, a referência aos artigos, parágrafos, incisos, alíneas e itens das leis, regulamentos, normas ou ordens que foram contrariados ou contra os quais tenha havido omissão; II – as alíneas, incisos e artigos das circunstâncias atenuantes ou agravantes ou causas de justificação; III – a classificação da transgressão; IV – a punição imposta; V – as condições para o cumprimento da punição, se for o caso; VI – a classificação do comportamento. O motivo é a situação de direito ou de fato que determina ou autoriza a prática do ato administrativo disciplinar. Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 10 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 Quando o motivo disser respeito à instauração de um processo disciplinar, será a violação, em tese, pelo militar, de dispositivo legal ou regulamentar. Quando for atinente à aplicação de uma punição disciplinar, seu motivo será a transgressão confirmada de preceito disciplinar, regulamentar ou legal, a despeito de também poder configurar crime militar, conforme o caso. O objeto trata da natureza do próprio ato: uma punição disciplinar, uma absolvição, uma instauração de PADS, etc. Sendo assim, um PADS deve ser instaurado pela Autoridade Disciplinar competente (competência). Em sendo o acusado punido, tal punição tem por objetivo primordial a reedução do punido e o efeito geral da senção, na busca da manutenção da disciplina militar. A formalização da punição se dará através de Nota de Punição. O motivo é a conduta transgressional descrita no RDPM (o enquadramento da transgressão) e provada durante a apuração. O objeto é a punição disciplinar em si. 3.1 O mérito do Ato Administrativo Disciplinar Militar O mérito do ato administrativo disciplinar consubstancia-se na valoração dos motivos e na escolha do objeto do ato, feitas pela Administração, quando autorizada a decidir sobre a oportunidade, conveniência e justiça do ato a realizar. O mérito é próprio do ato discricionário, como é a maioria dos atos disciplinares. O mérito dos atos discricionários, que confere ao administrador a valoração dos motivos e a escolha do ato disciplinar, é inatacável pelo Poder Judiciário. Os critérios do administrador são apenas do administrador, a quem cabe conhecer as peculiaridades da vida castrense. Ao judiciário cabe o exame da legalidade do ato e sua conformidade com as diretrizes constitucionais. O controle jurisdicional da Administração Pública, conforme a doutrina dominante, limita- se à verificação da estrita legalidade da atividade administrativa, vedando-se examinar aspectos de mérito dos atos da Administração. O Poder Judiciário, na visão desta corrente doutrinária, tem terreno próprio de atuação, não podendo invadir a seara privativa da Administração Pública, qual seja, a livre apreciação acerca da conveniência e da oportunidade do ato que pretende apto ao alcance do resultado almejado pela norma. Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 11 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 Como exemplo disso, podemos citar uma decisão proferida pela Administração Pública, Civil ou Militar, que se afasta do razoável, como por exemplo, a punição que melhor se aplicava no caso seria uma detenção de 10 dias, e não a exclusão dos quadros da Corporação, pode e deve ser revista pelo Poder Judiciário, que é o guardião dos direitos e garantias fundamentais do cidadão. O art. 5.º, inciso XXXV, da Constituição Federal dispõe que, “nenhuma ameaça ou lesão a direito deixará de ser apreciada pelo Poder Judiciário”. 3.2 Proporcionalidade e Razoabilidade do Ato Disciplinar A aplicação da sanção administrativa não enseja a prática de arbitrariedades e de excessos. Excelentes instrumentos de controle do administrador são os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, ambos de matriz constitucional. De acordo com Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo: “o princípio da razoabilidade tem por escopo aferir a compatibilidade entre os meios empregados e os fins visados na prática de um ato administrativo, de modo a evitar restrições aos administrados inadequadas, desnecessárias, arbitrárias ou abusivas por parte da administração pública”. Nas palavras de Fortini (2012) o principio da proporcionalidade exige que a atuação do administrador público esteja assentada no bom sendo, no equilíbrio e na ponderação entre os fatos e a finalidade almejada. Acerca dos princípios da Razoabilidade e Proporcionalidade, muito se discute, visto que há doutrinadores que entendem ser, na verdade, um só, sendo a Proporcionalidade mera derivação da Razoabilidade, a qual seria um conceito mais amplo. No RDPM-RO, entretanto, os mencionados princípios estão expressamente consignados, dentre outros, e entendidos como sendo dois. Vejamos o Art. 4º, do RDPM-RO: Art. 4º Na aplicação deste regulamento a autoridade disciplinar obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiência, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica e da supremacia do interesse público. (grifo nosso) Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 12 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 4. HIERARQUIA E DISCIPLINA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA O Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Rondônia, enquanto Instituição Militar é uma Corporação que também se sustenta nos pilares da hierarquia e da disciplina, que deverão permanecer inabaláveis para que a Instituição possa continuar forte no cumprimento de suas missões, bem como, consiga se desenvolver de maneira permanente e sustentável. Os poderes hierárquicos e disciplinar são correlatos e representam verdadeiros sustentáculos da organização administrativa, mas não se confundem. No exercício do poder hierárquico, a Administração Pública distribui e escalona as suas funções executivas, atribuindo funções de comando, chefia ou direção dentro da estrutura organizacional, portanto, é um poder interno e permanente exercido pelos chefes de repartição sobre seus agentes subordinados e pela administração central no que diz respeito aos órgãos públicos. Já no uso do poder disciplinar a Administração Pública controla o desempenho dessas funções e a conduta interna de seus servidores, responsabilizando-os pelas faltas cometidas. Em outras palavras, a Administração Pública procura exercer o poder disciplinar, buscando sempre zelar pela qualidade e efetividade do serviço público prestado, e ao exercê-lo é também responsável por avaliar, mediante juízo discricionário de conveniência e oportunidade, o cabimento de eventual punição ao servidor faltoso, dentro das normas específicas que regem sua instituição. Para manter de pé os mencionados pilares de sustentação das corporações militares, estas dispõem de culturas e regras criadas a partir da vivência da caserna, bem como do código penal e processual penal, além dos regulamentos administrativos disciplinares. O exercício das funções disciplinares é complexo tendo em vista que a disciplina se refere à conduta de cada pessoa, cujas ações e comportamento nem sempre se ajustam as normas, podendo ocasionar a quebra da hierarquia e da disciplina nas organizações. Além disso, as falhas nos procedimentos apuratórios disciplinares contribuem para o enfraquecimento dadisciplina no ambiente militar, decorrendo, deste modo, da necessidade de haver fiscalização e orientação para Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 13 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 a condução dos processos disciplinares executados nas unidades militares. Contudo, essa referida fiscalização e orientações são consideradas como atividades correcionais. 5. ATIVIDADES CORRECIONAIS NO CBMRO No CBMRO as atividades correcionais são atribuídas, atualmente, à Corregedoria Geral, através do Art. 13 da Lei N. 4.303, de 25 de junho de 2018, que deu nova redação ao Art. 19 da Lei 2.204, de 18 de dezembro de 2009, que estabelece a competência, a estrutura e atribuições da Corregedoria do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Rondônia. Art. 13. A Corregedoria-Geral, subordinada ao Subcomandante-Geral, é o órgão de disciplina, orientação e fiscalização das atividades funcionais e da conduta dos militares da Instituição, competindo- lhe, dentre outras atribuições, a apuração de responsabilidade criminal, administrativa e disciplinar, sendo o Corregedor-Geral, Oficial da ativa do último Posto, pertencente ao quadro de Oficiais Combatentes, indicado pelo Comandante-Geral e nomeado pelo Governador do Estado. Parágrafo único. A Corregedoria-Geral tem a seguinte estrutura: I - Corregedor; II- Adjunto; III - Seção Administrativa; IV - Cartório; V - Núcleo de Inteligência; e VI - Seção de Processo Administrativo. (grifo nosso) As apurações relativas aos aspectos disciplinares (Processo Apuratório Disciplinar Sumário - PADS) e as investigações relativas aos crimes militares, que são objetos principais de fiscalização por parte da Corregedoria, são reguladas pelo arcabouço administrativo e jurídico composto, basicamente, pelas seguintes normas: Decreto-Lei N. 1.001/1969 (Código Penal Militar – CPM); Decreto-Lei N. 1.002/1969 (Código de Processo Penal Militar – CPPM); Decreto-Lei N. 09-A/1982 (Estatuto dos Policiais Militares da Polícia Militar do Estado de Rondônia); Decreto N. 13.255/2007 (Regulamento Disciplinar da Polícia Militar do Estado de Rondônia, adotado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Rondônia, através do Decreto N. 13.452, de 15 de fevereiro de 2008); Norma Geral N. 001/CORREGEBOM/2018 (Normas gerais Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 14 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 para a realização de sindicância no âmbito do CBMRO); Norma Geral N. 002/CORREGEBOM/2018 (Normas gerais para a realização de PADS no âmbito do CBMRO); e Norma Geral N. 003/CORREGEBOM/2018 (Normas gerais para a realização de Auto de Prisão em Flagrante Delito no âmbito do CBMRO. Neste sentido pode se deduzir que uma das principais atribuições da Corregedoria Geral do CBMRO, refere-se também, à fiscalização do andamento dos processos administrativos disciplinares instaurados na Corporação e que são regulados pelas normas ora mencionadas. 6. PRINCÍPIOS APLICÁVEIS NOS PROCEDIMENTOS APURATÓRIOS De acordo com Santos (2015), princípios são os alicerces da norma, são o seu fundamento em essência, são o refúgio em que a norma encontra sustentação para racionalizar a sua legitimação, são a base de onde se extrai o norte a ser seguido por um ordenamento. Os princípios constitucionais são as principais normas fundamentais de conduta de um indivíduo mediante às leis já impostas, além de exigências básicas ou fundamentos para tratar uma determinada situação e podem até ser classificados como a base do próprio Direito. São o alicerce para qualquer indivíduo. É indispensável tomar nota dos assuntos que rodeiam os seus direitos e deveres. A Constituição Federal de 1988 é o livro que está hierarquicamente acima de todos os outros, em nível de legislação no Brasil. A Constituição é a lei fundamental e os princípios constitucionais são o que protegem os atributos fundamentais da ordem jurídica. Muitos são os princípios jurídicos que se relacionam com a questão dos Procedimentos Apuratórios. Destacamos, no entanto, os que se aplicam mais diretamente: Princípio da Legalidade: O exercício da função administrativa não pode ser pautado pela vontade da Administração ou dos agentes públicos, a Administração Pública só pode praticar as condutas autorizadas em lei. (CARVALHO FILHO, 2014). Princípio da publicidade: Os atos da administração pública em regra devem se pautar pela publicidade em relação aos procedimentos disciplinares o Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 15 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 ato da sua instauração deve ser publicado em boletim (interno, geral), a exceção à regra são os atos pautados por sigilo como e o caso das sindicâncias sigilosas, onde sua publicação e realizada em boletim geral reservado. Princípio da impessoalidade: O encarregado da sindicância ou PADS deve em sua atuação agir com imparcialidade, ou seja, buscando o interesse público e a verdade real em sua função, sem utilizar de sentimento pessoal para prejudicar ou beneficiar o investigado. Princípio da Moralidade: Estar esculpido no Art. 37 caput da CF-88, onde o agente público deve atuar de maneira honesta não utilizando da máquina pública para interesses pessoais, este princípio possibilita controle além da legalidade permitindo a aferição dos desejos do administrador mesmo quando observado a lei (conduta subjetiva). Princípio da verdade real: Este princípio se pauta em esclarecer os fatos, não somente pelas provas que foram trazidas pelas partes no procedimento, mas que o sindicante/autoridade disciplinar devem buscar todos os meios de provas necessário para chegar à verdade real. Princípio da motivação: Os atos da administração pública em regra devem se motivados, em se tratando de atos administrativos disciplinar (sancionador) e o dever da autoridade fundamenta a decisão, sob pena de causar nulidade ao procedimento por ausência de fundamentação e cerceamento de defesa. Princípio da Eficiência: Tem previsão legal no Art. 37 CF. 88, esse princípio pauta-se na qualidade do serviço, onde o agente público deve realizar seu serviço com máxima eficiência e com baixo custo. No caso dos procedimentos disciplinares o encarregado busca instruir o procedimento com máximo de provas sem onera de forma desarrazoada a administração pública. Princípio da Boa Fé: Significa que o agente público deve praticar seus atos isentos de dolo ou engano (fraude), as partes envolvidas no ato administrativo devem se pautar pela honestidade e urbanidade. Princípio da vedação do bis in idem: Significa que não se deve punir o administrado duas vezes pelo mesmo fato dentro do procedimento disciplinar. Um exemplo seria, na fixação da pena base, o julgador assevera a pena do acusado por possuir maus antecedentes e na segunda fase do julgamento agrava a pena pela reincidência utilizando os maus antecedentes para isso. Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa: Tem previsão legal no Art. 5º inc. LV da CF-88, onde estabelece que para os processos judiciais e Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 16 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 administrativo a necessidade de dar ciência dos atos, possibilitando a apresentação argumentos contrários pela defesa e a utilização de todos os meios de provas possíveis para o acusado, consagrando a ampla defesa. Princípio da Justa Causa: A instauração de procedimento disciplinar deve se pauta pela efetiva demonstração plausível de indício de autoria e materialidade de prova, não deve a autoridade disciplinar instaurar um procedimento instaurador sem notícia de fato que constitua transgressão disciplinar. Princípio da Proporcionalidade: Esse princípio trata da proibição do excesso, significa que o administradorpúblico ou autoridade disciplinar no ato da sua decisão deve se pautar em três pilares: necessidade, utilidade e adequação. Deve a autoridade julgadora nos procedimentos disciplinares se pautar no equilíbrio de suas decisões, evitando aplicar punições desproporcionais para um caso em que não se aplica. Os princípios a seguir são utilizados para solucionar conflitos aparentes de norma, ou seja, quando a duas normas regem o mesmo assunto. Princípio da Especialidade: é considerado por grande parte da doutrina como o mais importante desses princípios e estabelece que a lei especial derroga a geral. Lei especial é aquela que contém todos os requisitos da lei geral e mais alguns, chamados especializantes. Princípio da Subsidiariedade: diz que a norma mais ampla engloba a norma mais específica. A norma subsidiária, portanto, descreve um grau menor de violação de um mesmo bem jurídico, ou seja, um fato menos amplo e menos grave, que definido como delito autônomo é também compreendido como fase normal de execução de um crime mais grave. Exemplo: o crime de ameaça (art. 147, CP) é subsidiário ao de constrangimento ilegal (art. 146, CP), o qual, por sua vez, cabe no de extorsão (art. 158, CP). Portanto, só se aplica esse princípio quando a norma principal for mais grave que a subsidiária. Princípio da consunção: A consunção é utilizada quando a intenção criminosa/indisciplinar é alcançada pelo cometimento de mais de um tipo penal/transgressional, devendo o agente, no entanto, por questões de justiça e proporcionalidade de pena/punição, ser punido por apenas um delito. Duas são as regras que podemos extrair, quais sejam: - o fato de maior entidade consome ou absorve o de menor graduação - o conduta-fim absorve o conduta-meio. Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 17 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 7. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR O Bombeiro Militar que, a partir de uma atuação funcional irregular, não cumprir com seus deveres ou não observar as vedações impostas, responde administrativa, penal ou civilmente. As esferas Administrativa, civil e penal, desfrutam de independência. Tal prerrogativa tem como condão garantir aos servidores públicos militares, aos administrados e à sociedade como um todo, que o ato violado será analisado pelo respectivo poder competente. Dito isso, cabe ressaltar que uma conduta ofensiva às normas castrenses, praticada pelos militares, pode concomitantemente, ser classificada como um ilícito penal, civil e administrativo, podendo inclusive resultar na condenação em todas elas, em alguma delas ou em nenhuma. A regra consagrada na doutrina e na jurisprudência brasileira é a independência das esferas judicial e administrativa, entretanto, ocorrendo à absolvição na esfera penal do servidor público militar por inexistência de fato ou negativa de autoria não se poderá falar em responsabilização no âmbito administrativo, visão clássica e perfeitamente adequada ao nosso ordenamento jurídico, visto que as três esferas se revestem de autonomia com certa relatividade, porém em alguns casos específicos, pode uma esfera influenciar e/ou refletir na outra, destacando-se que a absolvição na esfera administrativa em nada impede a sua apuração no âmbito criminal. O Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Rondônia para registro de seus atos, controle de conduta de seus integrantes e solução das controvérsias administrativas disciplinares, utiliza-se de diversos procedimentos, que recebem a denominação genérica de Processo Administrativo Disciplinar Militar. Processo é o conjunto ordenado de atos para a obtenção de decisão sobre uma controvérsia em âmbito administrativo ou judicial. Procedimento é a maneira de realização do Processo, ou seja, é o rito processual. Procedimento Administrativo Disciplinar Militar é o meio pelo qual a administração se utiliza para apuração e aplicação de punição de faltas disciplinares cometidas por bombeiros militares no exercício de suas funções. O processo administrativo disciplinar é aquele que usa do poder disciplinar que é conferido à Administração a fim de prover a manutenção da Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 18 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 ordem na prestação da atividade estatal, possibilitando a aplicação de sanções administrativas aos seus agentes. Dessa feita, o processo administrativo disciplinar almeja apurar a responsabilidade pelo suposto cometimento de transgressão disciplinar, praticada mediante ação ou omissão, por servidor público, enquanto no exercício de seu cargo ou função. Os instrumentos previstos, empregados pela Administração Pública na apuração das faltas e irregularidades, possuem finalidades específicas relacionadas à dinâmica e aos envolvidos em cada fato onde se verifica a falta disciplinar, sendo: Sindicância; é o procedimento preliminar investigatório e tem por objetivo esclarecer circunstâncias fáticas e estabelecer a autoria e/ou a materialidade da irregularidade. Processo Apuratório Disciplinar Sumário – PADS: é o devido processo legal destinado à garantia do contraditório e ampla defesa quando a transgressão disciplinar não exigir, em princípio, a instauração de processo administrativo disciplinar. Quanto aos procedimentos previstos na legislação criminal militar, destacam-se, basicamente dois instrumentos que subsidiarão os processos criminais na Justiça Militar Estadual: Inquérito Policial Militar - IPM: apura os crimes cometidos por militares nas situações previstas no Código Penal Militar; Auto de prisão em flagrante de delito (APF): procedimento realizado para executar a prisão de militar em flagrante cometimento de crime. (BRASIL, 1969). Observa-se que para cada fato considerado como transgressão disciplinar ou crime militar existe um instrumento adequado de apuração, bem como para diferentes finalidades. 8. PROCESSOS DEMISSÓRIOS CONSELHO DE DISCIPLINA (Decreto-Lei nº 34, de 07 Dez 82) O Conselho de Disciplina (CD) é um processo administrativo especial, que tem por finalidade julgar da incapacidade do Aspirante-a-Oficial PM e demais praças da Polícia Militar do Estado de Rondônia, com estabilidade assegurada, Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 19 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 para permanecerem na ativa, criando-lhes, ao mesmo tempo, condições para se defenderem (art. 1º). Também pode ser submetido ao CD o Asp Of PM e demais praças da Corporação, da reserva remunerada ou reformados, presumivelmente incapazes de permanecerem na situação de inatividade em que se encontram (parágrafo único). As praças supracitadas serão submetidas a Conselho de Disciplina, ex- offício, nas seguintes hipóteses: Art. 2º. [...] I - acusada oficialmente ou por qualquer meio lícito de comunicação social e neste caso comprovado em IPM ou Sindicância, de ter: a) procedido incorretamente no desempenho do cargo; b) tido conduta irregular; ou c) praticado ato que afete a honra pessoal, o pundonor policial militar ou o decoro da classe; II - afastado do cargo, na forma do Estatuto dos Policiais Militares, por se tornar incompatível com o mesmo ou demonstrar incapacidade no exercício de funções policiais militares a ela inerentes, salvo se o afastamento for em decorrência de fatos que motivem sua submissão a processo; III - condenada por crime de natureza dolosa, não previsto na legislação especial concernente à segurança nacional, em tribunal civil ou militar, à pena restritiva de liberdade individual até 02 (dois) anos, tão logo transite em julgado a sentença; (Obs.: na verdade, a decisão de submeter a Praça ao processo demissório independe do quantum da pena imposta na esfera criminal. Se a pena for superior a 02 (dois) anos e nãohouver a decretação da perda da graduação da Praça, como efeito da condenação, a administração PM pode muito bem, e com muito mais razão, instaurar o CD, se assim julgar oportuno e conveniente); IV - pertencente a partido político ou associação suspensos ou dissolvidos por força de disposição legal ou decisão judicial, ou que exerça atividades prejudiciais ou perigosas à segurança nacional. Parágrafo único: É considerada pertencente a partido ou associação a Praça da Polícia Militar que, ostensiva ou clandestinamente: a) estiver inscrita como seu membro; b) prestar serviços ou angariar valores em seu benefício; c) realizar propaganda de suas doutrinas; ou Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 20 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 d) colaborar, por qualquer forma, mas sempre de modo inequívoco ou doloso, em suas atividades. O Decreto-Lei nº 34/82 reza que o acusado será afastado do exercício de suas funções, mas, na verdade, o afastamento refere-se à atividade ensejadora da transgressão. A competência para a instauração do Conselho de Disciplina é do Comandante Geral e a instrução processual recairá para uma Comissão de 03 (três) Oficiais PM da ativa, que deverá ser presidida no mínimo por um Oficial Intermediário (Capitão). A defesa efetiva do acusado deverá ser feita por advogado por ele constituído ou, na falta deste, por Oficial nomeado pelo Presidente do Conselho, da escolha do acusado se este se manifestar nesse sentido. A Comissão Processante terá o prazo de 30 (trinta) dias para conclusão dos trabalhos, prorrogáveis por 20 (vinte) dias, por motivos excepcionais, a critério do Comandante Geral. Apesar de a norma mencionar que o prazo começa a contar da data de nomeação do CD, na prática o prazo começa a correr a partir da autuação dos documentos recebidos pelo colegiado processante, que pode ou não coincidir com a data de nomeação. Depois de realizadas as diligências necessárias ao esclarecimento dos fatos (fase da instrução), a Comissão elaborará relatório circunstanciado, apontando seu entendimento quanto ao acusado ser ou não culpado da acusação que lhe foi feita, sugerindo, ainda, a medida disciplinar a ser aplicada, se for o caso. A decisão será tomada por maioria de votos dos membros da Comissão e, havendo voto vencido, é facultada a justificação por escrito. Recebidos os autos do Conselho de Disciplina o Comandante Geral, acolhendo ou não o relatório da Comissão Processante e, neste último caso, justificando os motivos, decidirá por meio de Sentença Administrativa, podendo, dentre as possibilidades delineadas no art. 13 do Decreto-Lei nº 34/82, determinar a exclusão a bem da disciplina do acusado das fileiras da Corporação. Da decisão do Comandante Geral poderá ser interposto recurso, no prazo de 10 (dez) dias, cabendo ao Governador do Estado, em última instância, julgar os recursos que forem interpostos nos processos oriundos dos Conselhos de Disciplina. Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 21 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 CONSELHO DE JUSTIFICAÇÃO (Decreto-Lei nº 35, de 07 Dez 82) O Conselho de Justificação (CJ) tem por finalidade julgar, por meio de processo especial, da incapacidade do Oficial da Polícia Militar de Rondônia, para permanecer na ativa ou na situação de inatividade em que se encontra, criando-lhes, ao mesmo tempo, condições para se justificar. As várias hipóteses de submissão ao CJ estão relacionadas nos incisos I a V do artigo 2º do Decreto-Lei estadual nº 35/82, sendo a instauração (nomeação) de competência do Governador do Estado, quando a parte acusatória partir do Comandante Geral, ou do Comandante Geral nos demais casos. O Conselho de Justificação é composto de 03 (três) Oficiais da ativa, de posto superior ao do justificante, e o membro mais antigo do CJ será no mínimo um Oficial Superior da ativa. Quando o justificante for Oficial do último posto, os membros do CJ serão nomeados dentre os Oficiais daquele posto, da ativa, ou da inatividade, mais antigos que o justificante, e quando o justificante for Oficial da reserva ou reformado, um dos membros do CJ pode ser da reserva, respeitadas as exigências anteriormente elencadas. Os prazos para conclusão do CJ são os mesmos do CD e a deliberação do Conselho é tomada por maioria dos votos de seus membros. Elaborado o relatório circunstanciado, a Comissão processante encerrará os trabalhos e remeterá o processo à autoridade que o nomeou. O Conselho de Justificação pode se tornar híbrido, quando a autoridade nomeante, dentre as várias hipóteses de solução do processo administrativo (arquivamento; aplicação de pena disciplinar; efetivação da reserva remunerada; remessa ao auditor competente) encaminha o CJ ao Tribunal competente, nas hipóteses previstas para tal. Na primeira fase, de natureza essencialmente administrativa¸ a Comissão processante avalia se o Oficial tem ou não condições de permanecer na ativa, ou sendo da reserva remunerada ou reformado, se é incapaz de permanecer na situação de inatividade em que se encontra. Na segunda fase, de natureza essencialmente judicial (a posição predominante das Cortes superiores é no sentido de que o CJ tem natureza administrativa e não judicial) o Tribunal competente (Tribunal de Justiça, no caso de Rondônia) irá decidir sobre a perda do posto e da patente ou sobre a reforma compulsória. Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 22 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 Ou seja, o CJ é instaurado pelo Comandante Geral ou Governador do Estado, porém em sendo a sanção apontada pela Comissão como sendo a máxima (demissão ex-offício), será remetido ao Tribunal de Justiça de Rondônia que, em acatando o mesmo entendimento, autorizará o Governador a demitir o Oficial. O Oficial somente perderá o posto e a patente se for declarado indigno do oficialato ou com ele incompatível. 9. PROCESSO ADMINISTRATIVO POR DANOS AO ERÁRIO (PADE) O Decreto nº 11.515, de 28 de fevereiro de 2005, regulamentou a lei que instituiu na Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar de Rondônia o Processo Administrativo por Danos ao Erário, estabelecendo o rito dos procedimentos a serem adotados. A finalidade do PADE é reunir os elementos necessários para a imputação ou não de responsabilidades pecuniárias aos militares do Estado que danificarem o erário, assegurando-se, ao militar, os preceitos constitucionais da ampla defesa e do contraditório. O PADE será aplicado quando o IPM ou Sindicância apontar indícios de que o militar cometeu danos ao erário, por ato omissivo ou comissivo praticado no desempenho do cargo ou função. São competentes para instaurar o PADE os Comandantes Gerais (PM e CBM), os Corregedores Gerais e Coordenadores Regionais (PM e CBM), e o Chefe de Gabinete Militar da Governadoria, autoridades estas que também são competentes para nomear as comissões permanentes, compostas por 03 (três) Oficiais da Unidade a que pertencer o Militar Estadual acusado. Havendo insuficiência de Oficiais da Unidade do acusado, a autoridade responsável pela instauração do PADE completará a comissão com Oficiais de outras Unidades que estejam sob sua subordinação. Ademais, a Coordenadoria Administrativa será o órgão competente para instauração do PADE nas Unidades PM e CBM que não forem subordinadas aos CRP’s. O PADE se desenvolverá de acordo com as disposições do Decreto-Lei nº 34/82, que dispõe sobre o Conselho de Disciplina da PMRO. Se for comprovado em IPM ou Sindicância que o Militar Estadual causou danos, e, nesta fase, mediante proposta, o mesmo manifestar vontade de ressarcir aos cofres públicos os danos causados ao erário, torna-se Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 23 Curso de Formação de CaboBombeiro Militar – CFC BM 2021 desnecessária a instauração de PADE. Importante frisar que se tratando de danos causado a terceiros e havendo culpa do Militar Estadual, este responde perante a Fazenda Pública em ação regressiva, podendo ainda ser responsabilizado penalmente. 10. PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DISCIPLINARES EM ESPÉCIE Com base nos tópicos anteriores e dada a importância do processo administrativo visando a apuração de fatos contrários as normas vigentes, praticados pelos militares, destacamos o estudo para os seguintes processos administrativos: (procedimentos apuratórios) que serão descritos a seguir: 10.1 Sindicância No âmbito do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Rondônia – CBMRO a Norma Geral N. 001/CORREGEBOM/2018, versa sobre a realização de sindicância. Neste tópico será abordado toda a resolução do procedimento segundo a Norma Geral. NORMA GERAL Nº 001/CORREGEBOM/2018 (Normas gerais para a realização de sindicância no âmbito do CBMRO) CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 1º A presente Norma Geral tem por finalidade regular os procedimentos para a realização de sindicância prevista no Art. 21, I do Decreto nº 13.255, de 12 de novembro de 2007 no âmbito do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Rondônia (CBMRO). Objetivo da sindicância Art. 2º A sindicância é o procedimento formal e escrito que tem por objetivo a apuração de fato que nos termos legais configure, em tese, transgressão disciplinar militar, caso não esteja bem esclarecida a sua autoria e circunstâncias, tendo o caráter de instrução provisória, cuja finalidade precípua é a de ministrar elementos necessários à instauração de: I - Processo Apuratório Disciplinar Sumário (PADS); Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 24 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 II – Processo Administrativo Disciplinar (PAD); III - Conselho de Disciplina (CD); IV - Conselho de Justificação (CJ); V - Processo Administrativo por Danos ao Erário (PADE); VI – Inquérito Policial Militar (IPM) §1º É indispensável a abertura de sindicância para apuração de fato de natureza grave que enseje a instauração do processo administrativo disciplinar, salvo se o fato já foi apurado em inquérito, ou quando materialidade e autoria já estiverem esclarecidas por documentos ou provas materiais. §2º São, porém, efetivamente instrutórios do PADS, PAD, CD, CJ, PADE, IPM os documentos, exames, perícias e avaliações realizadas no curso da sindicância. Conhecimento da transgressão disciplinar §3º O conhecimento da transgressão disciplinar dar-se-á através: I - dos documentos oficiais de uso regular no CBMRO. II - das conclusões de Procedimentos Investigatórios (Inquérito Policial Militar e Sindicância). III - da comunicação formal de autoridades e do público em geral. IV - de reclamação do ofendido que, se Militar Estadual, deverá observar a cadeia de comando. V - dos meios de comunicação social. Sindicância sumária. Proibição §3º É vedada a instauração de sindicância que não atenda às prescrições da presente Norma Geral, sob pena de responsabilização da autoridade militar estadual. Dispensa da sindicância Art. 3º A sindicância poderá ser dispensada quando as circunstâncias do fato e sua autoria já estiverem suficientemente esclarecidas por documentos ou outras provas materiais, sem prejuízo de diligências necessárias ao registro de informações complementares, necessárias à correta instrução do PAD, CD, CJ e PADE. Princípios que orientam a sindicância Art. 4º A sindicância orientar-se-á pelos princípios da simplicidade, economia procedimental, celeridade e instrumentalidade. Notícias apócrifas Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 25 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 Art. 5º As notícias apócrifas que narrem eventuais transgressões disciplinares devem ser apuradas de forma preliminar, com cautela e discrição, no intuito de avaliar a plausibilidade dos fatos e, em se apurando elementos de verossimilhança, deve ser instaurada a sindicância. Parágrafo único. Na hipótese da notícia apócrifa narrar fatos manifestamente infundados e incoerentes, poderá a autoridade militar estadual, fundamentadamente, arquivá-la por absoluta falta de justa causa. Autoridades competentes para a instauração Art. 6º São autoridades competentes no âmbito do CBMRO para determinar a instauração de sindicância: I - o Comandante-Geral; II - o Subcomandante-Geral; III - o Chefe do Estado Maior; IV - o Corregedor-Geral; V – os Coordenadores e Diretores; VI – os Comandantes de Grupamento e Subgrupamento. Sigilo da sindicância. Possibilidade Art. 7º A sindicância, em regra, será ostensiva, podendo, conforme o fato em apuração, ser classificada, desde o início ou em seu curso, como sigilosa pela autoridade disciplinar ou, pelo sindicante, no caso de juntada de documentos sigilosos, hipóteses em que a restrição de acesso não alcançará o sindicado nem seu advogado, caso tenha sido devidamente constituído. Territorialidade Art. 8º A competência para investigar transgressão disciplinar é da autoridade militar estadual com circunscrição no local onde tenha ocorrido o fato em tese transgressional, independentemente da subordinação administrativa do Militar Estadual autor, respeitada a antiguidade ou precedência hierárquica. §1º Na ocorrência de transgressão disciplinar envolvendo Militares Estaduais de mais de um OBM, caberá ao Comandante com responsabilidade territorial sobre a área onde ocorreu o fato apurar ou determinar sua apuração, e, ao final, remeter os autos à autoridade superior comum aos envolvidos. §2º Quando duas autoridades de níveis hierárquicos diferentes, ambas com competência disciplinar sobre o transgressor, tiverem conhecimento da transgressão disciplinar, caberá à de maior hierarquia apurá-la ou determinar que a menos graduada o faça. §3º No caso de ocorrência disciplinar envolvendo Militares das Forças Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 26 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 Armadas e Militares Estaduais, a autoridade militar estadual competente deverá tomar as medidas disciplinares cabíveis quanto aos seus subordinados, informando o escalão superior sobre a ocorrência, as medidas tomadas e o que foi por ela apurado, dando ciência do fato também ao Comandante Militar interessado. §4º Quanto à competência para investigar transgressão disciplinar de natureza grave cometida por Militar Estadual da Reserva Remunerada ou Reformado, quando ainda no serviço ativo, deve-se observar a delegação do Comandante-Geral ou Corregedor Geral, atendendo aos princípios de hierarquia, conforme o caso. Conflito de competência §5º Havendo conflito de competência para instauração de sindicância este será resolvido pela autoridade militar estadual superior com ascendência funcional comum entre os dois, respeitadas as regras deste artigo. Conhecimento de infração penal de natureza comum Art. 9º O conhecimento, no transcorrer da sindicância, de eventual infração penal de natureza comum ou militar, obrigará o Sindicante a informar, de imediato, a autoridade disciplinar, para a adoção das medidas cabíveis à espécie, sem prejuízo do prosseguimento da investigação. Transgressões disciplinares estranhas ao objeto da sindicância Art. 10. No caso de se verificar transgressões disciplinares estranhas ao objeto da sindicância, a autoridade disciplinar, após comunicada pelo sindicante, poderá aditar à sindicância em curso a apuração dos fatos novos, determinar a instauração de novo procedimento investigatório ou comunicar os fatos ao Comandante dos, em tese, transgressores quando não tiver ascendência sobre estes, desde que não haja contrariedade ao disposto no artigo 8º desta Norma Geral.Organização da sindicância e procedimentos Art. 11. A sindicância será sempre encaminhada à autoridade disciplinar mediante 01 (uma) via física e outra digitalizada, devendo observar os seguintes procedimentos: I - lavrar o termo de abertura da sindicância; II – juntar aos autos todos documentos e peças da sindicância por ordem cronológica, reunidas em volumes de até 200 folhas, todas numeradas e rubricadas, a partir do termo de abertura, de forma centralizada e na parte inferior; Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 27 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 III - indicar na capa dos autos, além da numeração da sindicância, seus dados de identificação, os do sindicado, se houver, e o objeto da sindicância; IV - regular as ações a serem desenvolvidas no contexto da sindicância, mediante a elaboração de despachos, ainda que não tenha sido designado escrivão, situação em que tais despachos têm caráter meramente coordenativo; V - fazer constar, nos pedidos de informações e nas requisições de documentos, referências expressas ao fim a que se destinam e à prioridade na tramitação (normal, urgente ou urgentíssima); VI - juntar, mediante termo ou despacho na própria peça ou carimbo de “JUNTE-SE”, todos os documentos recebidos. Os documentos produzidos pelo sindicante serão anexados aos autos em ordem cronológica de produção; VII - realizar ou determinar, de ofício, a produção ou a juntada de todas as provas que entender pertinentes ao fato a ser esclarecido; VIII - encerrar a instrução do feito com o respectivo termo; IX - encerrar a apuração com um relatório completo e objetivo, contendo o seu parecer conclusivo sobre a elucidação do fato, o qual deverá ser apresentado em quatro partes: a) introdução: contendo a ordem de instauração, a descrição sucinta do fato a ser apurado e os dados de identificação do sindicado, se houver; b) diligências realizadas: onde deverão estar especificadas as ações procedidas pelo sindicante; c) parte expositiva: com o resumo conciso e objetivo dos fatos e uma análise comparativa e valorativa das provas colhidas, destacando aquelas em que formou sua convicção; e d) parte conclusiva: na qual o sindicante emitirá o seu parecer, coerente com as provas carreadas aos autos e com o relatado na parte expositiva, mencionando se há ou não indícios de crime militar ou comum, transgressão disciplinar, prejuízo ao erário ou qualquer outra situação ampliativa ou restritiva de direito, sugerindo, se for o caso, a adoção de providências; e X - elaborar o termo de encerramento dos trabalhos atinentes ao feito e remeter os autos à autoridade disciplinar. Parágrafo único: A observância dos procedimentos estabelecidos neste artigo não obsta a adoção de outras medidas específicas que sejam necessárias em razão das particularidades do objeto da sindicância. CAPÍTULO II DA INSTAURAÇÃO Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 28 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 Art. 12. A sindicância é iniciada mediante portaria: I - de ofício, pelas autoridades militares estaduais previstas no art. 6º, segundo as regras do art. 8º desta Norma Geral. II - por determinação ou delegação da autoridade militar estadual superior que, em caso de urgência, poderá ser feita via correio eletrônico. Requisitos da portaria §1º A portaria deverá narrar os fatos em tese irregulares a serem investigados, delimitando o campo de atuação do sindicante. Superioridade ou igualdade de posto do infrator §2º Tendo o infrator posto superior ou igual ao do comandante, coordenador, diretor de OBM, em cujo âmbito de circunscrição haja ocorrido a transgressão disciplinar, será feita a comunicação do fato, via cadeia de comando, à autoridade superior competente, para que esta torne efetiva a delegação. Providências antes da sindicância §3º O aguardo da delegação não obsta que o oficial responsável por comando, coordenação ou direção, ou mesmo aquele que o substitua ou esteja de serviço, tome ou determine que sejam tomadas imediatamente as providências administrativas cabíveis, uma vez que tenha conhecimento de transgressão disciplinar que lhe caiba investigar. Sindicante. Requisitos Art. 13. A delegação para realizar a sindicância recairá sobre os oficiais, aspirantes a oficiais, subtenentes ou sargentos ativos preferencialmente aperfeiçoados, respeitando-se a antiguidade ou precedência hierárquica do sindicado. Indícios contra oficial de grau hierárquico superior ao sindicante ou mais antigo §1º Se no curso da investigação o sindicante verificar a existência de indícios contra militar estadual de grau hierárquico superior ao seu ou mais antigo, deverá imediatamente suscitar o seu impedimento à autoridade disciplinar, suspendendo-se a contagem do prazo. Nomeação de escrivão. Excepcionalidade §2º Nos casos de maior repercussão e a critério da autoridade disciplinar, o sindicante poderá valer-se de um escrivão para auxiliá-lo nos trabalhos, que será, preferencialmente, um graduado, excetuando-se os casos em que constem oficiais como sindicados, nos quais deverão ser escrivães os Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 29 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 oficiais subalternos. Movimentação funcional do sindicante §3º Na hipótese de movimentação do sindicante durante o transcorrer da sindicância, para outra OBM, no caso de sindicâncias instauradas no âmbito daquela OBM, este deverá ser substituído. Art. 14. Em todos os casos, todas as sindicâncias instauradas deverão ser comunicadas à Corregedoria Geral e constarão obrigatoriamente: I - nome e posto do sindicante e do escrivão, se houver; II - local dos fatos e nome das partes envolvidas; III - resumo dos fatos; Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 30 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 disciplinar. IV número da publicação da Portaria em Boletim; V - as conclusões do sindicante e a solução da autoridade CAPÍTULO III DOS PRAZOS dias. Art. 15. O prazo para conclusão da sindicância será de até 30 (trinta) Prorrogação do prazo §1º Este prazo poderá ser prorrogado por mais 30 (trinta) dias, mediante pedido fundamentado do sindicante à autoridade disciplinar, feito com antecedência mínima de 02 (dois) dias úteis do término do prazo. §2º Será deduzida do prazo mencionado neste artigo a suspensão prevista no §1º do art. 13 desta Norma Geral. §3º Do prazo para conclusão será excluído o dia do recebimento da portaria, iniciando-se a contagem no próximo dia útil, e incluído o dia da entrega, que na hipótese de recair em dia de feriado ou final de semana autorizará a entrega no primeiro dia útil posterior. §4º Poderá, de forma fundamentada, ser autorizada a suspensão da contagem do prazo uma única vez, por período não superior a trinta dias. §5º Já tendo sido concedida a suspensão de que trata o parágrafo anterior e ocorrendo afastamento, previsto em lei, regulamento, instrução ou normatização interna, do sindicante este deverá ser substituído, cabendo ao substituto concluir o feito sem a possibilidade de nova suspensão. Prorrogação especial §6º Não haverá mais prorrogação, além da prevista no §1º, salvo dificuldade insuperável, a juízo do Comandante-Geral, via Corregedoria-Geral. §7º Os laudos de perícias ou exames não concluídos na prorrogação do parágrafo anterior, bem como os documentos colhidos depois dela, serão posteriormente remetidos autoridade disciplinar, para a juntada aos autos, devendo o sindicante indicar, no seu relatório, se possível, o lugar onde se encontram as testemunhas que deixaram de ser ouvidas. CAPÍTULO IV DO PARECER E DA SOLUÇÃO DA SINDICÂNCIA Parecer do sindicante Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 31Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 Art. 16. A sindicância será encerrada com minucioso parecer, em que o sindicante mencionará as diligências feitas, as pessoas ouvidas e os resultados obtidos, referindo, em conclusão, se há indícios de transgressão disciplinar e/ou crime, militar ou comum, com a respectiva capitulação no diploma legal aplicável, com a indicação das suas circunstâncias, incluindo dia, hora e lugar onde ocorreu. Solução da autoridade disciplinar Art. 17. No caso de ter sido delegada a competência para a realização da sindicância, o sindicante a enviará à autoridade de quem recebeu a delegação, que a solucionará no prazo de trinta (30) dias, podendo: I – homologar a conclusão e adotar as medidas pertinentes elencadas no §2º deste artigo. II – não homologar, dando solução diferente, devidamente fundamentada, ou determinando novas diligências, se as julgar necessárias. Suspensão do prazo da solução §1º Ficará suspensa a contagem do prazo previsto do caput deste artigo na hipótese, devidamente fundamentada e publicada em Boletim, de ocorrerem questões prejudiciais ao convencimento da autoridade disciplinar relativamente à verdade real dos fatos investigados. Resultados da sindicância §2º Da sindicância poderá resultar: I - o seu arquivamento, se os fatos investigados não constituírem transgressão disciplinar ou crime militar; II - instauração de PADS; III – instauração de PAD; IV – instauração de Conselho de Disciplina ou encaminhamento para o Comandante-Geral, via Corregedoria-Geral, sugerindo a instauração de Conselho de Justificação; V – instauração de PADE; VI - instauração de Inquérito Policial Militar ou, no caso da autoridade disciplinar não possuir competência para instaurar, encaminhamento a quem compete instaurá-lo. VII - remessa de cópia da sindicância à autoridade policial competente, caso haja indícios de crime comum. Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 32 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 VIII - outras medidas administrativas cabíveis à espécie. Dispensa de solução §3º Não haverá solução de sindicância instruída pela autoridade militar estadual originária que deverá, em seu parecer, adotar as medidas pertinentes elencadas no § 2º deste artigo. Remessa da sindicância à Justiça Militar Estadual §4º Tendo sido solucionada a sindicância com indícios de crime militar, esta deverá ter seus autos originais, acompanhados do extrato disciplinar do indiciado, encaminhados unicamente à Justiça Militar Estadual, para distribuição e respectiva autuação judicial. Sindicância. Avocação Art. 18. As autoridades militares estaduais funcionalmente superiores àquela que instaurou ou que determinou a instauração da sindicância poderão: I - avocar para si a sindicância em que se verifique manifesta usurpação de sua competência, irregularidade na solução ou equívoco no decorrer dos atos de investigação, desde que ainda não tenham surtido os efeitos legais. II - determinar que seja imediatamente solucionada ou avocá-la e solucioná-la, quando a solução esteja sendo indevidamente retardada. Publicação da solução e cientificação do sindicado Art. 19. A solução deverá ser publicada em boletim interno ou geral e comunicado o seu resultado ao sindicado, de forma escrita, mencionando o boletim que a publicou. CAPÍTULO V DAS DISPOSIÇÕES FINAIS Subsidiariedade do Código de Processo Penal Militar Art. 20. Aplicam-se a esta Norma Geral, subsidiariamente, respeitados os princípios do art. 4º, as normas do Código de Processo Penal Militar, especialmente quanto aos meios de prova, tais como a inquirição de pessoas, requisição de perícias e exames, acareação, reconhecimento de pessoas e coisas e realização de carta precatória. Afastamentos do sindicado. Continuidade da sindicância Art. 21. As dispensas médicas, licenças, férias e outros afastamentos totais do serviço do sindicado não suspendem ou interrompem a sindicância, tendo em vista a sua natureza inquisitorial, devendo esta ser concluída mesmo sem a oitiva do sindicado. Art. 22. As autoridades militares estaduais que tiverem conhecimento de Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 33 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 fatos irregulares e que não possuírem competência para a instauração de sindicância deverão comunicar, imediatamente, à autoridade superior competente para tal. Fatos que não constituem transgressão disciplinar Art. 23. Excluem-se do objetivo da presente Norma Geral os fatos que não constituam transgressão disciplinar em tese e para os quais haja normas específicas de apuração. Instauração de nova sindicância Art. 24. O arquivamento de sindicância não obsta a instauração de outra, se novas provas ou indícios aparecerem em relação ao fato ou ao sindicado, ressalvados a coisa julgada e os casos de extinção da punibilidade. Direitos e obrigações do advogado Art. 25. Tendo em vista a natureza inquisitorial da sindicância, a participação de advogados eventualmente constituídos pelos sindicados restringir-se-á às previsões da Lei nº 8.906, de 04 de julho de 1994 (Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil), bem como, as da Súmula Vinculante nº 14 do Supremo Tribunal Federal. Art. 26. Os casos omissos na presente Norma Geral, e que não puderem ser supridos pelo Código de Processo Penal Militar, serão dirimidos pelo Corregedor-Geral. OBSERVAÇÃO: os modelos exemplificativos dos documentos poderão ser encontrados nos anexos da Norma Geral, que deverão ser adaptados conforme cada caso. 10.2 Processo Apuratório Disciplinar Sumário – PADS No Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Rondônia – CBMRO a Norma Geral N. 002/CORREGEBOM/2018, versa sobre a realização do PADS. Neste tópico será abordado toda a resolução do procedimento segundo a Norma Geral. Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 34 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 NORMA GERAL Nº 002/CORREGEBOM/2018 (Normas gerais para a realização de PADS no âmbito do CBMRO) CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 1º A presente Norma Geral tem por finalidade regular os procedimentos para a realização de Processo Apuratório Disciplinar Sumário (PADS) previsto no Decreto nº 13.255, de 12 de novembro de 2007, no âmbito do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Rondônia (CBMRO). Da parte disciplinar Art. 2º Todo policial militar que tiver conhecimento de um fato contrário à disciplina deverá participá-lo, por escrito, à autoridade disciplinar competente. § 1º A parte disciplinar deve ser impessoal, clara, concisa e precisa, contendo os dados suficientes para a identificação das pessoas ou coisas envolvidas, o local, a data, a hora e as circunstâncias da ocorrência, sem tecer opiniões pessoais ou comentários ofensivos, salvo, neste caso, como transcrição, se indispensável à solução. § 2º A parte disciplinar é obrigatória para dar início ao processo apuratório disciplinar sumário, quando a autoridade competente não tomar conhecimento do fato por outro meio lícito, sendo o participante responsável pelas informações nela contidas. Instauração do PADS Art. 3º A autoridade a quem a parte disciplinar é dirigida decidirá pela instauração de Processo Apuratório Disciplinar Sumário (PADS), se o fato não constitui, em princípio, transgressão passível de exclusão do serviço ativo. §1º A instauração de PADS deve ser procedida no âmbito da OBM do militar, em tese, transgressor, salvo determinação em contrário do escalão superior em face de situação excepcional que requeira instauração em local diverso. Objetivo do PADS Art. 2º O Processo Apuratório Disciplinar Sumário (PADS) é o devido processo legal destinado à garantia do contraditório e ampla defesa quando a transgressãodisciplinar não exigir, em princípio, a instauração de processo administrativo disciplinar. Início do processo Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 35 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 Art. 3º A autoridade será motivada para instauração do PADS com o recebimento do documento que noticia o fato, desde que esteja identificado o seu autor, exceto nos casos em que a infração se verificar na presença ou contra ela, ou chegar ao conhecimento dela por qualquer veículo idôneo de comunicação social. Art. 4º O processo se inicia com o memorando disciplinar, no qual a autoridade disciplinar fará constar, com a clareza e concisão indispensáveis ao entendimento, a síntese do fato e o dispositivo violado. Competência para aplicação de punição disciplinar § 1º São competentes para aplicar punição disciplinar, nesta ordem: I – O Governador do Estado, a todos aqueles que estiverem sujeitos a este Regulamento, até demissão ex-offício; II – O Secretário de Segurança do Estado, a todos aqueles que estiverem sujeitos a este Regulamento, excetuando-se os que estiverem sob a subordinação direta do Governador do Estado e do Chefe da Casa Militar, até 10 (dez) dias de prisão; III – O Comandante Geral, a todos os que estiverem sujeitos a este Regulamento, excetuando-se os que estiverem sob a subordinação direta do Governador do Estado e do Secretário de Segurança do Estado, até licenciamento ou exclusão a bem da disciplina; IV – O Subcomandante da Polícia Militar, a todos os que estiverem sujeitos a este Regulamento, excetuando-se os que estiverem sob subordinação direta do Governador do Estado, Secretário de Segurança do Estado, do Comandante Geral e do Secretário Chefe da Casa Militar, até 10 (dez) dias de prisão; V – O Corregedor Geral, aos que estiverem sujeitos a este regulamento, excetuando-se os subordinados diretamente ao Governador do Estado, Secretário de Segurança do Estado, Comandante e Subcomandante da Polícia Militar, o Secretário Chefe da Casa Militar e demais ocupantes de cargos privativos de coronel PM, até 10 (dez) dias de prisão; VI – O Chefe do Estado-Maior Geral, Comandantes Regionais de Policiamento, diretores e demais ocupantes de cargos privativos de Coronel PM, aos que lhes são subordinados, até 10 (dez) dias de prisão; VII – O Secretário Chefe da Casa Militar, aos que estiverem sob sua chefia, até 10 (dez) dias de prisão; VIII – Ajudante Geral, Comandante e Subcomandante de Unidades, Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 36 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 Chefe de Seção do Estado-Maior Geral, Serviços e Assessorias, aos que estiverem sob seu comando, chefia ou direção, até 8 (oito) dias de prisão; IX – Comandante de subunidades, incorporadas ou destacadas, aos que servirem sob seu comando, até 10 (dez) dias de detenção; e X – Comandantes de pelotões destacados, aos seus comandados, até 6 (seis) dias de detenção. § 2º A aplicação de punições disciplinares a policiais militares da inatividade é de competência exclusiva das autoridades mencionadas nos incisos I, II, III e IV do §1º deste artigo. §3º A autoridade disciplinar poderá delegar a instrução do processo, por meio de simples despacho, a oficial ou sargento, neste caso, desde que seja possuidor do curso de aperfeiçoamento. Do rito Art. 5º Recebido o memorando disciplinar, o acusado terá 2 (dois) dias para apresentar a defesa prévia. Art. 6º Apresentada a defesa prévia pelo acusado ou por quem o represente, o encarregado do PADS analisará os eventuais requerimentos e, caso os julgue pertinentes, atenderá imediatamente. Se o acusado tratar somente do mérito da questão e as diligências forem dispensáveis, o feito será encaminhado, para julgamento, à autoridade disciplinar. § 1º O encarregado do PADS, ao indeferir requerimento da defesa, deverá fundamentar a decisão e dar ciência ao acusado. § 2º O acusado poderá arrolar, no máximo, 03 (três) testemunhas. Art. 7º Caso o acusado não apresente a defesa prévia ou requerimentos, o encarregado do PADS passará imediatamente para a fase final de defesa, exceto se entender que é indispensável juntar provas, ainda que não requeridas. Art. 8º O acusado poderá deixar de apresentar alegações de defesa, contudo ao encarregado do PADS caberá, na busca da verdade real e sempre que a situação exigir, diligenciar para a obtenção de provas. Art. 9º A confissão do acusado, desde que não contrarie a lógica dos fatos, permitirá que a autoridade disciplinar proceda ao imediato julgamento. Art. 10 O acusado será notificado para as audiências de inquirição de testemunhas, mas não estará obrigado a comparecer a elas. Parágrafo único. O acusado presente às audiências poderá reperguntar à testemunha por meio do encarregado do PADS. Art. 11 Instruído o feito, o encarregado do PADS abrirá vistas ao acusado Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 37 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 e concederá prazo de 3 (três) dias para alegações finais de defesa. Art. 12 Esgotado o prazo para alegações finais, com ou sem a manifestação do acusado, o encarregado remeterá os autos do PADS a autoridade disciplinar que julgará o processo tão breve quanto possível, e intimará o acusado da decisão. Dos procedimentos Art. 6º - O encarregado deverá observar os seguintes procedimentos: I - lavrar o termo de abertura do PADS; II - juntar aos autos todos os documentos e peças do PADS por ordem cronológica, numerando e rubricando as folhas no canto superior direito, a partir do termo de abertura; III - indicar na capa dos autos, a numeração do PADS e a OBM em que foi instaurado, seus dados de identificação, os do acusado, e o objeto do PADS; IV - cumpridas as formalidades iniciais, promover a notificação do acusado, por meio do memorando disciplinar, para conhecimento do fato que lhe é imputado, acompanhamento do feito, oportunizando 02 (dois) dias para apresentar defesa prévia, além da possibilidade de requerer a produção ou juntada de provas; V – se houverem requerimentos por parte do acusado o encarregado do PADS os analisará e, caso os julgue pertinentes, atenderá imediatamente. Se o acusado tratar somente do mérito da questão e as diligências forem dispensáveis, o feito será encaminhado, para julgamento, à autoridade disciplinar, nesse caso ao indeferir requerimento da defesa o encarregado deverá fundamentar a decisão dando ciência ao acusado. VI - fazer constar, nos pedidos de informações e nas requisições de documentos, referências expressas ao fim a que se destinam e à prioridade na tramitação (normal, urgente ou urgentíssima); VII - juntar, mediante termo ou despacho na própria peça ou carimbo de “JUNTE-SE”, todos os documentos recebidos. Os documentos produzidos pelo encarregado serão anexados aos autos em ordem cronológica de produção; VIII – durante a instrução do feito o encarregado deverá realizar ou determinar, de ofício ou a pedido, a produção ou a juntada de todas as provas que entender pertinentes ao fato visando dar melhor subsídio à autoridade disciplinar por ocasião do julgamento; IX – o encarregado poderá realizar um relatório sumário e sucinto contendo o resumo de todos os procedimentos realizados durante a instrução do Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 38 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 PADS, não manifestando em nenhuma hipótese o seu parecer a respeito do caso, ficando o julgamento do processo inteiramente ao encargo da autoridade disciplinar. X – o encarregado deverá encerrar a instrução do feito com o respectivo termo de encerramento de instrução, notificando o acusado, para vista dos autos e apresentação de alegações finais no prazo de 03 (três) dias. XI - esgotado o prazo para alegaçõesfinais, com ou sem a manifestação do acusado, o encarregado remeterá os autos do PADS a autoridade disciplinar que julgará o processo tão breve quanto possível, e intimará o acusado da decisão. XII – recebido os autos contendo a instrução do PADS a autoridade disciplinar deverá realizar o julgamento, onde fará constar o seu parecer conclusivo sobre a elucidação do fato analisado, o qual deverá ser apresentado em três partes: e) dados do PADS: contendo a ordem de instauração, a descrição sucinta do fato a ser apurado e os dados de identificação do acusado e ofendido; f) descrição do fato e suas circunstâncias: com o resumo conciso e objetivo dos fatos e uma análise comparativa e valorativa das provas colhidas, destacando aquelas em que formou sua convicção; g) da solução: contendo os fundamentos da decisão; o dispositivo infringido; e a punição imposta (quando for o caso). Nesta fase do julgamento a autoridade disciplinar emitirá o seu parecer, coerente com as provas carreadas aos autos e com o relatado na descrição dos fatos e suas circunstâncias, mencionando se há ou não indícios de crime militar ou comum e se foi caracterizada ou não a transgressão disciplinar; e §1º A observância dos procedimentos estabelecidos neste artigo não obsta a adoção de outras medidas específicas que sejam necessárias em razão das particularidades do objeto do PADS. §2º A publicação da nota de punição somente ocorrerá após a decisão condenatória tornar-se irrecorrível. §3º Se no procedimento apuratório houver elementos que indiquem a existência de grave violação da ética sujeita a apuração por meio de processo administrativo disciplinar, a autoridade disciplinar encaminhará os autos ao Corregedor Geral sem julgamento. §4º A autoridade disciplinar informará ao participante sobre a solução da parte disciplinar. Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 39 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 Dos prazos Art. 7º O prazo para conclusão da instrução do PADS será de 20 (vinte) dias. Prorrogação do prazo §1º Este prazo poderá ser prorrogado por mais 20 (vinte) dias, mediante pedido fundamentado do encarregado à autoridade delegante, feito com antecedência mínima de 02 (dois) dias úteis do término do prazo. §2º Do prazo para conclusão será excluído o dia do recebimento da portaria, iniciando-se a contagem no próximo dia útil, e incluído o dia da entrega, que na hipótese de recair em dia de feriado ou final de semana autorizará a entrega no primeiro dia útil posterior. §3º A concessão da prorrogação do prazo deverá ser publicada em BI/BG da OBM, anexando-se cópia do boletim aos autos do PADS. Prorrogação especial §6º Não haverá mais prorrogação, além da prevista no §1º, salvo dificuldade insuperável, a juízo do Corregedor Geral. Da notificação ao acusado. Art. 8º O acusado deverá ser notificado, com a antecedência mínima de 02 (dois) dias úteis, da realização das diligências de instrução do PADS (inquirições, acareações, perícias, expedição de cartas precatórias, etc.), para que, caso queira, possa acompanhá-las ou requerer o que julgar de direito. § 1º A primeira notificação ao acusado pertencente à mesma OBM que o encarregado deve ser comunicado ao seu comandante ou chefe imediato; as demais notificações ao acusado, no decorrer do PADS, serão feitas sem a necessidade da mencionada comunicação ao respectivo comandante. § 2º Se o acusado pertencer a OBM distinta da do encarregado, a notificação deve ser efetuada em todos os casos por intermédio do comandante, chefe ou diretor daquela OBM. § 3º No caso de ser determinada a realização de diligências complementares, o acusado deverá ser notificado para acompanhamento das respectivas averiguações. § 4º Cumpridas as diligências complementares, o acusado deverá ser notificado para, querendo, oferecer alegações finais no prazo de 03 (três) dias corridos, contados da data do recebimento da notificação. § 5º Após a realização dos procedimentos previstos neste artigo, e após esgotado o prazo para alegações finais, com ou sem a manifestação do acusado, Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 40 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 o encarregado remeterá novamente os autos do PADS a autoridade disciplinar que julgará o processo tão breve quanto possível, apresentando as conclusões decorrentes das averiguações procedidas, ratificando ou alterando o parecer anteriormente emitido e intimará o acusado da decisão. Do contraditório e da ampla defesa Art. 15 O PADS obedecerá aos princípios do contraditório e da ampla defesa, com a utilização dos meios e recursos a ela inerentes. Parágrafo único. Para o exercício do direito de defesa será aceita qualquer espécie de prova admitida em direito, desde que não atente contra a moral, a saúde ou a segurança individual ou coletiva, ou contra a hierarquia, ou contra a disciplina. Art. 16 O acusado tem o direito de acompanhar o processo, apresentar defesa prévia em resposta ao memorando disciplinar e alegações finais, arrolar até 03 (três) testemunhas, assistir aos depoimentos, solicitar reinquirições, requerer perícias, juntar documentos, obter cópias de peças dos autos, formular quesitos em carta precatória e em prova pericial e requerer o que entender necessário ao exercício de seu direito de defesa. § 1º O encarregado poderá indeferir, mediante decisão fundamentada, pedido do acusado, que incida na hipótese vedada prevista no art. 25 do RDPM, parágrafo único do art. 15 desta IG e quando o seu objeto for ilícito, impertinente, desnecessário, protelatório ou de nenhum interesse para o esclarecimento dos fatos. § 2º O acusado poderá realizar a sua própria defesa, sendo-lhe facultado, em qualquer fase do PADS, constituir advogado para assisti-lo. Art. 17 O advogado do acusado poderá presenciar os atos de inquirição do seu cliente e das testemunhas, bem como acompanhar os demais atos do PADS, sendo-lhe vedado durante as oitivas interferir nas perguntas e respostas, podendo, ao final da inquirição, fazer, por intermédio do encarregado, as perguntas de interesse da defesa. Parágrafo único. O previsto neste artigo aplica-se, no que couber, ao acusado. Art. 18 O denunciante ou ofendido, quando houver, deve ser ouvido em primeiro lugar. § 1º O encarregado deverá alertar o denunciante ou ofendido, no ato da inquirição, sobre possível consequência de seu ato nas esferas penal, civil e disciplinar, em caso de improcedência da denúncia. Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 41 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 § 2º O denunciante ou ofendido poderá apresentar ou oferecer subsídios para o esclarecimento do fato, indicando testemunhas, requerendo a juntada de documentos ou indicando as fontes onde poderão ser obtidos. § 3º Caso a presença do sindicado cause constrangimento ao denunciante ou ofendido ou à testemunha, de modo que prejudique o depoimento, o encarregado poderá proceder à inquirição em separado, dando- se ciência ao acusado do teor das declarações, tão logo seja possível, para que requeira o que julgar de direito, admitindo-se a presença do advogado, caso tenha sido constituído, consignando tal fato e motivo em seu relatório. Art. 19 A ausência do acusado regularmente notificado à sessão de interrogatório, sem justo motivo, não obsta o prosseguimento dos trabalhos, mas tal situação deve ser certificada nos autos mediante termo e, em se tratando de militar, informada ao seu comandante, para as medidas disciplinares cabíveis. § 1º O não atendimento da notificação não importa o reconhecimento da verdade dos fatos nem a renúncia a direito pelo acusado. § 2º Comparecendo para depor no curso do PADS, o acusado será inquirido, sendo-lhe assegurado, no prosseguimento dos trabalhos, na faseem que se encontram, o direito ao contraditório e à ampla defesa. § 3º Sempre que o acusado, regularmente notificado para a prática de atos no processo, deixar de se manifestar tempestivamente ou permanecer inerte, o encarregado deverá certificar tal situação nos autos mediante a lavratura do respectivo termo. § 4º Quando dados, diligências ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado por este, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação poderá implicar o arquivamento do procedimento. Art. 20 Qualquer pessoa poderá ser testemunha. § 1º Na hipótese de a testemunha ser militar ou servidor público, a solicitação de comparecimento para depor será feita por intermédio de seu comandante ou chefe de seção ou repartição competente. § 2º Quando a testemunha deixar de comparecer para depor, sem justo motivo, ou, comparecendo, se recusar a depor, o encarregado lavrará termo circunstanciado, mencionará tal fato no relatório e, em se tratando de militar ou servidor público, providenciará a informação dessa situação à autoridade militar ou civil competente. Art. 21 Ao comparecer para depor, a testemunha declarará seu nome, Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 42 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 data de nascimento, estado civil, residência, profissão, lugar onde exerce sua atividade, se é parente de alguma das partes e, em caso positivo, o grau de parentesco. § 1º A testemunha prestará, na forma da lei, o compromisso de dizer a verdade sobre o que souber e lhe for perguntado. § 2º Não prestam o compromisso de que trata o § 1º deste artigo os doentes e deficientes mentais, os menores de quatorze anos, nem os ascendentes, os descendentes, os afins em linha reta, o cônjuge, ainda que separado de fato ou judicialmente, e os irmãos do acusado, bem como pessoa que, com ele, tenha vínculo de adoção. Art. 22 As pessoas desobrigadas por lei de depor, em razão do dever de guardar segredo relacionado com a função, ministério, ofício ou profissão, desde que desobrigadas pela parte interessada, poderão dar o seu testemunho. Art. 23 Quando a residência do denunciante ou ofendido, da testemunha ou do acusado estiver situada em localidade diferente daquela em que foi instaurado PADS, no país ou no exterior, e ocorrendo impossibilidade de comparecimento para prestar depoimento, a inquirição poderá ser realizada por meio de carta precatória, expedida pelo encarregado. Parágrafo único. No caso de expedição de carta precatória, o acusado deverá ser notificado para, querendo, apresentar, no prazo de 02 (dois) dias corridos, os quesitos que julgar necessários ao esclarecimento do fato objeto do PADS. Art. 24 Constará da carta precatória, o ofício com pedido de inquirição, a cópia da portaria de instauração do PADS e a relação das perguntas a serem feitas ao inquirido, devendo o Comandante da OBM destinatária dar tratamento de urgência à tramitação da solicitação. Art. 25 As testemunhas deverão ser ouvidas, individualmente, de modo que uma não conheça o teor do depoimento da outra. Art. 26 Os depoimentos serão tomados em dia com expediente na OBM, no período compreendido entre oito e dezoito horas, salvo em caso de urgência inadiável, devidamente justificada pelo encarregado, em termo constante dos autos. § 1º O depoente não será inquirido por mais de quatro horas contínuas, sendo-lhe facultado o descanso de trinta minutos, sempre que tiver de prestar declarações além daquele tempo. O depoimento que não for concluído até as dezoito horas será encerrado, para prosseguir no dia seguinte, em hora Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 43 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 determinada pelo encarregado, salvo casos excepcionais inadiáveis, o que deverá constar do respectivo termo. § 2º Não havendo expediente na OBM no dia seguinte ao da interrupção do depoimento, a inquirição deve ser adiada para o primeiro dia em que houver salvo em caso de urgência inadiável, devidamente justificada. § 3º Se a pessoa ouvida for analfabeta ou não puder assinar o termo de inquirição, o encarregado da inquirição deve solicitar que ela indique alguém para assinar a seu rogo, depois de lido na presença de ambos, juntamente com mais duas testemunhas, lavrando no respectivo termo o motivo do impedimento e eventual recusa de indicação por parte do depoente. Art. 27 O denunciante ou ofendido e o acusado poderão indicar cada um, até três testemunhas, podendo o encarregado, se julgar necessário à instrução do procedimento, ouvir outras testemunhas. Parágrafo único: Nas inquirições em geral, o encarregado poderá, quando as circunstâncias assim o indicarem, providenciar a presença de duas testemunhas instrumentárias, se possível de maior precedência ou do mesmo círculo hierárquico do inquirido, para assistirem ao ato, as quais prestarão compromisso de guardar sigilo sobre o que for dito na audiência. Art. 28 As testemunhas do denunciante ou ofendido serão ouvidas antes das do acusado. Art. 29 Será admitida a realização de acareação sempre que houver divergência em declarações prestadas sobre o fato. Art. 30 O encarregado, ao realizar acareação, esclarecerá aos depoentes os pontos em que divergem. Art. 31 No decorrer do PADS, se for verificado algum impedimento, o encarregado levará o fato ao conhecimento da autoridade instauradora para, caso acolha motivadamente os argumentos, designar, por meio de portaria, novo encarregado para concluí-la. Art. 32 O PADS, em regra, será ostensivo, podendo, conforme o fato em apuração, ser classificado, desde o início ou em seu curso, como sigiloso - pela autoridade nomeante ou, no caso de juntada de documentos sigilosos, pelo encarregado - hipótese em que a restrição de acesso não alcançará o acusado nem seu advogado, caso tenha sido devidamente constituído. Art. 33 Os recursos dos militares e os procedimentos aplicáveis na esfera disciplinar são os prescritos no Regulamento Disciplinar da Polícia Militar (RDPM). Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 44 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 Art. 34 Os casos omissos serão resolvidos pelo Comandante do CBMRO. Art. 35 Integram a presente Instrução Geral os modelos exemplificativos anexos, que deverão ser adaptados conforme cada caso. OBSERVAÇÃO: Os anexos encontram-se disponíveis no site do CBMRO, no final da Norma Geral que versa sobre PADS. 11. VEDAÇÃO DA PENA DE PRISÃO DE NATUREZA DISCIPLINAR A edição da Lei N. 13.967, de 26 de dezembro de 2019, alterou-se recentemente o Art. 18 do Decreto-Lei n.º 667, de 2 de julho de 1969, que, por sua vez, extinguiu a pena de prisão disciplinar para as Polícias Militares e os Corpos de Bombeiros Militares dos Estados, dos Territórios e do Distrito Federal. Vejamos os termos da Lei mencionada: LEI Nº 13.967, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2019 Altera o art. 18 do Decreto-Lei nº 667, de 2 de julho de 1969, para extinguir a pena de prisão disciplinar para as polícias militares e os corpos de bombeiros militares dos Estados, dos Territórios e do Distrito Federal, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º Esta Lei altera o Decreto-Lei nº 667, de 2 de julho de 1969, que reorganiza as polícias militares e os corpos de bombeiros militares dos Estados, dos Territórios e do Distrito Federal. Art. 2º O art. 18 do Decreto-Lei nº 667, de 2 de julho de 1969, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 18. As polícias militares e os corpos de bombeiros militares serão regidos por Código de Ética e Disciplina, aprovado por lei estadual ou federal para o Distrito Federal, específica, que tem por finalidade definir, especificare classificar as transgressões disciplinares e estabelecer normas relativas a sanções disciplinares, conceitos, recursos, recompensas, bem como regulamentar o processo administrativo disciplinar e o funcionamento do Conselho de Ética e Disciplina Militares, observados, dentre outros, os seguintes princípios: I - dignidade da pessoa humana; II - legalidade; III - presunção de inocência; IV - devido processo legal; IV - contraditório e ampla defesa; V - razoabilidade e proporcionalidade; VI - vedação de medida privativa e restritiva de liberdade.” (NR) Art. 3º Os Estados e o Distrito Federal têm o prazo de doze meses para regulamentar e implementar esta Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 26 de dezembro de 2019; 198º da Independência e 131º da República. (grifo nosso) Ao se falar em prisão disciplinar nessa nova legislação, esse termo compreende qualquer medida disciplinar privativa ou restritiva de liberdade, a Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 45 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 exemplo da prisão disciplinar, detenção disciplinar, permanência disciplinar ou custódia disciplinar, penas hoje previstas em regulamentos disciplinares de diversas instituições militares estaduais. No âmbito da Policia e Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Rondônia está em vigor o Decreto n° 24.965, de 22 de abril de 2020, qua alterou, acrescentou e revogou dispositivos do Regulamento Disciplinar da Polícia Militar do Estado de Rondônia (RDPM-RO), aprovado pelo Decreto n° 13.255, de 12 de novembro de 2007. No Art. 41, parágrafo 3°, extinguiu as medidas privativas e restritivas de liberdade, mantendo seus efeitos administrativos até a edição do Código de Ética e Disciplina Militar, vejamos o referido dispositivo: “Art. 41 ..................................................................................................... § 3° Ficam extintas as execuções de medidas privativas e restritivas de liberdade, de caráter disciplinar, no âmbito da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar de Rondônia, nos termos da Lei n° 13.967, de 26 de dezembro de 2019, que alterou o art. 18 do Decreto- Lei n° 667, de 2 de julho de 1969, e assim extinguiu a pena de prisão disciplinar para as Polícias Militares e os Corpos de Bombeiros Militares dos Estados, dos Territórios e do Distrito Federal, mantendo-se os demais efeitos administrativos, em especial, o registro da punição em Ficha Individual, a subtração da pontuação equivalente e a reclassificação do comportamento, até a edição do Código de Ética e Disciplina Militar.” 12. CONSIDERAÇÕES FINAIS A pesquisa bibliográfica apresentada, teve por escopo a reunião de subsídios devidamente fundamentados que procurou abordar de forma sucinta, alguns temas que estão ligados a carreira Bombeiro Militar. Assim, reforça-se a importância do tema apresentado nesta disciplina, não só para os que lidam com as atividades administrativas disciplinares na Corporação, mas, também para a sociedade que exige (e tem esse direito) que o Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Rondônia - CBMRO preste um serviço de excelência, inclusive considerando a licitude, por parte de seus integrantes, durante o exercício das atividades de bombeiros. Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 46 Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALEXANDRINO, M.; PAULO, V. Direito Administrativo. 8 ed. Rio de Janeiro: Impetus, 2005, p. 14. BRASIL. Código de Processo Penal Militar. Decreto lei nº 1.002 de 21 de outubro de1969. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto- Lei/Del1002.htm>. Acesso em: 11 fev. 2021. . Código Penal Militar. Decreto lei nº 1.001 de 21 de outubro de1969. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del1001.htm>. Acesso em: 11 fev. 2021. . Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988. CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 27. ed. São Paulo: Atlas, 2014 CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DE RONDÔNIA. Norma Geral N.001/CORREGEBOM/2018. Normas gerais para a realização de sindicância no âmbito do CBMRO. Disponível em: <https://www.cbm.ro.gov.br/index.php/pages/corregedoria>. Acesso em: 12 fev. 2021. Direito administrativo descomplicado I Marcelo Alexandrino, Vicente Paulo. - 25. ed. rev. e atual. - Rio de Janeiro : Forense; São Paulo : MÉTODO, 2017. MEIRELLES, Hely Lopes, Direito AdministrativoBrasileiro. 35ª Ed. São Paulo: Malheiros, 2009. . 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