Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

6. NOÇÕES DE DIRETO
ADMINISTRATIVO 
DISCIPLINAR MILITAR - 
NDADM
2021
CURSO DE FORMAÇÃO DE CABOS BOMBEIRO MILITAR
MÓDULO II
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
 
 
ESTADO DE RONDÔNIA 
SECRETARIA DE SEGURANÇA, DEFESA E CIDADANIA 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR 
COODENADORIA DE EDUCAÇÃO, ENSINO E INSTRUÇÃO 
CURSO DE FORMAÇÃO DE CABO BOMBEIRO MILITAR - 
CFCBM 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NOÇÕES DE DIREITO 
ADMINISTRATIVO 
DISCIPLINAR MILITAR 
Disciplina na modalidade a distância 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Porto Velho – RO 
EAD-CBMRO 
2021 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 
Curso de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
1. NATUREZA JURÍDICA E CONCEITO .......................................................... 5 
2. DIREITO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR MILITAR .................................. 6 
3. LIMITES DO ATO DISCIPLINAR MILITAR .................................................. 8 
3.1 O mérito do Ato Administrativo Disciplinar Militar.....................................10 
3.2 Proporcionalidade e Razoabilidade do Ato Disciplinar..............................11 
4. HIERARQUIA E DISCIPLINA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ................ 12 
5. ATIVIDADES CORRECIONAIS NO CBMRO .............................................. 13 
6. PRINCÍPIOS APLICÁVEIS NOS PROCEDIMENTOS APURATÓRIOS ...... 14 
7. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR ......................................... 17 
8. PROCESSOS DEMISSÓRIOS .................................................................... 18 
9. PROCESSO ADMINISTRATIVO POR DANO AO ERÁRIO (PADE) ......... 22 
10. PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DISCIPLINARES EM ESPÉCIE ....... 23 
10.1 Sindicância......................................................................................................23 
10.2 Processo Apuratório Disciplinar Sumário - PADS......................................33 
11. VEDAÇÃO DA PENA DE PRISÃO DE NATUREZA DISCIPLINAR .......... 44 
12. CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................... 45 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................ 46 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 4 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
Plano de estudo 
 
O plano de estudo visa a orientar você no desenvolvimento da disciplina. 
Ele possui elementos que o ajudarão a conhecer o contexto da disciplina e a 
organizar o seu tempo de estudos. 
O processo de ensino e aprendizagem na EAD - CBMRO leva em conta 
instrumentos que se articulam e se complementam, portanto, a construção de 
competências se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das diversas 
formas de ação/mediação. 
 
São elementos desse processo: 
 
 O livro didático; 
 O AVA (Ambiente Virtual de Aprendizagem) do CBMRO, EAD - CBMRO; 
 
 As atividades de avaliação (complementares, a distância). 
 
 
Ementa 
 
A capacitação e amplitude de conhecimento na área de Direito 
Administrativo Disciplinar Militar. 
 
 
 
Carga horária 
 
A carga horária total da disciplina é de 40 horas-aula. 
 
 
Objetivo da disciplina 
O objetivo desta disciplina é trazer informações relacionadas a Direito 
Administrativo Disciplinar Militar de forma sucinta, trazendo conceitos, estrutura 
normativa, aspectos, classificação, características e vertentes relacionados ao 
tema, buscando atualizar e padronizar o conhecimento dos alunos para que 
possam aplicar tais conhecimentos dentro das atividades do Corpo de 
Bombeiros Militar de Rondônia. Para esse objetivo, foi adaptada essa apostila 
adequando-se ao previsto no Plano de Ensino do presente curso. 
 
 
Orientações de estudos 
 
 Verifique com atenção o AVA, EAD - CBMRO, organize-se para acessar 
periodicamente o espaço da disciplina. O sucesso nos seus estudos depende da 
priorização do tempo para a leitura, da realização de análises e sínteses do 
conteúdo e da interação com os seus colegas e tutor. 
Não perca os prazos das atividades. Registre no espaço a seguir as 
datas com base no cronograma da disciplina disponibilizado no 
AVA, EAD - CBMRO 
 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 5 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
 
1. NATUREZA JURÍDICA E CONCEITO 
 
 
Genérica e inicialmente, relembre-se o conceito de Direito como o 
conjunto de regras de conduta coativamente impostas pelo Estado (Hely Lopes 
Meirelles). 
O Direito é tradicionalmente dividido em dois grandes ramos: direito 
público e direito privado. 
O direito público tem por objeto princípio a regulação dos interesses da 
sociedade como um todo, a disciplina das relações entre esta e o Estado, e das 
relações das entidades e órgãos estatais entre si. Tutela ele o interesse público, 
só alcançando as condutas individuais de forma indireta ou reflexa. 
É característica marcante do direito público a desigualdade nas relações 
jurídicas por ele regidas, tendo em conta a prevalência do interesse público sobre 
os interesses privados. O fundamento da existência dessa desigualdade, 
portanto, é a noção de que os interesses da coletividade devem prevalecer sobre 
interesses privados. Assim, quando o Estado atua na defesa do interesse 
público, goza de certas prerrogativas que o situam em posição jurídica de 
superioridade ante o particular, evidentemente, em conformidade com a lei, e 
respeitadas as garantias individuais consagradas pelo ordenamento jurídico. 
Em suma, nas relações jurídicas de direito público o Estado encontra-se 
em posição de desigualdade jurídica relativamente ao particular, subordinando 
os interesses deste aos interesses da coletividaçie, ao interesse público, 
representados pelo Estado na relação jurídica. Integram esse ramo o direito 
constitucional, o direito administrativo, o direito tributário, o direito penal etc. 
O direito privado tem como escopo principal a regulação dos interesses 
particulares, como forma de possibilitar o convívio das pessoas em sociedade e 
uma harmoniosa fruição de seus bens. 
A nota característica do direito privado é a existência de igualdade 
jurídica entre os polos das relações por ele regidas. Como os interesses 
tutelados são particulares, não há motivo para que se estabeleça, abstratamente, 
subordinação jurídica entre as partes. Mesmo quando o Estado integra um dos 
polos de uma relação regida pelo direito privado, há igualdade jurídica entre as 
partes. 
O direito comercial e o direito civil são os integrantes típicos do direito 
privado. Cabe observar, todavia, que não há ramo do direito em que todas as 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 6 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
relações jurídicas sejam integralmente regidas pelo direito privado. Há 
determinadas relações, mesmo travadas ·exclusivamente entre particulares, que 
podem ter repercussão nos interesses da coletividade como um todo. Em casos 
assim, é comum o ordenamento estabelecer regras de direito público, 
impositivas, derrogatórias do direito privado, excluindo a possibilidade de as 
partes livremente fazerem valer sua vontade, afastando a incidência dos 
princípios basilares do direito privado: autonomia da vontade e liberdade 
negociai. 
Para o Prof. Hely Lopes Meirelles, o Direito Administrativo consiste no 
"conjunto harmônico de princípios jurídicos que regem os órgãos, os agentes e 
as atividades públicas tendentes a realizar concreta, direta e imediatamente os 
fins desejados pelo Estado". 
A ProP Maria Sylvia Zanella Di Pietro define o direito administrativo como 
"o ramo do direito público que tem por objeto os órgãos, agentes e pessoas 
jurídicas administrativas que integram a Administração Pública, a atividade 
jurídica não contenciosa que exerce e os bens de que se utiliza para a 
consecução de seus fins, de natureza pública". 
Diante disso, de acordo com Marcelo Alexandrino e VicentePaulo, 
conceituaremos o direito administrativo como o conjunto de regras e princípios 
que, orientados pela finalidade geral de bem atender ao interesse público, 
disciplinam a estrutuuração e o funcionamento das entidades e órgãos 
integrantes da administração pública, as relações entre esta e seus agentes, o 
exercício da função administrativa – especialmente quando afeta interesses dos 
administrados - e a gestão dos bens públicos. 
 
2. DIREITO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR MILITAR 
 
O Direito Disciplinar Militar, também conhecido como Direito 
Administrativo Disciplinar Militar, trata-se do ramo do Direito constitucionalmente 
previsto no arcabouço jurídico da nação, notadamente com a edição da EC 
45/2004 quando alterou a redação do § 4º do Art. 125 da CF/88 para atribuir à 
Justiça Militar competência para julgar as ações judiciais contra atos 
disciplinares militares (militares estaduais). 
O ato disciplinar é o ato administrativo pelo qual se aplica a punição 
disciplinar. Essa é a regra, inobstante se possa imaginar exceções, como a não 
admissão de um recurso, por exemplo. 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 7 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
 
A doutrina aponta que o Direito Penal Militar protege os bens 
institucionais militares de infrações graves, enquanto o Direito Administrativo 
Disciplinar Militar cuida das infrações menos gravosas, que vulneram apenas 
deveres para com o serviço, sem abalar as estruturas das corporações militares. 
 
O DEVER MILITAR DE OBEDIÊNCIA 
A obediência hierárquica geral decorre do dever de obediência do agente 
público. Na administração pública militar, a obediência hierárquica encontra 
fundamento na Constituição Federal (Art. 42, no específico caso das 
instituições estaduais), que prevê a disciplina como viga de sustentação da 
estrutura das corporações, e na legislação infraconstitucional (RDPM, 
Estatuto). 
HIERARQUIA E DISCIPLINA 
A hierarquia e a disciplina são princípios constitucionalizados para as 
Forças Armadas e Forças Auxiliares (Art. 42 e 142 da Constituição Federal), cuja 
importância fica patente na redação do caput do Art. 5º do Regulamento 
Disciplinar da Polícia Militar do Estado de Rondônia - RDPM/RO: “A hierarquia e 
a disciplina são a base institucional da Polícia Militar, crescendo a autoridade e 
a responsabilidade com a elevação do grau hierárquico”. 
Os conceitos destes termos estão expressos no Art. 5º do RDPM/RO, 
nos parágrafos 1º e 2º, onde constam que: “Hierarquia é a ordenação da 
autoridade, em níveis diferentes, dentro da estrutura da Polícia Militar, por postos 
e graduações” (Art. 5º, § 1º), e “Disciplina é a rigorosa observância e o 
acatamento integral da legislação que fundamenta o organismo policial militar e 
coordena seu funcionamento regular e harmônico, traduzidos pelo perfeito 
cumprimento do dever por parte de todos e de cada um dos componentes” 
(RDPM/RO, Art. 5º, § 2º). 
Em razão do poder de mando, em assuntos de serviço, que deriva da 
ascendência hierárquica, o superior tem completa disponibilidade sobre os atos 
praticados pelo subordinado. Além de ordenar, o superior tem a faculdade de 
fiscalizar, revisar e avocar atos e decisões do subordinado, desde que o faça 
dentro dos limites da legalidade, da moralidade e da eficiência. 
 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 8 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
 
3. LIMITES DO ATO DISCIPLINAR MILITAR 
 
Os atos disciplinares militares inserem-se no conceito amplo dos atos 
administrativos e, sendo assim, devem estar dotados dos mesmos requisitos que 
os informam. 
O ato administrativo disciplinar é a manifestação unilateral de vontade da 
Administração Pública Militar que, agindo nessa qualidade, tenha por fim imediato 
impor uma sanção disciplinar ao servidor militar em face do cometimento de uma 
infração disciplinar preestabelecida, e ao fim de um processo apuratório, o 
Processo Apuratório Disciplinar Sumário - PADS, em que se lhe faculte a ampla 
defesa e o contraditório. 
Assim, o ato administrativo disciplinar deve revelar a existência de cinco 
requisitos à sua formação: competência, finalidade, forma, motivo e objeto. 
A competência administrativa é o poder atribuído a determinadas 
autoridades em razão dos cargos que ocupam. São as chamadas Autoridades 
Disciplinares. O RDPM/RO cuida da competência disciplinar no art. 50, in verbis: 
Art. 50. A competência para aplicar as punições disciplinares é 
conferida ao cargo e não ao grau hierárquico. 
§ 1º São competentes para aplicar punição disciplinar, nesta ordem: 
I – o Governador do Estado, a todos aqueles que estiverem sujeitos a 
este Regulamento, até demissão ex- offício (Errata: onde se lê: a bem da 
disciplina, leia-se: ex-offício. Publicada no DOE nº 1115, de 04 de 
novembro de 2008); 
II – O Secretário de Segurança do Estado a todos que estiverem sujeitos 
a este Regulamento, excetuando- se os que estiverem sob a 
subordinação direta do Governador do Estado e do Chefe da Casa Militar, 
até 10 (dez) dias de prisão; (Revogado pelo Decreto n. 24.965, de 
22.05.2020 – DOE 79/2020 ) 
III - o Comandante-Geral, a todos os que estiverem sujeitos a este 
Regulamento, excetuandose os que estiverem sob subordinação direta 
do Governador do Estado, até o licenciamento ou exclusão a bem da 
disciplina; (Decreto n. 24.965, de 22.05.2020 – DOE 79/2020) 
IV – o Subcomandante-Geral da Polícia Militar, a todos os que estiverem 
sujeitos a este Regulamento, excetuando-se os que estiverem sob a 
subordinação direta do Governador do Estado, do Comandante-Geral e 
do Secretário-Chefe da Casa Militar, até 10 (dez) dias de prisão; (Decreto 
n. 24.965, de 22.05.2020 – DOE 79/2020) 
V - o Corregedor-Geral, aos que estiverem sujeitos a este Regulamento, 
excetuando-se os subordinados diretamente ao Governador do Estado, 
Comandante-Geral e Subcomandante-Geral da Polícia Militar, o 
Secretário-Chefe da Casa Militar e demais ocupantes de cargos privativos 
de Coronel da PM, até 10 (dez) dias de prisão;(Decreto n. 24.965, de 
22.05.2020 – DOE 79/2020). 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 9 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
VI – o Chefe do Estado-Maior Geral, Comandantes Regionais de 
Policiamento, diretores e demais ocupantes de cargos privativos de 
Coronel PM, aos que lhes são subordinados, até 10 (dez) dias de prisão; 
VII – o Secretário Chefe da Casa Militar, aos que estiverem sob sua 
chefia, até 10 (dez) dias de prisão; 
VIII – Ajudante Geral, Comandante e Subcomandante de Batalhão, Chefe 
de Seção do Estado-Maior Geral, Serviços e Assessorias, aos que 
estiverem sob seu comando, chefia ou direção, até 08 (oito) dias de 
prisão; (Alterado pelo Decreto nº 14852, de 13 Jan 10). 
IX – Comandante de Companhia, incorporada ou destacada, aos que 
servirem sob seu comando, até 04 (quatro) dias de prisão; e (Alterado 
pelo Decreto nº 14852, de 13 Jan 10). 
X – Comandantes de pelotões destacados, aos seus comandados, até 6 
(seis) dias de detenção. 
§ 2º A aplicação de punições disciplinares a policiais militares da 
inatividade é de competência exclusiva das autoridades mencionadas nos 
incisos I, II, III e IV do § 1º deste artigo. 
 
A finalidade do ato disciplinar militar é o objetivo de interesse público a 
atingir. Na verdade, as finalidades precípuas do ato disciplinar devem ser duas: a 
reeducação do punido e a preservação da disciplina.Em última análise, a 
manutenção e o fortalecimento da disciplina. 
A forma é o revestimento pelo qual se exterioriza o ato disciplinar. O ato 
disciplinar será sempre formal, consoante se depreende do texto do RDPM/RO: 
Art. 55. A aplicação da punição consistirá de uma nota publicada em 
Boletim da Polícia Militar ou da respectiva OPM, ou do extrato de uma 
sentença administrativa, publicada no Diário Oficial do Estado, que 
conterão a descriçãoda transgressão e o enquadramento do 
transgressor. 
§ 1º A descrição da transgressão deverá conter, em termos precisos e 
sintéticos, os fatos e as circunstâncias que o envolveram, não devendo 
ser emitidos comentários depreciativos, ofensivos ou pessoais. 
§ 2º O enquadramento é a tipificação da transgressão nos termos deste 
regulamento, devendo ser mencionado ainda o seguinte: 
I – no caso das transgressões a que se refere o inciso II do Art. 13, tanto 
quanto possível, a referência aos artigos, parágrafos, incisos, alíneas e 
itens das leis, regulamentos, normas ou ordens que foram contrariados 
ou contra os quais tenha havido omissão; 
II – as alíneas, incisos e artigos das circunstâncias atenuantes ou 
agravantes ou causas de justificação; III – a classificação da 
transgressão; 
IV – a punição imposta; 
V – as condições para o cumprimento da punição, se for o caso; 
VI – a classificação do comportamento. 
 
O motivo é a situação de direito ou de fato que determina ou autoriza a 
prática do ato administrativo disciplinar. 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 10 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
Quando o motivo disser respeito à instauração de um processo disciplinar, 
será a violação, em tese, pelo militar, de dispositivo legal ou regulamentar. 
Quando for atinente à aplicação de uma punição disciplinar, seu motivo 
será a transgressão confirmada de preceito disciplinar, regulamentar ou legal, a 
despeito de também poder configurar crime militar, conforme o caso. 
O objeto trata da natureza do próprio ato: uma punição disciplinar, uma 
absolvição, uma instauração de PADS, etc. 
Sendo assim, um PADS deve ser instaurado pela Autoridade Disciplinar 
competente (competência). Em sendo o acusado punido, tal punição tem por 
objetivo primordial a reedução do punido e o efeito geral da senção, na busca da 
manutenção da disciplina militar. A formalização da punição se dará através de 
Nota de Punição. O motivo é a conduta transgressional descrita no RDPM (o 
enquadramento da transgressão) e provada durante a apuração. O objeto é a 
punição disciplinar em si. 
 
3.1 O mérito do Ato Administrativo Disciplinar Militar 
 
O mérito do ato administrativo disciplinar consubstancia-se na valoração 
dos motivos e na escolha do objeto do ato, feitas pela Administração, quando 
autorizada a decidir sobre a oportunidade, conveniência e justiça do ato a 
realizar. O mérito é próprio do ato discricionário, como é a maioria dos atos 
disciplinares. 
O mérito dos atos discricionários, que confere ao administrador a 
valoração dos motivos e a escolha do ato disciplinar, é inatacável pelo Poder 
Judiciário. Os critérios do administrador são apenas do administrador, a quem 
cabe conhecer as peculiaridades da vida castrense. Ao judiciário cabe o exame 
da legalidade do ato e sua conformidade com as diretrizes constitucionais. 
 O controle jurisdicional da Administração Pública, conforme a doutrina 
dominante, limita- se à verificação da estrita legalidade da atividade 
administrativa, vedando-se examinar aspectos de mérito dos atos da 
Administração. O Poder Judiciário, na visão desta corrente doutrinária, tem 
terreno próprio de atuação, não podendo invadir a seara privativa da 
Administração Pública, qual seja, a livre apreciação acerca da conveniência e da 
oportunidade do ato que pretende apto ao alcance do resultado almejado pela 
norma. 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 11 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
 
Como exemplo disso, podemos citar uma decisão proferida pela 
Administração Pública, Civil ou Militar, que se afasta do razoável, como por 
exemplo, a punição que melhor se aplicava no caso seria uma detenção de 10 
dias, e não a exclusão dos quadros da Corporação, pode e deve ser revista pelo 
Poder Judiciário, que é o guardião dos direitos e garantias fundamentais do 
cidadão. O art. 5.º, inciso XXXV, da Constituição Federal dispõe que, “nenhuma 
ameaça ou lesão a direito deixará de ser apreciada pelo Poder Judiciário”. 
 
3.2 Proporcionalidade e Razoabilidade do Ato Disciplinar 
 
A aplicação da sanção administrativa não enseja a prática de 
arbitrariedades e de excessos. Excelentes instrumentos de controle do 
administrador são os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, ambos 
de matriz constitucional. 
De acordo com Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo: “o princípio da 
razoabilidade tem por escopo aferir a compatibilidade entre os meios 
empregados e os fins visados na prática de um ato administrativo, de modo a 
evitar restrições aos administrados inadequadas, desnecessárias, arbitrárias ou 
abusivas por parte da administração pública”. 
Nas palavras de Fortini (2012) o principio da proporcionalidade exige que 
a atuação do administrador público esteja assentada no bom sendo, no equilíbrio 
e na ponderação entre os fatos e a finalidade almejada. 
Acerca dos princípios da Razoabilidade e Proporcionalidade, muito se 
discute, visto que há doutrinadores que entendem ser, na verdade, um só, sendo 
a Proporcionalidade mera derivação da Razoabilidade, a qual seria um conceito 
mais amplo. No RDPM-RO, entretanto, os mencionados princípios estão 
expressamente consignados, dentre outros, e entendidos como sendo dois. 
Vejamos o Art. 4º, do RDPM-RO: 
Art. 4º Na aplicação deste regulamento a autoridade disciplinar 
obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, 
impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiência, motivação, 
razoabilidade, proporcionalidade, ampla defesa, contraditório, 
segurança jurídica e da supremacia do interesse público. (grifo 
nosso) 
 
 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 12 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
 
4. HIERARQUIA E DISCIPLINA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
 
 
O Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Rondônia, enquanto 
Instituição Militar é uma Corporação que também se sustenta nos pilares da 
hierarquia e da disciplina, que deverão permanecer inabaláveis para que a 
Instituição possa continuar forte no cumprimento de suas missões, bem como, 
consiga se desenvolver de maneira permanente e sustentável. 
Os poderes hierárquicos e disciplinar são correlatos e representam 
verdadeiros sustentáculos da organização administrativa, mas não se 
confundem. No exercício do poder hierárquico, a Administração Pública distribui 
e escalona as suas funções executivas, atribuindo funções de comando, chefia 
ou direção dentro da estrutura organizacional, portanto, é um poder interno e 
permanente exercido pelos chefes de repartição sobre seus agentes 
subordinados e pela administração central no que diz respeito aos órgãos 
públicos. 
Já no uso do poder disciplinar a Administração Pública controla o 
desempenho dessas funções e a conduta interna de seus servidores, 
responsabilizando-os pelas faltas cometidas. 
Em outras palavras, a Administração Pública procura exercer o poder 
disciplinar, buscando sempre zelar pela qualidade e efetividade do serviço 
público prestado, e ao exercê-lo é também responsável por avaliar, mediante 
juízo discricionário de conveniência e oportunidade, o cabimento de eventual 
punição ao servidor faltoso, dentro das normas específicas que regem sua 
instituição. 
Para manter de pé os mencionados pilares de sustentação das 
corporações militares, estas dispõem de culturas e regras criadas a partir da 
vivência da caserna, bem como do código penal e processual penal, além dos 
regulamentos administrativos disciplinares. 
O exercício das funções disciplinares é complexo tendo em vista que a 
disciplina se refere à conduta de cada pessoa, cujas ações e comportamento 
nem sempre se ajustam as normas, podendo ocasionar a quebra da hierarquia 
e da disciplina nas organizações. 
Além disso, as falhas nos procedimentos apuratórios disciplinares 
contribuem para o enfraquecimento dadisciplina no ambiente militar, 
decorrendo, deste modo, da necessidade de haver fiscalização e orientação para 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 13 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
a condução dos processos disciplinares executados nas unidades militares. 
Contudo, essa referida fiscalização e orientações são consideradas como 
atividades correcionais. 
 
5. ATIVIDADES CORRECIONAIS NO CBMRO 
 
 
No CBMRO as atividades correcionais são atribuídas, atualmente, à 
Corregedoria Geral, através do Art. 13 da Lei N. 4.303, de 25 de junho de 2018, 
que deu nova redação ao Art. 19 da Lei 2.204, de 18 de dezembro de 2009, que 
estabelece a competência, a estrutura e atribuições da Corregedoria do Corpo 
de Bombeiros Militar do Estado de Rondônia. 
Art. 13. A Corregedoria-Geral, subordinada ao Subcomandante-Geral, é 
o órgão de disciplina, orientação e fiscalização das atividades 
funcionais e da conduta dos militares da Instituição, competindo- 
lhe, dentre outras atribuições, a apuração de responsabilidade 
criminal, administrativa e disciplinar, sendo o Corregedor-Geral, 
Oficial da ativa do último Posto, pertencente ao quadro de Oficiais 
Combatentes, indicado pelo Comandante-Geral e nomeado pelo 
Governador do Estado. 
Parágrafo único. A Corregedoria-Geral tem a seguinte estrutura: 
 I - Corregedor; 
II- Adjunto; 
III - Seção Administrativa; 
IV - Cartório; 
V - Núcleo de Inteligência; e 
VI - Seção de Processo Administrativo. (grifo nosso) 
 
As apurações relativas aos aspectos disciplinares (Processo Apuratório 
Disciplinar Sumário - PADS) e as investigações relativas aos crimes militares, 
que são objetos principais de fiscalização por parte da Corregedoria, são 
reguladas pelo arcabouço administrativo e jurídico composto, basicamente, pelas 
seguintes normas: 
 Decreto-Lei N. 1.001/1969 (Código Penal Militar – CPM); 
 Decreto-Lei N. 1.002/1969 (Código de Processo Penal 
Militar – CPPM); 
 Decreto-Lei N. 09-A/1982 (Estatuto dos Policiais Militares da 
Polícia Militar do Estado de Rondônia); 
 Decreto N. 13.255/2007 (Regulamento Disciplinar da Polícia 
Militar do Estado de Rondônia, adotado pelo Corpo de Bombeiros 
Militar do Estado de Rondônia, através do Decreto N. 13.452, de 
15 de fevereiro de 2008); 
 Norma Geral N. 001/CORREGEBOM/2018 (Normas gerais 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 14 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
para a realização de sindicância no âmbito do CBMRO); 
 Norma Geral N. 002/CORREGEBOM/2018 (Normas gerais 
para a realização de PADS no âmbito do CBMRO); e 
 Norma Geral N. 003/CORREGEBOM/2018 (Normas gerais 
para a realização de Auto de Prisão em Flagrante Delito no âmbito 
do CBMRO. 
Neste sentido pode se deduzir que uma das principais atribuições da 
Corregedoria Geral do CBMRO, refere-se também, à fiscalização do andamento 
dos processos administrativos disciplinares instaurados na Corporação e que 
são regulados pelas normas ora mencionadas. 
 
6. PRINCÍPIOS APLICÁVEIS NOS PROCEDIMENTOS APURATÓRIOS 
 
 
De acordo com Santos (2015), princípios são os alicerces da norma, são 
o seu fundamento em essência, são o refúgio em que a norma encontra 
sustentação para racionalizar a sua legitimação, são a base de onde se extrai o 
norte a ser seguido por um ordenamento. 
Os princípios constitucionais são as principais normas fundamentais de 
conduta de um indivíduo mediante às leis já impostas, além de exigências 
básicas ou fundamentos para tratar uma determinada situação e podem até ser 
classificados como a base do próprio Direito. São o alicerce para qualquer 
indivíduo. É indispensável tomar nota dos assuntos que rodeiam os seus direitos 
e deveres. 
A Constituição Federal de 1988 é o livro que está hierarquicamente 
acima de todos os outros, em nível de legislação no Brasil. A Constituição é a lei 
fundamental e os princípios constitucionais são o que protegem os atributos 
fundamentais da ordem jurídica. 
Muitos são os princípios jurídicos que se relacionam com a questão dos 
Procedimentos Apuratórios. Destacamos, no entanto, os que se aplicam mais 
diretamente: 
Princípio da Legalidade: O exercício da função administrativa não pode 
ser pautado pela vontade da Administração ou dos agentes públicos, a 
Administração Pública só pode praticar as condutas autorizadas em lei. 
(CARVALHO FILHO, 2014). 
Princípio da publicidade: Os atos da administração pública em regra 
devem se pautar pela publicidade em relação aos procedimentos disciplinares o 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 15 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
ato da sua instauração deve ser publicado em boletim (interno, geral), a exceção 
à regra são os atos pautados por sigilo como e o caso das sindicâncias sigilosas, 
onde sua publicação e realizada em boletim geral reservado. 
Princípio da impessoalidade: O encarregado da sindicância ou PADS 
deve em sua atuação agir com imparcialidade, ou seja, buscando o interesse 
público e a verdade real em sua função, sem utilizar de sentimento pessoal para 
prejudicar ou beneficiar o investigado. 
Princípio da Moralidade: Estar esculpido no Art. 37 caput da CF-88, 
onde o agente público deve atuar de maneira honesta não utilizando da máquina 
pública para interesses pessoais, este princípio possibilita controle além da 
legalidade permitindo a aferição dos desejos do administrador mesmo quando 
observado a lei (conduta subjetiva). 
Princípio da verdade real: Este princípio se pauta em esclarecer os 
fatos, não somente pelas provas que foram trazidas pelas partes no 
procedimento, mas que o sindicante/autoridade disciplinar devem buscar todos 
os meios de provas necessário para chegar à verdade real. 
Princípio da motivação: Os atos da administração pública em regra 
devem se motivados, em se tratando de atos administrativos disciplinar 
(sancionador) e o dever da autoridade fundamenta a decisão, sob pena de 
causar nulidade ao procedimento por ausência de fundamentação e 
cerceamento de defesa. 
Princípio da Eficiência: Tem previsão legal no Art. 37 CF. 88, esse 
princípio pauta-se na qualidade do serviço, onde o agente público deve realizar 
seu serviço com máxima eficiência e com baixo custo. No caso dos 
procedimentos disciplinares o encarregado busca instruir o procedimento com 
máximo de provas sem onera de forma desarrazoada a administração pública. 
Princípio da Boa Fé: Significa que o agente público deve praticar seus 
atos isentos de dolo ou engano (fraude), as partes envolvidas no ato 
administrativo devem se pautar pela honestidade e urbanidade. 
Princípio da vedação do bis in idem: Significa que não se deve punir 
o administrado duas vezes pelo mesmo fato dentro do procedimento disciplinar. 
Um exemplo seria, na fixação da pena base, o julgador assevera a pena do 
acusado por possuir maus antecedentes e na segunda fase do julgamento 
agrava a pena pela reincidência utilizando os maus antecedentes para isso. 
Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa: Tem previsão legal no 
Art. 5º inc. LV da CF-88, onde estabelece que para os processos judiciais e 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 16 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
administrativo a necessidade de dar ciência dos atos, possibilitando a 
apresentação argumentos contrários pela defesa e a utilização de todos os 
meios de provas possíveis para o acusado, consagrando a ampla defesa. 
Princípio da Justa Causa: A instauração de procedimento disciplinar 
deve se pauta pela efetiva demonstração plausível de indício de autoria e 
materialidade de prova, não deve a autoridade disciplinar instaurar um 
procedimento instaurador sem notícia de fato que constitua transgressão 
disciplinar. 
Princípio da Proporcionalidade: Esse princípio trata da proibição do 
excesso, significa que o administradorpúblico ou autoridade disciplinar no ato 
da sua decisão deve se pautar em três pilares: necessidade, utilidade e 
adequação. Deve a autoridade julgadora nos procedimentos disciplinares se 
pautar no equilíbrio de suas decisões, evitando aplicar punições 
desproporcionais para um caso em que não se aplica. 
Os princípios a seguir são utilizados para solucionar conflitos aparentes 
de norma, ou seja, quando a duas normas regem o mesmo assunto. 
Princípio da Especialidade: é considerado por grande parte da doutrina 
como o mais importante desses princípios e estabelece que a lei especial 
derroga a geral. Lei especial é aquela que contém todos os requisitos da lei geral 
e mais alguns, chamados especializantes. 
Princípio da Subsidiariedade: diz que a norma mais ampla engloba a 
norma mais específica. A norma subsidiária, portanto, descreve um grau menor 
de violação de um mesmo bem jurídico, ou seja, um fato menos amplo e menos 
grave, que definido como delito autônomo é também compreendido como fase 
normal de execução de um crime mais grave. Exemplo: o crime de ameaça (art. 
147, CP) é subsidiário ao de constrangimento ilegal (art. 146, CP), o qual, por 
sua vez, cabe no de extorsão (art. 158, CP). Portanto, só se aplica esse princípio 
quando a norma principal for mais grave que a subsidiária. 
Princípio da consunção: A consunção é utilizada quando a intenção 
criminosa/indisciplinar é alcançada pelo cometimento de mais de um tipo 
penal/transgressional, devendo o agente, no entanto, por questões de justiça e 
proporcionalidade de pena/punição, ser punido por apenas um delito. Duas são 
as regras que podemos extrair, quais sejam: - o fato de maior entidade consome 
ou absorve o de menor graduação - o conduta-fim absorve o conduta-meio. 
 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 17 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
 
7. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR 
 
 
O Bombeiro Militar que, a partir de uma atuação funcional irregular, não 
cumprir com seus deveres ou não observar as vedações impostas, responde 
administrativa, penal ou civilmente. 
As esferas Administrativa, civil e penal, desfrutam de independência. Tal 
prerrogativa tem como condão garantir aos servidores públicos militares, aos 
administrados e à sociedade como um todo, que o ato violado será analisado 
pelo respectivo poder competente. Dito isso, cabe ressaltar que uma conduta 
ofensiva às normas castrenses, praticada pelos militares, pode 
concomitantemente, ser classificada como um ilícito penal, civil e administrativo, 
podendo inclusive resultar na condenação em todas elas, em alguma delas ou 
em nenhuma. 
A regra consagrada na doutrina e na jurisprudência brasileira é a 
independência das esferas judicial e administrativa, entretanto, ocorrendo à 
absolvição na esfera penal do servidor público militar por inexistência de fato ou 
negativa de autoria não se poderá falar em responsabilização no âmbito 
administrativo, visão clássica e perfeitamente adequada ao nosso ordenamento 
jurídico, visto que as três esferas se revestem de autonomia com certa 
relatividade, porém em alguns casos específicos, pode uma esfera influenciar 
e/ou refletir na outra, destacando-se que a absolvição na esfera administrativa 
em nada impede a sua apuração no âmbito criminal. 
O Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Rondônia para registro de 
seus atos, controle de conduta de seus integrantes e solução das controvérsias 
administrativas disciplinares, utiliza-se de diversos procedimentos, que recebem 
a denominação genérica de Processo Administrativo Disciplinar Militar. 
Processo é o conjunto ordenado de atos para a obtenção de decisão 
sobre uma controvérsia em âmbito administrativo ou judicial. 
Procedimento é a maneira de realização do Processo, ou seja, é o rito 
processual. 
Procedimento Administrativo Disciplinar Militar é o meio pelo qual a 
administração se utiliza para apuração e aplicação de punição de faltas 
disciplinares cometidas por bombeiros militares no exercício de suas funções. 
O processo administrativo disciplinar é aquele que usa do poder 
disciplinar que é conferido à Administração a fim de prover a manutenção da 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 18 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
ordem na prestação da atividade estatal, possibilitando a aplicação de sanções 
administrativas aos seus agentes. 
Dessa feita, o processo administrativo disciplinar almeja apurar a 
responsabilidade pelo suposto cometimento de transgressão disciplinar, 
praticada mediante ação ou omissão, por servidor público, enquanto no exercício 
de seu cargo ou função. 
Os instrumentos previstos, empregados pela Administração Pública na 
apuração das faltas e irregularidades, possuem finalidades específicas 
relacionadas à dinâmica e aos envolvidos em cada fato onde se verifica a falta 
disciplinar, sendo: 
Sindicância; é o procedimento preliminar investigatório e tem por 
objetivo esclarecer circunstâncias fáticas e estabelecer a autoria e/ou a 
materialidade da irregularidade. 
Processo Apuratório Disciplinar Sumário – PADS: é o devido 
processo legal destinado à garantia do contraditório e ampla defesa quando a 
transgressão disciplinar não exigir, em princípio, a instauração de processo 
administrativo disciplinar. 
Quanto aos procedimentos previstos na legislação criminal militar, 
destacam-se, basicamente dois instrumentos que subsidiarão os processos 
criminais na Justiça Militar Estadual: 
Inquérito Policial Militar - IPM: apura os crimes cometidos por militares 
nas situações previstas no Código Penal Militar; 
Auto de prisão em flagrante de delito (APF): procedimento realizado 
para executar a prisão de militar em flagrante cometimento de crime. (BRASIL, 
1969). 
Observa-se que para cada fato considerado como transgressão 
disciplinar ou crime militar existe um instrumento adequado de apuração, bem 
como para diferentes finalidades. 
 
8. PROCESSOS DEMISSÓRIOS 
 
 
 CONSELHO DE DISCIPLINA (Decreto-Lei nº 34, de 07 Dez 82) 
 
O Conselho de Disciplina (CD) é um processo administrativo especial, 
que tem por finalidade julgar da incapacidade do Aspirante-a-Oficial PM e demais 
praças da Polícia Militar do Estado de Rondônia, com estabilidade assegurada, 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 19 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
para permanecerem na ativa, criando-lhes, ao mesmo tempo, condições para se 
defenderem (art. 1º). 
Também pode ser submetido ao CD o Asp Of PM e demais praças da 
Corporação, da reserva remunerada ou reformados, presumivelmente incapazes 
de permanecerem na situação de inatividade em que se encontram (parágrafo 
único). 
As praças supracitadas serão submetidas a Conselho de Disciplina, ex-
offício, nas seguintes hipóteses: 
Art. 2º. [...] 
I - acusada oficialmente ou por qualquer meio lícito de comunicação 
social e neste caso comprovado em IPM ou Sindicância, de ter: 
a) procedido incorretamente no desempenho do cargo; 
b) tido conduta irregular; ou 
c) praticado ato que afete a honra pessoal, o pundonor policial militar ou 
o decoro da classe; 
II - afastado do cargo, na forma do Estatuto dos Policiais Militares, por 
se tornar incompatível com o mesmo ou demonstrar incapacidade no exercício 
de funções policiais militares a ela inerentes, salvo se o afastamento for em 
decorrência de fatos que motivem sua submissão a processo; 
III - condenada por crime de natureza dolosa, não previsto na legislação 
especial concernente à segurança nacional, em tribunal civil ou militar, à pena 
restritiva de liberdade individual até 02 (dois) anos, tão logo transite em julgado 
a sentença; (Obs.: na verdade, a decisão de submeter a Praça ao processo 
demissório independe do quantum da pena imposta na esfera criminal. Se 
a pena for superior a 02 (dois) anos e nãohouver a decretação da perda da 
graduação da Praça, como efeito da condenação, a administração PM pode 
muito bem, e com muito mais razão, instaurar o CD, se assim julgar 
oportuno e conveniente); 
IV - pertencente a partido político ou associação suspensos ou 
dissolvidos por força de disposição legal ou decisão judicial, ou que exerça 
atividades prejudiciais ou perigosas à segurança nacional. 
Parágrafo único: É considerada pertencente a partido ou associação a 
Praça da Polícia Militar que, ostensiva ou clandestinamente: 
a) estiver inscrita como seu membro; 
b) prestar serviços ou angariar valores em seu benefício; 
c) realizar propaganda de suas doutrinas; ou 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 20 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
d) colaborar, por qualquer forma, mas sempre de modo inequívoco ou 
doloso, em suas atividades. 
O Decreto-Lei nº 34/82 reza que o acusado será afastado do exercício 
de suas funções, mas, na verdade, o afastamento refere-se à atividade 
ensejadora da transgressão. 
A competência para a instauração do Conselho de Disciplina é do 
Comandante Geral e a instrução processual recairá para uma Comissão de 03 
(três) Oficiais PM da ativa, que deverá ser presidida no mínimo por um Oficial 
Intermediário (Capitão). 
A defesa efetiva do acusado deverá ser feita por advogado por ele 
constituído ou, na falta deste, por Oficial nomeado pelo Presidente do Conselho, 
da escolha do acusado se este se manifestar nesse sentido. 
A Comissão Processante terá o prazo de 30 (trinta) dias para conclusão 
dos trabalhos, prorrogáveis por 20 (vinte) dias, por motivos excepcionais, a 
critério do Comandante Geral. 
Apesar de a norma mencionar que o prazo começa a contar da data de 
nomeação do CD, na prática o prazo começa a correr a partir da autuação dos 
documentos recebidos pelo colegiado processante, que pode ou não coincidir 
com a data de nomeação. 
Depois de realizadas as diligências necessárias ao esclarecimento dos 
fatos (fase da instrução), a Comissão elaborará relatório circunstanciado, 
apontando seu entendimento quanto ao acusado ser ou não culpado da 
acusação que lhe foi feita, sugerindo, ainda, a medida disciplinar a ser aplicada, 
se for o caso. A decisão será tomada por maioria de votos dos membros da 
Comissão e, havendo voto vencido, é facultada a justificação por escrito. 
Recebidos os autos do Conselho de Disciplina o Comandante Geral, 
acolhendo ou não o relatório da Comissão Processante e, neste último caso, 
justificando os motivos, decidirá por meio de Sentença Administrativa, podendo, 
dentre as possibilidades delineadas no art. 13 do Decreto-Lei nº 34/82, 
determinar a exclusão a bem da disciplina do acusado das fileiras da 
Corporação. 
Da decisão do Comandante Geral poderá ser interposto recurso, no 
prazo de 10 (dez) dias, cabendo ao Governador do Estado, em última instância, 
julgar os recursos que forem interpostos nos processos oriundos dos Conselhos 
de Disciplina. 
 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 21 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
 
 CONSELHO DE JUSTIFICAÇÃO (Decreto-Lei nº 35, de 07 Dez 82) 
 
O Conselho de Justificação (CJ) tem por finalidade julgar, por meio de 
processo especial, da incapacidade do Oficial da Polícia Militar de Rondônia, 
para permanecer na ativa ou na situação de inatividade em que se encontra, 
criando-lhes, ao mesmo tempo, condições para se justificar. 
As várias hipóteses de submissão ao CJ estão relacionadas nos incisos 
I a V do artigo 2º do Decreto-Lei estadual nº 35/82, sendo a instauração 
(nomeação) de competência do Governador do Estado, quando a parte 
acusatória partir do Comandante Geral, ou do Comandante Geral nos demais 
casos. 
O Conselho de Justificação é composto de 03 (três) Oficiais da ativa, de 
posto superior ao do justificante, e o membro mais antigo do CJ será no mínimo 
um Oficial Superior da ativa. 
Quando o justificante for Oficial do último posto, os membros do CJ serão 
nomeados dentre os Oficiais daquele posto, da ativa, ou da inatividade, mais 
antigos que o justificante, e quando o justificante for Oficial da reserva ou 
reformado, um dos membros do CJ pode ser da reserva, respeitadas as 
exigências anteriormente elencadas. 
Os prazos para conclusão do CJ são os mesmos do CD e a deliberação 
do Conselho é tomada por maioria dos votos de seus membros. Elaborado o 
relatório circunstanciado, a Comissão processante encerrará os trabalhos e 
remeterá o processo à autoridade que o nomeou. 
O Conselho de Justificação pode se tornar híbrido, quando a autoridade 
nomeante, dentre as várias hipóteses de solução do processo administrativo 
(arquivamento; aplicação de pena disciplinar; efetivação da reserva remunerada; 
remessa ao auditor competente) encaminha o CJ ao Tribunal competente, nas 
hipóteses previstas para tal. 
Na primeira fase, de natureza essencialmente administrativa¸ a 
Comissão processante avalia se o Oficial tem ou não condições de permanecer 
na ativa, ou sendo da reserva remunerada ou reformado, se é incapaz de 
permanecer na situação de inatividade em que se encontra. Na segunda fase, 
de natureza essencialmente judicial (a posição predominante das Cortes 
superiores é no sentido de que o CJ tem natureza administrativa e não judicial) 
o Tribunal competente (Tribunal de Justiça, no caso de Rondônia) irá decidir 
sobre a perda do posto e da patente ou sobre a reforma compulsória. 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 22 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
Ou seja, o CJ é instaurado pelo Comandante Geral ou Governador do 
Estado, porém em sendo a sanção apontada pela Comissão como sendo a 
máxima (demissão ex-offício), será remetido ao Tribunal de Justiça de Rondônia 
que, em acatando o mesmo entendimento, autorizará o Governador a demitir o 
Oficial. 
O Oficial somente perderá o posto e a patente se for declarado indigno 
do oficialato ou com ele incompatível. 
 
9. PROCESSO ADMINISTRATIVO POR DANOS AO ERÁRIO (PADE) 
 
O Decreto nº 11.515, de 28 de fevereiro de 2005, regulamentou a lei que 
instituiu na Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar de Rondônia o Processo 
Administrativo por Danos ao Erário, estabelecendo o rito dos procedimentos a 
serem adotados. 
A finalidade do PADE é reunir os elementos necessários para a 
imputação ou não de responsabilidades pecuniárias aos militares do Estado que 
danificarem o erário, assegurando-se, ao militar, os preceitos constitucionais da 
ampla defesa e do contraditório. 
O PADE será aplicado quando o IPM ou Sindicância apontar indícios de 
que o militar cometeu danos ao erário, por ato omissivo ou comissivo praticado 
no desempenho do cargo ou função. 
São competentes para instaurar o PADE os Comandantes Gerais (PM e 
CBM), os Corregedores Gerais e Coordenadores Regionais (PM e CBM), e o 
Chefe de Gabinete Militar da Governadoria, autoridades estas que também são 
competentes para nomear as comissões permanentes, compostas por 03 (três) 
Oficiais da Unidade a que pertencer o Militar Estadual acusado. Havendo 
insuficiência de Oficiais da Unidade do acusado, a autoridade responsável pela 
instauração do PADE completará a comissão com Oficiais de outras Unidades 
que estejam sob sua subordinação. Ademais, a Coordenadoria Administrativa 
será o órgão competente para instauração do PADE nas Unidades PM e CBM 
que não forem subordinadas aos CRP’s. 
O PADE se desenvolverá de acordo com as disposições do Decreto-Lei 
nº 34/82, que dispõe sobre o Conselho de Disciplina da PMRO. 
Se for comprovado em IPM ou Sindicância que o Militar Estadual causou 
danos, e, nesta fase, mediante proposta, o mesmo manifestar vontade de 
ressarcir aos cofres públicos os danos causados ao erário, torna-se 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 23 
Curso de Formação de CaboBombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
desnecessária a instauração de PADE. 
Importante frisar que se tratando de danos causado a terceiros e 
havendo culpa do Militar Estadual, este responde perante a Fazenda Pública em 
ação regressiva, podendo ainda ser responsabilizado penalmente. 
 
10. PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DISCIPLINARES EM ESPÉCIE 
 
 
Com base nos tópicos anteriores e dada a importância do processo 
administrativo visando a apuração de fatos contrários as normas vigentes, 
praticados pelos militares, destacamos o estudo para os seguintes processos 
administrativos: (procedimentos apuratórios) que serão descritos a seguir: 
 
10.1 Sindicância 
 
 
No âmbito do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Rondônia – 
CBMRO a Norma Geral N. 001/CORREGEBOM/2018, versa sobre a realização 
de sindicância. Neste tópico será abordado toda a resolução do procedimento 
segundo a Norma Geral. 
 
NORMA GERAL Nº 001/CORREGEBOM/2018 
 
(Normas gerais para a realização de sindicância no âmbito do CBMRO) 
 
CAPÍTULO I 
 
DISPOSIÇÕES GERAIS 
 
Art. 1º A presente Norma Geral tem por finalidade regular os 
procedimentos para a realização de sindicância prevista no Art. 21, I do Decreto 
nº 13.255, de 12 de novembro de 2007 no âmbito do Corpo de Bombeiros Militar 
do Estado de Rondônia (CBMRO). 
Objetivo da sindicância 
Art. 2º A sindicância é o procedimento formal e escrito que tem por 
objetivo a apuração de fato que nos termos legais configure, em tese, 
transgressão disciplinar militar, caso não esteja bem esclarecida a sua autoria e 
circunstâncias, tendo o caráter de instrução provisória, cuja finalidade precípua 
é a de ministrar elementos necessários à instauração de: 
I - Processo Apuratório Disciplinar Sumário (PADS); 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 24 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
II – Processo Administrativo Disciplinar (PAD); 
III - Conselho de Disciplina (CD); 
IV - Conselho de Justificação (CJ); 
V - Processo Administrativo por Danos ao Erário (PADE); 
VI – Inquérito Policial Militar (IPM) 
§1º É indispensável a abertura de sindicância para apuração de fato de 
natureza grave que enseje a instauração do processo administrativo disciplinar, 
salvo se o fato já foi apurado em inquérito, ou quando materialidade e autoria já 
estiverem esclarecidas por documentos ou provas materiais. 
§2º São, porém, efetivamente instrutórios do PADS, PAD, CD, CJ, 
PADE, IPM os documentos, exames, perícias e avaliações realizadas no curso 
da sindicância. 
Conhecimento da transgressão disciplinar 
§3º O conhecimento da transgressão disciplinar dar-se-á através: 
I - dos documentos oficiais de uso regular no CBMRO. 
II - das conclusões de Procedimentos Investigatórios (Inquérito Policial 
Militar e Sindicância). 
III - da comunicação formal de autoridades e do público em geral. 
IV - de reclamação do ofendido que, se Militar Estadual, deverá observar 
a cadeia de comando. 
V - dos meios de comunicação social. 
 
Sindicância sumária. Proibição 
§3º É vedada a instauração de sindicância que não atenda às 
prescrições da presente Norma Geral, sob pena de responsabilização da 
autoridade militar estadual. 
Dispensa da sindicância 
Art. 3º A sindicância poderá ser dispensada quando as circunstâncias 
do fato e sua autoria já estiverem suficientemente esclarecidas por documentos 
ou outras provas materiais, sem prejuízo de diligências necessárias ao registro 
de informações complementares, necessárias à correta instrução do PAD, CD, 
CJ e PADE. 
Princípios que orientam a sindicância 
Art. 4º A sindicância orientar-se-á pelos princípios da simplicidade, 
economia procedimental, celeridade e instrumentalidade. 
Notícias apócrifas 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 25 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
Art. 5º As notícias apócrifas que narrem eventuais transgressões 
disciplinares devem ser apuradas de forma preliminar, com cautela e discrição, 
no intuito de avaliar a plausibilidade dos fatos e, em se apurando elementos de 
verossimilhança, deve ser instaurada a sindicância. 
Parágrafo único. Na hipótese da notícia apócrifa narrar fatos 
manifestamente infundados e incoerentes, poderá a autoridade militar estadual, 
fundamentadamente, arquivá-la por absoluta falta de justa causa. 
Autoridades competentes para a instauração 
Art. 6º São autoridades competentes no âmbito do CBMRO para 
determinar a instauração de sindicância: 
I - o Comandante-Geral; 
II - o Subcomandante-Geral; 
III - o Chefe do Estado Maior; 
IV - o Corregedor-Geral; 
V – os Coordenadores e Diretores; 
VI – os Comandantes de Grupamento e Subgrupamento. 
Sigilo da sindicância. Possibilidade 
Art. 7º A sindicância, em regra, será ostensiva, podendo, conforme o 
fato em apuração, ser classificada, desde o início ou em seu curso, como sigilosa 
pela autoridade disciplinar ou, pelo sindicante, no caso de juntada de 
documentos sigilosos, hipóteses em que a restrição de acesso não alcançará o 
sindicado nem seu advogado, caso tenha sido devidamente constituído. 
Territorialidade 
Art. 8º A competência para investigar transgressão disciplinar é da 
autoridade militar estadual com circunscrição no local onde tenha ocorrido o fato 
em tese transgressional, independentemente da subordinação administrativa do 
Militar Estadual autor, respeitada a antiguidade ou precedência hierárquica. 
§1º Na ocorrência de transgressão disciplinar envolvendo Militares 
Estaduais de mais de um OBM, caberá ao Comandante com responsabilidade 
territorial sobre a área onde ocorreu o fato apurar ou determinar sua apuração, 
e, ao final, remeter os autos à autoridade superior comum aos envolvidos. 
§2º Quando duas autoridades de níveis hierárquicos diferentes, ambas 
com competência disciplinar sobre o transgressor, tiverem conhecimento da 
transgressão disciplinar, caberá à de maior hierarquia apurá-la ou determinar 
que a menos graduada o faça. 
§3º No caso de ocorrência disciplinar envolvendo Militares das Forças 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 26 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
Armadas e Militares Estaduais, a autoridade militar estadual competente deverá 
tomar as medidas disciplinares cabíveis quanto aos seus subordinados, 
informando o escalão superior sobre a ocorrência, as medidas tomadas e o que 
foi por ela apurado, dando ciência do fato também ao Comandante Militar 
interessado. 
§4º Quanto à competência para investigar transgressão disciplinar de 
natureza grave cometida por Militar Estadual da Reserva Remunerada ou 
Reformado, quando ainda no serviço ativo, deve-se observar a delegação do 
Comandante-Geral ou Corregedor Geral, atendendo aos princípios de 
hierarquia, conforme o caso. 
Conflito de competência 
§5º Havendo conflito de competência para instauração de sindicância 
este será resolvido pela autoridade militar estadual superior com ascendência 
funcional comum entre os dois, respeitadas as regras deste artigo. 
Conhecimento de infração penal de natureza comum 
Art. 9º O conhecimento, no transcorrer da sindicância, de eventual 
infração penal de natureza comum ou militar, obrigará o Sindicante a informar, 
de imediato, a autoridade disciplinar, para a adoção das medidas cabíveis à 
espécie, sem prejuízo do prosseguimento da investigação. 
Transgressões disciplinares estranhas ao objeto da sindicância 
Art. 10. No caso de se verificar transgressões disciplinares estranhas ao 
objeto da sindicância, a autoridade disciplinar, após comunicada pelo sindicante, 
poderá aditar à sindicância em curso a apuração dos fatos novos, determinar a 
instauração de novo procedimento investigatório ou comunicar os fatos ao 
Comandante dos, em tese, transgressores quando não tiver ascendência sobre 
estes, desde que não haja contrariedade ao disposto no artigo 8º desta Norma 
Geral.Organização da sindicância e procedimentos 
Art. 11. A sindicância será sempre encaminhada à autoridade disciplinar 
mediante 01 (uma) via física e outra digitalizada, devendo observar os seguintes 
procedimentos: 
I - lavrar o termo de abertura da sindicância; 
II – juntar aos autos todos documentos e peças da sindicância por ordem 
cronológica, reunidas em volumes de até 200 folhas, todas numeradas e 
rubricadas, a partir do termo de abertura, de forma centralizada e na parte 
inferior; 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 27 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
III - indicar na capa dos autos, além da numeração da sindicância, seus 
dados de identificação, os do sindicado, se houver, e o objeto da sindicância; 
IV - regular as ações a serem desenvolvidas no contexto da sindicância, 
mediante a elaboração de despachos, ainda que não tenha sido designado 
escrivão, situação em que tais despachos têm caráter meramente coordenativo; 
V - fazer constar, nos pedidos de informações e nas requisições de 
documentos, referências expressas ao fim a que se destinam e à prioridade na 
tramitação (normal, urgente ou urgentíssima); 
VI - juntar, mediante termo ou despacho na própria peça ou carimbo de 
“JUNTE-SE”, todos os documentos recebidos. Os documentos produzidos pelo 
sindicante serão anexados aos autos em ordem cronológica de produção; 
VII - realizar ou determinar, de ofício, a produção ou a juntada de todas 
as provas que entender pertinentes ao fato a ser esclarecido; 
VIII - encerrar a instrução do feito com o respectivo termo; 
IX - encerrar a apuração com um relatório completo e objetivo, contendo 
o seu parecer conclusivo sobre a elucidação do fato, o qual deverá ser 
apresentado em quatro partes: 
a) introdução: contendo a ordem de instauração, a descrição sucinta do fato a 
ser apurado e os dados de identificação do sindicado, se houver; 
b) diligências realizadas: onde deverão estar especificadas as ações 
procedidas pelo sindicante; 
c) parte expositiva: com o resumo conciso e objetivo dos fatos e uma análise 
comparativa e valorativa das provas colhidas, destacando aquelas em que 
formou sua convicção; e 
d) parte conclusiva: na qual o sindicante emitirá o seu parecer, coerente com 
as provas carreadas aos autos e com o relatado na parte expositiva, 
mencionando se há ou não indícios de crime militar ou comum, transgressão 
disciplinar, prejuízo ao erário ou qualquer outra situação ampliativa ou restritiva 
de direito, sugerindo, se for o caso, a adoção de providências; e 
X - elaborar o termo de encerramento dos trabalhos atinentes ao feito 
e remeter os autos à autoridade disciplinar. 
Parágrafo único: A observância dos procedimentos estabelecidos 
neste artigo não obsta a adoção de outras medidas específicas que sejam 
necessárias em razão das particularidades do objeto da sindicância. 
CAPÍTULO II 
DA INSTAURAÇÃO 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 28 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
Art. 12. A sindicância é iniciada mediante portaria: 
I - de ofício, pelas autoridades militares estaduais previstas no art. 6º, 
segundo as regras do art. 8º desta Norma Geral. 
II - por determinação ou delegação da autoridade militar estadual 
superior que, em caso de urgência, poderá ser feita via correio eletrônico. 
Requisitos da portaria 
§1º A portaria deverá narrar os fatos em tese irregulares a serem 
investigados, delimitando o campo de atuação do sindicante. 
Superioridade ou igualdade de posto do infrator 
§2º Tendo o infrator posto superior ou igual ao do comandante, 
coordenador, diretor de OBM, em cujo âmbito de circunscrição haja ocorrido a 
transgressão disciplinar, será feita a comunicação do fato, via cadeia de 
comando, à autoridade superior competente, para que esta torne efetiva a 
delegação. 
Providências antes da sindicância 
§3º O aguardo da delegação não obsta que o oficial responsável por 
comando, coordenação ou direção, ou mesmo aquele que o substitua ou esteja 
de serviço, tome ou determine que sejam tomadas imediatamente as 
providências administrativas cabíveis, uma vez que tenha conhecimento de 
transgressão disciplinar que lhe caiba investigar. 
Sindicante. Requisitos 
Art. 13. A delegação para realizar a sindicância recairá sobre os oficiais, 
aspirantes a oficiais, subtenentes ou sargentos ativos preferencialmente 
aperfeiçoados, respeitando-se a antiguidade ou precedência hierárquica do 
sindicado. 
Indícios contra oficial de grau hierárquico superior ao sindicante ou 
mais antigo 
§1º Se no curso da investigação o sindicante verificar a existência de 
indícios contra militar estadual de grau hierárquico superior ao seu ou mais 
antigo, deverá imediatamente suscitar o seu impedimento à autoridade 
disciplinar, suspendendo-se a contagem do prazo. 
Nomeação de escrivão. Excepcionalidade 
§2º Nos casos de maior repercussão e a critério da autoridade 
disciplinar, o sindicante poderá valer-se de um escrivão para auxiliá-lo nos 
trabalhos, que será, preferencialmente, um graduado, excetuando-se os casos 
em que constem oficiais como sindicados, nos quais deverão ser escrivães os 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 29 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
oficiais subalternos. 
Movimentação funcional do sindicante 
§3º Na hipótese de movimentação do sindicante durante o transcorrer 
da sindicância, para outra OBM, no caso de sindicâncias instauradas no âmbito 
daquela OBM, este deverá ser substituído. 
Art. 14. Em todos os casos, todas as sindicâncias instauradas deverão 
ser comunicadas à Corregedoria Geral e constarão obrigatoriamente: 
I - nome e posto do sindicante e do escrivão, se houver; 
II - local dos fatos e nome das partes envolvidas; 
III - resumo dos fatos;
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 30 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
 
 
 
disciplinar. 
IV número da publicação da Portaria em Boletim; 
V - as conclusões do sindicante e a solução da autoridade 
 
 
CAPÍTULO III 
DOS PRAZOS 
 
dias. 
Art. 15. O prazo para conclusão da sindicância será de até 30 (trinta) 
 
 
Prorrogação do prazo 
§1º Este prazo poderá ser prorrogado por mais 30 (trinta) dias, mediante 
pedido fundamentado do sindicante à autoridade disciplinar, feito com 
antecedência mínima de 02 (dois) dias úteis do término do prazo. 
§2º Será deduzida do prazo mencionado neste artigo a suspensão 
prevista no §1º do art. 13 desta Norma Geral. 
§3º Do prazo para conclusão será excluído o dia do recebimento da 
portaria, iniciando-se a contagem no próximo dia útil, e incluído o dia da entrega, 
que na hipótese de recair em dia de feriado ou final de semana autorizará a 
entrega no primeiro dia útil posterior. 
§4º Poderá, de forma fundamentada, ser autorizada a suspensão da 
contagem do prazo uma única vez, por período não superior a trinta dias. 
§5º Já tendo sido concedida a suspensão de que trata o parágrafo 
anterior e ocorrendo afastamento, previsto em lei, regulamento, instrução ou 
normatização interna, do sindicante este deverá ser substituído, cabendo ao 
substituto concluir o feito sem a possibilidade de nova suspensão. 
Prorrogação especial 
§6º Não haverá mais prorrogação, além da prevista no §1º, salvo 
dificuldade insuperável, a juízo do Comandante-Geral, via Corregedoria-Geral. 
§7º Os laudos de perícias ou exames não concluídos na prorrogação do 
parágrafo anterior, bem como os documentos colhidos depois dela, serão 
posteriormente remetidos autoridade disciplinar, para a juntada aos autos, 
devendo o sindicante indicar, no seu relatório, se possível, o lugar onde se 
encontram as testemunhas que deixaram de ser ouvidas. 
CAPÍTULO IV 
DO PARECER E DA SOLUÇÃO DA SINDICÂNCIA 
Parecer do sindicante 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 31Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
Art. 16. A sindicância será encerrada com minucioso parecer, em que o 
sindicante mencionará as diligências feitas, as pessoas ouvidas e os resultados 
obtidos, referindo, em conclusão, se há indícios de transgressão disciplinar e/ou 
crime, militar ou comum, com a respectiva capitulação no diploma legal aplicável, 
com a indicação das suas circunstâncias, incluindo dia, hora e lugar onde 
ocorreu. 
Solução da autoridade disciplinar 
Art. 17. No caso de ter sido delegada a competência para a realização 
da sindicância, o sindicante a enviará à autoridade de quem recebeu a 
delegação, que a solucionará no prazo de trinta (30) dias, podendo: 
I – homologar a conclusão e adotar as medidas pertinentes elencadas 
no §2º deste artigo. 
II – não homologar, dando solução diferente, devidamente 
fundamentada, ou determinando novas diligências, se as julgar necessárias. 
Suspensão do prazo da solução 
§1º Ficará suspensa a contagem do prazo previsto do caput deste artigo 
na hipótese, devidamente fundamentada e publicada em Boletim, de ocorrerem 
questões prejudiciais ao convencimento da autoridade disciplinar relativamente 
à verdade real dos fatos investigados. 
Resultados da sindicância 
§2º Da sindicância poderá resultar: 
I - o seu arquivamento, se os fatos investigados não constituírem 
transgressão disciplinar ou crime militar; 
II - instauração de PADS; 
III – instauração de PAD; 
IV – instauração de Conselho de Disciplina ou encaminhamento para o 
Comandante-Geral, via Corregedoria-Geral, sugerindo a instauração de 
Conselho de Justificação; 
V – instauração de PADE; 
VI - instauração de Inquérito Policial Militar ou, no caso da autoridade 
disciplinar não possuir competência para instaurar, encaminhamento a quem 
compete instaurá-lo. 
VII - remessa de cópia da sindicância à autoridade policial competente, 
caso haja indícios de crime comum. 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 32 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
VIII - outras medidas administrativas cabíveis à espécie. 
Dispensa de solução 
§3º Não haverá solução de sindicância instruída pela autoridade militar 
estadual originária que deverá, em seu parecer, adotar as medidas pertinentes 
elencadas no § 2º deste artigo. 
Remessa da sindicância à Justiça Militar Estadual 
§4º Tendo sido solucionada a sindicância com indícios de crime militar, 
esta deverá ter seus autos originais, acompanhados do extrato disciplinar do 
indiciado, encaminhados unicamente à Justiça Militar Estadual, para distribuição 
e respectiva autuação judicial. 
Sindicância. Avocação 
Art. 18. As autoridades militares estaduais funcionalmente superiores 
àquela que instaurou ou que determinou a instauração da sindicância poderão: 
I - avocar para si a sindicância em que se verifique manifesta usurpação 
de sua competência, irregularidade na solução ou equívoco no decorrer dos atos 
de investigação, desde que ainda não tenham surtido os efeitos legais. 
II - determinar que seja imediatamente solucionada ou avocá-la e 
solucioná-la, quando a solução esteja sendo indevidamente retardada. 
Publicação da solução e cientificação do sindicado 
Art. 19. A solução deverá ser publicada em boletim interno ou geral e 
comunicado o seu resultado ao sindicado, de forma escrita, mencionando o 
boletim que a publicou. 
CAPÍTULO V 
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS 
Subsidiariedade do Código de Processo Penal Militar 
Art. 20. Aplicam-se a esta Norma Geral, subsidiariamente, respeitados 
os princípios do art. 4º, as normas do Código de Processo Penal Militar, 
especialmente quanto aos meios de prova, tais como a inquirição de pessoas, 
requisição de perícias e exames, acareação, reconhecimento de pessoas e 
coisas e realização de carta precatória. 
Afastamentos do sindicado. Continuidade da sindicância 
Art. 21. As dispensas médicas, licenças, férias e outros afastamentos 
totais do serviço do sindicado não suspendem ou interrompem a sindicância, 
tendo em vista a sua natureza inquisitorial, devendo esta ser concluída mesmo 
sem a oitiva do sindicado. 
Art. 22. As autoridades militares estaduais que tiverem conhecimento de 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 33 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
fatos irregulares e que não possuírem competência para a instauração de 
sindicância deverão comunicar, imediatamente, à autoridade superior 
competente para tal. 
Fatos que não constituem transgressão disciplinar 
Art. 23. Excluem-se do objetivo da presente Norma Geral os fatos que 
não constituam transgressão disciplinar em tese e para os quais haja normas 
específicas de apuração. 
Instauração de nova sindicância 
Art. 24. O arquivamento de sindicância não obsta a instauração de outra, 
se novas provas ou indícios aparecerem em relação ao fato ou ao sindicado, 
ressalvados a coisa julgada e os casos de extinção da punibilidade. 
Direitos e obrigações do advogado 
Art. 25. Tendo em vista a natureza inquisitorial da sindicância, a 
participação de advogados eventualmente constituídos pelos sindicados 
restringir-se-á às previsões da Lei nº 8.906, de 04 de julho de 1994 (Estatuto da 
Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil), bem como, as da Súmula 
Vinculante nº 14 do Supremo Tribunal Federal. 
Art. 26. Os casos omissos na presente Norma Geral, e que não puderem 
ser supridos pelo Código de Processo Penal Militar, serão dirimidos pelo 
Corregedor-Geral. 
 
OBSERVAÇÃO: os modelos exemplificativos dos documentos poderão ser 
encontrados nos anexos da Norma Geral, que deverão ser adaptados conforme 
cada caso. 
 
10.2 Processo Apuratório Disciplinar Sumário – PADS 
 
 
No Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Rondônia – CBMRO a 
Norma Geral N. 002/CORREGEBOM/2018, versa sobre a realização do PADS. 
Neste tópico será abordado toda a resolução do procedimento segundo a Norma 
Geral. 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 34 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
NORMA GERAL Nº 002/CORREGEBOM/2018 
 
(Normas gerais para a realização de PADS no âmbito do CBMRO) 
 
CAPÍTULO I 
DISPOSIÇÕES GERAIS 
Art. 1º A presente Norma Geral tem por finalidade regular os 
procedimentos para a realização de Processo Apuratório Disciplinar Sumário 
(PADS) previsto no Decreto nº 13.255, de 12 de novembro de 2007, no âmbito 
do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Rondônia (CBMRO). 
Da parte disciplinar 
Art. 2º Todo policial militar que tiver conhecimento de um fato contrário 
à disciplina deverá participá-lo, por escrito, à autoridade disciplinar competente. 
§ 1º A parte disciplinar deve ser impessoal, clara, concisa e precisa, 
contendo os dados suficientes para a identificação das pessoas ou coisas 
envolvidas, o local, a data, a hora e as circunstâncias da ocorrência, sem tecer 
opiniões pessoais ou comentários ofensivos, salvo, neste caso, como 
transcrição, se indispensável à solução. 
§ 2º A parte disciplinar é obrigatória para dar início ao processo 
apuratório disciplinar sumário, quando a autoridade competente não tomar 
conhecimento do fato por outro meio lícito, sendo o participante responsável 
pelas informações nela contidas. 
Instauração do PADS 
Art. 3º A autoridade a quem a parte disciplinar é dirigida decidirá pela 
instauração de Processo Apuratório Disciplinar Sumário (PADS), se o fato não 
constitui, em princípio, transgressão passível de exclusão do serviço ativo. 
§1º A instauração de PADS deve ser procedida no âmbito da OBM do 
militar, em tese, transgressor, salvo determinação em contrário do escalão 
superior em face de situação excepcional que requeira instauração em local 
diverso. 
Objetivo do PADS 
Art. 2º O Processo Apuratório Disciplinar Sumário (PADS) é o devido 
processo legal destinado à garantia do contraditório e ampla defesa quando a 
transgressãodisciplinar não exigir, em princípio, a instauração de processo 
administrativo disciplinar. 
Início do processo 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 35 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
Art. 3º A autoridade será motivada para instauração do PADS com o 
recebimento do documento que noticia o fato, desde que esteja identificado o 
seu autor, exceto nos casos em que a infração se verificar na presença ou contra 
ela, ou chegar ao conhecimento dela por qualquer veículo idôneo de 
comunicação social. 
Art. 4º O processo se inicia com o memorando disciplinar, no qual a 
autoridade disciplinar fará constar, com a clareza e concisão indispensáveis ao 
entendimento, a síntese do fato e o dispositivo violado. 
Competência para aplicação de punição disciplinar 
§ 1º São competentes para aplicar punição disciplinar, nesta ordem: 
I – O Governador do Estado, a todos aqueles que estiverem sujeitos a 
este Regulamento, até demissão ex-offício; 
II – O Secretário de Segurança do Estado, a todos aqueles que 
estiverem sujeitos a este Regulamento, excetuando-se os que estiverem sob a 
subordinação direta do Governador do Estado e do Chefe da Casa Militar, até 
10 (dez) dias de prisão; 
III – O Comandante Geral, a todos os que estiverem sujeitos a este 
Regulamento, excetuando-se os que estiverem sob a subordinação direta do 
Governador do Estado e do Secretário de Segurança do Estado, até 
licenciamento ou exclusão a bem da disciplina; 
IV – O Subcomandante da Polícia Militar, a todos os que estiverem 
sujeitos a este Regulamento, excetuando-se os que estiverem sob subordinação 
direta do Governador do Estado, Secretário de Segurança do Estado, do 
Comandante Geral e do Secretário Chefe da Casa Militar, até 10 (dez) dias de 
prisão; 
V – O Corregedor Geral, aos que estiverem sujeitos a este regulamento, 
excetuando-se os subordinados diretamente ao Governador do Estado, 
Secretário de Segurança do Estado, Comandante e Subcomandante da Polícia 
Militar, o Secretário Chefe da Casa Militar e demais ocupantes de cargos 
privativos de coronel PM, até 10 (dez) dias de prisão; 
VI – O Chefe do Estado-Maior Geral, Comandantes Regionais de 
Policiamento, diretores e demais ocupantes de cargos privativos de Coronel PM, 
aos que lhes são subordinados, até 10 (dez) dias de prisão; 
VII – O Secretário Chefe da Casa Militar, aos que estiverem sob sua 
chefia, até 10 (dez) dias de prisão; 
VIII – Ajudante Geral, Comandante e Subcomandante de Unidades, 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 36 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
Chefe de Seção do Estado-Maior Geral, Serviços e Assessorias, aos que 
estiverem sob seu comando, chefia ou direção, até 8 (oito) dias de prisão; 
IX – Comandante de subunidades, incorporadas ou destacadas, aos que 
servirem sob seu comando, até 10 (dez) dias de detenção; e 
X – Comandantes de pelotões destacados, aos seus comandados, até 
6 (seis) dias de detenção. 
§ 2º A aplicação de punições disciplinares a policiais militares da 
inatividade é de competência exclusiva das autoridades mencionadas nos 
incisos I, II, III e IV do §1º deste artigo. 
§3º A autoridade disciplinar poderá delegar a instrução do processo, por 
meio de simples despacho, a oficial ou sargento, neste caso, desde que seja 
possuidor do curso de aperfeiçoamento. 
Do rito 
Art. 5º Recebido o memorando disciplinar, o acusado terá 2 (dois) dias 
para apresentar a defesa prévia. 
Art. 6º Apresentada a defesa prévia pelo acusado ou por quem o 
represente, o encarregado do PADS analisará os eventuais requerimentos e, 
caso os julgue pertinentes, atenderá imediatamente. Se o acusado tratar 
somente do mérito da questão e as diligências forem dispensáveis, o feito será 
encaminhado, para julgamento, à autoridade disciplinar. 
§ 1º O encarregado do PADS, ao indeferir requerimento da defesa, 
deverá fundamentar a decisão e dar ciência ao acusado. 
§ 2º O acusado poderá arrolar, no máximo, 03 (três) testemunhas. 
Art. 7º Caso o acusado não apresente a defesa prévia ou requerimentos, 
o encarregado do PADS passará imediatamente para a fase final de defesa, 
exceto se entender que é indispensável juntar provas, ainda que não requeridas. 
Art. 8º O acusado poderá deixar de apresentar alegações de defesa, 
contudo ao encarregado do PADS caberá, na busca da verdade real e sempre 
que a situação exigir, diligenciar para a obtenção de provas. 
Art. 9º A confissão do acusado, desde que não contrarie a lógica dos 
fatos, permitirá que a autoridade disciplinar proceda ao imediato julgamento. 
Art. 10 O acusado será notificado para as audiências de inquirição de 
testemunhas, mas não estará obrigado a comparecer a elas. 
Parágrafo único. O acusado presente às audiências poderá reperguntar 
à testemunha por meio do encarregado do PADS. 
Art. 11 Instruído o feito, o encarregado do PADS abrirá vistas ao acusado 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 37 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
e concederá prazo de 3 (três) dias para alegações finais de defesa. 
Art. 12 Esgotado o prazo para alegações finais, com ou sem a 
manifestação do acusado, o encarregado remeterá os autos do PADS a 
autoridade disciplinar que julgará o processo tão breve quanto possível, e 
intimará o acusado da decisão. 
Dos procedimentos 
Art. 6º - O encarregado deverá observar os seguintes procedimentos: 
I - lavrar o termo de abertura do PADS; 
II - juntar aos autos todos os documentos e peças do PADS por ordem 
cronológica, numerando e rubricando as folhas no canto superior direito, a partir 
do termo de abertura; 
III - indicar na capa dos autos, a numeração do PADS e a OBM em que 
foi instaurado, seus dados de identificação, os do acusado, e o objeto do PADS; 
IV - cumpridas as formalidades iniciais, promover a notificação do 
acusado, por meio do memorando disciplinar, para conhecimento do fato que lhe 
é imputado, acompanhamento do feito, oportunizando 02 (dois) dias para 
apresentar defesa prévia, além da possibilidade de requerer a produção ou 
juntada de provas; 
V – se houverem requerimentos por parte do acusado o encarregado do 
PADS os analisará e, caso os julgue pertinentes, atenderá imediatamente. Se o 
acusado tratar somente do mérito da questão e as diligências forem 
dispensáveis, o feito será encaminhado, para julgamento, à autoridade 
disciplinar, nesse caso ao indeferir requerimento da defesa o encarregado 
deverá fundamentar a decisão dando ciência ao acusado. 
VI - fazer constar, nos pedidos de informações e nas requisições de 
documentos, referências expressas ao fim a que se destinam e à prioridade na 
tramitação (normal, urgente ou urgentíssima); 
VII - juntar, mediante termo ou despacho na própria peça ou carimbo de 
“JUNTE-SE”, todos os documentos recebidos. Os documentos produzidos pelo 
encarregado serão anexados aos autos em ordem cronológica de produção; 
VIII – durante a instrução do feito o encarregado deverá realizar ou 
determinar, de ofício ou a pedido, a produção ou a juntada de todas as provas 
que entender pertinentes ao fato visando dar melhor subsídio à autoridade 
disciplinar por ocasião do julgamento; 
IX – o encarregado poderá realizar um relatório sumário e sucinto 
contendo o resumo de todos os procedimentos realizados durante a instrução do 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 38 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
PADS, não manifestando em nenhuma hipótese o seu parecer a respeito do 
caso, ficando o julgamento do processo inteiramente ao encargo da autoridade 
disciplinar. 
X – o encarregado deverá encerrar a instrução do feito com o respectivo 
termo de encerramento de instrução, notificando o acusado, para vista dos autos 
e apresentação de alegações finais no prazo de 03 (três) dias. 
XI - esgotado o prazo para alegaçõesfinais, com ou sem a manifestação 
do acusado, o encarregado remeterá os autos do PADS a autoridade disciplinar 
que julgará o processo tão breve quanto possível, e intimará o acusado da 
decisão. 
XII – recebido os autos contendo a instrução do PADS a autoridade 
disciplinar deverá realizar o julgamento, onde fará constar o seu parecer 
conclusivo sobre a elucidação do fato analisado, o qual deverá ser apresentado 
em três partes: 
e) dados do PADS: contendo a ordem de instauração, a descrição sucinta do 
fato a ser apurado e os dados de identificação do acusado e ofendido; 
f) descrição do fato e suas circunstâncias: com o resumo conciso e objetivo dos 
fatos e uma análise comparativa e valorativa das provas colhidas, destacando 
aquelas em que formou sua convicção; 
g) da solução: contendo os fundamentos da decisão; o dispositivo infringido; e 
a punição imposta (quando for o caso). Nesta fase do julgamento a autoridade 
disciplinar emitirá o seu parecer, coerente com as provas carreadas aos autos e 
com o relatado na descrição dos fatos e suas circunstâncias, mencionando se há ou 
não indícios de crime militar ou comum e se foi caracterizada ou não a transgressão 
disciplinar; e 
§1º A observância dos procedimentos estabelecidos neste artigo não 
obsta a adoção de outras medidas específicas que sejam necessárias em razão 
das particularidades do objeto do PADS. 
§2º A publicação da nota de punição somente ocorrerá após a decisão 
condenatória tornar-se irrecorrível. 
§3º Se no procedimento apuratório houver elementos que indiquem a 
existência de grave violação da ética sujeita a apuração por meio de processo 
administrativo disciplinar, a autoridade disciplinar encaminhará os autos ao 
Corregedor Geral sem julgamento. 
§4º A autoridade disciplinar informará ao participante sobre a solução da 
parte disciplinar. 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 39 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
Dos prazos 
Art. 7º O prazo para conclusão da instrução do PADS será de 20 (vinte) 
dias. 
 
Prorrogação do prazo 
 
§1º Este prazo poderá ser prorrogado por mais 20 (vinte) dias, mediante 
pedido fundamentado do encarregado à autoridade delegante, feito com 
antecedência mínima de 02 (dois) dias úteis do término do prazo. 
§2º Do prazo para conclusão será excluído o dia do recebimento da 
portaria, iniciando-se a contagem no próximo dia útil, e incluído o dia da entrega, 
que na hipótese de recair em dia de feriado ou final de semana autorizará a 
entrega no primeiro dia útil posterior. 
§3º A concessão da prorrogação do prazo deverá ser publicada em 
BI/BG da OBM, anexando-se cópia do boletim aos autos do PADS. 
Prorrogação especial 
§6º Não haverá mais prorrogação, além da prevista no §1º, salvo 
dificuldade insuperável, a juízo do Corregedor Geral. 
Da notificação ao acusado. 
Art. 8º O acusado deverá ser notificado, com a antecedência mínima de 
02 (dois) dias úteis, da realização das diligências de instrução do PADS 
(inquirições, acareações, perícias, expedição de cartas precatórias, etc.), para 
que, caso queira, possa acompanhá-las ou requerer o que julgar de direito. 
§ 1º A primeira notificação ao acusado pertencente à mesma OBM que 
o encarregado deve ser comunicado ao seu comandante ou chefe imediato; as 
demais notificações ao acusado, no decorrer do PADS, serão feitas sem a 
necessidade da mencionada comunicação ao respectivo comandante. 
§ 2º Se o acusado pertencer a OBM distinta da do encarregado, a 
notificação deve ser efetuada em todos os casos por intermédio do comandante, 
chefe ou diretor daquela OBM. 
§ 3º No caso de ser determinada a realização de diligências 
complementares, o acusado deverá ser notificado para acompanhamento das 
respectivas averiguações. 
§ 4º Cumpridas as diligências complementares, o acusado deverá ser 
notificado para, querendo, oferecer alegações finais no prazo de 03 (três) dias 
corridos, contados da data do recebimento da notificação. 
§ 5º Após a realização dos procedimentos previstos neste artigo, e após 
esgotado o prazo para alegações finais, com ou sem a manifestação do acusado, 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 40 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
o encarregado remeterá novamente os autos do PADS a autoridade disciplinar 
que julgará o processo tão breve quanto possível, apresentando as conclusões 
decorrentes das averiguações procedidas, ratificando ou alterando o parecer 
anteriormente emitido e intimará o acusado da decisão. 
Do contraditório e da ampla defesa 
Art. 15 O PADS obedecerá aos princípios do contraditório e da ampla 
defesa, com a utilização dos meios e recursos a ela inerentes. 
Parágrafo único. Para o exercício do direito de defesa será aceita 
qualquer espécie de prova admitida em direito, desde que não atente contra a 
moral, a saúde ou a segurança individual ou coletiva, ou contra a hierarquia, ou 
contra a disciplina. 
Art. 16 O acusado tem o direito de acompanhar o processo, apresentar 
defesa prévia em resposta ao memorando disciplinar e alegações finais, arrolar 
até 03 (três) testemunhas, assistir aos depoimentos, solicitar reinquirições, 
requerer perícias, juntar documentos, obter cópias de peças dos autos, formular 
quesitos em carta precatória e em prova pericial e requerer o que entender 
necessário ao exercício de seu direito de defesa. 
§ 1º O encarregado poderá indeferir, mediante decisão fundamentada, 
pedido do acusado, que incida na hipótese vedada prevista no art. 25 do RDPM, 
parágrafo único do art. 15 desta IG e quando o seu objeto for ilícito, impertinente, 
desnecessário, protelatório ou de nenhum interesse para o esclarecimento dos 
fatos. 
§ 2º O acusado poderá realizar a sua própria defesa, sendo-lhe 
facultado, em qualquer fase do PADS, constituir advogado para assisti-lo. 
Art. 17 O advogado do acusado poderá presenciar os atos de inquirição 
do seu cliente e das testemunhas, bem como acompanhar os demais atos do 
PADS, sendo-lhe vedado durante as oitivas interferir nas perguntas e respostas, 
podendo, ao final da inquirição, fazer, por intermédio do encarregado, as 
perguntas de interesse da defesa. 
Parágrafo único. O previsto neste artigo aplica-se, no que couber, ao 
acusado. 
Art. 18 O denunciante ou ofendido, quando houver, deve ser ouvido em 
primeiro lugar. 
§ 1º O encarregado deverá alertar o denunciante ou ofendido, no ato da 
inquirição, sobre possível consequência de seu ato nas esferas penal, civil e 
disciplinar, em caso de improcedência da denúncia. 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 41 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
§ 2º O denunciante ou ofendido poderá apresentar ou oferecer subsídios 
para o esclarecimento do fato, indicando testemunhas, requerendo a juntada de 
documentos ou indicando as fontes onde poderão ser obtidos. 
§ 3º Caso a presença do sindicado cause constrangimento ao 
denunciante ou ofendido ou à testemunha, de modo que prejudique o 
depoimento, o encarregado poderá proceder à inquirição em separado, dando- 
se ciência ao acusado do teor das declarações, tão logo seja possível, para que 
requeira o que julgar de direito, admitindo-se a presença do advogado, caso 
tenha sido constituído, consignando tal fato e motivo em seu relatório. 
Art. 19 A ausência do acusado regularmente notificado à sessão de 
interrogatório, sem justo motivo, não obsta o prosseguimento dos trabalhos, mas 
tal situação deve ser certificada nos autos mediante termo e, em se tratando de 
militar, informada ao seu comandante, para as medidas disciplinares cabíveis. 
§ 1º O não atendimento da notificação não importa o reconhecimento da 
verdade dos fatos nem a renúncia a direito pelo acusado. 
§ 2º Comparecendo para depor no curso do PADS, o acusado será 
inquirido, sendo-lhe assegurado, no prosseguimento dos trabalhos, na faseem 
que se encontram, o direito ao contraditório e à ampla defesa. 
§ 3º Sempre que o acusado, regularmente notificado para a prática de 
atos no processo, deixar de se manifestar tempestivamente ou permanecer 
inerte, o encarregado deverá certificar tal situação nos autos mediante a 
lavratura do respectivo termo. 
§ 4º Quando dados, diligências ou documentos solicitados ao 
interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado por este, o não 
atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação 
poderá implicar o arquivamento do procedimento. 
Art. 20 Qualquer pessoa poderá ser testemunha. 
§ 1º Na hipótese de a testemunha ser militar ou servidor público, a 
solicitação de comparecimento para depor será feita por intermédio de seu 
comandante ou chefe de seção ou repartição competente. 
§ 2º Quando a testemunha deixar de comparecer para depor, sem justo 
motivo, ou, comparecendo, se recusar a depor, o encarregado lavrará termo 
circunstanciado, mencionará tal fato no relatório e, em se tratando de militar ou 
servidor público, providenciará a informação dessa situação à autoridade militar 
ou civil competente. 
Art. 21 Ao comparecer para depor, a testemunha declarará seu nome, 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 42 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
data de nascimento, estado civil, residência, profissão, lugar onde exerce sua 
atividade, se é parente de alguma das partes e, em caso positivo, o grau de 
parentesco. 
§ 1º A testemunha prestará, na forma da lei, o compromisso de dizer a 
verdade sobre o que souber e lhe for perguntado. 
§ 2º Não prestam o compromisso de que trata o § 1º deste artigo os 
doentes e deficientes mentais, os menores de quatorze anos, nem os 
ascendentes, os descendentes, os afins em linha reta, o cônjuge, ainda que 
separado de fato ou judicialmente, e os irmãos do acusado, bem como pessoa 
que, com ele, tenha vínculo de adoção. 
Art. 22 As pessoas desobrigadas por lei de depor, em razão do dever de 
guardar segredo relacionado com a função, ministério, ofício ou profissão, desde 
que desobrigadas pela parte interessada, poderão dar o seu testemunho. 
Art. 23 Quando a residência do denunciante ou ofendido, da testemunha 
ou do acusado estiver situada em localidade diferente daquela em que foi 
instaurado PADS, no país ou no exterior, e ocorrendo impossibilidade de 
comparecimento para prestar depoimento, a inquirição poderá ser realizada por 
meio de carta precatória, expedida pelo encarregado. 
Parágrafo único. No caso de expedição de carta precatória, o acusado 
deverá ser notificado para, querendo, apresentar, no prazo de 02 (dois) dias 
corridos, os quesitos que julgar necessários ao esclarecimento do fato objeto do 
PADS. 
Art. 24 Constará da carta precatória, o ofício com pedido de inquirição, 
a cópia da portaria de instauração do PADS e a relação das perguntas a serem 
feitas ao inquirido, devendo o Comandante da OBM destinatária dar tratamento 
de urgência à tramitação da solicitação. 
Art. 25 As testemunhas deverão ser ouvidas, individualmente, de modo 
que uma não conheça o teor do depoimento da outra. 
Art. 26 Os depoimentos serão tomados em dia com expediente na OBM, 
no período compreendido entre oito e dezoito horas, salvo em caso de urgência 
inadiável, devidamente justificada pelo encarregado, em termo constante dos 
autos. 
§ 1º O depoente não será inquirido por mais de quatro horas contínuas, 
sendo-lhe facultado o descanso de trinta minutos, sempre que tiver de prestar 
declarações além daquele tempo. O depoimento que não for concluído até as 
dezoito horas será encerrado, para prosseguir no dia seguinte, em hora 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 43 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
determinada pelo encarregado, salvo casos excepcionais inadiáveis, o que 
deverá constar do respectivo termo. 
§ 2º Não havendo expediente na OBM no dia seguinte ao da interrupção 
do depoimento, a inquirição deve ser adiada para o primeiro dia em que houver 
salvo em caso de urgência inadiável, devidamente justificada. 
§ 3º Se a pessoa ouvida for analfabeta ou não puder assinar o termo de 
inquirição, o encarregado da inquirição deve solicitar que ela indique alguém 
para assinar a seu rogo, depois de lido na presença de ambos, juntamente com 
mais duas testemunhas, lavrando no respectivo termo o motivo do impedimento 
e eventual recusa de indicação por parte do depoente. 
Art. 27 O denunciante ou ofendido e o acusado poderão indicar cada 
um, até três testemunhas, podendo o encarregado, se julgar necessário à 
instrução do procedimento, ouvir outras testemunhas. 
Parágrafo único: Nas inquirições em geral, o encarregado poderá, 
quando as circunstâncias assim o indicarem, providenciar a presença de duas 
testemunhas instrumentárias, se possível de maior precedência ou do mesmo 
círculo hierárquico do inquirido, para assistirem ao ato, as quais prestarão 
compromisso de guardar sigilo sobre o que for dito na audiência. 
Art. 28 As testemunhas do denunciante ou ofendido serão ouvidas antes 
das do acusado. 
Art. 29 Será admitida a realização de acareação sempre que houver 
divergência em declarações prestadas sobre o fato. 
Art. 30 O encarregado, ao realizar acareação, esclarecerá aos 
depoentes os pontos em que divergem. 
Art. 31 No decorrer do PADS, se for verificado algum impedimento, o 
encarregado levará o fato ao conhecimento da autoridade instauradora para, 
caso acolha motivadamente os argumentos, designar, por meio de portaria, novo 
encarregado para concluí-la. 
Art. 32 O PADS, em regra, será ostensivo, podendo, conforme o fato em 
apuração, ser classificado, desde o início ou em seu curso, como sigiloso - pela 
autoridade nomeante ou, no caso de juntada de documentos sigilosos, pelo 
encarregado - hipótese em que a restrição de acesso não alcançará o acusado 
nem seu advogado, caso tenha sido devidamente constituído. 
Art. 33 Os recursos dos militares e os procedimentos aplicáveis na 
esfera disciplinar são os prescritos no Regulamento Disciplinar da Polícia Militar 
(RDPM). 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 44 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
Art. 34 Os casos omissos serão resolvidos pelo Comandante do 
CBMRO. 
Art. 35 Integram a presente Instrução Geral os modelos exemplificativos 
anexos, que deverão ser adaptados conforme cada caso. 
 
OBSERVAÇÃO: Os anexos encontram-se disponíveis no site do CBMRO, no 
final da Norma Geral que versa sobre PADS. 
 
11. VEDAÇÃO DA PENA DE PRISÃO DE NATUREZA DISCIPLINAR 
 
 
A edição da Lei N. 13.967, de 26 de dezembro de 2019, alterou-se 
recentemente o Art. 18 do Decreto-Lei n.º 667, de 2 de julho de 1969, que, por 
sua vez, extinguiu a pena de prisão disciplinar para as Polícias Militares e os 
Corpos de Bombeiros Militares dos Estados, dos Territórios e do Distrito Federal. 
Vejamos os termos da Lei mencionada: 
LEI Nº 13.967, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2019 
Altera o art. 18 do Decreto-Lei nº 667, de 2 de julho de 1969, para 
extinguir a pena de prisão disciplinar para as polícias militares e os 
corpos de bombeiros militares dos Estados, dos Territórios e do Distrito 
Federal, e dá outras providências. 
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso 
Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: 
Art. 1º Esta Lei altera o Decreto-Lei nº 667, de 2 de julho de 1969, que 
reorganiza as polícias militares e os corpos de bombeiros militares dos 
Estados, dos Territórios e do Distrito Federal. 
Art. 2º O art. 18 do Decreto-Lei nº 667, de 2 de julho de 1969, passa a 
vigorar com a seguinte redação: 
“Art. 18. As polícias militares e os corpos de bombeiros militares 
serão regidos por Código de Ética e Disciplina, aprovado por lei 
estadual ou federal para o Distrito Federal, específica, que tem por 
finalidade definir, especificare classificar as transgressões disciplinares 
e estabelecer normas relativas a sanções disciplinares, conceitos, 
recursos, recompensas, bem como regulamentar o processo 
administrativo disciplinar e o funcionamento do Conselho de Ética e 
Disciplina Militares, observados, dentre outros, os seguintes princípios: 
I - dignidade da pessoa humana; 
II - legalidade; 
III - presunção de inocência; IV - devido processo legal; 
IV - contraditório e ampla defesa; 
V - razoabilidade e proporcionalidade; 
VI - vedação de medida privativa e restritiva de liberdade.” (NR) 
Art. 3º Os Estados e o Distrito Federal têm o prazo de doze meses 
para regulamentar e implementar esta Lei. 
Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. 
Brasília, 26 de dezembro de 2019; 198º da Independência e 131º da 
República. (grifo nosso) 
 
Ao se falar em prisão disciplinar nessa nova legislação, esse termo 
compreende qualquer medida disciplinar privativa ou restritiva de liberdade, a 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 45 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
exemplo da prisão disciplinar, detenção disciplinar, permanência disciplinar ou 
custódia disciplinar, penas hoje previstas em regulamentos disciplinares de 
diversas instituições militares estaduais. 
No âmbito da Policia e Corpo de Bombeiros Militar do Estado de 
Rondônia está em vigor o Decreto n° 24.965, de 22 de abril de 2020, qua alterou, 
acrescentou e revogou dispositivos do Regulamento Disciplinar da Polícia Militar 
do Estado de Rondônia (RDPM-RO), aprovado pelo Decreto n° 13.255, de 12 de 
novembro de 2007. No Art. 41, parágrafo 3°, extinguiu as medidas privativas e 
restritivas de liberdade, mantendo seus efeitos administrativos até a edição do 
Código de Ética e Disciplina Militar, vejamos o referido dispositivo: 
“Art. 41 ..................................................................................................... 
§ 3° Ficam extintas as execuções de medidas privativas e 
restritivas de liberdade, de caráter disciplinar, no âmbito da Polícia 
Militar e do Corpo de Bombeiros Militar de Rondônia, nos termos da Lei 
n° 13.967, de 26 de dezembro de 2019, que alterou o art. 18 do Decreto-
Lei n° 667, de 2 de julho de 1969, e assim extinguiu a pena de prisão 
disciplinar para as Polícias Militares e os Corpos de Bombeiros Militares 
dos Estados, dos Territórios e do Distrito Federal, mantendo-se os 
demais efeitos administrativos, em especial, o registro da punição 
em Ficha Individual, a subtração da pontuação equivalente e a 
reclassificação do comportamento, até a edição do Código de Ética 
e Disciplina Militar.” 
 
12. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 
A pesquisa bibliográfica apresentada, teve por escopo a reunião de 
subsídios devidamente fundamentados que procurou abordar de forma sucinta, 
alguns temas que estão ligados a carreira Bombeiro Militar. 
Assim, reforça-se a importância do tema apresentado nesta disciplina, 
não só para os que lidam com as atividades administrativas disciplinares na 
Corporação, mas, também para a sociedade que exige (e tem esse direito) que 
o Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Rondônia - CBMRO preste um 
serviço de excelência, inclusive considerando a licitude, por parte de seus 
integrantes, durante o exercício das atividades de bombeiros. 
Noções de Direito Administrativo Disciplinar Militar 46 
Curso de Formação de Cabo Bombeiro Militar – CFC BM 2021 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
ALEXANDRINO, M.; PAULO, V. Direito Administrativo. 8 ed. Rio de Janeiro: 
Impetus, 2005, p. 14. 
 
BRASIL. Código de Processo Penal Militar. Decreto lei nº 1.002 de 21 de 
outubro de1969. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto- 
Lei/Del1002.htm>. Acesso em: 11 fev. 2021. 
 
 . Código Penal Militar. Decreto lei nº 1.001 de 21 de outubro de1969. 
Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del1001.htm>. 
Acesso em: 11 fev. 2021. 
 
 . Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: 
Senado Federal: Centro Gráfico, 1988. 
 
CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 27. 
ed. São Paulo: Atlas, 2014 
 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DE RONDÔNIA. Norma Geral 
N.001/CORREGEBOM/2018. Normas gerais para a realização de sindicância no 
âmbito do CBMRO. Disponível em: 
<https://www.cbm.ro.gov.br/index.php/pages/corregedoria>. Acesso em: 12 fev. 
2021. 
 
Direito administrativo descomplicado I Marcelo Alexandrino, Vicente Paulo. - 25. 
ed. rev. e atual. - Rio de Janeiro : Forense; São Paulo : MÉTODO, 2017. 
 
MEIRELLES, Hely Lopes, Direito AdministrativoBrasileiro. 35ª Ed. São Paulo: 
Malheiros, 2009. 
 
 . Norma Geral N.002/CORREGEBOM/2018. Normas gerais para a 
realização de PADS no âmbito do CBMRO. Disponível em: 
<https://www.cbm.ro.gov.br/index.php/pages/corregedoria>. Acesso em: 12 fev. 
2021. 
 
Manual operacional de bombeiros: apuração de infrações disciplinares (PAD, 
Sindicância e IPI) / Corpo de Bombeiros Militar. – Goiânia: - 2017. 58 p.: il. 
 
 . Decreto N. 13.255, de 12 de novembro de 2007. Aprova o 
Regulamento Disciplinar da Polícia Militar do Estado de Rondônia. Coletânea de 
legislação Federal e Estadual de interesse do Corpo de Bombeiros Militar do 
Estado de Rondônia. 10ª ed. Rondônia, 2012. 
 
SANTOS. Frederico Fernandes dos, O que são princípios? Suas fases, 
distinções e juridicidade. 2015. Disponível em: < 
https://jus.com.br/artigos/45194/o-que-sao-principios-suas-fases-distincoes-e- 
juridicidade>. Acesso em: 10 fev. 2021. 
 
 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del1001.htm
http://www.cbm.ro.gov.br/index.php/pages/corregedoria
http://www.cbm.ro.gov.br/index.php/pages/corregedoria
http://www.cbm.ro.gov.br/index.php/pages/corregedoria
http://www.cbm.ro.gov.br/index.php/pages/corregedoria

Mais conteúdos dessa disciplina