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Material Teórico 
Direito Administrativo 
Disciplinar Militar 
 
 
Prof. Ms. Cícero Robson Coimbra Neves 
cod DirAdmDMil_202009_aUnica 
 
 
 
 
2 
 
UNIDADE 01 
 
A Contextualização do Regime Jurídico Diferenciado Aplicável 
aos Militares 
 
 
A fim de compreender a abordagem do Direito Administrativo Disciplinar 
Militar inicialmente são necessárias algumas considerações sobre as Forças 
Armadas e as Polícias Militares, haja vista que seus integrantes na condição de 
militares federais e estaduais estarão sujeitos a um regime jurídico 
diferenciado, no qual, a hierarquia e a disciplina serão aspectos determinantes 
na análise do exercício do poder disciplinar e da eventual aplicação de sanção 
por parte das autoridades competentes. 
 
A Constituição Federal, no Título V ( Da Defesa do Estado e das 
Instituições Democráticas), Seção III (Disposições Gerais), Capítulo II ( Das 
Forças Armadas) em seu artigo 142 estabelece que as Forças Armadas, 
constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições 
nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na 
disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-
se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de 
qualquer destes, da lei e da ordem e por força do § 3º os membros das Forças 
Armadas são denominados militares. 
 
No que tange as Polícias Militares a Constituição Federal, no Título V 
(Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas), Capítulo III (Da 
Segurança Pública), art. 144 § 5º, previu taxativamente caber às Polícias 
Militares a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública, enquanto aos 
Corpos de Bombeiros Militares a execução das atividades de defesa civil, além 
das atribuições definidas em lei, considerando-os, ainda, forças auxiliares e 
reserva do Exército. 
 
 
 
 
 
3 
 
No título III (Da organização do Estado), Capítulo VII (Da Administração 
Pública), Seção III (Dos Militares dos Estados, Do Distrito Federal e dos 
Territórios), em seu art. 42 foi estabelecido que os membros das Polícias 
Militares e Corpos de Bombeiros, instituições organizadas com base na 
hierarquia e disciplina, são militares dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Territórios. 
 
Neste contexto inicial, as atribuições das Forças Armadas, organizadas 
com base na hierarquia e na disciplina, para a defesa do Estado e das 
Instituições Democráticas de acordo com o texto constitucional, serão 
exercidas por meio da defesa da Pátria, da garantia dos poderes constituídos 
e, por iniciativa de qualquer destes poderes, da lei e da ordem. 
 
A Constituição Federal considerou ainda a segurança pública como 
dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, exercidos por órgãos 
taxativos, dentre eles, a Polícia Militar, competindo-a a polícia ostensiva e a 
preservação da ordem pública. 
 
A Constituição Federal ao abordar a questão da preservação da ordem 
pública em seu “caput” do art. 144, elencou os diversos órgãos responsáveis 
por tal mister ( Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Ferroviária 
Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e Corpos de Bombeiros Militares), no 
entanto, reiterou no § 5º a competência da preservação da ordem pública, 
contida no “caput” do mencionado art., de forma expressa a Polícia Militar, 
demonstrando o legislador constituinte uma preocupação com a segurança e 
integridade das pessoas, atribuindo, especificamente a um dos órgãos uma 
obrigação diferenciada, como se em caso de comprometimento, por inúmeros 
motivos, dos demais órgãos elencados, somente um deles tivesse acima de 
qualquer convulsão social que pudesse paralisar os demais, cabendo assim, 
aos integrantes da Polícia Militar a preservação da ordem pública, a fim de 
garantir as condições mínimas de convívio social, razão pela qual, haveria a 
necessidade de que os policiais militares não estivessem sujeitos ao mesmo 
conjunto de normas dos demais servidores, por tal motivo, para atingir a 
plenitude da missão, é que lhe foi atribuída pela Constituição Federal um 
 
4 
regime jurídico diferenciado aplicável aos seus integrantes, além de ser força 
auxiliar e reserva do Exército, exatamente para garantir a ordem pública em 
períodos de grave perturbação social que pudesse colocar em risco os poderes 
constituídos. 
 
Para a consecução das atribuições aos integrantes das Forças Armadas 
e das Polícias Militares, no próprio Texto Constitucional foram estabelecidas 
algumas peculiaridades impostas aos seus integrantes constituindo um 
verdadeiro regime jurídico diferenciado. 
 
No Título II (Dos Direitos e Garantias Fundamentais) da Carta Magna, 
em seu art. 5°, inciso LXI, estabeleceu que ninguém será preso senão em 
flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária 
competente, salvo nos casos de transgressão disciplinar ou crime propriamente 
militar, definidos em lei. 
 
Prosseguiu a Lei Maior em seu § 1° do art. 42, que se aplicam aos 
militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios, além do que vier a 
ser fixado em lei, as disposições aplicáveis às Forças Armadas, como por 
exemplo as disposições do art. 14, § 8° (elegibilidade do militar), o art. 142 § 
2°(não caberá habeas corpus em relação a punições disciplinares) e § 3°, do 
qual ressaltamos os incisos IV (ao militar são proibidas a sindicalização e a 
greve), V (o militar, enquanto em serviço ativo, não pode estar filiado a partidos 
políticos) e o inciso X cuja matéria deverá ser tratada por lei estadual 
específica (limites de idade, a estabilidade e outras condições de transferência 
do militar para a inatividade, os direitos, os deveres, a remuneração, as 
prerrogativas e outras situações especiais dos militares, consideradas as 
peculiaridades de suas atividades). 
 
Percebe-se, de plano, que a própria Constituição Federal conferiu aos 
integrantes das Forças Armadas e das Polícias Militares no Título da Defesa do 
Estado e das Instituições Democráticas a condição de militares e de militares 
dos Estados, sujeitos a um regime jurídico diferenciado, em virtude das 
peculiaridades de suas atividades, enfatizando a questão da hierarquia e da 
disciplina como princípios constitucionais; vedou a sindicalização e a greve, 
 
5 
além da filiação partidária enquanto no serviço ativo, e ainda, a sujeição a uma 
legislação penal especial, de natureza castrense, na qual não incidem alguns 
benefícios próprios do campo penal comum. 
 
É cediço que toda a Administração Pública é regida pela hierarquia e 
disciplina, porém quis o legislador constitucional que nas Instituições Militares 
tais valores tivessem envergadura constitucional expressa, visando justamente 
atender ao interesse público vinculado no plano federal à defesa da Pátria, à 
garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei 
e da ordem e no plano estadual vinculado a polícia ostensiva e a preservação 
da ordem pública, com reflexos, por consequência, na apuração da conduta 
disciplinar de seus integrantes. 
 
É justamente estes padrões próprios de conduta e valores que será vista 
adiante, que tornam os militares diferenciados, refletindo, consequentemente, 
na avaliação das condutas transgressionais e na eventual aplicação de sanção 
disciplinar, demonstrando, a importância do estudo do Direito Administrativo 
Disciplinar Militar. 
 
O art. 22 da Constituição Federal, com alteração da Emenda 
Constitucional No. 103/2019 determinou que compete exclusivamente à União 
legislar sobre: XXI – as normas gerais de organização, efetivos, material bélico, 
garantias, convocação, mobilização, inatividades e pensões das polícias 
militares e dos corpos de bombeiros militares. 
 
De fato, nos lembra o prof. Dr. Reinaldo Zychan de Moraes que as 
normas de organização, em termos gerais serão de competênciamas não houver prejuízo às partes ou à verdade substancial a 
nulidade não deve ser declarada. 
 
6.8 Duração Razoável do Processo 
 
Em todos os ordenamentos processuais disciplinares militares 
temos a previsão de prazos impostos à administração para que o processo não 
fique “parado” ou se arraste por tempo indeterminado. Tais prazos visam 
garantir a celeridade do rito, sem ofender o devido processo legal, não sendo 
aceitável que por motivo injustificado a apuração disciplinar não tenha um 
desfecho adequado com relação ao que se propõe. 
É importante apenas ressalvar que os prazos impostos à 
administração para andamento do processo são definidos como “prazos 
impróprios”, pois não teriam o condão de anular o feito, podendo apenas 
redundar em punição disciplinar em casos de descumprimento. 
 
6.9 Duplo Grau de Decisão Administrativa 
 
O princípio do duplo grau de jurisdição é entendido, por alguns 
doutrinadores como de extensão obrigatória ao processo disciplinar. 
Realmente, a maioria dos regulamentos e instruções processuais militares 
preveem a possibilidade de recursos disciplinares, geralmente intitulados de 
“reconsideração de ato” (decidido pela mesma autoridade) e “recurso 
hierárquico” (decidido pela autoridade superior). Quando há a previsão dos 
recursos não há dúvidas de que a impetração é direito do acusado nos termos 
do art. 5º da Constituição Federal: 
 
41 
 
Constituição Federal 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de 
qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos 
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à 
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, 
nos termos seguintes: 
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e 
aos acusados em geral são assegurados o contraditório e 
ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; 
Deste modo, resta claro que o princípio do duplo grau de decisão administrativa 
só é garantido ante uma previsão legal, se esta inexistir não se reconhece, no 
âmbito jurisprudencial qualquer violação aos preceitos constitucionais. 
 
UNIDADE 07 
 
Fases do Processo Administrativo Disciplinar Militar 
 
As fases do processo disciplinar militar são, em regra, as seguintes: 
 
• Instauração: normalmente instaurado mediante portaria, na instauração é 
definida a(s) imputação(ões) que será(ão) objeto do processo. 
• Instrução: produção de provas com observância do devido processo legal, 
especialmente no que se refere à ampla defesa e ao contraditório; 
• Defesa: prazo para que a defesa se manifeste sobre tudo que foi produzido 
no processo; 
• Relatório: relatório elaborado pelo responsável pela instrução em que 
consta tudo que foi produzido e todos os incidentes ocorridos, além de 
opinião acerca da caracterização, ou não, da transgressão disciplinar 
apurada. 
• Decisão: decisão da autoridade competente para julgamento do feito. 
 
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UNIDADE 08 
 
Processo Administrativo Disciplinar – Espécies 
 
8.1 Introdução 
 
As instituições militares estabelecem diferentes “ritos procedimentais” 
entre os processos destinados a excluir os militares pelo cometimento de 
transgressões disciplinares de natureza grave e àqueles destinados a 
simplesmente aplicar sanções não exclusórias com o objetivo precípuo de 
reeducar o militar faltoso. 
Esta diferenciação é necessária para contrabalancear o direito de defesa 
e a manutenção da disciplina e da hierarquia. As sanções mais simples, ou de 
menor gravidade, precisam ser aplicadas de modo mais célere, sem que sejam 
menosprezadas as garantias e direitos constitucionais. 
As sanções exclusórias também devem ser aplicadas, quando 
necessárias, de modo célere, contudo, em virtude da gravidade dos fatos e, por 
tal razão, grave perturbação à disciplina e à hierarquia, a tensão do momento e 
normal repulsa aos fatos apurados, podem fazer com que, de maneira 
indevida, direitos e garantias constitucionais sejam colocados de lado em 
decorrência da necessidade do restabelecimento dos princípios institucionais. 
 
Procedimento x Processo 
 
A diferença é destacada pela doutrina disciplinar militar: “Procedimento 
nada mais é do que a forma como o processo é realizado. Processo é formado 
por um conjunto de atos, por meio dos quais se chegará a uma decisão. Logo, 
o processo é formado por vários procedimentos (...)” (Ailton Soares, Roberto de 
Jesus Moretti e Ricardo Juhás Sanches. O regulamento disciplinar da Policia 
Militar do Estado de São Paulo Comentado. 3ª ed. São Paulo: Atlas. 2006. p. 
170). 
 
 
 
 
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8.2. Processos Disciplinares para Aplicação de Sanções de Natureza Não 
Exclusória 
 
Cada Instituição Militar possui uma nomenclatura própria para estes 
procedimentos que formarão o processo de apuração das transgressões 
disciplinares. 
A título de exemplo, a normatização adotada pelo Exército Brasileiro 
estabelece que a Sindicância irá desenvolver-se respeitando-se o direito à 
ampla defesa e o contraditório, entretanto, caso haja constatação de uma 
transgressão disciplinar, é necessária a elaboração de um Formulário de 
Apuração de Transgressão Disciplinar. 
Outras Instituições, a exemplo da Polícia Militar de Minas Gerais, 
adotam procedimentos diversos a depender do modo como a transgressão 
disciplinar é apurada inicialmente. Aquela instituição estabelece que as 
transgressões disciplinares que não ensejarão sanções exclusórias poderão 
ser apuradas por meio de “Sindicância Regular” (arts. 30 a 84 do 
MAPPAD/PM), de “Procedimento Sumário” (art. 85 a 89 do MAPPAD/PM), de 
um procedimento decorrente da “Comunicação Disciplinar” (arts. 90 a 97 do 
MAPPAD/PM), procedimento este que também é aplicável aos casos de 
transgressões disciplinares apuradas por meio de Inquérito Policial Militar ou 
Auto de Prisão em Flagrante Delito (arts. 98 a 100 do MAPPAD/PM). 
 
Finalizando um rol, apenas exemplificativo, dada a diversidade das 
instituições militares, pode-se citar o modelo adotado pela Polícia Militar do 
Estado de São Paulo em que, independentemente do modo como é 
identificada a notícia de uma transgressão disciplinar (comunicação, 
sindicância, inquérito policial militar, auto de prisão em flagrante delito, etc), a 
imposição de sanções disciplinares de natureza não exclusória só será imposta 
após a apuração dos fatos por meio de um “procedimento disciplinar” (arts 
27 a 30 do Regulamento Disciplinar da Polícia Militar do Estado de São Paulo – 
LC 893/01). 
 
44 
Independentemente dos procedimentos ou nomenclaturas 
adotadas, o importante é a observância dos princípios processuais que 
garantem o “devido processo legal”, desta forma, imprescindível que a 
apuração se desenvolva, a partir da instauração, em que será definida a 
imputação que recairá sobre o acusado, com a possibilidade de uma fase 
instrutória após a qual deverá ser aberto um prazo para apresentação de 
defesa pelo acusado. Com o recebimento da defesa é necessária a elaboração 
do relatório por parte da autoridade responsável pela instrução e finalmente, o 
julgamento pela autoridade competente. 
 
8.3 Processos Disciplinares para Aplicação de Sanções de Natureza 
Exclusória 
 
Se, no que tange aos processos disciplinares de natureza 
não exclusória, as diferenças entre as instituições militares vão desde a 
nomenclatura até o rito procedimental, havendo uma grande variação, 
quando são analisados os processos de natureza exclusória pode-se 
perceber que as diferenças ainda existem mas são atenuadas. Prevalecem 
as denominações de Conselho de Disciplina (para praças estáveis) e 
Conselho de Justificação (para Oficiais). Até mesmo no que tange aos ritos 
procedimentais as diferenças são reduzidas, pois a legislação federal, em 
alguns casos, é aplicada na esfera estadual. 
 
8.3.1. Tipos 
 
• Praças não estáveis 
Quando mencionamos as espécies de sanções disciplinares, 
ressaltamos que as praçasnão estáveis, em algumas instituições, não 
são demitidas, mas sim “licenciadas a bem da disciplina”, ou seja, 
ficam sujeitas a uma sanção disciplinar que, apesar de ser exclusória, 
é diversa da aplicável às praças estáveis. 
 
45 
Se em algumas instituições não há esta diferenciação quanto à 
sanção a ser aplicada, mas na maioria delas encontraremos um 
processo específico para excluir praças não estáveis dos quadros 
da instituição. Por exemplo em Minas Gerais, ao lado do PAD 
(processo aplicável às praças estáveis – três anos ou mais de 
serviço e aos Oficiais), no Estado de São Paulo, ao lado do 
Conselho de Disciplina (aplicável às praças com dez anos ou mais 
de serviço) há o PAD (Processo Administrativo-Disciplinar aplicável 
às praças com menos de dez anos de serviço). 
Como pode ser percebido, a nomenclatura e o tempo de serviço 
considerado para adquirir a “estabilidade” são distintos, contudo, 
em regra, os processos aplicáveis para exclusão das praças sem 
estabilidade desenvolvem-se com rito semelhante com a única 
diferença de que no caso das praças “estáveis” é constituído um 
Conselho ou uma Comissão Processante para instrução probatória 
ao passo que nos processos destinados às praças “não-estáveis” 
não se constitui este Conselho sendo o feito instruído sob a 
presidência, geralmente, de um Oficial. 
Um outro detalhe interessante é que, em algumas instituições apenas 
o Comandante-Geral é competente para aplicar sanções exclusórias, 
seja a praça estável ou não e, em outros casos, o Comandante- Geral 
é o único competente para excluir a praça “estável” podendo a praça 
“não-estável” ser excluída por autoridades com nível de Comando 
abaixo do Comandante-Geral. 
 
• Praças Estáveis (Conselho de disciplina - Decreto Federal 
71.500/72) 
No que toca à praça estável, em regra, a denominação adotada pela 
maioria das instituições é a do “Conselho de Disciplina” em que 
normalmente três Oficiais são nomeados para comporem um 
Conselho que será responsável pela instrução probatória 
(interrogatório, oitiva de testemunhas, demais diligências) e emissão, 
ao final da instrução e após a defesa, de um relatório em que se 
 
46 
opinará pela comprovação, ou não, da transgressão apurada e a 
sanção disciplinar que entendem cabíveis. 
Muitas instituições, inclusive adotam o rito procedimental previsto no 
Decreto Federal nº 71.500/72 que versa sobre o Conselho de 
Disciplina no âmbito das forças armadas. Outras instituições optaram 
por normatizar no âmbito interno, mas de modo muito próximo ao 
previsto no Decreto Federal. 
Uma exceção cujos resultados práticos merecem ser objeto de estudo 
minucioso é o caso de Minas Gerais em que, além de estabelecer um 
único processo e rito para o caso de Praças e Oficiais (Processo 
Administrativo-Disciplinar), previu a possibilidade de Praças, mais 
antigos do que o militar acusado, integrarem a Comissão Processante 
deste feito. 
Por fim, em regra, a exclusão é decidida pelo Comandante-Geral da 
instituição. Sob esta questão de competência, é bom relembrar que 
apesar da discussão jurisprudencial acerca da competência do 
Comandante-Geral em excluir as Praças da instituição, por força da 
previsão do art. 125 § 4º da Constituição Federal, o Supremo Tribunal 
Federal editou a Súmula 673 estabelecendo que referida previsão 
limita-se ao aspecto criminal e não impede a exclusão das praças e 
consequente perda da graduação em decorrência do cometimento de 
transgressões disciplinares. 
 
• Oficiais (Conselho de Justificação - Lei Federal nº 5.836/72) 
(PMMG - PAD) 
A exclusão dos Oficiais das fileiras de uma instituição militar, seja ela 
federal ou estadual, não pode decorrer de uma decisão 
administrativa. Isto porque, ao excluir o Oficial da instituição, 
consequentemente estar-se-á decretando a perda de seu posto e 
patente, competência esta que a Constituição Federal atribui apenas 
ao Poder Judiciário. 
A previsão inserta nos incisos VI e VII do §3º do Art. 142 da 
Constituição Federal define esta “prerrogativa de foro” aos Oficiais 
 
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das Forças Armadas sendo que o art. 42 da mesma Carta determina 
que referidos dispositivos, dentre outros, também sejam aplicados 
em âmbito estadual. 
A Constituição Federal determina que apenas o Tribunal competente 
poderá decidir sobre a perda do posto e da patente dos Oficiais, 
contudo, não estabelece restrições quanto ao modo como este 
processo, que deve terminar no âmbito do Poder Judiciário, se 
iniciará. Assim, pode a legislação infraconstitucional estabelecer um 
processo administrativo-disciplinar, que se inicia e é instruído no 
âmbito administrativo, e que, caso seja decidido pela perda do posto 
e da patente dos Oficiais, seja encaminhado ao Poder Judiciário. 
Este, em linhas gerais, foi o rito previsto pela Lei nº 5.836/72 que 
estabeleceu o Processo disciplinar destinado à apuração de atos 
praticados por Oficiais das Forças Armadas que possam ensejar na 
sua demissão e consequente perda do posto e da patente (ou o 
contrário tendo em vista que primeiro decide-se pela perda do posto 
e da patente no âmbito do Poder Judiciário para depois ser 
declarada sua demissão no âmbito administrativo). 
 
Na esfera estadual, cada estado pode, por meio de legislação 
estadual, estabelecer o modo pelo qual os Oficiais serão 
responsabilizados disciplinarmente pelas transgressões disciplinares 
graves que podem ensejar a perda do posto e da patente, desde que 
respeitem os dispositivos constitucionais acerca da competência do 
Tribunal para decretação da perda do posto e da patente dos 
oficiais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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UNIDADE 09 
 
Recursos 
 
As espécies de recursos disciplinares previstas no regulamento 
disciplinar da Polícia Militar do Estado de São Paulo são também as espécies 
geralmente encontradas nos diversos ordenamentos disciplinares. 
Tradicionalmente, no âmbito disciplinar, não apenas militar, são 
encontrados o pedido de reconsideração de ato (destinado à própria 
autoridade a fim de que ela reconsidere a decisão adotada) e o “recurso 
hierárquico” (destinado à autoridade imediatamente superior àquela que 
decidiu). 
Além destes recursos, chamados próprios, é frequente, também, há 
previsão de outros instrumentos que objetivam levar possíveis 
questionamentos não solucionados, no entender da defesa, no âmbito destes 
dois recursos à autoridades superiores. A nomenclatura atribuída a estes 
instrumentos é variada (no âmbito do Estado de São Paulo, por exemplo, 
denomina-se representação), mas normalmente não impedirão a execução da 
sanção disciplinar, ou seja, não terão “efeito suspensivo” 
 
9.1. Requisitos ou Pressupostos de Admissibilidade 
 
Cada espécie de recurso possui seus requisitos ou 
pressupostos de admissibilidade, que se dividem normalmente em 
pressupostos objetivos (cabimento, adequação, tempestividade e inexistência 
de fatos extintivos ou impeditivos) e pressupostos subjetivos (interesse jurídico 
e legitimidade). 
 
 
 
 
 
49 
 
 
UNIDADE 10 
 
Revisão dos Atos Disciplinares 
 
Como a própria denominação dispõe, revisão significa rever, reanalisar 
os atos disciplinares e esse poder de revisão dos atos disciplinares decorre 
diretamente da denominada Autotutela da Administração Pública. 
Aplicável a todas as áreas de atuação da Administração Pública e não 
apenas no que diz respeito ao direito disciplinar, o princípio da Autotutela 
fundamenta o poder revisional das autoridades disciplinares superiores. Desta 
forma, as autoridades previstas nos regulamentos disciplinares como 
competentes para aplicação de sanções disciplinares poderão rever, de ofício 
ou por via recursal, os atos disciplinares praticados pelas autoridades a ela 
subordinadas. 
O modo pelo qual este poder é exercido no âmbito disciplinar é 
normalmente expresso nos regulamentos disciplinares e códigos de ética e 
disciplinapelas modalidades de retificação, atenuação, anulação e agravação. 
 
10.1 Retificação 
 
Retificação consiste na correção de irregularidades formais dos 
atos disciplinares. Refere-se a correções de erros que não alteram a essência 
do ato disciplinar praticado. 
Um ato retificador irá retificar, por exemplo, erros quanto aos 
dados do militar, números do processo, datas inseridas que não tragam 
prejuízo à ampla defesa e ao contraditório, visto que, se os erros ocasionarem 
prejuízo, trata-se de anulação e não de retificação. Deste modo, a retificação 
tem por objetivo muito mais controles administrativos do que reflexos 
processuais ou materiais da questão disciplinar, que não são abrangidos por 
este ato revisional. 
 
 
50 
10.2 Atenuação 
 
Atenuação consiste no ato de atenuar a sanção aplicada, 
substituindo-a por ato de menor grau. 
Vale lembrar que a atenuação diz respeito à discricionariedade 
do ato disciplinar e não à sua legalidade. Ou seja, o ato não é atenuado por 
conter irregularidades, mas sim porque a autoridade disciplinar superior, teve 
entendimento, discricionário, diverso da autoridade disciplinar que praticou o 
ato atenuado. 
 
10.3 Anulação 
 
A anulação diz respeito à legalidade do ato. Não é necessário 
que a Administração Militar, ao verificar uma ilegalidade praticada, aguarde o 
pronunciamento do Poder Judiciário para anular o ato. Deste modo, evita-se 
que um ato ilegal propague seus efeitos por tempo desnecessário e 
extremamente prejudicial tanto para a sociedade (nela incluída os 
administrados – os militares) quanto para a Administração. 
 
10.4 Agravação 
 
Agravação, ao contrário da atenuação, significa a piora da 
situação do punido. Neste caso a autoridade disciplinar superior à autoridade 
que aplicou a sanção baseada em uma análise discricionária distinta, entende 
ser cabível uma sanção mais gravosa. 
Assim como a atenuação, não se refere à qualquer 
irregularidade do ato, mas sim à uma análise discricionária distinta. 
Os regulamentos disciplinares costumam prever 
expressamente a impossibilidade de se agravar a sanção em sede de recurso 
da defesa tendo em vista que tal prática poderia intimidar futuras impetrações 
de recursos e, consequentemente, cercear a ampla defesa e o contraditório. 
Em síntese, no que tange aos modos mais frequentes de 
revisão dos atos disciplinares, pode-se afirmar que a retificação limita-se à 
aspectos formais do ato, a atenuação e a agravação à aspectos discricionários 
e a anulação à ilegalidades intrínsecas ao ato disciplinar. 
 
 
51 
 
UNIDADE 11 
 
Emenda Constitucional Nº 45/04 
 
A competência jurisdicional relativa ao direito disciplinar militar com 
ênfase à sua alteração introduzida pela Emenda Constitucional nº 45 de 2004 
ampliou a competência da Justiça Militar estadual sem que fosse adotada a 
mesma opção no âmbito da União. 
 
11.1 Diferença entre JMU e JME 
 
Focando, portanto, a Justiça Militar estadual, vejamos a previsão 
dos §§ 4º e 5º do Art. 125 da Constituição Federal no que diz respeito à análise 
dos atos disciplinares militares: 
 
Art. 125. Os Estados organizarão sua Justiça, observados os 
princípios estabelecidos nesta Constituição: (…) 
§ 4º Compete à Justiça Militar estadual processar e julgar os 
militares dos Estados, nos crimes militares definidos em lei e as 
ações judiciais contra atos disciplinares militares, ressalvada a 
competência do júri quando a vítima for civil, cabendo ao 
tribunal competente decidir sobre a perda do posto e da 
patente dos oficiais e da graduação das praças. 
 
§ 5º Compete aos juízes de direito do juízo militar processar e 
julgar, singularmente, os crimes militares cometidos contra civis 
e as ações judiciais contra atos disciplinares militares, cabendo 
ao Conselho de Justiça, sob a presidência de juiz de direito, 
processar e julgar os demais crimes militares. (grifo nosso). 
 
Fica claro, assim, que a Justiça Militar estadual não possui apenas 
competência penal militar, pois, desde a alteração introduzida pela Emenda 
Constitucional nº 45/04 passou a analisar ações cíveis referentes aos atos 
disciplinares militares. Na maioria dos Estados, havendo apenas uma Auditoria 
ou Vara Militar, a questão deverá, então, ser analisada por estas Auditorias. 
Nos três Estados em que foram instituídos Tribunais de Justiça 
Militar, quais sejam, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, Estados 
 
52 
estes em que a Justiça Militar de 1ª instância não é constituída por uma única 
auditoria, a competência destas auditorias dependerá da normatização interna 
de cada tribunal. 
O mesmo não se pode dizer da competência para referida questão 
no âmbito da União, pois na esfera da Justiça Militar Federal não houve 
alteração de competência, ao contrário do ocorrido no âmbito estadual por 
força da Emenda Constitucional nº 45/04, desta forma, continua a Justiça 
Militar da União sendo competente, apenas, para julgamento dos crimes 
militares definidos em lei, nos termos do Art. 124: 
 
Art. 124. à Justiça Militar compete processar e julgar os crimes 
militares definidos em lei. 
 
 Atualmente, no que se refere à competência jurisdicional para 
análise dos atos disciplinares militares é diferenciada a depender da esfera das 
instituições militares. Na esfera estadual, os atos disciplinares militares 
praticados no âmbito das polícias e corpos de bombeiros militares (Militares 
dos Estados) poderão ser submetidos à apreciação da Justiça Militar Estadual, 
ao passo que na Esfera Federal, os atos disciplinares militares praticados no 
âmbito das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) serão 
analisados pela Justiça Federal (Comum). 
 
11.2 Atos Disciplinares Militares 
 
Em virtude do texto constitucional fixar a competência da 
Justiça Militar estadual para análise dos “atos disciplinares militares” é 
imprescindível a delimitação deste termo. 
Assim, a expressão “atos disciplinares militares” compreendem 
não apenas as sanções disciplinares, mas todos os atos fundamentados no 
direito disciplinar militar, em termos mais práticos, nas leis e normas que 
disciplinam o direito disciplinar militar no âmbito de cada Instituição. 
 
 
 
53 
11.3 Ações Mais Frequentes 
 
A competência jurisdicional para análise dos atos disciplinares 
militares introduz na Justiça Militar Estadual os ritos procedimentais previstos 
na legislação cível. Apesar de versar sobre atos “militares” a matéria referente 
aos atos administrativos disciplinares é civil, motivo pelo qual, a partir da 
Emenda Constitucional nº 45/04 pode-se observar a criação de divisões cíveis 
ou a tramitação de processos fundados no Código de Processo Civil, na Justiça 
Militar. 
Assim, ao se discutir sobre os meios de acionamento do Poder 
Judiciário para análise dos atos disciplinares militares, deve-se atentar para as 
possibilidades previstas no Código de Processo Civil ou legislações 
específicas: 
As hipóteses serão inúmeras, desde a simples anulação de 
uma punição disciplinar, até mesmo a reintegração daquele militar que, por 
hipótese foi excluído a bem da disciplina, que é uma punição disciplinar 
prevista no art. 94, VIII, do Estatuto dos Militares ou similares nos Estados e 
DF. Também as questões acerca do andamento dos processos administrativos 
de caráter disciplinar do Conselho de Justificação e Conselho de Disciplina, 
enquanto estiverem sendo processados nos quartéis, até mesmo, porque não, 
ações de indenizações por terem sido reintegrados na Força, tudo a exigir 
cálculos, liquidação de sentença, etc. 
 
• Mandado de Segurança 
Qualquer violação aos direitos do militar, fundada na normatização 
disciplinar militar, pode ser passível de análise por meio da impetração de 
Mandado de Segurança, nos termos da Constituição Federal e da Lei nº 
12.016/09. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
54 
 
Constituição Federal 
Art. 5º 
[...] 
LXIX - conceder-se-ámandado de segurança para proteger 
direito líquido e certo, não amparado por "habeas-corpus" ou 
"habeas-data", quando o responsável pela ilegalidade ou abuso 
de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica 
no exercício de atribuições do Poder Público; 
 
Lei nº 12.016/09 
Art. 1º Conceder-se-á mandado de segurança para proteger 
direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou 
habeas data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder, 
qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver 
justo receio de sofrê-la por parte de autoridade, seja de que 
categoria for e sejam quais forem as funções que exerça. 
 
Assim como em qualquer análise dos atos administrativos disciplinares, 
o Poder Judiciário só poderá analisar a legalidade do ato disciplinar 
militar e não o mérito administrativo. 
 
Talvez um dos requisitos mais importantes no que diz respeito ao 
Mandado de Segurança seja o prazo legal de 120 (cento e vinte dias) 
contados da data de conhecimento da ilegalidade por parte do militar 
vítima: 
 
 
Art. 23. O direito de requerer mandado de segurança extinguir-
se-á decorridos 120 (cento e vinte) dias, contados da ciência, 
pelo interessado, do ato impugnado. 
 
 
Isto porque, sendo possível apenas o questionamento acerca da 
legalidade do ato, a grande maioria dos processos judiciais contra atos 
disciplinares militares diz respeito à questões de direito e não de fato, ou 
seja, contestações de legalidade que, na maioria das vezes, prescindem 
 
55 
de produção de provas, cabendo, portanto, a impetração de Mandado de 
Segurança. 
 
Desta forma, se presentes os requisitos para impetração de Mandado de 
Segurança e não tendo ainda transcorridos os cento e vinte dias 
contados a partir da data de conhecimento do ato ilegal, este é o 
instrumento mais utilizado para submeter a questão à análise judicial. 
Presentes os demais requisitos, mas excedido o prazo decadencial 
previsto na lei (120 dias) será cabível apenas o ajuizamento das demais 
ações previstas no Código de Processo Civil sendo que a mais 
frequentemente utilizada trata-se da Ação Cível de rito ordinário, 
denominada, geralmente, na Justiça Militar estadual de “Ação Ordinária” 
(AO). 
 
 
• Ação cível de rito ordinário (AO) 
 
Uma questão também interessante no que diz respeito às ações ordinárias 
no âmbito da Justiça Militar estadual refere-se ao prazo prescricional para 
ingresso da ação. Apesar do Código Civil prever prazos prescricionais a 
depender do direito pleiteado, no âmbito da Administração Pública é cediço 
na Jurisprudência e doutrina a aplicação da prescrição quinquenal disposta 
no Decreto Federal nº 20.910/32: 
 
Em síntese, diante da impossibilidade de impetração de Mandado de 
Segurança, ou, entendendo ser mais adequado o ingresso de uma ação 
que admita instrução probatória, caberá ao militar o ajuizamento de Ação 
Cível de rito ordinário, no prazo de cinco anos, a contar da data de 
conhecimento do ato a ser impugnado, rito este que seguirá o disposto no 
Código de Processo Civil. 
 
 
 
 
 
 
56 
 
 
11.4 Principais Causas de Anulação dos Atos Disciplinares Militares 
 
Por óbvio que as discussões acerca da legalidade dos atos 
disciplinares militares por parte do Poder Judiciário não podem ser sintetizadas 
em poucas questões. As alegações e análises que são apresentadas no âmbito 
judicial acerca do direito disciplinar militar são inúmeras e impossíveis de 
serem elencadas taxativamente neste momento. 
 
Contudo, entendo relevante ao menos indicar as três principais 
causas de declaração de nulidade dos atos disciplinares militares por parte do 
Poder Judiciário, esta ciência é importante tanto para os militares que forem 
submetidos às ilegalidades quanto às autoridades disciplinares que busquem 
evitar tal consequência. 
 
Uma das principais causas diz respeito ao cerceamento de 
defesa, ou violação à ampla defesa e ao contraditório. É motivo de nulidade 
principalmente no caso de Instituições que ainda são reticentes ou não 
adequaram corretamente suas normas disciplinares aos preceitos 
constitucionais, apesar do informalismo presente nos processos disciplinares 
militares é imprescindível que o militar acusado, ainda que nos processos mais 
simples, tenha a oportunidade de contestar os elementos de prova que 
fundamentam a acusação e produza, caso sejam relevantes e pertinentes, as 
provas necessárias à sua defesa. É uma causa de nulidade que tende a ser 
mais baixa quanto maior o desenvolvimento da normatização e cultura 
processual da instituição militar. 
 
Uma outra causa também considerável diz respeito à violação 
aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Apesar de ser vedado 
ao Poder Judiciário adentrar ao mérito administrativo, algumas vezes a 
Administração Militar pode aplicar uma sanção disciplinar aparentemente 
fundamentada no texto legal, mas conflitante com a “essência” do mesmo 
dispositivo, aplicando uma sanção mais gravosa do que o admitido pelo 
sistema disciplinar, em flagrante desproporção à transgressão cometida. 
 
57 
Nestes casos também tem sido comum a declaração de nulidade do ato 
administrativo disciplinar por parte do Poder Judiciário. 
 
Por fim, uma terceira hipótese diz respeito à absolvição 
criminal do militar punido no âmbito disciplinar. Se a sanção disciplinar for 
aplicada com base nos mesmos fatos pelo qual o militar foi absolvido na esfera 
penal (por inexistência do fato, negativa de autoria ou excludente de 
antijuridicidade) surgirá, para o militar, o direito à anulação da sanção aplicada. 
Esta relação não compreende eventuais faltas residuais, ou seja, não 
compreendidas na análise criminal que persistirão apesar da absolvição 
criminal fundada nos motivos expostos. 
 
Como afirmado, estas não são as únicas causas de nulidade 
dos atos administrativos disciplinares militares, contudo, devem merecer 
especial atenção de todos aqueles que abordarem o direito disciplinar militar 
pela sua frequência no âmbito judicial.da União. Por 
força da Lei 13.967/2019 o Decreto Lei 667/69 foi alterado: 
 
• Artigo 3º: os Estados e o Distrito Federal têm o prazo de doze meses 
para regulamentar e implementar esta Lei. 
• O Artigo 18 do Decreto 667/69 estabeleceu que os Estados e Distrito 
Federal deverão adequar sua legislação disciplinar ao seguinte: 
 
 
 
6 
 
Art. 18. As polícias militares e os corpos de bombeiros militares serão 
regidos por Código de Ética e Disciplina, aprovado por lei estadual ou 
federal para o Distrito Federal, específica, que tem por finalidade definir, 
especificar e classificar as transgressões disciplinares e estabelecer 
normas relativas a sanções disciplinares, conceitos, recursos, 
recompensas, bem como regulamentar o processo administrativo 
disciplinar e o funcionamento do Conselho de Ética e Disciplina 
Militares, observados, dentre outros, os seguintes princípios: (Redação 
dada pela Lei nº 13.967, de 2019) 
I - dignidade da pessoa humana; : (Redação dada pela Lei nº 13.967, de 2019) 
II - legalidade; : (Redação dada pela Lei nº 13.967, de 2019) 
III - presunção de inocência; : (Redação dada pela Lei nº 13.967, de 2019) 
IV - devido processo legal; : (Redação dada pela Lei nº 13.967, de 2019) 
V - contraditório e ampla defesa; : (Redação dada pela Lei nº 13.967, de 2019) 
VI - razoabilidade e proporcionalidade; : (Redação dada pela Lei nº 13.967, de 
2019) 
VII - vedação de medida privativa e restritiva de liberdade. : (Redação dada 
pela Lei nº 13.967, de 2019) 
 
Art. 19. A organização e funcionamento da Justiça Militar Estadual 
serão regulados em lei especial. Parágrafo único. O fôro militar é 
competente para processar e julgar o pessoal das Polícias Militares nos 
crimes definidos em lei como militares. 
 
Art. 20. A Justiça Militar Estadual de primeira instância é constituída 
pelos Conselhos de Justiça previstos no Código de Justiça Militar. A de 
segunda instância será um Tribunal Especial, ou o Tribunal de Justiça. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13967.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13967.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13967.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13967.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13967.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13967.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13967.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13967.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13967.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13967.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13967.htm#art2
 
7 
 
 
UNIDADE 02 
 
O Direito Administrativo Disciplinar Militar 
 
 
O direito administrativo disciplinar militar é um ramo do Direito 
Administrativo, motivo pelo qual deve observância ao conjunto de princípios 
que regem aquela disciplina, todavia, tendo por objeto as instituições militares, 
não pode desconsiderar as distinções inerentes a esta categoria de agentes 
públicos e às funções a eles destinadas constitucionalmente, assim, consiste 
em um conjunto de regras que estudam os princípios, as transgressões, 
as sanções e os processos disciplinares nas Instituições militares 
federais e estaduais. Adiante veremos alguns dos princípios expressos da 
Administração Pública que refletirão no campo administrativo-disciplinar. 
 
2.1. Princípio da Legalidade 
 
O artigo 37 da Constituição Federal ao elencar os princípios que devem 
ser observados no âmbito da Administração Pública abre o rol constitucional 
com o princípio da “legalidade”. No inciso II do artigo 5º da Constituição Federal 
têm-se a previsão, destinadas a todos os cidadãos, no sentido de que 
“ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em 
virtude de lei”. 
 
Se, nos termos do inciso II do Art. 5º da Constituição, ao particular não 
se pode exigir condutas comissivas ou omissivas, salvo expressa previsão 
legal, a regra na administração pública inverte-se, se não 
existir previsão legal, a Administração Pública não 
poderá agir. Desta forma, os atos praticados pelos 
agentes públicos devem sempre estar fundamentados 
em previsão legal. 
 
 
 
 
8 
 
No campo do direito disciplinar militar o princípio da legalidade exige que 
todas as obrigações impostas aos militares, assim como a especificação das 
transgressões disciplinares, das sanções cabíveis e do “devido processo legal” 
para imposição destas, devem advir da lei. 
 
Muitos regulamentos disciplinares das instituições militares estaduais, 
responsáveis pela definição das transgressões, sanções e dos processos de 
apuração das infrações disciplinares decorrem de decretos administrativos, 
anteriores à Constituição Federal de 1988, sendo passíveis de 
questionamentos quanto à violação ao princípio da legalidade e, por 
consequência, violação à Constituição. Daí a razão de ser necessário revisar, 
tanto os Regulamentos Disciplinares quanto as normas que lhes fazem as 
vezes. Os Códigos de Ética e Disciplina serão ajustados à legislação atual. 
 
Isto ocorre não apenas em âmbito estadual pois também na esfera 
federal os regulamentos disciplinares da Marinha (Decreto Federal nº 88.545 
de 1983), da Aeronáutica (Decreto Federal nº 76.322 de 1975) e do Exército 
(Decreto Federal nº 4.346 de 2002) foram instituídos por atos administrativos. 
 
O artigo 47 da Lei Federal nº 6880 de 1980 (Estatuto dos Militares) 
estabelece que cada instituição deve regulamentar as transgressões 
disciplinares afetas ao seu pessoal, o que efetivamente está consolidado nos 
respectivos regulamentos disciplinares, portanto, a regulamentação do art. 47, 
no caso do Exército Brasileiro, foi efetivada por meio de Decreto presidencial 
em 2002. 
 
Desta forma, pode-se concluir que os regulamentos disciplinares 
instituídos por decreto administrativo, anteriores à Constituição Federal de 
1988 foram recepcionados com status de lei ordinária sendo que qualquer 
alteração posterior ao ordenamento constitucional vigente deve ser instituído 
por lei ou, ao menos, fundamentar-se em ato normativo desta natureza. Em 
decorrência da Lei 13.967/2019 e do Decreto Lei 667/69 - em seu art. 18, as 
normas disciplinares deverão ser modificadas para ajuste e conformação com a 
vedação de medidas restritivas e privativas de liberdade. 
 
9 
 
2.2. Princípio da Impessoalidade 
 
O princípio da impessoalidade previsto no artigo 37, inciso II da 
Constituição Federal impõe ao administrador público que só pratique o ato para 
o seu fim legal, o qual, em se tratando de atos praticados pela Administração 
Pública, deve ser o interesse público. 
 
Sob uma outra perspectiva, pode-se afirmar que o princípio 
da impessoalidade afasta o vínculo dos atos praticados com a 
personalidade do agente público. Os deveres, obrigações e 
competências, vinculam-se à função desempenhada pelo agente 
e não à pessoa do próprio agente. 
 
Ademais, os regulamentos disciplinares, ou atos administrativos que 
normatizam o regulamento, também apresentam regras que visam evitar que 
questões subjetivas (pessoais) influenciem as relações disciplinares, 
estabelecendo, por exemplo, casos em que militares estão impedidos ou 
suspeitos para decidir processos disciplinares. 
 
Assim será ilegal o processo ou procedimento instaurado com desvio de 
finalidade, pois sempre que a impessoalidade for violada, o desvio de poder 
estará configurado. Violará a impessoalidade o comandante que instaurar 
processo visando a prejudicar alguém, ou ainda, deixar de instaurar para 
beneficiar por indulgência algum favorecido tudo por questões pessoais. 
 
2.3. Princípio da Moralidade 
 
O Princípio da Moralidadeque está inserido 
expressamente em nossa Constituição Federal reforçou o 
componente ético na conduta do Administrador Público. 
 
O caráter ético nas relações entre superior e subordinado deve estar 
presente constantemente como valor fundamental, especialmente por parte da 
autoridade com competência disciplinar responsável pela condução de um 
processo administrativo, atuando não só com base na lei, mas com 
 
10 
honestidade no sentido de não utilizar os poderes instrumentais que dispõe 
para manter a retidão da atuação de seus subordinados e consequentemente o 
regular funcionamento do serviço eficiente, para ações pessoais e de 
perseguição, comprometendo a isenção e a busca do interesse público. 
 
A moralidade é um valor constitucional de fundamento ético e para além 
do mero cumprimento da lei. Se a conduta administrativa, ainda que em 
conformidade com a lei, ofende a ideia do bem gerir a coisa pública, da 
equidade, da justiça e os valores constantes no sistema constitucional, estará 
violando o princípio da moralidade, em especial, no caso da atividade militar, 
cujos atos tem como fundamento a manutenção da disciplina e da hierarquia. A 
moral administrativa militar, portanto, tem como pilares estruturais a disciplina e 
a hierarquia, razão pela qual os valores e deveres estabelecidos aos militares 
ganham relevo e a sua inobservância acarreta responsabilização disciplinar. 
 
2.4. Princípio da Publicidade 
 
O Princípio da Publicidade ganha contornos de 
verdadeiro instrumento de transparência administrativa, 
possibilitando a aferição da incidência de outros princípios, 
todavia, a Constituição Federal impõe alguns limites à 
publicidade, admitindo que em certas circunstâncias as 
informações devam permanecer em sigilo. 
 
Na esfera disciplinar militar, além da segurança nacional, da sociedade, 
intimidade das pessoas e segredos de justiça, têm-se a necessidade de 
manutenção da disciplina e hierarquia das instituições, razão pela qual, em 
alguns regulamentos disciplinares a publicação de atos punitivos disciplinares é 
restrita a determinados círculos (oficiais e praças), por exemplo. 
 
Logo, em matéria disciplinar, a publicidade permitirá que o subordinado 
tenha conhecimento de eventual acusação formulada em seu desfavor para 
que possa exercer o direito de defesa, bem como das decisões interlocutórias 
proferidas pela autoridade competente, bem como da decisão final e de 
eventuais recursos administrativos impetrados, portanto, a postura da 
 
11 
autoridade disciplinar dissociada dos direitos do subordinado serão 
identificados diante da publicidade das decisões motivadas, não havendo 
espaço para o sigilo ou o oculto. 
 
2.5. Princípio da Eficiência 
 
Este Princípio foi introduzido na Constituição Federal pela E.C. nº 19/98 
e também guarda estrita relação com a própria razão da existência do serviço 
público. 
 
É o dever que se impõe a todo agente público de realizar 
suas atribuições da melhor forma possível, ou seja, com 
rendimento funcional, presteza e busca da perfeição. 
 
No plano do princípio da eficiência, a conduta da autoridade disciplinar 
competente, que venha agir movida por interesses pessoais e discriminatórios, 
comprometerá a instrução e a decisão de um processo administrativo 
disciplinar, gerando a incidência de nulidade e a necessidade de refazimento 
dos atos, retardando, consequentemente, a deliberação final da Administração 
Pública, refletindo na duração razoável do processo, no regular funcionamento 
do serviço e na eventual responsabilização disciplinar da conduta do agente. 
 
Na sequência veremos os princípios constitucionais da hierarquia e da 
disciplina aplicáveis as instituições militares. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
UNIDADE 03 
 
Princípios Constitucionais da Hierarquia e da Disciplina 
 
Importa agora a menção aos princípios constitucionais que sustentam 
todo o ordenamento militar. Trata-se da hierarquia e da disciplina. A 
Constituição Federal prevê expressamente tais princípios como basilares às 
instituições militares, federais e estaduais. 
 
 
 
 
 
 
 
Dentro da estrutura funcional da Administração Pública a hierarquia e a 
disciplina são princípios que norteiam a atividade administrativa quer pelo 
controle, quer pela gestão de qualidade dos serviços públicos. 
 
Hierarquia é o escalonamento em plano verticalizado dos órgãos e 
agentes da Administração pública que tem como objetivo a organização da 
função administrativa. E não poderia ser de outra maneira, já que tantas são as 
atividades a cargo da Administração Pública que não se poderia conceber sua 
normal realização sem a organização, em escalas, dos agentes e dos órgãos 
públicos. Em razão desse escalonamento, firma-se uma relação jurídica entre 
agentes, que se denomina relação hierárquico-funcional. 
 
Dessa relação hierárquico-funcional chega-se a um sistema 
administrativo hierarquizado de onde decorre o poder de comando de agentes 
superiores sobre subordinados, e estes por sua vez tem o dever de obediência, 
constantes de estatutos, o que prioriza a execução de tarefas determinadas 
pelos superiores. 
 
A disciplina como princípio resulta do sistema hierárquico. A disciplina é 
um instrumento de controle da eficiência na Administração Pública, de onde 
 
13 
decorre a disciplina funcional, que é a situação de respeito que os agentes da 
Administração devem ter para com as normas que os regem, em cumprimento 
aos deveres e obrigações a eles impostos. 
 
O Art. 14, § 2º, da Lei nº 6.880/80, o Estatuto dos Militares define que 
a disciplina é a rigorosa observância e o acatamento integral das leis, 
regulamentos, normas e disposições que fundamentam o organismo militar e 
coordenam seu funcionamento regular e harmônico, traduzindo-se pelo perfeito 
cumprimento do dever por parte de todos e de cada um dos componentes 
desse organismo. 
 
A hierarquia e a disciplina aparecem explicitamente na Lei Maior apenas 
como princípios nas instituições militares federais e estaduais, demonstrando 
com isso, a importância e a incidência nas relações funcionais militares e 
consequentemente na caracterização de transgressões disciplinares e 
eventuais aplicações de sanções com o objetivo de assegurar a manutenção 
de tais princípios estruturantes para a Administração Militar. 
 
Como se pode perceber a disciplina e a hierarquia são bases das 
instituições militares e têm por finalidade garantir o respeito às leis e à ordem, 
não como fins em si, mas para garantir o mais eficiente desenvolvimento das 
missões constitucionalmente destinadas às instituições, não se confundindo a 
hierarquia com subserviência e a disciplina como simples apêndice da relação 
hierárquica. 
 
A fim de atender e assegurar a rigidez da hierarquia e da disciplina nas 
instituições militares, os valores e a ética militar terão importância determinante 
na conduta dos militares e na eventual responsabilização disciplinar pela sua 
não observância. 
 
A título de ilustração, o Estatuto dos Militares 
elenca que são manifestações essenciais do valor militar 
o patriotismo, traduzido pela vontade inabalável de 
cumprir o dever militar e pelo solene juramento de 
fidelidade à Pátria até com o sacrifício da própria vida; o 
 
14 
civismo e o culto das tradições históricas; a fé na missão elevada das Forças 
Armadas; o espírito de corpo, orgulho do militar pela organização onde serve; 
o amor à profissão das armas e o entusiasmo com que é exercida e o 
aprimoramento técnico-profissional. 
 
Estabelece ainda que o sentimento do dever, o pundonor militar e o 
decoro da classe impõem, a cada um dos integrantes das Forças Armadas, 
conduta moral e profissional irrepreensíveis, com a observância dos 
diversos preceitos de ética militar. 
 
Valores são determinações de apreço na esfera militar que servirão de 
alicerce para a realizaçãodas missões militares ou de polícia ou bombeiro 
militares, enquanto os deveres resultam das observações dos valores. 
 
Nesta ótica, incide sobre os integrantes das instituições militares um 
conjunto de valores e deveres que caracterizam a deontologia militar, elevando 
a profissão à condição de missão, funcionando como uma verdadeira bussola 
ética na atuação dos agentes do Estado responsáveis pela defesa da Pátria, à 
garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei 
e da ordem, bem como no plano estadual a polícia ostensiva e a preservação 
da ordem pública. 
 
A violação dos deveres, valores e ética militares podem constituir crime 
ou transgressão disciplinar. 
 
O não cumprimento dos deveres, de acordo com o regramento 
disciplinar de cada instituição, caracteriza transgressão disciplinar, e neste 
aspecto o militar é responsável pelas decisões ou atos que praticar, inclusive 
nas missões expressamente determinadas, bem como pela não observância ou 
falta de exação no cumprimento de seus deveres, ficando sujeito às sanções 
disciplinares. 
 
Para o exercício das suas missões constitucionais, a Lei Maior erigiu a 
hierarquia e a disciplina a patamares de expressão maior do que a aplicada 
aos servidores públicos civis, razão pela qual a manutenção da disciplina em 
 
15 
uma instituição militarizada constitui uma obrigação para as autoridades com 
poder disciplinar, no entanto, isto não significa que o devido processo legal que 
assegure a ampla defesa e o contraditório não sejam observados. 
 
Por esta razão a fim de atender a finalidade pública de manutenção da 
hierarquia e da disciplina, a autoridade disciplinar competente tem o dever de 
agir no objetivo de prevenir o cometimento de irregularidades por parte de seus 
subordinados, bem como de adotar as medidas cabíveis quando chegar ao seu 
conhecimento alguma conduta funcional inadequada e contrária aos valores 
fundamentais e deveres éticos preconizados no Regulamento Disciplinar. 
 
Para tanto, a autoridade disciplinar dispõe de instrumentos que se 
apresentam como verdadeiros poderes para que efetivamente o interesse da 
coletividade seja atingido, entres eles o poder disciplinar que funcionará como 
instrumento legal para responsabilizar aqueles que não observaram os 
preceitos normativos legais, configurando uma supremacia especial do Estado. 
 
Na sequência abordaremos as espécies de sanções disciplinares 
previstas em alguns regulamentos disciplinares. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
16 
UNIDADE 04 
 
Das Sanções Disciplinares 
 
 
O estudo das sanções disciplinares tem por objetivo refletir sobre a 
finalidade das sanções aplicadas aos militares que praticam atos definidos 
como transgressão disciplinar, violando por consequência a disciplina. 
 
Além disso, serão elencadas as espécies de sanções disciplinares mais 
comuns dentre os diversos regulamentos existentes em nosso ordenamento 
disciplinar militar a fim de que aqueles que não pertencem às instituições 
militares ou participam do cotidiano destas, possam compreender os modos 
pelos quais os militares são punidos. Para aqueles que integram instituições 
militares, o objetivo será demonstrar a variedade no tocante às espécies de 
sanções disciplinares existentes que não são idênticas em todos os 
regulamentos, suscitando assim uma reflexão sobre eventual aprimoramento 
ou consolidação de espécies de sanções presentes na instituição militar 
vivenciada. 
 
4.1. Finalidade da Sanção Disciplinar 
 
A doutrina pátria, ao analisar a função ou finalidade das punições 
disciplinares, costuma destacar o aspecto preventivo destas, no sentido de 
evitar que o militar faltoso pratique nova transgressão, ou impedir que outros 
militares pratiquem fatos semelhantes. 
 
Desta forma, além da finalidade de prevenir a prática de outras 
transgressões disciplinares, por parte do autor ou de outros militares, a sanção 
disciplinar também encontra sua justificativa na necessidade de retribuir a 
violação de uma norma com uma sanção. 
 
 
 
 
 
17 
4.2. Espécies 
 
As espécies de sanções disciplinares são definidas pelo Estatuto, 
Código de Ética ou regulamento disciplinar de cada instituição militar, federal 
ou estadual. 
 
Em alguns casos há a previsão de algumas sanções no Estatuto dos 
Militares que são disciplinadas de modo detalhado no Código de Ética ou 
Regulamento Disciplinar da Instituição os quais, além de regulamentarem as 
sanções previstas nos Estatutos definem outras, normalmente de menor 
gravidade. 
 
A título exemplificativo pode-se citar o que ocorre em âmbito federal. O 
Estatuto dos Militares da União (Lei nº 6.880/80) prevê as sanções disciplinares 
de impedimento, licenciamento a bem da disciplina (art. 121), demissão (art. 
115), perda do posto e da patente (art. 118) e exclusão a bem da disciplina (art. 
125 a 127). Por sua vez, os regulamentos disciplinares da Marinha (art. 14), 
Exército (art. 24) e Aeronáutica (art. 15), além de regulamentarem as sanções 
previstas no Estatuto, estabelecem outras sanções tais como: advertência, 
repreensão, dispensa das funções, serviço extraordinário, etc. 
 
Em outros casos as sanções estão previstas apenas no próprio 
Regulamento Disciplinar ou Código de Ética da Instituição, como ocorre no 
caso da Polícia Militar do Estado de São Paulo (Lei Complementar estadual nº 
893/01 – art. 14). 
 
Desta forma, as sanções existentes no ordenamento jurídico disciplinar 
pátrio apresentam peculiaridades próprias em cada instituição a depender da 
respectiva normatização disciplinar. 
 
Apesar desta variedade, tentaremos elencar as espécies de sanções 
geralmente encontradas nas legislações disciplinares das diversas instituições 
militares nacionais. 
Em linhas gerais as sanções disciplinares podem ser dividas em dois 
grupos em decorrência da natureza exclusória, ou não, da instituição. As 
 
18 
sanções de natureza exclusória, ou depurativas, são aquelas que irão excluir o 
militar das fileiras da respectiva instituição, e as sanções de natureza não 
exclusória, ou corretivas, são aquelas não excluem o militar da instituição, 
permitindo a sua reeducação. 
 
4.2.1. Sanções Disciplinares de Natureza Não Exclusória (Corretivas) 
 
 
• Advertência ou repreensão verbal 
 
A sanção de advertência ou repreensão verbal não deve 
ser confundida com as admoestações verbais, 
instruções, correções de atitudes, avisos e orientações 
concretizadas pelo superior hierárquico aos subordinados durante a 
execução do serviço. Muitas vezes, durante o desenvolvimento das 
atividades normais o superior hierárquico verifica o subordinado atuando de 
modo diverso do que deveria e determina a correção do ato, podendo até 
mesmo repreendê-lo imediatamente a respeito do erro cometido. Esta 
“repreensão” não se confunde nem impede a posterior apuração de 
eventual transgressão disciplinar decorrente do erro. A sanção disciplinar de 
repreensão verbal ou advertência é aplicada após a apuração disciplinar do 
fato por meio de processo formal e gera consequências jurídicas inerentes 
às sanções disciplinares. A simples correção imediata de atitudes ou 
instrução tem apenas efeitos práticos destinados ao correto exercício da 
função a ser desempenhada pelos militares. 
Pode ser encontrada em diversos regulamentos disciplinares e, 
normalmente destina-se à punição de faltas de natureza leve: 
 
RDPMESP (LC 893/01) 
Artigo 15 - A advertência, forma mais branda de sanção, é 
aplicada verbalmente ao transgressor, podendo ser feita 
particular ou ostensivamente, sem constar de publicação ou 
dos assentamentos individuais. 
Parágrafo único - A sanção de que trata o "caput" aplica-se 
exclusivamente às faltas de natureza leve 
 
 
 
19 
 
• Repreensão ou repreensão escrita 
 
A sanção de repreensão, apesar de também se 
caracterizar como uma admoestaçãoé de maior gravidade que a 
advertência ou repreensão verbal tendo em vista que é publicada, 
lançada nos assentamentos individuais e influi na classificação do 
comportamento do militar, sendo, em alguns regulamentos disciplinares, 
aplicadas às faltas médias, além das “leves”. 
É prevista nas normas disciplinares na seguinte conformidade: 
 
RDBM RS (Dec. Estadual nº 43.245/04) 
Art. 11 - A repreensão é sanção imposta ao transgressor de 
forma ostensiva, mediante publicação em Boletim, devendo 
sempre ser averbada nos assentamentos individuais do 
transgressor. 
 
RDPMESP (Lei Complementar nº 893/01) 
Artigo 16 - A repreensão é a sanção feita por escrito ao 
transgressor, publicada de forma reservada ou ostensiva, 
devendo sempre ser averbada nos assentamentos individuais. 
Parágrafo único - A sanção de que trata o "caput" aplica-se às 
faltas de natureza leve e média. 
 
RDMar (Decreto Federal nº 88.545/83) 
Art. 21 - A repreensão consistirá na declaração formal de que o 
contraventor é assim punido por haver cometido determinada 
contravenção, podendo ser aplicada em particular ou não. 
 
 
• Prestação de serviço extraordinário 
 
A prestação de serviço extraordinário pode ser 
indicada como sanção autônoma ou substitutiva de 
sanções mais graves. A prestação de serviços 
extraordinários traduz-se em atividades que deverão 
ser desempenhadas pelo transgressor sancionado, 
conforme estabelecido pela autoridade disciplinar. 
 
 
20 
 
Como sanção autônoma pode-se citar como exemplo: 
 
CEDIM – MG (Lei nº 14.310/02) 
Art. 24 – Conforme a natureza, a gradação e as circunstâncias 
da transgressão, serão aplicáveis as seguintes sanções 
disciplinares: 
III – prestação de serviços de natureza preferencialmente 
operacional, correspondente a um turno de serviço semanal, 
que não exceda a oito horas; 
 
Art. 30 – A prestação de serviço consiste na atribuição ao 
militar de tarefa, preferencialmente de natureza operacional, 
fora de sua jornada habitual, correspondente a um turno de 
serviço semanal, que não exceda a oito horas, sem 
remuneração extra. 
 
 
• Suspensão 
 
A sanção disciplinar de suspensão é aplicada 
ao militar com a finalidade de que ele não 
possa exercer suas funções em determinado 
período, perdendo, neste tempo, todos os direitos e vencimentos 
referentes a estes dias. No estado de Minas Gerais não houve a previsão 
de sanções disciplinares restritivas de liberdade, sendo que uma das 
soluções foi o estabelecimento da sanção de suspensão. 
 
CEDIM – MG (Lei nº 14.310/02) 
Art. 31 – A suspensão consiste em uma interrupção temporária 
do exercício de cargo, encargo ou função, não podendo 
exceder a dez dias, observado o seguinte: 
I- os dias de suspensão não serão remunerados; 
II- o militar suspenso perderá todas as vantagens e direitos 
decorrentes do exercício do cargo, encargo ou função. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
21 
 
 
 
 
• Reforma administrativa disciplinar / Reforma compulsória 
 
Normalmente encontrada em normas disciplinares estaduais, a reforma 
disciplinar apresenta-se como alternativa entre as sanções mais graves, 
como a suspensão (por vezes muito brandas para o ato praticado) e as 
sanções de demissão, licenciamento e expulsão (por vezes muito graves 
em decorrência das condições do autor). 
Desta forma, pode ser aplicada, por exemplo, em casos nos quais a 
conduta do autor foi grave, todavia constatou-se que sua imputabilidade 
era diminuída ou ainda nas hipóteses em que os antecedentes 
disciplinares do autor extremamente favoráveis tornariam 
desproporcional a exclusão definitiva, em desconsideração aos serviços 
anteriormente prestados por ele. É prevista nos seguintes termos: 
 
CEDIM – MG (Lei nº 14.310/02) 
Art. 32 – A reforma disciplinar compulsória consiste em uma 
medida excepcional, de conveniência da administração, que 
culmina no afastamento do militar, de ofício, do serviço ativo da 
Corporação, pelo reiterado cometimento de faltas ou pela sua 
gravidade, quando contar pelo menos quinze anos de efetivo 
serviço. 
Parágrafo único – Não poderá ser reformado disciplinarmente o 
militar que: 
– estiver indiciado em inquérito ou submetido a processo por 
crime contra o patrimônio público ou particular; 
– tiver sido condenado a pena privativa de liberdade superior a 
dois anos, transitada em julgado, na Justiça Comum ou Militar, 
ou estiver cumprindo pena; 
– cometer ato que afete a honra pessoal, a ética militar ou o 
decoro da classe, nos termos do inciso II do art. 64, assim 
reconhecido em decisão de Processo Administrativo-
Disciplinar. 
 
RDPMESP (Lei Complementar nº 893/01) 
Artigo 22 - A reforma administrativa disciplinar poderá ser 
aplicada, mediante processo regular: 
 
22 
- ao oficial julgado incompatível ou indigno profissionalmente 
para com o oficialato, após sentença passada em julgado no 
tribunal competente, ressalvado o caso de demissão; 
- à praça que se tornar incompatível com a função policial-
militar, ou nociva à disciplina, e tenha sido julgada passível de 
reforma. 
Parágrafo único - O militar do Estado que sofrer reforma 
administrativa disciplinar receberá remuneração proporcional 
ao tempo de serviço policial-militar. 
 
 
• Proibição de uso de uniformes 
Aplicável somente aos militares inativos, caracteriza-se como sanção 
disciplinar restritiva de direito vez que os militares da reserva ou 
reformados assim sancionados não poderão utilizar, temporariamente, 
uniformes da Instituição em razão de terem praticado transgressões 
disciplinares que atentem contra o decoro e a dignidade militar. 
Como exemplos: 
RDPMESP (Lei Complementar nº 893/01) 
Artigo 25 - A proibição do uso de uniformes policiais-militares 
será aplicada, nos termos deste Regulamento, 
temporariamente, ao inativo que atentar contra o decoro ou a 
dignidade policial-militar, até o limite de 1 (um) ano. 
 
RDAer (Decreto Federal nº 76.322/75) 
Art. 25. A proibição do uso do uniforme será aplicada aos 
militares na inatividade que praticarem atos contrários à 
dignidade militar 
 
 
4.2.2. Sanções Disciplinares de Natureza Exclusória (Depurativas) 
 
As sanções disciplinares de natureza exclusória tem por finalidade 
precípua afastar o militar das fileiras da instituição em virtude do cometimento 
de atos desonrosos ou que o tornaram incompatível com a função militar 
desempenhada. 
 
Apesar da finalidade ser a exclusão do serviço ativo, há diferentes 
nomenclaturas e espécies de sanções. Tais diferenças fundamentam-se em 
 
23 
distinções de grau hierárquico (praças e oficiais), gravidade da sanção (simples 
incompatibilidade ou atos desonrosos) ou ainda na situação de estabilidade ou 
não do militar (estável ou não estável). 
 
Antes de adentrar às espécies de sanções, interessante destacar alguns 
pontos polêmicos a respeito das sanções de natureza exclusória. Inicialmente 
cumpre destacar a polêmica gerada a respeito da competência para aplicação 
de sanção de natureza exclusória às praças, no âmbito das instituições 
militares estaduais, em virtude da previsão contida no § 4º do Art. 125 da 
Constituição Federal: 
 
Art. 125. Os Estados organizarão sua Justiça, observados os 
princípios estabelecidos nesta Constituição. 
§ 4º Compete à Justiça Militar estadual processar e julgar os 
militares dos Estados, nos crimes militares definidos em lei e as 
ações judiciais contra atos disciplinares militares, ressalvada a 
competência do júri quando a vítima for civil, cabendo ao 
tribunal competente decidir sobre a perda do posto e da 
patente dos oficiais e da graduação das praças. (grifo nosso). 
 
Alguns doutrinadores defendiam que esta previsão na parte final do 
dispositivo impedia a imposição de sanção disciplinar de natureza exclusória 
por parte das Autoridades Administrativas (normalmente Comandante Geral 
PM ou BM) tendo em vista que a sanção exclusória acarretaria a perda da 
graduaçãodas praças, que seria de competência do Tribunal de Justiça ou 
Tribunal de Justiça Militar Estadual. 
 
Com base neste raciocínio alguns julgados, especialmente a partir da 
segunda metade da década de 90, reconheceram a impossibilidade da 
imposição das sanções disciplinares de exclusão das praças das instituições 
militares estaduais por parte das Autoridades Disciplinares, determinando que 
todos os processos disciplinares demissórios neste âmbito, deveriam ser 
encaminhados ao Tribunal de Justiça ou Tribunal de Justiça Militar (SP, MG e 
RS) a fim de que fosse analisado o mérito acerca da aplicação de sanção 
disciplinar exclusória às praças. 
 
 
24 
A questão foi levada ao STF o qual, após reiteradas decisões no sentido 
de que o § 4º do art. 125 limita-se às hipóteses de crimes militares, no ano de 
2003, prolatou a súmula 673 com o seguinte teor: 
 
“O ART. 125, § 4º, Da Constituição não impede a perda da 
graduação de militar mediante procedimento administrativo.” 
 
Desta forma, a questão, apesar de ainda ser objeto de alegação em 
algumas ações judiciais que visam a anulação de sanções exclusórias e 
reintegração judicial, encontra-se pacificada nos termos da súmula 673 do STF. 
Em síntese, no âmbito das instituições militares estaduais podem ser aplicadas 
sanções disciplinares exclusórias, com a respectiva perda da graduação das 
praças, em decorrência do cometimento de transgressão disciplinar de 
natureza grave, independentemente de eventual responsabilização penal, 
comum ou militar. 
 
No âmbito das instituições militares federais não houve polêmica tendo 
em vista que o art. 124 da Constituição Federal limita a competência da Justiça 
Militar da União ao julgamento de crimes militares definidos em lei, sem 
estabelecer a competência do Superior Tribunal Militar para decidir sobre a 
perda da graduação das praças, ou seja, no âmbito da União não houve 
polêmica acerca da possibilidade da autoridade disciplinar militar aplicar 
sanções exclusórias que acarretem perda da graduação. Um outro ponto que 
merece destaque é a questão dos Oficiais das instituições militares federais e 
estaduais. Por força do disposto nos arts. 42 § 1º e 142 § 3º incisos VI e VII da 
Constituição Federal, independente do fato motivador da exclusão (sanção 
penal ou administrativa), esta deverá ser sempre proferida pelo Tribunal Militar 
competente (STM no âmbito da União e TJ ou TJM no âmbito estadual). Desta 
forma, uma vez identificada a prática de uma conduta de natureza grave por 
parte do Oficial que o torne incompatível com o desempenho das funções ou 
indigno do Oficialato, independentemente de eventual responsabilidade penal 
por parte do Oficial, a Autoridade Administrava Disciplinar poderá instaurar o 
processo disciplinar cabível (em regra, Conselho de Justificação) e, após 
entender que a sanção disciplinar aplicável é a demissória, deverá encaminhar 
os autos do referido processo ao Tribunal Militar competente para que este 
 
25 
decida sobre a necessidade da decretação de perda do posto e da patente, de 
indignidade ou incompatibilidade para o oficialato. Devendo a administração, só 
depois dessa decisão, executar o ato demissório. 
 
• Licenciamento a bem da disciplina 
 
O licenciamento a bem da disciplina destina-se, em regra, a sancionar 
às praças sem estabilidade, de acordo com as disposições acerca da 
estabilidade existente em cada instituição. 
É previsto no âmbito das instituições militares federais, assim como em 
algumas instituições militares estaduais: 
 
CDM – PE (Lei nº 11.817/00) 
Art. 30. O licenciamento e a exclusão a bem da disciplina 
consistem no afastamento do militar estadual das fileiras de sua 
Corporação, conforme previsto em legislação própria, e 
somente se aplicam aos Aspirantes-a-Oficial e às demais 
Praças, após o devido processo administrativo disciplinar 
militar. 
§ 1º O licenciamento a bem da disciplina deve ser aplicado às 
praças sem estabilidade assegurada, como solução de 
processo administrativo disciplinar sumário, em que lhes sejam 
assegurados a ampla defesa e o contraditório, desde que se 
conclua que: 
- o militar processado, com a prática das transgressões objeto 
das investigações, afetou o sentimento do dever, a honra 
pessoal, o pundonor militar e o decoro da classe; ou 
- o militar processado, encontrando-se no comportamento MAU 
há, no mínimo, 1 (um) ano, continua tendo conduta irregular ou 
procedendo incorretamente no desempenho de suas funções. 
 
RDEx (Decreto Federal nº 4346/02) 
Art. 32. Licenciamento e exclusão a bem da disciplina 
consistem no afastamento, ex officio, do militar das fileiras do 
Exército, conforme prescrito no Estatuto dos Militares. 
§ 1º O licenciamento a bem da disciplina será aplicado pelo 
Comandante do Exército ou comandante, chefe ou diretor de 
OM à praça sem estabilidade assegurada, após concluída a 
devida sindicância, quando: 
I - a transgressão afete a honra pessoal, o pundonor militar ou 
o decoro da classe e, como repressão imediata, se torne 
absolutamente necessário à disciplina; 
 
26 
II - estando a praça no comportamento “mau”, se verifique a 
impossibilidade de melhoria de comportamento, como está 
prescrito neste Regulamento; e 
III - houver condenação transitada em julgado por crime doloso, 
comum ou militar. 
 
• Exclusão a bem da disciplina 
 
De natureza semelhante ao licenciamento a bem da disciplina, a 
exclusão a bem da disciplina diferencia-se, normalmente, por destinar-se a 
sancionar praças com estabilidade que praticaram atos que a tornaram 
incompatíveis com as funções militares inerentes ao seu cargo. 
Também pode ser encontrada nas normas disciplinares de instituições 
estaduais e federais: 
 
RDEx (Decreto Federal nº 4346/02) 
Art. 32. Licenciamento e exclusão a bem da disciplina 
consistem no afastamento, ex officio, do militar das fileiras do 
Exército, conforme prescrito no Estatuto dos Militares. 
§ 5º A exclusão a bem da disciplina será aplicada ex officio ao 
aspirante-a-oficial e à praça com estabilidade assegurada, de 
acordo com o prescrito no Estatuto dos Militares. 
 
CDM – PE (Lei nº 11.817/00) 
Art. 30. O licenciamento e a exclusão a bem da disciplina 
consistem no afastamento do militar estadual das fileiras de 
sua Corporação, conforme previsto em legislação própria, e 
somente se aplicam aos Aspirantes-a-Oficial e às demais 
Praças, após o devido processo administrativo disciplinar 
militar. 
§ 2º A exclusão a bem da disciplina deve ser aplicada aos 
Aspirantes-a-Oficial e demais praças, com ou sem estabilidade 
assegurada, conforme legislação própria, cabendo ao Tribunal 
de Justiça do Estado ou ao Tribunal de Justiça Militar, quando 
houver, decidir sobre a perda da graduação dos militares 
julgada culpados em Conselhos de Disciplina. 
 
 
• Demissão 
 
Neste sentido a sanção disciplinar de demissão tem por objetivo excluir 
o militar das fileiras da instituição e decorre, em regra, da prática de atos que 
tornaram o militar incompatível com o serviço. A gravidade da falta observada 
 
27 
deve ser considerável de modo que se torne insustentável a sua permanência 
nas fileiras da instituição. Prevista na maioria das normas disciplinares é 
imposta tanto ao Oficial quanto à praça. Contudo, como já analisado, no que 
diz respeito ao Oficial, deve a autoridade com competência disciplinar instaurar 
o processo disciplinar demissório (normalmente Conselho de Justificação) e, ao 
final deste, remeter os autos ao Tribunal Militar competente (STM, TJM ou TJ). 
A Demissão, no caso dos Oficiais, é efetivada apenas após a decisão do 
Tribunal competente. 
No caso das praças é executada, independentemente de qualquer 
processo judicial. Constatado o fato motivador da sanção, previsto na norma 
disciplinar, instaura-se o processo disciplinar demissório cabível (normalmente 
denominado Conselho de Disciplina ou ProcessoAdministrativo Disciplinar), 
sendo, ao final, caso seja comprovada a transgressão e sua respectiva 
gravidade, imposta a sanção demissória. 
 
Assim está prevista nos ordenamentos disciplinares: 
RDPMESP (Lei Complementar nº 893/01) 
Da Demissão 
Artigo 23 - A demissão será aplicada ao militar do Estado na 
seguinte forma: 
 I - ao oficial quando: 
for condenado a pena restritiva de liberdade superior a 2 (dois) 
anos, por sentença passada em julgado; 
for condenado a pena de perda da função pública, por 
sentença passada em julgado; 
for considerado moral ou profissionalmente inidôneo para a 
promoção ou revelar incompatibilidade para o exercício da 
função policial-militar, por sentença passada em julgado no 
tribunal competente; 
II - à praça quando: 
a)for condenada, por sentença passada em julgado, a pena 
restritiva de liberdade por tempo superior a 2 (dois) anos; 
b)for condenada, por sentença passada em julgado, a pena de 
perda da função pública; 
c)praticar ato ou atos que revelem incompatibilidade com a 
função policial-militar, comprovado mediante processo regular; 
d)cometer transgressão disciplinar grave, estando há mais de 2 
(dois) anos consecutivos ou 4 (quatro) anos alternados no mau 
comportamento, apurado mediante processo regular; 
e)houver cumprido a pena conseqüente do crime de deserção; 
f)considerada desertora e capturada ou apresentada, tendo 
sido submetida a exame de saúde, for julgada incapaz 
definitivamente para o serviço policial-militar. 
 
28 
Parágrafo único - O oficial demitido perderá o posto e a 
patente, e a praça, a graduação. 
 
CEDIM – MG (Lei nº 14.310/02) 
Art. 33 – A demissão consiste no desligamento de militar da 
ativa dos quadros da IME, nos termos do EMEMG e deste 
Código. 
Parágrafo único – A demissão pune determinada transgressão 
ou decorre da incorrigibilidade do transgressor contumaz, cujo 
histórico e somatório de sanções indiquem sua 
inadaptabilidade ou incompatibilidade ao regime disciplinar da 
Instituição. 
 
Art. 34 – Ressalvado o disposto no § 1° do art. 42 da 
Constituição da República, a demissão de militar da ativa com 
menos de três anos de efetivo serviço, assegurado o direito à 
ampla defesa e ao contraditório, será precedida de Processo 
Administrativo-Disciplinar Sumário – PADS –,instaurado 
quando da ocorrência das situações a seguir relacionadas: 
– reincidência em falta disciplinar de natureza grave, para o 
militar classificado no conceito “C”; 
– prática de ato que afete a honra pessoal ou o decoro da 
classe, independentemente do conceito do militar. 
 
• Expulsão 
 
A sanção de expulsão seria a transgressão mais gravosa que a 
demissão na medida em que indica que a conduta da praça foi considerada 
desonrosa. 
Alguns exemplos de previsão normativa da sanção disciplinar de 
expulsão: 
 
RDPMESP (Lei Complementar nº 893/01) 
Artigo 24 - A expulsão será aplicada, mediante processo 
regular, à praça que atentar contra a segurança das instituições 
nacionais ou praticar atos desonrosos ou ofensivos ao decoro 
profissional. 
 
CDPMBM – CE (LEI Nº 13.407/03) 
Art.24 - A expulsão será aplicada, mediante processo regular, 
à praça que atentar contra a segurança das instituições 
nacionais ou praticar atos desonrosos ou ofensivos ao decoro 
profissional. Parágrafo Único - A participação em greve ou em 
passeatas, com uso de arma, ainda que por parte de terceiros, 
configura ato atentatório contra a segurança das instituições 
nacionais. 
 
29 
 
• Perda do posto e da patente dos oficiais e da graduação das praças 
 
Previu o Código de Ética e Disciplina dos Militares do Estado de Minas 
Gerais a decretação da perda do posto e da patente ou graduação aos 
militares da reserva. 
 
Vale lembrar que em decorrência das previsões constitucionais já 
mencionadas, o Oficial só poderá ter decretada a perda do posto e da patente 
por decisão do Tribunal Militar competente, portanto, referida sanção só poderá 
ser aplicada, a Oficiais, após o trânsito em julgado de decisão do TJM/MG. 
 
No que tange às praças não há vedação constitucional de imposição de 
referida sanção, desde que fundamentada em transgressão disciplinar e não 
em crime militar, pois neste último caso a competência recai sobre o TJM/MG 
por força do disposto no art. 125 da Constituição Federal. 
 
Está prevista a sanção de perda do posto, patente ou graduação dos 
militares da reserva na seguinte conformidade: 
 
CEDIM – MG (Lei nº 14.310/02) 
Art. 24 – Conforme a natureza, a gradação e as circunstâncias 
da transgressão, serão aplicáveis as seguintes sanções 
disciplinares: 
VII – perda do posto, patente ou graduação do militar da 
reserva 
 
Art. 37 – A perda da graduação consiste no desligamento dos 
quadros das IMEs. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
30 
UNIDADE 05 
 
Apuração Inquisitorial das Transgressões Disciplinares 
 
 
Ao chegar ao conhecimento da Administração Militar a notícia da prática 
de uma transgressão disciplinar militar, deverá esta iniciar a apuração do fato a 
fim de, uma vez comprovada autoria e materialidade do ilícito, aplicar a 
respectiva sanção disciplinar. 
 
No que tange à sistemática de apuração, em regra, as leis e normas 
disciplinares relativas a cada instituição militar estabelecem duas fases para a 
persecução administrativo- disciplinar, uma primeira inquisitorial e, 
posteriormente à identificação de autoria e materialidade, uma segunda fase 
acusatória, com respeito à ampla defesa e ao contraditório. 
 
Esta primeira fase, de investigação das transgressões disciplinares, 
poderá ser realizada por meio de procedimentos próprios, procedimentos 
destinados a outras finalidades, ou até mesmo ser dispensada, a depender de 
como a notícia da transgressão disciplinar chega ao conhecimento da 
Administração Militar. 
 
 Abordaremos, então, estas três hipóteses geralmente encontradas nas 
diversas normatizações disciplinares militares. 
 
5.1. Dispensabilidade de Procedimento Formal 
 
Assim como o Inquérito Policial Militar, em algumas hipóteses, pode ser 
dispensado para oferecimento da denúncia no âmbito do Processo Penal 
Militar, na esfera administrativo-disciplinar também, em alguns casos, será 
prescindível o procedimento formal de apuração. Esta dispensa ocorre, em 
regra, nas transgressões praticadas em presença das autoridades com 
competência disciplinar e nas hipóteses em que os elementos de autoria e 
materialidade já estejam devidamente demonstrados por meio de outros 
documentos. 
 
31 
 
A dispensa deste procedimento formal de apuração é medida que deve 
ser adotada com cautela pelas autoridades com competência disciplinar, a fim 
de que não sejam instaurados processos disciplinares sem que os fatos 
estejam devidamente apurados, o que causa prejuízo tanto à defesa do militar 
acusado quanto à administração militar. 
 
Em síntese, apesar da existência de procedimento formal de apuração 
de transgressões disciplinares (em regra, Sindicância), há hipóteses em que 
este procedimento é dispensável, contudo, nestes casos específicos, é 
imprescindível que estejam presentes requisitos mínimos de autoria e 
materialidade a fim de que não seja prejudicado o exercício da ampla defesa e 
contraditório, bem como a correta persecução administrativo-disciplinar. 
 
 
5.2. Procedimento Formal de Apuração Inquisitorial 
 
 
• Procedimento próprio 
Nas diversas instituições militares existentes no país, é comum a 
constatação de diferentes formas de registro inicial dos fatos antes da 
instauração do procedimento investigatório. Assim como na esfera penal, ao 
ser levado ao conhecimento da autoridade de polícia judiciária a notícia de 
uma infração penal, esta, entendendo não ser hipótese de flagrante delito, 
tem por costume registrar um “Boletim de Ocorrência” antes da instauração 
do devido Inquérito Policial, no âmbito administrativo-disciplinar militar,os 
fatos costumam ser registrados inicialmente por documentos denominados, 
dentre outras definições, como “parte” ou “comunicação disciplinar”. 
RDPMESP – (Lei Complementar nº 893/01 
Artigo 27 - A comunicação disciplinar dirigida à autoridade 
policial-militar competente destina- se a relatar uma 
transgressão disciplinar cometida por subordinado hierárquico. 
Artigo 28 - A comunicação disciplinar deve ser clara, concisa e 
precisa, contendo os dados capazes de identificar as pessoas 
ou coisas envolvidas, o local, a data e a hora do fato, além de 
caracterizar as circunstâncias que o envolveram, bem como as 
alegações do faltoso, quando presente e ao ser interpelado 
 
32 
pelo signatário das razões da transgressão, sem tecer 
comentários ou opiniões pessoais. 
 
CDME – PE (Lei nº 11.817/00) 
Art. 11. Todo militar estadual que presenciar ou tiver 
conhecimento de uma transgressão disciplinar militar, conforme 
especificada neste Código, deverá, desde que não seja 
autoridade competente para adotar as providências imediatas, 
comunicá-la ao seu superior imediato, por escrito, ou 
verbalmente, obrigando-se, ainda, quando a comunicação for 
verbal, a ratificá-la, por escrito, no prazo máximo de 2 (dois) 
dias úteis. 
§ 1º A parte deve ser clara, concisa e precisa, devendo conter 
os dados capazes de identificar as pessoas ou coisas 
envolvidas: o local, a data, a hora da ocorrência, e caracterizar 
as circunstâncias que a envolveram, sem tecer comentários ou 
opiniões pessoais. 
 
Desta forma, a Sindicância é a denominação mais utilizada para definir o 
procedimento investigatório cabível para apuração inquisitorial de 
transgressões disciplinares, isto pode ser verificado nas instruções 
administrativas de algumas instituições: 
Exército (IG10-1110) 
Art. 2º - A sindicância é o procedimento formal, apresentado 
por escrito, para a apuração, quando julgada necessária pela 
autoridade competente, de fatos de interesse da administração 
militar ou de situações que envolvam direitos. 
Parágrafo único. A autoridade que tiver ciência de 
irregularidade é obrigada a adotar as medidas necessárias 
para a sua apuração, mediante sindicância. 
 
PMESP – SP (I-16-PM) 
Objetos de investigação 
Artigo 67 - A sindicância é o meio sumário de investigação de: 
VI - outros fatos de índole administrativa, quando necessário 
procedimento formal de apuração. 
Finalidade 
§ 1º - A finalidade da sindicância é a determinação da 
responsabilidade civil, disciplinar, dos direitos e obrigações dos 
envolvidos e, em especial, do Estado. 
Proibição em caso de crime militar 
§ 2º - É proibida a instauração de sindicância para apuração de 
crimes militares. 
 
 
 
 
33 
 
Como meio formal de investigação de transgressões disciplinares a 
Sindicância terá, em regra, natureza sigilosa, inquisitória e de apuração 
provisória. 
 
Em algumas das Instituições utilizam a sindicância tanto para a fase 
investigatória quanto para a fase acusatória (com ampla defesa e 
contraditório). Na verdade, nesta segunda fase a Sindicância transforma-
se em verdadeiro “processo disciplinar”, com as garantias e princípios 
processuais diversos daqueles aplicáveis aos procedimentos 
investigatórios. 
 
Assim, a Sindicância, em regra deve ter natureza “sigilosa”. Este “sigilo” 
das investigações é indispensável a eficácia deste procedimento, ou 
seja, à correta apuração dos fatos e identificação dos elementos de 
autoria e materialidade. 
 
O sigilo do procedimento impede que outras pessoas, além da 
Autoridade Instauradora e do Sindicante (Presidente ou Encarregado 
das investigações) tenham acesso aos autos do procedimento até o seu 
término. Esta restrição à publicidade (regra no que tange aos atos 
administrativos) decorre do interesse público, pois apenas uma correta 
apuração das transgressões disciplinares permitirá a manutenção da 
hierarquia e disciplina e, por consequência, o cumprimento da missão 
constitucional destinada àquela instituição. 
 
Este sigilo não se estende aos advogados dos militares investigados. 
Apesar de algumas instruções não preverem esta possibilidade, não 
seria lógico impedir este acesso aos autos tendo em vista que os 
advogados, por lei, possuem direito a vistas dos autos de Inquérito 
Policiais, ainda que em andamento, nas repartições policiais. Desta 
forma, não há como sustentar que o advogado pode ter vistas, obter 
 
34 
cópias e tomar apontamentos de um Inquérito Policial Militar (que apura 
crimes militares, fatos mais graves) mas não poderia ter acesso aos 
autos de uma Sindicância. 
 
Outro ponto importante a ser destacado é a natureza inquisitória da 
Sindicância, ou seja, durante as investigações não há que se falar em 
direito a ampla defesa e ao contraditório. O procedimento é instaurado 
para coleta de elementos de prova, não há acusação formal, a 
Administração Militar deve ter a liberdade para realizar as investigações 
necessárias para o devido esclarecimento dos fatos. 
 
Em síntese, a Sindicância é, em regra, o procedimento formal para 
apuração das transgressões disciplinares militares, possui natureza 
inquisitória, deve ter sua instrução provisória em caráter sigiloso, tendo 
por finalidade apenas subsidiar eventual instauração de processo 
disciplinar, oportunidade em que serão garantidos o direito à ampla 
defesa e ao contraditório ao acusado de uma infração disciplinar. 
 
• Demais procedimentos formais 
 
Em virtude da tríplice responsabilidade dos militares do Estado é possível 
que durante a instrução de outros procedimentos formais de apuração de 
crimes (flagrante, Inquérito Policial Militar, Inquérito Policial) ou ilícitos civis 
(Inquérito civil, Processos cíveis, p.ex.). possam surgir elementos de autoria 
e materialidade de transgressões disciplinares, sendo comum a autoridade 
policial, o membro do Ministério Público ou a autoridade judiciária remeter 
cópia do procedimento ou do processo à Administração Militar para adoção 
das devidas medidas disciplinares. 
Assim como a instauração de Sindicância é dispensável nas hipóteses em 
que não há necessidade de investigação, nos casos em que esta 
investigação já foi realizada por meio de outro procedimento, também não 
há necessidade de instauração de Sindicância. 
 
35 
 
Desta forma, ao receber cópia do procedimento ou do processo que contém 
os elementos de prova de materialidade da transgressão disciplinar e os 
indícios de autoria deverá a autoridade disciplinar instaurar o processo 
disciplinar cabível para apurar a responsabilidade disciplinar do militar 
acusado. 
 
O segundo ponto reside no cuidado que a autoridade disciplinar deve ter 
quanto ao foco do processo disciplinar que é diferente do processo criminal 
e cível. Apesar do fato de que o inquérito policial militar visa apurar o crime 
militar e um inquérito civil eventual ilícito civil, é provável que estas 
investigações também tragam elementos que demonstram a prática da 
transgressão disciplinar correlata ao crime ou ao ilícito civil, contudo, o foco 
dos procedimentos é distinto, motivo pelo qual, por vezes, pode ser 
necessária a instauração de Sindicância que terá por objetivo apurar os 
elementos que irão caracterizar, ou não, a transgressão disciplinar. 
 
5.3. Procedimento Híbrido 
 
 
Em algumas instituições militares o procedimento formal de 
apuração possui duas etapas, uma inquisitória e outra acusatória. 
 
MAPPAD/PM – MG (RESOL. Nº 3666, DE 02 DE AGOSTO DE 
2.002.) 
Art. 31 - A Sindicância Regular quanto a sua dinâmica, possui 
duas etapas distintas: a investigatória e a acusatória. 
§ 1º - Na Sindicância, reúnem-se todos os elementos 
informativos para determinar a verdade em torno das 
irregularidades suscitadas. 
§ 2º - Em que pese, originariamente, a Sindicância ter caráter 
inquisitorial, há casos em que dela decorre a aplicação de 
punição, transformando sua natureza de apuratóriaem 
acusatória. Desta forma, em sendo ela de natureza acusatória 
ou punitiva, ou seja, se a partir dela for aplicada qualquer tipo 
de sanção, deverá ser regida pelo contraditório e pela ampla 
defesa, para que seja válida a sanção aplicada. 
 
 
36 
Independentemente da previsão ser ou não expressa, até que 
se colete os elementos mínimos de autoria e materialidade para formalizar uma 
imputação ao militar, a Sindicância deverá ter natureza investigatória, sendo 
que após terem sido coletados os elementos necessários à uma acusação 
formal da prática de uma transgressão disciplinar, passa-se à fase acusatória, 
em que a Sindicância transforma- se em processo disciplinar. 
 
Na sequência, iremos abordar alguns dos princípios aplicáveis 
ao processo administrativo disciplinar. 
 
 
UNIDADE 06 
 
Princípios 
 
 
6.1 Devido Processo Legal 
 
Esse princípio garante que, antes de se aplicar qualquer sanção, devem 
ser observadas as normas atinentes ao processo para imposição destas 
sanções. 
 
Constituição Federal 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de 
qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos 
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à 
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos 
termos seguintes: 
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem 
o devido processo legal 
 
Além disso, esse princípio figura como garantia constitucional ampla, 
pois é ele que assegura e fundamenta os demais princípios no processo. 
 
6.2 Autoridade Disciplinar Natural 
 
O princípio da Autoridade Disciplinar “natural” estabelece que esta 
competência deve ser estabelecida de modo anterior à transgressão disciplinar 
cometida de modo que os militares terão ciência anterior sobre qual autoridade 
irá julgá-los nos casos de cometimento de transgressões disciplinares. Referido 
 
37 
princípio visa garantir a imparcialidade e segurança jurídica no que diz respeito 
ao processo disciplinar militar 
 
Vale dizer que o princípio da “autoridade disciplinar natural” ou do “juiz 
natural” não exige que a lei determine os Oficiais (pessoas) que terão 
competência disciplinar, mas sim os cargos e funções desempenhadas sobre 
os quais a competência disciplinar irá recair. Por exemplo, se a lei determina 
que o Comandante de Companhia terá competência disciplinar para aplicar 
algumas sanções aos militares que estão sob o seu comando, mesmo que seja 
substituído o Capitão após a prática de uma transgressão disciplinar por parte 
de um dos militares subordinados, este novo comandante terá competência 
disciplinar não havendo qualquer violação ao princípio da “autoridade 
disciplinar natural” visto que a previsão legal refere-se ao cargo que irá julgar e 
não à pessoa do Oficial. O militar que integra aquela Companhia sabe que será 
julgado pelo Comandante, não importando quem o seja. 
 
6.3 Ampla Defesa 
 
Não há que se discutir a obrigatoriedade de observância do 
direito à ampla defesa para imposição de sanções disciplinares aos militares 
que cometerem transgressão disciplinar: 
 
Constituição Federal 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de 
qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos 
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à 
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos 
termos seguintes: 
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e 
aos acusados em geral são assegurados o contraditório e 
ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; 
 
A ampla defesa pode ser compreendida ainda sob dois 
aspectos: Direito a autodefesa e Direito à defesa técnica. 
 
O direito a autodefesa consiste na possibilidade do próprio 
acusado participar da produção de provas. Isto porque, por mais que o 
 
38 
defensor por ele constituído possua o conhecimento jurídico e capacidade para 
efetivar a defesa em termos ideais, o conhecimento dos fatos pertence ao 
acusado. Somente o acusado poderá orientar ao advogado sobre 
circunstâncias objetivas e subjetivas da apuração, informando, por exemplo, 
sobre quem estava presente no local, interesses de cada um dos envolvidos, 
detalhes do ocorrido, etc. Por tal motivo, é imprescindível a possibilidade de 
participação do acusado de toda a instrução processual. 
 
A defesa técnica estaria vinculada a obrigatoriedade do militar 
do Estado ser representado por um advogado, atualmente não existe esta 
imprescindibilidade por força de sumula vinculante do STF, no entanto, nada 
impede que determinada norma disciplinar estabeleça para determinados 
processos a obrigatoriedade do acusado ser assistido por advogado. 
 
Em síntese, a ampla defesa, aplicável a todos os processos 
disciplinares por tratar-se de garantia constitucional, é composta pela 
autodefesa e defesa técnica sendo que, atualmente, a defesa técnica não é 
exigida pela jurisprudência em virtude de Súmula vinculante nº 5 editada pelo 
STF. 
 
 
6.4 Direito ao Contraditório 
 
O direito à participação dos atos processuais não satisfaz os 
requisitos do contraditório, que pode ser identificado de modo mais simples 
pelo binômio: ciência e possibilidade de reação. Deve ser facultado à defesa 
não apenas a participação nos atos processuais, mas também a possibilidade 
de contraditar todas as informações constantes dos autos. 
 
Em síntese, o direito ao contraditório, ainda que intimamente 
ligado à ampla defesa com ela não se confunde. É garantido por meio do 
binômio ciência-possibilidade de reação, sendo que as impugnações realizadas 
pela defesa devem ser sempre consignadas e analisadas, mas não 
obrigatoriamente atendidas. 
 
 
39 
6.5 Correlação entre Acusação e a Decisão Disciplinar 
 
Trasladando-se o princípio para o processo disciplinar militar, 
têm-se defendido que em virtude do acusado defender-se dos fatos e não do 
direito, esta correlação entre a decisão disciplinar e a portaria de instauração 
do processo (acusação ou libelo acusatório), limitar-se-ia à definição fática e 
não à capitulação jurídica. 
Logo a motivação do ato punitivo pela autoridade disciplinar 
competente deve estar devidamente relacionada com os fatos descritos na 
acusação e com as respectivas provas constantes nos autos, não se 
configurando a mera alteração da capitulação legal, desde que compatível com 
a descrição da conduta, na necessidade de reabertura de prazo para 
manifestação da defesa. 
 
6.6 Busca da Verdade Real 
 
O princípio da busca da verdade real estabelece que, tanto 
durante a fase inquisitória quanto na fase processual, todos os esforços devem 
ser direcionados para o correto esclarecimento dos fatos, havendo a 
possibilidade, inclusive de se afastar determinadas regras processuais, 
retornando-se à fases anteriores, se em atendimento à busca do que realmente 
aconteceu. 
Desta forma, nos processos disciplinares ainda que seja 
necessário reabrir prazos já preclusos e fases processuais já transpostas, 
deve-se fazê-lo em atendimento ao princípio da verdade real. Isso não significa 
que todos os pedidos de esclarecimentos dos fatos por parte da defesa 
deverão ser atendidos sob pena de violação a este princípio, na verdade, todos 
os requerimentos e pontos de dúvida surgidos durante o processo, só 
demandarão diligências e realização de atos processuais para esclarecimento 
caso sejam pertinentes e relevantes para os fatos que sejam objetos da 
apuração. 
 
 
40 
6.7 Instrumentalidade das Formas 
 
Todas as formas e procedimentos previstos em lei ou normas 
administrativas processuais disciplinares possuem uma finalidade, ou seja, 
estão previstos como instrumentos de garantias constitucionais. 
O princípio da instrumentalidade das formas prevê que, sendo 
as formalidades instrumentos para que sejam alcançadas as garantias do 
devido processo legal, nas hipóteses em que as formas ou formalidades forem 
desrespeitadas,

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