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ESTADO DO PARANÁ POLÍCIA MILITAR 1º BATALHÃO DE POLÍCIA MILITAR CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS _____________________________________________________________________________________________________ DIREITO ADMINISTRATIVO NOÇÕES PRELIMINARES Direito Administrativo Na lição de Celso Antônio Bandeira de Mello “Direito Administrativo é o ramo do Direito Público que disciplina o exercício da função administrativa”. De maneira sintética podemos conceituar Direito Administrativo como o conjunto de normas e princípios que disciplinam a Administração Pública. Pertence ao ramo do Direito Público, assim como o Direito Constitucional e o Tributário. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA a) Conceito de Estado: O conceito de Estado varia segundo a ângulo em que é considerado. Do ponto de vista sociológico, é corporação territorial dotada de um poder de mando originário. Sob o aspecto político, é comunidade de homens, fixada sobre um território, com poder superior de ação, de mando e de coerção. Sob o prisma constitucional, é pessoa jurídica territorial soberana. b) Elementos do Estado: O Estado é constituído de três elementos originários e indissociáveis: - Povo - é o componente humano do Estado; - Território - a sua base física; - Governo Soberano - elemento condutor do Estado, que detém e exerce o poder absoluto de autodeterminação e auto-organização emanado do povo. c) Poderes do Estado: São o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, independentes e harmônicos entre si e com suas funções reciprocamente indelegáveis. Esses poderes são indissociáveis e estruturais do Estado, a cada um deles correspondendo uma função que lhe é atribuída. Funções: - Legislativo: elaboração da lei (função normativa); - Executivo: conversão da lei em ato individual e concreto (função administrativa); - Judiciário: aplicação coativa da lei aos litigantes (função judicial). A ESTRUTURA ADMINISTRATIVA DO ESTADO a) GOVERNO E ADMINISTRAÇÃO: São termos que andam juntos e muitas vezes confundidos, embora expressem conceitos diversos nos vários aspectos em que se apresentam. - Governo: Em sentido formal, é o conjunto de Poderes e órgãos constitucionais. Em sentido material, é o complexo de funções estatais básicas. Em sentido operacional, é a condução política dos negócios públicos. A constante do Governo é a sua expressão política de comando, de iniciativa, de fixação de objetivos do Estado e de manutenção da ordem jurídica vigente. - Administração Pública: Em sentido formal, é o conjunto de órgãos instituídos para consecução dos objetivos do Governo. Em sentido material, é o conjunto das funções necessárias aos serviços públicos em geral; Em acepção operacional, é o desempenho perene e sistemático, legal e técnico, dos serviços próprios do Estado ou por ele assumidos em benefício da coletividade. AGENTES PÚBLICOS São todas as pessoas físicas que prestam serviço público em nome da Administração Pública de forma definitiva ou transitoriamente, com ou sem remuneração. Os Agentes Públicos podem ser considerados como o elo de ligação que de um lado une a Administração Pública e do outro o Administrado. Para Celso Antônio Bandeira de Mello são "os sujeitos que servem ao Poder Público como instrumentos expressivos de sua vontade ou ação, ainda quando o façam apenas ocasional ou episodicamente". Os Agentes Públicos se subdividem da seguinte forma: a) Agente Público Político São os formadores da vontade superior do Estado, que ocupam lugares estratégicos na Administração Pública. Estão presentes principalmente no Poder Executivo e no Legislativo. São os Chefes do Poder Executivo em todas as esferas, Presidente, Governadores, Prefeitos, seus Assessores Diretos (Ministros e Secretários), Deputados Federais, Estaduais e Distritais, Senadores, Vereadores. A forma de investidura é por eleição, salvo para os cargos de Ministros e Secretários, que são de livre escolha dos Chefes do Executivo e providos mediante nomeação. b) Agentes Públicos Honoríficos São aqueles cidadãos que por merecimento, reputação ilibada, e conhecimentos técnicos são convocados, designados ou nomeados para desempenharem transitoriamente uma função pública. Não possuem qualquer vínculo empregatício ou estatutário com o Estado. Normalmente trabalham sem remuneração. Incluem-se nesta classificação os cidadãos que atuam por convocação operacionalizando as eleições como mesários, assim como os cidadãos do município que são selecionados para integrar o Tribunal do Júri, emitindo juízo de valor diante de acusações relativas a crimes dolosos contra a vida. c) Agentes Públicos Delegados Segundo Hely Lopes Meirelles agentes delegados "são particulares que recebem a incumbência da execução de determinada atividade, obra ou serviço público e o realizam em nome próprio, por sua conta e risco, mas segundo as normas do Estado e sob a permanente fiscalização do delegante. Esses agentes não são servidores públicos, nem honoríficos, nem representantes do Estado; todavia, constituem uma categoria à parte de colaboradores do Poder Público". São os concessionários, permissionários (incumbência da execução de determinados serviços públicos, através de atos e contratos administrativos) autorizatários, os serventuários de ofícios ou cartórios não estatizados, os leiloeiros, etc. d) Agentes Públicos Credenciados São aqueles que representam a Administração Pública na prestação de determinados serviços, mediante remuneração do próprio Poder Público. São por exemplo, os hospitais particulares credenciados para atendem pelo SUS (Sistema Único de Saúde). e) Agentes Públicos Administrativos É o conceito de servidor público em sentido amplo (lato sensu). É qualquer pessoa física vinculada a um regime jurídico que presta serviços ao Estado e a Administração Indireta mediante remuneração paga com recursos públicos. Compreendem as seguintes espécies: - Estatutário – servidor público no sentido estrito (strito sensu). - Celetista – empregado público. - Temporários – contratados. e.1) Servidor Público Estatutário Trata-se do conceito estrito de Servidor Público. São as pessoas físicas, que ocupam cargos públicos, mediante concurso público e estão sujeitas ao Regime Jurídico Estatutário estabelecido pela lei de cada uma das unidades federativas. e.2) Servidor Público Celetista São pessoas físicas contratadas para prestar serviço público, são chamados de Empregados Públicos ocupam emprego público e são regidos pelas Leis Trabalhistas (CLT), ou seja, pelo Regime Jurídico Celetista. e.3) Servidor Público Temporário São pessoas físicas contratadas temporariamente pela Administração para prestarem serviços de caráter emergencial e de excepcional interesse público. Não ocupam cargo nem emprego público, apenas exercem função pública. São admitidos de forma precária e temporária, sob o Regime Administrativo Especial, mediante lei disciplinada por cada ente federativo. f.6) Agentes Públicos Administrativos Especiais Estes agentes públicos ocupam cargos vitalícios, ou seja, só poderão ser destituídos dos mesmos por sentença judicial transitada em julgado. São os magistrados, membros do Ministério Público (Procuradores e Promotores) e membros do Tribunal de Contas (Ministros e Conselheiros). A maioria dos doutrinadores coloca esta categoria de forma distinta a dos agentes políticos uma vez que o vínculo de definitividade é privativo dos agentes administrativos especiais, o que não acontece com os agentes políticos, pois estes possuem vínculo transitório. g.7) Militares São pessoas físicas que prestam serviços às Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica), as Polícias Militares e o Corpo de Bombeiros. Até a EC 18/98 eram considerados espécie de Servidores Públicos, atualmente,Parágrafo único. São cabíveis: I - pedido de reconsideração de ato; e II - recurso disciplinar. Art. 53. Cabe PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE ATO à autoridade que houver proferido a primeira decisão, não podendo ser renovado. § 1º Da decisão do Comandante do Exército (Comandante Geral, no caso da PMPR) só é admitido o pedido de reconsideração de ato a esta mesma autoridade. § 2º O militar punido tem o prazo de cinco dias úteis, contados a partir do dia imediato ao que tomar conhecimento, oficialmente, da publicação da decisão da autoridade em boletim interno, para requerer a reconsideração de ato. Art. 54. É facultado ao militar recorrer do indeferimento de pedido de reconsideração de ato e das decisões sobre os recursos disciplinares sucessivamente interpostos. § 1º O RECURSO DISCIPLINAR será dirigido, por intermédio de requerimento, à autoridade imediatamente superior à que tiver proferido a decisão e, sucessivamente, em escala ascendente, às demais autoridades, até o Comandante do Exército (Comandante Geral, no caso da PMPR), observado o canal de comando da OM a que pertence o recorrente. § 2º O recurso disciplinar de que trata este artigo poderá ser apresentado no prazo de cinco dias úteis, a contar do dia imediato ao que tomar conhecimento oficialmente da decisão recorrida. Exemplo: Punição aplicada pelo Cmt. da 1ª Cia/1º BPM: RECURSOS DISCIPLINARES AUTORIDADE COMPETENTE PARA ANÁLISE Reconsideração de Ato Cmt. da 1ª Cia/1º BPM Recurso Disciplinar Cmt. do 1º BPM Cmt. do 4ª CRPM Cmt. Geral § 3º O recurso disciplinar deverá: I - ser feito individualmente; II - tratar de caso específico; III - cingir-se aos fatos que o motivaram; e IV - fundamentar-se em argumentos, provas ou documentos comprobatórios e elucidativos. Art. 55. Se o recurso disciplinar for julgado inteiramente procedente, a punição disciplinar será anulada e tudo quanto a ela se referir será cancelado. Parágrafo único. Se apenas em parte, a punição aplicada poderá ser atenuada, cancelada em caráter excepcional ou relevada. Art. 56. O militar que requerer reconsideração de ato, se necessário para preservação da hierarquia e disciplina, poderá ser afastado da subordinação direta da autoridade contra quem formulou o recurso disciplinar, até que seja ele julgado. Do Cancelamento de Registro de Punições Art. 58. Poderá ser concedido ao militar o cancelamento dos registros de punições disciplinares e outras notas a elas relacionadas, em suas alterações e na ficha disciplinar individual. Art. 59. O cancelamento dos registros de punição disciplinar pode ser concedido ao militar que o requerer, desde que satisfaça a todas as condições abaixo: I - não ser a transgressão, objeto da punição, atentatória à honra pessoal, ao pundonor militar ou ao decoro da classe; II - ter o requerente bons serviços prestados, comprovados pela análise de suas alterações; III - ter o requerente conceito favorável de seu comandante; e IV - ter o requerente completado, sem qualquer punição: a) seis anos de efetivo serviço, a contar do cumprimento da punição de PRISÃO DISCIPLINAR a cancelar; e b) quatro anos de efetivo serviço, a contar do cumprimento da punição de REPREENSÃO ou DETENÇÃO DISCIPLINAR a cancelar. § 1º O cancelamento das punições disciplinares interfere nas mudanças de comportamento. § 4º O cancelamento concedido não produzirá efeitos retroativos, para quaisquer fins de carreira. § 5º As punições escolares poderão ser canceladas: • justificadamente • por ocasião da conclusão do curso • a critério do comandante do estabelecimento de ensino • independentemente de requerimento ou tempo de serviço sem punição. § 7º O IMPEDIMENTO DISCIPLINAR será cancelado; • independentemente de requerimento • decorridos dois anos de sua aplicação. § 8º A ADVERTÊNCIA, por ser verbal, será cancelada • independentemente de requerimento • decorrido um ano de sua aplicação. Das Recompensas Art. 64. As recompensas constituem reconhecimento aos bons serviços prestados por militares: I - o ELOGIO e a REFERÊNCIA ELOGIOSA; e II - as DISPENSAS DO SERVIÇO. Art. 65. O ELOGIO é individual e a REFERÊNCIA ELOGIOSA pode ser individual ou coletiva. § 1º O ELOGIO somente deverá ser formulado a militares que se tenham destacado em ação meritória ou quando regulado em legislação específica. § 3º Os elogios e as referências elogiosas individuais serão registrados nos assentamentos dos militares. Art. 66. As DISPENSAS DO SERVIÇO, como recompensa, podem ser: I - dispensa total do serviço II - dispensa parcial do serviço § 2º A dispensa total do serviço é regulada por período de vinte e quatro horas. ESTADO DO PARANÁ POLÍCIA MILITAR 1º BATALHÃO DE POLÍCIA MILITAR CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS _____________________________________________________________________________________________________ DECRETO 5075 - 28 DE DEZEMBRO DE 1998 REGULAMENTO DE ÉTICA PROFISSIONAL DOS MILITARES ESTADUAIS DO PARANÁ TRANSGRESSÃO DISCIPLINAR: CÓDIGO DE ÉTICA X RDE CÓDIGO DE ÉTICA A violação (CONTRARIEDADE) dos valores e dos deveres éticos dos militares estaduais constituirá crime, contravenção ou transgressão disciplinar, conforme o disposto em legislação específica (Art. 8º - Código de Ética). RDE São transgressões disciplinares todas as ações (e omissões) especificadas no Anexo I do RDE (Art. 15º - RDE) DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES Art. 1º - O Regulamento de Ética Profissional dos integrantes da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros do Paraná, militares estaduais, norteia-se por princípios que formam a consciência profissional do militar estadual e representa imperativos de sua conduta, traduzindo-se pelo fiel cumprimento à lei, às ordens das autoridades constituídas, ao cumprimento dos princípios norteadores dos direitos humanos e dos demais princípios que norteiam a vida em sociedade. Art. 2º. - A função militar está revestida de parcela do Poder do Estado (Poder de Polícia), possibilitando tomadas de decisões, impondo regras, dando ordens, por vezes restringindo direitos individuais e coletivos, bens e interesses jurídicos, dentro dos limites autorizados por lei. Art. 4º - O militar estadual, ao ingressar na carreira, prestará o compromisso de honra, em caráter solene afirmando a sua consciente aceitação dos valores profissionais, dos deveres éticos, do sentimento do dever, do pundonor, do decoroda classe e a firme disposição de bem cumpri-los. VALOR (Weill, Pierre) Do ponto de vista moral, valor é característica ou a distinção pela consciência de que é um bem ou mal DEVER (Cel. PM RR Valla) Em sentido geral, revela a obrigação, que impõe a toda pessoa de fazer ou não fazer alguma coisa, segundo as regras que se inscrevem no direito e mesmo na moral. O dever moral, decorrente de um ato de consciência dos valores, caracteriza-se em ser livremente e voluntariamente assumido, havendo ou não imposição de ordem legal que possa compelir a pessoa a cumpri-lo. COMPROMISSO Art. 4º - O militar estadual, ao ingressar na carreira, prestará o compromisso de honra, em caráter solene afirmando a sua consciente aceitação dos valores profissionais, dos deveres éticos, do sentimento do dever, do pundonor, do decoroda classe e a firme disposição de bem cumpri-los. DOS VALORES MILITARES Art. 6º - Os valores militares, determinantes da moral do militar estadual, são os seguintes: I - respeito aos direitos humanos, especialmente à liberdade, à igualdade, à segurança, à vida, à integridade física e à propriedade;II - moralidade pública, caracterizada pela honestidade e probidade; III - responsabilidade pública, evidenciada pelo profissionalismo, pelo exercício da profissão com entusiasmo e perfeição, na busca constante de resultados; IV - justiça - todas as ações devem ser alicerçadas em valores éticos, morais e no ordenamento jurídico da Nação; V - lealdade, manifestada pela fidelidade aos compromissos para com a Pátria, Polícias Militares, Corpos de Bombeiros Militares e pela confiabilidade dos superiores, pares e subordinados, mas principalmente, lealdade com a população que através de seus impostos pagam os salários dos Policiais e Bombeiros Militares: VI - hierarquia, traduzida no respeito e valorização dos postos e graduações; VII - disciplina, significando exato cumprimento do dever e essencial à preservação da ordem pública, VIII - patriotismo, revelado no amor e dedicação à Pátria, IX - civismo, através do culto aos símbolos e tradições da Pátria, das Polícias Militares e dos Corpos de Bombeiros Militares. além da dedicação ao interesse público; X - constância, como firmeza de ânimo e fé nas Polícias Militares e nos Corpos de Bombeiros Militares, XI - espírito de corpo, orgulhando-se de suas Instituições, mediante identificação legítima entre seus componentes; XII – honra, como busca legítima do reconhecimento e consideração, tanto interna, quanto externamente, às Polícias Militares e aos Corpos de Bombeiros Militares: XIII - dignidade, respeitando a si próprio e aos seus semelhantes, indistintamente; e, XIV - coragem, demonstrando destemor ante o perigo e devotando-se à proteção de pessoas, do patrimônio e do meio ambiente. DOS DEVERES DO MILITAR ESTADUAL Art. 7º - Os deveres éticos, emanados dos valores militares e que conduzem a atividade profissional sob o signo da retidão moral, são os seguintes: I - cultuar e zelar pela inviolabilidade dos símbolos e das tradições da Pátria, dos Estados, das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares; II - cumprir os deveres de cidadão; III - agir com isenção, eqüidade e absoluto respeito pelo ser humano, não usando sua condição de autoridade pública para a prática de arbitrariedades; IV - respeitar a integridade física, moral e psíquica das pessoas abordadas ou que estiverem sob custódia, assim como dos condenados ou de quem seja objeto de incriminação; V - exercer a função pública com honestidade, não aceitando vantagem indevida de qualquer espécie, sendo incorruptível, como também, se opor rigorosamente a todos os atos dessa natureza: VI - preservar a natureza e o meio ambiente; VII - servir à comunidade, procurando no exercício da suprema missão de preservar a ordem pública. promover sempre o bem-estar comum; VIII - cumprir e fazer cumprir a Constituição, as leis e as ordens legais de autoridades competentes. exercendo sua atividade profissional com responsabilidade, incutindo também, o senso de responsabilidade nos subordinados, sempre desempenhando sua missão de forma correta e na busca de resultados positivos; IX - zelar pelo bom nome da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros Militar e de seus componentes, aceitando seus valores e cumprindo com seus deveres éticos, nunca denegrindo ou desgastando sua imagem; X - zelar pela correta apresentação dos uniformes, devendo os mesmos estarem sempre impecáveis; XI - jamais apresentar-se em público ou qualquer outro lugar, em estado de embriaguez alcoólica ou sob efeito de substância química entorpecente; XII - atuar com devotamento ao interesse púbico, colocando-o acima dos interesses particulares; XIII - atuar de forma disciplinada e disciplinadora, respeitando os superiores e preocupando-se com a integridade física, moral e psíquica dos subordinados, envidando esforços para bem encaminhar a solução dos problemas apresentados; XIV – ser justo na apreciação de atos e méritos de subordinados; XV - dedicar-se em tempo integral e exclusivamente ao serviço Policial Militar e Bombeiro Militar, buscando com todas as energias, o êxito do serviço, o aperfeiçoamento técnico-profissional e moral; XVI - estar sempre preparado para as missões que venha a desempenhar, entendendo que à atividade profissional não se deve misturar os problemas particulares; XVII - exercer as funções com integridade e equilíbrio, seguindo os princípios que regem a administração pública, não sujeitando o cumprimento do dever às influências indevidas; XVIII - abster-se. quando no serviço ativo, de buscar apoio ou de usar de influências de políticos, pessoas importantes ou autoridades estranhas à Corporação, para a obtenção de facilidades pessoais ou para esquivar-se ao cumprimento da ordem ou obrigações impostas, em razão do serviço, de interesse institucional ou circunstâncias que se encontre; XIX - procurar manter boas relações com outras categorias profissionais, conhecendo e respeitando os limites de competência, mas elevando o conceito e os padrões de sua própria profissão, sendo cioso de sua competência e autoridade; XX - ser fiel na vida militar. cumprindo os compromissos com a Pátria, com o Estado, com sua Instituição e com seus superiores hierárquicos, bem como na vida familiar; XXI - manter ânimo forte e fé nas Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares, mesmo diante das maiores dificuldades, demonstrando persistência no trabalho para solucioná-las; XXII - manter ambiente de harmonia e camaradagem na vida militar, evitando comentários desairosos sobre os componentes da Corporação. ainda que na reserva ou reformados, solidarizando-se nas dificuldades que possam ser minimizadas com sua ajuda ou intervenção; XXIII - não pleitear para si, cargo ou função que esteja sendo exercido por outro militar, XXIV - proceder sempre de maneira ilibada na vida pública e particular; XXV - conduzir-se de modo que não seja subserviente e nem venha a ferir os princípios de respeito e decoro militar, ainda que na inatividade; XXVI - abster-se do uso do posto, da graduação, ou de cargo para obter facilidades pessoais de qualquer natureza, ou para encaminhar negócios particulares ou de terceiros; XXVII - abster-se, ainda que na inatividade, do uso das designações hierárquicas em: a) atividade político-partidária, salvo quando candidato a cargo eletivo; b) atividade comercial ou industrial; c) pronunciamento público a respeito de assunto político que influencie o ambiente militar. salvo os de natureza técnica; e d) exercício de cargo ou função de natureza civil, XXVIII - garantir assistência moral e material à família. assim como saudar rigorosamente em dia os compromissos financeiros assumidos; XXIX - amar a verdade e a responsabilidade como fundamentos de dignidade pessoal; XXX - exercer a profissão sem alegar restrições de ordem religiosa, política, racial ou social. XXXI - observar as normas de boa educação, sendo discreto nos gestos, nas atitudes e na linguagem escrita e falada; XXXII - manter-se, constantemente, cuidadoso com sua apresentação e postura pessoal, sabendo que a elegância de porte e de espírito revelam o cavalheiro ou a dama que todo o militar estadual deve representar em público e na vida particular, XXXIII - evitar publicidade visando a própria promoção pessoal; XXXIV - não abusar dos meios e dos bens públicos postos à sua disposição, nem distribuí-los a quem quer que seja, em detrimento dos fins da administração pública, coibindo ainda a transferência de tecnologia própria das funções militares: XXXV - atuar com eficiência e probidade, zelando pela economia e conservação dos bens públicos, cuja utilização lhe for confiada; XXXVI - proteger as pessoas, o património e o meio ambiente com abnegação, coragem e destemor, porém com técnica, equilíbrio e prudência, arriscando, se necessários, a própria vida; XXXVII - atuar sempre, respeitados os impedimentos legais, mesmonão estando de serviço, para preservar a ordem pública ou prestar socorro, desde que não exista, naquele momento e no local, força de serviço suficiente; XXXVIII - manter sigilo de assuntos de natureza confidencial de que venha ater ciência em razão da atividade profissional, exceto para satisfazer interesse da justiça e da disciplina militar; XXXIX - exercer todos os atos de serviço com presteza e pontualidade, desenvolvendo o hábito de estar na hora certa no local determinado e no momento certo, para exercer a sua habilidade; XL – ser disciplinado e disciplinador, observando os direitos e deveres, cabendo aos superiores hierárquicos a constante fiscalização e aplicação das sanções cabíveis, respeitado o direito a ampla defesa; § 1º. - A dedicação integral e exclusiva ao serviço militar obriga ao militar estadual, independente de quadro, qualificação, especialização, atividades técnica, sexo ou nível hierárquico, ao cumprimento de jornada de trabalho que compreende serviços de polícia ostensiva de preservação da ordem pública ou de bombeiro, instrução, ações e operações. exercícios de adestramento, revistas, formaturas, paradas, diligências, patrulhamento, expediente, serviços de escalas normais, extraordinárias ou especiais e outros encargos estabelecidos pelo respectivo chefe ou comandante, por períodos e turnos variáveis e subordinados apenas aos interesses do dever ou da missão militar. § 2º - Além das condições fixadas no parágrafo anterior, o militar estadual está sujeito às exigências das situações extraordinárias, decorrentes de ordens de sobreaviso, de prontidão e de marcha. § 3º - Ao militar estadual da ativa é vedado exercer atividade de segurança privada, fazer parte de firmas comerciais, de empresas industriais e serviços de qualquer natureza, ou nela exercer função ou emprego remunerado, exceto como acionista. quotista em sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada. § 4º - Os militares estaduais, em atividade, podem exercer diretamente a gestão de seus bens, desde que não infrinjam o disposto no parágrafo anterior. § 5º. - São proibidas aos militares estaduais da ativa quaisquer manifestações individuais ou coletivas sobre atos de superiores, de caráter reinvidicatórios, de cunho político-partidário e sobre assuntos de natureza militar de caráter sigiloso, sujeitando-se às demonstrações internas de boa e sã camaradagem e aos preceitos expressos no Regulamento Disciplinar. § 6º - Observados os preceitos da ética militar e os valores militares em suas manifestações essenciais, é assegurado ao militar estadual inativo e aos agregados, para concorrerem a cargos eletivos, o direito da participação no meio civil, em atividades político-partidárias e em manifestações sobre quaisquer assuntos,excetuados os de natureza militar de caráter sigilosos. § 7º - A prescrição do parágrafo anterior não se aplica aos militares estaduais inativos quando na situação de mobilizados ou convocados para o serviço ativo. § 8º - É vedada a utilização de componentes das Polícias Militares e dos Corpos de Bombeiros Militares em órgãos civis, públicos ou privados, sob pena de responsabilidade de quem os permitir, ressalvadas as situações previstas expressamente em lei ou regulamentos. § 9º - É vedado também aos militares estaduais, da ativa, o comparecimento e a participação, fardado, em quaisquer manifestações político-partidárias, exceto quando em serviço. § 10. - Ao militar estadual é proibido o exercício cumulativo de cargos ou empregos públicos, ressalvado o contido na Constituição Federal. § 11. - O Comandante Geral poderá determinar aos seus subordinados da ativa que, no interesse da salvaguarda da dignidade dos mesmos, informem sobre a origem de seus bens, quando haja razões que recomendem tal medida. DA VIOLAÇÃO DOS VALORES E DOS DEVERES ÉTICOS Art. 8º - A violação dos valores e dos deveres éticos dos militares estaduais constituirá crime, contravenção ou transgressão disciplinar, conforme o disposto em legislação específica. § 1º - É obrigação de todo militar estadual cumprir e fazer cumprir os deveres éticos; § 2º - A violação dos preceitos, será tão mais grave quanto mais elevado for o grau hierárquico de quem a cometer, § 4º - A inobservância ou falta de exação no cumprimento dos deveres especificados em legislação e regulamentos, poderá acarretar ao militar estadual responsabilidades de ordem civil, administrativa e criminal. ESTADO DO PARANÁ POLÍCIA MILITAR 1º BATALHÃO DE POLÍCIA MILITAR CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS _____________________________________________________________________________________________________ PROCESSO X PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO: Qualquer sequencia racionalizada de atos que são empregados pela administração pública para viabilizar uma tarefa (ex. procedimentos de cunho meramente investigativo, que não podem dar ensejo à aplicação de penalidades disciplinares). PROCESSO ADMINISTRATIVO Processo é uma subcategoria de procedimento que vem acompanhado de direitos fundamentais. Trata-se de um procedimento qualificado pela presença de um conflito real ou potencial que exigem que se garantam direitos fundamentais, sobretudo a ampla defesa e contraditório (ex. processos sancionatórios/punitivos). Deverá ser respeitada a regra do devido processo legal, por meio da: a. da ampla defesa, b. do contraditório e c. da produção de todos os meios de provas admitidos em direito. Ex.: PROCESSOS SANCIONATÓRIOS/PUNITIVOS, que tem como finalidade a verificação de materialidade/autoria em relação a uma potencial infração (indícios), com aplicação no processo sancionador de uma punição ao Acusado. Deve se dar por meio de processo administrativo respeitando os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. RITO DE APURAÇÃO DE FATOS CONTRÁRIOS À DISCIPLINAR MILITAR Deve levar em consideração a própria natureza da infração cometida, o que imporá a instauração de processo mais ou menos rigoroso em formalidade. Por isso, pode-se dividir as punições disciplinares aplicadas em dois grandes grupos, como se demonstra a seguir: a) GRUPO DAS PENALIDADES ORDINÁRIAS OU REEDUCATIVAS: Na PMPR, as PENALIDADES ORDINÁRIAS OU REEDUCATIVAS são (Art. 24, I à V do RDE): ⎯ Advertência ⎯ Impedimento Disciplinar ⎯ Repreensão ⎯ Detenção Disciplinar ⎯ Prisão Disciplinar Exemplo de transgressões que dão ensejo a estas penalidades: militar estadual que se apresentou ao serviço com o fardamento em desalinho ou, barbudo ou, faltou ao serviço. A apuração do ato/fato chama-se de averiguação sumária ou de Processo Disciplinar Sumário (FATD), tendo por finalidade fundamental manter a ordem e a normalidade do serviço público e da vida militar. O direito de defesa é exercido pelo transgressor, e avaliado e julgado de forma célere e prudente por Comandante que detém poder disciplinar (Art. 485 – RISG). b) GRUPO DAS PENALIDADES EXTRAORDINÁRIAS OU EXCLUSÓRIAS: Apresentam um plus em relação às primeiras pois implicam a interrupção da relação de trabalho e são, também podendo variar quanto a sua nomenclatura: 1) licenciamento a bem da disciplina 2) exclusão a bem da disciplina (Art. 24, VI do RDE). Implicam perda patrimonial (financeira, da função) e ensejam em regra, o processo regular. Nesses casos, quando a transgressão de tal ordem que possibilite a retirada do militar da atividade da Corporação, deverá ser, como regra, precedida de processo administrativo em que se lhe possibilitem a ampla defesa e o contraditório. Dão ensejo às citadas sanções, as transgressões que ofendam o pundonor militar, a honra pessoal e o decoro da classe; é a reincidência de conduta irregular ou o procedimento incorreto no desempenho do cargo, cuja prática possa suscitar à Administração Militar a possibilidade de se verificarsua capacidade de continuar ou não na ativa ou na situação de inatividade em que se encontre (Lei nº 16544/10). RITO DE APURAÇÃO DISCIPLINAR NA PMPR Indícios de Transgressão Disciplinar Falta disciplinar ordinária Falta disciplinar extraordinária (grave) Processos Disciplinares • ADL • CD • CJ Lei nº 16544/10 Mediante garantia de direitos fundamentais, sobretudo a ampla defesa e contraditório FATD Portaria CG nº 339/06 ⎯ Advertência ⎯ Impedimento Disc. ⎯ Repreensão ⎯ Detenção Disc. ⎯ Prisão Disc. Licenciamento e Exclusão a bem da disciplina ESTADO DO PARANÁ POLÍCIA MILITAR 1º BATALHÃO DE POLÍCIA MILITAR CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS _____________________________________________________________________________________________________ PORTARIA DO COMANDO-GERAL Nº 339, DE 27 DE ABRIL DE 2006 REGULA AS PROVIDÊNCIAS NECESSÁRIAS À CONFECÇÃO DO FORMULÁRIO DE APURAÇÃO DE TRANSGRESSÃO DISCIPLINAR DA EXPEDIÇÃO DO FORMULÁRIO Art. 1º A autoridade competente, ao presenciar ou tomar conhecimento da ocorrência de transgressão disciplinar resultante de apuração em sindicância, ou comunicada por intermédio de parte disciplinar ou outro expediente, a exemplo de informação, representação ou requerimento, deverá: - pessoalmente expedir ou; - determinar a um Oficial ou Aspirante-a-Oficial que expeça, ao militar estadual apontado como autor do fato, Formulário de Apuração de Transgressão Disciplinar (FATD). O FATD deverá ser expedido (instaurado) apenas quando (Art. 1º, § 3): - existir ato/fato determinado que possa caracterizar transgressão disciplinar; - com autoria certa. FATD ENCARREGADO PARA EXPEDIÇÃO DE FATD Encarregado é a pessoa que recebeu a incumbência de apurar os fatos e o deve fazer da melhor maneira possível, juntando e produzindo todas as provas necessárias para compreender realmente como os fatos se deram Art. 1º, § 1 º A determinação da autoridade competente encarregando Oficial ou Aspirante-a-Oficial para que expeça o FATD deverá se dar mediante despacho. Art. 1º, § 4º O Cadete do 3.º ano do Curso de Formação de Oficiais (CFO) poderá ser designado como encarregado de FATD, quando o imputado for Cadete do 1.º ou 2.º ano do CFO ou, ainda, aluno do Curso de Formação Praças (CFP). Art. 23. A expedição e a instrução do FATD poderão, na inexistência de Oficial ou de Aspirante-a-Oficial disponível, ser atribuídas pela autoridade competente a Subtenentes e a Sargentos. § 2º Ao Oficial ou Aspirante-a-Oficial encarregado caberá proceder à instrução do FATD ouvindo pessoas e produzindo provas quando necessárias, elaborando ao final um relatório, constituído de uma parte expositiva e uma parte conclusiva, contendo as diligências realizadas e os resultados obtidos, a análise dos fatos e a indicação quanto à existência de transgressão disciplinar. IMPUTAÇÃO INDIVIDUALIZADA Art. 4º, § único. Se vários forem os militares estaduais apontados como autores da prática da mesma ou de várias transgressões, para cada um deles deverá ser expedido FATD, utilizando-se numeração distinta e imputação individualizada. DO RELATO DO FATO IMPUTADO Pode-se dizer que o Relato do Fato Imputado é o principal documento do Formulário de Apuração de Transgressão Disciplinar, pois define o motivo pelo qual o militar está sendo processado e do que exatamente ele deve se defender. Ao ler o Relato do Fato Imputado, o Acusado precisa ser capaz de compreender exatamente de qual acusação deve se defender. Art. 6º A imputação deverá conter: I - o descritivo claro e preciso dos atos ou fatos praticados pelo militar estadual apontado como autor, precisando, sempre que possível, data, hora, local, circunstâncias e demais situações atinentes; II - os itens do Anexo I do Regulamento Disciplinar do Exército (RDE) em que a conduta do militar estadual apontado como autor se enquadra; III - as referências aos dispositivos de leis, regulamentos, convenções, normas ou ordens que foram contrariados ou contra os quais tenha havido omissão, no caso de aplicação do item 9, do Anexo I, do RDE. 9. Deixar de cumprir prescrições expressamente estabelecidas no Estatuto dos Militares ou em outras leis e regulamentos, desde que não haja tipificação como crime ou contravenção penal, cuja violação afete os preceitos da hierarquia e disciplina, a ética militar, a honra pessoal, o pundonor militar ou o decoro da classe. IV- A identificação e a assinatura da autoridade expedidora. Art. 7º Em caso de prática simultânea de duas ou mais transgressões deverá ser formulada a imputação numa única peça, contendo o descritivo dos atos cometidos e/ou fatos ocorridos e os correspondentes dispositivos do Anexo I do RDE. DAS JUSTIFICATIVAS/RAZÕES DE DEFESA Art. 9º O prazo para a apresentação das razões de defesa será de três dias úteis, a contar da data do ciente do militar estadual apontado como autor do fato na primeira via do relato do fato imputado. § 4º As razões de defesa constituem-se na oportunidade do militar estadual indicar e/ou apresentar as provas cuja produção entenda necessária à sua defesa, inclusive requerer sua ouvida a termo, tendo acesso em cartório a todas as peças dos autos. Art. 15. As razões de defesa do militar estadual apontado como autor do fato poderão ser consignadas, de próprio punho, no campo destinado para tal, assim como juntadas aos autos quando apresentadas na forma de memoriais. DA DECISÃO NO FATD Art. 17. A autoridade competente, considerando o conteúdo do relatório elaborado prolatará sua decisão, publicando-a em boletim. Art. 18. A decisão deverá conter a conclusão, determinando: a) a aplicação de sanção disciplinar, se considerar o militar estadual responsável pelo(s) ato(s)/fato(s) que lhe é(são) imputado(s); b) o arquivamento do FATD, se considerar improcedente a imputação; c) outra medida cabível. RECURSOS (na forma estabelecida pelo RDE) Art. 18-A. A reconsideração de ato e o subsequente recurso disciplinar decorrente de sanção disciplinar aplicada terão efeitos devolutivo e suspensivo. Parágrafo único. Caberá à autoridade com competência disciplinar, analisada a natureza da conduta que ensejou a sanção disciplinar, decidir quanto ao efeito suspensivo para os subsequentes recursos interpostos pelo militar estadual. DAS PRESCRIÇÕES DIVERSAS Art. 19. Durante a produção e a coleta de provas deverão ser assegurados ao militar estadual apontado como autor do fato a ampla defesa e o contraditório, com os meios e recursos a ela inerentes. PRAZOS Art. 20. O prazo para conclusão do FATD será de 30 (trinta) dias úteis, a contar da autuação, inclusive remessa do relatório pelo encarregado. Parágrafo único. Consideram-se dias úteis, para efeitos desta Portaria, aqueles compreendidos no período de segunda à sexta-feira, excetuados os feriados militares e os reconhecidos pela União, pelo Estado e pelos Municípios. SOBRESTAMENTO É a suspensão dos atos processuais, significando a paralisação do processo que, por esse meio, perde sua natural dinâmica, passando à situação estática momentânea. Art. 21. O sobrestamento dos trabalhos atinentes à coleta de provas, com a decorrente suspensão do prazo somente ocorrerá em casos plenamente justificáveis, mediante pedido formulado por intermédio de parte do encarregado, e se for o caso, a critério da autoridade competente. ESTADO DO PARANÁ POLÍCIA MILITAR 1º BATALHÃO DE POLÍCIA MILITAR CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS _____________________________________________________________________________________________________ LEI nº 16544 - 14 DE JULHO DE 2010 DISPÕE QUE O PROCESSO DISCIPLINAR, NA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO PARANÁ (PMPR), SERÁREGULADO NA FORMA QUE ESPECIFICA E ADOTA OUTRAS PROVIDÊNCIAS Art. 2º. A perda do posto e da patente de oficial, a perda da graduação, a exclusão e o licenciamento a bem da disciplina de praça dar-se-ão em decorrência de processo disciplinar, nos termos desta lei. Parágrafo único. A perda do posto e da patente, a perda da graduação, a exclusão e o licenciamento a bem da disciplina implicam, automaticamente, na perda do cargo público, respeitados os preceitos legais e constitucionais. Art. 3º O processo disciplinar é o instrumento destinado a apurar responsabilidade de militar estadual, por infração praticada no exercício de suas atribuições, ou que tenha repercussão ético-moral que afete a honra pessoal, o decoro da classe ou o pundonor militar, incompatibilizando-o a permanecer no estado efetivo da PMPR. § 1º Caberá ao Comandante-Geral: - a nomeação, por meio de portaria, dos militares estaduais que irão desenvolver os trabalhos afetos ao processo disciplinar - bem como sua solução. Art. 4º. O processo disciplinar compreende: I - Apuração Disciplinar de Licenciamento, destinada a julgar a capacidade de praça ativa ou inativa, com menos de 10 (dez) anos de serviço prestados à Corporação, na data do fato, para permanecer, nas fileiras da PMPR, na condição em que se encontra; II - Conselho de Disciplina, destinado a julgar a capacidade de praça especial ou de praça, ativa ou inativa, com mais de 10 (dez) anos de serviço prestados à Corporação para permanecer, nas fileiras da PMPR, na condição em que se encontra; III - Conselho de Justificação, destinado a julgar a capacidade de oficial, ativo ou inativo, para permanecer, nas fileiras da PMPR, na condição em que se encontra. Parágrafo único. O militar estadual submetido a processo disciplinar será denominado de acusado. SUBMISSÃO A PROCESSO DISCIPLINAR Art. 5º. Será submetido a processo disciplinar o militar estadual que: I - encontrando-se no comportamento mau, cometer nova falta disciplinar de natureza grave; II - for acusado oficialmente por qualquer meio lícito, de ter: a) procedido incorretamente no desempenho do cargo ou função institucional; Diz respeito a inobservância dos deveres e obrigações militares, especificados em legislação específica; b) tido conduta irregular ou cometa ato que por sua natureza venha a denegrir a imagem da Corporação; conduta irregular: a prática de ato que venha a afetar a hierarquia e disciplina militar; c) praticado ato que afete a honra pessoal, o pundonor militar ou o decoro da classe; Diz respeito a inobservância de quaisquer dos preceitos atinentes aos valores, à moral e à ética militar, contidos em regulamentos próprios; III - for afastado preventivamente, mediante decisão motivada e fundamentada, do cargo ou função, na forma da legislação institucional, por se tornar incompatível com os mesmos, salvo se o afastamento for decorrente de fatos que motivaram sua submissão a processo; IV- demonstrar incapacidade profissional para o exercício de atribuições institucionais em razão de reiteradas punições disciplinares; V - for condenado por crime de natureza dolosa a pena privativa de liberdade superior a dois anos, com trânsito em julgado; VI - reprovado no estágio probatório ou na avaliação de desempenho das atribuições institucionais reguladas por ato do Comandante-Geral, como oficial, aspirante-a- oficial ou soldado-de-primeira-classe; VII - se cadete ou soldado-de-segunda-classe, for considerado inapto, no período de formação, na avaliação de desempenho das atribuições institucionais regulada por ato do Comandante-Geral; VIII - integrar partido político ou associação que atente contra a estabilidade das instituições democráticas, ou que esteja suspenso ou dissolvido por força de disposição legal ou decisão judicial. § 3º O militar estadual reprovado no estágio probatório ou considerado inapto, no período de formação, na avaliação de desempenho das atribuições institucionais será, se estável, reconduzido ao cargo anteriormente ocupado. DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO Art. 6º. No processo disciplinar serão assegurados a ampla defesa e o contraditório, com os meios e recursos a eles inerentes. Parágrafo único. O processo disciplinar admite apenas a apresentação de defesa por escrito e nos prazos definidos nesta lei. § 1º É facultado ao militar estadual apresentar sua defesa pessoalmente, ou por intermédio de procurador. Quando o acusado não constituir advogado, o processo será acompanhado por um oficial: LIBELO ACUSATÓRIO Art. 9º. O libelo acusatório, emitido por escrito, expõe o fato em apuração com suficiente especificidade, de modo a delimitar o objeto da acusação e permitir a plenitude de defesa, entregando uma via ao militar estadual acusado, antes de sua qualificação e interrogatório. DOS PRAZOS Art. 15. O processo disciplinar deverá ser concluído no prazo de 40 (quarenta) dias úteis, a contar da data de sua instauração, inclusive remessa do relatório. Parágrafo único. O Comandante-Geral, em razão de pedido devidamente fundamentado pela autoridade processante, poderá prorrogar em até 20 (vinte) dias úteis o prazo de conclusão dos trabalhos, bem como determinar o seu sobrestamento pelo período que se fizer necessário. DA APURAÇÃO DISCIPLINAR DE LICENCIAMENTO Art. 23. O presidente da Apuração Disciplinar de Licenciamento será um oficial da ativa da PMPR. Parágrafo único. O presidente, ao receber o ato de nomeação com os respectivos documentos de origem, indicará um subtenente ou primeiro-sargento como escrivão, se a indicação já não tiver sido feita na portaria de nomeação. Art. 24. Após receber as razões finais de defesa, o presidente, no prazo legal para conclusão, elaborará relatório conclusivo sobre a pertinência ou não da acusação, bem como se manifestando se o acusado reúne condições ou não de permanecer integrando as fileiras da Corporação, na ativa ou inatividade. Art. 25. Elaborado o relatório, com termo de encerramento, o presidente remete o processo disciplinar ao Comandante-Geral. Art. 26. Recebidos os Autos da Apuração Disciplinar de Licenciamento, o Comandante-Geral, motivadamente, emitirá solução (conforme Quadro adiante). DO CONSELHO DE DISCIPLINA Art. 27. O Conselho de Disciplina será composto por 3 (três) membros. § 1º Ao membro mais antigo, no mínimo um oficial intermediário, caberá a presidência dos trabalhos e, ao mais moderno, o encargo de escrivão. § 2º Poderá ser nomeado, como membro do Conselho de Disciplina, subtenente ou primeiro-sargento, circunstância em que a praça exercerá o encargo de escrivão. § 3º O Conselho de Disciplina funcionará com a totalidade de seus membros. Art. 28. Realizadas todas as diligências, bem como juntada aos autos a defesa final, o Conselho de Disciplina reunir-se-á para a sessão de julgamento. § 2º Após a deliberação acerca de todas as provas constantes dos autos, bem como análise das peças de defesa apresentadas, o Conselho de Disciplina deverá julgar: I - se é procedente a acusação, bem como se é acusado capaz de permanecer na ativa ou na situação em que se encontra na inatividade; II - no caso do inciso V do art. 5º desta lei, levados em consideração os preceitos da aplicação da pena, se é o acusado capaz de permanecer na ativa ou na situação em que se encontra na inatividade. § 3º A decisão do Conselho de Disciplina é tomada por maioria de votos de seus membros. § 4º Todos os membros devem justificar seu voto por escrito. Art. 29. Elaborado o relatório, com termo de encerramento, o presidente remete o processo ao Comandante-Geral. Art. 30. Recebidos os autos do Conselho de Disciplina, o Comandante- Geral, motivadamente, emitirá solução (conforme Quadro adiante). DO CONSELHO DE JUSTIFICAÇÃO Art. 31. O Conselho de Justificaçãoserá composto por três oficiais da PMPR, todos superiores hierárquicos ao acusado, ou, se do mesmo posto, mais antigos. § 1º Ao membro mais antigo, no mínimo um oficial superior, caberá a presidência dos trabalhos e, ao mais moderno, o encargo de escrivão. § 2º Quando o acusado for oficial superior do último posto, os membros do Conselho de Justificação serão nomeados dentre os oficiais daquele posto, da ativa ou da reserva remunerada, mais antigos que o acusado. Art. 32. Realizadas todas as diligências, bem como juntada aos autos a defesa final, o Conselho de Justificação reunir-se-á para a sessão de julgamento. § 2º Após a deliberação acerca de todas as provas constantes dos autos, bem como análise das peças de defesa apresentadas, o Conselho de Justificação deverá julgar: I - se é procedente a acusação, bem como se é acusado capaz de permanecer na ativa ou na situação em que se encontra na inatividade; II - no caso do inciso V do art. 5º desta lei, levados em consideração os preceitos da aplicação da pena, se é o acusado capaz de permanecer na ativa ou na situação em que se encontra na inatividade. § 3º A decisão do Conselho de Justificação é tomada por maioria de votos de seus membros. § 4º Todos os membros devem justificar seu voto por escrito. Art. 33. Elaborado o relatório, com termo de encerramento, o presidente remete o processo ao Comandante-Geral. Art. 34. Recebidos os autos do Conselho de Justificação, o Comandante- Geral, motivadamente, emitirá solução (conforme Quadro adiante). Recebidos os autos do Processo Disciplinar, o Comandante- Geral, motivadamente, solucionará, determinando: APURAÇÃO DISCIPLINAR DE LICENCIAMENTO CONSELHO DE DISCIPLINA CONSELHO DE JUSTIFICAÇÃO Art. 26 Art. 30 Art. 34 I. - o arquivamento do processo, se não julga o militar estadual culpado; I - o arquivamento do processo, se não julga o militar estadual culpado; I - o arquivamento do processo, se não julga o militar estadual culpado; II. - a aplicação de sanção disciplinar se considera o acusado culpado das acusações imputadas, no todo ou em parte; II - a aplicação de sanção disciplinar, se considera o acusado culpado das acusações imputadas, no todo ou em parte; II - a aplicação de sanção disciplinar se considera o acusado culpado das acusações imputadas, no todo ou em parte; III. - o licenciamento a bem da disciplina, se julgar o militar estadual culpado das acusações imputadas e incapaz de permanecer na ativa ou na situação em que se encontra na inatividade; III - a exclusão a bem da disciplina, se julgar o militar estadual culpado das acusações imputadas e incapaz de permanecer na ativa ou na situação em que se encontra na inatividade; III - a remessa do processo ao Juízo competente, se considera infração penal a razão pela qual o acusado foi julgado culpado; IV. - a remessa do processo ao Juízo competente, se considera infração penal a razão pela qual o acusado foi julgado culpado; IV - a remessa do processo ao Juízo competente, se considera infração penal a razão pela qual o acusado foi julgado culpado; IV - a remessa do processo ao Órgão de segunda instância da Justiça Militar estadual, se considerar o acusado incapaz de permanecer na ativa ou na situação em que se encontra na inatividade. V. - a remessa do processo ao Órgão de segunda instância da Justiça Militar estadual, se o processo tiver sido instaurado com fundamento no inciso V do art. 5º desta lei, e considere o acusado incapaz de permanecer na ativa ou na situação em que se encontra na inatividade. V - a remessa do processo ao Órgão de segunda instância da Justiça Militar estadual, se o Conselho de Disciplina tiver sido instaurado com fundamento no inciso V do art. 5º desta lei, e considere o acusado incapaz de permanecer na ativa ou na situação em que se encontra na inatividade. A solução do Comandante-Geral não está adstrita ao relatório RECURSOS Art. 35. Os recursos serão da seguinte ordem: I - reconsideração de ato; II - recurso disciplinar. Art. 36. A reconsideração de ato é cabível contra solução do Comandante- Geral no processo disciplinar, sendo dirigida àquela autoridade, no prazo de cinco dias úteis, a contar do conhecimento da solução. Art. 37. Caberá recurso disciplinar da decisão do Comandante-Geral na reconsideração de ato. § 1º O recurso disciplinar será dirigido ao Governador do Estado, no prazo de 10 (dez) dias úteis, contados do conhecimento da decisão do Comandante-Geral na reconsideração de ato. § 2º Na Apuração Disciplinar de Licenciamento e no Conselho de Disciplina, após decisão do recurso disciplinar mantendo a exclusão ou licenciamento a bem da disciplina, nos casos de condenação por crime doloso em caráter definitivo, os autos serão remetidos ao Órgão de segunda instância da Justiça Militar estadual (somente se o processo tenha sido instaurado de acordo com o Art. 5º, V desta lei). § 3º No Conselho de Justificação, após decisão do recurso mantendo a exclusão do acusado os autos serão remetidos ao Órgão de segunda instância da Justiça Militar estadual (sempre). Art. 38. A reconsideração de ato será recebida com efeitos devolutivo e suspensivo e o recurso disciplinar será recebido apenas com efeito devolutivo. DA COMPETÊNCIA DO ÓRGÃO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DA JUSTIÇA MILITAR ESTADUAL Art. 40. O Órgão de segunda instância da Justiça Militar estadual, julgando o militar estadual culpado e incapaz de permanecer na ativa ou na inatividade, deverá, conforme o caso: I se oficial, declará-lo indigno do oficialato ou com ele incompatível, determinando a perda de seu posto e patente; II se praça, determinar a perda da graduação. Art. 41. Após o trânsito em julgado, o processo será encaminhado ao Governador do Estado para a edição do ato referente à perda do posto e da patente do oficial. No caso de praça, a remessa dar-se-á ao Comandante-Geral para a adoção das providências referentes à perda da graduação. DISPOSIÇÕES FINAIS Art. 42. Para efeito desta lei o prazo de prescrição será de 6 (seis) anos a contar da data do ato motivador da instauração do processo disciplinar. Art. 46. Consideram-se dias úteis aqueles em que houver expediente na Corporação. ESTADO DO PARANÁ POLÍCIA MILITAR 1º BATALHÃO DE POLÍCIA MILITAR CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS _____________________________________________________________________________________________________ PORTARIA DO COMANDO-GERAL Nº 338, DE 24 DE ABRIL DE 2006 Regula a elaboração de Sindicância. DA DEFINIÇÃO E DA FINALIDADE Art. 1º Sindicância é o instrumento de natureza administrativa e de caráter inquisitorial que tem por finalidade apurar fato, produzindo provas e esclarecendo circunstâncias, de forma a subsidiar decisão da autoridade competente. § 1º Quando destinada a averiguar notícia de transgressão disciplinar, buscará a sindicância aclarar as condições que envolvam a falta funcional e determinar a sua autoria, antecedendo a adoção de outras providências. § 2º A sindicância deverá ser instaurada para reunir elementos atinentes à existência de situações constitutivas de direito, de maneira a permitir o eventual reconhecimento pela autoridade competente, bem como para comprovar a ocorrência de acidente em serviço. § 3º Os procedimentos para apuração dos atos tendentes à concessão de condecorações e promoção por ato de bravura serão regulados por normativa específica. DA COMPETÊNCIA Art. 2º São autoridades competentes para instaurar sindicância: I. Comandante-Geral; II. Chefe da Casa Militar; III. Chefe do Estado-Maior; IV. Ajudante-Geral; V. Diretor; VI. Comandante Intermediário; VII. Comandante de Unidade. DO SINDICANTE Art. 4º A sindicância será procedida por Oficial ou Aspirante-a-Oficial, superior hierárquico, ou, em sua falta, mais antigo que o sindicado. DOS PROCEDIMENTOS Art.6º A sindicância será instaurada mediante portaria da autoridade competente, com a designação do sindicante. Art. 7º O sindicante, tão logo receba a portaria de instauração, deverá adotar as seguintes providências: a) autuar os documentos de origem; b) ouvir o sindicado, o ofendido, as testemunhas e outras pessoas que possam prestar esclarecimentos; c) produzir as provas que se mostrarem necessárias e atinentes ao fato sob apuração, esclarecendo as circunstâncias e determinando a autoria, se for o caso. DOS PRAZOS Art. 13. O prazo para conclusão da sindicância será de vinte dias úteis, a contar da autuação procedida pelo sindicante. § 1º O prazo definido no caput poderá ser prorrogado por até dez dias úteis, a critério da autoridade competente, mediante pedido oportuno e fundamentado do sindicante. § 3º Os prazos serão contados, excluindo-se o primeiro dia útil e incluindo- se o último. § 5º Consideram-se dias úteis aqueles compreendidos no período de segunda à sexta-feira, excetuados os feriados militares e os reconhecidos pela União, pelo Estado e pelos Municípios. § 6º Os prazos definidos neste artigo poderão ser reduzidos até a metade, a critério da autoridade competente, em situações que exijam célere apuração e adoção de medidas pela Corporação. Art. 15. A autoridade competente, mediante solicitação fundamentada do sindicante, poderá determinar o sobrestamento dos trabalhos da sindicância, pelo prazo que se fizer necessário para a produção de provas ou realização de diligências requeridas por carta precatória. DO RELATÓRIO Art. 23. Concluída a instrução, o sindicante deverá elaborar o relatório, constituído de uma parte expositiva e uma parte conclusiva, contendo as diligências realizadas e os resultados obtidos, a análise dos fatos, a manifestação quanto à autoria e a indicação das eventuais medidas cabíveis. DA SOLUÇÃO DA SINDICÂNCIA Art. 24. A autoridade competente, após receber os autos da sindicância, concordando ou não com o relatório e justificando os motivos de sua decisão, deverá determinar: I. o arquivamento da sindicância, se não considerar o sindicado responsável pelo fato objeto de apuração; II. a expedição de Formulário de Apuração de Transgressão Disciplinar, se restarem demonstrados indícios da prática de falta funcional; III. o retorno dos autos ao sindicante, por até dez dias úteis, para realização ou conclusão de diligências essenciais à apuração do fato e que porventura não tenham sido efetuadas ou concluídas; IV. a instauração de nova sindicância ou de inquérito técnico; V. a instauração de inquérito policial-militar, quando o fato apurado configurar indícios de crime de natureza militar e inexistir suporte probatório suficiente a dar supedâneo à atuação do Ministério Público Militar; VI. a remessa, quando for o caso e para as providências que entender necessárias, de cópia da sindicância ou de parte dela a autoridades militares ou civis. VII. o envio dos autos ao Comandante-Geral, propondo a adoção de outras medidas pertinentes. Art. 25. A solução deverá ser publicada na íntegra em boletim ostensivo, no prazo de oito dias úteis, contados do recebimento dos autos pela autoridade competente. § 1º Quando a sindicância for instaurada pelo Comandante-Geral, a solução poderá ser exarada no dobro do prazo definido neste artigo. ESTADO DO PARANÁ POLÍCIA MILITAR 1º BATALHÃO DE POLÍCIA MILITAR CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS _____________________________________________________________________________________________________ PORTARIA DO COMANDO-GERAL Nº 883, DE 7 DE SETEMBRO DE 2022. Regula as normas do Inquérito Técnico, revoga a Portaria do Comando-Geral nº 1.129, de 21 de novembro de 2014, e dá outras providências. DA DEFINIÇÃO E FINALIDADE Art. 1º O Inquérito Técnico (IT) é o instrumento de natureza administrativa e de caráter inquisitorial que tem por finalidade apurar evento danoso, envolvendo bem patrimonial permanente sob administração militar, produzindo elementos informativos e esclarecendo circunstâncias, de forma a auxiliar a solução da autoridade instauradora, e a decisão do Diretor da Diretoria de Apoio Logístico e Finanças (DALF), nos termos previstos nesta Portaria, com a eventual e consequente imputação de responsabilidade ao seu causador, bem como subsidiar, se for o caso, a decorrente propositura de ação judicial. § 1º Entende-se por bem patrimonial permanente, pertencentes à PMPR e/ou utilizadas pela Corporação, os seguintes: I. as viaturas, com o respectivo aparelho de rádio comunicação, sinalizador e emergência e cela; II. as embarcações; III. os semoventes; IV. as armas e as munições. § 2º Em caso de evento danoso envolvendo outros bens permanentes não arrolados no parágrafo anterior deverá ser instaurado outro procedimento administrativo para apuração dos fatos, com observância das demais legislações atinentes ao(s) bem(ns) envolvido(s). § 3º Para os fins desta Portaria, denomina-se envolvido o militar estadual responsável pelo bem patrimonial no momento do evento danoso, bem como, a pessoa civil condutora de veículo envolvida no evento ou com indicativos de responsabilidade pelo fato, objeto do IT. § 5º As situações decorrentes do evento danoso que configurem infração penal militar e/ou disciplinar, bem como as que resultem em ferimento a militar envolvido, § 6º Após solucionado pela autoridade instauradora, o IT será encaminhado à Seção de Inquérito Técnico (SIT) da DALF, a quem compete a análise, procedendo a eventual remessa ao órgão competente, ou, se for constatada a inobservância de procedimentos, ausência de documento ou necessidade de adoção de providências, retornar à origem para diligências consideradas imprescindíveis. DA COMPETÊNCIA PARA INSTAURAÇÃO Art. 2º São autoridades competentes para instaurar IT: I. Comandante-Geral; II. Subcomandante-Geral; III. Chefe do Estado-Maior; IV. Corregedor-Geral; V. Chefe da Casa Militar; VI. Coordenador Estadual de Defesa Civil; VII. Diretores; VIII. Comandante da Academia Policial Militar do Guatupê; IX. Ajudante-Geral; X. Comandante do Corpo de Bombeiros XI. Comandantes Intermediários; e XII. Comandantes de Unidades. § 1º Considera-se autoridade competente para instauração do IT aquela que tiver o bem patrimonial sob sua responsabilidade no momento do evento danoso. § 2º As autoridades competentes ficam obrigadas, de imediato, a instaurar o IT tão logo tenham sido cientificadas sobre qualquer evento danoso. DO ENCARREGADO Art. 3º O IT será procedido por Oficial, Aspirante a Oficial, Subtenente ou 1º Sargento, atendida a superioridade hierárquica com referência ao militar estadual envolvido no evento danoso. DOS PROCEDIMENTOS PARA INSTAURAÇÃO Art. 6º O IT será instaurado mediante Portaria da autoridade competente, a qual deverá conter a designação do encarregado, com seu grau hierárquico, nome, número do registro geral e Unidade. DOS PRAZOS Art. 12. O prazo para conclusão do IT será de trinta dias úteis, a contar da autuação. § 1º O prazo definido no caput deste artigo poderá ser prorrogado por até dez dias úteis, a critério da autoridade instauradora, mediante pedido oportuno e fundamentado do encarregado. § 2º Os prazos serão contados excluindo-se o primeiro dia útil e incluindo-se o último. § 4º Consideram-se dias úteis aqueles compreendidos no período de segunda a sexta-feira, excetuados os feriados militares e os reconhecidos pela União, pelo Estado e pelos Municípios. Art. 13. A autoridade instauradora, mediante solicitação fundamentada do encarregado, poderá determinar o sobrestamento dos trabalhos do IT para a produção de elementos informativos ou realização de diligências pelo prazo de até trinta dias úteis. DAS CAUSAS E DO RELATÓRIO Art. 17. Concluída a instrução, o encarregadodeverá elaborar o relatório, constituído de uma parte expositiva e uma parte conclusiva, citando as diligências realizadas e os resultados obtidos, a análise dos fatos, a manifestação quanto ao responsável, as causas do evento danoso, o prejuízo ao Erário, a forma de saná-lo, as reparações ou ressarcimentos voluntários, além da indicação das eventuais medidas cabíveis. Art. 18. Na conclusão do IT, as causas do evento danoso serão classificadas como técnicas, pessoais, caso fortuito ou força maior. § 1º Em IT que tenha por objeto viatura serão consideradas: I – causas técnicas: defeitos alheios à responsabilidade do condutor ou dos encarregados pela manutenção, dentre outros, os seguintes: a) defeitos de fabricação de peças, de conjuntos ou de partes que não tenham sido constatados anteriormente; b) defeitos que, pela sua natureza, sejam imprevisíveis ou inevitáveis em peças, conjuntos ou partes; c) ruptura, quebra, afrouxamento ou perda de qualquer parte, quando imprevisíveis; d) ausência ou má sinalização e/ou conservação da via. II – causas pessoais, tais como: a) deficiência na manutenção realizada em determinado escalão; b) culpa: imprudência, negligência ou imperícia; c) responsabilidade de terceiros no evento danoso; d) desrespeito à legislação em vigor; e) dolo; § 4º As causas técnicas e as decorrentes de caso fortuito ou força maior eximirão o envolvido de responsabilidade, desde que amplamente comprovadas e que o envolvido ou terceiro não tenha concorrido para a ocorrência do fato. § 5º Na hipótese de incidência de causa técnica decorrente de ausência ou má sinalização e/ou conservação da via, a responsabilização do dano ao bem público deverá ser imputado ao ente responsável pela respectiva manutenção e preservação. § 6º As causas pessoais acarretarão na responsabilização do causador do evento danoso, ressalvadas as circunstâncias legais ou regulamentares. DO ACORDO PARA RESSARCIMENTO/REPARO Art. 19. Quando restar demonstrada a responsabilidade do causador do evento danoso, será ele cientificado quanto à oportunidade de celebração de acordo formal para ressarcimento ou reparo dos prejuízos causados. § 1º O acordo deverá ser formalizado após a realização dos orçamentos e a confecção do Termo de Avaliação, com a aquiescência expressa do responsável pelo dano, por escrito e na presença de duas testemunhas, sendo juntado aos autos do IT. § 2º O valor constante no termo de acordo deverá coincidir com aquele indicado no termo de avaliação, caso o bem não tenha sido consertado, ou com o valor total das notas fiscais, quando restar consertado. § 3º O acordo para ressarcimento do prejuízo causado ao Erário pelo militar estadual responsável pelo evento danoso, a seu critério, poderá ocorrer nas seguintes formas: I - por meio da remessa à Diretoria de Pessoal (DP) da cópia autenticada do termo de acordo, a fim de que, por intermédio da seção competente, sejam adotadas as providências quanto ao desconto em folha de pagamento do valor devido, respeitadas as disposições legais; ou II - poderá ser realizado o pagamento por meio de Guia de Recolhimento - GR/PR correspondente ao valor da indenização dos danos causados ao bem patrimonial permanente sob administração militar. § 4º Não ocorrendo acordo para o ressarcimento/reparo, deverá ser lavrado o termo de recusa com o responsável pelo dano. DA RECUPERAÇÃO, DA DESCARGA E DA SUBSTITUIÇÃO DO BEM Art. 21. O bem sob administração militar avariado em evento danoso poderá ser recuperado nos seguintes termos: I às custas do responsável pelo dano, desde que em estabelecimento comercial ou industrial especializado revestido de personalidade jurídica e com garantia; II às expensas do Estado, em estabelecimento comercial ou industrial credenciado. Art. 23. A substituição do bem avariado pelo responsável pelo evento danoso, por outro idêntico ou similar, somente será permitida se o material a ser entregue possuir igual, semelhante ou superior funcionalidade e capacidade técnica daquele a ser indenizado. § 2º Não será autorizada a reposição de material usado em substituição ao bem avariado. § 3º É vedada a reposição de peças oriundas de outras viaturas sinistradas na reparação do bem avariado. DA SOLUÇÃO Art. 35. Na solução do IT, de responsabilidade da autoridade instauradora, deverão constar, expressamente e de forma justificada, os seguintes quesitos: I a concordância, parcial ou integral, ou a discordância da conclusão a que chegou o encarregado; II a atribuição da causa e da responsabilidade pelo evento danoso; III o destino a ser dado ao bem patrimonial (reparo ou inservibilidade): IV imputação do valor dos prejuízos causados ao agente que deu causa e a forma de ressarcimento, caso tenha ocorrido ônus ao Erário; V determinação ou não da instauração de IPM ou FATD ao militar estadual envolvido, conforme o caso. Art. 36. O ônus a ser imputado ao responsável pelo dano em bem patrimonial permanente sob administração militar compreenderá o constante nas notas fiscais de serviço, quando o bem for considerado recuperado, ou no termo de avaliação, quando não recuperado. Art. 37. O ônus a ser considerado em se tratando de viatura tida como inservível será o constante no termo de avaliação deduzido do valor da sucata obtido em leilão. DA DECISÃO E PROVIDÊNCIAS FINAIS Art. 39. A partir do recebimento dos autos do IT e da análise da SIT, caberá ao Diretor da DALF os encaminhamentos decorrentes do procedimento, podendo, quando necessário, emitir decisão com objetivo de reformar a solução da autoridade instauradora, no todo ou em parte, justificando as razões que o levaram para tal. Art. 40. No IT que restar comprovado ônus ao Estado, após a decisão do Diretor da DALF, os autos deverão ser encaminhados à Procuradoria-Geral do Estado (PGE) para análise de eventual propositura de demanda judicial. DAS DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 45. A instauração de IT para apurar responsabilidade por evento danoso não exime o envolvido de eventuais repercussões de caráter administrativo, penal ou civil. Art. 46. A autoridade instauradora, havendo razões que justifiquem, poderá motivadamente determinar a afastamento do militar estadual causador do evento danoso das funções de condutor de viaturas, até a data da solução do IT. ESTADO DO PARANÁ POLÍCIA MILITAR 1º BATALHÃO DE POLÍCIA MILITAR CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS _____________________________________________________________________________________________________ CRIMES MILITARES COMETIDOS POR MILITARES ESTADUAIS CF- Art. 125: […] § 4º Compete à Justiça Militar estadual processar e julgar os militares dos Estados, nos crimes militares definidos em lei e as ações judiciais contra atos disciplinares militares, ressalvada a competência do júri quando a vítima for civil, cabendo ao tribunal competente decidir sobre a perda do posto e da patente dos oficiais e da graduação das praças. […] CRIMES MILITARES Decreto-Lei nº 1.001/69 - Código Penal Militar (CPM) Crimes militares em tempo de paz Art. 9º Consideram-se crimes militares, em tempo de paz: PROPRIAMENTE MILITARES I - os crimes de que trata este Código, quando definidos de modo diverso na lei penal comum, ou nela não previstos, qualquer que seja o agente, salvo disposição especial; IMPROPRIAMENTE MILITARES II – os crimes previstos neste Código e os previstos na legislação penal, quando praticados: a) por militar em situação de atividade ou assemelhado, contra militar na mesma situação ou assemelhado; b) por militar em situação de atividade ou assemelhado, em lugar sujeito à administração militar, contra militar da reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil; c) por militar em serviço ou atuando em razão da função, em comissão de natureza militar, ou em formatura, aindaque fora do lugar sujeito à administração militar contra militar da reserva, ou reformado, ou civil; d) por militar durante o período de manobras ou exercício, contra militar da reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil; e) por militar em situação de atividade, ou assemelhado, contra o patrimônio sob a administração militar, ou a ordem administrativa militar; f) revogada. III - os crimes praticados por militar da reserva, ou reformado, ou por civil, contra as instituições militares, considerando-se como tais não só os compreendidos no inciso I, como os do inciso II, nos seguintes casos: a) contra o patrimônio sob a administração militar, ou contra a ordem administrativa militar; b) em lugar sujeito à administração militar contra militar em situação de atividade ou assemelhado, ou contra funcionário de Ministério militar ou da Justiça Militar, no exercício de função inerente ao seu cargo; c) contra militar em formatura, ou durante o período de prontidão, vigilância, observação, exploração, exercício, acampamento, acantonamento ou manobras; d) ainda que fora do lugar sujeito à administração militar, contra militar em função de natureza militar, ou no desempenho de serviço de vigilância, garantia e preservação da ordem pública, administrativa ou judiciária, quando legalmente requisitado para aquele fim, ou em obediência a determinação legal superior. § 1º Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e cometidos por militares contra civil, serão da competência do Tribunal do Júri. (Redação dada pela Lei nº 13.491, de 2017) [...] COMPETÊNCIA PARA APURAÇÃO DE CRIMES MILITARES CF - Art. 144 […] §4° Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares. Em complemento, o Código de Processo Penal Militar (CPPM) define que tal atribuição será da Polícia Judiciária Militar: Art. 8º Compete à Polícia Judiciária Militar: a) apurar os crimes militares, bem como os que, por lei especial, estão sujeitos à jurisdição militar, e sua autoria; […] http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13491.htm#art1 A POLÍCIA JUDICIÁRIA MILITAR ESTADUAL Se destina a apurar crimes militares praticados por militares estaduais, apontar seus autores e mostrar as provas da culpa, permitindo o processo-crime. Art. 8º do CPPM - Compete à polícia judiciária militar: a) apurar os crimes militares, bem como os que, por lei especial, estão sujeitos à jurisdição militar e, sua autoria; Esta apuração dar-se-á mediante o instrumento chamado de Inquérito Policial Militar, legalmente definido no art. 9º, CPPM como “a apuração sumária de fato, que, nos termos legais, configure crime militar, e de sua autoria. Exercício de Polícia Judiciária Militar Estadual Originalmente, o Art. 7º do CPPM define as autoridades com competência de polícia judiciária militar, as quais são exercidas conforme as respectivas jurisdições... Extrai-se do conceito genérico de Comandantes de Forças, que as autoridades com competência de PJME, no âmbito da Polícia Militar do Estado do Paraná são: - Comandante-Geral; - Chefe do Estado-Maior; - Chefe da Casa Militar; - Comandantes Intermediários; - Diretores Setoriais; - Ajudante-Geral; - Comandantes de Unidades; e - Chefes de Seções do Estado-Maior da PMPR. APURAÇÃO DE CRIMES MILITARES A Finalidade do IPM está disposta na segunda parte do mesmo dispositivo legal (art. 9º, CPPM): “Tem o caráter de instrução provisória, cuja finalidade precípua é a de ministrar elementos necessários a propositura da ação penal”. O inquérito, como o próprio nome diz, é inquisitorial. O indiciado não tem direito ao contraditório, pois não se incrimina alguém como inquérito. O inquérito é apenas uma peça informativa que vai auxiliar o promotor de justiça quando do oferecimento da denúncia. PERSECUÇÃO PENAL MILITAR INQUÉRITO POLICIAL MILITAR (IPM) Instauração A autoridade militar que exerce cargo de direção ou comando procederá ao inquérito ou delega a outro militar para, como Encarregado, elaborá-lo, na forma da legislação vigente (delegação do Exercício de Polícia Judiciária Militar Estadual) O inquérito é iniciado mediante portaria: a) de ofício, pela autoridade militar em cujo âmbito de jurisdição ou comando haja ocorrido a infração penal, atendida a hierarquia do infrator; b) por determinação ou delegação da autoridade militar superior, que, em caso de urgência, poderá ser feita por via telegráfica ou radiotelefônica e confirmada, posteriormente, por ofício; c) em virtude de requisição do Ministério Público; d) por decisão do Superior Tribunal Militar, nos termos do art. 25; e) a requerimento da parte ofendida ou de quem legalmente a represente, ou em virtude de representação devidamente autorizada de quem tenha conhecimento de infração penal, cuja repressão caiba à Justiça Militar; f) quando, de sindicância feita em âmbito de jurisdição militar, resulte indício da existência de infração penal militar. Encarregado do IPM O Encarregado é a autoridade delegada, incumbida de proceder à apuração do fato delituoso. Será encarregado do inquérito, sempre que possível, oficial de posto não inferior a capitão, atendida a hierarquia do indiciado, se também for oficial; Se, no curso do inquérito, surgirem indícios contra oficial de posto superior, ou mais antigo que o encarregado, providenciará este junto à autoridade superior para que suas funções sejam delegadas a outro oficial. Escrivão do IPM Recairá em 1º ou 2º tenente, se o indiciado for oficial, e em sargento ou subtenente, nos demais casos. A lei não permite a nomeação de posto inferior ao de segundo-tenente como Escrivão do IPM quando o indiciado for oficial. Prazos do IPM O IPM deverá terminar dentro de vinte dias, se o indiciado estiver preso, contados a partir do dia em que se executar a ordem de prisão; ou no prazo de quarenta dias, quando o indiciado estiver solto, contado esse prazo da data da instauração do inquérito. Este prazo, estando o indiciado em liberdade poderá ser prorrogado por mais 20 (vinte) dias pela autoridade superior, desde que os exames ou perícias não estejam concluídas, ou haja necessidade de diligências necessárias à elucidação dos fatos. Indiciamento Durante o IPM existe a figura do indiciado, pessoa suspeita da prática de infração penal militar e sobre a qual recaem as investigações. Indiciamento é o ato de sujeição ao inquérito, da pessoa contra a qual pesa a responsabilidade criminal. Imprescindível que o ato seja fundamentado, com base em fatos ou circunstâncias concretas bem deduzidas, afastada a discricionariedade. Esse provimento do encarregado deve conter, sempre que possível, a classificação do delito imputado. Somente após a primeira fase da persecução criminal, quando conclusos os autos, e estes forem remetidos à autoridade judiciária militar competente, passará então o indiciado a compor a relação processual na condição de réu, sendo-lhe aplicadas as garantias constitucionais do contraditório e ampla defesa. Relatório O inquérito será encerrado com minucioso relatório, em que o encarregado mencionará as diligências feitas, as pessoas ouvidas e os resultados obtidos, com a indicação do dia, hora e lugar onde ocorreu o fato delituoso. Em conclusão, dirá se há infração disciplinar a punir ou indício de crime, pronunciando-se neste último caso, justificadamente, sobre a conveniência da prisão preventiva do indiciado, nos termos legais. (CPPM, art. 22) Solução Consoante o artigo 22 §§ 1º e 2º do CPPM, compete a autoridade delegante a solução do IPM homologando ou discordando da conclusão, avocando, nesta hipótese, o IPM e solucionandocomo entender de direito. A autoridade competente emitirá solução mencionando as seguintes hipóteses de entendimento diante dos fatos apurados: - existência/inexistência de indícios do cometimento de crime (comum ou militar) e/ou transgressão disciplinar; Remessa do IPM Os autos do inquérito sempre serão remetidos ao Juiz de Direito da Justiça Militar pela autoridade de polícia judiciária militar. A autoridade militar não poderá realizar o arquivamento do inquérito, somente o Juiz poderá fazê-lo. Arquivamento Com o início da persecução criminal, o IPM torna-se indisponível à autoridade policial judiciária militar. Esta realiza uma atividade auxiliar e preparatória da ação penal. Portanto, não poderá determinar o arquivamento do procedimento investigativo, ainda que conclua pela inexistência de crime militar ou não haja determinação de sua autoria. O art. 24 do CPPM proíbe o arquivamento dos autos do IPM pela autoridade militar, embora conclusivo da inexistência de crime ou de inimputabilidade do indiciado, existindo uma obrigatoriedade legal de remessa dos autos ao Poder Judiciário Militar depois de conclusos pelo encarregado. O órgão do MP é o único destinatário do IPM que poderá avaliar um juízo de valor a respeito de seus elementos de convicção. Crimes dolosos contra a vida praticados por militares contra civis O Art. 9º, III, § 1º do CPM diz: Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e cometidos por militares contra civil, serão da competência do Tribunal do Júri. (Redação dada pela Lei nº 13.491, de 2017) No entanto, os crimes dolosos contra a vida de civil continuam a ser crimes militares, havendo, porém, a competência de julgamento pelo Tribunal do Júri. Com isso, crimes dolosos contra a vida de civis perpetrados por militares dos Estados, ao encontrarem a plena tipicidade no Código Penal Militar, serão de atribuição apuratória das autoridades de polícia judiciária militar (IPM). Já o processo e julgamento não será de responsabilidade da Justiça Militar Estadual, sendo de competência do Tribunal do Júri. Por isso, o art. 4° da Resolução n° 3237/2021 da Procuradoria-Geral de Justiça do Paraná reafirma que as atribuições relacionadas aos crimes dolosos contra a vida praticados por militares contra civis não estão deferidas às Promotorias de Justiça vinculadas à Justiça Militar, mas sim das unidades ministeriais oficiantes perante os Juízos de Direito do Tribunal do Júri, salientando, portanto, que: § 2º Recebendo os Promotores de Justiça junto à Auditoria Militar autos de investigação que envolvam crimes contra a vida, em qualquer de suas formas, deverão incontinenti encaminhá-los aos Promotores de Justiça Criminais ou, onde houver, às Promotorias de Justiça com atuação perante o Tribunal do Júri, na forma prevista neste artigo. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13491.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13491.htm#art1são considerados espécies de Agentes Públicos regidos por estatuto próprio da corporação militar. ALTERAÇÕES CONSTUCIONAIS RELACIONADOS AOS MILITARES ESTADUAIS: CONSTUIÇÃO FEDERAL DOS SERVIDORES PÚBLICOS CIVIS DOS SERVIDORES PÚBLICOS (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998) Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito de sua competência, regime jurídico único e planos de carreira para os servidores da administração pública direta, das autarquias e das fundações públicas. DOS SERVIDORES PÚBLICOS MILITARES DOS MILITARES DOS ESTADOS, DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998) Art. 42. São servidores militares federais os integrantes das Forças Armadas e servidores militares dos Estados, Territórios e Distrito Federal os integrantes de suas polícias militares e de seus corpos de bombeiros militares. Art. 42 Os membros das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares, instituições organizadas com base na hierarquia e disciplina, são militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998). CONSTUIÇÃO ESTADUAL DO PARANÁ DOS SERVIDORES PÚBLICOS MILITARES DOS MILITARES ESTADUAIS (Redação dada pela Emenda Constitucional 7 de 24/04/2000) Art. 45. São servidores militares estaduais os integrantes da Polícia Militar. Art. 45. São servidores militares estaduais os integrantes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar. (Redação dada pela Emenda Constitucional 7 de 24/04/2000) http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc18.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc18.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc18.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc18.htm#art2 http://www.legislacao.pr.gov.br/legislacao/listarAtosAno.do?action=exibir&codAto=10813&codItemAto=113889#113889 http://www.legislacao.pr.gov.br/legislacao/listarAtosAno.do?action=exibir&codAto=10813&codItemAto=113890#113890 http://www.legislacao.pr.gov.br/legislacao/listarAtosAno.do?action=exibir&codAto=10813&codItemAto=113890#113890 A ATIVIDADE ADMINISTRATIVA a) Conceito de Administração Pública Em sentido lato, administrar é gerir interesses, segundo a lei, a moral e a finalidade dos bens entregues à guarda e conservação alheias. A Administração Pública, portanto, é a gestão de bens e interesses qualificados da comunidade no âmbito federal, estadual ou municipal, segundo preceitos de Direito e da Moral, visando o bem comum. b) Finalidade da Administração Pública Resume-se num único objetivo: o bem comum da coletividade administrativa. Todo ato administrativo que não for praticado no interesse da coletividade será ilícito e imoral. c) Princípios Básicos da Administração Pública: Constituem os fundamentos da ação administrativa, ou, por outras palavras, os sustentáculos da atividade pública; relegá-los é desvirtuar a gestão dos negócios públicos e olvidar o que há de mais elementar para a boa guarda e zelo dos interesses sociais. São considerados Princípios Constitucionais aqueles localizados no bojo do texto constitucional, e devem ser observados por toda a Administração Pública (Direta e Indireta), todas as Esferas de Governo (Federal, Estadual, Distrital e Municipal) e todos os Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário). “CF/Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência ...” (grifo nosso) c.1) Princípio da Legalidade: Significa que o administrador público está, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei e às exigências do bem comum, e deles não se pode afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e expor-se a responsabilidade disciplinar, civil e criminal, conforme o caso; a eficácia de toda a atividade administrativa está condicionada ao atendimento da lei. Por este princípio podemos afirmar que o Estado só faz aquilo que a lei determinar, ou seja, um ato legal, legítimo é aquele praticado de acordo com os ditames legais. O cidadão pode fazer tudo o que a lei não proibir, segundo o art. 5º, II, da CF/88, mas, o agir da Administração Pública necessita estar previsto em lei, esta deve agir quando, como e da forma que a lei determinar. O ato administrativo praticado pelo Agente Público sem a observância da legalidade, torna o ato nulo de pleno direito, tendo em vista, a presença de um vício insanável em sua estrutura, chamado de ilegalidade. c.2) Princípio da Moralidade: A moralidade administrativa constitui, pressuposto de validade de todo ato da Administração Pública, sendo que o ato administrativo não terá que obedecer somente à lei jurídica, mas também à lei ética da própria instituição, pois nem tudo que é legal é honesto. A Administração Pública impõe ao Agente Público que pratica o ato administrativo um comportamento ético, jurídico, adequado. O conceito jurídico de moralidade é de difícil elaboração, pois, considera elementos subjetivos para a sua formação. Elementos estes que podem se modificar de acordo com a sociedade, a base territorial e a época em que é formulado. Razão pela qual a lei pertinente ao assunto, Lei de Improbidade Administrativa, Lei n° 8.429/92, não faz menção a um conceito de moralidade, mas, sim a sanções a serem aplicadas aos que praticarem atos considerados como sendo de improbidade administrativa, ou seja, atos imorais do ponto de vista administrativo. MORALIDADE ADMINISTRATIVA X MORALIDADE COMUM c.3) Princípio da Impessoalidade e Finalidade: Impõe ao administrador público que só pratique o ato para o seu fim legal; e o fim legal é unicamente aquele que a norma de Direito indica expressa ou virtualmente como objetivo do ato, de forma impessoal. Ainda, como o princípio da finalidade exige que o ato seja praticado sempre com finalidade pública, o administrador fica impedido de buscar outro objetivo ou de praticá-lo no interesse próprio ou de terceiros. Significa que o Agente Público é um mero instrumento do Estado na consecução de seus fins, ou seja, ao praticar o ato administrativo, na verdade, o Agente Público executa a vontade do Estado e não sua vontade pessoal. A conduta interna visando o bem comum Finalidade Pública direciona o homem em sua conduta externa, permitindo-lhe distinguir o bem do mal Responsabilidade Objetiva do Estado está prevista no parágrafo 6°, do art. 37, da CF./88, que diz: “As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de direito público responderão pelos danos que seus agentes, nesta qualidade causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa”. c.4) Princípio da Publicidade: É a divulgação oficial do ato para o conhecimento público e início de seus efeitos externos. O princípio da publicidade dos atos e contratos administrativos, além de assegurar seus efeitos externos, visa a propiciar seu conhecimento e controle pelos interessados diretos e pelo povo em geral. Os atos e contratos administrativos que omitirem ou desatenderem à publicidade necessária não só deixam de produzir seus regulares efeitos como se expõe a invalidação por falta desse requisito de eficácia e moralidade. Nem todos os atos administrativos necessitam de divulgação oficial para serem válidos. Existem exceções onde a publicidade será dispensada, conforme previsto no art. 5°, inciso LX, da C.F./88, como nos casos de: ✓ assuntos de segurança nacional; ✓ investigações policiais; ✓ interessesuperior da Administração Pública. DECRETO Nº 4.346, DE 26 DE AGOSTO DE 2002 Aprova o Regulamento Disciplinar do Exército Art. 36. A publicação da punição disciplinar imposta a oficial ou aspirante a oficial, em princípio, deve ser feita em boletim reservado, podendo ser em boletim ostensivo, se as circunstâncias ou a natureza da transgressão assim o recomendarem. c.5) Princípio da Eficiência O que se impõe a todo agente público de realizar suas atribuições com presteza, perfeição e rendimento funcional É o mais moderno princípio da função administrativa, que já não se contenta em ser desempenhada apenas com legalidade, exigindo resultados positivos para o serviço público e satisfatório atendimento das necessidades da comunidade e de seus membros". OS PODERES E DEVERES DO ADMINISTRADOR PÚBLICO São os encargos daqueles que gerem bens e interesses da comunidade. Esses gestores da coisa pública, investidos de competência decisória, passam a ser autoridades, com poderes e deveres específicos do cargo ou da função e, consequentemente, com responsabilidades próprias de suas atribuições. Cada agente administrativo é investido da necessária parcela de poder público para o desempenho de suas atribuições. Esse poder deve ser usado como atributo do cargo ou da função e não como privilégio da pessoa que o exerce. O USO E ABUSO DE PODER: O uso do poder é a prerrogativa da autoridade, mas o poder há que ser usado normalmente, sem abuso; usar normalmente do poder é empregá-lo segundo as normas legais, a moral da instituição, a finalidade do ato e as exigências do interesse público; o poder é confiado ao administrador público para ser usado em benefício da coletividade administrada, mas usado nos justos limites que o bem- estar social exigir. O abuso de poder ocorre quando a autoridade, embora competente para praticar o ato, ultrapassa os limites de suas atribuições ou se desvia das finalidades administrativas; o abuso de poder é sempre uma ilegalidade invalidadora do ato que contém; o abuso de poder pode tanto revestir a forma comissiva como a omissiva, porque ambas são capazes de afrontar a lei e causar lesão a direito individual do administrado. a) Excesso de Poder Ocorre quando a autoridade, embora competente para praticar o ato, vai além do permitido e exorbita no uso de suas faculdades administrativas. O excesso de poder torna o ato arbitrário, ilícito e nulo. b) Desvio de Finalidade: Verifica-se quando a autoridade, embora atuando nos limites de sua competência, pratica o ato por motivos ou fins diversos dos objetivados pela lei ou exigidos pelo interesse público. c) Omissão da Administração: O abuso de poder, também pode ser caracterizado através da omissão administrativa. Quando a administração tem o dever de agir e assim não o faz. Se para o particular o poder de agir é uma faculdade, para o administrador público é uma obrigação de atuar, desde que se apresente o ensejo de exercitá-lo em benefício da comunidade. Em função da indisponibilidade do interesse público, a atuação do administrador é de exercício obrigatório, intransferível e irrenunciável. O agente deve agir no momento oportuno, quando a lei determina que o faça, pois a atuação atemporal fere o dever de atuação, e acaba configurando em situação de silêncio administrativo. PODERES ADMINISTRATIVOS Nascem com a Administração e se apresentam diversificados segundo as exigências do serviço público, o interesse da coletividade e os objetivos a que se dirigem. Esses poderes são inerentes à Administração de todas as entidades estatais na proporção e limites de suas competências institucionais, e podem ser usados isolada ou cumulativamente para a consecução do mesmo ato. a) Poder Vinculado: É aquele que o Direito Positivo (a lei) confere à Administração Pública para a prática de ato de sua competência, determinando os elementos e requisitos necessários à sua formalização. O ato será nulo se deixar de atender a qualquer dado expresso na lei, por desvinculação de seu tipo-padrão, podendo ser reconhecido pela própria Administração ou pelo Judiciário, se requerer o interessado. b) Poder Discricionário: É o que o Direito concede à Administração, para a prática de atos administrativos com liberdade na escolha de sua conveniência, oportunidade e conteúdo. Discricionariedade é liberdade de ação administrativa, dentro dos limites permitidos em lei. A faculdade discricionária distingue-se da vinculada pela maior liberdade que é conferida ao administrador; se para a prática de um ato vinculado a autoridade pública está adstrita à lei em todos os seus elementos formadores, para praticar um ato discricionário é livre, no âmbito em que a lei lhe concede essa faculdade. A atividade discricionária encontra plena justificativa na impossibilidade de o legislador catalogar na lei todos os atos que a prática administrativa exige. c) Poder Hierárquico: É o de que dispõe o Executivo para distribuir e escalonar as funções de seus órgãos, ordenar e rever a atuação de seus agentes, estabelecendo a relação de subordinação entre os servidores do seu quadro de pessoal. Hierarquia é a relação de subordinação existente entre vários órgão e agentes do Executivo, com distribuição de funções e garantias da autoridade de cada um. O poder hierárquico tem por objetivo ordenar, coordenar, controlar e corrigir as atividades administrativas no âmbito interno da Administração. Desse modo, atua como instrumento de organização e aperfeiçoamento do serviço e age como meio de responsabilização dos agentes administrativos, impondo-lhes o dever de obediência. Do poder hierárquico decorrem faculdades implícitas para o superior, tais como a de dar ordens e fiscalizar o seu cumprimento; a de delegar e avocar atribuições e a de rever os atos dos inferiores. d) Poder Disciplinar: Poder disciplinar é o que cabe à Administração Pública para apurar infrações e aplicar penalidades aos servidores públicos e demais pessoas sujeitas à disciplina administrativa (é o caso dos estudantes de uma escola pública). No que diz respeito aos servidores públicos, o poder disciplinar é uma decorrência da hierarquia. A Administração não tem liberdade de escolha entre punir e não punir, pois, tendo conhecimento de falta praticada por servidor, tem necessariamente que instaurar o procedimento adequado para sua apuração e, se for o caso, aplicar a pena cabível. Uma característica do poder disciplinar é o discricionarismo. A discricionariedade existe, limitadamente, nos procedimentos previstos para apuração da falta, uma vez que os Estatutos funcionais não estabelecem regras rígidas como as que se impõem na esfera criminal. Além disso, a lei costuma dar à Administração o poder de levar em consideração, na escolha da pena, a natureza e a gravidade da infração e os danos que dela provierem para o serviço público. Nenhuma penalidade pode ser aplicada sem prévia apuração por meio de processo legal, em que sejam assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes (art. 5º da Constituição). A motivação da punição disciplinar é sempre imprescindível para a validade da pena; não se pode admitir como legal a punição desacompanhada de justificativa da autoridade que a impõe. Destina-se a evidenciar a conformação da pena com a falta e permitir que se confiram a todo tempo a realidade e a legitimidade dos atos ou fatos ensejadores da punição administrativa. e) Poder Regulamentar: É o poder de que se dispõem os Chefes de Executivo de explicar a lei para sua correta execução, ou de expedir decretos autônomos sobre matéria de sua competência, ainda não disciplinada por lei. É um poder inerente e privativo do Chefe do Executivo (CF, art. 84, IV), e, por isso mesmo, indelegável a qualquer subordinado. f)Poder de Polícia: Poder de polícia é a atividade do Estado consistente em limitar o exercício dos direitos individuais em benefício do interesse público. Esse interesse público diz respeito aos mais variados setores da sociedade, tais como segurança, moral, saúde, meio ambiente, defesa do consumidor, patrimônio cultural, propriedade. LEI Nº 5.172, DE 25 DE OUTUBRO DE 1966. Código Tributário Nacional Art. 78. Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos. (Redação dada pelo Ato Complementar nº 31, de 1966) f.1) Limites do Poder de Polícia: são demarcados pelo interesse social em conciliação com os direitos fundamentais do indivíduo assegurados na CF (art. 5º), através de restrições impostas às atividades do indivíduo que afetam a coletividade. Cada cidadão cede parcelas mínimas de seus direitos à comunidade, recebendo em troca serviços prestados pelo Estado. f.2) Atributos do Poder de Polícia: discricionariedade, auto-executoriedade e coercibilidade. - Discricionariedade: em grande parte dos casos concretos, a Administração terá que decidir qual o melhor momento de agir, qual o meio de ação mais adequado, qual a sanção cabível diante das previstas na norma legal. Em tais circunstâncias, o poder de polícia será discricionário. - Auto-executoriedade: é a possibilidade que tem a Administração de, com os próprios meios, por em execução as suas decisões, sem precisar recorrer previamente ao Poder Judiciário. - Coercibilidade: imposição coativa das medidas adotadas pela Administração. Todo ato de polícia é imperativo, admitindo até o emprego da força pública para seu cumprimento, quando resistido pelo administrado. A coercibilidade é indissociável da autoexecutoriedade. O ato de polícia só é auto-executório porque dotado de força coercitiva. ATOS ADMINISTRATIVOS a) Conceito: Ato Administrativo é toda manifestação unilateral de vontade da Administração Pública que, agindo nessa qualidade, tenha por fim imediato adquirir, http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%205.172-1966?OpenDocument http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ACP/acp-36-67.htm#art7 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ACP/acp-31-66.htm#art7segunda http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ACP/acp-31-66.htm#art7segunda resguardar, transferir, modificar, extinguir e declarar direitos, ou impor obrigações aos administrados ou a si própria. b) Motivação dos Atos Administrativos Pela motivação, o administrador público justifica sua ação administrativa, indicando os fatos (pressupostos de fato) que ensejam o ato e os preceitos jurídicos (pressupostos de direito) que autorizam sua prática. Portanto, deve apontar a causa e os elementos determinantes da prática do ato administrativo, bem como o dispositivo legal em que se funda. A Teoria dos Motivos Determinantes fundamenta-se na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos, para todos os efeitos jurídicos; tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato. Por aí conclui-se que, nos atos vinculados, a motivação é obrigatória; nos discricionários, quando facultativa, se for feita, atua como elemento vinculante da Administração aos motivos declarados, como determinantes do ato. c) Invalidação dos Atos Administrativos g.1) Revogação: É a supressão de um ato administrativo legítimo e eficaz, realizada pela Administração (somente por ela), por não mais lhe convir sua existência, pressupõe, portanto, um ato legal e perfeito, mas inconveniente ao interesse público. A revogação opera da data em diante (ex nunc); os efeitos que a precederam, esses permanecem de pé. g.2) Anulação: É a declaração de invalidade de um ato administrativo ilegítimo ou ilegal feita pela própria Administração ou pelo Poder Judiciário. Desde que reconheça que praticou um ato contrário ao direito vigente, a administração pública deverá anulá-lo, e quanto antes, para restabelecer a legalidade administrativa; se não o fizer, poderá o interessado pedir ao Judiciário que verifique a ilegalidade do ato e declare sua invalidade. Os efeitos da anulação dos atos administrativos retroagem às suas origens, invalidando as consequências passadas, presentes e futuras do ato anulado; e assim é porque o ato nulo não gera direitos ou obrigações para as partes (ex tunc). Súmula 473 – STF: A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Há conveniência sempre que o ato interessa, convém ou satisfaz ao interesse público. Há oportunidade quando o ato é praticado no momento adequado à satisfação do interesse público. ESTADO DO PARANÁ POLÍCIA MILITAR 1º BATALHÃO DE POLÍCIA MILITAR CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS _____________________________________________________________________________________________________ DIREITO DISCIPLINAR É o que regula o estabelecimento da relação jurídica processual que se firma entre o servidor público – civil ou militar – e a Administração Pública, tendente à apuração de faltas funcionais e aplicação de penas disciplinares, de acordo com as previsões estatutárias ou regulamentares específicas. Maj. Élio de Oliveira Manoel e Maj. Edwayne A. A. Arduin É aquele que se ocupa com as relações decorrentes do sistema jurídico militar vigente no Brasil, o qual pressupõe uma indissociável relação entre o poder de mando dos Comandantes, Chefes e Diretores militares (conferido por lei e delimitado por esta) e o dever de obediência de todos os que lhes são subordinados, relação essa tutelada pelos regulamentos disciplinares quando prevê as infrações disciplinares e suas respectivas punições, e controlada pelo Poder Judiciário quando julga as ações judiciais propostas contra atos disciplinares militares. Jorge César de Assis PRINCÍPIOS BASILARES DAS INSTITUIÇÕES PM CONSTITUIÇÃO FEDERAL Art. 42 Os membros das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares, instituições organizadas com base na hierarquia e disciplina, são militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios. CONSTITUIÇÃO ESTADUAL Art. 48. À Polícia Militar, força estadual, instituição permanente e regular, organizada com base na hierarquia e disciplina militares, cabe a polícia ostensiva, a preservação da ordem pública, a execução de atividades de defesa civil, prevenção e combate a incêndio, buscas, salvamentos e socorros públicos, o policiamento de trânsito urbano e rodoviário, de florestas e de mananciais, além de outras formas e funções definidas em lei. HIERARQUIA Definição: Art. 7º A hierarquia militar é a ordenação da autoridade, em níveis diferentes, por postos e graduações. Decreto nº 4.346/02 – RDE - Impõe um ordenamento da autoridade legal, que é outorgada a todos os militares em posição de comando - Diz respeito a subordinação DISCIPLINA Definição: ... manifesta-se através do exato cumprimento dos deveres de cada um, mediante a pronta obediência às ordens dos superiores hierárquicos, a rigorosa observância às prescrições regulamentares, o emprego de todas as energias em benefício do trabalho, a correção de atitudes ea colaboração espontânea à disciplina coletiva e à eficiência da Policia Militar. (CORDEIRO, Nelson Fernando. Cel. PMMG. A Disciplina e a Ética na Policia Militar de Minas Gerais. BGPM n° 068, de 07 de abril de 1995, p. 20 e 21.) A disciplina militar é a rigorosa observância e o acatamento integral das leis, regulamentos, normas e disposições, traduzindo-se pelo perfeito cumprimento do dever por parte de todos e de cada um dos componentes do organismo militar A disciplina e o respeito à hierarquia devem ser mantidos permanentemente pelos militares na ativa e na inatividade Decreto nº 4.346/02 – RDE É preciso, entretanto, ter sempre presente que a disciplina não consiste, apenas, em seus sinais exteriores, que somente tem valor como expressão dos sentimentos de que os pratica. Ela só é real e proveitosa quando inspirada pelo sentimento do dever, produzido por cooperação espontânea e não pelo receio de castigos DISCIPLINA CONSCIENTE. CAMPO ÉTICO E DISCIPLINAR VALORES PROFISSIONAIS DETERMINANTES DA MORAL DO SERVIDOR MILITAR DO ESTADO Hierarquia: traduzida no respeito e valorização dos postos e graduações Disciplina: significando exato cumprimento do dever e essencial à preservação da ordem pública (Decreto nº 5.075/98 – Regulamento de Ética da PMPR) [...] No caso específico da Polícia Militar, a disciplina, a honra, a coragem, a hierarquia, além de outros, são valores fundamentais que devem ser vividas, estimulados e mantidos por todos os integrantes da Corporação, independente de posto ou graduação. [...] a diferença entre o militar e os demais agentes da Administração Pública está na formação, que por ser calcada na disciplina e na hierarquia, é fundamentalmente voltada ao cumprimento do dever (Valla, Wilson Odirley. Deontologia Policial Militar -Ética Profissional. 3 Edição. Curitiba: AVM 2003) NATUREZA JURÍDICA DO DIREITO DISCIPLINAR Relação estreita: ⎯ Direito Administrativo ⎯ Direito Penal e Processual Penal (militar e comum) Base: hierarquia e disciplina Residualmente: em regra, toda conduta criminosa reclama a existência de uma transgressão disciplinar Atos disciplinares: ⎯ apuração e aplicação da punição disciplinar ⎯ previsão nos regulamentos disciplinares TRANSGRESSÕES DISCIPLINARES “São ilícitos de natureza puramente administrativa, tendo por escopo a defesa dos princípios sobre os quais se baseia a organização das Forças Armadas: a hierarquia e a disciplina” Jorge César de Assis É toda ação praticada pelo militar contrária aos preceitos estatuídos no ordenamento jurídico pátrio ofensiva à ética, aos deveres e às obrigações militares, mesmo na sua manifestação elementar e simples, ou, ainda, que afete a honra pessoal, o pundonor militar e o decoro da classe Decreto nº 4.346/02 – RDE FINALIDADE DA PUNIÇÃO DISCIPLINAR Se considerarmos a pessoa do militar em relação à sua organização militar, teremos que a finalidade da punição estará alcançada quando dela advier benefício para o punido, pela sua reeducação ou para a Organização Militar a que pertence, pelo fortalecimento da disciplina e da justiça RDAer, art. 6° Pode-se dizer igualmente que a punição visa a preservação da disciplina e deve ter em vista o beneficio educativo ao punido e à coletividade a que ele pertence RDE, art. 23 VALORES PROFISSIONAIS HONRA PESSOAL RDE CÓDIGO DE ÉTICA Em suma: sentimento de dignidade própria, como o apreço e o respeito de que é objeto ou se torna merecedor o militar, perante seus superiores, pares e subordinados qualidade íntima do militar estadual que se conduz com integridade, honestidade, honradez e justiça, observando com rigor os deveres morais que tem consigo e seus semelhantes é o sentimento de orgulho próprio. Espera- se que o militar tenha consigo padrões éticos e morais inabaláveis. Honra pessoal é o conjunto de qualidades que torna o militar merecedor da consideração pública, devido sua conduta ilibada, sua retidão profissional e seu caráter PUNDONOR MILITAR RDE CÓDIGO DE ÉTICA Em suma: dever de o militar pautar a sua conduta como a de um profissional correto. Exige dele, em qualquer ocasião, alto padrão de comportamento ético que refletirá no seu desempenho perante a Instituição a que serve e no grau de respeito que lhe é devido sentimento de dignidade própria, procurando o militar estadual ilustrar e dignificar a Corporação, através da beleza e retidão moral que se conduz, resultando honestidade e decência dever de o militar pautar a sua conduta como a de um profissional de hombridade ou de integridade. O pundonor militar se caracteriza pelo esforço do militar em compatibilizar sua conduta como um profissional correto e íntegro VALORES PROFISSIONAIS DECORO DA CLASSE RDE CÓDIGO DE ÉTICA Em suma: valor moral e social da Instituição. Ele representa o conceito social dos militares que a compõem e não subsiste sem esse. qualidade do militar estadual baseada no respeito próprio dos companheiros e da comunidade para a qual serve, visando o melhor e mais digno desempenho da profissão militar é o "valor moral e social da Corporação". Os militares, no seu conjunto, formam uma classe, com padrões éticos e morais e a conduta de cada membro deve ajustar-se segundo o estilo e os objetivos da própria instituição. SENTIMENTO DO DEVER RDE CÓDIGO DE ÉTICA Em suma: . consiste no envolvimento a uma tomada de consciência perante o caso concreto, ou seja, realidade, implicando no reconhecimento da obrigatoriedade de um comportamento militar coerente, justo e equânime refere-se ao exercício, com autoridade e eficiência, das funções que lhe couberem em decorrência do cargo, ao cumprimento das leis, regulamentos e ordens e à dedicação integral ao serviço. RESPONSABILIZAÇÃO DE AGENTES PÚBLICOS O Agentes Públicos que cometem algum ilícito administrativo poderá responder pelo ato nas instâncias civil, penal e administrativa. Essas responsabilidades possuem características próprias, sofrendo gradações de acordo com as situações que podem se apresentar como condutas irregulares ou ilícitas no exercício das atividades funcionais, possibilitando a aplicação de diferentes penalidades, que variam de instância para instância Um único ato do agente público poderá acarretar a responsabilização em 3 esferas: ⎯ Administrativa (infração disciplinar) ⎯ Cível ⎯ Penal (tipificação como crime) Possuem naturezas distintas ⎯ não acarreta bis in idem ⎯ apuração disciplinar dentro da Administração por meio de processo administrativo (PAD) [...] a punição disciplinar e a criminal têm fundamentos diversos e diversa é a natureza das penas. A diferença não é de grau; é de substância. Dessa substancial diversidade resulta a possibilidade da aplicação conjunta das duas penalidades sem que ocorra bis in idem. Por outras palavras, a mesma infração pode dar ensejo à punição administrativa (disciplinar) e à punição penal (criminal). Hely Lopes Meirelles Art. 14, § 2o - As responsabilidades nas esferas cível, criminal e administrativa são independentes entre si e podem ser apuradas concomitantemente. Decreto nº 4.346/02 – RDE ESTADO DO PARANÁ POLÍCIA MILITAR 1º BATALHÃO DE POLÍCIA MILITAR CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS _____________________________________________________________________________________________________ SISTEMA DISCIPLINAR ESPECIAL PREVISÃO NO ÂMBITO DA PMPR: Decreto 7339/2010 Regulamento Interno e dos Serviços Gerais da PMPR Art. 491. Nos estabelecimentos de ensino e núcleos de ensino, dadas as especificidades das atividades desenvolvidas, poderá ser aplicado, sem prejuízo do disposto no art. 482, aos militares estaduais integrantes do corpo discente, regimedisciplinar especial definido em ato próprio do Comandante-Geral. Art. 482 – aplicação do regulamento disciplinar na PMPR PORTARIA DO COMANDO-GERAL Nº 294, DE 16 DE MARÇO DE 2009 Institui o Sistema Disciplinar Especial no âmbito da PMPR Considerando as peculiaridades dos períodos de formação, especialização e aperfeiçoamento dos militares estaduais; Considerando a necessidade de estabelecer normas aplicáveis às alterações administrativas disciplinares próprias destes períodos: DA FINALIDADE E DO ÂMBITO DE APLICAÇÃO Art. 1o Fica instituído o Sistema Disciplinar Especial (SDE), com a finalidade de estabelecer normas para a apuração e responsabilização das Alterações Administrativas Disciplinares (AAD), próprias dos períodos de formação, especialização e aperfeiçoamento dos militares estaduais. Art. 2o O SDE é subsidiário ao regulamento disciplinar vigente na PMPR, sendo aplicável às AAD restritas ao âmbito escolar e consideradas, pela autoridade competente para a aplicação da sanção, como de pequena repercussão. Parágrafo único. O indício de que a alteração tenha reflexos no decoro da classe ou no pundonor militar afasta a incidência do SDE e exige a aplicação do regulamento disciplinar aplicado na PMPR. Art. 3o Para os fins do SDE consideram-se AAD, além das normas internas, os regimentos internos, normas gerais de ação, portarias e determinações: I - as transgressões disciplinares previstas no regulamento disciplinar aplicado na PMPR, quando cometidas no âmbito restritamente escolar e sejam consideradas pela autoridade competente para a aplicação da sanção, como de pequena repercussão; II – os atos contrários às normas internas dos Estabelecimentos de Ensino (EE) ou Núcleos de Ensino (NE), das quais deve ser dada ciência formal ao corpo discente. Art. 4o Estão sujeitos ao SDE os militares estaduais pertencentes ao corpo discente dos EE e dos NE, mesmo quando na condição de adidos. DA COMPETÊNCIA Art. 5o São competentes para julgar as AAD e aplicar as Medidas Corretivas Escolares (MCE) previstas nesta Portaria: I – Os Comandantes de EE ou de NE, a todo o corpo discente; II – O Comandante do Corpo de Alunos da APMG, a todo o corpo discente da Academia; III – Os Comandantes de EsFAEP, a todo corpo discente de sua respectiva escola e os Comandantes de Pelotões ao corpo discente do respectivo Pelotão; III – Os Coordenadores de cursos nos NE, a todo o corpo discente do respectivo núcleo; V – O Comandante da EsO, a todo o corpo discente daquela escola; VI – Os Comandantes de Pelotões da EsO, ao corpo discente do respectivo Pelotão. DAS MEDIDAS CORRETIVAS ESCOLARES Art. 6o São Medidas Corretivas Escolares (MCE) as sanções administrativas aplicadas com finalidade de corrigir de forma célere e especifica as AAD detectadas no período escolar - formação, especialização ou aperfeiçoamento, dos militares estaduais, conforme abaixo especificado: I – Trabalhos Didáticos (TD), os quais deverão: a) seguir a temática, quantidade de folhas e prazo de entrega definidos pela autoridade que aplicar esta MCE; b) ser escritos seguindo as normas didáticas fixadas nas disciplinas do curso em questão; c) a critério da autoridade competente para a aplicação da sanção, ser apresentados aos demais discentes. II – Escalas Especiais (EEsp), limitadas a quatro escalas por alteração constatada, aplicadas aos efetivos escolares - Corpo Discente, estejam esses em regime de internato ou não, seguindo os seguintes critérios: a) uma EEsp – cumprimento de missões com duração de até quatro horas; b) duas EEsp – cumprimento de missões com duração de até oito horas; c) três EEsp – cumprimento de missões com duração de até doze horas; d) quatro EEsp – cumprimento de missões com duração de até dezesseis horas. III – Licença Cassada (LC), dos finais de semana e feriados, a vigorar como MCE para efetivos que estejam em regime de internato, seguindo os seguintes critérios: a) uma LC – proibição de ausentar-se do aquartelamento por doze horas, devendo cumprir missões definidas; b) duas LC – proibição de ausentar-se do aquartelamento por vinte e quatro horas devendo cumprir missões definidas; c) três LC – proibição de ausentar-se do aquartelamento por trinta e seis horas devendo cumprir missões definidas; d) quatro LC – proibição de ausentar-se do aquartelamento por quarenta e oito horas devendo cumprir missões definidas; e) cinco LC - proibição de ausentar-se do aquartelamento por sessenta horas devendo cumprir missões definidas; § 1o Considera-se regime de internato para fins de aplicação do SDE e das MCE, o aquartelamento – permanência, do militar estadual durante todo o período de seu curso, seja ele de formação, especialização ou aperfeiçoamento, nas dependências do EE ou do NE. § 2o As MCE, uma vez definidas, deverão constar da Nota de Aplicação de MCE (NA-MCE), a qual deverá especificar as missões a serem cumpridas e os horários fixados para o cumprimento na conformidade do anexo II: Art. 7° As EEsp e as LC não poderão causar prejuízo às atividades escolares e seu cumprimento se dará em atividades internas – missões, junto ao EE ou NE. Art. 8o As AAD constatadas pelos coordenadores de curso, auxiliares de coordenação, instrutores, monitores, auxiliares de companhia ou pelotões ou pelos chefes de turma, serão lançadas no formulário de anotação (FA) na conformidade do anexo I. Art. 9o O discente será cientificado da anotação, recebendo cópia do FA, tendo o prazo de até quarenta e oito horas para apresentar sua defesa, podendo fazê-lo verbalmente ou por escrito, utilizando-se para tanto de espaço próprio no FA. Art. 10. Recebida a defesa, a autoridade competente para aplicar a sanção emitirá, no prazo de quarenta e oito horas, parecer sobre o acatamento ou não das argumentações, utilizando-se para tanto também de campo próprio no FA. Art. 11. Se acatada a defesa a autoridade determinará o arquivamento do formulário e, em não o sendo, aplicará a MCE julgada necessária à AAD correspondente, utilizando-se da NA - MCE. Art. 12. Da NA-MCE será dada ciência formal ao sancionado, podendo este apresentar recurso, em vinte e quatro horas, seguindo obrigatoriamente o recurso padrão do anexo III, dirigido à autoridade que aplicou a sanção. DO RECURSO Art. 13. O militar estadual poderá recorrer da MCE a ele imposta, utilizando obrigatoriamente o recurso padrão do anexo III. § 1° O recurso de que trata o caput deste artigo deverá ser encaminhado à autoridade que aplicou a MCE. § 2° A interposição do recurso de que trata o caput deste artigo afasta a incidência do SDE, devendo a alteração ser solucionada nos termos do regulamento disciplinar vigente na PMPR. DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 14. A aplicação de MCE não implicará em cerceamento de liberdade, implicando, no entanto, na não concessão de licenças de afastamentos dos aquartelamentos, de forma total ou parcial nos finais de semana e feriados, aos efetivos escolares - Corpo Discente, que estiverem sob regime de internato. Art. 15. A aplicação de MCE não terá repercussão no comportamento, não podendo ser considerada para fins de agravamento de punição e não implicará em desligamento do curso. Art. 16. Os registros das MCE serão numerados seqüencialmente e não constarão dos assentamentos funcionais do militar estadual devendo, no entanto, ficar arquivados no EE ou NE, por um período de um ano após o término do curso. Art. 17. O discente que estiver em cumprimento de MCE participará de todas as atividades curriculares, extra-curriculares e escalas de serviço ordinárias do EE ou NE. ESTADO DO PARANÁ POLÍCIA MILITAR 1º BATALHÃO DE POLÍCIA MILITAR CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS _____________________________________________________________________________________________________ REGULAMENTODISCIPLINAR DO EXÉRCITO PREVISÃO NA PMPR Lei 16575 - 28 de Setembro de 2010 Lei Organização Básica da PMPR – LOB Art. 67. O julgamento das faltas disciplinares cometidas por militar estadual far-se-á na forma do Regulamento Disciplinar em vigor na Polícia Militar do Estado do Paraná Lei 1943 - 23 de Junho de 1954 Código da Polícia Militar do Estado Art. 1º, § 5º. Consideram-se subsidiários deste Código os regulamentos da Corporação e o R.D.E. e Regulamentos de Continências, Honras e Sinais de Respeito das Forças Armadas. Decreto 7339 - 08 de Junho de 2010 Regulamento Interno e dos Serviços Gerais da PMPR (RISG) Art. 482. Na PMPR terá aplicação o Regulamento Disciplinar próprio ou aquele em vigor no Exército Brasileiro, com as alterações constantes deste regulamento. DECRETO Nº 4.346, DE 26 DE AGOSTO DE 2002. Aprova o Regulamento Disciplinar do Exército (R-4) e dá outras providências Da Finalidade e do Âmbito de Aplicação Art. 1º O Regulamento Disciplinar do Exército (R-4) tem por finalidade especificar as transgressões disciplinares e estabelecer normas relativas a punições disciplinares, comportamento militar das praças, recursos e recompensas. RECOMPENSA: reconhecimento pelos bons serviços prestados. Art. 2º Estão sujeitos a este Regulamento os militares do Exército na ativa, na reserva remunerada e os reformados. Dos Princípios Gerais da Hierarquia e da Disciplina Art. 7º A hierarquia militar é a ordenação da autoridade, em níveis diferentes, por postos e graduações. Art. 8º A disciplina militar é a rigorosa observância e o acatamento integral das leis, regulamentos, normas e disposições, traduzindo-se pelo perfeito cumprimento do dever por parte de todos e de cada um dos componentes do organismo militar. § 1º São manifestações essenciais de disciplina: I - a correção de atitudes; II - a obediência pronta às ordens dos superiores hierárquicos; III - a dedicação integral ao serviço; e IV - a colaboração espontânea para a disciplina coletiva e a eficiência das Forças Armadas. § 2º A disciplina e o respeito à hierarquia devem ser mantidos permanentemente pelos militares na ativa e na inatividade. Art. 9º As ordens devem ser prontamente cumpridas. § 1º Cabe ao militar a inteira responsabilidade pelas ordens que der e pelas consequências que delas advierem. § 2º Cabe ao subordinado, ao receber uma ordem, solicitar os esclarecimentos necessários ao seu total entendimento e compreensão. § 3º Quando a ordem contrariar preceito regulamentar ou legal, o executante poderá solicitar a sua confirmação por escrito, cumprindo à autoridade que a emitiu atender à solicitação. § 4º Cabe ao executante, que exorbitou no cumprimento de ordem recebida, a responsabilidade pelos excessos e abusos que tenha cometido. Da Competência para a Aplicação Art. 10. A competência para aplicar as punições disciplinares é definida pelo cargo e não pelo grau hierárquico, sendo competente para aplicá-las: RISG PMPR Competência disciplinar no âmbito da PMPR: Art. 483. A competência disciplinar decorre de função ou de encargo e será exercida pelas seguintes autoridades: I - Comandante-Geral, a todos os integrantes da Corporação da ativa, reserva remunerada e reformados; II - militares estaduais da ativa que estiverem subordinados às seguintes autoridades: a) Chefe do EMPM, Diretor, Comandante Intermediário, Comandante da APMG, Chefe do COPM e demais funções privativas de Coronéis; b) Comandante de Unidade, Comandante do CPM, Chefe do CSM/MB, Diretor- Geral do HPM, Chefe de Seção do EMPM e Comandante do CFAP; c) Comandante da EsFO, Chefe do COPOM, Chefe do COBOM, Chefe do CRS, Chefe do CSM/Int e Chefe do CSM/O; d) Comandante de Subunidade, incorporada e destacada, Chefe do CVPM, Chefe do CEI e Chefe do CSM/MOP; e) Comandante de Pelotão/Seção de Bombeiros destacado; f) Comandante de Destacamento PM e Posto BM, quando subtenente ou sargento. Art. 12. Todo militar que tiver conhecimento de fato contrário à disciplina, deverá participá-lo ao seu chefe imediato, por escrito. § 1º A parte deve ser clara, precisa e concisa; qualificar os envolvidos e as testemunhas; discriminar bens e valores; precisar local, data e hora da ocorrência e caracterizar as circunstâncias que envolverem o fato, sem tecer comentários ou emitir opiniões pessoais. DAS TRANSGRESSÕES DISCIPLINARES Art. 14. Transgressão disciplinar é toda ação praticada pelo militar contrária aos preceitos estatuídos no ordenamento jurídico pátrio ofensiva à etica, aos deveres e às obrigações militares, mesmo na sua manifestação elementar e simples, ou, ainda, que afete a honra pessoal, o pundonor militar e o decoro da classe. § 2º As responsabilidades nas esferas cível, criminal e administrativa são independentes entre si e podem ser apuradas concomitantemente. § 3º As responsabilidades cível e administrativa do militar serão afastadas no caso de absolvição criminal, com sentença transitada em julgado, que negue a existência do fato ou da sua autoria. § 7º É vedada a aplicação de mais de uma penalidade por uma única transgressão disciplinar. Art. 15. São transgressões disciplinares todas as ações especificadas no Anexo I deste Regulamento. Do Julgamento Art. 16. O julgamento da transgressão deve ser precedido de análise que considere: I - a pessoa do transgressor; II - as causas que a determinaram; III - a natureza dos fatos ou atos que a envolveram; e IV - as consequências que dela possam advir. Art. 17. No julgamento da transgressão, podem ser levantadas causas que justifiquem a falta ou circunstâncias que a atenuem ou a agravem. Art. 18. Haverá causa de justificação quando a transgressão for cometida: I - na prática de ação meritória ou no interesse do serviço, da ordem ou do sossego público; II - em legítima defesa, própria ou de outrem; III - em obediência a ordem superior; IV - para compelir o subordinado a cumprir rigorosamente o seu dever, em caso de perigo, necessidade urgente, calamidade pública, manutenção da ordem e da disciplina; V - por motivo de força maior, plenamente comprovado; e VI - por ignorância, plenamente comprovada, desde que não atente contra os sentimentos normais de patriotismo, humanidade e probidade. Parágrafo único. Não haverá punição quando for reconhecida qualquer causa de justificação. Art. 19. São circunstâncias atenuantes: I - o bom comportamento; II - a relevância de serviços prestados; III - ter sido a transgressão cometida para evitar mal maior; IV - ter sido a transgressão cometida em defesa própria, de seus direitos ou de outrem, não se configurando causa de justificação; e V - a falta de prática do serviço. Art. 20. São circunstâncias agravantes: I - o mau comportamento; II - a prática simultânea ou conexão de duas ou mais transgressões; III - a reincidência de transgressão, mesmo que a punição anterior tenha sido uma advertência; IV - o conluio de duas ou mais pessoas; V - ter o transgressor abusado de sua autoridade hierárquica ou funcional; e VI - ter praticado a transgressão: a) durante a execução de serviço; b) em presença de subordinado; c) com premeditação; d) em presença de tropa; e e) em presença de público. Da Classificação Art. 21. A transgressão da disciplina deve ser classificada, desde que não haja causa de justificação, em LEVE, MÉDIA e GRAVE, segundo os critérios dos arts. 16, 17, 19 e 20. Art. 22. Será sempre classificada como "GRAVE" a transgressão da disciplina que constituir ato que afete a honra pessoal, o pundonor militar ou o decoro da classe. PUNIÇÕES DISCIPLINARES Art. 23. A punição disciplinar objetiva a preservaçãoda disciplina e deve ter em vista o benefício educativo ao punido e à coletividade a que ele pertence. Art. 24. Segundo a classificação resultante do julgamento da transgressão, as punições disciplinares a que estão sujeitos os militares são, em ordem de gravidade crescente: CLASSIFICAÇÃO (de acordo com a gravidade) ORDEM DE GRAVIDADE (crescente) PUNIÇÕES DISCIPLINARES LEVE I Advertência II Impedimento Disciplinar (máximo 10 dias) MÉDIA III Repreensão IV Detenção Disciplinar (máximo 30 dias) GRAVE V Prisão Disciplinar (máximo 30 dias) VI Licenciamento e Exclusão a bem da disciplina Art. 25. ADVERTÊNCIA é a forma mais branda de punir, consistindo em admoestação feita verbalmente ao transgressor, em caráter reservado ou ostensivo. § 2º A advertência não constará das alterações do punido, devendo, entretanto, ser registrada, para fins de referência, na ficha disciplinar individual. Art. 26. IMPEDIMENTO DISCIPLINAR é a obrigação de o transgressor não se afastar da OM, sem prejuízo de qualquer serviço que lhe competir dentro da unidade em que serve. Parágrafo único. O impedimento disciplinar será publicado em boletim interno e registrado, para fins de referência, na ficha disciplinar individual, sem constar das alterações do punido. Art. 27. REPREENSÃO é a censura enérgica ao transgressor, feita por escrito e publicada em boletim interno. Art. 28. DETENÇÃO DISCIPLINAR é o cerceamento da liberdade do punido disciplinarmente, o qual deve permanecer no alojamento da subunidade a que pertencer ou em local que lhe for determinado pela autoridade que aplicar a punição disciplinar. Art. 29. PRISÃO DISCIPLINAR consiste na obrigação de o punido disciplinarmente permanecer em local próprio e designado para tal. As refeições são realizadas na dependência onde estiver cumprindo sua punição. LEI Nº 13.967, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2019 Alterou o Decreto-Lei nº 667, de 2 de julho de 1969, que reorganiza as polícias militares e os corpos de bombeiros militares dos Estados, dos Territórios e do Distrito Federal, sendo que o seu Art. 18 passou a vigorar com a seguinte redação: http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%2013.967-2019?OpenDocument “Art. 18. As polícias militares e os corpos de bombeiros militares serão regidos por Código de Ética e Disciplina, aprovado por lei estadual ou federal para o Distrito Federal, específica, que tem por finalidade definir, especificar e classificar as transgressões disciplinares e estabelecer normas relativas a sanções disciplinares, conceitos, recursos, recompensas, bem como regulamentar o processo administrativo disciplinar e o funcionamento do Conselho de Ética e Disciplina Militares, observados, dentre outros, os seguintes princípios: VII - vedação de medida privativa e restritiva de liberdade.” Em respeito ao determinado na Lei Federal nº 13.967/2019, quando houver punição de impedimento disciplinar, detenção ou prisão, não haverá nenhum tipo de cerceamento de liberdade do militar, permanecendo apenas os efeitos decorrentes da sanção relacionados às mudanças de comportamento e contagem de pontos negativos em lista para promoção, devendo tudo ser registrado na Ficha Disciplinar Individual, onde inclusive deverá constar que não houve a privação ou a restrição de liberdade do policial ou bombeiro militar. Art. 32. LICENCIAMENTO E EXCLUSÃO A BEM DA DISCIPLINA consistem no afastamento, ex officio, do militar das fileiras do Exército, conforme prescrito no Estatuto dos Militares. O Licenciamento e Exclusão a bem da disciplina na PMPR se dão na forma estabelecida na Lei 16544, de 14 de julho de 2010, que “dispõe sobre que o processo disciplinar no âmbito da Polícia Militar do Estado do Paraná (PMPR). Da Aplicação Art. 34. A aplicação da punição disciplinar compreende: I - elaboração de nota de punição II - publicação no boletim interno da OM, exceto no caso de advertência; e III - registro na ficha disciplinar individual. § 1º A nota de punição deve conter: I - a descrição sumária, clara e precisa dos fatos; II - as circunstâncias que configuram a transgressão, relacionando-as às prescritas neste Regulamento; e III - o enquadramento que caracteriza a transgressão, acrescida de outros detalhes relacionados com o comportamento do transgressor, para as praças, e com o cumprimento da punição disciplinar. § 6º A ficha disciplinar individual é um documento que deverá conter dados sobre a vida disciplinar do militar, acompanhando-o em caso de movimentação, da incorporação ao licenciamento ou à transferência para a inatividade, quando ficará arquivada no órgão designado pela Força. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del0667.htm#art18.0 § 1º Nenhuma punição disciplinar será imposta sem que ao transgressor sejam assegurados o contraditório e a ampla defesa, inclusive o direito de ser ouvido pela autoridade competente para aplicá-la, e sem estarem os fatos devidamente apurados. Art. 40. A punição disciplinar máxima, que cada autoridade referida no art. 10 deste Regulamento pode aplicar ao transgressor, bem como aquela a que este está sujeito, são as previstas no Anexo III. RISG PMPR Limites de Punições Disciplinares de acordo com autoridades que detêm competência disciplinar no âmbito da PMPR: Art. 485. A punição máxima que cada autoridade pode aplicar é a seguinte: I - Comandante-Geral: a) aos oficiais - até 30 dias de prisão disciplinar; b) aos aspirantes-a-oficial, cadetes e alunos-oficiais - exclusão a bem da disciplina; c) aos subtenentes, sargentos, cabos e soldados - exclusão a bem da disciplina. II - Chefe do EMPM, Diretor, Comandante Intermediário, Comandante da APMG, Chefe do COPM e demais funções privativas de Coronéis: a) aos oficiais - até 20 dias de prisão disciplinar; b) aos aspirantes-a-oficial, cadetes e alunos-oficiais - até 25 dias de prisão disciplinar; c) aos subtenentes, sargentos, cabos e soldados - até 30 dias de prisão disciplinar. III - Comandante de Unidade, Comandante do CPM, Chefe do CSM/MB e Diretor-Geral do HPM, Chefe de Seção do EMPM e Comandante do CFAP: a) aos oficiais - até 10 dias de prisão disciplinar; b) aos aspirantes-a-oficial - até 15 dias de prisão disciplinar; c) aos subtenentes e sargentos - até 20 dias de prisão disciplinar; d) aos cabos e soldados - até 25 dias de prisão disciplinar. IV - Comandante da EsFO, Chefe do COPOM, Chefe do COBOM, Chefe do CRS, Chefe do CSM/Int e Chefe do CSM/O: a) aos oficiais - até 10 dias de detenção disciplinar; b) aos aspirantes-a-oficial, cadetes e alunos-oficiais - até 15 dias de detenção disciplinar; c) aos subtenentes, sargentos, cabos e soldados - até 20 dias de detenção disciplinar. V - Comandante de Subunidade, incorporada e destacada, Chefe do CVPM, Chefe do CEI e Chefe do CSM/MOP: a) aos oficiais - até 5 dias de detenção disciplinar; b) aos aspirantes-a-oficial - até 10 dias de detenção disciplinar; c) aos subtenentes, sargentos, cabos e soldados - até 15 dias de detenção disciplinar. VI - Comandante de Pelotão/Seção de Bombeiros destacado: a) aos subtenentes e sargentos - até 5 dias de detenção disciplinar; b) aos cabos e soldados - até 10 dias de detenção disciplinar. VII - Comandante de Destacamento PM e Posto BM, quando subtenente ou sargento: a) aos sargentos: repreensão; b) aos cabos e soldados - até 5 dias de detenção disciplinar. § 4º Quando uma autoridade, ao julgar uma transgressão, concluir que a punição disciplinar a aplicar está além do limite máximo que lhe é autorizado, solicitará à autoridade superior, com ação sobre o transgressor, a aplicação da punição devida. Art. 41. A punição disciplinar aplicada pode ser anulada, relevada ou atenuada pela autoridadepara tanto competente, quando tiver conhecimento de fatos que recomendem este procedimento, devendo a respectiva decisão ser justificada e publicada em boletim. Art. 42. A ANULAÇÃO da punição disciplinar consiste em tornar sem efeito sua aplicação: • deverá ocorrer quando for comprovado ter havido injustiça ou ilegalidade na sua aplicação. • com isso, será o punido posto em liberdade imediatamente. • produz efeitos retroativos à data de aplicação da punição disciplinar. • deve eliminar, nas alterações do militar e na ficha disciplinar individual toda e qualquer anotação ou registro referente à sua aplicação. Art. 45. A RELEVAÇÃO de punição disciplinar consiste na suspensão de seu cumprimento e poderá ser concedida: • quando ficar comprovado que foram atingidos os objetivos visados com a sua aplicação, independentemente do tempo a cumprir; e • por motivo de passagem de comando ou por ocasião de datas festivas militares, desde que se tenha cumprido, pelo menos, metade da punição disciplinar. Art. 46. A ATENUAÇÃO da punição disciplinar consiste na transformação da punição proposta ou aplicada em outra menos rigorosa, se assim recomendar o interesse da disciplina e da ação educativa do punido, ou mesmo por critério de justiça, quando verificada a inadequação da punição aplicada. DO COMPORTAMENTO MILITAR Art. 51. O comportamento militar da praça abrange o seu procedimento civil e militar, sob o ponto de vista disciplinar. COMPORTAMENTO EXCEPCIONAL ÓTIMO BOM INSUFICIENTE MAU DECORRÊNCIA DE TRANGRESSÕES DISCIPLINARES No BOM ou ÓTIMO: 9 anos sem punição A partir do BOM: 5 anos com até 1 detenção A partir do INSUFICIENTE: 1 ano sem punição A partir do MAU: 2 anos sem punição 1 ano: + de 2 prisões disciplinares OU Prisão Disciplinar superior a 20 dias de 2 anos de serviço: até 2 prisões 1 ano: 2 Prisões Disciplinares OU 2 anos: + de 2 prisões disciplinares DECORRÊNCIA DE CONDENAÇÃO No BOM ou ÓTIMO: 10 anos sem punição A partir do BOM: 6 anos com até 1 detenção. A partir do INSUFICIENTE: 2 anos sem punição A partir do MAU: 2 anos e 6 meses sem punição TRANSITO EM JULGADO Condenação criminal CRIME CULPOSO No BOM ou ÓTIMO: 12 anos sem punição A partir do BOM: 8 anos com até 1 detenção. A partir do INSUFICIENTE: 3 anos sem punição A partir do MAU: 3 anos sem punição TRANSITO EM JULGADO Condenação criminal CRIME DOLOSO COMPORTAMENTO MILITAR DAS PRAÇAS Ingresso na PMPR: Comportamento BOM Art. 51 ... § 1º O comportamento militar da praça deve ser classificado em: I - EXCEPCIONAL: a) quando no período de nove anos de efetivo serviço, mantendo os comportamentos "bom", ou "ótimo", não tenha sofrido qualquer punição disciplinar; b) quando, tendo sido condenada por crime culposo, após transitada em julgado a sentença, passe dez anos de efetivo serviço sem sofrer qualquer punição disciplinar, mesmo que lhe tenha sido concedida a reabilitação judicial, em cujo período somente serão computados os anos em que a praça estiver classificada nos comportamentos "bom" ou "ótimo"; e c) quando, tendo sido condenada por crime doloso, após transitada em julgado a sentença, passe doze anos de efetivo serviço sem sofrer qualquer punição disciplinar, mesmo que lhe tenha sido concedida a reabilitação judicial. Neste período somente serão computados os anos em que a praça estiver classificada nos comportamentos "bom" ou "ótimo"; II - ÓTIMO: a) quando, no período de cinco anos de efetivo serviço, contados a partir do comportamento "bom", tenha sido punida com a pena de até uma detenção disciplinar; b) quando, tendo sido condenada por crime culposo, após transitada em julgado a sentença, passe seis anos de efetivo serviço, punida, no máximo, com uma detenção disciplinar, contados a partir do comportamento "bom", mesmo que lhe tenha sido concedida a reabilitação judicial; e c) quando, tendo sido condenada por crime doloso, após transitada em julgado a sentença, passe oito anos de efetivo serviço, punida, no máximo, com uma detenção disciplinar, contados a partir do comportamento "bom", mesmo que lhe tenha sido concedida a reabilitação judicial; III - BOM: a) quando, no período de dois anos de efetivo serviço, tenha sido punida com a pena de até duas prisões disciplinares; e b) quando, tendo sido condenada criminalmente, após transitada em julgado a sentença, houver cumprido os prazos previstos para a melhoria de comportamento de que trata o § 7º deste artigo, mesmo que lhe tenha sido concedida a reabilitação judicial; IV - INSUFICIENTE: a) quando, no período de um ano de efetivo serviço, tenha sido punida com duas prisões disciplinares ou, ainda, quando no período de dois anos tenha sido punida com mais de duas prisões disciplinares; e b) quando, tendo sido condenada criminalmente, após transitada em julgado a sentença, houver cumprido os prazos previstos para a melhoria de comportamento de que trata o § 7o deste artigo, mesmo que lhe tenha sido concedida a reabilitação judicial; V - MAU: a) quando, no período de um ano de efetivo serviço tenha sido punida com mais de duas prisões disciplinares; e b) quando condenada por crime culposo ou doloso, a contar do trânsito em julgado da sentença ou acórdão, até que satisfaça as condições para a mudança de comportamento de que trata o § 7º deste artigo. § 3º Ao ser incorporada ao Exército, a praça será classificada no comportamento "bom". § 4º Para os efeitos deste artigo, é estabelecida a seguinte equivalência de punição: I - uma prisão disciplinar equipara-se a duas detenções disciplinares; e II - uma detenção disciplinar equivale a duas repreensões. § 5º A advertência e o impedimento disciplinar não serão considerados para fins de classificação de comportamento. § 6º A praça condenada por crime ou punida com prisão disciplinar superior a vinte dias ingressará, automaticamente, no comportamento "mau". § 7º A melhoria de comportamento é progressiva, devendo observar o disposto no art. 63 deste Regulamento e obedecer aos seguintes prazos e condições: I - do "MAU" para o "INSUFICIENTE": a) punição disciplinar: dois anos de efetivo serviço, sem punição; b) crime culposo: dois anos e seis meses de efetivo serviço, sem punição; c) crime doloso: três anos de efetivo serviço, sem punição; II - do "INSUFICIENTE" para o "BOM": a) punição disciplinar: um ano de efetivo serviço sem punição, contado a partir do comportamento "insuficiente"; b) crime culposo: dois anos de efetivo serviço sem punição, contados a partir do comportamento "insuficiente"; e c) crime doloso: três anos de efetivo serviço sem punição, contados a partir do comportamento "insuficiente"; III - do "BOM" para o "ÓTIMO", deverá ser observada a prescrição constante do inciso II do § 1º deste artigo; e IV - do "ÓTIMO" para o "EXCEPCIONAL", deverá ser observada a prescrição constante do inciso I do § 1º deste artigo. § 8º A reclassificação do comportamento far-se-á em boletim interno da OM, por meio de "nota de reclassificação de comportamento", uma vez decorridos os prazos citados no § 7º deste artigo, mediante: RECURSOS E RECOMPENSAS Dos Recursos Disciplinares Art. 52. O militar que se julgue, ou julgue subordinado seu, prejudicado, ofendido ou injustiçado por superior hierárquico tem o direito de recorrer na esfera disciplinar.