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ESTUDO DE CASO FAMILIAR – COMUNIDADE DE CARACOL, 
BAHIA 
 
Durante visita domiciliar realizada por acadêmicos da área da Saúde da UNIFTC, 
em uma comunidade rural chamada Caracol, localizada no interior da Bahia, foi 
avaliada uma família composta por três membros principais: Dona Joana (75 
anos), seu esposo Sr. Antônio, e a filha do casal, Júlia, uma gestante de 18 anos. 
O caso se desenrolou com o envolvimento de uma equipe interprofissional na 
Unidade Básica de Saúde (UBS), revelando um cenário de vulnerabilidade 
social, múltiplas condições clínicas e necessidade de cuidado integral e 
multidisciplinar. 
- Resumo do Caso 
Paciente: Dona Joana 
Idade: 75 anos 
Localização: Zona rural (Bahia) 
Habitação: Casa de madeira, sem reboco, próxima a animais (galinheiro e 
cachorros). 
Composição Familiar: Marido e filha gestante. 
Histórico familiar: Hipertensão, diabetes mellitus, cardiopatia e cálculo renal. 
Queixa principal: 
• Início há 10 dias: dor abdominal difusa (região inferior), após andar de 
moto 
• Sintomas associados: febre 
• Evolução: dor persistente por 3 dias sem intervenção medicamentosa. 
 
Achados Clínicos: 
• Temperatura: 37,2 °C (normal) 
• Pulso/FC: 84 bpm (normal) 
• FR: 20 IRPM (normal) 
• PA: 140x90 mmHg (limítrofe para hipertensão) 
• Pele com turgor e elasticidade diminuídos (sugestivo de desidratação) 
• Mucosas hipocrômicas (sugere anemia) 
• Abdome semi-globoso (distensão abdominal leve) 
• Edema em membros inferiores 
• Cirurgia prévia por diverticulite 
 
Análise e Hipóteses: 
• Desidratação leve + possível anemia (causa a ser investigada: 
crônica, carencial, ou secundária a doença intestinal); 
• Hipertensão arterial leve 
• Edema periférico pode indicar: 
o Disfunção renal ou cardíaca 
o Hipoalbuminemia por má nutrição ou enteropatia 
• Diverticulite recorrente ou complicação abdominal crônica (como 
síndrome do intestino irritável ou sequelas pós-cirurgia). 
Daiane - Condutas biomédicas: 
• Solicitação e realização de exames laboratoriais: 
o Hemograma completo – para confirmar anemia (tipo, grau, 
causas prováveis); 
o Glicemia de jejum e HbA1c – rastreio de diabetes; 
o Função renal (ureia, creatinina, sódio e potássio) – importante 
pela idade e histórico de cálculo renal; 
o PCR – avaliação de possível processo inflamatório; 
• Apoio ao monitoramento de sinais de desidratação e desequilíbrio 
hidroeletrolítico 
• Participação no planejamento de exames de imagem, caso disponíveis 
(como USG abdominal, se indicado). 
 
- Resumo do Quadro do Sr. Antônio 
 
Idade presumida: Faixa etária semelhante à de Dona Joana (provavelmente 
idoso). 
Ocupação: Lavrador 
Tabagismo: Fuma + ou - 30 cigarros de palha por dia 
Sintomas relatados: 
• Dor no lado direito do abdome (início recente) 
• Tosse frequente 
• Ardência nos lábios 
• Hemoptise (sangue no escarro) 
Achados Clínicos: 
• Temperatura: 37,7 °C (febril) 
• FC: 127 bpm (taquicardia importante) 
• FR: 36 IRPM com uso de musculatura acessória (sinais de esforço 
respiratório grave) 
• PA: 120x80 mmHg (medicada) 
• IMC: 17 kg/m² (baixo peso/magreza importante) 
• Hemoptise + sangramento gengival 
• Tosse crônica 
• Radiografia torácica recente (não descrita, mas pode conter achados 
relevantes). 
Análise e Hipóteses: 
• Quadro clínico altamente sugestivo de tuberculose pulmonar ativa, 
com comprometimento sistêmico; 
• Desnutrição proteico-calórica grave; 
• Possível deficiência vitamínica (ex: escorbuto) — sangramento 
gengival pode estar associado; 
• Diagnóstico diferencial: neoplasia pulmonar, pneumonia com 
complicações, DPOC exacerbada. 
 
Daiane - Condutas biomédicas: 
• Coleta e análise de escarro para pesquisa de BAAR (bacilos álcool-
ácido resistentes) – suspeita de tuberculose pulmonar; 
• Encaminhamento para TRM-TB (teste rápido molecular para 
tuberculose) – se disponível; 
• Hemograma, velocidade de hemossedimentação (VHS), PCR – para 
detectar inflamação/infeção; 
• Avaliação nutricional laboratorial: albumina, vitamina C 
(hipovitaminose) e outros marcadores de desnutrição; 
• Apoio à equipe na interpretação da radiografia torácica (com parecer 
médico). 
- Júlia (18 anos, 5º mês de gestação) 
Achados Clínicos: 
• PA: 140x110 mmHg (hipertensão arterial grave em gestante). 
• Sintomas: dor de cabeça e dor pélvica. 
• Pré-natal em curso (mas sem detalhes). 
• Queixas: sangramento gengival, pouco apetite, perda de peso. 
• Hipótese inicial: pré-eclâmpsia leve + deficiências nutricionais. 
• Acompanhada por NASF (nutrição, fisioterapia, psicologia). 
• Desfecho: parto prematuro com: 
o Hemorragia pós-parto → hipotensão, síncope → UTI 
o RN: Apgar 6, líquido com mecônio, dificuldade respiratória → UTI 
neonatal. 
Análise e Hipóteses: 
• Sinais iniciais de pré-eclâmpsia 
o Pressão ≥ 140/90 mmHg após 20 semanas 
o Cefaleia e dor pélvica podem preceder complicações como 
eclâmpsia 
• Risco aumentado pela vulnerabilidade social e história familiar de 
doenças crônicas. 
 
Daiane - Condutas biomédicas: 
• Exames de pré-natal: 
o Hemograma, tipagem sanguínea, VDRL, HIV, hepatites, 
toxoplasmose, glicemia, EAS/urocultura; 
• Durante e após o parto: 
o Dosagem de hemoglobina e hematócrito – monitoramento de 
perda sanguínea; 
o Coagulograma (TTPA, TP/RNI, fibrinogênio, plaquetas) – para 
descartar distúrbios da coagulação pós-parto; 
o Dosagem hormonal e sorologias, se necessário, para avaliar 
desfecho fetal. 
• Coleta e envio de material para exames neonatais e triagem do recém-
nascido (teste do pezinho, orelhinha etc.). 
 
- Dona Sônia (paciente encontrada na UBS) 
• Queixas: dor de dente, cefaleia, ansiedade com sintomas somáticos 
(taquicardia, dispneia); 
• Encaminhamentos: 
o Odontologia para tratamento da dor de dente; 
o Psicologia/saúde mental → referenciada para CAPS; 
o Cardiologista afastou doença cardíaca; 
Daiane - Condutas biomédicas: 
• Acompanhamento de exames laboratoriais para excluir causas orgânicas 
das queixas (ex: anemia, hipoglicemia, distúrbios da tireoide) 
• Apoio na triagem e encaminhamento para saúde mental (relacionamento 
com equipe de psicologia e CAPS); 
• Realização de exames laboratoriais complementares indicados por 
outros profissionais; 
 
Rebeca Lima de Almeida – Conduta da Fisioterapia 
 
Dona Joana: A fisioterapia pode atuar com exercícios circulatórios para redução 
de edema, estimulação da motilidade intestinal com exercícios abdominais leves 
e reeducação postural. A orientação sobre atividade física leve e respiração 
adequada também contribuirá para o controle da pressão arterial e prevenção 
de complicações metabólicas. 
Antônio: O fisioterapeuta deve atuar com técnicas de higiene brônquica, 
exercícios respiratórios com incentivador, mobilização precoce e orientações 
sobre cessação do tabagismo. A perda de peso e dor abdominal também 
levantam suspeitas digestivas, exigindo avaliação multiprofissional integrada. 
Julia: No período pré-natal, a fisioterapia poderia atuar com exercícios de 
mobilidade pélvica, fortalecimento do assoalho pélvico e técnicas de respiração 
e relaxamento. No pós-parto, especialmente na UTI, a fisioterapia contribui com 
reabilitação respiratória, mobilização precoce, prevenção de trombose venosa 
profunda e fortalecimento progressivo, promovendo o retorno funcional seguro. 
Recém-nascido: O comprometimento respiratório exige atuação do 
fisioterapeuta com técnicas específicas para neonatologia, como 
posicionamento, controle respiratório, higiene brônquica leve e estimulação 
motora precoce, sempre respeitando a fragilidade e idade gestacional. 
D. Sônia: A fisioterapia pode auxiliar com técnicas de controle da respiração, 
relaxamento muscular, exercícios leves para regulação do sistema nervoso 
autônomo e melhora da qualidade de vida.

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