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SCA - SÍNDROME CORONARIANAS AGUDAS Obliteração total da artéria coronariana, levando a necrose tecidual (infarto) de uma porção de m. cardíaco. O comprometimento vascular do miocárdio leva à isquemia -> metabolismo anaeróbio -> formação de subprodutos tóxicos -> ácido láctico -> causam dores locais. INTRODUÇÃO Metade das mortes acontecem antes de entrar no hospital. A Fibrilação Ventricular tem maior probabilidade de se desenvolver durante as primeiras 4h após o início dos sintomas. Os pacientes com aterosclerose coronária podem desenvolver um espectro de síndromes clínicas com variados sintomas. As SCA compreendem o espectro da angina instável até o infarto agudo do miocárdio (IAM) que pode evoluir com ou sem elevação do segmento ST. A classificação do IAM baseada no ST é importante, pois modifica a terapia de reperfusão aguda, com os marcoadores cardíacos sendo determinantes se o IAM ocorreu ou não. FATORES DE RISCO Os fatores de risco cardiovasculares incluem: - HAS, DM, dislipidemia, história familiar, tabagismo, idade (homens > 55, mulheres > 65). APRESENTAÇÃO CLÍNICA Pressão, sensação de peito apertado ou dor desconfortável no centro do tórax, retroesternal, perdurando por minutos. Desconforto torácico irradiando para os ombros, pescoço, um ou ambos os braços ou mandíbula. Desconforto torácico irradiando para as costas ou entre as escápulas. Sensação de desfalecimento, tontura, desmaio, suor, náusea ou vômito. Falta de ar súbita e inexplicável, que pode ocorrer com ou sem desconforto torácico. De forma menos comum, o desconforto na região epigástrica é descrito como indigestão. Esses sintomas também podem sugerir outras condições potencialmente fatais, incluindo dissecção de aorta, EP aguda, efusão pericárdica aguda com tamponamento e pneumotórax. Em idosos e diabéticos: sintomas atípicos - equivalentes anginosos: desconforto epigástrico, dispneia, fadiga, tonteira, sensação de desmaio, palpitações, náuseas, vômitos. AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA Pacientes com clínica sugestiva de IAMST: 1° PASSO: ECG deve ser obtido e interpretado em menos de 10 minutos - Fase Hiperaguda: nas primeiras horas: supra de ST proeminente: onda T positiva; ST-T retificado ou côncavo: R com aumento de amplitude. - Fase Subaguda: primeiras horas até 1 mês: supra de ST começa a ter formato convexo (abobadado): onda T começa a negativar: há redução da amplitude da onda R; surgimento da onda “Q patológica” (reflete inativiade transmural - > 1 mm de duração ou > 2 mm de profundidade ou > ⅓ de altura do QRS) - Fase Crônica: Cicatricial - após 2-6 semanas. há desaparecimento do supra de ST; alteração na onda T podem permanecer; há manutenção da Q pat. Obs.: A ausência de sinais isquêmicos não descarta a possibilidade IAM, os primeiros ECG podem parecer normais. É essencial repetir o ECG em intervalos curtos, como a cada 5-10 minutos, em pacientes com sintomas contínuos. 2° PASSO: Dosar enzimas cardíacas Marcadores de necrose miocárdica - são macromoléculas liberadas pela injúria às células cardíacas; São duas as mais utilizadas: DIAGNÓSTICO O dx de IAM é feito a partir de: - Aumento e/ou queda de “marcadores de necrose miocárdica” associado a qualquer um dos seguintes achados: - Clínica de isquemia miocárdica; - Desnivelamento do segmento ST (supra ou infra) ou BRE de 3° grau ou supostamente novo- no ECG; - Presença de onda Q patológica - no ECG; - Avaliação imagiológica (ex. Ecocardiograma) evidenciando comprometimento de miocárdio - acinesia/discinesia. Diagnóstico de infarto antigo ou curado: - Onda Q patológica em ECG seriados, na ausência de alteração dos marcadores de necrose miocárdica (pois já houve tempo de normalização). O paciente pode ou não recordar dos sintomas. - Evidências anatomopatológicas. CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DE SUPRA DE ST - Elevação do segmento ST - Os valores limiares para o supradesnivelamento do segmento ST condizente com IAMST são elevação do ponto J maior que 2 mm (0,2 mV) nas derivações V2 e V3 (2,5 mm em homens de menos de 40 anos; 1,5 mm em todas as mulheres) e 1 mm ou mais em todas as outras derivações ou por BRE novo ou supostamente novo. - Em 2 ou mais derivações contíguas (aquelas que representam a mesma parede miocárdica). - Referência: ponto J - ponto entre o fim do QRS e o início do segmento ST. - Axiais: elevação de 1mm - Precordiais: elevação de 2mm EXAMES COMPLEMENTARES E ESPERADOS O processo de necrose do miocárdio cursa com uma resposta inflamatória, que pode ter cunho sistêmico. Dessa forma, podemos ter: - Hemograma: leucocitose - 12-15k entre 2° e 4° dia. - PCR e VHS elevados. - Importante ressaltar que após 24 horas após o infarto, o nível do colesterol tende a estar falsamente reduzido - o que é chamado de “Pseudo-hipolipidemia”, que pode durar até 8 semanas. Daí a necessidade da coelta do lipidograma completo no início do quadro. METAS PARA PACIENTES DE SCA - Prevenção de eventos cardiovasculares adversos maiores, como morte, IM não fatal e a necessidade de revascularização urgente pós-infarto. - Identificação de pacientes com IAMST e encaminhamento para tto. de reperfusão precoce. - Alívio de desconforto torácico isquêmico - Tto. de complicações agudas e potencialmente fatais de SCA, como TV/TVSP, bradicardia instável, ruptura da parede ventricular, ruptura do músculo papilar, choque descompensado e outras taquicardias instáveis. CADEIA DE SOBREVIVÊNCIA AO IAMST É semelhante à cadeia de sobrevivência à PCR súbita. Reconhecimento e reação aos sinais de aviso do IAMST. Rápido envio do Serviço Médico de Emergência e transporte ágil do sistema do SME, além de notificação antecipada, antes da entrada no hospital de encaminhamento. Avaliação e diagnóstico no departamento de emergência ou laboratório de cateterização. Tratamento. 01 AVALIAÇÃO E ATENDIMENTO DO SERVIÇO MÉDICO DE EMERGÊNCIA E PREPARO HOSPITALAR Avaliar o ABCs: via aérea, respiração e circulação. Esteja preparado para aplicar RCP e a desfibrilação. 02 AVALIAÇÃO E ATENDIMENTO DO SERVIÇO MÉDICO DE EMERGÊNCIA E PREPARO HOSPITALAR Obtenha um ECG de 12 derivações. Se houver supradesnivelamento do segmento ST, notifique o hospital que receberá o paciente com uma transmissão ou interpretação. Anote a hora do início dos sintomas e do primeiro contato médico. Forneça ao hospital notificação com antecedência da chegada do paciente (reduz o tempo até o tratamento de 10 a 60 min) e, na chegada, transporte-o para o DE/laboratório de cateterização, de acordo com o protocolo (acelera o tto. de reperfusão com fibrinolíticos ou ICP). ELETROCARDIOGRAMA - 12 DERIVAÇÕES Usado para classificar os pacientes em 1 entre 2 categorias do IAM, cada uma com estratégias distintas de atendimento e manejo. > Pode ser feito extra-hospitalar 1. SCA sem supradesnivelamento do segmento ST de alto, médio ou baixo risco (SCA-SSST) a. Infradesnivelamento do segmento ST, inversão da onda T, supradesnivelamento transitório do segmento ST b. ECG não diagnósticoou normal 2. Supradesnivelamento do segmento ST - IAMST a. Se concentra na estratégia urgente de reperfusão 03 AVALIAÇÃO E ATENDIMENTO DO SERVIÇO MÉDICO DE EMERGÊNCIA E PREPARO HOSPITALAR O hospital notificado deverá mobilizar recursos do hospital para responder ao IAMST e acionar um alerta de IAMST. Se os profissionais extra-hospitalares não conseguirem concluir essas etapas inicias antes de o paciente chegar no hospital, o profissional do Departamento de Emergência, deverá fazê-lo. Deve ocorrer em menos de 10 minutos. ATENDIMENTO INTRA-HOSPITALAR DE FORMA RESUMIDA: 1. acionar equipe IAMST 2. avaliar ABCs e administrar O2 3. Aspirina e Nitroglicerina se necessário 4. Estabelecer acesso IV 5. Morfina se necessário (não foi suficiente com nitroglicerina) 6. Fazer ECG se não foi feito (extra-hosp) 7. Executar um breve exame físico e um histórico direcionado: enfoque no desconforto torácico, nos sinais/sintomas de IC, histórico cardíaco, fatores de risco de SCA e nas características históricas que possam impossibiliar o uso de fibrinolíticos 8. Requisição de enzimas cardíacas, hemograma completo, gasometria, coagulação. 9. Obter uma radiografia portátil de tórax (em menos de 30 min) 10. Os resultados dos exames (todos) não devem atrasar a reperfusão, a não ser em casos suspeitos de dissecção de aorta ou coagulopatia. ORIENTAÇÕES GERAIS Submetidos ao MOVD (monitor, oxímetro, veia - acesso venoso, desfibrilador (deixar próximo). A pedra angular do tto. é a reperfusão miocárdica. Na abordagem inicial do IAM, as drogas que reduzem a mortalidade são os: BB, Estatina, IECA ou BRA e antiplaquetários. TRATAMENTO E CUIDADOS GERAIS O tratamento da SCA envolve o uso inicial de medicamentos para aliviar o desconforto isquêmico, dissolver coágulos e inibir a trombina e as plaquetas. 1. Oxigênio: Oferecer Oxigênio a 4L / min; deverá administrar O2 se o paciente estiver dispneico ou hipoxêmico, se tiver sinais óbvios de insuficiência cardíaca ou saturação arterial Pode ser feito extra-hospitalar 2. Aspirina (AAS): antiplaquetário reduz a taxa de mortalidade e complicações. Deve ser iniciado o mais precocemente possível. Dose de ataque 160-325 mg - devendo o paciente mastigar e engolir. No Brasil: 300mg. Após isso, manter 75 mg/dia. > Pode ser feito extra-hospitalar Contra-indicações: alergia verdadeira ou hemorragia GI ativa ou recente). Considere oxigênio, nitroglicerina (a principal contraindicação é a hipotensão, inclusivendo a hipotensão por infarto de VD) e morfina, se necessário. Classe terapêutica: AINE, analgésico, antitérmico, Antiagregante plaquetário. M.A.: anti-inflamatório não seletivo da cicloxigenase (COX-1 e COX-2), liberada durante o processo inflamatório, diminuindo a formação de prostaglandinas e reduzindo os sintomas de febre e dor. Previne a agregação plaquetária responsável pela formação de trombos. 3. Nitrato (Nitroglicerina/Dinitrato de Isossorbida): vasodilatador venoso e arterial, promovendo redução da pré e pós carga, aumentando a perfusão miocárdica, reduzindo assim a dor. De forma geral, iniciamos com formulação sublingual. Dinitrato de Isossorbida (Isordil) - dose sublingual de 5mg podendo ser repetido de 5-5 minutos até uma dose total de 15mg. > Pode ser feito extra-hospitalar O nitrato deverá ser utilizado por via EV (em algumas situações): paciente com dor persistente e/ou HAS e/ou congestão pulmonar: Nitroglicerina - EV iniciar com dose de 5-10 mcg/min (bomba infusora), aumentando em 10 mcg/min a cada 3-5 minutos até obtenção de efeito desejado sem causar hipotensão. Contra-indicações: hipotensão, bradicardia, infarto do VD, uso de fosfodiesterase nas últimas 24h (Ex. Sildenafila) e Tadalafila (48h). Se houver consideração de fibrinólise pré-hospitalar, usa-se a liste de verificação de fibrinolíticos. 4. Morfina/Opióide: indicada quando o desconforto torácico não responde a nitratos (minimizar a dor e a liberação de catecolaminas associadas). Use morfina com cautela em SCA-SSST porque ela está associada a uma maior mortalidade. Além disso, a morfina pode mascarar sintomas de isquemia do miocárdio e reduzir a absorção de medicamentos importantes administrados oralmente, como antiplaquetários. 5. BETABLOQUEADOR 6. ESTATINAS 7. CLOPIDOGREL 8. HEPARINA 9. IECA 10. INIBIDORES DA GLICOPROTEÍNA IIB/IIA 11. DIURÉTICO TERAPIAS REPERFUSIONAIS (ICP) O tratamento de reperfusão abre uma artéria coronária obstruída com medicamentos ou meios mecânicos. A ICP (intervenções coronarianas percutâneas), realizada em um laboratório de cateterização cardíaca após angiografia coronária, permite a dilatação com balão ou a inserção de stent, ou as duas coisas, em uma artéria coronária obstruída. A reperfusão deve ser indicada para todos os pacientes com quadro clínico de infarto agudo do miocárdio com início até 12 horas. Indicações: - Sintomas compatíveis com SCA - Em até 12 horas (após isso, o m. cardíaco morreu) - Supra de ST >= 2 derivações ou BRE novo. São duas opções terapêuticas: 1. Angioplastia/CAT (destruição mecânica do trombo) - Clínica com início em até 12 horas, com disponibilidade de fazer o procedimento em até 90 minutos - meta da porta à insuflação do balão (hospital sem recurso Pode ser feito extra-hospitalar CONTRAINDICAÇÕES AO USO DE FIBRINOLÍTICO ABSOLUTAS hemorragia intracraniana em qualquer momento da vida, AVC isquêmico nos últimos 3 meses (exceção ao AVC com menos de 3 horas, que pode ser tratado com fibrinolítico), presença de neoplasia intracraniana conhecida ou má formação vascular, suspeita de dissecção de aorta, sangramento interno ativo (exceto menstrual), trauma fechado de grande intensidade em região facial ou em região intracraniana. RELATIVAS hipertensão acentuada PA > 18x11 e não controlada; AVCi há mais de 3 meses; Outras patologias intracranianas não listadas na CI absolutas; Uso de anticoagulante com INR > 3; Uso dos novos anticoagulantes orais; gestação; úlcera péptica ativa; sangramentos internos na últimas 2-4 semanas; procedimentos cirúrgicos maiores nas últimas 3 semanas; demência avançada; RCP > 10 minutos; Uso de estreptoquinase (usorecente há menos de 5 dias histórico de reação alérgica) . SÍNDROME CORONARIANA AGUDA SEM SUPRA: elevação dos marcadores de necrose miocárdica. DIAGNÓSTICO ECG: ACHADOS: - Onda T simétrica e invertida (ST retificado) - Onda T simétrica e apiculada (ST retificado) - Infradesnivelamento de ST Dosar enzimas cardíacas: CKMB e Troponina. Angina instável: sem elevação dos marcadores. CLASSIFICAÇÃO DE PACIENTES DE ACORDO COM O DESVIO DO SEGMENTO ST Utilizar o Escore TIMI risk (IAM sem Supra) para classificação: O principal objetivo do TIMI - UA/NSTEMI é avaliar o risco de mortalidade em 14 dias de pacientes com IAM sem supradesnivelamento do segmento ST (SCASSST). https://web.wemeds.app/scores/78 SCA-SSST DE ALTO RISCO: é caracterizado pelo infradesnivelamento isquêmico do segmento ST de 0,5 mm (0,05 mV) ou maior ou por inversão da onda T dinâmica com dor ou desconforto. O supradesnivelamento do segmento ST não persistente ou transitório de 0,5 mm ou superior, por menos de 20 minutos, também se inclui nessa categoria. Se a troponina estiver elevada ou se o paciente for de alto risco, considere uma estratégia invasiva precoce, se: - Desconforto torácico isquêmico refratário - Desvio de segmento ST recorrente/persistente - Taquicardia ventricular - Instabilidade hemodinâmica - Sinais de insuficiência cardíaca SCA-SSST DE BAIXO RISCO A INTERMEDIÁRIO: é caracterizado por alterações normais ou não diagnósticas no segmento ST ou na onda T que são inconclusivas e exigem melhor estratificação de risco. Esta classificação abrange pacientes com ECGs normais e com desvio do segmento ST, em qualquer direção, de menos de 0,5 mm (0,05 mV) ou inversão da onda T de 2 mm (0,2 mV) ou menos. Estudos cardíacos em série e testes funcionais são apropriados. Note que informações adicionais (troponina) podem colocar o paciente em um risco mais alto após a classificação inicial. Considere internação em unidade de dor torácica do departamento de emergência ou em leito apropriado para monitoramento adicional e possível intervenção. TRATAMENTO DO IAMSP Estratégia fármaco-invasiva: o paciente é tratado, inicialmente com terapia fibrinolítica com a intenção de realizar angiografia coronária e ICP, se adequado. ICP é superior a fibrinólise nos desfechos combinados de morte, AVC e novo infarto para pacientes que se apresentem no hospital entre 3 e 12h depois do início. ICP PRIMÁRIA: - EM 90 min. ou menos. - em 120 min em centros sem serviço, novo infarto e AVC (tendência a redução da mortalidade) - preferível na contraindicações a fibrinolíticos - pacientes com características de alto risco - IM com complicação de insuficiência cardíaca ou choque cardiogênico ICP DE RESGATE: - O paciente é tratado, inicialmente, com terapia fibrinolítica sem sinais de reperfusão (falta de resolução de ST de mais de 50% depois de uma hora da administração do tratamento fibrinolítico); Enviado para a ICP. TRATAMENTO FIBRINOLÍTICO Agentes específicos para a fibrina obtêm fluxo normal em cerca de 50% dos pacientes aos quais esses medicamentos são administrados. Indicado pacientes com IAMST com início dos sintomas nas 72h anteriores e ICP não disponível dentro de 90 min do primeiro contato médico. Aceitável em pacientes com início dos sintomas nas últimas 72h e achados de ECG condizentes com um IM posterior verdadeiro. Não indicado: Não recomendamos com mais de 12h depois do início dos sintomas. Porém, considerar se o desconforto torácico isquêmico continuar com supra persistente do segmento ST. Não administre com mais de 24h depois do início dos sintomas ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL AGUDO: VISÃO GERAL A identificação e o tratamento inicial de pacientes com AVC agudo fazem parte do escopo de um profissional de SAVC. TIPOS DE AVC 1. AVC: termo genérico, refere-se a um prejuízo neurológico agudo que se segue à interrupção no aporte sanguíneo para uma área específica do cérebro. O AVC continua sendo uma das principais causas de morte nos EUA. 2. AVCisquêmico: oclusão de uma artéria que leva a uma região do cérebro. - 87% dos casos. 3. AVChemorrágico: ocorre quando um vaso sanguíneo do cérebro se rompe subitamente sobre o tecido circundante. O tratamento fibrinolítico é contraindicado neste tipo de AVC (evite anticoagulantes). - 13% dos casos. APRESENTAÇÃO CLÍNICA - Podem ser sutis; - Fraqueza súbita ou entorpecimento da face, braço ou perna, especialmente em um dos lados do corpo. - Dificuldade para falar ou compreender. - Dificuldade súbita para enxergar com um ou dois olhos - Dificuldade súbita para caminhar - Tontura ou perda do equilíbrio ou da coordenação - Dor de cabeça intensa e súbita sem causa conhecida - Confusão súbita CADEIA DE SOBREVIVÊNCIA A meta de atendimento do AVC é minimizar a lesão cerebral e maximizar a recuperação do paciente. A cadeia de sobrevivência descrita pelo AHA é semelhante a cadeia de sobrevivência da PCR. - Reconhecimento e reação rápidos aos sinais de alerta aos sintomas do AVC; - Uso rápido do atendimento do SM de Emergência; - Agilidade do SM Emergência no reconhecimento, triagem, transporte, e notificação antecipada ao hospital do paciente com AVC. - Rápido diagnóstico e tratamento no hospital. 8 D’s DO TRATAMENTO DE AVC Principais etapas no diagnóstico e tratamento do AVC e os principais pontos em que podem ocorrer atrasos. Detecção: reconhecimento rápido dos sinais e dos sintomas do AVC; Despacho/Atendimento: acionamento inicial e envio do Serviço Médico de Emergência telefonando para o número de emergência local Delivery/Presteza: rapidez na identificação, no tratamento, na triagem do AVC e no transporte pelo Serviço Médico de Emergência, além de notificação com antecedência ao hospital que receberá o paciente. Porta: triagem de urgência no departamento de emergência/sala de exames de imagem e avaliação imediata pela equipe de AVC. Dados: avaliação clínica rápida, testes de laboratório e exames de imagens do cérebro Decisão: o estabelecimento do diagnóstico de AVC e a determinação da seleção da terapia ideal Drugs/Medicamento/Dispositivo: administração de fibrinolíticos e/ou TEV, se qualificado. Disponibilização: rápida admissão na unidade de AVC ou na UTI ou transferência de urgência entre instalações para TEV METAS DE TRATAMENTO DO AVC Minimizar os atrasos na reperfusão. O algoritmo de suspeita de AVC em adultos analisa os períodos intra-hospitalares críticos para avaliação e o tratamento do paciente: 1. Avaliação Geral e Neurológica pelo Hospital ou pela equipe de AVC, preferencialmente no momento da chegada e em até 10 minutos depois da chegada; a. Acionamento da equipe b. Preparação para TC ou RNM c. Avaliação dos ABCs e administração de O2, se necessário d. Obtenção de acesso IV e realização de análises laboratoriais e. Verificação de glicemia e tto, se indicado f. Análise de histórico g. Medicamentos e procedimentos do paciente h. Estabelecer a hora de início dos sintomas ou em que o paciente foi visto normalpela última vez i. Realização de exames físicos e neurológicos (Escala neurológica ou Escala de AVc do NIH) 2. Avaliação Neurológica pela equipe de AVC ou respectivo encarregado e tomografia computadorizada sem contraste ou RNM em até 20 minutos depois da chegada ao hospital 3. Interpretação da TCSC/RM em até 45 minutos depois da chegada no DE/sala de exames de imagem. 4. Início do tto. fibrinolítico nos pacientes qualificados em até 45 minutos depois da entrada no hospital. 5. Tempos da porta até o dispositivo de até 90 minutos para pacientes que chegam diretamente do campo e de até 60 minutos para pacientes em transferência; 6. Tempos de entrar pela porta e sair pela porta para pacientes sendo transferidos para um possível TEV de até 60 minutos 7. O tempo de porta até a internação (unidade de AVC ou unidade de atendimento neurocrítico) de 3 horas. ATENDIMENTO EXTRA-HOSPITALAR - Avalie os ABCs e administre oxigênio, se necessário (TOMADA DE DECISÃO A área de penumba isquêmica que está viva, mas disfuncional, devido a possibilidade de membrana alterada. A disfunção é possível de reversão. A meta dos ttos. de reperfusão atuais para AVC é minimizar a área de infarto permanente do cérebro, evitando que as áreas de isquemia reversível do na penumba se transformem em áreas maiores de infarto irreversível do cérebro. MANEJO DA HIPERTENSÃO EM CANDIDATOS PARA ALTEPLASE (FIBRINOLÍTICO) Embora controverso, os pacientes candidatos ao tratamento fibrinolítico devem se submeter a um controle de pressão arterial para reduzir o risco de hemorragia intracerebral após a administração do alteplase. Paciente que de alguma outra forma é qualificado para o tratamento de reperfusão de emergência, exceto pela PA, que é > 185x110, administre: - LABETOLOL: 10 ou 20 mg IV por 1 ou 2 minutos, podendo repetir 1 vez. - NICARDIPINA: Depois do alteplase ou outro tratamento de reperfusão de emergência para manter a PA = 180x105, monitore a PA a cada 15 min por 2 horas , desde o início do tratamento alteplase; em seguida, a cada 30 min, por 6 horas; depois, de hora em hora, por 16h. TRATAMENTO FIBRINOLÍTICO INDICAÇÕES: alteplase IV - 0,9 mg/kg, com dose máxima de 90 mg em um período de 60 minutos com os 10% iniciais da dose administrados com bolus durante 1 minuto. Em até 3 horas decorridas do início dos sintomas de AVC isquêmico ou da última vez em que o paciente foi visto bem ou no estado basal, com idade entre 18 e 80 anos. Para pacientes elegíveis que apresentam sintomas leves, mas incapacitantes, de AVC. Pacientes com sintomas de AVC de extensão grave: apesar do risco aumentado de transformação hemorrágica, ainda há benefício clínico comprovado. PA 1,7, aPTT > 40 segundos ou PT > 15 segundos são desconhecidas. - * Em pacientes sem histórico de trombocitopenia, sem uso recente de anticoagulantes orais ou heparina, o tto. com alteplase pode ser indicado antes da disponibilização dos resultados do exame, porém deverá ser interrompido com os parâmetros acima. - O alteplase IV não deve ser administrado a pacientes que receberam uma dose completa de tto. de HBPM nas últimas 24 horas. - O abciximabe (antiagregante plaquetário) não deve ser administrado com o alteplase IV. POSSÍVEIS EFEITOS ADVERSOS Pondere sobre o risco de eventos adversos em relação ao possível benefício e converse a respeito com o paciente e a família. Confirme se não há nenhum critério de exclusão presente. Esteja preparado para monitorar e tratar qualquer complicação possível. A principal complicação do alteplase IV para um AVC é a hemorragia intracraniana. Outras complicações hemorrágicas podem ocorrer e variar de menos graves a mais graves. Podem ocorrer angioedema e hipotensão transitória. TRATAMENTO ENDOVASCULAR A trombectomia mecânica mostrou ter benefícios clínicos em pacientes que chegam seis horas depois do início dos sintomas. Deverão receber TEV (tto. endovascular) com recuperador de Stent os pacientes que atenderem a todos os critérios a seguir: Pontuação de Rankin pré-AVC modificada de 0 a 1. Idade mínima de 18 ou mais Pontuação na escala de AVC do NIH de 6 ou mais. https://web.wemeds.app/scores/98 Oclusão de vasos grandes da artéria carótida interna ou da a. cerebral média proximal causadora do AVC, demonstrada nas imagens cerebrovasculares. Pontuação da TC inicial do programa de AVC de Alberta (ASPECTS) de 6 ou mais. O tto. pode ser iniciado (punção inguinal) em até 6 horas depois do início dos sintomas ou da última vez que o paciente foi visto normal. ESCALA DE NIHSS Quantificar o déficit neurológico. Quanto maior a pontuação, pior o déficit. 25 - comprometimento expressivo Avalia eficácia do trombolítico, sendo positivo quando existe redução de 8 pontos na escala. 22: déficit muito grave Sepse INTRODUÇÃO Disfunção orgânica no funcionamento dos órgãos e sistemas, secundária à resposta desregulada de um hospedeiro. Liberação de mediadores pró-inflamatórios em resposta a uma infecção excede os limites do local da infecção - resposta inflamatória sistêmica e generalizada que acarreta em lesão celular e disfunção orgânica. O foco da infecção pode estar localizado em apenas um órgão; no entanto, é a resposta do organismopara combater o agente infeccioso que provoca uma resposta inflamatória sistêmica descontrolada, não regulada e autossustentável responsável pela lesão celular e disfunções orgânicas atribuídas à sepse Infecção não complicada - sepse - choque séptico - síndrome de disfunção de múltiplos órgãos - morte. ETIOLOGIA E FISIOPATOLOGIA Principais focos de infecção que cursam com sepse (em ordem decrescente): pulmão, abdômen, trato urinário, pele, SNC. Causa mais comum de sepse - pneumonia. Pode ter origem: (1) na comunidade, (2) nosocomial ou (3) associada a cuidados de saúde. 80% dos casos são da comunidade. Estima-se prevalência quase igual de infecções bacterianas Gram-positivas e Gram-negativas. Os microrganismos mais frequentemente identificados: Staphylococcus aureus , Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli . Infecção acontece - macrófagos reconhecem e se ligam aos componentes microbianos - citocinas pró-inflamatórias - recrutamento de células inflamatórias adicionais - regulação da resposta com mediadores pró-inflamatório e anti-inflamatórios - resposta local geralmente é suficiente - fagocitose e morte de detritos do tecido lesionado. Sepse - liberação de mediadores pró-inflamatórios excede os limites do ambiente local - resposta generalizada - por causa multifatorial (efeito direto dos microrganismos e seus produtos tóxicos, liberação de grande quantidade de mediadores pró-inflamatórios [TNF-alfa e IL-1], ativação dos sistema complemento, suscetibilidade genética). Lesão celular é o mecanismo precursor da disfunção orgânica: - Isquemia tecidual - oxigênio insuficiente para suprir as demanda metabólicas. - Lesão citopática - lesão direta, principalmente secundária a disfunção mitocondrial por mediadores pró-inflamatórios e aumento de indução de apoptose. ACHADOS CLÍNICOS O paciente pode apresentar: (1) sinais e sintomas relacionados à infecção [tabela 3] , (2) à resposta inflamatória sistêmica [tabela 1] ou (3) à disfunção ou falência orgânica [tabela 2] . O quadro clínico é variado e depende do foco da infecção; geralmente - febre, taquicardia, leucocitose e hipotensão. Ao exame físico pode apresentar: febre, taquicardia e taquipneia. Hipotensão, aumento do tempo de enchimento capilar, livedo ou cianose - podem indicar choque. Choque séptico - disfunção hemodinâmica e metabólica associada à sepse. Sinais de choque: pele fria, pálida e pegajosa aumento do tempo de enchiment o capilar livedo cianose de extremida des estado mental alterado redução do débito urinário hipotensã o arterial Indicativos de maior gravidade - choque e disfunção orgânica - insuficiência respiratória, renal e hepática, coagulação intravascular disseminada (CIVD). Estado mental alterado - rebaixamento ou agitação - e íleo metabólico também podem estar presentes. SUSPEIÇÃO E DIAGNÓSTICO Em pacientes com sinais e sintomas locais ou sistêmicos de infecção, devem ser aplicados escores de suspeição precoce de sepse - qSOFA, NEWS e SIRS - os quais não confirmam o diagnóstico de sepse, apenas triam os pacientes de maior gravidade. ● qSOFA ○ pontuação ≥ 2 pode ser utilizada para identificar disfunções orgânicas em pacientes em que se suspeita de infecção ○ tem alta especificidade para sepse (embora tenha baixa sensibilidade) ● NEWS ○ pode classificar o risco de sepse em baixo, médio ou alto. ○ pontuações ≥ 4, sugere-se encaminhar o paciente à sala de emergência e iniciar cuidados precoces de atenção ao paciente séptico O diagnóstico é feito em pacientes com infecção - suspeita ou confirmada - associada a disfunção orgânica. O diagnóstico de disfunção orgânica é feito utilizando o escore SOFA. ● SOFA ○ disfunção orgânica - há aumento de 2 ou mais pontos ○ não diagnostica sepse e nem permite diferenciar se a disfunção orgânica é prévia (ex: um paciente com doença renal crônica ou cirrose) ou resultado de processos infecciosos EXAMES COMPLEMENTARES Os achados laboratoriais são pouco específicos, e geralmente estão associados à etiologia da sepse, resposta inflamatória sistêmica ou disfunção orgânica Os exames laboratoriais e radiológicos são importantes para determinar o foco infeccioso e para diagnóstico da síndrome de sepse a partir da comprovação de disfunção orgânica. Dois pares de hemoculturas (meios de cultura para anaeróbio e aeróbio) colhidos de dois sítios diferentes devem ser solicitados para todos os pacientes com suspeita de sepse, preferencialmente antes da administração de antibióticos, desde que não haja atraso nessa administração. Quadro suspeito de sepse - solicitar os exames complementares que confirmem infecção [tabela 4], sua etiologia (exames de cultura), disfunções orgânicas (exames do SOFA), além de exames para o diagnóstico ou exclusão de choque séptico [tabela 5]. Nenhum exame deve atrasar o manejo inicial do paciente: CHOQUE É uma síndrome clínica que representa a incapacidade do sistema circulatório em suprir as demandas celulares de O2, resultando em hipóxia celular, tecidual e orgânica. O choque acontece quando: há um desequilíbrio entre a oferta de O2 e o consumo de O2. É uma síndrome clínica e o seu diagnóstico pode muitas vezes passar despercebido devido a falta de marcadores e critérios específicos. A suspeição da síndrome é feita a partir de métodos: clínicos, hemodinâmicos, laboratoriais. O paciente em choque é sempre uma emergência médica; É imprescindível que o médico diagnostique e inicie o plano imediatamente a apresentação do paciente. Se mantida a perfusão tecidual inadequada, o paciente pode evoluir para Síndrome de Disfunção De múltiplos órgãos e a morte. DIAGNÓSTICO DE CHOQUE 1. Hipotensão arterial não é sinônimo de choque 2. Hipoperfusão tecidual (taquipneia é um sintoma precoce; Hiperlactatemia) 3. Pele fria, TEC > 3 e que pode evoluir com cianose des extremidades 4. Oligúria com débito urináriode choque com mecanismo distributivo. Clinicamente, choque séptico é definido como: Necessidade de vasopressor para manter: pressão arterial média (PAM) ≥ 65 mmHg; associada a níveis séricos de lactato sérico > 18 mg/dL, na ausência de hipovolemia. - Sinais clínicos de má perfusão sistêmica devem ser pesquisados e reconhecidos precocemente, não se devendo aguardar o estabelecimento de critérios diagnósticos para tomada de decisão terapêutica - Mesmo em pacientes com PAM normal a mortalidade dos pacientes com sepse e lactato elevado chega a 30% TRATAMENTO ABORDAGEM TERAPÊUTICA INICIAL REPOSIÇÃO VOLÊMICA Adultos hipotensos ou com lactato > 36 mg/dL - para manutenção da perfusão tecidual - reposição volêmica IV com cristaloides - 30 mL/Kg na primeira hora de atendimento , em bolus - preferência para o Ringer lactato - esse volume pode ser administrado em alíquotas de 250 a 500 mL em 10 min - monitorar fluidorresponsividade e fluidotolerância do paciente Manter PAM ≥ 65 mmHg , se necessário com uso de drogas vasopressoras. - pacientes hipertensos crônicos provavelmente se beneficiam de PAM mais elevada (alvo de 80-85 mmHg) com melhores desfechos renais - Pacientes idosos (> 65 anos), uma PAM mais baixa (> 60 mmHg) permite o desmame um pouco mais rápido dos vasopressores, sem qualquer diferença em outros desfechos - Noradrenalina - vasopressora preferencial - Associar com Vasopressina em pacientes em uso de noradrenalina em dose > 5 por mais de 6 horas. - Drogas vasoativas podem ser iniciadas em acesso venoso periférico com segurança em um momento inicial de estabilização do paciente ANTIBIOTICOTERAPIA - Deve ser iniciada precocemente, preferencialmente em até uma hora (e após a obtenção de culturas), e deve ser direcionada para o foco suspeito de infecção - Escolha do antibiótico e duração - empírica - complexa -deve ser personalizada para o paciente - Inicialmente a antibioticoterapia cubra agentes infecciosos Gram-positivos e Gram-negativos - critérios para suspensão da antibioticoterapia - melhora clínica, laboratorial e de exames de imagem, bem como o período de tratamento proposto - pacientes com sepse por vírus (como pacientes com COVID-19) deve-se considerar a suspensão de antibióticos - em pacientes com sepse confirmada por fungos, deve-se prescrever antifúngicos PACIENTES NÃO RESPONDEDORES A ANTIBIOTICOTERAPIA - modulação da resposta inflamatória com corticoides mostrou-se adequada em pacientes com sepse por COVID-19, e dexametasona 6 mg por 10 dias está indicada em pacientes que necessitam de oxigenoterapia - pacientes com sepse bacteriana, o uso rotineiro de corticoides não é recomendado - inotrópicos - Dobutamina - pode ser utilizada em pacientes que não responderam à reposição volêmica inicial e à terapia com vasopressores com noradrenalina, principalmente se houver suspeita ou diagnóstico de débito cardíaco baixo - hemoglobina ≤ 7 g/dL - transfusão de hemácias MANEJO DA SEPSE COMO UM ESPECIALISTA IOT em paciente em choque séptico - evitar drogas cardiodepressoras ou hipotensoras (como Midazolam, Fentanil e Propofol) para indução em sequência rápida Quetamina e Etomidato são boas opções manter glicemia sérica