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EDUCAÇÃO, CORPO E MOVIMENTO – INTEGRAÇÃO E INCLUSÃO 1 Sumário NOSSA HISTÓRIA .................................................................................. 2 INTRODUÇÃO ......................................................................................... 3 Inclusão e Integração............................................................................... 4 O corpo e o movimento............................................................................ 9 O corpo, o movimento e a aprendizagem .............................................. 13 Corpo, gestos e movimentos: como trabalhar esse campo de experiência de forma eficiente na educação infantil ............................................................ 18 A inclusão do aluno na cultura corporal do movimento nas aulas de Educação Física ............................................................................................... 23 CONCLUSÃO ........................................................................................ 34 REFERÊNCIA ........................................................................................ 36 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 INTRODUÇÃO A educação, hoje, está centrada na criança como indivíduo. Cada tipo de atividade, traz algo como contribuição para tal desenvolvimento, mas a ordem de prioridades para o ensino dessas diferentes atividades mudou consideravelmente. Deixamos de pensar no que o aluno irá precisar no futuro, e passamos a nos preocupar em como podemos ajudar agora. Por isso, pode-se dizer que organizar uma rotina que envolva tantas emoções, necessidades e ações aliadas a uma proposta educacional, é um desafio constante para quem trabalha na educação infantil. A cultura corporal nas aulas de educação física exclui na maioria das vezes os educando menos habilidosos de participar das atividades, sendo que cultura corporal é um conjunto de conhecimentos adquiridos em cada sociedade sobre as variedades de se trabalhar com o corpo (Coletivo de Autores, 1992). Dentre as produções dessa cultura corporal, algumas foram incorporadas pela Educação Física em seus conteúdos: o jogo, o esporte, a dança, a ginástica e a luta. É de fundamental importância que se garanta o acesso dos alunos às práticas da cultura Corporal, pois ajudará o aluno a. desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo e o sentimento de confiança, Percebe-se que mais do que uma decorrência biológica, a questão cultural é essencial para o desenvolvimento humano, pois os aspectos culturais ultrapassam fronteiras e necessitam ser decifrados como teias de significados que obtêm sentidos próprios. Ainda nessa linha de raciocínio, devemos lembrar que o ser humano não é visto, na perspectiva de Geertz, de forma “estratigráfica”, na qual as relações entre os fatores biológico, psicológico social e cultural da vida humana estariam compostos de níveis superpostos aos inferiores e reforçando os que estão acima dele. Pelo contrário, o autor propõe uma visão sintética, na qual todas as relações entre os itens apontados acima estão em constante sintonia, não sendo possível analisar um sem a influência do outro. É essa compreensão da necessidade de uma construção própria para as ações humanas e a relação delas com a vida cotidiana das pessoas que pauta 4 as reflexões contidas neste texto em relação à Educação Física. O entendimento dado a ele é o de que as aulas de Educação Física são realizadas em situações específicas com significados próprios a cada grupo que dela tem acesso. Neste sentido, a noção de construção cultural é fundamental para a compreensão de como devem ser desenvolvidas as aulas, o que reforça a importância de se discutir qual a influência que os aspectos culturais têm sobre elas. contribuindo com isso para sua autonomia e integração para agir como perseverante na busca do conhecimento da cultura corporal do movimento nas aulas (MONTEIRO e SOUZA, 2008). Inclusão e Integração O termo inclusão tem sido usado com múltiplos significados. Em um dos extremos, encontra-se os que advogam a inclusão como colocação de todos os alunos, independente do grau e tipo de incapacidade, na classe regular, com a 5 eliminação dos serviços de apoio de ensino especial. Em outro extremo, o conceito de inclusão parece ser utilizado apenas para renomear integração, considerando que o melhor é a colocação do aluno com deficiência na classe regular, desde que se enquadre aos pré-requisitos da classe. Torna-se então necessário diferenciar os termos integração e inclusão. Em que sentido eles são diferentes? Seria a inclusão apenas uma integração com ares de modernidade? No seu sentido etimológico, integração vem do verbo integrar, que significa formar, coordenar ou combinar num todo unificado. Inclusão, de o verbo incluir, significa compreender, fazer parte de ou participar de. Nota-se no significado de inclusão aparece à palavra participar, fazer parte, o que pressupõe outra visão. Participação é uma necessidade fundamental do ser humano, e o homem só terá possibilidade de total desenvolvimento numa sociedade que permita e facilite a sua participação. Do ponto de vista educacional, embora tanto a integração como a inclusão trate da incorporação da criança com deficiência pelo ensino regular, existe uma diferença básica. Alguns autores, tais como Dens (1998), Mantoan (1997), Bueno (2001), Mrech (1999), assinalam tal diferença e enfatizam que os dois termos referem-se a situações de inserção diferentes. Dens (apud Masini, 2000), coordenador do movimento integracionista da Europa, em 1998, assinala as seguintes características que diferenciam os termos integração e inclusão: integração refere-se a intervenções necessárias para que a criança com necessidades especiais possam acompanhar a escola, sendo o trabalho feito individualmente com a criança e não com a escola; inclusão é o oposto, é um movimento voltado para o atendimento das necessidades da criança, buscando um currículo correto para incluí-la. Segundo Denis, inclusão não é, pois, uma invenção da escola, mas uma ideologia da sociedade, onde o princípio fundamental é a valorização da diversidade. Afirma o autor que essa transformação é lenta, e ainda não ocorreu nem mesmo na Bélgica, país pioneiro nesse movimento, pois requer mudança de ideologia. 6 Mantoan (1997) reitera a posição de Dens, pois acredita que, para a inclusão seja efetivada, sejam necessárias mudanças de paradigmas sociais de forma a propiciar um ensino de qualidade para todos. Essa autora é bastante enfática ao afirmar que a inclusão é impossível de se efetivar por meio de modelos tradicionais de organização do sistema escolar.Para ela a integração é uma forma condicional de inserção que vai depender do nível de capacidade do aluno de adaptação ao sistema escolar, porém o esquema se mantém o mesmo. A inclusão, ao contrário, tem como meta não deixar ninguém fora do sistema escolar. E o próprio sistema terá que sofrer transformações para se adaptar às particularidades de todos os alunos. A autora acredita que a inclusão se concilia com uma educação para todos e com um ensino especializado no aluno. Bueno (2001) também diferencia integração e inclusão dependendo de como a escola lida com a deficiência. Para esse autor, a integração tem como pressuposto que o problema reside nas características das crianças com necessidades educativas especiais, sendo que a inserção em escolas comuns só ocorre “sempre que suas condições pessoais permitem”. Já a inclusão coloca a questão da incorporação dessas crianças pelo ensino regular sob outra ótica, reconhecendo a existência das mais variadas diferenças. Essa visão considera as diferenças humanas normais, sendo que a escola deve adaptar-se às necessidades das crianças. Mrech (1999) afirma que a integração é uma prática seletiva, pois é o aluno deficiente que deve se adaptar aos parâmetros de normalidade e, quando isso não ocorre, esse aluno é colocado nas classes especiais. Privilegia-se, dessa forma, o conceito médico de deficiência. Para a autora, na educação inclusiva, não são os alunos deficientes que têm que se adaptar aos padrões normais, mas sim os alunos sem deficiência que devem aprender a conviver com os deficientes. O objetivo é que o aluno com deficiência alcance o máximo de sua potencialidade em um ambiente menos restritivo, com ajuda e suportes necessários. Na inclusão, privilegia-se o conceito de deficiência baseado no modelo social. 7 Outros autores, como Masini (1997) e Mazzotta (1998), também diferenciam os dois termos, mas veem a integração e a inclusão de uma forma mais abrangente e filosófica. Para Masini (1997), quando se fala em integração da pessoa portadora de deficiência, não se pode deixar de lado a constituição psíquica do sujeito, salientando que quaisquer projetos que sejam realizados nesse sentido precisam levar em consideração as condições de formação da personalidade. Segundo a autora, integração e inclusão não são sinônimas e devem ser posteriores à integração psíquica do indivíduo. A autora pergunta como concretizar a proposta de inclusão em nossa realidade, se não chegamos a propiciar a integração psíquica. Mazzotta (1998) entende inclusão e integração como processos essenciais à vida humana ou á vida em sociedade. Para o autor, a inclusão escolar tem sido concebida como um processo peculiar, configurando-se como uma novidade. Adverte que a luta pela educação de qualidade para todos tem sido diluída na discussão de inclusão, como algo inusitado. Acredita que uma educação para todos se baseia no princípio da não segregação ou, em outros termos, na inclusão de todos. São suas palavras: “O ponto fundamental é a compreensão de que o sentido de integração pressupõe a ampliação da participação nas situações comuns para indivíduos e grupos que se encontravam segregados. Portanto, é para os alunos que estão em serviços de educação especial ou outras situações segregadas que prioritariamente se justifica a busca da integração. Para os demais portadores de deficiência, deve- se pleitear a educação baseada no principio da não segregação ou da inclusão”. Alguns autores falam dos dois termos sem fazer uma distinção. Carvalho (1997), ao abordar o tema, usa indiferentemente os dois termos. São palavras da autora: “Assim como a integração, a inclusão é um processo que não vai ocorrer por decreto dos legisladores! E mais, essa inclusão, cujo corolário é a integração, só terá os efeitos desejados se, e apenas se, for aceita por toda a comunidade escolar”. 8 Assim como a integração, a inclusão é um processo gradual e que, para que o ideal de integração de todos ou da não exclusão de alguns se torne realidade em nossas escolas, deve-se trabalhar todo o contexto onde o processo deve ocorrer. Outros autores, como Glat (1997) e Schwartzman (1997), utilizam apenas o termo integração e veem esse processo ainda de forma utópica, apontando dificuldades para sua real efetivação em nosso atual sistema de ensino. Analisando as opiniões dos diferentes autores, percebe-se que as questões relativas à diferença entre inclusão e integração e as possibilidades de inserção em classes normais, dependendo do tipo de necessidade educacional da criança, permeiam as principais polêmicas. Considerando que a pluralidade, e não a igualdade é a principal característica do ser humano, e que a educação deve contemplar essa diversidade da condição humana, propiciando oportunidades iguais para seu desenvolvimento, fica evidente que não é apenas o educando, com deficiência 9 ou não, que deve adaptar-se ao sistema de ensino e sim a escola é que tem o dever de atender as necessidades da criança para sua rela participação, ou seja, para a sua inclusão. Acredita-se, porém, que, muitas vezes, para que a inclusão ocorra, torna-se necessário que o sistema de ensino propicie recursos educacionais especiais para atender às necessidades educacionais especiais. Tal crença encontra fundamentos em autores como Mazzotta (1998), Santos (2002) e Carvalho (1998), assinalam ser importante algumas vezes, para a inclusão de alunos com diferentes tipos de deficiência e necessidades educacionais especiais, a utilização de recursos educacionais adequados para atendê-los. O corpo e o movimento A partir da década de 80 até a década de 90, houve um intenso trabalho que resultou no Estatuto da Criança e do Adolescente e nas discussões a respeito da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) que foi promulgada no ano de 1996. Esta nova LDB, pela primeira vez, introduziu a educação infantil como a primeira etapa da educação básica. Nela, a educação infantil, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até os 5 anos de idade. 10 Esta deve ser ofertada em creches para as crianças de até 3 anos de idade e em pré-escolas, para crianças de 4 a 5 anos de idade. Essa primeira etapa, mesmo não sendo obrigatória, passa a ser um direito da criança e um dever do Estado. A partir daí, a educação de crianças pequenas passou a fazer parte do processo educacional. Partindo do reconhecimento de que a educação é direito de todas as crianças, um dever da família e do estado (LDB 9394/98 art. 2º) e de que a educação infantil se constitui como primeira etapa da educação básica e que tem como finalidade o desenvolvimento da criança até cinco anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social. Com isso, a educação infantil que já vinha sendo objeto de pesquisas em vários lugares do mundo, também vê serem multiplicados os estudos aqui no Brasil, tendo como um de seus principais objetivos contribuir para a melhoria no atendimento da criança pequena. Sabe-se, que o movimento é uma importante dimensão do desenvolvimento e da cultura humana. Pois, ao movimentar-se, as crianças expressam sentimentos, emoções e pensamentos, ampliando as possibilidades do uso significativo de gestos e posturas corporais. O movimento humano, portanto, é mais do que simples deslocamento do corpo no espaço: constitui-se em uma linguagem que permite às crianças agirem sobre o meio físico e atuarem 11 sobre o ambiente humano, mobilizando as pessoas por meio de seu teor expressivo. KISHIMOTO (1996, p.452), ao discutir sobre Froebel, mostra que: "Froebel acreditou na criança, enalteceu sua perfeição, valorizou sai liberdade e desejou a expressão da natureza infantil por meio de brincadeiras livres e espontâneas. Instituiu uma pedagogia tendoa representação simbólica como eixo do trabalho educativo, sendo reconhecido por isso como psicólogo da infância". Nessa mesma direção, YAMIN (2001, p.12) aponte que o aprendizado nos jardins de infância "ocorria a partir de ações que exigissem o desenvolvimento dos movimentos físicos, juntamente com o funcionamento dos processos mentais. todas as atividades simples do dia-a-dia feitas em contato com a natureza eram a base para seu currículo". Na educação infantil é comum vermos as crianças o tempo todo sentadas, em silencio, realizando atividades escolares. Porém, para que as crianças possam ampliar o seu aprendizado, é preciso que os conceitos de educação estejam de acordo com as necessidades e seus interesses. Durante a brincadeira a criança assimila sem se dar conta. Por meio das atividades lúdicas a criança satisfaz seus desejos e representa a realidade que as circunda. Portanto, é inegável que haja mudanças na estrutura educacional, por isso, ainda temos muito o que refletir a implementar a respeito da educação infantil. Um fator a ser discutido é a questão dos conteúdos a serem trabalhados nesse nível de ensino. Não podemos mais ter o conteúdo como sendo uma lista de itens que tem que ser assimilados pela criança. Dessa forma, é necessário rever este conceito e estruturar qual a melhor forma de lanças esses conteúdos a serem trabalhados com as crianças. "O movimento para a criança pequena significa muito mais do que mexer partes do corpo ou deslocar-se no espaço. A criança se expressa e se comunica por meio dos gestos e das mímicas faciais e interage utilizando fortemente o apoio do corpo. A dimensão corporal integra-se ao conjunto da atividade da criança. Pode-se dizer que no início do desenvolvimento predomina a dimensão 12 subjetiva da motricidade, que encontra sua eficácia e sentido principalmente na interação com o meio social, junto às pessoas com quem a criança interage diretamente. A externalização de sentimentos, emoções e estados íntimos poderão encontrar na expressividade do corpo um recurso privilegiado". (Referencial curricular nacional para a educação infantil, 1998, p.18) Para o Referencial Curricular Nacional (BRASIL, 1998, p.15), o movimento é uma importante dimensão do desenvolvimento e da cultura humana, visto que, "as crianças se movimentam desde que nascem adquirindo cada vez maior controle sobre seu próprio corpo e se apropriando cada vez mais das possibilidades de interação com o mundo". Ao analisar os conteúdos de movimento apresentados nesse referencial, verifico que eles foram organizados em blocos: a expressividade, o equilíbrio e a coordenação. Expressividade: nessa direção, o Referencial Curricular Nacional (BRASIL, 1998) sugere atividades para crianças de 0 a 3 anos: reconhecimento progressivo de segmentos e elementos do próprio corpo, expressões de sensações e ritmos corporais por meio de gestos, posturas e da linguagem oral. Na atividade lúdica, para crianças de 4 a 5 anos, por meio da mediação do adulto, o jogo desenvolve a memória, a atenção, a linguagem, a imaginação e a personalidade. Equilíbrio e coordenação: para as crianças de 0 a 3 anos são sugeridas atividades de exploração de diferentes posturas corporais, ampliação da destreza progressiva para deslocar-se no espaço e aperfeiçoamento dos gestos relacionados com encaixe, traçado de desenho, entre outros. Para crianças de 4 a 5 anos, são envolvidas atividades de correr, subir, descer, movimentar-se, dançar, entre outros. Por meio dessas atividades anteriormente sugeridas, percebo que todas estão relacionadas apenas ao desenvolvimento do corpo, como se o pensamento e as emoções estivessem fora dele. Certamente, essas atividades propostas são importantes para o desenvolvimento da criança, entretanto, o movimento não se restringe ao desenvolvimento das aprendizagens física e motora. 13 O trabalho com o movimento não pode ser direcionado apenas para o desenvolvimento físico da criança. Pois a criança precisa nominar o seu movimento conscientemente para que tenha oportunidade de explorar o ambiente, criar novas relações de relacionamento com o seu corpo, de conhecê- lo e aprender a usá-lo de forma benéfica, funcional e intencional. (MELLO, 1996) O corpo, o movimento e a aprendizagem Quem dança tem mais facilidade para construir a imagem do próprio corpo, o que é fundamental para o crescimento e a maturidade do indivíduo e a formação de sua consciência social 14 A dança é uma expressão artística baseada no movimento corporal. Ela aparece em duas formas: a teatral e a social. No primeiro caso, é executada num palco, tendo como estilos principais o medieval e o balé (clássico, moderno e contemporâneo). No outro, ela é praticada ao ar livre ou em clubes de baile. Nesse grupo estão os gêneros populares - como o frevo, o forró, o carimbó etc. - e as danças de salão, do ventre e de rua. Nos dois casos, os passos cadenciados são acompanhados de música e transmitem sensações e sentimentos por meio de um conjunto ordenado (teatral), chamado coreografia. A dança surgiu com a função de permitir ao homem adorar os deuses e a natureza. Nas cavernas de Lascaux (França), Altamira (Espanha) e serra da Capivara (no Piauí) é possível observar desenhos com cenas de pessoas em roda, saltando e se comunicando com o corpo. É como se nossos antepassados quisessem reproduzir graficamente os sentimentos proporcionados por uma boa caça e uma colheita frutífera, a alegria causada pela chuva ou o medo provocado por um predador. A primeira coreografia que os estudiosos imaginam ter sido criada é a do homem que veste uma pele de animal e tenta imitar seus ataques ou fugas. Ao longo do tempo, essa forma de Arte passou por transformações. Uma das mais importantes foi realizada na França do século 17, durante o reinado de Luís XIV. Exímio bailarino, ele fundou em 1661 a Academia Real da Música e da Dança. Nascia assim o conceito de balé, um tipo de dança executada pelos nobres nas festas da corte, que duravam dias. O gênero foi bastante difundido em toda a Europa. Na virada do século 19 para o 20, a francesa Isadora Duncan (18721927) mudou completamente o jeito teatral de dançar. Ela causou enorme sensação ao rejeitar as sapatilhas de ponta, símbolo sagrado do balé. Descalça, Isadora fazia seus passos arrojados e menos rígidos, interpretando as músicas a seu modo. Em 1913, o russo Vaslav Nijinsky (18901950) coreografou A Sagração da Primavera, peça musical dissonante e assimétrica do russo Igor Stravinski (18821971) que tinha movimentos diferentes para os vários bailarinos. Assim, ele eliminou o conceito de corpo de baile. Do ponto de vista corporal, a dança é uma forma de integração e expressão individual e coletiva: exercitam-se a atenção, a percepção e a colaboração entre os integrantes do grupo. Quem a pratica tem mais facilidade 15 para construir a imagem do próprio corpo - fundamental para o crescimento e a maturidade do indivíduo e a formação de sua consciência social. Como a ação física é a primeira forma de aprendizagem, é importante que essas atividades estejam sempre presentes na escola. A criança estimulada a se movimentar explora com mais freqüência e espontaneidade o meio em que vive, aprimora a mobilidade e se expressa com mais liberdade. Geralmente, nos primeiros sete anos de vida, os pequenos têm um vocabulário gestual muitas vezes maior do que o oral. De acordo com pesquisas recentes feitas na área da neurociência, é cada vez maior a relação entre o desenvolvimento da inteligência, os sentimentos e o desempenho corporal. Fica para trás, portanto, aquela visão tradicional que separava corpo e mente, razão e emoção. "As descobertas feitas com o corpo deixam marcas, são aprendizados efetivos, incorporados. Na verdade, são tesouros que guardamos e usamoscomo referência quando precisamos ser criativos em nossa profissão e resolver problemas cotidianos. Os movimentos são saberes que adquirimos sem saber, mas que também ficam à nossa disposição para serem colocados em uso" 16 Educação Infantil Na creche e na pré-escola, a criança precisa ser orientada a: Conhecer o próprio corpo. Explorar as possibilidades de gestos e ritmos corporais e utilizá- los em situações de interação. Ensino Fundamental O aluno de 1ª a 8ª série precisa aprender a: Compreender a capacidade e o funcionamento do corpo para usá-lo com expressividade, inteligência, harmonia, responsabilidade e sensibilidade. Reconhecer os diferentes tecidos que constituem o corpo (pele, músculos e ossos) e suas funções (proteção, movimento e estrutura). Observar e analisar as diferentes características corporais, como forma, volume e peso. Experimentar por meio de pesquisas vários tipos de locomoção, deslocamento e orientação (caminhos, direções e planos). 17 Sentir o corpo no espaço, considerando as mudanças de velocidade, tempo, ritmo e o espaço ocupado pelas diversas atividades. Improvisar e criar sequências de gestos com os outros colegas. Reconhecer e distinguir diferentes modalidades de movimento e suas combinações como são apresentadas nos vários estilos de dança. Contextualizar a produção em dança e compreender como ela é uma manifestação autêntica, sintetizadora e representante de determinada cultura. Pesquisar e freqüentar os grupos de dança e assistir a manifestações culturais e espetáculos em geral. Elaborar registros pessoais para a sistematização das experiências observadas e vividas. 3 18 Corpo, gestos e movimentos: como trabalhar esse campo de experiência de forma eficiente na educação infantil O som estridente de um prato caindo no chão, um cheiro gostoso de comida ou a cor viva de um balão. Não há dúvidas de que os sentidos são os primeiros grandes professores que apresentam às crianças esse turbilhão que é o mundo. Mas, muito mais que ver, ouvir ou provar, elas precisam experimentar esse espaço. Mais do que espectadoras elas devem ser protagonistas a partir do que podem fazer com o próprio corpo. E é exatamente aí que entra um dos campos de experiências definidos pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC): o “Corpo, gestos e movimentos”. Ele propõe a utilização de tudo o que compõe o corpo, como os próprios sentidos, mas também os gestos, os movimentos impulsivos ou intencionais, coordenados ou espontâneos. É válido lembrar que, ao organizar a educação infantil em cinco campos de experiência, a BNCC tem o objetivo de apontar os saberes e conhecimentos 19 fundamentais às crianças. Portanto, o documento serve como um guia sobre onde o professor precisa chegar, sem necessariamente detalhar plano de aula. Se você precisar de dicas mais práticas consulte nosso ebook “Como organizar o currículo segundo os campos de experiência da BNCC”. Nesse artigo nós vamos detalhar o campo “Corpo, gestos e movimentos” e sugerir atividades que trabalham esse conhecimento proativo que as crianças podem ter do mundo. O campo de experiência É por meio do corpo que as crianças exploram o espaço ao seu redor. Quando ainda bebês eles se esticam, engatinham, escalam. Na medida que vão crescendo, os movimentos vão ficando mais eficientes na busca por objetivos diversos: eles podem correr para fugir ou brincar, pular cordas ou obstáculos e abraçar. Assim, entendem que o outro também faz parte desse mundo que eles estão conhecendo. Todos esses movimentos e gestos contribuem para que as crianças se tornem conscientes de sua corporeidade. Por meio dessas experiências elas identificam suas potencialidades e seus limites, desenvolvendo a consciência sobre o que é seguro e o que pode causar dano ao seu corpo. Como trabalhar o campo com bebês Crianças de zero a um ano ainda têm movimentos limitados porque não sabem andar e, menos ainda, fazer ações complexas, como pular. Nessa fase elas conseguirão mover partes do corpo, imitar gestos de outras crianças, adultos ou animais, além de fazer alguns movimentos, como lançar ou apertar objetos. Quando o bebê é muito novo a estimulação é, principalmente, externa. Provocar o movimento, seja literalmente levantando os bracinhos e perninhas, seja atraindo a criança com objetos ou sons pode ser um bom começo. Fazer mímicas faciais e gestos de frente para criança também é recomendável. Além 20 disso, deslocar a criança em diferentes ambientes é importante para que ela reconheça as diferenças nos espaços. Na medida em que ela cresce um pouco pode-se iniciar o ensino sobre as partes do corpo, mostrando cada uma delas e nomeando. Mais tarde, passa-se a ensinar o potencial de cada uma dessas partes com atividades que poderão trabalhar questões como coordenação motora fina e coordenação motora ampla. Espelhos também são essenciais nessa fase para que a criança se reconheça e visualize o ambiente. Outra ferramenta básica é a música: as melodias normalmente arrancam bons movimentos dos bebês. Atividades práticas com crianças em sala de aula Depois que aprendem a andar e fazer movimentos mais complexos, como pular, saltar, e dançar, as crianças estão preparadas para atividades que trabalham ainda mais o campo do corpo, movimentos e gestos. Nesse momento elas já conseguem deslocar o corpo a partir de orientações como frente, atrás, no alto e embaixo. Também começam a desenvolver habilidades manuais, como desenhar, pintar e rasgar. Na medida que crescem também adquirem maior conhecimento do próprio corpo, adotando ações de autocuidado. 21 Músicas com comando de ações Há diversas melodias que instigam movimentos simultâneos, mandando as crianças pularem, agacharem, rodopiarem, entre outras ações. Além de estimular o movimento e o equilíbrio, elas trabalham a atenção, uma vez que a criança precisa ficar atenta ao próximo comando. Circuitos Montar pequenos circuitos com diferentes obstáculos e caminhos é uma excelente proposta para conduzir a criança em diversos desafios de movimento, equilíbrio e conhecimento do próprio corpo. Os obstáculos podem ser construídos com objetos como colchões empilhados, caixas de papelão, túneis de pano, penduricalhos e almofadas. Se o seu espaço for maior você também pode montar caminhos que exijam força, velocidade, resistência e flexibilidade das crianças. Brincadeiras de imitação Algumas brincadeiras de imitação como “Siga o Mestre” e “Seu Lobo” estimulam o reconhecimento dos movimentos do outro e do próprio corpo. Além disso, os professores podem propor representações de experiências vividas no dia a dia pelas crianças, como “derreter como um sorvete”; “flutuar como uma 22 pena”, “balançar como as folhas de uma árvore” ou “cair como um raio”. Além de arrancar boas gargalhadas das crianças, a atividade vai estimular a associação de conhecimento e a criatividade. Montagem com diferentes objetos A partir de materiais como sucata, tecido ou caixa de papelão, as crianças são convidadas a experimentarem no corpo as diferentes texturas. Elas podem ser desafiadas a montarem brinquedos ou ambientes, como um barco, um túnel ou um castelo. Na medida que montam essas estruturas, elas também são estimuladas a desenvolverem movimentos mais precisos, como recortar, empilhar ou encaixar. A atividade também é importante para o movimento em relação ao outro, uma vez que o trabalho coletivo exige conversa, negociação e estratégias de resolução de problemas. Parquinho 23 Presente na maioria das escolas, o espaço conhecido como parquinho também é um ambiente onde o corpo pode ser exercitado. A tarefa de subir as escadas do escorregador, assim comoo movimento de escorregar permite que a criança se desloque no espaço de maneiras totalmente diferente. Da mesma forma, brinquedos como balanço ou circuitos de pneus exigem equilíbrio e movimentos bem específicos para que a brincadeira dê certo. Na medida em que brinca e se desafia em cada brinquedo, a criança também aprende sobre os limites do seu próprio corpo. A inclusão do aluno na cultura corporal do movimento nas aulas de Educação Física Educação infantil "O movimento para a criança pequena significa muito mais do que mexer partes do corpo ou deslocar-se no espaço. A criança se expressa e se comunica por meio dos gestos e das mímicas faciais e interage utilizando fortemente o apoio do corpo. A dimensão corporal integra-se ao conjunto da atividade da criança. Pode-se dizer que no início do desenvolvimento predomina a dimensão subjetiva da motricidade, que encontra sua eficácia e sentido principalmente na interação com o meio social, junto às pessoas com quem a criança interage diretamente. A externalização de sentimentos, emoções e estados íntimos 24 poderão encontrar na expressividade do corpo um recurso privilegiado". (Referencial curricular nacional para a educação infantil, 1998, p.18) Para o Referencial Curricular Nacional (BRASIL, 1998, p.15), o movimento é uma importante dimensão do desenvolvimento e da cultura humana, visto que, "as crianças se movimentam desde que nascem adquirindo cada vez maior controle sobre seu próprio corpo e se apropriando cada vez mais das possibilidades de interação com o mundo". Ao analisar os conteúdos de movimento apresentados nesse referencial, verifico que eles foram organizados em blocos: a expressividade, o equilíbrio e a coordenação. Expressividade: nessa direção, o Referencial Curricular Nacional (BRASIL, 1998) sugere atividades para crianças de 0 a 3 anos: reconhecimento progressivo de segmentos e elementos do próprio corpo, expressões de sensações e ritmos corporais por meio de gestos, posturas e da linguagem oral. Na atividade lúdica, para crianças de 4 a 5 anos, por meio da mediação do adulto, o jogo desenvolve a memória, a atenção, a linguagem, a imaginação e a personalidade. Equilíbrio e coordenação: para as crianças de 0 a 3 anos são sugeridas atividades de exploração de diferentes posturas corporais, ampliação da destreza progressiva para deslocar-se no espaço e aperfeiçoamento dos gestos relacionados com encaixe, traçado de desenho, entre outros. Para crianças de 4 a 5 anos, são envolvidas atividades de correr, subir, descer, movimentar-se, dançar, entre outros. Por meio dessas atividades anteriormente sugeridas, percebo que todas estão relacionadas apenas ao desenvolvimento do corpo, como se o pensamento e as emoções estivessem fora dele. Certamente, essas atividades propostas são importantes para o desenvolvimento da criança, entretanto, o movimento não se restringe ao desenvolvimento das aprendizagens física e motora. O trabalho com o movimento não pode ser direcionado apenas para o desenvolvimento físico da criança. Pois a criança precisa nominar o seu 25 movimento conscientemente para que tenha oportunidade de explorar o ambiente, criar novas relações de relacionamento com o seu corpo, de conhecê- lo e aprender a usá-lo de forma benéfica, funcional e intencional. (MELLO, 1996) Ensino fundamental de primeira a quarta série No ensino fundamental de primeira a quarta série é importante que o aluno conheça e compreenda como se trabalha o seu corpo, pois o trabalho de Educação Física nas séries iniciais, possibilita aos alunos a terem, desde cedo, a oportunidade de desenvolver habilidades corporais e de participar de atividades culturais, como jogos, esportes, lutas, ginásticas e danças, com finalidades de lazer, expressão de sentimentos, afetos e emoções. Mais para isso é preciso que as aulas estejam voltadas para os aspectos corporais do movimento e as atividades estejam vinculadas a experiências práticas. Sendo que o professor deverá dar a oportunidade para que o aluno possa vivenciar estas práticas sem que haja a mera repetição de gestos estereotipados com vista em automatizá-los e reproduzi-los. É necessário que o aluno possa estar criando o seu próprio movimento para que haja com isso a participação integral do mesmo. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1997) no primeiro ciclo o que se percebe é que muitas crianças ao entrar na escola já possuem certo conhecimento sobre o movimento, o corpo e a cultura corporal isso devido à experiência pessoal e da vivência do grupo social em que cada 26 criança está inserida, e também um dos contribuintes desse conhecimento é o meio de comunicação, na qual através de várias informações os alunos passam a obter um conhecimento amplo e significativo, contribuindo com isso para a realização de algum tipo de movimento nas aulas de educação física. Para que o aluno possa obter uma participação, ou seja, para que o mesmo possa estar inserido na cultura corporal do movimento nas aulas de educação física é necessário que a escola trabalhe primeiramente resgatando as experiências vividas do contexto cultural onde a escola está inserida, mais também não deixando de resgatar as experiências que não teriam fora da escola, pois agindo dessa forma o aluno pode estar inserido nas aulas de educação física de uma forma prazerosa, contribuindo para que o mesmo se sinta valorizado ao realizar uma atividade a qual condiz com sua experiência vivida. No início da sua escolaridade os alunos têm grande necessidade de se movimentar, e é nesse ciclo que eles estão começando a se adaptar a atividades que exigem um grande período de concentração, ou seja, não conseguem se concentrar totalmente em uma atividade, então é importante que se trabalhe nesse ciclo a capacidade do aluno em se organizar, em realizar algum tipo de movimento, tentar inserir o aluno trabalhando com isso os procedimentos que contribuem para favorecer o desenvolvimento dessas capacidades. Nesse momento da escolaridade, os alunos têm grande necessidade de se movimentar e estão ainda se adaptando à exigência de períodos mais longos de concentração em atividades escolares. Entretanto, afora o horário de intervalo, a aula de Educação Física é, muitas vezes, a única situação em que têm essa oportunidade. Tal peculiaridade freqüentemente gera uma situação ambivalente: por um lado, os alunos apreciam e anseiam por esse horário; por outro, ficam em um nível de excitação tão alto que torna difícil o andamento da aula. (BRASIL, 1997, p. 59) Outro aspecto importante a ser destacado neste ciclo é em relação às aulas de educação física, que de acordo com os parâmetros curriculares Nacionais (BRASIL, 1997) os alunos já conseguem fazer algumas avaliações em relação ao desempenho de cada um, ou seja, eles não levam muito tempo para descobrir quem são aqueles que têm mais familiaridade em realizar certo tipo de 27 atividade, então é nesse momento que se deve ter cuidado em relação às discriminações, pois se a criança no início de sua escolaridade for vista ou censurada como incompetente por ter certo tipo de dificuldade ao realizar algum tipo de movimento, esta irá ao futuro ter medo, vergonha de participar das aulas e isso contribuirá de certa forma para a exclusão da mesma. Sendo que para que isso não aconteça é necessário que o professor nas suas aulas não se restrinja há uma só atividade e sim proporcione para o aluno uma variedade de atividades em que as competências sejam exercidas e possam ser respeitadas e valorizadas as diferenças de cada um. Para que as aulas de educação física tragam a inclusão do aluno na cultura corporal do movimento é necessário que sejam respeitadas as diferenças entre as competências em relação a meninos e meninas,pois muitas vezes por razões socioculturais os meninos que sobressaem em algum tipo de atividade em relação às meninas e muitas vezes pode acontecer o contrário, então neste caso as atividades repassadas pelo professor devem promover um troca entre os dois gêneros, evidenciando a competência que cada um possui ao realizar uma atividade, pois agindo dessa forma acontecerá de certa forma a inclusão e a valorização do aluno nas aulas de educação física. É característica marcante desse ciclo a diferenciação das experiências e competências de Movimento de meninos e meninas. Os conteúdos devem contemplar, portanto, atividades que evidenciem essas competências de forma a promover uma troca entre os dois grupos. Atividades lúdicas e competitivas, nas quais os meninos têm mais desenvoltura, como, por exemplo, os jogos com bola, de corrida, força e agilidade, devem ser mesclados de forma equilibrada com atividades lúdicas e expressivas nas quais as meninas, genericamente, têm uma experiência maior; por exemplo, lengalengas, pequenas coreografias, jogos e brincadeiras que envolvam equilíbrio, ritmo e coordenação. (PCN-Educação Física, 1997, p.64). Em relação ao segundo ciclo como os alunos já passaram por uma determinada aprendizagem, já possui uma gama de conhecimentos em relação à educação física, ou seja, eles já estão mais independentes ao realizar algum tipo de movimento, ao se trabalhar com esse ciclo para promover a inclusão de todos é necessário que o professor ao desenvolver algum tipo de atividade abra 28 espaço em suas aulas para uma reflexão, ou seja, uma conversa, para que os alunos possam discernir quais as estratégias mais adequadas para a realização de algum movimento, pois isso irá contribuir para uma participação integral do mesmo e para que novos aspectos tornem-se mais observáveis. Neste ciclo as crianças já estão mais cientes em relação às diferenças entre os sexos as crianças voltam a se aproximar uns dos outros, então é importante a atenção e o cuidado em relação às estereotipias, principalmente em relação aos movimentos tradicionalmente considerados, pois as crianças começam a ter o conhecimento e o entendimento do seu próprio corpo, onde os mesmos são capazes de monitorar seu desempenho, adequando-se ao grau de exigência de cada atividade, e uma criança conseguindo obter o conhecimento e o controle ao realizar uma atividade irá com certeza se tornar uma pessoa mais participativa, contribuindo com isso para inclusão da mesma (BRASIL, 1997). Neste ciclo as habilidades e capacidades podem receber um tratamento mais específico, pois os alunos já reúnem condições de compreender determinados recortes que podem ser feitos ao analisar os tipos de movimento envolvidos em cada atividade. É possível sugerir brincadeiras e jogos em que algumas habilidades mais específicas sejam trabalhadas, dentro de contextos significativos. É importante que o professor solicite que as crianças criem várias brincadeiras contribuindo com isso para que o mesmo se sinta incluído ao estar realizando algum tipo de movimento, assim ele irá participar de forma integral e prazerosa das atividades. Para que ocorra de certa forma a inclusão e a participação do aluno nas aulas de educação física do primeiro ao quarto ciclo é preciso o professor seja um mediador, tentando instigar nos alunos a participação, e com ela, a descoberta de um novo mundo. Gasparin (2003, p. 15) afirma que, “... O educando deve ser desafiado, mobilizado, sensibilizado. Deve perceber alguma relação entre o conteúdo e sua vida cotidiana...”. O professor deve considerar que a educação do seu aluno vem muito antes da escola, não sendo formada somente a partir da escola, com os conhecimentos científicos, e seus objetivos já devem ser direcionados tomando por base o fato de que seu aluno já tem uma vida, que ele vem para a escola já 29 com conhecimentos adquiridos do seu dia-a-dia, e partindo-se dos conhecimentos adquiridos os alunos tornam-se mais presentes e incluídos nas aulas de educação física. Ensino fundamental de quinta a nona série Nas aulas de educação física de quinta a oitava série os aspectos procedimentais são mais observáveis, pois as aprendizagens dos conteúdos estão conectadas com as experiências práticas que cada aluno já vivenciou nos ciclos anteriores, e dependendo da forma como se são trabalhados os conteúdos nas aulas, poderá sim ou não levar a exclusão do aluno nas aulas de educação física. Então para que não aconteça essa exclusão é necessário que as aulas tenham sentido para o aluno, no qual o mesmo tenha a possibilidade de estar fazendo escolhas, trocar informações, estabelecer questões para que o mesmo se sinta inserido nas aulas, pois Os conteúdos deste bloco são amplos, diversificados e podem variar muito de acordo com o local em que a escola estiver inserida (CORTEZ, 1992). Deve-se haver uma integração entre professor e aluno para uma abordagem dos conteúdos, onde o professor promove uma visão organizada e os alunos tentam contribuir com um elemento novo de sua cultura, pois havendo essa inter-relação as aulas irão se tornar mais prazerosas, significativas e inclusivas, despertando com isso o diálogo e a valorização do discente (CORTEZ, 1992). 30 É importante ressaltar no ensino fundamental de quinta a oitava série, para que aconteça de certa forma a inclusão do aluno na cultura corporal do movimento nas aulas de educação física é necessário que o mesmo esteja informado de como ele estará sendo avaliado durante o processo de ensino, para que o aluno juntamente com o professor possa dar direcionamentos quanto aos avanços e as dificuldades que podem surgir dentro do processo de ensino e aprendizagem, pois ele conhecendo, poderá de certa forma tornar cada vez mais produtivo este processo, contribuindo com isso para sua valorização e inclusão dentro das instituições de ensino. Os parâmetros curriculares nacionais consideram que a avaliação deva ser de utilidade, tanto para o aluno como para o professor, para que ambos possam dimensionar os avanços e as dificuldades dentro do processo de ensino e aprendizagem e torná-lo cada vez mais produtivo. (PCN-Educação Física, 2001, p.58). É importante ressaltar que o aluno, dentro do contexto escolar, deve ser um sujeito de plena participação, podendo opinar e coordenar ações e assim se tornar uma pessoa participativa e consciente de suas atitudes, e não ser deixado de lado; a Educação Física deve fazer parte desse contexto: [...]. Nos conteúdos ou nas formas e métodos de transmissão dos mesmos; é necessário, isto sim, uma mudança total da própria concepção da Educação Física e do seu processo de ensino-aprendizagem. Isto significa que ela não pode ser visualizada como uma atividade ou disciplina isolada do contexto da Educação [...] (KUNZ, 1991, p.182). A cultura corporal do movimento nas aulas de educação física deve incluir também portadores de necessidades especiais, pois na maioria das vezes, eles estão excluídos da mesma e sabe-se que a participação integral do aluno é benéfica a essas crianças, podendo contribuir para o seu desenvolvimento psicossocial. A participação pode trazer muitos benefícios a essas crianças, particularmente no que diz respeito ao desenvolvimento das capacidades perceptivas, afetivas, de integração e inserção social, que levam este aluno a 31 uma maior condição de consciência, em busca da sua futura dependência. (PCN-Educação Física, 2001, p.56). Para que este aluno esteja inserido nas aulas fazem-se necessárias adaptações conforme a sua deficiência, pois o professor deve ser flexível ao passar alguma atividade, estimulando com isso tanto o aluno portador de necessidades especiais quanto o grupo, para que todos possam se sentir capazesde socializar, contribuindo com isso para o princípio da inclusão (BRASIL, 2001). Outros alunos que ficam muitas vezes excluídos da cultura corporal do movimento nas aulas de educação física, são os que estudam pelo período noturno, de participar integralmente das aulas e do acesso da cultural corporal, pois o que se observa é que existe a diferença dos conteúdos repassados no curso noturno em relação aos que estudam no período diurno e isso não deveria acontecer. (BRASIL, 2001). Ensino médio No ensino médio, frequentemente as aulas de educação física costumam repetir os programas do ensino fundamental, resumindo-se as práticas dos fundamentos de alguns esportes e a execução do gesto técnico esportivo. Como os alunos já adquiriram conhecimentos prévios em relação à cultura corporal do movimento nas aulas de educação física, devido às séries anteriores que correspondem ao ensino fundamental, estes já podem ter um 32 conhecimento mais específico relacionados ao seu corpo, ou seja, já estão preparados para compreender o funcionamento do organismo humano, bem como conhecendo melhor o seu corpo, irá conseqüentemente atuar de forma significativa ao participar de alguma atividade, possibilitando com isso sua integração nas aulas de educação física e uma ampla compreensão e atuação das manifestações da cultura corporal. (BRASIL, 1999). Além disso, para que haja de certa forma a inclusão do aluno na cultura corporal do movimento nas aulas de educação física, é necessário também que o professor estimule os educando e seja mais flexível em relação aos conteúdos, para isso precisa propor atividades as quais que propiciem prazer e satisfação do aluno, em que as mesmas devem adequar-se ao aluno, com isso ele terá mais interesse em participar das aulas, permitindo que aconteça a inclusão. Porém se os alunos que tiverem que se adequar a cada atividade repassada pelo professor e o mesmo se manter rígido em atividades desinteressantes aos alunos, poderá vir a ocasionar a exclusão ou o afastamento das aulas. Os PCN’s (1999, p.163) afirmam que “(...) É a atividade que deve adequar-se ao aluno e não o aluno à atividade. Ou seja, o professor, ao se manter rígido em atividades desinteressantes aos alunos, termina por afastá-los da disciplina”. Segundo (PCN’s, 1999, p.167) umas das competências e habilidades a serem desenvolvidas em educação física no ensino médio é: “compreender as diferentes manifestações da cultura corporal, reconhecendo e valorizando as diferenças de desempenho, linguagem e expressão”. Com isso os alunos passam a se integrar à cultura corporal, compreendendo as diferenças que irão ocorrer durante o processo de ensino e aprendizagem. Neste ciclo também devem ser explorado do aluno um conjunto de novas disposições e atitudes, como investigar, selecionar informações, analisar, sintetizar, argumentar, negociar significados e cooperar, porque ele já adquiriu conhecimento necessário para que aconteça a sistematização do conhecimento e também desperta a compreensão de suas propriedades comuns, e como lidar com a questão científica regularmente, isso possibilitará sua participação integral como formador de opiniões. 33 Uma característica bastante comum no ensino médio é a existência de turmas extremamente heterogêneas, principalmente em virtude das experiências anteriores com a cultura corporal, muito diferenciado entre os alunos, então cabe ao professor saber trabalhar com turmas mistas, para ajudar os jovens a construir relações de respeito pelas diferenças, somando o que os homens e as mulheres têm de melhor, compreendendo o outro, com isso aprendendo a ser pessoas, mas abertas e equilibradas (DAOLIO, 1995). 34 CONCLUSÃO Quando as crianças brincam, elas o fazem para satisfazer uma necessidade básica que é viver a brincadeira. No entanto, a insistência de que a brincadeira precisa ter uma função "pedagógica" inserida numa lógica produtivista limita suas possibilidades e impede que as crianças recriem constantemente as formas de brincar e se expressar. Diante do exposto, torna-se cada vez mais evidente que, para pensar a educação física no âmbito do trabalho pedagógico com crianças de pouca idade, faz-se necessário articular diferentes áreas do conhecimento e diferentes profissionais. Assim como na construção de um mosaico, profissionais vão articulando saberes e práticas que não podem ficar reduzidos a uma única disciplina ou a uma única área do conhecimento. Isso se acreditamos que as crianças, assim como nós, adultos, também são capazes de produzir cultura. Acreditar e defender que a cultura corporal se configura dimensão constituinte da produção cultural humana, condicionada histórica e social, concordar com permanência como uma estratégia para dar dimensão corporal humana do movimento, mostra o quanto pode favorecer as aulas de Educação Física, podendo reconhecer todos os específicos domínios no mundo, na produção do conhecimento e nas práticas pedagógicas. Buscar o entendimento específico para se ter o fundamental para o desenvolvimento que a área necessita, reconhecendo que os aprendizados podem alcançar e articular toda a especificidade sobre o assunto. Porque o papel da Educação Física e do professor de Educação Física é o de facilitar o acesso e a apropriação crítica da cultura corporal do movimento, relacionando o saber movimentar, saber sobre esse movimentar. O papel importante do professor, com o auxílio da escola, é de ajudar o indivíduo no processo de mediação de saber para a consciência, oferecendo autonomia na cultura corporal do movimento. O quanto os jogos, as brincadeiras, os esportes, as danças, as ginásticas, o atletismo e as lutas podem proporcionar 35 o desenvolvimento, fazendo com que o indivíduo, consiga aprimorar o “eu”, como indivíduo, que precisa transformar o próprio ser. E de suma importância utilização dos movimentos corporais como forma de integrar e educar a todos os alunos, inclusive os alunos com necessidades especiais, que precisam muito se desenvolverem em diferentes aspectos. 36 REFERÊNCIA A EDUCAÇÃO PELA DANÇA, PAULINA OSSONA, 176 PÁGS., ED. SUMMUS, CAPOEIRA - PEQUENO MANUAL DO JOGADOR, NESTOR CAPOEIRA, 240 PÁGS., ED. RECORD, DANÇA, EDUCAÇÃO, EDUCAÇÃO FÍSICA, NILDA BARBOSA CAVALCANTE RANGEL, DANÇA E EDUCAÇÃO EM MOVIMENTO, VÁRIOS AUTORES, 272 PÁGS., ED. CORTEZ. DANÇA ESCOLAR - UM NOVO RITMO PARA A EDUCAÇÃO FÍSICA, VANJA FERREIRA, 80 PÁGS., ED. SPRINT. DANÇA... ENSINO, SENTIDO E POSSIBILIDADES NA ESCOLA, DÉBORA BARRETO, 163 PÁGS., ED. AUTORES ASSOCIADOS, TEL. (19) 3289-5930, 28 REAIS DANÇA BRASIL - FESTAS E DANÇAS POPULARES, GUSTAVO CORTES, 182 PÁGS. ESPAÇO E CORPO - GUIA DE REEDUCAÇÃO DO MOVIMENTO, IVALDO BERTAZZO, HISTÓRIA DA DANÇA NO OCIDENTE, PAUL BOURCIER, 340 PÁGS., ED. MARTINS FONTES. O LIVRO DA DANÇA, INES BOGÉA, 96 PÁGS., ED. CIA. DAS LETRINHAS, PEQUENA VIAGEM PELO MUNDO DA DANÇA, LENIRA RENGEL E ROSANA VAN LANGENDONCK, 80 PÁGS., ED. MODERNA. DANÇA NA ESCOLA, ERICA BEATRIZ VERDERI, 120 PÁGS., ED. SPRINT, DANÇA, SÍMBOLOS EM MOVIMENTO, MARIA-GABRIELE WOSIEN, 128 PÁGS., ED. ANHEMBI-MORUMBI, BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO. SECRETARIA DA EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. REFERENCIAL CURRICULAR PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL. BRASILIA: MEC/SEF. VOL.3, 1998. KISHIMOTO, TIZUCO M. 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