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EDUCAÇÃO, CORPO E MOVIMENTO – INTEGRAÇÃO E 
INCLUSÃO 
1 
 
 
 
Sumário 
 
NOSSA HISTÓRIA .................................................................................. 2 
INTRODUÇÃO ......................................................................................... 3 
Inclusão e Integração............................................................................... 4 
O corpo e o movimento............................................................................ 9 
O corpo, o movimento e a aprendizagem .............................................. 13 
Corpo, gestos e movimentos: como trabalhar esse campo de experiência 
de forma eficiente na educação infantil ............................................................ 18 
A inclusão do aluno na cultura corporal do movimento nas aulas de 
Educação Física ............................................................................................... 23 
CONCLUSÃO ........................................................................................ 34 
REFERÊNCIA ........................................................................................ 36 
 
 
2 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de 
empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de 
Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como 
entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a 
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua 
formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, 
científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o 
saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
A educação, hoje, está centrada na criança como indivíduo. Cada tipo de 
atividade, traz algo como contribuição para tal desenvolvimento, mas a ordem 
de prioridades para o ensino dessas diferentes atividades mudou 
consideravelmente. Deixamos de pensar no que o aluno irá precisar no futuro, e 
passamos a nos preocupar em como podemos ajudar agora. Por isso, pode-se 
dizer que organizar uma rotina que envolva tantas emoções, necessidades e 
ações aliadas a uma proposta educacional, é um desafio constante para quem 
trabalha na educação infantil. 
A cultura corporal nas aulas de educação física exclui na maioria das 
vezes os educando menos habilidosos de participar das atividades, sendo que 
cultura corporal é um conjunto de conhecimentos adquiridos em cada sociedade 
sobre as variedades de se trabalhar com o corpo (Coletivo de Autores, 1992). 
Dentre as produções dessa cultura corporal, algumas foram incorporadas pela 
Educação Física em seus conteúdos: o jogo, o esporte, a dança, a ginástica e a 
luta. 
 É de fundamental importância que se garanta o acesso dos alunos às 
práticas da cultura Corporal, pois ajudará o aluno a. desenvolver o conhecimento 
ajustado de si mesmo e o sentimento de confiança, Percebe-se que mais do que 
uma decorrência biológica, a questão cultural é essencial para o 
desenvolvimento humano, pois os aspectos culturais ultrapassam fronteiras e 
necessitam ser decifrados como teias de significados que obtêm sentidos 
próprios. Ainda nessa linha de raciocínio, devemos lembrar que o ser humano 
não é visto, na perspectiva de Geertz, de forma “estratigráfica”, na qual as 
relações entre os fatores biológico, psicológico social e cultural da vida humana 
estariam compostos de níveis superpostos aos inferiores e reforçando os que 
estão acima dele. Pelo contrário, o autor propõe uma visão sintética, na qual 
todas as relações entre os itens apontados acima estão em constante sintonia, 
não sendo possível analisar um sem a influência do outro. 
 É essa compreensão da necessidade de uma construção própria para 
as ações humanas e a relação delas com a vida cotidiana das pessoas que pauta 
4 
 
 
as reflexões contidas neste texto em relação à Educação Física. O entendimento 
dado a ele é o de que as aulas de Educação Física são realizadas em situações 
específicas com significados próprios a cada grupo que dela tem acesso. Neste 
sentido, a noção de construção cultural é fundamental para a compreensão de 
como devem ser desenvolvidas as aulas, o que reforça a importância de se 
discutir qual a influência que os aspectos culturais têm sobre elas. contribuindo 
com isso para sua autonomia e integração para agir como perseverante na busca 
do conhecimento da cultura corporal do movimento nas aulas (MONTEIRO e 
SOUZA, 2008). 
 
Inclusão e Integração 
 
 
 
O termo inclusão tem sido usado com múltiplos significados. Em um dos 
extremos, encontra-se os que advogam a inclusão como colocação de todos os 
alunos, independente do grau e tipo de incapacidade, na classe regular, com a 
5 
 
 
eliminação dos serviços de apoio de ensino especial. Em outro extremo, o 
conceito de inclusão parece ser utilizado apenas para renomear integração, 
considerando que o melhor é a colocação do aluno com deficiência na classe 
regular, desde que se enquadre aos pré-requisitos da classe. 
Torna-se então necessário diferenciar os termos integração e inclusão. 
Em que sentido eles são diferentes? Seria a inclusão apenas uma integração 
com ares de modernidade? 
No seu sentido etimológico, integração vem do verbo integrar, que 
significa formar, coordenar ou combinar num todo unificado. Inclusão, de o verbo 
incluir, significa compreender, fazer parte de ou participar de. Nota-se no 
significado de inclusão aparece à palavra participar, fazer parte, o que pressupõe 
outra visão. Participação é uma necessidade fundamental do ser humano, e o 
homem só terá possibilidade de total desenvolvimento numa sociedade que 
permita e facilite a sua participação. 
Do ponto de vista educacional, embora tanto a integração como a inclusão 
trate da incorporação da criança com deficiência pelo ensino regular, existe uma 
diferença básica. Alguns autores, tais como Dens (1998), Mantoan (1997), 
Bueno (2001), Mrech (1999), assinalam tal diferença e enfatizam que os dois 
termos referem-se a situações de inserção diferentes. 
Dens (apud Masini, 2000), coordenador do movimento integracionista da 
Europa, em 1998, assinala as seguintes características que diferenciam os 
termos integração e inclusão: integração refere-se a intervenções necessárias 
para que a criança com necessidades especiais possam acompanhar a escola, 
sendo o trabalho feito individualmente com a criança e não com a escola; 
inclusão é o oposto, é um movimento voltado para o atendimento das 
necessidades da criança, buscando um currículo correto para incluí-la. 
Segundo Denis, inclusão não é, pois, uma invenção da escola, mas uma 
ideologia da sociedade, onde o princípio fundamental é a valorização da 
diversidade. Afirma o autor que essa transformação é lenta, e ainda não ocorreu 
nem mesmo na Bélgica, país pioneiro nesse movimento, pois requer mudança 
de ideologia. 
6 
 
 
Mantoan (1997) reitera a posição de Dens, pois acredita que, para a 
inclusão seja efetivada, sejam necessárias mudanças de paradigmas sociais de 
forma a propiciar um ensino de qualidade para todos. Essa autora é bastante 
enfática ao afirmar que a inclusão é impossível de se efetivar por meio de 
modelos tradicionais de organização do sistema escolar.Para ela a integração é uma forma condicional de inserção que vai 
depender do nível de capacidade do aluno de adaptação ao sistema escolar, 
porém o esquema se mantém o mesmo. 
A inclusão, ao contrário, tem como meta não deixar ninguém fora do 
sistema escolar. E o próprio sistema terá que sofrer transformações para se 
adaptar às particularidades de todos os alunos. A autora acredita que a inclusão 
se concilia com uma educação para todos e com um ensino especializado no 
aluno. 
Bueno (2001) também diferencia integração e inclusão dependendo de 
como a escola lida com a deficiência. Para esse autor, a integração tem como 
pressuposto que o problema reside nas características das crianças com 
necessidades educativas especiais, sendo que a inserção em escolas comuns 
só ocorre “sempre que suas condições pessoais permitem”. 
Já a inclusão coloca a questão da incorporação dessas crianças pelo ensino 
regular sob outra ótica, reconhecendo a existência das mais variadas diferenças. 
Essa visão considera as diferenças humanas normais, sendo que a escola deve 
adaptar-se às necessidades das crianças. 
Mrech (1999) afirma que a integração é uma prática seletiva, pois é o 
aluno deficiente que deve se adaptar aos parâmetros de normalidade e, quando 
isso não ocorre, esse aluno é colocado nas classes especiais. Privilegia-se, 
dessa forma, o conceito médico de deficiência. Para a autora, na educação 
inclusiva, não são os alunos deficientes que têm que se adaptar aos padrões 
normais, mas sim os alunos sem deficiência que devem aprender a conviver com 
os deficientes. O objetivo é que o aluno com deficiência alcance o máximo de 
sua potencialidade em um ambiente menos restritivo, com ajuda e suportes 
necessários. Na inclusão, privilegia-se o conceito de deficiência baseado no 
modelo social. 
7 
 
 
Outros autores, como Masini (1997) e Mazzotta (1998), também 
diferenciam os dois termos, mas veem a integração e a inclusão de uma forma 
mais abrangente e filosófica. Para Masini (1997), quando se fala em integração 
da pessoa portadora de deficiência, não se pode deixar de lado a constituição 
psíquica do sujeito, salientando que quaisquer projetos que sejam realizados 
nesse sentido precisam levar em consideração as condições de formação da 
personalidade. Segundo a autora, integração e inclusão não são sinônimas e 
devem ser posteriores à integração psíquica do indivíduo. A autora pergunta 
como concretizar a proposta de inclusão em nossa realidade, se não chegamos 
a propiciar a integração psíquica. 
Mazzotta (1998) entende inclusão e integração como processos 
essenciais à vida humana ou á vida em sociedade. Para o autor, a inclusão 
escolar tem sido concebida como um processo peculiar, configurando-se como 
uma novidade. Adverte que a luta pela educação de qualidade para todos tem 
sido diluída na discussão de inclusão, como algo inusitado. Acredita que uma 
educação para todos se baseia no princípio da não segregação ou, em outros 
termos, na inclusão de todos. São suas palavras: “O ponto fundamental é a 
compreensão de que o sentido de integração pressupõe a ampliação da 
participação nas situações comuns para indivíduos e grupos que se 
encontravam segregados. Portanto, é para os alunos que estão em serviços de 
educação especial ou outras situações segregadas que prioritariamente se 
justifica a busca da integração. Para os demais portadores de deficiência, deve-
se pleitear a educação baseada no principio da não segregação ou da inclusão”. 
Alguns autores falam dos dois termos sem fazer uma distinção. 
Carvalho (1997), ao abordar o tema, usa indiferentemente os dois termos. São 
palavras da autora: “Assim como a integração, a inclusão é um processo que 
não vai ocorrer por decreto dos legisladores! E mais, essa inclusão, cujo corolário 
é a integração, só terá os efeitos desejados se, e apenas se, for aceita por toda 
a comunidade escolar”. 
 
 
8 
 
 
 
 
Assim como a integração, a inclusão é um processo gradual e que, para 
que o ideal de integração de todos ou da não exclusão de alguns se torne 
realidade em nossas escolas, deve-se trabalhar todo o contexto onde o processo 
deve ocorrer. Outros autores, como Glat (1997) e Schwartzman (1997), utilizam 
apenas o termo integração e veem esse processo ainda de forma utópica, 
apontando dificuldades para sua real efetivação em nosso atual sistema de 
ensino. 
Analisando as opiniões dos diferentes autores, percebe-se que as 
questões relativas à diferença entre inclusão e integração e as possibilidades de 
inserção em classes normais, dependendo do tipo de necessidade educacional 
da criança, permeiam as principais polêmicas. 
Considerando que a pluralidade, e não a igualdade é a principal 
característica do ser humano, e que a educação deve contemplar essa 
diversidade da condição humana, propiciando oportunidades iguais para seu 
desenvolvimento, fica evidente que não é apenas o educando, com deficiência 
9 
 
 
ou não, que deve adaptar-se ao sistema de ensino e sim a escola é que tem o 
dever de atender as necessidades da criança para sua rela participação, ou seja, 
para a sua inclusão. 
Acredita-se, porém, que, muitas vezes, para que a inclusão ocorra, 
torna-se necessário que o sistema de ensino propicie recursos educacionais 
especiais para atender às necessidades educacionais especiais. Tal crença 
encontra fundamentos em autores como Mazzotta (1998), Santos (2002) e 
Carvalho (1998), assinalam ser importante algumas vezes, para a inclusão de 
alunos com diferentes tipos de deficiência e necessidades educacionais 
especiais, a utilização de recursos educacionais adequados para atendê-los. 
 
O corpo e o movimento 
 
A partir da década de 80 até a década de 90, houve um intenso trabalho 
que resultou no Estatuto da Criança e do Adolescente e nas discussões a 
respeito da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) que foi 
promulgada no ano de 1996. Esta nova LDB, pela primeira vez, introduziu a 
educação infantil como a primeira etapa da educação básica. Nela, a educação 
infantil, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até os 5 anos 
de idade. 
10 
 
 
 
Esta deve ser ofertada em creches para as crianças de até 3 anos de 
idade e em pré-escolas, para crianças de 4 a 5 anos de idade. Essa primeira 
etapa, mesmo não sendo obrigatória, passa a ser um direito da criança e um 
dever do Estado. A partir daí, a educação de crianças pequenas passou a fazer 
parte do processo educacional. 
Partindo do reconhecimento de que a educação é direito de todas as 
crianças, um dever da família e do estado (LDB 9394/98 art. 2º) e de que a 
educação infantil se constitui como primeira etapa da educação básica e que tem 
como finalidade o desenvolvimento da criança até cinco anos de idade, em seus 
aspectos físico, psicológico, intelectual e social. Com isso, a educação infantil 
que já vinha sendo objeto de pesquisas em vários lugares do mundo, também 
vê serem multiplicados os estudos aqui no Brasil, tendo como um de seus 
principais objetivos contribuir para a melhoria no atendimento da criança 
pequena. 
Sabe-se, que o movimento é uma importante dimensão do 
desenvolvimento e da cultura humana. Pois, ao movimentar-se, as crianças 
expressam sentimentos, emoções e pensamentos, ampliando as possibilidades 
do uso significativo de gestos e posturas corporais. O movimento humano, 
portanto, é mais do que simples deslocamento do corpo no espaço: constitui-se 
em uma linguagem que permite às crianças agirem sobre o meio físico e atuarem 
11 
 
 
sobre o ambiente humano, mobilizando as pessoas por meio de seu teor 
expressivo. 
KISHIMOTO (1996, p.452), ao discutir sobre Froebel, mostra que: 
"Froebel acreditou na criança, enalteceu sua perfeição, valorizou sai 
liberdade e desejou a expressão da natureza infantil por meio de brincadeiras 
livres e espontâneas. Instituiu uma pedagogia tendoa representação simbólica 
como eixo do trabalho educativo, sendo reconhecido por isso como psicólogo da 
infância". 
Nessa mesma direção, YAMIN (2001, p.12) aponte que o aprendizado nos 
jardins de infância "ocorria a partir de ações que exigissem o desenvolvimento 
dos movimentos físicos, juntamente com o funcionamento dos processos 
mentais. todas as atividades simples do dia-a-dia feitas em contato com a 
natureza eram a base para seu currículo". 
Na educação infantil é comum vermos as crianças o tempo todo sentadas, 
em silencio, realizando atividades escolares. Porém, para que as crianças 
possam ampliar o seu aprendizado, é preciso que os conceitos de educação 
estejam de acordo com as necessidades e seus interesses. Durante a 
brincadeira a criança assimila sem se dar conta. Por meio das atividades lúdicas 
a criança satisfaz seus desejos e representa a realidade que as circunda. 
Portanto, é inegável que haja mudanças na estrutura educacional, por 
isso, ainda temos muito o que refletir a implementar a respeito da educação 
infantil. Um fator a ser discutido é a questão dos conteúdos a serem trabalhados 
nesse nível de ensino. Não podemos mais ter o conteúdo como sendo uma lista 
de itens que tem que ser assimilados pela criança. Dessa forma, é necessário 
rever este conceito e estruturar qual a melhor forma de lanças esses conteúdos 
a serem trabalhados com as crianças. 
"O movimento para a criança pequena significa muito mais do que mexer 
partes do corpo ou deslocar-se no espaço. A criança se expressa e se comunica 
por meio dos gestos e das mímicas faciais e interage utilizando fortemente o 
apoio do corpo. A dimensão corporal integra-se ao conjunto da atividade da 
criança. Pode-se dizer que no início do desenvolvimento predomina a dimensão 
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subjetiva da motricidade, que encontra sua eficácia e sentido principalmente na 
interação com o meio social, junto às pessoas com quem a criança interage 
diretamente. A externalização de sentimentos, emoções e estados íntimos 
poderão encontrar na expressividade do corpo um recurso privilegiado". 
(Referencial curricular nacional para a educação infantil, 1998, p.18) 
Para o Referencial Curricular Nacional (BRASIL, 1998, p.15), o 
movimento é uma importante dimensão do desenvolvimento e da cultura 
humana, visto que, "as crianças se movimentam desde que nascem adquirindo 
cada vez maior controle sobre seu próprio corpo e se apropriando cada vez mais 
das possibilidades de interação com o mundo". 
Ao analisar os conteúdos de movimento apresentados nesse referencial, 
verifico que eles foram organizados em blocos: a expressividade, o equilíbrio e 
a coordenação. 
Expressividade: nessa direção, o Referencial Curricular Nacional 
(BRASIL, 1998) sugere atividades para crianças de 0 a 3 anos: reconhecimento 
progressivo de segmentos e elementos do próprio corpo, expressões de 
sensações e ritmos corporais por meio de gestos, posturas e da linguagem oral. 
Na atividade lúdica, para crianças de 4 a 5 anos, por meio da mediação do adulto, 
o jogo desenvolve a memória, a atenção, a linguagem, a imaginação e a 
personalidade. 
Equilíbrio e coordenação: para as crianças de 0 a 3 anos são sugeridas 
atividades de exploração de diferentes posturas corporais, ampliação da 
destreza progressiva para deslocar-se no espaço e aperfeiçoamento dos gestos 
relacionados com encaixe, traçado de desenho, entre outros. Para crianças de 
4 a 5 anos, são envolvidas atividades de correr, subir, descer, movimentar-se, 
dançar, entre outros. 
Por meio dessas atividades anteriormente sugeridas, percebo que todas 
estão relacionadas apenas ao desenvolvimento do corpo, como se o 
pensamento e as emoções estivessem fora dele. Certamente, essas atividades 
propostas são importantes para o desenvolvimento da criança, entretanto, o 
movimento não se restringe ao desenvolvimento das aprendizagens física e 
motora. 
13 
 
 
O trabalho com o movimento não pode ser direcionado apenas para o 
desenvolvimento físico da criança. Pois a criança precisa nominar o seu 
movimento conscientemente para que tenha oportunidade de explorar o 
ambiente, criar novas relações de relacionamento com o seu corpo, de conhecê-
lo e aprender a usá-lo de forma benéfica, funcional e intencional. (MELLO, 1996) 
 
O corpo, o movimento e a aprendizagem 
 
Quem dança tem mais facilidade para construir a imagem do próprio 
corpo, o que é fundamental para o crescimento e a maturidade do indivíduo e a 
formação de sua consciência social 
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A dança é uma expressão artística baseada no movimento corporal. Ela 
aparece em duas formas: a teatral e a social. No primeiro caso, é executada num 
palco, tendo como estilos principais o medieval e o balé (clássico, moderno e 
contemporâneo). No outro, ela é praticada ao ar livre ou em clubes de baile. 
Nesse grupo estão os gêneros populares - como o frevo, o forró, o carimbó etc. 
- e as danças de salão, do ventre e de rua. Nos dois casos, os passos 
cadenciados são acompanhados de música e transmitem sensações e 
sentimentos por meio de um conjunto ordenado (teatral), chamado coreografia. 
A dança surgiu com a função de permitir ao homem adorar os deuses e a 
natureza. Nas cavernas de Lascaux (França), Altamira (Espanha) e serra da 
Capivara (no Piauí) é possível observar desenhos com cenas de pessoas em 
roda, saltando e se comunicando com o corpo. É como se nossos antepassados 
quisessem reproduzir graficamente os sentimentos proporcionados por uma boa 
caça e uma colheita frutífera, a alegria causada pela chuva ou o medo provocado 
por um predador. A primeira coreografia que os estudiosos imaginam ter sido 
criada é a do homem que veste uma pele de animal e tenta imitar seus ataques 
ou fugas. 
Ao longo do tempo, essa forma de Arte passou por transformações. Uma 
das mais importantes foi realizada na França do século 17, durante o reinado de 
Luís XIV. Exímio bailarino, ele fundou em 1661 a Academia Real da Música e da 
Dança. Nascia assim o conceito de balé, um tipo de dança executada pelos 
nobres nas festas da corte, que duravam dias. O gênero foi bastante difundido 
em toda a Europa. Na virada do século 19 para o 20, a francesa Isadora Duncan 
(18721927) mudou completamente o jeito teatral de dançar. Ela causou enorme 
sensação ao rejeitar as sapatilhas de ponta, símbolo sagrado do balé. Descalça, 
Isadora fazia seus passos arrojados e menos rígidos, interpretando as músicas 
a seu modo. Em 1913, o russo Vaslav Nijinsky (18901950) coreografou A 
Sagração da Primavera, peça musical dissonante e assimétrica do russo Igor 
Stravinski (18821971) que tinha movimentos diferentes para os vários bailarinos. 
Assim, ele eliminou o conceito de corpo de baile. 
Do ponto de vista corporal, a dança é uma forma de integração e 
expressão individual e coletiva: exercitam-se a atenção, a percepção e a 
colaboração entre os integrantes do grupo. Quem a pratica tem mais facilidade 
15 
 
 
para construir a imagem do próprio corpo - fundamental para o crescimento e a 
maturidade do indivíduo e a formação de sua consciência social. 
Como a ação física é a primeira forma de aprendizagem, é importante que 
essas atividades estejam sempre presentes na escola. A criança estimulada a 
se movimentar explora com mais freqüência e espontaneidade o meio em que 
vive, aprimora a mobilidade e se expressa com mais liberdade. Geralmente, nos 
primeiros sete anos de vida, os pequenos têm um vocabulário gestual muitas 
vezes maior do que o oral. De acordo com pesquisas recentes feitas na área da 
neurociência, é cada vez maior a relação entre o desenvolvimento da 
inteligência, os sentimentos e o desempenho corporal. Fica para trás, portanto, 
aquela visão tradicional que separava corpo e mente, razão e emoção. 
"As descobertas feitas com o corpo deixam marcas, são aprendizados 
efetivos, incorporados. Na verdade, são tesouros que guardamos e usamoscomo referência quando precisamos ser criativos em nossa profissão e resolver 
problemas cotidianos. Os movimentos são saberes que adquirimos sem saber, 
mas que também ficam à nossa disposição para serem colocados em uso" 
 
 
 
 
16 
 
 
Educação Infantil 
 
Na creche e na pré-escola, a criança precisa ser orientada a: 
 Conhecer o próprio corpo. 
 Explorar as possibilidades de gestos e ritmos corporais e utilizá-
los em situações de interação. 
 
 
Ensino Fundamental 
 
O aluno de 1ª a 8ª série precisa aprender a: 
 Compreender a capacidade e o funcionamento do corpo para 
usá-lo com expressividade, inteligência, harmonia, 
responsabilidade e sensibilidade. 
 Reconhecer os diferentes tecidos que constituem o corpo (pele, 
músculos e ossos) e suas funções (proteção, movimento e 
estrutura). 
 Observar e analisar as diferentes características corporais, 
como forma, volume e peso. 
 Experimentar por meio de pesquisas vários tipos de 
locomoção, deslocamento e orientação (caminhos, direções e 
planos). 
17 
 
 
 Sentir o corpo no espaço, considerando as mudanças de 
velocidade, tempo, ritmo e o espaço ocupado pelas diversas 
atividades. 
 Improvisar e criar sequências de gestos com os outros colegas. 
 Reconhecer e distinguir diferentes modalidades de movimento 
e suas combinações como são apresentadas nos vários estilos 
de dança. 
 Contextualizar a produção em dança e compreender como ela 
é uma manifestação autêntica, sintetizadora e representante de 
determinada cultura. 
 Pesquisar e freqüentar os grupos de dança e assistir a 
manifestações culturais e espetáculos em geral. 
 Elaborar registros pessoais para a sistematização das 
experiências observadas e vividas. 
3 
18 
 
 
Corpo, gestos e movimentos: como trabalhar esse 
campo de experiência de forma eficiente na educação 
infantil 
 
O som estridente de um prato caindo no chão, um cheiro gostoso de 
comida ou a cor viva de um balão. Não há dúvidas de que os sentidos são os 
primeiros grandes professores que apresentam às crianças esse turbilhão que é 
o mundo. Mas, muito mais que ver, ouvir ou provar, elas precisam experimentar 
esse espaço. Mais do que espectadoras elas devem ser protagonistas a partir 
do que podem fazer com o próprio corpo. 
E é exatamente aí que entra um dos campos de experiências definidos 
pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC): o “Corpo, gestos e movimentos”. 
Ele propõe a utilização de tudo o que compõe o corpo, como os próprios 
sentidos, mas também os gestos, os movimentos impulsivos ou intencionais, 
coordenados ou espontâneos. 
É válido lembrar que, ao organizar a educação infantil em cinco campos 
de experiência, a BNCC tem o objetivo de apontar os saberes e conhecimentos 
19 
 
 
fundamentais às crianças. Portanto, o documento serve como um guia sobre 
onde o professor precisa chegar, sem necessariamente detalhar plano de aula. 
Se você precisar de dicas mais práticas consulte nosso ebook “Como 
organizar o currículo segundo os campos de experiência da BNCC”. Nesse artigo 
nós vamos detalhar o campo “Corpo, gestos e movimentos” e sugerir atividades 
que trabalham esse conhecimento proativo que as crianças podem ter do mundo. 
 
O campo de experiência 
É por meio do corpo que as crianças exploram o espaço ao seu redor. 
Quando ainda bebês eles se esticam, engatinham, escalam. Na medida que vão 
crescendo, os movimentos vão ficando mais eficientes na busca por objetivos 
diversos: eles podem correr para fugir ou brincar, pular cordas ou obstáculos e 
abraçar. Assim, entendem que o outro também faz parte desse mundo que eles 
estão conhecendo. 
Todos esses movimentos e gestos contribuem para que as crianças se 
tornem conscientes de sua corporeidade. Por meio dessas experiências elas 
identificam suas potencialidades e seus limites, desenvolvendo a consciência 
sobre o que é seguro e o que pode causar dano ao seu corpo. 
 
Como trabalhar o campo com bebês 
Crianças de zero a um ano ainda têm movimentos limitados porque não 
sabem andar e, menos ainda, fazer ações complexas, como pular. Nessa fase 
elas conseguirão mover partes do corpo, imitar gestos de outras crianças, 
adultos ou animais, além de fazer alguns movimentos, como lançar ou apertar 
objetos. 
Quando o bebê é muito novo a estimulação é, principalmente, externa. 
Provocar o movimento, seja literalmente levantando os bracinhos e perninhas, 
seja atraindo a criança com objetos ou sons pode ser um bom começo. Fazer 
mímicas faciais e gestos de frente para criança também é recomendável. Além 
20 
 
 
disso, deslocar a criança em diferentes ambientes é importante para que ela 
reconheça as diferenças nos espaços. 
Na medida em que ela cresce um pouco pode-se iniciar o ensino sobre as 
partes do corpo, mostrando cada uma delas e nomeando. Mais tarde, passa-se 
a ensinar o potencial de cada uma dessas partes com atividades que poderão 
trabalhar questões como coordenação motora fina e coordenação motora ampla. 
Espelhos também são essenciais nessa fase para que a criança se 
reconheça e visualize o ambiente. Outra ferramenta básica é a música: as 
melodias normalmente arrancam bons movimentos dos bebês. 
 
Atividades práticas com crianças em sala de aula 
Depois que aprendem a andar e fazer movimentos mais complexos, como 
pular, saltar, e dançar, as crianças estão preparadas para atividades que 
trabalham ainda mais o campo do corpo, movimentos e gestos. Nesse momento 
elas já conseguem deslocar o corpo a partir de orientações como frente, atrás, 
no alto e embaixo. Também começam a desenvolver habilidades manuais, como 
desenhar, pintar e rasgar. Na medida que crescem também adquirem maior 
conhecimento do próprio corpo, adotando ações de autocuidado. 
 
 
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Músicas com comando de ações 
Há diversas melodias que instigam movimentos simultâneos, mandando 
as crianças pularem, agacharem, rodopiarem, entre outras ações. Além de 
estimular o movimento e o equilíbrio, elas trabalham a atenção, uma vez que a 
criança precisa ficar atenta ao próximo comando. 
 
Circuitos 
 
Montar pequenos circuitos com diferentes obstáculos e caminhos é uma 
excelente proposta para conduzir a criança em diversos desafios de movimento, 
equilíbrio e conhecimento do próprio corpo. Os obstáculos podem ser 
construídos com objetos como colchões empilhados, caixas de papelão, túneis 
de pano, penduricalhos e almofadas. Se o seu espaço for maior você também 
pode montar caminhos que exijam força, velocidade, resistência e flexibilidade 
das crianças. 
Brincadeiras de imitação 
Algumas brincadeiras de imitação como “Siga o Mestre” e “Seu Lobo” 
estimulam o reconhecimento dos movimentos do outro e do próprio corpo. Além 
disso, os professores podem propor representações de experiências vividas no 
dia a dia pelas crianças, como “derreter como um sorvete”; “flutuar como uma 
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pena”, “balançar como as folhas de uma árvore” ou “cair como um raio”. Além de 
arrancar boas gargalhadas das crianças, a atividade vai estimular a associação 
de conhecimento e a criatividade. 
 
Montagem com diferentes objetos 
A partir de materiais como sucata, tecido ou caixa de papelão, as crianças 
são convidadas a experimentarem no corpo as diferentes texturas. Elas podem 
ser desafiadas a montarem brinquedos ou ambientes, como um barco, um túnel 
ou um castelo. Na medida que montam essas estruturas, elas também são 
estimuladas a desenvolverem movimentos mais precisos, como recortar, 
empilhar ou encaixar. A atividade também é importante para o movimento em 
relação ao outro, uma vez que o trabalho coletivo exige conversa, negociação e 
estratégias de resolução de problemas. 
 
Parquinho 
 
 
23 
 
 
 
Presente na maioria das escolas, o espaço conhecido como 
parquinho também é um ambiente onde o corpo pode ser exercitado. A tarefa de 
subir as escadas do escorregador, assim comoo movimento de escorregar 
permite que a criança se desloque no espaço de maneiras totalmente diferente. 
Da mesma forma, brinquedos como balanço ou circuitos de pneus exigem 
equilíbrio e movimentos bem específicos para que a brincadeira dê certo. Na 
medida em que brinca e se desafia em cada brinquedo, a criança também 
aprende sobre os limites do seu próprio corpo. 
 
A inclusão do aluno na cultura corporal do 
movimento nas aulas de Educação Física 
 
Educação infantil 
 
"O movimento para a criança pequena significa muito mais do que mexer 
partes do corpo ou deslocar-se no espaço. A criança se expressa e se comunica 
por meio dos gestos e das mímicas faciais e interage utilizando fortemente o 
apoio do corpo. A dimensão corporal integra-se ao conjunto da atividade da 
criança. Pode-se dizer que no início do desenvolvimento predomina a dimensão 
subjetiva da motricidade, que encontra sua eficácia e sentido principalmente na 
interação com o meio social, junto às pessoas com quem a criança interage 
diretamente. A externalização de sentimentos, emoções e estados íntimos 
24 
 
 
poderão encontrar na expressividade do corpo um recurso privilegiado". 
(Referencial curricular nacional para a educação infantil, 1998, p.18) 
Para o Referencial Curricular Nacional (BRASIL, 1998, p.15), o 
movimento é uma importante dimensão do desenvolvimento e da cultura 
humana, visto que, "as crianças se movimentam desde que nascem adquirindo 
cada vez maior controle sobre seu próprio corpo e se apropriando cada vez mais 
das possibilidades de interação com o mundo". 
Ao analisar os conteúdos de movimento apresentados nesse referencial, 
verifico que eles foram organizados em blocos: a expressividade, o equilíbrio e 
a coordenação. 
Expressividade: nessa direção, o Referencial Curricular Nacional 
(BRASIL, 1998) sugere atividades para crianças de 0 a 3 anos: reconhecimento 
progressivo de segmentos e elementos do próprio corpo, expressões de 
sensações e ritmos corporais por meio de gestos, posturas e da linguagem oral. 
Na atividade lúdica, para crianças de 4 a 5 anos, por meio da mediação do adulto, 
o jogo desenvolve a memória, a atenção, a linguagem, a imaginação e a 
personalidade. 
Equilíbrio e coordenação: para as crianças de 0 a 3 anos são sugeridas 
atividades de exploração de diferentes posturas corporais, ampliação da 
destreza progressiva para deslocar-se no espaço e aperfeiçoamento dos gestos 
relacionados com encaixe, traçado de desenho, entre outros. Para crianças de 
4 a 5 anos, são envolvidas atividades de correr, subir, descer, movimentar-se, 
dançar, entre outros. 
Por meio dessas atividades anteriormente sugeridas, percebo que todas 
estão relacionadas apenas ao desenvolvimento do corpo, como se o 
pensamento e as emoções estivessem fora dele. Certamente, essas atividades 
propostas são importantes para o desenvolvimento da criança, entretanto, o 
movimento não se restringe ao desenvolvimento das aprendizagens física e 
motora. 
O trabalho com o movimento não pode ser direcionado apenas para o 
desenvolvimento físico da criança. Pois a criança precisa nominar o seu 
25 
 
 
movimento conscientemente para que tenha oportunidade de explorar o 
ambiente, criar novas relações de relacionamento com o seu corpo, de conhecê-
lo e aprender a usá-lo de forma benéfica, funcional e intencional. (MELLO, 1996) 
 
Ensino fundamental de primeira a quarta série 
 
 
 No ensino fundamental de primeira a quarta série é importante que o 
aluno conheça e compreenda como se trabalha o seu corpo, pois o trabalho de 
Educação Física nas séries iniciais, possibilita aos alunos a terem, desde cedo, 
a oportunidade de desenvolver habilidades corporais e de participar de 
atividades culturais, como jogos, esportes, lutas, ginásticas e danças, com 
finalidades de lazer, expressão de sentimentos, afetos e emoções. Mais para 
isso é preciso que as aulas estejam voltadas para os aspectos corporais do 
movimento e as atividades estejam vinculadas a experiências práticas. Sendo 
que o professor deverá dar a oportunidade para que o aluno possa vivenciar 
estas práticas sem que haja a mera repetição de gestos estereotipados com vista 
em automatizá-los e reproduzi-los. É necessário que o aluno possa estar criando 
o seu próprio movimento para que haja com isso a participação integral do 
mesmo. 
 De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1997) 
no primeiro ciclo o que se percebe é que muitas crianças ao entrar na escola já 
possuem certo conhecimento sobre o movimento, o corpo e a cultura corporal 
isso devido à experiência pessoal e da vivência do grupo social em que cada 
26 
 
 
criança está inserida, e também um dos contribuintes desse conhecimento é o 
meio de comunicação, na qual através de várias informações os alunos passam 
a obter um conhecimento amplo e significativo, contribuindo com isso para a 
realização de algum tipo de movimento nas aulas de educação física. 
 Para que o aluno possa obter uma participação, ou seja, para que o 
mesmo possa estar inserido na cultura corporal do movimento nas aulas de 
educação física é necessário que a escola trabalhe primeiramente resgatando 
as experiências vividas do contexto cultural onde a escola está inserida, mais 
também não deixando de resgatar as experiências que não teriam fora da escola, 
pois agindo dessa forma o aluno pode estar inserido nas aulas de educação 
física de uma forma prazerosa, contribuindo para que o mesmo se sinta 
valorizado ao realizar uma atividade a qual condiz com sua experiência vivida. 
 No início da sua escolaridade os alunos têm grande necessidade de se 
movimentar, e é nesse ciclo que eles estão começando a se adaptar a atividades 
que exigem um grande período de concentração, ou seja, não conseguem se 
concentrar totalmente em uma atividade, então é importante que se trabalhe 
nesse ciclo a capacidade do aluno em se organizar, em realizar algum tipo de 
movimento, tentar inserir o aluno trabalhando com isso os procedimentos que 
contribuem para favorecer o desenvolvimento dessas capacidades. 
 Nesse momento da escolaridade, os alunos têm grande necessidade 
de se movimentar e estão ainda se adaptando à exigência de períodos mais 
longos de concentração em atividades escolares. Entretanto, afora o horário de 
intervalo, a aula de Educação Física é, muitas vezes, a única situação em que 
têm essa oportunidade. Tal peculiaridade freqüentemente gera uma situação 
ambivalente: por um lado, os alunos apreciam e anseiam por esse horário; por 
outro, ficam em um nível de excitação tão alto que torna difícil o andamento da 
aula. (BRASIL, 1997, p. 59) 
 Outro aspecto importante a ser destacado neste ciclo é em relação às 
aulas de educação física, que de acordo com os parâmetros curriculares 
Nacionais (BRASIL, 1997) os alunos já conseguem fazer algumas avaliações em 
relação ao desempenho de cada um, ou seja, eles não levam muito tempo para 
descobrir quem são aqueles que têm mais familiaridade em realizar certo tipo de 
27 
 
 
atividade, então é nesse momento que se deve ter cuidado em relação às 
discriminações, pois se a criança no início de sua escolaridade for vista ou 
censurada como incompetente por ter certo tipo de dificuldade ao realizar algum 
tipo de movimento, esta irá ao futuro ter medo, vergonha de participar das aulas 
e isso contribuirá de certa forma para a exclusão da mesma. Sendo que para 
que isso não aconteça é necessário que o professor nas suas aulas não se 
restrinja há uma só atividade e sim proporcione para o aluno uma variedade de 
atividades em que as competências sejam exercidas e possam ser respeitadas 
e valorizadas as diferenças de cada um. 
 Para que as aulas de educação física tragam a inclusão do aluno na 
cultura corporal do movimento é necessário que sejam respeitadas as diferenças 
entre as competências em relação a meninos e meninas,pois muitas vezes por 
razões socioculturais os meninos que sobressaem em algum tipo de atividade 
em relação às meninas e muitas vezes pode acontecer o contrário, então neste 
caso as atividades repassadas pelo professor devem promover um troca entre 
os dois gêneros, evidenciando a competência que cada um possui ao realizar 
uma atividade, pois agindo dessa forma acontecerá de certa forma a inclusão e 
a valorização do aluno nas aulas de educação física. 
 É característica marcante desse ciclo a diferenciação das experiências 
e competências de Movimento de meninos e meninas. Os conteúdos devem 
contemplar, portanto, atividades que evidenciem essas competências de forma 
a promover uma troca entre os dois grupos. Atividades lúdicas e competitivas, 
nas quais os meninos têm mais desenvoltura, como, por exemplo, os jogos com 
bola, de corrida, força e agilidade, devem ser mesclados de forma equilibrada 
com atividades lúdicas e expressivas nas quais as meninas, genericamente, têm 
uma experiência maior; por exemplo, lengalengas, pequenas coreografias, jogos 
e brincadeiras que envolvam equilíbrio, ritmo e coordenação. (PCN-Educação 
Física, 1997, p.64). 
 Em relação ao segundo ciclo como os alunos já passaram por uma 
determinada aprendizagem, já possui uma gama de conhecimentos em relação 
à educação física, ou seja, eles já estão mais independentes ao realizar algum 
tipo de movimento, ao se trabalhar com esse ciclo para promover a inclusão de 
todos é necessário que o professor ao desenvolver algum tipo de atividade abra 
28 
 
 
espaço em suas aulas para uma reflexão, ou seja, uma conversa, para que os 
alunos possam discernir quais as estratégias mais adequadas para a realização 
de algum movimento, pois isso irá contribuir para uma participação integral do 
mesmo e para que novos aspectos tornem-se mais observáveis. 
 Neste ciclo as crianças já estão mais cientes em relação às diferenças 
entre os sexos as crianças voltam a se aproximar uns dos outros, então é 
importante a atenção e o cuidado em relação às estereotipias, principalmente 
em relação aos movimentos tradicionalmente considerados, pois as crianças 
começam a ter o conhecimento e o entendimento do seu próprio corpo, onde os 
mesmos são capazes de monitorar seu desempenho, adequando-se ao grau de 
exigência de cada atividade, e uma criança conseguindo obter o conhecimento 
e o controle ao realizar uma atividade irá com certeza se tornar uma pessoa mais 
participativa, contribuindo com isso para inclusão da mesma (BRASIL, 1997). 
 Neste ciclo as habilidades e capacidades podem receber um tratamento 
mais específico, pois os alunos já reúnem condições de compreender 
determinados recortes que podem ser feitos ao analisar os tipos de movimento 
envolvidos em cada atividade. É possível sugerir brincadeiras e jogos em que 
algumas habilidades mais específicas sejam trabalhadas, dentro de contextos 
significativos. É importante que o professor solicite que as crianças criem várias 
brincadeiras contribuindo com isso para que o mesmo se sinta incluído ao estar 
realizando algum tipo de movimento, assim ele irá participar de forma integral e 
prazerosa das atividades. 
 Para que ocorra de certa forma a inclusão e a participação do aluno nas 
aulas de educação física do primeiro ao quarto ciclo é preciso o professor seja 
um mediador, tentando instigar nos alunos a participação, e com ela, a 
descoberta de um novo mundo. 
 Gasparin (2003, p. 15) afirma que, “... O educando deve ser desafiado, 
mobilizado, sensibilizado. Deve perceber alguma relação entre o conteúdo e sua 
vida cotidiana...”. O professor deve considerar que a educação do seu aluno vem 
muito antes da escola, não sendo formada somente a partir da escola, com os 
conhecimentos científicos, e seus objetivos já devem ser direcionados tomando 
por base o fato de que seu aluno já tem uma vida, que ele vem para a escola já 
29 
 
 
com conhecimentos adquiridos do seu dia-a-dia, e partindo-se dos 
conhecimentos adquiridos os alunos tornam-se mais presentes e incluídos nas 
aulas de educação física. 
 
Ensino fundamental de quinta a nona série 
 
 Nas aulas de educação física de quinta a oitava série os aspectos 
procedimentais são mais observáveis, pois as aprendizagens dos conteúdos 
estão conectadas com as experiências práticas que cada aluno já vivenciou nos 
ciclos anteriores, e dependendo da forma como se são trabalhados os conteúdos 
nas aulas, poderá sim ou não levar a exclusão do aluno nas aulas de educação 
física. Então para que não aconteça essa exclusão é necessário que as aulas 
tenham sentido para o aluno, no qual o mesmo tenha a possibilidade de estar 
fazendo escolhas, trocar informações, estabelecer questões para que o mesmo 
se sinta inserido nas aulas, pois Os conteúdos deste bloco são amplos, 
diversificados e podem variar muito de acordo com o local em que a escola 
estiver inserida (CORTEZ, 1992). 
 Deve-se haver uma integração entre professor e aluno para uma 
abordagem dos conteúdos, onde o professor promove uma visão organizada e 
os alunos tentam contribuir com um elemento novo de sua cultura, pois havendo 
essa inter-relação as aulas irão se tornar mais prazerosas, significativas e 
inclusivas, despertando com isso o diálogo e a valorização do discente 
(CORTEZ, 1992). 
30 
 
 
 É importante ressaltar no ensino fundamental de quinta a oitava série, 
para que aconteça de certa forma a inclusão do aluno na cultura corporal do 
movimento nas aulas de educação física é necessário que o mesmo esteja 
informado de como ele estará sendo avaliado durante o processo de ensino, 
para que o aluno juntamente com o professor possa dar direcionamentos quanto 
aos avanços e as dificuldades que podem surgir dentro do processo de ensino e 
aprendizagem, pois ele conhecendo, poderá de certa forma tornar cada vez mais 
produtivo este processo, contribuindo com isso para sua valorização e inclusão 
dentro das instituições de ensino. 
 Os parâmetros curriculares nacionais consideram que a avaliação deva 
ser de utilidade, tanto para o aluno como para o professor, para que ambos 
possam dimensionar os avanços e as dificuldades dentro do processo de ensino 
e aprendizagem e torná-lo cada vez mais produtivo. (PCN-Educação Física, 
2001, p.58). 
 É importante ressaltar que o aluno, dentro do contexto escolar, deve 
ser um sujeito de plena participação, podendo opinar e coordenar ações e assim 
se tornar uma pessoa participativa e consciente de suas atitudes, e não ser 
deixado de lado; a Educação Física deve fazer parte desse contexto: 
 [...]. Nos conteúdos ou nas formas e métodos de transmissão dos 
mesmos; é necessário, isto sim, uma mudança total da própria concepção da 
Educação Física e do seu processo de ensino-aprendizagem. Isto significa que 
ela não pode ser visualizada como uma atividade ou disciplina isolada do 
contexto da Educação [...] (KUNZ, 1991, p.182). 
 A cultura corporal do movimento nas aulas de educação física deve 
incluir também portadores de necessidades especiais, pois na maioria das 
vezes, eles estão excluídos da mesma e sabe-se que a participação integral do 
aluno é benéfica a essas crianças, podendo contribuir para o seu 
desenvolvimento psicossocial. 
 A participação pode trazer muitos benefícios a essas crianças, 
particularmente no que diz respeito ao desenvolvimento das capacidades 
perceptivas, afetivas, de integração e inserção social, que levam este aluno a 
31 
 
 
uma maior condição de consciência, em busca da sua futura dependência. 
(PCN-Educação Física, 2001, p.56). 
 Para que este aluno esteja inserido nas aulas fazem-se necessárias 
adaptações conforme a sua deficiência, pois o professor deve ser flexível ao 
passar alguma atividade, estimulando com isso tanto o aluno portador de 
necessidades especiais quanto o grupo, para que todos possam se sentir 
capazesde socializar, contribuindo com isso para o princípio da inclusão 
(BRASIL, 2001). 
 Outros alunos que ficam muitas vezes excluídos da cultura corporal do 
movimento nas aulas de educação física, são os que estudam pelo período 
noturno, de participar integralmente das aulas e do acesso da cultural corporal, 
pois o que se observa é que existe a diferença dos conteúdos repassados no 
curso noturno em relação aos que estudam no período diurno e isso não deveria 
acontecer. (BRASIL, 2001). 
 
Ensino médio 
 
 No ensino médio, frequentemente as aulas de educação física 
costumam repetir os programas do ensino fundamental, resumindo-se as 
práticas dos fundamentos de alguns esportes e a execução do gesto técnico 
esportivo. Como os alunos já adquiriram conhecimentos prévios em relação à 
cultura corporal do movimento nas aulas de educação física, devido às séries 
anteriores que correspondem ao ensino fundamental, estes já podem ter um 
32 
 
 
conhecimento mais específico relacionados ao seu corpo, ou seja, já estão 
preparados para compreender o funcionamento do organismo humano, bem 
como conhecendo melhor o seu corpo, irá conseqüentemente atuar de forma 
significativa ao participar de alguma atividade, possibilitando com isso sua 
integração nas aulas de educação física e uma ampla compreensão e atuação 
das manifestações da cultura corporal. (BRASIL, 1999). 
 Além disso, para que haja de certa forma a inclusão do aluno na cultura 
corporal do movimento nas aulas de educação física, é necessário também que 
o professor estimule os educando e seja mais flexível em relação aos conteúdos, 
para isso precisa propor atividades as quais que propiciem prazer e satisfação 
do aluno, em que as mesmas devem adequar-se ao aluno, com isso ele terá 
mais interesse em participar das aulas, permitindo que aconteça a inclusão. 
Porém se os alunos que tiverem que se adequar a cada atividade repassada 
pelo professor e o mesmo se manter rígido em atividades desinteressantes aos 
alunos, poderá vir a ocasionar a exclusão ou o afastamento das aulas. 
 Os PCN’s (1999, p.163) afirmam que “(...) É a atividade que deve 
adequar-se ao aluno e não o aluno à atividade. Ou seja, o professor, ao se 
manter rígido em atividades desinteressantes aos alunos, termina por afastá-los 
da disciplina”. 
 Segundo (PCN’s, 1999, p.167) umas das competências e habilidades 
a serem desenvolvidas em educação física no ensino médio é: “compreender as 
diferentes manifestações da cultura corporal, reconhecendo e valorizando as 
diferenças de desempenho, linguagem e expressão”. Com isso os alunos 
passam a se integrar à cultura corporal, compreendendo as diferenças que irão 
ocorrer durante o processo de ensino e aprendizagem. 
 Neste ciclo também devem ser explorado do aluno um conjunto de 
novas disposições e atitudes, como investigar, selecionar informações, analisar, 
sintetizar, argumentar, negociar significados e cooperar, porque ele já adquiriu 
conhecimento necessário para que aconteça a sistematização do conhecimento 
e também desperta a compreensão de suas propriedades comuns, e como lidar 
com a questão científica regularmente, isso possibilitará sua participação integral 
como formador de opiniões. 
33 
 
 
 Uma característica bastante comum no ensino médio é a existência de 
turmas extremamente heterogêneas, principalmente em virtude das experiências 
anteriores com a cultura corporal, muito diferenciado entre os alunos, então cabe 
ao professor saber trabalhar com turmas mistas, para ajudar os jovens a 
construir relações de respeito pelas diferenças, somando o que os homens e as 
mulheres têm de melhor, compreendendo o outro, com isso aprendendo a ser 
pessoas, mas abertas e equilibradas (DAOLIO, 1995). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
34 
 
 
CONCLUSÃO 
 
 Quando as crianças brincam, elas o fazem para satisfazer uma 
necessidade básica que é viver a brincadeira. No entanto, a insistência de que a 
brincadeira precisa ter uma função "pedagógica" inserida numa lógica 
produtivista limita suas possibilidades e impede que as crianças recriem 
constantemente as formas de brincar e se expressar. 
 Diante do exposto, torna-se cada vez mais evidente que, para pensar a 
educação física no âmbito do trabalho pedagógico com crianças de pouca idade, 
faz-se necessário articular diferentes áreas do conhecimento e diferentes 
profissionais. Assim como na construção de um mosaico, profissionais vão 
articulando saberes e práticas que não podem ficar reduzidos a uma única 
disciplina ou a uma única área do conhecimento. Isso se acreditamos que as 
crianças, assim como nós, adultos, também são capazes de produzir cultura. 
 Acreditar e defender que a cultura corporal se configura dimensão 
constituinte da produção cultural humana, condicionada histórica e social, 
concordar com permanência como uma estratégia para dar dimensão corporal 
humana do movimento, mostra o quanto pode favorecer as aulas de Educação 
Física, podendo reconhecer todos os específicos domínios no mundo, na 
produção do conhecimento e nas práticas pedagógicas. 
Buscar o entendimento específico para se ter o fundamental para o 
desenvolvimento que a área necessita, reconhecendo que os aprendizados 
podem alcançar e articular toda a especificidade sobre o assunto. Porque o papel 
da Educação Física e do professor de Educação Física é o de facilitar o acesso 
e a apropriação crítica da cultura corporal do movimento, relacionando o saber 
movimentar, saber sobre esse movimentar. 
O papel importante do professor, com o auxílio da escola, é de ajudar o 
indivíduo no processo de mediação de saber para a consciência, oferecendo 
autonomia na cultura corporal do movimento. O quanto os jogos, as brincadeiras, 
os esportes, as danças, as ginásticas, o atletismo e as lutas podem proporcionar 
35 
 
 
o desenvolvimento, fazendo com que o indivíduo, consiga aprimorar o “eu”, como 
indivíduo, que precisa transformar o próprio ser. 
E de suma importância utilização dos movimentos corporais como forma 
de integrar e educar a todos os alunos, inclusive os alunos com necessidades 
especiais, que precisam muito se desenvolverem em diferentes aspectos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
36 
 
 
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