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UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E COMUNICAÇÃO - ICSC CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS GIOVANNA LACERDA LOURENÇO RA: F19CHH-0 TURMA: WA8268 A Relevância dos Controles Internos nas Empresas em Conformidade com a Lei Sarbanes-Oxley (SOX): Minimizando Riscos em Auditorias e Prevenindo Fraudes SÃO PAULO 2024 GIOVANNA LACERDA LOURENÇO F19CHH-0 TURMA: WA8268 A Relevância dos Controles Internos nas Empresas em Conformidade com a Lei Sarbanes-Oxley (SOX): Minimizando Riscos em Auditorias e Prevenindo Fraudes Estágio Curricular Supervisionado está previsto no Art.7 da Resolução CNE CES 10 2004 de 16/12/2004, como um componente curricular obrigatório e tem como principal objetivo a integração entre a teoria e a prática, provendo uma relação direta entre os conhecimentos adquiridos durante o curso de Ciências Contábeis. Orientador: Prof. Derneval SÃO PAULO 2024 1. APRESENTAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO ..................................................... 2 1.1. Razão Social .......................................................................................... 2 1.2. Origem .................................................................................................... 2 1.3. Evolução ................................................................................................. 2 1.4. Endereço ................................................................................................ 3 1.5. Ramo de Atividade ................................................................................ 3 1.6. Filiais ...................................................................................................... 3 1.7. Missão e Objetivos da Empresa ........................................................... 4 1.8. Principais concorrentes ........................................................................ 5 1.9. Principais produtos ............................................................................... 6 1.10. Organograma geral da organização ................................................. 7 2. APRESENTAÇÃO DA ÁREA ESTAGIADA ............................................... 8 2.1. Nome do Departamento/Setor .............................................................. 8 2.2. Organograma ......................................................................................... 8 2.3. Descrição sucinta das funções contidas no organograma do departamento/setor ...................................................................................... 9 3. DESCRIÇÃO DETALHADA DAS ATIVIDADES REALIZADAS NA FUNÇÃO EXERCIDA ...................................................................................... 11 4. CONTEXTUALIZAÇÃO Prática e TEÓRICA ............................................ 12 4.1. Identificação de problemas na área estagiária ................................. 12 4.2. Encaminhamento de solução para os problemas identificados ..... 13 4.3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ............................................................ 14 4.3.1 História da Lei Sarbanes Oxley ........................................................ 14 4.3.2 Aplicabilidade da Lei ......................................................................... 16 4.3.3 A Lei Sarbanes-Oxley e seus principais pontos referentes a Auditoria e Controles Internos .................................................................. 16 4.3.4 Conceitos de Auditoria ...................................................................... 22 4.3.5 Fraudes ............................................................................................... 24 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................. 26 REFERÊNCIAS ............................................................................................ 27 1 INTRODUÇÃO No início do século XXI, o mercado financeiro dos Estados Unidos foi abalado por um dos maiores escândalos corporativos da história: o colapso da Enron. Em meio a revelações de fraudes contábeis e má gestão, a empresa, outrora considerada uma das maiores do país, admitiu inflar seus lucros, resultando em sua falência em novembro de 2001. A Arthur Andersen, uma prestigiada firma de auditoria global, envolvida na auditoria independente da Enron, também viu sua reputação manchada pelo escândalo. Esses eventos desencadearam uma onda de desconfiança e instabilidade no mercado, levando à promulgação da Lei Sarbanes-Oxley em 2002. Esta legislação, elaborada para restaurar a confiança dos investidores e garantir a transparência corporativa, teve um impacto profundo no mercado financeiro, destacando a importância dos controles internos e do papel fundamental da auditoria na prevenção de fraudes e na proteção dos interesses dos acionistas. Neste trabalho, examinaremos em detalhes a origem, as principais seções e os impactos da Lei Sarbanes-Oxley no mercado de capitais norte-americano. 2 1. APRESENTAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO 1.1. Razão Social A razão social da companhia é Grant Thornton Auditoria e Consultoria Ltda. 1.2. Origem A Companhia teve sua origem em meados de 1980 com o Sr. Alexander fundador da empresa Alexander Grant Co., que em sua jornada de expansão internacional, juntou-se a 49 outras empresas de contabilidade, incluindo a de Reginald Thornton, situada no Reino Unido, que na época era uma das firmas reconhecida por sua alta qualidade nos trabalhos executados, carteira de clientes renomados, bom número de pessoal e valores semelhantes ao que o Sr Alexandre buscava para expandir e então formar uma organização global, a Grant Thornton International. 1.3. Evolução Os primeiros passos vieram em 1924, quando Alexander Richardson Grant tinha 26 anos e decidiu fazer uma mudança na carreira, deixando a estabilidade como contador sênior em uma empresa consolidada para realizar seu sonho de empreender e fundar a Alexander Grant & Co. em Chicago. A princípio seu foco seria atender empresas de médio porte. Apesar da sua morte prematura de Grant em 1938, a empresa Alexander Grant & Co. continuou a crescer nacionalmente sob a orientação de vários diretores executivos dinâmicos e inovadores, levando a visão do seu fundador ainda mais longe. Mais ao final da década de 1960, a liderança da empresa decidiu que era o momento ideal para expandir internacionalmente. 3 Em 1969, com Wallace E. Olson no comando, Alexander Grant & Co. juntou-se a empresas da Austrália, Canadá e Reino Unido para estabelecer a nova empresa, Alexander Grant Tansley Witt – organização operou com sucesso por 10 anos. Enquanto isso, Reginald Thornton fundou sua própria firma em Oxford e iniciou uma conversa com um jovem do escritório de inspeção tributária que questionou sua avaliação fiscal. Assim começou o relacionamento de Thornton Baker com a Morris Motors, um player novo e emergente no setor automotivo no Reino Unido, que se tornaria um dos clientes mais próximos e mais longos da Thorton Baker. 1.4. Endereço No Brasil a matriz encontra-se sediada na Avenida Luis Caros Berrini, Nº 105 – Vila Olímpia 04571- 000 - São Paulo. 1.5. Ramo de Atividade Os ramos de atividade da companhia são: Auditoria, Consultoria, Tributos, BPS (Business Process Solutions) e ESG (Sustentabilidade econômica, ambiental, social e de governança). 1.6. Filiais No Brasil estão distribuídos em 18 cidades sendo elas: São Paulo (Avenida Luis Caros Berrini, Nº 105 – Vila Olímpia 04571- 000 - São Paulo);Campinas (Av. José de Sousa Campos, 507 - 5° andar - Cambuí, Campinas - SP, 13025-320); Ribeirão Preto (Av. Luiz Eduardo Toledo Prado, 870 - sala 602 6ºAndar - Vila do Golfe, Ribeirão Preto - SP, 14027-250); Porto Alegre (Av. Iguassu, 418 - 1404 - Petrópolis, Porto Alegre - RS, 90470-430); Londrina 4 (Av. Ayrton Senna da Silva, 300 - Palhano 1, Londrina - PR, 86050-460); Curitiba (Av. Iguaçu, 100 - 5° Andar - Rebouças, Curitiba - PR, 80230-020); Rio de Janeiro (Praia do Flamengo, 154 - Conjuntos 401/402 - Flamengo, Rio de Janeiro - RJ, 21210-030); Vitória (R. Leocádia Pedra dos Santos, 115 - 304 - Enseada do Suá); Goiânia (Av. Dep. Jamel Cecílio, 2929 - Torre B Sala 2701 - 27º andar - Jardim Goiás, Goiânia - GO, 74085-580); Belo Horizonte (Praça Carlos Chagas, 49 - 4° andar - Santo Agostinho, Belo Horizonte - MG, 30170-020); Uberlândia (R. Rio de Janeiro, 353 - Sala 403 - Brasil, Uberlândia - MG, 38400- 658); Salvador (Av. Tancredo Neves, 2539 - Sala 2016. Caminho das Árvores - CEP 41820-021); Fortaleza (Torre Norte - R. Des. Leite Albuquerque, 1300 - Sala 520 - Aldeota, Fortaleza - CE, 60150-150); e Recife (R. Padre Carapuceiro, 752 - 6° andar - Boa Viagem, Recife - PE, 51020-280). 1.7. Missão e Objetivos da Empresa A Grant Thornton Brasil, está sempre comprometida com os mais altos valores globais, que orientam sua maneira de trabalhar e impulsionam seu crescimento. A missão é não apenas fornecer serviços de excelência aos seus clientes, mas também impactar positivamente as comunidades locais e apoiar o desenvolvimento das carreiras de seus colaboradores. Priorizamos seis pilares fundamentais que refletem seu compromisso com a excelência em todas as áreas de atuação. A inovação está no cerne de tudo o que fazem, impulsionando-os a buscar constantemente novas e melhores formas de atender às necessidades de seus clientes e do mercado. Além disso, a sustentabilidade é uma preocupação central em todas as suas operações. A Companhia se mostra sempre empenhada em minimizar o 5 impacto ambiental e em contribuir para um futuro mais sustentável para as gerações futuras. A busca pela excelência é um valor fundamental que permeia todas as suas atividades. O compromisso com a qualidade e a precisão em cada serviço que prestam é inabalável. Colocando seus clientes em primeiro lugar, buscam sempre compreender suas necessidades e superar suas expectativas. O sucesso da empresa está diretamente ligado ao sucesso de seus clientes. O senso de dono é uma característica distintiva de sua cultura corporativa. Cada membro da equipe é incentivado a agir como se fosse proprietário da empresa, assumindo responsabilidade e mostrando iniciativa em todas as suas atividades. E Por fim, um compromisso inabalável com as pessoas onde seus colaboradores, clientes e as comunidades em que operam. Estão dedicados a criar um ambiente de trabalho inclusivo e de apoio, onde todos tenham a oportunidade de crescer e prosperar. 1.8. Principais concorrentes Seus principais concorrentes são as empresas que ocupam liderança no ramo de auditoria: • Deloitte Brasil • EY Brasil • KPMG Brasil • PWC Brasil 6 1.9. Principais produtos A Companhia oferece os seguintes produtos para seus clientes: Auditoria: Oferecem análise independente e eficaz das demonstrações financeiras para gerar insights profundos e suportar as tomadas de decisões estratégicas de forma assertiva, atendendo as exigências dos acionistas, proprietários, investidores e demais stakeholders. Consultoria: Oferecem soluções estratégicas e táticas que agregam valor aos negócios dos seus clientes. Potencializando ao máximo o crescimento das empresas, criando oportunidades de mercado e protegendo a sua reputação. Tributos: A complexidade do sistema tributário brasileiro favorece o cenário de contingências fiscais. A empresa ajuda as organizações com sua gestão e compliance tributário, focados na otimização da carga tributária e na maximização de oportunidades. BPS (Business Process Solution): Por meio da automação de processos utilizando inteligência artificial, auxiliando os clientes em seus processos e operações administrativas, financeiros, contábeis, fiscais, de recursos humanos, gestão ambiental e governança, de forma integrada, para que se permitam focar e suas estratégias direcionadas ao seu core business de atuação. 7 1.10. Organograma geral da organização (Fonte: disponível em: https://grantthorntonbrasil.com.br acesso em 07.07.2024) 8 2. APRESENTAÇÃO DA ÁREA ESTAGIADA 2.1. Nome do Departamento/Setor O Estágio Curricular foi realizado no departamento de Auditoria, área que em estágio. 2.2. Organograma 2 Organograma específico do departamento/setor Sócio I Gerente Sênior I Supervisor I Auditor Sênior II I Auditor Sênior I Assistente II I Assistente I I Trainee (Fonte: Desenvolvido pelo autor deste trabalho em 2024) 9 2.3. Descrição sucinta das funções contidas no organograma do departamento/setor Sócio: direção, supervisão e execução do trabalho de auditoria de acordo com as normas técnicas e com as exigências legais e regulatórias aplicáveis; e emissão do relatório apropriado nas circunstâncias; Gerente Sênior: Gerencia e planeja as atividades de auditoria, avalia controles internos e analisa a aplicação adequada dos procedimentos para controlar as informações, identificar possíveis falhas e promover alterações, interpretando os resultados no cumprimento dos planos de ação; Supervisor: Elabora métricas, relatórios de monitoria de performance e de qualidade. Apresenta cases para melhorias, supervisiona equipe e se reportar a gerência; Auditor Sênior: Realiza auditoria operacional e contábil, baseando-se em programas específicos de auditoria. Verifica os livros contábeis, fiscais e comerciais apurando a veracidade entre os lançamentos e os documentos. Atua de forma integrada com os assistentes, visando apoiá-los quando das análises das demonstrações financeiras e contábeis; Assistente: Faz análise e cumprimento de normas, elabora relatórios com pareceres, recomendações, demonstrativos, descrições dos procedimentos praticados e não conformidades. Controla testes quantitativos e qualitativos, faz a identificação de riscos e fraudes, realiza inventários, acompanha e elabora normas e procedimentos; Trainee: Acompanha e desenvolve atividades na área de Auditoria, envolvendo a análise de documentos e processos organizacionais, a fim de 10 capacitar para ocupação do cargo profissional planejado e aprimorar o conhecimento dos negócios, produtos ou serviços da empresa. 11 3. DESCRIÇÃO DETALHADA DAS ATIVIDADES REALIZADAS NA FUNÇÃO EXERCIDA 3.1. Descrever, detalhadamente, as atividades realizadas na função exercida. Durante o trabalho de auditoria desenvolvo as diversas atividades a seguir: Auxílio a equipe no desenvolvimento de procedimentos de verificação, analisando o cruzamento dos dados contábeis com documentos enviados por terceiros. Reviso documentos financeiros, como balanço, projeções de resultados e fluxos de caixa. Avalio e testo os controles internos implementados pela empresa para garantir a eficácia na prevenção e detecção de erros ou fraudes. Analiso transações individuais para garantir que sejam corretamente registradas e específicas. Identifico e avalio os riscos associados às operações e transações da empresa. Após a conclusão dos trabalhos, o auditor sócio responsável emite um relatório que destaca as nossas descobertas. Isso pode incluir recomendações para melhorias nos processos internos. Garantir que a empresa esteja em conformidade com todas as leis e regulamentos relevantes. Embora tenham a principal responsabilidade de detectar fraudes seja no sistema de controle interno da empresa,nossa equipe também desempenha um papel na identificação de possíveis irregularidades. Mantendo a organização dos documentos físicos, e desenvolvimento de papéis de trabalho com testes substantivos e analíticos com a finalidade de apresentar a situação da empresa o mais transparente possível para a fundamentação da opinião da nossa opinião como auditor na entrega do seu relatório. 12 4. CONTEXTUALIZAÇÃO PRÁTICA E TEÓRICA 4.1. Identificação de problemas na área estagiária A Contabilidade, em seu escopo mais abrangente, é a ciência que analisa e registra os elementos que compõem o patrimônio das organizações, abordando tanto os aspectos quantitativos quanto os qualitativos das operações e eventos que influenciam esse patrimônio. Dentro dessa disciplina, a Auditoria se destaca como uma especialização que se concentra em avaliar a eficiência e a eficácia dos controles relacionados ao patrimônio. Em outras palavras, a Auditoria realiza uma análise detalhada e meticulosa das transações, procedimentos, operações, práticas e demonstrações financeiras de uma organização. Como mencionado por Crepaldi (2023, p.8), a prática da Auditoria envolve a avaliação de áreas críticas nas empresas, visando prevenir situações que possam facilitar fraudes, desvios e subornos, por meio de testes regulares nos controles internos específicos de cada entidade. A promulgação da Lei Sarbanes-Oxley (SOX) em 2002 pelo Congresso dos Estados Unidos foi uma resposta direta à descoberta de fraudes em empresas de grande porte, que causaram prejuízos significativos para investidores e clientes, abalando a confiança no mercado. O objetivo dos legisladores ao criar essa legislação foi aumentar a transparência e a responsabilidade no ambiente de controle das empresas. Dado o exposto, torna-se claro que a Auditoria desempenha um papel fundamental nas organizações, atuando como uma medida crucial para mitigar 13 riscos e evitar ocorrências de fraudes. Dessa forma, surge como problema central de pesquisa a seguinte indagação: De que forma a implementação da Lei Sarbanes-Oxley (SOX) contribuiu para aprimorar os processos de Auditoria dentro das organizações, considerando seus impactos específicos e benefícios observados? 4.2. Encaminhamento de solução para os problemas identificados A Lei Sarbanes-Oxley (SOX) foi promulgada por Paul Sarbanes e Michael Oxley, membros do Congresso dos Estados Unidos, em resposta a uma série de escândalos que abalaram empresas conceituadas no mercado norte- americano. Seu propósito principal é promover transparência nas atividades contábeis e financeiras das entidades. A SOX é composta por 11 capítulos e 69 artigos que detalham as obrigações que as empresas devem cumprir para estar em conformidade com a lei. Todas as organizações com ações listadas na Bolsa de Valores de Nova Iorque são obrigadas a implementar controles para atender aos requisitos da SOX. Segundo Silva e Junior (2008), a Lei Sarbanes-Oxley (SOX) representa um marco significativo no mercado de capitais, comparável em importância aos eventos desencadeados pela quebra da Bolsa de Nova York em 1929 e às regulamentações promulgadas pela Securities and Exchange Commission (SEC) em 1933 e 1934. O segundo capítulo da SOX é dedicado de forma exclusiva à regulação dos auditores independentes. Nele, são estabelecidas proibições de certos serviços, a necessidade de pré-aprovarão da contratação do auditor, diretrizes para o relacionamento entre o auditor e o comitê de auditoria, e medidas para mitigar conflitos de interesse. 14 A implementação da Lei Sarbanes-Oxley trouxe desafios financeiros significativos para as empresas, que necessitaram investir valores elevados em modificações de seus sistemas internos e em auditorias externas independentes. Contudo, caso as organizações busquem aprimorar processos para prevenir erros e fraudes, pode valer a pena avaliar os benefícios advindos do fortalecimento dos controles internos conforme estabelecido pela legislação. Ao mesmo tempo, merece atenção a capacidade de trazer ganhos para a companhia como um todo através de melhorias nos procedimentos internos, mitigando riscos e assegurando a conformidade legal. 4.3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 4.3.1 História da Lei Sarbanes Oxley A Lei Sarbanes-Oxley, comumente abreviada como SOX ou SarBox, foi promulgada pelo presidente George W. Bush em 30 de julho de 2002, como resultado de investigações conduzidas por uma comissão parlamentar e pelo Senado dos Estados Unidos. Essas investigações foram desencadeadas por uma série de escândalos contábeis que abalaram o mercado financeiro norte- americano. Empresas respeitadas foram envolvidas em fraudes contábeis significativas, manipulando seus resultados financeiros para inflar os lucros, enquanto, na realidade, estavam à beira da falência devido a dívidas substanciais. Os congressistas americanos Paul Sarbanes e Michael Oxley foram os principais arquitetos desta legislação, que ficou conhecida por seus sobrenomes. A Lei SOX é um conjunto de reformas que busca aumentar a transparência, reparar a perda da credibilidade pública nos 15 líderes empresariais e ressaltar a importância de padrões éticos nas informações reportadas aos investidores. Procura também intensificar os controles internos, comunicação e transparência nas organizações, visando, primordialmente, trazer credibilidade às demonstrações financeiras disponibilizadas ao mercado. (GELATTI; MENEGHETTI; SILVA, 2012, p.70). Além disso, as autoras ressaltam que a lei foi elaborada com o propósito de salvaguardar os acionistas das empresas listadas na Bolsa de Valores de Nova York contra práticas fraudulentas. Isso implicou na necessidade de aprimoramento das estruturas de controle financeiro interno dessas companhias, visando a aumentar a transparência em suas operações. Em outras palavras, a SOX tem como objetivo principal detectar, enfrentar e prevenir fraudes que possam afetar o desempenho financeiro das organizações, assegurando a conformidade com as normas regulatórias. Segundo Heimoski e Timi (2020) na lei SOX temos a definição de quais registros contábeis e não contábeis devem ser mantidos em arquivo e, por quanto tempo. Além disto, a lei trás diversas instruções sobre a forma que os resultados, contas e demonstrações financeiras no geral devem ser apresentados. A Lei Sarbanes-Oxley foi dividida em 11 capítulos, sendo eles: Fonte: Silveira, Duca e Mario (2010, p. 6)Capítulos e Artigos da Lei Sarbanes-Oxley. 16 4.3.2 Aplicabilidade da Lei Empresas americanas e estrangeiras de capital aberto que negociam ações na Bolsa de Valores de Nova York e, por conseguinte, divulgam suas demonstrações financeiras junto à Securities and Exchange Commission (SEC) estão sujeitas à obrigação de cumprir a Lei Sarbanes-Oxley (SOX). A SEC é o órgão regulador do mercado de capitais nos Estados Unidos, equivalente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no Brasil. 4.3.3 A Lei Sarbanes-Oxley e seus principais pontos referentes a Auditoria e Controles Internos A implementação da Lei SOX resultou em uma série de melhorias em práticas já estabelecidas, bem como na introdução de novos elementos para fortalecer os controles internos das empresas, visando promover a transparência contábil. Um exemplo significativo é a criação, em 2002, do PCAOB (Public Company Accounting Oversight Board), uma entidade sem fins lucrativos supervisionada pela SEC (Securities and Exchange Commission). O PCAOB foi estabelecido com a missão específica de supervisionar as atividades de auditoria das empresas de capital aberto, com o objetivo de proteger os interesses dos investidores, garantindo que os relatórios de auditoria forneçam informações precisas e confiáveis. Entre as responsabilidades atribuídasao PCAOB, destacam-se: • O registro das empresas de auditoria independente autorizadas a funcionar no país; • O estabelecimento de padrões de auditoria, controle de qualidade, ética, independência e outros relacionados ao desempenho dos serviços de auditoria; • Condução de inspeções nas empresas de auditoria; • Condução de investigações, procedimentos disciplinares e imposição de sanções apropriadas tanto para as empresas de auditoria quanto para os sócios e gerentes destas instituições; 17 • Performar quaisquer outros serviços e/ou atribuições consideradas necessárias (pela SEC ou pelo próprio PCAOB) para assegurar e promover altos padrões profissionais e a qualidade dos serviços de auditoria oferecidos pelas empresas registradas; • Assegurar que as empresas de auditoria observem os critérios estabelecidos pela Sarbanes-Oxley, regulamentos do próprio PCAOB, padrões profissionais e legislação societária, tanto no desempenho de suas atribuições quanto na geração dos relatórios correspondentes. (BORGERTH, 2018, p. 20 e 21). Ainda segundo Borgerth (2018), o Conselho da PCAOB deve ser formado por cinco membros, determinados pela SEC. Dois destes membros devem ser contadores devidamente certificados, sendo que os cinco membros devem servir a PCAOB com exclusividade, sem possibilidade de remuneração por empresas privadas durante o período em que fizerem parte do conselho da entidade. De acordo com a autora, após 180 dias da criação do PCAOB, ficou vetada o exercício das funções de auditoria para qualquer empresa do ramo que não estivesse autorizada pelo órgão. No formulário de registro junto ao órgão, as empresas de auditoria se comprometem a cooperar e se submeter a quaisquer tipos de solicitação de prestação de testemunho em casos de investigação sobre possíveis fraudes. Até dezembro de 2005, o PCAOB já havia editado os seguintes regulamentos: • Padrões de Auditoria nº 01: aprovado pela SEC em 14 de maio de 2004 e obrigatório para os relatórios de auditoria emitidos a partir desta data. Segundo esse regulamento, as empresas de auditoria são obrigadas a atestar em seus relatórios que seus trabalhos estão em consonância com os padrões estabelecidos pelo PCAOB. A fim de dar início às suas atividades, o PCAOB adotou, em caráter provisório, os padrões de auditoria formulados pelo AICPA (American Institute of Certified Public Accountants): Declaração de Procedimentos de Auditoria nº 95 – Padrões de Auditoria Geralmente Aceitos, em vigor em 16 de abril de 2003. • Padrões de Auditoria nº 02: aprovado pela SEC em 17 de junho de 2004 e obrigatório de acordo com o calendário estabelecido para a Seção 404 da Lei Sarbanes-Oxley. Esse 18 regulamento estabelece os procedimentos a serem observados pelos auditores independentes para certificar a Seção 404 da Lei. Essa seção, que versa sobre os controles internos das empresas, é uma das mais complexas e, por isso, vem sendo uma das que mais demandam investimentos das empresas no sentido de se adequar às exigências da Lei. • Padrões de Auditoria nº 03: aprovado pela SEC em 25 de agosto de 2004 e obrigatório a partir de 15 de novembro do mesmo ano. Esse regulamento estabelece os critérios para a documentação que deve ser preparada e mantida pelas empresas de auditoria, e seu grande propósito é evitar situações em que documentação comprometedora venha a ser destruída, como ocorreu no caso Enron em que a Arthur Andersen destruiu documentos comprometedores. (BORGERTH, 2018, p. 22). No Capítulo II da SOX, temos a Independência do Auditor, onde no final do ano 2000 com base no exemplo do que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) realizou no Brasil, a SEC trouxe novas regras para o conceito de independência dos auditores. A Seção 201 da Lei Sarbanes-Oxley traz a proibição de alguns serviços que não estão relacionados à auditoria, sendo eles: • Guarda de livros: é vetada aos auditores a elaboração das demonstrações contábeis a serem por eles auditadas ou mesmo da base de dados que servirá para o preparo destas demonstrações. • Desenho e implementação de sistemas de informação financeira: é vetada aos auditores a operação ou supervisão dos sistemas de informação, ou a administração da rede local dos seus clientes de auditoria. Além disso, estes auditores não podem prestar serviço referente ao desenho ou implementação de sistemas ou mesmo equipamentos que agreguem à base de dados que suporta os relatórios financeiros ou gera informação considerada relevante para sua elaboração. • Cálculo do valor econômico, opinião sobre o valor justo, ou participação em relatórios com esta finalidade: é vetado às empresas de auditoria o cálculo do valor justo, ou afins, das empresas por elas auditadas. De uma forma geral, esse tipo de informação é utilizado para processo de venda, incorporação ou fusão de empresas e é fortemente baseado em informações contábeis. Desse modo, fica comprometida a independência das empresas que auditam as informações que constituíram insumo para esse tipo de avaliação. • Serviços atuariais: é vetado às empresas de auditoria o envolvimento do cálculo dos valores atuariais a serem registrados para a manutenção dos fundos de pensão ou cálculo de benefícios pós- empregos dos planos patrocinados pelas empresas por elas auditadas. 19 • Serviço de auditoria interna: é vetado às empresas de auditoria prestar serviços de auditoria interna às empresas para as quais já presta serviços de auditoria externa. • Funções administrativas: é vetada às empresas de auditoria a prestação de serviços, mesmo que temporários, de diretor, executivo ou funcionário a quem presta serviços de auditoria, ou participar do processo decisório ou mesmo da supervisão ou monitoração contínua a estas empresas. • Recursos humanos: é vetada às empresas de auditoria a função de recrutamento e contratação de empregados e/ou executivos para as empresas por elas auditadas. • Corretor: é vetado às empresas de auditoria atuar como corretor, promotor ou underwriter das empresas para as quais presta serviços de auditoria. Também é vetado que estas empresas participem das decisões de investimento, executem operações de compra/venda de investimentos, ou mantenham a custódia de ativos em prol de seus clientes. • Serviços legais: é vetada às empresas de auditoria a prestação de serviços de natureza legal a seus clientes, uma vez que eles devem ser realizados por escritórios de advocacia legalmente registrados para esta finalidade. • Opinião técnica: é vetado às empresas de auditoria se pronunciar ou testemunhar a favor de seus clientes perante seus concorrentes. (BORGERTH, 2018, p. 24 e 25). A SEC estabeleceu que os serviços não relacionados à auditoria e não abordados na Seção 201 da Lei Sarbanes-Oxley podem ser fornecidos por empresas de auditoria, contanto que obtenham prévia aprovação do PCAOB. Isso inclui serviços de consultoria tributária. No entanto, algumas restrições adicionais foram especificadas: • Deverá haver rodízio do sócio encarregado da conta, a cada 5 anos (Seção 203). No Brasil, tanto a CVM quanto o Banco Central são mais severos, estabelecendo o rodízio da própria empresa de auditoria a cada cinco anos. • O auditor deverá se reportar ao Comitê de Auditoria, e não mais à Diretoria Financeira da empresa auditada (Seção 204). • Uma empresa que já tenha prestado serviços de auditoria a uma empresa não poderá ser contratada novamente antes que tenha decorrido o período mínimo de um ano entre uma contratação e outra (Seção 206). (BORGERTH, 2018, p. 26). No capítulo III temos a Responsabilidade das Empresas ou então Responsabilidade Corporativa, para a autora Borgerth (2018) este capítulo 20 pode ser considerado um dos mais importantes da Lei. Nele são abordados mais alguns assuntos que tratam sobre a auditoria,entre eles: • Comitê de auditoria (Seção 301): as empresas abertas, inclusive as estrangeiras, deverão contar com um Comitê de Auditoria que terá por finalidade desvincular o serviço de auditoria independente da diretoria financeira das empresas. O Comitê será responsável não apenas pela seleção da empresa de auditoria, mas também pela supervisão do seu serviço e aprovação da prestação de serviços adicionais (proibidos no Brasil pela Instrução nº 308 da CVM). Para isso, os membros deste Comitê devem ser independentes (non- affiliated persons), havendo, pelo menos, um especialista financeiro. Caso a empresa não apresente um especialista financeiro em seu Comitê, esse fato deve ser amplamente divulgado no Relatório 20F. • O comitê deve responder diretamente ao Conselho de Administração. (BORGERTH, 2018, p. 27). A SEC implementou um modelo de declaração que exige a assinatura trimestral do presidente da empresa e do diretor financeiro (anualmente para empresas estrangeiras). Esta declaração atesta a veracidade das informações divulgadas pela empresa e a eficácia dos controles internos que embasam essas informações. A introdução deste certificado na Seção 302 da Lei Sarbanes-Oxley aumentou a confiabilidade dos resultados divulgados. Uma vez assinado, os administradores responsáveis enfrentam penalidades severas, podendo até serem condenados a até 20 anos de prisão em caso de informações falsas. Avaliação dos controles internos (Seção 404): no Certificado previsto na Seção 302, os administradores atestam a efetividade dos controles internos da empresa. Nesta Seção, são estabelecidos os critérios para sua avaliação. Todos os relatórios financeiros da empresa devem apresentar informações sobre os sistemas de controles internos e procedimentos de teste para verificar sua precisão. Esses testes não poderão ser realizados em períodos superiores a 90 dias antes da divulgação da informação. De acordo com Borgerth (2018) O COSO (The Committee of Sponsoring Organizations) é uma iniciativa privada independente, que estuda fatores que podem levar à geração de relatórios fraudulentos. As empresas são orientadas 21 pela SEC a adotar os padrões de controles internos que são estabelecidos pelo comitê mencionado. Abaixo veremos as cinco maiores associações profissionais norte- americanas que são responsáveis pelo patrocínio do COSO: (Associações contábeis e financeiras norte-americanas.Fonte: Oliveira e Linhares (2007, p. 166). Os fundamentos representados pelo COSO estão baseados em quatro conceito-chaves, sendo eles: • Controle Interno é um processo: Controles Internos não representam um fim, mas meios para se atingir um determinado fim • Controles Internos são conduzidos por pessoas: Não se trata apenas de um manual ou um formulário, mas abrange todo o conjunto de pessoas que interagem com a companhia, independentemente do nível em que atuam. • O que se espera com uma política de Controles Internos: A obtenção de uma razoável certeza a respeito da qualidade da informação, pois não há como se chegar à garantia total. • Para que são gerados Controles Internos: Controles Internos são gerados para se alcançar objetivos em uma categoria específica, ou em várias categorias, que, embora separadas, são inter- relacionadas. (BORGERTH, 2018, p. 38). Além dos conceitos-chaves mencionados, o COSO apresenta dimensões que devem ser abordadas em um sistema de controles internos, segue abaixo: • Ambiente de controle: não basta para a empresa ter pontos isolados de controle, é necessário que todo o funcionamento da empresa seja um grande ambiente de controle. Essa dimensão engloba conceitos como: conduta, atitude, consciência e competência, valores éticos etc. 22 • Estabelecimento de metas: as metas a serem avaliadas devem ser estabelecidas e comunicadas de forma clara e eficiente. • Identificação de problemas: os sistemas precisam ter a capacidade de sinalizar sempre que algum fato fora do padrão esperado venha a ocorrer. • Avaliação de risco: identificação dos pontos que podem representar possibilidade de perdas para a empresa, quer seja em função de ocorrências internas ou externas, com avaliação do possível impacto e probabilidade de ocorrência. • Resposta ao risco: as empresas, uma vez conhecidos os riscos e probabilidades a que estão sujeitas, devem elaborar planos de contingência que venham a mitigar a perda na ocorrência de um sinistro. Esse plano de contingência pode se referir a riscos que devem ser evitados, mantidos, reduzidos ou transferidos, de acordo com a avaliação do impacto x probabilidade. • Atividades de controle: compreendem revisões analíticas, reuniões de diretoria para acompanhamento dos negócios, painéis de controle etc., além de segregação de funções e atividades, controles de acesso, políticas e procedimentos formalizados, e tem como base fundamentar o controle das transações e verificação de consistências, efetuando conciliações, sempre que necessário. • Informação e comunicação: abrange a comunicação interna (informações sobre o papel e a responsabilidade de cada um; valores éticos e morais adotados pela empresa e o fluxo eficiente de acompanhamento dos processos) e a externa (mercado, valores éticos e morais, informações contábeis). • Monitoramento: um bom sistema de controle interno jamais chega ao nível de acabado, ele precisa passar por constantes testes e aprimoramentos, à medida que novos cenários se tornam conhecidos ou que fragilidades são identificadas. (BORGERTH, 2018, p. 39 e 40). 4.3.4 Conceitos de Auditoria Segundo Mattos (2017) a auditoria advém de tempos antigos, por volta do século XVII. Embora na época ainda não houvesse de fato o termo auditor, alguns contadores incluíram em suas rotinas as atividades de averiguação de contas. A auditoria foi criada para apoiar os administradores na otimização de processos e, consequentemente, de resultados. De acordo com Motta (1988), no Brasil, a auditoria surgiu por volta de 1940 devido a chegada das companhias multinacionais. Isso se deve ao fato de os investidores de outros países quererem garantias sobre seus investimentos, 23 que até então eram auditados por seus auditores brasileiros, treinados para o desempenho da função sob a supervisão de auditores estrangeiros. Ainda sobre a chegada da auditoria no Brasil, Demetrius informa que: Foram igualmente importantes para o fortalecimento da atividade de auditoria no Brasil, a promulgação da Lei n. 6.385, de 7 de dezembro de 1976, que dispôs sobre o mercado de valores mobiliários e criou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), bem como a Lei n. 6.404/76 (Lei das Sociedades por ações), ambas regulamentando o serviço do auditor independente. A partir de então, diversas normas profissionais do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e da CVM (mais recentemente com o auxílio do Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC) têm incrementado os deveres e direitos da profissão de auditor no Brasil. (DEMETRIUS, 2ª Ed., 2018, p. 21). Para Demetrius (2018), é importante frisar que os processos de auditoria passaram por muitas transformações, sendo que duas delas podem ser citadas como as principais. (1) O aumento progressivo do volume e da velocidade dos negócios empresariais, fato que acarretou a impossibilidade da auditoria da totalidade das transações de muitas das entidades; (2) O surgimento gradual de mecanismos de controles internos e sistemas informatizados, que passaram a constituir boa parte das preocupações da atividade de auditoria. (DEMETRIUS, 2ª Ed., 2018, p. 22). Os principais órgãos relacionados a auditoria no Brasil são: • Comissão de Valores Mobiliários (CVM) - entidade autárquica em regime especial, vinculada ao Ministério da Fazenda, com personalidade jurídica e patrimônio próprios, dotada de autoridade administrativaindependente, ausência de subordinação hierárquica, mandato fixo e estabilidade de seus dirigentes, e autonomia financeira e orçamentária. • Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon) - associação de empresas de auditoria com a função de discutir, desenvolver e aprimorar as questões éticas e técnicas da profissão de auditor e de contador e, ao mesmo tempo, atuar como porta-voz dessas categorias diante de organismos públicos e privados e da sociedade em geral. • Conselhos Federal e Regionais de Contabilidade (CFC e CRCs) 24 - o CFC é o Conselho Federal de Contabilidade, criado pelo Decreto- Lei n.º 9.295, de 27 de maio de 1946, sendo o órgão maior da Contabilidade no Brasil, de natureza normativa, que coordena e congrega todos os Conselhos Regionais. Já o CRC é o órgão responsável pelo registro do profissional da contabilidade e pela fiscalização do exercício da atividade contábil no Brasil. • Instituto dos Auditores Internos do Brasil (Audibra) – entidade civil, sem fins lucrativos, de pessoas físicas atuando em atividades de auditoria interna em qualquer modalidade. (COUTO; MARINHO, 2012, p. 68). 4.3.5 Fraudes “O termo fraude aplica-se a ato intencional de omissão ou manipulação de transações, adulteração de documentos, registros e demonstrações contábeis”. (Crepaldi, 2023, p. 177). De acordo com Heimoski e Timi (2020) as fraudes contábeis podem ser cometidas contra as empresas e instituições, por pessoas jurídicas e físicas, contra o governo ou contra o mercado, por exemplo. Segundo já ensinava Lopes de Sá (2017), as fraudes podem estar em diversos lugares, tais como em documentos, títulos de crédito e cheques, em bens de uso, mercadorias, balanços, prestações de contas, livros contábeis Diário e Razão, Demonstrações Contábeis diversas, nas Declarações Fisco- contábeis, em contratos e correspondências e mesmo em arquivos digitais. Ainda segundo o mesmo autor, as fraudes podem ser de essência ou conteúdo, ou, ainda, de forma, podendo derivar de diversos motivos, que são elencados em sua obra (Sá, 2017). Resumidamente, os motivos ensejadores de fraudes são os seguintes: falsa intitulação, falsa classificação, falso histórico, falsa apuração, falso cálculo, entre outros. (HEIMOSKI E TIMI, 2020, p. 30). As autoras ainda informam que um dos tipos de fraude contábil, é a concorrência desleal, que constitui em crime conforme artigo 195. O artigo mencionado possui muitas informações, onde podemos destacar como hipóteses que qualificam o crime, os itens citados abaixo: • Publicar, prestar e divulgar falsa informação sobre o concorrente; • Empregar, por meio fraudulento, e desviarem proveito próprio ou de outrem a clientela de outrem; 25 • Usar sinal ou propaganda alheios como se fossem seus; • Expor o nome ou razão social de outrem; • Falsificar produto de outro; • Dar ou prometer dinheiro a empregado de outro para obter vantagem ou informações; • Sendo empregado de uma empresa, aceitar dinheiro ou recompensa para passar, a outros, documentos e informações; • Divulgar informações, produtos, entre outros que não lhe pertencem. (HEIMOSKI E TIMI, 2020, p. 32 e 33). Falando sobre dados brasileiros, segundo Heimoski e Timi (2020) a PWC (Pricewaterhouse Coopers Brasil Ltda, 2018) realizou uma pesquisa, que resultou nos seguintes dados: 40,50% das fraudes brasileiras tem origem em perdas por apropriação indébita, 30,40% por corrupção, 81,20% dos fraudadores têm segundo grau ou mais e, 85% das fraudes são cometidas por funcionários ou colaboradores. 26 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS O trabalho apresentado foi desenvolvido através do Estágio Curricular realizado na empresa Grant Thornton Auditoria e Consultoria Ltda. O tema foi escolhido com base na vivência na empresa e por ter me identificado mais dentro dos quatros de faculdade. A criação da Lei Sarbanes-Oxley representou um marco significativo na história regulatória dos mercados financeiros, não apenas nos Estados Unidos, mas também internacionalmente. Inicialmente destinada a abordar questões específicas do mercado americano, sua influência se estendeu globalmente devido à transparência que introduziu nas práticas empresariais. Ao focar nas seções relacionadas aos controles internos e auditoria, esta pesquisa destacou a interdependência desses temas. A implementação dos requisitos da lei impulsionou as empresas a aprimorarem seus controles internos, reduzindo assim as oportunidades para atividades fraudulentas. Além disso, a exigência de auditorias independentes aumentou desde a promulgação da SOX, refletindo a complexidade das normas e a necessidade de expertise externa para sua implementação eficaz. Ao proibir certos tipos de serviços e limitar a duração das auditorias em uma mesma empresa, a lei promoveu a independência e a renovação das práticas de auditoria, mitigando o risco de não conformidade nas operações empresariais. Em suma, a Lei Sarbanes-Oxley proporcionou benefícios tangíveis para o processo de auditoria, fortalecendo a confiança dos investidores e promovendo a integridade e transparência nos mercados financeiros globais. 27 REFERÊNCIAS BORGERTH, Vania Maria da Costa. SOX: entendendo a Lei Sarbanes-Oxley – Um caminho para a informação transparente. Cengage Learning Brasil, 2018. COUTO, Babette; MARINHO, Rhoger. Contabilidade Criativa x Lei Sarbanes- Oxley: um enfoque sobre a credibilidade da Auditoria. Revista Brasileira de Contabilidade, [S.l.], n. 177, p. 64-75, abr. 2012. CREPALDI, Silvio A.; CREPALDI, Guilherme S. Auditoria Contábil: Teoria e Prática .Grupo GEN, 2023. E-book. ISBN 9786559775002. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786559775002/. Acesso em: 07 mai. 2024. DEMETRIUS, Alexandre Pereira. Auditoria das demonstrações contábeis. 2ª Ed., São Paulo: Saraiva Educação, 2018. GELATTI, Cristiane Braida; MENEGHETTI, Daniela; SILVA, Tania Moura da. Análise da adequação das empresas brasileiras à Lei Sarbanes- Oxley. Revista Brasileira de Contabilidade, [S.l.], n. 186, p. 68-83, abr. 2012. HEIMOSKI, Vanya Trevisan Marcon; TIMI, Sônia Regina Ribas. Fraudes Contábeis e Documentais. 1ª Ed., Contentus, 2020. MATTOS, João Guterres de. Auditoria (recurso eletrônico). Porto Alegre: Sagah, 2017. OLIVEIRA, Marcelle Colares; LINHARES, Juliana Silva. A implantação de controle interno adequado às exigências da Lei Sarbanes-Oxley em empresas Brasileiras – Um estudo de caso. Revista Base (Administração e Contabilidade) da Unisinos, vol. 4, núm. 2, maio/agosto, 2007, p. 160-180 28 SILVA, Adriano Gomes da; JUNIOR, Antonio Robles. Os impactos na atividade de auditoria independente com a introdução da lei Sarbanes-Oxley. Revista Scielo Brasil – Contabilidade e Finanças. 19 (48), dez. 2008. 29 UNIP - Curso de Ciências Contábeis Estágio Curricular Campus Paraíso – Período Noturno TERMO DE CONVALIDAÇÃO DE ATIVIDADES DE ESTÁGIO CONTRATADO Aluno Nome: Giovanna Lacerda Lourenço RA:F19CHH0 Turma: WA8268 E-mail: giovanna.lourenco2@aluno.unip.br Fones:(11) 97050-2079 Organização Nome: Grant Thornton Auditoria e Consultoria Ltda Atividade: Auditoria Endereço: Av. Luís Carlos Berrini Nº 105 – Vila Olímpia - SP Telefones: (11) 3886-5100 Funções ou atividades Tempo de exercício: início em 17/10/2022 e término em ..../...../ ..... (quando aplicável) Principais atividades: Auxílio em procedimentos de verificação, analisando o cruzamento dos dados contábeis com documentos enviados por terceiros. Realizo memorandos e walkthroughs para inventários e procedimentos específicos; auxílio no desenvolvimento de inventários; mantenho a organização dos documentos físicos, e desenvolvo papéis de trabalhopara entrega de relatórios. Assinatura do aluno Declaro que as informações acima são a expressão da verdade. Assinatura: Data: 04/08/2023 Quantidade de horas válidas para o estágio curricular: Parecer do ..................................... Orientador Data: ...../...../ ........ Assinatura ............................................................................ Nota Final do Relatório de Estágio Professor avaliador: Assinatura Data Diretoria do ICSC Assinatura Data mailto:giovanna.lourenco2@aluno.unip.br 30 UNIP - Curso de Ciências Contábeis Estágio Curricular Campus Paraíso – Período Noturno TERMO DE VALIDAÇÃO DE ESTÁGIO CURRICULAR Atividades práticas equivalentes Aluno Nome: Giovanna Lacerda Lourenço RA: F19CHH-0 Turma: WA8268 E-mail: giovanna.lourenco2@aluno.unip.br Fones: (11) 97050-2079 Organização Nome: Grant Thornton Auditoria e Consultoria Ltda Atividade: Auditoria Endereço: Av. Luís Carlos Berrini Nº105 – Vila Olímpia - SP Telefones: (11) 3886-5100 Tipo de vínculo ( x ) empregados com vínculo empregatício ( ) sócio ou proprietário de empreendimento ( ) trabalhador voluntário ( ) trabalhador autônomo Funções ou atividades Cargo ou função atual: Trainee Jornada semanal de trabalho: 40h Tempo no cargo ou função: início em 17/10/2022 Principais atividades: Auxílio em procedimentos de verificação, analisando o cruzamento dos dados contábeis com documentos enviados por terceiros. Realizo memorandos e walkthroughs para inventários e procedimentos específicos; auxílio no desenvolvimento de inventários; Cargo ou função anterior (na mesma organização): Jornada semanal de trabalho: Tempo no cargo ou função: início em ...../...../ ..... e término em ...../...../..... Principais atividades: Assinaturas: Declaramos que as informações acima são a expressão da verdade. Empresa Aluno Nome: Guilherme F. Bonini dos Santos Assinatura: Cargo: Gerente de Auditoria Assinatura: Data: 04/08/2024 Data: 04/08/2024 Parecer do Orientador Quantidade de horas válidas para o estágio curricular: ..................................... Data: ...../...../ ........ Assinatura ............................................................................ Validação da Universidade Nota Final do Relatório de Estágio Professor avaliador: Assinatura Data Diretoria do ICSC Assinatura Data mailto:giovanna.lourenco2@aluno.unip.br