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UNIP UNIVERSIDADE PAULISTA Interativa Auditoria Autores: Profa. Elaine Aparecida de Araújo Prof. Paulo César Raimundo Peppe Prof. Alexandre Saramelli Colaboradoras: Profa. Divane Alves da Silva Profa. Rachel Niza BrandãoProfessores conteudistas: Elaine Aparecida de Araújo / Paulo César Raimundo Peppe / Alexandre Saramelli Elaine Aparecida de Araújo É mestra e graduada em Administração de Empresas e pós-graduada em Formação para Docência de Ensino Superior a Distância (EaD). Possui também MBA em Gestão Empresarial. Há mais de 10 anos trabalha como docente, com auditoria, consultorias e treinamentos in company. Atualmente, é docente da Universidade Paulista UNIP nos cursos presenciais e de educação a distância, onde também faz parte do Núcleo Docente Estruturante/NDE. Professor Paulo César Raimundo Peppe Graduado em Ciências Contábeis pela faculdade de Ciências Administrativas Econômicas e Contábeis Oswaldo Cruz (1981). Atualmente é sócio-diretor responsável técnico da empresa Peppe Associados Consultores Auditores Independentes, palestrante do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo, professor titular da Universidade Paulista e professor titular da faculdade de Ciências Administrativas Econômicas e Contábeis Oswaldo Cruz. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Consultoria e Auditoria Professor Mestre Alexandre Saramelli Nascido na cidade de São Paulo, é Contador formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo e Mestre Profissional em Controladoria pela mesma Universidade. Atuou em empresas nacionais e internacionais de médio e grande porte como contador em áreas de custos e orçamentos. Foi consultor em sistemas de controladoria da desenvolvedora alemã SAP. Atualmente é professor adjunto na Universidade Paulista e consultor empresarial. Como entusiasta de tecnologia da informação e ambientes altamente informatizados, é um incentivador da pesquisa, difusão e uso eficiente e intensivo das modernas ferramentas de gestão, "transferência de conhecimento", ensino à distância e audiovisual. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) A663a Araújo, Elaine Aparecida de. Auditoria. / Elaine Aparecida de Araújo; Paulo César Raimundo Peppe; Alexandre Saramelli. - São Paulo: Editora Sol, 2015. 68 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ano XXI, n. 2-009/15, ISSN 1517-9230. 1. Auditoria. 2. Contabilidade. 3. Relatórios de auditoria. I. Título. CDU 657.63 © Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Universidade Paulista.Prof. Dr. João Carlos Di Genio Reitor Prof. Fábio Romeu de Carvalho Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças Profa. Melânia Dalla Torre Vice-Reitora de Unidades Universitárias Prof. Dr. Yugo Okida Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez Vice-Reitora de Graduação Unip Interativa - EaD Profa. Elisabete Brihy Prof. Marcelo Souza Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar Prof. Ivan Daliberto Frugoli Material Didático - EaD Comissão editorial: Dra. Angélica L. Carlini (UNIP) Dra. Divane Alves da Silva (UNIP) Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR) Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT) Dra. Valéria de Carvalho (UNIP) Apoio: Profa. Cláudia Regina Baptista EaD Profa. Betisa Malaman - Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos Projeto gráfico: Prof. Alexandre Ponzetto Revisão: Carla Moro Virgínia BilattoSumário Auditoria APRESENTAÇÃO 7 INTRODUÇÃO 7 Unidade I 1 CONTABILIDADE 9 2 AUDITORIA: CONCEITO E DEFINIÇÃO 11 2.1 Objetivo da auditoria 16 2.2 Origem da auditoria 17 2.3 A auditoria no Brasil 17 2.4 papel da auditoria 18 3 A AUDITORIA NA ÁREA EMPRESARIAL E NO SETOR PÚBLICO 18 3.1 Tipos de auditoria 18 3.1.1 Auditoria interna 20 3.1.2 Auditoria externa ou independente 20 3.1.3 Auditoria pública ou governamental 22 40 PERFIL PROFISSIONAL DO AUDITOR 23 Unidade II 50 TRABALHO DE AUDITORIA 29 5.1 Aplicações da auditoria 29 5.2 Planejamento e execução dos trabalhos 32 5.3 Os papéis de trabalho 33 5.4 Testes de observância e testes substantivos 40 5.5 Estudo e avaliação dos sistemas de controles internos 43 5.6 Os tipos de auditoria nas empresas públicas e privadas 43 5.6.1 Auditoria nas empresas públicas ou governamentais 43 5.6.2 Auditoria nas empresas privadas 45 5.7 Os testes de observância e substantivos 45 5.7.1 Objetivos do teste de observância 45 5.7.2 Objetivos do teste substantivo 46 5.8 Outras técnicas correntes 46 6 RELATÓRIOS NAS ÁREAS PÚBLICA E PRIVADA 46Unidade III 70 RELATÓRIO (PARECER) DE AUDITORIA: REDAÇÃO, MODALIDADES E DESTINATÁRIOS 51 7.1 Tipos de relatórios (pareceres) 51 8 AS TOMADAS E PRESTAÇÕES DE CONTAS 57 8.1 Aspectos conceituais 57 8.2 Ciclos dos processos 57 8.3 Julgamento das contas pelo controle externo 57APRESENTAÇÃO Este livro-texto apresenta as Normas Profissionais e Normas Técnicas de Auditoria, segundo as Resoluções do Conselho Federal de Contabilidade, em conformidade com as Normas Internacionais de Auditoria. A disciplina trata de toda a questão pertinente à atual estrutura das Normas Profissionais e Normas Técnicas de Auditoria Independente no Brasil, em conformidade com a Resoluções do Conselho Federal de Contabilidade, por meio das NBCs PA (profissionais) e NBCs TAs/TRs e TSC (técnicas), alinhadas e harmonizadas ao padrão internacional de auditoria em conformidade com as International Standards on Auditing (ISAs) emitidas pelo International Auditing and Assurance Standards Board (IFAC). A disciplina objetiva levar aos estudantes os aspectos importantes para a estrutura profissional, no contexto do controle de qualidade, aspectos pertinentes à independência profissional, e na ênfase da educação profissional continuada ao profissional de auditoria independente. No contexto das Normas Técnicas (TAs TRs e TSC), apresentar aos estudantes 0 conteúdo sobre 0 campo operacional da auditoria e a aplicação dos procedimentos correspondentes aos objetivos da auditoria para a realização de asseguração razoável (auditoria), asseguração limitada (revisões) e na prática de outros serviços correlatos à auditoria. Busca-se também capacitar os estudantes ao entendimento da atual estrutura geral das Normas Profissionais e Normas Técnicas de Auditoria e no entendimento sobre os trabalhos de auditoria, pertinentes à estrutura conceitual de trabalhos de asseguração razoável, asseguração limitada e nos trabalhos de revisão das demonstrações financeiras e outras informações históricas, além dos procedimentos previamente acordados. Ainda, pretende-se desenvolver com os alunos conhecimentos necessários para as seguintes competências: apresentação da atual estrutura das Normas Profissionais e Normas Técnicas de Auditoria em conformidade com as Resoluções do CFC, harmonizadas e alinhadas às Normas Internacionais de Auditoria. exame das normas e procedimentos profissionais e técnicos relativos às atividades da auditoria independente. uma visão panorâmica das necessidades atuais da auditoria e conhecimentos básicos para implantação, manutenção e funcionamento do setor de auditoria. INTRODUÇÃO A auditoria é um instrumento de amplo controle para os administradores. Por meio de suas atividades de trabalho, ela serve à administração como meio de identificação de que todos os processos internos e políticas definidos pela companhia, assim como sistemas contábeis e de controle interno, estão sendo efetivamente seguidos, e que as transações realizadas estão refletidas contabilmente em concordância com os critérios previamente definidos. A problemática é que, conforme as organizações 7estão se expandindo economicamente, seus administradores necessitam do auxílio da auditoria para captação de informações confiáveis de sua situação patrimonial e financeira. Segundo Attie (1992), a Contabilidade é a ciência que estuda, informa, retrata e demonstra aos seus usuários (investidores, clientes, proprietários, financiadoras etc.) a situação patrimonial da empresa. Ciência formadora de uma especialização denominada auditoria, que tem como base uma ferramenta de controle da própria contabilidade. A auditoria surgiu então da necessidade de confirmação, por parte dos investidores e proprietários, dos valores retratados no patrimônio das empresas que possuíam ou as que pretendiam realizar seus investimentos, principalmente com 0 grande crescimento econômico-financeiro e com 0 aparecimento das grandes empresas que são representadas em vários países. Conforme Almeida (1996), com a expansão dos negócios, houve a necessidade de dar maior atenção às normas ou aos procedimentos internos. Isso decorreu do fato de que 0 administrador e, em alguns casos, 0 proprietário da empresa, não poderia supervisionar pessoalmente todas as suas atividades. No entanto, de nada valeria a implantação de quaisquer procedimentos internos sem que houvesse um acompanhamento para verificar se eles eram seguidos pelos empregados da empresa. Para atender à administração da empresa, foi necessária uma auditoria mais periódica, com maior grau de profundidade, e que visasse, também, às outras áreas não relacionadas com a contabilidade, como sistema de controle interno, administração de pessoal etc. 0 controle interno representa 0 conjunto de procedimentos, métodos ou rotinas com os objetivos de proteger os ativos, para produzir dados confiáveis e ajudar a administração na condução ordenada dos negócios da empresa. A partir das necessidades mencionadas, surgiu 0 auditor interno como uma ramificação da profissão de auditor externo e, consequentemente, do contador. 0 auditor interno é um empregado da empresa e, dentro de uma organização, ele não deve estar subordinado àqueles cujos trabalhos examinam. Além disso, 0 auditor interno não deve desenvolver atividades que possa um dia examinar, por exemplo, desenvolver lançamentos contábeis, para que não interfira em sua independência. 8AUDITORIA Unidade I 1 CONTABILIDADE De acordo com 0 primeiro Congresso Brasileiro de Contabilistas, realizado no Rio de Janeiro em agosto de 1924, publicado pelo Conselho Federal de Contabilidade nomeado Histórica dos Congressos Brasileiros de Contabilidade (Brasília, DF 2008), Contabilidade é a ciência que estuda e pratica as funções de orientação, controle e registro relativas à administração econômica. Assim, podemos definir que a Contabilidade é a ciência que estuda e controla 0 patrimônio das entidades, nos seus atos e fatos quantitativos e qualitativos. A contabilidade passa a exercer, então, um papel amplo, ou seja, deixa de ser apenas um instrumento de registro das operações ocorridas em determinado período, estendendo-se para outros campos, principalmente 0 de controle, análise e projeção de fatos que diretamente (ou indiretamente) atendem à alta direção de qualquer organização. As partidas dobradas, genialmente criadas por Luca Paccioli (1494), já demonstram 0 papel que contador em princípio terá. Ele explicará motivo da escolha do débito e/ou crédito, 0 que justificaria tipo de registro efetuado e, automaticamente, instituiria controle e análise. Observação Luca Pacioli (1445-1517) foi um monge franciscano e célebre matemático italiano. É considerado pai da Contabilidade moderna. Não podemos mencionar Pacioli e não relatar a importância da Contabilidade moderna. Segundo Crepaldi (2006, p. 52): é um ramo do conhecimento humano que trata da identificação, avaliação, registro, acumulação e apresentação dos eventos econômicos de uma entidade, seja industrial, financeira, comercial, agrícola, pública etc., com 0 objetivo final de permitir a tomada de decisão por seus usuários internos e externos por meio de seus sistemas de informação. É uma ciência de natureza econômica e de caráter empírico, cujo objeto é a descrição e medição, tanto quantitativa como qualitativa, do estado e evolução do patrimônio de uma entidade específica, de acordo com uma determinada metodologia própria e com fim de comunicar a seus destinatários informações objetiva e relevante para a adoção de decisões. 9Unidade I Claramente podemos dizer que a Contabilidade moderna tem como características fundamentais: relacionar administração de recursos escassos para a satisfação da necessidade organizacional; 0 caráter empírico, 0 que supõe que está baseada na experiência e na prática; seu objetivo formal é a obtenção de informação objetiva e relevante, já que há de ser utilizada para tomada de decisões; possui uma metodologia própria (regras precisas e concretas); elemento teleológico, pois permite a adoção de decisões adequadas e objetivas. período moderno é marcado por mudanças profundas nos meios de produção: como a passagem do feudalismo para 0 capitalismo, da economia de subsistência à acumulação de capital, do coletivismo ao individualismo, da técnica à ciência. Como demonstra Malagodi (1998, p. 13): "esse novo modo de pensar e adquirir conhecimentos produziu 0 ateísmo e 0 materialismo metafísico do século XVIII, que proclamava 0 princípio da razão e da natureza onde antes prevalecia 0 princípio divino". Tais mudanças exigiram adequação profissional por parte do contabilista. Era necessário pensar a contabilidade como instrumento de apoio ao crescimento e divulgação do capitalismo. Neste cenário, a contabilidade passa a ter papel de destaque, pois estava em suas mãos a possibilidade de fornecer informações úteis à gestão do negócio. Para Arruda (2001, p. 405): "a atividade comercial tornou-se cada vez mais complexa. Surgiram os mercados urbanos, as companhias mercantis, a contabilidade". contabilista torna-se 0 profissional responsável por impulsionar 0 crescimento das novas organizações empresariais criadas pela própria exigência do mercado: era necessário aperfeiçoamento por áreas do conhecimento, com destaque especial à contabilidade gerencial e de custos. Crepaldi (2006, p. 19) retrata a participação da contabilidade afirmando: "a contabilidade expandiu sua utilização para instituições como a Igreja e 0 Estado e foi um importante instrumento de desenvolvimento do capitalismo". profissional, aos poucos, vai buscando superar a técnica e alcançar 0 conhecimento científico. Tal evolução acontece em meio a mudanças de toda ordem. De um lado percebe-se que 0 contabilista torna-se mais próximo dos ideais propagados pelo lucro, presentes na própria ideia da Reforma Protestante; de outro, a contabilidade como forma de instrumento na sedimentação dos objetivos do macrossistema. A quebra do vínculo entre a política, a economia e a ética, de que foram ideológicos, entre outros, Maquiavel (1469-1527) e Calvino (1509-1564), e 0 crescimento de negócios econômicos e financeiros levam às novas formas de vida econômica, com 0 aumento da circulação monetária dos bancos e operações financeiras. Apura-se a contabilidade pelas letras de câmbio e uso de números árabes, que levara já em 1494 0 franciscano Luca Pacioli (1445-1514) aos seus Tratados, criando a escrituração 10AUDITORIA mercantil, tão indispensável aos novos tempos, que culminam com a do capital', assim chamada por François Perroux, pois à medida que capitalismo se torna mais complexo percebe-se menos a moeda que a sua representação contábil (IGLÉSIAS, 1987, p. 36). Os controles gerados pelos registros contábeis devem atender a planejamentos estipulados, a planos de contas estabelecidos, enfim, a controles internos que levam à busca da excelência empresarial 0 lucro -, que também buscará, na análise, explicações tanto para 0 alcance quanto não alcance do valor previamente estipulado. De posse do conceito básico da contabilidade na gestão organizacional, podemos, assim, conceituar a auditoria como sendo a especialização contábil voltada a testar a eficiência e a eficácia do controle patrimonial implantado, com 0 objetivo de expressar uma opinião sobre determinado dado. Como diferenciar a eficiência e eficácia: Eficiência = processo Eficácia = resultado 2 AUDITORIA: CONCEITO E DEFINIÇÃO De acordo com Attie (2011, p. 5), a auditoria é uma especialização contábil voltada para testar a eficiência e eficácia do controle patrimonial implantado com 0 objetivo de expressar uma opinião sobre determinado dado. A auditoria das demonstrações contábeis visa às informações contidas nessas afirmações; logo, é evidente que todos os itens, formas e métodos que as influenciam também sejam examinados. 0 exame da auditoria engloba a verificação documental, os livros e registros com características controladoras, a obtenção de evidências de dados de caráter interno ou externo que se relacionam com 0 controle do patrimônio e a exatidão dos registros e as demonstrações deles decorrentes. A ênfase que se dá a cada situação depende de uma série de decorrências dos diferentes segmentos que compõem a organização. Os exames de auditoria obedecem às normas de auditoria e incluem procedimentos de comprovações dos dados em estudo caracterizado por uma reflexão competente e independente. De acordo com Crepaldi (2007, p. 3), a auditoria consiste em controlar as áreas-chave nas empresas a fim de evitar situações que propiciem fraudes, desfalques e subornos, por meio de testes reguladores nos controles internos específicos de cada organização. Crepaldi (2007) acrescenta auditoria como sendo 0 levantamento, estudo e avaliação sistemática das transações, procedimentos, operações, rotinas e das demonstrações contábeis ou financeiras de uma entidade. Recentemente, 0 Brasil passou por significativas alterações nas estruturas dos aspectos normativos pertinentes à auditoria independente: a partir de 1° de janeiro de 2010 passaram a ser adotadas as Normas Internacionais de Auditoria, em conformidade com as mesmas normas emitidas pelo International 11Unidade I Federation of Accoutants - IFAC e International Auditing and Assurance Standards Board IAASB. Nesse sentido, durante anos de 2009, 2010 e 2011, mais de 40 novas resoluções, plenamente alinhadas e harmonizadas às Normas Internacionais de Auditoria - NIAs, foram emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade CFC. Contudo, transitoriamente, apenas em casos específicos, algumas empresas de auditoria e auditores independentes (pessoa física) ainda puderam, excepcionalmente nos anos de 2010 e 2011, aplicar as antigas normas a estrutura e ramificações da NBC-T11. 0 Conselho Federal de Contabilidade (CFC), por meio da Resolução 953/2003 NBC-T11, define auditoria da seguinte maneira: Auditoria das demonstrações contábeis constitui 0 conjunto de procedimentos técnicos que tem por objetivo a emissão de parecer sobre sua adequação, consoante aos princípios fundamentais de contabilidade e às Normas Brasileiras de Contabilidade e, no que for pertinente, à legislação específica. Vemos, dessa forma, que as novas normas do Conselho Federal de Contabilidade trazem claras definições sobre 0 que são os serviços de auditoria independente e vários outros tipos de trabalhos correlatos, que, em muitas situações, apesar de denominados pelo contratante e mesmo por alguns auditores como "auditoria", não podem ser assim definidos em razão dessa nova normatização. Pelas atuais Normas Brasileiras de Contabilidade, 0 campo da auditoria, no padrão internacional, tem agora nomenclaturas quanto à sua estrutura, como veremos a seguir. Auditoria e asseguração NBC-PA: compreende conjunto das Normas Profissionais do Auditor Independente. NBC-T: compreende 0 conjunto das Normas Técnicas, sendo em adição a esta estrutura conceitual e às Normas Técnicas (NBC-TA, NBC-TR e NBC-TO), os auditores independentes que executam trabalhos de asseguração são disciplinados: pelo Código de Ética Profissional do Contabilista do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), que estabelece princípios éticos fundamentais para os contabilistas; e pela Norma de Controle de Qualidade (NBC-PA 01 Controle de Qualidade para Firmas Pessoas Jurídicas e Físicas de Auditores Independentes que executam exames de auditoria e revisões de informação contábil histórica, outros trabalhos de asseguração e serviços correlatos). NBC-TA (grupo 200 a 800): compreende 0 conjunto das normas técnicas definidas para 0 que é denominado de "asseguração razoável". Objetivam 0 trabalho de auditoria de informações históricas para a certificação das Demonstrações Contábeis, envolvem 0 procedimento de auditoria completa visando à emissão do Relatório do Auditor Independente, antes denominado de Parecer de Auditoria. 12AUDITORIA NBC-TR (grupo 2400): compreende 0 conjunto das normas técnicas, definidas para 0 que é denominado como asseguração limitada. Objetivam trabalho de auditoria de informações históricas das Demonstrações Contábeis. Nesse caso, no Relatório do Auditor Independente, não há a formalização de expressão de opinião. NBC-TO (grupo 3000 e 3401): compreende conjunto das normas técnicas definidas por trabalhos de asseguração não relacionados com a auditoria (TAs ou TRs) ou revisão de informações históricas, mas correspondentes a outros trabalhos de asseguração. pelo Código de Ética Profissional do Contabilista do Conselho. NBC-TSC (grupo 4400): compreende 0 conjunto das normas técnicas definidas por outros serviços correlatos, como os denominados por Trabalhos de Procedimentos Previamente Acordados - TPPA. trabalhos cobertos pelas Normas Técnicas para Serviços Correlatos (NBC TSC), tais como trabalhos de procedimentos previamente acordados e compilações de informações financeiras ou de outras informações; a elaboração de declarações de impostos em que não há uma conclusão que expresse qualquer forma de asseguração; trabalhos de consultoria (ou de assessoria), tais como consultoria gerencial e de impostos. Saiba mais CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO RIO GRANDE DO SUL. Normas Brasileiras de Contabilidade. Auditoria independente. Auditoria interna perícia contábil. Atualizado até outubro de 2014. Disponível em:Unidade I Relatório de opinião adversa antigo parecer adverso. Relatório de abstenção de opinião antigo parecer com abstenção de opinião. Então, pelas atuais normas, auditoria por asseguração razoável é assim definida: "Trabalho de asseguração" significa um trabalho no qual 0 auditor independente expressa uma conclusão com a finalidade de aumentar 0 grau de confiança dos outros usuários previstos, que não seja a parte responsável, acerca do resultado da avaliação ou mensuração de determinado objeto de acordo com os critérios aplicáveis (CFC, [s.d.]). Holanda (1995, p. 2128) assim se expressa ao enfocar a auditoria: "exame analítico e pericial que segue 0 desenvolvimento das operações contábeis, desde 0 início até 0 balanço". Tipos de relatórios Relatórios finais sintéticos São os que se resumem em uma simples e rápida forma de transmissão de fatos e exigem maior capacidade do auditor. Como 0 próprio nome já diz, 0 relatório sintético é aquele que deve ser utilizado para informar a alta direção da empresa, de forma rápida e sucinta, sobre 0 que não vai bem ou necessita de correção. Os gerentes dos departamentos de empresas são homens habituados às rápidas decisões, possuindo grande capacidade de resolver problemas em poucas palavras. Por essa razão, somos da opinião de que os relatórios sintéticos são de mais difícil elaboração, pois devem ter a propriedade de informar os fatos com poucas palavras e da forma mais abrangente possível, sem que a omissão de um pequeno detalhe prejudique objetivo principal. Relatórios finais analíticos São os relatórios que devem levar aos setores auditados todas as informações e detalhes permissíveis à boa solução dos problemas, sem longas e infindáveis relações numéricas e cifras que não levam a nada. Os fatos de menor relevância podem ser encontrados nos papéis de trabalhos, quais podem ser gentilmente oferecidos pelo auditor, ou relacionados à parte quando houver necessidade. 14AUDITORIA 0 relatório analítico é 0 meio de comunicação que auditor possui para se relacionar com todos os setores envolvidos nos trabalhos realizados. É a forma de se comunicar com os funcionários em termos de execução. Portanto, devem ser apresentados de maneira clara e simples. Relatórios especiais 0 próprio nome diz tudo. Em nosso entender, os relatórios especiais são aqueles que fogem do cotidiano. Podem ser também considerados relatórios confidenciais. Entende-se por relatório confidencial aquele que é solicitado exclusivamente pelo diretor da empresa e que tem interesse exclusivo sobre um determinado assunto. Exemplo: 0 diretor da empresa chama 0 gerente de auditoria (no qual deposita toda confiança) e pede para que seja observado um item ou um assunto que só a ele interessa. Os relatórios especiais são também aqueles que reportam as indesejáveis fraudes de maneira reservada. Relatórios parciais Durante as verificações, 0 auditor muitas vezes se depara com fatos ou ocorrências que devem ser levadas de imediato ao conhecimento da gerência ou direção da empresa. É bastante comum que durante os exames surjam problemas que exijam correções imediatas para que se evite a continuidade de falhas e haja tempo suficiente para elaboração do relatório final. 0 relatório parcial é 0 recurso disponível para essa finalidade. Ao efetuar uma auditoria no departamento pessoal, por exemplo, 0 auditor constata que uma determinada alíquota da Guia de Recolhimento da Previdência Social GRPS vem sendo calculada erroneamente. Ele deve imediatamente elaborar um relatório parcial comunicando a situação existente e que deve ser corrigida. É evidente que esse relatório não terá a sobriedade e a mesma apresentação de um relatório completo sobre a extensão do ocorrido, porém, atende à necessidade de solucionar 0 problema. 0 relatório parcial pode ser apresentado em uma simples folha de papel de trabalho, devidamente identificada. 15Unidade I 0 relatório parcial também serve para comunicar alguma dificuldade ou qualquer tipo de ocorrência que interfira diretamente no trabalho em execução ou que, de uma forma ou de outra, possa estar relacionado com a atividade do auditor. Relatórios verbais Os mesmos conceitos dos relatórios escritos são aplicáveis aos relatórios verbais, porém com uma fundamental diferença: não existe rascunho para ser corrigido antes da redação final. Em um relatório escrito, 0 auditor pode reescrever parágrafos, mudar orações e períodos, enfim, aprimorar 0 texto antes que esteja nas mãos do destinatário. No relatório verbal, quando não há uma boa preparação, 0 auditor torna-se mais vulnerável e sujeito a expor condições desfavoráveis a ele. É muito importante considerar a diferença entre 0 que se fala e 0 que se escreve. 0 relatório verbal possui uma característica que os distingue dos outros tipos de relatórios: é muito mais rápido. 0 aspecto de maior importância a ser considerado pela apresentação de um relatório verbal refere-se à conduta do auditor para executar a tarefa. 0 auditor deve ser muito claro e objetivo, fazendo com que sua fala seja facilmente compreendida e assimilada, pois ao término de um relatório verbal não existem fontes para serem consultadas sobre 0 que não ficou claro. Assim sendo, 0 relatório verbal também deve ser previamente planejado e estruturado, pois auditor tem que estar preparado para "prender" a atenção dos seus ouvintes, apresentando os fatos, recomendações ou sugestões, devidamente fundamentadas para que haja 0 interesse comum em solucionar problemas. Fonte: Relatórios... (s.d.). 2.1 Objetivo da auditoria A auditoria tem por objetivo expressar, a respeito das demonstrações financeiras de uma entidade, opinião que assegure com propriedade se elas representam de forma fiel a posição patrimonial e financeira da empresa, seus resultados e operações, recursos correspondentes aos períodos examinados, de acordo com as Normas Brasileiras de Contabilidade. De forma geral, podemos descrever 0 objetivo principal da auditoria como 0 processo pelo qual 0 auditor certifica, por meio da emissão de um relatório de expressão de opinião, tido por asseguração razoável, a veracidade das demonstrações financeiras elaboradas pela entidade. 16AUDITORIA Para Attie (2011), as demonstrações contábeis, de modo geral, precisam ser preparadas de forma que exprimam com clareza a real situação da empresa em termos de seus direitos, obrigações e resultados das operações realizadas no período em exame, incluindo-se, nessa preparação, os critérios e procedimentos contábeis adotados em sua elaboração e segundo os princípios de contabilidade, de forma que proporcionem interpretação uniforme e facilidade de compreensão. 2.2 Origem da auditoria Necessária aos investidores e proprietários na atual situação econômico-financeira, que representa 0 patrimônio das entidades, principalmente com 0 surgimento das transnacionais distribuídas geograficamente e com 0 simultâneo desenvolvimento econômico que aflorou a partir da globalização e foi disseminando 0 capital estrangeiro, a auditoria é a ferramenta que auxilia a administração na tomada de decisão em busca de melhores resultados. De acordo com Sá (1998), auditoria contábil é uma tecnologia que usa a revisão e a pesquisa para fins de opinião e orientação sobre situações patrimoniais, e sua importância é reconhecida há milênios, desde a antiga Suméria. Há provas arqueológicas de registros da família real de Urukagina e do templo sacerdotal sumeriano que datam de mais de 4.500 anos a. C. Já 0 termo "auditor", segundo Sá (1998), é antigo, mas não se conhece ao certo sua origem nem data; admite-se que 0 seu uso tenha sido adotado por volta do século XII, na Inglaterra, no reinado de Eduardo I. Oriunda do latim, a palavra significa "aquele que ouve" ou, exatamente, "ouvinte", e foi adotada para representar aquele que daria opinião sobre algo que comprovou ser verdade ou não. Pode-se afirmar que a Revolução Industrial, em meados do século XVIII, foi responsável por proporcionar novas técnicas e diretrizes à contabilidade e, consequentemente, à auditoria, como já explicado, a partir da expansão das transnacionais. Sá (1998) também menciona que 0 Railway Companies Consolidation Act, de 1845, logo após a contabilidade penetrar nos domínios científicos, obrigava a verificação anual dos balanços, a ser feita por auditores. 2.3 A auditoria no Brasil Relacionada às instalações de empresas internacionais de auditoria independente, a auditoria no Brasil tem como ponto de partida as filiais e subsidiárias de empresas estrangeiras, os financiamentos de empresas brasileiras por meio de entidades internacionais, a evolução do mercado de capitais, 0 crescimento das empresas brasileiras e a necessidade de descentralização e diversificação de suas atividades econômicas, a profissionalização da diretoria, a criação de normas de auditoria promulgadas pelo Banco Central do Brasil em 1972, a criação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Lei n° 6.404/76, das Sociedades por Ações. Estes são os marcos que podemos citar sobre a auditoria no Brasil. Vale ressaltar que a origem da contabilidade deu-se em 1822, com a chegada da família real ao Brasil. 17Unidade I Observação No Brasil, 0 desenvolvimento da auditoria surgiu quando 0 Bacen (Banco Central) criou normas oficiais de auditoria em 1972, para 0 controle do sistema financeiro. A obrigatoriedade da aplicação da auditoria teve inicio na Bolsa de Valores por meio da Lei n° 6.385/76, após a regulamentação da Lei 6.404/76, Lei das SAs (Sociedades Anônimas). 2.4 papel da auditoria Com a atual crise econômica e 0 cenário que vivenciam hoje as empresas e seus investidores, a auditoria passa a ser útil para ambos, uma vez que, por meio da análise das demonstrações financeiras, devidamente acompanhadas do relatório do auditor, é possível avistar, com asseguração razoável, as empresas que poderão aplicar seus recursos em busca de novos investimentos. Crepaldi (2007) postula que, cercadas pela exigência legal da contratação de auditores (caso das empresas de capital aberto) e pressionadas pela atual crise econômica, as empresas se veem obrigadas a investir em uma atividade que seguramente diminui 0 impacto das perdas. 0 exame do auditor é um processo que leva 0 profissional independente a uma viagem pela empresa, empregando técnicas que 0 ajudam a formar opinião sobre a adequação das demonstrações financeiras, incluindo a sua continuidade operacional. A auditoria permite ao auditor emitir um relatório sobre a posição da empresa quanto às suas demonstrações financeiras, a fim de que estas sejam dignas de fé pública. 3 A AUDITORIA NA ÁREA EMPRESARIAL E NO SETOR PÚBLICO 3.1 Tipos de auditoria Saiba mais Leia reportagem auditoria na Santa Casa de Sorocaba: RELATÓRIO aponta mau uso do dinheiro público pela Santa Casa de Sorocaba. G1, 25 nov. 2014. Disponível em: . Acesso em: 1 fev. 2015. Segundo Perez (2006, p. 13), a auditoria pode ser classificada em três tipos, conforme 0 quadro comparativo a seguir: 18AUDITORIA Quadro 1 Auditoria independente Auditoria interna ou Auditoria da Fazenda (Federal, externa operacional Estadual, Municipal) Sujeito Profissional independente Funcionário da empresa Funcionário público Vínculo com a empresa Contrato de prestação de Contrato de trabalho auditada serviço Força da Lei Exame das demonstrações Exame dos controles contábeis ou de alguma área Verificação da observância e Ação e objetivo específica, ou procedimento internos e avaliação da cumprimento dos preceitos eficiência e eficácia da predefinido de trabalho legais vigentes para apuração e especial gestão recolhimento dos diversos tributos Principalmente emitir Promover melhoria nos Finalidade parecer sobre a adequação das demonstrações controles operacionais e na Evitar a sonegação de tributos contábeis gestão de recursos Recomendações para Parecer do auditor melhoria dos controles Relatório principal Relatório de fiscalização ou auto independente internos e eficiência de infração administrativa Usuário do trabalho A empresa e público em geral A empresa Poder Público Responsabilidade Profissional, civil e criminal Trabalhista Poder Público Além disso, alguns princípios deverão ser seguidos para que os objetivos e as metas dos sistemas de controles internos sejam cumpridos de forma eficaz e eficiente. São eles: responsabilidade, rotinas internas, acesso aos ativos, segregação de funções, confronto dos ativos com registros, amarrações do sistema e auditoria interna, conforme discriminados, a seguir: Quadro 2 Princípios de auditoria Descrição Corresponde a atribuições constantes em manuais internos de organização, de modo a Responsabilidade assegurar que todos os procedimentos de controle sejam realizados pelos funcionários e facilitar a apuração de eventuais omissões na realização de rotinas internas. São regras que devem estar estabelecidas nos manuais de organização, de forma clara e objetiva. Rotinas internas Compreendem formulários internos e externos, evidências das execuções dos procedimentos internos de controle (assinaturas, carimbos etc.), procedimentos internos dos diversos setores da empresa. Refere-se aos limites no acesso a ativos da organização pelos funcionários e terceiros, como medida para protegê-la tanto de forma física quanto escritural (documental). As empresas Acesso aos ativos poderão implementar vários tipos de controles físicos sobre ativos (caixa, cheques, estoques etc.), por exemplo, controlando 0 acesso de pessoas, utilizando cofres, criando fronteiras físicas e monitorando eletronicamente suas instalações. Consiste no impedimento da concentração de operações incompatíveis, sob a Segregação de funções responsabilidade de um mesmo indivíduo, de modo que haja separação das etapas de cada transação, para que nenhum indivíduo a controle integralmente. Refere-se à comparação dos ativos com os respectivos registros contábeis, que deve ocorrer Confronto dos ativos periodicamente. Tem por objetivo detectar registro contábil inadequado ou desfalques de bens, com registros confirmando à administração da empresa a integridade dos ativos existentes, conforme registros contábeis. 19Unidade I Amarrações do sistema Diz respeito às medidas para se garantir que apenas as operações devidamente autorizadas sejam registradas com exatidão de valores, data e demais informações relacionadas. Auditorias internas São mecanismos para verificar se as normas internas estão sendo cumpridas e avaliar as possíveis modificações no sistema de controle interno para se obter um melhor resultado. 3.1.1 Auditoria interna Instituto de Auditores Internos aborda como característica fundamental da auditoria interna a responsabilidade compartilhada da organização, sendo elas dividas com a gerência e a diretoria da corporação. Exercida por funcionários da empresa, mediante contrato de trabalho regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), sua principal função é 0 exame dos controles internos e a avaliação da eficiência e eficácia da gestão, com a finalidade de promover melhoria dos controles operacionais e da gestão de recursos. Em seu relatório, constam recomendações para melhoria dos controles internos e para maior eficiência administrativa. Sua responsabilidade é meramente trabalhista e seu principal usuário é a própria empresa. Ademais, de acordo com 0 Instituto de Auditores de Nova York, auditoria interna tem como objetivo principal um controle administrativo que mede e avalia a eficiência de todos os controles. As funções da auditoria interna são bastante amplas, não existindo limites para sua atuação. Ela surgiu com 0 início do comércio, durante a formação da sociedade econômica. Segundo Perez Júnior (2004), alguns pesquisadores mencionam que, no ano 4.000 a.C., já havia auditores de impostos na Babilônia, mas foi no final do século XIX que ocorreram as contratações de auditores internos por empresas privadas, principalmente nas estradas de ferro. Atualmente, a auditoria atua como órgão orientador para gestores de alto nível e para os proprietários de capital. Observação A auditoria constitui 0 conjunto de procedimentos que tem por objetivo examinar a integridade, adequação e eficiência dos controles internos e das informações físicas, contábeis, financeiras e operacionais da entidade. 3.1.2 Auditoria externa ou independente Conforme já mencionado, no Brasil, a partir de 1° de janeiro de 2010, houve significativas mudanças nos conceitos gerais de auditoria independente. Passa-se a adotar 0 padrão internacional de auditoria, destacando-se a Resolução 1202/09 alterada pela Resolução 1329/11 do Conselho Federal de Contabilidade CFC, pela NBC-TA Estrutura Conceitual Estrutura Conceitual para Trabalhos de Asseguração, que torna importante entender 0 termo auditoria como ligado à asseguração. 20AUDITORIA A NBC-TA Estrutura Conceitual tem formulado assim alguns conceitos: trabalho de asseguração significa um trabalho no qual 0 auditor independente expressa uma conclusão com a finalidade de aumentar 0 grau de confiança dos outros usuários previstos, que não seja a parte responsável, acerca do resultado da avaliação ou mensuração de determinado objeto, de acordo com os critérios aplicáveis; 0 resultado da avaliação ou mensuração de um objeto é a informação resultante da aplicação de critérios ao objeto, por exemplo, as demonstrações contábeis de uma entidade ou uma afirmação acerca da eficácia do seu controle interno, ou seja: - 0 reconhecimento, a mensuração, a apresentação e a divulgação nas demonstrações contábeis (resultado da avaliação ou mensuração de determinado objeto) da entidade resultam da aplicação da estrutura de relatórios financeiros, como as práticas contábeis adotadas no Brasil (critérios), quanto à sua posição patrimonial e financeira, ao seu desempenho operacional e aos seus fluxos de caixa (objetos); uma afirmação acerca da eficácia do controle interno (resultado) resulta da aplicação da estrutura conceitual para a avaliação da eficácia do controle interno, tais como os critérios (COSO ou CoCo) em relação ao controle interno (objeto). Observação COSO vem da sigla em inglês aplicável ao Comittee of Sponsoring Organization of the Tradeway Comission, enquanto CoCo refere-se aos princípios do Instituto Canadense de Contadores. Auditoria externa versus auditoria interna A auditoria externa é 0 exame de todos os lançamentos contábeis em que 0 auditor se certifica se esses dados refletem adequadamente a real situação financeira e patrimonial da empresa e se estão de acordo com as normas contábeis, dando seu parecer em relação a eles. A auditoria externa é realizada por profissional sem vínculo com 0 quadro da empresa, a realização do trabalho ocorre de forma independente e 0 auditor se preocupa com a confiabilidade dos registros. Embora a auditoria externa tenha interesses comuns com a auditoria interna, elas operam em diferentes graus e profundidade. A auditoria interna, apesar de ser uma atividade nova, vem conquistando espaço cada vez maior devido ao grau de crescimento dos negócios e a necessidade do seu acompanhamento. A auditoria interna surge então como uma ramificação da auditoria externa, já que as empresas sentiram a necessidade de ter no seu quadro de funcionários um profissional permanente que pudesse acompanhar diariamente todos processos da organização. 21Unidade I A auditoria externa é exercida por empresas de auditoria independentes, mediante contrato de prestação de serviço. Tem por objetivo examinar as demonstrações contábeis de alguma área específica ou de procedimento predefinido de trabalho especial. Sua principal finalidade é emitir relatório sobre a adequação das demonstrações contábeis por meio de relatório independente. Sua responsabilidade é civil e criminal, tendo como usuários a própria empresa e 0 público em geral. Vale ressaltar que 0 papel do auditor não é de polícia, e sim de mero examinador das demonstrações contábeis, competindo-lhe, assim, emitir um relatório. 0 auditor atesta ou certifica, apenas apresentando sua opinião. Seu parecer pode ser inadequado, ainda que traduza a visão de um profissional perito em matéria de contabilidade. 3.1.3 Auditoria pública ou governamental Segundo Sá (1998), a auditoria governamental é uma especialização dentro do campo da auditoria que segue todos os princípios básicos e técnicos, bem como as normas aplicadas e específicas da auditoria. Exercida por funcionário público e por força da lei, tem por objetivo verificar a observância e cumprimento dos preceitos legais vigentes para apuração e recolhimento dos diversos tributos nos âmbitos federal, estadual e municipal, com a finalidade de evitar a sonegação fiscal. Seu relatório principal contém fiscalização ou auto de infração, sendo de responsabilidade do Poder Público, que também é seu principal usuário. São objetivos da auditoria pública: a lei orçamentária anual; os orçamentos plurianuais de investimentos; as aberturas de créditos adicionais; os atos complementares de abertura de créditos; atos relativos à programação financeira de desembolso; os balancetes de receitas e despesas; os relatórios dos órgãos administrativos encarregados do controle financeiro e orçamentário interno; rol dos responsáveis; as informações sobre a administração de créditos; os balancetes e balanços; 22AUDITORIA os livros, documentos, demonstrações, comprovantes e todos os papéis que, direta ou indiretamente, sirvam de elemento de aferição sobre a sanidade das contas apresentadas, inclusive pareceres; os assuntos de interesse público. 4 PERFIL PROFISSIONAL DO AUDITOR Observação Código de Ética e de Valores Institucionais: 0 auditor sempre deve comunicar à administração da entidade auditada descobertas factuais envolvendo fraude e, dependendo das circunstâncias, de forma verbal ou escrita e, tão cedo quanto possível, mesmo que 0 efeito potencial sobre as demonstrações contábeis seja irrelevante. Todas as profissões têm a ética como princípio, e a auditoria, notoriamente, não foge disso. 0 auditor tem em suas mãos grande responsabilidade, por exemplo, conhecer todas as irregularidades, falhas, erros, dentro do conjunto. Um bom auditor tem no seu perfil profissional conhecimento do responsável hierárquico, de seus deveres, direitos e obrigações, de acordo com código de ética. Segundo Attie (2011), como acontece em todas as profissões, na auditoria também foram estabelecidos padrões técnicos que objetivam qualificar a condução dos trabalhos de auditoria e garantir atuação tecnicamente consistente do auditor e de seu parecer, assegurando, a todos aqueles que dependem de sua opinião, a observação de uma série de requisitos considerados indispensáveis para que trabalho seja concretizado. 0 artigo a seguir demonstra de uma forma clara e objetiva a importância da profissão de auditor no contexto empresarial. A força que vem dos bastidores Em artigo, especialista aborda 0 desenvolvimento do papel do auditor nas empresas, que se torna um estrategista fundamental para os negócios. A profissão de auditor delineou-se a partir do começo do século passado, quando as grandes organizações mundiais começaram a recorrer a auditorias independentes para assegurar aos acionistas e investidores que seus balanços eram, de fato, a reprodução fiel da escrituração contábil. Com 0 passar do tempo, as organizações e 0 próprio sistema econômico mundial tornaram-se mais complexos, 0 que reforçou a importância da auditoria externa para assegurar a confiabilidade dos dados divulgados pelas empresas. 23Unidade I Hoje, a auditoria desempenha papel relevante como apoiadora da alta administração. 0 auditor é uma espécie de analista/estrategista que revisa e avalia uma ampla gama de itens fundamentais: demonstrações contábeis, políticas, planos, procedimentos, normas, operações, registros... Ele também identifica gargalos e oportunidades e sugere soluções para tornar os processos mais ágeis, melhorar a qualidade dos serviços prestados e aumentar as margens de lucro. É nos bastidores das empresas que ele atua, e é dali que indica 0 "caminho das pedras", pelo qual se atravessa a parte mais difícil do rio e se chega mais facilmente ao destino almejado. As qualidades indispensáveis ao auditor são, portanto, a imparcialidade, a atenção aos detalhes (tanto na realização dos trabalhos quanto na apresentação das conclusões), a capacidade dedutiva e a criatividade. Sua autoconfiança deve ser plena, mas não pode haver espaço para egocentrismo e vaidade. Ele também deve ter postura e ética impecáveis: afinal, se 0 auditor não transmitir ao mercado uma imagem confiável, de isenção e credibilidade, suas conclusões não serão efetivamente aceitas e levadas a sério. É essencial que sua independência e lisura sejam inquestionáveis. Obviamente, são enormes as responsabilidades que pesam sobre os ombros dos auditores. A eles, cabem os desafios de orientar as empresas para que se protejam de perdas, de determinar 0 grau de confiabilidade dos dados contábeis e de outras informações elaboradas e fornecidas pelas organizações, de avaliar riscos e de mensurar a qualidade alcançada na execução de tarefas determinadas. Por isso, devem dispor de total liberdade e isenção. A crescente especialização do mercado vem ocasionando uma espécie de segmentação entre os auditores, com profissionais que optam por focalizar mais a área de tributos, ou a tecnologia de informação, ou, ainda, as tiragens de publicações, a governança corporativa etc. Mais do que nunca, empresas de todos os portes e segmentos devem dar especial atenção a esse tema. Não haverá espaço para amadorismo no Brasil, que, se as coisas continuarem a fluir no ritmo atual, deverá se tornar a quinta economia do mundo em menos de uma década. Nesse cenário, a auditoria e seu realizador ou seja, auditor -, desempenharão papel de fundamental importância, sobretudo como pontos de apoio daqueles que empreendem e se empenham em transformar este país em uma grande potência. Fonte: Gonçalves (2009). texto a seguir aborda uma questão extremamente importante: ética na auditoria. Durante todo 0 trabalho de auditoria, 0 não cumprimento de exigências éticas relevantes pelos membros da equipe de trabalho compromete 0 controle de qualidade e os resultados dos trabalhos. 24AUDITORIA Bote os colegas na linha Como confrontar a conduta antiética no trabalho e prevalecer Jonathan está de emprego novo. Recém-transferido do departamento de contabilidade da matriz, agora é controller de uma unidade regional de vendas da fabricante de eletroeletrônicos. Animado com a promoção, quer forjar uma boa relação com a nova equipe. Na hora de fechar 0 balanço trimestral, no entanto, 0 rapaz percebe que 0 faturamento do trimestre seguinte está sendo registrado antes para reforçar a bonificação da turma. 0 silêncio do gerente da equipe sugere que aquele tipo de coisa provavelmente já ocorreu antes. Tendo lidado com a distorção quando trabalhava na matriz, Jonathan tem plena consciência de seu potencial de causar grande estrago. É a primeira vez, no entanto, que trabalha com aqueles que estão criando 0 problema, e não com quem tenta corrigi-lo. Pode parecer uma questão contábil banal. Mas as consequências em termos de custos de carregamento, projeções distorcidas, cultura ética comprometida e até ramificações legais são muito sérias. salvo em empresas extraordinariamente bem-administradas, esse tipo de situação pode surgir facilmente. Todo gerente deve saber como reagir de forma construtiva (aliás, aprender a fazê-lo é parte fundamental de seu desenvolvimento profissional) e todo alto executivo deve ser capaz de mudar as normas culturais que deram origem à decisão equivocada em primeiro lugar. Nos últimos quatro anos, estudei momentos nos quais 0 indivíduo decide se confronta ou não uma questão ética, e que diz quando decide confrontá-la. Reuni histórias de gestores em todos os níveis, com especial destaque para os primeiros anos na carreira e para indivíduos com casos positivos a relatar. Essas histórias juntamente com estudos de psicologia social sobre a tomada de decisões lançam luz sobre aquilo que permite à pessoa ser sincera ao deparar com conflitos éticos no trabalho. Os insights que aqui descrevo podem ajudar jovens administradores a levantar a quando a ocasião pede e ajudar altos executivos a erguer uma cultura organizacional forte e honesta. Fonte: Gentile (1969). Resumo De forma bastante simples, pode-se definir auditoria como 0 levantamento e avaliação sistemática das transações, procedimentos, operações, rotinas/demonstrações financeiras de uma organização. A auditoria consiste em controlar as áreas-chave nas empresas a fim de evitar situações que propiciem fraudes, desfalques e subornos, por meio de testes regulares nos controles internos de cada organização. 25Unidade I As normas de auditoria são entendidas como regras estabelecidas pelos órgãos regulares da profissão contábil, em todos países, com 0 objetivo de regulamentar exercício da função do auditor, estabelecendo orientação e diretrizes a serem seguidas por esses profissionais no exercício de suas funções. Elas estabelecem conceitos básicos sobre exigências em relação à pessoa do auditor, à execução de seu trabalho e ao parecer que deverá por ele ser emitido. Acerca da proteção que a auditoria oferece à riqueza patrimonial, dando maior segurança e garantia aos administradores: sob 0 aspecto administrativo: contribuição para redução de ineficiência, negligência, incapacidade e improbidade de empregados e administradores; sob 0 aspecto patrimonial: possibilita melhor controle dos bens, direitos e obrigações que constituem 0 patrimônio; sob 0 aspecto fiscal: é fator de maior rigor cumprimento das obrigações fiscais, resguardando 0 patrimônio contra multas, 0 proprietário contra penalidades decorrentes da lei de sonegação fiscal e 0 fisco contra sonegação de impostos; sob 0 aspecto financeiro: resguarda créditos de terceiros fornecedores e financiadores contra possíveis fraudes e dilapidações do patrimônio, permitindo maior controle dos recursos para fazer face a esses compromissos; sob 0 aspecto econômico: assegura maior exatidão dos custos e veracidade dos resultados, na defesa do interesse dos investidores e titulares do patrimônio; sob 0 aspecto técnico: contribui para mais adequada utilização das contas, maior eficiência dos serviços contábeis, maior precisão das informações e a garantia de que a escrituração e as demonstrações contábeis foram elaboradas de acordo com os princípios de Contabilidade. Exercícios Questão 1. (Enade, 2009) Em função da crise econômica internacional, a empresa Patativa passou por dificuldades econômico-financeiras, 0 que provocou um processo de descontinuidade e, consequentemente, está sendo obrigada a vender ativos para pagar dívidas com empregados, fornecedores e credores. 26AUDITORIA Sendo assim, os ativos devem ser avaliados pelo: A) Custo corrente. B) Custo histórico. C) Fluxo de caixa descontado. D) Preço corrente de venda. E) Valor de liquidação. Resposta correta: alternativa Análise das alternativas A) Alternativa incorreta. Justificativa: custo corrente refere-se ao estado atual de manutenção e conservação, mas normalmente não é assim validado no mercado. Segundo a alínea "A" do inciso do § 1° do art. 7° da Resolução CFC n° 750/93, "os ativos são reconhecidos pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, os quais teriam de ser pagos se esses ativos ou ativos equivalentes fossem adquiridos na data ou no período das demonstrações contábeis". B) Alternativa incorreta. Justificativa: 0 custo histórico é 0 praticado no momento da incorporação do bem ao patrimônio da empresa, 0 que normalmente difere daquele praticado no mercado. Segundo 0 inciso I do § 1° do art. 7° da Resolução CFC n° 750/93, "os ativos são registrados pelos valores pagos ou a serem pagos em caixa ou equivalentes de caixa ou pelo valor justo dos recursos que são entregues para adquiri-los na data da aquisição". C) Alternativa incorreta. Justificativa: esse método visa a trazer, a valor presente, os fluxos de caixa dos benefícios futuros possíveis de serem obtidos com esses bens, de maneira a determinar 0 seu montante atual. A quantificação desse valor depende do estabelecimento de uma taxa de desconto que seja compatível com a realidade do mercado. Segundo a alínea "C" do inciso do § 1° do art. 7° da Resolução CFC n° 750/93, "os ativos são mantidos pelo valor presente, descontado do fluxo futuro de entrada líquida de caixa que se espera seja gerado pelo item no curso normal das operações da entidade" (grifo nosso). D) Alternativa incorreta. Justificativa: 0 preço corrente de venda, também conhecido como valor realizável líquido, é utilizado quando 0 produto da empresa for vendido em mercado organizado ou em situação de inventário de 27Unidade I produtos para venda ou, ainda, para produtos próximos do estágio final de acabamento. Segundo a alínea "B" do inciso do § 1° do art. 7° da Resolução CFC n° 750/93, "os ativos são mantidos pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, quais poderiam ser obtidos pela venda em uma forma ordenada [...] no curso normal das operações da entidade". E) Alternativa correta. Justificativa: essa é a hipótese extrema para valores de saída por presumir venda forçada. 0 valor de liquidação é utilizado quando mercadorias ou outros ativos tornam-se obsoletos ou quando a empresa não espera continuar 0 empreendimento em futuro próximo. É, portanto, uma hipótese de descontinuidade. Questão 2. (Enade, 2009) A constituição das provisões para férias, décimo terceiro salário e dividendos propostos é uma conduta profissional que atende a qual princípio contábil? A) Competência. B) Consistência. C) Continuidade. D) Entidade. E) Prudência. Resolução desta questão na plataforma. 28