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Laíse Weis ;) Problema 6 – Módulo 7 1 HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA (HAS) - Pressão arterial: força motriz da circulação sanguínea que garante uma perfusão tecidual adequada; - HAS: doença crônica não transmissível (DCNT), sendo condição multifatorial crônica que culmina no aumento persistente dos níveis pressóricos elevados (PAS > 140 e/ou PAD > 90 mmHg), medida em duas ocasiões diferentes, na ausência de medicação anti-hipertensiva; - A HAS é resultante da incapacidade de regulação da PA em níveis basais; - Essencialmente, a HAS é assintomática; - Os vasos conseguem suportar determinados níveis pressóricos. Caso eles sejam ultrapassados, corre risco de ocorrer lesão endotelial (que facilitam a formação de trombos, êmbolos, ateromas); TIPOS DE HAS Primária ou Essencial: 95% dos casos de HAS. Causa desconhecida, mas pode estar relacionada a comportamentos de risco. Secundária: 5% dos casos de HAS. Pode estar relacionada a distúrbios na adrenal ou no rim. Ex: hipertensão renal parenquimatosa e renovascular (geralmente ligadas ao SRAA); CRISE HIPERTENSIVA X HAS - Crise hipertensiva: é a elevação acentuada da PA, podendo causar uma lesão aguda (como edema aguda de pulmão) ou predispor ao aparecimento de uma lesão aguda em pouco tempo; - Geralmente ocorre quando os níveis da PA estão acima de 180 x 120 mmHg (porém, não se deve definir pelo nível da PA, mas sim pelo status clínico do paciente); - Alguns sintomas que podem acompanhar são: cefaleia, tontura, zumbido, dispneia, dor precordial, palpitação, visão embaçada; - A crise hipertensiva pode ser classificada em: o Urgências hipertensivas (UH): situações clínicas sintomáticas em que há elevação acentuada da PA, sem lesão aguda e progressiva em órgãos alvos e sem risco iminente de morte; o Emergências hipertensivas: situações clínicas sintomáticas em que há elevação acentuada da PA, mas com lesão de órgãos-alvo aguda e progressiva e risco iminente de morte. Pode manifestar-se como um evento cardiovascular, cerebrovascular, renal ou com envolvimento de múltiplos órgãos; - Uma condição comum nos setores de emergência é a pseudocrise hipertensiva (PCH), em que não há lesão de órgãos-alvo aguda ou risco imediato de morte. Ex: eventos emocionais; OBS: a PA pode se elevar naturalmente ao se levantar, aos exercícios físicos, aos sustos, aos estresses, momentos de euforia. FISIOPATOLOGIA - A pressão arterial (PA) depende de ajustes da FC, da contratilidade cardíaca, da RVP, de capacitância e da distribuição de fluido dentro e fora dos vasos; - O DC elevado, mesmo que responsável por iniciar a hipertensão, não parece se manter, uma vez que o principal achado hemodinâmico típico da HAS é o aumento da resistência vascular periférica (↑ RVP); - A principal regulação da RVP ocorre nas arteríolas, que são os locais mais relevantes da resistência devido às suas características estruturais (musculatura lisa bem desenvolvida) e funcionais (rica inervação, endotélio etc.). - Assim, as arteríolas tem maior facilidade de variar o calibre, não só momento a momento, mas também de forma sustentada na HAS; - Existem duas possibilidades de haver diminuição no calibre das arteríolas: alterações funcionais, que ↑ vasoconstrição ativa, e estruturais, que ↓ a luz do vaso (hipertrofia e/ou remodelamento vascular). As fases iniciais da hipertensão predominam as alterações funcionais na ↑ RVP, e na hipertensão crônica há uma interação dos fatores estruturais e funcionais; - O músculo liso das arteríolas se organiza em unidade única (com inervação simpática individual) ou múltipla (fibra única para o conjunto). Isso confere a propriedade de automatismo, ou seja, tem zonas que iniciam a despolarizações que se irradiam para as fibras vizinhas, determinando a contração; - Outro mecanismo que causa vasoconstrição é o da autorregularão miogênica (que mantém o fluxo normal em locais que sofrem variações bruscas de PA), em que a distensão da musculatura lisa provocada pelo ↑PA (↑DC, p. ex.) causa uma constrição das arteríolas, ↑RVP, normalizando o fluxo sanguíneo. Esse mecanismo pode ser importante na transformação da hipertensão que começa com o ↑DC, mas que causando a distensão das arteríolas, gera a vasoconstrição → HAS; Laíse Weis ;) Problema 6 – Módulo 7 2 - Outro mecanismo de autorregulação é quanto ao fator metabólico: ↑ fluxo sanguíneo →↑ [O2] e ↓ [CO2] → vasoconstrição das arteríolas, contrário à vasodilatação que ocorre na ↓ fluxo ou ↑ da demanda metabólica; - As arteríolas têm um tônus intrínseco (devido ao seu automatismo) que recebe influência neurogênica (simpático). Também existem estímulos vasodilatadores permanentes vindos do endotélio, que tem ação oposta ao simpático. Assim, o tônus fisiológico é determinado pela soma algébrica de fatores constritores e dilatadores, sendo o ↑RVP na HAS devido a um desequilíbrio entre esses fatores; SISTEMA NERVOSO SIMPÁTICO - A atividade simpática é um dos fatores funcionais mais importantes, tanto na gênese, quanto na manutenção da hipertensão. Além disso, o SNS contribui para a hipertrofia da parede vascular, influenciando os fatores estruturais; - ↑ atividade do sistema nervoso simpático participa na patogênese da HA, com aumento do tônus simpático, como: efeito mais intenso dos agentes simpatolíticos ou bloqueadores adrenérgicos, níveis elevados e maior sensibilidade à noradrenalina; - A atividade simpática nas arteríolas hipertrofiadas de hipertensos pode causar vasoconstrição exagerada devido à hipertrofia reduzir a luz do vaso e ampliar os efeitos constritores; - Como a HAS é multifatorial, a atividade simpática aumentada pode interagir com outros fatores que contribuem para o aparecimento da doença; ❖ Estresse - A adrenalina liberada de forma intermitente poderia provocar a vasoconstrição neurogênica sustentada e hipertensão, pela ação em receptores pré-sinápticos; FATORES DE RISCO o Genética: os fatores genéticos podem influenciar os níveis de PA entre 30-50%. A HAS é quase certamente um distúrbio poligênico, ou seja, envolve múltiplos genes; o Idade: com o envelhecimento, a PAS torna-se mais significante, resultante do enrijecimento progressivo e da perda de complacência das grandes artérias; o Sexo: a PA é mais elevada entre homens nas faixas etárias mais jovens, mas a elevação pressórica por década se apresenta maior nas mulheres; o Etnia: a etnia é um fator de risco importante para a HA, mas condições socioeconômicas e de hábitos de vida parecem ser mais relevantes. A etnia negra tem maior propensão à HAS; o Sobrepeso/Obesidade: relação direta; o Ingestão de sódio e potássio: a ingestão elevada de sódio contribui para elevar a PA, e o aumento da ingestão de potássio a reduz; o Sedentarismo: há uma associação direta entre sedentarismo, elevação da PA e da HA; o Tabagismo: a nicotina ↑ a liberação de catecolaminas, que ↑ a FC, a PA e a RVP. Também ↑ a capacidade em formar coágulos e ↓ sua função de destruí-los. Há ↓ de O2 nas hemácias em cerca de, pois o CO que resulta da queima do fumo e do papel se liga à hemoglobina. Este último também lesa a parede interna dos vasos, propiciando a deposição de gorduras; o Álcool: há maior prevalência de HA ou elevação dos níveis pressóricos naqueles que ingeriam seis ou mais doses ao dia, o equivalente a 30 g de álcool/dia = 1 garrafa de cerveja (5% de álcool, 600 mL); o Fatores socioeconômicos; EXAMES EXAMES DIAGNÓSTICOS MAPA: Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial nas 24 horas (MAPA 24h); o Consiste em um medidor automático da PA que é utilizado por um período de 24h. São feitos registros de Pressão Arterial a cada 15 minutos durante o período de vigília e a cada 20 – 30 minutos durante o período de sono. MRPA: MonitorizaçãoResidencial da Pressão Arterial O Consiste na obtenção de três medições pela manhã, antes do desjejum e da tomada da medicação, e três à noite, antes do jantar, durante cinco dias, ou duas medições em cada um desses momentos (manhã e noite), por sete dias. Pode ser realizado pelo paciente ou por outra pessoa treinada no domicílio ou trabalho; Principais indicações para MAPA/MRPA O Diagnóstico de pré-hipertensão sem lesões de órgãos-alvo; O Avaliação de hipertensão episódica; O Identificação de hipertensão no sono ou ausência de descenso no sono; O Avaliação da eficácia anti-hipertensiva – e separar a hipertensão resistente verdadeira da pseudo- hipertensão resistente; O Manejo da hipertensão durante a gravidez; Laíse Weis ;) Problema 6 – Módulo 7 3 O Avaliação da hipertensão em idosos, crianças e adolescente; EXAMES DE ACOMPANHAMENTO CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS - Os limites de PA considerados normais são arbitrários. São considerados hipertensos os indivíduos com PAS ≥ 140 mmHg e/ou PAD ≥ 90 mmHg; - O diagnóstico de HA deverá ser sempre validado por medições repetidas, em condições ideais, em duas ou mais visitas médicas em intervalo de dias ou semanas; ou de maneira mais assertiva, realizando-se o diagnóstico com medidas fora do consultório (MAPA ou MRPA); - As medidas domiciliares, tanto MAPA como MRPA têm como vantagens a obtenção de vários valores da PA e em condições do dia a dia do paciente, o que aumenta seu poder de identificar o risco cardiovascular das pessoas, isto é, são melhores fatores preditores de eventos cardiovasculares em comparação com a medida simples da PA em consultório. E a MAPA ainda tem uma vantagem peculiar, que é a medida da PA durante o sono; VALORES DE REFERÊNCIA ❖ Hipertensão do Avental Branco: quando as medidas no consultório são > 140 x 90 mmHg, mas no MAPA, nas automedidas ou nas medidas residenciais, nota-se que a PA é normal; ❖ Hipertensão Mascarada: quando a PA no ambulatório é normal, mas no MAPA ou nas medidas residenciais é elevada; CONSEQUÊNCIAS - A HAS se associa a fatores de risco metabólicos para as doenças dos sistemas cardiocirculatório e renal, como dislipidemia, obesidade abdominal, intolerância à glicose, e diabetes melito (DM); - Os danos que a HAS pode causar ocorrem em função da lesão vascular generalizada que ela pode causar cronicamente. Os danos ocorrem principalmente no cérebro (AVC), rins (insuficiência renal), coração (hipertrofia de VE, infarto), olhos, sobretudo na retina (retinopatia vascular, que pode levar à cegueira); - A arteriosclerose e a demência vascular também podem ser ocasionadas pela hipertensão. ❖ No coração Doença arterial coronária (DAC) e IAM: evidências epidemiológicas associam a HA à DAC. Dados do estudo INTERHEART demonstraram que 25% dos infartos (IAM) podem ser atribuídos à HÁ; Insuficiência cardíaca (IC): A HA tem papel fundamental na fisiopatologia da IC, levando ao aparecimento de HVE e à disfunção diastólica e sistólica em VE. É o maior fator de risco para seu desenvolvimento, geralmente antecedendo a síndrome em vários anos. Na IC com fração de ejeção preservada (ICFEP), a HA é ainda mais frequente, com prevalência de até 90%. O diagnóstico precoce da HA e seu tratamento podem reduzir o risco de IC, sobretudo em idosos; ❖ No encéfalo - O aumento da pressão arterial pode ser uma das causas de diversas complicações no cérebro, pois quando a pressão está alta, as artérias cerebrais ficam mais enrijecidas, podendo causar um AVC, pois ele necessita de um fluxo sanguíneo contínuo para exercer o comando sobre o resto do organismo Acidente vascular encefálico hemorrágico (AVEH) e isquêmico (AVEI): no AVEH, se houver aumento da PA, podem ocorrer maior probabilidade de expansão do hematoma, aumento do risco de morte e pior prognóstico. Já no AVEI, a redução da PA é benéfica para pacientes candidatos à trombólise, pois a PA elevada aumenta as chances de hemorragia; ❖ Nos rins - A HAS pode causar lesões ateroscleróticas nas arteríolas aferentes e eferentes e capilares dos glomérulos renais. O dano estrutural aos néfrons pode causar microalbuminúria e insuficiência renal progressiva. Nos rins, esse efeito resulta em perda da eficiência para filtrar o sangue e eliminar resíduos nocivos adequadamente; Laíse Weis ;) Problema 6 – Módulo 7 4 ❖ Nos olhos - Nos olhos, o principal alvo da pressão arterial alta é a retina. Essa alteração é chamada de retinopatia hipertensiva. São originadas por um estreitamento dos vasos sanguíneos ou pelo enrijecimento das paredes arteriais, levando a um quadro de hemorragia nos olhos e descolamento da retina, que podem causar cegueira; TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO Cessação do tabagismo: tem potencial considerável de causar dano, como aceleração de processos aterotrombóticos e elevação temporária da PA. O uso de tabaco eleva a PA cerca de 5 a 10 mmHg, em média; Padrão alimentar: o sucesso do tratamento da HA com medidas nutricionais depende da adoção de um plano alimentar saudável e sustentável. A dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) enfatiza o consumo de frutas, hortaliças e laticínios com baixo teor de gordura; inclui a ingestão de cereais integrais, frango, peixe e frutas oleaginosas; preconiza a redução da ingestão de carne vermelha, doces e bebidas com açúcar. Ela é rica em potássio, cálcio, magnésio e fibras, e contém quantidades reduzidas de colesterol, gordura total e saturada. A adoção desse padrão alimentar reduz a PA; Redução do consumo de sódio: a ingestão habitual de sódio em todo o mundo foi estimada em 4 g/dia, enquanto a ingestão recomendada para indivíduos hipertensos e para a população em geral é até 2 g/dia; Ácidos graxos insaturados: os ácidos graxos ômega-3 provenientes dos óleos de peixe estão associados com redução modesta da PA; Lacticínios: apesar de serem ricos em ácidos graxos saturados (na versão integral), podem conter constituintes com efeito benéfico, como a proteína do soro do leite (whey protein), os fosfolipídios da membrana dos glóbulos de gordura, o cálcio, o magnésio, o potássio, os probióticos e as vitaminas K1 e K2, que tem efeito hipotensor modesto; Cafeína: o café, além de ser rico em cafeína, possui compostos bioativos como polifenóis, em especial os ácidos clorogênicos, o magnésio e o potássio, que podem favorecer a redução da PA. A cafeína é capaz de elevar agudamente a PA, por mais de três horas, mas o consumo regular leva à tolerância; Moderar o consumo de álcool: o consumo habitual de álcool eleva a PA de forma linear e o consumo excessivo associa-se com aumento na incidência de HA. Estima-se que um aumento de 10 g/dia na ingestão de álcool eleve a PA em 1 mmHg, sendo que a diminuição nesse consumo reduz a PA; Atividade física/exercício físico: a prática regular de atividade física reduz a incidência de PA. Os hipertensos que alcançam as recomendações de prática de AF para a saúde apresentam uma redução de 27 a 50% no risco de mortalidade, mas benefícios adicionais podem ser obtidos com exercícios físicos estruturados (combinação de treinamento aeróbico com o resistido). O treino aeróbio reduz a PA de vigília em hipertensos e em situações de estresse físico, mental e psicológico; FARMACOLÓGICO DIURÉTICOS (DIU) - São drogas seguras, de baixo custo e são recomendadas como primeira escolha para monoterapia ou associação; - Os mecanismos de ação anti-hipertensiva dos DIU relacionam-se inicialmente aos seus efeitos natriuréticos, com ↓ volume extracelular e ↑ da excreção de Na+ e H²O; - Após 4-6 semanas, o volume circulante praticamente se normaliza e ocorre ↓ RVP. Os DIU reduzem a PA e diminuem a morbimortalidade. Apesar do efeito anti- hipertensivo não estar relacionado à dose, os efeitos colateraisestão; ❖ Tiazídicos - Atuam na porção proximal dos túbulos contorcidos distais, bloqueando o cotransportador de sódio-cloreto na membrana luminal das células tubulares. Sob condições favoráveis, esses agentes fazem com que de 5% a 10% do filtrado glomerular passe para a urina. Esse fármaco em tem por efeito ↓ PA ao diminuir DC e a RVP. Entretanto, ao ↓ DC, ↑ o SRAA, levando a retenção de volume e atenuação dos efeitos tiazídicos sobre o estado de volume. São os primeiros indicados para HAS; - Ex: Hidroclorotiazida, Clortalidona e Metolazona; ❖ De alça - São raramente prescritos para o tratamento de hipertensão leve ou moderada, tem curta duração de 4 a 6h. São prescritos às condições clínicas com retenção de sódio e água, como na insuficiência renal crônica, e de edema, como na IC. Acredita-se que esse efeito sobre a PA seja devido à ativação de respostas compensatórias envolvendo reguladores neuro-humorais de volume intravascular e resistência vascular sistêmica. Indica-se DIU de alça em casos de doença renal crônica avançada; - Ex: Furosemida e Bumetanida; Laíse Weis ;) Problema 6 – Módulo 7 5 ❖ Diuréticos poupadores de K+ - Costumam ser utilizados em associação aos tiazídicos ou DIU de alça, pois são mais fracos. A associação dele tem o objetivo de atenuar a excreção de K+ e consequente hipocalemia. A espironolactona tem sido habitualmente utilizada como o quarto medicamento a ser associado aos pacientes; Ex: Amilorida, Triantereno (Espironolactona?); Efeitos adversos de DIU: os principais são fraqueza, cãibras, hipovolemia e disfunção erétil. A hipocalemia é o efeito metabólico mais comum e, frequentemente acompanhada de hipomagnesemia, que podem provocar arritmias ventriculares, sobretudo a extrassistolia. A hipocalemia também ↓ a liberação de insulina, ↑ a intolerância à glicose e o risco de desenvolver DM tipo 2. O ↑ do ácido úrico também pode precipitar crises de gota nos indivíduos com predisposição; OBS: o uso de DIU em doses baixas diminui o risco dos efeitos adversos, sem prejuízo da eficácia anti-hipertensiva, especialmente quando em associação a outras classes de medicamentos. BETA-BLOQUEADORES (BB) - Promovem a diminuição inicial do DC e da secreção de renina, com a readaptação dos barorreceptores e diminuição das catecolaminas nas sinapses nervosas. Podem ser divididos em 3 categorias: ❖ Não seletivos - Bloqueiam tanto os receptores adrenérgicos beta-1 (presentes no miocárdio), e os beta-2 (músculo liso, pulmões, vasos sanguíneos e outros órgãos). Ex: propranolol, nadolol e pindalol; ❖ Cardiosseletivos - Bloqueiam preferencialmente os receptores beta-1 adrenérgicos. Ex: atenolol, metoprolol, bisoprolol e nebivolol. ❖ Com ação vasodilatadora - Manifesta-se por antagonismo ao receptor alfa-1 periférico (carvedilol) e por produção de óxido nítrico (nebivolol); Efeitos adversos dos BB: broncoespasmo, bradicardia, distúrbios da condução atrioventricular, vasoconstrição periférica, insônia, pesadelos, depressão, astenia e disfunção sexual. Os BB são contraindicados em pacientes com asma, doença pulmonar obstrutiva crônica e bloqueio atrioventricular de segundo e terceiro graus. Podem gerar intolerância à glicose, induzir ao aparecimento de diabetes melito, hipertrigliceridemia, elevação do colesterol-LDL e redução do colesterol-HDL; INIBIDORES DA ENZIMA CONVERSORA DA ANGIOTENSINA (IECA) - Tem como ação principal a inibição da enzima conversora de angiotensina, que é responsável tanto pela transformação de ANG1 em ANG2 (vasoconstritora), quanto pela degradação da bradicinina (vasodilatadora), aumentando sua concentração no organismo. Com a ↓ ANG2, esses inibidores ↓ resistência vascular sistêmica, diminuindo a força de contração durante a ejeção. Ao ↓ os níveis de aldosterona, também promovem a natriurese (↑ excreção de Na+), ↓ o volume intravascular. Ex: Losartana; Efeitos adversos dos IECA: tosse seca é o principal efeito colateral (5-20% dos pacientes). Edema angioneurótico e erupção cutânea ocorrem mais raramente. Um fenômeno passageiro observado em pacientes com insuficiência renal é a piora inicial da função renal com a elevação de ureia e creatinina séricas (devido à adaptação da hemodinâmica intraglomerular com vasodilatação da arteríola eferente e redução da pressão de filtração glomerular). Entretanto, essa piora inicial da função renal é um mecanismo protetor, pois evita a hiperfiltração glomerular e reduz a progressão da doença renal crônica. Os IECA também podem causar hipercalemia, sobretudo nos diabéticos. Seu uso é contraindicado na gravidez, devido ao risco de complicações fetais; BLOQUEADORES DOS RECEPTORES AT1 DA ANGIOTENSINA II (BRA) - Os BRA antagonizam a ação da angiotensina II pelo bloqueio específico dos receptores AT1, responsáveis pelas ações próprias da angiotensina II (vasoconstrição, estímulo da proliferação celular e da liberação de aldosterona). No tratamento da HA proporcionam redução da morbimortalidade cardiovascular e renal; Efeitos adversos dos BRA: são incomuns, sendo o exantema raramente observado. Semelhante aos IECA, os BRA podem reduzir inicialmente a filtração glomerular por vasodilatação das arteríolas eferentes, ↓ pressão de filtração glomerular, mas esse efeito é nefroprotetor a longo prazo. Pelas mesmas razões dos IECA, podem causar hipercalemia, especialmente na presença de insuficiência renal, e são contraindicados na gravidez; OBS: efeitos positivos → cardioprotetor, nefroprotetor, antiagregante plaquetário e hipouricêmico; BLOQUEADORES DOS CANAIS DE CÁLCIO (BCC) - Esta classe de medicamentos bloqueia os canais de cálcio na membrana das células musculares lisas das arteríolas, Laíse Weis ;) Problema 6 – Módulo 7 6 reduz a disponibilidade de cálcio no interior das células (dificultando a contração muscular); assim, ↓RVP por vasodilatação. Existem dois tipos: ❖ Di-hidropiridínicos - Exercem efeito vasodilatador predominante, com mínima interferência na FC e na função sistólica, sendo, por isso, mais frequentemente usados como medicamentos anti- hipertensivos. Ex: anlodipino, nifedipino, felodipino; ❖ Não di-hidropiridínicos - Têm menor efeito vasodilatador e agem na musculatura e no sistema de condução cardíacos. Por isso, reduzem a FC, exercem efeitos antiarrítmicos e podem deprimir a função sistólica. Ex: difenilalquilaminas e as benzotiazepinas; Efeitos adversos dos BCC: o edema maleolar costuma ser o efeito colateral mais comum e resulta da ação vasodilatadora (mais arterial que venosa), ↑ transudação capilar. A cefaleia latejante e as tonturas são comuns. O rubor facial é mais comum com os BCC di-hidropiridínicos de ação rápida. A hipercromia do terço distal das pernas (dermatite ocre) e a hipertrofia gengival são efeitos adversos ocasionais; MEDIDAS PREVENTIVAS Controle de peso: a obesidade geral e a obesidade abdominal foram associadas ao aumento do risco de HA. Por outro lado, a diminuição do peso promove a diminuição da PA; Dieta saudável: há várias propostas de dietas para a prevenção da HA, que também favorecem o controle dos hipertensos e contribuem para a saúde como um todo. Ex: dieta DASH; Redução de sódio: o consumo excessivo de sódio é um dos principais fatores de risco modificáveis para a prevenção e o controle da HA e das DCV. A restrição de sódio mostrou ter um efeito redutor da PA, sendo maior em negros, idosos, diabéticos, indivíduos com síndrome metabólica; Ingestão de potássio: aumento da suplementação de potássio diminui a PA; Atividade física: treinamento aeróbico, resistido dinâmico e resistido isométrico reduz a PAS/PAD em repouso; DIFICULDADE DE ADESÃO - Segundo a OMS, a adesão é o “grau em que o comportamento de uma pessoa – tomar o medicamento, seguir uma dieta e/ou executar mudançasno estilo de vida (MEV) – corresponde às recomendações acordadas com um prestador de assistência à saúde”. O principal motivo do controle inadequado da HA parece ser o não cumprimento do tratamento a longo prazo; - Entre os fatores que dificultam o processo de adesão, a idade, renda, escolaridade e etnia/raça se destacam principalmente em locais com predomínio de baixo nível socioeconômico. O sistema de saúde ofertado e as características da equipe de saúde também influenciam; - Quanto à doença e ao tratamento, ressaltam-se a cronicidade, a ausência de sintomatologia da HA, o tratamento para toda a vida e o esquema medicamentoso complexo em alguns casos, além de efeitos indesejáveis e interações dos fármacos. INSUFICIÊNCIA CARDÍACA (IC) - A insuficiência cardíaca é uma síndrome na qual o coração é incapaz de bombear sangue suficiente para satisfazer as necessidades do corpo. Assim, o coração não provém um DC adequado para suprir a demanda metabólica; - A causa é geralmente a contratilidade diminuída do miocárdio, resultante do fluxo sanguíneo coronariano diminuído. Também pode ser provocada por lesão das valvas cardíacas, pressão externa em torno do coração, deficiência de vitamina B, doença muscular cardíaca primária; - Ocorre pelo somatório de múltiplas alterações anatômicas, funcionais e biológicas que interagem entre si. É considerada uma enfermidade progressiva desencadeada a partir de um insulto inicial que afeta o miocárdio, prejudicando a capacidade de gerar força e manter a contratilidade adequada; - Pode permanecer assintomática por longos períodos devido à ativação de mecanismos adaptativos neuro- hormonais (como o SRAA e SNS). Essas adaptações começam rapidamente (questão de minutos a horas), sendo capazes de sustentar ou modular a função ventricular em níveis próximos ao normal; Laíse Weis ;) Problema 6 – Módulo 7 7 - À longo prazo, outro mecanismo adaptativo é o remodelamento ventricular, que passa a contribuir para a disfunção miocárdica; - Quando ocorre a falência dos mecanismos adaptativos, a IC passa a ser sintomática; FISIOPATOLOGIA Determinantes: o Pré-carga (mecanismo de Frank-Starling) = Retorno venoso; o Contratilidade = Inotropismo (relacionado ao Ca+2 intracelulalar); o Pós-carga = Resistência vascular sistêmica; Sistemas ativados - SRAA: a ANG2 terá várias ações ao agir no receptor AT1, como → ativação simpática no SNC, disfunção no endotélio vascular, inflamação no músculo liso, crescimento e fibrose das células miocárdicas (remodelamento), produção de aldosterona (reabsorve H2O e Na+), e vasoconstrição periférica; - Sistema simpático: os barorreceptores são ativados pela queda de PA, ativando o SNC. O SNS age em diversas regiões → aumenta FC e força de contração no coração*, retenção de H2O e Na+ nos rins** e vasoconstrição nos vasos***; *Inicialmente, esses efeitos são bons, pois ↑ DC, que estava reduzido na IC. Porém, à longo prazo, a ativação do SNS causa fibrose e morte de cardiomiócitos (remodelamento); **A retenção de H2O ↑ a pré-carga e estimula a produção de renina estimula o simpático; ***Aumenta a pós-carga. À longo prazo, isso prejudica a mecânica de contração do coração; - Tônus vascular: na IC, os fatores vasoconstritores (endotelina e ADH) aumentam e os vasodilatadores (NO e bradicinina) diminuem; - Peptídeos natriuréticos (PNA e PNB): causam vasodilatação, elimina Na+ e H2O, e ↓ hipertrofia e fibrose; EFEITOS AGUDOS DA IC - Se o coração for, de modo súbito, gravemente lesado por infarto, a capacidade de bombeamento é logo diminuída, ocorrendo (1) ↓ DC e (2) acúmulo de sangue das veias → ↑ pressão venosa; - Imediatamente após o coração ser lesado, o DC fica muito diminuído. Esse baixo DC ainda é suficiente para manter a vida por poucas horas, mas está associado à ocorrência de desmaios; - Esse estágio agudo dura poucos segundos, pois os reflexos simpáticos ocorrem quase imediatamente e compensam o coração lesionado; TIPOS DE IC Quanto ao tempo AGUDA: mais rara, desenvolve-se repentinamente e os sintomas são graves inicialmente. Normalmente a insuficiência cardíaca aguda segue-se a um IAM, que causou lesões numa área do coração ou, é causada por uma incapacidade súbita do corpo em compensar a insuficiência cardíaca crônica; CRÔNICA: a partir de 6 meses. Mais comum, os sintomas aparecem lentamente e se agravam gradualmente. Um dos motivos do agravo gradual é a constante superposição de mecanismos compensatórios. IAM, HAS, doença coronariana, miocardiopatia, valvulopatias; Quanto ao mecanismo fisiopatológico SISTÓLICA: dificuldade de contrair o miocárdio, ou seja, não consegue fazer uma sístole adequada devido à dilatação (hipertrofia execêntrica), e logo, não ejeta o sangue adequadamente (IC com fração de ejeção reduzida). São presentes nas doenças que cursam com perda do músculo cardíaco, e sua substituição por tecido fibroso reparativo. Ex: IAM e falência da bomba cardíaca por perda da massa muscular, isquemia. O coração pode desenvolver alterações compensatórias, como: o ↓DC, ↑FC, ↑pré-carga; o Inotropismo positivo; o Retenção de água e sódio o Manifestações clínicas: estase jugular (turgência); estertores pulmonares; B3; edema de MMII; DIASTÓLICA: o ventrículo não consegue relaxar de forma adequada (hipertrofia concêntrica), porém sua capacidade contrátil fica inalterada (IC com fração de ejeção preservada). Existe restrição patológica ao enchimento diastólico onde o VE está limitado na sua capacidade encher durante a diástole, causando ↑ pressões de enchimento (pré-carga) e, consequentemente, ↑ venocapilar (congestão). Algumas etiologias da IC diastólica são a cardiopatia hipertensiva na fase hipertrófica e a fibrose isquêmica; o Manifestações clínicas: doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC); varizes de MMII; Quanto ao lado afetado ESQUERDA: ocorre disfunção do lado esquerdo do coração, que não consegue bombear o sangue adequadamente para a circulação sistêmica. Esse sangue se acumula nas veias Laíse Weis ;) Problema 6 – Módulo 7 8 pulmonares, causando a congestão pulmonar. Como o volume de sangue pulmonar aumenta, a pressão hidrostática das vênulas da pleura visceral também aumenta, causando filtração do líquido dos vasos intersticiais, e logo, o edema pulmonar (ou, até mesmo, derrame pleural). As causas mais comuns são cardiopatia isquêmica e HAS; o ↓ perfusão sistêmica; o Congestão pulmonar; SINTOMAS DE IC ESQUERDA o Dispneia aos esforços: devido à congestão; o Tosse: resulta da transudação de líquido para o interior dos espaços aéreos; o Ortopneia: pois a posição supina aumenta o retorno venoso proveniente das extremidades inferiores e eleva o diafragma; OBS: ↓DC causa redução da perfusão renal que, por sua vez, ativa o SRAA, que eleva o volume e as pressões intravasculares. Esses efeitos compensatórios exacerbam o edema pulmonar. DIREITA: geralmente é consequência da IC esquerda, pois qualquer aumento de pressão na circulação pulmonar produz aumento da carga (pós carga) do lado direito do coração. Mas também pode ocorrer isolada em algumas doenças, como a hipertensão pulmonar grave, shunts E-D. Ocorre congestão do sistema circulatório venoso sistêmico, por isso causam edema no MMII e a turgescência na jugular. Também ocorre congestão venosa portal, aumentando o tamanho do fígado e do baço, edema periférico. OBS: na maioria dos casos de descompensação cardíaca crônica, os pacientes apresentam ICC biventricular, que abrange as síndromes clínicas de ambas as formas de insuficiência cardíaca. À medida que a ICC progride, os pacientes podem se tornar claramente cianóticos e acidóticos, como consequência da ↓ da perfusão tecidual que advém da ↓ do fluxo anterógrado; Quanto ao débito cardíaco BAIXO: maioriados casos. A disfunção sistólica do VE reduz DC, causando hipoperfusão tecidual. Nas fases iniciais, o DC pode se manter normal no estado de repouso, mas durante o esforço físico o aumento fisiológico do DC não acontece. Na fase avançada, o DC fica reduzido mesmo em repouso; ALTO: ocorre nas condições que exigem maior trabalho cardíaco, como na demanda metabólica ou desvio de sangue do leito arterial para o venoso; Outros COMPENSADA: ocorre quando o organismo dispõe de eficiência nos mecanismos compensatórios e restauração do DC em repouso, porém a capacidade máxima de bombeamento está diminuída. Nesse tipo, a pessoa não sabe que há uma IC devido às compensações. Exercícios causam retorno imediato dos sintomas de IC, pois o coração não é capaz de aumentar a capacidade de bombeamento; DESCOMPENSADA: situação clínica em que nenhum tipo de reflexo de compensação pode fazer o coração voltar a bombear normalmente. Consequentemente, o DC não pode aumentar o suficiente para fazer com que os rins excretem quantidades normais de líquido (urina). Assim, o líquido continua sendo retido e ↑ edema. Além disso, pode ocorrer ↑ da pressão média de enchimento; FATORES DE RISCO E CAUSAS o Doença arterial coronariana (bloqueio ou estreitamento das artérias coronárias; o IAM; o Tabagismo; o HAS; o Álcool; o Válvulas cardíacas anormais; o Aumento do coração (cardiomiopatia); o Infecção do coração (miocardite); o Drogas quimioterápicas; o Arritmias; o Genética; o Diabetes; o Dislipidemia; EXAMES o Raio-X de tórax: avalia a presença de aumento da área cardíaca, congestão pulmonar e edema agudo de pulmão; - Faz parte do diagnóstico inicial e da identificação de descompensações clínicas em pacientes portadores de IC. Esse exame torna possível a visualização das características cardíacas (forma, tamanho e silhueta). Os achados mais frequentes são cardiomegalia e congestão pulmonar; - Índice cardiotorácico aumentado (cardiomegalia) e alto volume cardíaco no raio-X frontal→ indicam elevação do VDF do VE; Laíse Weis ;) Problema 6 – Módulo 7 9 o ECG: possui alto valor preditivo negativo, ou seja, um resultado normal afasta a suspeita de IC, porém um resultado alterado não necessariamente confirma, pois diferentes situações podem levar a alterações no ECG; o Ecocardiograma: avalia a função ventricular sistólica e diastólica, tamanho e espessura das paredes das câmaras cardíacas e função das valvas; o Peptídeos natriuréticos: o BNP (Peptídeo Natriurético Cerebral) diferencia se a causa da dispneia é de origem pulmonar ou cardíaca. Ele costuma se elevar nas situações de aumento das pressões de enchimento ventricular, como ocorre na IC, por isso valores de BNP > 50 pg/ml ou de NT- proBNP > 125 pg/ml fazem o diagnóstico. Nos casos de IC descompensada, esses valores costumam estar bem mais elevados; o Hemograma completo; o Sódio, potássio, creatinina, glicemia; CLASSIFICAÇÃO SINAIS E SINTOMAS o Falta de ar; o Edema de MMII; o Falta de energia, sensação de cansaço; o Dispneia noturna; o Abdômen inchado ou mole, perda de apetite; o Tosse com muco "espumoso" ou catarro; o Aumento da micção durante a noite; o Confusão; o Memória prejudicada; ALTERAÇÕES HEMODINÂMICAS o ↓ DC em ambas; o ↑ FC em ambas; o ↑ Pré-carga em ambas; o ↑ Pós-carga em ambas; o VSF: ↑ IC sistólica (menos sangue sendo ejetado, mais sangue ficará após a sístole; esse sangue pode regurgitar, voltar para circulação pulmonar e gerar edema agudo de pulmão) e ↓ IC diastólica (a cavidade está menor e está chegando menos sangue e consegue ejetar, então não sobra sangue); o VDF: ↑ IC sistólica e ↓ IC diastólica; o Volume sistólico: ↓ IC sistólica e normal na diastólica; o ↑ Retorno venoso e ↑ volemia em ambas (devido aos mecanismos compensatórios); MECANISMOS COMPENSATÓRIOS DA IC Com a queda do DC devido à queda contratilidade, ocorre: MECANISMO DE FRANK-STARLING - Quando o ventrículo dilatado é capaz de manter o DC, diz- se que o paciente tem Insuficiência Cardíaca Compensada. Porém, a Dilatação Ventricular ocorre à custa de aumento na tensão das paredes e intensifica as necessidades de oxigênio de um miocárdio já comprometido. Com o tempo, o músculo em falência não consegue mais impelir sangue suficiente para satisfazer as necessidades do corpo; ATIVAÇÃO DE REFLEXOS SIMPÁTICOS - Ativação do sistema nervoso simpático pelo reflexo barorreceptor pela baixa PA, pelo reflexo quimiorreceptor, pela resposta isquêmica do SNC e pelos reflexos que se originam no coração lesionados; - O SNS fica muito estimulado em poucos segundos, e os sinais nervosos parassimpáticos para o coração são inibidos ao mesmo tempo; - A forte estimulação simpática exerce dois efeitos principais sobre a circulação: (1) sobre o próprio coração e (2) sobre a vasculatura periférica; - Se toda a musculatura ventricular for difusamente lesionada, mas ainda estiver funcional, a estimulação simpática fortalecerá a musculatura danificada. Se parte do músculo estiver não funcional e outra parte ainda for normal, a musculatura será estimulada pela resposta simpática, compensando desse modo, pelo menos em parte, a musculatura não funcional. Assim, o coração de um modo ou de outro torna-se uma bomba mais forte; - A estimulação simpática também ↑ o retorno venoso por ↑ o tônus da maior parte dos vasos sanguíneos da circulação, especialmente das veias. Assim, o coração lesionado passa a receber maior quantidade de sangue que Laíse Weis ;) Problema 6 – Módulo 7 10 a usual, e a pressão atrial direita continua a aumentar, ajudando o coração a bombear quantidades ainda maiores de sangue; ATIVAÇÃO DO SRAA - Estimula a retenção renal de sal e água (o que aumenta o volume circulatório) e eleva o Tônus Vascular. A princípio a retenção de líquido e o aumento do volume sanguíneo são benéficos para manter o Débito Cardíaco adequado, porém a longo prazo sabe-se que a retenção de liquido aumenta a Carga de Trabalho do coração já danificado, e isso implica desenvolvimento de Edema intenso por todo o corpo, podendo levar a morte; PEPTÍDEO NATRIURÉTRICO ATRIAL (PNA) - Equilibra o SRAA pois promove diurese e relaxamento do Músculo Liso Vascular. O papel dos Peptídeos Natriuréticos na IC é no sentido de contrabalançar os efeitos de retenção de sal e água e vasoconstrição estimulados pelo SNS, SRAA e Vasopressina (ADH). Apesar de ser um mecanismo compensatório importante, os Peptídeos Natriuréticos são insuficientes para superar a intensa Vasoconstrição instalada na IC; VASOPRESSINA ARGININA (AVP) - É um hormônio pituitário que age na regulação da água livre e osmolaridade plasmática. Em pacientes com IC, o nível desse hormônio é, constantemente, elevado e, apesar da osmolaridade normal ou baixa sentida pelos osmorreceptores centrais, está associado com elevação dos níveis de Renina e Catecolaminas, que desempenham o papel de estimular a secreção da Vasopressina pela Neurohipófise; ENDOTELINA - É um potente peptídeo Vsoconstritor liberado pelas Células Endoteliais. Três subtipos já foram identificados: Endotelina- 1, Endotelina-2 e Endotelina-3; ATIVAÇÃO DE CITOCINAS PRÓ-INFLAMATÓRIOS A IC pode ser considerada um estado de ativação imune e inflamação persistente expressa pelo aumento dos níveis de várias Citocinas Pró Inflamatórias, tais como: o Fator de Necrose Tumoral (TNF-α), a Interleucina 1 (IL-1) e a Interleucina 6 (IL-6); HIPERTROFIA FISIOLÓGICA - O mecanismo fisiológico-compensatório é caracterizado pelo ↑ comprimento e diâmetro dos cardiomiócitos, fazendo a manutenção da tensão na parede ventricular em níveis fisiológicos; - O DC e a fração de ejeção estão inalterados; ↑ pré-carga; ↓ pós-carga. Mantém a função cardíaca normal ou até aumentada, e casoseja retirado o estímulo inicial, o coração volta ao normal; - Atletas de endurance desenvolvem hipertrofia excêntrica, devido à sobrecarga de volume decorrente do aumento do retorno venoso durante o exercício (↑ pré-carga). Assim, ocorre um pico de tensão diastólica, induzindo o crescimento dos cardiomiócitos. Ocorre adição dos novos sarcômeros em série, e ↑ do comprimento da fibra para normalizar o estresse na parede do miocárdio, levando a um aumento da cavidade do VE. A cavidade aumentada, por sua vez, ↑ a tensão sistólica, estimulando o crescimento dos miócitos, pela adição de novos sarcômeros em paralelo, ↑ a espessura da parede do VE de forma compensatória. Como consequência, a relação entre a parede ventricular e o raio do VE permanece inalterada; o Logo, no exercício aeróbio regular, ocorre ↑ da câmara de VE, ↑ espessura da parede do miocárdio, ↑ densidade capilar. Esses atletas têm redução de FC e PA em repouso; - Atletas de treinamento resistido desenvolvem hipertrofia concêntrica, com a cavidade de VE de tamanho normal (ou com discreto aumento) e espessamento da parede de VE. Isso ocorre devido ao ↑ do diâmetro dos miócitos pela adição de novos sarcômeros em paralelo como resposta a sobrecarga de pressão; OBS: A ativação de fatores de crescimento como o fator de crescimento insulínico (IGF), que estimulam a ativação da proteína cinase B (PKB) e fosfoinositol-3-cinase (PI3K) participam do crescimento fisiológico ou adaptativo. PATOLÓGICA - Está associada a quadros de sobrecarga de pressão ou de volume imposta ao coração, onde o aumento da sobrecarga pode ser decorrente de processos patológicos; - Quando ocorre aumento crônico das solicitações hemodinâmicas, como no caso da HAS, valvopatias, comunicações intracavitárias e doenças genéticas, a hipertrofia apresentada é diferente. As diferenças básicas são a fibrose intersticial e necrose de cardiomiócitos; - Nas patologias por sobrecarga de pressão (como HAS e estenose aórtica) ocorre hipertrofia concêntrica, com redução das câmaras cardíacas. Os novos sarcômeros são depositados em paralelo. A espessura do miocárdio pode ultrapassar o limite da normalidade. No processo, costuma Laíse Weis ;) Problema 6 – Módulo 7 11 ocorrer ↓ da espessura das paredes cardíacas e ↓ da força de contração, levando à cardiomiopatia dilatada; - Já nas patologias por sobrecarga de volume (como na insuficiência mitral), ocorre hipertrofia excêntrica (aumento das câmaras cardíacas) e deposição dos novos sarcômeros em série. Na evolução também ocorrem IC, infarto ou arritmia; FARMACOLOGIA DE IC ANTAGONISTA DA ALDOSTERONA - Antagonista ao receptor de aldosterona, impede que o organismo absorva muito sal e previne que os níveis de potássio fiquem muito baixos. Ao inibirem a aldosterona no túbulo distal e ducto coletor dos rins, bloqueia a troca de sódio-potássio. Assim, ao impedir que a aldosterona cause a abertura dos canais de Na+ para a sua entrada, inibe a saída de K+ da célula (hipercalemia) Ex: Espironolactona; - Níveis elevados de aldosterona estimulam a proliferação de fibroblastos e aumentam o teor da fibrose miocárdica, perivascular e perimiocítica, provocando rigidez muscular e disfunção; - A aldosterona provoca danos vasculares por diminuição da complacência arterial, modula o equilíbrio da fibrinólise por aumentar o PAI-1 (inibidor do ativador do plasminogênio), ou seja, pode predispor eventos isquêmicos; Efeitos adversos: hipercalemia, ginecomastia e mastodínia (ginecomastia dolorosa); DIGITÁLICOS - São glicosídeos oriundos de plantas do gênero Digitalis. Alguns deles são úteis como cardiotônicos e antiarrítmicos. É utilizado na IC, pois a ação mais importante é o fortalecimento da musculatura cardíaca. Os efeitos são: ↑ DC, ↓ pressão venosa, diurese, ↓ edema. Ex: Digoxina e Lanoxin; - Atuam como agentes inotrópicos + ao se ligarem à membrana dos cardiomiócitos e inibirem a enzima Na+ K+ ATPase. O transporte transmembrana de Ca+2 está ligado ao de Na+. Existe um trocador Na/Ca na membrana. Se Na/K ATPase é inibida, o Na+ intracelular começa a se acumular, aumentando seu efluxo pelo trocador Na/Ca, em troca da entrada de Ca2+ no miócito → aumento de Ca+2 → inotropismo + (melhora da função sistólica); Efeitos adversos: anorexia, diarreia, náuseas, êmese, perturbações visuais, confusão mental, cefaleia, fadiga, tontura; IECA - Fazem a diminuição da formação de angiotensina II e do acúmulo de bradicinina. As consequências diretas da diminuição da angiotensina II incluem a redução do efeito vasoconstritor, do efeito retentor de sódio (via aldosterona), e do efeito trófico na musculatura lisa de vasos, nas células miocárdicas e fibroblastos. Outros efeitos potencialmente benéficos resultam da diminuição da ativação simpática, restauração de barorreflexos pela ativação parassimpática, normalização da função do endotélio, redução do inibidor do ativador do plasminogênio, diminuição da endotelina e da arginina-vasopressina. O acúmulo de bradicininas, possivelmente, se relaciona à síntese de prostaglandinas vasodilatadoras e à maior geração de óxido nítrico; - IECA é nefroprotetor, pois vasodilata a arteríola eferente dos rins, impedindo com que o sangue sob alta pressão passe pelas células do glomérulo; BRA - Mesmo efeito de um IECA (substituído quando provoca muita tosse); - Os BRA atuam de forma seletiva no bloqueio dos receptores do subtipo AT1 da angiotensina II, liberando a ação da AT-2, promovendo redução dos níveis de aldosterona e catecolaminas, vasodilatação arterial com consequente diminuição da resistência vascular periférica. Apresentam ainda, atividade antiproliferativa, com pouco efeito no cronotropismo e inotropismo. Não interferem na degradação da bradicinina, reduzindo a incidência de tosse; Efeitos adversos: hipotensão arterial, piora da função renal e hiperpotassemia; Laíse Weis ;) Problema 6 – Módulo 7 12