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Ginecologia e Obstetrícia 1 Sífilis É uma IST causada pelo treponema pallidum, uma bactéria espiroqueta.Doença de notificação compulsória - semanal! Leva cerca de 3 semanas para manifestação dos sintomas. A maioria dos pacientes é assintomáticas. A sífilis é classificada em primária, secundária, terciária e latente, de acordo com as fases clínicas da doença. Quanto ao tempo, é classificada em sífilis recente e sífilis tardia. Sífilis recente até 1 ano de infecção, tradia, 1 ano ou mais de infecção. Na prática essa divisão é difícil de ser estabelecida. Sífilis recente: sífilis 1ª, 2ª e latente até 1 ano. Sífilis tardia: sífilis latente com mais de um ano ou a 3ª. Se não sabe o tempo de infeção é classificada como tardia. Sífilis primária Primeira fase clíncia da doença. É caracterizada pelo cancro duro, lesão com margens elevadas com fundo liso e limpo, podendo ser brilhoso. É caracterizado por uma úlcera única e INDOLOR. Tende a desaparecer espontâneamente, sem tratamento. Obs: a úlcera da sífilis pode estar dentro do saco vaginal, visível ao colocar o espéculo. Sífilis secundária Depois de um período assintomático, começa a aparecer os sintomas da Sífilis secundária. Isso ocorre devido as espiroquetas saírem da úlcera em si e vão para a circulação. Ocorre de 6 semanas até 6 meses após a sífilis primária. Ocorre formação de lesões papulares – rash: roséolas ou sifílides, não poupa nem planta de pés nem palma de mãos. Podem aparecer placas acinzentadas na mucosa oral, chamadas de placas mucosas. Pode causar alopécia, madarose, rarefação do cílios e sobrancelha). Na genital temos como característica o conduloma plano, lesão em relevo na vulva, geralmente com aspecto plano e pode ser confundido com HPV. As manifestações da sífilis secundária somem, mesmo sem tratamento. Sífilis latente Período assintomático após a sífilis secundária. As lesões dermatológicas da sífilis secundária podem recidivar, porém geralmente elas somem. ¼ dos pacientes podem evoluir para sífilis terciária. Ginecologia e Obstetrícia 2 Sífilis terciária Tem como manifestações a sífilis cardiovascular, com aortrite e regurgitação aórtica. Neurossífilis, pode cursar com demencia. Diagnóstico No início da doença, não tem sentido pedir o VDRL ou o teste rápido, pois o treponema ainda estará só na lesão, podendo esses exames darem falso negativo. O exame preconizado quando temos disconfiança de sífilis primária é o raspado da lesão = pesquisa direta em campo escuro. Pesquisa direta do treponema em campo escuro: É bom para quando temos cancro duro ou ainda quando temos o cancro plano. Testes não treponêmicos: VDRL É um teste que identifica indiretamente os anticorpos contra o treponema pallidum. Pode dar positivo na ausência de sífilis por exemplo (infecções virais, gestação, lúpus). Tem boa sensibilidade, porém baixa especificidade, porém é uma técnica simples, rápida e de baixo custo. Ele é usado para controle pós tratamento, pois ele diminui após o tratamento. Teste treponêmico: teste rápido do MS e o FTA-Abs Identifica diretamente o anticorpo contra o treponema pallidum. A limitação dele se dá devido em que na maioria dos casos ele continuar positivo mesmo após o tratamento da doença. Obs: janela imunológica: Período inicial da doença em que paciente apresenta testes negativos, porém já transmite a doença. Obs: cicatriz sorológica: quando o VDRL ou outro teste não treponêmico positivo em uma pessoa devidamente tratada. Cenários sorológicos possiveis O teste rápido é usado como rastreio da doença na população, se ele vem negativo, exclui a doença. Se caso o teste vier positivo, deve ser realizado o teste não treponêmico – VDRL, para ver se pessoa tem o vírus (positivo) ou se ela já foi tratado (negativo). Teste rápido positivo em: gestante, abuso sexual, pacientes que nunca trataram ou tiveram sífilis, sinais e sintomas de sífilis, pacientes que não aderem ao tratamento evadindo od posto: TRATAR. Obs: Teste treponêmico ou não treponêmico positivo = tratar segundo o MS. Tratamento Estadiamento Tratamento Intervalo entre as doses Controle pós tratamento Sífilis recente 1 dose de Penicilina G benzatina 2.400.000 UI IM (metade em cada nádega) DU VDRL trimestral durante 1 ano Sífilis tradia ou com duração ignorada 1 dose de Penicilina G benzatina 2.400.000 UI IM (metade em cada nádega). Intervalo de 1 semana, entre cada uma das 3 doses. Semanal VDRL trimestral durante 1 ano Ginecologia e Obstetrícia 3 Em gestantes o controle é diferente, ficar atento as particularidades do tratamento. Tratamento dos parceiros No caso da sífilis é necessário fazer o tratamento das parcerias sexuais. Nesse caso, convocar e testar a parceria sexual, NÃO dar receita ao parceiro sem realizar exame. Teste rápido do parceiro positivo: estadiar a doença.se não sabe quando teve início, recebe o tratamento com as 3 doses, se souber e for considerada recente, tratamento com dose única. Quando o teste rápido da parceria vier negativo: deve ser tratada da mesma forma, considerar sempre janela imunológica. Tratamento com uma dose. Em caso de alergia a penicilina Tratamento pode ser feito com doxicilina, somente atenção para gestantes, que não podem usá-la. • Doxiciclina em sifilis recente: 100mg de 12/12h por 15 dias • Doxiciclina em sifilis tardia: 100mg de 12/12h por 30 dias. Seguimento VDRL trimestral por até 1 ano, para companhar os níveis caindo, 2 diluições do VDRL inicial = doença tratada. • Se sifilis recente: cair duas diluições do VDRL em 6 meses. • Se sifilis tardia: cair duas diluições do VDRL em 12 meses. Não realizar o teste treponêmico, pois ele fica positivo na maioria dos casos. Reinfecção: A reinfecção é considerada quando temos usência de redução em duas diluições, ou em 6 meses na recente ou em 12 meses na tardia. Ou ainda uma elevação do VDRL em duas diluições. Paciente com retomada de sinais e sintomas, também deve ser retratado, pois indica reinfecção.