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RESUMO
Direito Penal
Especial e
Extravagante
[DGT0539]
ÍNDICE
Tema 2 - Crimes Contra a Pessoa
...................................................................3
Tema 3 - Crimes Contra o Patrimônio
............................................................23
Tema 4 - Crimes Contra a Dignidade Sexual
.................................................54
Tema 5 - Crimes Contra a Paz Pública, fé Pública e Administração Pública
64
Tema 6 - Legislação Extravagante Econômica ..............................................93
Tema 2 - Crimes Contra a Pessoa
Crime de Homicídio (art. 121 do CP)
Conceito e Elementos Básicos:
• Definição: Destruição da vida extrauterina de outrem (não inclui vida intrauterina
ou suicídio).
• Bem Jurídico: Vida humana alheia.
• Início da Vida: Com o parto (início das contrações expulsivas).
• Morte: Cessação da atividade encefálica (Lei 9.434/1997).
• Sujeitos: Ativo (qualquer pessoa), Passivo (qualquer pessoa com vida).
• Tipo de Crime: Material (consuma-se com a morte), de dano (exige lesão ao bem
jurídico), admite tentativa.
• Elemento Subjetivo: Doloso (requer animus necandi - intenção de matar).
• Pena (Simples): 6 a 20 anos de reclusão.
Modalidades Específicas:
1. Homicídio Privilegiado (§1º):
◦ Redução de Pena: Praticado por motivo de relevante valor social (coletivo) ou
moral (subjetivo), ou sob violenta emoção, imediatamente após injusta
provocação da vítima.
◦ É causa especial de diminuição de pena.
2. Homicídio Qualificado (§2º e §2º-A):
◦ Pena Aumentada: 12 a 30 anos de reclusão.
◦ Qualificadoras (8 grupos): Relacionadas a:
▪ Meios de Execução: Insidioso (disfarçado), cruel (sofrimento
desnecessário), perigo comum (risco a muitos), emprego de arma de
fogo restrita/proibida.
▪ Modos de Execução: Recurso que dificulta a defesa (ex.: traição,
emboscada).
▪ Motivos: Torpe (repugnante, ex.: pagamento) ou Fútil (insignificante).
▪ Fins: Assegurar execução, ocultação, impunidade ou vantagem de
outro crime.
▪ Vítima Especial:
▪ Feminicídio (§2º-A): Contra mulher por razões da condição de
sexo feminino (fundamentado na desigualdade de gênero).
▪ Agente/Familiar de Segurança Pública/Penitenciária: Quando
relacionado à função.
3. Homicídio Culposo (§§3º e 5º):
◦ Definição: Morte causada por violação do dever objetivo de cuidado, sem
intenção de matar.
◦ Pena: Detenção de 1 a 3 anos.
◦ Não Admite Tentativa.
◦ Perdão Judicial (§5º): Possível se as consequências do crime atingirem o
próprio agente de forma muito grave, tornando a pena desnecessária.
Causas de Aumento de Pena (§§4º, 6º, 7º):
• Para Culposo (§4º - 1ª parte): Aumento de 1/3 se:
◦ Resultar de inobservância de regra técnica profissional/ofício.
◦ Agente não prestar socorro, não diminuir consequências ou fugir.
• Para Doloso:
◦ §4º (2ª parte): Aumento de 1/3 se vítima for menor de 14 ou maior de 60
anos.
◦ §6º: Aumento de 1/3 à metade se praticado por milícia privada ou grupo de
extermínio.
◦ §7º (Feminicídio): Aumento de 1/3 à metade se praticado:
▪ Durante gestação ou 3 meses pós-parto.
▪ Contra menor de 14, maior de 60, pessoa com deficiência/doença
degenerativa limitante.
▪ Na presença (física ou virtual) de ascendente/descendente da vítima.
▪ Em descumprimento de medidas protetivas da Lei Maria da Penha.
Induzimento, Instigação ou Auxílio a Suicídio ou
Automutilação (Art. 122, CP)
Conceito e Elementos Básicos:
• Definição: Prática de induzir, instigar ou auxiliar alguém a cometer suicídio ou
automutilação (causar lesões em si próprio).
• Inclusão da Automutilação: Adicionada pela Lei 13.968/2019.
• Crime Formal: Consuma-se com a prática da conduta (induzir, instigar, auxiliar),
independente do resultado (suicídio/automutilação efetivos).
• Sujeitos: Ativo (qualquer pessoa - crime comum), Passivo (pessoa determinada
com capacidade de compreensão).
• Elemento Subjetivo: Doloso (intenção específica de contribuir para o ato). Não há
forma culposa.
• Pena (Forma Simples): Reclusão de 6 meses a 2 anos.
• Admite Tentativa.
Formas Qualificadas pelo Resultado (§1º e §2º):
1. Se resultar em lesão grave ou gravíssima: Pena de reclusão de 1 a 3 anos.
2. Se resultar em morte: Pena de reclusão de 2 a 6 anos.
Causas de Aumento de Pena (§§3º, 4º e 5º):
• Duplicada (§3º):
◦ Motivo egoístico, torpe ou fútil.
◦ Vítima menor ou com capacidade de resistência diminuída.
• Aumentada até o dobro (§4º): Conduta realizada via internet, redes sociais ou
transmissão em tempo real.
• Aumentada em metade (§5º): Se o agente for líder/coordenador de grupo ou rede
virtual.
Casos Especiais - Vítimas Vulneráveis (§§6º e 7º):
Se a vítima for menor de 14 anos ou pessoa sem discernimento (por doença,
deficiência mental ou outra causa que impossibilite resistência):
• Se resultar em lesão corporal gravíssima: O agente responde por lesão corporal
qualificada (Art. 129, §2º, CP), pena de 2 a 8 anos de reclusão. (Não pelo Art. 122).
• Se resultar em morte: O agente responde por homicídio (Art. 121, CP). (Não pelo
Art. 122).
Infanticídio (Art. 123, CP)
Definição:
• Crime cometido exclusivamente pela mãe que, sob influência do estado puerperal,
mata seu próprio filho durante o parto ou logo após.
Elementos Essenciais:
1. Sujeito Ativo: Apenas a mãe do recém-nascido (crime próprio).
2. Sujeito Passivo: O recém-nascido (filho da mãe), desde que tenha vida viável.
3. Circunstância Especial: Estado puerperal (perturbação fisiopsíquica decorrente
do parto, que atua como causa de atenuação da culpabilidade). Não equivale à
inimputabilidade (Art. 26, CP).
4. Momento: Durante o parto ou logo após.
5. Conduta: Matar (núcleo do tipo).
Natureza Jurídica e Características:
• Tipo de Crime: Material (consuma-se com a morte ou lesão corporal grave),
doloso (não há previsão de forma culposa).
• Pena: Detenção de 2 a 6 anos (significativamente menor que o homicídio devido à
influência do estado puerperal).
• Admite Tentativa.
• Não admite concurso de pessoas: O estado puerperal é circunstância pessoal da
mãe e não se comunica a terceiros.
Diferença Chave:
• É considerado uma espécie de homicídio privilegiado, com pena atenuada
especificamente pela condição da mãe no pós-parto.
Aborto (Arts. 124 a 128, CP):
Conceito e Elementos Básicos:
• Definição: Interrupção da gestação com morte do feto (início da gestação =
implantação do óvulo no útero).
• Bem Jurídico: Vida intrauterina e saúde/integridade da gestante.
• Natureza: Crime doloso (exige intenção), material (consuma-se com a morte do
feto), admite tentativa.
Modalidades e Penas:
1. Aborto Autoprovocado (Art. 124):
◦ Sujeito Ativo: A própria gestante (crime próprio).
◦ Conduta: Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem provoque.
◦ Pena: Detenção de 1 a 3 anos.
2. Aborto Provocado por Terceiro SEM Consentimento (Art. 125):
◦ Sujeito Ativo: Qualquer pessoa (terceiro).
◦ Conduta: Provocar aborto sem o consentimento da gestante.
◦ Pena: Reclusão de 3 a 10 anos.
3. Aborto Provocado por Terceiro COM Consentimento (Art. 126):
◦ Sujeito Ativo: Qualquer pessoa (terceiro).
◦ Conduta: Provocar aborto com o consentimento da gestante.
◦ Pena (Terceiro): Reclusão de 1 a 4 anos.
◦ Pena (Gestante): Aplicável o Art. 124 (1 a 3 anos).
◦ Agravação (Parágrafo Único): Pena do Art. 125 (3 a 10 anos) se:
▪ Gestante for menor de 14 anos, alienada ou incapaz.
▪ Consentimento obtido por fraude, grave ameaça ou violência.
Forma Qualificada pelo Resultado (Art. 127):
• Aplicável apenas ao terceiro (não à gestante).
• Aumento de Pena:
◦ 1/3: Se resultar em lesão corporal grave na gestante.
◦ Dobro: Se resultar em morte da gestante.
• Natureza: Crime preterdoloso (dolo no aborto, culpa no resultado agravador). Se
houver dolo no resultado, aplica-se concurso de crimes.
Casos de Aborto Legal (Não Puníveis - Art. 128):
1. Aborto Necessário:Autorizado da
Intimidade
Sexual
Produzir, fotografar, filmar
ou registrar conteúdo íntimo
sem autorização da vítima
Qualquer pessoa em
situação íntima
Ausência de
consentimento para
gravação
A pena aumenta se
há divulgação
(pode virar crime
mais grave)
Estupro de
Vulnerável
Ter conjunção carnal ou ato
libidinoso com menor de 14
anos ou pessoa com
enfermidade ou deficiência
que a torne incapaz
Menor de 14 ou
vulnerável
Consentimento é
irrelevante
Presunção absoluta
de incapacidade da
vítima.
Conceito de Vulnerabilidade
Pessoas consideradas incapazes de consentir validamente a atos sexuais:
1. Menores de 14 anos: presunção absoluta de vulnerabilidade.
2. Pessoas que não podem oferecer resistência ou discernir: por enfermidade,
deficiência mental, uso de tóxicos, idade avançada ou qualquer causa que
comprometa a autonomia.
• Consentimento é irrelevante: mesmo com suposta anuência ou relacionamento
afetivo com o agente.
• Erro sobre a vulnerabilidade: elide o dolo (ex.: desconhecimento da menoridade).
Principais Crimes
1. Estupro de Vulnerável (Art. 217-A, CP)
◦ Conduta: conjunção carnal ou qualquer ato libidinoso com vulnerável.
◦ Penas:
▪ Simples: 8 a 15 anos.
▪ Qualificado:
▪ Lesão corporal grave (culposa): 10 a 20 anos.
▪ Morte (culposa): 12 a 30 anos.
◦ Hediondo (Lei 8.072/1990), admite tentativa e omissão imprópria (ex.:
responsável que não protege a vítima).
2. Indução de Menor de 14 Anos (Art. 218, CP)
◦ Conduta: induzir criança/adolescente a satisfazer lascívia de terceiro (ex.:
por meios eletrônicos).
◦ Pena: 1 a 4 anos (+1/3 se o ato induzido for hediondo).
3. Satisfação de Lascívia na Presença de Vulnerável (Art. 218-A, CP)
◦ Conduta: praticar ato sexual ou libidinoso na presença de menor de 14 anos
para satisfazer lascívia.
◦ Pena: 2 a 4 anos.
4. Favorecimento da Prostituição ou Exploração Sexual (Art. 218-B, CP)
◦ Conduta: submeter, atrair ou dificultar o abandono da prostituição/exploração
sexual de vulnerável.
◦ Inclui: clientes e proprietários de locais onde ocorra a exploração.
◦ Pena: 4 a 10 anos (hediondo).
5. Divulgação de Cenas de Estupro ou Pornografia (Art. 218-C, CP)
◦ Conduta: divulgar cenas de estupro, pornografia ou nudez sem
consentimento (ex.: revenge porn).
◦ Pena: 1 a 5 anos (+1/3 a 2/3 se para vingança/humilhação).
◦ Exceção: divulgação para fins jornalísticos/científicos com anonimato da
vítima.
Aspectos Comuns
• Ação penal: pública incondicionada (Lei 13.718/2018).
• Elemento subjetivo: doloso em todos os crimes.
• Causas de aumento de pena (Art. 226, CP):
◦ Concurso de agentes (+1/4). Também chamado de coautoria ou
participação) ocorre quando duas ou mais pessoas se unem para praticar
um mesmo crime. Todos respondem criminalmente, de acordo com sua
participação no fato.
◦ Agente com autoridade sobre a vítima (ascendente, tutor, cônjuge etc.):
+1/2.
◦ Estupro coletivo ou corretivo (para "controlar" comportamento): +1/3 a 2/3.
Resumo Essencial
Crimes contra vulneráveis protegem pessoas sem capacidade de consentimento válido
(menores de 14 anos ou com incapacidade de resistência/discernimento). Incluem:
• Estupro de vulnerável (8-30 anos, hediondo);
• Indução ou exposição a atos libidinosos;
• Exploração sexual (4-10 anos, hediondo);
• Divulgação não autorizada de cenas íntimas (1-5 anos).
Penas aumentam em casos de autoridade hierárquica, concurso de agentes ou
motivação corretiva/coletiva.
Tabela Comparativa – Crimes Sexuais Contra Vulneráveis (Arts. 217-A a 218-C, CP)
Lenocínio e tráfico de pessoa para fim de prostituição
ou outra forma de exploração sexual
Exploração da prostituição, lucrando, facilitando ou intermediando
Principais Crimes do Capítulo V (Lenocínio em Sentido Amplo):
1. Mediação para Servir Lascívia (Art. 227):
◦ Induzir alguém a praticar atos libidinosos com outrem.
◦ Crime comum, doloso, consuma-se com a prática do ato.
◦ Pena Simples: 1 a 3 anos de reclusão.
◦ Qualificadoras:
▪ Vítima entre 14 e 18 anos OU agente com relação específica (parente,
tutor, etc.): 2 a 5 anos (§1º).
▪ Violência, grave ameaça ou fraude: 2 a 8 anos + pena da violência
(§2º).
▪ Fim de lucro (venalidade): Acresce multa (§3º).
Crime Conduta Típica Vítima Consentimento
Observações
Importantes
Estupro de Vulnerável
Ter conjunção carnal ou ato
libidinoso com menor de 14
anos ou pessoa incapaz de
consentir
Menor de 14 ou
vulnerável
(deficiência,
inconsciência)
Irrelevante
(presunção
absoluta de
incapacidade)
Crime mais grave
da categoria.
Indução de Menor de 14
Anos à Libidinagem
Induzir menor de 14 anos a
satisfazer lascívia de outrem
Menor de 14 anos Irrelevante
Ex.: convencer
criança a fazer ato
sexual para outra
pessoa.
Satisfação de Lascívia na
Presença de Vulnerável
Praticar ato libidinoso na
presença de menor de 14
anos, visando satisfazer
lascívia própria ou de terceiro
Menor de 14 anos
(mesmo que não
participe)
Irrelevante
Ex.: se masturbar
diante de criança.
Favorecimento da
Prostituição ou
Exploração Sexual de
Criança ou Adolescente
Induzir, facilitar ou atrair menor
de 18 anos para a prostituição
ou exploração sexual
Menor de 18 anos Irrelevante
Aumenta 1/3 a 2/3
se há lucro,
violência ou uso da
internet.
Divulgação de Cena de
Estupro ou Pornografia
com Menores
Divulgar, publicar, repassar
(mesmo por celular) cena de
estupro ou pornografia
envolvendo menor de 18
anos
Menor de 18 anos Irrelevante
Mesmo quem
repassa imagem
responde. Aumenta
se com intenção de
lucro.
2. Favorecimento da Prostituição/Exploração Sexual (Art. 228):
◦ Induzir, atrair, facilitar ou impedir o abandono da prostituição/exploração
sexual.
◦ Obs.: A prostituição em si não é crime no Brasil, mas sim seu favorecimento.
◦ Pena Simples: 2 a 5 anos + multa.
◦ Qualificadoras (Análogas ao Art. 227):
▪ Agente com relação específica: 3 a 8 anos + multa (§1º).
▪ Violência, grave ameaça ou fraude: 4 a 10 anos + pena da violência
(§2º).
▪ Fim de lucro: Acresce multa (§3º).
3. Manutenção de Estabelecimento para Exploração Sexual (Art. 229):
◦ Manter estabelecimento onde ocorra exploração sexual (ex: casa de
prostituição), mesmo sem lucro direto ou mediação pessoal.
◦ Crime habitual, permanente, sem tentativa. Exclui residência própria do
trabalhador sexual.
◦ Pena: 2 a 5 anos + multa.
4. Rufianismo (Art. 230):
◦ Tirar proveito econômico da prostituição alheia (participar dos lucros ou ser
sustentado por quem a exerce).
◦ Crime permanente, habitual, sem tentativa. Benefício econômico é elementar.
◦ Pena Simples: 1 a 4 anos + multa.
◦ Qualificadoras:
▪ Vítima entre 14 e 18 anos OU agente com relação específica: 3 a 6
anos + multa (§1º).
▪ Violência, grave ameaça, fraude: 2 a 8 anos + pena da violência (§2º).
5. Promoção de Migração Ilegal (Art. 232-A):
◦ Promover entrada/saída ilegal de pessoas com fim de lucro (adicionado ao
capítulo por equívoco, não sendo crime sexual propriamente dito).
◦ Pena: 2 a 5 anos + multa. Aumentada em 1/6 a 1/3 se houver violência ou
condições desumanas/degradantes.
Reflexões Importantes (Mencionadas no Texto):
• Debate sobre a constitucionalidade do Art. 227 (induzir adulto livre).
• Crítica à inserção do Art. 232-A (migração ilegal) neste capítulo de crimes sexuais.
• Questionamento sobre a eficácia do direito penal em transformar a cultura de
exploração sexual e a necessidade de políticas que reduzam a precariedade do
trabalho sexual em um contexto democrático.
Tabela Comparativa – Crimes Contra a Dignidade Sexual / Tráfico de Pessoas
Critério
Art. 227
Mediação para
Servir à Lascívia
Art. 228
Favorecimento
da Prostituição/
Exploração
Art. 229
Manutenção de
Estabelecimento
Art. 230
Rufianismo
Art. 232-A
Promoção de
Migração Ilegal c/
Exploração
Conduta principal
Mediar para que
alguém pratique
ato libidinoso com
terceiro
Favorecer,induzir
ou atrair alguém
para a prostituição
ou exploração
sexual
Manter casa ou
local onde ocorre
exploração sexual
Viver às custas da
prostituição alheia
Promover ou
facilitar migração
ilegal com fins de
exploração
Foco da conduta
Servir à lascívia
de outro (não
necessariamente
prostituição)
Exploração sexual
ou prostituição
(com ou sem
lucro)
Ambiente fixo de
exploração sexual
Lucro direto da
prostituição de
outro
Exploração
sexual, trabalho
escravo, servidão
Vítima
Pessoa induzida a
ato libidinoso com
terceiro
Pessoa induzida,
mantida ou
explorada na
prostituição
Pessoas
prostituídas no
local
Pessoa prostituída
Migrante em
situação ilegal
Pressupõe
prostituição?
Não Sim Sim Sim
Não
necessariamente,
mas sim
exploração
Pena básica 2 a 5 anos
2 a 5 anos (3 a 8
anos se houver
relação de poder –
§1º)
2 a 5 anos 1 a 4 anos 5 a 8 anos + multa
Circunstâncias
agravantes
Menor de 18
anos / violência /
ascendência (§§)
Relação de
autoridade /
menor de idade /
tráfico (§§)
Se envolve menor
ou violência, pode
haver concurso
com outros crimes
Se envolveu
menor, agrava a
pena
Se envolve
criança ou
adolescente, a
pena é
aumentada
Exemplo prático
Agente combina
encontro entre
adulto e
adolescente para
fins libidinosos
Alguém induz
jovem de 17 anos
a se prostituir e
lucra com isso
Pessoa mantém
uma "casa de
prostituição" com
mulheres
exploradas
Alguém que vive
do dinheiro ganho
pela prostituição
da companheira
Leva mulher para
outro país
prometendo
trabalho e explora
sexualmente lá
Em síntese: O texto detalha os crimes brasileiros relacionados à exploração sexual de
terceiros (mediação, favorecimento, manutenção de locais e aproveitamento econômico -
rufianismo), suas características, penas e qualificadoras, destacando a não criminalização
da prostituição em si, mas sim das condutas que a promovem ou dela se aproveitam de
forma exploratória, especialmente contra vulneráveis ou com violência/lucro.
Ultraje Público ao Pudor
Características Comuns aos Crimes:
• Envolvem moralidade pública e sexualidade, tendo a coletividade como vítima.
• São crimes dolosos com ação penal pública incondicionada.
• Seu conteúdo é culturalmente relativo, exigindo interpretação conforme valores
constitucionais e democráticos atuais.
1. Ato Obsceno (Art. 233, CP):
• Conduta: Praticar ato obsceno em lugar público, aberto ou exposto ao público.
• "Ato obsceno": Conduta com conteúdo sexual relevante (exclui beijos lascivos ou
ações artísticas). Definição varia com a moralidade da época/região.
• "Lugar público": Ruas, praias, praças, cinemas, teatros, etc. Exclui locais fechados
ou inacessíveis ao público no momento.
• Elemento Subjetivo: Dolo (consciência da publicidade + vontade de praticar o ato
sexualizante).
• Pena: Detenção de 3 meses a 1 ano, ou multa.
2. Escrito ou Objeto Obsceno (Art. 234, CP):
• Conduta (Caput): Fazer, importar, exportar, adquirir ou guardar escrito, desenho,
pintura, estampa ou objeto obsceno para fins de comércio, distribuição ou exposição
pública.
• "Objeto obsceno": Inclui álbuns, filmes, etc. (interpretação analógica).
• Elemento Subjetivo: Dolo + Finalidade comercial/econômica ou de distribuição/
exposição.
• Condutas Equiparadas (Parágrafo único):
◦ Vender, distribuir ou expor à venda/público os objetos obscenos.
◦ Realizar representação teatral, exibição cinematográfica ou outro espetáculo
obsceno em lugar público/acessível.
◦ Realizar audição/recitação obscena em lugar público/acessível ou pelo rádio.
• Pena: Detenção de 6 meses a 2 anos, ou multa (infração de menor potencial
ofensivo).
• Observações Importantes:
◦ A tipificação é questionada por colidir com a liberdade de expressão
artística/científica garantida pela Constituição (sem censura).
◦ Se envolver criança ou adolescente, aplicam-se os artigos 240 e 241 do
ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Em síntese: O texto descreve dois crimes que visam proteger o "pudor público" contra
atos ou materiais obscenos expostos ao público, destacando a natureza culturalmente
relativa do conceito de "obscenidade" e os desafios de compatibilizá-los com direitos
fundamentais como a liberdade de expressão artística.
Tema 5 - Crimes Contra a Paz
Pública, fé Pública e
Administração Pública
Associação criminosa e constituição de milícia privada
Contexto Geral:
• Crimes contra a "paz pública" (ou ordem pública), com a coletividade como vítima.
• Crimes dolosos com ação penal pública incondicionada.
• Legislação recente: Lei 12.850/2013 (reformulou associação criminosa) e Lei
12.720/2012 (criou o crime de milícia privada).
1. Associação Criminosa (Art. 288, CP)
• Conduta: Associar-se estável e permanentemente com pelo menos 3 pessoas para
a prática de crimes (excluídas contravenções e atos irrelevantes).
• Elementos Essenciais:
◦ Estabilidade e permanência (não é ocasional).
◦ Finalidade de cometer múltiplos crimes (indeterminados).
◦ Conhecimento da pluralidade de membros e adesão aos fins criminosos.
• Diferença para Concurso de Agentes:
◦ No concurso, há união ocasional/transitória para crime(s) específico(s).
◦ Na associação, há estrutura estável para múltiplos crimes.
• Natureza Jurídica:
◦ Crime permanente.
◦ Unissubsistente (sem tentativa).
◦ De perigo abstrato (não exige consumo dos crimes planejados).
• Pena: Reclusão de 1 a 3 anos.
• Causas de Aumento de Pena (Parágrafo único):
◦ Associação armada.
◦ Participação de criança ou adolescente.
• Observações Importantes:
◦ Leis especiais prevalecem se a associação visar crimes específicos (ex:
genocídio - Lei 2.889/56; tráfico - Lei 11.343/06, art. 35).
◦ O conceito de "organização criminosa" na Lei 12.850/2013 (art. 1º) é mais
rigoroso (exige estrutura complexa) e distinto do art. 288 CP.
◦ Qualificadora (Lei 8.072/90, art. 8º): Pena aumentada se a associação visar
crimes hediondos, tortura, tráfico ou terrorismo.
2. Constituição de Milícia Privada (Art. 288-A, CP)
• Conduta: Constituir, organizar, integrar, manter ou financiar grupo paramilitar, milícia
particular, organização ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos
crimes previstos neste artigo.
• Finalidade Típica: Exercer, violenta e ilegalmente, funções próprias do Estado,
como:
◦ Segurança pública.
◦ Justiça (investigar, julgar, executar penas).
◦ Administração de conflitos.
• Elementos Caracterizadores:
◦ Organização.
◦ Uso de armas.
◦ Uso de uniformes ou emblemas.
◦ Prática de atos de violência.
• Pena: Reclusão de 4 a 8 anos (mais grave que a associação criminosa simples).
• Causas de Aumento de Pena: As mesmas da associação criminosa (associação
armada ou participação de menor).
Síntese
• O texto define dois crimes contra a paz pública:
1. Associação Criminosa: União estável de 3+ pessoas para múltiplos crimes.
2. Constituição de Milícia Privada: Grupo armado e organizado que usurpa
funções estatais com violência.
• Pontos Comuns: Ambos têm penas aumentadas se forem armados ou envolverem
menores.
• Diferença de Gravidade: A milícia é considerada infração mais grave (pena maior).
• Distinção Chave: A associação criminosa difere do concurso de agentes pela
estabilidade e finalidade indeterminada.
Constituição de Milícia Privada (Art. 288-A do CP):
Contexto e Origem
• Criado pela Lei nº 12.720/2012 para combater grupos paramilitares ("milícias") que
se expandiam no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro.
• Esses grupos atuavam como "agências criminosas": ofereciam serviços ilegais
(segurança, energia, etc.) e praticavam violência, inclusive com envolvimento de
agentes públicos.
Elementos do Crime
1. Conduta (tipo misto alternativo):
Constituir, organizar, integrar, manter ou financiar um grupo paramilitar.
(Praticar uma ou mais dessas ações configura o mesmo crime).
2. Finalidade Específica:
Exercerviolenta e ilegalmente funções estatais (segurança pública, justiça,
administração de conflitos).
3. Organização:
Vínculo estável e permanente entre os membros.
4. Prática de Crimes:
O grupo deve cometer crimes previstos no Código Penal (excluídos delitos de leis
extravagantes).
Características Jurídicas
• Vagueza Normativa:
Definição legal imprecisa (não exige número mínimo de membros, termos
ambíguos), gerando divergências judiciais.
• Natureza Jurídica:
Crime comum, doloso, de perigo abstrato (não exige resultado concreto),
permanente e sem tentativa.
• Pena:
Reclusão de 4 a 8 anos (mais grave que a associação criminosa simples).
Críticas e Desafios
• A redação vaga do artigo dificulta a aplicação uniforme e pode ferir o princípio da
legalidade.
• Crescimento dessas organizações com suposta infiltração em estruturas de poder.
Resumo em uma frase:
O art. 288-A pune a criação ou financiamento de grupos paramilitares que usurpam
funções do Estado com violência, mas sua definição imprecisa gera desafios jurídicos.
Falsidade (contra a fé pública)
Contexto Geral
• Localização: Título X do CP ("Dos crimes contra a fé pública" – arts. 289 a 311).
• Bem Jurídico Protegido: A confiança pública em documentos, relações jurídicas
e autenticidade de informações/pessoas.
Modalidades de Falsidade
Os crimes de falso podem ocorrer de três formas principais:
1. Falsidade Material (ou Formal):
◦ Alteração dos elementos exteriores/físicos do documento (ex.: assinatura
falsa, adulteração de texto).
◦ Exemplos: Arts. 297 (falsificação de selo) e 298 (falsificação de documento
público).
2. Falsidade Ideológica:
◦ Documento materialmente autêntico, mas com conteúdo mentiroso que induz
a erro.
◦ Exemplo: Art. 299 (falsidade ideológica em documento público/particular).
3. Falsidade Pessoal (ou Suposição de Identidade):
◦ Quando alguém se passa por outra pessoa (usurpação de identidade).
◦ Exemplo: Art. 307 (atribuir-se falsa identidade para obter vantagem).
Princípio da Consunção (Regra de Absorção)
• Quando se aplica: Se um crime de falsidade for meio necessário para praticar um
crime principal mais grave, o delito menos grave (falsidade) é absorvido pelo
mais grave.
• Exemplo:
◦ Usar um documento falso (art. 304) para cometer estelionato (art. 171).
◦ Nesse caso, só se pune o estelionato, pois a falsidade é parte da execução
do crime maior.
• Fundamento: Súmula 17 do STJ – O crime menos grave é absorvido quando é
etapa necessária do crime principal.
Resumo Final:
Os crimes contra a fé pública punem falsificações materiais, distorções ideológicas em
documentos e suposição de identidade. Quando a falsidade serve como instrumento para
um crime mais grave (como estelionato), aplica-se o princípio da consunção, punindo-se
apenas o delito principal.
Falsidade Material (ou Formal), Falsidade Ideológica e Falsidade Pessoal (ou
Suposição de Identidade):
Crimes contra a fé pública relacionados à moeda falsa
(arts. 289 a 292 do CP)
Características Comuns
• Bem jurídico: Credibilidade da moeda e documentos públicos.
• Competência: Justiça Federal.
• Princípio da insignificância: Inaplicável (HC 97.220/STF).
• Natureza: Crimes dolosos, de perigo abstrato (não exigem dano concreto).
Critério Falsidade Material (ou Formal) Falsidade Ideológica
Falsidade Pessoal (ou
Suposição de Identidade)
Definição
Alteração ou fabricação material
do documento, falsificando o
conteúdo externo
Inserção de informação falsa ou
omissão de dado essencial em
documento verdadeiro
Uso de identidade falsa,
assumindo a identidade de outra
pessoa ou criando uma fictícia
Objeto
Documento público, particular ou
comercial
Documento público, particular ou
comercial
Identidade pessoal de alguém
Natureza da
falsificação
Falsa confecção ou alteração
física do documento
Informação falsa inserida em
documento verdadeiro
Representação falsa da própria
pessoa
Exemplo
Falsificar assinatura, alterar data
ou texto em documento
Declarar falso conteúdo em
declaração ou termo, mesmo em
documento verdadeiro
Usar carteira de identidade falsa
ou se passar por outra pessoa
Tipo de
crime
Crime material (exige alteração
física)
Crime formal (independe da
ocorrência de dano)
Crime de falsidade pessoal,
relativo à identidade
Pena
prevista (CP)
Reclusão de 2 a 6 anos (art. 297) Reclusão de 1 a 5 anos (art. 299) Reclusão de 1 a 5 anos (art. 307)
Exige dolo? Sim Sim Sim
Principais Crimes
1. Moeda Falsa (Art. 289)
◦ Conduta: Fabricar ou alterar moeda (metálica ou papel) aumentando seu
valor nominal.
◦ Consumação: Ao produzir ou modificar a moeda.
◦ Requisito: Falsificação deve ser capaz de enganar (não precisa ser perfeita,
mas plausível).
◦ Pena: Reclusão de 3 a 12 anos + multa.
◦ Tentativa: Admitida.
◦ Condutas equiparadas (§1º):
▪ Importar/exportar moeda falsa.
▪ Adquirir/guardar/fornecer a terceiros.
▪ Colocar em circulação.
2. Papel-Moeda Falsificado (Art. 290)
◦ Conduta específica:
▪ Formar cédulas com fragmentos de notas verdadeiras.
▪ Suprimir sinais de inutilização.
▪ Recolocar em circulação papel-moeda inutilizado/recomposto.
◦ Pena: Reclusão de 2 a 8 anos + multa.
◦ Qualificadora (§ único):
▪ Se cometido por funcionário público com acesso ao local: Pena
máxima elevada a 12 anos.
3. Petrechos para Falsificação (Art. 291)
◦ Conduta: Fabricar/adquirir/guardar instrumentos especificamente
destinados à falsificação (ex.: máquinas, moldes).
◦ Pena: Reclusão de 2 a 6 anos + multa.
◦ Obs:
▪ Crime preparatório (criticado por antecipar tutela penal).
▪ Absorvido pelo Art. 289 se usado para falsificar (princípio da
consunção).
4. Emissão Ilegal de Título ao Portador (Art. 292)
◦ Conduta: Emitir título ao portador sem permissão legal que prometa
pagamento em dinheiro.
◦ Consumação: Somente ao colocar em circulação (preparação não é
punível).
◦ Pena: Detenção + multa (infração de menor potencial ofensivo).
◦ Exclusões:
▪ Títulos autorizados por lei.
▪ "Vales" sem função monetária.
Elementos Relevantes
• Objeto material: Moeda válida e em circulação (exclui moedas falsas prévias ou
inutilizadas).
• Grau de falsificação: Deve ter aparência de autenticidade suficiente para
enganar o público.
• Princípio da consunção:
◦ Crimes acessórios (ex.: uso de petrechos) são absorvidos pelo crime principal
(ex.: falsificação).
Resumo final:
O Código Penal pune a falsificação de moeda (metálica ou papel), reconstituição de
cédulas, posse de instrumentos para falsificação e emissão ilegal de títulos ao portador.
Exige-se que a falsificação seja capaz de enganar e aumente o valor nominal da moeda.
A competência é federal, e a pena varia de 2 a 12 anos, conforme a gravidade. Petrechos
de falsificação são crime autônomo, mas absorvidos se usados para falsificar.
Falsidade de títulos e papéis públicos
1. Falsificação de Papéis Públicos (Art. 293 CP):
◦ Consiste em fabricar (criar) ou alterar (modificar) documentos públicos
listados na lei.
◦ É geralmente um crime comum (qualquer um pode cometer).
◦ Há uma modalidade própria (§ 1º, III) quando cometido por funcionário
público usando o cargo (agravante pelo Art. 295).
◦ É crime doloso, cuja consumação não depende de um resultado danoso.
◦ Admite tentativa, exceto possivelmente em uma modalidade específica
(unissubsistente - crime que se consuma com um único ato, instantâneo e
indivisível.).
◦ Modalidade Privilegiada (§ 4º): Aplica pena menor a quem, de boa-fé,
recebe o título falso e o usa ou o devolve à circulação (exceto se devolver à
mesma pessoa de quem o recebeu).
2. Crime de Petrechos:
◦ Criminaliza fabricar, adquirir, fornecer, possuir ou guardar objetos
especificamente destinados à falsificação dos papéis mencionados no Art.
293.
◦ A pena é de reclusão de 1 a 3 anos e multa.
Em resumo: O texto explica o crime de falsificação de documentos públicos(como se
configura, quem pode cometer e aspectos como dolo e consumação), sua modalidade
privilegiada para quem age de boa-fé, e o crime separado de possuir ou obter
instrumentos para essa falsificação.
Falsidade documental
Principais Crimes de Falsidade Documental
1. Falsificação de Selo ou Sinal Público (Art. 296 CP)
◦ Fabricar ou alterar selos/sinais públicos destinados à autenticação.
◦ Crime comum; consuma-se na fabricação/adaptação (independente de
vantagem).
◦ Modalidades equiparadas: uso indevido ou falsificação de símbolos da
Administração Pública.
2. Falsificação de Documento Público (Art. 297 CP)
◦ Fabricar ou alterar documentos públicos (ex.: identidade, certificados).
◦ Objeto material: Documentos com autoria identificada e relevância jurídica.
◦ Inclui equiparações: documentos paraestatais, títulos ao portador,
testamentos particulares, livros mercantis.
◦ Agravante (§ 3º e 4º): Falsificação/omissão em documentos da Previdência
Social (ex.: omitir dados do segurado).
◦ Pena: Reclusão de 2 a 6 anos + multa (agravada em 1/6 se agente for
funcionário público).
◦ Consumação: Basta a falsificação (não exige prejuízo).
3. Falsificação de Documento Particular (Art. 298 CP)
◦ Fabricar ou alterar documentos privados com relevância jurídica (ex.:
contratos, cartões de crédito/débito).
◦ Consumação: Efetiva falsificação capaz de gerar efeitos jurídicos.
◦ Pena: Reclusão de 1 a 5 anos + multa.
◦ Observação: Quem falsifica e usa responde apenas pela falsificação (crime-
meio - princípio da Consunção - quando um crime é meio necessário para
outro, ele é “absorvido” pelo mais grave ou mais abrangente, ou seja: não se
pune separadamente os dois crimes se um for apenas etapa para o outro.).
4. Falsidade Ideológica (Art. 299 CP)
◦ Inserir/omitir declaração falsa em documento verdadeiro (materialmente
autêntico).
◦ Pode ocorrer em documentos públicos ou particulares.
◦ Sujeito ativo:
▪ Documento público: Funcionário público (em concurso ou não com
particular).
▪ Documento particular: Qualquer pessoa.
◦ Pena:
▪ Doc. público: 1 a 5 anos + multa.
▪ Doc. particular: 1 a 3 anos + multa.
◦ Crime formal e instantâneo (prescrição conta-se da consumação).
5. Falso Reconhecimento de Firma/Letra (Art. 300 CP)
◦ Crime próprio: Cometido por funcionário público (ex.: tabelião) que reconhece
firma/letra sabendo ser falsa.
◦ Pena:
▪ Doc. público: 1 a 5 anos + multa.
▪ Doc. particular: 1 a 3 anos + multa.
6. Certidão ou Atestado Ideologicamente Falso (Art. 301 CP)
◦ Emitir certificado/atestado com informações falsas para obter vantagem.
◦ Sujeito ativo:
▪ Caput: Funcionário público.
▪ § 1º: Qualquer pessoa.
◦ Pena: Detenção de 3 meses a 2 anos (+ multa se com fim lucrativo).
7. Falsidade de Atestado Médico (Art. 302 CP)
◦ Crime próprio: Médico que emite atestado falso.
◦ Pena: Detenção de 1 mês a 1 ano.
◦ Observação: Não médico responde pelo art. 301, § 1º.
8. Uso de Documento Falso (Art. 304 CP)
◦ Utilizar documento falso (material ou ideológico) como verdadeiro.
◦ Características:
▪ Crime acessório (depende de falsificação prévia).
▪ Posse/porte sem uso é atípico.
▪ Autor da falsificação não responde por uso (exaurimento do crime
anterior).
Elementos Comuns
• Consumação: Ocorre com a falsificação em si (não exige dano ou vantagem).
• Tentativa: Admitida na maioria dos crimes, exceto em condutas unissubsistentes.
• Agravações: Majorantes para funcionários públicos que se valem do cargo.
• Bem Jurídico Tutelado: Fé pública.
Tabela Comparativa: Falsificação x Uso de Documento Falso
Crimes praticados por funcionários públicos contra a
administração pública
Características Gerais
• Objetivo: Proteger o patrimônio público, a probidade administrativa e bens jurídicos
difusos.
• Princípio: Insignificância é inaplicável (Súmula 599 STJ).
• Sujeito ativo: Exclusivamente funcionários públicos (definição ampliada no art.
327 CP), atuando no exercício ou em razão da função - crime próprio.
• Ação penal: Pública incondicionada.
Principais Crimes
1. Peculato (Arts. 312-313 CP)
◦ Peculato próprio (Art. 312 caput):
▪ Apropriar-se ou desviar bens públicos.
Aspecto Falsificação de Documento
Uso de Documento Falso
(Art. 304, CP)
Previsão legal Arts. 297 a 302 do Código Penal Art. 304 do Código Penal
Conduta típica
Criar, alterar ou falsificar
documento público ou privado
Usar um documento falsificado como se fosse
verdadeiro
Natureza do crime Crime autônomo Crime acessório (depende da falsificação)
Documento material Ex.: criar uma identidade falsa Ex.: apresentar essa identidade falsa à polícia
Documento
ideológico
Inserir informação falsa em
documento verdadeiro
Usar esse documento com informações falsas
Necessidade de uso
Não é necessário usar o
documento — basta falsificar
É necessário usar efetivamente o documento
falso
Punibilidade
Penalizado mesmo sem uso
posterior
Somente punível se houver uso concreto
Se a mesma pessoa
falsifica e usa
Responde apenas pela
falsificação(exaurimento)
O uso é absorvido pela falsificação
Se uma pessoa
falsifica e outra usa
Ambos respondem por crimes
distintos
Um responde pela falsificação, outro pelo uso
Exemplo prático
João imprime um diploma
universitário falso
Maria usa o diploma falso para conseguir
emprego
▪ Pena: 2-12 anos + multa.
◦ Peculato-furto (Art. 312 §1º):
▪ Subtrair bens públicos valendo-se da função.
▪ Pena: Igual ao peculato próprio.
◦ Peculato culposo (Art. 312 §2º):
▪ Facilitar culposamente a subtração por terceiros.
▪ Pena: 3 meses-1 ano.
◦ Peculato-estelionato (Art. 313):
▪ Obter vantagem mediante erro alheio.
▪ Pena: 1-4 anos + multa.
◦ Peculato eletrônico (Art. 313-A):
▪ Inserir dados falsos em sistemas informatizados.
▪ Pena: 2-12 anos + multa.
◦ Observação: "Peculato de uso" (uso temporário sem dano) é atípico.
Tabela Comparativa – Tipos de Peculato (Arts. 312 a 313-A, CP)
Tipo de
Peculato
Descrição da Conduta Exemplo Prático Observações
Peculato
Próprio
Apropriar-se ou desviar
bem ou valor público em
razão do cargo
Servidor se apropria de dinheiro
que deveria ser depositado nos
cofres públicos
Crime doloso; exige vínculo
funcional com o bem
Peculato-
Furto
Subtrair bem público
valendo-se da facilidade do
cargo
Zelador do fórum pega
computadores e leva para casa
aproveitando livre acesso
Ato típico de furto, mas com
abuso da função pública
Peculato
Culposo
Facilitar, sem intenção, que
outro cometa o peculato
Funcionário deixa o cofre da
repartição destrancado e
alguém furta valores
Se houver reparação do dano
antes da sentença, extingue a
punibilidade
Peculato-
Estelionato
Obter vantagem mediante
erro de outrem em razão
da função
Servidor recebe indevidamente
pensão de pessoa já falecida,
enganando o órgão
Similar ao estelionato, mas
cometido por servidor
Peculato
Eletrônico
Inserir ou alterar dados
falsos em sistemas
públicos informatizados
Servidor altera sistema de
pagamentos para beneficiar
terceiros indevidamente
Uso indevido de sistema
eletrônico da administração
"Peculato de
Uso"(atípico)
Usar bem público
temporariamente sem dano
ou intenção de se apropriar
Funcionário usa veículo oficial
para ir almoçar em casa e
depois retorna
Não há dolo nem prejuízo;
conduta imoral, mas não
tipificada penalmente
2. Concussão (Art. 316 CP)
◦ Exigir vantagem indevida abusando da autoridade pública.
◦ Consumação: Na exigência (crime formal).
◦ Pena: 2-12 anos + multa.
3. Excesso de Exação (Art. 316 §§1º-2º CP)
◦ Exigir tributo indevido ou usar meios vexatórios na cobrança.
◦ Qualificadora: Se houver proveito próprio.
◦ Pena: 2-12 anos + multa.
4. Corrupção Passiva (Art. 317 CP)
◦ Solicitar/receber/aceitar vantagem indevida (ato ilícito ou lícito).
◦ Aumento de pena: Se retardar/omitir ato funcional (§1º).
◦ Pena: 2-12 anos.
5. Corrupção Ativa (Art. 333 CP)
◦ Particularoferece vantagem a funcionário para influir em ato.
◦ Pena: 2-5 anos + multa
6. Facilitação de Contrabando/Descaminho (Art. 318 CP)
◦ Violar dever funcional para facilitar crimes tributários.
◦ Pena: 3-8 anos + multa.
7. Prevaricação (Art. 319 CP)
◦ Retardar/omitir/praticar ato funcional por interesse particular.
◦ Pena: 3 meses-1 ano + multa.
◦ Prevaricação imprópria (Art. 319-A):
▪ Diretor de penitenciária que permite acesso a celulares por presos.
▪ Pena: 3 meses-1 ano.
Tabela Comparativa – Crimes de Funcionários Públicos contra a Administração
Pública
Elementos Comuns
• Consumação:
◦ Crimes formais (ex.: concussão, corrupção passiva) → consumam-se com a
conduta.
◦ Crimes materiais (ex.: peculato próprio) → exigem resultado.
Crime Descrição da Conduta Sujeito Ativo Exemplo Prático
Peculato
(próprio, furto, culposo,
estelionato, eletrônico)
Apropriar-se, desviar, furtar,
facilitar ou fraudar valores
públicos
Funcionário
público
Servidor desvia verbas de
merenda escolar para conta
pessoal
Concussão
Exigir, para si ou para outrem,
vantagem indevida em razão do
cargo (impositiva: o servidor
obriga, coage ou pressiona)
Funcionário
público
Agente da vigilância sanitária
exige pagamento para liberar
alvará
Excesso de Exação
Cobrar tributo de forma abusiva
ou indevida; exigir o que sabe
indevido
Funcionário
público
Fiscal exige imposto já quitado,
ameaçando fechar o
estabelecimento
Corrupção Passiva
Solicitar ou receber vantagem
indevida, ou aceitar promessa,
em razão do cargo (receptiva ou
negociada: o servidor pede ou
aceita)
Funcionário
público
Policial aceita propina para não
aplicar multa de trânsito
Corrupção Ativa
Particular oferecer ou prometer
vantagem indevida a funcionário
público para que ele favoreça
algo
Particular
(não é
servidor)
Empresário oferece dinheiro ao
fiscal para não interditar seu
restaurante
Facilitação de
Contrabando/
Descaminho
Facilitar, indevidamente, a
entrada ou saída de bens
proibidos ou não tributados
Funcionário
público
Servidor da alfândega libera
mercadoria estrangeira sem
cobrança de tributos
Prevaricação
Retardar ou deixar de praticar
ato do ofício por interesse ou
sentimento pessoal
Funcionário
público
Delegado não instaura inquérito
por amizade com o investigado
• Tentativa: Admitida na maioria (exceto peculato culposo).
• Agravações: Majorantes para cargos específicos (art. 327 §2º CP).
• Bem jurídico: Administração pública, patrimônio e probidade.
Observação final: Particulares só respondem como coautores se concorrerem com
funcionário público (art. 30 CP).
Crimes Praticados por Particulares contra a
Administração Pública (Arts. 328 a 331 do CP)
1. Usurpação de Função Pública (Art. 328 CP)
• Conduta: Exercer ilegitimamente função pública (permanentemente ou
temporariamente), praticando atos inerentes ao cargo.
• Elementos:
◦ Não exige obtenção de vantagem (caput).
◦ Forma qualificada (§ único): Se houver vantagem (crime material).
• Pena: Detenção de 3 meses a 2 anos + multa (infração de menor potencial
ofensivo).
• Analogia: Funcionários que exercem função ilegal respondem por exercício
funcional ilegal (Art. 324 CP).
2. Resistência (Art. 329 CP)
• Conduta: Opor-se à execução de ato legal mediante violência ou ameaça, contra
funcionário público ou quem o auxilie.
• Consumação: Basta a oposição (não exige que o ato deixe de ser cumprido).
• Agravação (§ 1º): Se o ato não for executado.
• Concurso (§ 2º): Violência pode configurar crime autônomo (ex.: lesão corporal).
• Pena: Detenção de 2 meses a 2 anos (infração de menor potencial ofensivo).
3. Desobediência (Art. 330 CP)
• Conduta: Recusar-se a cumprir ordem legal de funcionário público sem violência
("resistência passiva").
• Requisitos:
◦ Ordem deve ser formal e materialmente legal.
◦ Recusa pode ser por ação ou omissão.
• Consumação: Instantânea (no momento da recusa).
• Pena: Detenção de 15 dias a 6 meses + multa (infração de menor potencial
ofensivo).
4. Desacato (Art. 331 CP)
• Conduta: Dirigir palavras, gestos ou escritos ofensivos a funcionário público no
exercício da função ou em razão dela.
• Elementos:
◦ Dolo específico: Intenção de humilhar a função pública (não apenas o
agente).
◦ Vítimas: Estado (primária) e servidor (secundária).
• Polêmica: Discussão sobre inconstitucionalidade (afronta à liberdade de expressão
- Art. 5º, IV e IX, CF/88).
• Pena: Detenção de 6 meses a 2 anos ou multa (infração de menor potencial
ofensivo).
Características Comuns
• Sujeito ativo: Particulares (ou funcionários públicos em função alheia à sua
atribuição).
• Natureza:
◦ Crimes de menor potencial ofensivo (pena máxima ≤ 2 anos).
◦ Ação penal pública condicionada à representação (exceto resistência com
violência).
• Bem jurídico: Regular funcionamento da Administração Pública e autoridade do
Estado.
Observação: O crime de desacato é alvo de debates sobre sua compatibilidade com a
Constituição, devido à possível restrição à liberdade de expressão. Tribunais exigem
comprovação do dolo específico de ofender a função pública, não apenas o agente.
Tabela Comparativa – Crimes Praticados por Particulares contra a Administração
Pública (Arts. 328 a 331, CP)
Tráfico de Influência (Art. 332 do CP):
Elementos do Crime:
1. Conduta do agente (particular ou funcionário em função alheia):
◦ Solicitar, exigir, cobrar ou obter vantagem (para si ou terceiro).
◦ Pretexto: Alegar capacidade de influenciar ato de funcionário público no
exercício da função.
2. Natureza jurídica:
◦ Crime comum (qualquer pessoa pode cometê-lo).
◦ Doloso (intencional).
◦ Formal ou material:
▪ Solicitar/exigir/cobrar: Crime formal (consuma-se com a conduta,
independente da obtenção da vantagem).
▪ Obter: Crime material (exige efetiva obtenção da vantagem).
3. Pena:
◦ Reclusão de 2 a 5 anos + multa.
Crime Descrição da Conduta Sujeito Ativo Exemplo Prático
Usurpação de
Função Pública
Exercer, sem autorização, função
pública, assumindo comportamento
típico de servidor
Particular (não
é servidor)
Pessoa se faz passar por policial
para fazer abordagem ou revistar
alguém
Resistência
Opor-se, com violência ou ameaça, à
execução de ato legal por funcionário
público
Particular
Cidadão agride guarda municipal
ao tentar impedir prisão de amigo
Desobediência
Desobedecer ordem legal de
funcionário público no exercício da
função
Particular
Motorista se recusa a entregar
documentos ao agente de trânsito
Desacato
Ofender a dignidade ou o decoro de
funcionário público durante ou em
razão do exercício
Particular
Pessoa xinga servidor em posto
de saúde após demora no
atendimento
Agravação (§ único):
• Aumento de pena se o agente alegar ou insinuar que a vantagem será repassada
ao funcionário público.
Posicionamento do STJ:
• A crença do ofendido no poder de influência do agente é irrelevante para a
configuração do crime. Basta que o agente alegue essa influência.
Resumo Esquemático:
Objetivo do crime: Coibir a venda ilegítima de suposta influência sobre agentes públicos.
Corrupção Ativa (Art. 333 do CP)
Elementos do Crime:
1. Conduta do agente (particular):
◦ Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público.
◦ Finalidade específica: Influenciá-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício.
2. Natureza jurídica:
◦ Crime formal: Consuma-se com a oferta/promessa (independente da
aceitação pelo funcionário).
Elemento Descrição
Sujeito ativo Qualquer pessoa (particular ou funcionário atuando fora de sua função).
Núcleo Solicitar, exigir, cobrar ou obter vantagem indevida.
Elemento chave Alegar influência sobre ato funcional de servidor público.
Consumação Na conduta (solicitar/exigir/cobrar) ou na obtenção da vantagem (obter).
Agravação Se insinuar repasse da vantagem ao funcionário (§ único).
STJ Não exige que a vítima acredite na influência alegada.
◦Unilateral: Pode existir sem corrupção passiva (ex.: se o funcionário recusar
a proposta).
◦ Sujeito ativo: Exclusivamente particular (funcionário público responde por
corrupção passiva – Art. 317).
3. Pena-base:
◦ Reclusão de 2 a 5 anos + multa.
Agravação (§ único):
• Majorante: Se o funcionário, devido à vantagem:
◦ Praticar ato ilegal;
◦ Omitir/retardar ato de ofício;
◦ Violar dever funcional.
*(Aumenta a pena além dos 2-5 anos)*
Diferenciação Chave vs. Corrupção Passiva (Art. 317):
Resumo Esquemático:
• Objetivo: Subornar agente público para manipular atos funcionais.
• Consumação: Na proposta (não depende da aceitação).
• Exemplo: Empresário promete dinheiro a juiz para adiar sentença.
• STJ: Configura-se mesmo se o funcionário não tem intenção de cumprir a
promessa.
Bem jurídico protegido: Probidade e imparcialidade da Administração Pública.
Elemento Corrupção Ativa (Art. 333) Corrupção Passiva (Art. 317)
Sujeito ativo Particular Funcionário público
Conduta Oferecer/prometer vantagem Solicitar/receber vantagem
Relacionamento Pode existir isoladamente
Não exige contraparte (ex.: receber sem
solicitação)
Tabela Comparativa
Denunciação caluniosa
Crimes contra a Administração da Justiça
• Violam interesses da justiça em sentido amplo (não apenas atividade judiciária),
conforme arts. 338 a 359 do CP (PRADO, 2019).
• Afetam diferentes instituições da administração pública.
Denunciação Caluniosa (Art. 339 do CP)
Definição: Crime praticado por qualquer pessoa que, mediante comunicação (oral/
escrita, formal/informal), provoca abertura de procedimento judicial ou administrativo com
base em fato sabidamente falso.
Elemento
Tráfico de Influência
(Art. 332)
Corrupção Passiva
(Art. 317)
Corrupção Ativa
(Art. 333)
Quem pratica Particular (qualquer pessoa) Servidor público Particular (qualquer pessoa)
Ato prometido/
praticado
Promete influenciar outro
servidor público
Pratica ou deixa de
praticarato funcional
Oferece ou promete
vantagem a servidor público
Finalidade
Obter vantagem para
influenciar ato funcional
Obter vantagem em razão
da função pública
Obter favorecimento do
servidor público
Conduta típica
Solicitar, exigir, obter
vantagem para influir
Solicitar, receber ou aceitar
vantagem indevida
Oferecer ou prometer
vantagem indevida
Servidor
público
envolvido
Outro servidor (não o
agente)
O próprio agente é servidor
público
A vantagem é oferecida a
servidor público
Exemplo
clássico
Pessoa promete influência
em juiz para livrar réu
Policial aceita dinheiro para
não multar condutor
Motorista oferece dinheiro
para policial "aliviar"
Pena
Reclusão de 2 a 5 anos, e
multa
Reclusão de 2 a 12 anos, e
multa
Reclusão de 2 a 12 anos, e
multa
Consumação
Com a solicitação ou
promessa de vantagem
Com a solicitação,
recebimento ou aceitação
Com a oferta ou promessa
da vantagem
Requisitos essenciais:
1. Ciência da falsidade: Agente sabe que o fato não ocorreu ou foi praticado por
outra pessoa.
2. Meio idôneo: Comunicação capaz de gerar ação da autoridade.
3. Consumação: Só ocorre com o efetivo início do procedimento (mesmo que
arquivado depois).
4. Autoria determinada: Narrativa deve atribuir o fato a alguém específico.
Aspectos relevantes:
• Absorve o crime de calúnia (art. 138 do CP) pelo princípio da consunção.
• Pena: Reclusão de 2 a 8 anos + multa.
• Agravante: Uso de anonimato ou nome falso (§ 1º).
Resumo em 1 frase:
Crimes contra a administração da justiça incluem a "denunciação caluniosa" (art. 339 CP),
que consiste em acusar falsamente alguém de crime/contravenção, provocando ação
judicial/administrativa, com pena de 2 a 8 anos de reclusão + multa.
Crimes Contra a Administração da Justiça
1. Comunicação Falsa de Crime/Contravenção (Art. 340 CP)
• Definição: Comunicar dolosamente à autoridade um fato que não constitui crime/
contravenção (objetiva ou subjetivamente).
• Consumação: Basta a iniciativa de apuração pela autoridade (não exige
instauração formal).
• Diferenciação:
◦ Vítima indeterminada (aceita acusação genérica ou contra pessoa fictícia).
◦ Não reduz pena se for contravenção.
• Pena: Detenção de 1 a 6 meses ou multa (infração de menor potencial ofensivo).
Tabela Comparativa: Calúnia × Denunciação Caluniosa × Comunicação Falsa de
Crime
Conclusão rápida:
Elemento Calúnia (Art. 138 CP)
Denunciação Caluniosa
(Art. 339 CP)
Comunicação Falsa de
Crime (Art. 340 CP)
Núcleo do crime
Imputar falsamente a
alguém fato definido como
crime
Acusar falsamente alguém
de crime à autoridade
Comunicar crime
inexistente à autoridade
Acusa alguém? Sim Sim
Não acusa ninguém em
específico
Autoridade é
envolvida?
Não
Sim (delegado, juiz,
promotor etc.)
Sim (autoridade policial ou
judiciária)
Sabe que é
mentira?
Sim
Sim (tem consciência da
inocência)
Sim (sabe que o fato nunca
aconteceu)
Consequência
pretendida
Ofender a honra de alguém
Fazer com que a vítima
inocente seja processada
ou investigada
Provocar atuação da polícia
ou da Justiça sem motivo
real
Exemplo prático
Dizer a colegas: “João
roubou o carro do chefe”
Ir à delegacia e acusar
falsamente João de roubo
Ligar para o 190 dizendo
que houve um assalto que
nunca ocorreu
Alvo da mentira A vítima (pessoa comum)
A vítima + o Estado
(autoridade)
Apenas o Estado (não há
vítima identificada)
Pena
Detenção de 6 meses a 2
anos, e multa
Reclusão de 2 a 8 anos, e
multa
Detenção de 1 a 6 meses,
ou multa
Crime Por quê?
Calúnia Acusação falsa de crime para terceiros
Denunciação Caluniosa Acusação falsa de crime para a polícia
Comunicação Falsa de Crime Inventou um crime, mas sem apontar culpado
2. Autoacusação Falsa (Art. 341 CP)
• Definição: Acusar-se de crime inexistente ou praticado por outrem.
• Características:
◦ Crime de mão própria (só cometido pessoalmente).
◦ Pode ocorrer em coautoria com outros crimes (ex: arts. 339, 340).
• Pena: Detenção de 3 meses a 2 anos ou multa (menor potencial ofensivo).
3. Falso Testemunho ou Falsa Perícia (Art. 342 CP)
• Definição: Afirmar falsamente ou omitir a verdade sobre fato relevante em
processo.
• Consumação: Ao término da declaração.
• Extinção da punibilidade: Retratação antes da sentença (§ 2º).
• Pena: Reclusão de 2 a 4 anos + multa
4. Exercício Arbitrário das Próprias Razões (Art. 345 CP)
• Definição: Agir por conta própria para fazer "justiça", sem autorização legal.
• Requisitos:
◦ Agente acredita ter direito (pretensão própria ou de terceiro).
◦ Exceção: Casos permitidos por lei (ex: desforço imediato - CC, art. 1.210).
• Pena: Detenção de 15 dias a 1 mês ou multa + pena por violência (concurso
material).
Tabela Comparativa: Art. 345 CP × Art. 1.210 CC
Elemento
Exercício Arbitrário das Próprias
Razões (Art. 345, CP)
Desforço Imediato
(Art. 1.210, §1º, CC)
Definição
Fazer justiça com as próprias mãos, sem
autorização judicial.
Retomar posse do bem injustamente
perdido, imediatamente.
Natureza jurídica Crime previsto no Código Penal.
Exercício legítimo de um direito, segundo
o Código Civil.
Autorização legal Não autorizado. Expressamente autorizado por lei.
Momento da reação
Pode ocorrer a qualquer tempo, mas é
ilegal.
Deve ser imediato, no momento do
esbulho ou logo após.
Uso da força
Em geral, envolve uso indevido da força
ou ameaça.
Pode haver uso moderado da força, sem
excessos.
Exemplo
Pessoa derruba muro do vizinho por
conta própria, alegando que era dela.
Pessoa afasta o invasor logo após ser
retirado de seu imóvel.
Violência adicional
Gera concurso material com crime de
lesão, ameaça etc.
Se houver excesso, pode haver
responsabilidade civil/penal.
5. Favorecimento Pessoal (Art. 348 CP) e Real (Art. 349 CP)
“Auxiliar alguém a se evadir da ação da autoridade pública, com o fim de evitar prisão,
investigação ou punição.”
Elementos principais:
• O agente ajuda uma pessoa, sabendo que ela cometeu um crime.
• O objetivoé proteger o criminoso, permitindo que ele fuja, se esconda ou evite
punição.
Tabela Comparativa
Observações Gerais:
• Todos são crimes dolosos e comuns (autoria não restrita).
• Favorecimento: Exige que o agente não seja partícipe/coautor do crime anterior.
• Menor potencial ofensivo: Aplicável aos arts. 340, 341, 345 e favorecimentos.
Elemento Favorecimento Pessoal (Art. 348) Favorecimento Real (Art. 349)
Objeto da proteção O autor do crime Provas / vestígios do crime
Ato típico
Ajudar o criminoso a fugir, se esconder
ou escapar
Ajudar a esconder, destruir ou eliminar
provas
Exemplo clássico Esconder o autor de um crime em casa
Esconder a arma do crime ou apagar
pegadas
Exceção legal
Parentes próximos (ex: mãe, irmão) não
respondem
Não há exceção: parentes também
respondem
Pena Detenção de 1 a 6 meses, e multa Reclusão de 1 a 6 meses, e multa
Resumo visual por temas:
Tabela Completa – Onde são julgados os crimes do Código Penal + ECA + Lei Maria
da Penha
Tema Competência
Homicídio doloso Tribunal do Júri
Roubo, tráfico, estupro (comuns) Vara Criminal Estadual
Crimes leves (pena ≤ 2 anos) JECRIM
Violência doméstica/familiar contra mulher Juizado de Violência Doméstica e Familiar
Crimes contra crianças/adolescentes Vara da Infância e Juventude (competência criminal)
Ato infracional (menor autor do fato) Vara da Infância – ECA (medidas socioeducativas)
Crime federal Justiça Federal
Crime militar Justiça Militar
Tipo de Crime / Situação Competência / Órgão Julgador
Crimes dolosos contra a vida (ex: homicídio
doloso, aborto, infanticídio)
Tribunal do Júri Estadual
Crimes comuns graves (pena > 2 anos) (ex: roubo,
estupro, extorsão)
Vara Criminal Comum Estadual
Crimes de menor potencial ofensivo (pena ≤ 2
anos, ex: ameaça, lesão leve, calúnia)
Juizado Especial Criminal (JECRIM)
Crimes contra bens/interesses da União (ex:
Caixa, INSS, Receita, moeda falsa)
Justiça Federal – Vara Criminal Federal
Crimes militares praticados por militares em serviço Justiça Militar (Estadual ou Federal)
Crimes contra crianças e adolescentes (ex: maus-
tratos, abuso, abandono)
Vara da Infância e Juventude (competência criminal)
Adolescente autor de ato infracional (menor de 18
anos que comete crime)
Vara da Infância – processo socioeducativo (ECA)
Violência doméstica e familiar contra a mulher
(física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral)
Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a
Mulher (Lei Maria da Penha – Lei 11.340/2006)
Crimes contra idosos e pessoas com deficiência
(quando em situação de vulnerabilidade)
Vara Criminal ou Juizado Especial com prioridade
legal
CLASSIFICAÇÕES DOS CRIMES (OU INFRAÇÕES PENAIS)
1. Quanto à gravidade da infração:
2. Quanto ao resultado (materialidade):
3. Quanto à forma de execução:
4. Quanto ao número de atos (iter criminis):
5. Quanto ao número de agentes:
Classificação Conceito Pena Prevista Exemplo
Crime (ou delito) Infração penal mais grave
Reclusão, detenção e/ou
multa
Homicídio, roubo
Contravenção penal Infração penal leve Prisão simples e/ou multa Perturbação do sossego
Classificação Conceito Exemplo
Crime material Exige resultado naturalístico (mudança no mundo real) Homicídio (morte)
Crime formal Dispensa resultado naturalístico, mas admite Extorsão
Crime de mera conduta Basta a conduta, sem resultado Porte de arma ilegal
Classificação Conceito Exemplo
Crime comissivo Ato de fazer algo proibido Roubar
Crime omissivo próprio Deixar de fazer algo exigido por lei Deixar de prestar socorro
Crime omissivo impróprio
Quando a omissão causa um resultado
e havia dever de agir
Mãe que não alimenta o filho e ele
morre
Classificação Conceito Exemplo
Crime unissubsistente Realizado em um só ato Injúria
Crime plurissubsistente Requer vários atos Roubo, furto, estelionato
Classificação Conceito Exemplo
Crime unissubjetivo Pode ser cometido por uma só Homicídio
Crime plurissubjetivo (ou de concurso Requer mais de uma pessoa Rixa, associação
6. Quanto à forma de punição:
7. Quanto ao momento de consumação:
8. Quanto à possibilidade de tentativa:
9. Quanto à ação penal:
Classificação Conceito Exemplo
Crime doloso
Vontade consciente de praticar o
crime
Homicídio doloso
Crime culposo
Praticado por imprudência,
negligência ou imperícia
Homicídio culposo (acidente de
trânsito)
Crime preterdoloso
Dolo no início, mas resultado mais
grave decorre de culpa
Lesão corporal que causa a morte
sem intenção
Classificação Conceito Exemplo
Crime instantâneo Consumado em um único momento Furto
Crime permanente A consumação se prolonga no tempo Sequestro
Crime continuado
Vários crimes da mesma espécie com mesmo
modo de execução e contexto
Vários furtos em sequência, pelo
mesmo agente
Classificação Conceito Exemplo
Admite tentativa Crime plurissubsistente Roubo
Não admite tentativa Crime unissubsistente Injúria verbal
Classificação Conceito Exemplo
Ação penal pública incondicionada Ministério Público age mesmo sem a vítima Homicídio
Ação penal pública condicionada à
representação
Depende da vontade da vítima Ameaça
Ação penal privada Somente a vítima ou seu advogado pode iniciar Calúnia, injúria
TABELA DE CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES
Critério Classificação Conceito Exemplo
1. Gravidade da
infração
Crime
Infração penal grave com pena de
reclusão, detenção e/ou multa
Roubo, homicídio
Contravenção
Infração penal leve, punida com
prisão simples ou multa
Perturbação do
sossego, jogo de azar
2. Resultado
(materialidade)
Crime material
Exige resultado naturalístico
(modificação no mundo real)
Homicídio (morte)
Crime formal Não exige resultado, mas admite Extorsão, ameaça
Crime de mera
conduta
Basta a conduta, sem necessidade de
resultado
Porte ilegal de arma,
desobediência
3. Forma de
execução
Comissivo Ação de praticar o ato proibido Furto, roubo
Omissivo próprio Deixar de cumprir um dever legal Omissão de socorro
Omissivo impróprio
Deixar de agir quando tinha o dever
de evitar o resultado
Mãe que não alimenta
o filho (morte)
4. Número de atos
Unissubsistente Praticado com um único ato Injúria verbal
Plurissubsistente Exige vários atos ou etapas
Roubo, furto,
estelionato
5. Número de
agentes
Unissubjetivo
Pode ser praticado por uma só
pessoa
Homicídio, furto
Plurissubjetivo
(concurso
Requer mais de um agente para se
consumar
Rixa, associação
criminosa
6. Dolo/Culpa
Doloso
Vontade consciente de praticar o
crime
Homicídio doloso
Culposo
Por negligência, imprudência ou
imperícia
Homicídio culposo
(acidente de trânsito)
Preterdoloso Ato doloso com resultado culposo
Lesão corporal que
resulta em morte
7. Tempo de
consumação
Instantâneo
Consumação ocorre em um único
momento
Furto
Permanente O crime se prolonga no tempo Sequestro
Continuado
Vários crimes da mesma espécie com
unidade de desígnio
Vários furtos
semelhantes em
TABELA DE CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES (continuação)
Tema 6 - Legislação
Extravagante Econômica
Crimes contra a Ordem Tributária
O Direito Penal Econômico protege a atividade econômica no livre mercado por meio da
criminalização de condutas que afetam esse bem jurídico. Ele se caracteriza pela
criminalização de infrações administrativas, uso de conceitos vagos e aplicação de
normas penais diversas.
Crimes contra a Ordem Tributária (Lei 8.137/90)
São delitos que afetam a arrecadação pública, tutelando o Erário (Tesouro público/
Dinheiro público). O sujeito ativo é o contribuinte responsável pelo pagamento do tributo,
e o passivo é a sociedade e o Estado.
Art. 1º – Principais condutas criminosas:
• I a IV: Condutas como omitir informações, fraudar fiscalização, falsificar
documentos fiscais ou utilizar documentos falsos. São crimes materiais, que só se
consumam com a efetiva supressão ou redução do tributo.
Critério Classificação Conceito Exemplo
8. Admissibilidade
da tentativa
Admite tentativa
Execução interrompida antes da
consumação (plurissubsistente)
Roubo,homicídio
tentado
Não admite tentativa
Praticado em um só ato
(unissubsistente)
Injúria verbal
9. Ação penal
Pública
incondicionada
Ministério Público age
independentemente da vítima
Homicídio, roubo
Pública condicionada
à representação
Depende da vontade da vítima Ameaça, estelionato
Privada
Só a vítima pode processar (via
advogado)
Calúnia, difamação,
injúria
• V: Deixar de emitir nota fiscal ou fazê-lo em desacordo com a lei. É crime formal,
consumado com a simples prática do ato.
• Parágrafo único: Crime omissivo de desobediência, consumado com o fim do
prazo legal para atender à exigência da autoridade fiscal.
Requisitos para persecução penal:
• Necessário o esgotamento da via administrativa (Súmula Vinculante 24/STF).
• A prescrição só começa a contar após a constituição definitiva do crédito tributário.
Extinção ou suspensão da punibilidade:
• Extinção: Pagamento integral da dívida tributária (Lei 10.684/03).
• Suspensão: Pedido de parcelamento feito antes da denúncia (Lei 9.430/96).
• Princípio da insignificância: Admitido para sonegação inferior a R$ 20 mil.
Aumento de pena:
Pena aumentada de 1/3 à metade se:
• Houver grave dano coletivo,
• O crime for cometido por servidor público,
• Relacionar-se a bens ou serviços essenciais.
Diminuição de pena:
Redução de 1 a 2/3 se o coautor revelar espontaneamente a trama criminosa (sem
acordo formal). Considera-se forma de colaboração premiada.
Ação penal:
É pública incondicionada, ou seja, independe de representação da vítima.
Dos crimes tributários previstos no art. 2º da lei
8.137/90
O art. 2º da Lei 8.137/90 também trata de crimes contra a ordem tributária, protegendo o
Erário público. O sujeito ativo é o contribuinte responsável pela obrigação tributária (ou
seu administrador, no caso de pessoa jurídica), e o sujeito passivo é a sociedade e,
secundariamente, o Estado.
Tipos penais previstos:
• Inciso I: Fazer ou omitir declaração falsa para evitar o pagamento de tributo. É um
crime formal, consumado com a conduta, mesmo sem haver prejuízo ao Fisco.
• Inciso II: Deixar de repassar ao Fisco tributo cobrado de terceiros (como no caso
do ICMS-ST). O STF reconhece a constitucionalidade dessa previsão.
• Inciso III: Exigir, pagar ou receber vantagens indevidas relacionadas a incentivos
fiscais (semelhante aos crimes de concussão e corrupção passiva).
• Inciso IV: Usar ou aplicar de forma indevida os recursos oriundos de incentivos
fiscais.
• Inciso V: Usar programas de informática para manter “caixa dois”, ou seja,
contabilidade paralela, ocultando informações da Fazenda Pública.
Tipo subjetivo:
Exige-se dolo (vontade consciente de fraudar). Parte da doutrina exige um especial fim
de agir, com a intenção de lesar o Fisco.
Consumação:
Todos os incisos do art. 2º tratam de crimes formais, consumando-se com a simples
prática da conduta, independentemente do resultado.
Aumento e diminuição de pena:
• Aumento de 1/3 à metade se:
◦ Houver grave dano à coletividade,
◦ For praticado por servidor público,
◦ Relacionar-se a bens ou serviços essenciais.
• Diminuição de 1 a 2/3 se o coautor ou partícipe confessar espontaneamente toda
a trama criminosa. É uma forma de colaboração premiada sem necessidade de
acordo prévio.
Ação penal:
É pública incondicionada, ou seja, não depende de representação para ser iniciada.
Os crimes contra a ordem econômica visam proteger a livre concorrência e o
funcionamento justo do mercado. Destacam-se o art. 4º da Lei 8.137/90, que proíbe
acordos ilícitos entre concorrentes, e o art. 1º, incisos I e II, da Lei 8.176/91, que trata de
condutas ilegais envolvendo derivados de petróleo.
Art. 4º da Lei 8.137/90 – Crimes contra a Concorrência
• Bem jurídico protegido: A livre concorrência, conforme previsto na Constituição
(art. 173, §4º).
• Sujeito ativo: Empresários.
• Sujeito passivo: A coletividade e os concorrentes prejudicados.
Tipos penais:
• Inciso I: Abuso de poder econômico, com o objetivo de dominar o mercado ou
eliminar a concorrência por meio de acordos entre empresas (ex: dumping).
◦ Crime de resultado: exige efetivo domínio do mercado.
• Inciso II: Formação de cartel, com objetivo de:
◦ Fixar preços ou quantidades artificialmente.
◦ Dividir mercado por região.
◦ Controlar fornecedores ou redes de distribuição.
◦ Crime de mera conduta: basta a prática do acordo entre concorrentes.
Tipo subjetivo:
• Exige dolo (vontade de cometer o crime), e em muitos casos, especial fim de
agir, com a intenção de eliminar a concorrência.
Consumação:
• Inciso I: exige o resultado (domínio de mercado).
• Inciso II: consuma-se com a prática do acordo ilícito. Admite tentativa em ambos.
Aumento e redução de pena:
• Aumento de 1/3 à metade se:
◦ Houver grave dano coletivo;
◦ For cometido por servidor público;
◦ Envolver bens ou serviços essenciais.
• Redução de 1 a 2/3 se o coautor revelar voluntariamente toda a trama criminosa
(colaboração premiada sem acordo prévio).
Ação penal:
É pública incondicionada, não depende de iniciativa da vítima.
Dos crimes de adulteração de combustíveis – art. 1º,
incisos I e II, da lei 8.176/90
Esses crimes visam proteger a normalidade do abastecimento de combustíveis, essencial
à política econômica.
Bem jurídico protegido:
• A regularidade do mercado de combustíveis e derivados.
Sujeitos:
• Sujeito ativo: Qualquer pessoa (crime comum), embora o inciso I possa configurar
crime especial próprio (ex: diretor ou gerente de estabelecimento).
• Sujeito passivo: A coletividade e, secundariamente, consumidores prejudicados.
Tipos penais:
• Inciso I: Criminaliza a aquisição, distribuição e revenda de combustíveis (como
derivados de petróleo, gás natural e álcool) em desacordo com normas legais.
Trata-se de norma penal em branco, que exige consulta à legislação setorial
(como Leis 9.478/97 e 9.847/99).
Exemplo comum: adulteração de álcool anidro com água para simular álcool
hidratado.
• Inciso II: Proíbe o uso indevido de gás liquefeito de petróleo (GLP) em
motores, saunas, caldeiras ou piscinas, fora das normas legais.
Também é norma penal em branco.
Tipo subjetivo:
• Exige dolo (vontade consciente de praticar a conduta ilícita).
Consumação:
• Os crimes se consumam com a prática da conduta proibida.
Há discussão na doutrina sobre a admissibilidade da tentativa, especialmente no
inciso II.
Ação penal:
• Pública incondicionada, ou seja, iniciada pelo Ministério Público
independentemente de queixa.
Dos crimes contra as relações de consumo – art. 7º da
lei 8.137/90
A Lei 8.137/90, além dos crimes contra as ordens tributária e econômica, também prevê,
no art. 7º, crimes que visam proteger os direitos do consumidor, complementando o
Código de Defesa do Consumidor (CDC).
Bem jurídico:
• A relação de consumo, conforme os direitos previstos no art. 6º do CDC.
Sujeitos:
• Sujeito ativo: Fornecedor de bens ou serviços (crime especial próprio).
• Sujeito passivo: Consumidores e, secundariamente, o Estado.
Principais condutas típicas (incisos I a IX):
1. Favorecimento de clientes sem justa causa.
2. Venda de produtos em desacordo com especificações legais (ex: peso,
embalagem).
3. Mistura de mercadorias diferentes ou de qualidades distintas para venda como
puras ou de maior valor.
4. Fraude de preços por modificação de características externas do produto (ex:
embalagem, pintura) ou prática de "maquiagem de produto".
5. Cobrança abusiva de juros ou comissões nas vendas a prazo (usura).
6. Sonegação de bens ou insumos com recusa de venda ou retenção para
especulação.
7. Propaganda enganosa que cause efetivo prejuízo ao consumidor.
8. Destruição ou dano de mercadoria para provocar alta de preços.
9. Venda ou exposição de produtos impróprios ao consumo (ex: vencidos,
adulterados, deteriorados).
Tipos penais:
• Muitos são normas penais em branco,que dependem de complementação por
regras do CDC ou normas administrativas.
• Algumas condutas (incisos II, III e IX) admitem culpa, com pena reduzida.
Tipo subjetivo:
• Regra geral: exige-se dolo (vontade consciente de praticar o ato).
• Incisos III, VI (2ª parte) e VIII exigem dolo específico (ex: intenção de especular
ou beneficiar-se).
Consumação:
• Em geral, consumam-se com a prática da conduta, mesmo sem prejuízo.
• Exceção: inciso VII (propaganda enganosa) exige prejuízo real ao consumidor.
• Admite tentativa nos crimes plurissubsistentes.
Aumento e diminuição de pena:
• Aumento de 1/3 à metade se:
◦ Houver grave dano à coletividade;
◦ Crime for cometido por servidor público;
◦ Envolver bens ou serviços essenciais.
• Redução de 1 a 2/3 se houver confissão espontânea revelando toda a trama
criminosa (espécie de colaboração premiada sem acordo prévio).
Ação penal:
• Pública incondicionada.
Crime de lavagem de capitais – art 1º da lei n. 9613/98
Conceito:
A lavagem de dinheiro é o processo de disfarçar a origem ilícita de bens, direitos ou
valores, inserindo-os no sistema econômico com aparência de licitude. Esse processo,
segundo a doutrina, se divide em três fases:
1. Ocultação: esconder a origem dos valores.
2. Dissimulação (mascaramento): tornar a movimentação mais complexa e
disfarçada.
3. Integração: introduzir os bens no mercado legal.
Bem jurídico:
Existem quatro correntes doutrinárias:
1. Protege o mesmo bem da infração penal antecedente.
2. Protege a ordem econômica.
3. Protege a administração da Justiça (majoritária).
4. É pluriofensivo (ordem econômica e administração da Justiça).
Sujeitos:
• Ativo: Crime comum – qualquer pessoa pode praticar, inclusive o autor do crime
antecedente (autolavagem).
• Passivo: Em regra, o Estado.
Tipo objetivo:
• O tipo penal proíbe “ocultar ou dissimular” bens, direitos ou valores de origem
criminosa. Trata-se de tipo misto alternativo.
• A integração não é expressamente tipificada, mas é considerada exaurimento do
crime.
• Não configura lavagem o uso direto e visível do dinheiro ilícito (ex: comprar
imóvel e registrar em próprio nome).
• A infração antecedente pode ser qualquer crime ou contravenção penal. Se for
insignificante, descaracteriza a lavagem.
Condutas equiparadas (parágrafos 1º e 2º):
• Converter, adquirir, transferir, movimentar, importar bens ilícitos;
• Usar esses bens na atividade econômica/financeira;
• Participar de grupo ou empresa voltados à lavagem.
Tipo subjetivo:
• Requer dolo (vontade consciente de praticar o ato).
• Exige-se conhecimento da origem ilícita.
• Jurisprudência admite dolo eventual.
• Há, segundo a maioria, fim especial de agir: dar aparência lícita aos valores.
Consumação:
• O crime se consuma com o ato de ocultação/dissimulação.
• Parte da doutrina considera crime permanente, enquanto os bens estiverem
ocultos.
Causas de aumento e diminuição:
• Aumento de pena: se praticado por organização criminosa ou de forma reiterada
(1 a 2/3).
• Diminuição de pena: colaboração espontânea (sem acordo prévio), com possível
substituição da pena por restritiva de direitos (1 a 2/3).
Aspectos processuais:
• O juiz pode decretar medidas assecuratórias de bens (art. 4º).
• Admite-se bloqueio e alienação antecipada de bens.
Ação penal:
• Pública incondicionada.
Dos crimes contra o colarinho branco – Lei n. 7.492/86
Conceito:
A Lei nº 7.492/86 trata dos chamados "crimes do colarinho branco", que são delitos
financeiros cometidos por pessoas das classes sociais mais altas, especialmente no
contexto de instituições financeiras. A Justiça Federal tem competência exclusiva para
julgá-los (art. 26).
Crime de Gestão Fraudulenta ou Temerária (Art. 4º)
Bem jurídico tutelado:
A higidez do Sistema Financeiro Nacional.
Instituição financeira:
Pessoa (física ou jurídica) que capta, intermedeia ou aplica recursos financeiros de
terceiros, ou administra valores mobiliários, seguros, câmbio, consórcios etc. (conforme
art. 1º e parágrafo único da Lei).
Sujeitos:
• Sujeito ativo:
Crime especial próprio, praticado por:
◦ Controlador;
◦ Diretores;
◦ Gerentes;
◦ Interventor;
◦ Liquidante;
◦ Administrador judicial (art. 25).
• Sujeito passivo:
O Estado e o mercado financeiro.
Tipo objetivo:
A Lei prevê duas condutas:
1. Gestão fraudulenta (caput):
Requer fraude ou ardil para obter vantagem. Exemplo: simular operações
financeiras para enganar o mercado.
2. Gestão temerária (parágrafo único):
Prática de atos arriscados, imprudentes, que violem normas do Banco Central,
como:
◦ Empréstimos elevados sem garantias;
◦ Operações especulativas.
Ambas são crimes habituais impróprios, ou seja, a intenção de reiteração já configura
o delito. Não se exige prejuízo real (crime de perigo abstrato).
Tipo subjetivo:
• Exige dolo (inclusive eventual).
• Não é admitida forma culposa.
• Gestão temerária não se confunde com culpa.
Consumação:
• O crime se consuma com a prática do ato de gestão.
• Não admite tentativa, por ser crime habitual.
Causa de diminuição de pena:
• Redução de 1 a 2/3 se o coautor ou partícipe:
◦ Fizer confissão espontânea;
◦ Revelar toda a trama delituosa à autoridade. (sem necessidade de acordo
prévio — colaboração premiada informal).
Ação penal:
• Pública incondicionada.
Crime de pertinência à organização criminosa – art 2º
da lei n. 12.850/13
Conceito Geral:
A Lei nº 12.850/13 tipificou, pela primeira vez, o crime de pertinência à organização
criminosa (ORCRIM) e também disciplinou meios especiais de investigação, como:
• Colaboração premiada
• Ação controlada
• Interceptações e quebras de sigilo
• Infiltração policial
Inspirada na Convenção de Palermo, a lei modernizou o combate ao crime organizado,
superando a antiga Lei 9.034/95.
Bem jurídico tutelado:
• Paz pública
• Administração da Justiça
• Estado Democrático de Direito
Sujeitos:
• Sujeito ativo: Qualquer pessoa (crime comum), mas exige quatro ou mais
envolvidos (crime plurissubjetivo).
• Sujeito passivo: O Estado e a coletividade.
Tipo objetivo (Art. 2º, caput):
Proíbe:
“Promover, constituir, financiar ou integrar organização criminosa”
Tipo misto alternativo (basta uma conduta para consumação).
Núcleos do tipo:
• Promover: incentivar, fomentar
• Constituir: formar, organizar
• Financiar: sustentar economicamente
• Integrar: participar como membro
Definição de Organização Criminosa (Art. 1º, §1º):
Exige:
1. 4 ou mais pessoas
2. Estrutura organizada e hierárquica
3. Finalidade de obter vantagem de qualquer natureza
4. Prática de infrações penais com pena máxima maior que 4 anos ou de caráter
transnacional
Se faltar algum requisito, pode-se configurar associação criminosa (art. 288 CP) ou art.
35 da Lei de Drogas.
Tipo subjetivo:
• Dolo (consciência + vontade)
• Fim especial de agir: obter vantagem por meio de crimes graves ou
transnacionais.
Consumação:
• Ocorre com o ato de promover, constituir, financiar ou integrar a ORCRIM.
• Na forma de "integrar", é crime permanente.
• Não exige que a ORCRIM pratique crimes de fato, basta a união estável com esse
fim.
Agravantes e Causas de Aumento:
Parágrafo 3º – Agravante:
• A pena aumenta se o agente exerce comando da ORCRIM (individual ou coletivo).
Parágrafo 2º – Majorante:
• + 1/2 da pena se houver uso de arma de fogo (mesmo que só por um dos
membros, com ciência dos demais).
Parágrafo 4º – Outras majorantes (+1/6 a +2/3):
• Envolvimento de criança/adolescente
• Participação de funcionário público
• Proveito do crime destinado ao exterior
• Conexão com outras ORCRIMs
• Organização com caráter transnacional
Ação penal:
• Pública incondicionada.
Crimes de terrorismo previstos na lei n. 13.260/16
Introdução
A Constituição de 1988 já previa o terrorismo como crime inafiançável e imprescritível,
massó com a Lei nº 13.260/16 (Lei Antiterrorismo) é que o tipo penal foi regulamentado.
A norma:
• Define o que é ato terrorista;
• Prevê sanções penais;
• Regula procedimentos investigativos e processuais;
• Altera normas sobre prisão temporária e organizações criminosas;
• Atribui à Justiça Federal a competência para julgar os crimes.
Bem jurídico tutelado
A lei protege:
• A paz pública
• A incolumidade pública
• A igualdade
• O pluralismo social
Sujeitos
• Sujeito ativo: Qualquer pessoa (crime comum), individualmente ou em grupo.
• Sujeito passivo: O Estado, a coletividade e possíveis vítimas diretas.
Tipo objetivo (Art. 2º e §1º)
Terrorismo é a prática de atos com finalidade de provocar terror social ou
generalizado, expondo pessoas, patrimônios ou serviços públicos a perigo.
Exemplos de atos terroristas:
• Uso ou ameaça de uso de explosivos, armas químicas, biológicas ou nucleares;
• Sabotagem cibernética ou armada de serviços essenciais (transportes, energia,
hospitais, bancos);
• Atentados à vida ou integridade física.
Atenção:
Não se aplica a movimentos sociais, sindicais, políticos ou religiosos com fins legítimos
e reivindicatórios (Art. 2º, §2º).
Crimes relacionados
• Art. 3º: Participar de organização terrorista (pena: 5 a 8 anos).
• Art. 5º: Atos preparatórios (pena reduzida de ¼ a ½).
• Art. 6º: Financiamento direto ou indireto do terrorismo (pena: 15 a 30 anos).
Financiamento do terrorismo
Pune quem:
• Financiar, guardar, investir ou fornecer recursos;
• Obter ou intermediar recursos para grupos terroristas.
Tipo subjetivo
• Dolo direto: vontade de praticar o crime.
• Dolo eventual: assumir o risco de causar dano com atos terroristas.
Consumação
• Ocorre com a prática dos atos terroristas.
• A maioria dos crimes são de perigo abstrato (não exige dano efetivo).
• Atos preparatórios também são punidos (Art. 5º).
Causa de aumento de pena (Art. 7º)
• +1/3 se causar lesão corporal grave.
• +1/2 se resultar em morte.
Não se aplica se esses resultados já forem elementos do tipo penal (evita bis in idem).
Ação penal
• Pública incondicionada.
Considerações finais
A Lei Antiterrorismo busca equilibrar:
• A eficácia no combate ao terrorismo,
• Com a garantia de direitos fundamentais, evitando abusos contra manifestações
sociais legítimas.
TABELÃO
Tipo de Ação Penal
Crimes do CP, Ação Penal e Juízo Competente
Tipo de Ação Penal Quem inicia?
Precisa de autorização da
vítima?
Exemplo de crime
Pública Incondicionada Ministério Público Não Homicídio, roubo
Pública Condicionada Ministério Público Sim (representação da vítima) Ameaça, lesão leve
Privada Vítima ou advogado Sim (por meio de queixa-crime) Calúnia, difamação
Crime (Art. CP) Ação Penal Gravidade / Competência
Calúnia (Art. 138) Privada Leve – Juizado Especial
Difamação (Art. 139) Privada Leve – Juizado Especial
Injúria (Art. 140) Privada (exceto injúria racial) Leve – Juizado Especial
Injúria racial (Art. 140, §3º) Pública incondicionada Grave – Vara Criminal Comum
Ameaça (Art. 147) Pública condicionada à representação Leve – Juizado Especial
Lesão corporal leve (Art.
129, caput)
Pública condicionada à representação Leve – Juizado Especial
Lesão corporal grave (Art.
129, §1º)
Pública incondicionada Grave – Vara Criminal Comum
Homicídio simples (Art. 121,
caput)
Pública incondicionada Grave – Vara Criminal Comum
Furto simples (Art. 155,
caput)
Pública incondicionada
Leve/Moderado – Juizado ou
Vara Comum (depende do valor)
Furto qualificado (Art. 155,
§4º)
Pública incondicionada Grave – Vara Criminal Comum
Roubo (Art. 157) Pública incondicionada Grave – Vara Criminal Comum
Estupro (Art. 213) Pública incondicionada Grave – Vara Criminal Comum
Dano simples (Art. 163,
caput)
Pública condicionada à representação Leve – Juizado Especial
Violação de domicílio (Art.
150)
Pública condicionada à representação Leve – Juizado Especial
Tipo de Crime
Crimes Materiais x Formais x Mera Conduta (CP)
Tipo de Crime Exige resultado real? Exemplo Quando se consuma?
Material Sim Homicídio, furto
Quando ocorre o resultado
(morte, subtração etc.)
Formal Não Calúnia, extorsão
Quando se realiza a conduta
típica
Mera conduta Não
Violação de domicílio, ato
obsceno
No momento da ação, sem
necessidade de efeito
Tipo Crime (Artigo) Características Consumação Exemplo prático
Material
Homicídio
(Art. 121)
Exige resultado natural
(morte)
Quando a vítima morre
Disparo atinge e mata a
vítima
Material
Furto
(Art. 155)
Depende da subtração
de bem
Quando o objeto é
retirado da posse da
vítima
Rouba um celular e foge
Material
Lesão corporal
(Art. 129)
Depende de lesão física
real ou ofensa à saúde
Quando a lesão se
concretiza
Agressão causa
ferimento
Formal
Calúnia
(Art. 138)
Atribuição falsa de crime;
não exige dano real
Quando terceiro toma
conhecimento
Diz que alguém roubou,
sem que seja verdade
Formal
Ameaça
(Art. 147)
Basta o anúncio de mal
injusto e grave
Quando a vítima entende
a ameaça
“Vou te matar”, e a vítima
acredita
Formal
Extorsão
(Art. 158)
Pressiona com violência
para obter vantagem
No momento do
constrangimento
Exige dinheiro sob
ameaça, mesmo sem
receber
Formal
Corrupção ativa
(Art. 333)
Oferece vantagem a
funcionário público
No ato da oferta
Oferece propina, mesmo
que o agente recuse
Mera
conduta
Violação de
domicílio
(Art. 150)
Não exige resultado
externo
No momento da entrada
indevida
Entra na casa de alguém
sem permissão
Mera
conduta
Ato obsceno
(Art. 233)
Praticado em lugar
público, sem
necessidade de causar
escândalo real
No momento da ação
Pessoa se masturba em
praça pública
Mera
conduta
Desobediência
(Art. 330)
Simples desrespeito a
ordem legal
Quando se recusa a
obedecer
Recusa-se a parar o
carro após ordem policial
Crimes do CP que admitem tentativa
Crimes que ADMITEM tentativa – Principais Categorias:
Crime (Artigo)
Admite
tentativa?
Motivo Exemplo de tentativa
Homicídio (Art. 121) Sim É crime doloso e material
Disparo de arma, mas vítima
sobrevive
Roubo (Art. 157) Sim Crime comissivo, doloso
Tenta roubar com ameaça,
mas é impedido
Estupro (Art. 213) Sim
Doloso e com resultado
material
Vítima consegue fugir antes
da consumação
Furto (Art. 155) Sim
Doloso, com resultado de
subtração
Arromba porta, mas não pega
o objeto
Sequestro (Art. 148) Sim Doloso, com várias fases
Tenta levar vítima, mas é
impedido no ato
Extorsão (Art. 158) Sim
Envolve ameaça e obtenção
de vantagem
A vítima não entrega o
dinheiro
Latrocínio (Art. 157, §3º) Sim
Combinação de roubo +
homicídio
Rouba e tenta matar, mas
vítima sobrevive
Aborto provocado por
terceiro (Art. 126)
Sim Crime formal, doloso
Início da prática, mas
gravidez continua
Corrupção ativa (Art. 333) Sim Oferta pode ser recusada
Tenta subornar, mas o agente
público nega
Calúnia (Art. 138)
Sim
(forma escrita)
Crime formal – possível se
mensagem não chega
Carta caluniosa interceptada
antes da entrega
Categoria Definição Exemplos
Por que admitem
tentativa?
Crimes Dolosos
Com intenção (dolo) e
execução que pode ser
fracionada
Homicídio doloso, roubo,
furto, estupro, sequestro
A ação pode ser
interrompida antes da
consumação.
Crimes Materiais
Exigem resultado
naturalístico (efeito no
mundo real)
Homicídio (morte), furto
(subtração), dano
(destruição)
A consumação depende do
resultado – pode haver
tentativa se não ocorre.
Crimes Formais
O resultado é irrelevante
para consumação, mas
ainda é possível tentativa
Extorsão, ameaça,
corrupção ativa, sequestro
A execução pode ser
iniciada e interrompida.
Crimes Omissivos
Impróprios
Omissão com dever legal
de agir, quando se pode
evitar o resultado
Mãe que se omite e deixa
filho morrer, policial que não
evita crime
A omissão gera resultado, e
a omissão pode ser tentada.
Crimes Comuns
Podem ser praticados por
qualquer pessoa
Roubo, furto, homicídio
A tentativaQuando é o único meio para salvar a vida da gestante.
2. Aborto Humanitário: Quando a gravidez resulta de estupro e há consentimento
da gestante.
3. Anencefalia (ADPF 54 - STF): Autorizada a interrupção em caso de feto anencéfalo
(inviabilidade extrauterina), com consentimento da gestante (excludente de ilicitude
não prevista em lei).
Lesão Corporal (Art. 129, CP)
Classificação e Penas (Gradação do Resultado)
Elementos Gerais
• Sujeitos: Qualquer pessoa (crime comum).
• Natureza:
◦ Material: Consuma-se com o resultado lesivo.
◦ Doloso: Exige intenção de lesionar.
◦ Admite tentativa.
• Excludentes: Exercício regular de direito (ex.: esportes de contato, cirurgias).
Tipo de Lesão Previsão Legal Pena Característica
Leve Caput
Detenção de 3
meses a 1 ano
Residual: aplicável quando não se
enquadra nas demais.
Grave §1º
Reclusão de 1 a 5
anos
Resultados específicos (ex.:
incapacidade laboral > 30 dias).
Gravíssima §2º
Reclusão de 2 a 8
anos
Resultados agravados (ex.: perda de
sentido/órgão).
Modalidades Específicas
1. Lesão Preterdolosa (§3º):
◦ Morte não intencional decorrente da lesão.
◦ Pena: Reclusão de 4 a 12 anos.
◦ Não admite tentativa.
2. Lesão Privilegiada (§4º):
◦ Circunstâncias atenuantes idênticas ao homicídio privilegiado (ex.: violenta
emoção).
◦ Redução de pena + possível substituição por multa (§5º, I).
3. Lesão Culposa (§6º):
◦ Sem intenção (violação do dever de cuidado).
◦ Pena: Detenção (aplicação subsidiária do Art. 121).
◦ Admite perdão judicial (§8º) se consequências graves ao agente.
Violência Doméstica (Lei 14.188/2021)
Exemplo:
• Briga entre irmãs por herança → §9º (contexto doméstico sem motivação de
gênero).
• Agressão à mulher por machismo → §13 (motivado por condição de sexo feminino).
Agravações de Pena
• Aumento de 1/3 se (§10 e §11):
◦ Praticado em contexto doméstico + lesão grave/gravíssima/morte.
◦ Vítima é pessoa com deficiência.
Situação Previsão Pena Ação Penal
Contra mulher por razões de gênero
(§13)
Qualificadora
Reclusão de 1
a 4 anos
Pública incondicionada
Demais casos em contexto
doméstico (§9º)
Qualificadora
3 meses a 3
anos
Pública condicionada à
representação
Aspectos Processuais
• Competência:
◦ Lesões leves/culposas: Juizados Especiais Criminais (Lei 9.099/1995).
◦ Violência doméstica contra mulher: Juizados de Violência Doméstica (Lei
Maria da Penha).
• Natureza da Ação:
◦ Lesão leve/culposa/violência doméstica (exceto contra mulher): Pública
condicionada à representação.
◦ Lesão contra mulher (§13): Pública incondicionada (Súmula 542, STJ).
• Restrições:
◦ Proibidas transação penal e suspensão condicional do processo em violência
doméstica contra mulher (Súmula 536, STJ).
Observação: Distinguir de vias de fato (contravenção penal sem intenção lesiva, Art. 21,
LCP).
Periclitação da Vida e da Saúde (Arts. 130 a 136, CP):
1. Perigo de Contágio Venéreo (Art. 130, CP)
• Conduta: Expor alguém a contágio de moléstia venérea (ex.: sífilis, gonorreia) por
relações sexuais ou atos libidinosos.
• Consumação: Crime de perigo abstrato (basta a exposição, independente de
contágio).
• Sujeitos:
◦ Ativo: Qualquer pessoa contaminada.
◦ Passivo: Pessoa não contaminada (consentimento ou contaminação prévia
excluem o crime).
• Elemento Subjetivo: Dolo (direto ou eventual).
• Qualificação (§1º): Se houver intenção de contaminar (dolo de dano), pena de
reclusão de 1 a 4 anos + multa.
• Processo: Ação penal condicionada à representação; caput (Juizados Especiais),
qualificado (Vara Criminal).
2. Perigo de Contágio de Moléstia Grave (Art. 131, CP)
• Conduta: Praticar ato capaz de produzir contágio com finalidade de transmissão
(ex.: AIDS, cólera).
• Natureza: Crime formal (não exige resultado).
• Dolo: Específico (vontade de transmitir).
• Pena: Reclusão de 1 a 4 anos + multa.
• Ação Penal: Pública incondicionada (Vara Criminal).
3. Exposição a Perigo (Art. 132, CP)
• Conduta: Expor a vida/saúde de outrem a perigo (ação ou omissão).
• Subsidiariedade: Aplicável se não configurar crime mais grave (ex.: homicídio).
• Dolo: De perigo (direto ou eventual).
• Pena: Detenção de 3 meses a 1 ano.
• Agravação (§ único): Se relacionado a transporte para trabalho em desacordo
com normas.
• Processo: Juizados Especiais.
4. Abandono de Incapaz (Art. 133, CP)
• Conduta: Abandonar pessoa sob cuidado/guarda/autoridade (ex.: tutor,
enfermeiro).
• Consumação: Com a situação de perigo concreto.
• Qualificadoras:
◦ §1º: Lesão grave → Reclusão de 1 a 5 anos.
◦ §2º: Morte → Reclusão de 4 a 12 anos (preterdoloso).
• Ação Penal: Incondicionada (Vara Criminal).
5. Exposição/Abandono de Recém-Nascido (Art. 134, CP)
• Conduta: Expor/abandonar recém-nascido para ocultar desonra própria.
• Sujeito Ativo: Mãe ou pai (em casos de adultério/incesto).
• Pena: Detenção de 6 meses a 2 anos.
• Qualificadoras:
◦ §1º: Lesão grave → Detenção de 1 a 3 anos.
◦ §2º: Morte → Detenção de 2 a 6 anos (preterdoloso).
• Processo: Caput (Juizados Especiais); qualificado (Vara Criminal).
6. Omissão de Socorro (Art. 135, CP)
• Conduta: Deixar de prestar assistência a:
◦ Ferido/incapaz em perigo;
◦ Vítima de acidente ou agressão;
◦ Recém-nascido abandonado.
• Limite: Sem risco pessoal ao agente.
• Natureza: Crime omissivo próprio (não admite tentativa).
• Agravação (§ único): Se resultar lesão grave ou morte (preterdoloso).
• Pena: Detenção de 1 a 6 meses ou multa.
• Processo: Juizados Especiais.
7. Maus-Tratos (Art. 136, CP)
• Conduta: Expor a perigo (ação/omissão) pessoa sob autoridade para fins de
educação/tratamento/custódia.
• Formas:
◦ Privação de alimentação/cuidados;
◦ Trabalho excessivo;
◦ Abuso de meios de correção.
• Dolo: Específico (finalidade de "correção").
• Pena: Detenção de 2 meses a 1 ano ou multa.
• Distinções:
◦ Tortura (Lei 9.455/1997): Se houver sofrimento intenso.
◦ Vexame (ECA, Art. 232): Se contra criança/adolescente.
• Processo: Juizados Especiais (caput); Vara Criminal (formas agravadas).
Elementos Comuns
• Dolo: Exigido em todos os crimes (não há previsão de culpa).
• Tentativa: Admitida, exceto em crimes omissivos próprios (ex.: Art. 135).
• Ação Penal:
◦ Incondicionada: Arts. 131, 133, 134, 136.
◦ Condicionada à representação: Art. 130.
• Jurisdição:
◦ Crimes leves: Juizados Especiais.
◦ Crimes graves: Vara Criminal Comum.
Rixa (Art. 137, CP)
Conceito e Elementos
• Definição: Participação em briga coletiva (mínimo de 3 pessoas) com violência
recíproca e desorganizada.
• Núcleo do Tipo: Participar (independente do momento de ingresso no conflito).
• Sujeitos:
◦ Ativos: Todos os envolvidos na briga (exceto quem tenta separar).
◦ Passivos: Os próprios participantes (cada agente é também vítima
potencial).
• Consumação: Com o início do conflito violento (crime de perigo abstrato).
• Tentativa: Só admitida se a rixa for combinada previamente (ex proposito), não em
conflitos repentinos (ex improviso).
Modalidade Qualificada (§ Único)
• Natureza: Crime preterdoloso (dolo na rixa, culpa no resultado agravador).
Aspectos Relevantes
• Inimputáveis: Podem participar, mas sua conduta não caracteriza rixa (devido à
ausência de culpabilidade).
• Ação Penal: Pública incondicionada.
• Competência: Juizados Especiais Criminais (infração de menor potencial
ofensivo).
Exemplo:
• Três pessoas brigam em via pública → Configura rixa (mesmo sem lesões).
• Se uma sofrer fratura durante o conflito → Qualificadora aplicável aos que já
estavam na briga.
Situação Pena Condição
Resultado: Lesão Grave/Morte Aumento da pena
Agente já participava da rixa antes do
resultado.
Crime Contra a Honra (Arts. 138 a 145, CP)
Conceito e Tipos de Honra Protegida
1. Honra Objetiva: Reputação social do indivíduo.
2. Honra Subjetiva: Dignidade pessoal (decoro).
Tipos Penais
1. Calúnia (Art. 138, CP)
• Conduta:depende da
situação, não do sujeito.
Crimes que Não Admitem Tentativa – Principais Categorias:
Categoria Definição Exemplos
Por que não admitem
tentativa?
Crimes
Unissubsistentes
Praticados com um
único ato
Injúria verbal, calúnia por fala
única, falso testemunho
Não é possível interromper a
ação; ato único já consuma o
crime.
Crimes Culposos
Cometidos por
imprudência,
negligência ou imperícia
Homicídio culposo, lesão
corporal culposa
Tentativa exige dolo
(intenção), que não existe
nesses casos.
Crimes
Preterdolosos
Dolo no início, mas o
resultado mais grave
vem por culpa
Lesão corporal seguida de
morte
Não se tenta algo que não se
quer (resultado culposo).
Crimes Omissivos
Próprios
Consistem em não agir
quando havia o dever
de agir
Omissão de socorro, omissão
de impedir crime
A simples omissão já
consuma o crime; não há
"tentativa de omissão".
Crimes de
Atentado
(Equiparação
Legal)
A lei equipara tentativa
à consumação
Violação de domicílio,
resistência (CP, art. 329)
A tentativa já é punida como o
crime consumado.
Crimes Habituais
Exigem repetição de
atos para se configurar
como crime
Rufianismo, exercício ilegal
da medicina, lenocínio
habitual
Um único ato não configura o
crime nem permite tentativa.
Crimes de Dano
Instantâneo
Consumação imediata
com a ação
Desobediência, desacato,
porte ilegal de arma em
flagrante
O resultado se dá no mesmo
instante do ato.
ÍNDICE
Crime de Homicídio (art. 121 do CP)
Induzimento, Instigação ou Auxílio a Suicídio ou Automutilação (Art. 122, CP)
Infanticídio (Art. 123, CP)
Aborto (Arts. 124 a 128, CP):
Lesão Corporal (Art. 129, CP)
Periclitação da Vida e da Saúde (Arts. 130 a 136, CP):
Rixa (Art. 137, CP)
Crime Contra a Honra (Arts. 138 a 145, CP)
Crime Contra a Liberdade Pessoal (Arts. 146 a 149-A, CP)
Violação de Domicílio (Art. 150, CP)
Crimes contra a Inviolabilidade de Correspondência (Arts. 151 e 152, CP)
Crimes contra a Inviolabilidade dos Segredos (Arts. 153 a 154-B, CP)
Furto (Art. 155, CP)
Modalidades de Furto (Art. 155, CP)
Roubo, extorsão e extorsão mediante sequestro:
Roubo (Art. 157, CP)
Modalidades de roubo
Extorsão
Modalidades de extorsão
Causa de diminuição de pena
Usurpação
Dano (Art. 163, CP):
Apropriação indébita (Art. 168, CP):
Estelionato
Demais modalidades de fraude e estelionato
Receptação (Art. 180, CP)
Receptação
Crimes sexuais
Conceito de Vulnerabilidade
Lenocínio e tráfico de pessoa para fim de prostituição ou outra forma de exploração sexual
Ultraje Público ao Pudor
Associação criminosa e constituição de milícia privada
Constituição de Milícia Privada (Art. 288-A do CP):
Falsidade (contra a fé pública)
Crimes contra a fé pública relacionados à moeda falsa (arts. 289 a 292 do CP)
Falsidade de títulos e papéis públicos
Falsidade documental
Crimes praticados por funcionários públicos contra a administração pública
Crimes Praticados por Particulares contra a Administração Pública (Arts. 328 a 331 do CP)
Tráfico de Influência (Art. 332 do CP):
Corrupção Ativa (Art. 333 do CP)
Denunciação caluniosa
Crimes Contra a Administração da Justiça
Crimes contra a Ordem Tributária
Dos crimes tributários previstos no art. 2º da lei 8.137/90
Dos crimes de adulteração de combustíveis – art. 1º, incisos I e II, da lei 8.176/90
Dos crimes contra as relações de consumo – art. 7º da lei 8.137/90
Crime de lavagem de capitais – art 1º da lei n. 9613/98
Dos crimes contra o colarinho branco – Lei n. 7.492/86
Crime de pertinência à organização criminosa – art 2º da lei n. 12.850/13
Crimes de terrorismo previstos na lei n. 13.260/16
TABELÃOImputar falsamente a alguém a prática de crime determinado.
• Elementos:
◦ Sujeitos: Qualquer pessoa (crime comum).
◦ Consumação: Quando a acusação chega ao conhecimento de terceiro
(crime formal).
◦ Exceção da verdade (§3º): Admitida, exceto se:
▪ Ofendido for funcionário público e a ofensa relativa à função;
▪ O fato imputado for de ação penal privada;
▪ Já houver absolvição definitiva do ofendido.
• Agravações:
◦ Contra mortos (§2º): Sujeitos passivos são os familiares.
• Pena: Detenção (julgada nos Juizados Especiais).
2. Difamação (Art. 139, CP)
• Conduta: Atribuir a alguém fato ofensivo à reputação (não necessariamente
crime).
• Elementos:
◦ Consumação: Com a divulgação a terceiro (crime formal).
◦ Exceção da verdade (§ único): Não admitida, salvo se ofendido for
funcionário público e a ofensa relativa à função.
• Diferença para calúnia: Fatos ofensivos genéricos (ex.: "João deve a todo o
bairro").
3. Injúria (Art. 140, CP)
• Conduta: Ofender a dignidade pessoal atribuindo qualidade negativa (ex.: "João é
um pilantra").
• Elementos:
◦ Consumação: Basta o conhecimento pela vítima (crime formal).
◦ Exceção da verdade: Inadmissível.
• Modalidades Qualificadas:
◦ Injúria Real (§2º): Violência física + humilhação (ex.: tapa no rosto).
◦ Injúria Discriminatória (§3º): Uso de elementos de raça, cor, etnia, religião
ou origem (pena: reclusão de 1 a 3 anos + multa).
◦ Distinção do racismo: Injúria racial atinge pessoa específica; racismo (Lei
7.716/1989) atinge coletividade.
Disposições Comuns (Art. 141)
• Causas de aumento de pena para todos os crimes:
◦ Contra Presidente da República/chefe de governo estrangeiro (inciso I).
◦ Contra funcionário público em razão da função (inciso II).
◦ Reincidência específica (inciso IV).
◦ Uso de meios de comunicação (publicação, rádio, TV) ou anonimato (§1º).
• Direito de resposta (Art. 144): Ofendido pode exigir retratação pública.
Aspectos Processuais
• Competência: Juizados Especiais Criminais (salvo injúria qualificada).
Crime Ação Penal Exceções
Calúnia Privada (mediante queixa) -
Difamação Privada (mediante queixa) -
Injúria Simples Privada (mediante queixa) -
Injúria Real Pública incondicionada Se resultar lesão corporal.
Injúria Qualificada
Pública condicionada à
representação
Ofendido é funcionário público ou casos de
injúria discriminatória (§3º).
Quadro Comparativo
Observação: Todos são crimes dolosos, admitem tentativa na forma escrita e são
comissivos.
Crime Contra a Liberdade Pessoal (Arts. 146 a 149-A,
CP)
1. Constrangimento Ilegal (Art. 146, CP)
• Conduta: Obrigar alguém (via violência, grave ameaça ou redução de resistência)
a:
◦ Fazer o que a lei não obriga;
◦ Deixar de fazer o que a lei permite.
• Sujeitos: Qualquer pessoa (crime comum).
• Natureza: Crime material (consuma-se com a ação/omissão forçada).
• Processo: Ação penal pública incondicionada (Juizados Especiais).
2. Ameaça (Art. 147, CP)
• Conduta: Prometer mal injusto e grave (ex.: morte, lesão) a alguém.
• Consumação: Com o conhecimento da vítima (crime formal).
• Processo: Ação penal condicionada à representação (Juizados Especiais).
Elemento Calúnia Difamação Injúria
Objeto
Honra objetiva
(reputação)
Honra objetiva (reputação)
Honra subjetiva
(dignidade)
Conduta Imputar crime falso Atribuir fato ofensivo
Atribuir qualidade
negativa
Consumação
Com divulgação a
terceiro
Com divulgação a terceiro
Com ciência da
vítima
Exceção da
verdade
Admitida (com
restrições)
Admitida apenas para
funcionário público
Inadmissível
3. Perseguição (Stalking) (Art. 147-A, CP)
• Conduta: Perseguir alguém de forma reiterada, causando temor/sofrimento (ex.:
vigilância, contato obsessivo).
• Agravações:
◦ Vítima criança, adolescente, idoso ou mulher (§1º, I);
◦ Por razões de gênero, etnia etc. (§1º, II);
◦ Com arma ou em concurso de pessoas (§1º, III).
• Natureza: Crime habitual (não admite tentativa).
• Processo: Ação penal condicionada à representação (Juizados Especiais).
4. Violência Psicológica contra a Mulher (Art. 147-B, CP)
• Conduta: Causar dano emocional à mulher via:
◦ Ameaça, constrangimento, humilhação, isolamento etc.
• Elemento Subjetivo: Dolo na conduta (não no resultado).
• Natureza: Crime material (exige dano emocional efetivo).
• Processo: Ação penal pública incondicionada (Juizados de Violência Doméstica).
5. Sequestro e Cárcere Privado (Art. 148, CP)
• Conduta: Privar alguém de sua liberdade de locomoção (ação ou omissão).
• Qualificadoras:
◦ §1º: Vítima menor de 18 anos, idosa, gestante ou deficiente (reclusão de 2 a
5 anos).
◦ §2º: Restrição à comunicação, sofrimento físico/moral, ou extensão > 15 dias
(reclusão de 2 a 8 anos).
• Processo: Ação penal pública incondicionada (Juizados Especiais).
6. Redução à Condição Análoga à de Escravo (Art. 149, CP)
• Conduta: Submeter alguém a:
◦ Trabalho forçado;
◦ Jornada exaustiva;
◦ Servidão por dívida;
◦ Condições degradantes.
• Natureza: Crime permanente (consumação prolongada).
• Processo: Ação penal pública incondicionada (Vara Criminal Comum).
7. Tráfico de Pessoas (Art. 149-A, CP)
• Conduta: Aliciar/recrutar pessoas para fins de:
◦ Exploração sexual (§1º, I);
◦ Trabalho escravo (§1º, II);
◦ Remoção de órgãos (§1º, III);
◦ Adoção ilegal (§1º, IV);
◦ Exploração de mendicância (§1º, V).
• Consumação: Com o aliciamento/recrutamento (crime formal).
• Processo: Ação penal pública incondicionada (Vara Criminal Comum).
Elementos Comuns
• Dolo: Exigido em todos os crimes (sem previsão de culpa).
• Tentativa: Admitida, exceto em crimes habituais (ex.: Art. 147-A).
• Competência:
◦ Crimes leves: Juizados Especiais.
◦ Crimes graves: Vara Criminal Comum.
Observação:
• Violência Psicológica (Art. 147-B): Exige dano emocional concreto (diferente de
ameaça/perseguição, que são autônomos).
• Sequestro (Art. 148): Não exige motivação econômica (diferente do extinto crime
de sequestro para extorsão).
Violação de Domicílio (Art. 150, CP)
Elementos Essenciais
1. Bem Jurídico Protegido: Inviolabilidade do lar (tranquilidade doméstica e paz
íntima).
2. Conduta:
◦ Entrar ou permanecer indevidamente em domicílio alheio.
◦ Exceção: Consentimento do morador afasta o crime.
3. "Domicílio" (§§4º e 5º):
◦ Residência, aposento ocupado em habitação coletiva, escritório profissional
ou recinto fechado (ex.: consultório, loja).
◦ Exclui locais desabitados ou abandonados.
Características Jurídicas
Aspectos Processuais
• Ação Penal: Pública incondicionada.
• Competência: Julgado nos Juizados Especiais Criminais (crime de menor
potencial ofensivo).
Exemplo:
• Aderir uma casa sem permissão → Configura o crime.
• Permanecer após ser ordenada a saída → Configura o crime.
• Entrar com autorização do morador → Não há crime.
Crimes contra a Inviolabilidade de Correspondência
(Arts. 151 e 152, CP)
Elementos Essenciais
1. Bem Jurídico: Liberdade de manifestação do pensamento e privacidade.
2. Conduta Nuclear:
◦ Devassar (violar) correspondência alheia.
◦ Definição de "correspondência": Comunicados escritos ou eletrônicos (Art. 47,
Lei 6.538/1978).
◦ Controvérsia: Inclusão de correspondência eletrônica (e-mails, mensagens)
é discutida na doutrina.
Aspecto Detalhe
Sujeito Ativo Qualquer pessoa (crime comum).
Sujeito Passivo Morador (exclui imóveis sem ocupação).
Natureza
Crime doloso (dolo direto/eventual) e de mera conduta(consuma-se com a entrada/
permanência).
Tentativa Admitida.
Subsidiariedade Absorvido se for elementar de crime mais grave (ex.: furto, roubo).
Modalidades e Alterações
Características Jurídicas
Aspectos Processuais
• Ação Penal:
◦ Condicionada à representação (regra geral).
◦ Exceções: Casos do §1º, IV e §3º (ação incondicionada).
• Competência:
◦ Caput e §1º: Juizados Especiais Criminais.
◦ Demais modalidades: Vara Criminal Comum.
Observação: A leiespecífica (Lei 6.538/1978) regulamenta detalhes não cobertos pelo
Código Penal.
Previsão Legal Situação Detalhe
Art. 151, caput Revogado Pelo Art. 40 da Lei 6.538/1978.
§1º, I Devassar correspondência Crime principal vigente.
§1º, II-IV Condutas agravadas Ex: Destruir, subtrair, retardar correspondência.
Aspecto Detalhe
Sujeito Ativo Qualquer pessoa (exceto remetente/destinatário).
Sujeito Passivo Remetente ou destinatário da correspondência.
Consumação Com o conhecimento do conteúdo (crime de mera atividade).
Elemento Subjetivo Dolo (exclusivamente intencional).
Tentativa Admitida.
Crimes contra a Inviolabilidade dos Segredos (Arts. 153
a 154-B, CP)
1. Divulgação de Segredo (Art. 153, CP)
Modalidade Qualificada (§1º-A)
• Prejuízo à Administração Pública:
◦ Ação penal pública incondicionada.
◦ Julgamento pela Vara Criminal (federal ou estadual).
Processo (Caput)
• Ação Penal: Pública condicionada à representação.
• Competência: Juizados Especiais Criminais.
Elemento Detalhe
Conduta Divulgar segredo alheio (tornar público conhecimento confidencial).
Requisito Divulgação a número indeterminado de pessoas.
Bem Jurídico Intimidade e vida privada (Art. 5º, X, CF).
Sujeito Ativo Detentor do segredo ou destinatário de correspondência confidencial (crime próprio).
Consumação Com a divulgação (crime formal; não exige dano efetivo).
Tentativa Admitida.
Pena Detenção de 1 a 6 meses ou multa.
2. Violação de Segredo Profissional (Art. 154, CP)
3. Invasão de Dispositivo Informático (Art. 154-A, CP)
Lei 12.737/2012 ("Lei Carolina Dieckmann")
Processo
• Ação Penal: Condicionada à representação (regra).
• Exceção: Crimes contra Administração Pública/concessionárias → Ação
incondicionada (Art. 154-B).
Elemento Detalhe
Conduta Revelar segredo obtido em razão de função/ministério/ofiício.
Sujeito Ativo Profissional que detém o segredo (ex.: médico, advogado, contador).
Finalidade Proteger a confiança inerente à relação profissional.
Consumação Com a revelação (crime formal).
Processo Ação penal condicionada à representação (§ único).
Competência Juizados Especiais Criminais.
Elemento Detalhe
Conduta Invadir dispositivo informático alheio (celular, computador, rede).
Formas
- Obter dados (§1º, I);
- Instalar vulnerabilidades (§1º, II);
- Interceptar comunicações (§1º, III).
Bem Jurídico Inviolabilidade de dados e privacidade digital.
Consumação Com a invasão (crime instantâneo).
Agravações
§2º: Conteúdo sigiloso;
§3º: Obtenção de vantagem econômica;
§4º: Transmissão a terceiros.
Pena Base Detenção de 3 meses a 1 ano + multa.
Quadro Comparativo: Aspectos Processuais
Dependendo da complexidade/agravantes.
Observações:
• Todos são crimes dolosos (sem previsão de culpa).
• Segredo: Informação cuja divulgação cause dano (não precisa ser profissional).
• Dispositivo informático: Inclui sistemas digitais, redes, e-mails e dados cloud.
Tema 3 - Crimes Contra o
Patrimônio
Furto (Art. 155, CP)
Conceito e Elementos Essenciais
1. Definição: Subtrair coisa móvel alheia (sem consentimento) com intenção de
apossamento definitivo.
2. Bem Jurídico: Patrimônio (engloba propriedade, posse e detenção legítima).
3. Objeto Material:
◦ Coisa móvel (conceito penal ≠ civil: basta ser fisicamente transportável).
Crime Ação Penal Competência
Art. 153 (caput) Condicionada à representação Juizados Especiais
Art. 153 (§1º-A)
Incondicionada (se contra a Adm.
Pública)
Vara Criminal
Art. 154 Condicionada à representação Juizados Especiais
Art. 154-A
Condicionada à representação
(regra)
Juizados Especiais / Vara
Criminal¹
Art. 154-A (Adm. Pública) Incondicionada (Art. 154-B) Vara Criminal (federal/estadual)
◦ Exclui:
▪ res nullius (sem dono),
▪ res derelicta (abandonadas),
▪ res desperdicta (perdidas).
Sujeitos e Classificação Jurídica
Elemento Subjetivo e Consumação
1. Dolo Específico:
◦ Vontade de subtrair + apossamento definitivo (para si ou terceiro).
◦ Exceção: "Furto de uso" (uso temporário + restituição imediata) → ilícito
civil, não penal.
2. Consumação:
◦ Teoria amotio (majoritária): Inversão da posse (bem retirado da esfera de
disponibilidade).
◦ Não :
▪ Posse "mansa e pacífica",
▪ Lapso temporal,
▪ Efetivo proveito.
Controvérsias e Jurisprudência
• Sistemas antifurto (câmeras, seguranças):
◦ Não tornam o crime impossível (STJ Súmula 567).
◦ Conduta pode ser tentada se interrompida.
• Crime impossível (Art. 17, CP):
◦ Só se aplica se o meio for absolutamente ineficaz (ex.: furto de objeto
inexistente).
Aspecto Detalhe
Sujeito Ativo Qualquer pessoa (exceto proprietário destituído ou possuidor→ crimes distintos).
Sujeito Passivo Proprietário, possuidor ou detentor legítimo (ex.: funcionário com bem da empresa).
Classificação Crime comum, material, instantâneo, de dano, unissubjetivo (única pessoa).
Distinções Relevantes
Exemplo:
• Furtar celular de bolso → Furto consumado (inversão da posse).
• "Emprestar" carro sem permissão e devolver em 1 hora → Furto de uso (ilícito civil).
Observação:
• Concurso de agentes é possível (Art. 29, CP), mas o crime é unisubjetivo (praticável
por uma pessoa).
Modalidades de Furto (Art. 155, CP)
1. Furto Simples (Caput)
• Pena: Reclusão de 1 a 4 anos + multa.
• Elementos: Subtração de coisa móvel alheia sem circunstâncias agravantes.
2. Furto Noturno (§1º)
• Aumento de pena: +1/3.
• Fundamento: Maior reprovabilidade (vigilância reduzida durante o repouso).
• Aplicação:
◦ Residências (habitadas ou não) e estabelecimentos comerciais.
◦ Jurisprudência: STJ (HC 501.072/SC, 2019).
Conduta Crime Correspondente
Proprietário retoma bem Crime contra justiça (Art. 346)
Possuidor se apropria Apropriação indébita (Art. 168)
3. Furto Privilegiado ("Pequeno Valor", §2º)
• ≠ Princípio da Insignificância (exclui tipicidade).
• Jurisprudência: STJ (AgRg HC 521.476/SP, 2020).
4. Furto de Energia (§3º)
• Equiparação: Energia com valor econômico (ex.: elétrica) = coisa móvel.
• Exclusão: Sinal de TV a cabo não se equipara (STJ, REsp 1.838.056/RJ, 2020).
5. Furto Qualificado (§4º)
Pena: Reclusão de 2 a 8 anos + multa.
Qualificadoras Objetivas:
Requisitos Efeito
Primariedade Redução de 1/3 a 2/3 da pena.
"Pequeno Valor"
Valor objetivo da coisa (não relacionado ao
patrimônio da vítima).
Penas Alternativas: Substituição por detenção ou multa (Art. 44, CP).
Circunstância Exemplo
I. Destruição de obstáculo Cadeado, grade.
II. Abuso de confiança/fraude Funcionário que furta; ardil para distrair.
II. Escala ou destreza Escada, habilidade manual.
III. Chave falsa Grampo, "mixa" (cópia não autorizada = fraude).
IV. Concurso de 2+ pessoas Relevância causal de cada agente (Art. 29).
Qualificadoras Adicionais (Lei 13.654/2018):
• §4º- A: Explosivos/artefatos (causando perigo comum) → 4 a 10 anos + multa
(crime hediondo).
• §7º: Subtração de substâncias/acessórios para fabricar explosivos → 4 a 10 anos +
multa.
6. Modalidades Específicas
Aumentos para Fraude Eletrônica (§4º-C):
• I. Servidor no exterior: +1/3 a 2/3.
• II. Contra idoso/vulnerável: +1/3 até dobro.
Observações Jurisprudenciais
1. Concurso de Pessoas (§4º, IV):
◦ Não aplica majorante do roubo (STJ Súmula 442).
◦ Compatível com furto privilegiado (exceto "abuso de confiança" – STJ Súmula
511).
2. Valor da Coisa (§2º):
◦ Critério objetivo (ex.: até 1/3 do salário mínimo).
Tipo Previsão Pena Característica
Furto de Veículo (§5º) Lei 9.426/1996 3 a 8 anos
Transporte para outro estado/
país.
Abigeato (§6º) Furto animal 2 a 8 anos
Semovente de produção
(vivo/abatido).
Fraude Eletrônica (§4º-
B)
Lei 14.155/2021 4 a 8 anos + multa
Uso de dispositivo
informático/invasão.
Síntese das Penas
Nota: Furto animal (§6º) e furto de veículo (§5º) têm penas autônomas.
Roubo, extorsão e extorsão mediante sequestro:
Roubo (Art. 157, CP)
Elementos Essenciais
1. Definição: Subtrair coisa móvel alheia mediante:
◦ Violência (físicaou redução da resistência - ex.: dopagem)
◦ Grave ameaça (coação moral)
2. Bem Jurídico: Patrimônio + integridade física/liberdade (crime complexo/
pluriofensivo).
3. Consumação:
◦ Inversão da posse com emprego de violência/ameaça (STJ Súmula 582).
◦ Não exige posse "mansa e pacífica".
4. Tentativa: Admissível (crime plurissubsistente - não se exaure em um único ato,
mas depende de uma sequência de atos para se consumar).
Modalidade Pena Base Máximo com Agravantes
Furto simples 1-4 anos -
Furto noturno +1/3 ≈ 5,3 anos
Furto qualificado 2-8 anos -
Fraude eletrônica 4-8 anos 16 anos (§4º-C, II)
Furto com explosivos 4-10 anos -
Classificação
• Crime comum, material, instantâneo, unissubjetivo (pode ser cometido
individualmente, sem a necessidade de coautoria ou concurso de pessoas).
Modalidades
Qualificadoras (§2º)
• Pena: Reclusão de 7 a 15 anos + multa.
• Casos:
◦ Arma de fogo/explosivos;
◦ Concurso de 2+ pessoas;
◦ Vítima em serviço de transporte;
◦ Restrição de liberdade da vítima > 15 dias.
• Hediondo (Lei 8.072/1990).
Agravação pelo Resultado
• Lesão grave/morte (§3º):
◦ Preterdoloso (dolo no roubo, culpa no resultado).
◦ Pena: 10 a 25 anos (lesão) ou 20 a 30 anos (morte).
Forma Característica
Violência própria Coação física direta (ex.: agressão).
Violência imprópria Redução da resistência (ex.: "Boa noite, Cinderela").
Grave ameaça Coação psicológica (ex.: ameaça com arma).
Extorsão (Art. 158, CP)
Extorsão Mediante Sequestro (Art. 159, CP)
Distinções Cruciais
Elemento Detalhe
Conduta Obter vantagem econômica ilícita mediante violência/grave ameaça.
Diferença do roubo Exige constrangimento prévio (vantagem futura, não subtração imediata).
Exemplo "Pague R$ 10.000 ou destruirei seu carro".
Pena Reclusão de 4 a 10 anos + multa.
Elemento Detalhe
Conduta Privar liberdade + exigir vantagem econômica como condição para libertação.
Consumação
Com a privação da liberdade (não exige recebimento da vantagem) - crime
formal.
Pena Reclusão de 8 a 15 anos + multa.
Agravações
- §1º: Sequestro > 24h ou vítima menor/idoso → 12 a 20 anos.
- §2º: Lesão grave/morte → 16 a 24 anos (lesão) ou 24 a 30 anos (morte).
Hediondo Incluído pela Lei 8.072/1990 (Art. 1º, V).
Critério Roubo Extorsão Extorsão-Sequestro
Objeto
Subtração imediata
de bem.
Vantagem econômica
futura.
Vantagem + privação
liberdade.
Violência Durante a subtração. Para obtenção futura. Para manter cativeiro.
Liberdade
Restrita
(momentânea).
Não exige privação. Elemento central.
Aspectos Processuais
• Competência: Vara Criminal Comum (crimes graves).
• Regime Inicial: Fechado (hediondos - Lei 8.072/1990).
• Progressão de Regime: Restrita (cumprimento de 2/5 da pena para primários, 3/5
para reincidentes).
•
Exemplo Prático:
• Roubo: Assaltante ameaça com faca e leva celular → Art. 157.
• Extorsão: "Pague R$ 5.000 ou seu filho será ferido" → Art. 158.
• Extorsão-Sequestro: Sequestrar empresário e exigir resgate → Art. 159.
Fonte Jurisprudencial:
• STJ Súmula 582: Consumação do roubo com inversão posicional, mesmo que
breve.
• Lei 8.072/1990: Hediondez para roubo qualificado (§2º) e extorsão mediante
sequestro.
Modalidades de roubo
1. Roubo Próprio vs. Roubo Impróprio:
• Roubo Próprio: Violência/ameaça ocorre antes ou durante a subtração (Art. 157,
caput, CP).
• Roubo Impróprio: Violência/ameaça ocorre imediatamente após a subtração para
assegurar a posse do bem ou a impunidade (Art. 157, §1º, CP).
◦ Não admite tentativa: Se a violência falhar, configura tentativa de furto, não
de roubo.
2. Roubo Majorado (Aumento de Pena):
• Aumento de 1/3 até metade (§2º): Circunstâncias incluem:
◦ Concurso de pessoas (inciso ii).
◦ Vítima em serviço de transporte de valores (inciso iii).
◦ Subtração de veículo com intenção de levá-lo a outro estado/país (inciso iv).
◦ Restrição da liberdade da vítima (inciso v).
◦ Subtração de explosivos/acessórios (inciso vi).
◦ Emprego de arma branca (inciso vii - incluído pelo Pacote Anticrime).
• Aumento de 2/3 (§2º-A): Circunstâncias:
◦ Emprego de arma de fogo (inciso I).
◦ Destruição de obstáculo com explosivo causando perigo comum (inciso II).
◦ Obs.: Arma de brinquedo (simulacro) não aplica o aumento.
• Aumento em Dobro (§2º-B): Quando praticado com arma de fogo de uso restrito ou
proibido(exclui a aplicação do §2º-A, I).
3. Roubo Qualificado (§3º): Resultado mais gravoso:
• Lesão Corporal Grave (inciso I): Agravante pelo resultado.
• Morte (Latrocínio) (inciso II): Crime hediondo.
◦ Consumado com a morte, mesmo sem subtração (Súmula 610 STF).
◦ Competência: Juiz singular, não Tribunal do Júri (Súmula 603 STF).
Resumo prático:
Outros Pontos Relevantes:
• Concurso de Crimes: Em roubo impróprio ou qualificado, pode haver concurso
material com outros crimes (ex: lesão corporal).
• Crimes Hediondos: O Pacote Anticrime incluiu como hediondos: roubo com
restrição de liberdade (§2º, V), com arma de fogo (§2º-A, I), com arma restrita/
proibida (§2º-B) e roubo qualificado com lesão grave (§3º, I).
Resumo Final:
O direito penal brasileiro classifica o roubo em próprio (violência durante/antes) ou
impróprio (violência logo após). A pena pode ser majorada (aumento de pena)
significativamente por diversas circunstâncias (concurso de pessoas, tipo de vítima/bem,
uso de armas - branca, fogo comum, fogo restrita/proibida - restrição de liberdade,
explosivos). O roubo qualifica-se se resultar em lesão grave ou morte (latrocínio), este
último com regras específicas de consumação e competência. Diversas modalidades
foram incluídas como crimes hediondos.
Situação Quem julga Justificativa
Homicídio doloso (art. 121) Tribunal do Júri Crime contra a vida
Latrocínio (art. 157, § 3º, II) Juiz singular (comum) Crime contra o patrimônio, com morte
Em resumo:
Extorsão
Extorsão (Art. 158, CP) - Conceito e Características:
1. Natureza: Crime complexo/pluriofensivo (tutela patrimônio e liberdade individual,
podendo atingir também integridade física/psíquica ou vida).
2. Elementos Objetivos:
◦ Conduta: Praticar violência ou grave ameaça.
◦ Finalidade: Obter, para si ou para outrem, vantagem econômica indevida
(elementar normativa do tipo).
3. Elemento Subjetivo: Dolo específico - intenção de constranger a vítima para obter
vantagem econômica indevida.
4. Classificação Doutrinária:
◦ Comum (não exige qualidade especial do agente ou vítima).
◦ Subjetivamente complexo (exige dolo específico).
◦ Formal (consuma-se com a violência/ameaça, não com a obtenção da
vantagem - Súmula 96 STJ. Obter a vantagem é exaurimento - fase posterior
à consumação do crime,).
◦ Instantâneo.
◦ Unissubjetivo (pode ser cometido por uma só pessoa).
◦ Plurissubsistente (conduta fracionável).
5. Consumação: Ocorre no momento da prática da violência ou grave ameaça com
o fim de obter a vantagem, independentemente de consegui-la.
6. Tentativa: Admitida por ser crime plurissubsistente - se realiza por meio de dois ou
mais atos (ex.: vítima não se sente constrangida pela ameaça não entregando
valores).
Termo Significado
Roubo Majorado
Roubo com causas de aumento de pena previstas no §2º do art. 157 (ex: uso de
arma, concurso de pessoas).
Roubo Qualificado
Roubo com resultado mais grave (como lesão corporal grave ou morte), previsto
no §3º do art. 157 – aqui a pena muda de faixa (salto qualitativo).
7. Vítima: Pode ser o titular do patrimônio ou terceiro.
8. Pena: A mesma do roubo simples (prevista no caput do art. 158).
9. Peculiaridades:
◦ Difere da concussão (art. 316, CP) quando praticada por funcionário público
sem violência/ameaça.
◦ Se a vantagem for considerada "devida", pode configurar outro crime (art.
345, CP).
Resumo Final:
A extorsão é um crime contra o patrimônio e a liberdade, definido pela prática de violência
ou grave ameaça com o objetivo específico de obter vantagem econômica indevida.
Consuma-se com oconstrangimento, mesmo que a vantagem não seja obtida, e admite
tentativa. É um delito comum e formal, com pena equivalente ao roubo.
Exemplo comparativo:
Resumo das peculiaridades:
Situação Tipo de Crime Por quê?
Um policial ameaça bater no comerciante se
ele não pagar “proteção”
Extorsão (Art. 158)
Há grave ameaça física,
independentemente de ser
funcionário
Um policial diz: “Você sabe com quem está
falando. Quero R$ 1.000 para não multar seu
estabelecimento” (sem ameaça direta
praticada por funcionário público).
Concussão (Art. 316)
Exige vantagem em razão da
função, sem violência ou ameaça
física direta
Situação Crime correto Observação
Funcionário exige vantagem sem violência/
ameaça
Concussão (316)
Crime próprio do funcionário
público
Qualquer pessoa exige vantagem com
violência/ameaça
Extorsão (158) Pode ser funcionário ou não
Vantagem é considerada "devida", mas meio
usado é ilegal
Exercício arbitrário
(345)
Ex: cobrar dívida com ameaça
ou força
Modalidades de extorsão
1. Extorsão Majorada (causa de aumento de pena)
• Previsão legal: §1º do art. 158, CP.
• Circunstâncias:
◦ Concurso eventual de pessoas.
◦ Emprego de arma.
• Pena: Aumento de 1/3 até a metade da pena base.
2. Extorsão Qualificada (forma mais grave do crime)
• Previsão legal: §2º do art. 158, CP (aplica qualificadoras do art. 157, §3º).
• Circunstâncias:
◦ Resultado lesão corporal grave ou morte.
• "Sequestro Relâmpago" (§3º):
◦ Privação breve de liberdade para extorquir vantagem.
◦ Pena: Reclusão de 6 a 12 anos + multa.
◦ Se resultar em lesão grave ou morte: aplicam-se as penas do art. 159, §§2º e
3º.
• Obs.: O §2º não é crime hediondo (princípio da especialidade).
3. Extorsão Mediante Sequestro (Art. 159, CP)
Características:
• Bens jurídicos: Patrimônio + liberdade pessoal.
• Pena base (caput): Reclusão de 8 a 15 anos.
• Elemento subjetivo: Dolo específico de sequestrar para obter vantagem (ex.:
resgate).
• Consumação: Com a privação da liberdade (crime formal e permanente).
• Tentativa: Possível se a privação de liberdade falhar.
• Crime hediondo: Todas as modalidades do art. 159 são hediondas (Lei
8.072/1990).
Figuras Qualificadas:
Resumo Final:
A extorsão apresenta três modalidades principais:
1. Majorada (aumento de pena por concurso de pessoas ou uso de arma).
2. Qualificada (agravada por lesão grave/morte ou "sequestro relâmpago").
3. Mediante sequestro (art. 159), com penas elevadas e qualificadoras específicas
(tempo, vulnerabilidade da vítima, resultado lesivo).
• Sequestro relâmpago (§3º do art. 158) e todos os crimes do art. 159 são hediondos.
• A extorsão mediante sequestro é crime formal, permanente e hediondo,
consumando-se com a privação da liberdade.
Diferença entre Majorada e Qualificada
Qualificadora Pena
§1º: Sequestro > 24h, vítima 60 anos, ou cometido por
quadrilha
Reclusão de 8 a 15 anos
§2º: Resultado lesão corporal grave Reclusão de 16 a 24 anos
§3º: Resultado morte Reclusão de 24 a 30 anos
Critério Majorada (Causa de Aumento de Pena) Qualificada (Crime Qualificado)
Definição
É uma causa de aumento de pena prevista
na parte final do artigo
É uma forma mais grave do crime, com
pena mais alta
Estrutura jurídica
Aplica-se depois que o crime já está
definido como consumado
Modifica o próprio tipo penal (estrutura
do crime)
Pena
Aumenta a pena em um percentual ou
fração (ex: 1/3, metade)
Substitui a pena do tipo simples por uma
pena mais grave
Exemplo de artigo
Roubo majorado: Art. 157, §2º e §2º-A (com
uso de arma, concurso de agentes)
Homicídio qualificado: Art. 121, §2º
(motivo torpe, crueldade)
Exemplo prático
Roubo com uso de arma de fogo → pena
aumenta de 1/3 até metade
Homicídio por asfixia → pena vai de 6–
20 anos para 12–30 anos
Natureza jurídica Incide após a consumação do tipo básico Altera o tipo penal desde o início
Competência Mantém o mesmo rito do crime simples
Pode mudar o rito (ex: qualificado → júri
popular)
Causa de diminuição de pena
1. Causa de Diminuição de Pena ("Delação Premiada")
• Previsão legal: §4º do art. 158 do CP (alterado pela Lei nº 8.072/1990).
• Requisitos:
1. Crime praticado em concurso de pessoas (mais de um agente).
2. Colaboração efetiva do agente para facilitar a libertação da vítima.
• Efeito: Redução da pena.
2. Definições dos Crimes
Pontos-Chave:
• Diferença crucial:
◦ Extorsão mediante sequestro exige intenção de lucro.
◦ Cárcere privado tem motivação não econômica (ex.: vingança, coação).
• Delação premiada: Só aplicável se a colaboração libertar a vítima em crimes de
extorsão/sequestro cometidos por múltiplos agentes.
Resumo Final:
A extorsão (com ou sem sequestro) caracteriza-se pela coação para obter vantagem
ilegítima, enquanto o cárcere privado priva a liberdade sem fins econômicos. Em casos de
concurso de agentes, a colaboração para libertação da vítima gera direito à redução penal
("delação premiada").
Crime Elementos Essenciais
Extorsão (Art. 158, CP)
Constranger alguém, sob violência/grave ameaça, a:
• Fazer
• Tolerar
• Deixar de fazer algo
para obter vantagem indevida.
Extorsão mediante Sequestro (Art.
159, CP)
Sequestrar (restringir a liberdade)
com o fim de obter vantagem econômica ou resgate.
Sequestro/Cárcere Privado (Art. 148,
CP)
Privar alguém da liberdade sem intenção de obter vantagem
econômica.
Usurpação
Invadir ou tomar posse de um bem imóvel que pertence a outra pessoa, de forma
clandestina ou mediante fraude, sem uso de violência ou grave ameaça.
Delitos de Usurpação (Arts. 161 e 162, CP)
Objetivo: Proteger a propriedade/posse (subsidiariamente ao Código Civil).
Característica comum: Crimes formais (consumam-se com a conduta, salvo alteração
de limites). Basta a conduta de invadir, ocupar ou ameaçar para tomar posse de um bem
alheio [ara consumar o crime.
1. Alteração de Limites (Art. 161, caput)
• Conduta: Suprimir ou deslocar tapume, marco ou sinal indicativo de divisa.
• Bem jurídico: Propriedade/posse de imóvel.
• Sujeitos:
◦ Ativo: Proprietário/possuidor do imóvel contíguo.
◦ Passivo: Proprietário/possuidor do imóvel invadido (inclui possuidor indireto).
• Elemento subjetivo: Dolo + fim de apropriação (parcial ou total) do imóvel alheio.
• Natureza: Crime próprio, formal e de dano.
• Pena: Infração de menor potencial ofensivo (Lei 9.099/1995), exceto com violência.
2. Usurpação de Águas (Art. 161, §1º, I)
• Conduta: Desviar (alterar curso) ou represar (barramento) águas alheias.
• Águas alheias: Bem particular após captação/canalização (não públicas).
• Elemento subjetivo: Dolo + fim de proveito próprio/alheio.
• Consumação: Com a conduta (crime formal).
3. Esbulho Possessório (Art. 161, §1º, II)
• Conduta: Invadir terreno ou edifício alheio.
• Elemento subjetivo: Dolo + fim de proveito próprio/alheio.
• Agravante: Emprego de violência (§2º).
• Ação penal:
◦ Com violência: Pública.
◦ Sem violência: Privada (mediante queixa).
• Contexto constitucional: STF proíbe esbulho mesmo em terras improdutivas
(garantia de propriedade - ADI 2213/DF).
4. Supressão/Alteração de Marca em Animais (Art. 162)
• Conduta: Suprimir ou alterar marca de animal alheio.
• Bem jurídico: Propriedade de semoventes (bens móveis).
• Natureza: Crime material (exige dano).
• Processo: Admite suspensão condicional do processo (Lei 9.099/1995).
Para comparar: Usurpação x Esbulho possessório
Quadro Comparativo
Crime Conduta principal Meio usado Artigo do CP
Usurpação
Tomar posse indevidamente de
imóvel
Clandestinidade ou fraude Art. 161 caput
Esbulho possessório Tomar posse indevida de imóvel Violência ou grave ameaça Art. 161, §1º, II
Figura Típica Consumação
Elemento Subjetivo
Extra
Peculiaridades
Alteração de limites Com a conduta Apropriação de imóvel
Menor potencial ofensivo
(sem violência)
Usurpação de águas Com a conduta Proveito próprio/alheio Água como bem particular
Esbulhopossessório Com a conduta Proveito próprio/alheio
Ação privada (sem
violência)
Supressão de marca
Com dano ao
dono
-
Suspensão condicional do
processo
Pontos Relevantes
1. Subsidiariedade: As tipificações aplicam-se apenas se a conduta não se
enquadrar em crimes patrimoniais mais graves (ex.: furto).
2. Tentativa: Admitida em todas as figuras (crimes plurissubsistentes - mais de 2 atos).
3. Função social: A proteção penal não conflita com a função social da propriedade
(STF).
Resumo Final:
Os delitos de usurpação penalizam condutas que violam direitos possessórios ou de
propriedade sobre imóveis, águas particulares e animais. Distinguem-se pelo objeto
(limites, águas, terrenos/edíficios, animais) e exigem elementos subjetivos específicos
(fins de apropriação ou proveito). A maioria é formal, com penas brandas (Lei 9.099/1995),
exceto quando há violência.
Dano (Art. 163, CP):
Dano Simples (Caput)
• Conduta: Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia (móvel ou imóvel).
• Consumação: Com o resultado efetivo (dano material, ainda que parcial).
• Natureza:
◦ Crime doloso (intencional).
◦ Subsidiário a outros crimes (ex.: furto qualificado por rompimento de
obstáculo).
• Pena: Infração de menor potencial ofensivo (aplicam-se institutos da Lei
9.099/1995).
Dano Qualificado (§ Único)
Pena: Detenção de 6 meses a 3 anos + multa (não admite suspensão condicional do
processo).
As qualificadoras são:
1. Emprego de substâncias inflamáveis/explosivas (se não for crime mais grave).
2. Violência à pessoa ou grave ameaça (pena cumulada com a decorrente da
violência).
3. Motivo egoístico (busca de benefício econômico ou moral futuro).
4. Prejuízo considerável à vítima (avaliado em relação ao seu patrimônio total).
5. Contra o patrimônio público:
◦ União, Estados, Municípios, DF;
◦ Autarquias, fundações públicas;
◦ Empresas públicas/sociedades de economia mista;
◦ Concessionárias de serviços públicos.
Aspectos Processuais
• Ação penal:
◦ Simples: Pública incondicionada.
◦ Qualificado:
▪ Motivo egoístico ou prejuízo considerável: Ação privada (mediante
queixa – Art. 167, CP).
▪ Demais qualificadoras: Ação pública.
Resumo Final
O crime de dano penaliza a lesão dolosa a bens alheios. Na forma simples, é de menor
gravidade; na qualificada, a pena é ampliada por circunstâncias como violência, uso de
explosivos, motivo egoístico, prejuízo relevante ou ofensa ao patrimônio público. Em dois
casos específicos (motivo egoístico e prejuízo considerável), exige-se queixa da vítima
para processamento.
Apropriação indébita (Art. 168, CP):
Conceito e Elementos Centrais
1. Núcleo do tipo:
◦ Assenhorar-se (tomar para si) de coisa alheia móvel.
2. Origem da posse:
◦ Inicialmente lícita (diferente do furto, onde a posse é ilícita desde o início).
◦ Exemplos: Empréstimo, depósito, locação.
Consumação (crime material)
Ocorre quando o agente:
• Aliena (vende, doa) a coisa; ou
• Recusa-se a restituí-la após o prazo acordado ou legal.
Elemento Subjetivo
• Dolo específico (animus domini):
◦ Vontade de tratar a coisa como própria após a posse lícita.
◦ "Inversão do animus": De detentor temporário passa a agir como dono.
Classificação Doutrinária
Figuras Majoradas (§1º)
Pena aumentada em 1/3 se o crime ocorrer em:
• Depósito necessário (ex.: bem deixado por força maior - Art. 647, CC - ex:
enchente, incêndio, guerra etc.).
• Exercício de ofício, profissão ou emprego - abuso de confiança ou aproveitamento
de posição privilegiada:
Característica Descrição
Comum Não exige qualificação específica do agente.
Material
Exige resultado (alienação - venda/doação ou recusa em
restituir).
De dano Causa prejuízo patrimonial.
Subjetivamente complexo Requer dolo específico (animus domini).
Unissubjetivo Pode ser cometido por uma só pessoa.
Termo Definição
Ofício Atividade manual habitual com fins lucrativos (ex.: artesão).
Profissão Atividade intelectual habitual remunerada (ex.: médico, advogado).
Emprego Serviço não eventual sob subordinação e salário (ex.: funcionário).
Peculiaridades Relevantes
1. Tentativa:
◦ Difícil configuração: Exige posse prévia e manifestação de vontade de não
restituir.
2. Privilégio (Art. 170, CP):
◦ Aplica-se o benefício do furto privilegiado (Art. 155, §2º, CP) à apropriação
indébita.
◦ Exemplo: Redução de pena se o agente é primário e o valor é baixo.
Diferença para o Furto
Dolo Genérico, Dolo Específico e Animus Domini
Resumo Final:
A apropriação indébita ocorre quando alguém, tendo posse legítima de bem móvel alheio,
passa a agir como dono (alienando ou recusando-se a devolver). É crime material que
exige dolo específico (animus domini), com pena majorada em 1/3 em casos específicos
(ex.: depósito necessário). Aplica-se o mesmo privilégio do furto para redução penal.
Apropriação Indébita Furto
Posse inicial lícita. Posse inicial ilícita.
Dolo surge após a posse. Dolo existe desde o início.
Consumação por alienação/recusa. Consumação pela subtração.
Termo Significado Exemplo Prático
Dolo genérico
Vontade de praticar o ato ilícito, sem
finalidade especial.
João quebra o vidro de um carro para
roubar (furto): ele quer praticar o crime.
Dolo específico
Vontade de praticar o ato com um fim
especial além da simples ação.
Ana espalha boatos falsos para prejudicar
a honra de Carla (crime de calúnia).
Animus domini
Intenção de agir como proprietário da
coisa alheia(apropriação indébita e
usurpação).
Pedro pega um carro emprestado e depois
vende como se fosse seu.
Estelionato
Estelionato (Art. 171, CP)
Definição: Obter vantagem ilícita em prejuízo alheio mediante fraude (engano).
Pena: Reclusão de 1 a 5 anos + multa.
Elementos Essenciais
1. Objeto Jurídico: Patrimônio + boa-fé nas relações sociais.
2. Conduta:
◦ Praticar fraude (artifício, ardil, falsificação).
◦ Induzir ou manter alguém em erro.
3. Resultado:
◦ Obtenção de vantagem ilícita (para si ou terceiro).
◦ Prejuízo alheio.
Diferença entre Ilícito Civil e Penal
TABELA COMPARATIVA – ESTELIONATO: ILÍCITO CIVIL × PENAL
Estelionato (Crime) Fraude Civil
Fraude grave com relevância penal Fraude insignificante/leve
Ofende política criminal Resolvido via indenização
Situação Enquadramento Por quê?
João vende um celular pela internet, mas
envia com atraso ou com problemas,
sem intenção de enganar.
Ilícito civil
Há falha na prestação de serviço ou
descumprimento contratual. Cabe
indenização ou devolução do dinheiro,
mas sem crime.
João anuncia celular, recebe o dinheiro e
nunca envia o produto, bloqueando o
comprador.
Ilícito penal
Estelionato: houve fraude e intenção de
enganar(dolo). Ele induz a vítima em erro
para obter vantagem.
Maria recebe R$ 100 a mais por engano
em transferência e devolve ao perceber.
Nenhum ilícito
Não há má-fé nem dano. A devolução
corrige o erro sem consequência jurídica.
Maria fica com o valor recebido por
engano, sabendo que não era seu.
Ilícito penal
Apropriação de coisa havida por erro de
terceiro (Art. 169, I, CP) — semelhante ao
estelionato.
Conclusão:
• O ilícito civil ocorre quando não há intenção criminosa, apenas descumprimento
de obrigações contratuais ou morais.
• O ilícito penal (crime de estelionato) exige:
◦ Engano/fraude intencional (ardil, mentira, simulação);
◦ Vantagem ilícita;
◦ Prejuízo para a vítima.
Casos Especiais
• Torpeza Bilateral:
◦ Quando ambas as partes agem de má-fé (ex.: venda de remédio comum
como abortivo).
◦ Ainda caracteriza estelionato (fraude do agente prevalece).
• Fraude Posterior:
◦ Se o engano ocorrer após a obtenção da vantagem → Apropriação indébita.
Classificação do Crime
Consumação e Tentativa
• Consumação: Com a obtenção da vantagem e prejuízo efetivo (crime de duplo
resultado).
• Tentativa: Admitida se o agente, após iniciar os atos de fraude, for impedido por
circunstâncias alheias.
Figura Privilegiada (§1º)
• Pequenovalor:
◦ Aplica-se o privilégio do furto (Art. 155, §2º, CP): redução de pena.
Característica Descrição
Comum Não exige qualificação do agente.
Subjetivamente complexo Exige dolo específico de enganar.
Material Consumação só com vantagem + prejuízo.
Plurissubsistente Atos podem ser fracionados (desdobra em dois ou mais atos).
◦ Critérios:
1. Valor ≤ salário mínimo vigente.
2. Situação econômica da vítima (prejuízo suportável).
Quadro Comparativo: Crimes Unissubsistentes x Plurissubsistentes
Exemplos
Critério Crime Unissubsistente Crime Plurissubsistente
Número de atos Um único ato
Dois ou mais atos (desdobramento da
conduta)
Admissibilidade da tentativa Regra: Não admite tentativa
Admite tentativa (pode ser
interrompido antes da consumação)
Exemplo típico Injúria verbal (xingar) Homicídio (preparar, atirar, matar)
Tempo de execução Instantâneo, ocorre de uma vez só Pode se prolongar no tempo
Interrupção possível? Não Sim, pode ser frustrado
Natureza comum
Normalmente atos verbais ou
omissivos
Normalmente atos com ação física ou
complexa
Dificuldade de fracionar a
conduta
Muito alta (é indivisível) Fracionável, permitindo etapas
Processo de execução
Executado e consumado no mesmo
instante
Passa por fases (preparação →
execução → consumação)
Unissubsistente Plurissubsistente
Injúria Homicídio
Desobediência Roubo
Desacato Estelionato
Falso testemunho Furto
Omissão de socorro Corrupção
Resumo Final
O estelionato é um crime patrimonial que exige fraude ativa, vantagem ilícita e prejuízo
alheio para consumação. Distingue-se da fraude civil pela gravidade e relevância penal.
Casos de "torpeza bilateral" ainda configuram o delito. Admite-se tentativa e aplica-se
redução de pena para casos de pequeno valor, considerando o impacto econômico na
vítima.
Demais modalidades de fraude e estelionato
Figuras Típicas de Fraude (Art. 171, CP e correlatos)
Estelionato Privilegiado (§1º)
• Aplica os mesmos critérios do furto privilegiado (Art. 155, §2º):
◦ Valor da vantagem ≤ salário mínimo + análise da situação econômica da
vítima.
◦ Redução de pena.
Fraudes Específicas
Tipo de Fraude Consumação Peculiaridades
Disposição de coisa alheia
como própria
Com vantagem ilícita +
prejuízo
Exercício de direitos de propriedade
sobre bem alheio.
Alienação/oneração
fraudulenta de coisa própria
Com vantagem +
prejuízo
Onerar ou alienar:
• Coisa inalienável/gravada/litigiosa;
• Imóvel prometido a terceiro.
Defraudação de penhor Com prejuízo ao credor
Praticada pelo devedor contra credor
pignoratício (Art. 1431, CC).
Fraude na entrega de coisa
Na entrega da coisa
alterada
Alteração de qualidade/quantidade que
cause prejuízo.
Fraude para indenização/
seguro
Com a conduta (crime
formal)
Condutas:
• Destruir/ocultar coisa própria;
• Lesar o próprio corpo ou agravar
doença.
Estelionato Majorado
Ação Penal:
• Condicionada à representação (regra geral).
• Incondicionada se vítima for:
◦ Administração pública;
◦ Criança/adolescente;
◦ Pessoa com deficiência mental;
◦ Maior de 70 anos ou incapaz.
Fraude Eletrônica (§2º-A)
• Incluída pela Lei 14.155/2021 (pena: 4 a 8 anos + multa).
• Conduta: Utilizar informações obtidas por:
◦ Redes sociais;
◦ Contatos telefônicos;
◦ E-mails fraudulentos;
◦ Qualquer meio análogo.
• Cláusula de equiparação: Abrange meios tecnológicos não expressamente
previstos.
Fraude no pagamento por
cheque
Com a recusa do
pagamento (Súmula 521,
STF)
Condutas:
• Emitir cheque sem fundos;
• Frustrar pagamento.
Obs.: Cheque pós-datado sem fundos na
data acordada = estelionato simples.
Causa de aumento Pena Vítimas/Contexto
§3º: Aumento de 1/3 -
Entidade pública, instituto de economia popular, assistência
social ou beneficência.
§4º: Aumento de 1/3 a
dobro
- Contra idoso ou vulnerável (exige ciência do agente).
Controvérsias Relevantes
1. Relação Estelionato-Falsidade:
◦ Absorção (Súmula 17, STJ): Estelionato absorve falsidade se menos grave.
◦ Concurso material: Crimes distintos (bens jurídicos diferentes).
◦ Concurso formal: Falsidade como meio para estelionato.
◦ Falsidade de documento público absorve estelionato (doutrina).
2. Atenuação Penal (Cheque):
◦ Pagamento após denúncia reduz a pena (Art. 16, CP + Súmula 554, STF).
Resumo Final:
Além do estelionato comum, o Código Penal tipifica fraudes específicas (disposição de
bens alheios, fraude de seguro, cheque, etc.), com regras próprias de consumação. O
estelionato pode ter pena reduzida (pequeno valor) ou aumentada (contra vulneráveis/
entidades). A fraude eletrônica é figura autônoma com pena elevada. A ação penal varia
conforme a vítima, e a relação com falsidade documental gera divergências doutrinárias.
Receptação (Art. 180, CP)
Conceito e Elementos Centrais
• Núcleo do tipo:
◦ Adquirir, receber, transportar, ocultar ou auxiliar na venda de coisa
proveniente de crime.
• Objeto material: Coisa móvel que seja produto de crime anterior (exclui
contravenções).
• Pena (caput): Reclusão de 1 a 4 anos + multa (admite sursis processual da Lei
9.099/1995).
Explicando os principais elementos do texto:
Sujeitos do Crime
Classificação Doutrinária
Termo / Parte Explicação
Núcleo do tipo
São os verbos que descrevem a conduta proibida: adquirir, receber,
transportar, ocultar ou auxiliar na venda da coisa criminosa.
Objeto material
É a coisa móvel (bem que pode ser transportado) que resultou de um crime
(ex: celular furtado). Não se aplica se a origem for contravenção penal (ex:
jogo do bicho).
Crime anterior
A receptação depende da existência de um crime prévio que gerou o bem
ilícito. Ex: se houve furto, e alguém depois compra o item, pode haver
receptação.
Pena (caput)
A pena prevista na parte principal do artigo é: Reclusão de 1 a 4 anos, mais
multa.
Admite sursis processual
Por ser um crime com pena mínima ≤ 1 ano e máxima ≤ 4 anos, pode haver
suspensão condicional do processo, conforme a Lei 9.099/1995 (Juizados
Especiais Criminais).
Figura Típica Sujeito Ativo
Caput (§2º) Qualquer pessoa (exceto autor do crime anterior).
§1º Exclusivamente comerciante ou industrial.
Característica Descrição
Comum Não exige qualidade específica (salvo §1º).
Subjetivamente
complexo
Requer dolo específico: ciência de que a coisa vem de crime (sciência
criminis).
Crime de dano Exige efetivo prejuízo patrimonial.
Instantâneo Consumação imediata (exceto ocultar → crime permanente).
Plurissubsistente Conduta fracionável (admite tentativa).
Natureza Jurídica
• Crime acessório: Depende da existência de um crime anterior que gerou o bem.
• Autonomia processual (§4º): A ação penal é independente:
◦ Não exige identificação do autor do crime anterior.
◦ Aplica-se mesmo se o autor original for isento de pena ou desconhecido.
Peculiaridades Relevantes
1. Conduta de ocultar:
◦ Única modalidade com natureza permanente (consumação prolongada no
tempo).
2. Não se aplica:
◦ Se o bem vier de contravenção penal (apenas crimes).
3. Exceção ao concurso:
◦ Autor do crime anterior não pode ser receptor da mesma coisa.
Resumo Final:
A receptação penaliza quem, sabendo da origem criminosa, movimenta bens móveis
derivados de crime (adquirindo, ocultando, etc.). É crime autônomo processualmente,
com penas variáveis conforme o sujeito (leigo ou comerciante). A conduta de ocultar tem
natureza permanente, e o dolo exige ciência da ilicitude originária.
Receptação
Modalidades de Receptação:
1. Própria: O agente adquire, recebe, transporta, conduz ou oculta coisa que sabe ser
produto de crime (para si ou outro). Crime material.
2. Imprópria: O agente influencia terceiro de boa-fé a adquirir, receber ou ocultar
coisa que sabe ser produto de crime. Crime formal (consuma-se com a
influência).
Resumo Comparativo
Receptação Qualificada (§1º, art. 180 CP):
• Pena maior (3 a 8 anos + multa).
• Ocorre quando praticada no exercício de atividade comercialou industrial.
• Críticas: Deixou de ser considerado um "tipo derivado" na literatura jurídica.
• "Deve Saber": Expressão controversa quanto ao elemento subjetivo (dolo direto/
indireto), exigindo interpretação extensiva.
• Condutas Específicas: Incluem ter em depósito permanente (oneroso/gratuito),
desmontar/montar (expertise), vender/expor/utilizar (ânimus).
Figura Equipada (§2º):
• Equipara à atividade comercial qualquer forma de comércio irregular ou
clandestino (inclusive em residência), fundamentado na realidade social.
Receptação Culposa (§3º):
• Exceção à regra de dolo nos crimes patrimoniais.
• Pode ser por culpa consciente ou inconsciente, baseada em indícios objetivos.
• Considerada infração de menor potencial ofensivo devido à pena cominada.
Receptação Privilegiada (§5º):
• Aplica os mesmos requisitos do furto privilegiado (art. 155, §2º CP).
Critério Receptação Própria Receptação Imprópria
Conduta Adquirir, receber, ocultar etc. Induzir alguém a adquirir/ocultar
Intenção (dolo) Saber da origem criminosa
Saber da origem criminosa + influenciar
alguém
Vítima influenciada Não há Terceiro agido de boa-fé
Natureza do crime Material (exige resultado)
Formal (consuma-se com o ato de
influenciar)
Momento da
consumação
Quando o agente toma posse do
bem
Quando convence o terceiro
Exemplo Compra de celular roubado Induzir amigo a comprar celular roubado
Quadro Comparativo das Modalidades de Receptação
Distinções entre Crimes Patrimoniais:
• Furto Qualificado: Violência contra a coisa.
• Furto mediante Fraude: Subtração por ardil que desvia vigilância.
• Roubo:
◦ Coisa retirada do titular.
◦ Violência contra a pessoa.
◦ Crime material; prescinde do comportamento da vítima.
• Apropriação Indébita: Posse inicial lícita, dolo posterior.
• Extorsão:
◦ Vítima pratica a conduta exigida pelo agente.
◦ Vítima entrega a coisa ao agente.
◦ Crime formal; imprescindível comportamento da vítima.
◦ Extorsão mediante Sequestro: Vantagem econômica entregue por terceiro
(não a vítima sequestrada).
• Estelionato:
◦ Fraude para obtenção de entrega voluntária do bem (induzimento a erro).
◦ Intenção fraudulenta anterior/concomitante; posse sempre ilícita.
Essência do Resumo:
O texto detalha as duas formas básicas de receptação (própria e imprópria), suas
qualificações (principalmente por atividade comercial/industrial com a polêmica do "deve
saber"), figuras equiparadas (comércio irregular), e formas atípicas (culposa e
privilegiada). Finalmente, contrasta elementos essenciais de outros crimes contra o
Modalidade Tipo de culpa Conduta principal Pena Exemplo
Dolosa (caput) Dolo (intenção)
Comprar, ocultar,
transportar sabendo
da origem
1 a 4 anos + multa
Comprar celular sabendo
que é furtado
Culposa (§3º)
Culpa
(negligência)
Comprar/receber
sem saber, mas com
imprudência
1 mês a 1 ano
oumulta
Comprar algo muito
barato e não questionar
Qualificada (§1º) Dolo (intenção)
Vender ou expor
produto de crime em
comércio
3 a 8 anos + multa
Loja que vende peças de
carro furtadas
patrimônio (furto, roubo, apropriação indébita, extorsão, estelionato) para facilitar sua
distinção.
Tema 4 - Crimes Contra a
Dignidade Sexual
Crimes sexuais
Princípios Gerais:
• Protegem a liberdade sexual, autonomia e dignidade humana.
• Lei 13.718/2018 unificou a ação penal pública incondicionada para todos esses
crimes (antes era condicionada à representação em alguns casos).
Crimes Específicos:
1. Estupro (Art. 213 CP):
◦ Constranger alguém, com violência/grave ameaça, a conjunção carnal ou
qualquer ato libidinoso (ex: toques, masturbação forçada).
◦ Pena: 6 a 10 anos, vítima >18 anos (simples); qualificado (lesão grave, vítima
14 anos): 8-12 anos; resultando morte (culposa): 12-30 anos.
◦ Crime hediondo, admite tentativa.
2. Violação Sexual Mediante Fraude (Art. 215 CP):
◦ Conjunção carnal ou ato libidinoso com fraude ou meio que impeça/dificulte a
livre vontade (ex: mentira, omissão maliciosa).
◦ Pena: 2 a 6 anos; qualificado (vantagem econômica): multa adicional.
3. Importunação Sexual (Art. 215-A CP):
◦ Praticar ato libidinoso sem anuência da vítima, sem violência (ex: esfregar
genitais em transporte público).
◦ Subsidiário ao estupro (aplicável se não há violência/grave ameaça).
◦ Pena: 1 a 5 anos.
4. Assédio Sexual (Art. 216-A CP):
◦ Constranger alguém com vantagem/favorecimento sexual, abusando de
hierarquia/ascendência (ex: chefe, professor).
◦ Pena: 1-2 anos (+1/3 se vítima