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Crimes em espécie II PROF. JULIO DE OLIVEIRA NASCIMENTO DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE SEXUAL • LIBERDADE SEXUAL: direito de dispor do próprio corpo, de escolher seu parceiro sexual, e com ele praticar o ato desejado no momento que julgar adequado. • Crimes contra a liberdade sexual: • Estupro - art. 213 CP • Violação sexual mediante fraude – art. 215 CP • Importunação sexual – art. 215-A CP • Assédio sexual – art. 216-A CP ESTUPRO • Art. 213 CP: Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: • Pena: Reclusão, de 6(seis) a 10(dez) anos. • §1º: Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou maior de 14(catorze)anos: • Pena: Reclusão, de 8(oito) a 12(doze) anos • §2º: Se da conduta resulta morte: • Pena: Reclusão, de 12(doze) a 30(trinta) anos. ESTUPRO • O estupro, consumado ou tentado, em qualquer de suas espécies é crime hediondo, nos termos do art. 1º, inc. V, da Lei 8.072/1990 • Objetividade jurídica: liberdade sexual, integridade corporal e liberdade individual (violência à pessoa ou grave ameaça) • Conjunção carnal: cópula vagínica • Atos libidinosos: atos revestidos de conotação sexual, com exceção da conjunção carnal, tais como sexo oral, anal, toques íntimos, introdução de dedos ou objetos na vagina, masturbação, etc. • O beijo lascivo constitui-se em ato libidinoso • A conjunção carnal pode ser praticado pelo homem contra a mulher, ou pela mulher contra o homem. É imprescindível a relação heterossexual ESTUPRO • Pratica de outro ato libidinoso: • A relação pode ser heterossexual ou homossexual • O papel da vítima é ativo, pois pratica ato libidinoso nela própria (ex: masturbação) ou em terceiro. • Permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: • O relacionamento pode ser heterossexual ou homossexual • O papel da vítima é passivo, pois permite que nela se pratique ato libidinoso (pode também exercer simultaneamente papel ativo e passivo) • PS: nas condutas praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso, é dispensável o contato físico de natureza erótica entre o estuprador e a vítima. ESTUPRO • Exige-se, contudo, o envolvimento corporal do ofendido no ato de cunho sexual (mediante grave ameaça obrigar a vítima à automasturbação, ou a permitir prática libidinosa em seu corpo/estupro virtual) • Dissenso da vítima: para a configuração do crime de estupro a discordância séria e verdadeira da vítima deve subsistir durante toda a atividade sexual • Esposas podem ser vítimas de estupro praticado pelos maridos e vice-versa • Prostitutas e transexuais também podem ser vítimas de estupro • O estupro, em qualquer de suas modalidades, é compatível com o concurso de pessoas (coautoria/participação) • Estupro coletivo (art.226, IV, a, CP): a pena aumenta de 1/3 a 2/3 • Estupro corretivo (art. 226, IV, b CP): praticado para controlar o comportamento social ou sexual da vítima. A pena aumenta de 1/3 a 2/3 ESTUPRO Prova da autoria e materialidade do fato: O art. 93, IX CF e o art. 155, caput CPP, filiaram-se ao sistema do livre convencimento motivado, ou da persuasão racional Figuras qualificadas: 1 – Estupro qualificado pela lesão corporal de natureza grave 2 – Estupro qualificado pela morte 3 – Estupro qualificado pela idade da vítima ESTUPRO • Relevância da idade da vítima e de suas condições pessoais: • Se a vítima for menor de 14 anos, ou pessoa que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiver o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não puder oferecer resistência, estará caracterizado o crime mais grave de estupro de vulnerável, definido no art. 217-A CP • Se a vítima, não se enquadrando no conceito de vulnerável para fins sexuais, for menor de 18 anos e maior de 14 anos, incidirá em relação ao estupro a qualificadora contida na parte final do § 1º do art. 213 CP ESTUPRO • Estupro contra índios • Se o estupro for cometido contra índio (ou índia) não integrado à civilização, incidirá a regra prevista no art. 59 da Lei 6.001/1973 – Estatuto do Índio. A pena será agravada de 1/3 • Elemento subjetivo: dolo. Não se admite a modalidade culposa • Tentativa: possível • Ação penal: pública incondicionada (art. 225 CP) • Cadastro Nacional das Pessoas Condenadas por Crime de Estupro: • A Lei 14.069/2020 : o cadastro deve conter, no mínimo, as seguintes informações: I – características físicas e dados de identificação datiloscópicas; II – identificação de perfil genético; III – fotos; IV – local de moradia e atividade laboral desenvolvida, nos últimos 3 anos, em caso de livramento condicional. VIOLAÇÃO SEXUAL MEDIANTE FRAUDE Art. 215 CP: Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima: Pena: Reclusão, de 2 (dois) a 6(seis) anos. Parágrafo único: Se o crime é cometido com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também a multa. Objetividade jurídica: A inviolabilidade sexual da pessoa, tendo em vista os atos fraudulentos com os quais se vicia o consentimento, para obter a conjunção carnal ou outro ato libidinoso Sujeito ativo: crime comum Sujeito passivo: Qualquer pessoa, desde que não se amolde ao conceito de vulnerável para fins sexuais VIOLAÇÃO SEXUAL MEDIANTE FRAUDE • Elemento subjetivo: dolo. Não se admite modalidade culposa • Consumação: consuma-se com a conjunção carnal, ou seja, com a introdução total ou parcial do pênis na vagina, não se exigindo o orgasmo ou sequer a ejaculação, ou então com a realização do ato libidinoso • Tentativa: possível. • Ação penal: pública incondicionada IMPORTUNAÇÃO SEXUAL Art. 215-A CP: Praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro. Pena: Reclusão, de 1(um) a 5(cinco) anos Se o ato não constitui crime mais grave Objetividade jurídica: é a dignidade sexual, relativa ao direito do ser humano de não ser incomodado por outra pessoa no campo da sua liberdade sexual Distinção com o crime de estupro: - O estupro é crime hediondo e dotado de maior gravidade - A importunação sexual refere-se somente ao ato libidinoso, excluindo a conjunção carnal - No estupro, a vítima é constrangida, mediante violência ou grave ameaça, a praticar ou permitir que com ela se pratique um ato libidinoso - Na importunação sexual não há emprego de violência ou grave ameaça. O ato libidinoso é praticado pelo agente IMPORTUNAÇÃO SEXUAL Distinção com o crime de ato obsceno: - Na importunação sexual, o ato libidinoso é praticado contra uma pessoa determinada (ou pessoas determinadas), e sem o seu consentimento. - O ato obsceno ofende o ultraje público ao pudor (sem direcionar a conduta a pessoa determinada) Sujeito ativo: crime comum (admite o concurso de pessoas) Sujeito passivo: qualquer pessoa, independentemente do sexo e da orientação sexual Elemento subjetivo: dolo, acompanhado de finalidade específica. Não se admite a modalidade culposa Consumação: crime formal Tentativa: cabível Subsidiariedade expressa Ação penal: pública incondicionada ASSÉDIO SEXUAL Art. 216-A CP: Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerente ao exercício de emprego, cargo ou função. Pena: Detenção, de 1(um) a 2(dois) anos. §2º: A pena é aumentada em até um terço se a vítima é menor de 18(dezoito) anos. Objetividade jurídica: é a liberdade sexual relacionado ao exercício do trabalho em condições dignas e desprovidas de constrangimentos e humilhações Sujeito ativo: crime próprio Sujeito passivo: pessoa em situação inferior relativamente a quem ocupa a posição de superior hierárquico ou de ascendência inerentes ao exercício de emprego,Elemento subjetivo: dolo/Não se admite modalidade culposa Consumação: consuma-se com o encerramento do depoimento em que será reduzido a termo e assinado pela testemunha, pelo magistrado e pelas partes (Art. 216 CPP) FAVORECIMENTO PESSOAL Art. 348 CP: Auxiliar a subtrair-se à ação da autoridade pública autor de crime a quem é cominada pena de reclusão: Pena: Detenção, de um a seis meses, e multa § 1º: Se ao crime não é cominada pena de reclusão: Pena: Detenção, de quinze dias a três meses, e multa § 2º: Se quem presta auxílio é ascendente, descendente, cônjuge ou irmão do criminoso, fica isento de pena Pune-se a conduta de quem idoneamente ajuda o autor do crime a fugir, esconder-se ou de qualquer modo evitar a ação da autoridade pública. O termo “autor” inclui autor, coautor e partícipe) FAVORECIMENTO PESSOAL Não comete o delito aquele que simplesmente instiga o autor do crime a fugir. Mas convencer (induzir ou instigar) alguém a esconder autor de crime em sua casa constitui participação O crime de favorecimento pessoal só pode ser cometido por ação. Não comunicar à autoridade o local onde se encontra o autor não constitui crime O crime de favorecimento pessoal é crime acessório Não alcança as contravenções nem o auxílio a menor de idade ou inimputável Se o autor do crime anterior vier a ser absolvido, estará excluído o favorecimento pessoal FAVORECIMENTO PESSOAL O favorecimento pessoal ocorre unicamente após a consumação do crime praticado pelo favorecido Nos crimes permanentes o auxílio prestado ao autor do delito, antes de cessada a permanência, caracteriza participação Não há crime se alguém impede o ingresso da autoridade pública em seu domicílio, durante a noite, mesmo que seja para prender um fugitivo em obediência a mandado judicial. O advogado não tem obrigação de indicar o local onde seu cliente se esconde, mas não tem o direito de ajudá-lo a fugir. Consumação: consuma-se com o efetivo auxílio, seguido da subtração do favorecido à ação da autoridade pública, ainda que por breve período. FAVORECIMENTO PESSOAL Escusa absolutória (art. 348, § 2ºCP): Se quem presta o auxílio é ascendente, descendente, cônjuge ou irmão do criminoso, fica isento de pena A escusa absolutória não se aplica pessoas que não possuam as qualidades descritas no §2º, mas aplica-se ao caso da união estável. FAVORECIMENTO REAL Art. 349 CP: Prestar a criminoso, fora dos casos de coautoria ou de receptação, auxílio destinado a tornar seguro o proveito do crime: Pena: Detenção, de um a seis meses, e multa. Trata-se de crime acessório: reclama a prática de um crime anterior, de qualquer natureza, patrimonial ou não. Não foi prevista escusa absolutória O favorecimento de inculpável não exclui o crime Não há favorecimento real quando o crime antecedente permaneceu na esfera da tentativa (não há proveito a assegurar) Proveito do crime: toda e qualquer vantagem ou utilidade, material ou moral, obtida direta ou indiretamente em decorrência do crime anterior FAVORECIMENTO REAL Proveito do crime: 1 – Preço do crime – valor recebido para cometer o crime 2 - Produto do crime – objeto material Crime de forma livre O favorecimento real só pode ser prestado após a consumação do crime praticado pelo favorecido (se prestado antes ou durante caracteriza participação) Favorecimento real x receptação: - O favorecimento real é crime contra a Administração da Justiça - O beneficiado pela conduta criminosa é o autor do crime antecedente - O proveito pode ser econômico ou de outra natureza EVASÃO MEDIANTE VIOLÊNCIA CONTRA PESSOA Art. 352 CP: Evadir-se ou tentar evadir-se o preso ou o indivíduo submetido a medida de segurança detentiva, usando de violência contra a pessoa: Pena: Detenção, de três meses a um ano, além da pena correspondente à violência. O legislador não incriminou o simples ato de fugir Evadir-se: fugir por conta própria, escapar de medida privativa de liberdade, consistente em prisão, provisória ou definitiva, ou medida de segurança detentiva A violência é unicamente a física, exercida contra funcionários públicos responsáveis pela custódia e vigilância do detento ou contra qualquer outra pessoa PATROCÍNIO INFIEL E PATROCÍNIO SIMULTÂNEO OU TERGIVERSAÇÃO Art. 355 CP: Trair, na qualidade de advogado ou procurador, o dever profissional, prejudicando interesse, cujo patrocínio, em juízo, lhe é confiado: Pena: Detenção, de seis meses a três anos, e multa. Parágrafo único: Incorre na mesma pena deste artigo o advogado ou procurador judicial que defende na mesma causa, simultânea ou sucessivamente, partes contrárias. Sujeito ativo: crimes próprios, pois somente podem ser praticados pelo advogado e o estagiário regularmente inscrito na OAB Consentimento do ofendido: 1 – Interesses disponíveis: excluem o crime 2 – Interesses indisponíveis (ações penais): não exclui o crime PATROCÍNIO INFIEL E PATROCÍNIO SIMULTÂNEO OU TERGIVERSAÇÃO Patrocínio infiel: Art. 355, caput CP Trair: enganar, ser desleal, viola-se a ética (art. 33 da Lei 8.906/1994 – Estatuto da Advocacia e da OAB) A traição do advogado ou procurador deve prejudicar interesse que lhe fora confiado em juízo. Não é suficiente o mero dano potencial: exige-se prejuízo relevante, que pode ser de qualquer natureza, material ou moral, desde que lícito. O interesse prejudicado deve ter sido levado a juízo e patrocinado pelo sujeito ativo (não engloba a fase de investigação) Para o reconhecimento do patrocínio em juízo, exige-se a celebração de instrumento de mandato (procuração) Consumação: crime material, depende do efetivo prejuízo do titular do interesse legítimo patrocinado em juízo. Patrocínio simultâneo ou tergiversação Defender: patrocinar interesses no âmbito judicial. Exige-se o conflito de pretensões das pessoas representadas pelo advogado ou procurador. Não pratica o delito o advogado que, depois de paga a prestação alimentícia pleiteada por sua cliente, comunica o fato ao juiz do processo e requer a expedição de alvará de soltura em favor do executado. Patrocínio simultâneo: o sujeito ativo defende ao mesmo tempo partes contrárias (ex: na mesma ação civil, subscreve a petição inicial e, posteriormente, formula a defesa do réu em sede de contestação) Patrocínio sucessivo: o advogado, após deixar voluntariamente a causa do cliente ou ser por este dispensado, passa a defender os interesses da parte adversa na mesma causa Consumação: crime formal, consuma-se com a prática do primeiro ato idôneo a evidenciar o patrocínio simultâneo ou sucessivo do advogado. DESOBEDIÊNCIA A DECISÃO JUDICIAL SOBRE PERDA OU SUSPENSÃO DE DIREITO Art. 359 CP: Exercer função, atividade, direito ou múnus, de que foi suspenso ou privado por decisão judicial. Pena: Detenção, de três meses a dois anos, ou multa. Função: prática de ato inerente a cargo ou emprego Atividade: qualquer tipo de diligência inerente a profissão, ofício ou ministério Direito: prerrogativa de realizar um determinado comportamento Múnus: encargo atribuído a alguém e decorrente de lei ou decisão judicial A decisão judicial, de caráter eminentemente penal, pode ser provisória ou definitiva (trânsito em julgado para a acusação e defesa) Destina-se a punir o descumprimento voluntário às decisões judiciais atinentes aos efeitos da condenação, de natureza penal ou extrapenal (art. 92 CP) Não se aplica a pena restritiva de direitos Slide 1: Crimes em espécie II Slide 2: DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE SEXUAL Slide 3: ESTUPRO Slide 4: ESTUPRO Slide 5: ESTUPRO Slide 6: ESTUPRO Slide 7: ESTUPRO Slide 8: ESTUPRO Slide 9: ESTUPRO Slide 10: VIOLAÇÃO SEXUAL MEDIANTE FRAUDE Slide 11: VIOLAÇÃO SEXUAL MEDIANTE FRAUDE Slide 12: IMPORTUNAÇÃO SEXUAL Slide 13: IMPORTUNAÇÃO SEXUAL Slide 14: ASSÉDIO SEXUAL Slide 15: ASSÉDIO SEXUAL Slide 16: REGISTRO NÃO AUTORIZADO DA INTIMIDADE SEXUAL Slide 17: DOS CRIMES SEXUAIS CONTRA VULNERÁVEL Slide 18: ESTUPRO DE VULNERÁVEL Slide 19: ESTUPRO DE VULNERÁVEL Slide20: FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU DE OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE OU VULNERÁVEL Slide 21: FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU DE OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE OU VULNERÁVEL Slide 22: DIVULGAÇÃO DE CENA DE ESTUPRO OU DE CENA DE ESTUPRO DE VULNERÁVEL, DE CENA DE SEXO OU DE PORNOGRAFIA Slide 23: DIVULGAÇÃO DE CENA DE ESTUPRO OU DE CENA DE ESTUPRO DE VULNERÁVEL, DE CENA DE SEXO OU DE PORNOGRAFIA Slide 24: DIVULGAÇÃO DE CENA DE ESTUPRO OU DE CENA DE ESTUPRO DE VULNERÁVEL, DE CENA DE SEXO OU DE PORNOGRAFIA Slide 25: FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL Slide 26: FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL Slide 27: CASA DE PROSTITUIÇÃO Slide 28: DOS CRIMES CONTRA A FAMÍLIA Slide 29: CRIMES CONTRA O CASAMENTO Slide 30: BIGAMIA Slide 31: INDUZIMENTO A ERRO ESSENCIAL E OCULTAÇÃO DE IMPEDIMENTO Slide 32: INDUZIMENTO A ERRO ESSENCIAL E OCULTAÇÃO DE IMPEDIMENTO Slide 33: DOS CRIMES CONTRA O ESTADO DE FILIAÇÃO Slide 34: PARTO SUPOSTO. SUPRESSÃO OU ALTERAÇÃO DE DIREITO INERENTE AO ESTADO CIVIL DE RECÉM-NASCIDO Slide 35: SONEGAÇÃO DE ESTADO DE FILIAÇÃO Slide 36: DOS CRIMES CONTRA A ASSISTÊNCIA FAMILIAR Slide 37: ABANDONO MATERIAL Slide 38: ABANDONO MATERIAL Slide 39: ENTREGA DE FILHO MENOR A PESSOA INIDÔNEA Slide 40: ENTREGA DE FILHO MENOR A PESSOA INIDÔNEA Slide 41: ABANDONO INTELECTUAL Slide 42: ABANDONO MORAL Slide 43: CRIMES CONTRA A SAÚDE PÚBLICA CRIMES CONTRA A SAÚDE PÚBLICA Art. 267 CP – EPIDEMIA: “Causar epidemia , mediante a propagação de germes patogênicos” Pena: Reclusão, de dez a quinze anos. § 1º: Se do fato resulta morte, a pena é aplicada em do Slide 44: CRIMES CONTRA A SAÚDE PÚBLICA Slide 45: CRIMES CONTRA A SAÚDE PÚBLICA Slide 46: INFRAÇÃO DE MEDIDA SANITÁRIA E PREVENTIVA Slide 47: INFRAÇÃO DE MEDIDA SANITÁRIA E PREVENTIVA Slide 48: OMISSÃO DE NOTIFICAÇÃO DE DOENÇA Slide 49: OMISSÃO DE NOTIFICAÇÃO DE DOENÇA Slide 50: EXERCÍCIO ILEGAL DA MEDICINA, ARTE DENTÁRIA OU FARMACÊUTICA Slide 51: EXERCÍCIO ILEGAL DA MEDICINA, ARTE DENTÁRIA OU FARMACÊUTICA Slide 52: DOS CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA Slide 53: DOS CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA Slide 54: APOLOGIA DE CRIME OU CRIMINOSO Slide 55: DOS CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA Slide 56: Associação criminosa Slide 57: Associação criminosa Slide 58: CONSTITUIÇÃO DE MILÍCIA PRIVADA Slide 59: CONSTITUIÇÃO DE MILÍCIA PRIVADA Slide 60: CONSTITUIÇÃO DE MILÍCIA PRIVADA Slide 61: CONSTITUIÇÃO DE MILÍCIA PRIVADA Slide 62: DOS CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA Slide 63: DOS CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA: Moeda falsa Slide 64: DOS CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA: Moeda falsa Slide 65: FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PÚBLICO Slide 66: FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PÚBLICO Slide 67: FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PÚBLICO Slide 68: FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PARTICULAR Slide 69: FALSIDADE IDEOLÓGICA Slide 70: FALSIDADE IDEOLÓGICA Slide 71: FALSIDADE IDEOLÓGICA Slide 72: FALSO RECONHECIMENTO DE FIRMA OU LETRA Slide 73: CERTIDÃO OU ATESTADO IDEOLOGICAMENTE FALSO Slide 74: CERTIDÃO OU ATESTADO IDEOLOGICAMENTE FALSO Slide 75: CERTIDÃO OU ATESTADO IDEOLOGICAMENTE FALSO Slide 76: FALSIDADE DE ATESTADO MÉDICO Slide 77: USO DE DOCUMENTO FALSO Slide 78: FALSA IDENTIDADE Slide 79: FALSA IDENTIDADE Slide 80: USO DE DOCUMENTO DE IDENTIDADE ALHEIA Slide 81: USO DE DOCUMENTO DE IDENTIDADE ALHEIA Slide 82: PECULATO Slide 83: PECULATO Slide 84: CONCUSSÃO E EXCESSO DE EXAÇÃO Slide 85: CONCUSSÃO E EXCESSO DE EXAÇÃO O funcionário público, valendo-se do respeito ou mesmo receio que sua função infunde (violência), impõe à vítima a concessão de vantagem a que não tem direito Slide 86: EXCESSO DE EXAÇÃO (ART. 316 §1º CP) Slide 87: EXCESSO DE EXAÇÃO (ART. 316 §1º CP) Slide 88: CORRUPÇÃO PASSIVA Slide 89: CORRUPÇÃO PASSIVA Slide 90: CORRUPÇÃO PASSIVA Slide 91: PREVARICAÇÃO Slide 92: CONDESCENDÊNCIA CRIMINOSA Slide 93: VIOLÊNCIA ARBITRÁRIA Slide 94: VIOLAÇÃO DE SIGILO FUNCIONAL Slide 95: VIOLAÇÃO DE SIGILO FUNCIONAL Slide 96: VIOLAÇÃO DE SIGILO FUNCIONAL Slide 97: DESOBEDIÊNCIA Slide 98: TRÁFICO DE INFLUÊNCIA Slide 99: TRÁFICO DE INFLUÊNCIA Slide 100: CONTRABANDO Slide 101: CONTRABANDO Slide 102: CONTRABANDO Slide 103: DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA Slide 104: DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA Slide 105: DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA Slide 106: COMUNICAÇÃO FALSA DE CRIME Slide 107: COMUNICAÇÃO FALSA DE CRIME Slide 108: AUTOACUSAÇÃO FALSA Slide 109: FALSO TESTEMUNHO OU FALSA PERÍCIA Slide 110: FALSO TESTEMUNHO OU FALSA PERÍCIA Slide 111: FALSO TESTEMUNHO OU FALSA PERÍCIA Slide 112: FAVORECIMENTO PESSOAL Slide 113: FAVORECIMENTO PESSOAL Slide 114: FAVORECIMENTO PESSOAL Slide 115: FAVORECIMENTO PESSOAL Slide 116: FAVORECIMENTO REAL Slide 117: FAVORECIMENTO REAL Slide 118: EVASÃO MEDIANTE VIOLÊNCIA CONTRA PESSOA Slide 119: PATROCÍNIO INFIEL E PATROCÍNIO SIMULTÂNEO OU TERGIVERSAÇÃO Slide 120: PATROCÍNIO INFIEL E PATROCÍNIO SIMULTÂNEO OU TERGIVERSAÇÃO Slide 121: Patrocínio simultâneo ou tergiversação Slide 122: DESOBEDIÊNCIA A DECISÃO JUDICIAL SOBRE PERDA OU SUSPENSÃO DE DIREITOcargo ou função ASSÉDIO SEXUAL Elemento subjetivo: dolo, acrescido de um especial fim de agir Não se admite a modalidade culposa Consumação: crime formal. Tentativa: possível Ação penal: pública incondicionada Vítima menor de 14 anos ou pessoa vulnerável: estupro de vulnerável REGISTRO NÃO AUTORIZADO DA INTIMIDADE SEXUAL Art. 216-B : Produzir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, conteúdo com cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de caráter íntimo e privado sem autorização dos participantes Pena: Detenção, de 6(seis) meses a 1(um) ano, e multa Parágrafo único: Na mesma pena incorre quem realiza montagem em fotografia, vídeo, áudio ou qualquer outro registro com o fim de incluir pessoa em cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de caráter íntimo. Sujeito ativo: crime comum Sujeito passivo: qualquer pessoa, famosa ou anônima, independentemente do sexo e da orientação sexual Elemento subjetivo: dolo, independentemente de qualquer finalidade específica Consumação: crime formal Tentativa: cabível Ação penal: pública incondicionada DOS CRIMES SEXUAIS CONTRA VULNERÁVEL VULNERÁVEIS PARA FINS SEXUAIS: - Menores de 14 anos - Aqueles que, por enfermidade ou deficiência mental, não têm o necessário discernimento para a prática do ato - Aqueles que, por qualquer outra causa, não podem oferecer resistência CRIMES - Estupro de vulnerável (art. 217-A CP) - Corrupção de menores (art. 218 CP) - Satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente (art. 218-ACP) - Favorecimento da prostituição ou outra forma exploração sexual de criança ou adolescente ou vulnerável (art. 218-B CP) - Divulgação de cena de estupro ou de vulnerável, de cena de sexo ou de pornografia( art. 218-C CP) ESTUPRO DE VULNERÁVEL Art. 217-A CP: Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos: Pena: Reclusão, de 8(oito) a 15 (quinze) anos. §1º: Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência. §3º: Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave Pena: Reclusão, de 10 (dez) a 20 (vinte) anos. §4º: Se da conduta resulta morte: Pena: Reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos. § 5º: As penas previstas no caput e nos §§ 1º; 3º e 4º deste artigo, aplicam- se independentemente do consentimento da vítima ou do fato de ela ter mantido relações sexuais anteriormente ao crime ESTUPRO DE VULNERÁVEL Em qualquer de suas espécies o estupro de vulnerável constitui crime hediondo (art. 1º, inc. VI, da Lei 8.072/1990) Sujeito ativo: crime comum Sujeito ativo: a pessoa vulnerável Elemento subjetivo: dolo. Não se admite a modalidade culposa Vulnerabilidade e erro de tipo Consumação: crime material Tentativa: possível Figuras qualificadas: constituem-se em crimes preterdolosos Infiltração de agentes de polícia na internet (art. 190-A da Lei 8.069/1990) Ação penal: pública incondicionada FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU DE OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE OU VULNERÁVEL Art. 218-B CP: Submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, facilitá-la, impedir ou dificultar que a abandone: Pena: Reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos. §1º: Se o crime é praticado com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também a multa §2º: Incorre nas mesmas penas: I – quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 (dezoito) e maior de 14(catorze) anos na situação descrita no caput deste artigo; II – o proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em quem se verifiquem as práticas referidas no caput deste artigo; §3º: Na hipótese do inciso II do §2º, constitui efeito obrigatório da condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento do estabelecimento. FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU DE OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE OU VULNERÁVEL O delito definido no art.218-B CP constitui crime hediondo Sujeito ativo: crime comum Sujeito passivo: pessoa menor de 18 anos ou que, por enfermidade ou deficiência mental não tem o necessário discernimento para o ato. Elemento subjetivo: dolo. Não se admite a modalidade culposa Consumação: no momento em que a pessoa menor de 18 anos ou portadora de doença ou enfermidade mental passa a se dedicar com habitualidade ao exercício da prostituição ou outra forma de exploração sexual, ainda que não venha a atender nenhuma pessoa interessada em seus serviços. Tentativa: possível Infiltração de agentes de polícia na internet (art. 190-A da Lei 8069/1990) DIVULGAÇÃO DE CENA DE ESTUPRO OU DE CENA DE ESTUPRO DE VULNERÁVEL, DE CENA DE SEXO OU DE PORNOGRAFIA Art. 218-C CP: Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir ou expor à venda, distribuir, publicar ou divulgar, por qualquer meio – inclusive por meio de comunicação de massa ou sistema de informática ou telemática - , fotografia, vídeo ou outro registro audiovisual que contenha cena de estupro ou de estupro de vulnerável ou que faça apologia ou induza a sua prática, ou, sem o consentimento da vítima, cena de sexo, nudez ou pornografia: Pena: Reclusão, de 1(um) a 5(cinco) anos Se o fato não constitui crime mais grave §1º: A pena é aumentada de 1/3 (um terço) a 2/3(dois terços) se o crime é praticado por agente que mantém ou tenha mantido relação íntima de afeto com a vítima ou com o fim de vingança ou humilhação. DIVULGAÇÃO DE CENA DE ESTUPRO OU DE CENA DE ESTUPRO DE VULNERÁVEL, DE CENA DE SEXO OU DE PORNOGRAFIA §2º: Não há crime quando o agente pratica as condutas descritas no caput deste artigo em publicação de natureza jornalística, científica, cultural ou acadêmica com a adoção de recurso que impossibilite a identificação da vítima, ressalvada sua prévia autorização, caso seja maior de 18 (dezoito) anos. Sujeito ativo: crime comum Sujeito passivo: qualquer pessoa, independentemente do sexo, da orientação sexual, da idade e de ter ou não qualquer ligação pessoal ou profissional pelo responsável pelo crime Elemento subjetivo: dolo, independentemente de qualquer finalidade específica. Consumação: consuma-se com a prática da conduta prevista em lei, independentemente da efetiva lesão à vítima. É imprescindível, contudo, a potencialidade lesiva. DIVULGAÇÃO DE CENA DE ESTUPRO OU DE CENA DE ESTUPRO DE VULNERÁVEL, DE CENA DE SEXO OU DE PORNOGRAFIA Tentativa: possível Ação penal: pública incondicionada Subsidiariedade expressa Causas de aumento de pena Exclusão de ilicitude FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL Art. 228 CP: Induzir ou atrair alguém à prostituição ou outra forma de exploração sexual, facilitá-la, impedir ou dificultar que alguém a abandone: Pena: Reclusão, de 2 (dois) a 5(cinco) anos. §1º: Se o agente é ascendente, padrasto, madrasta, irmão, enteado, cônjuge, companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima, ou se assumiu, por lei ou outra forma, obrigação de cuidado, proteção ou vigilância: Pena: Reclusão, de 3(três) a 8(oito) anos §2º: Se o crime é cometido com emprego de violência, grave ameaça ou fraude: Pena: Reclusão, de quatro a dez anos, além da pena correspondente à violência §3º: Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se também a multa. FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL Objetividade jurídica: moralidade pública, em sua feição sexual Sujeito ativo: crime comum Sujeito passivo: qualquer pessoa, independentemente de sexo ou raça, desde que com idade igual ou superior a 18 anos e dotada de discernimento para a prática do ato; bem como a coletividade Elemento subjetivo: dolo. Não se admite a modalidade culposa Consumação:- Na modalidade induzir, atrair e facilitar: no momento em que alguém passa a a se dedicar com habitualidade ao exercício da prostituição ou outra forma de exploração sexual - Na modalidade impedir e dificultar: no instante em que a vítima decide abandonar a prostituição, mas o sujeito não permite ou torna mais onerosa a concretização da sua vontade - Tentativa: possível - Ação penal: pública incondicionada CASA DE PROSTITUIÇÃO Art. 229 CP: Manter, por conta própria ou de terceiro, estabelecimento em que ocorra exploração sexual, haja, ou não, intuito de lucro ou mediação direta do proprietário ou gerente: Pena: Reclusão, de dois a cinco anos, e multa Objetividade jurídica: dignidade sexual e não a moralidade pública Sujeito ativo: qualquer pessoa Sujeito passivo: é a pessoa explorada sexualmente, independentemente do seu sexo ou da sua orientação sexual Elemento subjetivo: dolo. Não se admite modalidade culposa Consumação: crime habitual – consuma-se com a efetiva manutenção do estabelecimento em que ocorra a exploração sexual, demonstrada com a reiteração de atos indicativos dessa finalidade Tentativa: cabível (divergências doutrinárias) Ação penal: pública incondicionada DOS CRIMES CONTRA A FAMÍLIA CRIMES CONTRA O CASAMENTO CRIMES CONTRA O ESTADO DE FILIAÇÃO CRIMES CONTRA A ASSISTÊNCIA FAMILIAR CRIMES CONTRA O PODER FAMILIAR, TUTELA OU CURATELA CRIMES CONTRA O CASAMENTO BIGAMIA Art. 235 CP: Contrair alguém, sendo casado, novo casamento Pena: Reclusão, de dois a seis anos §1º: Aquele que, não sendo casado, contrai casamento com pessoa casada, conhecendo essa circunstância, é punido com reclusão ou detenção, de um a três anos §2º: Anulado por qualquer motivo o primeiro casamento, ou o outro por motivo que não a bigamia, considera-se inexistente o crime Objetividade jurídica: a família, especialmente no que diz respeito ao caráter monogâmico do matrimônio. Sujeito ativo: crime próprio, só pode ser cometido pelo homem ou mulher que, sendo casado, contrai novo matrimônio Sujeito passivo: é o Estado, em face do seu interesse na preservação das instituições familiares e, mediatamente, o cônjuge inocente BIGAMIA Elemento subjetivo: dolo. Não se admite a modalidade culposa Consumação: crime material – consuma-se com a efetiva celebração do segundo matrimônio. Tentativa: possível Ação penal: pública incondicionada Bigamia, falsidade e conflito aparente de leis penais Bigamia e termo inicial da prescrição da pretensão punitiva Casamento entre pessoas do mesmo sexo e bigamia INDUZIMENTO A ERRO ESSENCIAL E OCULTAÇÃO DE IMPEDIMENTO Art. 236 CP: Contrair casamento, induzindo a erro essencial o outro contraente, ou ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior: Pena: Detenção, de seis meses a dois anos Parágrafo único: A ação penal depende de queixa do contraente enganado, e não pode ser intentada senão depois de transitar em julgado a sentença que, por motivo de erro ou impedimento, anule o casamento. Trata-se de lei penal em branco homogênea, pois as hipóteses de erro essencial e dos impedimentos matrimoniais são descritas respectivamente pelos artigos 1557 e 1521 CC. Objetividade jurídica: a família, no tocante ao casamento e às suas consequências INDUZIMENTO A ERRO ESSENCIAL E OCULTAÇÃO DE IMPEDIMENTO Distinção entre induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento e conhecimento prévio de impedimento Sujeito ativo: crime comum Sujeito passivo: o Estado e, mediatamente, o contraente de boa fé induzido pelo erro essencial quanto à outra pessoa ou de quem foi ocultado impedimento que não seja o casamento anterior Elemento subjetivo: dolo. Não se admite a modalidade culposa Consumação: crime material (divergências doutrinárias) Ação penal: privada personalíssima DOS CRIMES CONTRA O ESTADO DE FILIAÇÃO REGISTRO DE NASCIMENTO INEXISTENTE Art. 241 CP: Promover no registro civil a inscrição de nascimento inexistente: Pena: Reclusão, de dois a seis anos Objetividade jurídica: é o estado de filiação, como medida protetora da instituição familiar Sujeito ativo: qualquer pessoa (possível o concirso de pessoas) Sujeito passivo: é o Estado e, mediatamente, as pessoas lesadas pelo falso registro de nascimento Elemento subjetivo: dolo. Não se admite a modalidade culposa Consumação: consuma-se com a efetiva inscrição no registro civil do nascimento inexistente Tentativa: possível Ação penal: pública incondicionada PARTO SUPOSTO. SUPRESSÃO OU ALTERAÇÃO DE DIREITO INERENTE AO ESTADO CIVIL DE RECÉM-NASCIDO ART. 242 CP: Dar parto alheio como próprio; registrar como seu filho de outrem; ocultar recém- nascido ou substituí-lo, suprimindo ou alterando direito inerente ao estado civil: Pena: Reclusão, de dois a seis anos Parágrafo único: Se o crime é praticado por motivo de reconhecida nobreza: Pena: Detenção, de um a dois anos, podendo o juiz deixar de aplicar a pena. Objetividade jurídica: o estado de filiação, a instituição familiar e a regularidade do registro civil. Sujeito ativo: - na conduta “dar parto alheio como próprio” o crime é próprio, pois somente pode ser cometido por mulher - nas demais condutas o crime é comum - Sujeito passivo: é o Estado e, mediatamente, a pessoa prejudicada pela conduta criminosa - Elemento subjetivo: dolo. Não se admite a modalidade culposa - Consumação: crime material - Tentativa: possível - Ação penal: pública incondicionada SONEGAÇÃO DE ESTADO DE FILIAÇÃO Art. 243 CP: Deixar em asilo de expostos ou outra instituição de assistência filho próprio ou alheio, ocultando-lhe a filiação ou atribuindo-lhe outra, com o fim de prejudicar direito inerente ao estado civil: Pena: Reclusão, de um a cinco anos, e multa Objetividade jurídica: é o estado de filiação Sujeito ativo: crime comum Sujeito passivo: é o Estado e, mediatamente, a criança ou adolescente abandonado e prejudicado em seus direitos inerentes ao estado de filiação Elemento subjetivo: dolo. Consumação: crime formal Tentativa: possível Ação penal: pública incondicionada DOS CRIMES CONTRA A ASSISTÊNCIA FAMILIAR - ABANDONO MATERIAL - ENTREGA DE FILHO MENOR A PESSOA INIDÔNEA - ABANDONO INTELECTUAL - ABANDONO MORAL ABANDONO MATERIAL Art. 244 CP: Deixar, sem justa causa, de prover a subsistência do cônjuge, ou de filho menor de 18 (dezoito) anos ou inapto para o trabalho, ou de ascendente inválido ou maior de 60 (sessenta) anos, não lhes proporcionando os recursos necessários ou faltando ao pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada, fixada ou majorada; deixar, sem justa causa, de socorrer descendente ou ascendente, gravemente enfermo; Pena: Detenção, de 1(um) a 4(quatro) anos e multa, de uma a dez vezes o maior salário mínimo vigente no País. Parágrafo único: Nas mesmas penas incorre quem, sendo solvente, frustra ou ilide, de qualquer modo, inclusive por abandono injustificado de emprego ou função, o pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada, fixada ou majorada. ABANDONO MATERIAL Elemento normativo: sem justa causa Sujeito ativo: crime próprio, somente pode ser cometido pelas pessoas expressamente indicadas no art. 244 CP Sujeito passivo: pessoas elencadas no caput. Elemento subjetivo: dolo, independentemente de qualquer finalidade específica/ Não se admite modalidade culposa Consumação: crime formal Tentativa: não admissível Ação penal: pública incondicionada. ENTREGA DE FILHO MENOR A PESSOA INIDÔNEA Art. 245 CP: Entregar filho menor de 18 (dezoito) anos a pessoa cuja companhia saiba ou deva saber que o menor fica moral ou materialmente em perigo. Pena: Detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos. § 1º: A pena é de 1(um) a 4(quatro) anos de reclusão, se o agente pratica o delito para obter lucro, ou se o menor é enviado para o exterior § 2º: Incorre, também, na pena do parágrafo anterior quem, embora excluído o perigo moral ou material, auxilia a efetivação de ato destinado ao envio de menor para o exterior, com o fito de obter lucro. Pessoa inidônea:traficante de drogas, ébrio contumaz, pessoa extremamente violenta e agressiva, etc Sujeito ativo: crime próprio Sujeito passivo: o filho menor de 18 anos de idade ENTREGA DE FILHO MENOR A PESSOA INIDÔNEA Elemento subjetivo: dolo/ Não se admite modalidade culposa Consumação: crime material, consuma-se com a efetiva entrega do filho menor de 18 anos de idade a pessoa cuja companhia lhe acarrete perigo Tentativa: possível Ação penal: pública incondicionada PS: as modalidades qualificadas do crime de entrega de filho menor a pessoa inidônea foram tacitamente revogadas pelos arts. 238 e 239 da Lei 8.069/1990 (ECA) ABANDONO INTELECTUAL Art. 246 CP: Deixar, sem justa causa, de prover à instrução primária de filho em idade escolar: Pena: Detenção, de quinze dias a um mês, ou multa Núcleo do tipo – “deixar de prover”: omitir-se, não efetuar a matrícula do filho em idade escolar no estabelecimento de ensino de instrução primária, ou então impedir que ele frequente o estabelecimento de ensino fundamental Art. 208 CF. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: I – educação básica obrigatória e gratuita dos 4(quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiverem acesso na idade própria. Elemento normativo: sem justa causa Sujeito ativo: crime próprio Elemento subjetivo: dolo/Não se admite modalidade culposa Consumação: crime formal Tentativa: não cabível Ação penal: pública incondicionada ABANDONO MORAL Art. 247 CP: Permitir alguém que menor de dezoito anos, sujeito a seu poder ou confiado à sua guarda ou vigilância: I – frequente casa de jogo ou mal-afamada, ou conviva com pessoa viciosa ou de má vida; II – frequente espetáculo capaz de pervertê-lo ou de ofender- lhe o pudor, ou participe de representação de igual natureza; III – resida ou trabalhe em casa de prostituição; IV – mendigue ou sirva a mendigo para excitar a comiseração pública Pena: Detenção, de um a três meses, ou multa. CRIMES CONTRA A SAÚDE PÚBLICA Art. 267 CP – EPIDEMIA: “Causar epidemia , mediante a propagação de germes patogênicos” Pena: Reclusão, de dez a quinze anos. § 1º: Se do fato resulta morte, a pena é aplicada em dobro. § 2º: No caso de culpa, a pena é de detenção, de um a dois ano, ou, se resulta morte, de dois a quatro anos CRIMES CONTRA A SAÚDE PÚBLICA • EPIDEMIA • Objeto material: germe patogênico – micro-organismo capaz de produzir moléstia infectocontagiosa, nociva à saúde pública (bactérias, bacilos, vírus, protozoários, fungos, etc.) • Sujeito ativo: crime comum • Sujeito passivo: coletividade • Elemento subjetivo: dolo/ admitida culpa no § 2º do art. 267 CP • Transmissão de doenças a pessoa determinada e dolo de dano: • Perigo de contágio de moléstia grave (art. 131 CP)/homicídio qualificado pelo perigo comum (Art. 121, § 2º, III CP) ou lesão corporal (art. 129 CP) CRIMES CONTRA A SAÚDE PÚBLICA • Consumação: crime material – superveniência da epidemia • Causa de aumento de pena (art. 267, § 1º CP): • crime preterdoloso: epidemia (dolo) e morte (culpa) • Se o sujeito deu causa à morte dolosamente: epidemia+homicídio(ou genocídio) em concurso formal impróprio A epidemia agravada pelo resultado morte é crime hediondo (art. 1º, VI da Lei 8072/1990) Epidemia culposa (art. 267, § 2º) INFRAÇÃO DE MEDIDA SANITÁRIA E PREVENTIVA • Art. 268 CP: Infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa: • Pena: Detenção, de um mês a um ano, e multa • Parágrafo único: A pena é aumentada de um terço, se o agente é funcionário da saúde pública ou exerce a profissão de médico, farmacêutico, dentista ou enfermeiro. Norma penal em branco: depende de complementação por lei ou ato administrativo Sujeito ativo: crime comum Sujeito passivo: coletividade INFRAÇÃO DE MEDIDA SANITÁRIA E PREVENTIVA • Elemento subjetivo: dolo/ Não se admite modalidade culposa • Consumação: crime formal – não exige a efetiva introdução ou propagação da doença contagiosa • Tentativa: possível • Ação penal: pública incondicionada • Causa de aumento de pena: art. 268 parágrafo único CP • Formas qualificadas pelo resultado: art. 285 CP: crimes preterdolosos OMISSÃO DE NOTIFICAÇÃO DE DOENÇA • Art. 269 CP : Deixar o médico de denunciar à autoridade doença cuja notificação é compulsória: • Pena: Detenção, de seis meses a dois anos, e multa. • Objeto material: a notificação de cunho obrigatório • Trata-se de lei penal em branco: seu preceito primário requer complementação emanada de outras leis • Sujeito ativo: crime próprio, somente pode ser cometido por médico • Sujeito passivo: a coletividade • Elemento subjetivo: dolo/Não se admite modalidade culposa OMISSÃO DE NOTIFICAÇÃO DE DOENÇA • Consumação: crime de mera conduta – consuma-se com a omissão do médico em denunciar à autoridade pública doença de notificação compulsória • Tentativa: Não é cabível, pois a conduta se exterioriza em um único ato • Ação penal: pública incondicionada • Formas qualificadas pelo resultado: art. 285 CP • – crimes preterdolosos EXERCÍCIO ILEGAL DA MEDICINA, ARTE DENTÁRIA OU FARMACÊUTICA • Art. 282 CP: Exercer, ainda que a título gratuito, a profissão de médico, dentista ou farmacêutico, sem autorização legal ou excedendo-lhe os limites: • Pena: Detenção, de seis meses a dois anos • Parágrafo único: Se o crime é praticado com o fim de lucro, aplica-se também a multa. • Sujeito ativo: qualquer pessoa • Sujeito passivo: a coletividade • Médico , dentista ou farmacêutico e suspensão das suas atividades: • Suspensão judicial/suspensão administrativa EXERCÍCIO ILEGAL DA MEDICINA, ARTE DENTÁRIA OU FARMACÊUTICA • Elemento subjetivo: dolo/Não se admite modalidade culposa • Consumação: é crime habitual, somente se consuma com a prática reiterada e uniforme da conduta legalmente descrita, de modo a revelar o estilo de vida ilícito adotado pelo agente. • É crime formal, de perigo comum e abstrato • Tentativa: segundo posição majoritária não admite tentiva • Ação penal: pública incondicionada • Atos praticados em situações emergenciais ou na falta de profissionais habilitados (estado de necessidade) e pequenos auxílios no âmbito familiar(ausência de dolo) DOS CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA Art. 286 CP: Incitar publicamente a prática de crime • Pena: Detenção de três a seis meses, ou multa • Sujeito ativo: qualquer pessoa • Sujeito passivo: coletividade Elemento subjetivo: dolo. Não se admite a modalidade culposa • Consumação: crime formal, de perigo comum e de perigo abstrato • Tentativa: possível/Não cabível se cometida oralmente • Ação penal: pública incondicionada INCITAÇÃO AO CRIME DOS CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA • Art. 287 CP: Fazer publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime • Pena: Detenção de três a seis meses, ou multa • Sujeito ativo: qualquer pessoa • Sujeito passivo: coletividade Elemento subjetivo: dolo. Não se admite a modalidade culposa • Consumação: crime formal e de perigo abstrato • Tentativa: possível/Incabível na hipótese de apologia oral • Ação penal: pública incondicionada APOLOGIA DE CRIME OU CRIMINOSO APOLOGIA DE CRIME OU CRIMINOSO • Não abrange contravenções penais ou atos meramente imorais. • O agente estimula indiretamente o cometimento de crimes, ao passo que na incitação o estímulo é direto. • Distinção entre apologia de crime ou criminoso e incitação ao crime. • Concurso de crimes DOS CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA Art. 288 CP: Associarem-se 3(três) ou mais pessoas, para o fim específico de cometer crime • Pena: Reclusão, de 1 (um) a 3(três) anos. • Parágrafo único: A pena aumenta-se até a metade se a associação é armada ou se houver a participação de criança ou adolescente. • Elemento subjetivo: dolo. Não se admite a modalidade culposa • Consumação: crime formal, crime de perigo abstrato, crime permanente • Tentativa: não admite• Ação penal: pública incondicionada Associação criminosa Associação criminosa A associação criminosa deve ser estável e permanente, o que a diferencia do concurso de pessoas. • É imprescindível o vínculo associativo, revestido de estabilidade e permanência entre seus integrantes • Excluem-se as contravenções penais • Sua caracterização independe de organização definida, hierarquia entre os membros e repartição de funções • Exige três pessoas e, dentre estes, pelo menos um imputável • É possível a denúncia ainda que apenas um de seus membros seja identificado desde que seja provada a associação com os demais membros • A extinção da punibilidade de um dos agentes não descaracteriza o crime • Não abrange contravenções penais e todos os crimes devem ser dolosos • A denúncia independe da descrição detalhada da conduta da conduta de cada membro (posições divergentes) Associação criminosa • O abandono de um integrante da associação criminosa não exclui o delito, pois o delito já havia se consumado no momento da associação • O membro da associação criminosa que cometer crime responde por este em concurso material com o delito contra a paz pública • Causas de aumento de pena (art. 288, parágrafo único CP): • Associação armada/Participação de criança ou adolescente • Diferenças entre associação criminosa e organização criminosa • Formação de cartel e acordo de leniência – Lei 12.529/2011 CONSTITUIÇÃO DE MILÍCIA PRIVADA • Art. 288-A CP: Constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização paramilitar, milícia particular, grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes previstos neste Código: • Pena: Reclusão, de 4(quatro) a 8(oito) anos, • A união estável e permanente entre os agentes é fundamental para a constituição de milícia privada, e também para diferenciá-la do concurso de pessoas • No delito de constituição de milícia privada, é irrelevante se os crimes para os quais foi constituída são praticados ou não • No concurso de pessoas afasta-se a punição se o crime não chega pelo menos a ser tentado (art. 31 CP) CONSTITUIÇÃO DE MILÍCIA PRIVADA • É suficiente a presença de uma organização social rudimentar apta a evidenciar a união estável e permanente direcionada à prática de crimes indeterminados. • A constituição de milícia privada limita-se aos crimes previstos no Código Penal, excluindo as leis extravagantes: contravenções, associação para o tráfico, etc. • Sujeito ativo: qualquer pessoa, crime de concurso necessário: é suficiente que apenas um dos agentes seja maior de 18 anos • A denúncia é possível se apenas um ou dois componentes forem identificados, desde que reste provado a reunião de, no mínimo, três membros CONSTITUIÇÃO DE MILÍCIA PRIVADA • A extinção da punibilidade no tocante a um ou mais membros da milícia privada não exclui o crime definido no art. 288-A CP. • Sujeito passivo: coletividade • Consumação: crime formal, consuma-se com a concretização da convergência de vontades, mediante associação de três ou mais pessoas para a prática de delitos previstos no CP • Os integrantes que praticarem os crimes para cuja execução foi constituída a milícia privada, submetem-se à regra do concurso formal (art.69 CP) CONSTITUIÇÃO DE MILÍCIA PRIVADA • A constituição de milícia privada é crime permanente • Se um membro se retirar da milícia privada tal fato não exclui o crime • Tentativa: incompatível • Ação penal: pública incondicionada • Constituição de milícia privada e concurso de crimes • Audiência de custódia: vedada a liberdade provisória • Confisco alargado: todos os instrumentos utilizados na pratica do crime são declarados perdidos • Regime Disciplinar Diferenciado: líder da milícia/estabelecimento federal de segurança máxima • Progressão de regime após cumprimento de 50% da pena no regime anterior DOS CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA • A violação da fé pública caracteriza o crime de falso (é o contrário da certeza ou da verdade jurídica, exigida pela ordem social) • Requisitos do crime de falso: • 1 – Dolo: consciência e vontade da imitação da verdade inerente a determinados objetos, sinais ou formas, de modo a criar a possibilidade de vilipendiar relações jurídicas, com o consequente rompimento da confiança pública nesses objetos, sinais ou formas. • 2 – Imitação da verdade: • 2.1 – Alteração da verdade: altera-se o conteúdo do documento do documento ou moeda verdadeiros • 2.2 – Imitação da verdade propriamente dita: formar ou fabricar documento ou moeda falsos • 2.3 – Dano potencial: o prejuízo atinente ao crime de falso não precisaa ser efetivado. Basta a potencialidade de sua ocorrência DOS CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA: Moeda falsa • Art. 289 CP: Falsificar, fabricando-a ou alterando-a, moeda metálica ou papel- moeda de curso legal no país ou no estrangeiro: • Pena: Reclusão: de três a doze anos, e multa • § 1º : Nas mesmas penas incorre quem, por conta própria ou alheia, importa, exporta, adquire, vende, troca, cede ou empresta, guarda ou introduz na circulação moeda falsa. • § 2º: Quem, tendo recebido de boa fé, como verdadeira, moeda falsa ou alterada, a restitui à circulação, depois de conhecer a falsidade, é punido com detenção, de seis meses a dois anos, e multa. • § 3º: É punido com reclusão, de três a quinze anos, e multa, o funcionário público ou diretor, gerente, ou fiscal de banco de emissão que fabrica, emite, ou autoriza fabricação ou emissão: • I – de moeda com título ou peso inferior ao determinado em lei; • II - de papel-moeda em quantidade superior à autorizada. • § 4º: Nas mesmas penas incorre quem desvia e faz circular moeda, cuja circulação não estava ainda autorizada. DOS CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA: Moeda falsa •Objeto material: moeda metálica ou papel-moeda de curso legal no país ou no estrangeiro. • Falsificação: mediante fraude ou alteração • Falsificação grosseira: crime impossível • Elemento subjetivo: dolo, não admite modalidade culposa • Tentativa: possível •Ação penal: pública incondicionada •Competência: Justiça Federal FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PÚBLICO Art. 297 CP: Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena: Reclusão, de dois a seis anos, e multa § 1º: Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte. § 2º: Para os efeitos penais, equiparam-se a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. § 3º: Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: I – na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório; FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PÚBLICO II – na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; III – em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. § 4º: Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no § 3º, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PÚBLICO • Documento: é o escrito elaborado por pessoa determinada e representativo de uma declaração de vontade ou da existência de fato, direito ou obrigação, dotado de relevância jurídica e com eficácia probatória. • Documento público: é aquele criado pelo funcionário público, nacional ou estrangeiro, no desempenho de suas atividades, em conformidade com as formalidades prescritas em lei. • Sujeito ativo: qualquer pessoa • Sujeito passivo: o Estado e a pessoa física ou jurídicaprejudicada pela conduta criminosa • Elemento subjetivo: dolo/Não se admite modalidade culposa • Consumação: crime formal, consuma-se com a falsificação ou alteração de documento público. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PARTICULAR • Art. 298 CP: Falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou alterar documento particular verdadeiro: • Pena: Reclusão, de um a cinco anos, e multa. • Parágrafo único: Para fins do dispositivo no caput, equipara-se a documento particular o cartão de crédito ou débito. • Sujeito ativo: qualquer pessoa • Sujeito passivo: o Estado e a pessoa física ou jurídica prejudicada pela conduta criminosa • Elemento subjetivo: dolo/Não se admite a modalidade culposa • Consumação: crime formal • Tentativa: cabível • Ação: pública incondicionada FALSIDADE IDEOLÓGICA • Art. 299 CP: Omitir , em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: • Pena: Reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. • Parágrafo único: Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumenta-se a pena de sexta parte. FALSIDADE IDEOLÓGICA • - O documento é formalmente verdadeiro, mas seu conteúdo, a idéia nele lançada, é divergente da realidade • Omitir – ex: ao celebrar contrato de compra e venda de imóvel de sua propriedade o vendedor deixa de mencionar a existência de hipoteca incidente sobre o bem • Inserir – ex: declarar falsamente no currículo, título de doutor para ser aprovado em processo seletivo Sujeito ativo: qualquer pessoa e o funcionário público nas condições definidas no § único do art. 299 Sujeito passivo: o Estado e a pessoa física ou jurídica prejudicada pela conduta criminosa Elemento subjetivo: dolo, com um fim especial de agir/Não se admite modalidade culposa. FALSIDADE IDEOLÓGICA •Consumação: crime formal/Não se exige efetivo uso do documento falso, nem a obtenção de qualquer vantagem ou a causação de prejuízo a alguém •Tentativa: não admissível na modalidade omissiva/possível na modalidade comissiva •Ação penal: pública incondicionada •Competência: em regra a Justiça Estadual FALSO RECONHECIMENTO DE FIRMA OU LETRA • Art. 300 CP: Reconhecer, como verdadeira, no exercício de função pública, firma ou letra que o não seja: • Pena: Reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público; e de um a três anos, e multa, se o documento é particular. • Firma: assinatura de alguém, por extenso ou abreviada • Letra: sinal gráfico representativo de vocábulos da linguagem escrita • Reconhecer: declarar, afirmar, autenticar • Sujeito ativo: crime próprio, somente pode ser cometido pelo funcionário público dotado de fé pública, no exercício da função pública • Sujeito passivo: o Estado e a pessoa física ou jurídica prejudicada pela conduta criminosa • Elemento subjetivo: dolo/Não se admite modalidade culposa • Consumação: crime formal CERTIDÃO OU ATESTADO IDEOLOGICAMENTE FALSO • Art. 301 CP: Atestar ou certificar falsamente, e em razão de função pública, fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem: • Pena: Detenção, de dois meses a um ano. • § 1º: Falsificar, no todo ou em parte, atestado ou certidão, ou alterar o teor de certidão ou de atestado verdadeiro, para prova de fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem: • Pena: Detenção, de três meses a dois anos • § 2º: Se o crime é praticado com o fim de lucro, aplica-se, além da pena privativa de liberdade, a de multa. CERTIDÃO OU ATESTADO IDEOLOGICAMENTE FALSO • Atestado: documento que traz em si o testemunho ou depoimento por escrito do funcionário público, sobre um fato ou circunstância • Certidão: documento no qual o funcionário, no exercício de suas atribuições oficiais, afirma a verdade de um fato ou circunstância contida em documento público (guardado em repartição pública ou nela em tramitação) ou transcreve o conteúdo do texto total ou parcialmente • Atestar: afirmar a ocorrência de fato ou situação de que o funcionário público tenha ciência direta e pessoal • Certificar: afirmar a existência ou inexistência de determinado documento ou registro junto ao órgão público. • Sujeito ativo: crime próprio, somente pode ser cometido pelo funcionário público autorizado a emitir atestados ou certidões. CERTIDÃO OU ATESTADO IDEOLOGICAMENTE FALSO • Sujeito passivo: o Estado e a pessoa física ou jurídica prejudicada pela conduta criminosa • Elemento subjetivo: dolo, independente de qualquer finalidade específica/Não se admite a modalidade culposa •Consumação: crime formal, consuma-se no momento em que o sujeito conclui a certidão ou atestado ideologicamente falso, e o entrega a outrem (condição imprescindível) • Tentativa: cabível •Ação penal: pública incondicionada FALSIDADE DE ATESTADO MÉDICO • Art. 302 CP: Dar o médico, no exercício da sua profissão, atestado falso: • Pena: Detenção, de 1(um) mês a 1(um) ano. • Parágrafo único: Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se também a multa. • Dar: fornecer documento em que se atesta fato médico relevante e não correspondente com a realidade. • Atestado médico destinado à prática de outro crime: se o médico conhece esta circunstância, responderá com partícipe somente pelo crime mais grave (consunção) • Corrupção passiva: médico funcionário público que solicita ou recebe vantagem indevida para fornecer atestado • Sujeito ativo: crime próprio, só pode ser cometido pelo médico • Elemento subjetivo: dolo/Não há previsão de modalidade culposa • Consumação: crime formal, consuma-se com a entrega do atestado falso • Tentativa: cabível • Ação penal: pública incondicionada USO DE DOCUMENTO FALSO • Art. 304 CP: Fazer uso de qualquer dos papeis falsificados ou alterados, a que se referem os arts. 297 a 302: • Pena: A cominada à falsificação ou à alteração. • Crime acessório: reclama a prática de crime anterior • Norma penal em branco: a pena é cominada pela complementação de outras normas penais Sujeito ativo: qualquer pessoa Elemento subjetivo: dolo direto ou eventual. Deve abranger o conhecimento da falsidade do papel pelo agente. Consumação: crime formal, consuma-se com a efetiva utilização Ação penal: pública incondicionada FALSA IDENTIDADE • Art. 307 CP: Atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identidade para obter vantagem, em proveito próprio ou alheio, ou para causar dano a outrem: • Pena: Detenção, de três meses a um ano, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave. • Atribuir-se: imputar a si próprio falsa identidade • Identidade: conjunto de características próprias de determinada pessoa, capazes de identificá-la e individualizá- la em sociedade. • Sujeito ativo: qualquer pessoa • Sujeito passivo: o Estado e a pessoa física ou jurídica prejudicada pela conduta criminosa. • Elemento subjetivo: dolo, acrescido de um especial fim de agir/Não se admite a modalidade culposa FALSA IDENTIDADE •Consumação: crime formal • Tentativa: possível quando se apresentar como crime plurissubsistente/Não cabível na forma oral •Ação: pública incondicionada • Subsidiariedade expressa (estelionato/uso de documento falso) •Recusa de dados sobre a própria identidade ou qualificação (contravenção: art. 68 do Decreto-lei 3.688/1941) •Abuso de autoridade: art. 16 da Lei 13.869/2019) USO DE DOCUMENTO DE IDENTIDADE ALHEIA • Art. 308 CP: Usar, como próprio, passaporte, título de eleitor, caderneta de reservista ou qualquer documento de identidade alheiaou ceder a outrem, para que dele se utilize, documento dessa natureza, próprio ou de terceiro: • Pena: Detenção, de quatro meses a dois anos, e multa, se o fato não constitui elemento de crime mais grave. • Usar: utilizar documento de terceira pessoa como se fosse próprio • Ceder: fornecer ou emprestar a outrem, a título oneroso ou gratuito, documento de identidade, próprio ou de terceiro, para que dele faça uso • Sujeito ativo: qualquer pessoa • Sujeito passivo: o Estado e a pessoa física ou jurídica prejudicada pela conduta criminosa. USO DE DOCUMENTO DE IDENTIDADE ALHEIA • Elemento subjetivo: dolo/Não se admite a modalidade culposa • Consumação: • - na modalidade usar a consumação se verifica quando o agente faz efetivo uso do documento alheio como se fosse próprio - na modalidade ceder a consumação se verifica no momento da tradição do documento (não se exige efetiva utilização do documento pelo destinatário) - Tentativa: possível - Ação penal: pública incondicionada PECULATO • Art. 312CP: Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão de cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio: • Pena: Reclusão, de dois a doze anos, e multa. • §1º: Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário. • § 2º: Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem: • Pena: Detenção, de três meses a um ano. • § 3º: No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se precede à sentença irrecorrível, extingue a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena imposta. PECULATO • Crime funcional: o funcionário público arbitrariamente faz seu ou desvia em proveito próprio ou de terceiro o bem móvel, pertencente ao Estado ou simplesmente sob sua guarda ou vigilância, de que tem a posse em razão do cargo. Se ocorrer colaboração por imprudência ou negligência, haverá peculato culposo para o funcionário público (art. 312 §2ºCP) e furto (art. 155 CP) para o particular, não se podendo falar de, neste caso, em concurso de pessoas, pois ausente o vínculo subjetivo entre os envolvidos. • Elemento normativo: “valendo-se de facilidade uqe lhe proporciona a qualidade de funcionário”. • Consumação: crime material CONCUSSÃO E EXCESSO DE EXAÇÃO • Art. 316 CP: Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida: • Pena: Reclusão, de 2(dois) a 12(doze) anos, e multa • § 1º (Excesso de exação): Se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou devia saber indevido, ou, quando devido, emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza: • Pena: Reclusão, de 3(três) a 8(oito) anos, e multa. • § 2º: Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou de outrem, o que recebeu indevidamente para recolher aos cofres públicos: • Pena: Reclusão, de dois a doze anos, e multa. CONCUSSÃO E EXCESSO DE EXAÇÃO O funcionário público, valendo-se do respeito ou mesmo receio que sua função infunde (violência), impõe à vítima a concessão de vantagem a que não tem direito • Elemento normativo: “indevida” • Diferença entre: • Concussão: o funcionário público exige vantagem indevida, intimidando a vítima (há ameaça ou imposição) • Corrupção passiva: o funcionário solicita ou recebe vantagem indevida, ou então aceita a promessa da sua entrega (pedido, recebimento ou anuência) • Consumação: crime formal, consuma-se no momento da exigência da vantagem indevida EXCESSO DE EXAÇÃO (ART. 316 §1º CP) • Trata-se de um tipo fundamental previsto em um parágrafo, e não no caput, o que ocorre nos demais delitos contidos no CP. • A conduta descrita no § 1º do art. 316 CP é autônoma e independente da narrada no caput • No excesso de exação o funcionário público exige ilegalmente tributo ou contribuição social em benefício da Administração Pública • Na concussão o funcionário público o faz em benefício próprio ou de terceiro • Exação: cobrança pontual e integral de tributos • O que se pune: o excesso no desempenho desta cobrança, revestido de abuso de poder. EXCESSO DE EXAÇÃO (ART. 316 §1º CP) • Tributo (art. 3º CTN) : “É toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada” (se o particular está obrigado a pagar tributos, o Fisco não pode se abster da cobrança quando o tributo é devido) • Ex: impostos, taxas e contribuições de melhoria. • Contribuição social (CF art. 149, de competência da União): • Espécie de tributo destinada a instrumentalizar sua atuação na área social (saúde, previdência e assistência social, educação, cultura, desportos, etc.) • Elemento normativo: “indevido” (já pago ou superior ao valor fixado em lei) Meio vexatório: o que desonra ou humilha a vítima • Meio gravoso: o que acarreta maiores despesas ao contribuinte CORRUPÇÃO PASSIVA • Art. 317 CP: Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem: • Pena: Reclusão, de 2(dois) a 12(doze) anos, e multa. • § 1º: A pena á aumentada de um terço, se, em decorrência da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional • § 2º: Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com infração de dever funcional, cedendo a pedido ou influência de outrem: Pena: Detenção, de três meses a um ano, ou multa. CORRUPÇÃO PASSIVA • Elemento normativo: “indevida” • Princípio da insignificância: não se aplica • Espécies de corrupção passiva: • 1 – Própria: o funcionário público negocia um ato ilícito • 2 – Imprópria: o ato sobre o qual recai a transação é ilícito • 3 – Antecedente: a vantagem indevida é entregue ou prometida ao funcionário público em vista de uma ação ou omissão futura • 4 – Subsequente: a recompensa relaciona-se a um comportamento pretérito • É possível a corrupção passiva, independentemente da corrupção ativa, exclusivamente em relação ao verbo solicitar, pois neste caso a conduta inicial é do funcionário público CORRUPÇÃO PASSIVA • Em relação aos núcleos “receber” e “aceitar” a conduta inicial é do particular e, nesses casos, a corrupção passiva pressupõe a corrupção ativa. •Consumação: crime formal, consuma-se no momento em que o funcionário público solicita, recebe ou aceita a promessa de vantagem indevida. • Tentativa: possível nas hipóteses de crime plurissubsistente •Causas de aumento de pena (art. 317, § 1ºCP) •Corrupção passiva privilegiada (art. 317, §2ºCP) PREVARICAÇÃO • ART. 319 CP: Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício ou praticá-lo contra disposição expressa em lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal: • Pena: Detenção, de três meses a um ano, e multa. • Prevaricação: é a infidelidade ao dever de ofício, à função exercida. É o não cumprimento pelo funcionário público das obrigações que lhe são inerentes, em razão de ser guiado por interesses ou sentimentos próprios, afrontando o princípio da impessoalidade (art. 37, caput CF) • Interesse pessoal: patrimonial ou moral • Excesso de zelo pode funcionar como causa da prevaricação • Elementos normativos: “indevidamente” e “contra disposição expressa de lei” • Tentativa: admissível somente na modalidade comissiva CONDESCENDÊNCIA CRIMINOSA • Art. 320 CP: Deixar o funcionário público, por indulgência, de responsabilizar subordinado que cometeu infração no exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, nãolevar o fato ao conhecimento da autoridade competente: • Pena: Detenção, de quinze dias a um mês, ou multa. • Indulgência: perdão, clemência ou tolerância • Subverte o poder disciplinar e hierárquico da Administração Publica • Consumação: crime formal, consuma-se com a simples omissão, independentemente da efetiva impunidade do infrator. • Tentativa: não se admite (crime unissubsistente) VIOLÊNCIA ARBITRÁRIA • Art. 322 CP: Praticar violência, no exercício de função ou a pretexto de exercê-la: • Pena: Detenção, de seis meses a três anos, além da pena correspondente à violência. • Violência: lesão corporal ou vias de fato • Arbitrária: injustificada, despropositada, absolutamente dispensável para o exercício da função pública • Previsão legal da violência por agente público (Arts. 284, 292 CPP; Art. 23, III CP; Art. 25 CP) • Elemento subjetivo: dolo/Não se admite modalidade culposa) • Consumação: crime material • Tentativa: possível VIOLAÇÃO DE SIGILO FUNCIONAL • Art. 325 CP: Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação: • Pena: Detenção de seis meses a dois anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave. • § 1º: Nas mesmas penas deste artigo incorre quem: • I – permite ou facilita, mediante atribuição, fornecimento e empréstimo de senha ou qualquer outra forma, o acesso de pessoas não autorizadas a sistemas de informações ou banco de dados da Administração Pública; • II – se utiliza, indevidamente, do acesso restrito • § 2º: Se da ação ou omissão resulta dano à Administração Pública ou a outrem: • Pena: Reclusão, de 2(dois) a 6(seis) anos, e multa. VIOLAÇÃO DE SIGILO FUNCIONAL A Constituição Federal impõe o sigilo das informações imprescindíveis à segurança da sociedade e do Estado (Art. 5º, XXXIII CF) Pressupostos do crime: 1 – Conhecimento do fato em razão do cargo 2 – O fato deve envolver um segredo 3 – O segredo deve aproveitar à Administração Pública, envolvendo fatos relevantes ao Estado Crime de mão própria: somente pode ser praticado pelo funcionário público que em razão do cargo tinha o dever de guardar o segredo do Estado VIOLAÇÃO DE SIGILO FUNCIONAL • Quanto ao terceiro que recebeu a informação sigilosa: • A) Se concorreu de qualquer modo para revelação do fato é partícipe do crime previsto no art. 325 CP • B) Se o funcionário agiu espontaneamente, para ele o fato será atípico • Elemento subjetivo: dolo/Não se admite modalidade culposa • Consumação: nas duas modalidades o crime é formal • Tentativa: • 1 – Na modalidade revelar: somente admissível se a revelação for por escrito/Não admissível na revelação verbal • 2 – Na modalidade facilitar a revelação: possível • Elemento normativo do § 1º do art. 325 CP: indevidamente DESOBEDIÊNCIA Art. 330 CP: Desobedecer a ordem legal de funcionário público: Pena: Detenção, de quinze dias a seis meses, e multa. Elemento normativo: ordem legal Art. 5º, II CF: “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” Desobediência à decisão judicial (art. 359 CP) Desobedecer: desatender ou recusar cumprimento à ordem legal de funcionário público competente para emiti-la. Não há emprego de violência ou grave ameaça à pessoa do agente, sob pena de desclassificação para o crime de resistência (art. 329 CP) A conduta pode ser praticada por ação ou por omissão Pressupõe o efetivo conhecimento da ordem legal do funcionário público, e seu endereçamento direto para quem tem o dever legal de cumpri-la. Desobediência e causas de exclusão da ilicitude (art. 23 CP) TRÁFICO DE INFLUÊNCIA Art. 332 CP: Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função: Pena: Reclusão, de 2(dois) a 5(cinco) anos, e multa. Parágrafo único: A pena é aumentada da metade, se o agente alega ou insinua que a vantagem é também destinada ao funcionário. Objetividade jurídica: o prestígio da Administração Pública. Vantagem: pode ser de qualquer natureza. O agente se vale de fraude para enganar a vítima, induzindo-a ou mantendo- a em erro, obtendo vantagem ilícita em prejuízo alheio (pois não influi realmente no ato funcional). Todavia, se o sujeito realmente possuir influência perante o funcionário público e vier a corrompê-lo, será responsabilizado pelo crime de corrupção ativa (art. 333CP) TRÁFICO DE INFLUÊNCIA • É prescindível a individualização do funcionário público pelo criminoso. • Mas se for individualizado no caso concreto, e posteriormente restar apurado que tal pessoa não ostenta a qualidade de funcionário público, estará configurado o delito de estelionato • Sujeito passivo: o Estado e, mediatamente, a pessoa que paga ou promete vantagem com o propósito de obter algum benefício, lícito ou ilícito, junto ao funcionário público. • A coexistência da sua fraude (torpeza bilateral) não afasta sua posição de vítima • Elemento subjetivo: dolo/Não se admite a modalidade culposa • Consumação: • A) Na modalidade obter é crime material, consuma-se no instante em que o sujeito alcança a vantagem almejada • B) Nas demais modalidades é crime formal, consuma-se com a conduta legalmente descrita, independentemente da efetiva obtenção da vantagem almejada • Ação penal: pública incondicionada • Causa de aumento de pena: art. 332, parágrafo único CP • PS: se restar provado que a vantagem realmente tinha como destinatário o funcionário público, este responde por corrupção passiva (art. 317 CP), enquanto que o entregador da vantagem e o intermediador da negociação responderão por corrupção ativa (art. 333CP) CONTRABANDO Art.334-A: Importar ou exportar mercadoria proibida: Pena: Reclusão, de 2(dois) a 5(cinco) anos. § 1º: Incorre na mesma pena quem: I – pratica fato assimilado, em lei especial, a contrabando; II – importa ou exporta clandestinamente mercadoria que dependa de registro, análise ou autorização de órgão público competente; III – reinsere no território nacional mercadoria brasileira destinada à importação; IV – vende, expõe à venda, mantém em depósito ou, de qualquer forma, utiliza em proveito próprio ou alheio, no exercício da atividade comercial ou industrial, mercadoria proibida pela lei brasileira CONTRABANDO V – adquire, recebe ou oculta, em proveito próprio ou alheio, no exercício da atividade comercial ou industrial, mercadoria proibida pela lei brasileira § 2º: Equipara-se às atividades comerciais, para os efeitos deste artigo, qualquer forma de comércio irregular ou clandestino de mercadorias estrangeiras, inclusive o exercido em residências § 3º: A pena aplica-se em dobro se o crime é praticado em transporte aéreo, marítimo ou fluvial. Contrabando: é a importação ou exportação de mercadoria absoluta ou relativamente proibida. O legislador excepcionou a teoria unitária ou monista: o funcionário público que facilita o contrabando responde pelo crime mais grave, de natureza funcional, tipificado no art. 318 CP, e a pessoa que realiza o contrabando incide no crime menos grave e comum definido no art. 334-A CP Mercadoria, para os fins do tipo penal, é todo e qualquer bem móvel suscetível de comercialização. CONTRABANDO Caráter residual do contrabando Somente estará caracterizado quando a importação ou exportação de mercadoria proibida não configurar algum crime específico: Ex: art. 33, caput da Lei 11.343/2006 (Lei de Drogas) art. 33, §1º, I da Lei 11.343/2006 art. 18 da Lei 10.826/2003 (Estatuto do Desarmamento) Elemento subjetivo: dolo/Não se admite a modalidade culposa Consumação: Vencendo a fiscalização alfandegária: quando ultrapassa a barreira fiscal Por meios clandestinos: quando transpostas as fronteiras do Brasil Tentativa: possível Ação penal: pública incondicionada Competência: Justiça Federal DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA Art. 339 CP: Dar causa à instauração de inquérito policial, de procedimentoinvestigatório criminal, de processo judicial, de processo administrativo disciplinar, de inquérito civil ou de ação de improbidade administrativa contra alguém, imputando-lhe crime, infração ético- disciplinar ou ato ímprobo de que o sabe inocente: Pena: Reclusão, de dois a oito anos, e multa § 1º: A pena é aumentada de sexta parte, se o agente se serve de anonimato ou de nome suposto. §2º: A pena é diminuída de metade, se a imputação é de contravenção. A denunciação caluniosa é formada pela fusão do crime de calúnia(art. 138 CP) com a conduta lícita de notificar à autoridade publica a prática de crime e sua respectiva autoria (crime complexo em sentido amplo) DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA Objetividade jurídica: Administração da justiça, a honra e o patrimônio da pessoa física ou jurídica, bem como a liberdade do ser humano. Objeto material: o inquérito policial, o processo investigatório criminal, o processo judicial, o processo administrativo disciplinar, o inquérito civil ou a ação de improbidade administrativa. Inquérito policial: Segundo Renato Brasileiro de Lima “Procedimento administrativo e preparatório, presidido pelo Delegado de Polícia, o inquérito policial consiste em um conjunto de diligências realizadas pela polícia investigativa objetivando a identificação das fontes de prova e colheita de elementos de informação quanto à autoria e materialidade da infração penal, a fim de possibilitar que o titular da ação penal possa ingressar em juízo” DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA Procedimento investigatório criminal: qualquer procedimento de natureza inquisitiva(sem contraditório), conduzido por agente público, porém diverso do inquérito policial EX: Procedimento Investigatório Criminal, conduzido de forma autônoma por membro do MP; Termo Circunstanciado, destinado à apuração de infrações penais de menor potencial ofensivo (art. 69, caput da Lei 9099/1995) Processo judicial: pode ser de qualquer natureza, não se exige a instauração de processo penal (ajuizamento de ação civil pública pelo MP); ação de improbidade administrativa, etc. Processo administrativo disciplinar: instrumento utilizado pela Administração Pública para, com respeito ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal, apurar eventual falta disciplinar praticada pelo funcionário publico e, se for o caso, aplicar a sanção adequada (representar contra juiz estadual, na Corregedoria Geral do Tribunal de Justiça, imputando-lhe falsamente a prática de infração ético-disciplinar) Ação de improbidade administrativa: É a ação civil pública, de legitimidade do MP ou da pessoa jurídica interessada, destinada à responsabilização do agente público e da pessoa que concorra para a prática do ato de improbidade administrativa ou dele se beneficie de forma direta ou indireta. Núcleo do tipo: dar causa (provocar ou ocasionar) O silêncio pode ser meio de execução do delito Elemento subjetivo: dolo direto/Não se admite a modalidade culposa Consumação: crime material, consuma-se com a efetiva instauração dos procedimentos legais Não admite retratação do sujeito ativo Ação penal: pública incondicionada COMUNICAÇÃO FALSA DE CRIME • Art. 340 CP: Provocar a ação de autoridade, comunicando-lhe a ocorrência de crime ou de contravenção que sabe não se ter verificado: • Pena: Detenção, de um a seis meses, ou multa. • Neste delito o sujeito se limita a comunicar falsamente a ocorrência de crime ou de contravenção que sabe não se ter verificado, não o atribuindo, todavia, a nenhuma pessoa em particular • Não se exige a instauração de nenhum procedimento legal; basta a provocação, em sentido amplo, da ação da autoridade (ex: determinação de investigações pelo Delegado de Polícia, colheita de depoimentos pelo MP) • Tal conduta ocasiona prejuízos a coletividade (perda de tempo e recursos por parte das autoridades) • Objetividade jurídica: é a Administração da Justiça no tocante à perda de tempo e dinheiro acarretado aos órgãos responsáveis pela persecução penal • Núcleo do tipo: provocar(dar causa à ação da autoridade pública) • Comunicação falsa: por escrito, oralmente, identificada com o nome do autor ou anônima • A narração falsa pode ser: de crime ou contravenção penal que não se verificou ou de crime ou contravenção realmente praticados mas completamente diferentes do realmente praticado (ex: presenciar estupro e comunicar extorsão mediante sequestro) COMUNICAÇÃO FALSA DE CRIME • Configura-se o crime tipificado no art. 340 CP na comunicação falsa de crime com o propósito de ocultar outro delito cometido pelo sujeito (ex: matar alguém e comunicar que ambos foram vítimas de latrocínio). Neste caso o sujeito responde por homicídio e comunicação falsa de crime. Elemento subjetivo: dolo/Não se admite a modalidade culposa Consumação: crime material, consuma-se no instante em que a autoridade pública adota alguma ação com a finalidade de apurar a ocorrência do crime ou contravenção penal falsamente comunicados É admissível o arrependimento eficaz (art. 15 CP) Ação penal: pública incondicionada AUTOACUSAÇÃO FALSA Art. 341 CP: Acusar-se, perante a autoridade, de crime inexistente ou praticado por outrem: Pena: Detenção, de três meses a dois anos, ou multa. Objetividade jurídica: é a Administração da Justiça, prejudicada em seu normal funcionamento em relação à apuração de crimes e da respectiva responsabilização penal Núcleo do tipo: acusar-se (imputar ou atribuir a si próprio a prática de crime) Autoridade: todo e qualquer funcionário público a quem a lei confere poderes para investigar a prática de crimes e seus respectivos responsáveis, ou então para determinar o início do procedimento investigatório (autoridades policiais e judiciárias, MP, etc.) Elemento subjetivo: dolo, pouco importando o motivo do sujeito: mercenário, altruístico, exibicionismo, álibi, preservação pessoal/Não se admite a modalidade culposa Consumação: crime formal FALSO TESTEMUNHO OU FALSA PERÍCIA Art. 342 CP: Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral: Pena: Reclusão, de 2(dois) a 4(quatro) anos, e multa. § 1º: As penas aumentam-se de um sexto a um terço, se o crime é praticado mediante suborno ou se cometido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo penal, ou em processo civil em que for parte entidade da administração pública direta ou indireta. § 2º: O fato deixa de ser punível se, antes da sentença no processo em que ocorreu o ilícito, o agente ser retrata ou declara a verdade. Objetividade jurídica: é a Administração da Justiça, em relação à veracidade das provas e ao prestígio e seriedade da sua coleta. FALSO TESTEMUNHO OU FALSA PERÍCIA Objeto material: Falso testemunho – o depoimento prestado perante a autoridade competente Falsa perícia – o laudo pericial, o cálculo, a tradução ou a interpretação, sejam estas últimas orais ou escritas Núcleos do tipo: Fazer afirmação falsa: mentir, narrar a ocorrência de fato inverídico Negar a verdade: recusar-se a confirmar a veracidade de um fato ou não reconhece-lo como verdadeiro Processo judicial: de qualquer natureza (cível, criminal, trabalhista, etc.) Processo administrativo: destinado a apurar ilícito administrativo ou disciplinar, para posterior julgamento) Inquérito policial: atividade específica da polícia judiciária, destinada a apuração das infrações penais e de sua autoria FALSO TESTEMUNHO OU FALSA PERÍCIA Juízo arbitral: é o procedimento utilizado por pessoas capazes de contratar com a finalidade de dirimir extrajudicialmente litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis, mediante convenção de arbitragem, assim entendida a cláusula compromissória e o compromisso arbitral Sujeito ativo: crime de mão própria, pois somente pode ser praticado pela pessoa expressamente indicada em lei (testemunha, perito, contador, tradutor e intérprete)