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Direito Individual do Trabalho
Professor: Fabiano Fernandes Luzes
Juiz do Trabalho
Doutorando em Direito do Trabalho e Previdenciário pela UERJ
Mestre em Sociologia e Direito pela UFF
Empregador
• Art. 2º da CLT: “Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, 
que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige 
a prestação pessoal de serviços”.
• Lei do Trabalho Rural, Lei 5589/73, artigo 3º, caput: “Considera-se
empregador rural, para os efeitos desta Lei, a pessoa física ou jurídica,
proprietária ou não, que explore atividade agroeconômica, em caráter
permanente ou temporário, diretamente ou através de prepostos e com
auxílio de empregados”;
• Artigo 15, §1º da Lei 8.036/1990:“Entende-se por empregador a pessoa física
ou a pessoa jurídica de direito privado ou de direito público, da
administração pública direta, indireta ou fundacional de qualquer dos
Poderes, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, que
admitir trabalhadores a seu serviço, bem assim aquele que, regido por
legislação especial, encontrar-se nessa condição ou figurar como fornecedor
ou tomador de mão de obra, independente da responsabilidade solidária
e/ou subsidiária a que eventualmente venha obrigar-se”.
• Empregador define-se como “pessoa física, jurídica ou ente
despersonificado que contrata a uma pessoa física a prestação de seus
serviços, efetuados com pessoalidade, onerosidade, não-eventualidade e
sob sua subordinação”.
• A noção jurídica de empregador É ESSENCIALMENTE RELACIONAL à de
empregado: existindo a figura do empregado num dos pólos da relação
jurídica-contratual, no outro estará automaticamente, o EMPREGADOR.
• AMAURI MASCARO o denomina como um “CONCEITO-REFLEXO”, porque
para ele é pelo meio da figura do empregado que se chegará a do
empregador, independentemente da estrutura jurídica deste último.
CRÍTICAS AO USO DO TERMO EMPRESA PELO Art. 2º DA CLT
Artigo 966 do Código Civil => empresa é a atividade econômica exercida
profissionalmente pelo empresário, organizada para a produção ou a
circulação de bens ou de serviços. É a unidade econômica de produção.
Artigo 1.142 do Código Civil => considera-se estabelecimento todo
complexo de bens organizado, para exercício da empresa por empresário, ou
por sociedade empresária. É a unidade técnica de produção.
A CLT não adota com precisão os termos empresa e estabelecimento. Ora
utiliza o termo estabelecimento em sentido próprio (artigos 74, § 2º, 168, §
4º e 355), ora confunde empresa com empregador (artigos 2º, 160, 164, 165,
200 e 449), e ora vislumbra empresa como objeto do direito de propriedade
do empregador (artigos 425, 448 e 485).
CRÍTICAS AO USO DO TERMO EMPRESA PELO Art. 2º DA CLT
• Crítica: O empregador não pode ser a empresa, que não consiste em
sujeito de direito na ordem jurídica brasileira, mas a pessoa física,
jurídica ou ente despersonificado titular do empreendimento.
• Obs1: Forte influência das teorias da relação de trabalho e institucionalista
(teorias acontratualistas) na elaboração do diploma celetista.
• Obs2: Aspecto Positivo: a utilização da expressão “empresa” acentua a
importância do fenômeno da despersonificação da figura do empregador,
indicando que a alteração do titular do empreendimento não afetará os
contratos de trabalho em vigência, nem tampouco os direitos adquiridos
pelos respectivos empregados (artigos 10 e 448 da CLT).
• Crítica ao parágrafo 1º do Artigo 2º da CLT: “Equiparam-se ao
empregador, para efeitos exclusivos da relação de emprego, os
profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações
recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos, que admitirem
trabalhadores como empregados”.
• DÉLIO MARANHÃO/MAURÍCIO GODINHO ao examinarem o
parágrafo 1º do artigo 2º da CLT, afirmam que não existe do ponto de
vista técnico “empregador por equiparação”. Na verdade, as
pessoas tipificadas no parágrafo 1o, são EMPREGADORES TÍPICOS e
não empregadores por equiparação ou por extensão legal.
• Crítica ao parágrafo 1º do Artigo 2º da CLT
Atividade Econômica Atividade Lucrativa
»
• Crítica ao parágrafo 1º do Artigo 2º da CLT
• É certo que são ENTES SEM FINS LUCRATIVOS, mas esse aspecto
não é relevante à configuração do tipo-legal do empregador;
NÃO É ELEMENTO CONSTITUTIVO DO TIPO JURÍDICO que a Lei
denomina “empregador”.
• ATIVIDADE ECONÔMICA não é ATIVIDADE LUCRATIVA. Atividade
econômica, segundo Délio Maranhão, consiste “na produção de
bens e serviços para satisfazer as necessidades humanas”. No
Sistema Capitalismo, o lucro é o incentivo da atividade
econômica, mas não necessariamente, um se confunde com a
outra.
II - CARACTERÍSTICAS DO EMPREGADOR
2.1. Despersonificação
• Este efeito ou característica consiste na circunstância de a ordem jurídica
trabalhista autorizar a alteração subjetiva contratual do polo passivo da
relação empregatícia (o empregador) sem prejuízo da preservação completa
dos contratos de trabalho com relação ao novo titular do empreendimento.
• Enquanto a pessoalidade é elemento fático-jurídico da relação de emprego,
sendo indispensável à identificação da figura do empregado, a impessoalidade
é aspecto inerente ao empregador.
• A utilização da expressão “empresa” para conceituar empregador ressalta o
este caráter impessoal e despersonificado.
II - CARACTERÍSTICAS DO EMPREGADOR
2.2. Assunção dos Riscos ou Alteridade:
• Outra característica da figura do empregador é a assunção dos
riscos do empreendimento e do trabalho contratado.
• A ordem jurídica trabalhista atribuiu ao empregador a
responsabilidade exclusiva pelos ônus decorrentes da atividade
econômica desenvolvida e pelos contratos de trabalho
celebrados.
• Controvérsia: Existem autores que limitam este aspecto característico da
alteridade àqueles empregadores que desempenham atividade
rigorosamente econômica (Octávio Bueno Magano)
• Muito embora o texto celetista pareça restringir a alteridade apenas aos riscos
de natureza empresarial (artigo 2º, caput, da CLT), a interpretação lógico-
sistemática e teleológica da ordem jurídica trabalhista indica que também se
impõem ao empregador os riscos do trabalho prestado, ainda que sem
intuito econômico para o tomador (trabalho doméstico, emprego público,
etc.).
• “riscos da atividade econômica” = pelos custos e resultados do trabalho
contratado e pela sorte do respectivo empreendimento.
• Implicações práticas:
• Impossibilidade de repasse ao empregado dos ônus decorrentes
dos prejuízos sofridos pelo empregador, assim como de
eventuais descontos salariais em razão destas perdas (artigo 462
da CLT).
• Ilegalidade da cláusula star del credere.
• Garantia do salário mínimo (ou piso normativo) ao comissionista
“puro”
PODER EMPREGATÍCIO (ou HIERÁRQUICO)
Poder 
Diretivo
Poder 
Regulamentar
Poder 
Fiscalizatório
Poder 
Disciplinar
Grupo Econômico
1 – Aspectos Administrativos sobre Grupo Econômico
1 – Aspectos Administrativos sobre Grupo Econômico
1 – Aspectos Administrativos sobre Grupo Econômico
2 – Aspectos gerais do Direito Comparado sobre Grupo Econômico
*não é nosso objetivo exaurir a especificidade de cada país em sua legislação e jurisprudência
a) Espanha - não menciona a figura do empregador único; a jurisprudência, porém, adotando lições da doutrina, na falta de disposições legislativas a respeito, tem
aceitado essa figura do empregador único, de modo a considerar todas as empresas integrantes do grupo solidaria- mente responsáveis pelas obrigações que
decorrem do contrato de trabalho. Alguns requisitos para seu reconhecimento, porém, devem estar presentes: a prestação de serviços para diversas empresas do
grupo, a confusão de patrimônio, a aparência externa de unidade ou a fraude à lei, além da hipótese em que as empresas se vinculam juridicamente,
apresentando-se como um grupo de direito
OBS: Real Decreto n. 1.382/85 (art. 9) – a própria legislação espanhola tende, também, a considerar o grupo como empregador único, pois permiteobrigadas: I - as pessoas que tenham interesse
comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;
Art. 1.146. do Código Civil: “O adquirente do estabelecimento responde pelo
pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente
contabilizados, continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo
prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto
aos outros, da data do vencimento”.
Art. 233. da Lei 6.404/76 (Lei das S/A): Na cisão com extinção da companhia cindida,
as sociedades que absorverem parcelas do seu patrimônio responderão
solidariamente pelas obrigações da companhia extinta. A companhia cindida que
subsistir e as que absorverem parcelas do seu patrimônio responderão
solidariamente pelas obrigações da primeira anteriores à cisão.
OBS: Mas em caso de fraude?
• Responsabilidade solidária do sucedido, com arrimo
nos artigo 942 do Código Civil.
• Art. 448, Parágrafo único. da CLT
• “A empresa sucedida responderá solidariamente com
a sucessora quando ficar comprovada fraude na
transferência”. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1
Sócio Retirante
• SÓCIO QUE SE RETIRA DA SOCIEDADE (RETIRANTE)
• Artigo 1003 do CCB:
– “A cessão total ou parcial de quota, sem a correspondente modificação do contrato
social com o consentimento dos demais sócios, não terá eficácia quanto a estes e à
sociedade.
– Parágrafo único. Até dois anos depois de averbada a modificação do contrato,
responde o cedente solidariamente com o cessionário, perante a sociedade e
terceiros, pelas obrigações que tinha como sócio”.
• Artigo 1032 do CCB:
– “A retirada, exclusão ou morte do sócio, não o exime, ou a seus herdeiros, da
responsabilidade pelas obrigações sociais anteriores, até dois anos após averbada
a resolução da sociedade; nem nos dois primeiros casos, pelas posteriores e em
igual prazo, enquanto não se requerer a averbação”.
Aplicabilidade ao Processo do Trabalho?
• 1ª CORRENTE: SIM
• Fundamentos:
– a) Previsão expressa na CLT;
– b) Compatibilidade com o princípios da execução menos gravosa e da dignidade da pessoa humana e da
proporcionalidade (é um critério razoável de delimitação da responsabilidade do sócio retirante);
– c) Compatibilidade com o Macro Princípio Constitucional da Segurança Jurídica (que é responsável pela
existência de institutos como a prescrição, o respeito à coisa julgada, ao direito adquirido e ao ato jurídico
perfeito).
• 2ª CORRENTE: INAPLICABILIDADE
• Principais argumentos:
– a) usufruto do sócio da mão de obra do trabalhador no período em que foi sócio, sendo justo que seu
patrimônio responda pelos créditos do trabalhador;
– b) incompatibilidade dos artigos com os Princípios Protetor, da Irrenunciabilidade dos créditos trabalhistas.
SÓCIO RETIRANTE – ATUAL REDAÇÃO DA CLT
Art. 10-A. ”O sócio retirante responde subsidiariamente pelas
obrigações trabalhistas da sociedade relativas ao período em que
figurou como sócio, somente em ações ajuizadas até dois anos
depois de averbada a modificação do contrato, observada a
seguinte ordem de preferência:
I - a empresa devedora;
II - os sócios atuais; e
III - os sócios retirantes.
Parágrafo único. ”O sócio retirante responderá solidariamente com
os demais quando ficar comprovada fraude na alteração societária
decorrente da modificação do contrato”
TEORIA ULTRA VIRES
Artigo 1015, parágrafo único do CC
VÓLIA BOMFIM entende aplicável às relações
trabalhistas: “Se o administrador fraudar a existência
de um contrato de trabalho, apenas para beneficiar
sua esposa, por exemplo, e se de fato nunca houve
trabalho, a sociedade em nada se beneficiou e seria
possível a responsabilização do sócio administrador e
não da Sociedade”.
TEORIA ULTRA VIRES
TEORIA ULTRA VIRES TEORIA DA APARÊNCIA
Artigo 1015, parágrafo único do CC e Artigo 47 do
CCB
Antigo Código Civil de 1916 + Relações
Trabalhistas
Sociedade não responde pelos atos dos
administradores praticados fora de seus
objetivos sociais e dos limites legais, se não se
beneficia deles
Sociedade sempre se beneficia do labor dos
empregados; Sócios não poderão alegar que
desconheciam as ilegalidades trabalhistas
praticadas pelo administrador (conceito de culpa
in eligendo)
Aplicável para Credores Civis comuns Aplicável aos credores trabalhistas
FIM
E-mail: prof.fabiano.luzes@gmail.com
Facebook: Fabiano Luzes
Instagram: @papotrabalhistaoficial
YouTube: Papo Trabalhistaa “promoção”
do empregado para cargo de direção em outra empresa integrante do conglomerado que não aquela para quem já prestava serviços diretamente.
b) Itália – a jurisprudência, no que é acompanhada por parte majoritária da doutrina, tem decidido que cada empresa agrupada mantém sua autonomia, não se
confundindo as personalidades jurídicas; a jurisprudência, porém, tem reconhecido que o grupo pode ser considerado como único sujeito de direito, quando a
formal separação das empresas apenas se presta para fraudar alguma norma de proteção trabalhista, em especial quanto à tutela contra a despedida arbitrária
Estabelecidas pela jurisprudência, ainda, algumas presunções quanto à existência da simulação:
b.1) unicidade da estrutura organizativa e produtiva;
b.2) integração entre as atividades desenvolvidas pelas várias empresas do grupo, com respectivo interesse comum;
b.3) coordenação técnica e administrativo-financeiro de tal forma a caracterizar um único sujeito de direito através da confluência das diversas atividades
desenvolvidas por cada empresa agrupada, todas com um escopo comum;
b.4) prestação de serviços contemporânea por parte dos trabalhadores em favor das várias empresas agrupadas
*esta jurispridencia não se aplica se as partes deliberarem pela existência de contrato único (na mesma linha, a eventual cessão de empregados para outras
empresas, tendo em vista a inviabilidade de mobilidade externa de funcionários.
2 – Aspectos gerais do Direito Comparado sobre Grupo Econômico
*não é nosso objetivo exaurir a especificidade de cada país em sua legislação e jurisprudência
c) Portugal – há uma tendência, por considerar o grupo de empresas, nas suas diversas formas, desde que haja direção unitária, como empregador único;
a desconsideração das personalidades jurídicas de cada uma das empresas integrantes do grupo é efetivada quando se esteja diante de situações de
confusão patrimonial* e, mais especificamente, de “confusão de relações de trabalho” (quando o empregado de uma empresa do grupo presta serviços
a outra entidade integrante do mesmo conglomerado)
* unidade sócio-econômica, perseguindo um mesmo objetivo, através de instrumentos comuns (mesmos dirigentes, local de trabalho, pessoal, serviços,
meios de produção, etc.) ou quando, ainda que exerçam atividades diversas, as empresas agrupadas exercem, na prática, em conjunto, o poder diretivo
d) França – não há legislação que estabeleça o regramento da situação; existe o entendimento de que a unidade econômica está relacionada com a
confusão patrimonial, participações acionárias recíprocas, unificação de serviços comuns (contabilidade, publicidade, informática), pre- senças
das mesmas pessoas nos órgãos comando, objetos sociais similares ou conexos e uso das mesmas instalações, meios de produção ou outros
bens materiais, além de uma política empresarial comuns, de enquanto a unidade social se atém à situação de “identidade de trabalhadores
que são empregados pelos grupos”, especialmente quando trabalham em condições semelhantes, sujeitos ao mesmo regulamento interno,
com idênticas formas de remuneração e serviços sociais semelhantes (cantina, medicina do trabalho), além da mobilidade dos trabalhadores
no âmbito interno do grupo.
* A corte de Cassação usa frequentemente a expressão “empregadores conjuntos” ao invés de empregador único
Em resumo, se considera: dependência entre as empresas, confusão de atividades e objeto (cruzamento de capitais, a confusão de atividades, o interesse
comum, a unidade de direção, o agrupamento geográfico, etc), unidade social (aferida pela similitude das condições de trabalho, a identidade da disciplina
legal, coincidência dos mandantes/administradores, intercâmbio de pessoal, etc)
OBS: a jurisprudência daquele país considera ainda, para fins de unidade econômica-social: empresas que se completam em suas atividades (quando cada
uma delas se ocupa de uma das fases da cadeia produtiva até a sua comercialização) e o efetivo poder de direção ou do poder disciplinar para se considerar
as empresas agrupadas como empregadores conjuntos.
OBS: o código de trabalho francês também passa a possuir dispositivos específicos que tratam do tema (ex.: L. 439-1 a 5 no Code du travail)
2 – Aspectos gerais do Direito Comparado sobre Grupo Econômico
*não é nosso objetivo exaurir a especificidade de cada país em sua legislação e jurisprudência
e) Alemanha – a noção de grupo de empresas para o direito do trabalho na Alemanha está vinculada à estabelecida pela lei que disciplina a sociedade
anônima; tanto a doutrina como a jurisprudência alemã admite a possibilidade de transferência do empregado de uma unidade para outra pertencente
ao mesmo grupo, o que re- vela uma tendência a considerar o agrupamento como entidade única; há decisão que reconhece a existência de relação
única, com as várias empresas agrupadas, quando a execução do labor é unitária, ou seja, em favor de todos os entes coligados
f) Argentina - a lei trabalhista argentina (n. 20.744) prevê a possibilidade da solidariedade passiva entre as empresas que compõem o grupo econômico.
Porém, não vislumbra a hipótese do empregador único, como também restringe a solidariedade apenas nas hipóteses de manobras fraudulentas ou
condução temerária dos negócios (não basta a simples integração empresarial para efetivação da solidariedade passiva das empresas agrupadas)
g) México – contém diversas disposições relacionadas com os grupos de empresas; a Lei Federal do Trabalho, de 1° de maio de 1970, em seu
art. 15, indica que as empresas subsidiárias organizadas para execução de obra ou prestação de serviços com exclusividade são solidariamente
responsáveis juntamente com as empresas principais pelas obrigações trabalhistas; a responsabilidade solidária apenas se instala diante da
insolvência da empresa dependente
2 – Aspectos gerais do Direito Comparado sobre Grupo Econômico
*não é nosso objetivo exaurir a especificidade de cada país em sua legislação e jurisprudência
h) Estados Unidos – adoção da teoria do “empreendimento integrado”; a Suprema Corte já proferiu decisões reconhecendo a existência do
agrupamento, de modo a atrair as regras dos grupos incorporados quando haja integração econômica, interdependência financeira e
administrativa, a utilização de pessoal em comum, a fixação de benefício da pensão para empregados de várias empresas, a realização de
seguro em grupo para empregados de várias empresas, a condução dos negócios das várias empresas por administrador comum, uso comum
de marcas, slogans, anúncios e logotipos, etc; a National Labor Relations Board, por decisão administrativa, adotou o conceito de
“empreendimento integrado” para determinar que duas ou mais corporações vinculadas podem ser consideradas como “único empregador”
para os propósitos da aplicação das leis de proteção aos empregados; em 1986, surgiu a primeira lei adotando explicitamente a doutrina do
“empreendimento integrado”, através da Age Discrimination in Employment Amendments of 1986, quando ficou definida a aplicabilidade da
lei de antidiscriminação às subsidiárias estrangeiras de grupos norte-americanos partindo-se do entendimento de que, havendo integração no
empreendimento, as empresas se apresentam como empregador único
Ficou definida que se presume o controle de uma empresa quando há: (a) interrelação de operações, (b) administração comum, (c) centralização da
gestão das relações trabalhistas, e (d) propriedade comum ou controle financeiro
A jurisprudência aponta diversos fatos que podem revelar essa unidade econômica, tais como:
a) a empresa principal e a subsidiária empregam diretores ou trabalhadores comuns;
b) a subsidiária tem capital inadequado ao porte de suas atividades;
c) a empresa principal paga os salários dos trabalha- dores eoutras despesas da subsidiária;
d) “a subsidiária não mantém nenhum negócio substancial, a não ser com a principal, ou não detém bens, exceto os transferidos a ela pela
principal”; e,
e) nos documentos e papéis da empresa principal, a subsidiária é descrita como mero departamento ou divisão daquela.
2 – Aspectos gerais do Direito Comparado sobre Grupo Econômico
OBS: Franquia
Vemos uma distinção no direito brasileiro, pois se afasta a responsabilização do franqueador
L. 13.966/19 - Art. 1º Esta Lei disciplina o sistema de franquia empresarial, pelo qual um franqueador autoriza por meio de contrato um franqueado a usar marcas
e outros objetos de propriedade intelectual, sempre associados ao direito de produção ou distribuição exclusiva ou não exclusiva de produtos ou serviços e
também ao direito de uso de métodos e sistemas de implantação e administração de negócio ou sistema operacional desenvolvido ou detido pelo franqueador,
mediante remuneração direta ou indireta, sem caracterizar relação de consumo ou vínculo empregatício em relação ao franqueado ou a seus empregados, ainda
que durante o período de treinamento.
Para TST, não há responsabilidade, salvo desvirtuamento do contrato:
Informativo 201, TST: Contrato de franquia. Ausência de comprovação de ingerência direta do franqueador nos negócios do franqueado. Responsabilidade subsidiária
afastada. “(...) 1. CONTRATO REGULAR DE FRANQUIA. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DO FRANQUEADOR. DESVIRTUAMENTO DO CONTRATO NÃO DEMONSTRADO.
RESPONSABILIDADE INEXISTENTE. CONHECIMENTO E PROVIMENTO. I. O contrato de franquia visa a promover a cooperação entre empresas, proporcionando ao franqueador
maior participação no mercado e ao franqueado o direito de uso da marca, da tecnologia e do sistema de gestão. Conquanto o franqueador e o franqueado somem esforços
para alcançar objetivos comuns, o contrato regular de franquia caracteriza-se pela autonomia da personalidade e do patrimônio dos contratantes. Em face das características
específicas expressamente previstas em lei, o contrato regular de franquia não se confunde com o contrato de terceirização de serviços, em que o tomador beneficia-se
diretamente da mão-deobra dos empregados da prestadora. Não integra, pois, o objeto do contrato regular de franquia a simples arregimentação de mão-de-obra, mas a
cessão de direito de uso de marca ou patente que, em regra, integram a atividade-fim do franqueador. II. Esta Corte Superior, a propósito, firmou o entendimento de que, na
hipótese de contrato de franquia, a empresa franqueadora, em regra, não responde de forma subsidiária pelos créditos trabalhistas inadimplidos pela empresa franqueada, na
forma do art. 2º da Lei 8.955/1994, exceto se caracterizado o desvirtuamento do contrato. III. No caso, a Corte Regional reconheceu a responsabilidade subsidiária da
franqueadora sob o fundamento de que "o contrato de franquia firmado entre as rés determina a ingerência da 2ª ré (O Boticário) na 1ª ré, interferindo diretamente nas
atividades desta, obrigando-a a inscrever os empregados nos Programas de Treinamento oferecidos pela Reclamada O Boticário e a garantir a participação destes, bem como a
permitir a visitação periódica dos supervisores, consultores e auditores das franqueadoras nas unidades da franqueada, além de estipular que a pessoa indicada pela
franqueada para a operacionalização da loja será submetida ao exame e prévia aprovação da franqueadora". IV. Tais obrigações contratuais, contudo, são condizentes com a
natureza do contrato de franquia empresarial. V. Revela má aplicação da Súmula nº 331, IV, do TST, acórdão regional que reconhece a responsabilidade subsidiária da empresa
franqueadora sem a demonstração efetiva de ingerência direta do franqueador nos negócios do franqueado, de modo a caracterizar o desvirtuamento do contrato de franquia.
VI. Recurso de revista de que se conhece e a que se dá provimento.” (TST-RR1669-70.2014.5.09.0245, 4ª Turma, rel. Min. Alexandre Luiz Ramos, julgado em 7.8.2019)
3 – Debate sobre o conceito de Empregador
a) Regra - CLT
 Art. 2º - Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação
pessoal de serviço.
b) Despersonalização do empregador
 “visa responsabilizar o próprio empreendimento econômico pelos créditos trabalhistas, secundarizando a figura do sujeito
aparente quando esse não tem capacidade econômica para responder pelas obrigações trabalhistas derivadas da exploração da
atividade empresarial” (Ben-Hur Silveira Claus)
 Vemos que apesar da revogação da Resolução 750/1993 do Conselho Federal de Contabilidade, ainda prepondera a lógica do
“princípio da entidade” para a apreciação da lógica econômica empresarial:
 SEÇÃO I
O PRINCÍPIO DA ENTIDADE
Art. 4º. O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um
Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou
instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos
seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição.
Parágrafo único – O PATRIMÔNIO pertence à ENTIDADE, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não resulta
em nova ENTIDADE, mas numa unidade de natureza econômico-contábil.
4 – Aspectos conceituais jurídicos sobre Grupo Econômico
Grupo econômico pode ser configurado como:
 por subordinação (ou grupo econômico vertical): aquele em que uma empresa se encontra vinculada a outra, ou seja, exista uma
hierarquia fática entre estas, com uma prestando informações, seguindo diretrizes de outra.
 por coordenação (ou grupo econômico horizontal): possui outra lógica norteadora, qual seja, existem empresas num mesmo
patamar – sem hierarquia entre estas – mas existem liames que as vinculam a fins comuns, indo desde a exploração de um mesmo
segmento, passando pela possibilidade de existência de atuações complementares, podendo ainda se caracterizar quando existam
empregados que atuem para as diversas empresas de um mesmo complexo de empresas.
OBS: inicialmente, tal hipótese decorria de uma construção doutrinária e jurisprudencial, tendo em vista que a CLT não possuía previsão expressa neste
sentido, fazendo uso, por analogia, do conteúdo descrito no art. 3º, §2º da L. 5.889/73 (Lei do Trabalhador Rural):
 Art. 3º, §2º - Sempre que uma ou mais empresas, embora tendo cada uma delas personalidade jurídica própria, estiverem sob direção, controle ou administração
de outra, ou ainda quando, mesmo guardando cada uma sua autonomia, integrem grupo econômico ou financeiro rural, serão responsáveis solidariamente nas
obrigações decorrentes da relação de emprego.
5 – Inovações trazidas pela Reforma Trabalhista
a) Alteração da CLT
 Art. 2º
 §2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, ou
ainda quando, mesmo guardando cada uma sua autonomia, integrem grupo econômico, serão responsáveis solidariamente pelas obrigações decorrentes da relação de
emprego.
 §3º Não caracteriza grupo econômico a mera identidade de sócios, sendo necessárias, para a configuração do grupo, a demonstração do interesse integrado, a efetiva
comunhão de interesses e a atuação conjunta das empresas dele integrantes.
b) Condicionantes para a caracterização
b.1 – simples identidade de sócios não é elemento suficiente para caracterização (ex: um investidor, que diversifica seu capital para atuações
distintas em segmentos diversos, com sócios diversos, sem que exista um mínimo diálogo entre os negócios – pode um agente ser sócio de
uma padaria com o sócio “A”, e de uma marcenaria com um sócio “B”)
 A doutrinasustenta que se trata de regra excetiva que deve ser interpretada de forma estrita, uma vez que a identidade de sócios é indício
de existência de grupo econômico (tem sido considerada como regra excetiva porque parece contraposta ao conceito geral de grupo
econômico previsto no § 2o do art. 2o da CLT, o qual foi ampliado com a assimilação do conceito de grupo econômico por simples
coordenação)
 Ademais, isso não significa que o caso concreto seja de grupo econômico – demandará provar as demais condicionantes
“... a interpretação lógico-racional, sistemática e teleológica da regra excetiva lançada no novo § 3o do art. 2o da CLT conduz ao
não enquadramento no grupo econômico enunciado no conceito geral exposto no § 2o do mesmo art. 2o apenas em situações
efetivamente artificiais, em que a participação societária de um ou outro sócio nas empresas envolvidas seja minúscula, irrisória,
absolutamente insignificante, inábil a demonstra a presença ‘do interesse integrado” (Maurício Godinho Delgado)
5 – Inovações trazidas pela Reforma Trabalhista
b.2 – “...a demonstração do interesse integrado, a efetiva comunhão de interesses e a atuação conjunta das empresas dele
integrantes”.
 estaríamos diante de requisitos alternativos ou cumulativos?
 em nossa visão, apesar da partícula “e” ter gramaticalmente uma ideia aditiva, o que poderia levar, ato contínuo, a
obrigatoriedade de cumulação dos requisitos, entendemos que mens legislatoris buscou a configuração de requisitos alternativos.
Isso porque, considerar a necessidade de cumulação, levaria, ato contínuo, a inviabilizar faticamente a ocorrência de grupo
econômico, o que seria contraditório ao próprio dispositivo que o prevê.
 a premissa da ocorrência de requisitos cumulativos poderia levar a situações absurdas (exemplo: um empregado prestar serviços
a duas empresas no mesmo horário de trabalho por determinação destas, receber apenas de uma, sendo tais empresas de
segmentos distintos; pelo fato de não haver “demonstração de interesse integrado”, termos uma decisão judicial que contraria o
princípio da primazia da realidade).
6 – Melhor momento processual para a tentativa de caracterização do Grupo Econômico
a) Fase de Conhecimento
• Tendo em vista o amplo escopo para fins de dilação probatória, não temos dúvida que acaba por ser o melhor momento 
processual para buscar a comprovação
• Questão relevante: o ônus de eventual sucumbência acaba por ser algo a ser ponderado, tendo em vista a possibilidade de serem
arbitrados honorários sucumbências em caso de improcedência
•
b) Fase de Execução
• Para processos mais antigos, era usual remeter este debate para a fase de execução
• Problema: o escopo cognitivo acaba por ser menos elástico que o da fase de conhecimento
• Nada impede a ocorrência de produção de prova documentais e orais nesta fase
7 – Aspectos probatórios inicias sobre Grupo Econômico
a) a existência do grupo econômico pode decorrer de um ato formal, quando devidamente registrado no Registro Civil de Pessoas
Jurídicas e Junta Comercial;
b) ou decorrer de uma circunstância fática, que pode ser comprovada no interior de um processo judicial,
A pergunta é: como provar?
Provas documentais – ex.: prova de que um empregado assinava documentos por duas empresas distintas durante uma mesma
jornada de trabalho
Prova oral – ex.: confissão em sede de depoimento pessoal atestando que o empregado prestava serviços para as duas empresas ao
mesmo tempo
Atuação jurisdicional – ex.: utilização periódica de um mesmo preposto (obs: registre-se que pela atual redação do art. 843,§3º,
CLT, o preposto não precisa ser empregado da ré...logo, gera presunção relativa)
Questão: o contador da empresa pode ser arrolado como testemunha?
 Art. 448, CPC. A testemunha não é obrigada a depor sobre fatos:
 II - a cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar sigilo.
Por outro lado, o Código de Ética do Contabilista (NORMA BRASILEIRA DE CONTABILIDADE NBC Nº 1 DE 07.02.2019) prevê:
 São deveres do contador: (a) exercer a profissão com zelo, diligência, honestidade e capacidade técnica
 No desempenho de suas funções, é vedado ao contador: (b) auferir qualquer provento em função do exercício profissional que não decorra exclusivamente
de sua prática lícita; (n) exercer atividade ou ligar o seu nome a empreendimentos com finalidades ilícitas; (p) iludir ou tentar iludir a boa-fé de cliente,
empregador ou de terceiros, alterando ou deturpando o exato teor de documentos, inclusive eletrônicos, e fornecer falsas informações ou elaborar peças
contábeis inidôneas;
7 – Aspectos probatórios inicias sobre Grupo Econômico
b) continuação...
• Em resumo, podemos apontar algumas hipóteses que auxiliam na visualização do indício de grupo econômico fático:
• o fato de as empresas do grupo atuarem no mesmo local
• coincidência de ramos de atividade econômica entre as empresas
• ramos de atividade econômica correlatos/complementares/interdependentes também seria um indicativo de existência de grupo
econômico (cadeia produtiva que se mostre plenamente integrada, numa ação conjunta em prol de objetivos comuns)
• presença de administradores comuns às empresas do grupo
• existência de um mesmo nome de fantasia utilizado nas diversas empresas do grupo
• sobrenome da família nas diversas razões sociais das empresas também poderia identificar grupo econômico familiar
• uma marca em comum, uma palavra em comum nas razões sociais ou um logotipo comum às empresas do conglomerado poderia
ser indício da existência de grupo econômico
• existência de empregados comuns
• promiscuidade de negócios, interferência de uma empresa na outra, confusão patrimonial, negociação de produtos de outra
empresa com exclusividade (ex.: transferências financeiras entre empresas; pagamentos de obrigações recíprocas; existências de
mútuos entre as empresas; transportadora/distribuidora com atuação exclusiva para determinada empresa, em busca de benefício
tributário)
• controle ser exercido pelo patriarca/pessoa da família (ex.: procuração com plenos poderes)
• Por outro lado, o grupo econômico não se formará quando as empresas desenvolverem atividades sem qualquer afinidade
7 – Aspectos probatórios inicias sobre Grupo Econômico
c) Encargo Probatório – atribuir ao empregado seria proporcional? A quem cabe a guarda de documentos da empresa?
• é plenamente possível a utilização da disciplina trazida pela distribuição dinâmica do ônus da prova
art. 818, §1º, CLT “nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva
dificuldade de cumprir o encargo nos termos deste artigo ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o
juízo atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a
oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído”.
• mesmo que em regra estejamos diante de fato constitutivo do direito do autor, lhe imputar tal obrigação culminaria por lhe atribuir encargo
desproporcional
• ainda, é notória a maior viabilidade fática para que o empregador produza a prova, em virtude de sua maior aptidão probatória.
• mesmo que a lei aponte que mesmos sócios não geram por si só grupo econômico, nada impede que tal fato importe a existência de indício,
a corroborar a eventual inversão do ônus da prova
8 – Responsabilidade do Grupo Econômico – Empregador Único???
a) Debate Teórico
• Teoria da Responsabilidade Passiva (premissa dualista): aponta que a solidariedade decorre apenas às obrigações trabalhistas, na linha do
que disciplina o art, 275, CC/02. Nesta perspectiva, não estaríamos diante de multiplicidade de devedores, mas sim de multiplicidade de
obrigados em função de uma dívida comum, o que leva, ato contínuo, à conclusão de que esta teoria não abraçou a tese de empregador
único;
Art. 275, CC/02. O credor tem direito a exigir e receber de um ou de algunsdos devedores, parcial ou totalmente, a dívida comum; se o pagamento
tiver sido parcial, todos os demais devedores continuam obrigados solidariamente pelo resto.
• Teoria da Responsabilidade Ativa: neste caso, estaríamos diante de efetivo empregador único, dado que o empregado de uma empresa do
grupo é, em verdade, empregado ao mesmo tempo de todas as empresas que compõem aquele grupo. Assim, a prestação de serviços a
mais de uma empresa do grupo econômico não gera a multiplicidade de contratos de trabalho, mas sim um possível dever do empregado
de, sendo acionado pelo empregador, poder prestar serviços para qualquer das empresas.
Súm. 239, TST - BANCÁRIO. EMPREGADO DE EMPRESA DE PROCESSAMENTO DE DADOS - É bancário o empregado de empresa de processamento de
dados que presta serviço a banco integrante do mesmo grupo econômico, exceto quando a empresa de processamento de dados presta serviços a
banco e a empresas não bancárias do mesmo grupo econômico ou a terceiros.
Súm. 129, TST CONTRATO DE TRABALHO. GRUPO ECONÔMICO - A prestação de serviços a mais de uma empresa do mesmo grupo econômico,
durante a mesma jornada de trabalho, não caracteriza a coexistência de mais de um contrato de trabalho, salvo ajuste em contrário.
Art. 267, CC/02. Cada um dos credores solidários tem direito a exigir do devedor o cumprimento da prestação por inteiro.
OBS: A responsabilidade solidária do grupo econômico é de natureza econômica, e não estritamente processual
8 – Responsabilidade do Grupo Econômico – Empregador Único???
OBS: numa primeira análise, parece que a reforma trabalhista importou na possibilidade das duas hipóteses serem observadas, a depender do
caso concreto:
1. Se o empregado presta efetivo serviço a mais de uma empresa, estaríamos diante de um empregador único
2. Por outro lado, se presta apenas para uma das empresas, mas exista a caracterização das condicionantes do art. 2º,§3º da CLT, teremos a
ocorrência de responsabilidade solidária
Questão: e a defesa do resgate da Súm. 205, TST (cancelada)?
Súmula 205 do TST: "O responsável solidário, integrante do grupo econômico, que não participou da relação processual como
reclamado e que, portanto, não consta no título executivo judicial como devedor, não pode ser sujeito passivo na execução".
1. pelo fato de sustentar literalidade do art. 2º,§3º da CLT, que impõe a existência de responsabilidade solidária
2. reconhecimento de que não mais é possível a argumentação no sentido de que a condenação de uma das empresas significa a
condenação de todas automaticamente, a ponto de se poder incluir qualquer uma delas no polo passivo diretamente na execução
Argumentos que sustentam a existência, ainda hoje, de empregador único:
• o empregador efetivo continua sendo o grupo econômico
• existe simples formalização contratual entre o empregado e uma das empresas integrantes do grupo econômico
• nada impede a prestação de serviços para outras empresas do mesmo grupo econômico durante o contrato
• logo, a simples formalização contratual, como a assinatura da CTPS, com um dos membros do grupo econômico não desnatura o fato que o
liame laboral ocorre efetivamente entre o empregado e o grupo econômico.
9 – Reflexão final – Microssistema Normativo sobre o tema
A análise do conceito de grupo econômico, bem como os requisitos para sua configuração, é assunto que alcança não apenas a esfera
trabalhista, tangenciando as searas penal, empresarial, tributária, dentre outras.
Crítica: vemos que nosso ordenamento carece de um conceito claro, único, para fins de viabilizar a caracterização una dos requisitos
daquilo que se denomina grupo econômico
a) Tributário
 o Código Tributário Nacional apresenta o art. 124, I, que aponta a existência de solidariedade entre “as pessoas que
tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”. O que seria o que seria
interesse comum?
 A definição deste conceito já foi fruto de apreciação pelo Câmara Superior de Recursos Fiscais (CARF):
 no interior do Acórdão Carf 9303-008.391, indicou que a caracterização demanda a ocorrência de provas de que haja benefícios coletivos
quanto aos resultados ou mesmo participação quanto ao lucro.
 o Acórdão Carf 1301-003.472 consignou que, para a possibilidade de responsabilização de ente pertencente a grupo econômico, um dos
elementos a ser considerado é que “fique provado o benefício do responsabilizado em razão da existência de fraude, sonegação ou
conluio”.
 Trazendo para a seara trabalhista a mesma premissa racional, questionamos se o inadimplemento de verbas trabalhistas não importa em
autêntico ato sonegador de direitos, ou mesmo autêntica fraude às leis trabalhistas? Nos parece que sim.
9 – Reflexão final – Microssistema Normativo sobre o tema
b) Previdenciário
 Dispõe o art. 30. IX, L. 8212/90 que existe obrigação de arrecadação e recolhimentos de valores ao INSS para “as empresas
que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes
desta Lei”. A responsabilidade é direta, ou seja, integrando grupo econômico, será então responsável solidário.
 Tal previsão é repetida no art. 152, I, da Instrução Normativa 971/09, que, ainda, conceitua grupo econômico no seu art.
494, destacando que “caracteriza-se grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o
controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade
econômica”.
OBS: Num primeiro momento, poderíamos caminhar por interpretar que teríamos apenas grupos econômicos verticais, o que não acontece
na prática, como podemos observar, novamente citando o CARF, que claramente aborda a lógica da solidariedade pelo viés do grupo
econômico por coordenação, destacando que uma forma de existência deste grupo é o fato de empresas “embora tenham situação jurídica
distinta, são dirigidas de fato pelas mesmas pessoas, exercem suas atividades no mesmo endereço e uma delas presta serviços somente à
outra”:
 GRUPO ECONÔMICO DE FATO. GRUPO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO. RSPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Caracteriza-se grupo econômico quando duas ou mais
empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Empresas
que, embora tenham situação jurídica distinta, são dirigidas de fato pelas mesmas pessoas, exercem suas atividades no mesmo endereço e uma delas presta serviços
somente à outra, formam um grupo econômico denominado “grupo composto por coordenação”, sendo solidariamente responsáveis pelas contribuições
previdenciárias de qualquer uma delas”. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Segunda Seção de Julgamento, Processo nº 11474.000068/200713, Recurso
nº 258.031, Acórdão nº 230201.038, 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 11 de maio de 2011).
9 – Reflexão final – Microssistema Normativo sobre o tema
c) Penal
 a Lei Anticorrupção (L. 12.846/2013), aponta em seu art. 16, §5º, a plena possibilidade de extensão das delações para
empresas integrantes ao grupo econômico, sejam estas “de fato e de direito”, ou seja, manifesta de forma clara que nossa
estrutura empresarial, de forma habitual, não constitui formalmente grupos econômicos, o que não impede sua
caracterização em sede fática (materializa o princípio da primazia da realidade na seara penal)
 Art. 16, § 5º Os efeitos do acordo de leniência serão estendidos às pessoas jurídicas que integram o mesmo grupo econômico, de fato e de direito, desde que firmem
o acordo em conjunto, respeitadas as condições nele estabelecidas.
d) Consumidor
 Lei do CADE (L. 12.529/11), que aponta em seu art. 33 a existência de responsabilidade solidária para empresas
participantes de grupo econômico, quando estivermos diante de infrações à ordem econômica.
 ganha relevância o fato da lei estender a responsabilidade para casos de grupo econômico “de fato ou de direito, quando
pelo menos uma delas praticar infraçãoà ordem econômica”. Novamente verificamos que a questão fática pode ensejar a
configuração de grupo econômico.
 o art. 28 do CDC (L. 8.078/90) dispõe em seus parágrafos §2° e §3°sobre a possibilidade de responsabilidade subsidiárias
para sociedades integrantes dos grupos societários e as sociedades controladas e responsabilidade solidária para sociedades
consorciadas. Aqui, vemos de forma clara a possibilidade de configuração de grupo econômico nas modalidades de
coordenação e subordinação.
9 – Reflexão final – Microssistema Normativo sobre o tema
e) Empresarial
 Na seara societária, nos valemos do teor do art. 243, L. das Sociedades Anônimas (L. 6.404/76) que apresenta a seguinte conceituação:
Art. 243. O relatório anual da administração deve relacionar os investimentos da companhia em sociedades coligadas e
controladas e mencionar as modificações ocorridas durante o exercício.
§ 1º São coligadas as sociedades nas quais a investidora tenha influência significativa.
§ 2º Considera-se controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de
direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a
maioria dos administradores.
§ 3º A companhia aberta divulgará as informações adicionais, sobre coligadas e controladas, que forem exigidas pela Comissão de
Valores Mobiliários.
§ 4º Considera-se que há influência significativa quando a investidora detém ou exerce o poder de participar nas decisões das
políticas financeira ou operacional da investida, sem controlá-la.
§ 5º É presumida influência significativa quando a investidora for titular de 20% (vinte por cento) ou mais do capital votante da
investida, sem controlá-la.
 verificamos a introdução de conceitos como coligação e controle, bem como a possibilidade de presunção de influência de uma empresa
noutra, o que pode ser levado para finalidades interpretativas no interior de processos trabalhistas.
 no art. 265 da L. 6.404/76, temos a conceituação do que se denomina grupo de sociedades, apontando que esta pode se caracterizar
“mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de
atividades ou empreendimentos comuns”. Ou seja, a participação de atividades, ou mesmo possibilidade de empreendimentos comuns
culmina por ser elemento caracterizador, viabilizando real possibilidade de constituição de grupo econômico de fato.
9 – Reflexão final – Microssistema Normativo sobre o tema
f) Ambiental
 o art. 200, VIII, da Constituição elastece ao ambiente do trabalho a possibilidade de tutela nos termos descritos pela
legislação ambiental, o que permite a possibilidade de aplicação da lei acima.
 Lei que dispõe sobre Política Nacional do Meio Ambiente (L. 6.938/81), em seu art. 3º, IV afirma ser “poluidor, a pessoa
física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de
degradação ambiental”, e no seu art. 14, §1°, vemos a existência de responsabilidade de natureza objetiva. Assim,
ponderando sobre a possibilidade de danos afetos a empregados decorrentes de indevido meio ambiente do trabalho, e
considerando o conceito de agente poluidor, é possível que todos os integrantes de grupo econômico sejam
responsabilizados de forma direta e objetiva, cumprindo a estes o encargo probatório de sua não responsabilidade.
g) Declaração de Direitos da Liberdade Econômica (L. 13.874/19)
 aponta uma estrutura de normas e princípios, objetivando a proteção da liberdade de mercado, e a intervenção mínima
do Estado
 cumpre destacar, na lógica do debate sobre grupo econômico, o seguinte artigo:
Art. 4º É dever da administração pública e das demais entidades que se vinculam a esta Lei, no exercício de
regulamentação de norma pública pertencente à legislação sobre a qual esta Lei versa, exceto se em estrito
cumprimento a previsão explícita em lei, evitar o abuso do poder regulatório de maneira a, indevidamente:
I - criar reserva de mercado ao favorecer, na regulação, grupo econômico, ou profissional, em prejuízo dos demais
concorrentes;
9 – Reflexão final – Microssistema Normativo sobre o tema
g) Declaração de Direitos da Liberdade Econômica (L. 13.874/19)
 vemos a imposição para a Administração Pública, e outras entidades vinculadas aos termos da lei, onde podemos inserir o
Poder Judiciário, de um dever, qual seja, de evitar regulação a favorecer, dentre outros, a um grupo econômico.
 é possível verificarmos, a contrário senso, uma interpretação protetiva ao mercado, qual seja, que grupos econômicos que
violem sistemática as regras de mercado sejam favorecidos por esta conduta.
 isso porque, quando observamos o descumprimento de regras, cerificamos a criação do que se denomina “externalidades
negativas”, ou seja, o descumpridor de uma regulamentação estatal se beneficia desta sonegação para conseguir uma
estrutura de custos melhor que a de seus concorrentes, imputando àqueles a necessidade de suportar um custo maior, e
ato contínuo, um preço maior, prejudicando assim o efetivo equilíbrio no livre mercado.
 portanto, reconhecer a existência de grupos econômicos de fato, que tentam fraudar sistematicamente suas obrigações,
dentre elas as trabalhistas, é um efetivo dever do Estado, pela lógica trazida pela Declaração de Direitos da Liberdade
Econômica, pois é conduta que mantém o equilíbrio do mercado.
10 – Jurisprudência sobre o tema
STJ
Ementa: AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECUPERAÇÃO JUDICIAL.
DECISÃO QUE CONCEDEU O PROCESSAMENTO, EM CONJUNTO, DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL DE
SOCIEDADES INTEGRANTES DO MESMO GRUPO ECONÔMICO OU SOCIETÁRIO DE FATO.
POSSIBILIDADE. LITISCONSÓRCIO ATIVO. ENTRELAÇAMENTO FINANCEIRO E DE GESTÃO DAS
SOCIEDADES INTEGRANTES DO GRUPO. REGISTRO DE GARANTIAS CRUZADAS. PROCESSAMENTO
CONJUNTO DA RECUPERAÇÃO. PRETENSÃO RECURSAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO A
FUNDAMENTAÇÃO CENTRAL DO ACÓRDÃO RECORRIDO. SÚMULA 283 DO STF. INCIDÊNCIA.
PRETENSÃO QUE DEMANDA O REVOLVIMENTO DO CONJUNTO FÁTICO E PROBATÓRIO DOS
AUTOS E A REINTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. ÓBICE DE INADMISSIBILIDADE.
SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. CONFIRMAÇÃO. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO.
AgInt no AREsp 1560868 / SP; Relator(a): Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO; Data da
Publicação/Fonte: 13/05/2021
10 – Jurisprudência sobre o tema
STJ
Ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECONHECIMENTO DE SUCESSÃO TRIBUTÁRIA E DE
EXISTÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART. 124, I, DO CTN. PRETENSÃO DE
REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA DO STJ. ALEGAÇÃO DE
OFENSA AO ART. 185, § 8o, DO CPC/2015. HONORÁRIOS. REVISÃO. SÚMULA N. 7 DO STJ. DIVERGÊNCIA
JURISPRUDENCIAL. NÃO COMPROVAÇÃO. III - Nos dois recursos especiais, foi alegado que o Tribunal de
origem incorreu na violação do art. 124, I, do CTN, essencialmente, argumentando os recorrentes que
não existiriam elementos para decretar a solidariedade fiscal, responsabilizando-os. IV - Entretanto,
analisando o acórdão recorrido, observa-se que aquele Sodalício, ao examinar a questão, entendeu que
a sucessão tributária estaria demonstrada, conforme os seguintes fundamentos abaixo transcritos:
"Verifica-se, em suma, no caso vertente, a ocorrência de sucessão tributária, uma vez que a
ORGANIZAÇÃO ESTRELA (os sócios administradores eram os irmãos FARUK SAID e DAES SAID)
transformou-se/incorporou-se em ESTRELA DISTRIBUIDORA, cujos sócios administradores são RUQAIA
(esposa de DAES SAID) e AIHAM FARUK (filho de FARUK SAID), conforme se constata dos documentos
anexos à inicial (f. 110 e 120), e, também, porque: a gerência sempre foi exercida pelos membros da
mesma família (SAID), o ramo idêntico de atividade de ambas empresas, o funcionamento no mesmo
estabelecimento comercial (f. 445/693 e f. 695/1.569) e, especialmente, o mesmo nome fantasia em
diversas filiais:MÓVEIS ESTRELAS (arquivo 02). AgInt no AREsp 1602917 / GO; Relator(a) Ministro
FRANCISCO FALCÃO; Data da Publicação/Fonte: 15/03/2021
10 – Jurisprudência sobre o tema
STJ
Ementa PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO
FISCAL. ART. 535 DO CPC/1973. INEXISTÊNCIA DE VÍCIOS. GRUPO
ECONÔMICO. ABUSO DE PODER. CONFUSÃO PATRIMONIAL. TRESPASSE. SUCESSÃO
EMPRESARIAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE
SUBSIDIÁRIA. JUÍZO FIRMADO COM LASTRO NOS FATOS E PROVAS E À LUZ DAS
CLÁUSULAS CONTRATUAIS. SÚMULAS 7 E 5 DO STJ. RAZÕES RECURSAIS
DEFICIENTES. SÚMULA 284/STF. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO A FUNDAMENTOS DO
ACÓRDÃO RECORRIDO. SÚMULA 283/STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL
PREJUDICADO.
2. A Corte de origem, analisando o acervo fático-probatório e as
cláusulas dos contratos sociais, em minuciosa fundamentação,
concluiu: (i) caracterizada a formação de grupo econômico e
demonstrada a confusão patrimonial, com o esvaziamento patrimonial
das controladas, cujo vínculo com a controladora alcançaria as
sucessoras; e (ii) configurada a responsabilidade tributária da
recorrente, de forma subsidiária, diante da comprovação da sucessão
empresarial e da presença de ajustes no contrato de trespasse que
revelam sua ciência a respeito do passivo da empresa adquirida.
AgInt no REsp 1706265 / RJ; Relator(a) Ministro BENEDITO GONÇALVES; Data da Publicação/Fonte:
05/03/2021
10 – Jurisprudência sobre o tema
STJ
Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL.
VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 E 489 DO CPC/2015. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. SÚMULA 284/STF.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. REDIRECIONAMENTO. ACÓRDÃO EM HARMONIA
COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA 83/STJ. CONFUSÃO PATRIMONIAL. REEXAME DE PROVAS.
IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.
Informações Complementares à Ementa: Há a responsabilidade tributária conjunta e solidária na
hipótese de evidente confusão patrimonial entre as empresas e atuação dos sócios, conforme a
jurisprudência do STJ. "[...] a inclusão administrativa dos responsáveis solidários na CDA dispensa a
instauração do incidente de desconsideração da
personalidade jurídica previsto no art. 133 do CPC/2015 [...]".
(VOTO VENCIDO) (MIN. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO) "[...] a circunstância de várias empresas
possuírem ao mesmo tempo sócio, acionista, dirigente ou gestor comum pode até indiciar a presença
de grupo econômico de fato, mas isso não é suficiente, do ponto de vista jurídico tributário, para tornar
segura, certa ou desenturvada de dúvidas a legitimação passiva das várias empresas e pessoas físicas,
para responderem pelas dívidas umas das outras, reciprocamente".
REsp 1886106 / SC; Relator(a) Ministro BENEDITO GONÇALVES; Data da Publicação/Fonte:
11/12/2020
10 – Jurisprudência sobre o tema
STJ
Ementa AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA AGRAVADA.
CRIMES DE FALSIDADE IDEOLÓGICA E CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE CONTEMPORANEIDADE.
MATÉRIA NÃO ANALISADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. MEDIDAS CAUTELARES
DIVERSAS DA PRISÃO. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA. PROPORCIONALIDADE
E ADEQUAÇÃO DAS MEDIDAS. FLAGRANTE ILEGALIDADE NÃO EVIDENCIADA. AGRAVO REGIMENTAL
DESPROVIDO, COM RECOMENDAÇÃO.
6. Conforme informações prestadas pela MM. Juíza de primeiro grau, a agravante figura como sócia
administradora da sociedade empresária Somar 9 Distribuidora de Alimentos Ltda.(entre 28/7/2006 e
28/10/2015) e, juntamente com o denunciado G C, teria transferido de forma fraudulenta suas cotas para
Eduardo José Costa Matos (falecido), interposta pessoa (laranja), na medida em que o mesmo não possuía
capacidade financeira para aquisição de quotas. Ressaltou, ainda, a magistrada que, de forma indiciária, com
domínio final do fato e conhecimento do intuito supostamente fraudulento, teria constituído em 22/11/2013,
juntamente com o denunciado G S M, a empresa Succés Participações Ltda. com sede social no mesmo
endereço da empresa DUBAI 10 entre 24/11/2011 e 25/12/2011. Destaque para o fato de que a agravante é
esposa do corréu G S M, que figura como o principal líder da organização criminosa estruturada e organizada.
AgRg no RHC 118630 / RJ; Relator(a) Ministro JOEL ILAN PACIORNIK ; Data da Publicação/Fonte: 20/11/2020
*aspecto probatório: capacidade do sócio para constituir a empresa (pergunta: qual a origem do recurso para
integralizar o capital social???
10 – Jurisprudência sobre o tema
STJ
Ementa PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC/2015 NÃO
CONFIGURADA. REDIRECIONAMENTO DA EXECUÇÃO. OCORRÊNCIA DE SUCESSÃO
EMPRESARIAL. NECESSIDADE DE REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO.
IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ.
3. O Tribunal a quo consignou: "A pretensa nulidade decorrente da modificação de
fundamento para autorizar o redirecionamento também deve ser afastada. A uma, porque,
como relatado pelo próprio recorrente, o magistrado oportunizou a emenda da petição inicial,
justamente para evitar que a modificação da razão de decidir gerasse prejuízos aos autor.
Assim, não foi negligenciado o direito de defesa do embargante. A duas, porque, em verdade,
ambas as justificativas para reconhecer a responsabilidade (a existência de um grupo
econômico solidário ou a sucessão empresarial) se basearam em fartos documentos que
comprovam o exercício da mesma atividade por ambas as empresas (fl. 109 e 116), com sede
social no mesmo ndereço (fl. 109 e 122), dedicados à exploração de uma mesma marca
registrada (GOMES DA COSTA), sendo dirigidas pelos mesmos sócios (fl. 109 e 121)".
AgInt no AREsp 1343104 / RJ; Relator(a) Ministro HERMAN BENJAMIN; Data da
Publicação/Fonte: 26/06/2020
10 – Jurisprudência sobre o tema
TST
Ementa: "III - AGRAVOS DE INSTRUMENTO EM RECURSOS DE REVISTA DE SORVETERIA CREME MEL S/A , POLIPEÇAS
DISTRIBUIDORA AUTOMOTIVA LTDA . E ODILON SANTOS ADMINISTRAÇÃO COMPARTILHADA LTDA - EM RECUPERAÇÃO
JUDICIAL - MATÉRIA COMUM - ANÁLISE CONJUNTA - GRUPO ECONÔMICO - CARACTERIZAÇÃO - RESPONSABILIDADE
SOLIDÁRIA. Este relator sempre entendeu que a mera relação de coordenação entre empresas configura grupo
econômico. Entretanto, aplicava-se a orientação firmada pela SDI-1 quanto ao tema, que exige a demonstração da
inequívoca subordinação hierárquica entre empresas como condição para o reconhecimento de grupo econômico. No
entanto, após ficar vencido em diversas oportunidades, retoma-se o posicionamento anterior, para passar a adotar o
entendimento já consagrado pela d. maioria da Eg. 3ª Turma, na esteira do art. 3º, §2º, da Lei 5.889/73 c/c o art. 2º, § 3º,
da CLT, incluído pela Lei 13.647/17, de que a formação de grupo econômico se dá pela mera coordenação entre
empresas. Na hipótese dos autos , a Corte Regional concluiu pela configuração de grupo econômico, levando em
consideração a coordenação entre as empresas, sob o fundamento de que todas as reclamadas possuem ligação com o Sr.
Odilon Walter dos Santos. Registrou que "Emerge, pois, dos autos, que o Sr. Odilon Walter dos Santos era, de fato, a pessoa
que exercia direção, controle ou administração das empresas demandadas, das quais era sócio, inclusive fazendo-se
substituir por pessoa jurídica, qual seja a OSCOMIN PARTICIPAÇÕES LTDA. Essa empresa passou a integrar o quadro
societário da empresa POLIPEÇAS, que por meio da mesma alteração contratual retirou da sociedade o sócio Odilon Walter
dos Santos, em quantitativo idêntico de cotas do ex-sócio. O Sr. Odilon Walter dos Santos se retira da sociedade, mas, na
prática, continua, como representante da empresa Oscomin Participações Ltda., conforme documentação carreada aos
autos. Ou seja, houve alteração apenas nos papéis". Frise-se, por oportuno, que o caso ora analisado já é bem conhecido
desta Corte Superior, que tem reiteradamente reconhecido o grupo econômico. Precedentes, envolvendo as mesmas
reclamadas.Agravos de instrumento conhecidos e desprovidos. (AIRR-11227-75.2016.5.18.0009, 3ª Turma, Relator
Ministro Alexandre de Souza Agra Belmonte, DEJT 21/05/2021).
10 – Jurisprudência sobre o tema
STF
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRABALHISTA.
EXECUÇÃO. INCLUSÃO DE EMPRESA INTEGRANTE DO MESMO GRUPO ECONÔMICO NO POLO PASSIVO.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EMPRESA QUE NÃO PARTICIPOU DA FASE DE CONHECIMENTO. PROCEDIMENTO
PREVISTO NO ARTIGO 513, § 5º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. ALEGADA OFENSA À SÚMULA VINCULANTE 10
E AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. MULTIPLICIDADE DE RECURSOS
EXTRAORDINÁRIOS. PAPEL UNIFORMIZADOR DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RELEVÂNCIA DA QUESTÃO
CONSTITUCIONAL.MANIFESTAÇÃO PELA EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃOGERAL. (RE 1.387.795)
Tema 1232: Possibilidade de inclusão no polo passivo da lide, na fase de execução trabalhista, de empresa
integrante de grupo econômico que não participou do processo de conhecimento.
Norte: se é possível e se precisa de um incidente para eventual introdução.
TERCEIRIZAÇÃO
 Terceirização
 Passamos a ter a previsão legal do instituto da terceirização no Direito Brasileiro
 Alteração no interior da L. 6.019/74 (que trata originariamente de trabalho temporário)
 Vejamos as principais disposições:
Art. 4º-A. Considera-se prestação de serviços a terceiros a transferência feita pela contratante da execução de quaisquer de suas atividades,
inclusive sua atividade principal, à pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviços que possua capacidade econômica compatível com a
sua execução.
§ 1o A empresa prestadora de serviços contrata, remunera e dirige o trabalho realizado por seus trabalhadores, ou subcontrata outras
empresas para realização desses serviços.
§ 2o Não se configura vínculo empregatício entre os trabalhadores, ou sócios das empresas prestadoras de serviços, qualquer que seja o seu
ramo, e a empresa contratante.
Art. 4º-B. São requisitos para o funcionamento da empresa de prestação de serviços a terceiros:
I - prova de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ);
II - registro na Junta Comercial;
III - capital social compatível com o número de empregados, observando-se os seguintes parâmetros:
a) empresas com até dez empregados - capital mínimo de R$ 10.000,00 (dez mil reais);
b) empresas com mais de dez e até vinte empregados - capital mínimo de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais);
c) empresas com mais de vinte e até cinquenta empregados - capital mínimo de R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais);
d) empresas com mais de cinquenta e até cem empregados - capital mínimo de R$ 100.000,00 (cem mil reais); e
e) empresas com mais de cem empregados - capital mínimo de R$ 250.000,00 (duzentos e cinquenta mil reais).
Art. 4º-C. São asseguradas aos empregados da empresa prestadora de serviços a que se refere o art. 4o-A desta Lei, quando e
enquanto os serviços, que podem ser de qualquer uma das atividades da contratante, forem executados nas dependências da
tomadora, as mesmas condições:
I - relativas a:
a) alimentação garantida aos empregados da contratante, quando oferecida em refeitórios;
b) direito de utilizar os serviços de transporte;
c) atendimento médico ou ambulatorial existente nas dependências da contratante ou local por ela designado;
d) treinamento adequado, fornecido pela contratada, quando a atividade o exigir.
II - sanitárias, de medidas de proteção à saúde e de segurança no trabalho e de instalações adequadas à prestação do serviço.
§ 1o Contratante e contratada poderão estabelecer, se assim entenderem, que os empregados da contratada farão jus a salário
equivalente ao pago aos empregados da contratante, além de outros direitos não previstos neste artigo.
§ 2o Nos contratos que impliquem mobilização de empregados da contratada em número igual ou superior a 20% (vinte por cento)
dos empregados da contratante, esta poderá disponibilizar aos empregados da contratada os serviços de alimentação e atendimento
ambulatorial em outros locais apropriados e com igual padrão de atendimento, com vistas a manter o pleno funcionamento dos
serviços existentes.
Art. 5º-B. O contrato de prestação de serviços conterá:
I - qualificação das partes;
II - especificação do serviço a ser prestado;
III - prazo para realização do serviço, quando for o caso;
IV - valor.
Art. 5º-C. Não pode figurar como contratada, nos termos do art. 4o-A desta
Lei, a pessoa jurídica cujos titulares ou sócios tenham, nos últimos dezoito
meses, prestado serviços à contratante na qualidade de empregado ou
trabalhador sem vínculo empregatício, exceto se os referidos titulares ou sócios
forem aposentados.
Art. 5º-D. O empregado que for demitido não poderá prestar serviços para esta
mesma empresa na qualidade de empregado de empresa prestadora de
serviços antes do decurso de prazo de dezoito meses, contados a partir da
demissão do empregado.
Art. 16 - No caso de falência da empresa de trabalho temporário, a empresa
tomadora ou cliente é solidariamente responsável pelo recolhimento das
contribuições previdenciárias, no tocante ao tempo em que o trabalhador
esteve sob suas ordens, assim como em referência ao mesmo período, pela
remuneração e indenização previstas nesta Lei.
STF
ADPF 324
Decisão: O Tribunal, no mérito, por maioria e nos termos do voto do Relator, julgou procedente o pedido e firmou a seguinte
tese: 1. É lícita a terceirização de toda e qualquer atividade, meio ou fim, não se configurando relação de emprego entre a
contratante e o empregado da contratada. 2. Na terceirização, compete à contratante: i) verificar a idoneidade e a capacidade
econômica da terceirizada; e ii) responder subsidiariamente pelo descumprimento das normas trabalhistas, bem como por
obrigações previdenciárias, na forma do art. 31 da Lei 8.212/1993, vencidos os Ministros Edson Fachin, Rosa Weber, Ricardo
Lewandowski e Marco Aurélio. Nesta assentada, o Relator esclareceu que a presente decisão não afeta automaticamente os
processos em relação aos quais tenha havido coisa julgada. Presidiu o julgamento a Ministra Cármen Lúcia. Plenário,
30.8.2018.
RE 958252
Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 725 da repercussão geral, deu
provimento ao recurso extraordinário, vencidos os Ministros Edson Fachin, Rosa Weber, Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio.
Em seguida, o Tribunal fixou a seguinte tese: "É lícita a terceirização ou qualquer outra forma de divisão do trabalho entre
pessoas jurídicas distintas, independentemente do objeto social das empresas envolvidas, mantida a responsabilidade subsidiária
da empresa contratante", vencida a Ministra Rosa Weber. O Ministro Marco Aurélio não se pronunciou quanto à tese. Ausentes
os Ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes no momento da fixação da tese. Presidiu o julgamento a Ministra Cármen Lúcia.
Plenário, 30.8.2018.
TEMA 0725 - Recurso: RE 958252
Tese: É lícita a terceirização ou qualquer outra forma de divisão do trabalho entre pessoas jurídicas distintas,
independentemente do objeto social das empresas envolvidas, mantida a responsabilidade subsidiária da empresa
contratante.
TST
Tema 18 - Recurso: TST-IncJulgRREmbRep-1000- 71.2012.5.06.0018
Tese:
1) Nos casos de lides decorrentes da alegação de fraude, sob o fundamento de ilicitude da terceirização de atividade-fim, o litisconsórcio passivo é necessário e unitário.
Necessário, porque é manifesto o interesse jurídico da empresa de terceirização em compor essas lides e defender seus interesses e posições, entre os quais a validade dos
contratos de prestação de serviços terceirizados e, por conseguinte, dos próprios contratos de trabalho celebrados; Unitário, pois o juiz terá que resolver a lide de maneira
uniforme para ambas as empresas, pois incindíveis, para efeito de análise de sua validade jurídica, os vínculos materiais constituídos entre os atores da relação triangular de
terceirização.
2) A renúncia à pretensão formuladana ação não depende de anuência da parte contrária e pode ser requerida a qualquer tempo e grau de jurisdição; cumpre apenas ao
magistrado averiguar se o advogado signatário da renúncia possui poderes para tanto e se o objeto envolve direitos disponíveis. Assim, é plenamente possível o pedido de
homologação, ressalvando-se, porém, ao magistrado o exame da situação concreta, quando necessário preservar, por isonomia e segurança jurídica, os efeitos das decisões
vinculantes (CF, art. 102, § 2º; art. 10, § 3º, da Lei 9.882/99) e obrigatórias (CPC, art. 927, I a V) proferidas pelos órgãos do Poder Judiciário, afastando-se manobras processuais
lesivas ao postulado da boa-fé processual (CPC, art. 80, I, V e VI).
2.1) Depois da homologação, parte autora não poderá deduzir pretensão contra quaisquer das empresas - prestadora-contratada e tomadora-contratante - com suporte na
ilicitude da terceirização da atividade-fim (causa de pedir).
2.2) O ato homologatório, uma vez praticado, acarreta a extinção do processo e, por ficção legal, resolve o mérito da causa (artigo 487, III, “c”, do CPC), produz coisa julgada
material, atinge a relação jurídica que deu origem ao processo, somente é passível de desconstituição por (CPC, arts. 525, § 15, 535, § 8º, e 966) ou ainda pela via da
impugnação à execução (CPC, art. 525, §12) ou dos embargos à execução (CPC, art. 535, § 5º) e acarretará a perda do interesse jurídico no exame do recurso pendente de
julgamento.
3) Em sede de mudança de entendimento desta Corte, por força da unitariedade imposta pela decisão do STF (“superação abrupta”), a ausência de prejuízo decorrente da falta
de sucumbência cede espaço para a impossibilidade de reconhecimento da ilicitude da terceirização. Sendo assim, como litisconsorte necessário, a empresa prestadora que,
apesar de figurar no polo passivo, não sofreu condenação, possui interesse em recorrer da decisão que reconheceu o vínculo de emprego entre a parte autora e a empresa
tomadora dos serviços.
4) Diante da existência de litisconsórcio unitário – e necessário – a decisão obrigatoriamente produzirá idênticos efeitos para as empresas prestadora e tomadora dos serviços
no plano do direito material. Logo, a decisão em sede de juízo de retratação, mesmo quando apenas uma das Reclamadas interpôs o recurso extraordinário, alcançará as
litisconsortes de maneira idêntica.
TEMA 81 - Recurso: TST-RR - 0010902-17.2022.5.03.0136,
Tese: A prestação de serviços terceirizados a uma pluralidade de tomadores não afasta a responsabilidade subsidiária, bastando a constatação de que se beneficiaram os
serviços prestados.
Sucessão de Empregadores
1. DEFINIÇÃO
Consiste no instituto trabalhista que se opera no contexto de
transferência de titularidade de empresa ou estabelecimento,
ou de alteração de sua estrutura jurídica, acarretando
transmissão de créditos e assunção de dívidas trabalhistas
entre o sucedido e o sucessor.
Também conhecida como “sucessão trabalhista” ou “alteração
contratual subjetiva”.
Traduz-se, em síntese, na substituição de empregadores, com
imposição de créditos e débitos.
2. CARACTERIZAÇÃO
• Artigo 10 da CLT: “Qualquer alteração na estrutura
jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos
por seus empregados”.
• Artigo 448 da CLT: “A mudança na propriedade ou na
estrutura jurídica da empresa não afetará os
contratos de trabalho dos respectivos empregados”
• O SUCESSOR deve responder integralmente pela dívida, pois é o patrimônio
da empresa que responde pela dívida, sem necessidade do empregado ter
prestado serviços para a empresa sucessora.
• Provada a sucessão, a execução será promovida contra a sucessora, pouco
importando que esta não tenha participado do processo de conhecimento. O
direito de resposta foi respeitado, pois no processo cognitivo se ofereceu à ré
(empregadora primitiva) oportunidade para defender-se amplamente.
• OJ nº 261 da SBDI-1 do C. TST: “As obrigações trabalhistas, inclusive as
contraídas à época em que os empregados trabalhavam para o banco
sucedido, são de responsabilidade do sucessor, uma vez que a este foram
transferidos os ativos, as agências, os direitos e deveres contratuais,
caracterizando típica sucessão trabalhista”.
3. Requisitos => Transferência de Unidade Econômico-Jurídica:
• A transferência deve abranger o controle da empresa ou o conjunto desta, ou ao
menos uma fração empresarial que traduza, em seu conjunto, a noção de unidade
econômico-jurídica.
• A alteração na estrutura jurídica da empresa também acarreta a sucessão de
empregadores, haja vista implicar a modificação do titular da atividade
empresarial.
• A sucessão trabalhista somente se opera com a transferência de unidades
econômico-jurídicas ou universalidades. Não se configura a sucessão no caso de
venda de máquinas e coisas singulares.
• Qualquer título jurídico hábil a efetuar a transferência de universalidades no
direito é compatível com a sucessão de empregadores.
• O fato gerador da sucessão é a transferência da titularidade de toda ou de parte
da empresa, de uma pessoa física ou jurídica para outra, a qualquer título.
• Art. 448-A. CLT Caracterizada a sucessão empresarial ou de empregadores prevista
nos arts. 10 e 448 desta Consolidação, as obrigações trabalhistas, inclusive as
contraídas à época em que os empregados trabalhavam para a empresa sucedida,
são de responsabilidade do sucessor. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
• Parágrafo único. A empresa sucedida responderá solidariamente com a sucessora
quando ficar comprovada fraude na transferência. (Incluído pela Lei nº
13.467, de 2017)
– Godinho Delgado: Responsabilidade por toda a história do contrato de trabalho (passado, presente
e futuro).
• ATENÇÃO: OJ nº 411 da SBDI-1 do C. TST: “O sucessor não responde solidariamente
por débitos trabalhistas de empresa não adquirida, integrante do mesmo grupo
econômico da empresa sucedida, quando, à época, a empresa devedora direta era
solvente ou idônea economicamente, ressalvada a hipótese de má-fé ou fraude na
sucessão”.
– Ao suceder um empresa do Grupo X, a empresa Y não se torna parte do Grupo, salvo má-fé ou 
fraude.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1
4. Posição Jurídica do Sucedido:
• Como regra geral, o Direito do Trabalho não preserva, a
princípio, qualquer responsabilidade do sucedido pelos créditos
trabalhistas relativos ao período anterior à transferência.
• O sucessor assume, na integralidade, a função de empregador,
respondendo por toda a história do contrato de trabalho.
• Doutrina e jurisprudência, contudo, apresentavam três visões
sobre a possibilidade de responsabilização da empresa sucedida:
• 1ª Corrente – sucedido, ainda que não seja caso de fraude, responderá
subsidiariamente, pois o instituto da sucessão trabalhista tem por finalidade não
permitir o prejuízo ao trabalhador.
– Assim, independentemente de fraude, se há um comprometimento das garantias
empresariais hábeis a garantir a satisfação dos direitos dos trabalhadores, a empresa
sucedida continuaria respondendo, ainda que subsidiariamente.
• 2ª Corrente – não tendo fraude, a transferência da responsabilidade ao sucessor é
total, onde não há de se falar em qualquer responsabilidade da empresa sucedida.
– Dispositivo da CLT (antes da Reforma Trabalhista), era taxativo e não permitia qualquer
conclusão de continuidade de responsabilidade da sucedida.
• 3ª Corrente – entende que mesmo que não houver fraude, a responsabilidade é
solidária nos termos do art. 1.146, CC, ou 124, I, CTN.
– Invocam ainda o art. 233 da Lei n. 6.404 de 1976 que prevê expressamente a responsabilidade
solidária no caso de cisão.
– Se existir ainda cláusula contratual atribuindo a responsabilidade à empresa sucedida, haveria
a possibilidade de responsabilização solidária.
– Artigo 265 do Código Civil (solidariedade não se presume, deriva da lei ou da vontade das
partes)
Art. 124. do CTN: São solidariamente

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