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gente criando o futuro
DIREITO DO TRABALHO
E DA PREVIDÊNCIA
Organizador Gleibe Pretti
DIREITO DO TRABALHO 
E DA PREVIDÊNCIA
(Direito do Trabalho 
e Previdenciário)
Organizadora: Gleibe Pretti
Direito do Trabalho e da Previdência
GRUPO SER EDUCACIONAL 
C
M
Y
CM
MY
CY
CMY
K
Direito do Trabalho e da 
Previdência
(Direito do Trabalho e 
Previdenciário)
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© by Editora Telesapiens
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser 
reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, 
eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro 
tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia 
autorização, por escrito, da Editora Telesapiens.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Bibliotecário responsável: Nelson Oliveira da Silva – CRB 10/854)
P942d Pretti, Gleibe.
Direito do trabalho e da previdência [recurso eletrônico] / 
Gleibe Pretti. – Recife: Telesapiens, 2019. 
204 p. : pdf
ISBN: 978-65-86073-18-8
1. Direito do Trabalho 2. Direito Previdenciário I. Título.
CDU 342.9(81) 
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Direito do Trabalho
e da Previdência
Fundador e Presidente do Conselho de Administração: 
Janguê Diniz
Diretor-Presidente: 
Jânyo Diniz
Diretor de Inovação e Serviços:
Joaldo Diniz 
Diretoria Executiva de Ensino:
Adriano Azevedo
Diretoria de Ensino a Distância:
Enzo Moreira
Créditos Institucionais
Todos os direitos reservados
2020 by Telesapiens
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Olá. Meu nome é GLEIBE PRETTI. Mestre pela 
Universidade de Guarulhos- Univeritas (2017). Pós-Graduado 
em Direito Constitucional pela UNIFIA- UNISEPE. (2015). 
Pós-Graduado em Direito e Processo do Trabalho pela UNIFIA- 
UNISEPE (2015). Graduado, em Direito, pela Universidade São 
Francisco (2002). Sociólogo pela Faculdade Paulista São José. 
(2016). Jornalista inscrito no Ministério do Trabalho. Advogado, 
Atualmente é professor da UnG (Universidade de Guarulhos), 
na graduação em Direito, Pós-graduação, ESA SP- OAB SP, 
Professor do curso de direito da Faculdade Paschoal Dantas 
(graduação e pós), Professor da pós graduação de direito e 
processo do trabalho na Universidade Piaget Brasil. Professor da 
pós-graduação do IDP- Instituto do direito público de São Paulo. 
Professor convidado da UniDrummond Professor convidado de 
cursos como: Curso NEAF, dentre outros. 
Avaliador do MEC, tanto para autorização como 
renovação de cursos de direito. Avaliador do INEP. Editor-
chefe da revista educação da Universidade de Guarulhos. 
Avaliadores Ad Hoc da Revista de Constitucionalização do 
Direito - RECONTO, ISSN 2594-9489 Árbitro do Ministério 
da Cultura (Minc). Autor de 71 livros na área trabalhista 
(ed. LTR, ícone, campus, saraiva, Campus, barros e fischer, 
etc.). Autor de diversos artigos científicos, na revista dos 
tribunais, em direito do trabalho, assim como artigos na revista 
educação pela UnG- SER. Colunista do Jornal dos Concursos 
e Jornal Carta Forense. Membro da comissão de pesquisa e 
pós-graduação da OAB SP. Palestrante do Departamento de 
Cultura e Eventos da OAB SP. Abaixo, descrevo alguns dos 
livros publicados de nossa autoria, nos últimos 2 anos (2017 e 
2018): Comentários à lei sobre a reforma trabalhista. Ed. LTR. 
2017. Prática Trabalhista com modelos de peças e contratos. 
O AUTOR
GLEIBE PRETTI
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Ed. LTR 2018. Prática Trabalhista para a 2ª Fase da OAB. ED. 
LTR 2017. Manual sobre a reforma trabalhista. Ed. Jefte. 2017. 
Cálculos Trabalhista Teoria e Prática. Ed. Imperium 2016. As 
Lacunas da Reforma Trabalhista. Ed. Ícone. 2017. Arbitragem 
no contrato de trabalho conforme a reforma trabalhista. Ed. LTR 
2018. CLT comentada. Ed. Ícone. 2016. 3ª edição. Justa Causa. 
Ed. LTR. 2017. Remuneração, FGTS e Jornada de trabalho. 
Ed. LTR. 2017. Roteiro das audiências trabalhistas após a 
reforma. Ed. LTR. 2018. Direito Eleitoral. Ed. Alfacon. 2017. 
Direito Contratual do Trabalho. Ed. LTR. 2018. Trabalhador 
intermitente na prática. Ed. LTR. 2018. Como elaborar os 
cálculos trabalhistas após a reforma. Ed. LTR. 2018. 
Dentre outros. https://bit.ly/2UDIzZE. Ou. https://www.
linkedin.com/in/prof-me-gleibe-pretti-a5595962 Tel: 11 982073053 
Email: professorgleibe@gmail.com Nossa entrevista pela Rede 
Globo:https://globoplay.globo.com/v/7123408/programa/.Sou 
apaixonado pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de 
vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui 
convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores 
independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase 
de muito estudo e trabalho. Conte comigo!
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ICONOGRÁFICOS
Esses ícones que irão aparecer em sua trilha de aprendizagem 
significam:
OBJETIVO
Breve descrição do objetivo 
de aprendizagem; +
OBSERVAÇÃO
Uma nota explicativa 
sobre o que acaba de 
ser dito;
CITAÇÃO
Parte retirada de um texto;
RESUMINDO
Uma síntese das 
últimas abordagens;
TESTANDO
Sugestão de práticas ou 
exercícios para fixação do 
conteúdo;
DEFINIÇÃO
Definição de um 
conceito;
IMPORTANTE
O conteúdo em destaque 
precisa ser priorizado;
ACESSE
Links úteis para 
fixação do conteúdo;
DICA
Um atalho para resolver 
algo que foi introduzido no 
conteúdo;
SAIBA MAIS
Informações adicionais 
sobre o conteúdo e 
temas afins;
+++
EXPLICANDO 
DIFERENTE
Um jeito diferente e mais 
simples de explicar o que 
acaba de ser explicado;
SOLUÇÃO
Resolução passo a 
passo de um problema 
ou exercício;
EXEMPLO
Explicação do conteúdo ou 
conceito partindo de um 
caso prático;
CURIOSIDADE
Indicação de curiosidades 
e fatos para reflexão sobre 
o tema em estudo;
PALAVRA DO AUTOR
Uma opinião pessoal e 
particular do autor da obra;
REFLITA
O texto destacado deve 
ser alvo de reflexão.
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SUMÁRIO
UNIDADE 01
Fundamentos e competência legislativa ...............................18
Base Legal ................................................................................18
Conceito ...................................................................................19
Riscos da atividade econômica ................................................20
Poderes .....................................................................................20
Poder de direção do empregador ......................................20
Poder de organização ........................................................21
Poder de controle ..............................................................21
Poder disciplinar ...............................................................22
Responsabilidade solidária do grupo de empresas ...........22
Sucessão de empresas .......................................................23
Alterações na empresa ......................................................25Princípios do Direito do Trabalho ............................................26
Princípio da proteção do trabalhador ................................27
Princípio da irrenunciabilidade ........................................29
Princípio da continuidade da relação de emprego ............30
Princípio da primazia da realidade ...................................30
Princípio da flexibilização do Direito do Trabalho ..........30
Outros princípios ..............................................................30
Eficácia .....................................................................................31
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Hierarquia das normas .............................................................32
Interpretação .....................................................................32
Integração .........................................................................33
Empregador ............................................................................33
Conceito ...................................................................................33
Do Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica ..35
Equiparados a empregador .......................................................35
Sucessão de Empregador .........................................................37
Base legal .........................................................................37
Sucessão de empresas .......................................................38
Alterações na empresa ......................................................39
Teletrabalho ..............................................................................40
Teoria ................................................................................40
Contrato de Trabalho ............................................................42
Base legal .................................................................................42
Teoria .......................................................................................43
Contrato de trabalho .........................................................43
Natureza jurídica ..............................................................44
Características do contrato de trabalho ............................44
Responsabilidade pré-contratual ......................................46
Formação ..........................................................................48
Requisitos .........................................................................50
Classificação ............................................................................51
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Conversão do contrato por tempo determinado e 
indeterminado ......................................................................... 52
Circunstâncias possibilitadoras do contrato por tempo 
determinado ......................................................................53
Trabalho Intermitente ...............................................................54
Base legal .........................................................................54
Teoria ................................................................................56
Empregado ..............................................................................57
Base legal .................................................................................57
Conceito ...................................................................................57
Requisitos imprescindíveis para a caracterização do empregado 58
CTPS ........................................................................................61
Base legal .........................................................................61
Teoria ................................................................................61
Carteira de Trabalho e Previdência Social – CTPS ..........61
Registro em livro ..............................................................63
Exame médico admissional ..............................................63
Autônomo ................................................................................63
Base legal .........................................................................63
Teoria ................................................................................64
Conceito de relações de emprego e trabalho ....................64
Diferença entre empregado e trabalhador ........................64
Trabalhador autônomo ......................................................67
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UNIDADE 02
Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) ............72
Emissão da CTPS .....................................................................73
Apresentação e devolução da CTPS ........................................73
Localidade em que inexista órgão emissor da CTPS ...............74
Vedação a anotações desabonadoras ........................................74
Livro ou ficha de registro de empregados ................................75
Desnecessidade de autenticação prévia ...................................76
Momento para o empregador proceder ao registro do empregado .76
Jornada de Trabalho ..............................................................77
Tipos de jornada .......................................................................79
Limitação da jornada ................................................................80
Trabalho por turnos ininterruptos de revezamento. .................80
Formas de prorrogação da jornada de trabalho ........................81
Intervalos interjornadas e intrajornadas ...................................87
Trabalho noturno ...................................................................89
Descanso semanal remunerado ................................................90
Férias individuais (arts. 129 a 138 da CLT) .............................91
Período aquisitivo ....................................................................92
Período concessivo ...................................................................92
Duração das férias ....................................................................92
Férias do empregado contratado a tempo parcial ....................93
Concessão fora do período .......................................................94
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Possibilidade de fracionamento ...............................................95
Direito de coincidência ............................................................96
Comunicação e pagamento de férias ........................................96
Abono de férias ........................................................................97
Efeitos da extinção do contrato de trabalho .............................98
Prescrição das férias .................................................................99
Férias coletivas .......................................................................100
Formalidades a serem cumpridas na concessão de férias 
coletivas ..........................................................................100
Possibilidade de abono pecuniário ................................100
Férias coletivas proporcionais ................................................101
Remuneração e salário ...........................................................102Parcelas integrantes do salário ...............................................102
Salário profissional .................................................................104
Salário normativo ...................................................................104
Princípios de proteção do salário ...........................................104
Descontos legais .....................................................................105
Política de reajuste salarial .....................................................106
Gratificação de natal (13º SALÁRIO) ...................................106
Normas complementares de proteçao ao trabalhador ............108
Salário família ...............................................................108
Seguro desemprego .......................................................110
Programa de alimentação do trabalhador (Lei nº 6.321/76) 113
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Segurança e medicina no trabalho .....................................114
Disposições gerais: arts 154 a 201 da CLT; NR-1; NR-6; NR-
15; NR-16...............................................................................114
Órgãos de segurança e saúde do trabalhador nas empresas ...115
Equipamentos de proteção individual (EPI): CLT, arts 166 e 
167..........................................................................................115
Exame médico ........................................................................115
Atividades insalubres e perigosas: CLT, arts 189 a 197. ........116
Comissão de prevenção de acidentes: CLT, art. 163 ..............118
Normas especiais de tutela do trabalho ..................................119
Trabalho do bancário (arts. 224 a 226 da CLT) .....................119
Proteção ao trabalho da mulher: art. 372 a 401 da CLT .121
Proteção ao trabalho do menor .............................................123
UNIDADE 03
Contrato individual de trabalho .........................................128
Natureza Jurídica ...................................................................128
Duração ..................................................................................128
Contrato por prazo indeterminado .........................................129
Contrato por prazo determinado ............................................129
Contrato por prazo determinado .......................................132
Alteração ...............................................................................134
Suspensão e interrupção ........................................................138
Convenções e acordos coletivos de trabalho ......................147
Dissídio coletivo ...................................................................149
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UNIDADE 04
Fundamentos e competência na justiça do trabalho .........154
Organização da justiça do trabalho ........................................154
Tribunal superior do trabalho .................................................155
Composição ...................................................................155
Tribunal pleno ................................................................157
Seção administrativa (especial) ......................................158
Seção especializada em dissídios coletivos ....................158
Tribunais regionais do trabalho ..............................................159
Juízes do trabalho ...................................................................159
Órgãos auxiliares....................................................................161
Competência da justiça do trabalho ................................162
Competência em razão de matéria ..................................164
Ações de servidor da administração pública estatutário 166
Trabalho parassubordinado e a competência material da 
Justiça do Trabalho .........................................................166
Complementação de aposentadoria ou de pensão ..........172
Competência em razão do território ...............................174
Direito Previdenciário Seguridade Social ..........................175
Introdução ..............................................................................175
Os Atuais Princípios da Seguridade Social ........................176
Conceitos ................................................................................176
Atuais Princípios referentes a Seguridade Social ..................179
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Princípio da Solidariedade .....................................................184
Princípio da Proteção ao Segurado ........................................185
Princípio da Vedação ao Retrocesso Social ...........................185
Princípios Constitucionais da Seguridade Social ...................186
Universalidade da Cobertura e do Atendimento ....................187
Uniformidade e Equivalência dos Benefícios e Serviços às 
Populações Urbanas e Rurais .................................................187
Seletividade e Distributividade na Prestação dos Benefícios e 
Serviços ..................................................................................188
Irredutibilidade do Valor dos Benefícios ...............................189
Equidade na Forma de Participação no Custeio ....................190
Diversidade da Base de Financiamento .................................191
Caráter Democrático e Descentralizado da Administração ...192
Da Filiação Obrigatória ..........................................................194
Do Caráter Contributivo ........................................................195
Do Equilíbrio Financeiro e Atuarial .......................................195
Da Garantia do Benefício Mínimo .........................................196
Da Correção Monetária dos Salários de Contribuição ...........196
Da Preservação do Valor Real dos Benefícios .......................197
Da Facultatividade da Previdência Complementar ................198
Da Indisponibilidade dos Direitos dos Beneficiários .............199
Regra da Contrapartida ......................................................199
Conclusão ...............................................................................200
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Direito do Trabalho e da Previdência 15
UNIDADE
01
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Direito do Trabalho e da Previdência16
Olá meu caro estudante, você sabia que a área de direito 
do trabalho, especialmente, após a reforma legislativa de 
2017, trouxe alterações na vida cotidiana dos empregados e 
trabalhadores, como um todo?
Sem dúvida estamos numa era de mudanças, na sociedade 
e seus reflexos na esfera das relações de trabalho. A introdução 
da tecnologia no dia a dia das pessoas, fez com que a exigência 
do empregador para com o trabalhador fosse ainda maior, desta 
forma, a especialização, assim como, o conhecimento se faz 
necessário para ocupar um espaço adequado no mercado de 
trabalho e ter o sucesso esperado.
O importante ao estudar uma nova matéria é se perguntar: 
Como esse assunto poderá serútil para o meu cotidiano? Sem 
sombra de dúvidas, o direito do trabalho será muito importante 
para o seu desempenho profissional. Entendeu? Ao longo desta 
unidade letiva você vai mergulhar neste universo!
INTRODUÇÃO
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Direito do Trabalho e da Previdência 17
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1. Nosso objetivo 
é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências 
profissionais até o término desta etapa de estudos:
OBJETIVOS
1 Entender sobre os fundamentos e as competências legislativas;
2 Compreender qual o papel do empregador de acordo com a CLT;
3 Aprender a base legal de um contrato de trabalho;
4 Compreender qual o papel do empregado e quais seus direitos de acordo com a CLT.
A melhor arma que a pessoa poderá usar para mudar o mundo é 
o livro. (Nelson Mandela). O que temos que entender sobre essa 
frase? Quanto mais conhecimento as pessoas tiverem, teremos 
um mundo, sem dúvida melhor. Mude o mundo, mas antes, 
mude você. O conhecimento aqui adquirido irá ajudá-lo.
Boa leitura. 
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Direito do Trabalho e da Previdência18
Fundamentos e competência legislativa
Ao término deste capítulo você será capaz de entender como 
funciona as competências e direitos do empregador. E então? 
Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. 
Avante!
OBJETIVO
Base Legal
Art. 2º, CLT - Considera-se empregador a empresa, 
individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade 
econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de 
serviço.
Figura 1: Relação de trabalho
Fonte: freepik
A relação de trabalho condiz sempre com a confiança entre 
as partes. 
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Direito do Trabalho e da Previdência 19
Conceito
Cumpre salientar que apenas a União poderá legislar sobre 
direito e processo do trabalho, com base no artigo 22, inciso I da 
CF/88. Temas esses que serão abordados abaixo.
Não abordaremos as questões que envolvem o trâmite da 
lei, na câmara e no senado, tendo em vista que trata de matéria 
de direito constitucional.
Considera-se empregador a empresa, individual ou 
coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, 
admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. Segundo 
o mesmo dispositivo legal, equiparam-se ao empregador, para 
os efeitos exclusivos da relação de emprego, os profissionais 
liberais, as instituições de beneficência, as associações 
recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos, que 
admitirem trabalhadores como empregados.
Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, 
assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e 
dirige a prestação pessoal de serviços (art. 2º, CLT).
IMPORTANTE
É também empregador a pessoa física ou jurídica que 
explora atividades agrícolas, pastoris ou de indústria rural (Lei n. 
5.889/73), e também o empregador doméstico (Lei n. 5.859/72), 
assim também como a pessoa física que explora individualmente 
o comércio. É a chamada empresa individual.
Concluindo, empregador é o ente, dotado ou não de 
personalidade jurídica (pessoa física ou jurídica), com ou sem 
fim lucrativo, que admite o empregado para a prestação de 
serviços pelos quais é pago um salário, ou seja, remunerando-o 
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Direito do Trabalho e da Previdência20
pela utilização de serviço prestado, mediante contrato de trabalho 
(tácito ou expresso).
RESUMINDO
Empregador é o ente, dotado ou não de personalidade jurídica 
(pessoa física ou jurídica), com ou sem fim lucrativo, que admite 
o empregado para a prestação de serviços pelos quais é pago um 
salário.
Riscos da atividade econômica
Assumir os riscos da atividade econômica significa 
que a empresa deve arcar com as despesas salariais dos seus 
funcionários, mesmo que ela sofra prejuízo. Quer dizer que tanto 
o lucro, quanto o prejuízo, deve ser suportado pelo empregador, 
não podendo ser transferido para o empregado.
O empregador admite o empregado mediante a obrigação 
de lhe pagar salário, ou seja, o empregado não foi contratado 
para trabalhar de graça.
O empregador é o responsável pela direção da atividade 
empresarial, possuindo o poder de direção e organização, o 
poder de controle e o poder disciplinar, conforme abaixo serão 
comentados.
Poderes
Poder de direção do empregador
O empregado está subordinado ao poder de direção do 
empregador, e este poder de direção é a faculdade atribuída 
ao empregador de determinar o modo como a atividade do 
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Direito do Trabalho e da Previdência 21
empregado, em decorrência do contrato de trabalho, deve ser 
exercida.
O poder de direção se subdivide em:
 � Poder de organização;
 � Poder de controle;
 � Poder disciplinar.
Os poderes acima mencionados referem-se à relação de 
emprego, nos serviços prestados pelo empregado, no local de 
trabalho, e em conformidade com a legislação.
Poder de organização
O empregador possui o poder de ordenar as atividades 
do empregado, inserindo-as no conjunto das atividades da 
produção, visando à obtenção dos objetivos econômicos e 
sociais da empresa. A empresa poderá ter um regulamento 
interno, e decorre dele a faculdade de o empregador definir os 
fins econômicos visados pelo empreendimento.
Poder de controle
Este poder significa o direito de o empregador fiscalizar 
as atividades profissionais dos seus empregados, e justifica-se, 
uma vez que, sem controle, o empregador não pode ter ciência 
das tarefas cumpridas por seu funcionário, uma vez que, em 
contrapartida, há salário a ser pago.
A própria marcação do cartão de ponto é decorrente do 
poder de fiscalização do empregador sobre o empregado, de 
modo a verificar o correto horário de trabalho do obreiro, que 
inclusive tem amparo legal. Nas empresas com mais de 10 
empregados é obrigatória a anotação da hora de entrada e de 
saída, em registro manual, mecânico ou eletrônico, devendo 
haver a assinalação do período de repouso.
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Direito do Trabalho e da Previdência22
Poder disciplinar
O poder disciplinar é aplicado por meio de suspensão, 
advertência ou dispensa por justa causa. A advertência muitas 
vezes é feita verbalmente, contudo caso o empregado reitere 
o cometimento de uma falta, aí será advertido por escrito, 
e na próxima falta será suspenso. O empregado não poderá 
ser suspenso por mais de 30 dias, o que importa em rescisão 
injusta do contrato de trabalho (art. 474 da CLT), a suspensão 
acarreta a perda dos salários dos dias respectivos mais o DSR. 
Normalmente, o empregado é suspenso por 1 a 5 dias, não 
sendo necessária a gradação nas punições do empregado. Cabe 
mencionar que a Lei não veda que o empregado seja demitido 
diretamente, sem antes ter sido advertido ou suspenso, desde 
que a falta por ele cometida seja realmente grave. É a chamada 
demissão por justa causa. As penalidadesinjustas ou abusivas 
serão passíveis de revisão na Justiça do Trabalho.
A Lei n. 6.354/76, em seu art. 15, dispõe que é vedado ao 
empregador multar o empregado, salvo o atleta profissional.
Responsabilidade solidária do grupo de empresas
Quando uma ou mais empresas, embora cada uma delas tenha 
personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou 
administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou 
de qualquer atividade econômica, serão, para os efeitos da relação 
de emprego, solidariamente responsáveis à empresa principal e 
cada uma das subordinadas (CLT, art. 2o, § 2o).
Não elimina a responsabilidade das empresas a falência 
de uma delas. São exemplos: a coligação, as holdings, o pool, 
o consórcio de empregadores, joint venture (empreendimento 
conjunto) etc.
Os grupos econômicos são formados por uma ou mais 
empresas, cada uma com personalidade jurídica própria, 
existindo entre elas vínculo de direção, controle, administração 
ou coordenação em face de atividade de qualquer natureza.
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Direito do Trabalho e da Previdência 23
Sucessão de empresas
Refere-se à mudança na propriedade da empresa, que 
designa todo acontecimento em virtude do qual uma empresa é 
absorvida por outra. É o que ocorre nos casos de incorporação, 
transformação, fusão etc. Declaram, ainda, os arts. 10 e 448 da 
CLT, que a mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da 
empresa não afetará os contratos de trabalho dos respectivos 
empregados. Enfatizando, assim, a aplicação do Princípio da 
Continuidade da empresa, salientando que as alterações relativas 
à pessoa do empresário não afetam o contrato de trabalho, e 
também no fato de que, dissolvida a empresa, ocorre extinção 
do contrato de trabalho.
Em relação à responsabilidade da empresa sucessora, esta 
responde pelos créditos trabalhistas dos empregados da empresa 
sucedida, ainda que exista cláusula contratual eximindo-a de 
tal responsabilidade. O real objetivo desta cláusula é a garantia 
que a sucessora resguarda para propor ação regressiva contra 
sua antecessora, não a eximindo de responsabilidade quanto aos 
créditos trabalhistas.
A prestação de serviços a mais de uma empresa do mesmo 
grupo econômico, durante a mesma jornada de trabalho, não 
caracteriza a coexistência de mais de um contrato de trabalho, 
salvo ajuste em contrário. É o que preceitua a Súmula n. 129 do 
TST.
IMPORTANTE
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Direito do Trabalho e da Previdência24
Outro efeito é o de suavizar a vedação de alterações 
objetivas do contrato empregatício prejudiciais ao empregado, 
dadas as incessantes modificações nas estruturas da empresa.
A despersonalização é, ainda, fundamento para que os sócios 
da entidade societária sejam alcançados e responsabilizados 
subsidiariamente quando frustrada a execução trabalhista, 
não satisfeita com o patrimônio do devedor principal. A 
desconsideração, por se tratar de exceção à regra da personalidade 
da pessoa jurídica, deve ser aplicada com parcimônia, somente 
quando houver necessidade de despir a sociedade empresária e 
alcançar o patrimônio pessoal dos sócios, sendo imprescindível 
a sensibilidade dos julgadores diante dos casos concretos.
A desconsideração da personalidade jurídica do empregador, 
como um dos principais mecanismos para que o Direito do 
Trabalho produza efeitos na realidade fática, alcançando sua 
finalidade teleológica. Um efeito que se pode evidenciar é o de 
viabilizar o princípio da continuidade da relação empregatícia 
quando da substituição do titular do empreendimento empresarial.
REFLITA
Alguns julgados presumem a culpa do sócio administrador, em 
contrapartida outros aduzem a fraude à lei ou violação de norma 
contratual (art. 50 do CC).
IMPORTANTE
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Direito do Trabalho e da Previdência 25
Alterações na empresa
As alterações empresariais podem ocorrer de duas formas:
a. alterações na sua estrutura jurídica, por exemplo a 
mudança de regime jurídico.
b. alterações em sua propriedade, como a venda.
A legislação celetista trata do tema por meio do art. 10, em 
que aduz que qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa 
não afetará os direitos adquiridos por seus empregados.
E, ainda, no art. 448, também da CLT, no qual consigna que 
a mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa 
não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados.
Conclui-se, pois, que eventual mudança jurídica na 
estrutura da empresa, como sua transformação de empresa 
individual para coletiva ou de sociedade anônima para limitada, 
estas alterações em nada alterarão o contrato de trabalho dos 
empregados.
E mais, a mesma regra vale para o caso de mudança de 
propriedade, como a venda ou inclusão de novos sócios.
Note-se que, mesmo diante de acordo ou convenção coletiva 
de trabalho firmada entre as partes, não excluirá os direitos dos 
trabalhadores, e não há nenhuma repercussão jurídica.
IMPORTANTE
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Direito do Trabalho e da Previdência26
Princípios do Direito do Trabalho
Os princípios são a base do direito. No Direito do 
Trabalho são fundamentos que nos permitem orientar, na falta 
de disposições legais ou contratuais, a exata compreensão das 
normas, cujo sentido é obscuro, complementando estas lacunas 
da lei. Assim, diante da falta de dispositivo legal, aplicam-se os 
princípios (art. 8o da CLT).
No Direito do Trabalho existem princípios específicos 
previstos na Constituição Federal, dentre eles:
 � Igualdade nas relações de trabalho e garantia da 
dignidade da pessoa humana;
 �Art. 5o, XIII – Liberdade de exercício de qualquer 
trabalho, ofício ou profissão;
 �Art. 7o, I – Proteção contra dispensa arbitrária ou sem 
justa causa;
 �Art. 7o, VI – Irredutibilidade dos salários;
 �Art. 7o, XXVI – Reconhecimento das Convenções e 
Acordos Coletivos;
 �Art. 7o, XXVII – Proteção em face da automação;
 �Art. 7o, XXX, XXXI, XXXII – Princípio da não 
discriminação nas admissões, contratação ou extinção do 
contrato de trabalho;
 �Art. 8o – Liberdade sindical;
 �Art. 9o – Direito de greve;
 �Art. 11 – Representação dos trabalhadores nas empresas;
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Direito do Trabalho e da Previdência 27
Estabelece o art. 8º da CLT que “as autoridades administrativas 
e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou 
contratuais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, 
por analogia, por equidade e outros princípios e normas gerais 
de direito, principalmente do Direito do Trabalho, e, ainda, 
de acordo com os usos e costumes, o direito comparado, mas 
sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular 
prevaleça sobre o interesse público”. 
REFLITA
São princípios próprios do Direito do Trabalho: o princípio 
da proteção ao trabalhador, que se desdobra em in dubio pro 
operario, na norma mais favorável, e na condição mais benéfica. 
O princípio da norma mais favorável que também se desdobra 
no princípio da hierarquia das normas, princípio da elaboração 
da normamais favorável e princípio da interpretação mais 
favorável.
Além destes, tem o princípio da irrenunciabilidade dos 
direitos, o princípio da continuidade da relação de emprego, o 
princípio da primazia da realidade e o princípio da flexibilização 
do Direito do Trabalho.
Princípio da proteção do trabalhador
O princípio da proteção ao trabalhador tem por objetivo 
equilibrar a relação laboral tornando-se uma forma de compensar 
a desigualdade econômica presente nas relações de emprego, ou 
seja, “tratar desigualmente os desiguais, na medida em que se 
desigualam” (Rui Barbosa).
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Direito do Trabalho e da Previdência28
Desdobra-se no in dubio pro operario, nas regras da 
aplicação da condição mais benéfica e da norma mais favorável.
O in dubio pro operario determina que havendo dúvida, 
o aplicador da lei deve optar pela solução mais favorável ao 
empregado.
A verdadeira aplicação do princípio do in dubio pro 
operario está na aferição e valoração dos fatos no processo do 
trabalho para que assim se possa obter a verdade e eliminar a 
dúvida.
A aplicação da condição mais benéfica estabelece que 
mesmo que sobrevenha uma norma mais nova, esta nunca 
deverá servir para diminuir as condições mais favoráveis ao 
trabalhador, permanecendo neste caso o trabalhador na situação 
anterior, se mais favorável.
Quando houver mais de uma norma aplicável, a opção 
é aplicar aquela que seja melhor ao empregado, mesmo que 
hierarquicamente inferior.
O princípio da norma mais favorável também pode 
ser desdobrado em três: princípio da hierarquia das normas, 
princípio da elaboração da norma mais favorável e princípio da 
interpretação mais favorável.
Determina o princípio da hierarquia que independentemente 
da hierarquia entre as normas sempre deverá ser aplicada a que 
for mais benéfica ao empregado.
O princípio da elaboração da norma mais favorável 
estabelece que quando o legislador elabora uma lei trabalhista 
ele deve sempre ampliar sua proteção buscando a melhoria de 
condições ao trabalhador.
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Direito do Trabalho e da Previdência 29
Princípio da irrenunciabilidade
O princípio da irrenunciabilidade dos direitos vem previsto 
nos arts. 9o, 444 e 461 da CLT, e estabelece que os direitos 
trabalhistas não podem ser renunciados pois representam as 
condições mínimas asseguradas pelo legislador ou mesmo por 
convenções, ao trabalhador.
A renúncia é o ato unilateral do empregado, pelo qual 
desiste de um direito garantido por lei. Somente será permitida 
a renúncia se se tratar de norma legal cogente, ou que derive de 
sentença normativa ou de cláusula indisponível de pacto coletivo, 
mesmo assim, a renúncia só será possível quando realizada em 
juízo e comprovado que o empregado não foi coagido.
São consideradas como justificativas para este princípio: 
as normas trabalhistas são de ordem pública, ou seja, o Estado as 
caracteriza como imprescindíveis e essenciais para a sociedade, 
as normas trabalhistas não podem ser transacionadas, portanto 
são indisponíveis, as normas trabalhistas tratam de condições 
mínimas ao trabalhador, por isso são imperativas.
Pelo princípio da interpretação mais favorável prevalecerá o 
entendimento que for mais benéfico aos interesses do trabalhador.
IMPORTANTE
RESUMINDO
Estabelece o art. 9º da CLT que os atos praticados para desvirtuar, 
impedir ou fraudar a aplicação dos direitos celetistas são nulos.
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Direito do Trabalho e da Previdência30
Princípio da continuidade da relação de emprego
No Direito do Trabalho prevalece a preferência aos 
contratos por tempo indeterminado, atribuindo, à relação de 
emprego, a mais ampla duração sob todos os aspectos.
Determina a lei que o contrato de trabalho será por tempo 
indeterminado, salvo quando houver permissão legal, aplicando-
se assim o contrato por prazo determinado.
O objetivo deste princípio é reprimir a sucessão de contratos, ou 
seja, a demissão e readmissão em curto prazo, que visam fraudar 
os direitos trabalhistas.
IMPORTANTE
Princípio da primazia da realidade
Estabelece esse princípio que o ocorrido deve ser levado 
em conta, prevalecendo o fato real do que aquilo que consta de 
documentos formais.
Princípio da flexibilização do Direito do Trabalho
O princípio da flexibilização no Direito do Trabalho 
significa a adaptação das relações de trabalho a uma determinada 
situação econômica, resultando assim em oposição à existência 
de um direito inflexível e engessado.
Significa um ajuste na legislação trabalhista à realidade, 
sem modificar sua estrutura e seus fundamentos.
Outros princípios
Além destes princípios constitucionais e gerais do Direito 
do Trabalho a doutrina ainda cita vários outros:
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Direito do Trabalho e da Previdência 31
 � Princípio da razoabilidade – o aplicador da lei deve ser 
razoável baseando sua conduta no bom-senso;
 � Princípio da boa-fé – as partes devem utilizar a boa-fé 
na execução do contrato laboral;
 � Princípio da integralidade e intangibilidade dos salários – 
o salário é impenhorável e imune de descontos não previstos em lei;
 � Princípio da autonomia da vontade – não havendo 
ofensa à ordem jurídica e ao interesse público a vontade dos 
contratos é livre;
 � Princípio da força obrigatória dos contratos – os 
contratos devem ser cumpridos.
Eficácia
Quanto à eficácia das normas trabalhistas, estas entram em 
vigor na data de sua publicação. Sendo norma omissa, a vigência 
será 45 dias após a publicação.
Segundo o § 1o do art. 614 da CLT, as convenções ou 
acordos coletivos entram em vigor três dias após o depósito na 
DRT (Delegacia Regional do Trabalho).
Estabelece ainda o art. 867 da CLT que a sentença normativa 
entrará em vigor a partir da publicação, salvo se as negociações 
se iniciaram 60 dias antes da data-base, situação em que vigorará 
a partir da data-base.
IMPORTANTE
No Direito do Trabalho, a lei brasileira trabalhista deverá 
ser aplicada no território brasileiro, tanto aos trabalhadores 
nacionais quanto aos estrangeiros que laboram no Brasil.
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Direito do Trabalho e da Previdência32
Hierarquia das normas
A norma jurídica regula as atividades dos sujeitos em 
suas relações sociais. A norma jurídica imputa certa ação ou 
comportamento a alguém, que é seu destinatário.
Para a aplicação das normas, devemos obedecer a uma 
hierarquia existente entre elas, lembrando-se sempre que as leis 
não possuem o mesmo valor, uma vez que apresentam diferenças 
em sua essência e força, já que cada qual é dotada de uma 
elaboração peculiar e posição hierárquica diversa das demais. 
Assim, uma norma superior deve prevalecer sobre uma norma 
inferior, sob pena de ser ilegal ou mesmo inconstitucional.
No Direito do Trabalho também devemos obedecer a 
uma hierarquia das normas, mas sempre levando em conta que 
havendo conflito de normas, deverá ser aplicado a norma mais 
favorável ao empregado.
Seguindo o que estabelece o art. 59 da Constituição 
Federal inexiste hierarquiaentre a lei complementar, a ordinária, 
a delegada e a medida provisória, pois todas utilizam seus 
fundamentos de validade na própria Constituição Federal.
São hierarquicamente inferiores a estas leis, os decretos, 
os regulamentos, as normas internas da Administração Pública, 
as portarias, circulares e as ordens de serviço.
As convenções, os acordos coletivos e as sentenças norma-
tivas são hierarquicamente inferiores à lei, e, consequentemente 
as disposições contratuais são inferiores a estas.
Interpretação
Interpretação é o entendimento perfeito do texto, é também 
expor, dar o sentido, dizer o fim, significar o objetivo, extraindo 
do objeto tudo aquilo que ele tem de essencial. Quando o objeto 
de interpretação é a norma jurídica, é preciso, além do sentido, 
fixar seu alcance, estabelecendo em que situações ou a que 
pessoas a norma jurídica interpretada será aplicada.
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Direito do Trabalho e da Previdência 33
No Direito do Trabalho temos como formas de interpre-
tação: gramatical ou literal, lógica, teleológica ou finalista; 
sistemática, extensiva ou ampliativa; restritiva ou limitativa; 
histórica, autêntica, sociológica.
Integração
A integração tem por objetivo suprir as eventuais lacunas 
da lei, que segundo estabelece o art. 8º da CLT poderão ser 
utilizados como métodos a doutrina, a jurisprudência, a analogia, 
os costumes e os princípios.
Art. 8º, CLT - As autoridades administrativas e a Justiça do 
Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, 
conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia, por equidade 
e outros princípios e normas gerais de direito, principalmente do 
direito do trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o 
direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse 
de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público.
IMPORTANTE
Empregador
Conceito
A CLT dispõe que “considera-se empregador a empresa, 
individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade 
econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de 
serviços” (art. 2º).
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Direito do Trabalho e da Previdência34
A empresa é comumente conceituada como uma atividade 
organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços 
destinados ao mercado, com objetivo de lucro. No âmbito do 
Direito do Trabalho, a CLT expressamente estabelece a exigência 
de que ela assuma os riscos do negócio. Assim, a empresa deve 
assumir tanto os resultados positivos quanto os negativos do 
empreendimento, não podendo estes últimos serem transferidos 
ao empregado.
Vamos retomar o conceito de empresa com o gráfico a seguir:
Figura 2
Não é elemento essencial da definição de empregador a 
pessoalidade. Embora esse requisito seja imprescindível para 
a conceituação de empregado, não o é para a de empregador. 
Prova disso é o fato de o empregador poder ser substituído 
normalmente no comando dos negócios, sem que sejam afetadas 
Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, 
assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e 
dirige a prestação pessoal de serviços (art. 2º, CLT)
IMPORTANTE
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Direito do Trabalho e da Previdência 35
em qualquer aspecto as relações de emprego existentes com os 
trabalhadores da empresa. O empregado, ao contrário não pode 
se fazer substituir livremente, conforme já estudamos.
Lembre-se que não é elemento essencial da definição de 
empregador a pessoalidade.
Do Incidente de Desconsideração da 
Personalidade Jurídica
Art. 855-A. Aplica-se ao processo do trabalho o incidente 
de desconsideração da personalidade jurídica previsto nos arts. 
133 a 137 da Lei no 13.105, de 16 de março de 2015 - Código 
de Processo Civil.
§ 1o Da decisão interlocutória que acolher ou rejeitar o 
incidente:
I - na fase de cognição, não cabe recurso de imediato, na 
forma do § 1o do art. 893 desta Consolidação;
II - na fase de execução, cabe agravo de petição, 
independentemente de garantia do juízo;
III - cabe agravo interno se proferida pelo relator em 
incidente instaurado originariamente no tribunal.
§ 2o A instauração do incidente suspenderá o processo, 
sem prejuízo de concessão da tutela de urgência de natureza 
cautelar de que trata o art. 301 da Lei no 13.105, de 16 de março 
de 2015 (Código de Processo Civil).
Equiparados a empregador
Enquanto o caput do art. 2º da CLT define empregador, o seu 
parágrafo primeiro trata das pessoas equiparadas a empregador. 
Consoante este dispositivo, após a reforma trabalhista, com os 
seguintes termos:
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Direito do Trabalho e da Previdência36
§ 1º - Equiparam-se ao empregador, para os efeitos 
exclusivos da relação de emprego, os profissionais 
liberais, as instituições de beneficência, as 
associações recreativas ou outras instituições sem 
fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como 
empregados.
§ 2o Sempre que uma ou mais empresas, tendo, 
embora, cada uma delas, personalidade jurídica 
própria, estiverem sob a direção, controle 
ou administração de outra, ou ainda quando, 
mesmo guardando cada uma sua autonomia, 
integrem grupo econômico, serão responsáveis 
solidariamente pelas obrigações decorrentes da 
relação de emprego. 
§ 3o Não caracteriza grupo econômico a mera 
identidade de sócios, sendo necessárias, para 
a configuração do grupo, a demonstração do 
interesse integrado, a efetiva comunhão de 
interesses e a atuação conjunta das empresas dele 
integrantes.
O Legislador optou por estabelecer essa dicotomia - 
empregador e equiparado a empregador - em razão de as pessoas 
enumeradas no § 1º do art. 2º da CLT, acima transcrito, não 
poderem ser enquadradas no conceito econômico de empresa. 
Entretanto, no intuito de assegurar aos trabalhadores contratados 
como empregados por essas pessoas a proteção jurídica conferida 
aos empregados em geral, o legislador embora reconhecendo 
não serem elas empresas, equiparou-as ao empregador, para o 
fim de aplicação das leis trabalhistas.
Podemos concluir que a CLT não foi taxativa ao indicar os 
tipos possíveis de empregador ou de pessoas a ele equiparadas. A 
leitura de seu art. 2º evidencia que o ponto essencial da definição 
está no fato de haver contratação de trabalhadores enquadráveis 
como empregados, isto é, na configuração da relação de 
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Direito do Trabalho e da Previdência 37
emprego. Em verdade, chega-se à identificação do empregador, 
ou daquele a ele equiparado, por meio da verificação da presença 
de empregado.
Equiparam-se ao empregador, para os efeitos exclusivos da 
relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições de 
beneficência, as associações recreativas ou outras instituições 
sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como 
empregados (art. 2º, §1º, CLT)
IMPORTANTE
Sucessão de Empregador
Base legal
Art. 10-A. O sócio retirante responde subsidiariamente 
pelas obrigações trabalhistas da sociedade relativas ao período 
em que figurou como sócio, somente em ações ajuizadasaté dois 
anos depois de averbada a modificação do contrato, observada a 
seguinte ordem de preferência:
I – a empresa devedora;
II – os sócios atuais; e
III – os sócios retirantes.
Parágrafo único. O sócio retirante responderá solidaria-
mente com os demais quando ficar comprovada fraude na 
alteração societária decorrente da modificação do contrato.
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Direito do Trabalho e da Previdência38
Sucessão de empresas
Refere-se a mudança na propriedade da empresa, que designa 
todo acontecimento em virtude do qual uma empresa é absorvida 
por outra. É o que ocorre nos casos de incorporação, transformação, 
fusão etc. Declaram ainda, os arts. 10 e 448 da CLT, que a mudança 
na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os 
contratos de trabalho dos respectivos empregados. Enfatizando, 
assim, a aplicação do Princípio da Continuidade da empresa, 
salientando que as alterações relativas à pessoa do empresário não 
afetam o contrato de trabalho, e também no fato de que, dissolvida 
a empresa, ocorre extinção do contrato de trabalho.
Portanto, em uma eventual alteração na estrutura jurídica e 
sucessão de empresas em nada afetará os créditos trabalhistas dos 
empregados, uma vez que os empregados se vinculam à empresa, 
e não aos seus titulares.
Importante ressaltar, que o contrato de trabalho é firmado 
entre o empregado e a empresa, independentemente dos seus 
titulares e sua eventual mudança ou alteração. Por isso diz-
se que é impessoal em relação a quem se encontra à frente do 
empreendimento.
Assim, percebe-se que o verdadeiro empregador é a 
empresa, sendo que a transferência do estabelecimento supõe 
também a de todos os elementos organizados da mesma, dentre 
eles o trabalho.
Vale lembrar que o vínculo empregatício é firmado com 
a empresa e não com o empregador, salvo empregador pessoa 
física, não podendo este ser prejudicado por qualquer tipo de 
alteração na estrutura jurídica daquela. Desta feita, a Lei visa 
proteger o trabalhador em seu emprego, sendo irrelevante quem 
seja o empregador.
É oportuno consignar, em se tratando de sucessão de 
empresas, o conceito de fusão, incorporação, transformação, 
cisão e sucessão de empresas:
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Direito do Trabalho e da Previdência 39
 � Fusão: é a operação ou o procedimento pelo qual se 
unem duas ou mais empresas com o objetivo de formar uma 
nova que lhe sucede em direitos e obrigações.
 � Incorporação: é a operação ou o procedimento pelo 
qual uma ou mais empresas são absorvidas por outra, que lhe 
sucede em direitos ou obrigações.
 �Cisão: é a operação ou o procedimento pelo qual uma 
empresa se divide, ensejado o surgimento de outras duas.
 � Sucessão: mudança na propriedade da empresa, ou 
seja, a empresa continua sendo a mesma, mas surge um novo 
empregador.
 �Transformação: alteração na estrutura da empresa, 
ou seja, o empregador continua sendo o mesmo, mas há uma 
mudança na relação jurídica da empresa.
Em relação à responsabilidade da empresa sucessora, esta 
responde pelos créditos trabalhistas dos empregados da empresa 
sucedida, ainda que exista cláusula contratual eximindo-a de 
tal responsabilidade. O real objetivo desta cláusula é a garantia 
que a sucessora resguarda para propor ação regressiva contra 
sua antecessora, não a eximindo de responsabilidade quanto aos 
créditos trabalhistas.
Alguns julgados presumem a culpa do sócio administrador, 
em contrapartida outros aduzem a fraude à lei ou violação de 
norma contratual (art. 50 do CC).
Alterações na empresa
As alterações empresariais podem ocorrer de duas formas:
a. alterações na sua estrutura jurídica, por exemplo a 
mudança de regime jurídico.
b. alterações em sua propriedade, como a venda.
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Direito do Trabalho e da Previdência40
A legislação celetista trata do tema por meio do art. 10, em 
que aduz que qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa 
não afetará os direitos adquiridos por seus empregados.
E, ainda, no art. 448 também da CLT, em que consigna que 
a mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa 
não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados.
Conclui-se, pois, que eventual mudança jurídica na 
estrutura da empresa, como sua transformação de empresa 
individual para coletiva ou de sociedade anônima para limitada, 
estas alterações em nada alterarão o contrato de trabalho dos 
empregados. E mais, a mesma regra vale para o caso de mudança 
de propriedade, como a venda ou inclusão de novos sócios.
Note-se que, mesmo diante de acordo ou convenção coletiva 
de trabalho firmada entre as partes, não excluirá os direitos dos 
trabalhadores, e não há nenhuma repercussão jurídica.
Teletrabalho
Teoria
As conceituações sobre teletrabalho são variadas e se 
encontram em processo de formação evolutiva, não existindo um 
consenso, por parte dos estudiosos do assunto, no que tange a uma 
definição precisa e, se possível, generalizada. As divergências 
mais específicas ocorrem em relação à utilização ou não de 
tecnologias de informação e comunicação e na periodicidade 
da quantidade de horas/mês despendidas em atividades que são 
desenvolvidas fora do escritório tradicional. Optei por adotar 
a utilizada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) 
que define como a forma de trabalho efetuada em lugar distante 
do escritório central e/ou do centro de produção, que permita a 
separação física e que implique o uso de uma nova tecnologia 
facilitadora da comunicação.
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Direito do Trabalho e da Previdência 41
As novas formas de organização do trabalho em teletrabalho 
exigem, por parte dos administradores das organizações, adotar 
procedimentos diferentes aos utilizados anteriormente, em 
relação ao local, horário de funcionamento e, consequentemente, 
ao estilo de administração.
As transformações tecnológicas que interligam nossos locais de 
trabalho requerem flexibilidade no modo de organizar o trabalho 
e administrá-lo. Para que as pessoas mudem suas maneiras de 
trabalhar, os gerentes terão que mudar a maneira como gerenciam.
REFLITA
O importante na adoção do teletrabalho, segundo Motta, 
é a mudança no estilo administrativo: as inovações tecnológicas 
acarretam modificações profundas nas estruturas sociais com 
reflexos no funcionamento das organizações. Nilles vai além 
dizendo que uma das questões centrais do gerenciamento do 
teletrabalho é a mudança de prioridades. Ao invés de pôr em foco 
o número de horas trabalhadas, dá-se mais atenção a questões 
ligadas ao desempenho. O verdadeiro segredo do teletrabalho 
bem-sucedido está na confiança mútua estabelecida entre o 
gerente e seu subordinado. Porém, grande parte das empresas 
que adotam o teletrabalho ainda continuam amarradas aos 
mecanismos clássicos de controle: supervisão da presença física 
e do tempo utilizado pelo trabalhador. Este mecanismo baseia-
se em dois tipos de controles: regras (o que fazer) e observação 
visual do processo de trabalho (como fazer). O teste eficaz para 
avaliar a produção do funcionário é o resultado.
A prática organizacional costumava determinar que o trabalho 
da maior parte da organização fosse descrito e definido, portanto, 
cuidadosamentemonitorado e controlado. Kulgelmass afirma 
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Direito do Trabalho e da Previdência42
que na economia do conhecimento o tempo é flexível e o ritmo 
próprio substitui a velha necessidade da sincronização de massa. 
Ao permitir que seus funcionários empreendedores, criativos e 
intuitivos, se autogerenciem, as empresas terão um teletrabalhador 
mais produtivo e sua revitalização ocorrerá de dentro para fora.
Diminuição nos valores dos imóveis praticados pelo mercado 
imobiliário: a possibilidade de os trabalhadores viverem fora das 
grandes cidades irá diminuir a procura por habitação em zonas 
urbanas, com a consequente redução dos preços dos imóveis.
Contrato de Trabalho
Base legal
Art. 443. O contrato individual de trabalho poderá ser 
acordado tácita ou expressamente, verbalmente ou por escrito, 
por prazo determinado ou indeterminado, ou para prestação de 
trabalho intermitente.
(...)
§ 3o Considera-se como intermitente o contrato 
de trabalho no qual a prestação de serviços, com 
subordinação, não é contínua, ocorrendo com 
alternância de períodos de prestação de serviços 
e de inatividade, determinados em horas, dias ou 
meses, independentemente do tipo de atividade 
do empregado e do empregador, exceto para os 
aeronautas, regidos por legislação própria. 
Art. 444 (...)
Parágrafo único. A livre estipulação a que se 
refere o caput deste artigo aplica-se às hipóteses 
previstas no art. 611-A desta Consolidação, com 
a mesma eficácia legal e preponderância sobre 
os instrumentos coletivos, no caso de empregado 
portador de diploma de nível superior e que 
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Direito do Trabalho e da Previdência 43
perceba salário mensal igual ou superior a duas 
vezes o limite máximo dos benefícios do Regime 
Geral de Previdência Social. 
Teoria
Contrato de trabalho
A CLT define contrato de trabalho em seu art. 442, caput: 
“contrato individual de trabalho é o acordo tácito ou expresso, 
correspondente à relação de emprego”.
DEFINIÇÃO
É o acordo no qual as partes ajustam direitos e obrigações 
recíprocas, em que uma pessoa física (empregado) se compromete 
a prestar pessoalmente serviços subordinados, não eventuais a 
outrem (empregador), mediante o pagamento de salário.
O contrato de trabalho é um ato jurídico, tácito ou expresso 
que cria a relação de emprego, gerando, desde o momento de sua 
celebração, direitos e obrigações para ambas as partes. Nele, o 
empregado presta serviços subordinados mediante salário.
Figura 3
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Direito do Trabalho e da Previdência44
Natureza jurídica
As teorias contratualista e anticontratualista procuram 
explicar a natureza jurídica do contrato de trabalho.
A teoria contratualista considera a relação entre empregado 
e empregador um contrato porque decorre de um acordo de 
vontade entre as partes, devendo este ser escrito. Por outro lado, 
a teoria anticontratualista entende que o empregador é uma 
instituição na qual há uma situação estatutária e não contratual, em 
que as condições de trabalho demonstram uma subordinação do 
empregado pelo empregador, podendo ser este um acordo verbal.
No Brasil adotamos a teoria mista, intermediária, que determina 
que o contrato de trabalho tem natureza contratual, podendo, 
portanto, tanto ser escrito como verbal (art. 442, caput, CLT).
IMPORTANTE
Características do contrato de trabalho
A Doutrina classifica o contrato de trabalho como um 
negócio jurídico de direito privado, expresso ou tácito, pelo 
qual uma pessoa física (empregado) presta serviços continuados 
e subordinados a outra pessoa física ou jurídica (empregador) 
percebendo, para tanto, salário. O contrato de trabalho é um 
negócio jurídico bilateral, sinalagmático, oneroso, comutativo, 
de trato sucessivo, já que não se completa com um único ato, e 
que se estabelece entre empregador e o empregado, relativo às 
condições de trabalho. 
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Direito do Trabalho e da Previdência 45
 �Oriundo do direito privado uma vez que as partes, 
empregado e empregador, pactuam seus próprios regulamentos, 
contudo são limitados à legislação trabalhista.
 �É um contrato consensual e não solene, pois a lei não 
exige forma especial para sua validade, bastando o simples 
consentimento das partes (art. 443, CLT).
 �É um negócio jurídico sinalagmático (convenção, 
pacto, contrato) e bilateral uma vez que cada uma das partes se 
obriga a uma prestação. Por resultar em obrigações contrárias e 
equivalentes a parte que não cumprir sua obrigação não tem o 
direito de reclamar.
 �É comutativo uma vez que de um lado há a prestação de 
trabalho e do outro lado há a contraprestação dos serviços.
 �É considerado de trato sucessivo, pois não se exaure em 
uma única prestação.
 �Oneroso uma vez que o objeto do contrato é a prestação 
de serviços mediante salário, de mês a mês as obrigações se 
repetem.
 �Classifica-se como subordinativo por o empregado se 
subordinar às ordens do empregador.
RESUMINDO
São características do contrato de trabalho: oriundo do direito 
privado, consensual, sinalagmático, comutativo, de trato 
sucessivo, oneroso, subordinativo.
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Direito do Trabalho e da Previdência46
Em síntese, são as seguintes as características do contrato 
de trabalho:
Bilateral pois produz direitos e obrigações para ambos;
Oneroso em que a remuneração é requisito essencial;
Comutativo pois as prestações de ambas as partes apresentam 
relativa equivalência, sendo conhecidas no momento da 
celebração do ajuste;
Consensual pois a lei não impõe forma especial para a sua celebração, 
bastando anuência das partes;
Contrato de 
Adesão
pois um dos contratantes, o empregado, limita-se a aceitar 
as cláusulas e condições previamente estabelecidas pelo 
empregador;
Pessoal (intuitu personae), pois a pessoa do empregado 
é considerada pelo empregador como elemento 
determinante da contratação, não podendo aquele se fazer 
substituir na prestação laboral sem o consentimento deste;
Execução 
Continuada
pois a execução do contrato não se exaure numa única 
prestação, prolongando-se no tempo.
O que caracteriza o contrato de trabalho, ou seja, o que é 
capaz de diferenciar este contrato dos demais, é a dependência 
ou subordinação do empregado ao empregador (subordinação 
técnica, social, econômica e jurídica). A subordinação jurídica é 
a que predomina na doutrina, uma vez que o empregado cumpre 
as ordens do empregador. Isso ocorre em razão da relação 
contratual laboral.
Responsabilidade pré-contratual
Atualmente a responsabilidade do empregador não se 
limita somente ao período da contratação, sendo possível ao 
empregado pleitear perante a Justiça do Trabalho danos morais 
e materiais.
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Direito do Trabalho e da Previdência 47
O contrato de trabalho deve criar uma confiança entre 
aspartes (princípio da boa-fé dos contratos), motivo pelo qual 
precisa ser reconhecida a responsabilidade daquele que desiste 
da concretização do negócio jurídico.
Em afronta ao princípio da dignidade da pessoa humana 
e com a discriminação em entrevista de emprego, é possível 
pleitear na Justiça do Trabalho eventual dano moral.
Ainda, os danos emergentes e os lucros cessantes também 
podem ser angariados diante da falsa proposta de emprego, pois 
muitas vezes o trabalhador recusa outras propostas, ou ainda, 
pede demissão do atual emprego em detrimento da promessa de 
emprego.
Os sujeitos do contrato de trabalho são as pessoas físicas, 
naturais ou jurídicas que possam ser contratadas. Estabelece a 
CLT que são sujeitos do contrato de trabalho o empregado e o 
empregador (arts. 2o e 3o da CLT).
O empregador tem o dever de assumir os riscos da atividade 
econômica, admitindo, dirigindo e assalariando aquele que lhe 
presta os serviços.
IMPORTANTE
O profissional liberal, a instituição de beneficência, as 
associações recreativas e outras instituições sem fins lucrativos 
que contratem trabalhadores como empregados são equiparados 
por lei ao empregador.
A família e a massa falida, mesmo sem personalidade 
jurídica, podem assumir as condições de empregador.
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Direito do Trabalho e da Previdência48
Formação
Como todo negócio jurídico, o contrato de trabalho deve 
respeitar as condições previstas no art. 104 do Código Civil 
brasileiro que exige agente capaz, objeto lícito e possível, 
determinado ou indeterminado e forma prescrita ou não defesa 
em lei. Será considerado nulo o ato jurídico quando for ilícito ou 
impossível seu objeto (art. 166, II, CC).
São requisitos necessários para a formação do contrato de 
trabalho:
 � capacidade dos contratantes;
 �manifestação de vontade;
 � objeto lícito;
 � forma prescrita em lei.
No que se refere à capacidade dos contratantes, o Direito 
do Trabalho veda qualquer trabalho ao menor de 16 anos, salvo 
na condição de aprendiz, mas somente a partir dos 14 anos (CF, 
art. 7o, XXXIII). Para o Direito do Trabalho, o menor entre 
16 e 18 anos é considerado relativamente capaz. A capacidade 
absoluta só se adquire aos 18 anos (art. 402 da CLT). Portanto, 
é proibido o contrato de trabalho com menor de 16 anos, porém, 
caso ocorra a prestação de serviço, este produzirá efeitos. De 
acordo com o art. 439 da CLT é lícito ao menor firmar recibo 
pelo pagamento dos salários. Tratando-se, porém, de rescisão 
do contrato de trabalho, é vedado ao menor de 18 (dezoito) anos 
dar, sem assistência dos seus responsáveis legais, quitação ao 
empregador pelo recebimento da indenização que lhe for devida.
A contratação de servidor público, quando não aprovado em 
concurso público, deve obedecer às determinações do art. 37, II, 
§ 2o, que lhe confere o direito ao pagamento da contraprestação 
em relação ao número de horas trabalhadas.
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Direito do Trabalho e da Previdência 49
Desde que não contrariem as normas legais pertinentes, 
insta mencionar que as cláusulas constantes do contrato de 
trabalho são de livre estipulação das partes.
Em relação ao objeto lícito, a atividade desenvolvida deve 
ser lícita, permitida por lei, aceita pelo Direito.
A forma prescrita em lei reza que o contrato deve ser 
escrito ou verbal, salvo os casos previstos em lei que exigem a 
forma escrita.
Para elucidar, ressaltam-se alguns contratos que exigem 
forma escrita na lei: o contrato temporário (Lei n. 6.019/74, art. 
11), contratos por prazo determinado (art. 443 da CLT), contrato 
de aprendizagem (art. 428 da CLT), contrato em regime de 
tempo parcial (art. 58-A, § 2o, da CLT), trabalho voluntário (Lei 
n. 9.608/98, art. 2o) e outros.
De acordo com o art. 443, da CLT, os contratos de trabalho 
podem ser celebrados por tempo determinado ou indeterminado. 
Assim, no contrato por tempo determinado, antecipadamente as 
partes ajustam seu termo. No contrato por tempo indeterminado 
não há prazo para a terminação do pacto laboral.
Os contratantes devem manifestar livremente sua vontade, 
devendo estar livre dos vícios que possam fraudar a lei ou 
prejudicar as partes contratadas tais como o erro, a má-fé, a 
coação, a simulação e a fraude. Os vícios praticados sem dolo 
não fraudam a lei, o contrário sim.
IMPORTANTE
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Direito do Trabalho e da Previdência50
Requisitos
Para melhor entendermos os requisitos do contrato 
de trabalho devemos levar em consideração as definições 
encontradas nos arts. 2o e 3o da CLT
CLT, Art. 2° Considera-se empregador a empresa, individual 
ou coletiva, que assumindo os riscos da atividade econômica, 
admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços.
Art. 3º Considera-se empregado toda pessoa física que 
prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a 
dependência deste e mediante salário.
Parágrafo único: Não haverá distinções relativas à espécie de 
emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho 
intelectual, técnico e manual.
IMPORTANTE
Dentro dessas definições podemos considerar os seguintes 
requisitos do contrato de trabalho:
 �Continuidade: por ser um ajuste de vontade, o contrato 
de trabalho deve ser prestado de forma contínua, não eventual;
 �Onerosidade: deve ser prestado de forma onerosa, 
mediante o pagamento de salários, pois o trabalhador deverá 
receber pelos serviços prestados;
 � Pessoalidade: o empregado deverá ser pessoa física ou 
natural e não poderá ser substituído por outra pessoa (intuito 
personae);
 �Alteridade: o empregador assume qualquer risco, pois a 
natureza do contrato é de atividade e não de resultado;
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Direito do Trabalho e da Previdência 51
Subordinação: existe uma relação hierárquica entre 
empregado e empregador.
Classificação
O contrato de trabalho pode ser classificado quanto à 
forma: tácito ou expresso, escrito ou verbal (arts. 442 e 443 da 
CLT), e quanto a sua duração (determinado e indeterminado).
Figura 4: Contrato de Trabalho
Quanto à forma ele será tácito quando a manifestação de 
vontade decorrer de um comportamento que indique a relação de 
emprego, caracterizada pela existência de emprego. Será tácito 
quando não houver palavras escritas ou verbais.
O contrato também poderá ser expresso de forma escrita 
ou verbal, hipótese em que existe um contrato ou a manifestação 
verbal.
De acordo com o art. 29 da CLT independentemente da 
forma de contrato de trabalho, este sempre deverá ser anotado 
na CTPS.
Quanto à sua duração, o contrato poderá ser por prazo 
determinado ou indeterminado fato que não muda sua natureza 
jurídica, pois ambos são regidos pelas leis trabalhistas, o que 
muda é a estipulação do prazo.
Será por prazo determinado quando seu término estiver 
previsto no momento da celebração, quando os contratantes 
expressam e previamente limitam sua duração, determinando 
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Direito do Trabalho e da Previdência52
o seu fim mediante termo ou condição. Neste caso, o términodo contrato pode ocorrer com data certa ou data aproximada da 
conclusão dos serviços.
Por prazo indeterminado é a forma mais utilizada pelas 
empresas, pois nele as partes, ao celebrá-lo, não estipulam a sua 
duração e nem prefixam o seu termo extintivo. A indeterminação 
da duração é uma característica peculiar do princípio da 
continuidade.
Ademais o art. 443, § 2o, da CLT estabelece as hipóteses 
admitidas do contrato de trabalho por tempo determinado:
 �Transitoriedade do serviço do empregado. Exemplo: 
implantação de sistema de informática.
 �Transitoriedade da atividade do empregador. Exemplo: 
época da Páscoa, vender panetone no Natal.
 �Contrato de experiência.
Conversão do contrato por tempo determinado e 
indeterminado
O contrato de trabalho por prazo determinado será 
convertido em prazo indeterminado de acordo com as hipóteses 
abaixo:
a. Estipulação de prazo maior do que o previsto em lei 
(2 anos) – (Lei n. 9.601/98) ou 90 dias;
b. Estipulação do contrato por prazo determinado fora das 
hipóteses previstas no § 2o do art. 443 da CLT:
I – Serviços cuja natureza ou transitoriedade justifiquem a 
predeterminação de prazo;
II – Atividades empresariais de caráter transitório; e
III – contrato de experiência;
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Direito do Trabalho e da Previdência 53
c. Se houver mais de uma prorrogação, o contrato vigorará 
sem prazo. O contrato de trabalho por prazo determinado que for 
prorrogado mais de uma vez passará a vigorar sem determinação 
de prazo (art. 451, CLT);
d. Sucessão – para celebrar um novo contrato por prazo 
determinado com um mesmo empregado, é necessário respeitar 
o interregno de 6 meses para o novo pacto contratual.
e. Cláusula de rescisão contratual antecipada – uma vez 
ocorrida a rescisão antecipada do contrato, vigorarão as normas 
concernentes ao contrato de trabalho por prazo indeterminado.
Circunstâncias possibilitadoras do contrato por 
tempo determinado
O contrato de trabalho por tempo determinado é aquele cuja 
vigência se dará por tempo certo. Este prazo poderá ser uma data 
determinada, a realização de certos serviços ou um fato futuro que 
tenha uma duração aproximada (art. 443, § 1o, CLT).
O art. 443, § 2o, da CLT estabelece as hipóteses admitidas 
do contrato de trabalho por tempo determinado.
Citam-se como exemplo de transitoriedade do serviço 
do empregado, os serviços, cuja natureza ou transitoriedade, 
justifiquem a predeterminação do prazo, e a safra agrícola que 
não justifica o trabalho do empregado fora dessas épocas.
A atividade transitória pode ser da própria empresa e 
estará ligada a um serviço específico, como no caso do Comitê 
Eleitoral. Nesta hipótese, não existe nenhum propósito em dar 
continuidade ao trabalho fora daquele período.
Os contratos de experiência poderão ser fixados no 
máximo por 90 dias (art. 445, CLT), sendo permitida uma única 
prorrogação (art. 451, CLT). Havendo prorrogação, esta não 
poderá exceder de 2 anos, e para o contrato de experiência não 
poderá exceder a 90 dias, sob pena de se tornar indeterminado.
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Direito do Trabalho e da Previdência54
O contrato de experiência é um contrato por prazo 
determinado cuja duração é reduzida, possibilitando ao 
empregador verificar as aptidões técnicas do empregado, e a este 
avaliar a conveniência das condições de trabalho.
Determina o art. 445 da CLT que o prazo de duração do 
contrato de trabalho por tempo determinado não poderá ser 
superior a 2 anos, podendo ser prorrogado apenas uma vez, se 
firmado por prazo inferior, e desde que a soma dos dois períodos 
não ultrapasse o limite de 2 anos (art. 451 da CLT). Exige a lei 
que este contrato seja expresso e devidamente anotado na CTPS.
Somente será permitido um novo contrato após seis meses 
da data de conclusão do pacto anterior (art. 452, CLT), salvo 
nas hipóteses em que a expiração do contrato dependeu da 
execução de serviços especializados ou da realização de certos 
acontecimentos.
É proibida a contratação de empregados por prazo 
determinado visando substituir pessoal regular e permanente 
contratados por prazo indeterminado.
Havendo cláusula que permita a rescisão imotivada antes 
do prazo determinado, este será regido pelas mesmas regras 
do contrato por tempo indeterminado (art. 481, CLT), cabendo 
aviso-prévio.
São exemplos de contratos por prazo determinado: obra 
certa; safra (Lei n. 5.889/73); atletas profissionais (Lei n. 
9.615/98); aprendizagem (CLT, art. 428).
Trabalho Intermitente
Base legal
“Art. 452-A. O contrato de trabalho intermitente deve 
ser celebrado por escrito e deve conter especificamente o valor 
da hora de trabalho, que não pode ser inferior ao valor horário 
do salário mínimo ou àquele devido aos demais empregados 
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Direito do Trabalho e da Previdência 55
do estabelecimento que exerçam a mesma função em contrato 
intermitente ou não. 
§ 1o O empregador convocará, por qualquer meio de 
comunicação eficaz, para a prestação de serviços, informando 
qual será a jornada, com, pelo menos, três dias corridos de 
antecedência. 
§ 2o Recebida a convocação, o empregado terá o prazo 
de um dia útil para responder ao chamado, presumindo-se, no 
silêncio, a recusa. 
§ 3o A recusa da oferta não descaracteriza a subordinação 
para fins do contrato de trabalho intermitente. 
§ 4o Aceita a oferta para o comparecimento ao trabalho, 
a parte que descumprir, sem justo motivo, pagará à outra parte, 
no prazo de trinta dias, multa de 50% (cinquenta por cento) da 
remuneração que seria devida, permitida a compensação em 
igual prazo. 
§ 5o O período de inatividade não será considerado tempo 
à disposição do empregador, podendo o trabalhador prestar 
serviços a outros contratantes. 
§ 6o Ao final de cada período de prestação de serviço, 
o empregado receberá o pagamento imediato das seguintes 
parcelas: 
I - remuneração; 
II - férias proporcionais com acréscimo de um terço; 
III - décimo terceiro salário proporcional; 
IV - repouso semanal remunerado; e 
V - adicionais legais. 
§ 7o O recibo de pagamento deverá conter a discriminação 
dos valores pagos relativos a cada uma das parcelas referidas no 
§ 6o deste artigo. 
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Direito do Trabalho e da Previdência56
§ 8o O empregador efetuará o recolhimento da contribuição 
previdenciária e o depósito do Fundo de Garantia do Tempo de 
Serviço, na forma da lei, com base nos valores pagos no período 
mensal e fornecerá ao empregado comprovante do cumprimento 
dessas obrigações. 
§ 9o A cada doze meses, o empregado adquire direito 
a usufruir, nos doze meses subsequentes, um mês de férias, 
período no qual não poderá ser convocado para prestar serviços 
pelo mesmo empregador.” 
Teoria
Uma das grandes inovações, trazida pela reforma trabalhista 
foi justamente o trabalho intermitente.
O intuito dessa nova regra é de flexibilizar as relações 
de trabalho e suas contratações, haja vista as novas relações de 
trabalho e emprego.
Pela importância do tema, assim como a novidade, será 
realizada nesse texto a análise ponto a ponto da lei.
Art. 452-A. O contrato de trabalho intermitente deve ser 
celebrado por escrito e deve conter especificamente o valor da 
hora de trabalho,que não pode ser inferior ao valor horário 
do salário mínimo ou àquele devido aos demais empregados 
do estabelecimento que exerçam a mesma função em contrato 
intermitente ou não.
Existia a figura do empregado “horista” em que não havia 
uma regulamentação adequada; desta feita, a CLT, com a sua 
reforma, trouxe essa inovação.
Diante das inovações e evolução da sociedade, existem 
agora novas regras acerca da comunicação do empregado e do 
empregador. Veja que a comunicação deve ser feita de forma 
rápida tanto pelo empregador (são 3 dias antes do início do 
trabalho) e pelo empregado apenas 1 dia útil para a confirmação.
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Direito do Trabalho e da Previdência 57
Desta forma, verifica-se a nova forma de trabalho, com o 
objetivo de se adaptarem as novas relações da sociedade, sendo 
assim, o cumprimento integral da regra deve ser atendido por 
todas as partes envolvidas. Caso ocorra seu descumprimento, 
a procura do Poder Judiciário é imprescindível para o seu fiel 
descumprimento.
Empregado
Base legal
Art. 3º - Considera-se empregado toda pessoa física que 
prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a 
dependência deste e mediante salário.
Parágrafo único - Não haverá distinções relativas à espécie 
de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho 
intelectual, técnico e manual.
Conceito
A CLT, em seu art. 3º, dispõe que “considera-se empregado 
toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual 
a empregador, sob a dependência deste e mediante salário”. 
A doutrina acrescenta a essa definição um outro requisito: a 
prestação pessoal do serviço. 
Conceito de empregado: pessoa física que presta pessoalmente 
a outrem serviços não eventuais, subordinados e assalariados.
IMPORTANTE
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Direito do Trabalho e da Previdência58
Requisitos imprescindíveis para a 
caracterização do empregado
São cinco os elementos essenciais da definição de 
empregado: pessoalidade, habitualidade, subordinação, salário 
e pessoa física. A presença desses cinco elementos é requisito 
sempre indispensável para o sujeito que realize um determinado 
trabalho ser enquadrado como empregado.
Figura 5: Requisitos, art. 3º da CLT
a. Pessoa física: empregado é sempre pessoa física ou 
natural. Não é possível dada a natureza personalíssima das 
obrigações que ele assume, admitir-se a hipótese de um empregado 
pessoa jurídica. A proteção da legislação trabalhista é destinada à 
pessoa física, ao ser humano que trabalha. Os serviços prestados 
por pessoa jurídica são regulados pelo Direito Civil.
b. Habitualidade (ou não-eventualidade): empregado é 
um trabalhador não eventual, que presta continuamente seus 
serviços. Deve haver habitualidade na prestação laboral, já que o 
contrato de trabalho é de prestação sucessiva, que não se exaure 
numa única prestação. Se os serviços prestados pelo trabalhador 
são eventuais, este não será empregado, mas sim um trabalhador 
eventual, não alcançado pelos direitos estabelecidos na CLT.
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Direito do Trabalho e da Previdência 59
Habitualidade (ou não-eventualidade)
Trabalhador não eventual 
e prestação continua de 
serviços.
Contrato de trabalho é de 
prestação sucessiva.
Imagens: freepik
A continuidade não significa, necessariamente, trabalho 
diário. É bem verdade que na maioria das vezes a prestação 
dos serviços pelo empregado é feita diariamente, mas não há 
essa necessidade para caracterizar a relação de emprego. A 
continuidade pode ser caracterizada, por exemplo, pela prestação 
de serviços de um profissional duas ou três vezes por semana, 
desde que nos mesmos dias e horário.
Diversamente, se couber ao próprio trabalhador definir os 
dias e horários em que prestará os serviços, ou ainda estabelecer 
a periodicidade da prestação, conforme sua conveniência ou sua 
agenda, restará descaracterizada a continuidade.
Continuidade Não significa, trabalho diário.
IMPORTANTE
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Direito do Trabalho e da Previdência60
c. Subordinação (ou dependência): empregado é um 
trabalhador cuja atividade é exercida sob dependência de outrem, 
para quem ela é dirigida. Isso significa que o empregado é dirigido 
por outrem, uma vez que a subordinação o coloca na condição de 
sujeição em relação ao empregador. Se os serviços executados 
não são subordinados, o trabalhador não será empregado, mas 
sim trabalhador autônomo, não regido pela CLT.
d. Salário: empregado é um trabalhador assalariado, 
portanto, alguém que, pelo serviço que presta, recebe uma 
retribuição. Caso os serviços sejam prestados gratuitamente pela 
sua própria natureza (voluntário, de finalidade cívica, assistencial, 
religioso, etc.) não se configurará a relação de emprego.
A gratuidade, porém, deve ser inerente à natureza do 
serviço prestado. Essa situação não deve ser confundida com 
a prestação gratuita de serviços de natureza eminentemente 
onerosa (serviços que normalmente são remunerados, que trazem 
vantagens patrimoniais diretas ou indiretas às pessoas para as 
quais são prestados) caso em que, se provada pelo trabalhador, 
restará caracterizado o contrato tácito de trabalho. Assim, se “A” 
presta serviços de natureza onerosa a “B” (por exemplo, “A” 
é motorista particular, secretário, faxineiro, jardineiro etc. de 
“B”) continuadamente e sob as ordens deste, o fato de “B” não 
efetuar pagamento àquele não desnatura a relação de emprego 
tacitamente configurada. Ao contrário, restará configurado o 
ajuste tácito de trabalho e a mora (atraso) no pagamento, por 
parte de “B”. 
e. Pessoalidade: empregado é um trabalhador que presta 
pessoalmente os serviços ao empregador. O contrato de trabalho 
é ajustado em função de determinada pessoa, razão por que 
é considerado intuitu personae. Assim, o empregador tem o 
direito de contar com a execução dos serviços por determinada e 
específica pessoa e não por outra qualquer.
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Direito do Trabalho e da Previdência 61
CTPS
Base legal
Art. 47. O empregador que mantiver empregado não 
registrado nos termos do art. 41 desta Consolidação ficará sujeito 
a multa no valor de R$ 3.000,00 (três mil reais) por empregado 
não registrado, acrescido de igual valor em cada reincidência.
§ 1o Especificamente quanto à infração a que se refere o 
caput deste artigo, o valor final da multa aplicada será de R$ 
800,00 (oitocentos reais) por empregado não registrado, quando 
se tratar de microempresa ou empresa de pequeno porte.
§ 2o A infração de que trata o caput deste artigo constitui 
exceção ao critério da dupla visita. (NR)
Art. 47-A. Na hipótese de não serem informados os dados 
a que se refere o parágrafo único do art. 41 desta Consolidação, 
o empregador ficará sujeito à multa de R$ 600,00 (seiscentos 
reais) por empregado prejudicado.
Teoria
Carteira de Trabalho e Previdência Social – CTPS
A Carteira de Trabalho e Previdência Social – CTPS, 
emitida por órgão público, é documento obrigatório para o 
exercício de qualquer emprego, seja urbano ou rurale para 
aqueles que exercem atividade profissional remunerada, mesmo 
que em caráter permanente (art. 13, CLT).
Empregado sempre será pessoa física ou natural.
IMPORTANTE
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Direito do Trabalho e da Previdência62
A idade mínima para emissão da CTPS é 14 anos, quando 
o menor poderá ser admitido como aprendiz.
As anotações feitas na CTPS relativas ao contrato de 
trabalho só poderão ser efetuadas pelo empregador, pelo INSS e 
pelas Varas do Trabalho.
É dever do empregador fazer as anotações relativas ao 
contrato de trabalho, data de admissão, remuneração e demais 
condições caracterizadoras, dentro do prazo de 48 horas. Essas 
anotações acabam se tornando uma forma de caracterizar o 
emprego e uma prova relativa (juris tantum) para o Direito do 
Trabalho.
Importante ressaltar que a falta de anotação na CTPS 
resultará na lavratura de auto de infração pelo auditor fiscal do 
trabalho, que, de ofício, comunicará o órgão competente para 
instauração de processo administrativo.
As anotações relativas a acidente do trabalho e fins 
previdenciários serão efetuadas pelo INSS e as demais 
retificações ou anotações somente poderão ser realizadas pelas 
Varas do Trabalho.
Havendo localidades onde a CTPS não é emitida poderá 
o empregado ser admitido, até 30 dias, ficando a empresa 
obrigada a dispensar o empregado para que se dirija ao posto de 
emissão mais próximo (art. 13, § 3o, CLT). Neste caso, caberá 
ao empregador fornecer ao empregado uma cópia do contrato 
de trabalho, fazendo as devidas anotações, retroagidas à data de 
admissão.
Na hipótese de o empregador se recusar a fazer as devidas 
anotações, ou mesmo devolver a CTPS ao empregado, este 
poderá fazer uma reclamação perante a Delegacia Regional do 
Trabalho, que notificará o empregador para que tome as devidas 
providências.
É vedado ao empregador efetuar anotações desabonadoras 
à conduta do empregado.
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Direito do Trabalho e da Previdência 63
Não havendo mais espaço destinado ao registro e 
anotações na CTPS, o interessado deverá se locomover ao órgão 
competente para obter a segunda via de sua CTPS, na qual serão 
conservados o número e a série anterior (art. 21, CLT).
Registro em livro
As empresas são obrigadas a adotar o Livro de Registro 
de Empregados quando do início de suas atividades. Nele 
serão anotados todos os dados sobre o empregado, tais como: 
nacionalidade, estado civil, documentos pessoais, qualificação 
profissional, data de admissão, salário-base, férias, acidentes e todas 
as demais circunstâncias que interessem à proteção do trabalhador.
A lei admite a adoção de ficha individualizada de registro 
de empregados no lugar do livro. A falta do registro implica 
imposição de multa.
Exame médico admissional
É exigido do empregado, na data de admissão e antes 
que assuma suas funções, o exame médico que compreende a 
avaliação clínica, anamnese ocupacional, exame físico e mental 
e demais exames complementares especificados na NR-7.
No exame deverá o médico emitir o Atestado de Saúde 
Ocupacional (ASO) em duas vias, que será remetida a primeira 
ao empregador, para arquivá-lo no local de trabalho, e a segunda 
será entregue ao empregado.
Autônomo
Base legal
“Art. 442-B. A contratação do autônomo, cumpridas por 
este todas as formalidades legais, com ou sem exclusividade, de 
forma contínua ou não, afasta a qualidade de empregado prevista 
no art. 3o desta Consolidação.” 
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Direito do Trabalho e da Previdência64
Teoria
Conceito de relações de emprego e trabalho
Para compreender a relação de emprego e trabalho, é 
necessário deter-se ao estudo dos elementos diferenciadores 
da relação de trabalho e da relação de emprego. A principal 
diferença é que somente a relação de emprego é protegida pela 
CLT e poderá ser objeto de ação ajuizada perante a Justiça 
do Trabalho. Assim, somente poderá ser considerada relação 
protegida pelas regras do Estatuto Consolidado, e caracterizar 
o “Empregado”, quando presentes alguns requisitos que serão 
estudados mais adiante (art. 3o da CLT):
a. Pessoa física, pois a pessoa jurídica não pode ser 
considerada empregada;
b. O trabalho tem de ser prestado de forma contínua, pois 
trabalho eventual não consolida uma relação de emprego a ser 
protegida pela CLT, como o caso de convocar um mensageiro 
autônomo para enviar uma determinada mensagem;
c. Trabalho subordinado, pois o empregado, no exercício 
de seu mister, cumpre ordens de seu empregador;
d. Existência de contraprestação, posto que o trabalho 
prestado de forma voluntária, sem pagamento de salário, também 
descaracteriza a relação de emprego.
Diferença entre empregado e trabalhador
Trabalhador é um gênero de que empregado é uma de 
suas espécies. O trabalhador presta atividade profissional 
independentemente de troca de salário ou não, não há 
subordinação e nem habitualidade, conclui-se, portanto que não 
há vínculo de emprego. Para ser classificado como empregado, 
devem ser atendidos os requisitos da relação empregatícia, 
enquanto para ser trabalhador o mesmo não ocorre.
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Direito do Trabalho e da Previdência 65
Outro paralelo que pode-se fazer está na relação de trabalho 
e na relação de emprego:
 �Relação de Trabalho (gênero) – relação de trabalho é o 
gênero, que compreende o trabalho autônomo, eventual, avulso etc.
 �Relação de Emprego (espécie) – relação de emprego é 
espécie, trata do trabalho subordinado do empregado em relação 
ao empregador.
A Lei Brasileira define a relação entre empregado e empre-
gador como um contrato, mas afirma que o contrato corresponde 
a uma relação de emprego. Segundo o art. 442 da CLT, 
“contrato individual de trabalho é o acordo, tácito ou expresso, 
correspondente à relação de emprego”. A relação de emprego é 
realmente contratual, ou seja, é uma manifestação de vontade, 
com características de subordinação, habitualidade, onerosidade, 
pessoalidade com relação ao empregado, e deve ser pessoa física.
RESUMINDO
A relação de emprego, é sempre relação de trabalho; mas, nem 
toda relação de trabalho é relação de emprego.
Elementos caracterizadores da relação de emprego
Para ser caracterizado como empregado, mister é o preen-
chimento de alguns requisitos (SHOPP – método mnemônico), 
que são:
 � Subordinação;
 �Habitualidade;
 �Onerosidade;
 � Pessoalidade;
 � Pessoa física.
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Direito do Trabalho e da Previdência66
Imperioso notar, que a exclusividade não é um requisito 
para a configuração da relação laboral, e não haverá distinções 
relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem 
entre o trabalho intelectual, técnico e manual (art. 3o, parágrafo 
único, da CLT) e por derradeiro, não se distingue entre o trabalho 
realizado no estabelecimento do empregador e o executado no 
domicílio do empregado, desde que esteja caracterizada a relação 
de emprego (art. 6o da CLT).
Portanto, para a devida caracterização, é necessário que os 
cinco requisitos estejam juntos, respeitando,assim, a base legal 
do art. 3o da CLT, os quais serão estudados, como segue:
1. Subordinação: trata da submissão do empregado em 
relação ao empregador, acatando as ordens impostas por este, 
e atendendo às exigências para a realização do trabalho. Nada 
mais é que uma subordinação jurídica em razão do poder de 
direção do empregador ao empregado.
2. Inserida neste tema aparece a parassubordinação, um 
instituto que tem ganhado bastante reconhecimento no mundo 
jurídico, apesar de não ser prevista pela legislação brasileira, 
mas tão apenas discutida em artigos esparsos e pouca doutrina 
jurídica brasileira. O parassubordinado é a criação da figura do 
trabalhador que não é empregado, mas que exerce atividades 
similares às deste, mediante pagamento pelo serviço prestado. 
É a subordinação dos não empregados que tem características 
de emprego.
Na verdade, a parassubordinação aparece como um 
elemento entre a subordinação do empregado e o conceito 
de colaboração do trabalhador autônomo. O trabalho 
parassubordinado decorre de um contrato de colaboração no 
qual o trabalhador se compromete a desempenhar uma atividade 
mediante a coordenação, e não subordinação, da empresa 
tomadora, que acorda de forma livre e bilateral as condições 
e formas com que o serviço será prestado, em nada alterando 
a autonomia do trabalho coordenado, ainda que preenchidos 
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Direito do Trabalho e da Previdência 67
os requisitos da subordinação, continuidade e pessoalidade 
caracterizadores da relação de emprego. Ao passo que no 
trabalho subordinado, as normas são impostas pelo empregador 
ao empregado, de forma paritária, no qual lhe deve obediência.
Percebe-se, assim, que a distinção entre as duas hipóteses 
– subordinação e parassubordinação – se baseia na intensidade 
do poder diretivo do tomador.
3. Habitualidade: ou não eventualidade, para a configuração 
desse requisito, deverá haver a prestação de serviço de forma 
contínua e certa, não podendo este ser de forma esporádica ou 
ocasional. Segundo posicionamento do TST, habitual é aquele 
serviço prestado em até 3 vezes por semana.
4. Onerosidade: esse requisito alude acerca do contrato 
de trabalho não ser gratuito, mas sim oneroso, o empregador 
tem o dever de pagar o salário ao empregado pelos serviços 
prestados e o empregado tem a obrigação de prestar serviços ao 
empregador. Assim se os serviços forem prestados espontânea e 
gratuitamente, não há relação empregatícia.
5. Pessoalidade: o contrato de trabalho é intuitu personae, 
quer dizer que o trabalho será realizado com pessoa certa 
e específica, sempre pessoa física, e esta não poderá se fazer 
substituir sob pena do vínculo empregatício.
6. Pessoa Física: só poderá ser empregado a pessoa física; 
pessoa jurídica não poderá ser empregada de outra pessoa 
jurídica.
Trabalhador autônomo
O profissional autônomo é sinônimo de independência, 
relativa a um certo grau de liberdade, porém com limites. É 
se autogovernar, é a pessoa física que exerce, habitualmente e 
por conta própria, atividade profissional remunerada prestando 
serviço de caráter eventual a uma ou mais empresas, sem relação 
de emprego e assumindo o risco de sua atividade. Este trabalhador 
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Direito do Trabalho e da Previdência68
caracteriza-se, portanto, pela autonomia da prestação de serviços 
a uma ou mais empresas, sem relação de emprego, ou seja, por 
conta própria, mediante remuneração, com fins lucrativos ou 
não. (Lei n. 8.212/91, art. 12, inciso V, alínea “h”).
O autônomo não é empregado. Para o trabalhador 
autônomo aplica-se Lei especial, Código Civil e ainda o Código 
de Defesa do Consumidor (CDC), portanto não se aplica a CLT.
Importante destacar que a diferença entre o autônomo e 
o empregado está na subordinação. O empregado é totalmente 
subordinado, jurídica e economicamente, enquanto o autônomo 
é independente, não está de nenhuma forma subordinado à figura 
do empregador, tem total liberdade para executar o trabalho 
durante o tempo que achar necessário, podendo começar e parar 
a qualquer momento, além de poder se fazer substituir.
Distingue-se o autônomo do eventual, vez que o autônomo 
presta serviços com habitualidade, enquanto o eventual presta 
serviços ocasionalmente ao tomador de serviço.
Cabe salientar que o autônomo tem direito de receber 
apenas as comissões sobre suas vendas, contudo, se receber 
comissão mais um salário fixo (independentemente do valor), 
será considerado empregado convencional.
São exemplos de autônomo: advogado, eletricista, 
chaveiro, médico, vendedor, representante comercial, arquiteto, 
engenheiro, marceneiro, encanador, entre outros. São profissio-
nais que não trabalham como empregados, mas sim com 
independência e sem subordinação.
Quando a autonomia é desvirtuada, a jurisprudência tem 
reconhecido o vínculo.
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Direito do Trabalho e da Previdência 69
UNIDADE
02
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Direito do Trabalho e da Previdência70
Olá meu caro estudante, seguimos em frente com nossos 
estudos. Nesta unidade aprenderemos sobre a carteira de trabalho 
e previdência social (CTPS), que é o principal documento de 
identificação profissional do trabalhador. Entenderemos o 
porquê este documento é tão importante, na vida do trabalhador.
Além disso, veremos sobre a jornada de trabalho do 
empregado, de acordo com a CLT. Entenderemos os vários 
tipos de jornada, bem como qual sua limitação. Ainda nesta 
unidade, falaremos sobre um assunto muito importante, que é 
remuneração e salário, qual a distinção entre estes dois termos, 
de acordo com a nossa CLT.
E para finalizar nosso conteúdo da unidade 2, falaremos 
de segurança e medicina do trabalho, as disposições gerais e a 
preocupação com a segurança e saúdo do trabalhador.
Preparado? Ao longo desta unidade letiva você vai 
mergulhar neste universo!
INTRODUÇÃO
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Direito do Trabalho e da Previdência 71
1
2
3
4
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 2. Nosso objetivo 
é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências 
profissionais até o término desta etapa de estudos:
OBJETIVOS
Aprender os assuntos mais importantes sobre a 
carteira de trabalho e previdência social;
Entender o que a CLT fala sobre a jornada de 
trabalho do empregado;
Buscar o entendimento de direito do trabalho 
acerca de remuneração e salário;
Compreender sobre segurança e medicina do trabalho.
Aprendi que a coragem não é a ausência do medo, mas o triunfo 
sobre ele. O homem corajoso não é aquele que não sente medo, 
mas o que conquista esse medo. (Nelson Mandela). O que temos 
que entender sobre essa frase? Enfrente seus medos, coragem 
para alcançarmos o que desejamos. 
Boa leitura. 
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Direito do Trabalho e da Previdência72
Carteira de Trabalho e Previdência Social(CTPS)
A Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) é o 
principal documento de identificação profissional do trabalhador. 
Nela são anotadas os elementos mais importantes concernentes 
às relações de emprego passadas e presentes do trabalhador e as 
alterações relevantes havidas em seus contratos de trabalho, bem 
como informações do interesse da Previdência Social.
A importância desse documento para o trabalhador é 
bastante evidente, servindo ele como instrumento de prova em 
favor do empregado, não só no que tange à existência do contrato 
de trabalho, mas também quanto às condições estabelecidas no 
pacto, como valor e composição do salário, condições especiais, 
férias, etc. Além disso, a CTPS é o meio de prova usualmente 
utilizado para a comprovação perante o INSS do tempo de 
serviço vinculado à Previdência Social, para fins de obtenção de 
aposentadoria, recebimento de benefícios, etc.
CTPS é o principal documento de identificação profissional do 
trabalhador, nela são anotadas os elementos mais importantes 
concernentes às relações de emprego passadas e presentes 
do trabalhador e as alterações relevantes havidas em seus 
contratos de trabalho, bem como informações do interesse da 
Previdência Social.
IMPORTANTE
Dispõe a CLT que “a Carteira de Trabalho e Previdência 
Social é obrigatória para o exercício de qualquer emprego, 
inclusive de natureza rural, ainda que de caráter temporário, 
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Direito do Trabalho e da Previdência 73
e para o exercício por conta própria de atividade profissional 
remunerada” (art. 13).
Art. 13, CLT: A Carteira de Trabalho e Previdência Social 
é obrigatória para o exercício de qualquer emprego, inclusive 
de natureza rural, ainda que em caráter temporário, e para o 
exercício por conta própria de atividade profissional remunerada. 
Emissão da CTPS
A CTPS será emitida pelas Delegacias Regionais do 
Trabalho (DRTs) ou, mediante convênio, por órgãos da 
Administração Direta ou Indireta da União, dos Estados, do 
Distrito Federal ou dos Municípios.
No caso de não serem firmados convênios com esses 
órgãos, poderão ser conveniados sindicatos para emissão da 
CTPS.
Quem emite a CTPS são as Delegacias Regionais 
do Trabalho (DRTs) ou, mediante convênio, por órgãos da 
Administração Direta ou Indireta da União, dos Estados, do 
Distrito Federal ou dos Municípios.
Apresentação e devolução da CTPS
Nenhum empregado pode ser admitido sem apresentar a 
Carteira, e o empregador tem o prazo legal de 5 (cinco) dias úteis 
em relação aos trabalhadores que admitir, a data de admissão, a 
remuneração e as condições especiais (CLT, art. 29).
Alteração do art. 29 da CLT, altera o prazo do empregador 
para anotar a CTPS (antes de 48 horas) para 5 dias úteis, 
conforme pela lei nº 13.874, de 2019. 
Art. 29, CLT. O empregador terá o prazo de 5 (cinco) 
dias úteis para anotar na CTPS, em relação aos trabalhadores 
que admitir, a data de admissão, a remuneração e as condições 
especiais, se houver, facultada a adoção de sistema manual, 
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Direito do Trabalho e da Previdência74
mecânico ou eletrônico, conforme instruções a serem expedidas 
pelo Ministério da Economia.
A lei 13.874 de 2019, também revogou o artigo 53 da CLT 
que penalizava a pagamento de multa no valor de um salário 
mínimo regional, a empresa que recebesse a CTPS para anotação 
e a retivesse por mais de 48 horas. 
Localidade em que inexista órgão emissor 
da CTPS
Nas localidades em que não exista posto de emissão de 
CTPS pode o empregado ser admitido sem a sua apresentação, 
desde que assuma o compromisso de regularizar a situação em 
30 dias, ficando a empresa obrigada a permitir o comparecimento 
do empregado ao posto de emissão mais próximo.
Os parágrafos 3º e 4º do artigo 13 da CLT foram revogados 
pela redação dada pela Lei nº 13.874, de 2019. 
Vedação a anotações desabonadoras
É vedado ao empregador efetuar anotações desabonadoras 
à conduta do empregado em sua Carteira de Trabalho e 
Previdência Social (CLT, art. 29,§ 4º, com a redação dada pela 
Lei nº 10270, de 29-08-2001).
Trata-se de uma norma de proteção ao trabalhador. Essa 
regra salutar e moralizante, impede que o empregador, ao 
dispensar o empregado, “suje” sua CTPS, descrevendo aspectos 
negativos de sua conduta. Tal vedação impede, por exemplo, que 
o empregador descreva na CTPS do empregado a falta grave que 
tenha ensejado a sua dispensa por justa causa. Impede mesmo a 
simples menção ao fato de o empregado haver sido dispensado 
por justa causa.
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Direito do Trabalho e da Previdência 75
IMPORTANTE
É vedado ao empregador efetuar anotações desabonadoras à 
conduta do empregado em sua Carteira de Trabalho e Previdência 
Social (art. 29, §4º, CLT). 
Livro ou ficha de registro de empregados
Além das anotações na CTPS, o empregador está obrigado, 
relativamente a cada trabalhador, a efetuar o registro de 
empregados em fichas, livros ou sistemas eletrônicos, conforme 
instruções do Ministério do Trabalho (CLT, art. 41).
A obrigação de registro abrange todos os empregados da 
empresa, independentemente da atividade exercida. O registro 
inclui a qualificação civil e profissional do empregado, os dados 
relativos à sua admissão, férias, acidentes, etc.
Art. 41, CLT - Em todas as atividades será obrigatório para 
o empregador o registro dos respectivos trabalhadores, podendo 
ser adotados livros, fichas ou sistema eletrônico, conforme 
instruções a serem expedidas pelo Ministério do Trabalho.
O registro do empregado também tem a natureza de prova 
do contrato do trabalho, mas é documento do empregador, 
servindo de base para o fornecimento de esclarecimentos, 
quando solicitados pela fiscalização trabalhista da DRT. Não se 
confunde com a CTPS, especialmente porque esta pertence ao 
trabalhador, enquanto o livro de registro é de propriedade do 
empregador.
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Direito do Trabalho e da Previdência76
Desnecessidade de autenticação prévia
A Lei não mais exige que as fichas ou livros de registro 
de empregados sejam previamente autenticados por órgãos 
governamentais. 
Momento para o empregador proceder ao 
registro do empregado
Ao contrário do que ocorre com a CTPS, o registro 
do empregado nos livros ou fichas deverá ser efetuado 
imediatamente, antes do início da prestação de serviços, sob 
pena de multa administrativa (CLT, art. 47).
Livro ou ficha de registro de empregados não se confunde com 
CTPS, especialmente porque esta pertence ao trabalhador, 
enquanto o livro de registro é de propriedade do empregador.
IMPORTANTE
Art. 47, CLT. O empregador que mantiver empregado não 
registrado nos termos do art. 41 desta Consolidação ficará sujeito 
a multa no valor de R$ 3.000,00 (três mil reais) por empregado 
não registrado, acrescido de igual valor em cada reincidência. 
(Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017)
IMPORTANTE
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Direito do Trabalho e da Previdência 77
§ 1º Especificamente quanto à infração a quese refere o 
caput deste artigo, o valor final da multa aplicada será de R$ 
800,00 (oitocentos reais) por empregado não registrado, quando 
se tratar de microempresa ou empresa de pequeno porte.
§ 2º A infração de que trata o caput deste artigo constitui 
exceção ao critério da dupla visita. (Incluído pela Lei nº 13.467, 
de 2017)
Jornada de Trabalho
Em regra, a lei brasileira considera a jornada de trabalho 
como tempo à disposição do empregador no centro de trabalho 
(CLT, art. 4º).
Figura 1
É necessário que o empregado esteja à disposição do 
empregador. Computa-se o tempo a partir do momento em que o 
empregado chega à empresa até o instante em que dela se retira. 
Não precisa estar efetivamente trabalhando, basta a presunção de 
que o empregado está aguardando ordens ou executando ordens.
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Direito do Trabalho e da Previdência78
Art. 4º, CLT - Considera-se como de serviço efetivo o período 
em que o empregado esteja à disposição do empregador, 
aguardando ou executando ordens, salvo disposição especial 
expressamente consignada.
IMPORTANTE
Em certos casos, porém, considera-se no cômputo da 
jornada de trabalho o tempo de deslocamento do trabalhador de 
sua residência até o local de trabalho e vice-versa. É o chamado 
tempo in itinere.
Figura 2
Nesse caso, a jornada de trabalho começa a ser computada 
a partir do ingresso do empregado na condução fornecida pelo 
empregador e termina com a saída do empregado da referida 
condução, ao regressar para sua residência.
Finalmente, a partir de junho de 2001, o legislador 
trabalhista reconheceu expressamente o cômputo do tempo in 
itinere na jornada de trabalho (CLT, art. 58, § 2º, com a redação 
dada pela Lei nº 10.243, de 19.06.2001).
Por último, devem ser incluídas na jornada de trabalho as 
horas de sobreaviso, em que o empregado permanecer em sua 
casa à disposição do empregador, aguardando ser chamado a 
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Direito do Trabalho e da Previdência 79
qualquer momento para o serviço, como, por exemplo, no caso 
dos ferroviários (CLT, art. 244, § 2º).
Art. 244, § 2º, CLT: Considera-se de “sobre-aviso” o 
empregado efetivo, que permanecer em sua própria casa, 
aguardando a qualquer momento o chamado para o serviço. 
Cada escala de “sobre-aviso” será, no máximo, de vinte e 
quatro horas, as horas de “sobre-aviso”, para todos os efeitos, 
serão contadas à razão de 1/3 (um terço) do salário normal. 
(Restaurado pelo Decreto-lei n º 5, de 4.4.1966)
Tipos de jornada
a. quanto ao período do dia em que é prestada, a jornada será:
Diurna Noturna Mista Revezamento
quando entre 5 
e 22 horas, nos 
centros urbanos.
quando entre 22 
e 5 horas do dia 
seguinte, e suas 
prorrogações, 
nos centros 
urbanos;
quando 
transcorre tanto 
no período 
diurno quanto 
no noturno (uma 
jornada das 18 
h às 24 h, por 
exemplo);
quando num 
período há 
trabalho durante 
o dia, em outro 
o trabalho é 
prestado à noite.
b. quanto à profissão:
 � Jornada geral: aplicável aos empregados em geral;
 � Jornadas especiais: destinadas a determinadas classes 
de empregados, como os ferroviários, os professores, os médicos, 
etc.
c. quanto à remuneração a jornada pode ser com acréscimo 
salarial ou sem acréscimo salarial.
 � Jornada noturna: é remunerada com adicional noturno;
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Direito do Trabalho e da Previdência80
 � Jornada extraordinária: em regra são compensadas 
com adicional de horas extras. Há, porém, horas extras sem 
acréscimo salarial, como as prestadas em decorrência de acordos 
de compensação de horas.
Limitação da jornada 
A Constituição Federal no seu art. 7º, XIII, estabelece que 
o limite máximo da jornada normal de trabalho diário é de 8 
horas, e o limite semanal é de 44 horas.
Legislação 
Art. 7º, XIII CF - duração do trabalho normal não superior 
a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a 
compensação de horários e a redução da jornada, mediante 
acordo ou convenção coletiva de trabalho;
E, no inciso XIV, do mesmo artigo, diz que a jornada 
normal para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de 
revezamento, salvo negociação coletiva, é de 6 horas.
Legislação 
Art. 7º, XIV CF - jornada de seis horas para o trabalho 
realizado em turnos ininterruptos de revezamento, salvo 
negociação coletiva;
As limitações acima mencionadas referem-se aos 
empregados em geral, todavia alguns possuem horários 
diferenciados, como veremos posteriormente.
Trabalho por turnos ininterruptos de 
revezamento 
A Constituição Federal fixa a duração máxima da jornada 
normal em turnos de revezamento em 6 horas, salvo acordo ou 
convenção coletiva de trabalho fixando outra duração (art. 7º, 
XIV).
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Direito do Trabalho e da Previdência 81
O revezamento ocorre quando equipes de trabalhadores se 
sucedem na mesma empresa, no mesmo local de serviço, cada 
trabalhador cumprindo individualmente diferentes períodos 
de trabalho (manhã, tarde e noite), em forma de rodízio, que 
permitem o funcionamento ininterrupto da empresa.
Revezamento 
Equipes de trabalhadores se sucedem na mesma empresa. 
Quando num período há trabalho durante o dia, em outro o 
trabalho é prestado à noite.
Enfim, o que justifica a redução da jornada de oito para 
seis horas não é o simples fato de o trabalho ser prestado 
ininterruptamente, continuadamente. É o revezamento, a 
mudança de horário na sua prestação. 
Se a empresa funciona em turnos ininterruptos, durante 24 
horas por dia, mas os trabalhadores laboram, cada qual, sempre 
no mesmo horário, a jornada poderá ser de oito horas. Porém, se 
a empresa impõe revezamento de horário ao empregado (num 
dia ele trabalha de manhã, noutro à tarde, noutro à noite, por 
exemplo), sendo ele obrigado a trabalhar segundo os horários 
previstos em uma escala de serviço a jornada normal máxima 
passa a ser de seis horas.
Formas de prorrogação da jornada de 
trabalho
De acordo com o art. 59 da CLT, “a duração normal do 
trabalho poderá ser acrescido de horas suplementares, em 
número não excedente de duas, mediante acordo escrito entre 
empregador e empregado, ou mediante contrato coletivo de 
trabalho”.
Legislação
Art. 59, CLT. A duração diária do trabalho poderá ser 
acrescida de horas extras, em número não excedente de duas, 
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Direito do Trabalho e da Previdência82
por acordo individual, convenção coletiva ou acordo coletivo de 
trabalho. 
a. Acordo de prorrogação de horas 
O acordo de prorrogação de horas implica para o empregado 
a obrigatoriedade de fazer horas extras quando requisitado, por 
até 2 horas diárias, as quais deverão ser remuneradas com o 
adicional de no mínimo 50%. 
Este acordo deve ser obrigatoriamente escrito. Se for 
individual, basta um documento assinado pelo empregado 
expressando sua concordância em fazer horas extras. Se for 
coletivo, realizado com a intermediação da entidade sindical, 
tomará a forma de acordo ou convenção coletiva.
Celebrado o acordo, pode o empregadoser requisitado para 
trabalhar duas horas extras diariamente. Poderá ser solicitada 
a realização de número menor ou, ainda, não ser solicitada a 
prestação de horas extras todos os dias, ou mesmo não o ser em 
dia algum. A faculdade é para o empregador, este é quem sabe 
sobre a necessidade ou não de trabalho extraordinário.
RESUMINDO
Celebrado o acordo, pode o empregado ser requisitado para 
trabalhar duas horas extras diariamente. Poderá ser solicitada 
a realização de número menor ou, ainda, não ser solicitada a 
prestação de horas extras todos os dias, ou mesmo não o ser em 
dia algum.
Em regra, pode-se afirmar que o acordo de prorrogação 
de horas é cabível para todo empregado. Há, porém, certos 
trabalhadores que são proibidos de realizar horas extras, e, por 
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Direito do Trabalho e da Previdência 83
via de consequência, não podem celebrar acordo de prorrogação 
de horas. São eles:
 � empregado menor de 18 anos de idade (art. 413 da 
CLT), salvo na hipótese de compensação ou de força maior.;
 � empregado cabineiro de elevadores (lei nº 3.270, de 1957);
 � bancário: a CLT só permite ao bancário fazer horas 
extras excepcionalmente, o que veda seja ajustado acordo 
de prorrogação de horas para esse trabalhador, pois mediante 
tal pacto passaria a ser possibilitada a exigência habitual de 
prorrogação da duração diária de trabalho (art. 225 da CLT).
Em regra, pode-se afirmar que o acordo de prorrogação de 
horas é cabível para todo empregado.
 O acordo de prorrogação de horas pode ser desfeito pelos 
mesmos meios mediante os quais se constituiu, ou seja, deverá 
ser firmado um distrato, ato bilateral, e que deve ser expresso.
b. Sistema de compensação de horas 
Sistema de compensação de horas ou “Banco de 
Horas”, é o acordo mediante o qual as horas excedentes das 
normais prestadas num dia, poderão ser compensadas com a 
correspondente diminuição em outro dia.
O que é sistema de compensação de horas?
Também conhecido como Banco do Horas é o acordo 
mediante o qual as horas excedentes das normais prestadas num 
dia, poderão ser compensadas com a correspondente diminuição 
em outro dia.
A Constituição Federal de 1988 não determinou o prazo 
limite em que a compensação deve ser realizada, estabelecendo 
apenas que a “duração do trabalho normal não superior a 
oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a 
compensação de horários e a redução da jornada, mediante 
acordo ou convenção coletiva” (art. 7º, XIII).
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Direito do Trabalho e da Previdência84
A partir de 1998, a nova redação do § 2º do art. 59 da CLT 
passou a fixar limite máximo de um ano para a compensação.
Compensação do Banco de Horas
Art. 52, § 2º, CLT: Poderá ser dispensado o acréscimo 
de salário se, por força de acordo ou convenção coletiva de 
trabalho, o excesso de horas em um dia for compensado pela 
correspondente diminuição em outro dia, de maneira que não 
exceda, no período máximo de um ano, à soma das jornadas 
semanais de trabalho previstas, nem seja ultrapassado o limite 
máximo de dez horas diárias.
Na hipótese de rescisão do contrato de trabalho sem que 
tenha havido a compensação integral das horas suplementares 
trabalhadas, fará o trabalhador jus ao pagamento dessas horas 
como extras, isto é, com o acréscimo do adicional mínimo de 50%.
Em caso de rescisão do contrato de trabalho sem que 
tenha havido a compensação integral das horas suplementares 
trabalhadas, o trabalhador fará jus ao pagamento dessas horas 
como extras, isto é, com o acréscimo do adicional mínimo de 50%.
c. Horas extras no caso de força maior
Art. 61, CLT - Ocorrendo necessidade imperiosa, poderá a 
duração do trabalho exceder do limite legal ou convencionado, 
seja para fazer face a motivo de força maior, seja para atender 
à realização ou conclusão de serviços inadiáveis ou cuja 
inexecução possa acarretar prejuízo manifesto.
A CLT define força maior como o acontecimento inevitável, 
imprevisível, para o qual o empregador não deu causa, direta ou 
indiretamente. Exemplo: incêndios e inundações. 
Ocorrendo motivo definido como força maior, a empresa 
terá direito de exigir o trabalho suplementar de seus empregados, 
independentemente de ajuste prévio em acordo de prorrogação 
de horas ou previsão em convenção coletiva.
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Direito do Trabalho e da Previdência 85
Exige apenas a CLT que o empregador faça a comunicação 
posterior da prorrogação da jornada à Delegacia Regional do 
Trabalho (DRT) no prazo de 10 dias, ou antes desse prazo, 
justifique-se perante a fiscalização, sem prejuízo da citada 
comunicação à DRT (art. 61, § 1º).
IMPORTANTE
Em casos de força maior, a CLT não determina quanto seria o 
máximo da jornada de trabalho do empregado maior de 18 anos, 
ficando assim sem limite a prestação de horas suplementares 
nessas hipóteses.
Em relação ao menor de 18 anos, achou por bem o 
legislador estabelecer uma jornada diária máxima (CLT, art. 
413,II). Assim, o empregado menor só poderá fazer horas extras 
em casos de força maior até o limite máximo de 12 horas, aí 
incluídas as horas da jornada normal. Além dessa limitação, a CLT 
dispõe que o menor só poderá realizar essas horas suplementares 
caso o seu trabalho seja imprescindível ao funcionamento do 
estabelecimento.
Dispõe o art. 61, § 2º, primeira parte, da CLT que, 
“nos casos de excesso de horário por motivo de força maior, 
a remuneração da hora excedente não será inferior à da hora 
normal”.
d. Horas extras para conclusão de serviços inadiáveis
Serviços inadiáveis são os que devem ser concluídos na 
mesma jornada de trabalho, não podendo ficar para o dia seguinte 
sem acarretar prejuízos ao empregador. Não porque assim o 
pretenda o empresário, mas como decorrência da sua própria 
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Direito do Trabalho e da Previdência86
natureza, que não permite sejam abandonados inconclusos pelo 
só fato de haver terminado a jornada normal de trabalho.
São exemplos de serviços inadiáveis o trabalho com 
produtos perecíveis, que devem ser colocados imediatamente no 
refrigerador; a imediata saída do navio que deverá transportar a 
mercadoria da empresa, ainda não completamente embarcada; o 
serviço de transporte, dada a impossibilidade de ser concluída a 
jornada de trabalho do motorista antes de terminado o trajeto do 
ônibus, etc.
A CLT dispõe que o trabalho não poderá exceder de 12 
horas desde que a lei não fixe outro limite (art. 61, § 2º).
As horas trabalhadas em decorrência de serviço inadiável 
serão remuneradas com adicional de, no mínimo, 50% sobre a 
hora normal. 
e. Horas extras para reposição de paralisações
A empresa pode sofrer paralisações decorrentes de causas 
acidentais ou de força maior, como a interdição da área em que 
se encontram os prédios para a construção da rede de esgoto 
municipal, falta prolongada de energia elétrica causada por um 
raio, etc. 
Como se vê, a força maior pode influir na duração da jornada 
de trabalho de 2 modos: pode forçar o trabalho extraordinário 
para a reparação de estragos, nas situações vistas anteriormente, 
bem assim forçar a paralisação do trabalho, caso impossibilite 
temporariamente o funcionamento da empresa, exigindo horassuplementares posteriores para repor essa paralisação.
A força maior pode influir na duração da jornada de 
trabalho de 2 modos: pode forçar o trabalho extraordinário para 
a reparação de estragos, nas situações vistas anteriormente, 
bem assim forçar a paralisação do trabalho, caso impossibilite 
temporariamente o funcionamento da empresa, exigindo horas 
suplementares posteriores para repor essa paralisação.
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Direito do Trabalho e da Previdência 87
f. Natureza do adicional de horas extras
O adicional de horas extras nada mais é do que a 
remuneração atribuída ao empregado pelo trabalho prestado 
após a jornada normal, com o acréscimo previsto.
O adicional de horas extras tem natureza salarial. O 
adicional de horas extras nada mais é do que a remuneração 
atribuída ao empregado pelo trabalho prestado após a jornada 
normal, com o acréscimo previsto.
Intervalos interjornadas e intrajornadas
A lei obriga a concessão de intervalos ao empregado, com 
vistas a que esse possa se alimentar, descansar, restaurando as 
energias do corpo.
A anotação do horário de entrada e saída de cada empregado 
é obrigatória somente para os estabelecimentos com mais de 20 
trabalhadores (CLT, art. 74).
Novidade Legislativa 
Art. 74, CLT. O horário de trabalho será anotado em registro 
de empregados. (Redação dada pela Lei nº 13.874, de 2019)
§ 1º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 13.874, de 2019)
§ 2º Para os estabelecimentos com mais de 20 (vinte) 
trabalhadores será obrigatória a anotação da hora de entrada e 
de saída, em registro manual, mecânico ou eletrônico, conforme 
instruções expedidas pela Secretaria Especial de Previdência e 
Trabalho do Ministério da Economia, permitida a pré-assinalação 
do período de repouso. (Redação dada pela Lei nº 13.874, de 
2019)
§ 3º Se o trabalho for executado fora do estabelecimento, o 
horário dos empregados constará do registro manual, mecânico 
ou eletrônico em seu poder, sem prejuízo do que dispõe o caput 
deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 13.874, de 2019)
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Direito do Trabalho e da Previdência88
§ 4º Fica permitida a utilização de registro de ponto 
por exceção à jornada regular de trabalho, mediante acordo 
individual escrito, convenção coletiva ou acordo coletivo de 
trabalho. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
a. Intervalos interjornadas
Entre duas jornadas de trabalho deve haver um intervalo 
mínimo de 11 horas, não podendo o empregado assumir o serviço 
em um dia sem antes ver respeitado esse descanso em relação ao 
fim do trabalho do dia anterior.
A contagem das 11 horas inicia-se no momento em que 
o empregado efetivamente cessa seu trabalho, seja de serviço 
normal ou de suplementar.
Além do descanso mínimo de 11 horas entre duas jornadas, 
será assegurado a todo empregado um descanso semanal de 24 
horas consecutivas. Assim, se o empregado trabalha de segunda 
a sábado, há necessidade de que as 11 h de intervalo interjornada 
sejam somadas com as 24 h do descanso semanal remunerado, 
correspondendo a 35 h de descanso.
Art. 66, CLT - Entre 2 (duas) jornadas de trabalho haverá 
um período mínimo de 11 (onze) horas consecutivas para 
descanso.
A contagem das 11 horas inicia-se no momento em que 
o empregado efetivamente cessa seu trabalho, seja de serviço 
normal ou de suplementar.
b. Intervalos intrajornada
A CLT obriga a concessão dos seguintes intervalos 
intrajornada (art. 71, §2º):
15 minutos 1 a 2 horas
quando o trabalho é prestado por 
mais de 4 horas e até 6 horas;
nas jornadas excedentes de 6 horas.
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Direito do Trabalho e da Previdência 89
Em regra, os intervalos não são remunerados, salvo 
naqueles casos expressamente previstos em lei, como os 
intervalos de 10 minutos a cada 90 minutos de serviço do pessoal 
que trabalha com mecanografia (CLT, art. 72).
Sempre que não concedido o intervalo, serão duas as 
sanções ao empregador:
1º - pagamento do período como 
hora extra, com adicional de, no 
mínimo, 50%;
2º - multa administrativa, aplicada 
pela fiscalização do trabalho.
Excepcionalmente, nas jornadas excedentes de 6 horas, 
o limite mínimo de 1 hora para repouso ou refeição poderá 
ser reduzido por ato administrativo do Ministro do Trabalho, 
quando verificar que o estabelecimento atende integralmente às 
exigências concernentes à organização dos refeitórios e desde 
que os empregados não estejam em regime de horas extras. O 
Ministério do Trabalho tem reduzido esse intervalo para até 30 
minutos, em jornadas diurnas; e nos períodos noturnos para até 
40 minutos. 
Trabalho noturno
a. Trabalhador Urbano: Considera-se trabalho noturno 
aquele realizado entre as 22 horas de um dia e as 5 horas do dia 
seguinte.
O trabalho noturno enseja o pagamento de um adicional 
de, no mínimo, 20 % sobre o valor da hora diurna do empregado.
Se o adicional do trabalho noturno for pago com 
habitualidade, integra o salário para todos os fins, como férias, 13º 
salário, aviso prévio, descanso semanal remunerado, FGTS, etc.
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Direito do Trabalho e da Previdência90
A duração da hora noturna é reduzida, correspondendo a 
52 minutos e 30 segundos. Assim, a cada período trabalhado de 
52 min. e 30 seg., conta-se 1 hora de trabalho.
O adicional do trabalho noturno não cria direito adquirido. 
Logo, se o empregado trabalhava no período noturno e passa a 
trabalhar no período diurno, perde o direito ao adicional noturno, 
pois deixa de existir seu fato gerador, que era trabalho executado 
à noite.
b. Trabalhador Rural: Considera-se trabalho noturno o 
executado entre as 21 horas de um dia e as 5 h do outro, na 
lavoura; e, entre as 20 horas de um dia e as 4 h do dia seguinte, 
na pecuária.
O adicional noturno devido ao empregado rural é de 25%. 
A hora noturna do rural não sofre nenhuma redução, ou seja, é 
de 60 minutos.
Descanso semanal remunerado
Conceito: Descanso Semanal Remunerado (DSR), 
é o período de 24 horas consecutivas na semana em que o 
empregado, embora percebendo remuneração, deixa de prestar 
serviços ao empregador. 
O trabalhador faz jus ao repouso, como o nome explicita, 
uma vez por semana, de preferência aos domingos. Os feriados, 
embora evidentemente não sejam semanais, configuram, 
também, hipóteses de descanso remunerado do trabalhador.
b. Condiçoes para a manutenção da remuneração do DS
É condição para a manutenção da remuneração do repouso 
semanal a frequência integral (assiduidade e pontualidade) do 
empregado durante a semana, entendida esta como o período de 
segunda-feira a sábado, anterior à semana em que recair o dia do 
repouso semanal. 
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Direito do Trabalho e da Previdência 91
Se não foi completado o trabalho integral dos seis dias 
precedentes o empregado perde o direito à remuneração do 
descanso, mas conserva o direito ao repouso.
c. Substituição do repouso por pagamento
Não permite a lei que o empregado deixe de ter descanso 
semanal, ainda que recebendo pagamento substitutivo da falta 
dedescanso.
Apenas nos feriados, dias nos quais também é garantido 
o repouso remunerado, e nas empresas em que pelas exigências 
técnicas não for possível dar o descanso aos domingos, a lei 
permite a conversão do descanso em pagamento. 
O pagamento deverá ser feito em dobro, não sendo devido 
esse pagamento dobrado se o empregador conceder a folga em 
outro dia (TST, Enunciado nº 146).
Súmula nº 146 do TST
O trabalho prestado em domingos e feriados, não 
compensado, deve ser pago em dobro, sem prejuízo da 
remuneração relativa ao repouso semanal.
Férias individuais (arts. 129 a 138 da CLT)
As férias correspondem ao período do contrato de trabalho 
em que o empregado não presta serviços, com o fim de restaurar 
suas energias, mas recebe remuneração do empregador.
O legislador, considerando que o trabalho contínuo é 
prejudicial à saúde, confere um período de descanso prolongado 
ao trabalhador, após o período de doze meses, a fim de assegurar 
sua saúde física e mental.
Diz-se que as férias são individuais quando esse direito 
é concedido a apenas um empregado ou a alguns empregados 
simultaneamente. Não a todos ao mesmo tempo, hipótese de 
férias coletivas.
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Direito do Trabalho e da Previdência92
Período aquisitivo 
Para o empregado ter direito às férias, há necessidade de 
cumprir um período que é denominado de período aquisitivo 
daquele direito. 
No momento em que é admitido na empresa, começa a 
correr o período aquisitivo, e somente após 12 meses de vigência 
do contrato de trabalho do empregado é que haverá o direito às 
férias (CLT, art. 130).
O cumprimento do período aquisitivo constitui condição 
para a concessão das férias ao trabalhador.
Período concessivo
Completado o período aquisitivo, que é de 12 meses, o 
empregador terá de conceder as férias nos 12 meses subsequentes, 
período a que se dá o nome de período concessivo. 
A concessão das férias é ato exclusivo do empregador, 
independendo de pedido ou concordância do empregado. É o 
empregador que irá determinar a data da concessão das férias 
do empregado, da forma que melhor atenda aos interesses da 
empresa. 
Duração das férias
As férias dos empregados em geral são gozadas em dias 
corridos, úteis e não úteis, sendo que a sua duração depende da 
assiduidade do empregado, sofrendo diminuição na proporção 
das suas faltas injustificadas.
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Direito do Trabalho e da Previdência 93
Nº de faltas injustificadas no 
período aquisitivo
Duração do período de férias
Até 5 30 dias corridos
De 6 a 14 24 dias corridos
De 15 a 23 18 dias corridos
De 24 a 32 12 dias corridos
Acima de 32 Nenhum dia de férias
O empregado doméstico está sujeito à regra própria, que 
lhe concede o direito de vinte dias úteis de férias após cada doze 
meses de trabalho.
O período de férias é computado como tempo de serviço 
do empregado na empresa, para todos os efeitos.
Férias do empregado contratado a tempo 
parcial
Considera-se trabalho em regime de tempo parcial aquele 
cuja duração não exceda a 25 horas semanais. (CLT, art. 58-A, 
redação dada pela MP 2164-41/01). 
Os trabalhadores contratados sob o regime de tempo 
parcial têm duração das férias distinta, na seguinte proporção:
Duração do trabalho semanal Duração do período de férias
Superior a 22 h, até 25 h 18 dias corridos
Superior a 20 h, até 22 h 16 dias corridos
Superior a 15 h, até 20 h 14 dias corridos
Superior a 10 h, até 15 h 12 dias corridos
Superior a 5 h, até 10 h 10 dias corridos
Igual ou inferior a 5 h 08 dias corridos
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Direito do Trabalho e da Previdência94
Ao contrário dos trabalhadores em geral, o número de 
faltas no período aquisitivo não é o fator determinante para a 
duração das férias do empregado submetido a regime de tempo 
parcial. 
As faltas só influenciarão se forem superiores a 7 (sete), 
no respectivo período aquisitivo. Se o empregado tiver até sete 
faltas, estas não prejudicarão em nada o direito a férias. Porém, 
se forem mais de sete, reduzirão a duração das férias à metade, 
seja qual for sua jornada de trabalho.
As faltas só influenciarão se forem superiores a 7 (sete), no 
respectivo período aquisitivo. Se o empregado tiver até sete 
faltas, estas não prejudicarão em nada o direito a férias.
IMPORTANTE
Cuidado: se forem mais de sete, reduzirão a duração das 
férias à metade, seja qual for sua jornada de trabalho.
Concessão fora do período
Sempre que as férias forem concedidas fora do prazo, isto 
é, após o período concessivo, o empregador estará obrigado a 
pagá-las em dobro.
Depois de esgotado o período concessivo de férias, sem 
que o empregador as haja concedido, poderá o empregado ajuizar 
reclamação trabalhista pedindo ao juiz a fixação das férias, por 
sentença, para o fim de goza-las. Nessa circunstância, o juiz terá 
poderes para fixar o período das férias, nos termos do art. 137, 
§ 1º da CLT.
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Direito do Trabalho e da Previdência 95
Legislação
Art. 137, CLT - Sempre que as férias forem concedidas 
após o prazo de que trata o art. 134, o empregador pagará em 
dobro a respectiva remuneração. 
§ 1º - Vencido o mencionado prazo sem que o empregador 
tenha concedido as férias, o empregado poderá ajuizar reclamação 
pedindo a fixação, por sentença, da época de gozo das mesmas. 
Possibilidade de fracionamento 
Em regra, as férias devem ser concedidas de uma só vez, 
em um único período. Somente em casos excepcionais é possível 
o fracionamento em dois períodos, um dos quais não poderá ser 
inferior a 10 dias. (CLT, art. 134, § 1º) 
Legislação 
Art. 134, CLT - As férias serão concedidas por ato do 
empregador, em um só período, nos 12 (doze) meses subsequentes 
à data em que o empregado tiver adquirido o direito. 
§ 1º Desde que haja concordância do empregado, as férias 
poderão ser usufruídas em até três períodos, sendo que um deles 
não poderá ser inferior a quatorze dias corridos e os demais não 
poderão ser inferiores a cinco dias corridos, cada um. 
O fato de o empregado ter suas férias reduzidas em razão 
de faltas não afetará a possibilidade de fracionamento, contanto 
que ele permaneça com direito a, pelo menos, 20 dias corridos de 
férias. Por exemplo, o trabalhador com 6 a 14 faltas injustificadas 
no período aquisitivo (portanto com direito a 24 dias de férias) 
poderá ter suas férias fracionadas em um período de 14 dias e 
outro de 10 dias.
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Direito do Trabalho e da Previdência96
Direito de coincidência
A CLT prevê direito de coincidência para os estudantes 
menores de 18 anos, que têm o direito de que suas férias no serviço 
sejam coincidentes com as férias escolares, isto é, o empregador 
deverá escolher o período de férias do menor estudante dentro do 
período de férias escolares (CLT, art. 136, § 2º).
Os membros da mesma família que trabalharem no 
mesmo estabelecimento ou empresa igualmente terão direito 
de coincidência das férias de todos, que serão, assim, gozadas 
na mesma época,se assim o desejarem e se disso não resultar 
prejuízos ao empregador (CLT, art. 136, § 1º).
Comunicação e pagamento de férias
A concessão das férias será comunicada, por escrito, ao 
empregado, com antecedência de, no mínimo 30 dias. Dessa 
comunicação, o empregado dará recibo (CLT, art. 135).
O empregado não poderá entrar no gozo das férias sem 
apresentar a CTPS ao empregador para que nela seja anotada a 
respectiva concessão, anotação esta que também deve ser feita no 
livro ou ficha de registro do empregado (CLT, art. 135, §§ 1º e 2º).
Legislação
Art. 135, CLT - A concessão das férias será participada, 
por escrito, ao empregado, com antecedência de, no mínimo, 30 
(trinta) dias. Dessa participação o interessado dará recibo. 
§ 1º - O empregado não poderá entrar no gozo das férias 
sem que apresente ao empregador sua Carteira de Trabalho e 
Previdência Social, para que nela seja anotada a respectiva 
concessão. 
§ 2º - A concessão das férias será, igualmente, anotada no 
livro ou nas fichas de registro dos empregados. 
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Direito do Trabalho e da Previdência 97
O pagamento das férias e, se for o caso, o do respectivo 
abono de férias serão efetuados até 2 dias antes do início do 
respectivo período de gozo, devendo o empregado dar quitação 
do recebimento (CLT, art. 145).
Durante as férias a remuneração do empregado será a 
mesma, como se estivesse em serviço, devendo seu valor ser 
idêntico ao de seu salário na data da concessão, acrescido de um 
terço (CF, art. 7º, XVII).
Se o salário for pago por comissão ou percentagem, apurar-
se-á a média dos pagamentos dos 12 meses anteriores à concessão.
Abono de férias
A lei permite a transformação de 1/3 das férias em 
pagamento em dinheiro. Haverá a redução do número de dias 
de férias e o proporcional aumento no ganho do empregado. O 
abono de férias deverá ser requerido até 15 dias antes do término 
do período aquisitivo (CLT, art. 143, § 1º).
Nas férias coletivas, a conversão do abono de férias 
deverá ser objeto de negociação coletiva entre o empregador e 
o sindicato representativo dos trabalhadores, independendo de 
requerimento individual sua concessão.
O empregado contratado a tempo parcial não poderá 
converter parte das suas férias em abono pecuniário (CLT, art. 
143, § 3º).
O abono pecuniário deve ser calculado sobre a remuneração 
das férias já acrescida do adicional de um terço, previsto 
constitucionalmente. 
EXEMPLO: Se a remuneração do empregado é de R$ 
900,00 (novecentos reais), e vier ele solicitar o abono pecuniário, 
este terá o valor de R$ 400,00, que corresponde a 1/3 de R$ 
1.200,00, valor da remuneração acrescida de 1/3 constitucional 
(R$900,00 + R$ 300,00 = R$1.200,00).
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Direito do Trabalho e da Previdência98
O prazo para o pagamento do abono ao empregado é o 
mesmo estabelecido para o pagamento das férias, isto é, até dois 
dias antes do início das férias.
Efeitos da extinção do contrato de trabalho
A extinção do contrato de trabalho faz surgir para o 
empregado direito à indenização dos períodos de férias que, até 
o momento da dispensa, ele haja adquirido e não gozado.
a. Férias vencidas
Férias vencidas são aquelas cujo período aquisitivo 
já foi completado e que não foram ainda concedidas ao 
empregado. Dispõe CLT no seu art. 146: “Na cessação do 
contrato de trabalho, qualquer que seja a sua causa, será devida 
ao empregado a remuneração simples ou em dobro, conforme 
o caso, correspondente ao período de férias cujo direito tenha 
adquirido”. 
As férias vencidas são devidas em todas as hipóteses 
de dispensa: com justa causa, sem justa causa, no pedido de 
demissão, e ainda no término do contrato a prazo determinado 
(com duração superior a um ano). 
b. Férias proporcionais
As férias proporcionais são aquelas cujo período aquisitivo 
não está completo no momento da rescisão. 
O que são férias proporcionais?
São aquelas cujo período aquisitivo não está completo no 
momento da rescisão.
É o caso, por exemplo, do empregado dispensado com 7 
meses de trabalho, ou daquele com 2 anos e 7 meses de trabalho. 
O valor a ser pago é proporcional, correspondendo a 1/12 
por mês do período aquisitivo, contando-se a fração superior a 
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Direito do Trabalho e da Previdência 99
14 dias como um mês e desprezando-se a igual ou inferior. (CLT, 
art. 146, parágrafo único). 
As férias indenizadas, sejam vencidas ou proporcionais, 
são devidas com o adicional de um terço constitucional (CF, art. 
7º, XVII).
c. Férias proporcionais para empregados com mais de 
1 ano de casa: CLT, art. 146, parágrafo único
De acordo com o dispositivo legal, se o empregado possui 
mais de um ano de casa, sempre terá direito ao pagamento 
das férias proporcionais, EXCETO em uma única hipótese: a 
dispensa com justa causa.
d. Férias proporcionais para empregados com menos 
de 1 ano de casa: CLT, art. 147 
No caso do empregado com menos de 12 meses de casa, 
só haverá direito à indenização das férias proporcionais em duas 
hipóteses de cessação do contrato de trabalho: dispensa sem 
justa causa e término d contrato a prazo determinado.
Prescrição das férias
Extinto o contrato de trabalho, o empregado tem o prazo 
de 2 anos para ingressar com a ação trabalhista. Durante a 
relação de emprego, o prazo prescricional é de 5 anos (CF, art. 
7º, XXIX). 
Com relação às férias, a prescrição de 5 anos, durante 
o contrato de trabalho, é contada a partir do fim do período 
concessivo. O prazo prescricional de 2 anos, após a extinção 
do contrato de trabalho, conta-se, evidentemente, a partir da data 
de cessação do ajuste.
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Direito do Trabalho e da Previdência100
Férias coletivas
A CLT permite que sejam concedidas férias coletivas a todos os 
empregados de uma empresa ou de determinados estabelecimentos 
ou setores da empresa. Bem como, permite o fracionamento das 
férias em até dois períodos anuais, desde que nenhum deles seja 
inferior a 10 dias. (CLT, art. 139, “caput” e § 1º).
Incumbe exclusivamente ao empregador a decisão sobre 
a conveniência de conceder férias coletivas, o momento de sua 
concessão, o fracionamento, bem assim sobre sua abrangência 
(se alcançará todos os estabelecimentos da empresa, alguns 
estabelecimentos ou mesmo um único setor).
Formalidades a serem cumpridas na concessão de 
férias coletivas 
A CLT exige a prévia comunicação à DRT e ao sindicato 
dos trabalhadores, com a antecedência mínima de 15 dias, 
informando as datas de início e de fim das férias coletivas, bem 
assim dos estabelecimentos ou setores atingidos pela medida 
(art. 139, § 2º). 
Conclui-se do dispositivo acima, que a Lei não exige 
que a empresa solicite autorização da DRT ou do sindicato dos 
trabalhadores para a concessão das férias coletivas. Deverá 
apenas comunicar-lhes que irá concedê-las, com a antecedência 
mínima de 15 dias. 
A anotação da CTPS das férias coletivas poderá dar-se 
mediante carimbo, a ser aprovado pelo Ministério do Trabalho, 
quando o número de empregados contemplados com as férias 
for superior a 300 (CLT, art. 141).
Possibilidade de abono pecuniário 
A CLT admite a possibilidade de conversão de 1/3 das 
férias coletivas empagamento em dinheiro. O abono, nesse 
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Direito do Trabalho e da Previdência 101
caso, deverá ser ajustado mediante negociação coletiva da 
respectiva categoria profissional, independendo de requerimento 
individual do trabalhador. (art. 143, § 2º). Isto é, prevalecerá a 
vontade manifestada pelo Sindicato, submetendo-se a ela os 
trabalhadores.
Férias coletivas proporcionais
Havendo a concessão de férias coletivas, os empregados 
contratados há menos de 12 meses gozarão, na oportunidade, 
férias proporcionais, iniciando-se, então, novo período aquisitivo 
(CLT, art. 140). 
Legislação
Art. 140, CLT - Os empregados contratados há menos de 
12 (doze) meses gozarão, na oportunidade, férias proporcionais, 
iniciando-se, então, novo período aquisitivo. 
Pode acontecer, porém, de a empresa ter interesse em 
conceder, a todos os seus empregados, férias coletivas com 
duração de 30 dias. Nessa hipótese, como fica a situação dos 
empregados que só têm direito a férias proporcionais? Poderá 
a empresa, posteriormente descontar da remuneração desses 
empregados os dias a mais que obtiveram de férias? Ou, poderá 
exigir-lhes a compensação desses dias com futuros períodos de 
férias?
Por outro lado, se as férias coletivas concedidas forem 
inferiores ao período a que o trabalhador teria direito, o período 
remanescente deverá ser concedido pelo empregador em 
outra oportunidade, dentro do período concessivo. O período 
remanescente poderá ser concedido de forma individual. Assim, 
se o empregado tinha direito a 30 dias de férias e a empresa só 
concedeu férias coletivas de 15 dias, os outros 15 dias deverão 
ser concedidos dentro do período concessivo, sob pena de 
pagamento em dobro pelo empregador.
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Direito do Trabalho e da Previdência102
Remuneração e salário 
A distinção clássica entre os dois institutos - salário e 
remuneração - é aquela que aponta como elemento diferenciador 
a inclusão ou não das gorjetas. A CLT, em seu art. 457, adota 
essa linha, ao dispor que a remuneração compreende a salário 
mais as gorjetas.
O salário corresponde ao valor econômico pago diretamente 
pelo empregador ao empregado.
A remuneração inclui o salário indireto, pago por terceiros 
(gorjetas), e o salário direto pago pelo empregador (em dinheiro 
ou utilidades).
Parcelas integrantes do salário
Dispõe o art. 457, § 1 º da CLT: “Integram o salário, não 
só a importância fixa estipulada, como também as comissões, 
percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e 
abonos pagos pelo empregador”.
a. Comissões
São retribuições financeiras pagas ao empregado com base 
em percentuais sobre os negócios que efetua, ou seja, constituem 
o denominado salário por comissão. Por exemplo, o empregado 
poderá receber uma comissão de R$ 10,00 por unidade vendida.
É admitida no Brasil a contratação de empregados tendo 
como forma de salário apenas comissão, todavia o empregador é 
obrigado a garantir o salário mínimo, quando as comissões não 
atingirem esse valor.
b. Percentagens
 É um percentual, pago pelo empregador ao empregado, 
calculado sobre as vendas (5%, por exemplo), sem valor 
monetário determinado.
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Direito do Trabalho e da Previdência 103
c. Gratificações
São liberalidades do empregador que pretende incentivar o 
empregado, visando a obter maior dedicação deste, normalmente 
ocorre por ocasião das festas de fim de ano. Se elas forem pagas 
com habitualidade, têm natureza salarial.
A CLT considera de natureza salarial as gratificações 
ajustadas (art. 457, § 1º), mas a jurisprudência entende que, 
havendo habitualidade no pagamento, as gratificações serão 
consideradas salariais, ainda que não constem de ajuste expresso.
d. Diárias para viagens 
As diárias são pagamentos efetuados pelo empregador 
ao empregado para este fazer face as despesas decorrentes de 
pousada, alimentação e locomoção quando necessário o seu 
deslocamento para executar determinados serviços em outra 
localidade. Em regra, as diárias têm caráter indenizatório, ou 
seja, não constituem salário. 
Entretanto, integram o salário, pelo seu valor total e para 
efeitos indenizatórios, as diárias de viagens que excedam 50% 
do salário do empregado. Excedendo 50% do valor do salário, 
o valor integral das diárias (e não apenas o excesso) perde a 
natureza de indenização e passa a configurar salário.
e. Abonos
O abono corresponde a um adiantamento em dinheiro 
de parte do salário. É uma mera antecipação salarial, visando 
atender certas situações transitórias, podendo, ao final, ser 
absorvido definitivamente pelo salário ou ter seu pagamento 
cessado. 
Não se esgotam no art. 457 da CLT, as parcelas integrantes 
do salário, senão vejamos a redação do art. 458 “Além do 
pagamento em dinheiro, compreendem-se no salário, para todos 
os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras 
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Direito do Trabalho e da Previdência104
prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do 
costume, fornecer habitualmente ao empregado...” 
Salário profissional
O salário profissional é aquele fixado como o mínimo que 
pode ser pago a determinada profissão, alcançando apenas os 
profissionais que exerçam a profissão. É comum a fixação de 
salário para profissões organizadas, como o salário profissional 
de engenheiro, de médico, etc. O salário profissional não leva 
em consideração a categoria em que trabalha o indivíduo, mas 
sim a sua profissão. 
Salário normativo
É aquele fixado em sentença normativa proferida em 
dissídio coletivo pelos tribunais da Justiça do Trabalho.
Princípios de proteção do salário
a. Periodicidade do pagamento do salário
Segundo esse princípio o salário deve ser pago em 
períodos máximos de um mês, salvo comissões, percentagens 
e gratificações, as quais podem ultrapassar esse período (CLT, 
art. 459).
O pagamento das comissões deve ser mensal, à medida 
que haja a conclusão dos negócios, mas permite-se que as partes, 
mediante acordo, fixem outro prazo, desde que não superior a 90 
dias, contados da aceitação do negócio.
As gratificações poderão ser pagas por mês, por semestre 
ou por ano, de acordo com a forma ajustada pelas partes.
A CLT fixa como dia do pagamento do salário o 5º dia útil 
do mês subsequente ao do vencimento. 
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Direito do Trabalho e da Previdência 105
b. Atraso no pagamento do salário
Se houver atraso no pagamento do salário, o contrato de 
trabalho pode, a critério do empregado ser rescindido como 
dispensa indireta pelo descumprimento das obrigações do 
empregador (CLT, art. 483, d).
c. Pagamento do salário em audiência judicial
Quando o contrato de trabalho é rescindido, seja por iniciativa 
do empregado ou do empregador, e havendo controvérsia sobre 
o montante das verbas rescisórias, o empregador é obrigado a 
pagar ao trabalhador, na data do comparecimento à Justiça do 
Trabalho, a parte incontroversa dessas verbas, sob pena de pagá-
las acrescidasde 50% (CLT, art. 467).
Essa sanção não se aplica à União, aos Estados, ao Distrito 
Federal, aos Municípios e às suas autarquias e fundações públicas 
(MP 2.180-35/01).
d. Prova do pagamento
A comprovação do pagamento poderá ser feita mediante 
recibo ou comprovante de depósito bancário (CLT, art. 464).
e. Irredutibilidade salarial
A Constituição Federal garante a irredutibilidade salarial, 
salvo acordo ou convenção coletiva de trabalho (art. 7º, VI). 
Assim, a única forma admissível pela lei de redução salarial é a 
estabelecida mediante acordo ou convenção coletiva. 
Descontos legais
Em regra, é vedado ao empregador efetuar descontos 
nos salários, ressalvados adiantamentos salariais e as hipóteses 
previstas em lei ou convenção coletiva (CLT, art. 462).
Os descontos legalmente permitidos são os seguintes:
 �Contribuições previdenciárias;
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Direito do Trabalho e da Previdência106
 � Imposto de renda;
 � Pagamento de prestações alimentícias;
 � Pagamento de pena criminal pecuniária;
 � Pagamento de custas judiciais;
 � Pagamento de prestações do SFH (Lei nº 5.725/71);
 �Retenção salarial por falta de aviso prévio do empregado 
que pede demissão;
 �Contribuição sindical (CLT, art. 478);
 �Vale-transporte.
Dispõe a CLT, ainda, que “em caso de dano causado pelo 
empregado, o desconto será lícito, desde que esta possibilidade 
tenha sido acordada ou na ocorrência de dolo do empregado” 
(CLT, art. 462, § 1º).
Política de reajuste salarial
No Brasil, até 1964, os sindicatos e empresas negociavam 
livremente os salários e somente na falta de acordo a questão 
era submetida à Justiça do Trabalho por meio do processo 
conhecido como “dissídio coletivo”, no qual os juízes fixavam 
discricionariamente, com base na variação do custo de vida, os 
percentuais de reajuste aplicáveis aos salários dos litigantes.
Gratificação de natal (13º SALÁRIO)
a. Previsao legal: Leis nº 4.090/62 e nº 4.749/65 e 
Constituição Federal, arts 7º, VIII; e, art. 201,§ 6º.
b. Conceito: É uma gratificação compulsória devida a 
todo empregado no mês de dezembro de cada ano. O seu valor 
equivale a 1/12 da remuneração devida em dezembro, por mês 
de serviço. Considerando-se a fração igual ou superior a 15 dias 
como mês inteiro.
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Direito do Trabalho e da Previdência 107
O 13º salário sofre a incidência do FGTS e das contribuições 
previdenciárias.
c. Forma de pagamento
A gratificação natalina deve ser paga em duas parcelas:
 �A primeira parcela, é paga entre os meses de fevereiro 
e novembro ou, se o empregado o requerer no mês de janeiro 
do correspondente ano, por ocasião de suas férias, e equivale 
à metade do salário do empregado no mês anterior ao do 
pagamento;
 �A segunda parcela, deve ser paga até o dia 20 de 
dezembro, e eqüivale à remuneração do mês de dezembro, 
compensando-se a importância paga a título de adiantamento (1ª 
parcela), sem nenhuma correção monetária.
d. 13º Salário proporcional
O empregado tem direito a receber o 13º salário 
proporcional aos meses trabalhados no ano, quando extinto o 
seu contrato de trabalho, nas seguintes hipóteses: 
 �Dispensa sem justa causa;
 �Dispensa indireta;
 �Término do contrato a prazo determinado;
 �Aposentadoria;
 �Extinção da empresa;
 � Pedido de demissão.
Todavia, se o empregado for despedido por justa causa, ou 
por culpa recíproca, perde o direito à percepção do 13º salário 
proporcional e, se já recebeu a primeira metade, a lei autoriza a 
compensação desse valor com qualquer crédito trabalhista, tais 
como saldo de salário e férias vencidas.
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Direito do Trabalho e da Previdência108
e. Empregado que passou o ano em gozo de benefício 
previdenciário
Se o empregado permanecer afastado durante o ano, 
gozando de benefício previdenciário, a empresa pagará o 13º 
salário proporcional ao período trabalhado, mais o referente 
aos 15 primeiros dias do afastamento. O restante será pago pelo 
INSS, na forma de abono anual.
Normas complementares de proteçao ao 
trabalhador
Salário família 
Previsão legal: (CF, art. 7º, XII e, art. 201, IV; Lei nº 
8.213/91).
Apesar da denominação, não se trata de salário, mas de 
benefício de caráter previdenciário, adiantado pela empresa 
vinculada ao sistema geral da previdência social, ao empregado 
(exceto o doméstico), de acordo com o número de filhos, ou 
equiparados.
A empresa será reembolsada pelo valor das cotas do salário 
família paga aos segurados a seu serviço mediante dedução 
do respectivo valor no ato do recolhimento das contribuições 
incidentes sobre a folha de salário ao INSS. 
a. Beneficiários
O salário família é devido, mensalmente, ao segurado 
empregado urbano e rural, exceto o doméstico, e ao trabalhador 
avulso que tenham salário de contribuição inferior ou igual a R$ 
468,13 (base agosto/2002), sendo o valor da cota por filho ou 
equiparado de R$ 11,26 (base agosto/2002). Esses valores são 
atualizados periodicamente mediante Portaria do Ministério da 
Previdência e Assistência Social. 
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Direito do Trabalho e da Previdência 109
O benefício é devido ao segurado que tiver filho menor de 
14 anos, ou inválido de qualquer idade, podendo ser equiparado 
ao filho o enteado e o menor que esteja sob sua tutela e não 
possua bens suficientes para o próprio sustento e educação.
Não há limite de número de filhos para pagamento do 
salário família, sendo devidas tantas cotas quanto forem os filhos 
nessas condições.
Também faz jus ao salário família o aposentado por 
invalidez, idade, ou tempo de serviço.
b. Possibilidade de acumulação
Se o mesmo empregado tem mais de um contrato de 
trabalho com diferentes empregadores, terá direito ao salário 
família integral em cada um deles. 
Se o pai e a mãe forem empregados ambos terão direito ao 
salário família. Se houver divórcio, separação judicial, perda do 
pátrio poder, ou abandono legalmente caracterizado, o salário 
família passará a ser pago diretamente àquele a cujo cargo ficar 
o sustento do menor.
c. Carência e condições para a concessão 
A concessão do salário família independe de carência, e ele 
será devido a partir da data da apresentação da certidão de nascimento 
do filho ou da documentação relativa ao equiparado. 
A concessão do salário família está condicionada à apresentação 
anual de atestado de vacinação obrigatória, até 6 anos de idade, 
e de comprovação semestral de frequência à escola do filho ou 
equiparado, a partir dos 7 anos de idade.
IMPORTANTE
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Direito do Trabalho e da Previdência110
d. Pagamento 
O salário família será pago mensalmente:
 �Ao empregado, pela empresa, junto com o salário;
 �Ao trabalhador avulso, pelo sindicato ou órgão gestor 
de mão de obra, mediante convênio;
 �Ao empregado urbano ou rural aposentado, e ao 
trabalhador avulso aposentado, pelo INSS, juntamente com o 
benefício.
e. Cessação do pagamento
O direito ao salário família cessa automaticamente:
 � Por morte do filho ou equiparado, a contar domês 
seguinte ao do óbito;
 �Quando o filho ou equiparado completar 14 anos de 
idade, salvo se inválido, a contar do mês seguinte ao da data do 
aniversário;
 � Pela recuperação da capacidade do filho ou equiparado 
inválido, a contar do mês seguinte ao da cessação da incapacidade;
 � Pelo desemprego do segurado.
Seguro desemprego 
O seguro desemprego não é salário, mas um benefício 
previdenciário (CF, artigo 201,III). Embora constitua um 
benefício previdenciário de natureza temporária, quem o paga 
não é a Previdência Social, mas o Ministério do Trabalho 
e Emprego, pois é este órgão quem possui cadastros que 
possibilitam o controle dos desempregados no País.
O seguro desemprego é custeado por recursos do Fundo 
de Amparo ao Trabalhador (FAT), vinculado ao Ministério de 
Trabalho.
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Direito do Trabalho e da Previdência 111
a. Beneficiários: São beneficiários do seguro desemprego, 
o trabalhador urbano e rural e, a partir de março de 2000, o 
empregado doméstico vinculado ao regime do FGTS.
b. Hipóteses de concessão: O seguro desemprego será 
concedido ao trabalhador que for dispensado sem justa causa ou 
em decorrência de rescisão indireta.
c. Condições para a concessão:
 �Ter recebido salários consecutivos no período de 6 
meses imediatamente anteriores à data da dispensa;
 �Ter sido empregado de pessoa jurídica ou pessoa 
física equiparada durante, pelo menos, 6 meses nos últimos 36 
meses que antecederam a data de dispensa que deu origem ao 
requerimento do Seguro Desemprego;
 �Não estar em gozo de qualquer benefício previdenciário 
de prestação continuada, excetuando-se o auxílio-acidente e a 
pensão por morte;
 �Não possuir renda própria de qualquer natureza 
suficiente à sua manutenção e de sua família.
d. Duração do benefício: O seguro desemprego será 
concedido ao trabalhador desempregado, por um período máximo 
variável de 3 a 5 meses, de maneira contínua ou alternada, a cada 
período aquisitivo de 16 meses.
O direito será de:
 � 3 parcelas, se o trabalhador comprovar vínculo 
empregatício com pessoa jurídica ou pessoa física a ele 
equiparada de no mínimo 6 meses e no máximo 11 meses, nos 
últimos 36 meses;
 � 4 parcelas, se o trabalhador comprovar vínculo 
empregatício com pessoa jurídica ou pessoa física a ela 
equiparada de no mínimo 12 meses e no máximo 23 meses no 
período de referência (36 meses);
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Direito do Trabalho e da Previdência112
 � 5 parcelas, se o trabalhador comprovar vínculo 
empregatício com pessoa jurídica ou pessoa física a ela 
equiparada, de no mínimo 24 meses no período de referência. 
e. Valor do benefício: O valor do benefício não poderá ser 
inferior ao salário mínimo.
Para fins de apuração do valor do benefício somente será 
considerado o último vínculo empregatício do trabalhador, não 
importa quanto tempo ele tenha durado.
Como regra geral, o cálculo tomará por base a média 
aritmética dos salários dos últimos 3 meses de trabalho no último 
vínculo empregatício.
No caso do empregado receber salário fixo com parte 
variável, a composição do salário para o cálculo do seguro 
desemprego tomará por base ambas as parcelas.
Prazo para Requerimento
O prazo para o requerimento do seguro desemprego será 
a partir do 7º dia até o 120º dia subsequente à data da dispensa.
Hipóteses de cancelamento do seguro desemprego:
 � pela recusa, por parte do trabalhador desempregado, 
de outro emprego a ele oferecido, que seja condizente com sua 
qualificação e remuneração anterior;
 � por comprovação da falsidade na prestação de 
informações necessárias à habilitação;
 � por comprovação de fraude visando à percepção 
indevida do benefício do seguro desemprego;
 � por morte do segurado.
Nas três primeiras hipóteses, o seguro desemprego 
será suspenso por 2 anos, dobrando-se este prazo em caso de 
reincidência. 
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Direito do Trabalho e da Previdência 113
f. Seguro desemprego doméstico
O seguro desemprego do doméstico será concedido ao 
trabalhador, vinculado ao FGTS, que tiver trabalhado como 
doméstico por um período mínimo de 15 meses nos últimos 
24 meses, contados da data de sua dispensa sem justa causa 
(Decreto nº 3.361/2000, art. 3º).
O valor do benefício do seguro desemprego do empregado 
doméstico corresponderá a um salário mínimo e será concedido 
por um período máximo de 3 meses, a cada período aquisitivo de 
16 meses. 
 O requerimento deverá ser efetivado de 7 a 90 dias 
contados da data dispensa.
Programa de alimentação do trabalhador (Lei nº 
6.321/76)
O Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) foi 
instituído pela lei nº 6.321/76, com a finalidade de incentivar os 
empregadores a fornecerem alimentação aos seus empregados. 
 Na prática, a partir da instituição do PAT a empresa 
dispõe de duas opções para o fornecimento de alimentação aos 
seus empregados:
Pode a empresa fornecer alimentação, por força de cláusula 
contratual ou por liberalidade, sem nenhuma comunicação ao 
Ministério do Trabalho e Emprego, hipótese em que o valor da 
alimentação terá natureza salarial para todos os fins; Pode a 
empresa inscrever-se no PAT, perante o Ministério do Trabalho 
e Emprego, e fornecer a alimentação nos seus termos, hipótese 
em que o valor da alimentação, incluindo a parcela de custeio do 
empregado, não terá natureza salarial.
A participação do trabalhador no PAT fica limitada a 20% 
do custo direto da refeição (este é o valor máximo que pode ser 
descontado do empregado). 
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Direito do Trabalho e da Previdência114
No PAT ambas as parcelas, a do empregador e a 
descontada do empregado, não são computadas no salário, tendo 
a lei excluído da incidência dos encargos trabalhistas a parcela 
recebida pelo empregado e, também, a paga pelo empregador às 
empresas de alimentação.
A lei 6361/76, permite, ainda, que as pessoas jurídicas 
deduzam do lucro tributável, para fins de Imposto de Renda, o dobro 
das despesas comprovadamente realizadas no período base em 
programas de alimentação do trabalhador, desde que previamente 
aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. 
As despesas admitidas são aquelas que constituem o 
custo direto e exclusivo do serviço de alimentação, podendo ser 
considerados, além da matéria-prima, mão-de-obra, gastos de 
energia diretamente relacionados ao preparo e distribuição das 
refeições, etc.
Segurança e medicina no trabalho
Disposições gerais: arts 154 a 201 da CLT; 
NR-1; NR-6; NR-15; NR-16. 
A preocupação com a segurança e saúde do trabalhador 
tem matriz constitucional, prescrevendo a vigente Carta Magna 
que o trabalhador tem direito “à redução dos riscos inerentes ao 
trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança” 
(CF, art. 7º, XXII). 
A CLT estabelece diversas normas a serem observada 
pelas empresas quanto à segurança e à medicina no trabalho.
O controle da observância das normas sobre medicina 
e segurança do trabalho compete ao Ministério do Trabalho 
e Emprego, que, por meio de suas Delegacias Regionais, 
deverá promover a fiscalização nas empresas, instruindo e 
determinando as medidas para tanto necessárias, bem assim 
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Direito do Trabalho e da Previdência 115
impor as penalidades cabíveis no caso de descumprimento das 
referidas normas. 
Órgãos de segurança e saúde do 
trabalhador nas empresas
As empresas estão obrigadas a manter serviços 
especializados em segurança e medicina do trabalho, nos quais 
será necessária a existência de profissionais especializados 
(médico e engenheiro do trabalho).
O dimensionamento desses serviços depende do grau de 
risco da atividade principal da empresa, bem assim do número 
total de empregados existentes no estabelecimento, de acordo 
com as normas baixadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Equipamentos de proteção individual (EPI): 
CLT, arts 166 e 167
A empresa é obrigada a fornecer, gratuitamente, os 
equipamentos de proteção individual adequados ao risco, em 
perfeito estado de conservação e funcionamento, sempre que as 
medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção contra 
riscos de acidentes e danos à saúde dos empregados. 
São exemplos de EPI os protetores auriculares, as luvas, as 
máscaras, os capacetes, os óculos, as vestimentas, etc.
Os equipamentos de proteção só poderão ser colocados à 
venda ou utilizados com a indicação do Certificado de Aprovação 
do Ministério do Trabalho e Emprego.
Exame médico
O exame médico é obrigatório e corre por conta do 
empregador, não devendo o empregado desembolsar nenhum 
valor a esse título, inclusive na sua admissão.
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Direito do Trabalho e da Previdência116
O exame deverá ser feito na admissão, na demissão e 
periodicamente, segundo instruções do Ministério do Trabalho 
e Emprego. 
 Será obrigatório, ainda, a notificação das doenças 
profissionais e das produzidas em virtude das condições especiais 
de trabalho, comprovadas ou objeto de suspeita (CLT, art. 169).
Atividades insalubres e perigosas: CLT, 
arts 189 a 197.
a. Atividades insalubres: São consideradas atividades ou 
operações insalubres aquelas que, por sua natureza, condição 
ou métodos de trabalho, exponham os empregados a agentes 
nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância fixados em razão 
da natureza e da intensidade do agente e do tempo de exposição 
aos seus efeitos. (art. 189)
O Ministério do Trabalho e Emprego, mediante instruções 
próprias, especifica as atividades e operações insalubres, os 
limites de tolerância aos agentes agressivos, os meios de proteção 
e o tempo máximo de exposição do empregado a esses agentes 
(art. 190). 
A empresa terá que adotar medidas que conservem o 
ambiente de trabalho dentro dos limites de tolerância, inclusive 
com a utilização de EPI, que diminuam a intensidade do agente 
agressivo a limites de tolerância, visando à eliminação ou 
neutralização da insalubridade (art. 191).
Cabe á DRTs exercer a fiscalização quanto às atividades 
insalubres, devendo, comprovada a insalubridade, notificar 
as empresas, estipulando prazo para sua eliminação ou 
neutralização.
O exercício do trabalho em condições insalubres, acima dos 
limites de tolerância estabelecidos pelo Ministério do Trabalho 
e Emprego, assegura ao trabalhador o direito ao adicional de 
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Direito do Trabalho e da Previdência 117
insalubridade, que será de 40% (grau máximo), 20% (grau 
médio) ou 10% (grau mínimo) do salário mínimo.
A caracterização e a classificação da insalubridade e 
da periculosidade serão feitas por meio de perícia a cargo de 
Médico do Trabalho ou Engenheiro do Trabalho, registrados nos 
Ministério do Trabalho e Emprego.
Os efeitos pecuniários da insalubridade serão devidos a 
contar da data da inclusão da respectiva atividade nos quadros 
aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (art. 196). 
Estabelecida a insalubridade da atividade pelo Ministério 
do Trabalho e Emprego, o não pagamento do adicional pela 
empresa possibilita ao empregado ingressar com reclamação na 
justiça, seja pessoalmente, seja por meio do sindicato, quando se 
tratar de um grupo de associados. O juiz designará um perito que 
fará o laudo e, comprovando-se a situação, receberá o empregado 
inclusive as parcelas vencidas, desde que não prescritas. Essa 
regra vale também para o adicional de periculosidade. 
A reclassificação ou descaracterização da insalubridade, 
por ato da autoridade competente, repercute na percepção 
do respectivo adicional, sem ofensa a direito adquirido ou ao 
princípio da irredutibilidade do salário.
Não poderá o adicional de insalubridade ser acumulado 
com o de periculosidade, cabendo ao empregado a opção por 
um dos dois.
A eliminação da insalubridade pelo fornecimento de 
aparelhos protetores aprovados pelo órgão competente exclui 
a percepção do adicional respectivo. Com a eliminação da 
insalubridade, o direito do empregado ao adicional cessará. 
Se o empregado é removido do setor ou do estabelecimento 
que apresentava insalubridade, também perderá o direito ao 
adicional.
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Direito do Trabalho e da Previdência118
b. Atividades perigosas
São atividades perigosas aquelas que, por sua natureza 
ou métodos de trabalho, impliquem o contato permanente com 
inflamáveis ou explosivos em condições de risco acentuado, 
segundo regulamentação do Ministério do Trabalho e Emprego.
O trabalho dos eletricitários também é considerado 
perigoso (Lei nº 7.369/85). Os empregados que operam bomba 
de gasolina têm direito ao adicional de periculosidade. 
O contato permanente a que se refere a CLT tem sido 
entendido como diário, ainda que por poucas horas durante o dia.
O trabalho nessas condições dá ao empregado o direito ao 
adicional de periculosidade, no valor de 30% sobre o seu salário 
contratual, sem os acréscimos resultantes de gratificações, 
prêmios ou participação nos lucros da empresa.
 O adicional de periculosidade não é acumulável com o 
de insalubridade, devendo o empregado, uma vez configuradas 
as duas situações, optar por um deles. 
O estabelecimento de uma atividade como perigosa 
depende de decisão do Ministério do Trabalho e Emprego, que 
estabelece quadro incluindo aquelas assim consideradas. 
Os efeitos pecuniários da periculosidade só são devidos 
após a inclusão da respectiva atividade nos quadros aprovados 
pelo Ministério do Trabalho e Emprego. 
O direito do empregado ao adicional de periculosidade 
cessará com a eliminação do risco à sua saúde ou integridade física.
Comissão de prevenção de acidentes: CLT, 
art. 163
É obrigatória a constituição de CIPA nas empresas com 
mais de 20 empregados, conforme instruções expedidas pelo 
Ministério do Trabalho e Emprego.
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Direito do Trabalho e da Previdência 119
A CIPA terá por função observar e relatar as condições 
de risco nos ambientes de trabalho, com vistas a solicitar e 
apontar as medidas para melhorar suas condições, bem como 
acompanhar os acidentes de trabalho ocorridos, no intuito de 
solicitar medidas que os previnam e orientar os trabalhadores 
quanto a sua prevenção. 
Cada CIPA será composta de representantes da empresa e 
dos empregados. Os representantes dos empregadores, titulares 
e suplentes,serão por eles designados. Os representantes dos 
empregados, titulares e suplentes, serão eleitos em escrutínio 
secreto, independentemente de filiação sindical.
O mandato dos membros eleitos da CIPA terá a duração 
de 1 ano, permitida uma reeleição. O empregador designará o 
presidente da CIPA, e os empregados elegerão o Vice-presidente. 
A eleição da CIPA deverá ser convocada pelo empregador, 
com prazo mínimo de 45 dias antes do término dos mandatos em 
vigor, e realizada com antecedência mínima de 30 dias. A CIPA 
deverá ser registrada na DRT até 10 dias após a eleição.
Normas especiais de tutela do trabalho
Trabalho do bancário (arts. 224 a 226 da CLT)
a. Jornada normal
A jornada normal de trabalho do bancário é de 6 horas 
contínuas nos dias úteis, com exceção dos sábados, perfazendo 
um total de 30 horas por semana. 
A prestação do serviço deve estar compreendida entre 7 e 
22 horas, assegurado ao empregado um intervalo de 15 minutos 
para alimentação.
O sábado do bancário é considerado dia útil não trabalhado, 
e não dia de repouso remunerado.
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Direito do Trabalho e da Previdência120
b. Bancários não beneficiados com a jornada de 6 horas
Dispõe a CLT que a jornada de 6 horas não se aplica aos 
bancários:
 � que exerçam funções de direção, gerência, fiscalização, 
chefia e equivalentes;
 � que desempenhem outros cargos de confiança, desde 
que o valor da gratificação não seja superior a um terço do 
salário do cargo efetivo (art. 224, § 2º). 
Esses bancários, portanto, têm jornada normal de trabalho 
de 8 horas diárias, não fazendo jus ao pagamento das 7ª e 8ª 
horas como extras.
c. Horas extras dos bancários
A duração normal de trabalho dos bancários poderá 
ser excepcionalmente prorrogada até oito horas diárias, não 
excedendo de quarenta horas semanais (art. 225).
Como se vê, o bancário só poderá fazer horas extras 
excepcionalmente, razão pela qual não poderá firmar acordo 
de prorrogação, pois este pressupõe a obrigatoriedade de o 
empregado fazê-las quando convocado.
A limitação a 8 horas diárias da jornada normal somada 
à extraordinária tomou como base o bancário não exercente 
de cargo de confiança, que tem direito à jornada reduzida de 
6 horas. Para os bancários exercentes de função de confiança, 
e que recebam gratificação não inferior a um terço do salário, 
só serão consideradas extras aquelas horas que ultrapassarem a 
jornada de 8 horas.
Para aplicar o adicional de horas extras, é preciso, primeiro 
encontrar o valor da hora normal. Sabendo-se que a jornada 
comum do bancário é de 6 horas diárias, devemos dividir o valor 
do seu salário por 180 (30 dias x 6 horas). No entanto, se tiver 
jornada de 8 horas diárias, o divisor será 220.
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Direito do Trabalho e da Previdência 121
Proteção ao trabalho da mulher: art. 372 
a 401 da CLT
A Constituição assegurou à mulher:
 � licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do 
salário, com duração de 120 dias;
 � proibição de diferença de salário, de exercício de 
funções e de critérios de admissão por motivo de sexo;
 � garantia de emprego à mulher gestante, desde a 
confirmação da gravidez até 5 meses após o parto;
 � condições para que a presidiária permaneça com seus 
filhos durante o período de amamentação.
Não há mais proibições ao trabalho da mulher em 
atividades noturnas, insalubres ou perigosas. Os dispositivos da 
CLT que estabeleciam referidas restrições foram revogados.
É vedado ao empregador exigir da mulher o emprego de 
força muscular superior a 20 quilos para o trabalho contínuo, ou 
a 25 quilos para o trabalho ocasional. 
Essa vedação não se aplica no caso de remoção de material 
feita por impulso ou tração de vagonetes sobre trilhos, de carros 
de mão ou quaisquer aparelhos mecânicos. (CLT, art. 390).
A Constituição confere à mulher gestante o direito de 
licença, sem prejuízo do salário e do emprego, com duração de 
120 dias (art. 7º, XVIII).
A lei nº 8.213, de 1991, em seu art. 71, estabelece que o 
direito à licença e ao salário-maternidade terá início no período 
entre 28 dias antes do parto e a data de ocorrência deste. Em 
casos excepcionais, os períodos de repouso antes e depois do 
parto poderão ser aumentados em mais duas semanas cada um, 
mediante atestado médico (CLT, art. 392, § 2º).
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Direito do Trabalho e da Previdência122
Ainda no caso de parto antecipado, é assegurado o direito 
à licença, pelos mesmos 120 dias, mediante atestado médico 
(CLT, art. 392, § 3º).
Em caso de aborto não criminoso, comprovado por 
atestado médico, a mulher terá um repouso remunerado de 2 
semanas, ficando-lhe assegurando o direito de retornar à função 
que ocupava antes de seu afastamento (CLT, art. 395).
É vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa da 
empregada desde a confirmação da gravidez até 5 meses após o 
parto. (ADCT, art. 10, II, b).
A mulher terá direito a 2 intervalos de meia hora cada um 
para a amamentação do filho até os 6 meses de idade, período que 
poderá ser dilatado quando o exigir a saúde do filho, a critério da 
autoridade competente (CLT, art. 396
Nos estabelecimentos em que trabalhem mais de 30 
mulheres com mais de 16 anos, deverá haver creche apropriada 
para a guarda dos filhos das empregadas durante a amamentação 
(CLT, arts. 389, § 1§º).
Os locais destinados à guarda dos filhos das operárias 
durante o período da amamentação deverão possuir, no mínimo, 
uma saleta de amamentação, uma cozinha dietética e uma 
instalação sanitária.
A lei considera ato discriminatório do trabalho da mulher 
a exigência, pelo empregador, de teste, exame, perícia, laudo, 
atestado, declaração ou outro qualquer meio destinado a 
esclarecer se está grávida ou esterilizada.
Se houver dispensa discriminatória, a empregada terá 
direito à reintegração no emprego com o pagamento dos salários 
que teria recebido entre a data do afastamento e a data do retorno.
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Direito do Trabalho e da Previdência 123
Proteção ao trabalho do menor 
A Constituição proíbe o trabalho noturno, perigoso ou 
insalubre a menores de 18 anos e qualquer trabalho a menores 
de 16 anos de idade, salvo na condição de aprendiz, a partir 
de 14 anos de idade (art. 7º, XXXIII). Embora a Constituição 
não tenha vedado ao menor o trabalho em atividade penosa, o 
Estatuto da Criança e do Adolescente vedou expressamente o 
trabalho do menor em atividade dessa natureza (Lei nº 8069/90).
O menor empregado entre 16 e 18 anos de idade tem 
assegurado todos os direitos trabalhistas previstos na CLT, como 
qualquer empregado adulto, além de algumas especificações 
destinadas a sua proteção, a seguir explicitadas.
Considera-se menor para os efeitos da CLT o trabalhador 
de 14 até 18 anos. Aos 18 anos de idade cessa a menoridade, 
para fins trabalhistas.
Ao menor é lícito assinar recibos de pagamento de verbas 
trabalhistas, exceto o de quitação final do contrato de trabalho 
(CLT, art. 439).
A reclamação trabalhista do menor de 18 anos será feita por 
seus representantes legais e, na falta destes, pela Procuradoria 
da Justiça do Trabalho, pelo sindicato, pelo Ministério Público 
estadual ou curador nomeado em juízo (CLT, art. 793).Contra 
os menores de 18 anos não corre nenhum prazo de prescrição 
(CLT, art. 440). 
As proibições ao trabalho do menor são as seguintes:
 � trabalho noturno, penoso, em ambiente insalubre, com 
periculosidade ou capaz de prejudicar a sua moralidade (CLT, 
art. 405);
 � trabalho em ruas, praças e logradouros públicos, salvo 
mediante autorização prévia do juiz da Infância e Juventude 
(CLT, art. 405, § 2º);
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Direito do Trabalho e da Previdência124
 � trabalho que demande o emprego de força muscular 
superior a 20 quilos, se contínuo, ou 25 quilos, se ocasional, 
ressalvada a utilização de aparelhos mecânicos (CLT, art. 
405, § 5º).
A duração da jornada de trabalho do menor é a mesma do 
adulto, de 8 horas diárias e 44 semanais. Os intervalos também são 
iguais, ressalvada a obrigatoriedade de intervalo de 15 minutos 
antes de iniciada a realização de horas extras, nas hipóteses em 
que estas sejam permitidas (CLT, art. 411, parágrafo único).
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Direito do Trabalho e da Previdência 125
UNIDADE
03
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Direito do Trabalho e da Previdência126
Olá estudante! Bem-vindo a nossa terceira unidade 
de estudos. Falaremos sobre a natureza jurídica do Contrato 
individual de trabalho e o que fala a CLT acerca deste assunto. 
Ainda nesta unidade, estudaremos o contrato por prazo 
determinado, a sua finalidade e a lei que regulamenta este tipo 
de contrato.
Além disso, abordaremos sobre as convenções e acordos 
coletivos de trabalho, o que são e quais suas finalidades. E por fim, 
entenderemos o sobre os dissídios coletivos, que são processados 
da competência originária do TRT (não são processados perante 
os órgãos de primeiro grau), atuando como instância revisora o 
TST, mediante recurso ordinário.
Preparados?? Então vamos em frente e bons estudos!
INTRODUÇÃO
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Direito do Trabalho e da Previdência 127
1
2
3
4
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 3 Nosso objetivo é 
auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências 
profissionais até o término desta etapa de estudos:
OBJETIVOS
Aprender os assuntos mais importantes sobre 
o contrato individual de trabalho, convenções 
coletivas e dissídios coletivos;
Compreender sobre contrato de trabalho por prazo 
determinado, sua finalidade e lei regulamentadora;
Entender sobre convenções e acordos coletivos de 
trabalho;
Compreender como são processados os Dissídios 
coletivos.
“Aprender é a única coisa que a mente nunca se cansa, nunca 
tem medo e nunca se arrepende (autor desconhecido)”
Boa leitura. 
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Direito do Trabalho e da Previdência128
Contrato individual de trabalho
Natureza Jurídica
A doutrina predominante entende que o contrato de 
trabalho tem natureza contratual.
A CLT no seu art. 442 dispõe que “Contrato individual de 
trabalho é o acordo tácito ou expresso, correspondente à relação 
de emprego”.
São as seguintes as características do contrato de trabalho:
 �É bilateral, pois produz direitos e obrigações para ambos;
 �É oneroso, em que a remuneração é requisito essencial;
 �É comutativo, pois as prestações de ambas as partes 
apresentam relativa equivalência, sendo conhecidas no momento 
da celebração do ajuste;
 �É consensual, pois a lei não impõe forma especial para 
a sua celebração, bastando anuência das partes;
 �É um contrato de adesão, pois um dos contratantes, 
o empregado, limita-se a aceitar as cláusulas e condições 
previamente estabelecidas pelo empregador;
 �É pessoal (intuitu personae), pois a pessoa do empregado 
é considerada pelo empregador como elemento determinante da 
contratação, não podendo aquele se fazer substituir na prestação 
laboral sem o consentimento deste;
 �É de execução continuada, pois a execução do contrato 
não se exaure numa única prestação, prolongando-se no tempo.
Duração
Quanto à sua duração os contratos podem ser celebrados 
por prazo determinado ou indeterminado. 
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Direito do Trabalho e da Previdência 129
A CLT fixa o prazo máximo de dois anos para os contratos 
a prazo determinado em geral, e de noventa dias para o contrato 
de experiência.
• Legislação
Art. 445, CLT - O contrato de trabalho por prazo 
determinado não poderá ser estipulado por mais 
de 2 (dois) anos, observada a regra do art. 451. 
Parágrafo único. O contrato de experiência não 
poderá exceder de 90 (noventa) dias. 
Admite-se uma única prorrogação, que deve ser feita 
dentro dos prazos que a lei fixou. Havendo uma segunda 
prorrogação, ainda que dentro do prazo legal, o contrato passará 
a ser considerado por prazo indeterminado.
• Lembre-se
Admite-se uma única prorrogação, que deve ser 
feita dentro dos prazos que a lei fixou. Havendo 
uma segunda prorrogação, ainda que dentro do 
prazo legal, o contrato passará a ser considerado 
por prazo indeterminado. 
Contrato por prazo indeterminado
É a forma comum de contratação, a qual será sempre 
presumida se houver dúvida. Assim, aquele que alegar a 
determinação do prazo deverá prova-la, na forma e pelos meios 
admitidos em direito, caso não tenha êxito, considerar-se-á que 
o contrato é por prazo indeterminado.
Contrato por prazo determinado 
A CLT define o contrato a prazo determinado como “O 
contrato individual de trabalho poderá ser acordado tácita 
ou expressamente, verbalmente ou por escrito, por prazo 
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Direito do Trabalho e da Previdência130
determinado ou indeterminado, ou para prestação de trabalho 
intermitente”. 
• Legislação
Art. 443, CLT. O contrato individual de trabalho 
poderá ser acordado tácita ou expressamente, 
verbalmente ou por escrito, por prazo determinado 
ou indeterminado, ou para prestação de trabalho 
intermitente. 
Em seguida, fixa as hipóteses que autorizam sua celebração 
válida, ao dispor que o contrato por prazo determinado só será 
válido em se tratando”:
 � de serviço cuja natureza ou transitoriedade justifique a 
predeterminação do prazo;
 � de atividades empresariais de caráter transitório;
 � de contrato de experiência
• Lesgilação
Art. 443, §2º, CLT: O contrato por prazo 
determinado só será válido em se tratando: 
a) de serviço cuja natureza ou transitoriedade 
justifique a predeterminação do prazo; 
b) de atividades empresariais de caráter transitório; 
c) de contrato de experiência.
a) Serviço Transitório Ou De Natureza Transitória
Entende-se por atividade laboral transitória a execução 
de um serviço de breve duração, contrastando, portanto, com as 
atividades normais da empresa. Todavia, a atividade pode coincidircom aquela que a empresa permanentemente desenvolva, não 
necessitando, obrigatoriamente, ser diversa. Nesse caso, basta 
que haja uma razão momentânea, transitória, que justifique a 
necessidade de o empregador ter maior número de empregados.
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Direito do Trabalho e da Previdência 131
EXEMPLO: Um exemplo de contratação por prazo 
determinado para a realização de atividade laboral transitória 
diversa da atividade permanente da empresa seria a contratação 
de um professor de Espanhol para ministrar aulas durante dois 
ou três meses, visando a transmitir noções básicas da língua 
aos empregados de uma agência de turismo especializada em 
viagens para países da América Latina.
b) Atividade Empresarial De Caráter Transitório
Outra hipótese para a contratação a prazo determinado é 
a própria atividade normal da empresa ter caráter transitório. 
Portanto, aqui, a transitoriedade será da própria empresa, cuja 
existência limitar-se-á no tempo, pelos próprios fins a que se 
destina. Não se trata, nesse caso, de transitoriedade relativa ao 
empregado ou ao serviço.
EXEMPLO: Uma empresa constituída somente para a 
venda de chocolate na Páscoa de um determinado ano; ou para a 
venda de fogos juninos, desconstituindo-se após o mês de junho.
c) Contrato De Experiência
A última hipótese prevista pela CLT para a contratação 
a prazo determinado é o contrato de experiência, que é aquele 
destinado a permitir que o empregador, durante o prazo máximo 
de 90 (noventa) dias, verifique as aptidões do empregado e decida 
sobre a conveniência de contrata-lo por prazo indeterminado.
• Lembre-se
O contrato de experiência é espécie de contrato 
a prazo determinado, com o que todas as regras 
aplicáveis aos demais contratos a prazo certo 
valem também para o período de experiência, vale 
dizer, mesmo durante o período de experiência o 
trabalhador é empregado da empresa.
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Direito do Trabalho e da Previdência132
Contrato por prazo determinado 
Um novo tipo de contrato de trabalho por prazo 
determinado foi instituído em 1998, com a edição da Lei nº 
9601, 21-01-98, regulamentada pelo Decreto nº 2490/98, art. 
1º, parágrafo único, tendo como finalidade aumentar o nível de 
emprego, em uma época em que o desemprego é tido como o 
maior problema trabalhista do Brasil. 
A ideia governamental foi estimular as empresas a 
admitirem empregados em acréscimo ao seu quadro de pessoal, 
incentivando-as com a redução de encargos e contribuições 
sociais relativos a esses trabalhadores, além de garantir a elas 
prioridade nos financiamentos concedidos pelo Banco Nacional 
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
• Atenção
A finalidade da referida lei foi incentivar a empresa 
a contratar novos empregados em acréscimo ao 
seu quadro fixo de pessoal, não sendo permitidas 
as dispensas de trabalhadores antes contratados 
por prazo indeterminado para a recontratação, ou 
para a contratação de outro para a mesma função 
por tempo determinado, com os novos benefícios 
proporcionados ao empregador.
Esta lei não revogou o contrato de trabalho por prazo 
determinado regulado na CLT. Ela apenas instituiu nova hipótese 
de contrato por prazo determinado.
Portanto, a partir da edição da Lei nº 9601/98, o empregador 
apenas passou a contar com mais uma hipótese - e visivelmente 
mais favorável a ele! - para a contratação de empregados por 
prazo determinado, desde que satisfeitas, obviamente, as novas 
condições impostas pela lei.
A contratação de empregados nos moldes da Lei nº 9601/98 
pode ser feita em qualquer atividade (comércio, indústria, meio 
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Direito do Trabalho e da Previdência 133
rural, bancos, etc.). Isso porque não se aplicam a essa nova 
hipótese de contrato a prazo determinado as restrições contidas 
no art. 443, § 2º, da CLT, que só permitia a contratação em 
atividades de natureza transitória e no contrato de experiência 
(Lei nº 9601/98, art. 1º).
A Lei nº 9601/98, no entanto, não se aplica ao 
empregado doméstico, pois este não é empresa, tampouco tem 
estabelecimento, requisitos que a lei requer para a contratação 
segundo seus termos. Fica, pois, vedada a aplicação da referida 
lei às contratações de empregado doméstico. 
Para a contratação de empregados nos termos da lei nº 
9601/98 é imprescindível a negociação coletiva. Ainda que 
a contratação seja de um único empregado, é imprescindível 
a formalização da convenção ou do acordo coletivo, com o 
sindicato dos trabalhadores. 
Caso seja efetivada sem esse requisito, a contratação por 
prazo determinado será tida como nula, vigorando o contrato 
como por prazo indeterminado, com todas as suas consequências 
legais, como direito a aviso prévio, etc.
• Atenção
O Contrato de trabalho por tempo determinado, nos 
moldes da lei 9601/98, deverá ser obrigatoriamente 
escrito, já que há obrigatoriedade de seu depósito 
perante o Ministério do Trabalho.
O empregador que celebrar contrato por prazo determinado 
com base na Lei nº 9601/98, terá dentre outras, os seguintes 
incentivos: redução, durante 60 meses a contar da data da 
publicação da referida lei, em 50% da alíquota das contribuições 
sociais destinadas ao SESI, ao SESC, ao SENAC, ao SENAI, 
ao SEBRAE, etc.; a alíquota dos recolhimentos do FGTS foi 
reduzida para apenas 2% (dois por cento).
A lei nº 9601/98 determinou que as partes estabelecerão 
na negociação coletiva a indenização pela ruptura do contrato 
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Direito do Trabalho e da Previdência134
por prazo determinado antes do advento do seu termo final, 
afastando, assim, a aplicação dos artigos 479 e 480 da CLT 
(pagamento de indenização pela metade) aos contratos 
celebrados sob sua égide. 
O estabelecimento da indenização, no momento da 
negociação coletiva, é obrigatório; o seu valor é que poderá ser 
pactuado livremente; poderá ser fixada a mesma garantia da 
CLT (art. 479), mas nada impede seja ajustado valor inferior 
ou superior àquele. Não poderá, entretanto, a negociação 
coletiva estabelecer a possibilidade de rescisão antecipada sem 
pagamento de indenização. 
Alteração 
A CLT dispõe que “nos contratos individuais de trabalho 
só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo 
consentimento, e ainda assim desde que não resultem, direta ou 
indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da 
cláusula infringente desta garantia” (CLT, art. 468).
• Atenção
Parte o legislador do pressuposto de que o 
empregado, por ser a parte mais fraca da relação 
de trabalho, necessita de uma maior proteção 
jurídica, de uma firme intervenção do Estado.
Essa garantia é conhecida como princípio da 
imodificabilidade ou inalterabilidade das condições de trabalho, 
e impede até mesmo a modificação bilateral, isto é, a consentida 
pelo trabalhador, desde que dela possam resultar-lhe prejuízos.
• Novidade Legislativa
Com a reforma trabalhista, foi incluído na CLT, os 
parágrafos 1º e 2º do art. 468, vejamos:
Art. 468 - Nos contratos individuais de trabalho só 
é lícita a alteração das respectivas condições por 
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Direito do Trabalho e da Previdência 135
mútuo consentimento, e ainda assim desde que 
não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos 
ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula 
infringente desta garantia.
§ 1º Não se considera alteração unilateral 
a determinação do empregador para que o 
respectivo empregado reverta ao cargo efetivo, 
anteriormente ocupado, deixando o exercício de 
função de confiança. 
§ 2º A alteração de que trata o § 1o deste artigo, 
com ou sem justo motivo, não assegura ao 
empregado o direito à manutenção do pagamento 
da gratificação correspondente, que não será 
incorporada, independentemente do tempo de 
exercício da respectiva função. 
Ressalte-se, porém, que o princípio da imodificabilidade 
refere-se apenas ao contrato individual de trabalho, à alteração 
pactuada diretamente entre empregador e empregado. 
Pois a Constituição vigente privilegia a negociação 
coletiva, permitindo que por seu intermédio sejam pactuadas 
alterações lícitas nas condições de trabalho, autorizando até 
mesmo a redução do salário, desde que mediante acordo ou 
convenção coletiva (art. 7,XIII). 
Como exceção ao princípio da inalterabilidade, temos o 
princípio do “jus variandi”. 
Este princípio consiste no direito que possui o empregador 
de alterar unilateralmente, em casos excepcionais, as condições 
de trabalho dos seus empregados. Representa o “jus variandi” um 
abrandamento do princípio da imodificabilidade das condições 
de trabalho. São exemplos do “jus variandi”: 
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Direito do Trabalho e da Previdência136
 �Empregador que dispensa o empregado da função de 
confiança que exercia e determina seu retorno à função anterior; 
 �Mudança de horário; 
 �Modificação de seção ou departamento; e até 
 �Transferência do local de trabalho.
• Novidade Legislativa
Deve-se notar que, mesmo nas hipóteses em 
que não reste caracterizada a transferência, caso 
a mudança implique aumento nos gastos do 
empregado decorrentes do deslocamento a seu 
novo local de trabalho, a jurisprudência do TST 
garante-lhe um suplemento salarial correspondente 
ao valor do acréscimo havido nas suas despesas 
de transporte (Súmula nº 29).
Em regra, a CLT exige a anuência do empregado para que 
seja considerada lícita sua transferência. Todavia, excepciona 
essa regra, ao estabelecer que “não estão compreendidos nessa 
proibição os empregados que exerçam cargos de confiança e 
aqueles cujos contratos tenham como condição, implícita ou 
explícita, a transferência, quando esta decorra de real necessidade 
de serviço” (CLT, art. 469, § 1º).
Assim, a transferência do empregado que exerce cargo 
de confiança não depende do requisito “real necessidade de 
serviço”. Essa expressão, constante da parte final do § 1º do 
art. 469 da CLT, aplica-se somente aos casos de transferência 
do empregado em decorrência de cláusula explícita ou implícita 
constante do contrato de trabalho.
A cláusula explícita deve ser entendida como expressa, 
escrita. Considera-se existente cláusula implícita quando as 
características intrínsecas da atividade desempenhada permitem 
que se presuma subtendida a necessidade de transferência. 
É o caso do aeronauta, do motorista rodoviário, do vendedor 
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Direito do Trabalho e da Previdência 137
viajante, etc. Ressaltamos, entretanto, que mesmo em caso de 
cláusula autorizadora da transferência expressa no contrato, ou 
mesmo implícita, a transferência só será lícita se comprovada a 
real necessidade do serviço.
Por outro lado, é lícita a transferência do empregado no 
caso de extinção do estabelecimento em que trabalha, mesmo 
que esta seja determinada contra a vontade do empregado.
A expressão “extinção do estabelecimento” tem sentido 
amplo, alcançando situações como o fechamento de apenas 
uma das filiais da empresa ou mesmo a mudança da empresa 
de uma cidade para outra. No caso de trabalhador da construção 
civil, por exemplo, a conclusão de uma obra em determinada 
localidade autoriza sua transferência definitiva para outra obra 
empreendida pelo mesmo empregador, equiparando-se o fim da 
primeira obra à extinção de estabelecimento, para esse efeito.
Nesta hipótese, não está o empregador obrigado ao 
pagamento do adicional de transferência, uma vez que este só é 
devido nas transferências por necessidade de serviço.
O adicional de transferência corresponde a um acréscimo 
de 25% sobre o valor do salário que o empregado estiver 
percebendo na localidade. Esse adicional só é devido quando a 
transferência decorre de necessidade de serviço.
Além do requisito necessidade de serviço, o adicional 
só será devido na transferência provisória. Se a transferência é 
definitiva, não há que se falar em pagamento de adicional.
Não será devido o adicional se a transferência for resultante 
de ato de promoção do empregado, com o seu consentimento e 
com aumento do salário na nova localidade.
O adicional não se incorpora ao salário do empregado. No 
término do período da transferência, poderá ser normalmente 
suprimido pela empresa.
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Direito do Trabalho e da Previdência138
As despesas que o empregado necessitar efetuar em 
razão de sua transferência serão pagas pelo empregador, seja a 
transferência provisória ou definitiva, pois em ambos os casos 
haverá ônus para o empregado.
Apesar da previsão de transferência de empregados, 
alguns são considerados pela CLT como intransferíveis, é o caso 
do empregado eleito para o cargo de administração sindical, 
que não pode ser transferido para localidade que dificulte ou 
impeça o desempenho de suas atribuições sindicais (art. 543). O 
empregado nessas condições perderá o mandato se a transferência 
for por ele solicitada ou voluntariamente aceita (art. 543, § 1º).
Suspensão e interrupção 
Ocorre a suspensão do contrato de trabalho quando o 
empregado fica afastado, não recebendo salário, e sem que seja 
contado o período de afastamento como tempo de serviço. São 
hipóteses de suspensão os afastamentos decorrentes de doença 
a partir do 16º dia até a alta médica, a suspensão disciplinar, as 
faltas injustificadas, etc.
Ocorre a interrupção do contrato de trabalho naquelas 
hipóteses em que o empregado, embora sem prestar serviços, 
deva ser remunerado normalmente, contando-se também seu 
tempo de serviço como se este houvesse sido efetivamente 
prestado. São hipóteses de interrupção as férias, a licença por 
motivo de doença nos primeiros 15 dias, a licença à gestante, as 
faltas justificadas, etc.
 A distinção entre os institutos é simples: há suspensão 
quando a empresa não está obrigada a pagar salários e contar o 
tempo de serviço; há interrupção quando existe o dever legal de 
remunerar o afastamento do trabalhador e continua, normalmente 
a correr o seu tempo de serviço.
Em ambas o contrato de trabalho continua vigente, mas as 
obrigações principais das partes não são exigíveis (suspensão) 
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Direito do Trabalho e da Previdência 139
ou o são apenas parcialmente (interrupção). Na primeira não há 
trabalho nem remuneração, na segunda não há trabalho, mas o 
empregadocontinua a receber os salários.
Nas duas figuras, no entanto, o empregado terá direito, 
por ocasião de seu retorno ao cargo, a todas as vantagens que, 
durante sua ausência, tenham sido atribuídas à categoria a que 
pertencia na empresa (CLT, art. 471).
 Vejamos agora as principais hipóteses de interrupção e 
suspensão do contrato de trabalho.
a. Greve
Na greve, a paralisação dos trabalhadores é considerada 
pela lei, em princípio, como suspensão do contrato de trabalho. 
Assim, com o início da paralisação, cessam as obrigações do 
empregador e a contagem do tempo de serviço. 
Todavia, as relações durante o período de paralisação das 
atividades podem ser regidas mediante acordo, convenção, laudo 
arbitral ou decisão da Justiça do Trabalho, de modo específico 
para cada greve. Nada impede, pois, seja convencionado o 
pagamento dos salários e a contagem do tempo da paralisação, 
hipótese em que restaria caracterizada a interrupção do contrato 
de trabalho e não mais sua suspensão.
b. Auxílio Doença
Os primeiros 15 (quinze) dias do afastamento do trabalhador 
em função de doença configuram hipótese de interrupção do 
contrato de trabalho, pois os salários são pagos pela empresa, 
computando-se normalmente o tempo de serviço.
A partir do 16º dia, ocorre suspensão do contrato, cessando 
o pagamento de salário pelo empregador, substituído pela 
concessão do auxílio-doença pelo INSS, até a alta médica. Esse 
período coberto pelo auxílio-doença não é contado no tempo de 
serviço e, para efeito de férias, só o será se não ultrapassar 6 
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Direito do Trabalho e da Previdência140
meses. Sendo superior a 6 meses, o empregado perde o direito a 
férias em relação ao período aquisitivo em curso.
No transcurso da doença do empregado, o contrato de 
trabalho não pode ser rescindido, pois o trabalhador é considerado 
em licença não remunerada durante o prazo desse benefício.
c. Acidente De Trabalho
Os primeiros 15 (quinze) dias do afastamento em 
decorrência de acidente de trabalho são remunerados pela 
empresa, contando-se normalmente o tempo de serviço, 
configurando caso de interrupção do contrato de trabalho. 
A partir do 16º dia, o auxílio-doença acidentário é pago 
pelo INSS (torna-se caso de suspensão), e para a empresa cessa 
o dever de pagamento de salário. Esse tempo é contado como de 
serviço efetivo, e os depósitos do FGTS devem ser mantidos. Se 
o tempo de afastamento não for superior a 6 meses, será contado 
também para efeito de aquisição das férias. Não o será no caso 
de duração maior que 6 meses.
d. Serviço Militar
O afastamento para a prestação do serviço militar 
obrigatório desobriga o empregador do pagamento de salários 
e, em consequência, dos recolhimentos previdenciários. É caso 
de suspensão do contrato de trabalho, muito embora o tempo 
de afastamento seja contado como tempo de serviço. Durante 
o afastamento os depósitos do FGTS devem ser mantidos, e o 
período aquisitivo de férias é suspenso, voltando a ser contado, 
com o aproveitamento do tempo anterior ao afastamento, após 
o retorno do empregado, desde que este ocorra em até 90 dias 
da data da respectiva baixa (CLT, art. 132). Ex: se o empregado 
afastou-se para cumprir o serviço militar imediatamente depois 
de completado o quinto mês de um período aquisitivo, ao retornar 
(contanto que o faça dentro de 90 dias de sua baixa) necessitará 
trabalhar apenas mais sete meses para adquirir direito à férias, 
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Direito do Trabalho e da Previdência 141
pois será aproveitado os cinco meses computados antes de seu 
afastamento.
Para que o empregado tenha direito a voltar ao cargo do 
qual se afastou em virtude do serviço militar obrigatório, deverá 
notificar o empregador dessa intenção, dentro de no máximo 30 
dias após a respectiva baixa (CLT, art. 472,§1º).
e. Férias
As férias são o exemplo típico de interrupção do contrato 
de trabalho, sendo mantidos o salário, a contagem do tempo de 
serviço para todos os fins e os depósitos do FGTS e recolhimentos 
previdenciários.
f. Licença Da Gestante
Constitui caso de interrupção do contrato de trabalho, 
sendo mantida a contagem do tempo de serviço para todos os 
fins e os depósitos do FGTS, além de fazer a gestante jus ao 
salário-maternidade.
g. Aborto
Se o aborto não é criminoso, a empregada tem direito a 
duas semanas de descanso, tratando-se de caso de interrupção 
do contrato de trabalho, pois é contado o tempo de serviço para 
todos os efeitos e haverá pagamento do salário referente aos dias 
parados. Se o aborto for criminoso, a hipótese será de suspensão 
do contrato de trabalho.
h. Licença Paternidade
A licença paternidade constitui caso de interrupção 
do contrato de trabalho, sendo assegurados ao trabalhador a 
contagem do tempo e a remuneração do período de afastamento.
i. Representação Sindical 
Se o empregado eleito para desempenhar mandato sindical 
continua normalmente a prestar serviços ao empregado, o que 
é comum, não há que se falar em interrupção ou suspensão 
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Direito do Trabalho e da Previdência142
do contrato de trabalho, pois não ocorre descontinuidade na 
prestação de serviços. 
Todavia, caso seja convencionado com a empresa o 
efetivo afastamento do empregado, para que ele melhor possa 
desempenhar sua missão sindical, haverá suspensão do contrato 
de trabalho.
j. Faltas Justificadas (Ou Abonadas)
As faltas ao serviço nas situações previstas em lei, norma 
coletiva, regulamento da empresa ou no próprio contrato 
individual de trabalho serão consideradas justificadas, não 
havendo nenhum prejuízo ao trabalhador. Portanto, nesses 
casos, temos hipóteses de interrupção do contrato de trabalho.
Segundo a CLT, são justificadas as seguintes faltas (art. 
473):
1. por até dois dias consecutivos, em razão de falecimento 
do cônjuge, ascendente, descendente, irmão ou dependente 
econômico declarado em CTPS - a chamada licença “nojo”;
2. por até três dias consecutivos, em virtude de casamento 
- a chamada licença “gala”;
3. por cinco dias, em caso de nascimento de filho, no 
decorrer da primeira semana (licença paternidade, prevista no 
ADCT, art. 10, § 1º)
4. por um dia, a cada 12 meses de trabalho, em caso de 
doação voluntária de sangue devidamente comprovada;
5. por até dois dias, consecutivos ou não, para alistar-se 
como eleitor;
6. no período necessário para alistamento militar;
7. nos dias em que o empregado estiver comprovadamente 
realizando provas de exame vestibular para ingresso em 
estabelecimento de ensino superior;
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Direito do Trabalho e da Previdência 143
8. pelo tempo que se fizer necessário, quando tiver que 
comparecer a juízo;
9. nos dias em que o trabalhador participar das reuniões 
do Conselho Nacional da Previdência Social e do Conselho 
Curador do FGTS.
Também se considera justificada a falta do empregado 
por motivo de doença, comprovada com atestado médico da 
empresa, ou do INSS.
Finalmente, cabe lembrar que a convenção coletiva, o 
regulamento da empresa, e até mesmo o contrato individual de 
trabalho podem estabelecer outras hipóteses de faltas justificadas. 
É comum, por exemplo, abonação de falta do estudante no dia 
de provana faculdade, no dia do aniversário do trabalhador, etc.
As faltas não justificadas serão descontadas pelo 
empregador, constituindo hipótese de suspensão do contrato de 
trabalho.
K. Aposentadoria Por Invalidez
O empregado aposentado por invalidez terá suspenso 
seu contrato de trabalho durante o prazo fixado pela legislação 
previdenciária para efetivação (confirmação) do benefício (CLT, 
art. 475). A lei previdenciária considera que a aposentadoria por 
invalidez torna-se efetiva após cinco anos da data do início da 
aposentadoria ou do auxílio doença que a antecedeu. Durante 
esse período, portanto, permanece suspenso o contrato de 
trabalho. 
Findo o prazo de cinco anos, o empregado será submetido 
a avaliação por médico do INSS, podendo resultar uma das três 
situações seguintes:
1. caso a aposentadoria por invalidez seja confirmada pelo 
INSS, torna-se definitivo o benefício, fazendo cessar o contrato 
de trabalho;
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Direito do Trabalho e da Previdência144
2. caso o médico do INSS considere recuperada a 
capacidade de trabalho do empregado, a aposentadoria é 
cancelada. O trabalhador tem direito de retornar à função 
que anteriormente ocupava, sendo, entretanto, facultado ao 
empregador rescindir o contrato de trabalho, mediante o 
pagamento da indenização correspondente;
3. caso o INSS considere ainda existentes razoáveis 
possibilidades de ocorrer uma futura recuperação do empregado, 
manterá como provisória a aposentadoria e o contrato de trabalho 
permanecerá suspenso.
Caso a aposentadoria seja confirmada na avaliação e 
venha a ser cancelada em momento posterior, ou seja, após os 
cinco anos, ainda assim o trabalhador terá direito de retornar ao 
trabalho. 
É o que diz o Enunciado nº 160 do TST: 
“Cancelada a aposentadoria por invalidez, mesmo após 
cinco anos, o trabalhador terá direito de retornar ao emprego, 
facultado, porém, ao empregador indenizá-lo na forma da lei”.
l. Aviso Prévio
Durante o aviso prévio, o empregado tem direito a uma 
redução em sua jornada de trabalho, ou a ausentar-se, a fim 
de que possa procurar novo emprego (duas horas por dia, ou 
sete dias corridos, no caso do trabalhador urbano; um dia por 
semana, no caso do trabalhador rural). Esse período de redução 
ou ausência configura interrupção do contrato de trabalho, pois 
será remunerado e contado para tempo de serviço.
m. Suspensão Do Contrato Para Participar De Curso 
Ou Programa Profissional
O recentemente acrescentado art. 476-A da CLT permite 
que o contrato de trabalho seja suspenso, por um período 
de dois a cinco meses, para participação do empregado em 
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Direito do Trabalho e da Previdência 145
curso ou programa de qualificação profissional oferecido pelo 
empregador, com duração equivalente à da suspensão contratual.
O objetivo do governo foi estimular a manutenção do 
emprego por importantes setores de atividade econômica, 
que empregam um grande número de trabalhadores e, em 
crises sazonais, terminam por efetivar demissão em massa. 
Seria o caso, especialmente, da construção civil e da indústria 
automobilística. 
Nesses setores, quando há diminuição do ritmo de 
produção em razão de problemas conjunturais ou econômicos, a 
manutenção do empregado ocioso, com pagamento de salários, 
é onerosa para as empresas. 
A possibilidade de suspensão do contrato de trabalho foi 
a fórmula encontrada para atenuar as tensões resultantes dessa 
situação. Há vantagens para a empresa, que não perde seus 
trabalhadores qualificados, e para o trabalhador, que mantém 
o vínculo de emprego e tem a oportunidade de aperfeiçoar-se 
profissionalmente. 
A suspensão do contrato deverá ser ajustada mediante 
previsão em convenção ou acordo coletivo de trabalho e 
exige aquiescência formal do empregado. Após a autorização 
concedida por intermédio de convenção ou acordo coletivo, 
o empregador deverá notificar o respectivo sindicato, com 
antecedência mínima de quinze dias da suspensão contratual.
A lei não trouxe nenhuma limitação quanto à atividade da 
empresa, pelo que se conclui que a suspensão poderá ocorrer 
em qualquer ramo de atividade (indústria, comércio, serviços, 
atividade rural, etc.). Da mesma forma, não houve qualquer 
limitação quanto ao trabalhador que poderá ter mais ou menos 
de dezoito anos, ser mulher ou homem.
O prazo limite de cinco meses poderá ser prorrogado 
mediante convenção ou acordo coletivo de trabalho e 
concordância formal do empregado, desde que o empregador 
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Direito do Trabalho e da Previdência146
arque com o ônus correspondente ao valor da bolsa de 
qualificação profissional, durante o período de prorrogação.
Terminado o período de afastamento, são asseguradas 
ao empregado, por ocasião de seu retorno, todas as vantagens 
que, em sua ausência, tenham sido atribuídas à categoria a que 
pertencia na empresa.
O contrato de trabalho não poderá ser suspenso, para 
participação em curso de formação profissional oferecido pelo 
empregador, mais de uma vez no período de dezesseis meses.
Durante o período da suspensão contratual, o empregador 
poderá conceder ao empregado ajuda compensatória mensal, 
sem natureza salarial, com valor a ser definido em convenção ou 
acordo coletivo. 
Observa-se que a concessão de ajuda compensatória pelo 
empregador é facultativa. Caso seja concedida essa ajuda, não 
terá natureza salarial, o que significa não incidirem sobre ela os 
encargos sociais (FGTS, contribuições previdenciárias, etc). O 
único direito assegurado ao empregado é a percepção, quando 
cessar a suspensão do contrato, das vantagens que tenham sido 
obtidas, nesse período, pelos demais empregados da empresa.
Durante o afastamento, o empregado receberá uma bolsa, 
que será paga pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). O 
empregado não receberá nenhum valor da empresa no período, 
salvo a ajuda compensatória facultativamente concedida.
Se ocorrer a dispensa do empregado no transcurso do 
período de suspensão contratual ou nos três meses subsequentes 
ao seu retorno ao trabalho, o empregador pagará ao empregado, 
além das parcelas indenizatórias previstas na legislação em 
vigor, multa a ser estabelecida em convenção ou acordo coletivo, 
sendo de, no mínimo, 100% (cem por cento) sobre o valor da 
última remuneração mensal anterior à suspensão do contrato.
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Direito do Trabalho e da Previdência 147
Convenções e acordos coletivos de trabalho 
 �Acordos Coletivos De Trabalho
Os acordos coletivos são pactos celebrados entre uma 
ou mais de uma empresa e sindicato da categoria profissional 
a respeito de condições de trabalho aplicáveis no âmbito da 
empresa ou das empresas acordantes (CLT, art. 611, § 1º)
• O que são acordos coletivos de trabalho?
são pactos celebrados entre uma ou mais de uma 
empresa e sindicato da categoria profissional a 
respeito de condições de trabalho aplicáveis no 
âmbito da empresa ou das empresas acordantes.
Os legitimados para a celebração do acordo coletivo são, 
pois, a empresa, diretamente, pelo lado patronal, e o sindicato 
dos trabalhadores. O sindicato dos trabalhadores exerce o 
monopólio da negociação coletiva, mesmo se a parte patronal 
consistir de umasó empresa, negociando diretamente. Não é 
obrigatória a presença do sindicato patronal.
• Prazo do Acordo Coletivo
O prazo de validade do acordo coletivo é o que as 
partes estipularem no pacto, desde que não seja 
superior a 2 anos, permitida a prorrogação. (CLT, 
arts. 614 e 615).
 �Convenções Coletivas De Trabalho
As convenções coletivas são pactos que abrangem toda 
uma categoria profissional na base territorial dos sindicatos 
participantes. 
• O que são convenções coletivas de trabalho?
são pactos que abrangem toda uma categoria 
profissional na base territorial dos sindicatos 
participantes.
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Direito do Trabalho e da Previdência148
Foram definidas pela CLT como “o acordo de caráter 
normativo pelo qual dois ou mais sindicatos representativos de 
categorias econômicas e profissionais estipulam condições de 
trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, 
às relações individuais de trabalho” (art. 611).
• Natureza jurídica da Convenção Coletiva
A convenção coletiva tem natureza de norma 
jurídica, aplicando-se a todas as empresas e a 
todos os trabalhadores dos sindicatos estipulantes 
na base territorial, filiados ou não ao sindicato.
A CLT contém disposição expressa a respeito, determinando 
que “nenhuma disposição do contrato individual de trabalho que 
contrarie normas de convenção ou acordo coletivo de trabalho 
poderá prevalecer na execução do mesmo, sendo considerada 
nula de pelo direito” (art. 619).
O prazo de eficácia das cláusulas constantes da convenção 
coletiva é o que nelas tenha sido previsto, desde que não 
superior a 2 anos, podendo ser objeto de prorrogação (CLT, 
arts. 614 e 615).
É possível a coexistência de convenção coletiva da categoria 
e de acordo coletivo celebrado no âmbito de uma empresa da 
categoria, hipótese em que prevalecerão as normas e condições 
mais favoráveis ao trabalhador previstas nos dois instrumentos 
normativos (CLT, art. 622).
IMPORTANTE
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Direito do Trabalho e da Previdência 149
Todavia, essa regra - prevalecer a mais favorável - não se 
aplica no que respeita a salários, diante da autorização expressa 
da Constituição Federal, que acolhe a possibilidade de redução 
de salários mediante acordo ou convenção coletiva (art. 7º, VI)
Dissídio coletivo 
Os dissídios coletivos são processados da competência 
originária do TRT (não são processados perante os órgãos de 
primeiro grau), atuando como instância revisora o TST, mediante 
recurso ordinário. No caso de empresa de âmbito nacional e 
regimento interno uniformemente aplicável em todo o país, 
como a Caixa Econômica Federal, Petrobrás, Banco do Brasil, 
etc., o dissídio coletivo passa à competência originária do TST.
• O que são dissídios coletivos?
Destinam-se à solução jurisdicional dos conflitos 
coletivos entre os sindicatos de empregados e 
empregadores ou entre aqueles e as empresas.
São processados da competência originária do 
TRT (não são processados perante os órgãos de 
primeiro grau), atuando como instância revisora o 
TST, mediante recurso ordinário.
A atribuição de poder normativo à Justiça do Trabalho 
decorre diretamente do disposto no art. 114, § 2º, da Constituição, 
segundo o qual “recusando-se qualquer das partes à negociação 
ou à arbitragem, é facultado aos respectivos sindicatos ajuizar 
dissídio coletivo, podendo a Justiça do Trabalho estabelecer 
normas e condições, respeitadas as disposições convencionais e 
legais mínimas de proteção ao trabalho”. 
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Direito do Trabalho e da Previdência150
+
OBSERVAÇÃO
Os dissídios coletivos são instaurados quando as partes não 
chegar a um acordo nas negociações coletivas.
A sentença normativa não se submete ao processo de 
execução. Em vez da execução, a ação utilizada para forçar 
o adimplemento daquilo que foi determinado na sentença 
normativa denomina-se ação de cumprimento, a qual corresponde 
a um dissídio individual. Pode ser proposta pelos empregados 
interessados, diretamente ou representados pelo sindicato da 
categoria (CLT, art. 872, parágrafo único).
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Direito do Trabalho e da Previdência 151
UNIDADE
04
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Direito do Trabalho e da Previdência152
Olá estudante!! Chegamos ao final de nossa disciplina!! 
Na unidade 4, estudaremos os fundamentos e competências da 
justiça do trabalho, bem como, sobre o direito previdenciário e 
a seguridade social.
Aprenderemos ainda, os atuais princípios da solidariedade 
que quer dizer cooperação da maioria em favor da minoria. E 
por fim, estudaremos sobre a regra da contrapartida, que não 
é qualificada como princípio, mas sim como regra, embora 
tenha importância para a manutenção do equilíbrio financeiro e 
atuarial do sistema previdenciário.
Preparado para iniciar os estudos desta unidade!! Avante 
e bons estudos!
INTRODUÇÃO
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Direito do Trabalho e da Previdência 153
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Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 4. Nosso objetivo 
é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências 
profissionais até o término desta etapa de estudos:
OBJETIVOS
Compreender os fundamentos e as competências na 
justiça do trabalho;
Entender a importância do Direito previdenciário e 
da seguridade Social;
Compreender sobre os princípios da solidariedade;
Aprender o que é a regra da contrapartida.
“Aprender é a única coisa que a mente nunca se cansa, nunca 
tem medo e nunca se arrepende (autor desconhecido)”
Boa leitura. 
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Direito do Trabalho e da Previdência154
 Fundamentos e competência na justiça 
do trabalho
Neste tópico inicial vamos aprender os fundamentos 
e competência da Justiça do trabalho, estudaremos cada 
modalidade de competência, além de analisarmos cada hipótese 
prevista na lei. Vamos em frente!!
 Organização da justiça do trabalho
O artigo 111 da Constituição Federal estabelece que são 
órgãos da Justiça do Trabalho: o Tribunal Superior do Trabalho, 
os Tribunais Regionais do Trabalho e os Juízes do Trabalho. 
Figura 1
Fonte: O autor
Conforme se verifi ca, a norma constitucional vigente 
revogou as disposições do art. 644 da CLT na parte que se refere 
a Varas do Trabalho ou Juízos de Direito.
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Direito do Trabalho e da Previdência 155
Tribunal superior do trabalho
A Justiça do Trabalho, desde 1946 quando passou a integrar 
o Poder Judiciário, é estruturada da mesma forma, com trêsgraus de Jurisdição, sendo certo que desde seu início o Tribunal 
Superior do Trabalho é o órgão de cúpula da Justiça do Trabalho, 
com sede em Brasília e jurisdição em todo o território nacional.
A Resolução Administrativa n. 1.295/2008 (RI) subdivide 
o TST da seguinte forma: Tribunal pleno, órgão especial, Seção 
especializada de dissídios coletivos, de dissídios individuais e 
oito turmas.
Composição 
O artigo 111 da Constituição Federal, com a nova redação 
que lhe foi dada pela Emenda Constitucional n. 45/2004, 
estabelece que:
O Tribunal Superior do Trabalho compor-se-á 
de vinte e sete Ministros, escolhidos dentre 
brasileiros com mais de trinta e cinco e menos de 
sessenta e cinco anos, nomeados pelo Presidente 
da República após aprovação pela maioria absoluta 
do Senado Federal.
Devendo ser:
a. um quinto dentre advogados com mais de dez anos 
de efetiva atividade profissional e membros do Ministério 
Público do Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício, 
observado o disposto no art. 94;
b. os demais dentre juízes dos Tribunais Regionais do 
Trabalho, oriundos da magistratura da carreira, indicados pelo 
próprio Tribunal Superior.
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Direito do Trabalho e da Previdência156
Figura 2
Figura 3
Fonte: O autor
Fonte: O autor
Outro ponto importante, é que funcionarão junto ao 
Tribunal Superior do Trabalho:
O Tribunal Superior do Trabalho tem suas normas 
estabelecidas no seu Regimento Interno prevê no artigo 61, que 
os órgãos que compõem o próprio TST são:
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Direito do Trabalho e da Previdência 157
Figura 4
Fonte: O autor
Integram ainda o Tribunal Superior do Trabalho, os 
juízes da carreira da Justiça do Trabalho, vindos dos Tribunais 
Regionais do Trabalho, os membros do Ministério Público e os 
da Advocacia que compõem o quinto constitucional, indicados 
por lista sêxtupla pelos órgãos de representação da respectiva 
classe, reduzida a três nomes pelo TST e finalmente escolhidos 
pelo Presidente da República.
Tribunal pleno
O Tribunal Pleno (TP) é constituído pelos Ministros 
da Corte, não participando das sessões solenes e das sessões 
ordinárias ou extraordinárias os juízes convocados (art. 64, 
caput, RITST).
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Direito do Trabalho e da Previdência158
Figura 5
Fonte: O Autor
Seção administrativa (especial)
A Seção Administrativa (SA) é composta de 7 Ministros, 
devendo ser integrada pelo Presidente e o Vice-Presidente 
do Tribunal, pelo Corregedor Geral, pelos dois Ministros 
eleitos pelo Tribunal Pleno. Os Ministros integrantes da Seção 
Administrativa comporão também outras seções do Tribunal. 
O quórum para funcionamento da Seção Administrativa é de 5 
Ministros (art. 65, RITST).
Seção especializada em dissídios coletivos
A seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC) 
é composta de 9 Ministros, devendo ser integrada pelo 
Presidente do Tribunal, pelo Vice-Presidente, pelo Corregedor-
Geral e pelos 6 Ministros mais antigos. Os Ministros do SDC 
integrarão também outras Seções do Tribunal. O quórum para 
funcionamento é de 6 Ministros (art. 66, RITST).
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Direito do Trabalho e da Previdência 159
Tribunais regionais do trabalho
Os Tribunais Regionais do Trabalho estão previstos no 
artigo 115 da Constituição Federal, compõem-se de, no mínimo, 
sete juízes, nomeados pelo Presidente da República entre 
brasileiros com mais de 30 e menos de 65 anos, recrutados, 
quando possível, na respectiva região, sendo um quinto entre 
advogados e membros do Ministério Público do Trabalho e o 
restante entre juízes do trabalho promovidos por antiguidade e 
por merecimento.
Em relação à fixação do número dos juízes nos Tribunais 
Regionais, a Constituição Federal, na redação dada pela EC n. 
45/2004 ao inciso XIII do artigo 93, estabelece que em todo o 
Poder Judiciário, “o número de juízes na unidade jurisdicional será 
proporcional à efetiva demanda judicial e à respectiva população”.
A Emenda Constitucional n. 45/2004, com a finalidade 
de assegurar o acesso à Justiça estabeleceu a criação da Justiça 
Itinerante para a realização de audiências e o exercício de outras 
funções da atividade jurisdicional nos limites da jurisdição 
e a descentralização dos Tribunais, constituído em câmaras 
regionais assegurando o acesso dos jurisdicionados em todas as 
fases do processo, principalmente em locais em que ainda não 
há tribunais regionais do trabalho, como nos Estados do Acre, 
Tocantins, Amapá etc.
Juízes do trabalho
A Constituição Federal no artigo 116, com a redação dada 
pela Emenda Constitucional n. 24/99, deixou certo que as Varas 
do Trabalho serão compostas de juiz singular, dispondo:
Art. 116, CF. A lei criará varas da Justiça do 
Trabalho, podendo, nas comarcas não abrangidas 
por sua jurisdição, atribuí-la aos juízes de direito, 
com recurso para o respectivo Tribunal Regional 
do Trabalho.
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Direito do Trabalho e da Previdência160
Na estrutura da Justiça do Trabalho, as Varas do Trabalho 
estão equiparadas hierarquicamente, não existindo distinções. 
Todas integram a primeira instância.
Ainda em relação aos juízes do trabalho, o Superior 
Tribunal de Justiça na Súmula número 10 entende que, instalada 
a Vara do Trabalho, cessa a competência do Juiz de Direito em 
matéria trabalhista, inclusive para a execução das sentenças por 
estes proferidas.
Súmula: 10 STJ: Instalada a junta de conciliação e 
julgamento, cessa a competência do juiz de direito 
em matéria trabalhista, inclusive para a execução 
das sentenças por ele proferidas.
Instalada a junta de conciliação e julgamento, cessa a 
competência do juiz de direito em matéria trabalhista, inclusive 
para a execução das sentenças por ele proferidas.
O artigo 113 da Constituição Federal determina que 
a lei disporá sobre a constituição, investidura, jurisdição, 
competência, garantias e condições de exercício dos órgãos da 
Justiça do Trabalho.
Em consonância com este dispositivo foi editada a Lei 
n. 10.770/2003 que estabelece que cada Tribunal Regional do 
Trabalho no âmbito de sua região, mediante ato próprio, pode 
estabelecer e alterar a jurisdição das Varas, bem como transferir-
lhes a sede de um município para outro de acordo com a 
necessidade de agilizar a prestação jurisdicional trabalhista.
A Lei n. 6.947/81 dispõe que a competência da Vara do 
Trabalho estende-se aos municípios próximos num raio máximo 
de 100 quilômetros da sede, desde que existam meios de acesso 
e de comunicação regulares com os referidos locais.
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Direito do Trabalho e da Previdência 161
Órgãos auxiliares
Figura 6: Órgãos auxiliares
Fonte: O Autor
Cada Vara na Justiça do Trabalho terá uma secretaria, que 
também existirão nos Tribunais (aos conhecidos “cartórios” 
judiciais da Justiça Comum na Justiçado Trabalho chamam-se 
“secretarias”).
Na Justiça do Trabalho os oficiais de justiça são chamados 
oficiais de justiça avaliadores, pois além de citarem para 
pagamento, fazem a penhora e a avaliação dos bens penhorados. 
Segundo disposto no art. 721, § 2º da CLT, o prazo para 
cumprimento dos mandados é de nove dias e a avaliação deve 
ser feita no prazo de dez dias (§ 3º do mesmo artigo). Na falta 
ou impedimento do oficial de justiça avaliador, o juiz da Vara 
poderá atribuir a realização do ato a qualquer serventuário (art. 
721, § 5o, da CLT).
Contadoria é o órgão auxiliar da Justiça, o qual tem a 
responsabilidade de efetuar os cálculos aritméticos das causas 
em geral, do principal e juros das condenações e qualquer cálculo 
determinado pelo juiz.
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Direito do Trabalho e da Previdência162
Na opinião de Amauri Mascaro Nascimento, o “Tribunal 
Superior do Trabalho é organizado com base nas seguintes regras: 
a) divisão dos seus órgãos escalonados para fins jurisdicionais, 
cumprimento do princípio do duplo grau de jurisdição e divisão 
do trabalho; b) quatro tipos de competência: originária quando o 
processo tem início perante o órgão, recursal quando o órgão atua 
como instância revisora de decisão proferida por órgão anterior, 
competência em única instância em alguns casos e competência 
funcional dos seus membros definida pela lei e pelo Regimento 
interno; c) composição: togada com o quinto constitucional com 
juízes provenientes das classes de advogados e do Ministério 
Público do Trabalho, das quais se desligam, passando a integrar 
a magistratura; d) escolha dos magistrados de carreira entre os 
juízes dos Tribunais Regionais do Trabalho”.
Competência da justiça do trabalho
A jurisdição, assim entendido o poder/dever do Estado de 
dizer o direito no caso concreto, é una e indivisível.
A jurisdição atua quanto se tem a violação dos direitos 
assegurados pelas normas jurídicas (Direito Objetivo) em função 
de um conflito de interesses, ou seja, pressupõe a aplicação da lei 
ao caso concreto. O legislador cria o Direito Objetivo, enquanto 
a jurisdição aplica a norma abstrata ao caso concreto, atuando na 
pacificação dos conflitos de interesses.
No entanto, a determinação da esfera de atribuição dos 
órgãos encarregados do exercício da jurisdição chama-se 
“competência”.
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Direito do Trabalho e da Previdência 163
Figura 7
Fonte: O Autor
A competência costuma ser analisada sob os seguintes 
ângulos: competência material, competência em razão de lugar 
e competência hierárquica ou funcional.
A jurisdição, como expressão do poder estatal, é uma 
só. Cada juiz ou tribunal é investido da jurisdição. Porém, o 
seu exercício é distribuído, pelas normas constitucionais e 
ordinárias, para vários órgãos jurisdicionais. Essa distribuição 
se faz em função de vários critérios. De acordo com esses 
critérios, o órgão jurisdicional poderá exercitar a sua jurisdição 
em função de determinados limites, ou seja, grupo de litígios. 
Portanto, vamos conceituar competência como a “quantidade de 
jurisdição cujo exercício é atribuído a cada órgão ou grupo de 
órgãos”.
Oreste Dalazen ensina que Chiovenda agrupou em três 
os critérios determinantes da competência: objetivo, funcional 
e territorial: “Pelo critério objetivo, se fixa a competência ou 
pelo valor da causa (competência por valor), ou da natureza da 
causa” (competência por matéria).
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Direito do Trabalho e da Previdência164
Competência em razão de matéria
A Competência em razão de matéria é fixada levando em 
conta o tipo de questão, ou a matéria, que pode ser suscitada aos 
órgãos da Justiça do Trabalho, e vem definida no artigo 114 da 
Constituição Federal, que assim dispõe:
Art. 114, CF. Compete à Justiça do Trabalho 
processar e julgar:
I. as ações oriundas da relação de trabalho, 
abrangidos os entes de direito público externo e da 
administração pública direta e indireta da União, 
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;
II. as ações que envolvam exercício do direito 
de greve;
III. as ações sobre representação sindical, entre 
sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e 
entre sindicatos e empregadores;
IV. os mandados de segurança, habeas corpus e 
habeas data, quando o ato questionado envolver 
matéria sujeita à sua jurisdição;
V. os conflitos de competência entre órgãos 
com jurisdição trabalhista, ressalvado o disposto 
no art. 102, I, “o”;
VI. as ações de indenização por dano moral ou 
patrimonial, decorrentes da relação de trabalho;
VII. as ações relativas às penalidades administra-
tivas impostas aos empregadores pelos órgãos de 
fiscalização das relações de trabalho;
VIII. a execução, de ofício, das contribuições 
sociais previstas no art. 195, I, “a”, e II, e seus 
acréscimos legais, decorrentes das sentenças que 
proferir;
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Direito do Trabalho e da Previdência 165
IX. outras controvérsias decorrentes da relação 
de trabalho, na forma da lei.
A seguir, vamos analisar todas as ações que devem ser 
processadas e julgadas pela Justiça do Trabalho, conforme o 
artigo 114 da Constituição Federal:
I. As ações oriundas da relação de trabalho, 
abrangidos os entes de direito público externo e da 
administração pública direta e indireta da União, 
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;
A competência em razão de matéria foi reformulada 
inteiramente pela Emenda Constitucional n. 45/2004 trazendo 
para o âmbito de atuação da Justiça do Trabalho todas as “ações 
oriundas da relação de trabalho”, expressão muito mais ampla 
do que relação de emprego.
Figura 8
Fonte: O Autor
Discute-se em doutrina se a competência material da 
Justiça do Trabalho abrangeria as ações decorrentes da relação 
de consumo, uma vez que segundo o Código de Defesa do 
Consumidor em alguns casos a relação de consumo também 
pode ter por objeto a prestação pessoal de serviços. A resposta 
pode ser no sentido de que a ação é proposta pelo prestador de 
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Direito do Trabalho e da Previdência166
serviços em face do consumidor visando à aplicação de normas 
do Código de Defesa do Consumidor, trata-se de uma autêntica 
ação decorrente de relação de consumo e por essa razão escapa 
da competência da Justiça do Trabalho.
No entanto, se o litígio decorre não da relação de consumo, 
mas sim dos serviços prestados por pessoa física, em troca de 
remuneração, por exemplo, o não recebimento pelo prestador 
de serviços do valor ajustado, a competência será da Justiça do 
Trabalho.
Ações de servidor da administração pública estatutário
A Emenda Constitucional n. 45/2004, estendeu a 
competência da Justiça do Trabalho para julgamento das ações 
envolvendo os entes da Administração Pública. No entanto, 
foi concedida liminar em ADIN proposta pela Associação dos 
Juízes Federais do Brasil suspendendo qualquer interpretação 
que inclua na competência da Justiça do Trabalho o julgamento 
de ações entre servidores e o Poder Públicos vinculados àrelação 
jurídica estatutária ou de caráter jurídico administrativo.
Trabalho parassubordinado e a competência 
material da Justiça do Trabalho
A competência material da Justiça do Trabalho para 
apreciar e julgar as relações de trabalho subordinado ou relação 
de emprego é indiscutível. No entanto, atualmente, além do 
trabalho subordinado, a competência da Justiça do Trabalho 
também abrange o trabalho parassubordinado, o qual reflete 
uma posição intermediária entre o trabalho subordinado e o 
autônomo, com os seguintes traços característicos: continuidade, 
coordenação e o caráter pessoal na prestação dos serviços.
Arion Saião Romita ensina “O trabalhador 
parassubordinado pode ser considerado quase sempre um 
contratante débil. A debilidade contratual, que constitui uma 
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Direito do Trabalho e da Previdência 167
característica constante nas formas de prestação de serviços 
parassubordinados, justifica a tentativa de incluir esta 
modalidade no campo de aplicação do Direito do Trabalho. A 
debilidade contratual se configura não somente pela debilidade 
econômica mas também pela circunstância de que o tomador de 
serviços tem a possibilidade de anular ou reduzir sensivelmente 
a liberdade contratual do prestador.
Entre os trabalhadores parassubordinados são elencados, 
além dos prestadores de trabalho associativo (sociedades em 
conta de participação, membros de cooperativa de trabalho, 
o sócio de indústria, membros de empresa familiar), os 
representantes comerciais, os propagandistas, agentes teatrais, 
cinematográficos e esportivos, corretores de toda espécie de 
negócios (como os corretores de imóveis), concessionários de 
vendas, pequenos empresários (dependentes economicamente 
de indústrias a que prestam colaboração contínua), profissionais 
liberais (como o advogado que trata de modo contínuo dos 
interesses de uma pessoa física, o médico de família etc.).
II. Ações que envolvam o exercício do direito de greve
O exercício do direito de greve pode gerar a ocorrência 
de ações individuais (indenizações por danos causados pelos 
grevistas) ou coletivas, (dissídio de greve) inclusive possessórias 
(interditos proibitórios, para a garantia da posse de seus bens 
imóveis), todas de competência da Justiça do Trabalho.
III. Ações sobre representações sindicais
Apesar da literalidade do texto constitucional a doutrina 
e a jurisprudência vêm interpretando que o novo regramento 
constitucional estabelece a competência da Justiça do Trabalho 
para julgar todas as lides intersindicais ou seja:
 �Conflitos intersindicais coletivos
Os conflitos intersindicais coletivos também são 
denominados conflitos de representatividade e envolvem a 
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Direito do Trabalho e da Previdência168
discussão sobre a legitimidade da representação das categorias 
econômicas ou profissionais.
 �Conflitos intersindicais não coletivos
Os conflitos intersindicais não coletivos são aqueles que 
tem como parte os sindicatos, defendendo um interesse próprio 
e não interesse da categoria . Exemplo Dissídio de declaração ou 
não da filiação da entidade sindical a uma Federação.
 �Conflitos intrassindicais ou conflitos sindicais internos
Os conflitos intrassindicais ou conflitos sindicais Internos 
são aqueles que surgem na administração da entidade sindical ou 
entre a entidade sindical e seu associado Exemplo: Anulação de 
assembleia, de eleição Sindical, entre outros.
 �Conflitos extrassindicais
Os conflitos extrassindicais são aqueles que surgem entre 
as entidades sindicais e terceiros, exemplo: recusa em inscrever 
trabalhador para ser sócio do sindicato, e concorrer às eleições 
de dirigente sindical, recusa na admissão da empresa como sócia 
do sindicato da categoria econômica etc.
Ainda, conforme disposto no inciso III do art. 114 da Carta 
Magna verifica-se que o legislador constituinte expressamente 
atribuiu para a Justiça do Trabalho a competência para julgar 
as lides “sobre representação sindical, entre sindicatos, entre 
sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e empregadores”, 
sendo certo que a interpretação em consonância com a 
competência geral para as lides oriundas das relações de trabalho 
revela que toda e qualquer disputa acerca de contribuições 
sindicais, de qualquer natureza, são mera consequência da 
representação sindical em sentido amplo, pois inclusive pode 
ocorrer a recusa da empresa ao pagamento por não reconhecer a 
entidade sindical como sua representante, o que revela encontrar-
se dentro dessa matéria (representação sindical) a questão das 
receitas dos sindicatos.
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Direito do Trabalho e da Previdência 169
No que concerne ao rito processual adequado, à luz do 
disposto na Instrução Normativa n. 27/2005 do TST, pode-se 
conceber a utilização de rito próprio — caso existente — ou 
o rito ordinário trabalhista (sumaríssimo dependendo do valor), 
tudo na fase de conhecimento caso não possua o sindicato 
patronal título executivo ou documento sem eficácia, pois em 
caso contrário afigura-se possível o uso da execução de título 
executivo extrajudicial ou da ação monitoria respectivamente 
inclusive no Processo do Trabalho. Por outro lado, caso a parte 
possua o título executivo preconizado no art. 606 da CLT o rito 
adequado afigura-se a execução de título executivo extrajudicial. 
Assim, caso possua título sem essa eficácia, a ação monitoria; 
não possuindo título algum, deve-se utilizar o rito ordinário do 
processo do trabalho, sendo sumaríssimo dependendo do valor, 
em fase de conhecimento.
Concluindo, apesar de o texto mencionar apenas as 
ações de representação sindical e sindicatos, deve ser dada 
uma interpretação extensiva para englobar todas as entidades 
sindicais, como as questões que envolverem as Federações e 
as Confederações. São exemplos: ação envolvendo o direito 
de filiação ou desfiliação, ação anulatória de eleição sindical, 
ação de cobrança executiva de contribuição sindical, ação 
consignatória de contribuição sindical quando há disputa de 
representação entre dois sindicatos.
IV. Mandado de segurança, habeas corpus e habeas data
Uma das grandes inovações é a possibilidade de impetração 
perante as Varas da Justiça do Trabalho (órgão de primeira 
instância) quando o ato questionado envolver matéria sujeita 
a sua jurisdição, por exemplo, quando a autoridade coatora 
for auditor do trabalho ou Membro do Ministério Público do 
Trabalho.
Afirmada, também, a competência para o julgamento do 
habeas corpus quando se tratar de matéria sujeita a jurisdição 
trabalhista (Prisão de natureza civil).
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Direito do Trabalho e da Previdência170
A competência para o julgamento do Habeas Data também 
vem previsto no texto Constitucional emendado para possibilitar 
ao trabalhador o acesso a dados pessoais em poder do Estado, 
assegurando o respeito aos direitos da personalidade à intimidade 
e vida privada do trabalhador.
V. Conflitos de competência — formas de solução
 �O conflito de competência entre Varas do Trabalho, na 
mesma região, deverá ser dirimindo pelo TRT.
 �Quando se tratar de conflito de Varas do Trabalho sujeitas 
à jurisdição de Tribunais Regionais do Trabalho diferentesou 
entre Tribunais Regionais do Trabalho, a competência é do TST.
 �Quando o conflito envolver juízes vinculados a 
Tribunais diversos da Jurisdição Trabalhista a competência é do 
STJ (art. 102, I da CF).
 �Quando envolver conflito entre Tribunal Superior e 
STJ, a competência é do Superior Tribunal Federal (STF).
VI. Ações de indenização por dano moral ou patrimonial, 
decorrentes da relação de trabalho.
A Emenda Constitucional n. 45/2004 consagrou 
definitivamente a competência da Justiça do Trabalho para 
o julgamento de todas as ações que envolvem pedidos de 
indenização por danos materiais e morais decorrentes da relação 
de trabalho.
VII. Ações relativas às penalidades administrativas
Muito embora o texto constitucional utilize a expressão 
“ações” e não “execuções” relativas às penalidades 
administrativas, a doutrina vem, com acerto, se posicionando 
em sentido contrário.
A finalidade da nova hipótese de competência leva a 
afirmar-se que a própria execução fiscal das multas e dos valores 
deve ser feita perante a Justiça do Trabalho, admitindo-se a 
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Direito do Trabalho e da Previdência 171
discussão da legalidade do lançamento por meio de embargos 
do executado.
Conforme análise feita pelo processualista do trabalho, 
o magistrado Marcos Neves Fava, mostra-se incoerente, para 
dizer o mínimo, “exigir dos litigantes que se defendessem ou 
postulassem, perante a Justiça do Trabalho, mas que, consolidada 
a obrigação de pagamento da dívida, aforassem — ou se 
defendessem — perante a Justiça Federal, durante a execução.
Não se pode por meio de equivocada hermenêutica 
rejeitar a competência da Justiça do Trabalho para as execuções 
fiscais relacionadas às penalidades administrativas impostas aos 
empregadores pela fiscalização das relações de trabalho.
Desde logo, porque a competência para o gênero “ações” 
induz, por corolário lógico, a da espécie “execução”. Aliás, 
o processo de conhecimento, ressalvada a tutela meramente 
declaratória, não se faz útil ou efetivo sem a correspondente 
ação de execução.
Outra questão que se coloca é que a literalidade do texto 
emendado sugere que apenas as “penalidades administrativas” 
já impostas pelos órgãos de fiscalização transferiram-se à 
competência da Justiça do Trabalho.
A resposta a esta indagação deve ser feita levando em conta 
que com a nova redação os atos da administração nas tarefas 
de regulação e fiscalização das relações do trabalho passaram 
à competência da Justiça do Trabalho. Se, inequivocamente, o 
auto de infração imposto ao empregador por falta da autorização 
a que se refere o art. 71, § 3o, da CLT (para redução do intervalo 
de refeição) terá impugnação patronal resolvida pela Justiça do 
Trabalho, não é impossível conceber que a negativa do Delegado 
Regional do Trabalho em conceder tal autorização — ou sua 
omissão em despachar o requerimento — seja, por ausência de 
imposição de multa, até então, transferida para competência da 
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Direito do Trabalho e da Previdência172
Justiça Federal. Cisão indesejável e casuística da competência, 
em desfavor da racionalidade da ordem jurídica.
Assim, no momento entendemos que em lugar de 
“penalidades”, a interpretação mais adequada sugere a leitura 
de “atos” dos órgãos de fiscalização das relações do trabalho, 
hermenêutica de consequências bem mais abrangentes.
Qualquer ação, tanto a proposta pelo empregador 
objetivando invalidar multa imposta pela DRTs, como também 
as execuções dos títulos extrajudiciais, originados dos autos de 
inspeção tomados pelos auditores fiscais do trabalho; proposto 
pela Fazenda Pública em fazenda empregador passaram a ser da 
competência da Justiça do Trabalho.
VIII. Execução, de ofício, das contribuições sociais 
previstas no art. 195, I, “a”, e II e seus acréscimos legais, 
decorrentes das sentenças que proferir
A Justiça do Trabalho é competente para determinar o 
recolhimento das contribuições previdenciárias e fiscais sobre 
as verbas de natureza salarial, decorrentes das sentenças que 
proferir ou dos acordos homologados, devendo o juízo promover, 
de ofício, a execução dos valores devidos.
Complementação de aposentadoria ou de pensão
A competência material da Justiça do Trabalho não exige 
que, ao tempo da propositura da ação, ainda se tenha a subsistência 
da relação de trabalho, pois pode existir ação trabalhista na qual 
se pleiteia a complementação de aposentadoria ou de pensão 
decorrente de regulamentos internos da empresa ou de entidade 
previdenciária complementar patrocinada pelo empregador, de 
forma isolada, ou mediante a participação do empregado. Neste 
caso, não há que se falar em incompetência da Justiça do Trabalho.
IX. outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, 
na forma da lei.
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Direito do Trabalho e da Previdência 173
Competência da Justiça do Trabalho para julgar ação 
com pedido de indenização de dano moral sofrido na fase pré-
contratual
A doutrina e a jurisprudência ainda não sedimentaram o 
entendimento sobre a Competência da Justiça do Trabalho para 
julgar ação com pedido de indenização de dano moral sofrido na 
fase pré-contratual.
Para José Affonso Dallegrave, “considerando que o 
conceito de relação de trabalho é aquele que pressupõe qualquer 
liame jurídico entre dois sujeitos, desde que tendo por objeto 
a prestação de um serviço, autônomo ou subordinado, não há 
dúvidas que não só os contratos celetistas estão nele abrangidos, 
mas boa parte dos contratos civis e comerciais”.
Mauro Schiavi discorre que o vocábulo relação de 
trabalho pressupõe “trabalho prestado por conta alheia, em que 
o trabalhador (pessoa física) coloca sua força de trabalho em 
prol de outra pessoa(física ou jurídica), podendo o trabalhador 
correr ou não os riscos da atividade. Desse modo, estão excluídas 
as modalidades de relação de trabalho em que o trabalho for 
prestado por pessoa jurídica, porquanto, nessas modalidades, 
embora haja relação de trabalho, o trabalho humano não é o 
objeto dessas relações jurídicas e sim um contrato de natureza 
civil ou comercial”.
Délio Maranhão menciona que “no contrato de trabalho, 
como nos demais contratos, pode haver um período pré-contratual. 
É que nem sempre o contrato tem formação instantânea, embora 
a formação progressiva do contrato de trabalho constitua uma 
exceção. Neste caso não há confundir a proposta do contrato, 
que pressupõe que este se forma pelo único fato da aceitação, 
que, por isso, obriga o preponente (art. 1.080 do Código Civil 
de 1916; art. 427, Código Civil de 2002), com os entendimentos 
preliminares da fase pré-contratual”.
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Direito do Trabalho e da Previdência174
Como ensina Serpa Lopes, o característico principal 
dessas conversações preliminares consiste em serem entabuladas 
sem qualquer propósito de obrigatoriedade. Tais conversações, 
porém, se não obrigam a concluir o contrato, nem por esse 
motivo deixam de produzir, em alguns casos, efeitos jurídicos. 
Assim é que, se os entendimentos preliminares chegarem a um 
ponto que faça prever a conclusão do contrato e uma das partes 
os rompe sem um motivo justo e razoável (culpa in contraendo), 
a outraterá o direito ao ressarcimento do dano causado por 
esse rompimento (interesse contratual negativo), quando possa 
provar de que, confiando na previsível conclusão do contrato, fez 
despesas em virtude de tais entendimentos, ou deixou de aceitar 
outra oferta tanto ou mais vantajosa. Consideramos perfeitamente 
cabível uma ação desta natureza na Justiça do Trabalho, em face 
do art. 114 da Constituição, que fala ‘em outras controvérsias 
decorrentes da relação de trabalho’. Dir-se-á que essa relação 
não chegou a se completar. Mas o dano se apura, na hipótese, 
em função de sua previsível formação, e a culpa ocorre na fase 
preliminar de um contrato de trabalho: a controvérsia se origina, 
pois, de uma relação de trabalho, embora no nascedouro”.
Competência em razão do território
A competência territorial é relativa e por essa razão não 
pode ser reconhecida de ofício, se não for arguida pela parte 
contrária pode ser modificada e prorrogada.
O art. 114 do CPC dispõe que será prorrogada a competência 
se o réu não opuser exceção de competência em razão de lugar, 
no prazo legal. Aplica-se esta prorrogação na seara trabalhista.
No processo do trabalho não existe a possibilidade de 
modificação da competência em razão do valor da causa, uma 
vez que a ação trabalhista, independentemente do valor atribuído 
à causa, sempre será processada e julgada pelo mesmo juízo.
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Direito do Trabalho e da Previdência 175
O art. 842 da Consolidação das Leis do Trabalho permite 
a acumulação ou a reunião de lides em um único processo desde 
que haja entre elas identidade de matéria e tenham sido propostas 
por empregado da mesma empresa ou estabelecimento, ou 
desde que haja identidade de objeto e causa de pedir das ações 
reputadas conexas.
Ocorrendo protocolo de ações conexas em juízos diversos, 
a prevenção será do juízo cuja ação trabalhista tenha sido 
protocolada em primeiro lugar.
Direito Previdenciário Seguridade Social
A Seguridade Social é um importante equalizador das 
desigualdades que existem em uma sociedade, no Brasil, este 
assunto que está entre os ramos do Direito, possui conceitos e 
princípios que são a base para a finalidade da proteção social.
Introdução
A seguridade é um direito garantido pela Constituição 
Federal, sendo regulamentado como: “um conjunto de ações 
de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas 
a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à 
assistência social”, de acordo com o artigo 194 da Constituição 
Federal.
O Estado tem o dever de fazer valer os direitos fundamentais 
dos cidadãos que fazem parte da sociedade brasileira, sendo 
o provedor das atividades relacionadas a prestação da saúde, 
educação e também do trabalho. Em tempos de crise o primeiro 
setor a ser afetado é o do emprego. Muitos brasileiros atualmente 
encontram-se sem um trabalho que possa atender as suas 
necessidades básicas e as da sua família.
Além dessas especificidades a Seguridade Social serve 
para atender ao trabalhador e trabalhadora que se encontra sem 
condições de desenvolver suas atividades laborais por conta de 
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Direito do Trabalho e da Previdência176
alguma condição especial, devido as suas funções no trabalho 
ou algum outro fato da vida cotidiana que interrompe a sua 
produtividade, como por exemplo, a reclusão, ocasionando 
assim uma ruptura nas condições financeiras de sua família.
A principal função da Seguridade Social é garantir que o 
cidadão brasileira não seja atingido por situações de indignidade 
que venham a aumentar níveis de pobreza, a fim de garantir que 
a ordem social seja mantida e não ocorra o aumento de uma 
população privada das condições necessárias para viver.
Entre os princípios que regem esse ramo do direito está 
o da Solidariedade, o que coloca a população juntamente com 
o governo em posição de provedor dos recursos necessários a 
cumprir a função desse setor social. O presente artigo tem por 
finalidade, utilizando o estudo bibliográfico, descrever quais 
os conceitos que regem a Seguridade Social, bem como os 
principais princípios que são atualmente o norte para as ações 
sociais realizadas na sociedade brasileira.
Os Atuais Princípios da Seguridade Social
Conceitos
A seguridade social é um direito de todos os cidadãos 
brasileiros, necessária para que todos possuam garantia de 
proteção em momentos que não possam por si só suprir suas 
necessidades básicas. A preocupação social de cuidar das 
pessoas carentes foi um dos fundamentos para a criação da 
seguridade social, de acordo com Augusto Massayki Tsutiya o 
primeiro sistema de proteção conhecido foi o assistencialismo, 
que já existia na Antiguidade. Desde o Código de Hamurabi 
(Babilônia), do Código de Manu (Índia) e da Lei das Doze 
Tábuas passando pela era contemporânea, por meio das famosas 
Poor Laws, inspiradas nas reflexões de Thomas More, na 
Inglaterra, em 1601. No Brasil, tal sistema foi implantado com a 
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Direito do Trabalho e da Previdência 177
assistência médica, prestada pelas Santas Casas de Misericórdia, 
sendo pioneira a de Santos. Como o próprio nome sugere, tal 
proteção dependia de caridade. Não se exigia contribuição do 
beneficiado. O segundo sistema de proteção social conhecido foi 
o mutualismo. (TSUTIYA , 2013, p. 95-96)
São fontes do direito previdenciário as normas 
constitucionais, a legislação infraconstitucional, as normas 
infralegais, as normas editadas pelo Poder Público, bem como, 
na falta de uma norma que abarque a situação fática, deve ser 
utilizada a analogia, os costumes, a doutrina e a jurisprudência.
O art. 194 da Constituição Federal elenca quais são os 
elementos que fazem parte da seguridade social, são eles: “a 
saúde, a previdência e a assistência social. Em sendo assim todos 
esses direitos são espécies da seguridade social”. Os objetivos 
desse direito são, de acordo com os incisos do art. 194:
I. a universalidade da cobertura e do atendimento;
II. a uniformidade e equivalência dos benefícios e 
serviços à populações urbanas e rurais;
III. seletividade e distributividade na prestação dos 
benefícios e serviços;
IV. Irredutibilidade do valor dos benefícios;
V. equidade na forma de participação no custeio;
VI. diversidade da base de financiamento;
VII. o caráter democrático e descentralizado da administração, 
mediante gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores, 
dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos 
colegiados.
A seguridade é uma espécie de seguro público coletivo, 
pago por toda a sociedade, como está definido no art. 195, que 
diz o seguinte: a seguridade social será financiada por toda a 
sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante 
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Direito do Trabalho e da Previdência178
recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições, 
do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na 
forma da lei que incidirá sobre a folha de salários e demais 
rendimentos pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa 
física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, 
a receita ou ofaturamento e o lucro, serão fontes pagadoras 
também o trabalhador e demais segurados da previdência 
social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão 
concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata 
o art. 201, sobre a receita de concursos de prognósticos e do 
importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a 
ele equiparar.
Cada um dos elementos que compõem a seguridade social 
possuem características próprias, como a saúde que possui sua 
definição no art. 196 da Constituição Federal sendo um direito 
de todos e dever do Estado, que deve suprir essas necessidades 
por meio de políticas sociais e econômicas visando a redução 
da doença e de outros agravos possibilitando o acesso universal 
e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e 
recuperação.
A previdência social, que está prevista no art. 201 e 
seguintes, sendo organizada sob forma de regime geral, de 
caráter contributivo e de filiação obrigatória, observando os 
critérios que proporcionem o equilíbrio financeiro e atuarial 
atendendo, de acordo com a lei a:
I. cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e 
idade avançada;
II. proteção à maternidade, especialmente à gestante;
III. proteção ao trabalhador em situação de desemprego 
involuntário;
IV. salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes 
dos segurados de baixa renda;
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Direito do Trabalho e da Previdência 179
V. pensão por morte do segurado, homem ou mulher, 
ao cônjuge ou companheiro e dependentes.
A Assistência Social está disposta no art. 203 
regulamentando que esta deverá ser prestada a quem dela 
necessitar, independentemente de contribuição à seguridade 
social e tem como objetivos: a proteção à família, à maternidade, 
à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice, o amparo 
às crianças e adolescentes carentes, a promoção da integração 
ao mercado de trabalho, a habilitação e reabilitação das pessoas 
portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à 
vida comunitária, a garantia de um salário-mínimo de benefício 
mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que 
comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção 
ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei.
Atuais Princípios referentes a Seguridade 
Social
Os princípios são as diretrizes que norteiam a interpretação 
e a edição das normas em uma legislação, com o direito à 
seguridade social não é diferente, este possui princípios que serve 
como verdadeiros alicerces para a construção dessa ciência. As 
modalidades dos princípios são divididas em gerais, específicos 
e outros princípios. Os gerais são aqueles que são aplicados a 
todos os ramos do direito, os específicos são os que possuem 
como finalidade adequar um dos ramos do direito em específico.
De acordo com Augusto Massayki Tsutiya os princípios 
gerais são o princípio da igualdade, contido no art. 5º, I da 
Constituição Federal, o princípio da legalidade, disposto no art. 
5º inciso II e o princípio direito adquirido, regulamentado no art. 
5º, inciso XXXVI, (2013, p. 160)
Pelo princípio da igualdade homens e mulheres são iguais 
perante a lei em direitos e obrigações, de acordo com esta 
Constituição. Já o princípio da legalidade afirma que ninguém 
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Direito do Trabalho e da Previdência180
será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em 
virtude de lei. O princípio do direito adquirido garante que a lei 
não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a 
coisa julgada.
Os princípios específicos do direito da seguridade são o da 
solidariedade, que é implícito, o princípio da universalidade da 
cobertura e do atendimento, o da uniformidade e equivalência 
dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais, o da 
seletividade e distributividade na prestação dos benefícios 
e serviços, o da irredutibilidade do valor dos benefícios, 
da diversidade na base de financiamento, o da equidade na 
forma da participação do custeio e o caráter democrático e 
descentralizado da Administração, mediante gestão quadripartite, 
com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos 
aposentados e do governo nos órgãos colegiados.
Pelo princípio da solidariedade tanto a sociedade quanto 
o Estado são financiadores da seguridade social, seja de forma 
direta ou de forma indireta. Em sendo assim, qualquer trabalhador 
que necessite do auxílio-doença, por exemplo, poderá se utilizar 
mesmo que ainda não tenha contribuído por muito tempo, ou 
que tenha sofrido um acidente de trabalho e tenha necessidade 
de se aposentar por invalidez, mesmo que sua contribuição tenha 
sido por pouco tempo, poderá ser beneficiário da seguridade 
social. Este princípio está implícito no art. 3º da Constituição 
Federal que traz em seu inciso I, como fundamento da República 
Federativa do Brasil, a construção de uma sociedade livre, justa 
e solidária.
Os princípios específicos explícitos estão regulamentados 
nos incisos do art. 194 da Constituição Federal. O primeiro é o 
da Universalidade da cobertura e do atendimento.
Por este princípio “as prestações da Seguridade Social 
devem abranger o máximo de situações de proteção social do 
trabalhador e de sua família, tanto subjetiva quanto objetivamente, 
respeitadas as limitações de cada área de atuação”, ou seja, 
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Direito do Trabalho e da Previdência 181
deve existir uma quantidade suficiente de cobertura no tocante 
a proteção tanto do trabalhador quanto dos membros de sua 
família, “a universalidade de cobertura refere-se aos sujeitos 
protegidos. Os atingidos por contingências sociais que retirem 
ou diminuam a capacidade de trabalho, de ganho, devem ser 
protegidos”, a cobertura deve ser suficiente para proteger os 
beneficiários de todos os danos que podem acometer o mesmo 
quando ocorre uma incapacidade de realização de trabalho, “a 
universalidade de atendimento refere-se ao objeto, vale dizer, 
às contingências a serem cobertas, isto é, aos acontecimentos 
que trazem como consequência o estado de necessidade social”, 
no tocante a proteção e complemento de renda ou remuneração 
em relação a recuperação da saúde do beneficiário. (TSUTIYA, 
2013, p. 180-181)
A abrangência na cobertura e no atendimento tem que 
seguir o preceito da universalidade. Pode-se dizer que o princípio 
da Uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às 
populações urbanas e rurais, pode ser um desdobramento do da 
universalidade do atendimento e da cobertura, pois, visa atender 
ao princípio da igualdade, evidenciando que todos devem receber 
o mesmo tratamento, essa ênfase se deve às diferenciações que 
existiam entre os trabalhadores urbanos e rurais.
A positivação foi muito importante. Até pouco tempo atrás 
havia um fosso que separava os trabalhadores urbanos e rurais. As 
leis trabalhistas criadas por Getúlio Vargas predominantemente 
privilegiavam os trabalhadores urbanos, classe mais or ganizada. 
Timidamente, alguns benefícios foram conquistados pelos 
trabalhadores rurais. A uniformidade refere-se ao objeto, às 
prestações devidas em face do sistema de Seguridade Social, que 
deverão ser iguais para todos. Equivalência significa igualdade 
em relação ao valor pecuniário das prestações. (TSUTIYA, 
2013, p. 182)
A uniformidade refere-se ao quantitativo financeiro, aos 
valores referentes aos benefícios, peloqual estão proibidas 
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Direito do Trabalho e da Previdência182
quaisquer distinções entre trabalhadores independente destes 
exercerem suas atividades nas zonas urbanas ou rurais. Tendo 
como referência para qualificar esta igualdade em aspectos 
objetivos das relações de atendimentos e cobertura desses 
beneficiários, de acordo com as limitações que são especificadas 
em lei e levam em consideração, dentre outros fatores o 
coeficiente de contribuição, a idade e o tempo de contribuição, 
de acordo com o caso concreto.
O próximo princípio a ser analisado é o da seletividade 
e distributividade na prestação dos benefícios e serviços, este 
em específico é dirigido ao legislador, a fim de que esse possa 
analisar quais os riscos que devem ser protegidos. O art. 201 da 
Constituição Federal define em seus incisos quais deverão ser os 
fenômenos que deverão ser protegidos pela previdência social, 
o que de forma análoga, pode ser aplicado aos demais ramos 
da seguridade social como a assistência social e a saúde. São 
eles: cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade 
avançada; proteção à maternidade, especialmente à gestante; 
proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário; 
salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos 
segurados de baixa renda e pensão por morte do segurado, 
homem ou mulher, ao cônjuge ou companheiro e dependentes, 
observado o disposto no §2º que delimita o valor não menor do 
que o salário-mínimo para o benefício a ser recebido pelos que 
necessitarem das proteções descritas acima.
Pode-se observar que nos fenômenos cobertos pela 
seguridade social fica claro que os beneficiários não poderão 
receber menos do que um salário-mínimo e que o critério para 
ser beneficiário é que a família esteja classificada como sendo 
de baixa renda. Esse princípio é um mitigador do princípio da 
universalidade, pois restringe a cobertura e o atendimento da 
seguridade social, por meio do critério econômico.
O princípio da irredutibilidade do valor dos benefícios, 
“esse princípio visa manter o poder aquisitivo dos segurados 
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Direito do Trabalho e da Previdência 183
que recebem benefícios da Seguridade Social”. (TSUTIYA, 
2013, p. 184)
O princípio da equidade na forma da participação no 
custeio que é ligado ao princípio da isonomia e a capacidade 
contributivapodendo ser entendido como justiça e igualdade 
na forma de custeio: alíquotas desiguais para contribuintes em 
situação desigual. Os contribuintes que se encontrarem na mesma 
situação fática deverão ser tributados da mesma forma. Tal 
princípio permite uma tributação maior da empresa/empregador 
em relação ao segurado haja vista que são aqueles os de maior 
poder aquisitivo. (TSUTIYA, 2013, p. 186)
O penúltimo princípio a ser analisado é o da diversidade na 
base de financiamento, “o financiamento da Seguridade Social 
compreende um conjunto de recursos que deverão ser buscados 
em diversas fontes”. (TSUTIYA, 2013, p. 186)
Para alcançar os princípios anteriores de universalidade 
da cobertura e do atendimento, é necessário que o sistema seja 
financiado com recursos vindos de várias fontes, que garantam 
sua sustentabilidade ao longo dos anos. Desta forma, a seguridade 
social é financiada com recursos de toda a sociedade, mediante 
contribuições sociais incidentes sobre os mais diversos fatos 
geradores, como folha de pagamentos, lucro líquido, concursos 
de prognósticos, etc. (PAVIONE, 2011)
O último princípio a ser conceituado é caráter democrático e 
descentralizado da Administração, mediante gestão quadripartite, 
com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos 
aposentados e do governo nos órgãos colegiados. O Poder 
Público necessita da participação da comunidade social para 
bem desempenhar suas funções, e levando em consideração 
que o elemento motor da seguridade social é a solidariedade, 
os próprios interessados são chamados a contribuir com a 
discussão dos problemas e para propor soluções aos infortúnios 
que possam surgir, buscando cada vez mais uma estrutura 
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Direito do Trabalho e da Previdência184
focada da descentralização e desburocratização dos processos 
que envolvem as necessidades sociais.
Princípio da Solidariedade
Sobre este princípio, ensina Wladimir Novaes Martinez 
(2014, p. 101):
Solidariedade quer dizer cooperação da maioria em 
favor da minoria, em certos casos, da totalidade em 
direção à individualidade [...], significa a cotização 
de certas pessoas, com capacidade contributiva, em 
favor dos despossuídos. Socialmente considerada, 
é ajuda marcadamente anônima, traduzindo mutuo 
auxilio, mesmo obrigatório, dos indivíduos.
A Previdência Social, portanto, se constrói a partir do 
auxílio mútuo entre os indivíduos de determinada sociedade a 
fim de garantir condições mínimas de sobrevivência àqueles que 
se encontrarem em situações de risco social. Neste sentido, o 
próprio texto constitucional prevê em seu art. 3°, inciso I, que um 
dos objetivos da República Federativa do Brasil é a construção 
de uma sociedade solidária.
Ao comentar sobre o princípio em questão, Horvath 
Júnior (2014, p. 93) aduz que “solidariedade social significa 
a contribuição do universo de protegidos em benefício da 
minoria”, e destaca o chamado “pacto de gerações” ou princípio 
da solidariedade entre gerações, segundo o qual “os não 
necessitados de hoje, contribuintes, serão os necessitados de 
amanhã, custeados por novos não necessitados que surgem”.
Todo e qualquer sistema de previdência social, portanto, 
tem como fundamento o princípio geral da solidariedade.
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Direito do Trabalho e da Previdência 185
Princípio da Proteção ao Segurado
Assim como no Direito do Trabalho, também há no direito 
previdenciário a regra da interpretação sempre “in dubio pro 
operario”, tendo em vista que este é o principal destinatário da 
legislação previdenciária.
Por este princípio, tem-se que “as normas dos sistemas 
de proteção social devem ser fundadas na ideia de proteção ao 
menos favorecido” (LAZZARI; KRAVCHYCHYN; CASTRO, 
2018, p. 19).
Sobre esse assunto, leciona Wladimir Martinez (2014, 
p. 102):
Hodiernamente, numa sociedade organizada, 
desenvolvida a previdência social como técnica 
sociológica e ciência jurídica, proteção significa 
faculdade, direito à participação do bem geral, 
de todo trabalhador construtor da sociedade. E 
dever do Estado.
O princípio da proteção deve servir como norte para 
ações estatais relativas à previdência social, que precisam ter o 
escopo primordial de atuar na defesa e na garantia do mínimo 
existencial àqueles menos favorecidos. Este princípio, como já 
transcrito acima, impõe um dever ao Estado de fornecer proteção 
ao segurado e assegura a este o direito de ser protegido, quando 
estiver sob o risco de perecimento.
Princípio da Vedação ao Retrocesso Social
O princípio em apreço encontra-se, ainda que de modo 
implícito, previsto no caput do art. 7º, da Constituição Federal de 
1988, o qual enuncia um amplo rol de direitos dos trabalhadores 
urbanos e rurais sem prejuízo de “outros que visem à melhoria 
de sua condição social”.
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Direito do Trabalho e da Previdência186
Por este princípio tem-se que o rol de direitos sociais 
já previstos no ordenamento jurídico brasileiro não poderá 
ser reduzido em seu alcance (pessoas abrangidas, eventos 
que resultam em proteção previdenciária, por exemplo) e em 
quantidade (valores das prestações concedidas), com a finalidade 
sempre de se preservar o mínimo existencial (LAZZARI; 
KRAVCHYCHYN; CASTRO, 2018, p. 18).
Verifica-se, assim, que a norma infraconstitucional que 
extinguir ou limitar um direito já assegurado, especialmente 
aqueles de cunho social, poderá, em tese, padecer de 
inconstitucionalidade.
Uma vez que os direitos sociais não foram conquistados 
de uma só vez, mas são frutos de conquistas históricas, 
implementados no ordenamento de forma gradativa e progressiva 
ao longo dos séculos, estes não poderão sofrer retrocessos, mas, 
de modo diverso, somente se autoriza a inserção, no arcabouço 
jurídico, de outros direitos que visem à melhoria da condição 
social dos indivíduos (OLIVEIRA; CRUZ, 2017)
Princípios Constitucionais da Seguridade 
Social
O art. 194 da Constituição Federal apresenta, ao menos, 
sete objetivos da Seguridade Social, nos incisos do seu parágrafo 
único.
Ocorre que, conforme assegura Marisa Ferreira dos 
Santos (2016, p. 40), “tais objetivos se revelam como autênticos 
princípios setoriais, isto é, aplicáveis apenas à seguridade social: 
caracterizam-se pela generalidade e veiculam valores que devem 
ser protegidos”.
A doutrina majoritária em âmbito do direito previdenciário 
aponta que o art. 194 da CF/88 apresenta os chamados princípios 
constitucionais da seguridade social, que serão analisados a 
seguir.
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Direito do Trabalho e da Previdência 187
Universalidade da Cobertura e do 
Atendimento
Este princípio está expresso no art. 194, parágrafo único, 
inciso I, da Carta Magna e, por ele, entende-se que “todos os que 
vivem no território nacional tem direito ao mínimo indispensável 
à sobrevivência com dignidade, não podendo haver excluídos da 
proteção social” (SANTOS, 2016, p. 40).
Por meio da Seguridade Social, portanto, deve-se assegurar 
condições mínimas de sobrevivência aos indivíduos de todo o 
país sempre que estes estiverem sem condições de proverem os 
meios necessários à vida digna.
Pode-se entender por “universalidade da cobertura” que 
a proteção social deve alcançar todos os eventos cuja reparação 
seja premente, a fim de manter a subsistência de quem dela 
necessite e, por “universalidade do atendimento” que as ações, 
prestações e serviços da seguridade social devem ser entregues a 
todos que necessitem, “tanto em termos de previdência social – 
obedecido o princípio contributivo – como no caso da saúde e da 
assistência social” (LAZZARI; KRAVCHYCHYN; CASTRO, 
2018, p. 21).
Uniformidade e Equivalência dos Benefícios 
e Serviços às Populações Urbanas e Rurais
No art. 194, parágrafo único, inciso II, da Constituição 
Federal de 1988 é que está previsto o princípio ora em análise.
Escrevendo sobre este assunto, Miguel Horvath Júnior 
(2014, p. 103) ensina que “a Constituição vedou o tratamento 
desigual para a população urbana e rural, corrigindo distorção 
histórica”, tendo em vista que os direitos previdenciários 
somente foram assegurados aos trabalhadores rurais em 1963, 
quando foi criado o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural 
(FUNRURAL).
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Direito do Trabalho e da Previdência188
O mesmo autor esclarece que a “uniformidade” diz 
respeito ao mesmo nível de proteção para as populações urbanas 
e rurais, enquanto que, por “equivalência” deve-se entender a 
vedação existente no tocante ao estabelecimento de critérios 
diversificados para o cálculo dos benefícios previdenciários 
(HORVATH JÚNIOR, 2014, p. 103).
Para melhor compreensão, Marisa Ferreira do Santos 
(2016, p. 42) aduz que:
A uniformidade significa que o plano de proteção 
social será o mesmo para trabalhadores urbanos e rurais. Pela 
equivalência, o valor das prestações pagas a urbanos e rurais 
dever ser proporcionalmente igual. Os benefícios devem ser 
os mesmos (uniformidade), mas o valor da renda mensal é 
equivalente, não igual.
Ressalta-se que o valor da renda mensal não será igual, pois 
os trabalhadores rurais e urbanos possuem formas diferentes de 
contribuição para o custeio, o que resultará em valores diferentes 
para os mesmos benefícios que lhes são concedidos.
Seletividade e Distributividade na Prestação 
dos Benefícios e Serviços
O parágrafo único, inciso III, do art. 184, da Constituição 
Federal apresenta o princípio da seletividade e distributividade 
na prestação dos benefícios e serviços.
Para Horvath Júnior (2014, p. 104), a seletividade 
“consiste na eleição dos riscos e contingências sociais a serem 
cobertos”, de modo que referido princípio tem como destinatário 
o legislador constitucional, o qual estabeleceu, no art. 201 
da CF/88, quais são os riscos e contingências socais a serem 
protegidos, a saber: doença, invalidez, morte, idade avançada, 
proteção à maternidade, proteção ao trabalhador em situação 
de desemprego involuntário, proteção aos segurados de baixa-
renda, e o risco de acidente do trabalho.
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Direito do Trabalho e da Previdência 189
Em relação à distributividade, o autor citado no parágrafo 
anterior, diz que esta ser relaciona à criação de critérios/
requisitos para acesso aos riscos objeto de proteção, “de forma a 
atingir o maior universo de pessoas, proporcionando assim uma 
cobertura mais ampla” (HORVATH JÚNIOR, 2014, p. 105).
Enquanto a seletividade tem como destinatário o legislador 
constitucional, a distributividade destina-se ao legislador 
ordinário, o qual estabeleceu os critérios a serem preenchidos 
pelos indivíduos para terem acesso aos benefícios e serviços da 
Seguridade Social.
Citando o professor Wagner Balera, Horvath Júnior (2014, 
p. 105), leciona que “a regra da distributividade autoriza a escolha 
de prestações que, sendo de direito comum a todas as pessoas, 
contemplam de modo mais abrangente os que demonstrem 
possuir maiores necessidades”.
Irredutibilidade do Valor dos Benefícios
Os benefícios correspondem às prestações pecuniárias 
concedidas pela Seguridade Social àqueles que preencherem os 
requisitos necessários para tal.
Sendo prestação pecuniária, o benefício deve “suprir os 
mínimos necessários à sobrevivência com dignidade e, para 
tanto, não pode sofrer redução no seu valor mensal” (SANTOS, 
2016, p. 42), daí a importância do princípio em apreço, o qual 
pode se subdividir em dois aspectos: irredutibilidade nominal e 
irredutibilidade real do valor.
A irredutibilidade nominal possui previsão constitucional 
no art. 201, parágrafo 2º, que assim dispõe: “nenhum benefício 
que substitua o salário de contribuição ou o rendimento do 
trabalho do segurado terá valor mensal inferior ao salário 
mínimo”, ou seja, nenhum benefício concedido pela Seguridade 
Social, que substitua a remuneração do trabalhador, poderá ser 
reduzido ou concedido em valor inferior ao salário mínimo.
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Direito do Trabalho e da Previdência190
Assegura Miguel Horvath Júnior (2014, p. 105) que os 
ganhos habituais dos empregados devem ser incorporados 
aos salários para efeito de contribuição, pois repercutirão no 
cálculo do benefício previdenciário, em razão do princípio da 
irredutibilidade nominal.
Por sua vez, o princípio da irredutibilidade real tem 
como objetivo manter o poder real de compra, tutelando os 
benefícios concedidos pela seguridade social contra os efeitos 
da inflação e sua previsão constitucional encontra-se no art. 201, 
parágrafo quarto, que possui a seguinte redação: “é assegurado 
o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em caráter 
permanente, o valor real, conforme critérios definidos em lei”.
Seguindo o ditame constitucional, o art. 41-A, da Lei 
8.213/91(Lei de Benefícios da Previdência Social) define 
que, após concedidos, os benefícios deverão ser reajustados, 
anualmente, na mesma data do reajuste do salário mínimo, com 
base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor - INPC, 
apurado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística - IBGE.
Equidade na Forma de Participação no Custeio
Este princípio impõe um dever de atuação com justiça e 
igualdade quando se estabelecer a forma de custeio da Seguridade 
Social, significa, segundo Horvath Júnior (2014, p. 111) “justiça 
distributiva”.
Com referido princípio se almeja garantir proteção social 
aos hipossuficientes, exigindo-se destes uma contribuição 
equivalente ao seu poder aquisitivo. Por outro lado, a contribuição 
empresarial “tende a ter maior importância em termos de valores 
e percentuais na receita da seguridade social, por ter a classe 
empregadora maior capacidade contributiva” (LAZZARI; 
KRAVCHYCHYN; CASTRO, 2018, p. 23).
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Direito do Trabalho e da Previdência 191
É o artigo 195, parágrafo nono, da Constituição Federal 
que dispõe sobre a forma de aplicação do princípio da equidade 
na forma de participação no custei, no seguinte sentido:
As contribuições sociais previstas no inciso I do caput deste 
artigo poderão ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, 
em razão da atividade econômica, da utilização intensiva de 
mão-de-obra, do porte da empresa ou da condição estrutural do 
mercado de trabalho.
Portanto, como bem ensina Marisa Ferreira dos Santos 
(2016, p. 43), “a equidade na participação no custeio deve 
considerar, em primeiro lugar, a atividade exercida pelo sujeito 
passivo e, em segundo lugar, sua capacidade econômico-
financeira”, e acrescenta respectiva autora “quanto maior a 
probabilidade de a atividade exercida gerar contingência com 
cobertura, maior deverá ser a contribuição”.
Diversidade da Base de Financiamento
Por este princípio entende-se que a seguridade social 
deve ser financiada por meio de variadas fontes e não por uma 
fonte única. Sendo assim, a Constituição Federal de 1988 prevê 
diferentes bases de sustentação para este sistema seu art. 195, 
caput e incisos:
Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a 
sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante 
recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições 
sociais:
VI. Do empregador, da empresa e da entidade a ela 
equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de 
salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, 
a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo 
sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o 
lucro; 
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Direito do Trabalho e da Previdência192
VII. Do trabalhador e dos demais segurados 
da previdência social, não incidindo contribuição sobre 
aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de 
previdência social de que trata o art. 201; 
VIII. Sobre a receita de concursos de prognósticos;
IX. Do importador de bens ou serviços do exterior, ou de 
quem a lei a ele equiparar
Todas estas diferentes fontes de financiamento da 
Seguridade Social visam lhe assegurar segurança e estabilidade, 
entretanto, caso revelarem-se insuficientes, haverá a possibilidade 
de se utilizar o mecanismo de emergência previsto no art. 195, 
parágrafo quarto, da CF/88, segundo o qual “lei poderá instituir 
outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão 
da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I[2]”. 
(HORVATH JÚNIOR, 2014, p. 112).
Caráter Democrático e Descentralizado da 
Administração
Este princípio tem previsão no art. 194, parágrafo único, 
inciso VII, da Constituição Federal, que assim prevê:
Art. 194. A seguridade social compreende um conjunto 
integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da 
sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à 
previdência e à assistência social.
Parágrafo único. Compete ao Poder Público, nos termos 
da lei, organizar a seguridade social, com base nos seguintes 
objetivos:
IV. caráter democrático e descentralizado da adminis-
tração, mediante gestão quadripartite, com participação dos tra-
balhadores, dos empregadores, dos aposentados e do Governo 
nos órgãos colegiados.
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Direito do Trabalho e da Previdência 193
Conforme explica Miguel Horvath Júnior (2014, p. 113), 
este princípio informa que “a administração dos negócios 
referentes à seguridade social, em os seus níveis [...] deve contar 
com a efetiva participação dos empregados, empregadores, 
aposentados e Governo”.
Visando concretizar este comando, foram criados órgãos 
colegiados de deliberação (LAZZARI; KRAVCHYCHYN; 
CASTRO, 2018, p. 23), a saber: (i) o Conselho Nacional de 
Previdência Social (CNPS): atualmente chamado de Conselho 
Nacional de Previdência (CNP), que tem como objetivo discutir 
a gestão da Previdência Social; (ii) o Conselho Nacional de 
Assistência Social (CNAS): delibera sobre a política e ações 
nesta área; (iii) o Conselho Nacional de Saúde: discute acerca da 
gestão e políticas públicas de saúde.
Para melhor compreensão acerca deste princípio, é 
importante destacar as três características fundamentais da 
gestão da seguridade social nele previstas:
I. Caráter democrático: significa dizer que, na gestão 
da seguridade social deve ocorrer a efetiva participação dos 
trabalhadores, empregadores, aposentados e Governo, sempre 
de maneira equivalente, de modo que a composição dos órgãos 
gestores se dará de forma igual entre todos os membros. Logo, 
“qualquer dispositivo que disponha sobre a forma de composição 
dos órgãos colegiados de modo a conferir uma maior participação 
dos membros do Governo está afrontando o caráter democrático 
da gestão” (HORVATH JÚNIOR, 2014, p. 114).
II. Caráter descentralizado: Descentralização, segundo 
Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo (2014. p. 23), ocorre 
quando o Estado desemprenha algumas de suas atribuições por 
meio de outras pessoas, e não pela sua administração direta. 
Sendo assim, uma vez que a Seguridade Social tem por finalidade 
atender os indivíduos em suas necessidades básicas relacionadas 
à previdência social, saúde e assistência social, esta deve possuir 
uma gestão descentralizada para evitar que o atendimento 
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Direito do Trabalho e da Previdência194
às pessoas fique sobrestado na burocracia da Administração 
Pública (HORVATH JÚNIOR, 2014, p. 115). Como resultado 
da descentralização, criou-se, no caso da Previdência Social, 
o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), uma autarquia 
federal encarregada da execução da legislação previdenciária 
(SANTOS, 2016, p. 44).
III. Gestão Quatripartite: é quatripartite a gestão 
da seguridade social, pois conta obrigatoriamente com a 
participação, nos órgãos colegiados, de representantes: (i) dos 
trabalhadores; (ii) dos empregadores; (iii) dos aposentados; e 
(iv) do Poder Público.
Da Filiação Obrigatória
Este princípio está contido no caput do art. 201, da 
Constituição Federal de 1988, segundo o qual a previdência 
social deverá ser organizada em forma de regime geral de 
filiação obrigatória.
De acordo com Miguel Horvath Júnior (2014, p. 92), o 
princípio da obrigatoriedade de filiação surgiu “em decorrência 
da convicção de que as formas voluntárias de seguro resultaram 
inadequadas para a solução dos problemas decorrentes dos 
riscos econômicos e fisiológicos que atingiam os trabalhadores”.
Por este princípio, “todo trabalhador que se enquadre na 
condição de segurado é considerado pelo regime como tal, desde 
que não esteja amparado por outro regime próprio” (LAZZARI; 
KRAVCHYCHYN; CASTRO, 2018, p. 28). Isto se dá, pois no 
momento em que ocorrer os eventos geradores das necessidades 
sociais, a previdência deve estar apta a garantir a proteção social, 
e, para isso depende de “um lastro contributivo que garanta 
segurança ao sistema” (HORVATH JÚNIOR, 2014, p. 92).
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Direito do Trabalho e da Previdência 195
Do Caráter Contributivo
Por este princípio entende-se que, a Previdência Social, 
tanto no regime geral (art. 201, caput, da CF/88), quanto no 
regime próprio (art. 40, caput, da CF/88) terá caráter contributivo, 
sendo custeada, portanto, através de contribuições sociais.
Assim, pode-se observar que no ordenamento jurídico 
brasileiro não se admite o recebimento de benefícios 
previdenciários sem a devida contribuição específica para o 
regime, exceto quando a obrigação de recolher tal contribuição 
tenha sido transferida, por força da lei, a outrem que não o 
próprio segurado. No entanto, “isso não significa dizer que 
haja possibilidade jurídica de se estabelecer, na ordem vigente, 
benefício previdenciário sem que tenha havido a participação 
do segurado no custeio” (LAZZARI; KRAVCHYCHYN; 
CASTRO, 2018, p. 29).
Do Equilíbrio Financeiro e Atuarial
Este importante princípio também está expresso no art. 201, 
caput, da Constituição Federal, o qual prevê que a previdência 
social deverá observar os critérios que preservem o equilíbrio 
financeiro e atuarial.
Entende-se por este princípio que:
O Poder Público deverá, na execução da política 
previdenciária, atentar sempre para a relação entre 
custeio e pagamento de benefícios, a fim de manter 
o sistema em condições superavitárias, e observar 
as oscilações da média etária da população, bem 
como sua expectativa de vida, para adequação 
dos benefícios a essas variáveis. (LAZZARI; 
KRAVCHYCHYN; CASTRO, 2018, p. 30).
Seguindo-se a orientação emanada do princípio em 
comento é que se criou o chamado fator previdenciário, o 
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Direito do Trabalho e da Previdência196
qual deve ser aplicado no cálculo da renda mensal inicial da 
aposentadoria por contribuição e da aposentadoria por idade, 
e que resulta de variáveis demográficas e atuariais relativas à 
expectativa de vida, comparada à idade de jubilação.
Da Garantia do Benefício Mínimo
Por este princípio entende-se que os benefícios concedidos 
pela Previdência Social que substitutivos do salário de 
contribuição ou do rendimento do trabalho, não poderão possuir 
renda mensal inferior ao valor do salário mínimo, apresentando 
conteúdo semelhante ao princípio da irredutibilidade nominal, já 
apresentado em linhas anteriores.
Importante consignar que, “antes da previsão constitucional 
vigente (art. 201, § 2º), os segurados recebiam como valor 
mínimo a metade do salário mínimo devido aos trabalhadores. 
Mas desde a Constituição de 1988 essa anomalia foi corrigida” 
(LAZZARI; KRAVCHYCHYN; CASTRO, 2018, p. 31).
Portanto, em perfeita consonância com o princípio em tela, 
tem-se que o auxílio-acidente e o salário-família, uma vez que 
não atuam como substitutivos do salário do trabalhador, poderão 
apresentar valor inferior ao salário mínimo.
Da Correção Monetária dos Salários de 
Contribuição
O art. 201, parágrafo terceiro, da Constituição Federal de 
1988 é que traz a previsão deste princípio, aduzindo que:“todos 
os salários de contribuição considerados para o cálculo de 
benefício serão devidamente atualizados, na forma da lei”.
Exige-se, assim, que:
O legislador ordinário, ao fixar o cálculo de 
qualquer benefício previdenciário no qual se leve 
em conta a média de salários de contribuição, adote 
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Direito do Trabalho e da Previdência 197
fórmula que corrija nominalmente o valor da base 
de cálculo da contribuição vertida, a fim de evitar 
distorções no valor do benefício pago (LAZZARI; 
KRAVCHYCHYN; CASTRO, 2018, p. 31).
Ressalta-se que, antes da previsão contida neste princípio, 
muitos salários de contribuição adotados no cálculo do valor dos 
benefícios não eram corrigidos monetariamente, o que causava 
evidentes prejuízos aos beneficiários, com o achatamento do 
valor pago.
A partir de 1999, com a edição do Decreto nº. 3048, 
se assegurou que os salários-de-contribuição utilizados no 
cálculo do salário-de-benefício serão corrigidos, mês a mês, de 
acordo com a variação integral do Índice Nacional de Preço ao 
Consumidor – INPC.
Da Preservação do Valor Real dos 
Benefícios
Diretamente relacionado à irredutibilidade real do valor 
dos benefícios, este princípio visa “assegurar o reajustamento 
dos benefícios para preservar-lhes, em caráter permanente, o 
valor real, conforme os critérios definidos em lei” (LAZZARI; 
KRAVCHYCHYN; CASTRO, 2018, p. 31).
Neste diapasão, a Lei de Benefícios da Previdência Social 
(8.213/19910, disciplinou a matéria em seu art. 41-A, segundo 
o qual o valor dos benefícios em manutenção será reajustado, 
anualmente, na mesma data do reajuste do salário mínimo, 
pro rata, de acordo com suas respectivas datas de início ou do 
último reajustamento, com base no Índice Nacional de Preços ao 
Consumidor - INPC, apurado pela Fundação Instituto Brasileiro 
de Geografia e Estatística - IBGE.
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Direito do Trabalho e da Previdência198
Da Facultatividade da Previdência 
Complementar
Por este princípio entende-se que não há vedação aos 
segurados do Regime Geral de Previdência Social de se filiarem 
aos planos de previdência privada, os quais, de acordo com o art. 
202 da Constituição Federal, terão um caráter complementar e 
serão de participação facultativa.
Sobre isso, decidiu o E. Supremo Tribunal Federal:
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EX-
TRAORDINÁRIO. REGIME DE PREVIDÊN-
CIA PRIVADA. CARÁTER COMPLEMENTAR. 
ADESÃO. FACULDADE. LIBERDADE DE AS-
SOCIAÇÃO.1. A faculdade que tem os interes-
sados de aderirem a plano de previdência privada 
decorre de norma inserida no próprio texto consti-
tucional [artigo 202 da CB/88]. 2. Da não-obrig-
atoriedade de adesão ao sistema de previdência 
privada decorre a possibilidade de os filiados des-
vincularem-se dos regimes de previdência com-
plementar a que aderirem, especialmente porque 
a liberdade de associação comporta, em sua di-
mensão negativa, o direito de desfiliação, con-
forme já reconhecido pelo Supremo em outros ju-
lgados. Precedentes. Agravo regimental a que se 
nega provimento. ” (RE 482.207-AgR, Rel. Min. 
Eros Grau, Segunda Turma, DJe de 29/5/2009).
Havendo, portanto, interesse por parte do segurado da 
previdência social de se filiar a um regime de previdência privada, 
este poderá o fazê-lo a qualquer tempo e, de igual modo, lhe é 
assegurado a desvinculação do regime complementar também 
a qualquer tempo, em razão da não obrigatoriedade de adesão, 
conforme decisão retro transcrita.
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Direito do Trabalho e da Previdência 199
Da Indisponibilidade dos Direitos dos 
Beneficiários
Os benefícios assegurados pela Previdência Social 
possuem natureza alimentar e, consequentemente, não haverá 
perda do direito ao benefício pelo seu não exercício no decorrer 
do tempo, o que caracteriza a imprescritibilidade.
A Lei nº. 8.213/1991[3] apenas prevê prazo decadência 
em se tratando de pedidos de revisão do cálculo do benefício, o 
que não acarreta a perda do direito ao benefício em si. 
O princípio ora analisado também veda a penhora, arresto 
ou sequestro do benefício concedido pela Previdência Social, e, 
conforme o art. 114, da Lei de Benefícios, é nula de pleno direito 
a sua venda ou cessão, ou a constituição de qualquer ônus sobre 
ele, bem como a outorga de poderes irrevogáveis ou em causa 
própria para o seu recebimento.
No entanto, o próprio art. 114 e também o art. 115 da 
Lei n. 8.213/1991 apresentam exceção à regra mencionada no 
parágrafo anterior nos casos de: (i) valores devidos pelo segurado 
à Previdência Social; (ii) devolução de valor de benefício 
concedido indevidamente pela previdência; (iii) tributação 
sobre a renda; (iv) cumprimento de ordem judicial decorrente da 
obrigação de prestar alimentos.
Regra da Contrapartida
Conforme já exposto neste trabalho, os princípios da 
Seguridade Social encontram-se previstos no art. 194 da 
Constituição Federal e, este dispositivo não trata acerca da 
contrapartida. Em razão disso, a contrapartida “não é qualificada 
como princípio, mas sim como regra, embora tenha importância 
capital para a manutenção do equilíbrio financeiro e atuarial do 
sistema previdenciário” (HORVATH JÚNIOR, 2014, p. 116).
É no art. 195, parágrafo 5º, da Carta Magna que se prevê esta 
importante regra, de modo que “nenhum benefício ou serviço da 
seguridade social poderá ser criado, majorado ou estendido sem 
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a correspondente fonte de custeio total.” Ressalta-se que, esta 
denominação (“regra da contrapartida”) foi dada pelo professor 
Wagner Balera, ao discorrer sobre o texto constitucional ora 
transcrito.
Como ensina Marisa Ferreira dos Santos (2016, p. 45) “a 
seguridade social só pode ser efetivada com o equilíbrio de suas 
contas, com a sustentação econômica e financeira do sistema”.
Em virtude disso, a regra da contrapartida assume 
importante papel, pois:
Funciona como garantia do sistema, evitando criação de 
novas contribuições sem o consequente aumento do nível de 
proteção social, bem como evita que por motivos paternalistas, 
eleitoreiros, sejam criados benefícios sem suporte técnico-
financeiro capazes de gerar desequilíbrio na equação financeiro-
atuarial do sistema (HORVATH, JÚNIOR, 2014, p. 118).
Para se assegurar que o sistema de seguridade social 
seja capaz de atender de maneira eficaz os eventos geradores 
de necessidades sociais, torna-se imprescindível se observar a 
regra da contrapartida, sob pena de se perder o seu respectivo 
equilíbrio contábil.
Deste modo, todo benefício ou serviço da seguridade 
social a ser criado, majorado ou estendido, deve possuir a 
correspondente fonte de custeio, ao contrário, se violará a regra 
da contrapartida.
Conclusão
Assim como nos demais ramos da ciência jurídica, os 
princípios exercem importante papel no direito previdenciário, 
orientando a forma de atuação do legislador, dos beneficiários, 
dos responsáveis pelo custeio do Sistema de Seguridade Social, 
e de todos aqueles que de maneira direta ou indireta tenham 
contato com esta matéria.
Os princípios trazem conteúdos de caráter geral e 
apresentam os valores a serem protegidos pela ordem jurídica, 
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Direito do Trabalho e da Previdência 201
de modo que não podem deixar de serem observados na atuação 
prática, daí a real necessidade de se estudar e buscar o conteúdo 
jurídico de cada um deles.
A Seguridade Social é um importante componente da 
organização social sendo um dos meios que buscam garantir 
um sistema econômico equilibrado, buscando por meio de seus 
princípios que a finalidade da seguridade seja atingido.
Para que a finalidade social seja atingida pelo direito da 
Seguridade Social existem princípios que são a base para que 
não seja perdido o norte fundamental para a aplicação dos 
direitos sociais inclusos na seguridade social.
As principais bases desse ramo do direito é o princípio 
da igualdade e da isonomia, que busca basilar tanto a forma 
como os benefícios devem ser empregados, quanto a forma 
como a contribuição financeira que é base para a arrecadação 
dos suportes necessário para manter os atributos sociais. Outro 
princípio tão fundamental quanto os dois citados anteriormente, 
é o princípio da solidariedade, pelo qual torna a seguridade 
social como sendo de responsabilidade de todos os envolvidos, 
sendo os que estão em situação de prover e não estão precisando 
se utilizar dos serviços, sejam os que não podem contribuir e 
precisam dos benefícios.
Por todo o exposto pode-se concluir que a Seguridade 
Social é de extrema importância na realização dos direitos 
sociais na sociedade brasileira, pois, é uma ferramenta capaz 
de equalizar as diferenças, principalmente a nível econômico, 
que existem desde tempos remotos em nossa sociedade, tendo 
grande importância para a manutenção do Estado Democrático 
de Direito. Seus princípios são as bases que sustentam essa 
ferramenta, possuindo influência desde ao ato de legislar à forma 
como estes benefícios são realizados nos processos fáticos, sem 
a observação desses princípios a finalidade da Seguridade Social 
ficaria prejudicada. 
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Direito do Trabalho e da Previdência202
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	eBook Completo para Impressao - Direito do Trabalho e da Previdência - Fechado

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