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Resumo - P1 - TRABALHO I I. Noções introdutórias - O direito do trabalho é centrado na pessoa do trabalhador. (Délio Maranhão) - Isso ocorre pois o trabalhador é o lado hipossuficiente da relação → inferioridade (sobretudo econômica) ● Evolução histórica: O direito laboral surge durante a revolução industrial. Nesse período, a situação laboral do trabalhador era desumana. 1802: Peel’s Act: lei que proibia que crianças trabalhassem mais de 12 horas por dia. - Ele surge como dissidência do direito civil: uma justiça distributiva em contraponto à justiça comutativa do direito civil. (professor falou sobre na aula de revisão) a) Fase de formação (século XIX até 1848): Socialistas utópicos franceses. 1848: Manifesto Comunista de Marx e Engels b) Fase da intensificação (1849 até 1890): Proliferação de leis trabalhistas, em especial na Alemanha e na Itália. c) Fase da consolidação (1891 até 1919): Consolidação como disciplina específica e autônoma. Encíclica Rerum Novarum: documento que inaugura a doutrina social da Igreja Católica. 1917: Constitucionalização do direito do trabalho (liberdade sindical, liberdade de greve). ↳ Constituição do México: primeira constituição a tratar sobre direito do trabalho. - 1919: República de Weimar. - No Brasil → O fundamento do Estado Democrático de Direito no Brasil está no art. 1o, inc. IV, da CF 88: valor social do trabalho (deveria ser valorizado pela reforma trabalhista e não foi). (professor falou sobre na aula de revisão) - Reforma trabalhista - Lei 13.467/17. ● Objetivo do direito do trabalho 1. Proteção do trabalhador: o salário tem natureza alimentícia. - Justiça do Trabalho → Justiça Distributiva (Aristóteles). → + direitos para o trabalhador para diminuir a desigualdade entre o capital e o trabalhador. Com o intuito de proteger o trabalhador, o direito do trabalho outorga uma superioridade jurídica a ele. (Galart Folch) ↳ mínimo de garantias (art. 7, CF 88) 2. Equilibrar trabalho e capital: estabelecer direitos e deveres. O elemento mais importante no contrato de trabalho é a subordinação jurídica. (professor falou sobre na aula de revisão) - Pelo ângulo do empregador, a subordinação jurídica significa dar ordens e esperar que elas sejam cumpridas, respeitando a dignidade humana. - Pelo ângulo do empregado, a subordinação jurídica significa cumprir as ordens (desde que sejam legais e legítimas). ● Sujeitos da relação jurídica do contrato de trabalho: empregado e empregador. - Empregado: dever de fazer o trabalho (obrigação de fazer) e direito ao trabalho salário 1 - Empregador: dever de pagar o salário (obrigação de dar). - O contrato de trabalho envolve qualquer obrigação de fazer em estado de subordinação. ● Fontes do direito do trabalho: 1. Fontes materiais: evolução histórica do direito laboral - conjunto de fatores sociológicos, históricos, antropológicos, econômicos, religiosos e etc. 2. Fontes formais: 2.1) Supra Estatais = OIT 2.2) Estatais ou heterônomas: CF 88, legislação infraconstitucional (CLT), sentença normativa (TRT ou TST: antes da reforma do judiciário, o judiciário trabalhista criava condições de trabalho e legislações), art. 114, CF. 3. Fontes autônomas (sociedade laboral): costumes, convenções e acordos coletivos de trabalho, cláusulas regulamentares, regulamento de empresa (súmula 51, TST) (professor falou sobre na aula de revisão) ↳ Direito autônomo do trabalho: a norma jurídica trabalhista é produzida pelas partes que estão presentes no dia a dia do trabalho. (professor falou sobre na aula de revisão) ⇒ Costumes na CLT: Art. 460 - Na falta de estipulação do salário ou não havendo prova sobre a importância ajustada, o empregado terá direito a perceber salário igual ao daquela que, na mesma empresa, fizer serviço equivalente ou do que for habitualmente pago para serviço semelhante. ⇒ Convenções e acordos coletivos de trabalho: está diretamente ligado ao direito autônomo do trabalho. Os acordos coletivos criam normas para a categoria. - Convenção: é mais ampla, pois é celebrada pelo sindicato que representa uma categoria que representa os trabalhadores e o sindicato patronal, que representa o empregador. - O sindicato representa a categoria, logo, mesmo que o trabalhador ou o patrão não seja sindicalizado ele colherá os benefícios e ônus das convenções. - Acordos coletivos: o âmbito é reduzido, não atinge toda a categoria, somente a categoria de determinado lugar. - Os acordos bilateralizam o contrato de trabalho no que tange o estabelecimento das suas cláusulas (poder de barganha). ⇒ Regulamento de empresa: não são fontes de direito do trabalho, pois são ditadas unilateralmente pelos empregadores. ⇒ Cláusulas regulamentares: são fontes, pois são negociadas entre empregado e patrão, de forma vantajosa para o empregado. - SÚMULA Nº 51 - ART. 468 DA CLT 2 Importante saber: Teoria pluralista das fontes jurídicas: as normas jurídicas trabalhistas emanam tanto do Estado quanto da sociedade civil. Democratização da produção da norma jurídica trabalhista. ● Fontes subsidiárias→ art. 8o, CLT a) Analogias: ocorre quando há semelhanças relevantes entre um caso que está previsto e um caso que não está previsto. b) Equidade: segundo Délio Maranhão, há dois tipos de equidade: o juiz julga com equidade e por equidade. - Julgar com equidade: adaptar o rigor da lei à realidade dos casos concretos. - Julgar por equidade: quando a equidade é utilizada para integrar a lacuna. c) Jurisprudência: são as súmulas do TST. d) Princípios gerais do direito do trabalho: (professor falou sobre na aula de revisão) 1. Princípio da proteção do trabalhador: é o mais importante → mínimo de garantias. ex: salário mínimo, férias remuneradas, FGTS, 13o salário → são normas cogentes de ordem pública, logo, são inderrogáveis. 2. Princípio da norma mais favorável ao trabalhador. Art. 7, caput, CF 3. Princípio da primazia da realidade: o contrato de trabalho é chamado de “contrato realidade”; o juiz do trabalho deve buscar a realidade do mundo do trabalho, ele não pode se contentar apenas com o que está nos autos. - art. 765, CLT 4. Princípio da irrenunciabilidade das garantias legais outorgada ao trabalhador: Art. 9º, CLT - Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. e) Direito comum: antes da reforma trabalhista, o direito comum estava no art. 8, da CLT, e dizia que o direito comum poderia ser aplicável no direito do trabalho caso houvesse compatibilidade com os princípios do direito do trabalho (em que uma das partes é hipossuficiente). - Direito comum = qualquer direito - Alteração da Reforma Trabalhista: Art. 8, § 1º O direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho. ● Definição com análise do direito do trabalho: Art. 1o, CLT: o artigo expõe o conteúdo do direito do trabalho: direitos individuais e coletivos do direito do trabalho. - Direito do Trabalho: ramo do direito que por meio de suas normas e princípios regula o contrato de trabalho (trabalho subordinado), relações de trabalho e as relações coletivas de trabalho. 3 - O ponto central do contrato de trabalho é a subordinação jurídica, que deve ser encarada pelo ângulo do empregador (dar ordens) e do empregado (deve de cumprir ordens). - Relações de trabalho: quando há trabalho em lato senso, mas não há vínculo trabalhista. ex: diarista, prestação de serviços - Relações coletivas de trabalho: tanto o empregado quanto o empregador são considerados integrantes de uma categoria profissional e econômica, respectivamente. ex: direito de greve é um direito coletivo ● Subversão da teoria da pirâmide de normas: no direito do trabalho, a norma que está no vértice do topo da pirâmide é a norma mais favorável ao trabalhador; independente de que nível essa norma está no ordenamento jurídico (lei, cláusula, regulamento da empresa, lei federal, lei estadual e etc). Isso decorre do caráter eclético dodireito do trabalho. (Amauri Mascaro Nascimento) Art. 7º, CF. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: II. Elementos do contrato de trabalho (professor falou sobre na aula de revisão) ● Contrato de trabalho: a definição legal é uma definição insuficiente (art. 442, CLT). Por isso, a definição utilizada é a do art. 3o, CLT Definição insuficiente → Art. 442, CLT - Contrato individual de trabalho é o acordo tácito ou expresso, correspondente à relação de emprego. - O problema está na segunda parte “correspondente à relação de emprego”: no direito, as definições devem possuir o âmago do conceito. - O contrato de trabalho é uma subordinação jurídica, logo, no seu âmago é um negócio jurídico (cria, modifica e extingue direitos). - A relação de emprego não cria, modifica ou extingue direitos. Ela é uma das das facetas do contrato de trabalho, podendo ser sinônimos. Definição correta → Art. 3o, CLT - Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. ↳ definição de contrato de trabalho. ● Elementos fundamentais do contrato de trabalho→ a partir da definição do art. 3o, CLT é possível extrair os elementos do contrato de trabalho. (professor falou sobre na aula de revisão) 1. Pessoalidade: o sujeito do empregado só pode ser pessoa física, nunca pessoa jurídica. 2. Habitualidade/não eventualidade: o trabalho não pode ser eventual, ele deve ser contínuo. ex: diaristas são trabalhadoras eventuais (1 vez por semana) 4 A relação não é de emprego, é relação de trabalho. ex: Uma vendedora substituta que vai ficar na loja por 30 dias, vai prestar aos fins normais da empresa => carteira assinada 3. Onerosidade: o trabalho não é gratuito, deve haver pagamento dos serviços prestados. 4. Subordinação jurídica. ● Definição doutrinária: o contrato de trabalho é um negócio jurídico por meio do qual uma pessoa física (empregado) se obriga, mediante pagamento de uma contraprestação (salário), a prestação de serviços não eventuais (habitualidade), a uma pessoa física ou jurídica (empregador), a quem fica juridicamente subordinado (subordinação jurídica). ● Características do CDT 1. De direito privado: as cláusulas têm natureza privada (salário, jornada) 2. Consensual: basta a vontade das partes para ele ser criado; não exige forma solene. 3. Não eventual: é preciso ter habitualidade. O número de dias não é apenas o que vai definir a habitualidade, mas sim a qualidade do trabalho prestado. ex: Uma vendedora substituta que vai ficar na loja por 30 dias, vai prestar aos fins normais da empresa => carteira assinada ex2: Um bombeiro hidráulico que vai trabalhar numa empresa de TI por 40 dias, não atende aos fins normais da empresa +> não precisa de carteira assinada. 4. Intuitu personae em relação ao empregado: há dois significados: - Só pode ser empregado pessoa física. - Suas habilidades são levadas em conta na contratação: o empregador escolhe quem vai trabalhar pra ele. (questionável - na prática a demissão sem justa causa é uma realidade no Br) 5. De trato sucessivo: o contrato de trabalho foi feito para durar. 6. Oneroso: em troca do trabalho há o salário. 7. Sinalagmático: em troca da obrigação de fazer, há a obrigação de dar (o salário) 8. Contrato realidade: o que interessa é o que efetivamente ocorre no dia a dia. 9. Subordinação jurídica. III. Trabalho ilícito e trabalho proibido - previsto na EC 45/04 - art. 144, CF - Não fala sobre o contrato do trabalho (que é a regra geral), só menciona as relações de trabalho (que é a exceção). - O contrato de trabalho é a principal causa na justiça do trabalho. Lá são discutidos assuntos como: férias, hora extra, 13o… - Trabalho ilícito e proibido: ambos são nulos para o direito do trabalho. 5 ● Trabalho proibido: a vedação do trabalho que gera sua nulidade existe como norma de proteção. (professor falou sobre na aula de revisão) Art. 7º, CF. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos; ex: um adolescente de 15 anos trabalhar um ano durante a noite. Se esse adolescente quiser postular na Justiça do Trabalho o salário devido, o juiz irá declarar o trabalho nulo, e o empregador deverá pagar de forma retroativa o salário do menor. - Ou seja, o trabalho é nulo, mas não pode haver enriquecimento sem causa, então, por isso, é retroativo. - No direito civil, a nulidade retroage (ex tunc), então não haveria o pagamento do salário. - Porém, para o direito do trabalho, a nulidade não retroage (é válido a partir da data da sentença), sendo ex nunc. (professor falou sobre na aula de revisão) ⇒ Efeito do trabalho proibido: gera direitos. ex: o menor terá direito ao salário e ao FGTS. ● Trabalho ilícito: o objeto do trabalho é ilícito, é o trabalho que contraria os princípios da moralidade, os bons costumes e o ordenamento jurídico. É mais grave. (professor falou sobre na aula de revisão) ex: tráfico de drogas, prostituição (polêmico - a doutrina majoritária e a maior parte da jurisprudência, consideram ilícitos, mas há autores que entendem que deve ser outorgado direitos) IV. Classificação do contrato de trabalho e duração (determinado e indeterminado) 1. Quanto à forma: verbal ou por escrito. - Independente da forma é obrigatória a assinatura da CTPS - norma cogente. - O prazo para o empregador assinar a CTPS é de 5 dias úteis. Desde de 2019 há a CTPS digital (a CTPS física continua válida) - Se a carteira não for assinada, o trabalho não será ilegal, porém o empregador estará cometendo uma ilegalidade trabalhista. 2. Quanto ao consentimento: expresso ou tácito 3. Quanto à duração: determinado ou indeterminado. (obs: trabalho intermitente - incluído pela reforma trabalhista) - Art. 443, CLT. 6 - Se houver dúvida se é por tempo determinado ou indeterminado, presume-se a indeterminação. - Como o contrato de trabalho é de trato sucessivo (presumindo o prazo indeterminado), o prazo determinado é a exceção. ● Contrato por prazo determinado (a prazo) (professor falou sobre na aula de revisão) - Duração máxima: 2 anos - art. 445, CLT - Prorrogação única: segundo a maior parte da doutrina, o contrato de trabalho à prazo só pode ser prorrogado uma vez. - A prorrogação única deve estar dentro do prazo de 2 anos. - Após 2 anos ele será por prazo indeterminado. - art. 451, CLT - Essa regra é importante pois afetará os benefícios do trabalhador (ex pagamento do FGTS e a multa de 40% do benefício. - A CLT prioriza o trabalho indeterminado. - Vedação da sucessão de contratos a termo: o legislador presume fraude (presunção de fraude) caso haja sucessão de contratos a termo, dentro de um prazo de 6 meses. Art. 452, CLT - Considera-se por prazo indeterminado todo contrato que suceder, dentro de 6 (seis) meses, a outro contrato por prazo determinado, salvo se a expiração deste dependeu da execução de serviços especializados ou da realização de certos acontecimentos. - A segunda parte do art. 452 quer dizer que: - Se o contrato foi rompido por questões objetivas (ex: cessou o contrato de serviços de construção porque a ponte foi construída), não será considerado fraude. - Se for recontratado depois de 6 meses do primeiro contrato não será considerado fraude. - Requisitos do prazo determinado→ art. 443, p.2o, CLT - Os requisitos são alternativos. § 2º - O contrato por prazo determinado só será válido em se tratando: a) de serviço cuja natureza ou transitoriedade justifique a predeterminação do prazo; ex: época de veraneio b) de atividades empresariais de caráter transitório; c) de contrato de experiência. - Características→ art. 443, p. 1o, CLT 7 a) Termo prefixado: termo é o prazo futuroe certo. Assim, essa característica refere-se ao tempo acordado entre as partes. ex: 1 ano e 6 meses - Alcançado o termo, cessa o período de trabalho. b) Realização de certo acontecimento suscetível de previsão aproximada. - Quando é feito uma previsão de quando o trabalho irá durar. - A previsão é de até 2 anos. - O acontecimento deve ser “certo”, específico. c) Execução de serviços especializados. - Extinção do contrato a termo: sendo o prazo legal de 2 anos, é possível que haja antecipação da extinção do contrato - essa antecipação deve ser motivada. (art. 479, CLT) V. Trabalho intermitente, teletrabalho e hipersuficiente econômico - Foram criados pela reforma trabalhista → o professor critica todos os institutos (especialmente o trabalho intermitente). ● Trabalho intermitente: contrato de trabalho onde a prestação de serviços com subordinação não é contínua, ocorrendo com alternância. (professor falou sobre na aula de revisão) - É um dos pilares da reforma trabalhista: art. 443 e parágrafos e art. 452-A e parágrafos, CLT. - O trabalho intermitente é a "regularização, legalização, do “bico”", do trabalho eventual. - Críticas e contradições: 1. Não tem habitualidade: o contrato de trabalho intermitente combina prestação de serviços com a inatividade do empregado, havendo o afastamento da habitualidade, que é uma das características fundamentais do contrato de trabalho. - Se tem habitualidade, mas o espaço de intervalo é grande, pode ser considerado contrato de trabalho intermitente. - “Contrato zero hora”: nos dias em que o trabalhador está em casa (período de inatividade), ele está “cumprindo seu contrato de trabalho”, porém ele não recebe salário, não é computado FGTS, INSS, férias, repouso semanal remunerado… - Isso não está em consonância com a dogmática do contrato de trabalho: esse é um contrato de não-trabalho, pois o trabalhador tem períodos de não-trabalho. 8 2. Não há subordinação jurídica: a principal característica de um contrato de trabalho é a subordinação jurídica. No trabalho intermitente, a recusa é lícita, ou seja, o trabalhador pode recusar o trabalho. 3. Reforça característica de um contrato de adesão: a prestação de serviços não contínua, ficando a critério do empregador quando e por quanto tempo ele irá chamar o trabalhador. - Durante a inatividade, não há direito trabalhista, existindo apenas nos momentos em que contam as horas de trabalho. - O trabalhador pode firmar contrato de trabalho com outros empregadores, para conseguir sobreviver (natureza alimentícia do salário), devendo buscar outros empregos. 4. Não recebe salário mínimo: durante o período em que está trabalhando, o trabalhador recebe o salário mínimo-hora (R$ 1.320 (salário mínimo) / 240 = 5,5 reais.). - O pressuposto do trabalho intermitente é o período de inatividade com o período de serviço. Logo, o trabalhador, nunca vai trabalhar 30 dias seguidos = não vai ganhar salário mínimo → INCONSTITUCIONAL. (art. 7o, inc. VII, CF) 5. Férias não remuneradas: o trabalhador recebe férias de forma proporcional aos dias trabalhados; como ele recebe o pagamento pelo serviço e depois entra em período de inatividade, a remuneração já foi paga, assim, durante as férias ele não terá direito à remuneração. - Férias não remuneradas é inconstitucional. Art. 7o, inc. XVII. - Especificidades. 1. É assegurado o salário mínimo hora. 2. Tem que ser por escrito. - Análise doutrinária e jurisprudencial 1. TST reformou decisão do TRT, que considerava ilegal o trabalho intermitente: o TST entende que o trabalho intermitente decorre da necessidade de garantir direitos básicos à trabalhadores que se encontram na informalidade (quase 50%) e que esse tipo de trabalho não gera precarização. 2. O TST entende que o trabalhador pode ter mais de 1 ano de inatividade e isso não será motivo para rescisão do contrato. 3. Doutrina - Homero Batista: a) Critica a existência do contrato de trabalho zerado: o contrato de trabalho temporário não é um contrato, pois é impensável a ideia de estar sob a égide de um contrato e não receber nada por isso. Não existe obrigação de fazer e nem a obrigação de dar. (o professor concorda) 9 b) Critica a falta de subordinação jurídica (recusa lícita): a elaboração de um cadastro é uma tentativa de blindar o empresário de acusações de mão de obra clandestina; porém, o trabalhador se cadastra e não sabe se será chamado e se for, não tem obrigação de aceitar e isso não é considerado insubordinação. c) Critica também a previsão de férias sem remuneração. ● Teletrabalho: É sinônimo de trabalho remoto. O trabalho remoto não surgiu com a Reforma Trabalhista. - O teletrabalho é o trabalho feito em casa, executado fora das dependências da empresa. - Já era regulamentado pela CLT – art. 6, p.u, CLT. (professor falou sobre na aula de revisão) - No início a Reforma Trabalhista dizia que não se aplicava hora extra, adicional noturno e intervalo. - Depois, uma MP reformou isso e hoje, se o teletrabalho for por jornada, o trabalhador terá direito. Por tarefa não terá. - Formalidade: o contrato de trabalho deve ser escrito, prevendo o trabalho remoto. ⇒ Obs: Art. 6, p.u, CLT (trabalho fora das dependências da empresa) vs teletrabalho (Reforma Trabalhista e depois regulamentado pela lei 14.442/22). - Há um choque jurídico: qual norma aplicar? → depende do juiz. Teletrabalho: é o trabalho remoto por tarefa, não há hora extra, não tem adicional noturno e não tem período de pausa para almoço. vs Art. 6, p.u, CLT: o trabalho feito fora das dependências da empresa tem os mesmos direitos de trabalhadores comuns. - Modalidades: 1. Trabalho remoto: executado integralmente em casa. (ex: pandemia) 2. Trabalho presencial 3. Trabalho híbrido (art. 75-B, CLT - introduzida pela Lei 14.442/22) - Estagiário: Art. 75-B, § 6º, CLT. Fica permitida a adoção do regime de teletrabalho ou trabalho remoto para estagiários e aprendizes. - Acidente de trabalho no teletrabalho: art. 75-E, CLT: O empregador deverá instruir os empregados, de maneira expressa e ostensiva, quanto às precauções a tomar a fim de evitar doenças e acidentes de trabalho. Parágrafo único. O empregado deverá assinar termo de responsabilidade comprometendo-se a seguir as instruções fornecidas pelo empregador. 10 - Jornada e tarefa: o trabalho pode ser por jornada ou por tarefa (por tarefa há restrições: art. 62, III e art. 75-B, p.3o, CLT) (professor falou sobre na aula de revisão) a) Trabalho por jornada: é considerado trabalho normal (têm direito a horas extras, adicional noturno, intervalo e etc). b) Trabalho por tarefa: não se aplica os direitos à horas extras, adicionais noturnos e etc. - Prioridade para o trabalho remoto: art. 75-F, CLT. Os empregadores deverão dar prioridade aos empregados com deficiência e aos empregados com filhos ou crianças sob guarda judicial até 4 (quatro) anos de idade na alocação em vagas para atividades que possam ser efetuadas por meio do teletrabalho ou trabalho remoto. ● Hipersuficiente econômico: hipersuficiente é aquele trabalhador que, em tese, está em pé de igualdade com o empregador. - O trabalhador, como regra, é hipOsuficiente (em virtude de sua inferioridade econômica e social), logo, para ele, aplica-se o princípio da proteção. - O hipersuficiente se contrapõe ao hipOssuficiente. - No caso do hipersuficiente econômico, ele negocia sozinho, prevalecendo sobre as negociações de seu sindicato, como se estivesse em pé de igualdade. - O contrato de trabalho prevalece sobre o acordo coletivo de trabalho. (art. 611-A, CLT) - Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho): entendimento crítico à figura da hipersuficiente econômica. (professor falou sobre na aula de revisão) - Requisitos - art. 611-A, p.u, CLT. 1) Ter um diploma de nível superior 2) Ganhar duas vezes o teto do INSS (+/- 12 mil reais) - São requisitos cumulativos. - Críticas à figura do hipErsuficiente econômico: (professor falou sobre na aula de revisão) 1)Por mais dinheiro e conhecimento técnico que o trabalhador possa ser, ele ainda é hipossuficiente. Os casos de jogadores de futebol que são assistidos por advogados, por exemplo, são exceções. 11 2) O contrato de trabalho se sobrepõe ao acordo coletivo. A reforma trabalhista tem como pilares a prevalência do negociado sobre o legislado. (art. 611-A) - No caso do hipersuficiente, não tem prevalência do negociado (acordos de sindicatos) sobre o legislado. Então é uma contradição. VI. Empregador: empresa, estabelecimento, grupo econômico e sucessão de empresas (professor falou sobre na aula de revisão) ● Empresa: é uma produção organizada de bens e serviços, independente de lucro. (definição diferente do direito empresarial). Art. 2o, p.1, CLT ex1: empregador doméstico: ele não aufere lucro, mas ele tem obrigações trabalhistas enquanto empregador. ex2: sociedades beneficentes ex2: condomínio - Há correntes que entendem que a empresa (nesta conotação) não é empregador propriamente dito, e sim equiparado. O professor entende que é o empregador propriamente dito. ● Grupo econômico financeiro: Grupo econômico é uma concentração de capital, independente ou não. A finalidade do instituto é o empregado trabalhar para um conglomerado econômico. ex: se o empregado trabalha em uma empresa com menos patrimônio, mas essa empresa faz parte de um grupo econômico → o empregado pode acionar qualquer uma das empresas. Há proteção do empregado em face da concentração do capital. - Precisa ter controle jurídico. - Há dois tipos: a) Grupo por subordinação: é uma relação hierarquizada. A holding controla as outras empresas. - art. 2, p.2o. b) Grupo por coordenação: a relação é horizontal. As empresas estão em pé de igualdade. - art. 2o, p 3o. - O requisito é que as empresas atuem na mesma área. - O grupo econômico é solidariamente responsável pelas obrigações trabalhistas - possui solidariedade passiva. (art. 2) - Além de devedor, o grupo econômico é credor solidário do empregado, assim, cada uma das empresas podem exigir que o empregado trabalhe para elas. - O TST considera que sim, há solidariedade ativa da holding. (Súmula 129, TST) - Só há solidariedade ativa se houver relação de emprego. 12 ● Sucessão: substituição de um empregador por outro. (art. 10 e art. 448, “a”, CLT) - Pressupostos: a) Princípio da despersonalização do empregador: a figura do empregador não é relevante, se o funcionário continua exercendo a mesma função, a sucessão do empregador será irrelevante. b) O contrato não é intuito personae em relação ao empregador: as características pessoais do empregador não importam para o trabalho. - Requisitos; 1. Unidade econômico-jurídica: precisa passar de um titular para o outro: a empresa não precisa deixar de existir. 2. Não haver dissolução de continuidade do trabalhador: o empregado deve continuar trabalhando normalmente sem alteração. - A responsabilidade é da sucessora, por conta da transferência do patrimônio (passivos e ativos). - art. 448-A, caput - Caráter ético-jurídico: o débito anterior foi contraído pela empresa sucedida, logo, ele deve pagar os encargos. Assim, a empresa sucessora tem direito de regresso. - Por outro lado, a empresa sucessora, antes da sucessão, deve verificar débitos trabalhistas. - Se ela não verificar, ela tem culpa in vigilando. 13