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Resumo - P1 - TRABALHO I
I. Noções introdutórias
- O direito do trabalho é centrado na pessoa do trabalhador. (Délio Maranhão)
- Isso ocorre pois o trabalhador é o lado hipossuficiente da relação → inferioridade (sobretudo econômica)
● Evolução histórica: O direito laboral surge durante a revolução industrial. Nesse período, a situação laboral do
trabalhador era desumana. 1802: Peel’s Act: lei que proibia que crianças trabalhassem mais de 12 horas por dia.
- Ele surge como dissidência do direito civil: uma justiça distributiva em contraponto à justiça comutativa
do direito civil. (professor falou sobre na aula de revisão)
a) Fase de formação (século XIX até 1848): Socialistas utópicos franceses. 1848: Manifesto Comunista de Marx e
Engels
b) Fase da intensificação (1849 até 1890): Proliferação de leis trabalhistas, em especial na Alemanha e na Itália.
c) Fase da consolidação (1891 até 1919): Consolidação como disciplina específica e autônoma. Encíclica Rerum
Novarum: documento que inaugura a doutrina social da Igreja Católica. 1917: Constitucionalização do direito do
trabalho (liberdade sindical, liberdade de greve).
↳ Constituição do México: primeira constituição a tratar sobre direito do trabalho.
- 1919: República de Weimar.
- No Brasil → O fundamento do Estado Democrático de Direito no Brasil está no art. 1o, inc. IV, da CF 88: valor
social do trabalho (deveria ser valorizado pela reforma trabalhista e não foi). (professor falou sobre na aula de
revisão)
- Reforma trabalhista - Lei 13.467/17.
● Objetivo do direito do trabalho
1. Proteção do trabalhador: o salário tem natureza alimentícia.
- Justiça do Trabalho → Justiça Distributiva (Aristóteles). → + direitos para o trabalhador para diminuir a
desigualdade entre o capital e o trabalhador. Com o intuito de proteger o trabalhador, o direito do trabalho
outorga uma superioridade jurídica a ele. (Galart Folch)
↳ mínimo de garantias (art. 7, CF 88)
2. Equilibrar trabalho e capital: estabelecer direitos e deveres. O elemento mais importante no contrato de trabalho
é a subordinação jurídica. (professor falou sobre na aula de revisão)
- Pelo ângulo do empregador, a subordinação jurídica significa dar ordens e esperar que elas sejam
cumpridas, respeitando a dignidade humana.
- Pelo ângulo do empregado, a subordinação jurídica significa cumprir as ordens (desde que sejam legais
e legítimas).
● Sujeitos da relação jurídica do contrato de trabalho: empregado e empregador.
- Empregado: dever de fazer o trabalho (obrigação de fazer) e direito ao trabalho salário
1
- Empregador: dever de pagar o salário (obrigação de dar).
- O contrato de trabalho envolve qualquer obrigação de fazer em estado de subordinação.
● Fontes do direito do trabalho:
1. Fontes materiais: evolução histórica do direito laboral - conjunto de fatores sociológicos, históricos,
antropológicos, econômicos, religiosos e etc.
2. Fontes formais:
2.1) Supra Estatais = OIT
2.2) Estatais ou heterônomas: CF 88, legislação infraconstitucional (CLT), sentença normativa (TRT ou
TST: antes da reforma do judiciário, o judiciário trabalhista criava condições de trabalho e legislações),
art. 114, CF.
3. Fontes autônomas (sociedade laboral): costumes, convenções e acordos coletivos de trabalho, cláusulas
regulamentares, regulamento de empresa (súmula 51, TST) (professor falou sobre na aula de revisão)
↳ Direito autônomo do trabalho: a norma jurídica trabalhista é produzida pelas partes que estão presentes no dia
a dia do trabalho. (professor falou sobre na aula de revisão)
⇒ Costumes na CLT: Art. 460 - Na falta de estipulação do salário ou não havendo prova sobre a importância
ajustada, o empregado terá direito a perceber salário igual ao daquela que, na mesma empresa, fizer serviço
equivalente ou do que for habitualmente pago para serviço semelhante.
⇒ Convenções e acordos coletivos de trabalho: está diretamente ligado ao direito autônomo do trabalho. Os
acordos coletivos criam normas para a categoria.
- Convenção: é mais ampla, pois é celebrada pelo sindicato que representa uma categoria que representa
os trabalhadores e o sindicato patronal, que representa o empregador.
- O sindicato representa a categoria, logo, mesmo que o trabalhador ou o patrão não seja
sindicalizado ele colherá os benefícios e ônus das convenções.
- Acordos coletivos: o âmbito é reduzido, não atinge toda a categoria, somente a categoria de
determinado lugar.
- Os acordos bilateralizam o contrato de trabalho no que tange o estabelecimento das suas
cláusulas (poder de barganha).
⇒ Regulamento de empresa: não são fontes de direito do trabalho, pois são ditadas unilateralmente pelos
empregadores.
⇒ Cláusulas regulamentares: são fontes, pois são negociadas entre empregado e patrão, de forma vantajosa
para o empregado.
- SÚMULA Nº 51 - ART. 468 DA CLT
2
Importante saber: Teoria pluralista das fontes jurídicas: as normas jurídicas trabalhistas emanam tanto do
Estado quanto da sociedade civil. Democratização da produção da norma jurídica trabalhista.
● Fontes subsidiárias→ art. 8o, CLT
a) Analogias: ocorre quando há semelhanças relevantes entre um caso que está previsto e um caso que não está
previsto.
b) Equidade: segundo Délio Maranhão, há dois tipos de equidade: o juiz julga com equidade e por equidade.
- Julgar com equidade: adaptar o rigor da lei à realidade dos casos concretos.
- Julgar por equidade: quando a equidade é utilizada para integrar a lacuna.
c) Jurisprudência: são as súmulas do TST.
d) Princípios gerais do direito do trabalho: (professor falou sobre na aula de revisão)
1. Princípio da proteção do trabalhador: é o mais importante → mínimo de garantias.
ex: salário mínimo, férias remuneradas, FGTS, 13o salário → são normas cogentes de ordem
pública, logo, são inderrogáveis.
2. Princípio da norma mais favorável ao trabalhador. Art. 7, caput, CF
3. Princípio da primazia da realidade: o contrato de trabalho é chamado de “contrato realidade”; o juiz do
trabalho deve buscar a realidade do mundo do trabalho, ele não pode se contentar apenas com o que
está nos autos. - art. 765, CLT
4. Princípio da irrenunciabilidade das garantias legais outorgada ao trabalhador: Art. 9º, CLT - Serão
nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos
preceitos contidos na presente Consolidação.
e) Direito comum: antes da reforma trabalhista, o direito comum estava no art. 8, da CLT, e dizia que o direito
comum poderia ser aplicável no direito do trabalho caso houvesse compatibilidade com os princípios do direito
do trabalho (em que uma das partes é hipossuficiente).
- Direito comum = qualquer direito
- Alteração da Reforma Trabalhista: Art. 8, § 1º O direito comum será fonte subsidiária do direito do
trabalho.
● Definição com análise do direito do trabalho: Art. 1o, CLT: o artigo expõe o conteúdo do direito do trabalho:
direitos individuais e coletivos do direito do trabalho.
- Direito do Trabalho: ramo do direito que por meio de suas normas e princípios regula o contrato de
trabalho (trabalho subordinado), relações de trabalho e as relações coletivas de trabalho.
3
- O ponto central do contrato de trabalho é a subordinação jurídica, que deve ser encarada pelo ângulo
do empregador (dar ordens) e do empregado (deve de cumprir ordens).
- Relações de trabalho: quando há trabalho em lato senso, mas não há vínculo trabalhista.
ex: diarista, prestação de serviços
- Relações coletivas de trabalho: tanto o empregado quanto o empregador são considerados
integrantes de uma categoria profissional e econômica, respectivamente.
ex: direito de greve é um direito coletivo
● Subversão da teoria da pirâmide de normas: no direito do trabalho, a norma que está no vértice do topo da
pirâmide é a norma mais favorável ao trabalhador; independente de que nível essa norma está no ordenamento
jurídico (lei, cláusula, regulamento da empresa, lei federal, lei estadual e etc). Isso decorre do caráter eclético dodireito do trabalho. (Amauri Mascaro Nascimento)
Art. 7º, CF. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua
condição social:
II. Elementos do contrato de trabalho (professor falou sobre na aula de revisão)
● Contrato de trabalho: a definição legal é uma definição insuficiente (art. 442, CLT). Por isso, a definição
utilizada é a do art. 3o, CLT
Definição insuficiente → Art. 442, CLT - Contrato individual de trabalho é o acordo tácito ou expresso,
correspondente à relação de emprego.
- O problema está na segunda parte “correspondente à relação de emprego”: no direito, as definições
devem possuir o âmago do conceito.
- O contrato de trabalho é uma subordinação jurídica, logo, no seu âmago é um negócio jurídico
(cria, modifica e extingue direitos).
- A relação de emprego não cria, modifica ou extingue direitos. Ela é uma das das facetas
do contrato de trabalho, podendo ser sinônimos.
Definição correta → Art. 3o, CLT - Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza
não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário.
↳ definição de contrato de trabalho.
● Elementos fundamentais do contrato de trabalho→ a partir da definição do art. 3o, CLT é possível extrair os
elementos do contrato de trabalho. (professor falou sobre na aula de revisão)
1. Pessoalidade: o sujeito do empregado só pode ser pessoa física, nunca pessoa jurídica.
2. Habitualidade/não eventualidade: o trabalho não pode ser eventual, ele deve ser contínuo.
ex: diaristas são trabalhadoras eventuais (1 vez por semana)
4
A relação não é de emprego, é relação de trabalho.
ex: Uma vendedora substituta que vai ficar na loja por 30 dias, vai prestar aos fins normais da empresa
=> carteira assinada
3. Onerosidade: o trabalho não é gratuito, deve haver pagamento dos serviços prestados.
4. Subordinação jurídica.
● Definição doutrinária: o contrato de trabalho é um negócio jurídico por meio do qual uma pessoa física
(empregado) se obriga, mediante pagamento de uma contraprestação (salário), a prestação de serviços não
eventuais (habitualidade), a uma pessoa física ou jurídica (empregador), a quem fica juridicamente subordinado
(subordinação jurídica).
● Características do CDT
1. De direito privado: as cláusulas têm natureza privada (salário, jornada)
2. Consensual: basta a vontade das partes para ele ser criado; não exige forma solene.
3. Não eventual: é preciso ter habitualidade. O número de dias não é apenas o que vai definir a habitualidade, mas
sim a qualidade do trabalho prestado.
ex: Uma vendedora substituta que vai ficar na loja por 30 dias, vai prestar aos fins normais da empresa
=> carteira assinada
ex2: Um bombeiro hidráulico que vai trabalhar numa empresa de TI por 40 dias, não atende aos fins
normais da empresa +> não precisa de carteira assinada.
4. Intuitu personae em relação ao empregado: há dois significados:
- Só pode ser empregado pessoa física.
- Suas habilidades são levadas em conta na contratação: o empregador escolhe quem vai trabalhar pra
ele. (questionável - na prática a demissão sem justa causa é uma realidade no Br)
5. De trato sucessivo: o contrato de trabalho foi feito para durar.
6. Oneroso: em troca do trabalho há o salário.
7. Sinalagmático: em troca da obrigação de fazer, há a obrigação de dar (o salário)
8. Contrato realidade: o que interessa é o que efetivamente ocorre no dia a dia.
9. Subordinação jurídica.
III. Trabalho ilícito e trabalho proibido - previsto na EC 45/04 - art. 144, CF
- Não fala sobre o contrato do trabalho (que é a regra geral), só menciona as relações de trabalho (que é a
exceção).
- O contrato de trabalho é a principal causa na justiça do trabalho. Lá são discutidos assuntos como: férias, hora
extra, 13o…
- Trabalho ilícito e proibido: ambos são nulos para o direito do trabalho.
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● Trabalho proibido: a vedação do trabalho que gera sua nulidade existe como norma de proteção. (professor
falou sobre na aula de revisão)
Art. 7º, CF. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua
condição social:
XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a
menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos;
ex: um adolescente de 15 anos trabalhar um ano durante a noite. Se esse adolescente quiser postular
na Justiça do Trabalho o salário devido, o juiz irá declarar o trabalho nulo, e o empregador deverá pagar
de forma retroativa o salário do menor.
- Ou seja, o trabalho é nulo, mas não pode haver enriquecimento sem causa, então, por isso, é retroativo.
- No direito civil, a nulidade retroage (ex tunc), então não haveria o pagamento do salário.
- Porém, para o direito do trabalho, a nulidade não retroage (é válido a partir da data da sentença),
sendo ex nunc. (professor falou sobre na aula de revisão)
⇒ Efeito do trabalho proibido: gera direitos.
ex: o menor terá direito ao salário e ao FGTS.
● Trabalho ilícito: o objeto do trabalho é ilícito, é o trabalho que contraria os princípios da moralidade, os bons
costumes e o ordenamento jurídico. É mais grave. (professor falou sobre na aula de revisão)
ex: tráfico de drogas, prostituição (polêmico - a doutrina majoritária e a maior parte da jurisprudência, consideram
ilícitos, mas há autores que entendem que deve ser outorgado direitos)
IV. Classificação do contrato de trabalho e duração (determinado e indeterminado)
1. Quanto à forma: verbal ou por escrito.
- Independente da forma é obrigatória a assinatura da CTPS - norma cogente.
- O prazo para o empregador assinar a CTPS é de 5 dias úteis. Desde de 2019 há a CTPS digital (a CTPS física
continua válida)
- Se a carteira não for assinada, o trabalho não será ilegal, porém o empregador estará cometendo uma
ilegalidade trabalhista.
2. Quanto ao consentimento: expresso ou tácito
3. Quanto à duração: determinado ou indeterminado. (obs: trabalho intermitente - incluído pela reforma trabalhista)
- Art. 443, CLT.
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- Se houver dúvida se é por tempo determinado ou indeterminado, presume-se a indeterminação.
- Como o contrato de trabalho é de trato sucessivo (presumindo o prazo indeterminado), o prazo determinado é a
exceção.
● Contrato por prazo determinado (a prazo) (professor falou sobre na aula de revisão)
- Duração máxima: 2 anos - art. 445, CLT
- Prorrogação única: segundo a maior parte da doutrina, o contrato de trabalho à prazo só pode ser prorrogado
uma vez.
- A prorrogação única deve estar dentro do prazo de 2 anos.
- Após 2 anos ele será por prazo indeterminado. - art. 451, CLT
- Essa regra é importante pois afetará os benefícios do trabalhador (ex pagamento do FGTS e a multa de
40% do benefício.
- A CLT prioriza o trabalho indeterminado.
- Vedação da sucessão de contratos a termo: o legislador presume fraude (presunção de fraude) caso haja
sucessão de contratos a termo, dentro de um prazo de 6 meses.
Art. 452, CLT - Considera-se por prazo indeterminado todo contrato que suceder, dentro de 6 (seis)
meses, a outro contrato por prazo determinado, salvo se a expiração deste dependeu da execução de
serviços especializados ou da realização de certos acontecimentos.
- A segunda parte do art. 452 quer dizer que:
- Se o contrato foi rompido por questões objetivas (ex: cessou o contrato de serviços de
construção porque a ponte foi construída), não será considerado fraude.
- Se for recontratado depois de 6 meses do primeiro contrato não será considerado
fraude.
- Requisitos do prazo determinado→ art. 443, p.2o, CLT
- Os requisitos são alternativos.
§ 2º - O contrato por prazo determinado só será válido em se tratando:
a) de serviço cuja natureza ou transitoriedade justifique a predeterminação do prazo;
ex: época de veraneio
b) de atividades empresariais de caráter transitório;
c) de contrato de experiência.
- Características→ art. 443, p. 1o, CLT
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a) Termo prefixado: termo é o prazo futuroe certo. Assim, essa característica refere-se ao tempo acordado
entre as partes.
ex: 1 ano e 6 meses
- Alcançado o termo, cessa o período de trabalho.
b) Realização de certo acontecimento suscetível de previsão aproximada.
- Quando é feito uma previsão de quando o trabalho irá durar.
- A previsão é de até 2 anos.
- O acontecimento deve ser “certo”, específico.
c) Execução de serviços especializados.
- Extinção do contrato a termo: sendo o prazo legal de 2 anos, é possível que haja antecipação da extinção do
contrato - essa antecipação deve ser motivada. (art. 479, CLT)
V. Trabalho intermitente, teletrabalho e hipersuficiente econômico
- Foram criados pela reforma trabalhista → o professor critica todos os institutos (especialmente o trabalho
intermitente).
● Trabalho intermitente: contrato de trabalho onde a prestação de serviços com subordinação não é contínua,
ocorrendo com alternância. (professor falou sobre na aula de revisão)
- É um dos pilares da reforma trabalhista: art. 443 e parágrafos e art. 452-A e parágrafos, CLT.
- O trabalho intermitente é a "regularização, legalização, do “bico”", do trabalho eventual.
- Críticas e contradições:
1. Não tem habitualidade: o contrato de trabalho intermitente combina prestação de serviços com a inatividade do
empregado, havendo o afastamento da habitualidade, que é uma das características fundamentais do contrato
de trabalho.
- Se tem habitualidade, mas o espaço de intervalo é grande, pode ser considerado contrato de trabalho
intermitente.
- “Contrato zero hora”: nos dias em que o trabalhador está em casa (período de inatividade), ele
está “cumprindo seu contrato de trabalho”, porém ele não recebe salário, não é computado
FGTS, INSS, férias, repouso semanal remunerado…
- Isso não está em consonância com a dogmática do contrato de trabalho: esse é um
contrato de não-trabalho, pois o trabalhador tem períodos de não-trabalho.
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2. Não há subordinação jurídica: a principal característica de um contrato de trabalho é a subordinação
jurídica. No trabalho intermitente, a recusa é lícita, ou seja, o trabalhador pode recusar o trabalho.
3. Reforça característica de um contrato de adesão: a prestação de serviços não contínua, ficando a
critério do empregador quando e por quanto tempo ele irá chamar o trabalhador.
- Durante a inatividade, não há direito trabalhista, existindo apenas nos momentos em que contam
as horas de trabalho.
- O trabalhador pode firmar contrato de trabalho com outros empregadores, para conseguir
sobreviver (natureza alimentícia do salário), devendo buscar outros empregos.
4. Não recebe salário mínimo: durante o período em que está trabalhando, o trabalhador recebe o salário
mínimo-hora (R$ 1.320 (salário mínimo) / 240 = 5,5 reais.).
- O pressuposto do trabalho intermitente é o período de inatividade com o período de serviço.
Logo, o trabalhador, nunca vai trabalhar 30 dias seguidos = não vai ganhar salário mínimo →
INCONSTITUCIONAL. (art. 7o, inc. VII, CF)
5. Férias não remuneradas: o trabalhador recebe férias de forma proporcional aos dias trabalhados; como
ele recebe o pagamento pelo serviço e depois entra em período de inatividade, a remuneração já foi
paga, assim, durante as férias ele não terá direito à remuneração.
- Férias não remuneradas é inconstitucional. Art. 7o, inc. XVII.
- Especificidades.
1. É assegurado o salário mínimo hora.
2. Tem que ser por escrito.
- Análise doutrinária e jurisprudencial
1. TST reformou decisão do TRT, que considerava ilegal o trabalho intermitente: o TST entende
que o trabalho intermitente decorre da necessidade de garantir direitos básicos à trabalhadores
que se encontram na informalidade (quase 50%) e que esse tipo de trabalho não gera
precarização.
2. O TST entende que o trabalhador pode ter mais de 1 ano de inatividade e isso não será motivo
para rescisão do contrato.
3. Doutrina - Homero Batista:
a) Critica a existência do contrato de trabalho zerado: o contrato de trabalho temporário
não é um contrato, pois é impensável a ideia de estar sob a égide de um contrato e não
receber nada por isso. Não existe obrigação de fazer e nem a obrigação de dar. (o
professor concorda)
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b) Critica a falta de subordinação jurídica (recusa lícita): a elaboração de um cadastro é
uma tentativa de blindar o empresário de acusações de mão de obra clandestina;
porém, o trabalhador se cadastra e não sabe se será chamado e se for, não tem
obrigação de aceitar e isso não é considerado insubordinação.
c) Critica também a previsão de férias sem remuneração.
● Teletrabalho: É sinônimo de trabalho remoto. O trabalho remoto não surgiu com a Reforma Trabalhista.
- O teletrabalho é o trabalho feito em casa, executado fora das dependências da empresa.
- Já era regulamentado pela CLT – art. 6, p.u, CLT. (professor falou sobre na aula de revisão)
- No início a Reforma Trabalhista dizia que não se aplicava hora extra, adicional noturno e
intervalo.
- Depois, uma MP reformou isso e hoje, se o teletrabalho for por jornada, o trabalhador
terá direito. Por tarefa não terá.
- Formalidade: o contrato de trabalho deve ser escrito, prevendo o trabalho remoto.
⇒ Obs: Art. 6, p.u, CLT (trabalho fora das dependências da empresa) vs teletrabalho (Reforma Trabalhista e
depois regulamentado pela lei 14.442/22).
- Há um choque jurídico: qual norma aplicar? → depende do juiz.
Teletrabalho: é o trabalho remoto por tarefa, não há hora extra, não tem adicional noturno e não
tem período de pausa para almoço.
vs
Art. 6, p.u, CLT: o trabalho feito fora das dependências da empresa tem os mesmos direitos de
trabalhadores comuns.
- Modalidades:
1. Trabalho remoto: executado integralmente em casa. (ex: pandemia)
2. Trabalho presencial
3. Trabalho híbrido (art. 75-B, CLT - introduzida pela Lei 14.442/22)
- Estagiário: Art. 75-B, § 6º, CLT. Fica permitida a adoção do regime de teletrabalho ou trabalho remoto
para estagiários e aprendizes.
- Acidente de trabalho no teletrabalho: art. 75-E, CLT: O empregador deverá instruir os empregados, de
maneira expressa e ostensiva, quanto às precauções a tomar a fim de evitar doenças e acidentes de
trabalho. Parágrafo único. O empregado deverá assinar termo de responsabilidade comprometendo-se a
seguir as instruções fornecidas pelo empregador.
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- Jornada e tarefa: o trabalho pode ser por jornada ou por tarefa (por tarefa há restrições: art. 62, III e art.
75-B, p.3o, CLT) (professor falou sobre na aula de revisão)
a) Trabalho por jornada: é considerado trabalho normal (têm direito a horas extras, adicional
noturno, intervalo e etc).
b) Trabalho por tarefa: não se aplica os direitos à horas extras, adicionais noturnos e etc.
- Prioridade para o trabalho remoto: art. 75-F, CLT. Os empregadores deverão dar prioridade aos
empregados com deficiência e aos empregados com filhos ou crianças sob guarda judicial até 4 (quatro)
anos de idade na alocação em vagas para atividades que possam ser efetuadas por meio do
teletrabalho ou trabalho remoto.
● Hipersuficiente econômico: hipersuficiente é aquele trabalhador que, em tese, está em pé de igualdade com o
empregador.
- O trabalhador, como regra, é hipOsuficiente (em virtude de sua inferioridade econômica e social), logo,
para ele, aplica-se o princípio da proteção.
- O hipersuficiente se contrapõe ao hipOssuficiente.
- No caso do hipersuficiente econômico, ele negocia sozinho, prevalecendo sobre as negociações de seu
sindicato, como se estivesse em pé de igualdade.
- O contrato de trabalho prevalece sobre o acordo coletivo de trabalho. (art. 611-A, CLT)
- Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho): entendimento crítico à figura da
hipersuficiente econômica. (professor falou sobre na aula de revisão)
- Requisitos - art. 611-A, p.u, CLT.
1) Ter um diploma de nível superior
2) Ganhar duas vezes o teto do INSS (+/- 12 mil reais)
- São requisitos cumulativos.
- Críticas à figura do hipErsuficiente econômico: (professor falou sobre na aula de revisão)
1)Por mais dinheiro e conhecimento técnico que o trabalhador possa ser, ele ainda é
hipossuficiente. Os casos de jogadores de futebol que são assistidos por advogados, por
exemplo, são exceções.
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2) O contrato de trabalho se sobrepõe ao acordo coletivo. A reforma trabalhista tem como pilares a
prevalência do negociado sobre o legislado. (art. 611-A)
- No caso do hipersuficiente, não tem prevalência do negociado (acordos de sindicatos)
sobre o legislado. Então é uma contradição.
VI. Empregador: empresa, estabelecimento, grupo econômico e sucessão de empresas (professor falou sobre
na aula de revisão)
● Empresa: é uma produção organizada de bens e serviços, independente de lucro. (definição diferente do direito
empresarial). Art. 2o, p.1, CLT
ex1: empregador doméstico: ele não aufere lucro, mas ele tem obrigações trabalhistas enquanto empregador.
ex2: sociedades beneficentes
ex2: condomínio
- Há correntes que entendem que a empresa (nesta conotação) não é empregador propriamente dito, e sim
equiparado. O professor entende que é o empregador propriamente dito.
● Grupo econômico financeiro: Grupo econômico é uma concentração de capital, independente ou não. A
finalidade do instituto é o empregado trabalhar para um conglomerado econômico.
ex: se o empregado trabalha em uma empresa com menos patrimônio, mas essa empresa faz parte de
um grupo econômico → o empregado pode acionar qualquer uma das empresas. Há proteção do
empregado em face da concentração do capital.
- Precisa ter controle jurídico.
- Há dois tipos:
a) Grupo por subordinação: é uma relação hierarquizada. A holding controla as outras empresas.
- art. 2, p.2o.
b) Grupo por coordenação: a relação é horizontal. As empresas estão em pé de igualdade. - art.
2o, p 3o.
- O requisito é que as empresas atuem na mesma área.
- O grupo econômico é solidariamente responsável pelas obrigações trabalhistas - possui solidariedade passiva.
(art. 2)
- Além de devedor, o grupo econômico é credor solidário do empregado, assim, cada uma das
empresas podem exigir que o empregado trabalhe para elas.
- O TST considera que sim, há solidariedade ativa da holding. (Súmula 129, TST)
- Só há solidariedade ativa se houver relação de emprego.
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● Sucessão: substituição de um empregador por outro. (art. 10 e art. 448, “a”, CLT)
- Pressupostos:
a) Princípio da despersonalização do empregador: a figura do empregador não é relevante, se o
funcionário continua exercendo a mesma função, a sucessão do empregador será irrelevante.
b) O contrato não é intuito personae em relação ao empregador: as características pessoais do
empregador não importam para o trabalho.
- Requisitos;
1. Unidade econômico-jurídica: precisa passar de um titular para o outro: a empresa não precisa
deixar de existir.
2. Não haver dissolução de continuidade do trabalhador: o empregado deve continuar trabalhando
normalmente sem alteração.
- A responsabilidade é da sucessora, por conta da transferência do patrimônio (passivos e ativos). - art.
448-A, caput
- Caráter ético-jurídico: o débito anterior foi contraído pela empresa sucedida, logo, ele deve
pagar os encargos. Assim, a empresa sucessora tem direito de regresso.
- Por outro lado, a empresa sucessora, antes da sucessão, deve verificar débitos trabalhistas.
- Se ela não verificar, ela tem culpa in vigilando.
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