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EMPREENDEDORISMO AULA 7 – PROCESSOS DE AGENDAMENTOS Prezado (a) aluno (a), No estudo a seguir abordaremos sobre o tema Processos de agendamentos, vamos entender as razões pelas quais um negócio deve ter conhecimento sobre como gerenciar procedimentos e organizar os processos. Desejamos que este estudo seja proveitoso para todos os especialistas que trabalham ou almejam trabalhar no campo da otimização de procedimentos. Bons estudos! 7 GESTÃO DE PROCESSOS Conforme Pradella (2016), o assunto relacionado à gestão baseada em processos é algo que não é novo para a administração. Durante um longo período, as atividades administrativas foram alvo de racionalizações através das técnicas de Organização e Métodos (O&M), ele afirma que nunca conseguiram firmar-se solidamente devido à visão limitada dos que as praticavam. Em primeiro lugar, porque essas técnicas não se envolviam com os processos industriais, apenas com os administrativos, e em segundo lugar, porque se limitavam a analisar e melhorar rotinas, fluxos de documentos, criar formulários e modificar o layout das áreas administrativas. Devido a esses fatores, essas técnicas entraram em declínio a partir da década de 80, até fins da década de 90. E agora, elas retornam de forma revigorada, como algo imprescindível para o trabalho dos analistas de processos. As estratégias gerenciais do Japão introduziram a noção de aprimoramento contínuo, tanto na produção quanto em toda a organização. De acordo com Laurindo e Rotondaro (2006), a "reengenharia" foi a principal fonte da abordagem de gestão baseada em processos, que consiste em reinventar a maneira como as empresas realizam suas atividades, permitindo mudanças tecnológicas, organizacionais e humanas para alcançar respostas ágeis e adequadas às demandas do mercado. Conforme Laurindo e Rotondaro (2006), os propósitos da administração por meio de processos são: ampliar a percepção do cliente sobre o valor do produto/serviço; aumentar a competitividade; seguir estratégias competitivas consideradas mais pertinentes, que agreguem valor ao cliente; elevar consideravelmente a produtividade, com eficiência e eficácia; simplificar processos, resumindo e/ou eliminando atividades que não agreguem valor ao cliente. A partir disso, é possível observar a ênfase abordada na satisfação do cliente, pois, dos cinco objetivos, três estão ligados à necessidade de agradar os clientes. Gonçalves (2000b) afirmava que o consumidor é o foco principal das empresas por meio de processos e o propósito dessas empresas é proporcionar maior valor ao cliente, de maneira mais ágil e com menor custo. Além de elementos como tática, mercadorias e organização, os procedimentos podem ser uma fonte de habilidades particulares que fazem a distinção na rivalidade. Dessa forma, a avaliação da estrutura da empresa não se concentra tanto na perspectiva funcional, que se baseia no organograma como modelo central do empreendimento, mas sim em uma abordagem horizontal, voltada para os processos, que se concentra no próprio trabalho para gerenciá-lo. Esse enfoque permite identificar os principais elementos do trabalho que os colaboradores devem realizar para garantir o funcionamento da organização e o cumprimento de sua missão. Em relação a essa perspectiva, Pradella (2016) afirma que: Dessa forma, a avaliação da estrutura da empresa deixa de lado um pouco o enfoque funcional, que se baseia no organograma como modelo principal do negócio, para adotar uma abordagem horizontalizada, voltada para os processos, com o intuito de gerenciá-los. Essa perspectiva identifica os principais componentes do trabalho que os colaboradores devem realizar para garantir o funcionamento da instituição e o cumprimento de sua missão (PRADELLA, 2016, p. 5). Conforme Thieves (2001), a organização da instituição em relação aos seus procedimentos comerciais representa uma transformação na abordagem administrativa convencional, que se concentrava na gestão de cada atividade individualmente executada, em direção a uma visão completa e dinâmica de toda a instituição. Consequentemente, isso permite compreender como os processos são realizados, proporcionando uma visão integral da instituição e uma melhor compreensão do conjunto organizacional. A execução do trabalho ocorre entre as unidades gestoras, sendo possível identificar pontos de aprimoramento apenas ao visualizar o trabalho todo. Isso se deve ao fato de que cada unidade gestora não é responsável por todo o processo de trabalho da instituição, assim como nenhum processo é realizado completamente em uma única área. A estrutura orientada a processos difere das estruturas hierárquicas e verticais. Enquanto a estrutura hierárquica apresenta uma visão fragmentada e estática das responsabilidades e relações de subordinação, a gestão por processos é uma visão mais dinâmica da maneira como a organização oferece valor aos clientes. Nesta perspectiva, os colaboradores adquirem uma compreensão mais abrangente de suas funções na empresa. Em vez de seguir uma lista de tarefas, eles passam a trabalhar com processos que são documentados e padronizados, o que lhes permite conhecer explicitamente todos os elementos envolvidos, como objetivos, metas, avaliação de desempenho, entradas, saídas, clientes a serem atendidos, entre outros. No entanto, a transição de uma empresa convencional para processos é extremamente desafiadora, já que os colaboradores precisam adquirir uma nova perspectiva, renovada e sistêmica, a fim de compreender melhor o negócio, assumir mais responsabilidades e trabalhar em equipe. Em resumo, é fundamental que todos participem ativamente, se envolvam e se comprometam com os objetivos organizacionais para alcançar a satisfação do cliente e, consequentemente, aumentar a competitividade em uma sociedade cada vez mais globalizada e dinâmica. De acordo com Benner e Tushman (2001), a gestão de processos fundamentada na visão de uma empresa como um sistema de processos interconectados requer foco na identificação, aprimoramento e adesão aos processos organizacionais. Por outro lado, Schiar e Domingues (2002) afirmam que uma empresa centrada em processos deve considerar a coordenação dos processos, não apenas como fluxos de trabalho ou movimentação física de materiais e produtos. Segundo os autores, a abordagem de uma empresa orientada por processos visa aprimorar a adaptação ao ambiente competitivo atual. Os autores Laurindo e Rotondaro (2006), afirmam que a organização horizontal se propõe a prover agilidade nos processos internos, tratando-os como cadeia de agregação de valor, adaptando-se às contingências do mercado e fornecendo pacotes de valor ao cliente. Sistemas horizontais não apenas melhoram a velocidade de resposta ao mercado e a capacidade da empresa em prover produtos de massa personalizados, mas também aumentam a eficiência e a eficácia dos processos. Nesta situação, é imprescindível considerar que os indivíduos são os principais componentes na gestão de estratégias concorrenciais, podendo-se mencionar um modelo organizacional focado nas pessoas. Entre as diversas ferramentas utilizadas em um sistema de produção, os indivíduos são os únicos capazes de efetivamente promover alterações que objetivem o aumento da competitividade. Importante destacar que a utilização de uma tecnologia da informação apropriada não resulta na disseminação do conhecimento sem um plano de mudança na cultura da empresa. Isso é uma das razões pelas quais, no modelo de gerenciamento de processos, são considerados tanto a participação das pessoas quanto a cultura organizacional. Além disso, apesar de a discussão sobre processos não ser algo novo, tendo sido originalmente associada à tradiçãoda engenharia industrial e aos estudos dos sistemas sociotécnicos, nota-se que não há uma interpretação unânime do termo, o que pode gerar confusão em relação à aplicação do conceito de processo em diferentes contextos e disciplinas (GONÇALVES, 2000a). Resumidamente, a administração de processos procura aprimorar continuamente os procedimentos, visando adicionar mais valor ao consumidor. Para implementá-la com êxito, é essencial compreender os princípios dos procedimentos empresariais e a classificação dos processos (PRADELLA, 2016). A importância da organização dos processos Muitas companhias não conseguem aprimorar seus posicionamentos no mercado devido a entraves gerados por uma falta de organização dos procedimentos internos. Logo, é evidente que organizar os procedimentos é essencial para um empreendimento que deseja obter melhores desfechos. Quando uma companhia negligencia a organização de seus procedimentos, está ocasionando uma perda de efetividade. Desta forma, os produtos ou serviços oferecidos aos clientes acabam não sendo satisfatórios. Os administradores devem ter em mente como organizar procedimentos para reduzir a ocorrência de problemas nos procedimentos internos e, por conseguinte, assegurar o aumento da produtividade e da rentabilidade. Administrar o tempo é um dos grandes desafios que os administradores de empresas enfrentam. Afinal, uma empresa que não sabe como coordenar procedimentos acaba tendo práticas desordenadas e sem harmonia. A principal consequência disso é a oscilação da qualidade do produto ou serviço entregue aos clientes. Por exemplo, imagine se uma pessoa adquire um produto e fica satisfeita, mas ao comprá-lo novamente percebe que existem falhas e que ele não entrega mais os resultados desejados. Então, a cada produto comprado, o cliente vai receber algo diferente, fazendo com que ele se sinta, às vezes, satisfeito e, em outras, insatisfeito. Diante dessa situação e por vários outros motivos, é possível perceber como coordenar procedimentos é tão importante e influencia diretamente na eficiência e no desempenho dos resultados de uma empresa. Ao compreender como gerenciar procedimentos, uma companhia pode estabelecer uma rotina mais simples e os administradores conseguem ter um controle mais preciso de todas as atividades e dos gastos de produção. Portanto, se você está interessado em aprender como gerenciar procedimentos, é essencial que você tenha em mente que a organização assegura maior previsibilidade e permite minimizar possíveis problemas. Como resultado, a empresa amplia a eficiência. 7.1 COMO ORGANIZAR E AGENDAR A PRODUÇÃO Nos temas anteriores estudamos sobre os processos administrativos, vimos que eles se referem ao conjunto de tarefas conectadas executadas pelos indivíduos em uma empresa, para converter as entradas (matérias-primas, maquinário, know- how, dados, etc.) em saídas (produtos, serviços, informações, vendas tangíveis, etc.). O desempenho do processo operacional é fundamental para o sucesso do empreendimento, podendo gerar consequências desfavoráveis, indiferentes ou favoráveis, conforme a efetividade com que é conduzido. Conforme Chiavenato (2021), a organização antecipa os objetivos a serem alcançados e as medidas a serem tomadas para alcançá-los da forma mais eficaz possível. Visa garantir a continuidade da empresa e foca no futuro. Sua importância reside em definir as ações necessárias para alcançar os objetivos da empresa. Sem organização, a empresa fica desorientada. O mesmo vale para a organização da produção: seu objetivo é planejar a produção para aumentar sua eficiência e eficácia. Conforme mostra figura 1 a seguir: Figura 1 - Eficiência e eficácia no processo produtivo Fonte: Chiavenato, 2021. Eficiência diz respeito à forma de realizar as atividades, aos recursos utilizados, aos procedimentos e às técnicas aplicadas. Já a eficácia diz respeito aos resultados alcançados e aos objetivos atingidos. Enquanto a eficiência está ligada aos recursos, a eficácia está focada nos resultados. Ambas são cruciais para o êxito da empresa: executar bem as atividades e alcançar os objetivos. Como apresentado na Figura 2 abaixo: Figura 2 - Diferença entre eficiência e eficácia Fonte: Chiavenato, 2021 O esquema de fabricação representa o que a companhia pretende produzir em um determinado período, geralmente um exercício fiscal ou um ano. Ele é fundamentado na previsão de vendas, no estoque anterior e na habilidade de produção. Se existir estoque de produtos acumulados no depósito de produtos acabados, ele representa uma produção já realizada no período anterior. A previsão de vendas é a estimativa do volume de vendas que a companhia visa atingir em dado período, geralmente um ano. Segundo Chiavenato (2021, p. 171), [...] “a finalidade do esquema de fabricação é disponibilizar produtos acabados para suprir as vendas previstas pela habilidade produtiva e pelo estoque atual de produtos acabados”. Considerando que o plano de produção é abrangente e generalizado, é necessário especificá-lo por meio do agendamento da produção. A programação da produção é uma subdivisão do plano de produção que possibilita sua execução de forma coesa e coordenada pelas diferentes pessoas ou áreas produtivas envolvidas no processo produtivo da organização. Isso implica que as informações relevantes para o processo produtivo, tais como compras e fornecimento, estoque de materiais e fornecedores, também devem ser detalhadas para garantir seu adequado funcionamento. Agendar a produção é definir o momento em que as atividades e processos de produção serão executados e qual a quantidade a ser produzida. Em outras palavras, agendar a produção é criar um cronograma de compromissos para as diferentes seções ou indivíduos envolvidos na produção. Conforme mostra a Figura 3 a seguir: Figura 3 - Funcionamento da programação da produção Fonte: Chiavenato, 2021. Com a emissão das distintas solicitações: solicitações de fabricação, solicitações de aquisição e solicitações de serviços e pedidos de materiais, o planejamento da produção resulta na colaboração de todas as pessoas e setores envolvidos direta ou indiretamente no processo produtivo (CHIAVENATO, 2021). Funcionalidades do agendamento Conforme Alves (2021), esta ferramenta estabelece a data, hora e local de recebimento do fornecedor para descarregamento. Estes dados indicam o número do pedido, qual doca será utilizada (ou quais docas serão usadas) e a estimativa de tempo alocado para este fornecedor. O gerente pode alocar recursos como trabalhadores e equipamentos necessários para cada tipo de carga e quantidade de volumes. As avaliações devem ser realizadas em sequência para determinar o prazo para descarregamento: quantidade e diversidade de volumes que serão recebidos, o espaço necessário para esta inspeção, os equipamentos e maquinários necessários para cada tipo de produto (seco, congelado, refrigerado) e o pessoal necessário para esta atividade. Para o autor: Com essas questões pontuais, o gestor terá a oportunidade de trabalhar a ferramenta de agendamento por longos períodos, permitindo um planejamento pontual visando evitar surpresas indesejadas, como falta de funcionários ou alocação de muitos destes para descarregamento com poucos volumes, caminhões chegando ao mesmo tempo, para serem atendidos ou não comparecimento do agendado, dentre outras situações ALVES, 2021, p. 5). Um aspecto importante a ser considerado é a confiabilidade e a previsibilidade transmitidas aos parceiros comerciais, uma vez que é comum que o fornecedor realize entregas para diversos clientes em um mesmo dia. Nesse sentido, o fornecedor, ao conhecer a rotina do cliente, pode garantir que a data e o horário acordados sejam reservados para a entrega.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVES, D. J. C. C. Processos de movimentação de mercadorias. São Paulo: Blucher, 2021. BENNER, M. J.; TUSHMAN, M. I. Exploitation, exploration, and process management: the productivity dilemma revisited. Academy of Management Review. v. 28, n. 2, p. 238-256, 2001. CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo: dando asas ao espírito empreendedor. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2021. GONÇALVES, J. E. L. As empresas são grandes coleções de processos. RAE- Revista de Administração de Empresas. [S. l.]. v. 40, n. 1, p. 6–19, 2000. Disponível em: https://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rae/article/view/37672. Acesso em: 11 maio 2023. LAURINDO, J. B. F.; ROTONDARO, G. R. Gestão integrada de processos e da tecnologia da informação. São Paulo: Atlas, 2006. PRADELLA, Simone. Gestão de processos: da teoria à prática. 4. reimpr. São Paulo: Atlas, 2016. SCHIAR, L. B. H. P.; DOMINGUES, J. Organizações voltadas para processos: um paralelo com as organizações funcionais. In: Encontro nacional de engenharia de produção, 22., 2002, Curitiba. Anais. Curitiba: PUC-PR, ABEPRO, 2002. THIEVES, J. J. J. Workflow: uma tecnologia para transformação do conhecimento nas organizações: estudo de caso no Conselho Estadual de Educação de Santa Catarina. CEEE. 2. ed. rev. Florianópolis: Insular, 2001.