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LORRANE BRAGA RANGEL LXIX - UFG Importância do conhecimento dos mecanismos envolvidos em genética bacteriana: 1. Função dos genes = função celular 2. Sistema simples – interferências para outros organismos 3. Isolamento e duplicação de genes de outros organismos 4. Produtores de antibióticos, fermentações, plásticos, anti-tumorais e outros agentes de interesse industrial → a principal fonte de novas drogas antimicrobianas são as próprias bactérias 5. Causadores de doenças 6. Combater a resistência adquirida aos antibióticos Alterações fenotípicas x genotípicas Fenotípicas por regulação da expressão gênica → produção de proteínas que a bactéria já era capaz de produzir com o seu material genética Genotípicas por mutação ou recombinação → produção de proteínas distintas das que já eram produzidas Variabilidade fenotípica – todas as células possuem um potencial de genes, mas nem todos estão sendo expressos, fator esse que podem ser alterados pelo meio ambiente Estruturas das proteínas Estrutura primária – sequência de aminoácidos Estruturas secundárias – dobras feitas pelas proteínas (beta e alfa hélices) → é determinado pela sequência dos aminoácidos Estruturas terciarias → dobramentos maiores e interações entre as estruturas secundárias diversas Toda a informação de como uma proteína vai se dobrar está contida no DNA Pontes di-sulfeto entre dois aminoácidos cisteínas Algumas mutações nas proteínas podem trazer graves alterações nas células → pode matar as bactérias Mutantes bacterianos Mutação = alteração na sequência de bases de um gene, sem adicionar novas informações no gene Pode ser selecionáveis (resistência à droga) ou não o Se a bactéria torna-se resistente a uma droga é vantajoso Mutantes bioquímicos: A maioria das bactérias mutantes possuem natureza bioquímica → são mutações que causam mudanças na natureza bioquímica Os mutantes mais importantes são auxotróficos o Um organismo auxotrófico precisa de alguns nutrientes que a cepa selvagem (prototróficos) pode sintetizar para ela própria o Eles não crescem em meio mínimo, em oposição à linhagem original o Pototróficas → conseguem sintetizar o seu próprio aminoácidos, por exemplo o Assim, as mutações bioquímicas causam a deficiência ou inativação da capacidade da bactéria de sintetizar certas moléculas Mutantes de resistência: drogas, metais pesados, bacteriófagos → esses microrganismos adquirem resistências a agentes microbianos Processos de mutação bacteriana são raros, mas se acumulam ao longo dos processos de multiplicação populacional e portanto podem ser significativos Processos de mutação bacteriana dificilmente criam um gene novo com propriedade novas, apenas alteram as propriedades do produto de genes já existentes As mutações alteram genes que JÁ EXISTEM nas bactérias → pouca variabilidade A mutação deletéria resulta em morte da célula bacteriana: consequência? A célula morre e não gera descendentes, mas se morre poucas células, não se tem tantas consequências Ex: uma mutação em um códon que resulta em substituição de um aminoácido pode resultar LORRANE BRAGA RANGEL LXIX - UFG em alteração de forma da proteína ou até parada de tradução abrupta Mutações que não interfere no fitnes e na sobrevivência das bactérias podem continuar sendo transferidas para as descendentes daquela célula. Vai ser útil para célula? As células vão se multiplicando defeituosas Pode gerar populações de resistência As mutações que possam trazer vantagens para uma bactéria seriam aquelas que alteram uma determinada proteína sem que ela comprometa demais a função da célula, mas ao mesmo tempo traga uma vantagem para ela Ex: Resistência a droga por impermeabilidade ou alteração de alvo da droga Ex: a tetraciclina age na proteína ribossomal → se ocorre uma mutação que altera a forma do ribossomo, mas sem causar a sua perda, ocorre a perda da função desse ribossomo Bactérias mutantes ao sofrerem uma pressão severa como um antimicrobiano, só irão sobreviver se houver uma base genética de resistência para aquela droga Recombinação Recombinação genética refere-se a troca de genes entre duas moléculas de DNA, para formar novas combinações de genes em um cromossomo Processos de transferência de material genético bacteriano seguido de recombinação Os eucariotos possuem processo de meiose para reduzir os diplóides para haplóides e a fertilização para retornar ao estado diplóide Os processos sexuais bacterianos não ocorrem como nos eucariotos, porém eles servem para o mesmo objetivo → misturar os genes de dois organismos diferentes juntos Obs: Todo processo de recombinação bacteriana ocorre somente depois de acontecer um processo de transferência de material genético. Nem todo processo de transferência resulta em uma recombinação. Processos de transferência de material genético: 1- Transformação: DNA livre é internalizado pela célula bacteriana do ambiente 2- Conjugação: transferência direta do DNA de uma célula para outra 3- Transdução: utilização de um bacteriófago para transferir DNA entre as células Transferência gênica vertical: ocorre quando os genes são passados de um organismo para os seus descendentes Transferência genética horizontal: ocorre quando a bactéria troca genes com outros micróbios da mesma geração Recombinação homóloga em bactéria Necessidade de pareamento de nucleotídeos (pelo menos 30) por homologia em duas regiões do fragmento de DNA e do cromossomo bacteriano Por algum motivo um DNA entrou na célula → qual o seu destino após entrar na bactéria? A bactéria não consegue diferenciar a origem do DNA em termo de constituição (bases nitrogenadas, ligações) Quem determinada a proximidade do DNA para o da bactéria é a sequência dos nucleotídeos ➔ essa sequência vai encontrar ou não na célula hospedeira homologia (sequências similares) LORRANE BRAGA RANGEL LXIX - UFG Se o DNA não houver a homologia necessária, após a multiplicação bacteriana nenhuma célula vai conter o DNA estranho. O DNA estranho não é duplicado, sendo degradado e reciclado Os descendentes não terão o DNA Porém, se o DNA exógeno tiver a homologia necessária, o processo de recombinação ocorrerá Homologia = semelhança entre os DNAs Semelhança de 20 a 40 nucleotídeos Vai encontrar uma sequência idêntica no material da bactéria As fitas de DNA podem se dissociar e parear com a outra fita exógena → processo transitório Proteína rec A → identifica o pareamento transitório das fitas, estabilizando esse processo → ocorre o recrutamento de endonucleases que irão quebrar o DNA próprio e ligar a fita estranha Para a recombinação ter sucesso a fita precisa ser fechada 1° evento: pareamento de fitas homólogas, com a quebra das fitas de DNA cromossomal e religação da fita exógena 2° evento: vai acontecer na região de homologia do outro lado da sequência exógena O novo material genético que não precisa ter homologia com cromossoma é incorporado na fita de DNA cromossomal A partir dessa recombinação ocorre a transmissão para os descendentes Processos de transferência: Transformação Importante processo do ponto vista de trabalho com DNA recombinante Foi usado para provar que o princípio transformante é o DNA Se o DNA incorporado for eucarioto, dificilmente ele vai encontrar homologia para sofrer recombinação Os genes são transferidos de uma bactéria para outra como DNA nu em solução No caso de E. coli, as células são preparadas para se tornarem competentes para serem transformadas através do tratamento com cálcio e choque térmico. As células de E. coli nessa condição podem internalizarprontamente o DNA que está a sua volta e eventualmente incorporar no seu genoma. Algumas bactérias após a morte ou lise celular, liberam seu DNA no ambiente → algumas bactérias podem pegar esse DNA e adicionar ao seu genoma Quando uma célula receptora está em um estado fisiológico em que pode captar o DNA doador, é descrito como competente Conjugação É o mais próximo do processo sexual das células eucarióticas LORRANE BRAGA RANGEL LXIX - UFG A habilidade de conjugar é conferida pelo plasmídeo F As células bacterianas que contém um plasmídeo F são chamadas de F+ e as que não possuem de F- F+ possuem o “Pillus sexual” Quando uma célula F+ encontra uma F- elas se unem através do pillus e uma cópia do plasmídeo F é transferido para a célula F- → agora ambas serão F+ Por si só, a conjugação promove um aumento da variabilidade Requer o contato direto célula-célula As células doadoras devem transportar o plasmídeo e as células receptoras não Transferência de uma cópia do filamento simples do DNA do plasmídeo para o receptor, onde o filamento complementar é sintetizado Conjugação Hfr Alta frequência de recombinação Quando livre, o plasmídeo F só transfere a si mesmo. Isto não é muito útil do ponto de vista genético Algumas vezes o plasmídeo F pode se incorporar ao cromossomo através de uma recombinação A bactéria passa a ser chamada de HFR que quer dizer alta frequência de recombinação Bactérias HFR conjugam como as F+, mas elas levam uma parte do cromossoma para a célula F- Plasmídeo conjugativo A bactéria que recebe uma parte do cromossoma pode adquirir novas versões No entanto, ela permanece como F-, pois não recebeu o fator F completo Transdução É o processo de transferência de DNA de uma célula para outra usando um bacteriófago Bacteriófagos são vírus bacterianos. Eles consistem de um pequeno DNA dentro de um capsídeo proteico. A capsula proteica se liga à superfície bacteriana e injeta seu material genético para dentro da célula bacteriana O DNA viral assume o controle do metabolismo bacteriano e produz muitas partículas virais Pode ser de dois tipos: Generalizada: qualquer pedaço do genoma bacteriano pode ser transferido Especializada: só pedaços específicos do cromossoma são transferidos Vírus temperados: ciclo lítico (a célula morre liberando as células) e ciclo lisogênico) Ciclo lítico do fago 1. A fago adere e injeta seu DNA na célula bacteriana 2. O DNA do fago se replica → é transcrito em RNA → traduzido em proteínas do fado 3. Novas partículas são montadas 4. A célula é lisada liberando cerca de 200 partículas virais 5. Tempo total = 15 minutos É possível que algumas proteínas encontram o DNA bacteriano que está se integrando e que é do tamanho do DNA viral → ocorre formação de uma partícula viral com o DNA bacteriano Transdução especializada Alguns fagos conseguem transferir somente alguns genes específicos para outras bactérias Primeiro o fago se integra no genoma do hospedeiro em regiões específicas = ciclo lisogênico. E assim permanece enquanto as condições são apropriadas LORRANE BRAGA RANGEL LXIX - UFG Em condições de estresse ambiental o fago se desintegra do genoma bacteriano, reassumindo o ciclo lítico do bacteriófago Na saída do cromossomo, os vírus carregam pedaços da bactéria → todas as partículas virais formadas carregam consigo pedaços de DNA bacteriano → esses vírus podem infectar outras bactérias carregado esse material genético para dentro delas Forma mais frequente de transferência horizontal de genes entre as bactérias