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DOENÇA CELÍACA, INTOLERÂNCIA À LACTOSE E ALERGIA A PROTEÍNA DO LEITE DE VACA (APLV) Prof: Mariane Meurer Isabella Meneses Fisiopatologia e Dietoterapia I Objetivos Como funciona a homeostase? 1 Quais principais disfunções, como e porque se desenvolvem? 2 Como a nutrição pode intervir? 3 Quais relatos ouvimos sobre DC? O que é DC? Intestino delgado Enteropatia intestinal crônica e permanente Exposição ao glúten- indivíduos geneticamente predispostos Mucosa intestinal: atrofia das vilosidades; hiperplasia das criptas; intenso infiltrado linfocitário. É reversível ? Sintomas DOENÇA CELÍACA Diarréia (10 evacuações) Falha de crescimento (em crianças) Vômitos Abdômen inchado Fezes (aparência, odor e quantidade) Perda de peso Fraqueza Fadiga Anemia Doença óssea osteopênica Doença auto-imune ALERGIA AO TRIGO Coceira Inchaço na garganta Diarreia SENSIBILIDADE AO GLÚTEN Gases Inflamação na língua e TGI Dermatite Dor de cabeça Confusão mental Glutén? Maior componente proteico dos cereais Contém, não contém ou depende?? Pão de trigo Contém Tapioca Não contém Bolacha de maisena Depende Farinha de amêndoas Não contém Aveia Depende Cuscuz de milho Shoyu Depende Chocolate ao leite Depende Granola Depende Cervejas Depende Granola Depende Depende Epidemiologia Sinais e sintomas Como a doença pode se apresentar: ASSOCIAÇÃO COM OUTRAS DOENÇAS Doenças Autoimunes Diabetes Mellitus tipo I (DM 1) Tireoidite autoimune Artrite reumatoide Hepatite autoimune Síndromes Genéticas Síndrome de Down Síndrome de Turner Imunodeficiências Deficiência seletiva de Imunoglobulina A Como diagnosticar? TSTES SOROLÓGICOS Grupo de risco – familiar de primeiro grau com DC ou portador de doença autoimune ou cromossomopatia. antigliadina convencionais (AGA) apresentam um valor baixo para o diagnóstico, tornando-se obsoletos anticorpos antitransglutaminase (tTG), anti- endomísio (EMA) e antigliadinadesamidada (DGPs) alta especificidade e sensibilidade Como é possível identificar? ENDOSCOPIA DIGESTIVA ALTA COM BIÓPSIA INTESTINAL PADRÃO OURO A atrofia das vilosidades é o estágio mais avançado de DC e pode levar anos ou décadas para se desenvolver. Portanto, os pacientes com DC podem apresentar sintomas antes de apresentarem achados histológicos. Como é possível identificar? TESTE GENÉTICO Se a pessoa NÃO tiver HLA-DQ2 nem HLA-DQ8: É muito improvável que ela tenha Doença Celíaca. A ausência desses genes praticamente exclui o diagnóstico. Se a pessoa tiver HLA-DQ2 ou HLA-DQ8: Não significa, obrigatoriamente, que ela tem a doença. Até 30% da população saudável possui esses genes, mas nunca vai desenvolver a Doença Celíaca. FLUXOGRAMA PARA DIAGNÓSTICO DA DOENÇA CELÍACA Qual a importância do nutricionista Dietético e consiste excluir definitivamente da alimentação o trigo, centeio, cevada, malte e aveia; Na fase inicial do tratamento - má absorção de sacarose e lactose, portanto esses dissacarídeos devem ser retirados da alimentação e introduzidos gradativamente nas semanas seguintes; Contaminação cruzada – alimentos armazenados, processados ou manipulado no mesmo ambiente ou/e uso de utensílios contaminados com glúten; Educação nutricional – leitura de rótulos. O que se sabe sobre Intolerância a lactose? Intolerância a lactose Série de sintomas gastrointestinais após o consumo de alimentos que contêm lactose formas mais comuns Lactose - CHO presente no leite de todos os mamíferos Processo A lactose que não é hidrolisada em galactose e glicose permanece no intestino e atua osmoticamente para atrair a água para o intestino Fermentação As bactérias colônicas fermentam a lactose não digerida Produtos Ácido Lático dióxido de carbono gás hidrogênio Intolerância a lactose Lactase A lactose pode ser detectada na borda em escova a partir da 8ª semana de gestação, entretanto seu nível se mantem baixo até a 27ª e 32ª semana, quando se eleva rapidamente e atinge seu pico máximo no recém-nascido a termo; Em certas populações, a atividade da lactase começa a diminuir na infância, na faixa etária escolar, entretanto, esta redução enzimática pode ocorrer em qualquer idade, a partir do primeiro ou segundo ano de vida e após os 60 anos; Na maioria dos mamíferos, após o desmame a atividade da enzima atinge concentrações não detectáveis. No homem, observa-se que 30% da população mundial apresenta uma persistência da atividade da lactase depois do desmame até a vida adulta. Sinais e Sintomas Etiologia A intolerância à lactose pode ser decorrente das seguintes causas: Intolerância à lactose congênita; Intolerância à lactose primária ou hipolactasia primária do adulto; Intolerância à lactose secundária; Hipolactasia do prematuro. Muito rara, autossômica recessiva, extremamente grave e decorrente de uma deficiência congênita de lactase Na falta de diagnóstico precoce pode levar ao óbito; Poucos casos na literatura - crianças finlandesas Sintomas aparecem no período neonatal logo após a primeira ou segunda mamada Recém nascido apresenta diarreia aquosa volumosa, distensão abdominal, vômitos, desidratação e perde de eletrólitos. Dieta restritiva de lactose os sintomas desaparecem e os recém nascidos irão apresentar crescimento e desenvolvimento normal INTOLERÂNCIA À LACTOSE CONGÊNITA Mais comum, definida como um declínio fisiológico gradual da atividade da lactase após o desmame. Declínio na produção de lactase é geneticamente programado e inicia por volta dos 4 a 5 anos de idade. Não é comum antes dos 2 a 3 anos de idade. §70% da população mundial. INTOLERÂNCIA À LACTOSE PRIMÁRIA Ocorre na vigência de doenças que lesam a mucosa do intestino delgado e consequente perda da área absortiva Dentre as carboidrases, o lactase é a primeira que se reduz por se encontrar mais no ápice das vilosidades e estar frouxamente ligada à borda estriada do enterócito. Causas secundárias: agressão causada por agente infeccioso (viral ou bacteriano), infecção intestinal aguda prolongada (diarreia persistente) ou por vários episódios de diarreia aguda, doença celíaca, doença inflamatória intestinal (em especial doença de Crohn), enteropatia induzida por alergia alimentar, enterites induzidas por drogas e radiação e na desnutrição proteico energética. INTOLERÂNCIA À LACTOSE SECUNDÁRIA Denominada deficiência neonatal de lactase Observada em prematuros com menos de 32 semanas de gestação, em razão da atividade reduzida de lactase Temporária HIPOLACTASIA DO PREMATURO DIAGNÓSTICO TESTE DE TOLERÂNCIA À LACTOSE POR CURVA GLICÊMICA Se a pessoa possui atividade normal da lactase, a lactose será quebrada em glicose e galactose, aumentando a glicemia. Elevação ≥ 20 mg/dL em relação ao valor basal indica tolerância normal à lactose. Se há deficiência de lactase, a lactose não é digerida adequadamente. Assim: → A glicemia não sobe ou sobe menos de 20 mg/dL após a ingestão. DIAGNÓSTICO TESTE DE TOLERÂNCIA À LACTOSE POR CURVA GLICÊMICA TESTE DE HIDROGÊNIO NO AR EXPIRADO Baseia-se no hidrogênio produzido pela fermentação da lactose no cólon. Cerca de 16% a 20% difunde-se pela mucosa colônica, passa pela corrente sanguínea e é eliminado pelos pulmões. Os pacientes ingerem uma dose padronizada de lactose (2g/kg, máximo 25g) e segue-se a coleta do ar expirado; O valor basal (jejum) de hidrogênio deve ser menor que 10 ppm e aumento após a ingestão de lactose acima de 20 ppm, durante um período de 2 a 3 horas é significativo de má absorção. TESTE DE HIDROGÊNIO NO AR EXPIRADO DIAGNÓSTICO TESTE GENÉTICO DE INTOLERÂNCIA À LACTOSE §É um teste que analisa o gene MCM6, responsável pela regulação da produção de lactase. É realizado através da análise de amostra da saliva em laboratório e o resultado é disponibilizado através de um laudo genético; §Não há necessidade de ingestão de lactose, desta forma esse tipo de teste não gera desconfortos gastrointestinais em pacientes intolerantes. Nãodetecta a intolerância secundária Mensura a atividade da lactase em fragmento de mucosa intestinal. É utilizado principalmente em pesquisa. DIAGNÓSTICO BIOPSIA INTESTINAL Utilização: Pesquisa Tratamento Excluir leite e derivados Retirar leite e produtos lácteos tradicionais. Substituições possíveis: ➤ Opção 1: Leites e derivados com adição de enzima lactase (produzidos pela indústria). ➤ Opção 2: Produtos de origem vegetal: Bebidas vegetais (soja, amêndoas, aveia, etc.). Atenção: Garantir ingestão adequada de cálcio. Alimentos que podem ser tolerados: Produtos lácteos fermentados: Iogurte Coalhada Queijos maturados Contêm microrganismos vivos com beta-galactosidase → facilitam a digestão da lactose. Ebook MITOS E VERDADES SOBRE A INTOLERÂNCIA À LACTOSE https://sensibilidadealimentar.com.br/wp-content/uploads/2016/08/EBOOK-LACTOSE.pdf Shills A lactase exógena é obtida de leveduras produtoras de beta-galactosidases. Está disponível na forma de pó solúvel, cápsulas ou tabletes administrados quando se ingere leite ou derivados; §Eventualmente pode não ser capaz de hidrolisar toda a lactose da dieta devido ao tipo de levedura e da dose da enzima que são utilizadas. LACTASE EXÓGENA APLV O que é APLV? Alergia alimentar mais comum em crianças até os 3 anos de idade Depois dessa idade, é muito raro que a APLV seja diagnosticada, Definida como uma resposta imunomediada às proteínas do leite de vaca, principalmente à caseína (proteína do coalho) e às proteínas do soro (alfa-lactoalbumina e beta-lactoalbumina), que ocorre após a sua ingestão. fórmulas a base de leite de vaca ou passado para o leite da mãe. Como acontece? Não é totalmente esclarecido, entretanto sabe-se que APLV pode ser mediada por Imunoglobulina E (IgE) ou não mediada por IgE Mediada por IgE: imediato, ocorre minutos até 2 horas após a ingestão de leite. Não mediada por IgE: tardio, ocorre > 2 horas até 7 dias após o consumo. Mediada por IgE: Aparecimento abrupto de edema oral e facial, eritema, vômitos, regurgitação, diarreia aguda, dor abdominal, irritabilidade, alto risco de edema de glote e anafilaxia. SINAIS E SINTOMAS Não mediada por IgE início insidioso (lento) de vômitos, regurgitação, dor abdominal, diarreia mucossanguinolenta, colite alérgica, tenesmo, irritabilidade, distúrbio de crescimento, anemia, anorexia, hipoproteinemia. SINAIS E SINTOMAS Diagnóstico Essencialmente clínico- ingestão a PTN do leite Se iniciada a introdução alimentar, questionar sobre a ingestão de leite; Se amamentada, inquerir a mãe sobre a ingestão de lácteos; Se os sintomas cessam com a retirada de lácteos da dieta; Deverá ser questionado sobre o consumo de outros alimentos alergênicos. Anamnese bem detalhada Mediada ou Não mediada por IgE EXAMES COMPLEMENTARES O teste de IgE cutâneo deve ser realizado apenas em centros especializados bem equipados para gestão de anafilaxia e outras reações graves. Diagnóstico Os exames endoscópicos e biópsia do trato gastrointestinal são raramente indicados. Diagnóstico TESTE DE PROVOCAÇÃO ORAL - TPO Padrão ouro no diagnóstico Consiste na ingestão gradual de alimentos que contenham proteína do leite de vaca = causa e efeito Deve ser realizado sob observação médica e em ambiente adequado para oferecer assistência em caso de haver reações graves especialmente em crianças com APLV mediada por IgE. Rigoroso e prolongado Dupla finalidade: retirar o alérgeno da dieta, + consequências fisiopatológicas do quadro clínico (ex: em casos de diarreia, reduzir alimentos laxativos e fermentativos). TRATAMENTO Estímulo ao aleitamento materno; Exclusão da proteína alergênica da dieta. No caso de crianças em aleitamento, a mãe também deverá seguir dieta - de proteína do leite de vaca; Prescrição de dieta substituta (fórmula infantil) que proporcione todos os nutrientes necessários até a introdução alimentar; Prescrição de alimentação complementar após completar 6 meses de idade. Fórmula infantis SUSPENÇÃO OU INTERRUPÇÃO DO TRATAMENTO Tempo de recuperação: Recuperação total (tolerância): geralmente ocorre entre 2 a 3 anos. Quase todas as crianças estão em dieta normal (geral) até os 5 anos, especialmente nos casos não mediados por IgE Transição das fórmulas: Deve ser feita de forma gradual. Ordem: fórmula de menor alergenicidade → fórmula de maior alergenicidade → fórmula de rotina. Intervalos entre substituições dependem da gravidade do caso. Nunca iniciar antes dos 6 meses de idade. Acompanhamento médico: Toda a evolução deve ocorrer sob supervisão do pediatra. O profissional fará o monitoramento clínico e a avaliação dos riscos. Bom descanso!! Diarreia Consistência Frequência Fezes que provocam urgência ou desconforto abdominal 2ᵃ maior causa de mortalidade mundial Crianças diarreia! 20% das diarreias: Clostridium difficile; Restante das diarreias: geralmente branda e autolimitada. AIDS HIV - terapia antirretroviral -> diarreia graças a inibidores da protease. Creches Fazem colonização com baixas doses de inóculo: p.ex, Shigella, Giardia, Cryptosporidium; ou Se disseminam com facilidade: p.ex., rotavírus, astrovírus, adenovírus 10 a 20%: ataques secundários a pais e irmãos Aguda Diarreia Síndrome de má absorção Gordura - Esteatorreia (característica princial de má absorção) Nem sempre dá diarreia: sinais clínicos de deficiências de vitaminas e minerais Condições que prejudicam a Digestão Intraluminal: Mistura Prejudicada; • Deficiência da Lipólise; • Pancreatite Crônica; • Deficiência na Formação de Micelas; • Doença ou Ressecção do Íleo; Condições que prejudicam a absorção pela mucosa: Deficiência de lactase • Doença celíaca • Espru tropical Infecção: Giardia lamblia • HIV • Doença de Whipple • Doença do Enxerto-versus-Hospedeiro • Síndrome do Intestino Curto Condições que comprometem o Transporte de Nutrientes até a Circulação Sistêmica Crônica Sem diagnóstico prévio Investigação inconclusiva Dietoterapia na diarreia aguda SBP – Sociedade Brasileira de Pediatria. Diarreia Aguda infecciosa. Departamento Científico de Gastroenterologia (gestão 2022-2024). 2023. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf Dietoterapia na diarreia aguda SBP – Sociedade Brasileira de Pediatria. Diarreia Aguda infecciosa. Departamento Científico de Gastroenterologia (gestão 2022-2024). 2023. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdfSB P – So ci ed ad e Br as ile ira d e Pe di at ria . D ia rr ei a Ag ud a in fe cc io sa . D ep ar ta m en to C ie nt ífi co d e Ga st ro en te ro lo gi a (g es tã o 20 22 -2 02 4) . 2 02 3. ht tp s: // w w w .s bp .c om .b r/ fil ea dm in /u se r_ up lo ad /s bp /2 02 3/ ju nh o/ 14 /2 40 48 aP RE SS -G PA - Di ar re ia _A gu da _I nf ec ci os a- pS IT E. pd f. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf Dietoterapia na diarreia aguda PLANO A Aumento da ingestão de água e outros líquidos incluindo SRO, principalmente após cada episódio de diarreia, pois dessa forma evita- se a desidratação; não utilizar refrigerantes e de preferência não adoçar chás ou sucos; Manutenção da alimentação habitual; continuidade do aleitamento materno; Retorno do paciente ao serviço, caso não melhore em dois dias ou apresente piora da diarreia, vômitos repetidos, muita sede, recusa de alimentos, sangue nas fezes ou diminuição da diurese; Orientação sistemática do paciente/responsável/acompanhant e para reconhecer os sinais de desidratação; preparar adequadamente e administrar a SRO e praticar ações de higiene pessoal e domiciliar (lavagem adequada das mãos, tratamento da água e higienização dos alimentos); Administração de zinco uma vez ao dia, durante 10 a 14 dias (até os 6 meses de idade 10mg/dia e em maiores de 6 meses até os 5 anos de idade 20mg/dia) Consiste em cinco etapas direcionadas ao paciente hidratado para realizar no domicílio: SBP – Sociedade Brasileira de Pediatria. Diarreia Aguda infecciosa. Departamento Científico de Gastroenterologia (gestão 2022-2024). 2023. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia Aguda Infecciosa-pSITE.pdf. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf Dietoterapia na diarreia aguda PLANO A SBP – Sociedade Brasileira de Pediatria. Diarreia Aguda infecciosa. Departamento Científico de Gastroenterologia (gestão 2022-2024). 2023. https://www sbp com br/fileadmin/user upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia Aguda Infecciosa-pSITE pdf https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf Dietoterapia na diarreia aguda PLANO B Consiste em três etapas direcionadas ao paciente com desidratação, porém sem gravidade, com capacidade de ingerir líquidos, que deve ser tratado com SRO na Unidade de Saúde, onde permanecerá até a reidratação completa. Ingestão de solução de SRO, inicialmente em pequenos volumes e aumento da oferta e da frequência aos poucos. A quantidade a ser ingerida dependerá da sede do paciente, mas deve ser administrada continuamente até que desapareçam os sinais da desidratação; Reavaliação do paciente constantemente, pois o Plano B termina quando desaparecem os sinais de desidratação, a partir de quando se deve adotar ou retornar ao Plano A; Orientação do paciente/responsável/acompanhante para reconhecer os sinais de desidratação; preparar adequadamente e administrar a solução de SRO e praticar ações de higiene pessoal e domiciliar (lavagem adequada das mãos, tratamento da água e higienização dos alimentos). SBP – Sociedade Brasileira de Pediatria. Diarreia Aguda infecciosa. Departamento Científico de Gastroenterologia (gestão 2022-2024). 2023. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf Dietoterapia na diarreia aguda PLANO B Se o paciente desidratado, durante o tratamento com o PLANO B, apresentar vômitos persistentes, deve-se administrar uma dose de antiemético ondansetrona (Quadro 5). Existe alerta ANVISA para não usar em gestantes.1 Avaliar cautelosamente uso em lactentes. Caso após seis horas de tratamento, não houver melhora da desidratação, encaminhar ao hospital de referência para internação1, mas na prática considera-se prudente encaminhar se não ocorrer melhora após três a quatro horas. No PLANO B estima-se que sejam necessários 50 a 100 mL/kg de SRO em quatro a seis horas. SBP – Sociedade Brasileira de Pediatria. Diarreia Aguda infecciosa. Departamento Científico de Gastroenterologia (gestão 2022-2024). 2023. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf Dietoterapia na diarreia aguda PLANO B O aleitamento materno pode ser mantido, se for tolerado. A alimentação habitual deve ser reiniciada após a fase de reidratação. Pacientes que evoluem com piora ou não resposta ou ainda apresentam doenças graves associadas, principalmente com alteração do sensório, devem receber hidratação venosa de imediato. É importante avaliar a necessidade de adequações nutricionais para os pacientes desnutridos moderados e graves. Se existir dúvida quanto à classificação do paciente entre PLANO B ou PLANO C, deve-se considerar o pior cenário, estando indicado o PLANO C. SBP – Sociedade Brasileira de Pediatria. Diarreia Aguda infecciosa. Departamento Científico de Gastroenterologia (gestão 2022-2024). 2023. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf Dietoterapia na diarreia aguda PLANO C Está indicado nos quadros de desidratação grave, com perda de peso maior que 10%. O diagnóstico é realizado pela presença de pelo menos dois dos seguintes sinais, sendo ao menos um destacado com asterisco: Sinais de coma*, Hipotonia*, Letargia* ou inconsciência*; Olhos fundos; Incapacidade de ingerir líquidos; Lágrimas ausentes; Boca muito seca; Sinal da prega abdominal desaparece muito lentamente (mais que dois segundos); Pulsos periféricos fracos ou ausentes*. Sinais de choque hipovolêmico como perfusão lentificada e taquicardia importante são aparentes nessa fase. A acidose metabólica e outros distúrbios hidroeletrolíticos podem acompanhar os episódios de desidratação grave. SBP – Sociedade Brasileira de Pediatria. Diarreia Aguda infecciosa. Departamento Científico de Gastroenterologia (gestão 2022-2024). 2023. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf Dietoterapia na diarreia aguda PLANO C O Plano C consiste em duas fases de reidratação endovenosa destinada ao paciente com desidratação grave. Nessa situação o paciente deverá ser transferido o mais rapidamente possível. Os primeiros cuidados na unidade de saúde são importantíssimos e já devem ser efetuados à medida que o paciente seja encaminhado ao serviço hospitalar de saúde. Realizar reidratação endovenosa no serviço saúde (fases rápida e de manutenção); O paciente deve ser reavaliado após duas horas, se persistirem os sinais de choque, repetir a prescrição; caso contrário, iniciar balanço hídrico com as mesmas soluções preconizadas; Administrar por via oral a solução de SRO em doses pequenas e frequentes, tão logo o paciente aceite. Isso acelera a sua recuperação e reduz drasticamente o risco de complicações; Suspender a hidratação endovenosa quando o paciente estiver hidratado, com boa tolerância à solução de SRO e sem vômitos. SBP – Sociedade Brasileira de Pediatria. Diarreia Aguda infecciosa. Departamento Científico de Gastroenterologia (gestão 2022-2024). 2023. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf.https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf Dietoterapia na diarreia aguda PLANO C SBP – Sociedade Brasileira de Pediatria. Diarreia Aguda infecciosa. Departamento Científico de Gastroenterologia (gestão 2022-2024). 2023. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf Dietoterapia na diarreia aguda PLANO C SBP – Sociedade Brasileira de Pediatria. Diarreia Aguda infecciosa. Departamento Científico de Gastroenterologia (gestão 2022-2024). 2023. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf ATENÇÃO AOS PACIENTES DESNUTRIDOS Atenção especial deve ser dada aos pacientes desnutridos graves, com ou sem edema. Neles é mais difícil a avaliação do quadro de desidratação, pois podem confundir com os sinais de desnutrição. É importante avaliar a atividade geral do paciente, características do pulso, frequência cardíaca e fluxo de extremidades. A OMS recomenda concentrações menores de sódio (45 mmol/L) e maiores de potássio (40 mmol/l) e de glicose (125mmol/L). SBP – Sociedade Brasileira de Pediatria. Diarreia Aguda infecciosa. Departamento Científico de Gastroenterologia (gestão 2022-2024). 2023. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf ATENÇÃO AOS PACIENTES DESNUTRIDOS A solução original preconizada contém oligoelementos. No nosso meio, esta solução não está disponível, devendo ser preparada pelos profissionais de saúde, diluindo o sachê do SRO (contendo 90mEq/L) em 2 litros de água e, a seguir, acrescentando cloreto de potássio e glicose até atingir a concentração de 40mEq de potássio e 30g de glicose por litro. Na hidratação venosa não se deve superestimar a desidratação, evitando sobrecarga hídrica, devendo ser administrado 10 mL/Kg de SF 0,9%, com avaliação frequente a cada hora. É importante avaliar deficiências nutricionais específicas e tratar de forma adequada, como por exemplo, a deficiência de Vitamina A, além da reposição de zinco SBP – Sociedade Brasileira de Pediatria. Diarreia Aguda infecciosa. Departamento Científico de Gastroenterologia (gestão 2022-2024). 2023. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf PROBIÓTICOS Em fevereiro de 2023 foi publicado pela ESPGHAN o posicionamento com relação ao uso de Probióticos no tratamento dos distúrbios gastrointestinais pediátricos, incluindo as diarreias agudas. O documento teve como método a busca de documentos anteriores da ESPGHAN como revisões sistemáticas, metanálises e estudos randomizados publicados até 2021 com cepas especificas ou suas combinações testadas em pelo menos dois estudos randomizados duplo cegos. SBP – Sociedade Brasileira de Pediatria. Diarreia Aguda infecciosa. Departamento Científico de Gastroenterologia (gestão 2022-2024). 2023. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf PROBIÓTICOS Três cepas e uma mistura de duas cepas foram recomendadas no tratamento da diarreia aguda de acordo com a ESPGHAN 2022 e 2023: Saccharomyces boulardii cepa específica CNCM I-745: na dose de 250–750mg/dia, por 5 a 7 dias, Lacticaseibacillus rhamnosus GG ATCC53103: na dose de ≥1010 unidades formadoras de colônia (UFC) /dia, por 5 a 7 dias; Limosilactobacillus reuteri DSM 17938: doses diárias 1×108 a 4×108 UFC, por 5 a 7 dias; L. rhamnosus 19070-2 & L. reuteri DSM 12246: dose de 106 UFC de cada cepa duas vezes ao dia por 5 dias. SBP – Sociedade Brasileira de Pediatria. Diarreia Aguda infecciosa. Departamento Científico de Gastroenterologia (gestão 2022-2024). 2023. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf PROBIÓTICOS As cepas testadas reduzem, em média, um dia da duração de diarreia. Não está recomendada a combinação de Lactobacillus helveticus R0052 e L. rhamnosus R0011 para o tratamento da gastroenterite aguda devido à falta de eficácia. Da mesma forma, as cepas de Bacillus clausii O/C, SIN, N/R e T não estão indicadas. SBP – Sociedade Brasileira de Pediatria. Diarreia Aguda infecciosa. Departamento Científico de Gastroenterologia (gestão 2022-2024). 2023. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf Dietoterapia na diarreia crônica Tratamento depende da causa de base Terapia de suporte com reidratação oral (se necessário, endovenosa) Tratamento sintomático: loperamida ou opiáceos (anti-motilidade) Probióticos (resultados duvidosos) Antibioticoterapia empírica ou antiparasitários: em locais endêmicos para parasitoses SBP – Sociedade Brasileira de Pediatria. Diarreia Aguda infecciosa. Departamento Científico de Gastroenterologia (gestão 2022-2024). 2023. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2023/junho/14/24048aPRESS-GPA-Diarreia_Aguda_Infecciosa-pSITE.pdf Vamos continuar...