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Emília Ferreiro e Ana Teberosky
Estudo:
Psicogênese da Língua Escrita
O que é a Psicogênese da Língua Escrita?
	A psicogênese da língua escrita é uma teoria que estuda como se organiza o pensamento das crianças durante a aprendizagem da leitura e da escrita, concebendo-as como protagonistas desse processo. O livro “Psicogênese da língua Escrita”, publicado por Ferreiro e Teberosky, apresenta estudos pioneiros sobre essa abordagem. 
Psicogênese significa “Estudo da origem e desenvolvimento dos processos mentais ou psicológicos, da mente ou da personalidade”. 
Para resumo...
Quem criou a Psicogênese da Língua Escrita?
Os dois maiores expoentes dessa teoria são as estudiosas Emília Ferreiro e Ana Teberosky. Foi no ano de 1979, fundamentadas por inúmeras pesquisas relacionadas ao tema, que essas duas teóricas publicaram a obra Psicogênese da Língua Escrita. 
A primeira delas, a psicóloga Emília Ferreiro, é de nacionalidade Argentina e teve como orientador, o psicopedagogo Jean Piaget, outra grande referência entre os teóricos da Educação.
A segunda pesquisadora, Ana Leonor Teberosky, é uma psicopedagoga também de nacionalidade Argentina, mas que há tempos reside e trabalha na cidade de Barcelona, Espanha.
Quais são os níveis da Psicogênese da Língua Escrita?
	Os quatro mais importantes são: nível pré-silábico, silábico sem valor sonoro e com valor sonoro, silábico-alfabético e alfabético. No entanto, alguns teóricos incluem também a fase icônica e a garatuja.
ETAPAS
DO
PROCESSO
Alfabético
Silábico -alfabético
Silábico
Pré-silábico
Mão na
massa
PRÉ-SILÁBICO
01
 A criança ainda não entende que a escrita registra a sequência de “pedaços sonoros” das palavras;
 Num momento muito inicial, a criança, ao distinguir desenho de escrita, começa a produzir rabiscos, bolinhas e garatujas que ainda não são letras;
- À medida que vai observando as palavras ao seu redor (e aprendendo a reproduzir seu nome próprio ou outras palavras), ela passa a usar letras, mas sem estabelecer relação entre elas e as partes orais da palavra que quer escrever. Ou seja, ainda não compreende que o que a escrita representa (nota) são os sons da fala e não os próprios objetos com suas características. 
Características
- Pode, inclusive, apresentar o que alguns estudiosos chamaram de realismo nominal, que a leva a pensar que coisas grandes seriam escritas com muitas letras, ao passo que coisas pequenas seriam escritas com poucas letras.
A criança cria duas hipóteses absolutamente originais: 
- A hipótese de quantidade mínima, segundo a qual é preciso ter no mínimo 3 (ou 2) letras para que algo possa ser lido; e 
- A hipótese de variedade, ao descobrir que, para escrever palavras diferentes, é preciso variar a quantidade e a ordem das letras que usa, assim como o próprio repertório de letras que coloca no papel.
SILÁBICO
02
Características
 A criança descobre que o que coloca no papel tem a ver com as partes orais que pronuncia, ao falar as palavras. Ingressa, assim, no período denominado por Ferreiro de “fonetização” da escrita (FERREIRO, 1985). 
 Num momento de transição inicial, a criança ainda não planeja, cuidadosamente, quantas e quais letras vai colocar para cada palavra, mas demonstra que está começando a compreender que a escrita nota a pauta sonora das palavras, porque, ao ler o que acabou de escrever, busca fazer coincidir as sílabas orais que pronuncia com as letras que colocou no papel, de modo a não deixar que sobrem letras (no que escreveu).
As escritas silábicas estritas seguem uma regra exigente: uma letra para cada sílaba pronunciada. Tais escritas podem ser de dois tipos: 
- silábicas quantitativas ou “sem valor sonoro”, nas quais a criança tende a colocar, de forma rigorosa, uma letra para cada sílaba pronunciada, mas, na maior parte das vezes, usa letras que não correspondem a segmentos das sílabas orais da palavra escrita. 
- silábicas qualitativas ou “com valor sonoro”, nas quais a criança se preocupa não só em colocar uma letra para cada sílaba da palavra que está escrevendo, mas coloca letras que correspondem a sons contidos nas sílabas orais daquela palavra. 
SILÁBICO-ALFABÉTICO
03
Características
 Um novo e enorme salto qualitativo ocorre e a criança começa a entender que o que a escrita nota ou registra no papel tem a ver com os pedaços sonoros das palavras, mas que é preciso “observar os sonzinhos no interior das sílabas”.
 Começa, assim, a compreender, da mesma forma que os indivíduos já alfabetizados, o como a escrita nota a fala, percebendo que as letras representam sons menores que as sílabas, embora ainda oscile entre registrá-las com apenas uma letra (hipótese silábica) e registrá-las observando as relações entre grafemas-fonemas (hipótese alfabética). 
ALFABÉTICO
04
Características
 As crianças escrevem com muitos erros ortográficos, mas já seguindo o princípio de que a escrita nota, de modo exaustivo, a pauta sonora das palavras, colocando letras para cada um dos “sonzinhos” que aparecem em cada sílaba, pois acreditam que a escrita é a transcrição exata da fala. 
 É apenas nesta fase que as crianças devem começar a refletir de forma sistemática sobre as convenções ortográficas, assim como só a partir daí é que se recomenda a escrita frequente em letra cursiva. 
“Devemos estar alertas, no entanto, para o fato de que ter alcançado uma hipótese alfabética não é sinônimo de estar alfabetizado. Se já compreendeu como o SEA funciona, a criança tem agora que dominar as convenções som-grafia de nossa língua. A consolidação da alfabetização, direito de aprendizagem a ser assegurado nos segundo e terceiro anos do primeiro ciclo, é o que vai permitir que nossas crianças leiam e produzam pequenos textos, com autonomia [...]” (BRASIL, 2012, p. 19, grifos nossos).
MÃO NA MASSA
Analisando escritas
“Por trás de uma mão que pega o lápis, dos olhos que olham, dos ouvidos que escutam, há uma criança que pensa.”
Emília Ferreiro
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