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Fases do crescimento e desenvolvimento 
é um fenômeno que envolve variados eventos celulares decorrentes da 
ação de hormônios e de fatores de crescimento, além de ser 
macroscopicamente representado pelo aumento da massa corporal e de 
ser considerado um dos indicadores de saúde mais importantes da 
criança. 
De acordo com a clínica pediátrica, o ser humano normalmente passa por 
algumas etapas durante esse processo, de modo a atingir a estatura a 
qual levará à vida adulta. Nesse texto, discutiremos as características 
intrínsecas a tais etapas e os principais atores envolvidos. 
Crescimento versus Desenvolvimento 
Apesar de serem sinônimos no dicionário, na prática médica detêm de 
significados diferentes. Utilizamos a palavra crescimento para designar o 
aumento físico, de modo que ele representa os processos de hipertrofia e 
hiperplasia celulares, e seu estudo inclui a avaliação de peso e altura da 
criança com o passar do tempo. Por outro lado, 
o desenvolvimento corresponde ao ganho de função e/ou aquisição de 
habilidade pela criança e pelo adolescente como, por exemplo, as 
habilidades neuropsicomotoras e as funções sexuais, respectivamente. 
Visto que temos essa distinção em mente, podemos compreender melhor 
as fases do crescimento normal pelas quais a criança e o adolescente 
passam. 
Fases do crescimento normal 
Crescimento pré-natal 
É o período de crescimento e desenvolvimento mais intensos, em que o 
feto aumenta consideravelmente de tamanho e tem todos os seus 
aparelhos e sistemas formados. 
O tamanho de um recém-nascido depende tanto de fatores intrínsecos 
(fatores genéticos) quanto extrínsecos, especialmente por influência 
materna, tal como: alimentação adequada, prática e intensidade de 
atividade física, tabagismo, utilização de fármacos, comorbidades prévias, 
dentre outros. Ao longo da gestação, hormônios de diferentes origens 
atuam tanto no crescimento quanto no desenvolvimento do feto. São eles: 
• Origem materna: hormônios tireoidianos (durante o primeiro 
trimestre). 
• Origem placentária: hormônio lactogênico placentário -
somatotrofina somatomamotropina coriônica. 
• Origem fetal: hormônio do crescimento (GH), insulina fetal, 
cortisol, hormônios hipofisários e hormônios tireoidianos (a 
partir do segundo trimestre). 
Crescimento na primeira infância (0-2 anos) 
Durante o primeiro ano de vida, o crescimento é mais notável, evidenciado 
por um aumento de cerca de 25cm no comprimento da criança. 
Como atores principais, destacam-se os hormônios tireoidianos e também 
uma maior síntese e secreção de GH. De modo semelhante, a nutrição 
adequada é essencial para os processos de crescimento e 
desenvolvimento após o nascimento, sendo cerca de 40% das calorias 
ingeridas desviadas para esse propósito no primeiro ano de vida. Os 
carboidratos consistem na principal fonte de energia, e as proteínas são 
elementos estruturais fundamentais. 
Para mais, fatores externos são de grande importância nesse período. 
Crianças vítimas de violência doméstica ou com problemas em relação à 
afetividade podem apresentar menor estatura e atraso no 
desenvolvimento biopsicossocial quando em comparação a crianças que 
detêm de um ambiente familiar estável e acolhedor. Atividades físicas, de 
forma análoga, apresentam impactos no crescimento e desenvolvimento, 
porém positivos, pois crianças que as praticam em frequência e 
intensidade adequadas podem exibir maior altura e evolução em 
habilidades relativas à coordenação, velocidade, flexibilidade e cognição. 
Crescimento na segunda (3-6 anos) e terceira infância (7-12 anos) 
Nessa etapa as crianças normalmente atingem uma taxa estável de 
crescimento e, geralmente, não há diferença significativa entre meninos e 
meninas, fato o qual tende a se manter até a puberdade. Destacam-se os 
hormônios tireoidianos e o GH; entre os 6 e 8 anos ocorre a adrenarca e o 
consequente aumento da secreção de hormônios anabólicos adrenais, 
podendo ocasionar um pequeno pico de crescimento. 
Durante essa fase, tanto a nutrição como os fatores externos são 
igualmente importantes para o crescimento e desenvolvimento, como 
também são na primeira infância. 
Crescimento na puberdade e adolescência (12-18 anos) 
Consiste na fase final de crescimento, na qual meninas e meninos 
crescem cerca de 20 e 25 cm, respectivamente. Com o advento da 
puberdade há intensificação na síntese de hormônios esteroides sexuais, 
que promovem maior secreção de GH e de fator de crescimento 
semelhante à insulina-1 (IGF-1). 
Assim sendo, o pico do crescimento acontece em estágios mais 
posteriores da puberdade – em torno de 12 anos, em meninas, e 14 anos, 
em meninos. Ao final desse período, os hormônios esteroides são 
responsáveis pela diminuição dos discos epifisários, até finalmente se 
fecharem, de maneira que os indivíduos atingem sua altura máxima. 
O que são os discos epifisários? 
Os discos epifisários são estruturas constituídas de cartilagem hialina as 
quais servem de molde para a formação de ossos longos e curtos. Com o 
crescimento, há deposição de matriz óssea até que o tecido cartilaginoso 
seja substituído, restando apenas os pontos de articulação e a linha 
epifisária, indicando onde se localizava o disco. 
Essa fase compreende profundas mudanças nos contextos físico, 
psicológico e social do indivíduo, as quais podem refletir nas relações 
consigo mesmo e com o coletivo. Ao longo da adolescência, cuja base é a 
puberdade, são desenvolvidos os caracteres sexuais secundários e o 
indivíduo alcança a maturidade sexual. Aliado a esse fato, surgem 
preocupações e ansiedades acerca das mudanças corporais, da própria 
identidade, e eles iniciam a descoberta pela própria sexualidade. Nesse 
período também advém a maior necessidade de privacidade e de integrar 
grupos sociais; é adquirida a autoconsciência sobre aparência, sobre 
atração e sobre as consequências da impulsividade ao tomar decisões e, 
gradualmente, o jovem desenvolve sua autonomia e capacidade de 
distinguir seus valores individuais daqueles do grupo social e da família. 
Em paralelo às outras etapas do crescimento e desenvolvimento, essa 
fase também sofre a influência de fatores genéticos. Além disso, a boa 
nutrição e a prática de exercícios físicos adequados são de grande 
importância tanto para o desenvolvimento biológico quanto para o 
cognitivo e psicológico do adolescente. E mais que nunca, um ambiente 
familiar favorável e acolhedor pode interferir no desenvolvimento do 
indivíduo, pois as relações intrafamiliares repercutem nas relações do 
jovem com o coletivo e, inclusive, contribuem para o desenvolvimento de 
transtornos psicossomáticos. Trata-se de um período repleto de dúvidas – 
quanto ao próprio corpo, quanto aos novos sentimentos e às flutuações 
de humor, quanto à família, quanto à religião, etc. -, e uma forte rede de 
apoio exerce papel fundamental. 
Hormônios Reguladores do Crescimento 
Hormônio do Crescimento (GH) 
Tem importante papel anabólico ao amplificar a tradução do RNA e 
transporte de aminoácidos para o interior das células, potencializando a 
síntese proteica. Ele também reduz a proteólise e intensifica a produção 
de IGF-1 pelo fígado, por meio do qual efetua parte significativa de suas 
funções. Ademais, aumenta a proliferação de células osteogênicas e 
condrocíticas, bem como amplia a deposição de matriz extracelular e 
aumenta a utilização de ácidos graxos como fonte de energia. Sua 
secreção é estimulada pelo jejum, hipoglicemia, exercício físico e 
hormônio grelina. Por outro lado, ela é inibida por: somatostatina 
(hormônio contrarregulador), glicose sérica aumentada, elevação dos 
ácidos graxos livres, glicocorticóides, obesidade, e pelo próprio GF-1, o 
qual exerce um efeito de feedback negativo. 
 
 
 
 
Hormônios tireoidianos 
Eles possuem maior importância no crescimento pós-natal. Estão 
envolvidos em alguns processos importantesnos discos 
epifisários: maturação dos condrócitos, síntese de matriz cartilaginosa, 
mineralização e degradação ósseas. Tendo isso em vista, o 
hipotireoidismo na infância e adolescência causam atraso na maturação 
óssea e, consequentemente, no crescimento. Em contrapartida, o 
hipertireoidismo, nesse mesmo período, ocasiona aceleração no processo 
de crescimento, mas com o fechamento precoce das epífises, resultando 
numa altura final menor que a ideal. 
Hormônios sexuais esteroides 
Tanto em meninos quanto em meninas, os estrogênios afetam o 
crescimento por regularem a secreção e os efeitos do GH, uma vez que 
reduzem o feedback negativo exercido pelo IGF-1. Para mais, estimulam a 
deposição óssea ao estimular as células osteoblásticas e inibirem os 
osteoclastos. Entretanto, são os fatores finais que levam à fusão das 
epífises ao fim da puberdade em ambos os sexos. 
Em meninos, o hormônio testosterona leva a um efeito estimulante na 
secreção de GH. Há receptores para testosterona e outros andrógenos 
nas placas epifisárias, mas ainda não foram comprovados efeitos diretos 
no crescimento longitudinal. 
 
Hormônio leptina 
É conhecida como “hormônio da saciedade” e é predominantemente 
secretada pelas células adiposas, mas também pelo tecido ósseo, pela 
placenta e pela glândula pituitária. Estudos demonstraram seu 
envolvimento com a secreção de GH ao atuar no hipotálamo, bem como 
um papel estimulante na proliferação e diferenciação dos condrócitos, 
evidenciando sua relação com o crescimento. 
Conclusão 
Por fim, é importante compreender que uma gama de fatores atua no 
crescimento e desenvolvimento saudáveis da criança e do adolescente, e 
a deficiência ou comprometimento de um dos aspectos citados pode 
causar impactos negativos na evolução dos processos mencionados. 
Nesse sentido, cabe ao médico pediatra esclarecer ao paciente – caso em 
condições de entender – e à família a relevância de suprir tais 
necessidades para que o indivíduo atinja a idade adulta saudável e com 
pleno desenvolvimento biopsicossocial.

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