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1. Lesão Corporal Grave (Art. 129, §1º) Pena: Reclusão de 1 a 5 anos. Admite suspensão condicional do processo (pena mínima = 1 ano). Ocorrências típicas: · I - Incapacidade para ocupações habituais por mais de 30 dias Atividades do dia a dia (andar, comer, estudar, etc.), mesmo para crianças, aposentados e desocupados. Exige comprovação médica após 30 dias (crime a prazo). · II - Perigo de vida Risco real e imediato de morte. Ex.: sangramento grave, lesão em órgão vital. Necessário laudo médico com descrição técnica. · III - Debilidade permanente de membro, sentido ou função Redução irreversível da capacidade (ex.: visão reduzida, mancar). · IV - Aceleração do parto Nascimento prematuro, com dolo na lesão e culpa na antecipação do parto. Se há dolo para abortar, aplica-se tentativa de aborto (art. 125). 2. Lesão Corporal Gravíssima (Art. 129, §2º) Pena: Reclusão de 2 a 8 anos. Ocorrências típicas: · I - Incapacidade permanente para o trabalho Vítima não pode exercer qualquer atividade laboral. · II - Enfermidade incurável Doença permanente e irreversível (ex.: HIV transmitido dolosamente). · III - Perda ou inutilização de membro, sentido ou função Perda = amputação; inutilização = permanece no corpo, mas não funciona. Ex.: paraplegia, perda de audição bilateral. · IV - Deformidade permanente Marcas visíveis, permanentes e esteticamente vexatórias. Ex.: cicatrizes, queimaduras, mutilações visíveis. · V - Aborto Quando decorre culposamente da agressão dolosa. Se houver dolo no aborto, aplica-se art. 125 (aborto sem consentimento). 3. Lesão Corporal Seguida de Morte (Art. 129, §3º) Pena: Reclusão de 4 a 12 anos. Crime preterdoloso: dolo na lesão, culpa na morte. Ex.: facada na perna → hemorragia → morte. 4. Lesão Corporal Privilegiada (Art. 129, §4º) Redução da pena de 1/6 a 1/3 Se praticada por relevante valor moral/social ou sob violenta emoção logo após injusta provocação. 5. Lesão Corporal Leve com Substituição da Pena (Art. 129, §5º) Pena pode ser substituída por multa se: · Houver privilégio (motivo relevante ou violenta emoção); ou · Lesões forem recíprocas (ambos se lesionam). 6. Lesão Corporal Culposa (Art. 129, §6º) Pena: Detenção de 2 meses a 1 ano. · Ação penal pública condicionada à representação. · Permite perdão judicial (Art. 121, §5º). Causa de aumento de 1/3 se houver: · Inobservância de regra técnica; · Omissão de socorro; · Fuga para evitar flagrante. 7. Lesão Corporal em Violência Doméstica (Art. 129, §9º) Pena: Detenção de 2 a 5 anos (mesmo sendo lesão leve). Aplicável contra: · Parentes (ascendentes, descendentes, irmãos); · Cônjuges/companheiros (mesmo separados); · Pessoas com quem conviveu ou convive; · Situações de coabitação/hospitalidade. 8. Causas de Aumento de Pena · §10: Aumento de 1/3 em lesões graves, gravíssimas ou seguidas de morte quando praticadas em contexto doméstico/familiar. · §11: Aumento de 1/3 se a vítima for pessoa com deficiência. · §12: Aumento de 1 a 2/3 se a vítima for agente de segurança pública, no exercício ou por conta da função. ⚖️ Crimes de Perigo x Crime de Dano · Crime de dano: Exige efetiva lesão ao bem jurídico (ex: lesão corporal). · Crime de perigo: Basta a possibilidade de dano (ex: expor alguém ao contágio de doença). Tipos de perigo: · Individual: Afeta pessoa(s) determinada(s). · Coletivo: Afeta grupo indeterminado. Classificação: · Perigo concreto: Requer prova real de risco. · Perigo abstrato: Presume-se o perigo com base na conduta. 📌 Art. 130 – Perigo de Contágio Venéreo Conduta: Expor alguém ao contágio de moléstia venérea por ato sexual, sabendo ou devendo saber estar contaminado. Pena: Detenção de 3 meses a 1 ano ou multa. Características: · Objeto jurídico: Saúde e integridade física da vítima. · Crime de ação vinculada: Só se configura com ato sexual (cópula ou ato libidinoso). · Moléstia venérea: Ex. sífilis, gonorreia, HPV (AIDS não entra aqui). · Consentimento viciado: Vítima não sabe da doença. · Se houver estupro + exposição ao risco: Concurso formal com o art. 213. Sujeitos: · Ativo: Há divergência – para alguns, crime próprio (exige estar doente); para outros, comum. · Passivo: Qualquer pessoa (mesmo prostitutas ou pessoas do mesmo sexo). Elemento subjetivo: · Dolo direto ou eventual: Saber ou presumir que está doente. · §1º – Dolo de dano (intenção de transmitir): Reclusão de 1 a 4 anos + multa. · Mesmo que não haja transmissão, o crime se consuma. · Se houver lesão leve, prevalece o art. 130, §1º. · Se houver lesão grave ou gravíssima, responde por lesão corporal correspondente. Processual: · Ação penal: Pública condicionada à representação. · Competência: Juizado Especial (se no caput, por ser de menor potencial ofensivo). · Tentativa: Possível, mas difícil de provar. 📌 Art. 131 – Perigo de Contágio de Moléstia Grave Conduta: Com intenção de transmitir, praticar ato capaz de contaminar outrem com moléstia grave. Pena: Reclusão de 1 a 4 anos + multa. Características: · Objeto jurídico: Saúde pública e individual. · Crime de ação livre: Qualquer meio, exceto ato sexual (senão, aplica-se art. 130). · Exemplos de atos: Beijo forçado, espirro, compartilhamento de objetos contaminados etc. · Moléstias graves: AIDS, tuberculose, COVID-19 etc. Sujeitos: · Ativo: Deve estar contaminado (crime próprio). · Passivo: Qualquer pessoa (exceto se vacinada e protegida – fato atípico). Elemento subjetivo: · Dolo direto: Intenção de transmitir. · Crime formal e de perigo concreto: Exige prova de que o ato podia transmitir. Processual: · Ação penal: Pública incondicionada. · Tentativa: Admite-se (ex: tentativa de beijo não consumada). · Suspensão condicional do processo: Admite-se, se preenchidos os requisitos legais. 📌 Art. 132 – Perigo para a vida ou saúde de outrem Tipo penal: Expor alguém a perigo direto e iminente de vida ou saúde. Pena: Detenção de 3 meses a 1 ano (se não configurar crime mais grave). Características principais: · Crime comum: Qualquer pessoa pode praticar. · Objeto jurídico: Vida e saúde individual. · Crime de perigo concreto: É preciso provar o risco real à vítima determinada. · Iminência: O risco deve ser imediato. Exemplos de conduta: · Fechar carro com alguém dentro. · Trafegar com pessoas na carroceria. · Não fornecer EPI ao trabalhador. · Agredir motorista em ônibus em movimento. Forma omissiva: Possível, se houver dever legal de agir. Tentativa: Possível na forma comissiva (ação); não se aplica à omissão. Dolo: Direto ou eventual (quando assume o risco de causar o perigo). Crime subsidiário: Só se aplica quando não houver crime mais grave. Parágrafo único (causa de aumento de pena): · Aumento de 1/6 a 1/3 se o perigo decorre do transporte irregular de pessoas para trabalho. · Autor: Principalmente o motorista; também pode ser o empregador ou organizador do transporte. Ação penal: Pública incondicionada. Competência do Juizado Especial Criminal (JECrim). 📌 Art. 133 – Abandono de incapaz Tipo penal: Abandonar pessoa incapaz de se defender, estando sob cuidado, guarda, vigilância ou autoridade do agente. Pena: Detenção de 6 meses a 3 anos. Objeto jurídico: Vida e saúde da pessoa vulnerável. Elementos essenciais: · Vítima deve estar sob responsabilidade do autor. · Vítima deve estar incapacitada de se proteger (por doença, embriaguez, deficiência etc.). · Perigo concreto: Exposição real a risco. Formas de abandono: · Ação: Levar e deixar a vítima em local perigoso. · Omissão: Não prestar assistência quando devido. Sujeitos: · Ativo: Quem tem o dever de cuidado. · Passivo: Qualquer pessoa incapaz. Diferenças relevantes: · Art. 133: Vínculo entre autor e vítima. · Art. 135 (omissão de socorro): Sem vínculo, qualquer pessoa pode cometer. · Art. 134: Abandono de recém-nascido com fim de ocultar desonra (tipo privilegiado). Consequências qualificadas: · §1º: Lesão grave – pena de 1 a 5 anos. · §2º: Morte – pena de 4 a 12 anos. (Formas preterdolosas: dolo no abandono, culpa na lesão/morte) Causas de aumento de pena (§3º): +1/3 da pena se: I – O abandono for em lugar ermo. II – O agente for parentedireto ou responsável legal. III – A vítima tiver mais de 60 anos (se não enquadrar no art. 98 do Estatuto do Idoso). Atenção: · Se o dolo for de matar e o local for ermo, pode ser tentativa ou homicídio consumado. · Se a vítima for deficiente, aplica-se o art. 90 da Lei nº 13.146/15 (Estatuto da Pessoa com Deficiência). 1. Exposição ou Abandono de Recém-Nascido (Art. 134, CP) Crime: Expor ou abandonar recém-nascido para ocultar desonra própria. Pena: Detenção de 6 meses a 2 anos. · Expor: Ação comissiva – mover a criança para local sem assistência. · Abandonar: Ação omissiva – deixar a criança onde estava e se afastar. Características: · Crime de perigo concreto. Exige risco real ao bebê e intenção de ocultar a desonra (sexual). · Sujeito ativo: Apenas a mãe. · Sujeito passivo: Recém-nascido (conceito varia entre autores – até 1 mês ou até a queda do cordão umbilical). · Consumação: Quando a criança é colocada em risco. · Tentativa: Só possível na forma comissiva (expor). · Qualificadoras: · Lesão grave: Pena de 1 a 3 anos. · Morte: Pena de 2 a 6 anos (crime preterdoloso). 2. Omissão de Socorro (Art. 135, CP) Crime: Deixar de socorrer pessoa em perigo, sem risco pessoal, ou não chamar ajuda. Pena: Detenção de 1 a 6 meses ou multa. Formas do crime: 1. Omissão direta: Não socorre podendo fazê-lo. 2. Omissão indireta: Não chama ajuda mesmo podendo. Requisitos: · Sem risco pessoal. · Perigo concreto à vida/saúde. · Sujeito ativo: Qualquer pessoa. · Sujeito passivo: Criança abandonada/extraviada, inválido, ferido ou em grave e iminente perigo. Qualificadoras (Parágrafo único): · Lesão grave: Aumento de ½ na pena. · Morte: Triplica a pena. · Tentativa: Não é possível (crime omissivo puro). · Ação penal: Pública incondicionada; competência do JECrim. 3. Exigir Garantia para Atendimento Médico-Hospitalar (Art. 135-A, CP) Crime: Exigir cheque-caução, nota promissória ou formulário como condição para atendimento emergencial. Pena: Detenção de 3 meses a 1 ano e multa. · Sujeito ativo: Agente da administração do hospital. · Sujeito passivo: Pessoa em situação emergencial. · Majorantes: · Lesão grave: A pena pode dobrar. · Morte: A pena pode triplicar. 4. Maus-Tratos (Art. 136, CP) Crime: Expor a risco a vida ou saúde de pessoa sob guarda, autoridade ou vigilância, com fim de educar, ensinar, tratar ou custodiar. Pena: Detenção de 2 meses a 1 ano ou multa. Meios típicos: · Privação de alimentos ou cuidados. · Trabalho excessivo ou inadequado. · Abuso nos meios de correção. Sujeito ativo: Quem tem autoridade, guarda ou vigilância (pais, tutores, professores, etc.). Sujeito passivo: Pessoa sob cuidado (menor, idoso, paciente, etc.). Qualificadoras: · Lesão grave: Reclusão de 1 a 4 anos. · Morte: Reclusão de 4 a 12 anos. · Vítima menor de 14 anos: Aumento de 1/3 da pena. Diferenças com outros crimes: · Tortura: Sofrimento intenso (Lei 9.455/97). · Lesão corporal: Dolo de lesionar (não apenas expor ao risco). · ECA (art. 232): Situação vexatória sem risco à saúde. Crimes contra a Honra – Resumo 1. Proteção Constitucional: · A honra é protegida pelo art. 5º, X, da CF, que garante indenização por dano material ou moral decorrente de sua violação. 2. Conceito de Honra: · Honra é o conjunto de atributos morais, intelectuais e físicos da pessoa que formam sua autoestima e reputação. 3. Tipos de Honra: · Objetiva: Opinião dos outros sobre a pessoa (reputação). · Subjetiva: Opinião da pessoa sobre si mesma (autoestima), podendo se dividir em: · Honra dignidade: Relacionada aos valores morais. · Honra decoro: Relacionada a aspectos físicos, intelectuais ou sociais. 4. Proteção Penal: · Calúnia e difamação: Protegem a honra objetiva. · Injúria: Protege a honra subjetiva. · Honra profissional também é protegida penalmente. 5. Natureza dos Crimes contra a Honra: · São crimes formais: o simples ato de ofender, independentemente do efeito gerado, já configura o crime. · Dolo específico de ofender é necessário – a intenção de causar dano à honra alheia. 6. Princípio Orientador: · Não há direito à livre censura: Mesmo com boas intenções ou com base na verdade, ofensas não são justificadas. · O Estado prioriza a paz social em vez da "verdade ofensiva". 7. Direito à Honra: · Todos têm direito à honra, inclusive pessoas de má fama. · Não há crime quando a ofensa é genérica e não dirigida a pessoa identificável. 8. Exclusão da Tipicidade (sem crime se houver): · Consentimento prévio do ofendido capaz pode excluir o crime. · Animus (intenção) exclui o crime quando não há desejo de ofender: · Animus narrandi: Narrar fatos. · Animus jocandi: Brincadeira. · Animus consulendi: Aconselhar (com base moral ou profissional). · Animus defendendi: Defender uma causa (ex: advogado em juízo). · Animus corrigendi: Corrigir (com base em autoridade legítima). Calúnia (Art. 138 do CP) 📌 Conceito: Caluniar é atribuir falsamente a alguém fato determinado que constitua crime. 🔒 Bem jurídico protegido: · Honra objetiva (reputação perante terceiros). 🧱 Elementos do crime: 1. Imputação de fato: · Deve ser fato determinado ou determinável, com descrição mínima (tempo, local, modo). · Ex.: “Fulano entrou em minha casa e furtou meu relógio.” 2. Fato deve ser crime: · Qualquer infração penal que a lei defina como crime (doloso ou culposo, com pena de reclusão ou detenção). · Se for contravenção penal, o crime é difamação, não calúnia. 3. Imputação deve ser falsa: · Pode ser falsa quanto à existência do fato ou quanto à autoria. · Imputações vagas como “ladrão”, “estuprador”, sem narrar fato: configuram injúria. 4. Elemento subjetivo: · Dolo direto ou eventual (agir com certeza ou com dúvida sobre a falsidade). · No §1º, exige-se dolo direto (“sabendo falsa a imputação”). 📢 Meios de execução: · Explícita: Imputação clara e direta. · Implícita: Imputação velada, indireta. · Reflexa: Ofensa a terceiro ao relatar fato sobre alguém. · Ex.: “Fulana fez aborto com Dr. X.” – atinge os dois. ⚖️ Consumação e tentativa: · Consumação: Quando terceiro toma conhecimento da imputação. · Tentativa: Admite-se se a ofensa não chega a terceiros (ex.: carta interceptada pela vítima). 👤 Sujeitos: · Ativo: Qualquer pessoa (exceto os com imunidade parlamentar – art. 53 CF). · Passivo: Qualquer pessoa, inclusive: · Crianças, doentes mentais, mortos (via familiares) e até pessoa jurídica (em casos específicos, como crimes ambientais). 🔁 Concurso de crimes: · Se a calúnia for dirigida a várias pessoas ao mesmo tempo, configura crime único, não vários. 📜 §1º – Propagação ou divulgação: · Quem sabe que a imputação é falsa e a repete verbalmente (propala) ou por outros meios (divulga), incorre na mesma pena. · Exige apenas um destinatário para consumação. · Exige dolo direto. ⚰️ §2º – Calúnia contra os mortos: · É punível. A honra protegida é a dos familiares do falecido (cônjuge, ascendente, descendente ou irmão). · Difamação e injúria não são puníveis contra mortos. ⚖️ §3º – Exceção da verdade: · Permite ao réu provar que o fato é verdadeiro, tornando o fato atípico. 📌 A exceção da verdade é proibida quando: 1. O fato imputado é crime de ação privada e não há condenação com trânsito em julgado. 2. O ofendido é o Presidente da República ou chefe de governo estrangeiro (para preservar credibilidade e relações diplomáticas). 3. O ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível – o Estado não admite revisão da decisão nem quer desacreditar o Judiciário. 📌 Observações finais: · A calúnia é crime formal – consuma-se com a simples comunicação a terceiro, mesmo que a vítima não sofra dano efetivo. · Não se admite calúnia coletiva sem pessoa determinada (ex.: gritar “corruptos” numa praça, sem indicar quem). Difamação (Art. 139 do CP) 📌 Conceito: Difamar é atribuir a alguém fato ofensivo à sua reputação, ainda que verdadeiro. 🔄 Diferenças básicas: · Calúnia: Imputa fato falso definido como crime. · Difamação: Imputa fato ofensivo à reputação, mesmo que verdadeiro. · Injúria: Atribui qualidade negativa (sem narrar fato). 🔒 Bem jurídico protegido: · Honra objetiva (reputaçãoperante a sociedade). 🧱 Elementos do crime: 1. Imputação de fato ofensivo: · Deve ser fato determinado ou determinável, capaz de arranhar o prestígio da vítima. Exemplos: · “Fulano dorme no trabalho.” · “Vi Fulana entrando em motel com outro homem.” · “Ele explora jogo do bicho.” · “Ela faz programa.” ⚠️ Importante: · Se disser apenas “ela é promíscua” → é injúria, não difamação (não há fato narrado). 🎯 Elemento subjetivo: · Dolo específico de ofender a honra alheia. 🛠️ Meios de execução: · Qualquer forma: verbal, escrita, gestual, eletrônica etc. 👤 Sujeito ativo: · Qualquer pessoa, exceto os com imunidades específicas, como: · Parlamentares (CF, arts. 29, VIII e 53); · Advogados no exercício da profissão (art. 7º, §2º, Estatuto da OAB); · Magistrados (art. 41 da LOMAN). 👥 Sujeito passivo: · Qualquer pessoa, inclusive: · Crianças, doentes mentais e até os socialmente desonrados. Pessoa jurídica? · Divergência doutrinária. · STF: Admite difamação contra pessoa jurídica (possui reputação). · STJ: Já decidiu o contrário (crime seria contra a pessoa natural). · Tese majoritária: Admite-se difamação contra PJ. ⏱️ Consumação: · Ocorre quando um terceiro toma conhecimento da imputação. 🧪 Tentativa: · Possível apenas na forma escrita, se a mensagem for interceptada antes de chegar ao terceiro. ⚖️ Exceção da Verdade (Parágrafo Único): · Admite-se apenas se: · O ofendido for funcionário público; · E a ofensa se referir ao exercício de suas funções. Justificativa: Há interesse público em se apurar irregularidades no serviço público. 🧠 Exemplo: · Se alguém afirma que um fiscal aceitou suborno, pode tentar provar, desde que o fato se relacione à função pública. ❌ Nos demais casos, não se admite exceção da verdade — o fato pode até ser verdadeiro, mas continua sendo crime. Injúria (Art. 140 do CP) 📌 Conceito: Ofender alguém atingindo sua dignidade ou decoro, por meio de qualidade negativa, xingamento ou insulto, sem atribuir fato determinado. 🔒 Bem jurídico protegido: Honra subjetiva — o sentimento que a pessoa tem sobre seus atributos morais, físicos ou intelectuais (autoestima, amor-próprio). 🧱 Elementos do crime: · Ofensa a dignidade: atributo moral (ex: safado, ladrão, estelionatário, piranha). · Ofensa ao decoro: atributo físico, social ou intelectual (ex: burro, idiota, porco, chato). · Dolo específico de ofender (brincadeira ou disciplina não caracterizam crime). 🎯 Consumação: Quando a ofensa chega ao conhecimento da vítima. 🛠️ Meios de execução: Qualquer meio — verbal, escrito, gesto, até omissão (ex: não cumprimentar). 👤 Sujeito ativo: Qualquer pessoa, salvo as que gozam de imunidade (ex: parlamentares, advogados em certos casos). 👥 Sujeito passivo: Pessoa determinada, inclusive menor ou doente mental capaz de entender o ato. · Não alcança mortos nem pessoa jurídica (que não têm honra subjetiva). · Obs: Injúria reflexa contra vivos pode ocorrer ao ofender mortos (ex: chamar falecido de bastardo ofende mãe). ⚖️ Exceção da verdade: Não admite (não há fato determinado a ser provado). 💥 Injúria real (qualificada): Se a injúria envolve violência ou vias de fato consideradas aviltantes (ex: esbofetear, cuspir), pena maior (detenção de 3 meses a 1 ano + multa, além da violência). · Lesão corporal decorrente implica concurso material. 🏳️ Injúria racial ou preconceituosa: Ofensa relacionada a raça, cor, etnia, religião, origem, condição de idoso ou deficiente. · Pena: reclusão de 1 a 3 anos + multa. · Difere do racismo, que é crime contra toda a coletividade; aqui a ofensa é a uma pessoa ou grupo específico. · STJ entende que injúria racial é imprescritível. ⚔️ Diferença entre injúria e desacato: · Se ofensa ocorre na presença do funcionário público → desacato (art. 331). · Se na ausência → injúria. ⚠️ Perdão judicial: O juiz pode deixar de aplicar pena se: · I. A vítima provocou diretamente a injúria (provocação reprovável e no momento exato). · II. Houve retorsão imediata (resposta imediata com outra injúria). ⚖️ Concurso de crimes: É possível injúria + calúnia ou difamação em fatos diferentes. Exemplo: chamar alguém de drogado (injúria) e atribuir furto (calúnia). 📈 Aumento de pena (Art. 141): As penas aumentam em 1/3 se: · Ofensa contra chefe de governo estrangeiro. · Contra funcionário público, em razão da função (em serviço ou não). · Ofensa na presença de 3 ou mais pessoas. · Uso de meio que facilite divulgação (internet, panfletos). · Contra pessoa idosa ou deficiente (exceto injúria). 🧾 Outras observações: · Tentativa possível teoricamente na forma escrita, se a vítima tomar conhecimento. · No caso de dúvida entre injúria e difamação, prevalece injúria (princípio in dubio pro reo). Exclusão do crime e Procedimentos - Arts. 142 a 145 do CP Art. 142 – Exclusão do crime (Injúria e Difamação) Não configuram crime punível: · I – Ofensa feita em juízo (qualquer processo: cível, criminal, trabalhista), pela parte ou seu advogado, desde que relacionada à causa (animus defendendi). · Exceção: Ofensas contra magistrado não estão protegidas. · II – Opinião crítica literária, artística ou científica, salvo se for clara intenção de ofender. · III – Conceito desfavorável emitido por funcionário público no cumprimento do dever do ofício (ex.: delegado chamando alguém de “bandido” para justificar prisão). ⚠️ Quem divulga publicamente essas ofensas (ex.: funcionário do fórum) responde pelo crime. Art. 143 – Retratação · O réu (querelado) que, antes da sentença, se retrata totalmente da calúnia ou difamação fica isento de pena (causa extintiva da punibilidade). · Deve ser uma retratação completa, pessoal e antes da sentença da 1ª instância. · Não alcança a injúria. · Se a ofensa foi feita por meios de comunicação, a retratação deve ser feita pelos mesmos meios, se a vítima quiser. Art. 144 – Pedido de explicações em juízo · Quem se sentir ofendido por possíveis injúria, calúnia ou difamação pode pedir ao juiz explicações do acusado. · É facultativo e usado para esclarecer dúvidas sobre a ofensa. · Não há rito específico, e as explicações são preliminares, podendo influenciar futura queixa-crime. Art. 145 – Ação penal · Regra geral: ação penal privada, mediante queixa do ofendido, dentro de 6 meses da ciência do fato. · Exceções com ação pública condicionada: 1. Contra chefe de governo estrangeiro: ação pública só com requisição do Ministro da Justiça. 2. Contra funcionário público em razão da função: ação pública condicionada à representação do ofendido. 3. Injúria racial ou preconceituosa: ação pública condicionada à representação. 4. Injúria real com violência ou lesão corporal: ação pública (incondicionada se violência grave).