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Questões resolvidas

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1. Lesão Corporal Grave (Art. 129, §1º)
Pena: Reclusão de 1 a 5 anos.
Admite suspensão condicional do processo (pena mínima = 1 ano).
Ocorrências típicas:
· I - Incapacidade para ocupações habituais por mais de 30 dias
Atividades do dia a dia (andar, comer, estudar, etc.), mesmo para crianças, aposentados e desocupados.
Exige comprovação médica após 30 dias (crime a prazo).
· II - Perigo de vida
Risco real e imediato de morte. Ex.: sangramento grave, lesão em órgão vital.
Necessário laudo médico com descrição técnica.
· III - Debilidade permanente de membro, sentido ou função
Redução irreversível da capacidade (ex.: visão reduzida, mancar).
· IV - Aceleração do parto
Nascimento prematuro, com dolo na lesão e culpa na antecipação do parto.
Se há dolo para abortar, aplica-se tentativa de aborto (art. 125).
2. Lesão Corporal Gravíssima (Art. 129, §2º)
Pena: Reclusão de 2 a 8 anos.
Ocorrências típicas:
· I - Incapacidade permanente para o trabalho
Vítima não pode exercer qualquer atividade laboral.
· II - Enfermidade incurável
Doença permanente e irreversível (ex.: HIV transmitido dolosamente).
· III - Perda ou inutilização de membro, sentido ou função
Perda = amputação; inutilização = permanece no corpo, mas não funciona.
Ex.: paraplegia, perda de audição bilateral.
· IV - Deformidade permanente
Marcas visíveis, permanentes e esteticamente vexatórias.
Ex.: cicatrizes, queimaduras, mutilações visíveis.
· V - Aborto
Quando decorre culposamente da agressão dolosa.
Se houver dolo no aborto, aplica-se art. 125 (aborto sem consentimento).
3. Lesão Corporal Seguida de Morte (Art. 129, §3º)
Pena: Reclusão de 4 a 12 anos.
Crime preterdoloso: dolo na lesão, culpa na morte.
Ex.: facada na perna → hemorragia → morte.
4. Lesão Corporal Privilegiada (Art. 129, §4º)
Redução da pena de 1/6 a 1/3
Se praticada por relevante valor moral/social ou sob violenta emoção logo após injusta provocação.
5. Lesão Corporal Leve com Substituição da Pena (Art. 129, §5º)
Pena pode ser substituída por multa se:
· Houver privilégio (motivo relevante ou violenta emoção); ou
· Lesões forem recíprocas (ambos se lesionam).
6. Lesão Corporal Culposa (Art. 129, §6º)
Pena: Detenção de 2 meses a 1 ano.
· Ação penal pública condicionada à representação.
· Permite perdão judicial (Art. 121, §5º).
Causa de aumento de 1/3 se houver:
· Inobservância de regra técnica;
· Omissão de socorro;
· Fuga para evitar flagrante.
7. Lesão Corporal em Violência Doméstica (Art. 129, §9º)
Pena: Detenção de 2 a 5 anos (mesmo sendo lesão leve).
Aplicável contra:
· Parentes (ascendentes, descendentes, irmãos);
· Cônjuges/companheiros (mesmo separados);
· Pessoas com quem conviveu ou convive;
· Situações de coabitação/hospitalidade.
8. Causas de Aumento de Pena
· §10: Aumento de 1/3 em lesões graves, gravíssimas ou seguidas de morte quando praticadas em contexto doméstico/familiar.
· §11: Aumento de 1/3 se a vítima for pessoa com deficiência.
· §12: Aumento de 1 a 2/3 se a vítima for agente de segurança pública, no exercício ou por conta da função.
⚖️ Crimes de Perigo x Crime de Dano
· Crime de dano: Exige efetiva lesão ao bem jurídico (ex: lesão corporal).
· Crime de perigo: Basta a possibilidade de dano (ex: expor alguém ao contágio de doença).
Tipos de perigo:
· Individual: Afeta pessoa(s) determinada(s).
· Coletivo: Afeta grupo indeterminado.
Classificação:
· Perigo concreto: Requer prova real de risco.
· Perigo abstrato: Presume-se o perigo com base na conduta.
📌 Art. 130 – Perigo de Contágio Venéreo
Conduta: Expor alguém ao contágio de moléstia venérea por ato sexual, sabendo ou devendo saber estar contaminado.
Pena: Detenção de 3 meses a 1 ano ou multa.
Características:
· Objeto jurídico: Saúde e integridade física da vítima.
· Crime de ação vinculada: Só se configura com ato sexual (cópula ou ato libidinoso).
· Moléstia venérea: Ex. sífilis, gonorreia, HPV (AIDS não entra aqui).
· Consentimento viciado: Vítima não sabe da doença.
· Se houver estupro + exposição ao risco: Concurso formal com o art. 213.
Sujeitos:
· Ativo: Há divergência – para alguns, crime próprio (exige estar doente); para outros, comum.
· Passivo: Qualquer pessoa (mesmo prostitutas ou pessoas do mesmo sexo).
Elemento subjetivo:
· Dolo direto ou eventual: Saber ou presumir que está doente.
· §1º – Dolo de dano (intenção de transmitir): Reclusão de 1 a 4 anos + multa.
· Mesmo que não haja transmissão, o crime se consuma.
· Se houver lesão leve, prevalece o art. 130, §1º.
· Se houver lesão grave ou gravíssima, responde por lesão corporal correspondente.
Processual:
· Ação penal: Pública condicionada à representação.
· Competência: Juizado Especial (se no caput, por ser de menor potencial ofensivo).
· Tentativa: Possível, mas difícil de provar.
📌 Art. 131 – Perigo de Contágio de Moléstia Grave
Conduta: Com intenção de transmitir, praticar ato capaz de contaminar outrem com moléstia grave.
Pena: Reclusão de 1 a 4 anos + multa.
Características:
· Objeto jurídico: Saúde pública e individual.
· Crime de ação livre: Qualquer meio, exceto ato sexual (senão, aplica-se art. 130).
· Exemplos de atos: Beijo forçado, espirro, compartilhamento de objetos contaminados etc.
· Moléstias graves: AIDS, tuberculose, COVID-19 etc.
Sujeitos:
· Ativo: Deve estar contaminado (crime próprio).
· Passivo: Qualquer pessoa (exceto se vacinada e protegida – fato atípico).
Elemento subjetivo:
· Dolo direto: Intenção de transmitir.
· Crime formal e de perigo concreto: Exige prova de que o ato podia transmitir.
Processual:
· Ação penal: Pública incondicionada.
· Tentativa: Admite-se (ex: tentativa de beijo não consumada).
· Suspensão condicional do processo: Admite-se, se preenchidos os requisitos legais.
📌 Art. 132 – Perigo para a vida ou saúde de outrem
Tipo penal:
Expor alguém a perigo direto e iminente de vida ou saúde.
Pena: Detenção de 3 meses a 1 ano (se não configurar crime mais grave).
Características principais:
· Crime comum: Qualquer pessoa pode praticar.
· Objeto jurídico: Vida e saúde individual.
· Crime de perigo concreto: É preciso provar o risco real à vítima determinada.
· Iminência: O risco deve ser imediato.
Exemplos de conduta:
· Fechar carro com alguém dentro.
· Trafegar com pessoas na carroceria.
· Não fornecer EPI ao trabalhador.
· Agredir motorista em ônibus em movimento.
Forma omissiva: Possível, se houver dever legal de agir.
Tentativa: Possível na forma comissiva (ação); não se aplica à omissão.
Dolo: Direto ou eventual (quando assume o risco de causar o perigo).
Crime subsidiário: Só se aplica quando não houver crime mais grave.
Parágrafo único (causa de aumento de pena):
· Aumento de 1/6 a 1/3 se o perigo decorre do transporte irregular de pessoas para trabalho.
· Autor: Principalmente o motorista; também pode ser o empregador ou organizador do transporte.
Ação penal: Pública incondicionada. Competência do Juizado Especial Criminal (JECrim).
📌 Art. 133 – Abandono de incapaz
Tipo penal:
Abandonar pessoa incapaz de se defender, estando sob cuidado, guarda, vigilância ou autoridade do agente.
Pena: Detenção de 6 meses a 3 anos.
Objeto jurídico: Vida e saúde da pessoa vulnerável.
Elementos essenciais:
· Vítima deve estar sob responsabilidade do autor.
· Vítima deve estar incapacitada de se proteger (por doença, embriaguez, deficiência etc.).
· Perigo concreto: Exposição real a risco.
Formas de abandono:
· Ação: Levar e deixar a vítima em local perigoso.
· Omissão: Não prestar assistência quando devido.
Sujeitos:
· Ativo: Quem tem o dever de cuidado.
· Passivo: Qualquer pessoa incapaz.
Diferenças relevantes:
· Art. 133: Vínculo entre autor e vítima.
· Art. 135 (omissão de socorro): Sem vínculo, qualquer pessoa pode cometer.
· Art. 134: Abandono de recém-nascido com fim de ocultar desonra (tipo privilegiado).
Consequências qualificadas:
· §1º: Lesão grave – pena de 1 a 5 anos.
· §2º: Morte – pena de 4 a 12 anos.
(Formas preterdolosas: dolo no abandono, culpa na lesão/morte)
Causas de aumento de pena (§3º):
+1/3 da pena se:
I – O abandono for em lugar ermo.
II – O agente for parentedireto ou responsável legal.
III – A vítima tiver mais de 60 anos (se não enquadrar no art. 98 do Estatuto do Idoso).
Atenção:
· Se o dolo for de matar e o local for ermo, pode ser tentativa ou homicídio consumado.
· Se a vítima for deficiente, aplica-se o art. 90 da Lei nº 13.146/15 (Estatuto da Pessoa com Deficiência).
1. Exposição ou Abandono de Recém-Nascido (Art. 134, CP)
Crime: Expor ou abandonar recém-nascido para ocultar desonra própria.
Pena: Detenção de 6 meses a 2 anos.
· Expor: Ação comissiva – mover a criança para local sem assistência.
· Abandonar: Ação omissiva – deixar a criança onde estava e se afastar.
Características:
· Crime de perigo concreto. Exige risco real ao bebê e intenção de ocultar a desonra (sexual).
· Sujeito ativo: Apenas a mãe.
· Sujeito passivo: Recém-nascido (conceito varia entre autores – até 1 mês ou até a queda do cordão umbilical).
· Consumação: Quando a criança é colocada em risco.
· Tentativa: Só possível na forma comissiva (expor).
· Qualificadoras:
· Lesão grave: Pena de 1 a 3 anos.
· Morte: Pena de 2 a 6 anos (crime preterdoloso).
2. Omissão de Socorro (Art. 135, CP)
Crime: Deixar de socorrer pessoa em perigo, sem risco pessoal, ou não chamar ajuda.
Pena: Detenção de 1 a 6 meses ou multa.
Formas do crime:
1. Omissão direta: Não socorre podendo fazê-lo.
2. Omissão indireta: Não chama ajuda mesmo podendo.
Requisitos:
· Sem risco pessoal.
· Perigo concreto à vida/saúde.
· Sujeito ativo: Qualquer pessoa.
· Sujeito passivo: Criança abandonada/extraviada, inválido, ferido ou em grave e iminente perigo.
Qualificadoras (Parágrafo único):
· Lesão grave: Aumento de ½ na pena.
· Morte: Triplica a pena.
· Tentativa: Não é possível (crime omissivo puro).
· Ação penal: Pública incondicionada; competência do JECrim.
3. Exigir Garantia para Atendimento Médico-Hospitalar (Art. 135-A, CP)
Crime: Exigir cheque-caução, nota promissória ou formulário como condição para atendimento emergencial.
Pena: Detenção de 3 meses a 1 ano e multa.
· Sujeito ativo: Agente da administração do hospital.
· Sujeito passivo: Pessoa em situação emergencial.
· Majorantes:
· Lesão grave: A pena pode dobrar.
· Morte: A pena pode triplicar.
4. Maus-Tratos (Art. 136, CP)
Crime: Expor a risco a vida ou saúde de pessoa sob guarda, autoridade ou vigilância, com fim de educar, ensinar, tratar ou custodiar.
Pena: Detenção de 2 meses a 1 ano ou multa.
Meios típicos:
· Privação de alimentos ou cuidados.
· Trabalho excessivo ou inadequado.
· Abuso nos meios de correção.
Sujeito ativo: Quem tem autoridade, guarda ou vigilância (pais, tutores, professores, etc.).
Sujeito passivo: Pessoa sob cuidado (menor, idoso, paciente, etc.).
Qualificadoras:
· Lesão grave: Reclusão de 1 a 4 anos.
· Morte: Reclusão de 4 a 12 anos.
· Vítima menor de 14 anos: Aumento de 1/3 da pena.
Diferenças com outros crimes:
· Tortura: Sofrimento intenso (Lei 9.455/97).
· Lesão corporal: Dolo de lesionar (não apenas expor ao risco).
· ECA (art. 232): Situação vexatória sem risco à saúde.
Crimes contra a Honra – Resumo
1. Proteção Constitucional:
· A honra é protegida pelo art. 5º, X, da CF, que garante indenização por dano material ou moral decorrente de sua violação.
2. Conceito de Honra:
· Honra é o conjunto de atributos morais, intelectuais e físicos da pessoa que formam sua autoestima e reputação.
3. Tipos de Honra:
· Objetiva: Opinião dos outros sobre a pessoa (reputação).
· Subjetiva: Opinião da pessoa sobre si mesma (autoestima), podendo se dividir em:
· Honra dignidade: Relacionada aos valores morais.
· Honra decoro: Relacionada a aspectos físicos, intelectuais ou sociais.
4. Proteção Penal:
· Calúnia e difamação: Protegem a honra objetiva.
· Injúria: Protege a honra subjetiva.
· Honra profissional também é protegida penalmente.
5. Natureza dos Crimes contra a Honra:
· São crimes formais: o simples ato de ofender, independentemente do efeito gerado, já configura o crime.
· Dolo específico de ofender é necessário – a intenção de causar dano à honra alheia.
6. Princípio Orientador:
· Não há direito à livre censura: Mesmo com boas intenções ou com base na verdade, ofensas não são justificadas.
· O Estado prioriza a paz social em vez da "verdade ofensiva".
7. Direito à Honra:
· Todos têm direito à honra, inclusive pessoas de má fama.
· Não há crime quando a ofensa é genérica e não dirigida a pessoa identificável.
8. Exclusão da Tipicidade (sem crime se houver):
· Consentimento prévio do ofendido capaz pode excluir o crime.
· Animus (intenção) exclui o crime quando não há desejo de ofender:
· Animus narrandi: Narrar fatos.
· Animus jocandi: Brincadeira.
· Animus consulendi: Aconselhar (com base moral ou profissional).
· Animus defendendi: Defender uma causa (ex: advogado em juízo).
· Animus corrigendi: Corrigir (com base em autoridade legítima).
Calúnia (Art. 138 do CP)
📌 Conceito:
Caluniar é atribuir falsamente a alguém fato determinado que constitua crime.
🔒 Bem jurídico protegido:
· Honra objetiva (reputação perante terceiros).
🧱 Elementos do crime:
1. Imputação de fato:
· Deve ser fato determinado ou determinável, com descrição mínima (tempo, local, modo).
· Ex.: “Fulano entrou em minha casa e furtou meu relógio.”
2. Fato deve ser crime:
· Qualquer infração penal que a lei defina como crime (doloso ou culposo, com pena de reclusão ou detenção).
· Se for contravenção penal, o crime é difamação, não calúnia.
3. Imputação deve ser falsa:
· Pode ser falsa quanto à existência do fato ou quanto à autoria.
· Imputações vagas como “ladrão”, “estuprador”, sem narrar fato: configuram injúria.
4. Elemento subjetivo:
· Dolo direto ou eventual (agir com certeza ou com dúvida sobre a falsidade).
· No §1º, exige-se dolo direto (“sabendo falsa a imputação”).
📢 Meios de execução:
· Explícita: Imputação clara e direta.
· Implícita: Imputação velada, indireta.
· Reflexa: Ofensa a terceiro ao relatar fato sobre alguém.
· Ex.: “Fulana fez aborto com Dr. X.” – atinge os dois.
⚖️ Consumação e tentativa:
· Consumação: Quando terceiro toma conhecimento da imputação.
· Tentativa: Admite-se se a ofensa não chega a terceiros (ex.: carta interceptada pela vítima).
👤 Sujeitos:
· Ativo: Qualquer pessoa (exceto os com imunidade parlamentar – art. 53 CF).
· Passivo: Qualquer pessoa, inclusive:
· Crianças, doentes mentais, mortos (via familiares) e até pessoa jurídica (em casos específicos, como crimes ambientais).
🔁 Concurso de crimes:
· Se a calúnia for dirigida a várias pessoas ao mesmo tempo, configura crime único, não vários.
📜 §1º – Propagação ou divulgação:
· Quem sabe que a imputação é falsa e a repete verbalmente (propala) ou por outros meios (divulga), incorre na mesma pena.
· Exige apenas um destinatário para consumação.
· Exige dolo direto.
⚰️ §2º – Calúnia contra os mortos:
· É punível. A honra protegida é a dos familiares do falecido (cônjuge, ascendente, descendente ou irmão).
· Difamação e injúria não são puníveis contra mortos.
⚖️ §3º – Exceção da verdade:
· Permite ao réu provar que o fato é verdadeiro, tornando o fato atípico.
📌 A exceção da verdade é proibida quando:
1. O fato imputado é crime de ação privada e não há condenação com trânsito em julgado.
2. O ofendido é o Presidente da República ou chefe de governo estrangeiro (para preservar credibilidade e relações diplomáticas).
3. O ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível – o Estado não admite revisão da decisão nem quer desacreditar o Judiciário.
📌 Observações finais:
· A calúnia é crime formal – consuma-se com a simples comunicação a terceiro, mesmo que a vítima não sofra dano efetivo.
· Não se admite calúnia coletiva sem pessoa determinada (ex.: gritar “corruptos” numa praça, sem indicar quem).
Difamação (Art. 139 do CP)
📌 Conceito:
Difamar é atribuir a alguém fato ofensivo à sua reputação, ainda que verdadeiro.
🔄 Diferenças básicas:
· Calúnia: Imputa fato falso definido como crime.
· Difamação: Imputa fato ofensivo à reputação, mesmo que verdadeiro.
· Injúria: Atribui qualidade negativa (sem narrar fato).
🔒 Bem jurídico protegido:
· Honra objetiva (reputaçãoperante a sociedade).
🧱 Elementos do crime:
1. Imputação de fato ofensivo:
· Deve ser fato determinado ou determinável, capaz de arranhar o prestígio da vítima.
Exemplos:
· “Fulano dorme no trabalho.”
· “Vi Fulana entrando em motel com outro homem.”
· “Ele explora jogo do bicho.”
· “Ela faz programa.”
⚠️ Importante:
· Se disser apenas “ela é promíscua” → é injúria, não difamação (não há fato narrado).
🎯 Elemento subjetivo:
· Dolo específico de ofender a honra alheia.
🛠️ Meios de execução:
· Qualquer forma: verbal, escrita, gestual, eletrônica etc.
👤 Sujeito ativo:
· Qualquer pessoa, exceto os com imunidades específicas, como:
· Parlamentares (CF, arts. 29, VIII e 53);
· Advogados no exercício da profissão (art. 7º, §2º, Estatuto da OAB);
· Magistrados (art. 41 da LOMAN).
👥 Sujeito passivo:
· Qualquer pessoa, inclusive:
· Crianças, doentes mentais e até os socialmente desonrados.
Pessoa jurídica?
· Divergência doutrinária.
· STF: Admite difamação contra pessoa jurídica (possui reputação).
· STJ: Já decidiu o contrário (crime seria contra a pessoa natural).
· Tese majoritária: Admite-se difamação contra PJ.
⏱️ Consumação:
· Ocorre quando um terceiro toma conhecimento da imputação.
🧪 Tentativa:
· Possível apenas na forma escrita, se a mensagem for interceptada antes de chegar ao terceiro.
⚖️ Exceção da Verdade (Parágrafo Único):
· Admite-se apenas se:
· O ofendido for funcionário público;
· E a ofensa se referir ao exercício de suas funções.
Justificativa: Há interesse público em se apurar irregularidades no serviço público.
🧠 Exemplo:
· Se alguém afirma que um fiscal aceitou suborno, pode tentar provar, desde que o fato se relacione à função pública.
❌ Nos demais casos, não se admite exceção da verdade — o fato pode até ser verdadeiro, mas continua sendo crime.
Injúria (Art. 140 do CP)
📌 Conceito:
Ofender alguém atingindo sua dignidade ou decoro, por meio de qualidade negativa, xingamento ou insulto, sem atribuir fato determinado.
🔒 Bem jurídico protegido:
Honra subjetiva — o sentimento que a pessoa tem sobre seus atributos morais, físicos ou intelectuais (autoestima, amor-próprio).
🧱 Elementos do crime:
· Ofensa a dignidade: atributo moral (ex: safado, ladrão, estelionatário, piranha).
· Ofensa ao decoro: atributo físico, social ou intelectual (ex: burro, idiota, porco, chato).
· Dolo específico de ofender (brincadeira ou disciplina não caracterizam crime).
🎯 Consumação:
Quando a ofensa chega ao conhecimento da vítima.
🛠️ Meios de execução:
Qualquer meio — verbal, escrito, gesto, até omissão (ex: não cumprimentar).
👤 Sujeito ativo:
Qualquer pessoa, salvo as que gozam de imunidade (ex: parlamentares, advogados em certos casos).
👥 Sujeito passivo:
Pessoa determinada, inclusive menor ou doente mental capaz de entender o ato.
· Não alcança mortos nem pessoa jurídica (que não têm honra subjetiva).
· Obs: Injúria reflexa contra vivos pode ocorrer ao ofender mortos (ex: chamar falecido de bastardo ofende mãe).
⚖️ Exceção da verdade:
Não admite (não há fato determinado a ser provado).
💥 Injúria real (qualificada):
Se a injúria envolve violência ou vias de fato consideradas aviltantes (ex: esbofetear, cuspir), pena maior (detenção de 3 meses a 1 ano + multa, além da violência).
· Lesão corporal decorrente implica concurso material.
🏳️ Injúria racial ou preconceituosa:
Ofensa relacionada a raça, cor, etnia, religião, origem, condição de idoso ou deficiente.
· Pena: reclusão de 1 a 3 anos + multa.
· Difere do racismo, que é crime contra toda a coletividade; aqui a ofensa é a uma pessoa ou grupo específico.
· STJ entende que injúria racial é imprescritível.
⚔️ Diferença entre injúria e desacato:
· Se ofensa ocorre na presença do funcionário público → desacato (art. 331).
· Se na ausência → injúria.
⚠️ Perdão judicial:
O juiz pode deixar de aplicar pena se:
· I. A vítima provocou diretamente a injúria (provocação reprovável e no momento exato).
· II. Houve retorsão imediata (resposta imediata com outra injúria).
⚖️ Concurso de crimes:
É possível injúria + calúnia ou difamação em fatos diferentes.
Exemplo: chamar alguém de drogado (injúria) e atribuir furto (calúnia).
📈 Aumento de pena (Art. 141):
As penas aumentam em 1/3 se:
· Ofensa contra chefe de governo estrangeiro.
· Contra funcionário público, em razão da função (em serviço ou não).
· Ofensa na presença de 3 ou mais pessoas.
· Uso de meio que facilite divulgação (internet, panfletos).
· Contra pessoa idosa ou deficiente (exceto injúria).
🧾 Outras observações:
· Tentativa possível teoricamente na forma escrita, se a vítima tomar conhecimento.
· No caso de dúvida entre injúria e difamação, prevalece injúria (princípio in dubio pro reo).
Exclusão do crime e Procedimentos - Arts. 142 a 145 do CP
Art. 142 – Exclusão do crime (Injúria e Difamação)
Não configuram crime punível:
· I – Ofensa feita em juízo (qualquer processo: cível, criminal, trabalhista), pela parte ou seu advogado, desde que relacionada à causa (animus defendendi).
· Exceção: Ofensas contra magistrado não estão protegidas.
· II – Opinião crítica literária, artística ou científica, salvo se for clara intenção de ofender.
· III – Conceito desfavorável emitido por funcionário público no cumprimento do dever do ofício (ex.: delegado chamando alguém de “bandido” para justificar prisão).
⚠️ Quem divulga publicamente essas ofensas (ex.: funcionário do fórum) responde pelo crime.
Art. 143 – Retratação
· O réu (querelado) que, antes da sentença, se retrata totalmente da calúnia ou difamação fica isento de pena (causa extintiva da punibilidade).
· Deve ser uma retratação completa, pessoal e antes da sentença da 1ª instância.
· Não alcança a injúria.
· Se a ofensa foi feita por meios de comunicação, a retratação deve ser feita pelos mesmos meios, se a vítima quiser.
Art. 144 – Pedido de explicações em juízo
· Quem se sentir ofendido por possíveis injúria, calúnia ou difamação pode pedir ao juiz explicações do acusado.
· É facultativo e usado para esclarecer dúvidas sobre a ofensa.
· Não há rito específico, e as explicações são preliminares, podendo influenciar futura queixa-crime.
Art. 145 – Ação penal
· Regra geral: ação penal privada, mediante queixa do ofendido, dentro de 6 meses da ciência do fato.
· Exceções com ação pública condicionada:
1. Contra chefe de governo estrangeiro: ação pública só com requisição do Ministro da Justiça.
2. Contra funcionário público em razão da função: ação pública condicionada à representação do ofendido.
3. Injúria racial ou preconceituosa: ação pública condicionada à representação.
4. Injúria real com violência ou lesão corporal: ação pública (incondicionada se violência grave).

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