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Sumário
DIREITO PENAL: DOS CRIMES CONTRA A VIDA ............................................................................................... 5
1. CRIMES CONTRA A VIDA ............................................................................................................................... 6
1.1 Homicídio ................................................................................................................................................ 7
1.1.1 Homicídio Simples ........................................................................................................................... 9
1.1.2 Homicídio Privilegiado ................................................................................................................... 12
1.1.3 Homicídio Qualificado ................................................................................................................... 13
1.1.4 Homicídio Híbrido .......................................................................................................................... 25
1.1.5 Causas de aumento de pena no homicídio doloso ........................................................................ 25
1.1.6 Homicídio Culposo ......................................................................................................................... 26
1.1.7 Perdão Judicial ............................................................................................................................... 27
1.2 Feminicídio (Art.121-A) ........................................................................................................................ 29
1.3 Razões de condições do sexo feminino (art.121-A §1) ........................................................................ 30
1.4 Causas de aumento de pena no crime de feminicídio (art.121-A §2) .................................................. 31
1.5 Induzimento, Instigação ou Auxílio a Suicídio ou a Mutilação (Art. 122) ............................................. 36
1.6 Infanticídio – art. 123 do CP. ................................................................................................................ 45
1.7 Aborto – art. 124 a 128 do CP .............................................................................................................. 47
1.7.1 Autoaborto e Aborto Consentido .................................................................................................. 52
1.7.2 Aborto Provocado por Terceiro sem Consentimento da Gestante ............................................... 53
1.7.3 Aborto Praticado por Terceiro com Consentimento da Gestante ................................................ 53
1.7.4 Causas de Aumento de Pena ......................................................................................................... 53
2. DAS LESÕES CORPORAIS (129, CP) ............................................................................................................. 54
2.1 Lesão Corporal De Natureza Grave (Modalidade Qualificada) ............................................................ 58
2.2 Lesão Corporal de Natureza Gravíssima (Qualificadora): ..................................................................... 60
2.3 Lesão Corporal com Resultado Morte (Qualificadora) ......................................................................... 63
2.4 Lesão Corporal Dolosa Privilegiada ...................................................................................................... 64
2.5. Substituição De Pena: .......................................................................................................................... 64
2.6 Lesão Corporal Culposa (Art. 129, §6º) ................................................................................................ 64
2.7 Lesão corporal dolosa ou preterdolosa majorada (§7º do art. 129) .................................................... 65
2.8 Lesão corporal culposa majorada (§7º do art. 129) ............................................................................. 65
2.9 Perdão Judicial (§8º Do Art. 129) ......................................................................................................... 65
2.10 Violência Doméstica e Familiar (Art. 129, §§ 9º, 10, 11) .................................................................... 65
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2.11 Lesão Corporal Contra Autoridade ou Agente de Segurança Pública ................................................ 68
2.12 – Lesão Corporal Praticada Contra a Mulher, por Razões da Condição do Sexo Feminino ............... 69
3. DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E SAÚDE .......................................................................................................... 70
3.1 Perigo de contágio venéreo .................................................................................................................. 70
3.2 Perigo de contágio de moléstia grave .................................................................................................. 71
3.3 Perigo para a vida ou saúde de outrem ............................................................................................... 71
3.4 Abandono de incapaz ........................................................................................................................... 72
3.5 Exposição ou abandono de recém-nascido (134, CP) .......................................................................... 73
3.6 Omissão de Socorro (135, CP) .............................................................................................................. 73
3.7 Condicionamento de atendimento médico hospitalar emergencial (135-A) ....................................... 74
3.8 Maus-tratos (art. 136, CP) .................................................................................................................... 74
4. DA RIXA (ART. 137 DO CP) .......................................................................................................................... 75
5. CRIMES CONTRA A HONRA ......................................................................................................................... 76
5.1 Calúnia .................................................................................................................................................. 78
5.2 Difamação ............................................................................................................................................. 83
5.3 Injúria .................................................................................................................................................... 86
5.3.1 Injúria real (art. 140, §2º, CP): ....................................................................................................... 88
5.3.2 Injúria qualificada (ou injúria preconceituosa) (art. 140, §3º, CP): ............................................... 88
6. DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE PESSOAL ............................................................................................ 93
6.1. Constrangimento ilegal (146, CP) ........................................................................................................ 93
6.2 Bullying e o cyberbullying - art. 146-A CP ............................................................................................. 96
6.2.1 Ameaça (Art. 147) .......................................................................................................................... 99
6.3. Crime de perseguição ou “stalking” (art. 147-A) ..............................................................................da infração atingirem o próprio agente de forma tão
grave que a sanção penal se torne desnecessária.
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Aqui, o agente já foi atingido de forma tão grave que o Estado perde o interesse de punir. Ex.: A,
tirando o carro da garagem, mata culposamente o próprio filho atropelado. O STJ entende que, para aplicar
o perdão judicial, é preciso uma dessas situações:
(1) Vítima tenha relação de parentesco com o agente do crime;
(2) Vítima tenha relação de afeto com o agente do crime;
(3) O agente do crime tenha sofrido sequelas físicas.
OBS.: Não são admitidas sequelas unicamente morais para justificar o perdão judicial. Ex.: O agente
causou a morte de um ciclista desconhecido, mas desde então o autor do crime realiza tratamento
psiquiátrico por causa do trauma e pelo sentimento de culpa.
Considerações importantes:
● Se o homicídio for doloso, não cabe perdão judicial.
● O ônus da prova do preenchimento dessas circunstâncias é da defesa.
● Quanto à natureza jurídica da sentença que concede o perdão judicial, temos duas correntes:
⋅ 1ª: STF: SENTENÇA CONDENATÓRIA - dependente do devido processo legal. Remanescem
efeitos secundários; deve pagar custas; interrompe prescrição e serve como título
executivo judicial. Por isso, a sentença que concede o perdão judicial é chamada de
sentença autofágica, vez que o juiz condena e extingue automaticamente a punibilidade.
⋅ 2ª: STJ (e doutrina majoritária): SENTENÇA DECLARATÓRIA EXTINTIVA DE PUNIBILIDADE
- cabível a qualquer momento, desde o inquérito, vez que cabe ao juiz reconhecer a
extinção da punibilidade a qualquer tempo. Não interrompe a prescrição e não serve
como título executivo, de modo que, para isso, dependerá de um processo de
conhecimento.
SUM 18 STJ: A sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção
da punibilidade, não subsistindo qualquer efeito condenatório.
Homicídio culposo do CTB
Havia previsão de perdão judicial no art. 300 do CTB, contudo, o presidente da época vetou. Assim surge a
pergunta: É cabível a aplicação do perdão judicial para o crime em comento? SIM, tendo em vista a razão
do veto, que teve por motivação ser o artigo desnecessário, já que já havia previsão no art. 121 do CP, que
era inclusive mais benéfico.
Confira jurisprudência sobre o tema:
Não há empecilho a que se aplique o perdão judicial nos casos em que o agente do homicídio culposo –
mais especificamente nas hipóteses de crime de trânsito – sofra sequelas físicas gravíssimas e
permanentes, como, por exemplo, ficar tetraplégico, em estado vegetativo, ou incapacitado para o
trabalho. 3. A análise do grave sofrimento, apto a ensejar, também, a inutilidade da função retributiva da
pena, deve ser aferido de acordo com o estado emocional de que é acometido o sujeito ativo do crime, em
decorrência da sua ação culposa. 4. A melhor doutrina, quando a avaliação está voltada para o sofrimento
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psicológico do agente, enxerga no § 5º a exigência de um vínculo, de um laço prévio de conhecimento
entre os envolvidos, para que seja “tão grave” a consequência do crime ao agente. A interpretação dada,
na maior parte das vezes, é no sentido de que só sofre intensamente o réu que, de forma culposa, matou
alguém conhecido e com quem mantinha laços afetivos. (STJ – REsp: 1871697 MA 2020/0095646-5, Relator:
Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, Data de Julgamento: 25/08/2020, T6 – SEXTA TURMA, Data de Publicação:
DJe 04/09/2020)
1.2 Feminicídio (Art.121-A)
A partir da lei 14.994/2024, o feminicídio agora é crime autônomo, deixando, assim, de ser uma
qualificadora do homicídio. Além disso, a pena foi aumentada de 12 a 30 anos para 20 a 40 anos de
reclusão. Foi criada uma regra especial para o concurso de agentes (art. 121-A, § 3º), e excluiu-se a
aplicação das qualificadoras subjetivas do motivo fútil e torpe (art. 121, V) ao delito. As qualificadoras
objetivas dos incisos III, IV e VIII do homicídio foram transformadas em causas de aumento de pena, de
1/3 até a metade, no caso do feminicídio (art. 121-A, § 2º, V, CP). Também foi estabelecida a proteção aos
“órfãos do feminicídio”, com aumento da pena quando a vítima for mãe ou responsável por criança,
adolescente ou pessoa com deficiência de qualquer idade (art. 121, § 2º, I, parte final). Por fim, foi
restabelecido o aumento de pena para casos em que a vítima do feminicídio seja menor de 14 anos (art.
121, § 2º, II).
O Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), passa a vigorar acrescido do
seguinte art. 121-A:
Feminicídio
Art. 121-A. Matar mulher por razões da condição do sexo feminino:
Pena – reclusão, de 20 (vinte) a 40 (quarenta) anos.
§ 1º Considera-se que há razões da condição do sexo feminino quando o crime
envolve:
I – violência doméstica e familiar;
II – menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
§ 2º A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade (1/2) se
o crime é praticado:
I – durante a gestação, nos 3 (três) meses posteriores ao parto ou se a vítima é a
mãe ou a responsável por criança, adolescente ou pessoa com deficiência de
qualquer idade;
II – contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos, com
deficiência ou portadora de doenças degenerativas que acarretem condição
limitante ou de vulnerabilidade física ou mental;
III – na presença física ou virtual de descendente ou de ascendente da vítima;
IV – em descumprimento das medidas protetivas de urgência previstas nos incisos
I, II e III do caput do art. 22 da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da
Penha);
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V – nas circunstâncias previstas nos incisos III, IV e VIII do § 2º do art. 121 deste
Código.
Coautoria
§ 3º Comunicam-se ao coautor ou partícipe as circunstâncias pessoais elementares
do crime previstas no § 1º deste artigo.”
A mudança no Código Penal, que transforma o feminicídio em crime autônomo no artigo 121-A, com
pena de 20 a 40 anos, representa um avanço significativo no combate à violência de gênero. Essa alteração
processual e simbólica reconhece a gravidade das mortes de mulheres motivadas por sua condição de
gênero, decorrentes de uma sociedade patriarcal que mantém ciclos de opressão e violência. Ao
individualizar o feminicídio, a lei destaca a importância de uma proteção jurídica específica para mulheres,
garantindo um tratamento mais adequado para esse tipo de crime.
De acordo com o autor Bittencourt, aplica-se o princípio da continuidade normativo-típica quando
uma lei é revogada, mas a conduta nela incriminada é mantida em outro dispositivo legal da lei revogadora,
não ocorrendo, via de regra, a conhecida figura da abolitio criminis, a qual extingue, simplesmente, o crime
anterior. Em outros termos, continuidade normativo-típica significa a manutenção do caráter proibido da
conduta, porém com o deslocamento do conteúdo criminoso para outro tipo penal. A vontade do legislador
é que referida conduta permaneça criminalizada, por isso não configura a abolitio criminis. (Tratado de
Direito Penal: Parte Geral / Cezar Roberto Bitencourt. – 29. ed. – SãoPaulo: SaraivaJur, 2023. v. 1)
Atenção! A Lei nº 14.994/2024 altera a lei de crimes hediondos para reconhecer formalmente o
feminicídio como crime hediondo. Formalmente porque o crime de feminicídio já era classificado como
hediondo antes do referido normativo.
Vale lembrar que a Lei n° 8.072 estabeleceu, em seu art. 1°, um ROL TAXATIVO de crimes como
hediondos, que terão essa característica ainda que na modalidade tentada. De acordocom o art. 6º da
nova lei, o art. 1º da Lei nº 8.072, de 25 de julho de 1990 (Lei dos Crimes Hediondos), passa a vigorar com a
seguinte redação:
Art. 1o São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no
Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, consumados ou
tentados:
I – homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de
extermínio, ainda que cometido por 1 (um) só agente, e homicídio qualificado (art.
121, § 2º, incisos I, II, III, IV, V, VII, VIII e IX);
I-B – feminicídio (art. 121-A);
Em síntese: foi modificado o inciso I da lei de crimes hediondos, retirando-se o inciso VI do art. 121
§2 do rol dos crimes hediondos e acrescentado o inciso I-B referente ao crime de feminicídio do 121-A do CP.
1.3 Razões de condições do sexo feminino (art.121-A §1)
São consideradas razões de condição do sexo feminino quando o crime envolve:
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(1) VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR (conceito: art. 5º da Lei Maria da Penha)
O feminicídio, assim, pode ocorrer:
· No âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio
permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente
agregadas;
· No âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que
são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por
vontade expressa;
· Em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido
com a ofendida, independentemente de coabitação.
(2) MENOSPREZO OU DISCRIMINAÇÃO À CONDIÇÃO DE MULHER
Nesse caso, não se exige a violência doméstica ou familiar. Ex.: se o sujeito ativo mata uma
mulher com quem diretamente trabalha por considerá-la menos inteligente em virtude do sexo
feminino, o que comprometeria, na concepção dele, a produtividade da dupla, há feminicídio.
Cuidado: São esses motivos que diferem o feminicídio do femicídio, sendo o segundo o simples fato
de matar mulher, sem ser por razões de gênero.
1.4 Causas de aumento de pena no crime de feminicídio (art.121-A §2)
§ 2º A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade (1/2) se
o crime é praticado:
I – durante a gestação, nos 3 (três) meses posteriores ao parto ou se a vítima é a
mãe ou a responsável por criança, adolescente ou pessoa com deficiência de
qualquer idade;
II – contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos, com
deficiência ou portadora de doenças degenerativas que acarretem condição
limitante ou de vulnerabilidade física ou mental;
III – na presença física ou virtual de descendente ou de ascendente da vítima;
IV – em descumprimento das medidas protetivas de urgência previstas nos incisos
I, II e III do caput do art. 22 da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da
Penha);
V – nas circunstâncias previstas nos incisos III, IV e VIII do § 2º do art. 121 deste
Código.
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Inciso I: durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto ou se a vítima é a mãe ou a responsável
por criança, adolescente ou pessoa com deficiência de qualquer idade
Anteriormente, essa causa de aumento de pena estava relacionada à qualificadora do homicídio, mas
agora se aplica ao crime autônomo de feminicídio.
A pena é aumentada quando o crime é praticado durante a gestação ou nos três meses após o parto,
ou se a vítima é mãe ou responsável por criança, adolescente ou pessoa com deficiência de qualquer idade.
No entanto, essa causa de aumento de pena só será aplicada se o agente tinha conhecimento dessas
circunstâncias, pois a responsabilidade penal objetiva não é admitida.
Inciso II: - contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos, com deficiência ou
portadora de doenças degenerativas que acarretem condição limitante ou de vulnerabilidade física ou
mental;
Podemos concluir que o crime se torna ainda mais grave pela fragilidade da vítima.
· Menor de 14 anos
· Maior de 60 anos;
· Pessoa portadora de deficiência;
· Pessoa portadora de doenças degenerativas
· Vulnerabilidade física ou mental
Inciso III: na presença física ou virtual de descendente ou de ascendente da vítima
O aumento da pena é fundamentado pelo trauma psicológico causado, e pela frieza no crime. A
justificativa para a exasperação reside na lesão causada não apenas à vida da vítima primária (a mulher), mas
também à integridade psíquica da vítima secundária (ascendente ou descendente).
OBS.1: NÃO há limitação quanto ao grau de parentesco, bastando que seja em linha reta.
OBS.2: É necessária a capacidade de compreensão da pessoa ou o risco inexistirá, falecendo a
justificativa para a majorante.
Inciso IV: em descumprimento das medidas protetivas de urgência previstas nos incisos I, II e III do caput do
art. 22 da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006.
Pune-se o agente de forma mais severa pela maior determinação em seu comportamento, que
descumpre uma ordem judicial para ceifar a vida da vítima.
Neste caso, quem pratica feminicídio apenas sofre a incidência desta majorante, NÃO responde pelo
crime de descumprimento previsto no art. 24-A da Lei Maria da Penha.
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Inciso V: nas circunstâncias previstas nos incisos III, IV e VIII do § 2º do art. 121 deste Código:
Agora, como crime autônomo, o feminicídio prevê aumento de pena quando algumas circunstâncias
específicas estão presentes. Essas causas de aumento de pena incluem:
· Emprego de veneno, fogo, explosivos, asfixia, tortura ou outros meios cruéis ou que possam causar
perigo comum (§ 2º, III);
· Cometido à traição, em emboscada, com dissimulação ou com qualquer recurso que dificulte ou
torne impossível a defesa da vítima (§ 2º, IV);
· Utilização de arma de fogo de uso restrito ou proibido, como previsto pela Lei nº 13.964/2019 (§ 2º,
VIII).
Essas circunstâncias resulta em um aumento de pena que varia de 1/3 até a metade.
Meios de execução: Modos de execução: Natureza da arma:
- com emprego de veneno,
fogo, explosivo, asfixia, tortura
ou outro meio insidioso ou
cruel, ou de que possa resultar
perigo comum;
- à traição, de emboscada, ou
mediante dissimulação ou
outro recurso que dificulte ou
torne impossível a defesa do
ofendido;
- com emprego de arma de
fogo de uso restrito ou
proibido.
Esquematizando as causas de aumento:
RELACIONADAS À
PESSOA DA
VÍTIMA:
RELACIONADAS A
FILHOS/DESCENDENTES:
RELACIONADA AO
HISTÓRICO DE
VIOLÊNCIA:
EXECUÇÃO DO
CRIME:
- vítima gestante
ou nos 03 meses
após o parto (art.
121-A, §2º, I)
- vítima menor de
14 anos (novo),
maior de 60 anos,
portadora de
deficiência ou
- vítima mãe ou a responsável por
criança, adolescente ou pessoa
com deficiência de qualquer
idade (novo) (art. 121-A, §2º, I)
- na presença física ou virtual de
descendente ou de ascendente
da vítima (art. 121-A, §2º, III)
- em
descumprimento das
medidas protetivas
de urgência previstas
nos incisos I, II e III do
caput do art. 22 da Lei
no 11.340, de 7 de
agosto de 2006 (Lei
Maria da Penha) (art.
121-A, §2º, IV)
- com emprego
de veneno,
fogo, asfixia,
tortura ou
outro meio
insidioso ou
cruel ou que
resulte perigo
comum (art.
121-A, §2º, V
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doença
degenerativa (art.
121-A, §2º, II)
c.c. o art. 121,
par. 2º, III)
- à traição,
emboscada,
mediante
dissimulaçãoou
outro recurso
que dificulte ou
torne
impossível a
defesa da
vítima (art. 121-
A, §2º, V c.c. o
art. 121, par. 2º,
IV)
com emprego
de arma de
fogo de uso
restrito ou
proibido: (art.
121-A, §2º, V
c.c. o art. 121,
§2º, VIII).
Coautoria (art.121-A §3)
O § 3º dispõe que se comunicam ao coautor ou partícipe as circunstâncias pessoais elementares do crime
previstas no § 1º deste artigo. Trata-se de expressa previsão de uma peculiaridade quanto à temática:
comunicabilidade da circunstância pessoal “razões da condição do sexo feminino”, quais sejam:
I – violência doméstica e familiar;
II – menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
Veja a redação do art. 30 do Código Penal: Não se comunicam as circunstâncias e as condições de
caráter pessoal, salvo quando elementares do crime.
O autor Rogério Sanches Cunha afirma que “as elementares representam as características
constitutivas e fundamentais da própria figura criminosa” e que “o critério para identificar se determinado
aspecto do crime é uma elementar ou uma circunstância é a exclusão: se ao excluir uma elementar o fato se
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torna atípico ou se enquadra em outro tipo penal, trata-se de uma elementar”. (CUNHA, Rogério Sanches.
Manual de Direito Penal, Parte Geral. 13ª. Ed. São Paulo: Juspodivm, 2024, p.544).
TABELA COMPARATIVA
ANTES DA LEI nº 14.994/2024 DEPOIS DA LEI nº 14.994/2024
Art.121 – Matar alguém:
Homicídio qualificado
§ 2° Se o homicídio é cometido:
Feminicídio
VI - contra a mulher por razões da condição de
sexo feminino:
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
§ 2o-A Considera-se que há razões de condição
de sexo feminino quando o crime envolve:
I - violência doméstica e familiar;
II - menosprezo ou discriminação à condição de
mulher.
§ 7o A pena do feminicídio é aumentada de 1/3
(um terço) até a metade se o crime for
praticado:
I - durante a gestação ou nos 3 (três) meses
posteriores ao parto
II - contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos,
com deficiência ou com doenças degenerativas
que acarretem condição limitante ou de
vulnerabilidade física ou mental
III - na presença física ou virtual de descendente
ou de ascendente da vítima
IV - em descumprimento das medidas
protetivas de urgência previstas nos incisos I, II
Feminicídio
Art. 121-A. Matar mulher por razões da
condição do sexo feminino:
Pena – reclusão, de 20 (vinte) a 40 (quarenta)
anos.
§ 1º Considera-se que há razões da condição do
sexo feminino quando o crime envolve:
I – violência doméstica e familiar;
II – menosprezo ou discriminação à condição de
mulher.
§ 2º A pena do feminicídio é aumentada de 1/3
(um terço) até a metade se o crime é praticado:
I – durante a gestação, nos 3 (três) meses
posteriores ao parto ou se a vítima é a mãe ou
a responsável por criança, adolescente ou
pessoa com deficiência de qualquer idade;
II – contra pessoa menor de 14 (catorze) anos,
maior de 60 (sessenta) anos, com deficiência ou
portadora de doenças degenerativas que
acarretem condição limitante ou de
vulnerabilidade física ou mental;
III – na presença física ou virtual de
descendente ou de ascendente da vítima;
IV – em descumprimento das medidas
protetivas de urgência previstas nos incisos I, II
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https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art22i
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art22ii
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e III do caput do art. 22 da Lei nº 11.340, de 7 de
agosto de 2006
e III do caput do art. 22 da Lei nº 11.340, de 7
de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha);
V – nas circunstâncias previstas nos incisos III,
IV e VIII do § 2º do art. 121 deste Código.
Coautoria
§ 3º Comunicam-se ao coautor ou partícipe as
circunstâncias pessoais elementares do crime
previstas no § 1º deste artigo.”
1.5 Induzimento, Instigação ou Auxílio a Suicídio ou a Mutilação (Art. 122)
Tipo penal com mudança legislativa em 2019!
Vai cair em prova!!
Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou a automutilação (Redação dada
pela Lei nº 13.968, de 2019)
Art. 122. Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou a praticar automutilação ou
prestar-lhe auxílio material para que o faça: (Redação dada pela Lei nº 13.968, de
2019)
Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. (Redação dada pela Lei nº
13.968, de 2019)
§ 1º Se da automutilação ou da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de
natureza grave ou gravíssima, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 129 deste
Código: (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos. (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
§ 2º Se o suicídio se consuma ou se da automutilação resulta morte: (Incluído pela
Lei nº 13.968, de 2019)
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
§ 3º A pena é duplicada: (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
I - se o crime é praticado por motivo egoístico, torpe ou fútil; (Incluído pela Lei nº
13.968, de 2019)
II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de
resistência. (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
§ 4º A pena é aumentada até o dobro se a conduta é realizada por meio da rede
de computadores, de rede social ou transmitida em tempo real. (Incluído pela Lei
nº 13.968, de 2019)
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13968.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13968.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13968.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13968.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13968.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13968.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13968.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13968.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13968.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13968.htm#art2
http://www.iceni.com/infix.htm
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DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
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§ 5º Aplica-se a pena em dobro se o autor é líder, coordenador ou administrador
de grupo, de comunidade ou de rede virtual, ou por estes é responsável.
(Redação dada pela Lei nº 14.811, de 2024)
§ 6º Se o crime de que trata o § 1º deste artigo resulta em lesão corporal de
natureza gravíssima e é cometido contra menor de 14 (quatorze) anos ou contra
quem, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento
para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer
resistência, responde o agente pelo crime descrito no § 2º do art. 129 deste
Código. (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
§ 7º Se o crime de que trata o § 2º deste artigo é cometido contra menor de 14
(quatorze) anos ou contra quem não tem o necessário discernimento para a prática
do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência, responde
o agente pelo crime de homicídio, nos termos do art. 121 deste Código. (Incluído
pela Lei nº 13.968, de 2019)
a) Suicídio e automutilação
Considerando princípio da alteridade, o suicídio ou a automutilação, em si, não são
considerados como crimes, vez que não há uma lesividade que ultrapasse a esfera do próprio
agente. Nesse sentido, o tipo penal descrito no artigo 122, CP, visa a punição daquele terceiro
que induz, instiga ou auxilia outrem ao suicídio, num quadro em queo suicida figura na qualidade
de vítima.
Com o advento da Lei 13.968/19, não é somente o induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio que
é incriminado no artigo 122, CP. Passa a ser também previsto como crime o ato de induzir, instigar ou prestar
auxílio a outrem a fim de que tal pessoa se automutile, ou seja, se autolesione, sem a necessidade de
pretender tirar a vida.
Ex.: Agente induz, instiga ou auxilia alguém a amputar ou mutilar um dos dedos da mão ou do pé, a
se cortar, a se queimar com cigarros, a ingerir substâncias que possam causar mal, doenças ou distúrbios,
ainda que não letais etc.
Trata-se de tipo penal misto alternativo, motivo pelo qual a prática de mais de um núcleo acarretará
crime único.
É crime de dano diferente do crime do art. 132, do CP que é crime de perigo.
Crime de perigo para a vida ou saúde de outrem
Art. 132 - Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente:
Pena - detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave.
Parágrafo único. A pena é aumentada de um sexto a um terço se a exposição da
vida ou da saúde de outrem a perigo decorre do transporte de pessoas para a
prestação de serviços em estabelecimentos de qualquer natureza, em desacordo
com as normas legais. (Incluído pela Lei nº 9.777, de 1998)
b) Objeto Jurídico
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https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2024/Lei/L14811.htm#art5
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13968.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13968.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13968.htm#art2
http://www.iceni.com/infix.htm
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DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
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Os bens jurídicos tutelados são a vida humana e a integridade física da pessoa.
Destaque:
(1) A doutrina critica a opção do legislador, afirmando que a automutilação ficaria melhor alocada
topograficamente no corpo do artigo 129, CP e não no artigo 122, CP como foi procedido. Com isso, o
legislador acabou criando um tipo penal anômalo, que embora esteja no capítulo dos crimes contra a
vida, tutela também, em parte, a integridade física.
Isso vai cair em prova!
(2) Se o agente atua querendo (com dolo) somente a automutilação, o artigo 122, CP não é um
“crime doloso contra a vida”. E, ainda que resulte morte derivada dessa automutilação, esse resultado
mais gravoso se dará a título de preterdolo. (Não sendo competência do Tribunal do Júri).
c) Sujeitos do crime:
● Sujeito ativo: crime comum – qualquer pessoa. Admite participação e coautoria.
● Sujeito passivo: também é crime comum. Qualquer pessoa capaz de resistir à conduta do sujeito
ativo.
Destaques:
(1)A vítima deve ser pessoa certa e determinada. Se for um ato geral (ex: autor de livro coloca ideias
suicidas em seu texto, não direcionadas a ninguém em específico, levando comprovadamente
pessoas a se suicidarem – atípico).
(2) Só será este crime se a vítima tiver mais de 14 anos, tiver capacidade de discernimento e alguma
condição de oferecer resistência – a doutrina fala em ao menos um resquício de capacidade.
Como suicídio é a eliminação direta e voluntária da própria vida, o delito exige que a pessoa possa
discernir. Isso porque, se a vítima for menor de 14 anos ou não tiver nenhuma capacidade de
discernimento, haverá o crime de homicídio – tentado ou consumado - na modalidade de autoria mediata.
Apesar de já ser o entendimento da doutrina, o legislador positivou tais condutas:
§ 6º Se o crime de que trata o § 1º deste artigo resulta em lesão corporal de
natureza gravíssima e é cometido contra menor de 14 (quatorze) anos ou contra
quem, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário
discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode
oferecer resistência, responde o agente pelo crime descrito no § 2º do art. 129
deste Código. (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
§ 7º Se o crime de que trata o § 2º deste artigo é cometido contra menor de 14
(quatorze) anos ou contra quem não tem o necessário discernimento para a
prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência,
responde o agente pelo crime de homicídio, nos termos do art. 121 deste
Código. (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
d) Tipo Objetivo
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13968.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13968.htm#art2
http://www.iceni.com/infix.htm
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O tipo penal prevê três condutas - crime de ação múltipla, de conteúdo variado ou tipo misto
alternativo -, a saber: induzir, instigar e prestar auxílio material.
▪ Induzir e instigar → são formas de participação ou concurso moral.
▪ Auxiliar → é forma de participação ou concurso material.
a) INDUZIR – o agente cria a ideia do suicídio ou da automutilação que não existia na
vítima.
b) INSTIGAR – o agente apenas incentiva uma ideia anterior de matar-se ou automutilar-
se, oriunda da própria vítima.
c) AUXILIAR – existe uma participação material do autor. Ex.: fornece uma arma, veneno,
etc.
Destaques:
(1) A intervenção do sujeito ativo não pode extrapolar o mero auxílio, constituindo um ato
acessório. Se a conduta do agente acabar adentrando em atos de execução da morte ou lesão, senão
ocorrerá homicídio ou crime de lesão corporal. Ex.: o indivíduo chuta a cadeira para a vítima ser
enforcada.
e) Elemento subjetivo:
● Dolo – direto ou eventual.
● A doutrina majoritária entende que não há exigência de especial fim de agir (finalidade de obter
a morte ou a autolesão da vítima), sendo suficiente o dolo genérico.
● Não existe modalidade culposa. Se, culposamente, se participa de um suicídio ou de uma
autolesão, pode haver responsabilização por homicídio culposo ou lesão culposa, mas jamais por
infração ao artigo 122, CP
f) Consumação e tentativa:
Repercussão muito importante em razão da alteração legislativa de
2019!
1) Antes da alteração promovida pela Lei 13.968/19
A redação do art. 122 do CP era da seguinte forma:
Art. 122 – Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o
faça:
Pena – reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um
a três anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave.
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http://www.iceni.com/infix.htm
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DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
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O aperfeiçoamento do crime estava condicionado à ocorrência de um resultado lesivo: lesão corporal
grave ou morte. Assim, se do induzimento, instigação ou auxílio, não resultasse, ao menos, lesão corporal
grave ou morte, o fato seria atípico, ainda que a vítima tentasse o suicídio. Era classificado como crime
condicionado.
Além disso, o art. 122 era um crime material, pois sua punibilidade estava sujeita à produção do
resultado legalmente exigido, qual seja, o resultado naturalístico.
2) Após a alteração promovida pela Lei 13.968/19:
A nova redação o art. 122 do CP:
Art. 122. Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou a praticar automutilação ou
prestar-lhe auxílio material para que o faça: (Redação dada pela Lei nº 13.968, de
2019)
Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. (Redação dada pela Lei nº 13.968,
de 2019)
▪ Agora, o aperfeiçoamento, isto é: a consumação do delito não está mais condicionado a produção
de nenhum resultado – não precisa ocorrer lesão corporal grave ou morte para que o fato seja típico.
O crime não é mais condicionado.
▪ Ademais, temos um crime formal, de consumação antecipada ou de resultado cortado, que se
aperfeiçoa com o mero induzimento, instigação ou auxílio ou à automutilação. Ou seja: para haver
crime, não é mais necessárioque haja a produção do resultado naturalístico (lesão grave, gravíssima
ou morte). Temos, portanto, o seguinte cenário:
a) Induzimento/instigação/auxílio que acarreta lesão leve - art. 122 na modalidade simples
(caput)
b) Induzimento/instigação/auxílio que acarreta lesão grave ou gravíssima - art. 122, §1º
c) Induzimento/instigação/auxílio que acarreta morte - art. 122, §2º
NO CASO DE AUXÍLIO
MATERIAL
▪ O crime estará consumado com o fornecimento da ajuda material, venha
ou não a vítima a suicidar-se ou automutilar-se.
▪ Cabe tentativa, em caso de conduta plurissubsistente, sendo
plenamente possível que alguém impeça o infrator de fornecer o auxílio
à vítima.
Exemplo: um indivíduo pede uma arma para se matar. Quando o infrator vai
lhe levar tal arma, é submetido a uma revista pessoal, vez que a vítima
estava internada num manicômio, sendo encontrada a arma e apurado o
seu fim de auxílio ao suicídio alheio. Há tentativa (artigo 122 c/c 14, II, CP).
▪ O crime se consuma com o ato de induzimento ou instigação,
independentemente da atuação da vítima, que será mero exaurimento
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NO CASO DE INDUZIR OU
INSTIGAR
da infração ou ensejará qualificadoras (v.g. artigo 122, §§ 1º. , 2º., 6º. e
7º., CP).
▪ Cabe tentativa em caso de conduta plurissubsistente. Ex.: induzimento
ou instigação por escrito
g) Qualificadoras dos §§ 1º e 2ª do art. 122, CP
§ 1º Se da automutilação ou da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de
natureza grave ou gravíssima, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 129 deste Código:
(Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos. (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
§ 2º Se o suicídio se consuma ou se da automutilação resulta morte: (Incluído pela
Lei nº 13.968, de 2019)
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
Com o advento da Lei 13.968/2019, os resultados – lesão corporal grave ou gravíssima e morte – que
antes eram condições para a própria tipicidade da conduta, passaram a ser resultados agravadores,
resultados que qualificam o crime.
Se da automutilação ou tentativa de suicídio induzida, instigada ou auxiliada pelo sujeito ativo:
a) Resulta lesão corporal grave ou gravíssima – pena de reclusão, de 1 a 3 anos.
b) Resulta morte ou o suicídio se consuma – pena de reclusão, de 2 a 6 anos.
Destaques:
(1) Os resultados agravadores – lesão corporal grave ou gravíssima e morte – devem ser
alcançados à título de culpa. Trata-se de modalidade preterdolosa.
(2) Não cabe tentativa nas figuras qualificadas, pois a incidência está condicionada à produção
dos resultados legalmente exigidos. Assim, se ocorrer a lesão grave, gravíssima ou morte, responderá
pelo art. 122, §§, se não ocorrer nenhuma dessas lesões, não haverá tentativa do crime qualificado, mas
sim o crime na modalidade simples (responderá pelo art. 122, caput).
h) Causas de aumento de pena
§ 3º A pena é duplicada: (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
I - se o crime é praticado por motivo egoístico, torpe ou fútil; (Incluído pela Lei nº
13.968, de 2019)
II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de
resistência. (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13968.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13968.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13968.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13968.htm#art2
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§ 4º A pena é aumentada até o dobro se a conduta é realizada por meio da rede de
computadores, de rede social ou transmitida em tempo real. (Incluído pela Lei nº
13.968, de 2019)
§ 5º Aumenta-se a pena em metade se o agente é líder ou coordenador de grupo
ou de rede virtual. (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
CAUSA DE AUMENTO DO §3º CAUSA DE AUMENTO DO §4º CAUSA DE AUMENTO DO §5º
▪ pena é duplicada ▪ Pena é aumentada até o
dobro.
▪ Pena é aumentada em
metade.
1) É praticado por motivo
egoístico,
2) É praticado por motivo torpe
ou
3) É praticado por motivo fútil
4) a vítima é menor
5) a vítima tem diminuída, por
qualquer causa, a capacidade
de resistência.
A conduta é realizada por meio da
rede de computadores, de rede
social ou transmitida em tempo
real
O agente é líder ou coordenador
de grupo ou de rede virtual
O antigo Parágrafo único do artigo 122, CP foi excluído pela Lei 13.968/19 e, atualmente, os
aumentos de pena estão regulados nos §§ 3º., 4º., e 5º., do mesmo dispositivo.
● §3º, Inciso I – motivo egoístico, torpe ou fútil:
Vejamos as diferenças apontadas pela doutrina:
a) Motivo egoístico - há a revelação do desprezo do agente pela vida alheia, sobrepondo interesses
pessoais. Há um individualismo exagerado. Ex.: desejo de receber herança, desejo de receber seguro
de vida, eliminação de rival em caso amoroso, competição em negócios, etc.,
b) Motivo torpe – é o vil, abjeto, repugnante, revelador da depravação moral. Ex. (Masson): “A” induz
“B”, seu colega de trabalho, a se suicidar, para ser o único candidato a obter promoção da empresa.
c) Motivo fútil - é aquele em que se revela a desproporção entre o ato gravíssimo de influenciar alguém
a se matar ou se auto lesionar e aquilo que motivou a conduta do agente. Por exemplo, praticar
indução ao suicídio contra alguém devido a uma dívida de dois reais.
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13968.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13968.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13968.htm#art2
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● §3º, Inciso II - a vítima menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência
Destaques:
(1) Para a doutrina majoritária, vítima menor é aquela que é maior de 14 anos e menor de 18
anos. Isso porque, numa interpretação sistemática do Código Penal, os que estivessem abaixo dos 14
anos não apresentariam nenhuma capacidade de resistência a influências externas, de modo que
seriam então vítimas de homicídio ou de lesão corporal (neste último caso, considerando a nova figura
da automutilação).
(2) O inciso II abarca também pessoas maiores, mas que tenham sua capacidade de resistência
psíquica diminuída. Ex.: alienados, débeis mentais, embriagados, drogados, enfermos etc., os quais
tenham diminuída sua capacidade de resistência.
⮚ Não se esqueça que, se tais pessoas não tiverem qualquer capacidade de resistência,
ocorrerá aplicação das penas de lesões corporais (automutilação) ou de homicídio
(suicídio), na modalidade de autoria mediata, conforme prevê os §§ 6º e 7º.
● §4º - conduta praticada por meio de rede de computadores, de rede social ou transmitida em tempo
real – aumenta até o dobro
● §5º - agente é líder ou coordenador de grupo ou rede social – aumenta em metade
Primeiramente, importa ressaltar que, o que motivou essa causa de aumento foi o fenômeno do
“jogo” que ficou conhecido como “Baleia Azul”, no qual, por meio de redes sociais ou contatos via internet,
pessoas eram influenciadas a praticarem “desafios”, chegando à autolesão e até mesmo à prática suicida.
Ainda com o mesmo escopo, vem o § 5º., do artigo 122, CP determinar nova causa de aumento de
metade da pena quando o agente é líder ou coordenador de grupo ou rede social.
Isso significa que, se a influência à automutilação ou ao suicídio se dá por meio informático, a pena
é aplicada em dobro para todos os participantes desseevento. Porém, se identificado o líder ou
coordenador de um grupo que se dedica a tal prática, este receberá a pena em dobro e mais um acréscimo
de metade.
Considerações importantes:
(1) Eles são aplicáveis cumulativamente, pois nada impede que ocorram conjuntamente num
mesmo caso, não configurando “bis in idem”.
⦁ Ex.: alguém induz outrem ao suicídio por motivo egoístico, por meio de comunicação virtual
por internet, envolvendo um grupo de pessoas do qual é o líder ou coordenador. Os
aumentos de pena serão aplicados em cascata. Somente não haverá aplicação em cascata
no caso dos dois incisos do § 3º., do artigo 122, CP estarem presentes concomitantemente.
(2) Devido à posição topográfica dos §§ 3º., 4º. e 5º., do artigo 122, CP, esses aumentos somente são
aplicáveis ao crime simples (artigo 122, “caput”, CP) ou às formas qualificadas do artigo 122, §§ 1º.
ou 2º., CP. Nos casos de crimes qualificados no artigo 122, §§ 6º. ou 7º., CP, não é possível a aplicação
das majorantes em estudo.
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Resumindo...
▪ Causas de aumento previstas nos §§3º, 4º e 5º do art. 122 do CP:
a) Aplicam à figura simples – art. 121, caput do CP;
b) Aplicam às figuras qualificadas dos §§1º e 2º do art. 122 do CP
§ 1º Se da automutilação ou da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de
natureza grave ou gravíssima, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 129 deste
Código: (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
§ 2º Se o suicídio se consuma ou se da automutilação resulta morte: (Incluído
pela Lei nº 13.968, de 2019)
c) Não se aplicam às figuras qualificadas dos §§ 6º e 7º do art. 122 do CP;
§ 6º Se o crime de que trata o § 1º deste artigo resulta em lesão corporal de
natureza gravíssima e é cometido contra menor de 14 (quatorze) anos ou
contra quem, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário
discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não
pode oferecer resistência, responde o agente pelo crime descrito no § 2º do
art. 129 deste Código. (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
§ 7º Se o crime de que trata o § 2º deste artigo é cometido contra menor de
14 (quatorze) anos ou contra quem não tem o necessário discernimento para
a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer
resistência, responde o agente pelo crime de homicídio, nos termos do art. 121
deste Código. (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
i) Ação penal e competência
● Ação penal pública incondicionada em todas as suas formas (inteligência do artigo 100, CP).
● Se o induzimento, instigação ou auxílio se dirigir à prática do suicídio, pretendendo, portanto, o
agente atingir o bem jurídico vida, a competência para processo e julgamento será do Tribunal do
Júri.
● Se o induzimento, instigação ou auxílio se voltar tão somente à automutilação, ainda que dela resulte
preterdolosamente a morte, porque o agente queria apenas a autolesão, decorrendo desta a morte
que não era objetivada, a competência será do Juiz Singular, tendo em vista que claramente não se
trata de um crime doloso contra a vida (embora alocado no Capítulo “Dos Crimes contra a vida”).
CAIU EM PROVA RECENTE:
INSTITUTO AOCP - 2021 - PC-PA - Escrivão de Polícia Civil
Assinale a alternativa correta no que concerne aos crimes contra a vida.
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DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
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A) No homicídio, se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou
moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o
juiz pode reduzir a pena de um a dois terços.
B) A pena do feminicídio é aumentada de um terço até a metade se o crime for praticado durante
a gestação ou nos três meses posteriores ao parto.
C) É possível o homicídio privilegiado qualificado, desde que a qualificadora tenha natureza
subjetiva.
D) No crime de instigação ao suicídio ou à automutilação, a pena é triplicada se o crime é
praticado por motivo egoístico, torpe ou fútil
E) Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada pela metade se o crime é praticado contra
pessoa menor de quatorze ou maior de sessenta anos.
R.: Resposta B.
Amigo concurseiro policial, peço sua atenção para as qualificadoras e causas de aumento de
pena do homicídio e dos tipos penais “recém-chegados” (como a automutilação).
1.6 Infanticídio – art. 123 do CP.
Art. 123 - Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o
parto ou logo após.
Pena - detenção, de dois a seis anos
O crime de infanticídio nada mais é que uma modalidade privilegiada de homicídio.
Há a manifestação do princípio da especialidade do conflito aparente de normas, apresentando os
seguintes elementos especializantes de:
Sujeitos ativo e passivo: mãe e filho
Tempo: durante o parto ou logo após
Condição físiopsíquica: influência do estado puerperal.
É crime doloso contra a vida, portanto, de competência do Tribunal do Júri.
Não é crime hediondo e nem equiparado.
Cuidado: Puerpério é diferente de estado puerperal. O primeiro é o período que se inicia após
o parto e vai até a mulher retornar às condições pré-gravidez, enquanto o segundo é o estado
que envolve a genitora durante e logo após a expulsão da criança do ventre materno, causando
modificações físicas e psíquicas, sendo que, em certos casos, ela não possui plena capacidade
de entender o que está fazendo – e é este estado que se exige para o infanticídio e que ele
exerça influência sobre a mãe para a prática do ato (deve haver uma relação de causa e efeito).
Assim, adotou-se um critério fisiopsíquico.
Segundo Nucci, é uma semi-imputabilidade tratada de forma especial.
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d) Sujeito ativo: Crime próprio - genitora sob influência do estado puerperal.
Destaque:
Doutrina majoritária admite concurso de pessoas – coautoria e participação – bastando
que haja ciência da condição especial da mãe: “estar sob a influência do estado puerperal”. “Estar
sob influência do estado puerperal” é elementar do crime e, mesmo se tratando de natureza
pessoal, vai se comunicar com quem agir em conjunto por força do arr. 30 do CP.
Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo
quando elementares do crime. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
CAIU EM PROVA RECENTE:
CESPE / CEBRASPE - 2021 - PC-AL - Agente de Polícia (adaptada)
O delito de infanticídio, por ser crime próprio, não admite coautoria e participação, de modo
que condições e circunstâncias de caráter pessoal não serão comunicadas aos demais
concorrentes (errado).
e) Sujeito passivo: Crime próprio - filho nascente ou neonato.
💣 Atenção! A doutrina classifica o crime de infanticídio como crime bipróprio, pois tanto a
subjetividade ativa quanto a subjetividade passiva exigem condições especiais para a
caracterização do crime.
f) Elemento subjetivo: dolo – direto ou eventual; O tipo penal não prevê a modalidade culposa.
g) “Sob influência do estado puerperal” – para que ocorra o crime de infanticídio não basta ser a mãe
matando o filho recém-nascido ou nascente, é imprescindível que a morte da criança guarde uma
relação causal com o estado puerperal. A mãe tem que agir sob a influência desse estado puerperal e,
por causa disso, matar dolosamente o filho. Ou seja, se a morte não foi determinada pela perturbação
psíquica, mesmo havendo a influência do estado puerperal, o crime será homicídio.
Atenção! Caso a parturiente cause a morte do próprio filho culposamente sob
influênciado estado puerperal, responderá pelo crime de homicídio culposo, para a
doutrina majoritária.
h) Elemento temporal: durante o parto ou logo após.
a) Durante o parto – qualquer manobra compreendida entre a dilatação do colo do útero ou rotura
da bolsa amniótica e a dequitação (expulsão da placenta), será considerada infanticídio – contra
o nascente.
b) Logo após – consiste no curto período em que o recém-nascido recebe os primeiros cuidados.
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Esse marco temporal é muito importante para a tipificação correta do crime:
Antes do início do parto ▪ Crime de aborto
▪ Tutela a vida intrauterina
Durante o parto ou logo após o
parto sob o estado puerperal
▪ Crime de infanticídio – se for a mãe
▪ Tutela a vida extrauterina.
i) Infanticídio e exposição ou abandono de recém-nascido com resultado morte (art. 134, §2ª, CP)
EXPOSIÇÃO OU ABANDONO DE RECEM NASCIDO
COM RESULTADO MORTE
INFANTICÍDIO
Cuida-se de crime preterdoloso – o resultado morte
se opera a título de culpa
Não há a intenção do sujeito ativo em provocar a
morte do recém-nascido, mas tão-somente a
vontade de criar, com a exposição ou com o
abandono, uma situação de risco para a vítima
É crime de perigo, pois há dolo de perigo.
Caso a mãe tenha a intenção, ao abandonar o
recém-nascido, de matar a criança, agindo sob a
influência do estado puerperal logo após o parto,
haverá crime de infanticídio (nesse caso, há dolo de
dano, não havendo a aplicação do artigo 134, § 2º,
do CP).
1.7 Aborto – art. 124 a 128 do CP
Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque:
Pena - detenção, de um a três anos.
Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da gestante:
Pena - reclusão, de três a dez anos.
Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da gestante: (Vide ADPF 54)
Pena - reclusão, de um a quatro anos.
Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de
quatorze anos, ou é alienada ou debil mental, ou se o consentimento é obtido
mediante fraude, grave ameaça ou violência
Art. 127 - As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um
terço, se, em conseqüência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo,
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a gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e são duplicadas, se, por
qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte.
Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico: (Vide ADPF 54)
I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante;
II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da
gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.
a) Bem jurídico tutelado:
● Vida humana intrauterina;
● Vida e integridade física da gestante (Nos casos de aborto sem consentimento da gestante)
Carrara justifica a pena menor em relação ao homicídio tendo em vista que no homicídio há vida,
enquanto no aborto há apenas expectativa de vida.
b) Conceito: é a interrupção da gravidez, da qual resulta a morte do produto da concepção.
− E a partir de qual momento se inicia a gravidez?
Há duas correntes:
1) Fecundação – que se dá quando o espermatozoide fecunda o óvulo
2) Nidação – fixação do óvulo fecundado no útero. (adoção)
Tal discussão é relevante tendo em vista que, para quem adota a primeira corrente, a conduta de
tomar pílula do dia seguinte, por exemplo, que pode agir impedindo a nidação, se amoldaria ao fato típico
de aborto, porém, incidiria a excludente de ilicitude do exercício regular de direito. Já para a segunda
corrente, o fato é atípico.
Para a doutrina penalista brasileira majoritária, a gravidez se inicia com a NIDAÇÃO, de modo que, a
partir daío, há relevância para o direito penal.
Obs.: Importa ressaltar que a 1ª turma do STF recentemente decidiu que a interrupção da gravidez no
primeiro trimestre da gestação provocada pela própria gestante (art. 124) ou com o seu consentimento
(art. 126) não é crime.
Para a Suprema corte, é preciso conferir interpretação conforme a Constituição aos arts. 124
a 126 do Código Penal para excluir do seu âmbito de incidência a interrupção voluntária da gestação
efetivada no primeiro trimestre, sob o argumento de que a criminalização, nessa hipótese, viola
diversos direitos fundamentais da mulher (autonomia reprodutiva, integridade física e psíquica,
igualdade de gênero etc), bem como o princípio da proporcionalidade, baseando-se ainda em informações
científicas que afirmam que durante os 3 primeiros, meses o córtex cerebral (que permite que o feto
desenvolva sentimentos e racionalidade) ainda não foi formado nem há qualquer potencialidade de vida
fora do útero materno. (Inf. 849).
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Ademais, após iniciado o trabalho de parto, não haverá mais o crime de aborto, mas sim de homicídio
ou infanticídio, não sendo necessário que o nascituro tenha respirado, vez que existem outros elementos
aptos a demonstrarem a vida do nascente.
b) Espécies de aborto
● Natural: interrupção espontânea da gravidez. – não há crime
● Acidental – não há crime em razão da ausência de dolo (quedas, acidentes, traumatismos etc);
● Criminoso ou doloso – interrupção dolosa da gravidez. Arts. 124 a 127 CP.
● Legal ou permitido: interrupção facultada pela lei (art. 128, CP)
a) aborto necessário: não há outro meio para salvar a vida da gestante;
b) aborto sentimental ou humanitário: gravidez resultante de estupro;
JÁ CAIU EM PROVA Órgão: PM-SP Prova: VUNESP - 2017 - PM-SP - Oficial do Quadro Auxiliar
De acordo com o CP, assinale a assertiva correta no que concerne ao crime de aborto.
A) Recente modificação legislativa admite a licitude da interrupção da gravidez de feto
anencéfalo.
B) A pena da gestante e do médico que interrompe a gravidez a pedido daquela é exatamente a
mesma.
C) Independe de prévio consentimento da gestante a interrupção de gravidez por médico, a fim
de salvar a vida daquela.
D) Matar sob a influência de estado puerperal o próprio filho, durante o parto, é conduta
doutrinariamente denominada autoaborto. E Não se pune o aborto em caso de gravidez
resultante de estupro, desde que haja consentimento da gestante ou dos pais dela.
Gabarito: C
a) Aborto necessário ou terapêutico (art. 128, I do CP)
Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico: (Vide ADPF 54)
I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante;
Requisitos:
✔ Aborto praticado por médico;
✔ Perigo de morte da gestante;
✔ Impossibilidade do uso de outro meio para salvar a vida da gestante.
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Estando preenchidos tais requisitos, não se exige autorização da gestante, tampouco judicial para
que incida a excludente
Aqui, há direcionamento ao médico. No entanto, caso seja uma enfermeira, por exemplo, embora
não se inclua na excludente específica, poderia estar agindo em estado de necessidade de terceiro, por
exemplo. Atenção aos dados do enunciado.
JÁ CAIU EM PROVA E FOI CONSIDERADA INCORRETA: Órgão: PM-SC Prova: ACAFE - 2009 - PM-
SC - Aspirante da Polícia Militar - 2° Etapa
O Código Penal não pune o aborto praticado por médico, se não há outro meio de salvar a vida
da gestante ou se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido do consentimento da
gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal. Estas são causas excludentes de
culpabilidade do agente.
Aborto sentimental, humanitárioou ético (art. 128, II do CP):
Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico: (Vide ADPF 54)
II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da
gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.
Requisitos:
✔ Ser praticado por médico;
✔ Gravidez resultante de estupro;
✔ Consentimento da gestante, ou, caso seja incapaz, autorização do representante legal.
✔ Também dispensa autorização judicial.
Obs.1: Outras nomenclaturas que configuram crime:
● Aborto eugênico ou eugenésico - é o aborto praticado para evitar o nascimento de crianças
com graves enfermidades ou deformidades genéticas.
* Não se confunde com os casos de anencefalia, que o STF já decidiu que não há crime em razão de
não haver possibilidade de vida extrauterina – hipótese de derrotabilidade da norma, em razão de
interpretação conforme.
● Aborto econômico ou miserável - realizado para evitar a situação de miserabilidade da mãe e da
família.
● Aborto “honoris causa” - para ocultar gravidez adulterina.
Obs.2: Nomenclaturas que NÃO CONFIGURAM CRIME:
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● Gravidez molar - não há propriamente um feto. Há o que a medicina chama de “mola”. Há o
desenvolvimento anormal do ovo, zigoto. Não há crime.
● Gravidez patológica ou extrauterina: a que ocorre fora do útero materno. Não há crime.
ABORTO CRIMINOSO:
Temos três tipos penais:
Art. 124, CP aborto provocado pela própria gestante ou com o seu
consentimento
é o crime da gestante.
Art. 125, CP Aborto provocado por terceiro sem o consentimento
da gestante
É o crime do terceiro.
Art. 126, CP Aborto provocado por terceiro com o consentimento
da gestante
É o crime do terceiro
A gestante responde pelo 124.
Exceção pluralista à teoria
monista
ATENÇÃO! Aplica-se a pena do aborto provocado por terceiro SEM consentimento, que é mais grave,
caso a gestante não seja maior de quatorze anos, ou seja alienada ou débil mental, ou se o
consentimento foi obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência
c) Sujeitos:
● Sujeito ativo:
Art. 124 – Autoaborto ou
consentimento para o aborto
Crime de mão própria – apenas a gestante pode
praticar.
Lembrando que crime de mão própria admite
participação, mas não admite coautoria.
Na hipótese de haver coautoria, há tipificação
autônoma nos. Arts. 125 e 126.
Art. 125 – Aborto praticado por
terceiro sem o consentimento da
gestante Crimes comuns – podem ser praticados por qualquer
pessoa Art. 126 - Aborto praticado por
terceiro com consentimento da
gestante
● Sujeito passivo: feto, independentemente da fase. No caso de aborto praticado por terceiro sem
consentimento da gestante, os sujeitos passivos serão o feto e a gestante.
d) Elemento subjetivo: dolo.
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Não existe aborto culposo (se foi causado por terceiro em razão de culpa, o agente responde por
lesão corporal culposa contra a gestante).
e) Consumação: morte do feto.
f) Tentativa: é possível em todas as modalidades de aborto criminoso.
Obs.: Se o nascituro já estiver morto, antes da utilização de manobras ou meios abortivos, não há
crime por absoluta impropriedade do objeto.
Obs.: Se a pessoa acredita verdadeiramente que está grávida, mas não está, caso ela pratique
manobras autoabortivas, haverá delito putativo por erro de tipo.
1.7.1 Autoaborto e Aborto Consentido
Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho
provoque: (Vide ADPF 54)
Pena - detenção, de um a três anos.
Em ambas as condutas, o sujeito ativo é a gestante.
Trata-se de crime de mão própria, não admitindo coautoria. Somente se admite a participação.
a) Autoaborto. - É realizado pela própria gestante.
Eventuais pessoas que colaborarem para a execução responderão pelo art. 126, CP, em razão da
exceção dualista à teoria monista.
Aquele que colaborar instigando, induzindo ou auxiliando materialmente (ex.: emprestando dinheiro
para realizar o aborto), responderá como partícipe do 124.
Ex.: Pai do filho convence a gestante em abortar:
∘ Gestante – 124
∘ Pai – partícipe do 124 como instigador.
b) Aborto consentido - Consiste em permitir que alguém interrompa a sua gravidez. A gestante
apenas se limita a consentir, não praticando nenhum ato executório.
∘ A gestante responde pelo art. 124
∘ O terceiro que pratica o aborto responderá pelo art. 126, CP
∘ Aqui temos a exceção dualista à Teoria Monista do concurso de pessoas
Já caiu em prova:
O aborto provocado pela gestante, figura prevista no art. 124 do Código Penal, cuja pena é de
detenção de 1 (um) a 3 (três) anos, admite coautoria. [errado]
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http://www.stf.jus.br/portal/peticaoInicial/verPeticaoInicial.asp?base=ADPF&s1=54&processo=54
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CAIU EM PROVA RECENTE
O crime de consentimento para o aborto não admite coautoria, consumando-se no momento
em que a gestante anui para sua realização, ainda que não haja a execução do procedimento
abortivo por terceiro(errado).
R.: Realmente o consentimento para o aborto não admite coautoria, mas sim participação,
consumando-se quando o aborto ocorrer, o simples consentimento não caracteriza o delito
(crime material).
1.7.2 Aborto Provocado por Terceiro sem Consentimento da Gestante
Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da gestante:
Pena - reclusão, de três a dez anos.
É a forma mais grave de aborto, pois não há consentimento da gestante. O dissentimento expresso
da gestante não é exigido, bastando que não consinta com o ato.
Obs.1: O agente deve estar ciente da gravidez, ou, ao menos, esta deve ser perceptível ou presumível.
Obs.2: eventual consentimento da gestante é instransferível. Dessa forma, se ela consentiu para que
A praticasse o aborto e, na hora da cirurgia, foi B quem fez, haverá o crime de aborto sem consentimento da
gestante.
1.7.3 Aborto Praticado por Terceiro com Consentimento da Gestante
Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da gestante: (Vide ADPF 54)
Pena - reclusão, de um a quatro anos.
Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de
quatorze anos, ou é alienada ou debil mental, ou se o consentimento é obtido
mediante fraude, grave ameaça ou violência
A gestante que consente responde por delito autônomo (art. 124, CP), sendo uma exceção dualista
à teoria monista.
O concurso de pessoas é admitido, desde que não abranja a gestante. Ex: Pai do filho contrata médico
para realizar o aborto consentido pela gestante:
∘ Gestante – 124
∘ Médico – 126
∘ Pai – partícipe do 126, já que pagou ao médico para que realizasse o ato delituoso.
1.7.4 Causas de Aumento de Pena
Forma qualificada
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http://www.stf.jus.br/portal/peticaoInicial/verPeticaoInicial.asp?base=ADPF&s1=54&processo=54
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Art. 127 - As penas cominadas nos dois artigos anteriores [art. 125 e 126] são
aumentadas de um terço, se, em conseqüência do aborto ou dos meios
empregados para provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e
são duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte.
É equivocado falar em “forma qualificada”, pois o art. 127 contemplou causas de aumento de pena
e a qualificadora, na verdade, cria uma nova escala penal.
A doutrina nacional diz tratar-se de um delito preterdoloso, onde há dolo no antecedente e culpa no
consequente.
ATENÇÃO! O resultado qualificador previsto no art. 127 somente se aplica aos crimes dos artigos 125
e 125!!! A pena do art. 124 não pode ser aumentada,pois a conduta é praticada pela própria gestante
e o CP não pune a autolesão.
2. DAS LESÕES CORPORAIS (129, CP)
Tipo penal com mudança legislativa em 2021, inclusão do parágrafo 13.
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano.
Lesão corporal de natureza grave
§ 1º Se resulta:
I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias;
II - perigo de vida;
III - debilidade permanente de membro, sentido ou função;
IV - aceleração de parto:
Pena - reclusão, de um a cinco anos.
§ 2° Se resulta:
I - Incapacidade permanente para o trabalho;
II - enfermidade incurável;
III perda ou inutilização do membro, sentido ou função;
IV - deformidade permanente;
V - aborto:
Pena - reclusão, de dois a oito anos.
Lesão corporal seguida de morte
§ 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quís o
resultado, nem assumiu o risco de produzi-lo:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
Diminuição de pena
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§ 4° Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou
moral ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação
da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.
Substituição da pena
§ 5° O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de detenção
pela de multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis:
I - se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior;
II - se as lesões são recíprocas.
Lesão corporal culposa
§ 6° Se a lesão é culposa: (Vide Lei nº 4.611, de 1965)
Pena - detenção, de dois meses a um ano.
Aumento de pena
§ 7o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se ocorrer qualquer das hipóteses dos
§§ 4o e 6o do art. 121 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 12.720, de 2012)
§ 8º - Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do art. 121.(Redação dada pela
Lei nº 8.069, de 1990)
Violência Doméstica (Incluído pela Lei nº 10.886, de 2004)
§ 9o Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou
companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-
se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade: (Redação
dada pela Lei nº 11.340, de 2006)
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos. (Redação dada pela Lei nº 11.340,
de 2006)
§ 10. Nos casos previstos nos §§ 1o a 3o deste artigo, se as circunstâncias são as
indicadas no § 9o deste artigo, aumenta-se a pena em 1/3 (um terço). (Incluído pela
Lei nº 10.886, de 2004)
§ 11. Na hipótese do § 9o deste artigo, a pena será aumentada de um terço se o
crime for cometido contra pessoa portadora de deficiência. (Incluído pela Lei nº
11.340, de 2006)
§ 12. Se a lesão for praticada contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e
144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional
de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu
cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa
condição, a pena é aumentada de um a dois terços. (Incluído pela Lei nº 13.142, de
2015)
§ 13. Se a lesão for praticada contra a mulher, por razões da condição do sexo
feminino, nos termos do § 2º-A do art. 121 deste Código: (Incluído pela Lei nº
14.188, de 2021)
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro anos). (Incluído pela Lei nº 14.188, de
2021)
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14188.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14188.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14188.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14188.htm#art4
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Conforme o art. 129 do CP, trata-se de ofender a integridade corporal e/ou a saúde de outrem. Os
tipos penais visam proteger a incolumidade pessoal do indivíduo.
Já caiu em prova:
Sobre o crime de lesão corporal, verifica-se o seguinte: por tratar-se de crime material, a
consumação ocorrerá quando a ofensa incidir apenas sobre a saúde física da vítima. [errado]
A lesão pode ser:
⋅ Leve - Art. 129, caput;
⋅ Grave - Art. 129, §1º;
⋅ Gravíssima - Art. 129, §2º;
⋅ Seguida de morte - Art. 129, §3º;
⋅ Culposa - Art. 129, §6º
Situações especiais:
⋅ Violência doméstica e familiar - Art. 129, §§ 9º, 10 e 11;
⋅ Contra agente de segurança - Art. 129, §12.
⋅ Privilégios - Art. 129, §§4º e 5º;
⋅ Majorantes - Art. 129, §7º;
⋅ Perdão judicial - Art. 129, §8º.
a) Bem jurídico tutelado:
. Integridade corporal;
. Saúde fisiológica;
. Mental.
b) Sujeito ativo: crime comum. Qualquer pessoa.
Vale lembrar que se for um policial, por exemplo, pode haver concurso com abuso de autoridade.
Obs.: Quando a vítima se fere, na tentativa de repelir uma injusta agressão do agente, a esse será
imputado o resultado, pois sua conduta deu causa à lesão.
c) Sujeito passivo: via de regra, crime comum também, caracterizando crime bicomum.
Exceções – será crime próprio
⋅ Art. 129, §1º, IV: gestante;
⋅ Art. 129, §2º, V: gestante;
⋅ Art. 129, §9: pessoa que se enquadre como ascendente, descendente, irmão,
cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou
mantenha relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade com o
agente do ato delituoso.
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⋅ Art. 129, §12: autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da CF, no
exercício das funções ou em decorrência dela, bem como seus familiares
descritos no parágrafo.
d) Condutas:
Trata-se de crime de ação livre, ou seja, admite qualquer meio executório, desde que aptos a causar
a lesão. Assim, é desnecessário que haja violência física. A atuação sobre o psiquismo da vítima pode produzir
danos ao seu funcionamento orgânico ou mental.
A conduta pode ser comissiva ou omissiva imprópria. A omissão própria nunca irá configurar lesão
corporal.
São crimes materiais, que admitem tentativa.
e) Elemento subjetivo: dolo ou culpa, contando também com modalidades preterdolosas
Ex.: Se o agente atinge a vítima com uma faca na coxa, com a intenção de lesionar, haverá o crime
de lesão corporal. No entanto, se intenção foi de atingir a artéria femoral da vítima, provocando a morte, o
crime será de homicídio, tentado ou consumado.
Considerações importantes:
(1) A lesão corporal leve e lesão corporal culposa são infrações de menor potencial ofensivo,
admitindo, via de regra, todos os institutos despenalizadores.
(2) O crime de lesão corporal leve e de lesão corporal culposa, por força do artigo 88 da 9.099
tem, como regra, a ação penal pública condicionada à representação
Art. 88. Além das hipóteses do Código Penal e da legislação especial, dependerá de
representação a ação penal relativa aos crimes de lesões corporais leves e lesões
culposas.
Atenção:
Existe exceção! A regra da ação penal pública condicionada à representação dos crimes de lesão
corporal leve e lesão corporal culposa não se aplica em situações de violência doméstica ou
familiar contra a mulher., por expressa previsão legal – art. 41 da LMP.
Art. 41. Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher,
independentemente da pena prevista, não se aplica a Lei nº 9.099, de 26 de setembro de
1995.
Portanto, lesões corporais praticadas nesse contexto, são públicas incondicionadas, isto é, não
dependem de representação da mulher ou de qualquer manifestação de vontade por sua parte, ainda que
leves ou culposas (vide também súmula 542 do STJ).
Súmula 542-STJ: A ação penal relativa aocrime de lesão corporal resultante de
violência doméstica contra a mulher é pública incondicionada.
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Cuidado, pois não são todos os crimes praticados no contexto de violência doméstica ou familiar
contra a mulher que serão de ação penal pública incondicionada!!! O art. 41 da Lei 11.340/06 (Lei Maria da
Penha) afasta a aplicação da Lei 9.099/95 – lei regulamentadora do JECRIM – e, por conseguinte, afasta o art.
88 nela inserido que fixa a natureza de ação penal pública condicionada à representação nos crimes de lesão
corporal leve e lesão corporal culposa. Se afasta esse dispositivo, deve ser aplicada a regra geral prevista no
art. 100 do CP: em caso de silêncio legal, a regra é a ação penal pública incondicionada;
Art. 100 - A ação penal é pública, salvo quando a lei expressamente a declara
privativa do ofendido. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
2.1 Lesão Corporal De Natureza Grave (Modalidade Qualificada)
§ 1º Se resulta:
I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias;
II - perigo de vida;
III - debilidade permanente de membro, sentido ou função;
IV - aceleração de parto:
Pena - reclusão, de um a cinco anos.
I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias:
O ofendido, em decorrência da lesão sofrida, ficará incapacitado para o exercício de suas ocupações
habituais pelo prazo de mais de trinta dias.
O termo “ocupações habituais” não se restringe à atividade laboral, podendo ser qualquer atividade
do dia a dia, devendo apenas ser lícita (ainda que imoral).
É indispensável exame de corpo de delito (com exame complementar) para a comprovação da
incapacidade por mais de 30 dias, salvo exceções previstas em lei, em razão de ser crime não transeunte, ou
seja, que crime que DEIXA vestígios (art. 168 e §§ do CPP).
Art. 168. Em caso de lesões corporais, se o primeiro exame pericial tiver sido incompleto,
proceder-se-á a exame complementar por determinação da autoridade policial ou
judiciária, de ofício, ou a requerimento do Ministério Público, do ofendido ou do acusado,
ou de seu defensor.
§ 2º Se o exame tiver por fim precisar a classificação do delito no art. 129, § 1º, I, do
Código Penal, deverá ser feito logo que decorra o prazo de 30 dias, contado da data do
crime
Pode ser preterdoloso.
II – Perigo de vida:
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Lesão coloque em risco a vida da vítima. Trata-se da probabilidade séria, concreta e imediata do êxito
letal.
Crime preterdoloso, pois caso esse risco seja doloso o crime será de tentativa de homicídio.
É necessário que a morte seja a provável decorrência do desdobramento da lesão, embora não venha
se efetivar.
Exemplos de perigo de vida na medicina legal:
∘ Hemorragia em vasos calibrosos;
∘ Traumatismo cranioencefálico;
∘ Feridas penetrantes de abdômen com a consequente intervenção cirúrgica ou ablação de
órgão importante
III – Debilidade permanente de membro, sentido ou função:
A provocação pode ser dolosa ou culposa.
Debilidade → Diminuição ou enfraquecimento da capacidade funcional da vítima, no tocante a
membro, sentido ou função (se for total, é gravíssima.)
● Membros são os braços, pernas, mãos e pés. Os dedos integram os membros, e a perda ou a
diminuição funcional de um ou mais dedos acarreta na debilidade permanente das mãos ou dos pés
● Sentidos são: visão, audição, tato, olfato e paladar.
● Função é a atividade inerente a um órgão ou aparelho do corpo humano. Na hipótese de órgãos
duplos a perda de um deles caracteriza lesão grave pela debilidade permanente e a perda de ambos
configura lesão gravíssima pela perda ou inutilização.
Ex.: perda do movimento de um dos braços; perda de um olho (órgão duplo).
Atenção!
(1) Para o STJ, A lesão corporal que provoca na vítima a perda de dois dentes tem natureza grave
(art. 129, § 1º, III, do CP), e não gravíssima (art. 129, § 2º, IV, do CP). A perda de dois dentes pode
até gerar uma debilidade permanente (§ 1º, III), ou seja, uma dificuldade maior da mastigação, mas não
configura deformidade permanente (§ 2º, IV)
(2) A recuperação do membro, sentido ou função por meio cirúrgico ou ortopédico não acarreta a exclusão
da qualificadora, pois a vítima não é obrigada a submeter-se a tais procedimentos.
IV – Aceleração do parto:
Configura parto prematuro, parto antecipado em razão da agressão sofrida pela vítima.
Não confundir quando a lesão causa aborto, pois, nessa hipótese, será lesão corporal gravíssima.
O agente precisa saber da gravidez.
Trata-se de crime preterdoloso, pois caso o resultado seja doloso, o crime seria de aborto (tentado
ou consumado).
Obs.1: Se o agente, movido pela intenção de acelerar o parto, lesiona a gestante e provoca,
descuidadamente, o óbito do feto, o crime passa a ser de lesão corporal seguida de aborto (art. 129, §2º, V).
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Obs.2: Ao autor do crime, não se aplica a agravante genérica de crime praticado contra a gestante (art. 61,
II, “h”, CP), já que a gestação é condição para a existência da qualificadora.).
Obs. 3: Se o agente provoca a aceleração do parto sem causar qualquer lesão à gestante e sem provocar a
morte do nascituro, não há crime de dano, só de perigo para a vida ou a saúde de outrem (no caso da
gestante, art. 132, CP).
Perigo para a vida ou saúde de outrem
Art. 132 - Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente:
Pena - detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave.
Parágrafo único. A pena é aumentada de um sexto a um terço se a exposição da
vida ou da saúde de outrem a perigo decorre do transporte de pessoas para a
prestação de serviços em estabelecimentos de qualquer natureza, em desacordo
com as normas legais. (Incluído pela Lei nº 9.777, de 1998)
Já caiu em prova:
É um resultado que caracteriza o crime de lesão corporal de natureza grave, cuja pena é de
reclusão de um a cinco anos: aceleração de parto. [certo]
2.2 Lesão Corporal de Natureza Gravíssima (Qualificadora):
§ 2° Se resulta:
I - Incapacidade permanente para o trabalho;
II - enfermidade incurável;
III perda ou inutilização do membro, sentido ou função;
IV - deformidade permanente;
V - aborto:
Pena - reclusão, de dois a oito anos.
Não há o termo “gravíssima” no código. Trata-se de expressão doutrinária.
I – Incapacidade permanente para o trabalho:
Aqui a vítima não pode mais trabalhar de forma permanente
Para a doutrina majoritária, não é apenas relacionado à atividade que exercia antes da lesão, mas a
qualquer trabalho. E aqui, diferente do que era tratado na lesão grave, está ligado a uma atividade
remunerada.
Trata-se, portanto de uma incapacidade genérica: a vítima deve ficar incapacitada permanentemente
(incapacidade longa e duradoura) para o exercício de qualquer trabalho (atividade remunerada), não
bastando que ela fique incapacitada somente para o trabalho que exercia antes dos fatos.
Incapacidade permanente significa incapacidade duradoura, não precisa ser perpétua.
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II – Enfermidade incurável:
Enfermidade incurável é aquela que não há cura ou tratamento certo segundo a medicina:
Segundo Masson, compreende como enfermidade incurável alteração prejudicial da saúde por
processo patológico, físico ou psíquico, que não pode ser eficazmente combatida com os recursos da
medicina à época do crime. Também é considerada incurável a enfermidade que somente pode ser
enfrentada por procedimento cirúrgico complexo ou mediante102
6.4.1 O Crime De Dano Emocional À Mulher ....................................................................................... 107
6.4.2 Sequestro e cárcere privado (art. 148) ....................................................................................... 108
6.4.3 Redução à condição análoga à de escravo (art. 149) ................................................................. 111
6.5 Tráfico de pessoas (art. 149-A) ........................................................................................................... 113
7. DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DO DOMICÍLIO ...................................................................... 116
7.1. Crime de violação de domicílio (Art. 150) ................................................................................... 116
8. DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DE CORRESPONDÊNCIA ........................................................ 117
9. CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DOS SEGREDOS ............................................................................ 118
QUESTÕES PROPOSTAS ................................................................................................................................ 123
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Questões Comentadas .............................................................................................................................. 123
Outras Questões Propostas ...................................................................................................................... 128
Comentários ............................................................................................................................................. 131
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DIREITO PENAL: DOS CRIMES CONTRA A VIDA
TODOS OS ARTIGOS RELACIONADOS AO TEMA
CF/88
⦁ Art. 5º, XXXVIII
⦁ Art. 5º, XLIII
⦁ Art. 142 e 144
CÓDIGO PENAL
⦁ Art. 13, §2°
⦁ Art. 61, II, “h”
⦁ Art. 62, II, “d”
⦁ Art. 65, III, “d” (análise comparativa com o art. 121, §1º)
⦁ Art. 100
⦁ Art. 121 a 128 (crimes contra a vida)
⦁ Art. 129 (lesões corporais)
⦁ Art. 130 a 136 (periclitação da vida e da saúde)
⦁ Art. 137 (crime de rixa)
⦁ Art. 138 a 145 (crimes contra a honra)
⦁ Art. 146 a 149-A (crimes contra a liberdade individual)
⦁ Art. 150 (violação de domicílio)
⦁ Art. 151 a 154-B
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL
⦁ Art. 13-A e 13-B
⦁ Art. 74, §1º
⦁ Art. 85
⦁ Art. 566, CPP
OUTROS DIPLOMAS LEGAIS
⦁ Lei 8072/90
⦁ Art. 1º, § 3º da Lei 9.455/97 (análise comparativa com o art. 121, §3º, III)
⦁ Art. 5º, 22 e 24-A da Lei 13.340/06
⦁ Art. 69 e 89, Lei 9099/95
⦁ Art. 300 a 303 do CTB
⦁ Art. 26 da Lei 7.170/83
⦁ Art. 324, Código Eleitoral
⦁ Art. 141, §1°, CP – Lei 13.964/2019
⦁ Art. 41, parágrafo único, da Lei n. 7.210/84
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ARTIGOS MAIS IMPORTANTES – NÃO DEIXE DE LER!
CP
⦁ Art. 13, §2º
⦁ Art. 65, III, “d” (análise comparativa com o art. 121, §1º)
⦁ Art. 121, §1º, 2º e 7º
⦁ Art. 122 e 123
⦁ Art. 124, 126, 127 e 128
⦁ Art. 132, 133, 135 e 136
⦁ Art. 138, §§2º e 3º
⦁ Art. 139, §único
⦁ Art. 140, §3º (análise comparativa com a Lei 7716/89)
⦁ Art. 143
⦁ Art. 146 e 147
⦁ Art.147-A (importantíssimo!!! Novidade legislativa)
⦁ Art. 154 e 154-B
OUTROS DIPLOMAS LEGAIS
⦁ Art. 144 da CF/88
⦁ Art. 300 a 303 do CTB
⦁ Art. 1º, inc. I e I-A, Lei 8072/90
⦁ Art. 5º da Lei 13.340/06 (importante para a análise do feminicídio)
1. CRIMES CONTRA A VIDA
Espécies:
● Homicídio e Feminicídio (art. 121 e art. 121-A, CP);
● Participação em suicídio (art. 122, CP);
● Infanticídio (art. 123, CP);
● Aborto (art. 124 e ss., CP).
Observações importantes:
☞ Em todos os crimes contra a vida a ação é pública incondicionada.
☞ Os crimes contra a vida têm competência de sede constitucional (art. 5°, XXXVIII, “d”, CF).
Existe algum crime contra a vida que não é de competência do Tribunal do Júri? SIM, o homicídio
culposo. O art. 5, XXXVIII, CF fala em “crimes dolosos contra a vida”.
☞ A competência do Tribunal do Júri é mínima, de modo que o legislador ordinário pode
ampliar o rol de crimes de competência do Júri.
☞ Ao Júri Federal compete o julgamento de crime doloso contra a vida de competência da
justiça federal. Ex.: Homicídio contra funcionário público federal em razão da função.
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1.1 Homicídio
Art. 121. Matar alguém:
Pena - reclusão, de seis a vinte anos.
1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou
moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta
provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.
§ 2° Se o homicídio é cometido:
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;
II - por motivo fútil;
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio
insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum;
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que
dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido;
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro
crime:
VI - contra a mulher por razões da condição de sexo feminino: (Incluído pela Lei
nº 13.104, de 2015) (Revogado pela Lei nº 14.994, de 2024)
VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição
Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública,
no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge,
companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição:
(Incluído pela Lei nº 13.142, de 2015)
VIII - com emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido: (Incluído
pela Lei nº 13.964, de 2019)
IX – contra menor de 14 (quatorze) anos (Incluído pela Lei 14.344/2022) → LEI
HENRY BOREL.
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
§ 2o-A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime
envolve: (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)
I - violência doméstica e familiar; (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)
II - Menosprezo ou discriminação à condição de mulher. (Incluído pela Lei
nº 13.104, de 2015) (Revogado pela Lei nº 14.994, de 2024)
LEI HENRY BOREL (Incluído pela Lei 14.344/2022)
Foi acrescentado o § 2º-B do art. 121:
§ 2º-B. A pena do homicídio contra menor de 14 (quatorze) anos é aumentada de:
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https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2024/Lei/L14994.htm#art9
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2024/Lei/L14994.htm#art9
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2024/Lei/L14994.htm#art9
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2024/Lei/L14994.htm#art9
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I - 1/3 (um terço) até a metade se a vítima é pessoa com deficiência ou com doença
que implique o aumento de sua vulnerabilidade;
II - 2/3 (dois terços) se o autor é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão,
cônjuge, companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por
qualquer outro título tiver autoridade sobre ela.
III - 2/3 (dois terços) se o crime for praticado em instituição de educação básica
pública ou privada. (Incluído pela Lei nº 14.811, de 2024)
§ 3º Se o homicídio é culposo: (Vide Lei nº 4.611, de 1965)
Pena - detenção, de um a três anos.
§ 4o No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime
resulta de inobservância de regra técnicatratamentos experimentais ou penosos, pois
a vítima não pode ser obrigada a enfrentar tais situações.
O resultado aqui pode ser culposo ou doloso.
A característica de ser incurável ou não é valorada no momento da conduta. Caso a cura surja depois,
ainda assim a qualificadora permanecerá, segundo Nucci.
Para o STJ, a transmissão consciente do vírus HIV, causador da AIDS, configura lesão corporal
gravíssima. Discutia-se se seria crime doloso contra a vida, tendo a Corte Cidadã entendido que
não. Na visão da relatora, Min. Laurita Vaz, trata-se de enfermidade incurável, nos termos do
artigo 129 do CP, não sendo cabível a desclassificação da conduta para as sanções mais brandas
no Capítulo III do mesmo código.
O STF, por sua vez, no HC 98.712, também entendeu que a transmissão da AIDS não era crime doloso
contra a vida, excluindo a atribuição do tribunal do júri. Contudo, manteve a competência do juízo
singular para que determinasse a classificação do delito.
III – Perda ou inutilização do membro, sentido ou função;
Na lesão grave, fala-se apenas em debilidade. A vítima, neste caso aqui, perde a função por inteiro.
Ex.: cegueira dos dois olhos. A perda de um braço ou de uma perna também poderá gerar a lesão corporal
gravíssima.
▪ Perda - é a ablação, a destruição ou privação de membro, sentido ou função. Pode concretizar-se por
mutilação (eliminação direta pela conduta criminosa) ou por amputação (resulta da intervenção
médico-cirúrgica realizada pela necessidade de salvar a vida do ofendido ou impedir consequências
ainda mais danosas).
▪ Inutilização - por sua vez, é a falta de aptidão do órgão para desempenhar sua função específica. O
membro ou órgão continua ligado ao corpo da vítima, mas incapacitado para desempenhar as
atividades que lhe são inerentes. A perda de parte do movimento de um membro caracteriza lesão
grave pela debilidade; a perda de todo o movimento tipifica lesão corporal gravíssima pela
inutilização.
DEBILIDADE PERMANENTE DE MEMBRO, SENTIDO
OU FUNÇÃO
PERDA OU INUTILIZAÇÃO DO MEMBRO, SENTIDO
OU FUNÇÃO;
O que qualifica a conduta é a diminuição, o
enfraquecimento de membro, sentido ou função.
O que qualifica a conduta perda completa (privação,
destruição) ou a inutilização (falta de aptidão para
desempenhar as funções) de membro, sentido ou
função.
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É lesão corporal grave – art. 129, §1º, III do CP É lesão corporal gravíssiva – art. 129, §2º, III do CP.
Atenção!
(1) Diante de órgãos duplos, a lesão deverá atingir os dois para ser gravíssima. Se atingir apenas
1, será lesão corporal grave em razão do enfraquecimento (art. 129, §1º, III do CP)
IV – Deformidade permanente:
Deformidade permanente consiste no dano estético aparente, capaz de constranger a vítima e quem
a vê (impressão vexatória) Ex.: vitriolagem (é a deformidade permanente pelo emprego de ácidos)
A doutrina diz que a idade, sexo e condição social da vítima podem interferir na incidência desta
qualificadora.
Há intensa controvérsia a respeito do caso em que a deformidade permanente é corrigida por cirurgia
estética. A maioria da doutrina entende que essa intervenção cirúrgica afasta a qualificadora, pois a
deformidade deixou de existir. Contudo, como a vítima não pode ser coagida a enfrentar procedimentos
cirúrgicos, nem a auxiliar o criminoso, subsiste a qualificadora na hipótese em que a reparação é possível,
mas ela se recusa a realizá-la. No entanto, para o STJ:
A qualificadora “deformidade permanente” do crime de lesão corporal não é
afastada por posterior cirurgia estética reparadora que elimine ou minimize a
deformidade na vítima. Isso porque, o fato criminoso é valorado no momento de
sua consumação, não o afetando providências posteriores, notadamente quando
não usuais (pelo risco ou pelo custo, como cirurgia plástica ou de tratamentos
prolongados, dolorosos ou geradores do risco de vida) e promovidas a critério
exclusivo da vítima (Inf. 562).
A qualificadora prevista no art. 129, § 2°, Inciso IV, do Código Penal (deformidade
permanente) abrange somente lesões corporais que resultam em danos físicos
(não abrange danos psicológicos).
STJ, Rel. Min. Laurita Vaz, Sexta Turma, por unanimidade, Julgado em 08/03/2022.
V – Aborto:
Deve ser preterdoloso: o agente deve ter atuado dolosamente no que se refere à lesão e
culposamente no que concerne ao aborto. Caso haja dolo antecedente e consequente, haverá o crime de
aborto mesmo.
O agente deve saber que a vítima está gravida.
Lesão corporal seguida de aborto Vs. Aborto qualificado pela lesão grave.
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LESÃO CORPORAL SEGUIDA DE
ABORTO (ART. 129, §2º, II, CP)
ABORTO QUALIFICADO PELA LESÃO GRAVE
(ART. 127, CP)
A lesão corporal na gestante é dolosa O aborto é doloso
O aborto é culposo (resultado
qualificador)
A lesão corporal grave é culposa (resultado
qualificador)
Vamos esquematizar?
LESÃO GRAVE: PIDA LESÃO GRAVÍSSIMA: PEIDA
Perigo de vida Perda ou inutilização do membro, sentido ou função
Incapacidade para as ocupações habituais por mais
de 30 dias
Enfermidade incurável
Debilidade permanente de membro, sentido ou
função
Incapacidade permanente para o trabalho
Aceleração do parto Deformidade permanente
Aborto
Presta atenção! As bancas examinadoras costumam cobrar o conhecimento das hipóteses,
fazendo trocadilhos.
Pense para te ajudar: deBilidade vem antes de deFormidade consequentemente grave e
gravíssima.
2.3 Lesão Corporal com Resultado Morte (Qualificadora)
§ 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quís o
resultado, nem assumiu o risco de produzí-lo:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
Também chamada de “homicídio preterdoloso”.
Segundo o §3º, a pena será de reclusão, de 4 a 12 anos, se da lesão corporal resultar morte e as
circunstâncias evidenciarem que o agente não quis o resultado, nem assumiu o risco de produzi-lo
A morte, aqui, é sempre culposa. Trata-se de um crime preterdoloso por excelência – e, por isso, a
regra é de que não admite tentativa.
É imprescindível que a morte seja previsível. Se for imprevisível, a morte não pode ser imputada ao
agente sob pena de caracterizar a responsabilidade penal objetiva.
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2.4 Lesão Corporal Dolosa Privilegiada
§ 4° Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou
moral ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação
da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.
Conforme o §4º do art. 129, se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor
social ou moral ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz
pode reduzir a pena de 1/6 a 1/3.
a) impelido por motivo de relevante valor social
b) impelido por motivo de relevante valor moral
c) sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima
Obs.: os comentários feitos no homicídio privilegiado valem aqui também!
2.5. Substituição De Pena:
§ 5° O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de detenção
pela de multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis:
I - se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior;
II - se as lesões são recíprocas.
Segundo o §5º do art. 129, o juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de
detenção pela de multa em duas hipóteses:
1. se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior;
2. se as lesões são recíprocas.
Cumpre notar que o artigo excluiu as lesões graves (§§ 1º e 2º), ou seja, aplica-se somenteàs lesões
corporais dolosas leves. E, mesmo sendo lesão corporal dolosa leve, a substituição de pena apenas pode
ocorrer duas situações: se for privilegiada ou em caso de lesão recíproca.
Trata-se de direito subjetivo do acusado em que pese o §5º trazer a expressão “pode ainda substituir
(...)”.
2.6 Lesão Corporal Culposa (Art. 129, §6º)
Art. 129, § 6° Se a lesão é culposa:
Pena - detenção, de dois meses a um ano.
Como já mencionado, a lesão corporal culposa é infração de menor potencial ofensivo e depende de
representação (art. 88 da Lei 9.099/95), salvo nas hipóteses de lesão corporal praticada no contexto de
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violência doméstica e familiar contra a mulher, situação em que a natureza da ação penal passa a
ser pública incondicionada.
E aqui, POUCO IMPORTA o grau da lesão, se é leve, grave ou gravíssima. Não há essa
diferenciação. O que importa o elemento normativo: culpa.
O grau da lesão (leve, grave ou gravíssima) pode ser analisado na dosimetria da pena.
2.7 Lesão corporal dolosa ou preterdolosa majorada (§7º do art. 129)
§ 7o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se ocorrer qualquer das hipóteses dos
§§ 4o e 6o do art. 121 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 12.720, de 2012)
Aumenta-se a pena de 1/3, quando:
1) O crime for praticado contra menor de 14 anos;
2) O crime for praticado contra maior de 60 anos;
3) O crime for praticado por milícia privada, sob pretexto de prestação de serviço de
segurança;
4) O crime for praticado por grupo de extermínio.
2.8 Lesão corporal culposa majorada (§7º do art. 129)
§ 7o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se ocorrer qualquer das hipóteses dos §§
4o e 6o do art. 121 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 12.720, de 2012)
A lesão corporal culposa será majorada de 1/3, quando:
1) O crime resultar de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício;
2) O agente deixar de prestar imediato socorro à vítima;
3) O agente não procura diminuir as consequências do seu ato;
4) O agente foge para evitar prisão em flagrante.
2.9 Perdão Judicial (§8º Do Art. 129)
§8º - Aplica-se à lesão culposa o disposto no §5º do art. 121.
O perdão judicial é admitido em casos de lesão corporal culposa, nas mesmas hipóteses em que se
admite no crime de homicídio culposo.
2.10 Violência Doméstica e Familiar (Art. 129, §§ 9º, 10, 11)
§ 9o Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou
companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-
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se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade: (Redação
dada pela Lei nº 11.340, de 2006)
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos. (Redação dada pela Lei nº 11.340,
de 2006)
§ 10. Nos casos previstos nos §§ 1o a 3o deste artigo, se as circunstâncias são as
indicadas no § 9o deste artigo, aumenta-se a pena em 1/3 (um terço). (Incluído pela
Lei nº 10.886, de 2004)
§ 11. Na hipótese do § 9o deste artigo, a pena será aumentada de um terço se o
crime for cometido contra pessoa portadora de deficiência. (Incluído pela Lei nº
11.340, de 2006)
Embora a Lei Maria da Penha se direcione à proteção da mulher, ela alterou os §§9º, 10 e 11 do artigo
129, que protegem AMBOS OS SEXOS, desde as lesões ocorram no âmbito familiar ou doméstico.
Atenção!
O sujeito ativo e sujeito passivo podem ser homem ou mulher que se enquadrem naquelas circunstâncias,
prevalecendo ser um crime bipróprio.
Art. 129, §9º Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão,
cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda,
prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de
hospitalidade:
Pena - 03 meses a 03 anos.
Este parágrafo trata da LESÃO LEVE qualificada em razão de violência doméstica ou familiar.
Caso a LESÃO SEJA GRAVE, GRAVÍSSIMA OU SEGUIDA DE MORTE, o agente não responderá pelo
§9º, mas sim pelo resultado qualificador, com a causa de aumento do §10º do art. 129 (1/3) – atenção
às consequências no tocante a sursis, regime etc, em razão de aumentos.
São situações em que caracterizam a lesão corporal no ambiente doméstico e familiar.
1) crime praticado contra ascendente,
descendente ou irmão:
nessa situação é dispensável a coabitação entre autor e
vítima.
2) crime praticado contra cônjuge ou
companheiro
prevalece incidir a incidência do §9º mesmo na hipótese
de separação de fato.
3) crime praticado contra pessoa com
quem conviva ou tenha convivido
ainda que não tenha relação de parentesco, se convive
ou tenha convivido, haverá a incidência do §9º.
4) crime praticado prevalecendo-se o
agente das relações domésticas, de
coabitação ou de hospitalidade.
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CAIU EM PROVA RECENTE:
CESPE / CEBRASPE - 2021 - PC-DF - Escrivão de Polícia da Carreira de Polícia Civil do Distrito
Federal(adaptada)
O crime de lesão corporal leve cometido em situação de violência doméstica não configura um
tipo penal autônomo, mas uma qualificadora do delito de lesão corporal, em decorrência da
relação havida entre os sujeitos ativo e passivo do delito (correta).
§ 10. Nos casos previstos nos §§ 1o a 3o deste artigo, se as circunstâncias são as
indicadas no § 9o deste artigo, aumenta-se a pena em 1/3 (um terço). (Incluído pela
Lei nº 10.886, de 2004)
No §11, temos uma majorante caso a violência doméstica e familiar ocorra contra pessoa portadora
de deficiência (1/3).
§ 11. Na hipótese do § 9o deste artigo, a pena será aumentada de um terço se o
crime for cometido contra pessoa portadora de deficiência. (Incluído pela Lei nº
11.340, de 2006)
Obs.1: Somente poderá ser imposta a majorante ao agressor, se a deficiência da vítima a coloca em uma
situação de vulnerabilidade.
Obs.2: Apesar de ter berço na lei 11.340/06, a causa de aumento se aplica independentemente do gênero.
Aqui a lesão não é mais de menor potencial ofensivo, passando a ser de médio, que admite apenas
suspensão condicional do processo.
Lembrando que se for contra a mulher, não se aplica nada da Lei 9.099/90, por força do artigo 41
da Lei Maria da Penha.
ART. 129, §9º DO CP ART. 129, §10 DO CP ART. 129, §11 DO CP
Qualificadora da lesão corporal
dolosa greve
Causa de aumento para lesão
corporal grave, gravíssima e
seguida de morte. Incidência de
aumento da pena de 1/3
Trata-se de uma casa de aumento
para o art. 129, §9º do CP.
§ 9o Se a lesão for praticada
contra ascendente, descendente,
irmão, cônjuge ou companheiro,
ou com quem conviva ou tenha
convivido, ou, ainda,
prevalecendo-se o agente das
relações domésticas, de
§ 10. Nos casos previstos nos §§
1o a 3o deste artigo, se as
circunstâncias são as indicadas no
§ 9o deste artigo, aumenta-se a
pena em 1/3 (um terço). (Incluído
pela Lei nº 10.886, de 2004)
§ 11. Na hipótese do § 9o deste
artigo, a pena será aumentada de
um terço se o crime for cometido
contra pessoa portadora de
deficiência. (Incluído pela Lei nº
11.340, de 2006)
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https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/cespe-cebraspe-2021-pc-df-escrivao-de-policia-da-carreira-de-policia-civil-do-distrito-federal
https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/cespe-cebraspe-2021-pc-df-escrivao-de-policia-da-carreira-de-policia-civil-do-distrito-federal
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.886.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.886.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art44http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art44
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coabitação ou de hospitalidade:
(Redação dada pela Lei nº 11.340,
de 2006)
Pena - detenção, de 3 (três)
meses a 3 (três) anos. (Redação
dada pela Lei nº 11.340, de 2006)
Deixa de ser infração de menor
potencial ofensivo – pena de 3
meses a 3 anos
A lesão grave, com pena de 1 a 5
anos, deixa de admitir suspensão
condicional do processo.
Aumenta-se a pena em 1/3
quando a vítima portadora de
deficiência.
2.11 Lesão Corporal Contra Autoridade ou Agente de Segurança Pública
§ 12. Se a lesão for praticada contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e
144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional
de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu
cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa
condição, a pena é aumentada de um a dois terços.
O § 12 do art. 129 do Código Penal foi incluído pela Lei 13.142/2015.
Trata-se de causa de aumento de pena (aplicação na 3ª fase da dosimetria da pena privativa de
liberdade) aplicável apenas às lesões dolosas em todas as modalidades.
A majorante somente se aplica se a lesão corporal tiver nexo funcional: relação com a função
desempenhada.
LESÃO CORPORAL FUNCIONAL
Condição da vítima 1. autoridade, agente ou integrante da(o)(s):
1. Forças Armadas;
2. Polícia Federal;
3. Polícia Rodoviária Federal;
4. Polícia Ferroviária Federal;
5. Polícias Civis;
6. Polícias Militares;
7. Corpos de Bombeiros Militares;
8. Guardas Municipais;
9. Agentes de segurança viária;
10. Sistema Prisional
11. Força Nacional de Segurança Pública.
2. cônjuge, companheiro ou parente
consanguíneo até 3º grau de algumas das
pessoas acima listadas
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Relação com a
função
...desde que o homicídio tenha sido praticado
no exercício das funções ao lado listadas ou em
decorrência dela.
Bom, galera, os crimes seguintes, exceto no tocante aos crimes contra a honra, não
são de muita incidência em prova. Para otimizar o tempo de estudos de vocês, faremos os
apontamentos necessários em relação àqueles que possuem algum ponto específico, que a
simples leitura do código não resolveria. No mais, código na mão e treinem o olhar para os
aspectos a seguir!
Nesses tipos penais menos comuns a importância está em verificar:
⋅ Pena: para saber a competência, se é de menor potencial ofensivo, se cabe sursis, substituição etc;
⋅ Se são formais ou materiais;
⋅ Majorantes e minorantes, assim como qualificadoras e privilégios;
⋅ Se exigem especial fim de agir;
⋅ Se há modalidade culposa;
⋅ Se há modalidades mais graves em que tal delito será absorvido por outro em razão da consunção
ou da subsidiariedade expressa;
⋅ Se há regra especial para a espécie de ação penal.
2.12 – Lesão Corporal Praticada Contra a Mulher, por Razões da Condição do Sexo Feminino
§ 13. Se a lesão for praticada contra a mulher, por razões da condição do sexo
feminino, nos termos do § 2º-A do art. 121 deste Código: (Incluído pela Lei nº
14.188, de 2021)
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro anos). (Incluído pela Lei nº 14.188, de 2021)
Trata-se de inovação legislativa recente, trazendo maior proteção a mulher, na mesma linha do
previsto no art. 121, § 2º-A, do CP.
Art. 121.
§ 2o-A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime
envolve: (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)
I - violência doméstica e familiar; (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)
II - Menosprezo ou discriminação à condição de mulher. (Incluído pela Lei nº
13.104, de 2015)
A lesão corporal contra a mulher, por razões da condição do sexo feminino, agora é qualificada nos
termos acima expostos.
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14188.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14188.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14188.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14188.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14188.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14188.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14188.htm#art4
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Remetemos os amigos concurseiros para os apontamentos já declinados quando da análise da
temática na pág. 23 deste resumo, evitando, assim, maiores delongas.
3. DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E SAÚDE
Temos aqui crimes de perigo que, conforme já estudamos, podem ser de perigo concreto
(indispensável que se comprove a situação de perigo) ou de perigo abstrato (desnecessário que se faça a
mencionada comprovação).
3.1 Perigo de contágio venéreo
Art. 130 - Expor alguém, por meio de relações sexuais ou qualquer ato libidinoso,
a contágio de moléstia venérea, de que sabe ou deve saber que está contaminado:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
§ 1º - Se é intenção do agente transmitir a moléstia:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
§ 2º - Somente se procede mediante representação.
Caput: Menor potencial ofensivo. Dolo direto ou eventual (“deve saber”).
Modalidade qualificada: se o agente tem a intenção de transmitir, o dolo é de dano e não mais de
perigo. Torna-se crime de médio potencial ofensivo, vez que admite suspensão condicional do processo.
Caso o agente tenha o dolo de transmitir e efetivamente consiga causar o dano, o crime será de lesão
corporal, que poderá ser grave, gravíssima ou até seguida de morte, aplicando-se, quando ao artigo 130, o
princípio da consunção.
E se o crime praticado foi o do caput (dolo de perigo) e a vítima foi efetivamente contaminada?
Prevalece que será o mero exaurimento do crime, a ser considerado na dosimetria da pena.
Ação penal pública condicionada à representação.
AIDS não é considerada doença venérea, pois há outras formas de transmissão. Como vimos,
caracteriza lesão corporal gravíssima.
Se a vítima já tem a doença, será considerado crime impossível pela absoluta impropriedade do
objeto.
Crime de perigo abstrato - não é preciso comprovar que a pessoa foi submetida a uma situação de
risco, bastando que se comprove a prática do ato sexual com exposição à moléstia, ainda que a vítima não
tenha sido contaminada (caso a pessoa contaminada use preservativo, por exemplo, não há dolo direto nem
eventual).
Consequentemente, crime formal – não demanda produção de resultado naturalístico.
JÁ CAIU EM PROVA:
INSTITUTO AOCP - 2023
Débora é escrivã de polícia civil na Delegacia de Hidrolândia-GO e precisa colher depoimento de
uma vítima que contraiu sífilis após praticar relações sexuais com outra pessoa positivada. O
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inquérito se funda na hipótese de crime por periclitação da vida e da saúde. Sobre esse tema, é
correto afirmar que:
A-o agente vetor não comete qualquer crime em hipótese, pois as relações sexuais são abonadas
pela justificante do estado de necessidade.
B-se o agente vetor sabia que estava infectado, mas praticou relações sexuais sem o fim de
infectar a vítima, então ele incorrerá no crime de perigo de contágio de moléstia grave.
C-se o agente vetor sabia que estava infectado e praticou relações sexuais com o fim de infectar
a vítima, então ele incorrerá no crime de perigo de contágio venéreo.
D-se o agente vetor não sabia que estava infectado, ainda assim deverá responder por perigo
para a vida ou saúdede outrem.
E-o crime hipotético do agente vetor é o de maus tratos, pois ele expôs a perigo a vida ou a
saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou vigilância.
R: Letra C
3.2 Perigo de contágio de moléstia grave
Art. 131 - Praticar, com o fim de transmitir a outrem moléstia grave de que está
contaminado, ato capaz de produzir o contágio:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
“Com o fim de” – o tipo exige especial fim de agir;
Moléstia grave – não precisa ser venérea (ex.: tuberculose);
Ato capaz – não precisa ser sexual;
Médio potencial ofensivo;
A vítima não pode ter a doença, ou será crime impossível;
Apenas dolo direto;
Crime formal – se consuma com a prática do ato perigoso.
Se a vítima for efetivamente contaminada e resultar lesão corporal leve, esta ficará absorvida pelo
crime do art. 131.
Contudo, caso a lesão seja grave, gravíssima ou resultar em morte, o crime será de lesão corporal de
natureza grave, gravíssima ou seguida de morte e o crime do art. 131 que ficará absolvido pelo de lesão.
Tentativa possível em conduta plurissubsistente.
Ação penal pública incondicionada.
3.3 Perigo para a vida ou saúde de outrem
Art. 132 - Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente:
Pena - detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave.
Parágrafo único. A pena é aumentada de um sexto a um terço se a exposição da
vida ou da saúde de outrem a perigo decorre do transporte de pessoas para a
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prestação de serviços em estabelecimentos de qualquer natureza, em desacordo
com as normas legais.
Crime de perigo concreto;
Menor potencial ofensivo;
Subsidiariedade expressa, assim, caso haja algum dano efetivo, há necessidade de verificar qual o
tipo penal mais grave;
A vítima deve ser pessoa determinada. Caso seja um número indeterminado de pessoas, responderá
o agente por crime de perigo comum, art. 250 e seguintes do CP.
Dolo direto ou eventual.
JÁ CAIU EM PROVA Órgão: PM-DF Prova: IADES - 2017 - PM-DF - Aspirante
Antônio, caminhando por uma floresta situada em lugar ermo, disparou sua pistola 765 para o
alto em pleno dia, com o objetivo específico de assustar os próprios companheiros de pescaria.
Considerando-se a situação hipotética apresentada e considerando-se, também, que os tipos
penais guardam uma relação de subsidiariedade expressa ou tácita, conforme o dolo do agente,
é correto afirmar que Antônio responderá por:
A) disparo de arma de fogo em via pública.
B) tentativa de homicídio qualificado.
C) ameaça.
D) perigo para a vida ou a saúde de outrem.
E) tentativa de lesão corporal grave.
Gabarito: D
3.4 Abandono de incapaz
Art. 133 - Abandonar pessoa que está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou
autoridade, e, por qualquer motivo, incapaz de defender-se dos riscos resultantes
do abandono:
Pena - detenção, de seis meses a três anos.
§ 1º - Se do abandono resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - reclusão, de um a cinco anos.
§ 2º - Se resulta a morte:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
Aumento de pena
§ 3º - As penas cominadas neste artigo aumentam-se de um terço:
I - se o abandono ocorre em lugar ermo;
II - se o agente é ascendente ou descendente, cônjuge, irmão, tutor ou curador da
vítima.
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III – se a vítima é maior de 60 (sessenta) anos (Incluído pela Lei nº 10.741, de 2003)
Crime de perigo concreto – há necessidade de comprovação da situação de risco;
Caput e §1º - Médio potencial ofensivo;
Esse incapaz não é necessariamente criança.
Crime bipróprio – sujeitos nas situações específicas do tipo.
Não tem modalidade culposa.
Admite tentativa se for por ação, por omissão não.
3.5 Exposição ou abandono de recém-nascido (134, CP)
Especial fim de agir: “para ocultar desonra própria”;
⋅ E aqui, é essencial que haja uma honra a ser preservada. Caso não haja, o crime será o do
artigo anterior ou outro que se enquadre, a depender do elemento subjetivo. Nesse sentido,
afirma a doutrina majoritária que a prostituta não poderia praticar este crime.
Caput: menor potencial ofensivo. (Pela lógica, quem abandona pode ter pensado em abortar. A pena
é mais branda para desmotivar a prática de aborto);
Modalidades qualificadas: lesão grave (médio potencial ofensivo) e morte (preterdolosos).
Sujeito ativo: Tanto o pai, quanto a mãe do recém-nascido.
Sujeito passivo: recém-nascido. Crime bipróprio.
E se o filho é fruto de traição da mãe e o marido traído, por exemplo, abandona o recém-nascido, o
crime é o do 133, por ser para esconder desonra alheia.
3.6 Omissão de Socorro (135, CP)
Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal,
à:
- criança abandonada ou extraviada,
- pessoa inválida ou ferida,
* Que estejam ao desamparo ou em grave e iminente perigo;
ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Parágrafo único - A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão
corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte.
Menor potencial ofensivo em todas as modalidades;
Crime omissivo próprio;
Qualquer pessoa pode ser sujeito ativo – dever imposto a todos. Por isso, as discussões acerca do
cabimento de coautoria ou participação – revisar no arquivo que trata do concursos de pessoas.
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3.7 Condicionamento de atendimento médico hospitalar emergencial (135-A)
Art. 135-A. Exigir cheque-caução, nota promissória ou qualquer garantia, bem
como o preenchimento prévio de formulários administrativos, como condição para
o atendimento médico-hospitalar emergencial: Pena - detenção, de 3 (três) meses
a 1 (um) ano, e multa.
Parágrafo único. A pena é aumentada até o dobro se da negativa de atendimento
resulta lesão corporal de natureza grave, e até o triplo se resulta a morte.
Tipo penal inserido no CP em 2012;
Crime de perigo abstrato (caput, pois os §§ são de dano);
Caput e com resultado de lesão grave: menor potencial ofensivo. Com resultado morte: médio
potencial ofensivo, já que a pena mínima ainda ficará abaixo de 1 ano.
Especial fim de agir;
Apenas doloso;
Crime formal;
Sujeito ativo: crime próprio. Apenas pessoas com competência para condicionar ou liberar esse
atendimento nos estabelecimentos médico-hospitalares emergenciais (diretores, recepcionistas, médicos
etc). No tocante a exigir valores, apenas estabelecimentos particulares, sob pena de configurar outros crimes
caso seja um estabelecimento público. Quanto aos formulários e simulares, públicos ou particulares.
3.8 Maus-tratos (art. 136, CP)
Art. 136 - Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda
ou vigilância, para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer
privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer sujeitando-a a
trabalho excessivo ou inadequado, quer abusando de meios de correção ou
disciplina:
Pena - detenção, de dois meses a um ano, ou multa.
§ 1º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - reclusão, de um a quatro anos.
§ 2º - Se resulta a morte:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
§ 3º - Aumenta-se a pena de um terço, se o crime é praticado contra pessoa menor
de 14 (catorze) anos.
Caput: menor potencial ofensivo. Com resultado com resultado de lesão grave: médio potencial
ofensivo (caso não seja majorado).
Crime bipróprio;
Crime de ação múltipla ou de conteúdo variado, podendo ser cometido por todas as formas descritas
com a caracterização de delito único.
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No caso do abuso do meio corretivo ou disciplinar, esse meio deve ser idôneo a expor em perigo a
vida ou a saúde da vítima. Caso seja apenas vexatório, por exemplo, mas não haja esse risco, não haverá
maus tratos.
Maus tratos X tortura: A distinção entre os crimes de maus tratos e tortura está não só nos efeitos
causados na vítima (na tortura há um intenso sofrimento físico ou mental), mas também no aspecto
subjetivo do autor: Se o agente abusa do direito de corrigir para fins de educação, ensino, tratamento e
custódia, haverá maus tratos, bastando a exposição à perigo para que reste configurado. Já quando a conduta
for praticada como forma de castigo pessoal, objetivando fazer sofrer, por prazer, por ódio ou qualquer outro
sentimento vil, será tortura, sendo crime de dano.
4. DA RIXA (ART. 137 DO CP)
Rixa é uma briga entre mais de duas pessoas, em que cada um age por sua conta, não havendo grupos
determinados, com ocorrência de vias de fato ou violências recíprocas.
Art. 137 - Participar de rixa, salvo para separar os contendores:
Pena - detenção, de quinze dias a dois meses, ou multa.
Parágrafo único - Se ocorre morte ou lesão corporal de natureza grave, aplica-se,
pelo fato da participação na rixa, a pena de detenção, de seis meses a dois anos.
Menor potencial ofensivo em todas as modalidades;
Se for para separar, não configura a rixa;
Crime bicomum – qualquer pessoa pode ser sujeito ativo ou passivo
É um crime plurissubjetivo (em que o concurso de pessoas é necessário) de condutas contrapostas
(umas contra as outras).
É um caso excepcional em que o sujeito ativo também é sujeito passivo, em razão das agressões
recíprocas.
A participação pode ser material ou moral.
Pode ser até mesmo à distância, jogando pedras, por exemplo. Não exige contato físico.
Crime de perigo abstrato para a doutrina majoritária, consumando-se com o início do conflito;
Via de regra, crime unissubsistente, não cabe tentativa. No entanto, parte da doutrina admite na rixa
combinada, também chamada de “rixa ex propósito”, como por exemplo, no caso em que os agentes
combinam a briga em determinado local, comparecem, mas a polícia aparece no local e impede que o ato se
efetive.
Lesão grave ou morte qualificam o delito, respondendo o agente em concurso material pelo crime
de rixa e pelos respectivos resultados.
A defesa por parte de quem não está participando da rixa é legitimada pela legítima defesa, ao passo
que, quanto aos participantes, lesionando ou sendo lesionados, não há legítima defesa, vez que estão todos
agindo injustamente, então respondem pela rixa – via de regra.
Todavia, caso um dos participantes da rixa, por exemplo, veja que outro rixoso “saiu do padrão” e
sacou um revólver, apontando-o sua direção e, na iminência de ser alvejado, reaja e mate esse indivíduo
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armado primeiro, responderá pela rixa já consumada, mas terá agido em legítima defesa em relação ao
homicídio. Assim, nessa hipótese de desproporcionalidade caberá legítima defesa de si ou de outrem.
E quem deve responder pelo resultado mais gravoso? Todos ou só o autor ou os
autores dele? Temos três sistemas que tratam do assunto:
- Sistema da solidariedade absoluta: todos os participantes respondem também pelo
outro crime mais grave (lesão corporal grave ou homicídio).
- Sistema da cumplicidade correspectiva: havendo morte ou havendo lesão grave, e
não sendo possível apurar quem foi o autor da morte ou da lesão corporal grave, todos responderão pelo
crime. No entanto, receberão uma pena intermediária a de um autor e de partícipe.
- Sistema da autonomia: a rixa é punida por si mesma, independentemente do resultado agravador
– que, caso ocorra, haverá qualificação do crime de rixa e todos respondem.
Contudo, pelo resultado agravador em concurso material, só responderá aquele que o praticou.
Então, se A, B, C e D participaram de uma rixa e A morreu, em decorrência de ato praticado por B, B
responderá por rixa qualificada e pelo homicídio, enquanto C e D responderão por rixa qualificada.
É o que prevalece.
E em caso de vários homicídios como resultado? A rixa qualificada será só uma, sendo os demais
homicídios delitos autônomos.
Ainda que C tenha participado da rixa, mas tenha deixado o local antes da morte de A, responderá
pela rixa qualificada, vez que é um resultado possível, previsível.
De outro modo, Caso C apenas entrasse na rixa após a morte de A, não responderia pela rixa
qualificada, já que não contribuiu para que o desfecho morte tivesse ocorrido.
Caso A tivesse sofrido apenas lesão grave, por exemplo, também responderia por rixa qualificada.
5. CRIMES CONTRA A HONRA
O Código Penal define 3 (três) crimes contra a honra: calúnia (art. 138), difamação (art. 139) e injúria
(art. 140). Cada crime possui suas próprias características e não podem ser confundidos:
cumpre destacarmos que três são os crimes contra a honra definidos no Código Penal: calúnia (art. 138),
difamação (art. 139) e injúria (art. 140). Cada um desses delitos possui um significado próprio, razão pela
qual não podem ser confundidos entre s
Espécies
CALÚNIA
(ART. 138, CP);
DIFAMAÇÃO
(ART. 139, CP);
INJÚRIA
(ART. 140, CP).
Art. 138 - Caluniar alguém,
imputando-lhe falsamente fato
definido como crime:
Pena - detenção, de seis meses
a dois anos, e multa.
Art. 139 - Difamar alguém,
imputando-lhe fato ofensivo à sua
reputação:
Pena - detenção, de três meses a
um ano, e multa.
Art. 140 - Injuriar alguém,
ofendendo-lhe a dignidade ou o
decoro:
Pena - detenção, de um a seis
meses, ou multa.
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Cleber Masson leciona que a honra é o conjunto das qualidades físicas, morais e
intelectuais de um ser humano, que o fazem merecedor de respeito no meio social e promovem
sua autoestima.
É um sentimento natural, inerente a todo homem e cuja ofensa produz uma dor psíquica,
um abalo moral, acompanhados de atos de repulsão ao ofensor. Representa o valor social do indivíduo, pois
está ligada à sua aceitação ou aversão dentro de um dos círculos sociais em que vive, integrando seu
patrimônio.
Trata-se de patrimônio moral que encontra proteção como direito fundamental do homem no art.
5º, inciso X, da Constituição Federal (fundamento constitucional dos crimes contra a honra).
A honra pode ser dividida em 2 espécies: honra objetiva e honra subjetiva:
1) Honra objetiva
▪ É a visão que as demais pessoas da coletividade têm acerca das qualidades físicas, morais e
intelectuais de alguém, ou seja, é a reputação de cada indivíduo no meio social em que está
imerso; em suma, é o
▪ julgamento que as pessoas fazem de alguém (Cleber Masson)
▪ Protegida nos crimes de calúnia e de difamação.
2) Honra Subjetiva:
▪ É o sentimento que cada pessoa possui acerca das suas próprias qualidades físicas, morais e
intelectuais, o juízo que cada um faz de si mesmo (autoestima). Subdivide-se em honra-
dignidade (conjunto de qualidades morais do indivíduo) e honra-decoro (conjunto de qualidades
físicas e intelectuais).(Cleber Masson)
▪ Protegida no crime de injúria
Atenção!
(1) Pessoa jurídica possui honra objetiva, mas não possui honra subjetiva. Logo: pode ser sujeito
passivo (vítima) de crime de calúnia e difamação, mas não pode ser do crime de injúria.
(2) Para que se possa falar em honra subjetiva é indispensável que o sujeito passivo tenha
capacidade de compreensão das ofensas que lhes são dirigidas.
(3) Prevalece na doutrina que os inimputáveis possuem honra objetiva e subjetiva (caso possuam
capacidade de compreensão)
Vamos esquematizar?
CALÚNIA
(ART. 138, CP);DIFAMAÇÃO
(ART. 139, CP);
INJÚRIA
(ART. 140, CP).
Art. 138 - Caluniar alguém,
imputando-lhe falsamente fato
definido como crime:
Art. 139 - Difamar alguém,
imputando-lhe fato ofensivo à sua
reputação:
Art. 140 - Injuriar alguém,
ofendendo-lhe a dignidade ou o
decoro:
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Pena - detenção, de seis meses
a dois anos, e multa.
Pena - detenção, de três meses a
um ano, e multa.
Pena - detenção, de um a seis
meses, ou multa.
Protege a honra objetiva Protege a honra objetiva Protege a honra subjetiva
Imputar falsamente FATO
definido como crime.
Imputar falsamente FATO
ofensivo à reputação, mas não
criminoso, seja ele verdadeiro ou
não.
Xingamento, adjetivo negativo.
Leis especiais
1) Art. 324 do Código Eleitoral –
Sendo cometido na propaganda eleitoral ou visando fins eleitorais, haverá crime eleitoral do art. 324,
sendo de ação penal pública incondicionada.
Art. 324. Caluniar alguém, na propaganda eleitoral, ou visando fins de propaganda,
imputando-lhe falsamente fato definido como crime:
Pena – detenção de seis meses a dois anos e pagamento de 10 a 40 dias-multa.
2) Código Penal Militar;
3) Art. 26 da Lei de Segurança Nacional;
Se houver calúnia ou difamação contra o Presidente da República, Presidente do Senado, Presidente
da Câmara ou Presidente do STF, e a motivação do crime ser política, haverá o crime contra a segurança
nacional (art. 26 da Lei 7.170/83).
Art. 26 - Caluniar ou difamar o Presidente da República, o do Senado Federal, o da Câmara
dos Deputados ou o do Supremo Tribunal Federal, imputando-lhes fato definido como
crime ou fato ofensivo à reputação.
Pena: reclusão, de 1 a 4 anos.
Parágrafo único - Na mesma pena incorre quem, conhecendo o caráter ilícito da
imputação, a propala ou divulga.
Obs.: Cumpre destacar que e os crimes contra a honra arrolados pelo Código Penal têm natureza subsidiária
ou residual, ou seja, somente serão aplicados quando não se verificar nenhuma das hipóteses
excepcionalmente elencadas pela legislação extravagante. Com efeito, se o fato cometido no caso concreto
ostentar os elementos especializantes contidos na lei especial, ele terá preferência sobre a lei geral (princípio
da especialidade)
5.1 Calúnia
Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
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§ 1º - Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga.
§ 2º - É punível a calúnia contra os mortos.
Exceção da verdade
§ 3º - Admite-se a prova da verdade, salvo:
I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado
por sentença irrecorrível;
II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141;
III - se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença
irrecorrível.
JÁ CAIU EM PROVA E FOI CONSIDERADA CORRETA: Órgão: PM-SC Prova: IOBV - 2015 - PM-SC
- Aspirante da Polícia Militar
É punível a calúnia contra os mortos.
a) Conceito:
Calúnia consiste na imputação falsa a alguém de um FATO que é definido como crime, isto é: uma
ação criminosa.
Atenção!
(1) A imputação tem que ser de um fato. Não basta dizer, por exemplo, “Fulano é ladrão” – não
há um fato aí, há um adjetivo, o que consistiria em injúria, como será melhor visto à frente. Seria
necessário dizer, por exemplo, que Fulano furtou o celular de Beltrano – sem que isso seja verdade.
Veja, aqui sim temos um FATO.
b) Bem jurídico:
Tutela a honra objetiva (a visão da coletividade acerca do indivíduo).
c) Núcleo do tipo:
O núcleo verbal do tipo consiste em “caluniar”, ou seja, imputação falsa de um fato definido como
crime.
Atenção!
(1)É insuficiente a imputação falsa de qualquer fato, pois este deve ser definido como CRIME.
(2)Caso a imputação falsa seja de contravenção penal caracteriza difamação.
d) Pena:
Detenção, de 6 meses a 2 anos, e multa.
Trata-se de infração de menor potencial ofensivo na modalidade simples, sem qualquer majorante. A
competência é do Juizado Especial Criminal (Lei 9.099/95), admitindo as medidas despenalizadores previstas.
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A incidência de qualquer majorante afasta a competência do JECRIM, já que a pena máxima ultrapassará 2
anos.
e) Elemento normativo do tipo:
A imputação de fato definido como crime precisa ser falsa, posto que a finalidade do CP não é o
acobertamento de criminosos, mas sim a proteção da honra dos indivíduos.
Logo, o sujeito ativo precisa ter ciência que o conteúdo da imputação é falso. Não há calúnia quando
se atribui a determinada pessoa um delito que ela realmente cometeu. A finalidade do Código Penal é
proteger a honra das pessoas de bem, e não acobertar criminosos.
Essa falsidade pode recair:
a) sobre o fato: o crime atribuído à vítima não ocorreu; ou
b) sobre o envolvimento no fato: o crime foi praticado, mas a vítima não tem nenhum tipo de
responsabilidade em relação a ele.
f) Tipo subjetivo:
Trata-se de crime doloso, sendo indispensável a vontade de ofender a honra objetiva da vítima, dolo.
Assim, não haverá crime por ausência de dolo se o agente atua com a intenção de:
a) brincar (animus jocandi),
b) aconselhar (animus consulendi),
c) narrar fato como testemunha (animus narrandi),
d) intenção de criticar (animus criticandi)
e) defender (animus defendendi)
f) Formas
1) Calúnia inequívoca ou
explícita
não existe dúvida sobre a intenção caluniosa;
Exemplo: “A” ingressou ontem na casa de “B”, no
período noturno, e, ameaçando-a de morte, estuprou-
a.
2) Calúnia equívoca ou
implícita
é a velada ou sub reptícia;
Exemplo: Em uma conversa em que falavam sobre a
fortuna de “A”, que fora Prefeito, “B” diz que também
seria rico se tivesse se apropriado durante anos de
verbas públicas.
3) Calúnia reflexa ao caluniar determinada pessoa, indiretamente
também calunia terceira pessoa;
Exemplo: “A”, policial militar, recebeu de “B” elevada
quantia em dinheiro para não prendê-lo em flagrante.
Atribuiu ao funcionário público o crime de corrupção
passiva (CP, art. 317), e o delito de corrupção ativa (CP,
art. 333), ao particular
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g) Consumação e tentativa:
Para o crime se consumar, não basta que a ofensa chegue ao conhecimento da vítima, é necessário
que a imputação falsa de crime chegue ao conhecimento de um terceiro.
Trata-se de crime formal, também chamado de crime de consumação antecipada, pois para que haja
o aperfeiçoamento da conduta (consumação) dispensa efetiva lesão à honra objetiva da vítima, à reputação
do ofendido.
Se o meio executório escolhido for plurissubsistente (que admite fracionamento em diversos atos),
admite-se a tentativa. Ex.: calúnia escrita, por meio de uma carta, admite tentativa.
Cleber Masson ensina:
O crime de calúnia ofende a honra objetiva. Consuma-se, portanto, quando a
imputação falsa de crime chega ao conhecimento de terceira pessoa, sendo
irrelevante se a vítima tomou ou não ciência do fato. Não é necessário que um
número indeterminado ou elevado de pessoas tome conhecimento do fato, sendo
suficiente que uma única pessoa saiba da atribuição falsa.
h) Figura equiparada (art. 138, §1º, CP):
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou
divulga.
É o crime daquela pessoa que toma conhecimento de uma calúnia e, sabendo ser falsa, a transmite
a outra pessoa, levando adiantea ofensa
Propalar é relatar verbalmente, enquanto divulgar consiste em relatar por qualquer outro meio
(exemplos: panfletos, outdoors, gestos etc.).
Obs.: Essa modalidade do crime de calúnia é incompatível com o dolo eventual.
Art. 138, caput, do CP Art. 138, §1º do CP
Pune a calúnia Pune o agente que divulga a calúnia que foi criada
por outra pessoa
Admite dolo direto e dolo eventual. Não admite dolo eventual. Só dolo direto.
i) Calúnia contra os mortos (art. 138, §2º, CP):
§ 2º - É punível a calúnia contra os mortos.
Nesse caso, a vítima não é o morto, mas sim o cônjuge sobrevivente, os filhos e os parentes em geral.
Atenção!
A calúnia é o crime contra a honra que admite essa possibilidade.
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j) Distinção entre o crime de calúnia (art. 138, CP) e o crime de denunciação caluniosa (art.
CALÚNIA DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA
Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe
falsamente fato definido como crime:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e
multa.
Art. 339. Dar causa à instauração de inquérito
policial, de procedimento investigatório
criminal, de processo judicial, de processo
administrativo disciplinar, de inquérito civil
ou de ação de improbidade administrativa
contra alguém, imputando-lhe crime,
infração ético-disciplinar ou ato ímprobo de
que o sabe inocente: (Redação dada pela
Lei nº 14.110, de 2020)
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.
Crime contra a honra; Crime contra a administração da justiça;
Ação penal privada (em regra); Ação penal pública incondicionada;
Imputação falsa de fato crime; Imputação falsa de crime ou contravenção
penal;
Esgota-se na ofensa à honra objetiva da
vítima.
A ofensa à honra objetiva com o objetivo de
provocar a movimentação de forma indevida
da máquina estatal.
l) exceção da verdade (era. 138, §3º do CP)
§ 3º - Admite-se a prova da verdade, SALVO:
I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi
condenado por sentença irrecorrível;
II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141;
III - se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por
sentença irrecorrível.
Conforme ensina Cleber Masson, a exceção da verdade constitui-se em instrumento adequado para viabilizar
aquele a quem se atribui a responsabilidade pela calúnia a prova da veracidade do fato criminoso por ele
imputado a outrem, e se fundamenta no interesse público em apurar a efetiva responsabilidade pelo crime
para posteriormente punir seu autor, coautor ou partícipe.
A exceção da verdade é um meio de defesa que permite ao réu fazer prova da verdade do fato que
imputou a alguém. Permite demonstrar que a imputação feita por ele de um fato definido como crime é
verdadeira, afastando a tipicidade da conduta. Lembre-se que o crime de calúnia exige que essa imputação
seja falsa.
No crime de calúnia, a regra é a admissibilidade da exceção da verdade. No entanto, o código penal
traz exceções, três situações em que a exceção da verdade é vedada:
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1) se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado por
sentença irrecorrível; (inciso I)
2) se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141; (inciso II)
3) se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível.
(inciso III)
Vamos esquematizar?
REGRA Admissibilidade da exceção da verdade
EXCEÇÃO
1) se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi
condenado por sentença irrecorrível; (inciso I)
2) se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141; (inciso II)
3) se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por
sentença irrecorrível. (inciso III)
Já caiu em prova:
No crime de calúnia, praticado em detrimento de chefe de governo estrangeiro, admite-se
exceção da verdade. [errado]
Obs.: Exceção de notoriedade (art. 523 do CPP)
CPP, Art. 523. Quando for oferecida a exceção da verdade ou da notoriedade do fato
imputado, o querelante poderá contestar a exceção no prazo de dois dias, podendo ser
inquiridas as testemunhas arroladas na queixa, ou outras indicadas naquele prazo, em
substituição às primeiras, ou para completar o máximo legal.
Na exceção de notoriedade o que se busca é provar que o fato, independente de se verdadeiro ou
falso, é um fato público e notório. Logo, não haveria qualquer mácula a honra objetiva, à reputação da vítima,
posto que já de conhecimento de todos. Não é possível macular a honra que já está notoriamente maculada.
A procedência dessa exceção gera absolvição por crime impossível (atipicidade).
Atenção!
Exceção da verdade Exceção de notoriedade
Finalidade: provar a veracidade da
imputação.
Finalidade: provar que o fato é de domínio
público
Procedência da ação: o fato é atípico Procedência da ação: crime impossível.
5.2 Difamação
a) Conceito:
A difamação consiste em imputar um fato ofensivo à reputação de alguém.
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Ensina Cleber Masson que: “ difamar é imputar a alguém um fato ofensivo à sua reputação. Consiste,
pois, em desacreditar publicamente uma pessoa, maculando os atributos que a tornam merecedora de
respeito no convívio social.”
Atenção!
(1) Diferente do que ocorre na calúnia, no crime de difamação não existe o elemento normativo
do tipo “falsamente”. Logo, persiste o crime de difamação ainda que a imputação seja verdadeira
(salvo quando o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções) e
desde que dirigida a ofender a honra alheia.
b) Objeto jurídico:
Trata-se de tipo penal que tutela a honra objetiva.
c) Sujeitos do crime:
▪ Sujeito ativo – crime comum, podendo ser qualquer pessoa.
▪ Sujeito passivo – crime comum.
Atenção!
(1) Advogado tem imunidade profissional;
(2) Pessoa jurídica, segundo doutrina majoritária, pode ser sujeito passivo do crime de difamação, pois
possui honra objetiva.
d) Núcleo do tipo:
O núcleo verbal do tipo é “difamar”, ou seja, imputar um fato ofensivo à reputação de alguém.
Atenção!
(1) Se a imputação versar sobre fato que é definido como contravenção penal haverá difamação,
pois o tipo penal exige apenas que seja um fato ofensivo à sua reputação.
(2) Lembre-se que a imputação (mesmo que falsa) de fato definido como contravenção penal
nunca poderá configurar crime de calúnia (art. 138 do CP) em apreço ao princípio da legalidade.
(3) Esse fato ofensivo à reputação pode ser ou não criminoso, bastando que tenha capacidade para
macular a reputação da vítima, isto é, o bom conceito que ela desfruta na coletividade, pouco
importando se verdadeiro ou falso
e) Tipo subjetivo:
O crime de difamação é punido à título de dolo, sendo imprescindível a intenção do agente em
ofender a honra objetiva.
Atenção!
Não há crime por ausência de solo se o agente atua com intenção:
a) de brincar,
b) de aconselhar,
c) narrar fato como testemunha
d) defender-se
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f) Pena:
Detenção, de 3 meses a 1 ano, e multa.
É uma infração de menor potencial ofensivo de competência do Juizado Especial Criminal. Admite,
portanto, a incidência das medidas despenalizadoras dessa lei.
g) Consumação e tentativa:
O crime se consuma no momento em que a ofensa chega ao conhecimento de terceira pessoa.
Trata-se de crime formal (ou de consumação antecipada) de modo que não se exige aefetiva lesão à
honra objetiva da vítima para o aperfeiçoamento do crime.
A tentativa é admitida nos casos em que o meio de execução escolhido for plurissubsistente,
admitindo o fracionamento dos atos executórios. Ex.: difamação por meio de uma carta, escrita.
Ensina Cleber Masson que: “A tentativa pode ou não pode ser admitida, dependendo do meio de
execução do crime. A difamação verbal é incompatível com a tentativa. Em razão de seu caráter
unissubsistente, ou o agente atribui à vítima a prática de um fato ofensivo à sua reputação, e o crime estará
consumado, ou não o faz, e o fato é atípico. Na forma escrita, contudo, é possível o conatus. Exemplo: bilhete
contendo imputação ofensiva à honra alheia que se extravia.”
h) Exceção da Verdade:
Parágrafo único - A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é
funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções.
Diferente do que ocorre no crime de calúnia, a exceção da verdade é apenas admitida de forma
excepcional no crime de difamação.
Em regra, não se admite a exceção da verdade no crime de difamação, pois pouco importa se a
falsidade da imputação não funciona como elementar típica. Excepcionalmente, entretanto, o legislador
autoriza nos casos em que o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções.
Atenção!
ADMISSIBILIDADE DA EXCEÇÃO DA VERDADE
CALÚNIA
(ART. 138, §3º)
Regra → é a admissibilidade da exceção da verdade.
Exceções:
I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido
não foi condenado por sentença irrecorrível;
II- se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art.
141;
III - se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi
absolvido por sentença irrecorrível.
DIFAMAÇÃO Regra → não admissão da exceção da verdade.
Exceção:
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(ART. 139, §
ÚNICO)
Se o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de
suas funções
INJÚRIA Não admite exceção da verdade
Não há exceção.
Obs.: Exceção de notoriedade (art. 523 do CPP)
CPP, Art. 523. Quando for oferecida a exceção da verdade ou da notoriedade do
fato imputado, o querelante poderá contestar a exceção no prazo de dois dias,
podendo ser inquiridas as testemunhas arroladas na queixa, ou outras indicadas
naquele prazo, em substituição às primeiras, ou para completar o máximo legal.
Na exceção de notoriedade o que se busca é provar que o fato, independente de se verdadeiro ou
falso, é um fato público e notório. Logo, não haveria qualquer mácula a honra objetiva, à reputação da vítima,
posto que já de conhecimento de todos. Não é possível macular a honra que já está notoriamente maculada.
A exceção de notoriedade é admitia nos crimes de calúnia e difamação.
5.3 Injúria
Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
§ 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena:
I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria;
II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.
§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou
pelo meio empregado, se considerem aviltantes:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à
violência.
§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a religião ou à
condição de pessoa idosa ou com deficiência: ( Lei nº 14.532, de 2023)
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. ( Lei nº 14.532, de 2023)
a) Conceito:
A injúria consiste em atribuir de uma qualidade negativa à vítima. Um “xingamento”. Adjetivo
negativo.
O verbo típico é injuriar, isto é, ofender (insultar), por ação (palavras ofensivas) ou omissão (ignorar
cumprimento), pessoa determinada, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro.
Ex.: gordo, feio, ladrão, estelionatário, imprestável etc.
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https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14532.htm#art2
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14532.htm#art2
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14532.htm#art2
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14532.htm#art2
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14532.htm#art2
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Atenção!
(1) Ao contrário da calúnia e da difamação, não há, em regra, imputação de fatos, mas emissão
de conceitos negativos sobre a vítima (fatos vagos, genéricos, difusos também configuram injúria).
(2) Quanto ao modo de execução, aplica se o que estudado nos delitos anteriores (palavras,
gestos, escritos etc)
Art. 138, CP – CALÚNIA ART. 139 CP – DIFAMAÇÃO ART. 140, CP - INJÚRIA
Imputação de DETERMINADO
FATO previsto como CRIME
Imputação de DETERMINADO
FATO desonroso.
Atribuir QUALDIADE NEGATIVA
b)Objeto jurídico:
O tipo penal tutela honra subjetiva.
c) Sujeitos do crime:
▪ Sujeito ativo – crime comum, qualquer pessoa pode praticar.
▪ Sujeito passivo – crime comum, qualquer pessoa pode ser vítima.
Atenção!
(1) Pessoa jurídica não possui honra subjetiva, logo não poderá ser sujeito passivo do crime de
injúria.
(2) O advogado tem imunidade profissional para os crimes de injúria e difamação.
(3) O sujeito passivo tem que ter a capacidade de compreender o conteúdo ofensivo.
d) Núcleo do tipo:
O verbo nuclear o tipo é “injuriar”, ou seja, ofender a dignidade ou decoro de alguém, para abalar o
sentimento que cada um tem de si próprio.
e)Pena:
Detenção, de 1 a 6 meses, ou multa.
É uma infração de menor potencial ofensivo.
g) Consumação e tentativa:
⋅ O crime se consuma a partir do conhecimento da ofensa pela vítima (ainda que ela não se sinta
ofendida), não importando que ela chegue ao conhecimento de terceira pessoa.
⋅ Trata-se de crime formal, sendo dispensável que haja real ofensa à honra subjetiva da vítima. Ou
seja: o ofendido não precisa se sentir ofendido com a injúria, sendo suficiente que chegue ao seu
conhecimento.
⋅ Tentativa: apenas a injúria escrita admite tentativa.
h) Perdão judicial (art. 140, §1º, CP):
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http://www.iceni.com/infix.htm
DIREITO PENAL
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
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§ 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena:
I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria;
II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.
O perdão judicial é aplicável apenas para o crime de injúria, sendo permitido que o juiz deixe de
aplicar a pena nas seguintes hipóteses:
a) Quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria;
b) No caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria;
5.3.1 Injúria real (art. 140, §2º, CP):
§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio
empregado, se considerem aviltantes:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à
violência
É a modalidade de injúria em que o agente, para ofender a vítima, não emprega palavra, mas
violência ou vias de fato consideradas humilhantes.
Em relação à pena, o CP determina o concurso material entre a injúria real e o crime resultante da
violência (mas se for algo que se enquadre apenas como vias de fato é absorvido pela injúria real). Ex.: cuspe
no rosto, tapa na cara etc.
Continua sendo de menor potencial ofensivo.
Em caso de concurso material, deve ser verificada a soma das penas.
5.3.2 Injúria qualificada (ou injúria preconceituosa) (art. 140, §3º, CP):
§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a religião ou à
condição de pessoa idosa ou com deficiência:( Lei nº 14.532, de 2023)
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. ( Lei nº 14.532, de 2023)
ATENÇÃO! Para o STJ (Inf. 557), é possível que se impute, de forma concomitante, a
prática dos crimes de calúnia, de difamação e de injúria ao agente que divulga, em uma única
carta, dizeres aptos a configurar os referidos delitos, sobretudo no caso em que os trechos
utilizados para caracterizar o crime de calúnia forem diversos dos empregados para demonstrar
a prática do crime de difamação.
A situação não caracteriza ofensa ao princípio que proíbe o bis in idem, já que os crimes previstos
nos arts. 138, 139 e 140 do CP tutelam bens jurídicos distintos, não se podendo asseverar, de antemão,
que o primeiro absorveria os demais.
Esposa tem legitimidade para propor queixa-crime contra autor de postagem que sugere relação
extraconjugal do marido.
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https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14532.htm#art2
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14532.htm#art2
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14532.htm#art2
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14532.htm#art2
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14532.htm#art2
http://www.iceni.com/infix.htm
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DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
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A esposa tem legitimidade para propor queixa-crime contra autor de mensagem que insinua que
o seu marido tem uma relação extraconjugal com outro homem.
Se alguém alega que um indivíduo casado mantém relação homossexual extraconjugal com
outro homem, a esposa deste indivíduo tem legitimidade para ajuizar queixa-crime por injúria, alegando
que também é ofendida.
Caso concreto: Roberto insinuou que Weverton teria um relacionamento homossexual
extraconjugal com outro homem. A mulher de Weverton tem legitimidade para ajuizar queixa-crime
contra Roberto pela prática do crime de injúria.
STF. 1ª Turma. Pet 7417 AgR/DF, Rel. Min. Luiz Fux, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgado em
9/10/2018 (Info 919).
Fonte: Dizer o direito
Disposições comuns
a) Ação penal – art. 145 do CP
Art. 145 - Nos crimes previstos neste Capítulo somente se procede mediante
queixa, salvo quando, no caso do art. 140, § 2º, da violência resulta lesão corporal.
Parágrafo único. Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça, no caso
do inciso I do caput do art. 141 deste Código, e mediante representação do
ofendido, no caso do inciso II do mesmo artigo, bem como no caso do § 3o do art.
140 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 12.033. de 2009)
Segundo o art. 145, os crimes contra a honra, via de regra, somente se procedem mediante queixa,
ou seja, são crimes de ação penal privada. Porém, comporta algumas exceções:,
REGRA Ação penal privada.
EXCEÇÃO
1ª. Injúria que resulte em lesão corporal leve: ação penal pública
condicionada à representação do ofendido;
2ª. Injúria que resulte em lesão corporal grave, gravíssima ou seguida de
morte: ação penal pública incondicionada
3ª. Se forem contra a honra do Presidente da República ou de chefe de
governo estrangeiro: ação penal pública condicionada à requisição do
Ministro da Justiça.
4ª. Contra a honra de funcionário público: conforme o STF, de acordo com a
Súmula 714, haverá legitimidade concorrente, ou seja, poderá se dar por
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queixa crime (ação penal privada) ou por pública condicionada à
representação do ofendido.
Súmula 714, STF - É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante
queixa, e do ministério público, condicionada à representação do ofendido,
para a ação penal por crime contra a honra de servidor público em razão
do exercício de suas funções.
5ª. Injúria preconceituosa ou injúria racial: ação penal pública condicionada à
representação do ofendido.
b) Majorantes (art. 141, CP)
Art. 141 - As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de um terço, se
qualquer dos crimes é cometido:
I - contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro;
II - contra funcionário público, em razão de suas funções, ou contra os Presidentes
do Senado Federal, da Câmara dos Deputados ou do Supremo Tribunal Federal;
III - na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia,
da difamação ou da injúria.
IV - contra criança, adolescente, pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou pesso
com deficiência, exceto na hipótese prevista no § 3º do art. 140 deste Código.
Aumenta-se a pena DE UM TERÇO, se qualquer dos crimes é cometido:
1) Contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro;
Atenção para a inovação legislativa, incluindo os Presidentes
do Senado Federal, Câmara dos Deputados e do Supremo
Tribunal Federal na causa de aumento de pena.
2) Contra funcionário público, em razão de suas funções, ou contra os Presidentes do Senado Federal,
da Câmara dos Deputados ou do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Lei nº 14.197, de
2021)
3) Na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia, da difamação ou da
injúria;
4) Contra criança, adolescente, pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou pessoa com deficiência, exceto
na hipótese prevista no § 3º do art. 140 deste Código. (redação dada pela Lei 14.344/2022 - Lei
Henry Borel).
* Atenção: se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa, aplica-se a pena
em dobro (Art. 141, §1°, CP – Lei 13.964/2019).
Art. 141. § 2º, CP, prevê que se o crime é cometido ou divulgado em quaisquer modalidades das
redes sociais da rede mundial de computadores, aplica-se em triplo a pena. (Incluído pela Lei nº
13.964, de 2019)
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14197.htm#art3
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14197.htm#art3
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14197.htm#art3
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14197.htm#art3
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art2
http://www.iceni.com/infix.htm
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d) Exclusão do crime (art. 142, CP)
Art. 142 - Não constituem injúria ou difamação punível:
I - a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu
procurador;
II - a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou científica, salvo quando
inequívoca a intenção de injuriar ou difamar;
III - o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em apreciação ou
informação que preste no cumprimento de dever do ofício.
Parágrafo único - Nos casos dos ns. I e III, responde pela injúria ou pela difamação
quem lhe dá publicidade.
Não constituem injúria ou difamação punível:
1) Ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador;
2) Opinião desfavorável de crítica literária, artística ou científica, salvo quando inequívoca a intenção
de injuriar ou difamar;
3) O conceito desfavorável emitido por funcionário público, em apreciação de informação que preste
no cumprimento de dever do ofício.
Atenção!
(1) Não se aplica para o crime de calúnia (art. 138 do CP)
(2) Devemos lembrar ainda das imunidades parlamentares dos senadores, deputados federais
e deputados estaduais, em qualquer âmbito espacial (desde que relacionados ao desempenho da
função, caso fora da casa legislativa) e dos vereadores (este último, nos limites da circunscrição
municipal) – sendo eles invioláveis em suas opiniões, palavras ou votos, não figurando como sujeitos
ativos de crimes contra a honra nestas ocasiões.
(3) Os advogados têm inviolabilidadesomente no tocante à difamação e à injúria, quando realizá-la no
exercício profissional. O crime de calúnia não está englobado.
Já caiu em prova:
Não constitui injúria, difamação ou calúnia punível, a ofensa irrogada em juízo, na discussão da
causa, pela parte ou por seu procurador. [errado]
e) Retratação (art. 143, CP):
Art. 143 - O querelado que, antes da sentença, se retrata cabalmente da calúnia ou da
difamação, fica isento de pena.
Parágrafo único. Nos casos em que o querelado tenha praticado a calúnia ou a difamação
utilizando-se de meios de comunicação, a retratação dar-se-á, se assim desejar o
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ofendido, pelos mesmos meios em que se praticou a ofensa. (Incluído pela Lei nº
13.188, de 2015)
Atenção aos detalhes:
▪ Marco temporal – retratação tem que ser antes da sentença.
▪ Cabe retratação apenas para a calúnia e difamação. Não se aplica à injúria.
▪ A consequência jurídica da retratação é a isenção de pena.
▪ A retratação é causa extintiva da punibilidade (art. 107 do CP)
▪ Para o STJ e doutrina majoritária, a retratação da calúnia, feita antes da sentença, acarreta a extinção
da punibilidade do agente independente de aceitação do ofendido. A retratação não é ato bilateral,
ou seja, não pressupõe aceitação da parte ofendida para surtir seus efeitos na seara penal, porque a
lei não exige isso. O Código, quando quis condicionar o ato extintivo da punibilidade à aceitação da
outra parte, o fez de forma expressa, como no caso do perdão ofertado pelo querelante depois de
instaurada a ação privada. O art. 143 do CP exige apenas que a retratação seja cabal, ou seja, deve
ser clara, completa, definitiva e irrestrita, sem remanescer nenhuma dúvida ou ambiguidade quanto
ao seu alcance, que é justamente o de desdizer as palavras ofensivas à honra, retratando-se o ofensor
do malfeito (Inf. 687, 2021)
Já caiu em prova:
Nos crimes contra a honra — calúnia, difamação e injúria —, o Código Penal admite a retratação
como causa extintiva de punibilidade, desde que ocorra antes da sentença penal, seja cabal e
abarque tudo o que o agente imputou à vítima. [errado]
f) Pedido de explicações (art. 144, CP):
Art. 144 - Se, de referências, alusões ou frases, se infere calúnia, difamação ou
injúria, quem se julga ofendido pode pedir explicações em juízo. Aquele que se
recusa a dá-las ou, a critério do juiz, não as dá satisfatórias, responde pela ofensa.
O pedido de explicações tem cabimento quando há dúvida sobre a prática de crime contra a honra, podendo
o ofendido pedir explicações em juízo.
⋅ É uma medida facultativa, podendo o interessado optar em utilizar o pedido de explicações ou entrar
diretamente com a queixa-crime;
⋅ Somente pode ser utilizado antes da ação penal;
⋅ Não interrompe nem suspende a prescrição ou decadência.
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https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/cbf4d310ea68b3933521ba359d33ed5e?categoria=11
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/cbf4d310ea68b3933521ba359d33ed5e?categoria=11
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6. DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE PESSOAL
6.1. Constrangimento ilegal (146, CP)
Constrangimento ilegal
Art. 146 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de
lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não
fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
Aumento de pena
§ 1º - As penas aplicam-se cumulativamente e em dobro, quando, para a execução
do crime, se reúnem mais de três pessoas, ou há emprego de armas.
§ 2º - Além das penas cominadas, aplicam-se as correspondentes à violência.
§ 3º - Não se compreendem na disposição deste artigo:
I - a intervenção médica ou cirúrgica, sem o consentimento do paciente ou de seu
representante legal, se justificada por iminente perigo de vida;
II - a coação exercida para impedir suicídio.
a) Bem jurídico tutelado
O crime de constrangimento ilegal tutela a liberdade pessoal e a autodeterminação, ou seja, a
liberdade psíquica do indivíduo de agir dentro dos limites estabelecidos pela lei. Assim, à luz do disposto no
art. 5.º, inciso II, da CF/88, somente a lei pode obrigar alguém a adotar determinado comportamento, ou
então proibi-lo de agir ao seu livre arbítrio.
Art. 5º, II - “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão
em virtude de lei”.
b) Sujeitos do delito
● Sujeito ativo – crime comum
● Sujeito passivo – crime comum. Qualquer pessoa pode ser sujeito passivo do crime em questão,
desde que dotada de capacidade de autodeterminação.
Casos específicos em relação ao sujeito passivo:
(1) Doentes mentais e crianças de tenra idade: Como doentes mentais e crianças de tenra idade não
têm capacidade de entendimento e autodeterminação, não podem ser vítimas do delito em
comento. Poderão, no entanto, figurar como objeto do crime: quando o constrangimento recair
sobre seu representante, que se vê obrigado a fazer ou deixar de fazer algo em relação ao
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representado. Ex.: agente apontou arma de fogo para criança portadora de síndrome de down,
visando a constranger os pais.
(2) Criança ou Adolescente: se o menor de 18 anos estiver sob a autoridade, guarda ou vigilância do
agente e for submetido a vexame ou constrangimento, haverá crime previsto no art. 232 do ECA.
(3) Idoso: se o idoso for coagido, de qualquer modo, a doar, contratar, testar ou outorgar procuração,
haverá incidência do delito previsto no art. 107 do Estatuto do idoso
(4) Consumidor: utilizar, na cobrança de dívidas, ameaça, coação, constrangimento físico ou moral,
afirmações falsas, incorretas ou enganosas ou de qualquer outro modo procedimento que exponha
o consumidor, injustificadamente, a ridículo ou interfira com seu trabalho, descanso ou lazer, haverá
crime previsto no art. 71 do CDC.
(5) Presidente da República, Presidente do Senado, Presidente da Câmara ou Presidente do STF: caso
esse constrangimento ilegal se dê por motivos políticos, contra a liberdade de locomoção contra o
Presidente da República, Presidente do Senado, Presidente da Câmara ou Presidente do STF, haverá
um crime contra a segurança nacional.
c) Tipo objetivo
A lei traz o verbo “constranger”, que significa forçar/ coagir/ compelir alguém a fazer ou deixar de
fazer algo. Ou seja, significa retirar, de uma pessoa, a sua liberdade de autodeterminação, através do uso de
violência, grave ameaça ou de qualquer outro meio hábil a impedir a resistência da vítima (ex.: violência
imprópria).
O crime pode ocorrer em duas hipóteses:
● Quando a vítima é compelida a fazer algo (conduta comissiva ou positiva). Ex.: beber um copo de
cerveja, andar sem sapatos em via pública etc.;
● Quando a vítima é compelida a deixar de fazer algo (conduta omissiva ou negativa). Ex: não fumar
em local permitido
Basta o agente obrigar a vítima a fazer ou deixar de fazer qualquer coisa?
R.: NÃO! O agente precisa impor à vítima um comportamento certo, determinado e ilegal/ilegítimo.
Ou seja: a conduta exigida pelo sujeito ativo deve estar em desconformidade com a lei. Caso seja uma
pretensão legítima, o crime praticado será o de exercício arbitrário das próprias razões (art. 345, CP).
Nesse contexto, a ilegitimidade da pretensão pode ser absoluta ou relativa:
● Absoluta: quando o sujeito ativo não tem direito à ação ou omissão pretendida da vítima (ex.: obrigar
o ofendido a mudar de escola)
● Relativa: quando o sujeito ativo tem direito a um determinado comportamento, mas a vítima não
pode ser compelida a comportar-sede profissão, arte ou ofício, ou se o agente
deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as consequências
do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a
pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor
de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos. (Redação dada pela Lei nº 10.741,
de 2003)
§ 5º - Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se
as consequências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a
sanção penal se torne desnecessária. (Incluído pela Lei nº 6.416, de 24.5.1977)
§ 6º A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado
por milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por
grupo de extermínio. (Incluído pela Lei nº 12.720, de 2012)
§ 7º A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime
for praticado:
I - durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto;
II - contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos, com
deficiência ou portadora de doenças degenerativas que acarretem condição
limitante ou de vulnerabilidade física ou mental; (Redação dada pela Lei nº 13.771,
de 2018)
II - Contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos, com deficiência ou com doenças
degenerativas que acarretem condição limitante ou de vulnerabilidade física ou
mental.→ LEI HENRY BOREL.
III - na presença física ou virtual de descendente ou de ascendente da vítima;
IV - em descumprimento das medidas protetivas de urgência previstas nos incisos
I, II e III do caput do art. 22 da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. (Incluído pela
Lei nº 13.771, de 2018) (Revogado pela Lei nº 14.994, de 2024)
a) Estrutura do Tipo Penal: É importante saber a estrutura para eventuais peças ou questões discursivas que
não permitam o uso do Código.
1 Homicídio doloso:
⋅ Homicídio simples: caput;
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13771.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13771.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13771.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art22i
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art22i
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art22ii
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art22iii
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13771.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13771.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2024/Lei/L14994.htm#art9
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2024/Lei/L14994.htm#art9
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DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
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⋅ Homicídio privilegiado: §1º;
⋅ Qualificadoras: § 2º;
⋅ Circunstanciado: §4º, segunda parte, §6º e §7º (são causas de aumento da pena).
2 Homicídio Culposo
⋅ Simples: §3º;
⋅ Circunstanciado: §4ª, primeira parte;
⋅ Perdão judicial: §5º.
b) Conceito: Eliminação da vida humana extrauterina praticada por outra pessoa.
Atenção!!!
⋅ NÃO existe homicídio contra animais.
⋅ Caso a vida seja intrauterina, o crime será aborto.
⋅ Caso as elementares do art. 123, CP estejam presentes, o crime será infanticídio.
STJ - Iniciado o trabalho de parto, não há falar mais em aborto, mas em homicídio
ou infanticídio, conforme o caso, pois não se mostra necessário que o nascituro
tenha respirado para configurar o crime de homicídio, notadamente quando
existem nos autos outros elementos para demonstrar a vida do ser nascente. STJ.
5ª Turma. HC 228998-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 23/10/2012.
Esquematizando:
ANTES do início do parto: Aborto (art. 124, CP)
DEPOIS do início do parto: Infanticídio (art. 123, CP) ou Homicídio (art. 121, CP).
c) Bem jurídico protegido: vida humana extrauterina.
Para a doutrina majoritária, o consentimento do ofendido NÃO afasta a ilicitude da conduta, pois a
vida é bem jurídico indisponível. Nesse sentido, no ordenamento jurídico brasileiro, eutanásia é crime.
1.1.1 Homicídio Simples
Art. 121. Matar alguém:
Pena - reclusão, de seis a vinte anos.
O homicídio SIMPLES, em regra, NÃO é crime hediondo. Será assim classificado quando praticado
em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que por 1 só agente.
Observe que o grupo de extermínio NÃO precisa existir, bastando que haja a atividade típica de grupo
de extermínio. Ex.: agente sai à noite matando moradores de rua. O grupo não existe, mas a atividade é típica
de grupo de extermínio. Isso é muito difícil na prática, pois essa atividade típica de grupo de extermínio quase
sempre envolve alguma qualificadora (como motivo fútil ou torpe), o que já enquadraria o crime como
hediondo.
● Núcleo do tipo: “matar”, no sentido de retirar a vida de alguém.
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Em regra, a conduta é comissiva, mas é possível que seja omissiva, quando se tratar de garantidor,
na forma do art. 13, §2°, “a”, “b”, “c”, CP. Ex.: salva-vidas que deixa de prestar socorro a um banhista que se
afoga; pai que deixa de prover a subsistência do filho, privando-o de alimentos.
● Sujeito ativo: pode ser praticado por qualquer pessoa (crime comum). Admite coautoria e
participação.
● Sujeito passivo: pode ser qualquer pessoa, após o nascimento com vida.
● Elemento subjetivo: dolo (direto ou eventual) ou culpa (prevista no §3º).
OBS.: O dolo genérico é conhecido como animus necandi ou animus occidendi.
Vamos aprofundar um pouco?
Como fica o caso do agente que atira e mata IRMÃOS XIFÓPAGOS?
Situação 1: agente queria matar os dois = uma conduta e dois homicídios dolosos → concurso formal
impróprio ou imperfeito (desígnios autônomos).
Situação 2: agente queria matar só um, mas assumiu o risco de matar o outro = há dois homicídios, um com
dolo direito e outro com dolo eventual (dolo de segundo grau ou de consequências necessárias).
● Consumação: trata-se de crime material, o qual exige a morte da vítima para a consumação.
● Tentativa: Possível, por ser crime plurissubsistente, ou seja, a conduta é composta de dois ou
mais atos, admitindo o fracionamento.
Lembrando...
∘ Tentativa branca/incruenta: não atinge a vítima.
∘ Tentativa vermelha/cruenta: atinge a vítima.
1.1.1.1 Homicídio contra determinadas autoridades políticas:
Atenção! Quando a conduta de matar alguém seja praticada contra o Presidente da República, do
Senado Federal, da Câmara dos Deputados ou do STF, em razão de motivação política, ANTES caberia
aplicação do crime previsto no art. 29 da Lei n. 7.170/83, configurando crime contra a segurança nacional (e
não crime contra a vida), motivo pelo qual a competência não era do Tribunal do Júri.
OBS.: Foi o caso que aconteceu em 2018, quando o indivíduo Adélio Bispo de Oliveira desferiu facadas
contra o candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro, sendo denunciado pela prática de crime contra
a Segurança Nacional.
ATUALIZAÇÃO! Quando vigorava a Lei 7.170/03 (Lei da Segurança Nacional), se a vítima fosse o Presidente
da República, do Senado Federal, da Câmara dos Deputados ou do STF, e o agente tivesse motivação e
objetivos políticos, o crime, em face do princípio da especialidade, era responsabilizado pelo art.29 daquele
diploma legal. Com a revogação operada pela Lei 14.197/21, não houve tipificação de delito semelhante no
Título XII, do Código Penal. Nesse caso, há continuidade normativo-típica no art. 121. Houve novatio legis
in mellius, pois a pena anterior variava entre 15 eda forma por ele pretendida (ex.: obrigar o ofendido, mediante
uso de arma de fogo, a pagar dívida resultante do jogo do bicho).
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VAMOS FAZER UM LINK COM DIREITO PENAL PARTE GERAL?
Os crimes complexos podem ser de duas espécies:
a) puros ou em sentido estrito: quando o crime encerra dois ou mais tipos em uma única descrição legal
(homicídio + roubo = latrocínio; ameaça + furto = roubo);
b) impuros ou em sentido amplo: quando o crime é formado por um fato típico acrescido de circunstância
atípica (ameaça + relação sexual = estupro).
Diante disso, o crime de constrangimento ilegal pode ser caracterizado corno complexo impuro ou em
sentido amplo, já que é formado por lesão corporal ou ameaça + não fazer o que a lei permite ou fazer o que
ela não manda.
d) Tipo subjetivo: É o dolo. Não se admite a modalidade culposa.
Há divergência quanto a necessidade de um especial fim de agir:
● 1ª C (Damásio, Alexandre Salim) - exige-se um especial fim de agir, consistente em constranger a
vítima à ação ou omissão pretendida. Na ausência desse especial fim de agir, restará
descaracterizado o crime de constrangimento ilegal, podendo surgir figuras delituosas
subsidiárias, como ameaça, lesão corporal ou até mesmo tortura
● 2º C (Nucci e Sanches) - basta o dolo genérico, pois as expressões “a não fazer o que
a lei permite” e “a fazer o que ela não manda” constituem elementos objetivos do tipo, e não
subjetivos. Para ele, a finalidade do sujeito ativo é irrelevante, isto é, pouco importa o motivo que
o levou a agir em contrariedade ao Direito.
OBS.: PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE: Se o agente constranger o ofendido, com emprego de violência ou
grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental, (a) com o fim de obter informação, declaração ou
confissão da vítima ou de terceira pessoa, (b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa, ou (c)
em razão de discriminação racial ou religiosa, haverá crime de tortura (art. l", 1, da Lei n° 9.455/97).
e) Consumação e tentativa
A consumação ocorre quando a vítima faz ou deixa de fazer algo contrário à sua vontade, em
decorrência da violência ou grave ameaça utilizada pelo agente. Trata-se, portanto, de crime material e
instantâneo.
Estará configurada a tentativa quando o agente tenta constranger a vítima, sem sucesso. Assim, se a
vítima não chega a adotar nenhum comportamento (ativo ou passivo), haverá tentativa de constrangimento
ilegal.
f) Concurso de crimes
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A Exposição de Motivos do CP, em seu item 51 e o §2º do artigo 146, dizem que, se houver o emprego
da violência, com resultado lesivo à vítima, haverá concurso material, situação na qual as penas devem ser
somadas.
g) Causas de aumento de pena
§ 1º - As penas aplicam-se cumulativamente e em dobro, quando, para a execução
do crime, se reúnem mais de três pessoas, ou há emprego de armas.
● Se houver mais de 3 pessoas (exige-se, no mínimo, 4 pessoas)
● Se houver emprego de arma (doutrina majoritária entende que consiste em qualquer tipo de
instrumento com potencialidade lesiva, ex. faca de cozinha)
h) Causas de exclusão do crime
§ 3º - Não se compreendem na disposição deste artigo:
I - a intervenção médica ou cirúrgica, sem o consentimento do paciente ou de seu
representante legal, se justificada por iminente perigo de vida;
II - a coação exercida para impedir suicídio
Há divergência na doutrina acerca da natureza jurídica da causa de exclusão do crime:
● 1ª C (Masson, Hungria, Mirabete) – Trata-se de causa especial de exclusão da ilicitude, por
se constituir em manifestação inequívoca de estado de necessidade de terceiro.
(Prevalece!)
● 2º C (Damásio e Bittencourt) – Trata-se de causa excludente da tipicidade, pois, se os fatos
não se encontram compreendidos na norma penal incriminadora, são condutas atípicas.
6.2 Bullying e o cyberbullying - art. 146-A CP
Criação” do delito do art. 146-A – bullying e o cyberbullying
Art. 146-A. Intimidar sistematicamente, individualmente ou em grupo, mediante
violência física ou psicológica, uma ou mais pessoas, de modo intencional e
repetitivo, sem motivação evidente, por meio de atos de intimidação, de
humilhação ou de discriminação ou de ações verbais, morais, sexuais, sociais,
psicológicas, físicas, materiais ou virtuais: (Incluído pela Lei nº 14.811, de 2024)
Pena - multa, se a conduta não constituir crime mais grave. (Incluído pela Lei nº
14.811, de 2024)
Intimidação sistemática virtual (cyberbullying) (Incluído pela Lei nº 14.811, de
2024)
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Parágrafo único. Se a conduta é realizada por meio da rede de computadores, de
rede social, de aplicativos, de jogos on-line ou por qualquer outro meio ou
ambiente digital, ou transmitida em tempo real: (Incluído pela Lei nº 14.811, de
2024)
Pena - reclusão, de 2 (dois) anos a 4 (quatro) anos, e multa, se a conduta não
constituir crime mais grave. (Incluído pela Lei nº 14.811, de 2024)
O núcleo do tipo do novo art. 146-A do CP é “intimidar sistematicamente” que possui conceito no
art. 1°, §1° da Lei n° 13.185/2015. Veja: “No contexto e para os fins desta Lei, considera-se intimidação
sistemática (bullying) todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem
motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de
intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre
as partes envolvidas.”
Nesse sentido, exige-se que a conduta tenha a intenção de intimidar e seja habitual (de modo
intencional e repetitivo), mediante violência física ou psicológica, e por meio de atos de intimidação, de
humilhação ou de discriminação ou de ações verbais, morais, sexuais, sociais, psicológicas, físicas,
materiais ou virtuais.
A Lei n° 13.185, de 2015, que instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, já prevê as
figuras do bullying e do cyberbullying, mas não estabelece punição específica para esse tipo de conduta,
apenas obrigava escolas, clubes e agremiações recreativas a assegurar medidas de conscientização,
prevenção, diagnose e combate à violência e à intimidação sistemática.
Além disso, chama-se atenção para o fato de que o art. 146-A do CP (caput e parágrafo único) não
exige uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes.
#DICA DD: Por fim, não há limite etário (para o sujeito ativo ou passivo). Desse modo, tanto o bullying
quanto o cyberbullying podem ocorrer entre adultos.
Lei n° 13.185/2015 Art. 146-A, CP
Art. 1º, (...) § 1º No contexto e para os fins
desta Lei, considera-se intimidação
sistemática (bullying) todo ato de violência
física ou psicológica, intencional e repetitivo
que ocorre sem motivação evidente,
praticado por indivíduo ou grupo, contra uma
ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-
la ou agredi-la, causando dor e angústia à
vítima, em uma relação de desequilíbrio de
poder entre as partes envolvidas.
Art. 146-A. Intimidar sistematicamente,
individualmente ou em grupo, mediante
violência física ou psicológica, uma ou
mais pessoas, de modo intencional e
repetitivo, sem motivação evidente, por
meio de atos de intimidação, de
humilhação ou de discriminação ou de
ações verbais, morais, sexuais, sociais,
psicológicas, físicas, materiais ou virtuais:
(Incluído pela Lei nº 14.811, de 2024)
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Art. 2º Caracteriza-se a intimidação
sistemática (bullying) quando há violênciafísica ou psicológica em atos de intimidação,
humilhação ou discriminação e, ainda: I -
ataques físicos; II - insultos pessoais; III -
comentários sistemáticos e apelidos
pejorativos; IV - ameaças por quaisquer
meios; V - grafites depreciativos; VI -
expressões preconceituosas; VII - isolamento
social consciente e premeditado; VIII -
pilhérias.
Parágrafo único. Há intimidação sistemática
na rede mundial de computadores
(cyberbullying), quando se usarem os
instrumentos que lhe são próprios para
depreciar, incitar a violência, adulterar fotos
e dados pessoais com o intuito de criar meios
de constrangimento psicossocial.
Art. 3º A intimidação sistemática (bullying)
pode ser classificada, conforme as ações
praticadas, como:
I - verbal: insultar, xingar e apelidar
pejorativamente; II - moral: difamar,
caluniar, disseminar rumores; III - sexual:
assediar, induzir e/ou abusar; IV - social:
ignorar, isolar e excluir; V - psicológica:
perseguir, amedrontar, aterrorizar,
intimidar, dominar, manipular, chantagear e
infernizar; VI - físico: socar, chutar, bater; VII
- material: furtar, roubar, destruir pertences
de outrem; VIII - virtual: depreciar, enviar
mensagens intrusivas da intimidade, enviar
ou adulterar fotos e dados pessoais que
resultem em sofrimento ou com o intuito de
criar meios de constrangimento psicológico e
social.
Pena - multa, se a conduta não constituir
crime mais grave. (Incluído pela Lei nº
14.811, de 2024)
Intimidação sistemática virtual
(cyberbullying) (Incluído pela Lei nº
14.811, de 2024)
Parágrafo único. Se a conduta é realizada
por meio da rede de computadores, de
rede social, de aplicativos, de jogos on-line
ou por qualquer outro meio ou ambiente
digital, ou transmitida em tempo real:
(Incluído pela Lei nº 14.811, de 2024)
Pena - reclusão, de 2 (dois) anos a 4
(quatro) anos, e multa, se a conduta não
constituir crime mais grave. (Incluído pela
Lei nº 14.811, de 2024)
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6.2.1 Ameaça (Art. 147)
Ameaça
Art. 147 - Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio
simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Parágrafo único - Somente se procede mediante representação
a) Considerações iniciais
● Crime de menor potencial ofensivo;
● Ação penal pública condicionada à representação (inclusive no âmbito da Maria da Penha)
● Crime de forma livre
● Crime comum
b) Bem jurídico tutelado: é liberdade da pessoa humana, notadamente no tocante à paz de espírito, ao
sossego, à tranquilidade e ao sentimento de segurança.
c) Tipo objetivo:
O núcleo do tipo é “ameaçar”, que significa intimidar/amedrontar alguém, com a intenção de causar-
lhe mal injusto e grave. No entanto não é qualquer mal que caracteriza o delito, mas apenas o classificado
como “injusto e grave”, que pode ser físico, econômico ou moral (não necessariamente um crime).
O mal injusto e grave deve, ainda, ser possível (crível). Assim, não configura ameaça a expressão
"farei o mundo cair sobre sua cabeça', diante da sua óbvia impossibilidade natural. Contudo, um mal,
aparentemente impossível, pode exprimir uma ameaça velada, como, por exemplo, dizer ao ofendido: "Tiro
o seu couro na unha".
Explica o professor Cleber Masson:
“Destarte, o fato é atípico, por constituir crime impossível, quando inidôneo a
amedrontar, tal como quando causa risos ou quando seu destinatário não lhe
confere credibilidade, por pior que seja a intimidação. Em tais casos, o bem jurídico
protegido pela lei penal não é atingido pela conduta do agente. A pessoa visada não
foi abalada em sua paz de espírito e em seu sentimento de segurança e de
tranquilidade. Também não há crime na praga e no esconjuro, tal quando alguém
diz “vá para o inferno” ou “que um raio te parta”, uma vez que o agente não tem o
poder de concretizar o mal prometido. Admite-se, contudo, a ocorrência do delito
de ameaça na hipótese de dano fantástico, quando o sujeito passivo é supersticioso
e o sujeito ativo tem consciência desta circunstância pessoal”
A doutrina discute se o mal prometido deve ser unicamente futuro, ou se pode também ser atual.
Há duas posições sobre o assunto:
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● 1ª C (Masson, Nucci e Bittencout) – somente haverá crime de ameaça se o mal prometido
for futuro, tendo em vista que o verbo “ameaçar” consiste, justamente, em prometer
realizar, ulteriormente, mal injusto e grave. Assim, o mal atual (que está ocorrendo) nada
mais é do que ato preparatório ou executório de outro crime.
● 2ª C (Damásio) – o mal pode ser atual ou futuro, existindo crime em ambos os casos
A ameaça pode ser:
● Explícita: clara e induvidosa;
● Implícita: de forma velada;
● Direta: o mal prometido atinge a própria vítima da ameaça;
● Indireta: o mal prometido será causado em terceira pessoa;
● Incondicional: não depende, para efetivar-se, de acontecimento futuro;
● Condicional: depende, para efetivar-se, de um acontecimento futuro.
OBS.: Não há necessidade de ser a ameaça proferida na presença da vítima. Basta que chegue ao seu
conhecimento.
d) Ameaça x Constrangimento ilegal:
Explica Fernando Capez:
"Enquanto no crime de ameaça o prenúncio deve incidir sobre o mal injusto e
grave, no constrangimento ilegal exige-se que o mal prenunciado seja
simplesmente grave, podendo ser justo. Enquanto na ameaça o agente pretende
atemorizar o sujeito passivo, no constrangimento ilegal tenciona uma conduta
positiva ou negativa da vítima."
CAIU EM PROVA RECENTE
CESPE / CEBRASPE - 2021 - PC-AL - Escrivão de Polícia(adaptada)
Comete crime de ameaça o agente que, mediante grave ameaça, mandar que um passageiro de
um ônibus mude de lugar, consumando-se o delito mesmo que a vítima não o obedeça (errada).
e) Sujeitos do crime
● Sujeito ativo – crime comum
● Sujeito passivo – crime comum – qualquer pessoa pode ser sujeito passivo do presente crime, desde
que seja uma pessoa certa e determinada, capaz, de entender o mal prometido.
Assim, NÃO podem ser sujeito passivo, por não apresentarem condições de tomar consciência do
mal:
∘ Pessoas indeterminadas
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∘ As crianças de pouca idade
∘ Doentes mentais
∘ Absolutamente embriagados (a não ser que a ameaça se reflita sobre outras pessoas, capazes de
adverti-los)
∘ Pessoas jurídicas (a não ser que recaia sobre os componentes)
∘ Pessoas incapazes, no caso concreto, de entenderem a ameaça (exemplo: um surdo em relação a
uma ameaça verbal).
CAIU EM PROVA RECENTE:
CESPE / CEBRASPE - 2021 - PC-AL - Agente de Polícia (adaptada)
Não há crime de ameaça quando o agente promete um mal injusto e grave contra pessoas
absolutamente indeterminadas (correto).
f) Princípio da especialidade
● Ameaça (com cunho político) proferida contra o Presidente da República, do Senado, da Câmara dos
Deputados e do Supremo Tribunal Federal - crime contra a Segurança Nacional (art. 28 da Lei
7.170/1983),
● Ameaça no âmbito de violência doméstica e familiar contra mulher - situação de violência
psicológica, definida pelo art. 7.º, inc. II, da Lei 11.340/2006
g) Elemento subjetivo: dolo consistente na vontade livre e consciente de intimidar alguém.
STF - O crime de ameaça se caracteriza pelo fato de alguém prometer a outrem de
causar-lhe mal injusto e grave. É irrelevante a intenção do agente em realizar ou
não o mal prometido. Basta que incuta fundado temor à vítima.Obs.1: É imprescindível tenha sido a ameaça efetuada em tom de seriedade, de modo que o animus
jocandi (quando há tom de brincadeira), ou a mera incontinência verbal, não caracterizam o crime de
ameaça.
Obs.2: Prevalece o entendimento de que o crime de ameaça não depende de ânimo calmo e refletido
por parte do agente. Em suma, o estado de ira não afasta por si só o delito, pois subsiste o dolo, consistente
na vontade de intimidar
h) Consumação e tentativa: crime formal
O crime se consuma no momento em que a vítima toma conhecimento do mal injusto e grave do
qual está sendo ameaçada. Isto ocorre indiferentemente da vítima se sentir ameaçada ou não.
A tentativa é possível na modalidade plurissubsistente (quando o crime é praticado por meio de
vários atos), como na ameaça escrita.
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6.3. Crime de perseguição ou “stalking” (art. 147-A) 1
Inserido pela Lei 14.132/2021
Art. 147-A. Perseguir alguém, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando-
lhe a integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção
ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou
privacidade.
Pena – reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.
§ 1º A pena é aumentada de metade se o crime é cometido:
I – Contra criança, adolescente ou idoso;
II – Contra mulher por razões da condição de sexo feminino, nos termos do § 2º-A
do art. 121 deste Código;
III – mediante concurso de 2 (duas) ou mais pessoas ou com o emprego de arma.
§ 2º As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à
violência.
§ 3º Somente se procede mediante representação. ”
a) Introdução
A Lei 14.132/2021 inseriu o artigo 147-A ao Código Penal, tipificando a conduta de perseguição,
também conhecida pelo termo em inglês “stalking”.
A perseguição ou stalking pode se revelar um comportamento grave, apto a limitar a liberdade
individual alheia e, não raro, a causar transtornos diversos, inclusive psicológicos, à pessoa perseguida.
Rogério Grecco, contudo, assevera a necessidade de ter cuidado com o novo tipo penal:
“Embora a criminalização da perseguição seja necessária, temos que tomar o
máximo cuidado para que não sejam confundidos comportamentos perfeitamente
lícitos e aceitos em nossa sociedade. Uma insistência amorosa, por exemplo,
mesmo que indesejada, não pode se configurar, automaticamente, em crime. Por
isso, somente a hipótese concreta nos trará elementos para que possamos fazer
essa distinção, tênue por sinal, entre um comportamento natural do ser humano,
em não aceitar, imediatamente, uma negativa ao seu pedido, de uma conduta
considerada perseguidora, criminosa, que pode causar na vítima danos à sua
integridade física ou psicológica.”
1 Explicação com base nos artigos publicados pelos professores Rogério Grecco e Bruno Gilaberte.
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b) Bem jurídico tutelado
O delito de perseguição está inserido na Seção I do Capítulo VI do Título I do Código Penal, que prevê
os crimes contra a liberdade pessoal. Assim, o bem juridicamente protegido pelo tipo penal em estudo é a
liberdade pessoal, entendida, aqui, tanto a de natureza física quanto psíquica, bem como a integridade física
da vítima.
Portanto, haverá crime quando alguém, corriqueiramente, perturbar a vítima a ponto de fazer com
que se sinta tolhida na condução de sua vida cotidiana.
c) Sujeitos do crime:
● Sujeito ativo – crime comum
● Sujeito passivo – crime comum
d) Tipo objetivo
O núcleo do tipo é o verbo “perseguir”, que, no contexto, significa molestar, assediar, importunar. E
a lei exige, ainda, que a perseguição se dê reiteradamente, de modo que o art. 147-A pode ser classificado
como crime habitual.
O núcleo perseguir nos induz a concluir que o comportamento deve ser praticado apenas na forma
comissiva, não havendo, outrossim, previsão para a conduta omissiva.
A perseguição pode se dar por qualquer meio, o que demonstra a preocupação do legislador em
criminalizar a perseguição virtual (em redes sociais e por meio de mensagens eletrônicas), também
conhecido como cyberstalking. Ensina o professor Bruno Gilaberte:
“Trata-se de crime de forma livre, de modo que uma infinidade de meios
executórios são admitidos, até mesmo os violentos (v. g., puxar violentamente a
vítima para si, imprensá-la contra uma parede etc.). Não é necessário que os
mesmos meios sejam empregados reiteradamente (embora a reiteração
comportamental seja exigência do tipo); pode existir uma combinação entre eles,
de modo a configurar a constância (por exemplo, no mesmo contexto, seguir a
vítima em via pública, invadir seu ambiente de trabalho com impropérios e ligar
insistentemente para sua casa, entre outras hipóteses).”
Conforme a narração típica, através dos meios utilizados, o agente pode:
Ameaçar a integridade física ou psicológica da vítima:
A perseguição pode ocorrer por meio de reiteradas ameaças, inclusive enviadas por meio digital,
contra a vítima, o que afeta a sua liberdade individual. Ou seja: o agente se vale de crimes do artigo 147 do
Código Penal como meio de execução para a perseguição da vítima, de modo que aqueles restarão
absorvidos pelo crime do artigo 147-A do CP. As ameaças serão o meio de execução do crime de perseguição.
Restringir-lhe a capacidade de locomoção
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A simples limitação na capacidade de locomoção já é suficiente para configurar o crime, não sendo
necessário, portanto, a privação completa da capacidade de locomoção.
Ex.: Assim, se o sujeito ativo diuturnamente se posta diante da casa da vítima, a fim de importuná-la
tão logo alcance a via pública, o que faz com que a vítima eventualmente opte pelo recolhimento ao lar a
contragosto, temos o crime de perseguição.
Ex.: um fã que persegue reiteradamente o seu ídolo, restringido, de alguma forma, sua liberdade de
locomoção.
De qualquer forma, invadir ou perturbar sua esfera de liberdade ou privacidade
Em relação à esfera de liberdade, a doutrina entende que, aqui, busca-se proteger outras liberdades
constitucionais diversas da liberdade de locomoção, como a liberdade religiosa, a de manifestação do
pensamento, etc. Ex.: quando o sujeito ativo assume o controle do perfil da vítima em redes sociais,
apagando todo o conteúdo intelectual por ela postado e atingindo a sua liberdade de manifestação do
pensamento.
A esfera de privacidade, ao seu turno, se refere ao âmbito em que se desenvolve a vida interior do
indivíduo, alcançando seu círculo íntimo de relações interpessoais (amizades, vínculos familiares e
românticos). Ex.: Quando o sujeito ativo, inconformado com o término do relacionamento com a ex-mulher
e com o novo namoro mantido por esta, passa a importunar o casal, mandando recados ao atual namorado,
nos quais coloca em dúvida a retidão de caráter da vítima, há afetação da esfera de privacidade.
OBS.: O professor Bruno Gilaberte ensina que a perseguição em ambiente laboral/profissional não está
abarcada pela tutela à privacidade, mas sim pela tutela à liberdade. Assim, caso o agente coloque em risco o
emprego da pessoa atingida, a conduta comportará submissão na cláusula anterior (invasão ou perturbação
da esfera de liberdade – no caso, profissional).
Os paparazzi, que perseguem as celebridades em busca de flagras, podem, em tese, ser acusados
desse crime?
R.: A depender do caso concreto, sim. O trabalho normal dos paparazzi de registrar celebridades que
estejam em locaispúblicos, ainda que possa vir a ser inconveniente, não se amolda aos requisitos do tipo
penal.
Por outro lado, o crime pode restar configurado se o paparazzi extrapola o trabalho normal e
promove uma perseguição reiterada sobre determinado artista, ameaçando a sua integridade física ou
psicológica, restringindo a sua capacidade de locomoção ou invadindo/perturbando a sua esfera de liberdade
ou privacidade. É o entendimento de Rogério Sanches, em excelente estudo sobre o novo tipo penal:
“Com relação aos fotógrafos que perseguem celebridades e pessoas públicas para
obterem imagens inéditas (paparazzi), a tendência é não reconhecer o crime
quando o “alvo” está em local público. A figura criminosa, contudo, pode ser
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cogitada quando a conduta do paparazzi, reiteradamente, invadir ou perturbar a
esfera de liberdade ou privacidade da celebridade ou pessoa pública.”2
e) Tipo subjetivo
O dolo é o elemento exigido pelo tipo penal em estudo, não havendo previsão para a modalidade de
natureza culposa.
f) Consumação e tentativa
Em se tratando de um delito habitual, o crime se consuma quando, da prática reiterada da
perseguição, e por qualquer meio, venha a ameaçar a integridade física ou psicológica da vítima,
restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de
liberdade ou privacidade. Exige-se, portanto, a demonstração da habitualidade para a consumação.
A doutrina majoritária entende NÃO SER POSSÍVEL A TENTATIVA. Isso porque, ou o agente pratica,
reiteradamente, os atos de perseguição e o delito se consuma, ou os fatos praticados anteriores, não
reiterados, são considerados como um indiferente penal.
g) Concurso de crimes
Em havendo o emprego de violência, haverá a incidência do concurso material de crimes, em que as
sanções penais serão aplicadas em conjunto, de acordo com o disposto no § 2º do art. 147-A.
h) Causas de aumento de pena
§ 1º A pena é aumentada de metade se o crime é cometido:
I – Contra criança, adolescente ou idoso;
II – Contra mulher por razões da condição de sexo feminino, nos termos do § 2º-A
do art. 121 deste Código;
III – mediante concurso de 2 (duas) ou mais pessoas ou com o emprego de arma.
● Contra criança, adolescente ou idoso (Pegadinha de prova: não engloba os deficientes!)
● Mediante o concurso de 2 ou mais pessoas
● Mediante o emprego de arma - qualquer instrumento dotado de potencialidade lesiva e que
possa ser usado para ataque ou defesa.
● Contra mulher por razões da condição de sexo feminino - O legislador se vale das hipóteses
presentes no § 2º-A do art. 121 para determinar o que são as razões de condição de sexo feminino:
(a) Violência doméstica e familiar contra a mulher;
(b) Menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
2 (Lei 14.132/21: Insere no Código Penal o art. 147-A para tipificar o crime de perseguição. Disponível em:
https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/2021/04/01/lei-14-13221-insere-no-codigo-penal-o-art-147-para-
tipificar-o-crime-de-perseguicao/).
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http://www.iceni.com/infix.htm
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DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
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OBS.: Com a incidência da causa de aumento, o crime deixa de ser considerado de menor potencial ofensivo!
JÁ CAIU EM PROVA E FOI CONSIDERADA CORRETA: Órgão: PM-MG Prova: PM-MG - 2021 - PM-
MG - Oficial da Polícia Militar
Configura-se crime de perseguição tipificado no Código Penal a conduta de perseguir alguém,
reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade física ou psicológica,
restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando
sua esfera de liberdade ou privacidade.
i) Abolitio criminis
Até o advento da Lei nº 14.132, de 31 de março de 2021, que inseriu o delito de perseguição no
Código Penal (art. 147-A), entendia-se que esse comportamento (stalking) encontrava-se previsto no art. 65
da Lei das Contravenções Penais, que dizia, verbis:
Art. 65. Molestar alguém ou perturbar-lhe a tranquilidade, por acinte ou por motivo
reprovável:
Pena – prisão simples, de quinze dias a dois meses, ou multa
Ocorre que a Lei nº 14.132, de 31 de março de 2021, no mesmo instante em que criou o delito de
perseguição, por outro lado, revogou expressamente o transcrito art. 65 da LCP, evitando-se, dessa forma,
interpretações conflitantes.
No entanto, note que a antiga contravenção não possui identidade total como presente crime,
porquanto não exigia a reiteração comportamental e, tampouco, a ameaça à integridade física ou psicológica,
a restrição da capacidade de locomoção ou a invasão ou perturbação da esfera de liberdade ou privacidade.
Veja as diferenças entre os tipos penais:
@tabelaviaDizeroDireito
CONTRAVENÇÃO PENAL DE MOLESTAMENTO
(ART. 65 DO DL 3.688/41)
CRIME DE PERSEGUIÇÃO
(ART. 147-A DO CP)
Não exigia nenhuma dessas três condutas.
Bastava molestar alguém ou perturbar-lhe a
tranquilidade.
Exige que o agente tenha:
· ameaçado à integridade física ou psicológica da
vítima;
· restringido à sua capacidade de locomoção; ou
· invadido/perturbado a sua esfera de liberdade ou
privacidade.
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http://www.iceni.com/infix.htm
DIREITO PENAL
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
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Explica o professor Márcio Cavalcante: “Diante disso, percebe-se que não existe uma identidade total
entre os elementos objetivos das infrações penais acima. Nem todo indivíduo que cometeu a contravenção
penal de molestamento praticou a conduta descrita como crime de perseguição. Diante disso, podemos
supor duas situações:
1) o indivíduo está respondendo ou foi condenado por molestamento e, ao se analisar a sua conduta
no caso concreto, percebe-se que ela se adequa à descrição típica do art. 147-A do CP. Nesta primeira
situação, podemos afirmar que não houve abolitio criminis, mas sim continuidade normativo-típica. O
indivíduo continuará respondendo pela contravenção penal do art. 65. O princípio da continuidade normativa
ocorre “quando uma norma penal é revogada, mas a mesma conduta continua sendo crime no tipo penal
revogador, ou seja, a infração penal continua tipificada em outro dispositivo, ainda que topologicamente ou
normativamente diverso do originário.” (Min. Gilson Dipp, em voto proferido no HC 204.416/SP).
2) o indivíduo está respondendo ou foi condenado por molestamento e, ao se analisar a sua conduta
no caso concreto, percebe-se que ela não se adequa à descrição típica do art. 147-A do CP. É o caso, por
exemplo, de uma pessoa que tenha molestado uma única vez a vítima. Como não houve habitualidade, a
conduta não se amolda ao art. 147-A do CP. Nesta segunda hipótese, teremos que concluir que houve abolitio
criminis, acarretando a extinção da punibilidade.
j) Vigência
A Lei nº 14.132/2021 entrou em vigor na data de sua publicação (01/04/2021). Assim, a punição do
art. 147-A do CP não se aplica para fatos ocorridos antes de 01/04/2021, em observância ao princípio a
irretroatividade da lei penal maléfica.
Vale ressaltar, contudo, que, se o agente iniciou os atos de perseguição antes da Lei nº 14.132/2021
e continua a praticá-los depois do novo diploma, responderá pelo crime do art. 147-A do CP.
6.4.1 O Crime De Dano Emocional À Mulher
Inserido pela Lei 14.188/2021
Art. 147-B. Causar dano emocional à mulher que a prejudique e perturbe seu
pleno desenvolvimento ou que vise a degradar ou a controlar suas ações,
comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento,
humilhação, manipulação, isolamento, chantagem, ridicularização, limitação do
direito de ir e vir ou qualquer outro meio que cause prejuízo à sua saúde psicológica
e autodeterminação: (Incluído pela Lei nº 14.188, de 2021)
Pena - reclusão,de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa, se a conduta não
constitui crime mais grave. (Incluído pela Lei nº 14.188, de 2021)
O delito é comum, podendo ser praticado por pessoas de ambos os sexos, tendo como sujeito passivo
a mulher, seja ela adulta, criança, adolescente, transgênero ou idosa. O crime se consumado com o dano
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14188.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14188.htm#art4
http://www.iceni.com/infix.htm
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emocional e não precisa ser praticado de forma habitual, bastando apenas uma conduta (tipo misto
alternativo).
O delito de violência psicológica contra mulher é material, pois exige resultado naturalístico, não
obrigatoriamente precisará de perícia, bastando eventual relatório médico e psicológico, testemunha e
depoimento da vítima.
O crime é de ação penal pública incondicionada, não necessitando de representação da vítima. Sendo
uma infração de menor potencial ofensivo, conforme artigo 61 da Lei nº 9.099/95, porém, estão afastados
todos os benefícios previstos nessa lei. Não sendo possível o acordo de não persecução penal pelo Ministério
Público, porém é possível a prisão em flagrante, devendo ser apurado mediante inquérito policial e não
termo circunstanciado de ocorrência (TCO).
No caso de a conduta criminosa caracterizar delito mais grave, este prevalecerá, por exemplo:
sequestro ou cárcere privado; caso configure crime menos grave, este será absorvido, por exemplo: injúria.
Não confundir a perseguição contra a mulher (artigo 147-A, §1º, II, do CP), que é formal, habitual e de ação
penal pública condicionada, com a violência psicológica (artigo 147-B do CP), que é material, não habitual e
de ação penal pública incondicionada.
6.4.2 Sequestro e cárcere privado (art. 148)
Art. 148 - Privar alguém de sua liberdade, mediante seqüestro ou cárcere
privado: (Vide Lei nº 10.446, de 2002)
Pena - reclusão, de um a três anos.
§ 1º - A pena é de reclusão, de dois a cinco anos:
I – se a vítima é ascendente, descendente, cônjuge ou companheiro do agente ou
maior de 60 (sessenta) anos;
II - se o crime é praticado mediante internação da vítima em casa de saúde ou
hospital;
III - se a privação da liberdade dura mais de quinze dias.
IV – se o crime é praticado contra menor de 18 (dezoito) anos;
V – se o crime é praticado com fins libidinosos.
§ 2º - Se resulta à vítima, em razão de maus-tratos ou da natureza da detenção,
grave sofrimento físico ou moral:
Pena - reclusão, de dois a oito anos.
a) Bem jurídico tutelado: liberdade de locomoção. Prevalece hoje que é bem DISPONÍVEL – ex.: reality show
(BBB, A fazenda).
b) Sujeitos do crime
● Sujeito ativo: crime comum
● Sujeito passivo: crime comum
Pessoa jurídica: como não pode ser encarcerada, não figura como vítima do crime do art.
148 do CP.
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10446.htm#art1i
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Paralíticos, paraplégicos e tetraplégicos: podem ser vítimas de sequestro ou cárcere privado,
mesmo que, para movimentarem-se, necessitem de auxílio de aparelhos ou de terceiros.
c) Tipo objetivo
A ação incriminada consiste na privação (total ou parcial) da liberdade de alguém. Os meios, para
tanto, são o sequestro e o cárcere privado. No entanto, eles não se confundem, porquanto sequestro é
gênero, enquanto cárcere privado é espécie de sequestro.
● Sequestro - há privação da liberdade, mas sem confinamento. Ex.: O sequestrado está em uma
chácara ou em uma ilha e tem liberdade de andar por elas.
● Cárcere privado - há um confinamento, é mais restrito, ficando o sequestrado preso em um cômodo
de uma casa, por exemplo.
Obs.1: O sequestro e o cárcere privado podem ser cometidos mediante detenção (exemplo: levar a
vítima a um cativeiro) ou retenção (exemplo: impedir a saída da vítima de sua residência).
Obs.2: Admite-se a execução do crime por ação (regra geral), ou, excepcionalmente, por omissão,
desde que presente o dever de agir (CP, art. 13, § 2.º), tal como na hipótese em que o pai nota que o filho de
pouca idade está preso em seu quarto, mas dolosamente nada faz para libertá-lo.
d) Tipo subjetivo
● É o dolo, sem qualquer finalidade específica.
● Não se admite a modalidade culposa.
● Sequestro para finalidades específicas pode caracterizar outro crime:
· Ex.: extorsão mediante sequestro (art. 159 do CP), se o agente objetivar receber vantagem
ilícita;
· Ex.: exercício arbitrário das próprias razões (art. 345 do CP), quando a retenção da vítima tem
o objetivo de satisfazer pretensão legítima (o ofendido fica confinado na cozinha do
restaurante até pagar a conta do jantar)
Obs.: sequestro e cárcere privado x constrangimento ilegal: no sequestro ou cárcere privado a
privação da liberdade da vítima prolonga-se no tempo; no constrangimento ilegal a privação da liberdade da
vítima é momentânea, somente para que esta faça ou deixe de fazer alguma coisa. Ex.: vítima compelida a
dar fuga a um criminoso em seu automóvel.
Obs.: não se caracteriza o crime tipificado pelo art. 148 do CP quando a privação da liberdade de
alguém objetiva a fuga, por parte de criminosos, da ação da autoridade pública. Veja:
STF - A retenção do condutor do veículo roubado, com deslocamento a lugar ermo
e posterior liberação, longe fica de configurar o crime de sequestro e cárcere
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privado. Exsurge, ao primeiro exame, fim único, ou seja, evitar a comunicação, pela
vítima, do crime de roubo à polícia, e a perseguição imediata. O tipo do art. 148 do
Código Penal pressupõe a vontade livre e consciente de privar o ofendido da
liberdade de locomoção.
e) Consumação e tentativa
O crime é permanente e material.
Quanto ao tempo de duração do sequestro ou cárcere privado: temos duas correntes:
● 1ª C - Afirma ser irrelevante o tempo de privação, configurando-se o delito a partir do
momento em que a vítima teve subtraído seu direito de locomoção, pouco importando se por
tempo mais ou menos longo
● 2ª C - Exige que o tempo seja juridicamente relevante, sendo a privação momentânea mera
tentativa (ou um constrangimento ilegal- arr. 146 do CP).
Por se tratar de crime permanente, cuja consumação se protrai no tempo, caso surja lei penal mais
gravosa enquanto o agente permanece cometendo o delito, é permitida a sua aplicação (Súmula 711 do STF).
Ademais, é permitida a prisão em flagrante a qualquer tempo enquanto não cessar a permanência.
Tanto no sequestro como no cárcere privado admite-se a tentativa.
f) Qualificadoras
§ 1º - A pena é de reclusão, de dois a cinco anos:
I – se a vítima é ascendente, descendente, cônjuge ou companheiro do agente ou
maior de 60 (sessenta) anos; (Incluído pela Lei nº 11.106, de 2005)
II - se o crime é praticado mediante internação da vítima em casa de saúde ou
hospital;
III - se a privação da liberdade dura mais de quinze dias.
IV – se o crime é praticado contra menor de 18 (dezoito) anos; (Incluído pela Lei nº
11.106, de 2005)
V – se o crime é praticado com fins libidinosos. (Incluído pela Lei nº 11.106, de
2005)
§ 2º - Se resulta à vítima, em razão de maus-tratos ou da natureza da detenção,
grave sofrimento físico ou moral:
Pena - reclusão, de dois a oito anos.
V – Se o crime é praticado com fins libidinosos:
A qualificadora do sequestro para fins libidinosos substituiu o antigo delito sexual de rapto violento,
de modo que não houve abolitio criminis, mas sim continuidade normativo-típica. Todavia, como é mais
gravosa, por ser também ação penal pública incondicionada,enquanto o anterior era de ação penal privada,
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11106.htm#art148%C2%A71v
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11106.htm#art148%C2%A71v
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11106.htm#art148%C2%A71v
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11106.htm#art148%C2%A71v
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11106.htm#art148%C2%A71v
http://www.iceni.com/infix.htm
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caso o crime tenha sido praticado, bem como cessado a permanência da conduta, antes da lei alteradora,
que é de 2005, somente se procederá mediante queixa.
Quanto ao antigo rapto consensual, houve abolitio criminis, já que ocorreu a supressão formal e
material da conduta do âmbito de incidência do direito penal.
Masson ensina que, ao contrário do caput, que prevê um crime material, a figura qualificada contém
um crime formal, de resultado cortado ou de consumação antecipada: consuma-se com a privação da
liberdade, desde que o sujeito deseje praticar atos libidinosos com a vítima, pouco importando se alcança
ou não o fim almejado.
Portanto, se o agente sequestrar a vítima com o intuito de praticar fins libidinosos e envolver-se
sexualmente com a ela, responderá, em concurso material, pelo delito em apreço e pelo respectivo crime
contra a liberdade sexual, tal como o estupro
6.4.3 Redução à condição análoga à de escravo (art. 149)
Redução à condição análoga à de escravo
Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a
trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições
degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em
razão de dívida contraída com o empregador ou preposto:
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa, além da pena correspondente à
violência.
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem:
I – cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o
fim de retê-lo no local de trabalho;
II – mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de documentos
ou objetos pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho.
§ 2o A pena é aumentada de metade, se o crime é cometido:
I – contra criança ou adolescente;
II – por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem.
a) Bem jurídico tutelado
Tutela-se, principalmente, a liberdade individual da vítima. No entanto, como esta é reduzida à
condição análoga à de escravo, tutela-se também a vida, a integridade corporal, a saúde e a dignidade
humana do trabalhador, além da própria organização do trabalho.
Obs.: Tal crime também é denominado de “plágio” pela doutrina, em razão de haver uma
equiparação do ser humano com objeto, vez que há sujeição de uma pessoa à outra.
b) Sujeitos do crime
● Sujeito ativo – crime comum
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● Sujeito passivo – crime comum
O § 2° traz causas de aumento para os casos em que o crime é cometido contra criança ou
adolescente ou por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem
c) Tipo objetivo:
● O núcleo do tipo é "reduzir", que significa sujeitar, submeter, subjugar a vítima a viver como viviam
os escravos.
● Escravo: é elemento normativo do tipo, devendo ser valorado pelo julgador.
● Crime de forma vinculada: pois a lei elenca os modos de execução:
∘ Submissão a trabalhos forçados (a vítima é obrigada a trabalhar mediante violência ou grave
ameaça) ou a jornada exaustiva (a que gera esgotamento físico e psíquico à vítima);
∘ Sujeição a condições degradantes de trabalho (além de o ambiente de trabalho ser indigno,
a vítima não pode voluntariamente interromper o vínculo empregatício);
∘ Restrição, por qualquer meio, da locomoção de alguém em razão de dívida contraída com
empregador
Para configurar o delito do art. 149 do Código Penal (redução a condição análoga à
de escravo) NÃO É imprescindível a restrição à liberdade de locomoção dos
trabalhadores. O delito pode ser praticado por meio de outras condutas como no
caso em que os trabalhadores são sujeitados a condições degradantes, subumanas.
STJ. 3ª Seção. CC 127937-GO, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 28/5/2014 (Info
543).
OBS.: É imprescindível a supressão da vontade da vítima!!! Assim, se é o próprio trabalhador quem busca a
jornada exaustiva, seja para aumentar sua renda, seja para alcançar qualquer outro tipo de vantagem, o fato
é atípico, pois não há redução da vítima, pelo empregador, a condição análoga à de escravo. O tipo exige seja
o ofendido submetido, isto é, colocado por outrem, contra sua vontade, em jornada exaustiva de trabalho.
d) Condutas equiparadas:
● I – Cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no
local de trabalho;
● II – Mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de documentos ou objetos
pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho. – Crime permanente!
e) Tipo subjetivo
É o dolo, representado pela vontade livre e consciente de subjugar a vítima, escravizando-a. Não é
punida a modalidade culposa.
Nas figuras equiparadas previstas no § 1.º, exige-se, além do dolo, um especial fim de agir,
representado pelas expressões “com o fim de retê-lo no local de trabalho” (nos incisos I e II).
f) Consumação e tentativa
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A consumação ocorre no exato instante em que o sujeito ativo reduz a vítima a condição análoga à
de escravo. Trata-se de crime material e permanente
Por se tratar de delito permanente, a consumação de protrai no tempo, admitindo eventual prisão
em flagrante do agente enquanto perdurar a redução. Por outro lado, caracterizando-se como crime
material, a redução a condição análoga à de escravo admite a tentativa.
Obs.: É desnecessária a imposição de maus-tratos, e também não se exige a comprovação do sofrimento
suportado pelo sujeito passivo. Basta o cerceamento da sua liberdade individual.
g) Competência:
Embora o delito esteja previsto no capítulo relativo aos crimes contra a liberdade individual (muito
importante lembrar disso, cai em prova), há o interesse em tutelar a organização do trabalho, o que o coloca
entre os delitos de competência da Justiça Federal, nos termos do art. 109, inciso VI, da Constituição Federal.
Esse é o entendimento do STF e STJ:
Compete à justiça federal processar e julgar o crime de redução à condição análoga
à de escravo (art. 149 do CP). O tipo previsto no art. 149 do CP caracteriza-se como
crime contra a organização do trabalho e, portanto, atrai a competência da justiça
federal (art. 109, VI, da CF/88). STF. Plenário. RE 459510/MT, rel. orig. Min. Cezar
Peluso, red. p/ o acórdão Min. Dias Toffoli, julgado em 26/11/2015 (Info 809)
A Terceira Seção desta Corte já pacificou o entendimento de que compete à Justiça
Federal processar e julgar os autores do delito previsto no art. 149 do Código Penal,
haja vista a violação aos direitos humanos e à organização do trabalho. (...) (STJ. 6ª
Turma. RHC 25.583/MT, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em
09/08/2012)
● Regra: Justiça Federal
● Exceção: Se o crime for cometido contra uma única pessoa, ou então no tocante a poucas pessoas,
e não a um grupo de trabalhadores, a competência, nesse caso, será da Justiça Estadual, por ofender
, unicamente a liberdade individual do ser humano.
6.5 Tráfico de pessoas (art. 149-A)
Tráfico de Pessoas (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016)Art. 149-A. Agenciar, aliciar, recrutar, transportar, transferir, comprar, alojar ou
acolher pessoa, mediante grave ameaça, violência, coação, fraude ou abuso, com a
finalidade de:
I - Remover-lhe órgãos, tecidos ou partes do corpo;
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II - Submetê-la a trabalho em condições análogas à de escravo;
III - submetê-la a qualquer tipo de servidão;
IV - Adoção ilegal; ou
V - Exploração sexual.
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.
§ 1o A pena é aumentada de um terço até a metade se:
I - o crime for cometido por funcionário público no exercício de suas funções ou a
pretexto de exercê-las;
II - o crime for cometido contra criança, adolescente ou pessoa idosa ou com
deficiência;
III - o agente se prevalecer de relações de parentesco, domésticas, de coabitação,
de hospitalidade, de dependência econômica, de autoridade ou de superioridade
hierárquica inerente ao exercício de emprego, cargo ou função; ou
IV - a vítima do tráfico de pessoas for retirada do território nacional.
§ 2o A pena é reduzida de um a dois terços se o agente for primário e não integrar
organização criminosa.
a) Introdução
Artigo introduzido no CP pela Lei 13.344/16, para suprir a falta de legislação pátria nesse sentido,
bem como compromissos assumidos pelo Brasil com as organizações internacionais.
Antes da Lei, apenas se punia o tráfico de pessoas relacionado a finalidades sexuais, com previsão
nos arts. 231 e 231-A, que foram revogados pelo citado diploma normativo, tendo sido inserido o artigo 149-
A nos crimes contra a liberdade individual, agora não mais restrito à exploração sexual.
b) Sujeitos do delito
● Sujeito ativo – crime comum
● Sujeito passivo – crime comum
Cuidado! A depender das circunstâncias do sujeito ativo ou passivo, incidirá a causa de
aumento prevista no §1º!
c) Tipo objetivo
O caput traz uma série de tipos penais, consubstanciando um tipo penal misto alternativo, em que,
havendo a prática de mais de um núcleo no mesmo contexto fático, haverá crime único.
Note, ainda, que alguns verbos acarretam crime permanente, como transportar, alojar etc.
Trata-se de crime de forma vinculada, tendo em vista que o deve ser praticado, necessariamente,
mediante grave ameaça, violência, coação, fraude ou abuso, visando uma das especiais finalidades de agir
elencadas.
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Obs.: Consentimento do ofendido: O Brasil, adotando o entendimento das convenções
internacionais, considerou que o consentimento válido da vítima exclui o crime. No entanto, tal
consentimento tem que ser válido e, à luz dos documentos internacionais, o consentimento só será válido
se:
· Não houver emprego de violência, grave ameaça, fraude.
· Não envolver abuso de autoridade
· Não se tratar de vulnerável
· A vítima não pode buscar contraprestação.
d) Tipo subjetivo: Dolo + Elemento especial subjetivo do tipo.
O tipo penal prevê as seguintes finalidades especiais:
● Remover órgãos, tecidos ou partes do corpo
● Submeter a trabalho em condições análogas à de escravo
● Submeter a qualquer tipo de servidão
● Realizar adoção ilegal
● Realizar exploração sexual
e) Consumação e tentativa
● Trata-se de crime formal - o crime se consuma independentemente de o agente conseguir alcançar
as suas finalidades especiais.
● Trata-se de crime autônomo – se alcançadas as finalidades, é poderá haver concurso material com
outros crimes.
● Admite tentativa
f) Causas de aumento de pena
§ 1o A pena é aumentada de um terço até a metade se:
I - o crime for cometido por funcionário público no exercício de suas funções ou a
pretexto de exercê-las;
II - o crime for cometido contra criança, adolescente ou pessoa idosa ou com
deficiência;
III - o agente se prevalecer de relações de parentesco, domésticas, de coabitação,
de hospitalidade, de dependência econômica, de autoridade ou de superioridade
hierárquica inerente ao exercício de emprego, cargo ou função; ou
IV - a vítima do tráfico de pessoas for retirada do território nacional.
O tráfico internacional, quando a vítima é tirada do território nacional e é levada ao exterior,
configura causa de aumento. Porém, caso o agente traga vítima de outro país, o crime não será majorado;
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g) Considerações finais:
● Investigação: via de regra, Polícia Civil. Exceção: repercussão interestadual ou internacional, hipótese
em que será da Polícia Federal.
● Processo e julgamento: via de regra, Justiça Estadual, salvo em casos de transnacionalidade do
delito, ocasião em que será da Justiça Federal.
● Ação penal pública incondicionada
● Prescrição: Se o crime tiver finalidade sexual e as vítimas forem crianças ou adolescentes, Sanches
sustenta que a prescrição apenas começará a correr após estes atingirem a maioridade, salvo se a
ação já tiver sido proposta, por aplicação do art. 111, V do CP
● NÃO É CRIME HEDIONDO E NEM EQUIPARADO, contudo, se submete à regra de ter cumprido mais
de 2/3 da pena, não podendo ser reincidente específico em crime hediondo ou equiparado, para que
tenha direito ao livramento condicional.
Há implicações importantes da lei para o processo penal como: possibilidade de alienação
antecipada de bens, direitos ou valores, utilização subsidiária dos meios de obtenção de prova da
Lei de Organização Criminosa quando cabível (tais como colaboração premiada, ação controlada,
infiltração de agentes e captação ambiental de comunicações), requisições conferidas ao Delegado
e ao MP (importante: arts. 13-A e 13-B do CPP) dentre outras, motivo pelo qual sugerimos a leitura
completa da lei 13.344/16).
7. DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DO DOMICÍLIO
7.1. Crime de violação de domicílio (Art. 150)
Informações relevantes para além do artigo:
Menor potencial ofensivo, ainda que na forma qualificada (sem incidência de causa de aumento);
“Arma”: não precisa ser de fogo;
A doutrina sustenta que o §2º foi revogado pela lei de abuso de autoridade;
Há norma permissiva no §3º, seguindo também o que já havia sido excepcionado pela Constituição
Federal.
O conceito de “dia” é controverso na doutrina, se seria um intervalo fixo “das 06 às 18h” ou “da
aurora ao crepúsculo, independentemente da hora (critério físico astronômico)” – o STF adotou a segunda
posição.
Obs.: A nova lei de abuso de autoridade prevê que só será considerado este crime caso o agente adentrar
imóvel alheio sem autorização para cumprir mandado de busca e apreensão domiciliar após as 21h ou antes
das 5h da manhã.
O §4º traz uma norma penal explicativa, definindo o que pode ser considerado “casa”. Então não é
só a moradia privada. Fiquem atentos!
* Qualquer compartimento habitado;
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DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
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* Aposento ocupado de habitação coletiva (ex.: quarto do hotel, caso esteja ocupado);
* Compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou atividade (vide julgado
abaixo).
O §5º também traz uma norma penal explicativa, dizendo, no entanto, o que NÃO pode ser
considerado casa.
Tipo penal misto alternativo;
Crime de mera conduta;
“Entrar”: instantâneo; “permanecer”: permanente;
Ação penal pública incondicionada.
#VAICAIR: STJ(Info 549): Configura o crime de violação de domicílio (art. 150 do
CP) o ingresso e a permanência, sem autorização, em gabinete de Delegado de
Polícia, embora faça parte de um prédio ou de uma repartição públicos. No caso
concreto, dezenas de manifestantes foram até a Delegacia de Polícia Federal cobrar
agilidade na conclusão de um inquérito policial. Como não foram recebidos,
decidiram invadir o gabinete do Delegado. (Via Dizer o direito) – compartimento
não aberto ao público.
Importantíssimo julgado do STF divulgado em seu Inf. 806:
“A entrada forçada em domicílio sem mandado judicial só é lícita, mesmo em
período noturno, quando amparada em fundadas razões, devidamente justificadas
“a posteriori”, que indiquem que dentro da casa ocorre situação de flagrante delito,
sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade,
e de nulidade dos atos praticados”.
8. DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DE CORRESPONDÊNCIA
Violação de correspondência (art. 151, CP)
Segundo a doutrina majoritária, o caput e o §1º foram tacitamente revogados pelo art. 40 da Lei
6.538/78, que trata das infrações contra o serviço postal e contra o serviço de telegrama.
A correspondência deve estar FECHADA para configurar;
Qualquer pessoa pode ser sujeito ativo, mas caso seja o funcionário público, haverá crime de abuso
de autoridade (lembrando que o STF já decidiu que “A administração penitenciaria, com fundamento em
razoes de segurança pública, de disciplina prisional ou de preservação da ordem jurídica, pode, sempre
excepcionalmente, e desde que respeitada a norma inscrita no art. 41, parágrafo único, da Lei n. 7.210/84,
proceder a interceptação da correspondência remetida pelos sentenciados, eis que a cláusula tutelar da
inviolabilidade do sigilo epistolar não pode constituir instrumento de salvaguarda de práticas ilícitas”;
Sujeito passivo: dupla subjetividade passiva – destinatário e remetente;
Não se aplica em situações de existência de poder familiar (ex.: pai abre correspondência de filho
que está sob sua responsabilidade), nem em relação entre cônjuges ou companheiros.
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DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
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Crime material, que se consuma quando o agente toma conhecimento do conteúdo da
correspondência. Caso o sujeito seja impedido de tomar o conhecimento do conteúdo, por circunstâncias
alheias a sua vontade, haverá tentativa.
Não é crime de dano, mas caso haja, haverá aumento de pena.
Ação penal: Das partes regidas pelo CP, em regra, somente se procede mediante representação,
salvo nos casos do § 1º, IV, e do § 3º, que se dá quando o sujeito pratica o crime abusando do serviço
telegráfico, telefônico etc, situações em que será pública incondicionada. Já os da Lei 6.538/78, são de ação
penal pública incondicionada.
Art. 152: Leitura do Código.
9. CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DOS SEGREDOS
Código na mão, galera!
Art. 153 - Divulgação de segredo
Divulgação de segredo
Art. 153 - Divulgar alguém, sem justa causa, conteúdo de documento particular ou
de correspondência confidencial, de que é destinatário ou detentor, e cuja
divulgação possa produzir dano a outrem:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa, de trezentos mil réis a dois contos
de réis. (Vide Lei nº 7.209, de 1984)
§ 1º Somente se procede mediante representação.
§ 1o-A. Divulgar, sem justa causa, informações sigilosas ou reservadas, assim
definidas em lei, contidas ou não nos sistemas de informações ou banco de dados
da Administração Pública:
Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
§ 2o Quando resultar prejuízo para a Administração Pública, a ação penal será
incondicionada.
O objeto material do crime são documentos escritos, correspondências, etc. Assim, caso o crime
tenha sido cometido verbalmente, o crime não será este, mas poderá ser outro, como crimes contra a honra,
quando cabível, por exemplo.
Ademais, é crime de perigo concreto (exige comprovação da possibilidade de dano), porém, formal
(a ocorrência efetiva do dano é dispensável).
Crime próprio (“destinatário ou detentor”).
Art. 154: Violação do segredo profissional
Violação do segredo profissional
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htm#art2.
http://www.iceni.com/infix.htm
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DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
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Art. 154 - Revelar alguém, sem justa causa, segredo, de que tem ciência em razão
de função, ministério, ofício ou profissão, e cuja revelação possa produzir dano a
outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa de um conto a dez contos de
réis. (Vide Lei nº 7.209, de 1984)
Parágrafo único - Somente se procede mediante representação.
O tipo exige que seja sem justa causa. Caso seja com justa causa, é atípico. Caso o ofendido permita
a divulgação, também não haverá crime.
Crime próprio;
E o médico, que tem obrigação de comunicar à autoridade a existência de moléstia grave que ele
tenha tomado conhecimento no exercício da profissão, também sob pena de crime, não se enquadra aqui?
Não, vez que há determinação pela própria lei penal. Com base na teoria da tipicidade conglobante, o fato
será atípico em razão de não haver antinormatividade, já que a conduta é ordenada pelo direito.
Art. 154-A: Invasão de dispositivo informático – introduzido no CP pela Lei 12.737/12, denominada
Lei Carolina Dieckmann.
Art. 154-A. Invadir dispositivo informático de uso alheio, conectado ou não à rede
de computadores, com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações
sem autorização expressa ou tácita do usuário do dispositivo ou de instalar
vulnerabilidades para obter vantagem ilícita:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
§ 1o Na mesma pena incorre quem produz, oferece, distribui, vende ou difunde
dispositivo ou programa de computador com o intuito de permitir a prática da
conduta definida no caput.
§ 2o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços) se da invasão resulta
prejuízo econômico.
§ 3o Se da invasão resultar a obtenção de conteúdo de comunicações eletrônicas
privadas, segredos comerciais ou industriais, informações sigilosas, assim definidas
em lei, ou o controle remoto não autorizado do dispositivo invadido:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
§ 4o Na hipótese do § 3o, aumenta-se a pena de um a dois terços se houver
divulgação, comercialização ou transmissão a terceiro, a qualquer título, dos dados
ou informações obtidos.
§ 5o Aumenta-se a pena de um terço à metade se o crime for praticado contra:
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htm#art2.
http://www.iceni.com/infix.htm
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DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
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I - Presidente da República, governadores e prefeitos;
II - Presidente do Supremo Tribunal Federal;
III - Presidente da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Assembleia
Legislativa de Estado, da Câmara Legislativa do Distrito Federal ou de Câmara
Municipal; ou
IV - dirigente máximo da administração direta e indireta federal, estadual,
municipal ou do Distrito Federal.
Ação penal (Incluído pela Lei nº 12.737, de 2012) Vigência
Art. 154-B. Nos crimes definidos no art. 154-A, somente se procede mediante
representação, salvo se o crime é cometido contra a administração pública direta
ou indireta de qualquer dos Poderes da União, Estados, Distrito Federal ou
Municípios ou contra empresas concessionárias de serviços públicos
Observações relevantes:
Se não há mecanismo de segurança, ou mesmo se não há violaçãoao mecanismo de
segurança, o fato será atípico;
Sujeito ativo: crime comum. Sujeito passivo: titular ou quem efetivamente utiliza o dispositivo;
“Dispositivo informativo: Equipamento físico (hardware) que pode ser utilizado para rodar
programas (softwares) ou ainda para ser conectado a outros equipamentos informáticos, como IPod, iPhone,
iPad, smartphones, HD externo etc, bastando que seja dispositivo informático, conectado ou não à rede de
computadores;
Exige especial fim de agir;
Crime formal, que se consuma com a invasão;
Invasão de dispositivo informático x furto mediante fraude: se o agente se utiliza da invasão do
dispositivo alheio, ainda que instalando malwares, para que ele possa, por exemplo, obter senhas para
subtrair valores (ex.: dinheiro, ainda que virtual) da vítima, a conduta se amoldará mais especificamente em
furto mediante fraude, havendo consunção do crime de invasão de dispositivo informático.
O §2º do 154-A só será aplicado quando esse prejuízo econômico não for causado por subtração do
agente – ex.: dispositivo danificado em razão da invasão.
Implicações:
∘ Tenta invadir, mas não consegue (ainda que a intenção seja subtrair): tentativa de invasão.
∘ Invade, com intenção de instalar malwares para subtrair, mas não inicia a subtração: invasão
consumada.
∘ Invade, instala, inicia o procedimento da subtração, mas não consegue por circunstâncias
alheias à sua vontade: tentativa de furto mediante fraude.
∘ Invade e subtrai: furto mediante fraude consumado.
DELEGACIAS ESPECIALIZADAS EM CRIMES VIRTUAIS: Importante saber que o Art. 4º da supracitada
lei, definiu que os órgãos da polícia judiciária estruturarão, nos termos de regulamento, setores e equipes
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12737.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12737.htm#art4
http://www.iceni.com/infix.htm
DIREITO PENAL
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
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especializadas no combate à ação delituosa em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou
sistema informatizado.
Ação Penal: Regra geral: ação penal pública condicionada à representação.
Exceções: ação pública incondicionada se for cometido contra a administração pública direta ou
indireta de qualquer dos Poderes da União, Estados, Distrito Federal ou Municípios ou contra empresas
concessionárias de serviços públicos.
Aproveitando o gancho... Vale a leitura do art. 184 do Código Penal, que trata do crime de violação
de direito autoral!
Art. 184 – Violação de Direito Autoral
Art. 184. Violar direitos de autor e os que lhe são conexos:
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.
§ 1o Se a violação consistir em reprodução total ou parcial, com intuito de lucro
direto ou indireto, por qualquer meio ou processo, de obra intelectual,
interpretação, execução ou fonograma, sem autorização expressa do autor, do
artista intérprete ou executante, do produtor, conforme o caso, ou de quem os
represente:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
§ 2o Na mesma pena do § 1o incorre quem, com o intuito de lucro direto ou
indireto, distribui, vende, expõe à venda, aluga, introduz no País, adquire, oculta,
tem em depósito, original ou cópia de obra intelectual ou fonograma reproduzido
com violação do direito de autor, do direito de artista intérprete ou executante ou
do direito do produtor de fonograma, ou, ainda, aluga original ou cópia de obra
intelectual ou fonograma, sem a expressa autorização dos titulares dos direitos ou
de quem os represente.
§ 3o Se a violação consistir no oferecimento ao público, mediante cabo, fibra ótica,
satélite, ondas ou qualquer outro sistema que permita ao usuário realizar a seleção
da obra ou produção para recebê-la em um tempo e lugar previamente
determinados por quem formula a demanda, com intuito de lucro, direto ou
indireto, sem autorização expressa, conforme o caso, do autor, do artista intérprete
ou executante, do produtor de fonograma, ou de quem os represente:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
§ 4o O disposto nos §§ 1o, 2o e 3o não se aplica quando se tratar de exceção ou
limitação ao direito de autor ou os que lhe são conexos, em conformidade com o
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previsto na Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, nem a cópia de obra intelectual
ou fonograma, em um só exemplar, para uso privado do copista, sem intuito de
lucro direto ou indireto
Súmula 502-STJ: Presentes a materialidade e a autoria, afigura-se típica, em relação
ao crime previsto no artigo 184, parágrafo 2º, do Código Penal, a conduta de expor
à venda CDs e DVDs piratas.
Súmula 574-STJ: Para a configuração do delito de violação de direito autoral e a
comprovação de sua materialidade, é suficiente a perícia realizada por amostragem
do produto apreendido, nos aspectos externos do material, e é desnecessária a
identificação dos titulares dos direitos autorais violados ou daqueles que os
representem.
Artigos relacionados para leitura: Código Penal: Art. 121 ao 154-B.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
- Direito Penal – Parte Especial – Volume 2 – 12ª edição – Cleber Masson;
- Direito Penal Parte Especial – Alexandre Salim e Marcelo André de Azevedo
- Manual de Direito Penal – Parte especial – 11ª edição – Rogério Sanches Cunha.
- Site Dizer o Direito – www.dizerodireito.com.br
- Inovações no Código Penal: O Sinal Vermelho e o Crime De Violência Psicológica – Richardson Silva e
Mariana Farias Silva - http://www.elciopinheirodecastro.com.br/site/artigos/inovacoes-no-codigo-penal-o-
sinal-vermelho-e-o-crime-de-violencia-psicologica/
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http://www.dizerodireito.com.br/
http://www.elciopinheirodecastro.com.br/site/artigos/inovacoes-no-codigo-penal-o-sinal-vermelho-e-o-crime-de-violencia-psicologica/
http://www.elciopinheirodecastro.com.br/site/artigos/inovacoes-no-codigo-penal-o-sinal-vermelho-e-o-crime-de-violencia-psicologica/
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QUESTÕES PROPOSTAS
Questões Comentadas
1 - 2023 - IDECAN - SSP-SE - IDECAN - 2023 - SSP-SE - Papiloscopista
Paulo auxiliou Maria a praticar o aborto no final da gestação, sendo que, por circunstâncias alheias à vontade
deles, a gravidez resultou em nascimento com vida. Maria, então, sob influência do estado puerperal, acabou
matando a própria filha, logo após o parto. Nesse caso, é possível afirmar que
A-Paulo não responderá pelo crime de infanticídio.
B-Paulo cometeu crime de feminicídio, na condição de partícipe.
C-Maria e Paulo são coautores do crime de aborto, estando sujeitos à mesma pena, bem como Maria
responderá ainda pelo crime de infanticídio.
D-Maria e Paulo agiram em concurso de pessoas no crime de infanticídio.
E-Paulo não responderá penalmente, já que a tentativa de aborto foi absorvida pelo crime de infanticídio.
2 - 2023 - VUNESP - PC-SP - VUNESP - 2023 - PC-SP - Escrivão
Dentro da temática relacionada à Criminologia “Queer”, é correto afirmar que, em 21 de agosto de 2023, o
Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu que atos ofensivos praticados contra pessoas da
comunidade LGBTQIAPN+ podem ser enquadrados como
A-crime de calúnia.
B-ilícito administrativo previsto no Estatuto da Igualdade LGBTQIAPN+.
C-contravenção penal de importunação ofensiva ao pudor.
D-fato atípico.
E-crime de injúria racial.
3 - 2023 - VUNESP - PC-SP - VUNESP - 2023 - PC-SP - Escrivão
A respeito do crime de perseguição, previsto no art. 147-A, do Código Penal, é correto dizer que
A-é de ação pública incondicionada.
B-somente admite vítima mulher.
C-se praticado por intermédio da internet, enseja causade aumento.
D-se praticado mediante concurso de agentes, enseja causa de aumento.
E-somente se caracteriza mediante o emprego de ameaça à integridade física ou psicológica da vítima
mulher.
4 - 2023 - VUNESP - PC-SP - VUNESP - 2023 - PC-SP - Escrivão
Tício e Caio estavam em um bar, bebendo e conversando. Após várias cervejas, Caio começou a provocar
Tício, chamando-o de corno, pois afirmava já ter se relacionado com a namorada dele, inclusive ao mesmo
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tempo em que namoravam. Sentindo-se muito ofendido, Tício levantou-se da mesa e pediu para Caio parar.
Caio, rindo muito, prosseguiu com as ofensas, afirmando ainda ter se relacionado também com a mãe de
Tício, a quem chamou de coroa gostosa. Ticio, naquele momento, desferiu um soco no rosto de Caio que,
com o impacto, se desequilibrou e bateu a cabeça no chão, vindo a desmaiar. Socorrido no hospital, já
consciente, Caio passa por exames, que descartam gravidade das lesões, havendo apenas corte superficial e
hematomas próprios da pancada. O médico plantonista do hospital, no entanto, ministrou medicação
intravenosa, para dor, ao qual Caio era alérgico e tinha informado no momento da internação, constando da
ficha, o que culminou em sua morte, por choque anafilático.
Diante da situação hipotética, assinale a alternativa correta.
A-Tício praticou o crime de lesão corporal privilegiado, não se podendo a ele imputar o crime de homicídio
culposo, já que decorrente de causa relativamente independente.
B-Tício praticou o crime de lesão corporal seguido de morte, já que, embora sem o dolo de matar,
desencadeou todos os eventos que levaram à sua morte.
C-Tício praticou o crime de homicídio culposo, haja vista que golpeou Caio, desencadeando todos os eventos
que levaram à morte.
D-Tício praticou o crime de homicídio culposo privilegiado, haja vista que golpeou Caio, desencadeando todos
os eventos que levaram à morte.
E-Tício praticou o crime de lesão corporal culposa em detrimento de Caio, não se podendo a ele imputar o
crime de homicídio culposo, já que decorrente de causa independente.
5 - 2023 - VUNESP - PC-SP - VUNESP - 2023 - PC-SP - Escrivão
Caio, após uma briga com a enteada Mévia, de 13 anos, com quem residia, ao não admitir ser contrariado
por uma mulher, desfere contra ela vários golpes de faca, com o intuito de matá-la. A referida agressão
ocorreu em junho de 2022. Mévia foi levada para o hospital, onde passou por cirurgia e permaneceu
internada por três meses. No entanto, faleceu por complicações decorrentes da violência sofrida, em agosto
de 2022, quando já contava com 14 anos.
Considerando o tipo penal do homicídio, com todas as suas modalidades, bem como, que a qualificadora da
idade da vítima, por ser menor de 14 anos, entrou em vigor, no ordenamento jurídico, em julho de 2022
(embora a lei tivesse sido publicada, em maio, mas com vacatio legis de 45 dias), assinale a alternativa
correta.
A-Caio praticou o crime de homicídio, incidindo a qualificadora, pela idade, uma vez que, ao tempo da
consumação, a lei que a introduziu já vigia.
B-Caio praticou o crime de feminicídio, não incidindo a qualificadora pela idade, uma vez que, ao tempo da
consumação do crime, Mévia já contava com 14 anos.
C-Caio praticou o crime de feminicídio, não incidindo a qualificadora pela idade, uma vez que, ao tempo em
que praticado o crime, a lei que a introduziu não vigia.
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D-Caio praticou o crime de homicídio, não incidindo a qualificadora pela idade, uma vez que, ao tempo em
que praticado o crime, a lei que a introduziu não vigia.
E-Caio praticou o crime de feminicídio, incidindo a qualificadora, pela idade, uma vez que, ao tempo da ação,
a lei que a introduziu já existia, embora não estivesse em vigor.
6 - 2023 - VUNESP - PC-SP - VUNESP - 2023 - PC-SP - Investigador de Polícia
A conduta de causar dano emocional à mulher que a prejudique e perturbe seu pleno desenvolvimento,
mediante humilhação e manipulação, causando prejuízo à sua saúde psicológica e autodeterminação,
A-configura crime de perseguição.
B-não configura crime, tendo em vista que não é possível aferir o dano emocional.
C-configura crime de constrangimento ilegal.
D-configura crime de ameaça.
E-configura crime de violência psicológica contra a mulher.
7 - 2023 - VUNESP - PC-SP - VUNESP - 2023 - PC-SP - Investigador de Polícia
Determinado indivíduo provoca aborto em gestante. O consentimento da grávida, maior de idade, é obtido
mediante fraude. Da ação sobrevém a morte da gestante, sem que, contudo, tenha-se verificado intenção
de matar.
O indivíduo cometeu
A-aborto, em concurso com homicídio doloso na modalidade dolo eventual.
B--aborto, em concurso com homicídio culposo.
C-aborto qualificado, em concurso com homicídio culposo.
D-aborto, que será punido com pena duplicada em razão da morte.
E-lesão corporal gravíssima, pelo aborto, em concurso com homicídio culposo.
8 - 2023 - INSTITUTO AOCP - PC-GO - INSTITUTO AOCP - 2023 - PC-GO - Escrivão de Polícia da 3ª Classe
Débora é escrivã de polícia civil na Delegacia de Hidrolândia-GO e precisa colher depoimento de uma vítima
que contraiu sífilis após praticar relações sexuais com outra pessoa positivada. O inquérito se funda na
hipótese de crime por periclitação da vida e da saúde. Sobre esse tema, é correto afirmar que
A-o agente vetor não comete qualquer crime em hipótese, pois as relações sexuais são abonadas pela
justificante do estado de necessidade.
B-se o agente vetor sabia que estava infectado, mas praticou relações sexuais sem o fim de infectar a vítima,
então ele incorrerá no crime de perigo de contágio de moléstia grave.
C-se o agente vetor sabia que estava infectado e praticou relações sexuais com o fim de infectar a vítima,
então ele incorrerá no crime de perigo de contágio venéreo.
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D-se o agente vetor não sabia que estava infectado, ainda assim deverá responder por perigo para a vida ou
saúde de outrem.
E-o crime hipotético do agente vetor é o de maus-tratos, pois ele expôs a perigo a vida ou a saúde de pessoa
sob sua autoridade, guarda ou vigilância.
9 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-PB - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Agente de Investigação
A comenta a vida sexual de B com diversas pessoas, expondo fatos que B entende como reprováveis
socialmente. Entretanto, os fatos são verdadeiros, podendo A, inclusive, prová-los. Nessa situação hipotética,
A
A-não praticou conduta imputável alguma, em razão de os fatos serem verdadeiros.
B-praticou calúnia.
C-praticou difamação.
D-praticou injúria.
E-praticou importunação sexual.
10 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-PB - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Agente de Investigação
B é um adolescente de 13 anos com sérios problemas de autoestima, o que o conduz a um estado de
depressão. A, maior de idade, sabendo das condições de B e interessado na fortuna de que este é
destinatário, instiga-o a se matar, convencendo-o de que o paraíso seria muito melhor para ele do que a
situação atual. B, em razão disso, suicida-se.
Nessa situação hipotética, a conduta de A é considerada
A-homicídio simples.
B-induzimento ao suicídio na forma simples.
C-atípica, haja vista não ter praticado nenhum ato executório.
D-induzimento ao suicídio na forma qualificada.
E-homicídio qualificado.
11 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Escrivão de Polícia - 4ª Classe
Guilherme, 20 anos, criou um sítio na internet por meio do qual propaga técnicas para o cometimento de
suicídio. Diante disso, veio a ser procurado por dois30 anos.
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1.1.1.2 Homicídio x Genocídio
O genocídio é crime contra a humanidade, não se enquadrando nos crimes contra a vida previstos
no Código Penal (tutelam bens jurídicos diversos). Portanto, a competência NÃO será do Tribunal do Júri.
No entanto, se houver crime de genocídio em conexão com homicídio, atrairá a competência do
Tribunal do Júri. (STF - RE: 351487 RR, Relator: Min. CEZAR PELUSO)
1.1.1.3 Homicídio no Trânsito
Na morte envolvendo a prática de racha, os resultados lesivos qualificadores (lesão corporal grave e
morte), previstos nos §§ 1º e 2º do art. 308, CTB, são de natureza culposa, de modo que atrai a incidência do
art. 308 do CTB e não do art. 121 do CP.
Por outro lado, na morte na condução de veículo automotor em estado de embriaguez, é preciso
analisar o ânimo do agente através de uma análise minuciosa do caso concreto.
Para o STJ, a embriaguez do agente condutor do automóvel, por si só, NÃO é suficiente para afirmar o dolo
eventual em acidente de trânsito com resultado morte.
Diferente seria a conclusão se, por exemplo, estivesse o condutor do automóvel dirigindo em
velocidade muito acima do permitido, ou fazendo, propositalmente, zigue-zague na pista, sucessivas
ultrapassagens perigosas, bem como verificadas quaisquer situações que permitissem, ao menos, suscitar a
possível presença de um estado anímico compatível com o de quem anui com o resultado morte, hipótese
em que se trataria de dolo eventual, atraindo a incidência do art. 121 do CP.
O simples fato do condutor do veículo estar embriagado não gera a presunção de
que tenha havido dolo eventual. A embriaguez do agente condutor do automóvel,
por si só, não pode servir de premissa bastante para a afirmação do dolo eventual
em acidente de trânsito com resultado morte. A embriaguez do agente condutor
do automóvel, sem o acréscimo de outras peculiaridades, não pode servir como
presunção de que houve dolo eventual. STJ. 6ª Turma. REsp 1689173-SC, Rel. Min.
Rogério Schietti Cruz, julgado em 21/11/2017 (Info 623).
O STF já entendeu que, se houver outras circunstâncias além da embriaguez, como por exemplo, o
condutor estar dirigindo em alta velocidade e na contramão, é possível sim atrair o dolo eventual, ensejando
a responsabilização pelo art. 121, CP, e não art. 302, CTB.
Verifica-se a existência de dolo eventual no ato de dirigir veículo automotor sob a
influência de álcool, além de fazê-lo na contramão. Esse é, portanto, um caso
específico que evidencia a diferença entre a culpa consciente e o dolo eventual. O
condutor assumiu o risco ou, no mínimo, não se preocupou com o risco de,
eventualmente, causar lesões ou mesmo a morte de outrem. STF. 1ª Turma. HC
124687/MS, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em
29/5/2018 (Info 904).
Veja a jurisprudência pertinente sobre o tema:
51944
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http://www.iceni.com/infix.htm
DIREITO PENAL
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
12
Juiz da 1ª fase do Júri deve examinar se o agente que conduzia o veículo
embriagado praticou homicídio doloso ou culposo. Na primeira fase do Tribunal
do Júri, ao juiz togado cabe apreciar a existência de dolo eventual ou culpa
consciente do condutor do veículo que, após a ingestão de bebida alcoólica,
ocasiona acidente de trânsito com resultado morte. STJ. 6ª Turma. REsp 1689173-
SC, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 21/11/2017 (Info 623).
Atenção!!!
Vale ressaltar que o tema não é pacífico e existem julgados mais recentes em
sentido contrário: Havendo elementos nos autos que, a princípio, podem
configurar o dolo eventual, o julgamento acerca da sua ocorrência ou da culpa
consciente compete ao Tribunal do Júri, sob pena de usurpação de competência
do conselho de sentença. STJ. 5a Turma. AgRg no REsp 1943072/RS, Rel. Min. Joel
Ilan Paciornik, julgado em 05/10/2021.
1.1.2 Homicídio Privilegiado
Art. 121, §1°. Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor
social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta
provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.
● Natureza jurídica: causa de diminuição da pena.
O homicídio privilegiado é crime hediondo? NÃO, por falta de previsão legal. O Brasil adota o critério legal
para definir o crime hediondo, ou seja, é aquele que a lei diz ser hediondo. E se o crime for privilegiado
qualificado também NÃO é hediondo.
● Diminuição da pena: se reconhecido o privilégio pelo veredicto dos jurados, o juiz deve reduzir
a pena de um sexto a um terço.
● Incomunicabilidade do privilégio: o privilégio não se comunica no concurso de pessoas por ser
circunstância de natureza pessoal (art. 30, CP).
● Hipóteses de privilégio:
Todas as hipóteses de privilégio têm natureza subjetiva, pois dizem respeito à pessoa do agente.
Vejamos:
a) Motivo de relevante valor social (interesse da coletividade). Ex.: matar o traidor da pátria.
b) Motivo de relevante valor moral (interesse particular do agente, considerado nobre ou
altruísta);
Ex.: Eutanásia (pressupõe vítima doente, em estado grave e com muito sofrimento, sem nenhuma
previsão de cura pela medicina).
Ex.: Pai que mata o estuprador da filha.
c) Motivo de violenta emoção (dolo de ímpeto)
. Domínio de violenta emoção;
. Injusta provocação da vítima (a provocação justa não atrai a causa de diminuição de pena);
. Reação imediata (o CP não estipulou um prazo temporal máximo).
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http://www.iceni.com/infix.htm
DIREITO PENAL
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
13
☞ Os Tribunais entendem que o privilégio se faz presente enquanto estiver presente
o domínio de violenta emoção. NÃO há tempo definido.
OBS.1: O erro quanto à injustiça da provocação (era justa, achava injusta) não afasta a incidência do
privilégio.
OBS.2: A provocação injusta não precisa ser dirigida apenas ao sujeito ativo do crime de homicídio.
Pode ser dirigida a terceiro ou, até mesmo, animais.
Cuidado para não confundir DOMÍNIO da violenta emoção (causa de diminuição de pena no
homicídio) com INFLUÊNCIA da violenta emoção (atenuante genérica do CP).
Veja:
Art. 165, III, c, do CP prevê atenuante genérica para aquele que praticar o delito sob
a influência de violenta emoção, provocada por ato injusto da vítima.
● Atenuante genérica: basta a influência de uma violenta emoção, dispensando a reação
imediata ao ato injusto.
● Causa de diminuição: tem que agir sob o domínio da violenta emoção, exigindo o
imediatismo na reação ao ato injusto.
Cuidado para não confundir AGRESSÃO injusta e PROVOCAÇÃO injusta.
A agressão injusta corresponde às agressões atuais ou iminentes que autorizam a legítima defesa.
Não se trata, portanto, de uma injusta provocação.
1.1.3 Homicídio Qualificado
§ 2° Se o homicídio é cometido:
I - Mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;
MOTIVO DO CRIME [SUBJETIVA]
II - Por motivo fútil; MOTIVO DO CRIME [SUBJETIVA]
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio
insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum; MEIO DE EXECUÇÃO
[OBJETIVA]
IV - À traição [SUBJETIVA], de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro
recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido; MODO DE
EXECUÇÃO [OBJETIVA]
V - Para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro
crime: CONEXÃO [SUBJETIVA]
Feminicídio (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015) [OBJETIVA - para STF/STJ]
VI - Contra a mulher por razões da condição de sexo feminino: (Revogado pela
Lei nº 14.994, de 2024)
51944
51944jovens, André, 13 anos, e Matheus, 12 anos, para que os
orientasse como praticar uma técnica suicida indolor. Guilherme recomendou, por mensagens de texto, a
utilização de um veneno de extrema letalidade. André e Matheus encontraram-se e juntos ingeriram a
substância. André chegou ao hospital sem vida. Matheus ficou hospitalizado por 30 dias e sobreviveu, porém
ficou acometido por paraplegia permanente.
Com base na dinâmica narrada, Guilherme deverá ser penalmente responsabilizado pelo crime de
A-homicídio em face de André e pelo crime de lesão corporal gravíssima em face de Matheus.
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DIREITO PENAL
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
127
B-homicídio em face de André e pelo crime de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio ou a
automutilação, em face de Matheus.
C-induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio ou a automutilação em face de André e pelo crime de lesão
corporal gravíssima em face de Matheus.
D-induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio ou a automutilação, em face de André e de Matheus em
concurso formal perfeito.
E-induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio ou a automutilação, na modalidade consumada em face de
André e na modalidade tentada em face de Matheus.
em relação a Matheus, devido às graves consequências e à idade das vítimas.
12 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Escrivão de Polícia - 4ª Classe
Ao chegar a seu destino, Fabio, passageiro do táxi conduzido por Fernando, abre de maneira imprudente a
porta do carro para descer, sem olhar para o tráfego de veículos na pista. A porta, ao se abrir, acaba por
atingir a moto de João, que conduzia seu veículo dentro da velocidade permitida para a via. Em razão da
colisão, João sofre fraturas no punho e na perna, ficando incapacitado para as ocupações habituais por 60
dias.
Em relação à responsabilização penal, é correto afirmar que Fabio responderá pelo crime de
A-lesão corporal culposa do Código de Trânsito, prevista no Art. 303 da Lei 9.503/97.
B-corporal grave, prevista no Art. 129 §1º, I do Código Penal, em razão da incapacidade para as ocupações
habituais por mais de 30 dias
C-lesão corporal culposa, prevista no Art. 129 § 6º do Código Penal.
D-tentativa de homicídio, em razão do dolo eventual ao abrir a porta do carro com imprudência.
E-lesão corporal culposa do Código de Trânsito, prevista no Art. 303 da Lei 9.503/97, com a agravante por
ser passageiro do veículo.
13 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Investigador de Polícia
Leonardo, médico lotado em grande hospital particular, passou a ser responsável pela ala de pacientes
infectados com Covid-19. Todavia, em que pese a determinação das autoridades sanitárias, Leonardo não
submetia às instâncias competentes qualquer informação quanto ao número de infectados, bem como do
quadro de tais pacientes, a despeito do número elevado de portadores da doença que foram por ele
atendidos.
Um familiar de um dos pacientes apresentou notícia-crime em sede policial narrando tais fatos. Diante disso,
o delegado determinou a instauração de inquérito policial.
A imputação que melhor se amolda à conduta de Leonardo seria
A-Epidemia (art. 267 do CP).
B-Perigo de contágio de moléstia grave (art. 131 do CP).
C-Prevaricação (art. 319 do CP).
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DIREITO PENAL
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
128
D- Omissão de notificação de doença (art. 269 do CP).
E-Desobediência (art. 330 do CP).
14 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Investigador de Polícia
João e Maria namoravam há 3 meses. Maria afirmava que pretendia casar-se virgem. Todavia, João insistia
de forma recorrente para que Maria tivesse com ele conjunção carnal. Obcecado pela ideia, no dia
30/06/2019, João forçou Maria a entrar em seu carro e dirigiu-se com ela a um sítio de sua propriedade, em
lugar ermo na zona rural do município. Chegando ao local, João disse que Maria só iria embora se aceitasse
ter relação sexual. Três dias depois, a polícia militar chegou ao local, a partir do rastreamento do aparelho
telefônico de Maria, e prendeu João em flagrante.
Diante do exposto, assinale a opção correta.
A-João não praticou crime algum, visto que sua conduta foi interrompida nos atos preparatórios.
B-João praticou o crime de estupro na modalidade tentada, pois o iter criminis foi interrompido por razão
estranha à sua vontade.
C-Tendo em vista que a conduta de João não compreende atos executórios do crime de estupro, deve
responder apenas pelo crime de sequestro e cárcere privado.
D-João praticou o crime de importunação sexual na modalidade tentada, pois o iter criminis foi interrompido
por razão estranha à sua vontade.
E-José praticou o crime de importunação sexual, na modalidade consumada.
Outras Questões Propostas
15 - 2022 - IBFC - PC-BA - IBFC - 2022 - PC-BA - Investigador de Polícia Civil
Haverá crime de lesão corporal de natureza grave, punido com pena de reclusão, de um a cinco anos, se
resultar:
A-aceleração de parto
B-perda ou inutilização do membro, sentido ou função
C-enfermidade incuráve
D-incapacidade permanente para o trabalho
E-deformidade permanente
16 - 2022 - IBFC - PC-BA - IBFC - 2022 - PC-BA - Investigador de Polícia Civil
Assinale a alternativa que indica a presença de uma qualificadora do crime de homicídio.
A-Crime cometido por razão de relevante valor moral
B-Crime praticado durante o repouso noturno
C-Crime praticado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino
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DIREITO PENAL
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
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D-Crime praticado sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima
E-Crime impelido por motivo de relevante valor social
17 - 2022 - VUNESP - PC-SP - VUNESP - 2022 - PC-SP - Investigador de Polícia
Tendo em conta os crimes contra a liberdade individual, constantes do Código Penal, assinale a alternativa
correta.
A-O crime de violência psicológica, previsto no artigo 147-B, do Código Penal, pode ser praticado contra
mulher, criança e adolescente.
B-O crime de constrangimento ilegal, previsto no artigo 146 do Código Penal, é de ação pública condicionada
à representação.
C-No crime de sequestro e cárcere privado, previsto no artigo 148, do Código Penal, a morte da vítima
qualifica o crime.
D-O crime de perseguição, previsto no artigo 147-A, do Código Penal, é de ação pública incondicionada se
cometido contra criança, adolescente ou idoso.
E-É equiparada ao crime de reduzir a condição análoga à de escravo, previsto no art. 149, do Código Penal, a
conduta de cercear o uso de qualquer meio de transporte ao trabalhador, com o fim de retê-lo no ambiente
do trabalho.
18 - 2022 - VUNESP - PC-SP - VUNESP - 2022 - PC-SP - Escrivão de Polícia
Tício, técnico em manutenção de equipamentos, de forma imperita, instalou, em sua própria casa, suporte
de ar-condicionado não compatível com o peso do aparelho que, passados poucos dias da instalação,
desprendeu-se da parede, vindo a atingir seu próprio filho, que brincava no quintal. A criança, atingida na
cabeça, teve traumatismo craniano, com sequela de convulsões periódicas.
Haja vista a situação hipotética, assinale a alternativa correta.
A-Tício praticou o crime de lesão corporal culposa, com causa de aumento em razão de a vítima ser criança,
nos exatos termos do parágrafo 7º, do artigo 129, CP.
B-Tício praticou o crime de lesão corporal, de natureza grave, nos termos do parágrafo 1º, do artigo 129, CP.
C-Ticio praticou o crime de lesão corporal, nos exatos termos do “caput”, do artigo 129, do CP.
D-A Tício, dadas as circunstâncias, é possível a aplicação de perdão judicial, nos exatos termos do parágrafo
8º do artigo 129, CP.
E-Tício praticou o crimede lesão corporal culposa, de natureza grave, nos exatos termos do artigo 129,
parágrafo 6º, do CP
19 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-PB - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Escrivão de Polícia
Em 23 de julho de 2021, Manuel chegou a sua casa embriagado e, sem qualquer motivo, disse à sua
companheira, Maria, que iria socá-la. Ato contínuo, Manuel desferiu um soco na região orbital esquerda do
rosto de Maria, que, imediatamente, chamou a polícia. Manuel foi preso e conduzido à delegacia de polícia.
Nessa situação hipotética, Manuel praticou
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DIREITO PENAL
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
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A-crime de lesão corporal qualificado, que, descrito no art. 129, § 9.º, do CP e para o qual a pena prevista é
a de detenção de três meses a três anos, não exige a representação da vítima, e crime de ameaça, que,
previsto no art. 147 do CP, exige a representação da vítima.
B-crime de lesão corporal qualificado, descrito no art. 129, § 13, do CP e para o qual a pena prevista é a de
reclusão de um a quatro anos, e crime de ameaça, previsto no art. 147 do CP, os quais dispensam a
representação da vítima.
C-crime de lesão corporal qualificado, que, descrito no art. 129, § 13, do CP e para o qual a pena prevista é a
de reclusão de um a quatro anos, dispensa a representação da vítima, e crime de ameaça, que, previsto no
art. 147 do CP, exige a representação da vítima.
D-crime de lesão corporal qualificado, descrito no art. 129, § 9.º, do CP e para o qual a pena prevista é a de
detenção de três meses a três anos, sendo o crime de ameaça absorvido pelo de lesão corporal.
E-crime de lesão corporal qualificado, descrito no art. 129, § 9.º, do CP e para o qual a pena prevista é a de
detenção de três meses a três anos, bem como crime de ameaça, previsto no art. 147 do CP, os quais exigem
a representação da vítima.
20 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-PB Provas: CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Técnico em Perícia - Área
Geral
João, logo após ter sido provocado injustamente por Francisco, sob o domínio de violenta emoção, desferiu
golpes de faca contra o peito de Francisco, que faleceu em razão desse ato. Diante dessa situação hipotética,
é correto afirmar que João
A-responderá por homicídio consumado na modalidade simples.
B-responderá por homicídio privilegiado.
C-responderá por homicídio consumado por motivo fútil.
D-não responderá por crime, uma vez que agiu em legítima defesa.
E-responderá por homicídio consumado por motivo torpe.
Respostas3
3 1: A 2: E 3: D 4: A 5: C 6: E 7: D 8: C 9: C 10: E 11: A 12: C 13: D 14: C 15: A 16: C 17: E 18: D 19: A 20: B
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DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
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Comentários
1 - 2023 - IDECAN - SSP-SE - IDECAN - 2023 - SSP-SE - Papiloscopista
Paulo auxiliou Maria a praticar o aborto no final da gestação, sendo que, por circunstâncias alheias à vontade
deles, a gravidez resultou em nascimento com vida. Maria, então, sob influência do estado puerperal, acabou
matando a própria filha, logo após o parto. Nesse caso, é possível afirmar que
A-Paulo não responderá pelo crime de infanticídio.
B-Paulo cometeu crime de feminicídio, na condição de partícipe.
C-Maria e Paulo são coautores do crime de aborto, estando sujeitos à mesma pena, bem como Maria
responderá ainda pelo crime de infanticídio.
D-Maria e Paulo agiram em concurso de pessoas no crime de infanticídio.
E-Paulo não responderá penalmente, já que a tentativa de aborto foi absorvida pelo crime de infanticídio.
COMENTÁRIOS
Resposta: A
A - Certa - Paulo não responderá pelo crime de infanticídio, apenas pelo aborto tentado na figura de
partícipe, pois não teve dolo em relação ao infanticídio.
B - Errada - Feminicídio não se aplica, pois Paulo não participou dos atos que levaram ao infanticídio e seu
dolo era apenas para o aborto.
C - Errada - Não há coautoria no autoaborto, e Paulo não participou do infanticídio. Responderia apenas
pela tentativa de aborto.
D - Errada - Não houve concurso de pessoas no infanticídio, pois Paulo não tinha dolo em relação a esse
crime.
E - Errada - A tentativa de aborto não é absorvida pelo infanticídio, pois são crimes distintos e Paulo não
participou do infanticídio.
2 - 2023 - VUNESP - PC-SP - VUNESP - 2023 - PC-SP - Escrivão
Dentro da temática relacionada à Criminologia “Queer”, é correto afirmar que, em 21 de agosto de 2023, o
Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu que atos ofensivos praticados contra pessoas da
comunidade LGBTQIAPN+ podem ser enquadrados como
A-crime de calúnia.
B-ilícito administrativo previsto no Estatuto da Igualdade LGBTQIAPN+.
C-contravenção penal de importunação ofensiva ao pudor.
D-fato atípico.
E-crime de injúria racial.
COMENTÁRIOS
Resposta: E
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DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
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A - Errada - O STF não tipificou atos ofensivos contra pessoas LGBTQIAPN+ como crime de calúnia.
B - Errada - Não há previsão de ilícito administrativo no Estatuto da Igualdade LGBTQIAPN+, pois este não
existe formalmente no ordenamento jurídico brasileiro.
C - Errada - Não se trata de contravenção penal de importunação ofensiva ao pudor, mas de uma conduta
mais grave.
D - Errada - O fato não é atípico, pois a homotransfobia foi reconhecida como crime pelo STF, equiparando-
a ao crime de racismo.
E - Certa - A conduta pode ser tipificada como crime de injúria racial, conforme entendimento do STF, que
enquadra atos homotransfóbicos e transfóbicos como expressão de racismo, com base na Lei nº 7.716/1989
(ADO nº 26 e MI nº 4733).
3 - 2023 - VUNESP - PC-SP - VUNESP - 2023 - PC-SP - Escrivão
A respeito do crime de perseguição, previsto no art. 147-A, do Código Penal, é correto dizer que
A-é de ação pública incondicionada.
B-somente admite vítima mulher.
C-se praticado por intermédio da internet, enseja causa de aumento.
D-se praticado mediante concurso de agentes, enseja causa de aumento.
E-somente se caracteriza mediante o emprego de ameaça à integridade física ou psicológica da vítima
mulher.
COMENTÁRIOS
Resposta: D
CP. Art. 147-A. Perseguir alguém, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade física
ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou
perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade. (Incluído pela Lei nº 14.132, de 2021)
Pena – reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.
§ 1º A pena é aumentada de metade se o crime é cometido:
I – contra criança, adolescente ou idoso;
II – contra mulher por razões da condição de sexo feminino, nos termos do § 2º-A do art. 121 deste Código;
III – mediante concurso de 2 (duas) ou mais pessoas ou com o emprego de arma.
§ 2º As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à violência.
§ 3º Somente se procede mediante representação.
A - Errada - O crime de perseguição não é de ação pública incondicionada, pois se procede somente
mediante representação da vítima, conforme § 3º do art. 147-A.
B - Errada - O crime não se restringe apenas à vítima mulher; pode ser praticado contra qualquer pessoa,
independentemente do gênero.
C - Errada - Não há previsão específica de causa de aumento para o crime de perseguição praticado por
intermédio da internet.
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DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
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D - Certa - Se praticado mediante concurso de agentes, o crime de perseguição enseja causa de aumento,
conforme § 1º, III, do art. 147-A.
E - Errada - A perseguição não se caracteriza apenas pelo emprego de ameaça à integridade física ou
psicológica da vítima mulher; pode ocorrer também por restrição da locomoçãoou invasão da esfera de
liberdade ou privacidade, e pode envolver qualquer vítima.
4 - 2023 - VUNESP - PC-SP - VUNESP - 2023 - PC-SP - Escrivão
Tício e Caio estavam em um bar, bebendo e conversando. Após várias cervejas, Caio começou a provocar
Tício, chamando-o de corno, pois afirmava já ter se relacionado com a namorada dele, inclusive ao mesmo
tempo em que namoravam. Sentindo-se muito ofendido, Tício levantou-se da mesa e pediu para Caio parar.
Caio, rindo muito, prosseguiu com as ofensas, afirmando ainda ter se relacionado também com a mãe de
Tício, a quem chamou de coroa gostosa. Ticio, naquele momento, desferiu um soco no rosto de Caio que,
com o impacto, se desequilibrou e bateu a cabeça no chão, vindo a desmaiar. Socorrido no hospital, já
consciente, Caio passa por exames, que descartam gravidade das lesões, havendo apenas corte superficial e
hematomas próprios da pancada. O médico plantonista do hospital, no entanto, ministrou medicação
intravenosa, para dor, ao qual Caio era alérgico e tinha informado no momento da internação, constando da
ficha, o que culminou em sua morte, por choque anafilático.
Diante da situação hipotética, assinale a alternativa correta.
A-Tício praticou o crime de lesão corporal privilegiado, não se podendo a ele imputar o crime de homicídio
culposo, já que decorrente de causa relativamente independente.
B-Tício praticou o crime de lesão corporal seguido de morte, já que, embora sem o dolo de matar,
desencadeou todos os eventos que levaram à sua morte.
C-Tício praticou o crime de homicídio culposo, haja vista que golpeou Caio, desencadeando todos os eventos
que levaram à morte.
D-Tício praticou o crime de homicídio culposo privilegiado, haja vista que golpeou Caio, desencadeando todos
os eventos que levaram à morte.
E-Tício praticou o crime de lesão corporal culposa em detrimento de Caio, não se podendo a ele imputar o
crime de homicídio culposo, já que decorrente de causa independente.
COMENTÁRIOS
Resposta: A
A - Certa - Tício praticou lesão corporal privilegiada, pois agiu sob violenta emoção, e não pode ser
responsabilizado pelo homicídio culposo, que foi resultado de uma causa independente (erro médico).
B - Errada - Tício não responde por lesão corporal seguida de morte, pois a morte decorreu de um erro
médico, que rompeu o nexo causal.
C - Errada - Tício não praticou homicídio culposo, já que a morte foi causada por uma causa independente
(erro médico).
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DIREITO PENAL
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
134
D - Errada - Não há homicídio culposo privilegiado, pois a morte ocorreu por causa independente (erro
médico).
E - Errada - A lesão corporal foi dolosa, não culposa, e Tício não responde pelo homicídio culposo, devido
ao erro médico ser uma causa independente.
5 - 2023 - VUNESP - PC-SP - VUNESP - 2023 - PC-SP - Escrivão
Caio, após uma briga com a enteada Mévia, de 13 anos, com quem residia, ao não admitir ser contrariado
por uma mulher, desfere contra ela vários golpes de faca, com o intuito de matá-la. A referida agressão
ocorreu em junho de 2022. Mévia foi levada para o hospital, onde passou por cirurgia e permaneceu
internada por três meses. No entanto, faleceu por complicações decorrentes da violência sofrida, em agosto
de 2022, quando já contava com 14 anos.
Considerando o tipo penal do homicídio, com todas as suas modalidades, bem como, que a qualificadora da
idade da vítima, por ser menor de 14 anos, entrou em vigor, no ordenamento jurídico, em julho de 2022
(embora a lei tivesse sido publicada, em maio, mas com vacatio legis de 45 dias), assinale a alternativa
correta.
A-Caio praticou o crime de homicídio, incidindo a qualificadora, pela idade, uma vez que, ao tempo da
consumação, a lei que a introduziu já vigia.
B-Caio praticou o crime de feminicídio, não incidindo a qualificadora pela idade, uma vez que, ao tempo da
consumação do crime, Mévia já contava com 14 anos.
C-Caio praticou o crime de feminicídio, não incidindo a qualificadora pela idade, uma vez que, ao tempo em
que praticado o crime, a lei que a introduziu não vigia.
D-Caio praticou o crime de homicídio, não incidindo a qualificadora pela idade, uma vez que, ao tempo em
que praticado o crime, a lei que a introduziu não vigia.
E-Caio praticou o crime de feminicídio, incidindo a qualificadora, pela idade, uma vez que, ao tempo da ação,
a lei que a introduziu já existia, embora não estivesse em vigor.
COMENTÁRIOS
Resposta: C
A - Errada - A qualificadora pela idade não se aplica, pois ao tempo da consumação, Mévia já tinha 14 anos
e a lei estava em vacatio legis durante a prática do crime.
B - Errada - A qualificadora pela idade não incide, e o crime é qualificado como feminicídio, pois a
motivação de Caio foi baseada na discriminação por gênero.
C - Certa - Caio praticou feminicídio, e a qualificadora pela idade não incide, pois a lei não estava em vigor
no momento da prática do crime.
D - Errada - O crime cometido por Caio foi feminicídio, devido ao motivo de gênero, e não simples
homicídio. 51944
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DIREITO PENAL
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
135
E - Errada - A lei que introduz a qualificadora da idade não estava em vigor no momento da prática do
crime, logo a qualificadora não incide, e não se aplica mesmo que já tivesse sido publicada.
6 - 2023 - VUNESP - PC-SP - VUNESP - 2023 - PC-SP - Investigador de Polícia
A conduta de causar dano emocional à mulher que a prejudique e perturbe seu pleno desenvolvimento,
mediante humilhação e manipulação, causando prejuízo à sua saúde psicológica e autodeterminação,
A-configura crime de perseguição.
B-não configura crime, tendo em vista que não é possível aferir o dano emocional.
C-configura crime de constrangimento ilegal.
D-configura crime de ameaça.
E-configura crime de violência psicológica contra a mulher.
COMENTÁRIOS
Resposta: E
Violência psicológica contra a mulher
CP. Art. 147-B. Causar dano emocional à mulher que a prejudique e perturbe seu pleno
desenvolvimento ou que vise a degradar ou a controlar suas ações, comportamentos, crenças e
decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, chantagem,
ridicularização, limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que cause prejuízo à sua saúde
psicológica e autodeterminação:
Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa, se a conduta não constitui crime mais grave.
A - Errada - A conduta descrita não configura crime de perseguição, pois não envolve ações reiteradas de
perseguição ou restrição da liberdade da vítima.
B - Errada - A conduta configura crime, pois a violência psicológica contra a mulher é prevista no art. 147-
B do Código Penal, sendo possível aferir o dano emocional.
C - Errada - Não se trata de constrangimento ilegal, pois a ação está focada em causar dano emocional e
perturbar o desenvolvimento da vítima, enquadrando-se na violência psicológica.
D - Errada - Não se trata de ameaça, pois a conduta envolve manipulação, humilhação e prejuízo à saúde
psicológica, não apenas o emprego de palavras ou gestos para intimidar.
E - Certa - A conduta configura crime de violência psicológica contra a mulher, conforme previsto no art.
147-B do Código Penal, que se refere a causar dano emocional que prejudique o desenvolvimento da
mulher, mediante humilhação e manipulação.
7 - 2023 - VUNESP - PC-SP - VUNESP - 2023 - PC-SP - Investigador de Polícia
Determinado indivíduo provoca aborto em gestante. O consentimento da grávida, maior de idade, é obtido
mediante fraude. Da ação sobrevém a morte da gestante, sem que, contudo, tenha-se verificado intenção
de matar.
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DIREITO PENAL
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
136O indivíduo cometeu
A-aborto, em concurso com homicídio doloso na modalidade dolo eventual.
B--aborto, em concurso com homicídio culposo.
C-aborto qualificado, em concurso com homicídio culposo.
D-aborto, que será punido com pena duplicada em razão da morte.
E-lesão corporal gravíssima, pelo aborto, em concurso com homicídio culposo.
COMENTÁRIOS
Resposta: D
A - Errada - Não há dolo eventual em relação ao homicídio, pois não foi mencionado que o agente assumiu
o risco de matar a gestante.
B - Errada - O crime de homicídio culposo não se aplica em concurso com aborto, pois a morte da gestante
é uma consequência da prática do aborto, sendo considerada uma qualificadora deste crime.
C - Errada - Não há concurso de crimes entre aborto qualificado e homicídio culposo; a morte da gestante
qualifica o próprio crime de aborto.
D - Certa - O indivíduo cometeu o crime de aborto com o consentimento da gestante, obtido mediante
fraude, conforme o art. 126, parágrafo único, do Código Penal. Como houve a morte da gestante, aplica-
se a forma qualificada prevista no art. 127, com duplicação da pena.
E - Errada - O crime cometido não se caracteriza como lesão corporal gravíssima, mas como aborto
qualificado pela morte da gestante.
8 - 2023 - INSTITUTO AOCP - PC-GO - INSTITUTO AOCP - 2023 - PC-GO - Escrivão de Polícia da 3ª Classe
Débora é escrivã de polícia civil na Delegacia de Hidrolândia-GO e precisa colher depoimento de uma vítima
que contraiu sífilis após praticar relações sexuais com outra pessoa positivada. O inquérito se funda na
hipótese de crime por periclitação da vida e da saúde. Sobre esse tema, é correto afirmar que
A-o agente vetor não comete qualquer crime em hipótese, pois as relações sexuais são abonadas pela
justificante do estado de necessidade.
B-se o agente vetor sabia que estava infectado, mas praticou relações sexuais sem o fim de infectar a vítima,
então ele incorrerá no crime de perigo de contágio de moléstia grave.
C-se o agente vetor sabia que estava infectado e praticou relações sexuais com o fim de infectar a vítima,
então ele incorrerá no crime de perigo de contágio venéreo.
D-se o agente vetor não sabia que estava infectado, ainda assim deverá responder por perigo para a vida ou
saúde de outrem.
E-o crime hipotético do agente vetor é o de maus-tratos, pois ele expôs a perigo a vida ou a saúde de pessoa
sob sua autoridade, guarda ou vigilância.
COMENTÁRIOS
Resposta: C
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DIREITO PENAL
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
137
A - Errada - Relações sexuais não se justificam pelo estado de necessidade, e o agente vetor pode cometer
crime ao expor outra pessoa ao risco de contágio.
B - Errada - Caso o agente vetor soubesse que estava infectado e tivesse praticado relações sem o fim
específico de infectar a vítima, ele incorreria no crime de perigo de contágio venéreo e não de moléstia
grave, como sugerido.
C - Certa - Se o agente sabia que estava infectado e praticou relações com a intenção de infectar a vítima,
ele incorre no crime de perigo de contágio venéreo, conforme o art. 130 do Código Penal.
D - Errada - Para o crime de perigo de contágio venéreo, exige-se dolo (intenção), não sendo admitida a
forma culposa, portanto o agente não responde se não sabia que estava infectado.
E - Errada - O crime de maus-tratos exige que a vítima esteja sob autoridade, guarda ou vigilância do
agente, o que não se aplica à situação descrita, que envolve a exposição a uma doença contagiosa.
9 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-PB - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Agente de Investigação
A comenta a vida sexual de B com diversas pessoas, expondo fatos que B entende como reprováveis
socialmente. Entretanto, os fatos são verdadeiros, podendo A, inclusive, prová-los. Nessa situação hipotética,
A
A-não praticou conduta imputável alguma, em razão de os fatos serem verdadeiros.
B-praticou calúnia.
C-praticou difamação.
D-praticou injúria.
E-praticou importunação sexual.
COMENTÁRIOS
Resposta: C
A - Errada - A prática de comentar a vida sexual de outra pessoa, expondo fatos que possam prejudicar a
reputação, é considerada difamação, mesmo sendo verdadeiros.
B - Errada - Calúnia implica na imputação de um fato criminoso falso a alguém, o que não se aplica aqui,
pois não há imputação de crime, mas sim de um fato socialmente reprovável.
C - Certa - A praticou difamação, pois imputou a B um fato ofensivo à sua reputação, mesmo sendo
verdadeiro. A difamação ocorre independentemente da veracidade do fato, conforme o art. 139 do Código
Penal.
D - Errada - Injúria envolve ofensas à dignidade ou decoro de alguém, sem imputar um fato específico, o
que não corresponde à situação, onde há imputação de fatos à reputação de B.
E - Errada - Importunação sexual é uma conduta que visa a satisfação sexual à revelia da vítima, o que não
se aplica à situação descrita.
10 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-PB - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Agente de Investigação
B é um adolescente de 13 anos com sérios problemas de autoestima, o que o conduz a um estado de
depressão. A, maior de idade, sabendo das condições de B e interessado na fortuna de que este é
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DIREITO PENAL
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
138
destinatário, instiga-o a se matar, convencendo-o de que o paraíso seria muito melhor para ele do que a
situação atual. B, em razão disso, suicida-se.
Nessa situação hipotética, a conduta de A é considerada
A-homicídio simples.
B-induzimento ao suicídio na forma simples.
C-atípica, haja vista não ter praticado nenhum ato executório.
D-induzimento ao suicídio na forma qualificada.
E-homicídio qualificado.
COMENTÁRIOS
Resposta: E
A - Errada - A conduta de A não se caracteriza como homicídio simples, uma vez que há uma qualificadora
relacionada ao motivo torpe (interesse na fortuna de B).
B - Errada - O crime de induzimento ao suicídio na forma simples não se aplica, pois B era menor de 14 anos,
o que implica uma responsabilização diferente para A.
C - Errada - A conduta não é atípica, pois A claramente instigou o suicídio de B, que era menor de 14 anos.
D - Errada - Não se aplica a forma qualificada do crime de induzimento ao suicídio, pois, devido à idade de
B (menor de 14 anos), a responsabilidade penal de A é elevada ao crime de homicídio.
E - Certa - A conduta de A é considerada homicídio qualificado, uma vez que ele induziu um menor de 14
anos ao suicídio, e o fez por motivo torpe (o interesse na fortuna de B). Segundo o art. 122, § 7º do Código
Penal, quando o crime é cometido contra menor de 14 anos, o agente responde por homicídio.
11 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Escrivão de Polícia - 4ª Classe
Guilherme, 20 anos, criou um sítio na internet por meio do qual propaga técnicas para o cometimento de
suicídio. Diante disso, veio a ser procurado por dois jovens, André, 13 anos, e Matheus, 12 anos, para que os
orientasse como praticar uma técnica suicida indolor. Guilherme recomendou, por mensagens de texto, a
utilização de um veneno de extrema letalidade. André e Matheus encontraram-se e juntos ingeriram a
substância. André chegou ao hospital sem vida. Matheus ficou hospitalizado por 30 dias e sobreviveu, porém
ficou acometido por paraplegia permanente.
Com base na dinâmica narrada, Guilherme deverá ser penalmente responsabilizado pelo crime de
A-homicídio em face de André e pelo crime de lesão corporal gravíssima em face de Matheus.
B-homicídio em face de André e pelo crime de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio ou a
automutilação, em face de Matheus.
C-induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio ou a automutilação em face de André e pelo crime de lesão
corporal gravíssima em face de Matheus.
D-induzimento, instigação ou auxílio ao suicídioou a automutilação, em face de André e de Matheus em
concurso formal perfeito.
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DIREITO PENAL
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
139
E-induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio ou a automutilação, na modalidade consumada em face de
André e na modalidade tentada em face de Matheus.
em relação a Matheus, devido às graves consequências e à idade das vítimas.
COMENTÁRIOS
Resposta: A
A - Certa - Guilherme deverá ser responsabilizado por homicídio em face de André, que era menor de 14
anos, e lesão corporal gravíssima em face de Matheus, pois a automutilação resultou em paraplegia
permanente. Ambos eram menores de 14 anos, e as consequências foram graves, enquadrando-se nos §§
6º e 7º do art. 122 do Código Penal.
B - Errada - Guilherme deve responder por homicídio em relação a André e lesão corporal gravíssima em
relação a Matheus, não por induzimento ao suicídio na forma simples, dada a idade das vítimas.
C - Errada - André e Matheus eram menores de 14 anos, o que leva Guilherme a responder pelos crimes
de homicídio e lesão corporal gravíssima, conforme art. 122, §§ 6º e 7º, e não pela forma simples de
induzimento ao suicídio.
D - Errada - A responsabilização de Guilherme não é de induzimento ao suicídio em concurso formal
perfeito, pois a lei especifica a responsabilização por homicídio e lesão corporal gravíssima quando as
vítimas são menores de 14 anos.
E - Errada - Não se trata de induzimento ao suicídio consumado e tentado, mas de homicídio em relação a
André e lesão corporal gravíssima
12 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Escrivão de Polícia - 4ª Classe
Ao chegar a seu destino, Fabio, passageiro do táxi conduzido por Fernando, abre de maneira imprudente a
porta do carro para descer, sem olhar para o tráfego de veículos na pista. A porta, ao se abrir, acaba por
atingir a moto de João, que conduzia seu veículo dentro da velocidade permitida para a via. Em razão da
colisão, João sofre fraturas no punho e na perna, ficando incapacitado para as ocupações habituais por 60
dias.
Em relação à responsabilização penal, é correto afirmar que Fabio responderá pelo crime de
A-lesão corporal culposa do Código de Trânsito, prevista no Art. 303 da Lei 9.503/97.
B-corporal grave, prevista no Art. 129 §1º, I do Código Penal, em razão da incapacidade para as ocupações
habituais por mais de 30 dias
C-lesão corporal culposa, prevista no Art. 129 § 6º do Código Penal.
D-tentativa de homicídio, em razão do dolo eventual ao abrir a porta do carro com imprudência.
E-lesão corporal culposa do Código de Trânsito, prevista no Art. 303 da Lei 9.503/97, com a agravante por
ser passageiro do veículo.
COMENTÁRIOS
Resposta: C
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DIREITO PENAL
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
140
A - Errada - O crime do art. 303 do CTB (lesão corporal culposa na direção de veículo automotor) não se
aplica, pois Fábio não estava dirigindo o veículo.
B - Errada - A lesão corporal grave do art. 129, §1º, I do Código Penal não se aplica, pois o crime foi cometido
de forma culposa.
C - Certa - Fábio deverá responder por lesão corporal culposa, conforme o art. 129, §6º, do Código Penal,
uma vez que agiu de maneira imprudente ao abrir a porta do carro, causando lesões em João.
D - Errada - Não houve dolo eventual por parte de Fábio ao abrir a porta do carro, pois não há elementos
que indiquem que ele assumiu o risco de causar a morte de João.
E - Errada - O art. 303 do CTB não se aplica, pois Fábio não estava dirigindo o veículo; ele era passageiro.
13 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Investigador de Polícia
Leonardo, médico lotado em grande hospital particular, passou a ser responsável pela ala de pacientes
infectados com Covid-19. Todavia, em que pese a determinação das autoridades sanitárias, Leonardo não
submetia às instâncias competentes qualquer informação quanto ao número de infectados, bem como do
quadro de tais pacientes, a despeito do número elevado de portadores da doença que foram por ele
atendidos.
Um familiar de um dos pacientes apresentou notícia-crime em sede policial narrando tais fatos. Diante disso,
o delegado determinou a instauração de inquérito policial.
A imputação que melhor se amolda à conduta de Leonardo seria
A-Epidemia (art. 267 do CP).
B-Perigo de contágio de moléstia grave (art. 131 do CP).
C-Prevaricação (art. 319 do CP).
D- Omissão de notificação de doença (art. 269 do CP).
E-Desobediência (art. 330 do CP).
COMENTÁRIOS
Resposta: D
A - Errada - A conduta de Leonardo não se enquadra no crime de epidemia, que pressupõe a prática de
atos capazes de gerar uma disseminação intencional de agentes patogênicos.
B - Errada - Perigo de contágio de moléstia grave refere-se ao ato de expor alguém ao risco de contágio, o
que não é exatamente o caso de Leonardo, que deixou de informar dados às autoridades.
C - Errada - Prevaricação envolve ato funcional motivado por interesse pessoal, enquanto o caso em
questão trata da omissão em notificar doença obrigatória.
D - Certa - Leonardo deverá responder por omissão de notificação de doença, conforme art. 269 do Código
Penal, já que ele deixou de notificar as autoridades competentes sobre o número de infectados e o quadro
dos pacientes.
E - Errada - Não se trata de crime de desobediência, pois não houve uma ordem direta descumprida, mas
sim a omissão de uma obrigação prevista em lei.
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DIREITO PENAL
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
141
14 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Investigador de Polícia
João e Maria namoravam há 3 meses. Maria afirmava que pretendia casar-se virgem. Todavia, João insistia
de forma recorrente para que Maria tivesse com ele conjunção carnal. Obcecado pela ideia, no dia
30/06/2019, João forçou Maria a entrar em seu carro e dirigiu-se com ela a um sítio de sua propriedade, em
lugar ermo na zona rural do município. Chegando ao local, João disse que Maria só iria embora se aceitasse
ter relação sexual. Três dias depois, a polícia militar chegou ao local, a partir do rastreamento do aparelho
telefônico de Maria, e prendeu João em flagrante.
Diante do exposto, assinale a opção correta.
A-João não praticou crime algum, visto que sua conduta foi interrompida nos atos preparatórios.
B-João praticou o crime de estupro na modalidade tentada, pois o iter criminis foi interrompido por razão
estranha à sua vontade.
C-Tendo em vista que a conduta de João não compreende atos executórios do crime de estupro, deve
responder apenas pelo crime de sequestro e cárcere privado.
D-João praticou o crime de importunação sexual na modalidade tentada, pois o iter criminis foi interrompido
por razão estranha à sua vontade.
E-José praticou o crime de importunação sexual, na modalidade consumada.
COMENTÁRIOS
Resposta: C
A - Errada - A conduta de João já ultrapassou os atos preparatórios, caracterizando-se como crime.
B - Errada - João não praticou tentativa de estupro, pois não houve início dos atos executórios relacionados
à conjunção carnal.
C - Certa - João praticou o crime de sequestro e cárcere privado, conforme o art. 148 do Código Penal, na
forma qualificada por fins libidinosos, já que privou Maria de sua liberdade com essa intenção.
D - Errada - Não se trata de tentativa de importunação sexual, mas de sequestro e cárcere privado com
finalidade libidinosa.
E - Errada - João não praticou importunação sexual consumada; ele apenas sequestrou Maria, sem realizar
qualquer ato libidinoso.
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http://www.iceni.com/infix.htmhttps://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2024/Lei/L14994.htm#art9
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2024/Lei/L14994.htm#art9
http://www.iceni.com/infix.htm
DIREITO PENAL
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
14
VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição
Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública,
no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge,
companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição:
VIII – com emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido. (Incluído pela Lei
n. 13.964, de 2019)
IX – contra menor de 14 (quatorze) anos (Incluído pela Lei 14.344/2022) →
NOVIDADE LEI HENRY BOREL.
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
Trata-se de crime hediondo, qualquer que seja a qualificadora (art. 1°, I, da Lei 8.072/1990)
● Inciso I: mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe
O legislador utiliza a técnica da interpretação analógica ao prever “ou por outro motivo torpe”.
A doutrina denomina de homicídio mercenário aquele cometido “mediante paga ou promessa de
recompensa”.
O motivo torpe é aquele de caráter repugnante, geralmente está relacionado ao dinheiro, ganância
(homicídio mercenário), mas não somente, pois há também outras motivações torpes, como o preconceito
(STF, ADO 26 e MI 4733 – há motivo torpe quando o crime é praticado em atos de homofobia e transfobia).
Pergunta-se: O homicídio mercenário se comunica ao mandante? Trata-se de tema divergente na
jurisprudência (atenção às decisões mais recentes).
1ª Posição: Em regra, é incomunicável, por ser uma qualificadora de caráter pessoal. No entanto, é
preciso analisar a motivação do crime. Se o mandante contratou o homicídio por um motivo nobre, não será
possível estender esta qualificadora a ele. Por outro lado, se o motivo pelo qual o mandante quis o crime for
um motivo torpe/repugnante, poderá incidir a qualificadora. É a posição da 5ª Turma do STJ: STJ. 5ª Turma.
REsp 1973397-MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 06/09/2022 (Info 748) e STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp
n. 1.879.682/PR, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 18/8/2020.
Ex.1: homem que contrata pistoleiro para matar o estuprador de sua filha. Neste caso, o executor
responderá por homicídio qualificado (art. 121, § 2º, I) e o mandante por homicídio simples, podendo até
mesmo ser beneficiado com o privilégio do §1º.
Ex.2: O indivíduo contrata alguém para matar seu pai para que possa receber a herança. Nesse caso,
ambos respondem por homicídio qualificado.
2ª Posição: Se comunica. No homicídio mercenário, a qualificadora da paga ou promessa de
recompensa é elementar do tipo qualificado, comunicando-se ao mandante do delito.É a posição da 6ª
Turma do STJ. STJ. 6ª Turma. AgInt no REsp 1681816/GO, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 03/05/2018 e
STJ. 6ª Turma. REsp 1.209.852-PR, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 15/12/2015 (Info 575).
Atenção!!! Em razão da divergência, esse tema não deveria ser cobrado em provas objetivas de concurso.
No entanto, caso seja exigido, é mais seguro adotar a 1ª corrente porque representam os julgados mais
recentes.
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art142
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art142
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art144
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art144
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art144
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DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
15
● Inciso II: motivo fútil
O motivo do homicídio NÃO pode ser ao mesmo tempo torpe e fútil. O motivo torpe é aquele
repugnante (ex.: matou para ficar com a herança; matou por ser um indivíduo homossexual) e fútil é
desproporcional, um motivo bobo, banal (ex.: matou por causa de um chocolate).
De acordo com a doutrina majoritária, a ausência de motivo NÃO caracteriza motivo fútil, sob pena
de configurar analogia in mallan partem.
Pergunta-se: A vingança e o ciúmes são exemplos de motivo torpe ou motivo fútil?
R.: Não necessariamente (Info. 452, STJ). A vingança e o ciúmes NÃO são exemplos de motivo torpe
ou motivo fútil, pois podem qualificar ou não a depender da motivação específica.
Segundo o autor Cleber Masson, a vingança não caracteriza automaticamente a torpeza. Será ou não torpe,
dependendo do motivo que levou o indivíduo a vingar-se de alguém. Exemplos: (1) Não é torpe a conduta do
pai que mata o estuprador de sua filha. Ao contrário, trata-se de relevante valor moral (privilégio), nos
moldes do art. 121, § 1º, do CP; e (2) É torpe o ato de um traficante consistente em matar outro vendedor
de drogas que havia, no passado, dominado o controle do tráfico na favela então gerenciada pelo assassino.
(MASSON, Cleber. Código Penal Comentado. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2014. p. 318).
Atenção! Há decisões em que a vingança vem sendo compreendida pelo STJ como um motivo torpe,
mas, deve-se se atentar ao caso concreto, como apresentado no julgado:
(...) 2. No caso, a prisão preventiva está justificada, pois a decisão que a impôs
delineou o modus operandi empregado na conduta delitiva, revelador da
periculosidade do recorrente, consistente na prática, em tese, de tentativa de
homicídio mediante emprego de arma de fogo, delito qualificado por motivo
torpe, consubstanciado em vingança em razão de a vítima ter realizado denúncias
que levaram à prisão do chefe do tráfico da localidade. Tais circunstâncias
denotam sua periculosidade e a necessidade da segregação como forma de
acautelara ordem pública. (..)» (STJ, RHC 90941/PE, Rel. Min. Antonio Saldanha
Palheiro, Sexta Turma, Dje 04/06/2018).
Veja o entendimento dos Tribunais Superiores sobre o tema:
Hipótese de inexistência de motivo fútil em homicídio decorrente da prática de
"racha". Não incide a qualificadora de motivo fútil (art. 121, § 2°, II, do CP), na
hipótese de homicídio supostamente praticado por agente que disputava "racha",
quando o veículo por ele conduzido — em razão de choque com outro automóvel
também participante do "racha" — tenha atingido o veículo da vítima, terceiro
estranho à disputa automobilística. STJ. 6ª Turma. HC 307617-SP, Rel. Min. Nefi
Cordeiro, Rel. para acórdão Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 19/4/2016 (Info
583).
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DIREITO PENAL
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
16
A qualificadora do motivo fútil é compatível com o homicídio praticado com dolo
eventual. A qualificadora do motivo fútil (art. 121, § 2º, II, do CP) é compatível com
o homicídio praticado com dolo eventual? SIM. O fato de o réu ter assumido o risco
de produzir o resultado morte (dolo eventual), não exclui a possibilidade de o crime
ter sido praticado por motivo fútil, uma vez que o dolo do agente, direto ou
indireto, não se confunde com o motivo que ensejou a conduta. STJ. 5ª Turma. REsp
912.904/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 06/03/2012. STJ. 6ª Turma. REsp
1601276/RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 13/06/2017. OBS.: O
homicídio praticado com dolo eventual NÃO é compatível com a qualificadora
traição, emboscada ou dissimulação.
Homicídio qualificado por motivo fútil e fato que surgiu como uma bobagem, mas
virou uma briga. Se o fato surgiu por conta de uma bobagem, mas depois ocorreu
uma briga e, no contexto desta, houve o homicídio, tal circunstância pode vir a
descaracterizar o motivo fútil. Vale ressaltar, no entanto, que a discussão anterior
entre vítima e autor do homicídio, por si só, não afasta a qualificadora do motivo
fútil. Assim, é preciso verificar a situação no caso concreto. STJ. 5ª Turma.AgRg no
REsp 1113364-PE, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 06/08/2013 (Info 525)
● Inciso III: emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel,
ou de que possa resultar perigo comum
A qualificação é em razão dos MEIOS empregados para a prática do crime:
· Meios insidiosos;
· Meios cruéis;
· Meio que possam acarretar perigo comum.
Meio insidioso: É o meio dissimulado, sub-reptício, no qual a vítima é atingida, sem que tenha
conhecimento prévio do risco que paira sobre si. Mesmo um meio violento pode ser insidioso. Ex.: sujeito
cobre a abertura de um poço para que a vítima, ao caminhar, caia em seu interior.
Meio cruel: É o meio que causa intenso e desnecessário sofrimento à vítima, seja físico ou moral
(psíquico). Ex.: emprego de substâncias cáusticas. O meio cruel tem que ser empregado enquanto a vítima
está viva.
Veneno: a vítima precisa desconhecer que está ingerindo veneno. Caso saiba, pode incidir em outra
qualificadora (ex.: meio cruel), mas não em razão do emprego de veneno de forma insidiosa.
OBS.: A configuração como veneno depende das circunstâncias do caso. Ex.: dar quantidades
exorbitantes de açúcar para um diabético pode configurar emprego de veneno.
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Tortura: Os crimes de homicídio qualificado pela tortura (art. 121, § 3º, III do CP) e de tortura
qualificada pela morte (art. 1º, § 3º da Lei 9.455/97) não se confundem. No segundo, a intenção do agente é
torturar, ocorrendo a morte de forma culposa (crime preterdoloso). Ou seja, a tortura é meio e não fim. No
primeiro, a intenção é matar, sendo a tortura o meio de execução eleito.
OBS.1: Pode haver concurso de crimes entre o homicídio e a tortura quando o agente pratica a
tortura para um dos fins previstos da L. 9455/97 e, depois de concluí-la, mata dolosamente a vítima.
OBS.2: Na tortura-crime (art. 1º, I, “b”, Lei 9455/97), em que o agente, mediante o emprego de
violência ou grave ameaça, causando sofrimento físico ou mental, constrange alguém a praticar um crime
que, no caso, pode ser de homicídio, o coator responde pelo crime de tortura (autoria imediata) e homicídio
(autoria mediata).
Vamos treinar uma discursiva? Aponte as diferenças entre os crimes de homicídio qualificado
mediante tortura e tortura qualificada pela morte.
Quanto ao bem jurídico tutelado, o crime de homicídio qualificado mediante tortura (art. 121, §2º, III, do
Código Penal) inscreve-se entre os delitos contra a vida humana; a tortura qualificada pela morte (Lei nº
9.455/97, art. 1º, §3º, 2ª parte) tutela a integridade corporal e a saúde, e, secundariamente, a vida
humana.
No tocante ao dolo, no crime de homicídio qualificado pela tortura, o agente dirige sua vontade à morte
da vítima, figurando a tortura como seu meio de execução, circunstância qualificadora objetiva; na tortura
qualificada pela morte, o dolo do agente é o de constranger a vítima, mediante violência ou grave ameaça,
não abrangendo o resultado morte. Diversamente da descrição típica do homicídio mediante tortura, em
que basta o dolo, no crime de tortura é exigível a especial finalidade do agente, consistente no fim de obter
prova (tortura-prova), provocar ação ou omissão criminosa da vítima (tortura-crime), atingir objetivo
discriminatório (tortura-racismo) ou como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter
preventivo (tortura prisão ou detentiva).
No homicídio qualificado mediante tortura, o resultado morte é elementar do tipo; na tortura qualificada
pela morte, esta é circunstância qualificadora, devendo necessariamente ser produzida a título de culpa,
sendo o crime preterdoloso.
O homicídio qualificado pela tortura admite a tentativa; a tortura qualificada pela morte, em se tratando
de crime preterdoloso, é incompatível com a forma tentada.
Meio de que possa resultar perigo comum: Perigo comum é a probabilidade de dano a um número
indeterminado de pessoas. Basta a possibilidade de ocorrer o perigo comum. E se efetivamente ocorrer o
perigo comum? Aí o agente vai responder por 2 crimes: pelo homicídio qualificado e pelo crime de perigo
comum em concurso formal.
OBS.: O art. 61, II, “d” do CP prevê o agravamento da pena pelos mesmos meios de execução
(agravante genérica). Nesse caso, a agravante incidirá APENAS se houver PLURALIDADE de qualificadoras.
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Veja a jurisprudência importante sobre o tema:
A qualificadora do meio cruel é compatível com o dolo eventual. Não há
incompatibilidade entre o dolo eventual e o reconhecimento do meio cruel, na
medida em que o dolo do agente, direto ou indireto, não exclui a possibilidade de
a prática delitiva envolver o emprego de meio mais reprovável, como veneno, fogo,
explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel (art. 121, § 2º, III, do CP).
AgRg no REsp 1573829/SC, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em
09/04/2019. STJ. 6ª Turma. REsp 1829601-PR, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em
04/02/2020 (Info 665).
O fato de o agente ter praticado o crime com reiteração de golpes na vítima, ao
menos em princípio e para fins de pronúncia, é circunstância indiciária do “meio
cruel”, previsto no art. 121, § 2º, III, do CP. STJ. 6ª Turma. REsp 1241987-PR, Rel.
Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 6/2/2014 (Info 537).
OBS.: a doutrina crítica, afirmando que a mera reiteração de golpes não é
suficiente para caracterizar o meio cruel, hipótese que só seria reconhecida se
motivada por sadismo do sujeito ativo.
Pergunta-se: É possível haver homicídio qualificado praticado com dolo eventual?
No caso das qualificadoras do MOTIVO fútil e/ou
torpe (art. 121, § 2º, I e II, do CP):
No caso de qualificadoras de MEIO (art. 121, § 2º,
III e IV, do CP):
SIM. Não há dúvidas quanto a isso. Trata-se da
posição do STJ e do STF. O fato de o réu ter assumido
o risco de produzir o resultado morte (dolo
eventual), não exclui a possibilidade de o crime ter
sido praticado por motivo fútil, uma vez que o dolo
do agente, direto ou indireto, não se confunde com
o motivo que ensejou a conduta. STJ. 6ª Turma.
REsp 1601276/RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz,
julgado em 13/06/2017.
DIVERGÊNCIA!
1ª corrente: SIM. O dolo eventual no crime de
homicídio é compatível com as qualificadoras
objetivas previstas no art. 121, § 2º, III e IV, do
Código Penal.
As referidas qualificadoras serão devidas quando
constatado que o autor delas se utilizou
dolosamente como meio ou como modo específico
mais reprovável para agir e alcançar outro
resultado, mesmo sendo previsível e tendo
admitido o resultado morte.
STJ. 5ª Turma. REsp 1836556-PR, Rel. Min. Joel Ilan
Paciornik, julgado em 15/06/2021 (Info 701).
2ª corrente: NÃO. O dolo eventual não se
compatibiliza com a qualificadora do art. 121, § 2º,
IV (traição, emboscada dissimulação). Para que
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https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/6495cf7ca745a9443508b86951b8e33a?categoria=11&subcategoria=103&assunto=258
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incida a qualificadora da surpresa é indispensável
que fique provado que o agente teve a vontade de
surpreender a vítima, impedindo ou dificultando
que ela se defendesse. Ora, no caso do dolo
eventual, o agente não tem essa intenção,
considerando que não quer matar a vítima, mas
apenas assume o risco de produzir esse resultado.
Como o agente não deseja a produção do resultado,
ele não direcionou sua vontade para causar
surpresa à vítima. Logo, não pode responder por
essa circunstância(surpresa). STF. 2ª Turma. HC
111442/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em
28/8/2012 (Info 677).
A qualificadora de natureza objetiva prevista no
inciso III do § 2º do art. 121 do Código Penal não se
compatibiliza com a figura do dolo eventual, pois
enquanto a qualificadora sugere a ideia de
premeditação, em que se exige do agente um
empenho pessoal, por meio da utilização de meio
hábil, como forma de garantia do sucesso da
execução, tem-se que o agente que age movido pelo
dolo eventual não atua de forma direcionada à
obtenção de ofensa ao bem jurídico tutelado,
embora, com a sua conduta, assuma o risco de
produzi-la. STJ. 6ª Turma. EDcl no REsp
1848841/MG, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em
2/2/2021. STJ. 6ª Turma. REsp 1.987.786/SP, Rel.
Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em
9/8/2022.
Vamos fazer um link com parte geral?
Pergunta-se: É possível tentativa em caso de dolo eventual?
R.: Apesar de haver doutrina lecionando não ser possível tentativa no dolo eventual, argumentando
que, nessa espécie, o agente não tem vontade de realizar o resultado (apenas o aceita como possível),
prevalece a tese em sentido contrário. A lei equiparou, em termos de vontade, o dolo eventual ao dolo direto,
sendo possível o conatus nos dois casos. Nesse sentido:
“Se o agente aquiesce no advento do resultado específico do crime, previsto como
possível, é claro que este entra na órbita de sua volição: logo, se, por circunstâncias
fortuitas, tal resultado não ocorre, é inegável que o agente deve responder por
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tentativa. É verdade que, na prática, será difícil identificar-se a tentativa no caso de
dolo eventual, notadamente quando resulta totalmente improfícua (tentativa
branca). Mas, repita-se: a dificuldade de prova não pode influir na conceituação de
tentativa” Manual de Direito Penal (parte geral) Rogério Sanches.
É compatível com a imputação de homicídio tentado o dolo eventual atribuído à
conduta do acusado, hipótese na qual houve a demonstração do consentimento no
resultado por parte do agente. STJ AgRg no HC Nº 678.195 – SC.
● Inciso IV: à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou
torne impossível a defesa do ofendido
Traição: Quebra de confiança (qualificadora de ordem subjetiva que enseja crime próprio).
Emboscada: Surpresa, pressupõe ocultamento do agressor.
Dissimulação: Ocultação da intenção homicida.
OBS.:
(1) Sem o elemento surpresa, sem a atuação sub-reptícia não há qualificadora.
(2) Cuidado para não confundir traição com dissimulação. Na traição, a confiança preexistente é
verdadeira. Na dissimulação o agente faz surgir uma situação da falsa confiança.
(3) Para a doutrina amplamente majoritária, a superioridade de armas, por si só, NÃO qualifica o
crime com base neste inciso.
(4) As circunstâncias relativas ao meio e modo de execução, por serem objetivas, a todos se
comunicam, desde que conheçam a situação de sua incidência.
(5) A dificuldade e impossibilidade de defesa da vítima deve derivar do modo adotado pelo agente,
NÃO de circunstâncias pessoais da vítima. Ex.: paraplégico, criança, idoso.
(6) São incompatíveis com o dolo eventual (Info STF 618 e 677) (há divergência!)
● Inciso V: para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime
Hipótese em que há conexão do homicídio com outros crimes, que pode ser: teleológica (assegurar
a execução de crime futuro) ou consequencial (assegurar a ocultação, impunidade ou vantagem crime
passado).
Para a doutrina, haverá a presença da qualificadora mesmo que o 2° crime não venha a ser praticado
e mesmo ou se cuide de crime impossível, bastando, portanto, a intenção de praticá-lo.
Se o indivíduo praticar o crime para assegurar a execução, ocultação, impunidade ou vantagem de
outra contravenção penal, NÃO incidirá a presente qualificadora.
Pergunta-se: A conexão ocasional qualifica o crime de homicídio?
R.: A conexão ocasional ocorre quando o homicídio é praticado em razão da ocasião, da facilidade.
Essa conexão NÃO qualifica o homicídio por ausência de vínculo finalístico entre as infrações. Ex.: sujeito
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furta uma casa aleatoriamente e, constando que se trata da residência de um desafeto o mata enquanto
estava dormindo (há, nesse caso, concurso de crimes).
Pergunta-se: Para qualificar por uma das conexões aceitas, o crime futuro ou pretérito tem que ser
ou ter sido praticado pelo homicida?
R.: NÃO. O “outro crime” pode ser de autoria do próprio homicida ou de pessoa diversa.
Pergunta-se: A premeditação qualifica o homicídio?
R.: A premeditação, por si só, NÃO qualifica o homicídio. Muitas vezes a premeditação pode ser uma
resistência à prática do crime.
● Inciso VI (feminicídio): contra a mulher por razões de condição do sexo feminino
ATENÇÃO! Com a lei 14.994/2024 o feminicídio foi elevado à categoria de crime autônomo
(art.121-A), deixando de ser uma qualificadora do homicídio. Todos esses detalhes serão explicados mais
adiante no material.
● Inciso VII (homicídio contra integrantes dos órgãos de segurança pública): contra autoridade ou
agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da
Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra
seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição.
A norma visa proteger de forma mais intensa pessoas que estão naturalmente mais expostas a atos
de violência por conta das funções desempenhadas na área da segurança pública.
Nesse sentido, prevalece na doutrina que, para incidir a presente qualificadora, é necessário haver
um nexo funcional. Em outras palavras, não basta que a vítima seja autoridade prevista no inciso, sendo
necessário que o crime tenha ocorrido no exercício de sua função ou em razão dela.
Pergunta-se: Aplica-se em relação aos guardas municipais?
R.: SIM. O legislador não restringiu a incidência às autoridades do caput dos artigos. O mesmo
raciocínio se aplica aos agentes de segurança viária. Embora seja controverso, é o entendimento prevalente.
Pergunta-se: Aplica-se aos aposentados?
R.: NÃO, salvo se o homicídio for praticado em razão do fato vinculado à época que ele ainda era
agente, pois o texto exige que seja no exercício da função ou em decorrência dela. Há divergência, sendo
essa a posição do Sanches, Grecco e Bittencourt.
Pergunta-se: Aplica-se aos filhos adotivos?
R.: NÃO. Entende-se que esta foi uma falha do legislador, que foi expresso ao dizer “parente
consanguíneo”, não abrangendo o parentesco puramente civil, como é o caso da adoção. A CF veda qualquer
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distinção entre filhos biológicos e adotivos, razão pela qual a doutrina sustenta que essa expressão é
inconstitucional, não podendo, no entanto, ser excluída apenas pelo intérprete em malefício do réu.
Pergunta-se: Aplica-se aos parentes por afinidade?
R.: NÃO. Parentes por afinidade são aqueles que a pessoa adquire em decorrência do casamento ou
união estável, como cunhados, sogros, genros, noras. A doutrina entende que também não foram
abrangidos, seguindo a mesma linha de raciocínio dos filhos adotivos.
OBS.: No tocante aos familiares dos servidores, é importante lembrar que se aplica aos companheiros
(hetero e homoafetivos).
● Inciso VIII: com emprego de arma de fogode uso restrito ou proibido (Incluído pela Lei n. 13.964,
de 2019)
Trata-se de inciso que havia sido, inicialmente, vetado pelo Presidente da República, mas que voltou
a produzir efeitos a partir da derrubada do veto. Os conceitos de arma de fogo de uso restrito ou proibido
devem ser extraídos do decreto nº 11.615, de 21 de julho de 2023, in verbis:
Armas e munições de uso restrito
Art. 12. São de uso restrito as armas de fogo e munições especificadas em ato
conjunto do Comando do Exército e da Polícia Federal, incluídas:
I - armas de fogo automáticas, independentemente do tipo ou calibre;
II - armas de pressão por gás comprimido ou por ação de mola, com calibre superior
a seis milímetros, que disparem projéteis de qualquer natureza, exceto as que
lancem esferas de plástico com tinta, como os lançadores de paintball;
III - armas de fogo de porte, cuja munição comum tenha, na saída do cano de prova,
energia superior a trezentas libras-pé ou quatrocentos e sete joules, e suas
munições;
IV - armas de fogo portáteis, longas, de alma raiada, cuja munição comum tenha,
na saída do cano de prova, energia superior a mil e duzentas libras-pé ou mil
seiscentos e vinte joules, e suas munições;
V - armas de fogo portáteis, longas, de alma lisa:
a) de calibre superior a doze; e
b) semiautomáticas de qualquer calibre; e
VI - armas de fogo não portáteis.
Art. 13. É vedada a comercialização de armas de fogo de uso restrito e de suas
munições, ressalvadas as aquisições:
I - por instituições públicas, no interesse da segurança pública ou da defesa
nacional;
II - pelos integrantes das instituições a que se refere o inciso I;
III - pelos atiradores de nível 3, na forma prevista no § 3º do art. 37; e
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IV - pelos caçadores excepcionais, na forma prevista no inciso III do caput do art.
39.
Armas e munições de uso proibido
Art. 14. São de uso proibido:
I - as armas de fogo classificadas como de uso proibido em acordos ou tratados
internacionais dos quais a República Federativa do Brasil seja signatária;
II - os brinquedos, as réplicas e os simulacros de armas de fogo que com estas
possam se confundir, exceto as classificadas como armas de pressão e as réplicas e
os simulacros destinados à instrução, ao adestramento ou à coleção de usuário
autorizado, nas condições estabelecidas pela Polícia Federal;
III - as armas de fogo dissimuladas, com aparência de objetos inofensivos; e
IV - as munições:
a) classificadas como de uso proibido em acordos ou tratados internacionais dos
quais a República Federativa do Brasil seja signatária; ou
b) incendiárias ou químicas.
● Inciso IX: Contra menor de 14 (quatorze) anos (Incluído pela Lei n. 14.344, de 2022) [LEI HENRY
BOREL]
De acordo com a Lei 14.344/2022, o homicídio será qualificado sempre que for praticado contra
pessoa menor de 14 anos, mesmo que não decorra de violência doméstica ou familiar. Essa qualificadora se
deve à vulnerabilidade intensificada da vítima, menos apta a empreender autodefesa de forma eficaz.
Evidentemente, que o sujeito ativo, ao cometer o homicídio, conheça a circunstância etária, ou pelo
menos que esta seja facilmente reconhecível. O erro de tipo sobre a qualificadora afasta o incremento das
margens penais.
Obs:. O §4º já estabelecia uma causa geral de aumento de pena em relação ao menor de 14 anos.
Art. 121, §4°. (...) sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 se o crime
é praticado contra pessoa menor de 14 anos ou maior de 60 anos;
Discussão: Houve derrogação da causa de aumento do art. 121, §4º no que tange ao crime
praticado contra menor de 14 anos em decorrência da qualificadora do inciso IX com o advento da Lei
14.344/22?
Segundo a doutrina, com a qualificadora de homicídio contra menor de 14 anos, a primeira impressão
que pode surgir é a de que teria havido uma revogação tácita do trecho do § 4º., do artigo 121, CP quando
prevê aumento de pena quando a vítima do homicídio doloso é menor de 14 anos. Isso porque agora se
aplicaria a qualificadora e não o aumento. Pretender aplicar concomitantemente o aumento e a qualificadora
configuraria “bis in idem”. Realmente, o intento de aplicar ambos os incrementos penais seria inviável devido
à dupla penação pelo mesmo motivo (idade da vítima). No entanto, é preciso perceber que o legislador não
cometeu um erro ao não revogar expressamente o aumento de pena para casos de vítimas menores de 14
anos.
Poderá, segundo a doutrina, ser levado a termo o seguinte procedimento:
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1)Em usando a acusação a qualificadora do artigo 121, § 2º., IX, CP , não poderá lançar mão da
majorante do artigo 121, § 4º., “in fine”, CP, pois configuraria “bis in idem”. Pensa-se nestes casos em
situações em que a única qualificadora seja a da idade da vítima;
2)Havendo, porém, mais de uma qualificadora e dentre elas a de que a vítima é menor de 14 anos,
deverá o acusador, na busca da pena mais justa e rigorosa, qualificar o crime com a outra figura e utilizar a
condição etária da vítima como causa e de aumento de pena.
Em geral se discute se na existência de mais de uma qualificadora se deve usar as demais como
elemento de aferição da pena – base (circunstâncias judiciais – artigo 59, CP) ou como Agravante Genérica
(artigo 61, CP), prevalecendo o entendimento referente à primeira solução exposta. Mas, neste caso essa
discussão se desvanece porque a condição etária da vítima é expressamente prevista como causa de
aumento e, desde que não seja utilizada para justificar a qualificação do delito, não existirá “bis in idem” na
sua aplicação. Obviamente, não será possível usar também a qualificadora etária seja como agravante seja
como circunstância judicial, pois então haveria “bis in idem” com a majorante.
Vale ressaltar que é uma discussão recente na doutrina, os tribunais superiores ainda não versaram
sobre a temática.
O mesmo diploma legal toma a necessária providência de atualizar a Lei dos Crimes Hediondos (Lei
8.072/90) para incluir em seu artigo 1º., inciso I a classificação como crime hediondo do homicídio de
menores de 14 anos, adicionando no parêntesis que descreve o tipo penal o novo inciso IX do artigo 121,
§ 2º., CP vide artigo 32 da Lei Henry Borel.
Cria ainda a Lei 14.344/22 duas causas especiais de aumento de pena para os casos de Homicídio
Qualificado com o “nomen juris” de “Homicídio Contra Menor de 14 Anos”. Essas causas de aumento de pena
são aplicáveis exclusivamente aos casos tipificados no artigo 121, § 2º., IX, CP (“Homicídio Contra Menor de
14 Anos”), conforme deixa claro o § 2º. – B do artigo 121, CP em seu “caput” (do § 2º.-B). São elas
§ 2º-B. A pena do homicídio contra menor de 14 (quatorze) anos é aumentada de:
I - 1/3 (um terço) até a metade se a vítima é pessoa com deficiência ou com
doença que implique o aumento de sua vulnerabilidade;
II - 2/3 (dois terços) se o autor é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão,
cônjuge, companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por
qualquer outro título tiver autoridade sobre ela.
Atenção! Foi incluída pela lei 14.811/24 mais uma causa de aumento de pena se o crime for praticado em
instituição de educação básica pública ou privada:
III - 2/3 (dois terços) se o crime for praticado em instituição de educação básica
pública ou privada. (Incluído pela Lei nº 14.811, de 2024)
Rogério Sanches justifica o inciso I do § 2º-B com base na maior vulnerabilidade da vítima. Para pessoas com
deficiência, a condição deve ser avaliada segundo o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/15). Em
caso de doenças que aumentam a vulnerabilidade, a avaliação é judicial e não exige que alimitação seja de
longo prazo. Doenças que reduzem a capacidade defensiva da vítima justificam maior proteção penal.
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Contudo, não se aplica a agravante genérica do art. 61, II, "h", para evitar dupla punição ("bis in idem"). O
aumento de pena no inciso II é justificado pela relação de parentesco ou autoridade entre vítima e autor,
utilizando interpretação analógica para incluir figuras como pai, tutor ou diretor de hospital. Algumas
agravantes são afastadas para evitar duplicidade de punição. A majorante se aplica a menores de 14 anos, e
questões como casamento de menores são possíveis pela legislação civil, embora ainda se deva considerar o
crime de "Estupro de Vulnerável" (art. 217-A, CP). A figura do "curador especial", nomeado em conflitos de
interesse, também pode justificar o aumento de pena em homicídios envolvendo menores de 14 anos. Fonte:
Lei Henry Borel (Lei 14.344/22) – Principais aspectos - Meu site jurídico (editorajuspodivm.com.br)
1.1.4 Homicídio Híbrido
É o homicídio simultaneamente privilegiado e qualificado.
Só é possível quando a qualificadora tem natureza objetiva, ou seja, estão ligadas ao meio ou modo
de execução (incisos III e IV, exceto a traição) e não aos motivos ou estado anímico do agente (subjetiva).
Além disso, deve ser analisada a compatibilidade. Ex.: o homicídio não vai ser por motivo torpe e
privilegiado ao mesmo tempo.
Atenção: O homicídio híbrido NÃO é crime hediondo por conta da incompatibilidade lógica entre o privilégio
e a hediondez e por não estar previsto nas Leis de Crime de Hediondo (STJ-HC n. 153.728).
1.1.5 Causas de aumento de pena no homicídio doloso
● LEI HENRY BOREL (Incluído pela Lei 14.344/2022) - foi acrescentado o § 2º-B do art. 121.
● §4º: sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 se o crime é praticado contra
pessoa menor de 14 anos ou maior de 60 anos;
● §6°: a pena é aumentada de 1/3 até a metade se o crime for praticado por milícia
privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de
extermínio;
∘ Grupo de extermínio: São pessoas que se reúnem para atuar na ausência do poder
público, a fim de matar as pessoas consideradas marginais ou perigosas. Consideram-se
“justiceiros” e são reflexo do “direito penal subterrâneo”.
∘ Milícia privada: É um grupo de pessoas que tem a finalidade de devolver a segurança da
população de locais tomados pela criminalidade.
OBS.1: O grupo de extermínio e a milícia privada podem contar, inclusive, com a participação de
militares, fora do exercício da função.
OBS.2: A lei não indica a quantidade de pessoas necessárias para a configuração. Há quem diga que
deve ser considerada a mesma quantidade de associação criminosa, enquanto outra parte sustenta a
quantidade de ORCRIM.
OBS.3: Lembrando que o art. 310, §2º do CPP, com redação dada pelo Pacote Anticrime, VEDA a
concessão da liberdade provisória aos integrantes de milícias.
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Atente-se à jurisprudência sobre a majoração da pena base do homicídio:
A tenra idade da vítima é fundamento idôneo para a majoração da pena-base do
crime de homicídio pela valoração negativa das consequências do crime. STJ. 3ª
Seção. AgRg no REsp 1851435-PA, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em
12/08/2020 (Info 679).
Obs: Com o advento da Lei nº 14.344/2022, foi inserido o inciso IX no § 2º do art. 121 do CP e o fato de a
vítima ser menor de 14 anos passou a ser uma qualificadora. Com isso, o entendimento jurisprudencial acima
exposto está parcialmente superado. Isso porque se a idade da vítima for utilizada como qualificadora, ela
não poderá ser também empregada como circunstância judicial negativa na 1ª fase da dosimetria da pena.
1.1.6 Homicídio Culposo
O homicídio é o único crime contra a vida que admite a modalidade culposa (por negligência,
imprudência ou imperícia).
Nesse caso, NÃO ingressa na competência do Tribunal do Júri.
É crime de médio potencial ofensivo, admitindo a suspensão condicional do processo (art. 89, Lei
9.099/95).
Atenção: O homicídio culposo na direção de veículo automotor possui tratamento mais severo pelo CTB (art.
302). O STF definiu como critério permissivo do tratamento diferenciado o alto índice de mortes no trânsito
(RE 428.864). Ex.: não cabe suspensão condicional do processo.
CAUSAS DE AUMENTO DA PENA:
a) Inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício;
Não seria a mesma coisa da imperícia? NÃO. Na imperícia falta aptidão técnica, ou seja, o sujeito
não conheceria a regra. Na causa de aumento, o sujeito tem aptidão técnica (conhece a regra), mas não a
observa. Não há bis in idem.
É possível a aplicação da causa de aumento de pena prevista no art. 121, § 4º, do
CP no caso de homicídio culposo cometido por médico e decorrente do
descumprimento de regra técnica no exercício da profissão. Nessa situação, não há
que se falar em bis in idem. STJ. 5ª Turma. HC 181847-MS, Rel. Min. Marco Aurélio
Bellizze, Min. Campos Marques (Desembargador convocado do TJ/PR), julgado em
4/4/2013 (Info 520).
b) Deixar de prestar imediato socorro à vítima;
NÃO se confunde com o crime de omissão de socorro (art. 135, CP):
● No art. 135, CP: o sujeito ativo não possui qualquer responsabilidade pela lesão causada na
vítima.
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http://www.iceni.com/infix.htm
DIREITO PENAL
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
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● Na causa de aumento: o sujeito ativo é o causador da lesão culposa na vítima e se omite
dolosamente quanto ao socorro, culminando no resultado morte daquela.
A causa de aumento de pena NÃO se aplica apenas se for incontestável, explícito, que a vítima estava
morta. Nesse contexto fica configurada hipótese de crime impossível (não havia socorro a ser prestado).
No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 se o agente deixa de prestar
imediato socorro à vítima, não procura diminuir as consequências do seu ato, ou
foge para evitar prisão em flagrante (§ 4º do art. 121 do CP). Se a vítima tiver morte
instantânea, tal circunstância, por si só, é suficiente para afastar a causa de
aumento de pena prevista no § 4º do art. 121? NÃO. No homicídio culposo, a morte
instantânea da vítima não afasta a causa de aumento de pena prevista no art.
121, § 4º, do CP, a não ser que o óbito seja evidente, isto é, perceptível por
qualquer pessoa. STJ. 5ª Turma. HC 269038-RS, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em
2/12/2014 (Info 554).
Pergunta-se: O que ocorre se há socorro por 3º?
R.: Em regra, o socorro prestado por 3° NÃO afasta a causa de aumento de pena, salvo se o 3° prestar
socorro imediato e sua prontidão tornar inútil qualquer socorro por parte do suposto autor.
c) Não procurar diminuir as consequências do seu ato;
Parte da doutrina entende como redundância em relação à anterior.
d) Fugir para evitar prisão em flagrante.
Parte da doutrina sustenta que essa previsão viola o princípio do nemo tenetur se detegere, vez que
obriga o agente a produzir provas contra si mesmo.
Vale destacar que o STF julgou constitucional o art. 305 do CTB que cuida de hipótese semelhante.
1.1.7 Perdão Judicial
Trata-se de causa extintiva de punibilidade. É um instituto pelo qual o juiz, mesmo diante da prática
de um fato típico e ilícito, por parte de um sujeito comprovadamente culpado, deixa de lhe aplicar a pena
nas hipóteses taxativamente previstas em lei, como neste caso, levando em consideração as consequências
do evento para o próprio agente.
Só cabe o perdão judicial no homicídio CULPOSO!
Art. 121, §5°: na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a
pena, se as consequências