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A crise da economia 3 colonial no Brasil Meta da aula Analisar os fatores externos e internos que determinaram a ruptura das bases da eco- nomia colonial agrícola, nos séculos XVIII e XIX, bem como a independência do Brasil. Espera-se que, ao final desta aula, você seja capaz de: Relacionar a crise da economia colonial no Brasil 1 à expansão das atividades produtivas e comerciais na colônia. Identificar as limitações do monopólio comercial 2 imposto pela Associar estas limitações aos movimentos de 3 revoltas internas e de independência na colônia. Reconhecer as transformações políticas, sociais 4 e econômicas por que passava o mundo (como as revoluções Industrial e Francesa). Pré-requisitos Para acompanhar melhor os conceitos trabalha- dos nesta aula, você deve reler o verbete sobre pacto colonial, na Aula 1, bem como as expli- cações sobre a dinâmica colonial brasileira, na Introdução da Aula 2.Formação Econômica do Brasil A crise da economia colonial no Brasil INTRODUÇÃO Na aula passada, você estudou que, no período colonial, as atividades produtivas e comerciais na economia brasileira não se esgotavam na empresa colonial agrícola. A ocupação do Sul, do vale amazônico e movimento de bandeiras foram importantes para O desenvolvimento de atividades econômicas no interior do país, assim como a pecuária e a mineração. As colônias na América foram constituídas no momento de formação dos estados nacionais europeus (absolutistas), em que predominavam as práticas mercantilistas. Naquele período, os grandes mercadores (burgueses) e armado- res associavam-se diretamente ao poder central desses Estados absolutistas. Você viu também que a empresa colonial nasceu exatamente dessa associação, em que os interesses da burguesia mercantil estavam absolutamente relacio- nados aos da Coroa. Juntos, burgueses e monarcas buscavam novas fontes de renda por meio de conquistas coloniais. Conquistados os novos territórios, a classe burguesa mercantil, com apoio da Coroa, garantiu para si monopólio comercial. Formava-se, assim, a base da política mercantilista, bem como um sistema de comércio fundado no pacto colonial (exclusivo comercial), garantindo à metrópole total intermediação nas operações de comércio. Assim, os interesses metropolitanos convergiam estrei- tamente com os da classe exportadora e importadora que atuava na colônia. Como a produção e mercado interno eram bastante reduzidos, O pacto colonial impedia a concorrência e permitia os ganhos extraordinários da classe burguesa e da Nesta aula, vamos analisar as do aumento da produção e do crescimento do mercado interno para essa estrutura de relações comerciais e de poder político e econômico. Além disso, você irá perceber como avanço do capitalismo industrial e das idéias liberais na Europa serviu de anteparo para a configuração da crise do sistema colonial. o SENTIDO DA CRISE A crise da economia colonial agrícola decorreu de dois aspectos complementares, um de caráter interno, e outro, externo. O primeiro foi a expansão dos mercados na colônia, resultado direto do aumento da população e do incremento da produção. Surgiram, em conflitos de interesses entre colonos e metrópole. Até então, os colonos sentiam-se portugueses em terras brasileiras, tendo, em um mercado pouco expressivo, privilégios garantidos pelo monopólio (exclusivo) 48 CEDERJcomercial e suas restrições à concorrência externa. Com o aumento REVOLUÇÃO da produção e crescimento do mercado interno - sobretudo após INDUSTRIAL início do ciclo do ouro -, os interesses particulares da colônia foram "Conjunto das trans- aumentando de maneira significativa. O pacto colonial passou a ser, formações tecnológicas, econômicas e sociais ocor- então, um empecilho à expansão dos negócios e, portanto, ao potencial ridas na Europa e parti- cularmente na Inglaterra de ganhos dos colonos. nos séculos XVIII e XIX e que resultaram na ins- O segundo aspecto, referente ao plano externo, eram os efeitos da talação do sistema fabril REVOLUÇÃO INDUSTRIAL cada vez mais visíveis na Europa. O processo e na difusão do modo de produção capitalista. O de acumulação de capital, naquele contexto, centrava-se fortemente processo foi impulsiona- do, numa primeira fase, na esfera de produção da indústria, com uma rápida incorporação de pelo aperfeiçoamento novas técnicas produtivas que ampliavam largamente seu horizonte de maquinas de fiação e tecelagem e pela invenção de crescimento. O aumento da produtividade na atividade industrial da máquina a vapor, da locomotiva e de numero- era absolutamente fantástico. Para que você tenha uma idéia, segundo sas máquinas ferramen- dados disponíveis na home page da Escola Técnica de Bergen, em tas (...). Da conjunção desses fatores, resultou a Nova Jérsei (Estados Unidos), de 1790 a 1830, mais de cem mil teares indústria capitalista meca- nizada tal como a conhe- movidos a eletricidade foram postos em funcionamento, na Inglaterra cemos. A aceleração do processo produtivo teve e na Escócia. início na Inglaterra, entre Assim, a necessidade de busca e incorporação de novos mercados 1750 e 1830, a partir de inovações tecnológicas pelas unidades industriais em formação tornou-se um traço típico da na atividade têxtil (...). Apesar dessas profundas dinâmica capitalista. transformações econômi- co-sociais, a Revolução Industrial foi um processo contraditório. Ao lado da elevação da produtividade e do desenvolvimento da divisão social do trabalho, manifestava-se a miséria de milhares de trabalha- dores desempregados e de homens, mulheres e crian- ças obrigados a trabalhar até 16 horas por dia, pri- vados de direitos políticos Figura 3.1: Iniciada na e sociais. Essa situação Inglaterra, a Revolução de classe operária levou à Industrial expandiu-se formação dos primeiros pela Europa. Nesta foto, sindicatos, à elaboração você pode ver a fábrica do pensamento socialista construídapeloengenheiro e à irrupção de inúmeros Julius Bruch em 1873 na movimentos, levantes e Alemanha (então Império revoltas de trabalhadores Germânico). Esta fábrica que marcaram toda vida foi uma das maiores européia ao longo do produtoras de vigas de século XIX" aço no país e, em 1994, (SANDRONI, 2004: foi tombada pela Unesco 528/529). como patrimônio cultural da humanidade. CEDERJ 49Formação Econômica do Brasil A crise da economia colonial no Brasil "A Revolução Industrial desenvolveu também uma nova sociedade: a (...) capitalista, baseada na divisão dos indi- víduos em duas classes: os capitalistas, deten- tores dos meios de produção, e os trabalhadores, O Iluminismo repre- homens livres que vendem sua força de trabalho em sentou um movimen- troca de um salário. O capitalismo, consolidado com a to cultural originado Revolução Industrial, gerou muita riqueza e um enor- no me progresso material, mas criou também uma massa sobretudo a partir do século XVII. Do de trabalhadores pobres, no campo e na cidade. Os ponto de vista eco- economistas liberais, defensores da sociedade capi- nômico, seu princi- talista sustentavam a idéia de que Estado não pal foco era a defini- precisa na economia, que deve ser ção de uma política regulada apenas pelo mercado" econômica mais livre (FONSECA; PEDRO, 1995). das restrições típicas do mercantilismo, idéia defendida forte- mente pela burguesia emergente. Um dos nomes importantes É fácil entender, então, que monopólio comercial e produtivo para o desenvolvi- mento desta corrente formalizado no pacto colonial era uma barreira para capital industrial é o de Des- cartes (1596-1650), e para a produção em grande escala. Isto explica grande interesse da matemático francês Inglaterra pelos movimentos de independência das Américas hispânica considerado o pai do racionalismo. Além e portuguesa. Em termos práticos, essas duas barreiras representavam dele, destacam-se os franceses Vol- antagonismo entre os interesses ainda existentes no mercantilismo taire (1694-1770) português e os novos acontecimentos políticos, sociais e econômicos e Montesquieu (1698-1755), além associados à Revolução Industrial. dos ingleses Isaac Newton (1642-1727) Essas transformações também estavam representadas no campo e John Locke (1632- institucional e das idéias pela crescente contestação às instituições 1704), entre outros importantes pensa- absolutistas e avanço do Naquele momento, dores. SAMENTO LIBERAL se rebelou contra as instituições do antigo regime. LIBERALISMO "Doutrina que serviu de substrato ideológico às revoluções antiabsolutistas que ocorreram na Europa (Inglaterra e França, basicamente) ao longo dos séculos XVII e XVIII, e à luta pela independência dos Estados Unidos. Correspondendo aos anseios de poder da burguesia, que consolidava sua força econômica ante uma aristocracia em decadência, amparada no absolutismo liberalismo defendia: 1) a mais ampla liberdade individual; 2) a democracia representativa com separação e independência entre três poderes (executivo, legislativo e judiciário); 3) direito inalienável à propriedade; 4) a livre iniciativa e a concorrência como princípios básicos capazes de harmonizar os interesses individuais e coletivos, e gerar progresso social. Segundo princípio do laissez-faire, não há lugar para a ação econômica do Estado, que deve apenas garantir a livre concorrência entre as empresas e direito à propriedade privada, quando esta for ameaçada por convulsões sociais. O pensamento econômico liberal constitui-se, a partir do século XVIII, no processo da Revolução Industrial, com autores como François Quesnay, estruturando-se como doutrina definitiva nos trabalhos de John Stuart Mill, Adam Smith, David Ricardo, Thomas Malthus, J.B. Say e Bastiat. Eles consideravam que a economia, tal como a natureza física, é regida por leis universais e cabendo ao indivíduo apenas descobri-las para melhor atuar segundo os mecanismos dessa ordem natural" (SANDRONI, 2004, p. 347). 50 CEDERJVale citar, em particular, o novo ideário difundido a partir da Revolução Francesa e os princípios de liberdade e igualdade - considerados, pela como "os abomináveis princípios franceses"! Nesse caso, um elemento-chave foi a contestação do conceito do rei como um enviado divino: a nova visão determinava que seu poder lhe era legado pelos homens e não por Deus, idéia que se disseminou rapidamente na colônia por intermédio dos estudantes brasileiros, filhos de famílias ricas, que iam cursar a universidade na Europa. Quer saber mais sobre o Iluminismo e os principais nomes desta corrente ideológica? Veja os sites http://www.saberhistoria.hpg.ig com.br/nova_pagina_31.htm e http://www.conhecimentosgerais.co m.br/historia-geral/iluminismo.html. Neste mesmo site, você pode ler textos dos pensadores iluministras. Atividade 1 Pacto colonial X capital industrial Leia as definições a seguir: a. "Laissez-faire é uma expressão francesa laissez faire, laissez passer, que significa "deixem fazer, deixem passar", e se refere a uma filosofia econômica que surgiu no século XVIII, que defendia a existência de mercado livre nas trocas comerciais internacionais, ao contrário do forte protecionismo baseado em elevadas tarifas alfandegárias (...). (...) esta teoria (...) teve em Adam Smith um dos seus principais defensores (...). o 'laissez faire' tornou-se o chavão do liberalismo na versão mais pura de capitalismo de que o mercado deve funcionar livremente, sem interferência. Esta filosofia tornou-se dominante nos Estados Unidos e nos países ricos da Europa, durante o fim do século XIX e no início do século XX" (WIKIPEDIA, 2005). b. "A colonização portuguesa do Brasil, como outras colonizações européias na América no mesmo período, tem caráter essencialmente mercantilista: ocupar a terra e produzir riquezas para proporcionar renda ao Estado e lucros à burguesia. Isso é garantido pelo monopólio comercial e pelo pacto colonial, que legitima o direito exclusivo de comprar e vender na colônia por meio de seus comerciantes e de suas companhias." A partir destas definições, responda: De que forma o avanço do capital industrial, 51Formação Econômica do Brasil A crise da economia colonial no Brasil sobretudo inglês, poderia esbarrar no pacto colonial? Resposta Comentada O processo produtivo industrial caracterizava-se por uma grande capacidade de ampliação da oferta de produtos, considerando a recorrente incorporação de progresso técnico na atividade. A necessidade de encontrar mercados para escoar a produção poderia ser inviabilizada pelas restrições do pacto colonial.Atividade 2 Liberdade, liberdade 4 5.00 5,00 5,00 Observe este selo, lançado em comemoração aos 200 anos da Revolução Francesa. Nele, você pode observar a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, promulgada pela Assembléia Nacional em 1789. Aqui seguem alguns trechos deste documento que foi um marco na história das sociedades ocidentais. Em que partes do texto você pode identificar traços ideológicos do liberalismo? - o objetivo de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis do homem; esses direitos são a liberdade, a propriedade, a segurança e a resistência à opressão. III - o princípio de toda a soberania reside essencialmente na razão; nenhum corpo, nenhum indivíduo pode exercer autoridade que dela não emane diretamente. IV - - A liberdade consiste em poder fazer tudo que não prejudique a outrem. Assim, o exercício dos direitos naturais do homem não tem limites senão aqueles que asseguram aos outros membros da sociedade o gozo desses mesmos direitos; seus limites não podem ser determinados senão pela lei. (...) VI - - A lei é a expressão da vontade geral; todos os cidadãos têm o direito de concorrer, pessoalmente ou por seus representantes, à sua formação; ela deve ser a mesma para todos, seja protegendo, seja punindo. Todos os cidadãos, sendo iguais a seus olhos, são igualmente admissíveis a todas as dignidades, lugares e empregos públicos, segundo sua capacidade e sem outras distinções que as de suas virtudes e de seus talentos. (...) VIII - A lei não deve estabelecer senão penas estritamente necessárias, e ninguém pode ser punido senão em virtude de uma lei estabelecida e promulgada ao delito e legalmente aplicada. 53Formação Econômica do Brasil A crise da economia colonial no Brasil (...) XI - A livre comunicação dos pensamentos e opiniões é um dos direitos mais preciosos do homem; todo o cidadão pode, pois, falar, escrever e imprimir livremente; salvo a responsabilidade do abuso dessa liberdade nos casos determinados pela lei. (...) XVII A propriedade, sendo um direito inviolável, e sagrado, ninguém pode ser dela privado senão quando a necessidade pública, legalmente constatada, o exija evidentemente, e sob a condição de uma justa e prévia indenização. Resposta Comentada Os ideais de liberdade permeiam todo texto da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, porém estão mais evidentes em alguns trechos. No item 1, por exemplo, você deve ter selecionado: "esses direitos são a liberdade, a propriedade, a segurança e a resistência à As liberdades individuais e sociais estão contidas nos itens IV, VI e XI. No artigo XVII, a defesa ao direito de propriedade está claramente enunciada em "A propriedade, sendo um direito inviolável, e sagrado (...)". De todo modo, cabe uma observação importante. Apesar do caráter supostamente libertário e igualitário desse processo, o movimento de rebeldia interno à colônia dificilmente (quase nunca, na verdade) associava as revoltas à desumanidade da escravidão. Assumia puramente um caráter rural, em que a escravidão não era contestada ao contrário, representava a única forma de relação de produção praticada. A aplicação das idéias liberais no Brasil apresentava, desta forma, limites importantes. Primeiro, um limite físico, determinado pela proibição de sua propagação através da censura a vários livros e publicações. Segundo, pela restrição das relações sociais, pois as idéias liberais, no Brasil, eram usadas apenas no sentido de contestação às relações Na Europa, essas idéias representavam um escopo mais amplo de apoio aos interesses da burguesia industrial emergente. Essa mudança, de fato, inexistia no Brasil. 54AS MUDANÇAS NA METRÓPOLE E SUAS PARA o BRASIL O final do século XVIII foi um período de acirramento das contra- dições de interesses Em Portugal, o absolutismo seguia DESPOTISMO firme, em particular durante reinado de Dom José I conhecido pelo ESCLARECIDO "DESPOTISMO ESCLARECIDO" representado por seu primeiro-ministro, Forma de manutenção Marquês de Pombal, que cumpria um papel-chave na definição das das práticas absolutis- tas sem a associação diretrizes políticas e econômicas. No Brasil, o período foi marcado por do rei ao poder divino dá um tom de racio- dificuldades econômicas graves, resultantes da queda das exportações. nalidade ao absolutis- mo, incorporando as A exceção, nesse contexto, foi Maranhão, em virtude dos incentivos idéias iluministas da do Marquês de Pombal ao criar uma companhia de comércio altamente razão. Em Portugal, D. José I encarnou este capitalizada para explorar e ampliar a produção e exportação de algodão, espírito e teve como principal articulador o produto em alta substantiva no mercado internacional. Marquês de Pombal, primeiro-ministro O acirramento das crises internas e nas colônias, todavia, obrigou responsável pelas medidas e articulações o ministro a demitir-se em 4 de março de 1777. Neste mesmo ano rei políticas. faleceu, e trono passou a ser ocupado por Dona Maria (sua filha, mãe de D. João VI e conhecida na História como "a louca"), iniciando a VIRADEIRA. Na verdade, esse conjunto de mudanças não trouxe trans- VIRADEIRA formações importantes, pois de maneira geral a POLÍTICA POMBALINA Desmonte das políti- ainda prevalecia, graças à tentativa de preservar as estruturas do exclusivo cas pombalinas ini- ciadas por D. Maria comercial. A diferença fundamental foi a redefinição de alguns laços I em 1877, incluindo uma intensa perse- formais que substanciavam sua existência, realizando ações como: guição ao Marquês de Pombal até sua (a) acabar com as companhias de comércio, permitindo uma maior morte em 1782. liberdade aos comerciantes; (b) combate ao contrabando; POLÍTICA (c) permissão para comércio intercolonial com a África e Oriente; POMBALINA Conjunto de medidas (d) liberação do comércio e exploração do sal e da pesca da baleia, ter- visando ao fortaleci- mento do poder real minando monopólio metropolitano nesse setor; em Portugal, como a reforma do exér- (e) proibição da manufatura têxtil no Brasil. cito e da burocracia estatal. Tais medidas Essas mudanças refletiam, em realidade, a crescente dependência subjugaram os inte- resses da nobreza e econômica, por parte de Portugal, da colônia brasileira (essa exploração reduziram fortemen- te poder do clero. era condição básica para o desenvolvimento português) e, portanto, era vantajoso, para a metrópole, fazer concessões. Refletiam, também, no nível das relações internacionais, as condições impostas pela proteção CEDERI 55Formação Econômica do Brasil A crise da economia colonial no Brasil inglesa. O caso da proibição das manufaturas é exemplar. A justificativa dada por Portugal era de que a ênfase produtiva deveria estar na agri- cultura, atividade principal da colônia. Uma diversificação em direção à produção industrial necessitaria da transferência de recursos (principal- mente mão-de-obra) da agricultura para a produção têxtil, reduzindo a capacidade de expansão agrícola. Havia, no entanto, a intenção de preservar a manufatura têxtil da da concorrência colonial, objetivando criar uma espécie de complementaridade entre a produção da colônia e da metrópole. O impacto real da medida era praticamente nulo, pois quase não havia produção no Brasil. A grande fonte de concorrência estava no contrabando inglês. Apesar da flexibilização das relações expostas, as bases do exclu- sivo comercial estavam mantidas, e as reações no Brasil começavam a ganhar um contorno mais decisivo. Exemplos históricos importantes foram a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana (conhecida como a Revolta dos Alfaiates), entre outros. Vamos ver estas duas revoltas com mais detalhes? Inconfidência mineira Os inconfidentes queriam a independência do Brasil e instaurar a República. Pretendiam incentivar as manufaturas, proibidas desde 1785, e fundar uma universidade em Vila Rica, atual Ouro Preto. Integrado por membros da elite intelectual e econômica da região fazendeiros e grandes comerciantes -, o movimento reflete as contradições desses segmentos: sua bandeira traz o lema libertas quae sera tamem (Liberdade ainda que tardia), mas não se propõe a abolir a Conspiradores: entre os conspiradores estão Inácio José de Alva- renga Peixoto, ex-ouvidor de São João del Rey; Cláudio Manoel da Costa, poeta e jurista; tenente-coronel Francisco Freire de Andrada; Tomás nio Gonzaga, português, poeta, jurista e ouvidor de Vila Rica; José Álva- res Maciel, estudante de Química em Coimbra que, junto com Joaquim José Maia, procura o apoio do presidente americano Thomas Jefferson; Francisco Antônio de Oliveira, José Lopes de Oliveira, Domingos Vidal Barbosa, Salvador Amaral Gurgel, cônego Luís Vieira da Silva; os padres Manoel Rodrigues da Costa, José de Oliveira Rolim e Carlos Toledo; e alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. 56 CEDERJDerrama: o momento escolhido para a eclosão da revolta é o 3 da cobrança da derrama, imposto adotado por Portugal no período de declínio da mineração do ouro. A Coroa fixa um teto mínimo de 100 arrobas para o valor do quinto. Se ele não é atingido, os mineradores ficam em dívida com o fisco. Na época, essa dívida coletiva chega a 500 arrobas de ouro, ou 7.500 quilos. Na derrama, a população das minas é obrigada a entregar seus bens para integralizar o valor da dívida. Devassa: movimento é denunciado pelos portugueses Joaquim Silvério dos Reis, Brito Malheiros e Correia Pamplona, em 5 de março de 1789. Devedores de grandes somas ao tesouro real, eles entregam os parceiros em troca do perdão de suas dívidas. Em 10 de maio de 1789, Tiradentes é preso. Instaura-se a devassa - processo para estabelecer a culpa dos conspiradores -, que dura três anos. Em 18 de abril de 1792, são lavradas as sentenças: 11 são condenados à forca, os demais à prisão perpétua em degredo na África e ao açoite em praça pública. As sentenças dos sacerdotes envolvidos na conspiração permanecem secretas. Cláudio Manoel da Costa morre em sua cela. Tiradentes tem execução pública: enforcado no Rio de Janeiro em 21 de abril de 1792, seu corpo é levado para Vila Rica, onde é esquartejado e os pedaços expostos em vias públicas. Os demais conspiradores são degredados. Quer saber mais sobre a Inconfidência Mineira? Acesse o site http://educaterra.terra.com.br/almanaque/inconfidencia/ inconfidencia_1.htm Conjuração baiana De caráter social e popular, a conjuração baiana, ou revolta dos alfaiates, como também é conhecida, explode em Salvador em 1798. Inspira-se nas idéias da revolução francesa e da inconfidência mineira, divulgadas na cidade pelos integrantes da loja Cavaleiros da Luz, todos da elite local - Bento de Aragão, professor; Cipriano Bara- ta, médico e jornalista; o padre Agostinho Gomes e o tenente Aguilar Pantoja. O movimento é radical e dirigido por pessoas do povo, como os alfaiates João de Deus e Manoel dos Santos Lira, os soldados Lucas Dantas e Gonzaga das Virgens. Propõe a independência, a igualdade racial, o fim da escravidão e livre comércio entre os povos. 57Formação Econômica do Brasil A crise da economia colonial no Brasil Em você pode encontrar mais informações sobre a Conjuração Baiana. Atividade 3 Uns mais iguais do que outros? 3 Leia a definição a seguir: Prevalece na literatura de formação econômica do Brasil a interpretação de que as idéias de liberdade e igualdade serviriam exclusivamente para os brancos (!) da colônia, cujos interesses vinham sendo contrapostos aos da metrópole. Como explicar esta visão à luz dos argumentos expostos? (WKIPEDIA, 2005) Resposta Comentada O principal foco de descontentamento associava-se ao conflito de interesses de elites provocado pelo pacto colonial. As restrições do pacto à atividade econômica da impediam a ampliação dos negócios da elite colonial. Não havia, portanto, uma proposta de mudança das relações sociais e econômicas em curso no Brasil. 58 CEDERJo ACIRRAMENTO DOS CONFLITOS DE INTERESSES E o PROCESSO DE INDEPENDÊNCIA Apesar das revoltas internas de cunho pseudoliberal, nada parecia determinar o rompimento das antigas formas de relacionamento Brasil- Portugal. As revoltas foram sufocadas na origem, implicando severas punições aos rebeldes. Além disso, eram estritamente organizadas pelas elites, com ignorância quase completa das camadas populares. processo de separação colônia/metrópole só viria a ser precipitado pela invasão francesa a Portugal e a vinda da corte para o Brasil em 1808, na medida em que determinou uma séria de mudanças institucionais de relevo para que a colônia servisse de sede do governo no Rio de Janeiro, como a abertura dos portos e a criação do Banco do Brasil. A situação portuguesa de lucros extraordinários no comércio com a colônia foi então rompida, especialmente após a formalização dos tratados com a Inglaterra. A vinda da corte portuguesa para o Brasil A conjuntura européia no período napoleônico teve reflexos significativos na história portuguesa. Neste contexto, no início do século XIX, observou-se uma importante deterioração das relações diplomáticas entre França e Inglaterra, com quem Portugal mantinha laços estreitos de aliança. Em novembro de 1807, as tropas francesas invadiram o território português, impondo uma transferência às pressas da corte portuguesa para o Brasil, sua principal colônia, com apoio da esquadra britânica. Esse processo determinou um aprofundamento ainda maior dos laços políticos e econômicos de Portugal e Inglaterra. As primeiras medidas tomadas com a chegada da corte ao Brasil foram: (a) abertura dos portos (1808), já que Portugal estava ocupado e não poderia exercer a função de entreposto comercial para as mercadorias brasileiras, condição definida no pacto colonial; (b) fomento à agricultura e fundação do Horto Real (Jardim Botânico) no Rio de Janeiro; (c) incentivo ao desenvolvimento das manufaturas, concedendo isenção de impostos a matérias-primas importadas; (d) permissão de acesso de estrangeiros às sesmarias, com o objetivo de garantir fronteiras com a expansão do povoamento; (e) criação do Banco do Brasil, com objetivo primordial de financiar os gastos da CEDERJ 59Formação Econômica do Brasil A crise da economia colonial no Brasil No campo externo, dois aspectos O primeiro era uma política direcionada a contrariar os interesses napoleônicos na Amé- rica do Sul, caracterizando uma estratégia expansionista na invasão da Guiana Francesa, em 1809. Outro aspecto foi que, com o objetivo de tornar-se regente do império espanhol na América, no período de ocu- pação da Espanha pelas tropas francesas, D. João VI envia navios para sitiar e ocupar a Banda Oriental (Uruguai). Esse processo culminou com a anexação da Banda Oriental, em 1821, como Província Cisplatina, após o período de desagregação do Vice-Reinado do Prata, que seguiu a independência da Argentina em 1816. Dirigido por Carla Camuratti, o filme Carlota Joaquina, princesa do Brasil traça, de maneira cômica, um perfil da história do país no período da permanência da Família Real portuguesa, com base na história desta imperatriz, esposa de D. João VI. Carlota Joaquina e D. João viveram 13 anos no Brasil, deixando, como legados, a fundação do Banco do Brasil, a criação da Biblioteca Nacional, da Escola de Medicina e do Jardim Botânico. Da próxima vez que você for à locadora, que tal alugar esse filme? Direção: Carla Camuratti Ano: 1995 Duração: 101 minutos Os tratados com a Inglaterra aumento da dependência de Portugal em relação à Inglaterra, decorrente da invasão napoleônica de 1807, trouxe relevantes para o Brasil. No intuito de garantir vantagens sobre outros países nas relações econômicas a partir do Brasil, a Inglaterra impôs a assinatura de tratados que lhe afiançaram uma posição extremamente favorável nas relações econômicas em troca de proteção e apoio na estratégia expansionista de D. João VI nas colônias ultramarinas. Para a Inglaterra, essa era uma questão fundamental, pois o Bloqueio Continental (fechamento dos portos europeus para a Inglaterra) lhe impunha a necessidade de buscar novos mercados. Para Portugal, apesar de saber das desvantagens para os comerciantes portugueses, os interesses no aprofundamento da aliança pesaram mais. Os principais tratados foram: 1) Tratado de Aliança e Amizade: definia as condições de defesa mútua e apoio ao ataque português à Guiana Francesa. Em contrapartida, acordou-se o comprometimento de Portugal com a redução do tráfico de escravos, circunscrito à região abaixo da linha do equador. 60 CEDERJ2) Tratado de Comércio e Navegação: definia vantagens tarifárias para a Inglaterra, até mesmo sobre P Portugal, no comércio com Brasil. A tarifa alfandegária aplicada sobre os produtos ingleses seria de 15%, contra 16% para os portugueses e 24% para os demais países. Além disso, os cidadãos de origem inglesa no Brasil obtiveram o privilégio da extraterritorialidade, de maneira que os atos cometidos por ingleses no país seriam julgados por juízes da Inglaterra. No que se refere à questão religiosa, os cultos protestantes foram liberados no Brasil. Finalmente, este tratado deu liberdade aos ingleses para criar casas de comércio e negociar livremente tanto os produtos brasileiros no exterior, quanto as vendas de importados para Brasil. Como será visto nas próximas aulas, este foi um fator-chave para processo de acumulação de capital na cultura cafeeira, principal produto de exportação do Brasil a partir do início do século XIX. Do ponto de vista dos colonos brasileiros, a liberalização da econo- mia e a dinamização do comércio (resultado da vinda da Corte e da aber- tura dos portos) modificaram fundamentalmente cenário. A manutenção estrutural do pacto colonial funcionava como um entrave à expansão da economia doméstica, e os grandes agricultores classe dominante enxer- gavam Portugal como um entreposto desnecessário e caro. O descontentamento aumentava internamente, e as medidas asso- ciadas ao pacto colonial eram cada vez mais repelidas, como a proibição do comércio entre as províncias, monopólio de portugueses nos cargos públicos e, sobretudo, os impostos abusivos cobrados pela Coroa. Estes ele- mentos conjugavam-se na intensificação do processo de independência. Atividade 4 Repensando a abertura dos portos 2 Diante do quadro vivenciado pela colônia no início do século XIX, é possível afirmar que a abertura dos portos representou a efetivação da independência econômica do Brasil em relação a Portugal? CEDERI 61Formação Econômica do Brasil A crise da economia colonial no Brasil Resposta Comentada Sim, pois o fim do exclusivo comercial intensificou as relações de comércio entre Brasil e a Inglaterra, redundando nos tratados de 1810, em que a Inglaterra garantia vantagens absolutas sobre o resto do mundo, inclusive Portugal. É importante que você entenda, entretanto, que o processo de independência não era marcado por um forte sentimento nacionalista, notadamente do ponto de vista econômico, uma vez que a economia era claramente voltada para o exterior, com um mercado interno extrema- mente restrito e um sistema econômico doméstico desintegrado (o Brasil era formado por ilhas de produção cujo elo básico de ligação eram os HINTERLANDS HINTERLANDS pecuários). Dessa forma, os movimentos de revolta sempre Regiões mais afasta- foram localizados regionalmente, sem qualquer unidade nacional pre- das da costa. valecia, portanto, uma espécie de "antiportuguesismo" caricaturado na figura dos "branquinhos do reino". 62Atividade 5 3 3 4 Características do processo de independência Apesar do crescente descontentamento interno na colônia, ocasionando até o surgi- mento de revoltas internas, o processo de independência sofreu importante influência externa. Como explicar essa característica? Resposta comentada Os acontecimentos históricos na Europa, em especial o Bloqueio Continental, deter- minando a vinda da corte para Brasil, além dos interesses econômicos da Ingla- terra, tiveram um peso relevante e precipitaram processo de independência do Brasil. Assim, exclusivo colonial perdia totalmente o sentido de permanência. Figura 3.2: Grito do Ipiranga, de Pedro Américo A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL Em 7 de setembro de 1822, D. Pedro I proclamou a independência do Brasil em relação a Portugal, tornando-se nosso primeiro imperador. Estava conquistada, então, a autonomia política, mas não a econômica: Portugal exigiu 2 milhões de libras para reconhecer a independência do Brasil. Como o recém-formado império não dispunha de capital suficiente, D. Pedro decidiu pedir um empréstimo à Inglaterra. Em relação aos demais países, México e Estados Unidos foram os pri- meiros países a reconhecer nossa independência. Transformavam-se também as relações comerciais, com maior autonomia para O Brasil. 63Formação Econômica do Brasil A crise da economia colonial no Brasil No plano interno, porém, a independência não provocou grandes mudanças. A estrutura agrária permaneceu inalterada, com base na escravi- dão, na monocultura e no latifúndio, e a distribuição de renda continuava desigual, beneficiando, principalmente, a elite agrária. O povo permaneceu à margem deste processo. E em nossos dias, será diferente? A História a ser aprendida Por Alexandre Barbosa* É preciso ficar claro que, mais que a roupa usada por D. Pedro ou a circunstância em que aconteceu a proclama- ção, o importante é a ausência do povo deste processo históri- A independência do Brasil, ao contrário de outras nações, foi um pacto de elite: o poder passou da Coroa Portuguesa para a aris- tocracia criada por ela no Brasil. Não houve uma guerra de indepen- dência. processo não se rompeu. A escravidão não acabou, o Brasil continuou dependente de Londres e tecnologicamente atrasado. A historiografia não deve apenas criticar o quadro de Pedro Américo como um embuste, mas deve apontar o processo de independên- cia formal política de Portugal passando para dependência do capital inglês, e também evidenciar que a Proclamação da República, a queda de Vargas, o fim da Ditadura, tudo não passou de pactos de elite. (BARBOSA, 2005) CONCLUSÃO A crise do sistema colonial brasileiro resultou do conflito de interesses entre a metrópole e a classe produtiva e comercial atuante na colônia. O crescimento das relações de produção e comércio no interior da economia brasileira, especialmente a partir do avanço da explora- ção do ouro, determinou uma maior preocupação da com o controle das atividades econômicas da colônia e a tentativa de preservar seus ganhos extraordinários. Dessa forma, a interferência da metrópole nas atividades internas desenvolvidas na colônia foi o estopim da crise. A vinda da corte portuguesa para o Brasil e a formalização dos tra- tados com a Inglaterra precipitou o fim das bases do pacto colonial, na medida em que as elites coloniais perceberam que poderiam obter maiores vantagens com a bandeira do livre comércio. 64 CEDERJAtividades Finais 3 1. "A economia mineira foi a mais propícia à formação de um mercado interno (...) De fato, longe da costa, em alguns casos, compensava à atividade local suprir necessidades antes satisfeitas pela importação" (LACERDA et al., 2001, p. 24). "A queda do e, em seguida, a formação do Estado Nacional criaram a possibilidade de que se nacionalizasse a apropriação do excedente e de que se internalizassem as decisões de investir" (MELLO, 1982, p. 58). Relacione estas citações à crise nas bases do antigo sistema colonial. Resposta Comentada A criação de um mercado interno mais significativo e, portanto, da formação de uma elite econômica cujos interesses estavam mais focados na colônia, minou as bases fundamentais do pacto colonial; as decisões de investir passaram a estar mais focadas nos interesses internos da colônia. CEDERJ 65Formação Econômica do Brasil A crise da economia colonial no Brasil 2. Imagine que você é o editor do jornal Trem da História, que relata os principais acontecimentos dos períodos estudados no seu curso de Administração. Neste primeiro número, você tem uma tarefa muito importante: organizar a primeira página do jornal. título principal é: As causas da independência do Brasil. Você deve organizar as matérias de maneira que as mais importantes fiquem na parte superior do jornal. Os temas que estiverem relacionados podem ficar próximos, para facilitar a compreensão do leitor. Mãos à obra! Trem da História - uma publicação do curso de Administração do Cederj Notícia 1 Notícia 2 Notícia 3 Notícia 4 Notícia 5 Notícia 6 66 CEDERJ3 Triunfo do povo em Paris No dia 14 de julho de 1789, em Paris, os cidadãos franceses rebelaram-se contra o rei Luís XVI. Os manifestantes tomaram a prisão política da Bastilha, símbolo da monarquia francesa, reivindicando "liberdade, igualdade e fraternidade". A família real foi capturada enquanto tentava escapar do país, sofrendo julgamento público. Outros baluartes da monarquia estão sendo perseguidos. Muitos nobres preparam sua fuga para a Inglaterra ou outros países em que a monarquia subsiste. Em agosto, a Assembléia Nacional promulgará a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, contendo as orientações do novo governo. Revolução Industrial: máquinas fazem o trabalho do homem Utilização de máquinas na indústria. Produção em maior quantidade, a menores preços. Iniciada na Inglaterra a partir do século XVIII, esta mudança nos meios de produção denominada, a partir deste momento, Revolução Industrial - provocou a migração dos camponeses para as cidades. Estes trabalhadores, sem moradia e sem meios para sustentar-se, vão engrossar as fileiras de desempregados nas fábricas. Crescimento populacional desenfreado, êxodo rural e desemprego são as deste processo para a população. Brasil luta por independência Os gritos de liberdade e igualdade ouvidos na França começaram a ecoar no Brasil. Em Minas Gerais, o movimento que defendeu a independência do Brasil em relação a Portugal foi denominado Conjuração ou Inconfidência Mineira. Os participantes, pertencentes à classe que tinha acesso à cultura e às idéias do Iluminismo, foram presos, condenados ao exílio perpétuo e o líder, o alferes Joaquim José da Silva Xavier, esquartejado. Já na Bahia, a Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaiates, também inspirada pelos ideais franceses, contou a participação popular. Este movimento defendia a liberdade para os escravos e a República, outro diferencial em relação à Inconfidência Mineira. Igualmente sufocada pela Coroa, a Conjuração Baiana também teve seus mártires: quatro participantes foram enforcados. Chegada da Família Real ao Brasil e abertura dos portos Em 7 de março de 1808, chega, ao Rio de Janeiro, a corte portuguesa. Ameaçados por Napoleão, que intencionava invadir Portugal, a família real e os principais integrantes da corte vieram ao Brasil para ficar. Uma das primeiras medidas tomadas foi a abertura dos portos brasileiros às nações amigas - principalmente a Inglaterra, com quem Portugal mantém acordos comerciais. Rio de Janeiro torna-se, então, o centro das decisões econômicas e políticas da colônia. CEDERJ 67Formação Econômica do Brasil I A crise da economia colonial no Brasil Produção interna aumenta e mercado cresce na colônia Temos a alegria de dar, por meio desta publicação, notícias muito As atividades de subsistência crescem e se diversificam na Terra de Santa Cruz. Pecuária, cotonicultura, entre outras, ajudaram a interiorização do país. Com a ocupação do interior da colônia, aumentam a produção e o mercado interno. Independência dos Estados Unidos As colônias inglesas na América do Norte proclamam sua independência. Em 4 de julho de 1776, reunidos no Congresso, representantes dos 13 estados assinaram uma declaração, afirmando que "que estas colônias unidas são e de direito têm de ser Estados livres e independentes, que estão desoneradas de qualquer vassalagem para com a Coroa Britânica, e que todo vínculo político entre elas e a Grä-Bretanha está e deve ficar totalmente dissolvido". Com a independência dos agora denominados Estados Unidos da América, estão abalados os alicerces do sistema colonial no continente. Resposta Comentada Como bom editor, você deve ter colocado lado a lado, fatores internos e externos. No alto da sua primeira página, logo após o título, a revolução francesa pode ser uma boa matéria, principalmente se colocada ao lado das revoltas internas na colônia. Afinal, a partir dela surgiram os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade defendidos nas revoltas e que, mais tarde, seriam os alicerces para justificar a independência. A independência dos Estados Unidos e a chegada da família real ao Rio de Janeiro podem ficar logo abaixo, já que foram importantes, respectivamente, para provar que libertar-se da era possível, e para fazer crescer o desejo por autonomia comercial da colônia. Esta é a base do conflito entre as elites locais os portugueses que moravam no Brasil e as da metrópole, que buscavam o máximo de lucro para si. A revolução industrial pode vir para "fechar" a página, já que teve como entre outras, o aumento da produção e o desenvolvimento do capitalismo industrial, origens do liberalismo econômico. Com todos estes elementos, estava configurada a crise no sistema colonial e, posteriormente, a independência política do Brasil em relação a Portugal. 68 CEDERJRESUMO 3 crescimento da atividade econômica no interior da colônia brasileira determinou o surgimento de um intenso conflito entre as elites locais e a foco central deste embate era o pacto colonial. esforço de manutenção das bases do pacto através da política pombalina piorou significativamente o quadro. A vinda da corte portuguesa e a maior dependência da tutela inglesa causaram o rompimento definitivo do pacto colonial, situação formalizada com a assinatura dos tratados com a Inglaterra. CEDERJ 69