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Brasil República antes da Era Vargas (1889–1930) A Primeira República, também conhecida como República Velha, foi o período da história brasileira que se estendeu de 1889, com a Proclamação da República, até 1930, quando a Revolução de 1930 levou Getúlio Vargas ao poder. Foi uma época marcada pelo domínio político das elites agrárias, principalmente dos grandes produtores de café, pela exclusão da maior parte da população da vida política e por diversos movimentos de contestação social. A República foi proclamada em 15 de novembro de 1889, encerrando o regime monárquico. Nos primeiros anos, o país foi governado por militares, período conhecido como República da Espada. Posteriormente, o poder passou para as oligarquias estaduais, especialmente de São Paulo e Minas Gerais. A chamada Política do Café com Leite favorecia a alternância de presidentes ligados a esses estados, enquanto a Política dos Governadores fortalecia as alianças entre o governo federal e as lideranças locais. O sistema eleitoral era pouco democrático. O voto era aberto e sujeito à influência dos grandes proprietários rurais, conhecidos como coronéis. Essa prática ficou conhecida como voto de cabresto, mecanismo que garantia a manutenção das oligarquias no poder. Ao mesmo tempo, a urbanização, a imigração e o crescimento industrial começaram a transformar a sociedade brasileira, gerando novas demandas e conflitos. Revolta da Armada (1893–1894) A Revolta da Armada foi um movimento liderado por oficiais da Marinha que se opunham ao governo de Floriano Peixoto. Os revoltosos argumentavam que Floriano havia assumido a presidência de maneira irregular e exigiam novas eleições. A Marinha brasileira possuía grande prestígio desde o Império e muitos de seus oficiais estavam insatisfeitos com a crescente influência do Exército na política nacional. Os navios rebeldes ameaçaram bombardear a capital federal, então localizada no Rio de Janeiro. O governo respondeu adquirindo novos armamentos e mobilizando forças militares para combater os revoltosos. Após meses de conflito, a revolta foi derrotada. O episódio consolidou o poder de Floriano Peixoto e fortaleceu o papel do Exército na República. Revolução Federalista (1893–1895) A Revolução Federalista ocorreu principalmente no Rio Grande do Sul e representou uma disputa entre grupos políticos rivais. Os federalistas, conhecidos como maragatos, defendiam maior autonomia para os estados e criticavam o governo estadual. Os republicanos, chamados de pica-paus, apoiavam o governo de Júlio de Castilhos e defendiam um poder central mais forte. O conflito espalhou-se pelo Sul do Brasil e foi marcado por extrema violência. Muitas execuções ocorreram durante a guerra, inclusive a prática da degola de prisioneiros. Ao final, os republicanos venceram, fortalecendo o grupo político dominante no Rio Grande do Sul. Guerra de Canudos (1896–1897) A Guerra de Canudos foi um dos conflitos mais importantes da Primeira República. Ocorreu no sertão da Bahia, onde o líder religioso Antônio Conselheiro reuniu milhares de sertanejos pobres em uma comunidade chamada Canudos. A região sofria com secas constantes, pobreza extrema e abandono por parte do governo. Em Canudos, os moradores compartilhavam recursos, trabalhavam coletivamente e seguiam orientações religiosas de Conselheiro. As autoridades passaram a enxergar a comunidade como uma ameaça à República. Surgiram boatos de que os habitantes desejavam restaurar a Monarquia. O governo enviou quatro expedições militares contra Canudos. As três primeiras foram derrotadas pelos sertanejos. Somente a quarta expedição conseguiu destruir a comunidade. O conflito terminou em um massacre que resultou na morte de milhares de pessoas. A Guerra de Canudos revelou as profundas desigualdades sociais existentes no Brasil. Revolta da Vacina (1904) No início do século XX, o Rio de Janeiro enfrentava graves problemas sanitários. Epidemias de varíola, febre amarela e peste bubônica causavam milhares de mortes. O governo realizou reformas urbanas para modernizar a capital e combater as doenças. Muitas famílias pobres foram removidas de suas casas, gerando grande insatisfação popular. Quando a vacinação contra a varíola tornou-se obrigatória, parte da população reagiu negativamente. Muitos não compreendiam o funcionamento da vacina e consideravam a medida uma invasão da privacidade. Durante vários dias ocorreram protestos, barricadas e confrontos nas ruas. O governo reprimiu os manifestantes com o apoio das forças militares. Apesar da revolta, a vacinação acabou contribuindo para a redução da doença. Revolta da Chibata (1910) A Revolta da Chibata foi liderada pelo marinheiro João Cândido, conhecido posteriormente como "Almirante Negro". Na Marinha brasileira ainda eram comuns castigos físicos extremamente severos, especialmente contra marinheiros negros e pobres. As punições incluíam centenas de chibatadas por pequenas infrações disciplinares. Após um marinheiro receber uma punição considerada excessiva, os revoltosos tomaram importantes navios de guerra e apontaram seus canhões para a cidade do Rio de Janeiro. Os marinheiros exigiam o fim dos castigos físicos, melhores condições de trabalho e anistia aos participantes da revolta. O governo inicialmente aceitou as reivindicações, mas depois perseguiu diversos envolvidos. Muitos foram presos, mortos ou expulsos da Marinha. Guerra do Contestado (1912–1916) A Guerra do Contestado ocorreu na região disputada pelos estados do Paraná e Santa Catarina. A construção de uma ferrovia por uma empresa estrangeira provocou a expulsão de milhares de camponeses de suas terras. Sem alternativas econômicas, muitos passaram a seguir líderes religiosos que prometiam justiça social e proteção espiritual. Os sertanejos organizaram comunidades autônomas e resistiram às forças governamentais. O governo interpretou o movimento como uma ameaça à ordem pública e enviou tropas para combatê-lo. Após anos de confrontos, os rebeldes foram derrotados. O conflito deixou milhares de mortos e evidenciou os problemas fundiários do país. Movimento Operário e Greve Geral de 1917 O crescimento industrial trouxe consigo uma nova classe social: o operariado urbano. Os trabalhadores enfrentavam jornadas de trabalho que podiam ultrapassar doze horas diárias, salários baixos e condições precárias de segurança e higiene. Influenciados por ideias anarquistas e socialistas trazidas por imigrantes europeus, começaram a organizar sindicatos e movimentos reivindicatórios. Em 1917, uma grande greve iniciou-se em São Paulo e rapidamente se espalhou para outras cidades. Os trabalhadores exigiam aumento salarial, redução da jornada de trabalho e melhores condições de vida. A greve revelou a força do movimento operário brasileiro e marcou o início de uma participação mais ativa dos trabalhadores nas questões políticas e sociais. Movimento Tenentista O Tenentismo foi um movimento liderado por jovens oficiais do Exército que criticavam a corrupção eleitoral, o coronelismo e o domínio das oligarquias. Esses militares defendiam reformas políticas, maior participação do Estado na modernização do país e um sistema eleitoral mais justo. Revolta dos 18 do Forte (1922) Foi a primeira grande manifestação tenentista. Um pequeno grupo de militares rebelou-se no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro. Mesmo sabendo que seria derrotado, o grupo enfrentou as tropas governamentais, tornando-se símbolo de resistência política. Revolta Paulista de 1924 Em São Paulo, militares rebeldes ocuparam parte da cidade durante semanas. O governo respondeu com intensos bombardeios, causando destruição e mortes. Coluna Prestes (1925–1927) Após a Revolta Paulista, grupos tenentistas uniram-se e formaram a Coluna Prestes, liderada porLuís Carlos Prestes. A coluna percorreu cerca de 25 mil quilômetros pelo interior do Brasil denunciando a pobreza, as injustiças sociais e a corrupção política. Embora não tenha tomado o poder, ajudou a enfraquecer a imagem da República Velha. Revolta de Juazeiro (1914) Ocorreu no Ceará e envolveu lideranças políticas locais associadas ao famoso líder religioso Padre Cícero. O movimento surgiu em meio a disputas pelo controle político do estado. Os revoltosos conseguiram derrubar o governo estadual e demonstraram a força das lideranças regionais no Nordeste. Crise de 1929 A Crise de 1929 teve origem na quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em outubro de 1929, e marcou o início da chamada Grande Depressão, uma das maiores crises econômicas da história. Como a economia brasileira dependia fortemente da exportação de café para o mercado internacional, os efeitos da crise foram profundos. Durante a década de 1920, o café representava a principal fonte de riqueza do Brasil. Quando a crise reduziu o consumo mundial, especialmente nos Estados Unidos, a demanda pelo produto caiu drasticamente. Como consequência, o preço do café despencou e milhares de sacas ficaram sem compradores. O governo tentou minimizar os prejuízos comprando e estocando parte da produção, chegando até mesmo a destruir estoques para reduzir a oferta e evitar uma queda ainda maior dos preços. Apesar dessas medidas, muitos fazendeiros sofreram grandes perdas financeiras. A crise abalou o poder das oligarquias cafeeiras, principalmente as de São Paulo, que dominavam a política nacional durante a República Velha. Além disso, aumentou o descontentamento de diversos grupos sociais e políticos, contribuindo para o enfraquecimento do regime oligárquico. Nesse contexto, cresceu a oposição ao governo federal e à Política do Café com Leite. A instabilidade econômica e política foi um dos fatores que favoreceram a Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder e encerrou a Primeira República. Importância histórica • Revelou a dependência brasileira da exportação de café; • Enfraqueceu as oligarquias agrárias; • Intensificou a crise política da República Velha; • Favoreceu a ascensão de Getúlio Vargas; • Estimulou, posteriormente, o crescimento da industrialização brasileira. A crise da República Velha e a Revolução de 1930 Na década de 1920, a República Velha começou a apresentar sinais de desgaste. As revoltas militares, as greves operárias e os conflitos sociais demonstravam o crescimento da insatisfação popular. A situação agravou-se com a crise econômica mundial de 1929, que provocou forte queda nas exportações de café, principal produto brasileiro. Nas eleições de 1930, o candidato governista Júlio Prestes foi declarado vencedor. A oposição alegou fraude eleitoral e organizou um movimento armado liderado por Getúlio Vargas. A Revolução de 1930 derrubou o presidente Washington Luís, impediu a posse de Júlio Prestes e encerrou a Primeira República. Iniciava-se, então, a Era Vargas, um dos períodos mais importantes da história do Brasil.