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AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AVALIAÇÃO EM 
METODOLOGIAS ATIVAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Joice Martins Diaz 
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CONVERSA INICIAL 
A educação é um meio único para trazer mudanças sociais, porém, devido 
às diversas mudanças na sociedade, surge a necessidade de introduzir mudanças 
também no sistema educacional. 
Nesta aula serão abordados assuntos relacionados à educação 
contemporânea que se fazem presentes a partir do novo papel do aluno presente 
em sala de aula. Diante dessa mudança considerável, faz-se necessário pensar 
nas modificações que devem ser feitas no contexto escolar, assim como na 
atuação do professor, para que, diante de um ambiente apropriado dirigido por um 
profissional que entenda todas essas modificações, seja ofertada uma educação 
com qualidade e que responda às expectativas dos alunos. 
TEMA 1 – EDUCAÇÃO PARA CONTEMPORANEIDADE 
Os ambientes de aprendizagem contemporâneos devem ser projetados 
para atender às necessidades dos alunos na era digital, oferecendo flexibilidade 
e oportunidades para colaboração, independência e conectividade com recursos 
globais. Faz-se necessário implementar métodos de ensino modernos e criativos, 
nos quais a abordagem do professor e o desempenho do aluno estejam alinhados 
com os altos padrões acadêmicos aplicados. 
O aprendizado contemporâneo é personalizado e fornece acesso em 
qualquer momento e em qualquer lugar para os alunos, por meio das tecnologias 
portáteis. O mundo dos alunos dentro e fora da escola é conectado pelo uso de 
ferramentas contemporâneas de processamento de informações, comunicação e 
colaboração. 
Os professores se envolvem no aprendizado contínuo para aprimorar sua 
prática profissional e as práticas de seus alunos. Os pais têm o poder de se 
envolver ativamente na educação de seus filhos, acessando sistemas de 
comunicação e aprendizado, além de relatórios e monitoramento on-line. 
A pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção, feita no ano de 2016, pela 
Porvir1, ouviu jovens de 13 a 21 anos de todas as regiões do Brasil com o intuito 
de saber o que os jovens pensam da escola e como eles gostariam que ela fosse. 
 
1 O Porvir é um dos programas do Instituto Inspirare, que mapeia, produz, difunde e compartilha 
referências sobre inovações educacionais. Tem como propósito inspirar melhorias na qualidade 
da educação brasileira e incentivar a mídia e a sociedade a compreender e demandar inovações 
educacionais. 
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Os jovens foram estimulados a refletir sobre suas experiências de aprendizagem 
e a expressar seus desejos em relação à educação. Os principais objetivos dessa 
pesquisa foram: escutar os jovens; incentivar que os jovens se mobilizem e se 
sintam protagonistas na reflexão sobre a escola que querem; e estimular a 
reflexão sobre a educação/escola a partir de uma perspectiva inovadora. 
A consulta Nossa Escola em (Re)Construção utilizou a metodologia 
PerguntAção, desenvolvida pela Rede Conhecimento Social2. Os jovens do Grupo 
de Atuação debateram sobre características que não poderiam faltar na escola de 
seus sonhos. Uma delas é sobre a possibilidade de troca de conhecimento e 
respeito entre os participantes, o que incluiria habilidades pessoais e aceitação 
das diversidades. Dessa forma, 132 mil jovens, de todas as regiões do país, com 
idade de 13 a 21 anos, responderam à pesquisa. 86% dos jovens são 
provenientes de escola pública, e somente 13% de escola privada. 
Um dos contextos da pesquisa estava relacionado com a avaliação do 
aluno sobre a sua escola. Os resultados apontam que 4 em cada 10 jovens estão 
satisfeitos com as aulas e os materiais pedagógicos; 7 em cada 10 jovens 
acreditam que as relações dos alunos com a equipe escolar e com seus colegas 
precisam melhorar; e 57% dos jovens classificam como regular ou ruim o uso da 
tecnologia na escola. 
Para avaliar a escola atual ou a última em que estudaram, os participantes 
foram convidados a dar uma nota para 11 itens, na seguinte escala: 
 5 “Tá tranquilo, tá favorável” 
 4 “Até que tá bom, mas…” 
 3 “Tá mais ou menos” 
 2 “Tem que melhorar” 
 1 “Tá tenso" 
Dentre todas as 11 questões, que envolvem assuntos como prédio e 
estrutura, alimentação, aulas e matérias, entre outras, a questão sobre “uso da 
tecnologia” teve uma nota média de 3,2, distribuídas da seguinte forma: 
 26% “Tá tranquilo, tá favorável” 
 17% “Até que tá bom, mas…” 
 
2 Organização sem fins lucrativos, spin-off do Instituto Paulo Montenegro, cuja missão é promover 
a construção participativa de conhecimento, estimulando e conectando pessoas, grupos, 
organizações e seus saberes, para gerar mobilização e transformação social. 
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4 
 26% “Tá mais ou menos” 
 10% “Tem que melhorar” 
 21% “Tá tenso" 
Entre as atividades práticas, as olimpíadas de conhecimento são as que 
mais acontecem nas escolas e das quais os jovens mais participam: 6 em cada 
10 jovens afirmam que há olimpíadas de conhecimento nas escolas; 4 em cada 
10 jovens desejam ter oficinas e atividades de vídeos, jornais, programas de rádio, 
blogs, fotografia e outras mídias. 
Na etapa em que os jovens foram convidados a expressarem sua ideia de 
como seriam os ambientes educacionais dos seus sonhos, 51% apontam que 
tecnologia não pode faltar em uma escola, pois faz parte da vida dos jovens e eles 
querem utilizá-la em todos os espaços da escola, não apenas em um laboratório 
ou em uma sala restrita. 
A pesquisa conclui que os jovens sentem falta de atividades como: 
 Extraclasse; 
 Artísticas; 
 Uso da tecnologia em suas escolas; 
 Metodologias e oportunidades de aprendizagem que extrapolem o modelo 
tradicional de aula expositiva e ofereçam uma formação mais abrangente; 
 Aprender além dos conteúdos cobrados nos exames de seleção para 
ingressar em uma faculdade; 
 Conhecimentos ligados à tecnologia inovadora, que facilita o aprendizado; 
 Atividades educativas que os ajudem a ter melhores relações humanas e 
sociais e a entender sobre política, cidadania e direitos humanos; 
 Acesso a conteúdos que sejam prazerosos e divertidos, como esportes e 
bem-estar; 
 Aprender por meio de atividades práticas e interativas, como projetos e 
rodas de conversa, e com metodologias que envolvam o uso da tecnologia; 
 Diversificar o lugar onde estudam. 
Essa diversificação inclui o uso da tecnologia no ambiente escolar, que, 
segundo o resultado da pesquisa 
a tecnologia não é lembrada pelos jovens apenas quando pensam em 
métodos para aprender, mas em todos os aspectos do ambiente 
educacional. Na escola dos sonhos, é permitido usar a tecnologia em 
qualquer lugar da escola, não apenas em um laboratório de informática, 
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os alunos aprendem conhecimentos ligados à tecnologia e também 
usam recursos educacionais tecnológicos, como pesquisas na internet. 
Os recursos mais modernos, como games e robótica, ainda não 
aparecem como um desejo urgente dos estudantes, mas estão 
presentes quando imaginam uma escola inovadora e que os deixa mais 
felizes. A sala de aula tradicional, com carteiras dispostas em filas, não 
existe mais na escola dos sonhos dos estudantes (Nossa Escola em 
(Re)Construção, 2016, p. 71). 
Segundo Bacich e Moran (2018), para que haja uma educação plena é 
necessário pensar em um aluno conectado com a tecnologia, tanto em rede como 
móvel, bem como suas competências digitais. O aluno sem domínio digital deixará 
de usufruir grandes chancesde se informar por meio de materiais ricos e até de 
se comunicar, trocar e publicar suas ideias. 
TEMA 2 – PERFIL DO ALUNO E SUA ATUAÇÃO EM SALA DE AULA 
Atualmente é necessário ver os estudantes e profissionais como 
protagonistas no seu processo de ensino-aprendizagem, deixando para trás o 
conceito de atuação passiva, de alunos que somente recebem informações. As 
gerações mais novas, conhecidas como Geração Y, Millennials, Dotcom, Net ou 
nativos digitais, têm a habilidade de realizar diversas atividades ao mesmo tempo, 
com muito mais velocidade, se comparados a seus antecessores. Essa 
característica se manifesta de diversas maneiras, mas, em especial, devido à 
grande demanda de diferentes tecnologias (Filatro; Cavalcanti, 2018). 
Figura 1 – As gerações Builders, Baby Boomers, Geração X, Geração Y, Geração 
Z e Geração Alpha 
 
Crédito: 24CDesign/Shutterstock. 
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Para Christensen, Horn e Johnson (2012), a motivação é o elemento 
principal no processo de ensino-aprendizagem, e tem como objetivo gerar o 
engajamento dos alunos, passando então a ser protagonistas e responsáveis pelo 
seu aprendizado. Para tanto, é necessário não tratar a inovação como modismo 
na área da educação, cabendo a instituição escolar ser um 
espaço majoritário de transmissão do conhecimento sistematizado. [...] 
Se os alunos conseguem estabelecer relações entre o que aprendem no 
plano intelectual e as situações reais, experimentais e profissionais 
ligadas a seus estudos, certamente a aprendizagem será mais 
significativa e enriquecedora (Camargo; Daros, 2018, p. 7). 
Complementando essa ideia, para que o aprendizado ocorra, segundo 
Ausubel (1982), é necessário o engajamento do aluno e que o conteúdo escolar 
seja significativo, sempre ligado com o seu contexto. Para tanto, é importante 
envolver o estudante de forma que ele seja responsável e ativo no processo, para 
que de fato aconteça uma aprendizagem significativa (Cortelazzo et.al, 2018). Os 
autores tratam o mesmo cenário como “pedagogia ativa”, colocando o professor 
como alguém que dá as sugestões para o itinerário formativo e está à disposição 
para esclarecer dúvidas, tendo o aluno como aquele que procura e seleciona o 
conteúdo que quer estudar. 
Para Horn e Staker (2015), o aprendizado por meio de competências, 
aliado ao ensino híbrido, é compatível com o perfil dos alunos dessas novas 
gerações, pois permite que o ensino seja mais personalizado, apresentando 
meios considerados significativos na efetivação da inovação na educação. 
Para que a nova geração e sua influência se torne positiva no processo de 
ensino aprendizagem, segundo Camargo e Daros, seria necessária: 
a construção de metodologias inovadoras com o intuito de criar 
possibilidades de uma práxis pedagógica que forme um sujeito crítico, 
reflexivo, transformador e humanizado. Autores como Paulo Freire, 
Blonsky, Pinkevich, Krupskaia, Freinet, Claparède e Montessori, 
abordam suas teorias como alternativa necessária para superação do 
modelo pedagógico tradicional vigente, o que continua sendo um dos 
grandes desafios que se colocam na contemporaneidade (Camargo; 
Daros, 2018, p. 9). 
A capacidade que as crianças e adolescentes possuem em aprender várias 
coisas ao mesmo tempo, associadas e integradas à sua realidade, é cada vez 
mais perceptível nos dias de hoje. A heutagogia, termo lançado como resposta à 
era digital em que as informações são disponibilizadas de forma abundante, 
considera a autonomia como parte desse contexto, em que os indivíduos podem 
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e poderão decidir bem como avaliar o que, como e quando querem aprender. 
(Filatro; Cavalcanti, 2018). 
TEMA 3 - AS MUDANÇAS NECESSÁRIAS NO ESPAÇO ESCOLAR 
Os avanços tecnológicos e científicos apresentam grandes avanços, dia 
após dia. Mesmo diante desse contexto, a sala de aula e o modelo proposto de 
ensino-aprendizagem ainda acontecem de forma oral e escrito, mantendo intacto 
o uso do giz, caderno e caneta. O mesmo acontece com os recursos tecnológicos, 
que também apresentam avanços significativos, enquanto o uso em sala de aula 
ainda caminha a passos lentos (Camargo; Daros, 2018). 
Carbonell complementa 
Não se pode olhar para trás em direção à escola ancorada no passado 
em que se limita ler, escrever, contar e receber passivamente um banho 
de cultura geral. A nova cidadania que é preciso formar exige, desde os 
primeiros anos de escolarização, outro tipo de conhecimento e uma 
participação mais ativa (Carbonell, 2002, p. 16). 
A prática educativa, segundo Zabala (1998), implica em mudanças no 
contexto dos conteúdos, bem como na forma de avaliá-los, por considerar que as 
finalidades do ensino devem caminhar em prol da formação da pessoa, de forma 
integral, por meio de intervenções adaptadas à realidade educativa do aluno. 
Conforme Moran, além da mobilidade, 
há avanços nas ciências cognitivas aprendemos de formas diferentes e 
em ritmos diferentes e temos ferramentas mais adequadas para 
monitorar esses avanços. Podemos oferecer propostas mais 
personalizadas, monitorando-as, avaliando-as em tempo real, o que não 
era possível na educação mais massiva ou convencional (Moran, 2018, 
p. 1). 
Atividades, consideradas diárias dentro de sala de aula, mesmo que com 
caráter mais metodológico e pragmático, podem proporcionar maior grau de 
pensamento e, consequentemente, mais autonomia para o aluno. Conforme 
Raths (1974, p. 358-359) algumas mudanças de atitude podem auxiliar ou 
dificultar nesse processo, conforme exposto no Quadro 1. 
 
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Quadro 1 – Fatores que podem dificultar ou estimular o pensamento 
OBSTÁCULOS (fatores que podem 
dificultar o pensamento) 
AUXÍLIO (fatores que podem estimular o 
pensamento) 
O professor realiza a atividade O aluno realiza a atividade 
O professor rejeita o aluno e seus esforços O professor aceita o aluno e seus esforços de 
realização 
As atividades são quase sempre 
insignificantes 
As atividades têm um objetivo ou um 
significado 
Só se permite uma forma de realizar as 
atividades 
Os alunos fazem atividades de várias formas 
A discussão não é permitida Os alunos têm a oportunidade para discutir o 
que fizeram 
O professor de modo geral intimida os alunos. 
As mudanças resultam de pedidos do 
professor 
Os alunos devem dizer se desejam fazer 
qualquer modificação no seu trabalho 
realizado. O professor aceita a decisão do 
aluno, concorde ou não com ela. 
As atividades se restringem a um assunto 
e/ou área curricular 
As atividades abrangem diferentes assuntos 
e áreas curriculares 
A classe é governada despoticamente O clima da classe é de respeito mútuo, 
aceitação e de troca de ideias 
Operações de pensamento exclusivas e 
independentes 
As atividades combinam várias operações de 
pensamento (por exemplo: observar, 
comparar, resumir, avaliar) 
Fonte: Adaptado de Raths, 1974. 
Percebe-se que métodos considerados ativos em sala de aula 
proporcionam experiências favoráveis, resultado de pensamento criativo e a 
interação ativa com o objeto de estudo e sua problematização. Os atos então 
passam a ter significado, pois são respostas aos estímulos recebidos pelo seu 
professor e seu interesse. 
TEMA 4 – MUDANÇAS NECESSÁRIAS NO PAPEL DO PROFESSOR 
O sistema educacional do século XXI mudou radicalmente com a 
integração da tecnologia em todos os setores. Ao mesmo tempo, os alunos estão 
mais maduros do que no tempo anterior. Atualmente a educação depende de 
Habilidades de Pensamento, Habilidades Interpessoais, Mídia de Informação, 
Habilidades Tecnológicas e Habilidades para a Vida. Agora não há valor para a 
aprendizagem mecânica. 
A educação passa por uma transição notória, porém ainda pautadaem 
métodos e parâmetros que, de modo geral, são considerados um pouco 
ultrapassados e que não condizem mais com o contexto contemporâneo de 
educação, ou seja, não se adequam de forma satisfatória às instituições 
educacionais bem como ao dia a dia do aluno. A modernização por meio do 
avanço das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) ou Tecnologias 
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Digitais de Informação e Comunicação (TDICs) trouxe novos modos de pensar e 
aprender. 
Diante desse contexto, segundo Camargo e Daros (2018, p.3-4) 
pergunta-se: como modificar os modos de aprender e ensinar das 
instituições para gerar resultados mais positivos? Como garantir que os 
alunos se apropriem do conhecimento historicamente acumulado e os 
relacionem com o cotidiano? Como gerar maior engajamento, motivação 
e responsabilidade nos alunos? Quais estratégias pedagógicas podem 
auxiliar o professor e tornar as aulas mais significativas? 
Para Vickery (2016), a partir do momento em que o professor conhece seu 
grupo de alunos, consegue criar ambientes de aprendizado em que o aluno se 
sinta seguro e capaz de expor sua opinião, promovendo debates, reflexão e até 
criatividade. 
Metodologias inovadoras devem ser pensadas, pois os professores, em 
sua maioria, ainda utilizam metodologias correspondentes ao século XX, as quais 
não correspondem às expectativas dos alunos século XXI. 
Segundo Moran (2018, p. 1), “as escolas que nos mostram novos caminhos 
estão mudando para modelos mais centrados em aprender ativamente com 
problemas reais, desafios relevantes, jogos, atividades e leituras, valores 
fundamentais, combinando tempos individuais e tempos coletivos”. 
Mesmo com as semelhanças no aspecto físico das salas de aula, presentes 
nas escolas até hoje, Cortelazzo et al. (2018) afirmam que os avanços 
pedagógicos aconteceram com mais intensidade após as últimas décadas do 
século XX. Da mesma forma e como consequência de todas essas mudanças, os 
métodos de ensino também passaram por mudanças e continuam se 
desenvolvendo de forma significativa. A sala de aula passa então a ser um espaço 
onde o aluno desempenha um papel diferenciado, o de agente ativo na sua 
aprendizagem. 
Os professores, além de facilitadores da aprendizagem, passam a ensinar 
os alunos formas de identificar e aumentar suas habilidades, expandir a mente, 
aumentar a capacidade digital, o pensamento crítico e a criatividade, bem como a 
aprendizagem sustentável. Assim, a vitória dos alunos é a vitória dos professores. 
Nessa era digital, a internet está cheia de recursos de suporte. Quando um 
professor ensina os alunos de uma perspectiva colaborativa, eles aprendem mais 
profundamente. Professores eficazes não limitam os recursos de aprendizagem 
para os alunos, e sim criam materiais de aprendizagem divertidos, diferentes e 
interessantes. Os professores do século XXI devem saber da importância da 
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aprendizagem baseada em aquisições e aprendizagem baseada em participação. 
Da mesma forma, ele sabe o valor de se envolver e trabalhar na comunidade. 
A sociedade moderna precisa de professores que possam se adaptar, 
rápida e efetivamente, às demandas do momento. E isso tudo começa com a 
devida consciência da mudança que está acontecendo ao nosso redor. 
TEMA 5– EDUCAÇÃO E INOVAÇÃO: A INFLUÊNCIA DA TECNOLOGIA NA 
EDUCAÇÃO CONTEMPORÂNEA 
É notória a grande mudança no contexto educacional relacionada ao uso 
de diferentes tecnologias e formas de ensinar. Da mesma forma, é sabido que as 
tecnologias mudam e se aperfeiçoam dia após dia. Diante desse contexto, é 
importante saber quais tecnologias estão sendo utilizadas na atualidade, mas que, 
porém, em um futuro breve, não serão capazes de atender as expectativas dos 
alunos bem como provocar satisfação e entusiasmo em sala de aula. Com base 
em Kelly (2017) algumas tecnologias foram listadas no Quadro 2 como 
importantes na próxima década, ou que já estão em grande uso, e que irão 
substituir as tecnologias utilizadas também no âmbito educacional nos dias de 
hoje. 
Quadro 2 – Perspectivas das tecnologias na próxima década 
Tecnologias que irão desaparecer 
na próxima década 
Tecnologias que irão se tornar importantes na 
educação na próxima década 
Computadores e laptops Realidade aumentada/virtual 
Impressoras, escâneres e copiadoras Impressoras/escâneres/modelagem em 3D 
Retroprojetores Aprendizagem adaptativa e personalizada 
CDs e DVDs / Quadro de giz/ Quadro 
branco 
Vídeo e transmissão 
Livros e folhetos impressos Ferramentas de colaboração e mídia social; 
Internet das coisas e vestíveis 
Projetores não interativos Ferramentas baseadas na nuvem; projetores e 
quadros brancos interativos 
Fonte: Adaptado de Kelly, 2017. 
Outra realidade no âmbito educacional é a educação à distância ou híbrida, 
que contam com dispositivos móveis para se viabilizar. 
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Segundo Moran “a tecnologia em rede e móvel e as competências digitais 
são componentes fundamentais de uma educação plena” (MORAN, 2018, p. 2). 
Complementando essa ideia de Moran, Filatro e Cavalcante afirmam que 
no campo educacional, esses dispositivos possibilitaram o surgimento 
de uma nova modalidade de ensino aprendizagem denominada 
aprendizagem móvel (ou aprendizagem com mobilidade), uma tradução 
para mobile learning (ou m-learning), do idioma inglês. No m-learning, o 
processo de ensino e aprendizagem é intermediado por dispositivos sem 
fio, como telefone celular, o smartphone e o tablet, por exemplo, e 
permite conectar a experiência formal de educação com o aprendizado 
situado (Filatro; Cavalcante, 2018, p, 107). 
São também elementos que compõem a aprendizagem em contextos de 
mobilidade: e-learning (redes de computadores). Já o u-learning são dispositivos 
móveis, comunicação sem fio, tecnologias de sensores e tecnologias de 
localização (Filatro; Cavalcanti, 2018, p. 110). 
Para Garcia (2017, p. 83), 
os conceitos de e-learning, m-learning e u-learning pertencem a mesma 
categoria das formas de aprendizagens mediadas por tecnologias 
digitais, pois trazem em si o termo “learning”, o qual se relaciona com 
ações e ambientes de aprendizagem/ aplicativos/ produtos digitais com 
foco educacional. 
São consideradas metodologias comuns do mobile-learning: 
 Videoaulas; 
 Aplicativos; 
 Gamificação; 
 Livros digitais; 
 Cursos e-learning, dentre outros. 
O mobile-learning, que é o aprendizado apoiado por ferramentas e mídias 
digitais por meio de um dispositivo móvel (smartphones ou tablets), apresenta 
diversos benefícios como: mobilidade, rápido acesso à informação, autodidatismo 
e entretenimento, entre outros. 
Afirma Garcia que “o mobile-learning (m-learning) enfatiza a aprendizagem 
em contextos de mobilidade, contrapondo-se a acessos fechados e presentes em 
bases fixas de desktop conectadas a internet” (Garcia, 2017, p.85). 
Apresenta-se a seguir, com base em Oliveira e Amaral (2014), algumas 
vantagens referentes à aplicação em contexto educacional do Mobile-Learning, 
conforme mostra o Quadro 3. 
 
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Quadro 3 – Vantagens do uso de mobile-learning 
VANTAGENS DESCRIÇÃO 
Autonomia Representa a liberdade para que o estudante organize seu próprio 
estudo, utilizando, inclusive, a internet para buscar outras visões 
sobre determinado assunto e não apenas as que são transmitidas 
pelo professor. 
Portabilidade/Mobilidade O estudante não precisa estar em espaços formais de educação, 
como a sala de aula, por exemplo, para aprender. Desse modo, 
professores e alunos podem enviar e receber informações em 
qualquer local. 
Facilidade de 
entendimentoO aluno pode estudar em seu Ambiente Virtual de Aprendizagem 
preferido, dessa forma, há maior comodidade para interação com 
os demais alunos e com o professor 
Flexibilidade Possibilita que professores tenham maior aproximação dos 
alunos, interagindo ou monitorando as atividades. 
Fonte: Adaptado de Oliveira e Amaral, 2014, p. 3. 
Devido a esta e outras facilidades, o mobile-learning se torna cada vez mais 
atrativo, pois ajuda no processo de aprendizagem e oferece oportunidades para a 
aquisição de conhecimento. Frente a toda essa mudança no cenário educacional 
a atuação do professor em sala de aula passa a ter consideráveis mudanças, por 
contar com práticas mediadas por tecnologias. 
Neste cenário, segundo Garcia: 
No momento em que as plataformas tecnológicas tornaram-se pessoais 
e personalizadas com a emergência dos dispositivos móveis, pode-se 
constatar mais um ponto de virada nas atividades docentes. Dessa vez 
os alunos começaram a protagonizar e dar direcionamento as práticas 
didáticas, tornando-se mais ativos, com mais senso crítico e sendo 
participativos nas escolhas sobre o que, onde, quando e por que estudar, 
ou mesmo fortalecendo suas próprias características de liderança, na 
condução de projetos. Sem dúvida, isso institui a ressignificação de 
propósitos educacionais e os meios para atingi-los (Garcia, 2017, p. 
232). 
É de extrema importância a reflexão sobre a formação inicial e continuada 
dos professores que atuam tanto com ensino fundamental, médio e superior no 
sentido de preparar ou aperfeiçoar suas práticas docentes mediadas pelo uso das 
tecnologias, tanto em ambientes presenciais quanto híbridos. Assim, Kenski 
afirma que: 
A previsão para os próximos anos é que o acesso à internet será feito 
de forma muito mais intensa por meio de celulares e tablets do que pelos 
caminhos “naturais” e conhecidos dos PCs e da própria web. Ciclos cada 
vez mais acelerados ocorrem nos processos de criação, industrialização, 
consumo e superação das tecnologias digitais contemporâneas. E nos 
acostumamos a esse movimento. Em muitos casos, nem mais o 
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percebemos porque a velocidade já se incorporou — como valor — ao 
nosso ritmo de vida (Kenski, 2015, p. 430). 
Indo ao encontro desta ideia, Silva e Batista destacam a importância da 
educação à distância em ambientes online, digitais e interativos, que “consiste em 
romper com as distâncias espaços temporais e viabilizar recursos, interferências, 
conexões e trajetórias que permitem a disseminação de informações e tarefas” 
(Silva; Batista, 2014, p. 2936). 
Diante do exposto, acredita-se que se faz necessário um olhar diferenciado 
e urgente com relação à formação dos professores atuantes nos dias de hoje, pois 
são eles que, além de formar os novos professores que irão atuar em todos os 
níveis de ensino, são também os responsáveis (em partes) por garantir uma 
geração mais engajada e adaptada ao uso das tecnologias disponíveis. 
Com a tecnologia tornando a sociedade cada vez mais interconectada, 
algumas das melhores maneiras de contribuir na aprendizagem do aluno é 
implementar a tecnologia em aulas ou atividades. Os laptops dos professores 
conectados a um projetor de vídeo, o acesso à rede sem fio e os smartphones, 
tablets ou laptops dos alunos podem ser utilizados para melhorar a interação entre 
o professor e os alunos, além de estimular a motivação, o envolvimento e a 
aprendizagem. 
Devido ao interesse e crescimento considerável no uso de tecnologias, 
surgiram e ainda surgem aparatos que dão suporte a essa prática. É comum 
associarmos a tecnologia a um celular, tablet ou outra tecnologia digital. Porém, é 
importante lembrar que essa tecnologia é parte da inovação que se deseja em 
sala de aula. De que adianta ter uma tecnologia digital se não há um planejamento 
que conte com a presença de, por exemplo, aplicativos que, de forma lúdica e 
interessante, proporcionem maior engajamento e desejo de aprender nos alunos? 
Partindo desse princípio, a tecnologia digital aliada a uma técnica de ensino 
são grandes aliados ao professor em sala de aula. 
Atualmente contamos com diversos recursos que foram desenvolvidos 
exclusivamente para o ensino-aprendizado. Esses mesmos recursos podem ser 
usados em uma área empresarial, proporcionando treinamento ou capacitação de 
forma diferenciada, tendo como resultados maior interesse dos funcionários. 
Todos os dias conhecemos novas tecnologias que nos desafiam com suas 
abordagens inovadoras e eficientes. Frente a esse contexto a sociedade está 
mudando, cada vez mais, a maneira de aprender, se comunicar e estar inserida 
em uma era com muita tecnologia e inovação. 
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