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AULA 1 AVALIAÇÃO EM METODOLOGIAS ATIVAS Profª Joice Martins Diaz A luno: E T E LV IN A R IB E IR O LIM A E m ail: ct.etelribeiro@ hotm ail.com 2 CONVERSA INICIAL A educação é um meio único para trazer mudanças sociais, porém, devido às diversas mudanças na sociedade, surge a necessidade de introduzir mudanças também no sistema educacional. Nesta aula serão abordados assuntos relacionados à educação contemporânea que se fazem presentes a partir do novo papel do aluno presente em sala de aula. Diante dessa mudança considerável, faz-se necessário pensar nas modificações que devem ser feitas no contexto escolar, assim como na atuação do professor, para que, diante de um ambiente apropriado dirigido por um profissional que entenda todas essas modificações, seja ofertada uma educação com qualidade e que responda às expectativas dos alunos. TEMA 1 – EDUCAÇÃO PARA CONTEMPORANEIDADE Os ambientes de aprendizagem contemporâneos devem ser projetados para atender às necessidades dos alunos na era digital, oferecendo flexibilidade e oportunidades para colaboração, independência e conectividade com recursos globais. Faz-se necessário implementar métodos de ensino modernos e criativos, nos quais a abordagem do professor e o desempenho do aluno estejam alinhados com os altos padrões acadêmicos aplicados. O aprendizado contemporâneo é personalizado e fornece acesso em qualquer momento e em qualquer lugar para os alunos, por meio das tecnologias portáteis. O mundo dos alunos dentro e fora da escola é conectado pelo uso de ferramentas contemporâneas de processamento de informações, comunicação e colaboração. Os professores se envolvem no aprendizado contínuo para aprimorar sua prática profissional e as práticas de seus alunos. Os pais têm o poder de se envolver ativamente na educação de seus filhos, acessando sistemas de comunicação e aprendizado, além de relatórios e monitoramento on-line. A pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção, feita no ano de 2016, pela Porvir1, ouviu jovens de 13 a 21 anos de todas as regiões do Brasil com o intuito de saber o que os jovens pensam da escola e como eles gostariam que ela fosse. 1 O Porvir é um dos programas do Instituto Inspirare, que mapeia, produz, difunde e compartilha referências sobre inovações educacionais. Tem como propósito inspirar melhorias na qualidade da educação brasileira e incentivar a mídia e a sociedade a compreender e demandar inovações educacionais. A luno: E T E LV IN A R IB E IR O LIM A E m ail: ct.etelribeiro@ hotm ail.com 3 Os jovens foram estimulados a refletir sobre suas experiências de aprendizagem e a expressar seus desejos em relação à educação. Os principais objetivos dessa pesquisa foram: escutar os jovens; incentivar que os jovens se mobilizem e se sintam protagonistas na reflexão sobre a escola que querem; e estimular a reflexão sobre a educação/escola a partir de uma perspectiva inovadora. A consulta Nossa Escola em (Re)Construção utilizou a metodologia PerguntAção, desenvolvida pela Rede Conhecimento Social2. Os jovens do Grupo de Atuação debateram sobre características que não poderiam faltar na escola de seus sonhos. Uma delas é sobre a possibilidade de troca de conhecimento e respeito entre os participantes, o que incluiria habilidades pessoais e aceitação das diversidades. Dessa forma, 132 mil jovens, de todas as regiões do país, com idade de 13 a 21 anos, responderam à pesquisa. 86% dos jovens são provenientes de escola pública, e somente 13% de escola privada. Um dos contextos da pesquisa estava relacionado com a avaliação do aluno sobre a sua escola. Os resultados apontam que 4 em cada 10 jovens estão satisfeitos com as aulas e os materiais pedagógicos; 7 em cada 10 jovens acreditam que as relações dos alunos com a equipe escolar e com seus colegas precisam melhorar; e 57% dos jovens classificam como regular ou ruim o uso da tecnologia na escola. Para avaliar a escola atual ou a última em que estudaram, os participantes foram convidados a dar uma nota para 11 itens, na seguinte escala: 5 “Tá tranquilo, tá favorável” 4 “Até que tá bom, mas…” 3 “Tá mais ou menos” 2 “Tem que melhorar” 1 “Tá tenso" Dentre todas as 11 questões, que envolvem assuntos como prédio e estrutura, alimentação, aulas e matérias, entre outras, a questão sobre “uso da tecnologia” teve uma nota média de 3,2, distribuídas da seguinte forma: 26% “Tá tranquilo, tá favorável” 17% “Até que tá bom, mas…” 2 Organização sem fins lucrativos, spin-off do Instituto Paulo Montenegro, cuja missão é promover a construção participativa de conhecimento, estimulando e conectando pessoas, grupos, organizações e seus saberes, para gerar mobilização e transformação social. A luno: E T E LV IN A R IB E IR O LIM A E m ail: ct.etelribeiro@ hotm ail.com 4 26% “Tá mais ou menos” 10% “Tem que melhorar” 21% “Tá tenso" Entre as atividades práticas, as olimpíadas de conhecimento são as que mais acontecem nas escolas e das quais os jovens mais participam: 6 em cada 10 jovens afirmam que há olimpíadas de conhecimento nas escolas; 4 em cada 10 jovens desejam ter oficinas e atividades de vídeos, jornais, programas de rádio, blogs, fotografia e outras mídias. Na etapa em que os jovens foram convidados a expressarem sua ideia de como seriam os ambientes educacionais dos seus sonhos, 51% apontam que tecnologia não pode faltar em uma escola, pois faz parte da vida dos jovens e eles querem utilizá-la em todos os espaços da escola, não apenas em um laboratório ou em uma sala restrita. A pesquisa conclui que os jovens sentem falta de atividades como: Extraclasse; Artísticas; Uso da tecnologia em suas escolas; Metodologias e oportunidades de aprendizagem que extrapolem o modelo tradicional de aula expositiva e ofereçam uma formação mais abrangente; Aprender além dos conteúdos cobrados nos exames de seleção para ingressar em uma faculdade; Conhecimentos ligados à tecnologia inovadora, que facilita o aprendizado; Atividades educativas que os ajudem a ter melhores relações humanas e sociais e a entender sobre política, cidadania e direitos humanos; Acesso a conteúdos que sejam prazerosos e divertidos, como esportes e bem-estar; Aprender por meio de atividades práticas e interativas, como projetos e rodas de conversa, e com metodologias que envolvam o uso da tecnologia; Diversificar o lugar onde estudam. Essa diversificação inclui o uso da tecnologia no ambiente escolar, que, segundo o resultado da pesquisa a tecnologia não é lembrada pelos jovens apenas quando pensam em métodos para aprender, mas em todos os aspectos do ambiente educacional. Na escola dos sonhos, é permitido usar a tecnologia em qualquer lugar da escola, não apenas em um laboratório de informática, A luno: E T E LV IN A R IB E IR O LIM A E m ail: ct.etelribeiro@ hotm ail.com 5 os alunos aprendem conhecimentos ligados à tecnologia e também usam recursos educacionais tecnológicos, como pesquisas na internet. Os recursos mais modernos, como games e robótica, ainda não aparecem como um desejo urgente dos estudantes, mas estão presentes quando imaginam uma escola inovadora e que os deixa mais felizes. A sala de aula tradicional, com carteiras dispostas em filas, não existe mais na escola dos sonhos dos estudantes (Nossa Escola em (Re)Construção, 2016, p. 71). Segundo Bacich e Moran (2018), para que haja uma educação plena é necessário pensar em um aluno conectado com a tecnologia, tanto em rede como móvel, bem como suas competências digitais. O aluno sem domínio digital deixará de usufruir grandes chancesde se informar por meio de materiais ricos e até de se comunicar, trocar e publicar suas ideias. TEMA 2 – PERFIL DO ALUNO E SUA ATUAÇÃO EM SALA DE AULA Atualmente é necessário ver os estudantes e profissionais como protagonistas no seu processo de ensino-aprendizagem, deixando para trás o conceito de atuação passiva, de alunos que somente recebem informações. As gerações mais novas, conhecidas como Geração Y, Millennials, Dotcom, Net ou nativos digitais, têm a habilidade de realizar diversas atividades ao mesmo tempo, com muito mais velocidade, se comparados a seus antecessores. Essa característica se manifesta de diversas maneiras, mas, em especial, devido à grande demanda de diferentes tecnologias (Filatro; Cavalcanti, 2018). Figura 1 – As gerações Builders, Baby Boomers, Geração X, Geração Y, Geração Z e Geração Alpha Crédito: 24CDesign/Shutterstock. A luno: E T E LV IN A R IB E IR O LIM A E m ail: ct.etelribeiro@ hotm ail.com 6 Para Christensen, Horn e Johnson (2012), a motivação é o elemento principal no processo de ensino-aprendizagem, e tem como objetivo gerar o engajamento dos alunos, passando então a ser protagonistas e responsáveis pelo seu aprendizado. Para tanto, é necessário não tratar a inovação como modismo na área da educação, cabendo a instituição escolar ser um espaço majoritário de transmissão do conhecimento sistematizado. [...] Se os alunos conseguem estabelecer relações entre o que aprendem no plano intelectual e as situações reais, experimentais e profissionais ligadas a seus estudos, certamente a aprendizagem será mais significativa e enriquecedora (Camargo; Daros, 2018, p. 7). Complementando essa ideia, para que o aprendizado ocorra, segundo Ausubel (1982), é necessário o engajamento do aluno e que o conteúdo escolar seja significativo, sempre ligado com o seu contexto. Para tanto, é importante envolver o estudante de forma que ele seja responsável e ativo no processo, para que de fato aconteça uma aprendizagem significativa (Cortelazzo et.al, 2018). Os autores tratam o mesmo cenário como “pedagogia ativa”, colocando o professor como alguém que dá as sugestões para o itinerário formativo e está à disposição para esclarecer dúvidas, tendo o aluno como aquele que procura e seleciona o conteúdo que quer estudar. Para Horn e Staker (2015), o aprendizado por meio de competências, aliado ao ensino híbrido, é compatível com o perfil dos alunos dessas novas gerações, pois permite que o ensino seja mais personalizado, apresentando meios considerados significativos na efetivação da inovação na educação. Para que a nova geração e sua influência se torne positiva no processo de ensino aprendizagem, segundo Camargo e Daros, seria necessária: a construção de metodologias inovadoras com o intuito de criar possibilidades de uma práxis pedagógica que forme um sujeito crítico, reflexivo, transformador e humanizado. Autores como Paulo Freire, Blonsky, Pinkevich, Krupskaia, Freinet, Claparède e Montessori, abordam suas teorias como alternativa necessária para superação do modelo pedagógico tradicional vigente, o que continua sendo um dos grandes desafios que se colocam na contemporaneidade (Camargo; Daros, 2018, p. 9). A capacidade que as crianças e adolescentes possuem em aprender várias coisas ao mesmo tempo, associadas e integradas à sua realidade, é cada vez mais perceptível nos dias de hoje. A heutagogia, termo lançado como resposta à era digital em que as informações são disponibilizadas de forma abundante, considera a autonomia como parte desse contexto, em que os indivíduos podem A luno: E T E LV IN A R IB E IR O LIM A E m ail: ct.etelribeiro@ hotm ail.com 7 e poderão decidir bem como avaliar o que, como e quando querem aprender. (Filatro; Cavalcanti, 2018). TEMA 3 - AS MUDANÇAS NECESSÁRIAS NO ESPAÇO ESCOLAR Os avanços tecnológicos e científicos apresentam grandes avanços, dia após dia. Mesmo diante desse contexto, a sala de aula e o modelo proposto de ensino-aprendizagem ainda acontecem de forma oral e escrito, mantendo intacto o uso do giz, caderno e caneta. O mesmo acontece com os recursos tecnológicos, que também apresentam avanços significativos, enquanto o uso em sala de aula ainda caminha a passos lentos (Camargo; Daros, 2018). Carbonell complementa Não se pode olhar para trás em direção à escola ancorada no passado em que se limita ler, escrever, contar e receber passivamente um banho de cultura geral. A nova cidadania que é preciso formar exige, desde os primeiros anos de escolarização, outro tipo de conhecimento e uma participação mais ativa (Carbonell, 2002, p. 16). A prática educativa, segundo Zabala (1998), implica em mudanças no contexto dos conteúdos, bem como na forma de avaliá-los, por considerar que as finalidades do ensino devem caminhar em prol da formação da pessoa, de forma integral, por meio de intervenções adaptadas à realidade educativa do aluno. Conforme Moran, além da mobilidade, há avanços nas ciências cognitivas aprendemos de formas diferentes e em ritmos diferentes e temos ferramentas mais adequadas para monitorar esses avanços. Podemos oferecer propostas mais personalizadas, monitorando-as, avaliando-as em tempo real, o que não era possível na educação mais massiva ou convencional (Moran, 2018, p. 1). Atividades, consideradas diárias dentro de sala de aula, mesmo que com caráter mais metodológico e pragmático, podem proporcionar maior grau de pensamento e, consequentemente, mais autonomia para o aluno. Conforme Raths (1974, p. 358-359) algumas mudanças de atitude podem auxiliar ou dificultar nesse processo, conforme exposto no Quadro 1. A luno: E T E LV IN A R IB E IR O LIM A E m ail: ct.etelribeiro@ hotm ail.com 8 Quadro 1 – Fatores que podem dificultar ou estimular o pensamento OBSTÁCULOS (fatores que podem dificultar o pensamento) AUXÍLIO (fatores que podem estimular o pensamento) O professor realiza a atividade O aluno realiza a atividade O professor rejeita o aluno e seus esforços O professor aceita o aluno e seus esforços de realização As atividades são quase sempre insignificantes As atividades têm um objetivo ou um significado Só se permite uma forma de realizar as atividades Os alunos fazem atividades de várias formas A discussão não é permitida Os alunos têm a oportunidade para discutir o que fizeram O professor de modo geral intimida os alunos. As mudanças resultam de pedidos do professor Os alunos devem dizer se desejam fazer qualquer modificação no seu trabalho realizado. O professor aceita a decisão do aluno, concorde ou não com ela. As atividades se restringem a um assunto e/ou área curricular As atividades abrangem diferentes assuntos e áreas curriculares A classe é governada despoticamente O clima da classe é de respeito mútuo, aceitação e de troca de ideias Operações de pensamento exclusivas e independentes As atividades combinam várias operações de pensamento (por exemplo: observar, comparar, resumir, avaliar) Fonte: Adaptado de Raths, 1974. Percebe-se que métodos considerados ativos em sala de aula proporcionam experiências favoráveis, resultado de pensamento criativo e a interação ativa com o objeto de estudo e sua problematização. Os atos então passam a ter significado, pois são respostas aos estímulos recebidos pelo seu professor e seu interesse. TEMA 4 – MUDANÇAS NECESSÁRIAS NO PAPEL DO PROFESSOR O sistema educacional do século XXI mudou radicalmente com a integração da tecnologia em todos os setores. Ao mesmo tempo, os alunos estão mais maduros do que no tempo anterior. Atualmente a educação depende de Habilidades de Pensamento, Habilidades Interpessoais, Mídia de Informação, Habilidades Tecnológicas e Habilidades para a Vida. Agora não há valor para a aprendizagem mecânica. A educação passa por uma transição notória, porém ainda pautadaem métodos e parâmetros que, de modo geral, são considerados um pouco ultrapassados e que não condizem mais com o contexto contemporâneo de educação, ou seja, não se adequam de forma satisfatória às instituições educacionais bem como ao dia a dia do aluno. A modernização por meio do avanço das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) ou Tecnologias A luno: E T E LV IN A R IB E IR O LIM A E m ail: ct.etelribeiro@ hotm ail.com 9 Digitais de Informação e Comunicação (TDICs) trouxe novos modos de pensar e aprender. Diante desse contexto, segundo Camargo e Daros (2018, p.3-4) pergunta-se: como modificar os modos de aprender e ensinar das instituições para gerar resultados mais positivos? Como garantir que os alunos se apropriem do conhecimento historicamente acumulado e os relacionem com o cotidiano? Como gerar maior engajamento, motivação e responsabilidade nos alunos? Quais estratégias pedagógicas podem auxiliar o professor e tornar as aulas mais significativas? Para Vickery (2016), a partir do momento em que o professor conhece seu grupo de alunos, consegue criar ambientes de aprendizado em que o aluno se sinta seguro e capaz de expor sua opinião, promovendo debates, reflexão e até criatividade. Metodologias inovadoras devem ser pensadas, pois os professores, em sua maioria, ainda utilizam metodologias correspondentes ao século XX, as quais não correspondem às expectativas dos alunos século XXI. Segundo Moran (2018, p. 1), “as escolas que nos mostram novos caminhos estão mudando para modelos mais centrados em aprender ativamente com problemas reais, desafios relevantes, jogos, atividades e leituras, valores fundamentais, combinando tempos individuais e tempos coletivos”. Mesmo com as semelhanças no aspecto físico das salas de aula, presentes nas escolas até hoje, Cortelazzo et al. (2018) afirmam que os avanços pedagógicos aconteceram com mais intensidade após as últimas décadas do século XX. Da mesma forma e como consequência de todas essas mudanças, os métodos de ensino também passaram por mudanças e continuam se desenvolvendo de forma significativa. A sala de aula passa então a ser um espaço onde o aluno desempenha um papel diferenciado, o de agente ativo na sua aprendizagem. Os professores, além de facilitadores da aprendizagem, passam a ensinar os alunos formas de identificar e aumentar suas habilidades, expandir a mente, aumentar a capacidade digital, o pensamento crítico e a criatividade, bem como a aprendizagem sustentável. Assim, a vitória dos alunos é a vitória dos professores. Nessa era digital, a internet está cheia de recursos de suporte. Quando um professor ensina os alunos de uma perspectiva colaborativa, eles aprendem mais profundamente. Professores eficazes não limitam os recursos de aprendizagem para os alunos, e sim criam materiais de aprendizagem divertidos, diferentes e interessantes. Os professores do século XXI devem saber da importância da A luno: E T E LV IN A R IB E IR O LIM A E m ail: ct.etelribeiro@ hotm ail.com 10 aprendizagem baseada em aquisições e aprendizagem baseada em participação. Da mesma forma, ele sabe o valor de se envolver e trabalhar na comunidade. A sociedade moderna precisa de professores que possam se adaptar, rápida e efetivamente, às demandas do momento. E isso tudo começa com a devida consciência da mudança que está acontecendo ao nosso redor. TEMA 5– EDUCAÇÃO E INOVAÇÃO: A INFLUÊNCIA DA TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO CONTEMPORÂNEA É notória a grande mudança no contexto educacional relacionada ao uso de diferentes tecnologias e formas de ensinar. Da mesma forma, é sabido que as tecnologias mudam e se aperfeiçoam dia após dia. Diante desse contexto, é importante saber quais tecnologias estão sendo utilizadas na atualidade, mas que, porém, em um futuro breve, não serão capazes de atender as expectativas dos alunos bem como provocar satisfação e entusiasmo em sala de aula. Com base em Kelly (2017) algumas tecnologias foram listadas no Quadro 2 como importantes na próxima década, ou que já estão em grande uso, e que irão substituir as tecnologias utilizadas também no âmbito educacional nos dias de hoje. Quadro 2 – Perspectivas das tecnologias na próxima década Tecnologias que irão desaparecer na próxima década Tecnologias que irão se tornar importantes na educação na próxima década Computadores e laptops Realidade aumentada/virtual Impressoras, escâneres e copiadoras Impressoras/escâneres/modelagem em 3D Retroprojetores Aprendizagem adaptativa e personalizada CDs e DVDs / Quadro de giz/ Quadro branco Vídeo e transmissão Livros e folhetos impressos Ferramentas de colaboração e mídia social; Internet das coisas e vestíveis Projetores não interativos Ferramentas baseadas na nuvem; projetores e quadros brancos interativos Fonte: Adaptado de Kelly, 2017. Outra realidade no âmbito educacional é a educação à distância ou híbrida, que contam com dispositivos móveis para se viabilizar. A luno: E T E LV IN A R IB E IR O LIM A E m ail: ct.etelribeiro@ hotm ail.com 11 Segundo Moran “a tecnologia em rede e móvel e as competências digitais são componentes fundamentais de uma educação plena” (MORAN, 2018, p. 2). Complementando essa ideia de Moran, Filatro e Cavalcante afirmam que no campo educacional, esses dispositivos possibilitaram o surgimento de uma nova modalidade de ensino aprendizagem denominada aprendizagem móvel (ou aprendizagem com mobilidade), uma tradução para mobile learning (ou m-learning), do idioma inglês. No m-learning, o processo de ensino e aprendizagem é intermediado por dispositivos sem fio, como telefone celular, o smartphone e o tablet, por exemplo, e permite conectar a experiência formal de educação com o aprendizado situado (Filatro; Cavalcante, 2018, p, 107). São também elementos que compõem a aprendizagem em contextos de mobilidade: e-learning (redes de computadores). Já o u-learning são dispositivos móveis, comunicação sem fio, tecnologias de sensores e tecnologias de localização (Filatro; Cavalcanti, 2018, p. 110). Para Garcia (2017, p. 83), os conceitos de e-learning, m-learning e u-learning pertencem a mesma categoria das formas de aprendizagens mediadas por tecnologias digitais, pois trazem em si o termo “learning”, o qual se relaciona com ações e ambientes de aprendizagem/ aplicativos/ produtos digitais com foco educacional. São consideradas metodologias comuns do mobile-learning: Videoaulas; Aplicativos; Gamificação; Livros digitais; Cursos e-learning, dentre outros. O mobile-learning, que é o aprendizado apoiado por ferramentas e mídias digitais por meio de um dispositivo móvel (smartphones ou tablets), apresenta diversos benefícios como: mobilidade, rápido acesso à informação, autodidatismo e entretenimento, entre outros. Afirma Garcia que “o mobile-learning (m-learning) enfatiza a aprendizagem em contextos de mobilidade, contrapondo-se a acessos fechados e presentes em bases fixas de desktop conectadas a internet” (Garcia, 2017, p.85). Apresenta-se a seguir, com base em Oliveira e Amaral (2014), algumas vantagens referentes à aplicação em contexto educacional do Mobile-Learning, conforme mostra o Quadro 3. A luno: E T E LV IN A R IB E IR O LIM A E m ail: ct.etelribeiro@ hotm ail.com 12 Quadro 3 – Vantagens do uso de mobile-learning VANTAGENS DESCRIÇÃO Autonomia Representa a liberdade para que o estudante organize seu próprio estudo, utilizando, inclusive, a internet para buscar outras visões sobre determinado assunto e não apenas as que são transmitidas pelo professor. Portabilidade/Mobilidade O estudante não precisa estar em espaços formais de educação, como a sala de aula, por exemplo, para aprender. Desse modo, professores e alunos podem enviar e receber informações em qualquer local. Facilidade de entendimentoO aluno pode estudar em seu Ambiente Virtual de Aprendizagem preferido, dessa forma, há maior comodidade para interação com os demais alunos e com o professor Flexibilidade Possibilita que professores tenham maior aproximação dos alunos, interagindo ou monitorando as atividades. Fonte: Adaptado de Oliveira e Amaral, 2014, p. 3. Devido a esta e outras facilidades, o mobile-learning se torna cada vez mais atrativo, pois ajuda no processo de aprendizagem e oferece oportunidades para a aquisição de conhecimento. Frente a toda essa mudança no cenário educacional a atuação do professor em sala de aula passa a ter consideráveis mudanças, por contar com práticas mediadas por tecnologias. Neste cenário, segundo Garcia: No momento em que as plataformas tecnológicas tornaram-se pessoais e personalizadas com a emergência dos dispositivos móveis, pode-se constatar mais um ponto de virada nas atividades docentes. Dessa vez os alunos começaram a protagonizar e dar direcionamento as práticas didáticas, tornando-se mais ativos, com mais senso crítico e sendo participativos nas escolhas sobre o que, onde, quando e por que estudar, ou mesmo fortalecendo suas próprias características de liderança, na condução de projetos. Sem dúvida, isso institui a ressignificação de propósitos educacionais e os meios para atingi-los (Garcia, 2017, p. 232). É de extrema importância a reflexão sobre a formação inicial e continuada dos professores que atuam tanto com ensino fundamental, médio e superior no sentido de preparar ou aperfeiçoar suas práticas docentes mediadas pelo uso das tecnologias, tanto em ambientes presenciais quanto híbridos. Assim, Kenski afirma que: A previsão para os próximos anos é que o acesso à internet será feito de forma muito mais intensa por meio de celulares e tablets do que pelos caminhos “naturais” e conhecidos dos PCs e da própria web. Ciclos cada vez mais acelerados ocorrem nos processos de criação, industrialização, consumo e superação das tecnologias digitais contemporâneas. E nos acostumamos a esse movimento. Em muitos casos, nem mais o A luno: E T E LV IN A R IB E IR O LIM A E m ail: ct.etelribeiro@ hotm ail.com 13 percebemos porque a velocidade já se incorporou — como valor — ao nosso ritmo de vida (Kenski, 2015, p. 430). Indo ao encontro desta ideia, Silva e Batista destacam a importância da educação à distância em ambientes online, digitais e interativos, que “consiste em romper com as distâncias espaços temporais e viabilizar recursos, interferências, conexões e trajetórias que permitem a disseminação de informações e tarefas” (Silva; Batista, 2014, p. 2936). Diante do exposto, acredita-se que se faz necessário um olhar diferenciado e urgente com relação à formação dos professores atuantes nos dias de hoje, pois são eles que, além de formar os novos professores que irão atuar em todos os níveis de ensino, são também os responsáveis (em partes) por garantir uma geração mais engajada e adaptada ao uso das tecnologias disponíveis. Com a tecnologia tornando a sociedade cada vez mais interconectada, algumas das melhores maneiras de contribuir na aprendizagem do aluno é implementar a tecnologia em aulas ou atividades. Os laptops dos professores conectados a um projetor de vídeo, o acesso à rede sem fio e os smartphones, tablets ou laptops dos alunos podem ser utilizados para melhorar a interação entre o professor e os alunos, além de estimular a motivação, o envolvimento e a aprendizagem. Devido ao interesse e crescimento considerável no uso de tecnologias, surgiram e ainda surgem aparatos que dão suporte a essa prática. É comum associarmos a tecnologia a um celular, tablet ou outra tecnologia digital. Porém, é importante lembrar que essa tecnologia é parte da inovação que se deseja em sala de aula. De que adianta ter uma tecnologia digital se não há um planejamento que conte com a presença de, por exemplo, aplicativos que, de forma lúdica e interessante, proporcionem maior engajamento e desejo de aprender nos alunos? Partindo desse princípio, a tecnologia digital aliada a uma técnica de ensino são grandes aliados ao professor em sala de aula. Atualmente contamos com diversos recursos que foram desenvolvidos exclusivamente para o ensino-aprendizado. Esses mesmos recursos podem ser usados em uma área empresarial, proporcionando treinamento ou capacitação de forma diferenciada, tendo como resultados maior interesse dos funcionários. Todos os dias conhecemos novas tecnologias que nos desafiam com suas abordagens inovadoras e eficientes. Frente a esse contexto a sociedade está mudando, cada vez mais, a maneira de aprender, se comunicar e estar inserida em uma era com muita tecnologia e inovação. A luno: E T E LV IN A R IB E IR O LIM A E m ail: ct.etelribeiro@ hotm ail.com 14 REFERÊNCIAS AUSUBEL, D. P. The psychology of meaningful verbal learning. New York, Grune and Stratton, 1982. BACICH, L.; MORAN, J. (Orgs.). Metodologias ativas para uma edu-cação inovadora: uma abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso, 2018. CAMARGO, F.; DAROS, T. A sala de aula inovadora: estratégias pedagógicas para fomentar o aprendizado ativo. Porto Alegre: Penso, 2018. CARBONELL, J. A aventura de inovar: a mudança na escola. São Paulo: Artes Médicas, 2002. CORTELAZZO, A. L. et al. Metodologias ativas e personalizadas de aprendizagem. Rio de Janeiro: Alta Books, 2018. CHRISTENSEN, C.; HORN, M.; JOHNSON, C. Inovação na sala de aula: como a inovação disruptiva muda a forma de aprender. Porto alegre: Bookman: 2012. 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A luno: E T E LV IN A R IB E IR O LIM A E m ail: ct.etelribeiro@ hotm ail.com 15 OLIVEIRA, T. M. R.; AMARAL, C. L. C. O uso do aplicativo Socrative como ferramenta de diagnóstico e intervenção no ensino da matemática. Anais do Congresso Internacional de Educação e Tecnologias. 2014. Disponível em: . Acesso em: 19 nov. 2019. RATHS, L. E. Ensinar a pensar. São Paulo: EPU, 1974. SILVA, J. F.; BATISTA, E. M. Uma perspectiva de formação continuada de professores por meio da educação a distância. In: ESUD – XI Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância ISC. 2014. Disponível em: . Acesso em: 19 nov. 2019. VICKERY, A. A aprendizagem ativa nos anos iniciais do ensino fundamental. Porto Alegre: Penso, 2016. A luno: E T E LV IN A R IB E IR O LIM A E m ail: ct.etelribeiro@ hotm ail.com