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A RECREAÇÃO E OS
JOGOS NA
CONSTRUÇÃO DE UMA
PROPOSTA DE ENSINO E
APRENDIZAGEM
Aula 1
CONCEITOS E DIFERENÇAS
ENTRE RECREAÇÃO E JOGO
Conceitos e diferenças entre
recreação e jogo
Olá, estudante! Nesta videoaula, você conhecerá características
básicas de recreação e conseguirá fazer aproximações e
diferenciações entre recreação e jogo.
Esse conteúdo é muito importante para que você compreenda os
fundamentos presentes nas propostas de intervenção, garantindo
que você promova aprendizagens significativas.
Prepare-se para essa jornada de conhecimento!! Vamos lá!!
Ponto de Partida
Jogos e recreação desempenham um papel fundamental no
desenvolvimento humano, proporcionando não apenas
entretenimento, mas também oportunidades de aprendizado,
socialização e bem-estar físico e mental. Ao longo dos tempos,
essas atividades têm sido parte integrante das culturas em todo o
mundo, refletindo os valores, as crenças e tradições de cada
sociedade. Ao compreendermos melhor o papel dos jogos e da
recreação em nossas vidas, podemos explorar todo o seu potencial
para promover o bem-estar e a qualidade de vida em nossa
sociedade.
Considerando esses pontos, quero te convidar a refletir sobre a
situação-problema a seguir: em uma escola, há um debate entre os
professores sobre a diferença entre jogo e recreação. Alguns
defendem que ambos os termos são sinônimos e podem ser usados
indistintamente, enquanto outros argumentam que há distinções
importantes entre eles. Essa divergência de opiniões está causando
confusão entre os estudantes, que não compreendem
completamente a diferença entre jogo e recreação. Como resolver
essa questão de forma a esclarecer adequadamente aos alunos e
promover um entendimento claro sobre as diferenças entre jogo e
recreação? 
Vamos Começar!
Conceitos e diferenças entre recreação e jogo
Fomentando as ideias iniciais sobre a abordagem, é possível
considerarmos a recreação, como fenômeno humano, essencial
para o desenvolvimento pessoal e social, proporcionando
relaxamento, diversão e aprendizado. Os jogos, por sua vez,
oferecem oportunidades para exercitar habilidades cognitivas,
motoras e sociais, promovendo interação e cooperação. Apesar das
semelhanças, é importante distinguir entre recreação e jogos.
Enquanto a recreação aborda o lazer e a diversão em geral, os jogos
são atividades estruturadas com regras e objetivos específicos.
Essas diferenças e semelhanças nos incentivam a refletir sobre a
variedade de formas de entretenimento disponíveis e seus impactos
no bem-estar e no aprendizado das pessoas. 
Características básicas da recreação
Cavallari (2018, p.15) inicia nossa discussão enfatizando que “a
recreação é o fato, ou o momento, ou a circunstância que o indivíduo
escolhe espontânea e deliberadamente, através do qual ele satisfaz
(sacia) seus anseios voltados ao seu lazer.”
Ressalta que a recreação apresenta 5 características básicas:
1. Deve ser encarada pelo praticante como um fim em si mesma,
sem que se espere benefícios ou resultados específicos.
2. Deve ser escolhida livremente e praticada espontaneamente,
segundo os interesses de cada um.
3. Busca levar o praticante a estados psicológicos positivos.
4. Deve ser de natureza a propiciar à pessoa o exercício da
criatividade. Na medida em que se ofereça a estimulação, essa
criatividade deve ser plenamente desenvolvida.
5. Nas características de organização da sociedade nos níveis
econômicos, sociais, políticos e culturais em geral, a recreação
de cada grupo é escolhida de acordo com os interesses
comuns dos participantes (CAVALLARI, 2018, p. 15-16).
Para materializar essas características básicas, vamos pensá-las de
forma individual.
Na característica 1, quem procura recreação tem como único
objetivo se divertir, sem qualquer compromisso ou expectativa de
retorno.
Considerando a característica 2, cada pessoa tem o direito de
decidir como quer se divertir ou se não quer participar da diversão.
Não se pode impor a recreação a ninguém; apenas encorajar e
inspirar. Os especialistas em recreação estabelecem ambientes e
situações favoráveis para que as pessoas se divirtam de forma
espontânea.
O que vemos, estudante, na característica 3, é que a recreação é
essencialmente voltada para o prazer e o desfrute. No entanto, é
importante ter cautela com certas atividades lúdicas que podem
levar a experiências negativas e indesejadas durante sua realização.
O momento da recreação, na característica 4, volta-se para uma
prática que propícia a criatividade e na qual há ausência de pressão.
É um momento de liberdade para explorar sem medo de errar, pois
não há consequências negativas.
Finalizando as características da recreação temos a quinta, em que
os seres humanos têm uma inclinação natural para buscar e se
reunir com aqueles que são semelhantes a eles. Esses grupos
compartilham comportamentos e características semelhantes e, por
isso, tendem a buscar formas específicas de recreação que atendam
às suas preferências e aos seus interesses. 
Jogos: conceitos e possibilidades
Durante séculos, o jogo foi restrito para as crianças, mas, a partir do
século XX, houve um aumento nos estudos sobre seu papel no
desenvolvimento infantil. Os pesquisadores analisaram os diferentes
significados e impactos dos jogos nas culturas, reconhecendo sua
importância para aprendizagem e crescimento. Com base em
pesquisas empíricas, passaram a recomendar os jogos como uma
atividade essencial para todas as crianças, destacando seu valor
para a sociedade como um fenômeno fundamental.
Chicon (2013) destaca a importância desse momento em que as
crianças começam a interagir com o mundo dos adultos, ainda sem
compreender completamente a realidade ao seu redor. Através do
jogo, elas assimilam essa realidade, buscando satisfazer suas
necessidades emocionais, intelectuais e físicas, o que contribui para
um equilíbrio pessoal tanto no âmbito físico quanto social.
O jogo é uma parte essencial da rotina de toda criança, sendo
atrativo, prazeroso e espontâneo, incentivando o aprimoramento de
habilidades motoras, a abertura para o mundo e a capacidade de
transferir aprendizados para diferentes situações. A autora também
destaca que o jogo pode ser compreendido em três níveis distintos
de complexidade, conforme estudos de Brougére e Henriot:
1. O resultado de um sistema linguístico que funciona dentro de
um contexto social.
2. Um sistema de regras.
3. Um objeto.
No primeiro caso, a compreensão do jogo é influenciada pela
linguagem de cada contexto social e pelo funcionamento prático da
linguagem, que atribui significados às palavras por meio de
analogias. Assim, o jogo adquire sua imagem e sentido de acordo
com as interpretações de cada sociedade, variando conforme o local
e a época. Cada comunidade constrói uma percepção do jogo
conforme seus valores e estilo de vida, refletidos na linguagem. É
importante notar que, ao longo do tempo, a visão do jogo evoluiu de
algo considerado inútil e trivial para uma atividade séria e educativa.
No segundo estudo, o jogo é caracterizado por um conjunto de
regras que definem sua estrutura e modalidade. Cada jogo, como
xadrez, damas, loto ou trilha, possui regras específicas que os
distinguem uns dos outros. Por exemplo, mesmo usando o mesmo
objeto, como um baralho, as regras do jogo determinam se é jogado
buraco ou tranca. Assim, as regras são fundamentais para distinguir
e definir a natureza de cada jogo.
O terceiro sentido refere-se ao jogo como um objeto físico ou
material. Por exemplo, no xadrez, o jogo se materializa no tabuleiro e
nas peças, que podem ser feitas de diferentes materiais, como
papelão, madeira, plástico, pedra ou metais. Um pião, por sua vez, é
confeccionado a partir de diversos materiais, como casca de frutas
ou plástico, e representa o objeto usado na brincadeira de rodar
pião. Essa abordagem destaca a relação entre o jogo e os objetos
físicos que o representam, enfatizando a materialidadee valores, permitindo a construção de uma
identidade pessoal e coletiva. É uma dimensão que dialoga
intimamente com a afetividade e a motivação, possibilitando
aprendizagem das regras sociais com riscos controlados. Como
jogos socializadores tradicionais podemos praticar o telefone sem
fio, a estátua, corre cutia, esconde-esconde, passa anel, entre outros.
A afetividade está relacionada à sensibilidade, estima, empatia,
simpatia, alteridade, mostrando íntimo diálogo com a socialização. É
uma dimensão que precisa ser suprida para garantir a sobrevivência
e a necessidade da convivência humana. Sendo um dos processos
basilares do desenvolvimento humano, sua articulação com a
cognição é de suma importância por abrir veias da sensibilidade que
poderão conduzir com fluidez os aspectos intelectuais. Como jogos
tradicionais para trabalhar a afetividade podemos destacar salada
mista, dança da vassoura, brincadeiras de roda, amigo secreto,
dentre outros.
A motivação é uma condição orgânica influenciadora do
comportamento, que, como impulso interno, conduz à ação, por isso,
motivo + ação. Está atrelada ao interesse, à alegria, ao entusiasmo.
Motiva porque provoca a curiosidade, levando-as ao questionamento
e à construção e reconstrução do conhecimento, envolvendo a
afetividade e a criatividade. Dos jogos tradicionais que possibilitam
a motivação, é possível trabalhar com praticamente todos os
citados, mas a título de sugestões: pula sela, bola de gude, peteca,
cinco-marias, queimada, cabra-cega, elástico, dentre outros.
A criatividade é uma dimensão intimamente relacionada à
imaginação, curiosidade, invenção e cognição. Ela nos permite
perceber as coisas, correr riscos, superar/rever padrões, engendrar
novas conexões. Como sugestões de jogos tradicionais que
exploram a criatividade temos faz de conta, adivinhações, mímicas,
rimas, recontar clássicos literários, desempenhar papéis.   
A psicomotricidade tem como fenômeno a corporeidade, o
movimento, a cognição e a afetividade. Permite o desenvolvimento
global a partir de exercícios do desenvolvimento motor, afetivo e
psicológico, sendo o movimento a condição natural do ser humano.
Dos jogos que envolvem o desenvolvimento psicomotor temos o
rolar, engatinhar, dar cambalhotas, equilibrar-se em um só pé,
pedalar,  andar de carrinho de mão, girar bambolê, pular corda,
brincar de vivo-morto, dentre outros.
Explorar as dimensões e os fenômenos permite o desenvolvimento
da autoconfiança e do autorrespeito, motivando os envolvidos à
autoestima. Conduz o aprendente à construção de sua
personalidade, exploração das interações, melhoria da qualidade
dos relacionamentos, promove sentido de pertencimento e
aceitação, incentiva a persistência, favorece a valorização pessoal e
a percepção de potencialidades. 
Vamos Exercitar?
Estudante, lembra-se de que levantei alguns questionamentos a
você relacionados à ludicidade, quando perguntei se realmente o
brincar pode contribuir com o desenvolvimento global do
aprendente, e até te convidei a retornar à sua infância e pensar nas
brincadeiras e jogos que vivenciou? Muito bem! Vamos considerar a
seguir o “esconde-esconde”, uma brincadeira que provavelmente
você brincou ou já ouviu falar. Essa proposta desenvolve várias
dimensões do aprendente, e quero compartilhá-las para que você
tenha visibilidade:
Desenvolvimento físico:
1. Coordenação motora: correr, agachar, pular e se esconder
ajudam a desenvolver a coordenação motora grossa.
2. Agilidade e velocidade: a necessidade de se movimentar
rapidamente para encontrar um esconderijo ou encontrar
alguém desenvolve a agilidade e a velocidade.
3. Consciência espacial: a criança aprende a se movimentar e a
se posicionar no espaço, entendendo distâncias e tamanhos
dos esconderijos.
 Desenvolvimento cognitivo:
1. Planejamento e estratégia: a criança precisa planejar onde se
esconder e como encontrar os outros, desenvolvendo
habilidades de resolução de problemas.
2. Memória: lembrar onde já procurou ou onde os outros
costumam se esconder melhora a memória de curto prazo.
3. Tomada de decisão: a necessidade de tomar decisões rápidas
sobre onde se esconder ou para onde correr ajuda a
desenvolver habilidades de tomada de decisão.
Desenvolvimento social:
1. Trabalho em equipe: jogar em grupo exige cooperação e, às
vezes, trabalho em equipe, especialmente quando as crianças
ajudam umas às outras.
2. Respeito pelas regras: a criança aprende a seguir as regras do
jogo, o que é importante para a socialização e convivência em
grupo.
3. Competição saudável: a brincadeira ensina a lidar com ganhar
e perder, promovendo uma competição saudável.
Desenvolvimento emocional:
1. Autoconfiança: encontrar um bom esconderijo ou conseguir
achar alguém pode aumentar a autoconfiança da criança.
2. Gerenciamento de emoções: a criança aprende a lidar com a
ansiedade de ser encontrada e a excitação de encontrar os
outros, ajudando no Empatia: entender os sentimentos dos
colegas, como a frustração de ser encontrado ou a alegria de
ganhar, desenvolve a empatia.
 Desenvolvimento linguístico:
1. Comunicação: a brincadeira pode exigir comunicação clara e
eficaz para coordenar com os colegas, especialmente em jogos
em equipe.
2. Vocabulário: aprender e usar palavras e frases relacionadas ao
jogo e à estratégia pode expandir o vocabulário da criança.
A brincadeira de esconde-esconde não é apenas divertida, mas rica
em oportunidades de aprendizagem. Ao participar desse jogo, as
crianças desenvolvem habilidades físicas, cognitivas, sociais,
emocionais e linguísticas, todas essenciais para seu crescimento e
desenvolvimento integral. Compartilho essas dimensões com você
para ajudá-lo a compreender o valor educacional das brincadeiras e
incentivá-lo a colocar a ludicidade em prática sempre que houver
possibilidade. 
Saiba Mais
Sugiro a leitura do capítulo “O jogo lig-4 como instrumento de
avaliação e de intervenção”, do livro Jogos, psicologia e educação:
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/2426/pdf/0?code=qN/9rVDw3QbYPTQ2Y39fkFkOl0y0YcGqDO9z5JBVKtEdsfRTkBfr8bHDG/sre61lpG5Bfy1r2IVXfs5j4rZ9iA==
teoria e pesquisas.
Sugiro a leitura das páginas 40 a 43 do livro Mediação
psicopedagógica na família, na escola e em instituições não escolares
para compreender de forma concreta os quatro conceitos básicos
da teoria piagetiana.
Sugiro a leitura das páginas 91 a 118 do livro Intervenção
psicopedagógica: desatando nós, fazendo laços, para uma
visibilidade mais detalhada dos instrumentos e recursos
comentados com exemplos práticos.
 
 
Referências Bibliográficas
BEMVENUTI, Alice. et al. O lúdico na prática pedagógica. 1. ed.
Curitiba: Intersaberes, 2012. E-book. 
MACEDO, Lino de. (org.). Jogos, psicologia e educação: teoria e
pesquisas. São Paulo: Pearson, 2009. E-book.  
GRASSI, Tânia Mara. A avaliação e intervenção psicopedagógica
clínica. 1. ed. São Paulo: Contentus, 2020. E-book. 
GRASSI, Tânia Mara. Intervenção psicopedagógica: desatando nós,
fazendo laços. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2021. E-book. 
KÜSTER, Sonia Maria Gomes de Sá. Mediação psicopedagógica na
família, na escola e em instituições não escolares. 1. ed. Curitiba:
Intersaberes, 2020. E-book. 
MIRANDA, Simão de. Oficina de ludicidade na escola. 1. ed.
Campinas: Papirus, 2016. E-book. 
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/2426/pdf/0?code=qN/9rVDw3QbYPTQ2Y39fkFkOl0y0YcGqDO9z5JBVKtEdsfRTkBfr8bHDG/sre61lpG5Bfy1r2IVXfs5j4rZ9iA==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/186489/pdf/0?code=mSJG4xpUo+Hzwnjbp9Oba477yZr+WHLNpW49GD6M4uuWJ6LpL/nkaHhXZ+YCMu3eL8jO1S3nxSThmnViGrG5qw==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/186489/pdf/0?code=mSJG4xpUo+Hzwnjbp9Oba477yZr+WHLNpW49GD6M4uuWJ6LpL/nkaHhXZ+YCMu3eL8jO1S3nxSThmnViGrG5qw==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/186965/pdf/0?code=LSaAkfj2N6NxwJ4HbnajsmrT8BZOoGeq2TVJt0pldpe982xXPy4DJCMEekNbKNNOsxhJA18LIMdjJo+qTWiXyQ==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/186965/pdf/0?code=LSaAkfj2N6NxwJ4HbnajsmrT8BZOoGeq2TVJt0pldpe982xXPy4DJCMEekNbKNNOsxhJA18LIMdjJo+qTWiXyQ==Encerramento da Unidade
A RECREAÇÃO E OS JOGOS
NA CONSTRUÇÃO DE UMA
PROPOSTA DE ENSINO E
APRENDIZAGEM
Videoaula de Encerramento
Olá, estudante! Nesta videoaula, você irá aproximar os
conhecimentos sobre os jogos e recreação com a intervenção lúdica
na prática psicopedagógica.
Esse conteúdo é relevante na sua prática profissional para que você
valorize a ludicidade no atendimento psicopedagógico e amplie as
possibilidades das práticas de intervenção de forma efetiva e
assertiva para o desenvolvimento do aprendente.
Você está pronto para essa jornada?! Então venha comigo!!!
Ponto de Chegada
Estudante, compreender fundamentos presentes nas propostas de
intervenção com recreação e jogos, possibilitando a construção de
aprendizagens significativas, é a competência desta unidade. Para
desenvolvê-la, você está explorando os conceitos fundamentais da
recreação e do jogo, suas características básicas e o papel do
profissional na observação e proposição de atividades lúdicas para o
desenvolvimento das competências socioemocionais e cognitivas.
Jogos e recreação são essenciais para o desenvolvimento humano,
oferecendo não apenas diversão, mas também oportunidades para
aprendizado, socialização e bem-estar físico e mental.
Historicamente, essas atividades têm sido uma parte vital das
culturas em todo o mundo, refletindo os valores, as crenças e
tradições de cada sociedade. Ao entendermos mais profundamente
o papel dos jogos e da recreação, podemos aproveitar todo o seu
potencial para melhorar o bem-estar e a qualidade de vida em nossa
sociedade.
Os jogos proporcionam possibilidades de desenvolver habilidades
cognitivas, motoras e sociais, incentivando a interação e a
cooperação. Embora tenham semelhanças, a recreação envolve
atividades de lazer e diversão em geral, enquanto os jogos são
atividades estruturadas com regras e objetivos específicos. Essas
distinções e semelhanças nos levam a considerar a diversidade de
formas de entretenimento disponíveis e seus efeitos no bem-estar e
no aprendizado das pessoas.
Quando as crianças começam a interagir com o mundo dos adultos,
mesmo sem entender plenamente a realidade ao seu redor, por meio
do jogo elas assimilam essa realidade, atendendo às suas
necessidades emocionais, intelectuais e físicas, o que ajuda a
alcançar um equilíbrio pessoal nos aspectos físico e social (CHICON,
2013).
Sabe o que é importante no processo de aprendizagem, estudante?
É você considerar como o aprendente aprende! É aprender a
valorizar o contexto em que ele está, como você está empregando
as atividades lúdicas e como suas estratégias estão promovendo o
desenvolvimento dele. Ensinar é uma atividade complexa que requer
explicações sistematizadas e depende de uma formação sólida para
ser bem-sucedida. A atitude do psicopedagogo influencia
diretamente a relação que a criança desenvolverá com a
aprendizagem.
O jogo vai além das necessidades imediatas, pois satisfaz a
necessidade de ação. Quando uma criança brinca, ela atribui
significado às suas ações, desenvolve sua vontade e se torna
consciente de suas escolhas e decisões. Ele é essencial para
promover mudanças nas necessidades e na consciência, pois
quanto mais rígidas são as regras do jogo, maior é a exigência de
atenção necessária para regular a própria atividade. Além disso, o
jogo possibilita a interdisciplinaridade.
Sobrinho (2015) destaca essa questão da integração de diferentes
disciplinas na prática psicopedagógica. A interdisciplinaridade
refere-se à comunicação entre duas ou mais disciplinas, visando
abordar problemas complexos. Essa troca de ideias, teorias,
conceitos, dados e métodos fundamenta a prática psicopedagógica.
Como esse campo estuda a aprendizagem humana, compreender
essa atividade envolve aspectos físicos, biológicos, cognitivos,
afetivos e sociais. É essencial que se baseie em todas as ciências
que estudam os seres humanos e a sociedade para enriquecer as
concepções e defender a existência de uma disciplina
psicopedagógica com seu objeto, seus métodos e conhecimentos
que não se limitam apenas à psicologia e à pedagogia.
Psicopedagogia está centralizada em intervenções educativas que
buscam melhorar os processos de aprendizagem. Considerando
essa perspectiva, Dehaene (2022) corrobora destacando que a
aprendizagem é o processo de absorver um aspecto da realidade,
entendê-lo e incorporá-lo em nossa compreensão. Na ciência
cognitiva, aprendemos a formar uma representação interna do
mundo ao nosso redor. Isso acontece quando transformamos
informações sensoriais em conceitos mais complexos, que
podemos usar em diversas situações. Esse precisa ser o olhar
psicopedagógico, promover situações para o desenvolvimento desta
aprendizagem.
Na prática, a aprendizagem dar-se-á por meio de algumas funções
cognitivas: a percepção, a atenção, a memória, o pensamento e a
linguagem. Elas são processos mentais que nos permitem adquirir
conhecimentos, compreender, lembrar, raciocinar, tomar decisões;
são responsáveis por processar informações e nos possibilitar
interagir com o mundo de forma eficaz. Fonseca (2018) destaca que
a cognição é um dos componentes fundamentais para a adaptação
e o aprendizado, permitindo a evolução humana e a comunicação
linguística, além da representação simbólica. Engloba todas as
funções mentais que permitem às pessoas dirigirem suas ações de
maneira inteligente, monitorarem seus comportamentos, suas
condutas e interações de forma eficaz.
Estamos aprendendo que o desenvolvimento dessas funções
mentais decorre de mediação lúdica que fornece dados
significativos para o processo de aprendizagem e visibilidade das
dificuldades do aprendente. Grassi (2020) argumenta que o ato de
brincar facilita o processo ao permitir a expressão de pensamentos
e sentimentos, o que possibilita ao psicopedagogo observar e
coletar dados que podem não ser evidentes em outros métodos.
Considera na observação lúdica a faixa etária, as queixas e as
dificuldades, junto aos instrumentos que serão explorados pelo
aprendente.
Atrelado a isso, Küster (2020) ressalta que a teoria piagetiana tem
quatro conceitos básicos que dar-se-ão das relações entre o
organismo e o meio: esquema, assimilação, acomodação e
equilibração. As relações estabelecidas com base na ludicidade
promovem clareza de características, o que torna os instrumentos
ricos em possibilidades.
Sendo assim, a partir do olhar psicopedagógico, brincar e jogar
conecta a significação e ressignificação dos conhecimentos,
apropriação dos saberes, elaboração de pensamentos e sentimentos
e o resgate ao prazer em aprender, fazer e interagir, entendendo que
o que está em jogo quando os aprendentes jogam é o
desenvolvimento das dimensões humanas (cognição, socialização,
afetividade, motivação, criatividade e psicomotricidade). 
É Hora de Praticar!
Olhe só, estudante! Compreender fundamentos presentes nas
propostas de intervenção com recreação e jogos, possibilitando a
construção de aprendizagens significativas, é a competência desta
unidade. Ela te impulsionou para que pudesse promover ações que
valorizam a ludicidade no atendimento psicopedagógico, ampliando
as possibilidades das práticas de intervenção.
Neste momento, preciso que considere a professora Gisele, uma
profissional da escola em que você está atuando como
psicopedagoga. Ela é bastante tradicional e utiliza somente cópias
para trabalhar o processo de leitura e escrita das crianças. Visto que
há na turma de Gisele crianças com defasagem na alfabetização, e
Reflita
Diante do exposto, você acredita, estudante, que a ludicidade é um
fator predominante na prática psicopedagógica? A observação
lúdica diante de diferentes instrumentos pode ser efetiva? Você
considera importante os jogos e as brincadeiras para o
desenvolvimento infantil? 
que não conseguem avançar nas hipóteses de escrita, você,
juntamente com a coordenadora, sugerem que ela faça uso
frequente de jogos para que possam observaro desempenho e
desenvolvimento das crianças.
Reflita
Como a professora pode trabalhar com jogos para ajudar no
processo de leitura e escrita?  
Resolução do estudo de caso
Para ajudar no processo de leitura e escrita de forma lúdica, Gisele
pode incorporar jogos que estimulem diversas habilidades
linguísticas das crianças. Aqui estão algumas sugestões:
Jogo da memória com palavras: Gisele pode criar cartas com
palavras simples que as crianças estão aprendendo a ler e
escrever. Os alunos devem encontrar pares de palavras iguais
enquanto praticam a leitura e memorização.
Caça ao tesouro de letras: pode esconder letras do alfabeto
pela sala de aula ou área externa. As crianças devem procurar
as letras escondidas e usá-las para formar palavras simples.
Bingo de palavras: pode fazer cartelas de bingo com palavras
que as crianças estão aprendendo. Ao invés de números, Gisele
pode chamar as palavras, e os alunos marcam quando a
encontram em suas cartelas.
Quebra-cabeças de sílabas: pode criar quebra-cabeças, em que
cada peça tenha uma sílaba. As crianças devem montar as
palavras corretas combinando as sílabas.
Jogo de tabuleiro de leitura: pode desenvolver um jogo de
tabuleiro no qual as crianças avancem casas conforme leiam
palavras corretamente. Incluir desafios e recompensas tornará
o jogo mais envolvente. 
Esses jogos proporcionam uma abordagem lúdica e interativa para a
prática de leitura e escrita, incentivando as crianças a se envolverem
de forma mais ativa e divertida no processo de aprendizagem. Além
disso, Gisele, a coordenadora e você podem observar o desempenho
e progresso das crianças de forma mais dinâmica e eficaz.
Dê o play!
Assimile
Aqui, estudante, você terá um parâmetro geral da abordagem da
unidade, compreendendo a distribuição das aulas com seus
respectivos conteúdos, construindo um raciocínio prático desde os
conceitos do jogo até as aplicações nas práticas psicopedagógicas.
Referências
CHICON, José Francisco. Jogo, mediação pedagógica e
inclusão: um mergulho no brincar. 1. ed. Várzea Paulista: Fontoura,
2013. E-book. 
DEHAENE, Stanislas. É assim que aprendemos: por que o cérebro
funciona melhor do que qualquer máquina (ainda…). 1. ed. São
Paulo: Contexto, 2022. E-book. 
FONSECA, Vitor da. Desenvolvimento cognitivo e processo de
ensino-aprendizagem: abordagem psicopedagógica à luz de
Vygotsky. São Paulo: Vozes, 2018. E-book.  
GRASSI, Tânia Mara. A avaliação e intervenção psicopedagógica
clínica. 1. ed. São Paulo: Contentus, 2020. E-book.  
KÜSTER, Sonia Maria Gomes de Sá. Mediação psicopedagógica na
família, na escola e em instituições não escolares. 1. ed. Curitiba:
Intersaberes, 2020. E-book.  
SOBRINHO, Patricia Jerônimo. Fundamentos da Psicopedagogia.
São Paulo: Cengage Learning Brasil, 2015. E-book. ISBN
9788522122530. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522122530/
. Acesso em: 18 maio 2024.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522122530/dos
elementos envolvidos na prática lúdica.
Chicon (2013) destaca que os jogos promovem reações intelectuais
e facilitam a integração dos aprendizes na sociedade, permitindo
que se familiarizem com os padrões de comportamento social e os
apliquem na vida real. Além disso, há a vantagem de repetir as
normas da atividade até que as estruturas sociais com as quais se
deparam diariamente sejam completamente assimiladas.
Siga em Frente...
O olhar profissional sobre a recreação e os
jogos
Minha experiência como profissional da educação mostra que a
ausência de conhecimento sobre o lúdico vence o conteúdo. Parece
difícil compreender que, antes de aprender a ler e escrever, precisa-
se do conhecimento mínimo sobre o próprio corpo. Cavallari (2018)
traz na pauta que a maior reclamação dos professores que
trabalham na educação infantil e nos primeiros anos do ensino
fundamental é sobre não poderem brincar na sala de aula, porque
logo tem-se a cobrança a respeito do conteúdo programado que
precisa ser cumprido. O que talvez não se saiba é que brincando,
verdadeiramente, se aprende.
A autora destaca também que quando o educador está engajado
com sua turma, ele incorpora a afetividade ao transmitir os
conteúdos aos alunos, utilizando atividades lúdicas que
transformam a natureza do processo de ensino-aprendizagem. Isso
proporciona uma abordagem descontraída e agradável, incentivando
a participação ativa e entusiasmada das crianças.
Quando olhamos para o contexto escolar, espera-se que o estudante,
aprenda. O que precisamos considerar é: como ele aprende? De que
forma temos ensinado? É muito importante considerar o ambiente
em que a criança é imersa, porque se considerarmos um contexto
significativo, com o emprego do jogo com atividade lúdica e com
recursos pedagógicos, certamente, resultados satisfatórios serão
alcançados para o desenvolvimento infantil.
Sabe-se que grande parte dos professores são fiéis a velhos
paradigmas e resistentes a mudanças, ainda temos uma minoria
que entende que os estudantes aprendem com o corpo inteiro, que
isso precisa estar atrelado ao movimento e ao prazer. Isso está
diretamente conectado com um tipo de proposta que o professor
escolhe como norteador da sua prática de ensino. É claro que não é
possível descartar a condição de que a escola em que esse
professor trabalha têm um projeto político-pedagógico, uma
fundamentação teórica, e que esses fatores precisam determinar a
atuação desse docente. Contudo, ele tem experiências, uma
bagagem profissional, estudos específicos que vão garantir que ele
se apoie 100% naquilo que está sendo sugerido ou não.
Ensinar é uma atividade complexa, que precisa de explicações
sistematizadas, e o êxito de sua aplicação está conectada a uma
formação de base. A atitude do ensinante influencia a relação que a
criança estabelecerá com a aprendizagem.
Cavallari (2011) enfatiza que o uso de atividades lúdicas pode tornar
a aprendizagem mais fácil, promovendo a comunicação e superando
obstáculos como inibição, insegurança e até mesmo atrasos na
linguagem. Um professor que incorpora abordagens que valorizam a
imagem corporal proporciona às crianças um ambiente mais
propício para o aprendizado, pois os jogos e as atividades que
envolvem expressão motora as auxiliam a desenvolver habilidades
de equilíbrio, comunicação e cooperação.
O jogo transcende as necessidades imediatas! Ele satisfaz a
necessidade da ação, pois quando a criança joga ela constrói
significado das suas ações, desenvolve sua vontade e se torna
consciente das suas escolhas e decisões. O jogo se mostra como
elemento básico para a mudança das necessidades e da
consciência, porque quanto mais rígidas forem as regras do jogo,
maior será a atenção que a criança demandará para regular a própria
atividade. Além disso, atua como um elemento que permite a
viabilização de um trabalho interdisciplinar.
Ao considerarmos que brincando o estudante explora o meio,
aprende conceitos, associa ideias, favorece a função cognitiva da
memorização, deveríamos considerar também que, no ensino
fundamental, principalmente, nos anos iniciais, a aprendizagem
deveria acontecer em um mundo concreto de objetos e ações que
trouxessem significado para ele. 
Vamos Exercitar?
Lembra-se, estudante, da situação-problema do debate sobre jogo e
recreação? Diante dos conceitos que você já se apropriou nesta
aula, como você considera relevante resolvermos essa proposta?
Acredito que podemos sugerir uma atividade pedagógica interativa
que envolva os alunos na reflexão e discussão sobre as diferenças
entre jogo e recreação. Isso pode ser feito por meio de uma aula
expositiva dialogada, na qual os professores apresentem as
definições de jogo e recreação de forma clara e objetiva, destacando
suas características distintas.
Além disso, pode-se organizar atividades práticas que
exemplifiquem cada conceito, como jogos estruturados para
representar o aspecto lúdico do jogo e atividades recreativas ao ar
livre para ilustrar a natureza relaxante e social da recreação.
Ao final, os alunos podem ser incentivados a elaborar trabalhos
individuais ou em grupo, nos quais explorem as diferenças entre
jogo e recreação e apresentem exemplos concretos de cada um.
Isso não só promoverá uma compreensão mais profunda do tema,
mas também estimulará a criatividade e a participação ativa dos
alunos em seu próprio processo de aprendizagem. 
Saiba Mais
Para ampliar sua perspectiva sobre os conceitos trabalhados, sugiro
a leitura das unidades 1 e 2 do livro Jogos, Brinquedos e Brincadeiras.
Sugiro também a leitura do artigo Brinquedos e Brincadeiras na
Educação Infantil, de Tizuko Morchida Kishimoto.
https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/1042-jogosbrinquedos-e-brincadeiras.pdf
http://portal.mec.gov.br/docman/dezembro-2010-pdf/7155-2-3-brinquedos-brincadeiras-tizuko-morchida/file
http://portal.mec.gov.br/docman/dezembro-2010-pdf/7155-2-3-brinquedos-brincadeiras-tizuko-morchida/file
Acesse também o Caderno interativo – Elementos para o
desenvolvimento de Políticas, Programas e Projetos Intersetoriais,
Enfatizando a Relação Lazer, Escola e Processo Educativo - “A
importância da recreação e do lazer”.
 
 
Referências Bibliográficas
AGUIAR, João Serapião de. Educação inclusiva: jogos para o ensino
de conceitos. 1. ed. Campinas, SP: Papirus, 2016. E-book. 
BRENELLI, Rosely Palermo. O jogo como espaço para pensar: a
construção de noções lógicas e aritméticas. 1. ed. Campinas:
Papirus, 2016. E-book. 
CAVALLARI, Vânia Maria. Recreação em ação. 2. ed. São Paulo:
Ícone, 2011. E-book.  
CAVALLARI, Vinícius Ricardo; ZACARIAS, Vany. Trabalhando com
recreação. 14. ed. São Paulo: Ícone, 2018. E-book.  
CHICON, José Francisco. Jogo, mediação pedagógica e
inclusão: um mergulho no brincar. 1. ed. Várzea Paulista: Fontoura,
2013. E-book.  
FREIRE, João Batista; SILVA, Pierre Normando Gomes da. A graça do
jogo. Campinas, SP: Autores Associados, 2023. E-book.  
OLIVEIRA, Ricardo Stochi. Jogos, brinquedos e brincadeiras.
Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2017.
Aula 2
https://core.ac.uk/download/pdf/30404389.pdf
https://core.ac.uk/download/pdf/30404389.pdf
https://core.ac.uk/download/pdf/30404389.pdf
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REFLEXÕES SOBRE ENSINO E
APRENDIZAGEM
Reflexões sobre ensino e
aprendizagem
Olá, estudante! Nesta videoaula, você aprenderá sobre o
desenvolvimento das competências socioemocionais, as possíveis
definições de aprender em nosso dia a dia e sobre os aspectos
básicos ligados à aprendizagem.
Esse conteúdo é muito importante para que você compreenda os
fundamentos presentes na aprendizagem e como você conseguirá
garantir a promoção destes processos de forma significativa e
assertiva com seu aprendente.
Prepare-se para essa jornada de conhecimento!! Vamos lá!!
Ponto de Partida
Estudante, vamos considerar o caso do menino Lucas.
Ele é um estudantedo primeiro ano do ensino fundamental, que tem
encontrado dificuldades significativas na alfabetização. Durante as
aulas, ele demonstra dificuldade em lembrar os sons das letras, em
associá-los às suas respectivas grafias e em recordar as palavras
que foram ensinadas anteriormente. Esses déficits de memória têm
afetado diretamente seu progresso na leitura e na escrita,
dificultando sua participação nas atividades propostas pela
professora e prejudicando seu engajamento durante as aulas.
Professora Rebeca procurou a coordenadora para apresentar o caso
e, juntas, julgaram ser importante encaminhar o Lucas para uma
investigação psicopedagógica. Quais procedimentos o
psicopedagogo poderá utilizar para auxiliar nesse processo? 
Vamos Começar!
Reflexões sobre ensino e aprendizagem
Aprendizagem é o processo de assimilar um aspecto da realidade,
compreendê-lo e integrá-lo em nossos pensamentos. Na área da
ciência cognitiva, aprendemos a construir um modelo interno do
mundo ao nosso redor. Isso ocorre quando convertemos
informações sensoriais em conceitos mais elaborados, que podem
ser aplicados em diferentes situações. Em outras palavras,
transformamos essas informações em representações mais
simplificadas da realidade (DEHAENE, 2022). 
Pensando o desenvolvimento das
competências socioemocionais
Em meio a uma vida agitada, é crucial estabelecer prioridades para
manter o equilíbrio e alcançar os objetivos. Priorizar significa
reconhecer o que é mais importante e urgente, focando nossos
esforços e recursos nesses aspectos. Isso nos permite direcionar
nossa energia para o que realmente importa, evitando dispersões e
desperdícios de tempo. Ao estabelecer prioridades, podemos tomar
decisões mais conscientes e alinhadas com nossos valores e metas,
permitindo-nos dedicar tempo adequado a cada área da vida, como
trabalho, família, saúde e lazer. É importante também revisar
regularmente nossas prioridades, ajustando-as conforme as
circunstâncias e as nossas necessidades, que mudam. Ao fazer
isso, podemos encontrar um maior senso de propósito e realização
em nossa vida agitada.
Macedo (2017) argumenta que prioridade não significa
exclusividade, pois a vida não é exclusiva, há preferências, e isso a
categoriza como inclusiva. Destaca também que o conhecimento
tem preferências, mas ele não pode ser exclusivo, e isso acontece
porque, em determinado momento, será necessário comer, em outro
dormir e o grande desafio é coordenar as prioridades e colaborar
com o cérebro, habilidade que está diretamente ligada à atenção,
aos valores, às escolhas, ao planejamento.
Contribuindo com esse raciocínio, Bressan (2017) destaca que se
optarmos por uma única prioridade, acabamos fragilizando outras, e
o cérebro fica sem espaço e tempo para o restante das coisas, por
isso desenvolver o controle emocional é fundamental. Esse
embasamento reforça a perspectiva de que o ponto de vista
cognitivo é negociado pelos aspectos emocionais.
Julgar, tomar decisões, planejar são funções executivas do
cérebro que requerem controle emocional, que implicam certo
domínio da impulsividade, de adiar conclusões ou preferências
[...] antecipar e pré-corrigir erros, saber que ganhos implicam
perdas, que não é possível escolher ou querer tudo. (MACEDO;
BRESSAN, 2017, p. 45). 
As funções executivas da aprendizagem estão diretamente ligadas
às emoções.
[...] Por exemplo, quando uma criança que está fazendo um
cálculo na sala de aula é cutucada nas costas por um colega,
ela precisa controlar qualquer impulso agressivo e manter o
foco no estudo. Dentro do processo cognitivo-executivo, nós
estamos sistematicamente negociando aspectos emocionais.
Quando alguém foca algo específico, como tocar piano,
desenvolve habilidades musicais, manuais e emocionais
ligadas à música, mas não habilidades relacionais. Se
pensarmos na educação das crianças em sua totalidade, os
aspectos socioemocionais são fundamentais para a formação
dos indivíduos. (MACEDO; BRESSAN, 2017, p.46).
Segundo a pesquisa de Macedo (2017, p.47), ao questionar os
professores sobre como eles desenvolvem as habilidades
socioemocionais dos alunos, a maioria não tinha resposta. O autor
reforça que o interessante da prática é que eles fazem isso
diariamente, sem perceber.
O professor chega na hora, ajuda as crianças a voltarem a
atenção para ele, muda o tom de voz, consegue conter a raiva
quando um aluno o provoca, consegue lidar com uma sucessão
de tensão usando humor [...] e faz tudo isso sem a noção de
que está trabalhando aspectos sócio emocionais dos alunos
[...]. ((MACEDO; BRESSAN, 2017, p. 47).
Veja estudante, esse é um relato simples de como os aspectos
socioemocionais são imprescindíveis para o desenvolvimento
cognitivo e para a formação integral do indivíduo.
Contribuindo com a abordagem, Piaget (1994 apud Macedo, 2009)
considera que podemos estabelecer analogias no desenvolvimento
do pensamento e da afetividade. A primeira é que ambas evoluem
em estruturas e não somente em seu conteúdo. A segunda é a
presença de “esquemas” no desenvolvimento de ambas. Piaget
[...] concorda com a influência da afetividade sobre a
inteligência e vai além, considera-a condição necessária para
seu desenvolvimento normal, mas ressalva que não é uma
condição suficiente na formação da estrutura, que é autônoma.
Além disso, está de acordo de que o afeto pode levar a erros, a
desvios momentâneos, e isso ocorre devido a uma estrutura
que não se encontra equilibrada. Considera que em nenhum
nível ou estágio, mesmo no adulto, exista um comportamento
que seja exclusivamente cognitivo ou afetivo, sendo, portanto
dois aspectos indissociáveis. (PIAGET, 1994 apud MACEDO,
2009, p. 180).
Para o autor, afetividade são os sentimentos, de modo específico, as
emoções e as inúmeras tendências na qual pode ser incluída à
vontade, pois a concebe como uma regulação de sentimentos
elementares. Afirma que as funções cognitivas e afetivas, são de
natureza diferente e destaca que
[...] as funções cognitivas corresponderiam às percepções, à
inteligência prática ou sensório-motora indo até a inteligência
abstrata, característica das operações formais. As funções
afetivas implicariam o interesse, que pode ser intrínseco ou
extrínseco, e a necessidade. Qualquer que seja a atividade,
desde a mais simples até a mais complexa, nela intervêm as
duas funções, não existindo nenhum mecanismo cognitivo sem
elementos afetivos. (PIAGET, 1994 apud MACEDO, 2009, p.
181).
A partir dos exemplos e das contribuições dos autores, é mensurável
que ensinar formas de convivência e mediar as relações e as
experiências faz parte da aprendizagem socioemocional. O contexto
diário e presente na escola são as brincadeiras, e, neste, os aspectos
socioemocionais estão ainda mais presentes. Decidir a brincadeira,
negociar as estratégias, definir os critérios, gerenciar os conflitos,
gerenciar as emoções são momentos claros do desenvolvimento
das competências socioemocionais.
Siga em Frente...
Definições do processo de aprender
Estudante, considere a problemática levantada por Macedo e
Bressan (2017, p. 12) “[...] se o problema da escola de ontem era o
de ensinar, o da atual é o aprender em seu duplo sentido: cognitivo
(aprender conceitos e operações) e socioemocional (aprender a
conviver em um contexto institucional com regras e limites
comportamentais). Se é assim [...] o que é aprender?”
[...] A aprendizagem está assim, duplamente condicionada: por
aspectos internos e externos, de natureza social, cultural,
afetiva, famíliar, por meio dos quais a criança vai, pouco a
pouco, se transformando no filho daquela família, no membro
daquela sociedade. Somos o que somos e também o que nos
tornamos nas interações com os outros e o mundo. [...]
(MACEDO; BRESSAN, 2017, p. 13). 
Podemos dizer, nas palavras de Dehaene (2022), que a
aprendizagem é uma maneira de interiorizar o mundo externo. Além
disso, o autor traz sete definições do conceitode aprender.
Consideraremos primeiro o aprender como um ajuste de parâmetros
de um modelo mental! Analise por meio desta experiência:
[...] tente agarrar um objeto enquanto usa os óculos de uma
pessoa, de preferência uma pessoa muito míope. Melhor ainda:
se puder, pega alguns daqueles prismas que deslocam a sua
visão como uma dúzia de graus para a esquerda e tente agarrar
o objeto. Você verá sua primeira tentativa completamente
frustrada: devido aos prismas, sua mão vai parar à direita do
objeto visado. Gradualmente, você ajusta o seu movimento para
a esquerda. Mediante tentativas e erros sucessivos, seus
gestos se tornam cada vez mais precisos, enquanto seu
cérebro aprende a corrigir os deslocamentos dos olhos. Tire
agora os óculos e apanha o objeto: tirar a surpresa de ver que
sua mão vai para o lugar errado, agora bem longe à esquerda!
(DEHAENE, 2022, p. 35-36). 
O autor nos ensina com essa experiência que num breve período de
aprendizado o cérebro foi capaz de ajustar o seu modelo interior de
visão para um parâmetro que correspondesse ao desvio entre a
cena visual e a orientação do seu corpo, configurando um novo valor.
Nesse processo de recalibragem, que acontece na tentativa de erro,
o que o cérebro fez pode ser comparado ao que o caçador faz
quando ajusta o visor da espingarda e atira fazendo um teste. Esse
teste ajusta a pontaria e garante mais precisão nos demais tiros.
Esse tipo de aprendizado pode ser rápido, e poucos ensaios podem
corrigir a lacuna entre a visão e a ação.
A segunda definição é: aprender é explorar uma explosão
combinatória, ou seja, “[...] é chamada ‘a explosão combinatória’ – o
aumento exponencial ocorrido quando se combina um número
mesmo que pequeno de possibilidades [...]”. Vamos supor que você
tenha uma loja de roupas e oferece camisetas em três cores (azul,
vermelho e verde) e em três tamanhos diferentes (P, M, G). Para
calcular o número total de combinações possíveis de cores e
tamanhos de camisetas, você multiplica o número de opções de
cores pelo número de opções de tamanhos. Assim, temos: 3 cores x
3 tamanhos = 9 combinações possíveis. Isso significa que, com
apenas três opções de cores e três opções de tamanhos, você tem
nove combinações diferentes de camisetas para oferecer aos seus
clientes. Isso ilustra como o número de possibilidades aumenta
rapidamente à medida que você adiciona mais opções ou variáveis.
Aprender é reduzir erros, veja! Se nós retomarmos o exemplo do
caçador, quando ele atira e percebe que apontou cinco centímetros
fora do alvo, ele tem novas informações essenciais quanto à direção
indicada pelo erro. Sendo assim, essas informações permitem que
ele corrija o erro e a maximização dessa precisão, gerando um
aprendizado mesmo sem que ele perceba.
Aprender é explorar o espaço das possibilidades! Considere que
você está no mercado procurando algum produto alimentício barato.
Você percorre um corredor que parece caro demais e não para; no
segundo corredor, ainda há aparência de caro. Então você segue em
frente e, finalmente, você para no terceiro corredor, que parece mais
barato que os dois anteriores. Mas quem pode garantir que no
próximo corredor os preços não seriam ainda melhores? No nível de
aprendizagem, segundo Dehaene (2022), isso significa fixar-se no
local e não no global.
Aprender também é, segundo o autor, otimizar a função de
recompensa. Veja o exemplo: Quando uma criança aprende a
caminhar, não é necessário explicar quais músculos são
necessários contrair. A criança é incentivada a realizar essa ação,
repetidamente, até parar de cair. Ela aprende com base na avaliação
do resultado, ou seja, ou cai ou finalmente consegue atravessar o
quarto caminhando.
Aprender é restringir o espaço de busca! E o exemplo será digital,
porque as máquinas também aprendem!! Uma das intervenções
mais eficazes para acelerar o aprendizado é simplificar o modelo.
Como assim, professora? Quando se minimiza a quantidade de
parâmetros que precisam ser ajustados, o sistema encontra uma
solução mais geral. Vamos considerar que para reconhecer uma fala
é necessário abstrair as especificidades da voz do falante. Nesse
caso, é necessário forçar uma rede neural com diferentes
frequências, voz baixa ou alta, reduzir o número de parâmetros que
serão ajustados para elevar as maiores velocidades e fazer uma
melhor generalização para novas vozes. Dessa forma, os
smartphones são capacitados para responderem às nossas vozes.
Aprender é projetar hipóteses de causas a efeitos, a priori, como
usado pelo autor. Para Dehaene (2022, p.59) “[...] a aprendizagem,
tanto no homem como na máquina, sempre parte de um conjunto de
hipóteses a priori, que são projetadas sobre os dados recebidos e
conduz o sistema a selecionar as mais adequadas às circunstâncias
[...]”. Vamos ao exemplo? Um estudante conduz um experimento
para investigar como diferentes solos afetam o crescimento das
plantas. Ele cria a hipótese de que solos ricos em nutrientes
promovem maior crescimento, enquanto solos pobres em nutrientes
resultam em crescimento mais lento. Observando o crescimento das
plantas em diferentes solos e coletando dados, ele confirma ou
refuta sua hipótese, refinando seu entendimento sobre a relação
solo-planta. Esse processo envolve constante projeção de hipóteses
e análise de evidências observadas. 
Aspectos da aprendizagem
Partiremos das considerações de Fonseca (2018) ao destacar que a
cognição é dos componentes essenciais para se adaptar e para
aprender, sendo exequível à evolução humana ou à comunicação
linguística, concomitantemente à representação simbólica, sem
esse elemento. Sua essência atende à totalidade das funções
mentais que garantem às pessoas dirigirem suas ações de forma
inteligente, monitorar seus comportamentos, condutas e suas
interações.
Para adquirirmos novos conhecimentos, existem algumas funções
cognitivas que trabalham em conjunto: percepção, atenção,
memória, pensamento, linguagem. Está pronto para conhecer cada
um desses aspectos? Vamos começar pela percepção!
A percepção é influenciada pelos fatores pessoais, sociais e
motivacionais. Você recebe estímulos que serão interpretados pelo
cérebro por meio dos conhecimentos que você já adquiriu, e essa
interpretação resultará em uma reação, a qual podemos dizer que é
um conjunto de sensações e análises que te levam a uma
conclusão. Uma exemplificação é o semáforo. A luz verde percebida
pela visão (sensação) leva a informação ao cérebro, e a
interpretação do que essa luz indica resulta na indicação de que
você pode seguir com o carro, promovendo a sua reação de ir em
frente. Percepção e sensação são processos psicológicos
integrados na experiência. Essa integração permite uma
compreensão melhor da realidade (GAZZANIGA et al., 2018).
A atenção, de acordo com Sternberg (2008), nos permite usar
nossos recursos mentais de forma sensata. Ela diminui o foco sobre
os estímulos exteriores (sensações) e interiores (pensamentos e
memórias), permitindo-nos focar apenas nos que nos interessam. É
uma função cognitiva responsável por selecionar e concentrar nossa
mente em estímulos relevantes, funcionando como um filtro. Além
disso, ela é a porta de entrada da memória.
A memória tem três fases essenciais: codificação, armazenamento
e recuperação. A codificação acontece durante a aprendizagem,
transformando um estímulo sensorial em informação que pode ser
armazenada na memória. O armazenamento refere-se à retenção ou
manutenção dessas informações na memória. Quando as
informações são devidamente arquivadas, elas podem ser
recuperadas posteriormente. A recuperação é o processo pelo qual
uma informação armazenada é acessada, localizada e trazida à
consciência quando necessário (FELDMAN, 2015).
O mesmo autor corrobora destacando que os psicólogos descrevem
o pensamento como a manipulação das representações mentais da
informação. Essas representações podem ser palavras, imagens,
sons ou qualqueroutro tipo de dado sensorial armazenado na
memória. Pensar envolve transformar essas representações em
novas formas, o que nos permite responder perguntas, resolver
problemas e alcançar objetivos.
A linguagem, segundo Gazzaniga (2018), refere-se ao sistema de
comunicação que utiliza sons e símbolos de acordo com regras
gramaticais. Pode ser, inclusive, a mais complexa maravilha do
cérebro humano, pois há comunicação em várias espécies, mas é
um salto quântico na modalidade da comunicação animal. Essa
função cognitiva envolve quatro competências: ouvir, falar, ler e
escrever.
Vamos Exercitar?
Estudante, você teve a oportunidade de considerar aspectos
importantes do processo de aprendizagem. Obteve também um
olhar amplo sobre as possibilidades de atuação e como se dão os
conhecimentos. Para auxiliar Lucas a superar suas dificuldades de
memória e progredir na alfabetização, o psicopedagogo poderá
utilizar as seguintes estratégias:
1. Identificação do problema: realizar uma avaliação mais
detalhada, por meio de jogos e testes, das habilidades de
memória de Lucas para compreender melhor quais aspectos
específicos estão dificultando sua aprendizagem.
2. Treinamento da memória: implementar atividades específicas
de treinamento de memória, como jogos de memória, repetição
de palavras-chave e técnicas de associação, para ajudar Lucas
a reter e recordar informações com mais eficácia.
3. Adaptação do método de ensino: utilizar métodos de ensino
que enfatizem a repetição, a prática frequente e a revisão
sistemática do conteúdo para reforçar a memória de Lucas em
relação aos sons das letras e palavras.
4. Ambiente de aprendizagem estimulante: criar um ambiente de
aprendizagem positivo e estimulante, com recursos visuais,
auditivos e táteis que possam auxiliar Lucas a associar os
conceitos aprendidos à sua memória de longo prazo.
5. Apoio individualizado: oferecer apoio individualizado a Lucas,
fornecendo tempo adicional para revisão, instruções claras e
feedback construtivo para ajudá-lo a desenvolver suas
habilidades de memória e superar suas dificuldades na
alfabetização.
6. Envolvimento dos pais: envolver os pais de Lucas no processo
de aprendizagem, fornecendo orientações sobre atividades
para praticar em casa e incentivando sua participação ativa no
apoio ao desenvolvimento de suas habilidades de memória.
Essas estratégias, aliadas a uma abordagem pedagógica
diferenciada e ao suporte contínuo dos professores e familiares,
podem contribuir significativamente para o progresso de Lucas na
alfabetização e para a superação de suas dificuldades de memória. 
Saiba Mais
No artigo Estilos de aprendizagem e solução de problemas, você
conhecerá resultados de uma pesquisa com crianças pré-escolares,
apontando fatores que facilitaram o processo de solução de
problemas neste grupo. 
Já no artigo A Neuropsicologia na atualidade e suas contribuições,
você verá que, de modo geral, a neuropsicologia estuda as relações
cérebro/comportamento/processos mentais, e conhecerá mais
sobre as contribuições e os instrumentos de intervenção e avaliação
disponíveis na área. 
 
 
Referências Bibliográficas
DEHAENE, Stanislas. É assim que aprendemos: por que o cérebro
funciona melhor do que qualquer máquina (ainda…). 1. ed. São
Paulo: Contexto, 2022. E-book.  
https://revistas.ufpr.br/psicologia/article/view/3281/2625
https://www.psicologia.pt/artigos/textos/A1404.pdf
FELDMAN, Robert S. Introdução à psicologia. [Digite o Local da
Editora]: Grupo A, 2015. E-book.  
FONSECA, Vitor da. Desenvolvimento cognitivo e processo de
ensino-aprendizagem: abordagem psicopedagógica à luz de
Vygotsky. São Paulo: Vozes, 2018. E-book.  
GAZZANIGA, Michael; HEATHERTON, Todd; HALPERN, Diane.
Ciência psicológica. [Digite o Local da Editora]: Grupo A, 2018. E-
book. 
MACEDO, Lino de (org.). Jogos, psicologia e educação: teoria e
pesquisas. São Paulo: Pearson, 2009. E-book.  
MACEDO, Lino; BRESSAN, Rodrigo Affonseca. Desafios da
aprendizagem: como as neurociências podem ajudar pais e
professores. 1. ed. Campinas: 7 Mares, 2017. E-book.  
MASINI, Elcie F. Salsano; MOREIRA, Marco Antônio. Aprendizagem
significativa: condições para ocorrência e lacunas que levam a
comprometimentos. São Paulo, SP: Vetor, 2008. E-book.  
STERNBERG, Robert J. Psicologia cognitiva. Trad. Roberto Cataldo
Costa. Porto Alegre: Artmed., 2008.
Aula 3
A LUDICIDADE NO
ATENDIMENTO
PSICOPEDAGÓGICO
A ludicidade no atendimento
psicopedagógico
Olá, estudante! Nesta videoaula, você aprenderá o conceito de
ludicidade e os fundamentos da psicopedagogia, e como essa
junção contribuirá para seu exercício.
Esse conteúdo é muito importante para que você compreenda como
o lúdico está integrado à prática psicopedagógica e desperte para as
relações entre jogos e brincadeiras no estímulo das habilidades
cognitivas, emocionais e sociais.
Prepare-se para essa jornada de conhecimento!! Vamos lá!!
Ponto de Partida
Estudante, você já pensou como o lúdico interfere na aprendizagem?
Pense em sua definição e importância para o desenvolvimento
infantil. Agora elenque os benefícios do brincar para o aprendizado e
para a socialização das crianças. Considere também os diversos
tipos de atividades lúdicas e amplie essa possibilidade como uma
ferramenta terapêutica. Atrelado a isso, aproximaremos os
conceitos básicos da psicopedagogia para a aprendizagem, o
desenvolvimento e a intervenção no processo de aprendizagem.
Considere a seguinte situação-problema: uma criança está com
dificuldade de concentração. A ausência dessa habilidade prejudica
a capacidade de manter o foco em uma atividade específica. Como
o lúdico pode ajudar a melhorá-la? 
Vamos Começar!
A ludicidade no atendimento psicopedagógico
Para falar sobre o lúdico na prática psicopedagógica, precisamos
primeiro compreender a relação existente entre o psicopedagogo e
o aprendente. Em que posição está o aprendente diante do
atendimento? Vamos situá-lo!? Para Sobrinho (2015) “[...] este se
localiza na articulação entre informação, conhecimento e sabedoria;
entre sujeito desejante e sujeito cognoscente. É constituído sempre
pela articulação com o outro ou com os outros: pais, professores e
meios de comunicação.”
O aprendiz está no ponto de intersecção entre a informação e o
conhecimento, onde o processo de aprendizagem ocorre por meio
da aquisição do saber, da assimilação de informações fornecidas ou
da construção ativa do conhecimento.
O que é ludicidade?
Ludicidade refere-se à qualidade de ser lúdico, ou seja, relacionado
ao brincar e ao jogo. Envolve atividades recreativas e divertidas que
promovem o prazer, a criatividade e a espontaneidade. A ludicidade
é fundamental para o desenvolvimento infantil, pois, por meio do
brincar, as crianças exploram o mundo, expressam suas emoções,
aprendem novas habilidades e socializam. Além disso, a ludicidade
é utilizada em contextos educativos e terapêuticos para facilitar a
aprendizagem e promover o bem-estar.
A ludicidade e o brincar são, sem dúvida, elementos essenciais no
planejamento das atividades para a educação infantil. Discutir sobre
esses aspectos não diminui sua importância; pelo contrário, é
crucial reconsiderar como eles podem ser usados, às vezes, como
ferramentas reguladoras sobre as crianças (BEMVENUTI et. al.
2012).
Luckesi (2023) contribui com a nossa fomentação destacando que a
ludicidade é um conceito cujo significado epistemológico ainda está
em desenvolvimento. Gradualmente, estamos construindo esse
entendimento, buscando uma compreensão precisa tanto em
termos de significação quanto das experiências que ela pode
englobar. Corrobora enfatizando que
Usualmente, no senso comum cotidiano, quando se fala em
ludicidade, compreende-se, de maneira comum, que se está
fazendo referência à sua abrangência, incluindo brincadeiras,
entretenimentos, atividades de lazer, excursões, viagens de
férias, viagens realizadas em grupo, entre outras possibilidadesde entendimento. (LUCKESI, 2023, p. 15).
Na mesma ideia, Lima et al. (2018) argumenta que as atividades
lúdicas promovem a imaginação e são de grande importância na
transformação do sujeito. Inclusive, ao abordarmos sobre lúdico e
sobre o brincar, é imprescindível o entendimento de legislação e
diretrizes que contemplam essas ações.
Como contribuição, destaco aqui a resolução nº 5, de 17 de
dezembro de 2009 no art.º 6 das Diretrizes Curriculares Nacionais
para a Educação Infantil (BRASIL, 2010, p. 16), que traz três
princípios: éticos, políticos e estéticos, para as propostas
pedagógicas, sendo, o último, o seguinte: “Estéticos: da
sensibilidade, da criatividade, da ludicidade e da liberdade de
expressão nas diferentes manifestações artísticas e culturais.” E o
art.º 7, que aborda sobre a Concepção de Proposta Pedagógica, que
destaca que as instituições devem garantir função sociopolítica e
pedagógica, mencionando, no inciso V, “[...] construindo novas
formas de sociabilidade e de subjetividade comprometidas com a
ludicidade, a democracia, a sustentabilidade do planeta e com
rompimento de relações de dominação etária, socioeconômica,
étnico-racial, de gênero, regional, linguística e religiosa.”
As crianças precisam de oportunidades para novas experiências, se
conectar com a natureza, explorar ambientes diferentes permitindo
que a sua relação consigo e com outro construa a sua identidade
como sujeito. A Lei nº 14.826, de março de 2024, instituiu a
parentalidade positiva e o direito ao brincar como estratégias
intersetoriais de prevenção à violência contra crianças; e altera a Lei
nº 14. 344, de 24 de maio de 2022. Destaca também, no Art.º 3, que
“é dever do Estado, da família e da sociedade proteger, preservar e
garantir o direito ao brincar a todas as crianças. [...] Considera-se
criança, para os fins desta Lei, a pessoa com até 12 (doze) anos de
idade incompletos.” (BRASIL, 2024).
Essas observações demonstram a importância do lúdico e do
brincar no desenvolvimento humano, destacando não apenas o
prazer que oferecem, mas também a intencionalidade por trás
dessas atividades.
Siga em Frente...
Fundamentos da psicopedagogia
Você sabe qual é o objeto de estudo da psicopedagogia? Sabe como
eram tratados os problemas de aprendizagem antes do surgimento
desta ciência? Sobrinho (2015) nos oferece fundamentos
importantes. Acompanhe-me!
Como não existiam profissionais especializados em problemas de
aprendizagem, a solução era contratar um professor particular para
reeducar a criança ou conduzi-la ao médico para poder fornecer o
diagnóstico. Nesse contexto, a psicopedagogia surge como um
campo que tem como objeto de estudo compreender o processo
que envolve o ensino e o aprendizado humano além de todas as
dificuldades envolvidas nesse processo. Mas, como acontece
exatamente o trabalho psicopedagógico? O que é a psicopedagogia?
Quando você pensar em psicopedagogia, a discussão que você está
trazendo é para a área que investiga o aprendente e sua
aprendizagem. Vamos começar pela análise da imagem a seguir:
Figura 1 | Criança na sala de aula. Fonte:
Freepik.
Temos na imagem uma criança que demonstra tristeza, talvez raiva,
no ambiente escolar. Estamos diante de um problema que precisa
que as causas e as relações com o ambiente ou aprendizado sejam
investigadas. Neste momento, entra a investigação
psicopedagógica, que vai analisar o desenvolvimento socioafetivo,
psicomotor, cognitivo, as influências do meio externo e levantar as
possíveis causas para o quadro que o aprendente está
apresentando.                                                                                                
A prática psicopedagógica está fundamentada na
interdisciplinaridade, no estudo do desenvolvimento cognitivo, na
utilização de teorias da aprendizagem, na utilização de ferramentas
e métodos para identificar dificuldades ou necessidades educativas,
intervenção terapêutica, aproximação emocional e afetiva, análise do
contexto sociocultural, técnicas para motivar e engajar o aprendente
garantindo a promoção da inclusão educacional, enfim, todos esses
fundamentos levam à construção de vínculos com o aprendente e
propiciam que ele aprimore as habilidades necessárias que o
ajudem a aprender e a sentir-se seguro.
Nessa perspectiva, Sobrinho (2015) ressalta os princípios que regem
esse ramo dessa ciência:
O princípio da prevenção: refere-se às ações que podem ser
executadas, de modo que o sujeito não tenha mais dificuldades
de aprendizagem mas que aprenda a lidar com elas.
O princípio do desenvolvimento: está intimamente ligado ao
princípio anterior; um sujeito pode não apenas superar as
dificuldades de aprendizagem, como também aprimorar seus
talentos, indo além.
O princípio da ação social: tem a ver com a forma de um
indivíduo interagir com os outros e construir relações positivas
(SOBRINHO, 2015, p. 11).
A afetividade também é um fundamento de destaque na intervenção
psicopedagógica por direcionar o desenvolvimento do aprendente.
Sobrinho (2015) menciona quatro características que podem defini-
la:
1. Trata-se de um estado subjetivo, pessoal, interior, em que o
protagonista é o próprio indivíduo;
2. Trata-se de algo experimentado pessoalmente pelo sujeito que
vivencia;
3. Tem três expressões: emoções, sentimentos e paixões.
Manifesta-se pelo estado de espírito, que é o afeto fundamental
ou o humor dominante;
4. Toda a experiência tem uma manifestação afetiva e deixa o
impacto que persiste na história de vida do indivíduo
(SOBRINHO, 2015, p. 24).
As atividades humanas envolvem tanto aspectos psicológicos
quanto físicos, reconhecendo que ambas as dimensões da natureza
humana são importantes. Partindo de três aspectos que definem
essa interação: estados afetivos básicos, que são sentimentos
direcionados e que refletem a qualidade das relações entre as
pessoas; estados de consciência espontâneos, no qual consciências
surgem naturalmente e influenciam percepções; e as ações e os
sentimentos vitais, que dizem respeito às emoções que
proporcionam uma significação imediata e subjetiva, influenciando
diretamente a maneira como vivemos nossas experiências.
A interdisciplinaridade faz referência à comunicação entre duas ou
mais disciplinas, cujo objetivo é abordar problemas complexos.
Sendo assim, essa interação de ideias, de teorias, de conceitos, de
dados e métodos fundamenta a prática psicopedagógica. Como
esse ramo estuda a aprendizagem humana, compreender essa
atividade abrange aspectos físicos, biológicos, cognitivos, afetivos e
sociais. Ela precisa basear-se em todas as ciências que estudam os
seres humanos e a sociedade para enriquecer as conceituações, e
defender a existência de uma disciplina psicopedagógica com seu
objeto, seus métodos e com conhecimentos que não estão restritos
apenas a psicologia e a pedagogia (SOBRINHO, 2015).
A psicopedagogia se distingue não pela diversidade dos aspectos
específicos da experiência humana que aborda, como mente, cultura
e linguagem, mas sim pelo seu foco em práticas e atividades sociais
de caráter educativo. Ela está centralizada em intervenções
educativas que visam melhorar os processos de aprendizagem,
integrando diferentes dimensões da experiência humana dentro de
um contexto educativo. Essa abordagem enfatiza a importância das
interações sociais e culturais no desenvolvimento cognitivo e na
superação das dificuldades de aprendizagem. 
O lúdico na psicopedagogia
Como analisar a dimensão lúdica no processo de aprendizagem
para o desenvolvimento do aprendente? É necessário considerar o
cuidado da dimensão lúdica nas atividades escolares promovendo o
protagonismo das crianças no processo do aprender. Isso quer dizer
que nós precisamos permitir que os aprendizes sejam responsáveis
por suas ações, pelos limites das possibilidades do seu
desenvolvimento e pelos recursos de mobilização do seu processo
de aprendizagem. Mas como fazer isso? Você deve estarse
perguntando. Vamos lá!
Macedo, Petty e Passos (2004) nos ajudam nessa compreensão
quando abordam que desenvolvimento e aprendizagem expressam
duas fontes de conhecimento: uma endógena (interior) e outra
exógena (exterior).
No primeiro caso [...], o desafio é desdobrar-se para fora,
conservando uma identidade ou envolvimento. No segundo que
interessa incorporar algo que, sendo externo, há de se tornar
nosso, individual ou coletivamente. A criança desenvolve
brincadeiras e aprende jogos. Pode também aprender
brincadeiras com seus pais ou cultura e, com isso, desenvolver
habilidades, sentimentos ou pensamentos. O mesmo ocorre
nos jogos: ao aprendê-los, desenvolvemos o respeito mútuo
(modos de se relacionar entre iguais), o saber compartilhar uma
tarefa um desafio em um contexto de regras e objetivos, a
reciprocidade, as estratégias para o enfrentamento das
situações-problema, os raciocínios. (MACEDO et al., 2004, p.
10).
Os autores nos lembram que Piaget, na maior parte da sua obra,
estudou os estágios do desenvolvimento de noções e operações e
buscava analisar os esquemas que as crianças utilizavam na sua
própria perspectiva. Essa perspectiva de Piaget colaborou para que
ele adotasse um método clínico em que os psicopedagogos
pudessem, a partir de situações experimentais, observar a forma
como as crianças compreendem e realizam procedimentos em
problemas físicos e matemáticos. Para mediar o olhar
psicopedagógico, alguns questionamentos direcionando esse olhar
para as experiências de protagonismo dos aprendentes, por
exemplo: que hipóteses ou explicações formulou? Como ordenou as
melhores respostas a partir do pensamento e hipóteses?
Para Piaget (1986 apud NEGRINE, 2004, p. 74), a construção do
conhecimento ligada à inteligência dar-se-á no equilíbrio entre
assimilação e acomodação, sendo assim, o jogo é essencialmente a
assimilação que prima sobre a acomodação. Para ele, as regras ou
adaptações da imaginação simbólica do jogo permitem construções
espontâneas que os aprendentes fazem da realidade. Com o jogo, a
criança aprende a imitar, e essas aquisições levam à sua construção
sensório-motora e mental.
A aprendizagem para Piaget está representada por um duplo
processo: o de assimilação e o de acomodação. A inteligência
sensório-motora aparece como desenvolvimento de uma
atividade assimiladora que tende a incorporar e acomodar os
objetos exteriores a seus esquemas, na medida em que se dá
um equilíbrio estável entre a assimilação e a acomodação.
Nesse caso, pode-se falar de uma adaptação propriamente
inteligente. Entretanto, à medida que há acomodação é anterior
à assimilação, a atividade se dirigirá à imitação e se constituirá
em simples prolongação dos movimentos de acomodação e,
nesse sentido, deve-se compreender o estreito parentesco com
o ato da inteligência. (PIAGET, 1986 apud NEGRINE; NEGRINE,
2004, p. 75.).
As abordagens de Piaget nos ensinam as etapas para uma
aprendizagem. Para ele, não há aprendizagem sem que haja
assimilação, acomodação e equilíbrio. Outro ponto importante para
esse processo é a imitação, a qual permite que o aprendente faça
uma construção da realidade. Sobre a imitação, Piaget reconhece 6
estágios progressivos:
1º Estágio – Preparação reflexa: a reprodução de modelo está
relacionada com os atos reflexos e, portanto, não é
propriamente imitação (ausência de imitação nesse estágio).
2º Estágio – Imitação esporádica: os esquemas reflexos
começam assimilar certos elementos exteriores e ampliar-se
em função de uma experiência adquirida sob a forma de
reações circulares “diferenciadas”.
3º Estágio – Imitação sistemática: aparecem novas reações
circulares que exercem ações sobre as mesmas coisas surgem
a partir da coordenação da visão e da apreensão, aos 4 meses
e meio, em média. Posso dizer que nesse estágio a criança é
capaz de imitar todos os movimentos que executa
espontaneamente por si mesma, com exclusão dos
movimentos imersos nas totalidades mais complexas e que
seria necessário diferenciar os como esquemas independentes
para poder copiá-los.
4º Estágio – Imitação dos movimentos já executados pelo
sujeito, mas de maneira invisível para ele: Piaget descreve dois
momentos distintos nessa fase da imitação:
a. Imitação de movimentos já executados pelo sujeito, mas que
ele não pode ver: esse momento começa aos 8 ou 9 meses e
se caracteriza pela coordenação dos esquemas entre si; e
b. Início da imitação de novos modelos sonoros e visuais: na
medida em que uma criança está capacitada a imitar os
movimentos executados de forma visível sobre o próprio corpo,
procura copiar também os sons e os gestos novos. Esses fatos,
na opinião de Piaget, parecem explicar os progressos da
inteligência.
5º Estágio – Imitação sistemática de modelos novos, inclusive
os que correspondem aos movimentos invisíveis do próprio
corpo: a imitação de modelos novos não se faz de forma
sistemática e precisa, mas no curso do quinto estágio, e isso
paralelamente com os progressos da mesma inteligência,
faculdade da qual parece depender diretamente a imitação.
6º Estágio – Começo da imitação representativa e evolução
posterior da imitação: no curso desse estágio, ocorre a
construção da inteligência sensório-motora. Esse estágio está
caracterizado por dois momentos distintos:
a. Imitação dilatada: isto é, a primeira reprodução de um modelo
não se faz necessariamente em sua presença, mas em sua
ausência, e depois de um tempo mais ou menos extenso; e
b. Evolução posterior à imitação: momento que se caracteriza
pela análise da imitação depois que aparece a linguagem,
período compreendido entre 2 a 7 anos (PIAGET, 1986, apud
NEGRINE; NEGRINE, 2004, p. 75-77).
Notamos o quanto o brincar é essencial para o desenvolvimento. Ele
envolve, promove engajamento, permite interação, mobiliza a
imaginação, cria conflitos, concebe diálogos, estabelece limites e
como vimos, permite projeções da realidade.
Brincar é coisa séria!
 
 
Vamos Exercitar?
Estudante, você conseguiu ter dimensão do quanto o lúdico é
indissociável da prática psicopedagógica, certo? No início desta
aula, fiz uma provocação te questionando como o lúdico pode ajudar
a melhorar a habilidade de concentração. Considerando uma sessão
psicopedagógica, o terapeuta pode utilizar vários jogos e
brincadeiras que aprimoram essa habilidade.  Vou deixar o exemplo
de duas propostas para você:
Jogo de Memória
Material: cartões com imagens ou palavras.
Como jogar: coloque os cartões virados para baixo. A criança
deve virar dois cartões por vez para encontrar pares iguais. Este
jogo estimula a memória e a atenção, pois a criança precisa
lembrar onde estão as imagens ou palavras correspondentes.
Quebra-Cabeças
Material: quebra-cabeças adequados à faixa etária da criança.
Como jogar: incentive a criança a montar o quebra-cabeças,
começando com peças maiores e mais simples e aumentando
gradualmente a dificuldade. Este jogo ajuda a melhorar a
concentração, pois exige foco contínuo na tarefa.
Implementar essas atividades lúdicas pode ajudar a criança a
melhorar sua concentração de maneira divertida e envolvente. É
importante escolher jogos e atividades adequados à idade e aos
interesses da criança para maximizar o engajamento e os
benefícios. Além disso, a paciência e o reforço positivo são
essenciais para encorajá-la a persistir nas tarefas e melhorar
gradualmente sua capacidade de concentração. 
Saiba Mais
Para mais informações sobre o lúdico e o brincar, sugiro a leitura das
Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil.
Sugiro o artigo A Educação e a saúde: Brinquedoteca hospitalar
espaço de ressignificação para a criança internada como mais uma
possibilidade de enxergar o lúdico de forma relevante no
desenvolvimento.
 
 
Referências Bibliográficas
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https://www.proquest.com/scholarly-journals/educa%C3%A7%C3%A3o-e-sa%C3%BAde-brinquedoteca-hospitalar-espa%C3%A7o/docview/2437085151/se-2?accountid=134629https://www.proquest.com/scholarly-journals/educa%C3%A7%C3%A3o-e-sa%C3%BAde-brinquedoteca-hospitalar-espa%C3%A7o/docview/2437085151/se-2?accountid=134629
BEMVENUTI, Alice. et al. O lúdico na prática pedagógica. 1. ed.
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BRASIL. Lei nº 14.826, de março de 2024. Instituiu a parentalidade
positiva e o direito ao brincar como estratégias intersetoriais de
prevenção à violência contra crianças [...]. Brasília, DF, [2024].
Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-
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MACEDO, Lino de; PETTY, Ana L. S.; PASSOS, Norimar C. Os jogos e o
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https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595024700/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786555553611/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536310060/
NEGRINE, Airton da Silva; NEGRINE, Cristiane Soster. Educação
infantil. 1. ed. Porto Alegre: Educs, 2010. E-book. 
SILVA, Marcos Ruiz da. Ludicidade. São Paulo, SP: Contentus,
2020. E-book. 
 
SOBRINHO, Patricia Jerônimo. Fundamentos da Psicopedagogia.
São Paulo: Cengage Learning Brasil, 2015. E-book. ISBN
9788522122530. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522122530/
. Acesso em: 18 maio 2024.
 
SOBRINHO, Patricia Jerônimo. Psicopedagogia Clínica e
Institucional. São Paulo: Cengage Learning Brasil, 2015. E-book.
ISBN 9788522123476. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522123476/
. Acesso em: 19 maio 2024. 
Aula 4
BRINCADEIRAS E JOGOS NA
APLICAÇÃO DE PRÁTICAS
PSICOPEDAGÓGICAS
Brincadeiras e jogos na aplicação de
práticas psicopedagógicas
Olá, estudante! Nesta videoaula, você aprenderá como fazer uma
observação lúdica e ampliará seu repertório com diferentes
atividades para uma intervenção psicopedagógica.
Esse conteúdo é muito importante para que você compreenda de
que forma o lúdico implica na prática psicopedagógica e quais são
as dimensões e os fenômenos que estão envolvidos durante a
prática do brincar e como eles interferem diretamente no
desenvolvimento global dos aprendentes.
Prepare-se para essa jornada de conhecimento!! Vamos lá!!
Ponto de Partida
Estudante, você já parou para imaginar o que realmente está em
jogo quando as crianças jogam? Quais são as dimensões e os
fenômenos que estão diretamente ligados a esses momentos?
Como é realmente possível ajudar um aprendente com dificuldade
ou transtorno de aprendizagem por meio da ludicidade? Esses
questionamentos fazem sentido para você? Quando eu falo sobre
brincar, sobre jogos, pense na sua infância. Quais são as memórias
que você tem? O que será que você estava desenvolvendo quando
brincava naquele determinado momento? Venha comigo, que suas
memórias afetivas começarão a fazer total sentido.  
Vamos Começar!
Brincadeiras e jogos na aplicação de práticas
psicopedagógicas
O processo de ensinar e de aprender envolvem pessoas em
relação: elas e suas histórias de vida; elas e o conhecimento;
elas e outras formas de viver e de pensar. Requer,
concomitantemente, movimento pessoal que é interno e que
está relacionado ao desejo, às inteligências, às e ao imaginário
de cada um, e é também externo, pois ativa o corpo, promove
pesquisa, tateios experimentais de que decorrem as
necessárias observações (KÜSTER, 2020, p. 24).
Ao mediar a prática psicopedagógica por meio de jogos e
brincadeiras, é necessário considerar alguns aspectos que são
essenciais ao processo de aprendizagem, como desenvolvimento da
autonomia, ampliação de estratégias, aprofundamento de
conhecimentos, exploração de diferentes modalidades de
aprendizagem.
Observação lúdica
Brincar, além de ser um direito da criança, é uma atividade relevante
no desenvolvimento do indivíduo e na atuação psicopedagógica, que
acaba fornecendo dados significativos para a compreensão do
processo de aprendizagem e das dificuldades do aprendente. Diante
disso, o brincar media o processo levantando expressões de
pensamentos e sentimentos, manifestações que permitem ao
psicopedagogo observar e coletar dados que talvez não sejam
manifestados em outros instrumentos (GRASSI, 2020).
[...] a observação pode ser utilizada como primeiro contato
entre o psicopedagogo e o sujeito, pois é uma excelente
estratégia para estabelecimento de vínculos, condição
essencial para a avaliação. Também tem seu uso indicado na
avaliação de sujeitos que não respondem a outras formas de
investigação em função de sua faixa etária, na presença de
deficiências onde a ausência da fala. (GRASSI, 2020, p. 19).
Na observação lúdica, a faixa etária, os elementos levantados na
queixa e as dificuldades são fatores que precisam ser considerados
junto ao material escolhido. É importante ser apresentado em uma
caixa o material que facilite a exploração do aprendente. Materiais
de custo baixo, que não ofereçam riscos e que sejam atrativos pela
sua funcionalidade, não pelas características estéticas.
Grassi (2020) sugere alguns materiais para compor a caixa da
observação lúdica:
Jogos: dominó, dama, trilha, ludo, memória, entre outros,
considerando a faixa etária e os interesses.
Jogos de construção: peças de encaixe de plástico madeira,
ferramentas etc.
Fantoches.
Sucata: caixas, potes, retalhos de tecido, tampinhas, palitos de
sorvete etc.
Miniaturas de utensílios domésticos: panelas, talheres, copos.
Miniatura de mobília: cama, mesa, cadeiras, armários, fogão
etc.
Bonecos e bonecas.
Carrinho, caminhão, avião etc.
Material de arte: tinta, pincel, massa de modelar, papel sulfite
canetas hidrográficas, lápis de cor, gizde cera etc.
Bolas de diferentes tamanhos.
Peças de vestuário e adereços.
Outros materiais podem ser acrescentados, considerando-se os
sujeitos, a faixa etária e os aspectos a observar (GRASSI, 2020, p.
20).
Enquanto o aprendente brinca, o profissional observa, vai registrando
as informações, quais escolhas são feitas, de que maneira o
aprendente estabelece relação com o objeto e com o profissional.
Registra também os materiais que o aprendente utiliza, se os usa
com funcionalidade ou de forma simbólica, como são suas
manifestações, expressões, quais são as atitudes, ações e
movimentos, como manifesta seus desejos, seus pensamentos e
sentimentos.
A criação desse momento permite que o aprendente convide ou não
o psicopedagogo para participar do processo. Caso não seja
solicitada a sua participação, será o momento apenas de
observação e, caso o aprendente não brinque, não explore ou não
pergunte, será um momento também de mediações.
Ainda sobre a observação lúdica na compreensão da modalidade de
aprendizagem, Küster (2020) considera relevante a apropriação de
conceitos da psicologia genética, elaborada por Piaget. Você já
ouviu falar dele? Ele foi um biólogo e psicólogo suíço que construiu
uma teoria do conhecimento embasada na biologia e nas reflexões
filosóficas que o ajudaram a entender como o ser humano atinge o
conhecimento lógico-abstrato, distinguindo-o das demais espécies
de animais.
Toda a concepção decorre das relações entre o organismo e o meio,
permitindo que o primeiro se adapte ao segundo ao mesmo tempo
que assimila informações perceptuais, motoras ou conceituais no
processo de equilíbrio da aprendizagem. Assim, para
compreendermos com clareza esse processo, a teoria piagetiana
apresenta quatro conceitos básicos: esquema, assimilação,
acomodação e equilibração:
Esquemas: são estruturas intelectuais que organizam os
acontecimentos vividos, classificando-os em grupos com
características comuns.
Assimilação: incorporação de dados perceptuais, motores ou
conceituais que pertencem ao meio.
Acomodação: ao mesmo tempo que você incorpora as
informações do texto aos esquemas existentes, as ideias e os
conceitos são modificados pela nova informação. Vale
destacar que, quando não se encontra esquemas para assimilar
as informações em pastas já existentes, novos esquemas são
criados para encaixar novos dados. 
Equilibração: é a ação continuada da assimilação e da
acomodação, que são necessárias para o crescimento e o
desenvolvimento cognitivo. Contudo, para uma harmonização
deste processo, é importante uma quantidade equilibrada de
assimilações e acomodações (KÜSTER, 2020, p. 42-43).
Veja, estudante, que as possibilidades de observação lúdica são
pautadas em direcionamentos que podem evidenciar a modalidade
de aprendizagem. Sendo assim, já considerou organizar uma caixa
lúdica com os materiais que você tem em casa? Pensou em alguém
específico com quem você pode experimentar essa proposta?
Organize o roteiro e os seus itens para a sua observação lúdica.
Siga em Frente...
Proposições de atividades lúdicas na
intervenção psicopedagógica
Grassi (2021) destaca alguns elementos intermediários que auxiliam
no desenvolvimento e na consolidação do processo de intervenção.
A fim de levá-lo a refletir sobre as teorias que servem de fundamento
e que instrumentalizam a operação das escolhas conforme as
necessidades e interesses, abordaremos alguns recursos e
instrumentos.
A caixa de trabalho criada por Jorge Visca pressupõe embasamento
na epistemologia convergente e na compreensão dos aspectos
teóricos dessa vertente. Os componentes dessa caixa são
selecionados previamente, baseado no diagnóstico obtido e
considerando as dificuldades, os modos de aprendizagem, a faixa
etária, os interesses, as necessidades, o prognóstico, o nível social,
cultural, de pensamento e os vínculos afetivos deste aprendente. No
interior, estão depositados medos, habilidades, dificuldades,
conhecimentos, aspectos pessoais, simbolizados pelos objetos, o
que auxilia no processo de desenvolvimento da intervenção e
permite a vivência do processo de aprendizagem.
Já o projeto de aprender desenvolvido por Laura Monte Serrat
Barbosa trata-se de um instrumento de intervenção que parte dos
interesses do aprendiz e proporciona informações de como ele
aprende e das mudanças que necessita para aprender. Existe um
enquadramento no projeto em que acontecem os combinados, e o
aprendente recebe as informações do que é o projeto, no que se
baseia e quais seus objetivos. Ele contém algumas etapas, da
elaboração à avaliação.
A caixa de areias e as miniaturas são recursos empregados a outros
instrumentos, como o projeto de aprender e os jogos. É uma
proposta de jogo como recurso terapêutico, importante instrumento
para a construção da aprendizagem. Os cenários podem ser
construídos livremente, mas o interior tem um número limitado de
miniaturas para oferecer segurança e proteção ao aprendiz. A caixa
tem uma medida específica, revestida por fórmica impermeável e
com areia fina, peneirada e tratada. Em relação às miniaturas, o
psicopedagogo deve providenciar uma ampla variedade para
representar diferentes cenários para simbolizar e expressar os
pensamentos e sentimentos do aprendiz.
As atividades lúdicas têm cinco características estruturantes: prazer
funcional, desafio, criação de possibilidades, simbolização e a
expressão construtiva, aspectos estes que tornam os instrumentos
de intervenção ricos em possibilidades. Brincar e jogar a partir do
olhar psicopedagógico gera significação e ressignificação dos
conhecimentos, em que as intervenções e mediações propiciam
apropriação dos saberes, a elaboração de pensamentos e
sentimentos e a consolidação de vínculos, ao mesmo tempo que
resgata o prazer em aprender, criar, descobrir desconstruir, fazer e
interagir.
As oficinas psicopedagógicas têm ludicidade como componente
central, e envolvem brincadeiras e jogos, dinâmicas de grupo, jogos
dramáticos, artes plásticas, literatura entre outras possibilidades. É
um espaço entre aprendente e ensinante com o objetivo de
estabelecimento de vínculo afetivo para desenvolver e construir
conhecimentos, expressar sentimentos, organizar pensamentos por
meio da experimentação, do erro, desfazendo e refazendo, sem
constrangimento.
O material disparador mobiliza o sujeito na busca pelo
conhecimento e pela aprendizagem, estimulando estruturas mais
complexas do pensamento a partir do estágio do desenvolvimento
em que se encontra. E o que será que nós podemos utilizar como
material disparador? A verdade é que você pode utilizar uma
infinidade de materiais, desde que sejam estimulantes para o
aprendiz, como por exemplo fantoches, revistas, massa de modelar,
tecido, livros e, propor uma substituição, quando o disparador não
estiver mais mobilizando-o. Ele precisa ser consultado para a troca e
pode solicitar ou sugerir algum disparador, que pode ser
providenciado em um próximo encontro. 
O que está em jogo quando as crianças jogam?
Para dar-nos visibilidade sobre o que está em jogo quando as
crianças jogam, Miranda (2016) destacou seis dimensões humanas
(cognição, socialização, afetividade, motivação, criatividade e
psicomotricidade) que são mobilizadas pelo jogo infantil e seus
respectivos fenômenos.
A cognição está atrelada à conscientização, percepção, linguagem,
abstração, conceituação, resolução de problemas, pensamento
lógico, sobretudo como processos mentais superiores envolvidos na
leitura e na decodificação. É uma dimensão com vínculos estreitos,
como a criatividade, a afetividade e a psicomotricidade. Como jogos
cognitivos tradicionais, é possível destacar o quebra-cabeça, jogo da
memória, tangram, jogo da velha, joga da forca, palavras cruzadas,
“o que é, o que é”, jogos de tabuleiro.
A socialização tem como fenômenos a cooperação, autoexpressão,
interação, integração. É uma possibilidade de partilhar hábitos,
costumes, crenças

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