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<p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Unidade 1</p><p>A Recreação e os Jogos na Construção de uma Proposta de Ensino e Aprendizagem</p><p>Aula 1</p><p>Conceitos e Diferenças Entre Recreação e Jogo</p><p>Conceitos e diferenças entre recreação e jogo</p><p>Este conteúdo é um vídeo!</p><p>Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo</p><p>computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo</p><p>para assistir mesmo sem conexão à internet.</p><p>Dica para você</p><p>Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua</p><p>aprendizagem ainda mais completa.</p><p>Olá, estudante! Nesta videoaula, você conhecerá características básicas de recreação e</p><p>conseguirá fazer aproximações e diferenciações entre recreação e jogo.</p><p>Esse conteúdo é muito importante para que você compreenda os fundamentos presentes nas</p><p>propostas de intervenção, garantindo que você promova aprendizagens signi�cativas.</p><p>Prepare-se para essa jornada de conhecimento!! Vamos lá!!</p><p>Ponto de Partida</p><p>Jogos e recreação desempenham um papel fundamental no desenvolvimento humano,</p><p>proporcionando não apenas entretenimento, mas também oportunidades de aprendizado,</p><p>socialização e bem-estar físico e mental. Ao longo dos tempos, essas atividades têm sido parte</p><p>integrante das culturas em todo o mundo, re�etindo os valores, as crenças e tradições de cada</p><p>sociedade. Ao compreendermos melhor o papel dos jogos e da recreação em nossas vidas,</p><p>podemos explorar todo o seu potencial para promover o bem-estar e a qualidade de vida em</p><p>nossa sociedade.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Considerando esses pontos, quero te convidar a re�etir sobre a situação-problema a seguir: em</p><p>uma escola, há um debate entre os professores sobre a diferença entre jogo e recreação. Alguns</p><p>defendem que ambos os termos são sinônimos e podem ser usados indistintamente, enquanto</p><p>outros argumentam que há distinções importantes entre eles. Essa divergência de opiniões está</p><p>causando confusão entre os estudantes, que não compreendem completamente a diferença</p><p>entre jogo e recreação. Como resolver essa questão de forma a esclarecer adequadamente aos</p><p>alunos e promover um entendimento claro sobre as diferenças entre jogo e recreação?</p><p>Vamos Começar!</p><p>Conceitos e diferenças entre recreação e jogo</p><p>Fomentando as ideias iniciais sobre a abordagem, é possível considerarmos a recreação, como</p><p>fenômeno humano, essencial para o desenvolvimento pessoal e social, proporcionando</p><p>relaxamento, diversão e aprendizado. Os jogos, por sua vez, oferecem oportunidades para</p><p>exercitar habilidades cognitivas, motoras e sociais, promovendo interação e cooperação. Apesar</p><p>das semelhanças, é importante distinguir entre recreação e jogos. Enquanto a recreação aborda</p><p>o lazer e a diversão em geral, os jogos são atividades estruturadas com regras e objetivos</p><p>especí�cos. Essas diferenças e semelhanças nos incentivam a re�etir sobre a variedade de</p><p>formas de entretenimento disponíveis e seus impactos no bem-estar e no aprendizado das</p><p>pessoas.</p><p>Características básicas da recreação</p><p>Cavallari (2018, p.15) inicia nossa discussão enfatizando que “a recreação é o fato, ou o</p><p>momento, ou a circunstância que o indivíduo escolhe espontânea e deliberadamente, através do</p><p>qual ele satisfaz (sacia) seus anseios voltados ao seu lazer.”</p><p>Ressalta que a recreação apresenta 5 características básicas:</p><p>1. Deve ser encarada pelo praticante como um �m em si mesma, sem que se espere</p><p>benefícios ou resultados especí�cos.</p><p>2. Deve ser escolhida livremente e praticada espontaneamente, segundo os interesses de</p><p>cada um.</p><p>3. Busca levar o praticante a estados psicológicos positivos.</p><p>4. Deve ser de natureza a propiciar à pessoa o exercício da criatividade. Na medida em que se</p><p>ofereça a estimulação, essa criatividade deve ser plenamente desenvolvida.</p><p>5. Nas características de organização da sociedade nos níveis econômicos, sociais, políticos</p><p>e culturais em geral, a recreação de cada grupo é escolhida de acordo com os interesses</p><p>comuns dos participantes (CAVALLARI, 2018, p. 15-16).</p><p>Para materializar essas características básicas, vamos pensá-las de forma individual.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Na característica 1, quem procura recreação tem como único objetivo se divertir, sem qualquer</p><p>compromisso ou expectativa de retorno.</p><p>Considerando a característica 2, cada pessoa tem o direito de decidir como quer se divertir ou se</p><p>não quer participar da diversão. Não se pode impor a recreação a ninguém; apenas encorajar e</p><p>inspirar. Os especialistas em recreação estabelecem ambientes e situações favoráveis para que</p><p>as pessoas se divirtam de forma espontânea.</p><p>O que vemos, estudante, na característica 3, é que a recreação é essencialmente voltada para o</p><p>prazer e o desfrute. No entanto, é importante ter cautela com certas atividades lúdicas que</p><p>podem levar a experiências negativas e indesejadas durante sua realização.</p><p>O momento da recreação, na característica 4, volta-se para uma prática que propícia a</p><p>criatividade e na qual há ausência de pressão. É um momento de liberdade para explorar sem</p><p>medo de errar, pois não há consequências negativas.</p><p>Finalizando as características da recreação temos a quinta, em que os seres humanos têm uma</p><p>inclinação natural para buscar e se reunir com aqueles que são semelhantes a eles. Esses</p><p>grupos compartilham comportamentos e características semelhantes e, por isso, tendem a</p><p>buscar formas especí�cas de recreação que atendam às suas preferências e aos seus</p><p>interesses.</p><p>Jogos: conceitos e possibilidades</p><p>Durante séculos, o jogo foi restrito para as crianças, mas, a partir do século XX, houve um</p><p>aumento nos estudos sobre seu papel no desenvolvimento infantil. Os pesquisadores analisaram</p><p>os diferentes signi�cados e impactos dos jogos nas culturas, reconhecendo sua importância</p><p>para aprendizagem e crescimento. Com base em pesquisas empíricas, passaram a recomendar</p><p>os jogos como uma atividade essencial para todas as crianças, destacando seu valor para a</p><p>sociedade como um fenômeno fundamental.</p><p>Chicon (2013) destaca a importância desse momento em que as crianças começam a interagir</p><p>com o mundo dos adultos, ainda sem compreender completamente a realidade ao seu redor.</p><p>Através do jogo, elas assimilam essa realidade, buscando satisfazer suas necessidades</p><p>emocionais, intelectuais e físicas, o que contribui para um equilíbrio pessoal tanto no âmbito</p><p>físico quanto social.</p><p>O jogo é uma parte essencial da rotina de toda criança, sendo atrativo, prazeroso e espontâneo,</p><p>incentivando o aprimoramento de habilidades motoras, a abertura para o mundo e a capacidade</p><p>de transferir aprendizados para diferentes situações. A autora também destaca que o jogo pode</p><p>ser compreendido em três níveis distintos de complexidade, conforme estudos de Brougére e</p><p>Henriot:</p><p>1. O resultado de um sistema linguístico que funciona dentro de um contexto social.</p><p>2. Um sistema de regras.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>3. Um objeto.</p><p>No primeiro caso, a compreensão do jogo é in�uenciada pela linguagem de cada contexto social</p><p>e pelo funcionamento prático da linguagem, que atribui signi�cados às palavras por meio de</p><p>analogias. Assim, o jogo adquire sua imagem e sentido de acordo com as interpretações de cada</p><p>sociedade, variando conforme o local e a época. Cada comunidade constrói uma percepção do</p><p>jogo conforme seus valores e estilo de vida, re�etidos na linguagem. É importante notar que, ao</p><p>longo do tempo, a visão do jogo evoluiu de algo considerado inútil e trivial para uma atividade</p><p>séria e educativa.</p><p>No segundo estudo, o jogo é caracterizado por um conjunto de regras que de�nem sua estrutura</p><p>e modalidade. Cada jogo, como xadrez, damas, loto ou trilha, possui regras especí�cas que os</p><p>distinguem uns dos outros. Por exemplo, mesmo usando o mesmo objeto, como um baralho, as</p><p>regras do jogo determinam se é jogado buraco ou tranca. Assim, as regras são fundamentais</p><p>para distinguir e de�nir a natureza de cada jogo.</p><p>O terceiro sentido refere-se ao jogo como um objeto físico ou material. Por exemplo, no xadrez, o</p><p>jogo se materializa</p><p>visibilidade sobre o que está em jogo quando as crianças jogam, Miranda (2016)</p><p>destacou seis dimensões humanas (cognição, socialização, afetividade, motivação, criatividade e</p><p>psicomotricidade) que são mobilizadas pelo jogo infantil e seus respectivos fenômenos.</p><p>A cognição está atrelada à conscientização, percepção, linguagem, abstração, conceituação,</p><p>resolução de problemas, pensamento lógico, sobretudo como processos mentais superiores</p><p>envolvidos na leitura e na decodi�cação. É uma dimensão com vínculos estreitos, como a</p><p>criatividade, a afetividade e a psicomotricidade. Como jogos cognitivos tradicionais, é possível</p><p>destacar o quebra-cabeça, jogo da memória, tangram, jogo da velha, joga da forca, palavras</p><p>cruzadas, “o que é, o que é”, jogos de tabuleiro.</p><p>A socialização tem como fenômenos a cooperação, autoexpressão, interação, integração. É uma</p><p>possibilidade de partilhar hábitos, costumes, crenças e valores, permitindo a construção de uma</p><p>identidade pessoal e coletiva. É uma dimensão que dialoga intimamente com a afetividade e a</p><p>motivação, possibilitando aprendizagem das regras sociais com riscos controlados. Como jogos</p><p>socializadores tradicionais podemos praticar o telefone sem �o, a estátua, corre cutia, esconde-</p><p>esconde, passa anel, entre outros.</p><p>A afetividade está relacionada à sensibilidade, estima, empatia, simpatia, alteridade, mostrando</p><p>íntimo diálogo com a socialização. É uma dimensão que precisa ser suprida para garantir a</p><p>sobrevivência e a necessidade da convivência humana. Sendo um dos processos basilares do</p><p>desenvolvimento humano, sua articulação com a cognição é de suma importância por abrir veias</p><p>da sensibilidade que poderão conduzir com �uidez os aspectos intelectuais. Como jogos</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>tradicionais para trabalhar a afetividade podemos destacar salada mista, dança da vassoura,</p><p>brincadeiras de roda, amigo secreto, dentre outros.</p><p>A motivação é uma condição orgânica in�uenciadora do comportamento, que, como impulso</p><p>interno, conduz à ação, por isso, motivo + ação. Está atrelada ao interesse, à alegria, ao</p><p>entusiasmo. Motiva porque provoca a curiosidade, levando-as ao questionamento e à construção</p><p>e reconstrução do conhecimento, envolvendo a afetividade e a criatividade. Dos jogos</p><p>tradicionais que possibilitam a motivação, é possível trabalhar com praticamente todos os</p><p>citados, mas a título de sugestões: pula sela, bola de gude, peteca, cinco-marias, queimada,</p><p>cabra-cega, elástico, dentre outros.</p><p>A criatividade é uma dimensão intimamente relacionada à imaginação, curiosidade, invenção e</p><p>cognição. Ela nos permite perceber as coisas, correr riscos, superar/rever padrões, engendrar</p><p>novas conexões. Como sugestões de jogos tradicionais que exploram a criatividade temos faz de</p><p>conta, adivinhações, mímicas, rimas, recontar clássicos literários, desempenhar papéis.</p><p>A psicomotricidade tem como fenômeno a corporeidade, o movimento, a cognição e a</p><p>afetividade. Permite o desenvolvimento global a partir de exercícios do desenvolvimento motor,</p><p>afetivo e psicológico, sendo o movimento a condição natural do ser humano. Dos jogos que</p><p>envolvem o desenvolvimento psicomotor temos o rolar, engatinhar, dar cambalhotas, equilibrar-</p><p>se em um só pé, pedalar,  andar de carrinho de mão, girar bambolê, pular corda, brincar de vivo-</p><p>morto, dentre outros.</p><p>Explorar as dimensões e os fenômenos permite o desenvolvimento da autocon�ança e do</p><p>autorrespeito, motivando os envolvidos à autoestima. Conduz o aprendente à construção de sua</p><p>personalidade, exploração das interações, melhoria da qualidade dos relacionamentos, promove</p><p>sentido de pertencimento e aceitação, incentiva a persistência, favorece a valorização pessoal e</p><p>a percepção de potencialidades.</p><p>Vamos Exercitar?</p><p>Estudante, lembra-se de que levantei alguns questionamentos a você relacionados à ludicidade,</p><p>quando perguntei se realmente o brincar pode contribuir com o desenvolvimento global do</p><p>aprendente, e até te convidei a retornar à sua infância e pensar nas brincadeiras e jogos que</p><p>vivenciou? Muito bem! Vamos considerar a seguir o “esconde-esconde”, uma brincadeira que</p><p>provavelmente você brincou ou já ouviu falar. Essa proposta desenvolve várias dimensões do</p><p>aprendente, e quero compartilhá-las para que você tenha visibilidade:</p><p>Desenvolvimento físico:</p><p>1. Coordenação motora: correr, agachar, pular e se esconder ajudam a desenvolver a</p><p>coordenação motora grossa.</p><p>2. Agilidade e velocidade: a necessidade de se movimentar rapidamente para encontrar um</p><p>esconderijo ou encontrar alguém desenvolve a agilidade e a velocidade.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>3. Consciência espacial: a criança aprende a se movimentar e a se posicionar no espaço,</p><p>entendendo distâncias e tamanhos dos esconderijos.</p><p>Desenvolvimento cognitivo:</p><p>1. Planejamento e estratégia: a criança precisa planejar onde se esconder e como encontrar</p><p>os outros, desenvolvendo habilidades de resolução de problemas.</p><p>2. Memória: lembrar onde já procurou ou onde os outros costumam se esconder melhora a</p><p>memória de curto prazo.</p><p>3. Tomada de decisão: a necessidade de tomar decisões rápidas sobre onde se esconder ou</p><p>para onde correr ajuda a desenvolver habilidades de tomada de decisão.</p><p>Desenvolvimento social:</p><p>1. Trabalho em equipe: jogar em grupo exige cooperação e, às vezes, trabalho em equipe,</p><p>especialmente quando as crianças ajudam umas às outras.</p><p>2. Respeito pelas regras: a criança aprende a seguir as regras do jogo, o que é importante para</p><p>a socialização e convivência em grupo.</p><p>3. Competição saudável: a brincadeira ensina a lidar com ganhar e perder, promovendo uma</p><p>competição saudável.</p><p>Desenvolvimento emocional:</p><p>1. Autocon�ança: encontrar um bom esconderijo ou conseguir achar alguém pode aumentar a</p><p>autocon�ança da criança.</p><p>2. Gerenciamento de emoções: a criança aprende a lidar com a ansiedade de ser encontrada e</p><p>a excitação de encontrar os outros, ajudando no Empatia: entender os sentimentos dos</p><p>colegas, como a frustração de ser encontrado ou a alegria de ganhar, desenvolve a empatia.</p><p>Desenvolvimento linguístico:</p><p>1. Comunicação: a brincadeira pode exigir comunicação clara e e�caz para coordenar com os</p><p>colegas, especialmente em jogos em equipe.</p><p>2. Vocabulário: aprender e usar palavras e frases relacionadas ao jogo e à estratégia pode</p><p>expandir o vocabulário da criança.</p><p>A brincadeira de esconde-esconde não é apenas divertida, mas rica em oportunidades de</p><p>aprendizagem. Ao participar desse jogo, as crianças desenvolvem habilidades físicas, cognitivas,</p><p>sociais, emocionais e linguísticas, todas essenciais para seu crescimento e desenvolvimento</p><p>integral. Compartilho essas dimensões com você para ajudá-lo a compreender o valor</p><p>educacional das brincadeiras e incentivá-lo a colocar a ludicidade em prática sempre que houver</p><p>possibilidade.</p><p>Saiba mais</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Sugiro a leitura do capítulo “O jogo lig-4 como instrumento de avaliação e de intervenção”, do livro</p><p>Jogos, psicologia e educação: teoria e pesquisas.</p><p>Sugiro a leitura das páginas 40 a 43 do livro Mediação psicopedagógica na família, na escola e</p><p>em instituições não escolares para compreender de forma concreta os quatro conceitos básicos</p><p>da teoria piagetiana.</p><p>Sugiro a leitura das páginas 91 a 118 do livro Intervenção psicopedagógica: desatando nós,</p><p>fazendo laços, para uma visibilidade mais detalhada dos instrumentos e recursos comentados</p><p>com exemplos práticos.</p><p>Referências</p><p>BEMVENUTI, Alice. et al. O lúdico na prática pedagógica. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2012. E-</p><p>book.</p><p>MACEDO, Lino de. (org.). Jogos, psicologia e educação: teoria e pesquisas. São Paulo: Pearson,</p><p>2009. E-book.</p><p>GRASSI, Tânia Mara. A avaliação e intervenção psicopedagógica clínica. 1. ed. São Paulo:</p><p>Contentus, 2020. E-book.</p><p>GRASSI, Tânia Mara. Intervenção psicopedagógica: desatando nós, fazendo laços. 1. ed. Curitiba:</p><p>Intersaberes, 2021. E-book.</p><p>KÜSTER, Sonia Maria Gomes de Sá. Mediação psicopedagógica na família, na escola e em</p><p>instituições não escolares. 1. ed. Curitiba:</p><p>Intersaberes, 2020. E-book.</p><p>MIRANDA, Simão de. O�cina de ludicidade na escola. 1. ed. Campinas: Papirus, 2016. E-book.</p><p>Aula 5</p><p>Encerramento da Unidade</p><p>Videoaula de Encerramento</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/2426/pdf/0?code=qN/9rVDw3QbYPTQ2Y39fkFkOl0y0YcGqDO9z5JBVKtEdsfRTkBfr8bHDG/sre61lpG5Bfy1r2IVXfs5j4rZ9iA==</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/186489/pdf/0?code=mSJG4xpUo+Hzwnjbp9Oba477yZr+WHLNpW49GD6M4uuWJ6LpL/nkaHhXZ+YCMu3eL8jO1S3nxSThmnViGrG5qw==</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/186489/pdf/0?code=mSJG4xpUo+Hzwnjbp9Oba477yZr+WHLNpW49GD6M4uuWJ6LpL/nkaHhXZ+YCMu3eL8jO1S3nxSThmnViGrG5qw==</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/186965/pdf/0?code=LSaAkfj2N6NxwJ4HbnajsmrT8BZOoGeq2TVJt0pldpe982xXPy4DJCMEekNbKNNOsxhJA18LIMdjJo+qTWiXyQ==</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/186965/pdf/0?code=LSaAkfj2N6NxwJ4HbnajsmrT8BZOoGeq2TVJt0pldpe982xXPy4DJCMEekNbKNNOsxhJA18LIMdjJo+qTWiXyQ==</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Este conteúdo é um vídeo!</p><p>Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo</p><p>computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo</p><p>para assistir mesmo sem conexão à internet.</p><p>Dica para você</p><p>Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua</p><p>aprendizagem ainda mais completa.</p><p>Olá, estudante! Nesta videoaula, você irá aproximar os conhecimentos sobre os jogos e</p><p>recreação com a intervenção lúdica na prática psicopedagógica.</p><p>Esse conteúdo é relevante na sua prática pro�ssional para que você valorize a ludicidade no</p><p>atendimento psicopedagógico e amplie as possibilidades das práticas de intervenção de forma</p><p>efetiva e assertiva para o desenvolvimento do aprendente.</p><p>Você está pronto para essa jornada?! Então venha comigo!!!</p><p>Ponto de Chegada</p><p>Estudante, compreender fundamentos presentes nas propostas de intervenção com recreação e</p><p>jogos, possibilitando a construção de aprendizagens signi�cativas, é a competência desta</p><p>unidade. Para desenvolvê-la, você está explorando os conceitos fundamentais da recreação e do</p><p>jogo, suas características básicas e o papel do pro�ssional na observação e proposição de</p><p>atividades lúdicas para o desenvolvimento das competências socioemocionais e cognitivas.</p><p>Jogos e recreação são essenciais para o desenvolvimento humano, oferecendo não apenas</p><p>diversão, mas também oportunidades para aprendizado, socialização e bem-estar físico e</p><p>mental. Historicamente, essas atividades têm sido uma parte vital das culturas em todo o</p><p>mundo, re�etindo os valores, as crenças e tradições de cada sociedade. Ao entendermos mais</p><p>profundamente o papel dos jogos e da recreação, podemos aproveitar todo o seu potencial para</p><p>melhorar o bem-estar e a qualidade de vida em nossa sociedade.</p><p>Os jogos proporcionam possibilidades de desenvolver habilidades cognitivas, motoras e sociais,</p><p>incentivando a interação e a cooperação. Embora tenham semelhanças, a recreação envolve</p><p>atividades de lazer e diversão em geral, enquanto os jogos são atividades estruturadas com</p><p>regras e objetivos especí�cos. Essas distinções e semelhanças nos levam a considerar a</p><p>diversidade de formas de entretenimento disponíveis e seus efeitos no bem-estar e no</p><p>aprendizado das pessoas.</p><p>Quando as crianças começam a interagir com o mundo dos adultos, mesmo sem entender</p><p>plenamente a realidade ao seu redor, por meio do jogo elas assimilam essa realidade, atendendo</p><p>às suas necessidades emocionais, intelectuais e físicas, o que ajuda a alcançar um equilíbrio</p><p>pessoal nos aspectos físico e social (CHICON, 2013).</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Sabe o que é importante no processo de aprendizagem, estudante? É você considerar como o</p><p>aprendente aprende! É aprender a valorizar o contexto em que ele está, como você está</p><p>empregando as atividades lúdicas e como suas estratégias estão promovendo o</p><p>desenvolvimento dele. Ensinar é uma atividade complexa que requer explicações sistematizadas</p><p>e depende de uma formação sólida para ser bem-sucedida. A atitude do psicopedagogo</p><p>in�uencia diretamente a relação que a criança desenvolverá com a aprendizagem.</p><p>O jogo vai além das necessidades imediatas, pois satisfaz a necessidade de ação. Quando uma</p><p>criança brinca, ela atribui signi�cado às suas ações, desenvolve sua vontade e se torna</p><p>consciente de suas escolhas e decisões. Ele é essencial para promover mudanças nas</p><p>necessidades e na consciência, pois quanto mais rígidas são as regras do jogo, maior é a</p><p>exigência de atenção necessária para regular a própria atividade. Além disso, o jogo possibilita a</p><p>interdisciplinaridade.</p><p>Sobrinho (2015) destaca essa questão da integração de diferentes disciplinas na prática</p><p>psicopedagógica. A interdisciplinaridade refere-se à comunicação entre duas ou mais disciplinas,</p><p>visando abordar problemas complexos. Essa troca de ideias, teorias, conceitos, dados e métodos</p><p>fundamenta a prática psicopedagógica. Como esse campo estuda a aprendizagem humana,</p><p>compreender essa atividade envolve aspectos físicos, biológicos, cognitivos, afetivos e sociais. É</p><p>essencial que se baseie em todas as ciências que estudam os seres humanos e a sociedade</p><p>para enriquecer as concepções e defender a existência de uma disciplina psicopedagógica com</p><p>seu objeto, seus métodos e conhecimentos que não se limitam apenas à psicologia e à</p><p>pedagogia.</p><p>Psicopedagogia está centralizada em intervenções educativas que buscam melhorar os</p><p>processos de aprendizagem. Considerando essa perspectiva, Dehaene (2022) corrobora</p><p>destacando que a aprendizagem é o processo de absorver um aspecto da realidade, entendê-lo e</p><p>incorporá-lo em nossa compreensão. Na ciência cognitiva, aprendemos a formar uma</p><p>representação interna do mundo ao nosso redor. Isso acontece quando transformamos</p><p>informações sensoriais em conceitos mais complexos, que podemos usar em diversas</p><p>situações. Esse precisa ser o olhar psicopedagógico, promover situações para o</p><p>desenvolvimento desta aprendizagem.</p><p>Na prática, a aprendizagem dar-se-á por meio de algumas funções cognitivas: a percepção, a</p><p>atenção, a memória, o pensamento e a linguagem. Elas são processos mentais que nos</p><p>permitem adquirir conhecimentos, compreender, lembrar, raciocinar, tomar decisões; são</p><p>responsáveis por processar informações e nos possibilitar interagir com o mundo de forma</p><p>e�caz. Fonseca (2018) destaca que a cognição é um dos componentes fundamentais para a</p><p>adaptação e o aprendizado, permitindo a evolução humana e a comunicação linguística, além da</p><p>representação simbólica. Engloba todas as funções mentais que permitem às pessoas dirigirem</p><p>suas ações de maneira inteligente, monitorarem seus comportamentos, suas condutas e</p><p>interações de forma e�caz.</p><p>Estamos aprendendo que o desenvolvimento dessas funções mentais decorre de mediação</p><p>lúdica que fornece dados signi�cativos para o processo de aprendizagem e visibilidade das</p><p>di�culdades do aprendente. Grassi (2020) argumenta que o ato de brincar facilita o processo ao</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>permitir a expressão de pensamentos e sentimentos, o que possibilita ao psicopedagogo</p><p>observar e coletar dados que podem não ser evidentes em outros métodos. Considera na</p><p>observação lúdica a faixa etária, as queixas e as di�culdades, junto aos instrumentos que serão</p><p>explorados pelo aprendente.</p><p>Atrelado a isso, Küster (2020) ressalta que a teoria piagetiana tem quatro conceitos básicos que</p><p>dar-se-ão das relações entre o organismo e o meio: esquema, assimilação, acomodação e</p><p>equilibração. As relações estabelecidas com base na ludicidade promovem clareza de</p><p>características, o que torna os instrumentos ricos em possibilidades.</p><p>Sendo assim, a partir do olhar psicopedagógico, brincar e jogar conecta a signi�cação e</p><p>ressigni�cação dos conhecimentos, apropriação dos saberes, elaboração de pensamentos e</p><p>sentimentos e o resgate ao prazer em aprender, fazer e interagir, entendendo que o que está em</p><p>jogo quando os aprendentes jogam é o desenvolvimento das dimensões humanas (cognição,</p><p>socialização, afetividade, motivação,</p><p>criatividade e psicomotricidade).</p><p>Re�ita</p><p>Diante do exposto, você acredita, estudante, que a ludicidade é um fator predominante na</p><p>prática psicopedagógica? A observação lúdica diante de diferentes instrumentos pode ser</p><p>efetiva? Você considera importante os jogos e as brincadeiras para o desenvolvimento infantil?</p><p>É Hora de Praticar!</p><p>Este conteúdo é um vídeo!</p><p>Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo</p><p>computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo</p><p>para assistir mesmo sem conexão à internet.</p><p>Olhe só, estudante! Compreender fundamentos presentes nas propostas de intervenção com</p><p>recreação e jogos, possibilitando a construção de aprendizagens signi�cativas, é a competência</p><p>desta unidade. Ela te impulsionou para que pudesse promover ações que valorizam a ludicidade</p><p>no atendimento psicopedagógico, ampliando as possibilidades das práticas de intervenção.</p><p>Neste momento, preciso que considere a professora Gisele, uma pro�ssional da escola em que</p><p>você está atuando como psicopedagoga. Ela é bastante tradicional e utiliza somente cópias para</p><p>trabalhar o processo de leitura e escrita das crianças. Visto que há na turma de Gisele crianças</p><p>com defasagem na alfabetização, e que não conseguem avançar nas hipóteses de escrita, você,</p><p>juntamente com a coordenadora, sugerem que ela faça uso frequente de jogos para que possam</p><p>observar o desempenho e desenvolvimento das crianças.</p><p>Como a professora pode trabalhar com jogos para ajudar no processo de leitura e escrita?</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Para ajudar no processo de leitura e escrita de forma lúdica, Gisele pode incorporar jogos que</p><p>estimulem diversas habilidades linguísticas das crianças. Aqui estão algumas sugestões:</p><p>Jogo da memória com palavras: Gisele pode criar cartas com palavras simples que as</p><p>crianças estão aprendendo a ler e escrever. Os alunos devem encontrar pares de palavras</p><p>iguais enquanto praticam a leitura e memorização.</p><p>Caça ao tesouro de letras: pode esconder letras do alfabeto pela sala de aula ou área</p><p>externa. As crianças devem procurar as letras escondidas e usá-las para formar palavras</p><p>simples.</p><p>Bingo de palavras: pode fazer cartelas de bingo com palavras que as crianças estão</p><p>aprendendo. Ao invés de números, Gisele pode chamar as palavras, e os alunos marcam</p><p>quando a encontram em suas cartelas.</p><p>Quebra-cabeças de sílabas: pode criar quebra-cabeças, em que cada peça tenha uma</p><p>sílaba. As crianças devem montar as palavras corretas combinando as sílabas.</p><p>Jogo de tabuleiro de leitura: pode desenvolver um jogo de tabuleiro no qual as crianças</p><p>avancem casas conforme leiam palavras corretamente. Incluir desa�os e recompensas</p><p>tornará o jogo mais envolvente.</p><p>Esses jogos proporcionam uma abordagem lúdica e interativa para a prática de leitura e escrita,</p><p>incentivando as crianças a se envolverem de forma mais ativa e divertida no processo de</p><p>aprendizagem. Além disso, Gisele, a coordenadora e você podem observar o desempenho e</p><p>progresso das crianças de forma mais dinâmica e e�caz.</p><p>Aqui, estudante, você terá um parâmetro geral da abordagem da unidade, compreendendo a</p><p>distribuição das aulas com seus respectivos conteúdos, construindo um raciocínio prático desde</p><p>os conceitos do jogo até as aplicações nas práticas psicopedagógicas.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>CHICON, José Francisco. Jogo, mediação pedagógica e inclusão: um mergulho no brincar. 1. ed.</p><p>Várzea Paulista: Fontoura, 2013. E-book.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>DEHAENE, Stanislas. É assim que aprendemos: por que o cérebro funciona melhor do que</p><p>qualquer máquina (ainda…). 1. ed. São Paulo: Contexto, 2022. E-book.</p><p>FONSECA, Vitor da. Desenvolvimento cognitivo e processo de ensino-aprendizagem: abordagem</p><p>psicopedagógica à luz de Vygotsky. São Paulo: Vozes, 2018. E-book.</p><p>GRASSI, Tânia Mara. A avaliação e intervenção psicopedagógica clínica. 1. ed. São Paulo:</p><p>Contentus, 2020. E-book.</p><p>KÜSTER, Sonia Maria Gomes de Sá. Mediação psicopedagógica na família, na escola e em</p><p>instituições não escolares. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2020. E-book.</p><p>SOBRINHO, Patricia Jerônimo. Fundamentos da Psicopedagogia. São Paulo: Cengage Learning</p><p>Brasil, 2015. E-book. ISBN 9788522122530. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522122530/. Acesso em: 18 maio 2024.</p><p>,</p><p>Unidade 2</p><p>Exercícios e Atividades para Motivar a Aprendizagem</p><p>Aula 1</p><p>Motivação da Aprendizagem</p><p>Motivação da Aprendizagem</p><p>Este conteúdo é um vídeo!</p><p>Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo</p><p>computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo</p><p>para assistir mesmo sem conexão à internet.</p><p>Dica para você</p><p>Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua</p><p>aprendizagem ainda mais completa.</p><p>Olá, estudante! Nesta videoaula, você entenderá como a motivação é imprescindível para a</p><p>aprendizagem e de que forma podemos melhor empregá-la no desempenho dos aprendentes no</p><p>processo de aprendizagem.</p><p>Esse conteúdo é muito importante para que você compreenda os fundamentos que envolvem a</p><p>cognição e tenha visibilidade das estratégias relevantes para impulsionar a aprendizagem.</p><p>Prepare-se para essa jornada de conhecimento!! Vamos lá!!</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522122530/</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Ponto de Partida</p><p>Olá, estudante! O que é motivação? Como aplicá-la de forma assertiva e efetiva? Quais são as</p><p>possibilidades de motivação? Veremos que se trata de uma ação que impulsiona o</p><p>comportamento humano na busca de seus objetivos e realizações, e que pode ser dividida em</p><p>motivação intrínseca ou extrínseca. Sabe o que isso signi�ca? Será que você utiliza essas</p><p>possibilidades de motivação no seu dia a dia?</p><p>Vamos imaginar uma situação-problema para te ajudar a re�etir: considere um pro�ssional que</p><p>trabalha em uma empresa de tecnologia. Ele faz programações e lidera um projeto de</p><p>atualização de sistemas. Qual seria sua motivação intrínseca e qual seria sua motivação</p><p>extrínseca?</p><p>Vamos Começar!</p><p>Motivação na Aprendizagem</p><p>Estudante, você já pensou no que te impulsiona para fazer determinada escolha? Quais são as</p><p>motivações que te levam a fazer coisas? Bom, considere primeiro que a motivação é um</p><p>processo psicológico fundamental que in�uencia as ações de uma pessoa. No entanto, ela varia</p><p>entre os indivíduos e, sem dúvida, difere entre seres humanos e outros animais. Vamos entendê-</p><p>la um pouco melhor?</p><p>O que é motivação?</p><p>Todos os animais são motivados, já que todos buscam seu bem-estar e a satisfação de suas</p><p>necessidades. A diferença entre os animais e os seres humanos é que estes últimos podem usar</p><p>ferramentas disponíveis e criar ferramentas para atingir seus objetivos. Considere os castores,</p><p>que constroem represas e tocas usando galhos e lama. Eles utilizam os recursos do ambiente</p><p>para criar abrigos seguros e armazenar comida, antecipando a necessidade de proteção e</p><p>alimentação durante o inverno. Os seres humanos desenvolveram veículos automotores, como</p><p>carros e aviões, para se deslocarem mais rapidamente e com maior e�ciência, superando as</p><p>limitações de velocidade e distância que seriam intransponíveis a pé ou usando métodos de</p><p>transporte tradicionais. Veja, estudante, que o pensamento criativo é uma habilidade associada à</p><p>motivação.</p><p>De�nimos motivação como o impulso que direciona o indivíduo: “a motivação parece ser</p><p>resultado de uma atividade cerebral, que processa as informações vindas do meio interno (fome,</p><p>dor, desejo sexual) e do ambiente externo (oportunidades e ameaças) e determina o</p><p>comportamento a ser exibido” (CONSENZA; GUERRA, 2011, p. 81).</p><p>Pode-se compreender a motivação como a busca pela satisfação, empenhando esforços para</p><p>alcançar objetivos. Essa busca está ligada a dois aspectos do estudo da felicidade: o Hedonismo</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>e o Eudaimonismo.  O primeiro está relacionado à satisfação derivada do prazer, e envolve:</p><p>Aspectos emocionais, como momentos agradáveis com amigos</p><p>e viagens, além de</p><p>satisfação sexual.</p><p>Equilíbrio emocional, re�etindo uma avaliação positiva da vida e de si mesmo.</p><p>Satisfação das necessidades básicas como alimentação, sono, saúde e segurança.</p><p>Satisfação de curto prazo e de alta intensidade.</p><p>Realização de desejos.</p><p>Eudaimonismo, por outro lado, refere-se à satisfação através do autodesenvolvimento, incluindo:</p><p>Desenvolvimento pessoal, possivelmente a razão pela qual você escolheu este curso de</p><p>graduação.</p><p>Alcance de metas e objetivos pessoais, como emagrecer.</p><p>Satisfação a longo prazo.</p><p>Diante dessa conversa inicial, a motivação faz mais sentido para você? Para aprofundarmos os</p><p>conceitos sobre essas perspectivas, Rossi et al. (2020, p. 154) apontam, em uma perspectiva de</p><p>longo prazo, que:</p><p>o conceito de eudaimonia está assentado sobre crenças de signi�cado da vida e seu sentimento</p><p>de autorrealização, sendo bem-estar um bem maior do que a própria felicidade; autorrealização</p><p>pode ser entendida como um sentimento que preenche totalmente as aspirações do ser humano</p><p>e refere-se à utilização plena das suas capacidades (ROSSI et al., 2020, p. 154).</p><p>“O Hedonismo consiste no sistema de moral que considera o prazer como o bem supremo que a</p><p>vontade deve atingir. Essa concepção supõe que a existência humana seja baseada em uma vida</p><p>de prazer e evitação do sofrimento” (ROSSI, et al., 2020, p. 155). Veja que se trata de uma</p><p>perspectiva de curto prazo.</p><p>A motivação humana envolve tanto a busca pelo prazer quanto pela autorrealização. O sistema</p><p>motivacional é alimentado por pequenas conquistas que sustentam a perseverança e a busca</p><p>por grandes realizações.</p><p>Imagine que alguém planeje guardar uma parte do salário todos os meses para realizar uma</p><p>viagem dos sonhos no �nal do ano. Essa pessoa se sentirá motivada a economizar e a resistir a</p><p>gastos desnecessários ao longo do mês, pois enxerga a recompensa de viajar como algo</p><p>signi�cativo e grati�cante, que se alinha com seus objetivos pessoais de aventura e</p><p>autoconhecimento. A motivação promove uma ação organizada, planejada e estruturada.</p><p>Siga em Frente...</p><p>Motivação na aprendizagem e no desempenho da sala de aula</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>A busca pelo prazer no aprendizado e no autodesenvolvimento tem raízes na perspectiva</p><p>Eudaimônica. Cada criança é naturalmente motivada a descobrir, explorar e adquirir seu próprio</p><p>conhecimento. Além disso, os comportamentos motivados são resultados de um processo de</p><p>aprendizagem.</p><p>A maioria dos comportamentos motivados, direcionados para um objeto, é aprendida. A própria</p><p>obtenção da comida e água, quando estamos famintos ou sedentos, obedece a esta regra.</p><p>Mesmo o recém-nascido irá selecionar alguns comportamentos que foram bem-sucedidos para</p><p>esse �m e tenderá a repeti-los no futuro. Nossas motivações nos levam a repetir as ações que</p><p>foram capazes de obter recompensa no passado ou a procurar situações similares, que tenham</p><p>chance de propiciar uma satisfação desejada no futuro. Portanto, ela é muito importante para a</p><p>aprendizagem em geral. A liberação de dopamina em algumas regiões cerebrais parece estar</p><p>associada a este tipo de recompensa, que leva à aprendizagem (COSENZA; GUERRA, 2011, P. 81).</p><p>A motivação impulsiona o indivíduo a adquirir conhecimento e a adotar comportamentos</p><p>voltados para alcançar seus objetivos. Quando isso ocorre, um hormônio do prazer é liberado,</p><p>incentivando a repetição do ciclo motivacional. Diante dessa consideração, a pergunta que você</p><p>precisa fazer enquanto psicopedagogo é: o que leva um aprendente a perder a motivação no</p><p>processo de aprendizagem? O que inibiu seu prazer?</p><p>Você está pronto para considerar a motivação na escola? Então venha comigo!</p><p>Diferentes perspectivas teóricas abordaram o tema da motivação e suas implicações para o</p><p>comportamento humano, cada uma com seus próprios princípios. No entanto, todas elas</p><p>concordam que a motivação é um componente interno que nos impulsiona à ação e mantém o</p><p>comportamento. Portanto, esse construto da motivação tem natureza energética e afetiva</p><p>intrínseca. Assim, como os ensinantes, sejam professores ou psicopedagogos, podem ajudar no</p><p>processo de aprendizagem? Quais as possibilidades de motivação na aprendizagem e no</p><p>desempenho da sala de aula?</p><p>[...] no ambiente escolar, os indivíduos que estabelecem vínculos mais seguros e estáveis com</p><p>seus professores têm maiores probabilidades de desenvolver percepções mais positivas com</p><p>relação à escola e de apresentar comportamentos mais autorregulados. De maneira geral, pode-</p><p>se dizer então que ser capaz de desenvolver com e�cácia atividades que são valorizadas por um</p><p>contexto social reforça o comportamento de realização dessas atividades de forma voluntária.</p><p>Do mesmo modo, é possível dizer que a internalização de motivadores extrínsecos pode ser</p><p>favorecida pelo fortalecimento da percepção de competência. Sentir-se competente na escola</p><p>implica ser capaz de apropriar-se dos conhecimentos que permitirão aos indivíduos</p><p>instrumentalizarem-se para viver em sociedade, mas também desenvolver-se de forma plena</p><p>para pensar e atuar nesse contexto social (D’AUREA-TARDELI; PAULA, 2016, p. 6).</p><p>É preciso criar um ambiente de aprendizagem que favoreça a autonomia e o envolvimento</p><p>interpessoal.</p><p>Contextos altamente controlados por recompensas externas ou por ameaças tendem a estimular</p><p>nos indivíduos a execução de atividades ou a manifestação de comportamentos baseado no</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>respeito unilateral, enquanto o ambiente em que as pessoas se sintam aceitas e respeitadas</p><p>endossa a execução de atividades por fortalecer sentimentos de pertença e competência [...]</p><p>(D’AUREA-TARDELI; PAULA, 2016, p. 7).</p><p>Faz sentido a�rmar que o sentimento de pertencimento pode ser favorecido não somente quanto</p><p>maior for o envolvimento parental no processo de escolarização, mas também quanto maior for</p><p>a integração dos estudantes com seus pares.</p><p>Essas considerações aproximam a motivação da aprendizagem signi�cativa. E você deve ter se</p><p>perguntado o que signi�ca isso, certo? Garcia (2020) destaca que a aprendizagem signi�cativa</p><p>tem sido explorada ao longo das últimas décadas em função, principalmente, de alguns fatores:</p><p>a. A projeção e a abrangência da teoria de Ausubel (1962,1968), reconhecida como</p><p>signi�cativa e denominada dessa forma, principalmente, por pautar-se no entendimento de</p><p>que, para toda forma de aprendizagem, o sujeito traz um conhecimento prévio que vai se</p><p>agregando ao novo, visto como diferencial signi�cativo.</p><p>b. A noção de que o aluno pode construir o conhecimento mais autonomamente, passando</p><p>por experiências, avaliando o signi�cado do que aprende.</p><p>c. A emergência das tecnologias digitais, interativas e de base social, que destacam</p><p>referenciais diversi�cados, levando os alunos a explorarem diferentes fontes e tomarem</p><p>decisões sobre o que estudar e de que forma.</p><p>d. Aprendizagem entendida como um processo contínuo na construção do conhecimento</p><p>(GARCIA, 2020, p.7).</p><p>e. O termo “signi�cativo” está envolto em um valor intrínseco, relacionado com a percepção</p><p>de uma necessidade que visa uma funcionalidade, utilidade, aplicação, ampliação. Sendo</p><p>assim, a aprendizagem só pode ser signi�cativa se decorrer do uso, da criatividade, da</p><p>apropriação das diferentes formas de expansões por meio das experiências.</p><p>O conceito de signi�cado também pode se associar à motivação. O estudante se motiva a</p><p>aprender algo, investigar, buscar referências, fazer relações, à medida que enxerga algum tipo de</p><p>signi�cado, podendo não ser só envolver o lado racional e criativo, mas também o emocional e</p><p>afetivo. (GARCIA, 2020, p. 8).</p><p>Estratégia de Aprendizagem</p><p>O que são estratégias de aprendizagem e como fomentá-las? Para Boruchovitch e Goes (2020),</p><p>[...] antes de utilizar uma estratégia de aprendizagem o estudante precisa analisar a tarefa a ser</p><p>realizada e escolher as estratégias que, de fato, o auxiliarão a aprender, considerando as</p><p>especi�cidades de cada uma delas. Na sequência, ele empregará as estratégias de</p><p>aprendizagem selecionadas, monitorará a sua aprendizagem</p><p>ao utilizá-las e avaliará se os</p><p>resultados obtidos foram ou não os esperados. (BORUCHOVITCH; GOES, 2020, p. s/n).</p><p>Segundo as autoras, uma classi�cação amplamente aceita para nortear as estratégias de</p><p>aprendizagem é a que distingue as cognitivas das metacognitivas. A primeira estratégia é</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>conceituada para lidar com a informação e aprendê-la de forma e�ciente. É subdividida em</p><p>estratégias de ensaio, de elaboração e de organização. A segunda se refere a procedimentos que</p><p>orientam o planejamento, o monitoramento e a regulação do pensamento durante a realização da</p><p>tarefa.</p><p>Estratégias de ensaio consistem na repetição oral ou escrita daquilo que se pretende aprender.</p><p>Nem todas as estratégias de ensaio são e�cientes, por exemplo, as estratégias de ensaio</p><p>passivas envolvem simples repetição da informação, muitas vezes sem sentido. No entanto,</p><p>estratégias de ensaio ativas abrangem os processos cognitivos e a construção de signi�cados,</p><p>como, por exemplo, em vez de apenas ler e reler anotações para um exame de história</p><p>(estratégia de ensaio passiva), um estudante pode criar e responder suas próprias perguntas</p><p>sobre o material. Ele pode também explicar o conteúdo em voz alta para um colega ou mesmo</p><p>para si, o que o ajuda a consolidar o conhecimento e a identi�car áreas que precisam de mais</p><p>estudo.</p><p>As estratégias de elaboração envolvem adicionar ou modi�car o material na tentativa de torná-lo</p><p>mais signi�cativo e passível de lembrança, como tomar notas, parafrasear, criar analogias,</p><p>contrastar ideias, ensinar o conteúdo para outra pessoa. São estratégias que requerem esforço</p><p>cognitivo, uma vez que é preciso passar a nova informação para as próprias palavras</p><p>relacionando com o conteúdo.</p><p>Por �m, a estratégia de organização tem foco na criação das relações entre os conceitos,</p><p>conferindo uma nova organização grá�ca; como exemplos tem-se os mapas conceituais e os</p><p>diagramas de causa e efeito.</p><p>Essas estratégias são essenciais para auxiliarem a aprendizagem, mas vale ressaltar que</p><p>algumas garantem um processamento mais profundo da informação e outras não, como foi</p><p>possível perceber na descrição das subdivisões da estratégia cognitiva. O ensaio trata a</p><p>informação de modo super�cial, já a elaboração e a organização permitem um processamento</p><p>mais profundo, garantindo que estruturas cognitivas sejam criadas a partir do conhecimento que</p><p>está sendo reelaborado pelo estudante.</p><p>Considerando as estratégias metacognitivas, vale destacar que elas podem ser utilizadas antes</p><p>ou depois de uma atividade cognitiva. A estratégia de planejamento, por exemplo, auxilia na</p><p>elaboração de planos de ação e na execução de uma determinada tarefa para aprender um</p><p>conteúdo novo. É necessário estabelecer as metas para o estudo e analisar a tarefa antes de</p><p>começar a fazê-la.</p><p>As estratégias de monitoramento consistem em checar o próprio entendimento a partir dos</p><p>objetivos pré-estabelecidos no momento do planejamento. Sua função principal é fornecer as</p><p>informações sobre o desempenho de forma que o aprendente possa avaliar se é preciso ou não</p><p>modi�car os processos de estratégias para aprender determinado conteúdo.</p><p>As estratégias metacognitivas de regulação permitem modi�car o comportamento a partir do</p><p>que foi monitorado, como, por exemplo, um aprendente, ao fazer a leitura de um texto, percebe</p><p>que não compreendeu o que acabou de ler. Ao reler para veri�car sobre o que �cou com dúvida,</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>ele está utilizando uma estratégia de regulação. Ler o texto mais devagar, rever parte do material</p><p>estudado que não compreendeu, pular questões e depois retomar, são estratégias de regulação.</p><p>Estudante, você viu que as estratégias cognitivas e metacognitivas auxiliam na aprendizagem.</p><p>Agora, eu te pergunto: como podemos ensinar os estudantes a se manterem motivados no</p><p>processo de aprendizagem?</p><p>Após aprenderem a almejar e monitorar, precisam aprender a regular os comportamentos e as</p><p>ações que não estejam maximizando a aprendizagem. A estratégia de autorregulação consiste</p><p>na alteração de um comportamento com a �nalidade de alcançar melhores resultados ou</p><p>melhorar ainda mais um desempenho satisfatório. Até pouco tempo atrás, não se acreditava que</p><p>as pessoas poderiam regular a própria motivação; hoje, as pesquisas reconhecem que os</p><p>estudantes são capazes de autorregular não só a cognição, o comportamento e o ambiente,</p><p>como também a motivação. Esta pode ser de�nida com o objetivo de in�uenciar, controlar ou</p><p>gerenciar. Segundo Wolter e Benzon (2013) apud Boruchovitch e Goes (2020), existem seis tipos</p><p>de estratégias de autorregulação da motivação:</p><p>1. Regulação do valor: re�ete o esforço do estudante em tornar a tarefa mais passível de ser</p><p>realizada, fazendo com que o material pareça mais útil, interessante ou importante para</p><p>aprender.</p><p>2. Regulação do desempenho: é referente ao esforço do estudante para completar e realizar</p><p>bem uma tarefa, motivado pela importância de tirar uma boa nota e de ter bom</p><p>desempenho.</p><p>3. Regulação de autoconsequenciação: envolve a prática de oferecer recompensas a si</p><p>próprio com o objetivo de se impulsionar para a realização de uma tarefa.</p><p>4. Regulação de estruturação do ambiente: expressa o esforço do estudante para controlar</p><p>aspectos do seu contexto físico, ambiental ou pessoal que podem atrapalhar a</p><p>aprendizagem.</p><p>5. Regulação do interesse situacional: envolve o investimento do estudante em tornar a tarefa</p><p>mais agradável e divertida para manter-se focado e terminá-la.</p><p>�. Regulação da meta para aprender: reforça o desejo do estudante de melhorar e aprender o</p><p>conteúdo da melhor maneira possível, tendo em vista apenas a aprendizagem.</p><p>Ao reconhecermos que os estudantes precisam lutar diariamente para se manterem motivados e</p><p>completarem tarefas que, muitas vezes, não são interessantes, em tempos de tanta variedade de</p><p>diversões e distrações, a autorregulação da motivação é essencial.</p><p>Vamos Exercitar?</p><p>Olá, estudante! Lembra da situação-problema inicial, sobre o pro�ssional que trabalhava com</p><p>programações e liderava projetos de atualizações de sistemas? Você já consegue argumentar</p><p>qual seria a motivação intrínseca e a extrínseca diante das considerações que estudamos? Sim?</p><p>Que maravilha! Mesmo assim vou descrever a problematização para pensarmos juntos.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>A motivação é um impulso interno que direciona o comportamento humano em busca de</p><p>objetivos e realizações. Pode ser dividida em motivação intrínseca, quando a pessoa é</p><p>impulsionada por interesses pessoais, prazer e satisfação interna, e motivação extrínseca,</p><p>quando o impulso vem de recompensas externas, como dinheiro, reconhecimento ou elogios.</p><p>Considere então esse pro�ssional que trabalha em uma empresa de tecnologia. Ele adora</p><p>programar e tem uma paixão genuína por resolver problemas complexos de codi�cação. Seu</p><p>trabalho principal envolve o desenvolvimento de novos aplicativos e softwares, o que o motiva</p><p>intrinsecamente, pois ele se sente realizado e satisfeito ao ver suas criações ganhando vida e</p><p>impactando positivamente os usuários.</p><p>No entanto, além de seu trabalho principal, o pro�ssional é encarregado de liderar um projeto de</p><p>atualização de sistemas legados da empresa, uma tarefa que ele considera menos interessante e</p><p>desa�adora. Ele recebe um bônus �nanceiro signi�cativo se o projeto for concluído dentro do</p><p>prazo estabelecido pela empresa. Nesse caso, sua motivação para liderar o projeto é</p><p>principalmente extrínseca, pois ele está sendo impulsionado pela recompensa �nanceira</p><p>oferecida pela empresa. Embora ele não encontre tanta satisfação intrínseca nessa tarefa, o</p><p>incentivo �nanceiro o motiva a cumprir o objetivo estabelecido pela organização.</p><p>Saiba mais</p><p>Para uma melhor compreensão sobre motivação, recomendo a leitura de dois capítulos de um</p><p>mesmo livro, cujo texto é escrito na forma de diálogo, e os autores vão debatendo sobre o</p><p>conceito de motivação e sua relação com a educação.</p><p>No primeiro capítulo, A fonte da motivação, você encontra um diálogo</p><p>sobre a motivação para</p><p>conversar e produzir o livro, seguida de fundamentação teórica sobre a motivação. No segundo,</p><p>Educar para fazer brilhar sempre mais, os autores fazem uma crítica ao momento atual que</p><p>impõe desejos e necessidades que não são reais; por esse motivo, abordam a necessidade de</p><p>educar os sentimentos, as vontades e compreender a motivação como um estímulo para</p><p>alcançar objetivos que realmente façam sentido para o indivíduo e não os impostos socialmente.</p><p>MARINS, Luiz; MUSSAK, Eugenio. Motivação:  do querer ao fazer. Campinas: Papirus/7 mares,</p><p>2013. Disponível na Biblioteca Virtual/Pearson Biblioteca Virtual 3.0.</p><p>1. Indicação de leitura 1 – Capítulo: A fonte da motivação (p. 7-14).</p><p>2. Indicação de leitura 2 – Capítulo: Educar para fazer brilhar sempre mais (p. 53-60).</p><p>Sugiro, ainda, a leitura do capítulo 2, Teorias da motivação, do livro Motivação e satisfação no</p><p>trabalho: em busca do bem-estar de indivíduos e organizações. O capítulo enfoca a Teoria das</p><p>Necessidades Humanas, a Teoria dos Dois Fatores, a Teoria das Expectativas e dos Níveis de</p><p>Aspirações. Leitura agradável e muito esclarecedora: WALGER, Carolina; VIAPLANA, Larissa;</p><p>BARBOZA, Mariana Monfort. Motivação e satisfação no trabalho: em busca do bem-estar de</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>indivíduos e organizações. Curitiba: Intersaberes, 2019. Recurso eletrônico. Capítulo 2: Teorias da</p><p>motivação, p. 45-90.</p><p>Referências</p><p>BORUCHOVITCH, Evely; GOES, Natália Moraes. Estratégias de aprendizagem: como promovê-las.</p><p>1. ed. São Paulo: Vozes, 2020. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso</p><p>em: 1 jun. 2024.</p><p>COSENZA, Ramon M.; GUERRA, Leonor B. Neurociência e educação: como o cérebro aprende.</p><p>Porto Alegre: Artmed, 2011.</p><p>CORRÊA, Antônio Carlos de O. Memória, aprendizagem e esquecimento: a memória através das</p><p>neurociências cognitivas. 1. ed. São Paulo: Atheneu, 2010. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 1 jun. 2024.</p><p>D'AUREA-TARDELI, Denise; PAULA, Fraulein Vidigal. Motivação, Atitudes e Habilidades: Recursos</p><p>para Aprendizagem. [Digite o Local da Editora]: Cengage Learning Brasil, 2016. E-book. ISBN</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522125494/. Acesso em: 1 jun. 2024.</p><p>FERREIRA, André. et al. Teorias de motivação: uma análise da percepção das lideranças sobre</p><p>suas preferências e possibilidade de complementaridade. XIII SIMPEP - Bauru, SP, Brasil, 6 a 8 de</p><p>novembro de 2006. Disponível em:</p><p>https://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/114.pdf. Acesso: 1 jun.2024.</p><p>FONSECA, Vitor. Desenvolvimento cognitivo e processo de ensino-aprendizagem: abordagem</p><p>psicopedagógica à luz de Vygotsky. São Paulo: Vozes, 2018. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 1 jun. 2024.</p><p>GARCIA, Marilene S. S. Aprendizagem signi�cativa e colaborativa. 1. ed. São Paulo: Contentus,</p><p>2020. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 1 jun. 2024.</p><p>ROCHA, Karina Nalevaiko. Inteligência, afetividade e criatividade. 1. ed. São Paulo: Contentus,</p><p>2020. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 1 jun. 2024.</p><p>ROSSI, Valquiria A. et al. Re�exões sobre bem-estar subjetivo, bem-estar psicológico e bem-estar</p><p>no trabalho. Organizações em contexto, São Bernardo do Campo, v. 16, n. 31, jan.-jun. 2020.</p><p>Disponível em:</p><p>https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/OC/article/view/9535/pdf. Acesso</p><p>em: 1 jun. 2024.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/%22%20/l%20%22/books/9788522125494/</p><p>https://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/114.pdf</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/OC/article/view/9535/pdf</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>SIQUEIRA, Mirlene M. M; PADOVAM, Valquiria A. R. Bases Teóricas de Bem-Estar Subjetivo, Bem-</p><p>Estar Psicológico e Bem-Estar no trabalho. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, 2008, Vol. 24 n.</p><p>2, pp. 201-209. Disponível em:</p><p>scielo.br/j/ptp/a/ZkX7Q4gd9mLQXnH7xbMgbpM/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 1 jun. 2024.</p><p>Aula 2</p><p>Estratégias Para Motivar os Alunos na Aprendizagem</p><p>Estratégias Para Motivar os Alunos na Aprendizagem</p><p>Este conteúdo é um vídeo!</p><p>Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo</p><p>computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo</p><p>para assistir mesmo sem conexão à internet.</p><p>Dica para você</p><p>Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua</p><p>aprendizagem ainda mais completa.</p><p>Olá, estudante! Nesta videoaula, você aprenderá que as estratégias são intencionais para motivar</p><p>os aprendentes no processo de aprendizagem, principalmente pela perspectiva individualizada a</p><p>partir das inteligências múltiplas.</p><p>Esse conteúdo é muito importante para que você encontre as ferramentas adequadas para cada</p><p>situação operativa que precisar desempenhar para desenvolver as potencialidades dos</p><p>aprendentes no processo de busca pela autonomia na realização de uma tarefa ou atividade.</p><p>Prepare-se para essa jornada de conhecimento!</p><p>Vamos lá!</p><p>Ponto de Partida</p><p>Olá, estudante! O processo de aprendizagem exige o reconhecimento e a valorização de</p><p>diferentes habilidades e talentos. É muito importante enxergar a inteligência como um conjunto</p><p>de capacidades que todas as pessoas têm. O diferencial é compreender que as variadas formas</p><p>de inteligência nos convidam a buscar um fundamento de que todos somos inteligentes, mas de</p><p>maneiras diferentes. Você já havia considerado essa possibilidade?</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Diante dessa perspectiva, se você fosse o psicopedagogo de uma escola, qual estratégia</p><p>utilizaria para garantir que as diversas inteligências fossem promovidas?</p><p>Vamos Começar!</p><p>Estratégias para motivar os alunos na aprendizagem</p><p>A motivação do estudante é discutida como um fator importante no processo de ensino e</p><p>aprendizagem, especialmente em relação ao desempenho acadêmico nas diversas áreas do</p><p>conhecimento. A preocupação com a falta de motivação é justi�cada, pois pode haver</p><p>consequências negativas para o aluno desmotivado, afetando seu autoconceito e levando-o a</p><p>sentir-se incapaz de realizar as atividades escolares. Além disso, a diminuição do esforço e da</p><p>persistência resulta em falhas na aquisição e aplicação das estratégias de aprendizagem</p><p>necessárias para atender às exigências do processo de aprendizagem (OLIVEIRA et.al., 2022).</p><p>Respeito diante das individualidades e as inteligências múltiplas</p><p>Antunes (2019) explica que a inteligência tem bases biológicas e é uma função do cérebro. Ela</p><p>permite que uma pessoa resolva problemas e crie coisas valiosas dentro de uma cultura</p><p>especí�ca. Em essência, a inteligência nos ajuda a sair de situações difíceis ao nos oferecer</p><p>opções e, eventualmente, escolher a melhor solução para qualquer problema que enfrentemos.</p><p>A inteligência é, pois, um �uxo cerebral que nos leva a escolher a melhor opção para solucionar</p><p>uma di�culdade e que se completa como uma faculdade para compreender, entre opções qual a</p><p>melhor; ela também nos ajuda a resolver problemas o até mesmo criar produtos válidos para a</p><p>cultura que nos envolve (ANTUNES, 2019, p. 12).</p><p>Meyer (2012) destaca a importância de os professores se familiarizarem com diversas formas de</p><p>linguagem e desenvolverem múltiplas inteligências. Ao fazerem isso, eles se tornam mais</p><p>capazes de incorporar novas tecnologias no ambiente escolar, o que, por sua vez, fortalece a</p><p>conexão e o relacionamento com seus alunos. A ideia é que a adaptabilidade e a competência</p><p>em diversas áreas permitam ao professor criar um ambiente de aprendizagem mais relevante e</p><p>envolvente para os estudantes.</p><p>Nessa perspectiva, Antunes (2019) a�rma que o papel da escola evolui à medida que novos</p><p>estudos e descobertas sobre o comportamento cerebral são feitos. Ele sugere que a escola</p><p>moderna deve focar em estimular a inteligência dos alunos. Em vez de a escola ser apenas um</p><p>lugar aonde as crianças vão para aprender conteúdos especí�cos, ela</p><p>deve ser um ambiente</p><p>onde elas aprendem a aprender, desenvolvem suas habilidades e estimulam suas diversas</p><p>inteligências. A ênfase é em preparar os alunos para serem aprendizes autônomos e versáteis. O</p><p>papel do professor não diminui, mas se torna ainda mais crucial. O professor se transforma em</p><p>um pro�ssional fundamental, porque sua principal missão é estimular a inteligência dos alunos.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Esse novo enfoque valoriza ainda mais a pro�ssão docente, destacando sua importância no</p><p>desenvolvimento das capacidades intelectuais dos estudantes.</p><p>E você, estudante, deve estar se perguntando quais são as inteligências múltiplas que devemos</p><p>desenvolver nos aprendentes, certo? Pela perspectiva de Antunes (1999), vamos começar pela</p><p>inteligência intrapessoal.</p><p>Conhecer-se é muito importante para adquirir embasamento e um olhar diferenciado para</p><p>entender o outro. É uma dimensão que pode ser sentida por todos; administra seus sentimentos,</p><p>emoções e com o alto astral de quem percebe suas limitações, porém não faz delas um estímulo</p><p>para o sentimento de culpa ou para a estruturação de um complexo de inferioridade.</p><p>A inteligência interpessoal se manifesta na habilidade de estabelecer bons relacionamentos com</p><p>os outros e na sensibilidade para compreender suas intenções, emoções e autoimagem. Essa</p><p>forma de inteligência é responsável pela notável empatia de algumas pessoas, e é uma</p><p>característica comum em grandes líderes, professores e terapeutas. Ela desempenha um papel</p><p>signi�cativo na melhoria da relação e interação entre professores e alunos.</p><p>A inteligência corporal-cinestésica desempenha um papel essencial na comunicação, já que</p><p>nosso corpo é o meio pelo qual os canais de comunicação são criados e as outras inteligências</p><p>se manifestam. Ela se expressa por meio da linguagem gestual e da mímica, e é especialmente</p><p>evidente em artistas e atletas, que não precisam elaborar pensamentos complexos para executar</p><p>seus movimentos corporais.</p><p>A inteligência espacial, quando bem desenvolvida, proporciona ao indivíduo uma compreensão</p><p>abrangente de si e do mundo ao seu redor. Isso ocorre porque o espaço é a primeira dimensão</p><p>que o ser humano ocupa desde o nascimento. O reconhecimento dessa inteligência facilita o</p><p>desenvolvimento da lateralidade, do senso de direção e de uma visão holística. Quanto às</p><p>pro�ssões, está diretamente relacionada a áreas como arquitetura, geogra�a ou navegação, em</p><p>que o indivíduo percebe o espaço de forma integrada e o utiliza na criação de mapas, plantas e</p><p>outras representações planas.</p><p>A inteligência linguística ou verbal é especialmente evidente em professores, oradores,</p><p>escritores, compositores. Seu desenvolvimento promove habilidades como argumentação,</p><p>interpretação e embasamento, facilitando a condução de discussões saudáveis e a formação de</p><p>opiniões. Essa inteligência envolve também a capacidade criativa de expressar ideias por meio</p><p>de palavras e linguagem de maneira geral.</p><p>A inteligência musical desempenha um papel signi�cativo no desenvolvimento físico e mental da</p><p>pessoa, promovendo a capacidade de reconhecer e interpretar harmonias, ritmos e melodias.</p><p>Está associada à percepção do mundo sonoro e ao papel da música como meio de compreensão</p><p>e expressão das emoções humanas.</p><p>A inteligência naturalista diz respeito à compreensão e apreciação do ambiente natural, incluindo</p><p>a capacidade de reconhecer e se conectar com diferentes formas de vida, como plantas e</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>animais. É uma habilidade signi�cativa, dada a importância da relação entre humanos e natureza,</p><p>embora nem sempre seja harmoniosa. Essa conexão é vital para a sobrevivência humana,</p><p>destacando a necessidade de compreender e respeitar o mundo natural.</p><p>A inteligência lógico-matemática é fundamental, pois permeia muitas atividades do nosso dia a</p><p>dia, desde a resolução de problemas simples até a análise de questões complexas. Ela envolve a</p><p>habilidade de pensar de forma lógica, desenvolver raciocínios dedutivos e compreender relações</p><p>causais. Além disso, essa inteligência nos capacita a lidar e�cientemente com números e</p><p>símbolos matemáticos, sendo essencial em áreas como engenharia, física e matemática</p><p>avançada.</p><p>Siga em Frente...</p><p>Janela das oportunidades</p><p>Vamos começar pelo excerto de Antunes (2019):</p><p>Um aluno universitário tem uma massa encefálica que pesa cerca de um quilo e quinhentos</p><p>gramas. Essa substância abriga 100 bilhões de células nervosas e cada uma delas se liga a</p><p>milhares de outras em mais de 100 trilhões de conexões. Damos o nome de sinapses à relação</p><p>de contato entre essas e é justamente graças a essa turma que esse universitário pensa, recorda,</p><p>raciocina e se emociona (ANTUNES, 2019, p. 21).</p><p>O cérebro de um bebê é signi�cativamente menor em comparação com o de um adulto. Essa</p><p>diferença de tamanho re�ete o estágio inicial de desenvolvimento do cérebro, que ainda não está</p><p>completamente formado. No entanto, ao longo da vida, o cérebro cresce e se desenvolve em</p><p>resposta aos desa�os e estímulos que o indivíduo enfrenta. Esses estímulos, que podem incluir</p><p>interações sociais, experiências sensoriais e aprendizado, ajudam a construir as conexões</p><p>neurais no cérebro, fortalecendo-as e tornando-as mais e�cientes. Portanto, o processo de</p><p>desenvolvimento cerebral é dinâmico e contínuo, sendo moldado pelas experiências vivenciadas</p><p>desde o nascimento até a idade adulta.</p><p>Outra característica destacada por Antunes (2019) é que o cérebro de um recém-nascido tem os</p><p>dois hemisférios ainda não especializados, e essa especialização ocorre lentamente até os 5</p><p>anos, e depois rapidamente até os 16. Essa especialização é desigual em cada hemisfério e para</p><p>cada tipo de inteligência. Por exemplo, aos 16 anos, ampliar a capacidade de fala é menos válido</p><p>do que aos 10 ou 12 anos, quando essa habilidade tem sua maior abertura. Da mesma forma,</p><p>para a função visual, o fechamento parcial ocorre aos 2 anos.</p><p>Esses fatos levaram os neurobiólogos a estudarem o que chamam de "janelas de oportunidades",</p><p>desenvolvendo um mapa em constante aperfeiçoamento, no qual outras inteligências também</p><p>apresentam suas próprias janelas. A ideia da janela é positiva, pois, quando está amplamente</p><p>aberta, há um grande momento para o estímulo; se está parcialmente fechada, o estímulo é</p><p>válido, mas a aprendizagem pode ser um pouco mais difícil.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>A seguir, um quadro que destaca os períodos de maior abertura de cada uma das janelas</p><p>conhecidas:</p><p>INTELIGÊNCIAS  ABERTURA DA</p><p>JANELA</p><p>O QUE ACONTECE</p><p>NO CÉREBRO</p><p>QUE</p><p>“GINÁSTICAS”</p><p>DESENVOLVER</p><p>Espacial (lado</p><p>direito)</p><p>Dos 5 anos aos</p><p>10 anos</p><p>Regulação do</p><p>sentido de</p><p>lateralidade e</p><p>direcionalidade.</p><p>Aperfeiçoamento</p><p>da coordenação</p><p>motora e a</p><p>percepção do</p><p>corpo no espaço.</p><p>Exercícios e jogos</p><p>operatórios que</p><p>explorem a noção</p><p>de direita,</p><p>esquerda, em</p><p>cima e embaixo.</p><p>Natação, judô e</p><p>alfabetização</p><p>cartográ�ca.</p><p>Linguística ou</p><p>verbal (lado</p><p>esquerdo)</p><p>Do nascimento</p><p>aos 10 anos</p><p>Conexão dos</p><p>circuitos que</p><p>transformam os</p><p>sons em</p><p>palavras.</p><p>As crianças</p><p>precisam ouvir</p><p>muitas palavras</p><p>novas, participar</p><p>de conversas</p><p>estimulantes,</p><p>construir com</p><p>palavras imagens</p><p>sobre</p><p>composição com</p><p>objetos, aprender,</p><p>quando possível,</p><p>uma língua</p><p>estrangeira.</p><p>Sonora ou</p><p>musical (lado</p><p>direito)</p><p>Dos 3 anos aos</p><p>10 anos</p><p>As áreas do</p><p>cérebro ligadas</p><p>aos movimentos</p><p>dos dedos da</p><p>mão esquerda</p><p>são muito</p><p>sensíveis e</p><p>facilitam a</p><p>execução de</p><p>instrumentos de</p><p>corda.</p><p>Cantar com a</p><p>criança e brincar</p><p>de “aprender a</p><p>ouvir” a</p><p>musicalidade dos</p><p>sons naturais e</p><p>das palavras são</p><p>estímulos</p><p>importantes,</p><p>como também</p><p>habituar-se a</p><p>deixar um CD no</p><p>aparelho de som,</p><p>com música</p><p>suave, quando a</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>criança estiver</p><p>comendo,</p><p>brincando ou</p><p>mesmo</p><p>dormindo.</p><p>Cinestésica</p><p>corporal (lado</p><p>esquerdo)</p><p>Do nascimento</p><p>aos 5 ou 6 anos</p><p>Associação entre</p><p>olhar um objeto e</p><p>agarrá-lo, assim</p><p>como passagem</p><p>de objetos de</p><p>uma mão para</p><p>outra.</p><p>Desenvolver</p><p>brincadeiras que</p><p>estimulem o tato,</p><p>o paladar e o</p><p>olfato. Simular</p><p>situações de</p><p>mímica e brincar</p><p>com a</p><p>interpretação dos</p><p>movimentos.</p><p>Promover jogos e</p><p>atividades</p><p>motoras</p><p>diversas.</p><p>Pessoais (intra e</p><p>interpessoal)</p><p>(lobo frontal)</p><p>Do nascimento à</p><p>puberdade</p><p>Os circuitos do</p><p>sistema límbico</p><p>começam a se</p><p>conectar e se</p><p>mostram muito</p><p>sensíveis a</p><p>estímulos</p><p>provocados por</p><p>outras pessoas.</p><p>Abraçar a criança</p><p>carinhosamente,</p><p>brincar bastante.</p><p>Compartilhar de</p><p>sua admiração</p><p>pelas</p><p>descobertas.</p><p>Mimos e</p><p>estímulos na</p><p>dosagem e na</p><p>hora correta são</p><p>importantes.</p><p>Lógico-</p><p>matemática</p><p>(lobos-parietais-</p><p>esquerdos)</p><p>De 1 a 10 anos  O conhecimento</p><p>matemático</p><p>deriva</p><p>inicialmente das</p><p>ações da criança</p><p>sobre os objetos</p><p>do mundo (berço,</p><p>chupeta,</p><p>chocalho) e evolui</p><p>para suas</p><p>expectativas</p><p>sobre como esses</p><p>objetos se</p><p>Acompanhar com</p><p>atenção a</p><p>evolução das</p><p>funções</p><p>simbólicas para</p><p>as funções</p><p>motoras.</p><p>Exercícios com</p><p>atividades</p><p>sonoras que</p><p>aprimorem o</p><p>raciocínio lógico-</p><p>matemático.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>comportarão em</p><p>outras</p><p>circunstâncias.</p><p>Estimular</p><p>desenhos e</p><p>facilitar a</p><p>descoberta das</p><p>escalas presentes</p><p>em todas as fotos</p><p>e desenhos</p><p>mostrados.</p><p>Pictórica (lado</p><p>direito)</p><p>Do nascimento</p><p>até 2 anos</p><p>A expressão</p><p>pictórica está</p><p>associada à</p><p>função visual e,</p><p>nesse curto</p><p>período de dois</p><p>anos, ligam-se</p><p>todos os circuitos</p><p>entre a retina e a</p><p>área do cérebro</p><p>responsável pela</p><p>visão.</p><p>Estimular a</p><p>identi�cação de</p><p>cores. Usar</p><p>�guras,</p><p>associando-as a</p><p>palavras</p><p>descobertas.</p><p>Brincar de</p><p>interpretações de</p><p>imagens.</p><p>Fornecer �guras</p><p>de revistas e</p><p>estimular o uso</p><p>das abstrações</p><p>nas</p><p>interpretações.</p><p>Naturalista (lado</p><p>direito)</p><p>Dos 4 meses aos</p><p>14 anos</p><p>Conexão de</p><p>circuitos cerebrais</p><p>que transformam</p><p>sons em</p><p>sensações.</p><p>Estimular a</p><p>percepção da</p><p>temperatura e do</p><p>movimento do ar</p><p>e da água. Brincar</p><p>de “descobrir” a</p><p>chuva, o mar, o</p><p>vento.</p><p>Fonte: (ANTUNES, 2019, p. 22-24)</p><p>É intrigante a importância e o fascínio da descoberta das diversas inteligências presentes no ser</p><p>humano, assim como as notáveis diferenças entre homens e mulheres em relação ao uso do</p><p>hemisfério cerebral. Ele destaca a signi�cativa investigação que o ser humano realiza sobre si e o</p><p>incrível potencial de diferenciação existente entre as pessoas. Essa re�exão sugere uma</p><p>valorização da diversidade e da complexidade inerente à natureza humana.</p><p>Técnicas e/ou estratégias de ensino</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Dentre as relações interpessoais em sala de aula, é importante destacar a atuação mediadora do</p><p>psicopedagogo junto aos professores no que tange às habilidades e às potencialidades do</p><p>aprendente. Para uma boa relação, é imprescindível estabelecer um vínculo entre escola,</p><p>coordenadores, professores para que o processo de desenvolvimento dos aprendentes sejam</p><p>percebidos e valorizados. Parolin (2010b, p. 109 apud Küster 2020, p. 233) menciona que “[...] o</p><p>processo de ensinar e de aprender envolve pessoas em relação: elas e suas histórias de vida;</p><p>elas e o conhecimento; elas e outras formas de viver e de pensar”.</p><p>A colaboração e�caz entre o psicopedagogo e o professor pode facilitar o desenvolvimento de</p><p>estratégias de aprendizagem personalizadas para um aluno com di�culdades. Essa parceria</p><p>permite o monitoramento e a adaptação contínua dessas estratégias, ajudando o aluno a</p><p>progredir até o ponto em que ele consiga gerenciar e controlar seu próprio processo de</p><p>aprendizagem de forma autônoma.</p><p>Além disso, Oliveira et al. (2022) argumenta estratégias que podem ser aplicadas para motivar os</p><p>alunos aprenderem</p><p>A organização da sala de aula envolve a con�guração do espaço físico e a disposição dos alunos</p><p>neste espaço que repercutem no modo como as atividades são propostas, desenvolvidas e</p><p>percebidas pelos alunos. Os aspectos envolvidos neste arranjo do ambiente devem ser</p><p>trabalhados de forma equilibrada, que exige grande habilidade e �exibilidade por parte do</p><p>professor. Ao propor uma atividade, os motivos e ganhos a serem alcançados com sua</p><p>realização devem ser esclarecidos para que a tarefa passe a ter um signi�cado concreto para o</p><p>aluno e para que ele se sinta minimamente capaz de executá-la (OLIVEIRA et al. (2022, s/n).</p><p>Outro fator importante é diversi�car as tarefas sem seguir um padrão para não priorizar os</p><p>mesmos estudantes. As autoras orientam que para prevenir esse tipo de situação é interessante</p><p>atividades que sejam elaboradas de forma que equilibre o desa�o, a curiosidade e a autonomia.</p><p>Importante ressaltar também que o grau de di�culdade não gere ansiedade, tampouco promova</p><p>desinteresse e tédio. Níveis extremos podem resultar na desistência da tarefa. Dessa forma “[...]</p><p>o melhor é conferir um intermediário de di�culdade que, por meio do esforço, o aluno consiga se</p><p>perceber capaz e interessado em realizá-la. [...] A curiosidade deve ser acrescida à tarefa de</p><p>modo que o aluno se sinta desa�ado para buscar sua compreensão e explicações.” (OLIVEIRA et</p><p>al. 2022, s/n).</p><p>Para Küster (2020), autonomia está associada ao controle oferecido ao estudante, dessa forma</p><p>delegar para que ele faça escolhas sobre como executar a atividade, ouvir opiniões e</p><p>compreender por meio do esforço que é possível atingir um bom resultado, é também uma</p><p>estratégia de motivação. Ligando também a autonomia às tarefas que incentivam a pesquisa e o</p><p>lúdico, possibilitam a articulação dos conhecimentos por meio da participação ativa e despertam</p><p>a imaginação e a criatividade.</p><p>Como recursos psicopedagógicos que promove a motivação dos estudantes, Oliveira (2014)</p><p>argumenta que Barbosa reuniu suas contribuições junto às de Visca, possibilitando a intervenção</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>no processo de aprender, como em situações preventivas, na instituição escolar. Alguns destes</p><p>recursos são:</p><p>Mudança de situação – As coisas que são feitas sempre da mesma forma podem criar</p><p>situações con�ituosas. Propor uma mudança é agir operativamente, é surpreender para</p><p>interferir.</p><p>Informação – Para provocar um movimento em relação à determinada tarefa, não se deve</p><p>fornecer informações prontas.</p><p>Acréscimo de modelo – É preciso formar outra opção para que determinada consigna seja</p><p>efetivada. Em vez de dizer “não é assim”, deve-se dizer “essa é uma forma de pensar, porém</p><p>vocês poderiam considerar mais este aspecto.”</p><p>Modelo de alternativas múltiplas – Sem ofuscar o conhecimento do outro, deve-se oferecer</p><p>a ele algumas alternativas que lhe permitam a re�exão, a escolha, o teste e a conclusão.</p><p>Vivência do con�ito – É necessário criar um grau de ansiedade e desequilíbrio para que</p><p>essa vivência possibilite uma tensão e uma motivação para o estabelecimento de metas e</p><p>condutas modi�cadas.</p><p>Problematização – É importante criar situações-problemas para que hipóteses sejam</p><p>levantadas, testadas e con�rmadas (ou não), para colocar certa ordem na confusão inicial.</p><p>Destaque do comportamento – Comportamentos adequados assumidos pelo sujeito ou</p><p>pelo grupo devem ser destacados para mostrar a eles que têm condições de atingir uma</p><p>meta.</p><p>Assinalamento – Explicita um segmento da conduta, enfatizando a motivação, a meta, a</p><p>conduta escolhida etc. (OLIVEIRA, 2014)</p><p>Esses são alguns recursos que caracterizam ferramentas de uso na prática psicopedagógica</p><p>que, para Barbosa (2001, p. 215 apud Oliveira 2014), têm</p><p>[...] o objetivo de provocar no sujeito da aprendizagem a busca da operatividade, da resolução de</p><p>um problema. Esse pro�ssional cria, mantém e fomenta a comunicação, para que os envolvidos</p><p>possam desenvolver progressivamente a ponto de se aproximar afetivamente da tarefa e realiza-</p><p>la.</p><p>Vamos Exercitar?</p><p>Olá, estudante! Lembra-se da proposta que �z para você, enquanto psicopedagogo de uma</p><p>escola? Naquele momento, o que você considerou antes de estudarmos o material? E agora,</p><p>quais são as perspectivas que você consegue considerar diante do conteúdo explorado?</p><p>Uma sugestão seria você criar um ambiente, espaço físico, de valorização das Múltiplas</p><p>Inteligências que contemplasse:</p><p>Diversidade de Estações de Aprendizagem: divida o ambiente em várias estações</p><p>dedicadas a diferentes tipos de inteligência, como áreas para atividades musicais,</p><p>artísticas, cientí�cas, atléticas, linguísticas e sociais.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Materiais e Recursos Variados: disponibilize uma variedade de materiais, desde</p><p>instrumentos musicais e materiais de arte até kits de ciência, quebra-cabeças e jogos</p><p>educativos.</p><p>Ambiente Acolhedor: crie um espaço confortável e seguro, com assentos variados,</p><p>iluminação adequada e decoração que inspire criatividade e acolhimento.</p><p>Saiba mais</p><p>Leia o texto a seguir e re�ita sobre as estratégias que fazem dos alunos protagonistas. BANDONI,</p><p>Felipe. Quando a palestra vira rotina, adormece o aprendizado.</p><p>Referências</p><p>ANTUNES, Celso. As inteligências múltiplas e seus estímulos. 1. ed. Campinas: Papirus, 2019. E-</p><p>book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 3 jun. 2024.</p><p>_____________. Jogos para a estimulação das múltiplas inteligências. 1. ed. São Paulo: Vozes,</p><p>1999. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 3 jun. 2024.</p><p>KÜSTER, Sonia Maria Gomes de Sá. Mediação psicopedagógica na família, na escola e em</p><p>instituições não escolares. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2020. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 3 jun. 2024.</p><p>MACEDO, Lino de. (org.). Jogos, psicologia e educação: teoria e pesquisas. São Paulo: Pearson,</p><p>2009. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 3 jun. 2024.</p><p>MEYER, Cybele. Inteligências na prática educativa. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2012. E-book.</p><p>Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 5 jun. 2024.</p><p>OLIVEIRA, Gislene de Campos. et al. Psicopedagogia: desa�os e prática no contexto educativo. 1.</p><p>ed. São Paulo: Vozes, 2022. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso</p><p>em: 3 jun. 2024.</p><p>OLIVEIRA, Mari Ângela Calderari. Psicopedagogia a instituição educacional em foco. 1. ed.</p><p>Curitiba: Intersaberes, 2014. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso</p><p>em: 3 jun. 2024.</p><p>Aula 3</p><p>A Tecnologia Como Aliada no Processo Educacional</p><p>https://novaescola.org.br/conteudo/8375/quando-a-palestra-vira-rotina-adormece-o-aprendizado</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>A Tecnologia Como Aliada no Processo Educacional</p><p>Este conteúdo é um vídeo!</p><p>Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo</p><p>computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo</p><p>para assistir mesmo sem conexão à internet.</p><p>Dica para você</p><p>Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua</p><p>aprendizagem ainda mais completa.</p><p>Olá, estudante! Nesta videoaula, você vai explorar a tecnologia na educação e descobrir como ela</p><p>facilita a aprendizagem e enriquece o processo educativo. Veremos como as ferramentas</p><p>tecnológicas tornam o aprendizado mais interativo e ajudam no desenvolvimento de habilidades</p><p>motoras essenciais.</p><p>Esse conteúdo é importante para você discutir a gami�cação e a tecnologia assistiva para</p><p>aumentar o engajamento dos estudantes e a participação inclusiva de todos eles.</p><p>Prepare-se para essa jornada de conhecimento!</p><p>Vamos lá!</p><p>Ponto de Partida</p><p>No contexto educacional atual, a integração entre tecnologia e aprendizagem é cada vez mais</p><p>evidente. Ferramentas tecnológicas facilitam o acesso ao conhecimento e enriquecem o ensino</p><p>com abordagens interativas e personalizadas. A tecnologia na educação aprimora a</p><p>aprendizagem, promove inclusão e desenvolvimento integral dos estudantes.</p><p>Vamos re�etir sobre a seguinte situação-problema: uma equipe pedagógica enfrenta o desa�o de</p><p>integrar novas tecnologias ao processo de ensino, visando melhorar a aprendizagem e inclusão</p><p>dos alunos. Embora tenham adotado algumas ferramentas tecnológicas, como tablets e</p><p>softwares educativos, os professores notaram que muitos alunos ainda não estão totalmente</p><p>engajados e alguns com necessidades especiais não conseguem participar plenamente das</p><p>atividades. Quais estratégias seriam possíveis para superarmos essa di�culdade e atender de</p><p>forma satisfatória a participação efetiva destes aprendentes?</p><p>Vamos Começar!</p><p>A tecnologia como aliada no processo educacional</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>O que difere os estudantes são os processos cognitivos de cada um. Sabe-se que a</p><p>aprendizagem ocorre de forma efetiva quando há aquisição e compreensão de conceitos, e o</p><p>desenvolvimento da capacidade de imaginação e as diversas formas de sua aplicação seja em</p><p>determinadas situações ou contextos. “O próprio Kolb (1984) a�rma que a aprendizagem é um</p><p>processo pelo qual o conhecimento é criado mediante a transformação da experiência.” (BRITTO,</p><p>2016, p. 19).</p><p>Relação entre a tecnologia e a aprendizagem</p><p>Começamos a�rmando com Lenharo (2023) que as Tecnologias Digitais de Informação e</p><p>Comunicação (TDICs) transformaram signi�cativamente nossa relação com o conhecimento.</p><p>Isso inclui mudanças na forma como aprendemos, nos comunicamos e nos comportamos.</p><p>Diante dessas transformações, é essencial discutir os impactos dessas alterações nas</p><p>experiências educacionais, para entender melhor como essas tecnologias estão moldando a</p><p>educação.</p><p>Na pandemia de COVID-19, o ensino remoto entre 2020 e 2021 destacou a adaptação dos</p><p>professores ao uso de ferramentas de videoconferência e ambientes virtuais para substituir as</p><p>interações presenciais. No entanto, muitos educadores apenas transferiram os conteúdos para o</p><p>formato digital, mantendo uma pedagogia tradicional de transmissão, na qual o professor é o</p><p>centro das atenções e domina o tempo de fala. Isso resultou em uma postura passiva dos</p><p>alunos, que tiveram poucas oportunidades para expressar suas opiniões e desenvolverem</p><p>autonomia. Você concorda com isso, estudante?</p><p>Outro ponto de relevância tratado por Pietrobon (2021) são os efeitos negativos da pandemia no</p><p>desenvolvimento infantil, conforme relatado pelo comitê do Núcleo de Ciência pela Infância em</p><p>2020. Muitas crianças experimentaram aumento na desatenção e di�culdades de concentração,</p><p>maior dependência dos pais, problemas de sono e apetite e maior agitação. Esses problemas</p><p>são atribuídos à falta de interação com outras crianças e professores, sublinhando a importância</p><p>do contato social e do ambiente escolar no desenvolvimento saudável das crianças.</p><p>A escola, sendo um espaço vital para interações e aprendizagem, sofreu impactos signi�cativos</p><p>devido à suspensão das atividades presenciais. A interrupção das aulas presenciais resultou em</p><p>uma aprendizagem fragmentada para as crianças e possivelmente prejudicou seu</p><p>desenvolvimento em vários aspectos. A ausência do ambiente escolar comprometeu a</p><p>continuidade e a qualidade do aprendizado e das interações sociais essenciais para o</p><p>desenvolvimento integral das crianças.</p><p>Considerando esse contexto, há a necessidade de repensar as metodologias de ensino para</p><p>promover uma aprendizagem mais ativa e participativa, valorizando a voz e a agência dos</p><p>estudantes, pois Lenharo (2023, p. 139) ressalta que “as novas formas de aprender remetem à</p><p>complexidade da existência dos seres humanos e representam um desa�o urgente a ser</p><p>colocado em pauta na educação.” O autor defende a ideia de que o professor atual tem o papel</p><p>de ensinar novas formas de buscar conhecimento.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Não são mais conteúdos que são valorizados, mas a capacidade de buscar novas informações, a</p><p>capacidade de autoatualização de perceber quando uma informação já não tem mais o mesmo</p><p>valor e procurar outro para atualizar, capacidades de atualização, de colaboração. (MENEZES DE</p><p>SOUZA, 2011a, p. 289-290 apud LENHARO 2023, p. 139.)</p><p>A internet é como uma ferramenta valiosa para a aprendizagem moderna. Ela proporciona</p><p>inúmeras oportunidades para diversi�car os métodos de aprendizado e promover a</p><p>autoformação. A internet amplia o acesso a recursos educacionais variados, permitindo que os</p><p>indivíduos aprendam de maneiras que melhor se adequem às suas necessidades e preferências.</p><p>Isso torna a aprendizagem mais �exível e personalizada, incentivando um desenvolvimento</p><p>contínuo e autônomo.</p><p>Habilidades motoras e a tecnologia</p><p>Sarmento e Pinto (1997 apud Pietrobon 2023,</p><p>s/n) iniciam a contribuição destacando “[...] a</p><p>criança como sujeito social, de direitos, ativa e criativa, e que a infância é vivenciada de diversas</p><p>formas a depender do contexto onde encontra-se.”</p><p>A exploração do jogo na potencialidade das aprendizagens e no desenvolvimento das</p><p>habilidades motoras estão bem conectadas com a teoria de desenvolvimento cognitivo de</p><p>Piaget. Pietrobon (2023) argumenta que essa teoria fornece uma estrutura valiosa para entender</p><p>como as crianças evoluem intelectualmente. Focando no período pré-operatório (2 a 7 anos),</p><p>Piaget explica que, durante essa fase, as crianças começam a desenvolver habilidades de</p><p>pensamento simbólico, embora ainda não consigam realizar operações mentais complexas.</p><p>Quando as crianças encontram novos objetos ou conceitos, isso inicialmente causa um</p><p>desequilíbrio em suas estruturas mentais existentes. No entanto, por meio da interação com</p><p>esses novos estímulos, as crianças são capazes de assimilar novas informações, ajustando e</p><p>expandindo suas estruturas cognitivas. Esse processo de desequilíbrio e reequilíbrio é</p><p>fundamental para o aprendizado contínuo e serve de base para futuras aquisições de</p><p>conhecimento. Assim, a compreensão das fases de Piaget ajuda a apoiar o desenvolvimento</p><p>cognitivo das crianças de maneira mais e�caz, fornecendo desa�os apropriados e oportunidades</p><p>de aprendizado que correspondem ao seu estágio de desenvolvimento.</p><p>Analisando essas considerações, estudante, será que a tecnologia tem benefícios para a</p><p>aprendizagem? Veja o que Pietrobon (2023) argumenta sobre isso:</p><p>No caso do uso de recursos tecnológicos, seja Apps de mensagem jogos eletrônicos, os vídeos</p><p>disponíveis em plataformas, estes trazem diferentes ferramentas e símbolos que exigem da</p><p>criança uma compreensão do seu signi�cado, estão ele como texto especí�co, o que as leva a</p><p>realizar uma “leitura” destes e apropriação de códigos (PIETROBON, 2023, p. s/n).</p><p>Para Iahnke (2023, s/n), as TDICs oportunizam a aprendizagem com mobilidade, representando</p><p>uma das principais tendências na educação. Proporciona uma aprendizagem que estende</p><p>experiências físicas para experiências em ambientes reais e virtuais, tornando o processo de</p><p>aprendizagem centrado no estudante e promovendo um processo localizado pessoal,</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>colaborativo, criativo. “[...] o emprego das redes sociais associadas à aprendizagem móvel pode</p><p>proporcionar situações de aprendizagem colaborativa, nas quais ocorrem o diálogo, a interação,</p><p>a partilha de ideias; por meio de práticas mais dinâmicas, desa�adoras e contextualizadas.”</p><p>Veja, estudante, você se encontra no papel de aprendente virtual, e Iahnke (2023) explica isso ao</p><p>destacar que as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) têm expandido</p><p>signi�cativamente as possibilidades de comunicação e processamento de informações. No</p><p>contexto educacional, essas tecnologias, especialmente quando associadas à internet, estão</p><p>transformando a forma de viver e aprender. Elas permitem um modelo de ensino que pode</p><p>ocorrer em tempo real, mas que não exige a presença física dos participantes, permitindo uma</p><p>remodelagem da educação.</p><p>E sobre a pedagogia dos multiletramentos, você já ouviu falar? De acordo com Cope e Kalantzis</p><p>(2000 apud Lenharo 2023), pensar a pedagogia dos multiletramentos.</p><p>[...] preconiza considerar modos mais abrangentes de representação e produção dos sentidos,</p><p>desvinculados da ideia canônica de linguagem que privilegia apenas a dimensão verbal, seja ela</p><p>escrita ou falada. Em publicação recente, os autores destacam ao mens sete modos de</p><p>signi�cação que estariam em jogo quando pensamos na construção de sentidos, a saber:</p><p>“escrito, visual, espacial, tátil, gestual, auditivo e oral (KALANTZIS; COPE; PINHEIRO, 2020, p. 181</p><p>apud LENHARO, 2023, p. 53).</p><p>Estamos falando de tecnologia, quando o que é criado resolve problemas ou melhora o dia a dia</p><p>das pessoas. Veja, a ideia de multiletramentos amplia as formas produzirmos os signi�cados,</p><p>“[...] não basta apenas compreender os letramentos atrelados à leitura e à escrita, também é</p><p>preciso compreender outras modalidades de produção de sentido, as quais podem ocorrer por</p><p>meio de sons, imagens, vídeos, noções de espaço, cor, gestos, entre outros.” (LENHARO, 2023, p.</p><p>54.)</p><p>Munhoz (2016, p. 79-81) levanta algumas vantagens do uso da tecnologia educacional, segundo</p><p>alguns autores:</p><p>Zenger e Zenger mencionam que ela incentiva um processo de alfabetização tecnológica</p><p>que muitos ainda não enfrentaram, apesar de a geração atual ser considerada como uma</p><p>geração digital.</p><p>Roblyer e Edwards pontuam que a utilização dos computadores nas salas de aula surgiu</p><p>com um grande benefício para os professores e que não é possível negar os méritos da</p><p>tecnologia educacional no que diz respeito à melhoria da qualidade e da racionalização do</p><p>trabalho dos professores.</p><p>Menezes considera que a democratização do acesso, muitas vezes citada mas que nem</p><p>sempre acontece, tem sido considerada um dos grandes benefícios.</p><p>Oliveira considera o desenvolvimento de trabalhos conjuntos entre escolas de localidades</p><p>diversas algo que favorece o reconhecimento da diversidade cultural, fazendo com que ele</p><p>aconteça desde os anos iniciais da formação escolar.</p><p>Novello e Laurino ensejam a possibilidade do desenvolvimento do trabalho em equipe,</p><p>operando na resolução de problemas com apoio de outras ideias pedagógicas</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>complementares.</p><p>Holmberg menciona que tecnologia é consistente quando o professor e os alunos se</p><p>propõem a desenvolver contatos frequentes utilizando o ambiente virtual de aprendizagem.</p><p>O aspecto da participação é um dos principais objetivos a serem atingidos, pois o</p><p>engajamento do aluno e a manutenção do seu interesse é fundamental para que,</p><p>praticamente, todos os benefícios citados possam ser atingidos.</p><p>Picolli e Moraes destacam a importância de ensinar e aprender pela pesquisa e consideram</p><p>que a abertura do campo de pesquisa para os alunos é outro dos inegáveis benefícios que</p><p>a utilização da tecnologia educacional pode contabilizar em seu favor (MUNHOZ, 2016, p.</p><p>79-81).</p><p>É imprescindível promovermos a aprendizagem independente nos alunos. A diversidade da</p><p>internet e o multiculturalismo permitem explorar e aplicar o conceito de inteligências múltiplas e</p><p>diferentes estilos de aprendizagem. Se o ambiente for �exível, é possível respeitar os ritmos</p><p>individuais e proporcionar atividades que atendam às características únicas de aprendizagem de</p><p>cada pessoa. Isso destaca a importância de adaptar o ensino para melhor atender às</p><p>necessidades de cada aluno.</p><p>Siga em Frente...</p><p>Jogos, gami�cação e tecnologia assistiva</p><p>Do ponto de vista histórico, a análise do jogo é feita a partir da imagem da criança presente no</p><p>cotidiano de uma determinada época. O lugar que a criança ocupa num contexto social</p><p>especí�co, a educação a que está submetido e o conjunto das relações sociais que mantém com</p><p>personagens do seu mundo, tudo isso permite compreender melhor o cotidiano infantil, e é nesse</p><p>cotidiano que se forma a imagem da criança do seu brincar (KISHIMOTO, 19998, p. 7 apud</p><p>CHICON, 2013, s/n.)</p><p>Freire (2017) argumenta que a caracterização do jogo é reconhecida porque podemos observá-lo</p><p>em várias situações envolvendo pessoas, animais e a natureza. A existência do jogo é</p><p>con�rmada através das suas manifestações que podemos ver, tocar e até intuir. Nossa</p><p>percepção nos permite identi�car e reconhecer a presença do jogo em diferentes contextos.</p><p>Inclusive, Freire (2016, s/n) faz uma crítica à escola, que não tem relação exclusivamente com o</p><p>jogo, mas destaca que ela pouco se preocupa com o signi�cado dos conteúdos. “De modo geral,</p><p>acredita-se que um aluno, diante de alguma coisa a aprender, tem apenas que assimilar aquilo,</p><p>não importando o signi�cado que possua, onde ou quando vai se utilizar daquele conhecimento,</p><p>ou se aquele conhecimento vai se manter, e assim por diante. [...]”. Contudo, traz considerações</p><p>relevantes sobre o aspecto do jogo como educação, veja:</p><p>a. O jogo ajuda</p><p>no tabuleiro e nas peças, que podem ser feitas de diferentes materiais, como</p><p>papelão, madeira, plástico, pedra ou metais. Um pião, por sua vez, é confeccionado a partir de</p><p>diversos materiais, como casca de frutas ou plástico, e representa o objeto usado na brincadeira</p><p>de rodar pião. Essa abordagem destaca a relação entre o jogo e os objetos físicos que o</p><p>representam, enfatizando a materialidade dos elementos envolvidos na prática lúdica.</p><p>Chicon (2013) destaca que os jogos promovem reações intelectuais e facilitam a integração dos</p><p>aprendizes na sociedade, permitindo que se familiarizem com os padrões de comportamento</p><p>social e os apliquem na vida real. Além disso, há a vantagem de repetir as normas da atividade</p><p>até que as estruturas sociais com as quais se deparam diariamente sejam completamente</p><p>assimiladas.</p><p>Siga em Frente...</p><p>O olhar pro�ssional sobre a recreação e os jogos</p><p>Minha experiência como pro�ssional da educação mostra que a ausência de conhecimento</p><p>sobre o lúdico vence o conteúdo. Parece difícil compreender que, antes de aprender a ler e</p><p>escrever, precisa-se do conhecimento mínimo sobre o próprio corpo. Cavallari (2018) traz na</p><p>pauta que a maior reclamação dos professores que trabalham na educação infantil e nos</p><p>primeiros anos do ensino fundamental é sobre não poderem brincar na sala de aula, porque logo</p><p>tem-se a cobrança a respeito do conteúdo programado que precisa ser cumprido. O que talvez</p><p>não se saiba é que brincando, verdadeiramente, se aprende.</p><p>A autora destaca também que quando o educador está engajado com sua turma, ele incorpora a</p><p>afetividade ao transmitir os conteúdos aos alunos, utilizando atividades lúdicas que transformam</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>a natureza do processo de ensino-aprendizagem. Isso proporciona uma abordagem descontraída</p><p>e agradável, incentivando a participação ativa e entusiasmada das crianças.</p><p>Quando olhamos para o contexto escolar, espera-se que o estudante, aprenda. O que precisamos</p><p>considerar é: como ele aprende? De que forma temos ensinado? É muito importante considerar o</p><p>ambiente em que a criança é imersa, porque se considerarmos um contexto signi�cativo, com o</p><p>emprego do jogo com atividade lúdica e com recursos pedagógicos, certamente, resultados</p><p>satisfatórios serão alcançados para o desenvolvimento infantil.</p><p>Sabe-se que grande parte dos professores são �éis a velhos paradigmas e resistentes a</p><p>mudanças, ainda temos uma minoria que entende que os estudantes aprendem com o corpo</p><p>inteiro, que isso precisa estar atrelado ao movimento e ao prazer. Isso está diretamente</p><p>conectado com um tipo de proposta que o professor escolhe como norteador da sua prática de</p><p>ensino. É claro que não é possível descartar a condição de que a escola em que esse professor</p><p>trabalha têm um projeto político-pedagógico, uma fundamentação teórica, e que esses fatores</p><p>precisam determinar a atuação desse docente. Contudo, ele tem experiências, uma bagagem</p><p>pro�ssional, estudos especí�cos que vão garantir que ele se apoie 100% naquilo que está sendo</p><p>sugerido ou não.</p><p>Ensinar é uma atividade complexa, que precisa de explicações sistematizadas, e o êxito de sua</p><p>aplicação está conectada a uma formação de base. A atitude do ensinante in�uencia a relação</p><p>que a criança estabelecerá com a aprendizagem.</p><p>Cavallari (2011) enfatiza que o uso de atividades lúdicas pode tornar a aprendizagem mais fácil,</p><p>promovendo a comunicação e superando obstáculos como inibição, insegurança e até mesmo</p><p>atrasos na linguagem. Um professor que incorpora abordagens que valorizam a imagem corporal</p><p>proporciona às crianças um ambiente mais propício para o aprendizado, pois os jogos e as</p><p>atividades que envolvem expressão motora as auxiliam a desenvolver habilidades de equilíbrio,</p><p>comunicação e cooperação.</p><p>O jogo transcende as necessidades imediatas! Ele satisfaz a necessidade da ação, pois quando a</p><p>criança joga ela constrói signi�cado das suas ações, desenvolve sua vontade e se torna</p><p>consciente das suas escolhas e decisões. O jogo se mostra como elemento básico para a</p><p>mudança das necessidades e da consciência, porque quanto mais rígidas forem as regras do</p><p>jogo, maior será a atenção que a criança demandará para regular a própria atividade. Além disso,</p><p>atua como um elemento que permite a viabilização de um trabalho interdisciplinar.</p><p>Ao considerarmos que brincando o estudante explora o meio, aprende conceitos, associa ideias,</p><p>favorece a função cognitiva da memorização, deveríamos considerar também que, no ensino</p><p>fundamental, principalmente, nos anos iniciais, a aprendizagem deveria acontecer em um mundo</p><p>concreto de objetos e ações que trouxessem signi�cado para ele.</p><p>Vamos Exercitar?</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Lembra-se, estudante, da situação-problema do debate sobre jogo e recreação? Diante dos</p><p>conceitos que você já se apropriou nesta aula, como você considera relevante resolvermos essa</p><p>proposta?</p><p>Acredito que podemos sugerir uma atividade pedagógica interativa que envolva os alunos na</p><p>re�exão e discussão sobre as diferenças entre jogo e recreação. Isso pode ser feito por meio de</p><p>uma aula expositiva dialogada, na qual os professores apresentem as de�nições de jogo e</p><p>recreação de forma clara e objetiva, destacando suas características distintas.</p><p>Além disso, pode-se organizar atividades práticas que exempli�quem cada conceito, como jogos</p><p>estruturados para representar o aspecto lúdico do jogo e atividades recreativas ao ar livre para</p><p>ilustrar a natureza relaxante e social da recreação.</p><p>Ao �nal, os alunos podem ser incentivados a elaborar trabalhos individuais ou em grupo, nos</p><p>quais explorem as diferenças entre jogo e recreação e apresentem exemplos concretos de cada</p><p>um. Isso não só promoverá uma compreensão mais profunda do tema, mas também estimulará</p><p>a criatividade e a participação ativa dos alunos em seu próprio processo de aprendizagem.</p><p>Saiba mais</p><p>Para ampliar sua perspectiva sobre os conceitos trabalhados, sugiro a leitura das unidades 1 e 2</p><p>do livro Jogos, Brinquedos e Brincadeiras.</p><p>Sugiro também a leitura do artigo Brinquedos e Brincadeiras na Educação Infantil, de Tizuko</p><p>Morchida Kishimoto.</p><p>Acesse também o Caderno interativo – Elementos para o desenvolvimento de Políticas,</p><p>Programas e Projetos Intersetoriais, Enfatizando a Relação Lazer, Escola e Processo Educativo -</p><p>“A importância da recreação e do lazer”.</p><p>Referências</p><p>AGUIAR, João Serapião de. Educação inclusiva: jogos para o ensino de conceitos. 1. ed.</p><p>Campinas, SP: Papirus, 2016. E-book.</p><p>BRENELLI, Rosely Palermo. O jogo como espaço para pensar: a construção de noções lógicas e</p><p>aritméticas. 1. ed. Campinas: Papirus, 2016. E-book.</p><p>CAVALLARI, Vânia Maria. Recreação em ação. 2. ed. São Paulo: Ícone, 2011. E-book.</p><p>https://biblioteca-virtual-cms-serverless-prd.s3.us-east-1.amazonaws.com/ebook/1042-jogosbrinquedos-e-brincadeiras.pdf</p><p>http://portal.mec.gov.br/docman/dezembro-2010-pdf/7155-2-3-brinquedos-brincadeiras-tizuko-morchida/file</p><p>https://core.ac.uk/download/pdf/30404389.pdf</p><p>https://core.ac.uk/download/pdf/30404389.pdf</p><p>https://core.ac.uk/download/pdf/30404389.pdf</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>CAVALLARI, Vinícius Ricardo; ZACARIAS, Vany. Trabalhando com recreação. 14. ed. São Paulo:</p><p>Ícone, 2018. E-book.</p><p>CHICON, José Francisco. Jogo, mediação pedagógica e inclusão: um mergulho no brincar. 1. ed.</p><p>Várzea Paulista: Fontoura, 2013. E-book.</p><p>FREIRE, João Batista; SILVA, Pierre Normando Gomes da. A graça do jogo. Campinas, SP: Autores</p><p>Associados, 2023. E-book.</p><p>OLIVEIRA, Ricardo Stochi. Jogos, brinquedos e brincadeiras. Londrina: Editora e Distribuidora</p><p>Educacional S.A., 2017.</p><p>Aula 2</p><p>Re�exões Sobre Ensino e Aprendizagem</p><p>Re�exões sobre ensino e aprendizagem</p><p>Este conteúdo é um vídeo!</p><p>Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo</p><p>computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo</p><p>para assistir mesmo sem conexão à internet.</p><p>Dica para você</p><p>Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua</p><p>aprendizagem ainda mais completa.</p><p>a não deixar esquecer o que foi aprendido.</p><p>b. O jogo faz a manutenção do que foi aprendido.</p><p>c. O jogo aperfeiçoa o que foi aprendido.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>d. Se, durante o jogo, as habilidades podem ser aperfeiçoadas pela repetição, isso certamente</p><p>vai fazer com que o jogador se prepare para novos desa�os, isto é, para assimilar</p><p>conhecimentos de nível superior.</p><p>A saber, Santaella (2017) comenta que os primeiros jogos eletrônicos foram criados por</p><p>acadêmicos e militares, sem a intenção de serem uma forma de entretenimento. Com o tempo,</p><p>no entanto, os games evoluíram para se tornarem uma das maiores forças de entretenimento,</p><p>competindo com a TV, o cinema, os shows e as viagens. Como resultado, a sociedade passou a</p><p>ver os games como um fenômeno cultural e social signi�cativo.</p><p>A valorização cultural dos jogos assim como a conscientização de seus benefícios tem se</p><p>intensi�cado nos últimos anos Steve Johnson surpreendeu a todos a�rmar que os videogames</p><p>são capazes de desenvolver diversas habilidades cognitivas nos seus jogadores segundo o autor</p><p>alguns games possuem estruturas narrativas complexas exigindo dos seus usuários so�sticação</p><p>intelectual para resolver problemas de curto a longo prazo já que necessitam que eles tomem</p><p>decisões de nível tático e estratégico (SANTAELLA, 2017, p. 12).</p><p>Acrescenta que o feedback é uma característica central na gami�cação dos jogos, sendo um dos</p><p>principais elementos que os diferencia das experiências do dia a dia. Na vida cotidiana, os</p><p>feedbacks que recebemos, seja ao estudar, trabalhar ou praticar outras atividades, são</p><p>geralmente indiretos e muitas vezes tardios. Em contraste, os jogos oferecem feedbacks</p><p>imediatos e mensuráveis, proporcionando uma clara percepção do progresso e da melhoria, o</p><p>que torna a experiência mais envolvente e motivadora.</p><p>Outro ponto de relevância abordado por Kleina (2012, p. 95) é o processo de escolarização dos</p><p>estudantes com de�ciência, em que o emprego da informática ao processo acadêmico contribui</p><p>para reforçar a importância da inclusão social e digital e a formação desses estudantes. Para o</p><p>autor:</p><p>O uso da informática na educação especial nos é apresentado como um desa�o, que deverá ser</p><p>aprendida e incorporada à nossa prática pedagógica, e como uma ferramenta de trabalho, que</p><p>poderá ampliar as nossas possibilidades de ensino e romper as di�culdades e barreiras criadas</p><p>pela de�ciência do aluno. (KLEINA, 2012, p. 95)</p><p>Quando pensamos em informatizar a educação, além de conhecimentos didáticos, pedagógicos,</p><p>educação especial e recursos da tecnologia assistiva, é importante considerar também:</p><p>A quem lecionar: conhecer os alunos, suas singularidades e as possibilidades de trabalho.</p><p>O que lecionar: saber quais são os conhecimentos mais importantes naquele momento</p><p>para o estudante.</p><p>Por que lecionar: para desenvolver a aprendizagem de conteúdos, a comunicação, a escrita,</p><p>favorecer a socialização etc.</p><p>Como lecionar: quais os métodos de ensino, os softwares e as tecnologias assistivas que</p><p>serão necessários para atingir os objetivos (KLEINA, 2012, p. 97).</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>A tecnologia como o estudo das maneiras de realizar tarefas abrange métodos práticos,</p><p>técnicos, mecânicos, industriais, naturais ou arti�ciais. Ela sempre causa impacto na sociedade,</p><p>pois surge da necessidade de resolver problemas cotidianos. Em essência, a tecnologia é vista</p><p>como uma resposta humana às necessidades práticas, moldando a forma como vivemos e</p><p>trabalhamos ao buscar constantemente melhorias e soluções.</p><p>Vamos Exercitar?</p><p>Olá, estudante! Você se lembra do desa�o do início desta aula? Vamos retomar?</p><p>Embora uma equipe pedagógica tenha adotado algumas ferramentas tecnológicas, como tablets</p><p>e softwares educativos, os professores notaram que muitos alunos ainda não estão totalmente</p><p>engajados e alguns com necessidades especiais não conseguem participar plenamente das</p><p>atividades. Quais estratégias seriam possíveis para superarmos essa di�culdade e atender de</p><p>forma satisfatória a participação efetiva destes aprendentes?</p><p>Para superar o desa�o de integrar novas tecnologias ao processo de ensino, visando melhorar a</p><p>aprendizagem e inclusão dos e estudantes, poderíamos usar estas estratégias:</p><p>Personalização do Ensino:</p><p>Plataformas de aprendizagem adaptativa: implementar softwares que adaptam o conteúdo</p><p>e a di�culdade das atividades de acordo com o progresso individual de cada aluno.</p><p>Feedback imediato: utilizar aplicativos e plataformas que forneçam feedback instantâneo</p><p>para os alunos, ajudando-os a identi�car áreas de melhoria e a se manterem motivados.</p><p>Gami�cação do Currículo:</p><p>Desa�os e recompensas: introduzir elementos de jogos, como pontos e níveis, para motivar</p><p>os alunos a completarem tarefas e se engajarem nas atividades.</p><p>Aprendizagem baseada em jogos: utilizar jogos educativos que desenvolvam tanto</p><p>habilidades cognitivas quanto motoras. Jogos que envolvem resolução de problemas,</p><p>pensamento crítico e colaboração podem ser especialmente e�cazes.</p><p>Inclusão de alunos com necessidades especiais:</p><p>Tecnologias assistivas: adotar dispositivos como leitores de tela, softwares de</p><p>reconhecimento de voz, teclados adaptados e outros recursos que facilitem o acesso ao</p><p>conteúdo para alunos com de�ciências.</p><p>Ambientes de aprendizagem �exíveis: criar salas de aula com disposição de móveis e</p><p>equipamentos que possam ser ajustados para atender às necessidades individuais de cada</p><p>aluno.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Saiba mais</p><p>A compreensão dos fundamentos dos Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) se faz</p><p>fundamental. Sugiro a leitura do artigo Ambientes virtuais de aprendizagem: um panorama da</p><p>produção nacional, de Belmonte e Grossi.</p><p>Para se aprofundar mais no aspecto do jogo como educação, sugiro o capítulo 4 do livro O jogo:</p><p>entre o riso e o choro, de João Batista Freire, que está disponível na plataforma virtual. Nele, você</p><p>encontrará informações sobre a caracterização do jogo e aspectos relevantes e mais detalhados</p><p>de pensar o jogo como educação.</p><p>Além disso, sugiro a leitura do subtítulo 3.2. A informática, o professor e a tecnologia assistiva,</p><p>do livro Tecnologia assistiva em educação especial e educação inclusiva, que aborda os recursos</p><p>de hardware e de software, adaptações e recursos de tecnologia assistiva.</p><p>Referências</p><p>BRITTO, Eduardo. Psicologia, Educação e Novas Tecnologias. São Paulo: Cengage Learning</p><p>Brasil, 2016. E-book. ISBN 9788522123612. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522123612/. Acesso em: 11 jun. 2024.</p><p>CHICON, José Francisco. Jogo, mediação pedagógica e inclusão: um mergulho no brincar. 1. ed.</p><p>Várzea Paulista: Fontoura, 2013. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br.</p><p>Acesso em: 15 jun. 2024.</p><p>CORSO, Helena Vellinho; POLLO, Tatiana Cury (org.). Intervenções com foco na</p><p>aprendizagem: clínica e escola. São Paulo: Vetor, 2022. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 11 jun. 2024.</p><p>COSTA, Margarete Terezinha de A. Tecnologia assistiva: uma prática para a promoção dos</p><p>direitos humanos. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2020. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 15 jun. 2024.</p><p>FREIRE, João Batista. O jogo: entre o riso e o choro. 2. ed. Campinas: Autores Associados,</p><p>2017. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 15 jun. 2024.</p><p>IAHNKE, Silvana Leticia Pires. Aprendizagem móvel: um novo paradigma para facilitar a</p><p>aprendizagem signi�cativa por meio da colaboração nas redes sociais. Curitiba, PR: Appris,</p><p>2023. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 11 jun. 2024.</p><p>KLEINA, Claudio. Tecnologia assistiva em educação especial e educação inclusiva. 1. ed. Curitiba:</p><p>Intersaberes, 2012. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 15 jun.</p><p>2024.</p><p>https://www.abed.org.br/congresso2010/cd/2942010181132.pdf</p><p>https://www.abed.org.br/congresso2010/cd/2942010181132.pdf</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>LENHARO,</p><p>Rayane Isadora. Multiletramentos, tecnologia e aprendizagem. 1. ed. Curitiba:</p><p>Intersaberes, 2023. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 11 jun.</p><p>2024.</p><p>MEIRA, Luciano; BLIKSTEIN, Paulo. Ludicidade, jogos digitais e gami�cação na aprendizagem.</p><p>[Digite o Local da Editora]: Grupo A, 2019. E-book. ISBN 9788584291748. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788584291748/. Acesso em: 11 jun. 2024.</p><p>MUNHOZ, Antonio Siemsem. Tecnologia educacionais. São Paulo: SRV Editora LTDA, 2016. E-</p><p>book. ISBN 978-85-472-0095-4. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-472-0095-4/. Acesso em: 11 jun.</p><p>2024.</p><p>PIETROBON, Sandra Regina Gardacho (org.). Educação e tecnologia: olhares sobre o aprendizado</p><p>da Infância. 1. ed. Jundiaí: Paco e Littera, 2021. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 11 jun. 2024.</p><p>SANTAELLA, Lucia. Gami�cação em debate. São Paulo: Editora Blucher, 2017. E-book. ISBN</p><p>9788521213161. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521213161/. Acesso em: 15 jun. 2024.</p><p>Aula 4</p><p>Procedimentos Práticos em Psicomotricidade</p><p>Procedimentos Práticos em Psicomotricidade</p><p>Este conteúdo é um vídeo!</p><p>Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo</p><p>computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo</p><p>para assistir mesmo sem conexão à internet.</p><p>Dica para você</p><p>Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua</p><p>aprendizagem ainda mais completa.</p><p>Olá, estudante! Nesta videoaula, você vai compreender o conceito de psicomotricidade e como é</p><p>estabelecida a relação tríade entre cognição, movimento e emoção.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Esse conteúdo é importante para que você valorize as práticas da psicomotricidade na rotina</p><p>diária de uma criança, pois a exploração dela interfere diretamente no desenvolvimento pleno da</p><p>criança, principalmente no processo de aquisição da leitura e da escrita.</p><p>Prepare-se para essa jornada de conhecimento! Vamos lá!</p><p>Ponto de Partida</p><p>Olá, estudante! Vamos explorar a interseção crucial entre cognição, emoção e desenvolvimento</p><p>motor, destacando a importância dessa tríade no desenvolvimento integral das crianças.</p><p>Compreender os elementos básicos psicomotores é essencial para promover um crescimento</p><p>harmonioso, que integra corpo e mente de forma equilibrada. A rotina da psicomotricidade,</p><p>estruturada e dinâmica, proporciona o ambiente ideal para que esses aspectos sejam</p><p>trabalhados de maneira integrada, permitindo que as crianças desenvolvam suas habilidades</p><p>motoras, cognitivas e emocionais de forma holística. Nesse contexto, vamos analisar como</p><p>essas áreas interagem e se complementam, formando a base para um desenvolvimento</p><p>saudável e pleno.</p><p>Diante disso, fomento uma re�exão: de que forma podemos explorar o desenvolvimento dos</p><p>aprendentes de forma integral utilizando os elementos básicos da psicomotricidade?</p><p>Vamos Começar!</p><p>Procedimentos práticos em psicomotricidade</p><p>A psicomotricidade, segundo a Associação Brasileira de Psicomotricidade (ABP), é uma ciência</p><p>que estuda o ser humano por meio de seu movimento corporal em interação com seu mundo</p><p>interno e externo. Ela é fundamental para o processo de maturação, pois considera o corpo como</p><p>a base para adquirir habilidades cognitivas, afetivas e orgânicas. A psicomotricidade é</p><p>sustentada por três pilares principais: movimento, intelecto e afeto, integrando assim aspectos</p><p>físicos, mentais e emocionais no desenvolvimento humano. Essa abordagem holística destaca a</p><p>importância do movimento corporal não apenas para a saúde física, mas também para o</p><p>desenvolvimento intelectual e emocional (SILVA et al., 2017, p.17).</p><p>Tríade: Cognição, emoção e desenvolvimento motor</p><p>A palavra psicomotricidade tem origem no termo grego psyché - que signi�ca “alma” - e no verbo</p><p>latino moto - o que signi�ca “mover”, “agitar fortemente”. É um termo “empregado para uma</p><p>concepção de movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo</p><p>sujeito, cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização.” (ABP,</p><p>2017 apud SILVA et al., 2017, p. 18).</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>A psicomotricidade, segundo Loro (2023, p. 70), “é concebida como uma ciência que contém</p><p>conceitos teóricos e aplicações práticas de várias correntes distintas, que convergem seus</p><p>interesses ao estudo do movimento humano.”</p><p>Conforme o Código de Ética do Psicomotricista, a psicomotricidade pode ser de�nida da</p><p>seguinte forma:</p><p>Art 1º A psicomotricidade é uma ciência que tem como objetivo, o estudo do homem através do</p><p>seu corpo em movimento, em relação ao seu mundo interno e externo, bem como suas</p><p>possibilidades de perceber, atuar, agir com o outro, com os objetos e consigo mesmo. Está</p><p>relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas,</p><p>afetivas e orgânicas.</p><p>Psicomotricidade, portanto, é um termo empregado para uma concepção de movimento</p><p>organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo sujeito, cuja ação é resultante</p><p>de sua individualidade e sua socialização. (ABP, 2018 apud LORO, 2023, p. 71).</p><p>A psicomotricidade relacional, a que daremos destaque, promove a fala interior. Ela tem base na</p><p>fala corporal, em que o aprendente pode re�etir sobre as próprias ações no brincar espontâneo,</p><p>percebendo os seus próprios limites e os limites do outro, reconhecendo os próprios desejos e</p><p>também seus medos, e principalmente, estabelecendo uma relação com o outro diante dos</p><p>sentimentos apresentados. Além disso, Gusi (2019) compreende o trabalho psicomotor</p><p>relacional como uma forma lúdica, de autorre�exão sobre as relações quem viam as</p><p>capacidades relacionais dos indivíduos.</p><p>Vamos considerar, estudante, o espaço da escola. É extremamente necessário haver relações</p><p>respeitosas e igualitárias em um ambiente escolar para que as atividades se desenvolvam de</p><p>maneira harmoniosa. As interações positivas devem ocorrer entre todos os envolvidos: alunos,</p><p>professores e funcionários. Relações cúmplices e construtivas entre essas diversas partes são</p><p>essenciais para criar um ambiente favorável ao desenvolvimento escolar.</p><p>O trabalho psicomotor quando inserido na escola, pode promover o desenvolvimento pessoal de</p><p>alunos professores e demais funcionários da escola. Para os alunos, as atividades podem</p><p>ocorrer semanalmente despertar para as situações do dia a dia, ampliando a capacidade de</p><p>resolução de problemas e ajustes relacionais. Para professores e/ou funcionários da escola, o</p><p>trabalho psicomotor relacional pode ser agregado à formação continuada encontros, promovido</p><p>durante o ano letivo com o objetivo de autoconhecimento ajuste relacional entre os participantes</p><p>(GUSI, 2019, p. 36)</p><p>As crianças envolvidas na psicomotricidade relacional revelam suas necessidades por meio das</p><p>brincadeiras, das escolhas e dos pedidos. Ela proporciona um espaço e o tempo de liberdade</p><p>motora nas quais as crianças podem experimentar o que desejam, desde que os limites desse</p><p>espaço e das outras pessoas que estão ali para brincar também sejam respeitados. Essa prática</p><p>valoriza a ação simbólica da criança, as suas criações e as relações que ela estabelece.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>O psicomotricista relacional age de maneira interventiva colocando-se disponível e assumindo</p><p>uma postura de aceitação da criança. É um brincar inclusivo, em que o certo é o possível para</p><p>qualquer um. Todos são aceitos à sua maneira encontram no grupo uma sintonia que respeita a</p><p>cada um e sua individualidade. (GUSI, 2019, p. 41).</p><p>Para Camara (2018, p. 2) “estudar o corpo e a mente é imprescindível para criar novos métodos</p><p>de estímulos ou então minimizar di�culdades que o indivíduo venha a enfrentar. É aí que se</p><p>insere a psicomotricidade.” Sua atuação tem como objetivo entender o desenvolvimento motor</p><p>encontrando formas de torna-lo mais e�caz por meio de atividades físicas ou artísticas.</p><p>A psicomotricidade é uma neurociência que traduz</p><p>pensamentos em ações motoras</p><p>harmoniosas. É uma coordenação �na gerenciada pelo cérebro, manifestando conhecimento e</p><p>aprendizado de maneira visível. Estuda o homem por meio do corpo em movimento, em relação</p><p>ao mundo interno e externo, e suas interações com os outros, com os objetos e consigo mesmo.</p><p>A psicomotricidade está ligada ao processo de maturação, destacando que o corpo é a origem</p><p>das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas.</p><p>Elementos básicos psicomotores</p><p>Uma abordagem educacional que considere o corpo de forma integral é essencial para atender</p><p>às necessidades das crianças, reconhecendo e respeitando as diferentes características de cada</p><p>fase do desenvolvimento infantil. Além disso, Loro (2023) comenta sobre a urgência de integrar a</p><p>educação psicomotora na infância, especialmente durante as etapas iniciais de aprendizagem,</p><p>para promover um desenvolvimento equilibrado e completo.</p><p>Para começarmos a discutir sobre os elementos básicos da psicomotricidade, iniciarei como</p><p>uma fomentação: você sabia que a aprendizagem da leitura e da escrita está apoiada na</p><p>evolução dos elementos básicos psicomotores? Por isso, escutamos muito “antes de ler e</p><p>escrever a criança precisa pintar, cortar, encaixar, rolar, pular, equilibrar...” en�m. Cada elemento</p><p>psicomotor colabora para a estrutura de formação do indivíduo. Vamos conhecê-los?</p><p>Para Loro (2023), os elementos psicomotores que englobam o desenvolvimento funcional do</p><p>corpo podem ser categorizados como coordenação motora global, coordenação motora �na,</p><p>equilíbrio, esquema corporal, lateralidade, ritmo, estruturação espacial e orientação temporal.</p><p>A coordenação motora global está relacionada ao movimento dos membros superiores e</p><p>inferiores em sincronia quando corremos ou andamos. Para desenvolver esse elemento, as</p><p>atividades propostas precisam envolver ações como lançar, arremessar, correr, pular, saltar, rolar,</p><p>trepar.</p><p>Já a coordenação motora �na tem relação com atividades que requerem movimentos de</p><p>pequenos grupos musculares do corpo. São gestos delicados e re�nados, como manipular</p><p>objetos pequenos, cortar com uma tesoura, pintar com pincel, escrever com lápis e encaixar</p><p>peças.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Outra categoria a ser trabalhada é o equilíbrio. Quando andamos, o corpo estabelece uma</p><p>relação entre estabilidade e instabilidade, pois a cada passo, há desequilíbrio e um reequilíbrio.</p><p>Mesmo em pé, sem deslocamento, estamos em equilíbrio. São exemplos de atividades que</p><p>desenvolvem essa habilidade: caminhar sobre linhas no chão, pular com um pé só e saltar com</p><p>os pés alternados.</p><p>A categoria de esquema corporal refere-se ao conhecimento do próprio corpo e o uso do que se</p><p>faz dele. Essa habilidade pode ser desenvolvida com jogos e brincadeiras cantadas que</p><p>trabalhem as partes do corpo, como desenhar e nomear o corpo do colega no chão, montar</p><p>quebra-cabeça com peças feitas de papelão, realizar desenhos feitos com as partes do corpo. As</p><p>músicas infantis podem contribuir para a estruturação do esquema corporal, permitindo que a</p><p>criança conheça as partes do próprio corpo ao relacionar com as letras cantadas. Gusi (2019)</p><p>acrescenta que a sua formação �naliza aos 12 anos, e que a personalidade se desenvolve graças</p><p>à consciência de si, do seu corpo, do seu ser de suas possibilidades de agir e se transformar.</p><p>A lateralidade é voltada para a movimentação do corpo no espaço e apresenta as seguintes</p><p>divisões: esquerda ou direita, em cima embaixo, dentro ou fora, à frente ou atrás. A partir desse</p><p>elemento, a criança deve ser estimulada a usar ambas as possibilidades de movimento de cada</p><p>divisão para a realização de tarefas cotidianas, como, por exemplo, lançar a bola com uma das</p><p>mãos e depois com a outra; chutar a bola em diversas direção e alternador os pés.</p><p>Na perspectiva de Gusi (2019), a lateralidade pode ser in�uenciada por hábitos sociais, e à</p><p>medida que a criança cresce, vai de�nindo de maneira neurobiológica sua dominância lateral.</p><p>Para a autora, a lateralidade pode se manifestar de diferentes maneiras:</p><p>Homogênea – quando a criança tem facilidade nas mãos, nas pernas e nos olhos de um</p><p>mesmo lado do corpo.</p><p>Cruzada – quando a facilidade não se concentra no mesmo lado do corpo. Exemplo: a</p><p>criança tem força no pé esquerdo e na mão direita.</p><p>Ambidestra – quando a criança apresenta a mesma destreza em ambos os lados do corpo</p><p>(GUSI, 2019, p. 63).</p><p>A categoria da lateralidade in�uencia aspectos estruturais do desenvolvimento, por esse motivo,</p><p>pro�ssionais envolvidos com alfabetização precisam se atentar para reconhecer e respeitar as</p><p>etapas maturacionais das crianças.</p><p>Retomando as considerações de Loro (2023), o ritmo é um aspecto individualizado, em que cada</p><p>pessoa tem seu próprio tempo para realizar atividades e tarefas. Quando associado à música ou</p><p>à dança, o ritmo refere-se à variação de sons ao longo do tempo. Considerando que a música</p><p>contribui para melhorar essa habilidade, o professor pode explorar diferentes ritmos corporais,</p><p>sejam rápidos, lentos, fortes ou suaves.</p><p>A estruturação espacial refere-se à organização, à localização e à exploração do espaço em que</p><p>a criança está inserida – a movimentação permite às crianças desenvolverem a noção de direção</p><p>e de localização em um espaço limitado. Gusi (2019, p. 64) acrescenta que é a diferenciação do</p><p>eu corporal em relação ao mundo exterior. Ela “se efetua, em uma primeira fase, de forma</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>inconsciente e gradativa, conforma a criança vai dominando seus movimentos, até reconhecer</p><p>um sentido do espaço, sentido este plenamente consciente e que se integra ao indivíduo como</p><p>um elemento a mais no jogo dos movimentos.” Os estímulos podem ser realizados por meio de</p><p>trajetos, labirintos, atividades de simetria, o incentivo à compreensão das relações espaciais e de</p><p>precisão, como os exercícios de progressão de grandeza de diferentes círculos, pinos e</p><p>construções.</p><p>Para �nalizar, temos a orientação temporal, que, na perspectiva de Loro (2023), ajuda as crianças</p><p>a perceberem que todas as ações motoras ocorrem dentro de um certo período. Um exemplo</p><p>simples de exercício que envolve coordenação espacial e orientação temporal é a troca de</p><p>passes, comum em esportes coletivos. Gusi (2019, p. 65) traz uma contribuição riquíssima sobre</p><p>trabalhar dois aspectos para a aquisição da noção do tempo: o qualitativo, como “a percepção de</p><p>uma ordem, de uma organização; e o quantitativo, ou seja, a percepção de intervalos temporais,</p><p>duração. Essa etapa consolida-se por volta dos 8 anos; antes disso, a percepção de tempo é</p><p>muito egocêntrica.”</p><p>Siga em Frente...</p><p>Rotina da psicomotricidade relacional</p><p>Essa conversa sobre a rotina da prática psicomotora relacional uma forma que Gusi (2020) pela</p><p>perspectiva de André Lapierre nos apresenta a organização e a estruturação para as crianças que</p><p>participam desta prática. Você vai perceber que parece muito com a rotina de escolas que</p><p>valorizam o tempo da acolhida, a roda de conversas, o brincar, o relaxamento, o registro.</p><p>Entendemos que a rotina é fundamental para o entendimento do processo, dessa forma, a</p><p>sessão deve passar por um período de começo, meio e �m, pois é essa organização que</p><p>estabilizará a criança em sua segurança.</p><p>Tudo começa com a chegada à sala e a retirada dos sapatos. Algumas crianças podem resistir a</p><p>tirar os sapatos, o que é um processo normal até que sintam con�ança e conforto no ambiente e</p><p>nas relações estabelecidas. Elas são orientadas a deixa-los em um local especí�co da sala antes</p><p>de se reunirem no tapete para começar a atividade inicial.</p><p>A roda inicial possibilita à psicomotricista compreender as necessidades do grupo. Às vezes, ela</p><p>ajusta os objetivos da sessão com base no que foi discutido na sessão anterior, mas as</p><p>sugestões dos participantes podem levar a alterações na proposta. Este é o momento em que as</p><p>crianças planejam suas atividades, discutem como vão executar suas ideias e identi�cam os</p><p>materiais necessários para realizá-las. O tempo da roda inicial pode variar conforme a demanda</p><p>do grupo,</p><p>mas não deve ser muito longo com crianças pequenas, pois isso limita o tempo de</p><p>brincadeira. Cada criança, em sua vez, fala sobre como foi sua semana, como está se sentindo,</p><p>compartilha algo que deseja ou conta uma novidade. Nesse momento, algumas crianças podem</p><p>expressar algo que as incomoda, o que leva o grupo a re�etir e pensar sobre as melhores</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>estratégias para entender e lidar com os sentimentos do colega. Elas também trazem novidades</p><p>sobre situações de ganhos e perdas. A roda acaba e inicia-se o brincar.</p><p>No momento de brincar, cada criança expõe suas ideias, com suas parcerias e suas construções.</p><p>Ele é um momento espontâneo, simbólico e feliz. Nesta ação, as crianças compreendem sobre</p><p>liberdade, mostram autenticidade, desejos e fantasias. Elas evoluem conforme compreendem ou</p><p>preenchem suas necessidades pessoais. Fazem escolhas e lidam com consequências. As</p><p>fantasias são inúmeras e revelam conteúdos internos de cada uma. As crianças brincam de</p><p>diversas formas, se comunicam, criam e o psicomotricista brinca, se comunica e cria também.</p><p>Há momentos em que o psicomotricista precisa ser mais �rme com alguma criança que insiste</p><p>em não compreender esses limites, mas o faz com orientação, mostrando as consequências,</p><p>destacando a compreensão que tem sobre ela. Essa ação eleva a relação, tornam-se parceiros,</p><p>certos de uma comunicação autêntica, capazes de se apoiarem seguramente em suas ações e</p><p>reações.</p><p>Dado o tempo de brincar, é o momento de relaxar. Ao sinal do psicomotricista, que o faz de</p><p>maneira suave, cada criança procura um lugar da sala para descansar, baixar a agitação. O</p><p>psicomotricista, no tapete, acolhe as crianças que desejam descansar e as mais agitadas vão</p><p>também se aclamando, procurando outros lugares da sala para as suas inquietudes, respeitando</p><p>seus colegas.</p><p>O despertar vem com uma bela espreguiçada e todos vão levantando e organizando seu material.</p><p>Guardar os materiais e organizar a sala como a encontraram delimita espaços e promove a</p><p>atenção aos limites. É interessante observar as crianças que resistem nesse momento, mas aos</p><p>poucos vão tomando consciência e participando dessa organização.</p><p>Tudo arrumado! A roda �nal é muito importante para cada um expressar o que vivenciou, suas</p><p>impressões, sentimentos, o que gostou ou não. É um momento de re�exão e ajuda para que cada</p><p>um reconheça seu espaço de fala e re�exão. As divergências também têm espaço e precisam</p><p>ser expostas. Após esse momento, o psicomotricista pode propor um desenho ou escrita para</p><p>que se expressem.</p><p>A sessão se encerra, todos calçam seus sapatos e retornam aos seus destinos com algo</p><p>construído, vivenciado, sentido, fortalecido. É importante perceber se todos estão bem, se</p><p>despedindo e comunicando sobre o próximo encontro.</p><p>A rotina organiza o desenvolvimento dos momentos, e os objetivos da prática possibilitam um</p><p>entendimento da evolução de cada participante. Retomando, as etapas são: retirada dos sapatos,</p><p>roda inicial, brincar, relaxamento, roda �nal e registro.</p><p>Vamos Exercitar?</p><p>Olá, estudante! Você se lembra da re�exão inicial sobre desenvolvermos o aprendente de forma</p><p>integral, contemplando os elementos básicos da psicomotricidade? Você aprendeu que os</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>elementos podem ser categorizados, assim, vou te apresentar uma possibilidade de alguns</p><p>deles:</p><p>Proposta psicomotora para coordenação motora grossa</p><p>Atividade: Circuito de obstáculos</p><p>Descrição: monte um circuito de obstáculos no pátio ou em uma sala ampla. O circuito pode</p><p>incluir cones para desviar, cordas para pular, pequenos túneis para rastejar e plataformas para</p><p>subir e descer. As crianças devem completar o circuito no menor tempo possível, repetindo</p><p>várias vezes para melhorar a coordenação motora grossa.</p><p>Proposta psicomotora para lateralidade:</p><p>Atividade: Jogo da corda</p><p>Descrição: divida a turma em duplas e dê a cada par uma corda longa. Uma criança segura uma</p><p>extremidade da corda com a mão direita e a outra criança com a mão esquerda. Elas devem</p><p>realizar movimentos coordenados para balançar a corda de um lado para o outro, pulando</p><p>simultaneamente quando a corda estiver no chão. Trocar de lado e mãos para garantir o</p><p>desenvolvimento bilateral.</p><p>Proposta psicomotora para estruturação espacial:</p><p>Atividade: Labirinto de �ta adesiva</p><p>Descrição: use �ta adesiva colorida para criar um labirinto no chão da sala ou no pátio. Desenhe</p><p>caminhos que as crianças devem seguir, incluindo curvas, retas e pontos de parada. As crianças</p><p>devem seguir o percurso, respeitando as linhas e evitando sair do caminho. Podem ser</p><p>incentivadas a segui-lo andando de diferentes maneiras: de costas, de lado, ou mesmo saltando.</p><p>Proposta psicomotora para estruturação temporal:</p><p>Atividade: Dança das cadeiras</p><p>Descrição: organize uma brincadeira de dança das cadeiras com músicas de diferentes ritmos.</p><p>As crianças caminham em volta das cadeiras enquanto a música toca. Quando a música para,</p><p>elas devem encontrar uma cadeira para se sentar. Varie os tempos das músicas (rápidas e</p><p>lentas) para ajudar as crianças a entenderem e se adaptarem ao ritmo e à estruturação temporal.</p><p>Saiba mais</p><p>Leia mais sobre psicomotricidade, acessando este material sobre a importância de desenvolver a</p><p>psicomotricidade na infância.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Para saber mais sobre inclusão e educação especial infantil, acesse a Revista Criança.</p><p>Referências</p><p>CAMARA, Suzana Aparecida dos Santos (org.). Psicomotricidade e trabalho corporal. 1. ed. São</p><p>Paulo, SP: Pearson, 2018. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em:</p><p>15 jun. 2024.</p><p>COSTA, R. R.; BIEDRZYCKI, B. P.; LOPES, D. D.; et al. Aprendizagem e controle motor. [Digite o</p><p>Local da Editora]: Grupo A, 2019. E-book. ISBN 9788595028524. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595028524/. Acesso em: 15 jun. 2024.</p><p>FINCK, Silvia C. M. (org.); MARINHO, Herminia R. B.; MATOS JUNIOR, Moacir. Á de. Pedagogia do</p><p>movimento: universo lúdico e psicomotricidade. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2012. E-book.</p><p>Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 15 jun. 2024.</p><p>FONSECA, Vitor. Desenvolvimento psicomotor e aprendizagem. [Digite o Local da Editora]: Grupo</p><p>A, 2008. E-book. ISBN 9788536314020. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536314020/. Acesso em: 15 jun. 2024.</p><p>GUSI, Elisângela Gonçalves Branco. Psicomotricidade relacional. 1. ed. São Paulo: Contentus,</p><p>2020. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 15 jun. 2024.</p><p>__________. Psicomotricidade relacional: conhecendo o método e a prática do psicomotricista. 1.</p><p>ed. Curitiba: Intersaberes, 2019. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br.</p><p>Acesso em: 15 jun. 2024.</p><p>KISHIMOTO, Tizuko Morchida; SANTOS, Maria Walburga dos. Jogos e brincadeiras: tempos,</p><p>espaços e diversidade (pesquisas em educação). [Digite o Local da Editora]: Cortez, 2017. E-</p><p>book. ISBN 9788524925597. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788524925597/. Acesso em: 15 jun. 2024.</p><p>LEMOS, Karyn Liane Teixeira de. O universo lúdico no contexto pedagógico. 1. ed. Curitiba:</p><p>Intersaberes, 2018. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 15 jun.</p><p>2024.</p><p>LORO, Alexandre Paulo. Jogos e brincadeiras: pluralidades interventivas. 2. ed. Curitiba:</p><p>Intersaberes, 2023. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 15 jun.</p><p>2024.</p><p>SILVA, Katia Cilene da; OLIVEIRA, Aniê Coutinho. Ludicidade e psicomotricidade. 1. ed. Curitiba:</p><p>Intersaberes, 2017. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 15 jun.</p><p>2024.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Aula 5</p><p>Encerramento da Unidade</p><p>Videoaula de Encerramento</p><p>Este conteúdo é um vídeo!</p><p>Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo</p><p>computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo</p><p>para assistir mesmo sem conexão à internet.</p><p>Dica para você</p><p>Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua</p><p>aprendizagem ainda mais completa.</p><p>Olá, estudante! Nesta videoaula, você vai analisar como a motivação, as estratégias e a</p><p>exploração das inteligências múltiplas podem ser assertivas e contribuir para um desempenho</p><p>satisfatório do aprendente.</p><p>Esse conteúdo é importante para que você valorize a importância da psicomotricidade para o</p><p>desenvolvimento infantil, analisando as melhores práticas e possibilidades para impulsionar e</p><p>manter o engajamento dos aprendentes durante o processo de aprendizagem.</p><p>Prepare-se para essa jornada de conhecimento!</p><p>Vamos lá!</p><p>Ponto de Chegada</p><p>Olá, estudante! Identi�car estratégias de motivação para aprender, reconhecendo a contribuição</p><p>da tecnologia neste contexto, é a competência desta unidade. Para desenvolvê-la, você está</p><p>sendo convidado a fomentar a motivação dos alunos e melhorar seu desempenho na sala de</p><p>aula, por meio de estratégias que respeitem as diferentes inteligências múltiplas e</p><p>individualidades, utilizando técnicas que valorizem a janela das oportunidades; utilizará</p><p>tecnologias e gami�cação para enriquecer o processo de ensino-aprendizagem, promovendo o</p><p>desenvolvimento das habilidades motoras e cognitivas dos alunos e buscará estratégias para</p><p>integrar elementos básicos da psicomotricidade na rotina escolar, promovendo um</p><p>desenvolvimento holístico das crianças e melhorando a aprendizagem por meio de atividades</p><p>psicomotoras.</p><p>Todos os animais são motivados, pois todos buscam o bem-estar e a satisfação de suas</p><p>necessidades. No entanto, a diferença entre os animais e os seres humanos é que estes últimos</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>podem utilizar ferramentas disponíveis e criar novas ferramentas para alcançar seus objetivos. A</p><p>motivação humana envolve tanto a busca pelo prazer quanto pela autorrealização. Pequenas</p><p>conquistas alimentam o sistema motivacional, sustentando a perseverança e impulsionando a</p><p>busca por grandes realizações.</p><p>Quando a motivação está relacionada à aprendizagem e à autorregulação, ela está conectada à</p><p>visão Eudaimônica, que se refere à satisfação por meio do desenvolvimento pessoal, do alcance</p><p>de metas e objetivos pessoais e da satisfação com prazo. Considerando essa perspectiva, como</p><p>você, enquanto psicopedagogo, pode ajudar os aprendentes no processo de aprendizagem?</p><p>É fundamental estabelecer um ambiente de aprendizagem que promova tanto a autonomia</p><p>quanto o engajamento interpessoal. Indivíduos que cultivam vínculos seguros e estáveis com</p><p>seus professores geralmente desenvolvem percepções positivas em relação à escola e</p><p>demonstram maior capacidade de autorregulação comportamental. D’aurea-Tardeli e Paula</p><p>(2016) reforçam que se sentir competente na escola signi�ca ter habilidades para adquirir</p><p>conhecimentos que permitam às pessoas se prepararem para viver e se desenvolver plenamente</p><p>na sociedade, pensando e agindo de maneira e�caz nesse contexto social.</p><p>E as estratégias de aprendizagem, como fomentá-las, estudante? Pela perspectiva de</p><p>Boruchovitch e Goes (2020), considere sempre que o estudante precisa ter participação ativa</p><p>neste processo, analisando a tarefa que deve ser realizada e escolhendo quais estratégias</p><p>poderão auxiliá-lo a aprender. A partir deste ponto, o aprendente selecionará a aprendizagem, a</p><p>monitorará e, depois, avaliará seus resultados.</p><p>O desa�o agora é mantê-los motivados! Qual sua sugestão para isso? Vou apoiar minhas</p><p>considerações nas estratégias de autorregulação da motivação destacadas por Boruchovitch e</p><p>Goes (2020), em que o estudante regula o valor da tarefa re�etindo sobre possibilidades que a</p><p>tornem passível de realização. Outra estratégia é a regulação do desempenho, em que o esforço</p><p>do aprendente será motivado pela importância da boa nota ou bom desempenho. A regulação de</p><p>autoconsequenciação está relacionada à prática de recompensas a si, com o objetivo de</p><p>impulsionar a realização. Já a estruturação do ambiente expressa o esforço do aprendente para</p><p>controlar aspectos que podem atrapalhar a aprendizagem. Ainda, a regulação do interesse</p><p>situacional envolve um investimento de satisfação e diversão, e a meta para aprender, um desejo</p><p>de melhora, tendo em vista a aprendizagem.</p><p>As estratégias escolhidas, muitas vezes, estão conectadas com as inteligências múltiplas, isso</p><p>explica a argumentação de Antunes (2019), ao ressaltar que a inteligência é fundamentalmente</p><p>biológica e uma função cerebral que capacita indivíduos a resolver problemas e criar soluções</p><p>valorizadas dentro de uma cultura especí�ca. Essencialmente, a inteligência proporciona</p><p>recursos para enfrentar desa�os, oferecendo opções e ajudando na escolha da melhor solução</p><p>para problemas diversos.</p><p>A colaboração entre o psicopedagogo e o professor é como um elemento essencial para apoiar</p><p>alunos com di�culdades de aprendizagem. A parceria entre esses pro�ssionais possibilita o</p><p>desenvolvimento de estratégias personalizadas que são monitoradas e adaptadas</p><p>continuamente. Esse processo não apenas facilita o progresso do aluno, mas também o capacita</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>a assumir um papel cada vez mais autônomo em sua aprendizagem, promovendo sua habilidade</p><p>de gerenciar e controlar seu próprio processo educacional.</p><p>Outra informação relevante levantada por Britto (2016) é o que difere os estudantes! Você sabe o</p><p>que é? São os processos cognitivos que cada um tem, e a aprendizagem será afetiva quando</p><p>houver aquisição e compreensão dos conceitos, o que será mediado sempre pela transformação</p><p>da experiência. E podemos pegar o gancho da experiência para falarmos sobre as mudanças</p><p>educacionais que aconteceram com a pandemia. O que você, enquanto psicopedagogo, pode</p><p>fazer para contribuir com estratégias e motivações mais efetivas no desenvolver uma</p><p>aprendizagem mais ativa?</p><p>Podemos considerar Lenharo (2023), o qual destaca que as novas abordagens de aprendizagem</p><p>re�etem a complexidade da vida humana, sendo um desa�o urgente na educação</p><p>contemporânea. O autor defende que os professores atuais têm o papel crucial de ensinar novas</p><p>maneiras de buscar conhecimento. E, acrescentando a essa ideia, é indispensável trazermos a</p><p>questão da tecnologia.</p><p>Iahnke (2023) destaca que as TDICs oferecem oportunidades para aprendizagem móvel,</p><p>emergindo como uma tendência crucial na educação. Essas tecnologias permitem expandir</p><p>experiências físicas para ambientes virtuais e reais, centrando o processo educacional no</p><p>estudante e fomentando uma abordagem pessoal, colaborativa e criativa.</p><p>É importante ressaltar também que a tecnologia é o estudo e aplicação de métodos práticos,</p><p>técnicos, mecânicos, industriais, naturais ou arti�ciais para realizar tarefas. Sempre in�uencia</p><p>signi�cativamente a sociedade, surgindo da necessidade de resolver desa�os do dia a dia.</p><p>Fundamentalmente, a tecnologia representa a resposta humana às necessidades práticas,</p><p>moldando nossa maneira de viver e trabalhar ao buscar continuamente inovações e soluções.</p><p>Em relação à valorização cultural dos vídeos games, Steve Johnson argumenta que eles têm o</p><p>potencial de desenvolver habilidades cognitivas variadas nos jogadores. Aponta que alguns</p><p>jogos têm narrativas complexas que exigem dos usuários so�sticação intelectual para resolver</p><p>problemas de curto e longo prazo, envolvendo decisões táticas e estratégicas. Essa perspectiva</p><p>desa�a a visão tradicional dos videogames apenas como formas de entretenimento,</p><p>reconhecendo seu papel no desenvolvimento intelectual e na tomada de decisões (SANTAELLA,</p><p>2017).</p><p>Repensar a prática educacional e as estratégias da atuação psicopedagógica encontra relação</p><p>com os procedimentos práticos da psicomotricidade. E como o Código de Ética do</p><p>Psicomotricista a de�ne?</p><p>De acordo com a Associação Brasileira de Psicomotricidade, a psicomotricidade refere-se à</p><p>organização e integração do movimento, in�uenciada pelas experiências vividas pelo sujeito,</p><p>cujas ações são moldadas por sua individualidade e interação social (LORO, 2023). Isso quer</p><p>dizer, por exemplo, na perspectiva relacional,</p><p>que as crianças expressam suas necessidades por</p><p>meio de brincadeiras, escolhas e pedidos. Esse contexto oferece um ambiente de liberdade</p><p>motora, onde as crianças podem explorar suas vontades, desde que respeitem os limites do</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>espaço e de seus colegas de brincadeira. Essa abordagem valoriza a criatividade das crianças,</p><p>suas criações e os vínculos que desenvolvem com os outros.</p><p>As possibilidades de explorarmos a psicomotricidade, segundo Loro (2023), são os elementos</p><p>psicomotores no desenvolvimento funcional do corpo, categorizando-os em coordenação motora</p><p>global, coordenação motora �na, equilíbrio, esquema corporal, lateralidade, ritmo, estruturação</p><p>espacial e orientação temporal. Esses elementos são fundamentais para a integração e o</p><p>aprimoramento das habilidades motoras e perceptivas das crianças, contribuindo</p><p>signi�cativamente para seu desenvolvimento físico e cognitivo ao longo da infância.</p><p>Ao considerar a psicomotricidade, a tecnologia e a ludicidade como elementos fundamentais no</p><p>desenvolvimento infantil, podemos observar como essas áreas interagem de maneira</p><p>complementar. A psicomotricidade oferece um caminho para que as crianças desenvolvam suas</p><p>habilidades motoras e perceptivas de forma integrada, promovendo a exploração do corpo e do</p><p>ambiente ao seu redor. A tecnologia, por sua vez, amplia as possibilidades de aprendizado e</p><p>interação, proporcionando novas experiências e ferramentas educacionais que enriquecem o</p><p>processo de ensino-aprendizagem. Já a ludicidade desempenha um papel crucial ao estimular a</p><p>criatividade, a imaginação e o desenvolvimento emocional das crianças por meio de atividades</p><p>lúdicas e jogos educativos. Integrar esses aspectos de maneira harmoniosa não apenas facilita o</p><p>desenvolvimento infantil, mas também promove um ambiente de aprendizagem dinâmico e</p><p>enriquecedor, adaptado às necessidades e potencialidades de cada criança.</p><p>É Hora de Praticar!</p><p>Este conteúdo é um vídeo!</p><p>Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo</p><p>computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo</p><p>para assistir mesmo sem conexão à internet.</p><p>Estudante, o resultado de aprendizagem desta unidade é que você pormenorize os instrumentos</p><p>e as técnicas que podem ser empregados e impulsionar as habilidades psicomotoras por meio</p><p>da tecnologia. Sendo assim, considere esta situação-problema: a professora Ana percebe que</p><p>seus alunos do primeiro ano estão apresentando di�culdades de concentração e interação</p><p>durante as aulas, o que está impactando seu desempenho acadêmico. Ela observa que muitas</p><p>crianças têm di�culdade em se manter focadas nas atividades de sala de aula e frequentemente</p><p>demonstram impaciência e desinteresse. Ana nota também que alguns alunos têm di�culdades</p><p>motoras, como coordenação e equilíbrio. Como você pode ajudar nesta tarefa como</p><p>psicopedagogo, considerando tudo que aprendeu até aqui?</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>O que você mais gostou da abordagem desta aula? Você tinha consciência de que a</p><p>aprendizagem estivesse ligada a movimentos e emoções? Conseguiu pensar em possibilidades</p><p>quando estiver atuando como psicopedagogo?</p><p>A psicopedagoga Maria, ao ser consultada por Ana, sugere uma abordagem mais centrada no</p><p>desenvolvimento psicomotor e na ludicidade. Ela propõe que Ana incorpore mais atividades</p><p>motoras e lúdicas ao currículo, como jogos que envolvam movimento corporal, atividades ao ar</p><p>livre que promovam a coordenação e o equilíbrio, e momentos de brincadeiras que estimulem a</p><p>interação social e a imaginação.</p><p>Maria também oferece suporte na identi�cação das necessidades individuais de cada aluno,</p><p>ajudando Ana a criar estratégias personalizadas para atender às di�culdades especí�cas de</p><p>aprendizagem e desenvolvimento motor. Além disso, a psicopedagoga auxilia na criação de um</p><p>ambiente de aprendizagem acolhedor e inclusivo, onde as crianças se sintam motivadas e</p><p>engajadas nas atividades propostas.</p><p>Dessa forma, a colaboração entre a professora Ana e a psicopedagoga Maria visa repensar as</p><p>práticas pedagógicas, integrando mais atividades motoras e lúdicas, o que não apenas enriquece</p><p>o processo educacional, mas também promove o desenvolvimento integral e o bem-estar dos</p><p>alunos.</p><p>Aqui, estudante, você terá um parâmetro geral da abordagem da unidade, compreendendo a</p><p>motivação como uma peça fundamental na prática pedagógica, respaldada por estratégias de</p><p>aprendizagem e autorregulação que favorecem o processo educativo.</p><p>Neste �uxograma, você também se lembrará das discussões acerca de tecnologia, habilidades</p><p>motoras, tecnologia assistiva e como a psicomotricidade é imprescindível tanto na prática</p><p>pedagógica quanto na psicopedagógica.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>ANTUNES, Celso. As inteligências múltiplas e seus estímulos. 1. ed. Campinas: Papirus, 2019. E-</p><p>book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 3 jun. 2024.</p><p>BRITTO, Eduardo. Psicologia, Educação e Novas Tecnologias. [Digite o Local da Editora]: Cengage</p><p>Learning Brasil, 2016. E-book. ISBN 9788522123612. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522123612/. Acesso em: 11 jun. 2024.</p><p>BORUCHOVITCH, Evely; GOES, Natália Moraes. Estratégias de aprendizagem: como promovê-las.</p><p>1. ed. São Paulo: Vozes, 2020. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso</p><p>em: 1 jun. 2024.</p><p>D'AUREA-TARDELI, Denise; PAULA, Fraulein Vidigal. Motivação, Atitudes e Habilidades: Recursos</p><p>para Aprendizagem. [Digite o Local da Editora]: Cengage Learning Brasil, 2016. E-book. ISBN</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522125494/. Acesso em: 1 jun. 2024.</p><p>IAHNKE, Silvana Leticia Pires. Aprendizagem móvel: um novo paradigma para facilitar a</p><p>aprendizagem signi�cativa por meio da colaboração nas redes sociais. Curitiba, PR: Appris,</p><p>2023. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 11 jun. 2024.</p><p>LENHARO, Rayane Isadora. Multiletramentos, tecnologia e aprendizagem. 1. ed. Curitiba:</p><p>Intersaberes, 2023. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 11 jun.</p><p>2024.</p><p>LORO, Alexandre Paulo. Jogos e brincadeiras: pluralidades interventivas. 2. ed. Curitiba:</p><p>Intersaberes, 2023. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 15 jun.</p><p>2024.</p><p>ROCHA, Karina Nalevaiko. Inteligência, afetividade e criatividade. 1. ed. São Paulo: Contentus,</p><p>2020. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 1 jun. 2024.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/%22%20/l%20%22/books/9788522125494/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>SANTAELLA, Lucia. Gami�cação em debate. São Paulo: Editora Blucher, 2017. E-book. ISBN</p><p>9788521213161. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521213161/. Acesso em: 15 jun. 2024.</p><p>,</p><p>Unidade 3</p><p>Jogos de Competição e Cooperação: Aspectos a Analisar</p><p>Aula 1</p><p>Contribuição e Desa�os dos Jogos</p><p>Contribuições e desa�os dos jogos</p><p>Este conteúdo é um vídeo!</p><p>Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo</p><p>computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo</p><p>para assistir mesmo sem conexão à internet.</p><p>Dica para você</p><p>Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua</p><p>aprendizagem ainda mais completa.</p><p>Olá, estudante! Nesta videoaula, você aprenderá sobre a in�uência do jogo no desenvolvimento</p><p>global do aprendente para usá-lo de maneira intencional em sua prática.</p><p>Esse conteúdo é muito importante para que você compreenda como as habilidades</p><p>socioemocionais podem ser desenvolvidas por meio lúdico, entenda a relação entre inteligência</p><p>e afetividade e aprenda sobre as particularidades do jogo.</p><p>Prepare-se para essa jornada de conhecimento!! Vamos lá!</p><p>Ponto de Partida</p><p>Olá, estudante! Você sabia que os jogos trazem signi�cativas contribuições ao desenvolvimento</p><p>educacional, promovendo habilidades socioemocionais como cooperação, empatia e resiliência.</p><p>No entanto, enfrentam</p><p>desa�os na sua implementação, como a necessidade de alinhamento</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>com os objetivos pedagógicos e a diversidade de necessidades dos alunos. Considerando esse</p><p>contexto, pense comigo sobre a situação-problema a seguir.</p><p>Na Escola Primária Aurora, a professora Ana percebe que seus alunos estão desmotivados e</p><p>apresentam di�culdades em colaborar uns com os outros durante as atividades em sala de aula.</p><p>Para tentar solucionar esse problema, ela decide incorporar jogos educativos em sua</p><p>programação pedagógica. No entanto, Ana enfrenta desa�os, como a adaptação dos jogos às</p><p>diferentes habilidades e ritmos de aprendizagem dos alunos, bem como a necessidade de alinhar</p><p>os jogos aos objetivos educacionais especí�cos do currículo. Além disso, ela nota que alguns</p><p>alunos têm di�culdade em lidar com perdas e frustrações durante os jogos, afetando</p><p>negativamente suas habilidades socioemocionais. Para superar esses obstáculos, a professora</p><p>Ana busca ajuda com a psicopedagoga da escola. Você é a psicopedagoga! Como você</p><p>resolveria essa situação? Quais estratégias você colocaria em prática?</p><p>Vamos Começar!</p><p>CONTRIBUIÇÕES E DESAFIOS DOS JOGOS</p><p>O jogo é um poderoso estímulo para o desenvolvimento das inteligências, permitindo que o</p><p>aprendiz explore seus desejos e aspirações. Durante o jogo, a pessoa tem a liberdade de ser</p><p>quem quiser, tomar decisões livremente e experimentar um senso de grandeza e liberdade. Além</p><p>disso, o jogo ensina o controle dos impulsos e a aceitação de regras, sem que o jogador se sinta</p><p>limitado por elas. Ao se envolver no jogo, a criança mergulha na fantasia e cria uma conexão</p><p>entre seus mundos consciente e inconsciente.</p><p>Jogos e o desenvolvimento</p><p>Antunes (1999) comenta que, segundo Huizinga, o jogo é uma atividade que não está vinculada</p><p>a interesses materiais imediatos, mas cativa a criança, estabelecendo seus próprios limites de</p><p>tempo e espaço. Ele cria uma sensação de ordem, equilíbrio e ritmo harmonioso. Grassi também</p><p>se manifesta nesse sentido:</p><p>Por meio do brincar, o sujeito se desenvolve, aprende, organiza seus mundos interno e externo,</p><p>expressa desejo, necessidades, pensamentos, sentimentos, desenvolve as funções psicomotoras</p><p>e psicológicas superiores, a atenção e a concentração, conquista segurança, Independência e</p><p>autonomia, estabelece vínculos, relações e interações competitivas mas, principalmente,</p><p>cooperativas. (GRASSI, 2021, p. 109).</p><p>Os jogos também podem ser vistos como exercícios de comunicação, em que o indivíduo</p><p>ressigni�ca a realidade, enfrenta desa�os e desenvolve suas habilidades. No contexto</p><p>educacional, isso permite que o educador utilize jogos para trabalhar conteúdos essenciais,</p><p>facilitando a aquisição de conhecimentos. Assim, o aluno se envolve plenamente, interagindo</p><p>com funções lógicas, afetivas e sociais.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Oliveira (2014) constrói um raciocínio interessante sobre a funcionalidade do jogar, veja:</p><p>Fonte: Oliveira, 2014, p. 99.</p><p>Para a autora, o processo obtido com o jogo interfere de forma direta na capacidade do</p><p>aprendente em desenvolver um pensamento anterior à ação, sendo capaz de avaliar e discernir</p><p>se agiu de forma impulsiva, fortalecendo o seu posicionamento no enfrentamento dos con�itos.</p><p>Acrescentando, Silva (2020, p. 18) destaca, por meio das palavras de Huizinga:</p><p>O jogo, independentemente da forma como é usado, constitui-se num sistema de regras. Nos</p><p>jogos de política existe um grupo de pessoas que orientam suas condutas com base num</p><p>conjunto de regras predeterminadas; o mesmo ocorre quando as pessoas participam de um jogo</p><p>de tabuleiro (HUIZINGA, apud SILVA, 2020, p. 18)</p><p>No contexto educacional, o professor que incorpora jogos em sua programação pedagógica</p><p>permite que os alunos vivenciem uma ampla gama de sentimentos e apliquem as experiências</p><p>educativas em situações do cotidiano. Além disso, o educador possibilita que os alunos</p><p>descubram suas habilidades, superem limitações, desenvolvam valores e respeitem as</p><p>individualidades. É fundamental que ele entenda a importância de integrar o ato de brincar ao ato</p><p>de aprender.</p><p>Você deve se lembrar, estudante, de que na unidade dois, ao falar sobre os estímulos de</p><p>aprendizagem, vimos a janela de oportunidades trazida por Antunes (1999) baseada nas</p><p>inteligências múltiplas.</p><p>As inteligências em um ser humano são mais ou menos como janelas de um quarto. Abrem-se</p><p>aos poucos, sem pressa, e para cada etapa dessa abertura existem múltiplos estímulos. Não se</p><p>fecham presumivelmente até os 72 anos de idade, mas próximo à puberdade perdem algum</p><p>brilho. Essa perda não signi�ca desinteresse, apenas ocorre a consolidação do que se aprendeu</p><p>em período de maior abertura. Abrem-se praticamente para todos os seres humanos ao mesmo</p><p>temo, mas existe uma janela para cada inteligência. Duas crianças, na mesma idade, possuem a</p><p>janela da mesma inteligência com o mesmo nível de abertura, isso não signi�ca entretanto que</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>sejam iguais; a história genética de cada uma pode fazer com que o efeito dos estímulos sobre</p><p>essa abertura seja maior ou menor, produza efeito mais imediato ou mais lento. É um erro supor</p><p>que o estímulo possa fazer a janela abrir-se mais depressa. Por isso, essa abertura precisa ser</p><p>aproveitada por pais e professores com equilíbrio, serenidade e paciência. (ANTUNES, 1999, p.</p><p>18-19).</p><p>Silva (2020) chama nossa atenção para concepções teóricas de Kishimoto em relação às</p><p>questões do jogo, da brincadeira e do brinquedo, e reforça a in�nidade de dominações que o jogo</p><p>pode receber:</p><p>Jogo da política: associado à ideia do uso de estratégias – jogo – para vencer uma eleição.</p><p>Jogos de adultos: alguns são modalidades esportivas, outros, brincadeiras relacionadas ao</p><p>universo adulto, ainda, que encontrem atividades típicas de crianças.</p><p>Jogos de crianças: associados ao universo infantil.</p><p>Jogos de animais: atividades que os animais realizam e que representam sua diversão.</p><p>Jogos com objetos utilizados para jogar, brincar: por exemplo, um tabuleiro de xadrez, ludo,</p><p>ou outros jogos de tabuleiro.</p><p>Jogos educativos e passatempos: algumas tipologias que representam a interpretação do</p><p>indivíduo (SILVA, 2020, p. 18).</p><p>Os jogos oferecem um vasto leque de possibilidades de intervenção no processo educativo. Eles</p><p>podem ser aplicados com diversos objetivos e métodos, ajustando-se ao nível de entendimento e</p><p>conhecimento do aprendiz sobre o jogo. As estratégias variam: o aprendiz pode selecionar o</p><p>jogo; o pro�ssional pode apresentar jogos que estimulam a mesma função, guiando a escolha do</p><p>aprendiz; o psicopedagogo pode escolher um jogo especí�co para desenvolver uma função, ação</p><p>ou sentimento particular; ou o psicopedagogo pode incentivar a criação de novos jogos ou a</p><p>adaptação de regras e estruturas de jogos já existentes. Em todas essas abordagens, é</p><p>fundamental preservar o aspecto lúdico (GRASSI, 2021, p. 110).</p><p>Em resumo, no processo de aprendizagem, é essencial haver o desejo de aprender, ser desa�ado,</p><p>estar interessado, e é necessário incluir momentos de brincadeira e jogos.</p><p>Habilidades socioemocionais na realização de jogos</p><p>Há várias perspectivas para entender o conceito de jogo, resultando em diferentes interpretações</p><p>entre os educadores. Alguns veem o jogo como um material pedagógico, enquanto outros o</p><p>consideram puramente educativo. Alguns acreditam que os jogos na sala de aula servem apenas</p><p>para entretenimento, enquanto outros os utilizam como recursos didáticos estilizados para</p><p>alcançar objetivos especí�cos.</p><p>Para abordar o jogo sob uma perspectiva educativa, Silva (2020) se apoia na perspectiva de</p><p>Kishimoto. Ela destaca que, para que o jogo seja efetivamente educativo, ele deve cumprir duas</p><p>funções que, embora distintas, são interdependentes e atuam simultaneamente: a função lúdica</p><p>e a função educativa. Qual será a diferença, estudante?</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Função lúdica: cumpre o papel de possibilitar diversão ao jogador. Prevê que a atividade</p><p>seja uma experiência prazerosa e ”capture”</p><p>as emoções e os sentimentos positivos do</p><p>praticante, transformados em sentimentos de bem-estar, de alegria. No entanto, é</p><p>importante destacar que não é o fato de o participante de algum jogo vir a enfrentar alguma</p><p>situação de angústia ou frustração, por exemplo, enquanto joga, que faz a atividade se</p><p>descaracterizar como lúdica.</p><p>Função educativa: vemos que os jogos permitem aos indivíduos a aquisição de</p><p>aprendizados, independentemente do tempo e espaço em que são realizados e sejam de</p><p>ordem motora, psicológica, cognitiva ou mesmo emocional. Isso se concretiza pelo</p><p>amadurecimento nas relações interpessoais, pela aquisição de habilidades – ou o</p><p>aprimoramento delas – de chutar, pular, rolar, desenhar, cantar, dançar, entre outras. No</p><p>entanto, Kishimoto (1996, apud Silva, 2020) faz um alerta, a�rmando que o jogo educativo</p><p>se afetiva a partir do equilíbrio entre duas funções. Caso contrário, o jogo é aplicação sob a</p><p>ideia de divertir, como passatempo, e não há ensino. É o brincar por brincar. E, quando se</p><p>eliminam todas as possibilidades de diversão aos participantes, restando somente o</p><p>ensino, anula-se o potencial de aprendizagem pela brincadeira, pelo divertimento (SILVA,</p><p>2020, p. 42-43).</p><p>Silva (2020) sob a ótica de Cunha (2012), propõe uma distinção importante entre o jogo</p><p>educativo e o jogo didático como ferramentas de ensino. Segundo o autor, o jogo educativo</p><p>transcende limitações espaciais e possibilita o desenvolvimento amplo do aluno nas esferas</p><p>corporal, cognitiva, afetiva e social. Por outro lado, o jogo didático é direcionado ao ensino de</p><p>conteúdos e conceitos especí�cos, sendo aplicado diretamente em contextos de sala de aula.</p><p>Oliveira (2014) defende que o educador deve enxergar o ato de brincar e o ato de aprender como</p><p>processos interligados. Em muitas escolas, essas atividades são tratadas como se fossem</p><p>separadas, ignorando que as atividades lúdicas facilitam o desenvolvimento de conteúdos</p><p>essenciais para a aquisição de conhecimentos. Brincar envolve múltiplos aspectos do</p><p>desenvolvimento, incluindo os físicos, intelectuais, cognitivos, artísticos, criativos, sensoriais,</p><p>sociais, éticos, funcionais e psicomotores (DOHME, 2009 apud OLIVEIRA, 2014, p. 100).</p><p>Ao considerar os aspectos afetivos, as contribuições de Freud e a teoria cognitiva de Piaget são</p><p>imediatamente lembradas. Piaget dedicou-se extensivamente ao estudo da inteligência, e suas</p><p>ideias, amplamente conhecidas, são de grande valor por descreverem detalhadamente a origem</p><p>do conhecimento. Embora Piaget tenha sido mais reconhecido por suas pesquisas sobre a</p><p>inteligência, ele também explorou os aspectos afetivos, oferecendo concepções valiosas que</p><p>enriqueceram o debate sobre a relação entre inteligência e afetividade.</p><p>Piaget (1994) concorda com a in�uência da afetividade sobre a inteligência e vai além,</p><p>considerando-a condição necessária para o seu desenvolvimento normal, mas ressalva que não é</p><p>uma condição su�ciente na formação da estrutura, que é autônoma. Além disso, está de acordo</p><p>de que o afeto pode levar a erros, a desvios momentâneos, e isso ocorre devido a uma estrutura</p><p>que não se encontra equilibrada. Considera que em nenhum nível, ou estágio, mesmo no adulto,</p><p>exista um comportamento que seja exclusivamente cognitivo ou afetivo, sendo portanto, dois</p><p>aspectos indissociáveis (MACEDO, 2009, p. 180-181).</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>A afetividade abrange os sentimentos, em especial as emoções e diversas inclinações, como a</p><p>vontade, que são fundamentais para regular os sentimentos básicos. Para Jean Piaget,</p><p>segundo Macedo (2009, p. 181) “as funções cognitivas e afetivas, embora na conduta concreta</p><p>do indivíduo apareçam indissociáveis, são de natureza diferente, sendo, portanto, importante</p><p>distingui-las”.</p><p>Funções cognitivas corresponderiam às percepções, à inteligência prática ou sensório-</p><p>motora indo até a inteligência abstrata, característica das operações formais.</p><p>Funções afetivas implicariam o interesse, que pode ser intrínseco ou extrínseco, e a</p><p>necessidade.</p><p>Há uma interdependência entre as funções cognitivas e afetivas em todas as atividades</p><p>humanas, desde as mais simples até as mais complexas. Não existe processo cognitivo que não</p><p>envolva elementos afetivos, como sentimentos de sucesso ou fracasso. Um exemplo</p><p>psicopedagógico seria quando um psicopedagogo utiliza diferentes técnicas de intervenção</p><p>personalizadas para ajudar um aluno com di�culdades de aprendizagem. Ao observar o</p><p>comportamento e o desempenho do aluno, o psicopedagogo pode ajustar suas estratégias de</p><p>ensino de forma prática e adaptativa, incorporando métodos que sejam mais e�cazes para ele,</p><p>com base na sua experiência clínica e no entendimento das necessidades especí�cas do</p><p>indivíduo. Perceba, estudante, que, nesse processo de inteligência prática, a percepção seletiva</p><p>ocorre ao mesmo tempo que surgem sentimentos de prazer, desprazer ou indiferença, ao pensar</p><p>e ajustar as estratégias que atinjam a real necessidade do aprendente, formando uma tonalidade</p><p>afetiva. O inverso também é verdadeiro: não há estado afetivo que não contenha componentes</p><p>cognitivos, já que as emoções sempre estão acompanhadas de discriminações perceptivas.</p><p>Macedo (2009, p. 181) argumenta que a inteligência depende fundamentalmente da afetividade</p><p>para impulsionar a ação. Por outro lado, a afetividade não pode ser completamente e�caz sem o</p><p>suporte das estruturas cognitivas, que fornecem os meios para alcançar objetivos especí�cos.</p><p>“A afetividade é o motor da ação e é fundamental para o funcionamento da inteligência, mas o</p><p>autor é categórico ao a�rmar que não modi�ca sua estrutura” (MACEDO, 2009, p. 81).</p><p>Siga em Frente...</p><p>Particularidades do jogo</p><p>O termo lúdico, originado do latim "ludus," carrega em si a ideia de jogo, diversão, engano,</p><p>zombaria e passatempo. Bemvenuti et al. (2012) nos leva ao questionamento do sentido da</p><p>educação no âmbito da sociedade. Para a autora é necessário identi�car, no encontro entre o</p><p>lúdico e a educação, o papel que se reproduz:</p><p>1)    O professor é a parte do grupo dos espectadores que participam do jogo de um único ponto</p><p>de vista, sem se aproximar da arena, do palco, do lugar do jogador, exercitando o lugar de quem</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>vê de fora?</p><p>2)    Ou talvez esteja no lugar do esportista, daquele que arrisca a vida na jogada? No lugar do</p><p>atleta, que desenvolve a ação do jogo e que, por sua vez, tem como ponto de vista o centro do</p><p>jogo, encontrando-se dentro do espetáculo, em que não há pausa para distanciamento e</p><p>re�exão?</p><p>3)    Por último, ainda, talvez a experiência permaneça apenas no lugar do disfarce para realizar</p><p>outra coisa que não aquela que o jogo enaltece como o assunto em questão? Ou como lugar de</p><p>descanso, intervalo, momento para relaxar? Como identi�camos esses lugares e esses papéis? E</p><p>nas antigas civilizações, como isso era vivido? (BEMVENUTI et al. 2012, p. 16-17).</p><p>Os jogos oferecem uma valiosa oportunidade pedagógica para a �xação de conteúdos. À medida</p><p>que os alunos se envolvem em atividades lúdicas que aplicam conceitos de forma divertida, a</p><p>motivação e o engajamento aumentam signi�cativamente. Além disso, os jogos facilitam a</p><p>implementação de projetos interdisciplinares, permitindo o desenvolvimento simultâneo de</p><p>várias habilidades e competências.</p><p>Contudo, já nos dizia Antunes (1999, p. 38):</p><p>Nem todo jogo é um material pedagógico. [...] os jogos ou brinquedos pedagógicos são</p><p>desenvolvidos com a intenção explícita de provocar uma aprendizagem signi�cativa, estimular a</p><p>construção de um novo conhecimento e, principalmente, despertar o desenvolvimento de uma</p><p>habilidade operatória.</p><p>Uma habilidade operatória é uma capacidade cognitiva e apreciativa especí�ca que permite ao</p><p>indivíduo compreender e intervir nos fenômenos sociais e culturais, auxiliando-o na construção</p><p>de conexões. Os verbos de ação que descrevem as inúmeras habilidades que podem ser</p><p>desenvolvidas nos alunos são praticamente ilimitados. Isso ocorre porque a habilidade está mais</p><p>ligada à forma como o jogo é conduzido do</p><p>que ao seu conteúdo especí�co. Em outras palavras,</p><p>a maioria dos jogos pode estimular diferentes habilidades operatórias, dependendo de como o</p><p>professor aplica suas regras e fundamentos. A seguir, apresentamos uma lista adaptável às</p><p>propostas pedagógicas de cada escola.</p><p>Educação</p><p>Infantil</p><p>Ensino</p><p>Fundamenta</p><p>l</p><p>Ensino</p><p>Médio</p><p>Ensino</p><p>Superior</p><p>Observar Enumerar Re�etir Flexionar</p><p>Conhecer Transferir Criar Adaptar</p><p>Comparar Demonstrar Conceituar Decidir</p><p>Localizar no</p><p>tempo</p><p>Debater Interagir Selecionar</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Separar/Reu</p><p>nir</p><p>Deduzir Especi�car Planejar</p><p>Medir Analisar Ajuizar Negociar</p><p>Relatar Julgar/Avali</p><p>ar</p><p>Discriminar Persuadir</p><p>Combinar Interpretar Revisar Liderar</p><p>Conferir Provar Descobrir Edi�car</p><p>Localizar no</p><p>espaço</p><p>Concluir Levantar</p><p>hipóteses</p><p>Classi�car Seriar</p><p>Criticar Sintetizar</p><p>Fonte: Antunes, 1999, p. 38.</p><p>A aplicação dos jogos pode se dar em quatro elementos, segundo Antunes (1999)</p><p>Capacidade de se constituir em um fator de autoestima do aluno: jogos extremamente</p><p>fáceis cuja solução se coloca acima da capacidade de solução por parte do aluno,</p><p>causando o seu desinteresse, o que conecta a baixa autoestima à sensação de</p><p>incapacidade ou fracasso.</p><p>Condições psicológicas favoráveis: o jogo jamais pode estar associado a alguma forma de</p><p>sanção. É imprescindível que o professor utilize como ferramenta o combate à apatia,</p><p>sendo os jogos cuidadosamente introduzidos conforme a posição claramente de�nida dos</p><p>alunos.</p><p>Condições ambientais: é fundamental para o sucesso no uso dos jogos. O espaço</p><p>destinado à manipulação é sempre imprescindível assim como a organização, a higiene da</p><p>mesa ou do chão que acontecerá a atividade.</p><p>Fundamentos técnicos: um jogo jamais deve ser interrompido. O aluno deve ser estimulado</p><p>a buscar os próprios caminhos, e o jogo precisa ter começo meio e �m, além de não ser</p><p>realizado caso haja dúvida para o sucesso de sua execução.</p><p>Os jogos desempenham um papel crucial no ambiente educacional, oferecendo inúmeras</p><p>contribuições para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional dos alunos. Eles promovem</p><p>o engajamento e a motivação, facilitando a aprendizagem de maneira divertida e signi�cativa.</p><p>Além disso, os jogos ajudam a desenvolver habilidades essenciais, como a resolução de</p><p>problemas, o pensamento estratégico e a cooperação. É crucial que educadores planejem e</p><p>adaptem os jogos para maximizar seu potencial educativo, garantindo que eles não apenas</p><p>entretenham, mas também enriqueçam a experiência de aprendizagem. Ao equilibrar esses</p><p>aspectos, os jogos podem se tornar poderosas ferramentas para um ensino inovador e inclusivo.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Vamos Exercitar?</p><p>Vamos pensar novamente qual era seu desa�o? Você seria a psicopedagoga da escola e</p><p>precisaria ajudar a professora Ana com as limitações e di�culdades apresentadas pelos</p><p>estudantes. Agora que você passou pela aula, �cou mais fácil considerar as possibilidades? Olhe</p><p>as estratégias de solução que você pode considerar:</p><p>Adaptação dos jogos às diferentes habilidades:</p><p>Nível de di�culdade ajustável: selecionar jogos que permitam variações no nível de di�culdade,</p><p>para que todos os alunos possam participar de acordo com suas habilidades.</p><p>Grupos de habilidades mistas: formar grupos heterogêneos, nos quais alunos com diferentes</p><p>habilidades colaborem, promovendo a troca de conhecimentos e suporte mútuo.</p><p>Incorporação de habilidades socioemocionais:</p><p>Jogos cooperativos: introduzir jogos que enfatizem a cooperação ao invés da competição,</p><p>ajudando os alunos a desenvolverem habilidades como empatia, comunicação e trabalho em</p><p>equipe.</p><p>Debrie�ng pós-jogo: realizar sessões de discussão após os jogos para re�etir sobre as emoções</p><p>sentidas, as estratégias utilizadas e o comportamento durante o jogo, incentivando o</p><p>autoconhecimento e a autorregulação emocional.</p><p>Gerenciamento de perdas e frustrações:</p><p>Regras claras e justas: estabelecer regras claras para todos os jogos e garantir que sejam</p><p>seguidas de maneira justa, para minimizar o sentimento de frustração e injustiça.</p><p>Enfoque no processo: reforçar a importância do processo de participação e aprendizado durante</p><p>o jogo, em vez de focar apenas no resultado, ajudando os alunos a valorizarem suas próprias</p><p>contribuições e progressos.</p><p>Implementando essas estratégias, a professora Ana pode transformar os jogos em uma</p><p>ferramenta poderosa para o desenvolvimento cognitivo, socioemocional e psicomotor dos</p><p>alunos, promovendo um ambiente de aprendizado mais inclusivo e colaborativo.</p><p>Saiba mais</p><p>Para compreender os estímulos como alimento para as inteligências, sugiro a leitura do capítulo</p><p>3, Estímulos excessivos atuam como desestímulos (p. 18-21), do livro Jogos para estimulação</p><p>das inteligências múltiplas, de Celso Antunes.</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Para outras referências sobre jogo, compartilho o artigo Jogo como recurso de aprendizagem, da</p><p>Revista da Associação Brasileira de Psicopedagogia.</p><p>Referências</p><p>ANTUNES, Celso. Jogos para a estimulação das múltiplas inteligências. 1. ed. São Paulo: Vozes,</p><p>1999. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 18 jun. 2024.</p><p>BEMVENUTI, Abel. et al. O lúdico na prática pedagógica. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2012. E-</p><p>book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 21 jun. 2024.</p><p>CORREIA, Marcos Miranda. Trabalhando com jogos cooperativos: em busca de novos</p><p>paradigmas na educação física. 1. ed. Campinas: Papirus, 2013. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 18 jun. 2024.</p><p>GRASSI, Tânia Mara. Intervenção psicopedagógica: desatando nós, fazendo laços. 1. ed. Curitiba:</p><p>Intersaberes, 2021. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 20 jun.</p><p>2024.</p><p>MACEDO, Lino de. (org.). Jogos, psicologia e educação: teoria e pesquisas. São Paulo: Pearson,</p><p>2009. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 20 jun. 2024.</p><p>MAFFEI, Willer Soares. Proposições teórico-metodológicas e práticas pedagógicas da educação</p><p>física. 1. ed. Curitiba, PR: Intersaberes, 2019. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 18 jun. 2024.</p><p>MIRANDA, Simão de. O�cina de ludicidade na escola. 1. ed. Campinas: Papirus, 2022. E-book.</p><p>Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 18 jun. 2024.</p><p>OLIVEIRA, Mari Ângela C. Psicopedagogia a instituição educacional em foco. 1. ed. Curitiba:</p><p>Intersaberes, 2014. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 20 jun.</p><p>2024.</p><p>SILVA, M. R. Ludicidade. São Paulo, SP: Contentus, 2020. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 18 jun. 2024.</p><p>SUZUKI, J. T. F. et al. Ludicidade e educação. 1. ed. São Paulo: UNOPAR, 2019. E-book. Disponível</p><p>em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 18 jun. 2024.</p><p>Aula 2</p><p>Jogos competitivos e Jogos Cooperativos</p><p>https://www.revistapsicopedagogia.com.br/detalhes/210/o-jogo-como</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Jogos competitivos e jogos cooperativos</p><p>Este conteúdo é um vídeo!</p><p>Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo</p><p>computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo</p><p>para assistir mesmo sem conexão à internet.</p><p>Dica para você</p><p>Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua</p><p>aprendizagem ainda mais completa.</p><p>Olá, estudante! Nesta videoaula, vamos discutir as características dos jogos competitivos e</p><p>cooperativos, entender as diferenças essenciais entre ambos e re�etir sobre como o jogo</p><p>promove valores fundamentais e desenvolve habilidades sociais.</p><p>Esse conteúdo é muito importante</p><p>para você compreender como as modalidades de jogo podem</p><p>impactar positivamente a interação social e o aprendizado colaborativo.</p><p>Prepare-se para essa imersão! Vamos lá!</p><p>Ponto de Partida</p><p>Estudante, você vai explorar profundamente o universo dos jogos ao considerar tanto suas</p><p>características competitivas quanto cooperativas. O jogo, seja competitivo ou cooperativo,</p><p>desa�a os participantes a desenvolverem competências como comunicação, liderança e</p><p>empatia, essenciais para a integração social e para o fortalecimento de relações interpessoais.</p><p>Nesta discussão, exploraremos como essas modalidades de jogo contribuem para a formação</p><p>de valores e habilidades sociais, fundamentais não apenas no contexto lúdico, mas também na</p><p>vida cotidiana e no ambiente educacional.</p><p>A partir desse contexto, pense comigo sobre a seguinte problemática: em uma escola, os jogos</p><p>competitivos são predominantes nas atividades esportivas e recreativas, enquanto os jogos</p><p>cooperativos são menos frequentes. Alguns alunos demonstram frustração e exclusão durante</p><p>as competições, evidenciando di�culdades de cooperação e colaboração. Como a escola pode</p><p>promover uma maior inclusão e desenvolver habilidades sociais por meio da introdução de mais</p><p>jogos cooperativos, equilibrando assim as modalidades competitivas e cooperativas para</p><p>bene�ciar todos os alunos?</p><p>Vamos Começar!</p><p>JOGOS COMPETITIVOS E JOGOS COOPERATIVOS</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>O jogo está presente na vida contemporânea de diversas formas: desde brincadeiras tradicionais</p><p>e competições esportivas até jogos online, de linguagem, lógicos, matemáticos e de azar, entre</p><p>outros. Todos eles compartilham a ideia de uma atividade lúdica, muitas vezes vista apenas</p><p>como uma maneira de ocupar o tempo de forma leve, evitando que o indivíduo faça algo menos</p><p>produtivo. Essa percepção de que o jogo é algo sem seriedade, frequentemente adotada na</p><p>escola, pode di�cultar a compreensão da conexão entre jogo e educação. No entanto, os jogos</p><p>podem ser uma ferramenta poderosa para impulsionar o exercício do pensamento, a aplicação</p><p>prática do conhecimento e a criatividade na resolução de problemas.</p><p>CARACTERÍSTICAS DOS JOGOS COMPETITIVOS E COOPERATIVOS</p><p>Estudante, qual a importância dos jogos cooperativos e competitivos para o desenvolvimento do</p><p>aprendente? Quais as características que os diferem?</p><p>Os jogos cooperativos e competitivos, apesar de possuírem características distintas, são muito</p><p>importantes no contexto escolar dos educandos. É por meio deles que alguns valores são</p><p>ensinados e, assim, são utilizados para o melhor desenvolvimento da aprendizagem na escola</p><p>(ROMÃO; BRITO, 2019, p. 99).</p><p>Os jogos competitivos envolvem interação social com objetivos especí�cos, em que as ações</p><p>são realizadas de forma isolada e os benefícios são concentrados em apenas alguns</p><p>participantes. A essência desses jogos é estimular a competição entre os jogadores. Para que</p><p>esse tipo de jogo seja e�caz nas escolas, o professor deve não apenas incentivar os alunos a</p><p>ganharem ou perderem, mas também ajudar todos a alcançarem seus objetivos. A melhor</p><p>maneira de integrar jogos competitivos no ambiente escolar é utilizando jogos que exigem</p><p>habilidades variadas, como jogos intelectuais, de re�exos rápidos, estratégicos e de raciocínio</p><p>(ROMÃO; BRITO, 2019).</p><p>Nesse tipo de jogo, não é saudável haver a competição como motivação, bem como promover a</p><p>discriminação por conta de cor, sexo, origem; também não é interessante que haja valorização</p><p>excessiva dos jogadores, bem como a desvalorização dos perdedores, sendo fundamental que o</p><p>professor sempre esteja atento a isso. Para os autores supracitados (2019, p. 102):</p><p>Quando a criança consegue compreender o ambiente de competição, ela pode encarar a</p><p>realidade de maneira mais serena e equilibrada. A�nal, é por meio da competição que ela</p><p>descobre que existem con�itos emoções desagradáveis: comparação, frustração, sentimentos</p><p>de vitória, derrota, exclusão, etc. (ROMÃO; BRITO, 2019, p. 102).</p><p>Dessa forma, promove-se o equilíbrio em um ambiente competitivo bem administrado, onde o</p><p>respeito, a superação de limites e a amizade são essenciais. É crucial que a criança aprenda a</p><p>respeitar seu adversário, independentemente de suas habilidades. O respeito a todo o processo</p><p>que levou cada participante a competir é fundamental, valorizando o esforço e a dedicação de</p><p>todos envolvidos.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Já os jogos cooperativos promovem uma transformação notável, servindo como oportunidades</p><p>de comunicação e ferramentas que oferecem um espaço crucial para experimentar novas</p><p>alternativas. Eles contribuem para uma sociedade baseada na solidariedade, valorizando a</p><p>participação de todos e a inclusão. O ponto forte desses jogos é que os participantes jogam</p><p>juntos, em vez de competir uns contra os outros, enriquecendo a sociedade com valores</p><p>fundamentados na con�ança e na colaboração.</p><p>Correia (2013), pela perspectiva de Orlick, acrescenta que a origem dos jogos cooperativos</p><p>remonta a milhares de anos, quando os membros das comunidades tribais se reuniam para</p><p>celebrar a vida em conjunto. Os jogos cooperativos são apresentados como uma atividade física</p><p>que prioriza a cooperação, a aceitação, o envolvimento e a diversão. Eles têm como objetivo</p><p>transformar as características de exclusão, seletividade, agressividade e competitividade</p><p>presentes nos jogos tradicionais e na sociedade.</p><p>Jogos cooperativos são ações que em sua estrutura objetiva e participação de todos, onde todo</p><p>o processo do jogo é valorizado, não apenas seu produto: Vencer e às vezes a qualquer custo.</p><p>Pode-se dizer que se trata de uma ferramenta para o desenvolvimento da empatia, sentimento de</p><p>equipe, pertencimento, solidariedade, pensar e resolver juntos, tomada de decisão e, por �m,</p><p>buscar o desenvolvimento de uma cultura de paz (PINES JUNIOR; SILVA, 2020, s/n).</p><p>A proposta dos jogos cooperativos vai além da vitória, destacando que todos podem participar</p><p>com suas características e potencialidades únicas. Cada indivíduo pode ser uma peça essencial</p><p>para alcançar os objetivos, enfrentando desa�os elaborados pelo facilitador com a intenção de</p><p>unir os participantes em busca de um resultado comum.</p><p>Barreto (2020) destaca que os jogos cooperativos possuem cinco princípios básicos, que são</p><p>essenciais ao desenvolvimento humano: coletividade, igualdade de direitos e deveres, inclusão,</p><p>processualidade e desenvolvimento humano (ROMÃO; BRITO, 2019, p. 100). Além disso, o jogo</p><p>impacta o indivíduo ao integrar os aspectos do seu sistema positivo, bem como os sistemas</p><p>psicomotor, afetivo e social. Por essa razão, os jogos cooperativos representam um processo de</p><p>interação social com ações colaborativas, resultando em uma classi�cação:</p><p>Jogos cooperativos sem perdedores: são jogos plenamente cooperativos, pois todos jogam</p><p>juntos e vencem juntos. Na verdade, o jogo só é vencido se todos colaborarem.</p><p>Jogos cooperativos de resultado coletivo: há uma divisão de equipes, porém se rompe com</p><p>a tradicional idade de uma equipe jogar contra outra. Pelo contrário, a participação de cada</p><p>equipe é que contribui para o avanço do jogo e o seu término. Ao �nal, todos ganham.</p><p>Jogos cooperativos de inversão: apesar de haver equipes, o jogo é voltado não somente</p><p>para a vitória, mas para o desenvolvimento e a evolução. É possível, por exemplo, mudar um</p><p>jogador de equipe. Se um jogador do time �zer gol, ele passa pra outro time.</p><p>Jogos semicooperativos: foram criados para que as crianças com pouco ou nenhuma</p><p>participação. A regra do jogo é adaptada para que seja necessário que todos participem</p><p>efetivamente da tarefa. Esse tipo de atividade estimula que o mais habilidoso colabore com</p><p>menos habilidoso para juntos obterem êxito no que foi proposto (ROMÃO; BRITO, 2019, p.</p><p>100-101).</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Os jogos cooperativos têm o potencial de promover uma transformação social signi�cativa, seja</p><p>de maneira direta ou indireta, fundamentada na inclusão e nos valores relacionados à sociedade</p><p>e à cidadania.</p><p>DIFERENÇA ENTRE</p><p>Olá, estudante! Nesta videoaula, você aprenderá sobre o desenvolvimento das competências</p><p>socioemocionais, as possíveis de�nições de aprender em nosso dia a dia e sobre os aspectos</p><p>básicos ligados à aprendizagem.</p><p>Esse conteúdo é muito importante para que você compreenda os fundamentos presentes na</p><p>aprendizagem e como você conseguirá garantir a promoção destes processos de forma</p><p>signi�cativa e assertiva com seu aprendente.</p><p>Prepare-se para essa jornada de conhecimento!! Vamos lá!!</p><p>Ponto de Partida</p><p>Estudante, vamos considerar o caso do menino Lucas.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Ele é um estudante do primeiro ano do ensino fundamental, que tem encontrado di�culdades</p><p>signi�cativas na alfabetização. Durante as aulas, ele demonstra di�culdade em lembrar os sons</p><p>das letras, em associá-los às suas respectivas gra�as e em recordar as palavras que foram</p><p>ensinadas anteriormente. Esses dé�cits de memória têm afetado diretamente seu progresso na</p><p>leitura e na escrita, di�cultando sua participação nas atividades propostas pela professora e</p><p>prejudicando seu engajamento durante as aulas. Professora Rebeca procurou a coordenadora</p><p>para apresentar o caso e, juntas, julgaram ser importante encaminhar o Lucas para uma</p><p>investigação psicopedagógica. Quais procedimentos o psicopedagogo poderá utilizar para</p><p>auxiliar nesse processo?</p><p>Vamos Começar!</p><p>Re�exões sobre ensino e aprendizagem</p><p>Aprendizagem é o processo de assimilar um aspecto da realidade, compreendê-lo e integrá-lo em</p><p>nossos pensamentos. Na área da ciência cognitiva, aprendemos a construir um modelo interno</p><p>do mundo ao nosso redor. Isso ocorre quando convertemos informações sensoriais em</p><p>conceitos mais elaborados, que podem ser aplicados em diferentes situações. Em outras</p><p>palavras, transformamos essas informações em representações mais simpli�cadas da realidade</p><p>(DEHAENE, 2022).</p><p>Pensando o desenvolvimento das competências</p><p>socioemocionais</p><p>Em meio a uma vida agitada, é crucial estabelecer prioridades para manter o equilíbrio e alcançar</p><p>os objetivos. Priorizar signi�ca reconhecer o que é mais importante e urgente, focando nossos</p><p>esforços e recursos nesses aspectos. Isso nos permite direcionar nossa energia para o que</p><p>realmente importa, evitando dispersões e desperdícios de tempo. Ao estabelecer prioridades,</p><p>podemos tomar decisões mais conscientes e alinhadas com nossos valores e metas, permitindo-</p><p>nos dedicar tempo adequado a cada área da vida, como trabalho, família, saúde e lazer. É</p><p>importante também revisar regularmente nossas prioridades, ajustando-as conforme as</p><p>circunstâncias e as nossas necessidades, que mudam. Ao fazer isso, podemos encontrar um</p><p>maior senso de propósito e realização em nossa vida agitada.</p><p>Macedo (2017) argumenta que prioridade não signi�ca exclusividade, pois a vida não é exclusiva,</p><p>há preferências, e isso a categoriza como inclusiva. Destaca também que o conhecimento tem</p><p>preferências, mas ele não pode ser exclusivo, e isso acontece porque, em determinado momento,</p><p>será necessário comer, em outro dormir e o grande desa�o é coordenar as prioridades e</p><p>colaborar com o cérebro, habilidade que está diretamente ligada à atenção, aos valores, às</p><p>escolhas, ao planejamento.</p><p>Contribuindo com esse raciocínio, Bressan (2017) destaca que se optarmos por uma única</p><p>prioridade, acabamos fragilizando outras, e o cérebro �ca sem espaço e tempo para o restante</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>das coisas, por isso desenvolver o controle emocional é fundamental. Esse embasamento</p><p>reforça a perspectiva de que o ponto de vista cognitivo é negociado pelos aspectos emocionais.</p><p>Julgar, tomar decisões, planejar são funções executivas do cérebro que requerem controle</p><p>emocional, que implicam certo domínio da impulsividade, de adiar conclusões ou preferências</p><p>[...] antecipar e pré-corrigir erros, saber que ganhos implicam perdas, que não é possível escolher</p><p>ou querer tudo. (MACEDO; BRESSAN, 2017, p. 45).</p><p>As funções executivas da aprendizagem estão diretamente ligadas às emoções.</p><p>[...] Por exemplo, quando uma criança que está fazendo um cálculo na sala de aula é cutucada</p><p>nas costas por um colega, ela precisa controlar qualquer impulso agressivo e manter o foco no</p><p>estudo. Dentro do processo cognitivo-executivo, nós estamos sistematicamente negociando</p><p>aspectos emocionais. Quando alguém foca algo especí�co, como tocar piano, desenvolve</p><p>habilidades musicais, manuais e emocionais ligadas à música, mas não habilidades relacionais.</p><p>Se pensarmos na educação das crianças em sua totalidade, os aspectos socioemocionais são</p><p>fundamentais para a formação dos indivíduos. (MACEDO; BRESSAN, 2017, p.46).</p><p>Segundo a pesquisa de Macedo (2017, p.47), ao questionar os professores sobre como eles</p><p>desenvolvem as habilidades socioemocionais dos alunos, a maioria não tinha resposta. O autor</p><p>reforça que o interessante da prática é que eles fazem isso diariamente, sem perceber.</p><p>O professor chega na hora, ajuda as crianças a voltarem a atenção para ele, muda o tom de voz,</p><p>consegue conter a raiva quando um aluno o provoca, consegue lidar com uma sucessão de</p><p>tensão usando humor [...] e faz tudo isso sem a noção de que está trabalhando aspectos sócio</p><p>emocionais dos alunos [...]. ((MACEDO; BRESSAN, 2017, p. 47).</p><p>Veja estudante, esse é um relato simples de como os aspectos socioemocionais são</p><p>imprescindíveis para o desenvolvimento cognitivo e para a formação integral do indivíduo.</p><p>Contribuindo com a abordagem, Piaget (1994 apud Macedo, 2009) considera que podemos</p><p>estabelecer analogias no desenvolvimento do pensamento e da afetividade. A primeira é que</p><p>ambas evoluem em estruturas e não somente em seu conteúdo. A segunda é a presença de</p><p>“esquemas” no desenvolvimento de ambas. Piaget</p><p>[...] concorda com a in�uência da afetividade sobre a inteligência e vai além, considera-a</p><p>condição necessária para seu desenvolvimento normal, mas ressalva que não é uma condição</p><p>su�ciente na formação da estrutura, que é autônoma. Além disso, está de acordo de que o afeto</p><p>pode levar a erros, a desvios momentâneos, e isso ocorre devido a uma estrutura que não se</p><p>encontra equilibrada. Considera que em nenhum nível ou estágio, mesmo no adulto, exista um</p><p>comportamento que seja exclusivamente cognitivo ou afetivo, sendo, portanto dois aspectos</p><p>indissociáveis. (PIAGET, 1994 apud MACEDO, 2009, p. 180).</p><p>Para o autor, afetividade são os sentimentos, de modo especí�co, as emoções e as inúmeras</p><p>tendências na qual pode ser incluída à vontade, pois a concebe como uma regulação de</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>sentimentos elementares. A�rma que as funções cognitivas e afetivas, são de natureza diferente</p><p>e destaca que</p><p>[...] as funções cognitivas corresponderiam às percepções, à inteligência prática ou sensório-</p><p>motora indo até a inteligência abstrata, característica das operações formais. As funções</p><p>afetivas implicariam o interesse, que pode ser intrínseco ou extrínseco, e a necessidade.</p><p>Qualquer que seja a atividade, desde a mais simples até a mais complexa, nela intervêm as duas</p><p>funções, não existindo nenhum mecanismo cognitivo sem elementos afetivos. (PIAGET, 1994</p><p>apud MACEDO, 2009, p. 181).</p><p>A partir dos exemplos e das contribuições dos autores, é mensurável que ensinar formas de</p><p>convivência e mediar as relações e as experiências faz parte da aprendizagem socioemocional.</p><p>O contexto diário e presente na escola são as brincadeiras, e, neste, os aspectos</p><p>socioemocionais estão ainda mais presentes. Decidir a brincadeira, negociar as estratégias,</p><p>de�nir os critérios, gerenciar os con�itos, gerenciar as emoções são momentos claros do</p><p>desenvolvimento das competências socioemocionais.</p><p>Siga em Frente...</p><p>De�nições do processo de aprender</p><p>Estudante, considere a problemática levantada por Macedo e Bressan (2017, p. 12) “[...] se o</p><p>problema da escola de ontem era o de ensinar, o da atual é o aprender em seu duplo sentido:</p><p>cognitivo (aprender conceitos e operações) e socioemocional (aprender a conviver em um</p><p>contexto institucional com regras e limites comportamentais). Se é assim [...] o que</p><p>OS JOGOS COMPETITIVOS E COOPERATIVOS</p><p>Os jogos sempre oferecem oportunidades de aprendizagem, seja no lazer, na brincadeira ou em</p><p>competições. Muitas vezes, ao despertar o prazer de jogar, eles eliminam a ideia de perdedores.</p><p>É por isso que os jogos cooperativos são excelentes para crianças e adolescentes, pois não são</p><p>competitivos e são extremamente desa�adores.</p><p>Os jogos cooperativos têm a capacidade de integrar todos sem que ninguém se sinta</p><p>discriminado, priorizando a cooperação em vez da competição pela vitória. Essa abordagem</p><p>transformadora dos jogos cooperativos pode contribuir signi�cativamente para uma mudança</p><p>cultural:</p><p>Podemos escolher um jogo, em que o conforto, a separação, a descon�ança, a rivalidade e a</p><p>exclusão estão presentes. Ou temos uma nova escolha a fazer, em que predominam a con�ança</p><p>mútua, a descontração, a solidariedade, a cooperação, a vitória compartilhada e a vontade de</p><p>continuar jogando para ganhar com o outro (SOLLER, 1999, p. 25 apud FINCK et.al. 2012, p. 102).</p><p>Soller (2003) apud Romão e Brito (2019) enfatiza que os jogos cooperativos são adequados</p><p>tanto para o ambiente escolar quanto para atividades extracurriculares, promovendo aspectos de</p><p>colaboração. A escola se destaca como o cenário ideal para essas práticas, pois é onde ocorre a</p><p>aprendizagem e a integração social entre diferentes culturas e classes sociais.</p><p>Brotto (2021) apud Romão e Brito (2019) argumenta que um dos principais propósitos dos jogos</p><p>cooperativos é estabelecer um ambiente onde as diferenças são integradas harmoniosamente,</p><p>superando o individualismo. Por essa razão, os jogos desempenham um papel crucial no</p><p>desenvolvimento social e psicossocial dos alunos, in�uenciando suas interações além dos</p><p>limites escolares, alcançando diferentes esferas da sociedade, como círculos de amizades,</p><p>ambiente familiar e, futuramente, no local de trabalho.</p><p>Contudo, estudante, não se pode negligenciar um ponto crucial: enquanto nos jogos cooperativos</p><p>há competição, nos jogos competitivos também existe cooperação. Segundo Barata (2004), a</p><p>competição representa um processo de interação social com metas especí�cas e ações isoladas</p><p>que bene�ciam apenas alguns indivíduos, ou seja, é uma dinâmica mais individualizada onde</p><p>sempre há um perdedor (ROMÃO; BRITO, 2019).</p><p>Brotto (2001) diferencia os dois jogos da seguinte maneira: na competição, um dos jogadores</p><p>atinge os seus objetivos e ao mesmo tempo impossibilita que o outro alcance os seus. É criada a</p><p>ideia de que o jogo competitivo excluiu os menos habilidosos e automaticamente bene�cia os</p><p>que mais se destacam. Por isso, a competição torna os indivíduos mais hostis uns aos outros,</p><p>caracterizando-o como oponentes (ROMÃO; BRITO, 2019, p. 103).</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>A distinção entre os jogos cooperativos e competitivos não é absoluta; ocasionalmente, as</p><p>características dessas duas formas de jogar se entrelaçam. Abaixo, uma síntese das</p><p>divergências e convergências entre elas.</p><p>Situação cooperativa Situação competitiva</p><p>Percebem que o atingimento de seus</p><p>objetivos é, em parte, consequência da</p><p>ação dos outros membros.</p><p>Percebem que o atingimento de seus</p><p>objetivos é incompatível com a obtenção</p><p>dos objetivos dos demais.</p><p>São mais sensíveis às solicitações dos</p><p>outros.</p><p>São menos sensíveis às solicitações dos</p><p>outros.</p><p>Ajudam-se mutuamente com frequência. Ajudam-se mutualmente com menor</p><p>frequência.</p><p>Há maior homogeneidade na quantidade</p><p>de contribuições e participações.</p><p>A menor homogeneidade na quantidade</p><p>de contribuições e participações.</p><p>A produtividade em termos qualitativos é</p><p>maior.</p><p>A produtividade em termos qualitativos é</p><p>menor.</p><p>A especialização de atividades é maior. A especialização de atividades é menor.</p><p>Fonte: (ROMÃO; BRITO, 2019, p. 104).</p><p>Siga em Frente...</p><p>O Jogo, os valores e as habilidades sociais</p><p>Para enfrentar os desa�os atuais, as crianças necessitam aprimorar um conjunto variado de</p><p>habilidades sociais. A competência social é vista como um indicador crucial para o ajuste</p><p>psicossocial e para perspectivas positivas de desenvolvimento, ao passo que di�culdades</p><p>sociais podem indicar sintomas ou correlacionar-se com problemas psicológicos.</p><p>Prette e Prette (2013) comentam que a felicidade da criança frequentemente é associada à ideia</p><p>de ausência de problemas ou à presença de conforto material e diversão. Embora esses</p><p>elementos sejam relevantes, é crucial reconhecer que seu bem-estar pode ser signi�cativamente</p><p>enriquecido pela qualidade dos relacionamentos em diversos contextos. Mesmo diante dos</p><p>desa�os da vida, a criança pode experimentar maior felicidade ao vivenciar interações positivas</p><p>onde se sinta compreendida e amada.</p><p>Orlick (1990) a�rma que ‘jogar é o meio ideal para uma aprendizagem social positiva, pois é</p><p>natural, ativo e muito motivador para a maior parte das crianças. As brincadeiras envolvem de</p><p>modo constante as pessoas nos processos de ação, reação, sensação e experimentação. Mas,</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>se alguém deturpa o jogo das crianças, premiando a disputa excessiva, a agressão física, as</p><p>trapaças e o jogo sujo, estará deturpando a vida das crianças (MURCIA, 2008, p. 46).</p><p>Um repertório bem desenvolvido de habilidades sociais é fundamental para estabelecer relações</p><p>positivas com colegas e adultos na infância. Habilidades como comunicação e�caz,</p><p>expressividade e desenvoltura social não apenas facilitam a formação de amizades e o ganho de</p><p>respeito dentro de grupos, mas também contribuem para um ambiente cotidiano mais</p><p>harmonioso. Estudos destacam que crianças com competência social desenvolvida tendem a</p><p>apresentar melhores resultados acadêmicos, maior responsabilidade, independência e</p><p>capacidade de cooperação, re�etindo um funcionamento adaptativo mais positivo.</p><p>Jogar ou brincar resulta útil no crescimento da personalidade infantil, porque, em seu contexto,</p><p>se tomam decisões, abordam situações problemáticas e se elaboram estratégias de ação frente</p><p>a elas. A primeira é representação-reconstrução dos de dentro e dos de fora do grupo e obriga os</p><p>participantes a procurarem soluções em função dos interesses do grupo. Todos têm de entrar</p><p>em acordo com outras pessoas que experimentam e re�etem diversas formas de relação</p><p>emotiva, percepção e valorização das situações  (MURCIA, 2008, p. 47).</p><p>Para considerar o futuro, é crucial notar que a competência social na infância é reconhecida</p><p>como um fator protetivo essencial para um desenvolvimento satisfatório. Isso se deve à sua</p><p>capacidade de fortalecer a habilidade de a criança em lidar com uma variedade de situações</p><p>desa�adoras e estressantes. Essa capacidade se manifesta através de um maior senso de</p><p>humor, empatia, habilidades de comunicação, resolução de problemas, autonomia e</p><p>comportamentos focados em alcançar metas previamente estabelecidas.</p><p>Brincar facilita a adaptação social, pois ao representar diferentes personagens, a criança explora</p><p>e compreende as experiências e perspectivas dos outros. Nas atividades simbólicas, ela assume</p><p>o papel de outra pessoa, adotando suas visões e sentimentos, o que é essencial para</p><p>desenvolver a capacidade de cooperação. Além disso, Murcia (2008, p. 48) expõe que:</p><p>Por meio do jogar, as crianças vivem situações diversas que envolvem sentimentos, atitudes e</p><p>comportamentos. [...] aprendem a cooperar, a participar, a competir, a serem aceitas ou</p><p>rechaçadas, a constatar a imagem que os outros têm delas, a expressar a imagem que elas</p><p>fazem dos outros (MURCIA, 2008, p. 48)</p><p>Vamos Exercitar?</p><p>Estudante, vamos retomar a problemática do início da aula? Como a escola pode promover uma</p><p>maior inclusão e desenvolver habilidades sociais por meio da introdução de mais jogos</p><p>cooperativos, equilibrando assim as modalidades competitivas e cooperativas para bene�ciar</p><p>todos os alunos?</p><p>Para promover uma maior inclusão e desenvolver habilidades sociais por meio da introdução de</p><p>mais jogos cooperativos, a escola pode adotar as seguintes estratégias:</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Diversi�cação das atividades: introduzir uma variedade</p><p>de jogos cooperativos que enfatizem a</p><p>colaboração, a comunicação e o trabalho em equipe, complementando as atividades esportivas</p><p>competitivas existentes.</p><p>Treinamento e orientação: oferecer treinamento aos professores e orientadores sobre os</p><p>princípios e benefícios dos jogos cooperativos, destacando como esses jogos podem promover</p><p>a inclusão e o desenvolvimento socioemocional dos alunos.</p><p>Incentivo à participação ativa: encorajar a participação ativa de todos os alunos,</p><p>independentemente de suas habilidades individuais, criando um ambiente onde a cooperação</p><p>seja valorizada tanto quanto a competição.</p><p>Integração no currículo: integrar os jogos cooperativos no currículo escolar de forma sistemática,</p><p>envolvendo todas as disciplinas, como modo de reforçar valores de colaboração e respeito</p><p>mútuo.</p><p>Monitoramento e avaliação: estabelecer mecanismos para monitorar o impacto dos jogos</p><p>cooperativos no ambiente escolar, avaliando não apenas o desempenho físico dos alunos, mas</p><p>também sua capacidade de trabalhar em equipe e resolver con�itos de forma construtiva.</p><p>Inclusão de todos os alunos: garantir que os jogos cooperativos sejam adaptados para incluir</p><p>alunos com necessidades especiais, promovendo um ambiente verdadeiramente inclusivo e</p><p>acolhedor para todos.</p><p>Promoção de valores: utilizar os jogos cooperativos como uma oportunidade para ensinar e</p><p>reforçar valores como empatia, solidariedade, respeito às diferenças e aceitação, contribuindo</p><p>para o desenvolvimento integral dos alunos.</p><p>Ao equilibrar as modalidades competitivas e cooperativas, a escola pode criar um ambiente mais</p><p>rico e diversi�cado, onde todos os alunos têm a oportunidade de aprender e crescer, não apenas</p><p>academicamente, mas também socialmente e emocionalmente.</p><p>Saiba mais</p><p>Na obra denominada Homo Ludens, Huizinga (2000) apresenta o jogo como um fenômeno</p><p>cultural. Assim, o considera uma con�guração própria de atividade, entendendo as suas</p><p>manifestações culturais em relação com o ritual, o culto, a dança, a competição e a arte. Para o</p><p>autor, essas expressões são marcadas pelo jogo e pertencentes às relações sociais e culturais.</p><p>Ele a�rma que a constituição do jogo é mais antiga do que a própria cultura, ou seja, está</p><p>presente na gênese da cultura humana. No link a seguir, você encontra um artigo sobre o jogo</p><p>protagonizado. Nele, se busca compreender o papel do jogo protagonizado no desenvolvimento</p><p>da criança e a sua relação com a organização do ensino na infância.</p><p>https://www.scielo.br/j/pee/a/gYnJQxRNNNmg7y8zXDn8wPS/?format=pdf&lang=pt</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Referências</p><p>BEMVENUTI, Abel. et al. O lúdico na prática pedagógica. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2012. E-</p><p>book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 21 jun. 2024.</p><p>CORREIA, Marcos Miranda. Trabalhando com jogos cooperativos: em busca de novos</p><p>paradigmas na educação física. 1. ed. Campinas: Papirus, 2013. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 18 jun. 2024.</p><p>FINCK, Silvia C. M. (org.); MARINHO, Herminia R. B.; MATOS JUNIOR, Moacir Á. Pedagogia do</p><p>movimento: universo lúdico e psicomotricidade. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2012. E-book.</p><p>Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 21 jun. 2024.</p><p>GARCIA, M. S. S. Aprendizagem signi�cativa e colaborativa. 1. ed. São Paulo: Contentus, 2020. E-</p><p>book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 21 jun. 2024.</p><p>LORO, Alexandre Paulo. Jogos e brincadeiras: pluralidades interventivas. 2. ed. Curitiba:</p><p>Intersaberes, 2023. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 21 jun.</p><p>2024.</p><p>MURCIA, Juan Antonio. M. Aprendizagem através do jogo. Porto Alegre: Grupo A, 2008. E-book.</p><p>ISBN 9788536314013. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536314013/. Acesso em: 21 jun. 2024.</p><p>PINES JUNIOR, Alípio R.; SILVA, Tiago A. C. Brincar, jogar e aprender. 1. ed. São Paulo: Vozes,</p><p>2020. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 21 jun. 2024.</p><p>PRETTE, Zilda A. D.; PRETTE, Almir D. Psicologia das habilidades sociais na infância. 6. ed. São</p><p>Paulo: Vozes, 2013. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 21 jun.</p><p>2024.</p><p>ROMÃO, Mariluce F.; BRITO, Bonine J G. Dimensões do jogo. Porto Alegre: Grupo A, 2019. E-book.</p><p>ISBN 9788595027220. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595027220/. Acesso em: 21 jun. 2024.</p><p>Aula 3</p><p>Análise e Proposição de Jogos Competitivos e Cooperativos</p><p>Análise e proposições de jogos competitivos e cooperativos</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536314013/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595027220/</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Este conteúdo é um vídeo!</p><p>Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo</p><p>computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo</p><p>para assistir mesmo sem conexão à internet.</p><p>Dica para você</p><p>Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua</p><p>aprendizagem ainda mais completa.</p><p>Olá, estudante! Nesta videoaula, vamos re�etir sobre uma prática que valorize os</p><p>questionamentos e a autonomia, entendendo as contribuições e desa�os presentes nos jogos</p><p>competitivos e cooperativos.</p><p>Esse conteúdo é muito importante para que você analise a formação do educador e entenda os</p><p>desa�os presentes na prática, repensando estratégias que auxiliem na compreensão, aplicação e</p><p>criação de um ambiente de aprendizagem que seja ativo e interativo.</p><p>Prepare-se para essa imersão! Vamos lá!</p><p>Ponto de Partida</p><p>Repensar a prática pedagógica sob a ótica de Piaget exige uma reavaliação do papel do</p><p>professor e sua formação, enfatizando a importância de criar ambientes de aprendizado que</p><p>promovam a autonomia e o pensamento crítico dos alunos. Nesse contexto, a integração de</p><p>jogos competitivos e cooperativos emerge como uma ferramenta valiosa, facilitando a</p><p>construção do conhecimento de forma lúdica e interativa. Essa abordagem não apenas estimula</p><p>habilidades cognitivas, mas também favorece o desenvolvimento socioemocional, preparando os</p><p>alunos para os desa�os do mundo contemporâneo.</p><p>Como pode a prática pedagógica ser transformada para alinhar-se com a perspectiva Piagetiana,</p><p>considerando o papel fundamental do professor e sua formação, ao mesmo tempo em que</p><p>integra de forma equilibrada jogos competitivos e cooperativos para fomentar tanto o</p><p>desenvolvimento cognitivo quanto socioemocional dos alunos?</p><p>Vamos Começar!</p><p>Análise e Proposição de Jogos Competitivos e Cooperativos</p><p>A análise e proposição dos jogos competitivos e cooperativos revela importantes insights sobre</p><p>suas in�uências no desenvolvimento infantil. Enquanto os jogos competitivos promovem</p><p>habilidades individuais e estratégias de superação, os jogos cooperativos enfatizam a</p><p>colaboração e a inclusão. Entender as características de cada tipo de jogo e suas diferenças é</p><p>essencial para educadores que buscam equilibrar competição e cooperação nas atividades</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>lúdicas. Esse equilíbrio não só enriquece o aprendizado, mas também fortalece valores e</p><p>habilidades sociais fundamentais para a formação integral das crianças.</p><p>Repensandso a Prática em uma Perspectiva Piagetiana</p><p>Pensamos que para contribuir com o processo de ensino aprendizagem seria necessário criar</p><p>uma fórmula que acabasse com o desinteresse, com a falta de concentração, a indisciplina e as</p><p>di�culdades de aprendizagens. Contudo, para Macedo, Petty e Passos (2020), o mais</p><p>signi�cativo é valorizar o que tem sido possível, nos dando condições de descobrir estratégias</p><p>que possam modi�car a atuação, formas de agir com os nossos próprios meios atuando com</p><p>criatividade e responsabilidade, desvendando conexões</p><p>interessantes que liguem a</p><p>aprendizagem à realidade. Essa perspectiva tem efeito multiplicador para garantir autonomia de</p><p>pensamento e promover condições para que o aluno interprete um texto, faça uma conta, uma</p><p>propriedade que, um dia adquirida, tem feito irreversível. Mas o que você está tentando explicar,</p><p>professora?</p><p>A escola não deve focar exclusivamente na transmissão de uma vasta quantidade de</p><p>informações de forma acumulativa. Isso não só requer uma memória excepcional para a</p><p>retenção, mas também é desnecessário, considerando que computadores e livros já fornecem</p><p>acesso contínuo e atualizado às informações. O papel da escola é, portanto, muito mais amplo e</p><p>dinâmico, concorda? Isto posto, entendemos que as tarefas escolares poderiam voltar-se em</p><p>maior proporção para aspectos relativos e que valorizassem a curiosidade, a pesquisa,</p><p>desencadeassem soluções-problemas e ampliassem a capacidade de concentração, tornando o</p><p>ambiente de aprendente favorável para a aprendizagem, independentemente do conteúdo que</p><p>está sendo trabalhado.</p><p>Em síntese, esses aspectos, uma vez garantidos, implicam abertura para uma nova relação com</p><p>os conteúdos escolares mais especí�cos. Essa base torna o aluno disponível à aprendizagem e</p><p>trabalhar desconsiderando sua importância é iludir-se com a ideia de missão cumprida.</p><p>(MACEDO; PETTY; PASSOS, 2020, p. 29).</p><p>No livro Para onde vai a educação, Jean Piaget (1988) discute a ideia de analisarmos a prática</p><p>dos professores e pro�ssionais da educação, tratando principalmente do objetivo e da atuação</p><p>pedagógica. Vale ressaltar que a concepção é bastante atual e as críticas ao sistema</p><p>educacional continuam persistentes. De forma geral, a concepção piagetiana considera o</p><p>desenvolvimento como processo contínuo, dependente da ação do sujeito e da sua interação</p><p>com os objetos.</p><p>Se o objetivo principal da educação é promover o desenvolvimento do indivíduo, ela deve ser</p><p>vista como um processo que valoriza e facilita o crescimento pessoal, proporcionando as</p><p>condições necessárias para que isso ocorra. Em relação às críticas ao sistema educacional,</p><p>podemos destacar duas principais. Primeiro, Piaget sugere uma revisão dos métodos e das</p><p>atitudes pedagógicas, enfatizando a importância da formação pro�ssional como condição para</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>uma mudança mais profunda e genuína. Em segundo lugar, ele propõe modi�car o valor dado à</p><p>avaliação, priorizando seu caráter qualitativo em vez do quantitativo.</p><p>Você pode estar pensando, “tudo bem, professora, mas o que tudo isso tem a ver com o brincar e</p><p>a psicopedagogia?” Veja, estudante, estamos considerando o valor do lúdico na aprendizagem.</p><p>Será que ele tem sido valorizado na prática? O que tem promovido o fracasso escolar? O que</p><p>pode desencadear ainda mais di�culdades de aprendizagens? Como você pode atuar com um</p><p>olhar e uma perspectiva diferentes que valorizem uma prática mais assertiva e efetiva? Por isso</p><p>estamos nesta discussão. Venha comigo!</p><p>Os autores comentam que Piaget reforça a importância da comunicação e troca constante entre</p><p>professores de diferentes disciplinas, ressaltando que a criança é uma unidade integrada. Se um</p><p>aluno aprende línguas ou história, não há razão para ter di�culdades em matemática, por</p><p>exemplo. Esse fenômeno, comum nas escolas, deve ocupar um lugar importante na avaliação do</p><p>desempenho infantil. Para Piaget, a interdisciplinaridade é essencial; se os professores de</p><p>diferentes matérias colaborassem mais, o processo de aprendizagem de cada aluno seria melhor</p><p>compreendido. Ele argumenta que não existem crianças permanentemente desinteressadas e</p><p>sem curiosidade, mas sim crianças que perdem o interesse pelas matérias ou pelas propostas</p><p>escolares. Se isso ocorre com frequência, devemos investigar se o ensino isolado das disciplinas</p><p>não é uma das causas. Piaget propõe uma metodologia de ensino que considere o aluno como</p><p>um ser pensante, que aprende construindo signi�cados. Aponta a importância de serem</p><p>repensadas as formas de serem ministradas os componentes curriculares e de conhecer as</p><p>características do desenvolvimento para que a promoção de situações de aprendizagem possa</p><p>ser compreendida com extensão e profundidade.</p><p>Observe com olhar psicopedagógico as perspectivas de Macedo, Petty e Passos (2020) sobre as</p><p>formas de atuação que Piaget sugere para o âmbito escolar:</p><p>Método ativo: compreender é inventar o reconstruir através da invenção, e será preciso</p><p>curvar-se ante tais necessidades se o que se pretende, para o futuro, é moldar indivíduos</p><p>capazes de produzir ou de criar, e não apenas de repetir. Sejam ativos com uma</p><p>participação cada vez maior às iniciativas e aos esforços espontâneos do aluno – os</p><p>resultados serão signi�cativos. A escola ativa pressupõe uma comunidade de trabalho,</p><p>com alternâncias entre o trabalho individual e o trabalho de grupo, porque a vida coletiva</p><p>revelou-se indispensável ao desenvolvimento da personalidade, mesmo sob seus aspectos</p><p>mais intelectuais, levando ao trabalho em equipe.</p><p>Trabalho em equipe: ponto central, o aspecto cada vez mais interdisciplinar que assume</p><p>necessariamente a pesquisa em todos os domínios. Mesmo atualmente, os futuros</p><p>pesquisadores continuam sendo muito mal preparados nesse participar devido a</p><p>ensinamentos que visam à especialização e resultam, com efeito, na fragmentação, por não</p><p>se compreender que todo aprofundamento especializado leva, pelo contrário, ao encontro</p><p>de múltiplas interconexões.</p><p>Autogoverno: falar à criança na sua linguagem, antes de lhe impor uma outra já pronta e por</p><p>demais abstrata e, sobretudo, levar a criança a reinventar aquilo de que é capaz, ao invés de</p><p>se limitar a ouvir e repetir.  Todo aluno normal é capaz de um bom raciocínio matemático</p><p>desde que se apele para a sua atividade e se consiga, assim, remover as inibições afetivas</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>que lhe conferem com bastante frequência um sentimento de inferioridade nas aulas que</p><p>versam sobre essa matéria. Nem a autoridade do professor nem as melhores lições que ele</p><p>possa dar sobre um assunto serão o bastante para determinar essas relações intensas,</p><p>fundamentadas ao mesmo tempo na autonomia e na reciprocidade. Unicamente a vida</p><p>social entre os próprios alunos, isto é, um autogoverno poderá conduzir esse duplo</p><p>desenvolvimento de personalidade donas de si mesmas e de seu respeito mútuo (MACEDO;</p><p>PETTY; PASSOS, 2020, p. 34-36).</p><p>Esses aspectos podem ser abordados em sala de aula se o professor valorizar a participação</p><p>ativa dos alunos, permitindo-lhes exercitar suas habilidades mentais por meio de</p><p>questionamentos, pesquisas, criação e veri�cação de hipóteses. Em vez de apenas receberem</p><p>informações prontas, os alunos devem ter a oportunidade de pensar criticamente e contribuir</p><p>ativamente para o processo de conhecimento.</p><p>O Papel do Professor e sua Formação</p><p>Piaget destaca a importância fundamental do professor na sala de aula, mas sugere uma</p><p>reavaliação de suas atitudes. Ele propõe que o professor deve estimular o aluno a pensar</p><p>criticamente e criar situações-problema, oferecendo mais oportunidades para a descoberta e</p><p>construção de suas próprias ideias sobre o mundo, em vez de simplesmente fornecer</p><p>informações prontas. Entendendo que o professor é aquele que domina a disciplina, poderia</p><p>ajudar encaminhar, então, as discussões e estabelecer as relações mais amplas e</p><p>interdisciplinares, desa�ando o aluno a discutir sobre relatividade e constatações que fossem</p><p>muito mais absolutas, propondo situações de ação, participação, interdependência e</p><p>reciprocidade.</p><p>Para Macedo, Petty e Passos (2020) ainda pela perspectiva de Piaget (1988):</p><p>O educador continua indispensável para criar as situações e armar os dispositivos iniciais</p><p>capazes de suscitar problemas úteis à criança, e para organizar, em seguida,</p><p>contraexemplos que levem à re�exão e obriguem ao controle das soluções demasiado</p><p>apressadas.</p><p>O que se deseja é que o professor deixe de ser apenas um conferencista e que estimule a</p><p>pesquisa e o esforço, ao invés de se contentar com a transmissão de soluções</p><p>já prontas.</p><p>Do ponto de vista pedagógico, é evidente que a educação deve orientar-se para uma</p><p>redução geral de barreiras ou para abertura de múltiplas portas laterais, a �m de possibilitar</p><p>aos alunos a livre transferência de uma seção para outra, com possibilidade de escolha</p><p>para múltiplas combinações. Mas também será necessário, neste caso, que o espírito dos</p><p>mestres se torne cada vez menos bitolado, sendo, às vezes, mais difícil obter do mestre</p><p>essa descentralização do que do cérebro dos estudantes.</p><p>Nada é mais difícil para os adultos do que saber apelar para a atividade real espontânea de</p><p>criança e do adolescente; no entanto, somente essa atividade, orientada e incessantemente</p><p>estimulada pelo professor, mas permanecer no livro nas experiências, tentativas e até erros,</p><p>pode conduzir autonomia intelectual.</p><p>Piaget considera a atuação do professor como indispensável, na medida em que deve ter</p><p>um papel ativo no processo de aquisição do conhecimento de seus alunos, ajudando os a</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>construírem organizar suas ideias, ampliando-lhes o olhar sempre que possível,</p><p>estimulando a pesquisa e a ação intencional.</p><p>O papel do professor é fundamental em sala de aula. É preciso lembrar que ele tem</p><p>in�uência decisiva sobre o desenvolvimento do aluno, e suas atitudes vão interferir</p><p>fortemente na relação que ele irá estabelecer com o conhecimento. O professor é quem dá</p><p>“tom” do desa�o proposto, ele deve ser o líder da situação, saber gerenciar o que acontece,</p><p>tornando o meio o mais favorável possível, desencadeando re�exões e descobertas</p><p>(MACEDO; PETTY; PASSOS, 2020, p. 38-39).</p><p>E como você, enquanto psicopedagogo, pode colaborar para essa formação e essa percepção? O</p><p>resultado é a formação do professor! Essa proposta implica ter pro�ssionais preparados, que</p><p>atuem com pleno domínio dos componentes a serem ministrados e conscientes do papel</p><p>imprescindível que eles têm no processo educativo. É indispensável que os pro�ssionais ligados</p><p>à educação compreendam as características do desenvolvimento dos estudantes naquilo que se</p><p>pode esperar e aonde é possível chegar. Além disso, ter uma relação de proximidade com o</p><p>estudante constrói uma con�ança recíproca e favorece a conquista da autonomia, contribuindo</p><p>de forma signi�cativa para a formação integral.</p><p>Siga em Frente...</p><p>PROPOSIÇÕES DE JOGOS COMPETITIVOS E COOPERATIVOS</p><p>Pianezzer (2023) vai nos ajudar a pensar possibilidades de jogos estritamente competitivos.</p><p>Pense na seguinte situação: as únicas empresas distribuidoras de pasta de dente de uma cidade</p><p>estão disputando o mercado local. Como todos os habitantes consomem pelo menos uma das</p><p>duas marcas, o aumento da participação de uma delas implica diretamente na redução da</p><p>participação da outra. Esse tipo de jogo é conhecido como estritamente competitivo. Vamos</p><p>tornar essa visão mais pedagógica e psicopedagógica.</p><p>Considerando esse per�l de jogo, um jogador quer exatamente o que o outro não quer, ou vice-</p><p>versa. Sendo assim, a estratégia adquirida por um jogador busca maximizar sua recompensa, e</p><p>essa versão equivalente minimiza a recompensa do outro. Imagine um jogo de xadrez, que é um</p><p>exemplo clássico de jogo estritamente competitivo. Em uma partida de xadrez, cada jogador tem</p><p>como objetivo vencer o outro, capturando o rei adversário. As estratégias de cada jogador são</p><p>desenvolvidas para maximizar suas próprias vantagens e minimizar as do oponente. Quando um</p><p>jogador realiza um movimento estratégico, como capturar uma peça valiosa do adversário, está</p><p>simultaneamente maximizando sua recompensa e diminuindo as chances de vitória do</p><p>oponente. Nesse per�l de jogo, o sucesso de um jogador depende diretamente do fracasso do</p><p>outro, exempli�cando a natureza competitiva e a oposição de interesses entre os participantes.</p><p>Segundo os autores, uma das consequências dessa estratégia é que, independentemente das</p><p>táticas adotadas por cada jogador, nunca haverá uma combinação de movimentos que bene�cie</p><p>ambos simultaneamente. Por essa razão, esses modelos são comumente aplicados em</p><p>mercados extremamente competitivos ou em cenários de guerra.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Essas situações que apresentam a característica que as artes envolvidas (os jogadores)</p><p>possuem interesses que são totalmente opostos, que seja, são irreconciliáveis. Essa interação</p><p>estratégica, con�ito irreconciliável, é denominada de jogo estritamente competitivo. (SANTOS,</p><p>2016, apud MACEDO; PRETTY; PASSOS, 2020, p. 156).</p><p>A introdução dos jogos cooperativos no Brasil, promovida principalmente pelo professor Fábio</p><p>Otuzi Brotto, é destacada em sua obra Jogos cooperativos: se o importante é competir, o</p><p>fundamental é cooperar" (Brotto, 1997). Brotto se apoia em autores como Terry Orlick e Jim</p><p>Deacove, fundamentando-se na psicologia social. Em seus estudos, ele explora não apenas a</p><p>competição e a cooperação, mas também valores como respeito mútuo, criatividade, liberdade e</p><p>con�ança. Seu enfoque principal é a colaboração para superar desa�os coletivos. (MAFFEI,</p><p>2019).</p><p>A abordagem dos jogos cooperativos busca ressigni�car ambientes e relações sociais,</p><p>transformando o foco competitivo que visa vitórias e conquistas pessoais. Essa proposta</p><p>oferece atividades cooperativas que promovem a convivência e a colaboração entre as pessoas.</p><p>As atividades são projetadas para incentivar a cooperação em vez da competição, e podem ser</p><p>aplicadas a crianças, jovens e adultos em diversos contextos sociais, como escolas, empresas,</p><p>famílias e comunidades. Elas envolvem a superação de desa�os coletivos, em que todos</p><p>ganham, pois os participantes jogam juntos, e não uns contra os outros. A proposta é baseada na</p><p>ideia de que superar desa�os coletivos requer a união das forças individuais em um esforço</p><p>cooperativo.</p><p>No contexto escolar, o professor assumiria o papel de facilitador da aprendizagem e mediador</p><p>das construções coletivas. A responsabilidade dos alunos seria resolver con�itos e unir forças de</p><p>maneira cooperativa para superar os desa�os em conjunto. Contudo, Maffei (2019) esclarece que</p><p>a proposta de Brotto (1997) não foi especi�camente desenvolvida para o ambiente escolar.</p><p>Assim, diversos pesquisadores que analisaram suas proposições teórico-metodológicas não a</p><p>classi�cam como tal, argumentando que se trata mais de uma estratégia para abordagem dos</p><p>jogos. Mesmo assim, a introdução de jogos cooperativos oferece valiosas re�exões sobre a</p><p>prática pedagógica.</p><p>Vamos Exercitar?</p><p>Estudante, vamos relembrar a problemática posta no início da aula? Como transformar a prática</p><p>pedagógica, valorizando o papel essencial do professor e sua formação, enquanto incorpora</p><p>jogos competitivos e cooperativos de maneira equilibrada para promover o desenvolvimento</p><p>integral, tanto cognitivo quanto socioemocional, dos estudantes?</p><p>Para abordar essa problemática, é essencial, como psicopedagogo, implementar uma série de</p><p>estratégias:</p><p>Formação continuada dos professores: promover programas de formação continuada que</p><p>capacitem os professores na compreensão e aplicação dos princípios Piagetianos. Isso inclui o</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>desenvolvimento de habilidades para criar um ambiente de aprendizagem onde os alunos</p><p>possam construir conhecimento ativamente por meio da exploração e interação.</p><p>Integração de jogos competitivos e cooperativos: equilibrar o uso de jogos competitivos e</p><p>cooperativos na sala de aula. Os jogos competitivos podem ser utilizados para desenvolver</p><p>habilidades individuais e promover o senso de conquista, enquanto os jogos cooperativos podem</p><p>ser empregados para fortalecer habilidades sociais, empatia e trabalho em equipe.</p><p>Desenvolvimento de metodologias ativas: adotar metodologias ativas que incentivem os alunos a</p><p>serem participantes ativos no processo de aprendizagem. Isso pode incluir a utilização de</p><p>projetos, problemas e desa�os que requerem a aplicação prática dos conceitos aprendidos.</p><p>Ambiente de aprendizagem inclusivo: criar um ambiente de aprendizagem que valorize a</p><p>diversidade e a inclusão, onde todos os alunos</p><p>se sintam seguros para expressar suas ideias e</p><p>colaborar uns com os outros. Isso pode ser alcançado por meio de atividades que incentivem a</p><p>cooperação e o respeito mútuo.</p><p>Avaliação qualitativa: mudar o foco das avaliações para um caráter mais qualitativo,</p><p>considerando o progresso individual de cada aluno e suas habilidades socioemocionais, além do</p><p>desempenho acadêmico. Isso permitirá uma compreensão mais holística do desenvolvimento do</p><p>aluno.</p><p>Fomento à re�exão e crítica: estimular a re�exão e o pensamento crítico nos alunos, permitindo</p><p>que eles questionem, investiguem e construam conhecimento de forma autônoma. Isso pode ser</p><p>feito por meio de debates, discussões e atividades que incentivem a análise crítica.</p><p>Ao implementar essas estratégias, a prática pedagógica pode ser alinhada valorizando o papel</p><p>do professor como facilitador e mediador, e utilizando jogos competitivos e cooperativos de</p><p>maneira equilibrada para promover o desenvolvimento integral dos alunos.</p><p>Saiba mais</p><p>Para informações sobre os jogos competitivos em diferentes tempos e civilizações, e</p><p>cooperativos em relação aos grupos sociais, sugiro o capítulo 3 e 4 (páginas 39 à 68) da</p><p>produção Jogos cooperativos e jogos competitivos: manifestações de suas caraterísticas em um</p><p>ambiente educativo.</p><p>Disponível em:</p><p>https://iepapp.unimep.br/biblioteca_digital/pdfs/docs/04042018_155233_simonecastrodossant</p><p>os_ok.pdf. Acesso em: 23 jun. 2024.</p><p>Referências</p><p>https://iepapp.unimep.br/biblioteca_digital/pdfs/docs/04042018_155233_simonecastrodossantos_ok.pdf</p><p>https://iepapp.unimep.br/biblioteca_digital/pdfs/docs/04042018_155233_simonecastrodossantos_ok.pdf</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>CORREIA, Marcos Miranda. Trabalhando com jogos cooperativos: em busca de novos</p><p>paradigmas na educação física. 1. ed. Campinas: Papirus, 2013. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 18 jun. 2024.</p><p>FREIRE, João Batista; SILVA, Pierre N. Gomes da. A graça do jogo. 1. ed. Campinas, SP: Autores</p><p>Associados, 2023. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 23 jun.</p><p>2024.</p><p>LORO, Alexandre Paulo. Jogos e brincadeiras: pluralidades interventivas. 2. ed. Curitiba:</p><p>Intersaberes, 2023. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 23 jun.</p><p>2024.</p><p>MACEDO, Lino de; PETTY, Ana Lúcia S.; PASSOS, Norimar C. Aprender com jogos e situações-</p><p>problema. [Digite o Local da Editora]: Grupo A, 2000. E-book. ISBN 9788536310787. Disponível</p><p>em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536310787/. Acesso em: 23 jun.</p><p>2024.</p><p>MAFFEI, Willer Soares. Proposições teórico-metodológicas e práticas pedagógicas da educação</p><p>física. 1. ed. Curitiba, PR: Intersaberes, 2019. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 18 jun. 2024.</p><p>MURCIA, Juan Antonio. M. Aprendizagem através do jogo. Porto Alegre: Grupo A, 2008. E-book.</p><p>ISBN 9788536314013. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536314013/. Acesso em: 21 jun. 2024.</p><p>PIANEZZER, Guilherme Augusto. Teoria dos jogos: conceitos e aplicações. Curitiba, PR:</p><p>Intersaberes, 2023. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 23 jun.</p><p>2024.</p><p>Aula 4</p><p>Análise para Classi�cação dos Jogos</p><p>Análise para a classi�cação dos jogos</p><p>Este conteúdo é um vídeo!</p><p>Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo</p><p>computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo</p><p>para assistir mesmo sem conexão à internet.</p><p>Dica para você</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536310787/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536314013/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua</p><p>aprendizagem ainda mais completa.</p><p>Olá, estudante! Nesta videoaula, você aprenderá a conceituar os termos jogar e brincar,</p><p>entendendo o fundamento de cada um para uma prática que promova a formação para os</p><p>professores e direcione para um exercício intencional e assertivo.</p><p>Esse conteúdo é muito importante para que você compreenda o percurso de classi�cação que o</p><p>jogo passou ao longo da história e possa relacioná-la com a práxis que tenha maior aproximação</p><p>com a sua realidade ou que possa transformar a realidade em que você estiver.</p><p>Prepare-se para essa jornada de conhecimento! Vamos lá!</p><p>Ponto de Partida</p><p>Explorar o universo dos jogos e brincadeiras é fundamental para entender seu impacto no</p><p>desenvolvimento infantil. Conceitos e fundamentos do brincar, como discutido por teóricos como</p><p>Wallon, Chateau e Piaget, destacam a importância das atividades lúdicas. Os jogos lógicos,</p><p>afetivos e sociais oferecem diferentes benefícios cognitivos e emocionais. Classi�cações</p><p>elaboradas por esses estudiosos proporcionam uma visão aprofundada sobre como essas</p><p>atividades podem ser integradas na pedagogia, promovendo o crescimento integral da criança.</p><p>Como integrar de maneira e�caz os conceitos teóricos de Wallon, Chateau e Piaget sobre jogos e</p><p>brincadeiras na prática pedagógica, considerando suas classi�cações de jogos lógicos, afetivos</p><p>e sociais, para promover um desenvolvimento cognitivo e emocional equilibrado nas crianças?</p><p>Vamos Começar!</p><p>Análise para classi�cação dos jogos</p><p>Quando consideramos crianças, é comum pensar nelas brincando ou jogando, o que leva a uma</p><p>associação frequente das brincadeiras e dos jogos apenas com essa faixa etária. No entanto, ao</p><p>ampliarmos nossa compreensão sobre o tema, percebemos que o ato de brincar é uma prática</p><p>que abarca todas as idades, apesar de a literatura especializada enfatizar sua importância</p><p>principalmente na educação infantil. Considerando essa perspectiva, qual o conceito de brincar?</p><p>E o conceito de jogar? Será que há realmente classi�cação?</p><p>Jogar ou brincar? conceitos e fundamentos</p><p>Vamos iniciar, considerando a dimensão lúdica. Ela pode ser de�nida da seguinte forma:</p><p>Uma necessidade do ser humano em qualquer idade e não pode ser vista apenas como diversão.</p><p>O desenvolvimento do aspecto lúdico facilita a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal, social</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>e cultural, colabora para uma boa saúde mental, prepara para um estado interior fértil, facilita os</p><p>processos de socialização, comunicação, expressão e construção de conhecimento. (SANTOS,</p><p>2002, p. 12 apud LORO, 2023, p. 37).</p><p>Para Queiroz e Martins (2009), o jogo e a brincadeira constituem naturalmente situações de</p><p>aprendizagem. As regras e a imaginação ampliam o comportamento da criança para além do</p><p>cotidiano. Nos jogos ou brincadeiras, a criança assume papéis que transcendem a realidade, o</p><p>que certamente contribui de maneira signi�cativa e especial para o seu desenvolvimento.</p><p>É por meio do lúdico que a criança transcende seu mundo de necessidades e limitações,</p><p>desenvolvendo-se ao criar e adaptar uma nova realidade dentro de sua personalidade. Essa</p><p>in�uência é crucial como fase de aprendizado para a idade adulta, em que a brincadeira se</p><p>transforma em uma oportunidade para a�rmar o próprio eu.</p><p>Agora, te pergunto, estudante, você acredita que existe alguma diferença entre o brincar e o</p><p>jogar? Para Queiroz e Martins (2009):</p><p>Brincar: proposta criativa e recreativa de caráter físico ou mental, desenvolvida</p><p>espontaneamente, cuja evolução é de�nida e o �nal nem sempre previsto. Quando sujeito a</p><p>regras, estas são simples e �exíveis, e o seu maior objetivo é a prática da atividade em si.</p><p>Jogar: forma de comportamento organizado, nem sempre espontâneo, com regras que</p><p>determinam duração, intensidade e �nal da atividade. Importante lembrar que o jogo tem</p><p>sempre como resultado a vitória, o empate ou a derrota (QUEIROZ; MARTINS, 2009, p. 7).</p><p>O jogo e a brincadeira proporcionam ao aluno a oportunidade de criar, imaginar e explorar como</p><p>se estivessem em um laboratório de aprendizagem. Neles, o estudante pode</p><p>experimentar, testar,</p><p>errar e, sobretudo, aprender.</p><p>Segundo Froebel (1912 apud TAKATSU, 2015, p. 11),</p><p>a brincadeira é a atividade espiritual mais pura do homem neste estágio e, ao mesmo tempo,</p><p>típica da vida humana enquanto um todo – da vida natural interna no homem e de todas as</p><p>coisas. Ela dá alegria, liberdade, contentamento, descanso externo e interno, paz com o mundo</p><p>[...] A criança que brinca sempre, com determinação autoativa, perseverando, esquecendo sua</p><p>fadiga física, pode certamente tornar-se um homem determinado, capaz de autossacrifício para a</p><p>promoção do seu bem e de outros [...] Como sempre indicamos, o brincar, em qualquer tempo,</p><p>não é trivial, é altamente sério e de profunda signi�cação (FROEBEL, 1912c, p. 55 apud TAKATSU,</p><p>2015, p. 11).</p><p>No jogo, na perspectiva de Finck, Marinho e Matos Junior (2012), tanto o ritmo de execução</p><p>quanto as regras são estabelecidos pelos participantes, adaptando-se aos movimentos possíveis</p><p>de cada membro do grupo. A competição surge na disputa entre os jogadores para superar</p><p>desa�os dentro das regras estabelecidas, mas o foco principal é o prazer, a diversão e o ato de</p><p>brincar. A ordem, a atenção e a alegria movem a dinâmica do jogo, caracterizando-o com</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>entusiasmo e ritmo próprios. Este ambiente lúdico cria um espaço separado da vida cotidiana,</p><p>onde as regras do jogo prevalecem e o jogo se desenrola.</p><p>A utilização do jogo como ferramenta educacional pelo professor pode ampliar as oportunidades</p><p>de aprendizado da criança, permitindo que ela experimente de forma prática as situações de</p><p>ensino-aprendizagem, estimulando sua criatividade e expressão. Além disso, os jogos facilitam a</p><p>interação com outras crianças, promovem o exercício da cooperação e incentivam o aprendizado</p><p>em grupo. Dessa maneira, o professor possibilita que a criança explore o conhecimento por meio</p><p>da troca de experiências, proporcionando uma educação infantil mais envolvente e prazerosa.</p><p>Aprender, assim, pode e deve ser uma experiência altamente motivadora para a criança.</p><p>A educação, sabiamente respeitando a psicogênese, deveria iniciar cada nova atividade por meio</p><p>de uma abordagem lúdica. Brincar com palavras, explorar letras, experimentar o computador de</p><p>forma livre e divertida antes de atribuir-lhes um propósito prático. Talvez seja por isso que as</p><p>crianças aprendem informática mais rapidamente do que os adultos: elas brincam com o</p><p>computador antes de tentar usá-lo com um propósito de�nido.</p><p>Ao brincar, a criança não está preocupada com os resultados. É o prazer e a motivação que</p><p>impulsionam a ação para as explorações livres. A conduta lúdica, ao minimizar as consequências</p><p>da ação, contribuiu para a exploração e a �exibilidade do ser que brinca, incorporando a</p><p>característica que alguns autores denominam futilidade ou ato sem consequência. Pela ausência</p><p>de avaliação ou punição, qualquer ser que brinca se atreve a explorar, a ir além da situação deda,</p><p>na busca de soluções (TAKATSU, 2015, p. 12).</p><p>O jogo representa uma ferramenta didática essencial que pode enriquecer a prática pedagógica</p><p>de maneira criativa e inovadora, além de ser altamente prazerosa para as crianças, integrando o</p><p>brincar ao aprender. Desempenha um papel crucial no desenvolvimento infantil, permitindo que</p><p>as crianças aprendam de maneira divertida, enquanto exercitam sua imaginação, fantasia e</p><p>criatividade (FINCK; MARINHO. MATOS JUNIOR, 2012).</p><p>É importante que o ambiente educacional seja estimulante e envolvente para as crianças. O dia a</p><p>dia na sala de aula pode ser interessante, desa�ador e surpreendente, e as atividades educativas,</p><p>devem ser planejadas de forma a captar a atenção e o interesse dos alunos. Isso não apenas</p><p>ajuda a manter o foco durante as aulas, mas também promove um ambiente onde o aprendizado</p><p>se torna cativante e fascinante. O fato é que as crianças são naturalmente curiosas, e que é</p><p>fundamental estimular essa curiosidade por meio de atividades variadas, dinâmicas e adequadas</p><p>ao seu desenvolvimento cognitivo e emocional.</p><p>JOGOS LÓGICOS, AFETIVOS E SOCIAIS</p><p>Você já ouviu falar dessas variações de jogos? Discutiremos, segundo Oliveira (2014), os tipos de</p><p>jogos nomeados por Jorge Visca. Esses jogos podem ser categorizados em três tipos: lógicos,</p><p>afetivos e sociais. Os jogos lógicos são projetados para aprimorar o raciocínio, os jogos afetivos</p><p>têm o objetivo de estimular as emoções, e os jogos sociais ajudam na aquisição de</p><p>comportamentos apropriados ao ambiente social.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Visca (1996)  propôs um estudo classi�cando os jogos lógicos com base na história,</p><p>relacionando-os com as experiências de diferentes povos. Ele sugere que a primeira família de</p><p>jogos, originária da China, está ligada ao medo do desconhecido. Para tentar entender o</p><p>desconhecido antes de enfrentá-lo, os chineses desenvolveram jogos com pedras e madeira,</p><p>criando desenhos que deram origem aos dados, dominós e cartas de baralho. Quando esses</p><p>jogos chegaram à Europa, adaptaram-se e deram origem aos baralhos espanhóis e italianos que</p><p>usamos hoje. Estes jogos permitem o exercício da correspondência termo a termo, �gura</p><p>numeral, a classi�cação, a seriação e a compensação.</p><p>A segunda família de jogos, conforme descrita por Visca, se originou na Índia. Para lidar com o</p><p>medo de inimigos, os indianos criaram um jogo chamado chaturanga, no qual quatro exércitos se</p><p>dividiam em unidades de homens e mulheres. Esse jogo é considerado o precursor do xadrez e</p><p>da dama. Na Idade Média, foram fortemente in�uenciados pela Igreja, resultando em peças</p><p>como o bispo, o rei e a rainha. Esses jogos desenvolvem aspectos cognitivos e sociais, como a</p><p>elaboração de estratégias espaciais, a capacidade de antecipação, a motricidade, o controle da</p><p>impulsividade, a ampliação do campo visual e a percepção.</p><p>A terceira família dos jogos lógicos surgiu da necessidade de desenvolver mecanismos para</p><p>ajudar os indivíduos em estratégias espaciais, prevenindo que se perdessem. Relacionada aos</p><p>fenícios, que eram marinheiros e navegadores, essa família de jogos evoluiu para auxiliar na</p><p>movimentação em espaços unidimensionais, bidimensionais e tridimensionais. Jogos como</p><p>trilha e tateti foram desenvolvidos para este �m. Exemplos modernos incluem o jogo da velha,</p><p>ligue 4 e batalha naval, que promovem o desenvolvimento de habilidades como antecipação,</p><p>exploração do espaço, afetividade, visomotricidade e interseção.</p><p>A quarta e última família de jogos está associada aos povos contemporâneos, que buscam um</p><p>maior aprofundamento em conhecimento e aspectos psicológicos. Piaget menciona esse per�l</p><p>de jogo. Como exemplos atuais estão inclusos Cara a Cara, Imagem e Ação, Senha e Lince.</p><p>Esses jogos são projetados para desenvolver habilidades como classi�cação e afetividade. Os</p><p>jogos podem ser classi�cados também como afetivos e sociais e costumam estar relacionados.</p><p>Veja:</p><p>Autodescoberta – O educando vai descobrindo suas di�culdades ou habilidades, bem</p><p>como diferenciando as combinações de habilidades (diferenças individuais), aprendendo a</p><p>usufruir suas potencialidades, conviver e superar suas limitações.</p><p>Autonomia – O educando analisa situações, faz escolhas e toma decisões.</p><p>Autoestima – Nos jogos, os desa�os presentes e a possibilidade de superação dão ao</p><p>educando a sensação de plenitude e con�ança em si. Os desa�os devem ser variados para</p><p>que diferentes habilidades sejam alcançadas.</p><p>Convívio – Existe a possibilidade de os educandos conhecerem uns aos outros, vencerem a</p><p>timidez e tensões e aprenderem a aceitar diferenças.</p><p>Cooperação – O objetivo de vencer leva os jogadores a superarem os obstáculos com base</p><p>em suas habilidades individuais (conjunto de habilidades).</p><p>Capacidade de liderar e ser liderado – O jogo permite a vivência desses papéis, que mais</p><p>tarde são generalizados e vividos na vida adulta. Auxilia o indivíduo a ser crítico, a analisar,</p><p>coordenar e orientar (OLIVEIRA, 2014, p. 102-103).</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Os jogos lógicos, afetivos e sociais, além de seu caráter lúdico,</p><p>têm a intenção de aproximar o</p><p>mundo real do imaginário, capacitando os indivíduos a enfrentarem situações-problema. Eles</p><p>também desenvolvem várias habilidades essenciais para a aquisição de conteúdos sistemáticos,</p><p>considerados pela instituição educacional como pré-requisitos para o sucesso do aluno.</p><p>Classi�cação dos jogos por Wallon, Chateau e Piaget</p><p>Loro (2023) traz essa discussão lembrando-nos que muitos estudiosos tentaram classi�car os</p><p>jogos. Ao ressaltarmos os diferentes tipos de jogos, não apenas ampliamos a compreensão</p><p>teórica sobre sua origem e importância histórica, mas também destacamos a necessidade de</p><p>ampliar o conhecimento sobre essas atividades, que se desenvolveram ao longo da trajetória</p><p>humana.</p><p>Os jogos infantis podem ser classi�cados em quatro tipos, segundo Wallon (2007):</p><p>1. Jogos funcionais – Têm como características os movimentos simples. Eles provocam efeitos</p><p>sensitivos, estimulando novas percepções, a exemplo das atividades circulares, em que as</p><p>crianças realizam sons e ruídos com o próprio corpo, ou das que promovem a interação das</p><p>pessoas com objetos, com o trabalho, com as repetições, resultando gradativamente no domínio</p><p>da atividade.</p><p>2. Jogos de �cção ou imitação – Envolvem a imaginação, o simbólico e o faz-de-conta. As</p><p>crianças exercem papéis de maneira espontânea, pelos quais representam inúmeras situações, o</p><p>que lhes permite ampliar o conhecimento sobre o mundo a sua volta.</p><p>3. Jogos de aquisição – Resultam melhor atenção àquilo que acontece ao redor dos</p><p>participantes. As crianças aprendem a escutar, a perguntar e a imitar, e se esforçam para</p><p>compreender as coisas, como tentar manusear um livro, prestar atenção a uma fábula,</p><p>colecionar adesivos ou observar as atividades lúdicas dos demais colegas de sala.</p><p>4. Jogos de construção – Permitem que as crianças usem a criatividade para construir, recortar,</p><p>colar, modi�car etc., en�m, para fazer coisas novas com os materiais que lhes são oferecidos,</p><p>como galhos, cascas e folhas de árvores, que podem ser transformados em castelos, jardins e</p><p>dinheiro, por exemplo (LORO, 2023, p. 24).</p><p>Siga em Frente...</p><p>Outro pesquisador que contribuiu signi�cativamente para o entendimento do tema foi o francês</p><p>Jean Chateau (1987). Ele propôs uma classi�cação que enfatiza a importância do jogo na vida</p><p>infantil, vendo-o como um meio essencial para o desenvolvimento das potencialidades da</p><p>criança.</p><p>1. Jogos funcionais – Manifestam-se por volta dos 3 meses e podem continuar até os 7 anos</p><p>de idade. A criança sente prazer em movimentar de forma espontânea e funcional o seu</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>corpo, realizando, assim, movimentos circulares que a motivam à repetição.</p><p>2. Jogos hedonísticos – Iniciam-se por volta do primeiro ano e se manifestam até os 3 anos</p><p>de idade. Nesse caso, a criança sente prazer ao criar ruídos, sons vocais e sensações</p><p>táteis.</p><p>3. Jogos com o novo – Podem ser praticados desde o primeiro ano de idade até o início da</p><p>pré-adolescência. Consistem na exploração de elementos da natureza e de objetos.</p><p>Despertam a curiosidade da criança e a estimular a buscar novidades, indo ao encontro do</p><p>desconhecido.</p><p>4. Jogos de destruição – Têm início antes do primeiro ano de idade e perduram até os 12</p><p>anos. Durante o jogo, a criança sente satisfação em destruir algo material (um castelo de</p><p>areia, por exemplo) ou imaterial (desobedecendo às regras de um jogo, por exemplo).</p><p>5. Jogos de desordem e euforia – Iniciam-se aos 4 anos e perduram até os 12. Ocorrem em</p><p>momentos de tensão e perturbam a ordem estabelecida. A criança procura chamar a</p><p>atenção e, para tanto, faz barulho, grita, gargalha, cai, chora etc.</p><p>�. Jogos solidários – São semelhantes aos jogos de desordem e euforia, porém ocorrem de</p><p>forma individual.</p><p>7. Jogos �gurativos ou de imitação – Iniciam-se no primeiro ano de vida e vão até os 12 anos.</p><p>A criança reproduz situações do cotidiano e procura imitar pessoas com quem convive em</p><p>seu meio social (colegas da creche, parentes etc.).</p><p>�. Jogos de construção – São praticados dos 2 até os 13 anos. As crianças elaboram</p><p>esquemas, estruturam formas e organizam objetos, ações perceptíveis quando elas</p><p>brincam com peças de montar.</p><p>9. Jogos de regras arbitrárias – Ocorrem no período dos 2 até os 13 anos de idade. A criança</p><p>começa a efetuar alterações nas regras e cria novas dinâmicas no jogo, baseadas em</p><p>normas pré-existentes.</p><p>10. Jogos de valentia – Iniciam-se a partir dos 7 anos de idade. A criança testa seus valore,</p><p>embora ainda com um pouco de di�culdade, mesmo em atividades simples, como no jogo</p><p>de pega-pega.</p><p>11. Jogos de competição – São praticados predominantemente a partir dos 8 anos. As</p><p>crianças conseguem lidar com jogos de maior complexidade, demonstram capacidade de</p><p>organização, de domínio de regras e de elaboração de estratégias, como é o caso dos jogos</p><p>coletivos.</p><p>12. Jogos de cerimônias e danças – Ocorrem dos 4 aos 13 anos de idade e envolvem as</p><p>danças e as atividades rítmicas, com representações (LORO, 2023, p. 25-26).</p><p>Loro (2023) discute, além dos anteriores, as ideias de Piaget (1975), que também organizou uma</p><p>classi�cação dos jogos, baseada em suas observações de suas próprias �lhas. Ele desenvolveu</p><p>uma teoria explicativa que utiliza critérios genéticos para correlacionar os estágios de</p><p>desenvolvimento cognitivo com os tipos predominantes de jogos. Essa classi�cação se</p><p>fundamenta na evolução das estruturas mentais, que emergem conforme o desenvolvimento e</p><p>caracterizam os jogos:</p><p>Jogos de exercícios – Presentes do nascimento até os 2 anos de idade, essas atividades lúdicas</p><p>ocorrem durante o período sensório-motor, uma fase pré-verbal. Inicialmente, esses jogos</p><p>aparecem como jogos funcionais, que requerem esquemas motores assimilados para serem</p><p>executados. Eles não alteram as estruturas de pensamento, pois consistem em exercícios</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>repetitivos. Além disso, Silva (2020, p. 45) expõe que esses exercícios “incluem correr, pular,</p><p>saltar, andar, puxar, rodar, emburrar um objeto, fazer rodar um pião, dar socos em algum objeto</p><p>mole e outros exercícios sensoriais e motores simples ou combinados. O prazer se dá na</p><p>realização e repetição e, na fase adulta, ele é manifestado no caminhar, fazer exercícios físicos e</p><p>andar de bicicleta, por exemplo (Piaget, 1978).</p><p>Jogos simbólicos – Começam aos 2 anos e se estendem até os 6 anos de idade. Originam-se</p><p>dos jogos de exercícios, incorporando elementos de �cção e faz-de-conta. Esses jogos envolvem</p><p>imitação e assimilação lúdica, estimulando a imaginação da criança. Silva (2020) sugere que</p><p>certos jogos podem ser realizados com crianças, como a interpretação de cenas de �lmes,</p><p>desenhos ou quadrinhos, a brincadeira de caça ao tesouro em que a criança �nge ser um pirata, a</p><p>diversão de se transformar em objetos, estátuas e animais, além de contar histórias que podem</p><p>ser adaptadas e alteradas pela própria criança.</p><p>Silva (2020) acrescenta também, segundo Piaget (1978), que o jogo de construção é uma</p><p>transição entre os outros jogos e as condutas de adaptação e não se con�gura em uma etapa do</p><p>desenvolvimento como os demais. Ele se manifesta a partir da realização de trabalhos manuais,</p><p>como a construção com blocos. Com esses jogos, a criança também experimenta a imaginação,</p><p>mas há a transformação do objeto em um brinquedo.</p><p>Para �nalizar, na perspectiva de Loro (2023), há os jogos de regras, que vão dos 7 aos 11 anos de</p><p>idade. Desenvolvem-se durante toda a vida (diferentemente dos anteriores) e são veri�cáveis</p><p>principalmente nos esportes. São identi�cados por Silva (2020) pela presença de regras mais</p><p>complexas. Predominantemente se desenvolvem até os doze anos, mas continuam pelo resto da</p><p>vida. É o tipo de jogo que assume diferentes combinações, como corrida (sensório-motor) e os</p><p>jogos de tabuleiros (intelectuais), por exemplo.</p><p>Nessa direção, con�rmamos que o jogo é uma manifestação cultural de diferentes povos,</p><p>representado de diversas formas, e é um recurso didático pedagógico imprescindível para o</p><p>processo de ensino-aprendizagem.</p><p>É visto como uma ferramenta que pode ser contemplada no</p><p>planejamento para promover o desenvolvimento integral dos estudantes.</p><p>Vamos Exercitar?</p><p>Estudante, lembra-se da problemática inicial? Como integrar de maneira e�caz os conceitos</p><p>teóricos de Wallon, Chateau e Piaget sobre jogos e brincadeiras na prática pedagógica,</p><p>considerando suas classi�cações de jogos lógicos, afetivos e sociais, para promover um</p><p>desenvolvimento cognitivo e emocional equilibrado nas crianças?</p><p>Uma solução seria a capacitação contínua dos educadores em relação às teorias de Wallon,</p><p>Chateau e Piaget, com foco nas suas classi�cações de jogos. Além disso, seria fundamental</p><p>criar um currículo pedagógico que integrasse atividades lúdicas e jogos variados em todas as</p><p>disciplinas, adaptando-os aos diferentes estágios de desenvolvimento das crianças. Essa</p><p>perspectiva de proposta teria como intenção promover um ambiente escolar que valorizasse o</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>brincar e o jogar de forma estruturada, incentivando a interação social e o desenvolvimento das</p><p>habilidades emocionais e cognitivas, também seria essencial para alcançar esse equilíbrio.</p><p>Saiba mais</p><p>Brincar é mais que aprender: Nesse artigo, Lino de Macedo discorre sobre a importância do</p><p>brincar e do jogar e sobre as formas de representações que essas atividades apresentam.</p><p>Também demonstra as repercussões do brincar e do jogar na vida das crianças e como se dão</p><p>essas interações feitas por elas.</p><p>Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/120/brincar-e-mais-que-aprender. Acesso em:</p><p>23 jun. 2024.</p><p>Para ter visibilidade de funções desenvolvidas por meio da utilização do lúdico, sugiro a leitura da</p><p>tabela Funções desenvolvidas pelos jogos, na página 104 do livro Psicopedagogia: a instituição</p><p>educacional em foco.</p><p>Referências</p><p>BEMVENUTI, Abel.et al. O lúdico na prática pedagógica. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2012. E-</p><p>book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 23 jun. 2024.</p><p>FINCK, Silvia C. M. (org.); MARINHO, Herminia R. B.; MATOS JUNIOR, Moacir Á. Pedagogia do</p><p>movimento: universo lúdico e psicomotricidade. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2012. E-book.</p><p>Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 21 jun. 2024.</p><p>KISHIMOTO, T. M.; SANTOS, M. W. Jogos e brincadeiras: tempos, espaços e diversidade</p><p>(pesquisas em educação). [Digite o Local da Editora]: Cortez, 2017. E-book. ISBN</p><p>9788524925597. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788524925597/. Acesso em: 23 jun. 2024.</p><p>LORO, Alexandre Paulo. Jogos e brincadeiras: pluralidades interventivas. 2. ed. Curitiba:</p><p>Intersaberes, 2023. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 23 jun.</p><p>2024.</p><p>MACEDO, Lino de. (org.). Jogos, psicologia e educação: teoria e pesquisas. São Paulo: Pearson,</p><p>2009. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 23 jun. 2024.</p><p>MURCIA, Juan Antonio. M. Aprendizagem através do jogo. Porto Alegre: Grupo A, 2008. E-book.</p><p>ISBN 9788536314013. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536314013/. Acesso em: 21 jun. 2024.</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788524925597/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536314013/</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>OLIVEIRA, Mari Ângela C. Psicopedagogia a instituição educacional em foco. 1. ed. Curitiba:</p><p>Intersaberes, 2014. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 20 jun.</p><p>2024.</p><p>QUEIROZ, Tânia Dias; MARTINS, João Luiz. Pedagogia lúdica: jogos e brincadeiras de A a Z. 2. ed.</p><p>São Paulo: Rideel, 2009. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em:</p><p>23 jun. 2024.</p><p>SILVA, M. R. Ludicidade. São Paulo, SP: Contentus, 2020. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 23 jun. 2024.</p><p>TAKATSU, Mayra Mika. Jogos de Recreação. São Paulo: Cengage Learning Brasil, 2015. E-book.</p><p>ISBN 9788522122486. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522122486/. Acesso em: 23 jun. 2024.</p><p>Aula 5</p><p>Encerramento da Unidade</p><p>Videoaula de Encerramento</p><p>Este conteúdo é um vídeo!</p><p>Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo</p><p>computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo</p><p>para assistir mesmo sem conexão à internet.</p><p>Dica para você</p><p>Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua</p><p>aprendizagem ainda mais completa.</p><p>Olá, estudante! Nesta videoaula, você vai aprender sobre jogar e brincar, entendendo as</p><p>diferenças entre os jogos competitivos e cooperativos para ser mais assertivo em sua atuação.</p><p>Esse conteúdo é importante para você amplie seu repertório sobre as classi�cações de jogo e</p><p>compreenda como todos, independentemente da classi�cação, são imprescindíveis para uma</p><p>formação global.</p><p>Prepare-se para essa jornada de conhecimento! Vamos lá!</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522122486/</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Ponto de Chegada</p><p>Olá, estudante! Conhecer a importância dos jogos para a construção de diferentes</p><p>aprendizagens, percebendo sua utilização enquanto ferramenta psicopedagógica, é a</p><p>competência desta unidade. Para desenvolvê-la, você está aprendendo a utilizar jogos</p><p>competitivos e cooperativos para estimular habilidades como cooperação, empatia, resolução de</p><p>con�itos e valores éticos, alinhando-se com uma prática pedagógica que valoriza a formação</p><p>integral dos alunos.</p><p>Além disso, tem sido capacitado para orientar professores na educação, enfatizando a</p><p>importância do jogo e da brincadeira como fundamentos para o aprendizado signi�cativo,</p><p>estimulando a curiosidade, a experimentação e a construção do conhecimento pelos alunos.</p><p>Sua perspectiva, agora, integra os jogos como estimuladores de habilidades cognitivas,</p><p>emocionais e sociais, abrangendo tanto jogos lógicos quanto afetivos e sociais, considerando as</p><p>diversas possibilidades de jogos.</p><p>O jogo atua como um poderoso catalisador para o desenvolvimento das capacidades individuais,</p><p>permitindo que o jogador explore seus interesses e ambições pessoais de forma livre. Durante</p><p>essa atividade, há espaço para a pessoa expressar sua identidade, fazer escolhas autônomas e</p><p>experimentar uma sensação de controle e liberdade. Além de proporcionar essa experiência de</p><p>autodeterminação, o jogo também ensina importantes habilidades como o manejo dos impulsos</p><p>e a compreensão das regras, sem que estas sejam vistas como limitações. Ao se envolver nessa</p><p>dinâmica lúdica, a criança imerge na fantasia, estabelecendo uma ponte entre seus pensamentos</p><p>conscientes e os aspectos mais profundos de sua mente.</p><p>De acordo com Oliveira (2014), o jogo tem uma funcionalidade e constrói um raciocínio</p><p>interessante, no qual o estudante transforma a situação-problema, analisa as ações, melhora as</p><p>estratégias, busca soluções, cria maiores intenções e menor dependência. Nessa perspectiva,</p><p>utilizar o jogo no contexto educacional permite que o professor incorpore por meio dele uma</p><p>ampla gama de sentimentos e aplique as experiências nas situações do dia a dia. Além desses</p><p>aspectos, o professor ajuda os alunos a descobrirem suas habilidades, a superar desa�os, a</p><p>cultivar valores e a respeitar as diferenças individuais. É crucial que ele reconheça a relevância de</p><p>integrar o brincar ao processo de aprendizagem.</p><p>Vale ressaltar que o jogo pode ser educativo ou didático. Silva (2020) explica que o jogo</p><p>educativo vai além das fronteiras físicas e permite que o aluno se desenvolva de forma</p><p>abrangente em aspectos corporais, cognitivos, afetivos e sociais. Por outro lado, o jogo didático</p><p>se concentra na transmissão de conteúdos e conceitos especí�cos, sendo utilizado diretamente</p><p>dentro da sala de aula.</p><p>A variação do uso do jogo abrange</p><p>algumas particularidades que Antunes (1999) destaca em</p><p>quatro elementos para a sua aplicação: a capacidade de constituir a autoestima do aluno, as</p><p>condições psicológicas favoráveis, as condições ambientais e os fundamentos técnicos. Os</p><p>jogos são essenciais no contexto educacional, trazendo importantes benefícios para o</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>desenvolvimento cognitivo, social e emocional dos alunos. Eles não apenas engajam e motivam,</p><p>mas também facilitam a aprendizagem de forma divertida e signi�cativa.</p><p>Quais são as impressões sobre o jogo competitivo e o jogo cooperativo que você consolidou?</p><p>Romão e Brito (2019) explicam que os jogos cooperativos e competitivos têm papéis</p><p>signi�cativos no ambiente escolar, cada um com suas características distintas. Eles são</p><p>ferramentas importantes para ensinar valores e contribuem para o desenvolvimento da</p><p>aprendizagem na escola. Os autores reforçam que é fundamental notar um aspecto crucial:</p><p>enquanto nos jogos cooperativos há cooperação, nos jogos competitivos também existe uma</p><p>dinâmica de colaboração. A competição implica interação social com metas especí�cas e ações</p><p>individualizadas que bene�ciam apenas alguns participantes, muitas vezes resultando em um</p><p>perdedor.</p><p>O jogo fomenta o desenvolvimento de habilidades sociais ajudando nas relações positivas, na</p><p>comunicação e�caz, na expressividade e na desenvoltura social. Aprimorar a competência social</p><p>é imprescindível para um desenvolvimento pleno. O brincar também facilita essa adaptação</p><p>social. Segundo Murcia (2008), por meio do ato de brincar, as crianças experimentam uma</p><p>variedade de situações que envolvem emoções, comportamentos e interações sociais. Durante</p><p>essas experiências, elas aprendem a cooperar, a participar, a competir, a lidar com aceitação ou</p><p>rejeição, a perceber como são vistas pelos outros e a expressar suas percepções sobre os</p><p>outros.</p><p>Perceba, estudante, que é inevitável repensar a prática com o lúdico. É necessário, segundo</p><p>Macedo, Petty e Passos (2020), considerar o que é signi�cativo, que valoriza o possível e que</p><p>promove condições de descobrir novas estratégias para modi�car a atuação e agir fomentando a</p><p>criatividade e conectando a aprendizagem à realidade. Em vez de apenas enfatizar a acumulação</p><p>de informações, é crucial que a escola promova habilidades como a capacidade de analisar,</p><p>sintetizar e aplicar essas informações de maneira signi�cativa. Isso inclui o desenvolvimento de</p><p>competências críticas e criativas que vão além da simples memorização, preparando os alunos</p><p>para interpretar e utilizar conhecimentos de forma e�caz em diferentes situações da vida real.</p><p>Nesse ponto, é imprescindível que consideremos a interdisciplinaridade comentada por Macedo,</p><p>Petty e Passos (2020), que destacam, na perspectiva de Piaget, uma proposta extremamente</p><p>relevante para integrar o conhecimento de diferentes disciplinas. Os professores podem oferecer</p><p>uma visão mais holística do aprendizado, tornando-o mais signi�cativo para os alunos. Além</p><p>disso, entender as causas subjacentes ao desinteresse destes, a partir da análise do ensino</p><p>isolado das disciplinas, limitando o engajamento e a curiosidade dos estudantes. Piaget</p><p>considera o aluno um agente ativo na construção do conhecimento e, por esse motivo, é</p><p>necessário adaptar os métodos de ensino às características do desenvolvimento cognitivo,</p><p>promovendo assim uma aprendizagem mais profunda e ampla.</p><p>O papel do educador no processo educacional não deve apenas transmitir conhecimento, mas</p><p>sim criar situações desa�adoras que estimulem a re�exão e o esforço dos alunos. É crucial que</p><p>os professores incentivem a pesquisa e a autonomia intelectual, orientando os estudantes em</p><p>suas experiências e tentativas. Os mestres devem facilitar a organização das ideias, ampliando</p><p>as perspectivas dos alunos e promovendo uma aprendizagem mais ativa e intencional.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>O professor, como líder em sala de aula, in�uencia profundamente o desenvolvimento dos</p><p>alunos, moldando sua relação com o conhecimento e criando um ambiente propício para</p><p>re�exões e descobertas. É crucial que os pro�ssionais da educação compreendam as</p><p>características do desenvolvimento dos estudantes para estabelecer expectativas realistas e</p><p>apoiar seu progresso. Cultivar uma relação próxima com os alunos constrói con�ança mútua e</p><p>facilita o desenvolvimento da autonomia, o que é fundamental para uma formação integral e</p><p>abrangente.</p><p>Segundo Queiroz e Martins (2009), o jogo e a brincadeira são naturalmente situações de</p><p>aprendizagem. As regras e a imaginação expandem o comportamento da criança além do</p><p>cotidiano. Nos jogos ou brincadeiras, a criança adota papéis que vão além da realidade,</p><p>contribuindo signi�cativamente para o seu desenvolvimento. Conceituam o brincar e o jogar para</p><p>uma compreensão da promoção da aprendizagem na criação, na imaginação e na exploração.</p><p>O uso do jogo como ferramenta educacional pelo professor pode expandir as oportunidades de</p><p>aprendizado da criança, proporcionando experiências práticas nas situações de ensino-</p><p>aprendizagem e incentivando sua criatividade e expressão. Além disso, os jogos promovem a</p><p>interação entre as crianças, fomentando a cooperação e incentivando o aprendizado em grupo.</p><p>Dessa maneira, o professor permite que os alunos explorem o conhecimento por meio da troca</p><p>de experiências, criando uma educação infantil mais envolvente e agradável. Aprender, assim,</p><p>pode e deve ser uma experiência extremamente motivadora para as crianças.</p><p>Oliveira (2014) destaca que Jorge Visca classi�cou os jogos em três categorias: lógicos, afetivos</p><p>e sociais. Os jogos lógicos são desenvolvidos para melhorar o raciocínio, os jogos afetivos visam</p><p>estimular as emoções, e os jogos sociais auxiliam na aquisição de comportamentos adequados</p><p>ao convívio social. Todos, além do caráter lúdico, aproximam o mundo real do imaginário,</p><p>capacitando as pessoas a lidarem com situações-problema. Além disso, eles ajudam a</p><p>desenvolver diversas habilidades fundamentais para a assimilação de conteúdos estruturados,</p><p>que a instituição educacional considera essenciais para o sucesso acadêmico dos alunos.</p><p>Outras classi�cações foram discutidas por Wallon, Chateau e Piaget, segundo Loro (2023). Cada</p><p>estudioso destaca características relevantes dos tipos de jogos, ampliando tanto a compreensão</p><p>teórica e a importância na história, quanto a necessidade de expandir o conhecimento sobre as</p><p>atividades.</p><p>Nesse contexto, reconhecemos que o jogo é uma expressão cultural presente em diversas</p><p>civilizações, manifestando-se de múltiplas formas e servindo como um recurso pedagógico</p><p>essencial no processo educacional. Ele é valorizado como uma ferramenta que pode ser</p><p>integrada ao planejamento educacional para promover o desenvolvimento holístico dos</p><p>estudantes.</p><p>É Hora de Praticar!</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Este conteúdo é um vídeo!</p><p>Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo</p><p>computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo</p><p>para assistir mesmo sem conexão à internet.</p><p>Estudante, o resultado de aprendizagem desta unidade é que você explore a utilização de jogos</p><p>de competição e cooperação em propostas de intervenção psicopedagógica. Sendo assim,</p><p>considere esta situação-problema: uma escola fundamental enfrenta di�culdades para engajar</p><p>os alunos em atividades de grupo e para desenvolver habilidades socioemocionais, como</p><p>cooperação, empatia e resolução de con�itos. Muitos alunos mostram comportamentos</p><p>competitivos excessivos, levando a desentendimentos e exclusões dentro das atividades</p><p>escolares. A equipe pedagógica, preocupada com esses desa�os, decide implementar uma</p><p>intervenção psicopedagógica baseada em jogos de competição e cooperação. Como você,</p><p>psicopedagogo da escola, pode ajudar?</p><p>Estudante, desejo que você elabore suas considerações a partir destas fomentações:</p><p>1. Como os jogos, tanto competitivos quanto cooperativos, podem ser utilizados para</p><p>promover o desenvolvimento cognitivo e socioemocional</p><p>dos alunos no ambiente escolar?</p><p>2. Quais são as principais diferenças entre jogos competitivos e cooperativos, e como essas</p><p>diferenças impactam o desenvolvimento de valores e habilidades sociais nas crianças?</p><p>3. De que maneira a prática pedagógica pode ser reformulada para integrar de forma</p><p>equilibrada os jogos lógicos, afetivos e sociais, contribuindo para a formação integral dos</p><p>estudantes?</p><p>O psicopedagogo pode desempenhar um papel crucial na abordagem dessa situação, utilizando</p><p>sua expertise para desenvolver e implementar uma intervenção e�caz baseada em jogos de</p><p>competição e cooperação. Aqui estão algumas maneiras pelas quais o psicopedagogo pode</p><p>ajudar:</p><p>1. Avaliação inicial</p><p>O psicopedagogo deve realizar uma avaliação inicial para entender melhor as dinâmicas de</p><p>grupo e as di�culdades individuais dos alunos. Isso pode incluir: observações em sala de aula e</p><p>durante atividades de grupo; entrevistas e questionários para alunos e professores; análise de</p><p>incidentes de con�itos e exclusão.</p><p>2. Seleção e planejamento dos jogos</p><p>Com base na avaliação, o psicopedagogo pode selecionar jogos que promovam tanto a</p><p>competição saudável quanto a cooperação. Jogos devem ser escolhidos considerando: nível de</p><p>desenvolvimento dos alunos; habilidades especí�cas a serem desenvolvidas (cooperativas ou</p><p>competitivas); diversão e engajamento dos alunos.</p><p>3. Implementação das atividades</p><p>O psicopedagogo pode liderar ou co-facilitar as sessões de jogo, garantindo que as atividades</p><p>sejam conduzidas de maneira inclusiva e educativa. Isso inclui: estabelecimento de regras claras</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>e justas; promoção de um ambiente seguro e de apoio para todos os alunos; intervenção</p><p>imediata em casos de con�itos, utilizando-os como oportunidades de aprendizado.</p><p>4. Desenvolvimento de habilidades socioemocionais</p><p>Durante as atividades de jogo, o psicopedagogo pode focar no desenvolvimento de habilidades</p><p>especí�cas: ensinar e modelar comportamentos cooperativos e empáticos; promover a</p><p>comunicação e�caz e a resolução de con�itos; reforçar comportamentos positivos e o espírito de</p><p>equipe.</p><p>5. Re�exão e feedback</p><p>Após as atividades, o psicopedagogo deve promover sessões de re�exão com os alunos: discutir</p><p>o que foi aprendido durante os jogos; re�etir sobre comportamentos e atitudes observados; dar e</p><p>receber feedback para melhorar futuras atividades.</p><p>6. Formação continuada dos professores</p><p>O psicopedagogo pode também colaborar com os professores para integrar os jogos de</p><p>competição e cooperação nas práticas pedagógicas regulares: oferecer workshops e</p><p>treinamentos sobre como utilizar jogos educacionais; fornecer materiais e recursos para a</p><p>aplicação dos jogos; apoiar os professores na adaptação de jogos conforme a necessidade dos</p><p>alunos.</p><p>7. Monitoramento e avaliação da intervenção</p><p>Para garantir a e�cácia da intervenção, o psicopedagogo deve monitorar e avaliar continuamente:</p><p>realizar avaliações periódicas do progresso dos alunos; ajustar as atividades com base no</p><p>feedback e nos resultados observados; documentar o impacto da intervenção no</p><p>desenvolvimento socioemocional e no clima escolar.</p><p>Ao seguir esses passos, o psicopedagogo pode ajudar a criar um ambiente escolar mais</p><p>inclusivo e colaborativo, onde os alunos desenvolvam habilidades socioemocionais essenciais</p><p>para seu crescimento e sucesso acadêmico e pessoal.</p><p>ASSIMILE</p><p>Aqui, estudante, você terá um parâmetro dos conceitos trabalhados na unidade. Você</p><p>aprendeu sobre o brincar e o aprender, compreendeu a diferença entre os jogos</p><p>competitivos e cooperativos e ampliou seu repertório sobre algumas possibilidades de</p><p>jogos dependendo de sua classi�cação.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>ANTUNES, Celso. Jogos para a estimulação das múltiplas inteligências. 1. ed. São Paulo: Vozes,</p><p>1999. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 18 jun. 2024.</p><p>LORO, Alexandre Paulo. Jogos e brincadeiras: pluralidades interventivas. 2. ed. Curitiba:</p><p>Intersaberes, 2023. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 23 jun.</p><p>2024.</p><p>MACEDO, Lino de; PETTY, Ana Lúcia S.; PASSOS, Norimar C. Aprender com jogos e situações-</p><p>problema. [Digite o Local da Editora]: Grupo A, 2000. E-book. ISBN 9788536310787. Disponível</p><p>em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536310787/. Acesso em: 23 jun.</p><p>2024.</p><p>MURCIA, Juan Antonio. M. Aprendizagem através do jogo. Porto Alegre: Grupo A, 2008. E-book.</p><p>ISBN 9788536314013. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536314013/. Acesso em: 23 jun. 2024.</p><p>OLIVEIRA, Mari Ângela C. Psicopedagogia a instituição educacional em foco. 1. ed. Curitiba:</p><p>Intersaberes, 2014. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 20 jun.</p><p>2024.</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536310787/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536314013/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>QUEIROZ, Tânia Dias; MARTINS, João Luiz. Pedagogia lúdica: jogos e brincadeiras de A a Z. 2. ed.</p><p>São Paulo: Rideel, 2009. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em:</p><p>23 jun. 2024.</p><p>SILVA, M. R. Ludicidade.São Paulo, SP: Contentus, 2020. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 18 jun. 2024.</p><p>,</p><p>Unidade 4</p><p>O Brinquedo e o Desenvolvimento Infantil</p><p>Aula 1</p><p>Especi�cidades do Brinquedo</p><p>Especi�cidades do brinquedo</p><p>Este conteúdo é um vídeo!</p><p>Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo</p><p>computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo</p><p>para assistir mesmo sem conexão à internet.</p><p>Dica para você</p><p>Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua</p><p>aprendizagem ainda mais completa.</p><p>Olá, estudante! Nesta videoaula, você aprenderá sobre as especi�cidades dos brinquedos,</p><p>entendendo seus aspectos fundamentais para o desenvolvimento global do aprendente para</p><p>poder usá-los de maneira intencional em sua prática.</p><p>Esse conteúdo é muito importante para que você identi�que a melhor escolha para o</p><p>aprimoramento das habilidades cognitivas, sociais e afetivas, conforme a necessidade e os</p><p>interesses especí�cos do aprendente que estiver acompanhando.</p><p>Prepare-se para essa jornada de conhecimento! Vamos lá!</p><p>Ponto de Partida</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Olá, estudante! Você reconhece a importância do brinquedo com uma ferramenta de</p><p>intencionalidade, ou sempre olhou para esse objeto lúdico como distração e entretenimento</p><p>infantil? O brinquedo desempenha um papel crucial no desenvolvimento infantil, indo além do</p><p>entretenimento ao oferecer oportunidades signi�cativas para aprendizagem e crescimento.</p><p>Compreender suas considerações fundamentais, seu impacto no processo de desenvolvimento e</p><p>aprendizagem, bem como as diferentes classi�cações, é essencial para enriquecer a experiência</p><p>das crianças durante as brincadeiras.</p><p>Para que você consiga materializar de forma efetiva o papel do brinquedo, imagine uma escola</p><p>infantil que deseja revitalizar seu espaço de recreação, oferecendo um ambiente mais</p><p>enriquecedor para as crianças. No entanto, há dúvidas sobre quais tipos de brinquedos e</p><p>atividades devem ser priorizados: brinquedos estruturados ou não estruturados? Como garantir</p><p>que os brinquedos escolhidos promovam não apenas diversão, mas também desenvolvimento</p><p>cognitivo e emocional? Além disso, como classi�car os brinquedos de forma a atender às</p><p>diferentes necessidades de aprendizagem e desenvolvimento das crianças? Esses são desa�os</p><p>importantes que exigem uma análise cuidadosa das considerações fundamentais do brinquedo e</p><p>de seu papel enquanto psicopedagogo no processo educativo.</p><p>Vamos Começar!</p><p>O Brinquedo e o desenvolvimento infantil</p><p>Ao observar como diferentes crianças brincam, é possível notar que o uso dos brinquedos e a</p><p>maneira como elas se organizam re�etem sua realidade</p><p>é aprender?”</p><p>[...] A aprendizagem está assim, duplamente condicionada: por aspectos internos e externos, de</p><p>natureza social, cultural, afetiva, famíliar, por meio dos quais a criança vai, pouco a pouco, se</p><p>transformando no �lho daquela família, no membro daquela sociedade. Somos o que somos e</p><p>também o que nos tornamos nas interações com os outros e o mundo. [...] (MACEDO; BRESSAN,</p><p>2017, p. 13).</p><p>Podemos dizer, nas palavras de Dehaene (2022), que a aprendizagem é uma maneira de</p><p>interiorizar o mundo externo. Além disso, o autor traz sete de�nições do conceito de aprender.</p><p>Consideraremos primeiro o aprender como um ajuste de parâmetros de um modelo mental!</p><p>Analise por meio desta experiência:</p><p>[...] tente agarrar um objeto enquanto usa os óculos de uma pessoa, de preferência uma pessoa</p><p>muito míope. Melhor ainda: se puder, pega alguns daqueles prismas que deslocam a sua visão</p><p>como uma dúzia de graus para a esquerda e tente agarrar o objeto. Você verá sua primeira</p><p>tentativa completamente frustrada: devido aos prismas, sua mão vai parar à direita do objeto</p><p>visado. Gradualmente, você ajusta o seu movimento para a esquerda. Mediante tentativas e erros</p><p>sucessivos, seus gestos se tornam cada vez mais precisos, enquanto seu cérebro aprende a</p><p>corrigir os deslocamentos dos olhos. Tire agora os óculos e apanha o objeto: tirar a surpresa de</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>ver que sua mão vai para o lugar errado, agora bem longe à esquerda! (DEHAENE, 2022, p. 35-</p><p>36).</p><p>O autor nos ensina com essa experiência que num breve período de aprendizado o cérebro foi</p><p>capaz de ajustar o seu modelo interior de visão para um parâmetro que correspondesse ao</p><p>desvio entre a cena visual e a orientação do seu corpo, con�gurando um novo valor. Nesse</p><p>processo de recalibragem, que acontece na tentativa de erro, o que o cérebro fez pode ser</p><p>comparado ao que o caçador faz quando ajusta o visor da espingarda e atira fazendo um teste.</p><p>Esse teste ajusta a pontaria e garante mais precisão nos demais tiros. Esse tipo de aprendizado</p><p>pode ser rápido, e poucos ensaios podem corrigir a lacuna entre a visão e a ação.</p><p>A segunda de�nição é: aprender é explorar uma explosão combinatória, ou seja, “[...] é chamada</p><p>‘a explosão combinatória’ – o aumento exponencial ocorrido quando se combina um número</p><p>mesmo que pequeno de possibilidades [...]”. Vamos supor que você tenha uma loja de roupas e</p><p>oferece camisetas em três cores (azul, vermelho e verde) e em três tamanhos diferentes (P, M, G).</p><p>Para calcular o número total de combinações possíveis de cores e tamanhos de camisetas, você</p><p>multiplica o número de opções de cores pelo número de opções de tamanhos. Assim, temos: 3</p><p>cores x 3 tamanhos = 9 combinações possíveis. Isso signi�ca que, com apenas três opções de</p><p>cores e três opções de tamanhos, você tem nove combinações diferentes de camisetas para</p><p>oferecer aos seus clientes. Isso ilustra como o número de possibilidades aumenta rapidamente à</p><p>medida que você adiciona mais opções ou variáveis.</p><p>Aprender é reduzir erros, veja! Se nós retomarmos o exemplo do caçador, quando ele atira e</p><p>percebe que apontou cinco centímetros fora do alvo, ele tem novas informações essenciais</p><p>quanto à direção indicada pelo erro. Sendo assim, essas informações permitem que ele corrija o</p><p>erro e a maximização dessa precisão, gerando um aprendizado mesmo sem que ele perceba.</p><p>Aprender é explorar o espaço das possibilidades! Considere que você está no mercado</p><p>procurando algum produto alimentício barato. Você percorre um corredor que parece caro</p><p>demais e não para; no segundo corredor, ainda há aparência de caro. Então você segue em frente</p><p>e, �nalmente, você para no terceiro corredor, que parece mais barato que os dois anteriores. Mas</p><p>quem pode garantir que no próximo corredor os preços não seriam ainda melhores? No nível de</p><p>aprendizagem, segundo Dehaene (2022), isso signi�ca �xar-se no local e não no global.</p><p>Aprender também é, segundo o autor, otimizar a função de recompensa. Veja o exemplo: Quando</p><p>uma criança aprende a caminhar, não é necessário explicar quais músculos são necessários</p><p>contrair. A criança é incentivada a realizar essa ação, repetidamente, até parar de cair. Ela</p><p>aprende com base na avaliação do resultado, ou seja, ou cai ou �nalmente consegue atravessar o</p><p>quarto caminhando.</p><p>Aprender é restringir o espaço de busca! E o exemplo será digital, porque as máquinas também</p><p>aprendem!! Uma das intervenções mais e�cazes para acelerar o aprendizado é simpli�car o</p><p>modelo. Como assim, professora? Quando se minimiza a quantidade de parâmetros que</p><p>precisam ser ajustados, o sistema encontra uma solução mais geral. Vamos considerar que para</p><p>reconhecer uma fala é necessário abstrair as especi�cidades da voz do falante. Nesse caso, é</p><p>necessário forçar uma rede neural com diferentes frequências, voz baixa ou alta, reduzir o</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>número de parâmetros que serão ajustados para elevar as maiores velocidades e fazer uma</p><p>melhor generalização para novas vozes. Dessa forma, os smartphones são capacitados para</p><p>responderem às nossas vozes.</p><p>Aprender é projetar hipóteses de causas a efeitos, a priori, como usado pelo autor. Para Dehaene</p><p>(2022, p.59) “[...] a aprendizagem, tanto no homem como na máquina, sempre parte de um</p><p>conjunto de hipóteses a priori, que são projetadas sobre os dados recebidos e conduz o sistema</p><p>a selecionar as mais adequadas às circunstâncias [...]”. Vamos ao exemplo? Um estudante</p><p>conduz um experimento para investigar como diferentes solos afetam o crescimento das</p><p>plantas. Ele cria a hipótese de que solos ricos em nutrientes promovem maior crescimento,</p><p>enquanto solos pobres em nutrientes resultam em crescimento mais lento. Observando o</p><p>crescimento das plantas em diferentes solos e coletando dados, ele con�rma ou refuta sua</p><p>hipótese, re�nando seu entendimento sobre a relação solo-planta. Esse processo envolve</p><p>constante projeção de hipóteses e análise de evidências observadas.</p><p>Aspectos da aprendizagem</p><p>Partiremos das considerações de Fonseca (2018) ao destacar que a cognição é dos</p><p>componentes essenciais para se adaptar e para aprender, sendo exequível à evolução humana ou</p><p>à comunicação linguística, concomitantemente à representação simbólica, sem esse elemento.</p><p>Sua essência atende à totalidade das funções mentais que garantem às pessoas dirigirem suas</p><p>ações de forma inteligente, monitorar seus comportamentos, condutas e suas interações.</p><p>Para adquirirmos novos conhecimentos, existem algumas funções cognitivas que trabalham em</p><p>conjunto: percepção, atenção, memória, pensamento, linguagem. Está pronto para conhecer cada</p><p>um desses aspectos? Vamos começar pela percepção!</p><p>A percepção é in�uenciada pelos fatores pessoais, sociais e motivacionais. Você recebe</p><p>estímulos que serão interpretados pelo cérebro por meio dos conhecimentos que você já</p><p>adquiriu, e essa interpretação resultará em uma reação, a qual podemos dizer que é um conjunto</p><p>de sensações e análises que te levam a uma conclusão. Uma exempli�cação é o semáforo. A luz</p><p>verde percebida pela visão (sensação) leva a informação ao cérebro, e a interpretação do que</p><p>essa luz indica resulta na indicação de que você pode seguir com o carro, promovendo a sua</p><p>reação de ir em frente. Percepção e sensação são processos psicológicos integrados na</p><p>experiência. Essa integração permite uma compreensão melhor da realidade (GAZZANIGA et al.,</p><p>2018).</p><p>A atenção, de acordo com Sternberg (2008), nos permite usar nossos recursos mentais de forma</p><p>sensata. Ela diminui o foco sobre os estímulos exteriores (sensações) e interiores (pensamentos</p><p>e memórias), permitindo-nos focar apenas nos que nos interessam. É uma função cognitiva</p><p>responsável por selecionar e concentrar nossa mente em estímulos relevantes, funcionando</p><p>como um �ltro. Além disso, ela é a porta de entrada da memória.</p><p>A memória tem três fases essenciais: codi�cação, armazenamento e recuperação. A codi�cação</p><p>acontece durante a aprendizagem, transformando um estímulo sensorial em informação que</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>social e sua perspectiva única do</p><p>mundo. A integração da ludicidade no processo de ensino-aprendizagem é crucial para</p><p>enriquecer a prática educativa e tornar o processo mais atrativo, envolvente e signi�cativo.</p><p>Considerações fundamentais do brinquedo</p><p>Luckesi (2023) inicia nossa discussão argumentando que os brinquedos devem ser vistos de</p><p>forma abrangente, incluindo tanto os objetos físicos quanto as diversas formas de brincadeira.</p><p>Isso abrange as brincadeiras transmitidas culturalmente, aquelas que as crianças criam e</p><p>recriam, e as atividades espontâneas do dia a dia. A experiência de brincar, assim como outras</p><p>vivências humanas, possui uma dimensão subjetiva e psicológica que re�ete os variados</p><p>comportamentos cotidianos de todos nós.</p><p>A prática do brincar é um re�exo importante de como as crianças participam na construção de</p><p>suas próprias identidades, pois nós nos formamos através das nossas ações. Ao mesmo tempo,</p><p>brincar também revela o que as crianças sentem em seu cotidiano, incluindo seus medos e</p><p>incompreensões sobre o que está acontecendo ao seu redor, bem como o que as incomoda.</p><p>Assim, as atividades lúdicas funcionam tanto como ferramentas ativas para enfrentar as</p><p>demandas da vida quanto como possibilidades de cura para experiências psicológicas passadas.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>“Trata-se de um objeto, palpável, �nito e materialmente construído, podendo-se constituir</p><p>segundo formas variadas de criação, desde aquelas artesanais até as inteiramente</p><p>industrializadas” (FINCK et al. 2012, p. 89).</p><p>O autor acrescenta uma distinção, especi�cando que brinquedo como conotação de objeto, com</p><p>o sentido de gratuidade de adesão descomprometida, tem �nalidade de distração. E a</p><p>brincadeira e o jogo implicam em ação coletiva, em uma prática que sugere destreza, desejo de</p><p>vencer e de disputa.</p><p>O brincar e os brinquedos têm suas constituições históricas e sociais, bem como correspondem</p><p>a culturas certamente diferentes entre si. O que integra os brinquedos à nossa cultura são as</p><p>práticas sociais às quais eles estão ligados. Desde cedo, aprendemos a diferenciar brinquedos e</p><p>brincadeiras para meninos e meninas, assim como associamos cores especí�cas, como azul</p><p>para meninos e rosa para meninas. Essas concepções não surgem naturalmente nas crianças,</p><p>mas são inculcadas pelos adultos com quem interagem, além de serem reforçadas pela mídia,</p><p>pela indústria de brinquedos e entretenimento, entre outros. Essa socialização precoce molda a</p><p>forma como as crianças percebem e se envolvem com os brinquedos, in�uenciando suas</p><p>experiências e entendimentos culturais desde a infância.</p><p>“O brinquedo deve ser entendido como objeto, suporte de brincadeira, brincadeira como a</p><p>descrição de uma conduta estruturada, com regras e jogo infantil para designar tanto o objeto e</p><p>as regras do jogo da criança (brinquedo e brincadeiras)” (FINCK et al. 2012, p. 89).</p><p>O brinquedo é identi�cado como jogo de brincadeira. É o objeto manuseado, manipulado no</p><p>desenvolvimento da atividade lúdica.  Para Kishimoto (2005), segundo Suzuki 2019):</p><p>[...] o brinquedo contém sempre uma referência ao tempo de infância do adulto com</p><p>representações veiculadas pela memória e imaginação. [...] o brinquedo supo~e uma relaão</p><p>íntima com a criança e uma indeterminação quanto ao uso, ou seja, a ausência de um sistema de</p><p>regras que organizam sua utilização. (SUZUKI et al. 2019, p. 20).</p><p>Os brinquedos são projetados para incorporar características especí�cas, como tamanho e</p><p>forma, que promovem brincadeiras seguras e sem riscos para as crianças. Por exemplo,</p><p>panelinhas e fogões de brinquedo permitem que as crianças simulem a preparação de alimentos</p><p>sem o perigo de se queimarem. Isso possibilita que as crianças explorem e pratiquem atividades</p><p>do cotidiano de forma segura, incentivando a imaginação e o desenvolvimento de habilidades</p><p>sem expô-las a riscos reais. Dessa forma, os brinquedos não apenas entretêm, mas também</p><p>oferecem um ambiente seguro para o aprendizado e a experimentação.</p><p>Brinquedo como impulsionador da aprendizagem</p><p>Antes de falarmos sobre o signi�cado do brinquedo no desenvolvimento humano, é importante</p><p>desconstruir a ideia comum que temos sobre ele. Ruggeri (2015) a�rma que, em um sentido</p><p>literal, o brinquedo é geralmente considerado um objeto utilizado na brincadeira. No entanto, é</p><p>fundamental reconhecer seu papel no desenvolvimento infantil. Vygotsky (1994) explica que,</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>durante a brincadeira, é criada uma zona de desenvolvimento proximal, onde a criança age além</p><p>do comportamento típico de sua idade, parecendo mais avançada do que realmente é. Nesse</p><p>contexto, o desenvolvimento infantil ocorre por meio das atividades com brinquedos, pois essas</p><p>atividades proporcionam uma estrutura fundamental que permite a transformação das</p><p>necessidades e da consciência da criança. Assim, o brinquedo não apenas diverte, mas também</p><p>serve como uma ferramenta crucial para o crescimento cognitivo e emocional.</p><p>Veja, estudante, que o brinquedo atua como um substituto do objeto real, permitindo que a</p><p>criança se sinta mais madura e capaz do que realmente é. Por exemplo, quando uma criança</p><p>brinca com uma boneca, ela não apenas manipula o brinquedo, mas também pode imaginar-se</p><p>como mãe, cuidando de seu "bebê". Nesse caso, a �gura da �lha, que seria o objeto real, não está</p><p>disponível para a criança, mas é representada pela boneca. Isso permite que a criança explore</p><p>papéis e situações que ainda não pode vivenciar na realidade, promovendo o desenvolvimento de</p><p>habilidades sociais e emocionais em um ambiente seguro e controlado.</p><p>Vygotsky (1994, p. 30) a�rma ainda que “no brinquedo, a criança opera com signi�cados</p><p>desligados dos objetos e ações aos quais habitualmente vinculados, entretanto, uma contradição</p><p>muito interessante surge, uma vez que, no brinquedo, ela inclui também, ações reais e objetos</p><p>reais” (RUGGERI, 2015, p. 17).</p><p>Ele quis dizer que a criança se apropria de um objeto para transformá-lo em seu brinquedo,</p><p>atribuindo-lhe um signi�cado distinto do seu uso habitual. Suas ações são guiadas mais pelas</p><p>suas ideias e imaginação do que pelas características originais do objeto. Isso é evidente, por</p><p>exemplo, quando uma criança pega um cabo de vassoura e o transforma em um cavalo</p><p>imaginário. O cabo se torna seu brinquedo, seu cavalo, demonstrando como a criança atribui</p><p>novos signi�cados e utilizações aos objetos. Ao mesmo tempo, ela também incorpora elementos</p><p>reais em suas brincadeiras, como quando dá banho na boneca utilizando uma banheira</p><p>verdadeira, combinando objetos reais e imaginários para enriquecer suas experiências de</p><p>brincadeira.</p><p>Grassi (2020) comenta que, durante o desenvolvimento, as funções amadurecem e surgem</p><p>outras. As mais complexas, que são chamadas de funções psicológicas superiores, como a</p><p>concentração, a memória, o pensamento e a linguagem, precisam de estimulação para serem</p><p>nutridas adequadamente, possibilitando a mielinização dos neurônios e o estabelecimento de</p><p>uma relação afetiva positiva.</p><p>Todas as funções cognitivas aperfeiçoadas no desenvolvimento da criança contribuem para que</p><p>o brinquedo não reproduza apenas um objeto, mas as realidades sociais da criança. Ela se</p><p>relacionará com o brinquedo naquilo que enxerga e vivencia, por isso, você psicopedagogo,</p><p>precisa observar o contexto do processo de aprendizagem, e propiciar atividades que se</p><p>encaixem à necessidade de interesses desse aprendente.</p><p>Siga em Frente...</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Classi�cação dos brinquedos</p><p>Brinquedos! São inúmeras as suas formas: alguns atravessaram gerações, outros se</p><p>reinventaram, deixando uma marca na vida de crianças ao longo de diferentes épocas e regiões</p><p>ao redor do mundo. Essa diversidade re�ete a importância deles como elementos culturais e</p><p>educativos que transcendem fronteiras e conectam pessoas através das gerações.</p><p>[...] os brinquedos se classi�cam em estruturados e não-estruturados. Brinquedos estruturados</p><p>são baseados em características de mídias, só podem ser usados de uma única</p><p>maneira e que</p><p>requerem o mínimo de esforço das crianças. Eles limitam suas habilidades de interagir com</p><p>brinquedo, game imprimir nele suas características pessoais, de usá-lo como forma de se</p><p>expressar e de conquistar uma sensação de domínio sobre seu mundo. Com brinquedos não-</p><p>estruturados, os “valores da brincadeira” estão muito mais na criança. Dessa forma, ela precisa</p><p>con�ar em seus próprios recursos para conduzir a brincadeira. Blocos de madeira são um</p><p>exemplo de brinquedo não-estruturado (LIMA et. al., 2018, p. 136).</p><p>Você consegue pensar em exemplos de brinquedos não estruturados? Você pode considerar os</p><p>objetos comuns, acessíveis e sem formas de�nidas que têm o poder de estimular e enriquecer a</p><p>imaginação das crianças de maneira extraordinária. Por exemplo, pedaços de madeira podem se</p><p>transformar em espadas, caixas de papelão em casinhas, e areia pode se tornar comidinha, tudo</p><p>graças ao potencial que as crianças têm de transformar e organizar seus arredores de acordo</p><p>com sua capacidade imaginativa. Brinquedos não estruturados como esses oferecem</p><p>oportunidades únicas para expandir a capacidade simbólica das crianças, permitindo-lhes</p><p>explorar criativamente o mundo ao seu redor.</p><p>Imagine todos os brinquedos não estruturados, que podem incluir desde terra, água, papel, argila,</p><p>pedras, massas de modelar, tecidos, lãs, botões, caixas e tampas, folhas, galhos, tocos,</p><p>sementes, até madeiras, e muito mais. Esses materiais variados proporcionam às crianças uma</p><p>in�nidade de possibilidades criativas para explorar, experimentar e aprender por meio do brincar,</p><p>estimulando sua imaginação e habilidades de maneiras únicas e envolventes.</p><p>Por outro lado, os brinquedos estruturados podem ser produzidos de maneira artesanal ou</p><p>industrial, mas sua função é claramente de�nida. Por exemplo, um trem, seja de madeira, feito</p><p>por um artesão ou produzido em uma fábrica, representa explicitamente a ideia funcional de um</p><p>trem. Esses brinquedos proporcionam às crianças uma experiência direta e reconhecível do</p><p>mundo ao seu redor, facilitando a aprendizagem e a interação por meio de formas familiares e</p><p>previsíveis de brincadeira.</p><p>Segundo Ferreira (1992, p. 28-30), comentando por Lima et. al. (2018), os brinquedos</p><p>estruturados podem ser agrupados em três categorias:</p><p>1. Prontos: brinquedos que já vêm com mensagens decifradas. A forma e a cor deverão</p><p>corresponder às características do modelo, ou seja, do tipo de mercadoria (objeto) que se deseja</p><p>reproduzir: se é um carro de bombeiro, caminhão, um policial, um bebê, um avião, navio, entre</p><p>outros. Geralmente esses brinquedos são industrializados, feitos de madeira plástica e simulam</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>os elementos encontrados na natureza. Podem também ser feitos em o�cinas artesanais,</p><p>utilizando técnicas primitivas com a madeira, o elemento mais apropriado para o brinquedo, em</p><p>razão de sua resistência e de sua capacidade para assimilar cores.</p><p>2. Mecânicos: brinquedos prontos, com forma limitada e riqueza de detalhes, coloridos e feitos</p><p>de material plástico, resina ou metal. Neles são utilizados eixos ou suportes para manutenção</p><p>dos movimentos. A tecnologia avançada utilizada na sua fabricação garante acabamento</p><p>completo e funcionamento perfeito. Movem-se, ocorrem, deslizam, voam e disparam. Os</p><p>bonecos e os animais cantam, sorriem, mamam, gargalham, urinam, trabalham, batem palmas e</p><p>têm sexo. São brinquedos que dispensam a existência de um sujeito.</p><p>3. Eletrônicos: brinquedos movidos a energia elétrica, acoplados geralmente a uma televisão ou a</p><p>um vídeo. Fabricados com alta tecnologia de ponta, são difundidos tanto nos países</p><p>desenvolvidos como nos subdesenvolvidos. Jogos de bolso, videogames e microcomputadores</p><p>são tipos de brinquedos eletrônicos que exigem manutenção cara e constante. Na visão de</p><p>muitos consumidores, os videogames são importantes para o desenvolvimento do raciocínio, da</p><p>percepção e dos re�exos motores da criança, além de introduzi-la no mundo da informática. Vale</p><p>esclarecer, no entanto, que quem estabelece as regras do jogo e o tempo de ação são os próprios</p><p>eletrônicos, cabendo à criança obedecer a eles para vencer o jogo. Desse modo, passam a ser o</p><p>sujeito da ação, porque trazem uma lógica de jogo imposta à criança (LIMA et. al. 2018, p. 137).</p><p>Ao analisar as diferenças entre brinquedos estruturados e não estruturados, �ca claro que é</p><p>fundamental que você compreenda essas especi�cidades. Isso permite explorar de forma e�caz</p><p>os recursos disponíveis e fazer escolhas adequadas, levando em conta as características e</p><p>potenciais de cada tipo de brinquedo em relação ao ensino e à aprendizagem. Brinquedos</p><p>estruturados oferecem uma experiência mais de�nida e direcionada, enquanto brinquedos não</p><p>estruturados estimulam a criatividade e a exploração livre, ambos desempenhando papéis</p><p>importantes no desenvolvimento infantil e no processo de aprendizagem.</p><p>Vamos Exercitar?</p><p>Estudante, vamos voltar à situação-problema inicial? Você, enquanto psicopedagogo, precisa</p><p>ajudar a resolver a revitalização do espaço de recreação na escola infantil, considerando</p><p>aspectos fundamentais do brinquedo, o brinquedo como processo de desenvolvimento e</p><p>aprendizagem e a classi�cação dos brinquedos. Para isso, deixo aqui algumas possibilidades</p><p>para você analisar e aprimorar:</p><p>Variedade de brinquedos: integre uma variedade de brinquedos estruturados e não estruturados.</p><p>Brinquedos estruturados, como quebra-cabeças, blocos de montar e jogos de tabuleiro, oferecem</p><p>oportunidades para aprendizagem especí�ca e direcionada. Brinquedos não estruturados, como</p><p>caixas de papelão, panos, e materiais de arte, promovem a criatividade e a exploração livre.</p><p>Espaço para imaginação: crie áreas especí�cas no espaço de recreação onde as crianças</p><p>possam usar materiais não estruturados para criar e inventar. Isso pode incluir uma área de</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>construção com blocos de diferentes tipos, uma estação de arte com materiais de arte variados,</p><p>e uma área de dramatização com fantasias e acessórios.</p><p>Rotação e atualização: planeje uma rotação regular de brinquedos e materiais no espaço de</p><p>recreação para manter o interesse e a novidade. Isso também permite adaptar o ambiente às</p><p>necessidades e interesses das crianças ao longo do tempo.</p><p>Observação e feedback: observe como as crianças interagem com os diferentes tipos de</p><p>brinquedos e materiais e colete feedback dos educadores e dos próprios alunos. Isso ajudará a</p><p>ajustar e otimizar o ambiente de recreação para melhor atender aos objetivos educativos e de</p><p>desenvolvimento.</p><p>Incorporação de elementos naturais: integre elementos naturais, como areia, pedras, plantas e</p><p>água, sempre que possível. Esses elementos proporcionam experiências sensoriais únicas e</p><p>estimulam o contato com a natureza, promovendo o desenvolvimento físico e emocional das</p><p>crianças.</p><p>Com essas direções, a escola poderá criar um ambiente de recreação dinâmico e enriquecedor</p><p>que não só ofereça diversão, mas também apoie o desenvolvimento integral das crianças em</p><p>diferentes aspectos cognitivos, sociais, emocionais e físicos.</p><p>Saiba mais</p><p>Sugiro a leitura a seguir para um aprofundamento sobre a importância do brincar:</p><p>MOYLES. Janet R. Só brincar? O papel do brincar na educação infantil. Porto Alegre: Artmed,</p><p>2002.</p><p>Assista também à entrevista com a educadora Tizuko Morchida (USP) sobre a importância do</p><p>brincar.</p><p>Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=09w8a-u-AUU. Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>Referências</p><p>BEMVENUTI, Abel. et al. O lúdico na prática pedagógica. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2012. E-</p><p>book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>FINCK, Silvia C. M. (org.); MARINHO, Herminia R. B.; MATOS JUNIOR, Moacir Á. Pedagogia do</p><p>movimento: universo lúdico e psicomotricidade. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2012. E-book.</p><p>Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=09w8a-u-AUU</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>GRASSI, Tânia Mara. Estimulação essencial: prevenção, detecção, diagnóstico e intervenção no</p><p>processo de desenvolvimento infantil. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2020. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>LIMA, Caroline Costa Nunes. et al. A ludicidade e a pedagogia do brincar. Porto Alegre: Grupo A,</p><p>2018. E-book. ISBN 9788595024700. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595024700/. Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>LUCKESI, Cipriano Carlos. Ludicidade e atividades lúdicas na prática educativa: compreensões</p><p>conceituais e proposições. São Paulo: Cortez, 2023. E-book. ISBN 9786555553611. Disponível</p><p>em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786555553611/. Acesso em: 29 jun.</p><p>2024.</p><p>RUGGERI, Maria Carolina D. (org.). Ludicidade na educação infantil. 1. ed. São Paulo, SP: Pearson,</p><p>2015. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>SILVA, Marcos Ruiz da. Ludicidade. São Paulo, SP: Contentus, 2020. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>SUZUKI, J. T. F. et al. Ludicidade e educação. 1. ed. São Paulo: UNOPAR, 2019. E-book. Disponível</p><p>em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>Aula 2</p><p>Fundamentos do Desenvolvimento Infantil</p><p>Fundamentos do desenvolvimento infantil</p><p>Este conteúdo é um vídeo!</p><p>Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo</p><p>computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo</p><p>para assistir mesmo sem conexão à internet.</p><p>Dica para você</p><p>Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua</p><p>aprendizagem ainda mais completa.</p><p>Olá, estudante! Nesta videoaula, você con�rmará que a aprendizagem é indissociável do lúdico, e</p><p>como o brinquedo pode impulsionar o desenvolvimento cognitivo, afetivo e motor, esclarecendo</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595024700/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786555553611/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br./</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>a relevância dele como recurso de intervenção no processo educativo.</p><p>Esse conteúdo é muito importante para que você aprenda e identi�que os estágios do</p><p>desenvolvimento infantil segundo Piaget, orientando sua prática de forma mais efetiva e</p><p>assertiva.</p><p>Prepare-se para essa jornada de conhecimento! Vamos lá!</p><p>Ponto de Partida</p><p>A infância é um período crucial em que o lúdico e o brinquedo desempenham papéis</p><p>fundamentais no desenvolvimento infantil. Segundo Jean Piaget, o lúdico não é apenas diversão;</p><p>é uma atividade que permite às crianças explorar, experimentar e aprender de maneira ativa.</p><p>Brincando, as crianças desenvolvem habilidades cognitivas, emocionais e sociais, além de</p><p>consolidarem conceitos complexos de forma natural. O lúdico não apenas facilita a assimilação</p><p>de conhecimentos, mas também promove a criatividade, a autonomia e a capacidade de resolver</p><p>problemas, essenciais para um desenvolvimento integral e saudável na infância.</p><p>Em muitas escolas contemporâneas, observa-se uma diminuição das atividades lúdicas em favor</p><p>de métodos mais estruturados de ensino. Isso levanta a questão de como equilibrar o rigor</p><p>acadêmico com a necessidade essencial das crianças de explorar e aprender por meio do</p><p>brincar. Como podemos reintegrar o lúdico de maneira e�caz no currículo escolar, levando em</p><p>consideração as teorias de Piaget sobre o desenvolvimento infantil, para melhorar a qualidade da</p><p>aprendizagem e o desenvolvimento integral das crianças?</p><p>Vamos Começar!</p><p>Fundamentos do Desenvolvimento Infantil</p><p>Podemos olhar para o brinquedo como recurso didático e analisar um caráter mais pragmático,</p><p>considerando alguns aspectos para o desenvolvimento. Podemos pensar no aspecto da</p><p>segurança! Será que é um material pontiagudo? Pode machucar? A criança pode engolir? Gera</p><p>risco para outra criança? Podemos pensar como condição de manipulação! É um recurso de</p><p>liberdade para experimentação? Pensar quanto às habilidades que podem ser desenvolvidas!</p><p>Considerar sempre a faixa etária e as habilidades cognitivas, motoras e verbais. Considerar</p><p>também se esse recurso atende ao objetivo do uso e se gera interesse no aprendente para que</p><p>ele possa construir uma relação afetiva com o objeto. Para fazer uso do brinquedo, considere</p><p>sempre as contribuições e as di�culdades que podem surgir a partir do envolvimento com as</p><p>crianças.</p><p>A Infância, o Lúdico e o Brinquedo</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Teixeira (2018) aborda que o plano de fundo que se descortina em muitas realidades</p><p>educacionais brasileiras é a prevalência de uma aprendizagem mecânica, centrada na</p><p>memorização e em metodologias que não se conectam com atividades práticas do cotidiano,</p><p>nem re�etem a realidade da infância. Segundo Ausubel (2003), a aprendizagem se torna</p><p>signi�cativa quando há uma interação entre os conhecimentos prévios e os novos</p><p>conhecimentos, de forma não arbitrária e substantiva. A teoria da aprendizagem signi�cativa de</p><p>Ausubel propõe um modelo menos rígido, mais dinâmico e relacionado às práticas cotidianas,</p><p>com foco na resolução de problemas. Nesse contexto, os aspectos lúdicos ganham um</p><p>signi�cado especial, pois promovem um ambiente de aprendizagem mais envolvente e relevante</p><p>para as crianças. Incorporar elementos lúdicos no processo educativo não apenas torna a</p><p>aprendizagem mais atrativa, mas também facilita a compreensão e retenção de novos conceitos</p><p>ao conectar o aprendizado com a experiência concreta e o mundo real das crianças.</p><p>O autor acrescenta que um educador comprometido com a aprendizagem dos alunos não deve</p><p>se concentrar apenas na memorização. Ele precisa engajar-se em uma prática que seja</p><p>signi�cativa para os alunos. Brincadeiras e jogos, que são comuns na rotina das crianças,</p><p>juntamente com outros elementos lúdicos como literatura, desenho, música, dramatização e arte,</p><p>podem promover resultados mais e�cazes na aprendizagem. No entanto, a atividade lúdica por si</p><p>só nem sempre resulta em aprendizagem. É necessário que haja a mediação do professor, um</p><p>planejamento adequado e uma intencionalidade clara para que esses momentos lúdicos</p><p>contribuam efetivamente para o desenvolvimento dos alunos.</p><p>A ludicidade é um dos principais eixos norteadores do processo de ensino aprendizagem e as</p><p>preocupações relacionadas à educação existem há muito tempo, principalmente aquelas que</p><p>tratam do ensinar e do aprender. Uma evidência importante apontada por Freire (1989), pela</p><p>perspectiva de Finck et.al. (2012), é o processo educativo relacionado à corporeidade, em que a</p><p>criança vivencie tudo o que se aprende na escola.</p><p>O referido autor destaca que os conceitos temporais e numéricos, entre outros, são</p><p>tradicionalmente desenvolvidos nas atividades de escrever, desenhar e recortar e defende que</p><p>esses conhecimentos podem ser trabalhados num contexto de jogos motores, de forma associar</p><p>a tarefa da escola mais diretamente com as características próprias da criança. [...] O lúdico tem</p><p>grande valor educativo e pode ser utilizado como um dos recursos didáticos contribuindo com o</p><p>desenvolvimento de atividades didático-pedagógicas (FINCK et.al., 2012, p. 82-83).</p><p>Certamente, quando falamos de crianças, o universo da fantasia não pode ser ignorado,</p><p>especialmente no que diz respeito ao conhecimento e à aprendizagem. Como psicopedagogo, é</p><p>crucial reconhecer que a prática pedagógica deve ter um caráter lúdico. Você desempenha um</p><p>papel fundamental ao auxiliar o professor na organização das atividades de maneira que</p><p>atendam às necessidades e aos interesses das crianças, colaborando tanto para a construção do</p><p>conhecimento quanto para a superação das di�culdades. A integração de elementos lúdicos nas</p><p>atividades pedagógicas torna a aprendizagem mais envolvente e e�caz, permitindo que as</p><p>crianças explorem e compreendam o mundo ao seu redor de forma mais signi�cativa e</p><p>prazerosa.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Finck et. al. (2012) argumenta que o brincar pode ser compreendido como a capacidade criativa</p><p>da criança, que está diretamente ligada às suas vivências. Toda brincadeira é uma imitação</p><p>transformada no plano das emoções e das ideias, baseada em uma realidade previamente</p><p>diferenciada. Durante o ato de brincar, sinais e gestos subjetivos, assim como os espaços,</p><p>adquirem signi�cados profundos que diferem de suas aparências. A brincadeira favorece a</p><p>autoestima da criança e contribui para a internalização de modelos adultos presentes em</p><p>diversos grupos sociais.</p><p>O Lúdico no Desenvolvimento e na Aprendizagem</p><p>A aprendizagem pode ser de�nida como a aquisição de habilidades, hábitos e preferências, ou</p><p>seja, a aquisição de padrões de desempenho em resposta aos desa�os ambientais. Cada</p><p>pessoa, de maneira única e no seu próprio tempo, dá sentido à sua história, que por sua vez gera</p><p>valores, normas e padrões de comportamento. Essa história pessoal e única cria um sentido</p><p>dentro do contexto cultural de cada indivíduo, moldando suas interações com o mundo e</p><p>in�uenciando seu desenvolvimento contínuo (CÓRIA-SABINI; LUCENA, 2019). Perceba, estudante,</p><p>que compreender a aprendizagem, nessa perspectiva, ressalta a importância de respeitar as</p><p>diferenças individuais e os contextos culturais na educação, promovendo um ambiente de</p><p>aprendizado mais inclusivo e signi�cativo.</p><p>A aprendizagem pode ser de�nida como a assimilação do conhecimento histórico e social</p><p>acumulado. Durante esse processo, o estudante desenvolve seus próprios signi�cados, formula</p><p>generalizações e interpreta as informações recebidas, aplicando esse entendimento a novas</p><p>situações. Quando o professor está excessivamente preocupado com o currículo, ele acaba</p><p>criando limitações nas experiências signi�cativas das crianças. E você deve ter se perguntado:</p><p>“Professora, você está fazendo uma crítica ao professor?” Sim, mas a crítica não tem relação</p><p>exclusivamente com ele, mas com as experiências dele, que o impedem de explorar com mais</p><p>intencionalidade o brincar no momento da aprendizagem. Por isso, seu papel, enquanto</p><p>psicopedagogo, é imprescindível na prática educativa.</p><p>Vários autores fazem contribuições sobre a importância lúdica para o processo de aprendizagem</p><p>e como isso interfere diretamente com o desenvolvimento infantil. Em um resgate da história</p><p>entre jogo e prática educativa, podemos destacar:</p><p>Jean-Jacques Rousseau, �lósofo suíço (1712-1778), realizou os primeiros estudos</p><p>relacionando o jogo ao contexto educacional. A propósito, ele a�rma que “em todos os</p><p>jogos em que estão persuadidas de que se trata apenas de jogos, as crianças sofrem sem</p><p>se queixar, rindo mesmo, o que nunca sofreriam de outro modo sem derramar torrentes de</p><p>lágrimas.”</p><p>Johann Heinrich Pestalozzi, pedagogo suíço (1746-1827), colocou em prática as ideias de</p><p>Rousseau. Pestalozzi assim asseverava: “A escola é uma verdadeira sociedade, na qual o</p><p>senso de responsabilidade e as formas de cooperação são su�cientes para educar as</p><p>crianças, e o jogo é um fator decisivo que enriquece o senso de responsabilidade e forti�ca</p><p>as normas de cooperação.”</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Friedrich Froebel, pedagogo alemão (1782-1852) que seguiu o caminho desenhado por</p><p>Pestalozzi, defendia como fundamental “que a pedagogia considere a criança como</p><p>atividade criadora e desperte, mediante estímulos, as suas faculdades para criação</p><p>produtiva. Com eles se fortalecem os métodos lúdicos na educação. O grande educador</p><p>consegue, pelo jogo, um admirável meio para promover a educação das crianças.”</p><p>John Dewey, pedagogo e �lósofo norte-americano (1859-1952), entendia a educação como</p><p>parte do desenvolvimento natural do ser humano. Ele assinalava que o jogo “faz o ambiente</p><p>natural da criança, ao passo que as referências abstratas e remotas não corresponde ao</p><p>interesse da criança”, e que “a escola deve representar a vida presente, uma vida tão real e</p><p>vital para a criança como a que vive em sua casa, na vizinhança ou no campo de jogo.”</p><p>Maria Montessori, médica italiana (1870-1952), cuja tríade “atividade, individualidade e</p><p>liberdade” ainda inspira muitos educadores, é a criadora do Material Dourado e, seguindo</p><p>os ensinamentos de Froebel, pensa uma educação baseada em jogos sensoriais,</p><p>defendendo um processo educativo que contemple os contextos intra e extraescolar.</p><p>Jamais pode ser esquecida pois sua pedagogia é um Marco para os jardins de infância e o</p><p>início da escolarização.</p><p>Roger Cousinet, pedagogo francês (1881-1973), um dos fundadores do escolanovismo,</p><p>considerava o jogo e a brincadeira atividades naturais da criança e defendia que a ação</p><p>educativa precisava fundamentar se neles: seu método pedagógico tem por base o jogo.</p><p>Anton Makarenko, pedagogo russo (1888-1939) que voltou seus interesses aos menores</p><p>abandonados, entende o lúdico como faceta concreta e viva do universo infantil. Defendia</p><p>que o jogo estava para criança como o trabalho está para o adulto. Isto é, pensando no jogo</p><p>como coisa séria, propagava a necessidade de planejar e acompanhá-lo. Makarenko, em</p><p>virtude disso, cunhou a célebre frase: “O carinho, como o jogo e a comida, exige certa</p><p>dosagem.”</p><p>Jean Chateau, pedagogo francês (1908-1990), não dissocia jogo e criança.</p><p>Emocionadamente, ele faz uma amedrontadora suposição de uma escola com crianças</p><p>sem brincar:</p><p>[...] suponhamos que, de repente, nossas crianças parem de brincar, que os pátios de nossas</p><p>escolas �quem silenciosos, que não tivéssemos mais perto de nós esse mundo infantil que faz a</p><p>nossa Alegria e o nosso tormento, mas o mundo triste de pigmeus desajeitados silenciosos, sem</p><p>inteligência sem alma. Pigmeus que poderiam crescer, mas que conservariam por toda a sua</p><p>existência a mentalidade de pigmeus, de seres primitivos. Pois é pelo jogo, pelo brinquedo, que</p><p>crescem a alma e a inteligência. É pela tranquilidade, pelo silêncio - pelos quais os pais às vezes</p><p>se alegram erroneamente - que se anunciam frequentemente no bebê as graves de�ciências</p><p>mentais. Uma criança que não sabe brincar, uma miniatura de velho, será um adulto que não</p><p>saberá pensar. (CHATEAU, 1987, p. 14).</p><p>Paulo Freire (1921-1997), para quem o brincar era essencial aos processos de construção e</p><p>reconstrução do saber, para quem a alegria na escola era elemento tão importante quanto</p><p>os conteúdos a serem ensinados, pai da ideia do uso de jogos na alfabetização de adultos.</p><p>Prosseguindo na contemporaneidade, o �lósofo e antropólogo francês Brougére (1997, p.</p><p>91), ao indagar-se acerca das possibilidades da brincadeira e em relação ao fato de ela ter</p><p>se estranhado no mundo da educação, explica que “a brincadeira é boa porque a natureza</p><p>pura, representada pela criança, é boa; tornar a brincadeira um suporte pedagógico é seguir</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>a natureza.” Dessa maneira, não há espaço para qualquer hesitação em trazer a ludicidade</p><p>para o cotidiano do processo de ensino e aprendizagem, sobretudo no início da</p><p>escolarização. (MIRANDA, 2022, s/n).</p><p>A atividade lúdica atua como um valioso laboratório, onde ocorrem experiências inteligentes e</p><p>re�exivas. Por meio dessas atividades, as crianças têm a oportunidade de experimentar e</p><p>vivenciar situações que produzem conhecimento. Essa experiência prática é fundamental, pois</p><p>permite que os conhecimentos adquiridos se tornem concretos e tangíveis. Ao brincar, as</p><p>crianças não apenas se divertem, mas também consolidam e aplicam de maneira prática os</p><p>conceitos aprendidos, facilitando um aprendizado mais profundo e signi�cativo.</p><p>Siga em Frente...</p><p>Desenvolvimento Infantil Segundo Jean Piaget</p><p>Imagine, estudante, se fosse possível acompanharmos as fases do desenvolvimento para</p><p>ajustarmos as atividades necessárias e desenvolver ou aperfeiçoar alguma habilidade dos</p><p>aprendentes? Seria incrível, não é mesmo? Você, certamente, dominará em sua prática os</p><p>estágios de desenvolvimento abordados por Piaget. E, quem vai conduzir nossa conversa sobre</p><p>esses estágios é Tânia Grassi (2020).</p><p>Para Piaget (2015, p. 11 -12), o desenvolvimento mental é</p><p>uma construção contínua em que há</p><p>ajustes, mobilidade e �exibilidade,</p><p>“uma equilibração progressiva, uma passagem contínua de um estado menor de equilíbrio para</p><p>um estágio de equilíbrio superior”.</p><p>No que tange às funções da inteligência e da afetividade, o autor acrescenta que</p><p>“quanto mais estáveis, mas haverá mobilidade” (PIAGET, 2015, p. 11-12 apud GRASSI, 2020, p.</p><p>88).</p><p>Sabemos que um sujeito ativo estrutura o seu conhecimento a partir de esquemas, assimilação,</p><p>acomodação e equilibração. Diante de novas e desa�adoras experiências, ocorrem a</p><p>desequilibração e a busca pela equilibração, que é a adaptação, ou seja, o equilíbrio entre a</p><p>assimilação e a acomodação. E quais são os estágios desse desenvolvimento, vamos ver?</p><p>O primeiro estágio, conhecido como estágio sensório-motor, abrange desde o nascimento até</p><p>aproximadamente dois anos de idade. Esse estágio é dividido em três subestágios: o estágio dos</p><p>re�exos, o estágio dos hábitos motores e as primeiras percepções organizadas. O</p><p>desenvolvimento psicomotor progressivamente oferece mais oportunidades para a exploração</p><p>do ambiente e dos objetos, contribuindo signi�cativamente para a construção da inteligência da</p><p>criança. À medida que os re�exos arcaicos se transformam, as habilidades motoras se</p><p>expandem, permitindo uma maior manipulação dos objetos. Isso favorece a construção de</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>estruturas cognitivas mais complexas. O desenvolvimento da inteligência nesse estágio é</p><p>caracterizado por manifestações especí�cas chamadas de reações circulares, em que a criança</p><p>repete suas ações com base nos resultados obtidos, adicionando progressivamente novos</p><p>elementos às suas atividades.</p><p>Entre os dois e seis anos, a criança encontra-se no estágio pré-operatório, em que a linguagem</p><p>desempenha um papel fundamental. A capacidade de linguagem permite que a criança</p><p>reconstrua suas ações passadas por meio de narrativas e antecipe suas ações futuras por meio</p><p>de representações verbais. A linguagem também marca o início do pensamento, da socialização</p><p>e da interiorização da ação. Progressivamente, desenvolve-se uma inteligência representativa</p><p>que possibilita a simbolização, em que objetos e situações podem ser evocados por meio de</p><p>sinais e símbolos.</p><p>A imitação, especialmente no jogo simbólico, no qual o pensamento se baseia na intuição, tem o</p><p>papel de satisfazer o ego por meio da transformação do real conforme os desejos da criança.</p><p>Esse tipo de jogo está presente nas atividades lúdicas, sendo acompanhado pela linguagem</p><p>verbal oral e pela imaginação. Nesse estágio, o pensamento egocêntrico é centralizado no</p><p>próprio sujeito, caracterizado pelo animismo (atribuição de vida a objetos inanimados e</p><p>características humanas a animais), antropomor�smo (atribuição de características humanas a</p><p>objetos e animais) e transdedutividade (raciocínio que parte do particular para o particular para</p><p>entender ou explicar fatos).</p><p>O estágio operatório concreto começa por volta dos sete anos e se estende até</p><p>aproximadamente os onze anos. Durante esse estágio, ocorre a objetivação e a descentralização</p><p>do pensamento, além da ampliação da socialização. A criança, nesta fase, aprende a coordenar,</p><p>analisar e sintetizar diferentes pontos de vista, chegando a conclusões baseadas em</p><p>experiências concretas. Ela passa a compreender conceitos como conservação de peso, volume,</p><p>massa, líquido, espaço, número, reversibilidade, agrupamentos, classi�cação e seriação. As</p><p>interações sociais se tornam mais desenvolvidas e os jogos e atividades lúdicas continuam a</p><p>desempenhar um papel central no seu desenvolvimento.</p><p>No estágio operatório formal, o pensamento transcende as limitações da realidade concreta. A</p><p>partir dos doze anos, o indivíduo começa a considerar possibilidades, levantar e analisar</p><p>hipóteses. Em resumo, ele utiliza o raciocínio hipotético-dedutivo. Esse estágio representa o nível</p><p>mais complexo de pensamento e o máximo desenvolvimento cognitivo. A partir deste ponto, o</p><p>pensamento continua a se ajustar, a se aperfeiçoar e a se solidi�car ao longo do tempo.</p><p>É importante destacar que as faixas etárias indicadas para cada estágio são apenas diretrizes,</p><p>pois existem variações que dependem das diferenças individuais, das experiências de estímulo</p><p>dentro do contexto socioeconômico e cultural, além de possíveis transtornos no processo de</p><p>desenvolvimento.</p><p>Vamos Exercitar?</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Estudante, como podemos reintegrar o lúdico de maneira e�caz no currículo escolar, levando em</p><p>consideração as teorias de Piaget sobre o desenvolvimento infantil, para melhorar a qualidade da</p><p>aprendizagem e o desenvolvimento integral das crianças?</p><p>Para reintegrar o lúdico de maneira e�caz no currículo escolar, é essencial adotar uma</p><p>abordagem integrativa que valorize tanto o rigor acadêmico quanto a importância do brincar no</p><p>desenvolvimento infantil. Incorporar atividades lúdicas que sejam ao mesmo tempo educativas e</p><p>divertidas pode ser alcançado por meio de planejamento curricular colaborativo entre</p><p>professores e especialistas em desenvolvimento infantil. Estratégias incluem a criação de</p><p>ambientes de aprendizagem �exíveis que permitem tempo e espaço para o brincar, integrando</p><p>jogos educativos que estimulem a criatividade, a cooperação e a resolução de problemas. Dessa</p><p>forma, as escolas podem proporcionar experiências de aprendizagem mais enriquecedoras que</p><p>respeitem e promovam o desenvolvimento integral das crianças, alinhando-se com as teorias de</p><p>Piaget sobre o desenvolvimento infantil.</p><p>Saiba mais</p><p>Sugiro a leitura das páginas 90 – 95 do livro Estimulação essencial: prevenção, detecção,</p><p>diagnóstico e intervenção no processo de desenvolvimento infantil para maiores detalhes sobre</p><p>os estágios do desenvolvimento infantil na epistemologia genética de Piaget:</p><p>GRASSI, Tânia Mara. Estimulação essencial: prevenção, detecção, diagnóstico e intervenção no</p><p>processo de desenvolvimento infantil. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2020. E-book.</p><p>Destaco também que Vygotsky é um dos principais autores a serem estudados para o</p><p>aprofundamento do tema da ludicidade e suas contribuições para o desenvolvimento infantil. Seu</p><p>livro A formação social da mente (1994) traz excelentes textos sobre o assunto.</p><p>Referências</p><p>CÓRIA-SABINI, Maria Aparecida; LUCENA, Regina Ferreira de. Jogos e brincadeiras na educação</p><p>infantil. 1. ed. Campinas: Papirus, 2019. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>FINCK, Silvia C. M. (org.); MARINHO, Herminia R. B.; MATOS JUNIOR, Moacir Á. Pedagogia do</p><p>movimento: universo lúdico e psicomotricidade. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2012. E-book.</p><p>Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>FURTADO, Valéria Queiroz; FURLAN, Marta Regina. Brincar, reciclar e aprender na</p><p>infância: efetivando práticas pedagógicas à luz da BNCC. Petrópolis: Vozes, 2023. E-book.</p><p>Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>GRASSI, Tânia Mara. Estimulação essencial: prevenção, detecção, diagnóstico e intervenção no</p><p>processo de desenvolvimento infantil. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2020. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>LUCKESI, Cipriano Carlos. Ludicidade e atividades lúdicas na prática educativa: compreensões</p><p>conceituais e proposições. São Paulo: Cortez, 2023. E-book. ISBN 9786555553611. Disponível</p><p>em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786555553611/. Acesso em: 29 jun.</p><p>2024.</p><p>MIRANDA, Simão de. O�cina de ludicidade na escola. 1. ed. Campinas: Papirus, 2022. E-book.</p><p>Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>RUGGERI, Maria Carolina D. (org.). Ludicidade na educação infantil. 1. ed. São Paulo, SP: Pearson,</p><p>2015. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br.</p><p>Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>SILVA, M. R. Ludicidade São Paulo, SP: Contentus, 2020. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>TEIXEIRA, Karyn Liane. O universo lúdico no contexto pedagógico. 1. ed. Curitiba: Intersaberes,</p><p>2018. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>Aula 3</p><p>A Importância do Lúdico para o Desenvolvimento Infantil</p><p>A Importância do lúdico para o desenvolvimento infantil</p><p>Este conteúdo é um vídeo!</p><p>Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo</p><p>computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo</p><p>para assistir mesmo sem conexão à internet.</p><p>Dica para você</p><p>Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua</p><p>aprendizagem ainda mais completa.</p><p>Olá, estudante! Nesta videoaula, você aperfeiçoará seu conhecimento sobre o desenvolvimento</p><p>infantil a partir das contribuições de Wallon, Elkonim e Vygotsky por meio de características e</p><p>estágios que enfatizam a importância das interações para o desenvolvimento global.</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786555553611/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br./</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Esse conteúdo é muito importante para que você utilize a psicomotricidade e o lúdico nas</p><p>intervenções, promovendo um processo de aprendizagem dinâmico e assertivo.</p><p>Prepare-se para essa jornada de conhecimento! Vamos lá!</p><p>Ponto de Partida</p><p>A compreensão do desenvolvimento infantil é enriquecida pelas contribuições de teóricos como</p><p>Wallon e Elkonim, cada um oferecendo perspectivas valiosas. Wallon, por meio da</p><p>psicomotricidade, destaca a importância das interações entre o corpo e a mente na formação do</p><p>sujeito. Elkonim, fundamentado na teoria de Vygotsky, descreve os estágios do desenvolvimento</p><p>infantil, enfatizando a in�uência crucial das interações sociais e culturais. Complementando</p><p>essas abordagens, a utilização do lúdico em intervenções psicopedagógicas se revela essencial</p><p>para promover o aprendizado e o desenvolvimento emocional das crianças, tornando o processo</p><p>educativo mais dinâmico e e�caz.</p><p>Vamos problematizar? Em uma escola de ensino fundamental, a equipe pedagógica observa que,</p><p>apesar dos esforços, muitas crianças apresentam di�culdades em desenvolver habilidades</p><p>sociais e emocionais, além de problemas na coordenação motora. Embora o currículo inclua</p><p>atividades estruturadas e conteúdos acadêmicos tradicionais, falta uma abordagem integrada</p><p>que promova o desenvolvimento integral dos alunos. Como a equipe pedagógica pode utilizar as</p><p>contribuições de Wallon, Elkonim e Vygotsky, bem como a integração do lúdico nas intervenções</p><p>psicopedagógicas, para criar um ambiente de aprendizagem mais holístico e e�caz, atendendo</p><p>às necessidades variadas das crianças?</p><p>Vamos Começar!</p><p>A Importância do Lúdico para o Desenvolvimento Infantil</p><p>O brincar desempenha um papel central no desenvolvimento infantil, proporcionando às crianças</p><p>oportunidades únicas de explorar, aprender e crescer. Segundo teorias como as de Piaget, o ato</p><p>de brincar não é apenas uma atividade recreativa, mas fundamental para o desenvolvimento</p><p>cognitivo, emocional e social das crianças. Este ensaio explora como o brincar in�uencia</p><p>positivamente o desenvolvimento infantil, analisando sua importância na formação de</p><p>habilidades essenciais e na promoção de um aprendizado signi�cativo e integrativo.</p><p>Contribuições de Wallon e da Psicomotricidade para a Compreensão do</p><p>Desenvolvimento Infantil</p><p>Wallon concentrou suas pesquisas na análise da origem dos processos psíquicos humanos,</p><p>focando especialmente no desenvolvimento infantil como objeto de estudo. Ele também se</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>empenhou em fornecer contribuições para a educação das crianças, reconhecendo a infância</p><p>como uma fase crucial do desenvolvimento humano. Com o auxílio da Grassi (2020),</p><p>percorreremos as contribuições de Wallon e da psicomotricidade, para que você construa um</p><p>conceito denso sobre o desenvolvimento infantil.</p><p>Wallon adotou o método materialista dialético para investigar o desenvolvimento infantil, em que</p><p>a natureza precede o pensamento e a existência, e a razão se aplica para compreender a</p><p>realidade em suas contradições. Ele estudou a evolução psíquica da criança em vários estágios e</p><p>campos de atividade, enfatizando as interações do sujeito com o meio. Suas pesquisas</p><p>abrangeram aspectos afetivos, cognitivos e motores das crianças, considerando também seus</p><p>vínculos sociais e emocionais. Em sua abordagem, o desenvolvimento humano segue etapas</p><p>sequenciais, cada uma marcada por necessidades e interesses especí�cos, preparando o</p><p>caminho para a fase seguinte. Cada etapa é de�nida pela interação única entre a criança e seu</p><p>meio cultural, além do ritmo funcional do organismo.</p><p>O desenvolvimento infantil segue uma sequência determinada pelo aspecto orgânico, porém, sua</p><p>duração pode variar de acordo com as interações sociais e as particularidades individuais da</p><p>criança. Segundo Galvão (2017), esse ritmo é caracterizado por avanços, retrocessos, rupturas e</p><p>reviravoltas, com os estágios sucedendo-se através de transições marcadas por crises</p><p>decorrentes de con�itos internos (endógenos) e externos (exógenos), impulsionando o processo</p><p>de desenvolvimento (GRASSI, 2020).</p><p>Essa abordagem teórica enfatiza que o desenvolvimento das funções psicológicas superiores na</p><p>criança é in�uenciado cada vez mais pela interação com o ambiente cultural, não se limitando</p><p>apenas à maturação biológica do sistema nervoso central. Essa mudança destaca como os</p><p>aspectos sociais e culturais têm um papel crucial na formação e evolução das capacidades</p><p>cognitivas e emocionais das crianças. É importante ressaltar que</p><p>“o desenvolvimento da inteligência depende da maturação biológica das condições oferecidas</p><p>pela cultura e da apropriação do sujeito numa interação complexa e dinâmica em permanente</p><p>processo de especialização” (GRASSI, 2020, p. 96).</p><p>A presença inicial de re�exos primários nos bebês é crucial para as primeiras interações com o</p><p>ambiente. Com o tempo, esses re�exos são substituídos por comportamentos motores mais</p><p>complexos à medida que o sistema nervoso central amadurece. Esse processo é essencial para</p><p>o desenvolvimento das habilidades psicomotoras, evidenciando a integridade neurológica da</p><p>criança ao longo do seu crescimento.</p><p>Cuidar de um bebê não se resume apenas à sua sobrevivência física, mas também é essencial</p><p>para estimular o seu desenvolvimento e estabelecer vínculos afetivos fundamentais para a</p><p>formação da sua personalidade. Além de alimentar, trocar, vestir, banhar e manter o bebê</p><p>aquecido, é crucial observá-lo atentamente, controlar os estímulos externos para garantir seu</p><p>bem-estar, e se comunicar de maneira amorosa, interpretando suas necessidades, desejos e</p><p>sentimentos. Essa interação afetiva contribui signi�cativamente para o seu crescimento</p><p>emocional e cognitivo.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>“De acordo com Wallon (2010), o desenvolvimento humano acontece graças à relação entre o</p><p>organismo biológico e o meio sociocultural, da interação e interdependência dos aspectos</p><p>neuropsicomotores, psicoafetivos e psicossociais” (GRASSI, 2020, p. 100).</p><p>Wallon concebe o desenvolvimento</p><p>como uma construção progressiva em que se sucedem fases com predominância</p><p>alternadamente afetiva e cognitiva. Cada fase tem um colorido próprio, imunidade solidária, que</p><p>é dada pelo predomínio de um tipo de atividade. As atividades predominantes correspondem aos</p><p>recursos que a criança dispõe, no momento, para interagir com o ambiente (GRASSI, 2020, p.</p><p>100).</p><p>Para o teórico, a relação emocional entre mãe e bebê desempenha um papel crucial no</p><p>desenvolvimento psicomotor da criança. A simbiose afetiva se estabelece através do diálogo</p><p>tônico, no qual o bebê expressa suas emoções por meio de sinais como choro, sorrisos e</p><p>modulações tonais, enquanto a mãe interpreta esses sinais e lhes atribui signi�cado,</p><p>fortalecendo o vínculo afetivo entre ambos. Essa interação não apenas satisfaz as necessidades</p><p>emocionais do bebê, mas também contribui para seu desenvolvimento cognitivo e emocional.</p><p>Além disso, a interação entre a mãe e o bebê, quando a mãe responde às ações e</p><p>comportamentos da criança, estimula a imitação, um processo fundamental para o</p><p>desenvolvimento infantil. A imitação permite que o bebê distinga entre si mesmo e os outros,</p><p>facilitando a identi�cação com �guras signi�cativas. Esse processo contribui para a formação de</p><p>um sujeito único, humano, desejante e autônomo, à medida que ele se desenvolve com base nas</p><p>interações sociais e afetivas iniciais.</p><p>A evolução psicomotora é marcada pela aquisição de comportamentos motores organizados em</p><p>uma sequência que depende por um lado da maturação neuropsicomotora, e de outro da</p><p>estimulação recebida. Essas conquistas indicam que o desenvolvimento está acontecendo como</p><p>esperado, e quando há alterações ou atrasos estes servem de sinal de alerta devendo ser</p><p>pesquisados porque podem indicar problemas necessidades especiais e encaminhamentos.</p><p>Siga em Frente...</p><p>Estágios do Desenvolvimento Infantil Segundo Elkonim</p><p>Fundamentado na Teoria de Vygotsky</p><p>Vygotsky, insatisfeito com as explicações comportamentalistas dos processos psicológicos pós-</p><p>revolução russa, buscou uma compreensão mais profunda dos fenômenos complexos e dos</p><p>processos psicológicos superiores. Ele argumentou que as abordagens comportamentalistas</p><p>eram inadequadas para explicar esses aspectos mais avançados da psicologia humana. Seus</p><p>estudos integraram conhecimentos de neurologia, �siologia e história social, enfatizando que os</p><p>processos psicológicos superiores são moldados pela interação social e cultural. Vygotsky</p><p>propôs que a compreensão completa da psicologia humana requer uma abordagem</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>multidisciplinar que considere tanto os fatores biológicos quanto os contextos históricos e</p><p>sociais. Sua pesquisa in�uencia diretamente os estudiosos da educação em suas práticas</p><p>pedagógicas e psicopedagógicas (GOULART, 2023). Para ele,</p><p>“ao brincar, a criança assume papéis e aceita as regras próprias da brincadeira, executando,</p><p>imaginariamente, tarefas para as quais ainda não está apta ou não sente como agradáveis na</p><p>realidade” (VYGOTSKY, 2009 apud BROLESI, 2019, p. 79).</p><p>Brolesi (2019) vai conduzir nossa discussão apresentando os cinco estágios de desenvolvimento</p><p>psíquico do ser humano que Elkonim (1997) descreveu, baseado na teoria de Vygotsky.</p><p>Elkonim (1997 apud Brolesi, 2019) descreve a comunicação emocional do bebê como um estágio</p><p>de desenvolvimento psíquico que começa nos primeiros meses de vida e dura até cerca de um</p><p>ano de idade. Esse estágio é marcado pelo início das ações sensório-motoras de manipulação.</p><p>Embora o bebê precise se adaptar às novas condições de vida, ele é incapaz de sobreviver</p><p>sozinho. Para lidar com isso, o bebê utiliza recursos próprios da sua idade, como o choro, para se</p><p>comunicar e expressar suas vontades, desejos, necessidades e frustrações. A interação com os</p><p>adultos ao seu redor e com o ambiente em que vive é crucial, pois é a partir desse contato que o</p><p>bebê inicia um intenso processo de aprendizagem, construindo seu próprio repertório de</p><p>imagens, sensações e vocabulário. Essa base é fundamental para seu desenvolvimento psíquico.</p><p>A atividade objetal manipulatória, como segundo estágio, tem o adulto como fundamental na</p><p>vida do bebê. Além de assegurar a sobrevivência do bebê, o adulto desempenha um papel</p><p>educativo, ensinando o nome dos objetos, suas funções e formas de utilização. Com a mediação</p><p>do adulto e o desenvolvimento da linguagem, o bebê começa a assimilar as ações relacionadas</p><p>aos objetos que manipula. Consequentemente, ele aprende a lidar com esses objetos,</p><p>descobrindo suas funções e signi�cados sociais, e na imitação passa a satisfazer suas</p><p>necessidades. Essa interação não só fortalece a compreensão do mundo ao seu redor, mas</p><p>também contribui signi�cativamente para o seu desenvolvimento cognitivo e social, iniciando a</p><p>formação da sua consciência, isto é, sua identidade.</p><p>No estágio de jogo de papéis sociais, que se torna especialmente evidente no início do período</p><p>pré-escolar, o simbolismo assume um papel central. A criança desenvolve a capacidade de</p><p>verbalizar o nome de um objeto, pensar nele mentalmente, compreender sua função social e</p><p>saber como utilizá-lo. Vale destacar que apropriar-se do nome e da função não signi�ca que ela</p><p>domine as operações exigidas no mundo real. Um exemplo é a criança dirigir o carro na</p><p>representação de faz de conta, como fazem os adultos, mas ainda não ser capaz de fazê-lo na</p><p>realidade. Esse avanço é possibilitado pelo desenvolvimento psíquico, que permite a</p><p>representação simbólica. Nesse estágio, a criança começa a explorar e interpretar o mundo ao</p><p>seu redor de maneira mais complexa, imitando e recriando as ações e papéis dos adultos. Essa</p><p>prática não apenas enriquece sua compreensão das relações sociais e culturais, mas também</p><p>promove o desenvolvimento de habilidades cognitivas e linguísticas essenciais para seu</p><p>crescimento.</p><p>Nesse estágio, além do círculo familiar e social, a criança passa a integrar um novo ambiente</p><p>social ao transitar do pré-escolar para o ensino fundamental. Essa transição marca o início de</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>novas interações, agora com diferentes professores e novos colegas, ampliando seu círculo de</p><p>relacionamentos. A atividade de estudo começa a substituir as brincadeiras simbólicas,</p><p>introduzindo a criança a novas responsabilidades e propósitos, como tarefas escolares e</p><p>deveres. Esse período modi�ca a relação da criança com os adultos, em que a comunicação</p><p>adquire um novo signi�cado, re�etido em perguntas sobre a experiência escolar, como "Como foi</p><p>na escola?". A escola, ao ensinar a importância do estudo, promove a capacidade de re�exão,</p><p>análise, pensamento teórico e o início da consciência crítica, preparando a criança para desa�os</p><p>mais complexos e para o desenvolvimento integral.</p><p>No quinto estágio, a comunicação íntima pessoal e a atividade pro�ssional de estudo se tornam</p><p>centrais, especialmente durante a adolescência. Nesse período, os adolescentes desenvolvem</p><p>uma postura mais crítica em relação às exigências que enfrentam, fortalecendo seu</p><p>posicionamento pessoal tanto em relação ao grupo quanto às realidades impostas pelo contexto</p><p>em que vivem. O estudo continua sendo uma atividade importante, mas o desenvolvimento</p><p>humano do adolescente passa por transformações signi�cativas. Características como a</p><p>formação do caráter, a tomada de consciência das suas particularidades e o avanço intelectual</p><p>ganham destaque. Esses fatores permitem que os adolescentes transformem seus pensamentos</p><p>em orientações claras, desejos concretos, interesses especí�cos e propostas bem-de�nidas,</p><p>preparando-os para a vida adulta e para a integração plena na sociedade.</p><p>A Utilização do Lúdico em Intervenções Psicopedagógicas</p><p>Sabe quando você vai iniciar o processo de intervenção? No primeiro contato com o aprendente!</p><p>Ao conhecer a história, ao construir o rapport (laços de con�ança, de proximidade), ao entender</p><p>os hábitos preferências e di�culdades, você inicia um processo de atendimento personalizado.</p><p>Para que você possa pensar na estratégia lúdica que utilizará, é preciso primeiro re�etir sobre a</p><p>di�culdade ou diagnóstico.</p><p>A intervenção psicopedagógica busca levar o sujeito-aprendiz a construir sua aprendizagem de</p><p>forma autônoma, tomando consciência do seu “poder aprender”, atingindo ao máximo seu</p><p>potencial, desenvolvendo o “aprender a aprender”, “o prazer em aprender” e construindo o</p><p>verdadeiro “desejo de aprender”. (...) O sujeito-aprendiz �ca consciente de suas possibilidades</p><p>nesse processo, de sua “própria autoria”. Tal construção levará à melhoria, ao crescimento d</p><p>autoconceito, da autoimagem, da autoestima. (WEISS, 2015, p. 11 apud TAVARES, 2021, p. 11).</p><p>Você deve estar</p><p>se perguntando: “Como construir a intervenção psicopedagógica?”. No contexto</p><p>escolar, todo o processo de intervenção se inicia a partir do entendimento e da análise da queixa</p><p>trazida pela família e das percepções da escola.  As queixas são analisadas, são evidenciados os</p><p>sintomas, sinalizados os aspectos que serão desenvolvidos com a escola e com a família, e, a</p><p>partir deste ponto, é a hora de organizar as intervenções.</p><p>A brincadeira e o jogo são ferramentas psicopedagógicas essenciais para o desenvolvimento do</p><p>aprendiz. A brincadeira abrange um conjunto de atividades em que a imaginação desempenha</p><p>um papel central, permitindo que as regras sejam �exíveis e ajustáveis conforme os participantes</p><p>desejam. Por outro lado, os jogos também envolvem a imaginação, mas são mais estruturados,</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>com uma ênfase maior nas regras que guiam as ações dos jogadores. Ambos os recursos são</p><p>fundamentais para promover o desenvolvimento cognitivo, social e emocional, proporcionando</p><p>um ambiente onde a aprendizagem ocorre de maneira natural e envolvente.</p><p>Barbosa (2012) traz uma discussão importante; segundo Macedo, Petty e Passos (2005),</p><p>destaca que para as atividades serem no de case elas precisam se eu identi�cadas e cinco</p><p>qualidades pelas crianças: devem ter o prazer funcional, serem desa�adoras, criarem</p><p>impossibilidades, terem um caráter simbólico e serem expressas de modo construtivo ou</p><p>relacional. Segundo os autores:</p><p>o prazer funcional está relacionado à escolha que o aprendiz pode fazer entre querido novo</p><p>participar de uma atividade.</p><p>o desa�o traz uma situação-problema e leva o aprendiz a colocar em jogo os seus</p><p>conhecimentos prévios, assim como se disponibilizar para desenvolver habilidades que</p><p>ainda não possui não se encontram incipientes.</p><p>criar possibilidades diz respeito ao jogo e a brincadeira que tornam possíveis a realização</p><p>dos sonhos, do imaginado. A solução de um problema é viável, são previstas saídas o</p><p>aprendiz pode se sentir capaz, desbravador, persistente e tantas outras qualidades</p><p>decorrentes do tornar possível que parece impossível.</p><p>o caráter simbólico indica que as brincadeiras e os jogos expressam sua intuição, e que as</p><p>narrativas decorrentes do faz de conta são uma projeção de seus sentimentos, desejos e</p><p>valores.</p><p>a expressão construtiva indica a possibilidade de considerar-se numa atividade lúdica,</p><p>vários pontos de vista e várias possibilidades de expressão (BARBOSA, 2012, p. 183-184).</p><p>É importante reconhecer que o lúdico vai além do mero prazer; ele também envolve desa�os e a</p><p>perseverança necessária para superar obstáculos. Brincadeiras e jogos são criados nas diversas</p><p>culturas com o propósito de facilitar a aprendizagem sobre o mundo e ensinar a lidar com</p><p>situações frustrantes. Por meio do lúdico, as crianças não apenas se divertem, mas também</p><p>desenvolvem habilidades essenciais como resolução de problemas, resiliência e adaptabilidade,</p><p>que são fundamentais para seu crescimento e desenvolvimento integral.</p><p>Vygotsky (1989), comentado por Barbosa (2012), considerou o jogo com um elemento de</p><p>formação da referida zona de desenvolvimento proximal. Para ele, o</p><p>brinquedo cria uma zona de desenvolvimento proximal na criança. No brinquedo, a criança</p><p>sempre se comporta além do comportamento habitual de sua idade, além de seu</p><p>comportamento diário; no brinquedo é como se ela fosse maior do que é na realidade. Como no</p><p>foco de uma lente de aumento, o brinquedo contém todas as tendências do desenvolvimento sob</p><p>forma condensada, sendo, ele mesmo, uma grande fonte de desenvolvimento. (VYGOTSKY, 1989,</p><p>p. 117 apud BARBOSA, 2012, p. 184-185).</p><p>Para intervenção podemos utilizar também brincadeiras espontâneas ou disparadoras. As</p><p>brincadeiras espontâneas permitem que o aprendente se desenvolva nos aspectos relacional</p><p>psicomotor criativo e vivenciar frustrações, vitórias partindo do prazer para encontrar e conviver</p><p>com o princípio da realidade. Brincar espontaneamente amplia aquisição de conhecimentos,</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>desenvolve autoestima e o poder de decisão. Heinkel (2000, p. 60 apud BARBOSA, 2012, p.186)</p><p>argumenta que</p><p>o desejo de uma criança se manifesta no seu brincar. O brincar acontece naturalmente. Ele tem</p><p>um �m em si mesmo. É no brincar que a criança e mesmo adulto, são capazes de viver as suas</p><p>criações de maneira plena. Na maioria das vezes a criança tem di�culdades em não brincar [...] O</p><p>brincar é fundante para o sujeito. No brincar a criança dialoga consigo mesma e com o mundo</p><p>[...] é uma linguagem, das mais sérias de que a criança faz uso [...]. (HEINKEL, 2000, p. 60 apud</p><p>BARBOSA, 2012, p.186)</p><p>A diferença da brincadeira espontânea para disparadora, é que esta última é criada e proposta</p><p>pelo psicopedagogo na tentativa de equilibrar o aprendiz e provocar uma busca para descobrir</p><p>interesses, desinteresses e desenvolver funções e habilidades que precisam ser aperfeiçoadas.</p><p>Mesmo sendo proposta pelo pro�ssional, ela é extraída do repertório da criança, buscando</p><p>ampliar e potencializar o que é necessário durante uma intervenção.</p><p>De forma geral, as brincadeiras permitem que o aprendente reconheça as suas capacidades,</p><p>suas limitações, os limites sociais necessários na exploração do mundo e nas suas relações.</p><p>Promove condições para que esse sujeito supere as limitações e amplie suas capacidades.</p><p>Vamos Exercitar?</p><p>Estudante, você gostaria de impulsionar propostas que criassem um ambiente de aprendizagem</p><p>e�caz para atender às necessidades variadas das crianças nos aspectos sociais, emocionais e</p><p>motores? Lembre-se da problemática inicial: Como a equipe pedagógica pode utilizar as</p><p>contribuições de Wallon, Elkonim e Vygotsky, bem como a integração do lúdico nas intervenções</p><p>psicopedagógicas, para criar um ambiente de aprendizagem mais holístico e e�caz, atendendo</p><p>às necessidades variadas das crianças? Como psicopedagogo, você poderia contribuir com</p><p>práticas que explorassem:</p><p>Jogo de papéis: organizar atividades de dramatização e jogos de papéis para promover o</p><p>desenvolvimento social e emocional, conforme as teorias de Elkonim e Vygotsky.</p><p>Atividades motoras: planejar sessões regulares de atividades físicas que envolvam</p><p>coordenação motora e habilidades psicomotoras, alinhadas com os princípios de Wallon.</p><p>Projetos interdisciplinares: desenvolver projetos interdisciplinares que integrem aspectos</p><p>cognitivos, emocionais e motores, utilizando o lúdico como ferramenta central de</p><p>aprendizagem.</p><p>Saiba mais</p><p>Existem alguns re�exos arcaicos e estágios do desenvolvimento que você conhecerá com</p><p>maiores destalhes no capítulo 2, Desenvolvimento infantil (pp. 97-108), do livro Estimulação</p><p>essencial:</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>GRASSI, Tânia Mara. Estimulação essencial: prevenção, detecção, diagnóstico e intervenção no</p><p>processo de desenvolvimento infantil. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2020. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>Sugiro também:</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Referencial curricular nacional para a educação infantil. Brasília:</p><p>MEC/SEF, 1998. v. 1.</p><p>Ademais, recomendo o artigo A periodização do desenvolvimento na perspectiva de Leontiev,</p><p>Elkonim e Vygotsky, de Marilda Gonçalvez Dias Facci.</p><p>Referências</p><p>ALMEIDA, Lucila Silva de. Interações: crianças, brincadeiras brasileiras e escola. 1. ed. São Paulo:</p><p>Blucher, 2012. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 29 jun.</p><p>2024.</p><p>BARBOSA, Lara Monte Serrat (org.). Intervenção psicopedagógica: no espaço da clínica. 1. ed.</p><p>Curitiba, PR: Intersaberes, 2012. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br.</p><p>Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>BROLESI, Margarete de L.; STEINLE, Marlizete C. B.; SILVA, Suhellen L. P. O. Jogos, brinquedos e</p><p>brincadeiras. 1. ed. São Paulo: Kroton, 2019. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>GOULART, Denise F.; MARCHESE, Maria Leticia. Um foco psicopedagógico na ação</p><p>pedagógica: relato de uma experiência. 2. ed. Curitiba, PR: Intersaberes,</p><p>2023. E-book. Disponível</p><p>em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>GRASSI, Tânia Mara. Estimulação essencial: prevenção, detecção, diagnóstico e intervenção no</p><p>processo de desenvolvimento infantil. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2020. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>REIS, Silvia Marina G. Movimente-se: brincadeiras e jogos para o desenvolvimento da</p><p>coordenação motora. 1. ed. Campinas: Papirus, 2022. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>SILVA , Tiago A. C.; PINES JUNIOR, Alipio R. Jogos e brincadeiras. 1. ed. São Paulo: Vozes,</p><p>2017. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>TAVARES, Neide Rodrigues B. Atividades e intervenção em psicopedagogia clínica. São Paulo:</p><p>SRV Editora LTDA, 2021. E-book. ISBN 9786589965022. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786589965022/. Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/%20pdf/rcnei_vol1.pdf</p><p>https://www.scielo.br/j/ccedes/a/3Nc5fBqVp6SXzD396YVbMgQ/abstract/?lang=pt</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual/</p><p>ttps://plataforma.bvirtual.com.br</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786589965022/</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>VAGULA, E.; STEINLE, M. C. B. Organização do trabalho pedagógico na educação infantil: re�exão</p><p>e pesquisa. 1. ed. São Paulo: UNOPAR, 2019. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>Aula 4</p><p>Práticas Brincantes</p><p>Práticas brincantes</p><p>Este conteúdo é um vídeo!</p><p>Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo</p><p>computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo</p><p>para assistir mesmo sem conexão à internet.</p><p>Dica para você</p><p>Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua</p><p>aprendizagem ainda mais completa.</p><p>Olá, estudante! Nesta videoaula, você conhecerá a brinquedoteca como um espaço estruturado e</p><p>garantido por lei para determinados lugares sociais. Passeará por faixas etárias do</p><p>desenvolvimento, fazendo aproximações com as possíveis práticas e pensará o�cinas de</p><p>brinquedo em práticas de intervenção.</p><p>Esse conteúdo é muito importante para que você possa pensar o lúdico nas intervenções,</p><p>promovendo um processo de aprendizagem dinâmico e e�caz.</p><p>Prepare-se para essa jornada de conhecimento! Vamos lá!</p><p>Ponto de Partida</p><p>Estudante, a brinquedoteca é um espaço especialmente concebido para promover o</p><p>desenvolvimento infantil por meio do brincar, oferecendo uma variedade de brinquedos e jogos</p><p>que estimulam as funções cognitivas, sociais e motoras das crianças. Cada faixa etária possui</p><p>características distintas, necessitando de brinquedos e atividades adaptadas às suas</p><p>necessidades e capacidades especí�cas. As o�cinas de brinquedos complementam as</p><p>possibilidades lúdicas, permitindo que as crianças não apenas brinquem, mas também se</p><p>envolvam na criação e customização de seus próprios brinquedos, o que incentiva a criatividade</p><p>e o pensamento crítico.</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br./</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Para essa abordagem, te convido a re�etir sobre a seguinte problemática: uma escola recém-</p><p>inaugurada decidiu criar uma brinquedoteca para atender crianças de diferentes idades. No</p><p>entanto, ao longo dos primeiros meses de funcionamento, os educadores perceberam que o</p><p>espaço não estava atendendo plenamente as necessidades de todas as faixas etárias, e as</p><p>crianças demonstravam níveis variados de engajamento e satisfação. Como a escola pode</p><p>reorganizar a brinquedoteca para atender e�cazmente às características de cada faixa etária,</p><p>garantindo um ambiente lúdico e educativo que estimule o desenvolvimento integral das</p><p>crianças?</p><p>Vamos Começar!</p><p>Práticas Brincantes</p><p>Barbosa (2012) comenta que, segundo Vera Barros de Oliveira (2000), o brincar é guiado por três</p><p>grandes organizadores: o corpo, o simbólico e a regra. O corpo serve como a primeira referência</p><p>da criança no tempo e no espaço, estabelecendo a base para sua interação com o mundo. O</p><p>simbólico permite à criança organizar seu mundo interno, possibilitando a expressão e</p><p>processamento de suas emoções e experiências. Já a regra organiza o mundo externo e</p><p>expressa os desejos da criança, sendo �exível para se ajustar às suas necessidades e contexto.</p><p>Esses organizadores são fundamentais para direcionar e estruturar a experiência lúdica da</p><p>criança. Vamos ampliar nosso repertório com as possibilidades de práticas?</p><p>Brinquedoteca</p><p>Quando se desenvolve uma tarefa lúdica, estamos explorando o mundo com curiosidade e</p><p>promovendo o autoconhecimento, que depende da nossa disposição e de um ambiente favorável</p><p>para proporcionar liberdade e segurança.</p><p>O conceito de brinquedoteca é relativamente novo, uma vez que, o conceito de infância que</p><p>prioriza o ato de brincar também é bastante recente se considerarmos toda a história da</p><p>humanidade, após a grande depressão norte-americana, os governos sentiram necessidade de</p><p>criar espaços que fosse impossível viabilizar empréstimo de brinquedos para crianças cujas</p><p>famílias encontravam-se em di�culdades �nanceiras (Kishimoto, 2011). A partir da década de</p><p>1960, outro conceito de biblioteca de brinquedos surgiu para atender as demandas de crianças</p><p>com necessidades especiais. “Neste contexto, ocorre a ampliação das bibliotecas de brinquedos,</p><p>que se especializam no atendimento de crianças com de�ciências e suas famílias” (KISHIMOTO,</p><p>2011, p.16 apud TEIXEIRA, 2018, p. 241).</p><p>As brinquedotecas são espaços versáteis e adaptáveis, encontrados em uma variedade de</p><p>locais. É comum vê-las em escolas, onde servem como complemento ao ensino formal, e em</p><p>comunidades de bairro e condomínios, promovendo interação social e desenvolvimento infantil.</p><p>Hotéis e hospitais também adotam brinquedotecas para proporcionar conforto e entretenimento</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>às crianças, especialmente em situações de estresse ou recuperação. Universidades e clínicas</p><p>de atendimento psicológico as utilizam para �ns terapêuticos e de pesquisa, enquanto centros</p><p>culturais e bibliotecas as integram para enriquecer o ambiente educativo e cultural. Há ainda</p><p>brinquedotecas em presídios, destinadas às crianças que visitam os pais, e versões itinerantes,</p><p>que levam os benefícios do brincar a diferentes comunidades.</p><p>Teixeira (2018) traz uma signi�cativa contribuição, explicando que o conceito de brinquedoteca</p><p>evoluiu ao longo do tempo e varia conforme o contexto sociocultural de cada país. No Brasil, a</p><p>sanção da Lei 11.104 de 21/03/2005 tornou obrigatória a instalação de brinquedotecas em</p><p>hospitais que atendem crianças, reconhecendo o papel fundamental do brincar no processo de</p><p>recuperação, pois ajuda a abordar aspectos socioemocionais. Hoje, as brinquedotecas também</p><p>fazem parte das instituições de ensino, onde promovem um ambiente lúdico que favorece o</p><p>desenvolvimento integral das crianças. Essas transformações re�etem a crescente valorização</p><p>do brincar como uma ferramenta essencial para a saúde e educação infantil.</p><p>E como deve ser uma brinquedoteca? O que ela precisa contemplar a nível de organização e</p><p>desenvolvimento das funções cognitivas, sociais e motoras? Pensar em conceitos-chave que</p><p>favoreçam e estimulem o desenvolvimento infantil é essencial para a organização e</p><p>desenvolvimento das funções cognitivas, sociais e motoras. É fundamental considerar elementos</p><p>como imaginação, criatividade, autoconhecimento e autocon�ança. Esses fatores estão</p><p>intimamente relacionados ao bem-estar da criança, incluindo segurança, liberdade, concentração,</p><p>equilíbrio emocional, socialização, movimento, higiene, claridade, experiências e descobertas.</p><p>Criar um ambiente que incorpore esses conceitos ajuda a promover um desenvolvimento infantil</p><p>saudável e integral, proporcionando uma base sólida</p><p>para o aprendizado contínuo e a formação</p><p>de habilidades essenciais para a vida.</p><p>Outro elemento essencial é manter o espaço organizado para que as crianças entendam as</p><p>funções dos objetos e os contextualizem em vivências que permitam experiências com diversos</p><p>brinquedos e materiais. Vamos imaginar uma organização a partir da perspectiva de Rau (2012,</p><p>p. 212 apud Teixeira 2018):</p><p>Por exemplo: a parte da casinha pode ter objetos da cozinha, como mesa, fogão, geladeira,</p><p>louças de plástico. O canto do mercado pode ter prateleiras com miniaturas de legumes, frutas,</p><p>embalagens vazias e esterilizadas de leite, sabão etc. Uma caixa registradora feita de sucata</p><p>pode fazer parte do cenário. O escritório pode ter objetivos de acordo com a pro�ssão enfocada.</p><p>O canto das artes pode ter prateleiras com materiais como tintas, massinha, folhas e canetas</p><p>coloridas, cópias de obras de arte, esculturas etc., o espaço dos jogos pode seguir as</p><p>classi�cações especí�cas, como os de mesa os de construção ou de encaixe. (RAU, 2012, p. 212</p><p>apud TEIXEIRA, 2018, p. 243).</p><p>Esse tipo de organização tem o potencial de fazer as crianças experimentarem contextos</p><p>diferentes, estimulando o desenvolvimento da linguagem e a construção da personalidade por</p><p>meio da simulação do mundo adulto. De acordo com Silva (2017), alguns autores propõem a</p><p>disposição dos brinquedos de acordo com o seu tipo em cantinhos eles devem ser destinados à</p><p>diversidade existente de brincadeiras. Poderá existir o cantinho de faz-de-conta, o cantinho das</p><p>histórias, o cantinho da música, o cantinho dos carrinhos, entre tantos outros.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Fonte: Freepik</p><p>Características de ada Faixa Etária</p><p>Queiroz (2009, p. 7) vai conduzir nossa discussão; de início, comenta que, segundo Alexis</p><p>Leonitiev (1988):</p><p>É na atividade lúdica que o educando desenvolve sua habilidade de subordinar-se a uma regra,</p><p>mesmo quando um estímulo direto o impele a fazer algo diferente. ‘Dominar as regras signi�ca</p><p>dominar seu próprio comportamento, aprendendo a controlá-lo, aprendendo a subordiná-lo a um</p><p>propósito de�nido’ (LEONITIEV, 1988, apud QUEIROZ, 2009, p. 7)</p><p>As características apresentadas para o processo de adaptação e desenvolvimento das</p><p>brincadeiras e jogos vão de zero à terceira idade. Vamos ver? Estruturamos as informações em</p><p>forma de tabela para uma melhor visibilidade.</p><p>IDADE CARACTERÍSTICAS TIPO DE ATIVIDADES</p><p>ADEQUADAS</p><p>Aproximadamente 0 a 2</p><p>anos</p><p>Descoberta do tato,</p><p>do movimento,</p><p>formas, peso,</p><p>texturas, sons.</p><p>Começa a</p><p>engatinhar e andar,</p><p>Brincadeiras</p><p>referentes à</p><p>educação sensório-</p><p>motora</p><p>(sentir/executar),</p><p>exploração motora,</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>há melhoria da</p><p>coordenação</p><p>motora com</p><p>movimentos</p><p>exploratórios de</p><p>abrir, fechar,</p><p>empilhar, encaixar,</p><p>puxar, empurrar,</p><p>comunicação.</p><p>ao canto, ao brincar</p><p>de esconder e</p><p>achar.</p><p>Aproximadamente 2 a 4</p><p>anos</p><p>É época da fantasia</p><p>e da invenção.</p><p>Brincadeiras sem</p><p>regras ou com</p><p>poucas regras e</p><p>bem simples,</p><p>imitações de</p><p>situações</p><p>conhecidas, formas</p><p>básicas de</p><p>movimento, gosto</p><p>pelo representar e</p><p>pelo estímulo</p><p>(conteste).</p><p>Aproximadamente 4 a 6</p><p>anos</p><p>Começa a</p><p>aceitação e</p><p>compreensão de</p><p>regras, há maior</p><p>atenção e</p><p>concentração,</p><p>interesse por</p><p>números, letras,</p><p>palavras e seus</p><p>signi�cados; o</p><p>grupo começa a ter</p><p>importância.</p><p>Brincadeiras com</p><p>ou sem regras,</p><p>atividades de muita</p><p>movimentação,</p><p>como, por exemplo,</p><p>barra-manteiga,</p><p>toca do coelho e</p><p>outras.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Aproximadamente 6 a 8</p><p>anos</p><p>Boa discriminação</p><p>visual e auditiva,</p><p>atenção e memória;</p><p>aceitação de regras,</p><p>boa convivência</p><p>com o grupo, início</p><p>da de�nição de</p><p>seus próprios</p><p>interesses, há o</p><p>despertar da</p><p>competitividade.</p><p>Brincadeiras,</p><p>pequenos jogos,</p><p>atividades em</p><p>equipe, desa�os e</p><p>contestes, jogos</p><p>pré-desportivos.</p><p>Exemplos: nunca</p><p>três, alerta, bola no</p><p>túnel.</p><p>Aproximadamente 8 a 10</p><p>anos</p><p>Capacidade de</p><p>re�exão, memória,</p><p>raciocínio concreto</p><p>e abstrato; o grupo</p><p>é cada vez mais</p><p>importante.</p><p>Brincadeiras,</p><p>pequenos jogos,</p><p>atividades em</p><p>grupos, atividades</p><p>de ação, atividades</p><p>que envolvam</p><p>raciocínio, desa�os,</p><p>início das</p><p>experiências, pré-</p><p>desportivos.</p><p>Exemplos: pular</p><p>sela, queimada,</p><p>mãe da rua, pega-</p><p>pega.</p><p>Aproximadamente 10 a</p><p>12 anos</p><p>Excesso da disputa,</p><p>separação dos</p><p>sexos, meninas pré-</p><p>púberes, meninos</p><p>ainda infantis,</p><p>necessidade de</p><p>aceitação no grupo,</p><p>necessidade de</p><p>cooperação entre</p><p>os sexos.</p><p>Menor interesse pelas</p><p>brincadeiras,</p><p>pequenos jogos,</p><p>grandes jogos com</p><p>regras adaptadas,</p><p>integração social, pré-</p><p>desportivos e</p><p>participação em</p><p>campeonatos.</p><p>Exemplos: bola ao</p><p>guarda, estafetas,</p><p>caça ao tesouro.</p><p>Aproximadamente 12 a</p><p>14 anos</p><p>Revalorização do</p><p>sexo oposto,</p><p>supervalorização da</p><p>competição, grande</p><p>discrepância da</p><p>Desvalorização das</p><p>brincadeiras,</p><p>pequenos jogos em</p><p>grande escala,</p><p>grandes jogos,</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>habilidade e da</p><p>maturidade entre os</p><p>sexos, falta de</p><p>percepção dos</p><p>limites sociais,</p><p>necessidade de</p><p>autoa�rmação,</p><p>con�itos de</p><p>personalidade;</p><p>altamente</p><p>in�uenciáveis pelo</p><p>grupo.</p><p>atividades que</p><p>demonstrem</p><p>habilidades, pré-</p><p>desportivos e</p><p>esporte completo</p><p>com regras.</p><p>Exemplos:</p><p>handebol, gincanas,</p><p>futebol, jogos de</p><p>estafetas.</p><p>Aproximadamente 14 a</p><p>18 anos</p><p>Grande</p><p>identi�cação com o</p><p>sexo oposto, grande</p><p>diferença de</p><p>habilidades e força</p><p>entre os sexos,</p><p>aceitação e</p><p>discussão das</p><p>diferenças de</p><p>habilidades entre os</p><p>sexos;</p><p>apresentação de</p><p>certa necessidade</p><p>de autoa�rmação,</p><p>desprezo pelas</p><p>atividades físicas,</p><p>valorização por</p><p>atividades culturais</p><p>e sociais.</p><p>Esporte</p><p>propriamente dito,</p><p>gincanas com</p><p>múltiplas</p><p>di�culdades,</p><p>grandes jogos,</p><p>valorização por</p><p>atividades na</p><p>natureza. Exemplos:</p><p>torneios simples e</p><p>rápidos, gincanas,</p><p>jogos com grande</p><p>apelo social (vôlei,</p><p>futsal e outros).</p><p>Adultos Revalorização da</p><p>atividade física,</p><p>valorização da</p><p>atividade lúdica,</p><p>aceitação do sexo</p><p>oposto nas</p><p>atividades,</p><p>supervalorização de</p><p>estética;</p><p>entendimento de</p><p>que a atividade</p><p>lúdica não serve</p><p>Esportes, atividades</p><p>em grupos,</p><p>gincanas, jogos de</p><p>salão, desa�os</p><p>culturais,</p><p>modismos, cinema,</p><p>teatro, shows,</p><p>dança, festas,</p><p>reuniões em grupo</p><p>para bate-papo,</p><p>atividades culturais,</p><p>passeios e viagens</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>somente para a</p><p>prática de atividade</p><p>física, e sim para</p><p>lazer; di�culdade de</p><p>se expor,</p><p>di�culdade para se</p><p>organizar; aceitação</p><p>da derrota e da</p><p>vitória mais</p><p>facilmente,</p><p>preferência por</p><p>atividades lúdicas</p><p>em grupos.</p><p>em grupo.</p><p>Exemplos: jogos</p><p>sociais, ginástica,</p><p>cursos de dança,</p><p>videokê, cursos de</p><p>teatro e gincanas</p><p>bem elaboradas.</p><p>Terceira idade Necessidade de</p><p>integração social,</p><p>necessidade e</p><p>valorização da</p><p>atividade em grupo,</p><p>necessidade de</p><p>atividade física,</p><p>necessidade de</p><p>atividades lúdicas,</p><p>valorização da</p><p>atividade cultural,</p><p>não há di�culdade</p><p>de se expor,</p><p>valorização maior</p><p>da participação do</p><p>que do resultado,</p><p>aceitação da</p><p>derrota com</p><p>naturalidade.</p><p>Esportes e</p><p>brincadeiras com</p><p>adaptação à regra</p><p>para facilitar de</p><p>acordo com sua</p><p>faixa etária,</p><p>supervalorização de</p><p>atividades</p><p>recreativas com o</p><p>grupo, atividades</p><p>artesanais e</p><p>manuais, passeios</p><p>na natureza,</p><p>viagens, turismo em</p><p>geral. Exemplos:</p><p>festas, danças,</p><p>música, bocha,</p><p>bingo.</p><p>As atividades lúdicas são essenciais para promover a expressão pessoal, a utilidade, a alegria e a</p><p>grati�cação. Elas permitem que os participantes, independentemente da idade, resolvam</p><p>situações de forma criativa e sintam prazer na atividade. No caso da terceira idade, é</p><p>fundamental considerar as restrições físicas comuns nessa fase da vida. Portanto, o bom senso</p><p>deve prevalecer ao planejar e propor atividades independentemente da idade, garantindo que</p><p>sejam acessíveis e seguras, ao mesmo tempo em que proporcionam desa�os e satisfação.</p><p>Adaptar as atividades às capacidades individuais é crucial para manter o engajamento e o bem-</p><p>estar de todos.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Siga em Frente...</p><p>O�cinas de brinquedos</p><p>Estudante, existe uma in�nidade de propostas que poderia ser descrita aqui, mas não seria</p><p>su�ciente para garantir um bom repertório. Por esse motivo, escolhi cuidadosamente uma</p><p>variedade de referências que você poderá explorar sempre que</p><p>pode ser armazenada na memória. O armazenamento refere-se à retenção ou manutenção</p><p>dessas informações na memória. Quando as informações são devidamente arquivadas, elas</p><p>podem ser recuperadas posteriormente. A recuperação é o processo pelo qual uma informação</p><p>armazenada é acessada, localizada e trazida à consciência quando necessário (FELDMAN,</p><p>2015).</p><p>O mesmo autor corrobora destacando que os psicólogos descrevem o pensamento como a</p><p>manipulação das representações mentais da informação. Essas representações podem ser</p><p>palavras, imagens, sons ou qualquer outro tipo de dado sensorial armazenado na memória.</p><p>Pensar envolve transformar essas representações em novas formas, o que nos permite</p><p>responder perguntas, resolver problemas e alcançar objetivos.</p><p>A linguagem, segundo Gazzaniga (2018), refere-se ao sistema de comunicação que utiliza sons e</p><p>símbolos de acordo com regras gramaticais. Pode ser, inclusive, a mais complexa maravilha do</p><p>cérebro humano, pois há comunicação em várias espécies, mas é um salto quântico na</p><p>modalidade da comunicação animal. Essa função cognitiva envolve quatro competências: ouvir,</p><p>falar, ler e escrever.</p><p>Vamos Exercitar?</p><p>Estudante, você teve a oportunidade de considerar aspectos importantes do processo de</p><p>aprendizagem. Obteve também um olhar amplo sobre as possibilidades de atuação e como se</p><p>dão os conhecimentos. Para auxiliar Lucas a superar suas di�culdades de memória e progredir</p><p>na alfabetização, o psicopedagogo poderá utilizar as seguintes estratégias:</p><p>1. Identi�cação do problema: realizar uma avaliação mais detalhada, por meio de jogos e</p><p>testes, das habilidades de memória de Lucas para compreender melhor quais aspectos</p><p>especí�cos estão di�cultando sua aprendizagem.</p><p>2. Treinamento da memória: implementar atividades especí�cas de treinamento de memória,</p><p>como jogos de memória, repetição de palavras-chave e técnicas de associação, para ajudar</p><p>Lucas a reter e recordar informações com mais e�cácia.</p><p>3. Adaptação do método de ensino: utilizar métodos de ensino que enfatizem a repetição, a</p><p>prática frequente e a revisão sistemática do conteúdo para reforçar a memória de Lucas em</p><p>relação aos sons das letras e palavras.</p><p>4. Ambiente de aprendizagem estimulante: criar um ambiente de aprendizagem positivo e</p><p>estimulante, com recursos visuais, auditivos e táteis que possam auxiliar Lucas a associar</p><p>os conceitos aprendidos à sua memória de longo prazo.</p><p>5. Apoio individualizado: oferecer apoio individualizado a Lucas, fornecendo tempo adicional</p><p>para revisão, instruções claras e feedback construtivo para ajudá-lo a desenvolver suas</p><p>habilidades de memória e superar suas di�culdades na alfabetização.</p><p>�. Envolvimento dos pais: envolver os pais de Lucas no processo de aprendizagem,</p><p>fornecendo orientações sobre atividades para praticar em casa e incentivando sua</p><p>participação ativa no apoio ao desenvolvimento de suas habilidades de memória.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Essas estratégias, aliadas a uma abordagem pedagógica diferenciada e ao suporte contínuo dos</p><p>professores e familiares, podem contribuir signi�cativamente para o progresso de Lucas na</p><p>alfabetização e para a superação de suas di�culdades de memória.</p><p>Saiba mais</p><p>No artigo Estilos de aprendizagem e solução de problemas, você conhecerá resultados de uma</p><p>pesquisa com crianças pré-escolares, apontando fatores que facilitaram o processo de solução</p><p>de problemas neste grupo.</p><p>Já no artigo A Neuropsicologia na atualidade e suas contribuições, você verá que, de modo geral,</p><p>a neuropsicologia estuda as relações cérebro/comportamento/processos mentais, e conhecerá</p><p>mais sobre as contribuições e os instrumentos de intervenção e avaliação disponíveis na área.</p><p>Referências</p><p>DEHAENE, Stanislas. É assim que aprendemos: por que o cérebro funciona melhor do que</p><p>qualquer máquina (ainda…). 1. ed. São Paulo: Contexto, 2022. E-book.</p><p>FELDMAN, Robert S. Introdução à psicologia. [Digite o Local da Editora]: Grupo A, 2015. E-book.</p><p>FONSECA, Vitor da. Desenvolvimento cognitivo e processo de ensino-aprendizagem: abordagem</p><p>psicopedagógica à luz de Vygotsky. São Paulo: Vozes, 2018. E-book.</p><p>GAZZANIGA, Michael; HEATHERTON, Todd; HALPERN, Diane. Ciência psicológica. [Digite o Local</p><p>da Editora]: Grupo A, 2018. E-book.</p><p>MACEDO, Lino de (org.). Jogos, psicologia e educação: teoria e pesquisas. São Paulo: Pearson,</p><p>2009. E-book.</p><p>MACEDO, Lino; BRESSAN, Rodrigo Affonseca. Desa�os da aprendizagem: como as neurociências</p><p>podem ajudar pais e professores. 1. ed. Campinas: 7 Mares, 2017. E-book.</p><p>MASINI, Elcie F. Salsano; MOREIRA, Marco Antônio. Aprendizagem signi�cativa: condições para</p><p>ocorrência e lacunas que levam a comprometimentos. São Paulo, SP: Vetor, 2008. E-book.</p><p>STERNBERG, Robert J. Psicologia cognitiva. Trad. Roberto Cataldo Costa. Porto Alegre: Artmed.,</p><p>2008.</p><p>https://revistas.ufpr.br/psicologia/article/view/3281/2625</p><p>https://www.psicologia.pt/artigos/textos/A1404.pdf</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Aula 3</p><p>A Ludicidade no Atendimento Psicopedagógico</p><p>A ludicidade no atendimento psicopedagógico</p><p>Este conteúdo é um vídeo!</p><p>Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo</p><p>computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo</p><p>para assistir mesmo sem conexão à internet.</p><p>Dica para você</p><p>Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua</p><p>aprendizagem ainda mais completa.</p><p>Olá, estudante! Nesta videoaula, você aprenderá o conceito de ludicidade e os fundamentos da</p><p>psicopedagogia, e como essa junção contribuirá para seu exercício.</p><p>Esse conteúdo é muito importante para que você compreenda como o lúdico está integrado à</p><p>prática psicopedagógica e desperte para as relações entre jogos e brincadeiras no estímulo das</p><p>habilidades cognitivas, emocionais e sociais.</p><p>Prepare-se para essa jornada de conhecimento!! Vamos lá!!</p><p>Ponto de Partida</p><p>Estudante, você já pensou como o lúdico interfere na aprendizagem? Pense em sua de�nição e</p><p>importância para o desenvolvimento infantil. Agora elenque os benefícios do brincar para o</p><p>aprendizado e para a socialização das crianças. Considere também os diversos tipos de</p><p>atividades lúdicas e amplie essa possibilidade como uma ferramenta terapêutica. Atrelado a isso,</p><p>aproximaremos os conceitos básicos da psicopedagogia para a aprendizagem, o</p><p>desenvolvimento e a intervenção no processo de aprendizagem. Considere a seguinte situação-</p><p>problema: uma criança está com di�culdade de concentração. A ausência dessa habilidade</p><p>prejudica a capacidade de manter o foco em uma atividade especí�ca. Como o lúdico pode</p><p>ajudar a melhorá-la?</p><p>Vamos Começar!</p><p>A ludicidade no atendimento psicopedagógico</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Para falar sobre o lúdico na prática psicopedagógica, precisamos primeiro compreender a</p><p>relação existente entre o psicopedagogo e o aprendente. Em que posição está o aprendente</p><p>diante do atendimento? Vamos situá-lo!? Para Sobrinho (2015) “[...] este se localiza na</p><p>articulação entre informação, conhecimento e sabedoria; entre sujeito desejante e sujeito</p><p>cognoscente. É constituído sempre pela articulação com o outro ou com os outros: pais,</p><p>professores e meios de comunicação.”</p><p>O aprendiz está no ponto de intersecção entre a informação e o conhecimento, onde o processo</p><p>de aprendizagem ocorre por meio da aquisição do saber, da assimilação de informações</p><p>fornecidas ou da construção ativa do conhecimento.</p><p>O que é ludicidade?</p><p>Ludicidade refere-se à qualidade de ser lúdico, ou seja, relacionado ao brincar e ao jogo. Envolve</p><p>atividades recreativas e divertidas que promovem o prazer, a criatividade e a espontaneidade. A</p><p>ludicidade é fundamental para o desenvolvimento infantil, pois, por meio do brincar, as crianças</p><p>exploram o mundo, expressam suas emoções, aprendem novas habilidades e socializam. Além</p><p>disso, a ludicidade é utilizada em contextos educativos e terapêuticos para facilitar a</p><p>aprendizagem e promover o bem-estar.</p><p>A ludicidade e o brincar são, sem dúvida, elementos essenciais no planejamento das atividades</p><p>necessário, certo?</p><p>Escolhi compartilhar com você três sugestões possíveis na intervenção, dando visibilidade das</p><p>habilidades que são desenvolvidas ou aperfeiçoadas. Silva (2013) é o autor que embasará nosso</p><p>diálogo:</p><p>Bambolê:</p><p>O que você precisa: 1 pedaço de mangueira, aproximadamente 2,5m e �tas coloridas.</p><p>Como brincar: gire o bambolê nas diversas partes do corpo, por exemplo: ao redor do dedo</p><p>indicador, na mão, do braço, do pescoço, da cintura e da perna.</p><p>O que desenvolve: molejo no corpo, �exibilidade e ritmo; percepção corporal ao eleger algumas</p><p>partes do corpo para fazer o bambolê girar; relação corpo-espaço ao sair bamboleando num</p><p>espaço preestabelecido; conduta tônico-postural ao criar e manter a tensão muscular em</p><p>determinada parte do corpo e �exibilizar outras.</p><p>Bilboquê:</p><p>O que você precisa: 1 garrafa pet de 2l; 1 tesoura sem ponta; 20 cm de barbante; 1 bolinha de</p><p>isopor (acréscimo meu: sugiro a própria tampa da garrafa); 1 folha de papel de presente.</p><p>Como fazer: com a tesoura corte a garrafa pet ao meio (a parte utilizada será a do gargalo);</p><p>prenda a bolinha de isopor (ou tampa da garrafa) em uma das extremidades do barbante, a outra</p><p>�xe na ponta do gargalo; decore com papel de presente.</p><p>Como brincar: com o bilboquê na mão, a criança terá que colocar a bola dentro do gargalo,</p><p>primeiro com a mão direita, depois com a mão esquerda. Em seguida, a bolinha será arremetida</p><p>não mais de fora para dentro, mas de dentro para fora.</p><p>O que desenvolve: arremessar a bola, coordenando olho-bola-mão para acertar a bolinha dentro</p><p>do gargalo; receber a bola ao conduzir o gargalo ao mesmo tempo em que a bolinha está caindo,</p><p>percebendo o espaço temporal da bola em relação ao corpo; ajuste postural ao arremessar e</p><p>receber a bolinha de diferentes formas, apresentando domínio lateral e orientação direita-</p><p>esquerda, por fora e por dentro; autocon�ança ao sentir-se capaz de realizar a ação com olhos</p><p>fechados.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Acerte o alvo:</p><p>O que você precisa: 2 meias usadas; pequena quantidade de areia; �ta adesiva (larga); canetinha</p><p>hidrocor; papel cartolina.</p><p>Como fazer: na cartolina, desenhe com a canetinha três grandes círculos, cada círculo deverá ter</p><p>uma pontuação em ordem crescente, o menor círculo terá uma maior pontuação, por exemplo,</p><p>10; 30; 50; 100; coloque areia dentro das meias, enrole até formar uma bola e prenda com �ta</p><p>adesiva.</p><p>Como brincar: jogue a bola com força su�ciente para �car dentro de um dos círculos; busque</p><p>fazer uma maior pontuação; tente acertar o alvo, retirando a bola do seu adversário (você) de</p><p>dentro do alvo.</p><p>O que desenvolve: pontaria, trabalhando a coordenação oculomanual ao arremessar a bola no</p><p>alvo; precisão de arremesso, controlando a força para acertar o alvo; atenção ao concentra-se</p><p>para arremessar a bola com o objetivo de acertar o alvo de maior pontuação.</p><p>Vamos Exercitar?</p><p>Estudante, lembra-se da situação-problema inicial? Como a escola pode reorganizar a</p><p>brinquedoteca para atender e�cazmente às características de cada faixa etária, garantindo um</p><p>ambiente lúdico e educativo que estimule o desenvolvimento integral das crianças? Acredito que</p><p>você já está fomentando algumas possibilidades, agora que já conhece sobre o espaço e a</p><p>estrutura da brinquedoteca. Como sugestão, deixarei uma solução organizada pela divisão por</p><p>faixas etárias:</p><p>0 a 2 anos: criar uma área com brinquedos sensoriais, tapetes de atividades e objetos que</p><p>estimulem a coordenação motora grossa e �na, como blocos grandes e macios, brinquedos</p><p>de encaixe e mordedores.</p><p>3 a 5 anos: introduzir brinquedos que incentivem a imaginação e o jogo simbólico, como</p><p>cozinhas de brinquedo, fantasias, bonecas, carrinhos e cenários de faz de conta. Também</p><p>incluir materiais para atividades artísticas como pintura, massa de modelar e jogos de</p><p>construção com peças maiores.</p><p>6 a 8 anos: oferecer jogos de tabuleiro simples, quebra-cabeças, livros interativos e kits de</p><p>construção mais complexos. Brinquedos que incentivem a cooperação e o trabalho em</p><p>grupo também são importantes.</p><p>9 a 12 anos: disponibilizar jogos de estratégia, materiais de ciência experimental, kits de</p><p>robótica e programação, e livros de leitura avançada. Jogos que desa�em o raciocínio</p><p>lógico e crítico são fundamentais para esta faixa etária.</p><p>Saiba mais</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Sugiro as leituras:</p><p>CRIANÇA e consumo: entrevista. A importância do brincar. São Paulo: Instituto Alana, 2010.</p><p>FERREIRA, S. C. A indústria do brincar. 1992. Dissertação (Mestrado em Educação)-Instituto de</p><p>Estudos Avançados em Educação, Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro, 1992.</p><p>MOYLES, Janet. R. A excelência de brincar: a importância da brincadeira na transição entre</p><p>educação infantil e anos iniciais. Porto Alegre: Artmed, 2006.</p><p>Referências</p><p>ALMEIDA, Lucila Silva de. Interações: crianças, brincadeiras brasileiras e escola. 1. ed. São Paulo:</p><p>Blucher, 2012. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 30 jun.</p><p>2024.</p><p>BARBOSA, Lara Monte Serrat (org.). Intervenção psicopedagógica: no espaço da clínica. 1. ed.</p><p>Curitiba, PR: Intersaberes, 2012. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br.</p><p>Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>BROLESI, Margarete de L.; STEINLE, Marlizete C. B.; SILVA, Suhellen L. P. O. Jogos, brinquedos e</p><p>brincadeiras. 1. ed. São Paulo: Kroton, 2019. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>BUCHWITZ, Tania Maria de Almeida. Pedagogia da infância: cotidiano e práticas educativas. São</p><p>Paulo: Cengage Learning Brasil, 2015. E-book. ISBN 9788522122585. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522122585/. Acesso em: 30 jun. 2024.</p><p>CÓRIA-SABINI,  Maria Aparecida; LUCENA, Regina Ferreira de. Jogos e brincadeiras na educação</p><p>infantil. 1. ed. Campinas: Papirus, 2019. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>FURTADO, Valéria Queiroz; FURLAN, Marta Regina. Brincar, reciclar e aprender na</p><p>infância: efetivando práticas pedagógicas à luz da BNCC. Petrópolis: Vozes, 2023. E-book.</p><p>Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 30 jun. 2024.</p><p>PINES JUNIOR, Alipio R.; SILVA, Tiago A. C.  Brincar, jogar e aprender. 1. ed. São Paulo: Vozes,</p><p>2020. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 30 jun. 2024.</p><p>____________. Jogos e brincadeiras. 1. ed. São Paulo: Vozes, 2017. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>QUEIROZ, Tânia D.; MARTINS, João Luiz. Pedagogia lúdica: jogos e brincadeiras de A a Z. 2. ed.</p><p>São Paulo: Rideel, 2009. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em:</p><p>https://criancaeconsumo.org.br/wp-content/uploads/2014/02/Crian%C3%A7a-e-Consumo-Entrevistas-Vol-5.pdf</p><p>https://repositorio.fgv.br/items/0a05119e-d509-4b2f-865c-f1b5b092aeeb/full</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522122585/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br/</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>30 jun. 2024.</p><p>REIS, Silvia Marina G. 150 ideias para o trabalho criativo com crianças de 2 a 6 anos: artes</p><p>plásticas, expressão corporal, literatura, música, teatro, jogos e brincadeiras em uma proposta</p><p>interdisciplinar. 1. ed. [S.l.]: Papirus, 2022. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 30 jun. 2024.</p><p>_____________. Movimente-se: brincadeiras e jogos para o desenvolvimento da coordenação</p><p>motora. 1. ed. Campinas: Papirus, 2022. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 29 jun. 2024.</p><p>SUZUKI, J. T. F. et al. Ludicidade e educação. 1. ed. São Paulo: UNOPAR, 2019. E-book. Disponível</p><p>em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 30 jun. 2024.</p><p>TEIXEIRA, Karyn Liane. O universo lúdico no contexto pedagógico. 1. ed. Curitiba: Intersaberes,</p><p>para a educação infantil. Discutir sobre esses aspectos não diminui sua importância; pelo</p><p>contrário, é crucial reconsiderar como eles podem ser usados, às vezes, como ferramentas</p><p>reguladoras sobre as crianças (BEMVENUTI et. al. 2012).</p><p>Luckesi (2023) contribui com a nossa fomentação destacando que a ludicidade é um conceito</p><p>cujo signi�cado epistemológico ainda está em desenvolvimento. Gradualmente, estamos</p><p>construindo esse entendimento, buscando uma compreensão precisa tanto em termos de</p><p>signi�cação quanto das experiências que ela pode englobar. Corrobora enfatizando que</p><p>Usualmente, no senso comum cotidiano, quando se fala em ludicidade, compreende-se, de</p><p>maneira comum, que se está fazendo referência à sua abrangência, incluindo brincadeiras,</p><p>entretenimentos, atividades de lazer, excursões, viagens de férias, viagens realizadas em grupo,</p><p>entre outras possibilidades de entendimento. (LUCKESI, 2023, p. 15).</p><p>Na mesma ideia, Lima et al. (2018) argumenta que as atividades lúdicas promovem a imaginação</p><p>e são de grande importância na transformação do sujeito. Inclusive, ao abordarmos sobre lúdico</p><p>e sobre o brincar, é imprescindível o entendimento de legislação e diretrizes que contemplam</p><p>essas ações.</p><p>Como contribuição, destaco aqui a resolução nº 5, de 17 de dezembro de 2009 no art.º 6 das</p><p>Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (BRASIL, 2010, p. 16), que traz três</p><p>princípios: éticos, políticos e estéticos, para as propostas pedagógicas, sendo, o último, o</p><p>seguinte: “Estéticos: da sensibilidade, da criatividade, da ludicidade e da liberdade de expressão</p><p>nas diferentes manifestações artísticas e culturais.” E o art.º 7, que aborda sobre a Concepção de</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Proposta Pedagógica, que destaca que as instituições devem garantir função sociopolítica e</p><p>pedagógica, mencionando, no inciso V, “[...] construindo novas formas de sociabilidade e de</p><p>subjetividade comprometidas com a ludicidade, a democracia, a sustentabilidade do planeta e</p><p>com rompimento de relações de dominação etária, socioeconômica, étnico-racial, de gênero,</p><p>regional, linguística e religiosa.”</p><p>As crianças precisam de oportunidades para novas experiências, se conectar com a natureza,</p><p>explorar ambientes diferentes permitindo que a sua relação consigo e com outro construa a sua</p><p>identidade como sujeito. A Lei nº 14.826, de março de 2024, instituiu a parentalidade positiva e o</p><p>direito ao brincar como estratégias intersetoriais de prevenção à violência contra crianças; e</p><p>altera a Lei nº 14. 344, de 24 de maio de 2022. Destaca também, no Art.º 3, que “é dever do</p><p>Estado, da família e da sociedade proteger, preservar e garantir o direito ao brincar a todas as</p><p>crianças. [...] Considera-se criança, para os �ns desta Lei, a pessoa com até 12 (doze) anos de</p><p>idade incompletos.” (BRASIL, 2024).</p><p>Essas observações demonstram a importância do lúdico e do brincar no desenvolvimento</p><p>humano, destacando não apenas o prazer que oferecem, mas também a intencionalidade por</p><p>trás dessas atividades.</p><p>Siga em Frente...</p><p>Fundamentos da psicopedagogia</p><p>Você sabe qual é o objeto de estudo da psicopedagogia? Sabe como eram tratados os</p><p>problemas de aprendizagem antes do surgimento desta ciência? Sobrinho (2015) nos oferece</p><p>fundamentos importantes. Acompanhe-me!</p><p>Como não existiam pro�ssionais especializados em problemas de aprendizagem, a solução era</p><p>contratar um professor particular para reeducar a criança ou conduzi-la ao médico para poder</p><p>fornecer o diagnóstico. Nesse contexto, a psicopedagogia surge como um campo que tem como</p><p>objeto de estudo compreender o processo que envolve o ensino e o aprendizado humano além</p><p>de todas as di�culdades envolvidas nesse processo. Mas, como acontece exatamente o trabalho</p><p>psicopedagógico? O que é a psicopedagogia?</p><p>Quando você pensar em psicopedagogia, a discussão que você está trazendo é para a área que</p><p>investiga o aprendente e sua aprendizagem. Vamos começar pela análise da imagem a seguir:</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Figura 1 | Criança na sala de aula. Fonte: Freepik.</p><p>Temos na imagem uma criança que demonstra tristeza, talvez raiva, no ambiente escolar.</p><p>Estamos diante de um problema que precisa que as causas e as relações com o ambiente ou</p><p>aprendizado sejam investigadas. Neste momento, entra a investigação psicopedagógica, que vai</p><p>analisar o desenvolvimento socioafetivo, psicomotor, cognitivo, as in�uências do meio externo e</p><p>levantar as possíveis causas para o quadro que o aprendente está</p><p>apresentando.</p><p>A prática psicopedagógica está fundamentada na interdisciplinaridade, no estudo do</p><p>desenvolvimento cognitivo, na utilização de teorias da aprendizagem, na utilização de</p><p>ferramentas e métodos para identi�car di�culdades ou necessidades educativas, intervenção</p><p>terapêutica, aproximação emocional e afetiva, análise do contexto sociocultural, técnicas para</p><p>motivar e engajar o aprendente garantindo a promoção da inclusão educacional, en�m, todos</p><p>esses fundamentos levam à construção de vínculos com o aprendente e propiciam que ele</p><p>aprimore as habilidades necessárias que o ajudem a aprender e a sentir-se seguro.</p><p>Nessa perspectiva, Sobrinho (2015) ressalta os princípios que regem esse ramo dessa ciência:</p><p>O princípio da prevenção: refere-se às ações que podem ser executadas, de modo que o</p><p>sujeito não tenha mais di�culdades de aprendizagem mas que aprenda a lidar com elas.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>O princípio do desenvolvimento: está intimamente ligado ao princípio anterior; um sujeito</p><p>pode não apenas superar as di�culdades de aprendizagem, como também aprimorar seus</p><p>talentos, indo além.</p><p>O princípio da ação social: tem a ver com a forma de um indivíduo interagir com os outros e</p><p>construir relações positivas (SOBRINHO, 2015, p. 11).</p><p>A afetividade também é um fundamento de destaque na intervenção psicopedagógica por</p><p>direcionar o desenvolvimento do aprendente. Sobrinho (2015) menciona quatro características</p><p>que podem de�ni-la:</p><p>1. Trata-se de um estado subjetivo, pessoal, interior, em que o protagonista é o próprio</p><p>indivíduo;</p><p>2. Trata-se de algo experimentado pessoalmente pelo sujeito que vivencia;</p><p>3. Tem três expressões: emoções, sentimentos e paixões. Manifesta-se pelo estado de</p><p>espírito, que é o afeto fundamental ou o humor dominante;</p><p>4. Toda a experiência tem uma manifestação afetiva e deixa o impacto que persiste na</p><p>história de vida do indivíduo (SOBRINHO, 2015, p. 24).</p><p>As atividades humanas envolvem tanto aspectos psicológicos quanto físicos, reconhecendo que</p><p>ambas as dimensões da natureza humana são importantes. Partindo de três aspectos que</p><p>de�nem essa interação: estados afetivos básicos, que são sentimentos direcionados e que</p><p>re�etem a qualidade das relações entre as pessoas; estados de consciência espontâneos, no</p><p>qual consciências surgem naturalmente e in�uenciam percepções; e as ações e os sentimentos</p><p>vitais, que dizem respeito às emoções que proporcionam uma signi�cação imediata e subjetiva,</p><p>in�uenciando diretamente a maneira como vivemos nossas experiências.</p><p>A interdisciplinaridade faz referência à comunicação entre duas ou mais disciplinas, cujo objetivo</p><p>é abordar problemas complexos. Sendo assim, essa interação de ideias, de teorias, de conceitos,</p><p>de dados e métodos fundamenta a prática psicopedagógica. Como esse ramo estuda a</p><p>aprendizagem humana, compreender essa atividade abrange aspectos físicos, biológicos,</p><p>cognitivos, afetivos e sociais. Ela precisa basear-se em todas as ciências que estudam os seres</p><p>humanos e a sociedade para enriquecer as conceituações, e defender a existência de uma</p><p>disciplina psicopedagógica com seu objeto, seus métodos e com conhecimentos que não estão</p><p>restritos apenas a psicologia e a pedagogia (SOBRINHO, 2015).</p><p>A psicopedagogia se distingue não pela diversidade dos aspectos especí�cos da experiência</p><p>humana que aborda, como mente, cultura e linguagem, mas sim pelo seu foco em práticas e</p><p>atividades sociais de caráter</p><p>educativo. Ela está centralizada em intervenções educativas que</p><p>visam melhorar os processos de aprendizagem, integrando diferentes dimensões da experiência</p><p>humana dentro de um contexto educativo. Essa abordagem enfatiza a importância das</p><p>interações sociais e culturais no desenvolvimento cognitivo e na superação das di�culdades de</p><p>aprendizagem.</p><p>O lúdico na psicopedagogia</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Como analisar a dimensão lúdica no processo de aprendizagem para o desenvolvimento do</p><p>aprendente? É necessário considerar o cuidado da dimensão lúdica nas atividades escolares</p><p>promovendo o protagonismo das crianças no processo do aprender. Isso quer dizer que nós</p><p>precisamos permitir que os aprendizes sejam responsáveis por suas ações, pelos limites das</p><p>possibilidades do seu desenvolvimento e pelos recursos de mobilização do seu processo de</p><p>aprendizagem. Mas como fazer isso? Você deve estar se perguntando. Vamos lá!</p><p>Macedo, Petty e Passos (2004) nos ajudam nessa compreensão quando abordam que</p><p>desenvolvimento e aprendizagem expressam duas fontes de conhecimento: uma endógena</p><p>(interior) e outra exógena (exterior).</p><p>No primeiro caso [...], o desa�o é desdobrar-se para fora, conservando uma identidade ou</p><p>envolvimento. No segundo que interessa incorporar algo que, sendo externo, há de se tornar</p><p>nosso, individual ou coletivamente. A criança desenvolve brincadeiras e aprende jogos. Pode</p><p>também aprender brincadeiras com seus pais ou cultura e, com isso, desenvolver habilidades,</p><p>sentimentos ou pensamentos. O mesmo ocorre nos jogos: ao aprendê-los, desenvolvemos o</p><p>respeito mútuo (modos de se relacionar entre iguais), o saber compartilhar uma tarefa um</p><p>desa�o em um contexto de regras e objetivos, a reciprocidade, as estratégias para o</p><p>enfrentamento das situações-problema, os raciocínios. (MACEDO et al., 2004, p. 10).</p><p>Os autores nos lembram que Piaget, na maior parte da sua obra, estudou os estágios do</p><p>desenvolvimento de noções e operações e buscava analisar os esquemas que as crianças</p><p>utilizavam na sua própria perspectiva. Essa perspectiva de Piaget colaborou para que ele</p><p>adotasse um método clínico em que os psicopedagogos pudessem, a partir de situações</p><p>experimentais, observar a forma como as crianças compreendem e realizam procedimentos em</p><p>problemas físicos e matemáticos. Para mediar o olhar psicopedagógico, alguns</p><p>questionamentos direcionando esse olhar para as experiências de protagonismo dos</p><p>aprendentes, por exemplo: que hipóteses ou explicações formulou? Como ordenou as melhores</p><p>respostas a partir do pensamento e hipóteses?</p><p>Para Piaget (1986 apud NEGRINE, 2004, p. 74), a construção do conhecimento ligada à</p><p>inteligência dar-se-á no equilíbrio entre assimilação e acomodação, sendo assim, o jogo é</p><p>essencialmente a assimilação que prima sobre a acomodação. Para ele, as regras ou adaptações</p><p>da imaginação simbólica do jogo permitem construções espontâneas que os aprendentes fazem</p><p>da realidade. Com o jogo, a criança aprende a imitar, e essas aquisições levam à sua construção</p><p>sensório-motora e mental.</p><p>A aprendizagem para Piaget está representada por um duplo processo: o de assimilação e o de</p><p>acomodação. A inteligência sensório-motora aparece como desenvolvimento de uma atividade</p><p>assimiladora que tende a incorporar e acomodar os objetos exteriores a seus esquemas, na</p><p>medida em que se dá um equilíbrio estável entre a assimilação e a acomodação. Nesse caso,</p><p>pode-se falar de uma adaptação propriamente inteligente. Entretanto, à medida que há</p><p>acomodação é anterior à assimilação, a atividade se dirigirá à imitação e se constituirá em</p><p>simples prolongação dos movimentos de acomodação e, nesse sentido, deve-se compreender o</p><p>estreito parentesco com o ato da inteligência. (PIAGET, 1986 apud NEGRINE; NEGRINE, 2004, p.</p><p>75.).</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>As abordagens de Piaget nos ensinam as etapas para uma aprendizagem. Para ele, não há</p><p>aprendizagem sem que haja assimilação, acomodação e equilíbrio. Outro ponto importante para</p><p>esse processo é a imitação, a qual permite que o aprendente faça uma construção da realidade.</p><p>Sobre a imitação, Piaget reconhece 6 estágios progressivos:</p><p>1º Estágio – Preparação re�exa: a reprodução de modelo está relacionada com os atos</p><p>re�exos e, portanto, não é propriamente imitação (ausência de imitação nesse estágio).</p><p>2º Estágio – Imitação esporádica: os esquemas re�exos começam assimilar certos</p><p>elementos exteriores e ampliar-se em função de uma experiência adquirida sob a forma de</p><p>reações circulares “diferenciadas”.</p><p>3º Estágio – Imitação sistemática: aparecem novas reações circulares que exercem ações</p><p>sobre as mesmas coisas surgem a partir da coordenação da visão e da apreensão, aos 4</p><p>meses e meio, em média. Posso dizer que nesse estágio a criança é capaz de imitar todos</p><p>os movimentos que executa espontaneamente por si mesma, com exclusão dos</p><p>movimentos imersos nas totalidades mais complexas e que seria necessário diferenciar os</p><p>como esquemas independentes para poder copiá-los.</p><p>4º Estágio – Imitação dos movimentos já executados pelo sujeito, mas de maneira invisível</p><p>para ele: Piaget descreve dois momentos distintos nessa fase da imitação:</p><p>a. Imitação de movimentos já executados pelo sujeito, mas que ele não pode ver: esse</p><p>momento começa aos 8 ou 9 meses e se caracteriza pela coordenação dos esquemas</p><p>entre si; e</p><p>b. Início da imitação de novos modelos sonoros e visuais: na medida em que uma criança</p><p>está capacitada a imitar os movimentos executados de forma visível sobre o próprio corpo,</p><p>procura copiar também os sons e os gestos novos. Esses fatos, na opinião de Piaget,</p><p>parecem explicar os progressos da inteligência.</p><p>5º Estágio – Imitação sistemática de modelos novos, inclusive os que correspondem aos</p><p>movimentos invisíveis do próprio corpo: a imitação de modelos novos não se faz de forma</p><p>sistemática e precisa, mas no curso do quinto estágio, e isso paralelamente com os</p><p>progressos da mesma inteligência, faculdade da qual parece depender diretamente a</p><p>imitação.</p><p>6º Estágio – Começo da imitação representativa e evolução posterior da imitação: no curso</p><p>desse estágio, ocorre a construção da inteligência sensório-motora. Esse estágio está</p><p>caracterizado por dois momentos distintos:</p><p>a. Imitação dilatada: isto é, a primeira reprodução de um modelo não se faz necessariamente</p><p>em sua presença, mas em sua ausência, e depois de um tempo mais ou menos extenso; e</p><p>b. Evolução posterior à imitação: momento que se caracteriza pela análise da imitação depois</p><p>que aparece a linguagem, período compreendido entre 2 a 7 anos (PIAGET, 1986, apud</p><p>NEGRINE; NEGRINE, 2004, p. 75-77).</p><p>Notamos o quanto o brincar é essencial para o desenvolvimento. Ele envolve, promove</p><p>engajamento, permite interação, mobiliza a imaginação, cria con�itos, concebe diálogos,</p><p>estabelece limites e como vimos, permite projeções da realidade.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Brincar é coisa séria!</p><p>Vamos Exercitar?</p><p>Estudante, você conseguiu ter dimensão do quanto o lúdico é indissociável da prática</p><p>psicopedagógica, certo? No início desta aula, �z uma provocação te questionando como o lúdico</p><p>pode ajudar a melhorar a habilidade de concentração. Considerando uma sessão</p><p>psicopedagógica, o terapeuta pode utilizar vários jogos e brincadeiras que aprimoram essa</p><p>habilidade.  Vou deixar o exemplo de duas propostas para você:</p><p>Jogo de Memória</p><p>Material: cartões com imagens ou palavras.</p><p>Como jogar: coloque os cartões virados para baixo. A criança deve virar dois cartões por</p><p>vez para encontrar pares iguais. Este jogo estimula a memória e a atenção, pois a criança</p><p>precisa lembrar onde estão as imagens ou palavras correspondentes.</p><p>Quebra-Cabeças</p><p>Material: quebra-cabeças adequados à faixa etária da criança.</p><p>Como jogar: incentive a criança a montar o quebra-cabeças, começando com peças</p><p>maiores e mais simples e aumentando gradualmente a di�culdade. Este jogo ajuda a</p><p>melhorar a concentração, pois exige foco contínuo na tarefa.</p><p>Implementar essas atividades lúdicas pode ajudar a criança a melhorar sua concentração</p><p>de</p><p>maneira divertida e envolvente. É importante escolher jogos e atividades adequados à idade e</p><p>aos interesses da criança para maximizar o engajamento e os benefícios. Além disso, a</p><p>paciência e o reforço positivo são essenciais para encorajá-la a persistir nas tarefas e melhorar</p><p>gradualmente sua capacidade de concentração.</p><p>Saiba mais</p><p>Para mais informações sobre o lúdico e o brincar, sugiro a leitura das Diretrizes Curriculares</p><p>Nacionais para a Educação Infantil.</p><p>Sugiro o artigo A Educação e a saúde: Brinquedoteca hospitalar espaço de ressigni�cação para a</p><p>criança internada como mais uma possibilidade de enxergar o lúdico de forma relevante no</p><p>desenvolvimento.</p><p>http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb005_09.pdf</p><p>http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb005_09.pdf</p><p>https://www.proquest.com/scholarly-journals/educa%C3%A7%C3%A3o-e-sa%C3%BAde-brinquedoteca-hospitalar-espa%C3%A7o/docview/2437085151/se-2?accountid=134629</p><p>https://www.proquest.com/scholarly-journals/educa%C3%A7%C3%A3o-e-sa%C3%BAde-brinquedoteca-hospitalar-espa%C3%A7o/docview/2437085151/se-2?accountid=134629</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Referências</p><p>BEMVENUTI, Alice. et al. O lúdico na prática pedagógica. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2012. E-</p><p>book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 18 maio 2024.</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes curriculares nacionais</p><p>para a educação infantil/Secretaria de Educação Básica. – Brasília : MEC, SEB, 2010. Disponível</p><p>em: http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/diretrizescurriculares_2012.pdf. Acesso em: 19 maio</p><p>2024.</p><p>BRASIL. Lei nº 14.826, de março de 2024. Instituiu a parentalidade positiva e o direito ao brincar</p><p>como estratégias intersetoriais de prevenção à violência contra crianças [...]. Brasília, DF, [2024].</p><p>Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-</p><p>2026/2024/lei/L14826.htm#:~:text=e%20dos%20Munic%C3%ADpios.-,Art.,doze)%20anos%20de</p><p>%20idade%20incompletos. Acesso em: 19 maio 2024.</p><p>LIMA, Caroline Costa Nunes. et al. A ludicidade e a pedagogia do brincar. Porto Alegre: Grupo A,</p><p>2018. E-book. ISBN 9788595024700. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595024700/. Acesso em: 18 maio 2024.</p><p>LUCKESI, Cipriano Carlos. Ludicidade e atividades lúdicas na prática educativa: compreensões</p><p>conceituais e proposições. São Paulo: Cortez, 2023. E-book. ISBN 9786555553611. Disponível</p><p>em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786555553611/. Acesso em: 18 maio</p><p>2024.</p><p>MACEDO, Lino de; PETTY, Ana L. S.; PASSOS, Norimar C. Os jogos e o lúdico na aprendizagem</p><p>escolar. Porto Alegre: Grupo A, 2004. E-book. ISBN 9788536310060. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536310060/. Acesso em: 19 maio 2024.</p><p>NEGRINE, Airton da Silva; NEGRINE, Cristiane Soster. Educação infantil. 1. ed. Porto Alegre:</p><p>Educs, 2010. E-book.</p><p>SILVA, Marcos Ruiz da. Ludicidade. São Paulo, SP: Contentus, 2020. E-book.</p><p>SOBRINHO, Patricia Jerônimo. Fundamentos da Psicopedagogia. São Paulo: Cengage Learning</p><p>Brasil, 2015. E-book. ISBN 9788522122530. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522122530/. Acesso em: 18 maio 2024.</p><p>SOBRINHO, Patricia Jerônimo. Psicopedagogia Clínica e Institucional. São Paulo: Cengage</p><p>Learning Brasil, 2015. E-book. ISBN 9788522123476. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522123476/. Acesso em: 19 maio 2024.</p><p>http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/diretrizescurriculares_2012.pdf#:~:text=As%20Diretrizes%20Curriculares%20Nacionais%20para%20a,B%C3%A1sica%20do%20Conselho%20Nacional%20de%20Educa%C3%A7%C3%A3o&text=As%20Diretrizes%20Curriculares%20Nacionais,Conselho%20Nacional%20de%20Educa%C3%A7%C3%A3o&text=Curriculares%20Nacionais%20para%20a,B%C3%A1sica%20do%20Conselho%20Nacional</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/lei/L14826.htm#:~:text=e%20dos%20Munic%C3%ADpios.-,Art.,doze)%20anos%20de%20idade%20incompletos</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/lei/L14826.htm#:~:text=e%20dos%20Munic%C3%ADpios.-,Art.,doze)%20anos%20de%20idade%20incompletos</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/lei/L14826.htm#:~:text=e%20dos%20Munic%C3%ADpios.-,Art.,doze)%20anos%20de%20idade%20incompletos</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595024700/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786555553611/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536310060/</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Aula 4</p><p>Brincadeiras e Jogos na Aplicação de Práticas Psicopedagógicas</p><p>Brincadeiras e jogos na aplicação de práticas psicopedagógicas</p><p>Este conteúdo é um vídeo!</p><p>Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo</p><p>computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo</p><p>para assistir mesmo sem conexão à internet.</p><p>Dica para você</p><p>Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua</p><p>aprendizagem ainda mais completa.</p><p>Olá, estudante! Nesta videoaula, você aprenderá como fazer uma observação lúdica e ampliará</p><p>seu repertório com diferentes atividades para uma intervenção psicopedagógica.</p><p>Esse conteúdo é muito importante para que você compreenda de que forma o lúdico implica na</p><p>prática psicopedagógica e quais são as dimensões e os fenômenos que estão envolvidos</p><p>durante a prática do brincar e como eles interferem diretamente no desenvolvimento global dos</p><p>aprendentes.</p><p>Prepare-se para essa jornada de conhecimento!! Vamos lá!!</p><p>Ponto de Partida</p><p>Estudante, você já parou para imaginar o que realmente está em jogo quando as crianças jogam?</p><p>Quais são as dimensões e os fenômenos que estão diretamente ligados a esses momentos?</p><p>Como é realmente possível ajudar um aprendente com di�culdade ou transtorno de</p><p>aprendizagem por meio da ludicidade? Esses questionamentos fazem sentido para você?</p><p>Quando eu falo sobre brincar, sobre jogos, pense na sua infância. Quais são as memórias que</p><p>você tem? O que será que você estava desenvolvendo quando brincava naquele determinado</p><p>momento? Venha comigo, que suas memórias afetivas começarão a fazer total sentido.</p><p>Vamos Começar!</p><p>Brincadeiras e jogos na aplicação de práticas psicopedagógicas</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>O processo de ensinar e de aprender envolvem pessoas em relação: elas e suas histórias de vida;</p><p>elas e o conhecimento; elas e outras formas de viver e de pensar. Requer, concomitantemente,</p><p>movimento pessoal que é interno e que está relacionado ao desejo, às inteligências, às e ao</p><p>imaginário de cada um, e é também externo, pois ativa o corpo, promove pesquisa, tateios</p><p>experimentais de que decorrem as necessárias observações (KÜSTER, 2020, p. 24).</p><p>Ao mediar a prática psicopedagógica por meio de jogos e brincadeiras, é necessário considerar</p><p>alguns aspectos que são essenciais ao processo de aprendizagem, como desenvolvimento da</p><p>autonomia, ampliação de estratégias, aprofundamento de conhecimentos, exploração de</p><p>diferentes modalidades de aprendizagem.</p><p>Observação lúdica</p><p>Brincar, além de ser um direito da criança, é uma atividade relevante no desenvolvimento do</p><p>indivíduo e na atuação psicopedagógica, que acaba fornecendo dados signi�cativos para a</p><p>compreensão do processo de aprendizagem e das di�culdades do aprendente. Diante disso, o</p><p>brincar media o processo levantando expressões de pensamentos e sentimentos, manifestações</p><p>que permitem ao psicopedagogo observar e coletar dados que talvez não sejam manifestados</p><p>em outros instrumentos (GRASSI, 2020).</p><p>[...] a observação pode ser utilizada como primeiro contato entre o psicopedagogo e o sujeito,</p><p>pois é uma excelente estratégia para estabelecimento de vínculos, condição essencial para a</p><p>avaliação. Também tem seu uso indicado na avaliação de sujeitos que não respondem a outras</p><p>formas de investigação em função de sua faixa etária, na presença de de�ciências onde a</p><p>ausência da fala. (GRASSI, 2020, p. 19).</p><p>Na observação lúdica, a faixa etária, os elementos levantados na queixa e as di�culdades</p><p>são</p><p>fatores que precisam ser considerados junto ao material escolhido. É importante ser</p><p>apresentado em uma caixa o material que facilite a exploração do aprendente. Materiais de custo</p><p>baixo, que não ofereçam riscos e que sejam atrativos pela sua funcionalidade, não pelas</p><p>características estéticas.</p><p>Grassi (2020) sugere alguns materiais para compor a caixa da observação lúdica:</p><p>Jogos: dominó, dama, trilha, ludo, memória, entre outros, considerando a faixa etária e os</p><p>interesses.</p><p>Jogos de construção: peças de encaixe de plástico madeira, ferramentas etc.</p><p>Fantoches.</p><p>Sucata: caixas, potes, retalhos de tecido, tampinhas, palitos de sorvete etc.</p><p>Miniaturas de utensílios domésticos: panelas, talheres, copos.</p><p>Miniatura de mobília: cama, mesa, cadeiras, armários, fogão etc.</p><p>Bonecos e bonecas.</p><p>Carrinho, caminhão, avião etc.</p><p>Material de arte: tinta, pincel, massa de modelar, papel sul�te canetas hidrográ�cas, lápis</p><p>de cor, giz de cera etc.</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>Bolas de diferentes tamanhos.</p><p>Peças de vestuário e adereços.</p><p>Outros materiais podem ser acrescentados, considerando-se os sujeitos, a faixa etária e os</p><p>aspectos a observar (GRASSI, 2020, p. 20).</p><p>Enquanto o aprendente brinca, o pro�ssional observa, vai registrando as informações, quais</p><p>escolhas são feitas, de que maneira o aprendente estabelece relação com o objeto e com o</p><p>pro�ssional. Registra também os materiais que o aprendente utiliza, se os usa com</p><p>funcionalidade ou de forma simbólica, como são suas manifestações, expressões, quais são as</p><p>atitudes, ações e movimentos, como manifesta seus desejos, seus pensamentos e sentimentos.</p><p>A criação desse momento permite que o aprendente convide ou não o psicopedagogo para</p><p>participar do processo. Caso não seja solicitada a sua participação, será o momento apenas de</p><p>observação e, caso o aprendente não brinque, não explore ou não pergunte, será um momento</p><p>também de mediações.</p><p>Ainda sobre a observação lúdica na compreensão da modalidade de aprendizagem, Küster</p><p>(2020) considera relevante a apropriação de conceitos da psicologia genética, elaborada por</p><p>Piaget. Você já ouviu falar dele? Ele foi um biólogo e psicólogo suíço que construiu uma teoria do</p><p>conhecimento embasada na biologia e nas re�exões �losó�cas que o ajudaram a entender como</p><p>o ser humano atinge o conhecimento lógico-abstrato, distinguindo-o das demais espécies de</p><p>animais.</p><p>Toda a concepção decorre das relações entre o organismo e o meio, permitindo que o primeiro</p><p>se adapte ao segundo ao mesmo tempo que assimila informações perceptuais, motoras ou</p><p>conceituais no processo de equilíbrio da aprendizagem. Assim, para compreendermos com</p><p>clareza esse processo, a teoria piagetiana apresenta quatro conceitos básicos: esquema,</p><p>assimilação, acomodação e equilibração:</p><p>Esquemas: são estruturas intelectuais que organizam os acontecimentos vividos,</p><p>classi�cando-os em grupos com características comuns.</p><p>Assimilação: incorporação de dados perceptuais, motores ou conceituais que pertencem</p><p>ao meio.</p><p>Acomodação: ao mesmo tempo que você incorpora as informações do texto aos</p><p>esquemas existentes, as ideias e os conceitos são modi�cados pela nova informação. Vale</p><p>destacar que, quando não se encontra esquemas para assimilar as informações em pastas</p><p>já existentes, novos esquemas são criados para encaixar novos dados.</p><p>Equilibração: é a ação continuada da assimilação e da acomodação, que são necessárias</p><p>para o crescimento e o desenvolvimento cognitivo. Contudo, para uma harmonização deste</p><p>processo, é importante uma quantidade equilibrada de assimilações e acomodações</p><p>(KÜSTER, 2020, p. 42-43).</p><p>Veja, estudante, que as possibilidades de observação lúdica são pautadas em direcionamentos</p><p>que podem evidenciar a modalidade de aprendizagem. Sendo assim, já considerou organizar</p><p>uma caixa lúdica com os materiais que você tem em casa? Pensou em alguém especí�co com</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>quem você pode experimentar essa proposta? Organize o roteiro e os seus itens para a sua</p><p>observação lúdica.</p><p>Siga em Frente...</p><p>Proposições de atividades lúdicas na intervenção</p><p>psicopedagógica</p><p>Grassi (2021) destaca alguns elementos intermediários que auxiliam no desenvolvimento e na</p><p>consolidação do processo de intervenção. A �m de levá-lo a re�etir sobre as teorias que servem</p><p>de fundamento e que instrumentalizam a operação das escolhas conforme as necessidades e</p><p>interesses, abordaremos alguns recursos e instrumentos.</p><p>A caixa de trabalho criada por Jorge Visca pressupõe embasamento na epistemologia</p><p>convergente e na compreensão dos aspectos teóricos dessa vertente. Os componentes dessa</p><p>caixa são selecionados previamente, baseado no diagnóstico obtido e considerando as</p><p>di�culdades, os modos de aprendizagem, a faixa etária, os interesses, as necessidades, o</p><p>prognóstico, o nível social, cultural, de pensamento e os vínculos afetivos deste aprendente. No</p><p>interior, estão depositados medos, habilidades, di�culdades, conhecimentos, aspectos pessoais,</p><p>simbolizados pelos objetos, o que auxilia no processo de desenvolvimento da intervenção e</p><p>permite a vivência do processo de aprendizagem.</p><p>Já o projeto de aprender desenvolvido por Laura Monte Serrat Barbosa trata-se de um</p><p>instrumento de intervenção que parte dos interesses do aprendiz e proporciona informações de</p><p>como ele aprende e das mudanças que necessita para aprender. Existe um enquadramento no</p><p>projeto em que acontecem os combinados, e o aprendente recebe as informações do que é o</p><p>projeto, no que se baseia e quais seus objetivos. Ele contém algumas etapas, da elaboração à</p><p>avaliação.</p><p>A caixa de areias e as miniaturas são recursos empregados a outros instrumentos, como o</p><p>projeto de aprender e os jogos. É uma proposta de jogo como recurso terapêutico, importante</p><p>instrumento para a construção da aprendizagem. Os cenários podem ser construídos livremente,</p><p>mas o interior tem um número limitado de miniaturas para oferecer segurança e proteção ao</p><p>aprendiz. A caixa tem uma medida especí�ca, revestida por fórmica impermeável e com areia</p><p>�na, peneirada e tratada. Em relação às miniaturas, o psicopedagogo deve providenciar uma</p><p>ampla variedade para representar diferentes cenários para simbolizar e expressar os</p><p>pensamentos e sentimentos do aprendiz.</p><p>As atividades lúdicas têm cinco características estruturantes: prazer funcional, desa�o, criação</p><p>de possibilidades, simbolização e a expressão construtiva, aspectos estes que tornam os</p><p>instrumentos de intervenção ricos em possibilidades. Brincar e jogar a partir do olhar</p><p>psicopedagógico gera signi�cação e ressigni�cação dos conhecimentos, em que as intervenções</p><p>e mediações propiciam apropriação dos saberes, a elaboração de pensamentos e sentimentos e</p><p>Disciplina</p><p>O BRINCAR E A PSICOPEDAGOGIA</p><p>a consolidação de vínculos, ao mesmo tempo que resgata o prazer em aprender, criar, descobrir</p><p>desconstruir, fazer e interagir.</p><p>As o�cinas psicopedagógicas têm ludicidade como componente central, e envolvem brincadeiras</p><p>e jogos, dinâmicas de grupo, jogos dramáticos, artes plásticas, literatura entre outras</p><p>possibilidades. É um espaço entre aprendente e ensinante com o objetivo de estabelecimento de</p><p>vínculo afetivo para desenvolver e construir conhecimentos, expressar sentimentos, organizar</p><p>pensamentos por meio da experimentação, do erro, desfazendo e refazendo, sem</p><p>constrangimento.</p><p>O material disparador mobiliza o sujeito na busca pelo conhecimento e pela aprendizagem,</p><p>estimulando estruturas mais complexas do pensamento a partir do estágio do desenvolvimento</p><p>em que se encontra. E o que será que nós podemos utilizar como material disparador? A verdade</p><p>é que você pode utilizar uma in�nidade de materiais, desde que sejam estimulantes para o</p><p>aprendiz, como por exemplo fantoches, revistas, massa de modelar, tecido, livros e, propor uma</p><p>substituição, quando o disparador não estiver mais mobilizando-o. Ele precisa ser consultado</p><p>para a troca e pode solicitar ou sugerir algum disparador, que pode ser providenciado em um</p><p>próximo encontro.</p><p>O que está em jogo quando as crianças jogam?</p><p>Para dar-nos</p>

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