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Disciplina | 
A Evolução do Direito do Consumidor no Mundo 
www.cenes.com.br | 1 
 
 
 
 
 
DISCIPLINA 
TEORIA GERAL DO DIREITO DO 
CONSUMIDOR E O CDC 
Teoria Geral do Direito do Consumidor e o CDC | 
Sumário 
www.cenes.com.br | 2 
Sumário 
Sumário ----------------------------------------------------------------------------------------------------- 2 
1 A Evolução do Direito do Consumidor no Mundo ------------------------------------------- 3 
2 Evolução do Direito do Consumidor no Brasil ----------------------------------------------- 6 
2.1 O CDC como Norma Principiológica de Ordem Pública e Interesse Social – Microssistema 
Jurídico 8 
3 Relação Jurídica de Consumo ------------------------------------------------------------------- 11 
3.1 Conceito de Consumidor -------------------------------------------------------------------------------------- 13 
3.2 Conceito de Fornecedor --------------------------------------------------------------------------------------- 16 
3.3 Conceito de Produto ------------------------------------------------------------------------------------------- 18 
3.4 Conceito de Serviço -------------------------------------------------------------------------------------------- 21 
4 Princípios do Direito do Consumidor ---------------------------------------------------------- 25 
5 Defesa do Consumidor em Juízo ---------------------------------------------------------------- 35 
5.1 A Legitimação para a Propositura de Ações Coletivas ------------------------------------------------ 40 
5.2 Ações Judiciais --------------------------------------------------------------------------------------------------- 48 
5.3 Efeitos das Decisões nas Ações Coletivas ---------------------------------------------------------------- 53 
6 Referências ------------------------------------------------------------------------------------------- 60 
 
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Teoria Geral do Direito do Consumidor e o CDC | 
A Evolução do Direito do Consumidor no Mundo 
www.cenes.com.br | 3 
1 A Evolução do Direito do Consumidor no Mundo 
A origem do consumidor é atribuída aos EUA, pois foi o país que primeiro 
dominou o capitalismo, sofrendo a consequência do marketing agressivo da 
produção, da comercialização e do consumo em massa. Encontra-se na doutrina, que 
os primeiros movimentos consumeristas de que se tem notícia ocorreram no séc. XIX. 
Há autores que identificam 03 fases relativas à evolução da proteção ao 
consumidor no mundo. Newton de Lucca assim nos ensina: 
 
Na primeira delas, ocorrida após a 2ª Grande Guerra, de caráter 
incipiente, na qual ainda não se distinguiam os interesses dos 
fornecedores e consumidores, havendo apenas uma preocupação 
com o preço, a informação e a rotulação adequada dos produtos. 
Na segunda fase, já se questionava com firmeza a atitude de 
menoscabo que as grandes empresas e as multinacionais tinham 
em relação aos consumidores, sobressaindo-se, na época a figura 
do advogado americano Ralph Nader. 
Finalmente, na terceira fase, correspondente aos dias atuais, de 
mais amplo espectro filosófico - marcada por consciência ética 
mais clara da ecologia e da cidadania – interroga-se sobre o 
destino da humanidade, conduzido pelo torvelinho de uma 
tecnologia absolutamente triunfante e pelo consumismo 
exagerado, desastrado e trêfego, que põe em risco a própria 
morada do homem. (LUCCA, 2008, p. 47) 
 
Em 1872 foi editada a Lei Sherman Anti Trust nos Estados Unidos da América, 
com a finalidade de reprimir as fraudes praticadas no comércio, além de proibir 
práticas desleais, tais como: combinação de preço e o monopólio. Todavia, esta lei 
não foi aplicada e, em 1914, criou-se a Federal Trade Comission, com o forte propósito 
de efetivar a lei antitruste e proteger realmente os interesses dos consumidores. 
As duas grandes guerras contribuíram para o surgimento da sociedade de 
consumo, haja vista que o desenvolvimento industrial fluía a todo vapor, necessitando 
de consumidores para despejar seus mais diversos produtos. Era o capitalismo que 
chegava para ficar, liderada pela mais nova grande potência, os Estados Unidos. Nisso, 
Teoria Geral do Direito do Consumidor e o CDC | 
A Evolução do Direito do Consumidor no Mundo 
www.cenes.com.br | 4 
os fundamentos liberais do direito privado foram abalados com o surgimento desta 
sociedade de consumo, o que influenciou sensivelmente as características contratuais. 
Os contratos paritários, frutos de acordos de vontade, discutidos cláusula a 
cláusula, tornaram-se menos frequentes, e chegavam com toda força na sociedade 
massificada, os contratos por adesão, formulados pelas empresas e impostos aos 
consumidores, continham conteúdo padrão, não dando alternativas, senão em 
comungar com o que lhe foi imposto. 
Diante dessa realidade, o direito contratual enfrentou mudanças em seus 
paradigmas clássicos, que já não serviam para responder às questões resultantes da 
massificação da sociedade de consumo e os Estados passaram a intervir nas relações 
privadas, a fim de evitar as desigualdades, delineando, assim, o intervencionismo e o 
dirigismo estatal. 
Um marco histórico importante para o reconhecimento do consumidor como 
sujeito de direitos ocorreu em 1962, quando o presidente norte-americano John 
Kennedy, em um discurso, enumerou os direitos do consumidor e os considerou como 
um desafio necessário para o mercado. O Presidente mencionou que em algum 
momento de nossas vidas “todos somos consumidores”. Kennedy localizou os 
aspectos mais importantes na questão da proteção ao consumidor, afirmando que os 
bens e serviços deviam ser seguros para uso e vendidos a preços justos. 
Neste contexto, no dia 15 de março de 1962, Kennedy citou quatro direitos 
fundamentais ao consumidor, que tiveram repercussão no mundo todo. Inclusive, a 
importância deste fato, fez com que o Congresso Americano definisse este dia como 
Dia Mundial dos Direitos do Consumidor. 
De maneira geral, costuma ser apontado, como marco inicial da tendência à 
proteção aos consumidores no mundo, a famosa mensagem do então Presidente da 
República norte americana, John Fitzgerald Kennedy, em 15 de março de 1962, 
dirigida ao Parlamento, consagrando determinados direitos fundamentais do 
consumidor, quais sejam: o direito à segurança, à informação, à escolha e a ser ouvido, 
seguindo-se, a partir daí, um amplo movimento mundial em favor da defesa do 
consumidor. (LUCCA, 2008, p. 48). 
Explicando melhor foram citados: 
• Direito à saúde e à segurança, relacionado à comercialização de 
produtos perigosos à saúde e à vida; 
Teoria Geral do Direito do Consumidor e o CDC | 
A Evolução do Direito do Consumidor no Mundo 
www.cenes.com.br | 5 
• Direito à informação, compreendido à propaganda e à necessidade 
de o consumidor ter informações sobre o produto para garantir uma boa 
compra; 
• Direito à escolha, referindo-se aos monopólios e às leis antitrustes, 
incentivando a concorrência e a competitividade entre os fornecedores; 
• Direito a ser ouvido, visando que o interesse dos consumidores 
fosse considerado no momento de elaboração das políticas 
governamentais. 
 
De toda sorte, em 1973, a Comissão de Direitos Humanos da ONU, reconheceu 
os direitos fundamentais do consumidor e consolidou a noção de que o direito do 
consumidor seria um direito humano de nova geração, um direito social econômico, 
de igualdade material do mais fraco, do cidadão civil nas suas relações privadas frente 
aos fornecedores de produtos e serviços. 
Finalmente em 1985, a Assembleia Geral da ONU editou a resolução n. 39/248 
de 10/04/1985 sobre a proteção ao consumidor, positivando o princípio da 
vulnerabilidade no plano internacional. As diretrizes constituíamobjetivo 
prevenir conflitos. 
 
 
Teoria Geral do Direito do Consumidor e o CDC | 
Princípios do Direito do Consumidor 
www.cenes.com.br | 34 
Princípio da Reparação Integral 
É um princípio relativo à reparação de danos, caso o consumidor sofra um dano, 
a reparação que lhe é devida deve ser a mais ampla possível, abrangendo a todos os 
danos causados. 
Dentre os direitos básicos do Consumidor, consagrados no art. 6, VI, do CDC 
encontra-se a “efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, 
individuais, coletivos e difusos”, o que indica uma reparação de forma efetiva, real, e 
integral, sendo vedado ao fornecedor condicionar a reparação. 
Não são aceitas nas relações de consumo, cláusulas de irresponsabilidade ou de 
não indenização, nem mesmo as que meramente atenuem a responsabilidade do 
fornecedor. 
Entretanto, há uma exceção prevista no artigo 51, I, do CDC, quando o 
consumidor for pessoa jurídica, a indenização poderá ser limitada, em situações 
justificáveis: 
 
Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas 
contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: 
I - impossibilitem, exonerem ou atenuem a responsabilidade do 
fornecedor por vícios de qualquer natureza dos produtos e 
serviços ou impliquem renúncia ou disposição de direitos. Nas 
relações de consumo entre o fornecedor e o consumidor pessoa 
jurídica, a indenização poderá ser limitada, em situações 
justificáveis; (BRASIL, 1990) 
 
Princípio da Solidariedade 
A solidariedade também está relacionada à responsabilidade aos danos causados 
aos consumidores. Cabe ao fornecedor responder por quaisquer vícios ou fatos 
relativos ao produto ou serviço. 
O artigo 7, parágrafo único do CDC estatui: “Tendo mais de um autor a ofensa, 
todos responderão solidariamente pela reparação dos danos previstos nas normas de 
consumo”. Também art. 25 do CDC reza que: 
Teoria Geral do Direito do Consumidor e o CDC | 
Defesa do Consumidor em Juízo 
www.cenes.com.br | 35 
 
“É vedada a estipulação contratual de cláusula que impossibilite, 
exonere ou atenue a obrigação de indenizar prevista nesta e nas 
seções anteriores. § 1° Havendo mais de um responsável pela 
causação do dano, todos responderão solidariamente pela 
reparação prevista nesta e nas seções anteriores” (BRASIL, 1990) 
 
A solidariedade aparece novamente nos artigos 18, 19 e 34, do CDC, 
comprovando, portanto, que o consumidor pode se valer do instituto para, 
efetivamente, ser indenizado pelos danos sofridos nas relações jurídicas de consumo. 
 
Princípio da Interpretação Mais Favorável ao Consumidor 
Trata-se de um princípio que proclama a interpretação contra a parte mais forte, 
aquela que estipulou o conteúdo do pacto contratual, como ocorre no contrato de 
adesão. Este princípio está expresso no CDC, no art. 47 “As cláusulas contratuais serão 
interpretadas de maneira mais favorável ao consumidor”. 
Vale salientar que este princípio será aplicável não apenas às cláusulas 
contratuais, mas também em relação às leis em geral, ou seja, havendo conflito, aplica-
se a lei ou a cláusula que melhor atenda aos interesses do consumidor. 
 
5 Defesa do Consumidor em Juízo 
 
"O CDC permite a proteção dos consumidores em larga escala, 
me­diante ações coletivas e ações civis públicas. É por elas que o 
consumidor poderá ser protegido. Aliás, parece-nos que, pelo 
menos nas questões de competência da Justiça Estadual, aos 
poucos é verdade (e no caso brasileiro, não era de se esperar de 
outra forma que o CDC demorasse para ter implementação), 
começa-se a ter consciência da importância da ação coletiva, quer 
proposta pelo Ministério Público, quer proposta pelas 
Associações de Defesa do Consumidor, porque começa-se a 
Teoria Geral do Direito do Consumidor e o CDC | 
Defesa do Consumidor em Juízo 
www.cenes.com.br | 36 
perceber que, de fato, o fundamento primordial da Lei n. 8.078, 
nas questões processuais, é exatamente este de controlar como 
um todo as ações dos fornecedores." (NUNES, 2021, p.1493) 
 
A ação civil pública teve sua origem no direito norte-americano, mais 
precisamente no início do século XX, como uma resposta à necessidade de proteção 
dos interesses coletivos diante das mudanças sociais e econômicas da época. Nos 
Estados Unidos, a ação civil pública ganhou destaque com a criação da "class action", 
uma modalidade de ação judicial que permite que um grupo de pessoas com 
interesses semelhantes busque reparações por danos causados por terceiros. Essa 
forma de ação permitiu a proteção de direitos coletivos, como os direitos dos 
consumidores, meio ambiente, direitos trabalhistas, entre outros. 
No Brasil, a ação civil pública foi incorporada ao ordenamento jurídico com a 
promulgação da Constituição Federal de 1988. A Constituição estabeleceu a defesa 
dos interesses difusos e coletivos como uma das funções institucionais do Ministério 
Público, conferindo-lhe legitimidade para propor ações em defesa desses interesses. 
Ainda, a Lei da Ação Civil Pública (Lei nº 7.347/1985) foi promulgada para 
regulamentar a atuação do Ministério Público e de outras entidades na defesa dos 
direitos coletivos. Essa lei estabelece os procedimentos e requisitos para a propositura 
da ação civil pública, bem como as sanções e medidas que podem ser aplicadas em 
caso de violação dos direitos coletivos. 
A ação civil pública representa um avanço significativo no sistema jurídico 
brasileiro, na medida em que possibilita a defesa dos interesses coletivos de forma 
mais abrangente e efetiva. Ela busca superar a limitação das ações individuais, 
permitindo que um único processo judicial proteja direitos de uma ampla coletividade. 
Com a criação da ação civil pública, o Brasil passou a contar com uma ferramenta 
jurídica relevante para a proteção dos interesses da sociedade como um todo, 
possibilitando a responsabilização de empresas, governos e indivíduos que causem 
danos ou ameacem direitos coletivos. 
A ação civil pública tem como objetivo principal reparar ou prevenir danos 
causados à coletividade, além de buscar a responsabilização dos envolvidos e a 
implementação de medidas para evitar a continuidade ou a repetição dos problemas. 
Dessa forma, ela contribui para a defesa dos direitos difusos, que são aqueles de 
titularidade indeterminada, dos direitos coletivos, que são aqueles de titularidade 
determinada, mas de natureza indivisível, e dos interesses individuais homogêneos. 
Teoria Geral do Direito do Consumidor e o CDC | 
Defesa do Consumidor em Juízo 
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A ação civil pública é uma importante ferramenta do ordenamento jurídico 
brasileiro que visa proteger interesses coletivos e difusos da sociedade. Ela está 
prevista na Constituição Federal de 1988, no artigo 129, inciso III, e é regulamentada 
pela Lei nº 7.347/1985, conhecida como Lei da Ação Civil Pública. 
 
Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: 
III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a 
proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de 
outros interesses difusos e coletivos; (BRASIL, 1988) 
 
Essa modalidade de ação judicial é utilizada quando há lesão ou ameaça a 
direitos coletivos, como meio ambiente, consumidor, patrimônio histórico e cultural, 
ordem urbanística, entre outros. Ela pode ser proposta por entidades públicas, como 
o Ministério Público, ou por entidades privadas legitimadas, como associações e 
sindicatos. 
Apesar de a Constituição Federal fazer menção aos direitos difusos e coletivos, 
não os define. Fez-se necessário, então, que sua definição se desse pelo CDC: 
 
Art. 81. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das 
vítimas poderá ser exercida em juízo individualmente, ou a título 
coletivo. 
Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar 
de: 
I - interesses ou direitos difusos, assim entendidos, paraefeitos 
deste código, os transindividuais, de natureza indivisível, de que 
sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por 
circunstâncias de fato; 
II - interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para 
efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível de 
que seja titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre 
si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base; 
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Defesa do Consumidor em Juízo 
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III - interesses ou direitos individuais homogêneos, assim 
entendidos os decorrentes de origem comum. (grifo nosso) 
(BRASIL, 1990) 
 
Trataremos, a seguir, sobre cada um desses direitos: 
 
Direitos Difusos 
Os denominados direitos difusos são concebidos como direitos cujos detentores 
não são passíveis de uma determinação precisa. Em outras palavras, os sujeitos aos 
quais se busca regular e preservar o respectivo direito subjetivo são indefiníveis e 
indeterminados. Isso não se traduz em afirmar que determinado indivíduo, de forma 
particularizada, não esteja na iminência de ser ameaçado ou efetivamente afetado. 
Porém, significa unicamente que estamos diante de uma categoria de direito que, 
ainda que possa impactar especificamente um indivíduo, merece especial proteção, 
pois afeta simultaneamente o coletivo. Ilustremos tal conceito: caso um fornecedor 
divulgue uma publicidade enganosa por meio televisivo, o exemplo se enquadra 
perfeitamente no conceito de direito difuso, haja vista que tal anúncio coloca toda a 
população ao qual é direcionado em condição de sujeição. De maneira indiscriminada 
e abrangente, todos os indivíduos são potencialmente atingidos por tal publicidade 
enganosa. Vale destacar que é justamente esta característica de indeterminação do 
sujeito concretamente violado que é um dos elementos principais dos direitos difusos. 
Elaboremos mais: sempre que surgir concomitantemente uma questão 
envolvendo direito difuso e outra questionando direito individual, ambas conectadas 
pelo mesmo objeto, estaremos diante de dois direitos em voga, e ambos serão 
resguardados pelo regime jurídico consumerista. Além disso, no âmbito do direito 
difuso, inexiste uma relação jurídica subjacente. São as circunstâncias fáticas que 
estabelecem a conexão. Adicionalmente, o objeto ou bem jurídico é de natureza 
indivisível, justamente por impactar e pertencer a todos de forma indistinta. Portanto, 
ele não pode ser fragmentado. Para elucidar, é válido ressaltar: o fato de o mesmo 
objeto gerar dois tipos de direito não altera a característica de indivisibilidade do 
objeto pertinente no direito difuso. Ou seja, se um anúncio enganoso afetar 
especificamente um consumidor, esse direito identificado não promove nenhuma 
modificação na natureza indivisível do fato objetivo do anúncio. A ação judicial de 
proteção ao direito difuso mantém o caráter da indivisibilidade do objeto e estabelece 
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Defesa do Consumidor em Juízo 
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conexão com a titularidade difusa, sem ocasionar alterações no quadro da proteção 
particular. 
 
Direitos Coletivos 
Os direitos que nomeamos como coletivos são caracterizados por terem titulares 
que, embora indeterminados, são plenamente determináveis. Em outras palavras, para 
a constatação da existência de um direito coletivo, não se faz necessário indicar 
especificamente um titular distinto e tangível. No entanto, este titular pode ser 
facilmente identificado mediante a análise do direito em questão. Para ilustrar, a 
qualidade educacional proporcionada por uma instituição escolar pode ser 
classicamente considerada como um direito coletivo. Dita qualidade é um direito de 
todos os estudantes sem distinção, porém, certamente, afeta cada estudante de 
maneira individual. Os agentes obrigados a respeitar os direitos coletivos são os 
fornecedores envolvidos na relação jurídica fundamental ou aqueles que mantêm 
relações com o conjunto de consumidores que estabelecem entre si uma relação 
jurídica base. 
Ademais, no âmbito do direito coletivo, existem duas relações jurídicas 
fundamentais que servem para conectar o sujeito ativo ao sujeito passivo: aquela em 
que os titulares estão vinculados entre si por uma relação jurídica, ou aquela em que 
os titulares estão vinculados ao sujeito passivo por uma relação jurídica. Vale destacar 
que, nesse contexto, é imprescindível a existência de uma relação jurídica, uma 
condição que se distingue dos direitos difusos, onde tal relação jurídica não é 
requisito. Assim, os direitos coletivos representam uma categoria jurídica distinta que, 
embora compartilhe algumas semelhanças com os direitos difusos, como a 
indeterminabilidade inicial dos titulares, diferem em pontos significativos, tais como a 
necessidade de uma relação jurídica subjacente, o que os torna determináveis. 
 
Direitos Individuais Homogêneos 
Os sujeitos, aqui, são sempre múltiplos e especificamente identificáveis. A 
multiplicidade se justifica pois, se houver apenas um, estaremos diante de um direito 
individual simples, e a especificidade é assegurada pelo fato de que, neste cenário, 
apesar da homogeneidade, o direito é, conforme indica a terminologia, individual. 
Entretanto, é importante frisar: não se trata de um litisconsórcio, mas sim de 
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direito coletivo. Não estamos diante de uma junção de múltiplas partes, com direitos 
próprios e individuais no polo ativo da demanda, como ocorre no litisconsórcio ativo; 
ao lidarmos com direito individual homogêneo, a situação envolve direito coletivo — 
o que permitirá, inclusive, a apresentação de uma ação judicial pelos legitimados 
mencionados no artigo 82 da lei consumerista. 
De fato, a ação individual ou a ação proposta por litisconsórcio facultativo não 
estão interditadas, assim como não é vedado o ingresso de tais ações durante o curso 
de uma Ação Coletiva de proteção ao direito individual homogêneo. No entanto, não 
se pode confundir esses institutos, que possuem naturezas distintas: no litisconsórcio, 
existe uma reunião concreta e real de titulares individuais de direitos subjetivos no 
caso, no polo ativo da demanda; na ação coletiva para defesa de direitos individuais 
homogêneos, o autor da ação é único: um dos legitimados do art. 82 do Código de 
Defesa do Consumidor (CDC). Os responsáveis pelos danos causados aos sujeitos 
ativos são todos aqueles que diretamente ou indiretamente causaram o dano ou 
participaram do evento danoso, ou ainda, que contribuíram para tal. 
A configuração da conexão entre os sujeitos ativos e os responsáveis pelos danos 
ocorre em uma situação jurídica — fato, ato, contrato etc. — que possui origem 
comum para todos os titulares do direito violado. Ou seja, o vínculo que une os 
titulares do direito violado deve ser comum a todos. 
Apesar disso — ou seja, apesar de ser de origem comum —, não se requer, nem 
se poderia exigir, que cada um dos indivíduos afetados na relação sofra do mesmo 
mal. Aliás, não apenas o aspecto do dano individualmente considerado será 
oportunamente apurado em liquidação de sentença, mas o fato de esses danos serem 
diversos em nada afeta a ação coletiva de proteção e apuração dos danos associados 
aos direitos individuais homogêneos. 
 
5.1 A Legitimação para a Propositura de Ações Coletivas 
Uma das características importantes da ação civil pública é a ampla legitimidade 
ativa, ou seja, diversos atores podem propor essa ação judicial, como bem veremos a 
seguir, disposto no artigo 5º da Lei 7.347/85. Além disso, ela pode ser ajuizada tanto 
para obter uma reparação pelos danos causados como para prevenir ou cessar a 
prática de atividades lesivas. 
Vejamos: 
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Defesa do Consumidor em Juízowww.cenes.com.br | 41 
 
Art. 5o Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação 
cautelar: 
I - o Ministério Público; 
II - a Defensoria Pública; 
III - a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; 
IV - a autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de 
economia mista; 
V - a associação que, concomitantemente: a) esteja constituída há 
pelo menos 1 (um) ano nos termos da lei civil; b) inclua, entre suas 
finalidades institucionais, a proteção ao patrimônio público e 
social, ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à 
livre concorrência, aos direitos de grupos raciais, étnicos ou 
religiosos ou ao patrimônio artístico, estético, histórico, turístico e 
paisagístico. (BRASIL, 1985) 
 
Já com fulcro no CDC, artigo 82, são legitimados, concorrentemente: 
 
I - o Ministério Público, 
II - a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal; 
III - as entidades e órgãos da Administração Pública, direta ou 
indireta, ainda que sem personalidade jurídica, especificamente 
destinados à defesa dos interesses e direitos protegidos por este 
código; 
IV - as associações legalmente constituídas há pelo menos um ano 
e que incluam entre seus fins institucionais a defesa dos interesses 
e direitos protegidos por este código, dispensada a autorização 
assemblear. (BRASIL, 1990) 
 
 
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A legitimação concorrente é uma situação em que diferentes entidades possuem 
legitimidade para propor uma ação civil pública sobre o mesmo assunto. Isso significa 
que mais de uma entidade, seja pública ou privada, tem o direito de ingressar com 
uma ação civil pública em relação a determinado caso. 
Na esfera jurídica, a legitimidade está relacionada à capacidade de ser parte em 
um processo judicial ou de exercer determinados direitos. A legitimidade pode ser 
exclusiva, quando apenas uma pessoa ou entidade é legitimada para agir, ou 
concorrente, quando diversas pessoas ou entidades têm o direito de atuar na mesma 
situação. 
A legitimidade concorrente pode ocorrer em diferentes áreas do direito. Por 
exemplo, em casos de sucessão familiar, onde mais de uma pessoa pode ter direito a 
uma herança e, portanto, possuem legitimidade concorrente para pleitear seus 
direitos perante o tribunal. 
No âmbito das ações judiciais, a legitimidade concorrente pode ocorrer em 
situações em que diferentes pessoas ou entidades são afetadas pelos mesmos fatos 
ou possuem interesses semelhantes. Nesses casos, cada uma delas pode ter 
legitimidade para propor ação judicial em busca da defesa desses interesses. 
É importante ressaltar que a legitimidade concorrente não significa que todas as 
partes têm os mesmos direitos ou poderes em relação ao processo ou à situação em 
questão. Cada parte terá sua posição e argumentos específicos, e a decisão judicial 
considerará os elementos apresentados por todas as partes envolvidas. 
 
A legitimidade das entidades envolvidas nas ações coletivas destinadas à 
proteção dos direitos difusos e coletivos é autônoma, não implicando em substituição 
processual. Esta legitimidade é característica intrínseca do instituto da ação coletiva, 
pertencendo, por essa razão, de maneira autônoma a cada uma das entidades, que 
atuam na ação respondendo por si próprias. O objeto do direito em disputa não é de 
propriedade da entidade — seja no caso de direito difuso ou coletivo —, contudo, a 
ação sim: essa é exercida no âmbito de sua autonomia. 
É fato que o direito material em discussão não é pertencente à entidade — na 
verdade, em nenhuma circunstância é, nem mesmo, e particularmente, no direito 
individual homogêneo: o direito difuso é de objeto que pertence a toda coletividade, 
tendo titulares indeterminados; o direito coletivo, apesar de possuir titulares 
determináveis, estes não necessitariam ser identificados para sua caracterização. O 
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Defesa do Consumidor em Juízo 
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relevante é que em ambos os casos o objeto é indivisível e não se faz necessário a 
identificação dos titulares. 
Dessa forma, não há necessidade de identificação dos titulares. Por essa razão, 
não seria propriamente correto afirmar que a entidade estaria defendendo direito de 
outrem em seu próprio nome; e, mesmo que persista algum debate sobre essa 
questão, o fato é que as entidades não agem como substituto processual, fruto de 
uma legitimação extraordinária para estar em juízo quando atuam na defesa de 
direitos difusos e coletivos. Elas são concedidas pela lei, especialmente em função da 
característica de indivisibilidade do objeto em disputa, legitimidade autônoma para 
agir judicialmente. 
É que, mesmo que se possa identificar um consumidor individualmente 
prejudicado, ele não pode ingressar com uma ação com o intuito de proteger direito 
difuso ou coletivo, mas somente e unicamente pode propor ação individual visando 
resguardar ou repor o seu próprio direito ameaçado e lesado — atingidos como 
consequência da prática que viola o direito difuso ou coletivo. 
Já a legitimidade conferida às entidades no contexto das ações coletivas para a 
defesa dos direitos individuais homogêneos se manifesta como extraordinária, 
configurando, em essência, um caso de substituição processual. 
No âmbito do direito individual homogêneo, como se observou previamente, o 
titular é singularmente determinado, embora plural, e o objeto se distingue pela sua 
divisibilidade. Tal configuração implica que, tecnicamente, a entidade, ao propor a 
ação coletiva, opera em seu próprio nome para pleitear um direito que pertence a 
outrem. 
Isso ocorre porque não apenas o direito individual continua sendo o que sempre 
foi — intrínseca e circunscritamente vinculado ao próprio titular —, mas também a 
indenização pelo dano será efetuada por meio de execução individual — um processo 
de habilitação — na execução da sentença coletiva. 
Portanto, conforme mencionado anteriormente, a legitimação das entidades é 
realizada por meio de substituição processual, conforme expressamente disposto no 
artigo 82 da Lei número 8.078/90 e em conformidade com o preceito do artigo 18 do 
Código de Processo Civil: 
 
Art. 18. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, 
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salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico. 
Parágrafo único. Havendo substituição processual, o substituído 
poderá intervir como assistente litisconsorcial. 
 
A ação civil pública segue um rito processual próprio, que inclui a fase de 
investigação prévia, onde o órgão responsável coleta informações e provas, e a fase 
judicial, que envolve a propositura da ação, a citação dos réus, a apresentação de 
contestação, a produção de provas, a realização de audiências e, por fim, a prolação 
da sentença pelo juiz. 
Os efeitos da ação civil pública podem ser amplos, pois uma decisão favorável 
pode gerar efeitos erga omnes, ou seja, válidos para todos, e não apenas para as 
partes envolvidas no processo. Além disso, a sentença pode determinar a obrigação 
de reparar os danos causados, a implementação de medidas preventivas, a 
indenização coletiva, entre outras medidas adequadas ao caso. 
Nas ações que tenham por objeto o cumprimento da obrigação de fazer ou não 
fazer, o juiz concederá a tutela específica da obrigação, ou também poderá determinar 
providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento, 
conforme preceitua o artigo 84, caput, CDC. Nesse tipo de obrigação, as perdas e 
danos são subsidiárias, apenas tendo lugar quando não for possível, ou o consumidor 
não quiser a tutela específica da obrigação (artigo 84, §1º, CDC). 
As multas podem ser mecanismos valiosos para se atingir os resultados práticos 
esperados. Contudo, a indenizaçãopor perdas e danos se fará sem prejuízo da multa, 
podem ser cumulativos. Prevê o §4: 
 
§ 4° O juiz poderá, na hipótese do § 3° ou na sentença, impor multa 
diária ao réu, independentemente de pedido do autor, se for 
suficiente ou compatível com a obrigação, fixando prazo razoável 
para o cumprimento do preceito. (BRASIL, 1990) 
 
Aqui se fala das astreintes, são as multas que objetivam forçar o devedor a 
cumprir a obrigação, que podem ser concedidas de ofício pelo juiz, a fim de assegurar 
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a efetividade das decisões judiciais. As astreintes podem ser aplicadas em face das 
pessoas jurídicas de direito público foi o que já decidiu o STJ. 
Outro aspecto importante é que seja possível a tutela específica ou a obtenção 
do resultado prático equivalente. Poderá o juiz determinar as medidas necessárias, tais 
como busca e apreensão, remoção de coisas e pessoas, desfazimento de obra, 
impedimento de atividade nociva, além de requisição de força policial, conforme 
previsto no art. 84, § 5°, do CDC. 
É importante ressaltar que a ação civil pública desempenha um papel 
fundamental na garantia dos direitos coletivos, contribuindo para a promoção da 
justiça social e a proteção do interesse público. Ao possibilitar que problemas de 
ordem coletiva sejam tratados no âmbito judicial, ela desempenha um papel 
importante na defesa da sociedade como um todo. 
Uma das principais características da ação civil pública é sua abrangência, pois 
ela busca tutelar interesses coletivos, difusos e individuais homogêneos que afetam 
um número indeterminado de pessoas. Dessa forma, a ação civil pública vai além dos 
interesses individuais e busca proteger direitos que transcendem as esferas pessoais, 
abarcando questões de interesse coletivo. 
Através da ação civil pública, é possível enfrentar situações em que há lesão ou 
ameaça a direitos coletivos, como a degradação ambiental, a violação dos direitos do 
consumidor, a violação de direitos trabalhistas, entre outros. Esses problemas muitas 
vezes demandam uma atuação coletiva, pois as vítimas individualmente não possuem 
recursos e poder de negociação suficientes para obter a reparação adequada. 
Além disso, a ação civil pública permite que a sociedade, representada por 
entidades públicas ou privadas legitimadas, busque a responsabilização dos 
envolvidos nos danos causados e a implementação de medidas para evitar a repetição 
dos problemas. Isso contribui para a prevenção e reparação de danos coletivos, bem 
como para a mudança de práticas que afetam negativamente a sociedade como um 
todo. 
Ao levar questões de interesse coletivo ao âmbito judicial, a ação civil pública 
também promove a transparência e a accountability, pois as partes envolvidas devem 
apresentar seus argumentos, provas e submeter-se à decisão imparcial do Poder 
Judiciário. Isso fortalece a democracia e a proteção dos direitos fundamentais, 
permitindo que a sociedade participe ativamente na busca por soluções justas e 
equitativas. 
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Ainda no tocante aos legitimados para propor a Ação Civil Pública, o CDC, em 
seu artigo 82, inciso III, nos informa que órgãos da Administração Pública, direta ou 
indireta, ainda que sem personalidade jurídica, especificamente destinados à defesa 
dos interesses e direitos protegidos pelo CDC, também podem propor ação civil 
pública, como já visto. A exemplo disso, encontramos o PROCON. 
Os Procons possuem legitimidade ativa ad causam para a defesa dos 
consumidores, podendo propor ações coletivas em prol deles. No entanto, não 
poderão figurar no polo passivo das lides, eis que são desprovidos de personalidade 
jurídica própria. A personalidade jurídica própria refere-se à capacidade de uma 
entidade ser sujeito de direitos e obrigações, ou seja, ter autonomia para realizar atos 
jurídicos e ser responsabilizada por eles. É a condição que permite que uma entidade 
seja considerada uma pessoa jurídica distinta de seus membros ou fundadores. 
Para obter personalidade jurídica própria, é necessário cumprir certos requisitos 
estabelecidos pela legislação do país onde a entidade está sendo constituída. 
Geralmente, esses requisitos envolvem a formalização de um contrato social ou 
estatuto, o registro junto aos órgãos competentes, a definição de sua estrutura 
organizacional e a delimitação de sua finalidade ou atividade principal. 
No caso do PROCON (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor), é 
importante esclarecer que, embora ele não possua personalidade jurídica própria, isso 
não significa que ele não tenha capacidade para exercer suas atribuições e 
desempenhar suas funções. O PROCON é um órgão administrativo que atua na defesa 
dos direitos do consumidor no Brasil. Ele é vinculado aos governos estaduais ou 
municipais e geralmente está inserido na estrutura do Poder Executivo. Sua atuação é 
regulamentada pelo Código de Defesa do Consumidor e por legislações específicas 
de cada estado ou município. 
A razão pela qual o PROCON não possui personalidade jurídica própria é porque 
ele é um órgão público, integrante da administração pública direta ou indireta. Nesse 
contexto, sua atuação é atribuída ao ente federativo ao qual está vinculado, e sua 
representação e responsabilidade são atribuídas a esse ente federativo. 
Embora o PROCON não tenha personalidade jurídica própria, ele possui 
competência legal para fiscalizar, receber denúncias, aplicar sanções administrativas e 
mediar conflitos entre consumidores e fornecedores. Sua atuação é de grande 
importância na defesa dos direitos do consumidor e na promoção de relações de 
consumo mais equilibradas e justas. 
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Já as associações, previstas no inciso IV do artigo 82, CDC, legalmente 
constituídas há pelo menos um ano e que incluam entre seus fins institucionais a 
defesa dos interesses e direitos protegidos pelo CDC, têm legitimidade ativa para 
promover ação coletiva a fim de defender os interesses de seus associados, sem 
autorização de assembleia para tanto. Todavia, o importante para o CDC é a proteção 
dos bens sociais relevantes, daí a justificativa da dispensa do requisito da pré-
constituição previsto no § 1º do art.82, CDC. 
 
A Inversão do Ônus da Prova 
Dentre os instrumentos previstos para a facilitação da defesa dos direitos do 
consumidor está à inversão do ônus da prova, prevista no art. 6, VIII, do CDC: 
 
Art. 6º São direitos básicos do consumidor: 
VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a 
inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, 
a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele 
hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências; 
(BRASIL, 1990) 
 
A inversão do ônus da prova em favor do consumidor não é automática, pois se 
dá a critério do juiz, quando estiver convencido da verossimilhança das alegações ou, 
alternativamente, da sua hipossuficiência. Além disso, há de ser verossímil, ou seja, 
uma alegação crível ou aceitável dentro de uma realidade fática. Aqui não se cogita a 
presença de uma prova robusta, cabal e definitiva, mas sim da chamada primeira 
aparência, proveniente das regras de experiência comum, que viabiliza um juízo de 
probabilidade. 
É importante esclarecer que a hipossuficiência mencionada pelo CDC nem 
sempre é econômica, pode ser técnica. Isso porque, embora pouco frequente, pode 
acontecer que o consumidor seja economicamente mais forte que o fornecedor, e 
ainda assim, ser hipossuficiente. 
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Desse modo, a inversão do ônus da prova pode ser determinada, acritério do 
juiz, desde que fundada no princípio da vulnerabilidade e da plausibilidade da 
alegação do consumidor. 
 
5.2 Ações Judiciais 
Vale salientar, ainda, que para a defesa dos direitos e interesses protegidos pelo 
CDC são admissíveis todas as espécies de ação capazes de propiciar sua adequada e 
efetiva tutela, conforme preceitua o artigo 83, CDC: 
 
Art. 83. Para a defesa dos direitos e interesses protegidos por este 
código são admissíveis todas as espécies de ações capazes de 
propiciar sua adequada e efetiva tutela. (BRASIL, 1990) 
 
O panorama geral, mesmo que esta premissa não existisse, não se alteraria, visto 
que a Constituição Federal de 1988 prevê o seguinte: “XXXV - a lei não excluirá da 
apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;” (artigo 5º, inciso XXXV, CF). 
Além disso, o próprio CDC garante o acesso à justiça, em seu artigo 6º: 
 
Art. 6º São direitos básicos do consumidor: 
VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e 
morais, individuais, coletivos e difusos; 
VII - o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com vistas 
à prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais, 
individuais, coletivos ou difusos, assegurada a proteção Jurídica, 
administrativa e técnica aos necessitados; (BRASIL, 1990) 
 
Assim sendo, independentemente do caso, todas as modalidades de ações 
apropriadas são asseguradas: ações de conhecimento (declaratórias, constitutivas, 
condenatórias), cautelares, mandamentais, execuções, ação coletiva e ação civil 
pública, habeas corpus, entre outras. (NUNES, 2021) 
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As ações de conhecimento são um conjunto de processos judiciais que têm como 
objetivo principal a resolução de litígios relacionados à existência, validade ou 
extinção de direitos e obrigações entre as partes envolvidas. Essas ações são 
fundamentais para buscar um pronunciamento judicial que esclareça a situação 
jurídica das partes em questão e garantir a segurança jurídica. 
Dentro das ações de conhecimento, podem-se identificar três categorias 
principais: ações declaratórias, constitutivas e condenatórias. Cada uma delas possui 
características específicas e objetivos distintos, mas todas visam promover a solução 
de conflitos de natureza jurídica. 
As ações declaratórias são aquelas em que se busca um pronunciamento judicial 
que declare a existência ou a inexistência de um direito ou relação jurídica. Nesse tipo 
de ação, não há necessariamente uma pretensão de condenação ou constituição de 
direitos, mas sim o interesse de obter um esclarecimento sobre a situação jurídica em 
questão. Por exemplo, em um caso de dúvida sobre a validade de um contrato ou a 
interpretação de uma cláusula contratual, uma ação declaratória pode ser proposta 
para que o juiz decida sobre a validade ou interpretação correta. 
Já as ações constitutivas são aquelas em que se busca a criação, alteração ou 
extinção de um direito ou relação jurídica. Por meio dessas ações, busca-se obter uma 
decisão judicial que estabeleça ou modifique direitos, deveres ou condições legais das 
partes envolvidas. Dessa forma, a ação constitutiva visa constituir algo que não existia 
previamente, alterar algo já existente ou extinguir um direito ou relação jurídica. Um 
exemplo comum de ação constitutiva é o pedido de divórcio, em que se busca a 
dissolução do vínculo matrimonial e a alteração do estado civil das partes. 
Por fim, as ações condenatórias são aquelas em que se busca a condenação de 
uma das partes ao cumprimento de uma obrigação ou ao pagamento de uma 
indenização. Nesse tipo de ação, o objetivo é obter uma decisão judicial que 
estabeleça a responsabilidade de uma das partes e imponha uma sanção, seja ela de 
natureza pecuniária ou de outra forma. As ações condenatórias são comumente 
utilizadas em casos de inadimplemento contratual, danos materiais ou morais 
causados a terceiros, entre outros. O objetivo é buscar a reparação do dano causado 
ou o cumprimento da obrigação estabelecida. 
Ademais, as ações cautelares são um tipo de medida judicial que tem como 
finalidade principal a proteção de direitos e a garantia da efetividade de uma futura 
decisão judicial. Essas ações são utilizadas quando há o risco de que, durante o tempo 
necessário para a tramitação do processo principal, a situação de fato ou de direito 
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em questão possa sofrer alterações prejudiciais. O objetivo das medidas cautelares é 
assegurar que, ao final do processo, a decisão judicial possa ser executada de maneira 
adequada. 
As medidas cautelares são de natureza provisória e têm caráter preventivo, 
visando evitar danos irreparáveis ou de difícil reparação. Elas são aplicadas em diversas 
áreas do Direito, como civil, trabalhista, empresarial e penal. Alguns exemplos de 
medidas cautelares são a busca e apreensão de bens, o arresto (bloqueio de valores), 
o sequestro de bens, a antecipação de tutela, a medida de alimentos provisionais e as 
medidas de proteção em casos de violência doméstica. 
As ações mandamentais, também conhecidas como ações de natureza 
mandamental ou ações de exigir, têm como objetivo principal a obtenção de uma 
ordem judicial para que determinada pessoa, seja ela física ou jurídica, realize ou deixe 
de fazer algo. Em outras palavras, busca-se o cumprimento de uma obrigação ou ação 
específica. Essas ações são baseadas no princípio de que ninguém pode ser obrigado 
a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei. Dessa forma, quando uma 
pessoa ou entidade possui um direito líquido e certo, ou seja, claramente definido e 
comprovado, ela pode recorrer a uma ação mandamental para exigir o cumprimento 
dessa obrigação. 
Um exemplo comum de ação mandamental é o mandado de segurança, que visa 
assegurar direitos líquidos e certos frente a atos ilegais ou abusivos de autoridades 
públicas ou particulares. O mandado de segurança é utilizado quando há um direito 
violado ou ameaçado de violação e busca-se uma decisão judicial rápida para coibir 
o ato ilegal ou abusivo. 
Ainda, as ações de execução são utilizadas para efetivar uma decisão judicial que 
determine o cumprimento de uma obrigação de pagar uma quantia em dinheiro, 
entregar um bem ou praticar determinado ato. Essas ações têm como objetivo garantir 
o adimplemento forçado de uma obrigação reconhecida em uma sentença ou título 
executivo extrajudicial. Quando uma pessoa obtém uma decisão judicial favorável em 
um processo, essa decisão precisa ser cumprida pela parte contrária. No entanto, nem 
sempre o cumprimento é voluntário, sendo necessário recorrer às ações de execução 
para efetivar a obrigação estabelecida pela decisão judicial. 
No processo de execução, são utilizados meios coercitivos para compelir o 
devedor a cumprir a obrigação. Isso pode envolver a penhora de bens do devedor, o 
bloqueio de valores em contas bancárias, entre outras medidas, com o objetivo de 
obter recursos suficientes para satisfazer o crédito do credor. As ações de execução 
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são aplicáveis em diversos tipos de obrigações, como dívidas contratuais, cobrança de 
impostos, pensões alimentícias, indenizações, entre outros casos em que há uma 
obrigação pecuniária ou de entrega de bens ou serviços. 
Essas três categorias de ações desempenham papéis fundamentais no âmbito do 
processo judicial. As ações cautelares visam proteger direitos e evitar danos 
irreparáveis durante a tramitação do processo principal. As ações mandamentais têm 
o propósito de obter uma ordem judicial para o cumprimento de uma obrigação 
específica. Já as ações de execução são utilizadas para efetivar uma decisão judicial, 
garantindoo cumprimento forçado de uma obrigação reconhecida. Essas diferentes 
modalidades de ações contribuem para a busca de justiça e para a adequada solução 
de conflitos no sistema jurídico. 
Outrossim, a ação coletiva é um mecanismo jurídico utilizado para proteger os 
interesses coletivos ou difusos de um grupo de pessoas que compartilham uma 
situação jurídica semelhante. É uma modalidade de ação que visa obter uma solução 
judicial que beneficie todas as pessoas afetadas em uma única demanda, evitando a 
necessidade de ações individuais repetitivas. Essas ações são frequentemente 
utilizadas em casos que envolvem danos ambientais, defesa do consumidor, direitos 
trabalhistas, questões de saúde pública, entre outros. 
Ao ingressar com uma ação coletiva, um representante do grupo afetado, como 
uma associação ou entidade de defesa dos direitos dos consumidores, atua em nome 
de todos os membros, defendendo seus interesses. Dessa forma, é possível alcançar 
uma solução judicial mais eficiente e abrangente, protegendo os direitos e interesses 
de um número significativo de pessoas. As ações coletivas desempenham um papel 
importante na promoção da justiça e na busca por reparação em casos de lesões a 
direitos coletivos ou difusos. 
Já a ação civil pública é outro mecanismo jurídico utilizado para proteger 
interesses coletivos, difusos ou individuais homogêneos da sociedade como um todo. 
A ação civil pública tem como objetivo combater danos ou ameaças a direitos 
coletivos, como meio ambiente, patrimônio cultural, consumidores, ordem 
econômica, entre outros. Essa modalidade de ação pode ser proposta por órgãos 
públicos, como o Ministério Público, ou por entidades civis, como associações e 
organizações não governamentais, desde que tenham sido constituídas há pelo 
menos um ano e tenham como objetivo a defesa dos interesses relacionados ao 
objeto da ação. 
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A ação civil pública busca promover a reparação dos danos causados, a 
prevenção de novos danos e a responsabilização dos infratores. Ao obter uma decisão 
judicial favorável, a ação civil pública pode resultar em medidas corretivas, 
indenizações, condenações, além de estabelecer obrigações para que a parte 
requerida cesse a prática danosa ou adote medidas para reparar os danos causados. 
A ação civil pública desempenha um papel fundamental na proteção dos direitos e 
interesses coletivos, agindo como um instrumento de defesa da sociedade e da ordem 
jurídica. 
Por fim, o habeas corpus é uma ação judicial voltada para a proteção do direito 
fundamental à liberdade individual. É uma ação de natureza constitucional que visa 
garantir a liberdade imediata de uma pessoa que esteja sofrendo detenção ou prisão 
ilegal, arbitrária ou em violação a direitos fundamentais. O habeas corpus é uma das 
principais garantias constitucionais e é aplicado quando há alegação de ilegalidade 
na prisão ou detenção, ameaça à integridade física do indivíduo, excesso de prazo na 
prisão provisória, falta de fundamentação na decisão judicial, entre outras situações 
que configuram violação ao direito à liberdade. 
Essa ação pode ser impetrada por qualquer pessoa, seja ela a própria pessoa 
detida ou por alguém em seu nome. O objetivo do habeas corpus é assegurar a 
liberdade física e proteger os direitos fundamentais do indivíduo, permitindo que se 
conteste a legalidade de sua prisão ou detenção perante o Poder Judiciário. O habeas 
corpus desempenha um papel crucial na salvaguarda dos direitos individuais e na 
garantia da proteção contra prisões ou detenções arbitrárias, sendo um instrumento 
fundamental na promoção da justiça e no Estado de Direito. 
Em conclusão, fica evidente que o sistema jurídico é amplo e abrangente ao 
garantir uma variedade de modalidades de ações apropriadas para diferentes 
situações. Seja por meio das ações de conhecimento, cautelares, mandamentais, 
execuções, ações coletivas, ações civis públicas, habeas corpus ou outras, busca-se 
assegurar a efetividade dos direitos e a justa resolução de conflitos. Essas diversas 
formas de ações refletem a busca pela promoção da justiça, equidade e proteção dos 
direitos individuais e coletivos. Cada modalidade de ação possui sua finalidade 
específica, atendendo às necessidades particulares de cada caso. 
No cerne de todas essas ações está a garantia do acesso à justiça e a proteção 
dos direitos dos cidadãos. O sistema jurídico busca assegurar que todas as partes 
envolvidas tenham meios adequados para buscar a resolução de conflitos, defender 
interesses legítimos e garantir a observância da lei. 
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Assim, ao disponibilizar uma variedade de opções processuais, o sistema jurídico 
demonstra sua preocupação em garantir a efetivação dos direitos e a aplicação da 
justiça em todas as esferas da sociedade. A existência dessas modalidades de ações 
apropriadas é fundamental para a promoção da segurança jurídica, da equidade e do 
Estado de Direito. 
 
5.3 Efeitos das Decisões nas Ações Coletivas 
A análise dos efeitos da coisa julgada nas ações coletivas, regulamentadas pela 
Lei n. 8.078/90, revela peculiaridades que requerem uma abordagem organizada para 
uma compreensão adequada desses efeitos. 
O artigo 103, que trata dos efeitos da coisa julgada, possui uma relação direta 
com as três hipóteses descritas no parágrafo único do artigo 81, que definem os 
direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos (incisos I, II e III, respectivamente). 
Para uma análise aprofundada, é necessário primeiramente examinar os três incisos 
do artigo 103, para posteriormente elucidar os diversos aspectos que compõem essa 
questão: 
 
Art. 103. Nas ações coletivas de que trata este código, a sentença 
fará coisa julgada: 
I - erga omnes, exceto se o pedido for julgado improcedente por 
insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado 
poderá intentar outra ação, com idêntico fundamento valendo-se 
de nova prova, na hipótese do inciso I do parágrafo único do art. 
81; 
II - ultra partes, mas limitadamente ao grupo, categoria ou classe, 
salvo improcedência por insuficiência de provas, nos termos do 
inciso anterior, quando se tratar da hipótese prevista no inciso II 
do parágrafo único do art. 81; 
III - erga omnes, apenas no caso de procedência do pedido, para 
beneficiar todas as vítimas e seus sucessores, na hipótese do 
inciso III do parágrafo único do art. 81. (BRASIL, 1990) 
 
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Coisa Julgada nas Ações Coletivas de Proteção aos Direitos Difusos 
No âmbito das ações coletivas de proteção aos direitos difusos, é importante 
destacar com mais detalhes o alcance do efeito da coisa julgada, que se manifesta 
como "erga omnes". Esse termo jurídico indica que os efeitos da sentença produzida 
em uma ação coletiva serão estendidos a todas as pessoas, independentemente do 
resultado final do processo, ou seja, tanto em caso de procedência como de 
improcedência. 
No caso de procedência da ação coletiva, em que se reconhece a existência do 
direito pleiteado, todos os consumidores que se enquadram na mesma situação fática 
se beneficiarão da sentença definitiva. Isso significa que eles terão o direito de buscar 
a satisfação individual de suas pretensões, seja através de execução individual da 
sentença coletiva, seja por meio da propositura de ações individuais. Assim, a decisão 
favorável proferida na ação coletiva serve como um precedente que ampara e facilita 
a defesa dos direitos dos consumidores individualmente. 
No entanto, mesmo no caso de improcedência da ação coletiva, em que não se 
reconhece o direito pleiteado ou se verifica a insuficiência de provas, a coisa julgadaformada não impede a propositura de ações individuais pelos consumidores afetados. 
Essa limitação se aplica apenas à possibilidade de ingressar com uma nova ação 
coletiva com o mesmo fundamento, evitando-se assim a reiteração de demandas 
idênticas. No entanto, cada consumidor ainda detém o direito de buscar a reparação 
individual de seus danos por meio de uma ação individual, apresentando suas próprias 
alegações e provas para sustentar seu pleito. 
Dessa forma, compreende-se que o efeito da coisa julgada nas ações coletivas 
de proteção aos direitos difusos é amplo e abrangente, alcançando todas as pessoas 
afetadas pela mesma situação de fato. Mesmo em casos de improcedência, a coisa 
julgada não impede o exercício dos direitos individuais dos consumidores, garantindo 
a possibilidade de buscar a reparação individualmente. A finalidade desse instituto é 
promover a segurança jurídica, evitar a multiplicidade de demandas e facilitar o acesso 
à justiça, assegurando a efetividade dos direitos coletivos e individuais homogêneos. 
É importante ressaltar que a norma estabelece que os efeitos da coisa julgada, 
nos casos previstos nos incisos I e II, não prejudicarão os interesses e direitos 
individuais dos integrantes da coletividade, do grupo, categoria ou classe envolvidos 
na ação coletiva. Portanto, mesmo quando uma ação coletiva é julgada improcedente 
com base na avaliação das provas produzidas, os consumidores ainda têm o direito 
de propor ações individuais com base no mesmo fundamento. 
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A coisa julgada resultante de uma ação coletiva negativa não afeta os direitos 
individuais do consumidor. Isso se explica por diversos motivos. Um deles diz respeito 
à própria legitimidade para a propositura da ação coletiva: uma vez que ela é 
autônoma, não é possível que se atinja negativamente o direito individual daquele 
que não participou do processo coletivo. Além disso, o fato de o efeito positivo da 
sentença beneficiar o consumidor individual está em consonância com a lógica do 
sistema de aproveitar o resultado benéfico da ação coletiva. Afinal, a ação foi proposta 
com o objetivo de trazer um resultado favorável para toda a coletividade envolvida. 
 
Coisa Julgada nas Ações Coletivas de Proteção aos Direitos Coletivos 
No que se refere às ações coletivas voltadas à proteção dos direitos coletivos, é 
relevante destacar o efeito "ultra partes" da coisa julgada. Esse efeito se traduz na 
extensão dos efeitos da coisa julgada a todos os consumidores que fazem parte do 
grupo, categoria ou classe, quando a ação visa à proteção dos chamados direitos 
coletivos, conforme previsto no inciso II do parágrafo único do artigo 82. 
Importante lembrar que, no âmbito dos direitos coletivos em sentido amplo, o 
objeto da ação é indivisível e os titulares estão interligados por uma relação jurídica, 
seja entre si ou com a parte adversa. Dessa forma, os efeitos da coisa julgada, em 
função dessa característica peculiar da relação jurídica, que envolve titulares entre si 
ou com a parte contrária, e da indivisibilidade do objeto, beneficiam os consumidores 
que fazem parte de uma associação, sindicato, classe ou ainda abrangem todos os 
clientes de um mesmo banco, os usuários de um mesmo serviço essencial, entre 
outros. 
Da mesma forma que ocorre nos casos de direitos difusos, caso a ação coletiva 
seja julgada improcedente após a avaliação das provas produzidas, o efeito da coisa 
julgada será "ultra partes", impedindo a propositura de uma nova ação coletiva, mas 
não inviabilizando o ajuizamento de ações individuais. 
No caso de uma sentença de improcedência por insuficiência de provas em uma 
ação coletiva voltada à proteção dos direitos coletivos, a coisa julgada formada não 
impede a propositura de uma nova ação por qualquer dos legitimados previstos no 
artigo 82. Da mesma forma que no caso dos direitos difusos, é importante ressaltar a 
necessidade de manifestação expressa do magistrado quanto à insuficiência de provas 
na sentença. Assim, é recomendável que a entidade-autora solicite, mesmo que em 
memoriais, que o juiz, caso julgue a ação improcedente, deixe claro se o faz por 
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insuficiência de provas. Caso isso não ocorra, a parte autora poderá ingressar com 
embargos de declaração para obter, de forma expressa na sentença, essa declaração. 
Mais uma vez, é válido destacar que, nos casos de ações coletivas de proteção 
aos direitos coletivos julgadas improcedentes, os interesses e direitos individuais dos 
integrantes da coletividade, grupo, categoria ou classe não são prejudicados pelos 
efeitos da coisa julgada previstos nos incisos I e II. Isso significa que, mesmo quando 
a ação coletiva é julgada improcedente após a avaliação das provas produzidas, o 
consumidor individual ainda possui o direito de propor uma ação individual com base 
no mesmo fundamento. 
A coisa julgada resultante de uma ação coletiva negativa não afeta os direitos 
individuais do consumidor. Essa conclusão se baseia em diversos fatores, incluindo a 
autonomia da ação coletiva em relação aos direitos individuais dos consumidores que 
não participaram do processo coletivo. Além disso, a existência de efeitos positivos da 
sentença coletiva em benefício do consumidor individual está em consonância com a 
lógica do sistema, que busca aproveitar os resultados favoráveis obtidos por meio da 
ação coletiva em benefício de toda a coletividade envolvida. 
 
Coisa Julgada nas Ações Coletivas de Proteção aos Direitos Individuais 
Homogêneos 
A presente disposição legal é clara e objetiva: o efeito da coisa julgada nas ações 
coletivas tem abrangência "erga omnes", ou seja, beneficia todas as vítimas e seus 
legítimos sucessores. Contudo, é importante ressaltar que esse efeito se manifesta 
somente nos casos em que o pedido da ação é julgado procedente. 
Por outro lado, nos casos em que a ação coletiva é julgada improcedente, a 
sentença não produzirá qualquer efeito em relação às vítimas e sucessores. Nesse 
contexto, é relevante analisar o tratamento dado à improcedência por insuficiência de 
provas nos direitos individuais homogêneos. 
A legislação não faz referência explícita à improcedência por insuficiência de 
provas nesses casos. Diante disso, pode-se inferir que está vedada a apresentação de 
uma nova demanda, mesmo que o resultado da ação coletiva reconheça 
expressamente a insuficiência de prova produzida, restando apenas a via individual 
como alternativa, conforme será explorado no próximo subitem. 
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Defesa do Consumidor em Juízo 
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Com relação ao exercício do direito individual pelo consumidor-vítima ou seus 
sucessores, a lei estabelece uma disposição específica. Trata-se do § 2º do artigo 103, 
que determina que, na hipótese prevista no inciso III, em caso de improcedência do 
pedido, os interessados que não tenham participado do processo como litisconsortes 
poderão propor uma ação de indenização individual. 
Nesse sentido, o entendimento é bastante claro: o efeito da coisa julgada, na 
hipótese de improcedência da ação coletiva, somente afeta aqueles que tenham 
ingressado como litisconsortes na ação coletiva proposta pelo legitimado do artigo 
82. A sistemática da ação coletiva para defesa dos direitos individuais homogêneos 
pressupõe a possibilidade de ingresso da vítima ou seus sucessores no polo ativo da 
ação, como litisconsortes facultativos. Isso está previsto no artigo 94, que determina 
a publicação de edital para que os interessados possam intervir no processo como 
litisconsortes, sem prejuízo da ampla divulgação pelos meios de comunicação social 
realizada pelos órgãos de defesa do consumidor. 
Assim, fica evidente quea lei permite a formação do litisconsórcio, mas não o 
torna obrigatório. É uma prerrogativa da vítima ou seus sucessores ingressarem na 
ação coletiva, não havendo obrigatoriedade nesse sentido. 
No que tange à amplitude da coisa julgada nas ações coletivas, essa questão está 
diretamente relacionada à extensão do dano. Se o dano possui alcance nacional, por 
exemplo, a amplitude da coisa julgada também será nacional. Seria incoerente, por 
exemplo, que consumidores de um determinado estado não fossem contemplados 
pela decisão judicial que reconhece um ato abusivo, enquanto consumidores de 
outros estados-membros da federação são beneficiados pelo mesmo ato abusivo. 
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se pronunciou no mesmo sentido, 
entendendo que os efeitos da sentença se produzem "erga omnes", ou seja, além dos 
limites da competência territorial do órgão julgador. Dessa forma, a regionalização da 
Justiça Federal ou da Justiça Estadual não constitui obstáculo para a extensão desses 
efeitos, uma vez que a amplitude territorial está prevista no ordenamento jurídico. 
Essa amplitude é prevista nos artigos 16 da Lei da Ação Civil Pública e 103 do Código 
de Defesa do Consumidor, constituindo um efeito decorrente de uma ação desse 
gênero. 
Porém, há aqueles que argumentam de forma contrária, alegando que é 
inadmissível que uma sentença com trânsito em julgado de uma pequena comarca do 
interior tenha efeitos sobre todo o território nacional. Entretanto, essa argumentação 
carece de fundamentos sólidos. Afinal, é amplamente reconhecido que uma sentença 
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de falência de uma empresa, proferida em uma pequena cidade do interior, produz 
efeitos em todo o território nacional, independentemente do tamanho da empresa. 
Além disso, quando está em jogo a vida das pessoas, como no caso de uma indústria 
de medicamentos que comercializa um produto que causa mortes, espera-se que a 
sentença proferida em uma pequena localidade possa impedir a comercialização em 
todo o país. Seria incoerente salvar vidas em um local e permitir conscientemente a 
morte em outros lugares. Essa conduta violaria os princípios da racionalidade e da 
razoabilidade do sistema jurídico constitucional, bem como o princípio fundamental 
da dignidade da pessoa humana. 
Desse modo, o entendimento predominante é de que a coisa julgada produzida 
em uma ação coletiva possui amplitude territorial condizente com a extensão do dano, 
atuando no plano dos fatos e litígios concretos. Isso é viabilizado principalmente por 
meio das tutelas condenatória, executiva e mandamental, que asseguram a eficácia 
prática da decisão judicial. Vale ressaltar que essa abrangência não se aplica à ação 
declaratória de inconstitucionalidade, que produz efeito de coisa julgada material 
"erga omnes" no âmbito da vigência espacial da lei ou ato normativo impugnado. 
A controvérsia em relação à abrangência da coisa julgada na ação coletiva surgiu 
a partir da modificação inesperada da redação do artigo 16 da Lei da Ação Civil 
Pública, ocorrida em setembro de 1997. Essa alteração provocou dúvidas tanto na 
doutrina quanto na jurisprudência sobre a abrangência territorial da coisa julgada. 
Entretanto, é importante destacar que o artigo 16 da Lei da Ação Civil Pública não 
encontra respaldo no sistema jurídico constitucional brasileiro, uma vez que entra em 
contradição com as normas e princípios do Código de Defesa do Consumidor. 
Enquanto a lei da ação civil pública apresenta uma redação contraditória, o Código de 
Defesa do Consumidor é claro e coerente ao afirmar que os efeitos da coisa julgada 
são "erga omnes" e se estendem a todo o território nacional, estabelecendo assim um 
conteúdo formal adequado em conformidade com os princípios e normas 
constitucionais, independentemente dos limites de competência territorial do órgão 
que proferiu a decisão. 
 
Vejamos o seguinte esquema: 
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Diante do exposto, torna-se evidente que os efeitos das decisões nas ações 
coletivas são de extrema importância para a efetiva proteção dos direitos dos 
indivíduos que compõem a coletividade. As peculiaridades dessas ações, como a 
abrangência "erga omnes" e a possibilidade de litisconsórcio facultativo, visam 
garantir uma tutela coletiva ampla e eficaz. 
A coisa julgada, enquanto instituto fundamental no sistema jurídico, confere 
estabilidade e segurança jurídica às decisões proferidas nessas ações, evitando a 
proliferação de litígios repetitivos e garantindo a pacificação social. Os efeitos da coisa 
julgada estendem-se não apenas entre as partes envolvidas, mas também alcançam 
terceiros interessados e sucessores, preservando assim os direitos individuais e 
coletivos dos consumidores. 
Nas ações coletivas, o princípio da economia processual é essencial, uma vez que 
permite que múltiplos interesses sejam tutelados de forma conjunta, evitando a 
multiplicidade de demandas individuais idênticas. Além disso, a abrangência territorial 
da coisa julgada, embasada na extensão do dano, busca garantir uma proteção 
uniforme em todo o país, impedindo que situações semelhantes sejam tratadas de 
forma diversa em diferentes regiões. 
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Referências 
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É importante destacar também a relação entre a coisa julgada nas ações coletivas 
e os direitos individuais. A improcedência da ação coletiva por insuficiência de provas 
não impede que os indivíduos busquem a tutela de seus direitos de forma individual, 
preservando-se a autonomia do sujeito e garantindo a reparação adequada em cada 
caso específico. 
Diante desse panorama, fica evidente que as ações coletivas desempenham um 
papel fundamental na promoção da justiça social e na defesa dos direitos dos 
consumidores. Os efeitos das decisões proferidas nessas ações, ao garantirem a 
eficácia da tutela coletiva, contribuem para a construção de uma sociedade mais justa 
e equitativa, onde os direitos individuais e coletivos são devidamente respeitados e 
protegidos. 
 
6 Referências 
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Consumidor. São Paulo, v. 14, abr/jun. 1995. 
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Referências 
www.cenes.com.br | 63 
 
 
	Sumário
	1 A Evolução do Direito do Consumidor no Mundo
	2 Evolução do Direito do Consumidor no Brasil
	2.1 O CDC como Norma Principiológica de Ordem Pública e Interesse Social – Microssistema Jurídico
	3 Relação Jurídica de Consumo
	3.1 Conceito de Consumidor
	3.2 Conceito de Fornecedor
	3.3 Conceito de Produto
	3.4 Conceito de Serviço
	4 Princípios do Direito do Consumidor
	5 Defesa do Consumidor em Juízo
	5.1 A Legitimação para a Propositura de Ações Coletivas
	5.2 Ações Judiciais
	5.3 Efeitos das Decisões nas Ações Coletivas
	6 Referênciasum modelo 
abrangente, descrevendo oito áreas de atuação para os Estados, a fim de prover 
proteção ao consumidor. Entre elas: 
• Proteção dos consumidores diante dos riscos para sua saúde e 
segurança; 
• Promoção e proteção dos seus interesses econômicos; 
• Acesso dos consumidores à informação adequada; 
• Educação do consumidor; 
• Possibilidade de compensação em caso de danos; 
• Liberdade de formar grupos e outras organizações de 
consumidores e a oportunidade de apresentar suas visões nos processos 
decisórios que as afetem. 
 
Estas diretrizes forneceram importante conjunto de objetivos internacionalmente 
reconhecidos, destinados aos países em desenvolvimento, a fim de ajudá-los a 
estruturar e fortalecer suas políticas de proteção ao consumidor. 
A partir daí, vários países passaram a abordar a questão da proteção do 
consumidor em sua jurisdição interna, adaptando ou elaborando legislação própria e, 
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Evolução do Direito do Consumidor no Brasil 
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o processo de tutela do consumidor desenvolveu-se paralelamente à abertura de 
mercados. 
 
2 Evolução do Direito do Consumidor no Brasil 
Com relação ao Brasil, desde os tempos do Império, já se observava uma 
proteção discreta do consumidor e, para esboçar um breve histórico da civilística 
brasileira, parece-nos impossível dissociá-lo da história do Direito Português em um 
primeiro momento, e do Direito Europeu como um todo, em um segundo momento. 
Neste sentido, Giordano Bruno Soares Roberto expõe: 
 
Não é possível compreender o momento atual do Direito Privado 
brasileiro sem olhar para sua história. Para tanto, não será 
suficiente começar com o desembarque das caravelas 
portuguesas em 1500. A história é mais antiga. O Direito brasileiro 
é filho do Direito Português que, a seu turno, participa de um 
contexto mais amplo. (ROBERTO, 2003, p. 5) 
 
Sabe-se que o direito brasileiro se resumia ao que era posto pelas Ordenações 
do Reino de Portugal, durante todo o período de colonização. Em outras palavras, 
nossos direitos civis não passavam de simples extensão dos direitos de nossos 
colonizadores, cuja influência em nosso ordenamento jurídico não pode ser relegada 
ao desentendimento. 
As Ordenações Filipinas, publicadas no ano de 1603, vigeram desde o início do 
século XVII até a Proclamação da Independência brasileira em 1822, regendo o 
ordenamento jurídico privado no Brasil por mais de 300 anos. Tratava-se de uma 
compilação jurídica marcada pelas influências do Direito Romano, Canônico e 
Germânico, que juntos constituíam os elementos fundantes do Direito Português e 
como não poderia deixar de ser, influenciaram a legislação brasileira com o seu tom 
patriarcal e patrimonialista. 
Somente em 1917, surgiu o primeiro Código Civil Brasileiro e as Ordenações do 
Reino deixaram de ser aplicadas na doutrina civilista. De autoria do jovem Clóvis 
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Evolução do Direito do Consumidor no Brasil 
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Beviláqua, o Código Civil foi fundado dentro de uma filosofia marcada pelo liberalismo 
político e econômico, apresentando característica nitidamente patrimonialista. 
Todavia, a preocupação com as relações de consumo surgiu no Brasil a partir das 
décadas de 40 e 60, quando foram criadas diversas leis regulando aspectos de 
consumo. Dentre essas leis pode-se citar a Lei n.º 1221/51, lei de economia popular, 
a Lei Delegada n.º 4/62, a Constituição de 1967, com a emenda n.º 1 de 1969 que 
citam a defesa do consumidor. 
A partir do seu surgimento nos Estados Unidos, o direito do consumidor ainda 
levou algum tempo para chegar ao Brasil. Este direito tutelar, introduzido com a 
Constituição Federal de 1988, reconheceu um novo sujeito de direitos, o consumidor, 
individual e coletivo, assegurando sua proteção tanto como direito fundamental, no 
art. 5º, XXXII, como princípio da ordem econômica nacional no art. 170, V, da 
Constituição da República Federativa do Brasil (CF/88). 
 
XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do 
consumidor; 
 
Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho 
humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos 
existência digna, conforme os ditames da justiça social, 
observados os seguintes princípios: V - defesa do consumidor; 
(BRASIL, 1988) 
 
Finalmente, em 1990, o Congresso Nacional conforme orientação de nossa Carta 
Magna, elaborou a Lei 8.078 de 11/09/1990 de proteção ao consumidor, criando o 
Código de Defesa do Consumidor. Por tratar-se de verdadeiro “microssistema 
jurídico”, já que, nele, encontram-se normas de direito penal, civil, constitucional, 
processuais penais, civis e administrativas, com caráter de ordem pública, e por 
constituir legislação extremamente avançada, o Código Brasileiro de Defesa do 
Consumidor influenciou as legislações dos outros países do MERCOSUL. 
Contudo, ocorreram percalços na aplicação desta lei, que sofreu uma difusa 
desqualificação, a partir do argumento que existiam indefinições de alguns dos seus 
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Evolução do Direito do Consumidor no Brasil 
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institutos, como resultado da novidade e da falta de tempo para a elaboração 
intelectual e a sistematização de seus enunciados. 
Tudo isso se explica, pelo embaraço que a edição de uma nova lei causou no 
cenário nacional, ao apregoar que seria necessário atender à boa-fé objetiva, isto é, 
que a regulação jurídica das obrigações deveria estar fundada em princípios éticos de 
lealdade e probidade. Também, que os contratos bilaterais deveriam prever 
prestações equivalentes, atendendo o princípio da justiça contratual, bem como que 
as cláusulas abusivas seriam nulas. Portanto, para muitos, eram mudanças de 
paradigma que impediam o lucro e a boa ordem do mercado. 
Sem falar que a partir do século XIX observou-se um movimento 
constitucionalista dos direitos econômicos e sociais, pois o exagerado liberalismo 
passou a ser contornado pelo sistema que trouxe o modelo social-democrata. 
Já o século XX, foi marcado pelo surgimento dos novos direitos tais como 
ambiental, biodireito, informática, direito espacial, direito da comunicação, direitos 
humanos, e dos direitos do consumidor, dentre muitos outros. Decorreram do 
desenvolvimento tecnológico e científico que acabou por abarcar áreas de 
conhecimento nunca antes imaginadas. 
Mas, apesar das dificuldades, o Código de Defesa do Consumidor se consolidou 
no cenário nacional, como uma lei inovadora que tratava, pela primeira vez, da efetiva 
desigualdade existente entre os contratantes, quando de um lado estava quem 
organiza a produção de bens e serviços e, de outro, quem deles necessita para a 
satisfação de carência pessoal. 
Então, a proteção do consumidor se firmou como um direito fundamental já 
declarado pela ONU, positivado em nossa Constituição e reconhecido pelos países-
membros do MERCOSUL. 
 
2.1 O CDC como Norma Principiológica de Ordem Pública e Interesse 
Social – Microssistema Jurídico 
A origem da codificação protetiva no Brasil se deu através da efetivação do 
mandamento constitucional previsto no art. 48 do Ato das Disposições transitórias, 
para que o legislador ordinário estabelece um Código de Defesa e Proteção do 
Consumidor, o que aconteceu em 1990, pela Lei 8.078/90. 
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Evolução do Direito do Consumidor no Brasil 
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Tal norma especial, lei ordinária, nasceu da constatação da desigualdade de 
posição e de direitos entre o consumidor e o fornecedor, fundamentado na proteção 
da dignidade humana. Trata-se de uma lei de caráter inter e multidisciplinar, 
possuindo natureza jurídica de um verdadeiro microssistema jurídico, ou seja, ao lado 
de princípios que lhe são próprios, o CDC, seguindo uma tendência moderna,relaciona-se com os outros ramos do direito, atualizando e dando nova roupagem a 
institutos jurídicos ultrapassados pela evolução da sociedade. 
O microssistema do consumidor reveste-se de caráter multidisciplinar, eis que 
cuida de questões voltadas aos Direitos Constitucional, Civil, Penal, Administrativo, 
Processual Civil, Processual Penal, mas sempre tendo como pedra de toque a 
vulnerabilidade do consumidor frente ao fornecedor, assim como a sua condição de 
destinatário final de produtos e serviços. 
Cláudia Lima Marques declara que: 
 
[...] o direito do consumidor visa cumprir um Triplo Mandamento 
constitucional: 
1. promover a defesa dos consumidores; 
2. de observar e assegurar como princípio geral e imperativo da 
atividade econômica, a necessária defesa do sujeito de direitos, o 
consumidor; 
3. de sistematizar a tutela especial infraconstitucional através 
de uma micro codificação”. (MARQUES, 2009, p.21) 
 
Importa dizer que, no Brasil hoje, a Constituição Federal de 1988 serve de centro 
valorativo e normativo de todo o sistema jurídico, também do direito privado, 
transformando o direito privado brasileiro em constitucional, limitado e 
consubstanciado pelos direitos fundamentais. Quer se dizer que o Direito Privado 
atual deve ser interpretado conforme a Constituição e seus valores. 
Neste contexto, pode-se afirmar que as normas que compõem o direito do 
consumidor são de direito privado, porém não são disponíveis, haja vista que são de 
ordem pública e interesse social, conforme dita o art. 1º do CDC, consideradas normas 
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Evolução do Direito do Consumidor no Brasil 
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cogentes, imperativas que não toleram renúncia por convenções, nem mesmo 
afastamento por disposição particular. 
Além disso, as normas da lei consumerista são principiológicas, no sentido de 
veicular valores e fins a serem alcançados, ultrapassando a técnica tradicional do 
binômio hipótese/sanção. 
O Superior Tribunal de Justiça (STJ), recentemente, frisou: 
 
As normas de proteção e defesa do consumidor têm índole de 
ordem pública e interesse social. São, portanto, indisponíveis e 
inafastáveis, pois resguardam valores básicos e fundamentais da 
ordem jurídica do Estado Social, daí a impossibilidade de o 
consumidor delas abrir mão. (BRASIL, 2010) 
 
Mesmo o CDC apresentando uma interdisciplinaridade da função tutelar do 
direito do consumidor, já que reúnem em seu corpo, normas de direito público (direito 
administrativo, penal, processual civil) e de direito privado, conclui-se que as normas 
de proteção ao consumidor são classificadas de direito privado, não porque suas 
normas sejam todas de direito privado – ao contrário – mas, sim, porque o seu objeto 
de tutela é o sujeito de direito privado, o consumidor, agente privado diferenciado, 
vulnerável e complexo. 
 
A possibilidade de um diálogo das fontes entre o Código de Defesa do 
Consumidor e o Código Civil: 
Cláudia Lima Marques (2009, p.89) que, tomando por base seus estudos na 
Alemanha, importou para o Brasil a Teoria do Diálogo das Fontes, tal como idealizada 
pelo jurista germano Erik Jayme. Observa-se que a Teoria do Diálogo das Fontes tem 
sido bastante aplicada em situações que se sujeitam, concomitantemente, a 
disposições contidas tanto no Código Civil, quanto no Código de Defesa do 
Consumidor. 
Diálogo das fontes é uma tentativa de expressar a necessidade de aplicação 
coerente das leis de direito privado, coexistentes no sistema. Ou seja, o Código Civil e 
o CDC coexistem, assim, a regra geral seria que: sendo a relação entre sujeitos 
Teoria Geral do Direito do Consumidor e o CDC | 
Relação Jurídica de Consumo 
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paritários (em situação de igualdade) aplica-se o Código Civil. Já nas relações jurídicas 
em que as partes são o consumidor e o fornecedor será regulamentado pelo CDC. 
Entretanto, quando houver antinomias, normas em conflito no Código Civil e no 
CDC, aplica-se a norma mais favorável ao consumidor, sujeito de direito 
hipossuficiente e merecedor de proteção do ordenamento jurídico. Cumpre registrar 
que o Diálogo das Fontes, no caso de relações de consumo, encontra previsão 
expressa para sua aplicação, no art. 7º, do CDC. 
Assim, a Teoria do Diálogo das Fontes emerge como mais um instrumento a 
serviço da boa interpretação e aplicação do Direito, com o escopo de concretizar os 
Direitos Fundamentais, presentes na Carta Magna, bem como fins sociais a que ela se 
dirige. 
 
3 Relação Jurídica de Consumo 
A expressão relação jurídica comporta mais de uma acepção. Newton de Lucca 
afirma ser a relação jurídica de consumo uma espécie do gênero relação jurídica. 
Apresenta certas características próprias que determinam um cuidado especial quanto 
á interpretação e alcance. Por isso, apresenta o conceito de relação de consumo 
utilizando-se do recurso da dicotomia. 
Lucca define: 
 
[...] relação jurídica de consumo em sentido estrito como aquela 
que se estabelece entre um fornecedor e o consumidor-padrão 
de que trata o art. 2, caput do CDC e relação jurídica em sentido 
lato como aquela que se estabelece entre um fornecedor e o 
consumidor por equiparação (LUCCA, 2008, p.210) 
 
É o negócio jurídico no qual o vínculo entre as partes se estabelece pela aquisição 
ou utilização de um produto ou serviço, sendo o consumidor como adquirente na 
qualidade de destinatário final e o fornecedor na qualidade de vendedor. 
 
 
Teoria Geral do Direito do Consumidor e o CDC | 
Relação Jurídica de Consumo 
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Elementos da Relação de Consumo 
A Relação jurídica de Consumo possui três elementos: 
1) Elementos subjetivos: fornecedor e consumidor; 
2) Elementos objetivos: produtos e serviços, objetos da relação de 
consumo. 
3) Elemento finalístico ou teleológico: traduz a ideia de que o 
consumidor deve adquirir ou utilizar o produto ou serviço como 
destinatário final. 
 
Neste contexto, vislumbram-se três elementos, quais sejam: um elemento 
subjetivo, um elemento objetivo e um elemento teleológico. O elemento subjetivo do 
conceito de consumidor trazido pelo CDC elenca como consumidor a pessoa física ou 
jurídica. Ressalta-se que não poderá haver qualquer distinção entre essas pessoas, seja 
em razão de sua natureza, seja em razão de sua nacionalidade. Isso se explica pela 
garantia expressa no artigo 5º da CR/88, no qual, “todos são iguais perante a lei, sem 
distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e estrangeiros 
residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à 
segurança e à propriedade”. 
Já o elemento objetivo refere-se aos produtos e serviços. O CDC trás o conceito 
de produto ou serviço nos §§1º e 2º do artigo 3º do CDC. Produto é qualquer bem 
móvel ou imóvel, material ou imaterial; e serviço é qualquer atividade fornecida no 
mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, 
financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes de caráter trabalhista. 
Por fim, o elemento teleológico diz respeito ao fim, ao objetivo daquela relação 
jurídica, ou seja, se a aquisição de serviços ou produtos é para uso próprio ou para 
reempregar no mercado de consumo. É no elemento teleológico que surgem as 
maiores divergências doutrinárias. Existem três teorias contrárias que tentam explicar 
o que vem a ser “destinatário final”. São as teorias maximalista, a teoria finalista e a 
teoria finalista mitigada. É consenso entre as teorias que o consumidor deve ser aquele 
que retira o produto ou serviço do mercado, mas discutem se aquele que adquire 
produto ou serviço para “utilizá-lo em sua profissão, como profissional, com o intuito 
de lucro”, pode ser considerado consumidor. 
 
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"[...] haverá relação jurídicade consumo sempre que se puder 
identificar, num dos polos da relação, o consumidor, no outro, o 
fornecedor, ambos transacionando produtos e serviços." (NUNES, 
2021, p.202) 
 
3.1 Conceito de Consumidor 
 
Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou 
utiliza produto ou serviço como destinatário final. 
 
Consumidor é, portanto, toda pessoa física ou jurídica que, na qualidade de 
destinatário final, adquire ou utiliza um produto ou serviço. Essa definição abrange 
tanto indivíduos como empresas que realizam a aquisição ou utilização de bens ou 
serviços com o propósito de atender às suas próprias necessidades ou finalidades, 
sem que haja a intenção de revendê-los ou utilizá-los como insumo em outra 
atividade econômica. 
O consumidor é a parte vulnerável na relação de consumo, pois depende da 
qualidade, segurança e adequação dos produtos e serviços oferecidos pelo mercado. 
Dessa forma, as normas de proteção ao consumidor visam assegurar seus direitos e 
garantir que ele seja tratado de forma justa, transparente e com respeito pelos 
fornecedores de produtos e serviços. 
A compreensão do papel do consumidor como destinatário final é fundamental 
para o estudo e análise das relações de consumo. Diversas teorias foram 
desenvolvidas ao longo do tempo para explicar o conceito de consumidor destinatário 
final, oferecendo diferentes perspectivas sobre o assunto. Essas teorias buscam 
estabelecer critérios e parâmetros para identificar quem é considerado um 
consumidor nos termos da legislação e como essa definição influencia os direitos e 
proteções conferidos a essa parte vulnerável da relação de consumo. Nesta 
introdução, exploraremos algumas dessas teorias e suas contribuições para a 
compreensão do consumidor como destinatário final. 
A Teoria Finalista é restritiva, e se baseia no princípio da vulnerabilidade. O 
consumidor deve ser aquele que requer maior proteção do Estado, chamando para si 
a aplicação de regras protetivas. Para essa teoria, portanto, o consumidor deve ser 
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aquele que, além de retirar o produto do mercado (destinatário final fático), não o 
insira em sua cadeia produtiva (destinatário final econômico). 
Desse modo, o profissional não poderá ser considerado consumidor, pois, de 
uma forma ou outra, utilizará o bem ou serviço adquirido em sua atividade repassando 
o custo destes para produto decorrente de sua atividade. O conceito finalista de 
consumidor restringe-se, em princípio, às pessoas físicas ou jurídicas não profissionais 
e que não visem lucro. 
Para a Teoria Maximalista, o CDC é um meio regulador do mercado preceituando 
princípios e regras básicas para a relação de consumo, ou seja, os maximalistas 
defendem em última análise, que o CDC seria um código geral de consumo, para toda 
a sociedade de consumo, uma lei que estabelece regras para todos consumidores e 
fornecedores. Para essa teoria, portanto, o conceito estabelecido pelo artigo 2º do 
CDC deve ser entendido de forma ampla. Consumidor será aquele que retira a 
mercadoria do mercado de consumo (destinatário fático) não importando se irá 
utilizado para o desenvolvimento de uma atividade lucrativa. 
Contudo, o STJ reconheceu como mais adequada a Teoria Finalista Mitigada, 
admitindo que o Poder Judiciário reconheça a vulnerabilidade de um profissional que 
adquire um produto ou serviço fora de sua especialidade. Também admite que seja 
considerado como consumidor a pequena empresa. Para essa teoria, o consumidor 
pode ser o “não profissional”, comportando as seguintes exceções: o profissional de 
pequeno porte; regimes de monopólio, já que nesse o profissional se submete as 
regras de quem detém o monopólio; e o profissional que está agindo fora de sua 
atividade, como exemplo, uma montadora de carros que adquire fraldas para 
presentear seus empregados. Em todos esses casos, serão considerados 
consumidores. 
Isto significa dizer, então, que a pessoa física tem a sua vulnerabilidade 
presumida, e a pessoa jurídica também pode ser considerada consumidora, mas desde 
que comprove a sua vulnerabilidade. Ou seja, as empresas ou profissionais que são 
considerados consumidores para o STJ (as Micro e Pequenas Empresas, os 
Profissionais Liberais e os Autônomos) devem demonstrar a vulnerabilidade. (STJ – 
Resp. 476.428/SC). 
 
 
 
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Consumidor por Equiparação 
Existe, ainda, a figura do consumidor por equiparação positivada nos artigos 2º, 
17 e 29 do CDC. A coletividade de pessoas que haja intervindo nas relações de 
consumo pode ser considerada consumidor, assim como, as vítimas de um produto 
ou serviço defeituoso, bem como, as pessoas expostas a práticas comerciais 
(incluindo-se questões sobre oferta de produtos ou serviços, publicidade, práticas 
abusivas, cobrança de dívidas, Bancos de Dados e Cadastro de Consumidores e 
proteção contratual). Vejamos a seguir: 
 
Art. 2º Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade 
de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas 
relações de consumo. [...] 
Art. 17. Para os efeitos desta Seção, equiparam-se aos 
consumidores todas as vítimas do evento. [...] 
Art. 29. Para os fins deste Capítulo e do seguinte, equiparam-se 
aos consumidores todas as pessoas determináveis ou não, 
expostas às práticas nele previstas. (BRASIL, 1990) 
 
No âmbito das relações de consumo, é essencial compreender os diferentes 
sujeitos envolvidos e sua qualificação jurídica, conforme estabelecido pelo Código de 
Defesa do Consumidor (CDC). Dentre os sujeitos abordados pelo CDC, encontramos 
a coletividade de pessoas, as vítimas do evento e todas as pessoas expostas às práticas 
comerciais, que merecem análise detalhada. 
No que se refere à coletividade de pessoas, o parágrafo único do artigo 2º do 
CDC traz uma importante distinção, identificando as pessoas despersonalizadas. 
Condomínios, massas falidas, espólios e outras entidades que não se enquadram nem 
como pessoas jurídicas (PJ) nem como pessoas físicas (PF) são consideradas como 
parte integrante dessa coletividade. Embora despersonalizadas, elas possuem 
interesses e direitos a serem protegidos no âmbito das relações de consumo. 
Por outro lado, o artigo 17 do CDC traz à tona o conceito de vítimas do evento. 
Essas pessoas foram diretamente ou indiretamente afetadas por defeitos em produtos 
ou serviços, mesmo que não tenham sido adquirentes ou usuárias dos mesmos. Um 
exemplo ilustrativo seria um acidente de avião que atinge várias residências. Nesse 
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caso, as pessoas que foram atingidas e prejudicadas pelo evento são consideradas 
consumidoras, ainda que não tenham realizado a compra ou utilização do produto ou 
serviço em questão. No CDC, a responsabilidade pelos danos é estabelecida de forma 
mais benéfica do que no Código Civil, pois não é necessário comprovar o nexo de 
causalidade, bastando demonstrar o dano sofrido. 
Ademais, o artigo 29 do CDC abrange todas as pessoas expostas às práticas 
comerciais abusivas. Essa disposição é aplicável quando não é possível identificar 
especificamente quem foi a vítima ou o lesado, mas há uma prática comercial abusiva 
que prejudicou um grupo indeterminado de pessoas. Um exemplo recorrente é a 
propaganda enganosa, que impacta diversas pessoas de forma generalizada. É com 
base nesse artigo que órgãos como o Procon e o Ministério Público atuam em defesa 
da coletividade indeterminada, buscando coibir práticas comerciais que causem 
prejuízos a um número indeterminado de consumidores. 
Portanto, o CDC estabelece diferentes categorias de sujeitos no contexto das 
relações de consumo. A coletividade de pessoas, asvítimas do evento e todas as 
pessoas expostas às práticas comerciais merecem atenção e proteção jurídica 
adequada. Essas definições legais têm como objetivo assegurar a tutela dos direitos 
dos consumidores em suas mais diversas situações, seja na perspectiva da 
coletividade, seja na proteção individual ou coletiva diante de eventos prejudiciais 
decorrentes de produtos ou serviços comercializados. 
O CDC, ao admitir a figura do consumidor por equiparação, rompe com a ideia 
de que os contratos só produzem efeitos para as partes que dele participam. Em 
alguns casos, como explicitado acima, mesmo que não haja relação jurídica direta 
entre o fornecedor e uma coletividade, está última poderá ser considerada como 
consumidor para garantir a sua proteção. 
 
3.2 Conceito de Fornecedor 
O artigo 3º do CDC conceitua fornecedor como sendo toda pessoa física ou 
jurídica, nacional ou estrangeira, de direito público ou privado, bem como entes 
despersonalizados, que atua na cadeia produtiva, exercendo atividade de produção, 
montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição 
ou comercialização de produtos ou prestação de serviços. 
Fornecedor seria, então, qualquer pessoa física a título singular e também uma 
pessoa jurídica. Sem dúvida, os requisitos fundamentais para a caracterização do 
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fornecedor na relação jurídica de consumo são o da habitualidade e do 
profissionalismo na atividade fim, ou seja, o exercício contínuo e profissional de 
determinado serviço ou fornecimento de produto. 
Para que uma pessoa física seja caracterizada como fornecedora, ela deve ter a 
finalidade de obtenção de lucro e exercer a atividade de forma habitual. Isso significa 
que a venda de bens ou a prestação de serviços deve ocorrer de forma recorrente e 
não esporádica. 
Um exemplo ilustrativo dessa distinção seria a venda de um carro por um 
indivíduo particular com o objetivo de adquirir outro veículo. Nesse caso, a venda não 
é considerada uma relação de consumo, uma vez que não há habitualidade na prática 
e a finalidade não é a obtenção de lucro. Portanto, é fundamental que a atividade de 
fornecimento seja realizada de maneira habitual e com o intuito de obter ganhos 
financeiros para que a pessoa física seja qualificada como fornecedora no âmbito das 
relações de consumo. 
Ao estabelecer essa diferenciação, o CDC busca proteger os consumidores de 
forma adequada, focando nas relações de consumo em que há uma atividade 
empresarial ou comercial significativa. Dessa forma, garante-se a aplicação das 
normas de proteção ao consumidor nas situações em que a vulnerabilidade é mais 
evidente, evitando-se a aplicação excessiva de obrigações e responsabilidades em 
relações esporádicas ou de natureza pessoal. 
 
Sociedade Sem Fins Lucrativos 
No que tange a sociedades civis sem fins lucrativos de caráter beneficente e 
filantrópico, estas também podem ser consideradas fornecedoras quando, por 
exemplo, prestam serviços médicos, hospitalares, odontológicos e jurídicos a seus 
associados. 
É certo que, para o fim de aplicação do CDC, o enquadramento do fornecedor de 
serviços atende a critérios objetivos, sendo irrelevantes a sua natureza jurídica, a 
espécie dos serviços que presta e até mesmo o fato de se tratar de uma sociedade 
civil, sem fins lucrativos, de caráter beneficente e filantrópico, bastando que 
desempenhe determinada atividade no mercado de consumo mediante remuneração. 
O Poder Público poderá ser enquadrado como fornecedor de serviço toda vez 
que, por si ou por seus concessionários, atuar no mercado de consumo, prestando 
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serviço mediante a cobrança de preço. Do mesmo modo, os concessionários de 
serviços públicos de telefonia, que atuam no mercado de consumo através de 
contratos administrativos de concessão de serviços públicos, são fornecedores de 
serviços nas relações com os usuários e, consequentemente, devem observar os 
preceitos estabelecidos pelo CDC. 
 
3.3 Conceito de Produto 
“Art. 3º § 1° Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial.” 
(BRASIL, 1990) 
Em outros termos, produto corresponde ao elemento objetivo da relação de 
consumo, isto é, o objeto sobre o qual recai a relação jurídica consumerista. Pode ser 
bem móvel ou imóvel, material ou imaterial, durável ou não durável, entre outros, 
suscetível de apropriação e que tenha valor econômico, destinado a satisfazer uma 
necessidade do consumidor. 
No âmbito do direito, como vimos, existem diferentes categorias de bens que 
desempenham papéis distintos nas relações jurídicas. Essas categorias podem ser 
divididas, principalmente, em bens móveis, bens imóveis, bens materiais e bens 
imateriais, cada uma com suas características e particularidades. Vejamos, a seguir, 
essas quatro categorias. 
Bens móveis referem-se a objetos ou coisas que podem ser deslocados de um 
lugar para outro, sem prejudicar sua natureza ou essência. Esses bens são 
caracterizados por sua capacidade de movimento e incluem itens como veículos, 
utensílios, roupas, equipamentos eletrônicos, entre outros. São considerados bens 
móveis aqueles que podem ser transportados e transferidos de posse de uma pessoa 
para outra. 
Por outro lado, bens imóveis são aqueles que possuem uma relação direta com 
o solo, de forma inseparável. São caracterizados pela sua fixação ao solo ou pela 
impossibilidade de remoção sem causar danos significativos. Os bens imóveis 
abrangem terrenos, edifícios, casas, apartamentos e todas as construções 
permanentes. Além disso, também são considerados bens imóveis os direitos reais 
sobre imóveis, como o direito de propriedade, o direito de superfície e o direito de 
usufruto. 
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Quanto aos bens materiais e imateriais, a distinção é feita com base na natureza 
dos bens. Bens materiais são aqueles tangíveis, que podem ser percebidos pelos 
sentidos, tocados ou visualizados. Incluem objetos físicos, substâncias, produtos 
físicos e corpóreos. Por exemplo, um livro, uma mesa, uma máquina ou um alimento 
são considerados bens materiais. 
Por outro lado, bens imateriais são aqueles que não possuem existência física ou 
corpórea. São representados por direitos, obrigações, propriedade intelectual, marcas, 
patentes, obras artísticas, software, entre outros. São bens de natureza intangível, cuja 
existência está ligada a aspectos jurídicos ou ideias criativas. 
Outro aspecto que merece atenção equivale aos produtos duráveis e não 
duráveis. Produtos duráveis são aqueles que têm uma longa vida útil e são projetados 
para suportar múltiplos usos ao longo do tempo. São itens que podem ser utilizados 
repetidamente, mesmo com o desgaste natural decorrente do uso. Exemplos comuns 
de produtos duráveis incluem eletrodomésticos, veículos, móveis, eletrônicos, 
ferramentas e outros objetos que são projetados para ter uma vida útil mais longa. 
Por outro lado, produtos não duráveis são aqueles que têm uma vida útil limitada 
e são consumidos ou esgotados rapidamente após o uso. Esses produtos são 
projetados para serem consumidos em um curto período de tempo ou para serem 
utilizados apenas uma vez. Exemplos de produtos não duráveis incluem alimentos 
perecíveis, produtos de higiene pessoal, produtos de limpeza, itens descartáveis, como 
copos plásticos, sacolas, papel higiênico, entre outros. 
A distinção entre produtos duráveis e não duráveis é relevante tanto para os 
consumidores como para os fabricantes e fornecedores. Os consumidores levam em 
consideração a durabilidade de um produto ao tomar decisões de compra, 
especialmente quando se trata de bens de maior valor. Já os fabricantese 
fornecedores devem observar as expectativas razoáveis dos consumidores em relação 
à durabilidade dos produtos, garantindo que sejam projetados e fabricados para 
atender a essas expectativas. 
Além disso, a distinção entre produtos duráveis e não duráveis também pode ter 
implicações legais em termos de garantias e responsabilidade do fabricante ou 
fornecedor. Em muitos países, as leis de proteção ao consumidor estabelecem 
diferentes regras e requisitos para produtos duráveis e não duráveis, visando garantir 
a segurança e a qualidade dos produtos disponíveis no mercado. 
 
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Casos Específicos 
Dentro do contexto das relações de consumo, é possível identificar algumas 
peculiaridades em relação a determinados tipos de produtos. Por exemplo, os 
produtos descartáveis, embora tenham uma função principal de serem utilizados uma 
única vez e descartados, podem ser compostos por materiais duráveis. Um exemplo 
disso é a garrafinha PET, que, apesar de ser considerada um produto descartável 
devido à sua utilização única, é composta por um material plástico durável. Essa 
característica gera certa contradição, uma vez que, embora a função primordial desses 
produtos seja o descarte após o uso, sua composição física pode permitir sua 
durabilidade. 
Outro aspecto relevante é a existência de produtos gratuitos ou amostras grátis. 
Mesmo sendo oferecidos de forma gratuita ou como amostras promocionais, esses 
produtos ainda se enquadram na categoria de produtos, estabelecendo, assim, uma 
relação de consumo entre o fornecedor e o consumidor. Embora a natureza gratuita 
ou promocional desses produtos possa modificar a dinâmica da relação entre as 
partes, a sua caracterização como produto implica a existência de obrigações e 
responsabilidades por parte do fornecedor, que deve garantir a qualidade e a 
segurança dos produtos fornecidos, mesmo que gratuitamente. 
Já os produtos usados, mesmo tendo sido previamente utilizados por outras 
pessoas, ainda possuem garantia contra vícios e defeitos. Segundo a legislação de 
defesa do consumidor, os produtos usados devem ser acompanhados por uma 
garantia mínima de 90 dias, durante os quais o consumidor tem direito a solicitar 
reparo, substituição ou restituição do valor pago caso seja constatado algum vício ou 
defeito no produto adquirido. Essa proteção visa salvaguardar os direitos do 
consumidor, mesmo em transações que envolvam produtos usados, proporcionando-
lhe segurança e garantindo que o produto adquirido esteja em conformidade com as 
especificações anunciadas. 
Essas nuances ressaltam a importância de considerar as características 
particulares de cada tipo de produto dentro do âmbito das relações de consumo. 
Mesmo que haja diferenciações específicas para produtos descartáveis, gratuitos ou 
usados, é fundamental que os direitos do consumidor sejam protegidos, 
independentemente da natureza ou condição do produto adquirido. A legislação e as 
normas de defesa do consumidor estabelecem diretrizes que visam assegurar a 
qualidade, a segurança e a satisfação do consumidor em todas as transações 
comerciais, independentemente da categoria de produto envolvida. 
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Merece atenção o seguinte: o produto gratuito está protegido pelo CDC, porém 
serviço gratuito não, somente o remunerado. 
 
3.4 Conceito de Serviço 
 
Art. 3º § 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de 
consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza 
bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes 
das relações de caráter trabalhista. (BRASIL, 1990) 
 
Dentro do contexto das relações de consumo, algumas considerações 
importantes devem ser feitas para esclarecer certos pontos específicos. 
Primeiramente, é necessário abordar a questão da exigência de remuneração, 
que pode ocorrer tanto de forma direta quanto indireta. A remuneração direta ocorre 
quando o consumidor paga explicitamente pelo serviço fornecido, como em uma 
transação comercial convencional. Por outro lado, a remuneração indireta ocorre 
quando aparentemente o fornecedor não está cobrando pelo serviço, mas há uma 
vinculação indireta entre o serviço fornecido e um valor agregado. Um exemplo disso 
seria o estacionamento gratuito oferecido por um mercado, onde o valor do 
estacionamento pode estar indiretamente incluído no preço dos produtos 
comercializados. É importante compreender que, mesmo nesses casos de 
remuneração indireta, a relação entre o consumidor e o fornecedor ainda se enquadra 
na esfera do consumo, e, portanto, está sujeita às normas e proteções estabelecidas 
pelo CDC. 
No entanto, é fundamental destacar que o CDC não se aplica às relações de 
trabalho, independentemente de existir remuneração direta ou indireta envolvida. As 
relações de trabalho possuem uma legislação específica e são regidas por uma 
jurisdição especializada, distinta das regras e diretrizes do CDC. Isso significa que, em 
casos de disputas ou questões relacionadas às relações trabalhistas, as partes devem 
recorrer às leis trabalhistas e aos órgãos competentes responsáveis por essa área 
específica. 
Essa exclusão da aplicação do CDC nas relações trabalhistas também abrange 
serviços oferecidos por bancos, operadoras de crédito e seguradoras, que estão 
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inseridos nesse âmbito específico das relações de trabalho. Essas instituições são 
reguladas por legislações e órgãos específicos que abordam suas atividades e 
proteção aos consumidores nesse contexto específico. 
Portanto, é importante compreender as nuances e limitações da aplicação do 
CDC em relação à exigência de remuneração e à exclusão das relações trabalhistas. 
Essas considerações são fundamentais para garantir a correta interpretação e 
aplicação das normas de proteção ao consumidor, bem como para direcionar as partes 
envolvidas para as instâncias adequadas em caso de litígios relacionados a relações 
trabalhistas ou serviços oferecidos por instituições financeiras e seguradoras. 
No tocante aos serviços públicos e essenciais, o artigo 22 do CDC dispõe o 
seguinte: 
 
Art. 22. Os órgãos públicos, por si ou suas empresas, 
concessionárias, permissionárias ou sob qualquer outra forma de 
empreendimento, são obrigados a fornecer serviços adequados, 
eficientes, seguros e, quanto aos essenciais, contínuos. 
Parágrafo único. Nos casos de descumprimento, total ou parcial, 
das obrigações referidas neste artigo, serão as pessoas jurídicas 
compelidas a cumpri-las e a reparar os danos causados, na forma 
prevista neste código. 
 
Os serviços públicos desempenham um papel fundamental na sociedade, e é 
importante compreender como o Código de Defesa do Consumidor (CDC) abrange 
esses serviços. De acordo com o artigo 22 do CDC, TODO serviço público se enquadra 
na proteção legal fornecida pelo código. 
Uma categoria especial dentro dos serviços públicos é a dos serviços essenciais. 
Segundo o CDC, todos os serviços públicos são considerados essenciais. Os serviços 
essenciais são aqueles que são indispensáveis para o atendimento das necessidades 
básicas e essenciais dos consumidores. Isso abrange uma ampla gama de serviços, 
como energia elétrica, água, saneamento básico, transporte público, 
telecomunicações, entre outros. 
Uma característica importante dos serviços essenciais, de acordo com o CDC, é 
que eles devem ser contínuos. Isso significa que esses serviços devem ser prestados 
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de forma regular e ininterrupta, garantindo a disponibilidade e a qualidade 
adequadas. Caso ocorra a mera interrupção desses serviços,o consumidor tem o 
direito à indenização nos termos da legislação consumerista. 
A garantia de continuidade dos serviços essenciais é fundamental para assegurar 
o pleno exercício dos direitos dos consumidores. Qualquer interrupção indevida ou 
inadequada desses serviços pode causar prejuízos e transtornos significativos aos 
consumidores. Dessa forma, o CDC estabelece a responsabilidade dos prestadores de 
serviços públicos em assegurar a continuidade e a qualidade desses serviços, bem 
como a obrigação de indenizar os consumidores em caso de interrupções 
injustificadas. 
Portanto, é essencial reconhecer que todos os serviços públicos estão abrangidos 
pelo CDC e que os serviços essenciais devem ser prestados de forma contínua, 
garantindo os direitos e a satisfação dos consumidores. A legislação consumerista 
atua como uma importante ferramenta de proteção, assegurando a prestação 
adequada dos serviços públicos e a reparação dos danos em caso de falhas ou 
interrupções indevidas. 
 
Casos Especiais 
Existem situações em que não se configura uma relação de consumo nos termos 
do Código de Defesa do Consumidor (CDC). São casos especiais em que a natureza 
da relação estabelecida entre as partes não se enquadra nos requisitos necessários 
para a aplicação das normas consumeristas. Alguns exemplos dessas situações são: 
• Relação entre associações desportivas e seus associados: No 
contexto das associações desportivas, a relação entre a entidade e seus 
associados não se enquadra como uma relação de consumo. Isso ocorre 
porque a participação nessas associações é voluntária, não envolvendo a 
aquisição ou utilização de produtos ou serviços destinados ao consumo. 
• Condomínio e os seus condôminos: A relação entre o condomínio 
e os condôminos também não é considerada uma relação de consumo. 
O condomínio é uma forma de organização e administração coletiva de 
propriedades, sendo os condôminos coproprietários. Nesse contexto, as 
relações estabelecidas entre os condôminos e o condomínio são regidas 
pelas normas do direito civil, não se enquadrando nas disposições do 
CDC. 
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• Relação advogado e cliente: A relação entre advogado e cliente é 
pautada pelas normas do direito profissional e ético, não se configurando 
como uma relação de consumo. O vínculo estabelecido entre advogado 
e cliente é de natureza jurídica e baseado na prestação de serviços 
advocatícios, não envolvendo a aquisição de produtos ou serviços 
destinados ao consumo. 
• Relação entre atividade bancária e beneficiários de crédito 
educativo: No caso da relação entre atividade bancária e os beneficiários 
de crédito educativo, como FIES e PROUNI, também não se configura uma 
relação de consumo. Essa relação é regida por normas específicas 
relacionadas à concessão de crédito educativo e aos programas 
governamentais, não sendo abrangida pelo CDC. 
• Relação entre entidade de previdência privada fechada e seus 
participantes: A relação entre uma entidade de previdência privada 
fechada e seus participantes também não é considerada uma relação de 
consumo. Essa relação está sujeita a regulamentações específicas 
relacionadas à previdência privada, sendo regida por normas próprias e 
não se enquadrando nas disposições do CDC. A súmula 563 do Superior 
Tribunal de Justiça (STJ) também reforça essa exclusão: “O Código de 
Defesa do Consumidor é aplicável às entidades abertas de previdência 
complementar, não incidindo nos contratos previdenciários celebrados 
com entidades fechadas.” (SÚMULA 563, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 
24/02/2016, DJe 29/02/2016) 
• Relação locador e locatário: A relação entre locador e locatário, 
no contexto do aluguel de imóveis, também não é considerada uma 
relação de consumo. Essa relação é regulada pelo direito civil e pelo 
direito das locações, não sendo abrangida pelo CDC. 
 
Em resumo, esses casos especiais exemplificam situações em que a relação 
estabelecida entre as partes não se enquadra nos critérios que configuram uma 
relação de consumo nos termos do CDC. É importante compreender essas exceções 
para aplicar corretamente as normas legais e garantir a adequada regulação das 
relações jurídicas envolvidas. 
 
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Princípios do Direito do Consumidor 
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4 Princípios do Direito do Consumidor 
Princípios são preceitos fundamentais. De fato, os princípios são as fontes 
basilares para qualquer ramo do direito, tendo influência na formação da norma e na 
sua aplicação, o que não poderia ser diferente em relação ao Direito do Consumidor. 
Celso Antônio Bandeira de Mello apresenta a definição clássica sobre princípios: 
 
[...] mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, 
disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas, 
compondo o espírito e servindo de critério para sua exata 
compreensão e inteligência exatamente por definir a lógica e a 
racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica 
e lhe dá sentido harmônico (Mello, 2005, p.902). 
 
Partindo dessa definição percebe-se que o princípio é a estrutura sobre a qual se 
constrói o sistema jurídico. São normas gerais que delimitam a parâmetro de partida 
na solução de conflitos jurídicos, através deles podem-se extrair regras e normas de 
procedimento. A estrutura do Direito é resultado dos princípios jurídicos. 
 
Princípios Específicos do Direito do Consumidor Previstos na Lei nº 8.078/90 
O direito do consumidor tem como linha orientadora a proteção do consumo, 
sendo que há princípios básicos que não podem ser afastados. São princípios que 
visam dar equilíbrio e justiça contratual às relações de consumo, garantindo ao 
consumidor o atendimento de suas necessidades, o respeito, a segurança e a proteção 
econômica. Princípio da Vulnerabilidade do Consumidor (art. 4º, I do CDC). 
O art. 5o, XXXII da Constituição Federal dispõe que: “o Estado promoverá, na 
forma da lei, a defesa do consumidor;”. Como se percebe, a própria Constituição 
Federal considera o consumidor o elo mais fraco da relação de consumo, interpretação 
que decorre também do seu art. 170, V, que coloca a defesa do consumidor como 
princípio da ordem econômica. 
De um lado a Constituição Federal consagra o regime capitalista e, de outro, 
tutela o consumidor, deixando clara a proibição do capitalismo selvagem (lucro a 
qualquer custo) e o sistema de pesos e contrapesos. 
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Princípios do Direito do Consumidor 
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Princípio da Vulnerabilidade 
Tem como escopo a garantia do princípio da igualdade, consagrado no artigo 5º 
da CR/88. A igualdade dispensa tratamento igual, vedando as discriminações. Apesar 
disso, a garantia da igualdade, na prática, requer o tratamento desigual aos 
reconhecidamente desiguais na medida de suas desigualdades. Em outras palavras, o 
que se busca é a garantia da igualdade substancial e não só da igualdade material. 
A Lei nº 8.078/90 reconhece, no art. 4º, I, a vulnerabilidade do consumidor. O 
diploma legal, a fim de estabelecer a isonomia real, estabeleceu mecanismos 
supressores desta condição de desvantagem. 
 
Princípio da Vulnerabilidade 
Está acobertado em todo o CDC, tal como a possibilidade de inversão do ônus 
da prova, a possibilidade da interposição de ações no domicílio do consumidor, a 
proibição de veiculação de publicidade enganosa, entre outros. Todas são normas que 
têm o escopo de garantir a igualdade substancial entre o consumidor e o fornecedor. 
A vulnerabilidade do consumidor é uma situação permanente ou provisória, 
individual ou coletiva que fragiliza e enfraquece o consumidor, gerando um 
desequilíbrio da relação de consumo. 
Para Cláudia Lima Marques (2009) o princípio da vulnerabilidade se apresenta em 
três vertentes: vulnerabilidadetécnica, a vulnerabilidade jurídica e a vulnerabilidade 
fática. 
• Vulnerabilidade técnica: é o desconhecimento das características 
técnicas do produto ou serviço. Nesse prisma o consumidor, sendo 
desconhecedor da técnica, pode ser facilmente enganado pelo 
profissional o que requer maior proteção do CDC. Acrescenta que o 
consumidor profissional pode ser carecedor desse conhecimento técnico 
chamando para si a aplicação do CDC. Assevera, ainda, que a 
vulnerabilidade técnica no CDC é presumida. 
• Vulnerabilidade jurídica: pode ser também científica. É a falta de 
conhecimentos jurídicos, econômicos e contábeis. Para o consumidor não 
profissional essa vulnerabilidade é presumida, mas para os profissionais 
e pessoas jurídicas a presunção é de que devam ter tais conhecimentos. 
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• Vulnerabilidade fática: é o mesmo que vulnerabilidade 
socioeconômica. O fornecedor, pela natureza do produto ou por seu 
“grande poder econômico”, impõe aos seus consumidores as suas 
condições. A vulnerabilidade fática é presumida para o consumidor não 
profissional, mas não é para o consumidor profissional ou para a pessoa 
jurídica. Cláudia Lima Marques, contudo, informa que o consumidor 
profissional ou pessoa jurídica podem provar essa vulnerabilidade. 
 
Distinção entre vulnerabilidade e hipossuficiência do consumidor: 
O consumidor é “ope legis” vulnerável, pelo quanto já exposto, fato que 
desencadeia uma série de proteções da Lei nº 8.078/90. Existem situações, porém, em 
que a fragilidade do consumidor é ainda maior, nas quais ele, além de vulnerável, é 
hipossuficiente. 
Há doutrinadores que consideram que o princípio da vulnerabilidade seria o 
gênero do qual o princípio da hipossuficiência a espécie. Sustentam que em casos de 
fragilidade físico psíquica, tais como ocorre com crianças, idosos e doentes, o princípio 
aplicável é o da hipossuficiência, dada à extrema vulnerabilidade. 
Cláudia Lima Marquez (2009) diz que o princípio da vulnerabilidade é aquele que 
se refere a questões de direito material. Já no que tange aos aspectos processuais, o 
princípio garantidor seria o da tutela do hipossuficiente. 
O que determina a hipossuficiência do consumidor é o aspecto técnico. O 
desequilíbrio econômico em desfavor do consumidor, quando existente, serve para 
acentuar ainda mais a hipossuficiência, que já deve estar caracterizada no aspecto 
técnico. 
 
Princípio da Boa-Fé 
O princípio da boa-fé possui dois sentidos diferentes: uma concepção subjetiva 
e outra objetiva. A concepção subjetiva corresponde ao estado psicológico da pessoa, 
ou seja, sua intenção ou seu convencimento de estar agindo de forma a não prejudicar 
ninguém. Já a concepção objetiva significa uma regra de conduta de acordo com os 
ideais de honestidade, probidade e lealdade, ou seja, as partes contratuais devem agir 
sempre respeitando a confiança e os interesses do outro. 
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• Boa-fé subjetiva: é também conhecida como boa-fé crença, isto 
porque, diz respeito a substâncias psicológicas internas do agente. 
Geralmente, o estado subjetivo, deriva da ignorância do sujeito, a respeito 
de determinada situação, ocorre, por exemplo, na hipótese do possuidor 
da boa-fé subjetiva, que desconhece o vício que macula a sua posse. 
Normalmente, tem aplicabilidade no direito possessório; nos casos de 
usucapião; na revogação de mandato; na cessão de crédito; no 
pagamento indevido; no direito de família, caso do casamento putativo; 
no direito sucessório, caso do herdeiro aparente, dentre outros. 
• Boa-fé objetiva: o Código de Defesa do Consumidor propôs a 
revitalização de um dos princípios gerais do direito, denominado 
princípio da boa-fé objetiva, que representa o valor da ética, veracidade 
e correção dos contratantes, operando de diversas formas e em todos os 
momentos do contrato, desde a sua negociação até sua execução. 
 
É o princípio máximo orientador do Código de Defesa do Consumidor e basilar 
de toda a conduta contratual que traz a ideia de cooperação, respeito e fidelidade nas 
relações contratuais. Refere-se àquela conduta que se espera das partes contratantes, 
com base na lealdade, de sorte que toda cláusula que infringir esse princípio é 
considerada, ex lege como abusiva. Isso porque o artigo 51, XV do Código de Defesa 
do Consumidor diz serem abusivas as cláusulas que “estejam em desacordo com o 
sistema de proteção do consumidor”, dentro do qual se insere tal princípio por 
expressa disposição do artigo 4º, caput e inciso III. 
Nesse sentido, Cláudia Lima Marques, define a boa-fé objetiva da seguinte forma: 
 
[...] uma atuação “refletida”, uma atuação refletindo, pensando no 
outro, no parceiro contratual, respeitando seus interesses 
legítimos, seus direitos, respeitando os fins do contrato, agindo 
com lealdade, sem abuso da posição contratual, sem causar lesão 
ou desvantagem excessiva, com cuidado com a pessoa e o 
patrimônio do parceiro contratual, cooperando para atingir o bom 
fim das obrigações, isto é, o cumprimento do objetivo contratual 
e a realização dos interesses legítimos de ambos os parceiros. 
Trata-se de uma boa-fé objetiva, um paradigma de conduta leal, 
e não apenas da boa-fé subjetiva, conhecida regra de conduta 
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subjetiva do artigo 1444 do CCB. Boa-fé objetiva é um standard 
de comportamento leal, com base na confiança, despertando na 
outra parte cocontratante, respeitando suas expectativas 
legítimas e contribuindo para a segurança das relações negociais. 
(MARQUES, 2009) 
 
Ainda segundo Cláudia Lima Marques: O princípio da boa-fé objetiva na 
formação e na execução das obrigações possui muitas funções na nova teoria 
contratual: 
• Como fonte de novos deveres especiais de conduta durante o 
vínculo contratual, os chamados deveres anexos, 
• Como causa limitadora do exercício, antes lícito, hoje abusivo, dos 
direitos subjetivos 
• Na concreção e interpretação dos contratos. 
 
A primeira função é criadora de novos deveres especiais de conduta anexos aos 
deveres de prestação contratual. A segunda função é limitadora do exercício abusivo 
dos direitos subjetivos, que reduz a liberdade de atuação dos parceiros contratuais ao 
definir algumas condutas e cláusulas como abusivas, seja controlando a transferência 
dos riscos profissionais, seja libertando o devedor em face da não razoabilidade da 
outra conduta. Já a terceira função é interpretativa que define o melhor caminho na 
interpretação de um contrato. 
No que diz respeito ao aspecto contratual das relações de consumo, verifica-se 
que a boa-fé na conclusão do contrato é requisito que se exige do fornecedor e do 
consumidor, de modo a fazer com que haja “transparência” nas relações de consumo, 
e seja mantido o equilíbrio entre as partes. O Princípio da Transparência, que será 
tratado adiante, rege o momento pré-contratual, bem como a conclusão do contrato, 
e tem como reflexo o dever de informar sobre o produto ou serviço, que afeta a 
essência do negócio, uma vez que integra o conteúdo do contrato. 
O Código de Defesa do Consumidor prevê, de modo expresso, o princípio da boa 
fé no art. 4º inciso III e o art. 51 inciso IV. 
 
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Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por 
objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o 
respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus 
interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem 
como a transparência e harmonia das relações de consumo, 
atendidos os seguintes princípios: III - harmonizaçãodos 
interesses dos participantes das relações de consumo e 
compatibilização da proteção do consumidor com a necessidade 
de desenvolvimento econômico e tecnológico, de modo a 
viabilizar os princípios nos quais se funda a ordem econômica (art. 
170, da Constituição Federal), sempre com base na boa-fé e 
equilíbrio nas relações entre consumidores e fornecedores; (grifo 
nosso) 
 
Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas 
contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: 
IV - estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que 
coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam 
incompatíveis com a boa-fé ou a equidade; (grifo nosso). 
(BRASIL 1990) 
 
O artigo 4º do Código de Defesa do Consumidor traz o princípio da boa-fé como 
instrumento de controle das cláusulas contratuais abusivas. O emprego do princípio 
da boa-fé como meio de controle das cláusulas contratuais abusivas pressupõe a 
adoção de uma hermenêutica finalística que esteja em condições de avaliar, em cada 
caso concreto, o alcance dos princípios estabelecidos pelo Código de Defesa do 
Consumidor. Quer dizer que no caso concreto, além de verificar o cumprimento dos 
requisitos formais necessários à validade do negócio jurídico, o intérprete deverá 
analisar o conteúdo da relação contratual e o equilíbrio entre as prestações e as 
contraprestações resultantes do contrato. 
O artigo 51, inciso IV do Código de Defesa do Consumidor trata da boa-fé 
objetiva que se traduz na imposição de uma regra de conduta, cujo fim é estabelecer 
o equilíbrio nas relações de consumo. 
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Assim, há no sistema contratual do Código de Defesa do Consumidor a 
obrigatoriedade de as partes contratantes respeitarem a cláusula geral de boa-fé, que 
se reputa existente em todo e qualquer contrato que verse sobre relação de consumo, 
mesmo que não inserida expressamente nos instrumentos contratuais que regem a 
relação contratual. 
 
Princípio da Transparência 
O princípio da transparência é corolário do princípio da boa-fé objetiva. Trata-se 
de um dever anexo imposto pela boa-fé e que tem maior incidência na formação dos 
contratos. Visa regular a propaganda, a oferta destinada ao consumidor, bem como o 
conteúdo do contrato de consumo. 
Por esse princípio as partes têm o dever de trazerem informações claras e 
precisas sobre a relação de consumo a ser firmada. 
Aliado ao dever de transparência está o dever de informar, que também decorre 
da boa-fé objetiva. No dever de informar o fornecedor deve trazer ao consumidor 
todas as informações sobre o produto, sobre o contrato, e sobre o negócio jurídico 
em geral. 
O direito à informação é reflexo direto do princípio da transferência e está 
intimamente ligado ao princípio da vulnerabilidade. É o direito à informação que 
permite ao consumidor ter uma escolha consciente e, por fim, emitir, o consentimento 
informado, uma vontade qualificada ou, ainda um consentimento esclarecido. 
Outra peculiaridade do direito à informação é sua abrangência, posto que 
presente em todas as áreas de consumo e deve ser observado antes, durante e mesmo 
depois da relação consumerista. Desta forma, toda oferta e apresentação de produtos 
e serviços deverão assegurar corretas informações de maneira clara e ostensiva e 
adequada promovendo os alertas quanto à nocividade ou periculosidade. 
O art. 46 CDC nos informa: “Os contratos que regulam as relações de consumo 
não obrigarão os consumidores, se não lhes for dada a oportunidade de tomar 
conhecimento prévio de seu conteúdo, ou se os respectivos instrumentos forem 
redigidos de modo a dificultar a compreensão de seu sentido e alcance.”. 
O dever de informar deve preencher três requisitos: adequação – suficiência – 
veracidade. O princípio da transparência no CDC, portanto, cria regras para efetivar a 
adequação, a clareza e veracidade das informações prestadas. 
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Princípio da Equidade ou Equilíbrio Contratual 
O princípio da equidade tem incidência na fase de execução contratual. É o 
princípio que visa garantir a justiça contratual. Impede a imposição de cláusulas que 
imponham desvantagens unilaterais ou exageradas para o consumidor, entre outros. 
É princípio que atua junto com a boa-fé objetiva garantindo a legítima 
expectativa das partes contratantes. Portanto, não basta assegurar a vontade livre, 
mas também se deve proteger as legítimas expectativas dos consumidores. 
O princípio do equilíbrio material entre as prestações, ou princípio da 
equivalência é um princípio não só das relações de consumo, aplica-se a todas as 
relações contratuais. Esse princípio preserva a equação e o justo contratual, seja para 
manter a proporcionalidade inicial dos direitos e obrigações, seja para corrigir 
desequilíbrios supervenientes. 
Estabelece o CDC no seu art. 51, IV: “São nulas de pleno direito, entre outras, as 
cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: IV - 
estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor 
em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou a equidade”. 
Desse modo, serão inválidas as disposições que ponham em desequilíbrio a 
equivalência entre as partes em um contrato de consumo. 
 
Princípio da Ação Governamental 
O princípio da ação governamental impõe ao Estado o rigoroso cumprimento 
dos objetivos estabelecidos pela Política Nacional das relações de consumo. 
Determina a intervenção do Estado na economia, a fim de proteger o consumidor e 
impedir o desenvolvimento do capitalismo selvagem (lucro a qualquer custo). 
Decorre da limitação constitucional à ordem econômica, estabelecida pelo art. 
170, V da Constituição Federal. 
Em decorrência desse princípio, cabe ao Estado, exemplificativamente: 
• Instituir órgãos públicos de defesa do consumidor; 
• Incentivar a criação de associações civis que tenham por finalidade 
a proteção do consumidor; 
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• Regular o mercado, preservando a qualidade, segurança, 
durabilidade e desempenho dos produtos e serviços oferecidos ao 
consumidor. 
 
Princípio da Harmonização dos Interesses dos Consumidores e Fornecedores 
Não existe relação de consumo sem fornecedor. Sendo assim, uma proteção 
desmedida ao consumidor repercutiria de forma nociva nas relações de consumo. A 
proteção do consumidor não pode, por exemplo, frear o progresso tecnológico e 
econômico. 
De outra parte, a experiência do liberalismo econômico demonstrou que a 
intervenção do Estado é necessária, a fim de regular a busca imoderada do lucro pelos 
fornecedores. 
A tônica do direito do consumidor é a harmonia entre as relações de 
consumidores e fornecedores. O fornecedor tem direito ao lucro que, no entanto, não 
pode ser exagerado. Já o consumidor tem direito de acesso ao mercado de consumo, 
sem qualquer discriminação. 
A harmonização dos interesses de consumidores e fornecedores se dá através de 
dois instrumentos: 
1) Do marketing de defesa do consumidor (art. 4º, v do CDC): 
caracterizado na criação de departamentos de atendimento ao 
consumidor, criados pelos próprios fornecedores, estabelecendo vários 
caminhos de contato com o consumidor (telefone, internet, fax, caixa 
postal); 
2) Da “convenção coletiva de consumo” (art. 107 do CDC): são 
pactos entre entidades civis de consumidores e associações de 
fornecedores ou sindicatos, regulando as relações de consumo, no 
tocante ao preço, à qualidade, à quantidade, à garantia e características 
de produtos e serviços, bem como às reclamações e composições de 
conflito de consumo. A convenção coletiva de consumo tem por

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