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🩺 AP2 FARMACO 🫀 Fisiopatologia do Edema e Insuficiência Cardíaca IC Definição: Incapacidade do coração de perfundir adequadamente tecidos e órgãos. Consequência: Função de bomba inadequada → congestão por líquido nos pulmões e tecidos periféricos. Apresentação clínica: Altamente variável. 📋 Causas de Insuficiência Ventricular Esquerda Tabela 101 Categoria Causas Sobrecarga de volume Valvas insuficientes (mitral ou aórtica), estados de débito alto (anemia, hipertireoidismo) Sobrecarga de pressão Hipertensão sistêmica, obstrução do débito (estenose aórtica, hipertrofia septal assimétrica) Perda de músculo Infarto do miocárdio, doença do tecido conectivo (lúpus eritematoso sistêmico) Perda de contratilidade Venenos (álcool, cobalto, doxorrubicina), infecções (virais, bacterianas), mutações genéticas Enchimento restrito Estenose mitral, doença do pericárdio (pericardite constritiva, tamponamento), doenças infiltrativas (amiloidose) ⚙ Alterações Fisiopatológicas na Insuficiência Cardíaca Tabela 102 Tipo de Alteração Exemplos Alterações hemodinâmicas Débito diminuído (disfunção sistólica), enchimento diminuído (disfunção diastólica) Alterações neuro- hormonais Ativação do sistema simpático, sistema renina-angiotensina, liberação de vasopressina e citocinas Alterações celulares Manejo intracelular de Ca²⁺ ineficiente, dessensibilização adrenérgica, hipertrofia, reexpressão de proteínas fetais, apoptose, fibrose 💧 Patogenia do Edema Fluxograma) Insuficiência cardíaca → aumento da pressão hidrostática capilar + diminuição do fluxo renal → ativação do sistema renina-angiotensina → retenção de Na⁺ e H₂O → aumento do volume sanguíneo → edema. AP2 FARMACO 1 Desnutrição, Síndrome nefrótica, Síntese hepática diminuída → diminuição da albumina plasmática → edema. Edema → aumento da pressão osmótica plasmática. 🧪 Farmacologia da Regulação de Volume Definições: Diurese: aumento do volume urinário. Natriurese: aumento da excreção renal de sódio. A maioria dos fármacos natriuréticos aumenta a excreção de água, sendo denominados diuréticos. Indicações: Hipertensão, insuficiência cardíaca e renal, cirrose, entre outras. 🧬 Reabsorção de Sódio ao Longo do Néfron Segmento Tubular % Reabsorção de Na⁺ Mecanismo Tubular de Reabsorção de Na⁺ Túbulo proximal 65% Trocador Na⁺/H⁺ NHE3 Alça de Henle (ramo ascendente espesso) 20% Cotransporte Na⁺/K⁺/2Cl⁻ NKCC2 Túbulo distal 10% Cotransporte Na⁺/Cl⁻ NCC Ducto coletor 5% Canais iônicos de Na⁺ ENaC 💊 Diuréticos: Mecanismos e Exemplos Tipo de Diurético Local de Ação no Néfron Mecanismo de Ação Exemplos Observações Inibidores da Anidrase Carbônica Túbulo contorcido proximal Inibem anidrase carbônica → reduzem reabsorção de HCO₃⁻ e Na⁺ → aumento de bicarbonato e sódio no túbulo distal Acetazolamida, brinzolamida, dorzolamida Propriedades diuréticas fracas; usados em glaucoma, mal das montanhas, epilepsia, IC Diuréticos de Alça Alça de Henle (ramo ascendente espesso) Inibem cotransportador Na⁺/K⁺/2Cl⁻ → retenção de Na⁺, Cl⁻ e água no túbulo Furosemida, bumetanida, torsemida, ácido etacrínico Diuréticos mais eficazes; causam perda de Ca²⁺ e Mg²⁺; usados em edema, hipertensão, hipercalcemia Diuréticos Tiazídicos Túbulo contorcido Inibem reabsorção de Hidroclorotiazida, clortalidona, Usados em hipertensão e AP2 FARMACO 2 distal Na⁺ e Cl⁻ → retenção de água indapamida estados edematosos; preservam Ca²⁺ urinário Diuréticos Poupadores de Potássio Ducto coletor Antagonistas da aldosterona (espironolactona, eplerenona) ou bloqueadores dos canais de Na⁺ (amilorida, triantereno) Espironolactona, amilorida, triantereno Evitam perda de K⁺; usados em hipertensão resistente, edema, hiperaldosteronismo Diuréticos Osmóticos Túbulo proximal e alça de Henle Aumentam osmolaridade tubular → retenção de água Manitol, ureia Usados para manter fluxo urinário, edema cerebral, prevenção de insuficiência renal ⚙ Mecanismo dos Inibidores da Anidrase Carbônica Inibem anidrase carbônica II (citoplasmática) e IV (luminal) no túbulo proximal. Reduzem a reabsorção de bicarbonato e sódio, aumentando a excreção urinária de bicarbonato. Resultam em acidose metabólica leve e alcalinização da urina. ⚠ Efeitos Adversos dos Inibidores da Anidrase Carbônica Acidose metabólica leve. Cálculos renais (devido a sais de fosfato). Depleção de potássio. Reações adversas às sulfonamidas (anafilaxia, síndrome de Stevens-Johnson). Sintomas gastrointestinais e neurológicos (diarreia, náuseas, parestesias). ⚠ Contraindicações dos Inibidores da Anidrase Carbônica Insuficiência da glândula adrenal. Glaucoma de ângulo fechado crônico. Cirrose. Hiponatremia, hipopotassemia. Acidose hiperclorêmica. Doença hepática ou renal grave. 💊 Diuréticos de Alça: Mecanismo e Aplicações AP2 FARMACO 3 Inibem cotransportador Na⁺/K⁺/2Cl⁻ no ramo ascendente espesso da alça de Henle. Reduzem reabsorção de NaCl, Ca²⁺ e Mg²⁺. Usados em hipertensão, edema pulmonar agudo, edema por IC, cirrose, disfunção renal, hipercalcemia e hiperpotassemia. ⚠ Efeitos Adversos dos Diuréticos de Alça Hipotensão, hipopotassemia, hipomagnesemia. Alcalose metabólica. Ototoxicidade (dose-dependente). Hiperuricemia. Hiperglicemia. Reações alérgicas (eritema multiforme, Stevens-Johnson). 💊 Diuréticos Tiazídicos: Mecanismo e Aplicações Inibem reabsorção de Na⁺ e Cl⁻ no túbulo distal. Aumentam excreção de Na⁺ e Cl⁻, causam perda de K⁺ e Mg²⁺, preservam Ca²⁺ urinário. Usados como primeira linha para hipertensão e em estados edematosos IC, cirrose, disfunção renal). Também usados em diabetes insípido nefrogênico e osteoporose. ⚠ Efeitos Adversos dos Diuréticos Tiazídicos Arritmias cardíacas. Síndrome de Stevens-Johnson. Pancreatite, hepatotoxicidade, lúpus eritematoso sistêmico. Hipotensão, vasculite, fotossensibilidade. Alcalose metabólica hipopotassêmica. Hiperglicemia, hiperuricemia. Cefaleia, impotência, inquietação. ⚠ Contraindicações dos Diuréticos Tiazídicos Anúria. Hipersensibilidade às sulfonamidas. Uso concomitante com agentes que prolongam o intervalo QT. 💊 Diuréticos Poupadores de Potássio: Mecanismo AP2 FARMACO 4 Espironolactona e eplerenona: antagonistas do receptor de mineralocorticoides (aldosterona). Amilorida e triantereno: bloqueiam canais de sódio ENaC na membrana apical das células principais do ducto coletor. Resultam em retenção de K⁺ e H⁺, prevenindo hipopotassemia. ⚠ Efeitos Adversos dos Diuréticos Poupadores de Potássio Acidose metabólica hiperpotassêmica. Hemorragia gastrintestinal. Agranulocitose, lúpus eritematoso sistêmico. Ginecomastia, dispepsia, letargia, menstruação anormal, impotência, exantema. ⚠ Contraindicações dos Diuréticos Poupadores de Potássio Anúria. Hiperpotassemia. Insuficiência renal aguda (risco de hiperpotassemia). 💊 Diuréticos Osmóticos: Mecanismo e Aplicações Manitol, ureia, glicerina aumentam osmolaridade tubular, promovendo excreção de líquidos sem alterar diretamente o Na⁺. Usados para manter fluxo urinário após intoxicações, prevenção de insuficiência renal, edema cerebral, glaucoma sistêmico, pré-operatório oftálmico, colonoscopia e como laxantes. ⚠ Contraindicações e Reações Adversas dos Diuréticos Osmóticos Anúria, desidratação grave, congestão pulmonar. Potencial tóxico com digitálicos. Trombose (uréia), hiperglicemia (glicerina). 🧠 Moduladores Neuro-Hormonais: Classes Principais Classe Exemplos Bloqueadores do Receptor de Angiotensina II BRA Alisartana medoxomil, Candesartana, Eprosartana, Irbesartana, Losartana, Olmesartana, Telmisartana, Valsartana Inibidores da Renina Alisquireno Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina IECA Benazepril, Captopril, Enalapril, Fosinopril, Lisinopril, Moexipril, Perindopril, Quinapril, Ramipril, Trandolapril ⚙ Inibidores da Renina: Mecanismo Inibem a conversão do angiotensinogênio em angiotensina I. AP2 FARMACO 5 Reduzem vasoconstrição, síntese de aldosterona, reabsorção renal deNaCl e liberação de hormônio antidiurético HAD. ⚠ Efeitos Adversos dos Inibidores da Renina Hipotensão. Insuficiência renal aguda. Angioedema. Exantema, diarreia, tosse. ⚠ Contraindicações dos Inibidores da Renina Gravidez. Hiperpotassemia. História de angioedema. Terapia com ciclosporina. ⚙ Inibidores da ECA Mecanismo Inibem a conversão de angiotensina I em angiotensina II. Reduzem vasoconstrição, síntese de aldosterona, reabsorção renal de NaCl e liberação de HAD. Inibem degradação da bradicinina → aumento da vasodilatação. ⚠ Efeitos Adversos dos Inibidores da ECA Tosse seca (devido à bradicinina). Angioedema 0,10,2% dos pacientes, potencialmente fatal). Hipotensão e insuficiência renal aguda (especialmente em estenose bilateral da artéria renal). Hiperpotassemia (mais comum com diuréticos poupadores de potássio). Agranulocitose, neutropenia, edema, exantema, ginecomastia, proteinúria. ⚠ Contraindicações dos Inibidores da ECA História de angioedema. Estenose bilateral da artéria renal. Insuficiência renal grave. Gravidez. ⚙ Bloqueadores dos Receptores de Angiotensina II BRA Antagonizam o receptor AT1 da angiotensina II. Podem aumentar atividade do receptor AT2, promovendo relaxamento vascular. AP2 FARMACO 6 Não causam tosse nem angioedema, mas podem ser menos vasodilatadores que IECA. Usados em hipertensão, nefropatia diabética, infarto do miocárdio, prevenção de AVC. ⚠ Efeitos Adversos dos BRA Raramente trombocitopenia, rabdomiólise, angioedema, hipotensão, tontura, diarreia, astenia. ⚠ Contraindicações dos BRA Estenose bilateral da artéria renal. Gravidez. ⚙ Moduladores do Receptor de Vasopressina V2 ADH (vasopressina) atua nos receptores V1 (vasoconstrição) e V2 (retenção de água). Antagonistas do receptor V2 bloqueiam ação da vasopressina nos túbulos renais. Usados para tratar hiponatremia associada à secreção inapropriada de ADH. ⚙ Peptídeo Natriurético B BNP Inibidor da neprilisina, enzima que degrada peptídeos natriuréticos. Aumenta níveis de BNP promove natriurese. Exemplo: sacubitril (usado em combinação com valsartana). Reduz mortalidade em insuficiência cardíaca. ⚠ Efeitos Adversos do Peptídeo Natriurético B Hipotensão. Hiperpotassemia. Insuficiência renal. Angioedema. ⚠ Contraindicações do Peptídeo Natriurético B Uso concomitante com IECA (risco aumentado de angioedema). Uso concomitante com inibidores da PDE5 (potencialização dos efeitos). 🧬 Dislipidemia: Introdução e Caso Clínico Lipídios são moléculas insolúveis em água, essenciais para membranas, energia e sinalização. Lipoproteínas transportam lipídios no plasma HDL, LDL, VLDL, quilomícrons). AP2 FARMACO 7 Caso clínico: paciente com xantomas no tendão de Aquiles, hipercolesterolemia familiar heterozigota, alto risco de aterosclerose precoce. Tratamento inclui mudanças dietéticas, estatinas, ezetimiba e niacina. 🧬 Bioquímica e Fisiologia do Metabolismo do Colesterol e Lipoproteínas Lipoproteínas classificadas por densidade e função: Quilomícrons: transporte exógeno (intestino → tecidos). VLDL, IDL, LDL transporte endógeno (fígado → tecidos). HDL transporte reverso (tecidos → fígado). LDL elevado está fortemente associado à aterosclerose. 🧬 Patogênese da Aterosclerose LDL migra para espaço subendotelial → oxidação → quimiotaxia de monócitos → formação de células espumosas. LDL oxidada causa disfunção endotelial e necrose celular, promovendo lesão da íntima vascular. 🧬 Secreção Biliar de Colesterol Colesterol convertido em ácidos biliares no hepatócito (limitado pela colesterol 7α-hidroxilase). Ácidos biliares secretados via bomba ABCB11. Fosfolipídios e colesterol secretados por ABCB4 e ABCG5/G8. Formação de micelas na bile. 🧬 Dislipidemias: Classificação Clínica Hipercolesterolemia. Hipertrigliceridemia. Hiperlipidemia mista. Distúrbios do metabolismo das HDL. Decisão terapêutica baseada no risco cardiovascular estimado. 💊 Fármacos Redutores de Lipídios: Mecanismos e Classes Classe Efeito Principal Inibidores da HMGCoA Redutase Estatinas) Reduzem LDLC, estabilizam placas, melhoram função endotelial, atividade anti-inflamatória Inibidores da Absorção de Colesterol Reduzem absorção intestinal de colesterol (ex: ezetimiba) Niacina Reduz LDLC, aumenta HDLC, reduz triglicerídeos AP2 FARMACO 8 Fibratos Reduz triglicerídeos, aumenta HDLC via ativação do PPAR α Sequestradores de Ácidos Biliares Reduzem LDLC ao impedir reabsorção de ácidos biliares Ácidos Graxos Ômega-3 Reduz triglicerídeos, efeitos variados sobre LDL e HDL 💊 Estatinas: Características e Dosagem Estatina Redução LDL % Meia-vida (h) Penetração SNC Observações Atorvastatina 55 14 Não Mais potente Rosuvastatina 60 19 Não Alta potência Sinvastatina 41 12 Sim Penetração no SNC Pravastatina 34 12 Não Fluvastatina 24 12 Não Lovastatina 34 2 Sim Pitavastatina 43 12 Sim Regra dos 7 Dobrar a dose da estatina reduz LDL adicionalmente em cerca de 7%. ⚠ Efeitos Adversos das Estatinas Miopatia, rabdomiólise (riscos aumentados com niacina e fibratos). Insuficiência hepática (rara). Contraindicado na gravidez. 💊 Inibidores da Absorção de Colesterol Ezetimiba) Inibe proteína NPC1L1 na borda em escova do intestino delgado. Reduz absorção de colesterol e produção hepática de VLDL. Perfil de segurança satisfatório. Pode aumentar níveis plasmáticos de ciclosporina. 💊 Niacina Inibe lipólise no tecido adiposo → reduz ácidos graxos livres → diminui triglicerídeos, VLDL e LDL. Aumenta HDL significativamente. Efeitos adversos: rubor cutâneo, prurido, náuseas, predisposição à gota e hiperuricemia. 💊 Fibratos Ativam PPARα → aumentam oxidação de ácidos graxos, síntese de apoAI e apoAII, atividade da lipase lipoproteica. AP2 FARMACO 9 Reduzem triglicerídeos e aumentam HDL. Efeitos adversos: distúrbios gastrointestinais, cálculos biliares, miosite, prejuízo renal, interações com varfarina e sinvastatina. 📊 Dosagens e Eficácia dos Fármacos Antidislipidêmicos Classe de Fármaco LDL ↓ HDL ↑ TG ↓ Estatinas ↓ a ↓↓↓ ↑ ↓↓ Fibratos ↓↓ ↑↑ ↑↑ Niacina ↓↓ ↑↑↑ ↓↓ Ácidos graxos ômega-3 ↓ ↑↑ ↓ a ↑ Sequestradores de ácidos biliares ↓ ↑ ↓ Ezetimiba ↓ ↑ ↓ ⚠ Critérios para Início de Tratamento Farmacológico NCEP NIH Categoria de Risco Meta LDL (mg/dL Início Mudanças no Estilo de Vida Considerar Tratamento Farmacológico Alto risco DCC ou equivalente) 100 (opcionalinduzida por heparina. Neoplasias malignas. Síndromes mieloproliferativas. Síndrome nefrítica. AP2 FARMACO 11 Uso de contraceptivos orais e terapia com estrógenos. Hemoglobinúria paroxística noturna. Pós-parto, cirurgia, traumatismo. 💊 Agentes Farmacológicos da Hemostasia Antiplaquetários: Inibidores da ciclo-oxigenase (ex: AAS. Inibidores da fosfodiesterase (ex: dipiridamol). Antagonistas do receptor ADP. Antagonistas da GPIIb-IIIa. Anticoagulantes: Varfarina. Heparinas. Inibidores do fator Xa. Inibidores da trombina (IIa). Trombolíticos: Alteplase, tenecteplase, reteplase. 💊 Varfarina: Mecanismo e Uso Clínico Anticoagulante oral que interfere nas reações dependentes de vitamina K. Usada para manutenção ou finalização de anticoagulação iniciada com heparina. Biodisponibilidade oral 100%, meia-vida 36h. Monitoramento via tempo de protrombina INR. Interações medicamentosas importantes que podem aumentar ou diminuir seu efeito. 💉 Trombolíticos: Tenecteplase e Reteplase Variantes do t-PA com maior especificidade para fibrina e meia-vida prolongada. Usados em infarto agudo do miocárdio, embolia pulmonar e AVC isquêmico. Administração simplificada (injeção única ou dupla). 🩸 Inibidores da Anticoagulação e Fibrinólise Protamina: reverte efeitos da heparina. Aprotina: inibidor de serina proteases, estabiliza coágulos. Ácido aminocaproico e ácido tranexâmico: análogos da lisina que inibem fibrinólise. AP2 FARMACO 12 🩸 Hemostasia: Controle Endotelial Endotélio limita hemostasia localmente via: Prostaciclina PGI₂). Antitrombina III. Proteínas C e S. Inibidor da via do fator tecidual. Ativador tecidual do plasminogênio (t-PA. Insulina e Glucagon Insulina: Hormônio peptídico produzido pelas células beta do pâncreas. Sua principal função é reduzir a glicose sanguínea, promovendo a captação de glicose pelas células (especialmente músculo e tecido adiposo), estimulando o armazenamento de glicogênio no fígado, aumentando a síntese de proteínas e lipídeos e inibindo a gliconeogênese e a lipólise. Importância clínica: A deficiência absoluta (diabetes tipo 1 ou resistência/deficiência relativa (diabetes tipo 2 leva à hiperglicemia e suas complicações. Glucagon: Hormônio peptídico produzido pelas células alfa do pâncreas. Ele eleva a glicose sanguínea ao estimular a glicogenólise (quebra de glicogênio) e a gliconeogênese (produção de glicose) no fígado. Importância clínica: Usado no tratamento de hipoglicemia grave, especialmente em pacientes diabéticos que usam insulina. 🍽 Incretinas GIP e GLP1 e DPP4 GIP Peptídeo Inibidor Gástrico ou Polipeptídeo Insulinotrópico Dependente de Glicose): Hormônio incretina produzido pelas células K do intestino delgado em resposta à ingestão de nutrientes. Estimula a secreção de insulina de forma dependente da glicose. Importância clínica: Contribui para o efeito incretina, aumentando a liberação de insulina após ingestão oral de glicose em comparação à administração intravenosa. GLP1 Peptídeo-1 Similar ao Glucagon): Hormônio incretina produzido pelas células L do intestino delgado após ingestão de alimentos. Estimula a secreção de insulina (dependente da glicose), inibe a secreção de glucagon, retarda o esvaziamento gástrico e reduz o apetite. Importância clínica: Análogos de GLP1 são usados no tratamento do diabetes tipo 2, melhorando o controle glicêmico e ajudando na perda de peso. AP2 FARMACO 13 DPP4 Dipeptidil Peptidase-4 Enzima que degrada rapidamente as incretinas GLP1 e GIP. Ao fazer isso, limita sua ação, reduzindo o estímulo à secreção de insulina e o efeito de redução da glicose. Importância clínica: Inibidores da DPP4 (como sitagliptina e linagliptina) são usados no diabetes tipo 2 para prolongar a ação das incretinas, aumentando a secreção de insulina e reduzindo a de glucagon. 📊 Resumo das Relações Hormonais Insulina: ↓ Glicose sanguínea. Glucagon: ↑ Glicose sanguínea. GIP e GLP1 (incretinas): Aumentam a secreção de insulina após refeições. DPP4 Degrada GIP e GLP1; inibidores de DPP4 prolongam o efeito das incretinas. 📘Fisiologia da Tireoide e Metabolismo do Iodeto e Hormônios IDR Ingestão Diária Recomendada): 150 mcg Transporte de iodeto: Sistema de transporte ativo Na/I e via pendrina. Oxidação: Tireoperoxidase TPO oxida iodeto a iodo. Organificação: Iodo se liga à tirosina na tireoglobulina. A glândula tireoide remove cerca de 75 mcg/dia de iodeto para síntese hormonal. 80% da T₄ circulante provém do metabolismo periférico da tiroxina. Metabolismo periférico da tiroxina: T₄ é convertido em T₃ ativo 3,5,3'-triiodotironina) por desiodação. T₃ reverso 3,3',5'-triiodotironina) é inativo, sofre desaminação, descarboxilação e conjugação (glicuronídeo ou sulfato). 📊 Tabela 381 Cinética dos Hormônios Tireoidianos Variáveis T₄ T₃ Volume de distribuição 10 L 40 L Reservatório extratireoidiano 800 µg 54 µg Produção diária 75 µg 25 µg Renovação fracional por dia 10% 60% Depuração metabólica por dia 1,1 L 24 L Meia-vida biológica 7 dias 1 dia Concentrações séricas totais 4,810,4 µg/dL 59156 ng/dL Concentrações livres 0,81,4 ng/dL 169371 pg/dL AP2 FARMACO 14 Quantidade ligada 99,96% 99,6% Potência biológica 1 4 Absorção oral 70% 95% 🔄 Fatores que influenciam a produção de T3 e T4 Meios de contraste radiológicos, β-bloqueadores, corticosteroides, amiodarona. 🧠 Eixo Hipotálamo-Hipófise-Tireoide HPT Axis) Hipotálamo libera TRH estimula hipófise a liberar TSH estimula tireoide a produzir T3 e T4. Feedback negativo regulado pelos níveis circulantes de T3 e T4. Componentes: Receptor de TSH, Proteína G, cAMP, expressão gênica ativada. ⚠ Patologias Endócrinas da Tireoide Hipertireoidismo: Estados hipermetabólicos causados por elevação de T3 e T4 livres (tirotoxicose). Causas primárias: Doença de Graves 85% dos casos) – hiperplasia difusa da tireoide. Bócio multinodular hiperfuncional. Adenoma tireoidiano hiperfuncional. Causas secundárias: Adenomas tirotróficos da hipófise. Excesso exógeno de hormônio tireoidiano. Doenças inflamatórias da tireoide. Manifestações clínicas do hipertireoidismo: Sinais hipermetabólicos e hiperatividade do sistema nervoso simpático. Sintomas cardíacos, oculares (exoftalmia), neuromusculares (tremor, fraqueza), cutâneos (quente, úmido, avermelhado), sudorese aumentada. Gastrointestinais: hipermotilidade, má absorção, redução do trânsito intestinal. Esqueléticos: reabsorção óssea, risco aumentado de fraturas. Tempestade tireoidiana: elevação aguda de catecolaminas, alto risco. 🦠 Doença de Graves Doença autoimune causada por autoanticorpos contra receptor de TSH TSHR. Tríade clínica: AP2 FARMACO 15 Hipertireoidismo por aumento difuso e hiperfuncional da tireoide. Oftalmopatia infiltrativa com exoftalmia. Dermopatia localizada (menos comum). Predominância feminina 101, pico entre 2040 anos. Morfologia: aumento simétrico da glândula, folículos colapsados com epitélio colunar alto, coloide diminuído, bordas do coloide recortadas (scalloping). 🛑 Hipotireoidismo Deficiência na produção ou ação dos hormônios tireoidianos. Resulta em perda ou atrofia do tecido tireoidiano. Manifestações: redução da atividade física e mental, fadiga, intolerância ao frio, apatia, constipação, diminuição da sudorese. Hipotireoidismo primário: Congênito (deficiência de iodo, erros inatos, agenesia). Autoimune (tireoidite de Hashimoto). Iatrogênico (medicamentos, cirurgia, radiação). Hipotireoidismo secundário (central): Deficiência de TSH ou TRH por hipopituitarismo ou dano hipotalâmico. Diagnóstico: elevação do TSH (primário), redução do T4. Manifestações graves: cretinismo (neonatal), mixedema (adultos). 📋 Tabela 24.4 Causas do Hipotireoidismo Primário Tireoide) Secundário Hipófise/Hipotálamo) Defeitos genéticos PAX8, FOXE1, receptor TSH Insuficiência hipofisária (tumor) Síndrome de resistência ao hormônio tireoidiano Insuficiência hipotalâmica(raro) Pós-ablação (cirurgia, iodo radioativo) Tireoidite de Hashimoto Deficiência de iodo Fármacos (lítio, iodetos, ácido p-aminossalicílico) Defeitos congênitos de biossíntese 🦠 Tireoidites Autoimunes Inflamação da tireoide com variação de sintomas. Tireoidite de Hashimoto: Doença autoimune que destrói o parênquima tireoidiano. AP2 FARMACO 16 Principal causa de hipotireoidismo em áreas com iodo suficiente. Predominância feminina 10201, idade 4565 anos. Caracterizada por infiltração linfocitária e destruição dos tireócitos. 💊 Farmacologia dos Hormônios Tireoidianos e Antitireoidianos Hormônios tireoidianos: Levotiroxina T4 sintética) é o tratamento de escolha para reposição e supressão. Vantagens: estabilidade, uniformidade, baixo custo, meia-vida longa 7 dias), administração diária. T3 dessecada não aprovada no Brasil pela ANVISA. Indicações para reposição de T4 Hipotireoidismo primário Hashimoto, pós-iodo radioativo, congênito, pós- cirurgia). Farmacocinética: T4 absorvida principalmente no duodeno e íleo. Biodisponibilidade oral: 7080% (varia com formulação). T3 absorção quase total 95%. Interações medicamentosas: Aumentam metabolismo: nicardipino, fenitoína, carbamazepina, rifampicina, inibidores da tirosina cinase, sertralina, quetiapina. Inibem 5'-desiodinase: amiodarona, betabloqueadores, corticosteroides, propiltiouracila. Interferem na absorção intestinal: bisfosfonatos, colestiramina, inibidores da bomba de prótons, ferro, cálcio, soja, café. Induzem doença autoimune: interferonas, lítio, amiodarona, inibidores da tirosina cinase. 💊 Fármacos Antitireoidianos Mecanismos de ação: Inibem síntese hormonal (tioamidas). Modificam resposta tecidual. Destruição glandular (radiação, cirurgia). Bociogênicos: suprimem secreção de T3 e T4. AP2 FARMACO 17 Principais fármacos: Tioamidas: Tiamazol (metimazol) e propiltiouracila PTU. Inibem TPO, bloqueiam organificação do iodo e acoplamento das iodotirosinas. PTU também inibe desiodação periférica de T4 em T3. Farmacocinética: Tiamazol: alta biodisponibilidade 90100%, meia-vida 46 h, efeito prolongado por acumulação na tireoide. PTU biodisponibilidade variável 5080%, meia-vida curta 12 h), doses múltiplas diárias. Inibidores aniônicos: perclorato, pertecnetato, tiocianato bloqueiam captação de iodeto por competição. Uso clínico: perclorato para hipertireoidismo induzido por iodeto. Iodetos: inibem organificação e liberação hormonal, reduzem tamanho e vascularidade da tireoide. Podem induzir hipertireoidismo (fenômeno Jod-Basedow) ou hipotireoidismo. Iodo radioativo I131 Tratamento da tireotoxicose. Emite radiação β que destrói parênquima tireoidiano. Meia-vida efetiva 5 dias. Contraindicações: gravidez e lactação. Bloqueadores dos receptores adrenérgicos: Propranolol usado para controle dos sintomas simpáticos. Em doses elevadas, pode reduzir conversão de T4 em T3. ⚡ Farmacologia da Dor Conceito de dor IASP experiência sensorial e emocional desagradável associada a lesão tecidual real ou potencial. Tipos de dor: Nociceptiva: lesão de tecidos (ossos, músculos, ligamentos), responde bem a analgésicos e AINEs. Neuropática: causada por lesão ou disfunção do sistema nervoso, responde mal a analgésicos comuns. AP2 FARMACO 18 Mista: combinação de nociceptiva e neuropática (ex: radiculopatia, dor oncológica). Avaliação da dor: Escala numérica de 0 a 10 para quantificação subjetiva. Arquitetura da dor: Envolve processos neuroquímicos complexos no sistema nervoso central e periférico. Escala analgésica OMS Degrau 1 Analgésicos simples (dipirona, paracetamol, AINEs). Degrau 2 Opioides fracos (tramadol, codeína) + analgésicos simples. Degrau 3 Opioides fortes (morfina, metadona, oxicodona, fentanil) + analgésicos simples. 💊 Tratamento da Dor Neuropática Baseado em antidepressivos tricíclicos e antiepilépticos. Opioides reservados para casos refratários. Sequência terapêutica: Antidepressivos tricíclicos. Antidepressivos + antiepilépticos tradicionais. Antidepressivos + gabapentina. Antidepressivos + gabapentina + morfina. 💊 Farmacologia dos Opioides Conceitos: Opiáceos: derivados naturais do ópio (morfina, codeína). Opioides: compostos com propriedades farmacológicas similares, naturais ou sintéticos. Narcótico: termo histórico, hoje associado a uso ilícito. Peptídeos opioides endógenos: met-encefalina, leu-encefalina, β-endorfina, dinorfinas, endomorfinas, nociceptina. Receptores opioides (acoplados a proteína G μ (mu): analgesia supraespinal e espinal, sedação, depressão respiratória, modulação hormonal. δ (delta): analgesia, modulação hormonal. AP2 FARMACO 19 κ (kappa): analgesia, efeitos psicomiméticos, redução do trânsito gastrointestinal. Mecanismos de ação: Inibição da adenilato ciclase. Redução da entrada de Ca²⁺. Aumento da saída de K (hiperpolarização). Modulação da PKC e PLC. Classificação dos opioides: Agonistas puros (morfina, fentanila, metadona). Agonistas/antagonistas mistos (nalbufina). Antagonistas (naloxona, naltrexona). 💊 Características dos Opioides Potentes analgésicos. Antitussígenos. Antiperistálticos intestinais (constipação). Alto potencial de abuso e dependência física. Efeitos adversos: depressão respiratória, náuseas, vômitos, prurido, rigidez muscular, imunossupressão. Contraindicações: depressão respiratória, doença pulmonar crônica, hepática ou renal, hipertrofia prostática, aumento da pressão intracraniana, hipersensibilidade. 💊 Agentes Específicos Opioides Fármaco Características principais Morfina Derivado do ópio, via oral preferida, atravessa BHE, metabolismo hepático, meia-vida longa. Codeína Menor analgesia, maior antitussígeno, metabolizada pelo CYP2D6, meia-vida 24 h. Petidina Sintética, analgésico inferior à morfina, espasmolítico, menos constipante, risco de toxicidade em idosos. Levorfanol Agonista morfinano, inibe recaptação de serotonina e norepinefrina, antagonista NMDA. Fentanila Sintético, 80100x mais potente que morfina, ação curta, usado em anestesia e dor grave, metabolismo hepático. Metadona Agonista μ, meia-vida longa 35 h), usado em dor crônica e tratamento de abstinência. AP2 FARMACO 20 Oxicodona Agonista potente, alto risco de dependência, indicado para dor moderada a severa. Hidromorfona Analgésico para dor moderada a grave, liberação prolongada disponível. Tramadol Agonista fraco μ, inibe recaptação de serotonina e norepinefrina, usado para dor neuropática. 💊 Antagonistas Opioides Naloxona: antagonista competitivo, reversão rápida de overdose, via IV/IM, baixa biodisponibilidade oral. Naltrexona: antagonista puro, usado para dependência de álcool e opioides, requer abstinência prévia para evitar abstinência precipitada. Forma intranasal de naloxona aprovada para uso emergencial. 🔥 Farmacologia da Inflamação Processo inflamatório: induzido por agentes físicos, químicos, lesões, fármacos, mediadores endógenos (histamina, serotonina). Mediadores da inflamação: prostaglandinas, leucotrienos, citocinas. Tratamento farmacológico: Sintomático para inflamação localizada. Antimicrobianos para inflamação infecciosa. AINEs e corticosteroides para inflamação sistêmica, subaguda ou crônica. Imunomoduladores para modificar curso da doença. 💊 Anti-inflamatórios Não Esteroidais AINES Mecanismo de ação: inibição da enzima cicloxigenase COX1 e COX2, bloqueando síntese de prostaglandinas, prostaciclina e tromboxanas. COX1 constitutiva, protege mucosa gástrica, função plaquetária. COX2 induzida na inflamação. Efeitos adversos comuns: Gastrointestinais: dor, erosão, úlcera, sangramento. Renais: retenção de sódio e água, edema, piora da função renal. Cardiovasculares: risco aumentado de infarto e AVC. Hipersensibilidade: rinite, asma, urticária. Interações medicamentosas: Potencialização com cafeína e opioides. AP2 FARMACO 21 Interferência com anti-hipertensivos e diuréticos.AAS varfarina aumenta risco hemorrágico. 📋 Principais AINES e suas características Classe/Fármaco Indicações principais Comentários principais Ácido acetilsalicílico Antiplaquetário, antipirético, analgésico Risco de úlcera, contraindicado em crianças Dipirona Analgésico, antipirético Risco de agranulocitose (controverso) Paracetamol Analgésico, antipirético Pouco anti-inflamatório, hepatotoxicidade em overdose Ibuprofeno Analgésico, antipirético, anti- inflamatório Considerado seguro, boa tolerância Diclofenaco Anti-inflamatório potente Maior seletividade para COX2, hepatotoxicidade Naproxeno Anti-inflamatório, analgésico Longa meia-vida, menor risco cardiovascular Indometacina Anti-inflamatório potente Efeitos adversos limitam uso Piroxicam, Meloxicam Anti-inflamatórios de longa ação Meloxicam mais seletivo para COX2 Nimesulida Inibidor seletivo da COX2 Embriotoxicidade, uso restrito Coxibes Etoricoxibe) Inibidor seletivo da COX2 Menor toxicidade gástrica, risco cardiovascular 💊 Anti-inflamatórios Esteroidais Glicocorticoides) Derivados do cortisol com potente ação anti-inflamatória e imunossupressora. Atuam ligando-se a receptores intracelulares, modulando transcrição gênica. Inibem citocinas inflamatórias e estimulam genes anti-inflamatórios. Regulação pela via hipotálamo-hipófise-adrenal CRH ACTH cortisol). Farmacocinética: Administração oral, IV, IM, tópica, intra-articular. Metabolismo hepático (pró-fármacos ativados no fígado). Meia-vida varia conforme o fármaco. Usos terapêuticos: Reações alérgicas graves, asma, artrite reumatoide, doenças inflamatórias intestinais, alguns cânceres. Não curativos, mas controlam sintomas. AP2 FARMACO 22 Exemplos: hidrocortisona, prednisona, metilprednisolona, dexametasona, betametasona, triancinolona, budesonida, fluticasona. ⚠ Efeitos adversos dos corticosteroides Sistema nervoso: insônia, euforia, depressão, psicose. Hematológico/imunológico: leucocitose, imunossupressão. Endócrino/metabólico: hiperglicemia, síndrome de Cushing, supressão do eixo HHA. Digestório: úlcera péptica, pancreatite. Músculo-esquelético: osteoporose, miopatia. Pele: adelgaçamento, estrias, acne. Oculares: glaucoma, catarata. Retenção de sódio, hipocalemia, edema, hipertensão. Descontinuação deve ser gradual para evitar insuficiência adrenal aguda. Resumo visual dos principais conceitos: Tema Aspectos-chave Metabolismo tireoidiano Transporte iodeto, oxidação, organificação, conversão periférica T4 T3 Hipertireoidismo Doença de Graves, bócio multinodular, adenoma, sintomas hipermetabólicos Hipotireoidismo Primário (autoimune, congênito, iatrogênico), secundário (central), manifestações clínicas Antitireoidianos Tioamidas (tiamazol, PTU, iodetos, iodo radioativo, bloqueadores adrenérgicos Dor Tipos (nociceptiva, neuropática, mista), avaliação, tratamento escalonado OMS Opioides Receptores μ, δ, κ; agonistas, antagonistas; fármacos específicos; efeitos adversos Inflamação Mediadores, tratamento farmacológico AINES, corticosteroides) AINES Inibição COX1/COX2, efeitos adversos gastrointestinais, renais e cardiovasculares Corticosteroides Mecanismo genômico, usos terapêuticos, efeitos adversos sistêmicos e cuidados na descontinuação 🧪 Hormônios: Definição e Classificação Hormônios Substâncias biologicamente ativas que atuam em pequenas quantidades. AP2 FARMACO 23 Produzidos em órgãos/tissues específicos, podem ser armazenados e exercer função em outros locais, transportados pela corrente sanguínea. Classificação quanto à solubilidade: Tipo Exemplos Características principais Lipossolúveis Hormônios esteroides (derivados do colesterol), hormônios tiroidianos Atravessam livremente a membrana plasmática, atuam modificando a expressão gênica. Hidrossolúveis Adrenalina, noradrenalina, peptídeos, proteínas Não atravessam a membrana plasmática, ligam- se a receptores de superfície celular, utilizam segundos mensageiros intracelulares. Tipos de receptores hormonais: Intracelulares Hormônios lipossolúveis atravessam a membrana e interagem com receptores dentro da célula, alterando a expressão gênica. De superfície celular Hormônios hidrossolúveis ligam-se a receptores na membrana, ativando segundos mensageiros. Exemplos de hormônios com receptores intracelulares: Esteróides: Andrógenos, Estrógenos, Progestágenos, Glicocorticóides, Mineralocorticoides Hormônio tiroidiano: Tiroxina, Tironina Calcitriol Vitamina D Ácido retinóico Vitamina A 🏭 Hormônios Esteroidais: Locais de Produção e Subdivisão Locais de produção: Órgão Hormônios Produzidos Exemplos específicos Córtex adrenal Corticoides Mineralocorticoides: Aldosterona Glicocorticoides: Cortisol, Corticosterona Gônadas Hormônios sexuais Testículos: Andrógenos Testosterona) Ovários: Estrógenos Estradiol), Progesterona Subdivisão dos hormônios sexuais: Feminino Estrógeno e Progesterona (usados em anticoncepcionais) Masculino Andrógenos Testosterona) AP2 FARMACO 24 Corticóides ou Corticosteróides: Glicocorticoides: Anti-inflamatórios esteroidais Mineralocorticoides: Aldosterona ♀ Hormônios Sexuais Femininos: Funções e Efeitos Estrógeno: Responsável pelo desenvolvimento sexual feminino e ciclo menstrual. Composto esteroide derivado do colesterol. Funções principais: Induz proliferação celular em vários tecidos (ex: musculatura lisa do útero pode duplicar ou triplicar de tamanho após puberdade). Atua no endométrio, regulando o ciclo menstrual. Promove alterações em: Endométrio uterino Mucosa vaginal Muco cervical Glândulas mamárias Epífises ósseas (↑ influxo de cálcio, ↑ atividade dos osteoblastos → mineralização óssea) Mamilos e aréolas Pele (↑ melanogênese → manchas) Progesterona: Pouco envolvida no desenvolvimento dos caracteres sexuais femininos. Principal função: preparar o útero para aceitação do embrião e preparar as mamas para secreção láctea. Funções principais: Aumenta atividade secretória das glândulas mamárias e células do endométrio. Espessa o endométrio e aumenta vascularização. Inibe contrações uterinas, prevenindo expulsão do embrião/feto. 🔄 Ciclo Menstrual: Fases e Hormônios Envolvidos Controlado pela secreção alternada de: AP2 FARMACO 25 Hormônios hipofisários: Folículo-estimulante FSH e Luteinizante LH Hormônios ovarianos: Estrogênios e Progesterona Fases do ciclo menstrual: Fase Descrição Duração aproximada 1. Fase menstrual Menstruação, descamação do endométrio 3 a 7 dias 2. Fase proliferativa Secreção de estrógeno pelo folículo ovariano em maturação Até ovulação 3. Fase secretora Pós-ovulação, ação intensa do corpo lúteo, preparação do endométrio para implantação Cerca de 14 dias 4. Fase pré- menstrual Queda dos hormônios ovarianos, isquemia do endométrio, sintomas de TPM Cerca de 2 dias Sintomas da fase pré-menstrual: dor de cabeça, dor nas mamas, irritabilidade, insônia TPM. 💊 Métodos Contraceptivos Tipos: Comportamentais Método do calendário Tabelinha) De barreira Camisinha Hormonais Anticoncepcional Hormonal Combinado Oral AHCO Cirúrgicos Laqueadura tubária, Vasectomia 💉 Anticoncepcional Hormonal Combinado Oral (AHCO) Combinação de estrogênio + progesterona. Mecanismos de ação: Inibe ovulação. Modifica muco cervical, tornando-o hostil ao espermatozoide. Altera condições endometriais. Modifica contratilidade das tubas uterinas, interferindo no transporte ovular. Tipos de pílulas: Tipo Características Uso e Observações Monofásicas Mesma dosagem de estrogênio e progesterona em todas as pílulas da Tomar 1/dia, 21 dias, pausa de 7 dias (menstruação) AP2 FARMACO 26 cartela Multifásicas Dosagens variam conforme fase do ciclo, cores diferentes para cada fase Menos efeitos colaterais, não podem ser tomadas fora da ordem Minipílulas Apenas progesterona, dose baixa Indicadas para amamentação, menos efeitos colaterais, uso contínuo sem pausa 📊 Tabela: Progestogênios e Características em Anticoncepcionais Combinados ProgestogênioNome Comercial Características principais Levonorgestrel EVANOR, LOVELLE, NEOVLAR Efeitos androgênicos, efeitos mineralocorticoides Ciproterona DIANE, SELENE Efeito antiandrogênico, efeitos mineralocorticoides Clormadinona BELARA, AIXA Efeito antiandrogênico, efeitos mineralocorticoides Desogestrel FEMINA, MERCILON, PRIMERA Caráter androgênico mínimo, efeitos mineralocorticoides Norgestimato - Caráter androgênico mínimo, efeitos mineralocorticoides Gestodeno GYNERA, MINISSE, MINULET, MIRELLE Não interfere no metabolismo proteico, menor atividade mineralocorticoide Drospirenona YASMIN Antimineralocorticoide, sem atividade androgênica, estrogênica e glicocorticoide 🗓 Esquemas de Uso das Pílulas Esquema Descrição Observações Monofásico 21 comprimidos com mesma dosagem, pausa de 7 dias para menstruação Uso clássico; uso moderno sem pausa para anemia, cólica, TPM Bifásico Combinação fixa de estrogênio e progestogênio por 7 dias, depois combinação diferente por 15 dias, pausa de 6 dias Reinício no 7º dia independente da menstruação Trifásico Três séries de comprimidos com dosagens variadas de estrogênio e progestogênio, 21 dias de uso, pausa de 7 dias Reinício no 8º dia independente da menstruação Tetrafásico Exemplo: Qlaira® com 4 fases de dosagens variadas, 28 comprimidos (incluindo 2 sem hormônio) Uso mais recente, variação hormonal mais complexa ⚠ Esquema para Esquecimento de Pílulas AP2 FARMACO 27 Se mais de 1 comprimido esquecido: consultar médico. Se 1 comprimido esquecido 12h atraso): Semana 1 tomar comprimido esquecido, usar precauções por 7 dias. Semana 2 tomar comprimido esquecido, continuar cartela. Semana 3 tomar comprimido esquecido, pular intervalo sem comprimidos, iniciar próxima cartela. Se não seguir essas orientações, interromper cartela e respeitar intervalo sem comprimidos (máx. 7 dias). 💊 Anticoncepcionais Orais Monofásicos: Exemplos Comerciais Produto Distribuidor) Estrogênio (mg) Progestogênio (mg) Apresentação ANFERTIL Wyeth) 0,030 0,500 (norgestrel) 21 comprimidos CYCLO 21 União Química) 0,030 0,150 (levonorgestrel) 21 drágeas CICLOVULON Sanval) 0,050 0,250 (noretisterona) 21 comprimidos DIMINUT Libbs) 0,020 0,075 (gestodeno) 21 comprimidos FEMINA Achê) 0,020 0,150 (desogestrel) 21 comprimidos MERCILON Akzo Organon Teknika) 0,020 0,150 (desogestrel) 21 comprimidos ... ... ... ... 🌿 Monofásico Bioidêntico Exemplo: Stezza® (acetato de nomegestrol 17β-estradiol) Hormônios com estrutura química idêntica aos produzidos no corpo humano. Disponíveis há muito tempo, mas o termo "bioidêntico" é usado indevidamente para hormônios manipulados. ⚠ Efeitos Colaterais dos Anticoncepcionais Hormonais Náuseas, depressão, irritabilidade Ganho de peso Fotossensibilidade e manchas Elevação da pressão arterial PA Aumento do risco cardiovascular 2 a 12 vezes) Diminuição da tolerância à glicose (reversível) AP2 FARMACO 28 Alterações laboratoriais (ex: tireoide) Maior incidência de vaginites (candidíase) Alterações no fluxo menstrual Enxaqueca Problemas hepáticos Deficiência de folatos e vitamina B6 Alterações na libido Progestogênios androgênicos podem causar alopecia, seborreia, acne, hirsutismo, tensão mamária (retenção hídrica) ⚠ Riscos e Contraindicações Risco de tromboembolismo: aumenta 3 a 9 vezes após cirurgia; risco de AVC tromboembólico e hemorrágico aumentado, agravado pelo tabagismo. Estrogênios aumentam HDL e VLDL; progestogênios reduzem HDL. Contraceptivos com 35 µg de estrogênio causam pouca alteração no metabolismo lipídico. Contraindicações absolutas: Enxaqueca com aura (pré-existente ou induzida) Presença de múltiplos fatores de risco para AVC (tabagismo, hipertensão, hiperlipidemia) 🩺 Critérios para Prescrição Segura de COs Avaliação detalhada da história pessoal e familiar, com atenção a: Idade Tabagismo Risco trombótico AVC, infarto) Câncer (mama, útero) Doenças (hipertensão arterial, diabetes, enxaqueca) Orientar paciente a procurar médico se apresentar: Aumento da PA Alterações na massa corporal Candidíase vaginal AP2 FARMACO 29 Enxaqueca Retenção de líquidos Sangramento vaginal irregular 💊 Interações Medicamentosas com Contraceptivos Orais Medicamento/Classe Efeito sobre contraceptivos orais CO Rifampicina Indução do sistema microssomal hepático → aumento do metabolismo dos CO Penicilinas V, G, ampicilina, amoxicilina), cefalosporinas, metronidazol Alteração da flora intestinal → diminuição da recirculação entero-hepática dos estrógenos Tetraciclinas, eritromicina Indução enzimática e alteração da flora intestinal Barbituratos, fenitoína Indução enzimática Antidiabéticos orais, antihipertensivos Podem alterar eficácia dos COs 💉 Contraceptivos Hormonais com Progestogênios (Minipílulas) Mecanismo de ação local: Alteram muco cervical (mais ácido e viscoso), dificultando passagem dos espermatozoides. Reduzem contrações tubárias. Em doses altas, podem inibir ovulação. Progesterona diminui pulsos de GnRH. Menos confiáveis que pílulas combinadas (perda de dose pode causar gravidez). Alterações menstruais comuns (sangramento irregular). Indicações: Mulheres amamentando (não interferem na lactação). Mulheres com câncer dependente de estrogênio. Mulheres com enxaqueca. Exemplos comerciais: Nome Comercial Composição Observações NORTREL Levonorgestrel 0,030 mg Uso contínuo a partir do 2º dia do ciclo AP2 FARMACO 30 MICRONOR Noretisterona NORESTIN Noretindrona 0,35 mg EXLUTON Linestrenol 0,5 mg CERAZETTE Desogestrel 0,075 mg RAM hemorragia vaginal irregular, edema, alterações de apetite, depressão DUPHASTON Didrogesterona 10 mg Precauções: doença hepática, sangramento não diagnosticado, hiperlipidemia, gravidez (contraindicado). ⏰ Pílula do Dia Seguinte (Anticoncepção de Emergência) Uso até 72 horas após relação sexual desprotegida. Indicações: falha ou ausência de método contraceptivo, estupro. Exemplos comerciais: POSTINOR2 (levonorgestrel 1,5 mg) PREVIDEZ2 Administração: 1ª dose até 72h após relação 2ª dose 12h após a primeira Repetir dose se vômito ocorrer até 2h após ingestão Índice de falha: Até 24h: 5% 2548h: 15% 4972h: 42% Mecanismo de ação: Antes do pico de LH impede ou retarda ovulação 85% dos casos). Após ovulação: altera transporte de espermatozoides e óvulo, espessando muco cervical, dificultando fertilização. Não há evidência de ação pós-fecundação ou aborto. 💉 Anticoncepcionais Injetáveis Tipo Composição Frequência Características principais Mensais Estrogênios + progesterona Mensal Alta eficácia 99,5%, não dependem do trato gastrintestinal, podem causar AP2 FARMACO 31 irregularidade menstrual, cefaleia, náuseas, irritabilidade. Indicado para mulheres com dificuldade em tomar pílulas. Trimensais Somente progesterona A cada 3 meses Supressão da ovulação, muco cervical espesso, endométrio hipotrófico. Reversibilidade lenta, não indicado para adolescentes. Pode causar ganho de peso, irregularidade menstrual. Aplicação: preferencialmente nas nádegas, sem massagear o local. Primeira dose até 7º dia do ciclo; se após, usar método complementar por 7 dias. 🩹 Adesivos Contraceptivos Método hormonal combinado (estrogênio + progesterona). Composição: norelgestromina (progesterona) + etinilestradiol (estrogênio sintético). Liberação gradual pela pele, bloqueia ovulação e altera muco cervical. Eficácia equivalente à pílula oral. Aplicação: várias áreas do corpo (quadril, abdômen, braço, costas). Uso: 3 adesivos semanais consecutivos, seguido de pausa de 7 dias para menstruação. 💊 Implantes Contraceptivos Pequena cápsula subcutânea contendo etonogestrel 4 cm x 2 mm). Duração: 6 meses, 1 ano ou 3 anos. Mecanismo: impede liberação do óvulo, altera muco cervical, dificulta entrada de espermatozoides. Eficácia: 99%, equivalente à ligadura de trompas. Fertilidade retorna rapidamente após remoção. Efeitos adversos possíveis: Sangramento fora do período menstrual Amenorreia Acne Dor nasmamas Cefaleia Aumento de peso AP2 FARMACO 32 Dor abdominal Diminuição da libido Tonturas Dor no local do implante Náuseas Alterações de humor Usado também para tratamento coadjuvante da dismenorreia e prevenção de gravidez ectópica. 💊 Antiandrógenos Exemplo: Ciproterona Estrutura semelhante a gestágeno. Usos: Combinado com estrogênio (ex: Diane 35®) para tratamento de acne e hirsutismo. Em homens, inibe espermatogênese. Resumo Visual: Hormônios Esteroides e Contraceptivos Tema Detalhes principais Hormônios esteroides Lipossolúveis, atravessam membrana, atuam em receptores intracelulares, derivados do colesterol Produção Córtex adrenal (corticoides), gônadas (hormônios sexuais) Hormônios sexuais femininos Estrógeno (proliferação celular, ciclo menstrual), Progesterona (preparação uterina e mamária) Ciclo menstrual 4 fases: menstrual, proliferativa, secretora, pré-menstrual Métodos contraceptivos Comportamentais, barreira, hormonais (oral, injetável, adesivos, implantes), cirúrgicos Anticoncepcionais orais Combinados (estrogênio + progesterona), monofásicos, multifásicos, minipílulas Efeitos colaterais Náuseas, alterações menstruais, risco cardiovascular, alterações metabólicas Contraindicações Enxaqueca com aura, fatores de risco cardiovascular, tabagismo, hipertensão Interações medicamentosas Rifampicina, antibióticos, barbituratos, anticonvulsivantes AP2 FARMACO 33 Anticoncepção de emergência Levonorgestrel, uso até 72h após relação, impede ovulação e fecundação Injetáveis Mensais (estrogênio + progesterona), trimensais (progesterona), alta eficácia, efeitos adversos Adesivos Liberação transdérmica, eficácia similar à pílula, uso semanal com pausa Implantes Etonogestrel subcutâneo, longa duração, alta eficácia, efeitos adversos possíveis Antiandrógenos Ciproterona, tratamento de acne, hirsutismo, inibição da espermatogênese em homens 🍄 Só mecanismo de ação 🛎 Cascata de coagulação AP2 FARMACO 34 https://www.notion.so/S-mecanismo-de-a-o-1f560ce6a63c80748143e86c1b58add4?pvs=21 https://www.notion.so/S-mecanismo-de-a-o-1f560ce6a63c80748143e86c1b58add4?pvs=21 https://www.notion.so/S-mecanismo-de-a-o-1f560ce6a63c80748143e86c1b58add4?pvs=21 https://www.notion.so/Cascata-de-coagula-o-1f660ce6a63c8030bca5c5a3f0cefbc2?pvs=21 https://www.notion.so/Cascata-de-coagula-o-1f660ce6a63c8030bca5c5a3f0cefbc2?pvs=21 https://www.notion.so/Cascata-de-coagula-o-1f660ce6a63c8030bca5c5a3f0cefbc2?pvs=21